Editorial - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/editorial/ Portal de noticias e análises sobre política brasileira, geopolítica, economia, tecnologia, sempre numa perspectiva democrática, progressista, anti-imperialista e multipolar! Tue, 06 Jan 2026 02:55:51 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://controle.ocafezinho.com/wp-content/uploads/2015/10/cropped-Logo_Cafezinho_tmb-32x32.png Editorial - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/editorial/ 32 32 Pesquisa expõe rejeição popular à ofensiva contra a Venezuela https://www.ocafezinho.com/2026/01/09/pesquisa-expoe-rejeicao-popular-a-ofensiva-contra-a-venezuela/ https://www.ocafezinho.com/2026/01/09/pesquisa-expoe-rejeicao-popular-a-ofensiva-contra-a-venezuela/#respond Fri, 09 Jan 2026 11:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=224071 A guerra que ninguém pediu: quando Washington olha para Caracas e o estadunidense vira o rosto

Há decisões que não cabem apenas nos salões do poder. Algumas batem direto na porta de casa, no bolso e na consciência coletiva. A mais recente investida militar ordenada pela Casa Branca contra a Venezuela é uma delas. Vendida oficialmente como vitória diplomática e jurídica, a captura de Nicolás Maduro não caiu bem entre os próprios americanos. Pelo contrário.

Segundo uma pesquisa da Reuters/Ipsos, apenas 33% da população dos Estados Unidos aprova a operação. O número é baixo. E diz muito. Enquanto o governo celebra, o país suspira, desconfiado. As ruas de Washington, assim como as cidades do interior, parecem repetir a mesma pergunta incômoda: por quê?


Um velho trauma chamado intervenção

Os Estados Unidos conhecem bem o preço das aventuras militares. Iraque, Afeganistão, Líbia. Os nomes mudam, mas o roteiro costuma ser o mesmo. Promessas de libertação, discursos morais e, no fim, instabilidade, mortes e bilhões queimados.

Por isso, não surpreende que grande parte da população enxergue essa ação como mais um capítulo de uma política externa baseada na força. Embora o discurso oficial fale em combate ao narcotráfico, muitos cidadãos reconhecem os ecos de um passado que ainda dói. A pesquisa não mostra apatia. Mostra resistência.

Leia também: Investida militar na Venezuela divide e preocupa os EUA

Além disso, cresce a percepção de que o papel de “polícia do mundo” já não convence como antes. Em tempos de hospitais lotados, estradas em ruínas e desigualdade crescente, gastar energia — e dinheiro — em conflitos externos soa desconectado da realidade.


A polarização que transforma guerra em palanque

Como quase tudo na política americana atual, a guerra também virou disputa ideológica. Os dados revelam um abismo entre republicanos e democratas. Entre os eleitores do partido do presidente, 65% aprovam a ofensiva. Já no campo democrata, o apoio despenca para apenas 11%.

Os independentes, sempre decisivos, seguem cautelosos. Apenas 23% concordam com a ação militar. Esse grupo, em especial, parece rejeitar a narrativa de “justiça” imposta de cima para baixo. Para eles, autodeterminação e diplomacia ainda importam.

Assim, a guerra deixa de ser uma questão de segurança internacional e passa a funcionar como ferramenta eleitoral. Um risco conhecido. E perigoso.


O medo de mais uma guerra sem fim

Há um sentimento que atravessa partidos e classes sociais: o medo. Segundo o levantamento, 72% dos entrevistados temem que os EUA se envolvam profundamente na Venezuela. Não se trata de solidariedade ideológica com Caracas. Trata-se de sobrevivência política e econômica.

A classe trabalhadora sabe quem paga a conta. São seus filhos enviados ao front. São seus impostos bancando ocupações prolongadas. Enquanto isso, escolas fecham e o sistema de saúde pede socorro.

A prisão de Maduro, realizada em Caracas no último sábado, reacendeu fantasmas conhecidos na América Latina. Intervenções externas raramente terminam como planejado. E o risco de uma guerra civil venezuelana amplia ainda mais o temor coletivo.


Petróleo: o elefante no meio da sala

Nenhuma análise fica completa sem falar de petróleo. No domingo, o presidente afirmou que os Estados Unidos precisam de “acesso total” às reservas venezuelanas. A frase caiu como gasolina no fogo do debate público.

Apenas 30% da população apoia o envio de tropas terrestres. Ainda assim, entre republicanos, 59% defendem que os EUA assumam o controle da produção petrolífera. Para muitos críticos, o discurso humanitário desmorona diante desse interesse econômico explícito.

Não é difícil entender a desconfiança. A história latino-americana está repleta de intervenções justificadas por valores universais e concluídas com exploração de recursos. A memória coletiva não esquece tão fácil.


Nem os aliados dormem tranquilos

Mesmo entre os apoiadores do governo, a preocupação cresce. Cerca de 64% dos republicanos temem pelas vidas dos militares envolvidos. Além disso, 54% se mostram inquietos com o impacto financeiro de uma possível ocupação prolongada.

A Casa Branca tenta acalmar os ânimos. Fala em pressão política, não em ocupação permanente. No entanto, o tom beligerante insiste em aparecer. O presidente declarou: “Se eles não se comportarem, faremos um segundo ataque”.

A frase não tranquiliza. Ao contrário. Mantém o país em estado de alerta e reforça a sensação de que o conflito pode escalar a qualquer momento.


O dado que incomoda o poder

A pesquisa ouviu 1.248 adultos em todo o país. A margem de erro é de três pontos percentuais. Mesmo assim, a mensagem é clara. Embora o índice geral de aprovação do presidente tenha subido para 42%, o apoio à guerra continua baixo.

Agir com força pode mobilizar a base no curto prazo. Porém, ignora um clamor crescente por cautela. Resta saber se o governo ouvirá essa maioria silenciosa ou se insistirá em exercer domínio sobre uma nação soberana, desafiando não apenas a Venezuela, mas a própria vontade do povo americano.

Porque, no fim, toda guerra começa longe. Mas sempre termina em casa.

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Sequestro internacional e o retorno do porrete https://www.ocafezinho.com/2026/01/09/sequestro-internacional-e-o-retorno-do-porrete/ https://www.ocafezinho.com/2026/01/09/sequestro-internacional-e-o-retorno-do-porrete/#respond Fri, 09 Jan 2026 07:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=223941 Quando a força tenta atropelar o direito

Há declarações que não passam despercebidas porque dizem mais sobre o mundo do que sobre o fato em si. Foi o que aconteceu quando Celso de Mello, ex-decano do Supremo Tribunal Federal, rompeu o tom protocolar e chamou as coisas pelo nome: a captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos seria, segundo ele, um sequestro armado. Não uma operação jurídica sofisticada, não um gesto civilizatório, mas um crime internacional com consequências imprevisíveis.

