Eleições - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/eleicoes/ Portal de noticias e análises sobre política brasileira, geopolítica, economia, tecnologia, sempre numa perspectiva democrática, progressista, anti-imperialista e multipolar! Fri, 01 May 2026 14:21:36 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://controle.ocafezinho.com/wp-content/uploads/2015/10/cropped-Logo_Cafezinho_tmb-32x32.png Eleições - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/eleicoes/ 32 32 Bruno Retailleau é oficializado candidato dos Republicanos à presidência da França em 2027 https://www.ocafezinho.com/2026/05/01/bruno-retailleau-e-oficializado-candidato-dos-republicanos-a-presidencia-da-franca-em-2027/ https://www.ocafezinho.com/2026/05/01/bruno-retailleau-e-oficializado-candidato-dos-republicanos-a-presidencia-da-franca-em-2027/#comments Fri, 01 May 2026 14:21:24 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/05/01/bruno-retailleau-e-oficializado-candidato-dos-republicanos-a-presidencia-da-franca-em-2027/ 20 Comentários 🔥]]>
O ex-ministro Bruno Retailleau, candidato à presidência da França, em evento do partido Les Républicains. (Foto: © Jean-Christophe Verhaegen / AFP)

O ex-ministro do Interior da França, Bruno Retailleau, foi oficialmente escolhido pelos filiados do partido Les Républicains como candidato à eleição presidencial de 2027.

A consulta interna mobilizou cerca de 46 mil votantes e registrou 73,8 por cento de apoio à sua designação direta, sem primárias. Os militantes rejeitaram tanto a primária fechada a filiados quanto a aberta a simpatizantes.

Essa decisão consolida o predomínio de Retailleau, que já contava com o respaldo da direção nacional do partido. O resultado encerra um debate interno sobre o formato de escolha do candidato.

O partido comunicou o desfecho por meio de nota citada pela RFI. Retailleau busca reposicionar a direita tradicional francesa após sucessivas derrotas eleitorais.

O partido perdeu espaço tanto para a extrema direita de Marine Le Pen quanto para o centrismo do presidente Emmanuel Macron. O candidato defende a restauração da autoridade do Estado e a proteção da identidade nacional.

Retailleau pretende se diferenciar do liberalismo de Macron. Sua plataforma rejeita igualmente o populismo associado à líder da extrema direita.

Apesar do forte apoio interno, o ex-ministro enfrenta o desafio de crescer junto ao eleitorado amplo. As pesquisas ainda não registram avanço significativo de sua candidatura.

Dirigentes históricos do partido criticaram o processo por considerá-lo pouco aberto. A legenda reforçou o compromisso de unidade em torno do novo candidato para evitar divisões.

A designação torna Retailleau o primeiro nome confirmado entre os grandes partidos para 2027. Retailleau lidera o grupo dos Republicanos no Senado e sua trajetória é marcada por posições firmes em segurança e temas conservadores.


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Premiê Sanae Takaichi obtém ampla vitória no Japão https://www.ocafezinho.com/2026/02/09/premie-sanae-takaichi-obtem-ampla-vitoria-no-japao/ https://www.ocafezinho.com/2026/02/09/premie-sanae-takaichi-obtem-ampla-vitoria-no-japao/#comments Mon, 09 Feb 2026 14:30:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=225635 1 Comentário 🔥]]> Conservador Partido Liberal Democrata, liderado pela primeira-ministra, conquista dois terços dos assentos na câmara baixa do Parlamento.

O Partido Liberal Democrático (PLD), liderado pela primeira-ministra Sanae Takaichi, obteve uma vitória esmagadora nas eleições antecipadas realizadas neste domingo (08/02) no Japão.

De acordo com a emissora pública NHK, o PLD conquistou sozinho 316 das 465 cadeiras da Câmara Baixa do Parlamento, a câmara mais poderosa do sistema legislativo japonês.

A vitória confere ao PLD — que governa o país quase ininterruptamente há décadas — uma maioria de dois terços, um marco inédito desde a criação do Parlamento em 1947. O resultado fortalece significativamente a posição da premiê, que agora terá ampla autonomia para implementar sua agenda conservadora sem depender de negociações parlamentares, mesmo diante de eventuais resistências na Câmara Alta.

Coalizão ampliada e cenário político reconfigurado

Somando os 36 assentos conquistados pelo aliado Partido da Inovação do Japão (Ishin), a coalizão de governo atinge um total de 352 cadeiras, consolidando uma base parlamentar robusta para o governo Takaichi. A primeira-ministra havia antecipado as eleições justamente para ampliar a estreita maioria com que assumiu o poder em outubro, após suceder Shigeru Ishiba na liderança do PLD.

Do outro lado, a oposição saiu enfraquecida. A Aliança Reformista Centrista, formada pelo Partido Democrático Constitucional e pelo budista Komeito (ex-aliado do PLD), elegeu apenas 49 parlamentares, queda expressiva em relação às 172 cadeiras que detinha anteriormente.

Avanço da ultradireita

A legenda populista e anti-imigração Sanseito também ampliou sua bancada, indo de 2 para 15 assentos. Seu líder, Sohei Kamiya, admitiu à NHK que o partido “recebeu um grande impulso”, mas ressaltou que o desempenho poderia ter sido maior não fosse a força avassaladora do PLD.

O pleito foi marcado por fortes nevascas em várias regiões, o que atrasou ou interrompeu a votação em alguns locais, ainda que a participação pelo voto antecipado tenha superado a de eleições anteriores.

A primeira-ministra, que desde sua posse em outubro mantém altos índices de popularidade, apresentou as eleições como um referendo sobre seu mandato. Ela chegou a declarar que renunciaria caso sua coalizão não alcançasse a maioria absoluta de 233 assentos — meta amplamente superada.

Com informações do DW em 09/02/2026

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Portugueses votam para presidente em 2° turno histórico https://www.ocafezinho.com/2026/02/08/portugueses-votam-para-presidente-em-2-turno-historico/ https://www.ocafezinho.com/2026/02/08/portugueses-votam-para-presidente-em-2-turno-historico/#respond Sun, 08 Feb 2026 14:06:13 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=225610 Após campanha afetada por inundações, urnas abriram para 11 milhões de eleitores. Socialista António José Seguro é favorito contra líder da ultradireita André Ventura

Os eleitores portugueses começaram a votar neste domingo (08/02) para decidir, em um segundo turno inédito nas últimas quatro décadas, quem será o próximo presidente da república.

A disputa opõe o socialista moderado António José Seguro, grande favorito, ao líder da ultradireita André Ventura. O vencedor sucederá o atual presidente de centro-direita, Marcelo Rebelo de Sousa, que, após dois mandatos, não pode buscar a reeleição.

As urnas abriram às 8h para cerca de 11 milhões de eleitores, incluindo a comunidade no exterior, e fecharão às 19h (horário de Lisboa), com as primeiras projeções de boca de urna previstas para uma hora depois. A votação ocorre após uma campanha marcada pelas tempestades e inundações severas que afetaram o país nas últimas duas semanas.

Favoritismo

As sondagens preliminares apontam uma vitória confortável para António José Seguro, do Partido Socialista (PS), que liderou o primeiro turno em 18 de janeiro com 31% dos votos. Ele disputa o cargo com André Ventura, líder do partido Chega – atualmente a maior força de oposição no Parlamento –, que obteve 23,5% no primeiro turno.

Este é apenas o segundo segundo turno presidencial em Portugal desde o fim da ditadura, em 1974 – o anterior ocorreu em 1986. O cenário reflete a crescente fragmentação política do país, com a ascensão da ultradireita e o descontentamento com os partidos tradicionais.

Embora o cargo presidencial em Portugal tenha um caráter majoritariamente cerimonial, o presidente detém poderes importantes, como a dissolução do Parlamento, a convocação de eleições antecipadas e o veto a leis.

Impacto do mau tempo na votação

As fortes tempestades que atingiram Portugal, incluindo a passagem da tempestade Marta – que deixou um bombeiro morto no sábado –, obrigaram ao adiamento da votação em 36.852 eleitores. A eleição foi reagendada para 15 de fevereiro em várias localidades, como Alcácer do Sal, Arruda dos Vinhos e Golegã, além de algumas seções eleitorais em municípios como Santarém, Leiria e Salvaterra de Magos.

Neste domingo, espera-se uma melhora parcial no tempo, embora o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) preveja chuva a partir da tarde, neve em regiões altas e ventos fortes no litoral.

Processo eleitoral decorre com normalidade

De acordo com o Jornal de Notícias, o pleito transcorre com normalidade durante a manhã, “sem que haja informação de problemas” além dos adiamentos já determinados. Até o momento, não foram registradas interrupções ou boicotes significativos.

A última alteração ocorreu na noite de sábado, quando a Câmara Municipal de Salvaterra de Magos decidiu adiar a votação em sua freguesia devido ao isolamento da povoação de Escaroupim, causado pelas cheias do rio Tejo.

A campanha eleitoral foi profundamente impactada pelas intempéries, que desde 28 de janeiro causaram sete mortes diretas e outras seis indiretas – de pessoas que caíram de telhados durante reparos.

Com informações do DW em 08/02/2026

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Portugal escolhe novo presidente, e socialista é favorito https://www.ocafezinho.com/2026/02/07/portugal-escolhe-novo-presidente-e-socialista-e-favorito/ https://www.ocafezinho.com/2026/02/07/portugal-escolhe-novo-presidente-e-socialista-e-favorito/#respond Sat, 07 Feb 2026 22:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=225603 Sondagens indicam vitória de António José Seguro na votação deste domingo sobre o líder de ultradireita André Ventura, que promete a “maior mudança do sistema político português” desde a Revolução dos Cravos.

Os portugueses votam neste domingo (08/02) no segundo turno das eleições presidenciais, numa disputa que representa um referendo sobre a própria arquitetura democrática do país.

De um lado, o candidato António José Seguro, ex-ministro socialista que encarna a continuidade do regime democrático pós-Revolução dos Cravos. Do outro, André Ventura, líder do partido de ultradireita Chega, que promete uma ruptura radical com o sistema.

As pesquisas apontam para uma vantagem expressiva de Seguro, projetado para uma vitória confortável. Um levantamento do Cesop/Universidade Católica, divulgado na terça-feira, indica que, desconsiderando indecisos e votos inválidos, Seguro teria 67% dos votos, contra 33% de Ventura.

A campanha cristalizou a escolha entre dois projetos antagônicos.

Seguro posiciona-se como um candidato “suprapartidário” que busca aperfeiçoar muitas coisas” que não funcionam, mas que de forma alguma pretende mudar o regime. Defende o papel tradicional do presidente como árbitro e fiscalizador.

Já Ventura promete “a maior mudança no sistema político português desde 25 de abril de 1974”, data da revolução, atacando os partidos tradicionais e acenando com uma reestruturação profunda do poder.

Campanha em meio a inundações

A reta final da campanha foi drasticamente reconfigurada pelas severas tempestades e inundações que assolaram o país nas últimas duas semanas, causando pelo menos cinco mortes e danos generalizados.

Inundações causaram danos generalizados e provocaram mudanças nas campanhas eleitorais | Patricia De Melo Moreira/AFP

Ambos os candidatos redirecionaram suas agendas para as áreas mais afetadas, adaptando discursos e ações.

Seguro focou no diálogo com os afetados, afirmando que “o trabalho do presidente é ouvir os cidadãos”.

Ventura dedicou-se à distribuição de suprimentos e visitas a locais atingidos, utilizando a crise para criticar a resposta do governo de centro-direita do primeiro-ministro Luís Montenegro.

A votação foi adiada por uma semana em alguns municípios devido aos estragos. Um pedido de Ventura para postergar a eleição em todo o país foi rejeitado, com base na lei eleitoral que só permite adiamentos localizados.

Caminho para o segundo turno

Seguro venceu o primeiro turno em 18 de janeiro com 31,11% dos votos, contra 23,52% de Ventura. A pesquisa do Cesop sugere que o ex-ministro é o principal beneficiário da transferência de votos dos candidatos derrotados, recebendo amplo apoio dos eleitores de centro-direita que optaram por João Cotrim de Figueiredo, Henrique Gouveia e Melo ou Luís Marques Mendes no primeiro turno.

Apoios

A candidatura de Seguro recebeu o endosso público dos demais presidenciáveis e de ex-presidentes da República, como Aníbal Cavaco Silva e António Ramalho Eanes. Ventura interpreta essa ampla convergência em torno do adversário não como um apoio a Seguro, mas como uma rejeição à sua figura “antissistema”.

