Governo Temer - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/governo-temer/ Portal de noticias e análises sobre política brasileira, geopolítica, economia, tecnologia, sempre numa perspectiva democrática, progressista, anti-imperialista e multipolar! Wed, 13 Jun 2018 20:39:10 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://controle.ocafezinho.com/wp-content/uploads/2015/10/cropped-Logo_Cafezinho_tmb-32x32.png Governo Temer - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/governo-temer/ 32 32 Michel Temer e os frangos canibais https://www.ocafezinho.com/2018/06/13/michel-temer-e-os-frangos-canibais/ https://www.ocafezinho.com/2018/06/13/michel-temer-e-os-frangos-canibais/#comments Wed, 13 Jun 2018 20:39:10 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=86596 8 Comentários 🔥]]> Estamos na véspera do início da Copa do Mundo, a temperatura do noticiário político encontra-se entre morna e fria.

Parece o momento ideal para analisarmos uma declaração do sr. Michel Temer, nosso querido e estimado presidente da República, no auge da crise gerada pela greve dos caminhoneiros:

Os frangos estão morrendo. Eu nem sabia que eles podiam canibalizar-se. Eles estão se canibalizando.

Temer usou a canibalização galinácea como exemplo do impacto da greve, logo após anunciar um plano de segurança para liberação das estradas.

Com todo o respeito pelo drama dos frangos, não creio ter sido a preocupação com os animais o fator que motivou Temer a dar tão despropositada declaração.

No meio de uma crise de abastecimento sem precedentes, a qual gerou um cenário quase pós-apocalíptico nas cidades, o presidente da República falar em canibalização dos frangos é um atestado de sua completa inaptidão para o cargo.

Temer é a prova viva do estrago que a ambição pelo poder pode causar na vida de um cidadão.

Caso não tivesse topado participar ativamente do golpe que sua companheira de chapa sofreu, Temer “entraria para a história” (haja aspas) como um político habilidoso, que comandou o PMDB por longos anos e chegou ao respeitável cargo de vice-presidente do país por duas vezes.

A picada da mosca azul foi, entretanto, irresistível para Michel Miguel.

Agora, Temer entrará, de fato, para a história, mas como um dos piores presidentes de todos os tempos, o traidor que conspirou para chegar ao poder, o recordista de impopularidade, o responsável pelos mais pesados ataques contra os trabalhadores das últimas décadas.

Tudo isso sem falar nas pérolas, como esta dos frangos canibais ou a carta mais patética da história da política mundial, aquela imitação barata de House of Cards na qual Temer reclamava, por exemplo, de não ter sido convidado por Dilma para um jantar.

A discrição é, não raro, uma bênção.

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O Brasil voltou(,) 20 anos em 2: algumas hipóteses sobre o marketing do governo Temer https://www.ocafezinho.com/2018/05/15/o-brasil-voltou-20-anos-em-2-algumas-hipoteses-sobre-o-marketing-do-governo-temer/ https://www.ocafezinho.com/2018/05/15/o-brasil-voltou-20-anos-em-2-algumas-hipoteses-sobre-o-marketing-do-governo-temer/#comments Tue, 15 May 2018 19:06:52 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=85717 6 Comentários 🔥]]> (Que bela errada de alvo)

Por Pedro Breier

O slogan adotado para a comemoração (risos) de 2 anos do governo Temer – O Brasil Voltou, 20 anos em 2 – foi prontamente abandonado após a repercussão desastrosa. A chacota comeu solta.

O slogan é tão, mas tão perfeito para se tornar uma piada contra o próprio governo – basta tirar a vírgula! – que somos obrigados a levantar algumas hipóteses sobre a linha de marketing temerista. A mera incompetência do marqueteiro Elsinho Mouco não parece dar conta de explicar tamanha estultice.

Uma primeira tese seria a de que Elsinho é, na verdade, um democrata infiltrado no governo do golpe. A corroborar esta linha de raciocínio está o fato de que foi ele quem sugeriu a visita de Temer aos escombros do prédio que desabou em São Paulo no último dia 1º de maio, de onde o vampirão foi corrido.

Contudo, tal tese é improvável. Temer deve sentir o cheiro de um democrata de longe e jamais colocaria alguém desta estirpe tão próximo a si.

Outra hipótese é a de que o marqueteiro resolveu inovar em matéria de propaganda, reunindo na mesma frase dois significados opostos. Assim o destinatário do slogan pode escolher entre o delírio auto-proclamatório de Temer e algo mais próxima da realidade, o retrocesso de décadas proporcionado pelo golpe.

Dada a picaretagem que grassa no Planalto Central, esta hipótese de um sincericídio consciente deve ser prontamente descartada.

Uma terceira teoria: a Verdade, como fosse um ente sobrenatural, soprou no ouvido de Elsinho essa ideia e, na sequência, soprou algo como “nossa, genial!”.

A Verdade acaba sempre se impondo, vai saber se não se utiliza dos Elsinhos da vida para cumprir este propósito.

De todo modo, a única certeza proveniente de mais este bizarro episódio proporcionado por Temer e sua trupe é a de que a competência do setor de marketing é diretamente proporcional à competência do governo diante das questões sociais, econômicas, políticas e morais.

O Brasil voltou muito mais de 20 anos em 2.

 

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A MP do Trilhão, presente de Natal de Temer a Shell, é cópia da política que quebrou o Rio https://www.ocafezinho.com/2017/12/08/mp-do-trilhao-presente-de-natal-de-temer-shell-e-copia-da-politica-que-quebrou-o-rio/ https://www.ocafezinho.com/2017/12/08/mp-do-trilhao-presente-de-natal-de-temer-shell-e-copia-da-politica-que-quebrou-o-rio/#comments Fri, 08 Dec 2017 16:47:13 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=81783 3 Comentários 🔥]]> Presidente Michel Temer recebe Ben Van Beurden, CEO da Royal Dutch Shell. Foto: Carolina Antunes/PR

Por Tadeu Porto*

Na última semana ganhou notoriedade nas mídias do país a votação de uma Medida Provisória que dá isenções fiscais às grandes petroleiras do mundo, apelidada de “MP do Trilhão”, nome que faz alusão aos trilhões de reais que as petroleiras vão deixar de pagar ao Estado.

É perversa demais, sobre várias aspectos, uma política de desoneração das empresas mais poderosas do mundo e vou citar aqui três pontos: 1) Diminuir a arrecadação num processo industrial tão nocivo ao país (mesmo a política de royalties não contempla totalmente as mazelas da Exploração, Produção e tratamento do Petróleo) é abrir portas para os trabalhos predatórios sem contrapartida à população; 2) O governo brasileiro, que deveria representar o povo (deu um Golpe, sabemos, e está longe disso) jogar abertamente contra a indústria nacional é um tipo de entreguismo que, convenhamos, talvez somente um grande lobby pode justificar.   

[Aliás, em 22 de Maio, O Cafezinho escancarou a probabilidade da Shell ter feito um lobby pesado aqui no país. O Greenpeace apenas trouxe a tona o que todos nós da mídia progressista já sabíamos.]

E sobre o terceiro ponto, tomei a liberdade de dar um pouco mais de destaque: a política de diminuição do Estado em detrimento de grandes corporações, é, justamente, o cerne da situação caótica no qual se encontra o Rio de Janeiro.

Faz um ano amanhã, por exemplo, que a justiça proibiu o estado do Rio de fazer novas isenções fiscais. Só no ano passado, Pezão deu a “colher de chá” de quase 9 bilhões para as empresas, enquanto milhares de funcionários do estado estão sem receber salário. E pior: segundo o Observatório dos Benefícios, a desobrigação tributária de 25 bilhões a 50 empresas entre 2007 e 2010, sequer gerou empregos nesses setores.

Por fim, vale ressaltar que em cinco anos, de 2008 a 2013, o Rio deixou de arrecadar 138 bilhões de reais para que a empresas como a Delta Engenharia lucrasse absurdos e Fernando Cavendish pudesse comprar um anel de R$ 800 mil para Adriana Cabral, enquanto a população do Rio não tem dinheiro sequer para comprar gás da cozinha.

A lei de Temer, para os amigos da Shell é simples: “para os gringos tudo, para o povo a lenha”.

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O que Sergio Moro, João Doria e a família Mesquita têm em comum? https://www.ocafezinho.com/2017/12/06/o-que-sergio-moro-joao-doria-e-familia-mesquita-tem-em-comum/ https://www.ocafezinho.com/2017/12/06/o-que-sergio-moro-joao-doria-e-familia-mesquita-tem-em-comum/#comments Wed, 06 Dec 2017 13:20:13 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=81814 6 Comentários 🔥]]> (Exalando carisma. Foto: Marcos Corrêa/PR)

Por Pedro Breier

Resposta: o apreço quase comovente por este senhor da foto acima, o político mais impopular do planeta, o vampiro que se alimenta não de sangue mas de direitos sociais, o mordomo de filme de terror, ele, o nem remotamente espetacular Michel Temer.

Doria e Moro demonstraram todo seu carinho e respeito por Temer ontem, na entrega do prêmio da IstoÉ chamado “Brasileiro do Ano”.

Para a revista, conhecida também como QuantoÉ, o brasileiro do ano passado foi ele mesmo, Michel Temer, para vocês verem a seriedade da coisa. Ao menos a premiação do ano passado proporcionou-nos aquelas fotos que entrarão para a posteridade de Moro confraternizando, aos risos, com Aécio tem que ser um que a gente mata antes de fazer a delação Neves.

