Eleições 2014 - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/eleicoes2014/ Portal de noticias e análises sobre política brasileira, geopolítica, economia, tecnologia, sempre numa perspectiva democrática, progressista, anti-imperialista e multipolar! Fri, 21 Oct 2016 04:27:21 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://controle.ocafezinho.com/wp-content/uploads/2015/10/cropped-Logo_Cafezinho_tmb-32x32.png Eleições 2014 - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/eleicoes2014/ 32 32 “Hipster da Federal” ganha aula de história da tia https://www.ocafezinho.com/2016/10/20/hipster-da-federal-ganha-aula-de-historia-da-tia/ https://www.ocafezinho.com/2016/10/20/hipster-da-federal-ganha-aula-de-historia-da-tia/#comments Thu, 20 Oct 2016 19:02:05 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=57533 78 Comentários 🔥]]> por Carlos Eduardo, editor do Cafezinho

A essa altura do campeonato, muitos já devem conhecer o tal “Hipster da Federal”, o policial Lucas Valença, de 30 anos, que virou celebridade do dia pra noite após fazer a escolta do ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha, nesta quarta-feira (19).

Com um corte de cabelo estiloso e barba cuidadosamente aparada, bem ao estilo “lenhador”, Lucas ganhou a alcunha de “Hipster da Federal”. A repercussão foi tão grande, que ele chegou a ser entrevistado pelo Ego.

Para além das questões estéticas, Valença também conquistou uma legião de fãs por suas posições políticas.

Isto por causa de uma publicação em seu perfil nas redes sociais, no dia 26 de outubro de 2014, em que Lucas lamenta a eleição de Dilma Rousseff e credita sua vitória a uma suposta manipulação das urnas:

“Não consigo sinceramente acreditar que o povo brasileiro reelegeu a presidenta Dilma!

Por mais que certa parte da população tenha votado nela, a despeito do seu despreparo, gagueira, insegurança, apoio de uma massa de corruptos…

Eu prefiro crer que a manipulação das urnas foi o grande responsável por esse lastimável resultado! Aquelas mesmas urnas que não computaram sequer um voto para alguns candidatos a vereadores, como se tivessem nem eles mesmos votados em si.

Aquelas mesmas urnas que não são utilizadas nos mais países mais desenvolvidos do mundo (por que será que nisso o Brasil seria melhor?).

Não tenho vergonha do meu país! Prefiro crer na continuidade da corrupção, no seu braço longo que alcança facilmente o sistema eleitoral”

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Como democrata, respeito sua posição política, afinal o PT cometeu erros como qualquer governo, mas acredito que Lucas Valença deveria ao menos reconhecer os esforços de Lula e Dilma Rousseff em fortalecer a Polícia Federal, instituição na qual ele trabalha.

Durante o governo Lula o número de operações da Polícia Federal aumentou em 50 vezes, se comparado com período de FHC. E Dilma deu continuidade a este processo. Se não fosse por isso, talvez Lucas Valença sequer estaria hoje trabalhando na PF.

Assim como Lucas, também tenho 30 anos e era criança na época de FHC. Tudo o que sei sobre este período vem de histórias dos meus familiares. Se acreditarmos somente na mídia, vamos conhecer metade da história.

Fica aqui um conselho aos mais jovens: converse com seus familiares, procure saber como era vida no governo FHC. O desemprego, os casos de corrupção abafados pela imprensa, o sucateamento da Polícia Federal.

No post em que Lucas lamenta a derrota de seu candidato Aécio Neves, sua tia, Rita Valença, faz um testemunho sincero de como era viver no governo de FHC:

“Entendo que os jovens se sintam levados pelo discurso do candidato do PSDB, o cara é bom mesmo de oratória, perto da Dilma então, ele ganha de longe. Mas vivi bastante para conhecer vários exemplares destes, que falam muito, mas pouco fazem.

Além disso, enquanto nós estávamos carregando pedra para educar, trabalhar e pagar as contas para uma vida melhor de nossos filhos no governo tucano, eles ainda eram crianças e não sabiam do aperto, corrupção, roubos pelos quais o país e nós estávamos sofrendo.

Juventude, acredite nas pessoas que viveram naquela época e que tem memória, né? Porque alguns parecem que esqueceram ou são alienados!

Não queremos o mal de vocês, por isso votamos no menos pior. Naqueles em que vimos o Brasil andar mais pra frente. Pense ainda, uma mulher que sofreu pelo seu país não faria nada contra ele, ela tem como princípio a democracia e o povo brasileiro.

Já esse outro, nunca trabalhou, nunca enfrentou a dureza, sua escola foi a própria política, sempre teve tudo na mão, um cara desse está preocupado com o povo?

Pensa, não acredito em uma só palavra do seu discurso, porquê nunca provou sua competência, nem no estado que acabou de governar!

Beijos da tia que te adora”

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Créditos: a descoberta foi do usuário do Twitter @Bastos_Flavinha, que se autodenomina “Ex Coxinha”.

 

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Gilmarização do TSE: ministro Fux acha que pode separar contas de Dilma e Temer https://www.ocafezinho.com/2016/10/18/gilmarizacao-do-tse-ministro-fux-acha-que-pode-separar-contas-de-dilma-e-temer/ https://www.ocafezinho.com/2016/10/18/gilmarizacao-do-tse-ministro-fux-acha-que-pode-separar-contas-de-dilma-e-temer/#comments Tue, 18 Oct 2016 13:42:18 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=57174 5 Comentários 🔥]]> Para Luiz Fux, é possível separar contas de Dilma e Temer no TSE

Ministro do STF diz que, pela Constituição, cada infrator responde por seus atos

no Globo

O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), considera possível dividir as contas de campanha da ex-presidente Dilma Rousseff e do presidente Michel Temer, para haver julgamentos separados do processo no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que pede a cassação da chapa. O pedido para separar as contas foi feito pela defesa de Temer. Segundo os advogados do presidente, as irregularidades ficariam todas na metade de Dilma, livrando Temer de perder o mandato recém conquistado por irregularidades na campanha.

— Tendo em vista preceito constitucional de que a pena não passa da pessoa do infrator, eu acho que não é irrazoável separar as contas prestadas — declarou Fux.

O ministro condenou qualquer possibilidade de anistiar doações ilegais de campanha, como se cogita no Congresso Nacional.

— Qualquer anistia a esses fatos vinculados à Lava-Jato seria repudiada pela sociedade brasileira. Não tem espaço para isso — afirmou.

(…)

 

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Sérgio Cabral e a arte de desaparecer https://www.ocafezinho.com/2016/06/20/sergio-cabral-e-a-arte-de-desaparecer/ https://www.ocafezinho.com/2016/06/20/sergio-cabral-e-a-arte-de-desaparecer/#comments Mon, 20 Jun 2016 21:25:37 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=48621 5 Comentários 🔥]]> Foto: Momento Verdadeiro/Fonte: O DIA.

Por Vinícius Silva, colaborador de O Cafezinho.

Uma das falas mais inacreditáveis e que passou “despercebida” nas entrevistas dadas à mídia corporativa em que o então governador em exercício do Rio de Janeiro Francisco Dornelles (PP), ao decretar pela primeira vez na história “estado de calamidade pública” no Rio de Janeiro quando indagado sobre as causas da crise, foi:  “O que aconteceu ontem pertence à história”. Como? O que aconteceu pertence à história?

Se o governador não é capaz de dizer, se a mídia corporativa (e seus respectivos interesses) é simplesmente incapaz de argumentar – “Mas, como assim?” – eu e O Cafezinho não nos furtaremos a dizer os responsáveis pela tragédia e o circo de horrores em que vivemos no Estado do Rio de Janeiro neste momento, e eles são o ex-governador Sérgio Cabral e o PMDB.

O PMDB governa o estado do Rio de Janeiro, e vários outros municípios da Região Metropolitana, inclusive a cidade do Rio de Janeiro sede Olímpica, há no mínimo 15 anos. Levando-se em consideração as pequenas intermitências, podemos falar em 20, 30 anos de governos do PMDB. Governos muito bem ocupados por outros partidos, como o PP, do atual governador, o PSDB, DEM, entre outros menores da centro-direita. Também não podemos esquecer que nossa centro-esquerda também habitou, desde sempre, os governos do PMDB, com alianças regionais e nacionais. Lula dizia que “Sérgio Cabral era o cara” aqui no Rio. O PT carioca tornou-se um satélite do PMDB, assim como o PPS também o é em relação ao PSDB em São Paulo. O PC do B também fez parte e apoio o PMDB fluminense até… ontem. Agora todos rejeitam o filho feio, mas estiveram lá, desde sempre.

E o que se desenhou nestes 10 anos de governo Sérgio Cabral/Pezão/PMDB, isso sem contar a cidade do Rio e outros municípios? Denúncias, muitas denúncias. Convivemos com o fisiologismo clássico dos caciques regionais, com o consórcio partidário-empresarial em que o orçamento de TODAS as grandes obras e concessões públicas foram repassadas para os grandes investidores/doadores de campanhas. Denúncias de compra de votos, de uso eleitoral da máquina pública. Denúncias de associação com milicianos/máfia, como esquecer da já clássica entrevista do atual prefeito do Rio Eduardo Paes (PMDB) ao RJTV, dizendo que alguns “amigos” estavam ajudando na segurança pública em alguns bairros da zona oeste da cidade. Denúncias de envolvimento em corrupção de praticamente todos os caciques políticos do PMDB nas delações e investigações da Lava-Jato. Lembremos: Eduardo Cunha é deputado federal eleito pelo… PMDB do Rio de Janeiro!

E diante dessas “parcas” denúncias (com ironia, por favor), os políticos do PMDB do Rio de Janeiro vivem certa tranquilidade de gestão, principalmente em relação à pressão pública da grande mídia corporativa. Apesar do “aperto” recente. Também pudera, não?

O galopante endividamento público já vinha denunciado desde meados de 2014 por muitos políticos de oposição ao PMDB. Os juros associados às novas dívidas também. Os pedidos de auditoria da dívida pública estadual simplesmente ignorados. O aparelhamento do TCE por indicados políticos. O silêncio sorridente do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, movido a muitos aumentos de sortidos auxílios. O avanço galopante do extermínio de pobres e repressão política promovidos pela PMERJ. A conveniente preguiça jornalística de jornalões e empresas de comunicação. Tudo isto no governo de… Sérgio Cabral!

O ex-governador Sérgio Cabral está desaparecido desde as Manifestações de 2013, quando todos os fatores acima listados estavam na boca de grande parte dos jovens manifestantes que foram às ruas e, mais uma vez, foram reprimidos, violentados e perseguidos pela PM fluminense. Especialidade da casa.

Sérgio Cabral desapareceu em 2013, mas continuou operando nos bastidores. Através da máquina do PMDB e do desencantamento da população fluminense, elegeu seu vice, Pezão, como governador em 2014. Também elegeu seu filho, Marco Antônio Cabral (PMDB) a deputado federal, e que hoje é o secretário estadual de esportes, no ano das Olimpíadas, diante da sua grande experiência de… 23 anos!

O governador Francisco Dornelles pode ter esquecido! A grande mídia corporativa também pode ter esquecido! Mas eu não esqueci, e certamente a população do Rio de Janeiro também não. Os responsáveis pelo estado de calamidade política em que vivemos neste momento são: Sérgio Cabral e o PMDB.

Obs.: Para confirmar minha coluna anterior “Temer e arte de governar por editoriais”, o O GLOBO lança mais uma vez um editorial on line e à tarde (A União tem uma dívida com o Rio), só que dessa vez é, em nome das Olimpíadas e de nossa “imagem” internacional, uma tentativa de salvar o PMDB do Rio de Janeiro, até porque ele foi decisivo, via Eduardo Cunha, para a golpe e a manutenção do ilegítimo Michel Temer. E porque o Grupo Globo investiu muito dinheiro nestas Olimpíadas e seu fracasso seria intolerável. A conta do golpe ainda está aberta, e tem que ser paga!

