Exclusivo! - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/exclusivo/ Portal de noticias e análises sobre política brasileira, geopolítica, economia, tecnologia, sempre numa perspectiva democrática, progressista, anti-imperialista e multipolar! Fri, 17 Nov 2017 10:45:26 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://controle.ocafezinho.com/wp-content/uploads/2015/10/cropped-Logo_Cafezinho_tmb-32x32.png Exclusivo! - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/exclusivo/ 32 32 Exclusivo! Tássia Camargo denuncia crimes da Globo. “Domínio do Fato” para os irmãos Marinho? https://www.ocafezinho.com/2017/11/17/exclusivo-tassia-camargo-denuncia-crimes-da-globo-dominio-do-fato-para-os-irmaos-marinho/ https://www.ocafezinho.com/2017/11/17/exclusivo-tassia-camargo-denuncia-crimes-da-globo-dominio-do-fato-para-os-irmaos-marinho/#comments Fri, 17 Nov 2017 10:45:26 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=81322 418 Comentários 🔥]]> Por Wellington Calasans e Romulus Maya, para O Cafezinho

A atriz e ativista política Tássia Camargo rompeu, nesta sexta-feira pela manhã, a lei do silêncio que vigia há décadas no Jardim Botânico, bairro do Rio de Janeiro que abriga a sede da Rede Globo. Tássia, que hoje reside em Portugal, sente-se segura para relatar casos de assédio sexual e constrangimento ilegal – quiçá estupro – cometidos em larga escala na emissora.

Indo além de relatos acusando meramente indivíduos, Tássia revela uma verdadeira cultura – corporativa, “global” – de fomento à prática desses crimes, por meio da leniência com os agressores e do constrangimento – hierárquico, econômico e moral – das vítimas.

Neste caso, será que o Judiciário e o Ministério público do Brasil, tão “inovadores” em matéria de persecução penal, entenderão por bem aplicar a “teoria do domínio do fato”? Aquela que o Ministro Joaquim Barbosa adulterou, na farsa do “julgamento” do “Mensalão”, para incriminar réus sem provas?

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Moniz Bandeira vê Forças Armadas com a cabeça em 1964 e aponta a “revolução” como única saída https://www.ocafezinho.com/2017/10/01/moniz-bandeira-ve-forcas-armadas-com-cabeca-em-1964-e-aponta-revolucao-como-unica-saida/ https://www.ocafezinho.com/2017/10/01/moniz-bandeira-ve-forcas-armadas-com-cabeca-em-1964-e-aponta-revolucao-como-unica-saida/#comments Sun, 01 Oct 2017 21:06:29 +0000 https://ocafezinho.com/?p=79323 18 Comentários 🔥]]> Por Wellington Calasans

O Cafezinho tem a honra de publicar mais uma entrevista exclusiva do cientista político e historiador, Luiz Alberto Moniz Bandeira. Nesta entrevista, o cientista reconhece que a “intervenção militar para transição democrática” jamais daria certo com a instituição ocupada por generais com a cabeça em 1964. Moniz Bandeira diz que a “revolução” é o único caminho que resta para evitar o desmonte do Estado.
Ouça atentamente o que diz o Professor Moniz ou, se preferir, leia a transcrição feita pela leitora e colaboradora voluntária do Cafezinho, Camila Govedice.


Professor Moniz Bandeira – Ao Wellington Calasans do blog O Cafezinho que eu acompanho, eu queria dizer que com essa proposta do Ministério da Defesa para a entrega de Alcântara aos norte-americanos dos EUA, já não se pode confiar no nacionalismo das Forças Armadas. Estive a pensar hoje, realmente eu percebo que uma intervenção militar desse jeito não poderia resolver o problema do Brasil. As Forças Armadas estão divididas. Há militares muito esclarecidos, mas outros, como o General Mourão, ainda pensam em termos de Guerra Fria e dos tempos de 1964 e a situação do mundo é outra, então eu acho difícil que as Forças Armadas possam realmente dar jeito no país. O Comandante do Exército, o General Villas Bôas, que é um homem muito lúcido, está doente e as Forças Armadas estão divididas em opiniões, divididas inclusive nisso. Teriam que agir como instituição, sem quebra da disciplina e da hierarquia, mas aí isso é difícil por esta razão, porque muitos estão pensando de forma diferente.

Wellington Calasans – Professor Moniz, o senhor falou que o Comandante Villas Bôas está doente, o senhor tem alguma informação mais precisa sobre isso?

Professor Moniz Bandeira – Não, só sei disso, que ele está doente, andando com bengala, que há realmente uma degenerescência muscular, só sei isso. Ele é um homem muito lúcido, e há outros também que são muito lúcidos, mas por isso que é difícil que elas possam agir como tem que agir, claro, como instituição, sem quebra da disciplina, da hierarquia que são fundamentais. Não, isso não pode haver, quebra da disciplina e da hierarquia.

Wellington Calasans – Professor Moniz, o senhor falou aí sobre o lançamento de satélites norte-americanos, foguetes norte-americanos a partir da base brasileira de Alcântara. O senhor considera isso um crime lesa-pátria praticado pelas Forças Armadas, pela própria Defesa Nacional?

Professor Moniz Bandeira – Não falo em lesa-pátria, isso não faço, mas é uma violação da estratégia nacional de defesa, da soberania do país, porque os norte-americanos não transferem tecnologia e vedavam até o acesso de brasileiros às bases. Isso não interessa ao país. Os acordos com a Ucrânia fracassaram por causa do golpe que houve lá que os EUA fomentaram contra Yuri (Viktor, correção da transcritora) Yanukovych. O acordo com a Ucrânia só não deu certo por causa disso, mas os russos estão dispostos a fazer uma cooperação com o Brasil transferindo tecnologia. E outros países podem fazer também, tem a França.

Wellington Calasans – Professor, então, diante aí desse comentário do senhor, não é exagero afirmar que o Brasil hoje é um país rendido, é isso aí, que está sob uma invasão e está rendido? Ao invés de decretar resistência ao desmonte e à invasão, o Brasil está institucionalizando todo o processo de invasão do qual está sendo vítima.

Professor Moniz Bandeira – Está, isso não tenha dúvida. O Brasil está sendo ocupado em todos os sentidos, entregando todas as bases do poder nacional ao estrangeiro como agora a venda das hidrelétricas. A energia pode condicionar o desenvolvimento do Brasil, eles querem ou não, os estrangeiros. E o governo está vendendo tudo, não vai restar nada no final.

Wellington Calasans – O Brasil então está condenado a ser um grande terreno com a bandeira do entreguismo no meio, é isso?

Professor Moniz Bandeira – Já é. Já está, desde o golpe contra a Presidenta Dilma que o Brasil está cada vez mais sob o domínio do estrangeiro representado, sobretudo pelo Ministro Henrique Meirelles, que é um homem dos bancos. O que temos no Brasil é uma ditadura de empresários e banqueiros. Um governo que só tem 3% de apoio popular, 3% é uma ditadura. E aplica reformas, essas reformas não tem legitimidade, nenhuma. E precisaria de um governo que desfizesse tudo, mas eu tenho minhas dúvidas de que isso possa ocorrer porque estão manipulando tudo, até as eleições.

Wellington Calasans – O senhor acredita que as eleições de 2018 estejam ameaçadas também?

Professor Moniz Bandeira – Eu acho. Essa gente não vai entregar o governo porque sabe que vai ser presa e também essa Lava Jato é uma encenação, é uma farsa que não vai acabar com a corrupção. A corrupção é inerente ao sistema republicano presidencialista e ao capitalismo. Os empresários não estão se incomodando com isso porque eles sabem que a corrupção é inerente à economia privada, à livre-iniciativa. Para vencer eles usam de todos os meios, até da corrupção. Agora, países mais, países menos. Nos EUA, o lobby é institucionalizado, os presidentes dão conferências, viajam pago, ganham fortunas, as eleições lá são financiadas pelos bancos, quem ganha mais dinheiro para as eleições é o vencedor. No Brasil tem esse escândalo todo aí para quê?

Wellington Calasans – Então o senhor acha que, a pretexto do combate à corrupção, o Brasil mergulhou num retrocesso que não tem mais volta, é isso?

Professor Moniz Bandeira – Não sei se não tem mais volta, precisaria de uma revolução para que houvesse uma volta, agora, não estou vendo mais possibilidade de que as Forças Armadas pudessem dar um jeito, não vejo.

Wellington Calasans – O senhor considera a gota d’água, então, a entrega que foi feita de know-how militar, assim de forma totalmente…

Professor Moniz Bandeira – Ainda não foi entrega, ainda não foi Alcântara entregue. Há uma proposta brasileira que os americanos estão estudando se aceitam ou não, mas eu sei que os americanos, os norte-americanos não querem, não vão fazer, não vão transferir tecnologia. Isso é proibido, lá. E não vão deixar entrar. Ademais, os EUA não cumprem acordo, isso é tradicional, é histórico. Eles não cumprem nenhum tratado. Só cumprem enquanto interessa, quando não mais interessa, eles rompem. Isso é tradicional. O egoísmo nacional nos EUA é fantástico.

