Denise Assis - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/denise-assis/ Portal de noticias e análises sobre política brasileira, geopolítica, economia, tecnologia, sempre numa perspectiva democrática, progressista, anti-imperialista e multipolar! Tue, 24 Jul 2018 20:28:26 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://controle.ocafezinho.com/wp-content/uploads/2015/10/cropped-Logo_Cafezinho_tmb-32x32.png Denise Assis - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/denise-assis/ 32 32 EUA seguiam Jango no Uruguai (parte 2) https://www.ocafezinho.com/2018/07/24/eua-seguiam-jango-no-uruguai-parte-2/ https://www.ocafezinho.com/2018/07/24/eua-seguiam-jango-no-uruguai-parte-2/#respond Tue, 24 Jul 2018 20:28:10 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=87499 A matéria abaixo é a continuação de outra, assinada pela mesma jornalista, sobre o mesmo tema, publicada há alguns dias.

No Jornal do Brasil

EUA seguiam Jango no Uruguai: repressão preocupava embaixador americano

Por Denise Assis, especial para o JB

Nos idos de 1975 não era mais segredo para o mundo as ingerências americanas nos regimes de força implantados abaixo da linha do Equador. O americano médio já não estava interessado num discurso anticomunista. Antes, preocupava-se com suas garantias individuais. Talvez, percebendo que a realpolitik do secretário de estado Henry Kissinger estivesse mudando, o embaixador americano no Brasil, John Hugh Crimmins, tratava de alinhar-se aos princípios ventilados na campanha de Jimmy Carter à presidência dos Estados Unidos, ao longo de 1976.

Em 19 de julho daquele ano, Crimmins encaminhou à Secretaria de Estado de seu país o telegrama número 526, questionando abusos no Cone Sul. A correspondência seguiu com cópia para os embaixadores de Lisboa, Oslo, Paris, Roma, Estocolmo e para o setor de Informações. Nela, Crimmins comentava a fragilidade da segurança dos exilados na Argentina, principalmente, e nos países vizinhos.

Logo no início do texto, o embaixador avisava: “Ataques recentes à esquerda são contra exilados na Argentina. Levantar questões sobre as práticas de segurança dos movimentos do cone Sul: Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai.” Em seguida, questionava: “a) Que grau de cooperação existe entre as forças de segurança do Cone Sul? b) Essas forças participam ou possivelmente consentem em um programa para executar exilados políticos que se opõem a qualquer um dos governos. São todos regimes militares conservadores, nenhum dos quais têm atuação exemplar.”

Em telegrama à Secretaria de Estado dos EUA, John Crimmins fala da fragilidade da segurança dos exilados, especialmente na Argentina

No item 12 do telegrama, Crimmins aponta: “As evidências não determinam a existência de coordenação formal e de alto nível entre as forças de segurança do Cone Sul para o propósito expresso de expulsar os exilados. É forte, no entanto, que a cooperação ocorre, pelo menos, em uma base localizada e oportunista, especialmente em áreas fronteiriças, em instâncias que envolvem a captura de líderes terroristas.”

O embaixador levanta questões verificadas posteriormente no acordo conhecido como “Operação Condor”, que permitia a troca de informações entre os governos dos países sob ditaduras, sobre militantes esquerdistas.

Tempos difíceis no Uruguai

Perguntada se falaria sobre o telegrama que relatou a intenção de seu marido, o ex-presidente João Goulart, de voltar ao Brasil, Maria Thereza declinou. Alegou que não mais se pronunciará sobre o passado “de muito sofrimento”. A considerar pelo relato contido no livro de autoria de Jorge Ferreira, é mesmo difícil para a ex-primeira-dama repassar momentos como aquele vivido sob a ditadura uruguaia, que teve início com o golpe de 1973.

Uma crise econômica corroía o Uruguai, afetando o campo político no país desde 1955. O próximo passo foi um processo de declínio social, ao longo da década de 1960. Houve um notável aumento dos conflitos, que incluiu a luta armada através da “guerra de guerrilhas”, protagonizada por grupos extremistas, entre os quais se destacou o “Movimento de Libertação Nacional -Tupamaros” e a disseminação de ideias por outras organizações, como a “Convenção Nacional de Trabalhadores”.

Também grupos de extrema-direita, a exemplo do “Esquadrão da Morte” e a “Juventud Uruguaya de Pie”, contribuíram para embaralhar a cena política no país. Aos poucos, as Forças Armadas foram assumindo influência, até que finalmente, com o apoio do então presidente uruguaio, Juan María Bordaberry, deram um golpe de Estado.

“Quando os militares uruguaios deram o golpe e implantaram a ditadura, as coisas ficaram muito difíceis para nós. A melhor fase do exílio encerrou-se. A ditadura uruguaia era barra-pesada. Nas ruas, não se podia rir. Se algum policial visse uma pessoa rindo perguntava logo se estava rindo dele. Antes mesmo de responder a pessoa já recebia voz de prisão. Era algo que amedrontava”, contou Maria Thereza, ao autor da biografia de Jango.

Stroessner presenteou Jango com passaporte no Paraguai

No Paraguai, a ditadura de Alfredo Stroessner foi a primeira e a mais duradoura da América do Sul. A motivação não foi diferente das demais que nos anos subsequentes se instalaram nos países vizinhos. Atraso econômico, fome, miséria, instabilidade política e a ingerência americana, que olhava cá para baixo como se fosse o seu quintal.

Stroessner esteve no poder de 1954 a 1989. Foi por iniciativa dele, no entanto, que João Goulart viveu no exílio uma de suas maiores alegrias. Era um grande desejo do ex-presidente ir à África do Sul, se consultar com o cardiologista Christian Basnard, em voga por ter realizado o primeiro transplante de coração (03/12/1967). O relato foi feito pelo jornalista, já falecido, Geneton Moraes Neto, e está reproduzido na biografia escrita pelo historiador Jorge Ferreira.

Jango recebeu um convite do general Stroessner para visitá-lo. Sem entender o motivo, desembarcou com Maria Thereza em 16 de outubro no aeroporto de Assunção, tendo feito reserva no hotel Guarani, no centro da capital. Na chegada, o casal foi recepcionado com flores e conduzido à suíte mais luxuosa do hotel, onde havia ficado ninguém menos que De Gaulle. Em seguida, foram convocados à residência oficial do presidente da República. Lá, Jango recebeu o tão sonhado passaporte.

No aviso impresso do documento, o governo paraguaio pedia “a todas as autoridades civis e militares dos Estados estrangeiros” que deixassem João Goulart “passar livremente”. A profissão: “Ex-presidente da República Federativa do Brasil”. A data de nascimento estava em branco, bem como o endereço – afinal, ele nunca morou no Paraguai. Profundamente emocionado, Jango não sabia como agradecer. Stroessner, enquanto abria uma garrafa de Champagne, respondeu que, se soubesse anteriormente do problema, já o teria resolvido. Para Maria Thereza, “era um dos sonhos de Jango: ter um passaporte para poder viajar. Jango teve poucos momentos de felicidade no exílio. Aquele foi um deles. Quando recebeu o passaporte, parecia uma criança ganhando um brinquedo”. (FERREIRA Jorge. “João Goulart – Uma biografia”. 5ª ed. Civilização Brasileira, 2011).

]]>
https://www.ocafezinho.com/2018/07/24/eua-seguiam-jango-no-uruguai-parte-2/feed/ 0
EUA seguiam Jango no Uruguai https://www.ocafezinho.com/2018/07/23/eua-seguiam-jango-no-uruguai/ https://www.ocafezinho.com/2018/07/23/eua-seguiam-jango-no-uruguai/#comments Mon, 23 Jul 2018 21:14:21 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=87485 3 Comentários 🔥]]> Publicado no Jornal do Brasil

Um telegrama de caráter “confidencial” endereçado ao Departamento de Estado Americano, em janeiro de 1975, e assinado pelo embaixador da época, John Hugh Crimmins (que serviu em Brasília de agosto de 1973 a fevereiro de 1978), lançava um alerta, com base em matérias publicadas pela Revista Manchete e pelo jornal Folha de S. Paulo: “há rumores de que o ex-presidente João Goulart se prepara para retornar ao Brasil.”

O comunicado oficial contextualizava as notícias veiculadas na imprensa, juntando informações sobre o clima de perseguição política aos exilados brasileiros, ao mesmo tempo em que alertava para o peso político da figura de Jango, definida como um “anátema” – uma espécie de maldição –, para os militares que o destituíram do poder.

O telegrama faz parte da terceira leva de documentos desclassificados e entregues à Comissão Nacional da Verdade, nos anos de 2014 e 2015, pelo governo americano, e comprova o que Jango dizia. Seus passos eram vigiados. Ele morreu em 6 de dezembro de 1976. Um ano depois dos boatos sobre sua volta ao Brasil. A causa de sua morte até hoje é envolta em polêmica e teorias conspiratórias.

Tanto a Manchete quanto a Folha, arroladas no telegrama do embaixador americano, se posicionavam a favor da ditadura, embora o dono da Manchete, Adolpho Bloch, fosse amigo de uma das suas vítimas, o ex-presidente Juscelino Kubitscheck, também exilado, àquela altura. Esses veículos, porém, gozavam de credibilidade junto à opinião pública.

O telegrama, distribuído também aos embaixadores americanos da Argentina, do Uruguai e para os consulados do Rio de Janeiro e de São Paulo, dizia: “Nos últimos dois anos tem havido rumores recorrentes em círculos de imprensa de que o ex-presidente Jango Goulart estaria cansado de viver exilado na Argentina e no Uruguai e gostaria de voltar ao Brasil.” E acrescentava o seguinte comentário: “Ele é a encarnação da influência esquerdista e do meio político e econômico terminado pela Revolução de 1964.”

O embaixador ainda destacou: “No final de março, o deputado federal Amaury Müller (MDB) foi destituído como deputado federal e teve seus direitos políticos suspensos (…), pelo menos em parte, por pedir o retorno de Leonel Brizola.” Mas sem deixar de pontuar que “o combustível por trás desse último ressurgimento dos rumores é a situação insegura dos exilados políticos na Argentina e no Uruguai. (…). O senador do MDB, Paulo Brossard, pediu o retorno dos brasileiros no exterior e disse que Goulart está agora no Uruguai, mas teme por sua vida.”

O medo de que algo acontecesse a ele e à sua família era real para Jango. E tanto era assim que optou por mandar para Londres os filhos João Vicente e Denize Goulart. Denize, a mais nova, talvez por estar distante, não se lembra de conversas neste sentido. “Ele estava muito pressionado e comentava que estava sendo vigiado.”

Denize, que é também historiadora e prestes a inaugurar o “Espaço Jango”, um centro cultural em memória do pai, atribui o telegrama e os boatos ao medo do poder que Jango poderia representar naquele momento tenso. Geisel estava assombrado pela eleição, em 1974, de senadores da oposição, vitoriosos em quase todos os estados. “Não podemos esquecer que às vésperas do golpe meu pai tinha 72% de apoio popular e grandes chances de vitória para o seu candidato nas eleições de 1965, que acabaram não acontecendo.”

Historiador, autor do livro “João Goulart, uma biografia” e professor titular aposentado pela UFF, Jorge Ferreira aponta que o momento exigia de Jango algum movimento, pois o panorama das ditaduras era pesado e seus comandos já iniciavam conversações para o que veio a ser conhecido como a “Operação Condor”, um acordo de cooperação regional para a prisão e eliminação dos “inimigos” desses sistemas.

“O embaixador não está inventando nada. Acho que ele repete o que saiu nos jornais, mas eu separei algumas partes aqui do meu livro, em que cito, na página 648, uma festa de aniversário dele, em primeiro de março de 1975 – que coincide com o ano do telegrama –, em que ele é vigiado por agentes do SNI (Serviço Nacional de Informações) e da repressão uruguaia. O já falecido historiador Muniz Bandeira costumava dizer que surpresa seria se o SNI não o vigiasse”.