 

Vinícius Silva é sociólogo, professor, escritor e ativista de direitos humanos.

Contato: vinicius.fsilva@gmail.com

Facebook FanPage: www.facebook.com/palavrassobrequalquercoisa

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Liberalismo volta ao Brasil da única maneira possível: na mão grande https://www.ocafezinho.com/2016/05/12/liberalismo-volta-ao-brasil-da-unica-maneira-possivel-na-mao-grande/ https://www.ocafezinho.com/2016/05/12/liberalismo-volta-ao-brasil-da-unica-maneira-possivel-na-mao-grande/#comments Thu, 12 May 2016 14:35:20 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=44761 16 Comentários 🔥]]> Por Tadeu Porto, colunista do blog O Cafezinho*

Foram meses complicados em 2014, Setembro e Outubro, que me dediquei incansavelmente a campanha de reeleição da presidenta eleita Dilma Rousseff. Gastei até onde pude minhas camisas vermelhas – como a minha preferida com Lula e Dilma na frente“os 10 anos que mudaram o Brasil” – me lambuzei de protetor solar para panfletar nas ruas das cidades que frequento, levei minhas pernas ao limite do doce cansaço e gastei saliva e digitais para defender uma política nacionalista que levasse o país a grandeza que ele merece, no debate presencial e virtual.

A democracia tem disputas abertas e regulamentadas, como são os pleitos de dois em dois anos, as quais não se pode abrir mão de maneira alguma. São partes de uma engrenagem legal, construída para dar estabilidade política ao debate inerente das decisões coletivas, afinal, se cada civil quisesse ser representado da maneira que lhe convém, viveríamos o caos.

Algo semelhante com nossos dois últimos anos.

A vitória da esquerda em 2014 veio, mas não demorou muito para a ficha cair e se constatar, dias após (precisamente com Cunha ganhando a presidência da câmara e a mídia comemorando), que a direita não tinha construído a atmosfera das eleições passadas para perder: uma operação policial tendenciosa, com delações vazadas e arquitetadas (como o “eles sabiam de tudo”) a mídia trabalhando noite e dia para destruir um projeto popular não poderia ter sido em vão.

A elite brasileira chegou ao seu limite na divisões de tempo e espaço: ver os pobres frequentar áreas VIPS e ter que criar camarotes exclusivos; conviver com os restaurantes lotados e ter que inventar a comida gourmet (mais cara porque tem uma folha de hortelã em cima) para tentar restringir o público; aguentar os shoppings lotados, assistir peles negras desfilarem marcas de roupas internacionais e partilhar o salão de beleza com aquele cabelo de “pixaim”, foi demais pra burguesia.

O projeto bolivariano e popular teria que sair na marra, custe o que custar.

Nem que valha a própria democracia, afinal, assim está sendo o processo de retirada do partido que mais representou o povo brasileiro em sua totalidade [liberdade aqui para usar o gerúndio, sei que é feio mas pra mim a luta ainda não acabou com a admissibilidade] para a volta de um projeto que quebrou o país três vezes e entregou nossas riquezas a preço relativo de banana – o valor absoluto deve ser calculado somando-se a privataria – e jogou para debaixo do tapete tons de corrupção.

A liberdade econômica e a eficiência do Estado significam, conotativamente, entregar de mão beijada o capital, bens e serviços nacionais para oligopólios e monopólios privados que terão muito mais facilidade de concentrar renda, já que terão as ferramentas para dominar uma república mais fraca (bem mais fácil de chantagear) e não tem que dar satisfações à população nem mesmo mediante a venda dos produtos, com preços dominados por um cartel plutocrático.

A brasileira e o brasileiro conhecem, na prática, muito bem as políticas liberais: FHC virou as costas para os mais pobres, fez a periferia desejar o pão que o diabo amassou (era melhor isso do que morrer de fome) e governou para uma aristocracia vira-lata e entreguista que não serviu nem mesmo para fazer uma revolução francesa [burguesa] tupiniquim.

Foi a liberdade tucana que não deixou uma infraestrutura básica de energia (o apagão que o diga); trouxe o caos do tripé manco (não conseguiram cumprir nem a política deles mesmo); promoveu o sufocamento da classe produtiva com um mega pacote de arrocho salarial e retirada de direitos; abandonou a educação de maneira criminosa e que, sobretudo, negligenciou a miséria e as mortes de fome que circulavam pelo país.

Foi a técnica, os notáveis e a eficiência que, por exemplo, sucateou a Petrobrás a ponto de conseguir afundar uma plataforma inteira de petróleo em 2001 deixando de produzir barris importantes para nação durante anos e, sobretudo, tirando a vida de onze petroleiros, como se existisse uma guerra literal contra o trabalhador (será que o exército na refinaria em 1995 foi um presságio?).

E, claro, tamanho desastre nunca voltaria pela porta de frente. É por isso que, apesar dos erros consideráveis do PT todos esses anos, o projeto liberal não consegue sentar na cadeira de presidente. Ainda arde nas lembranças do povo brasileiro o sofrimento passado, o que dificulta a aceitação – pelo crivo da democracia direta – de qualquer proposta privatista, como o documento “uma ponte [de volta] para o futuro”.

Todavia, a imoralidade não tem o menor pudor de trabalhar na margem das regras para afanar o voto de mais de 54 milhões de cidadãos e cidadãs, consequentemente, Dilma cede lugar temporário a Temer – com o nacionalismo levando uma rasteira do entreguismo – pela via mais perversa da ética: da traição, do obscurantismo e da demagogia.

Os deputados e senadores que votaram “sim”, não aguentariam três rodadas de discussões dialéticas sem mostrarem o lado fascistas que ataca as políticas de inclusões sociais e não aceita os avanços populares do país. Por isso, foi na tribuna da retórica que o golpe foi dado: um monólogo político sem o contraponto justo das massas que deveriam, numa democracia, ditar os rumos da política nacional.

O golpe de Estado, a ruptura institucional democrática e o rasgar da constituição deram  ao liberalismo seu ar da graça de volta a terras verde e amarelas, encarnado no que há de mais retrógrado na nossa política. Pronto para sugar, mais uma vez, o sangue e o suor dos negros, mulheres, gays, índios, pobres e trabalhadores como se fôssemos pilhas energéticas da matrix da plutocracia.

Assim, simples assim, um governo roubado na mão invisível grande.

*Tadeu Porto [twitter: @tadeuporto] é Diretor do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (Sindipetro-NF)

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Resultados eleitorais de 2014: importante lembrar https://www.ocafezinho.com/2015/09/18/resultados-eleitorais-de-2014-importante-lembrar/ https://www.ocafezinho.com/2015/09/18/resultados-eleitorais-de-2014-importante-lembrar/#comments Fri, 18 Sep 2015 17:59:59 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=31928 17 Comentários 🔥]]> Diante da escalada golpista daqueles que não se conformam com a derrota eleitoral, resolvi publicar aqui alguns números para nos lembrar da vitória de Dilma Rousseff em 2014.

Os gráficos são do jornal Valor.

Observe que, no país, a vitória foi apertada, porém inexorável: de 51,64% X 48,36%.

Dilma obteve vitória esmagadora em alguns estados, como Bahia (70% X 30%) e Maranhão (79% X 21%).

Quem vai explicar aos baianos e aos maranhenses que a sua candidata, que venceu as eleições a nível nacional, e esmagadoramente em seu estado, será substituída pelo derrotado?

Dilma também ganhou, e de maneira bastante contundente, no Rio de Janeiro e em Minas, derrubando qualquer argumento preconceituoso contra o voto nordestino.

No Rio, Dilma ficou dez pontos percentuais à frente do segundo colocado.

Em Minas, curral político de Aécio Neves, onde ele dominava toda a máquina midiática e detinha a máquina política da maioria dos partidos, ele perdeu por três pontos.

A vitória de Aécio é extremamente concentrada em São Paulo, onde o poder da mídia é incomparável. Por isso, as grandes manifestações contra Dilma tem essa facilidade, de serem concentradas na capital da tucanolândia, onde as pessoas tem mais dinheiro e, por isso (infelizmente), são mais egoístas e hostis a um projeto político voltado para o social.

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O estertor patético de um derrotado https://www.ocafezinho.com/2014/12/19/o-estertor-patetico-de-um-derrotado/ https://www.ocafezinho.com/2014/12/19/o-estertor-patetico-de-um-derrotado/#comments Fri, 19 Dec 2014 07:26:13 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=26020 142 Comentários 🔥]]> aecio_louco1


 

Não estou seguro se eu devia chorar ou rir desbragadamente diante de uma atitude tão incrivelmente patética, como a do PSDB de pedir ao TSE, à vera, a diplomação de Aécio como presidente da república.

Na dúvida, eu rio.

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Aécio é diplomado… numa clínica!

Por Altamiro Borges, em seu blog.

O cambaleante Aécio Neves está com algum problema sério. Nem o bafômetro consegue identificar o transtorno. O senador mineiro-carioca até agora não engoliu a derrota na eleição presidencial – nem a surra que levou em Minas Gerais e no Rio de Janeiro. Ele já pediu recontagem dos votos, deu apoio aos malucos que gritam pelo impeachment da presidenta e pelo retorno da ditadura e pressionou pela rejeição das contas de campanha do PT. Sua última investida, porém, foi a mais patética. Seu partido solicitou que ele fosse diplomado no lugar de Dilma Rousseff. Não é piada! Aécio Neves poderia até ser “diplomado”, mas numa clínica… psiquiátrica!

Poucos horas antes do Tribunal Superior Eleitoral diplomar a presidenta, na tarde desta quinta-feira (18), o PSDB ingressou no órgão com o pedido de cassação do seu registro e de posse do derrotado tucano. Alegou “abuso do poder econômico” – como se a sua campanha não tivesse recebido milhões dos banqueiros e das empreiteiras – e uso indevido da tevê para pronunciamentos da presidenta – como se os tucanos não tivessem 24 horas diárias de “horário eleitoral gratuito” na mídia golpista.

Na sua parte mais risível, o documento do PSDB afirma: “Cabe assinalar, contudo, que a despeito de tudo, os requeridos [Dilma Rousseff e Michel Temer] obtiveram pífia vitória nas urnas. A diferença entre as duas chapas em disputa no segundo turno foi de apenas 2,28%, num universo de 105.542.273 votos válidos”. Derrotada, a sigla solicita a cassação do registro da dupla vencedora e reivindica que sejam empossados os tucanos Aécio Neves e Aloysio Nunes Ferreira nos cargos de presidente e vice-presidente da República. É, realmente, caso de internação… com direito a “diploma” de desrespeito à soberania do voto e à democracia.

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1º tapetão do PSDB é rejeitado por unanimidade; falta o 2º https://www.ocafezinho.com/2014/12/01/1o-tapetao-do-psdb-e-rejeitado-por-unanimidade-falta-o-2o/ https://www.ocafezinho.com/2014/12/01/1o-tapetao-do-psdb-e-rejeitado-por-unanimidade-falta-o-2o/#comments Mon, 01 Dec 2014 18:49:40 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=25671 2 Comentários 🔥]]> image


 

A primeira tentativa de ganhar no tapetão, feita pelo PSDB, ao lançar suspeitas sobre as eleições, acaba de ser derrotada, por unanimidade, no Tribunal Superior Eleitoral. Leia o texto abaixo.