Wellington Calasans – Professor, para concluirmos a nossa conversa, o senhor falou na palavra “revolução”, que os setores progressistas brasileiros tremem de medo quando ouvem, a sociedade brasileira, o senhor em uma recente entrevista aqui mesmo para O Cafezinho falou que a sociedade brasileira não tem educação suficiente para entender os problemas nos quais está mergulhada, então, qual seria a solução, professor? Não temos solução?

Professor Moniz Bandeira – É difícil. É um dos mais baixos níveis de leitura do mundo e um dos mais baixos níveis de compreensão de leitura. É uma coisa horrorosa. Nesse aspecto, é muito inferior à Argentina, o Brasil. À Argentina e ao Uruguai.

Wellington Calasans – Isso quer dizer, então, professor que não temos saída fácil, não aí, não é?

Professor Moniz Bandeira – Não, a educação é fundamental para o desenvolvimento e o Brasil não tem.

Wellington Calasans – Então eu volto a perguntar ao senhor: então não tem jeito?

Professor Moniz Bandeira – Não sei se tem jeito ou não tem. Não estou vendo perspectiva nenhuma e cada vez está pior. Está cada vez pior. Eu não vejo, entende? Houve um momento em que se vislumbrou alguma coisa. Nós temos grandes homens. O chanceler Celso Amorim, que era o melhor do mundo na sua época, do presidente Lula, o que ele alcançou. Temos grandes figuras, mas o Brasil não dá valor. Não sei se vocês vão permitir que o ex-presidente Lula volte a se candidatar, com tantos processos que eles estão armando, um atrás do outro. Agora, só com ele que atingem, enquanto que a corrupção não começou com ele. A privatização que houve durante o governo de Fernando Henrique foi terrível o enriquecimento ilícito. Toda privatização tem dinheiro por trás que vai lá para as Bahamas e outros paraísos fiscais. Eu não acredito, eu acho que tudo isso é uma farsa. A corrupção é usada para sensibilizar a classe média, o operário não está ligando para isso, não está vendo esse assunto. E o empresário, a classe alta sabe porque eles vivem da corrupção.

Wellington Calasans – Professor Moniz Bandeira, muito obrigado por esta entrevista aqui para O Cafezinho.

Professor Moniz Bandeira – Eu que agradeço, mais uma vez, a oportunidade de falar para O Cafezinho. Lamento muito, eu achava, achei há pouco tempo que a solução seria uma intervenção militar, mas hoje vejo que é difícil porque não há um consenso dentro do pensamento das Forças Armadas e elas teriam agir como instituição, sem quebra da hierarquia e a disciplina, e eu não estou vendo isso possível. Ainda agora com essa entrega de Alcântara eu já estou duvidando do nacionalismo.

Wellington Calasans – Pois é. Professor, muito obrigado, então. Um grande abraço e conte sempre aqui com a gente.

Professor Moniz Bandeira – Muito obrigado.

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Exclusivo! Lindberg Farias: “MP 777 é aumentar a incerteza de quem quer investir” https://www.ocafezinho.com/2017/07/24/exclusivo-lindberg-farias-mp-777-e-aumentar-incerteza-de-quem-quer-investir/ https://www.ocafezinho.com/2017/07/24/exclusivo-lindberg-farias-mp-777-e-aumentar-incerteza-de-quem-quer-investir/#comments Mon, 24 Jul 2017 22:11:48 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=76245 5 Comentários 🔥]]> Por Wellington Calasans, especial para O Cafezinho, no Rio de Janeiro

O Senador Lindbergh Farias (PT – RJ) conduziu os trabalhos da mesa na audiência pública sobre a MP 777, uma medida provisória que pode significar o fim do próprio BNDES.

De acordo com o pensamento da maioria dos participantes do debate, a criação da Taxa de Longo Prazo (TLP), se for aprovada, não apenas substituirá a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) nos empréstimos do BNDES, como também trará consequências danosas às empresas nacionais.

No resumo da audiência, podemos ter uma noção do tamanho do estrago que a TLP causará contra as empresas brasileiras:

– Será impossível competir com os concorrentes internacionais.

– Infraestrutura será prejudicada, pois terá o investimento inibido.

– A indústria nacional estará alijada do processo de desenvolvimento interno.

– O percentual de investimentos no setor produtivo caiu e tende a cair mais.

– O aumento da taxa de juros aumentará o desemprego e impedirá a retomada econômica.

– O setor eletroeletrônico nos últimos dois meses registrou perdas e isso será agravado com a TLP.

– O Brasil vai no sentido contrário de outros países que estão apoiando as suas empresas.

Assista ao vídeo com a entrevista exclusiva ao Cafezinho concedida pelo Senador Lindbergh Farias.

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Exclusivo! Presidente da AFBNDES denuncia estratégia de desmonte do BNDES https://www.ocafezinho.com/2017/07/22/exclusivo-presidente-da-afbndes-denuncia-estrategia-de-desmonte-do-bndes/ https://www.ocafezinho.com/2017/07/22/exclusivo-presidente-da-afbndes-denuncia-estrategia-de-desmonte-do-bndes/#comments Sun, 23 Jul 2017 02:27:30 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=76183 6 Comentários 🔥]]> Por Wellington Calasans, Colunista do Cafezinho

Wellington Calasans, Colunista do blog O Cafezinho, falou ao telefone com o presidente da AFBNDES – Associação dos Funcionários do BNDES, Thiago Mitidieri, que assumiu o comando desta associação no dia 1° de Julho do ano passado, um mês após a chegada da, agora ex-presidenta Maria Sílvia, ligada à Rede Globo, ter sido nomeada por Temer para iniciar o processo de desmonte do BNDES.

Thiago, entre outras coisas importantes, fala nesta entrevista sobre as medidas que foram tomadas sob a liderança da “atriz global” que não apenas visaram facilitar a extinção deste importante banco de fomento, mas principalmente entregar ao setor financeiro o destino dos empresários e dos investimentos no Brasil.

A devolução ao tesouro dos 100 bilhões de reais em liquidação antecipada, que segundo a AFBNDES e quadros de carreira do BNDES fere a Lei de Responsabilidade Fiscal, foi a primeira medida tomada por Sílvia para “reduzir o tamanho do BNDES”.

Paralelamente ao desmonte, Thiago cita a luta da AFBNDES contra a “frente de criminalização do BNDES”, uma campanha de destruição da reputação do banco – que foi aplicada sob a gestão Maria Sílvia – para enfraquecer a imagem da instituição perante a sociedade.

Thiago lembra que “eram ataques feitos de diversas partes. Desde o governo, que atacava o BNDES, até os jornais, colunistas e a imprensa de um modo hegemônico seguia essa linha de atacar o banco, de desqualificar o banco…”. Tudo isso feito para entregar ao setor financeiro as atividades do BNDES.

A luta atual da AFBNDES é a que vai contra a MP 777, que acaba com a TJLP – Taxa de Juros de Longo Prazo. Na avaliação de Thiago Miditieri, “a TJLP é mais próxima das taxas internacionais, embora esteja entre as cinco maiores taxas do mundo (para nível internacional é uma taxa alta), mas para o Brasil ela é considerada uma taxa baixa porque a SELIC é muito alta. Então, a SELIC é uma anomalia da economia brasileira.

O interessante desta entrevista é que além de escancarar o fim do investimento público como como algo estratégico para a “saúde da economia”, inclusive a soberania nacional e os aspectos sociais da geração do emprego, Thiago Mitidieri mostra que o fracasso da atual política econômica de Meirelles que não cumpriu absolutamente nenhuma das promessas da famigerada “ponte para o futuro”.

Veja aqui alguns pontos importantes da entrevista e assista ao vídeo/montagem produzido para facilitar o compartilhamento destas importantes informações:

– A MP 777 foi feita sem que os funcionários do BNDES fossem ouvidos pelo então Diretor da Área de Planejamento e Pesquisa do BNDES, Vinícius Carrasco, que foi colocado por Maria Sílvia.

– Não houve a elaboração de estudos técnicos, estudos de impacto, desta mudança para a economia real. É um salto no escuro.

– A equipe econômica (de Temer) não teve competência para entregar o que prometeu: ajuste fiscal e crescimento.

– A MP 777 representa uma inversão de prioridade da política econômica, porque o problema maior da economia brasileira hoje é a falta de emprego. E esta proposta em nada contribui para a geração de empregos e crescimento da economia.

– A verdadeira anomalia da economia brasileira é a SELIC, não é a TJLP. A SELIC sepulta a máxima de “não existe almoço grátis”, pois ela é o café, o almoço e o jantar grátis.

– As características dessa nova taxa TLP são incompatíveis com as características necessárias para financiar os investimentos de longo prazo. Por isso que essa taxa mata o BNDES.