Num debate marcado por acusações mútuas, Seguro acusou Ventura de almejar ser primeiro-ministro com poderes executivos, descaracterizando a presidência. Ventura retrucou, caracterizando o projeto do oponente como inerte, aspiracional a uma figura decorativa similar à “Rainha da Inglaterra”.

A eleição deste domingo definirá não apenas o sucessor do presidente Marcelo Rebelo de Sousa no Palácio de Belém, mas o tom e os limites do debate político português para os próximos cinco anos, num teste de resiliência da democracia estabelecida há meio século.

Com informações do DW em 07/02/2026

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Chile: ativista da extrema direita será ministra da Mulher e Igualdade de Gênero https://www.ocafezinho.com/2026/01/21/chile-ativista-da-extrema-direita-sera-ministra-da-mulher-e-igualdade-de-genero/ https://www.ocafezinho.com/2026/01/21/chile-ativista-da-extrema-direita-sera-ministra-da-mulher-e-igualdade-de-genero/#comments Wed, 21 Jan 2026 21:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=224849 1 Comentário 🔥]]> O presidente eleito do Chile nomeia Judith Marín, que criticou publicamente os projetos de lei para descriminalizar o aborto

O presidente eleito do Chile, José Antonio Kast, da direita conservadora, nomeou Judith Marín, de 30 anos, como nova ministra da Mulher e da Igualdade de Gênero.

A escolha gerou controvérsia devido às posições públicas da futura ministra, que se declara opositora veemente do aborto e defensora da vida “desde a concepção até a morte natural”.

Marín ganhou notoriedade nacional quando foi retirada à força do Senado chileno pela polícia após interromper uma sessão que votava a descriminalização do aborto, gritando “voltem para o Senhor”.

Ela é ex-presidente de um grupo estudantil evangélico vinculado aos “Águias de Jesus”, organização cristã que atua em universidades chilenas.

Em declarações públicas, Marín já questionou a própria necessidade do ministério que irá comandar e defendeu o modelo de “família natural” – com pai e mãe à frente do núcleo familiar – como princípio fundamental da sociedade.

Em outubro, afirmou: “Nosso país está passando por uma crise espiritual, social, moral e política, e mais do que nunca nós, filhos de Deus, precisamos nos levantar.”

Atualmente, o aborto no Chile é permitido em três situações específicas: risco de vida para a mãe, gravidez resultante de estupro ou inviabilidade fetal. O Congresso discute projeto apresentado pelo presidente Gabriel Boric que descriminalizaria a interrupção voluntária da gravidez até a 14ª semana em qualquer circunstância.

A nomeação de Marín ocorre neste contexto de debate nacional sobre direitos reprodutivos e representa sinal claro das prioridades do governo que assumirá o poder em março, indicando que as políticas de gênero do próximo governo seguirão orientação conservadora alinhada às convicções religiosas de seus principais integrantes.

Composição ministerial reflete viés conservador

Kast, católico e pai de nove filhos que sempre se opôs ao aborto durante sua carreira política, declarou sobre a escolha: “Este gabinete de unidade não foi formado para administrar a normalidade”. Foi reunido para enfrentar uma emergência nacional.”

O futuro presidente, que venceu o segundo turno em dezembro com plataforma focada no combate ao crime e controle da imigração, evitou durante a campanha debates aprofundados sobre valores sociais conservadores, limitando-se a afirmar: “Não mudei minhas convicções”.

O gabinete anunciado é composto por 13 homens e 11 mulheres, com idade média de 54 anos. A maioria provém de setores de direita e direita conservadora, com representação minoritária de vozes centristas.

Dois nomes chamam atenção por suas conexões históricas: Fernando Barros (68), futuro ministro da Defesa, e Fernando Rabat (53), futuro ministro da Justiça, ambos advogados que defenderam o ex-ditador Augusto Pinochet em processos judiciais.

Kast, que assume a presidência em 11 de março para mandato de quatro anos, é conhecido por seu apoio histórico a Pinochet – chegou a fazer campanha pela permanência do ditador no poder antes do plebiscito de 1988. Em 2017, durante sua primeira campanha presidencial, afirmou que Pinochet votaria nele se ainda estivesse vivo.

Com informações do The Guardian em 21/01/2026

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Esquerda e ultradireita disputarão 2º turno em Portugal https://www.ocafezinho.com/2026/01/19/esquerda-e-ultradireita-disputarao-2o-turno-em-portugal/ https://www.ocafezinho.com/2026/01/19/esquerda-e-ultradireita-disputarao-2o-turno-em-portugal/#respond Mon, 19 Jan 2026 11:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=224695 Candidato socialista António José Seguro lidera o primeiro turno da eleição presidencial no país, seguido de André Ventura, do Chega. Próximo pleito está marcado para 8 de fevereiro.

O socialista António José Seguro e o ultradireitista André Ventura foram os dois candidatos mais votados nas eleições deste domingo (18/01) para a presidência de Portugal e vão se enfrentar em um segundo turno previsto para 8 de fevereiro.

Com quase 98% dos votos apurados, André Ventura, líder do partido Chega, obteve 24% dos votos. Ele ficou atrás de Seguro, do Partido Socialista (PS), que surpreendeu ao obter quase 31% dos votos. Pesquisas indicavam que Ventura sairia na frente no pleito.

Em Portugal, o PS é majoritariamente considerado um partido de centro-esquerda, com Seguro se apresentando apelando aos votos da “esquerda moderada”.

Outros nove candidatos concorreram em um número recorde de participantes na eleição presidencial, mas nenhum chegou perto dos mais de 50% necessários para vencer no primeiro turno.

Nas cinco décadas desde que Portugal encerrou sua ditadura, em 1974, uma eleição presidencial havia exigido segundo turno apenas uma vez, em 1986. O resultado revela como o cenário político se tornou fragmentado com a ascensão da ultradireita e o descontentamento dos eleitores com os partidos tradicionais do país.

Em Portugal, a presidência é um cargo em grande parte cerimonial, mas exerce alguns poderes importantes, incluindo a dissolução do parlamento, a convocação de eleições legislativas antecipadas e o veto a leis.

Mais de 11 milhões de cidadãos portugueses estavam aptos a votar para eleger o sucessor de Marcelo Rebelo de Sousa, do Partido Social Democrata, que deixará o posto após dois mandatos de cinco anos.

Ultradireita cresce em Portugal

Em maio do ano passado, o partido de ultradireita Chega, fundado há sete anos, tornou-se o principal partido de oposição no parlamento português e o terceiro do país, com 22,8% dos votos.

A ascensão de Ventura capturou apoio dos dois principais partidos do país que se revezaram no poder na última metade do século: o Partido Social Democrata, de centro-direita, atualmente no governo, e mesmo o Partido Socialista, de Seguro.

Um dos principais alvos de Ventura tem sido o que ele chama de “imigração excessiva”, à medida que trabalhadores estrangeiros se tornaram mais visíveis em Portugal nos últimos anos. Durante a campanha eleitoral, ele colocou outdoors pelo país com mensagens como: “Isto não é Bangladesh” e “Imigrantes não devem viver de assistência social”.

Apesar do favoritismo de Ventura no primeiro turno, pesquisas recentes mostram que o candidato perderia a disputa na segunda volta devido à sua alta taxa de rejeição, superior a 60% dos eleitores.

Neste domingo, o ultradireitista instou a direita a se unir nas urnas: “Lutarei dia a dia, minuto a minuto, segundo a segundo para que não haja um presidente socialista. Nós vamos vencer,” disse ele.

Quem é António Seguro?

Já Seguro é um veterano dirigente socialista e mantém um perfil discreto nas fileiras do Partido Socialista, que liderou entre 2011 e 2014.

Segundo o jornal português O Observador, depois de deixar a liderança da sigla devido a disputas internas, passou pelo Conselho de Estado, órgão consultivo da presidência, e atuou como professor universitário antes de voltar à política no pleito presidencial.

Fez campanha com bandeiras republicanas e de justiça social, ganhando tração em uma eleição marcada por temas como a crise habitacional e o custo de vida no país.

Publicado originalmente pelo DW em 18/01/2026

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Influência de Trump nas eleições do Brasil pode gerar efeito oposto https://www.ocafezinho.com/2026/01/07/influencia-de-trump-nas-eleicoes-do-brasil-pode-gerar-efeito-oposto/ https://www.ocafezinho.com/2026/01/07/influencia-de-trump-nas-eleicoes-do-brasil-pode-gerar-efeito-oposto/#respond Wed, 07 Jan 2026 17:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=224186 “A interferência dos Estados Unidos na vida política brasileira não vai favorecer os partidos da direita, porque isto servirá como arma para o nacionalismo dos demais”, afirmou o especialista Erick Langer, professor de História na Universidade de Georgetown.

O professor e historiador americano Erick Langer, da Universidade de Georgetown, afirmou à BBC News Brasil que, após a intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela, o presidente Donald Trump buscará “se meter” cada vez mais nos assuntos da América Latina — incluindo uma tentativa de influenciar as eleições presidenciais brasileiras de 2026. No entanto, sua análise sugere que essa interferência pode ter um efeito contrário ao desejado e, em vez de ajudar, prejudicar as forças de direita no país.

Langer avalia que o Brasil é o “grande contrapeso” contra as investidas de Trump no continente. “O único que é grande o suficiente para parar [Trump] e dizer ‘chega’ aos Estados Unidos é o Brasil”, disse.

A previsão do especialista se insere em um cenário de alta tensão geopolítica e de um calendário eleitoral carregado na América Latina, onde cinco países — Brasil, Colômbia, Peru, Costa Rica e Haiti — irão às urnas ainda em 2026. Analistas regionais apontam que o governo Trump tem atuado “em nível sem precedentes desde o final da Guerra Fria” para influenciar resultados eleitorais na região, como aconteceu nas eleições da Argentina e de Honduras em 2025.

A estratégia de Trump na Venezuela: “colônia econômica” e não democracia

Langer argumenta que a operação que levou ao sequestro de Nicolás Maduro teve menos a ver com a promoção da democracia e mais com a garantia de acesso a recursos estratégicos. “Foi bom que tiraram o ditador. Mas, em primeiro lugar, não há um plano para o retorno da democracia”, avalia. “Acho que o que [Trump] quer fazer é criar uma colônia econômica na Venezuela”.

Esta visão é compartilhada por outros analistas. O interesse americano recai claramente sobre as vastas reservas de petróleo pesado venezuelano, cruciais para a indústria de refino dos EUA. Para Trump, que enfrenta eleições de meio de mandato em novembro de 2026, baratear os combustíveis domésticos é uma prioridade política e econômica.

Langer acredita que o sequestro de Maduro contou com a conivência da cúpula chavista. “Acho que Delcy Rodríguez e Diosdado Cabello fizeram um acordo e traíram Maduro… para ficar com o poder”, afirmou. Em troca, Washington teria apoiado Rodríguez como presidente interina em detrimento da líder oposicionista María Corina Machado.

Esse movimento, segundo Langer e análises do jornal The New York Times citadas por outros especialistas, ocorreu porque Rodríguez foi vista como uma parceira mais confiável para defender os investimentos americanos no petróleo do que Machado, que, apesar de também ser favorável à abertura do mercado, possui um amplo respaldo popular que a tornaria menos manipulável.

Efeito dominó regional

A ação na Venezuela estabelece um precedente perigoso. Países como México e Colômbia, governados por presidentes de esquerda, já foram alvos de ameaças públicas de Trump. A estratégia, detalhada em documentos como o Project 2025, parece ser a de derrubar ou pressionar governantes de esquerda e influenciar as próximas eleições regionais para garantir aliados ideologicamente alinhados a Washington.

O Brasil na mira: Por que Trump tentaria interferir em 2026?

Para Langer, a visão de Trump sobre as relações hemisféricas é análoga a uma “esfera de poder”. “Já a Rússia pode fazer o que quiser [na disputa] pela Ucrânia, que os chineses tenham a Ásia e não tem problema, enquanto nós [dos EUA] ficamos com todo o hemisfério americano”, interpreta o historiador.

Neste contexto, o Brasil — a maior economia e democracia da América Latina — torna-se um prêmio geopolítico fundamental.

Ameaça econômica como pressão: em julho de 2025, o governo Trump impôs tarifas de 40% sobre uma ampla gama de produtos brasileiros, justificando a medida com alegações de que políticas do governo Lula ameaçavam a segurança nacional e a economia dos EUA. Embora parte dessas tarifas tenha sido revertida após a reaproximação entre Lula e Trump, especialistas veem o episódio como um claro instrumento de pressão política e econômica que pode ser reativado.

Proximidade ideológica com a direita brasileira: Trump deixou explícito em documentos oficiais seu apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que é visto como um aliado ideológico. A condenação de Bolsonaro pelo sistema de Justiça brasileiro foi descrita pela Casa Branca como “perseguição política”. Membros da família Bolsonaro, como Eduardo Bolsonaro, têm se mobilizado para fortalecer laços com redes de direita nos Estados Unidos.

