Comércio - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/comercio/ Portal de noticias e análises sobre política brasileira, geopolítica, economia, tecnologia, sempre numa perspectiva democrática, progressista, anti-imperialista e multipolar! Wed, 08 Apr 2026 12:41:19 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://controle.ocafezinho.com/wp-content/uploads/2015/10/cropped-Logo_Cafezinho_tmb-32x32.png Comércio - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/comercio/ 32 32 China ultrapassa EUA e consolida liderança como maior parceiro comercial da Índia https://www.ocafezinho.com/2026/04/08/china-ultrapassa-eua-e-consolida-lideranca-como-maior-parceiro-comercial-da-india/ https://www.ocafezinho.com/2026/04/08/china-ultrapassa-eua-e-consolida-lideranca-como-maior-parceiro-comercial-da-india/#respond Wed, 08 Apr 2026 12:41:19 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/04/08/china-ultrapassa-eua-e-consolida-lideranca-como-maior-parceiro-comercial-da-india/ A China se consolidou como o maior parceiro comercial da Índia no ano fiscal de 2025-26, superando os Estados Unidos em volume de trocas comerciais.

De acordo com declarações do embaixador chinês em Nova Deli, Xu Feihong, o comércio bilateral entre os dois países atingiu a marca de US$ 137 bilhões entre abril de 2025 e fevereiro de 2026.

Em uma publicação na plataforma X, Xu destacou que a China manteve essa posição de destaque por 11 meses consecutivos. Durante o mesmo período, o comércio entre Índia e EUA alcançou US$ 127,8 bilhões, ficando atrás do volume registrado com Pequim.

Até o ano fiscal anterior, de 2024-25, os Estados Unidos ocupavam o posto de principal parceiro comercial da Índia por quatro anos seguidos. Essa mudança na dinâmica reflete alterações nas políticas comerciais globais e nas prioridades econômicas de Nova Deli.

Dados recentes mostram que as relações comerciais entre Índia e China ganharam impulso, mesmo em meio a tensões geopolíticas históricas entre os dois países. Qin Jie, cônsul-geral da China em Mumbai, reforçou que o comércio bilateral entre os vizinhos asiáticos permanece resiliente e não será impactado por pressões externas, destacando o compromisso de ambas as nações com o multilateralismo e a promoção de um sistema comercial mais aberto.

A Índia também tem buscado diversificar suas parcerias econômicas. No início de 2026, o país firmou um importante pacto comercial com a União Europeia, seguindo acordos semelhantes selados em 2025 com o Reino Unido, Omã e Nova Zelândia.

Essas iniciativas demonstram o esforço de Nova Deli para ampliar suas redes de comércio e reduzir dependências de mercados específicos. Conforme apurado pelo portal RT, o fortalecimento das trocas com a China sinaliza uma nova fase nas relações econômicas entre as duas potências asiáticas, marcada por cooperação mais estreita em setores estratégicos.

Os números também revelam a capacidade da Índia de navegar em um cenário internacional complexo, equilibrando parcerias com grandes economias enquanto mantém sua autonomia em decisões comerciais.

A ascensão da China como principal parceiro comercial ocorre em um momento em que os Estados Unidos enfrentam críticas por políticas protecionistas que, segundo analistas, podem ter contribuído para a perda de espaço em mercados emergentes como o indiano. Esse cenário reforça a percepção de que os interesses econômicos da Índia estão se alinhando cada vez mais com parceiros que priorizam resultados concretos.

Essa transição no ranking de parceiros comerciais da Índia evidencia a crescente influência da China na economia global, especialmente na Ásia, onde os laços comerciais se tornam um contrapeso às tensões políticas.

O volume de US$ 137 bilhões em trocas bilaterais não apenas consolida a posição de Pequim, mas também aponta para um cenário em que a cooperação econômica entre os dois gigantes asiáticos pode redefinir prioridades no comércio internacional. Enquanto isso, os Estados Unidos terão de reavaliar suas estratégias para recuperar terreno em um mercado tão crucial quanto o indiano.

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Reino Unido e China devem retomar relações comerciais da “Era de Ouro” https://www.ocafezinho.com/2026/01/21/reino-unido-e-china-devem-retomar-relacoes-comerciais-da-era-de-ouro/ https://www.ocafezinho.com/2026/01/21/reino-unido-e-china-devem-retomar-relacoes-comerciais-da-era-de-ouro/#respond Wed, 21 Jan 2026 17:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=224828 Fontes dizem que Starmer pretende redefinir o diálogo entre o Reino Unido e a China

Durante a visita do o primeiro-ministro Keir Starmer à Pequim na próxima semana, existe a expectativa de ser retomado o diálogo comercial da “era de ouro”, segundo relataram fontes familiarizadas com a iniciativa.

As fontes são empresas britânicas e chinesas que devem se juntar a um “Conselho de CEOs Reino Unido-China” reformulado. Executivos de alto escalão de empresas de ambos os países foram convidados a participar.

O conselho foi originalmente idealizado pelos primeiros-ministros em 2018, Theresa May e Li Keqiang, durante um período de relações que ambos os lados apelidaram de “uma era de ouro”.

Embaixada de Londres dá sinal verde para visita

As negociações já estavam em andamento há algum tempo.

Mas a visita de Starmer dependia em grande parte da aprovação para a construção, em Londres, da maior embaixada chinesa na Europa. O sinal verde foi concedido na terça-feira e as conversas começaram de fato.

Detalhes como o nome oficial do grupo em inglês ainda precisam ser definidos: o governo britânico está relutante em incluir “CEO” no título, enquanto o lado chinês planeja manter a mesma tradução em chinês usada em 2018.

O primeiro-ministro Li Qiang, o segundo na hierarquia do governo chinês, deverá ser o representante de Pequim, caso as negociações prossigam. O lado britânico poderá anunciar a visita e a agenda de Starmer já na sexta-feira.

Todas as fontes alertaram, no entanto, que as ameaças do presidente dos EUA, Donald Trump, de adquirir a Groenlândia, poderiam prejudicar a viagem de Starmer.

Starmer trabalha para restabelecer relações com a China

Uma visita de Starmer seria a primeira de um líder britânico desde 2018.

Seu governo busca redefinir os laços com a China, segunda maior economia do mundo, depois que sucessivos governos conservadores transformaram o Reino Unido de um dos maiores apoiadores de Pequim na Europa em um de seus críticos mais ferrenhos.

Em um discurso proferido no final do ano passado, o primeiro-ministro trabalhista acusou os governos conservadores anteriores de “negligência de dever” por permitirem que as relações com Pequim se deteriorassem, observando que o presidente francês, Emmanuel Macron, visitou a China duas vezes desde 2018 e os líderes alemães, quatro vezes.

As relações comerciais azedaram depois que o Reino Unido proibiu a chinesa Huawei de participar de suas redes 5G em 2020, e em 2022 parlamentares britânicos lideraram uma compra, financiada pelos contribuintes, da participação da China General Nuclear Power Corporation (CGN) em uma usina nuclear que estava sendo desenvolvida pela EDF, da França.

A CGN fazia parte do conselho original de CEOs, mas, assim como a Huawei, é improvável que se junte ao grupo reformulado, disse uma das fontes, citando sensibilidades políticas no Reino Unido em relação ao papel das empresas chinesas na infraestrutura crítica do país.

Na primeira reunião do conselho, em 2018, Li, da China, afirmou que o objetivo era “acelerar o investimento bilateral e expandir o comércio bilateral numa direção mais saudável e equilibrada”, segundo um comunicado divulgado pela Associação Chinesa de Empreiteiros Internacionais, uma das organizadoras da iniciativa.

Com informações da Reuters em 21/01/2025

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Parlamento Europeu paralisa acordo UE-Mercosul https://www.ocafezinho.com/2026/01/21/parlamento-europeu-paralisa-acordo-ue-mercosul/ https://www.ocafezinho.com/2026/01/21/parlamento-europeu-paralisa-acordo-ue-mercosul/#comments Wed, 21 Jan 2026 14:12:02 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=224794 4 Comentários 🔥]]> Deputados votam a favor de pedido para que Tribunal de Justiça da União Europeia avalie bases legais do acordo de livre comércio com o Mercosul, o que deve atrasar ratificação.

Os parlamentares da União Europeia aprovaram nesta quarta-feira (21/01) uma moção para contestar o acordo de livre comércio entre a UE e o Mercosul junto ao Tribunal de Justiça (TJUE) do bloco.

A determinação de uma revisão pelo tribunal superior europeu deve atrasar em até dois anos a ratificação do tratado, assinado no último sábado (17/01), no Paraguai, após mais de duas décadas de negociações.

Segundo o TJUE, este tipo de parecer demora, em média, entre 18 e 24 meses para ser proferido, embora a corte “tenha o controle total” sobre os procedimentos e “possa, quando as circunstâncias exigirem, dar prioridade a um pedido de parecer”.

Teoricamente, o acordo poderia entrar em vigor provisoriamente mais cedo, caso a Comissão Europeia tome uma decisão nesse sentido. O Comissário Europeu para o Comércio, Maroš Šefčovič, esclareceu antes da votação que ainda não havia sido tomada nenhuma decisão sobre a aplicação provisória e que o foco era obter o apoio do Parlamento Europeu.

A proposta foi aprovada por 334 eurodeputados e rejeitada por 324, com 11 abstenções. No dia anterior, milhares de agricultores europeus protestaram contra o acordo comercial em frente à sede do Parlamento Europeu, em Estrasburgo, na França.

Os apoiadores do acordo alertam que os governos do Mercosul estão perdendo a paciência com a União Europeia após 20 anos de negociações.

E argumentam que esse é o momento propício para efetivar a parceria, em função da política comercial errática de Donald Trump, com potencial de prejudicar os países da UE.

O que o tribunal vai analisar?

Um grupo de mais de 140 deputados apresentou uma ação pedindo que o TJUE avalie se o acordo é compatível com as leis e tratados vigentes antes de ser ratificado em plenário pelo Parlamento Europeu e pelos Estados-membros.

Os proponentes criticam a divisão do acordo em duas partes: ele consiste, por um lado, em um acordo de parceria que, como componente político abrangente, também precisa ser ratificado pelos Estados-membros da UE e, por outro lado, em um componente comercial que requer apenas a aprovação do Parlamento Europeu, permitindo assim que ele seja ratificado sem o consentimento dos parlamentos nacionais.

Além disso, os críticos veem um problema num mecanismo pelo qual os países do Mercosul podem exigir medidas compensatórias e indenizações.

A ação questiona ainda se cláusulas do tratado limitam a capacidade da UE de definir políticas ambientais, bem-estar animal e proteção ao consumidor.

A análise pela corte deve atrasar até mesmo a efetivação do instrumento provisório do acordo, além de colocar em dúvida os termos do Acordo de Parceria UE-Mercosul, que engloba a cooperação política e setorial, além de comércio e investimentos.

Se o parecer do tribunal for negativo, o acordo de livre comércio não poderá entrar em vigor, a menos que seja alterado.

O Parlamento Europeu informou que continuará a sua análise dos textos, enquanto aguarda o parecer do tribunal. Só então poderá votar para dar, ou não, seu consentimento ao acordo.

Comissão Europeia lamenta decisão

A Comissão Europeia lamentou que o Parlamento Europeu tenha decidido remeter o acordo comercial assinado entre a União Europeia (UE) e o Mercosul ao Tribunal de Justiça da UE e defendeu que o pacto é de importância vital para o bloco comunitário.

“Segundo nossa análise, as questões levantadas pelo Parlamento Europeu nesta moção não são justificadas porque a Comissão Europeia já as abordou de maneira muito profunda com o Parlamento”, disse o porta-voz do órgão executivo do bloco, Olof Gill.

Ele acrescentou que, além disso, essas questões já foram abordadas em outros tratados comerciais, em particular no acordo com o Chile.

Questionado sobre se o órgão cogita aplicar provisoriamente o acordo antes de um pronunciamento do TJUE, o porta-voz explicou que a Comissão continuará focada em manter o diálogo com os eurodeputados.

Moção de censura

Na quinta-feira, os eurodeputados votarão ainda uma nova moção de censura à Comissão Europeia contra o acordo comercial.

Para ser aprovada, a moção deve obter uma maioria de dois terços dos votos expressos, representando a maioria dos membros que compõem o Parlamento.

O que é o acordo UE-Mercosul?

O tratado de livre comércio visa facilitar o trânsito de mercadorias e serviços entre os 27 Estados-membros da UE e os quatro países do bloco econômico sul-americano.

Ele começou a ser negociado em 1999, mas só alcançou um entendimento entre as partes em 2019. Desde então, a parceria formal vem sendo costurada política e juridicamente, apesar das resistências principalmente por parte de agricultores franceses, que temem perder mercado para os produtos do Mercosul.

Uma vez ratificado, o acordo vai criar um mercado comum que abrange cerca de 720 milhões de pessoas e representará um Produto Interno Bruto (PIB) de mais de 22,4 trilhões de dólares (cerca de R$ 118 trilhões).

Com informações do DW e Reuters em 21/01/2026

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A guinada geopolítica do acordo UE-Mercosul https://www.ocafezinho.com/2026/01/17/a-guinada-geopolitica-do-acordo-ue-mercosul/ https://www.ocafezinho.com/2026/01/17/a-guinada-geopolitica-do-acordo-ue-mercosul/#comments Sat, 17 Jan 2026 18:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=224654 1 Comentário 🔥]]> Marcado por assimetria entre agro e indústria, tratado passa a ser visto por sul-americanos menos como motor econômico e mais como instrumento estratégico de autonomia em meio à disputa entre grandes potências.

A avaliação do acordo de livre-comércio entre a União Europeia e os países do Mercosul mudou profundamente na América do Sul nos últimos meses. Já não é a importância econômica que está no centro dos debates, mas sim a dimensão geopolítica. Os sul-americanos passaram a perceber o acordo, a ser assinado neste sábado na capital paraguaia, Assunção, sobretudo como uma oportunidade de reposicionamento em um mundo que muda rapidamente.

O principal responsável por isso é Donald Trump. O presidente dos Estados Unidos aumenta tarifas de forma arbitrária, retira os EUA de organizações internacionais, reivindica acesso aos recursos naturais de outras nações e interfere em suas políticas internas, como no caso do Brasil. Diante dessa situação, a União Europeia e Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai decidem seguir o caminho oposto: apostar na cooperação, em regras e na previsibilidade.

Que o acordo seja “histórico sobretudo por sua importância geopolítica” foi a conclusão do ministro da Fazenda, Fernando Haddad. O mundo não deveria se deixar arrastar para as tensões entre as grandes potências.

Preocupação com o crescente intervencionismo dos EUA

O analista político Thomas Traumann acredita que o chauvinismo econômico de Trump acabou até mesmo acelerando a conclusão do acordo UE–Mercosul. Em ambos os lados do Atlântico, teria ficado claro o quão importante é encontrar novos parceiros e deixar de lado antigas preocupações.

Para o Mercosul, o acordo tem ainda uma clara dimensão de segurança. A intervenção militar dos EUA na Venezuela e as ameaças militares de Trump contra Cuba, Colômbia, México e outros países são interpretadas como um sinal de que Washington está pronto para dominar o hemisfério conforme sua vontade.

Especialmente para o Brasil, que tradicionalmente defende princípios como soberania e não intervenção, o acordo confere mais peso internacional ao bloco sul-americano, além de fortalecê-lo internamente. O ministro das Relações Exteriores do Uruguai, Mario Lubetkin, fala em um “salto de qualidade” para toda a região.

O cientista político Oliver Stuenkel entende o tratado como uma decisão visionária. “Europa e América do Sul ampliaram suas opções estratégicas”, diz à DW, mostrando ainda ser possível firmar acordos baseados em regras. UE e Mercosul rejeitam a coerção, a arbitrariedade e a lei do mais forte.

Brasil trata acordo como questão de segurança em meio à pressão dos EUA | Mauro Pimentel/AFP

Matérias-primas estratégicas

Para o Brasil, o acordo é histórico, enfatiza Stuenkel. Ele permite a integração da indústria brasileira às cadeias globais de valor e traz as terras raras do país para o centro das atenções.

O Brasil detém cerca de 20% das reservas mundiais de minerais críticos, necessários para a produção de baterias, semicondutores, tecnologias energéticas e armamentos modernos. Em um momento de crescente dependência da China, que até hoje concentra quase um monopólio desses minerais, o tratado posiciona o Brasil como um ator relevante neste mercado.

Além disso, o acordo tornaria a América do Sul como um todo mais atrativa e lhe daria mais peso em futuros acordos comerciais, acredita Stuenkel.

Do ponto de vista puramente econômico, porém, o texto assinado revela o quão assimétricos são os interesses entre a UE e o Mercosul. Enquanto os sul-americanos ganham espaço para escoar produtos agrícolas, a Europa sai beneficiada com a redução de impostos para bens industriais, como máquinas, automóveis, produtos químicos e farmacêuticos.

Um estudo do braço europeu da Fundação Getulio Vargas (FGV) indicou que há o risco do acordo ser interpretado como um motor de crescimento para a América do Sul. “Existe o perigo de que os países do Mercosul fiquem presos ao papel de fornecedores de bens pouco processados”, afirma Mariana Fleischhauer, uma das autoras do estudo.

“Ao mesmo tempo, as indústrias locais sofrem pressão devido à forte concorrência europeia.” Segundo ela, os governos do Mercosul só poderiam enfrentar isso por meio de uma política industrial ativa.

Baixos efeitos econômicos

O acordo UE-Mercosul também não deveria ser superestimado do ponto de vista econômico, afirma Fleischhauer à DW.

Os efeitos positivos estariam mais na estabilização de preços e em melhores margens do que no aumento de fato dos volumes de exportação. A FGV calcula aumentos de longo prazo do PIB do Mercosul de apenas 0,3% a 0,5%, que deve ser puxado pelos países menores, Uruguai e Paraguai.

Por outro lado, o comércio com a UE oferece maior previsibilidade política do que o comércio com os EUA e menos volatilidade do que os negócios com a China, mas seus efeitos macroeconômicos gerais permanecem, por enquanto, limitados.

