Eleições 2022 - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/eleicoes-2022/ Portal de noticias e análises sobre política brasileira, geopolítica, economia, tecnologia, sempre numa perspectiva democrática, progressista, anti-imperialista e multipolar! Wed, 28 Aug 2024 12:59:46 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://controle.ocafezinho.com/wp-content/uploads/2015/10/cropped-Logo_Cafezinho_tmb-32x32.png Eleições 2022 - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/eleicoes-2022/ 32 32 Marçal dispara e já ultrapassa Boulos e Nunes em SP, diz pesquisa https://www.ocafezinho.com/2024/08/28/marcal-dispara-e-ja-ultrapassa-boulos-e-nunes-em-sp-diz-pesquisa/ https://www.ocafezinho.com/2024/08/28/marcal-dispara-e-ja-ultrapassa-boulos-e-nunes-em-sp-diz-pesquisa/#comments Wed, 28 Aug 2024 12:59:44 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=191083 1 Comentário 🔥]]> A pesquisa eleitoral realizada pelo instituto Futura Inteligência, em parceria com a empresa 100% Cidades, divulgada nesta quarta-feira, 28, aponta que o influenciador Pablo Marçal (PRTB) lidera a corrida pela prefeitura de São Paulo com 25,2% das intenções de voto.

O deputado federal Guilherme Boulos (PSOL) segue de perto, com 23,3%. De acordo com a margem de erro de 3,1 pontos percentuais, ambos estão tecnicamente empatados na liderança.

O atual prefeito Ricardo Nunes (MDB) aparece com 17,9% das intenções de voto, também empatado tecnicamente com Boulos na segunda posição. Datena (PSDB) registra 9,6%, em empate técnico com Tabata Amaral (PSB), que tem 6,2%. Marina Helena (NOVO) surge com 2,3%.

Os outros quatro candidatos, Ricardo Senese, Altino Prazeres, Bebeto Haddad e João Pimenta, não ultrapassam 1% das intenções de voto cada.

A pesquisa também aponta que 5,9% dos entrevistados afirmam que votarão em branco ou nulo, enquanto 8,8% permanecem indecisos.

O levantamento anterior, divulgado em 7 de agosto, incluía o nome de Kim Kataguiri, que desistiu da candidatura após seu partido decidir apoiar Ricardo Nunes. Portanto, os resultados das pesquisas não são comparáveis. Na pesquisa anterior, Nunes liderava, seguido por Boulos e Pablo Marçal.

Esta é a segunda pesquisa que coloca Marçal na frente na disputa pela prefeitura de São Paulo. Na terça-feira, a pesquisa do instituto Veritá indicou Marçal com 30,9%, seguido por Boulos com 21,6% e Nunes com 14,2%.

A pesquisa Futura foi registrada no TSE sob o número SP-04229/2024 e realizou 1000 entrevistas entre os dias 20 e 24 de agosto, utilizando a abordagem CATI (entrevista telefônica assistida por computador). O nível de confiança é de 95%.

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Datafolha: Marçal avança sobre o eleitorado evangélico em SP https://www.ocafezinho.com/2024/08/23/datafolha-marcal-avanca-sobre-o-eleitorado-evangelico-em-sp/ https://www.ocafezinho.com/2024/08/23/datafolha-marcal-avanca-sobre-o-eleitorado-evangelico-em-sp/#comments Fri, 23 Aug 2024 12:51:39 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=190876 2 Comentários 🔥]]> Na mais recente pesquisa Datafolha, divulgada nesta quinta-feira, 22, o candidato Pablo Marçal (PRTB) registrou crescimento significativo em sua intenção de votos, especialmente entre bolsonaristas, evangélicos, brancos e pardos, equilibrando a disputa com os candidatos Guilherme Boulos (PSOL) e Ricardo Nunes (MDB).

Boulos ainda mantém a liderança com 23% das intenções de voto, seguido por Marçal com 21% e Nunes, o atual prefeito, com 19%.

Marçal demonstrou um aumento notável entre eleitores de 35 a 59 anos e aqueles com ensino médio ou superior completo. Este grupo, que possui renda familiar entre dois a cinco salários mínimos, também mostrou preferência crescente pelo candidato.

Além disso, Marçal lidera entre os eleitores que se identificam como bolsonaristas, saltando de 25% para 46% das intenções de voto desde o início de agosto, superando Nunes, que caiu de 37% para 26%.

Similarmente, entre os apoiadores do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), Marçal avançou de 25% para 41%, enquanto Nunes diminuiu de 42% para 28%.

O estudo também indica que Nunes teria 47% das intenções de voto no segundo turno, comparado a 38% de Boulos. Marçal, Boulos e o apresentador José Luiz Datena (PSDB) apresentam as maiores taxas de rejeição entre os candidatos.

A pesquisa Datafolha, realizada com 1.204 eleitores de São Paulo e contratada pela Folha e pela TV Globo, está registrada com o número SP-08344/2024. As variações observadas em grupos específicos estão acima da margem de erro, que é de cinco pontos percentuais para estes segmentos.

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Biden admite que pode desistir de candidatura nos EUA https://www.ocafezinho.com/2024/07/03/biden-admite-que-pode-desistir-de-candidatura-nos-eua/ https://www.ocafezinho.com/2024/07/03/biden-admite-que-pode-desistir-de-candidatura-nos-eua/#respond Wed, 03 Jul 2024 16:24:06 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=187018 O presidente dos Estados Unidos, Jose Biden, expressou preocupações sobre sua capacidade de recuperar a confiança do eleitorado após um desempenho considerado insatisfatório no último debate presidencial.

Em conversa com um aliado próximo, Biden teria admitido a necessidade de reverter a situação nos próximos dias para manter viva sua candidatura à reeleição. Este diálogo é a primeira evidência pública de que o presidente está avaliando seriamente sua posição após o debate em Atlanta.