O PSDB não descansa, e tentou um segundo tapetão: impugnar as contas de Dilma. O relator do processo é Gilmar Mendes. Dilma tem três dias para responder.

Quando a temporada dos tapetões passar, o PSDB vai ficar com um gosto amargo na boca.

Aécio Neves está se saindo um péssimo perdedor.

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BOATOS NA INTERNET

TSE isenta urnas eletrônicas de suspeitas apresentadas pelo PSDB

1 de dezembro de 2014, 15h21

Por Tadeu Rover, no Conjur.

O Tribunal Superior Eleitoral isentou, por unanimidade, as urnas eletrônicas de todas as suspeitas apresentadas pelo PSDB depois do segundo turno das eleições deste ano. Em decisão com mais de 40 páginas, os ministros do TSE rebateram todas as questões apresentadas pelos tucanos, entre elas a de que os cidadãos brasileiros foram às redes sociais demonstrar sua descrença quanto à confiabilidade da urna eletrônica.

“A mera alegação genérica quanto à existência de ‘denúncias das mais variadas ordens’, desprovida de provas ou indícios de irregularidades no processo de apuração e totalização dos votos, é insuficiente para abalar a segurança e a credibilidade dos sistemas informatizados desenvolvidos pelo Tribunal Superior Eleitoral. Sistemas, ademais, utilizados em várias eleições anteriores, sem que tenham sofrido impugnações que colocassem em xeque sua confiabilidade”, diz o acórdão, publicado no último dia 20 de novembro.

O relator, ministro Dias Toffoli, começou seu voto lembrando que as urnas eletrônicas são utilizadas há 18 anos e que a informatização do sistema eleitoral sempre se pautou pelos critérios da segurança e da garantia do sigilo do voto. Depois de fazer uma breve retrospectiva, o ministro afirmou que a petição do PSDB não deveria sequer ser aceita porque não foi apresentada por um advogado do partido e por não apresentar indícios das irregularidades.

“Em homenagem à transparência do processo eleitoral, acolhem-se os pedidos para prestar esclarecimentos e viabilizar a realização das providências solicitadas”, afirmou. O ministro lembrou que a Lei das Eleições (Lei 9.504/97) prevê diversos meios de fiscalização e controle, todos acompanhados podendo ser acompanhados pelos partidos, além do Ministério Público Federal e da Ordem dos Advogados do Brasil.

O ministro Gilmar Mendes explicou que é preciso dar atenção a esses questionamentos feitos pela população porque eles têm uma carga negativa que afeta a legitimação de todo o processo. “Por isso, devemos dar a devida atenção, mas não devemos considerar o pedido de esclarecimento uma ofensa às instituições ou um atentado à democracia. Nada disso! Devemos estar preparados para prestar essas informações, até porque estamos a falar de algo elementar, qual seja, da legitimação democrática”, disse.

Em seu voto, o ministro Henrique Neves rebateu diversas teses que circularam pela internet e alertou que não se pode acreditar em tudo o que é publicado na rede mundial de computadores: “Na internet, em tese, Elvis Presley está vivo, então há ali todos os tipos de informação, como uma, de que haveria um boletim de urna com quatrocentos votos, com a zerésima”, afirmou, esclarecendo que a foto de um boletim de urna de Campina Grande (PB) que apontava uma vantagem fictícia de 400 votos para Dilma Rousseff antes mesmo da votação começar era uma montagem.

Os ministros fizeram questão de registrar em acórdão o ponto que trata da não impressão de comprovantes de votos. De acordo com os ministros, o assunto já foi definido pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento da ADI 4.543/DF. “O Supremo Tribunal Federal firmou orientação no sentido de que tal procedimento fere o direito ao sigilo, conferido constitucionalmente ao cidadão como conquista democrática para se suplantarem os gravíssimos vícios que a compra e venda de votos provocavam, vulnerando o regime democrático brasileiro”, diz o acórdão.

O tribunal também aceitou os pedidos de informações sobre as urnas eletrônicas. Os ministros decidiram enviar todas os dados requeridos pelo partido, mesmo observando que muitos desses dados já estavam disponíveis para o partido. “Todas as diligências requeridas pelo partido já estavam contempladas pela legislação eleitoral e pelos procedimentos adotados em todas as instâncias da Justiça Eleitoral. Não há óbice, portanto, ao seu deferimento”.

Pedido do PSDB

O pedido foi feito três dias depois do primeiro turno, do qual a presidente Dilma Rousseff (PT) reelegeu-se derrotando Aécio Neves (PSDB). O pedido causou mal estar tanto entre os ministros do TSE quanto na comunidade jurídica de forma geral. O partido jamais alegou qualquer problema com as urnas durante o processo eleitoral. Os advogados que atuaram na campanha de Aécio fizeram questão de dizer que não foram consultados sobre o pedido. A petição é assinada pelo deputado federal Carlos Sampaio (PSDB-SP), que também foi o coordenador jurídico da campanha de Aécio, e pelo delegado nacional do partido, João Almeida dos Santos.

De acordo com a petição, “cidadãos brasileiros” foram às redes sociais demonstrar, “de forma clara e objetiva, a descrença quanto à confiabilidade da apuração dos votos e a infabilidade da urna eletrônica”. Nada foi alegado sobre o primeiro turno das eleições, quando Carlos Sampaio e o governador Geraldo Alckmin, por exemplo, foram mantidos nos cargos com votações expressivas.

Na internet, falou-se de tudo. De fraude a vazamento do resultado antes da divulgação oficial. Mas não passaram de boatos. O site Consultor Jurídico acompanhou o processo de totalização dos votos com uma credencial de acesso amplo a cada dependência do TSE. Tudo transcorreu normalmente e não houve um indício sequer de interferência humana no sistema automatizado do tribunal.

“O presidente do TSE preocupou-se, exageradamente até, em demonstrar a lisura do processo”, relatou o diretor da ConJur Márcio Chaer, que acompanhou a apuração. Os resultados começaram a ser divulgados às 20h. Um pouco antes, todos os ministros do TSE foram ao Centro de Divulgação das Eleições, espaço reservado à imprensa, para acompanhar a divulgação no mesmo ambiente que os jornalistas.

As inferências de “vazamento” nasceram de brincadeiras feitas entre os convidados, de ambos os partidos, e de palpites com base nos números dos resultados das eleições estaduais que, de início, indicavam a vantagem do PSDB. O questionamento partidário, nesse contexto, não passa de uma tentativa de dar vazão a inconformismos.

Clique aqui para ler o acórdão.

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As falácias do moralismo antipolítica https://www.ocafezinho.com/2014/11/08/as-falacias-do-moralismo-antipolitica/ https://www.ocafezinho.com/2014/11/08/as-falacias-do-moralismo-antipolitica/#comments Sat, 08 Nov 2014 14:24:28 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=25336 12 Comentários 🔥]]> ScreenHunter_5353 Nov. 08 12.23

Rudá


 

Reproduzo abaixo post que publiquei há pouco no Tijolaço.

Eu fiz questão de responder porque achei a entrevista infeliz. Além de jogar água no moinho da criminalização da política, Ricci tratou com um moralismo tolo a dialética necessariamente dura de uma campanha eleitoral.

A campanha de Dilma venceu aquela que talvez seja a mais poderosa e mais inescrupulosa máquina midiática do mundo, e Ricci vem com críticas bobinhas sobre o fato da campanha petista ter sido “planejada, racional” e conduzida por pessoas “frias e calculistas”.

Fica parecendo que, do outro lado, tanto com Marina quanto com Aécio, havia polianas da política.

*

Sociólogo respeitado, Rudá Ricci ganhou destaque na Folha de hoje com asserções bombásticas que fez numa entrevista sobre a campanha eleitoral deste ano.

Tenho respeito pelo professor, com o qual tenho muitas ideias afins, mas discordo veementemente de quase tudo que ele disse na entrevista.

Acho que ele cometeu o erro de jogar moinho na campanha midiática para criminalizar e desmoralizar a política.

Não vejo melhor maneira de polemizar com o professor senão reproduzindo a entrevista e encaixando, entre colchetes e em negrito, meus apartes. Não é 100% justo, porque sempre há o risco de descontextualização, mas é o que melhor posso fazer no momento.

*

Folha – O senhor falou que a campanha da Dilma fez uma manipulação profissional da opinião. Pode elaborar?

Rudá Ricci – A campanha formou 2.000 militantes virtuais. Havia o debate na TV à noite e, no outro dia, a campanha replicava nas redes sociais, por meio desse exército, informações, interpretações que no dia seguinte eram corroboradas no programa de TV e de rádio. E criava uma rede.

[O termo “manipulação profissional” é uma criminalização ridícula. Qualquer partido no mundo forma militantes, virtuais ou não. No caso do PT, o número de 2.000 me parece até modesto. Isso é uma coisa boa e democrática. Me parece que o professor não deixou isso claro.]

Várias vezes, o PT conseguiu fazer isso. Tanto no primeiro turno, com a Marina Silva, como no segundo. O PT não foi formador direto de opinião, mas mobilizava pessoas que começavam a ter informação, falavam no dia-a-dia para outras, formando opinião.

[Asserção meio sem lógica, ao dizer que “O PT não foi formador direto de opinião, mas mobilizava pessoas”. Ora, é assim que se forma opinião: mobilizando pessoas. É a maneira mais democrática. Também faltou deixar isso claro.]

O PT tinha um comando, por meio do Franklin Martins e do João Santana, com uma fartura de dados qualitativos e quantitativos. Pela primeira vez, isso dava informações para a coordenação da campanha estabelecer um roteiro, em que pensava o eleitor como alguém a ser formado, ao invés de pensar o eleitor como alguém que define o que a campanha de fazer.

[Qualquer campanha no mundo tem comando. PSDB tinha. PT tinha. PSB tinha. Agora, não é verdade que se “pensava o eleitor como alguém a ser formado, ao invés de pensar o eleitor como algúem que define o que a campanha deve fazer”. Se a campanha de Dilma foi mais dinâmica nas redes, é justamente porque foi mais flexível à opinião das redes.]

Ou seja, a campanha inoculava na pessoa da rua que tal candidato agredia mulher. E por que fazia isso? Porque tinha um levantamento dizendo que a maioria dos indecisos era mulheres acima de 45 anos, várias com histórico familiar de agressão. Ora, a agressão que uma mulher sofre está inoculada na sua história de vida.

[O professor está certo, mas aí ele começa a enveredar pelo pantanoso terreno do moralismo, onde se afundará cada vez mais. A campanha não “inoculava” na pessoa de rua que tal candidato agredia mulher. Corria nas redes, há anos, um post do Juca Kfouri segundo o qual Aécio Neves havia batido em sua mulher, numa festa num hotel no Fasano. Não foi a campanha que disse isso, nem ela é responsável, por esse boato, verdadeiro ou não. O fato é que o nível de agressividade dos militantes tucanos ajudou a criar esse clima. Militantes petistas mulheres foram agredidas, por militantes homens tucanos, em todo o Brasil. Há uma denúncia de uma militante de Dilma que foi agredida e depois violentada, no Rio. Há muitos casos assim. Então o clima de violência contra a mulher existiu sim, foi real. ]

É um novo paradigma de campanha, que não pensa como cativar o coração do eleitor numa linguagem que ele gostaria de ouvir. A questão agora é: como criar no eleitor uma imagem sobre o outro.

[Aí o professor inverteu os valores. Em primeiro lugar, esses “paradigmas” não existem a não ser em cabeças acadêmicas. Política é algo vivo, terrivelmente vivo, e, portanto, em mutação constante. Não existe paradigma em campanha eleitoral. Nunca existiu. Em segundo lugar, “cativar o leitor numa linguagem que ele gostaria de ouvir” me parece uma maneira bonita de elogiar a mentira. Já “criar no eleitor uma imagem sobre o outro” me parece um resumo exatamente do que é honesto e desejável numa campanha. Tem alguma coisa errada nisso? O que me incomoda na entrevista do professor é que ele, todo o tempo, vê maldade onde eu apenas vejo política e democracia. Suas próximas palavras confirmarão que ele realmente teve um surto moralista.]