Precedentes regionais bem-sucedidos: a interferência eleitoral é uma tática já testada por Trump. Nas eleições legislativas argentinas de 2025, o republicano condicionou um pacote de ajuda de US$ 20 bilhões à vitória de aliados do presidente Javier Milei. Em Honduras, deu apoio público ao candidato de direita Nasry Asfura. Em ambos os casos, seus apoiados saíram vitoriosos.

A reação brasileira: alerta no Planalto e nacionalismo como resposta

O governo Lula monitora a situação com apreensão. Apesar da “boa química” pessoal descrita entre Lula e Trump, o Planalto avalia que o histórico recente do republicano eleva o risco de ingerência na corrida presidencial de 2026.

A intervenção na Venezuela acendeu um alerta estratégico. Internamente, a avaliação é que, com o avanço do calendário eleitoral, Washington pode passar a enxergar a disputa brasileira como uma escolha entre um projeto de autonomia (Lula) e outro mais aderente à sua agenda de segurança (a direita brasileira).

Por que a interferência pode sair pela culatra?

É aqui que entra a tese central de Langer: uma intervenção muito explícita de Trump pode ativar um sentimento nacionalista na população e nos competidores políticos, beneficiando indiretamente Lula.

“A interferência dos Estados Unidos na vida política brasileira não vai favorecer os partidos da direita, porque isto servirá como arma para o nacionalismo dos demais”, prevê o professor.

Consultorias políticas brasileiras também avaliam que discursos que sugerem alinhamento excessivo ou presença militar americana podem encontrar resistência no eleitorado. A narrativa crítica a sanções e interferências externas tende a ter boa ressonância, como visto na reação pública ao “tarifaço” de 2025.

O cenário eleitoral latino-americano em 2026

O Brasil não está isolado. A América Latina terá um ano eleitoral intenso, que testará a influência externa e a solidez das democracias locais

Um jogo de xadrez geopolítico de alto risco

A intervenção dos EUA na Venezuela não foi um episódio isolado, mas a primeira grande jogada em um tabuleiro geopolítico reconfigurado. A visão expressa pelo professor Erick Langer aponta para um ano de 2026 em que a sombra de Washington pairará sobre as eleições latino-americanas.

No entanto, diferentemente de nações menores ou mais instáveis, o Brasil apresenta uma complexidade institucional e um peso diplomático que tornam uma interferência indevida arriscada e potencialmente contraproducente. A aposta de Langer é que, no Brasil, o nacionalismo ainda é uma força poderosa e que tentativas explícitas de influência podem unir setores diversos em defesa da soberania, criando um efeito político oposto ao desejado por Washington.

O grande teste será se a política externa dos EUA, embalada pelo sucesso tático na Venezuela, conseguirá calibrar sua abordagem para lidar com a principal potência sul-americana sem desencadear uma reação que fortaleça justamente os setores que busca enfraquecer.

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Corrida presidencial no Chile tem ultraconservador à frente https://www.ocafezinho.com/2025/12/14/corrida-presidencial-no-chile-tem-ultraconservador-a-frente/ https://www.ocafezinho.com/2025/12/14/corrida-presidencial-no-chile-tem-ultraconservador-a-frente/#respond Sun, 14 Dec 2025 16:50:03 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=223097 Extremista de direita é favorito em votação neste domingo contra candidata comunista moderada, no segundo turno do pleito que decide a sucessão de Gabriel Boric.

Os chilenos votam neste domingo (14/12) em um país polarizado entre o candidato mais à direita desde o fim da ditadura de Augusto Pinochet, há 35 anos, e uma comunista moderada representando a esquerda.

Um total de 3.379 seções eleitorais com 40.473 mesas de votação abriram para o início do segundo turno das eleições presidenciais no Chile, no qual será escolhido o sucessor do progressista Gabriel Boric.

Mais de 15,6 milhões de pessoas estão aptas a votar – o voto é obrigatório –, para escolher entre a comunista moderada e única candidata de uma ampla aliança progressista, Jeannette Jara, de 51 anos, e o candidato de extrema direita e fundador do Partido Republicano (PR), José Antonio Kast, de 59 anos.

De acordo com analistas e pesquisas publicadas antes do período de restrição eleitoral, o candidato republicano entra no segundo turno como o claro favorito, levantando mais dúvidas sobre a margem de vitória do que sobre o resultado final.

Após ficar em segundo lugar no primeiro turno com 23,9% dos votos, Kast recebeu o apoio do libertário de extrema direita Johannes Kaiser e da ex-prefeita Evelyn Matthei, representante da direita tradicional, elevando seu total para mais de 50% dos votos.

Jara, por sua vez, venceu as eleições de novembro com 26,9% dos votos, mas tem pouco espaço para ampliar sua base eleitoral, apesar de ser a única candidata de uma ampla e inédita coalizão progressista, que abrange desde o Partido Comunista até a Democracia Cristã.

Ultraconservador partidário de Pinochet

Católico ultraconservador e pai de nove filhos, Kast seria o primeiro presidente a chegar ao poder tendo feito campanha a favor da continuidade do regime do general Augusto Pinochet (1973-1990) no plebiscito de 1988.

Ao longo de sua campanha, ele baseou seu discurso e posicionamento exclusivamente em questões de segurança e imigração, as principais preocupações dos chilenos, segundo as pesquisas, e evitou divulgar suas visões ultraconservadoras sobre liberdades individuais e sua defesa do regime – seu irmão foi um ministro importante durante o governo Pinochet.

Ele promete deportar quase 340 mil imigrantes ilegais, em sua maioria venezuelanos, e combater o crime com dureza. Em suas aparições públicas, atrás de vidros à prova de balas em um dos países mais seguros da região, este ex-congressista apresentou o Chile quase como um Estado falido dominado pelo narcotráfico, distanciando-se do “milagre econômico” que o tornou uma das nações mais bem-sucedidas da América Latina.

Entre outros pontos, ele evitou esclarecer como pretende cortar 6 bilhões de dólares dos gastos públicos nos primeiros 18 meses de seu possível governo e se libertaria os ex-oficiais militares que cometeram crimes contra a humanidade durante a ditadura.

Distanciamento do governo Boric

Jara, por sua vez, tentou se distanciar da impopularidade do governo de Boric e lutou contra o anticomunismo profundamente enraizado e disseminado no Chile. Ela também alertou para os riscos representados pela extrema direita e defendeu sua liderança na aprovação de leis históricas, como o aumento do salário mínimo, a reforma da previdência e a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais.

O presidente eleito em 11 de março terá que lidar com um Parlamento dividido, onde o bloco de direita e extrema direita está a apenas duas cadeiras da maioria no Congresso, e onde os votos do Partido Popular (PDG), de orientação populista, serão cruciais.

Desde 2006, o poder tem alternado entre a esquerda e a direita, e nenhum presidente passou a faixa presidencial para um sucessor da mesma orientação política.

As urnas ficam abertas até as 18h, horário local (18h Brasília), e os resultados são esperados algumas horas depois.

Publicado originalmente pelo DW em 14/12/2025

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Chile poderá ter governo mais à direita desde a era Pinochet https://www.ocafezinho.com/2025/12/13/chile-podera-ter-governo-mais-a-direita-desde-a-era-pinochet/ https://www.ocafezinho.com/2025/12/13/chile-podera-ter-governo-mais-a-direita-desde-a-era-pinochet/#respond Sat, 13 Dec 2025 20:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=223086 Pesquisas e especialistas preveem vitória do candidato da ultradireita, José Antonio Kast. No entanto, erros de última hora e participação ruim em debate podem dar novo impulso à esquerdista Jeannette Jara.

A um dia do segundo turno das eleições presidenciais no Chile, as pesquisas – cuja divulgação é proibida na véspera do pleito, mas que são comentadas nos bastidores – indicavam uma clara vantagem para o candidato da ultradireita José Kast sobre a comunista e ex-ministra Jeannette Jara, apoiada pelo atual presidente, Gabriel Boric.

Se confirmado o favoritismo, Kast, de 59 anos, deverá se tornar o líder mais à direita do país desde o fim do regime de Augusto Pinochet (1973-1990), após uma campanha fortemente marcada pelos temas da segurança pública e imigração.

Sua vitória marcaria a maior mudança política do país em décadas e se somaria à crescente onda de governos de direita na América Latina, à medida que a indignação gerada por temas como criminalidade e imigração substituiu as demandas por maior igualdade e se tornaram temas centrais para muitos eleitores.

No primeiro turno, em 16 de novembro, Jara e Kast obtiveram cerca de um quarto dos votos cada, com ligeira vantagem para a esquerdista. Mas, como o terceiro, o quarto e o quinto colocados também eram de direita, espera-se que votos migrem para Kast, o que lhe daria os 50% necessários para garantir a vitória.

“Janela de oportunidade” para a esquerda?

Analistas concordam que sua vitória é quase certa, embora erros recentes em sua campanha e seu fraco desempenho no debate de 3 de dezembro tenham adicionado alguma tensão – entre os erros estão uma declaração de um membro de seu partido a favor do indulto para estupradores de crianças e a incapacidade do Kast de explicar seu plano para expulsar estrangeiros.

Alguns observadores não descartam que, em uma disputa que parece praticamente decidida, uma pequena janela de oportunidade para surpresas de última hora ainda pode se abrir.

Ao contrário do que se poderia pensar – dado que o segundo turno apresenta uma mulher filiada ao Partido Comunista e um homem fundador do Partido Republicano, de extrema direita – o segundo turno, em 14 de dezembro, não será uma batalha entre posições extremistas. Embora os candidatos de centro tenham sido derrotados de forma contundente nas primárias e no primeiro turno, os centristas ainda detêm ainda algum poder e certamente têm muito a dizer.

Jara saiu à frente no primeiro turno, mas total dos votos da direita pode derrotá-la na segunda rodada | Rodrigo Arangua/AFP

“A percepção é de que ambos os candidatos tendem a se mover para o centro”, disse à DW Olaf Jacob, representante chileno da Fundação Konrad Adenauer, ligada ao partido conservador alemão União Democrata Cristã (CDU), ao qual pertence o chanceler federal, Friedrich Merz. “Acho que não haverá alternativa. Quem quer que vença terá que moderar sua posição, porque a composição do Parlamento não permite posições muito radicais”, afirmou o especialista. Para ele, a questão que se impõe é se esse movimento em direção ao centro é genuíno ou se está mais relacionado a necessidades eleitorais circunstanciais.

“Vitória de Kast seria disruptiva”

“A tensão polarizadora está voltada para a extrema direita”, explicou à DW Jorge Saavedra, professor da Universidade Diego Portales e doutor em Comunicação e Mídia pela Universidade de Londres. Segundo o especialista, uma vitória de Jara significaria, na prática, a continuidade do atual governo social-democrata liderado pelo presidente Gabriel Boric. “Uma vitória de Kast seria de fato disruptiva, representa um caminho muito extremo porque em diversas áreas.”

Saavedra cita como exemplo a ideia que Kast vem promovendo em sua campanha, de um “governo de emergência”. Em suas declarações, o candidato frequentemente se refere a uma crise que o país sul-americano vivenciaria, a qual ele atribui diretamente ao atual governo de centro-esquerda.

Esse cenário exigiria a formação de um poder executivo que possa responder a essa “emergência”, com foco na normalização do funcionamento do Estado e no combate à criminalidade e à falta de crescimento. “Essa é a oferta deles. Eles não têm uma proposta para a fase pós-emergência. Isso não surpreende, considerando suas referências: [presidente da Hungria] Viktor Orbán, [presidente dos EUA] Donald Trump, [presidente de El Salvador] Nayib Bukele e [ex-presidente do Brasil] Jair Bolsonaro”.

Segurança e imigração

De qualquer forma, para Saavedra, a possibilidade de polarização total se esvai diante do muro de contenção oferecido por um Parlamento fragmentado, porém moderado. “O novo Parlamento não será tão diferente daquele que o presidente Boric teve, e certamente em suas decisões finais não agirá a partir de uma postura de estridência midiática, mas sim como uma espécie de moderador do debate. Ninguém poderá implementar medidas muito extremas, por mais que deseje”, afirmou o acadêmico.

Para muitos chilenos, um dos maiores problemas do país é a imigração associada à criminalidade | Alexander Infante/Reuters

Dois temas que praticamente monopolizaram as conversas durante a campanha presidencial foram a imigração e a insegurança. Apesar de ser um dos países com os menores índices de criminalidade das Américas, a percepção pública no Chile aponta para uma espécie de crise que, no primeiro turno, forneceu terreno fértil para propostas como a militarização de cidades ou a construção de prisões no deserto, e para frases como “criminosos terão que escolher entre a cadeia e o cemitério”, proferida pela candidata Evelyn Matthei na primeira rodada das eleições.