Doria, que nem indicado para o prêmio foi, prestou-se ao papel de ir ao convescote e, pasmem, falar que o Brasil neste ano está melhor por conta da “conduta serena” de Michel Temer.

Teria Doria feito referência à serenidade de Temer quando ouviu Joesley Batista confessar vários crimes e simplesmente não tomou qualquer atitude a não ser incentivar com um “tem que manter isso aí, viu”? Só pode.

Moro, por sua vez, o grande premiado deste ano (que honra ser o sucessor de Temer), pediu o apoio do presidente ilegítimo para impedir que o STF reveja a posição tomada sobre o cumprimento de pena a partir da decisão de segunda instância. Pediu também o fim do “foro privilegiado” para autoridades.

Não é gloriosamente patético que o ex-super herói brasileiro peça apoio do bandido-mor da nação para, na sua visão medieval de justiça, combater a corrupção? Se lembrarmos que Temer só é o presidente do nosso país por obra de Moro e seus cúmplices a cena fica mais absurda ainda, absolutamente nonsense.

Por fim, mas não menos delirante, a família Mesquita, dona do Estadão. Em seu editorial de hoje a teoria é a seguinte: Temer não vai convencer os deputados a votarem a favor da reforma da Previdência oferecendo cargos ou comprando-os com dinheiro público através de, por exemplo, liberação de emendas parlamentares.

O Estadão diz que a estratégia é “fazê-los (os deputados) enxergar que a reforma da Previdência integra um esforço muito mais amplo, com vista à recuperação rápida e sustentável da economia, trabalho cujo sucesso é essencial para alavancar as candidaturas vinculadas de uma forma ou de outra ao governo. Ou seja, o governo entende que é possível transformar o que seria um fardo eleitoral – a aprovação da reforma da Previdência – em um trunfo”.

Nem a Velhinha de Taubaté, personagem de Luís Fernando Veríssimo que era a última pessoa no Brasil que acreditava no governo, compraria a lorota de que os deputados dariam seus votos em troca da promessa estapafúrdia de que a economia crescerá caso seja aprovada a reforma da Previdência.  Ou de que ajudar a aprovar uma reforma que fará com que boa parte da população morra antes de se aposentar trará benefícios eleitorais.

Como essa ficção de péssima qualidade soa melhor do que a abjeta compra de votos com o nosso dinheiro que é, de fato, o único trunfo do governo, o Estadão tenta, sem sucesso, dourar a pílula para Temer.

Doria despencou nas pesquisas e deu adeus ao sonho presidencial.

A rejeição a Moro cresce a passos largos.

O Estadão só faz perder leitores.

Esse caso de amor com o político mais rejeitado do mundo não vai melhorar as coisas para o trio ternura.

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Globo afunda no ridículo para defender reforma trabalhista de Temer https://www.ocafezinho.com/2017/11/13/globo-afunda-no-ridiculo-para-defender-reforma-trabalhista-de-temer/ https://www.ocafezinho.com/2017/11/13/globo-afunda-no-ridiculo-para-defender-reforma-trabalhista-de-temer/#comments Mon, 13 Nov 2017 13:33:42 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=81209 36 Comentários 🔥]]> (Sintonia total nos ataques aos trabalhadores. Charge: Aroeira).

Por Pedro Breier

O editorial de hoje do Globo acrescenta ao cinismo e canalhice habituais da empresa dos Marinho uma dose cavalar de ignorância jurídica.

O jornal da família de milionários defende apaixonadamente, para variar, os ataques do governo Temer aos trabalhadores, como a reforma da Previdência e a trabalhista (esta entrou em vigor no último sábado).

O alvo é a Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra), que aprovou alguns enunciados, ou seja, propostas de interpretação da lei trabalhista, após debates e aprovação por mais de 600 juízes, procuradores e auditores (aqui a notícia no site da Anamatra).

A completamente tosca argumentação global é a seguinte:

Usam-se argumentos supostamente técnicos na tentativa de se explicar por que uma entidade de magistrados prega o descumprimento da lei, em nome da própria lei. Um insustentável posicionamento.

É certo que diferentes tribunais podem ter interpretações diversas. Mas não em questões indiscutíveis, já assentadas de forma clara na nova legislação. No pano de fundo desta espécie de “desobediência civil” de togados e similares — por certo, inédita — está a grande carga de politização que existe no meio.

No direito há o controle concentrado e o controle difuso de constitucionalidade. É a análise, feita pelo STF (no caso do concentrado) ou por qualquer juiz (no caso do difuso) da adequação de uma lei à Constituição Federal.

Se a lei contraria a Constituição deve ser considerada inconstitucional, tendo em vista que a Constituição é a lei maior do país e se impõe sobre todas as outras.

Afirmar que isso é “pregar o descumprimento da lei em nome da própria lei” é positivamente ridículo, como atestaria qualquer estudante do primeiro ano de direito.

A Globo, com sua arrogância característica, diz que tribunais podem até ter interpretações diversas, “mas não em questões indiscutíveis”. Só faltou listar quais são as questões “indiscutíveis”, para que os juízes não se atrevam a fazer o controle difuso de constitucionalidade em artigos da lei que agradem os Marinho.

O Globo chama, bizarramente, de “desobediência civil” a interpretação de uma nova lei à luz da Constituição e diz que o problema é a “politização que existe no meio”.

O problema do Brasil, na verdade, é a politização dos meios de comunicação, que são controlados com mão de ferro pela direita e são usados para pautar a agenda política e derrubar governos eleitos democraticamente.

A concentração midiática, aliás, é absolutamente inconstitucional, conforme o parágrafo 5º do art. 220 da Constituição: “Os meios de comunicação social não podem, direta ou indiretamente, ser objeto de monopólio ou oligopólio”.

Dá para entender por que a Globo prefere chamar controle de constitucionalidade de “desobediência civil”.

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Relatório de Sustentabilidade 2016 da Petrobras: mais para o mercado e menos para o Brasil https://www.ocafezinho.com/2017/08/24/relatorio-de-sustentabilidade-2016-da-petrobras-mais-para-o-mercado-e-menos-para-o-brasil/ https://www.ocafezinho.com/2017/08/24/relatorio-de-sustentabilidade-2016-da-petrobras-mais-para-o-mercado-e-menos-para-o-brasil/#comments Thu, 24 Aug 2017 20:06:04 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=77825 3 Comentários 🔥]]> Eduardo Costa Pinto*

O Relatório de Sustentabilidade (RS) 2016 da Petrobras – que divulga as principais informações a respeito da geração de valor e da sustentabilidade da empresa nas dimensões social, cultural, ambiental e econômica –, divulgado recentemente de forma discreta, revela uma mudança na estratégia da empresa que cada vez mais se orienta (i) pelo mercado e foco na gestão interna, com os aspectos relacionados à governança se sobrepondo ao próprio negócio da Petrobras, e (ii) para seus acionistas, em detrimento do seu papel socioeconômico, tecnológico e de desenvolvimento nacional.

As concepções de empresa integrada (na perspectiva microeconômica) e protagonista do desenvolvimento econômico, industrial e socioambiental (do ponto de vista macroeconômico), observadas nos relatórios dos anos anteriores, foram deixadas de lado no documento de 2016. Nesse sentido, o Relatório expressa (i) uma maior relevância dada os aspectos internos da Petrobras, centrada em mudanças na governança e no modelo de gestão que passa a assumir uma perspectiva gerencialista de curto prazo; e (ii) o fato de que os investimentos socioambientais passaram a ser analisados pela perspectiva de geração (ou não) de valor para a empresa.

Essa é uma tendência observada também no Plano de Negócios e Gestão (PNG) 2017-2021 que ainda ressalta a necessidade de redução acelerada do nível de endividamento/alavancagem financeira da empresa. Para Pedro Parente, presidente da Petrobras, “ […] o principal desafio é realmente cumprir nosso plano estratégico e reduzir o endividamento, que é a síntese dos problemas que aconteceram no passado”.

Uma peça publicitaria recente da Petrobras afirma, em consonância com o RS de 2016 e com o PNG 2017-21, que: “[…] a Petrobras está mudando para se transformar como empresa […]”. O que isso significa? Essa transformação tem como consequências: no plano empresarial, a redução dos investimentos (com a retirada da companhia de alguns segmentos), o encolhimento da atuação em setores estratégicos, tais como P&D e venda do pré-sal; e, no plano social, a redução dos investimentos socioculturais, a eliminação de projetos e compromisso socioambientais e a diminuição da força de trabalho. Mas, será que é isso que os trabalhadores e a sociedade querem da Petrobrás? Vejamos os principais impactos dessa nova estratégia.

Menos importância para a sociedade: menor geração de valor e menos investimentos socioambientais

A Demonstração e a Distribuição do Valor Adicionado – instrumento contábil que permite identificar a riqueza gerada e a distribuição desta entre os agentes econômicos que participam de sua criação – evidenciou que a Petrobras gerou em 2016 um valor adicionado de R$ 193.445 milhões, 14 % maior do que o observado em 2015 (R$ 169.931 milhões).

Quanto à distribuição dessa riqueza, verificou-se que o valor adicionado distribuído aos funcionários ficou praticamente estagnado em 2016, na faixa dos 17%-18%. Ao passo que o Estado (principal acionista) viu sua participação no valor adicionado reduzir de 65% em 2015 para 55% em 2016. O percentual de distribuição do valor adicionado dos acionistas foi negativo (-7%), porém subindo em relação a 2015 (-21%). Em linhas gerais, pode-se afirmar que há em curso um direcionamento do valor adicionado para os acionistas não controladores.

