Miguel do Rosário - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/miguel-do-rosario/ Portal de noticias e análises sobre política brasileira, geopolítica, economia, tecnologia, sempre numa perspectiva democrática, progressista, anti-imperialista e multipolar! Tue, 31 Oct 2023 12:27:41 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://controle.ocafezinho.com/wp-content/uploads/2015/10/cropped-Logo_Cafezinho_tmb-32x32.png Miguel do Rosário - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/miguel-do-rosario/ 32 32 Lula quer “cobrar a fatura” do centrão https://www.ocafezinho.com/2023/10/31/lula-quer-cobrar-a-fatura-do-centrao/ https://www.ocafezinho.com/2023/10/31/lula-quer-cobrar-a-fatura-do-centrao/#respond Tue, 31 Oct 2023 12:27:39 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=167897

Para fortalecer a coordenação política do governo, o presidente Lula agendou uma reunião nesta terça-feira com líderes da base aliada na Câmara dos Deputados. O foco é avançar na aprovação de pautas econômicas até o final do ano.

O encontro ocorre após uma mudança na relação com o centrão, demonstrada pela troca na liderança da Caixa Econômica Federal. Na semana passada, Lula substituiu Rita Serrano por Carlos Antônio Vieira Fernandes, aliado do presidente da Câmara, Arthur Lira. Lira não tem presença confirmada na reunião.

Esta é a primeira vez que Lula se encontra com líderes da Câmara depois da inclusão de membros dos partidos PP e Republicanos no governo. Os ministérios do Esporte e de Portos e Aeroportos agora são chefiados, respectivamente, por André Fufuca e Silvio Costa Filho.

Durante uma conversa recente com jornalistas, Lula admitiu parcialmente a culpa pela rejeição de seu indicado para a Defensoria Pública da União, Igor Roque, no Senado. Ele atribuiu o fracasso à falta de empenho para garantir aprovação.

Além de focar em propostas econômicas, assessores de Lula afirmam que o Senado também terá que avaliar futuras indicações do governo, incluindo uma para o STF.

Fontes próximas ao presidente indicam que ele não vai pressionar os líderes explicitamente por apoio. No entanto, Lula deve apresentar a “fatura”, destacando o esforço do governo em valorizar os partidos da base aliada e a necessidade de apoio em votações importantes.

Durante a reunião desta terça-feira, questões legislativas urgentes serão expostas por Lula e seus ministros. Além dos líderes da Câmara, presidentes de partidos aliados também foram convidados para o encontro. Uma reunião com líderes do Senado está programada para a próxima semana.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, estará presente na reunião, com o foco voltado para propostas relacionadas ao ICMS. Quando essa medida foi inicialmente apresentada, a estimativa era de uma arrecadação de R$ 35 bilhões a partir de 2024.

Confiança no ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, permanece, de acordo com pessoas próximas ao presidente. Mesmo assim, Lula quer estar diretamente envolvido nas negociações.

A reunião já estava agendada e não é uma resposta à recente rejeição no Senado, segundo fontes do Palácio do Planalto. Lula já havia expressado a intenção de ser ativo na articulação política anteriormente.

Para melhorar o diálogo com lideranças partidárias, Lula planeja intensificar reuniões com Rodrigo Pacheco, presidente do Senado, assim como já fez com Arthur Lira. Isso ocorre após sua recuperação de uma cirurgia no quadril e o encontro com lideranças em julho, após a aprovação da Reforma Tributária.

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Cafezinho entrevista, ao vivo, Nildo Ouriques https://www.ocafezinho.com/2018/01/30/cafezinho-entrevista-ao-vivo-nildo-ouriques/ https://www.ocafezinho.com/2018/01/30/cafezinho-entrevista-ao-vivo-nildo-ouriques/#comments Tue, 30 Jan 2018 13:42:28 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=83071 3 Comentários 🔥]]> O Cafezinho no Almoço, nosso bate papo ao vivo diário, de segunda a sexta, interrompe o recesso que o editor se autoimpôs até abril, e volta hoje, excepcionalmente, para entrevistar Nildo Ouriques, professor de economia na UFSC e pré-candidato do PSOL à presidência da república.

Você pode assistir ao vídeo no player abaixo. Se quiser participar do bate papo, você tem de assistir diretamente em nossa página no youtube, clicando aqui.

Registro do batepapo.

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Agência de “ghost checking” denuncia falta de notícias sobre socialismo https://www.ocafezinho.com/2018/01/15/agencia-de-ghost-checking-denuncia-falta-de-noticias-sobre-socialismo-no-mundo-desenvolvido/ https://www.ocafezinho.com/2018/01/15/agencia-de-ghost-checking-denuncia-falta-de-noticias-sobre-socialismo-no-mundo-desenvolvido/#comments Mon, 15 Jan 2018 16:58:41 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=82711 18 Comentários 🔥]]> Inauguramos hoje a nossa “Agência de Ghost Checking”!

Seu objetivo será identificar as principais “ghost news”, notícias fantasmas, a vagar por lugares escuros e que, às vezes, irrompem bruscamente na realidade, aterrorizando os incautos!

Uma das “ghost news” mais populares da grande mídia brasileira são notícias sobre realidades ou ideologias progressistas no mundo desenvolvido.

Ninguém no Brasil pode saber, por exemplo, que as tvs públicas sempre foram (e são até hoje) âncoras fundamentais do processo democrático em todas as nações industrializadas, incluindo nos Estados Unidos.

Ninguém no Brasil pode saber que, na Alemanha, os direitos de transmissão de campeonatos esportivos internacionais são sempre adquiridos pela ARD, a tv pública do país.

Entretanto, nenhuma ghost news é mais temida pela imprensa brasileira do que sondagens políticas que revelam tendências progressistas nas sociedades desenvolvidas.

Eu acho importante, então, a gente trazer à tôna esses números, até para combater um pessimismo exagerado que tomou conta de alguns analistas progressistas.

Vamos começar pelas pesquisas mais recentes. Em junho de 2017, o líder do Partido Trabalhista inglês (Labour Party), Jeremy Corbyn, não se torna primeiro-ministro do Reino Unido por um triz. O Labour Party recebeu uma votação surpreendente, ancorada essencialmente no voto da juventude, segundo o Yougov.

Entretanto, esses números não foram exatamente uma surpresa. Um ano antes, a mesma Yougov fez uma pesquisa para apurar a visão que americanos, ingleses e alemães tinham do socialismo.

A maioria dos alemães e ingleses tinham uma visão favorável, ao contrário do que sentiam sobre o capitalismo. Entre os americanos, apesar da visão desfavorável da maioria, notava-se uma divisão profunda entre as gerações.

 

 

Entre jovens americanos, os pesquisadores detectaram uma postura favorável bastante firme em relação ao socialismo, compatível ao nível encontrado na Inglaterra. Entre os jovens americanos até 30 anos, 43% tinham uma visão favorável ao socialismo, 17 pontos (saldo positivo líquido) acima dos 26% que responderam ter visão desfavorável.  Na comparação com a pesquisa anterior, feita em maio de 2015, houve um incremento substantivo do número de jovens que se declararam favoráveis ao socialismo. Naquela ocasião, o saldo positivo líquido do socialismo, entre jovens, havia sido de apenas 5 pontos.

 

 

 

A força do socialismo norte-americano já tinha se mostrado nas primárias do partido democrata, em 2016, quando o senador Bernie Sanders conquistou uma maioria esmagadora dos jovens eleitores. Uma matéria publicada no Washington Post em abril de 2016 informava que o senador, autodeclarado adepto do “socialismo democrático”, havia obtido, nas primárias daquele ano, mais votos da juventude do que os votos somados de Trump e Hillary!

Passada as eleições presidenciais norte-americanas, com a vitória de Trump, o prestígio de Bernie Sanders continua crescendo. As primeiras pesquisas de intenção de voto para 2020 já o colocam bem a frente de Trump, especialmente entre jovens, mulheres, liberais, negros, mais pobres e mais escolarizados (sic). Sim, o eleitorado de Trump é majoritariamente o cidadão branco, homem, classe média, com pouca escolaridade e vivendo na área rural.

Por exemplo, entre afro-americanos, Bernie Sanders tem 63% X 10% Trump.

Segundo uma outra pesquisa, o senador Bernie Sanders é, de longe, o político mais popular dos Estados Unidos, com 54% de aprovação positiva.

 

[A tabela acima foi corrigida às 16:52 de hoje, 15/01/27. O original está aqui.]

 

Para compreender as ideologias que dividem os cidadãos daquele país em liberais e conservadores, é preciso entender que, no glossário político norte-americano, o termo liberal é muito próximo do que entendemos aqui por “esquerda”, ao passo que “conservative”, ou conservador, é o que entendemos por direita.

O típico liberal americano, ao mesmo tempo em que apoia as minorias (imigrantes, negros, hispânicos, feministas), tem uma posição muito firme sobre a importância do Estado nas políticas de distribuição de renda e apoia a universalização pública e gratuita da saúde e da educação.

Segundo uma pesquisa do Pew, por exemplo, 85% dos americanos que se declaram “sólidos liberais” defendem políticas de assistência governamental aos mais pobres, mesmo que isso implique em endividamento público. Nada mais diferente do que os falsos “liberais” brasileiros, que na verdade não tem nada de liberais: são apenas conservadores!

Os mesmos eleitores que se declaram “liberais” são os que respondem favoravelmente a perguntas sobre o socialismo.

E isso não é de hoje.

Já em 2011, uma pesquisa do Pew Research Center mostrava que a maioria (49%) dos jovens norte-americanos tinham uma visão positiva do socialismo.

Repare que entre “liberais democratas”, ou seja, liberais do Partido Democrata, 59% responderam que tinham uma visão positiva do socialismo, contra 33% com visão negativa. Entre os negros, 55% afirmavam, em 2011, que eram favoráveis ao socialismo, o que reflete uma antiga aliança, nos Estados Unidos, entre os movimentos negros e os movimentos de esquerda.

Voltando ao Reino Unido, fizemos um quadro, baseado nos números do Yougov, de fevereiro de 2016, que  mostra com bastante clareza a força do socialismo no país.

No geral, há mais britânicos que se dizem socialistas (19%) do que capitalistas (16%). A maioria (48%), porém, prefere se afastar de ambos os rótulos.

Entre eleitores do Labour Party, 42% se declaram socialistas, contra apenas 4% que se dizem capitalistas, além de 36% que preferem nenhum rótulo.

Curiosamente, o saldo socialista entre mulheres é superior ao dos homens. Apesar de menos mulheres (16%) se declararem socialistas do que homens (22%), um número ainda menor dentre elas (apenas 10%)se declara capitalista, de maneira que o saldo vai para 6 pontos.

Na divisão por idade, o socialismo ganha em quase todas as faixas, com exceção daqueles com mais de 65 anos, onde se nota “empate técnico” (capitalistas 19 X 17 socialistas).