É um tipo de campanha melhor do que a do passado?

Não. É uma campanha empresarial, organizada, com subdivisões, extremamente cara, com muita tecnologia. São pessoas frias, calculistas, que sabem medir a situação com precisão e tomam decisões arriscadíssimas.

Não há um diálogo efetivo com o eleitor. Estamos falando de um tipo de ação planejada, racional, em que os valores não contam. Isso vem dos grandes partidos.

[Surto moralista, de uma ingenuidade que beira a má fé. “Campanha empresarial, organizada, com subdivisões”, “pessoas frias, calculistas”. Como Rudá Ricci acha que deveria ser uma campanha presidencial na sétima economia do mundo, num país com 140 milhões de eleitores. Com bicho grilos? Qual o contrário de pessoas “frias e calculistas”? Pessoas “quentes” e que “não calculam”? Em seguida, ele fala que não há diálogo efetivo com o eleitor. Certo. Pode até ser. Embora este seja um problema muito mais grave no próprio governo, e por isso fiz tantas profundas críticas ao apagão de comunicação do governo, do que numa campanha, onde o tempo é curto e a guerra, declarada. Daí ele fala em ação “planejada, racional, em que valores não contam”.

Como assim? Planejado e racional é o oposto do que é virtuoso? Acho um tanto incoerente um cientista falar tão mal de coisas como planejamento, racionalidade e cálculo.]

O sr. afirma que o Brasil está dividido entre a “ética do trabalho” e o “Estado providência”. O que isso quer dizer?

No primeiro e no segundo turno, os mapas de investimento do BNDES e do Bolsa Família foram justapostos ao voto. Foi mais de 650% de aumento de volume de desembolso no BNDES para o Nordeste no período entre 2002 e 2012.

Ali também tem um mapa que não é exatamente, portanto, um setor de baixa renda. São empresários que viram o consumidor chegar até a sua porta e tiveram capacidade pra gerar produtos. Mudou a face do Nordeste. Mudou o eleitorado cativo, não é só o Bolsa Família.

Mas temos o Centro-Sul, principalmente São Paulo, onde Aécio Neves [PSDB] atingiu mais de 60%.

[A informação fica truncada aqui. Dá a entender que Aécio teve mais de 60% no Centro-Sul. Ele teve mais de 60% em São Paulo. Só. Essa confusão facilitará a conclusão da entrevista, que é de um país dividido. Ora, Dilma ganhou em Minas Gerais e Rio de Janeiro, que ficam no Centro-Sul. Então não há essa divisão toda.]

No Nordeste, tivemos de 67% a 78% votando na Dilma, em todos os Estados. Então o país está dividido.

[No Rio, Dilma teve 54% dos votos. Em Minas, ganhou também. Não há, repito, essa divisão geográfica.]

Nestes Estados com força do agronegócio, mas principalmente do Centro-Sul para baixo, ficou muito claro, nas redes sociais, o discurso de que o Estado brasileiro nos pune com impostos para dar aos pobres.

O conceito de meritocracia aparece como elemento central da honra.

O argumento não é correto. Temos o livro “Vozes do Bolsa Família”, que deixa claro que não existe o não trabalho com o Bolsa Família.

Mas essa visão existe. E o outro lado é: o país tem uma dívida social comigo porque os meus pais e avós sempre foram pobres. E quando me deram alguns recursos, sobressaí. Então temos os dois polos em termos de visão de mundo sobre o Estado.

[Ok, concordo. Houve essa polarização meio tola. Só faltou ao professor dizer de onde parte essa campanha sistemática de desinformação: da mídia. O agronegócio, as indústrias paulistas, ganham dinheiro vendendo para os novos consumidores do Nordeste. Hoje, os pobres consomem mais que os ricos.]

Trata-se da polarização PT contra PSDB?

Essa polarização talvez tenha chegado ao fim. O senador Aécio Neves não sai como líder nacional. Pelo contrário, foi derrotado três vezes em seu Estado em menos de um mês. Perdeu o governo do Estado, perdeu o primeiro turno, perdeu o segundo turno. É acachapante.

[Como assim a polarização chegou ao fim? A eleição mostrou justamente o contrário. Aumentou a polarização. Os petistas ficaram mais petistas e os tucanos, mais tucanos. Quanto às derrotas de Aécio em Minas, concordo, mas discordo de que Aécio não tenha saído como líder nacional. Foi justamente assim que ele saiu. Deixa de ser um líder provinciano, e passa a ser um nome conhecido nacionalmente. Perder em casa faz parte do jogo. Acontece com todo líder.]

O cetro está com PSDB de São Paulo. A questão é se consegue nacionalizar o partido, porque agora tem o PMDB como partido forte, que, pelo visto, vai mostrar as suas garras mais nitidamente.

[Certo, o cetro do PSDB está em São Paulo. Sempre esteve. Não há novidade nisso. E o PMDB continua tão forte quanto antes.]

O PT, por outro lado, que teve em Lula uma liderança incontestável, quase perdeu o governo. Isso demonstra que parte do eleitorado do PT, que é, na maioria, muito popular e de baixa instrução, está temoroso da sustentabilidade que ele conquistou nos últimos dez anos.

Um exemplo: um mês antes das manifestações de 2013, tivemos um boato de que o Bolsa Família acabaria. Em três dias, 920 mil beneficiários sacaram o dinheiro, principalmente no Nordeste. Ele desconfia que a situação econômica não está tão boa.

[Sim, o PT está há 12 anos no poder. O desgaste é inevitável. Quanto à insegurança dos pobres, talvez a maneira desrespeitosa com que a mídia difunde preconceitos contra programas sociais tenha algo a ver com isso, não? Esse preconceito chega até mesmo, e com muita força, aos menos pobres, aos remediados, que repetem chavões contra o Bolsa família. O povo ainda é traumatizado por séculos de pobreza e opressão. Seus terrores têm razão de ser. Não devemos subestimar a intuição do povo. ]

Isso dá a entender que temos a possibilidade de uma terceira via, que esteve na mão de Marina, em 2010 e em 2014. PT e PSDB foram ao segundo turno, mas nunca tão machucados como agora.

[Não vi isso. Para mim, foi o contrário. A terceira via naufragou ruidosamente este ano. PT e PSDB nunca saíram tão fortes de um pleito como agora. O PT, para ganhar, conseguiu a proeza de unificar a esquerda. Há tempos não víamos os movimentos sociais, as bases orgânicas da esquerda, tão unidos em torno de um projeto. Lideranças culturais da periferia de São Paulo, os sem-teto, sindicalistas, a Dilma só ganhou porque houve um grande esforço de união em torno do PT nesta eleição. A mesma coisa vale para o PSDB. Ele também reuniu a sua base social, a classe média urbana, empresários, etc, e saiu fortalecido das eleições, apesar da derrota em Minas. ]

O sr. afirmou que talvez o maior legado dos protestos de 2013 tenha sido o surgimento de uma militância tucana.

Isso é algo novo, o PSDB nunca teve militância de rua e na internet. Agora surgiu. Parte daqueles jovens que saíram às ruas entrou na campanha do Aécio.

[Sim e não. Surgiu uma militância tucana, porém, misturado a ela, um bando de malucos sectários, que mais atrapalham do que ajudam. Essa turminha aí que defende intervenção militar, os fãs do bolsonaro, todos esses engrossaram a “militância tucana”. Não acho que isso é bom para o PSDB.]

Temos registro em São Paulo de 15 mil militantes tucanos na rua pela primeira vez. Essa é uma novidade, e a disputa política fica muito mais sofisticada, com mais ingredientes. Essa coisa do PT dizer “nós temos militantes, vocês, só pagos” acabou.

[Certo. Mas não sei se é verdade que o PSDB não tinha militantes antes. Eles se sentiram mais seguros para ir à rua, mas antes estavam em casa, fazendo campanha nas redes sociais. Há anos que a militância de direita nas redes é muito forte e bem capitalizada.]

http://www1.folha.uol.com.br/poder/2014/11/1545232-dilma-mudou-paradigma-de-campanha-eleitoral-no-pais-diz-ruda-rucci.shtml

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A resposta de Rudá Ricci https://www.ocafezinho.com/2014/11/08/a-resposta-de-ruda-ricci/ https://www.ocafezinho.com/2014/11/08/a-resposta-de-ruda-ricci/#comments Sat, 08 Nov 2014 12:31:25 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=25351 20 Comentários 🔥]]> Rudá-Riccijpg


 

Publico abaixo a resposta do professor Rudá Ricci ao post que fiz sobre a sua entrevista à Folha.

Apesar de não concordar com tudo, não vou fazer tréplica porque senão vão pensar que é briga, e não é.

É apenas debate político, bastante amigável, aliás, graças a Deus.

Acredito que estamos todos completamente exaustos do clima de guerra de campanha eleitoral.

Desejamos desesperadamente polêmicas, mesmo que incandescentes, fortemente polarizadas, mas conduzidas com respeito mútuo, bom humor e espírito democrático.

O debate continua, porém, porque os leitores irão comentar. E nenhum debate político, numa democracia, termina.

A razão de ser de uma democracia é existir o debate.

Um debate infinito em busca de mais democracia e mais liberdade.

Obrigado pela resposta, Ricci.

O espaço estará sempre aberto para suas opiniões.

*

No Facebook do Ricci.

RESPOSTA AO TIJOLAÇO/CAFEZINHO A RESPEITO DE MINHA ENTREVISTA NA FOLHA DE HOJE

Miguel,

Em primeiro lugar, agradeço esta oportunidade de diálogo. Não preciso reforçar que escrevemos e damos entrevistas para o debate. Sociólogo clandestino é tudo, menos sociólogo. O agradecimento é ainda maior porque você leu com muita atenção minha entrevista, o que aumenta minha responsabilidade neste diálogo.

Vou seguir suas observações. Mas, antes, gostaria de reafirmar que pensamento crítico não se alinha, necessariamente, ao de um partido. Aliás, embora seja verdade que não é todo partidarismo que se transforma em correia de transmissão, a história política é farta em confirmar que este fenômeno não é algo tão estranho.