Ferreira recorda que em julho de 1975, Jango redigiu algumas notas dizendo que era chegada a hora de reorganizar a vida política do país. “Aqui ele já está se apresentando como a liderança disposta a exercer este papel, de fazer essa transição, mas isso não dá em nada. Meses depois vem a Operação Condor. Ele é avisado por emissários de Miguel Arraes e começa a presenciar, a partir disso, mortes de amigos e políticos à sua volta. Isso o deixa inquieto.”

Na página 660 da biografia do ex-presidente, o autor destaca os boatos, em 10 de setembro de 1976, de que Goulart estaria preparando sua volta ao Brasil. No mesmo dia, Sylvio Frota (1910-1996), ministro do Exército de Geisel, envia telegrama ao Departamento Geral de Investigações Especiais da Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro. O telegrama, com carimbos de “Confidencial” e “Reservado”, determinava as seguintes providências: 1) João Goulart deverá ser imediatamente preso e conduzido ao quartel da PM, onde ficará em rigorosa incomunicabilidade, à disposição da Polícia Federal. 2) Nenhuma medida policial deverá ser tomada contra os seus familiares, que permanecerão em liberdade. 3) Fica sem efeito a prescrição restritiva referente ao transporte das Aerolíneas Argentinas, ou qualquer que seja o meio de transporte nacional ou estrangeiro. A prisão acima referida deverá ser realizada e as medidas consequentes aplicadas. Acusar recebimento.”

Ferreira cita o telegrama de Frota para reforçar que havia uma expectativa, por parte dos militares, de que Goulart pretendia voltar, mas havia, também, a determinação de que ele fosse imediatamente preso. Daí o relato do embaixador americano, sobretudo num cenário tenso, em que está em curso a eleição de Jimmy Carter, que vence, pelo Partido Democrata, com um discurso de defesa dos Direitos Humanos. O documento do embaixador, inclusive, destaca que há brasileiros correndo risco de vida no Uruguai e na Argentina. No fim, o que ele diz é que há perigo na volta de Goulart, que foi o “causador” do golpe, por sua influência esquerdista. E que, em sua opinião, os militares não vão permitir sua volta.

Sobre as suspeitas em torno da morte de João Goulart, Ferreira tende para a morte natural. Em 2013, houve a exumação do corpo de Jango, mas não houve avanço na análise do caso. “Depois de 36 anos, isso pouco acrescentou. Tanto assim que os laudos foram inconclusivos. Jango era cardiopata, não fazia dieta, tomava uma série de remédios e não abria mão do uísque. Sem contar que se a CIA quisesse eliminar alguém, o alvo seria Brizola, este sim, mais radical e, no entanto, Carter o salvou e o recebeu nos EUA”, conclui.

Filho espera por mais documentos 

João Vicente Goulart, filho mais velho do ex-presidente, e autor do livro “Jango e eu: memórias de um exílio sem volta” espera conseguir respostas com o acesso a mais documentos americanos. A cada telegrama que vem à tona, sua esperança se renova. “A importância de se divulgar documentos como este é que reforça o pedido feito há anos, pela família, ao Ministério Público, para que solicitem documentos americanos tarjados, ainda secretos, e que ficamos aguardando para esclarecermos de vez as circunstâncias da morte do meu pai.”

Ele conta que há dois anos o Ministério Público e a Secretaria do Ministério da Justiça entregaram ao Itamaraty o pedido de oitiva dos agentes americanos que seguiam os passos de Jango, no Uruguai e na Argentina, e a documentação a respeito. “Até hoje sequer deram importância. Enquanto o MP do Brasil é tão exigente para alguns assuntos, sequer se importa se os EUA ignoram ou não os pedidos relacionados ao seu ex-presidente”.

Ele lembra que o pai havia feito contato com uns amigos e ficou sabendo da existência de um inquérito em Cuiabá, contra ele, em que os militares o convocavam através de um edital. Diziam que o meu pai estava em lugar incerto e não sabido. Ele então convocou o seu advogado, o Mirza (Wilson Mirza), e o Mirza considerou que ele poderia voltar. Disse que os militares é que estavam desrespeitando o exílio dele ao publicarem esse edital, como se o meu pai estivesse em local não sabido”, relata.

O edital o convocava para uma audiência e dava a Jango 60 dias para se apresentar. “Ele havia sido cassado por 10 anos. Já estávamos em 75, portanto, esse tempo já tinha transcorrido. Teoricamente ele não estava mais com seus direitos cassados.”

Goulart sabia que havia no país dois movimentos militares. Um que já falava em abertura, e um que queria fechar ainda mais o regime, (a tentativa de golpe de Frota). Ele entendeu que não podia voltar. Saudoso, o ex-presidente apenas adiou a volta para o fim do ano de 1976. “O plano era ele ir passar o Natal em Londres, com a gente, depois iria no Vaticano, visitar o papa, e de lá para uma conversa com o Ted Kennedy, nos EUA, e desembarcaria no Rio, mas morreu antes”.

]]>
https://www.ocafezinho.com/2018/07/23/eua-seguiam-jango-no-uruguai/feed/ 3
Exclusivo! Dacio Malta fala sobre seu novo filme: El Gato Tuerto, o cabaré cubano https://www.ocafezinho.com/2017/12/15/exclusivo-dacio-malta-fala-sobre-seu-novo-filme-el-gato-tuerto-o-cabare-cubano/ https://www.ocafezinho.com/2017/12/15/exclusivo-dacio-malta-fala-sobre-seu-novo-filme-el-gato-tuerto-o-cabare-cubano/#respond Fri, 15 Dec 2017 19:13:52 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=82189 O jornalista Dacio Malta, fala ao Cafezinho sobre “El Gato Tuerto”, o emblemático cabaré cubano

O Cafezinho conversou com o jornalista Dacio Malta, que tem frequentado festivais de cinema para exibir o seu documentário “O Gato de Havana”. A trajetória de Dacio na atividade jornalística dispensa apresentações. Foi responsável pela criação do Caderno Cidade, no Jornal do Brasil, dando mais dinamismo e destaque à cobertura dos assuntos do Rio. Foi dele a reforma e revitalização de O Dia, além de ter chefiado a sucursal do JB em Brasília, função que veio a desempenhar mais tarde também em O Globo.

Dacio levou para o teatro a vida e a obra de Gonzaguinha, e fez sua estréia no cinema com o documentário “Noel Rosa – O Poeta da Vila e do Povo”, contando a vida do compositor. O filme foi apresentado em festivais no Brasil, no Japão e em Paris.

Agora o jornalista investiu na história do cabaré mais emblemático de Havana, “El Gato Tuerto”, fundado há cinqüenta e cinco anos por Felito Ayón. Ali foi dançado o bolero mais longo do mundo, de acordo com o livro Guinness. O filme entrelaça músicas, principalmente boleros, com imagens de arquivo e comentários inéditos de artistas como: Meme Solis, Pablo Milanés e Chucho Valdés e Caetano Veloso.

O documentário foi produzido com os seus próprios recursos e tem percorrido festivais de cinema de vários países, inclusive na Armênia, tendo concorrido com 150 filmes para participar da mostra. Foi exibido no Festival do Rio, com casa cheia nas salas São Luiz, em Ipanema e em Copacabana, onde foi aplaudido ainda durante a exibição.

Inaugurado em 1960, El Gato Tuerto era ponto de reunião e tertúlias de escritores. Em sua fase áurea, por lá passaram Pablo Neruda, Gabriel Garcia Marques e muitos outros intelectuais e artistas de Havana, que iam ouvir Pablo Milanés e nomes de peso do Bolero, um estilo de música romântica que se espalhou pelo mundo.

No papo com O Cafezinho Dacio fala das suas 40 idas a Cuba (não é número figurado. São as vezes que ele realmente foi para lá), e das dificuldades que tem enfrentado para adquirir os direitos das mais de 20 músicas, cujos trechos são exibidos no filme. Fala, ainda, do preconceito de empresários que, embora queiram o mercado cubano para vender cerveja e biscoitos (importados pagos à vista), não querem suas marcas ligadas a um filme que fala de Cuba.

]]>
https://www.ocafezinho.com/2017/12/15/exclusivo-dacio-malta-fala-sobre-seu-novo-filme-el-gato-tuerto-o-cabare-cubano/feed/ 0
Que não debochem da nossa esperança equilibrista! https://www.ocafezinho.com/2017/12/06/que-nao-debochem-da-nossa-esperanca-equilibrista/ https://www.ocafezinho.com/2017/12/06/que-nao-debochem-da-nossa-esperanca-equilibrista/#comments Thu, 07 Dec 2017 01:24:12 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=81867 9 Comentários 🔥]]> Por Denise Assis

Quando Michel esticou a sua ponte para o passado e se aboletou na cadeira presidencial, em nossas vidas caía a tarde feito um viaduto.

A sociedade brasileira, entorpecida pelo bombardeio midiático, e, crédula nos senhores “da Lei”, seguiu em passos trôpegos, tal qual um bêbado trajando luto. Sim, nós brasileiros, hoje, fazemos papel de palhaços. E isto me lembrou Carlitos.

Somos obedientes e submissos, como se vivêssemos no mundo da lua.

Enquanto isto, Michel, tal qual o dono de um bordel, diz com quem a pátria vai para a cama. Com que empresa estrangeira ela vai se deitar… Por aqui, os ditames da Constituição mais parecem a nós, cada estrela fria a implorar um brilho de aluguel.

Para 2018 prevemos nuvens, lá no mata-borrão do céu. E tememos os tempos em que falar em eleições era o mesmo que chamar os homens que chupavam manchas torturadas, que sufoco.

Sim, o povo brasileiro mais parece o Louco, o bêbado com chapéu-coco. Vai haver um momento, em que se acorde da letargia para impedir que a horda de malucos fascistas queira de volta o batalhão que fazia irreverências mil pra noite do Brasil, meu Brasil

Esta terra, que hoje não sonha e nem sequer espera a volta do irmão do Henfil, e  de tanta gente que partiu num rabo de foguete, apenas chora. Difícil, quase mesmo impossível é prever o futuro da nossa pátria mãe gentil.

Por toda parte choram Marias e Clarices no solo do Brasil, por terem sido banidas dos programas sociais e, com isto, não terem mais o que dar aos seus filhos na hora do jantar.

Esta é uma dor genuína, pungente, a de assistir a um filho desmaiar na escola por não ter sido alimentado. Este retrocesso, no entanto, não há de ser inutilmente vivenciado por esta população desvalida. Pois, certamente, ela não tem o que comer, mas tem boas lembranças do tempo em que havia iogurte na geladeira. Essa gente tem título de eleitor, essa gente tem vontade própria. A esperança de que haja eleições e possam exercer o inalienável direito do voto, dança na corda bamba de sombrinha. Há incertezas. E em cada passo desta linha a população sabe que pode se machucar. É para ela que sobra sempre.

Mas azar também para os políticos que insistiram em ficar do lado das medidas opressoras para a classe trabalhadora. Para esses, os eleitores podem reservar boas surpresas nas urnas, caso as eleições ocorram.

A esperança equilibrista de tirar de cenas esses “senhores”, pode calar fundo naqueles que sentiram o golpe do roubo dos seus direitos. Cada trabalhador, a cada dia que nasce, sai de casa para buscar o sustento da família, e o faz porque sabe que o show de todo artista tem que continuar. Mas na boca da urna, é ele quem dirige o espetáculo.

