Moda - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/moda/ Portal de noticias e análises sobre política brasileira, geopolítica, economia, tecnologia, sempre numa perspectiva democrática, progressista, anti-imperialista e multipolar! Wed, 14 Jan 2026 16:45:24 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://controle.ocafezinho.com/wp-content/uploads/2015/10/cropped-Logo_Cafezinho_tmb-32x32.png Moda - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/moda/ 32 32 Vestir o frio: como o inverno na China muda o armário, o corpo e a política https://www.ocafezinho.com/2026/01/13/vestir-o-frio-como-o-inverno-na-china-muda-o-armario-o-corpo-e-a-politica/ https://www.ocafezinho.com/2026/01/13/vestir-o-frio-como-o-inverno-na-china-muda-o-armario-o-corpo-e-a-politica/#respond Tue, 13 Jan 2026 18:07:49 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=224497 Iara Vidal mostra como o inverno na China transforma não só o armário, mas o corpo e as políticas públicas

O inverno na China não é vivido da mesma forma em todo o país. Entre Beijing, no norte, e Shanghai, no sul, a diferença não está apenas na temperatura registrada no termômetro, mas na maneira como o frio se infiltra — ou não — no cotidiano: na rua, dentro de casa, no trabalho e no próprio corpo. E isso tem impacto direto no modo de vestir, no conforto diário e nas escolhas políticas que moldam a vida urbana.

Beijing: frio público, calor coletivo

Beijing, capital chinesa no norte do país — e onde eu moro — enfrenta um inverno intenso. Entre dezembro e fevereiro, as temperaturas variam de –10 °C a 5 °C, com vento frequente e ar seco. Para uma brasileira vinda de Brasília, onde o inverno também é seco, mas muito mais ameno, o impacto inicial é grande.

O que muda tudo, no entanto, é o aquecimento central. Em Beijing, casas, escritórios, metrôs e prédios públicos funcionam com calor coletivo. Isso define completamente a lógica do vestir: você se agasalha para enfrentar o frio do lado de fora, não para os ambientes internos.

O armário básico de inverno gira em torno de um casaco pesado — puffer longo, parka ou lã grossa — combinado com segunda pele térmica fina, um suéter leve ou fleece, calça de bom tecido, botas fechadas e acessórios como gorro, cachecol e luvas. Entrou no prédio? O casaco sai. O look “normal” aparece. Aqui, o casaco é a estrela do inverno; o que vai por baixo chega a parecer primavera.

Shanghai: frio doméstico, camadas permanentes

No sul, a experiência é outra. Em Shanghai, as temperaturas de inverno ficam entre 2 °C e 10 °C, mas a alta umidade faz o frio parecer muito mais intenso do que os números sugerem. E há um fator decisivo: não existe aquecimento central estatal.

O frio não fica do lado de fora — ele acompanha você o dia inteiro. Casas e escritórios são frios, muitas vezes gelados. Por isso, a estratégia muda completamente. Em Shanghai, a regra é vestir-se para dentro e para fora ao mesmo tempo.

O armário inclui segunda pele térmica constante, suéteres médios a grossos, casaco de lã ou trench pesado, calças grossas ou forradas, meias térmicas e calçados impermeáveis. Mesmo em ambientes internos, o casaco costuma permanecer. O conforto vem do acúmulo de camadas, não da retirada.

Estilo também é política térmica

Essa diferença diz muito mais do que parece. Em Beijing, o frio é público e o calor é coletivo. Em Shanghai, o frio é doméstico, íntimo e persistente. Isso muda o humor, o ritmo da vida — e o estilo.

No norte, o inverno favorece silhuetas mais limpas, casacos estruturados e visual funcional. A moda aparece sobretudo na peça externa. No sul, há mais camadas visíveis, mistura de tecidos e um estilo mais urbano e fashion, em que o conjunto inteiro comunica inverno.

No fundo, é quase uma equação política do vestir: no norte, o Estado aquece e o indivíduo se protege do frio externo; no sul, o Estado não aquece — e o corpo carrega o inverno.

A Linha Qinling-Huaihe: a fronteira invisível do frio

Essa diferença tem nome e história. A China é cortada por uma linha imaginária chamada Linha Qinling-Huaihe, formada pelo rio Huai e pela cordilheira de Qinling. Ela separa oficialmente o norte e o sul do país e funciona, até hoje, como fronteira climática e administrativa.

Ao norte da linha, o inverno é mais seco e rigoroso; ao sul, mais úmido e aparentemente mais ameno. Beijing fica ao norte dessa fronteira; Shanghai, ao sul. É essa linha que define onde o Estado garante aquecimento central — e onde não.

Uma decisão histórica que virou política pública

A origem dessa divisão remonta aos primeiros anos da República Popular da China, após 1949, sob a liderança de Mao Zedong (1893–1976). Com poucos recursos para reconstruir um país vasto e desigual, o novo Estado fez uma escolha pragmática: garantir aquecimento coletivo apenas nas regiões onde o frio era considerado extremo.

A Linha Qinling-Huaihe virou critério administrativo. Uma decisão técnica e econômica acabou moldando, por décadas, a experiência cotidiana de milhões de pessoas.

Conforto, carvão e problema

Essa política teve efeitos duradouros. No norte, ambientes internos aquecidos mesmo sob temperaturas extremas; no sul, casas frias e úmidas durante o inverno. Estudos indicam que a poluição gerada pelo aquecimento urbano baseado em carvão impactou a saúde dos moradores ao norte da Linha Qinling-Huaihe. O conforto térmico estatal teve um custo ambiental e corporal.

Transição energética e o inverno na China hoje

Esse modelo começou a ser tensionado a partir da década de 2010. Sob a liderança de Xi Jinping, a China passou a tratar o aquecimento urbano como questão ambiental estratégica, ligada à saúde pública e ao futuro climático.

A partir de 2013, com o Plano de Ação para Controle da Poluição do Ar, cidades como Beijing fecharam usinas a carvão, ampliaram o uso de gás e eletricidade, modernizaram sistemas de aquecimento e reduziram drasticamente o smog. Em 2018, o conceito de “Bela China” entrou na Constituição; em 2020, vieram as metas de pico de emissões antes de 2030 e neutralidade de carbono até 2060.

No sul, onde não há aquecimento central estatal, políticas de eficiência energética começaram a influenciar padrões de construção e isolamento térmico, buscando reduzir a desigualdade térmica doméstica.

A Linha Qinling-Huaihe não desapareceu, mas deixou de ser intocável. Ela passou a ser tensionada pela transição energética.