Durante uma programação intensa neste fim de semana, que inclui uma entrevista na sexta-feira com George Stephanopoulos da ABC News e campanhas na Pensilvânia e em Wisconsin, Biden reconhece que os resultados desses eventos são cruciais.

“Ele sabe que se tiver mais dois eventos como esse, estaremos em um lugar diferente até o final do fim de semana”, disse o aliado, que preferiu não ser identificado.

Um assessor sênior do presidente, também falando sob condição de anonimato, confirmou que Biden está “bem ciente do desafio político que enfrenta”. A Casa Branca não respondeu de imediato a um pedido de comentário sobre essa questão.

As tensões aumentaram após uma pesquisa da CBS News indicar que o ex-presidente Donald Trump está à frente de Biden desde o debate, com uma vantagem tanto em nível nacional quanto nos estados decisivos.

Em resposta, Biden tem buscado o apoio de figuras importantes do Partido Democrata e planeja uma reunião com governadores democratas.

Apesar das adversidades, aliados próximos afirmam que Biden ainda está empenhado em lutar politicamente, vendo esta fase como uma oportunidade de se recuperar.

Ele também está ciente de que precisa convencer eleitores, doadores e a classe política de que pode superar este momento desafiador, como já fez várias vezes ao longo de sua carreira de cinco décadas.

Com informações do The New York Times

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O povo brasileiro é maior do que o arbítrio https://www.ocafezinho.com/2022/12/12/o-povo-brasileiro-e-maior-do-que-o-arbitrio/ https://www.ocafezinho.com/2022/12/12/o-povo-brasileiro-e-maior-do-que-o-arbitrio/#comments Mon, 12 Dec 2022 20:44:42 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=147274 8 Comentários 🔥]]>

Eu quero pedir desculpas a vocês pela emoção. Porque [para] quem passou pelo que eu passei nesses últimos anos, estar aqui agora é a certeza de que Deus existe e de que o povo brasileiro é maior que qualquer pessoa que tentar [implantar] o arbítrio nesse país.

Lula proferiu essas palavras engasgando de emoção, logo no início do seu discurso durante a cerimônia de diplomação da chapa vencedora das eleições.

Foi um momento histórico, cujo significado foi perfeitamente resumido pelo presidente eleito: o povo brasileiro é muito maior que o arbítrio.

Lula foi preso injustamente e passou mais de 500 dias em uma cela, mas 60 milhões de brasileiros o reconduziram ao cargo político máximo do país. A sua biografia, que já era cinematográfica antes da prisão, se torna um clássico instantâneo do cinema com essa reviravolta espetacular. Menino pobre do interior de Pernambuco, retirante, metalúrgico, sindicalista, presidente, preso, presidente de novo.

Incrível.

Mas o que saltou aos ouvidos durante a cerimônia de diplomação foi o tom incisivo dos discursos de Lula e do presidente do TSE, Alexandre de Moraes.

A manjada (e correta) lembrança de que Lula agora é presidente de todos os brasileiros apareceu, mas com muito menos destaque do que as críticas contundentes ao bolsonarismo. Ninguém citou o nome do quase ex-presidente, mas o alvo da artilharia pesada de Lula e Moraes estava explícito.

Lula falou da tentativa de desacreditar as urnas eletrônicas, a compra de votos, as fake news, a tentativa de impedir eleitores de votar. E foi além: criticou a ganância das big techs e conclamou os outros países do globo a se unirem para implementar legislações mais “duras e eficientes” contra o uso das fake news e o seu impulsionamento pelas redes sociais.

Eis aí um ponto nevrálgico para o futuro da humanidade. As redes sociais se transformaram em uma arma política de ponta, e processos eleitorais tem sido manipulados por meio dos famigerados algoritmos, como bem demonstram documentários como O Dilema das Redes.

Políticos fascistas como Trump e Bolsonaro foram eleitos em boa medida por conta do uso das redes para disseminar fake news. Uma coordenação global para enquadrar as redes sociais e submetê-las às regras democráticas é urgente, e a volta da política externa ativa e altiva dos governos Lula pode impulsionar essa pauta nos fóruns internacionais.

Lula ressaltou ainda, em seu discurso, que sua diplomação é a vitória da democracia contra o autoritarismo – um fato que nunca é demais lembrar.

Precisamos de coragem. É necessário tirar uma lição desse período recente em nosso país e dos abusos cometidos no processo eleitoral, para nunca mais esquecermos, para que nunca mais isso aconteça.

E foi além, aprofundando a definição de democracia:

Democracia por definição é o governo do povo, por meio da eleição dos seus representantes. Mas precisamos ir além dos dicionários. O povo quer mais do que simplesmente eleger seus representantes. O povo quer participação ativa nas decisões dos governos. […] Democracia é ter alimentação de qualidade, é ter emprego, saúde, educação, segurança e moradia. Quanto maior a participação popular, maior o entendimento da necessidade de defender a democracia daqueles que se valem dela como atalho para chegar ao poder e instaurar o autoritarismo.

Bravo.

Esta é, aliás, uma pauta que poderia começar a aparecer mais nas falas de Lula e nas ações do seu futuro governo: a ampliação da participação direta da população. Os referendos e plebiscitos precisam ser trazidos ao debate público com mais frequência, para ir entrando no vocabulário popular. Ampliar a democracia é, como Lula falou, o povo tendo participação ativa nas decisões dos governos.

Depois de Lula falou Alexandre de Moraes. Criticou os grupos extremistas e antidemocráticos que tentaram melar as eleições e garantiu que todos serão responsabilizados. É o cumprimento do seu dever como presidente do Tribunal Superior Eleitoral, mas não deixa de ser digno de aplausos. A indicação de que não deverá haver complacência com os movimentos golpistas que teimam em espernear em quarteis ou às portas do Alvorada é importante demais.