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Exclusivo! Moniz Bandeira: “Tudo indica que pode haver uma convulsão social no Brasil” https://www.ocafezinho.com/2017/07/12/exclusivo-moniz-bandeira-tudo-indica-que-pode-haver-uma-convulsao-social-no-brasil/ https://www.ocafezinho.com/2017/07/12/exclusivo-moniz-bandeira-tudo-indica-que-pode-haver-uma-convulsao-social-no-brasil/#comments Wed, 12 Jul 2017 23:30:51 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=75614 77 Comentários 🔥]]> Por Wellington Calasans, Colunista do Cafezinho, na Suécia

O Cientista Político, Prof. Moniz Bandeira, concedeu uma entrevista exclusiva para O Cafezinho logo após a divulgação da sentença de Sérgio Moro contra Lula.

Veja aqui alguns pontos da entrevista e assista ao vídeo/montagem criado para ampliar a divulgação do pensamento de um dos mais brilhantes intelectuais brasileiros:

– Está implantada no Brasil uma ditadura do capital financeiro com o empresariado nacional, disfarçada, mascarada pela legalidade.
– A democracia acabou no Brasil.
– Há uma ditadura que é lastreada num parlamento quase todo comprado, desde antes da eleição, com dinheiro que foi dado a Cunha e a Temer.
– Como disse o Rodrigo Janot, o chefe da quadrilha é presidente do Brasil.
– Sérgio Moro e Janot trabalham em coordenação com o Departamento de Justiça dos EUA.
– O inimigo número 1 da Nação Brasileira que está aí no governo é o Meirelles. Ele que é o sustentáculo de Temer.
– Dilma foi descuidada e inexperiente.
– (José) Cardozo deixou a PF correr solto.
– O Brasil está destruído por dentro com uma quinta coluna.
– O caos já está em fase de elaboração.
– Tudo indica que pode haver uma convulsão social no Brasil e espero que a guilhotina não seja instalada em frente do Palácio do Planalto.

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Exclusivo! Moniz Bandeira: Judas tornou-se o símbolo do Brasil https://www.ocafezinho.com/2017/06/03/exclusivo-moniz-bandeira-judas-tornou-se-o-simbolo-do-brasil/ https://www.ocafezinho.com/2017/06/03/exclusivo-moniz-bandeira-judas-tornou-se-o-simbolo-do-brasil/#comments Sat, 03 Jun 2017 07:20:21 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=73125 34 Comentários 🔥]]> Por Wellington Calasans, colunista do Cafezinho, na Suécia

Skype, chamada com vídeo. Obrigação de atender, pois do outro lado, na Alemanha, estava um dos mais conceituados escritores brasileiros, já indicado ao Prêmio Nobel de Literatura, o cientista político Luiz Alberto Moniz Bandeira, para o qual tenho a honra de colaborar na atualização do seu livro “O Ano Vermelho”, que será relançado a propósito dos cem anos da revolução russa.

– Wellington, você sabe que estou sem tempo (por causa da necessidade de entregar o livro para a editora), mas é preciso publicar um artigo no Cafezinho sobre essa bagunça no Brasil, explica o Prof. Moniz.

Preparo uma página em branco e começo a digitar em uma velocidade jamais atingida na minha história de digitador. O Prof. Moniz estava determinado, o texto estava ensaiado na sua cabeça. Tive tempo de confirmar algumas formulações do pensamento, mas aqui vai, entre aspas, o esboço que me foi ditado já como uma arte pronta.

“Farsa! O Brasil tem um Congresso e um Presidente que atendem a outros interesses. Trabalham contra o povo! E os deputados são comprometidos com a corrupção”.

“Não se faz reformas constitucionais em períodos de crise. O Referendo Revogatório de Requião (Senador Roberto Requião, PMDB – PR) é o único caminho após eleições diretas”.

“Querem impor reformas ao povo para as quais o presidente não recebeu mandato. O Congresso também não foi eleito com poderes constituintes e a situação já chegou a tal ponto que um PGR mancomunado com um indiciado cria um ambiente para forjar provas contra terceiros”.

“Henrique Meirelles é o representante do capital financeiro e impõe uma ditadura aberta, sob a capa de uma democracia visivelmente inexistente. Não há democracia sem povo”.

“A Polícia Federal é desobediente! O Ministério Público está, abertamente, em conluio com os EUA, retomando uma cumplicidade iniciada desde os tempos de FHC. O PGR é o presidente de fato! Não é o de direito, mas é o de fato”.

“Moro é um ditador. A Delação Premiada é a desmoralização do indivíduo. A prisão coercitiva é ‘premiada’ com delação sob chantagem e tortura. A legalidade no Brasil é uma farsa. Não existe Lei e nem Constituição”.

“O paradigma que é criado para o povo brasileiro: o delator. A delação é uma vergonha. A delação premiada é também uma forma de corrupção. O juiz ameaça o indivíduo com anos de prisão e força o preso a dizer o que ele (juiz) quer. Quebra o caráter da pessoa. A delação como recompensa é uma forma de corrupção. Judas tornou-se o símbolo do Brasil”.

“A imprensa também está comprometida com o capital financeiro e isso é a negação da democracia. O Brasil é um mito. O Estado desapareceu. Cada órgão age como autônomo”.

A indignação do cientista Moniz Bandeira é a mesma que aflora num número crescente de brasileiros. Esta é a boa notícia.

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Petroleiros baianos votam na resistência ao desmonte de Parente https://www.ocafezinho.com/2017/04/04/petroleiros-baianos-votam-na-resistencia-ao-desmonte-de-parente/ https://www.ocafezinho.com/2017/04/04/petroleiros-baianos-votam-na-resistencia-ao-desmonte-de-parente/#comments Tue, 04 Apr 2017 21:04:23 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=69638 7 Comentários 🔥]]> Por Wellington Calasans, Colunista do Cafezinho

Cada vitória contra o golpe deve ser celebrada com entusiasmo. Algumas notícias dificilmente serão publicadas na mídia comprometida com o desmonte do patrimônio público, mas através delas devemos entender que os focos de resistência começam a ganhar corpo. Neste caso, a vitória esmagadora da Chapa 1 nas eleições para a escolha da nova direção do SindipetroBA merece a nossa especial atenção.

Se até aqui o discurso vazio de Pedro Parente, de que trabalha para modernizar a PETROBRAS, com o apoio da mídia entreguista, conseguia enganar até mesmo alguns petroleiros, na Bahia o desmonte da empresa já é visto como uma nova luta a ser travada pela categoria para que seja evitado o trabalho sujo do afilhado de José Serra. O expressivo número de votos (82%) obtidos pela Chapa 1 consolida o repúdio dos petroleiros aos desmandos de Pedro Parente.

A consciência política dos petroleiros é um importante sinal de que “caiu a ficha” que o golpe é uma tramóia contra o Brasil e os brasileiros. São esses trabalhadores que, através da PETROBRAS, movimentam boa parte da economia nacional e influenciam outros profissionais, numa importante cadeia produtiva do país.

A vitória da Chapa 1 do SindipetroBA é um anúncio de resistência por mais três anos contra os desmandos de Pedro Parente. Lutas que são indispensáveis à sobrevivência da PETROBRAS e dos petroleiros e que certamente irão influenciar a classe petroleira de todo o Brasil, em particular, mas também outras categorias.

Assista ao vídeo, exclusivo de O Cafezinho, onde o coordenador reeleito do SindipetroBA, Deyvid Bacelar, fala sobre a vitória da sua chapa e os desafios dos petroleiros, anunciando inclusive uma greve da categoria.

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Exclusivo: Claudia Wallin e o livro que todo brasileiro deve ler https://www.ocafezinho.com/2017/04/02/exclusivo-claudia-wallin-e-o-livro-que-todo-brasileiro-deve-ler/ https://www.ocafezinho.com/2017/04/02/exclusivo-claudia-wallin-e-o-livro-que-todo-brasileiro-deve-ler/#comments Sun, 02 Apr 2017 20:28:46 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=69541 16 Comentários 🔥]]> Por Wellington Calasans, Colunista do Cafezinho, na Suécia

O livro “Um país sem excelências e mordomias”, da jornalista Claudia Wallin, agora está disponível no formato digital no site Amazon. Para quem ainda não leu, é um livro que mostra como a recente história da sociedade sueca pode servir de referência para os cidadãos brasileiros.

Neste momento em que a sociedade brasileira está perplexa diante do circo dos horrores de Temer e da turma do “Grande acordo nacional. Com STF, com tudo!”, melhor do que o lamento da entrega do patrimônio nacional e da destruição do estado social é apresentar caminhos que possam transformar a difícil realidade que nos é imposta.

Em um país onde o IDH está entre os mais elevados do planeta, todos são iguais, não existem aqueles pronomes de tratamento que distanciam os agentes públicos do restante da sociedade — aqui na Suécia todos são “você” —, certamente há algo para aprendermos. Por isso, o nome do livro é um convite para que o (e)leitor brasileiro se veja como parte ativa da construção da sociedade e do país que queremos.

Como você verá no vídeo, exclusivo do Cafezinho, Claudia Wallin deixa claro que não é uma questão de endeusar os suecos ou de reduzir os brasileiros, mas sim a apresentação de um modelo de sociedade que deu certo e que deve ser visto como algo possível também no Brasil.