Outro dado extremamente negativo que o RS de 2016 trouxe foi a redução dos investimentos na área de pesquisa e desenvolvimento (P&D) em cerca de 10% (de R$ 2 bilhões em 2015 para R$ 1,8 bilhão em 2016). Isso não tem impacto somente para a própria Petrobras, mas também para comunidade acadêmica e institutos de pesquisa que possuem projetos e convênios com a Petrobras em diferentes segmentos de P&D. Em 2016, R$ 548,5 milhões foram feitos por intermédio de parcerias com 90 universidades e institutos de pesquisa no Brasil e 21 no exterior. Valor 22% menor do que o observado em 2015 (R$ 700 milhões).

Junto à redução na área de P&D, ocorrem também uma forte redução dos investimentos e dos volumes de projetos socioambientais. Entre 2015 e 2016, os investimos nesse segmento caíram 51%, saindo de R$ 496 milhões para R$ 241 milhões. Essa queda expressiva também pode ser observada nos menores investimentos em projetos culturais que se reduziram de R$ 139 milhões para R$ 71 milhões. Em termos agregados, o número de projetos sociais financiados caiu de 1.512 em 2015 para 586 em 2016 (recuo de 61%).

Os investimentos sociais da Petrobras em seus três eixos são de grande importância para o desenvolvimento sustentável do país. No entanto, a atual diretoria parece dar pouca atenção a isso.

Dentre os diversos projetos afetados por essa nova diretriz, pode-se destacar, por exemplo, (i) a redução dos investimentos no projeto Mova-Brasil que atua na erradicação do analfabetismo, esse projeto entre 2003 a 2012 alfabetizou mais de 195 mil pessoas; e (ii) o enceramento em 2016 do Projeto Águas do Jacuípe na Bahia que visava mobilizar comunidades e famílias para participarem de ações de reflorestamento e contribuir para que professores e estudantes refletissem sobre sustentabilidade socioambiental. Essas ações envolveram mais de mil de pessoas. Essas duas ações compõem uma nova estratégia para a área socioambiental: uma saída progressiva na promoção de projetos nas áreas sociais e ambientais.

Essa nova postura da Petrobras – menor foco nas suas áreas de negócio e menor preocupação com projetos ambientais – faz com que sua atuação nos segmentos de energia renovável e mais limpa seja completamente abandonado. Apesar da Petrobras argumentar que está atenta aos movimentos de transição para uma economia de baixo carbono a partir dos resultados da COP 21, ele vem adotando estratégias que vão numa direção contrária a isso com a saída do segmento de biocombustíveis (venda da Petrobras Biocombustíveis) e com a expressiva redução dos investimentos em P&D nas áreas de biocombustíveis e energias renováveis.

A venda da Petrobras Biocombustíveis implica na desarticulação da cadeia de suprimento de biocombustível, logística local e desenvolvimento técnico, prejudicando mais de 34 mil famílias que firmaram contratos com a empresa para participar dessa cadeia. O fim dessas atividades gerou demissões, perda de fonte de renda para milhares de agricultores locais e perda de desenvolvimento local. No que diz respeito à P&D de energias renováveis e biocombustíveis, a Petrobras reduziu seus investimentos em 36% entre 2015 e 2016. Indo, inclusive, na contramão das outras petroleiras mundiais que cada vez mais investem em energias renováveis. Entre 2015 e 2016, os investimentos nos segmentos de biocombustíveis avançados, solar e eólica caíram, respectivamente, 56%, 26% e 40%.

Prejuízo para os trabalhadores

A política de desinvestimento e venda de ativos impulsionaram a interrupção de novas contratações, saída de trabalhadores (principalmente por programas de aposentadorias voluntárias) e demissões de terceirizados.

A Petrobrás terminou o ano de 2016 com um total de 68.829 trabalhadores próprios, representando uma redução de 12,3% em relação ao final de 2015. Em perspectiva histórica, o total de efetivo próprio da empresa retorna ao patamar de 2007.

As empresas terceirizadas do Sistema Petrobrás também reduziram o seu quadro de trabalhadores. Entre 2012 e 2016, o número de trabalhadores terceirizados caiu de 360.372 para 117.555 (redução de 67,4%), quantidade próxima à observada em 2002. Dentre as principais causas explicativas dessa redução de trabalhadores, pode-se identificar o fim das obras e, sobretudo, os bloqueios feitos pela Petrobrás das empresas prestadoras de serviços envolvidas com a Operação Lava-Jato.

Outro dado preocupante do RS de 2016 foi o aumento da taxa de rotatividade dos trabalhadores da Petrobras, que sempre foi apontada como um exemplo nesse quesito. O principal motivo para isso foi a redução drástica no número de trabalhadores próprios da empresa com a implementação dos Programas de Incentivo ao Desligamento Voluntário (PIDV).

Nesse sentido, a Petrobras vem adotando uma política deliberada de redução de custos, associada ao aumento da produtividade por trabalho, o que tem levado a uma piora nas condições de trabalho que deverá, provavelmente, implicar no crescimento do número per capita de acidentes, apesar da redução recente.

Entre 2016 e 2015, os acidentes caíram quase 40%, apesar da redução dos gastos em SMS (Segurança Meio Ambiente e Saúde) da ordem de 15% (de R$6,9 bilhões em 2015 para R$5,88 bilhões em 2015). Isso se deve, em primeiro lugar, a um processo histórico e contínuo de subnotificação que a empresa adota, evitando notificar os acidentes por conta dos custos tributários (FGTS) e previdenciários (FAP) embutidos na declaração de cada evento. E, em segundo lugar, à menor participação do efetivo das áreas operacionais no total da força de trabalho – aquela parcela mais exposta à acidentes. Isto é, como há um número relativo de trabalhadores nas áreas operacionais, é evidente que o número de acidentados cairia, minimamente, na mesma proporção. Com isso, grande parte dos acidentes não são registrados através da CAT (Comunicação de Acidente de Trabalho), dificultando a montagem de um quadro real dos incidentes ocorridos na empresa e, por consequência, sua superação.

Em linhas gerais, com a nova estratégia adotada pela Petrobras ganha o mercado, mas perdem os trabalhadores do sistema Petrobras e a sociedade brasileira (que, em última instância, é a controladora dessa empresa por meio do Estado) na medida em que a empresa deixa de ser uma indutora do desenvolvimento econômico, social, ambiental e tecnológico.

*Professor do Instituto de Economia da UFRJ e integrante do Grupo de Estudos Estratégicos e Propostas (GEEP) da Federação Única dos Petroleiros (FUP). E-mail: eduardo.pinto@ie.ufrj.br. O autor agradece aos comentários e sugestões dos economistas Cloviomar Cararine e Rodrigo Leão e do cientista política William Nozaki integrantes do GEEP/FUP.

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A fragorosa miséria moral da direita https://www.ocafezinho.com/2017/08/18/a-fragorosa-miseria-moral-da-direita/ https://www.ocafezinho.com/2017/08/18/a-fragorosa-miseria-moral-da-direita/#comments Fri, 18 Aug 2017 13:49:24 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=77542 8 Comentários 🔥]]> (Foto: Tuca Vieira)

Por Pedro Breier

O governo Temer anunciou que o salário mínimo diminuirá 10 reais em 2018, passando de R$ 979 para R$ 969. Cerca de 45 milhões de pessoas recebem salário mínimo no nosso país.

A expectativa é que o governo federal economize, com a redução, R$ 3 bilhões em 2018.

Este mesmo governo federal que arrancará 10 reais de quem sentirá muita falta desse dinheiro é o mesmo governo federal que perdoou uma dívida de R$ 20 bilhões do Itaú e outra de R$ 10 bilhões de ruralistas devedores da previdência.

A Globo citou, ao final da matéria sobre a redução, que o salário mínimo está distante do valor considerado como “necessário” (aspas por conta da Globo) pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). A Globo repetiu, para reforçar, as aspas na palavra necessário:

De acordo com o órgão, o salário mínimo “necessário” para suprir as despesas de uma família de quatro pessoas com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência deveria ser de R$ 3.810,36 em julho deste ano.

Nada de novo para quem noticiou a instituição do 13º salário como algo “desastroso para o país”.

Esta mesma Globo, que parece não achar tão necessário assim o valor calculado pelo Dieese, pertence à família Marinho, detentora de, segundo a lista da Forbes de 2016, uma fortuna de algo em torno de 13 bilhões de dólares, mais de 42 bilhões de reais utilizando-se a cotação de hoje.

Uma fortuna (necessária?) conquistada graças a um monopólio inconstitucional na área das comunicações, o qual foi obtido em troca dos nojentos e vergonhosos serviços de propaganda prestados para a sanguinária ditadura militar brasileira.

O governo Temer e a Globo são dois dos expoentes da teoria econômica da direita, que consiste basicamente em tirar dos que tem pouco para garantir a fortuna dos que já tem muito. Todo o economês dos cabeças de planilha é, na verdade, um grande disfarce para a pilhagem perpetrada em cima da absoluta maioria da população.

O objetivo da direita é espoliar a população trabalhadora para que os ricaços não diminuam seu ridículo padrão de vida. Milhões podem passar fome desde que o fim de semana na mansão absurdamente cara, que fica em uma praia tornada ilegalmente particular, esteja garantido.