É, também, uma janela de oportunidade. Um setor importante do Poder Judiciário se deu conta da periculosidade do bolsonarismo e isso pode significar um período de relativa estabilidade para Lula governar. Com a ameaça fascista rondando a vida política nacional, provavelmente será mais difícil que o Judiciário embarque em outra aventura golpista como a de 2016. Ao menos por um tempo.

É claro que em outros âmbitos – e aqui me refiro especialmente à área econômica – a guerra contra o governo petista (que nem começou) já está aberta, por parte dos mesmos veículos de mídia que reconheceram a ameaça de Bolsonaro e chegaram a apoiar, timidamente, Lula nas eleições.

Ainda assim é, repito, uma janela de oportunidade talvez única. É possível isolar o bolsonarismo, já que ninguém aguenta mais a sua tendência incorrigível à arruaça e ao golpe. E, a partir desse isolamento, é possível construir uma maioria política que faça o país avançar nas pautas urgentes da fome, do desemprego, da reindustrialização, da soberania nacional e das mudanças climáticas.

Tarefas grandiosas, porém factíveis, já que o presidente diplomado do Brasil é, pela terceira vez, Luiz Inácio Lula da Silva.

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O xeque-mate do Xandão https://www.ocafezinho.com/2022/11/25/o-xeque-mate-do-xandao/ https://www.ocafezinho.com/2022/11/25/o-xeque-mate-do-xandao/#comments Fri, 25 Nov 2022 17:11:27 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=146888 6 Comentários 🔥]]> Acabou a palhaçada.

Alexandre de Moraes, presidente do TSE, rejeitou o pedido de anulação de algumas urnas feito pela coligação de Bolsonaro e ainda aplicou uma multa de quase R$ 23 milhões (R$ 22.991.544,60) por litigância de má-fé – termo jurídico para dizer que uma das partes do processo agiu de forma desleal.

É uma decisão histórica do presidente do TSE, que enterra de vez a tentativa mambembe de golpe do bolsonarismo. Se até os militares já tinham refugado da missão do capitão, não seria o picareta Valdemar Costa Neto que conseguiria melar as eleições brasileiras.

Xandão ainda ordenou o bloqueio do fundo partidário dos três partidos da coligação de Bolsonaro (PL, Republicanos e PP) até que a multa seja quitada. O valor da multa representa 46% do que o PL recebeu de fundo partidário nos primeiros 10 meses de 2022.

A pena pecuniária pesada é um golpe duro para Bolsonaro. O fundo partidário é precioso para que os partidos mantenham suas estruturas e seus quadros. A influência de Bolsonaro sobre o PL certamente está sendo questionada internamente neste momento – até a mesada que o ainda presidente receberia do partido deve estar em risco.

Os outros partidos da coligação de Bolsonaro já estão tentando pular fora do barco, como deixou claro o presidente do Republicanos: “Não tenho nada a ver com isso, [O Republicanos] só está ali por uma formalidade. Eu não fui consultado se era para entrar com essa ação ou não. E, se fosse, teria dito que não. Nós não comungamos dessa opinião”. E também o presidente do PP: “O Partido Progressista vai apresentar recurso porque nós não autorizamos a ação”.

É, repito, uma decisão histórica. Um xeque-mate no joguinho golpista baixo do bolsonarismo.

Porque acelera ainda mais o rápido movimento das placas tectônicas da política brasileira. A vitória de Lula ocasionou um verdadeiro terremoto: bolsonaristas empedernidos, como o poderoso Arthur Lira, de repente deixaram de ver em Lula um demônio comunista. Agora ele é o dono da caneta, e isso muda tudo.

A decisão do Xandão contribui pesadamente para a grande tarefa civilizatória do momento: isolar o bolsonarismo. E ainda é uma bela peça literária, um resumo preciso da verdade dos fatos:

A total má-fé da [coligação] requerente em seu esdrúxulo e ilícito pedido, ostensivamente atentatório ao Estado Democrático de Direito e realizado de maneira inconsequente com a finalidade de incentivar movimentos criminosos e anti-democráticos que, inclusive, com graves ameaças e violência vem obstruindo diversas rodovias e vias públicas em todo o Brasil, ficou comprovada, tanto pela negativa em aditar-se a petição inicial, quanto pela total ausência de quaisquer indícios de irregularidades e a existência de uma narrativa fraudulenta dos fatos. [Grifos nossos]

Em tempos de ascensão fascista, dar nome aos bois como fez Moraes nessa decisão exige coragem. É claro que agora que Bolsonaro já é um quase ex-presidente, nem tanto. Mas o presidente do TSE matou no peito o enfrentamento à delinquência bolsonarista quando as condições não eram tão favoráveis. Merece aplausos.

Encerro este artigo com outro bonito trecho da decisão do Xandão:

A Justiça Eleitoral, conforme tenho reiteradamente afirmado, continuará atuando com competência e
transparência, honrando sua histórica vocação de concretizar a Democracia e a autêntica coragem para lutar contra todas as forças que não acreditam no Estado Democrático de Direito.
A Democracia não é um caminho fácil, exato ou previsível, mas é o único caminho e o Poder Judiciário não tolerará manifestações criminosas e antidemocráticas atentatórias aos pleito eleitoral.
A Democracia é uma construção coletiva daqueles que acreditam na liberdade, daqueles que acreditam na paz, que acreditam no desenvolvimento, na dignidade da pessoa humana, no pleno emprego, no fim da fome, na redução das desigualdades, na prevalência da educação e na garantia da saúde de todos os brasileiros e brasileiras.