Mais do que clima

A Linha Qinling-Huaihe não separa apenas climas. Ela separa modos de viver o inverno. Onde o frio fica do lado de fora — e onde ele entra em casa.

Com a transição energética, essa experiência começa a mudar — e isso aparece no armário. No norte, aquecimento mais limpo e controlado. No sul, avanços graduais no conforto doméstico.

O resultado é concreto: menos improviso, mais planejamento. Menos excesso de roupa sem função, mais peças pensadas para funcionar. O armário de inverno passa a refletir não só o clima, mas escolhas energéticas e ambientais.

Moda não é detalhe. Ela mostra, no corpo e no cotidiano, como políticas públicas viram experiência vivida — e como até o jeito de enfrentar o frio muda quando o país muda.


Iara Vidal é pesquisadora independente dedicada ao estudo das interseções entre moda, política e cultura. Jornalista brasileira radicada em Beijing, trabalha como editora na CGTN em Português, emissora do Grupo de Mídia da China (CMG, na sigla em inglês).

Fonte: GGTN

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Marcas de luxo estão aproveitando a febre do Labubu https://www.ocafezinho.com/2025/09/24/marcas-de-luxo-estao-aproveitando-a-febre-do-labubu/ https://www.ocafezinho.com/2025/09/24/marcas-de-luxo-estao-aproveitando-a-febre-do-labubu/#respond Wed, 24 Sep 2025 13:16:10 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=217844 De item lúdico a objeto de desejo, o personagem criado por Kasing Lung redefine o que significa exclusividade no universo fashion

O que antes era apenas um brinquedo de caixa surpresa de US$ 27 agora movimenta cifras de luxo. As bonecas Labubu, criadas pelo artista Kasing Lung, deixaram de ser simples colecionáveis para se tornarem um dos acessórios mais desejados no universo fashion — e as grandes maisons perceberam o potencial.

O monstrinho de aparência fofa e ao mesmo tempo desajeitada, com orelhas de coelho e dentes tortos, já se transformou em ícone de status. Celebridades como Lisa, integrante do Blackpink, exibem seus Labubus lado a lado com bolsas da Louis Vuitton e Hermès, provando que o boneco não é apenas um item lúdico, mas também uma extensão do estilo de luxo contemporâneo.

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O apelo do personagem ganhou tanta força que hoje movimenta valores muito acima de seu preço original. Em junho, uma coleção especial com 14 Labubus personalizados — incluindo colaborações da Carhartt e da marca japonesa Sacai — arrecadou US$ 337.500 em leilão, com uma única peça sendo arrematada por US$ 31.250. No universo dos acessórios, os chamados “Lablingblings”, versões incrustadas de cristais criadas pela A-Morir, podem custar cerca de US$ 500 e levam até seis semanas para chegar às mãos dos compradores, como revelou a campeã de tênis Naomi Osaka, fã declarada da peça.

E as novidades não param por aí. Em poucas semanas, a maison parisiense Moynat lançará uma coleção exclusiva com bolsas de lona monogramadas a partir de US$ 2.150, além de pingentes de bolsa de US$ 450. O projeto inclui ainda outros personagens do universo de Lung, reforçando a conexão da grife francesa de 176 anos com a cultura pop contemporânea.

Esse movimento não é isolado. O mercado de luxo tem abraçado personagens icônicos para dialogar com consumidores mais jovens e antenados. Marcas como Tiffany, Loewe e Omega já apostaram em figuras como Pikachu, Totoro e até Snoopy. Os resultados impressionam: o relógio Speedmaster “Silver Snoopy” de 2015, vendido originalmente por US$ 7.350, hoje pode atingir quase US$ 38.000 no mercado secundário, segundo a WatchCharts. Já as duas coleções da Jimmy Choo com Sailor Moon esgotaram em tempo recorde. Outras casas seguem criando seus próprios mascotes, como a Louis Vuitton, que lançou neste ano o “Louis Bear”, pingente de pelúcia para bolsas.

Segundo Jeff Lindquist, sócio do Boston Consulting Group, a tendência não é passageira. Ele explica que o apelo da fofura ultrapassa o óbvio. “Ser fofo não é trivial. É estratégico. Funciona incrivelmente bem em plataformas como o TikTok, onde viralidade e relevância cultural impulsionam a visibilidade e a desejabilidade das marcas”, afirmou à CNBC.

Na Moynat, a aposta vai além do hype. Bertrand Le Gall, diretora de imagem e comunicação da maison, acredita que colaborações como a com Lung ajudam a manter a tradição viva sem perder conexão com o presente. “Os elementos fofos, embora tenham um profundo valor artístico e de design, acho que estamos explorando o valor emocional de tudo. Esse valor é muito importante quando se trata de uma casa como a nossa, com um legado e um histórico tão longos.”

No fim, o Labubu mostra que luxo também pode ser divertido, lúdico e até excêntrico — desde que carregue consigo a aura de exclusividade. O monstrinho que nasceu como brinquedo de caixa surpresa hoje é protagonista de um fenômeno global que une cultura pop, moda e desejo.

O “elemento de fofura” que conquista a Geração Z

A maison francesa Moynat fez uma parceria com Kasing Lung, o artista por trás da Labubu, para uma coleção limitada de bolsas e acessórios.
Cortesia de Moynat
A força da fofura, aliada à cultura pop, se tornou a estratégia mais sofisticada do mercado de luxo para seduzir novas gerações / Moynat

Mais do que um objeto de desejo, o Labubu tornou-se um reflexo de comportamento. Segundo Jeff Lindquist, do Boston Consulting Group, os jovens consumidores da Geração Z buscam valor emocional acima de tudo — e isso explica por que monstrinhos sorridentes podem hoje rivalizar em relevância com bolsas clássicas ou joias atemporais.

A inflação e a instabilidade econômica fizeram com que muitos reduzissem gastos em itens tradicionais de luxo. Mas, em vez de se afastarem do setor, eles passaram a procurar produtos que dialoguem diretamente com identidade, crenças e estilo de vida. “A Geração Z vê o luxo menos como artesanato, arte e status e mais como espelhos de suas identidades e crenças”, disse Lindquist.

Daniel Langer, professor de estratégia de luxo na Pepperdine University, compara o apelo dos personagens ao das próprias celebridades: eles carregam narrativas, simbolizam universos e atraem fãs fiéis. Para ele, parte da mágica está justamente na “emoção da caça”. O colecionador que encontra um Labubu raro ou consegue garantir uma peça de edição limitada tem uma história para contar — e essa experiência pessoal é tão valiosa quanto o objeto em si. Não por acaso, a coleção da Moynat não será vendida online e seguirá um cronograma exclusivo: de 11 de outubro até o início de 2026, apenas uma loja da grife por vez receberá os produtos.