Chego a quase ficar com pena de almas tão mesquinhas, tão miseráveis. Quase.

Tamanha miséria moral, falta de escrúpulos e voracidade sobre a renda dos trabalhadores terá, cedo ou tarde, resposta à altura.

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O plebiscito de Dilma ou o feirão de deputados de Temer: qual é o melhor Brasil? https://www.ocafezinho.com/2017/08/10/o-plebiscito-de-dilma-ou-o-feirao-de-deputados-de-temer-qual-e-o-melhor-brasil/ https://www.ocafezinho.com/2017/08/10/o-plebiscito-de-dilma-ou-o-feirao-de-deputados-de-temer-qual-e-o-melhor-brasil/#respond Thu, 10 Aug 2017 18:00:41 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=77145 Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

Por Tadeu Porto

O Brasil do golpe envergonha mais que o “gemidão do Whatsapp”, no volume máximo, no metrô de São Paulo em hora de pico.

Só de imaginar a aberração de aceitar que a mesma casta que se lambuzou num presidencialismo “toma-lá-da-cá” de coalização vai ser a responsável por mudar o sistema político que ela mesma prática, meu estômago embrulha e minha bile vem passear na minha boca.

Nossa situação atual se assemelha em colocar um réu para ser juiz do seu próprio caso, sem ter, sequer, o contraponto de um júri para tal. Uma dessas aberrações que só acontece no Brasil pois a população parece estar anestesiada, tanto pelo massacre midiático que a aliena da conjuntura nacional, quanto pelo sentimento de desesperança oriundo da falta de confiança em todas as nossas instituições.

Me dá arrepios (daqueles ruins, claro), só de pensar que são os votos do Centrão, o bloco mais fisiológico da política brasileira moderna, que vão decidir mudanças estruturantes para o país, como a Reforma Política, tão necessária nesse momento em que os brasileiros e brasileiras não confiam mais em seus representantes.

Ou seja, a mesa casa que elegeu Eduardo Cunha como presidente, derrubou uma presidenta honesta por causa de “pedaladas” e livrou um presidente cujo assessor recebeu uma mala com meio milhões de reais de um empresário confessadamente criminoso.

Esse mesmo legislativo – em parceria com o executivo – recebeu dinheiro público de maneira recorde, promoveu isenções fiscais para os grandes aglomerados do país e compromete a arrecadação do governo federal para, depois, jogar nas costas da classe média e pobre a conta pela fisiologia, bem representado pelo aumento abusivo de combustíveis que o usurpador Temer promoveu.

A grande discussão agora é acerca do Distritão, um tipo de voto que pouquíssimos países do mundo usam e que, basicamente, acabam com as instituições coletivas para dar destaques a figuras individuais e, com isso, fazer da política uma revoada de pássaros em voo solo, cada um querendo bater suas asas para onde lhe convém.

Sem falar no Parlamentarismo, que foi derrotado nas urnas mas que ser implementado pela grande articulação Serra-Temer-Gilmar-Globo (quem quiser chamar de eixo do mau tá liberado).

A tristeza é ainda maior quando pensamos que a então presidenta Dilma – no auge dos atos de 2013 –  propôs um plebiscito para que nós, brasileiros e brasileiras, pudéssemos definir os rumos do país justamente em temas que englobam a Reforma Política.

Naquele ano – e a história já nos mostrou que não foi coincidência – Aécio Neves e Michel Temer, os homens das malas de meio milhão, correram para o palco da Globo para dizer que plebiscito era “inconstitucional” e que o correto seria fazer um referendo para essa questão. Obviamente, tudo que eles queriam era matar a ideia da Presidenta eleita, afinal, chegamos aos finalmentes da Reforma Política e, atualmente, o legislativo nem sonha em abrir qualquer tipo de consulta popular para definir os rumos da política nacional.

Em nenhum cenário, muito menos em alguma ideologia, a proposta da Dilma em 2013 era pior que a atual proposta de Maia e Temer. Nem mesmo a direita brasileira deveria ser contra esse determinado tipo de política, afinal, o mínimo que se espera de uma democracia é a participação popular (e não é à toa que plebiscitos e referendos estão na Constituição de 1988).

Um cenário desse é suficiente para que todos e todas possam ter a real noção do quão anti-democrático e autoritário o Brasil se tornou. Um país que propõe mudanças profundas sem consultar o povo não tem outro nome que seja Ditadura.

 

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Os ratos que tomaram o poder vão esticar a corda até arrebentar https://www.ocafezinho.com/2017/08/03/os-ratos-que-tomaram-o-poder-vao-esticar-a-corda-ate-arrebentar/ https://www.ocafezinho.com/2017/08/03/os-ratos-que-tomaram-o-poder-vao-esticar-a-corda-ate-arrebentar/#comments Thu, 03 Aug 2017 13:20:21 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=76812 13 Comentários 🔥]]> (Pura tranquilidade após se safar da denúncia criminal. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

Por Pedro Breier

Tão vergonhosa quanto o arquivamento da denúncia contra Michel Temer, sacramentado ontem pela pior Câmara que o dinheiro pode comprar, é a postura da velha mídia ao noticiar mais um 7 a 1.

A manchete dos sites da Folha e do Estadão informam que o governo mais bandido da história do país vai centrar fogo, depois de sua podre vitória, no maior ataque a direitos de todos, a reforma da previdência. O Globo muda o foco para a Lava Jato, que providencialmente arrumou um jeito de desviar a atenção do absurdo que aconteceu em Brasília.

O tom ameno dos colunistas globais ao analisar o arquivamento da denúncia demonstra, pela enésima vez, que a indignação com a corrupção é apenas uma arma eventual para que os Marinho, Frias, Mesquita e seus comparsas possam interferir no jogo político a favor de seus interesses financeiros. Quando a agenda econômica do governo coincide com a da imprensa familiar, dane-se a roubalheira.

Outro fato que ficou cabalmente demonstrado, ontem, é o monstruoso poder do dinheiro em relação à política. A diferença para o que acontece normalmente é que Temer chutou, ou melhor, bateu um tiro de meta com o balde. Comprou (com dinheiro público, ou seja, nosso) à luz do dia os deputados, distribuindo emendas parlamentares como um Silvio Santos jogando aviõezinhos de dinheiro para a plateia, a fim de que os nobilíssimos congressistas o livrassem de qualquer incomodação.

Tudo isso sob uma cobertura plácida da mídia amiga. Fica cada vez mais óbvio que a postura crítica da Globo é apenas um patético fingimento.

O fato é que os ratos que tomaram o poder descolaram-se completamente da realidade. A desaprovação recorde do presidente sem voto e a desmoralização completa do parlamento são encaradas, estarrecedoramente, como um passe livre para saquear os cofres públicos enquanto destroem o país e investem contra os direitos da população.

De José Roberto de Toledo, do Estadão, aos melhores articulistas da blogosfera de esquerda, o diagnóstico é unânime: isso não vai acabar bem. A nova investida pela reforma da previdência pode ser o ponto de não retorno.

Os ratos ensandecidos que tomaram o poder de assalto vão esticar a corda até ela arrebentar. E a corda, inexoravelmente, em algum momento arrebenta.

 

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Rodrigo Maia e a Rede Globo: o tempo não para, o tempo não passa https://www.ocafezinho.com/2017/07/13/rodrigo-maia-e-rede-globo-o-tempo-nao-para-o-tempo-nao-passa/ https://www.ocafezinho.com/2017/07/13/rodrigo-maia-e-rede-globo-o-tempo-nao-para-o-tempo-nao-passa/#comments Thu, 13 Jul 2017 13:05:42 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=75627 7 Comentários 🔥]]> Por Chistiele Dantas, Especial para o Cafezinho.

 

Não é novidade para nenhum brasileiro em sã consciência que a Rede Globo trabalhou, desde sua criação, para atrapalhar o desenvolvimento de nossas instituições democráticas. A Rede Globo é uma das principais responsáveis pela ausência do movimento da História, do acontecer transformador, que nunca alvoreceu na realidade brasileira; da Revolução em sentido lato. Seu fundador, Roberto Marinho, conspirou em 1965 para impedir a realização de eleições diretas. Em 1989 a emissora abraçou a campanha de Collor e se utilizou de nefastos subterfúgios para destruir a campanha de Lula. Agora, depois de tributar em favor do golpe que derrubou Dilma, um representante do Grupo, Paulo Tonet (vice-presidente de relações institucionais), recebeu Rodrigo Maia em sua residência, num encontro que antecipa a queda de Temer, pautando as eleições indiretas e urgência das Reformas.

São três tempos de nossa História marcados pela presença de uma instituição que se arroga o direito de interferir no destino de uma nação inteira, em nome de sua subserviência ao imperialismo estadunidense. O Tio Sam investiu milhões de dólares na criação da Globo e contou com o apoio dos militares que viram no veículo o potencial para disseminar uma ideologia de Estado anti-progressista, e, paradoxalmente: nacionalista e entreguista.

Em 1965, ano seguinte ao golpe militar, o embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Lincoln Gordon, enviou a seus superiores um telegrama relatando a interferência de Roberto Marinho em decisões tomadas pela cúpula do governo, em nome da renovação do mandato do ditador Castelo Branco. Roberto Marinho atuou como representante da cúpula junto ao presidente para persuadi-lo a prorrogar seu mandato. O dono da Globo defendia uma emenda constitucional para permitir a reeleição de Castelo com voto indireto, com receio de que a eleição direta alçasse ao governo uma liderança de esquerda.