Os Partidos Políticos, financiados basicamente por recursos públicos, são autônomos e instrumentos da Democracia, sendo inconcebível e inconstitucional que sejam utilizados para satisfação de interesses pessoais antidemocráticos e atentatórios ao Estado de Direito, à Justiça Eleitoral e a soberana vontade popular de 156.454.011 (cento e cinquenta e seis milhões, quatrocentos e cinquenta e quatro mil e onze) eleitoras e eleitores aptos a votar.

Xeque-mate.

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A mordida desdentada de Bolsonaro https://www.ocafezinho.com/2022/11/22/a-mordida-desdentada-de-bolsonaro/ https://www.ocafezinho.com/2022/11/22/a-mordida-desdentada-de-bolsonaro/#comments Tue, 22 Nov 2022 22:31:24 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=146841 12 Comentários 🔥]]> Presidente em reclusão no Palácio da Alvorada. Seita golpista fechando estradas e acampando em frente a quartéis. Empresários financiando a patacoada. Leniência ou mesmo apoio da polícia aos arruaceiros.

Tudo isso para, decorridas três semanas das eleições, o PL tirar da cartola um “relatório” e pedir ao TSE que invalide uma parte das urnas utilizadas no 2º turno das eleições. A parte das urnas que seria válida, segundo o “relatório” imparcialíssimo, dá a vitória a Jair Bolsonaro.

Patético? Grotesco? Golpista? Desesperado?

Todas as anteriores.

O presidente do TSE Alexandre de Moraes despachou em questão de minutos:

Bingo. Se formos anular as urnas, que tal anularmos as que elegeram um “Congresso conservador”, como repetiu à exaustão Bolsonaro no 2º turno?

A chance de tamanha bizarrice prosperar é nula. Mas nos permite avaliar a estratégia de Bolsonaro.

A tática do ainda presidente na sua relação com as instituições é o morde e assopra. Isto ficou evidente durante o seu mandato presidencial: em um dia Bolsonaro açula a matilha, bravateia e vocifera palavrões contra o “sistema”; no outro Bolsonaro diz que foi mal compreendido, que respeita os demais poderes e que joga dentro das famigeradas quatro linhas da constituição.

(As únicas quatro linhas da Constituição que Bolsonaro considera, aliás, devem ser as do tal artigo 142. Quer dizer, nem estas, mas sim uma interpretação evidentemente picareta do artigo.)

Pois bem. Para os padrões bolsonaristas, ficar em silêncio quase total após a derrota foi quase uma deferência ao processo democrático que elegeu Lula. A autorização para que Ciro Nogueira tocasse a transição de governo foi o “assopra”.

Enquanto isso o movimento golpista, pequeno porém barulhento, continuou produzindo caos e memes. E aguardando seu líder.

Bolsonaro, o líder inconteste da extrema-direita do Brasil, não poderia se ausentar para sempre e deixar seus seguidores tomando chuva de graça. Sob risco de ver sua liderança começar a ser questionada.

Agora chegou a hora do “morde”. Mas a mordida é desdentada.

Como não há chance de o TSE “anular” algumas urnas e dar a vitória a Bolsonaro, e o entorno de Bolsonaro certamente sabe disso, o objetivo é apenas dar uma resposta para sua base radical e mantê-la mobilizada.

O maior medo de Bolsonaro neste momento é a possibilidade de ser preso – ele mesmo verbalizou esse medo algumas vezes nos últimos meses, sem ser perguntado sobre o assunto. Manter sua base de apoio atiçada faz parte da estratégia de demonstrar força para manter o Judiciário intimidado.

Por outro lado, escalar o enfrentamento com as instituições às vésperas de ficar sem cargo público pode não ser exatamente a melhor ideia.

Aguardemos as cenas dos próximos capítulos, mas o fato é que vai cehgar a hora em que a sociedade mobilizada terá que entrar nessa briga. Porque a responsabilização de Bolsonaro será crucial para decidirmos o país que queremos ser.

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Relatório da defesa é banho de água fria nos golpistas https://www.ocafezinho.com/2022/11/10/relatorio-da-defesa-e-banho-de-agua-fria-nos-golpistas/ https://www.ocafezinho.com/2022/11/10/relatorio-da-defesa-e-banho-de-agua-fria-nos-golpistas/#comments Thu, 10 Nov 2022 21:39:12 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=146604 3 Comentários 🔥]]> A última cartada do bolsonarismo flopou – ou brochou, para ficar no vocabulário presidencial. O relatório das Forças Armadas divulgado ontem concluiu que os dados de totalização dos votos das eleições estão… corretos.

Não se trata exatamente de uma novidade para a absoluta maioria da população, incluindo o mundo político, que sabe desde a noite do dia 30 de outubro que Lula será o próximo presidente do Brasil. Mas não é pouca coisa porque enterra de vez a possibilidade de qualquer tentativa de melar as eleições.

Recordemos: a intromissão das Forças Armadas nas atividades do TSE, querendo “fiscalizar” o processo eleitoral e desacreditando a confiabilidade das urnas, era o principal estratagema de Bolsonaro em sua sanha golpista. Esse debate surgiu repetidas vezes ao longo dos meses que antecederam as eleições, o que ligou o sinal de alerta no setor democrático da sociedade.

O risco de golpe pela via de acusar fraude nas urnas era, sem dúvidas, real. Só que Bolsonaro tentou outros tipos de golpes, como usar a PRF para tentar impedir nordestinos de votar ou comprar votos desbragadamente, como mostrou o Caco Barcelos no Profissão Repórter.

A estratégia do Jair quase foi bem sucedida. O resultado foi mais apertado do que indicava a maioria das pesquisas, o que em tese daria força para a insurreição golpista. Bolsonaro permaneceu quase dois dias inteiros calado após a divulgação do resultado, certamente aguardando apoio popular e dos militares para tentar um golpe.

Não houve apoio suficiente. Lula venceu e está está chegando a hora do Jair ir embora.