A fala, feita ao SBT News, caiu como uma pedrada no lago já turbulento da geopolítica latino-americana. Ondas se espalharam para além da Venezuela. Afinal, quando um país poderoso decide agir fora das regras, o recado não fica restrito ao alvo imediato. Ele ecoa por toda a região — e pelo mundo.

Celso de Mello, ex-ministro do STF.
“Os povos desta região lutaram, pagaram com sangue, para conquistar sua independência e consolidar regimes constitucionais próprios”

A América Latina não é quintal

Celso de Mello não economizou palavras nem memória histórica. Ao comentar a postura dos Estados Unidos, o jurista evocou fantasmas que muitos acreditavam enterrados. Doutrinas antigas, agora recicladas, voltam à cena com verniz militar e discurso de autoridade.

“A pretensão americana de restaurar doutrinas anacrônicas, com roupagem militarizada, constitui desrespeito ostensivo aos povos latino-americanos. A América Latina não é protetorado, tampouco área de segurança nacional de qualquer potência. Os povos desta região lutaram, pagaram com sangue, para conquistar sua independência e consolidar regimes constitucionais próprios, plurais, socialmente sensíveis e vocacionados à paz. Não se podem tolerar novas formas de imperialismo travestidas de doutrina “renovada” (Corolário Trump à doutrina Monroe), muito menos admitir que a História retroceda aos tempos infelizes da política do “big stick”, quando o “porrete” (poder militar) falava mais alto que o Direito Internacional, e a razão jurídica era substituída pelo arbítrio geopolítico”.

O recado é direto. A América Latina não aceita mais ser tratada como zona de influência automática. Não depois de ditaduras, intervenções, golpes e décadas de dependência forçada. Há um limite. E ele se chama soberania.

Quando a força substitui a lei

Ao longo de sua trajetória no STF, Celso de Mello construiu fama de defensor radical do constitucionalismo e do direito internacional. Não surpreende, portanto, que ele veja com extrema preocupação a substituição da diplomacia pela coerção.

Para o ex-ministro, a defesa da soberania vai além do discurso bonito em assembleias internacionais. Trata-se de impor limites reais ao uso da força. Segundo ele, a política externa adotada por Donald Trump ignora a Carta das Nações Unidas e aposta na intimidação como método.

“Nenhuma conveniência repressiva autoriza substituir tratados e acordos de cooperação internacional por sequestro, que constitui ato essencialmente criminoso”.

A frase é dura porque precisa ser. Há mecanismos legais para lidar com conflitos entre Estados: extradição, cooperação jurídica, tribunais internacionais. Ignorar esses caminhos significa instaurar uma lógica perigosa, na qual a lei só vale quando convém aos mais fortes.

Fronteiras para fracos, regras para poucos

Na visão de Mello, esse tipo de ação cria um precedente tóxico. Se um país poderoso pode ignorar fronteiras e acordos, por que outros não fariam o mesmo? O resultado é um mundo mais instável, menos previsível e muito mais violento.

Mesmo reconhecendo que a Suprema Corte dos Estados Unidos possui precedentes que permitem julgar pessoas capturadas ilegalmente, o ex-decano faz uma ressalva crucial: a jurisdição penal não pode agir como se nada tivesse acontecido. O crime inicial — o sequestro — não desaparece por conveniência política.

Aqui, a crítica ganha contornos mais amplos. Não se trata apenas da Venezuela ou de Maduro. Trata-se do princípio de que o direito internacional não pode ser um ornamento descartável.

Leia também: América Latina não é quintal, afirma Celso de Mello sobre Trump

Arrogância imperial e desprezo pelos vulneráveis

Celso de Mello também conecta os pontos. Para ele, a postura externa agressiva caminha lado a lado com uma política interna marcada por hostilidade aos mais frágeis. Imigrantes, refugiados e países periféricos entram no mesmo balaio da indiferença.

Ele aponta a “arrogância imperial” como traço central do trumpismo. Um projeto que despreza compromissos humanitários, ridiculariza soberanias alheias e trata nações menores como peças negociáveis. No lugar de uma ordem multipolar baseada em regras, surge a lógica do “quem pode mais”.

Não é apenas uma crítica ideológica. É um alerta.

O aviso que não pode ser ignorado

Em manifestação feita neste domingo (4), Celso de Mello deixou claro que o episódio pode ser apenas o começo. A ambição por interferir em outros países ocidentais, segundo ele, ameaça o direito básico de cada povo decidir seu próprio destino.

A crônica da semana, portanto, não fala só de um possível sequestro internacional. Ela fala do retorno de um mundo onde o porrete volta a substituir o diálogo. Onde a força tenta calar o direito. E onde a América Latina, mais uma vez, precisa lembrar que sua história não autoriza retrocessos.

Ignorar esse aviso pode custar caro. Muito mais caro do que muitos parecem dispostos a admitir.

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Invasão não derruba a ordem constitucional venezuelana https://www.ocafezinho.com/2026/01/05/invasao-nao-derruba-a-ordem-constitucional-venezuelana/ https://www.ocafezinho.com/2026/01/05/invasao-nao-derruba-a-ordem-constitucional-venezuelana/#respond Mon, 05 Jan 2026 07:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=223877 A posse interina de Delcy Rodríguez pelo Tribunal Supremo de Justiça busca preservar a legalidade diante de uma agressão externa

O mundo assistiu, neste último sábado (3), a um dos episódios mais sombrios da história recente das relações internacionais no Hemisfério Ocidental. A operação militar conduzida pelos Estados Unidos em Caracas, que resultou no bombardeio da capital venezuelana e na captura de Nicolás Maduro, não representa apenas uma ação contra um governo específico, mas um ataque direto ao conceito de autodeterminação dos povos e à legalidade internacional.

A decisão do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) da Venezuela de empossar Delcy Rodríguez como presidente interina é a resposta institucional possível de um Estado que tenta manter sua estrutura mínima de funcionamento sob o fogo cruzado. Enquanto Washington ignora fronteiras e leis internacionais, Caracas busca na sua Constituição o amparo para garantir a continuidade administrativa em meio ao caos provocado por uma intervenção estrangeira.