Nas eleições de 1989, Fernando Collor de Melo, foi apadrinhado por Roberto Marinho, que colocou sua máquina de propaganda para projetar o candidato desconhecido, chancelado pelos partidos de direita, que assim como o lacaio dos imperialistas, pretendiam afastar – novamente – o perigo vermelho. O primeiro ataque à campanha de Lula foi o circo midiático construído a partir do seqüestro do empresário Abílio Diniz, fato que associou o Partido dos Trabalhadores à ação guerrilheira, identificando a legenda como principal articuladora do seqüestro. Junto aos pertences dos seqüestradores foram “plantadas” bandeiras e faixas da campanha petista. Como se não bastasse esse golpe baixo, o último e famoso debate entre Collor e Lula foi manipulado pelo núcleo de jornalismo. O debate foi editado para favorecer o candidato da elite branca. Anos depois, o segundo homem da Globo, o diretor Boni, reconheceu que Collor contou com total apoio do aparelho ideológico, em suas palavras: “Todo aquele debate, foi, foi… não o conteúdo. O conteúdo era do Collor mesmo. Mas a parte, vamos dizer assim, informal, nós é que fizemos”.

Nesta semana, foi noticiado pela Folha, que após se encontrar com Temer, Rodrigo Maia se reuniu – secretamente – com Paulo Tonet, representante do Grupo Globo, para tramar a queda do presidente. Maia tomou café com o atraiçoado, almoçou com os mafiosos da Globo e jantou com os conspiradores que o ajudarão a editar mais um capítulo da novela, enredada na intriga e na conspiração.

O poeta Cazuza anuncia cantando que O tempo não para. No Brasil, o tempo não para, mas ao mesmo tempo, não passa, pois o passado de arbitrariedades engendradas por interesses espúrios, e expresso pela constante presença do patrimonialismo, se atualiza na cultura política, como entoa a canção, “eu vejo o futuro repetir o passado, eu vejo um museu de grandes novidades”. Tal situação estacionária, de colossal inércia, é o retrato torto pendurado na galeria de nossas misérias. O encontro do provável futuro presidente da República com o garoto de recados da Globo é a certeza de que estamos parados no tempo.

 

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Depois de viajar no tempo, Temer parte de vez para o seu universo paralelo https://www.ocafezinho.com/2017/06/21/depois-de-viajar-no-tempo-temer-parte-de-vez-para-o-seu-universo-paralelo/ https://www.ocafezinho.com/2017/06/21/depois-de-viajar-no-tempo-temer-parte-de-vez-para-o-seu-universo-paralelo/#comments Wed, 21 Jun 2017 23:55:20 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=74607 24 Comentários 🔥]]> (O mundo encantado de Temer e a realidade)

Por Pedro Breier, colunista do Cafezinho

O discurso de Michel Temer, ontem, na Rússia, é o delírio de um desesperado.

O ainda presidente disse que lidera “a mais ampla agenda de reformas das últimas décadas”. Falou, candidamente, que “é claro que há lá uma ou outra observação, uma ou outra objeção”.

A tal “uma ou outra objeção” é endossada, fora da realidade paralela em que vive Temer, pela esmagadora maioria da população, que não quer as reformas previdenciária e trabalhista propostas pelo governo.

No último levantamento, singelos 79% dos entrevistados querem a renúncia ou cassação de Temer. Surreais 2% apoiam a sua gestão.

Tentando convencer os empresários da República Socialista Federativa Soviética da Rússia a investir no Brasil, nosso patético presidente sonha alto: “que ainda neste semestre, quem sabe antes do recesso legislativo, nós consigamos aprovar pelo menos o primeiro turno da reforma Previdenciária.”

Acharam fora da realidade? Pois reparem na confiança em relação à reforma trabalhista: “Eu creio que hoje até está sendo vencida mais uma etapa lá no Brasil e, seguramente, na semana que vem nós aprovaremos em definitivo a reforma trabalhista.”

A etapa que estaria sendo vencida foi, na vida real, uma derrota amarga para o presidente na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado, articulada pelo seu companheiro de partido Renan Calheiros e com voto rebelde até do PSDB. Romero Jucá já disse que a reforma trabalhista só vai a plenário em julho. Após a derrota na CAS, obviamente a sua aprovação é uma grande incógnita.

Imaginem a confiança dos empresários russos para investir no Brasil ao verem os fatos desmentirem gloriosamente toda a segurança do presidente brasileiro apenas algumas horas depois do seu discurso cheio das certezas.

Temer aparentemente está tentando compensar seu absolutamente desastroso mandato com feitos na área da ficção científica.

Se a viagem no tempo para a Rússia Soviética já impressionou os brasileiros, Temer agora inova com uma viagem insana ao seu universo paralelo.

Odiado pela população, rifado pela Globo, vendo o apoio no Congresso derreter e acossado pela PF e pelo MP, o destemido capitão mesóclise simplesmente parte, na velocidade da luz, para um universo alternativo criado por ele mesmo, no qual tudo isso são “fatos desprezíveis” e as reformas serão aprovadas “seguramente”.

Não há qualquer perspectiva de retorno à realidade.

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O possível fim das pretensões presidenciais do PSDB https://www.ocafezinho.com/2017/06/13/o-possivel-fim-das-pretensoes-presidenciais-do-psdb/ https://www.ocafezinho.com/2017/06/13/o-possivel-fim-das-pretensoes-presidenciais-do-psdb/#comments Tue, 13 Jun 2017 18:16:26 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=73969 15 Comentários 🔥]]> (Charge: Aroeira)

Por Pedro Breier, colunista do Cafezinho

O abraço de afogados que o PSDB decidiu dar no moribundo governo Temer desmascara completa e inapelavelmente o único verdadeiro objetivo dos tucanos em sua atuação política: aumentar a margem de lucro dos grandes empresários e os ganhos do capital especulativo por meio do ataque à combalida renda das trabalhadoras e trabalhadores brasileiros.

Há pouco tempo o PSDB levantava, com o peito inflado, a bandeira do combate à corrupção, comandado pelo impoluto Aécio Neves, para disfarçar sua agenda de retirada de direitos da população.

A decisão de permanecer no governo de Michel Temer – aquele senhor que foi pego falando placidamente sobre crimes com um megaempresário e cujo assessor pessoal foi flagrado com uma mala de dinheiro destinada ao chefe – é uma grande chutada de balde do partido. O recado é explicitado pelos próceres do tucanato sem que se perceba qualquer rubor de vergonha nas faces.

“O que importa são as reformas”, dizem eles. Todo o teatro de Aécio, Dória, Alckmin, etc. sobre corrupção era apenas isso: um patético teatro.

Os “cabeças pretas”, a ala mais jovem do partido, foi contra a permanência no governo, mas a decisão dos “cabeças brancas” prevaleceu (Doria é o líder dos cabeças brancas apesar do impecável tingimento negro das madeixas).

Entretanto, no essencial, na convicção que repousa inabalável no coração de cada tucano, não há discordância.

Seja qual for a cor da cabeça, seja partidário da saída do governo Temer ou não, todo bom soldado do PSDB defende a continuidade do ataque brutal aos direitos trabalhistas e previdenciários de quem luta arduamente pela sobrevivência todo dia, faça chuva ou faça sol, Brasil afora.

Para completar o quadro de absoluta falta de vergonha na cara, a permanência do PSDB no governo Temer foi articulada por Aécio Neves – aquele senhor que foi gravado falando em mandar matar um possível delator -, que tenta garantir o apoio do PMDB à sua tentativa desesperada de sobrevivência política. O apoio do PMDB aos tucanos na eleição de 2018 também entrou na negociação republicaníssima.

Mais um detalhe bizarro: o PSDB foi o autor da ação que pediu a cassação da chapa pela qual Temer foi eleito, recém julgada pelo TSE. Tasso Jereissati, presidente do partido, questionado sobre permanecer em um governo que ele mesmo reconhece ter sido eleito por meio de ilicitudes, disse que “com certeza existe uma incoerência que a história nos colocou”.

Não coloque a culpa na história, senador. Foi a sanha tucana pelas reformas anti povo quem os colocou nesta situação deplorável.

Dar suporte a bandidos em nome de reformas rejeitadas por mais de 90% da população demonstra um descolamento da realidade além de qualquer limite razoável.

Como explicar um negócio desses em uma campanha eleitoral? Dizer “o nosso inimigo é o PT”, como repete alucinadamente João Doria, não vai tornar a falta de escrúpulos mais palatável.

Podemos estar presenciando o fim de qualquer pretensão presidencial do PSDB. O monopólio midiático vai ter que produzir um milagre para reverter um estrago desta magnitude.

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No TSE, Mendes apenas limpou sua própria cagada https://www.ocafezinho.com/2017/06/09/no-tse-mendes-apenas-limpou-sua-propria-cagada/ https://www.ocafezinho.com/2017/06/09/no-tse-mendes-apenas-limpou-sua-propria-cagada/#comments Sat, 10 Jun 2017 01:21:13 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=73736 53 Comentários 🔥]]> Foto: Anderson Riedel/ VPR

Por Tadeu Porto

Assisti o julgamento da chapa Dilma/Temer como quem assiste a segunda parte de Harry Potter e as Relíquias da Morte na TNT. Apesar de saber a complexidade da história, não tem como fugir da tranquilidade de quem já sabe o final, afinal, Temer falou para Joesley que falou para a mídia que falou para mim que ele, o presidente usurpador, teria maioria no TSE (não deu outra).

