Ecologia - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/ecologia/ Portal de noticias e análises sobre política brasileira, geopolítica, economia, tecnologia, sempre numa perspectiva democrática, progressista, anti-imperialista e multipolar! Fri, 25 Apr 2025 21:51:19 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://controle.ocafezinho.com/wp-content/uploads/2015/10/cropped-Logo_Cafezinho_tmb-32x32.png Ecologia - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/ecologia/ 32 32 Como papa Francisco colocou a Amazônia no centro da Igreja https://www.ocafezinho.com/2025/04/26/como-papa-francisco-colocou-a-amazonia-no-centro-da-igreja/ https://www.ocafezinho.com/2025/04/26/como-papa-francisco-colocou-a-amazonia-no-centro-da-igreja/#respond Sat, 26 Apr 2025 16:03:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=207592 Inspirado por bispo brasileiro, papa instituiu o pecado ecológico, se aproximou dos indígenas, adotando até mesmo seu imaginário e linguagem, e pregou a restauração da “Mãe Terra”.

Primeira mulher a liderar mais de 400 povos indígenas de toda a Pan-Amazônia, Fany Kuiru Castro diz que não está num papel fácil. A advogada colombiana representa mundo a fora os moradores da maior floresta tropical, e considera que uma autoridade global ajudou a abrir as portas: papa Francisco.

“Ele sempre falou ‘minha querida Amazônia’. E sua linguagem falava sobre ‘a mãe Terra’, o extrativismo e os danos que isso causava na Amazônia”, afirma Castro, à frente da Coordenação das Organizações Indígenas da Bacia Amazônica, Coica, na sigla em espanhol.

Foi o ex-arcebispo de Buenos Aires que colocou a preocupação socioambiental no centro da Igreja Católica. Pouco depois de assumir o pontificado, em 2013, apresentou a sua encíclica Laudato si, Sobre o cuidado da casa comum. No documento, de 2015, Francisco propõe uma “ecologia integral” como resposta ao impacto devastador da ação humana no planeta.

Não foi um movimento corriqueiro para o papa, lembra Dom Pedro Brito, arcebispo de Palmas e vice-presidente da Rede Eclesial Pan-Amazônica (Repam): “Não era um tema muito tratado dentro da igreja. Ainda hoje, é indigesto para alguns grupos”, comenta, em entrevista à DW.

O chamado ecoou não só dentro da fé católica. A colaboração do primeiro papa não europeu com especialistas em ciência climática e desenvolvimento sustentável, seu discurso sobre ética e justiça, podem ter influenciado o espírito de cooperação internacional que, no fim daquele ano, resultou em 195 governos fecharem sobre o Acordo de Paris na Conferência do Clima da ONU.

“A contribuição do papa Francisco para o discurso sobre políticas climáticas internacionais e objetivos de desenvolvimento sustentável inspirou a cooperação política que levou a acordos internacionais cruciais”, concluiu uma análise da Universidade de Princeton publicada à época.

A partir do Sínodo dos Bispos de 2019, crimes ambientais como a destruição da mata amazônica são também pecados ecológicos | Nasa/Zumapress.com/picture alliance

“Ele apanhou muito, mas fez”

Em 2017, quando anunciou que a Amazônia viraria tema de um Sínodo, o papa foi bastante criticado. O próprio governo brasileiro manifestou preocupação: a reunião no Vaticano se realizou no fim de 2019, primeiro ano de mandato de Jair Bolsonaro.

O Sínodo dos Bispos, instituído em 1965 pelo papa Paulo 6º, é uma reunião interna da Igreja Católica que discute questões afetando a instituição, e quais diretrizes devem ser tomadas. O debate produz um documento com medidas a serem acolhidas pelas igrejas em todo o mundo.

Para Dom Pedro, papa Francisco “ouviu o grito” dos bispos do Brasil e dos outros países que, desde a década de 1970, tentavam despertar a atenção da Igreja para a Amazônia: “Ele apanhou, mas fez. Apanhou de todo mundo quando decidiu fazer o Sínodo da Amazônia. Ele pegou um tema que era subjacente e deu importância”, lembra o porta-voz da Repam.

Com anos de experiência na Amazônia, Dom Pedro tinha uma sugestão e queria convencer o papa. Mas ele só tinha quatro minutos – esse era o tempo dado a cada bispo inscrito para uma conversa com o líder máximo dos católicos. A proposta era classificar como “pecado ecológico” crimes ambientais cometidos amplamente contra a floresta e seus povos, como desmatamento e poluição. “E isso foi proclamado. Está no parágrafo 82 do documento final do Sínodo. São quase as mesmas palavras que eu falei para o papa”, narra o arcebispo de Palmas.

O ponto em questão, publicado no documento final do encontro, define o termo como “um pecado contra as gerações futuras e se manifesta em atos e hábitos de contaminação e destruição da harmonia do ambiente, em transgressões contra os princípios da interdependência e na ruptura das redes de solidariedade entre as criaturas e contra a virtude da justiça”.

Em abril de 2024, Francisco recebeu líder yanomami Davi Kopenawa no Vaticano | Alessandra Tarantino/AP Photo/picture alliance

Perdão e reconciliação com os indígenas

Para Edson Krenak, escritor e pesquisador indígena que finaliza o doutorado na Universidade de Viena, na Áustria, papa Francisco era uma figura distinta da igreja, quase um ativista: “Ele deu passos muitos corajosos, de reconhecimento, de perdão, de reconciliação. Ele se abriu totalmente para a teologia ou espiritualidade indígena, usando a nossa linguagem, chamando o planeta de ‘lar comum’ e ‘Mãe Terra’. É uma expressão de que muitos teólogos não gostam, não aceitam.”

Um dos legados mais importantes, considera pesquisador, é a incorporação da perspectiva indígena aos ensinamentos católicos. Segundo esse olhar, o meio ambiente não pode ser confundido com um lugar que apenas fornece recursos para serem extraídos, mas um lugar de vida, de casa.

Dos encontros que teve com o papa, Gregório Mirabal, ex-coordenador da Coica, diz ter se impressionado com o respeito e admiração que ele demonstrava pelos povos indígenas como guardiões da natureza, da sabedoria ancestral e da vida comunitária: “Ele teve coragem e humildade para pedir perdão pela dor e luto causados durante a chegada dos europeus nas Américas.” Em 2016, no México, Francisco pediu perdão pela primeira vez aos povos originários pela violência cometida no passado em nome de Deus.

O Sínodo da Amazônia, afirma Mirabal, foi uma oportunidade para diálogo e reconciliação que mostrou mais uma vez para o mundo a importância da Floresta Amazônica: “O papa fez um apelo ao mundo para respeitar e proteger os direitos dos povos indígenas, suas culturas, territórios e autodeterminação.”

O que fica e o que vem

Apesar de todo o discurso e prática em defesa do meio ambiente, dos povos indígenas e dos mais pobres, Francisco deixou para o sucessor a missão de avançar na questão da propriedade, observa Edson Krenak.

“Ele mesmo diz num dos textos que a lei da propriedade não é um direito absoluto na história da Igreja e nunca pertenceu à teologia. Sendo a Igreja uma das maiores proprietárias de terras do mundo, faltou ela se movimentar nessa direção”, critica, sugerindo que a Igreja Católica deveria defender com firmeza a demarcação dos territórios indígenas.

Outro ponto ainda nublado, diz o pesquisador, é a extensão e localização das posses dos terrenos pela Igreja. “Na Índia, por exemplo, há denúncias de que parte da atividade rural de comunidades é limitada por empresários do agronegócio que usam terras da Igreja para grandes extensões de monocultura.”

Com a morte de Francisco, a ala católica mais atenta para a saúde do planeta tem uma preocupação com os rumos futuros: “Os ensinamentos sobre a ecologia integral do papa Francisco foram incorporados na liturgia e isso não muda quando ele morre. Não como a política, que muda tudo quando chega um novo eleito. A crise socioambiental está aí, não dá para negar, e nós temos que seguir”, adverte Dom Pedro.

Publicado originalmente pelo DW em 25/04/2025

Por Nádia Pontes

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Em toda minha vida pública, não lembro de momento econômico tão bom, diz Simone Tebet https://www.ocafezinho.com/2025/03/25/em-toda-minha-vida-publica-nao-lembro-de-momento-economico-tao-bom-diz-simone-tebet/ Tue, 25 Mar 2025 14:36:40 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=205090 Ministra do Planejamento e Orçamento fala sobre prioridades do Governo Federal nos gastos públicos e do projeto para dobrar o PIB per capita até 2050

Um governo que prioriza projetos que alavancam a produtividade e o desenvolvimento com políticas sociais tem alcançado resultados positivos na economia. Foi o que afirmou a ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet.

Entrevistada no programa Bom Dia, Ministra desta terça-feira (25/3), transmitido pelo Canal Gov, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Simone Tebet citou o maior número de pessoas com um trabalho desde 2013, a política de valorização do salário mínimo, com crescimento acima da inflação, os números da balança comercial e expectativa de safra recorde para este ano. Somado a isso, a aprovação da Reforma Tributária e as políticas sociais que têm diminuído o número de pessoas em extrema pobreza, fazendo com o que o país saia novamente do Mapa da Fome em um futuro próximo.

“A gente precisa mostrar o Brasil real. E o Brasil real é o Brasil que está dando certo. Fala alguém aqui que não é do PT, que é da frente ampla, que é uma pessoa de centro”.

“Nós sabemos onde queremos chegar, como chegar e estamos fazendo o dever de casa. Nós vivemos momentos onde nós tínhamos um terço da população brasileira na mais absoluta miséria, não é pobreza. Estamos saindo do Mapa da Fome. Nós nunca tivemos tantas pessoas empregadas, fazendo um parênteses, nós nunca tivemos tantos jovens no mercado de trabalho, nunca tivemos tantas mulheres no mercado de trabalho. A massa salarial, embora o alimento esteja caro, lá atrás, no governo passado, ele estava caro, e o salário mínimo só subia com a inflação. Agora o salário mínimo sobe com a inflação mais um percentual, ou seja, está tendo um ganho de massa salarial. Há muito tempo o Brasil não crescia dois anos consecutivos acima de 3%, isso significa mais renda, significa movimentar o comércio, a indústria”.

“Eu não me lembro, nos 25 anos que faço vida pública, de mandato eletivo, de um momento onde todos os números da macroeconomia caminhavam tão bem”, afirmou a ministra

Bolsa Família e Pé-de-Meia garantidos

Na entrevista com radialistas de todo o país, Simone Tebet detalhou o orçamento deste ano e a política fiscal do Governo Federal. O projeto de lei orçamentária de 2025 foi aprovado pelo Congresso Nacional na última quinta-feira (20/3). A previsão de orçamento total é de R$ 5,8 trilhões, com um teto de despesas sujeitas ao arcabouço fiscal de R$ 2,2 trilhões e uma folga de recursos (superávit) estimada em R$ 15 bilhões.

Com a aprovação do orçamento, que estima as receitas e fixa as despesas para o ano, a ministra afirmou que os investimentos em programas sociais estão garantidos.

“A gente estabelece prioridades, nós temos o planejamento para isso. O que é essencial? A pergunta que a gente sempre faz: ‘Que Brasil nós queremos? Para quem nós queremos esse Brasil? E quem mais precisa de políticas públicas?’ Então tem mais dinheiro na saúde, na educação, nos projetos sociais, nos projetos que alavancam a produtividade e o desenvolvimento do Brasil. Então, dentro dessa composição, ela é feita também pelo Congresso Nacional. O Congresso Nacional tem também as suas prioridades, através dos diálogos nós vamos ajustando. E nós temos ao longo dos meses a oportunidade de mandar projetos onde a gente faz remanejamento do orçamento, ou seja, não vai faltar um centavo para o Bolsa Família. O Pé-de-Meia, nós é que resolvemos não colocar todo ele no orçamento agora, porque nós temos uma decisão do Tribunal de Contas, então nós vamos colocar a primeira parte no meio do ano, a gente coloca o restante no orçamento. Não vai ser uma professora como eu sou dentro do ministério que vai deixar faltar dinheiro para o nosso programa mais importante hoje da educação no Brasil”, explicou.