Vamos lá:

1) O respeito entre nós é mútuo. O que nos obriga a dialogar quando divergimos um do outro. Como dizia Hannah Arendt, “o silêncio é o início do fascismo” porque ignora o outro;

2) Não usei o termo “manipulação” como criminalização. Nem de longe gosto da postura de vestal em análise política. Eu utilizo o termo como tantos autores o empregaram no pensamento crítico, principalmente aquele inaugurado por Foucault. A campanha de Dilma – e eu tenho farto registro do nosso acompanhamento diário, incluindo troca de mensagens – elaborou uma estratégia de comunicação detalhada. Na última semana do primeiro turno, fomos informados que a escolha de Aécio Neves como adversário era fundamentada em dados minuciosos de pesquisa, que indicavam claramente a facilidade de desconstrução de seu personagem. Esta mensagem em específico, detalha o que ocorreria durante a primeira semana do segundo turno e como ele seria descontruído a partir do debate que seria realizado na Band. Terminava com o assombroso vaticínio que Dilma venceria com 53% dos votos;

3) Eu coordenei o programa agrário da campanha de Lula, em 1989. Nem de longe tínhamos tal grau de informação e precisão que percebi nesta campanha. Manipular é quase sinônimo de “desconstruir”. Porque significa que você sabe como o eleitor pensa e como fazê-lo reconstruir seu olhar. Não se trata de algo que tem relação com o processo educacional, que é longo. Tratava-se, no caso, de mudança de opinião em uma semana. Você pode escolher a palavra para isto. O que menos me importa é nomenclatura. O que importa em termos políticos é o que se faz e como se cria a opinião pública. E foi exatamente isto que a campanha de Dilma fez, com precisão milimétrica. Estamos lidando com um novo paradigma de campanha eleitoral (não vou entrar na origem e significado deste conceito que você avalia ser acadêmico, mas não é);

4) Sobre a frase “o PT não foi formador direto de opinião”, houve um erro na formulação O que eu afirmava é que as redes sociais não são, ainda, formadores de opinião direta. Elas impactam os militantes – petistas, no caso – que irradiam. A ideia é esta. Há quem, sem estudar o fenômeno, acredite que as redes sociais formaram opinião. Há farto material comprovando que não ocorreu isto porque os partidos brasileiros só falam com iguais ou pares, não sabem dialogar com quem pensa diferente. A linguagem partidária é direta (ataca o adversário e se autopromove) não é interativa ou lacunar, como caracteriza qualquer rede social. Imagino que, com o tempo, os partidos aprendam;

5) Você afirma que não é verdade que o PT pensava o eleitor como alguém a ser formado. Prove. Eu tenho como provar, com facilidade, o que foi feito em poucas semanas, tanto com Marina, quanto com Aécio;

6) Não gosto de moralismos em política. O que a campanha fez foi inocular o desejo ou intenção. Não se trata se o fato é verdadeiro ou não. Trata-se de criar uma comoção que não existia antes, mesmo o post de Juca Kfouri já ter sido postado antes da campanha. Não se iluda: não foi apenas o post de Juca que criou uma “onda emocional” das mais inteligentes. Foi a fala de Lula na mesma noite do debate onde Dilma citou a Lei Maria da Penha, foram as inúmeras postagens nas redes, enfim, foi uma belíssima ação programada e articulada para criar uma onda de desconstrução. Pense um pouco no significado político (e concreto) da palavra desconstrução;

7) Sinceramente, penso que o moralismo é seu. É perceptível sua intenção de não explicitar uma estratégia de marketing muito bem articulada pela campanha de Dilma, absolutamente profissional e que dá um passo adiante na americanização do jogo eleitoral no Brasil. Mas, sigamos à frente;

8) Aprendi que quando se utiliza muito adjetivo numa análise é porque não há substantivos a apresentar, ou seja, a argumentação definhou. Você se agarrou ao argumento único do moralismo. Até para concordar com o óbvio. Você afirma que eu fui ingênuo ao citar a campanha mais bem estruturada e empresarial que o país já viu. Contudo, em seguida, afirma que isto seria o óbvio para uma campanha presidencial brasileira. Seria importante você se decidir: o óbvio é ingênuo ou é apenas o óbvio?

9) Sobre a votação de Aécio, você percebeu, a redação ficou truncada. Minha observação é a seguinte: São Paulo se contrapôs ao nordeste como polos eleitorais. A votação de Dilma no nordeste só tem paralelo em termos percentuais com São Paulo. Nem o sul, nem centro-oeste, chegaram próximos das diferenças entre os dois candidatos. Sem São Paulo, Dilma provavelmente teria vencido no primeiro turno. São Paulo deu 10 milhões de votos para Aécio no primeiro turno, mais que a votação de Serra, a soma da votação de Skaf e Padilha, a soma da votação que Marina e Dilma tiveram em São Paulo. Não há dúvida que o desempenho de Aécio no final do primeiro turno e mesmo no segundo se deve à decisão paulista. Esta polarização é facilmente comprovada. Brigar com os fatos não é sinal de inteligência;

10) A polarização que revela sinais de esgotamento não é de projetos, mas de comandos partidários. A polarização PT-PSDB está demonstrando nítidos sinais de esgotamento. Aécio quase despencou, em setembro, a um dígito em intenção de votos, desmantelado pela figura de Marina. Marina desintegrou porque não sustentou a promessa de novidade. Na primeira pesquisa Datafolha em que ela aparece substituindo o nome de Eduardo Campos, já se apresentava com 21% de intenção de votos (em segundo lugar na corrida eleitoral). Ao decompor este eleitorado, descobria-se que vinha dos indecisos, dos que afirmavam que anulariam o voto ou votariam em branco (Marina capturou 50% desses eleitores). Na segunda pesquisa, Marina subiu mais 7% na intenção de voto, agora capturando o eleitor evangélico. Foi aí que errou grosseiramente porque procurou atrais os evangélicos e perdeu os que buscavam a terceira via. Ao se apresentar como candidata tradicional – dada a aproximação com empresários e pastores dos mais tradicionais -, desintegrou a canalização dos eleitores insatisfeitos.

Este fenômeno vem se apresentando em todas eleições, desde 2010. Esteve presente nas manifestações de junho de 2013. Há uma parcela significativa do eleitorado (entre 35% e 40%) que vem oscilando e se apresentando de maneira movediça. Um eleitorado conservador, que se formatou em termos de cultura política e valores sociais com a inclusão pelo consumo que, como sabemos, promove um pensamento egoísta, de valorização da família e da ordem social, em detrimento da solidariedade social. Fenômeno já estudado, por exemplo, nos EUA da década de 1950. Desconsiderar que na última década combinamos este fenômeno com ausência de embate ideológico (de ampliação de direitos) em virtude da conciliação de interesses que formatou o lulismo será um dos exercícios mais complexos e mirabolantes que um analista poderá fazer;

11) Acredito que você não tenha a menor ideia do que é Aécio Neves. Ele não tem condições de liderar o país e vai demonstrar isto em poucos meses. José Serra, em poucas semanas, demonstrará a diferença de estofo entre os dois, na mesma casa legislativa, o que facilitará o didatismo para apresentar esta prova. Não se perde da maneira como Aécio perdeu em sua terra, perdendo cavalo, exército e estandarte, e se apresenta como general de cinco estrelas. Nem em lendas quixotescas me parece provável;

12) Você avalia que “talvez” o ataque aos programas sociais tenha criado a insegurança nos pobres que eu cito na entrevista. Infelizmente, não lido com condicionantes e hipóteses sem qualquer base de comprovação;

13) Finalmente, a militância tucana. Não havia registros de ações de rua nitidamente tucana. Nesta eleição, houve. Se foi um erro de investigação, não posso dizer. Só trabalho com dados concretos. E eles não existiam. Portanto, não farei ilações. Aliás, parece que você também não tem a menor certeza se havia militância antes. Se continuarmos neste nível de imprecisão, chegaremos a dar razão à inquisição que pressionou Galileu.

Miguel, acredito que você se preocupou com minha entrevista porque eu desnudei parte dos bastidores da campanha eleitoral. Evidentemente que qualquer análise política se baseia em dados e fatos e, como dizia E.P.Thompson, é o historiador que dá sentido à história. Não sou historiador, mas sou casado com uma. Não negaria a autoria e, portanto, o encadeamento dos dados que eu faço ao analisar. Por isto mesmo, a melhor maneira de discutirmos é a partir de fatos e dados, ou seja, o mérito ou essência do que eu afirmei. Tentar desconsiderar com um ou outro adjetivo seria retornar às brigas internas do início do século entre os primeiros militantes do PCB.

Afinal, nem eu, nem você, somos candidatos a algum posto de direção política. Portanto, nosso objetivo é aprofundar e organizar uma leitura sobre a realidade e nossas possibilidades de avanços democráticos. Eu tenho, evidentemente, minhas convicções políticas. Não sou dos que acreditam que o poder está no governo. Li muito Gramsci e fui filiado à Democratici di Sinistra. Creio que é possível ter poder sem ser governo, uma máxima da esquerda gramsciana e que orientou o PT durante mais de uma década.

Creio na necessidade da reforma democrática do Estado brasileiro, tornando-o mais poroso ao controle social. São crenças que os aferrados ao Fla X Flu eleitoral desconsideram. Meu horizonte de leitura política, evidentemente, não é este conservadorismo que se limita à quem recebe mais votos na urna eletrônica. Se fosse assim, estaríamos jogando todas inovações que tantos de nós lutaram para incluir na Constituição Federal de 1988 ou em inúmeras leis federais. Criamos 30 mil conselhos de gestão pública com intenções mais ambiciosas que fazer registros sobre o número de reuniões ou conferências nacionais de direitos individuais e sociais. Mas, há quem se limite a este rame-rame institucionalista. Vê o mundo pelos olhos dos partidos e Estado. Não deixa de ser um olhar. Mas me parece absolutamente vesgo para quem se pensa de esquerda.

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Mídia suaviza derrota humilhante do PSDB junto ao TSE https://www.ocafezinho.com/2014/11/05/midia-suaviza-derrota-humilhante-do-psdb-junto-ao-tse/ https://www.ocafezinho.com/2014/11/05/midia-suaviza-derrota-humilhante-do-psdb-junto-ao-tse/#comments Wed, 05 Nov 2014 16:40:39 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=25272 81 Comentários 🔥]]> 22mar2014---no-rio-de-janeiro-rj-manifestantes-tambem-participam-do-evento-organizado-para-relembrar-a-marcha-anticomunista-e-de-apoio-ao-golpe-militar-realizada-ha-50-anos-em-19-de-marco-de-1964-1395521127549_956x500


 

Não há nada melhor neste mundo do que ser amigo da mídia!

O PSDB sofreu uma derrota absolutamente humilhante junto ao TSE, que rejeitou, com unanimidade, uma auditoria nas eleições.

E o que diz a mídia? Que TSE rejeita proposta “mas libera documentos”.

“Mas libera documentos”?

Não tem nada de “mas”!

Não tem nada de “liberar documentos”!

Os documentos “liberados” pelo TSE já eram públicos. Podem ser baixados na internet por qualquer um.

A “novilingua” da mídia permite que os áulicos do PSDB continuem a jogar milho às galinhas cacarejantes da “fraude”, do “impeachment”, da “intervenção militar”.

Bem, ao menos constatamos uma coisa. O PSDB está tentando se desvencilhar da pecha de apoiador de uma intervenção militar, pelo que o parabenizo.

A mídia, nem isso.

Em virtude do apoio que as empresas de mídia emprestaram à “intervenção militar” de 1964 seria tranquilizante que elas rechaçassem, através de editoriais duros e claros, que são absolutamente contra esse tipo de discurso hoje.

William Bonner deveria ler um editorial no Jornal Nacional, deixando claro que a Globo, que inclusive já tentou uma “meia culpa” sobre seu apoio ao golpe de 64, não apoia nenhuma ideia de intervenção militar.

Nada. A mídia brasileira calou-se. E quem cala consente.

Depois reclamam quando são chamados de golpistas.

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Tucanos fraudaram a fraude! https://www.ocafezinho.com/2014/11/01/tucanos-fraudaram-a-fraude/ https://www.ocafezinho.com/2014/11/01/tucanos-fraudaram-a-fraude/#comments Sat, 01 Nov 2014 11:20:53 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=25207 96 Comentários 🔥]]> charge_ar


 

 

O PSDB pediu uma auditoria do resultado das urnas com base em “comentários nas redes sociais”.

Pois bem, o site E-Farsas descobriu que uma das denúncias de fraude mais compartilhadas nas eleições deste ano era, ela sim, uma farsa.

A fraude era uma fraude!

Viva o Brasil!

*

Texto publicado no site E-Farsas.

A fraude da fraude

Mesário de Campina Grande publica no Facebook foto provando que a urna de sua seção já estava com 400 votos a favor do PT antes do início das eleições! Será?