Leia também: Suprema Corte da Venezuela enfrenta ofensiva dos EUA

O sequestro de um presidente e a afronta democrática

A narrativa apresentada pela Casa Branca tenta revestir de “libertação” o que, na prática, configura-se como um sequestro de Estado. Ao capturar Maduro e sua esposa e levá-los a Nova York em um navio de guerra, os Estados Unidos atropelam séculos de diplomacia e protocolos de imunidade. Independentemente das críticas que se possa fazer à gestão de Maduro, a remoção de um líder político por meio de bombardeios e operações militares externas é um retrocesso que nos remete aos períodos mais obscuros das ditaduras latino-americanas financiadas pelo Norte.

Delcy Rodríguez, ao assumir o cargo, foi enfática: a Venezuela não é, e não aceitará ser, uma colônia. Sua convocação à resistência não é apenas um grito partidário, mas um apelo à preservação da soberania nacional face a uma potência que, mais uma vez, utiliza a força bruta para moldar o destino de seus vizinhos ao sul.

A ressurreição da Doutrina Monroe no século 21

O pronunciamento de Donald Trump em Mar-a-Lago não deixou margens para dúvidas sobre as reais intenções por trás da operação. Ao invocar explicitamente a Doutrina Monroe — uma política de dois séculos atrás criada para consolidar a hegemonia norte-americana na região —, o governo dos EUA removeu a máscara da “ajuda humanitária”. A afirmação de que o domínio americano no Ocidente “nunca mais será questionado” é um aviso ameaçador a todos os países da América Latina.

O plano de Washington de designar um “grupo” de alto escalão para administrar a Venezuela é o ápice do desrespeito institucional. A ideia de que uma nação estrangeira pode simplesmente “assumir o governo” de outra até que decida o momento de uma transição é a negação absoluta de qualquer princípio democrático. É uma tutela colonial imposta sob o pretexto da liberdade.

O pragmatismo cínico e o desprezo pela oposição interna

Surpreende, mas não choca, a forma como Trump descartou figuras da oposição venezuelana que há anos serviam aos interesses de Washington. Ao afirmar que María Corina Machado — laureada com o Nobel da Paz — não possui respeito ou apoio interno para governar, Trump revela que a intervenção nunca foi sobre restaurar a vontade popular venezuelana, mas sobre conveniência geopolítica.

A indicação de que o secretário de Estado, Marco Rubio, já mantém diálogos com a própria Delcy Rodríguez demonstra um pragmatismo cínico. Os Estados Unidos parecem dispostos a negociar com qualquer peça do tabuleiro, desde que o controle final sobre os recursos e a política da região permaneça em suas mãos.

A defesa da soberania como única via

A resistência convocada por Rodríguez, apoiada pelo presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, e por ministros das pastas estratégicas, coloca o povo venezuelano diante de um desafio hercúleo: defender o território e a dignidade nacional contra o maior poder militar do planeta.

O que está em jogo na Venezuela hoje não é apenas o futuro de um partido ou de um líder, mas a própria existência da soberania na América Latina. Se o mundo aceitar passivamente que bombardeios e sequestros de governantes são ferramentas legítimas para a “transição de poder”, nenhuma nação do Sul Global estará verdadeiramente segura. A história cobrará daqueles que, sob o silêncio ou o aplauso, permitiram que a barbárie imperialista voltasse a ditar as regras em nosso continente.

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A visão do The Guardian sobre Israel e Gaza: Trump pode acabar com esse horror. A alternativa é impensável. https://www.ocafezinho.com/2025/05/13/a-visao-do-the-guardian-sobre-israel-e-gaza-trump-pode-acabar-com-esse-horror-a-alternativa-e-impensavel/ https://www.ocafezinho.com/2025/05/13/a-visao-do-the-guardian-sobre-israel-e-gaza-trump-pode-acabar-com-esse-horror-a-alternativa-e-impensavel/#respond Tue, 13 May 2025 10:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=208595 O presidente dos EUA tem a influência necessária para forçar um cessar-fogo. Caso contrário, sinalizará implicitamente a aprovação do que parece ser um plano de destruição total.

Donald Trump gostaria de uma grande vitória na política externa ao embarcar em sua viagem ao Oriente Médio esta semana. Ele poderia garantir uma – e salvar vidas – exigindo que Israel concorde com um cessar-fogo duradouro em troca da libertação de todos os reféns mantidos em Gaza. Ele pode preferir evitar o assunto, mas nenhum outro líder tem a influência necessária para forçar seu primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, a encerrar esta guerra. Se, em vez disso, Trump apoiar as propostas atuais de Israel, dará o aval dos EUA ao que parece ser um plano de destruição total.

Os ataques de Israel já mataram mais de 52.000 pessoas em Gaza, de acordo com as autoridades de saúde locais – a grande maioria civis, muitas delas crianças. Padarias, hospitais e escolas foram destruídos. A ajuda foi bloqueada por dois meses. Gaza enfrenta a fome. Na semana passada, autoridades israelenses informaram que, se nenhum acordo para libertar os reféns capturados nas atrocidades do Hamas em 7 de outubro de 2023 for alcançado, suas forças arrasarão Gaza, forçando os palestinos a se concentrarem em uma única “área humanitária” ou fugirem para o exterior. Bezalel Smotrich, o ministro das Finanças, disse que Gaza seria “inteiramente destruída” e que os palestinos “totalmente desesperados” perceberiam que “não há esperança”. Ele disse que libertar os reféns “não é a coisa mais importante”.

“Raramente ouvi um líder de Estado delinear tão claramente um plano que se enquadrasse na definição legal de genocídio”, disse Josep Borrell, ex-chefe de relações exteriores da UE. O Tribunal Internacional de Justiça decidiu em janeiro do ano passado que havia um “risco plausível” de genocídio. A Anistia Internacional, um comitê especial da ONU e importantes acadêmicos, inclusive em Israel, concluíram que um genocídio está ocorrendo.

Muitos dentro de Israel, incluindo pessoas críticas ao governo, estão indignados com a acusação. A convenção da ONU sobre genocídio define o crime como atos cometidos com “a intenção de destruir, no todo ou em parte, um grupo nacional, étnico, racial ou religioso”. Inclui matar e infligir condições de risco de vida. Vislumbrar abertamente a destruição total de Gaza, buscando a remoção de sua população como um objetivo em vez de uma consequência do campo de batalha, e destruindo os meios pelos quais a vida é sustentada, não parece apenas brutalidade, mas um projeto deliberado de eliminação. Egito e Jordânia se recusaram a aceitar refugiados, dizendo que, de outra forma, seriam cúmplices de crimes de guerra.