O que falta? Vontade política? Consciência política dos cidadãos? Assista ao vídeo e tire as próprias conclusões. Aproveite e compre o seu livro (disponível também na versão impressa): https://www.amazon.com/Suécia-pa%C3%ADs-excelê…/…/1542965594

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Trabalhadores rurais da Ocupação Fidel Castro são ameaçados no interior do Rio de Janeiro https://www.ocafezinho.com/2017/02/04/trabalhadores-rurais-da-ocupacao-fidel-castro-sao-ameacados-no-interior-do-rio-de-janeiro/ https://www.ocafezinho.com/2017/02/04/trabalhadores-rurais-da-ocupacao-fidel-castro-sao-ameacados-no-interior-do-rio-de-janeiro/#comments Sat, 04 Feb 2017 16:09:21 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=66852 11 Comentários 🔥]]>

O Cafezinho recebeu hoje uma grave denúncia, feita por um conjunto de trabalhadores rurais do interior do estado do Rio de Janeiro. Se nada for feito, e se não houver visibilidade na imprensa, na próxima segunda-feira esses camponeses poderão ser expulsos de suas terras de forma violenta. E o beneficiário será justamente um empreiteiro envolvido com a Operação Lava-Jato.

Organizadas na Federação dos Trabalhadores do Estado do Rio de Janeiro, FETAG-RJ, aproximadamente 180 famílias estão acampadas na Fazenda Santa Maria no Município de Silva Jardim, desde o dia 30 de dezembro de 2016. O acampamento reúne moradores antigos da área e trabalhadores rurais recentemente chegados ao local com o objetivo conjunto de reconhecer a legitimidade da posse e acelerar o processo de reforma agrária garantido constitucionalmente. Os ocupantes alegam que grande parte do latifúndio se encontra improdutivo, sem função social, além dos ditos proprietários não possuírem a documentação completa prevista em lei – a exemplo de cadastro do RGI –, da suspeita de grilagem e de um possível conflito de interesses com a União.

Nesse momento, a Ocupação Fidel Castro, tal como foi batizada, está ameaçada por uma ordem de reintegração de posse concedida ao empreiteiro César Farid Fiat e sua esposa Lina Maria Miranda Santos, sócios da Oriente Construção Civil Ltda. A empreiteira esteve recentemente vinculada a força tarefa da Lava-Jato no Rio de Janeiro na Operação Calicute, inclusive tendo um de seus representantes, Alex Sardinha Veiga, sido preso temporariamente em novembro de 2016, na ocasião da prisão do ex-governador Sérgio Cabral. A Oriente tem ainda em seu quadro social Geraldo André de Miranda Santos, parente de Lina, que formou sociedade – a PGMA Incorporação e Construção Ltda –  em parceria com o ex-presidente da ALERJ Paulo Melo, cuja base eleitoral está em Silva Jardim e toda baixada litorânea.

Lideranças da ocupação relatam que vêm sofrendo diariamente ameaças e intimidações por parte de pessoas armadas e de identidade desconhecida, além de temerem uma ação truculenta da polícia militar. Preocupam-se sobretudo com a integridade daqueles que são mais frágeis, as dezenas de crianças, grávidas e idosos que vivem no local. Os acampados dizem não ter para onde ir e permanecem no local, na esperança de que a Defensoria Pública, recentemente constituída na defesa dos mesmos, tenha êxito em derrubar a frágil decisão liminar.

Um fato curioso nesse caso é que no dia 03/03/2017 o topógrafo da Defensoria Pública disse não ter os meios mínimos para verificar se a área de fato é referente ao Cesar Farid Fiat, uma vez que sequer há plantas e registro do loteamento em cartório a fim de delimitar a metragem correta. A incerteza da área supostamente correspondente ao dono Cesar Farid Fiat não foi suficiente para que o juiz do caso reconsiderasse a sua decisão e desta forma os acampados continuam correndo o risco de serem despejados no dia 06/02/2017.

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Ela, Marisa Letícia https://www.ocafezinho.com/2017/01/25/ela-marisa-leticia/ https://www.ocafezinho.com/2017/01/25/ela-marisa-leticia/#comments Wed, 25 Jan 2017 19:03:34 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=66409 32 Comentários 🔥]]> Foto: Leonardo Benassatto/Futura Press/Folhapress)

Por Tadeu Porto, colunista do Cafezinho

[Esse texto faz referencia, da maneira mais sutil possível, ao ótimo filme “Eu, Daniel Blake” em cartaz nos melhores cinemas do país. Portanto, para aqueles e aquelas que não gostam de spoiler, recomendo a leitura desse texto para depois de ver o filme]

Uma sociedade capitalista, em prol do acúmulo de riquezas, é estruturada a ponto de adoecer seus cidadãos ou cidadãs não importa as consequências. Essa é uma das grande lições do filme  Eu, Daniel Blake (I, Daniel Blake) do diretor Ken Loach e merecedor do prêmio mais respeitado do cinema, a Palma de Ouro do Festival de Cannes (estava torcendo para Aquarius, mas não foi dessa vez que o Brasil levou). 

Bom, a crítica inerente à sociedade capitalista nos leva a pensar em alternativas para esse modelo. Na minha visão, se tivesse que classificar o filme em apenas uma ideologia, penso que o anarquismo se encaixaria melhor (particularmente, vejo Blake como a representação do “sujeito revolucionário”).  

Todavia, a riqueza da obra proporciona argumentos para vários conceitos: liberais vão sair do cinema dizendo que o Estado muito pesado prejudicou o protagonista; socialistas vão criticar a mercantilização dos serviços sociais (que terceirizou o trabalho para o mercado) e sociais-democratas podem argumentar que a fragilidade da lei e suas execuções levaram o mal estar à população.

Na verdade, o filme é construído sobre uma premissa básica que acaba por se encaixar em qualquer tipo de ideologia que visa o bem estar coletivo: a saúde de um cidadão foi colocada em segundo plano. Exemplos disso, podemos observar facilmente no nosso cotidiano, principalmente num país tão desigual e aristocrata como o Brasil.

O caso mais recente de ampla discussão que temos é o AVC que a ex-primeira dama do Brasil, Marisa Letícia, sofreu e os motivos – ou não – que levaram uma senhora aparentemente saudável a ter um ataque tão repentino e violento.

Vamos pensar aqui: imagina que você tenha não só a sua vida, mas a dos seus filhos e marido amplamente expostas para todo o país. Não obstante às revelações (até mesmo de áudios de cunho estritamente pessoal), são reveladas histórias sobre uma premissa de que toda a sua família faz parte de uma organização criminosa que saqueou o Brasil e o destruiu.

Considere,ainda, que isso tudo é uma tremenda injustiça e que, há quase três anos dessas investidas absurdas (sem contar os ataques de sempre), não há absolutamente nada provando as calúnias e difamações que você e seus entes queridos sofrem.

Pensou com carinho, agora responda: isso é capaz de deixar uma pessoa doente?

É impossível não pensar na angústia que ela sofreu ao ver seus filhos serem massacrados pela opinião pública (a ponto de pessoas realmente acreditarem que um deles era um mega milionário dono da Friboi) para, no fim, a PF simplesmente apontar uma “variação patrimonial a descoberto” para um dos filhos.

E sobre o tal Triplex que ela supostamente ganhou de presente da OAS e, por isso, teve que se defender dos mais variados ataques contra a “troca de favores”. No fim, a Polícia Federal terminou um laudo sem implicações a ela e as testemunhas (inclusive de acusação) a inocentaram do caso.

Não há dúvidas que a estrutura social injusta que se instalou no nosso país, feita para proteger uma elite politico-econômica que desconhece a vida sem privilégios, é, talvez, a maior das causas que adoece grande parte do nosso povo. Sendo assim, essa difamação insana que Dona Marisa sofreu trouxe, sim, danos à saúde sela.

É impossível pensar em justiça social sem considerar que o primeiro passo é afastar essa lógica nefasta da desigualdade, que é protegida por políticas opressoras, desde a burocracia em Daniel Blake (“eles vão insistir até você cansar”) até a perseguição fascista que Marisa e sua família sofreu para criar uma falsa ideia de combate a corrupção.

Que Marisa possa sair mais forte ainda de mais essa luta.

 

Tadeu Porto é Diretor do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense

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Por um 2017 de reeducação política https://www.ocafezinho.com/2016/12/31/por-um-2017-de-reeducacao-politica/ https://www.ocafezinho.com/2016/12/31/por-um-2017-de-reeducacao-politica/#comments Sat, 31 Dec 2016 15:00:51 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=64550 31 Comentários 🔥]]> Foto: Forrest Gump, o contador de histórias

Por Tadeu Porto*, colunista do Cafezinho

Não precisa ser um discípulo de Nostradamus para profetizar pelo menos uma expectativa de 90% dos brasileiros e brasileiras para o ano que se aproxima: emagrecer e, se possível, ficar sarado no nível muso/musa fitness do Instagram.