Por isso, é natural que os aspectos geopolíticos dominem a discussão atual sobre o acordo. A nova Estratégia de Segurança Nacional dos EUA, que define a América Latina como zona de influência de Washington, assim como o livro branco da China sobre a América Latina, no qual Pequim formula pela primeira vez ambições de poder na região, aumentaram o temor de que os países sul-americanos fiquem presos entre as duas grandes potências. Com o acordo UE–Mercosul, a América do Sul passa a ter uma alternativa.

Expectativas excessivas?

José Augusto Fontoura Costa, chefe do departamento de Direito Internacional da Universidade de São Paulo (USP), questiona as expectativas sobre o acordo. “Trata-se de uma tentativa de conter a desintegração das normas internacionais e das bases institucionais do comércio”, afirmou Fontoura Costa à DW. “Mas, por si só, ele não é capaz de reverter a erosão geral das instituições nem de restaurar o antigo papel da Europa nas relações com a América do Sul.”

No caso do Brasil, o tratado dificilmente será suficiente para romper as estruturas de desenvolvimento baseadas na exportação de commodities e reduzir a dependência da China e dos Estados Unidos, diz.

A secretária de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio do Brasil, Tatiana Prazeres, por outro lado, destaca um aspecto diferente. Para ela, a estratégia mais ampla do país é expandir globalmente a rede de acordos comerciais do Mercosul.

Nos últimos anos, foram estabelecidas parcerias com Singapura e com a EFTA, composta por Noruega, Suíça, Islândia e Liechtenstein, por exemplo. “Atualmente, estamos trabalhando em um acordo com os Emirados Árabes Unidos e ampliando o acordo com a Índia. Também mantemos negociações intensas com Vietnã, Indonésia e Canadá”, diz à DW.

Fica claro que o acordo UE-Mercosul é, para a América do Sul, muito mais do que um simples tratado de livre-comércio. O cientista político Stuenkel o descreve como um “instrumento para a ampliação da autonomia estratégica” em um mundo no qual as grandes potências buscam hegemonia. Manter opções em aberto é, segundo ele, a melhor coisa que a América do Sul pode fazer no momento.

Publicado originalmente pelo DW em 17/01/2026

Por Philipp Lichterbeck

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Quando o acordo UE-Mercosul começará a valer na prática? https://www.ocafezinho.com/2026/01/17/quando-o-acordo-ue-mercosul-comecara-a-valer-na-pratica/ https://www.ocafezinho.com/2026/01/17/quando-o-acordo-ue-mercosul-comecara-a-valer-na-pratica/#comments Sat, 17 Jan 2026 13:42:20 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=224651 2 Comentários 🔥]]> Implementação requer aprovação do Parlamento Europeu e dos congressos dos quatro países sul-americanos. Para entrar em vigor definitivamente, ainda é preciso aval dos parlamentos nacionais de cada um dos Estados da UE. Acordo integra mercado que reúne 720 milhões de pessoas

Depois de se arrastar por mais de um quarto de século, a novela que poderá criar a maior zona de livre comércio do mundo chegou à reta final, ao menos em partes.

Neste sábado (17/01), a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, desembarca em Assunção, capital paraguaia, para enfim assinar, ao lado dos representantes de Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia (UE).

Por questões de agenda, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, não viajará ao Paraguai. O Brasil será representado na cerimônia de assinatura pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. Na véspera (16), Lula recebeu Ursula e Costa no Rio de Janeiro, onde discutiram a implementação do acordo comercial e outros temas da agenda internacional.

O tratado que vai facilitar o trânsito de mercadorias e serviços entre os 27 Estados-membros da UE e os países do bloco econômico sul-americano começou a ser negociado em 1999, mas só alcançou um entendimento entre as partes em 2019. Desde então, a parceria formal vem sendo costurada política e juridicamente, apesar das resistências principalmente por parte de agricultores franceses, que temem perder mercado para os produtos do Mercosul.

O acordo vai criar um mercado comum que abrange cerca de 720 milhões de pessoas e representará um Produto Interno Bruto (PIB) de mais de 22,4 trilhões de dólares (cerca de R$ 118 trilhões). De acordo com o Ministério das Relações Exteriores (MRE), o tratado deverá injetar, em cerca de dez anos, R$ 37 bilhões na economia brasileira.

Quais são os próximos passos?

Depois da assinatura no Paraguai, o acordo deverá ser aprovado pelo Parlamento Europeu e pelos congressos dos quatro países sul-americanos.

O processo, no entanto, é mais complicado do que parece. Isso porque os envolvidos vão assinar, na verdade, dois documentos em vez de um: o Acordo Comercial Provisório (ITA, na sigla em inglês), que abrange apenas o comércio, e o Acordo de Parceria UE-Mercosul (EMPA), que engloba a cooperação política e setorial, além de comércio e investimentos.

Para o ITA, esse processo deverá ser mera formalidade, ao menos para os deputados de Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai; mas precisará de tempo. Em Brasília, por exemplo, o Planalto deverá enviar um projeto de lei, que será submetido a comissões específicas antes de ir ao plenário da Câmara e do Senado para receber a aprovação final e ser ratificado pelo presidente da República. De acordo com o vice-presidente, Geraldo Alckmin, isso deverá acontecer no segundo semestre de 2026.

Na Europa, no entanto, o trâmite poderá enfrentar obstáculos, principalmente por parte dos eurodeputados de países como França, Hungria e Polônia, mesmo que seja necessário apenas votos de uma maioria simples dos parlamentares. Esse instrumento não precisa passar pelos parlamentos nacionais de cada um dos países da União Europeia e já proporciona uma redução nas tarifas entre ambos os blocos.

Mas as discussões podem ainda durar meses até que haja um consenso. De acordo com a agência de notícias Reuters, a votação final deverá ocorrer até maio. Se o ITA for aprovado, o acordo Mercosul-UE começa a vigorar na prática.

Caminho bem mais longo

No entanto, para que o tratado completo previsto no EMPA seja concretizado, a rota será bem mais longa. Esse instrumento só será efetivado permanentemente após a aprovação por todos os parlamentos nacionais dos 27 Estados-membros da União Europeia, além das quatro nações do Mercosul. Em alguns países, como a Bélgica, o acordo também terá que ser votado por parlamentos regionais.

Nesse caso, as dúvidas sobre quando e se o EMPA entrará em vigor aumentam. Para se ter uma ideia, um acordo de livre-comércio entre União Europeia e Canadá, assinado em 2016 e que entrou em vigor com um instrumento provisório similar no ano seguinte, ainda espera a aprovação pelos parlamentares nacionais de dez membros do bloco europeu.

Acordo de livre comércio deverá impulsionar as exportações brasileiras e injetar, em dez anos, R$ 37 bilhões à economia do país | Pablo Porciuncula/AFP

Mas o acordo provisório ainda poderá enfrentar outros obstáculos, mais especificamente no território legal. Um grupo de 145 deputados afirma que os termos do ITA precisam ser submetidos a um parecer do Tribunal de Justiça da União Europeia antes de o projeto ir a plenário. O Parlamento Europeu votará na próxima semana a resolução para que esse pedido de análise do tratado seja enviado ao tribunal. Se aprovado, o processo pode atrasar até mesmo a efetivação do instrumento provisório do acordo.

Os opositores criticam o chamado “mecanismo de compensação”, que permitiria, por exemplo, que países do Mercosul exigissem alterações ao acordo caso políticas da UE afetem suas exportações e pedem que o acordo comercial não entre em vigor antes da ratificação completa por todos os países da UE.

Apoio da maior economia da Europa

Por outro lado, na Alemanha, terceira maior economia do mundo e o país mais rico da Europa, o acordo vem sendo defendido praticamente sem ressalvas pelo governo do chanceler federal Friedrich Merz. Segundo ele, o tratado é um “marco na política comercial europeia e um importante sinal da nosssa soberania estratégica e capacidade de ação”.

Já o ministro das Finanças alemão, Lars Klingbeil, utilizou os avanços no acordo com o Mercosul para criticar a política de sobretaxas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. “Enquanto outros se fecham e seguem uma política comercial cada vez mais agressiva, nós apostamos em novas parcerias”.

Segundo um estudo do instituto Ifo, encomendado pela Iniciativa Nova Economia Social de Mercado (Initiative Neue Soziale Marktwirtschaft), o tratado econômico com os países sul-americanos deve gerar um incremento de 4,1% nas exportações alemãs e um aumento de até 0,5% do PIB na Alemanha.

Confira os principais pontos do acordo:

1. Eliminação de tarifas alfandegárias

  • Redução gradual de tarifas sobre a maior parte dos bens e serviços;
  • Mercosul: zerará tarifas sobre 91% dos bens europeus em até 15 anos;
  • União Europeia: eliminará tarifas sobre 95% dos bens do Mercosul em até 12 anos.

2. Ganhos imediatos para a indústria

Tarifa zero desde o início para diversos produtos industriais.

>> Setores beneficiados:

  • Máquinas e equipamentos;
  • Automóveis e autopeças;
  • Produtos químicos;
  • Aeronaves e equipamentos de transporte.

3. Acesso ampliado ao mercado europeu

  • Empresas do Mercosul ganham preferência em um mercado de alto poder aquisitivo;
  • UE tem PIB estimado em US$ 22 trilhões;
  • Comércio tende a ser mais previsível e com menos barreiras técnicas.

4. Cotas para produtos agrícolas sensíveis

  • Produtos como carne bovina, frango, arroz, mel, açúcar e etanol terão cotas de importação;
  • Acima dessas cotas, é cobrada tarifa;
  • Cotas crescem ao longo do tempo, com tarifas reduzidas, em vez de liberar entrada sem restrições;
  • Mecanismo busca evitar impactos abruptos sobre agricultores europeus;
  • Na UE, as cotas equivalem a 3% dos bens ou 5% do valor importado do Brasil;
  • No mercado brasileiro, chegam a 9% dos bens ou 8% do valor.

5. Salvaguardas agrícolas

>>UE poderá reintroduzir tarifas temporariamente se:

  • Importações crescerem acima de limites definidos;
  • Preços ficarem muito abaixo do mercado europeu;
  • Medida vale para cadeias consideradas sensíveis.

6. Compromissos ambientais obrigatórios

  • Produtos beneficiados pelo acordo não poderão estar ligados a desmatamento ilegal;
  • Cláusulas ambientais são vinculantes;
  • Possibilidade de suspensão do acordo em caso de violação do Acordo de Paris.

7. Regras sanitárias continuam rigorosas

  • UE não flexibiliza padrões sanitários e fitossanitários;
  • Produtos importados seguirão regras rígidas de segurança alimentar.

8. Comércio de serviços e investimentos

>>Redução de discriminação regulatória a investidores estrangeiros.

>>Avanços em setores como:

  • Serviços financeiros;
  • Telecomunicações;
  • Transporte;
  • Serviços empresariais.

9. Compras públicas

  • Empresas do Mercosul poderão disputar licitações públicas na UE;
  • Regras mais transparentes e previsíveis.

10. Proteção à propriedade intelectual

  • Reconhecimento de cerca de 350 indicações geográficas europeias;
  • Regras claras sobre marcas, patentes e direitos autorais.

11. Pequenas e médias empresas (PMEs)

  • Capítulo específico para PMEs;
  • Medidas de facilitação aduaneira e acesso à informação;
  • Redução de custos e burocracia para pequenos exportadores.

12. Impacto para o Brasil

  • Potencial de aumento das exportações, especialmente do agro e da indústria;
  • Maior integração a cadeias globais de valor;
  • Possível atração de investimentos estrangeiros no médio e longo prazo.

Com informações do DW e da Agência Brasil em 17/01/2026

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Vendas do varejo crescem 1,0% em novembro https://www.ocafezinho.com/2026/01/16/vendas-do-varejo-crescem-10-em-novembro/ https://www.ocafezinho.com/2026/01/16/vendas-do-varejo-crescem-10-em-novembro/#respond Fri, 16 Jan 2026 18:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=224608 Acumulado nos 12 meses anteriores o crescimento foi 1,5%, diz IBGE

Em novembro de 2025, o volume de vendas do comércio varejista do país cresceu 1,0% frente a outubro, mês que teve alta de 0,5%. Com isso, a evolução do índice de média móvel trimestral para o varejo ficou em 0,5% no trimestre encerrado em novembro de 2025. Os dados são da Pesquisa Mensal de Comércio, divulgada hoje (15) pelo IBGE.

Volume de vendas no comércio varejista – Variação mês/mês anterior (%)

Fonte: IBGE – Pesquisa Mensal de Comércio

De acordo com Cristiano Santos, gerente da Pesquisa Mensal de Comércio, “na margem, o comércio varejista brasileiro atingiu seu segundo mês consecutivo de altas, o que não acontecia desde o início de ano. Naquele momento, fevereiro e março subiram acima do que chamamos de estabilidade (entre -0,5% e 0,5%). Lá, no entanto, os valores tinham sido 0,5% e 0,7%. Agora, outubro e novembro cresceram 0,5% e 1,0%, respectivamente”.

Novembro trouxe sete altas entre as oito atividades do varejo

De outubro para novembro de 2025, na série com ajuste sazonal, sete das oito atividades do comércio varejista mostraram taxas positivas no volume de vendas: Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (4,1%); Móveis e eletrodomésticos (2,3%); Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (2,2%); Outros artigos de uso pessoal e doméstico (2,0%); Livros, jornais, revistas e papelaria (1,5%); Hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (1,0%); e Combustíveis e lubrificantes (0,6%). O único resultado negativo foi em Tecidos, vestuário e calçados (-0,8%). Cristiano ressalta que “em novembro teve a black friday, que ajudou a dar um perfil mais distribuído ao crescimento setorial. Além disso, os setores que mais cresceram nessa passagem foram de Equipamentos para escritório, informática e comunicação e Móveis e eletrodomésticos, típicos das promoções de itens como celulares, computadores, móveis, entre outros”.

Varejo ampliado cresce 0,7% frente a outubro

Ainda na comparação com outubro, na série com ajuste sazonal, o comércio varejista ampliado cresceu 0,7%. Nesse segmento, uma atividade mostrou taxa positiva no volume de vendas: Material de construção, com 0,8%. O resultado negativo ficou com Veículos e motos, partes e peças, com -0,2%.

O gerente da pesquisa observa que “o varejo ampliado teve um crescimento mais modesto, de 0,7%, muito por conta do desempenho de veículos, motos, partes e peças, que vem no campo negativo e devolve uma alta forte em outubro”.

Ante o mesmo mês de 2024, as vendas cresceram em cinco das oito atividades

Na comparação com o mesmo mês do ano passado, o volume de vendas do comércio varejista cresceu 1,3%, com altas em cinco das oito atividades pesquisadas: Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (9,9%); Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (7,2%); Livros, jornais, revistas e papelaria (5,9%); Móveis e eletrodomésticos (5,2%); e Outros artigos de uso pessoal e doméstico (4,7%). Por outro lado, três atividades apresentaram resultados negativos: Tecidos, vestuário e calçados (-4,0%); Combustíveis e lubrificantes (-1,3%); e Hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-0,1%).

No comércio varejista ampliado, duas atividades tiveram queda: Veículos e motos, partes e peças, -5,8%; e Material de construção, -3,0%. Por outro lado, Atacado especializado em produtos alimentícios, bebidas e fumo teve aumento de 0,9% em relação a novembro de 2024.

Frente a novembro de 2024, varejo teve taxas positivas em 21 das 27 UFs

Em relação a novembro de 2024, o indicador apresentou variação de 1,3%, com resultados positivos em 21 das 27 Unidades da Federação, com destaque para Rondônia (13,4%), Rio Grande do Norte (8,2%) e Amapá (8,2%). Por outro lado, 5 das 27 Unidades da Federação apresentaram resultado negativo, com destaque para Tocantins (-3,0%), Piauí (-2,1%) e Roraima (1,8%). Goiás registrou estabilidade (0,0%) em novembro de 2025.

No comércio varejista ampliado, na comparação com novembro de 2024, houve resultados positivos em 20 das 27 Unidades da Federação, com destaque para Rondônia (9,2%), Amapá (6,8%) e Mato Grosso do Sul (6,8%). Por outro lado, pressionando negativamente, 7 das 27 Unidades da Federação, com destaque para Piauí (-3,8%), Rio Grande do Sul (-3,4%) e São Paulo (-2,7%).

Mais sobre a pesquisa

A Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) acompanha o comportamento conjuntural do comércio varejista no país, investigando a receita bruta de revenda nas empresas formalmente constituídas, com 20 ou mais pessoas ocupadas, cuja atividade principal é o comércio varejista. Iniciada em 1995, a PMC traz resultados mensais da variação do volume e receita nominal de vendas para o comércio varejista e comércio varejista ampliado (automóveis e materiais de construção) para o Brasil e unidades da federação. Os resultados podem ser consultados no Sidra. A próxima divulgação da PMC, referente a dezembro de 2025, será em 13 de fevereiro de 2026.

Publicado originalmente pela Agência de Notícias IBGE em 15/01/2026

Por Sabrina Pirrho – Editoria Estatísticas Econômicas

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Lula recebe Von der Leyen para celebrar acordo UE-Mercosul https://www.ocafezinho.com/2026/01/16/lula-recebe-von-der-leyen-para-celebrar-acordo-ue-mercosul/ https://www.ocafezinho.com/2026/01/16/lula-recebe-von-der-leyen-para-celebrar-acordo-ue-mercosul/#respond Fri, 16 Jan 2026 16:04:25 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=224613 Presidente busca marcar protagonismo brasileiro da conclusão das tratativas, enquanto delega ao chanceler Mauro Vieira a representação formal no Paraguai, no sábado.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebe na tarde desta sexta‑feira (16/01), no Palácio do Itamaraty, no Rio de Janeiro, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, para celebrar o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia (UE). O presidente do Conselho Europeu, António Costa, também foi convidado, mas sua presença ainda não estava confirmada.

Segundo o Palácio do Planalto, eles devem discutir temas da agenda internacional e os próximos passos do acordo, que será assinado neste sábado, em Assunção, no Paraguai. Apesar de seu papel central nas negociações, Lula será o único presidente do Mercosul que não estará presente na cerimônia. Auxiliares do Palácio do Planalto justificam a ausência pela decisão de última hora do Paraguai de elevar o ato ao nível presidencial.