“Existe uma percepção de que a insegurança está associada à imigração”, afirma Jacob, para quem o candidato vencedor terá que agir rapidamente. “Se conseguirmos controlar ou reduzir a percepção de insegurança entre a população em curto prazo, acredito que muitos problemas serão resolvidos”, diz o representante da Fundação Konrad Adenauer.

“Algo extraordinário teria que acontecer”

Jacob utiliza uma calculadora para responder se a vitória do Kast no segundo turno estaria realmente garantida, como previsto por pesquisas, especialistas e até mesmo conversas do dia a dia. “Se contarmos apenas os votos da direita no primeiro turno, já temos mais de 50%”, argumenta. Segundo o especialista, o objetivo de Jara seria perder por menos de 20 pontos percentuais.

“As chances são pequenas. Muito pequenas, na verdade”, acrescenta Saavedra. “O que Jara fará é diminuir a diferença em alguns pontos, mas não vai ganhar. Talvez com mais duas semanas de campanha ela conseguisse, porque Kast cometeu erros significativos e não forçados nos últimos dias, mas algo extraordinário teria que acontecer para o republicano não vencer”, completa.

Se eleito, Kast deverá se tornar o líder mais conservador do Chile desde a ditadura militar | Esteban Felix/AP Photo/picture alliance

O acadêmico aponta para outro fator que desempenhou um papel muito relevante: o fato de Jara ser membro do Partido Comunista. “Isso desperta percepções relacionadas à formação neoliberal do chileno comum, essa ideia de que eu trabalho, ganho meu dinheiro e não quero dá-lo a ninguém. As pessoas confundem a possibilidade de um presidente comunista com redistribuição e não a enxergam sob a perspectiva dos direitos sociais”, observou. Ele prevê que Kast terá problemas se vencer.

“Acho que ele terá um primeiro semestre muito difícil enfrentando oposição”, afirmou. “O que ele fez até agora foi não se mostrar o apoiador linha-dura de Pinochet que é, e quando vencer isso ficará evidente; haverá medidas regressivas em muitas áreas, e isso gerará uma reação muito rápida em diferentes setores.”

Trajetória de Kast

O advogado de 59 anos e candidato à Presidência pela terceira vez perdeu o segundo turno das eleições de 2021 para Boric. Fundador do Partido Republicano, de ultradireita, Kast colocou a imigração e a segurança no topo de sua agenda, com propostas para deportar em massa imigrantes irregulares e construir prisões de segurança máxima.

Filho de um tenente do Exército alemão que foi para a América do Sul após a Segunda Guerra Mundial, a filiação de seu pai ao Partido Nazista o prejudicou na última eleição, assim como o fato de seu irmão ter exercido um cargo de ministro durante a ditadura do general Augusto Pinochet

Publicado originalmente pelo DW em 13/12/2025

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Parlamento ameaça não validar eleição em Honduras https://www.ocafezinho.com/2025/12/11/parlamento-ameaca-nao-validar-eleicao-em-honduras/ https://www.ocafezinho.com/2025/12/11/parlamento-ameaca-nao-validar-eleicao-em-honduras/#respond Thu, 11 Dec 2025 22:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=222985 Presidente do Congresso alega interferência de Trump no pleito presidencial e de grupos do narcotráfico. Candidatos denunciam fraudes, e observadores internacionais pedem cautela.

O Parlamento de Honduras ameaçou nesta quarta-feira (10/12) não validar o resultado da eleição presidencial no país afirmando que a votação ocorreu sob pressões internas e externas.

A nação caribenha realizou o pleito em 30 de novembro, mas o resultado final ainda não foi divulgado, em meio a denúncias de fraude, interferências e problemas no escrutínio de centenas de atas, enquanto o país segue mergulhado na incerteza.

Protestos eclodiram nesta quarta-feira, com centenas de apoiadores do partido governista Libre bloqueando uma ponte na capital, Tegucigalpa, exigindo a anulação da eleição. A comissão eleitoral do país passou mais de 24 horas sem divulgar novos resultados da apuração, aparentemente paralisada.

Em um documento, o Parlamento deixa claro que “não validará um processo manchado por pressões internas de estruturas do crime organizado vinculadas ao narcotráfico” e “muito menos sob pressões externas”, ao referir-se a declarações do presidente americano, Donald Trump feitas horas antes do pleito, a favor de um dos candidatos.

“Ingerência”

O presidente do Parlamento hondurenho, Luis Redondo, condenou a “ingerência” de Trump e denunciou que suas declarações públicas em favor de Nasry “Tito” Asfura, candidato do conservador Partido Nacional, constituíram “coação” contra os eleitores.

A declaração do Parlamento acrescenta que o apoio de Trump a Asfura e sua decisão de perdoar o ex-presidente hondurenho Juan Orlando Hernández “constituem uma interferência inadmissível, uma ameaça direta ao povo hondurenho e uma violação flagrante dos princípios democráticos e do direito internacional para influenciar a votação por meio de pressão, desinformação e condições econômicas”.

Membro do mesmo partido de Asfura, Hernández cumpria pena de 45 anos de prisão em Nova York desde junho de 2024 por tráfico de drogas e porte ilegal de armas. O Ministério Público hondurenho empreende esforços para prender novamente o ex-governante.

“Condenamos de maneira absoluta a ingerência do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que mediante declarações públicas realizadas 72 horas antes das eleições de 30 de novembro ameaçou e coagiu os cidadãos hondurenhos, alterando o livre exercício do sufrágio”, indicou Redondo em comunicado acordado pela Comissão Permanente do Parlamento, que integra nove dos 128 deputados, mas que tem grandes poderes.

Hernández foi extraditado em 2022 por seu país e condenado por narcotráfico em 2024, mas o ex-mandatário insiste que tudo foi um “montagem” perpetrada pelo governo do ex-presidente americano Joe Biden.

Asfura, apoiado por Trump, está em primeiro lugar, com uma pequena vantagem | Leonel Estrada/ Reuters

O Conselho Nacional Eleitoral (CNEA) ainda não divulgou o resultado final da eleição e admitiu que 2.773 atas apresentaram inconsistências e deverão ser submetidas a um escrutínio especial, cuja data ainda não foi definida. Com isso, 500 mil votos estão em jogo.

O último cômputo oficial, divulgado na terça-feira, com 99,40% das atas escrutinadas, dá vantagem a Asfura, apoiado por Trump, com 1.298.835 votos (40,52%). Logo atrás está Salvador Nasralla, do Partido Liberal, com 1.256.428 votos (39,48%). Ambos são candidatos de direita.

Em terceiro vem a candidata de esquerda do partido governista, Libre, Rixi Moncada, com 618.448 votos (19,29%).

Acusações de fraudes

Nasralla denunciou na terça-feira uma “fraude monumental” nas eleições e exigiu uma recontagem especial “ata por ata” diante de uma série de falhas técnicas e supostas irregularidades no sistema de Transmissão de Resultados Eleitorais Preliminares (TREP).

“A falha do sistema de transmissão de resultados eleitorais, administrado pela empresa colombiana ASD, representa o maior risco técnico e jurídico observado no presente processo eleitoral. Não estamos diante de um erro menor, estamos frente a vulnerabilidades que comprometeram a confiabilidade da contagem digital, gerando inconsistências que deveriam ser impossíveis em um sistema corretamente validado”, enfatizou.

Nasralla, segundo colocado, acusa fraudes no pleito | Fredy Rodriguez/Reuters

Para Nasralla, um sistema com segurança ativa “teria rejeitado essas inconsistências e obrigado a revisar manualmente as atas antes de transmiti-las”.

O partido no poder, liderado pela presidente esquerdista Xiomara Castro, também rejeitou os resultados provisórios, afirmando que o apoio de Trump e o indulto ao ex-presidente Juan Orlando Hernández foram uma interferência eleitoral.

O que dizem as missões de observação

O Parlamento solicitou às missões de observação internacional que “incluíssem nos seus relatórios finais uma análise detalhada dos acontecimentos ocorridos, especialmente as ameaças externas e internas, as falhas do TREP e as decisões administrativas que afetaram a verificação biométrica dos votos”.

Ao mesmo tempo, as missões internacionais pediram na quarta-feira que os partidos políticos respeitem a vontade popular expressa nas eleições.

A Missão de Observação Eleitoral da União Europeia (MOE UE) apelou aos atores políticos que respeitem a vontade dos hondurenhos nas eleições e incentivou as forças políticas a utilizarem “os mecanismos de rastreabilidade” oferecidos pelo CNE e os recursos previstos pela lei para dirimir “questionamentos sobre os resultados”.

A delegação europeia, presente no país com 138 observadores desde 11 de outubro, pediu ainda aos membros do CNE e do Tribunal de Justiça Eleitoral que atuem “de maneira imparcial e exemplar”, evitando “obstruções ou atrasos” de caráter político.

Por sua vez, a Missão de Observação Eleitoral da Organização dos Estados Americanos (MOE/OEA) instou partidos, candidaturas e autoridades a “aguardarem os resultados oficiais e manterem uma vigilância ativa sobre os escrutínios em curso” para garantir que as “fases finais do processo se desenvolvam conforme a lei e reflitam a vontade popular”.

A OEA destacou a necessidade de “máxima transparência”, pediu ao CNE que agilize a contagem e reiterou que continuará monitorando o processo conforme o capítulo 5 da Carta Democrática Interamericana.

Além disso, advertiu contra “qualquer chamado para alterar a ordem pública” durante o escrutínio e enfatizou a importância de que as forças de segurança protejam os materiais eleitorais.

Publicado originalmente pelo DW em 11/12/2025

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Flávio Bolsonaro indica que pré-candidatura é moeda de troca https://www.ocafezinho.com/2025/12/08/flavio-bolsonaro-indica-que-pre-candidatura-e-moeda-de-troca/ https://www.ocafezinho.com/2025/12/08/flavio-bolsonaro-indica-que-pre-candidatura-e-moeda-de-troca/#respond Mon, 08 Dec 2025 13:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=222674 Dois dias após anunciar que havia sido encorajado pelo pai a concorrer à Presidência, senador admite que pode desistir, mas que isso terá “um preço”, indicando que quer anistia de condenados por trama golpista.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) disse neste domingo (07/12) que pode desistir de sua pré-candidatura à Presidência, mas que pretende cobrar “um preço” por isso.

“Olha, tem uma possibilidade de eu não ir até o fim. Eu tenho preço para isso. Eu vou negociar. Eu tenho um preço para não ir até o fim”, disse o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro, após participar de um culto evangélico em Brasília, apenas dois após anunciar sua pré-candidatura.

Questionado por jornalistas se tal “preço” para “não ir até o fim” envolve a aprovação de uma anistia para os condenados pela trama golpista, incluindo o seu pai, que cumpre pena, Flávio evitou entrar em detalhes, afirmando que só pretende falar sobre isso na segunda-feira. No entanto, ele indicou que o tema de anistia está na pauta.

“Espero que a gente paute essa semana a anistia. Espero que os presidentes da Câmara e do Senado cumpram o que eles prometeram, que pautariam a anistia, e deixem o pau cantar no voto no plenário – que é o que a gente sempre quis”, disse Flávio Bolsonaro.

A pré-candidatura de Flávio foi anunciada na última sexta-feira. Na ocasião, o senador disse ter sido escolhido pelo pai como candidato para eleição de 2026.

“É com grande responsabilidade que confirmo a decisão da maior liderança política e moral do Brasil, Jair Messias Bolsonaro, de me conferir a missão de dar continuidade ao nosso projeto de nação”, disse Flávio em postagem na rede X na sexta-feira.

O anúncio não provocou empolgação entre todos os setores da extrema direita e políticos do Centrão. Nos últimos meses, diferentes forças da direita vinham se aglutinando em uma possível pré-candidatura do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), visto com um nome mais capaz de aglutinar diferentes partidos e conquistar mais eleitores.

Após o anúncio da pré-candidatura, algumas análises na imprensa chegaram a apontar que uma entrada de Flávio na disputa à Presidência poderia provocar uma fragmentação na direita e beneficiar a candidatura à reeleição do presidente Lula.

Pesquisa do instituto Datafolha divulgada no sábado apontou que Flávio ficaria 15 pontos atrás do presidente Lula (PT) num eventual segundo turno. Já Tarcísio aparece com menos desvantagem, perdendo para Lula por cinco pontos percentuais.