A exigência legal para provar genocídio é excepcionalmente alta. Washington declarou genocídios quatro vezes na última década – no Iraque e na Síria, em Mianmar, em Xinjiang na China e no Sudão – sem esperar por juízes. O direito internacional avança lentamente, e os signatários da convenção, incluindo os EUA e o Reino Unido, são obrigados não apenas a punir, mas também a prevenir o genocídio. O tribunal da opinião pública está chegando à sua própria conclusão. Os defensores de Israel frequentemente argumentam que o país é submetido a um padrão injusto. Mas Israel tem proteção internacional não apenas por causa da história do Holocausto, mas também por ser uma democracia e um aliado ocidental. Suas ações são viabilizadas pela vasta ajuda militar e cobertura política dos EUA. Agora, planeja uma Gaza sem palestinos. O que é isso, senão genocida? Quando os EUA e seus aliados agirão para deter o horror, se não agora?

A indiferença de Trump pela vida dos palestinos e seu interesse em realocá-los para transformar Gaza na “Riviera do Oriente Médio” encorajaram os piores instintos do governo israelense. Mas ele ainda pode usar o poder que só ele detém para impedir a aniquilação. Esta é sua chance de fazer história no Oriente Médio pelos motivos certos.

Publicado originalmente pelo The Guardian em 11/05/2025

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Análise: A vitória de Trump e os impactos para o governo Lula https://www.ocafezinho.com/2024/11/06/analise-a-vitoria-de-trump-e-os-impactos-para-o-governo-lula/ https://www.ocafezinho.com/2024/11/06/analise-a-vitoria-de-trump-e-os-impactos-para-o-governo-lula/#comments Wed, 06 Nov 2024 14:14:05 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=196574 8 Comentários 🔥]]> O terceiro governo do presidente Lula se encontra numa posição vulnerável perante a vitória triunfal de Donald Trump para presidência dos Estados Unidos.

Não existem dúvidas no Planalto de que o governo do republicano vai investir pesado na implementação de novas barreiras comerciais que devem impactar severamente a economia do país.

Dados do Global Trade Alert indicam que o Brasil está entre as 14 economias mais suscetíveis a medidas protecionistas por parte dos EUA, de um total de 173 analisadas.

Durante seu primeiro mandato, Trump adotou políticas que favoreciam a máxima proteção da indústria americana e o seu retorno vai reforçar tais medidas perante a competitividade gerada pelo desenvolvimento industrial e tecnológico de países fortes como a China.

O Brasil, que já lida com a concorrência internacional e a volatilidade cambial desde o choque liberal dos governos FHC, se encontrará numa situação agravada com a imposição de tarifas pesadíssimas e restrições à importação de seus produtos, especialmente aqueles do setor agrícola e de commodities.

O agronegócio, considerado fundamental para o crescimento quantitativo da economia nacional e fortemente dependente do mercado estadunidense, será um dos mais afetados.

Isso poderá reduzir a competitividade dos produtos brasileiros e ter um impacto negativo sobre o crescimento econômico e na nossa balança comercial que, segundo a projeção da FGV, deve fechar o ano de 2024 com superávit de US$ 79,8 bilhões.

A incerteza gerada pelas políticas protecionistas de Trump vão desencorajar, por exemplo, os investimentos estrangeiros, comprometendo ainda mais a dependência econômica do Brasil, fazendo com que o governo Lula invista ainda mais em cortes nos gastos públicos (incluindo benefícios sociais) para “acalmar” o mercado e colocar um freio de mão na desvalorização do real perante a subida iminente do dólar.

O resultado político de tais medidas podem sim impactar negativamente na popularidade do governo Lula, podendo gerar uma erosão na sua base social e crises internas difíceis de contorná-las, fazendo com que a batalha de 2026 se torne ainda mais dura contra uma direita incentivada, encorajada e fortalecida com a vitória de Trump.

Diante deste cenário, não é preciso ser especialista para compreender a necessidade do Brasil correr atrás para diversificar seus mercados exportadores e fortalecer laços comerciais com outras regiões, como a União Europeia e os países asiáticos, especialmente a China, apostando ainda mais na independência do dólar com o BRICS e na adesão de projetos como Cinturão e Rota.

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Análise: Direita sai fortalecida das eleições municipais https://www.ocafezinho.com/2024/10/07/analise-direita-sai-fortalecida-das-eleicoes-municipais/ https://www.ocafezinho.com/2024/10/07/analise-direita-sai-fortalecida-das-eleicoes-municipais/#comments Mon, 07 Oct 2024 11:51:08 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=194202 1 Comentário 🔥]]> Os partidos da direita tradicional, especificamente PSD, MDB e PP, aumentaram seu domínio nas prefeituras nestas eleições municipais. Vale lembrar que essas legendas são turbinadas pelo orçamento secreto desde 2022.

Segundo dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), essas legendas lideram o número de prefeituras controladas após o pleito deste domingo, 6.

O PSD, liderado por Gilberto Kassab, alcançou uma marca de 844 prefeituras no primeiro turno das eleições, um aumento de 190 municípios em relação ao pleito anterior. Destaca-se o controle da cidade do Rio de Janeiro, onde Eduardo Paes conseguiu se reeleger. O partido mantém a presidência do Senado com Rodrigo Pacheco (PSD-MG).

O MDB, que era o partido com o maior número de prefeitos antes do pleito, agora ocupa o segundo lugar com 812 prefeitos, demonstrando também um crescimento desde as últimas eleições municipais de 2020, quando havia vencido em 784 cidades.

O PP, presidido por Arthur Lira, garantiu a terceira posição no ranking com 724 prefeituras, consolidando ainda mais a influência do Centrão nos governos municipais.

Por outro lado, o PL, sob a liderança de Valdemar da Costa Neto e do ex-presidente Bolsonaro, esperava eleger mais de 1 mil prefeitos, mas finalizou o primeiro turno com 495, um aumento de 150 prefeituras desde 2020, o que ainda é considerado um número razoável.

Já o PT, partido do presidente Lula, obteve 234 prefeitos, um crescimento de 51 prefeituras desde a última eleição. Apesar disso, o PT viu sua liderança na esquerda ser ultrapassada pelo PSB de Geraldo Alckmin, que se tornou o partido progressista com mais prefeituras, totalizando 299.