No dia 26 de outubro de 2014, quando ocorreu o segundo turno das eleições presidenciais no Brasil, uma denúncia grave foi publicada no Facebook pelo mesário Ricardo Santiago de Campina Grande (PB).

A foto publicada pelo mesário mostra o que parece ser a impressão do relatório de zerésima da urna eletrônica de sua seção, que já exibia a quantidade inicial de 400 votos totalizados para Dilma e “zero” para o candidato Aécio Neves.

Fraude


 

A imagem com a denúncia foi compartilhada milhares de vezes nas redes sociais juntamente com inúmeros comentários repudiando o sistema eleitoral, que teria sido facilmente burlado.

O boletim da urna fotografado por Ricardo Santiago apresenta o número 16589 e o código de identificação 725.847.686.947.768.967.103.448.

Será que isso é verdade?

Verdadeiro ou falso?

Já falamos aqui no E-farsas que as urnas eletrônicas não são 100% seguras, mas para conseguir fraudar uma urna seria preciso da ajuda de muita gente (que vigia todo o processo eleitoral). No caso dessa suposta denúncia, podemos afirmar com certeza de que se trata de farsa!

Em primeiro lugar, não conseguimos localizar o usuário Ricardo Santiago no Facebook. Claro que existem homônimos na rede social, mas nenhum de Campina Grande.

O mesário, ao detectar alguma irregularidade na urna, deve avisar imediatamente o presidente da seção que aciona o diretor do local de votação e a urna é substituída ou impugnada, conforme o caso. Além disso, os fiscais de partido ficam de olho em tudo (sim, eles são paranoicos!).

Outro detalhe que chama a atenção é o fato do denunciante não ter mostrado a seção e a zona eleitoral de onde o boletim supostamente teria sido impresso. Além disso, há apenas uma foto da “prova” do crime!

Analisando a foto do impresso, podemos notar que a numeração correspondente à votação do Aécio Neves possui somente um dígito. Os demais campos numéricos possuem 4 dígitos.

O código de identificação de carga

O código 725.847.686.947.766.967.103.448 mostrado no papel impresso evidencia ainda mais a farsa, pois através desse número é possível rastrear a origem da tal urna.

Conforme especificado na Resolução 23.999 do Tribunal Superior Eleitoral, o Código de Identificação de Carga é criado no momento de configuração da Urna Eletrônica para uma determinada seção e não se repete. Caso a uma mesma urna fosse configurada novamente para ser usada em outra seção, o código já não seria mais o mesmo.

Lembrando que esse código único fica armazenado no banco de dados dos TREs, que só recebem os resultados das votações de urnas que apresentarem esse código. Essa chave é tão específica para cada urna que se o mesmo equipamento fosse configurado algumas horas antes (ou depois), seu código já seria outro!

Para evitar fraudes, o TSE disponibiliza antes das eleições uma página com todos os códigos de carga de todas as suas urnas. Em 2014, o link é esse:

Você pode ir procurando o código em todos os links, mas para facilitar a sua vida, o link correto que estamos procurando é esse aqui:

http://agencia.tse.jus.br/estatistica/sead/eleicoes/eleicoes2014/correspesp/cesp_2t_RJ_25102014153251.zip

Ao descompactar o arquivo, podemos ver que ele vem com dois documentos de texto com o mesmo teor com as mesmas informações, além de um arquivo PDF com as instruções de uso.

Na linha 27.013 de qualquer um dos dois arquivos de texto, encontramos o seguinte:

“25/10/2014?;”15:32:31?;”158?;”RJ”;”60011?;”RIO DE JANEIRO”; “252“;”93“;”1413860?;”725847686947766967103448“;”A875FD07?;”25/09/2014 08:47:00?

Explicando que os campos em negrito da linha 27.013 se referem à Zona Eleitoral 252 (Rio de Janeiro), Seção Eleitoral 93 e o código de carga 725847686947766967103448 (que é o mesmo mostrado na montagem do suposto mesário paraibano, sem os pontos!).

Bom, já descobrimos que a suposta urna adulterada estava no Rio de Janeiro, cidade que fica a mais de de 2.300 quilômetros de distância de Campina Grande!

Resultado verdadeiro da Urna

Agora vamos aos votos que o boletim de urna real gravou. O TSE também dispõe de um serviço onde você pode consultar o resultado da votação de qualquer urna do Brasil imediatamente após o término da apuração dos votos. Basta entrar aqui e filtrar os dados assim:

Turno = 2
UF = RJ
Município = Rio de Janeiro
Zona = 252
Seção = 93

Pronto! Podemos ver que os votos reais para Presidente da urna em questão foram :
144 votos para Dilma
172 votos para Aécio

Outro detalhe é que no total, foram apurados 353 votos. Muito abaixo dos 400 votos mostrados na montagem que circulou pela web.

Conclusão

A imagem que provaria uma suposta adulteração no resultado de uma urna eletrônica em Campina Grande é uma montagem feita em cima de uma foto de uma urna do Rio de Janeiro. Denúncia falsa!

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Uma vitória épica contra o golpismo https://www.ocafezinho.com/2014/10/29/uma-vitoria-epica-contra-o-golpismo/ https://www.ocafezinho.com/2014/10/29/uma-vitoria-epica-contra-o-golpismo/#comments Wed, 29 Oct 2014 15:14:08 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=25143 32 Comentários 🔥]]> f5451ad0-5d6e-11e4-bad5-0fad654a2e7f_AGE20141026955


 

Confesso que ainda estou em estado de graça com a derrota épica que impusemos sobre a mais poderosa e mais golpista rede de mídia do planeta.

Ainda não tive tempo ou pachorra para analisar a vitória de Dilma Rousseff.

Vim para São Paulo, para pegar os últimos dias da Mostra Internacional de Cinema, e tenho conversado com bastante gente.

O pessoal da mostra, quase todos votaram Dilma. Alguns votaram em Luciana Genro no primeiro turno, mas a petista foi a opção da maioria do andar de baixo do cinema (em termos pecuniários), no segundo turno.

É uma grande e idiota falácia falar que “desinformados” votam em Dilma. Acho que aconteceu exatamente o contrário.

Mesmo a questão de escolaridade, também engana muito.

O marido da Geraldine Chaplin, que está sendo homenageada na Mostra, contou-me ontem que acompanhou as eleições do Brasil na Suíça, pelo rádio, muito nervoso com a possibilidade de uma vitória da direita.

Confesso também que não estou nem um pouco interessado em “união”.

A polarização política é inevitável e acho que o governo cometerá o mesmo erro da primeira gestão se escolher o caminho da concessão ao conservadorismo midiático.

A mídia já está tentando queimar Ricardo Berzoini, por exemplo. Ela tem ojeriza de qualquer nome que possua espinha dorsal própria.

E se a mídia não gosta de Berzoini é porque ele é bom, e pode ser um quadro importante para fortalecer o governo.

Dilma precisa de nomes fortes, que tenham virilidade política, ou seja, colhões para responder aos ataques de uma mídia que se tornou o principal partido de oposição.

Por exemplo, “delação premiada” agora virou arroz de festa. Setores do Ministério Público conectados com a oposição parecem estar direcionando as delações para o caminho que desejam. E continuam a fazer vazamentos seletivos.

A única maneira do governo reagir ao golpismo da mídia é encará-lo de frente, sem medo.

Não é preciso esperar uma regulamentação da mídia ser aprovada pelo Congresso.

O governo, se quiser apoio dos setores populares, terá que se mostrar corajoso.

Não é preciso, por exemplo, esperar o Congresso para fazer um grande investimento na TV Brasil.

A imagem do coração valente não pode morrer.

Ontem, numa das festas da Mostra, um dos garçons, me vendo conversar sobre política com os convidados, veio puxar assunto comigo, e disse que apenas os donos do restaurante votaram em Aécio.

“A piãozada foi toda de Dilma”, contou-me, orgulhoso.

Pois é. Essa é a razão pela qual ando tão feliz nos últimos dias.

A todo momento, respiro fundo, degustando a vitória.

As idiotices sobre “bolsa família”, as manifestações de preconceito, os abaixo assinados pelo impeachment de Dilma, apenas merecem minha indiferença e desprezo.

Não estou mais interessado nisso.

A partir de agora, volto a trabalhar nas reportagens investigativas e nas análises políticas.

Uma análise que adianto, por exemplo: na semana que se seguiu ao primeiro turno, quando a onda Aécio crescia, Eduardo Cunha plantou notinha na coluna do Ilimar Franco, da Globo, dizendo que a liderança de Michel Temer no PMDB estaria em cheque se Aécio ganhasse, conforme parecia ser a tendência.

Temer reagiu astutamente no dia seguinte, na mesma coluna: “por essa linha de raciocínio, se Dilma ganhar, ele (Cunha) não pode ser presidente da Câmara”.

Xeque-mate.

Eduardo Cunha apostou em Aécio Neves. Perdeu. Terá dificuldades para seu plano (diabólico, a meu ver; e desastroso para o Brasil) de ser presidente da Câmara.

A derrota de Dilma no decreto da Participação Popular foi bem analisada por Gilberto Carvalho: uma vitória de Pirro da oposição, que apenas se queima junto a todos os movimentos sociais organizados do país, que tinham grande esperança no decreto.

O mesmo projeto poderá ser retomado mais tarde. Um dia ou outro, será aplicado, porque o poder pertence ao povo, e tem de ser dado ao povo. A representação política, como é feita hoje, não mais da conta da imensa diversidade de um país como o Brasil.

A presidenta terá a oportunidade de colher as grandes obras de infra-estrutura que ela mesmo iniciou em sua primeira gestão, ou ainda na era Lula, como a transposição do Rio São Francisco, as refinarias Abreu e Lima e Comperj, as hidrelétricas, as ferrovias, os portos, etc.

*

Em São Paulo, estamos testemunhando as consequências de um dos maiores crimes jornalísticos de todos os tempos. Milhões de pessoas, dezenas de indústrias, estão sofrendo com falta d’água, porque a mídia protegeu o governo do PSDB. Medidas urgentes, como racionamento de água, não foram aplicadas.

Os prejudicados, naturalmente, serão os mais pobres, que não podem comprar carros pipa.

Hospitais, escolas, postos de saúde, lojas, indústrias, campos agrícolas, todos pagarão pela incompetência absurda do governo do PSDB de não investir em infra-estrutura hídrica.

O estado que viveu terríveis enchentes nos últimos anos não fez o necessário planejamento para juntar água e, sobretudo, para interligar os sistemas de abastecimento do estado.

*

O senador Aloysio Nunes é um homem perigoso e violento. Já demonstrou isso ao xingar e agredir um blogueiro que tentou lhe entrevistar.

O governo democrático e popular tem de ficar de olho nessa fera. Ele tentará, seguramente, agredir as redes sociais e os blogs porque sabe que estes foram responsáveis pela derrota do PSDB.

Seus ataques recentes às redes sociais, tentando criminalizá-las por terem derrotado seu candidato, sinalizam intenções sinistras.

*

A internet é livre e vivemos num regime democrático com liberdade de expressão. O senador Aécio Neves não encontrará descanso. Iremos cobrar a continuidade das investigações sobre todos os crimes que foram denunciados durante a campanha deste ano: a construção do aeroporto de Cláudio é apenas um exempolo.

*

Leiam a entrevista do professor Wanderley Guilherme para o Paulo Moreira Leite. Ele defende a urgência da democratização dos meios.

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Vitória da classe trabalhadora! https://www.ocafezinho.com/2014/10/27/vitoria-da-classe-trabalhadora/ https://www.ocafezinho.com/2014/10/27/vitoria-da-classe-trabalhadora/#comments Mon, 27 Oct 2014 13:57:11 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=25110 42 Comentários 🔥]]> vitoria_


 

Amigos e companheiras,

o blogueiro desperta com uma ressaca estranha.