Langer fala por experiência própria. Ele relembra a saga para conseguir um Labubu autêntico e acessível para presentear sua filha. “Foi uma grande empreitada”, descreveu.

Oportunidade ou risco?

Para especialistas, colaborações como essa oferecem às marcas um espaço para arriscar. Alexander Thiel, consultor e ex-líder do setor de bens de consumo da McKinsey na Suíça, explica: “As colaborações dão a você uma licença aos olhos do consumidor para fazer algo que, de outra forma, seria inesperado para sua marca e, portanto, abri-la para um novo público.”

Mas nem tudo é garantia de sucesso. Thomai Serdari, professora de marketing da Universidade de Nova York, alerta que nem todas as marcas podem se aventurar nesse terreno. A Loewe, por exemplo, acertou ao abraçar personagens do Studio Ghibli, como Totoro, em três coleções de grande sucesso. No entanto, uma marca com perfil mais tradicional provavelmente não teria a mesma recepção. “No caso da Loewe, fez todo o sentido, porque eles fizeram uma mudança intencional de algo muito discreto e muito tradicional, de luxo silencioso, antes da aquisição pela LVMH. Então, dentro do portfólio da LVMH, eles se tornaram a criança criativa, a marca menor que experimenta e é divertida”, disse Serdari.

Ela ainda faz um alerta: perseguir tendências pode ser perigoso. Fenômenos como a “Labubumania” podem desaparecer tão rápido quanto surgiram.

O impacto no mercado e o futuro incerto

A Pop Mart, fabricante oficial dos Labubus, já sente os efeitos dessa volatilidade. As ações da companhia caíram cerca de 21% desde o pico em agosto, refletindo preocupações de analistas sobre a possível perda de fôlego da febre. Apesar disso, os papéis ainda acumulam alta próxima a 200% no ano, e muitos analistas seguem otimistas. Para Lina Yan, do HSBC, ainda é cedo para falar em esgotamento. Ela lembra que as primeiras grandes colaborações internacionais — como a com a Coca-Cola, em 2024 — começaram há pouco tempo.

“A oferta e a demanda de Labubus não oscilarão 180 graus”, escreveu Yan em relatório. “Acreditamos que é muito cedo para prever um pico.”

O futuro do Labubu pode ser incerto, mas especialistas concordam que o fenômeno diz muito sobre os tempos atuais. Thiel acredita que o apelo do boneco, assim como de outros acessórios “fofos”, reflete um desejo coletivo por leveza diante das incertezas econômicas e sociais. “Vemos que há muita ansiedade e muita incerteza, não apenas nas camadas socioeconômicas que enfrentam dificuldades financeiras, mas em todos os níveis. Acho que não é surpreendente que haja um certo apego à integridade e a esse elemento de fofura. Acho que isso fala de algo mais profundo.”

No fim das contas, o Labubu vai além do modismo: ele representa um escape emocional, um símbolo cultural e, acima de tudo, um lembrete de que, até mesmo no universo do luxo, a fofura pode ser um ativo poderoso.

Com informações de CNBC*

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Armani e Dior são investigadas na Itália após acusação de trabalho escravo https://www.ocafezinho.com/2024/07/17/armani-e-dior-sao-investigadas-na-italia-apos-acusacao-de-trabalho-escravo/ https://www.ocafezinho.com/2024/07/17/armani-e-dior-sao-investigadas-na-italia-apos-acusacao-de-trabalho-escravo/#respond Wed, 17 Jul 2024 21:30:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=188488 A autoridade de concorrência da Itália diz que está investigando se as marcas de luxo Armani e Dior enganaram os consumidores, após investigações de promotores sobre exploração de trabalhadores em fornecedores dos dois grupos.

“Em ambos os casos, as empresas podem ter emitido declarações falsas sobre sua ética e responsabilidade social, em particular no que diz respeito às condições de trabalho e ao cumprimento da lei por seus fornecedores”, disse o órgão de fiscalização da concorrência nesta quarta-feira (17).

Observou que as empresas “enfatizaram o artesanato e a qualidade”.

“No entanto, para fabricar certos artigos e acessórios de vestuário, as empresas supostamente usaram suprimentos de oficinas e fábricas que empregavam trabalhadores que recebiam salários inadequados”, acrescentou.

“Além disso, tais trabalhadores trabalhariam horas acima dos limites legais e em condições inadequadas de saúde e segurança, em contraste com os níveis de excelência de produção dos quais as empresas se orgulham.”

Promotores em Milão descobriram oficinas nos arredores da capital da moda da Itália neste ano, onde trabalhadores mal pagos, geralmente imigrantes que estavam no país ilegalmente, produziam bolsas de couro e depois vendiam para Armani e Dior por uma pequena fração do preço de varejo.

Eles colocaram sob investigação vários fornecedores italianos de propriedade chinesa da Dior e da Armani, ao mesmo tempo em que nomearam comissários para supervisionar as unidades dos dois grupos que terceirizaram a produção de bolsas para garantir que eles resolvessem seus problemas na cadeia de suprimentos.

O logotipo da grife Giorgio Armani é visto do lado de fora de uma loja em Milão, Itália, em 8 de abril de 2024 / Claudia Greco / Reuters

A Dior, controlada pela gigante francesa de luxo LVMH, disse que estava cooperando com as autoridades italianas e que reforçaria suas verificações sobre fornecedores.

“Nenhum novo pedido será feito no futuro com esses fornecedores”, disse.

“Apesar das auditorias regulares, esses dois fornecedores evidentemente conseguiram esconder essas práticas”, acrescentou.

O Armani Group expressou confiança em um “resultado positivo após a investigação [antitruste]”, dizendo em um comunicado que suas empresas estavam totalmente comprometidas em cooperar com as autoridades e que acreditava que as alegações não tinham mérito.

A autoridade antitruste realizou buscas na terça-feira nas empresas dos grupos Armani e Dior alvos de sua investigação, disse.

Eles foram colocados sob investigação “por possível conduta ilícita na promoção e venda de artigos e acessórios de vestuário, em violação ao Código do Consumidor [italiano]”, afirmou.

Violações do código do consumidor na Itália geram multas que variam de 5.000 euros a 10 milhões de euros.

Via Agências de Notícias

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#FashionTrend: comunicação de moda ganha nova roupagem nas mídias sociais https://www.ocafezinho.com/2024/06/12/fashiontrend-comunicacao-de-moda-ganha-nova-roupagem-nas-midias-sociais/ https://www.ocafezinho.com/2024/06/12/fashiontrend-comunicacao-de-moda-ganha-nova-roupagem-nas-midias-sociais/#respond Wed, 12 Jun 2024 22:42:07 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=185397 Jornalistas e criadores de moda alertam para a banalização da crítica na internet.