Entre os partidos que enfrentaram perdas significativas nesta eleição, o PSDB viu seu número de prefeitos cair brutalmente pela metade, caindo de 520 em 2020 para 257 em 2024. O PDT, impactado pela estratégia pelo eterno presidenciável Ciro Gomes, reduziu seu número de prefeituras de 314 para 144.

Conclusão

Esses resultados refletem o fortalecimento da direita tradicional nas esferas municipais. As urnas também mostraram que o campo progressista, numa perspectiva geral e com algumas exceções, se encontra numa situação delicada e que não conseguiu transformar a alta popularidade do presidente Lula em vitória nos municípios.

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O ‘fenômeno’ Pablo Marçal em SP e a falta de estratégia do progressismo https://www.ocafezinho.com/2024/09/04/o-fenomeno-pablo-marcal-em-sp-e-a-falta-de-estrategia-do-progressismo/ https://www.ocafezinho.com/2024/09/04/o-fenomeno-pablo-marcal-em-sp-e-a-falta-de-estrategia-do-progressismo/#comments Wed, 04 Sep 2024 20:19:16 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=191422 4 Comentários 🔥]]> A Fundação Perseu Abramo, ligada ao Partido dos Trabalhadores (PT), realizou uma pesquisa qualitativa para analisar o comportamento eleitoral das periferias de São Paulo após a derrota acachapante de Fernando Haddad em 1º turno nas eleições municipais de 2016.

O levantamento que pode ser acessado clicando aqui identificou que os eleitores dessas regiões foram decisivos na mudança do cenário político, o que motivou um estudo detalhado sobre o perfil social e as motivações desse eleitorado.

A pesquisa apontou a existência de um novo cenário social, onde valores liberais e coletivistas coexistem, moldados por fatores como o aumento do consumo, a ascensão do neopentecostalismo e o empreendedorismo “de raiz”, ou seja, que se concentra na parte de baixo da pirâmide como o barbeiro, o dono de padaria ou do mercadinho.

Esse grupo de eleitores, embora com descrédito em relação aos partidos, valoriza políticas públicas de inclusão, mas ao mesmo tempo prioriza o crescimento individual.

A pesquisa sugere que essa nova classe trabalhadora deixou de se identificar com a luta de classes e tem a percepção de ineficiência sobre o papel do Estado.

O levantamento também revelou o crescimento de uma espécie de “liberalismo popular“, em que há uma demanda pela pouca interferência do Estado na economia, mas com a manutenção de programas sociais como o próprio Bolsa Família.

Neste cenário, a ascensão pessoal é valorizada e personalidades como o presidente Lula e o saudoso apresentador Silvio Santos são vistos como exemplos de superação e reforçam a crença do individualismo para “vencer na vida“.

Outro ponto importante abordado pela pesquisa foi o papel das igrejas neopentecostais nas periferias da capital paulistas. Essas instituições são vistas como redes de apoio e acolhimento, e não apenas como espaços de ideias conservadoras ou reacionárias, como boa parte dos influenciadores e a mídia progressista gostam de pregar.

Essas igrejas desempenham um papel central na formação de laços comunitários e na transmissão de valores como a meritocracia. Com isso, elas se tornam ponto de referência para muitos trabalhadores que moram nas periferias.

Isso mostra ao progressismo que é um erro tremendo pregar a ideia de que o trabalhador é “alienado pelo pastor” ou “que São Paulo tem muitos reaças” e que por isso estão migrando para possivelmente eleger o coach Pablo Marçal (PRTB) a prefeito da maior cidade da América Latina.

Tanto é que essa pesquisa da Perseu Abramo também aponta que os partidos de esquerda precisam ajustar seus discursos para se reconectar com seu eleitorado de base.

Ao longo da última década, esses partidos se afastaram das periferias e entregaram suas direções para lideranças que pouco ou não tem convívio popular ou, pior ainda, estão entregues a pequenos feudos que não guardam coerência com as bandeiras originais do partido.

Mas voltando a pesquisa, ela aponta que a negação da meritocracia, por exemplo, pode não refletir os desejos da classe trabalhadora e que por isso o estudo sugere a construção de narrativas que incorporem valores como individualidade e segurança, sem perder de vista a inclusão social.

A pesquisa concluiu que, apesar da desilusão com a política tradicional, os eleitores das periferias de São Paulo ainda acreditam em soluções democráticas e exigem maior transparência do poder público e participação nas decisões que afetam diretamente a vida do coletivo.

Por fim, o estudo aponta que para conquistar esse eleitorado, os partidos de centro-esquerda terão que se reinventar, tanto no conteúdo quanto na forma de comunicação política. Subestimar o eleitor ou depredá-lo moralmente pela sua escolha sem compreender as razões e o contexto político envolvido é apenas arrogância de quem está com o ‘bucho cheio‘ no ar-condicionado.

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Folha se ajoelha aos grandes acionistas e defende evaporação dos investimentos na Petrobras https://www.ocafezinho.com/2024/03/14/folha-se-ajoelha-aos-grandes-acionistas-e-defende-evaporacao-dos-investimentos-da-petrobras/ https://www.ocafezinho.com/2024/03/14/folha-se-ajoelha-aos-grandes-acionistas-e-defende-evaporacao-dos-investimentos-da-petrobras/#comments Thu, 14 Mar 2024 13:39:21 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=178024 3 Comentários 🔥]]> O jornal Folha de S. Paulo recentemente publicou um editorial sobre a gestão e os objetivos da Petrobras no terceiro governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O texto do veículo critica a posição do chefe de estado brasileiro, que defendeu que a estatal deve priorizar o interesse dos 200 milhões de brasileiros, em vez de focar exclusivamente nos retornos imediatos aos acionistas minoritários.

Segundo o editorial da Folha, a empresa “surpreendeu o mercado” na última semana ao anunciar que limitaria a distribuição de dividendos de 2023 ao mínimo obrigatório.

Essa decisão, de acordo com o jornal, alinha-se às preferências do governo atual por mais investimentos na estatal, mas que teria contrariado recomendações da diretoria da Petrobras, comandada pelo presidente da empresa, Jean Paul Prates, indicado pelo próprio Lula.

Vale lembrar que durante uma entrevista ao SBT, o presidente Lula expressou a visão de que a Petrobras não deve atender apenas aos seus acionistas, mas também considerar os interesses dos “200 milhões de brasileiros que são donos dessa empresa“.