 

  • Written by Aldir Blanc, Joao Bosco • Copyright © Universal Music Publishing Group
]]>
https://www.ocafezinho.com/2017/12/06/que-nao-debochem-da-nossa-esperanca-equilibrista/feed/ 9
Eu, tu, “eles” https://www.ocafezinho.com/2017/11/24/eu-tu-eles/ https://www.ocafezinho.com/2017/11/24/eu-tu-eles/#comments Fri, 24 Nov 2017 17:28:50 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=81551 27 Comentários 🔥]]> Por Denise Assis

A insistência com que o ex-presidente FHC usa a terceira pessoa do plural: ”eles”, tem a gritante intenção de afastá-lo de tudo o que é ruim para a sociedade brasileira. A tentativa, quase infantil para uma mente que se pressupõe sofisticada, lembra a cena de briga entre dois irmãos que, no embolar de braços e pernas durante uma briga, quebram algo valioso da casa. E, quando a mãe aparece colérica na cena, um deles, o que saca mais rápido – sempre tem um – aponta o dedo e diz: ‘foi ele’.

Assim, de artigo em artigo, de entrevista em entrevista ele aponta incansável: ‘eles, os que aparelharam o Estado’; ‘eles, que implantaram a roubalheira’; ‘eles, que orquestraram o mal feito’; “eles”… Assim segue FH, majestático, com a doce ilusão de que num país sem memória, suas mãos estarão limpinhas, sua imagem preservada e suas investidas pelo mundo das sombras resguardadas das letrinhas impressas, que sempre o pouparam do principal, as investigações a sério, das denúncias que o rondaram.

Não se vê prosperar nenhuma investida mais determinada sobre as questões denunciadas pela ex-namorada. Não nos interessa em absoluto o seu desempenho na relação com ela, ou se rendeu ou não, o tal fruto que um providencial exame de DNA tirou do seu testamento, mas não de sua vida ou de sua “generosidade”. Não haverá um livro de história sequer, que levante suspeitas sobre a legitimidade da quebra da cláusula pétrea da Constituição Federal, onde se lia não ser permitida a reeleição. Com a total conivência de uma mídia implacável em outras situações, FHC deu uma cambalhota política e, sob suspeitas seguidas de depoimentos esparsos de “comprados”, quase se soube como chegou lá de novo. Mas fato é que aprovou a emenda da reeleição e a usou em causa própria, o que deveria valer apenas para o seu sucessor, não fosse ele senhor absoluto da situação.

Quando o mesmo se deu em Honduras, em 2009, houve comentarista político muito próximo ao ex-presidente, que esbravejava contra a atitude de Zelaya, de tentar modificar a Constituição do país, buscando uma reeleição. O então presidente hondurenho foi preso de forma arbitrária, em casa, em Tegucigalpa, ainda de pijamas, na manhã de 28 de junho de 2009 e colocado em um avião, com destino à Costa Rica. O Artigo 102 da Constituição de Honduras determina que “nenhum hondurenho pode ser expatriado ou entregue pelas autoridades a uma nação estrangeira“. A Assembléia Geral das Nações Unidas classificou a ação de “golpe”, mas por aqui, ninguém estranhou. Valeu para FHC, mas não era válido para Zelaya.

Pesquisa recente encomendada ao cientista político Antonio Lavareda, pelo próprio PSDB do ex-presidente FHC, demonstrou que 70% da população do país não levam em conta as opiniões emitidas por ele. Melhor assim. Enquanto FHC fala para a mídia que o cultua, o povo lhe dá as costas, e ao seu partido, mais perdido do que as balas que cruzam o céu carioca.

 

]]>
https://www.ocafezinho.com/2017/11/24/eu-tu-eles/feed/ 27
O ano de 2018 como o fim do túnel https://www.ocafezinho.com/2017/11/15/o-ano-de-2018-como-o-fim-do-tunel/ https://www.ocafezinho.com/2017/11/15/o-ano-de-2018-como-o-fim-do-tunel/#comments Wed, 15 Nov 2017 08:25:32 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=81224 2 Comentários 🔥]]> Por Denise Assis, colunista do Cafezinho

O ano de 2018 se avizinha. Virou uma espécie de número cabalístico. Todos só o têm em mente, como se fosse uma panaceia para múltiplos males. O “tudo” o que nos aconteceu de ruim, desde aquele fatídico 31 de agosto de 2016, nos colocou em estado de perplexidade. Eu diria mesmo, de um “imobilismo”.

Assim, assistimos os ventos mudarem e, como “birutas”, o seguimos. A indignação parece ter cegado os que deveriam se organizar, ao mesmo tempo em que emudeceu o exército de equivocados, que se debateram nas redes sociais em defesa daquele mineirinho que, desde os primeiros minutos da vitória da presidenta Dilma, insuflou o golpe, “só por molecagem”. E, só por molecagem, roubou o futuro dos trabalhadores. E, só por molecagem, roubou também o futuro do país, pois que sem as empresas estratégicas retornamos à condição de Brasil colônia, exportador de milho e minério.

Para os que, à esquerda e à direita, mal engolem o momento, atravessado que está Michel na garganta da população (vamos combinar que 3% de apoio com margem de erro, acabam em 0%, para mais ou para muito menos), vislumbrar 2018 tem um peso a mais. É bom que se preste atenção ao atual Congresso.

Enquanto de A a Z reclamamos da pouca ou nenhuma qualidade da maioria dos parlamentares, deveríamos nos dar conta de que, cada um que depositou o seu voto na urna tem a sua parcela de responsabilidade no conjunto daquela obra. Venais ou não, eles foram votados. E é aí que mora o perigo. Ou a saída.

Enquanto houver eleições e pudermos dar o nosso “pitaco”, é fundamental que a população perceba que se lá estão, foram colocados por uma sociedade que votou no vizinho, no priminho, no indicado por aquele político rançoso a quem nunca pedimos conta dos seus atos e suas posições quanto aos assuntos que nos interessam.

Um Congresso alinhado com o Executivo, e com as pautas de interesse dos trabalhadores e do bem estar geral pode e deve ser construído por nós nas urnas. É preciso criar a consciência de que o futuro presidente ter maioria no Congresso evita esta verdadeira “feira de votos para pautas contra o povo”, que se estabeleceu nesse (des)governo. Não adianta dizer que não se interessa por política, que vai anular o voto nas próximas eleições. Você pode não se interessar em votar, mas o que for decidido lá, naquela casa, vai dizer respeito diretamente a você. Ou entendemos isto de uma vez por todas, ou vamos continuar a sermos solapados em nossas conquistas e nos nossos interesses. Dar as costas para as urnas, como se vêm pregando por aí, é dar as costas para o nosso futuro.

]]>
https://www.ocafezinho.com/2017/11/15/o-ano-de-2018-como-o-fim-do-tunel/feed/ 2
Muita calma nesta hora! https://www.ocafezinho.com/2017/11/06/muita-calma-nesta-hora/ https://www.ocafezinho.com/2017/11/06/muita-calma-nesta-hora/#comments Mon, 06 Nov 2017 22:13:15 +0000 https://ocafezinho.com/?p=81047 1 Comentário 🔥]]> Morte di Giulio Cesare (quadro de Vincenzo Camuccini, 1798)

Por Denise Assis

Ao ver o seu partido derreter e ser indelevelmente grudado à imagem de um governo ilegítimo – não do ponto de vista do PSDB, claro –, e que tem apenas 3% de aprovação, FHC tenta apressar o desembarque dos que estão sentadinhos em cadeiras ministeriais no Planalto, com olhos postos em 2018.

Ainda assim, o faz com a ressalva de que o partido deixa os cargos, mas não dá as costas ao empresariado e ao mercado financeiro. Irá apoiar, como, aliás, sempre fez as reformas tão sofregamente aguardadas pelos dois segmentos, sempre à espera por mais lucros.

Na saída, que tenta coordenar para que aconteça sem solavancos, bem poderia dizer aos seus correligionários a célebre frase do político José Gomes Pinheiro Machado, que em janeiro de 1915, enfrentou o clamor das ruas da capital federal.

Quando se viu cercado pela multidão de irritados adeptos de Nilo Peçanha, a quem quase conseguiu barrar em eleição para a “presidência” do Rio de Janeiro – era este o nome do cargo na época, ordenou ao seu cocheiro, que o questionou: “como vamos sair daqui?”

Pinheiro Machado então ordenou: “Não tão depressa que pareça medo, nem tão devagar que pareça afronta”.

Pinheiro Machado acabou assassinado em 8 de setembro de 1915, com um punhal, pelas costas, por Manço de Paiva, filho de um casal português abastado, e conhecido no meio político da época.

No sentido figurado, nesta hora de salve-se quem puder, não é o que FHC faz com Michel?

]]>
https://www.ocafezinho.com/2017/11/06/muita-calma-nesta-hora/feed/ 1
PSDB precisa urgente refazer a maquiagem https://www.ocafezinho.com/2017/10/31/psdb-precisa-urgente-refazer-maquiagem/ https://www.ocafezinho.com/2017/10/31/psdb-precisa-urgente-refazer-maquiagem/#comments Tue, 31 Oct 2017 10:44:21 +0000 https://ocafezinho.com/?p=80657 1 Comentário 🔥]]> Por Denise Assis, colunista do Cafezinho

Tal como as geleiras da Antártida, que derretem com o aquecimento global, o PSDB vê se dissolver, a cada dia, as suas chances de influir no eleitorado, ou qualquer possibilidade de eleger um dos seus para a presidência, em 2018. O quadro se agrava, se a disputa contiver o nome do ex-presidente, Luis Inácio Lula da Silva, que segue em ascensão, embora se saiba da carga de munição reunida para acertá-lo em pleno voo e tirá-lo da disputa.

Matéria publicada ontem no site 247 cita pesquisa encomendada pelo partido, e divulgada na coluna Painel, do jornal Folha de São Paulo, em que fica demonstrado o acelerado desmoronamento da legenda, nascida da costela de um PMDB fragmentado durante os trabalhos da Assembleia Constituinte, em 1988.

O racha entre os congressistas da corrente ligada ao ex-governador de São Paulo, Orestes Quércia, e os seguidores do governador de Minas, Newton Cardoso, tornou-se insustentável ao longo das discussões, principalmente com relação ao sistema de governo. O grupo favorável ao parlamentarismo, (que se considerava “mais à esquerda”, vejam vocês!), deixou a legenda e subiu no muro, constituindo-se no bando de tucanos, sob a legenda do PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira). Assim, fruto da fragmentação da fragmentação, nasceu o desde sempre hesitante partido, que agora bate cabeça internamente, e é desprezado pela população. Longe de ser boba, ela já percebeu a ligação umbilical dos tucanos com o golpe e suas falcatruas, tornadas mais explícitas pela figura do (ex-atual) senador e ex-presidente da legenda, Aécio Neves.

A péssima imagem da barraquinha de camelô montada por Michel para vender votos com o dinheiro do povo, e a custa da redução de programas sociais e de reformas que transformam o trabalhador em verdadeiro escravo, contaminou as aves tucanas. Logo eles, que mantiveram uma distância estratégica do golpe, deixando à frente o síndico, Michel, enquanto na sombra se movimentava por cargos, negociatas em torno do pré-sal e o projeto de 2018. Como diria o assaltante: “perdeu, playboy”.

O partido, que já nasceu ostentando sete senadores e 37 deputados federais, (todos egressos do PMDB); agora amarga 75% de descrédito junto à população em geral, e 84% no Nordeste, de onde veio Lula. A ligação umbilical com Michel, a enxovalhada biografia de Aécio, e o constante engalfinhar dos seus pares, apontam para o fim do partido. A menos que passem pela sala de maquiagem e de lá ressurjam com outra coloração, um batom 24 horas, cílios mais longos, implantados fio a fio, sem esquecer um reforço no design de sobrancelhas, muito em voga no momento. Ou seja, re-pa-gi-na-do. E, ainda assim, a ligação entre as maldades de Michel contra a população, com o total consentimento do tucanato, estará indelevelmente grudada em suas cores.