A representação brasileira, portanto, ficará a cargo do chanceler Mauro Vieira, ministro das Relações Exteriores. Os presidentes de Paraguai e Uruguai, Santiago Peña e Yamandú Orsi, respectivamente, confirmaram presença. O argentino Javier Milei, com quem Lula mantém uma relação distante, também é esperado no evento de sábado.

A reunião desta sexta é considerada pelo governo brasileiro o momento mais simbólico da reta final das negociações, já que permite a Lula consolidar a imagem de principal articulador do avanço do tratado após mais de duas décadas de impasses diplomáticos. Interlocutores falam que é a oportunidade de Lula ser fotografafo sozinho ao lado de Von der Layen e, ainda, evitar um palanque ao lado de Milei.

Lula no papel de protagonista

Lula assumiu protagonismo nas tratativas com a União Europeia e buscou costurar apoio interno e externo para superar resistências históricas, sobretudo as levantadas por setores europeus da agricultura e pecuária, que seguem mobilizados contra o tratado.

Em dezembro de 2025, durante a cúpula do Mercosul em Foz do Iguaçu , Lula tentou concluir o acordo antes de passar a presidência rotativa do bloco para o Paraguai. Sem consenso entre os países europeus, o acordo veio um mês depois , mesmo diante da resistência de alguns membros, como a França e de setores que criticam possíveis impactos sobre a concorrência agrícola e o clima.

Após mais de 25 anos de negociações, o acordo criará uma das maiores zonas de livre comércio do mundo, envolvendo mercados que representam cerca de 30% do PIB global e mais de 720 milhões de habitantes.

Publicado originalmente pelo DW em 16/01/2026

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União Europeia aprova acordo de livre comércio com Mercosul https://www.ocafezinho.com/2026/01/09/uniao-europeia-aprova-acordo-de-livre-comercio-com-mercosul/ https://www.ocafezinho.com/2026/01/09/uniao-europeia-aprova-acordo-de-livre-comercio-com-mercosul/#respond Fri, 09 Jan 2026 12:37:50 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=224289 Após mais de 25 anos de negociações, membros do bloco europeu aprovam pacto que cria a maior zona de livre comércio do mundo, com mais de 700 milhões de consumidores.

Após mais de 25 anos de negociações, o Conselho da União Europeia concordou nesta sexta-feira (09/01) em concluir um acordo de livre comércio com os países do Mercosul.

Em uma reunião de representantes dos 27 países da UE em Bruxelas, um número suficiente de participantes concordou com a assinatura planejada do acordo, segundo diplomatas.

Representantes dos 27 Estados-membros da UE anunciaram as posições dos seus governos, e a proposta recebeu os 15 votos necessários para ser aprovada, representando 65% da população total do bloco. As capitais da UE têm até às 17h (hora de Bruxelas), para confirmar formalmente os seus votos por escrito.

A nova zona de livre comércio, com mais de 700 milhões de habitantes, será a maior do seu tipo no mundo, de acordo com a Comissão Europeia.

O acordo sobre o controverso tratado foi possível graças a novas concessões ao lobby agrícola, que vê a concorrência dos quatro países membros do Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai) como uma ameaça aos agricultores europeus.

Na América do Sul, produtos agrícolas como a carne bovina podem ser produzidos a um custo menor do que na Europa.

Adiamento em dezembro

O acordo deveria ter sido assinado inicialmente no Brasil, em dezembro. No entanto, a maioria necessária dos Estados-membros da UE não foi alcançada na ocasião, porque a Itália condicionou sua aprovação a novos compromissos de apoio aos agricultores europeus.

Para que o acordo fosse aprovado, era necessária uma chamada maioria qualificada, o que significa que pelo menos 15 dos 27 Estados-membros da UE, representando 65% da população do bloco, deveriam apoiá-lo.

A aprovação da Itália era necessária porque outros dois países populosos da UE, a França e a Polônia, se opõem ao acordo em sua forma atual.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen , estaria, portanto, autorizada a assinar o acordo de livre comércio.

Inicialmente, a viagem de Von der Leyen ao Paraguai estava agendada para esta segunda-feira, com o objetivo de concretizar a assinatura. Mas a Comissão Europeia ainda não tinha confirmado oficialmente a data nas horas seguintes à aprovação do Conselho da União Europeia.

Parlamento precisa aprovar o acordo

Mesmo que os documentos sejam assinados em Assunção, o tratado não entrará em vigor imediatamente, pois também requer a aprovação do Parlamento Europeu, que deve emitir sua decisão dentro de algumas semanas, presumivelmente em abril.

O resultado está longe de ser certo, visto que cerca de 150 eurodeputados (de um total de 720) ameaçam entrar com uma ação judicial para impedir a implementação do acordo, através de um recurso no Tribunal de Justiça da União Europeia sobre a compatibilidade jurídica do pacto. Tal medida poderia atrasar o processo em meses ou até mesmo anos.

Negociações desde 1999

Desde 1999, a Comissão Europeia tem se empenhado em árduas negociações para criar uma das maiores áreas de livre comércio do mundo com Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai.

Entre falsas promessas de uma resolução iminente e prolongados desacordos, as negociações estiveram paralisadas há anos na questão da agricultura.

Para os críticos, o acordo prejudicará a agricultura europeia com produtos mais baratos que podem não estar em conformidade com as normas ambientais da UE, devido a controles insuficientes.

Para os defensores, como Alemanha e Espanha, este acordo, ao contrário, revitalizará uma economia europeia em dificuldades, enfraquecida pela concorrência chinesa e pelas tarifas dos Estados Unidos.

A França permanece contrária ao acordo, como anunciado por Emmanuel Macron na noite de quinta-feira, citando uma “rejeição unânime” da classe política francesa.

Ao eliminar grande parte das tarifas, o pacto impulsionaria as exportações europeias de automóveis, máquinas, vinho e queijo.

Por outro lado, facilitaria a entrada na Europa de carne bovina, aves, açúcar, arroz, mel e soja sul-americanos, com cotas isentas de impostos que alarmam os setores afetados.

“Fracasso diplomático” para a França

O retorno de Donald Trump à Casa Branca deu aos defensores do acordo um argumento adicional. A União Europeia precisa diversificar suas parcerias comerciais, argumenta a Comissão Europeia.

Na tentativa de apaziguar os agricultores, Bruxelas fez uma série de concessões nos últimos meses, incluindo garantias reforçadas para proteger produtos sensíveis e uma medida orçamentária na futura Política Agrícola Comum (PAC) da UE.

Mesmo assim, a raiva dos agricultores reacendeu com renovado vigor. “Há muita tristeza. Há muita raiva, e a situação está ficando cada vez mais tensa”, confidenciou Judy Peeters, representante dos agricultores belgas, durante um bloqueio na noite de quinta-feira em um entroncamento rodoviário ao sul de Bruxelas.

Na Grécia, os agricultores intensificaram seus bloqueios de estradas esta semana e reforçaram sua mobilização, iniciada no final de novembro, particularmente contra o Mercosul.

Na França, tratores estiveram em Paris na quinta e sexta-feira para denunciar o Mercosul, os preços dos fertilizantes e a gestão do governo em relação ao surto de dermatite nodular contagiosa (DNC) no gado.

Mergulhado em instabilidade política, Emmanuel Macron pareceu hesitar em relação ao tratado com o Mercosul, que considerou “inaceitável em sua forma atual”.

Mas a pressão política era grande demais, com a direita ameaçando derrubar o governo de Sébastien Lecornu caso este apoiasse o acordo. Mesmo com a rejeição de Macron ao Mercosul, a ultradireita francesa apresentou duas moções de censura na Assembleia Nacional e no Parlamento Europeu, com poucas chances de sucesso.

Publicado originalmente pelo DW em 09/01/2026

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Lula reage a ofensiva dos EUA contra a Venezuela e exige posicionamento ONU https://www.ocafezinho.com/2026/01/03/lula-reage-a-ofensiva-dos-eua-contra-a-venezuela-e-exige-posicionamento-onu/ https://www.ocafezinho.com/2026/01/03/lula-reage-a-ofensiva-dos-eua-contra-a-venezuela-e-exige-posicionamento-onu/#comments Sat, 03 Jan 2026 14:10:22 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=223821 1 Comentário 🔥]]> Presidente brasileiro afirma que operação militar viola o direito internacional e enfraquece a ordem multilateral construída no pós-guerra

Em um cenário de crescente tensão geopolítica na América Latina, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva utilizou suas redes sociais na manhã deste sábado (3) para expressar seu veemente repúdio à operação militar conduzida pelos Estados Unidos em solo venezuelano. A ação, que culminou na captura de Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores, foi classificada pelo líder brasileiro como uma ruptura inaceitável das normas que regem a convivência entre as nações.

O posicionamento de Brasília reforça a tradição diplomática brasileira de defesa da autodeterminação dos povos, especialmente em um momento onde a soberania regional parece ser colocada em xeque por intervenções externas de grande escala.

Uma afronta à soberania e ao direito internacional
Para o governo brasileiro, o episódio não representa apenas um ataque isolado a um país vizinho, mas uma ameaça direta ao sistema multilateral de Justiça. Lula destacou que o uso da força militar atropela acordos internacionais e resgata fantasmas de um passado de ingerência autoritária no continente.

Em sua declaração, o presidente enfatizou a gravidade do momento:

“Os bombardeios em território venezuelano e a captura do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável. Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional. Atacar países, em flagrante violação do direito internacional, é o primeiro passo para um mundo de violência, caos e instabilidade, onde a lei do mais forte prevalece sobre o multilateralismo.”

O tom adotado por Lula reflete uma preocupação histórica da esquerda latino-americana com a preservação da paz e a proteção contra políticas externas baseadas na coerção militar, que historicamente desestabilizaram democracias e economias na região.

O papel da ONU e o risco de instabilidade regional
Além de condenar a ofensiva, o presidente brasileiro dirigiu uma cobrança direta à Organização das Nações Unidas. Para o Planalto, a omissão ou a falta de uma resposta à altura poderia sinalizar o fim da mediação diplomática como ferramenta de solução de conflitos. Lula reiterou que o Brasil mantém uma postura coerente com suas decisões passadas, independentemente do cenário geográfico.

“A condenação ao uso da força é consistente com a posição que o Brasil sempre tem adotado em situações recentes em outros países e regiões. A ação lembra os piores momentos da interferência na política da América Latina e do Caribe e ameaça a preservação da região como zona de paz. A comunidade internacional, por meio da Organização das Nações Unidas, precisa responder de forma vigorosa a esse episódio. O Brasil condena essas ações e segue à disposição para promover a via do diálogo e da cooperação”, pontuou o mandatário.

A busca pelo diálogo em meio ao caos
A nota emitida pelo governo brasileiro encerra-se com uma reafirmação do compromisso com a paz. Enquanto potências globais recorrem ao poderio bélico, o Brasil tenta se posicionar como um mediador necessário, sugerindo que o caminho para a resolução da crise venezuelana deve ser trilhado através do entendimento político e não pelo bombardeio de capitais e sequestro de líderes eleitos.

O caso agora aguarda os desdobramentos na sede da ONU, em Nova York, enquanto a América Latina observa com cautela o retorno de táticas de intervenção que muitos esperavam ter ficado no século passado.

Nota à imprensa sobre bombardeios em território venezuelano

Os bombardeios em território venezuelano e a captura do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável. Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional.

Atacar países, em flagrante violação do direito internacional, é o primeiro passo para um mundo de violência, caos e instabilidade, onde a lei do mais forte prevalece sobre o multilateralismo.

A condenação ao uso da força é consistente com a posição que o Brasil sempre tem adotado em situações recentes em outros países e regiões.

A ação lembra os piores momentos da interferência na política da América Latina e do Caribe e ameaça a preservação da região como zona de paz.

A comunidade internacional, por meio da Organização das Nações Unidas, precisa responder de forma vigorosa a esse episódio. O Brasil condena essas ações e segue à disposição para promover a via do diálogo e da cooperação.

Luiz Inácio Lula da Silva, 
presidente da República

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Vendas no comércio voltam a ganhar fôlego e crescem 0,5% em outubro https://www.ocafezinho.com/2025/12/11/vendas-no-comercio-voltam-a-ganhar-folego-e-crescem-05-em-outubro/ https://www.ocafezinho.com/2025/12/11/vendas-no-comercio-voltam-a-ganhar-folego-e-crescem-05-em-outubro/#respond Thu, 11 Dec 2025 15:36:03 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=222941 É a maior alta no setor desde março deste ano

Em outubro de 2025, o volume de vendas do comércio varejista do país cresceu 0,5% frente a setembro. Foi a primeira alta estatisticamente significativa desse indicador desde março. Frente a outubro do ano passado, as vendas do varejo cresceram 1,1%, acumulando 1,5% no ano e 1,7% nos últimos 12 meses. Os dados são da Pesquisa Mensal de Comércio, divulgada hoje (11) pelo IBGE.

Volume de vendas no comércio varejista – Variação mês/mês anterior (%)

Para Cristiano Santos, gerente da Pesquisa Mensal de Comércio, a alta de 0,5% na série com ajuste sazonal “rompe com o padrão observado, de variações pequenas ou negativas. Foi uma alta espalhada, pois o volume de vendas cresceu em sete dos oito setores investigados pela pesquisa”.

Outubro trouxe sete altas entre as oito atividades do varejo

De setembro para outubro de 2025, na série com ajuste sazonal, sete das oito atividades do comércio varejista mostraram taxas positivas no volume de vendas: Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (3,2%), Combustíveis e lubrificantes (1,4%), Móveis e eletrodomésticos (1,0%), Livros, jornais, revistas e papelaria (0,6%), Outros artigos de uso pessoal e doméstico (0,4%), Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (0,3%) e Hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (0,1%). O único resultado negativo foi em Tecidos, vestuário e calçados (-0,3%). Para Cristiano, “essa queda se deu, principalmente, pela parte de vestuário, de produtos de moda e acessórios.”

Varejo ampliado cresce 1,1% frente a setembro

Ainda na comparação com setembro, na série com ajuste sazonal, o comércio varejista ampliado cresceu 1,1%. Nesse segmento, duas atividades mostraram taxas positivas no volume de vendas: Veículos e motos, partes e peças (3,0%) e Material de construção (0,6%).

O gerente da pesquisa observa que “esse resultado do varejo ampliado foi bastante influenciado por veículos, motos, partes e peças, e pela atividade de atacado especializado em produtos alimentícios, bebidas e fumo”.

Ante o mesmo mês de 2024, as vendas cresceram em seis das oito atividades

Na comparação com o mesmo mês do ano passado, o volume de vendas do comércio varejista cresceu 1,1%, com altas em seis das oito atividades pesquisadas: Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (8,1%), Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (5,7%), Móveis e eletrodomésticos (3,5%), Outros artigos de uso pessoal e doméstico (2,0%), Livros, jornais, revistas e papelaria (0,9%) e Hiper e supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (0,3%). A única variação negativa nesta comparação foi no setor de Tecidos, Vestuário e Calçados (-3,3%). O setor de Combustíveis e lubrificantes mostrou estabilidade nesta comparação (0,0%).

No comércio varejista ampliado, Veículos, motos, partes e peças caiu 4,3% em relação a janeiro de 2024, Material de Construção teve queda de 3,9%. As vendas do setor de Atacado de produtos alimentícios, bebidas e fumo cresceram 1,9%.

Frente a setembro, varejo teve taxas positivas em 19 das 27 UFs

Em relação a setembro, 19 das 27 Unidades da Federação mostraram altas no volume de vendas, com destaque para Espírito Santo (2,7%), Rondônia (2,6%) e Distrito Federal (2,5%). Por outro lado, sete das 27 UFs tiveram taxas negativas nesse indicador, principalmente Mato Grosso (-1,8%), Rio Grande do Sul (-1,2%) e Maranhão (-1,0%). Santa Catarina registrou estabilidade (0,0%).

No comércio varejista ampliado, a variação entre setembro e outubro de 2025 foi de 1,1% com resultados positivos em 18 das 27 Unidades da Federação. Os destaques foram Amapá (2,8%), Pernambuco (2,3%) e Distrito Federal (2,2%). Por outro lado, o volume de vendas recuou em nove das 27 UFs, principalmente no Rio Grande do Sul (-2,6%), Alagoas (-1,4%) e Tocantins (-0,7%).

Na comparação com outubro de 2024, a variação das vendas no comércio varejista foi de 1,1%, com resultados positivos em 20 das 27 Unidades da Federação. Os destaques foram Amapá (10,1%), Rio Grande do Norte (8,3%) e Santa Catarina (4,8%). Do lado negativo, houve seis taxas, principalmente em Roraima (-8,9%), Piauí (-4,1%) e Rio de Janeiro (-1,8%). São Paulo mostrou estabilidade (0,0%) no volume de vendas.

Já no comércio varejista ampliado, ainda em relação a outubro do ano passado, o volume de vendas recuou (-0,3%). Houve resultados positivos em 16 das 27 Unidades da Federação, com destaque para Tocantins (13,2%), Amapá (7,9%) e Mato Grosso (7,6%). Por outro lado, 11 UFs tiveram resultados negativos, com destaque para Piauí (-4,4%), São Paulo (-3,1%) e Rio Grande do Sul (-2,6%).

Mais sobre a pesquisa

A Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) acompanha o comportamento conjuntural do comércio varejista no país, investigando a receita bruta de revenda nas empresas formalmente constituídas, com 20 ou mais pessoas ocupadas, cuja atividade principal é o comércio varejista. Iniciada em 1995, a PMC traz resultados mensais da variação do volume e receita nominal de vendas para o comércio varejista e comércio varejista ampliado (automóveis e materiais de construção) para o Brasil e unidades da federação. Os resultados podem ser consultados no Sidra. A próxima divulgação da PMC, referente a novembro de 2025, será em 15 de janeiro de 2026.