Bem, particularmente não condeno esse desejo de perder uns quilinhos . Eu mesmo reinstalei um aplicativo de controle de calorias o meu Android (estava brigado com o antigo desde que passei a contabilizar as calorias da cerveja) e comprei um novo tênis para poder correr em 2017.  Apenas lamento que o calendário não permitiu  1º de Janeiro cair numa segunda feira, se assim fosse certamente minha dieta vingaria.

Contudo, a despeito da importância crucial da saúde nas nossas vidas, a tragédia que foi o ano de 2016 – o novo 1964 – nos mostrou que precisamos, acima de tudo, repensar o modo que nos relacionamos coletivamente.

Não dá para assistir apático o absurdo que se desenha no Brasil pós-Golpe que é deixar uma elite político-econômica governar nossa terra tupiniquim mantendo e ampliando privilégios às custas da exploração histórica do povo brasileiro.

No geral, se torna inútil, portanto, fazer uma lista de ano novo focada em chia, biomassa de banana verde, linhaça, planilhas de corridas ou um workouts do dia no crossfit sem dedicar um tempo sequer para pensar como será possível combater essa barbárie atual, fruto de uma campanha em massa de ódio contra minorias brasileiras que, aos poucos, vinham conquistando mais espaço na sociedade.

Não há mais espaço para o conformismo e o desastre que foi 2016 é a grande prova disso. Pessoalmente, penso que esse ano corrente pode ser resumido na tragédia que foi o homicídio do brasileiro Luiz Carlos Ruas (brutalmente assassinado no metrô de São Paulo): negro e pobre espancado até a morte em local público e movimentado por defender uma transsexual, que poderia ter sofrido o mesmo fim.

A pergunta de reflexão do dia 31 de dezembro de 2016 é simples: na desgraça do metrô paulista, quem você seria? Os agressores preconceituosos, as pessoas que assistiram indiferentes o assassinato ou o vendedor Ruas, um cidadão brasileiro que não aguentou ver uma injustiça e defendeu um oprimido.

Não se enganem, intolerâncias como essa nós presenciamos a todo momento: no grito homofóbico no estádio de futebol, no racismo que extermina a juventude negra, na exploração do pobre que passa fome para a elite se refrescar com Häagen Dazs  e no sexismo que permite uma Reforma da Previdência que iguala a idade mínima de aposentadoria entre gênero jogando às favas todo o trabalho exploratório que as mulheres sofrem e sofreram nos serviços domésticos do dia a dia.

Eu não tenho dúvida alguma que o país precisa, urgente, repensar a maneira que se alimenta e se exercita. Sei que o MST, o MAB, o MPA e diversos outros do movimentos da via campesina devem ter mais valor para que deixemos de ingerir, dia e noite, uma altíssima carga de agrotóxicos. Também sei que é imperativo que as cidades possuam infraestrutura para comportar o lazer e a prática esportiva dos cidadãos e cidadãs.

Sendo assim, deixo aqui algumas dicas: quando for correr, pelo menos uma vez ou outra substitua a playlist Top Brasil do Spotify por debates políticos, como esse entre Rubem Alves e Darcy Ribeiro (uma sensacional aula de Utopia); escolha livros como Mosca Azul, do Frei Betto, ou  Política e Educação do Paulo Freire para acompanhar aquela saborosa crepioca de ricota com rúcula e tomate cereja orgânico, com uma pitada de sal rosa do Himalaia; e nas redes sociais, poste sim fotos do seu treino ou WOD mas não deixem, jamais, de se posicionar contra a intolerância que machuca e mata milhares de pessoas todos os dias, seja numa discussão no Whatsapp ou no compartilhamento de uma ideia cativante no Facebook.

Por fim, faço votos que, fora Temer, 2017 traga muita paz, saúde e alegria para todos nós. E que esse ano se inspire na sua referência do século XX, 1917, e possa nos proporcionar momentos como a Revolução Russa ou a primeira greve geral do Brasil, símbolos de luta e resistência que certamente virão a calhar nesses tempos sombrios.

*Tadeu Porto é diretor do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense

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Tática tucana de Parente sofre derrota no TST https://www.ocafezinho.com/2016/12/29/tatica-tucana-de-parente-sofre-derrota-no-tst/ https://www.ocafezinho.com/2016/12/29/tatica-tucana-de-parente-sofre-derrota-no-tst/#comments Fri, 30 Dec 2016 00:09:30 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=64424 9 Comentários 🔥]]> Por Tadeu Porto*, colunista do Cafezinho

Sem o ministro Ives Gandra para ajudar na manobra de desmonte Petrobrás (um dos motivos do Golpe) capitaneada pela dupla Temer-Parente, que passa necessariamente por derrotar a resistência da categoria petroleira, o Tribunal Superior do Trabalho, contando com a lucidez de seu Vice-Presidente Emmanoel Pereira,  impôs uma derrota fragorosa ao tentar ao presidente da Estatal de petróleo que tentou desmobilizar, com fatores externos, a greve dos petroleiros.

Sabe-se desde que o Big-Bang estourou que os covardes se portam mesmo dessa maneira: ao encontrar um obstáculo que não foi vislumbrado em seu mundinho de privilégios, correm logo para que outros atores tentam resolver seu problema.

Assim, no episódio recente em que a Petrobrás pediu mediação ao TST (sem que nenhum impasse negocial fosse apontado) Parente se comportou como ao seu tutor Fernando Henrique Cardoso: aquele que não soube debater com a categoria petroleira e, na greve de 95, tentou massacrar o movimento paredista com o exército, como se fosse um general presidente da ditadura que tinha acabado de ser derrubada.

É bem natural que tucanos como Parente tratem os trabalhadores e trabalhadoras assim: seres humanos que não devem sequer debater com os patrões, nem para expor suas reivindicações, quiçá para definir os rumos da empresa. Entretanto a pequenez do atual presidente da Petrobrás impressiona até mesmo quem conhece o modus operandi do PSDB, afinal Pedro não aguentou sequer dois dias de ameaça de greve (o SindipetroNF que pautou o barril internacional ano passado parando a produção, sequer entrou ainda) e já saiu correndo para a toga de Ives Gandra tentando convocar o TST para “mediar” o movimento.

Claro, golpista não é sinônimo de ingenuidade e Parente de bobo não tem nada. Sua pressa em tentar desmobilizar na marra o movimento petroleiro está em perfeita sintonia com a velocidade com que o Presidente ilegítimo Temer, o pequeno, tenta atropelar as discussões de reformas estruturais no país e impõe uma agenda que destrói o pouco que avançamos no bem estar social desde a promulgação da constituição de 1988 que encontrou prática nos governos populares do PT.

Mas a derrota do ex-Ministro Chefe da Casa Civil de FHC não ficou só na decisão do TST. Nas palavras, Pereira praticamente engoliu o viralatismo de Parente ao ressaltar que a grandeza da companhia advém dos milhares de empregados que acreditaram e construíram nossa gigante de petróleo.

“seja para o próprio procedimento de mediação, seja pela necessidade de se reconhecer que a Petrobras só é uma das líderes mundiais do seu segmento pelo esforço continuado dos seus empregados, que diuturnamente trabalham para que os melhores resultados sejam por ela alcançados. E, por isso, não merecem sofrer qualquer forma de desprestígio”

Ou seja, até mesmo o ministro consegue reconhecer a grandeza da empresa através da importância de seus funcionários e funcionárias que tiveram a maturidade de lutar pelos rumos da empresa e sugerir ações que foram implementadas e que, certamente, ajudaria a companhia a se erguer de maneira digna sem precisar mendigar dinheiro Frânces ou Norueguês, como faz sem o menor pudor a Petrobrás pós golpe.

Em outras palavras, Pedro foi obrigado a entender que os 13 anos de avanço no Brasil República não vão ser enterrados pelo mimo de um empresário que desconhece a principal ferramenta da democracia (e não é atoa que apoiou o golpe): o diálogo.

Parente e Cia receberam o recado de que insistir numa política liberal e entreguista que só favorece a elite econômica brasileira não será tão fácil, pois os verdadeiros responsáveis pela grandeza da Petrobrás – os trabalhadores e trabalhadoras do Brasil que acreditam em sua capacidade de gerar emprego, renda e tecnologia para o país – sabem que a verdadeira emancipação vem do controle efetivo das riquezas nacionais servindo a sociedade de maneira justa e eficaz.

*Tadeu Porto é diretor do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense

 

 

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Por que Moro não prende Andrea Neves? https://www.ocafezinho.com/2016/12/07/por-que-moro-nao-prende-andrea-neves/ https://www.ocafezinho.com/2016/12/07/por-que-moro-nao-prende-andrea-neves/#comments Wed, 07 Dec 2016 12:37:58 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=62374 17 Comentários 🔥]]> Por Tadeu Porto*, colunista do Blog Cafezinho

Andrea Neves não tem foro privilegiado.

Ela foi delatada pelo o ex-deputado Pedro Corrêa e chamada de “operadora de propina” do atual senador Aécio Neves.

Moro e a Lava-Jato já prenderam e conduziram coercitivamente centenas de pessoas. Com a vontade de prender tanta gente, a margem de erro aumenta e, talvez por isso, a cunhada do ex-tesoureiro do PT Vaccari tenha sido encarceirada equivocadamente.