Na visão viralatista e contaminada da Folha, as declarações de Lula sinalizaram que o governo pretende impor sua agenda “política e ideológica” na administração da Petrobras, reacendendo debates sobre a orientação estratégica da empresa.

Ora, se o governo detém a maior fatia das ações da empresa, quase 40%, nada mais natural que a agenda do próprio governo seja prioritária para o futuro da empresa. É assim que as coisas funcionam, inclusive na iniciativa privada, a quem o jornal pertence.

Portanto, a estratégia do governo Lula em usar os lucros da petrolífera para o reinvestimento, fazendo com que a Petrobras inicie a transição para se transformar em uma empresa de energia renovável, por exemplo, é ambiciosa, correta e desenvolvimentista, pensando a médio e longo prazo.

O editorial também menciona o modelo de gestão defendido por Lula, que visa alinhar a Petrobras com sua missão histórica de garantir o abastecimento do mercado brasileiro, mantendo preços competitivos e uma rentabilidade satisfatória para os acionistas, afastando de vez a política predatória do grande capital, que durante os governos de Temer e Bolsonaro entupiram suas contas de dinheiro as custas do desfinanciamento da Petrobras.

Para completar a condição de porta-voz dos interesses de acionistas minoritários, a Folha usa como referência de “boa gestão” o modelo implementado após a derrubada da presidente Dilma em 2016, sob o governo de Michel Temer, que nomeou Pedro Parente para a presidência da empresa.

É bom lembrar que a gestão de Parente foi responsável pela implementação da PPI, que garantiu lucros exorbitantes as custas do povo brasileiro entre 2016 e 2022.

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Casa Branca não se conforma que no Brasil exista mídia que recusa a narrativa pró-Ucrânia https://www.ocafezinho.com/2024/03/07/casa-branca-nao-se-conforma-que-no-brasil-exista-midia-que-nao-diz-amem-a-narrativa-pro-ucrania/ https://www.ocafezinho.com/2024/03/07/casa-branca-nao-se-conforma-que-no-brasil-exista-midia-que-nao-diz-amem-a-narrativa-pro-ucrania/#respond Thu, 07 Mar 2024 16:13:37 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=177579 Um levantamento feito pelo Laboratório de Pesquisa Forense Digital (DFRLab) e publicado pelo think thank estadunidense Atlantic Council – conhecido por ser um dos principais think tanks do establishment de guerra dos Estados Unidos – mostra que a Rússia tem usado com exaustão a comunicação digital, especialmente dos canais RT e Sputnik, para alcançar o público latino-americano e garantir que a narrativa pró-Ucrânia, presente nos grandes veículos de mídia do continente, não se torne ainda mais hegemônica e de acordo com os interesses diretos do governo dos EUA, o maior interessado na guerra.

Além disso, a pesquisa destacou o papel ativo dos embaixadores russos na disseminação de opiniões alinhadas com o Kremlin nos meios de comunicação locais e a publicação de artigos de opinião, que são táticas destacadas na abordagem da Rússia.

Bem, na minha singela opinião, tudo isso é normal, já que os embaixadores são bem pagos e preparados para defender os interesses de seus países. E outra, a opinião de um embaixador sempre será destacada, pois sua posição representa a visão de um governo.

A própria Casa Branca paga muito bem seus embaixadores para defender os interesses dos EUA mundo a fora, e por mais que eu possa discordar de alguns pontos, não vou negar a legitimidade e o poder de uma diplomacia forte e soberana, seja de qualquer país.

Mas ainda segundo o think thank dos EUA, Moscou tem se beneficiado de um suposto “apoio de jornalistas” e “influenciadores” que, mesmo sem vínculos oficiais com os veículos russos, promovem “conteúdo pró-Rússia” e cita O Cafezinho como um desses veículos. Veja o gráfico!

Essa abordagem é desonesta, pois tenta criminalizar o livre exercício de opinião do jornalismo, ao mesmo tempo que tenta forçar que a opinião pública não tenha uma visão plural sobre a guerra e os interesses em jogo, jogando suspeitas sobre qualquer veículo ou jornalista que tenha uma visão crítica, honesta e isonômica sobre a guerra.

Não estou aqui para defender o Kremlin e nenhum membro do governo russo, inclusive tenho críticas, mas é justo que as pessoas não tenham acesso minimamente equilibrado das informações desse conflito que se arrasta há mais de dois anos?

Na sequência, o relatório do DFRLab também fala sobre as atividades de comunicação das embaixadas russas em países como Brasil, México, Argentina, Colômbia, Venezuela, Chile, Equador, Bolívia, Cuba e Nicarágua e insinua que existe uma “ênfase” na promoção das perspectivas russas sobre a guerra na Ucrânia e outros temas de interesse geopolítico de Moscou.

Sobre isso, cabe a cada veículo citado no relatório se posicionar, pois não estou em posição de porta-voz.

Mas posso dizer que aqui no Cafezinho, nós publicamos informações de várias agências internacionais como Reuters, AFP, DW, Xinhua, TASS e Sputnik, pois nós entendemos que apesar da nossa linha editorial ser claramente progressista, não podemos deixar que nossos leitores fiquem presos em bolhas de narrativas, como alguns veículos da nossa grande mídia fazem descaradamente, tanto sobre a guerra na Ucrânia quanto no genocídio de Israel em Gaza.

Ainda no contexto da guerra na Ucrânia, o think tank fala sobre “narrativas” que, segundo eles, frequentemente enfatizam a visão de que a operação militar russa visa a “desnazificação” da Ucrânia, descrevendo o país como agressor e responsável por crimes de guerra.

Essa postura, de acordo com o relatório, é contrastada com temas do que eles chamam de “ressonância local“, como críticas ao imperialismo norte-americano e o apoio à multipolaridade mundial.

Sim, os EUA operam com a lógica imperial, desde sempre, caso contrário não seriam a principal potência global desde o final da Segunda Guerra Mundial, onde aumentou exponencialmente sua influência em países da Europa e na própria América Latina.

Diante desse fato histórico, nada mais justo que defender o mínimo de multipolaridade nas relações internacionais, comerciais e diplomáticas. A pergunta que faço é: Por que o autoproclamado “país da liberdade” estaria preocupado com isso?

Por fim, o DFRLab examinou a cobertura da RT en Español e Sputnik Mundo, identificando uma “abordagem consistente na promoção de narrativas que justificam as ações militares russas e criticam a ajuda militar ocidental à Ucrânia”.