Outras análises apontaram que pré-candidatura seria uma tática dos filhos de Bolsonaro para recuperar influência no período eleitoral após o ex-presidente passar a cumprir pena e também para conter o crescente protagonismo da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.

Publicado originalmente pelo DW em 07/12/2025

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Teste da Urna 2025: segurança, robustez e transparência dos sistemas eleitorais https://www.ocafezinho.com/2025/12/05/teste-da-urna-2025-seguranca-robustez-e-transparencia-dos-sistemas-eleitorais/ https://www.ocafezinho.com/2025/12/05/teste-da-urna-2025-seguranca-robustez-e-transparencia-dos-sistemas-eleitorais/#respond Fri, 05 Dec 2025 23:30:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=222642 Comissões Avaliadora e Reguladora afirmam que testes confirmam a confiabilidade da urna eletrônica

No dia do encerramento da 8ª edição do Teste Público de Segurança dos Sistemas Eleitorais, o Teste da Urna 2025, membros das Comissões Avaliadora e Reguladora do evento garantiram que a segurança, a confiabilidade, a robustez e a transparência se consolidam como as principais características das urnas eletrônicas e dos sistemas eleitorais. Segundo eles, até o momento, não houve nenhum achado relevante identificado no Teste deste ano, realizado na sede do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Brasília (DF).

“Esse processo ocorre com total transparência, e todo achado é trabalhado para sua mitigação antes das eleições, sempre com o objetivo de melhorar o processo eleitoral”, afirma Antônio Esio Marcondes Salgado, o Toné, integrante da Comissão Avaliadora e um dos chamados “ninjas” da urna eletrônica, que participou do desenvolvimento do equipamento a partir de 1995. Ele acompanhou todas as etapas de evolução do aparelho, desde transições radicais de software, como a adoção do Linux em 2006, até atualizações mais recentes relacionadas a avanços tecnológicos e a mudanças na legislação eleitoral.

Tecnologista e coordenador de Tecnologia da Informação (TI) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Toné, que também é pesquisador, professor e coordenador do curso de Sistemas de Informação da Universidade de Taubaté (SP), atuou outras vezes em comissões avaliadoras, responsáveis por testar o desenvolvimento, a fabricação e melhorias contínuas das urnas.

“Os Testes da Urna são fundamentais para transparência, participação social e aprimoramento dos sistemas. O TSE sempre abriu todo o ecossistema de votação para análise de especialistas, grupos acadêmicos e sociedade civil, oferecendo estrutura para que realizem testes profundos. Isso gera dois resultados principais: reforça a confiança pública e multiplica o conhecimento sobre o sistema, já que os participantes se tornam divulgadores do que aprenderam”, ressalta Toné.

De acordo com ele, caso algum achado seja verificado durante os testes, a Justiça Eleitoral irá corrigi-lo a tempo das eleições.

Melhorias na infraestrutura e novas ideias

O professor Roberto Samaroni Araújo, da Universidade Federal do Pará (UFPA), conta que participa pela segunda vez dos Testes da Urna como representante da comunidade acadêmica e membro da Comissão Avaliadora. Ele destaca que, de uma edição para outra, houve importantes melhorias na infraestrutura e na organização do ambiente de testes, além da incorporação de sugestões feitas em ciclos anteriores.

Samaroni afirma também que o processo tem atraído cada vez mais jovens interessados não apenas em tentar ataques, mas em compreender a fundo o funcionamento do sistema eleitoral e da urna eletrônica.

Osvaldo Catsumi Imamura, engenheiro eletrônico especializado em segurança e teoria da informação, é também um dos “ninjas” da urna, tendo participado do desenvolvimento e da evolução do equipamento desde a sua criação, com colaboração tanto na parte de software quanto de hardware, bem como no papel de consultor, especialmente em momentos de inovação ou mudanças de rumo no projeto. Ele destaca que, com o crescimento do sistema e da complexidade dos testes, surgiu a necessidade de ampliar a participação externa, o que levou à criação do modelo de teste público a partir de 2009.

Catsumi observa que, a cada edição do Teste da Urna, os investigadores retornam mais motivados para aprofundar o entendimento sobre o sistema e testar novas ideias. No entendimento do engenheiro, a interação prática com a urna permite que conhecimentos teóricos se transformem em contribuições reais. “Descentralizar e ampliar esse espaço [para outras regiões do país] aproximaria ainda mais especialistas e a sociedade do processo, o que enriquece o desenvolvimento contínuo da urna eletrônica”, assegura.

Participação da sociedade

Rodrigo Coimbra, chefe da Seção de Voto Informatizado do TSE e integrante da Comissão Reguladora do Teste, explica que esta edição bateu recorde de participantes e apresentou grande variedade de planos de ataque, o que refletiu diferentes estratégias e perfis técnicos. Ele salienta a combinação positiva entre jovens participantes, motivados a inovar, e especialistas experientes, que participaram de edições anteriores e conhecem os caminhos mais viáveis de investigação. Coimbra diz que essa mistura enriquece o ambiente de testes e amplia as possibilidades de contribuição.

Segundo ele, o Teste de 2025 transcorreu de forma tranquila, com total liberdade para que os investigadores analisassem os sistemas. “Caso algum grupo identifique uma vulnerabilidade, precisa também apresentar uma possível solução”, afirma o servidor, ao ressaltar que a importância do evento reside na transparência e na melhoria contínua do sistema eleitoral. “Abrir os códigos-fonte e o ambiente de testes à sociedade permite que especialistas contribuam diretamente para fortalecer a segurança e a confiabilidade das urnas eletrônicas”, completa.

O coordenador de Sistemas Eleitorais do TSE e membro da Comissão Reguladora do Teste, Alberto Cavalcanti, avalia os planos de testes apresentados neste ano como bastante diversificados por abordarem diferentes sistemas, periféricos e componentes da urna eletrônica, o que demonstra o amadurecimento e a ampliação do escopo das investigações.

“Cada plano apresentado, mesmo os que não encontram vulnerabilidades, representa uma oportunidade de aprimoramento, uma vez que muitas propostas trazem ideias e melhorias potenciais para o processo eleitoral. O evento fortalece a transparência, incentiva a participação de indivíduos e instituições acadêmicas e contribui diretamente para a evolução contínua das tecnologias eleitorais”, afirma.

Entre os planos executados, está o do grupo liderado pelo pesquisador Leandro de Sousa Oliveira, da Universidade de Brasília (UnB), que participa pela primeira vez do Teste. Ele explica que o grupo é dedicado ao estudo de fuzzing, técnica usada para testar sistemas com entradas inesperadas. O objetivo da equipe é investigar possíveis vulnerabilidades no driver que recebe pacotes USB da urna eletrônica.

“Praticamente todo dispositivo hoje tem uma porta USB, e a urna também tem. Nosso objetivo é explorar os mecanismos de segurança existentes e ver se eles resistem a pacotes malformados [tipo de ataque cibernético]”, diz. Ele reconhece, porém, a complexidade desse caminho: “É uma sequência de etapas muito complicada até chegar ao final”.

Oliveira avalia positivamente a abertura do TSE para a participação de pesquisadores externos. “Todo o processo aqui é muito bacana. O Tribunal se organiza fornecendo equipamento e mantendo a segurança. O acesso é bastante controlado.” Segundo ele, estar em um ambiente real de testes é um ganho acadêmico: “Expor o pesquisador a um cenário crítico como esse é o maior benefício para o nosso trabalho. A gente tem a oportunidade de testar algo que estamos desenvolvendo na pesquisa em um cenário real”, afirma.

Como cidadão, ele vê o processo como essencial para reforçar a confiança pública: “É algo imprescindível para dar à sociedade algum respaldo de que [o sistema] passou por uma segunda etapa de verificação. Aqui tem pessoas que participam do Teste há muito tempo, já têm uma bagagem sólida de conhecimento sobre a urna e acabam vendo como ela tem evoluído também. Esse é um dos nossos objetivos: permanecer no Teste também no futuro”, finaliza.

Publicado originalmente pelo TSE em 05/12/2025

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Ex-presidente hondurenho libertado da prisão após receber indulto de Trump https://www.ocafezinho.com/2025/12/02/ex-presidente-hondurenho-libertado-da-prisao-apos-receber-indulto-de-trump/ https://www.ocafezinho.com/2025/12/02/ex-presidente-hondurenho-libertado-da-prisao-apos-receber-indulto-de-trump/#respond Tue, 02 Dec 2025 20:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=222334 O ex-presidente de Honduras, Juan Orlando Hernández, foi extraditado aos Estados Unidos em 2022, onde estava preso por tráfico de drogas e posse de armas

Juan Orlando Hernández, ex-presidente de Honduras, foi libertado de uma prisão nos Estados Unidos, segundo registros online de detentos federais, após receber um indulto do presidente americano Donald Trump por acusações relacionadas a drogas.

Os registros mostram que Hernández foi libertado da unidade de alta segurança da USP Hazelton, na Virgínia Ocidental, na segunda-feira.

Hernández foi considerado culpado em março de 2024 por conspiração para importar cocaína para os EUA e por posse de metralhadoras. Ele foi condenado a 45 anos de prisão.

O presidente dos EUA afirmou, em uma publicação nas redes sociais na sexta-feira, que Hernández havia sido “tratado de forma muito dura e injusta”.

Em uma publicação em suas redes sociais na terça-feira, a esposa de Hernández, Ana García de Hernández, agradeceu a Trump pelo indulto e disse que seu marido agora era um homem livre.

Hernández, membro do Partido Nacional de Honduras e presidente do país de 2014 a 2022, foi extraditado para os EUA em abril de 2022 para ser julgado por chefiar uma violenta organização de tráfico de drogas e por ajudar a contrabandear centenas de toneladas de cocaína para os EUA.

Durante o julgamento, os promotores de Nova York afirmaram que Hernández governava o país centro-americano como um “narcoestado” e aceitava milhões de dólares em subornos de traficantes de drogas para protegê-los da justiça.

Ele também foi condenado a pagar uma multa de US$ 8 milhões (£ 6 milhões) como parte de sua sentença.

Trump explicou os motivos que o levaram a conceder o indulto ao falar com repórteres a bordo do Air Force One no domingo.

Ele alegou que a investigação contra Hernández foi uma “armação da administração Biden”, referindo-se ao seu antecessor na Casa Branca.

“Basicamente, disseram que ele era um traficante de drogas porque era o presidente do país”, disse Trump.

A libertação de Hernández ocorre em um momento em que Honduras está em um “empate técnico” na eleição de um novo presidente.

Na tarde de segunda-feira, apenas 515 votos separavam o candidato de direita Nasry Asfura de seu adversário mais próximo, Salvador Nasralla, um ex-apresentador de TV que concorre pelo partido centrista do país.

Na sexta-feira, Trump criticou Nasralla, escrevendo que ele era “quase um comunista”.

Ele descreveu Asfura como alguém que “defende a democracia” e o elogiou por fazer campanha contra o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, com quem Trump travou uma guerra de palavras nos últimos meses.

Por sua vez, Nasralla prometeu romper relações com a Venezuela caso vença as eleições.

O governo Trump acusou o presidente de esquerda Maduro – cuja reeleição no ano passado foi considerada ilegítima por muitos países – de ser o líder de um cartel de drogas.

O governo afirmou que seus esforços para combater o narcotráfico justificam o aumento da presença militar no Caribe. A administração também realizou ataques a embarcações que, segundo ela, eram usadas para contrabando – embora alguns analistas tenham descrito essas ações como uma forma de pressionar os líderes latino-americanos.

Honduras é governada desde 2022 pela presidente Xiomara Castro, que estabeleceu laços estreitos com Cuba e Venezuela.

Publicado originalmente pela BBC News em 02/12/2025

Por Brandon Livesay

Reportagem adicional de Nadine Yousif

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Impeachment, 10 anos: Por onde anda Eduardo Cunha? https://www.ocafezinho.com/2025/12/02/impeachment-10-anos-por-onde-anda-eduardo-cunha/ https://www.ocafezinho.com/2025/12/02/impeachment-10-anos-por-onde-anda-eduardo-cunha/#respond Tue, 02 Dec 2025 15:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=222318 Há uma década, ex-presidente da Câmara deu pontapé para trâmite que levaria à queda de Dilma – e meses depois assistiu à própria derrocada. Hoje solto, Cunha tenta recuperar influência, desta vez em Minas Gerais.

Brasília, 2 de dezembro de 2015. Deputados do PT anunciam no início da tarde que pretendem fornecer os votos cruciais para a continuidade de um processo de cassação contra o então presidente da Câmara, Eduardo Cunha, à época acossado por revelações da Operação Lava Jato.

Cunha, que mantinha há meses uma relação conflituosa com o cambaleante governo federal, liderado pelo PT, retaliou poucas horas depois: autorizando o início do trâmite de um pedido de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff.