O espaço-tempo que separava as notícias das passarelas para as capas de revistas foi encurtado. Atualmente, com um celular na mão, a multidão de influenciadores digitais consegue entregar seus conteúdos para sua vasta lista de seguidores em tempo real. Segundo a repórter de moda e beleza da revista Capricho, Sofia Duarte, driblar a velocidade que a internet demanda das notícias é um dos principais desafios enfrentados por jornalistas na atualidade. “No meu trabalho, tenho dificuldade de captar o público para ler matérias mais densas e aprofundadas. Com o TikTok e as redes sociais, tudo tem que ser rápido, pra ontem. Entender os limites entre o tempo da internet e a banalização dos conteúdos é complicado”, afirmou a repórter.

Além disso, com a rapidez que a mídia social requer, muitas etapas para se compreender os fatos foram se perdendo. No curso de comunicação, por exemplo, um jornalista é ensinado a realizar apurações, entrevistas e depois fazer uma análise dos dados coletados para poder escrever seu texto. Na área da moda o processo é o mesmo: para uma notícia ser publicada em um portal ela tem que ser checada e embasada. “Um trabalho jornalístico, de fato, tem fontes, respaldo, referências, credibilidade e apuração”, acrescenta Sofia. Isso impede que informações erradas ou incompletas sejam repercutidas.

“Muitas desinformações de moda vêm das redes sociais e da ânsia por conteúdos rápidos, o que pode acabar pulando passos importantes da própria apuração jornalística”, completa.

A velocidade do tempo digital não é o único fator que compromete a informação fundamentada sobre moda. As análises de desfiles, marcas, designers criativos, entre outros componentes do mundo fashion, seguem uma linha de estudo de histórico e conceitos do que foi apresentado. As críticas postadas nas plataformas de vídeo se atentam a esse processo?

Críticas são criticadas 

Para um lançamento de coleção, por exemplo, desde o casting de modelos até a escolha do ambiente do desfile, todos os detalhes fazem parte da construção da narrativa que o diretor criativo e a marca desejam passar. Nenhum componente na moda é colocado sem contexto, tudo tem uma mensagem. Por esse motivo, a criadora do portal “Não é Moda”, Lella Parma, cita a importância de um estudo aprofundado para se tornar um bom crítico. “Para você ser um crítico fashion tem que ter estudo. Não adianta dar só sua opinião e tá tudo certo, você tem que ter estudo, tem que ter embasamento e tem que entender o que aconteceu antes para entender o que está acontecendo hoje”, ressalta a comunicadora.

O impacto da propagação dessas opiniões sem embasamentos e estudos prévios chega até o ciclo dos artistas de moda. Nesta perspectiva, o fashion designer e diretor de arte Marlon Santos reflete sobre a credibilidade dos criadores digitais como comentaristas de moda. Para ele, nem sempre o influencer é capaz de julgar uma criação como “boa” ou “ruim”. O trabalho artístico vai além daquilo que é apresentado na internet.

“As pessoas confundem sobre elas terem influência sobre algo e acharem que tem influência sobre algum tipo de arte ou sobre um mundo mais complexo do que a internet. Eu tenho na minha cabeça que nem os próprios criadores podem validar o que é bom ou ruim. Podemos apenas enxergar pontos positivos e negativos sobre suas falas e guardar para nós mesmos”, conclui Marlon.

A ética e a responsabilidade são pontos importantes para que uma crítica seja reconhecida. As visualizações e engajamentos nem sempre serão sinônimos de um bom conteúdo. Dessa forma, para poder obter um bom filtro de informações na internet é preciso se atentar ao que o usuário acompanha e consome diariamente. Quando abre o aplicativo, quem você está assistindo?

Aos 20 anos, o estudante de jornalismo, Luana Rafael, se preocupa em consumir conteúdos informativos de moda com comunicadores digitais que se comprometem a trazer informações embasadas. “Eu seleciono quem sigo e acompanho, não é só porque comentam sobre uma fashion week que vou entender que esse comunicador é um especialista no assunto. […] Procuro sempre acompanhar jornalistas ou estudantes de moda para que eu consiga entender os conceitos e as diversas interpretações de quem estuda o assunto”, afirma a estudante.

O modelo pelo qual podemos nos comunicar na internet é variado: do sonoro ao audiovisual, existe de tudo um pouco. A questão é como filtrar esse mar de vozes para que se possa adquirir informações embasadas e confiáveis. Nadar na contra-corrente das tendências e consumir conscientemente é um possível caminho. “De dois anos pra cá, muitos criadores de conteúdo conseguem trazer um olhar mais político sobre a moda e tirar o mundo fashion daquela futilidade que acham que é”, completa Lella.

Portais, comunicadores e pessoas públicas que trabalham com moda na internet podem ser fontes de pesquisa, desde que abordem a questão com complexidade e importância. Acompanhar esses conteúdos pode abrir portas para novos caminhos e fornecer acessibilidade para o universo fashion se expandir. “O ponto positivo que eu enxergo entre as influências da internet no mundo artístico é que eles conseguem dar acesso a algumas realidades que, anos atrás, você só teria sendo fã desse nicho”, conclui Marlon Santos.

“A questão do estudo é o divisor de águas para você ser só um comentarista que fala o que acha ou para ser um crítico fashion, porque não adianta bater palma para tudo que acontece e fechar os olhos para algumas problemáticas que o mundo da moda ainda tem.”

Lella Parma 

Matéria feita por Anna Finamor, para o Fashion And The City.

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Opinião: Mulheres jovens estão fugindo da religião https://www.ocafezinho.com/2024/06/12/opiniao-mulheres-jovens-estao-fugindo-da-religiao/ https://www.ocafezinho.com/2024/06/12/opiniao-mulheres-jovens-estao-fugindo-da-religiao/#respond Wed, 12 Jun 2024 22:37:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=185394 Isso era previsível.

Alexis Draut, 28, foi criada como cristã em Kentucky. Seus pais a levavam, junto com sua irmã, a megachurches não denominacionais que aderiam a muitos ideais batistas e pentecostais, disse ela. Quando criança, ela adorava o modo como cada serviço parecia “um concerto”, cheio de música e luz, e fez muitos amigos através da igreja. Ela frequentou o Berry College na zona rural da Geórgia, um lugar que ela descreveu como “imbuído de cultura sulista, onde a religião é incrivelmente importante”.