Brasil 2050

Simone Tebet também falou sobre a Estratégia Brasil 2050, que busca integrar e harmonizar planos setoriais e regionais, proporcionando uma maior previsibilidade na atuação governamental, melhora do ambiente de negócios e aumento da transparência. A iniciativa inclui temas como o futuro da infraestrutura, agronegócio e comércio internacional.

O ministério tem promovido encontros regionais dos chamados “Diálogos para Construção da Estratégia Brasil 2025-2050”, que reúne autoridades, especialistas e representantes da sociedade civil. As reuniões vão ocorrer até junho pelo país.

Para a ministra, a meta é dobrar o PIB (Produto Interno Bruto) per capita do país, hoje em R$ 55.247,45. Segundo Simone Tebet, alcançar a meta é fundamental para reduzir a pobreza, a miséria e a desigualdade.

“Nós estamos andando o Brasil nas capitais fazendo a seguinte pergunta: ‘que Brasil queremos nos próximos 25 anos? E como fazer para chegar lá?’ Então, a meta que nós temos que nos impor é dobrar o PIB per capita para nos igualarmos aos países desenvolvidos. As pessoas não comem PIB. Mas quando eu aumento o PIB, a renda das pessoas que estão nos ouvindo, aí sim nós temos um país em que diminuímos a desigualdade social, alavancamos as pessoas, colocamos as pessoas da pobreza para a classe média, da classe média acendendo, e daí por diante”.

“Só temos condições de dobrar o PIB per capita se nós colocarmos pelo menos, algo em torno de quase 60% das mulheres no mercado de trabalho. Isso é fato. Ou seja, nós vamos ter todos os homens empregados, nós vamos ter que chegar nesse nível, e empregar no mínimo 60% de mulheres. Não é uma tarefa fácil nos próximos 25 anos, mas se a gente quiser acabar com a miséria, diminuir a pobreza, garantir dignidade de comida na mesa, as pessoas poderem comprar o que querem no supermercado, pelo menos terem essa dignidade, a gente tem que realmente mirar essa meta”, afirmou a ministra

Publicado originalmente pela Agência Gov em 25/03/2025

Por Eduardo Biagini

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Vendas de eletroeletrônicos crescem 29% em 2024, melhor desempenho na década https://www.ocafezinho.com/2025/03/19/vendas-de-eletroeletronicos-crescem-29-em-2024-melhor-desempenho-na-decada/ Wed, 19 Mar 2025 12:37:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=204578 Melhor resultado dos últimos 10 anos, balanço do setor foi apresentado pela Eletros ao presidente Lula e ao vice-presidente Alckmin em Brasília

Em 2024, a indústria brasileira vendeu ao varejo 117,7 milhões de aparelhos eletroeletrônicos, como televisões, geladeiras, fogões e aparelhos de ar-condicionado, registrando um aumento de 29% em relação às vendas de 2023. Este é o melhor desempenho do setor da última década, de acordo com o balanço da Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros).

Os dados foram apresentados na segunda-feira (17/3) ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, pelo presidente da Eletros, Jorge Nascimento.

“A boa notícia não sai só do forno. Ela sai da geladeira, da TV, da air fryer, do ventilador”, brincou o ministro ao comentar com a imprensa os dados do setor eletroeletrônico

Para Alckmin, o balanço positivo do setor eletroeletrônico é resultado do crescimento de 3,4% da economia em 2024, do aumento real dos salários e das políticas de estímulo à indústria brasileira.

“Isso reflete, de um lado, a melhora de renda da população; o emprego cresceu, a massa salarial cresceu; e a política industrial, a Nova Indústria Brasil, Depreciação Acelerada para trocar máquinas. É um setor que pode crescer mais ainda com data centers, que é produtor dos grandes equipamentos para data centers”, ressaltou o vice-presidente, que destacou os programas para que disponibilizam crédito para fortalecer a indústria nacional, como a Letra de Crédito do Desenvolvimento, o Novo Padis, Brasil Semicom, Lei do Bem e a Lei da Informática

“Empresa que quiser ser global, ela tem que estar no Brasil. Nós estamos falando de uma das maiores economias do mundo”, concluiu o ministro Geraldo Alckmin.

Crescimento em todos os segmentos

Para o presidente executivo da Eletros, o setor teve um ano de grande retomada e superação. “Os resultados alcançados, ainda que influenciados por diversos fatores, como o econômico e o climático, mostram a força da indústria nacional, sua capacidade de atender à demanda e corresponder às expectativas do consumidor, que busca produtos cada vez mais modernos, eficientes e acessíveis”, afirmou Jorge Nascimento.

O segmento de ar-condicionado foi o destaque do ano, com crescimento de 38% em relação a 2023. A produção atingiu 5,8 milhões de unidades, superando as 4,2 milhões do ano anterior.

Com aumento de 33% nas vendas, a linha portátil, que envolve cafeteiras, secadores de cabelo e ferro de passar, comercializou 80,8 milhões de equipamentos em 2024 – 19,8 milhões a mais do que no ano anterior.

As vendas de aparelhos da linha branca, da qual fazem parte fogões, máquinas de lavar e geladeiras, cresceram 17%, passando de 13,3 milhões, em 2023, para 15,6 milhões no ano passado.

O segmento de linha marrom, composto principalmente por televisores e equipamentos de áudio, cresceu 22% em relação a 2023. A produção atingiu 13,4 milhões de unidades, contra 10,9 milhões no ano anterior. Mesmo após as Olimpíadas, o setor manteve um ritmo forte de crescimento, alcançando seu maior volume em 10 anos.

Perspectivas

Até 2027, a Eletros estima R$ 5 bilhões em investimento para novos negócios do setor de eletrodomésticos e eletroeletrônicos e ampliação de indústrias já existentes. As projeções da Eletros para 2025 indicam um crescimento entre 8% e 10% no cenário mais otimista. Em uma visão mais conservadora, a estimativa é de um avanço médio de 5%.

Do ponto de vista estratégico, o setor seguirá com uma agenda voltada à competitividade, em alinhamento com a Nova Indústria Brasil e outras políticas públicas focadas em eficiência energética, estímulo à demanda por produtos mais modernos, modernização das linhas de produção, fortalecimento da cadeia de suprimentos, investimentos em infraestrutura logística e incentivo à exportação.

“A Eletros tem trabalhado em parceria com o Poder Público para não apenas superar desafios, mas também fortalecer a indústria nacional, reconhecendo sua importância para o setor produtivo brasileiro”, finaliza Nascimento.

Publicado originalmente pela Agência Gov em 18/03/2025

Por MDIC

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China cria bateria nuclear que pode durar 50 anos https://www.ocafezinho.com/2025/03/15/china-cria-bateria-nuclear-que-pode-durar-50-anos/ Sat, 15 Mar 2025 18:06:41 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=204446 Testada com sucesso, a bateria nuclear chinesa pode mudar a indústria energética, impulsionando avanços na Internet das Coisas e exploração espacial

No mais recente passo para a tecnologia de energia limpa, uma empresa chinesa disse que desenvolveu um protótipo de bateria nuclear de carbono-14 (C-14) de ultralongevidade, chamada Zhulong-1, fazendo progresso na busca pela inovação de microbaterias nucleares. A Wuxi Beita Pharmatech Co., Ltd., localizada na província de Jiangsu, no leste da China, disse que alcançou a conquista em colaboração com a Northwest Normal University, na província de Gansu, no noroeste da China.

Baterias nucleares convertem energia de decaimento radioativo em eletricidade, diferindo fundamentalmente de baterias químicas convencionais. A Wuxi Beita estabeleceu um sistema de cadeia industrial C-14 completo, cobrindo produtos de rotulagem C-14 e tecnologias de rotulagem, estabelecendo a base para o desenvolvimento do Zhulong-1, de acordo com a empresa.

Zhang Guanghui, líder de tecnologia do projeto de bateria, que é da Northwest Normal University, disse à Xinhua na quarta-feira que a principal inovação do Zhulong-1 está no uso de C-14, um isótopo radioativo com meia-vida de 5.730 anos, que é pareado com um semicondutor de carboneto de silício (SiC) para gerar energia. Conforme o C-14 decai, ele emite partículas beta que interagem com o semicondutor, produzindo um fluxo constante de elétrons.

Essa abordagem aborda os principais desafios técnicos, incluindo a preparação de fontes de C-14 de alta atividade específica e a baixa eficiência de conversão de energia e estabilidade dos dispositivos transdutores, disse Zhang.

Em uma demonstração ao vivo no laboratório de Wuxi Beita, um LED alimentado por Zhulong-1 operou perfeitamente por quase quatro meses, sustentando mais de 35.000 flashes pulsados. Os pesquisadores validaram ainda mais sua utilidade integrando a bateria com um chip Bluetooth — que transmitiu e recebeu sinais sem fio com sucesso.

A equipe de pesquisa deu à bateria o nome de Zhulong, a mítica divindade dragão chinesa que simboliza a luz e a energia eternas no antigo texto chinês Shan Hai Jing, refletindo tanto a riqueza da cultura chinesa quanto as características duradouras de fornecimento de energia da bateria, disse Cai Dinglong, chefe do projeto da bateria.

A bateria pode operar de forma estável em uma faixa de temperatura de menos 100 graus Celsius a 200 graus Celsius, com uma densidade de energia 10 vezes maior do que as baterias comerciais de íons de lítio e uma taxa de degradação de menos de 5% ao longo de uma vida útil projetada de 50 anos, disse Cai.

Os Institutos de Ciências Físicas de Hefei, da Academia Chinesa de Ciências, conduziram os testes da bateria.

Han Yuncheng, pesquisador do Instituto de Tecnologia de Segurança Nuclear, disse à Xinhua que os testes indicam que os principais indicadores tecnológicos do Zhulong-1 — incluindo níveis de potência, eficiência de conversão de energia e estabilidade — são avançados.

Como uma solução de microenergia de nova geração, as baterias nucleares C-14 têm uma ampla gama de aplicações na área da saúde, no setor de Internet das Coisas e na exploração espacial.

Notavelmente, eles podem alimentar implantes permanentes, como interfaces cérebro-computador ou marcapassos cardíacos, e dar suporte a redes de trilhões de sensores para a Internet das Coisas, disse Zhang.

Além disso, em ambientes extremos, incluindo o oceano profundo, a Antártida, a Lua e Marte, essas baterias podem servir como baterias de energia contínua sem manutenção — ao mesmo tempo em que podem permitir que espaçonaves interestelares operem de forma consistente, acrescentou Zhang.

A equipe de pesquisa já está avançando em um modelo de segunda geração, Zhulong-2. Cai disse que os esforços se concentrarão em reduzir os custos de produção e diminuir o tamanho.

“Espera-se que o Zhulong-2 seja lançado no final deste ano ou no início do ano que vem, medindo apenas o tamanho de uma moeda”, disse ele.