É interessante notar ainda que a Escócia é o principal bastião socialista britânico. Nessa região do país, 26% se declaram socialistas, contra apenas 8% que se dizem capitalistas.

 

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Sergio Moro, Lava Jato e Globo: o Mal que bate a nossa porta https://www.ocafezinho.com/2017/12/26/sergio-moro-lava-jato-e-globo-o-mal-que-bate-nossa-porta/ https://www.ocafezinho.com/2017/12/26/sergio-moro-lava-jato-e-globo-o-mal-que-bate-nossa-porta/#comments Tue, 26 Dec 2017 15:07:13 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=82504 79 Comentários 🔥]]> Dia 25 de dezembro de 2017. Dia de Natal.

Enquanto em todo mundo cristão se fazem homenagens ao nascimento de Jesus, o primeiro profeta de Israel que não apelava ao punitivismo, que orientava seus seguidores a lutarem exclusivamente com as armas do bom senso e da persuasão. Que pregava o amor ao próximo, mesmo que este fosse um “inimigo” ou um “criminoso”. Que não ousava ferir sequer os animais e, com isso, pôs fim aos sacrifícios que haviam marcado a religião antiga por milhares de anos. Que andava ao lado de ladrões e prostitutas, tratando-os como seus irmãos e irmãs. Que era um profeta diferente de todos os que o antecederam, porque não insultava, não agredia, não desejava o mal a nenhum povo e a ninguém. Que era, em suma, um profeta do perdão, não do castigo.

Enquanto o mundo inteiro celebra o nascimento, não apenas de um profeta, mais de uma nova filosofia, baseada não mais no ódio e na vingança, mas na fraternidade e no amor.

Enquanto isso se dá, o jornal O Globo, no dia 25 de dezembro, estampa uma manchete com o nome de Sergio Moro, ao lado de mensagem em que o juiz pede mais ódio, mais vingança, mais intervenção estatal, e menos garantias legais, menos perdão, menos liberdade.

(Eu não consegui recuperar a capa do jornal O Globo do dia 25, versão impressa ou PDF, porque não sou mais assinante do jornal, mas algum internauta poderá fazê-lo, e publicar o link aqui. Se não foi do dia 25, foi na véspera…)

(Moro foi eleito “personagem do ano” pelo grupo de empresas mafiosas de mídia, todas nascidas ou consolidadas durante os terríveis e assassinos regimes de exceção que marcaram o continente nas últimas décadas).

No mesmo dia, ou no dia anterior, alguns procuradores da Lava Jato, cúmplices do juiz Sergio Moro, sem noção qualquer do que representa a revolução de Cristo, apesar de posarem como religiosos, vomitam mensagens cheias de incontrolável ódio contra uma dessas raríssimas iniciativas do Estado em favor da liberdade: o indulto de Natal.

Deltan Dallagnol e Carlos Fernando Santos Lima, procuradores chefes da Lava Jato, passaram os últimos dias praticando todo o tipo de ofensa imaginável contra o presidente da república, contra o STF, contra o legislativo, por causa do tradicional indulto natalino, quando o Executivo, através de uma prerrogativa que lhe foi concedida pela Constituição de 1988, perdoa cidadãos brasileiros (sim, ainda são cidadãos) que tiveram bom comportamento na prisão.

DD chegou ao ponto de acusar o presidente da república de oferecer indulto em “causa própria”, chamando, explicitamente, Michel Temer, de um bandido que perdoa outros bandidos para que ele mesmo seja perdoado quando for preso.

Alguns internautas, de esquerda ou direita, consideram que eles tem a liberdade de xingar o presidente nas redes sociais, porque o fazem como cidadãos, não como procuradores.

Outros, confundindo política com torcida, alegam que Dallagnol falou uma “verdade”.

Terrível engano!

Se Dallagnol fizesse um comentário sobre futebol, externasse uma opinião sobre ideologia, falasse genericamente o que pensa do governo, do impeachment, da mídia, tudo bem! Ele não fez isso! Dallagnol chefia uma das mais (perniciosas, autoritárias e antinacionais) abrangentes operações de investigação criminal que se tem notícia no país. Ele investiga também, sob vários aspectos, o presidente da república e, portanto, teria obrigação redobrada de não fazer prejulgamento, nem demonstrar que se deixa levar por ódio e paixões políticas.

Poderia até externar, tarado medieval que é, sua crítica ao indulto de natal, mas jamais transformar essa crítica num insulto tão pesado às instituições!

Um blogueiro, sim, pode insultar o quanto quiser as instituições!

Um blogueiro não ganha salários astronômicos do Estado e não pode, como um procurador, mandar prender, mandar matar, cassar mandatos, em nome da lei!

Um procurador é um funcionário do mais perigoso – e poderoso – órgão de repressão já visto em qualquer democracia do mundo.

O Ministério Público do Brasil não encontra paralelo em nenhum outro país democrático!

Um procurador dos EUA pode ser demitido a qualquer momento pelo presidente da república, pelo governador ou pela própria população.

Um procurador brasileiro é um mandarim com poder acima de tudo e todos.

O mínimo que se pede a um procurador, portanto, é que se dê ao respeito e não haja como uma blogueira teen revoltada!

Os brasileiros esquecem tudo, mas este blogueiro não. Há alguns meses, o ex-procurador geral da república, Rodrigo Janot, denunciou os ex-presidentes Lula e Dilma, e o Partido dos Trabalhadores, de formarem uma organização criminosa. A acusação, para variar, não trazia nenhuma prova. Era apenas uma maneira de oferecer, pela enésima vez, uma capa ao Globo.

Na verdade, Janot tentava, com isso, ganhar apoio da Globo contra denúncias que, ele sabe, surgirão contra ele mesmo: ele sim, Janot, foi membro de uma organização criminosa.

Janot liderou ações para destruir as mais importantes empresas brasileiras, chamando procuradores de vários países, Estados Unidos à frente, para lhes entregar informações sensíveis contra a Petrobrás, contra a Odebrecht, contra nossos projetos em energia nuclear, contra a Embraer.

Tentemos ser lúcidos! Não estamos aqui mais falando de “teorias de conspiração” e sim de “atos de conspiração” realizados à luz do dia, à frente de todos!

Janot, Sergio Moro e procuradores da Lava Jato viajaram diversas vezes para os Estados Unidos, e colaboraram diversas vezes com autoridades deste país, sem jamais sequer comunicar ao governo brasileiro, sem mediação da nossa diplomacia, sem explicações à sociedade brasileira!, fornecendo-lhes, a estes agentes do governo americano, informações sensíveis relativas aos negócios das mais importantes empresas brasileiras, como Petrobrás, Odebrecht, Eletrobrás, Eletronuclear!

Alguém pode conceber crimes mais terríveis do que eles cometeram? Será possível que a população, ou pelo menos suas franjas mais cultas e bem informadas, esteja tão idiotizada a ponto de ter perdido completamente o bom senso?

Até quando a Globo manterá a opinião pública nacional prisioneira de uma narrativa tão fantástica, onde se idolatra entreguistas e traidores da pior espécie?

Em seu último livro, A elite do atraso, Jesse Souza chama a Lava Jato de a mais odiosa farsa sofrida pela sociedade brasileira, e faz um apelo quase desesperado à razão: “os feitos de imbecis [pela Lava Jato e pela Globo] de todo o país: uni-vos! Recuperemos a nossa inteligência”.

Voltando a Sergio Moro e a Dallagnol, não tenho outro termo: são dois sociopatas.

O Brasil já possui a terceira população carcerária do mundo.

Os esforços democráticos devem se dar sempre no sentido do desencarceramento, ou seja, de tirar gente das prisões, e, sobretudo, de reduzir o poder do Estado (em especial dos juízes) de prender mais gente.

Temos que ampliar os direitos individuais e as garantias, e não aniquilar os que já temos!

Não há impunidade no país!

Há excesso de punição!

Se há políticos e empresários, e gente rica de maneira geral, que conseguem arrastar, por décadas, processos judiciais, isso não é porque há excesso de garantias no país, e sim porque o judiciário é classista e corrupto!

É só ver a diferença com que tucanos e petistas são tratados pelo judiciário!

O processo contra Lula bateu todos os recordes em termos de agilidade na tramitação! Se a nossa imprensa plutocrática – junto com seus prepostos corruptos no judiciário, cujo exemplo mais repugnante é o ministro Luis Roberto Barroso – não fosse tão cínica, ela teria de admitir, em nome de um mínimo de honestidade intelectual, que a celeridade do processo de Lula prejudica o direito deste, de seu partido e de todos os seus representantes, de se defenderem, e não o contrário!

Já os processos contra tucanos se estendem por tempo indefinido, até prescreverem, ou são engavetados, ou acabam todos, miraculosamente, em mãos do ministro Gilmar Mendes, o que beneficia politicamente o PSDB e seus representantes!

E se alguma coisa precisa mudar, não é certamente promovendo o arbítrio contra o PSDB, contra empresários e contra membros muito bem selecionados da classe política, e sim estendendo as garantias e direitos a toda população!

A nossa “elite do atraso”, cujo porta-voz é a Globo, é tão doentiamente vinculada ao retrocesso, à injustiça, ao arbítrio, que ela prefere que o Estado violente os direitos e garantias de membros da própria elite, numa espécie de sacrifício humano de alguns de seus pares, a permitir que o regime democrático e suas liberdades se consolide no país!

Que representantes da própria esquerda se submetam a esta narrativa cínica, e que permitam que um judiciário transformado, há tempos, em capataz da elite financeira, amplie o seu poder, é motivo para entendermos o poder avassalador, quase hipnótico, da comunicação e da demagogia penal.

A pior ditadura é aquela que submete o espírito, então lutemos para preservar nossas ideias e nossa liberdade espiritual!

Caros representantes da esquerda midiática e punitiva, fujam desta armadilha enquanto é tempo! Ao povo brasileiro não interessa prender alguns políticos e empresário às custas de produzir uma jurisprudência que irá, ao longo das próximas décadas, manter milhões de brasileiros encarcerados em condições desumanas!

Lutem contra a prisão em segunda instância!

Lutem contra Sergio Moro!

Lutem contra Marcelo Bretas!

Lutem contra Dallagnol!

Lutem em favor de mais garantias, mais direitos e mais liberdade!

A impunidade e a corrupção se combatem com justiça, democracia, distribuição de renda, não com arbítrio, não com violência, não com mais… injustiça!