Mas, mesmo cercada por crentes como estudante universitária, Draut começou a questionar alguns dos valores com os quais foi criada. Especificamente, ela criticou “o sexismo, a cultura da pureza, e ser limitada como mulher”. Ela não podia suportar a ideia de que “você só tem esses papéis específicos de ter filhos, cuidar das crianças, cozinhar e ser submissa ao seu marido”, disse ela. “Isso também foi por volta da época em que Donald Trump foi eleito presidente”, acrescentou Draut. “Então, eu não queria me associar a esse tipo de evangelismo.”

Draut é representativa de uma tendência emergente: mulheres jovens deixando a igreja “em números sem precedentes”, como Daniel Cox e Kelsey Eyre Hammond escreveram em abril para o boletim informativo de Cox, American Storylines. Cox e Hammond, que trabalham no Survey Center on American Life no American Enterprise Institute, explicam: “Desde que começamos a conduzir pesquisas sobre religião, os homens consistentemente demonstraram níveis mais baixos de engajamento religioso. Mas algo mudou. Uma nova pesquisa revela que o padrão agora se inverteu.”

Enquanto, ao longo do último meio século, americanos de todas as idades, gêneros e origens se afastaram da religião organizada, como escrevi em uma série sobre os “nones” religiosos — ateus, agnósticos e pessoas sem afiliação específica — as mulheres jovens agora estão se desassociando da religião organizada em porcentagens maiores do que os homens jovens. E as mulheres que questionam as crenças e práticas de várias religiões, especialmente diferentes tradições cristãs, é algo que tenho lido cada vez mais.

Cox e Hammond escrevem:
“O que é notável é o quanto as diferenças geracionais são maiores entre as mulheres do que entre os homens. Os homens da Geração Z são apenas 11 pontos mais religiosamente desassociados do que os homens da geração baby boomer, mas a diferença entre as mulheres é quase duas vezes e meia maior. Trinta e nove por cento das mulheres da Geração Z são desassociadas em comparação com apenas 14 por cento das mulheres da geração baby boomer.”

A proporção de mulheres millennials desassociadas é bastante próxima à das mulheres da Geração Z — 34 por cento. A grande mudança parece ter ocorrido entre a Geração X e os millennials, pois apenas 23 por cento das mulheres da Geração X se descrevem como “nones”, de acordo com a análise de Cox e Hammond. Eles argumentam que, cada vez mais, há uma incompatibilidade cultural entre as mulheres jovens — que são mais propensas a se chamarem feministas e apoiarem os direitos LGBTQ e os direitos reprodutivos — e os ensinamentos de algumas das maiores denominações cristãs na América, que estão se inclinando para a direita e adotando ideias mais retrógradas sobre o papel das mulheres em suas organizações.

A Igreja Batista do Sul, a maior denominação protestante do país, pode ser o exemplo mais evidente dessa tensão. Como minhas colegas de redação Elizabeth Dias e Ruth Graham relataram no ano passado, uma ala “ultraconservadora” da liderança da igreja mostrou sua força e votou para barrar mulheres de suas fileiras de liderança, expulsando várias igrejas que mantinham pastoras. A votação final sobre o assunto está ocorrendo nesta semana na convenção anual da denominação.

“O ataque às mulheres”, relataram Dias e Graham, “é, à primeira vista, sobre interpretação bíblica. Mas também decorre das crescentes ansiedades que muitos evangélicos têm sobre o que veem como normas rapidamente mutáveis em torno de gênero e sexualidade na América.”

Melody Maxwell, professora associada de história cristã no Acadia Divinity College na Nova Escócia, me disse que não é realmente uma surpresa que a ala conservadora dos Batistas do Sul se opôs às mulheres como pastoras. Desde a década de 1970, ela disse, “a S.B.C. tem reforçado papéis de gênero mais conservadores para as mulheres.”

Essa direção incluiu a ideia de “complementarianismo”, a noção de que homens e mulheres têm papéis diferentes na vida que são definidos e afirmados por Deus. (Essa visão é compreendida de várias maneiras e há muita discordância sobre como ela é interpretada.)

Em um artigo de 2021 para o Berkley Forum da Universidade de Georgetown, Maxwell explicou que anos antes, os Batistas do Sul dobraram a aposta em uma visão específica de complementarianismo “com a publicação da Baptist Faith & Message 2000, que proclamava que as esposas deveriam se submeter aos seus maridos e que os pastores deveriam ser homens”. Mesmo assim, houve mulheres na S.B.C. que ganharam grande destaque como professoras de Bíblia e palestrantes fora do papel formal de pastora; várias pessoas mencionaram para mim Beth Moore, que deixou a S.B.C. em 2021 devido ao tratamento da denominação em relação aos escândalos de abuso sexual e à aceitação de muitos membros de Trump.

Ao longo dos anos, o reforço de crenças conservadoras sobre gênero (e sobre sexualidade e fertilização in vitro, que, de acordo com o presidente do comitê de ética da S.B.C. em uma carta ao Senado dos EUA, “resulta especificamente em dano às crianças não nascidas e aos pais”) colocou várias denominações em rota de colisão com as atitudes dos americanos religiosos sobre igualdade de gênero. O choque iminente é evidente quando se olha para as pesquisas dos últimos 50 anos.

Em seu livro de 2010, “American Grace: How Religion Divides and Unites Us”, Robert Putnam e David Campbell descrevem a mudança nas atitudes entre os americanos religiosos que começou a ocorrer na década de 1970. Mulheres religiosas entraram na força de trabalho em taxas semelhantes às das mulheres seculares, escrevem Putnam e Campbell. Talvez surpreendentemente, “à medida que os americanos se tornaram mais liberais em questões de gênero nas décadas seguintes, os americanos religiosos se tornaram feministas pelo menos tão rápido quanto, e às vezes até mais rápido do que, os americanos mais seculares”.

“Em 2006, a maioria de todas as tradições religiosas, exceto os mórmons, passou a favorecer mulheres como clérigas.” Além disso, os autores escrevem, “quase três quartos dos americanos disseram que as mulheres têm pouca influência na religião, uma opinião amplamente compartilhada em praticamente todas as tradições religiosas, tanto por homens quanto por mulheres.” Ao observar os cristãos evangélicos em particular, Putnam e Campbell observam: “Embora os evangélicos como grupo sejam um pouco mais céticos” sobre o que os autores chamam de feminismo religioso, “essa diferença está quase inteiramente concentrada em uma minoria extremamente fundamentalista de evangélicos.”