Publicado originalmente pela Agência de Notícias IBGE em 11/12/2025

Por Luiz Bello – Editoria Estatísticas Econômicas

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Vale projeta 2026 com alta em minério e avanço dos metais https://www.ocafezinho.com/2025/12/02/vale-projeta-2026-com-alta-em-minerio-e-avanco-dos-metais/ https://www.ocafezinho.com/2025/12/02/vale-projeta-2026-com-alta-em-minerio-e-avanco-dos-metais/#respond Tue, 02 Dec 2025 17:33:59 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=222349 Vale mira 2026 com aposta bilionária em minério de ferro e avanço gradual em cobre e níquel

A Vale anunciou que pretende investir entre US$ 5,4 bilhões e US$ 5,7 bilhões em 2026, reafirmando seu peso histórico no minério de ferro, mas abrindo espaço para um crescimento mais consistente nas operações de cobre e níquel ao longo dos próximos anos. A estratégia, que combina disciplina financeira e ambição mineral, foi detalhada pela empresa durante apresentação a investidores.

Ferro segue dominante, mas metais básicos ganham espaço

Do total previsto para 2026, cerca de US$ 4 bilhões serão alocados às soluções ligadas ao minério de ferro — carro-chefe da companhia e responsável por seu lugar na elite global do setor. O restante será direcionado às operações de cobre e níquel, áreas consideradas estratégicas diante da transição energética e da crescente demanda internacional por metais críticos.

A cifra projetada para 2026 acompanha de perto o que a Vale pretende aplicar em 2025, estimado em US$ 5,5 bilhões. O movimento demonstra estabilidade no planejamento de curto prazo, enquanto aponta para mudanças graduais na composição dos investimentos a partir de 2027.

Segundo a mineradora, o período após 2027 marcará um salto nos aportes destinados ao cobre e ao níquel, que devem atingir patamares anuais próximos de US$ 2 bilhões. Já o minério de ferro deve estabilizar investimentos entre US$ 3 bilhões e US$ 3,9 bilhões ao ano.

Para Carlos Daltozo, chefe de pesquisa da Tuesday Capital, essa transição mais lenta não surpreende. “Se olharmos os números do ano, talvez a leitura que fazemos é que o progresso da Vale em relação aos investimentos em cobre e níquel esteja sendo um pouco lento, mas isso ocorre porque a empresa é uma gigante global do minério de ferro, então o processo de expansão para outros segmentos é naturalmente mais gradual”, afirmou à BNamericas.

Foco na disciplina de capital e no que a empresa sabe fazer

O CEO da Vale, Gustavo Pimenta, reforçou que a companhia prioriza eficiência e responsabilidade na alocação de recursos. Ele lembrou que a estimativa inicial de capex para 2024 era de US$ 6,5 bilhões, mas acabou sendo reduzida em US$ 1 bilhão sem prejuízos aos projetos em andamento. “Estamos mais eficientes em termos de alocação de capital da companhia… apenas alocamos o capital de forma mais eficiente”, destacou.

Pimenta enfatizou ainda que a mineradora pretende manter o foco nas frentes em que já possui especialização: minério de ferro, cobre e níquel. “No cobre, há enormes oportunidades para destravarmos nosso potencial. Ninguém neste setor tem a capacidade de aumentar a produção de cobre como nós”, afirmou, dizendo esperar que a produção do metal dobre em dez anos.

Expansão do cobre coloca Brasil em novo patamar

A Vale prevê que a produção de cobre chegue a 370 mil toneladas em 2025 e 380 mil toneladas em 2026, com potencial para alcançar 700 mil toneladas anuais até 2035, conforme novos projetos entrarem em operação.

Analistas avaliam que essa expansão pode reposicionar o Brasil no mapa global do metal. Hoje, o país responde por cerca de 1% da produção mundial. Para Marcos André Gonçalves, presidente da ADIMB, a mineradora possui reservas e força financeira para levar o país a 2% ou 3% do mercado global em médio prazo.

Projetos que sustentam o plano da Vale

Entre os empreendimentos considerados cruciais para o avanço do cobre estão:

  • Projeto Bacaba – capex de US$ 290 milhões, com licença preliminar já obtida. A previsão de start-up é para o segundo semestre de 2028, com produção anual de 50 mil toneladas.
  • Projeto Alemão – com início previsto para 2030, exige aportes entre US$ 1,6 bilhão e US$ 1,8 bilhão.
  • Projeto Salobo – até US$ 275 milhões de investimentos e início estimado para 2029.
  • Projetos Cristalino, 118, Paulo Afonso e a joint venture com a Glencore também integram o pacote de expansão.

Minério de ferro mantém ritmo forte

No segmento mais tradicional da Vale, a meta é alcançar 360 milhões de toneladas de minério de ferro até 2030. Para 2025 e 2026, a expectativa é de 335 milhões e 345 milhões de toneladas, respectivamente.

Entre os projetos com marcos importantes previstos para 2026 estão:

  • Capanema, com ramp-up esperado para o segundo trimestre;
  • Serra Sul +20, programado para entrar em operação no segundo semestre.

A companhia acredita que o minério de ferro seguirá com demanda sólida, puxada pela indústria global do aço, e espera que os preços se estabilizem em torno de US$ 100 por tonelada.

Níquel avança apesar de mercado pressionado

A produção de níquel deve fechar 2024 em 175 mil toneladas, chegando a 200 mil toneladas em 2025. Para 2030, a Vale trabalha com a meta de 250 mil toneladas. O setor, porém, enfrenta ambiente adverso, marcado por preços em queda e excesso de oferta no mercado internacional.

Mesmo assim, a mineradora sustenta que o metal seguirá essencial para tecnologias de baixo carbono — do armazenamento de energia à mobilidade elétrica — e que o fortalecimento desse portfólio é estratégico para o país e para os compromissos ambientais da própria empresa.


A agenda de investimentos da Vale indica que, apesar da predominância histórica do minério de ferro, a empresa se movimenta para disputar espaço relevante na corrida global por metais fundamentais para a indústria do futuro. Em um Brasil que busca diversificação econômica e soberania em cadeias produtivas estratégicas, a ampliação do cobre e do níquel pode ser um passo importante — e, para muitos analistas, necessário — para romper com a longa dependência das commodities tradicionais.

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Comércio varia 0,2% em agosto e interrompe quatro meses de taxas negativas https://www.ocafezinho.com/2025/10/15/comercio-varia-02-em-agosto-e-interrompe-quatro-meses-de-taxas-negativas/ https://www.ocafezinho.com/2025/10/15/comercio-varia-02-em-agosto-e-interrompe-quatro-meses-de-taxas-negativas/#respond Wed, 15 Oct 2025 15:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=219332 Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação tem alta de 4,9%; desvalorização do dólar contribuiu para o comércio de produtos de informática.

As vendas do comércio variaram 0,2% em agosto, na comparação com julho, interrompendo sequência de quatro resultados negativos. Em relação a agosto de 2024, o resultado positivo (0,4%) é o quinto consecutivo. No ano, o varejo acumulou crescimento de 1,6%. O acumulado em 12 meses foi de 2,2%, a menor taxa de crescimento desde janeiro de 2024, apesar de ser o 35º resultado positivo do varejo nesta comparação: o último mês a registrar um resultado negativo foi setembro de 2022 (-0,7%). Os dados são da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), divulgada hoje (15), pelo IBGE.

No comércio varejista ampliado, que inclui Veículos, motos, partes e peças, Material de construção e Atacado de produtos alimentícios, bebidas e fumo, o volume de vendas cresceu 0,9% em agosto na comparação com julho. Frente a agosto de 2024, houve queda de 2,1%, completando três meses de perdas. No ano e em 12 meses, o varejo ampliado acumula -0,4% e 0,7%, respectivamente.

O gerente da pesquisa, Cristiano Santos, explica que o comércio apresenta cenário de sustentação de uma base ainda alta, já que março é o pico da série com ajuste sazonal. “Temos que lembrar que são cinco meses consecutivos com variações muito baixas, muito próximas de zero, tanto pra cima quanto pra baixo. O que muda é que a sequência de quatro variações pequenas, mas com viés de baixa, já estava fazendo uma diferença para o pico da série de março, em termos de patamar. Assim, com a entrada de agosto, observamos que essa diferença para de aumentar”, comenta.

A pesquisa mostra que houve taxas positivas na passagem de julho para agosto em cinco dos oito setores. Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (4,9%), Tecidos, vestuário e calçados (1,0%), Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (0,7%) foram os três setores responsáveis pela taxa positiva de agosto. As duas outras taxas positivas foram em Móveis e eletrodomésticos (0,4%) e Hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (0,4%).

“Os produtos de informática tiveram forte influência do dólar, em franca desvalorização em agosto”, explica Cristiano. Já o setor de Tecidos, vestuário e calçados tem recuperação em agosto, após queda em julho, principalmente por conta de vestuário, mas com ganhos também em calçados. O setor de Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria cresce pelo segundo mês consecutivo, com maior influência do subsetor de produtos de higiene pessoal e cosméticos.

Já as taxas negativas ficaram por conta de Livros, jornais, revistas e papelaria (-2,1%), Combustíveis e lubrificantes (-0,6%) e Outros artigos de uso pessoal e doméstico (-0,5%).

No comércio varejista ampliado, Veículos e motos, partes e peças teve alta de 2,3% enquanto Material de construção variou 0,1%. Atacado de produtos alimentícios, bebidas e fumo não possui divulgação nessa comparação por não apresentar número suficiente de meses para ser submetida à modelagem de ajuste sazonal.

Seis das oito atividades tiveram resultados positivos frente a agosto de 2024

Na comparação interanual, o varejo registra crescimento pelo quinto mês consecutivo. Os destaques ficam por conta de três setores, que somaram, cada um, 0,2 ponto percentual ao total de 0,4% do varejo. O primeiro, Móveis e eletrodomésticos (2,7%), mostra manutenção do ritmo de crescimento. “Temos uma trajetória de recuperação robusta, após um ano de 2024 mais acanhado”, comenta Cristiano.

Em seguida, vem o setor de Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (2,3%), somando trinta meses de crescimento. Cristiano avalia que é um setor de muita força: É o que mais cresce, dentre todos, há mais de dois anos”.

O terceiro destaque fica por conta de Outros artigos de uso pessoal e doméstico (2,1%), que completa cinco meses consecutivos de resultados positivos, após queda de 6,2% em março de 2025.

As demais taxas positivas foram Tecidos, vestuário e calçados (0,7%), Livros, jornais, revistas e papelaria (0,5%) e Combustíveis e lubrificantes (0,4%).

O setor de Hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, com -0,5% na comparação interanual, vem registrando variações próximas de zero nos últimos quatro meses: 0,5% em maio, -0,3% em junho e 0,4% em julho. “No ano, o cenário é de ganhos, mas decrescentes: 2,0% até abril, 1,7% até maio, 1,4% até junho, 1,2% até julho e 1,0% até agosto”, aponta Cristiano. “O mesmo se dá para o acumulado dos últimos 12 meses, que sai de 3,4% até abril para 1,5% até agosto de 2025, menor taxa observada na comparação do acumulado de 12 meses desde fevereiro de 2023 (1,5%)”.

A outra variação negativa ocorreu no setor de Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação, com perda de 0,7%.

No varejo ampliado, as três atividades adicionais apresentaram queda. Veículos e motos, partes e peças (-7,7%) teve a maior influência na composição global da taxa, somando -1,4 p.p. ao total de -2,1% do ampliado, e registra três meses seguidos de queda. Material de construção (-6,1%) registrou a terceira queda consecutiva e Atacado especializado em produtos alimentícios, bebidas e fumo (-1,9%) teve queda, no indicador interanual, pelo 13º mês consecutivo.

Comércio varejista tem taxas positivas em 16 das 27 unidades da federação

Na passagem de julho para agosto de 2025, na série com ajuste sazonal, o varejo teve resultados positivos em 16 das 27 unidades da federação, com destaque para Rio Grande do Norte (2,6%), Maranhão (2,5%) e Paraíba (1,9%). Pelo lado negativo, figuram 11 das 27 Unidades da Federação, com destaque para Amapá (-4,3%), Rondônia (-1,5%) e Espírito Santo (-1,2%).

O Rio Grande do Norte apresentou a oitava taxa positiva consecutiva, sendo a mais intensa entre estas. Cristiano comenta que o destaque vai para o setor de Hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo. “Uma das grandes contribuições neste caso vem da expansão do número de estabelecimentos, com aumento equivalente da receita sendo observado a partir de agosto”.

Já o Maranhão registra a terceira alta consecutiva, após 0,5% em junho e 0,1% em julho, por conta das promoções em Hiper e supermercados.

No comércio varejista ampliado, a variação entre julho e agosto de 2025 teve resultados positivos em 13 das 27 unidades da federação, com destaque para: Goiás (4,8%), Maranhão (2,3%) e Rio Grande do Norte (2,2%). Pelo lado negativo, estão 13 das 27 Unidades da Federação, com destaque para Amapá (-4,8%), Rondônia (-2,9%) e Amazonas (1,3%).

Goiás (4,8%) apresentou a terceira alta consecutiva, após 0,5% em junho e 1,4% em julho. A principal contribuição positiva foi o setor de Veículos, motocicletas, partes e peças. Já o Maranhão (2,3%), segundo Cristiano, mesmo considerando o varejo ampliado, o principal efeito vem do setor de Hiper e supermercados, tanto pelo peso quanto pelo crescimento em si. O setor de Veículos, motocicletas, partes e peças também teve participação positiva no resultado.

Frente a agosto de 2024, o comércio varejista apresentou resultados positivos em 16 das 27 unidades da federação, com destaque para: Rio Grande do Norte (7,3%), Maranhão (4,3%) e Paraíba (4,0%). Do lado negativo constam 11 taxas, com destaque para Tocantins (-9,2%), Piauí (-4,2%) e Roraima (-2,1%).

No varejo ampliado, a variação no volume de vendas foi de -2,1% com resultados negativos em 16 das 27 unidades da federação, com destaque para: Piauí (-5,3%), São Paulo (-4,3%) e Minas Gerais (-3,8%). Do lado positivo são 11 resultados regionais, com destaque para Mato Grosso (6,1%), Acre (3,2%) e Maranhão (2,9%).

Mais sobre a pesquisa

A PMC produz indicadores que permitem acompanhar o comportamento conjuntural do comércio varejista no país, investigando a receita bruta de revenda nas empresas formalmente constituídas, com 20 ou mais pessoas ocupadas, e cuja atividade principal é o comércio varejista.

Iniciada em 1995, a PMC traz resultados mensais da variação do volume e receita nominal de vendas para o comércio varejista e comércio varejista ampliado (automóveis e materiais de construção) para o Brasil e Unidades da Federação. Os resultados podem ser consultados no Sidra. A próxima divulgação da PMC, com os resultados para setembro de 2025, será em 13 de novembro.

Publicado originalmente pela Agência de Notícias IBGE em 15/10/2025

Por Marília Loschi – Editoria Estatísticas Econômicas

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Democratas ameaçam shutdown nos EUA; entenda https://www.ocafezinho.com/2025/09/15/democratas-ameacam-shutdown-nos-eua-entenda/ https://www.ocafezinho.com/2025/09/15/democratas-ameacam-shutdown-nos-eua-entenda/#respond Mon, 15 Sep 2025 14:13:37 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=217371 Enquanto Trump cresce, os democratas arriscam a última cartada em um teatro que beira o colapso

O relógio avança para o fim de setembro — data em que o financiamento do governo federal dos Estados Unidos precisa ser renovado —, e o Partido Democrata enfrenta uma escolha dolorosa, mas necessária: ceder ao autoritarismo disfarçado de governo ou assumir o custo político de resistir, mesmo que isso signifique paralisar temporariamente a máquina estatal.

Não se trata de encenação. Não é drama. É defesa institucional.

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Desde que Donald Trump retornou à Casa Branca, sua conduta não mudou — só se intensificou. Ataques sistemáticos à imprensa, intimidação de opositores, uso da força federal contra manifestantes, promessas de vingança política e uma agenda que despreza direitos civis, proteções ambientais e o Estado de Direito. Diante disso, os democratas não podem fingir que “negociar o orçamento” é um ato neutro. Financiar este governo sem condições é, sim, tornar-se cúmplice de sua escalada autoritária.

Sim, a popularidade do partido está em baixa. Sim, muitos eleitores estão frustrados. Mas isso não se deve à “radicalização” da esquerda — e sim ao fracasso em comunicar, com clareza e coragem, o que está em jogo: não apenas políticas públicas, mas a própria sobrevivência da democracia americana.

Quando se diz que “quem inicia um shutdown perde”, esquece-se de mencionar que, em 1995, Bill Clinton saiu fortalecido porque defendeu investimentos em saúde e educação. Em 2013, os republicanos foram derrotados porque tentaram sabotar o acesso à saúde de milhões. Em 2018, perderam apoio porque insistiram num muro racista e ineficaz. Ou seja: o povo não pune quem para o governo por capricho — pune quem para por motivos errados.

Hoje, o motivo é certo: impedir que um governo com tendências autocráticas continue operando sem limites.

É fácil ridicularizar os ativistas que comparecem às assembleias pedindo “resistência até a prisão”. Mas por trás desse apelo emocional está uma verdade incômoda: quando as instituições falham, quando os tribunais são capturados, quando a mídia é silenciada, resta ao povo — e aos seus representantes — dizer “não”. Mesmo que isso custe caro. Mesmo que isso cause desconforto.

Os democratas não estão propondo um shutdown por vingança ou por teimosia. Estão propondo porque não há outra alavanca institucional disponível. O Congresso é o último reduto de equilíbrio de poderes — e se recusar usá-lo é entregar o jogo antes mesmo de começar.

Claro, o partido precisa — e deve — repensar sua agenda. Precisa falar com os trabalhadores esquecidos, com as periferias urbanas e rurais, com os jovens endividados, com as mães que não conseguem cuidar dos filhos porque não há creches nem salários dignos. Precisa apresentar propostas reais de controle migratório — sim, com humanidade, mas também com ordem. Precisa responsabilizar universidades que exploram estudantes, e redirecionar recursos para formações técnicas, cursos profissionalizantes e políticas de emprego de verdade.

Mas isso não pode — nem deve — ser feito em troca de silêncio diante do abuso de poder. Reformas e resistência não são opostos — são complementares. Não se constrói um futuro justo em cima de um presente autoritário.