***

Aproveito a ocasião para me retratar, enquanto editor do Cafezinho, em favor de um amigo dileto deste blog, o jornalista Luis Nassif. Um colaborador nosso, que também já perdoei por suas palavras, manifestou-se, por um exagero retórico, de maneira injusta em relação a Nassif. Tudo por causa de um choque de narrativas relativas a Eduardo Cunha. Cunha, de fato, é tratado com uma estranha deferência pela mídia e pelo sistema de justiça. Ele é tratado pela mídia como todos os presos deveriam ser tratados, com dignidade. Enquanto Sergio Moro permitiu que presos em Curitiba se tornassem como que animais de zoológico, e fossem observados por atores e produtores do filme da Lava Jato (o que prova que a lei NÃO é para todos), enquanto Sergio Cabral, Rosinha Garotinho, Marcelo Odebrecht são expostos à execração pública, Eduardo Cunha é protegido, a ponto de alguns levantarem até mesmo suspeitas se estaria realmente preso. Entretanto, isso é outra história. Nós, internautas que compõem, a meu ver, o núcleo duro e em expansão de resistência democrática, devemos cuidar para nos mantermos unidos, fraternais e solidários uns com os outros. Peço, então, desculpas a Nassif pelas palavras de nosso colaborador e reitero o respeito e admiração que tenho por seu trabalho.

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Ao vivo! O presidente do AFBNDES fala ao Cafezinho sobre os desafios da instituição https://www.ocafezinho.com/2017/12/04/ao-vivo-o-presidente-do-afbndes-fala-ao-cafezinho-sobre-os-desafios-da-instituicao/ https://www.ocafezinho.com/2017/12/04/ao-vivo-o-presidente-do-afbndes-fala-ao-cafezinho-sobre-os-desafios-da-instituicao/#comments Mon, 04 Dec 2017 13:57:18 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=81751 1 Comentário 🔥]]> (Da esquerda para direita: Hélio Pires da Silveira, ex-vice-presidente e diretor institucional da AFBNDES, Arthur Koblitz e Thiago Mitidieri, vice-presidente e presidente da AFBNDES. Foto: Paulo Rodrigues)

O Cafezinho no Almoço entrevista o presidente da Associação de Funcionários do BNDES (AFBNDES), Thiago Mitidieri, e o vice-presidente da instituição, Arthur Koblitz, para falar sobre os desafios do principal banco público de investimentos da América Latina, num cenário político tão adverso.

Para assistir ao vídeo e participar do bate papo ao vivo, você tem de ir direto ao Youtube do Cafezinho, clicando aqui.

Mas você pode assistir também através do player abaixo, clicando no meio da tela.

Bate papo no Youtube no dia 4 de dezembro de 2017.

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Cafezinho no Almoço recebe Fabio Kerche para falar da responsabilidade do MP na crise política https://www.ocafezinho.com/2017/11/20/cafezinho-no-almoco-recebe-fabio-kerche-para-falar-da-responsabilidade-do-mp-na-crise-politica/ https://www.ocafezinho.com/2017/11/20/cafezinho-no-almoco-recebe-fabio-kerche-para-falar-da-responsabilidade-do-mp-na-crise-politica/#comments Mon, 20 Nov 2017 13:53:38 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=81421 291 Comentários 🔥]]> Nosso programa diário recebe hoje o cientista político Fabio Kerche, especialista em Ministério Público, para discutir a responsabilidade da instituição na crise política nacional.

O programa começa 12:00 e dura cerca de 40 minutos.

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Pesquisa Ibope confirma que impeachment foi golpe https://www.ocafezinho.com/2017/11/15/pesquisa-ibope-confirma-que-impeachment-foi-golpe/ https://www.ocafezinho.com/2017/11/15/pesquisa-ibope-confirma-que-impeachment-foi-golpe/#comments Wed, 15 Nov 2017 13:50:17 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=81256 24 Comentários 🔥]]>

Clique nas imagens para ampliar.

Um relatório com 165 páginas de uma pesquisa Ibope, feita há poucos dias e divulgada hoje, comprova que o impeachment foi mesmo um golpe.

Uma das perguntas é sobre a posição do entrevistado sobre o impeachment: você foi a favor ou contra?

50% responderam que foram a favor, outros 50% disseram que foram contra, que não sabem ou não responderam.

Ou seja, o impeachment jamais foi um desejo hegemônico da sociedade brasileira.

No Nordeste, por exemplo, 58% responderam que foram contra o impeachment, contra apenas 35% a favor.

No geral, 42% dos entrevistados afirmaram categoricamente que sempre foram contra o impeachment.

Entre a população mais pobre, que ganha até 1 salário, a maioria também respondeu que foi contra o impeachment.

É interessante notar que a manipulação midiática em favor do impeachment convenceu sobretudo a população mais jovem, com menos de 34 anos. A partir dos 35 anos, a opinião dos brasileiros seguiu dividida.

Por outro lado, é possível que nesta conta aí tenhamos muitos ex-coxinhas, que apoiaram o impeachment na época e que hoje, diante das consequências desastrosas do golpe, dizem que não o apoiaram.

A pesquisa mostra que os brasileiros não estão mais sendo enganados tão facilmente pela Globo. 64% dos entrevistados discordaram “totalmente” da frase “o pior da crise econômica já passou”.  A maioria esmagadora também considera que inflação, juros e desemprego aumentaram.

 

A maioria dos brasileiros acha que o governo deve intervir na economia, para debelar a crise, reduzir a distância entre ricos e pobres e ajudar a reduzir a pobreza. A maioria da população também rejeita o neoliberalismo, com suas teses de Estado Mínimo.

Somando-se esses dados àqueles – também presentes na pesquisa – que mostram a profunda desconfiança da população em relação aos políticos, a gente vê como essas “reformas” de Temer representam um sequestro da vontade popular.

E aqui, na tabela abaixo, a gente vê que a população já entende que o impeachment representou um golpe contra os seus próprios interesses. Perguntados se o impeachment significou melhora ou piora em relação ao governo Dilma, apenas 6% responderam que foi uma “melhora”, contra 52% que afirmaram que foi uma “piora”.

 

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Cafezinho no Almoço começa agora. Assista aqui! https://www.ocafezinho.com/2017/11/13/cafezinho-no-almoco-comeca-agora-assista-aqui/ https://www.ocafezinho.com/2017/11/13/cafezinho-no-almoco-comeca-agora-assista-aqui/#comments Mon, 13 Nov 2017 14:06:03 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=81211 203 Comentários 🔥]]> Nosso bate papo ao vivo com os internautas começa hoje 12:30! Hoje recebemos o ex-ministro de Igualdade Racial, Edson Santos. Assista e interaja!

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Cafezinho no Almoço conversa hoje com o vereador Reimont (PT-RJ) https://www.ocafezinho.com/2017/11/10/cafezinho-no-almoco-conversa-hoje-com-o-vereador-reimont-pt-rj/ https://www.ocafezinho.com/2017/11/10/cafezinho-no-almoco-conversa-hoje-com-o-vereador-reimont-pt-rj/#comments Fri, 10 Nov 2017 14:09:37 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=81137 175 Comentários 🔥]]> (Foto: Inverta)

A entrevista começa em alguns minutos.

Foto apresentada no programa, de moradora de rua assassinada covardemente em Copacabana. Abaixo da foto, reproduzo texto do vereador Reimont, explicando melhor o crime e a vítima.

***

Nosso mandato tomou conhecimento na noite de ontem, através do movimento social em defesa da população em situação, sobre o assassinato de uma moradora de rua, conhecida como “Fernanda” (sua identidade completa ainda está obscura, mas divulgaremos aqui no post em breve), em Copacabana.

Nos últimos meses, temos recebido notícias de diversas manifestações violentas e preconceituosas contra cidadãos em situação de rua, notadamente nos bairros da zona sul. Tais casos foram objetos de repúdio e denúncia pública do nosso mandato na tribuna da Câmara Municipal do Rio de Janeiro.

Como Presidente da Comissão Especial para a População em Situação de Rua da Câmara dos Vereadores, enviei os seguintes ofícios:

– Ao Instituto Médico Legal (Exmo. Sr. Diretor Reginaldo Franklin Pereira) solicitando a garantia de que o corpo de “Jaqueline” receba um tratamento digno e seja liberado para sepultamento através de reivindicação de nossa comissão, uma vez que, por sua condição, não será um processo simples e rápido a identificação de seus familiares. Solicito também o laudo que será emitido a partir da autópsia e que servirá para a realização dos processos investigativos.

– À Delegacia de Homicídios da Capital (Exmo. Sr. Dr. Delegado Fabio Cardoso Junior), solicitando a garantia de que os processos investigativos sejam feitos de forma mais acurada possível. Somente a apuração e a consequente penalização dos criminosos garantirão que novos casos como esse não se repitam em nossa cidade e é nosso dever zelar pelo direito à vida e à dignidade humana de toda população, especialmente daqueles que se encontram em extrema vulnerabilidade.

O movimento social em defesa dos direitos da população em situação de rua não permitirá que o assassinato da “Fernanda” fique impune.

#reimont

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Leonel Brizola Neto defende unidade política em defesa da soberania https://www.ocafezinho.com/2017/11/09/leonel-brizola-neto-defende-unidade-politica-em-defesa-da-soberania/ https://www.ocafezinho.com/2017/11/09/leonel-brizola-neto-defende-unidade-politica-em-defesa-da-soberania/#comments Thu, 09 Nov 2017 17:48:51 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=81109 11 Comentários 🔥]]> O Cafezinho no Almoço de quarta-feira recebeu o vereador Leonel Brizola Neto (PSOL-RJ). Conversamos sobre saúde, educação, segurança pública e estratégias políticas para 2018.

Brizola Neto defendeu unidade política entre todos os partidos progressistas, com a definição de candidaturas únicas para governador e presidente.

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O racismo da Globo e os arbítrios de um judiciário de sociopatas https://www.ocafezinho.com/2017/11/09/o-racismo-da-globo-e-os-arbitrios-de-um-judiciario-de-sociopatas/ https://www.ocafezinho.com/2017/11/09/o-racismo-da-globo-e-os-arbitrios-de-um-judiciario-de-sociopatas/#comments Thu, 09 Nov 2017 13:27:55 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=81083 739 Comentários 🔥]]> Peço desculpas pela dificuldade de acesso ao blog nos últimos dias, mas desta vez tivemos um motivo nobre. Mudamos de servidor. Limpamos nosso banco de dados. A partir de agora, o Cafezinho estará bem mais leve, estável e seguro. Estamos também iniciando algumas mudanças no layout do blog. Esperamos que até o início de dezembro, estaremos de casa nova. Mas não se preocupem: as mudanças serão para deixar o blog mais simples, leve e elegante. O que poderá mudar mesmo é que daremos um destaque maior aos vídeos, que serão posicionados numa área à parte do blog.

Dito isto, passemos às novidades do dia. É tanta coisa! No Cafezinho no Almoço, que começa 12:00, vamos falar sobre tudo isso com mais profundidade. Neste post, vamos fazer apenas alguns registros, até mesmo para organizar nossa cabeça.

O Cafezinho no Almoço poderá ser visto no vídeo abaixo:

Assuntos:

1) O racismo de William Waack.