Mesmo desgastado por acusações envolvendo contas secretas na Suíça, ele protagonizaria nos meses seguintes aquele que seria o ápice da sua influência política: a articulação da queda de Dilma, em meio a um processo de derretimento da aprovação da petista e protestos de rua. A abertura do processo contra Dilma seria oficializada pela Câmara em votação em abril do ano seguinte, em sessão presidida por Cunha.

“Que Deus tenha misericórdia desta nação”, disse Cunha ao anunciar seu voto pelo impedimento. Na mesma sessão, deputados de esquerda, indignados com as táticas de Cunha, o chamaram de “gângster”, “ladrão” e “corrupto”.

Mas a própria queda de Cunha não tardaria. Menos de três semanas depois, os 459 dias do deputado à frente da presidência da Câmara chegariam ao fim, por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF), que suspeitava que o parlamentar estava obstruindo investigações.

Afastado e sem a caneta da presidência, Cunha viu erodir sua influência sobre seus colegas do fisiológico Centrão. Terminado seu papel no avanço do impeachment na Câmara, ele também deixaria de ser tolerado pela oposição e passaria a ser visto cada vez mais como um constrangimento crescente para o novo governo Michel Temer.

Em setembro de 2016, Cunha, acabaria cassado pela Câmara, por 450 votos a 10. No mês seguinte, sem mandato, foi preso por ordem do então juiz Sergio Moro.

Essa não seria a primeira queda de Cunha, que já havia sido pivô nos anos 1990 de outros escândalos no Rio de Janeiro, sua base eleitoral original, que o levaram a migrar para diferentes grupos políticos e o forçaram em vários momentos a reconstruir sua influência.

Uma década depois de iniciar o impeachment de Dilma, o ex-deputado tenta de novo uma reviravolta política.

Eduardo Cunha, à época em que comandou sessão do impeachment de Dilma, em 2016 | Reuters/U. Marcelino

Prisão e condenações

Após deixar a Câmara, Cunha ainda acumulou condenações por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

O ex-deputado passaria quase três anos e meio detido em regime fechado, primeiro em Curitiba e depois no presídio de Bangu, no Rio. Em março de 2020, em meio à pandemia, passou para a prisão domiciliar.

A partir de 2021, no entanto, a sorte de Cunha começou a mudar, com o fim da Lava Jato e a anulação pelo STF de processos da operação. Em maio daquele ano, teve sua última ordem de prisão domiciliar revogada, e estava livre.

Cunha após ser detido pela PF em outubro de 2016 | Reuters/A. Machado

Eleição da filha e primeira tentativa de retorno frustrada

Enquanto esteve preso, Cunha passou para a filha, Danielle, sua antiga base eleitoral no Rio de Janeiro, construída pelo ex-deputado no final dos anos 1990 junto ao eleitorado neopentecostal. Danielle, ou Dani Cunha, tentaria se eleger para a Câmara em 2018 associando a candidatura ao pai, sem sucesso.

Uma nova tentativa seria feita em 2022, desta vez resultando na eleição de Dani Cunha. Ela teve a campanha turbinada com a injeção pelo MDB de R$ 2 milhões do fundo eleitoral, uma soma que ultrapassava valores de candidatos veteranos.

Paralelamente, Cunha, já solto, conseguiu em 2022 uma liminar que suspendeu temporariamente sua inelegibilidade. Deixando o espaço no Rio para a filha, ele registrou candidatura no estado de São Paulo, e se filiou ao PTB de Roberto Jefferson. A inelegibilidade voltou a ser imposta pouco depois, mas Cunha ainda assim conseguiu assegurar que seu número permanecesse nas urnas.

Mirando no eleitorado antipetista, Cunha propagandeou seu antigo papel no impeachment. “Eu não conduzi o impeachment só com a aceitação do pedido. Eu fiz de tudo para que fosse aprovado. Eu articulei, eu lutei para isso. O impeachment foi a maior conquista da minha vida política”, disse, em uma das peças de campanha.

No entanto, sem ter montado uma base efetiva em São Paulo, fracassou nas urnas, recebendo somente 5 mil votos.

A candidatura ainda revelaria que os anos de turbulência não haviam prejudicado as finanças de Cunha. Ele continuava rico, tendo declarado patrimônio de R$ 14,1 milhões à Justiça Eleitoral.

Protesto contra Cunha em dezembro de 2015 | Reuters/N. Doce

Construindo base em Minas Gerais para 2026

Após o fracasso em São Paulo, Cunha, hoje com 67 anos, se voltou para Minas Gerais. No final de 2024, passou a construir metodicamente uma rede de influência regional baseada no cultivo do eleitorado evangélico, como parte de um plano para se candidatar a deputado federal pelo estado.

É uma tática que Cunha já havia adotado no Rio de Janeiro nos anos 1990, quando sua carreira no meio político sofreu um primeiro baque após seu nome ser envolvido no “esquema PC”, pivô do impeachment de Collor (1990-1992). Nos anos seguintes, Cunha recuperou influência se metamorfoseando em político evangélico, segmento em ascensão à época

No momento, Cunha tem participado de cultos em Minas Gerais. Em abril, na inauguração de um templo em Araxá, recebeu elogios públicos do pastor Valdemiro Santiago.

Em Minas, Cunha também tem resgatado outra estratégia que ajudou a pavimentar sua primeira vitória no Rio como deputado federal em 2002: presença e controle de rádios evangélicas.

Nos últimos meses, Cunha vem adquirindo ou abrindo várias estações em Minas Gerais. Cinco delas já operam na Zona da Mata, região que faz divisa com o Rio de Janeiro, incluindo estações em Juiz de Fora e Guarani.

Outra foi inaugurada em julho em Belo Horizonte, e contém um segmento transmitido de hora em hora chamado “Versículo da hora – com Eduardo Cunha”.

Há também estações em Uberaba e Uberlândia, no Triângulo Mineiro. Até o momento, Cunha já soma mais de dez rádios em operação, agregadas como “Rede 89 Maravilha”. No início de novembro, Cunha disse que o plano envolve implementar 23 rádios.

“Transmitimos fé, esperança e a Palavra de Deus”, diz o slogan da rede.

Publicado originalmente pelo DW em 02/12/2025

Por Jean-Philip Struck

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STF nega possibilidade de candidaturas sem filiação partidária https://www.ocafezinho.com/2025/12/01/stf-nega-possibilidade-de-candidaturas-sem-filiacao-partidaria/ https://www.ocafezinho.com/2025/12/01/stf-nega-possibilidade-de-candidaturas-sem-filiacao-partidaria/#respond Mon, 01 Dec 2025 16:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=222250 Decisão unânime reconhece que filiação a partidos políticos é uma exigência da Constituição Federal

Por unanimidade, o Supremo Tribunal Federal (STF) afastou a possibilidade de candidaturas avulsas no sistema eleitoral brasileiro. A decisão, tomada na sessão virtual encerrada em 25/11, reforça o entendimento de que a Constituição Federal estabelece a filiação partidária como requisito de elegibilidade.​

A matéria foi objeto do Recurso Extraordinário (RE) 1238853, com repercussão geral reconhecida (Tema 914). Assim, a tese fixada pelo STF deverá ser aplicada a todos os casos semelhantes em tramitação no Judiciário.​

O caso que chegou ao STF envolveu dois cidadãos que tentaram concorrer, sem filiação partidária, aos cargos de prefeito e vice-prefeito do Rio de Janeiro nas eleições de 2016. Após o pedido ter sido negado em todas as instâncias da Justiça Eleitoral, eles recorreram ao Supremo, alegando, entre outros pontos, violação aos princípios constitucionais da cidadania, da dignidade da pessoa humana e do pluralismo político. Além disso, sustentavam que o Pacto de São José da Costa Rica, do qual o Brasil é signatário, impediria essa restrição.​

Na sessão em que reconheceu a repercussão geral da matéria, o Plenário declarou a perda do objeto do recurso, por já terem sido realizadas as eleições de 2016, mas manteve a análise de mérito, a fim de fixar entendimento sobre o tema.​

Exigência fundamental

Em seu voto, o relator, ministro Luís Roberto Barroso (aposentado), destacou que, embora candidaturas avulsas existam em diversas democracias e possam ampliar as opções do eleitorado, a Constituição de 1988 estabeleceu que a filiação partidária é condição obrigatória para que pessoas possam se candidatar em eleições. Ele ressaltou que a jurisprudência do STF considera a vinculação dos candidatos a partidos políticos uma exigência fundamental para a organização e a integridade do sistema representativo brasileiro.

Barroso observou ainda que essa exigência vem sendo reafirmada pelo Congresso Nacional, que, ao aprovar diversas leis eleitorais, tem reforçado a centralidade dos partidos no sistema político brasileiro como meio de combater a fragmentação e assegurar a estabilidade do regime democrático.​

Por fim, o ministro destacou que não há um cenário de omissão inconstitucional que justifique a excepcional intervenção do Poder Judiciário. Ele ponderou que é possível e legítimo questionar se o modelo de vinculação necessária a partidos políticos é o ideal, mas não cabe ao STF reformá-lo sem a participação do Congresso Nacional.​

Tese

Foi fixada a seguinte tese de repercussão geral:

“Não são admitidas candidaturas avulsas no sistema eleitoral brasileiro, prevalecendo a filiação partidária como condição de elegibilidade, nos termos do art. 14, § 3º, V, da Constituição.”​

Publicado originalmente pelo STF em 01/12/2025

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Após pressão de Trump, direita lidera eleições em Honduras https://www.ocafezinho.com/2025/12/01/apos-pressao-de-trump-direita-lidera-eleicoes-em-honduras/ https://www.ocafezinho.com/2025/12/01/apos-pressao-de-trump-direita-lidera-eleicoes-em-honduras/#respond Mon, 01 Dec 2025 13:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=222216 Resultados parciais de eleição presidencial indicam vantagem de dois candidatos conservadores. Campanha foi marcada por interferência de presidente dos EUA, que ameaçou cortar ajuda financeira ao país.

Dois candidatos conservadores aparecem na liderança da contagem de votos da eleição presidencial de Honduras, após uma campanha marcada por interferência explícita do presidente dos EUA, Donald Trump.

Resultados iniciais da apuração divulgados nesta segunda-feira (01/12) pelo do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), apontam que Nasry “Tito” Asfura, do Partido Nacional – apoiado abertamente Donald Trump – e Salvador Nasralla, do Partido Liberal, estavam disputando voto a voto a primeira posição.

Com 44% das urnas apuradas, Asfura somava pouco mais de 40% dos votos, seguido de perto por Nasralla, com cerca de 39%. A candidata do governo, a esquerdista Rixi Moncada, aparecia bem atrás em terceiro Lugar, com aproximadamente 20% dos sufrágios.

O vencedor do pleito será o candidato que obtiver o maior número de votos. O sistema eleitoral do país não inclui disputa em segundo turno.

Nasry “Tito” Asfura, do Partido Nacional, recebeu apoio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump | Leonel Estrada/Reuters

Clima tenso durante a campanha

O pleito ocorreu no domingo (30/11). Cerca de 6,5 milhões de hondurenhos estavam aptos a escolher o sucessor da presidente de esquerda, Xiomara Castro, além de novos membros do Parlamento e autoridades locais.

As pesquisas não mostravam um favorito absoluto antes do dia da votação. O clima político estava tenso no país, com membros do governo e da oposição se acusando mutuamente de planejar uma fraude eleitoral.

Antes da abertura das urnas, a esquerdista Moncada disse que não reconheceria os resultados eletrônicos preliminares na noite seguinte à eleição e que esperaria a contagem final de todas as cédulas de papel.

Em 2017, protestos contra supostas fraudes eleitorais deixaram mais de 20 mortos em Honduras, país que é marcado por prevalência de pobreza, violência relacionada ao narcotráfico e corrupção.

Apoio aberto de Trump a Asfura e ameça

Poucos dias antes da votação, Trump declarou apoio aberto a Asfura, a quem chamou de “o único verdadeiro amigo da liberdade em Honduras”, no intuito de combater o que descreveu como “narcocomunismo” e confrontar o presidente venezuelano Nicolás Maduro .

Trump também ameaçou cortar a ajuda financeira ao país caso seu candidato não fosse eleito, dizendo que os EUA “não vão jogar fora um bom dinheiro”. “Um líder equivocado só pode trazer resultados catastróficos para um país”, afirmou em postagem em sua rede social Truth Social, na sexta-feira.

O americano prometeu que, se Asfura vencer, haveria “muito apoio” para o país assolado pela pobreza e por ondas migratórias de seus cidadãos para a América do Norte.