Trump não é apenas um político impopular. É um risco sistêmico. E esperar que ele se autocorrija, ou que o mercado o discipline, ou que a “moderação republicana” o contenha, é ilusão perigosa.

Se os democratas se calarem agora, sob o pretexto de “evitar o shutdown”, estarão abrindo caminho para algo muito pior: a normalização do autoritarismo. E aí, quando o próximo passo vier — talvez o fechamento de tribunais, talvez a censura à imprensa, talvez a prisão de opositores —, não haverá mais freios. Nem shutdowns. Nem Congresso. Nem democracia.

Resistir não é teatro. É dever. E, neste momento, talvez seja o último dever que resta.

O ponto de virada não está em recuar. Está em dizer, com clareza: “Até aqui, e não um passo além”. Mesmo que isso custe caro. Porque o preço de não fazer nada será muito maior.

Com informações de Financial Times*

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Americano já sente saudade do café brasileiro https://www.ocafezinho.com/2025/09/13/americano-ja-sente-saudade-do-cafe-brasileiro/ https://www.ocafezinho.com/2025/09/13/americano-ja-sente-saudade-do-cafe-brasileiro/#respond Sat, 13 Sep 2025 07:20:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=217235 O preço do café dispara e expõe o impacto da tarifa de Trump sobre o Brasil, agravando uma crise já alimentada por colheitas fracas e clima instável

Nada simboliza melhor a rotina americana do que a xícara de café matinal. O aroma, a cor escura, o primeiro gole — tudo isso é parte de um ritual coletivo, quase sagrado, para dois terços da população dos Estados Unidos. Mas hoje, esse pequeno ato de conforto está sendo transformado em um luxo acessível apenas aos mais ricos — não por falhas naturais da economia, nem por uma crise climática incontrolável, mas por uma decisão política deliberada, ideologicamente carregada e economicamente insensata: as tarifas de 50% impostas por Donald Trump sobre as importações de café brasileiro.

Este não é um simples ajuste comercial. É um ataque à vida cotidiana de milhões de americanos comuns, disfarçado de “proteção nacional”. E ele vem acompanhado de uma lógica perigosa, típica da extrema-direita americana: a crença de que o sofrimento das massas é preço aceitável pela “soberania econômica”, mesmo quando essa soberania é ilusória e o custo é pago pelos trabalhadores, pelos aposentados, pelos pais que escolhem entre pagar a conta de luz ou manter o café na mesa.

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O café não cresce nos EUA — mas a ideologia da retaliação sim

O Brasil produz cerca de um terço do café arábica consumido nos Estados Unidos. Arábica. O tipo premium, o sabor suave, o que faz da manhã americana algo mais do que uma necessidade — algo que se tornou uma cultura. O Vietnã e a Colômbia tentam suprir a lacuna, mas seus grãos são de qualidade inferior, suas capacidades logísticas limitadas, e suas colheitas já estão sob pressão climática. Quando Trump impôs essas tarifas, não foi uma estratégia de negociação. Foi um ato de vingança geopolítica, um gesto de força bruta contra um país que não ameaça os EUA militarmente, mas que desafia seu domínio econômico com sua produtividade e eficiência.

E qual é o resultado? O preço do café moído atingiu US$ 8,87 por libra em agosto — o maior nível desde 1997. Um aumento de 21% em um ano. Isso não é inflação normal. É inflação provocada. E ela não chegou por acaso. Chegou porque alguém decidiu que o Brasil deveria pagar por sua independência, por sua capacidade de produzir algo que os EUA não conseguem produzir — e que, portanto, deve ser punido.

Isso é o que a extrema-direita faz: transforma interdependência em fraqueza, e cooperação internacional em traição. Enquanto os líderes europeus e asiáticos buscam alianças para enfrentar juntos as mudanças climáticas e as rupturas nas cadeias globais, a extrema-direita americana escolhe o caminho da autossuficiência fantasiosa — e da repressão econômica.

A crise climática é real

Sim, as mudanças climáticas estão devastando as lavouras no sul do Brasil, no sul da Colômbia, no centro do Vietnã. Secas, geadas, chuvas irregulares — tudo isso reduziu a oferta global. Mas se os preços estivessem subindo apenas por causa do clima, o mercado teria respondido com aumento de produção em outras regiões, com investimentos em tecnologias agrícolas resilientes, com políticas públicas coordenadas.

O que aconteceu, na verdade, foi exatamente o oposto. Em vez de cooperar, os EUA cortaram uma das principais fontes de abastecimento. Em julho, as exportações brasileiras para os EUA caíram pela metade. Em agosto, caíram mais de 75%. Isso não é consequência da crise climática. É consequência da decisão política de Donald Trump.

E os especialistas avisam: os estoques que ainda amortecem o impacto estão se esgotando. Os embarques de Santos levam até 20 dias para chegar. A torrefação leva mais tempo. O repasse aos consumidores será lento — mas inevitável. E quando chegar, será brutal.

Thijs Geijer, economista sênior do ING, alerta: “Será necessário enviar remessas adicionais novamente, mas a questão é: de onde elas virão?” A resposta é óbvia: não há substituto viável. E se houver, será mais caro. E mais instável.

O varejo tentando segurar o preço — mas não pode fazer sozinho

Kroger, a maior rede de supermercados dos EUA, diz que está absorvendo parte do aumento. Que “ocasionalmente” as tarifas afetarão os preços. Mas isso é linguagem corporativa para dizer: “Estamos tentando proteger nossos clientes, mas não podemos continuar assim.”

Como pode uma empresa privada sustentar esse sacrifício indefinidamente? Se o custo do café aumenta 20%, e o salário médio americano cresce menos de 3% ao ano — como esperar que o varejo continue pagando a conta?

É aqui que a extrema-direita mostra sua hipocrisia radical: enquanto grita por “menos governo” e “livre mercado”, ela cria distorções artificiais que só podem ser corrigidas pelo próprio Estado — mas só se o Estado for usado para proteger os interesses da elite.

Quando o setor alimentício pede isenções para o café — como fez com urgência —, a Casa Branca responde com uma lista preliminar de “possíveis exceções”. Uma lista. Não uma decisão. Um adiamento. Um jogo político.

Enquanto isso, famílias americanas estão sendo obrigadas a escolher: café ou pão? Café ou medicamentos? Café ou transporte público?

O café é símbolo — e a tarifa é símbolo também

O café não é apenas uma bebida. É um símbolo da vida diária, da rotina, da dignidade simples. É o que mantém o professor acordado, o enfermeiro em pé, o motorista de aplicativo dirigindo por horas, o escriturário preparando o dia. É um bem essencial, não de luxo. E agora, ele está sendo usado como arma.

A extrema-direita americana tem uma visão profundamente elitista da economia: acredita que o mundo funciona como um jogo de xadrez, onde o sofrimento das classes trabalhadoras é um movimento aceitável para derrotar um adversário estrangeiro. Mas o Brasil não é um inimigo. É um parceiro. E o café não é um produto estratégico de defesa — é um bem de consumo cotidiano.

Essa tarifa não fortalece os EUA. Ela enfraquece o poder de compra da classe média e da classe trabalhadora. Ela aumenta a inflação alimentar — que já subiu 2,9% em agosto, o maior índice desde janeiro — e transforma um hábito cultural em um fardo financeiro. E tudo isso, em nome de uma narrativa populista que promete “fazer a América grande de novo”, enquanto faz os americanos comuns cada vez mais pobres.

O preço da ignorância econômica

A extrema-direita não entende economia. Não entende cadeias globais. Não entende que a prosperidade dos EUA depende da integração, não da autarquia. Ela pensa que, se bloquear o café brasileiro, os EUA vão se tornar mais fortes. Mas o que acontece é o contrário: os EUA se tornam mais vulneráveis.

Enquanto o Brasil investe em agricultura sustentável, em tecnologia de cultivo resistente às mudanças climáticas, os EUA se recusam a investir em qualquer coisa que não seja guerra, vigilância e retórica. Enquanto o mundo busca soluções multilaterais para a crise alimentar, os EUA sob liderança trumpista escolhem o isolamento.

E quem paga? Os trabalhadores. As mães. Os idosos. Os estudantes. Os que não têm poder de lobby, mas têm que beber café para funcionar.

O setor alimentício — que inclui torrefadoras, redes de supermercados e empresas de logística — pediu isenção. Eles sabem que não existe café americano competitivo. Sabem que não é possível cultivar arábica de alta qualidade no Texas ou na Califórnia. Sabem que a solução é negociar, não retaliar.

Mas a extrema-direita não ouve. Ela não quer soluções. Ela quer vitórias simbólicas. Ela quer mostrar que “Trump ainda está no controle”, mesmo quando o controle é ilusório.

E isso é o que torna essa política tão perigosa: ela não é errada por incompetência. É errada por intenção.

Os contratos futuros do café já dispararam. Os preços vão subir mais. Em outubro. Em novembro. Talvez em dezembro, quando as famílias precisarem comprar presentes de Natal e ainda assim manterem o café na mesa.

E quando isso acontecer, os republicanos de direita vão dizer: “Foi a inflação! Foi o governo Biden! Foi o clima!”

Mas nós sabemos a verdade.

Sabemos que foi uma tarifa de 50% sobre o café brasileiro — imposta por um homem que nunca trabalhou em uma plantação, nunca bebeu um café feito com grãos de Minas Gerais, nunca sentiu o peso de uma xícara vazia na mão de alguém que não pode pagar.

Sabemos que foi a extrema-direita americana, com sua obsessão por confronto, sua aversão à cooperação e seu desprezo pela vida real das pessoas comuns.

Não basta reclamar. Precisamos exigir. Exigir que o Congresso impeça essas tarifas. Exigir que o Departamento de Comércio reconheça que o café não é um produto de segurança nacional — é um bem essencial. Exigir que o presidente — qualquer presidente — pare de usar o bolso dos americanos como moeda de troca em jogos geopolíticos malucos.

E, acima de tudo, precisamos denunciar essa lógica: a de que o sofrimento popular é aceitável se for usado para “punir” países que não se curvam à hegemonia norte-americana.

O café não é um símbolo de consumo. É um símbolo de humanidade. De rotina. De dignidade. E agora, está sendo tomado como refém por uma ideologia que odeia o mundo que construímos juntos.

Se você bebe café todos os dias — e a maioria dos americanos bebe — então você está sendo taxado por uma política que não serve ao seu interesse. E você tem o direito — e a responsabilidade — de dizer: basta.

A América não precisa ser grande com a fome dos seus próprios cidadãos.
A América pode ser grande — sem tirar o café da mesa dos pobres.

Com informações de Financial Times*

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Ursula von der Leyen pede suspensão do livre comércio da UE com Israel https://www.ocafezinho.com/2025/09/11/ursula-von-der-leyen-pede-suspensao-do-livre-comercio-da-ue-com-israel/ https://www.ocafezinho.com/2025/09/11/ursula-von-der-leyen-pede-suspensao-do-livre-comercio-da-ue-com-israel/#respond Thu, 11 Sep 2025 19:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=217127 Presidente da Comissão cita planos ilegais de assentamentos na Cisjordânia, Gaza e tentativas de “minar a solução de dois Estados”

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, pediu a suspensão do livre comércio com Israel, ao falar da “dolorosa” incapacidade da Europa de responder à guerra em Gaza e ao consequente desastre humanitário.

Em sua condenação mais extensa até agora do governo israelense, von der Leyen criticou os planos para assentamentos ilegais que dividiriam a Cisjordânia ocupada ao meio, bem como a incitação à violência por ministros israelenses extremistas, como uma “clara tentativa de minar a solução de dois Estados”.

Ela fez os comentários durante seu discurso anual sobre o “estado da união” no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, no qual descreveu um mundo turbulento onde as linhas de batalha “estão sendo traçadas” e “as dependências são implacavelmente transformadas em armas”.

Ela não se referiu aos ataques sem precedentes de Israel ao Catar, mas esses eventos também estavam em sua mente enquanto ela falava da “espiral interminável de eventos” em um mundo “implacável”.

Em resposta às violações noturnas do espaço aéreo polonês pela Rússia, ela disse que a Europa “mantém total solidariedade com a Polônia”, uma frase que levou os parlamentares europeus a aplaudirem de pé em apoio. Von der Leyen continuou, pedindo que a Europa exerça mais pressão sobre o presidente russo, Vladimir Putin, para que se sente à mesa de negociações.

Foi um discurso belicoso após um verão conturbado, quando von der Leyen recebeu duras críticas pela abordagem da UE à catástrofe humanitária em Gaza, bem como pelo seu criticado acordo comercial com Donald Trump. Enquanto isso, incêndios florestais, intensificados pela crise climática, consumiram terras europeias equivalentes a um terço do tamanho da Bélgica.

Descrevendo a incapacidade da Europa de chegar a um acordo sobre uma resposta a Gaza como dolorosa, von der Leyen afirmou que o executivo da UE congelaria seu apoio bilateral a Israel, com exceção de fundos para grupos da sociedade civil e para o centro memorial do Holocausto Yad Vashem. A comissão também apresentaria propostas para suspender as partes comerciais do acordo de associação UE-Israel e elaborar sanções contra ministros extremistas israelenses e colonos violentos na Cisjordânia, afirmou.

Ainda não está claro se a UE dividida encontrará a maioria necessária para suspender o comércio, já que uma medida menos ambiciosa para congelar a participação de Israel no programa de pesquisa da UE continua bloqueada. A comissão já havia considerado sanções contra dois ministros israelenses de extrema direita, Itamar Ben-Gvir e Bezalel Smotrich, por suas declarações incendiárias contra a população de Gaza, mas desistiu de apresentar a proposta, temendo que ela não obtivesse a unanimidade necessária.

A UE é o maior parceiro comercial de Israel, com uma troca anual de bens e serviços no valor de € 68 bilhões (£ 59 bilhões). O acordo de associação UE-Israel, assinado em 2000, criou uma área de livre comércio e promoveu a cooperação em pesquisa, política ambiental e outras áreas.

Von der Leyen também reiterou seu desejo de acabar com o princípio de decisões baseadas no consenso que regem a política externa europeia, dizendo que era hora de “se libertar dos grilhões da unanimidade”.

Em um discurso abrangente, que gesticulou para os críticos à sua esquerda, ela prometeu manter o rumo da agenda climática da UE, prometeu uma estratégia para erradicar a pobreza na Europa até 2050 e revelou seu interesse nas restrições “pioneiras” da Austrália às redes sociais para crianças. Ela anunciou que um painel de especialistas analisaria a melhor abordagem para a Europa, afirmando: “Os pais, e não os algoritmos, devem criar nossos filhos.”

O discurso também foi uma resposta às críticas de sua esquerda sobre a inação da UE em relação a Israel.

A líder dos socialistas no Parlamento Europeu, Iratxe García Pérez, saudou as medidas, mas disse que elas foram “pouco e tarde demais”. A líder socialista também atacou o acordo comercial da UE com Donald Trump, apresentado no campo de golfe do presidente americano, no resort escocês de Turnberry. García Pérez disse que o acordo comercial era “inaceitável” e “um abuso de poder”, e que von der Leyen havia ido à Escócia para enterrar “nossa autonomia estratégica sob um campo de golfe”.

A colíder dos Verdes, Terry Reintke, disse que von der Leyen havia oferecido “uma mensagem de mudança modesta” que precisava ser implementada. “A UE cedeu muito terreno a Trump com o acordo comercial com os EUA”, acrescentou.

O grupo de extrema direita Patriotas, o terceiro maior no parlamento, também criticou o acordo. Seu líder francês, Jordan Bardella, disse: “Disseram-nos que a Europa daria força… Mesmo assim, a Europa cedeu em tudo.”

Às vezes, von der Leyen também enfrentou críticas de eurodeputados de extrema-direita, reeleitos em números recordes nas eleições europeias de 2024, que vaiaram quando ela falou de sua preocupação com o declínio das taxas de vacinação e a interromperam quando ela anunciou uma nova iniciativa europeia para combater a desinformação.

Ela defendeu seu acordo comercial com Trump, afirmando que uma guerra comercial de pleno direito com os EUA teria levado ao caos. “O acordo proporciona estabilidade crucial em nossas relações com os EUA em um momento de grave insegurança global”, disse ela, argumentando que alguns dos concorrentes da UE tinham condições piores com os EUA.

Ela pediu mais sanções contra a Rússia por causa da guerra na Ucrânia e disse que, com aliados, a Europa estava buscando uma eliminação mais rápida dos combustíveis fósseis russos, reprimindo a frota paralela usada para transportar petróleo russo ao redor do mundo, bem como ações contra países que ajudam a Rússia a escapar das sanções.

Von der Leyen não respondeu diretamente às notícias de que Trump teria pedido à UE que impusesse tarifas de 100% sobre a Índia e a China, numa tentativa de forçar Putin a se sentar à mesa de negociações. Ambos os países são grandes compradores de petróleo russo e abrigam empresas que atuam como intermediárias, vendendo produtos ocidentais a compradores russos, evitando assim as sanções europeias e americanas.

Ela afirmou que a UE estava trabalhando urgentemente em uma “nova solução para financiar o esforço de guerra da Ucrânia”, com base em cerca de € 300 bilhões (£ 260 bilhões) em ativos russos congelados no Ocidente. Ela sugeriu a ideia de um empréstimo de reparação para a Ucrânia, que deixaria os ativos russos legalmente intactos.

A UE está colhendo juros sobre os ativos russos mantidos no bloco, mas não chegou a um confisco total, temendo repercussões prejudiciais para a estabilidade da zona do euro.