E nos EUA isso é diferente? Não existem grandes veículos de mídia na terra do Tio Sam que defendam os interesses do próprio Tio Sam? Não existem veículos nos EUA e fora dele – aqui no Brasil, por exemplo -, que não justificam diariamente, por meio de editoriais, a matança em Gaza pelo Exército de Israel? Ficam os questionamentos.

Para acessar o relatório completo, clique neste link.

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Governo Lula fecha 2023 com PIB nas alturas https://www.ocafezinho.com/2024/03/01/governo-lula-fecha-2023-com-pib-nas-alturas/ https://www.ocafezinho.com/2024/03/01/governo-lula-fecha-2023-com-pib-nas-alturas/#comments Fri, 01 Mar 2024 12:56:49 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=177184 1 Comentário 🔥]]> O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro encerrou o ano de 2023 com um crescimento acumulado de 2,9%, conforme dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (1º).

No quarto trimestre de 2023, o PIB permaneceu estagnado, registrando uma variação de 0% em relação aos três meses imediatamente anteriores, de acordo com o IBGE. Nesse período, a expectativa mediana dos analistas, conforme a Bloomberg, era de uma variação de 0,1%.

O ano de 2023, marcado como o primeiro de governo do presidente Lula, testemunhou um crescimento impulsionado pela ampliação da safra agrícola.

A agropecuária, especialmente no início do ano, contribuiu significativamente para o desempenho do PIB. Ainda de acordo com o IBGE, a recuperação do mercado de trabalho, com abertura de empregos, aumento da renda e a estabilização da inflação, também impactou positivamente o consumo.

Medidas governamentais, como a transferência de recursos via Bolsa Família para as camadas mais pobres da população, foram implementadas para sustentar a atividade econômica.

No entanto, o patamar elevado dos juros representou um desafio para um avanço mais robusto do consumo, com o ciclo de cortes da taxa básica (Selic) começando somente em agosto.

Em outras palavras, a economia brasileira poderia ter experimentado um crescimento acima dos 3% se não fosse pela chantagem política do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, em manter os juros a níveis cavalares. Atualmente, a nossa taxa Selic é de 11,25%, uma das mais altas do planeta.

Apesar dos sinais de desaceleração na segunda metade de 2023, a economia brasileira superou as projeções iniciais dos analistas, que esperavam um crescimento de apenas 0,8% ao final de 2022. As previsões foram ajustadas para cima ao longo do ano.

Para 2024, as expectativas apontam para uma desaceleração no PIB, com analistas do mercado projetando um avanço de 1,75%, segundo a mediana da última edição do Boletim Focus do Banco Central.

Embora as estimativas tenham subido em relação às projeções anteriores, fenômenos climáticos extremos, como ondas de calor, seca e tempestades, podem impactar negativamente a produção no campo, diminuindo o impulso da agropecuária.

O ciclo de queda nos juros, entretanto, é visto como um possível estímulo ao consumo em 2024, incluindo bens de maior valor agregado dependentes de financiamentos.

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Análise do editor sobre o ato em apoio a Bolsonaro neste domingo https://www.ocafezinho.com/2024/02/25/analise-do-editor-para-o-ato-em-apoio-a-bolsonaro-neste-domingo/ https://www.ocafezinho.com/2024/02/25/analise-do-editor-para-o-ato-em-apoio-a-bolsonaro-neste-domingo/#comments Mon, 26 Feb 2024 01:29:46 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=176751 6 Comentários 🔥]]> Foi um ato muito grande. Besteira dizer que flopou. A direita mostrou enorme poder de mobilização.

Mas era previsível. Esse é o principal trunfo do bolsonarismo: uma capacidade de mobilização impressionante, juntamente com algumas técnicas. Até pouco tempo, a esquerda tinha mania de fazer manifestação 3 horas da tarde em dia da semana.

A direita só organiza domingo. Manteve a concentração numa só cidade, justamente para obter a imagem e marcaram com muita antecedência.

Não foi apenas o tamanho do ato em si. As lives que cobriam o evento, como o Poder 360, tinham 150 mil ao vivo.

Fica a lição.

Diante desta realidade, espera-se que ideias idiotas sobre “plebiscito”, como até hoje defende Ciro, sejam engavetadas por uns 20 ou 30 anos.

Também está claro que os valentões que pregam que o governo deveria radicalizar à esquerda, mandar prender o presidente do Banco Central, explodir a ideia de reduzir o déficit, não estão enxergando muito bem a magnitude das nossas dificuldades.

Ao mesmo tempo, está claro que o governo precisa investir pesado em inteligência, estratégia e comunicação, que não é propaganda de governo (que ninguém assiste ou dá bola).

Não há mais espaço para burrice ou sectarismo na esquerda. Única salvação está em consolidar a frente ampla, fazer um bom governo, competente, moderado e democrático.

Medo ou pessimismo também não nos levarão a lugar algum. A gramática moderna da política já mostrou que o eleitor silencioso, que opta por ficar em casa, é tão importante quanto o que vai às ruas, ou seja, ele reage emocionalmente a esse tipo de manifestação, formando seu voto a favor ou contrário.

Esse é o ponto fraco, vulnerável, da manifestação bolsonarista desse domingo. Há um cansaço dessa estética cafona, careta, associada ao velho, ao chato, ao reacionário.

Me parece previsível que as comunidades científicas, acadêmicas e artísticas, que formam uma vanguarda importante, ficarão mais coesas, mais unidas, a partir de hoje, contra Bolsonaro.

Uma manifestação como essa, que coesiona a direita, também ajuda a coesionar a esquerda. Há um efeito boomerang em toda ação política.

Todo o foco da luta antifascista, a meu ver, deveria ser a construção de estruturas duradouras de organização política, ou seja, a criação de um ecossistema de organizações, think tanks, movimentos, partidos, disposto a traçar estratégias de longo prazo.

No meu livro de análise política, eu discuto várias teorias, modelos e estratégias para assegurarmos uma democracia mais estável e mais comprometida com o desenvolvimento.

Os exemplares adquiridos na pré-venda, ou seja, agora, virão autografados e com dedicatória.

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A direita vem se mostrando organizada. Eles se ajudam entre si. A esquerda também precisa se mobilizar, ou seja, assinar os portais progressistas e comprar os livros dos autores progressistas.

A luta é dura, mas com humildade e perseverança, iremos avançar e continuar vencendo.

Deixem a direita fazer suas micaretas cafonas. O foco dos progressistas deve ser produzir análises objetivas e vitórias eleitorais.