Desde que Trump surgiu na cena política em 2015, no entanto, as vozes dessa minoria se tornaram mais altas e agressivas. Ryan Burge, cientista político da Eastern Illinois University e autor de “The Nones: Where They Came From, Who They Are and Where They Are Going”, me disse que a combinação da queda no número de protestantes evangélicos brancos e a influência de Trump encorajou alguns cristãos conservadores a se tornarem mais extremistas em suas mensagens.

Esses conservadores argumentam, por exemplo, que a S.B.C. está perdendo adeptos porque se tornou muito liberal em relação à liderança feminina, disse Burge, e o estilo retórico de Trump “deu permissão aos conservadores para serem tão conservadores quanto quiserem para dizer coisas inflamadas. E as mídias sociais permitiram que isso proliferasse e metastatizasse de maneiras que não seriam possíveis há 20 anos, 15 anos, até mesmo 10 anos.”

Embora várias denominações permitam que as mulheres sejam ordenadas, quanto mais as atitudes conservadoras sobre os papéis de gênero são culturalmente associadas ao cristianismo, mais as mulheres jovens vão se sentir alienadas. A religião americana é uma história de mudança constante, e acredito que seria melhor para a sociedade, e mais saudável para a frequência à igreja, se as denominações evoluíssem. Em “American Grace”, Putnam e Campbell citam o historiador Laurence Moore, que escreveu: “A religião permaneceu viva e relevante para a vida nacional refletindo o gosto popular.”

Por sua parte, Alexis Draut experimentou outras denominações nos últimos anos. “Acho que há beleza em todos os lados do espectro, e há coisas boas em todos os caminhos da religião”, disse ela. Mas, no fim das contas, ela descobriu que não conseguia superar o sexismo e os limites à sua individualidade que ela associa a ser uma cristã praticante. “Eu meio que tenho me concentrado na minha espiritualidade individual, seja lá o que isso possa significar”, disse ela, “ou até mesmo em não fazer nada espiritual”.

Via The New York Times.

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Como a chinesa Shein superou a Zara e foi pioneira no fast fashion 2.0 https://www.ocafezinho.com/2023/12/13/como-a-chinesa-shein-superou-a-zara-e-foi-pioneira-no-fast-fashion-2-0/ https://www.ocafezinho.com/2023/12/13/como-a-chinesa-shein-superou-a-zara-e-foi-pioneira-no-fast-fashion-2-0/#respond Wed, 13 Dec 2023 13:50:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=170419 Reuters – Com a Inditex (ITX.MC) e a H&M (HMb.ST) , dona da Zara , preparadas para divulgar seus resultados de vendas mais recentes, os investidores estarão focados em uma questão importante: como as duas estão acelerando? pioneiros da moda respondendo ao atual líder de mercado, Shein?

Shein tem uma avaliação enorme e está preparada para um IPO . Com vendas quase inteiramente online, o retalhista gerou cerca de 23 mil milhões de dólares em receitas globais em 2022, de acordo com a empresa de investigação Coresight.

A Shein representou quase um quinto do mercado global de fast fashion em 2022, ultrapassando a Zara e a H&M. Os preços baixos da Shein – camisetas de US$ 5 e suéteres de US$ 10 – também atraem compradores que, de outra forma, teriam comprado em lojas de roupas com desconto.

“A verdadeira força da Shein é reconhecer que eles não têm ideia do que você quer vestir”, disse Rui Ma, analista e fundador do boletim informativo Tech Buzz China. “Eles confiam na capacidade de aumentar a produção muito rapidamente.”

Para a Inditex, que divulga resultados na quarta-feira, e a H&M, que divulga vendas trimestrais na sexta-feira, o retalhista eletrónico fundado na China emergiu como uma grande ameaça no mercado de vestuário e acessórios baratos.

Em 6 de dezembro, o analista do Deutsche Bank, Adam Cochrane, rebaixou a Inditex e a H&M para uma classificação de “venda”, citando desafios que incluem a deflação dos preços do vestuário e a pressão da Shein e de seu concorrente em rápido crescimento, Temu, de propriedade da PDD .

A H&M não quis comentar sobre a participação de mercado da Shein. Zara não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

Shein domina quase um quinto do mercado de varejo de fast fashion. Gráfico: Reuters

Com certeza, Shein tem algumas características em comum com Zara e H&M , que são frequentemente creditadas por liderar o conceito de replicar looks de passarela e trazê-los aos compradores por menos, também conhecido como “fast-fashion”.

Todos os três varejistas enfrentaram críticas por supostamente roubarem designs de outras marcas, mas alguns críticos dizem que o ciclo de produção super-rápido da Shein a torna um infrator especialmente flagrante.

Um processo em julho por violação de propriedade intelectual alegou que Shein usa inteligência artificial e um algoritmo proprietário para vasculhar a Internet em busca de ideias de design, às vezes resultando em plágio direto.

Mas a principal estratégia da Shein, segundo analistas e investidores, é recorrer a uma rede de fornecedores, em grande parte baseados na China, que contrariam as tendências tradicionais de produção, aceitando pequenas encomendas iniciais e aumentando a escala com base na procura.

Essa cadeia de abastecimento ultraflexível permitiu à Shein criar um modelo de negócio fundamentalmente diferente dos players estabelecidos de fast fashion como a Zara e a H&M, que foram pioneiras em prazos de produção mais curtos, mas que ainda dependem em grande parte da previsão dos estilos que os compradores irão comprar.

“Na maior parte, uma Zara ou uma H&M ainda estão antecipando as tendências da moda, pré-encomendando esse produto entre três a 12 meses antes da venda e comprometendo-se com volumes de pedidos bastante grandes”, disse Simon Irwin, ex-analista do Credit Suisse que pesquisou as estratégias de preços de Shein.

Um estudo de 2022 descobriu que Shein normalmente recebe pedidos dentro de cinco a sete dias e pode então enviar os produtos diretamente aos consumidores por frete aéreo.

O envio ainda pode levar até duas semanas , dependendo do produto e da localização do comprador. No entanto, o modelo direto ao consumidor dá à Shein uma vantagem sobre os varejistas tradicionais, que devem distribuir roupas em uma rede global de lojas e manter esses locais abastecidos, de acordo com Sheng Lu, professor de estudos de moda e vestuário na a Universidade de Delaware.

Patricia Cifuentes, analista sênior da divisão de valores mobiliários da Bestinver, que detém ações da Inditex, disse que a velocidade de entrega é uma vantagem fundamental para a Zara em comparação com a H&M e até mesmo com a Shein.