Publicado originalmente pelo The Guardian em 10/09/2025

Por Jennifer Rankin em Estrasburgo

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GOL lança nova rota conectando Rio a capital dos vinhos da Argentina https://www.ocafezinho.com/2025/08/18/gol-lanca-nova-rota-conectando-rio-a-capital-dos-vinhos-da-argentina/ https://www.ocafezinho.com/2025/08/18/gol-lanca-nova-rota-conectando-rio-a-capital-dos-vinhos-da-argentina/#respond Tue, 19 Aug 2025 00:31:22 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=215583 A nova rota sazonal chega no período da vindima, facilitando a viagem de quem deseja conhecer vinícolas e participar da colheita da uva na Argentina

A GOL Linhas Aéreas anunciou a abertura de uma nova rota sazonal ligando o Rio de Janeiro à cidade de Mendoza, reconhecida internacionalmente como a capital dos vinhos da Argentina. A operação começará em 5 de janeiro de 2026 e se estenderá até 12 de abril do mesmo ano, com dois voos diretos semanais em cada sentido, sem escalas.

Os voos vão conectar o Aeroporto Internacional Tom Jobim – RIOgaleão ao Aeroporto Internacional El Plumerillo, facilitando a viagem de turistas brasileiros que desejam participar das tradicionais celebrações da vindima, época de colheita da uva que movimenta a região vinícola argentina.

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Além de atender os brasileiros, a rota também foi pensada para os argentinos da região andina que planejam férias no Rio de Janeiro, um dos destinos mais procurados do país vizinho, bem como em outras localidades brasileiras, especialmente durante o primeiro trimestre de 2026.

O diretor executivo de Planejamento da GOL, Rafael Araujo, ressaltou a importância da nova rota:
O voo direto para a capital fluminense permitirá um deslocamento mais cômodo e rápido para os argentinos que queiram aproveitar o Rio. No sentido inverso, cariocas e clientes de outras partes do Brasil interessados nas atrações e experiências oferecidas em Mendoza encontrarão na nova rota sazonal da GOL uma opção prática de viagem. Esse movimento reforça nossa presença no Rio de Janeiro e Galeão e consolida a liderança da GOL nos voos do Brasil para a Argentina.”

Fortalecimento do turismo e da conectividade

A operação da rota GIG-MDZ é vista como um passo importante para ampliar a conectividade internacional do Rio de Janeiro e estreitar os laços turísticos entre Brasil e Argentina. Para Rafael Sampaio, gerente de Aviation Development do RIOgaleão, a novidade reforça o aeroporto como hub da GOL para destinos nacionais e internacionais, facilitando a chegada de visitantes ao Rio e a outros pontos turísticos do país.

Durante o período de operação, a GOL manterá os quatro voos semanais diretos entre São Paulo e Mendoza, oferecendo aos clientes maior flexibilidade para escolher a origem do voo, seja saindo de São Paulo ou do Rio de Janeiro.

Os voos serão realizados com aeronaves Boeing 737, configuradas para transporte internacional, com capacidade para 176 passageiros, garantindo conforto e praticidade na travessia entre os dois países.

Com a novidade, a GOL reforça sua estratégia de expandir a malha internacional, aproximando turistas e fortalecendo a rota turística entre as cidades mais emblemáticas do Brasil e da Argentina, ao mesmo tempo em que oferece opções convenientes para viajantes que buscam experiências culturais e enogastronômicas únicas.

Férias no horário! GOL mantém liderança em pontualidade pelo sétimo mês consecutivo

Boeing 737
Os voos serão realizados com aeronaves Boeing 737, configuradas para transporte internacional, com capacidade para 176 passageiros / Reprodução

A GOL Linhas Aéreas reafirmou sua posição de liderança em pontualidade no Brasil durante os sete primeiros meses de 2025, de acordo com o ranking On Time Performance, da Cirium, referência global no monitoramento de dados aeronáuticos. Desta vez, a companhia também conquistou a liderança nacional durante a alta temporada de julho, um período de grande movimentação nos aeroportos e marcado por condições climáticas desafiadoras em várias regiões do país.

Segundo o relatório divulgado, a GOL encerrou julho com 88,93% dos voos dentro do horário previsto, considerando o total de 21 mil voos realizados durante a temporada. Para a companhia, a pontualidade está diretamente ligada ao seu valor número um, a Segurança, e também à busca constante por soluções que valorizem o tempo dos passageiros e ofereçam uma experiência de voo cada vez mais eficiente e confortável.

O resultado reforça a consistência operacional da empresa, que terminou 2024 como a companhia mais pontual do país e segue mantendo padrões de excelência, mesmo em períodos de maior complexidade operacional e com a expansão internacional em andamento.

A pontualidade, para nós, é mais do que um número: é o nosso compromisso com uma gestão cada vez mais eficiente. Manter um índice tão alto de pontualidade durante o mês de julho, marcado por alta demanda e maior complexidade operacional, é motivo de grande orgulho para todos nós. O resultado que vemos hoje é fruto de um esforço coletivo e contínuo”, comenta Albert Perez, vice-presidente de Operações da GOL.

No acumulado de 2025, em média 89,6% dos voos da companhia chegaram até 15 minutos do horário previsto. Para efeito de comparação, no mesmo período de 2024, quando a GOL foi eleita a mais pontual do país e a segunda low cost mais pontual do mundo, 86,56% dos 120.648 voos monitorados chegaram dentro do intervalo de 15 minutos. O aumento de 2,5 pontos percentuais reflete o impacto do projeto GOL ON, iniciado em 2023, que reúne ações estratégicas para aprimorar a excelência operacional da companhia e consolidar sua referência em pontualidade.

“O GOL ON foi desenvolvido com o objetivo de amplificar nossa excelência operacional. Isso é inteligência: oferecer confiança sempre orientada por dados precisos, aplicar métodos eficazes e conduzir ações coordenadas que resultem em uma operação integrada — da central de controle à cabine de comando”, explica Albert.

Durante a implementação do projeto, a companhia realizou uma imersão completa de todas as equipes envolvidas na operação, analisando dados de 83 voos domésticos e internacionais com o apoio de mais de 50 colaboradores. Foram identificadas 427 oportunidades de melhoria em um único voo, que foram organizadas em 21 grupos e distribuídas entre diferentes áreas para execução de planos de ação. As mudanças incluíram soluções inovadoras, monitoramento contínuo de resultados e capacitação das equipes nas metodologias Lean, Ágil, 5S e de resolução de problemas.

Desde sua fundação em 2001, a GOL tem o propósito de “Ser a Primeira para Todos”, democratizando o acesso à aviação com soluções inteligentes e atendendo mais de 30 milhões de clientes por ano. A companhia conta com um time de 14 mil profissionais dedicados à Segurança, e opera uma frota padronizada de 139 aeronaves Boeing 737.

Com alianças estratégicas com American Airlines e Air France-KLM, a GOL oferece mais de 60 acordos de codeshare e interline, ampliando a conectividade e facilitando conexões para qualquer destino coberto por essas parcerias. Além disso, a companhia integra o ecossistema GOL, que inclui o Smiles, maior programa de fidelidade do país, e a GOLLOG, maior operação cargueira regular do Brasil.

Com informações de Aeroin.net e VoeNews*

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Dragão e elefante retomam voos e estreitam laços https://www.ocafezinho.com/2025/08/14/dragao-e-elefante-retomam-voos-e-estreitam-lacos/ https://www.ocafezinho.com/2025/08/14/dragao-e-elefante-retomam-voos-e-estreitam-lacos/#respond Thu, 14 Aug 2025 16:42:59 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=215300 A retomada dos voos diretos entre China e Índia fortalece intercâmbios econômicos, culturais e estratégicos entre as duas maiores nações da Ásia

A China e a Índia vêm mantendo uma comunicação estreita para promover a retomada antecipada dos voos diretos entre os dois países, afirmou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lin Jian, nesta quinta-feira. Segundo ele, o diálogo constante entre as autoridades de aviação e diplomáticas sinaliza a disposição de ambos os lados em fortalecer a conectividade aérea e, consequentemente, o intercâmbio econômico e cultural entre as duas maiores nações da Ásia.

“Estamos trabalhando em conjunto com a Índia para retomar as conexões aéreas diretas já no próximo mês”, disse Lin, acrescentando que o governo indiano já solicitou que suas companhias aéreas se preparem para operar voos com destino à China em curto prazo. O porta-voz ressaltou que, somando suas populações, China e Índia abrigam mais de 2,8 bilhões de habitantes, um mercado de enorme relevância para o turismo, os negócios e a cooperação internacional. “A retomada dos voos diretos facilitará viagens transfronteiriças, intercâmbios e colaboração entre nossos países”, afirmou.

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O momento atual, segundo Lin, demonstra a maturidade e a responsabilidade da relação bilateral. Perguntado sobre o clima positivo nas relações China-Índia e sobre a cooperação global entre os dois países, ele destacou o simbolismo do “pas de deux cooperativo do dragão e do elefante”, referindo-se à parceria estratégica entre as duas grandes potências asiáticas. “Este é o caminho certo para ambos os lados, pois China e Índia são grandes países em desenvolvimento e membros importantes do Sul Global, capazes de apoiar-se mutuamente no fortalecimento de suas economias e de sua influência internacional”, explicou o porta-voz.

Lin sublinhou que a China está pronta para trabalhar com a Índia na implementação dos importantes entendimentos alcançados pelos líderes dos dois países. Entre as prioridades estão o aumento da confiança política mútua, a expansão dos intercâmbios e da cooperação em múltiplos setores, a gestão cuidadosa de eventuais diferenças, sempre considerando o panorama estratégico mais amplo, e a intensificação da coordenação em plataformas multilaterais como a Organização de Cooperação de Xangai. “Nosso objetivo é promover um desenvolvimento sólido e estável das relações China-Índia, reforçando a soberania, a autonomia estratégica e a liderança asiática no cenário global”, disse Lin.

Para especialistas em relações internacionais, a retomada dos voos diretos simboliza mais do que uma facilidade logística: é um reflexo do fortalecimento da cooperação regional e da integração econômica entre duas potências que compartilham desafios e ambições similares. Com uma população combinada que representa quase um terço da humanidade, China e Índia têm capacidade de influenciar positivamente o desenvolvimento do Sul Global, servindo de modelo de parceria entre grandes países emergentes.

À medida que o dragão e o elefante avançam lado a lado, a Ásia reafirma sua centralidade no mundo, mostrando que soluções regionais autônomas, construídas sobre confiança, respeito mútuo e objetivos estratégicos comuns, são capazes de gerar estabilidade, prosperidade e inovação para bilhões de pessoas.

Tarifas de Trump fortalecem o BRICS

Além dos avanços bilaterais, fatores externos têm acelerado a integração China-Índia. As tarifas impostas unilateralmente pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criaram um efeito inverso ao esperado: em vez de enfraquecer, China e Índia se aproximaram, consolidando o BRICS — bloco do qual também fazem parte Brasil, Rússia e África do Sul.

O porta-voz Lin Jian ressaltou que a ofensiva americana não apenas reforçou a importância de uma cooperação autônoma entre os países do Sul Global, como também evidenciou a necessidade de mecanismos independentes, como o BRICS Pay, sistema de pagamentos em moedas locais lançado em 2024. “China e Índia atuam para ampliar de forma consistente a confiança política mútua e fortalecer plataformas multilaterais, promovendo o desenvolvimento saudável e estável das relações bilaterais”, afirmou.

Enquanto Trump aplicava tarifas sobre produtos chineses de até 145% e punia a Índia com taxas de 50% sobre exportações, Pequim e Nova Délhi avançaram em iniciativas estratégicas, ampliando a cooperação econômica e diplomática. Modi, por exemplo, estreitou laços com Rússia e Brasil, enquanto a China reforçou seu papel de liderança dentro do BRICS, defendendo uma agenda de soberania e independência econômica para o Sul Global.

Histórico de conflitos e novo momento estratégico

China e Índia compartilham mais de seis décadas de rivalidades territoriais, desde a Guerra Sino-Indiana de 1962 até os confrontos em Doklam (2017) e Galwan (2020). Apesar dos episódios de tensão, o recente movimento em direção à cooperação econômica e diplomática demonstra que ambos os países conseguem colocar parte de suas diferenças de lado em nome de interesses estratégicos maiores.

“A recente aproximação representa uma mudança estratégica significativa”, afirma analista internacional. Ao priorizar estabilidade regional e integração econômica, China e Índia não apenas fortalecem o BRICS, mas também promovem uma ordem multipolar mais equilibrada, reduzindo a dependência de centros de poder tradicionais e reafirmando a soberania asiática.

Rumo a um futuro multipolar e autônomo

Com a retomada de voos diretos, a presença de líderes na OCX e o fortalecimento do BRICS, China e Índia mostram que é possível construir uma parceria madura, pragmática e estratégica, capaz de gerar prosperidade e estabilidade para bilhões de pessoas. O dragão chinês e o elefante indiano consolidam, assim, um novo capítulo nas relações internacionais, no qual a Ásia reafirma seu papel de protagonista global, atuando com autonomia, cooperação e visão de longo prazo.

Com informações de Xinhua e Revista Fórum*

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Ocupação no comércio cresce pelo terceiro ano seguido e chega a 10,5 milhões de pessoas https://www.ocafezinho.com/2025/08/07/ocupacao-no-comercio-cresce-pelo-terceiro-ano-seguido-e-chega-a-105-milhoes-de-pessoas/ https://www.ocafezinho.com/2025/08/07/ocupacao-no-comercio-cresce-pelo-terceiro-ano-seguido-e-chega-a-105-milhoes-de-pessoas/#respond Thu, 07 Aug 2025 21:48:50 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=214804 O Brasil tinha 10,5 milhões de pessoas ocupadas no comércio formal em 2023, alta de 2,6% (mais 267,8 mil) em relação a 2022. Esse é o segundo maior contingente desde 2007. Frente ao período pré-pandemia, em 2019, houve aumento de 3,5%, acréscimo de 360,3 mil pessoas.

Em 2023 havia 1,5 milhão de empresas comerciais no Brasil, responsáveis pela ocupação de 10,5 milhões de pessoas e abrangendo 1,7 milhão de unidades locais. Comparada a 2022, a ocupação teve alta de 2,6% (mais 267,8 mil pessoas), terceiro ano seguido de crescimento. Frente a 2014, no entanto, ocorreu queda de 0,8% (menos 88,0 mil) e, em relação a 2019, pré-pandemia, houve expansão de 3,5% (mais 360,3 mil). O contingente de trabalhadores em 2023 recebeu R$ 352,7 bilhões em salários, retiradas e outras remunerações. Já a receita operacional líquida gerada pelas empresas comerciais totalizou R$ 7,1 trilhões. Os dados são da Pesquisa Anual de Comércio (PAC), divulgada hoje (7) pelo IBGE.

A PAC fornece, desde 2007, um panorama detalhado das características estruturais do segmento empresarial da atividade de comércio no Brasil, investigando os seguintes temas: caracterização do faturamento das empresas comerciais, estrutura da margem de comercialização, concentração de mercado, perfil do emprego do setor de comércio, e estrutura das empresas comerciais nas Grandes Regiões e suas respectivas unidades da federação.

O setor varejista respondeu pela maior proporção de empregos do comércio, com 7,7 milhões de trabalhadores, equivalente a 72,7% do total. Entre as atividades do varejo com alta na ocupação entre 2014 e 2023, destaque para hiper e supermercados, que teve a maior proporção de pessoas ocupadas (15,1%), e aumentou a quantidade de trabalhadores em 30,6% (mais 372,3 mil pessoas). Outro destaque do setor varejista é o comércio de produtos farmacêuticos, perfumaria, cosméticos e artigos médicos, ópticos e ortopédicos, com alta de 21,3%, o que corresponde a mais 162,2 mil pessoas ocupadas nesse período de 10 anos.

Segundo o gerente de análise estrutural do IBGE, Marcelo Miranda, o perfil do negócio explica o aumento na ocupação da atividade de hiper e supermercados. “Hiper e supermercados demandam uma grande força de trabalho para atender às diversas necessidades de operação, como escala de produtos, logística e distribuição, até o atendimento ao cliente”, diz ele.

Além das altas mais intensas, o setor varejista teve as quedas mais expressivas na ocupação entre 2014 e 2023. Venda de tecidos, vestuário, calçados e armarinho reduziu em 332,9 mil pessoas (-24,6%), enquanto atividades de informática, comunicação e artigos de uso doméstico perdeu 136,5 mil trabalhadores (-13,1%), e produtos alimentícios, bebidas e fumo teve menos 118,9 mil pessoas (-9,4%).

O comércio atacadista empregou dois milhões de pessoas, a maior quantidade desde 2007, representando 18,7% do total. Nos últimos 10 anos, a atividade com maior alta na ocupação foi a de produtos alimentícios, bebidas e fumo, que empregou mais 39,3 mil pessoas (9,2%), o que contribuiu para o recorde na ocupação no setor atacadista, de acordo com Miranda.

Já o setor de venda de veículos, peças e motocicletas ocupou 902,9 mil trabalhadores em 2023, equivalente a 8,6% do total de ocupados.

Comércio pagava em média dois salários mínimos, repetindo o maior valor da série histórica

Empresas comerciais pagaram uma média de dois salários mínimos (s.m.) em 2023, repetindo o resultado de 2022, que foi o maior valor desde 2007. O setor de atacado liderou com o maior salário médio (2,9 s.m.), seguido pelo comércio de motocicletas, peças e veículos (2,1 s.m.) e pelo comércio varejista (1,7 s.m.). Na comparação com 2014, apenas comércio de veículos, peças e motocicletas teve queda (-0,3 s.m), enquanto os outros dois setores mantiveram o valor médio.

Apesar de o comércio varejista ocupar mais pessoas, os maiores salários em média eram pagos no atacado. Nesse setor, destaque para venda de combustíveis e lubrificantes (4,6 s.m.), que apresentou a maior queda nos últimos 10 anos (-1,7 s.m.); máquinas, aparelhos e equipamentos, inclusive TI e comunicação (4,3 s.m.); e produtos farmacêuticos, perfumaria, cosméticos e artigos médicos, ópticos, ortopédicos, material de escritório, papelaria e artigos de uso doméstico (4,0 s.m.), cujo salário médio foi o que mais aumentou no período (+0,4 s.m). Já os menores salários ficaram com as atividades de representantes e agentes do comércio do setor atacadista (1,2 s.m.), e de comércio varejista de produtos alimentícios, bebidas e fumo (1,3 s.m.) e varejista de tecidos, vestuário, calçados e armarinho (1,6 s.m.).