Aqui temos dois ou três pontos a destacar. O primeiro é que é inacreditável pensar quem racista deste jaez comandou um dos principais telejornais de país majoritariamente negro por tantos anos. Que babaca! Que cretino! E imaginar que ele faz aquela observação rodeado de jornalistas, sem nenhum pudor, sem nenhum receio!

O segundo ponto é que não podemos deixar isso barato. O racismo é da Globo. A Globo, além de reacionária, golpista, é também racista. E o pior: a Globo manda no Brasil hoje. A Globo está recebendo mais de 50% da publicidade federal. Devora a publicidade institucional de todos os estados e municípios do Brasil. Devora recursos de educação, igualmente do país todo, de todas as entidades federativas. Recebe dinheiro da Lei Rouanet. Recebe verbas públicas destinadas ao audiovisual. A Globo é praticamente uma estatal, cujo dinheiro, no entanto, vai todo para o bolso dos três irmãos Marinho. Três racistas, herdeiros de um grande racista. E que empregam racistas. Evidentemente, Waack não estava ali sozinho. Ou alguém que Alexandre Garcia, apresentador do Bom Dia Brasil e ex-porta-voz da ditadura, não seja também um racista?

O terceiro ponto é uma justiça poética. Vocês viram quem estava ao lado de Waack no vídeo? Sim, ele mesmo: Paulo Sotero, diretor do Brazil Institute, do Wilson Center, aquele think tank do qual falamos tanto por aqui no Cafezinho, que foi um dos principais articuladores do golpe de Estado de 2016. O Brazil Institute é presidido por Anthony Harrington, que por “coincidência” é também CEO da Albright Stonebridge, uma das mais sinistras firmas de lobby dos Estados Unidos, com prestação de serviços ao governo americano e a corporações interessadas em comprar um Brasil vulnerável e desamparado após o impeachment criminoso de uma presidente eleita com 54 milhões de votos. Harrington é também ex-advogado sênior, e sócio, da Hogan and Lovells, outra firma de lobby, que presta serviço as petroleiras americanas, além de estar ganhando milhões de dólares prestando serviços de “auditoria” para estatais como Eletrobrás – provavelmente ajudando no processo de sua futura privatização.

2) A decisão de Moro de processar Lula por se “beneficiar” de uma reforma de cozinha.

É mais uma decisão grotesca de Sergio Moro. Sem provar que o sítio é de Lula, o juiz Sergio Moro agora quer condenar Lula por ter se beneficiado de uma reforma de cozinha… Não sei bem o que comentar sobre isso. Só queria deixar registrado. Quer dizer que depois daquele Powerpoint do Dallagnol apontando o Lula como “comandante máximo” do “petrolão”, tudo que se aponta contra Lula é isso: o “desfrute” de uma reforma de cozinha num sítio fulero, numa região pouco valorizada do interior de São Paulo?

Tanto a imprensa quanto o nosso sistema de justiça perderam completamente o senso do ridículo, e vão pagar caro por isso.

3) O aumento da pena de João Vaccari no TRF4, para 24 anos.

Também não quero me estender sobre isso. É mais um crime cometido pelo sistema de justiça. O próprio TRF4 havia concluído, em decisão anterior, que não havia provas contra Vaccari. Na decisão, não se aponta nenhuma prova. Vaccari é um homem inocente. Um preso político. O aumento da pena para 24 anos é uma decisão cruel, desumana, injusta, mas coerente com o regime de exceção vigente no país, cujo principal fiador é o sistema de justiça. João Santana e sua esposa tiveram sua pena mantida em 8 anos. A mão do regime golpista só pesa para aqueles que resistiram às torturas do MPF e embarcaram no jogo sujo do regime, delatando seus companheiros. A matéria da assessoria de imprensa do TRF4, mais a íntegra da decisão podem ser lidas aqui.

4) TRF4 chancela arapongagem ilegal de Moro em advogados de Lula.

É inacreditável. Aqui o link com matéria da assessoria de imprensa do próprio TRF4, seguida do link com a decisão. É um registro histórico do arbítrio. Esse é o Brasil do golpe.

5) A entrevista do Almirante Othon à Folha. Eu escrevi alguns comentários sobre essa entrevista na fanpage do Cafezinho, que reproduzo aqui, seguidos da íntegra do texto publicado na Folha.

Leiam a entrevista. O judiciário brasileiro se converteu no foco principal do fascismo. Condenaram até a filha do almirante, que não tem nada a ver com a história.

O juiz Marcelo Bretas é tão psicopata quanto Sergio Moro.

As “provas” contra o almirante são completamente surreais. Bretas é tão fascista que aumentou a pena do almirante por causa do seu “passado ilibado”. Sim, é isso mesmo. O fato de ter sido honesto a vida inteira foi considerado um “agravante”.

***

A entrevista do almirante Othon Pinheiro é uma bomba atômica!

Se algum brasileiro ler essa entrevista e não se indignar com a injustiça, não é um brasileiro, não é um cidadão, não é um ser humano!

Se algum brasileiro, depois dessa entrevista, ainda acreditar na operação Lava Jato, é um idiota e um fascista irremediável!

O pai da energia nuclear no Brasil foi humilhado, agredido, preso e condenado sem absolutamente nenhuma culpa.

A imprensa, criminosa, apenas após o calvário vivido pelo militar, se decide a publicar uma entrevista com ele!

É revoltante!

Quem deveriam ser presos são o juiz, os procuradores, os delegados da PF e todos envolvidos com essa barbárie!

O juiz Marcelo Bretas, um sub-Moro fascista do Rio, aplicou-lhe uma condenação sem pé nem cabeça, em que até o passado ilibado de Pinheiro foi considerado agravante!

Espero que nenhum artista alienado, depois dessa entrevista, volte a defender esse juiz incompetente e vendido à Globo!

No dia em que o Brasil voltar a ser uma democracia, construiremos uma estátua em sua homenagem, almirante, e condenaremos seus algozes!

Perdão, almirante, perdão!
***

Na Folha

Militar condenado na Lava Jato diz que foi preso por interesse internacional

MÔNICA BERGAMO
COLUNISTA DA FOLHA
07/11/2017 02h00

Acusado de receber propina de R$ 4,5 milhões de empreiteiras que tinham obras em Angra 3, o ex-presidente da Eletronuclear Othon Luiz Pinheiro da Silva ficou preso por dois anos e recebeu uma das maiores condenações da Lava Jato: 43 anos de prisão por corrupção, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e organização criminosa.

Considerado um dos mais importantes cientistas brasileiros e o pai do programa nuclear do país, o almirante Othon, 78, como é conhecido, ficou isolado em uma cela e diz que aprendeu a comer com as mãos. Solto no mês passado, ele pouco sai às ruas e chora com frequência.

Nesta entrevista à Folha, o militar, que se recupera de um câncer de pele, alega inocência e diz ter um “forte sentimento” de que sua prisão foi feita sob os auspícios de “interesses internacionais”.

*

Folha – Como o senhor se aproximou da empreiteira Andrade Gutierrez?
Almirante Othon – Em 1994, quando fui para a reserva, a primeira coisa que fiz foi prestar um concurso para o Instituto de Pesquisas Nucleares da Cnen (Comissão Nacional de Energia Nuclear).

Havia duas vagas para pesquisador. Concorri com 16 doutores e tirei primeiro lugar.

Mas nós estávamos em 1994, numa fase de muita globalização. E eu não fui chamado. A minha cara é nacionalista. E eu sou mesmo.

Como não deu certo, montei uma empresa de consultoria, a Aratec. No início de 2004, um camarada da Andrade Gutierrez, o senhor Marcos Teixeira, apareceu lá.

E o que ele queria?

Ele disse: “Nós [construtora] temos um contrato de 1982 [para as obras civis da usina nuclear de Angra 3]. Mal começamos a mexer na fundação e ele foi interrompido”.

Eles achavam que eu poderia ajudar [na retomada das obras], por ter influência militar. Eu disse “não tenho mais, saí [da Marinha] faz tempo”. Aí veio a ideia de fazer um estudo para eles.

Eu não estava no governo e nem imaginava que ia voltar [Othon foi convidado para presidir a Eletronuclear um ano depois, em 2005].

O Ministério Público Federal considerou que o estudo assinado pelo senhor para a Andrade Gutierrez era simplório e entendeu que ele é fictício.

É um desconhecimento total ou uma vontade de não querer reconhecer [a importância do trabalho]. São anos de pensamento sobre o Brasil.

O que ocorreu no país, e sobre o que falava no meu estudo? O consumo de energia cresceu e o estoque de água das hidrelétricas estacionou na década de 80. Antes disso, o Brasil poderia passar por vários anos “secos” porque tinha estoque de água. Mas isso mudou e veio o apagão.

O Brasil agora precisa de energia térmica de base.

Termelétricas têm que ser [movidas a] carvão ou [energia] nuclear. E nuclear é melhor para nós porque temos reservas [de urânio] correspondentes a 50% do pré-sal.

Nós temos que aproveitar o que a natureza nos dá.

Ah, se eu tivesse mais [usinas] nucleares. O custo do investimento é maior mas o do combustível é menor [do que o de outras alternativas].

No caso da hidrelétrica, o custo [do combustível, a água] é quase zero. E no caso da nuclear, é pequeno.

Se eu tiver a energia nuclear, eu economizo água e não chego nessa situação [de apagão]. A energia nuclear não compete com a hidrelétrica. Ela complementa. Era isso o que o estudo mostrava.

Depois o senhor foi para o governo e a obra de Angra 3 foi retomada.

Em julho [de 2005], eu soube que tinha uma lista [no governo Lula] para escolher o presidente da Eletronuclear. Eu não queria.

Mas aí eu fiz a grande bobagem da minha vida. Fui convidado. Bateu a vaidade e eu aceitei. Em outubro de 2005, assumi o cargo.

E como passou a receber dinheiro da empreiteira?

Tudo o que eu fazia na época [em que prestava consultoria] era na base do sucesso.

E coincidiu que fui para o governo e houve a decisão [de retomar Angra 3].

Quem decidiu foi o Conselho Nacional de Política Energética, do qual eu não fazia parte. Como presidente, eu apenas executei as diretrizes.

Mas passei a fazer jus [à remuneração] do trabalho [estudo para a Andrade] que eu fiz antes.

Quanto passou a receber?

Eu cobrei R$ 3 milhões, em valores de dezembro de 2004 [a Polícia Federal diz que o almirante recebeu R$ 4,5 milhões em valores atualizados].

Comecei a receber depois que houve a decisão da retomada das obras.

Como era um troço completamente diferente, eles falaram “vamos pagar através de outras empresas”. Aí virou outro crime.

Se fosse hoje, eu exigiria deles [Andrade] um contrato de confissão de dívida para que me pagassem só depois que eu saísse. Eu não receberia no cargo.