Esta foto fornecida pelo entrevistado mostra um protótipo de bateria nuclear de carbono-14 (C-14) de ultralongevidade, chamada Zhulong-1, em Wuxi, província de Jiangsu, leste da China, em 12 de março de 2025. (Xinhua)
Esta foto fornecida pelo entrevistado mostra um protótipo de bateria nuclear de carbono-14 (C-14) de ultralongevidade, chamada Zhulong-1 / Xinhua

Com informações de en.people.cn

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Theófilo Rodrigues lança “Capitalismo e Sustentabilidade” no Rio nesta terça-feira (12/11) https://www.ocafezinho.com/2024/11/11/theofilo-rodrigues-lanca-capitalismo-e-sustentabilidade-no-rio-nesta-terca-feira-12-11/ https://www.ocafezinho.com/2024/11/11/theofilo-rodrigues-lanca-capitalismo-e-sustentabilidade-no-rio-nesta-terca-feira-12-11/#respond Mon, 11 Nov 2024 17:41:09 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=196853 Coquetel de lançamento acontecerá na Livraria Argumento, no Leblon; O livro sai pela Editora Vozes.

“Capitalismo e Sustentabilidade: empresa regenerativa e a sustentabilidade corporativa no século XXI”, novo livro de Theófilo Rodrigues, terá seu coquetel de lançamento no Rio de Janeiro na próxima terça-feira (12/11), na Livraria Argumento, no Leblon.

Publicado pela Editora Vozes, o livro conta com prefácio do professor titular da UFRJ, Fabio Scarano, e orelha do pesquisador do Instituto Internacional para Sustentabilidade (IIS), Paulo Branco.

Ao longo de 240 páginas, o autor demonstra como o aquecimento global, as mudanças climáticas, a degradação dos ecossistemas e a perda da biodiversidade transformaram a sustentabilidade na grande agenda do século XXI.

O evento de lançamento no Rio de Janeiro contará com um bate papo com a presença do autor e do consultor em sustentabilidade, Paulo Branco. O primeiro lançamento do livro aconteceu em outubro na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip).

Sinopse

O aquecimento global, as mudanças climáticas, a degradação dos ecossistemas e a perda da biodiversidade transformaram a sustentabilidade na grande agenda do século XXI. Algumas empresas compreenderam isso ao adotarem elementos da sustentabilidade corporativa como práticas cada vez mais corriqueiras. Há, no entanto, muitas dúvidas ainda sobre as melhores formas de aplicação dessa sustentabilidade corporativa no dia a dia das empresas. Nos últimos anos, abordagens como a do ESG tornaram-se usuais, mas esses modelos são criticados por suas complexas operacionalidades e por seus escopos insuficientes. Além disso, a maquiagem verde e social – greenwashing, socialwashing – tornou-se fenômeno recorrente. Para superar esse cenário, este livro apresenta um conceito original e inovador de sustentabilidade corporativa – a “Empresa regenerativa”.

Serviço

Coquetel de lançamento do livro “Capitalismo e Sustentabilidade”

Data: Terça-feira, 12/11, às 18:30

Local: Livraria Argumento (Rua Dias Ferreira, 417, Leblon)

Clique aqui para adquirir o livro pela internet.

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China cria a primeira cidade floresta do mundo https://www.ocafezinho.com/2024/03/23/china-cria-a-primeira-cidade-floresta-do-mundo/ https://www.ocafezinho.com/2024/03/23/china-cria-a-primeira-cidade-floresta-do-mundo/#respond Sat, 23 Mar 2024 15:07:18 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=178828 O ambicioso projeto Liuzhou Forest City, situado ao norte da cidade chinesa de Liuzhou, na província de Guangxi, é a primeira iniciativa global de uma Cidade Florestal, desenhada pelo renomado Stefano Boeri Architetti.

Este plano, que já está sendo implementado, ocupa aproximadamente 175 hectares ao longo do rio Liujiang, visando integrar a natureza profundamente no tecido urbano para combater a poluição atmosférica de maneira sustentável.

A Cidade Florestal de Liuzhou, com capacidade para cerca de 30 mil habitantes, propõe um modelo de coexistência entre humanos e natureza, expandindo o conceito de biodiversidade urbana.

O projeto promete abrigar cerca de 40 mil árvores e 1 milhão de plantas de mais de 100 espécies diferentes, em uma estratégia para absorver aproximadamente 10.000 toneladas de CO2 e 57 toneladas de partículas finas por ano, enquanto produz cerca de 900 toneladas de oxigênio.

Esta cidade não só será um marco na melhoria da qualidade do ar, mas também na redução da temperatura urbana, no aumento da biodiversidade e na criação de um ecossistema rico para a vida selvagem.

Desenvolvida para ser energicamente autossuficiente, Liuzhou Forest City utilizará energia geotérmica para climatização interna e painéis solares nos telhados para geração de energia renovável, estabelecendo um novo paradigma de desenvolvimento urbano sustentável e integrado com o meio ambiente.

O projeto de Liuzhou Forest City representa uma fusão entre a inovação arquitetônica e a sensibilidade ambiental, marcando um passo significativo em direção a soluções urbanas sustentáveis que enfrentam o desafio da poluição atmosférica, particularmente relevante nas grandes cidades da China e ao redor do mundo.

Com informações da Parametric Architecture

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Petrobras fechou 2023 entre as petrolíferas mais lucrativas do mundo e desbanca concorrentes de peso https://www.ocafezinho.com/2024/03/14/petrobras-fechou-2023-entre-as-petroliferas-mais-lucrativas-do-mundo-e-desbanca-concorrentes-de-peso/ https://www.ocafezinho.com/2024/03/14/petrobras-fechou-2023-entre-as-petroliferas-mais-lucrativas-do-mundo-e-desbanca-concorrentes-de-peso/#respond Thu, 14 Mar 2024 15:49:07 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=178044 A Petrobras consolidou sua posição entre as gigantes do setor petrolífero global, alcançando o quarto lugar no ranking das petroleiras com maiores lucros em 2023, conforme divulgado pelo site Poder360.

Este desempenho destaca a companhia brasileira não só pelo seu lucro, mas também pela sua eficiência operacional em um contexto de desafios econômicos e transformações no setor energético.

No cenário das empresas estatais, a Petrobras se posicionou como a segunda mais lucrativa, superada apenas pela Saudi Aramco da Arábia Saudita.

Esta última liderou o ranking global com um lucro impressionante de US$ 121,3 bilhões em 2023, estabelecendo uma diferença substancial em relação às demais concorrentes, incluindo a ExxonMobil dos Estados Unidos, que ocupou o segundo lugar entre as petroleiras mais rentáveis.

A queda global nos preços do petróleo, em cerca de 18%, e o aumento dos investimentos em transição energética são apontados como os principais motivos para a redução dos lucros observada entre as grandes petroleiras. No entanto, mesmo diante dessas adversidades, a Petrobras conseguiu avançar no ranking, demonstrando a robustez de sua gestão e estratégia operacional.

Apesar de ser a quarta maior em termos de lucratividade, a Petrobras registrou a segunda menor receita entre as grandes empresas do setor, com um total de US$ 102,4 bilhões em 2023, superando apenas a Repsol da Espanha.

Este resultado, contudo, não ofusca o notável desempenho da empresa em termos de margem de lucro sobre a receita, que foi de 24,3% no ano, ficando atrás somente da Saudi Aramco, com 24,5%.

Este reconhecimento ressalta a capacidade da Petrobras de manter altos níveis de rentabilidade e eficiência, mesmo em um cenário desafiador para o setor petrolífero mundial.

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Cientistas alertam que floresta amazônica pode entrar em colapso até 2050 https://www.ocafezinho.com/2024/02/16/cientistas-alertam-que-floresta-amazonica-pode-entrar-em-colapso-ate-2050/ https://www.ocafezinho.com/2024/02/16/cientistas-alertam-que-floresta-amazonica-pode-entrar-em-colapso-ate-2050/#respond Fri, 16 Feb 2024 15:43:43 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=176095 ‘Precisamos responder agora’, diz o autor do estudo que afirma que uma floresta crucial já ultrapassou limites seguros e precisa de restauração

Até metade da floresta amazónica poderá atingir um ponto de inflexão até 2050, como resultado do stress hídrico, do desmatamento e das perturbações climáticas, revelou um estudo.

O documento, que é o mais abrangente até à data na sua análise dos impactos compostos da actividade humana local e da crise climática global, alertou que a floresta já tinha ultrapassado um limite seguro e apelou a medidas correctivas para restaurar áreas degradadas e melhorar a resiliência das florestas. o ecossistema.

Bernardo Flores, da Universidade Federal de Santa Catarina, Brasil , principal autor do estudo, disse ter ficado surpreso com os resultados, que projetavam uma mudança potencial do declínio florestal lento para o rápido, mais cedo do que ele esperava.


A floresta já estava ficando mais fraca e homogênea, disse ele. “Em 2050, acelerará rapidamente. Precisamos responder agora. Assim que ultrapassarmos o ponto crítico, perderemos o controle de como o sistema se comportará.”

Isto exige uma acção internacional porque mesmo uma interrupção local da desflorestação não evitaria o colapso sem uma redução global das emissões de CO 2 que estão a perturbar o clima.

Durante 65 milhões de anos, as florestas amazónicas resistiram à variabilidade climática, mas a região está agora exposta a um stress sem precedentes devido à seca, ao calor, ao fogo e ao desmatamento, que estão a penetrar até mesmo nas áreas centrais profundas do bioma. Isto está a alterar o funcionamento da floresta, que em muitas áreas está a produzir menos chuva do que antes, e a transformar um sumidouro de carbono num emissor de carbono.

As preocupações sobre um ponto de inflexão na Amazônia têm sido discutidas nas últimas duas décadas, com modelos anteriores sugerindo que isso poderia ocorrer quando 20% a 25% da floresta fosse desmatada. 

O novo estudo, publicado na revista Nature na quarta-feira, foi mais longe na sua complexidade, analisando evidências de cinco factores de stress hídrico e identificando limiares críticos que, se ultrapassados, poderiam desencadear o colapso florestal local, regional ou mesmo em todo o bioma.

Estima-se que, até 2050, 10% a 47% das florestas amazónicas estarão expostas a perturbações agravadas que poderão desencadear transições inesperadas em todo o ecossistema e ter um efeito negativo nas alterações climáticas regionais.

Para evitar isto, o estudo concluiu que seria necessária uma fronteira segura, que incluísse uma zona tampão, para manter a desflorestação em 10% da região Amazónica e para manter o aquecimento global dentro de 1,5ºC acima dos níveis pré-industriais.

Mas a ultrapassagem já aconteceu. O estudo descobriu que 15% da Amazônia já havia sido desmatada e outros 17% haviam sido degradados pela atividade humana, como extração de madeira, incêndios e extração subterrânea. Outros 38% da Amazônia podem estar enfraquecidos como resultado das secas prolongadas da última década.

Usando dados recentes coletados no terreno, indicadores substitutos de tendências antigas e modelagem computacional que incorpora tendências climáticas regionais e globais, o estudo traçou três trajetórias ecossistêmicas plausíveis: uma savana de areia branca, uma copa aberta degradada e uma floresta degradada – todas elas o que traria mais incêndios e secas.

As temperaturas da estação seca já são 2°C mais altas do que há 40 anos nas partes centro e sul da Amazônia. Até 2050, os modelos projetavam entre 10 e 30 dias secos a mais do que agora e um aumento nas temperaturas máximas anuais entre 2°C e 4°C. O jornal afirma que isto exporia “a floresta e as populações locais a um calor potencialmente insuportável” e reduziria potencialmente a produtividade florestal e a capacidade de armazenamento de carbono.

Os padrões de precipitação estão mudando. Desde o início da década de 1980, áreas da floresta amazônica central e periférica tornaram-se mais secas. A precipitação anual no sul da Amazônia boliviana diminuiu até 20 mm. 

Em contrapartida, as regiões ocidental e oriental da Amazónia estão a tornar-se mais húmidas. Se estas tendências continuassem, afirma o jornal, a resiliência dos ecossistemas seria remodelada. Algumas regiões tornar-se-iam savanas, enquanto a maior parte do resto da Amazónia provavelmente persistiria num estado degradado.