Bom, tenho que confessar que a minha serenidade não era apenas fruto da do spoiler que recebi e, portanto, me protegeu de surpresas, mas também pois o final que eu sabia era o mesmo que eu queria.

Não escondo de ninguém que, quantitativamente, concordo com Mendes e as figuras “singulares” (como o carrasco Napoleão) que apareceram nesse processo: meu voto certamente seria contra a cassação da chapa Dilma/Temer.

Primeiro, pelo desvio de finalidade. Abertamente confessada pelo Aécio que a ação só foi “pra encher o saco”, sendo o senador mineiro então presidente do partido derrotado nas urnas, a ação não faz o menor sentido do ponto de vista de querer corrigir uma injustiça. Guardada as devidas proporções, se assemelha muito com a abertura do impeachment da presidenta Dilma, que nada tinha a ver com decretos suplementares ou plano Safra, e era apenas um gesto de vingança do ex-presidente da câmara Eduardo Cunha (e que deixa qualquer um indignado).

Segundo, pois seria muito bizarro, com todas as provas apresentadas, querer cassar apenas uma chapa no amplo espectro político-partidário nacional que ganharam alguma função pública nas eleições de 2014. Ou seja, para cassar Dilma/Temer, no intuito de efetivamente mudar a maneira de fazer política no Brasil, os TSE’s nacionais e regionais teriam que, no mínimo, cassar pelo menos uns 60% de deputados, senadores e governadores. É óbvio que uma tarefa desse calão deveria ser feita com ampla participação popular e que alguns tribunais não conseguem exercer tal força em democracias normais.

Ademais, nada justifica deixar uma corte presidida por Gilmar Mendes decidir o futuro do executivo brasileiro. Poderia até ser legal agora, mas o preço pago por fortalecer atores antidemocráticos como o ministro do STF seria muito alto, maior que a satisfação de ver um rato como o Temer cair da cadeira que ele usurpou.

Contudo, apesar do resultado coerente, é impossível não se revoltar com o TSE, simplesmente porque não era para uma ação tão bizarra como essa ter chegado onde chegou. Deixar o país inteiro preso numa pauta de falso combate à corrupção é de uma irresponsabilidade descomunal, que em nada combina com a necessidade que o Brasil passa de uma agenda propositiva.

E, obviamente, quem fez a ação tucana caminhar foi ninguém mais, ninguém menos que Gilmar Mendes, golpista de primeira, que em 2015 queria utilizar qualquer instrumento que tivesse a seu alcance para derrubar a Presidenta Dilma.

Portanto, Gilmar fez uma cagada gigante ao fazer o TSE caminhar com uma ação claramente golpista e, quando precisou limpá-la (pois o Golpe já tinha ocorrido) não conseguiu esconder as contradições que seu discurso e suas tomadas de decisões carregavam.

Em outras palavras, Mendes limpou a “caca” que fez. Mas não conseguiu apagar da memória, de todos que acompanharam tamanha sujeira, o odor insuportável de se querer chegar ao poder à qualquer custo.

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A “retomada” da economia e os ciclos do capitalismo https://www.ocafezinho.com/2017/06/01/retomada-da-economia-e-os-ciclos-do-capitalismo/ https://www.ocafezinho.com/2017/06/01/retomada-da-economia-e-os-ciclos-do-capitalismo/#comments Thu, 01 Jun 2017 18:12:42 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=73035 3 Comentários 🔥]]> Por Pedro Breier, colunista do Cafezinho

Os jornalões estampam em seus sites manchetes animadas com a alta do PIB, que foi de 1% no primeiro trimestre deste ano em relação ao trimestre anterior (O Fernando Brito demonstra, no Tijolaço, não haver muitos motivos para comemoração).

Como você pode ver acima, o Globo dá espaço para o exagero desesperado de Temer acompanhado de uma foto do (ainda) presidente parecendo confiante, como que vislumbrando um futuro melhor para a nação.

Temer comemora de forma hiperbólica o aumento do PIB porque só resta para ele, neste momento, agarrar-se a qualquer coisa que possa ajudá-lo a manter-se mais um pouco no cargo.

Quanto à Globo, vejo duas hipóteses para o seu estranho movimento, já que pedia a cabeça de Temer inapelavelmente há poucos dias. A mais provável é que esteja tentando ganhar tempo para encontrar o melhor caminho e o melhor nome para a transição antidemocrática que pretende impor ao país. A menos provável é a de que já considere a hipótese de Temer permanecer no cargo mesmo soterrado por provas acachapantes de bandidagens.

Mas estou tergiversando. Quero, neste post, focar na questão econômica de fundo.

A Teoria dos Ciclos Longos, ou Teoria dos Ciclos de Kondratiev, criada pelo economista russo Nikolai Kondratiev, afirma que o capitalismo, depois da Revolução Industrial, passou a ser constituído de ciclos, onde períodos de expansão econômica são seguidos invariavelmente por períodos de recessão.

A teoria econômica neoliberal é baseada nesta proposição. O raciocínio é o seguinte: se a dinâmica da economia passa necessariamente por fases de recessão e de expansão, a solução para sair de um momento de recessão é acelerar o processo para que rapidamente se chegue a um ponto limite onde não há mais como a economia se deprimir. Quando os índices chegam ao fundo do poço, não há outra alternativa senão voltar a subir.

As políticas de austeridade, ou seja, de corte brutal dos investimentos públicos, são aplicadas com o objetivo de aprofundar a crise, portanto – e neste quesito são sempre muito bem-sucedidas – para que os números voltem a crescer o mais rapidamente possível.

(Claro que ninguém fala a verdade para o respeitável público. A balela é a de que os investimentos privados, que  nunca chegam e não se interessam em obras essenciais ao país, como as de infraestrutura, vão resolver o problema).

O crescimento inevitável se dá, entretanto, “em cima de uma base bastante deprimida”, como consta na própria matéria do Globo sobre o ~fim da recessão~ proclamado por Temer.

O termo técnico e frio “base deprimida” significa, na prática, milhões de pessoas desempregadas e outras milhões com salários achatados. Significa mais miséria, mais moradores de rua. Significa gente, ser humano, passando fome.

A alternativa ao neoliberalismo que está posta, hoje, é a aplicação de políticas anticíclicas. Em vez de aprofundar a recessão para chegar mais rápido à expansão a ideia é impedir ou minimizar os efeitos dos ciclos econômicos.

Ao invés de diminuição deve haver, isso sim, um forte aumento dos investimentos do Estado nos momentos de crise, para que a economia não precise despencar no abismo, bater violentamente contra o chão para só depois retomar o crescimento.

Obras de infraestrutura são um belo exemplo: criam condições materiais para que a economia se desenvolva e ainda geram empregos, os quais propiciam ganho de renda para os trabalhadores, que por sua vez reflete positivamente nos setores comercial e de serviços.

Mas quem manda na política é o mercado, como Rodrigo Maia falou recente e desavergonhadamente, e o mercado é adepto fervoroso do neoliberalismo.

Vidas, para “O Mercado”, este ente que controla os políticos que nós elegemos, são apenas técnicos e frios números.

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Piada: Temer agora questiona até concessão da Globo https://www.ocafezinho.com/2017/05/24/piada-temer-agora-questiona-ate-concessao-da-globo/ https://www.ocafezinho.com/2017/05/24/piada-temer-agora-questiona-ate-concessao-da-globo/#comments Wed, 24 May 2017 14:32:57 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=72327 79 Comentários 🔥]]> (É um brincalhão. Foto: Marcos Corrêa/PR)

Por Pedro Breier, colunista do Cafezinho

Tem sido difícil evitar a schadenfreude – palavra alemã que designa o sentimento de alegria ou satisfação perante o infortúnio de alguém – nos últimos dias.

Não há como não sentir uma certa dose de satisfação ao assistir os conjuradores do golpe serem engolidos pelo monstro de duas cabeças formado por Globo e Lava Jato, o qual alimentaram tresloucadamente quando foi do seu interesse.

Claro que este sentimento é efêmero: o monstro está cada vez mais forte e é o grande empecilho ao Brasil livre, democrático e inclusivo com o qual sonhamos.

De todo modo, é engraçado.

Temer foi alçado à presidência graças à Globo.

Desde o início do seu governo transportou-se a uma espécie de realidade paralela, onde a economia dá sinais de melhora todo mês (apesar de todos os índices dizerem exatamente o contrário), onde os protestos e a maior greve geral das últimas décadas não significam grande coisa, onde sua popularidade praticamente inexistente é uma coisa boa porque ele pode aprovar as reformas antipovo, onde os jornalistas que o entrevistam parecem grandes camaradas botando a fofoca em dia.

Tudo isso porque a Globo, especialista na criação de realidades paralelas – no mundo encantando global a ditadura era uma maravilha; um enorme protesto pelas diretas virou aniversário de São Paulo; Collor foi melhor que Lula no debate de 89; Dilma era corrupta e Aécio o salvador da pátria; etc. – queria a aprovação das reformas de interesse do capital.

Agora que a situação de Temer ficou insustentável e a Globo passou a atacá-lo sem dó, como se não fossem sócios até ontem, Temer, vejam só, anda questionando até a concessão da emissora dos Marinho!