Ex-presidente hondurenho Juan Orlando Hernández, condenado nos EUA por tráfico, poderá receber indulto de Trump | Elmer Martinez/AP Photo/picture alliance

O apoio de Washington, a poucos dias das eleições, veio juntamente com o aceno de um possível indulto para o ex-presidente hondurenho Juan Orlando Hernández (2014-2022), condenado a 45 anos de prisão nos EUA por tráfico de drogas e membro do partido de Asfura.

Votação sem grandes incidentes

O CNE tem até 30 dias para declarar formalmente um vencedor. A autoridade eleitoral relatou um alto índice de comparecimento às urnas, com a participação 2,8 milhões de eleitores no pleito.

Segundo o conselho, a votação transcorreu pacificamente, embora o horário tenha sido estendido por uma hora devido a longas filas. Houve também relatos de supostos obstáculos para os observadores durante a recontagem de votos e de urnas danificadas.

Xiomara Castro assumiu a Presidência em 2022, sendo a primeira mulher a governar o país. Ela é esposa do ex-presidente Manuel Zelaya, deposto em 2009 por um golpe de Estado, após o qual, o Partido Nacional de Asfura se manteve no poder por mais de 10 anos.

Publicado originalmente pelo DW em 01/12/2025

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Candidata de esquerda do Chile muda a campanha https://www.ocafezinho.com/2025/11/21/candidata-de-esquerda-do-chile-muda-a-campanha/ https://www.ocafezinho.com/2025/11/21/candidata-de-esquerda-do-chile-muda-a-campanha/#respond Fri, 21 Nov 2025 17:12:06 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=221725 A equipe de Jara aposta em novos rostos, de ex-ministros a influenciadores, para reverter desvantagem nas pesquisas

A corrida presidencial chilena ganha novos contornos a poucas semanas do decisivo segundo turno, marcado para o próximo mês. Jeannette Jara, a candidata de esquerda que corre como azarão na disputa, promoveu uma reformulação profunda na liderança de sua campanha, em um movimento claro para injetar novo ânimo e ampliar seu alcance em um cenário eleitoral polarizado.

A medida vem dias após seu adversário, o ultraconservador José Antonio Kast, atrair o foco com a contratação de respeitados nomes do establishment econômico, dando um impulso percebido como favorável aos investidores em sua plataforma. Em resposta, Jara, que defende bandeiras como o fortalecimento da segurança pública, a reforma do sistema público de saúde e o aumento da renda mínima para os mais pobres, buscou uma reoxigenação estratégica para a reta final.


Mudança de foco e nova coordenação

A principal alteração foi anunciada por Jara à imprensa na última sexta-feira: a nomeação de Paulina Vodanovic, a influente líder do Partido Socialista, como a nova coordenadora-geral de campanha. Essa decisão veio um dia após o pedido de renúncia do seu principal assessor, Darío Quiroga. Segundo Jara, a saída de Quiroga e a subsequente reestruturação fazem parte de uma iniciativa deliberada “para fortalecer a equipe e mudar o foco da campanha”. A intenção é clara: sinalizar dinamismo e capacidade de autocrítica.

A nova formação da equipe de Jara busca conciliar a experiência política com a representatividade de diversos setores. No vital grupo econômico, o nome de peso é o do ex-senador e ex-ministro Carlos Ominami. A estratégia da campanha será coordenada pelo senador do Partido Comunista, Daniel Núñez. Já como porta-vozes, a equipe contará com a experiência política dos ex-ministros Alejandra Krauss e Francisco Vidal. Nas relações internacionais, o ex-ministro das Relações Exteriores, Heraldo Muñoz, ganha o reforço de Tomás Rementería.


Abrindo as portas para a sociedade civil

Consciente de que a vitória exige mais do que apenas o apoio da estrutura partidária, a candidata busca ativamente ampliar o seu apelo para além dos círculos políticos tradicionais. Jara anunciou que está incorporando pessoas de fora da política em funções específicas, incluindo atores e músicos, ao lado de influenciadores de mídia social e atletas.

Esta estratégia se alinha com o desafio de mobilizar um eleitorado ainda disperso. Os resultados do primeiro turno, realizados no último domingo, apontaram um cenário de forte fragmentação: Jara obteve 26,9% dos votos, enquanto Kast ficou logo atrás com 23,9%, segundo o órgão eleitoral Servel. A matemática eleitoral é inequívoca: a chave para o Palácio de La Moneda está na metade do eleitorado que não votou em nenhum dos dois — e naqueles que optaram pela abstenção ou votos nulos.

Em um tom de reconhecimento e de prospecção, Jara fez um apelo direto a este segmento da população:

“Metade das pessoas não votou em Kast nem em mim. Vou entrar em contato com a outra metade que não votou em mim — eles são minha prioridade.”

Com as pesquisas recentes indicando que ela está atrás de Kast – cuja plataforma promete reduzir drasticamente a burocracia, cortar impostos corporativos, combater o crime e deportar milhares de imigrantes ilegais – a revitalização da campanha de Jeannette Jara é vista como um movimento de sobrevivência e uma tentativa de última hora para reconquistar a confiança dos eleitores que buscam uma alternativa progressista para o futuro do Chile.

Com informações de Bloomberg*

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Chile terá segundo turno entre comunista e ultradireitista https://www.ocafezinho.com/2025/11/17/chile-tera-segundo-turno-entre-comunista-e-ultradireitista/ https://www.ocafezinho.com/2025/11/17/chile-tera-segundo-turno-entre-comunista-e-ultradireitista/#respond Mon, 17 Nov 2025 13:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=221442 Centro-direita é a grande perdedora, e conservadorismo radical foi que mais cresceu no Legislativo. Eleições presidenciais são as primeiras com voto obrigatório desde a democratização de 1990.

O Chile terá o segundo turno das eleições presidenciais entre a candidata comunista Jeannette Jara e o ultradireitista José Antonio Kast. A candidata do presidente Gabriel Boric, que é ex-ministra do Trabalho e Previdência Social, obteve 26,8% dos votos no domingo (16/11), e seu adversário 23,9%.

A vantagem de Jara foi mais apertada do que o previsto pelas últimas pesquisas, que apontavam que ela obteria 30% dos votos. A grande perdedora da noite, entretanto, foi a centro-direita, cuja candidata Evelyn Matthei ficou em quinto lugar (13,47%) ao ser devorada por duas forças de ultradireita cada vez mais populares.

Kast já havia superado o candidato direitista Sebastián Sichel, ministro durante o governo de Sebastián Piñera, nas eleições de quatro anos atrás. A ultradireita não saía ganhadora do duelo contra a direita desde o retorno do Chile à democracia, em 1990 – e, agora, obtém importantes vitórias tanto na disputa pelo Executivo quanto pelo Legislativo.

O voto era obrigatório nestas eleições pela primeira vez desde a democratização pós-ditadura, o que levou quase 85% dos eleitores a comparecerem as urnas. Esta é considerada uma participação recorde na história das eleições presidenciais chilenas.

No pleito de 2021, quando não havia multa para quem não votasse, o comparecimento foi de 47,6%. A punição deste ano poderia chegar a 104 mil pesos chilenos (R$592).

Criminalidade em pauta

Apesar de o Chile ser considerado um dos países mais seguros na América Latina e no Caribe, o combate à criminalidade foi central na campanha eleitoral. Outros temas de destaque foram a preocupação dos chilenos com a imigração, a economia e o desemprego.

Na noite do primeiro turno, Kast subiu ao palco do seu quartel-general de campanha para proclamar uma “mudança radical” na segurança do país.

Base de apoio de Kast conta também com jovens, que querem pela primeira vez levar ultradireita à Presidência por voto popular | Esteban Felix/AP Photo/picture alliance

“Precisávamos de um candidato com mão firme para trazer crescimento econômico, atrair investimentos, criar empregos, fortalecer a polícia e dar-lhes apoio”, disse Ignacio Rojas, 20 anos, apoiador do ultradireitista. “O Chile não é mais seguro, e ele vai mudar isso.”

Kast defende o legado da ditadura militar (1973-1990) e uma agenda ultraconservadora em matéria de liberdades individuais. Ele também já se posicionou também contra o aborto e o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

O pleito acontece num contexto de grande desgaste político, marcado por sucessivas eleições desde a onda de protestos que tomou o país em 2019.

Desde a posse presidencial em 2022, vista como fruto do clima político instalado com as manifestações de dois anos antes, Boric viu a popularidade decrescer, pairando hoje em torno de 30%. O último pleito gerou também um Congresso altamente fragmentado e diverso, sem uma coalizão de maioria.

Instabilidade política

Já o deputado ultradireitista libertário Johannes Kaiser, que representa uma nova extrema direita mais dura e vociferante, obteve 13,9% dos votos. Tanto ele quanto Matthei, a candidata de centro-direita, já anunciaram que apoiarão Kast no segundo turno.

Para analistas ouvidos pela DW, os resultados demonstram a necessidade de a centro-direita renovar seus valores e propostas para se manter como força política, ao invés de se manter numa posição reativa aos sucessos de plataformas radicais. “O que se mobilizou nesta eleição tem muito mais a ver com uma contestação às elites, aos partidos tradicionais, como partidos que não fazem nada, que são egoístas”, disse a politóloga Claudia Heiss, da Universidade do Chile.

Desde 2006, o poder no Chile tem se alternado entre esquerda e direita, e nenhum presidente entregou a faixa presidencial a um sucessor do mesmo lado do espectro político. Se eleito, Kast seria o primeiro candidato de ultradireita a chegar ao Palácio La Moneda por votação popular.

“O Chile tem uma democracia saudável, uma democracia robusta que não podemos deixar de cuidar todos os dias”, disse Boric ao reagir ao resultado do primeiro turno.

Ultradireita no Legislativo

Os chilenos também elegeram toda a composição da Câmara dos Deputados (155 parlamentares), além de 23 de um total de 50 membros do Senado. A oposição fracassou na sua tentativa de ganhar controle sobre o Senado e o Parlamento, que continuam sem força majoritária, mesmo com uma fragmentação menos aguda do que a do mandato passado.

A ultradireita foi a força política que mais cresceu no Legislativo. No Senado, suas cadeiras passaram de uma a seis, e na Câmara de Deputados, de 15 a 42.

A Câmara Baixa ficou composta por 64 parlamentares progressistas e de esquerda, 76 de direita e 14 membros do partido do populista de direita Franco Parisi, que vota em ambos os lados a depender do projeto de lei.

Personagem político polêmico, Parisi surpreendeu ao ficar com o terceiro lugar nas eleições presidenciais, e ainda não está claro se ele apoiará Kast no segundo turno.

Publicado originalmente pelo DW em 17/11/2025

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Eleição presidencial é ‘tira-teima’ entre direita e esquerda no Chile https://www.ocafezinho.com/2025/11/14/eleicao-presidencial-e-tira-teima-entre-direita-e-esquerda-no-chile/ https://www.ocafezinho.com/2025/11/14/eleicao-presidencial-e-tira-teima-entre-direita-e-esquerda-no-chile/#respond Fri, 14 Nov 2025 17:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=221289 O Chile ainda vive consequências da revolta social de 2019, conhecida como Estallido

A sucessão do presidente Gabriel Boric, que começa neste domingo (16) com o primeiro turno das eleições gerais é uma espécie de tira-teima entre a direita e a esquerda no Chile, que travam uma forte disputa pelo comando político do país desde 2019, de acordo com analistas. Pesquisas indicam que a esquerdista Jeannette Jara lidera com 33,2% das intenções de voto, na frente de dois candidatos da extrema direita José Antonio Kast e Johannes Kaiser, que estão empatados com 16, 8% dos votos, segundo estudo da Atlas/Intel.

O Chile ainda vive consequências da revolta social de outubro de 2019, conhecida como Estallido, que tomou as ruas e foi respondida com repressão estatal, com um saldo de 32 manifestantes mortos e 3,4 mil feridos. De viés esquerdista e exigindo reformas sociais em um primeiro momento, os protestos foram capitalizados pela direita chilena, que conseguiu capitalizar o sentimento de desconfiança e frustração, apresentando-se como defensora da ordem e da segurança.

Vencedor do pleito após Estallido, o esquerdista Boric tentou logo em seu primeiro ano de governo emplacar uma reforma constitucional para aposentar a carta anterior, que remonta dos tempos da ditadura Pinochet (1973 – 89). O plebiscito, no entanto, rejeitou a proposta, que trazia direitos sociais amplos e proteções ambientais significativas, por ser muito progressista.

“Creio que a esquerda superestimou sua força e perdeu o momento favorável pós estallido”, disse ao Brasil de Fato José Maurício Domingues, do Instituto de Estudos Sociais e Políticos e analista político da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ).