O que leva o maior justiceirto do Brasil, o rei da passeata verde-amarela, a não prender a irmã do Aécio Neves? Oras, nem que seja sem provas mas no intuito de obtê-las, como foi com Palocci.

Por que Moro não prende Andrea Neves?

Nem vou escrever muito hoje, afinal, a resposta pode estar desenhada e escancarada para quem quiser ver. Não adianta muito digitar mil palavras por aqui, que certamente não valem a foto do dia.
Tadeu Porto é diretor do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense.

 

 

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Dallagnol foi intimidado pelo legislativo. Imagine quando apanhar da polícia https://www.ocafezinho.com/2016/11/30/dallagnol-foi-intimidado-pelo-legislativo-imagine-quando-apanhar-da-policia/ https://www.ocafezinho.com/2016/11/30/dallagnol-foi-intimidado-pelo-legislativo-imagine-quando-apanhar-da-policia/#comments Thu, 01 Dec 2016 00:18:59 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=61800 19 Comentários 🔥]]> Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

Por Tadeu Porto*, colunista do Cafezinho

Eu te entendo Daltan, na boa.

Eu também fui atingido diretamente pelos parlamentares brasileiros. Não só pelo Golpe de Estado que jogou fora meu voto de 2014, mas também por que sonhei em ver dezenas de plataformas da Petrobrás produzindo o Pré-Sal e, graças a esses deputados, acabei acordando num pesadelo patrocinado pela Shell.

E olha, sinto muito lhe avisar mas se o senhor está achando ruim assim se prepare pois pode piorar. Acredite em mim, tenho certa experiência no assunto: se quer mesmo combater os verdadeiros poderosos no país (fala a verdade, tava fácil demais prendendo só gente do PT, não é?) a lei do papel é só o começo. Existe, ainda, a lei do cassetete, do gás de pimenta, das bombas de efeito moral e das balas de borracha que entram em campo toda vez que tentamos combater o status quo.

A CUT foi ao planalto combater o PL 4330 (da terceirização) e o pau cantou, como se diz lá em Minas. O Senador José Serra esteve em Macaé para palestrar sobre o PLS 131 (da entrega do Pré-Sal) e apanhamos da polícia na primeira brecha que abriu. Assim foi, ainda, nas nossas visitas na câmara onde tivemos petroleiros preso e nas ruas contra as perda de direitos e a favor da democracia: Porrada, porrada e mais porrada, sob os olhos do seu MP que estava mais preocupado com o pedalinhos dos netos do Lula do que com em proteger o direito básico e legal da livre manifestação.

Esse país de exceção, sinto muito lhe informar, foi criado pela política fascista na qual o senhor surfou como se fosse o Gabriel Medina. É legal utilizar a opinião pública alienada para fazer slides vazios e midiáticos que sequer condizem com a denúncia que seu órgão é responsável por fazer, não é? Pois foi essa mesma massa de manobra manipulada que deu força e moral para 400 achacadores tirarem uma Presidenta da República, inventando um crime de responsabilidade somente para aplicarem um projeto derrotado nas urnas.

Oras, doutor, alguém que alimenta corvos não pode esperar ser cercado por borboletas fofinhas. Portanto, se o senhor estiver mesmo do lado quem quer enfrentar a desigualdade (uma luta bem mais difícil do que combater a corrupção), se prepare, pois o peso da lei é só o começo.

Tadeu Porto é diretor do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense

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Rodrigo Maia é a peça chave do metagolpe https://www.ocafezinho.com/2016/11/27/rodrigo-maia-e-peca-chave-do-metagolpe/ https://www.ocafezinho.com/2016/11/27/rodrigo-maia-e-peca-chave-do-metagolpe/#comments Sun, 27 Nov 2016 13:47:54 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=61097 8 Comentários 🔥]]> Foto: Beto Barata / PR (03/10/2016)

Por Tadeu Porto*, colunista do Cafezinho

Hoje eu acordei meio Luis Nassif, doido para montar um Xadrez sobre o “Iphangate” e suas consequências.

Assim que Calero saiu escrevi um texto argumentando, basicamente, que o ex-Ministro da Cultura saiu por algum tipo de racha no PMDB. Pois bem, o desenrolar da crise “La vue” culminou em diversas consequências, todavia, destaco duas declarações altamente reveladoras que corroboram com a mini teoria da conspiração que criei há seis dias.

Primeiramente, [fora] Temer disse a colunista do Estadão, Eliane Cantanhêde, que Calero pode ter agido por influência de “amigos do Rio de Janeiro” (quem são eles e quais seus objetivos?). Em segundo lugar, Geddel declarou ao porta voz extraoficial do governo, o jornalista Jorge Moreno, que caiu numa armadilha do Moreira Franco, a “cama de gato do gato angorá”.

Ficou mais evidente, assim, que os “amigos do Rio” decidiram enfrentar o núcleo duro governista, contando com uma a traição interna corporis de Franco. Justamente essa jogada traz à tona um novo capítulo no xadrez: Rodrigo Maia, genro de Moreira, tentará ser Presidente da República. Com isso, o PMDB carioca se aproxima de DEM e PSDB pelas mãos do estado do Rio de Janeiro para derrubar Temer.

Vamos aos motivos:

1) Moreira Franco foi o primeiro político ameaçado, abertamente, por Eduardo Cunha quando este foi cassado. Sendo assim, o ex-governador do Rio precisava de contra atacar para se salvar e resolveu partir pra cima do irmão siamês do ex-presidente da câmara, Michel Temer (afinal, Temer é Cunha e Cunha é Temer);

2) A jogada de Moreira é incrível (o gato angorá é danado): derruba Geddel com duas hipóteses: na primeira, Temer resiste e Franco pega a vaga do baiano e o Foro Privilegiado. Na segunda, Temer cai junto com Geddel e ninguém mais, ninguém menos que seu próprio genro, Rodrigo Maia, assume a presidência interinamente;

3) Maia é uma figura mais jovem e muito menos saturada que Michel Temer e faz parte do DEM partido bem mais próximo do PSDB, que parece estar muitíssimo interessado no golpe além do golpe, o “metagolpe”;

4) O filho do César Maia certamente deve contar tanto com o poder do PMDB-RJ para derrubar Temer (a influência de Picciani é inegável) quanto com Mendes (simpático ao PSDB) para cassar a chapa completa Dima/Temer no TSE;

5) Rodrigo foi o candidato escolhido pelo establishment da câmara contra o poderoso Centrão de Eduardo Cunha (representado por Rogério Rosso). Sendo assim, a disputa “Maia x Cunha/Temer” já está aberta desde a sucessão para presidente da câmara;

6) Maia está comprando o desgaste – imenso – de salvar a pele de mais de 300 deputados com a emenda de anistia ao caixa 2. Se conseguir sair dessa disputa ileso, ganha muita moral para vencer uma eleição indireta, facilitada pelo fato dele já estar no cargo e poder montar uma equipe de ministros (e ministras, pois ele não vai ser burro como o Michel) no sentido de negociar os cargos em busca dos votos. Curiosamente, logo após a queda de Geddel, Temer mudou de posição e sinalizou que vai vetar a anistia, ou seja, estava do lado do deputado do DEM e não está mais;

7) A cartada de Temer – que de traição entende bem – foi convocar Maia numa coletiva onde tenta tirar do atual presidente da câmara o poder de “comprar” centenas de deputados com a anistia. Vamos acompanhar essa entrevista conjunta de perto, dependendo do resultado volto a escrever ainda hoje sobre o assunto.

E assim o Paraná vai fazendo escola e a República do Rio de Janeiro vai se articulando para derrubar um presidente. Temer perdeu muito tempo brincando de House of Cards e seus amiguinhos da cidade maravilhosa migraram logo para o Game of Thrones. Bom, pra mim, cinco livros batem quatro temporadas!

Façam suas apostas!

 

*Tadeu Porto é diretor do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense

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A verdadeira polêmica da semana: PT deve ou não anistiar o caixa 2? https://www.ocafezinho.com/2016/11/24/verdadeira-polemica-da-semana-pt-deve-ou-nao-anistiar-o-caixa-2/ https://www.ocafezinho.com/2016/11/24/verdadeira-polemica-da-semana-pt-deve-ou-nao-anistiar-o-caixa-2/#comments Thu, 24 Nov 2016 13:14:59 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=60644 7 Comentários 🔥]]> Por Tadeu Porto*, colunista do Cafezinho

Esqueçam a possibilidade de atender um policial levemente ferido ou um traficante a beira da morte [até mesmo porque se a condição de atendimento é salvar alguém fica difícil pensar em considerar a pessoa levemente ferida, afinal, ela não precisa ser salva].

A polêmica de verdade – daqueles problemas da vida real – está na câmara dos deputados, com a tentativa de anistia para os crimes de caixa dois amplamente ocorridos nas eleições. Todos os grandes partidos estão dispostos a se concederem essa colher de chá, exceto o Partido dos Trabalhadores que, segundo o Estadão, reluta em entrar no “bonde do perdão”.