“Quanto mais cedo um cliente receber a peça, menor será a probabilidade de devolvê-la. Portanto, a Inditex quer ser a mais rápida no envio do produto, mas também se você não gostar, eles querem colocá-lo de volta no sistema como o mais rápido possível para maximizar as chances de venda pelo preço total.”

De novembro de 2022 a novembro de 2023, Zara e H&M trouxeram respectivamente 40 mil e 23 mil novos itens para o mercado norte-americano, segundo dados da Lu. Os dados analisam as “unidades de manutenção de estoque”, ou SKUs, de cada varejista, usadas para identificar produtos individuais, incluindo diferentes tamanhos da mesma peça de roupa.

A Shein lançou 1,5 milhão de produtos no mesmo período – 37 vezes mais que a Zara e 65 vezes mais que a H&M.

E embora ambas as empresas ainda trabalhem com fornecedores na China, a Inditex e a H&M têm grandes bases de produção noutros países.

Em 2022, 98% da produção da Inditex estava baseada em 12 países, incluindo Portugal, Marrocos, Turquia e Espanha, onde a empresa está sediada. A H&M considera Bangladesh, juntamente com a China, como seu maior mercado de produção de roupas, disse um porta-voz.

A Shein recusou-se a comentar sobre a sua rede de fornecedores, mas registos recentes de importação mostram que praticamente todos os seus produtos importados a granel para os EUA vieram da China.


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Afinal, qual é a novidade da moda sem gênero? https://www.ocafezinho.com/2016/06/24/afinal-qual-e-a-novidade-da-moda-sem-genero/ https://www.ocafezinho.com/2016/06/24/afinal-qual-e-a-novidade-da-moda-sem-genero/#comments Fri, 24 Jun 2016 15:38:22 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=48955 6 Comentários 🔥]]> Por Marina Martins, editora de Moda do Cafezinho

Nomes da moda têm lançado coleções e desfilado modelos genderless, mas o que é realmente inovador para as ruas?

Já sabemos que, muitas vezes, a indústria da moda pode ser cruel ao nos apresentar peças surreais em tamanhos que beiram a modelagem infantil, impõe tendências limitadas a determinados padrões de beleza, mantém preços inacessíveis a grande parte da população e exclui, assim, uma possível diversidade de consumidores. Contudo, nos últimos tempos, temos nos deparado com alguns nomes da indústria fashion buscando maior pluralidade ao “dar o pontapé inicial” para quebrar as barreiras entre as vestimentas dos guarda-roupas de homens e mulheres. Mas afinal, qual é a novidade da tendência genderless?

Anunciada como um estilo neutro, agender ou ungendered, essa nova onda ganhou força principalmente no início deste ano, com Jaden Smith, filho de Will Smith, vestindo roupas femininas para a Louis Vuitton. Outros nomes, como Gucci e Prada também aderiram ao movimento, colocando mulheres para desfilar em suas coleções masculinas, na última Semana da Moda Masculina, em Milão.

No Brasil, há alguns meses e de forma ainda muito ponderada, a C&A lançou uma coleção chamada “Tudo Lindo e Misturado”, com fundamentos genderless e estampada por um homem usando um vestido floral em sua nova campanha. No entanto, tal coleção parece ter ficado apenas em suas propagandas, já que nos cabides das lojas não havia nenhuma novidade além do que estamos acostumados a encontrar em cada seção – ainda bem divididas por gênero.

Contudo, em meio a esses holofotes mais focados em publicidade do que em manequins, alguns estilistas levam a sério o assunto, esquecendo quaisquer tipos de divisões, como é o caso da marca gaúcha Också, fundada há 3 anos pelos estilistas Igor Bastos e Deisi Witz e que vai desfilar a próxima coleção piloto no Fashion Gallery, do New York Fashion Week, em setembro. “Na modelagem das nossas peças unimos elementos geométricos e formas mais orgânicas. Pensamos puramente em roupas, não em definições. Nossa proposta é desenvolver um vestuário livre de preconceitos, em que as pessoas tenham a liberdade de vestir o que e como elas quiserem”, conta Witz.

Mas voltemos algumas décadas, quando nos anos 1920, Coco Chanel em sua transgressão, incluiu peças masculinas nos guarda-roupas das mulheres da época. Ou, em 1960, quando Yves Saint Laurent lançou o smoking feminino e as mulheres também passaram a usar jeans e camisas sem gola, ganhando um novo poder e nova atitude pública. Pelo menos para as mulheres, não há novidade em usar roupas masculinas com o objetivo de demolir padrões ou, até mesmo, ganhar autonomia e confiança em uma sociedade que sempre viu a feminilidade como um ponto fraco.

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Por outro lado e com gritantes exceções, como Bruno Gagliasso ou Jared Leto, ainda é extremamente difícil e raro encontrar um homem que realmente esteja disposto a adotar uma moda genderless – que não se limite às calças ou camisas de cortes padrão para ambos os gêneros, mas sim, a usar peças realmente ligadas ao look feminino, como saias e vestidos.

Ainda que alguns estilistas tenham tentado incluir essa peça em suas campanhas recentes, como a Givenchy, esta não é uma tendência que tenha tomado as ruas ou seduzido o cotidiano dos homens. Afinal, por que há uma resistência tão forte para que os homens abracem essa ideia?

Longe das passarelas e do mainstream, é inegável a repressão social contra os homens que resolvem adotar qualquer tipo de peça ou assessório que remeta ao universo feminino, uma vez que persistem associações e estigmas com vulnerabilidade e fraqueza. O verdadeiro sinônimo de contravenção de gênero não cabe mais ao público feminino, mas sim, a um público revestido por padrões ainda submersos em uma afirmação constante da masculinidade.

O auge dessa tendência nos mostrou que há ainda muito o que se discutir e desconstruir para combater essa cultura e resistência tão enraizada na nossa sociedade. Por outro lado, a boa notícia é que, aos poucos, podemos observar tímidos sinais de que há algo caminhando para uma mudança em relação a libertação de tais padrões, como vem acontecendo com os uniformes escolares no Reino Unido. Ao todo, 80 escolas estaduais, das quais 40 são primárias, adotaram a política do uniforme sem gênero. Precursor neste movimento, o Brighton College é uma escola privada da Inglaterra, que passou a permitir que seus alunos escolham entre uma saia e casaco ou blazer e calça.

Ainda que pareça – e realmente esteja – muito longe de uma realidade palpável quando falamos de moda genderless envolvendo o consumidor masculino nas ruas, no escritório ou até mesmo em uma confraternização de família, já é possível identificar que esta não é somente uma questão de estilo, mas de construção e liberdade – como a moda já nos mostrou tantas vezes.