Enquanto o salário médio nacional foi de 2,0 s.m. em 2023, no Sudeste o valor foi maior (2,1 s.m.), enquanto no Sul a remuneração (2,0 s.m.) foi idêntica à média nacional. Já as regiões Centro-Oeste (1,9 s.m.), Norte (1,7 s.m.) e Nordeste (1,5 s.m.) ofereciam salários abaixo da média. Nos últimos 10 anos, empresas comerciais no Sul e Centro-Oeste aumentaram o salário médio em 0,1 s.m., enquanto no Norte a redução foi de 0,1 s.m.

Liderada pelo comércio por atacado, receita líquida do setor comercial foi de R$ 7,1 trilhões em 2023

As empresas comerciais do país registraram, em 2023, uma receita bruta de R$ 7,7 trilhões. Desse montante, R$ 685,6 bilhões foram provenientes do comércio de veículos, peças e motocicletas, R$ 3,8 trilhões do comércio por atacado, e R$ 3,2 trilhões do comércio varejista. Descontados os impostos sobre vendas, vendas canceladas, descontos incondicionais, abatimentos e outras contribuições, a receita operacional líquida do setor foi de R$ 7,1 trilhões. Vale lembrar que os valores monetários mencionados na pesquisa correspondem a preços correntes de 2023.

O comércio por atacado (49,7%) foi o que mais contribuiu com geração de receita líquida, seguido pelo comércio varejista (41,2%) e pelo comércio de veículos, peças e motocicletas (9,1%). De 2014 a 2023, o varejo apresentou a maior redução de representatividade, com perda de 3,4 pontos percentuais (p.p.). Por outro lado, o resultado positivo do setor em 2023 encerrou uma sequência de cinco anos seguidos com perda de participação. O comércio de veículos, peças e motocicletas perdeu 2,6 p.p., enquanto o comércio por atacado avançou 5,9 p.p. em 10 anos.

Três dos 22 segmentos do setor comercial geraram a maior parte da receita operacional líquida em 2023: comércio por atacado de combustíveis e lubrificantes (11,8%), que cresceu 1,3 p.p. nos últimos 10 anos e foi a atividade mais representativa no ano; hipermercados e supermercados (11,6%), que figurou na primeira posição do ranking de participação em 2014 e na segunda em 2023; e comércio por atacado de produtos alimentícios, bebidas e fumo (8,5%), que foi a quarta atividade mais relevante em 2014 e a terceira em 2023.

O agrupamento que mais cresceu em termos de participação de receita, entre 2014 e 2023, foi o comércio por atacado de matérias-primas agrícolas e animais vivos (3,2 p.p.), subindo nove posições no ranking de representatividade ao passar do 15º para o 6º lugar da lista. No sentido oposto, o comércio de veículos automotores (-2,2 p.p.) foi a atividade que mais perdeu participação em 10 anos, caindo da terceira para a sétima posição. Já na comparação com o período pré-pandemia, hipermercados e supermercados se destacou por ter sido o segmento com a maior perda em participação de receita operacional líquida (-1,3 p.p.).

Taxas de margem de comercialização e de concentração de mercado diminuíram em 10 anos

A margem de comercialização, que representa a diferença entre a receita líquida de revenda (maior parcela da receita operacional líquida proveniente da venda de mercadorias) e o custo das mercadorias vendidas, totalizou R$ 1,6 trilhão em 2023. A maior parte desse valor veio do comércio varejista (52,4%), seguido pelo comércio por atacado (40,0%) e pelo comércio de veículos, peças e motocicletas (7,6%).

Nos últimos 10 anos, a taxa de margem de comercialização, que mede a capacidade de um determinado setor em aumentar sua receita de vendas acima dos custos de aquisição e da variação do estoque, caiu de 30,6% para 29,0%. No mesmo período, as margens do comércio varejista (de 39,4% para 39,1%) e do comércio por atacado (de 25,1% para 22,5%) recuaram. Já o comércio de veículos, peças e motocicletas seguiu direção oposta, saindo de 20,3% para 23,4% de taxa de margem de comercialização.

Dos 22 agrupamentos de atividades que compõem o setor de comércio, as maiores taxas de margem de comercialização encontravam-se no comércio varejista. O comércio varejista de artigos culturais, recreativos e esportivos cresceu 23,6 p.p., maior incremento desde 2014 dentre todas as atividades, com taxa de margem de 84,9% em 2023. Em seguida, apareceu o comércio varejista de tecidos, vestuário, calçados e armarinho (83,0%), cujo aumento da taxa foi de 1,7 p.p., enquanto a terceira posição neste ranking ficou com o comércio varejista de produtos farmacêuticos, perfumaria, cosméticos e artigos médicos, ópticos e ortopédicos (62,8%), que expandiu sua taxa de margem em 4,6 p.p.

Em contraste, as três menores taxas de margem de comercialização foram das seguintes atividades: comércio por atacado de combustíveis e lubrificantes, com taxa de 6,5% (perda de 1,4 p.p. entre 2014 e 2023); comércio por atacado de matérias-primas agrícolas e animais vivos, com 11,9% de taxa (perda de 3,0 p.p.); e comércio de veículos automotores, com 14,3% (ganho de 2,1 p.p.). Já a maior perda da taxa de margem ficou com o comércio por atacado de produtos farmacêuticos, perfumaria, cosméticos e artigos médicos, ópticos, ortopédicos, material de escritório, papelaria e artigos de uso doméstico, que passou de 57,6% para 50,4% em 10 anos.

Quanto à concentração de mercado, medida pelo indicador R8 (quanto maior o R8, maior é a concentração no setor, segmento ou agrupamento de atividades), a pesquisa mostrou que houve redução em seu valor. As oito maiores empresas do setor comercial passaram de 10,2% de representatividade em 2014 para 9,3% em 2023.

No comércio varejista o R8 foi de 10,0% em 2023, aumento de 1,3 p.p. no intervalo de 10 anos. Embora o setor, em geral, apresente baixa concentração, o comércio varejista de informática, comunicação e artigos de uso doméstico se destacou entre as três maiores do comércio, com um indicador de 41,2%.

O comércio por atacado (16,0%), ao contrário, teve queda de 4,6 p.p. no seu R8 em 2023, comparado a 2014. Duas das três atividades de maior valor do indicador, dentre as 22 analisadas, eram do segmento de atacado: comércio atacadista de combustíveis e lubrificantes, com o maior R8 (56,6%); e comércio por atacado de mercadorias em geral, com R8 de 34,0%. Vale ressaltar, porém, que o comércio atacadista de combustíveis e lubrificantes apresentou queda de 17,7 p.p., maior diminuição em relação a 2014.

Sudeste perde participação no comércio em 10 anos, mas segue com maior receita bruta

O Sudeste foi responsável por 48,9% da receita bruta de revenda em 2023, mas essa participação diminuiu frente a 2014, quando detinha 51,6%. Essa perda na participação foi absorvida principalmente pelas regiões Sul, que passou de 19,7% para 20,9%, e Centro-Oeste, que cresceu de 9,7% para 11,4%, nesses últimos 10 anos.

O setor comercial no Sudeste empregava um total de 5,2 milhões de pessoas em 2013, uma queda de 4,1% frente a 2014, o que representa menos 223,4 mil pessoas ocupadas. O Nordeste tinha 1,9 milhão de trabalhadores ocupados, mas também enfrentou queda na ocupação, com a saída de cinco mil profissionais. Já o Centro-Oeste terminou 2023 com 947,5 mil profissionais no comércio, e foi a região com maior alta em termos absolutos, 6,5%, ou mais 57,5 mil pessoas ocupadas. A Região Norte tinha 378,9 mil trabalhadores no comércio, após aumento de 13,4% ou 44,9 mil empregados entre 2014 e 2023. O Sul ganhou 38,0 mil pessoas (aumento de 1,8%) no mesmo período, chegando a 2,1 milhões de pessoas empregadas no comércio formal.

O comércio por atacado predominou em 13 unidades da federação, incluindo as três da Região Sul, enquanto nas outras 14 o comércio varejista teve mais peso em 2023. Nos últimos 10 anos, o Amazonas passou a ter comércio varejista como o de maior relevância em termos de receita, enquanto Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul tiveram um movimento inverso.

São Paulo continuou sendo o estado mais representativo do setor comercial em termos financeiros, com 29,2% da receita bruta do país. No entanto, nos últimos 10 anos, perdeu espaço, com uma queda de 2,2 p.p. entre 2014 e 2023, a maior redução entre as unidades da federação. Minas Gerais manteve-se como a segunda mais importante, com 10,0% do total.

Rio de Janeiro, que em 2014 era o terceiro estado com maior representação, teve uma queda de 2,1 p.p. e, em 2023, caiu à sexta posição, com 6,2% de participação, sendo o estado que mais perdeu posições no ranking de relevância da receita bruta entre 2014 e 2023. Paraná (8,1%), Rio Grande do Sul (6,5%) e Santa Catarina (6,4%), que formam a região Sul, ultrapassaram o Rio de Janeiro nesse ranking. Já o Mato Grosso foi o estado que mais ganhou participação, passando de 2,9% em 2014 para 4,3% em 2023, e saiu da décima para a sétima posição.

Número de empresas que comercializam pela internet quase dobra em quatro anos

A quantidade de companhias que comercializou pela internet cresceu 97,6% entre 2019 e 2023, passando de 1,9 mil para 3,7 mil empresas. Os dados de vendas pela internet da PAC contemplam apenas empresas com 20 ou mais pessoas ocupadas ou com um nível elevado de receita de acordo com a atividade.

No setor varejista, a proporção de empresas que realizaram algum tipo de comercialização pela internet saltou de 4,7% em 2019 para 8,6% em 2023. As atividades varejistas que comercializavam pela internet em 2023 com maior participação eram comércio de informática, comunicação e artigos de uso doméstico (19,7%), material de construção (17,6%); tecidos, vestuário, calçados e armarinho (15,9%), e produtos farmacêuticos, perfumaria, cosméticos e artigos médicos, ópticos e ortopédicos (13,8%).

A participação da receita bruta do varejo comercializado pela internet passou de 5,3% em 2019 e para 8,8% em 2023. No entanto, houve queda em relação a 2022, quando a participação foi de 9,1%.

As atividades com maiores ganhos de participação na receita bruta via internet, entre 2019 e 2023, foram comércio varejista de produtos farmacêuticos, perfumaria, cosméticos e artigos médicos, ópticos e ortopédicos (4,3 p.p.) e hiper e supermercados (2,4 p.p.). Essas duas atividades representaram, respectivamente, 9,1% e 7,3% do total de receita gerada pelo setor comercial na internet em 2023. Já o comércio varejista de tecidos, vestuário, calçados e armarinho foi o que mais perdeu espaço (-3,0 p.p.) entre 2019 e 2023, enquanto o comércio varejista de informática, comunicação e artigos de uso doméstico permanece com a maior parte dessas receitas (61,4%) apesar da queda de 2,8 p.p.

O comércio de informática, comunicação e artigos de uso doméstico teve 38,5% da receita gerada pela internet, a maior proporção de vendas online entre todas as atividades. Comércio varejista de tecidos, vestuário, calçados e armarinho, que em 2019 tinha apenas 8,8% de suas receitas pela internet, passou a 13,4% em 2023, enquanto o comércio varejista de produtos farmacêuticos, perfumaria, cosméticos e artigos médicos, ópticos e ortopédicos quase triplicou, com participação de vendas online subindo de 2,8% para 7,9% no mesmo período.

O gerente de análise estrutural do IBGE lembra que a pesquisa retrata como a pandemia influenciou a mudança de patamar no volume de receitas via internet. “Era natural que as pessoas voltassem a comprar mais nas lojas físicas com o fim do isolamento social, mas a adaptação das empresas ao comércio online e os novos hábitos de consumo durante a pandemia elevaram o patamar de receitas por esse canal que se sustenta até 2023”, diz Miranda.

Publicado originalmente pela Agência de Notícias IBGE em 07/08/2025

Por Igor Ferreira e Pedro Renaux – Editoria Estatísticas Econômicas

Arte: Claudia Ferreira

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Modi está entre o dólar e o barril russo https://www.ocafezinho.com/2025/07/31/modi-esta-entre-o-dolar-e-o-barril-russo/ https://www.ocafezinho.com/2025/07/31/modi-esta-entre-o-dolar-e-o-barril-russo/#respond Thu, 31 Jul 2025 09:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=214036 Trump impõe tarifa de 25% sobre produtos indianos e ameaça sanções por relações com a Rússia; o governo indiano busca respostas em meio à instabilidade causada pela política externa dos Estados Unidos

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na quarta-feira (30) que vai aplicar uma nova tarifa de 25% sobre as exportações da Índia para o país, a partir do dia 1º de agosto. A medida, revelada por meio de uma postagem nas redes sociais, também inclui a possibilidade de multas adicionais contra Nova Delhi por conta da compra de energia russa, em um momento delicado das relações comerciais entre os dois países.

Na mensagem, Trump justificou a decisão afirmando que as tarifas impostas pela Índia são “as mais altas do mundo” e criticou as barreiras comerciais levantadas pelo governo indiano. Ele também ressaltou que a Índia é o maior comprador de energia da Rússia — juntamente com a China —, num contexto internacional em que há pressão crescente para que Moscou cesse a guerra na Ucrânia. “A ÍNDIA, PORTANTO, PAGARÁ UMA TARIFA DE 25%, MAIS UMA MULTA PELOS ITENS ACIMA, A PARTIR DE PRIMEIRO DE AGOSTO”, escreveu ele.

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Essa não é a primeira vez que Trump faz uso de medidas protecionistas como forma de pressionar parceiros comerciais antes do prazo limite estabelecido para a implementação de novas regras. No entanto, a surpresa foi grande no lado indiano, já que a Índia vinha tentando negociar um acordo bilateral desde o início do ano, após a visita do primeiro-ministro Narendra Modi à Casa Branca em fevereiro. Apesar disso, Nova Delhi acabou sendo tratada de forma menos favorável do que outros países asiáticos, como Vietnã, Indonésia e Japão, que receberam tarifas menores.

A resposta imediata foi sentida nos mercados financeiros. A rupia desabou 0,8%, atingindo sua menor cotação em cinco meses, enquanto os futuros do índice Nifty 50 recuaram 0,5%. A economia indiana, já fragilizada por desafios internos e externos, agora enfrenta uma nova onda de incertezas.

Impasse nas negociações

Apesar da tensão visível, especialistas apontam que as conversas comerciais entre Índia e Estados Unidos ainda podem retomar, mesmo que sob condições mais difíceis. “Embora as negociações pareçam ter chegado a um impasse, isso não significa necessariamente o fim delas”, destacou Madhavi Arora, economista da Emkay Global Financial Services Ltd. Segundo ela, as partes provavelmente voltarão ao diálogo, mas com expectativas reduzidas.

O governo indiano, por sua vez, reafirmou seu compromisso com um acordo “justo, equilibrado e mutuamente benéfico”, enfatizando a importância de proteger setores estratégicos da economia, como agricultura e pequenas empresas. Em comunicado oficial, Nova Delhi afirmou que tomará todas as medidas necessárias para defender seus interesses nacionais.

As negociações haviam avançado até abril, quando os dois países finalizaram os termos iniciais do acordo após encontros entre autoridades. Mas, diante da escalada de críticas e ameaças por parte de Washington, a situação se complicou rapidamente.

Geopolítica e energia russa

A relação entre Índia e Estados Unidos sempre foi marcada por interesses divergentes, especialmente no cenário geopolítico global. Embora haja esforços recentes para aproximar Nova Delhi de Washington como aliada potencial contra a influência chinesa, a dependência energética e militar da Índia com a Rússia continua sendo um ponto de discórdia.

Dados da Kpler mostram que a Índia importou mais de um terço de seu petróleo da Rússia este ano. Além disso, cerca de 36% das armas importadas pelo país vêm do mesmo mercado. Esses laços econômicos colocam Nova Delhi em posição delicada perante os EUA, que veem essas transações como um apoio tácito ao regime de Vladimir Putin.

Trump também ameaçou aplicar sanções a outros países que continuarem comprando energia russa, incluindo a China. A decisão ocorre logo depois de ele reduzir o prazo para uma possível trégua na guerra na Ucrânia para dez dias, aumentando a pressão sobre Moscou.

Críticas e impactos domésticos

Dentro da Índia, o anúncio gerou reações mistas. Partidos de oposição aproveitaram a oportunidade para criticar o governo de Modi. O ex-ministro Jairam Ramesh ironizou a postura do primeiro-ministro, lembrando de supostos conflitos anteriores entre ele e Trump. “O presidente Trump impôs uma tarifa de 25%, mais multa, sobre as importações da Índia. Todo aquele conflito entre ele e Howdy Modi significou pouco”, escreveu ele em suas redes sociais.

Economistas também alertam para os riscos do novo cenário. Brendan McKenna, da Wells Fargo & Co., destaca que a dependência da Índia por energia russa pode piorar as contas correntes e aumentar a inflação. “Mudar fornecedores pode ter impactos negativos tanto nas finanças públicas quanto no mercado interno”, observou.

Conflito comercial e interesses estratégicos

Os EUA têm interesse em ampliar seu acesso ao mercado indiano, principalmente para produtos agrícolas geneticamente modificados e bens industriais. No entanto, a Índia tem resistido a abrir totalmente esses setores, argumentando que isso poderia prejudicar a segurança alimentar e os pequenos produtores locais.

Kevin Hassett, presidente do Conselho Econômico Nacional da Casa Branca, defendeu a posição americana: “É uma situação muito assimétrica. Acho que estamos esperançosos de que a Índia abra seus mercados para nós.” Para ele, um acordo com Nova Delhi seria transformador para a economia global.

Apesar da alta tarifa, analistas acreditam que a Índia ainda pode buscar isenções setoriais para produtos-chave, como eletrônicos e medicamentos. Alexandra Hermann, da Oxford Economics, alerta, porém, que qualquer restrição adicional pode prejudicar tanto as exportações indianas quanto o apelo do país para investimentos estrangeiros.