Bom, a princípio a lógica sobre o PT abraçar ou não a anistia parece simples: oras, o correto é deixar aqueles que cometeram o crime serem punidos, independente de quem for e ponto final.

Seria sim, simples, se o Brasil fosse um país para amadores.

Consideremos, por exemplo, o caso Eduardo Cunha. O PT ganhou de presente, trabalhando pela cassação do deputado, um Golpe parlamentar, a debandada de políticos no seu quadro e uma derrota clamorosa nas urnas em 2016 (com direito ao melhor prefeito do país perder no primeiro turno para um aventureiro qualquer).

Em contrapartida, o PMDB, partido do ex-presidente da câmara, conseguiu chegar à Presidência da República, estabelecer um núcleo duro dentro do governo que blinda figuras como Geddel Vieira e, de quebra, melhorar o desempenho nas eleições municipais.

Dentro desse cenário factual, fica bem difícil avaliar se valeu mesmo a pena o PT enfrentar o PMDB de Cunha dentro da câmara. Vamos tentar, então, vislumbrar qual o futuro do partido pós decisão sobre a anistia.

Existe um cenário altamente plausível: a anistia não passar na câmara e, na prática, ser utilizada como a Lava-Jato em geral: pega um ou outro gato pingado de outras agremiações, sem grande repercussão da mídia, e massacra o PT para tentar destruir o partido de uma vez por todas.

A grande verdade é que a repulsa contra o crime no Brasil é tão falsa quanto um depoimento do Eduardo Cunha, pois parte da população brasileira utiliza a corrupção como máscara para manifestar seu conservadorismo exacerbado: chama-se o preto, o pobre, o gay, a mulher e as demais minorias de petista corrupto e fica por isso mesmo. Portanto, combater práticas corruptas no país não adiante muita coisa, a não ser que você seja um totalitário como Sérgio Moro e alimente a sede de sangue do vampirismo fascista verde e amarelo.

Portanto, para a imagem do PT, ser contra a anistia não vai fazer diferença alguma para essa massa raivosa e alienada que parece ter inundado o país. Em contrapartida, para o grupo politizado que aparecerá no país nos próximos anos (a luta educa e essas mobilizações são uma grande escola) uma mudança de postura do partido – sair de um pragmatismo exacerbado para a construção de uma ideologia moderna que ganha mentes e corações – pode ser crucial para que o PT renasça de todo o desgaste que sofreu nos últimos anos.

E aí? O PT deve ou não ser a favor da anistia do caixa 2?

Minha opinião (não sou de ficar em cima do muro): o PT não deve, de maneira alguma, apoiar a anistia ao caixa 2, nem mesmo liberar a bancada para fazer o que quiser. O partido deve entender que ele, para o bem ou para o mal, representa a maior força da esquerda nacional e que nossas lutas são difíceis demais para nos darmos ao luxo de sermos incoerentes e antiéticos. Nosso verdadeiro adversário de médio prazo é o fascismo e é impossível combate-lô com a imagem desmoralizada. #ficadica

*Tadeu Porto é diretor do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense

 

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Do Wikileaks 2009 para Moro 2016: “vamos prejudicar os fornecedores americanos?” https://www.ocafezinho.com/2016/11/23/do-wikileaks-2009-para-moro-2016-vamos-prejudicar-os-fornecedores-americanos/ https://www.ocafezinho.com/2016/11/23/do-wikileaks-2009-para-moro-2016-vamos-prejudicar-os-fornecedores-americanos/#comments Wed, 23 Nov 2016 17:47:52 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=60607 12 Comentários 🔥]]> Por Tadeu Porto*, colunista do Cafezinho

A excelente matéria da repórter Cíntia Alves do GGN pode trazer a tona uma questão que intriga qualquer brasileiro ou brasileira que se debruça sobre os efeitos colaterais da Lava-jato: como pode a justiça do país deixar quebrar a indústria nacional tão facilmente.

Os impactos da operação anticorrupção mais famosa da nossa história – com o espetáculo midiático tão pesado seria difícil não sê-la – causaram, no mínimo, um déficit de 140 bilhões de reais, ou 2,5% do PIB, segundo estudo do “insuspeitíssimo” tucano Gesner Oliveira.

E a resposta para o porquê da Força Tarefa da Operação não ter ligado muito para a quebra da indústria nacional, desde empreiteiras até micro e pequenas empresas indiretamente com tamanha queda do PIB, estábem clara no documento (oficial!) que o Wikileaks revelou aos brasileiros em 2009.

Segundo a então diretora relações internacionais da Exxon Mobile, Carla Lacerda: “Petrobrás terá todo controle sobre a compra de equipamentos, tecnologia e a contratação de pessoal, o que poderia prejudicar os fornecedores americanos.”

Repetindo: poderia prejudicar os fornecedores americanos!

Ou seja, com o Pré-Sal e a Lei da Partilha original – que o entreguista do Temer conseguiu alterar na câmara – os fornecedores americanos se sentiram ameaçados e implementaram um Lobby pesado no Senado para acompanhar os trâmites sobre as regras da exploração de águas ultra-profundas. O consulado americano, inclusive, definiu a estratégia de “recrutar novos parceiros para trabalhar no Senado, buscando aprovar emendas essenciais na lei, assim como empurrar a decisão para depois das eleições de outubro” [na época, a esperança era a vitória do Serra em 2010 para mudar a lei].

Pois bem, qual o primeiro projeto do José Serra, citado no telegrama, quando virou senador pelo estado de São Paulo em 2014? Mudar, justamente, as regras da Lei da Partilha que contrariavam as petrolíferas internacionais no telegrama.

Bom, Carla Lacerda, da Chevron, disse em 2009 que “Eles [governo Lula] são os profissionais e nós [lobistas das empresas de petróleo] somos os amadores”.

Parece que as empresas aprenderam direitinho que a jóia rara do lobby estava mesmo era no judiciário, pois o legislativo não tem muita credibilidade para trabalhar temas escancaradamente entreguistas contra uma figura da popularidade do ex-presidente Lula.

Assim, Moro e o Ministério Público quebraram a indústria nacional e abrram caminho para que os fornecedores americanos pudessem lucrar com o mercado nacional (tem dúvidas? Então veja com carinho que a GE Oil & Gas comprou a Baker Hughes numa operação bilionária em plena crise).

O Tio-Sam usou o Serra enquanto pode, mas se “proficionalizou”  e apostou as fichas mesmo em Moro e Dallagnol para destruir o capital produtivo do país e abrir as portas para as multinacionais estrangeiras continuarem a abusar  do Brasil e impedir que nossa soberania nacional nos fizesse protagonistas no mercado mundial para que continuemos como uma mera colônia a ser explorada pela elite mundial.

A Chrevon de Lacerda aprendeu, afinal, que não deveria ser amadora, pois não há espaço no Brasil para tais pessoas.

*Tadeu Porto é diretor do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense

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Calero não é santo e briga com Geddel é ataque ao PMDB de Temer https://www.ocafezinho.com/2016/11/20/calero-nao-e-santo-e-briga-com-geddel-e-ataque-ao-pmdb-de-temer/ https://www.ocafezinho.com/2016/11/20/calero-nao-e-santo-e-briga-com-geddel-e-ataque-ao-pmdb-de-temer/#comments Sun, 20 Nov 2016 17:08:26 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=60286 9 Comentários 🔥]]> Foto: Marcelo Camaro/Agência Brasil

Por Tadeu Porto*, Colunista do Cafezinho

Marcelo Calero, que de bobo não tem nada, largou o governo golpista e atirou no núcleo duro do presidente Michel Temer, o ministro articulador Geddel Vieira. Muitas pessoas vem considerando a pressão que Calero sofreu, todavia a versão mais factível, no entendimento desse humilde colunista, é que o ex-ministro da cultura só saiu por algum tipo de racha no PMDB.

Vamos a alguns fatos que ajudam na construção dessa idéia:

1) Calero é ligado ao PMDB do Rio de Janeiro, a parte do partido que mais sofre com a Lava Jato (com as prisões de Cunha e Cabral);

2) O PMDB carioca foi o último fio de resistência da presidenta Dilma no planalto, na figura do deputado Leonardo Picciani, e, por isso, acirrou as disputas internas no partido a ponto da liderança na câmara ser trocada duas vezes em pouquíssimo tempo (coisas desse tipo não acontecem sem alto desgaste);

3) Cabral é, talvez, a figura mais influente do PMDB carioca e um doas maiores do quadro nacional. Cotado pra disputar a presidência em 2018 é um político intrinsecamente de centro e transita por praticamente todo espectro partidário nacional (considerando, claro, os partidos de grande porte). Pessoas como Cabral não sofrem um ataque como uma prisão – que ameaça inclusive sua família – sem uma contra ofensiva pesada contra a política em geral;

4) O Rio é o estado que vive a maior crise nacional, política e econômica. Não se sabe se o governo federal vai querer comprar o desgaste de fazer investir num governo afundado em escândalos fiscais como as isenções que agora vão sofrer uma CPI. Se Temer não ajudar, acirra mais os ânimos internos entre o PMDB nacional x carioca;

5) Por fim, é impossível considerar que Marcelo (ex-secretário de Eduardo Paes) não sabe como se faz política dentro do PMDB. Provavelmente, a primeira vez que Geddel pediu o “favor” ele levou de boa e “barrigou” ou por medo de ser pego ou pra ter uma arma contra o ministro baiano (aposto na segunda opção).