A definição, um dia formulada por FH, para ser usada na primeira campanha e conquista da presidência: “uma corrente política que quer corrigir as injustiças sociais e melhorar as condições de vida do povo, por meio de reformas livremente consentidas pela sociedade dentro de um regime democrático”, virou um tremendo estelionato. Primeiro, porque eles de verdade não estavam nem aí para as injustiças sociais. Segundo, porque o povo sabe que as duras reformas aprovadas contra ele têm a co-autoria do PSDB. E, vamos combinar, democrático, o regime já deixou de ser há muito tempo. Desde 2016, quando os tucanos sacudiram a plumagem, subiram em carros de som na paulista, e endossaram o cheque em branco que era Michel, na cadeira da presidência. Tchau, queridos.

]]>
https://www.ocafezinho.com/2017/10/31/psdb-precisa-urgente-refazer-maquiagem/feed/ 1
É proibido jogar amendoim https://www.ocafezinho.com/2017/10/25/e-proibido-jogar-amendoim/ https://www.ocafezinho.com/2017/10/25/e-proibido-jogar-amendoim/#comments Wed, 25 Oct 2017 19:40:29 +0000 https://ocafezinho.com/?p=80415 3 Comentários 🔥]]> É proibido jogar amendoim

Por Denise Assis

Meu saudoso amigo Xico Vargas (jornalista, que morreu aos 70 anos, em 24 de dezembro de 2015), tinha a maior bronca do tal “turismo de favelas”. Criador do site “Viva Favela”, incorporado pela ONG Viva Rio, o jornalista se batia pelo fim daquele verdadeiro “safári” – definição que dava a esse tipo de tour – que o irritava.

Não sem razão. O que tanto procuram na miséria, nas vielas e becos, na cara das crianças que, sem espaço ou opção de lazer, brincam próximas às valas negras, ou, cada vez mais, nem brincam, confinadas que ficam pelas mães, em seus barracos, como se isto bastasse para colocá-las a salvo das “balas perdidas”, que de perdidas não têm nada. Sempre encontram um endereço certo, o corpo de um morador. Em geral, acertam nelas, as crianças, soltas a brincar no espaço exíguo que lhes cabe, no amontoado de barracos.

O exótico cenário de “casas” empilhadas, exerce um verdadeiro fetiche entre os turistas, que olham, fotografam, dão as costas, pegam o seu avião, e vão embora felizes por terem tido a ácida experiência de captar “in loco”, a miséria das favelas brasileiras. Mais tarde, em seus países de origem, quando virem nas TVs as notícias sobre aquelas guerras particulares, poderão dizer aos amigos: “eu estive lá”, com o mesmo ar divertido de quem conta um tour pelas savanas da África.

Tinha razão o meu amigo, em se indignar com esta prática, rendosa aos que a promovem, degradante para os que, invadidos e fotografados pouco ou nada lucram com as “espiadelas” turísticas dos que ali aportam com a adrenalina a mil. E, tenho as minhas dúvidas, se não rola aquela expectativa de, em lá estando, viver de perto a aventura de um tiroteio.

Há quem insinue que existe mais a buscar nos morros do que meras selfies e aventura. Não chego a tanto, embora a julgar pela proliferação de empresas no ramo, é bem possível imaginar algum tipo de “parceria”. Um dia iria “dar ruim”, para usar uma linguagem própria dos moradores observados. E deu. Os “safáris”, como os definia o meu amigo Xico Vargas, deixam à mostra a mazela da desigualdade, a inoperância das autoridades em organizar “o que não têm mais jeito de dissimular/O que não é direito, nem nunca será”, com a complacência do prefeito, que ao se pronunciar sobre a morte da turista espanhola, Maria Esperanza, resumiu: “O turismo na favela pode ocorrer, desde que tenham medidas antecessoras, para que não ocorram tragédias como a de ontem.” Tragédia, senhor prefeito, é termos no calendário turístico este safári da desigualdade para mostrar. Diante de tal posicionamento, só nos resta espalhar placas: “É proibido jogar amendoins”.

]]>
https://www.ocafezinho.com/2017/10/25/e-proibido-jogar-amendoim/feed/ 3
A nossa Divina Comédia https://www.ocafezinho.com/2017/10/18/nossa-divina-comedia/ https://www.ocafezinho.com/2017/10/18/nossa-divina-comedia/#comments Wed, 18 Oct 2017 22:46:07 +0000 https://ocafezinho.com/?p=80066 8 Comentários 🔥]]> Autora :Denise Assis

Depois do que assistimos no senado, nesta quarta-feira, dia 17 de outubro e, hoje, 18, na Câmara dos Deputados, tenho a sensação de ter entrado na trilha descrita e seguida por Dante Alighieri em sua obra, “A Divina Comédia”, rumo aos “nove círculos do inferno”, sem, contudo, ter a companhia do poeta Virgílio, a me guiar e advertir.

Em sua narrativa, Dante descreve a situação fantástica entre um sonho e um pesadelo, que o levam, depois de vagar por toda uma noite, à subida de uma colina. De lá, inicia a sua viagem, indo parar no Portal do Inferno que fica no alto de um desfiladeiro sombrio e nebuloso. A descida é em espiral, formando plataformas concêntricas que se perdem na profundidade abissal do vale, lá embaixo.

Tenho a impressão de que nós, os brasileiros, nos tornamos, na verdade, um bando de almas à margem do rio Aqueronte – conforme descrito na obra de Dante- vivendo a nossa segunda morte. Não me espantaria se no mural dos aeroportos brasileiros encontrássemos afixado o aviso lido por ele e Virgílio, seu companheiro de viagem ao chegarem ao umbral do inferno: “Por mim se vai à cidade das dores… Abandonei toda a esperança, à vós que entrais.”

Tal como lá, há por aqui alguém que dos inacreditáveis 0,1% de (des)aprovação (contando com os dois pontos percentuais para mais ou para menos. Os dele, com certeza, são para menos) parece nos vociferar, a exemplo de Caronte, o barqueiro responsável pela travessia das almas penadas: “Ai de vós, condenados! Nunca vereis o Céu! …na outra vida, sereis encerrados para sempre no fogo e no gelo.”

Há outras semelhanças entre nossa triste realidade e a escrita de Dante: “Porém, mesmo no Limbo não existe igualdade entre os penitentes.”

E para os que acham exagero revisitar Dante nesta hora em que a nossa pátria reserva sensíveis semelhanças com sua descida aos infernos, o trecho em que descreve o “Segundo Círculo– Os vícios da Carne”, talvez dissipe qualquer dúvida, quando fala dos poderes de Minos, que foi rei da Ilha de Creta, como o juiz absoluto: “híbrido homem-touro, porque quando Zeus seduziu Europa, ele o fez na forma de um touro branco. Postado na entrada agitado e sempre furioso, ele é o Juiz das almas. Interroga uma por uma, estabelece as penas e determina em qual dos nove círculos infernais a criatura vai pagar seus pecados.”

“Mesmo que a alma minta, não reconheça ou confesse seus erros, de nada adianta. Minos sabe a verdade de todas as consciências; e profere a sentença: …determina [e anuncia] a que círculo infernal ela [a alma] será enviada enrolando sua cauda: pelo número de voltas que lhe dá, sabe-se em que parte do abismo a alma se precipitará [ALIGHIERI, 2003  ̶  p 25].”

Não ambicionamos, tal como Dante em sua trajetória, termos a visão de Deus no paraíso. Tampouco sei em que estágio da descida, nos encontramos neste momento. Em que círculo do inferno estamos. Tudo o que almejamos, quero crer, é termos o direito de retomar nossa escalada rumo ao topo, ter nossos direitos restituídos, nossas conquistas restauradas e uma vida decente. Convenhamos, não é muito, mas como estamos distantes.

 

Referências:

ALIGHIERI, Dante. A Divina Comédia.  [Trad. Fábio M. Alberti]. São Paulo: Nova Cultural, 2003.

ENCICLOPÉDIA BARSA, vol. 5. Dante Alighieri. São Paulo, Rio de Janeiro: Britannica Editores, 1966

DICIONÁRIO DE MITOLOGIA GRECO-ROMANA. São Paulo: Abril Cultural, 1973.

GREEK MYTHOLOGY. Disponível em:  http://www.allaboutturkey.com/sozlukmit1.htm]

RAEPLE, Eva Maria. An Intercultural Crossroad Between Christians and Muslimsin Thirteenth Century Italy: Reflections on Dante’s Divine Comedy, 2003.

[http://www.cod.edu/Middle/exhibit/papers/Dante.pdf]

Site: http://www.sofadasala.com

]]>
https://www.ocafezinho.com/2017/10/18/nossa-divina-comedia/feed/ 8
Um corpo que cai https://www.ocafezinho.com/2017/10/03/um-corpo-que-cai/ https://www.ocafezinho.com/2017/10/03/um-corpo-que-cai/#comments Tue, 03 Oct 2017 22:25:11 +0000 https://ocafezinho.com/?p=79448 6 Comentários 🔥]]> Por Denise Assis

“O movimento vertical no vácuo é um caso particular de movimento uniformemente variado (MUV).”

(No estudo de física a queda livre é uma particularização do movimento uniformemente variado)

Quando o reitor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Luiz Carlos Cancellier de Olivo, dirigiu-se por volta das 10h30 ao quarto andar do shopping Beiramar, em Florianópolis e soltou o seu corpo no ar, fez mais pelos movimentos de resistência ao golpe de 2016, que os milhares de manifestantes que lotaram as praças das capitais e cidades do interior, para protestar. O seu vôo solo definiu, com contornos mais fortes, o Brasil policial/ditatorial a que estamos submetidos desde então, subjugados por regras tão rígidas quanto fluidas, de um Judiciário totalmente atrelado ao sonho de um juiz de primeira instância, que ambicionou importar para o país a operação “Mãos Limpas”, da Itália. É bom lembrar, no entanto, que lá toda a movimentação em torno da pretensa ação para varrer a corrupção do mapa, trouxe ao poder um Silvio Berlusconi, e 11 cadáveres, por suicídio.

Aqui, estamos na terceira vítima, se considerarmos que D. Marisa Letícia sucumbiu à tristeza e às pressões de ver a vida de sua família devassada e ser alvo das persistentes acusações a ela e ao marido. Seu aneurisma latente explodiu. Logo em seguida, lá se foi Marco Aurélio Garcia. Seu coração simplesmente parou perplexo ante os rumos que tomava o partido ao qual se dedicou toda uma vida, desgastado por sucessivas “delações”. Por fim, Cancellier fez do ato extremo de se lançar no ar, o ato político mais marcante dos últimos desdobramentos da “Operação Lava Jato”, dirigida por Sergio Moro, o colega da delegada Érika Marena, ex-integrante da força-tarefa da Operação Lava-Jato, em Curitiba (PR).

Antes de saltar para a morte, Cancellier, como era chamado pelos colegas, redigiu um bilhete: “Minha morte foi decretada no dia de minha prisão”, escreveu. A frase tem a concisão de quem já passou pelo jornalismo e a eloqüência de uma carta testamento. Aponta corajosamente o dedo para os que lhe fizeram “ouvidos moucos” – nome escolhido para a operação, pela PF – e dirigida pela comandante da área de combate à corrupção e desvios públicos, Dra. Érika Marena. Um detalhe ampliou a comoção que se seguiu à sua morte. Cancellier, antes de pular para o nada, escolheu para vestir por dentro da camisa social uma camiseta da UFSC.

O reitor foi exposto ao vexame de ser preso, no dia 14 de setembro, por determinação da juíza Janaína Cassol Machado, e conduzido a um presídio comum, onde foi obrigado a ficar nu, teve as suas partes íntimas tocadas no ritual da revista invasiva, feita nesses casos. A prisão, ainda que tenha durado um dia, é questionável, do ponto de vista do rigor jurídico, pois foi feita antes mesmo do reitor ser chamado a prestar esclarecimentos.