Uma ressaca de alívio.

Testemunhamos, ontem, o final de uma batalha épica, que marcará a história do Brasil e do mundo por décadas, quiçá por séculos.

A esquerda ganhou contra tudo e contra todos.

O povo mais humilde arrostou o retrocesso com a simplicidade de sua intuição superior.

No sábado, eu fui resolver uma coisa em Ipanema.

Na entrada do metrô, encontrei um amigo distribuindo a edição especial do jornal Brasil de Fato, sobre as eleições.

Cumprimentei-o, peguei um exemplar, que já tinha lido, pensando em deixá-lo em algum banco vazio, o que fiz ao chegar na área de embarque.

Um grupo de quatro trabalhadores conversava em pé à minha frente. Eles então vieram na minha direção e viram o jornal largado no banco.

Sentaram-se. Um deles, pegou o jornal e fez alguns comentários sobre as eleições.

– Acho que a Dilma vai ganhar. Esse Aécio, só rico, bacana, vota nele.

Os outros fizeram comentários similares.

E leram, interessados, o jornal.

Tiro várias lições desse episódio.

A primeira, é que o povo brasileiro quer ser melhor informado.

A segunda, é que a sua consciência política avançou mais um pouco nessas eleições.

Neste segundo mandato, Dilma tem obrigação moral de combater a miséria da informação.

A informação é um direito humano que tem sido negado ao povo brasileiro.

E quando falo povo, refiro-me também à classe média, vítima histórica da manipulação da mídia.

É ridículo que a classe média brasileira se identifique com as elites do país.

A classe média deveria se identificar com seus iguais, a classe trabalhadora, porque ela também é uma classe trabalhadora.

O sujeito ganha dez mil reais por mês e acha que, por isso, não mais faz parte do povo?

Ora, a elite financeira ganha milhões por mês, possui centenas de imóveis.

A elite brasileira é uma das mais ricas e poderosas do mundo.

Enfim, sabemos que, vencida as eleições, outra guerra se inicia agora.

A guerra para montagem de um novo ministério, que deverá expressar o desejo de mudança do povo.

O governo também precisa sinalizar que irá combater a desinformação, de maneira democrática, estimulando a diversidade e a pluralidade.

É preciso redistribuir as verbas que vão para Veja, Globo e Folha, criando programas republicanos que estimulem a criação de mídias com opiniões diferentes.

Isso não é intervir no conteúdo. É a orientação democrática que a União Europeia determina para a política de comunicação de todos os seus membros.

Não é mais possível que um país como o Brasil tenha apenas canais de TV e jornais da direita.

É óbvio que isso está errado. E apenas gera instabilidade.

As agências de publicidade que tem conta no governo deverão apresentar propostas de distribuir todas as suas contas, incluindo as privadas, para meios diferentes de informação. Caso contrário, não terão contratos com o Estado.

O governo deveria criar um sistema randômico, para distribuir a publicidade para todo site cadastrado.

Dilma quer fazer a reforma política, através de um plebiscito.

Para fazê-lo enfrentará mais uma guerra midiática.

Espero que ela tenha aprendido a lição.

O campo popular sempre estará a seu lado, para as grandes causas.

Mas não estará se ela ceder aos barões da mídia.

É findo o tempo de omeletes no programa de Ana Maria Braga.

É findo o tempo de convescotes na Folha de São Paulo.

A nova Dilma tem de ser a Dilma do povo.

Milhões, ou melhor, bilhões de trabalhadores, do mundo inteiro, voltam-se para o nosso país com olhos cheios de esperança.

A vitória de Dilma é uma vitória da classe trabalhadora do mundo inteiro.

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Decisões do TSE barram golpe da Globo https://www.ocafezinho.com/2014/10/25/decisoes-do-tse-barram-golpe-da-globo/ https://www.ocafezinho.com/2014/10/25/decisoes-do-tse-barram-golpe-da-globo/#comments Sat, 25 Oct 2014 23:14:59 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=25083 130 Comentários 🔥]]> images


 

A Globo recuou na última hora.

A barragem das redes sociais, que puseram nos TT mundiais do Twitter a hashtag #GolpenoJN, a reação dura da presidenta Dilma, a decisão do TSE de obrigar a Veja a dar direito de resposta imediato e, sobretudo, a perspectiva cada vez mais forte de reeleição de Dilma, fizeram o Jornal Nacional rebolar.

Eles deram a matéria da Veja, mas depois de dar o protesto da UJS. E apresentaram a resposta dura de Dilma em sua propaganda eleitoral.

Dilma condenou a ação da UJS, como não podia deixar de fazer, por ser a presidente da república, responsável pela lei e pela ordem.

Mas eu não sou presidente e não preciso repetir Dilma.

Os jovens da UJS estão de parabéns!

Fizeram o que milhões queriam fazer há tempos.

O que estava engasgado na garganta de todo o mundo.

Veja mente.

Veja é um lixo.

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Direita fascista sai do armário para defender Aécio https://www.ocafezinho.com/2014/10/25/direita-fascista-sai-do-armario-para-defender-aecio/ https://www.ocafezinho.com/2014/10/25/direita-fascista-sai-do-armario-para-defender-aecio/#comments Sat, 25 Oct 2014 22:16:32 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=25077 52 Comentários 🔥]]> Mussolini1


 

A campanha de Aécio cultivou o germe fascista. Médicos têm praticado chantagens sórdidas para tentar convencer pacientes a votar no tucano.

É incrível que não percebem que apenas geram revolta nas pessoas.

E a mídia tucana ainda vem acusar Dilma, que fez uma campanha orgânica, com mobilização espontânea de milhões de pessoas, de sórdida.

Tá bom, campanha legal é a dele, onde médicos ameaçam pacientes e boyzinhos truculentos xingam pessoas nas ruas.

Onde militantes tucanos pedem intervenção militar.

Leiam o relato e vejam se isso não lhes lembram o filme O Ovo da Serpente, de Ingmar Bergman?

*

Depoimento: Ginecologista fascista

Por Priscila Gontijo, cidadã brasileira

24 DE OUTUBRO DE 2014 ÀS 19:46

Assim que entrei em sua sala, o médico percebeu o adesivo da Dilma grudado no meu caderno. Ele então me olhou de cima abaixo, se levantou e rapidamente trancou a porta do consultório

Foi a minha primeira consulta com o médico ginecologista na zona oeste da cidade de São Paulo. O único que aceitava o meu plano de saúde para realizar a tal cirurgia. Seis meses nessa lenga-lenga.

Assim que entrei em sua sala, o médico percebeu o adesivo da Dilma grudado no meu caderno. Ele então me olhou de cima abaixo, se levantou e rapidamente trancou a porta do consultório.

Em seguida, sentou-se na minha frente lentamente e iniciou o interrogatório num tom sombrio com a seguinte frase:

“Tenho uma curiosidade: por que vocês querem destruir o país?”

Perplexa, minha boca secou. Estava ali para fazer exames.

Ele continuou exigindo os motivos do meu voto com voz pausada e baixa. E acrescentou: “Veja bem, sou nulo”. E amparado por essa neutralidade fictícia, fez diversas perguntas. Eu disse que não tinha ido conversar sobre política e sim agendar a cirurgia. Ele não arredou o pé. Mirava-me do alto do seu pós-doutorado estampado em letras garrafais na parede. Tão sabido e inteligente que não fazia ideia do que eram as políticas públicas de educação no Brasil. Quando eu revelei que na Puc vários alunos ingressaram na universidade pelo PROUNI e o ENEM o clima pesou ainda mais. Nesse instante, o doutor-nulo me olhou estupefato.

O golpe fatal veio quando eu lhe disse que diversos alunos de Osasco e do grande ABC estudavam na ilustre Pontifícia Universidade Católica do seu bairro. Repetiu a palavra “Osasco” com uma boquinha de nojo e enxugou o suor da testa.

Em seguida me perguntou sobre o PROUNI e o ENEM revelando uma ignorância alarmante:

“Esses programas PROUNI e ENEM por exemplo, as pessoas não precisam fazer vestibular nem prova alguma, né?”

Fiquei na dúvida em responder. Ele morava em Marte?

Seguiu-se o interrogatório. Pedi pra ele analisar os meus exames, afinal estava ali pra isso. Mas o singular doutor que se auto-intitulava apolítico insistia em me questionar. Diante do meu crescente constrangimento ele ganhou novo ânimo. Já bradava: “Você devia ter vergonha! Por que vai votar nessa mulher?”

Eu, mais encurralada do que nunca cheguei a pensar no tal código de ética dos médicos. Existia mesmo isso? Em que galáxia? Se eles podem fazer o que bem entendem e sem o menor pudor? Nesse exato momento, ele deu o berro triunfal repetindo a pergunta: “Por que votar nessa mulher? Exijo explicações.” Olhei pra porta. Trancada. Pensei no plano de saúde. O único médico que aceitava meu plano para a cirurgia. Demorei mais de seis meses pra encontrar um e agora tinha urgência. Não podia pagar o procedimento em uma clínica particular. Resolvi falar sobre os projetos sociais do atual governo e das aulas que ministro há mais de seis anos na periferia da cidade de São Paulo e de como estava feliz em ver meus alunos, que antes não tinham acesso, ingressarem nas universidades. Era por esse e outros motivos que iria votar “nessa mulher”, expliquei. Nesse instante, ele estufou o peito e gritou:

“Não estou perguntando do social. O social não interessa. Quero saber da questão financeira!”

Nesse instante mirei a imagem da Dilma no adesivo: uma jovem no tribunal totalmente oprimida e humilhada. Pedi socorro pra imagem. Saliva? Zero. E fixei a ilustre nulidade a minha frente com firmeza, dando a entender que não iria ceder. Ele sentenciou:

“Na época da ditadura não havia roubalheira.”

Ali tive a certeza: não iria me operar com médico torturador.

Mas ele era um maratonista da obtusidade. Um triatleta da ignorância. E conseguiu piorar ainda mais. Chegou ao ápice mórbido da seguinte pergunta:

“Por acaso na época do Figueiredo roubavam? E na época do Geisel?”

Eu respondi que na época do Geisel não só roubavam como matavam e ele retrucou sentencioso:

“Não estou perguntando isso! Não quero saber se matavam. Quero saber sobre o aspecto financeiro.”

Passando mal pedi pra sair.

O tal idiota da objetividade perguntou o que vinha no Bolsa Família e depois de ouvir, proferiu numa cínica afirmação exaurida pelo uso:

“Isso é esmola.”

Tonta, disse que realmente tinha pressa e me levantei.

Finalmente o doutor-torturador me libertou do cativeiro.

Livre, já fora do consultório-prisão desagüei num choro de impotência atroz no meio da rua.

Ionesco deve estar rindo de nós.

E com razão.

http://www.brasil247.com/pt/247/artigos/158214/Depoimento-ginecologista-fascista.htm

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https://www.ocafezinho.com/2014/10/25/direita-fascista-sai-do-armario-para-defender-aecio/feed/ 52
Plantão anti-golpe https://www.ocafezinho.com/2014/10/25/plantao-anti-golpe/ https://www.ocafezinho.com/2014/10/25/plantao-anti-golpe/#comments Sat, 25 Oct 2014 19:58:25 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=25067 57 Comentários 🔥]]> JN mentira


 

Estamos a poucas horas de terminar a campanha mais agressiva da história da nossa democracia.

Há uma expectativa de golpe midiático no Jornal Nacional, com longa reportagem sobre a matéria mentirosa da Veja.

O jornal Hoje já deu, então é provável que o JN venha também.