Segunda esta matéria do Poder360, Temer disse algo como “Quando o Brasil faz a concessão de 1 aeroporto, arrecada dinheiro. Quando vencem as concessões dos serviços de água, luz, esgoto, também se cobra pela renovação. Ganha quem oferece mais. Por que no caso das emissoras de rádio e TV essas renovações são de graça?”

Será que não é porque os políticos medíocres como o senhor (ex-)presidente comem na mão do império global, seja por medo, seja por afinidade de interesses? Pense nisso, Michel Miguel.

A luta contra o monopólio da Globo nas comunicações é, de fato, urgente e prioritária.

Até agradecemos o apoio, mas não queremos um traidor, golpista e gângster ao nosso lado nesta guerra.

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Temer se complica ainda mais em novo pronunciamento https://www.ocafezinho.com/2017/05/20/temer-se-complica-ainda-mais-em-novo-pronunciamento/ https://www.ocafezinho.com/2017/05/20/temer-se-complica-ainda-mais-em-novo-pronunciamento/#comments Sat, 20 May 2017 19:42:39 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=71974 63 Comentários 🔥]]> (Morto-vivo)

Por Pedro Breier, colunista do Cafezinho

Analisar a conjuntura política brasileira – com a qual “tá difícil competir”, segundo o perfil oficial de House of Cards no twitter – é fazer mais ou menos como John Nash (Russell Crowe) em Uma Mente Brilhante: buscar padrões e explicações lógicas no absoluto caos.

Mãos à obra.

Na última quinta-feira, dia 18, Mônica Bergamo divulgou em sua coluna que “um amigo que conversou com o presidente” relatou que Michel Temer falou para Joesley Batista manter seus pagamentos a Eduardo Cunha por “razões humanitárias”, pois a família de Cunha estaria passando dificuldades financeiras por estar com os bens bloqueados.

Essa conversa provavelmente foi vazada por orientação do próprio Temer e não foi desmentida.

No seu depoimento de hoje Temer simplesmente mudou a versão.

Disse que a frase “tem que manter isso, viu” foi falada após Joesley dizer que está de bem com Cunha e, portanto, se referiria a este fato.

Leiam a transcrição do trecho:

JOESLEY BATISTA: Dentro do possível, eu fiz o máximo que deu ali, zerei tudo, o que tinha de alguma pendência daqui para ali, zerou tudo. E ele foi firme em cima e já estava lá, veio, cobrou, tal, tal, tal. Pronto. Acelerei o passo e tirei da fila. O único companheiro dele que está aqui, porque o Geddel sempre estava [inaudível] Geddel é que andava sempre ali, mas o Geddel eu perdi o contato, porque ele virou investigado e eu não posso também …
MICHEL TEMER: É complicado
JOESLEY BATISTA: … não posso encontrar ele.
MICHEL TEMER: [inaudível]
JOESLEY BATISTA:: O negócio dos vazamentos, [inaudível], o telefone do Eduardo com o Geddel. Volta e meia citava alguma coisa meio tangenciando a nós, a não sei o que. Eu tô lá me defendendo. Como é que eu dei mais ou menos dei conta de fazer até agora: eu estou de bem com o Eduardo
MICHEL TEMER: Tem que manter isso, viu.

A versão de Temer não se sustenta.

Primeiro porque segundos antes Joesley fala que Cunha cobrou e foi “tirado da fila”, ou seja, foi pago para ficar quieto.

Segundo porque o presidente insepulto não desmentiu a informação de que havia falado em manter uma “ajuda humanitária” para Cunha.

Essa desculpa esfarrapadíssima foi vazada para a Folha antes da divulgação do áudio pelo STF. Temer ouviu a gravação e de repente se lembrou de que não falou mais em ajuda nenhuma a Cunha?

A cada pronunciamento Michel Temer torna sua situação ainda mais insustentável.

O (ex-) presidente chamou o sócio da JBS de falastrão por dizer que tinha comprado juízes e um procurador. Disse que “não acreditou”.

Que presidente da República é esse que ouve de um empresário que este comprou funcionários públicos, reage naturalmente e não toma nenhuma providência porque “não acreditou”? No mínimo cúmplice de um gângster.

Temer alegou também que uma perícia concluiu que o áudio foi editado. Segundo o Estadão, entretanto, um técnico que analisou o material afirmou que não houve fragmentações no trecho em que Eduardo Cunha é citado.

O momento comédia do pronunciamento foi a indignação de Temer por lhe atribuírem “palavras chulas” que ele “jamais pronunciaria”.

“Atentaram contra o meu vocabulário!”, bradou o capitão mesóclise. Bizarro.

A fala de Temer demonstra que o presidente sem votos vai tentar adiar o inevitável de todas as maneiras.

Uma empreitada fadada ao fracasso.

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Temergate: a mídia é (muito) culpada https://www.ocafezinho.com/2017/05/18/temergate-midia-e-muito-culpada/ https://www.ocafezinho.com/2017/05/18/temergate-midia-e-muito-culpada/#comments Thu, 18 May 2017 16:50:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=71881 25 Comentários 🔥]]> Foto: Estadão

Por Tadeu Porto, editor sênior do Cafezinho

Quem acompanha a política brasileira nos últimos anos, certamente não ficou surpreso com os fatos revelados sobre o Governo Temer – quem não sabia do esquema do Aécio? – mas se surpreendeu com o fato da mídia os ter divulgado.

Afinal, não é difícil imaginar que o presidente do PSDB e o ex-presidente do PMDB fossem capazes de fazer o que e aparentemente fizeram, por diversos fatores:

1) Temer é Cunha e Cunha é Temer, e o ex-presidente da câmara agiu como um verdadeiro mafioso em seu processo de cassação (Fausto Pinato que o diga); 2) Eduardo chantegeou abertamente Michel em perguntas que Sérgio Moro barrou (só chatagea nesse nível quem tem algum trunfo); 3) Aécio tinha relações altamente duvidosas com sua primo “tesoureiro” (como bem recordou Brito mais cedo); 4) Neves foi capaz, não só de perseguir jornalistas mineiros para se blindar, mas também perseguir e torturar Marcos Carone para não atrapalhar suas pretenções eleitorais. Por fim, claro, ambos encabeçaram um Golpe cujo objetivo era “estancar sangria” da Lava-Jato e inventar pedaladas para tomar o poder de uma presidenta democraticamente eleita.

É de se estranhar, portanto, que mesmo com tanta evidência indireta Michel e Aécio detinham tanto poder (a ponto de comandar reformas estruturais mesmo com baixa popularidade), e precisou de provas tão objetivas para escancarar o que já era facilmente abstraído.

Tal fenômeno só teve respaldo por um ponto: a mídia sempre esteve ao lado do governo Temer. Assim, considerá-la como cúmplice das ações ilícitas do alto escalão da base aliada não é nada mais do que justo.

Imaginem só um político que construiu um aeroporto de uso particular, com dinheiro público, na fazenda da família e cuja chave fica em posse de um tio. Pensem, agora, num helicóptero em nome de outro político pego com meia tonelada de pasta base de cocaína. Considerem, também, um presidnete que conduz um achaque a luz do dia para aprovar reformas altamente impopulares, com perdões de dívidas e consessões totalmente fora da realidade fiscal do país.

Sabemos bem que todos esses fatos, gravíssimos, não foram sequer investigados, quiçá esmiuçados, como pedalinhos, um sítio ralé e um triplex. E nessas horas, onde atitudes controversas tiveram total liberdade para acontecer sem as devidas explicações, não há outro sentimento a não ser a dúvida sobre o papel da mídia tradicional em todo essa sujeira que, agora, objetivamente foi colocada as claras.

Talvez a risada de Catanhêde com Temer, ilustrada acima, ajude a resolver esse questionamento: algo do tipo “Tamo junto, presidente!”.

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O papel da Globo e da Lava Jato na ascensão dos bandidos ao poder https://www.ocafezinho.com/2017/05/18/o-papel-da-globo-e-da-lava-jato-na-ascensao-dos-bandidos-ao-poder/ https://www.ocafezinho.com/2017/05/18/o-papel-da-globo-e-da-lava-jato-na-ascensao-dos-bandidos-ao-poder/#comments Thu, 18 May 2017 15:03:31 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=71852 21 Comentários 🔥]]> É surreal.

A Lava Jato alimentou a Globo e demais integrantes da máfia midiática brasileira desde 2014 com vazamentos criminosos contra o PT. Estes vazamentos eram milimetricamente calculados para virarem manchetes sempre no momento político mais adequado para os interesses dos que queriam derrubar o governo eleito democraticamente.

A Globo e a Lava Jato são, inegavelmente, as responsáveis por colocar no poder o PMDB e o PSDB, liderados por seus bandidos-mor, Michel Temer e Aécio Neves.

A Globo blindou Aécio e Temer até exatamente ontem. Premiada com mais um vazamento privilegiado, oriundo de sua relação espúria com integrantes da Lava Jato, deu o furo sobre os seus crimes para tentar manter o controle da narrativa.

É óbvio que a Globo não queria isto. Temer, repito, foi blindado desde o momento em que assumiu a presidência. Apoiado entusiasticamente nos seus projetos de desmonte do Estado e ataque aos direitos da população.

Mas quando surgem provas como essas, não há o que fazer. A única opção possível para a Globo é jogar os bandidos ao mar e fingir que não tem nada a ver com isso.