Isto terá um impacto profundo nas populações locais e regionais. A Amazônia abriga mais de 10% da biodiversidade terrestre da Terra, armazena 15 a 20 anos de emissões globais de CO 2 , contribui com até 50% das chuvas na região e é crucial para o fornecimento de umidade em toda a América do Sul. Sua evapotranspiração ajuda a resfriar e estabilizar o clima mundial. Mas a sua importância e complexidade não são totalmente compreendidas.

O documento observou que os modelos climáticos computacionais existentes não refletiam adequadamente como diferentes tipos de perturbações, como incêndios, secas e desmatamento, nem levavam em conta os diferentes efeitos experimentados pelos diferentes tipos de floresta; ou os planos para novas estradas, como a proposta BR319, que abriria uma enorme área à mineração ilegal e à grilagem de terras; ou como a degradação florestal contribui para a reciclagem da chuva; ou se o CO 2 extra na atmosfera está a fortalecer ou a enfraquecer a resiliência das florestas.

A falta de complexidade nos modelos existentes pode criar surpresas desagradáveis, como a seca devastadora do ano passado. “O recente El Niño mostra como tudo está acontecendo agora mais rápido do que pensamos”, disse Flores. 

“Temos que esperar que as coisas aconteçam mais cedo do que pensávamos. Precisamos abordar isso com uma abordagem muito cautelosa. Devemos alcançar emissões líquidas zero e desmatamento líquido zero o mais rápido possível. Isso precisa ser feito agora. Se perdermos a Amazônia, seria problemático para a humanidade.”

Texto publicado originalmente no The Guardian

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Circulação do Atlântico pode colapsar e causar efeitos devastadores sobre o clima https://www.ocafezinho.com/2024/02/14/circulacao-do-atlantico-pode-colapsar-e-causar-efeitos-devastadores-sobre-o-clima/ https://www.ocafezinho.com/2024/02/14/circulacao-do-atlantico-pode-colapsar-e-causar-efeitos-devastadores-sobre-o-clima/#respond Wed, 14 Feb 2024 14:21:52 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=175861 Pesquisadores apontam que a Circulação Meridional do Atlântico (AMOC), fundamental na regulação do clima global, pode estar próxima de um ponto crítico de mudança devido às alterações climáticas.

A AMOC, responsável pela distribuição de águas quentes e frias no Oceano Atlântico, desempenha um papel crucial no equilíbrio térmico do Hemisfério Norte.

Estudos anteriores já sugeriam a desaceleração deste sistema como consequência do aquecimento global, porém, a incerteza quanto à rapidez e ao momento exato dessas mudanças permanece.

Um novo estudo, veiculado na Science Advances por cientistas da Universidade de Utrecht, na Holanda, empregou modelos matemáticos avançados para simular o impacto das mudanças climáticas na AMOC.

Os resultados indicam potenciais alterações significativas, incluindo um resfriamento drástico no Hemisfério Norte, com quedas de temperatura superiores a 3°C por década, e um aquecimento moderado no Hemisfério Sul. Essas mudanças contrastam acentuadamente com a tendência atual de aquecimento global de aproximadamente 0,2°C por década.

O estudo também destaca a possibilidade de detecção antecipada de um colapso iminente da AMOC, por meio de mudanças observáveis na dinâmica de transporte de água doce no Atlântico, cerca de 25 anos antes do ponto de inflexão. Essa descoberta oferece uma janela de oportunidade para ações preventivas.

Especialistas que não participaram do estudo, como Jon Robson, do Centro Nacional de Ciência Atmosférica e da Universidade de Reading, e Andrew Watson, da Universidade de Exeter, reconhecem a importância da pesquisa, mas advertem sobre a necessidade de cautela na interpretação dos resultados.

Eles destacam que os modelos representam previsões, não certezas, e que o sistema climático real pode comportar-se de maneira diferente do sugerido.

Jonathan Bamber, da Universidade de Bristol, observa que o estudo utilizou cenários extremos de alterações climáticas para chegar a suas conclusões, questionando a aplicabilidade dos resultados ao cenário atual.

Tim Lenton, da Universidade de Exeter, ressalta a importância de se preparar para possíveis cenários adversos, sugerindo investimentos em coleta de dados e aprimoramento de modelos para uma melhor previsão de pontos de inflexão climáticos.

Apesar das incertezas, o estudo reforça a urgência de ações climáticas e a preparação para enfrentar impactos significativos nos padrões climáticos globais, sublinhando a necessidade de vigilância contínua e adaptação às mudanças climáticas.

Com informações da News Week

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Urgente! Mudanças na corrente do Oceano Atlântico podem ser catastróficas para a humanidade https://www.ocafezinho.com/2024/02/14/urgente-mudancas-na-corrente-do-oceano-atlantico-podem-ser-catastroficas-para-a-humanidade/ https://www.ocafezinho.com/2024/02/14/urgente-mudancas-na-corrente-do-oceano-atlantico-podem-ser-catastroficas-para-a-humanidade/#comments Wed, 14 Feb 2024 14:21:45 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=175858 1 Comentário 🔥]]> Cientistas desenvolveram um método inovador para detectar sinais precoces de possível colapso da Circulação Meridional do Atlântico (AMOC), incluindo a Corrente do Golfo, essencial para o equilíbrio climático global. O estudo, divulgado na revista Science Advances, destaca a crescente ameaça à estabilidade desta corrente devido ao aquecimento global.

A AMOC atua como uma correia transportadora oceânica, movendo água quente dos trópicos para o norte do Atlântico, onde esfria, afunda e retorna ao sul. Esse processo é vital para distribuir calor e nutrientes pelo planeta, influenciando significativamente o clima no Hemisfério Norte.

Pesquisas anteriores já indicavam a vulnerabilidade da AMOC às mudanças climáticas, que afetam o delicado equilíbrio de temperatura e salinidade necessário para sua operação. A última interrupção total desse sistema ocorreu há cerca de 12.000 anos, com consequências desastrosas para o clima global.

A possibilidade de um novo colapso levanta preocupações graves. Embora exista incerteza sobre o momento e a velocidade com que isso pode ocorrer, o estudo sugere impactos profundos e rápidos nas condições climáticas, como a queda de temperatura em partes da Europa em até 30 graus Celsius em um século, alterações nos padrões de chuva na Amazônia e aumento significativo do nível do mar.

Especialistas advertem que a adaptação a tais mudanças climáticas seria extremamente desafiadora, com implicações severas para a agricultura, ecossistemas e a vida humana. A pesquisa sublinha a urgência de monitoramento contínuo e ações para mitigar as mudanças climáticas, visando prevenir um cenário de colapso da AMOC.

Stefan Rahmstorf, oceanógrafo da Universidade de Potsdam, não envolvido no estudo, classificou a pesquisa como um avanço significativo na compreensão da estabilidade da AMOC. Ele enfatizou a importância de reconhecer o ponto de inflexão da corrente, após o qual um colapso seria inevitável se as condições atuais persistirem.

Este estudo joga luz sobre a complexidade e a interconectividade dos sistemas climáticos terrestres, reforçando a necessidade de ações imediatas para enfrentar a crise climática global. Com a AMOC sob risco, os cientistas e formuladores de políticas são chamados a considerar estratégias preventivas para proteger o clima e as sociedades ao redor do mundo.

Com informações da CNN Internacional

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INPE aponta redução de 70% no desmatamento do Pará https://www.ocafezinho.com/2023/09/05/inpe-aponta-reducao-de-70-no-desmatamento-do-para/ https://www.ocafezinho.com/2023/09/05/inpe-aponta-reducao-de-70-no-desmatamento-do-para/#respond Wed, 06 Sep 2023 01:17:33 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=164714 No mês de agosto, o Pará experimentou uma drástica diminuição de 70% na extensão de sua região com notificações de desmatamento, e liderou a classificação entre os estados da região amazônica que mais reduziram o desmatamento, conforme informações fornecidas pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

Em 2025, a cidade de Belém, a capital do estado, terá a honra de receber a COP-30, a conferência das Nações Unidas sobre mudanças climáticas.

De acordo com o INPE, o Pará apresentou uma redução no desmatamento correspondente a uma área de 472 km², enquanto Amazonas, com 225 km², Mato Grosso, com 173 km², e Rondônia, com 113 km², seguiram na lista de estados com redução de desmatamento.

No total, a Amazônia Legal registrou, no mês de agosto, uma diminuição de 66% na área coberta por alertas em comparação ao mesmo período do ano anterior, equivalente a 1.101 km² a menos.

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“Se depender da sociedade, todo mundo será linchado em praça pública. Vai valer para juiz também” https://www.ocafezinho.com/2016/08/29/se-depender-da-sociedade-todo-mundo-sera-linchado-em-praca-publica-vai-valer-para-juiz-tambem/ https://www.ocafezinho.com/2016/08/29/se-depender-da-sociedade-todo-mundo-sera-linchado-em-praca-publica-vai-valer-para-juiz-tambem/#comments Mon, 29 Aug 2016 10:30:29 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=53122 1 Comentário 🔥]]> Gilberto Bercovici: “Esse golpe parlamentar é um retrocesso gigantesco em nossa história que levará muito tempo para ser corrigido”. (Foto: Marcos Santos/USP)

por Marco Weissheimer, no Sul21

O Brasil está vivendo um período obscurantista e o golpe contra a presidenta Dilma Rousseff representa um retrocesso gigantesco na nossa história que levará muito tempo para ser corrigido. O país ingressou em um regime de exceção com a violação de garantias individuais consagradas na Constituição, abuso de autoridade e ilegalidades cometidas por setores do Judiciário, do Ministério Público e da Polícia Federal. A avaliação é de Gilberto Bercovici, professor titular de Direito da Universidade de São Paulo (USP), que define como “um circo” o julgamento de Dilma Rousseff no Senado.

Em entrevista ao Sul21, Bercovici adverte para graves riscos e ameaças à democracia brasileira e à economia do país a partir do movimento político, jurídico e midiático que teve como objetivo derrubar uma presidenta eleita com mais de 54 milhões de votos. “A Lava Jato está destruindo a nossa economia. O setor de engenharia foi para o buraco e a indústria naval foi destruída. Ainda não conseguiram destruir a construção civil, mas estão tentando. Estão agindo como uma casta que acha que o país é deles. Parecem querer que o Brasil volte a ser uma fazenda gigante e uma mina gigante”, assinala. O jurista critica também a postura dos tribunais superiores do país e dos riscos que isso representa para o tecido social:

“O STF e o STJ têm 30 anos de jurisprudência de garantia dos direitos individuais. Sempre foram cortes garantistas. De repente, do dia para a noite, eles mudaram de posição? Como foi essa mudança? Quem decidiu? É medo da mídia e do clamor popular? É uma demanda da sociedade? Se depender da demanda da sociedade, todo mundo vai ser linchado em praça pública. Se é isso que querem, tudo bem, mas vai valer para todo mundo. Valerá para juiz também ser linchado no meio da rua. É isso que estão querendo?” – questiona Bercovici.

Sul21: Como você definiria a situação política do país neste momento em que ocorre, no Senado Federal, o julgamento do processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff?

Gilberto Bercovici: O que está ocorrendo no Senado é um circo. Já está tudo combinado, até porque o PT entregou a cabeça dela numa bandeja ao negar apoio à ideia o plebiscito, a única coisa que poderia eventualmente convencer alguém a mudar de ideia. Se nem o partido dela apoia essa proposta, não há muito a fazer. Agora, estão apenas fazendo um jogo de cena. Dilma vai segunda ao Senado. Como ela não tem mais absolutamente nada a perder espero que ela fale o que tem que falar. Mas também duvido que faça isso.