A acusação que pesava contra ele, foi a mesma que o juiz mito tem atribuído a outros acusados, submetidos aos rigores de uma prisão preventiva abusiva. Cancellier teria “obstaculizado as investigações internas” sobre irregularidades na gestão de recursos dos cursos do Educação a Distância (EaD), da unidade de ensino, no bojo da operação que apurava, de acordo com a ação policial, o desvio de R$ 80 milhões. Fontes ligadas à universidade, no entanto, dizem que, na verdade, esse é o montante destinado ao programa, e o que teria sido desviado, não chega a o,5% desse total.

As apurações foram iniciadas no departamento de Física, a matéria que estuda, dentre outras coisas, o deslocamento dos corpos no espaço.

Ao repórter Marcelo Andrade, do Diário Catarinense, não passou despercebido o fato da delegada Érika, que coordenou a operação que resultou na prisão do reitor, ter deixado “a robusta equipe montada em Curitiba”. Em sua reportagem publicada em 19 de setembro, ele destaca que a Dra. Éricka estava “acostumada aos holofotes nacionais com a repercussão das fases da operação e às prisões de envolvidos em crimes do colarinho branco”. Soou incomum ao jornalista que ela tenha preferido ir para Florianópolis, “para chefiar a discreta e tímida estrutura da delegacia de combate à corrupção e lavagem de dinheiro da PF na Capital catarinense. Oficialmente, a mudança foi uma promoção na carreira. Para o presidente da Associação Nacional dos Delegados da PF (ADPF), Carlos Eduardo Sobral, a remoção para uma unidade menor causou estranheza nos delegados federais e, evidentemente, não se tratou de uma promoção.”

Provavelmente, a retirada estratégica para Florianópolis, tenha a ver com a proporção que  a delegada estava tomando na cena da PF, a ponto do seu nome estar sendo defendido pela associação para o cargo de diretor da PF em uma eventual substituição ao atual diretor, Leandro Daiello. Paranaense de Apucarana, 41 anos, a delegada Érika chegou a ser eleita em uma votação nacional informal da ADPF como a preferida para chefiar a instituição.

E é bom não esquecer, também, que a Dra. Érika deixou o cargo na Lava Jato surfando num sucesso que a levou para as telas do cinema, na pele da atriz Flávia Alessandra, no filme que leva o nome da operação Lava Jato. E, outro dado de relevância: a delegada trabalhou na condução do caso que ficou conhecido como CC-5, ou o escândalo do Banestado. As apurações, iniciadas em pleno do governo FHC caminharam de 1996 a 2003. Mesmo tendo à frente o “incansável?” juiz Sergio Moro, cuja fama é a de um justiceiro, nem Moro nem a determinada delegada viram naquelas investigações que envolveram grandes empresas (Globo) e políticos expressivos, (e apuravam o sumiço de 124 bilhões de dólares), nenhum motivo para incriminar ou punir ninguém. Estranhamente a CPI do caso deu em nada.

Denúncia encaminhada à PF partiu do Corregedor-geral

A pressão sobre Cancellier vinha sendo feita pela corregedoria da UFSC, na pessoa do corregedor-geral Rodolfo Hickel do Prado. Em 19 de julho ele enviou ofício à Polícia Federal “denunciando” que o reitor estaria tentando impedir o prosseguimento da investigação interna, que analisa os crimes apurados pela PF.

No documento, ele “particulariza” a sua denúncia, alegando que recebeu “diversos tipos de pressão, como ser rebaixado a uma função comissionada menor, por não aceitar ser subserviente ao gabinete do reitor”. Ele acrescentou no documento encaminhado à PF, que tinha sofrido “ameaças de exoneração” e contestou a decisão do reitor de trazer para si o processo, em trâmite na corregedoria. Denunciou, também, que foi “obrigado” a repassar cópias da investigação ao gabinete da reitoria, mesmo o processo sendo sigiloso e de não ser, a seu ver, atribuição da reitoria aquele tipo de apuração.

Em seu ofício, ainda insinuou: “Parece que existe um conluio entre o gabinete do reitor com diretoria da Capes no sentido de tentar frustrar as investigações, uma vez que informações de caráter sigiloso tratadas com seu presidente foram passadas ao gabinete do reitor e ao setor investigado”. E, no final, Hickel pediu o afastamento do reitor.

Em total sintonia com a denúncia do corregedor, a delegada Érika Marena, responsável pela investigação, destacou na manifestação enviada à Justiça, que “a Controladoria Geral da União expressou estranheza no fato da reitoria da UFSC “avocar um procedimento específico da corregedoria”. Para a Dra. Éricka, a situação demonstrou a “preocupação dos investigados com o andamento do caso”. O ofício da corregedoria da UFSC, a manifestação da Superintendência da Controladoria Regional da União e o depoimento do corregedor-geral foram levados à Justiça para amparar o pedido de prisão.

Segundos fontes da própria universidade, no entanto, as coisas não são bem assim. As suspeitas de desvio de dinheiro recaem sobre o setor de ensino a distância, que é subordinado a uma Fundação de apoio de direito privado, que tem sistema próprio de gerenciamento, onde o reitor não tem controle total, sob pena de ser uma gestão centralizada, o que vai de encontro ao caráter de gestão que era feito por Cancellier.

Outro ponto a ser considerado é sobre o pedido de “avocação” feito pelo reitor, à matéria. Toda a investigação estava se dando no âmbito da Corregedoria, sem que o reitor estivesse participando de nada. Ele nem sequer sabia se estava ou não sendo citado. E, como a Corregedoria foi criada recentemente, no início de sua gestão, há lacunas sobre o seu gerenciamento. Por exemplo, uma das alegações do corregedor, Rodolfo Hickel, é de que o reitor se interessou em “avocar” o processo administrativo quando soube que o seu nome estava citado. De acordo com esta fonte, era natural que o reitor quisesse saber se estava ou não citado, até porque, sempre se colocou à disposição para ser ouvido. E, do ponto de vista do regimento geral da Corregedoria, o seu corregedor responde ao reitor diretamente nas questões administrativas, e esta investigação estava se dando no âmbito administativo.

E, por fim, a fonte destaca que ainda está pendente até agora, e isto está sendo discutido em Brasília, se cabe ou não a avocação nesses casos. Ou seja, não havia nada sacramentado que incriminasse o reitor pelo fato de pedir a avocação. Porque a corregedoria é muito recente e há lacunas regimentares sendo revistas. A avocação do ato é normal numa investigação administrativa. Um reitor não pode caminhar no escuro quando a sua instituição está sendo investigada.

Em sua fala no ato no Centro do Rio, Lula discursou e denunciou que, ao contrário desse arrazoado de acusações feitas contra Luiz Carlos Cancellier, o que pesou em sua prisão foi a sua defesa intransigente dos domínios da universidade, onde os estudantes que se manifestavam eram ameaçados de prisão, e sua luta contra a privatização das universidades públicas, ameaça que vem sendo ventilada constantemente, após o golpe.

Fato é que, com sua morte, Cancellier levou consigo uma reserva de conhecimento que leva anos para ser construída, custando noites de sono perdidas, feriados sacrificados e privações do convívio da família. O país perde quando se vai este conhecimento acumulado. Ao renunciar à vida pelo bem maior, que é a preservação da liberdade e de um centro de excelência que ele ajudou a construir, o reitor deixa o exemplo de até onde um homem pode chegar, quando acredita no que defende.

 

 

 

]]>
https://www.ocafezinho.com/2017/10/03/um-corpo-que-cai/feed/ 6
Denúncia: Temer põe fim a distribuição de livros de literatura na rede escolar https://www.ocafezinho.com/2017/10/02/denuncia-temer-poe-fim-distribuicao-de-livros-de-literatura-na-rede-escolar/ https://www.ocafezinho.com/2017/10/02/denuncia-temer-poe-fim-distribuicao-de-livros-de-literatura-na-rede-escolar/#comments Mon, 02 Oct 2017 14:02:10 +0000 https://ocafezinho.com/?p=79364 1 Comentário 🔥]]> Michel não fornece livros de literatura para rede escolar e sonega fantasia a crianças pobres

Por Denise Assis *

A Coluna Painel, da Folha de São Paulo, traz denúncia grave sobre o posicionamento do governo, quanto à formação literária de crianças e jovens. Diz lá, com todas as letras, que Michel não está nem aí para o envio de livros para as escolas, como vinha sendo feito nos governos passados.

O programa dava condições a uma parcela da infância e da juventude, de escapar da dura realidade, através da leitura, que também possibilita o surgimento de novos talentos. Mas para quê? Não é mesmo? Que filho de pobre precisa saber o que se passa além do seu barraco? Para enfiar minhocas na cabeça? Para sonhar em virar artista, em vez de malhar num chão de fábrica, onde ele certamente será mais útil? Não é ali que ele ajuda a formar aquele bolo, que jamais será dividido, mas engorda o bolso dos patrões?

Segundo a matéria, Michel descumpriu sucessivamente os prazos para o envio dos livros de literatura às bibliotecas das escolas públicas. O programa, que foi ampliado no governo Lula, empacou desde que Michel tomou o poder.

De acordo com o jornal, o MEC afirmou ano passado que faria nova compra de livros em dezembro de 2016. E, ainda segundo o jornal, “a aquisição não ocorreu, mas, no final de junho deste ano, a gestão Temer mudou seu posicionamento, como mostra um documento disponível no site do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação), que responde a dúvidas sobre o edital de livros didáticos. À questão sobre a exclusão de literatura, a pasta responde: “O edital em questão não alcança obras de literatura.

Não há previsão oficial para novo edital cujo objeto sejam obras de literatura.” Em nova manifestação enviada nesta sexta-feira (29), o Ministério da Educação afirma que o PNBE foi incorporado ao programa do livro didático e que “novo edital para aquisição das obras literárias está em elaboração com previsão para 2018”. Reparem na data: 2018. É quando, espera-se, este senhor deixa, finalmente, a cadeira que não lhe pertence. Ou seja: virem-se crianças. Até lá, o problema não será mais dele. Caiam na real e deem graças a Deus.

* Jornalista e colunista de O Cafezinho.

]]>
https://www.ocafezinho.com/2017/10/02/denuncia-temer-poe-fim-distribuicao-de-livros-de-literatura-na-rede-escolar/feed/ 1
A participação da maçonaria na ditadura militar https://www.ocafezinho.com/2017/09/19/participacao-da-maconaria-na-ditadura-militar/ https://www.ocafezinho.com/2017/09/19/participacao-da-maconaria-na-ditadura-militar/#comments Tue, 19 Sep 2017 13:45:54 +0000 https://ocafezinho.com/?p=78875 89 Comentários 🔥]]> Maçonaria, palco de ameaça de intervenção militar, teve agentes da repressão como membros

Por Denise Assis, colunista do Cafezinho

Depois da estapafúrdia declaração do cantor sertanejo, Zezé de Camargo, de que no Brasil não houve uma ditadura, a semana passada terminou assombrada por um evento na loja maçônica de Brasília, em que o general Hamilton Mourão propôs intervenção militar para acabar com a crise na política. Por curiosa coincidência, seu sobrenome é o mesmo do general Mourão Filho, líder do movimento que depôs o presidente João Goulart.

O tema – motivo da criação de uma Comissão Nacional da Verdade, e várias outras pelo país afora, que buscaram elucidar assassinatos e desaparecimentos forçados nas dependências de quartéis e demais órgãos do Estado, contra discordantes da ditadura apoiada por uma parcela expressiva de civis, e implantada pelos militares, em 1964 – levou pânico a vários segmentos progressistas da sociedade.

E não é para menos. Apesar de o comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, afirmar que “não há qualquer possibilidade” de intervenção militar no Brasil, em resposta ao general Antônio Mourão, a desinformação sobre os fatos ocorridos naquele período, o dos anos de arbítrio, podem levar incautos a torcer por este desfecho.