Dos bolsonaristas delirantes que foram às ruas paralisar estradas e fazer quebra-quebra sobrou uma parte que aguarda e pede e clama e chora por uma “intervenção militar” – eufemismo tosco para golpe de Estado. Já se passaram incríveis 11 dias dias da eleição e a pergunta que corre o Brasil é a seguinte: esse pessoal não trabalha não?

De todo modo, eram estes guerreiros patriotas que aguardavam com mais ansiedade o famigerado relatório das Forças Armadas sobre as eleições. O relatório veio e foi um banho de água gelada. Metafórico e literal, como demonstra a pergunta indignada de um desses cidadãos de bem: “Tomamos chuva à toa?”.

À toa não foi, camarada patriota. A ação golpista da sua turma mostrou a face nua e crua do bolsonarismo para quem ainda fingia normalidade diante da ascensão fascista que vivemos. Deixou claro também que a polícia tem lado político no Brasil e que é preciso um trabalho sério, profundo e corajoso do governo Lula para fazer com que as forças de segurança sirvam ao povo e ao país, e não mais a um projeto político.

E também proporcionou ótimas risadas, é claro. A profusão de cenas tragicômicas neste pós eleição renderá memes de qualidade por um bom tempo.

O fato é que o golpe de Bolsonaro está definitivamente enterrado. Não adianta o Ministério da Defesa soltar uma nota patética dizendo que seu relatório “não excluiu” a possibilidade de fraude. Não encontraram fraude nenhuma, meus amigos. Bye bye.

E não adianta também Bolsonaro chamar reunião com generais para açular sua turba.

“Acabou, porra!”, como diria o poeta. Lula já é o presidente de fato do Brasil.

Vão ficar chorando até quando?

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“Censura” https://www.ocafezinho.com/2022/11/09/censura/ https://www.ocafezinho.com/2022/11/09/censura/#comments Wed, 09 Nov 2022 21:13:43 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=146578 17 Comentários 🔥]]> A mais nova vítima da “censura” é o youtuber Monark, cuja página no YouTube foi retirada do ar por ordem judicial. Motivo: ele publicou o vídeo do tal argentino que tentou desacreditar as eleições brasileiras utilizando mentiras e distorções.

Monark está reclamando muito no Twitter e acredita que já vivemos sob uma ditadura. O indignado cidadão ganhou fama nacional recentemente ao defender que deveria ser liberada a existência de um partido nazista no Brasil.

O argumento de Monark é simplório: qualquer restrição estatal a qualquer tipo de discurso configura censura. Um partido nazista poderia, sob esta ótica, propagandear tranquilamente seus ideais de “raça pura” e de eliminação de grupos inteiros de seres humanos. Somente quando os nazistas passassem do discurso à ação a Justiça poderia intervir. O detalhe é que provavelmente já seria tarde demais.

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Durante a campanha eleitoral o TSE determinou que a Jovem Pan concedesse direito de resposta à Lula e que não mais divulgasse fake news sobre a situação judicial do presidente eleito. Comentaristas usavam a expressão “descondenado” pejorativamente para se referir a Lula, mas esta é uma figura jurídica inexistente nas nossas leis. Lula é, como qualquer brasileiro que não tem condenação judicial, inocente até que se prove o contrário.

A emissora adotou a mesma estratégia de Monark e gritou aos quatro ventos que estava sofrendo censura; na verdade a decisão do TSE foi correta, embora tardia e insuficiente, já que a cobertura da Jovem Pan das eleições passou longe, muito longe de garantir isonomia aos candidatos, como determina a lei.

Outros próceres do bolsonarismo, como o deputado eleito Nikolas Ferreira e a deputada Carla Zambelli, tiveram suas contas suspensas nas redes sociais. Ambos divulgaram mentiras sobre as urnas eletrônicas e apoiaram os atos golpistas que pararam estradas Brasil afora após as eleições. Mais uma decisão acertada do TSE: se a liberdade de expressão abrangesse discursos que atentam contra a democracia, cometeria suicídio.

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Não há dúvidas de que fake news das mais absurdas rolaram soltas nas eleições. (Se bem que Lula ainda pode surpreender e anunciar, em seu discurso de posse, como primeira e urgente medida, a implantação geral e irrestrita do banheiro unissex.)

É verdade também que a ação da Justiça Eleitoral em geral ainda é lenta e insuficiente para conter os danos. Mas é inegável que a remoção de contas que espalham conteúdos golpistas é uma boa coisa, ao menos um indicativo de que o combate às fake news pode, no futuro, ser realmente efetivo.

A ironia é que o candidato dos “censurados”, um admirador confesso do regime militar e de torturadores, só não se autoproclama ditador do Brasil porque não tem força política e militar para isso. Inclusive, se dependesse dos radicais bolsonaristas – as vivandeiras dos quarteis versão 2022, já estaríamos sob uma ditarura. É como diz o velho ditado: censura no dos outros é refresco.

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Enquanto isso, nos EUA, Elon Musk, o novo dono do Twitter, cujo plano era liberar discurso extremista de direita na plataforma (em nome da liberdade de expressão, é claro), recuou diante da pressão dos anunciantes para que a moderação continue ativa.

É outro bom sinal, ainda que seja mais sensato regularmos os limites da liberdade de expressão na esfera pública do que depender dos humores do mercado publicitário.

Numa perspectiva histórica a internet é muito recente. A humanidade ainda está engatinhando, tentando encontrar as melhores maneiras de construir um ambiente saudável no mundo virtual. O pessoal que não quer compreender a necessidade de regulação vai gritar “censura” por um bom tempo, ainda, o que é natural. Afinal, todo bebê chora ao se defrontar com as restrições que a vida impõe.

Mas o futuro é promissor. À medida que formos superando esta era da pós-verdade, poderemos usar cada vez mais a conectividade global para aprofundar a democracia a níveis inéditos.