Sul21: O que ela deveria falar, na sua opinião?

Gilberto Bercovici: Deveria falar quem é cada um ali, né. Quem é você para me acusar. Você desviou tanto, você me pediu tanto, você fez isso, você fez aquilo, enfim, deveria falar a verdade. Ela tem alguma coisa a perder? Infelizmente, acho que ela não vai fazer isso. É uma pena. Seria didático para o país.

Sul21: Quais devem ser as repercussões políticas e sociais no país, caso se confirme o afastamento de Dilma? Em diversas ocasiões, nos últimos meses, você advertiu para as ameaças às garantias constitucionais no país…

Gilberto Bercovici: Eles vão passar o rolo compressor. Estamos lidando com um parlamento que só quer saber de dinheiro. Eles vão aprovar o que o governo quiser e o que eles querem é garantir pagamento de juros para os bancos. O resto que se lixe. O que me dá um misto de tristeza e raiva é a absoluta apatia das pessoas em relação às ameaças a direitos trabalhistas, ao corte de verbas para a saúde pública e para a educação pública. Quem é de classe média ou classe média alta não usa esses serviços. Não vive de CLT, não usa escola pública ou saúde pública. Quem usa, porém, não parece estar nenhum um pouco preocupado com o que está acontecendo.

Sul21: A que você atribui essa apatia?

Gilberto Bercovici: Não sei. Há quem diga que é a mídia, mas não sei se é só a mídia que, sem dúvida, tem um grande papel. Não sei explicar. As pessoas parecem mais preocupadas com a medalha de ouro no futebol nas Olimpíadas do que o vai acontecer com a escola de seus filhos, com os hospitais que pode precisar usar ou com o futuro do seu próprio trabalho.

Sul21: Isso não está ligado ao fato de que, talvez, essas pessoas não vislumbrem a perspectiva de uma ameaça real de perda de direitos e de qualidade de vida?

Gilberto Bercovici: Pode ser, mas é uma alienação muito grande. E a impressão que dá é que, se perderem direitos, também não vão fazer nada. Posso estar enganado sobre a índole das pessoas, mas a sensação que me dá é que não estão nem aí para o que está acontecendo no país.

Sul21: Você não acredita numa reação da parte dos movimentos sociais, movimento sindical e outros setores organizados da sociedade? Enxerga neles uma capacidade de enfrentar o que vem por aí?

Gilberto Bercovici: Não estou muito otimista quanto a isso porque, até aqui, não teve, não é? No início, antes da votação na Câmara e logo depois, houve certa mobilização que depois simplesmente acabou. A verdade é que os sindicatos e movimentos sociais como o MST e o movimento dos sem teto não conseguiram manter a mesma mobilização. O PT está mergulhado na lógica eleitoral, preocupado com as eleições municipais. O PT foi e segue ainda sendo hegemônico no campo da esquerda, por não existir outro partido que ocupe esse vácuo, mas está perdendo base social. O partido perdeu a capacidade de criar expectativas que arrastem as pessoas. Parte disso, é verdade, é resultado da mídia batendo o tempo inteiro, mas não é só isso. O PT também cometeu uma série de erros que contribuíram para essa situação.

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“Eles vão tentar prender Lula porque são burros e não tem noção da dimensão internacional dele. Aquele juiz lá de Curitiba é muito arrogante e a arrogância cega as pessoas”.

Sul21: Existe dentro do PT a expectativa da candidatura do Lula em 2018. Nesta última sexta-feira, a Polícia Federal anunciou o indiciamento do ex-presidente. Como você vê essa situação. Acha que tentarão mesmo prender Lula?

Gilberto Bercovici: Eles vão tentar porque são burros e não tem noção da dimensão internacional do Lula. Além da importância que tem dentro do país, Lula é muito respeitado internacionalmente. Se prenderem ele, vai virar uma espécie de Mandela e pode acabar ganhando o Prêmio Nobel da Paz. Talvez a reação internacional seja mais forte que a nacional. Vão criar um mártir. Seria muita burrice. Mas aquele juiz lá de Curitiba é muito arrogante e a arrogância cega as pessoas.

Sul21: Há quem diga que, confirmado o afastamento da Dilma, a Lava Jato estaria se encaminhando para o seu término. Qual sua opinião sobre isso?

Gilberto Bercovici: A delação da Odebrecht parece que pega todo o sistema político, pega PSDB, PMDB, PP, praticamente todo mundo. Isso criou uma disputa sobre o próprio futuro da Lava Jato. O que me parece é que uma parte dos procuradores do Ministério Público quer seguir em frente, até porque eles estão se sentindo os donos da República. Só que o PMDB não é o PT. O PMDB é profissional, assim como o PSDB. Esses dois partidos não vão ficar na mão dos procuradores. Vão fazer alguma coisa, não sei bem o que, para não ficar na mão deles. Vocês já pegaram o PT. Que bom. Agora, tchau! Eu também duvido que o Eduardo Cunha seja cassado. É uma desfaçatez e um cinismo sem limites. Isso é algo que tem me deixado muito irritado nos últimos dias. É tanta coisa junta que você até perde o ânimo.

Ao mesmo tempo, houve erros importantes cometidos. A presidente da República levou praticamente seis meses para escrever uma carta. Eu, juntamente com outros colegas, chegamos a propor, três meses atrás, algumas medidas judiciais para o José Eduardo Cardoso, inclusive questionando a constitucionalidade da lei do impeachment. Nada foi feito até que, nesta última semana, ele manifestou interesse em ingressar com a ação. Agora não dá mais, né? O Supremo não vai dar uma liminar agora.

Sul21: Na sua avaliação, esse processo de violação de preceitos constitucionais que vem ocorrendo nos últimos meses pode ter uma repercussão mais duradoura e profunda na sociedade?

Gilberto Bercovici: Sim, pode. As pessoas não estão se dando conta de que o Moro está criando escola. Há juízes e procuradores desprezando garantias individuais em uma série de situações, o que, antes, não tinham coragem de fazer. Isso já está virando uma prática, o que é algo muito complicado. As pessoas ficam contentes que o Marcel Odebrecht está na cadeia, que o Lula pode ir para a cadeia, etc. Só não percebem que isso vai afetar todo mundo. Todos vão estar a mercê de um poder sem controle e que pode decidir sobre a liberdade de cada um de nós. Um poder que quer assumir o papel de justiceiro, com um Congresso absolutamente torto. Qualquer lei que sai desse Congresso é um desastre. É um negócio incrível. Aprovaram agora essa lei das estatais que, em primeiro lugar, é inócua, pois não serve para nada e, além disso, é mal redigida, com erros técnicos grosseiros e conceitos errados. Todas as leis aprovadas neste Congresso estão saindo assim. Ou seja, temos um poder Legislativo que não legisla e, quando legisla, é melhor que não o faça.

Para você ter uma ideia de como as coisas andam com as nossas garantias individuais, o nosso Código Penal é de 1940 e sofreu uma reforma grande nos anos 80. O modelo é inspirado no código italiano, que era o código do Mussolini. Se olharmos o nosso código hoje e o projeto de novo código penal que está sendo feito no Congresso, Mussolini se torna um grande defensor da liberdade humana. O código inspirado no de Mussolini é mais liberal do que este que o Congresso quer aprovar agora. Está à direita de Mussolini. Eles nem parecem saber o que está fazendo. Agem movidos pelo “clamor popular”. Devia ser proibido fazer leis sob clamor popular.

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“O STF e o STJ têm 30 anos de jurisprudência de garantia dos direitos individuais. Sempre foram cortes garantistas. De repente, do dia para a noite, eles mudaram de posição?” (Foto: José Cruz / ABr)

Sul21: É possível esperar alguma coisa do STF em termos de um contraponto a esse movimento inspirado no juiz Sérgio Moro e no chamado “clamor popular”?

Gilberto Bercovici: Não. Nada. O STF só vai aparecer se começarem a surgir no Congresso projetos restritivos em termos de costumes, relacionados ao Estatuto da Família, à homofobia e coisas deste gênero. A bancada evangélica vem tentando aprovar projetos nesta área no Congresso. Não sei se eles têm tanta força assim. Aí o STF pode aparecer e derrubar esse tipo de legislação.

Sul21: Na tua opinião, o STF, ou parte dele ao menos, desempenha um papel protagonista no golpe?

Gilberto Bercovici: Com certeza. Parte do STF está envolvida nisso. Não tenho a menor dúvida. Eles jogam direitinho. Não digo todos os ministros, mas alguns deles com certeza estão envolvidos. E o clamor público que, na verdade, é um falso moralismo, e a mídia inibem os demais. Além disso, há um problema comum aos tribunais superiores. Todo mundo no meio jurídico sabe que os tribunais superiores têm problemas relacionados a acessos privilegiados para certas pessoas. Talvez haja um temor de que essas relações sejam expostas.

Sul21: No ambiente acadêmico do Direito, há hoje uma capacidade de reação ao que vem acontecendo no sistema de justiça do país?

Gilberto Bercovici: Há uma reação, mas ela é minoritária. O que temos hoje é uma minoria que faz barulho. A maioria não está nem aí. Posso falar pela minha querida faculdade do Largo de São Francisco que está festejando mais um presidente saído de lá. Estão achando o máximo. Há alguns professores tentando fazer alguma coisa. Fizeram um livro sobre o golpe, produziram um abaixo assinado, mas nada muito além disso.

Sul21: Em resumo, o cenário que vê pela frente para este próximo período parece oscilar entre o pessimismo e o sombrio…

Gilberto Bercovici: Posso estar enganado, mas não vejo boas perspectivas no horizonte. Pode ser que, uma vez afastada a Dilma e o PT, eles comecem a brigar entre si. Acho que esse bloco não é monolítico nem coeso, mas sim uma aliança conjuntural de oportunistas, que podem começar a brigar entre si. Aí pode haver uma oportunidade de as coisas melhorarem um pouco ou de ao menos não conseguirem aprovar determinadas propostas mais absurdas como essa de limite do gasto público. Essa proposta suspende a Constituição por 20 anos. É uma lei de exceção, como a lei que os nazistas fizeram em 1933. Eles acabaram com a Constituição de Weimar assim.

Sul21: Na tua opinião, nós já estamos vivendo um estado de exceção?

Gilberto Bercovici: Sim, desde a votação na Câmara dos Deputados. Não é uma ditadura tradicional, mas é um regime de exceção sim, que vem tomando uma série de medidas para subverter a própria ordem constitucional. Como é possível ter um governo que chegue ao poder por meio de uma conspiração e que fique subvertendo a Constituição com a desculpa do equilíbrio fiscal. Onde está escrito na Constituição que pagar mais juros para banco vem na frente de garantir educação e saúde? Isso está escrito em algum lugar. Na minha não está. Pode ser que a minha edição seja antiga. Estamos vivendo sob um obscurantismo. Esse golpe parlamentar é um retrocesso gigantesco em nossa história que levará muito tempo para ser corrigido e gerará determinadas mágoas em setores da sociedade que levarão décadas para resolver.

Toda aquela ideia de conciliação foi por terra, para não falar da desvalorização da democracia. Você pode ganhar a eleição, mas se você não tem o presidente da Câmara, não governa. O que garante que determinados grupos sociais seguirão defendendo a participação em eleições e a democracia se as regras do jogo são subvertidas na cara dura, sem qualquer disfarce, ao vivo na televisão, na frente de todo mundo. Os militares tinham mais prurido.

Sul21: Recentemente ocorreu, em Goiás, a prisão de militantes do MST que foram acusados de integrar uma “organização criminosa”. Parece que esse tipo de “argumento jurídico” vem crescendo no Judiciário e no Ministério Público. Qual a dimensão disso?