Eu tinha direito, foi um trabalho que eu fiz antes. Não era imoral nem ilegal. Apenas com a experiência de hoje eu teria feito diferente.

O Ministério Público Federal e a Justiça consideraram que era propina.

Não era propina, não foi mesmo. Eu achava que tinha direito de receber. Agora, tive o cuidado de não tomar nenhuma decisão [que beneficiasse a empreiteira], não tem nenhum ato de ofício assinado por mim.

Tivemos [ele e a Andrade]inclusive um atrito inicial, porque eu exigi que o TCU aprovasse os detalhes do aditivo [para o pagamento do serviço nas obras de Angra 3].

Eles ficaram irritadíssimos. Fui uma decepção para eles. Houve outras divergências, chegaram a parar as obras.

Oras, se eu tivesse ligação com eles, isso teria ocorrido?

Delatores da empresa afirmaram que o senhor, na verdade, cobrava percentual sobre os contratos de Angra 3.

A Andrade já tinha um ressentimento em relação a mim. E delação premiada é um processo muito danado. O cara acha que agrada [os investigadores] e senta a pua. Ele não tem compromisso.

O senhor diz que sua prisão interessa ao sistema internacional. Que evidência tem disso?

Como começou tudo isso?

Num depoimento que o presidente de uma empreiteira fazia sobre um contrato com a Petrobras. Ele mencionou que ouviu dizer algo sobre o presidente da Eletronuclear estar de acordo com um cartel.

Isso serviu de pretexto para os camaradas vasculharem a minha vida desde garoto. Havia um direcionamento.

Mas haveria um comando externo nas investigações?

Não comando, mas influência forte, ideológica. Não posso provar mas tenho um sentimento muito forte. Houve interesse internacional.

E por que haveria interesse internacional em sua prisão?

Porque tudo o que eu fiz [na área nuclear] desagradou. Qual o maior noticiário que tem hoje? A Coreia do Norte e suas atividades nucleares. A parte nuclear gera rejeição na comunidade internacional.

E o Brasil ser potência nuclear desagrada. Disso eu não tenho a menor dúvida.

Há setores que acreditam que o Brasil deveria desenvolver a bomba atômica. O país fez bem em abrir mão dela?

Eu acho que fez. O artefato nuclear é arma de destruição de massa e inibidora de concentração de força. Mas, no nosso caso, se tivéssemos a bomba, desbalancearíamos a América Latina, suscitando apreensões.

E a última coisa que a gente precisa na América Latina é de um embate.

O país, no entanto, não abriu mão da tecnologia. Se necessário, em quanto tempo faríamos uma bomba?

Em uns quatro meses. Com a tecnologia de enriquecimento que nós usamos, podemos fazer a bomba com o plutônio, como a de Nagasaki, ou com o urânio, que foi a de Hiroshima. Temos os dois porque quem tem urânio enriquecido pode ter o plutônio também.

Voltando às investigações, o senhor foi acusado de contribuir para a desvalorização da Eletronuclear.

Quando assumi, ela era chamada de vaga-lume. Em poucos anos, passou a figurar entre as centrais de melhor desempenho do mundo.

As ações se valorizaram. Como então eu contribuí para desvalorizar as ações? Nada disso foi levado em conta no meu julgamento.

O meu passado serviu como agravante. Eu peguei cinco anos de cadeia a mais porque, se eu tinha aquele passado, eu tinha que ter um comportamento [exemplar]. É a primeira vez que antecedente virou agravante. Vida pregressa ilibada virou agravante.

Tá lá, escrito [na sentença]. É só ler. Eu li. Me deu uma revolta tão grande… [levanta da mesa, chora].

Como foi a história de sua tentativa de suicídio?

Como foi isso? [Chora mais. Toma água]. Eu estava preso e vi pela televisão que fui condenado a 43 anos de prisão.

Pensei “os caras ficaram loucos”. E mais 14 anos para a minha filha [Ana Cristina]. E ela não fez nada.

Tive um desespero… não é desespero. É revolta. Uma profunda revolta. Eu queria chamar a atenção. E pensei “vou fazer um ato de revolta”.

Eu reuni os cadarços do calção e com eles eu ia me enforcar. Pela câmara, a oficial viu e [impediu]. Mais 15 minutos ela não pegava mais.

Na hora eu fiquei pau da vida. Mas depois eu vi que era bobagem. Me enterravam e em três dias tudo acabava. Vou bancar o japonês, confissão de culpa? Não. Hoje penso que tenho que ficar vivo e lutar.

O senhor resistiu à prisão?

Às 6h, eu estava dormindo, dois caras [policiais] entraram berrando no meu apartamento. Parti para cima. Fui treinado para isso a vida toda.

Disseram que eu estava armado. Não é verdade. Eu tenho arma, mas ela fica trancada em uma gaveta.

Mas eu não resisti. Se tivesse resistido, eu morria, mas pode ter certeza que um deles ia junto. Fiz treinamento na polícia de SP quando estava no programa [nuclear] secreto. Dava 200 tiros por semana.

E para onde levaram o senhor?

Primeiro para Curitiba e depois para o Rio. Cheguei a ser preso em Bangu.
Lá eu fiquei dois dias com [o bicheiro] Carlinhos Cachoeira [ri]. A gente conversava, via televisão, era ele, o [empresário Fernando] Cavendish, seis pessoas no total.

Depois fui transferido para a base de fuzileiros navais do Rio de Janeiro, onde fiquei um ano e pedrada.

O senhor ficou então sozinho?

Isolamento absoluto. De manhã, eu fazia 25 minutos de ginástica na cela. Depois andava 5 quilômetros, durante a hora de banho de sol a que eu tinha direito.

Um oficial me escoltava. Tirando esse momento, não falava com ninguém. Aí me ocorreu escrever um livro, à mão, com caneta e papel. Já terminei e pretendo lançá-lo.

Eu comia comida de praça com colher e garfo de plástico. É fogo, né? Aprendi a comer com a mão. Virei indiano. E comecei a ver novelas.

E como é estar de novo em liberdade?

Depois de passar por tudo isso, a gente fica com uma certa insegurança, sabe? Sei lá, esperando alguma coisa inesperada que não sabe o que é [chora]. Eu estou me livrando dela agora.

E também a gente começa a ver o fim da vida chegando, né? [emocionado]. A vida toda eu trabalhei construindo alguma coisa. E disso eu sinto falta. Em todo lugar eu estive na frente de combate.

O que fez ao sair da prisão?

Saí duas vezes de casa apenas. Parecia que eu estava fazendo turismo no Rio. Em dois anos [em que esteve preso], a cidade mudou muito.

No primeiro dia em casa, eu senti muito vazio. A gente fica sempre procurando alguma coisa para fazer. De vez em quando penso “o que eu tenho mesmo que fazer agora?”. E eu não tenho que fazer nada!

Estou aprendendo a ser livre de novo. É essa a sensação.

****

6) A mais recente pesquisa CUT/Vox revela que a maioria esmagadora da população é contra as reformas. E agora imagine que um governo rejeitado por 97% da população está implementando uma reforma rejeitada por 81% da população. O mesmo governo aplica toda a verba pública nos veículos que apoiam as reformas. Nenhum procurador, promotor ou juiz percebe como isso é ilegal, antiético e imoral? É muito chocante constatar como o conceito de democracia foi destruído na cabeça de nossas elites midiáticas e judiciais. Clique aqui para ler a matéria da CUT.

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Cafezinho no Almoço faz resumo das provas de Tacla Duran contra a Lava Jato https://www.ocafezinho.com/2017/11/06/cafezinho-no-almoco-faz-resumo-das-provas-de-tacla-duran-contra-lava-jato/ https://www.ocafezinho.com/2017/11/06/cafezinho-no-almoco-faz-resumo-das-provas-de-tacla-duran-contra-lava-jato/#comments Mon, 06 Nov 2017 13:35:43 +0000 https://ocafezinho.com/?p=81023 769 Comentários 🔥]]> Assista ao Cafezinho no Almoço pelo link abaixo.

Lembrando sempre que, se houver qualquer problema com a página do Cafezinho, vá direto às nossas páginas no Youtube ou Facebook.

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Judiciário já é o principal fator de instabilidade para eleições de 2018 https://www.ocafezinho.com/2017/11/06/judiciario-ja-e-o-principal-fator-de-instabilidade-para-eleicoes-de-2018/ https://www.ocafezinho.com/2017/11/06/judiciario-ja-e-o-principal-fator-de-instabilidade-para-eleicoes-de-2018/#comments Mon, 06 Nov 2017 10:40:59 +0000 https://ocafezinho.com/?p=81014 2 Comentários 🔥]]> José Roberto Toledo, em sua coluna de hoje, fala o óbvio. Mas o óbvio precisa ser dito. O judiciário brasileiro é a principal pedra no caminho para a normalização democrática do país.

Esta normalização, e isso também é óbvio, apenas será possível com eleições livres. Mas quem deve votar é o povo, e não os juízes.

Mas não é isso que está acontecendo.

Ainda faltam algumas semanas para 2018, e o judiciário já começou a criar turbulências e mal estar para o processo democrático do ano que vem, com ações esdrúxulas de “antecipação de campanha” contra Lula e Bolsonaro. Não por coincidência, ambos não são os candidatos da mídia, que, esta sim, já começou a fazer campanha em prol de um candidato supostamente moderado e que, por óbvio, será um tucano.

Para cúmulo do absurdo, aquele que será o presidente do TSE a partir do início do ano que vem, Luiz Fux, deu entrevista neste fim de semana antecipando seu voto em relação ao principal candidato, Lula. E o voto de Fux, também por óbvio, em se tratando de alguém com a ética e a moral de Fux, já está sinalizado: será o voto da Globo, ou seja, contra Lula.

Eugênio Aragão, ex-ministro da Justiça, numa de suas entrevistas, deu um recado inteligente: a justiça eleitoral é uma excrescência, sobretudo porque o seu poder de fogo costuma apontar sempre para as manifestações mais vigorosas e saudáveis da democracia: a participação política, coletiva e individual, tanto do cidadão comum quanto dos possíveis candidatos. A justiça eleitoral quer transformar a própria democracia num grande delito, numa grande “campanha eleitoral antecipada”.

Naturalmente, nenhum juiz terá coragem de coibir as “campanhas antecipadas” da grande mídia nacional. Essa aí pode tudo, inclusive dar prêmio aos juízes que deveriam julgá-la…

Não é a tôa que muitas democracias importantes, como os EUA, não admitiriam jamais que a opinião de meia dúzia de juízes valha mais que o voto de milhões. Lá, não existe “justiça eleitoral”.

No Brasil, a excrecência é agravada pelo fato do acúmulo de poder. O fato de ministros do STF acumularem também cargos na justiça eleitoral lhes aumenta um poder já doentio e antidemocrático.

Deus proteja a democracia brasileira de seus juízes!