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A queda de Bolsonaro nas cidades mais populosas do Brasil https://www.ocafezinho.com/2022/11/07/a-queda-de-bolsonaro-nas-cidades-mais-populosas-do-brasil/ https://www.ocafezinho.com/2022/11/07/a-queda-de-bolsonaro-nas-cidades-mais-populosas-do-brasil/#comments Mon, 07 Nov 2022 20:15:45 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=146522 5 Comentários 🔥]]> O Nordeste salvou o Brasil de mais quatro anos de Jair Bolsonaro, não há dúvidas. Mas este é apenas um jeito de olhar; podemos aprofundar nossa análise para enxergar outras nuances da disputa política ferrenha deste Brasil de 2022.

Um dado interessante, por exemplo, é que Fernando Haddad fez 69,7% dos votos do Nordeste no segundo turno de 2018. Lula, quatro anos depois, fez 69,3% dos votos da região – uma surpreendente redução percentual. Ou seja, Lula precisou subir a votação petista nas outras regiões para garantir sua grande e suada vitória.

O cientista político Tiago Garrido fez uma comparação da votação de Bolsonaro no segundo turno de 2018 com a do segundo turno de 2022, nas cidades com mais de 500 mil habitantes. São números interessantes, que indicam de onde veio boa parte da votação que levou Lula ao primeiro lugar. Dê uma olhada:

As cidades em que Lula venceu estão em destaque

Podemos ver no gráfico que em algumas cidades aconteceu uma “virada” em favor do PT.

A começar por São Paulo, de longe a cidade mais populosa do país (mais de 12 milhões de habitantes), onde Bolsonaro despencou de 60,38% (2018) para 46.46% (2022). O PT saiu de uma derrota contundente em 2018 para abrir quase 500 mil votos de vantagem sobre Bolsonaro apenas na capital dos paulistas – a diferença total entre os candidatos a presidência foi de pouco mais de 2 milhões de votos. Outra virada emblemática ocorreu em São Bernardo do Campo/SP, berço político de Lula, onde Bolsonaro caiu de 59,57% (2018) para 46,17% (2022).

Em Porto Alegre/RS também houve uma virada notável. A Região Sul é, hoje, um dos bastiões do conservadorismo no Brasil, mas a capital dos gaúchos deu 57 mil votos de vantagem para Lula.

Nesses dois estados – São Paulo e Rio Grande do Sul – Bolsonaro venceu; mas a vitória de Lula nas capitais foi decisiva para o resultado final. Assim como foi decisiva a diminuição da vantagem de Bolsonaro em cidades populosas de São Paulo como Ribeirão Preto, Campinas, Santo André e Guarulhos.

No Rio de Janeiro/RJ, segunda cidade mais populosa do país, também houve uma redução importante do percentual de votos de Bolsonaro: de 66,35% (2018) para 52,66% (2022). Em Brasília/DF, terceira cidade com mais habitantes do Brasil, Bolsonaro caiu de 69,99% (2018) para 58,81% (2022). Em Belo Horizonte, sexta cidade mais populosa, Bolsonaro passou de 65,59% (2018) para 54,25% (2022). São 10 ou mais pontos percentuais de queda do bolsonarismo entre 2018 e 2022 nestas três cidades que, somadas, dão mais ou menos a mesma população de São Paulo/SP.

Em Salvador/BA e Fortaleza/CE, respectivamente quarta e quinta cidades mais populosas do país, foi o PT que ampliou sua vantagem em 2022, enquanto Bolsonaro mingou. Em Salvador Lula fez impressionantes 70,73% dos votos, abrindo mais de 600 mil votos de vantagem sobre seu adversário.

Curitiba/PR foi uma das poucas cidades com mais de 500 mil habitantes em que Bolsonaro aumentou seu percentual em relação a 2018, de 62,13% para 63,95%, uma indicação de que a esquerda seguirá com a vida difícil no Paraná. Assim como na vizinha Santa Catarina; Joinville, por exemplo, uma das cidades mais populosas do estado, deu 76,6% dos votos para Bolsonaro (em 2018 foram 83,18%).

Os votos válidos no segundo turno de 2018 foram 104.838.753, enquanto em 2002 foram 118.552.353, um aumento de quase 14 milhões de votos em disputa. Os votos nulos e brancos e as abstenções diminuíram na comparação entre 2018 e 2022, o que pode ser explicado pela polarização e pelas fortes paixões envolvidas na disputa entre Lula e Bolsonaro.

Bolsonaro teve um avanço pífio em sua votação total após 4 anos de governo: passou de 57.797.847 votos em 2018 para 58.206.354 em 2022, um aumento de 408.507 votos.

Já o PT saltou de 47.040.906 votos com Fernando Haddad, em 2018, para 60.345.999 com Lula em 2022 – a maior votação da história do Brasil. Mais de cabalísticos 13 milhões de votos de diferença.

***

Cada cidade tem sua dinâmica cultural e política, e uma análise mais pormenorizada dessas dinâmicas específicas deve ajudar a entender melhor os resultados eleitorais.

Se quisermos generalizar um pouco, é natural esperar que o campo progressista obtenha melhores desempenhos em cidades com mais diversidade cultural, como São Paulo, por exemplo: um alto fluxo de pessoas de regiões diversas tende a arejar o pensamento médio de uma população.

Cidades menores e interioranas, por sua vez, são mais conservadoras por natureza. Nas pequenas cidades todo mundo se conhece e todo mundo se vigia, um tipo de ambiente que favorece a manutenção das tradições e das ideias dominantes. Os comportamentos e as ideias “desviantes” costumam chegar primeiro nos grandes centros, onde a vida cultural e a disputa ideológica costumam ser mais agitadas.