Gilberto Bercovici: Estão se sentindo acima do bem e do mal. Tem coisas que as pessoas não sabem e precisam saber. O Judiciário brasileiro é o mais caro do mundo. O Brasil gasta 1,3% do PIB com o Poder Judiciário. Os Estados Unidos, um país de tamanho parecido com o nosso, gasta algo em torno de 0,3% do PIB com o Judiciário. Nenhum país do mundo gasta o que nós gastamos com o Judiciário. Não são todos, mas há juízes se aposentando com 80 ou 100 mil reais. Querem fazer Reforma da Previdência? Por que não começam com a dos juízes e dos promotores? Claro que não, vão fazer reforma na Previdência de quem ganha menos de 5 mil reais, algo em torno de 80% do funcionalismo. O Rio de Janeiro e o Rio Grande do Sul não estão pagando o salário do funcionalismo, ou estão pagando parcelado, mas estão pagando direitinho para juízes e promotores, né?

Isso para não falar do fato de que a Lava Jato está destruindo a nossa economia. O setor de engenharia foi para o buraco e a indústria naval foi destruída. Ainda não conseguiram destruir a construção civil, mas estão tentando. Estão agindo como uma casta que acha que o país é deles. Parecem querer que o Brasil volte a ser uma fazenda gigante e uma mina gigante. E, para trabalhar numa mina, você não precisa ter grande formação. É só saber capinar e cavar buraco mesmo. Não precisa de universidade, não precisa de cultura nem de educação.

Sul21: Na sua avaliação, há uma ação articulada entre o grupo do juiz Sergio Moro e outros setores do Judiciário, Ministério Público e Polícia Federal que trabalham em torno da Lava Jato para atingir determinados objetivos políticos?

Gilberto Bercovici: Não sei se chega a tanto, mas que eles têm articulação isso tem. Até porque o que eles fazem só é possível com a anuência dos órgãos superiores. O STF e o STJ têm 30 anos de jurisprudência de garantia dos direitos individuais. Sempre foram cortes garantistas. De repente, do dia para a noite, eles mudaram de posição? Agora é possível prender depois da segunda instância e restringir uma série de liberdades? Como foi essa mudança? Quem decidiu? É medo da mídia e do clamor popular? É mudança do perfil da corte? Estamos falando de 30 anos de jurisprudência, até mais. Mudaram assim do nada e ninguém sabe explicar por quê.

É uma demanda da sociedade? Se depender da demanda da sociedade, todo mundo vai ser linchado em praça pública. Se é isso que querem, tudo bem, mas vai valer para todo mundo. Valerá para juiz também ser linchado no meio da rua. É isso que estão querendo?

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Mansão de donos da Globo é alvo da Lava Jato no esquema Mossack Fonseca https://www.ocafezinho.com/2016/02/12/mansao-de-donos-da-globo-e-alvo-da-lava-jato-no-esquema-mossack-fonseca/ https://www.ocafezinho.com/2016/02/12/mansao-de-donos-da-globo-e-alvo-da-lava-jato-no-esquema-mossack-fonseca/#comments Fri, 12 Feb 2016 16:42:10 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=37220 92 Comentários 🔥]]> Documentos ligam obra ilegal dos Marinho a empresas investigadas por outras operações suspeitas. Será curioso assistir a William Bonner noticiando uma operação da PF na mansão dos Marinho

por Helena Sthephanowitz, para a RBA

A mansão de praia construída ilegalmente em área de preservação ambiental em Paraty, da família Marinho, dona da TV Globo, tem documentos em nome de uma empresa que, em cuja cadeia societária, encontram-seoffshores investigadas na Operação Lava Jato e na Operação Ararath, da Polícia Federal. O imóvel dos Marinhos, portanto, tecnicamente, só não está no nome dos donos de fato. Situação mais grave que a do processo de compra do tríplex no Guarujá, que tentaram erroneamente atribuir ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em busca da produção de notícias desgastantes para sua figura política.

Segundo reportagem do Diário do Centro do Mundo, a mansão está em nome da empresa Agropecuária Veine, tendo como sócio-administrador Celso de Campos. A Secretaria de Patrimônio da União confirma a ocupação de três terrenos litorâneos da União por esta empresa na área onde está a mansão, o maior deles na certidão abaixo.

Nos dados abertos da Receita Federal, a Agropecuária Veine tem como endereço um apartamento residencial no Rio de Janeiro, em Copacabana, e tem no quadro de sócios outra empresa: a Vaincre LLC, domiciliada no exterior, cujo representante legal por procuração é Lucia Cortes Rosemburge, ex-funcionária do INSS, aposentada em 2008, salvo homônimo.

A Vaincre LLC tem CNPJ registrado, mas chama atenção o endereço incompleto no cadastro desde 2005, onde nem sequer informa a cidade, estado e país. Também não tem telefone nem e-mail de contato. E não tem informações sobre o quadro de sócios. Tudo isso dificulta entregar notificações judiciais, autuações administrativas ou operações de busca e apreensão, se necessárias.

Mas descobrimos que o endereço é de Las Vegas, no estado de Nevada, nos Estados Unidos.

O endereço da Vaincre LLC – 520, S7TH Street, Suite C, Las Vegas, Nevada (EUA) – é exatamente o mesmo da Murray Holdings LLC, a empresa offshore dona de um apartamento tríplex no Guarujá, no edifício em que o ex-presidente Lula quis comprar apartamento e desistiu, levando a mídia tradicional a produzir a onda de boatos de que ele seria dono. Os reais proprietários do apartamento, que nada tem a ver com o ex-presidente, foram alvo da 22ª fase da Operação Lava Jato, chamada de Triplo-X.

Além das duas empresas terem o mesmo endereço em Las Vegas, têm o mesmo representante legal e o mesmo gestor. A Vaincre LLC da mansão dos Marinho e Murray Holdinds LLC do Guarujá tem como representante legal a MF Corporate Service e tem como gestora a Camille Services SA, uma offshore no Panamá, cujo endereço é uma “P.O.box” (caixa postal) de número 0832-0886.

A Camille Services SA tem entre seus dirigentes Francis Perez, Leticia Montoya e Katia Solano, nomes citados no escândalo de suposta lavagem de US$ 100 milhões do ex-presidente da Nicarágua Arnoldo Alemán (1997-2002) e da Fundação Voyager, sediada na Costa Rica.

A MF Corporate Service é uma empresa do Grupo Mossack Fonseca, investigado nos Estados Unidos por suspeita de lavagem de dinheiro e no Brasil, antes da Lava Jato, na Operação Ararath, cujas empresas envolvidos estão no quadro abaixo, com o mesmo endereço, mesmo representante legal e mesmo administrador usado no esquema da mansão.

Agora não há como o Ministério Público Federal e a Polícia Federal deixarem de investigar o uso de offshoressuspeitas em paraísos fiscais para adquirir esta mansão, no mesmo esquema usado nas operação Triplo-X e Ararath, com o agravante de estar edificada em terreno da União e de ter desmatado área bem maior do que a lei permite.

Será curioso assistir como o apresentador William Bonner noticiará uma operação da Polícia Federal na mansão dos Marinho.

Há uma justiça poética nesta história. O Jornal Nacional e a revista Época fizeram reportagens acusatórias e improcedentes, típicas de assassinato de reputação, alimentando-se de boatos de que o ex-presidente Lula estaria ocultando patrimônio. Isso ignorando documentos que já provavam serem completamente falsas tais acusações. Agora, quem pode estar ocultando patrimônio de fato é alguém no caso da mansão. Afinal, por que montar uma complexa estrutura societária, com empresas aparentemente de fachada, passando por empresas em paraísos fiscais – que ocultam os verdadeiros donos – em vez de colocar em nome de alguma das empresas do Grupo Globo ou das pessoas físicas titulares do imóvel?

No popular, podemos dizer que atiraram no ex-presidente Lula e acertaram, sem querer, nos pés da família Marinho.

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Arthur Virgílio: ‘É hora de sair da pauta do impeachment’ https://www.ocafezinho.com/2016/02/04/arthur-virgilio-e-hora-de-sair-da-pauta-do-impeachment/ https://www.ocafezinho.com/2016/02/04/arthur-virgilio-e-hora-de-sair-da-pauta-do-impeachment/#comments Thu, 04 Feb 2016 18:21:50 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=37019 26 Comentários 🔥]]> Uma das principais lideranças do PSDB, o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio, pulou definitivamente fora da canoa do impeachment – a pauta única do senador Aécio Neves (PSDB-MG); “Alguém quer criticar o governo, critique o governo, alguém quer elogiar o governo, elogie o governo, mas precisamos sair dessa pauta do impeachment, que paralisa o País, o Congresso e qualquer força criadora que nós possamos ter”, disse; Virgílio participou do anúncio do novo ciclo do Plano de Ações Articuladas (PAR) para as escolas da região com o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, que também mandou recados importantes: “a oposição não pode querer o ‘quanto pior, melhor’, nem ficar com essa atitude revanchista em relação ao passado, em relação à eleição. Acabou a eleição, o Brasil continua”

no Brasil 247

O prefeito de Manaus, Arthur Virgílio (PSDB), discursou contra a “pauta do impeachment” durante evento na capital amazonense com a participação do ministro da Educação, Aloizio Mercadante, nesta quarta-feira 3. Os dois defenderam diálogo e “agenda positiva” entre governo e oposição para tirar o Brasil da crise.

Arthur Virgílio disse que “o Brasil não pode permitir que o ano de 2015, que foi infeliz, que o ano de 2016, que está sendo infeliz, que esses dois anos de crise contaminem negativamente 2017 e 2018 porque o Brasil não aguenta passar quatro anos em recessão”. Ele ressaltou que “está na hora de fazermos um pacto nacional, em cima de projetos, propostas que são capazes de tirar o Brasil dessa crise”.

“Se não sairmos dessa história de impeachment e de não impeachment… alguém quer criticar o governo, critique o governo, alguém quer elogiar o governo, elogie o governo, mas precisamos sair dessa pauta do impeachment, que paralisa o País, paralisa o Congresso, paralisa qualquer força criadora que nós possamos ter”, discursou o tucano.

Ao agradecer a presença de Mercadante, o prefeito ressaltou que os dois, sempre em campos opostos, e às vezes com “muitas divergências”, construíram “um respeito mútuo em que foi possível dialogar”. O ministro esteve na capital para anunciar o novo ciclo do Plano de Ações Articuladas (PAR) para as escolas da região e promover uma reunião sobre o Programa Nacional de Alfabetização na Idade Certa.

Em sua fala, Mercadante disse estar “muito comprometido” com a proposta de Arthur Virgílio, que mesmo sendo “uma voz combativa na oposição”, sempre dialogou com quem esteve do outro lado, a exemplo dele mesmo. “Essa é a beleza da democracia”, comentou.

O ministro disse ainda que “a oposição não pode querer o ‘quanto pior, melhor’. Porque quem paga essa conta é todo o povo brasileiro, principalmente os que mais precisam”. Ele elogiou a proposta de “agenda positiva” mencionada pelo tucano.

“Precisamos de propostas que ajudem a resolver os problemas da sociedade, que se avance para frente e não fique com essa atitude revanchista em relação ao passado, em relação à eleição. Acabou a eleição, o Brasil continua e nós precisamos trabalhar juntos”, afirmou.

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Notas anti-apocalípticas: Brasil dá um show nas metas do milênio https://www.ocafezinho.com/2015/12/10/notas-anti-apocalipticas-brasil-da-um-show-nas-metas-do-milenio/ https://www.ocafezinho.com/2015/12/10/notas-anti-apocalipticas-brasil-da-um-show-nas-metas-do-milenio/#comments Thu, 10 Dec 2015 17:57:06 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=34722 53 Comentários 🔥]]> Segue uma notícia que o oligopólio da mídia não debate: as “Metas do Milênio”. O motivo? Porque o Brasil deu show.