Assim, essa atitude de Caleiro nada mais é que um barata voou na trupe do PMDB pós prisão de Sérgio Cabral e os ratos agora vão se estapear pra ver quem sai do Titanic golpista primeiro.

E eu já peguei minha pipoca pra assistir esse “drama”. :)

Tadeu Porto é diretor do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense

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O diálogo perdido do áudio Jucá: a nova casta e o fascismo https://www.ocafezinho.com/2016/11/18/o-dialogo-perdido-do-audio-juca-nova-casta-e-o-fascismo/ https://www.ocafezinho.com/2016/11/18/o-dialogo-perdido-do-audio-juca-nova-casta-e-o-fascismo/#comments Sat, 19 Nov 2016 00:50:33 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=60117 8 Comentários 🔥]]> Por Tadeu Porto*, colunista do Cafezinho

MACHADO – Rapaz, a solução mais fácil era botar o Michel [Temer].

JUCÁ – Só o Renan [Calheiros] que está contra essa porra. ‘Porque não gosta do Michel, porque o Michel é Eduardo Cunha‘. Gente, esquece o Eduardo Cunha, o Eduardo Cunha está morto, porra.

MACHADO – É um acordo, botar o Michel, num grande acordo nacional.

JUCÁ – Com o Supremo, com tudo.

MACHADO – Com tudo, aí parava tudo.

JUCÁ – É. Delimitava onde está, pronto.

O Brasil está careca de saber que Romero Jucá escancarou o golpe em sua conversa com o ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado.

Em qualquer discussão decente e sensata sobre o impeachment (que nossa mídia tradicional não faz, obviamente) é impossível deixar de lado as referências a essas palavras do líder do governo no congresso, afinal, elas descrevem de maneira muito clara que o afastamento da presidenta foi fruto de um grande pacto nacional para estancar a sangria da Lava-Jato.

Todavia, não obstante à todo alcance que teve o diálogo entre Machado e Jucá, existe uma parte que é pouco destacada, apesar de ser extremamente importante: no entendimento do senador, toda a classe política será pega pela Lava-Jato, inclusive os tucanos cujas “fichas caíram agora”.

Nesse raciocínio, o ex-ministro prevê um futuro muito pouco animador, no qual Ministério Público, Polícia Federal e judiciário querem “acabar com a classe política para ressurgir, construir uma nova casta, pura, que não tem a ver com…”

Bom, é fácil considerar que Jucá fez previsões verdadeiras em sua conversa com Machado, haja vista que os fatos estão se concretizando bem, como frisou o ótimo Xico Sá: o golpe colocou Temer no poder, Mendes demonstra em seus atos está a par do pacto, o aparato militar nacional trabalha violentamente para coibir as manifestações dos movimentos sociais e o boi de piranha – Cunha – foi lançado ao rio.

Vale ressaltar, ainda, que a operação LJ deu um passo importante e ousado em suas ações prendendo o todo poderoso ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, que tinha tudo para ser o principal nome do PMDB – partido do atual presidente da república – para as candidaturas de 2018. Ademais, a polícia federal avança sobre importantes atores políticos no momento: como Anthony Garotinho com a Operação Chequinho e o governador mineiro Fernando Pimentel com a Operação Acrônimo.

Ou seja, o aparato judicial do país demonstra que pode romper com a velha prática de se bater apenas no PT e isso não necessariamente trará mais justiça ao pais.

Por exemplo, se a Lava-Jato avançar mesmo da maneira que Jucá detalhou, para destruir a classe política nacional, os principais nomes para assumir o papel de “nova casta”, imediatamente recaem em pessoas como Sérgio Moro, Dalton Dallagnol e Jair Bolsonaro.

Reparem bem: um juiz sem escrúpulos e dono de práticas medievais de julgamento; um fundamentalista que usa o cargo no MP para fazer política (promove as 10 medidas como panaceia) e Bolsonaro dispensam apresentações.

Três nomes, entre muitos que podem surgir, que flertam intensamente com a onda fascista que se fortalece no Brasil e no mundo.

Portanto, se Jucá continuar cumprindo seu papel de Mãe Diná e acertando suas previsões compartilhada com Machado, jovens como eu – que nasceram depois dos anos de chumbo – podem se preparar para, enfim, conhecer de perto o que é uma ditadura.

Soltaram no meio da rua a cadela do fascismo, que é conhecida por estar eternamente no cio. O que já é péssimo com o golpe, pode piorar ainda mais.

Tadeu Porto é diretor do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense

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A PEC 55, a gasolina e o pato que o povo vai pagar https://www.ocafezinho.com/2016/11/13/pec-55-gasolina-e-o-pato-que-o-povo-vai-pagar/ https://www.ocafezinho.com/2016/11/13/pec-55-gasolina-e-o-pato-que-o-povo-vai-pagar/#respond Sun, 13 Nov 2016 14:27:52 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=59530 Foto  Lula Marques

Por Tadeu Porto*,  colunista do Cafezinho


Em menos de um mês, a Petrobrás, na sua nova política na venda de derivados, anunciou uma redução de aproximadamente 6,3% no valor da gasolina que chega às distribuidoras. O resultado – na época profetizado pela Federação Única dos Petroleiros –  foi o aumento do preço nos postos de combustíveis nesse período, ajudando o mercado privado, decepcionando o pobre coitado presidente da Petrobrás e onerando, ainda mais, a população brasileira.

[O preço da gasolina caiu pra cima a mídia chapa branca noticiou]

A nossa estatal de petróleo abriu mão de um dinheiro que poderia ser utilizado para construir refinarias, plataformas, termelétricas ou gasodutos e gerar não só infraestrutura básica, mas também milhares de empregos no país. E o pior, abriu mão de recursos que financiam o capital produtivo nacional para encher as carteiras de algumas centenas de donos de postos de gasolina que vão pra Europa ou para os EUA deixar gastos por lá, comprando itens que não agregam valor algum em termos de tecnologia ou conhecimento para a nação brasileira.

Mas o que a PEC 55 – vulgo PEC do fim do mundo – que aparece em primeiro lugar no título desse texto tem a ver com isso?

Bom, a gasolina, um insumo básico da nossa economia, pode ser classificada como um bem inelástico pois tem a demanda praticamente intacta, mesmo com altas variações de preço ou oferta.

Em outras palavras, geralmente os combustíveis são diferentes de bens não duráveis. Por exemplo, se um produto da linha branca sofre um aumento de preço considerável, normalmente o consumidor migra para outro produto, até mesmo de menos qualidade, para fugir do aumento (se a Brastemp está muito cara, vou para o CCE). Isso raramente ocorre com a gasolina.

E é aí que entra a Proposta de Emenda Constitucional que os golpistas querem emplacar, pois a maioria dos serviços atingidos pelo o “teto de gastos”, como a educação, a saúde e a infraestrutura,  são direitos básicos constitucionais – essenciais para o povo – e por conseguinte a demanda deverá sem manter, no mínimo, intacta.

Existem dezenas de problemas no país que essa PEC irá expandir, mas gostaria aqui de destacar apenas um: o Brasil é recheado de oligopólios e ninguém – nem mesmo o “liberal” MBL – está interessado em questioná-los (até mesmo porque o lobby deles funcionam muito bem nos quatro poderes).

Por exemplo, ao tirar dinheiro de faculdades de excelência inquestionável feito as nossas federais (e estaduais como a USP e Unicamp), se deixa um espaço para o crescimento de grupos privados e, portanto, vemos um dinheiro que alimentou por anos as melhores pesquisas do Brasil cair na mão de um ínfimo grupo de empresários, que já possuem grande espaço no mercado e nem chegam perto de competir com as universidades públicas pois não tem o interesse de abrir mão do lucro de curto prazo para investir em ações duradouras e sustentáveis.

Assim, a PEC do fim do mundo será como a política de combustíveis da Petrobrás: o Estado vai deixar de aplicar dinheiro em itens essenciais para o mercado fazer. Consequentemente, oligopólios que só precisam de algumas reuniões para fixarem uma de política preços e serviços unilateral e exploratória vão ludibriar o consumidor a fim de acumular cada vez mais renda e fazer suas viagens para Miami em paz, com o avião vazio e sem dividir fila na Disney com brasileiros.

E para aqueles que desejam argumentar que cartel é crime e as Agência Reguladoras, o Ministério Público, o Procon e a justiça em geral vai agir no intuito de não deixar acontecer tal absurdo, eu proponho a seguinte reflexão: essa justiça consegue combater monopólios ou oligopólios atualmente? Não, né? Então… Os recursos dela vão ser congelados também.

Deixo aqui meus parabéns para quem criou o nome PEC do fim do mundo.

Tadeu Porto é diretor do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (SindipetroNF)

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