Nunca é demais lembrar que nos anos mais duros da ditadura, o Grande Oriente do Brasil, como os maçons a chamam, manteve em seus quadros homens da repressão. É o que fica patente em um documento da Polícia Política, encontrado durante pesquisas da CEV-Rio, no arquivo do Estado do Rio de Janeiro (Aperj).

Em carta dirigida ao “Sr. Coronel Diretor do Departamento de Ordem Política e Social- (DOPS)”, protocolada sob o número 4584, em 11 de dezembro de 1970, um dos mais duros do regime, um “ex-funcionário” daquele departamento, de nome Darcy Schettino Rocha, “brasileiro, casado, natural da Guanabara”, dedura o diretor do Grande Oriente do Brasil (Maçonaria), Moacyr Arbex Dinamarco.
Em sua carta, diz que a loja está cheia de “elementos que, por força de sua profissão” (ele foi chefe da Seção de Ordem Pública, da Seção de Ordem Política) seriam “subversivos, comunistas e corruptos”.

No exercício de “deduragem”, Darcy acusa o “atual Grão-Mestre Geral, Moacyr Arbex Dinamarco” de, apesar de tê-lo procurado, acenando com o “saneamento, com a expulsão da Ordem, de elementos notoriamente conhecidos por exercerem atividades comunistas”, agora fazia vista grossa à presença deles. Na opinião de Darcy, a promessa de Moacyr foi apenas para ficar bem com as Forças Armadas.
As denúncias do “araponga” descem a minúcias do tipo: um pretenso movimento contra a sua entrada para o Grande Oriente, por ser do DOPS, bem como a de um colega, de nome Heraldo Alves da Silva, pertencente ao Cenimar (Centro de Informações da Marinha).

Na carta, ele expõe a estratégia que adotou para barrar o movimento contra a sua entrada e a de outros integrantes dos quadros da repressão. “Vendo que, na defesa dos interesses maiores de seus ideais teria de travar na ordem maçônica o mesmo combate que sempre manteve contra o comunismo e os já citados elementos”, para lá encaminhou outros companheiros do DOPS, “a fim de poder lutar com mais desembaraço e eficiência”. (No recorte abaixo, leia outras “providências” tomadas pelo agente, a fim de “sanear” a Ordem):

Não satisfeitos com as providências do Grão-Mestre, os templários exigiram a expulsão imediata do grupo que, segundo o “araponga”, estavam “usando a Maçonaria como escudo para as suas atividades comunistas e criminais (estelionatos), e toda a sorte de falcatruas e aliciamento para o PC, que não quer perder a frente que tem no interior do Grande Oriente”.

Diante da pressão exercida sobre o Grão-Mestre Geral, Moacyr Arbex Dinamarco, na descrição pormenorizada de Darcy, revoltou-se contra os templários: “o tenente coronel Bilac Vargas Dalkastanhy, o major Armando Encarnação Moreira; o capitão Antonio José Blanco; o tenente Heraldo Alves da Silva (Marinha); e os civis: Dr. João de Araújo Pedrosa; Arthur Alves de Carvalho; o Dr. Carlos Eduardo Peçanha e o declarante”.

A Maçonaria, palco do discurso do general Mourão, não é de hoje, esteve às voltas com os principais momentos políticos. Os maçons costumam até mesmo tentar capitalizar a Inconfidência Mineira como um movimento orquestrado pela instituição. Porém, não existe documentação que corrobore a versão. Muito menos, a de que Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, tenha pertencido aos seus quadros, conforme afirmam.

O que está nos anais da Maçonaria é que no dia 17 de junho de 1822, os maçons do Rio de Janeiro se reuniram em sessão extraordinária, presidida por João Mendes Viana, mestre da Loja Comércio e Artes na Idade do Ouro, única até então existente no Rio de Janeiro. A solenidade teve por objetivo a criação e instalação do Grande Oriente Brasílico ou Grande Oriente do Brasil, na qual José Bonifácio de Andrade e Silva foi escolhido como Grão-Mestre. Em 02 de agosto de 1822, D. Pedro I compareceu à sessão da Ordem, sendo iniciado conforme a liturgia maçônica, adotando o codinome de Guatimozin*.

Outro fato inegável é a posição assumida pela Ordem, em 2016, contra a presidenta eleita, Dilma Rousseff. Os maçons chegaram a organizar uma passeata por Copacabana, para pedir a sua destituição.

Michel, que a destituiu, é apontado como maçon, do ramo mais conhecido como “Illuminati”, grupo de uma elite de empresários controladores dos principais conglomerados financeiros. Ele desmente, admite que já pertenceu à Ordem, mas diz que se desligou. Nas redes sociais, porém, a polêmica come solta.

* A informação sobre as adesões de José Bonifácio e D. Pedro I foram retiradas do artigo do maçon Luiz Gonzaga da Rocha, ver: WWW.oficinadagerencia.com/2008/08/d-pedro-i-era-maon-e-seu-codnome-era.html; de 25 de agosto de 2008

]]>
https://www.ocafezinho.com/2017/09/19/participacao-da-maconaria-na-ditadura-militar/feed/ 89
Ou ficar a pátria livre… https://www.ocafezinho.com/2017/09/07/ou-ficar-patria-livre/ https://www.ocafezinho.com/2017/09/07/ou-ficar-patria-livre/#comments Thu, 07 Sep 2017 12:38:14 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=78502 14 Comentários 🔥]]> Por Denise Assis *

Estamos em um tempo em que falar em civismo soa distante, brega e careta. Mas a data do 7 de setembro, vivida nas condições que estamos vivendo, nos leva a pensar que tipo de sentimento temos por este torrão, já cobiçado pelos holandeses, pelos franceses, e dominado pelos portugueses.

Acuados, impotentes, perplexos, vamos de escândalo em escândalo nos distanciando a cada dia da letra composta por Evaristo de Moraes, com música de nada menos que o próprio monarca, D. Pedro I, a do Hino da Independência. Pouco importa se parece piegas lembrar agora, o hino com o refrão desafiador: “Ou ficar a pátria livre, ou morrer pelo Brasil”.

Neste momento, é oportuno refletir sobre este sentimento, o de amor à pátria, que levou tantos à morte, nos mais variados períodos, e que hoje (não que estejamos recrutando exército de voluntários para uma luta fratricida), não nos mobiliza, não nos move. Apesar de a letra do hino descrever que “vossos peitos, vossos braços são muralhas do Brasil”, falta argamassa para fazer a liga desta muralha que nos defenderia de tantos desmandos, tanto despudor, tanta vulgaridade.

Significativo que os acontecimentos dantescos, a voz do empresário tosco, que se coloca acima do bem e do mal, mas que ainda assim, ganhou voto de confiança por ter descortinado em sua “delação” as “ímpias falanges” dos golpistas, (e deles próprios), que com suas faces hostis sugam o país às escâncaras, ocorram às vésperas do aniversário da independência. Quem sabe a coincidência nos leve a refletir até quando vamos deixar que eles estiquem a corda.

Ao pensar que há 195 anos viramos uma nação, de fato, desligada da coroa portuguesa e que durante todo o tempo percorrido, nunca tivemos, de fato, a tal independência contida no brado de D. Pedro I, é desanimador. O letrista nos chama de “brava gente brasileira”, e ressalta o nosso “garbo varonil”. Estivesse ele presente aos atuais acontecimentos e constataria que seu júbilo por ver o despertar da nação que na sua descrição resplandecia, hoje jaz um país garroteado, onde a “história” se faz nos porões, com vozes abafadas por gravadores escondidos nos bolsos dos paletós. E, ainda, que “os grilhões que nos forjavam/ da perfídia astuto ardil…” ficou à mercê de “mão mais poderosa” e, diga-se de passagem, inescrupulosa. Enquanto no passado zombamos dos que nos subjugaram, hoje nos quedamos de joelhos, sem reação. Quando teremos pátria livre?

* Jornalista e colunista de O Cafezinho

]]>
https://www.ocafezinho.com/2017/09/07/ou-ficar-patria-livre/feed/ 14
Câmara iguala BNDES à rede de bancos do mercado https://www.ocafezinho.com/2017/08/31/camara-iguala-bndes-rede-de-bancos-do-mercado/ https://www.ocafezinho.com/2017/08/31/camara-iguala-bndes-rede-de-bancos-do-mercado/#comments Thu, 31 Aug 2017 14:42:04 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=78104 8 Comentários 🔥]]> Por Denise Assis, colunista do Cafezinho

Fosse o Brasil um sistema de produção, e o BNDES seria a sua “casa de máquinas”. Lá, são processados todos os projetos de ponta da nossa economia. Os financiamentos do Banco funcionam como uma espécie de motor propulsor, propiciando crédito aos seus vários setores, com taxas de juros abaixo do mercado. E, desta forma, e somente desta forma, faz sentido um banco de desenvolvimento. A sua criação em 1952, não teve como objetivo equipará-lo às melhores casas do ramo. Para isto, há uma rede com capilaridade para cobrir o país de ponta a ponta, mas com regras próprias, e selvagens.

Pois nesta quarta-feira, 30 de agosto, a Câmara aprovou a medida provisória que faz desaparecer todo o caráter de mola propulsora da economia, cumprido pelo BNDES. A nova medida, que ainda precisa ser aprovada no Congresso, até o dia 7 de setembro, extingue com a Taxa de Longo Prazo (TJLP), no momento na casa de 7%, e institui a TLP, uma nova alíquota, elevando os juros ao mesmo patamar do mercado: 9,5%.

Embora aprovado no dia 24, (quinta-feira) o texto ficou dependendo da análise de emendas, que poderiam alterar o conteúdo da medida provisória. Como as sugestões de mudanças foram rejeitadas pelos deputados, em sua totalidade, o texto agora segue para a análise no Senado e, se aprovado pelo Congresso Nacional, a medida é sancionada por Michel, virando lei, passando a valer para os contratos firmados a partir de janeiro 2018.

O significado disto, é que tanto fará, daqui por diante, para o empresário, bater na porta de um banqueiro a pedir financiamento, ou se dirigir ao BNDES. Os juros menores, que viabilizam a ousadia das empresas e abrem caminho para o seu crescimento, vão desaparecer. Ou seja, se a economia no momento patina, agora ela vai direto para o atoleiro, causando o retrocesso nos investimentos e, por conseqüência, mais enxugamento dos quadros nas empresas e o aumento do índice de desemprego, já na casa dos 14%.

Ao comparar a TJLP e a TLP, e justificar a extinção da primeira, os liberais usam o argumento de que a TJLP é estabelecida a cada três meses pelo governo com base na meta de inflação para o ano. E atribuem a isto, uma “decisão política”. Difícil, no entanto, é entender como uma meta matemática, com base nos números da inflação, pode ganhar caráter político. A referência da TLP será a NTN-B, um dos títulos da dívida pública emitido pelo Tesouro, com aprovação no Congresso. Onde é mesmo que se faz política?

Toda a raiz do problema da TJLP, para esse governo, é que ela é mais baixa dos que as praticadas pelos demais bancos (e, sim, mais baixa do que as que o governo paga ao pegar empréstimos e vender títulos da dívida) ou não teria razão de ser. Igualar o valor das duas, não a faz ficar longe de interferências políticas, como querem fazer crer. A decisão apenas iguala os seus valores de mercado, incompatíveis com investimentos de longo prazo.

Outra falácia repetida como um mantra para os que defendem a TLP, é que os empréstimos do BNDES só servem às grandes empresas. No entanto, quem se der o trabalho de consultar as planilhas, vai ver que entre 2007 e 2016 foram 7.161.662 operações, sendo que 6.817.886 para MPMEs (95%). Isto é, números não têm partido, ao contrário do que querem fazer crer. E só deixam ver aquilo que valem e mostram. Política se faz no Congresso, onde pretendem definir o valor da próxima taxa. Quando se demonstra que 95% das operações do banco foram para as MPMEs, não há como desmentir esse dado.