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As Metas do Milênio

da Agência Câmara

Termina agora, em dezembro, o prazo para 191 nações (entre elas, o Brasil) cumprirem as chamadas “metas do milênio”. As 8 metas estabelecidas pela ONU incluem a melhoria de indicadores de pobreza, educação, saúde e meio ambiente, em comparação com o ano de 1990. A avaliação da ONU é positiva: até mesmo os países mais pobres fizeram progressos. Na reportagem especial desta e da próxima semana, vamos fazer um balanço dos resultados do Brasil. Neste primeiro capítulo, a repórter Verônica Lima explica as metas e seus indicadores.

O balanço da atuação do Brasil em relação aos objetivos do milênio é positivo. O País atingiu quase todas as metas e ainda se impôs desafios além daqueles propostos pela ONU. Na verdade, o mundo todo está um pouco melhor graças aos esforços em torno das metas de desenvolvimento do milênio. Quem diz isso não sou eu, claro, é a Ieva Lazareviciute, do PNUD, Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento.

“A adoção dos ODM foi um grande avanço no sentido de ajudar a focar os esforços em algumas metas concretas. Até então se observava que o pessoal estava trabalhando muito com a temática sem necessariamente conseguir focar e estrategiar para onde tem que ser direcionado o investimento ”.

Mas isso não quer dizer que estejamos vivendo num mundo cor-de-rosa. Em todas as metas há muito, mas muito ainda a ser feito. Mesmo porque, na maioria dos casos, as metas eram muito básicas, buscando oferecer apenas condições mínimas para uma existência digna, como acesso a água, alimento e até banheiro. Quem fala disso é o Rafael Osório, do Centro Internacional de Políticas para o crescimento inclusivo do Ipea. O Ipea, Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, esteve envolvido com os relatórios de acompanhamento das metas que o Brasil produziu ao longo dos 15 anos dos Objetivos do Milênio. Ao todo foram cinco relatórios, sendo o mais recente, de maio de 2014. E os resultados que vamos apresentar ao longo da série de reportagens estão nesse último relatório e também em um relatório da ONU divulgado em julho de 2015. Bem, vamos, primeiro, ouvir primeiro a ressalva que o Rafael faz sobre as metas.

“Esses indicadores são feitos para serem comparados e levantados no maior número de países possível para a maior parte da população mundial possível. E aí a gente tem que lembrar que há países que estão muito aquém do nível de desenvolvimento do nosso ainda e que não têm muita capacidade estatística, produção regular de dados. Então você tem que manter essas medidas num nível um tanto quanto rudimentar para você poder garantir que você vai conseguir tê-las num maior nível de países do mundo e que você vai conseguir compará-las em alguma medida. Então coisas mínimas são essas: não viver com menos de 1,25 por dia”.

O exemplo da pobreza extrema é mesmo muito bom para entender até onde os objetivos do milênio queriam chegar. A primeira meta era: reduzir pela metade o número de pessoas vivendo com menos de 1,25 dólar por dia. Em 2012, isso correspondia a 71 reais por mês. Estamos falando, portanto, de um mínimo de sobrevivência.

Mas isso não quer dizer que o Brasil tenha se contentado com os mínimos. Em muitos casos, o País se impôs metas muito mais ambiciosas ou metas específicas para a sua realidade. Ainda falando sobre a fome: a meta era reduzir a pobreza extrema à metade do nível de 1990. Essa meta, o Brasil alcançou em 2005. A partir daí, foi estabelecendo metas cada vez menores, chegando em 2015 com um sétimo do que tinha em 1990. Além disso, segundo o Rafael Osório, do Ipea, houve avanço também em outras faixas de renda.

A linha de pobreza que melhor capta esse movimento de melhoria é consideravelmente mais alta: é a linha de quatro dólares por dia. Tinha muita gente e tem muita redução. (…) Importante é ver a tendência, e a tendência é de queda constante da pobreza. O Brasil deu um salto em termos de renda na década passada que foi uma coisa impressionante, nosso padrão de vida passou para outro patamar”.

milenio-objetivos

As 8 metas do milênio estabelecidas pela ONU no ano 2000. O Brasil atingiu todas

Agora, para contextualizar e entender os objetivos do milênio, é preciso dar mais uma explicação: a meta era melhorar os indicadores sociais em relação ao ano de 1990. Por exemplo: em 1990, 1,9 bilhão de pessoas vivam em condições de extrema pobreza. Em 2015, o número havia caído para 836 milhões. Portanto, a meta de reduzir pela metade a extrema pobreza foi batida. Ainda assim, uma em cada oito pessoas no mundo vive em extrema pobreza. São 14% da humanidade! Mas antes tínhamos metade da população mundial nessas condições. Portanto, quando o passivo é muito grande, qualquer avanço, ainda que em níveis mínimos, traz impactos positivos.

É o que defende a deputada Margarida Salomão, do PT mineiro. Ela dá o exemplo da educação, em que há críticas sobre a imposição de metas apenas quantitativas, ou seja, que tratam apenas do acesso à escola, sem exigir melhorias relacionadas à qualidade do ensino.

“O avanço quantitativo no Brasil não é uma conquista trivial, porque nós somos um país tardio na postulação de metas educacionais. Em 1950, metade da população era analfabeta. Esses avanços que nós hoje acumulamos decorrem em grande parte da redemocratização brasileira, em que o movimento da sociedade colocou o acesso a educação como meta prioritária. Evidentemente, quando você muda a quantidade, você muda a qualidade, não necessariamente para pior”.

Resumindo: as metas do milênio foram um bom começo, mas a caminhada ainda será muito longa até termos o mundo com que todos sonhamos.

Produção — Lucélia Cristina e Cristiane Baker

Trabalhos técnicos — Carlos Augusto de Paiva

Edição — Marcio Sardi

Reportagens — Verônica Lima

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Desmatamento na Amazônia tem maior queda em 23 anos https://www.ocafezinho.com/2012/06/05/desmatamento-na-amazonia-tem-maior-queda-em-23-anos/ https://www.ocafezinho.com/2012/06/05/desmatamento-na-amazonia-tem-maior-queda-em-23-anos/#respond Tue, 05 Jun 2012 21:21:52 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=6031 05 de Junho de 2012 às 15:28

Blog do Planalto- A presidenta Dilma Rousseff anunciou hoje (5), durante cerimônia de comemoração do Dia Mundial do Meio Ambiente, que a Amazônia Legal teve a menor taxa de desmatamento desde 1988, quando o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe/MCTI) começou a fazer a medição. De acordo com a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, 81,2% da floresta original encontram-se conservadas.

“A ministra Izabella mostrou que mais de 80% da vegetação original da Amazônia permanece intacta e também que entre 2004 e 2011 o desmatamento na região sofreu uma queda de 78%. Essa redução é impressionante, é fruto de mudanças na sociedade, mas também ela é fruto da decisão política de fiscalizar e ao mesmo tempo da ação punitiva dos órgãos governamentais”.

Durante a cerimônia, Dilma Rousseff assinou decretos de criação do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Paranapanema, da Reserva Biológica Bom Jesus, no Paraná, e do Parque Nacional Furna Feia, no Rio Grande do Norte. A presidenta também ampliou as áreas do Parque Nacional do Descobrimento, na Bahia; da Floresta Nacional Araripe-Apodi, no Ceará; e da Floresta Nacional Goytacazes, no Espírito Santo. Outro decreto assinado por Dilma torna sustentáveis as compras públicas governamentais.

Também foi anunciado um plano de ação com o objetivo de reduzir a mortalidade infantil e materna da população indígena, com atendimento voltado para crianças de até 6 anos e mulheres de 10 a 49 anos. Ao anunciar o plano, Dilma afirmou que é preciso dar um tratamento especial à questão da saúde indígena.

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Confira mais notícias no site do Inpe. Há um histórico aqui desde 1988.

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Dilma estuda vetar texto integral de lei florestal https://www.ocafezinho.com/2012/05/08/dilma-estuda-vetar-texto-integral-de-lei-florestal/ https://www.ocafezinho.com/2012/05/08/dilma-estuda-vetar-texto-integral-de-lei-florestal/#respond Tue, 08 May 2012 15:21:14 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=5078 Por Claudio Angelo, Natuza Nery, Kelly Matos e Valdo Cruz
Para Folha de S. Paulo

08/05/12 – A presidente Dilma Rousseff estuda vetar na íntegra o Código Florestal aprovado pela Câmara e regulamentar por medida provisória a recuperação de florestas em beira de rio de modo a beneficiar agricultores familiares.

O texto do deputado federal Paulo Piau (PMDB-MG), aprovado no último dia 25, foi protocolado ontem no Planalto. Dilma tem até o dia 25 para se manifestar sobre ele.

A ministra Izabella Teixeira (Meio Ambiente) inicialmente pediria à presidente que vetasse só as chamadas disposições transitórias, nas quais, segundo o governo, ficou configurada a anistia a quem desmatou ilegalmente.

Dilma, porém, considerou que trechos importantes do texto aprovado pelo Senado foram suprimidos, o que tornaria pouco efetivo vetar só trechos do projeto de Piau.

Há uma tendência no governo de baixar uma medida provisória com a chamada “escadinha”, ou seja, um escalonamento das faixas de recuperação de florestas de acordo com o tamanho da propriedade.

Organizações de pequenos agricultores não estão satisfeitas com a previsão de que os minifúndios tenham de recuperar 15 metros de suas áreas de preservação permanente -querem que seja uma área menor.

O governo está de olho também nos dividendos eleitorais da rejeição ao texto de Piau. A campanha “Veta Tudo, Dilma” virou uma febre na internet semana passada.

O veto teria ainda a função de mandar um recado ao PMDB, que desafiou o Planalto ao aprovar um texto considerado desequilibrado em favor dos ruralistas.

A repercussão internacional negativa da reforma do código tem preocupado Dilma, que precisa atrair o maior número possível de chefes de Estado à Rio+20, em junho.

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O dilema ambientalismo X progresso https://www.ocafezinho.com/2011/12/01/o-dilema-ambientalismo-x-progresso/ https://www.ocafezinho.com/2011/12/01/o-dilema-ambientalismo-x-progresso/#respond Thu, 01 Dec 2011 23:38:54 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=1806

A discussão sobre o Código Florestal, que ainda tramita no Congresso Nacional, sofre dos mesmos males que já foram percebidos no debate sobre a usina de Belo Monte. Muita emoção, pouca informação. Já escrevi vários artigos sobre o tema no Óleo do Diabo. Sou obviamente contra o desmatamento, e compreendo que o equilíbrio ecológico é um imperativo categórico da existência humana. E mais: sendo o Brasil um país não apenas com uma “vocação agrícola”, mas diante das atuais circunstâncias globais, com uma “obrigação agrícola”, um código florestal que proteja rigorosamente a natureza é fundamental inclusive para evitar que o nosso potencial agrícola seja afetado por desequilíbrios ambientais decorrentes da falta de planejamento ecológico e desrespeito à natureza.

O que realmente me incomoda é a ignorância de muita gente em relação à importância da produção agrícola brasileira no contexto da segurança alimentar global.

Não é honesto discutir o problema do agronegócio sem considerar esse fator: que a vida de bilhões de seres humanos hoje dependem do que se produz nas lavouras brasileiras, e sobretudo em suas áreas mais comerciais.