O fato é que a esquerda obteve um resultado animador nas votações para presidente nas grandes cidades. Especialmente se lembrarmos que Bolsonaro concorria à reeleição e usou o que podia e o que não podia da máquina pública para se manter no poder. Que a militância urbana se mantenha mobilizada e que os partidos de esquerda afinem suas estratégias para que este avanço se consolide nas próximas (certamente duras) batalhas.

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Uma transição tranquila https://www.ocafezinho.com/2022/11/04/uma-transicao-tranquila/ https://www.ocafezinho.com/2022/11/04/uma-transicao-tranquila/#respond Fri, 04 Nov 2022 19:04:37 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=146472 Um fato notável desta primeira semana após a eleição de Lula é que a transição de governo parece estar caminhando de forma tranquila, muito mais tranquila do que o esperado.

Não que as previsões de turbulências na transição fossem desarrazoadas – muito pelo contrário. Nem o próprio Jair Bolsonaro acredita no papo de “jogar dentro das quatro linhas da Constituição” que costuma repetir. Bolsonaro só não leva a cabo um golpe militar (ou policial) para se perpetuar no poder porque não tem apoio suficiente para isso.

As previsões de que o ainda presidente tentaria um golpe e tumultuaria a transição de governo eram, portanto, bastante razoáveis. Ainda mais se o resultado fosse apertado, como de fato foi. Por que, então, Bolsonaro está tão “manso”?

Seu silêncio sepulcral de quase dois dias após perder a eleição demonstra tanto sua pusilanimidade – reconhecer uma derrota exige grandeza, afinal – quanto uma estratégia. Enquanto aliados próximos como Eduardo Bolsonaro e Carla Zambelli instigavam os atos terroristas nas estradas, Jair aguardava. Casos os atos se tornassem massivos Bolsonaro muito provavelmente contestaria o resultado e daria início a (mais) uma tentativa de golpe.

Mas os atos golpistas reuniram meia dúzia de fanáticos em cada ponto de bloqueio das estradas, apenas, e o que restou a Bolsonaro foi fazer um pronunciamento dúbio, sem reconhecer a derrota mas também sem questionar diretamente o resultado eleitoral.

A bem da verdade Bolsonaro reconheceu, sim, a derrota, ao cochichar para Ciro Nogueira, antes de ler seu discurso de dois minutos, que “eles [os repórteres presentes] vão sentir a nossa falta”. Após o pronunciamento o próprio Ciro Nogueira disse que Jair Bolsonaro deu autorização para que ele, Ciro, desse andamento à transição de governo.

Ou seja, ainda que na realidade alternativa das barricadas a eleição tenha sido fraudada, a fraude tenha sido decretada e o Alexandre de Moraes tenha sido preso, o fato real é que Jair Bolsonaro admitiu, do seu jeito patético, que Lula será o próximo presidente do Brasil.

Isto posto, já podemos observar aquele fenômeno físico bem conhecido, o magnetismo do poder. Nas próximas semanas cada vez mais aliados ferrenhos do bolsonarismo de repente se olharão no espelho e se perceberão nem tão bolsonaristas assim. O Edir Macedo já até “perdoou” o Lula, veja só. E esse movimento natural é outro elemento a facilitar a transição de governo.

Além disso, Jair Bolsonaro cometeu muitos crimes nos últimos quatro anos. As pressões por justiça virão e o quase ex-presidente sabe que tensionar ainda mais sua relação com o Judiciário não é a escolha mais inteligente, se quiser abrandar suas muito prováveis penas.

É hora, portanto, do Jair se portar mais ou menos como um democrata, evitando dar caneladas dentro das famigeradas quatro linhas. Seu jogo já está para acabar e sua expulsão já foi decretada. Agora seu único objetivo é evitar ser banido do esporte.

Que perca mais essa.

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Lições do terrorismo golpista https://www.ocafezinho.com/2022/11/03/licoes-do-terrorismo-golpista/ https://www.ocafezinho.com/2022/11/03/licoes-do-terrorismo-golpista/#comments Thu, 03 Nov 2022 22:45:07 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=146448 4 Comentários 🔥]]> Os atos tresloucados de radicais bolsonaristas paralisaram centenas de estradas pelo Brasil e provocaram prejuízos de toda ordem: desabastecimento de alimentos, remédios e oxigênio, voos e compromissos perdidos, pessoas trancadas nas estradas sem água e alimento, conflitos entre os terroristas e motoristas/pedestres etc. Há cenas fortes de depredação de veículos que tentavam furar o bloqueio e de agressões a quem se opunha à arruaça. Até crianças foram usadas pelos bolsonaristas como escudo humano, com um caso confirmado de ferimento por atropelamento em Marissol, interior de São Paulo.

As repercussões práticas são muito maiores do que a força política dos terroristas – nome adequado para quem usa sistematicamente a violência como meio de repreensão, segundo o Michaelis. Ainda assim, o questionamento violento e golpista do resultado eleitoral é um fato grave, que merece ser observado com atenção. Penso que algumas lições podem ser tiradas desse episódio lamentável desde já.

A primeira lição deveria ser aprendida pela direita clássica brasileira (a não bolsonarista). Esse campo apoiou alegremente Jair Bolsonaro no segundo turno de 2018, como se fosse razoável eleger um idiota fascista para comandar o país, desde que isso significasse a derrota da esquerda. Os últimos quatro anos mostraram de forma cabal que eleger um idiota fascista não é um bom negócio para quem tem o mínimo de bom senso, apreço à vida ou mesmo apreço aos negócios: o golpismo e o silêncio patético de Bolsonaro insuflaram os golpistas das estradas.