***

No Estadão

Voto de juiz vale mais

Por Jose Roberto de Toledo
06 Novembro 2017 | 02h38

A campanha presidencial será muitas coisas, menos serena e previsível. Nem é por causa dos #ParadisePapers da vida que, vira e mexe, tiram o sono de candidatos. O principal criadouro de incertezas é a judicialização da eleição. Líderes das pesquisas, Lula e Bolsonaro logo serão julgados por “campanha antecipada”. São os primeiros de muitos julgamentos com impacto determinante nas urnas. A despeito da eleição, a política continuará sendo, em 2018 e além, uma derivada da Justiça.

“Campanha antecipada” é jabuticaba eleitoral brasileira. O tipo de dispositivo legal que encena ignorar o óbvio: que todo político está permanentemente em campanha, antes mesmo de ter certeza de que será candidato. Ou as bilionárias emendas ao orçamento transacionadas com parlamentares pelo atual e por todos os governos passados visam o estrito interesse público?

As emendas não são tão cobiçadas à toa. São armas de campanha, tão ou mais poderosas do que o horário eleitoral na TV e no rádio. Com uma diferença fundamental: só estão disponíveis para quem já está lá e faz parte do clube dos eleitos. Por isso, contra elas quase nenhum partido grita “campanha antecipada”.

Do mesmo modo, o prazo determinado e cada vez mais curto para a campanha eleitoral “oficial” beneficia quem já tem cargo eletivo, já é conhecido e possui eleitorado cativo. Campanhas longas favoreceriam a competição, pois dariam tempo de o público se familiarizar com candidatos desconhecidos – ou de descobrir que os nem tão desconhecidos assim são candidatos.

É falacioso o argumento de que campanhas curtas são mais baratas. Os bilhões liberados em emendas nos últimos meses provam o contrário. Mas não é só isso. As estruturas financiadas com dinheiro público para deputados e senadores manterem escritórios nos seus redutos eleitorais são campanha mais do que antecipada: são comitês eleitorais permanentes. O mesmo vale para as estruturas de comunicação de seus gabinetes.

Nos últimos tempos, as mídias sociais tornaram o conceito de campanha antecipada ainda mais cínico. A quase totalidade dos parlamentares têm conta própria e terceirizada no Facebook, Twitter, Instagram etc. Alguns, de tão viciados nessas plataformas, estão trocando as visitas de fim-de-semana às chamadas bases eleitorais por “lives” – as transmissões de vídeo a vivo pela internet. É parte da campanha virtual sem fim.

Foram vídeos transmitidos via mídias sociais que levaram o Tribunal Superior Eleitoral a julgar Lula e Bolsonaro. O que estará em julgamento não é nada amplo ou profundo. É o detalhe do detalhe. O candidato pode fazer quase tudo, menos pedir voto e dizer que é candidato. Mentir e dizer que não é o que é pode.

O faz-de-conta se torna ainda mais ridículo ao se acompanhar as investigações sobre o quanto a Rússia conseguiu influir nas eleições presidenciais do ano passado nos EUA. Em um dos exemplos mais eloquentes, US$ 250 gastos em “impulsionamentos” no Facebook foram suficientes para os russos insuflarem dois grupos antagônicos a fazerem manifestações de rua ao mesmo tempo e no mesmo lugar. Resultado: pancadaria generalizada.

No Brasil, isso não parece estar entre as preocupações do Judiciário. Terceiros podem fazer campanha para candidatos – os próprios candidatos não. Quer dizer, podem desde que neguem.

A campanha antecipada não é o único vetor da judicialização eleitoral. O ministro Fux, do ex-Supremo, antecipou seu voto para o julgamento mais importante: contra Lula, condenado, obter registro como candidato. Outros acham que o petista conseguirá, mesmo que sua candidatura venha a ser cassada depois. Seja como for, votos nos tribunais pesarão tanto ou mais que os nas urnas.

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Vídeo: um resumo da entrevista-bomba de Wadih Damous https://www.ocafezinho.com/2017/11/06/video-um-resumo-da-entrevista-bomba-de-wadih-damous/ https://www.ocafezinho.com/2017/11/06/video-um-resumo-da-entrevista-bomba-de-wadih-damous/#respond Mon, 06 Nov 2017 02:13:05 +0000 https://ocafezinho.com/?p=81038 (Crédito imagem: Jornal GGN)

Na edição de hoje de seu programa diário, Miguel do Rosário, editor do blog, faz um resumo das denúncias de Tacla Durán contra a “panela” de Curitiba.

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A ingenuidade de Celso Rocha de Barros https://www.ocafezinho.com/2017/11/04/ingenuidade-de-celso-rocha-barros/ https://www.ocafezinho.com/2017/11/04/ingenuidade-de-celso-rocha-barros/#comments Sat, 04 Nov 2017 16:21:37 +0000 https://ocafezinho.com/?p=80927 21 Comentários 🔥]]> Celso Rocha de Barros escreve como um equilibrista caminha sobre uma corda estendida entre dois arranha-céus. Não podia ser diferente, claro. O papel da Folha, em todo esse processo de golpe, sempre foi um pouco mais sofisticado do que o da Globo.

Na divisão de tarefas entre os golpistas, à Globo coube a função mais brutal. A Globo é violência e maldade em estado puro. Para citar um exemplo: as charges de Chico Caruso, expondo Dirceu e Genoíno nus, após terem sido condenados sem prova, sempre me pareceram o que faria um cartunista de um folhetim nazista. Afora isso, a Globo mente de uma maneira assombrosamente descarada.

À Folha ficou reservado um papel mais ambíguo, mais cínico, e por isso não menos diabólico. Os métodos usados pela Folha são mais traiçoeiros. Por isso ela sempre teve necessidade de colunistas e abordagens diferenciados, puxados à esquerda, críticos ou questionadores de alguns pontos das narrativas centrais da mídia corporativa.

No meio de tanta pressão e cinismo, nasceu esta flor: Celso Rocha de Barros, que já tinha uma história na internet brasileira, e cujo último artigo eu me proponho a analisar neste post.

Barros, Laura Carvalho, Janio Freitas, o próprio Bernardo Mello Franco, são alguns colunistas que procuram fazer, cada um à sua maneira, um contraponto ideológico ao pensamento único do main stream.

Claro, é tudo muito controlado, como numa experiência de laboratório. Os tons de crítica precisam ser cuidadosamente calibrados, de maneira que tudo permaneça rigorosamente o mesmo.

Há limites diferenciados de liberdade, naturalmente, a depender de temas, atmosfera e a posição de cada um.

Janio de Freitas, por exemplo, por ser o veterano, uma vaca sagrada do jornalismo (e o falo sem ironia, e com profundo respeito), é o único jornalista da Folha, quiçá de toda a imprensa corporativa brasileira, a quem se dá a liberdade de criticar o eixo central das grandes narrativas: a Lava Jato.

A liberdade singular, única, de Freitas, em meio ao cenário incrivelmente devastado da imprensa nacional, tem uma explicação: seus oitenta e cinco anos de idade, seu talento inegável, os milhares de assinantes que, possivelmente, apenas aceitam continuar contribuindo por sua causa, além da questão estratégica já referida acima.

Naturalmente, todo mundo tem mais ou menos consciência das semelhanças entre jornalismo e teatro. Há muito jogo de cena em toda parte.

A melhor coisa trazida pela internet, afinal, foi a transparência.

Os próprios jornalistas – boa parte deles, ao menos – são os últimos que ainda tentam se iludir a si mesmos. Outro dia, eu assisti a um vídeo de um encontro informal de jornalistas, em São Paulo, e achei até divertido o esforço deles em criar um mundinho de fantasia, completamente afastado da vida, da política, da polêmica. Um dos convidados era um jornalista da Globo e talvez isso explique o clima pesado, de censura velada, de sorrisos amarelos, do evento. Não acho que esse tipo de encontro fosse possível em qualquer país que não o Brasil, terra da hipocrisia, do medo, da Globo.

O sonho atual destes jornalistas, secretamente apavorados com o desemprego, e ao mesmo tempo tentando se agarrar, com desespero, a algum fiapo de dignidade, é que não existisse Lula ou PT. Lula é um tema infinitamente constrangedor, assim como o golpe de Estado de 2016. O seu sonho profissional, a meu ver, o que lhes permitiria se sentirem dignos e satisfeitos consigo mesmos, é que a força política eleitoral dominante fosse o PSDB, e apenas o PSDB. Eles seriam, então, jornalistas de “oposição”. Com isso, poderiam fazer reportagens-denúncia bombásticas, que não se tornariam campanhas midáticas de demolição do governo, nem seriam transformadas em conspirações do ministério público. Mas lhes renderiam prêmios de jornalismo.

Poderiam fazer um jornalismo moderadamente progressista, sem que, com isso, fossem confundidos com os violentos e ruidosos mujiques da classe trabalhadora organizada.

Não era assim a década de 90?

Entretanto, pude perceber, ainda falando daquele evento que assisti pela internet, que existe um tema que os obriga a olhar, ainda que ligeiramente, meio que à medo, para a vida real, e lhes dificulta um pouco a tendência de falar de jornalismo como quem discute física de partículas: a ascensão de Jair Bolsonaro e as últimas movimentações do MBL, para censurar exposições.

Eles tratam esses temas, porém, com uma superficialidade assombrosa, porque não podem, jamais, associá-los às campanhas midiáticos-judiciais dos últimos tempos. Aliás, para eles, essas campanhas nunca existiram. Então eles não conseguem explicar ou entender porque o fascismo avança tão rápido no país.

Mas voltemos ao texto de Celso Rocha de Barros, que reproduzo abaixo. Em seguida, faço alguns comentários.

***

Desde que PT caiu, reveses do combate à corrupção se acumulam

Por Celso Rocha de Barros, na Folha

Neste exato momento, as evidências contra Michel Temer são o que PT e PSDB sempre sonharam encontrar um sobre o outro. Quando Dilma caiu, não havia contra ela delação que fosse nem sequer comparável à de Lúcio Funaro contra Temer. Se FHC tivesse sido gravado naquela conversa com Joesley, cairia antes do raiar do dia seguinte.

E, no entanto, Temer acaba de sobreviver a mais uma denúncia. Além da gambiarra de Gilmar Mendes no TSE, já são duas fugas pelo porão do Congresso.

E isso tudo enquanto o Brasil ainda vive sob os efeitos da Lava Jato, a maior investigação de corrupção da história.

Todos os quadros importantes do governo Temer são pesadamente envolvidos nos escândalos. E o que é pior: os escândalos parecem ter destroçado PT e PSDB, que se alternavam no poder, mas deram a Presidência ao PMDB, que foi parceiro de todos os partidos em todos os escândalos.

Ninguém nunca achou que a Lava Jato conseguiria pegar todos os corruptos. Se Temer fosse um caso isolado de picareta que conseguiu fugir, menos mal. Mas há razões para ter medo de que não seja só isso.