Não será suficiente para reverter o quadro. O JN tem audiência fraca no sábado, e não haverá tempo para o que eles gostam de fazer, que é uma campanha maciça e combinada entre vários veículos.

Parece-me antes um esforço para criar a esperança de um terceiro turno.

Se assim o fizerem, apenas ficará mais claro, para a Dilma, e para todos, que o Brasil não pode continuar a mercê dessas máfias midiáticas.

Às 18:30 saem pesquisas Ibope e Datafolha.

Lauro Jardim, da Veja, adiantou que os números devem permanecer exatamente os mesmos, ou seja, oito pontos de vantagem para Dilma: 54% a 46%.

A ver.

Rolam uns trackings partidários, dando vantagem à Dilma, mas a esta altura, é melhor não confiar em nada.

Aliás, melhor não confiar em pesquisa nenhuma.

O momento é de desconstruir, com inteligência e agilidade, as mentiras da Veja/Globo e ficar de olho nos crimes eleitorais.

Vou ficar de plantão por aqui, na fanpage do Cafezinho e no twitter, até 21 horas.

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https://www.ocafezinho.com/2014/10/25/plantao-anti-golpe/feed/ 57
Globo prepara golpe no Jornal Nacional https://www.ocafezinho.com/2014/10/25/globo-prepara-golpe-no-jornal-nacional/ https://www.ocafezinho.com/2014/10/25/globo-prepara-golpe-no-jornal-nacional/#comments Sat, 25 Oct 2014 19:02:53 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=25063 65 Comentários 🔥]]> jn-erro-veja-dilma


Por Luis Nassif, no Portal GGN.

Hoje à noite, exatamente às 20 horas, será cometido um crime de imprensa e um atentado à democracia. O Jornal Nacional dará entre 5 a 10 minutos de reportagem sobre uma informação falsa veiculada pela revista Veja.

O que fazer?

O primeiro passo é entender que a Constituição (e a democracia) não admitem censura prévia. Mas não havendo a censura prévia tem que se prever consequências, como forma de inibir o crime.

No Brasil, não existe a censura prévia nem as consequências. É isso que explica o estupro permanente da verdade.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) permite o direito de resposta. Ocorre que um direito de resposta convencional só poderia ser exercido na segunda-feira, quando as eleições já ocorreram.

Os advogados do PT deveriam ir agora ao TSE e solicitar uma medida cautelar com direito de resposta. Seria assim:

Um porta-voz de Dilma ficaria disponível no estúdio da Globo, aguardando o Jornal Nacional.

Saindo a reportagem sobre o factoide da Veja, lhe seria assegurado o mesmo tempo para apresentar a sua versão.

Não se trata de uma saída jurídica convencional, mas tem todos os elementos de justiça para ser aceita pelo TSE.

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Dilma tem vantagem de 6 pontos no Ibope, e 4 no Datafolha https://www.ocafezinho.com/2014/10/25/dilma-tem-vantagem-de-6-pontos-no-ibope-e-4-no-datafolha/ https://www.ocafezinho.com/2014/10/25/dilma-tem-vantagem-de-6-pontos-no-ibope-e-4-no-datafolha/#comments Sat, 25 Oct 2014 18:39:51 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=25072 39 Comentários 🔥]]> ScreenHunter_5305 Oct. 25 18.38


Acabaram de sair, há poucos minutos, as últimas pesquisas de intenção de voto para as eleições deste domingo. Dilma tem 6 pontos de vantagem no Ibope, com 53%, contra 47% de Aécio, no Ibope. E 4 pontos de vantagem no Datafolha, onde a relação ficou em 52% a 48%. Situação de empate técnico, mas no limite, com muito mais vantagem para Dilma. Ambas em votos válidos. É o momento das urnas falarem!

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Quem venceu o último debate? https://www.ocafezinho.com/2014/10/25/quem-venceu-o-ultimo-debate/ https://www.ocafezinho.com/2014/10/25/quem-venceu-o-ultimo-debate/#comments Sat, 25 Oct 2014 13:05:47 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=25035 113 Comentários 🔥]]> DilmaIchiro-Guerra

 

É quase impossível analisar objetivamente o último debate realizado na Globo.

As opiniões já estão formadas, poluindo qualquer resquício de neutralidade. E o problema nem sempre é que davamos vitória automática ao candidato que apoiamos. Às vezes a ansiedade nos deixa críticos demais inclusive com estes.

O eleitor comum costuma ser mais complexo do que se imagina. Frequentemente, o que o atrai não é o candidato autoconfiante e inabalável.

Ontem, no debate da Globo, por exemplo, os eleitores “indecisos” convocados tremiam horrivelmente diante das câmeras.

Não estão acostumados à violência da exposição midiática.

Neste sentido, talvez Dilma tenha produzido uma empatia maior. Porque, curiosamente, apesar dela ser a favorita e a líder nas pesquisas, via-se que estava mais nervosa que seu adversário.

Afinal, o tucano é uma raposa que exerce cargos políticos desde o final da adolescência.

Aécio nunca enfrentou nenhuma dificuldade. Com 17 anos, tinha um emprego no Ministério da Justiça. Com 19, era secretário no gabinete do pai. Sempre morando no Rio, apesar da função ser exercida em Brasília. Provavelmente, Aécio nem comparecia ao trabalho.

Ainda com 17, em viagem aos EUA, Aécio dá entrevista dizendo que as mulheres brasileiras não precisam trabalhar, porque tem duas empregadas doméstica cada uma. Numa frase, vários preconceitos, inúmeras demonstrações de ignorância política.

Aos 25 anos, Aécio ganha uma rádio de Sarney.

É assim que ele constrói sua carreira política, sempre recebendo favores da família e de amigos da família.

Dilma, filha de um imigrante búlgaro sem qualquer conexão política, construiu a sua vida pública pela via mais difícil que se possa imaginar: arriscando-se, ainda muito jovem, numa luta desigual contra a ditadura.

Perdeu inúmeras batalhas.

Foi encarcerada e torturada por anos a fio. A presidenta já relatou o que sofreu em sua biografia. Pau de arara, choque, espancamento, além da humilhação constante de ser exposta nua aos trogloditas da ditadura. Passou por interrogatórios excruciantes.

Até hoje, a presidenta tem problemas de dentição em resultado de golpes em seu rosto.

A eleição tem coerência.

Aquele que sempre recebeu as benesses dos opressores, da ditadura, é o candidato dos ricos e da mídia, da mesma mídia que apoiou o regime militar.

Aquela que lutou contra a tirania, e o fez tendo como recompensa apenas a prisão e a tortura, é a candidata do povo e daqueles que, até hoje, lutam por justiça social e aprofundamento da democracia.

Observe ainda a timidez dos colunistas hoje em afirmar quem venceu o debate. Possivelmente estão confusos, como a maioria dos analistas.

Talvez a razão da dificuldade em analisar o debate seja justamente a nossa obsessão pela objetividade.

Há um momento em que é preciso apelar para a sensibilidade e para a intuição.

Uma reportagem publicada hoje, no Estadão, nos dá subsídio para entender uma possível vitória de Dilma, tanto no debate de ontem quanto nas eleições de domingo.

Reproduzo um trecho abaixo.

ScreenHunter_5300 Oct. 25 10.53


 

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A humana contra o robô https://www.ocafezinho.com/2014/10/25/a-humana-contra-o-robo/ https://www.ocafezinho.com/2014/10/25/a-humana-contra-o-robo/#comments Sat, 25 Oct 2014 02:57:45 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=25024 87 Comentários 🔥]]> ScreenHunter_5296 Oct. 25 00.55


 

Acho que o debate de hoje, como esperávamos, foi um risco tremendo para Dilma. Um risco necessário, porém.

A presidenta chega completamente exausta ao final de uma disputa agressiva.

Mas com uma excelente campanha, orgânica e autêntica, que produziu uma inédita união das esquerdas, que cobrarão duramente de seu governo maior ousadia e mais sinalização a um conjunto de mudanças.

Dilma e Aécio começaram visivelmente nervosos, sentindo o peso do cansaço, da pressão e, sobretudo, do astral opressivo da Globo.

Até William Bonner se embananou, esquecendo uma das tréplicas de Aécio.

Aécio se comportou com a desenvoltura artificial de um humanóide treinado para política desde a infância.

Com 17 anos já tinha empregos dentro do governo. Seu pai era um deputado federal da ditadura, e deu ao filho uma carteira de policial que, certamente, lhe permitia dar carteirada em qualquer um.

Dilma teve uma vida dura, cheia de traumas e derrotas.

As vitórias que ela colheu não vieram do poder econômico e político de sua família, mas da confiança do povo brasileiro.

Aécio respira arrogância de classe por todos os poros, e por isso as classes altas se agarram a ele como a um igual.

Na Globo, o tucano sabia estar em casa. O ambiente lhe era propício.

As agressões da mídia são quase todas contra Dilma. Nenhuma contra Aécio.

Ele ainda vem falar de “campanha sórdida”, o que é uma espécie de justificativa para derrota que seus militantes já estão alardeando.

Como prevíamos, Aécio iniciou a entrevista citando a reportagem da revista Veja, cujo nome ele até evitou declinar, provavelmente por saber que é um nome queimado junto a muita gente.

Aécio repetiu a postura de todo tucano ao final de eleição presidencial: papagaiando a Veja ou a Globo.

Dilma conseguiu se sair muito bem da primeira pergunta de Aécio, o presentinho da Veja ao filhinho de papai. Com palavras firmes e uma postura ao mesmo tempo indignada e serena, ela conseguiu neutralizar brilhantemente o ataque de Aécio. Foi a sua melhor performance neste debate.

Tanto é que o tema corrupção só voltou vários blocos depois, quando o tucano tenta encurralar Dilma lhe perguntando sobre Dirceu. A presidenta também soube se esquivar dessa armadilha, contra-atacando com os escândalos tucanos.

Aliás, o Jornal da Globo também não mencionou a mentirada da Veja, o que sinaliza uma completa desmoralização da revista. E também uma preocupação da Globo em não ultrapassar o sinal, ainda mais quando Dilma parece tão perto da vitória.

A presidenta teve alguns momentos bons. Outros nem tanto.

Claro que ela poderia ter sido muito melhor. A pergunta sobre água poderia ter sido formulada de maneira muito mais consistente, porque de fato não há explicação plausível para o que São Paulo tem vivido.

Mas a tirada sobre o programa social tucano, Meu Banho Minha Vida, deverá explodir nas redes sociais. Foi bola dentro.

Dilma demonstrou, sobretudo, humanidade. É uma pessoa como nós, nervosa, simples e preocupada.

O risinho cínico de Aécio, típico de um playboy, mais obecado em passar a (falsa) impressão de vencedor do que em tocar a alma brasileira, retrata perfeitamente as razões de sua possível derrota no domingo.

Numa democracia, assim como na arte, não vencem os que se portam como campeões.

Em geral, esses são os medíocres.

O povo gosta dos humildes, daqueles em quem eles identificam as angústias e os temores de que ele mesmo, o povo, é vítima diária.

Dilma é uma senhora preocupada. Mas não está preocupada com sua imagem pessoal, como Aécio.

Seu interesse não é posar de vencedora.

Não é expor um riso cínico de boyzinho truculento.

Ela está preocupada com um projeto, que é muito maior que ela.

Um projeto do qual ela é só uma modesta e diligente representante.

Suponho que, daqui em diante, a campanha vai explodir para todos os lados.

Boatos, mentiras, denúncias falsas, denúncias verdadeiras.

Haverá uma overdose de informação que certamente cansará o eleitor.

Dificilmente haverá mudança de voto brusca.

A onda Dilma já cresceu. O momento é dela estourar nas urnas.

O momento é de ter fé na democracia e confiança no povo brasileiro.

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