Temer foi protegido também por Sérgio Moro, que impediu Cunha de fazer perguntas comprometedoras ao (ex-)presidente.

Entretanto, e aqui está a surrealidade a qual me refiro na primeira linha deste post, muitos coxinhas continuam comprando a narrativa da Globo de que a Lava Jato é a salvadora da pátria. Justamente as duas responsáveis pela ascensão dos maiores criminosos ao poder!

Michel Temer foi gravado pedindo para um cidadão manter a mesada de Cunha, o bandido já preso que foi essencial para o golpe, para que este permaneça em silêncio.

Aécio “Underwood” Neves é simplesmente um gângster. Foi gravado falando em matar receptor de dinheiro antes que este possa fazer uma delação.

Pois a dobradinha Lava Jato/Globo trabalhou arduamente, durante o processo eleitoral de 2014 e depois o de impeachment, para colocar no poder estes honoráveis cidadãos.

As pessoas votaram em Aécio para acabar com a corrupção, vejam só que coisa linda.

Já contra Lula e Dilma (a presidenta eleita democraticamente, não esqueçamos) não há absolutamente nada a não ser histórias mirabolantes – desacompanhadas de qualquer prova – de delatores torturados com prisões preventivas eternas. Contra Lula tentam usar como prova um apartamento no Guarujá, sem qualquer documento assinado e no qual o ex-presidente não dormiu uma noite. É patético.

Colocar Dilma e Lula no mesmo saco de bandidos que parecem saídos de um filme da máfia é ou inocência ou cegueira ideológica das bravas. Há coxas que não cansam de ser enganados.

O tweet postado no perfil oficial da série House of Cards se aplica perfeitamente aos crimes dos que eram protegidos da Globo até ontem, Michel Temer e Aécio Neves: “tá difícil competir”.

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A realidade paralela dos apoiadores da reforma da Previdência https://www.ocafezinho.com/2017/04/26/realidade-paralela-dos-apoiadores-da-reforma-da-previdencia/ https://www.ocafezinho.com/2017/04/26/realidade-paralela-dos-apoiadores-da-reforma-da-previdencia/#comments Wed, 26 Apr 2017 13:42:59 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=70479 46 Comentários 🔥]]> (Sem noção)

Por Pedro Breier, colunista do Cafezinho

“Hoje não é nada demais alguém trabalhar até os 65 anos”.

Esta frase foi proferida ontem pelo relator da reforma da Previdência, Arthur Maia (PPS-BA).

Ela é simbólica. Demonstra que o deputado e seus colegas que ainda apoiam a proposta estão completamente descolados da realidade.

Para quem trabalha com serviço pesado, como na construção civil, por exemplo, se aposentar aos 65 anos significa, na verdade, não se aposentar.

Para todos os trabalhadores significa menos anos para curtir a velhice, os netos, algum lazer. A vida, enfim. A vida das pessoas não é “nada demais” para esses senhores.

Os políticos, porém, dependem do voto para se elegerem. Se permanecerem completamente alheios à realidade e aos anseios da população passam a correr riscos – que o digam os presidenciáveis tucanos, em queda livre nas pesquisas de intenção de voto.

A direção nacional do PSB se deu conta disso e fechou questão contra a reforma da Previdência (e também a trabalhista). Não se trata de uma decisão ideológica, obviamente, uma vez que o partido apoiou Aécio Neves em 2014 e vinha votando com o Planalto no Congresso. O vice-presidente da legenda, Beto Albuquerque, deixou isso claro ao afirmar que as propostas do governo “são devastadoras para partidos que querem ter candidatos a presidente em 2018”.

Paulinho da Força também ameaça com a saída do seu partido, o Solidariedade, da base do governo, caso não seja alterada a reforma trabalhista.

Líderes governistas já pressionam Rodrigo Maia e o governo Temer para que a votação seja adiada mais uma vez. Cada adiamento joga a votação para mais perto da eleição de 2018, o que dificulta ainda mais a aprovação.

O Fernando Brito, do Tijolaço, definiu bem a situação: ficar ao lado das reformas draconianas de Temer é jogar uma espécie de Baleia Azul eleitoral e cometer suicídio político.

Para completar o quadro nada animador para o governo federal, a previsão é de que a greve geral da próxima sexta-feira seja maciça e coloque ainda mais pressão em cima dos deputados indecisos.

Metroviários, bancários, metalúrgicos, petroleiros, professores (até da rede particular!) já aderiram. Hoje e amanhã diversas categorias fazem suas assembleias para decidir sobre a adesão.

É grande a possibilidade de que pilotos de avião e comissários de bordo participem também. Um saudável caos nos aeroportos seria a cereja do bolo da greve.

A realidade é avassaladora. Quando acontece o despertar coletivo, não adianta fingir que nada está acontecendo.

João Doria, por exemplo, demonstra um descolamento da realidade ainda maior do que o do relator da reforma.

O cada vez mais provável candidato da direita em 2018 disse, na última segunda-feira, “não ter dúvidas” de que a maioria da população brasileira apoia as reformas da Previdência e trabalhista (todas as pesquisas apontam exatamente o contrário). Falou que quem é contra “pensa pequeno” e fez uma patética convocação: “O povo brasileiro tem coragem. O povo que foi às ruas para pedir o impeachment, que foi às ruas levantando bandeira verde e amarela, tem que ter a coragem agora de ir para as ruas defender as reformas”.

Doria parece pensar que o mundo é feito apenas de empresários – filiados ao Lide – e de coxinhas sem noção.

Não é.

E as perspectivas eleitorais não são nada boas para quem insistir em continuar na sua realidade paralela.

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Há algo diferente no ar https://www.ocafezinho.com/2017/03/16/ha-algo-diferente-no-ar/ https://www.ocafezinho.com/2017/03/16/ha-algo-diferente-no-ar/#comments Thu, 16 Mar 2017 13:27:17 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=68398 22 Comentários 🔥]]> (Criança nos braços da mãe na Av. Paulista, ontem. “Do jeito que tá vou ter que trabalhar já”. Foto: Selma Boaventura).

Por Pedro Breier, colunista do Cafezinho

15h de ontem, Av. Paulista. O número de pessoas na concentração para o ato contra a reforma da previdência começava a aumentar. Servidores do judiciário se instalaram na frente do prédio da Justiça Federal, próximo ao MASP, e fizeram uma agitação. Uma senhora pediu o microfone. E desabafou, a plenos pulmões:

– Eu sou cozinheira. Estou desempregada. Não podemos deixar passar o que esse cara quer fazer. FORA TEMER! FORA DEMÔNIO! FORA CAPETA! FORA SATANÁÁÁÁÁS!!!

Os que passavam por ali naquele momento vibraram com a inusitada sessão de descarrego proporcionada pela aguerrida cozinheira.

Michel Temer tem medo de fantasma, mas o povo está percebendo que na verdade o encosto a puxar o pé da população é, na verdade, o próprio presidente ilegítimo.

O volume dos atos de ontem, que aconteceram por todo o país, surpreendeu até os mais otimistas.

A Globo tentou esconder o tamanho dos atos, obviamente. A Av. Paulista estava completamente tomada e a repórter da GloboNews conseguiu dizer que de onde estava só conseguia ver 2 quarteirões ocupados pelos manifestantes.

2 quarteirões segundo a Globo News.

Em São Paulo pararam os trabalhadores dos ônibus, do metrô, dos correios, professores (que foram em peso ao ato), metalúrgicos e muitas outras categorias. Os metroviários e rodoviários ignoraram solenemente decisões da justiça proibindo a greve. O trânsito ficou um caos.

Nesses casos a estratégia da máfia midiática é sempre a mesma: entrevistar as pessoas e induzi-las a reclamar do caos provocado pelos grevistas. Desta vez, o tiro saiu pela culatra. Funcionários do metrô que explicavam às pessoas os motivos da greve foram aplaudidos pela população. O apoio à greve é amplo, geral e irrestrito.

A explicação para isso é simples. Pautas como a PEC que congelou o orçamento por 20 anos ou a nomeação do plagiador Alexandre de Moraes para o STF não comovem a população, pois são muito distantes e, de certa forma, mais técnicas.

Já a reforma da previdência draconiana proposta pelo governo é demasiadamente direta para não ser compreendida perfeitamente por todos. O presidente que não foi eleito por ninguém quer que trabalhemos até morrer – ou quase.

A população está acordando de seu torpor induzido por doses cavalares – aplicadas incessantemente pela mídia corporativa – de manipulações, mentiras e propaganda política disfarçada de noticiário.

A manifestação de Temer após os protestos de ontem foi, para variar, patética. “A sociedade brasileira, pouco a pouco, vai entendendo que é preciso dar apoio a este caminho para colocar o país nos trilhos”. Uma ova. Está todo mundo, com o perdão da palavra, puto.

O governo corre contra o calendário pois sabe que, quanto mais próximos das eleições de 2018 estivermos, mais difícil será convencer os parlamentares a votarem a favor de uma proposta extremamente impopular. O volume das manifestações contra a reforma colocou mais pressão sobre os nobres deputados.

A chance da reforma ser barrada ou ao menos modificada consideravelmente é real. A aprovação deste absurdo não vai ser um passeio no parque.

Cai bem para o momento um dos cantos tradicionais das manifestações da esquerda:

Pisa ligeiro, pisa ligeiro
Quem não pode com a formiga não atiça o formigueiro

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