Precisamos lidar com a possibilidade de que a janela em que os governantes brasileiros estiveram submetidos à lei, aberta quando o PT chegou ao poder, esteja se fechando.

Os governos petistas eram claramente mais fracos que seus antecessores de centro-direita: eram francamente minoritários no Congresso, nunca tiveram um único veículo de grande mídia que os apoiasse, e estavam sempre sob suspeita do empresariado. A opinião pública teria destroçado o PT se Lula tivesse indicado para o Supremo alguém tão partidário quanto Gilmar Mendes.

Nesse contexto, o jornalismo de denúncia teve uma era de ouro, Joaquim Barbosa prendeu os acusados do mensalão enquanto o grupo deles ainda estava no poder, e a Lava Jato começou seu trabalho.

Desde que o PT caiu, os reveses do combate à corrupção se acumulam. A boa notícia é que a melhor imprensa não deixou de denunciar os escândalos contra Temer; mas o apoio de todos os grandes veículos às reformas acaba colocando um limite no tom e na ênfase. O empresariado provavelmente preferia um governo liberal e honesto, mas, já que não há nenhum em oferta, acaba aceitando um liberal e corrupto. E a esquerda na oposição simplesmente não é forte o suficiente para sustentar politicamente quem enfrentar o novo grupo no poder.

Veja que o problema não é que o PT fosse inocente. É que ele era mais fraco. Sergio Moro nunca correu risco nenhum de ser escrachado pela opinião pública enquanto processava Lula, mas Rodrigo Janot foi massacrado por desmascarar Temer. Não há como comparar o poder de fogo dos blogs petistas anti-Moro com o da atual turma chapa branca.

Na última quarta-feira, após a vitória de Temer, o deputado Cunha Boy Carlos Marun (PMDB-MS) dançou para as câmeras cantando “Tudo está no seu lugar”, de Benito di Paula.

As coisas não estão onde deveriam estar, Marun, mas, ao que parece, estão voltando para onde estavam antes. A janela de transparência de 2003-2016 parece estar se fechando sob governos mais fortes que os petistas. Resta torcer para que Justiça e imprensa tenham acumulado forças suficientes nesse período para sobreviver na nova fase.

Até agora, só perderam.

***

A tese de Barros, se eu bem entendi o artigo, é que a ascensão do PT criou os três fundamentos para a luta contra a corrupção no país: transparência das despesas públicas, autonomia dos órgãos de investigação, respeito absoluto à liberdade de imprensa.

O que veio à tôna, porém, derrubou o próprio PT e, junto com ele, os tais fundamentos, de maneira que estaríamos entrando numa era de muito menos transparência, com enorme risco, portanto, ao combate à corrupção nos anos vindouros.

E o que veio à tôna?

Ora, cada um dos fundamentos produziu o veneno que derrubaria o governo Dilma.

1) A transparência das despesas públicas criou enormes constrangimentos para os grupos que sempre se acostumaram a tratar a coisa pública como se lhe pertencesse. Isso do lado da classe política. No que toca a imprensa, a transparência petista, levada a cabo sem se fazer acompanhar da necessária ampliação da comunicação política, fez com que os governos petistas ficassem amarrados ao que a imprensa autorizava ou não. A imprensa agora conseguia monitorar os mínimos gastos de cada ministério. Se um ministro comprava uma tapioca de maneira irregular, não importava que isso era uma ninharia administrativa que o próprio sistema corrigiria automaticamente adiante: transformava-se num escândalo. Se o governo despejava dinheiro na Globo, isso não tinha importância, nem era notícia. Mas se o governo decidia, timidamente, democratizar uma ínfima parcela da publicidade institucional, isso era descrito na imprensa como tentativa de controlar a opinião pública. O governo aceitava essa interpretação sem nenhum tipo de luta, porque não tinha armas para lutar. Não tinha mídia. E tinha medo.

2) A autonomia dos órgãos públicos, igualmente desacompanhada de aumento do controle político desses mesmos órgãos, permitiu que eles fossem instrumentalizados pela oposição derrotada, em especial pela grande imprensa, que lhes insuflou o corporativismo, a vaidade, a prepotência, até produzir monstros como Joaquim Barbosa, Sergio Moro, Dallagnol.

3) O respeito absoluto à liberdade de imprensa se converteu, em pouco tempo, na entrega da opinião pública aos adversários. Dois anos após sua vitória em 2002, o governo Lula e o PT parecem desistir do embate de narrativas. Esta teria sido a mais perigosa das “concessões” de Lula. Para governar, Lula fez diversas concessões já conhecidas: entregou o Maranhão aos Sarney, o Rio de Janeiro ao PMDB, aliou-se a antigos adversários – e, por fim, deixou a opinião pública com a Globo.

As vitórias do PT em 2006, 2010 e 2014 se dão com apoio maciço das camadas mais pobres, não por convencimento da opinião pública hegemônica – ou seja, da opinião pública das classes dominantes.

Não são mais, por isso mesmo, vitórias políticas e sim vitórias eleitorais.

A derrota eleitoral tripla da opinião pública hegemônica é que explicará a consolidação desse profundo desprezo pelas urnas, expresso no golpe de 2016.

O problema do artigo de Barros – e francamente não posso culpá-lo por isso, em vista do lugar onde ele escreve – é uma série de omissões fundamentais para se entender a conjuntura política nacional.

Quando ele fala que a imprensa, diante de um governo fraco (o petista, sem maioria no congresso, e minoritário também na opinião pública hegemônica), se sentiu mais confiante para fazer denúncias, ele omite, por exemplo, que a mídia brasileira é a mais concentrada e plutocrática do mundo ocidental. Isso gera uma instabilidade política estrutural que não podemos naturalizar.

Quando fala que a Lava jato é a “maior investigação de corrupção da história”, Celso faz sua própria concessão à narrativa central da mídia. A Lava Jato destruiu as principais empresas de engenharia, de construção civil e pesada do país, e foi responsável direto por mais de 4 milhões de empregos destruídos. A Petrobrás e o pré-sal já começaram a ser vendidos, quatro hidrelétricas da Cemig foram privatizadas, e Temer determinou que a Eletrobrás também será sacrificada. Não creio que algum analista político responsável negue que essas coisas são consequência direta da Lava Jato.

A Lava Jato consolidou tantas violações às garantias fundamentais e direitos básicos dos réus, sempre com objetivo de extrair delações premiadas, que seria cansativo repeti-las aqui.

O processo de desnacionalização da economia, iniciado pela Lava Jato, feito às pressas e a preço vil, também confirmam que a Lava Jato é a “maior investigação de corrupção da história”.

A queda abrupta dos investimentos públicos e privados, a suspensão de projetos estratégicos de soberania, como a construção do submarino nuclear e de Angra 3, a anulação de investimentos em pesquisa e tecnologia, tudo isso nos leva a concordar que a Lava Jato realmente foi grande.

Celso observa, prudente, que “o problema não é que o PT fosse inocente”. Eu acho sempre gracioso quando profissionais de ciência política se vêem obrigados a fazer concessões desse tipo ao senso comum, mas tudo bem, isso é inevitável. “É que ele [o PT] era mais fraco”, complementa.

Entretanto, aí vem as duas frases muito interessantes:

“Sergio Moro nunca correu risco nenhum de ser escrachado pela opinião pública enquanto processava Lula, mas Rodrigo Janot foi massacrado por desmascarar Temer. Não há como comparar o poder de fogo dos blogs petistas anti-Moro com o da atual turma chapa branca.”

E aí você vê o talento de Celso, escondendo sujeitos numa frase, predicados na outra, a depender do momento.

Os blogs não são progressistas, de esquerda, que lutam pela democracia e contra o regime de exceção. São “petistas” e “anti-Moro”.

Já o outro lado, dos chapa-brancas, é uma “turma”.

Janot é massacrado por “desmascarar Temer”, mas não se diz quem o massacra.

O que Moro faz com Lula certamente não se pode chamar “processo”, a menos que se queira usar o sentido kafkiano do termo: é uma perseguição abjeta, corroborada pela opinião de milhares de juristas do país, embora esse fato seja solenemente ignorando pela “imprensa”.

Quanto ao “poder de fogo” da turma chapa-branca, em comparação aos “blogs petistas”, seria interessante acrescentar a informação de que a munição vem sendo dada pelo próprio governo, que nunca despejou tanto dinheiro na grande mídia como agora, ao mesmo tempo em que se rasgou qualquer escrúpulo republicano que pudesse haver no uso de recursos públicos.

Os recursos da Secom estão indo exclusivamente para veículos alinhados com o governo aprovado por 3% da população. Lembram das reportagens da Folha esquadrinhando para onde iam os recursos de publicidade de estatais e governo federal? Nunca mais apareceram.

Esse é o “poder de fogo”, Celso, da “turma chapa-branca”. O dinheiro pontual que chega na sua conta bancária tem uma origem: Michel Temer. Talvez seja por isso que o núcleo de Temer fique tão irritado quando questionados ou criticados na grande imprensa por colunistas como Celso. Não entendem como isso seja possível. Afinal, não pagam justamente para que isso não aconteça?

A conclusão do artigo de Celso oferece ao leitor, por isso mesmo, uma perspectiva ingênua.

A janela de transparência de 2003-2016 parece estar se fechando sob governos mais fortes que os petistas. Resta torcer para que Justiça e imprensa tenham acumulado forças suficientes nesse período para sobreviver na nova fase.

Os novos governos não são exatamente “mais fortes” que os petistas. O governo Temer é fraco. Sua força deriva exatamente da mesma “Justiça” e “imprensa”, ou Celso esqueceu da quantidade gigante de vitórias de Temer e seus aliados na justiça e da proteção de que goza na imprensa?

O próprio Celso, pouco antes, ao passar um pano no chapa-branquismo ao dizer que a “imprensa não deixou de denunciar os escândalos contra Temer”, admite que “o apoio de todos os grandes veículos às reformas acaba colocando um limite no tom e na ênfase”.

Que “reformas” são essas?

Foram discutidas numa campanha eleitoral? Ou melhor, estão sendo discutidas na imprensa hoje? Não. A imprensa, portanto, não apenas dá apoio às reformas; ela mente à população, ao escamotear o teor das próprias reformas.

Este “limite no tom e na ênfase” é, na verdade, um eufemismo para descrever o apoio canino que a grande imprensa brasileira dá ao governo Temer.

Outra coisa, a imprensa brasileira descobriu uma fórmula inteligente para sustentar e apoiar um governo sem exagerar muito na forma: faz uma agressiva campanha para destruiu ou invisibilizar qualquer movimento, organização ou iniciativa que possa oferecer um risco ao governo.

Quando o PT estava no poder, a Folha chegou a fazer matéria, de página inteira, com um casal que foi à Esplanada dos Ministérios protestar contra Dilma. Hoje, Lula reúne milhares de pessoas em suas caravanas e a Folha mobiliza toda a sua equipe para não dar nada.