Incertezas no futuro

Com a entrada em vigor das novas tarifas, a Índia agora enfrenta uma nova fase de negociações comerciais com os EUA, marcada por pressões geopolíticas e demandas internas. Manter relações com a Rússia, buscar autonomia econômica e firmar acordos vantajosos com potências ocidentais continuarão sendo desafios centrais para o governo de Modi.

Enquanto isso, os mercados permanecem em alerta, aguardando os próximos passos do governo indiano e a evolução das relações entre as duas maiores economias emergentes do planeta. O que está claro é que esse capítulo da história comercial entre Índia e Estados Unidos só tende a se prolongar, com consequências profundas para a economia global.

Reino Unido e Índia selam acordo comercial histórico que promete impulsionar economias

O Reino Unido e a Índia assinaram nesta quinta-feira (24) um ambicioso acordo de livre comércio que eliminará tarifas sobre uma ampla gama de produtos, desde automóveis até bebidas alcoólicas. A cerimônia, realizada em Chequers, residência oficial do primeiro-ministro britânico, marcou o fim de três anos de negociações intensas entre as duas nações.

O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, afirmou que o pacto trará “enormes benefícios para ambos os países”, com previsões de aumento salarial, melhoria no padrão de vida e redução de preços para os consumidores. Já o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, destacou que o acordo abrirá as portas do mercado britânico para produtos indianos como têxteis, joias, produtos agrícolas e bens de engenharia.

“Isso não está apenas abrindo caminho para uma parceria econômica, mas também é um projeto para nossa prosperidade compartilhada”, declarou Modi durante o evento, que contou com a presença de autoridades de ambos os países, incluindo os ministros Jonathan Reynolds e Piyush Goyal, além da chanceler Rachel Reeves e o ministro das relações exteriores Subrahmanyam Jaishankar.

Um acordo estratégico em tempos de incerteza global

O acordo chega em um momento delicado no cenário comercial internacional. Enquanto o presidente americano Donald Trump prepara novas ameaças tarifárias, com prazo para implementação em 1º de agosto, o Reino Unido busca consolidar parcerias estratégicas após o Brexit. O pacto com a Índia é considerado o maior acordo comercial do país desde sua saída da União Europeia e o mais significativo da Índia em mais de uma década.

Para Starmer, o acordo é um passo importante em sua estratégia de revitalizar a economia britânica. Embora o impacto direto seja estimado em £4,8 bilhões (US$ 6,5 bilhões) adicionados à produção econômica anual, o governo espera que sucessivos acordos comerciais ajudem a reverter o fraco sentimento empresarial e atrair investimentos estrangeiros.

Já para Nova Delhi, o acordo reforça a posição da Índia como uma alternativa confiável para cadeias de suprimento globais em busca de diversificação. Além disso, o pacto serve como plataforma para futuras negociações com a União Europeia e como pressão adicional nas conversas em andamento com os Estados Unidos.

Redução tarifária e ganhos mútuos

O acordo prevê a eliminação de tarifas em cerca de 90% das exportações britânicas para a Índia, com 85% delas isentas dentro de dez anos. Por outro lado, a Índia reduzirá impostos em aproximadamente 99% das tarifas sobre mercadorias enviadas ao Reino Unido.

Produtos como uísque e gin verão suas tarifas reduzidas de 150% para 75% inicialmente, chegando a 40% no décimo ano do acordo. No setor automotivo, as tarifas cairão de 110% para 10% — sob cota — no mesmo período. Essas mudanças prometem revitalizar setores estratégicos em ambos os países.

Empresários de ambos os lados elogiaram o acordo. Anil Agarwal, presidente da mineradora Vedanta Ltd, afirmou que o pacto impulsionará “empregos e oportunidades de empreendedorismo”. Já Anish Shah, CEO do Grupo Mahindra, destacou que o acordo reflete a crescente influência global da Índia.

Kirit Bhansali, presidente do Conselho de Promoção de Exportações de Gemas e Joias da Índia, estimou que as exportações do setor para o Reino Unido poderão saltar de US$ 941 milhões para US$ 2,5 bilhões após a implementação do acordo.

Uma visão para 2035

Além do comércio, os dois países anunciaram uma “visão compartilhada para 2035”, que inclui cooperação em áreas como defesa, migração, tecnologia, clima, educação e saúde. Um documento conjunto revelou planos para colaboração na fabricação de propulsão elétrica e motores a jato.

Modi, conhecido por suas referências culturais em discursos internacionais, fez menção ao cricket — esporte nacional da Índia — como metáfora para a nova parceria. “Pode haver uma oscilação e um erro às vezes, mas sempre jogamos com um taco direto”, disse. “Estamos comprometidos em construir uma parceria sólida e com alta pontuação.”

Comércio bilateral em expansão

O comércio bilateral entre Reino Unido e Índia atingiu US$ 21,9 bilhões em 2024. Com o novo acordo, espera-se que esse volume cresça para £25,5 bilhões por ano no longo prazo. A assinatura ocorre pouco antes da visita de Trump à Escócia, onde ele se encontrará com Starmer, em um momento em que o Reino Unido também busca avançar em seu pacto comercial com os EUA.

Para Rain Newton-Smith, CEO da Confederação da Indústria Britânica, o acordo “envia um sinal poderoso” de que o Reino Unido está aberto aos negócios e comprometido com o livre comércio. “As empresas britânicas podem aproveitar esta nova plataforma para escalar, diversificar e competir no cenário global”, afirmou.

Com o acordo selado, ambas as nações agora se preparam para os próximos passos na implementação do pacto, enquanto o mundo assiste de perto a mais um capítulo importante nas relações comerciais internacionais.

Com informações de Bloomberg e Agências de Notícias*

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Trump isenta a maioria dos minérios brasileiros da tarifa de 50% https://www.ocafezinho.com/2025/07/31/trump-isenta-a-maioria-dos-minerios-brasileiros-da-tarifa-de-50/ https://www.ocafezinho.com/2025/07/31/trump-isenta-a-maioria-dos-minerios-brasileiros-da-tarifa-de-50/#respond Thu, 31 Jul 2025 08:40:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=214123 Isenção a ferro, ouro e lítio mostra que, mesmo sob pressão, os EUA precisam das riquezas do subsolo brasileiro para sustentar sua indústria e sua disputa global

Enquanto aplica uma tarifa de 50% sobre centenas de produtos brasileiros, o presidente norte-americano Donald Trump decidiu isentar cerca de 75% dos minerais exportados pelo Brasil ao mercado dos EUA. A informação foi confirmada por meio de um levantamento preliminar do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), obtido exclusivamente pela CNN.

A ordem executiva assinada nesta quarta-feira (30) inclui importantes matérias-primas como ferro, estanho, ouro, prata e carvão na lista de isenções. Por outro lado, alguns minerais — entre eles caulim, cobre, manganês, vanádio, bauxita e pedras ornamentais — permaneceram sob a nova carga tributária, que eleva a tarifa para 10%, mantendo a alíquota anunciada no início de abril deste ano.

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Além disso, tecnologias derivadas de minerais críticos, como baterias de níquel-cádmio e baterias de íons de lítio (lithium-ion), também estão fora da incidência da tarifa adicional. Isso indica que Washington reconhece a importância estratégica desses recursos para a indústria de alta tecnologia e para a transição energética global.

Negociações anteriores já sinalizavam exceções

Segundo informações reveladas pela CNN, nas semanas que antecederam a publicação do decreto, representantes do Ibram se reuniram com o encarregado de negócios da embaixada dos Estados Unidos no Brasil, Gabriel Escobar. Nessas conversas, os norte-americanos já haviam dado sinais de que pretendiam tratar certos minerais de forma diferenciada dentro do quadro das novas taxas.

Para autoridades brasileiras, a decisão de isentar a maior parte dos minérios parece estar ligada a uma estratégia mais ampla de diversificação de fontes de suprimento. Com a China dominando grande parte do mercado global, os EUA têm interesse em manter abertos canais alternativos, especialmente para minerais estratégicos cujo processamento está concentrado no gigante asiático.

“Sobretaxar esses minerais poderia, de fato, afastar as exportações brasileiras dos EUA e direcioná-las para Pequim, algo que Washington não quer”, explicou uma fonte ligada ao setor. Atualmente, a China é o principal comprador dos minerais extraídos no Brasil, controlando a maior parte da cadeia produtiva desses materiais.

O monopólio chinês e a busca por alternativas

A Agência Internacional de Energia (IEA) já alertou sobre os riscos geopolíticos associados à dependência do mercado mundial em relação à China na produção de baterias e componentes críticos para a economia verde. Pequim detém mais de 80% da capacidade de fabricação de células de bateria e também domina a metade do processamento global de lítio e cobalto — metais-chave para a revolução energética e tecnológica.

Diante disso, os EUA têm intensificado esforços para buscar parcerias com outros países, incluindo o Brasil, para reduzir sua vulnerabilidade. A isenção dos principais minerais brasileiros pode ser interpretada como um passo nessa direção, mesmo que a política geral do governo Trump continue sendo marcada por protecionismo e unilateralidade.

Setor aguarda maiores detalhes

Apesar do alívio proporcionado pelas isenções, o setor mineral brasileiro ainda aguarda informações mais concretas sobre como a medida será aplicada na prática. Autoridades e empresários querem entender melhor os critérios utilizados para incluir ou excluir determinados produtos da lista de isentos, além de analisar o impacto real da tarifa nos volumes de exportação.

A expectativa é de que o governo federal movimente canais diplomáticos nos próximos dias para obter mais explicações junto às autoridades norte-americanas. Além disso, setores interessados devem acompanhar atentamente eventuais ajustes na pauta alfandegária, que podem alterar a dinâmica do comércio bilateral.

Tensões comerciais crescem, mas interdependência persiste

A isenção dos minérios acontece em um contexto de forte tensão comercial entre os dois países. Na mesma data, o governo Trump impôs sanções individuais contra o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, utilizando a Lei Magnitsky, e oficializou a tarifa de 50% sobre diversos produtos agrícolas, industriais e têxteis brasileiros.

Essa combinação de medidas — jurídicas e comerciais — mostra uma escalada nas relações entre os dois países, mas também reforça a ideia de que Washington entende a importância econômica do Brasil, especialmente quando se trata de commodities estratégicas. A escolha de isentar a maior parte dos minérios sugere uma tentativa de equilibrar pressões políticas com interesses econômicos.

Riscos e oportunidades

Embora a isenção seja vista como positiva, ela também gera dúvidas: por que alguns minerais foram excluídos? Será que essa diferença tem base técnica ou está relacionada a pressões políticas internas nos EUA? Essas perguntas começam a ecoar dentro do setor e entre especialistas.

Enquanto isso, empresas mineradoras brasileiras seguem observando com cautela a evolução da situação. Para elas, a continuidade do acesso ao mercado norte-americano é crucial, especialmente em um cenário em que Pequim continua dominando as cadeias globais de fornecimento. A isenção representa uma janela de oportunidade, mas também um sinal frágil de que os EUA buscam preservar alguma cooperação com o Brasil, mesmo diante da postura mais dura assumida recentemente.

Com as exportações mineiras representando bilhões de dólares anualmente para o país, qualquer mudança na relação comercial com os EUA tem potencial para afetar diretamente a economia brasileira. E, no momento, a incerteza ainda prevalece.

Enquanto o setor aguarda mais detalhes, o Brasil precisa decidir como responder a essa nova fase da crise: continuar buscando diálogo, adotar contramedidas simétricas ou apostar em outras parcerias comerciais. Uma coisa, porém, fica clara: o papel do Brasil como fornecedor de matérias-primas estratégicas está longe de ser ignorado por Washington — mesmo com toda a retórica de confronto.

Trump isenta produtos estratégicos do tarifaço de 50%, como petróleo, suco de laranja e aviões comerciais

Apesar da escalada comercial anunciada pelo presidente norte-americano Donald Trump, que elevou a tarifa sobre uma série de produtos brasileiros para 50%, uma lista ampla de exceções foi incluída na ordem executiva assinada nesta quarta-feira (30). Entre os setores beneficiados estão o agronegócio, a indústria aeroespacial e a produção de matérias-primas industriais — áreas consideradas fundamentais para a economia brasileira.

A nova política protege itens cruciais como petróleo, suco de laranja e aviões civis. Esses bens são exportações tradicionais do Brasil e representam um papel central no comércio bilateral entre os dois países. A decisão de isentá-los parece visar não só proteger interesses econômicos dos EUA, mas também manter canais abertos para negociações futuras, mesmo diante do clima de tensão atual.

O aumento tarifário, que entra em vigor em 6 de agosto, é adicional à taxa de 10% já aplicada desde abril. No entanto, os produtos listados como isentos permanecem sob as alíquotas anteriores, mantendo sua competitividade no mercado norte-americano.

Itens estratégicos salvos da sobretaxa

O suco de laranja, uma das maiores exportações do agronegócio brasileiro para os Estados Unidos, continua fora da nova cobrança. A indústria espera que essa isenção ajude a conter danos ao setor, que vinha enfrentando pressões por conta da dependência do mercado americano.

Já no segmento industrial, a Embraer — maior produtora de aviões civis da América Latina — respira mais aliviada. Aviões comerciais, seus motores, peças e componentes, além de simuladores de voo terrestre fabricados no Brasil, foram incluídos na lista de isenções. Isso significa que a indústria aeronáutica nacional continuará a operar normalmente no mercado norte-americano, evitando impactos diretos no faturamento e nas cadeias de suprimentos globais.

Outros produtos essenciais, como celulose, carvão e aço — este último fundamental para exportações voltadas à construção civil e automotiva nos EUA — também escaparam da nova carga tributária. Castanhas e algumas categorias específicas de minerais e insumos industriais também foram poupadas.

No total, cerca de 700 categorias de mercadorias foram excluídas da tarifa de 50%. Apesar disso, há nuances: no caso dos aviões, apenas os modelos civis e suas partes relacionadas tiveram isenção garantida, enquanto equipamentos militares permaneceram sob a nova alíquota.

Um sinal de pragmatismo ou estratégia?

Especialistas observam que a decisão de isentar certos setores pode indicar um certo pragmatismo por parte do governo Trump, que reconhece a importância desses produtos tanto para a economia brasileira quanto para o funcionamento de suas próprias indústrias. O suco de laranja, por exemplo, é um item de consumo massivo nos EUA, enquanto aviões e aço desempenham papéis estratégicos em setores críticos da economia norte-americana.

Além disso, a escolha de isentar petróleo e derivados pode ser interpretada como uma tentativa de evitar desabastecimento interno, especialmente num momento de instabilidade global no setor energético. Já a celulose, usada em papelaria e embalagens, tem grande relevância para a indústria gráfica e logística dos Estados Unidos.

Reação do setor privado e expectativas

Empresários brasileiros demonstraram alívio com a inclusão desses setores na lista de isenções. Para o agronegócio, a manutenção do acesso ao mercado norte-americano sem custos adicionais é vital, especialmente em um contexto de volatilidade cambial e inflacionária. “Isso é um respaldo importante para mantermos nossa presença no mercado”, afirmou um representante da Associação Brasileira da Indústria de Suco de Laranja (CitrusBR).

Na aviação, a Embraer destacou a isenção como um “sinal positivo” para o fortalecimento do comércio bilateral. “A preservação da isenção reforça a parceria histórica entre os dois países e mostra que Washington entende a importância da cooperação tecnológica”, disse uma fonte da empresa.

Mesmo assim, setores como o cafeeiro, que não foi contemplado na isenção, manifestaram frustração. “A ausência do café na lista de exceções é um golpe durável para uma cadeia produtiva que tem investido muito no mercado norte-americano”, destacou um produtor da região de Lavras (MG), principal polo produtivo do país.

Crise comercial se intensifica

A ordem executiva foi assinada no mesmo dia em que Trump anunciou sanções individuais contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), sob a Lei Magnitsky. Essa combinação de medidas — jurídicas e comerciais — indica uma postura mais rígida do governo norte-americano frente ao Brasil, mas também sugere que Washington busca equilibrar pressões políticas com necessidades econômicas.

Segundo analistas, a isenção de produtos estratégicos pode servir como uma ponte para futuras negociações. “Trump está mostrando que, apesar da retórica dura, ele ainda valoriza certos setores brasileiros. É uma forma de manter a relação aberta, mesmo em meio à crise diplomática”, avalia um especialista em relações internacionais.

Governo brasileiro deve buscar esclarecimentos

Com a publicação do decreto, o governo federal brasileiro agora aguarda detalhes sobre a implementação prática da medida. Autoridades querem entender melhor os critérios utilizados para definir quais produtos foram isentos e quais sofrerão o aumento de 40 pontos percentuais.

Representantes do Ministério da Economia e da Apex Brasil já entraram em contato com agentes norte-americanos para solicitar informações adicionais. A expectativa é que, nos próximos dias, haja uma definição mais clara sobre a aplicação efetiva da tarifa e seu impacto real nas exportações brasileiras.

Enquanto isso, setores afetados pela nova carga tributária começam a mobilizar forças para defender seus interesses junto ao governo norte-americano. Empresários buscam influenciar importadores e parlamentares dos EUA, argumentando que a alta tarifa pode gerar contrapartidas negativas, como redução na oferta de matérias-primas e aumento de preços para consumidores norte-americanos.

Balanço inicial e perspectivas

A isenção de produtos estratégicos traz um alívio parcial ao setor exportador brasileiro. No entanto, a cobrança de 50% sobre outros setores — como o agrícola, têxtil e manufatureiro — pode levar a uma retração significativa no comércio bilateral. Além disso, a combinação de sanções judiciais e comerciais gera incertezas sobre o futuro imediato da relação entre os dois países.

Para muitos, a medida de Trump reflete uma dupla estratégia: punir políticas domésticas do Brasil, mas manter viáveis as trocas em áreas onde o Brasil detém vantagem competitiva. No entanto, a percepção geral no setor é de que o Brasil precisa se preparar para uma nova fase de confrontos, seja por meio de contramedidas simétricas, seja buscando novos mercados para substituir a demanda perdida.

Com as isenções confirmadas, o Brasil ganhou algum tempo para ajustar estratégias. Agora, o desafio será transformar esse espaço em uma oportunidade para mitigar os impactos e reforçar a independência econômica do país.

Com informações de CNN*

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