Para deixar ainda mais claro o caráter dos empréstimos do banco, basta observar que em 2016, as operações para a Região Sudeste, foram de cerca de 45%. Este ano até julho, cerca de 37%.

Em valor de desembolso, este ano, 40% foram para MPMEs. Excluído do total das grandes, Estados e Municípios e Exportação pós-embarque (onde praticamente não há atuação de MPMEs), a proporção se inverte: 60% do valor foram para MPMEs e 40% para grandes empresas de fato. 

Por que foi criado o BNDES?

Só para que se possa entender o contexto em que foi criado o banco, agora condenado a se equiparar aos demais do mercado, perdendo a base da sua missão, não custa voltar um pouco na história.

Até a era Vargas a estrutura econômica do país ainda estava por fazer. A cada impasse, inaugurava-se um órgão ou uma comissão para dirimir dúvidas ou balizar direitos. Desta forma, ia-se desenhando a máquina do Estado brasileiro. Ao mesmo tempo em que se aprofundavam os estudos em torno dos recursos naturais e o método de explorá-los, o que resultaria no desenvolvimento industrial e econômico do país, recém saído da fase agrícola.

A criação da CSN, por exemplo, levou à organização do setor do carvão, para alimentar aquela que foi a nossa primeira grande usina siderúrgica. Um processo que exigiu também a criação da Companhia Vale do Rio Doce, como parte de um esforço de se organizar um parque industrial no Brasil.

Faltava estruturar os fundamentos básicos da nossa economia, e dar condições ao Estado que se formava, de se expandir. Para isto, em 20 de junho de 1952, sob a Lei nº 1.628, foi criado o Banco Nacional de Desenvolvimento, pensado para impulsionar os grandes negócios, de um país.

Desde 1952, o BNDES vem financiando os grandes empreendimentos industriais e de infraestrutura. A partir de 1982, quando ganhou o “S” de Social, o Banco destacou-se no apoio aos investimentos da agricultura, do comércio e do serviço, e das micro, pequenas e médias empresas, além dos investimentos sociais, direcionados para a educação e saúde, agricultura familiar, saneamento básico e ambiental, e para o transporte coletivo de massa. 

A instalação da crise de 2008

O caráter democrático das ações do Banco ficou ainda mais evidente quando a crise financeira internacional, iniciada em agosto de 2007, agravou-se sensivelmente a partir de meados de setembro de 2008, ocasionando até mesmo a quebra do quinto maior banco de investimento norteamericano, o Lehman Brothers.

O resultado foi uma forte retração dos mercados globais de crédito, que levou as autoridades governamentais de diversos países a realizar intervenções nos mercados financeiros, na tentativa de restaurar a confiança perdida. A crise afetou o desempenho da economia brasileira no último trimestre do ano, com rápida deterioração dos indicadores de produção e de investimentos.

A debacle mundial teve seus reflexos por aqui, justo em 2008, quando o desempenho do BNDES respondeu por 14,2% da formação bruta de capital fixo da Economia, percentual bem superior aos registrados nos anos anteriores. Os números de desempenho do BNDES, em 2008, revelam a manutenção de um quadro de normalidade nas suas operações ao longo do ano, em que pese o efeito da crise mundial.

O gráfico abaixo compara o total de consultas, enquadramentos, aprovações e desembolso do Banco no quarto trimestre daquele ano – período de agravamento do quadro da crise econômica – com os do quarto trimestre de 2007 – período de aceleração do investimento. À exceção dos enquadramentos, que apresentaram uma ligeira redução de 2%, os demais itens cresceram de maneira consistente: desembolso, 3,4%; aprovações, 14% e Consultas, 10%.

Gráfico
BNDES e a Crise Financeira Internacional (Em R$ bilhões) (Em %)

Fonte: BNDES

No Livro verde do BNDES, em que o banco toma a iniciativa de fazer uma prestação de contas à sociedade brasileira acerca de sua atuação ao longo do atual século, no período 2001-2016, há na página 41, um trecho com a seguinte informação: “É oportuno destacar que o PSI teve como característica ampliar os empréstimos para MPMEs, pelo menos quando comparamos as estatísticas do PSI com as estatísticas do BNDES em geral. De fato, a Tabela 1.9 mostra como o PSI teve mais da metade dos desembolsos concentrado em MPMEs”. 

De 2009 a 2016, o PSI desembolsou R$ 375 bilhões, sendo R$ 193,2 bilhões para Micro, Pequenas e Médias Empresas e R$ 181,8 bilhões para grandes empresas. 

O que os burocratas não levam em conta, é que o Brasil pratica uma das maiores taxas de juros do mundo, se não for a maior, e que o esforço deveria ser convergir todo o mercado para 7%, e não a do banco, que tem como missão fomentar a economia, para 9,5%. Não por acaso, a OMC condenou o país por praticar financiamentos subsidiados. Pagaremos pelo discurso do próprio governo.

]]>
https://www.ocafezinho.com/2017/08/31/camara-iguala-bndes-rede-de-bancos-do-mercado/feed/ 8
Michel, entre a mala e a mata https://www.ocafezinho.com/2017/08/26/michel-entre-mala-e-mata/ https://www.ocafezinho.com/2017/08/26/michel-entre-mala-e-mata/#comments Sat, 26 Aug 2017 17:41:13 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=77861 14 Comentários 🔥]]> (Encontro de lideranças indígenas com o governador do Amapá Jorge Nova da Costa. Foto: Dominique T. Gallois, 1989)

Por Denise Assis

Articulistas e articulados, ativistas e até os que não diferenciam um pé de couve de um pé de alface ficaram estupefatos com a medida de Michel, de extinguir a Reserva Nacional de Cobre e Associados (Renca), entre o Pará e o Amapá. Nunca é demais lembrar que ela foi criada em 1984, pelo ditador João Figueiredo, que apesar do seu conhecido estilo rude teve – conforme ficou demonstrado – mais sensibilidade com o torrão, do que Michel, o indevido. Para Michel, que provavelmente jamais se arriscaria a uma descida às matas da região, aquilo lá “não é nenhum paraíso”.

Foi o que mandou que os seus assessores dissessem depois do barulho comprado com os ambientalistas do país e de todo o planeta.

Depende do ponto de vista. Claro que para quem se preocupa em trocar sofás de couro por estofados pretos, tem medo de fantasmas (e da própria sombra), e mais noção das dimensões de uma mala com rodinhas do que do espaço que ocupam as nossas florestas, uma imensidão verde povoada por indígenas não chega mesmo a mover um músculo do seu rosto.

Diga-se de passagem, exercício difícil, depois de tantas intervenções.

Segundo o comunicado oficial, “hoje, infelizmente, territórios da Renca original estão submetidos à degradação provocada pelo garimpo clandestino de ouro, que, além de espoliar as riquezas nacionais, destrói a natureza e polui cursos d’água com mercúrio”, mandou dizer. A tal nota afirma ainda que: “não só não haverá danos às áreas preservadas, como o novo decreto vai “coibir essa exploração ilegal, recolocando sob controle do Estado a administração racional e organizada de jazidas minerais importantes, que demandam pesquisas e exploração com alta tecnologia”.

Aí a notícia carece de reflexão. O governo de Michel sabe que a região é ocupada por garimpos clandestinos e não toma nenhuma providência no sentido de fiscalizar e punir os invasores. Desta feita, em vez de tirar o bode da sala, resolve vender a sala com bode e tudo. Aliás, não é a primeira vez que Michel se põe paralisado diante de um mal feito.

A “natureza” que está sendo destruída, Michel, é a do país que você administra. Não é o quintal do vizinho. Ao mesmo tempo, soa estranha a garantia de que agora, quando passar para mãos certamente estrangeiras e privadas, haverá um “controle” e uma “administração racional e organizada de jazidas minerais importantes”.

Como assim? Qual foi o pedaço que eu perdi? Há, no momento, na Renca, uma malha de mineração ilegal sabida e mapeada, que rola solta como a Casa da Mãe Joana, sem que o governo de Michel faça nada para “coibir” as infrações. Em passando para a iniciativa privada, segundo o documento emitido por sua orientação, os empreendimentos que porventura se instalem na área de conservação estaduais no Amapá e no Pará cumprirão “exigências federais rigorosas para licenciamento específico, que prevê ampla proteção socioambiental”.

Ora, enquanto está sob o seu governo é um verdadeiro bordel a céu aberto, mas sob a égide da exploração sob alta tecnologia privada (e por que ele reduz tanto a verba para a pesquisa científica?) tudo será organizado, limpo, vistoriado e os índios respeitados. Já posso imaginá-los num cercado, como no zoológico, com placas de: “é proibido jogar amendoins”.

Sem a menor cerimônia a nota segue afiançando que “o compromisso do governo é com o soberano desenvolvimento sustentável da Amazônia, sempre conjugando preservação ambiental com geração de renda e emprego para as populações locais”.

Michel não tem a menor noção do que está falando. Não teve, como eu, a oportunidade de ver aquela tribo de Wayampis, sob a neblina da mata, ao amanhecer, com, seus colares de contas azuis e vermelhas, cruzados nos peitos miúdos e estufados de orgulho, cantando o hino nacional, para recepcionar os jornalistas. A mata, naquele momento, era uma catedral, que fazia ecoar as vozes infantis dos indiozinhos, enquanto eu continha a custo a emoção de ver aqueles curumins num lugar que quase cai do nosso mapa, de tão distante, homenagenado a pátria. É certo que essas crianças não verão país nenhum, mas é certo também que você não terá nunca a oportunidade de viver esta cena, Michel. E, depois, que importância tem isto, não é mesmo?

]]>
https://www.ocafezinho.com/2017/08/26/michel-entre-mala-e-mata/feed/ 14
Que ousado que nada, Michel… https://www.ocafezinho.com/2017/08/17/que-ousado-que-nada-michel/ https://www.ocafezinho.com/2017/08/17/que-ousado-que-nada-michel/#comments Thu, 17 Aug 2017 12:38:20 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=77476 10 Comentários 🔥]]> Por Denise Assis

Onde estavam os nossos comentaristas econômicos no ano de 2014? A pergunta é pertinente, desculpem. Eles parecem falar de outro planeta. Ao analisar a meta do déficit público estabelecida pelo atual governo, na casa de R$ 159 bilhões, praticamente todos fizeram questão de culpar a política da ex-presidente Dilma Rousseff, pela desandada geral da economia. Fica fácil e raso este discurso, depois do tanto que a história já andou. Até mesmo um ou outro analista, tanto político quanto econômico do campo progressista, se referem aos “desacertos” praticados por aquele governo. Não. Ela não acertou tudo, mas esse erro desmedido que lhe imputam, tem enredo.

Esquecem-se, os comentaristas, no entanto, que olhar para este quadro é o mesmo que olhar para a obra de Pedro Américo: “A Batalha do Avahy”. Pela sua complexidade e dimensão (600 X 1100 cm), primeiro se vê o óbvio. O retrato de uma batalha. Depois, afastando alguns passos, vai-se destacando os rostos e situações, que num primeiro momento não foi possível distinguir. Porque não é simples. Porque é grande, porque tem muitos detalhes e nuances.

E esquecem-se também de reavaliar o que eles mesmos escreveram e falaram à exaustão durante o desencadear do golpe: “basta tirar a Dilma que a economia melhora”. E, claro, não foi bem assim. Por razões que esses senhores fazem questão de não mencionar. Desde a queda forçada e vertiginosa do barril de petróleo, imposta pelos americanos, tão logo se descobriu por aqui o pré-sal, até a queda geral das commodities, uma delas, o minério de ferro, tão fundamental nas nossas exportações. Não bastasse o quadro econômico mundial desfavorável, houve a tal “molecagem” do derrotado Aécio Neves, que, desde o primeiro minuto da vitória de Dilma, jurou de pés juntos que infernizaria a sua vida e não a deixaria governar.