Quanto à Justiça, não foi ela que proibiu Lula de assumir um ministério e, em seguida, permitiu que Moreira Franco o fizesse?

Não foi ela que prendeu Delcídio do Amaral e soltou a irmã do Aécio?

Não foi a Justiça que prendeu Vaccari e soltou Rocha Loures?

Não foi a Justiça, sob o silêncio acumpliciado da imprensa, que censurou Caetano Veloso, quando ele tentou fazer um show para os sem teto de São Bernardo do Campo?

Não é a Justiça que condenou Lula sem provas, e que provavelmente chancelará a condenação na segunda instância, ainda sem provas, para beneficiar o candidato da mídia?

Não foi a Justiça – sob a cumplicidade da mídia – que permitiu que juízes e procuradores ocupassem, e ocupem até hoje, os palanques da política, desde que sejam em favor do golpe, mas que imediatamente punem e investigam quando juízes se manifestam contra o golpe?

A “nova fase”, Celso, de que você fala, é um regime de exceção, já em vigor, dominado justamente pela “imprensa” e pela “justiça”.

É claro, portanto, que esses dois acumularam força suficiente para sobreviver à “nova fase”, pois a nova fase vivida pelo Brasil é justamente um mundo sombrio, triste e autoritário, dominado por corporações judiciais e midiáticas.

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Cafezinho no Almoço, nosso bate papo diário ao vivo, começa agora! https://www.ocafezinho.com/2017/11/03/cafezinho-no-almoco-nosso-bate-papo-diario-ao-vivo-comeca-agora/ https://www.ocafezinho.com/2017/11/03/cafezinho-no-almoco-nosso-bate-papo-diario-ao-vivo-comeca-agora/#comments Fri, 03 Nov 2017 14:06:01 +0000 https://ocafezinho.com/?p=80881 506 Comentários 🔥]]> Miguel do Rosário, editor do Cafezinho, conversa com os internautas sobre os principais fatos políticos do dia. Assista o vídeo abaixo, que fica gravado para ser visto a qualquer hora.

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Imprensa lavajatense reage mal a depoimento de Tacla Duran https://www.ocafezinho.com/2017/11/03/imprensa-lavajatense-reage-mal-depoimento-de-tacla-duran/ https://www.ocafezinho.com/2017/11/03/imprensa-lavajatense-reage-mal-depoimento-de-tacla-duran/#comments Fri, 03 Nov 2017 12:57:27 +0000 https://ocafezinho.com/?p=80872 13 Comentários 🔥]]> Para entender a Lava Jato, é preciso atentar para o fato de que ela nunca foi apenas uma operação policial.

A Lava Jato é uma operação midiática.

Foi concebida para derrubar o governo Dilma, criminalizar o PT e destruir a indústria brasileira de óleo e gás, com objetivo de beneficiar multinacionais do petróleo, em especial as norte-americanas.

A Lava Jato foi concebida para dar o golpe no Brasil e entregar o poder político a bandidos do mercado financeiro e à Globo.

Depois do golpe, ela tenta disfarçar, fingindo que investiga ali, investiga acolá, sabendo que tudo irá resultar em pizza.

Mas o objetivo foi cumprido: houve o golpe e o Brasil foi entregue a bandidos sem nenhum tipo de compromisso com a população e totalmente obedientes às diretrizes do mercado financeiro, lá fora, e à Globo, aqui dentro.

As histórias de que o golpe foi dado com objetivo de “parar a Lava Jato” são ingênuas. O golpe foi dado pela Lava Jato. E agora que não importa mais se a Lava Jato continua ou não, porque o serviço já foi feito.

Depois da Lava Jato, o Brasil suspendeu projetos de construção de refinarias, paralisou as refinarias já construídas, e passou a importar quantidades recordes de derivados de petróleo de refinarias norte-americanas.

Depois da Lava Jato, o Brasil iniciou a entrega do pré-sal, já vendeu partes importantes da Petrobrás, já destruiu ou quase destruiu suas principais indústrias, paralisou o projeto de energia nuclear, e agora se prepara para privatizar a Eletrobrás, entregando ao estrangeiro a matriz energética mais limpa do mundo.

Os “prêmios” de Sergio Moro na Globo e nos Estados Unidos tem essa explicação.

A Lava Jato sempre atacou pela mídia, que ela também corrompeu, desde o início.

Ao escolher a dedo para quem irá entregar vazamentos ilegais, a Lava Jato corrompe e controla a mídia, que se deixa corromper e se deixa controlar, até porque entendeu que tinha os mesmos objetivos políticos.

A mídia brasileira, corrupta, plutocrática e antinacional, identificou-se imediatamente com a Lava Jato.

Hoje, a Lava Jato planta uma matéria na Folha, intitulada “Fugas e cidadania estrangeira atrasam processos da Lava Jato com Moro“, que não passa de uma tentativa grosseira de atacar Rodrigo Tacla Duran.

A matéria não traz nenhum fato novo, nenhuma denúncia, nenhum documento, nada.

É apenas uma matéria chapa-branca em relação a Sergio Moro.

Uma matéria, em suma, vendida à Lava Jato.

Ora, Tacla Duran fez denúncias importantes.

Tem documentos.

Tacla Duran não está preso nas masmorras da Globo em Curitiba. Ou seja, não está sob tortura, como ocorre com todos os delatores da Lava Jato.

Não está fazendo “delação premiada”, pelo menos não com o Brasil.

Tacla Duran está simplesmente apresentando a sua versão dos fatos, de maneira livre e espontânea.

O que disse Tacla Duran?

Que a Lava Jato ameaçou sua família.

Que a Lava Jato falsificou documentos, ou aceitou, deliberadamente, documentos falsos.

Ele poderia simplesmente não falar nada. Silenciar-se.

Não.

Recebeu dois deputados brasileiros críticos à Lava Jato e gravou um depoimento franco e corajoso.

Como reage a imprensa brasileira?

Está curiosa para saber o que aconteceu?

Informou seus leitores sobre o teor das denúncias de Tacla Duran?

Não.

A imprensa lavajatense reagiu com silêncio e omissão, num primeiro momento.

E agora, com essa matéria na Folha, com um contra-ataque chapa-branca-policial da… Lava Jato.

Lava Jato e imprensa lavajatense sentiram o golpe.

Daqui a pouco, publicaremos, aqui no Cafezinho, a transcrição completa do áudio de Tacla Durán.

Leia o resumo do áudio escrito por Romulus Maya e publicado aqui no Cafezinho.

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Ibope: 70% dos pobres acham governo Temer pior que Dilma https://www.ocafezinho.com/2017/10/27/ibope-70-dos-pobres-acham-governo-temer-pior-que-dilma/ https://www.ocafezinho.com/2017/10/27/ibope-70-dos-pobres-acham-governo-temer-pior-que-dilma/#comments Fri, 27 Oct 2017 17:30:05 +0000 https://ocafezinho.com/?p=80493 7 Comentários 🔥]]> O CNI/Ibope disponibilizou, há pouco, os dados estratificados da última pesquisa de aprovação do governo.  São números que devemos analisar com atenção.

Neste post, eu me concentrei na parte da pesquisa que compara os governos Temer e Dilma. O pesquisador pergunta ao entrevistado se ele acha o governo Temer melhor, igual ou pior que o governo Dilma.

No total, 59% responderam que o governo Temer é pior.

É interessante, porém, olhar os dados estratificados. Neles, veremos que, para o Nordeste, 72% acham o governo Temer pior que Dilma. Entre homens e mulheres de 25 a 54 anos, 62% acham  o governo Temer pior. Entre os mais pobres, com renda familiar até 1 salário, 69% acham o governo Temer pior que o governo Dilma.

Isso mostra que o povo pode não estar indo às ruas, porque ainda não vislumbrou uma estratégia segura.

Mostra também que o apoio do PSDB, Globo, judiciário e direita ao governo golpista está ficando cada vez mais caro politicamente.

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Cafezinho no Almoço, ao vivo, começa agora https://www.ocafezinho.com/2017/10/25/cafezinho-no-almoco-ao-vivo-comeca-agora/ https://www.ocafezinho.com/2017/10/25/cafezinho-no-almoco-ao-vivo-comeca-agora/#comments Wed, 25 Oct 2017 14:00:52 +0000 https://ocafezinho.com/?p=80379 188 Comentários 🔥]]> O Cafezinho no Almoço, programa diário do editor do blog, Miguel do Rosário, começa agora. Discutiremos os principais temas da conjuntura política.

https://www.facebook.com/421927677830371/videos/1608966705793123/

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CNJ quer aplicar lei da mordaça contra juízes de esquerda https://www.ocafezinho.com/2017/10/24/cnj-quer-aplicar-lei-da-mordaca-contra-juizes-de-esquerda/ https://www.ocafezinho.com/2017/10/24/cnj-quer-aplicar-lei-da-mordaca-contra-juizes-de-esquerda/#comments Tue, 24 Oct 2017 15:07:19 +0000 https://ocafezinho.com/?p=80336 226 Comentários 🔥]]> Primeiramente, uma propaganda do meu Curso de Blogosfera Política. Inscrevam-se!

O Conselho Nacional de Justiça, provocado pelo corregedor João Otávio Noronha, acaba de inaugurar uma lei da mordaça contra juízes progressistas e de esquerda.

Trata-se de um esforço bem previsível do golpismo. Na mesma linha da “escola sem partido”. Ao mesmo tempo em que fica mais claro, para a maior parte da população, que o impeachment foi um golpe sórdido das elites contra os pobres, o judiciário, cúmplice criminoso desse processo, quer intimidar todos os seus membros que ainda defendem valores genuinamente democráticos.

No mesmo dia em que o juiz Sergio Moro está no Fórum do Estadão, em evento coordenado pelo Centro de Debates de Políticas Públicas (CDPP), um think tank profundamente conservador, de um liberalismo ortodoxo, dirigido apenas por economistas de direita, tucanos e/ou oriundos da ditadura (como Affonso Celso Pastore), o CNJ aprovou a abertura de procedimento administrativo contra juízes do Rio de Janeiro que se posicionaram publicamente, em manifestação popular, contra o processo de impeachment, que eles criticaram duramente como um golpe e que previram, profeticamente, que significava ataque aos direitos políticos de todos os brasileiros.

Sergio Moro, no evento do Estadão, defendeu a prisão cautelar como forma de “evitar a corrupção”.

É um gênio.

A prisão cautelar é o principal instrumento do arbítrio, porque é a prisão que se dá antes que o réu tenha a chance de se defender, antes que tenha a oportunidade de oferecer ao Estado e à sociedade a sua própria versão dos fatos.

Na edição de hoje do Cafezinho no Almoço, eu discorro sobre esse fatos. E falo também sobre a quarta parte da série “Quem ganhou com o golpe?”.

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