Então quando eu leio gente depreciar, em tom de desprezo, a importância da soja brasileira dizendo que ela serve apenas para alimentar porcos na China, eu fico aborrecido com a ausência total de bom senso no debate: ora, por acaso os chineses criam porcos por hobby? Em primeiro lugar, a soja é um dos vegetais com maior conteúdo proteico, servindo maravilhosamente para o consumo humano. Em segundo, ela entra, de fato, como componente da ração de suínos, que é o principal tipo de carne consumido na China. E os suínos são a proteína que garantem a sobrevivência de um bilhão e meio de chineses.

No Brasil, é a mesma coisa. A soja é o componente mais importante na ração animal. Portanto, quando se come carne no Brasil, está se consumindo soja.

A constatação da importância da soja não significa que devemos permitir o desmatamento para a produção de soja. O Brasil não precisa desmatar mais nada para aumentar, se quiser, em dez vezes a sua produção agrícola.

Para nos dar subsídios para o debate, publico abaixo uma tabela com a área plantada dos principais produtos agrícolas brasileiros.

Por fim, a última pesquisa do IBGE sobre distribuição de renda sepultou o preconceito de que o agronegócio não trazia desenvolvimento sócio-econômico sustentável. No Mato Grosso, principal produtor de soja a queda na desigualdade econômica caiu 40% de 1980 a 2010, em função da economia agrícola.

Confira agora, a título de curiosidade, uma tabelinha com a produção de soja por estado:

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Discutindo Belo Monte https://www.ocafezinho.com/2011/11/16/discutindo-belo-monte/ https://www.ocafezinho.com/2011/11/16/discutindo-belo-monte/#comments Wed, 16 Nov 2011 21:47:40 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=748 Os debates em torno de Belo Monte reacenderam-se em virtude da divulgação de um vídeo onde atores globais protestam contra a usina. Então eu selecionei o melhor post que encontrei sobre o tema.

De(s)cu(l)pando Belo Monte

Posted on 7 setembro 2011 by 

Se hoje o cenário para aquele lugar é “as obras já começaram!”, quando (e se) terminarem, a região estará transformada definitivamente. Dentre os graves impactos socioambientais, alguns são irreversíveis e outros não, mas a esperança de ver reverter muitos deles, pouco a pouco vai por água abaixo (sem trocadilho). Atraso, permissividade, ganância e truculência marcam a atuação do Ibama e das empreiteiras, que sempre acabam por varrer os programas de mitigação de impactos para baixo do tapete, restando apenas a obra, símbolo do progresso desmedido, ao melhor do estilo medicista.

Dilma sabe que esse pode ser um calcanhar de Aquiles em seu governo e parece que quer se ver livre disso o mais rápido possível, endossando o atual andar da tratoragem. Alguns artigos defendem que a atual continuada de Belo Monte não é nada mais do que um compromisso de campanha com as grande irmãs, articulado ainda na era Lula, respinga até hoje. A Presidenta já estava à frente dessa articulação na Casa Civil, mas agora é sua gestão que leva o nome dos feitos e mal feitos do governo federal.

Existem dois grandes impactos socioambientais que merecem toda a atenção em relação à construção da usina de belo monte: o caso da Volta Grande do Xingu e o caso da cidade de Altamira e demais estruturas urbanas.

TVR: O projeto prevê que a barragem principal desvie a água do rio pelos canais e só a devolva aonde você vê escrito “Turbinas”. A cidade de Altamira está bem na curva logo acima do texto “Reservatório principal”. Fonte: EIA-RIMA

O primeiro deles, por ser irreversível, é o mais grave e o que vem gerando mais revolta e protestos. A Volta Grande do Xingu – trecho de cerca de 100 km do Rio Xingu entre a barragem principal (Pimental) e as vilas de Belo Monte e Belo Monte do Pontal – está no denominado TVR – Trecho de Vazão Reduzida. Trata-se de um local com geologia única no mundo (Formação Xingu) e por esse motivo tem um ecossistema muito específico. Devido à formação geológica, o rio se divide em diversos pequenos canais que servem de acesso, meio de transporte, fonte de alimento, trabalho e renda para as populações indígenas e ribeirinhas. Esses meandros representam importantes referências simbólicas e patrimônio paisagístico para os habitantes do entorno, que ainda sofrem com a incerteza acerca de quais canais secarão de fato e quais permanecerão perenes.

Sobre a estrutura urbana, teremos o impacto do contingente populacional. Atraídos pelas oportunidades de emprego geradas pela obra e o alagamento de áreas densamente habitadas, estima-se que a região receberá cerca de 100 mil migrantes, entre funcionários diretos e suas famílias, além dos cidadãos em busca de novas oportunidades, diretas ou indiretas.Com a chegada desse grande contingente populacional aliada à população que será relocada, a cidade referência regional Altamira, com aproximadamente 65 mil habitantes, poderá virar do avesso. Após a demarcação das áreas alagáveis pelo lago da represa, mais de 20.000 habitantes (quase um terço da população atual) deverão ser reassentados. A cidade receberá também a vila dos engenheiros com 500 casas (cerca de 2.000 habitantes a mais), que muito provavelmente serão construídas em condomínio fechado. E ainda o tal contingente populacional indireto atraído, destino previsto para mais 40.000 pessoas em cinco anos (período da obra). Feche as contas: crescimento de 65 para mais de 105 mil!

Acontece que mais de 90% das famílias das 5.000 a serem reassentadas são de baixa renda e vivem sobre palafitas nos igarapés afluentes do Xingu; os terrenos planos da cidade estão se esgotando e o preço da terra subindo vertiginosamente; 0% do esgoto da cidade é tratado, lançado diretamente no Rio Xingu e menos de 30% das casas tem água tratada.

No Igarapé Altamira, afluente do Rio Xingu, vivem mais de 13.000 pessoas.

Foto: Fernando Cavalcanti

Infelizmente, o impacto sobre a Volta Grande do Xingu não parece ter mitigação possível. As comunidades indígenas e ribeirinhas não foram devidamente ouvidas e seguem protestando. Não surgiu projeto capaz de aliviar de forma aceitável os impactos sobre os quais vão ser submetidos. No aspecto ambiental, é difícil achar, por exemplo, empresa especializada no manejo da fauna aquática capaz de garantir um sistema eficiente para transposição dos peixes e demais organismos aquáticos sobre a barragem e assim garantir as trocas bióticas que transformam aquele ecossistema em algo único.

O desenvolvimento econômico e o movimento gerado pelas obras, por outro lado, poderiam ser encarados como um paradigma de benefício socioambiental. Dentre os projetos apresentados ao Ibama no Plano Básico Ambiental (que garantiu a tal inédita Licença Provisória de Instalação), está uma visão de como Altamira poderia se tornar a “capital verde” da Amazônia. O plano apresentado, por exemplo, já prevê vetores de crescimento urbano, ou seja, dá diretrizes de possíveis lugares para onde a cidade poderá crescer a partir do reassentamento de um terço de sua população. Propõe o envolvimento entre proprietários de terras, governo municipal e o consórcio da usina para definição de locais de novos loteamentos em espaços que não ofereçam riscos à população e que tenham fácil acesso aos serviços básicos de saneamento, educação e saúde. Os igarapés de onde sairão as famílias poderiam ser recuperados e transformados em grandes reservas ambientais urbanas, parques para recreação, ócio, prática de esportes e educação ambiental dos cidadãos. O plano prevê ainda a instalação de infraestrutura completa de coleta de esgotos e abastecimento de água.

Cidade de Altamira hoje. Fonte: Google Earth

 

Observe que áreas habitadas estão em azul, pois serão alagadas, ou em verde, pois por falta de habitabilidade se tornarão parques. Fonte: FortXingu

Já que a obra está em curso, minha esperança é não ver apenas a obra e sua energia gerada, mas sim ver mais de 40.000 pessoas (tanto a população urbana quanto a rural) serem retiradas da situação de extrema vulnerabilidade social para uma situação digna, vivendo em uma região dinâmica e estruturada.

Ainda que as chances de ver esses projetos executados sejam pequenas, os envolvidos nos movimentos que legitimamente insistem em barrar as obras que me perdoem, mas se o cenário pintado acima vingasse, eu desculparia Belo Monte.

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O estranho silêncio da mídia sobre o vazamento da Chevron https://www.ocafezinho.com/2011/11/16/o-estranho-silencio-da-midia-sobre-o-vazamento-da-chevron/ https://www.ocafezinho.com/2011/11/16/o-estranho-silencio-da-midia-sobre-o-vazamento-da-chevron/#respond Wed, 16 Nov 2011 14:15:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=708 Reproduzo abaixo um dos últimos posts do blog Tijolaço, do deputado federal Brizola Neto (PDT-RJ). Desde alguns dias, o Tijolaço vem denunciando o estranho silêncio da mídia em relação àquele que parece ser um dos maiores acidentes ecológicos ocorridos na costa brasileira. As marés e os ventos estão levando o petróleo para longe do litoral, mas e se não tivéssemos esta sorte? Como lidaríamos com uma tragédia desse porte? De qualquer forma, está faltando, de fato, maiores informações sobre o episódio. Até o momento, não se viu uma entrevista com algum executivo da Chevron, a empresa responsável pelo poço que sofre o vazamento.

Leia abaixo o post do Tijolaço:

Especialista: derrame de óleo pode ser 10 vezes maior

O  site de observação de imagens de satélite Skytruth acaba de publicar uma imagem e uma avaliação sobre a mancha causada pelo vazamento de petróleo do poço da Chevron no Campo de Frade, ao largo do Rio de Janeiro.

E a conclusão do geógrafo John Amos, um ativista ambiental que mantém o site há dez anos é de que:

“A  imagem de satélite  MODIS / Aqua da NASA, acima, foi tirada há três dias. Ela mostra uma mancha de óleo aparente originária do local de perfuração e que se estende por 2.379 quilômetros quadrados (o extremo sul da mancha fica aprisionado em um redemoinho no sentido horário interessante nas correntes oceânicas). De 1 micron de espessura, representa um volume de 628 mil galões (14.954 barris) de petróleo.

Supondo que o vazamento começou ao meio-dia em 8 de novembro (24 horas antes de termos observá-lo em imagens de satélite), estimamos uma taxa de vazamento de pelo menos 157 mil galões (3.738 barris) por dia. Isso é mais de 10 vezes maior do que a estimativa da Chevron de 330 barris por dia.”

 

Amos trabalhou com as coordenadas dos poços enviadas pelo deputado Brizola Neto, pelo twitter, constantes do relatório oficial da ANP sobre as perfurações em andamento e concluídas, que podem ser conferidas aqui.

Hoje, finalmente a ANP divulgou um comunicado em seu site, dizendo que numa reunião de emergência realizada domingo (por que só veio a público hoje?) aprovou-se o plano de emergência apresentado pela Chevron para deter o vazamento e que a diretora da ANP  Magda Chambriard esteve na Sala de Emergência da Chevron acompanhando os trabalhos para conter o vazamento.

Onde fica essa sala de emergência? Quem responde por ela? Em que a empresa baseia suas avaliações? A ANP recebeu fotos da mancha? Tem fotos de satélite dela? Divulgou-as? Ou isso é uma ação privada?

Amanhã, o deputado Brizola Neto vai apresentar um requerimento pedindo a presença dos diretores da ANP e da Chevron para explicar o vazamentio e apresentar as informações que a imprensa não está publicando.

A foto da Nasa é uma prova de que não são  “umas gotinhas” inofensivas, a mancha é imensa. Você pode vero original aqui e a imagem tratada aqui.

Mesmo contra todo o bloqueio da mídia, vamos defender a verdade. Não é mais possível tratar quase que secretamente um vazamento.

A presidenta Dilma Rousseff exigiu uma investigação completa sobre o vazamento. O Tijolaço está fazendo sua parte.

E esperando que as autoridades públicas façam a delas.

 

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