Promessa feita, promessa cumprida. Hoje, depois de muitas horas de gravações vindas a público, se sabe que ele e o grupo de Michel, encabeçado pelo seu fiel aliado Eduardo Cunha, propiciou todo um quadro de instabilidade. Quem não se lembra das pautas bombas? Isto foi criando em torno dela e de seu governo uma desconfiança que, esparramada para o mercado e para o meio empresarial, fez com que retivessem os investimentos, reduzissem os quadros de funcionários, gerando uma onda de desemprego que o país não via há 13 anos. Como diria Brizola, estava formado o “caldo de cultura” o estrangulamento propício a que se jogasse muita lama na “Geni”. É assim nos golpes “brandos”, sem o uso da força. Leva-se o inimigo à asfixia econômica e depois apontam o dedo para a sua “incapacidade de governar”.

E agora, Michel? Escudado na forma “macunaímica” do “quase parlamentarismo”, quando a culpa é dividida com o Congresso, cuja grande parte dos deputados está no poder recebendo mesada para sustentar o insustentável, Michel vira as costas para a sociedade, dá de ombros e gesticula animado, durante discursos que nos humilham. Dizer-se muito “ousado”, como disse ao longo da semana, em cerimônia no palácio, é escárnio de quem já garantiu o passaporte para o futuro, levando não se sabe bem quantas malas, na sua viagem rumo à vida tranquila pós poder.

Não Michel. O nome disso não é ousadia. Podemos trocar o adjetivo para “abusado”, no pior sentido da palavra, ou “cínico”, se você assim o preferir. Fica fácil chamar para a briga quando se tem a proteção do cofre, a autoridade da caneta e a proteção de uma gangue para garantir as suas pretensas ousadias. Ousado mesmo foi o Aécio, que ouviu a confissão de um traficante e – tal como você, quando alguém lhe disse que comprava silêncios -, calou-se cúmplice, e ainda retornou ao senado, de onde olha para as câmeras e zomba de nós, mandando recado pelos seus advogados, carregado de ironia: “Ai que medo!”, disse ele, quanto ao risco de ir parar na prisão. (Posso imaginar, rindo). “Ai que medo!” dizemos nós, sem saber o que será do amanhã.

]]>
https://www.ocafezinho.com/2017/08/17/que-ousado-que-nada-michel/feed/ 10
Michel assalta os cofres públicos para se manter no cargo de síndico https://www.ocafezinho.com/2017/08/04/michel-assalta-os-cofres-publicos-para-se-manter-no-cargo-de-sindico/ https://www.ocafezinho.com/2017/08/04/michel-assalta-os-cofres-publicos-para-se-manter-no-cargo-de-sindico/#comments Fri, 04 Aug 2017 14:54:24 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=76847 5 Comentários 🔥]]> (Foto: Marcos Corrêa/PR)

Por Denise Assis, colunista do Cafezinho

Não. Michel não é um grande político. É um político burocrata, de gabinete, de obas, olas, e jantares para angariar fundos para quermesses. O que ele sempre soube fazer bem foram conversinhas e arranjos de corredores.

Sabíamos que deixá-lo com a cadeira e a caneta, enquanto está sendo investigado, desembocaria nesse festival de gastança, que já alcança a casa dos dois bi, unicamente para manter-se no poder (que ele pensa que tem), e executar as reformas encomendadas pela FIESP, que não quer, nunca quis, e vai continuar não querendo “pagar o pato”. Este quem paga somos nós.

De onde será tirada a bolada que comprou os votos proferidos em horário nobre? Da saúde, do Bolsa Família – no momento sem o aumento prometido -, e das bolsas de iniciação do CNPQ. A Instituição desmentiu oficialmente que o fará, mas não dou 15 dias para anunciar o corte. É só deixar passar o calor dos clamores.

Todas essas manobras hediondas giram em torno de um só tema: “a economia, estúpidos”. Houve quem confessasse ao microfone estar votando pelos empresários, apertados para pagar funcionários dentro das regras trabalhistas atuais. Foi quase comovente. A bordo dos 5% de popularidade (???) de que dispõe Michel não se faz de rogado. Não vacila. Está tendo ajuda para se manter onde se aboletou. Dinheiro não falta. Falta para nós, população expropriada em seus direitos, mas não para a compra deslavada de votos.

Não por acaso, ontem, dia da fatídica votação que deu continuidade ao ante mandato de Michel, um indivíduo em desespero “acessou indevidamente os trilhos do metrô”. Enquanto o deputado Wladimir Costa transpirava dentro do terno de mau gosto, borrando a tatuagem de hena que estampou no ombro, em homenagem àquele que o pagou, emitindo seu voto favorável aos gritos, um pobre diabo se estatelava na estação, atrapalhando o tráfego.

Deus queira que não aconteça, mas outros virão acessar indevidamente os trilhos, as janelas e as pontes, em desespero, tragados pela impossibilidade de pagar as contas acumuladas em casa, enquanto Michel sangra os cofres para garantir o seu cargo de síndico da elite e do mercado.

]]>
https://www.ocafezinho.com/2017/08/04/michel-assalta-os-cofres-publicos-para-se-manter-no-cargo-de-sindico/feed/ 5
Pés que falam! https://www.ocafezinho.com/2017/07/22/pes-que-falam/ https://www.ocafezinho.com/2017/07/22/pes-que-falam/#comments Sat, 22 Jul 2017 21:55:33 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=76163 19 Comentários 🔥]]> Impossível observar a foto, publicada em O Globo nesta sexta-feira, 21/07/2017, colhida pelo fotógrafo Givaldo Barbosa, durante mais um evento fake, montado pela assessoria de Michel, para passar a ideia de “normalidade” – quando tudo em volta nada tem de corriqueiro, regular, normal – sem nos lembrarmos imediatamente do magistral “clique” de Erno Schneider, para a Agência Estado, prêmio Esso de 1962.

“Foi um só também”, recordaria Erno, anos mais tarde, ao falar da fotografia que traduzirá para sempre o governo Jânio Quadros, e aquele momento político.

Em matéria produzida pela Agência Senado, em 25 de agosto de 2011, às 17h48, a situação em que a foto foi tirada é descrita assim:

Capturada na ponte que liga Uruguaiana (RS) a Libres, na Argentina, em 21 de abril de 1961, quando Jânio se encaminhava para um encontro com o presidente Argentino Arturo Frondizi, a imagem do político brasileiro com as pernas em direções opostas mostra, involuntariamente, o quanto havia de divisão de personalidade em Jânio – e o grau de contradição das forças que então lutavam pelo poder.

A faísca geradora da foto foi um tumulto ocorrido próximo ao local, segundo relato de seu autor, o fotógrafo gaúcho Erno Schneider, ao programa Fantástico, da TV Globo:

“Enquanto o Jânio ia encontrar o Frondizi na ponte, no meio da ponte, ele resolveu ir a pé. E tava andando, eu acompanhando ele do lado. De repente, deu um tumulto. Um tumulto muito grande. O Jânio levou um susto e se virou. Na hora, eu vi que ele tava todo estranho, todo torto. Eu senti que tinha uma foto diferente. Aí, eu dei um clique. Foi um só também”.

Hoje, se perguntássemos para Givaldo, é provável que a descrição fosse semelhante. Esses insights têm segundos para acontecer. É apertar o dedo, ou perder para sempre a imagem que tão bem resumiu o momento de Michel.
Enquanto o rosto é uma máscara, misto de Coringa do Batman e do personagem Amigo da Onça, num esforço visível de passar descontração, o corpo fala. As mãos, que normalmente gesticulam descoordenadas, irritantes, nervosas, estão agarradas às pernas, como num ensaio para uma fuga. Michel parece prestes a dar um pique, levantar-se. Sair de cena.

Enquanto isto, os pés… Os pés empreendem uma espécie de diálogo. Ao contrário de Jânio, que os tinha desencontrados, na foto de Erno Schneider, os de Michel parecem travar um diálogo, do tipo: “vamos?” Os sapatos se olham, se indagam. Os bicos não tocam o chão, traduzindo toda a tensão disfarçada da cintura para cima, e no sorriso falso. O pé do lado direito está mais elevado e retesado, (numa posição mais inquiridora), enquanto o esquerdo, também voltado para dentro, reforça a certeza de que nada naquele corpo está em harmonia, assim como não estão os poderes, os partidos, o país, enfim. Infelizmente, porém, não devemos esperar de Michel o mesmo gesto do ex-presidente Jânio Quadros. Michel só tem olhos para governar a própria crise. E não vai renunciar.

]]>
https://www.ocafezinho.com/2017/07/22/pes-que-falam/feed/ 19
Temer e Maia, farinha do mesmo saco https://www.ocafezinho.com/2017/07/18/temer-e-maia-farinha-do-mesmo-saco/ https://www.ocafezinho.com/2017/07/18/temer-e-maia-farinha-do-mesmo-saco/#comments Tue, 18 Jul 2017 17:01:36 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=75962 14 Comentários 🔥]]> (Foto: Beto Barata/Fotos Públicas)

“Farinhas do mesmo saco”

Quando o ex-atual-reabilitado senador, Aécio Neves foi desmascarado pelas gravações da Polícia Federal, onde apareceu muito mal na fita, depois de ter feito a “molecagem” de submeter Dilma Rousseff ao impeachment, sem que houvesse crime que o justificasse, petistas olhavam para os adeptos do “mineirinho”, com cara de: “bem que avisamos”.

A esta altura, os que tiraram dos armários as caçarolas “Tramontina” e nelas bateram em suas sacadas de vidro fumê, forte o bastante para fazerem barulho, mas com o cuidado suficiente de não marcar o teflon do fundo, quedaram-se taciturnos e silenciosos. Trancaram as caçarolas, e tiraram da caixinha um velho chavão: “são todos farinha do mesmo saco”. Era o máximo que conseguiam repetir como argumento para tal derrocada.

A frase, do tempo da “zagaia de gancho” – só para reproduzir outro chavão da época -, tinha um subtexto. Um dar de ombros, infantil: “pouco importa, não acreditamos mesmo em política…” Não tinham nem vontade, nem sequer argumento para defendê-lo. Preferiram escapar pelo “popular” e genérico.

No que acreditavam e acreditam, é nos seus dogmas de classe média, defensora de suas parcas conquistas, incluso aí o poder aquisitivo de ter um conjunto Tramontina nos armários da cozinha (desculpem o merchandising). No que acreditam, é que precisam defender os interesses de um mercado que regula os juros das suas prestações, mas os coloca rumo a Miami nas férias, mesmo que seja em financiamento feito em dez vezes. E quando dizem que os políticos “são iguais”, têm respaldo na preguiça de pensar, no desinteresse pelos rumos, de fato, do país. Enrolados em bandeias, foram às ruas gritar pelo Brasil, mas o que defendiam, mesmo, era não ter que sentar ao lado de um pobre, no avião. O que os moveu foi o ódio e a identidade de classe, e não a “ideologia” do candidato. Por isto, pouco importava para eles o destino que deveria ter (mas não teve), o tal senador.

Diferentemente dos “paneleiros”, hoje a oposição têm motivos de sobra para, ela sim, sacar o tal chavão. O que se avizinha em nosso horizonte é a saída de Michel (mesmo depois de desembolsar os nossos bilhões para emendas “redentoras”), e a substituição pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia. Defensores das mesmas teses e reformas contra os trabalhadores, amigos do mercado financeiro, e entrosados com a Fiesp, esses, sim, são “farinha do mesmo saco”.

* jornalista e colunista do Cafezinho.

]]>
https://www.ocafezinho.com/2017/07/18/temer-e-maia-farinha-do-mesmo-saco/feed/ 14