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Felipe Pinheiro: uma análise sobre as eleições em São Paulo


Por Felipe Pinheiro

O prognóstico da disputa ao governo de SP em 2022 é, no mínimo muito, lamentável. Vejamos só, de um lado existe o João Dória do PSDB, que não dispensa uma análise maior. Além de suas características de oportunista e de um vil marqueteiro, ele é um neoliberal clássico, uma versão apresentável e afável dos interesses econômicos de grandes grupos empresariais e entreguistas. 

Infelizmente passa muito despercebido as reformas e leis que tramitam na ALESP. Há em curso um profundo desmonte das estatais e de políticas estaduais em diversas áreas, e aqui destaco três que, para mim, são absurdamente graves nesse contexto de pandemia. Uma é o desmantelamento da política habitacional estadual da CDHU; a outra é o programa de privatizações ou concessões das estruturais de transporte coletivo em toda região metropolitana e da capital; a última é a tentativa de por fim à programas de ciência e pesquisa, deixando a FAPESP em uma situação muito semelhante a que o governo Bolsonaro fez recentemente com o IBGE. 

Mas no mesmo balaio de gato, é possível colocar aquele que, muito hipocritamente, tenta de novo se apresentar, de forma enfadonha, como “terceira via”, mas na prática política e na questão programática é um tucano envergonhado. Falo de Márcio França, o ex-vice governador alegre, fiel escudeiro e tarefeiro do senhor Geraldo Alckmin. Portanto, tudo o que foi dito acima sobre o desmonte do Estado se aplica. Isso por si já deveria ser suficiente para envergonhar qualquer companheiro trabalhista que cogite uma aliança com o França. Foi nesse período como vice-governador que mais se fecharam escolas em todo o Estado. Período onde o salário do funcionalismo público estadual mais se defasou, sem mencionar a precarização do atendimento direto à população, sobretudo na educação e na saúde, com fechamento de hospitais regionais em praticamente todo Estado. Daí querer aparecer como terceira via sem uma palavra de autocrítica? Sem objetivamente apresentar um plano de governo que expresse claramente o fim da política de enfraquecimento da máquina pública estadual, porque, definitivamente, não foi isso que vimos em 2018. 

O recente anúncio da pré-candidatura de Guilherme Boulos pode até enganar os mais eufóricos. É bem verdade que os números expressivos em pesquisas de intenções de votos podem gerar um animo em uma parcela “convertida” e militante do campo progressista em São Paulo. Mas para por aí. É somente isso mesmo! Se trata de mais uma campanha panfletária do PSOL, um partido que tem sim os seus méritos, mas que não apresentará uma saída e uma alternativa viável para governar o mais rico e, talvez, mais complexo Estado da federação. E para isso basta olhar a limitação da sua base social nas periferias e o seu apego a discursos que não dialogam com os setores mais amplos e diversos da sociedade.

Nessa situação, precisamos construir, de fato, uma nova alternativa para o Estado de São Paulo, assim como defendemos e apresentamos ao Brasil uma alternativa sob a liderança extraordinária de Ciro Gomes. Aqui não cabe o reducionismo caricato e, muitas vezes sectário, do debate de nomes ou a tese simplista de que é preciso apenas apresentar novos nomes. Precisamos muito mais do que isso. É preciso apresentar um programa de governo que dialogue concretamente com os anseios e angustias do povo paulista, e hoje, honestamente não vejo ninguém construindo.

Digo isto pois encampo no meu próprio partido, o PDT-SP, essa luta fundamental: precisamos de um projeto para São Paulo. 

Felipe Pinheiro, historiador, empreendedor, presidente estadual do PDT Diversidade SP e membro da Executiva Estadual do PDT-SP.

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