Sabemos, por meio de incontáveis exemplos históricos (como o próprio Brasil de Bolsonaro), que o liberalismo econômico e o fascismo convivem muito bem em determinadas ocasiões. No entanto, se os liberais querem fazer seus negócios em paz, deveriam refletir: um presidente golpista com projetos ditatoriais que é capaz de matar centenas de milhares de pessoas para construir sua narrativa política não tende a criar o ambiente de confiança, previsibilidade e liberdade que garante o bom andamento da economia. Se o problema dos liberais com a esquerda são os projetos sociais “paternalistas”, deveriam ler com mais atenção Milton Friedman, por exemplo, que recomendava que o Estado garantisse uma renda mínima a todas as pessoas.

Vamos à segunda lição das micaretas golpistas. (O terrorismo bolsonarista é tão caricato e involuntariamente engraçado que me permito também chamá-lo de micareta.) A leniência da Polícia Rodoviária Federal (PRF) com os golpistas foi gritante, e a prova cabal deste fato é que pequenos agrupamentos de torcidas organizadas como Galoucura e Gaviões da Fiel dispersaram com uma celeridade notável alguns pontos de bloqueio.

A camaradagem com os golpistas soma-se às barreiras da PRF no Nordeste no dia do segundo turno das eleições – sob a inacreditável justificativa de fiscalizar pneus carecas e coisas do gênero – que atrasou ônibus lotados de eleitores e pode ter impedido que muitos votassem. Esses fatos deixam claro que o bolsonarismo está no controle desta corporação e sabe-se lá de quantas mais forças policiais. É tarefa prioritária do governo Lula debelar esses focos bolsonaristas, assim como é tarefa do Judiciário punir, conforme a lei, aqueles que utilizaram seus cargos públicos para fins políticos e pessoais. A polícia deve proteger a população e a coisa pública; jamais servir como arma para golpes de Estado, como se viu na Bolívia recentemente.

A terceira e última lição que devemos tirar do golpismo pós-eleição: nossa economia não pode depender exclusivamente do transporte rodoviário. Em 2018 uma greve dos caminhoneiros paralisou o país por 10 dias, provocando prejuízos em larga escala e um ambiente caótico – as longas filas para abastecer nos postos de gasolina foram dignas de filme de apocalipse. Ampliar o transporte ferroviário, que é mais econômico, mais rápido e causa menos impacto ambiental, é a saída evidente para que o governo Lula e o país não estejam mais sujeitos aos humores manipuláveis dos caminhoneiros e aos manipuladores das empresas de transporte rodoviário.

Outras lições certamente podem ser extraídas dos recentes episódios golpistas. É bom que nos debrucemos sobre elas para que, caso algum bolsonarismo renitente continue tentando parar o país, possamos seguir nossa viagem.

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Nova pesquisa nacional traz más notícias para a terceira via https://www.ocafezinho.com/2021/08/25/nova-pesquisa-nacional-traz-mas-noticias-para-a-terceira-via/ https://www.ocafezinho.com/2021/08/25/nova-pesquisa-nacional-traz-mas-noticias-para-a-terceira-via/#comments Wed, 25 Aug 2021 21:02:25 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=129144 20 Comentários 🔥]]> A nova pesquisa mensal da Futura Inteligência, em parceria com o banco de investimento Modal Mais, traz um cenário ainda fortemente polarizado entre Lula e Bolsonaro, e péssimas notícias para a terceira via. 

Na espontânea, Lula e Bolsonaro agora empatam com 31%. Lula  subiu 1 ponto, Bolsonaro cresceu 7 pontos, e Ciro oscilou meio ponto para baixo. Todos os outros tem 1% para baixo. 

Os números são particularmente ruins para os alternativos porque o número de indecisos caiu de 25% para 19% e mesmo assim nenhum candidato desse campo apresentou qualquer melhora de desempenho. 

Nos cenários estimulados, nota-se uma tendência similar à verificada na espontânea: uma melhora razoável de Bolsonaro, ligeira piora de Lula (dentro da margem de erro), declínio de Ciro e estagnação de outros candidatos em percentuais insignificantes. 

No cenário reduzido da pesquisa estimulada, com apenas 4 candidatos, observa-se que Lula caiu de 42% para 38%, Bolsonaro subiu de 29% para 35%. A vantagem de Lula, que era de 11 pontos, caiu para apenas 3 pontos. 

Ciro perdeu aproximadamente 3 pontos, saindo de 13 para 10 pontos. 

Eduardo Leite ficou estacionado em 3 pontos. 

Um fator que não deve ajudar muito a terceira via é que o grau de decisão dos entrevistados parece bastante consolidado. Entre aqueles que escolheram seu candidato ou optaram por branco ou nulo, 71% disseram que se trata de uma “decisão definitiva”, contra 28% que disseram que seu voto ainda “pode mudar”. 

 

O cenário de segundo turno entre Lula e Bolsonaro também mostrou recuperação de Bolsonaro. Em julho, Lula vencia por 51% a 33%, vantagem de 18 pontos. Hoje Lula ganharia de 47% X 39%, vantagem de 8 pontos. 

Análise: o crescimento de Bolsonaro deixa mais distante a hipótese do presidente “não ir ao segundo turno”.  

O esvaziamento de Ciro pode indicar algum ruído em sua estratégia. 

O declínio de Lula sinaliza que o petista pode ter batido num teto, algo próximo de 40%. Isso lhe garante margem confortável, todavia, para chegar ao segundo turno, e entrar nessa etapa com base firme. A rejeição alta de Bolsonaro, por sua vez, em torno de 41%, facilita a vitória do petista do segundo turno. A rejeição a Lula está em 32%.

Outros candidatos tem rejeição baixa. O método usado na pesquisa pede que os entrevistados escolham apenas 1 candidato a ser rejeitado, por isso a concentração dos números nos dois principais. 

Para baixar a íntegra da pesquisa, clique aqui. A pesquisa do mês anterior pode ser baixada aqui

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