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Globo e a fraude moral da Transparência Internacional contra o governo Lula https://www.ocafezinho.com/2024/01/31/globo-e-a-fraude-moral-da-transparencia-internacional-contra-o-governo-lula/ https://www.ocafezinho.com/2024/01/31/globo-e-a-fraude-moral-da-transparencia-internacional-contra-o-governo-lula/#comments Wed, 31 Jan 2024 12:15:31 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=174663 3 Comentários 🔥]]> O jornal O Globo, conhecido por sua postura raivosa contra o presidente Lula e o PT, recentemente voltou a usar o velho discurso moralista e associado a extinta Operação Lava Jato para dobrar a aposta na sua ofensiva contra o atual governo.

Em editorial publicado nesta quarta-feira, 31, o jornal da Família Marinho usou o famigerado relatório da Transparência Internacional, questionado e criticado pelos principais juristas do país, para atacar o terceiro governo progressista de Lula.

“O Judiciário — em especial os tribunais superiores — deveria dar atenção à última lista de percepção da corrupção global preparada pela Transparência Internacional. A sensação de um ambiente contaminado por negociatas tem custo enorme para a reputação brasileira e afasta empresas e investidores sérios do país”, disparou o editorialista.

Vale lembrar que a Transparência Internacional, uma organização não governamental, ficou conhecida por atuar em conluio com os interesses comerciais, portanto questionáveis, da extinta Lava Jato. Há relatos de que a ONG planejava receber recursos da tal fundação proposta pelo ex-deputado cassado Deltan Dallagnol.

Já em 2023, a Transparência Internacional divulgou um relatório sugerindo um suposto aumento da corrupção no Brasil.

Sem apresentar provas e dados consistentes capazes de sustentar tal afirmação, a organização criticou as nomeações feitas pelo presidente Lula ao Supremo Tribunal Federal – Cristiano Zanin e Flávio Dino – e a escolha de Paulo Gonet como novo procurador-geral da República, alegando de forma vaga e genérica que essas ações “comprometem a luta contra a corrupção”.

Por último e não menos importante, uma reportagem do Conjur destacou o possível envolvimento da ONG em ganhos financeiros da Lava Jato as custas das empresas brasileiras como a Odebrecht e a própria Petrobras.

Leia a íntegra da reportagem!

ONG com atuação empresarial quis interferir em eleições com dinheiro público

ConjurO chefe da Transparência Internacional Brasil, Bruno Brandão, afirmou em entrevista à Folha de S.Paulo que o financiamento público de campanhas políticas é uma reação à ‘lava jato’ que praticamente “legaliza a corrupção”.

“É uma corrupção institucionalizada, por meio da explosão [da quantidade] de recursos públicos e da redução absurda dos mecanismos de controle”, comentou Brandão sobre o fundo eleitoral.

Ele atacou o aumento do fundo eleitoral público deste ano para R$ 5 bilhões e a falta de transparência nos gastos e de mecanismos de prestação de contas.

Quando trabalhava com a apelidada “força-tarefa da lava jato”, Brandão planejou com os procuradores de Curitiba montar esquema para que, na eleição de 2018, fossem eleitos apenas candidatos lavajatistas. O plano previa também o fuzilamento moral de opositores elencados em uma lista negra a que deram o nome de “adeus, queridos”.

O diretor da Transparência, que atua como empresa de lobby em diversos países, tinha planos ambiciosos. Ele queria ser co-administrador de dois fundos: o de R$ 2,5 bilhões oriundos da Petrobras e outro de R$ 2,3 bilhões do acordo de leniência da J&F Investimentos. As duas tentativas fracassaram.

No caso da J&F, os empresários negaram-se a delegar a tarefa de investir em projetos sociais à T.I. e aos procuradores. O Ministério Público Federal do Distrito Federal queria destinar R$ 2,3 bilhões (dos R$ 10,3 bilhões totais do acordo) para um projeto de “controle social da corrupção” e “campanhas educativas”.

O programa seria supervisionado pela Transparência Internacional — uma entidade de direito privado decidindo como gastar dinheiro público (uma vez que devolvido ao Estado, por meio do acordo de leniência).

A história foi contada pela ConJur em dezembro de 2020: o procurador-Geral da República, Augusto Aras, tomou conhecimento de um depósito no valor de R$ 270 milhões, exigidos pelo MPF-DF.

O depósito relacionado ao acordo de leniência da holding da JBS foi feito em 3 de dezembro. Prontamente, Aras alertou a subprocuradora-geral da República Maria Iraneide Olinda Santoro Facchini, coordenadora da 5ª Câmara de Coordenação e Revisão, informando-a de que a destinação correta do dinheiro seria o Fundo de Direitos Difusos ou revertidos em favor da União.

Esses R$ 270 milhões faziam parte dos R$ 2,3 bilhões que seriam usados nas iniciativas de “controle social da corrupção”. O arquiteto da operação seria o conselheiro da TI e assessor informal da “lava jato” Joaquim Falcão.

A fundação do acordo da J&F seguiria os mesmos moldes daquela que a turma da “lava jato” tentou criar com o dinheiro de multa paga pela Petrobras, R$ 2,5 bilhões.

iniciativa foi brecada por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, e o dinheiro foi distribuído para contenção incêndios na Amazônia e para educação em vários estados.

Em resumo: Brandão acha absurdo o contribuinte pagar pela viabilização do processo eleitoral que beneficiará a todos os candidatos indistintamente. Mas defendeu que ele próprio participasse da gestão de fundos, com capital semelhante ao do fundo eleitoral — e que ajudariam a eleger apenas candidatos da turma dele.

Atração fatal
A relação da Transparência Internacional com a “lava jato” vem de longa data. Uma troca de mensagens entre Brandão e Deltan Dallagnol, divulgada em 2020, revelou que o procurador deu acesso ao chefe da TI-B aos termos do acordo da Petrobras antes que ele fosse assinado.

As mensagens hackeadas também os mostram combinando estratégias de intervenção na imprensa a favor da “lava jato”, como a produção de estudos encomendados para que a recuperação econômica do país fosse atribuída à operação.

Em março de 2021, a Fundação Getúlio Vargas enviou uma notificação à sede da Transparência Internacional, na Alemanha, acusando a seção brasileira de ter usado mão de obra, expertise  e instalações da própria FGV para cumprir um memorando firmado com a “lava jato”, mas sem o seu consentimento.

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