Ele diz achar que à época do primeiro plebiscito, “a esquerda não se deu conta de voto obrigatório [na consulta de 22] traria para o jogo um eleitorado que não havia votado por Boric. Uma coisa são as ruas, outra o sistema político formal.”

“Mas a direita também se equivocou”, prossegue Domingues, se referindo à outra proposta de constituição, mais reacionária ainda que a vigente, que também foi rejeitada no ano seguinter, em 2023.

“De certa forma essa eleição é um tira-teima, mas não em sentido absoluto. O controle do congresso vai ser muito importante também.”

Jeannette Jara, da coligação Unidad por Chile; José Antonio Kast, do Partido Republicano; Evelyn Matthei, da União Democrática Independente; Franco Parisi, do Partido Popular; e Johannes Kaiser, do Partido Libertário Nacional | Rodrigo Arangua and Raul Bravo/AFP

Imigração e crime

Além do próximo presidente, as eleições deste ano também renovam o Legislativo chileno. Pesquisas mostram que a criminalidade é o tema que mais preocupa o eleitorado do país. Um estudo realizado pela Ipsos em 30 países em outubro coloca o Chile como o segundo país mais preocupado com a questão, com 63% da população afirmando que melhorar a segurança é a principal tarefa do próximo presidente.

Apesar de ser um dos países mais seguros da América Latina, a criminalidade apresenta um aumento rápido. O número de homicídios dobrou e os sequestros têm alta histórica, o que explica por que o tema foi dos mais abordados – ao lado de combater a imigração ilegal – por todos os candidatos, inclusive a comunista Jara, em uma postura rara do campo progressista.

“O controle imigratório de fato questiona posições tradicionais da esquerda, com a defesa dos direitos de ir de todos e a hospitalidade que o próprio pensamento liberal originalmente defendia. Mas não se pode esquecer que a soberania popular no fim das contas define quem habita um determinado país. Há sempre uma tensão entre esses dois vetores”, diz Domingues.

“Já no caso da segurança, já passou da hora de a esquerda latino-americana entender que este é um tema que aflige a todos. Obviamente, embora trate dessa questão, as posições de Jara são muito diferentes das dos candidatos da direita.”

Mas, mesmo liderando no primeiro turno, a pesquisa Atlas Intel indica que Jara perderia um eventual segundo turno (marcado para dezembro) para os principais adversários de direita e extrema direita caso o pleito ocorresse no início de novembro.

O analista da UERJ diz que ela é certamente atrapalhada pelo anti-comunismo que existe no país, mas “talvez não seja uma barreira intransponível quando houver uma unidade da direita no segundo turno e ficar claro que ela é uma opção confiável para a democracia”.

Sobre seus concorrentes, ele diz que “Katz era o candidato da direita dura, porém ao menos aparentemente civilizada. Kaiser vem correndo pela extrema direita e pode, por parecer mais antissistema, ultrapassar seu concorrente nesse lado do campo. Essa é uma tendência global.”

Publicado originalmente pelo Brasil de Fato em 14/11/2025

Por Rodrigo Durão – São Paulo (SP)

Edição: Nathallia Fonseca

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Nova York derrota Trump em noite de vitórias dos democratas https://www.ocafezinho.com/2025/11/05/nova-york-derrota-trump-em-noite-de-vitorias-dos-democratas/ https://www.ocafezinho.com/2025/11/05/nova-york-derrota-trump-em-noite-de-vitorias-dos-democratas/#respond Wed, 05 Nov 2025 13:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=220500 Rival do presidente americano, Zohran Mamdani é eleito prefeito de Nova York. Democratas venceram ainda outras duas disputas importantes.

Com promessas de campanha ambiciosas focadas em aliviar o custo de vida da população, como congelamento de alugueis, catraca livre nos ônibus e creche gratuita para todas as crianças, Zohran Mamdani, 34 anos, foi eleito na terça-feira (04/10) o primeiro prefeito muçulmano de Nova York e o mais jovem em mais de um século.

Em uma vitória para a ala progressista do Partido Democrata, Mamdani, que se declara um democrata socialista, derrotou o ex-governador Andrew Cuomo e o republicano Curtis Sliwa, obtendo mais da metade dos votos. Enfrentou ainda uma campanha de oposição do presidente Donald Trump, que chegou a chamar o então candidato de “comunista lunático”.

Há um ano, Mamdani era um desconhecido deputado estadual de Nova York, eleito em 2020 para representar o condado do Queens. Seu carisma, a identidade visual cativante de sua campanha, a linguagem clara e direta, além das propostas econômicas populistas, contribuíram para sua impressionante ascensão e animaram os eleitores de uma das cidades mais caras do mundo.

Mais de 2 milhões de nova-iorquinos votaram na disputa – quase o dobro dos eleitores que votaram para prefeito há quatro anos. Com cerca de 90% dos votos contados, Mamdani mantinha uma vantagem de aproximadamente 9 pontos percentuais sobre Cuomo.

“O senso comum diria que estou longe de ser o candidato perfeito. Sou jovem, apesar dos meus melhores esforços para envelhecer. Sou muçulmano. Sou um socialista democrático. E o mais condenável de tudo, recuso-me a pedir desculpas por qualquer uma dessas coisas”, declarou Mamdani para uma multidão entusiasmada em sua festa de vitória.

“Nova York, esta noite vocês entregaram um mandato para a mudança”, disse ele, prometendo “acordar todas as manhãs com um único objetivo: tornar esta cidade melhor para vocês do que era no dia anterior”.

Eleitores comemoram vitória de Zohran Mamdani para prefeito de Nova York em festa no Brooklyn | Shannon Stapleton/REUTERS

Disputas dentro e fora do partido

Mamdani venceu em julho as primárias do Partido Democrata contra Cuomo, que tinha o apoio da corrente mais moderada da legenda. O ex-governador tentava um retorno à política após ter se demitido há quatro anos, na esteira de acusações de assédio sexual – que ele continua a negar.

O agora prefeito eleito teve o apoio de líderes da ala mais à esquerda do partido, como Bernie Sanders e Alexandria Ocasio-Cortez.

Cuomo teve um bom desempenho nos distritos eleitorais judaicos ortodoxos, onde obteve cerca de 80% dos votos, segundo o jornal The New York Times. Ele conquistou um grande número de eleitores judeus mais liberais que historicamente apoiavam candidatos democratas.

Em compensação, Mamdani cativou dois grupos que a maioria dos democratas ignorou: jovens de bairros em processo de gentrificação, e categorias como motoristas de táxi, donos de bodegas e outros imigrantes sul-asiáticos da classe trabalhadora.

Ameaças de Trump

Mamdani agora deve lidar com as demandas intermináveis da maior cidade dos Estados Unidos e cumprir suas promessas de campanha, que ele chama de “a agenda mais ambiciosa para enfrentar a crise do custo de vida que esta cidade já viu” desde a década de 1940.

Os céticos consideram o plano irrealista, e a oposição planeja bater forte na nova administração. Durante a campanha, Mamdani foi criticado por seu fraco currículo na política, com menos de cinco anos de experiência na Assembleia Legislativa do estado. O presidente Trump, por sua vez, tem pintado o democrata como a face mais radical do Partido Democrata.

“Se você tem um comunista governando Nova York, tudo o que você está fazendo é desperdiçando o dinheiro que está enviando para lá”, disse Trump à emissora CBS, no domingo.

O presidente ameaçou diversas vezes cortar o financiamento federal à cidade – e até mesmo assumir o controle da prefeitura – se Mamdani vencesse. Trump sugeriu ainda que poderia tentar prender e deportar Mamdani, que nasceu em Uganda, onde passou a infância, mas foi criado na cidade de Nova York desde os 7 anos, e se tornou cidadão americano em 2018.

Mamdani não perdeu tempo em confrontar o presidente, dando início formalmente à batalha que provavelmente definirá a relação entre o jovem prefeito e Trump, cuja fama está ligada à cidade.

Em seu discurso da vitória, Mamdani mandou um recado direto a Trump. “Nova York continuará sendo uma cidade de imigrantes, uma cidade construída por imigrantes, impulsionada por imigrantes e, a partir desta noite, liderada por um imigrante”, disse ele, acrescentando que “se alguém pode mostrar a uma nação traída por Donald Trump como derrotá-lo, é a cidade que o lançou”.

Alerta para republicanos

Com Nova York, os democratas venceram três disputas importantes nesta terça-feira, nas primeiras grandes eleições desde que Trump voltou ao poder há nove meses, elevando uma nova geração de líderes e injetando novo ânimo no partido, que vinha enfrentando dificuldades, antes das eleições legislativas do próximo ano.

Os democratas também conquistaram os governos da Virgínia e de Nova Jersey, um resultado que sugere uma mudança no clima político do país, que em 2026 irá às urnas com o controle do Congresso em jogo, e acende um alerta para Trump. A ex-deputada Abigail Spanberger foi eleita governadora da Virgínia, e a deputada Mikie Sherrill, governadora de Nova Jersey.

“Se alguém pode mostrar a uma nação traída por Donald Trump como derrotá-lo, é a cidade que o viu nascer”, disse Mamdani aos apoiadores. “E se há uma forma de assustar um déspota, é desmontando as condições que permitiram que ele acumulasse poder. Não é apenas assim que paramos Trump, é assim que paramos o próximo.”

Trump já usou repetidamente os vastos poderes da presidência contra rivais políticos e, antes mesmo da eleição, ameaçou cortar bilhões de dólares em financiamento federal para Nova York caso Mamdani fosse eleito. Isso seguiria cortes anteriores feitos pela administração Trump em movimentos políticos que também miraram líderes democratas do Congresso oriundos da cidade.

A vitória mais crítica para as esperanças democratas nas próximas eleições ocorreu, porém, na Califórnia, onde os eleitores aprovaram uma proposta que permite aos legisladores estaduais adotar um novo mapa distrital que pode render ao partido até cinco novas cadeiras na Câmara dos Representantes. A medida compensa uma iniciativa semelhante no Texas que favorece os republicanos na disputa nacional pela redistribuição dos distritos eleitorais.

Na preparação para 2026, Trump tem incentivado legisladores estaduais em estados liderados por republicanos a redesenhar seus mapas distritais para maximizar a capacidade dos republicanos de manter o controle da Câmara. Os estados normalmente criam novos mapas a cada década com base nos dados do censo.

Quem é o que pretende fazer o prefeito eleito?

A mãe de Mamdani, Mira Nair, é uma reconhecida cineasta e crítica literária indiana radicada nos Estados Unidos. Graduou-se na Universidade Harvard, ganhou prêmios em Cannes, no Festival de Veneza e já foi indicada ao Oscar. O pai, Mahmood Mamdani, tem doutorado em Harvard e é professor de antropologia na Universidade Columbia. O casal se conheceu em Uganda.

Mamdani casou-se neste ano com Rama Duwaji, 28 anos, artista gráfica nascida na Síria e radicada nos Estados Unidos.

Zohran Mamdani e sua esposa, Rama Duwaji, votaram no condado do Queens | Selcuk Acar/Anadolu Agency/IMAGO

O prefeito eleito se graduou em estudos africanos pela Bowdoin College, em 2014. Na universidade, ele criou um grupo de defesa dos palestinos, tema presente em sua campanha a prefeito. Mamdani acusou Israel de cometer genocídio e disse que honraria um mandado de prisão emitido pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) contra o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.

O interesse de Mamdani em se candidatar a um cargo público surgiu quando ele trabalhou como consultor habitacional para prevenção de execuções hipotecárias, ajudando proprietários de baixa renda de minorias étnicas a lutar contra o despejo e permanecer em suas casas, como aparece em sua biografia na Assembleia de Nova York.

Moradia foi, de fato, um dos temas centrais da campanha eleitoral de Mamdani. Numa metrópole que, segundo um relatório de 2025 do banco alemão Deutsche Bank, tinha os aluguéis mais caros do mundo no centro da cidade (um apartamento médio de três quartos custava 8.500 dólares por mês, cerca de R$ 46 mil), os apelos dele pelo congelamento dos aluguéis, aumento da oferta de moradias populares e maior regulamentação sobre proprietários privados encontraram eco em muitos eleitores.

Mamdani também defende a criação de um imposto fixo de 2% para quem ganha mais de 1 milhão de dólares por ano, o aumento do imposto corporativo, ônibus gratuitos, um salário mínimo de 30 dólares por hora (bem superior aos atuais 16,50) e a expansão da oferta de creches públicas.

Não está claro como Mamdani pagará por tais iniciativas, dada a oposição firme da governadora democrata Kathy Hochul aos seus apelos para aumentar os impostos sobre pessoas ricas.

Publicado originalmente pelo DW em 05/11/2025

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