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Quando o feminismo foi um aliado na história da moda https://www.ocafezinho.com/2016/06/10/quando-o-feminismo-foi-um-aliado-na-historia-da-moda/ https://www.ocafezinho.com/2016/06/10/quando-o-feminismo-foi-um-aliado-na-historia-da-moda/#comments Fri, 10 Jun 2016 21:30:15 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=47841 3 Comentários 🔥]]> Por Marina Martins, editora de Moda do Cafezinho

Um retrato de como a vestimenta representou a luta das mulheres pela igualdade social desde o século XIX

Seja inclusiva, excludente ou classificatória, uma análise da história da moda nos permite situar não apenas as mudanças relacionadas aos trajes de cada época, mas também compreender a sociedade e as representações do corpo feminino ao longo dos últimos 150 anos. Como uma vitrine das épocas, a moda é capaz de identificar os costumes, comportamentos e motivações dos indivíduos, sendo uma ilustração real e com poder suficiente para dizer mais sobre a sociedade do que muitas outras formas de expressão. E, em toda essa galeria de representações, o feminismo não poderia deixar de se ver figurado.

O mundo fashion é conhecido por ter oprimido e privado muitas mulheres a partir de suas regras ditatoriais presentes nos editoriais de grifes influentes no mercado, sendo um evidente obstáculo em sua busca pela liberdade. Por outro lado, esse universo já foi capaz de ser um grande aliado do publico feminino e suas lutas por igualdade de gênero.

Tímida ou audaciosamente, desde o final do século XIX e começo do século XX, as mulheres exigiram seu direito ao voto, tomaram seus lugares no mercado de trabalho, decidiram o momento da sua maternidade, se tornaram independentes, conquistaram alguns papéis de lideranças, mas ainda há muito o que se fazer.

Ao longo do século XIX, a função exercida pelas mulheres na sociedade estava longe de ser influente. Submissa e silenciada, a figura feminina não desfrutava de nenhum direito moral igualitário em comparação aos homens. Neste período insatisfatório da história, os espartilhos permaneciam em voga – enjaulando suas condutas e comprimindo suas costelas.

Espartilho Feminismo Moda

Com a chegada da Primeira Guerra Mundial, o espartilho foi perdendo seu brilho enquanto a simplicidade foi colocada em alta e as mulheres passaram a tomar novos postos de trabalho. Em 1917, a guerra já não era uma preocupação e Coco Chanel, com suas atitudes transgressoras, passou a protagonizar esse período, incluindo o tweed, jaquetas com cortes retos, listras Breton e calças nos guarda-roupas femininos. Tal sucesso trouxe uma nova visão sobre a feminilidade. Agora, com praticidade e elegância, as mulheres sequestraram trajes masculinos e avançaram mais um passo no caminho para a liberdade dos costumes.

Coco Chanel - Feminismo

No fim da década de 1940, a primeira coleção de Christian Dior, “The New Look”, seduziu as cinturas e resgatou a necessidade feminina pelo luxo, que havia se perdido durante os últimos anos. Com vestidos e saias acinturados, bustos evidentes, luvas e saltos, a sofisticação começou a tomar as ruas. Escasso durante a guerra, o glamour voltara acentuado e simbolizado pelo tailleur bar – um casaco de seda creme com ombros naturais e uma longa saia preta plissada, retratando puro refinamento.

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Marcado pelo feminismo acentuado, bem como uma quebra dos códigos de moda da época, os anos 1960 foram caracterizados por uma riqueza de cores e minissaias. A expressão cultural e a busca das mulheres por um lugar ativo na sociedade refletiu diretamente em suas roupas. O amor livre e o desprendimento de padrões fizeram com que o público feminino se sentisse confortável em ousar enquanto o mercado se esforçava para acompanhar uma tendência que estava sendo elaborada espontaneamente.

Foi nesta época que, Yves Saint Laurent criou o smoking para as mulheres, composto com uma blusa transparente e calça masculina, sendo um selo registrado da grife e sinalizando uma nova atitude do público feminino. “Chanel deu às mulheres a liberdade, mas Yves Saint Laurent lhes deu poder”, disse Pierre Bergé, co-fundador da marca.

Em 1970, as calças jeans atingiram o ápice da popularidade na moda feminina e o estilo se tornou uma escolha – elas usavam vestidos, calças ou minissaias como quisessem. Neste cenário, o jeans passou a ser um item universal e que não reconhecia as diferenças de gênero.

Já na década de 1980, o “power dressing” foi um estilo originário dos Estados Unidos e Reino Unido, com o qual as mulheres transmitiram seu poder e autoridade em campos profissionais e políticos estritamente masculinos. Agora, se tornaram populares os ternos com ombros largos, estofados e cortes fortes e, mais uma vez, o mundo feminino tomou para si peças, até então, usadas apenas por homens, como os ternos Giorgio Armani.

Moda anos 80

Logo em seguida, nos anos 1990, a moda voltou a reverenciar a liberdade, evidenciando movimentos como o grunge e o punk Riot Grrrl. Ainda de modo retraído, os preconceitos estavam sendo deixados de lado e a lingerie ganhou destaque, sendo usada à mostra, em diferentes formas e tons. Calças pantalonas, saias longas e blazers também fizeram parte do look, que contava com uma grande influência minimalista, como a de Rei Kawakubo.

Atualmente, alguns nomes como Prada e Céline buscam desfilar mulheres ao mesmo tempo em que abordam temas como representatividade social. Em 2014, Karl Lagerfeld marcou a primavera-verão com um desfile recheado de modelos marchando pelas causas feministas, trazendo slogans como: “vote em Coco” e “Ladies First”.

Por meio da vestimenta, a mulher conseguiu reafirmar a sua confiança e poder na sociedade em tempos vulneráveis para a sua afirmação, garantindo segurança para conquistar seu papel como um agente ativo. Ainda que a parceria entre a moda e o feminismo tenha refletido em muitos triunfos para a luta da mulher, é inegável que o mundo fashion tenha muitas dívidas em relação à igualdade de gênero e liberdade de costumes femininos.

No entanto, de forma consciente, é possível que estes dois elementos dialoguem ao longo da história, como o fizeram muitas vezes até hoje. Afinal de contas, toda mulher tem o poder de ser feminista seja nas ruas ou em seus guarda-roupas.

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A força e a resistência do movimento negro norte-americano e a sua influência na moda dos anos 1960 https://www.ocafezinho.com/2016/06/01/a-forca-e-a-resistencia-do-movimento-negro-norte-americano-e-a-sua-influencia-na-moda-dos-anos-1960/ https://www.ocafezinho.com/2016/06/01/a-forca-e-a-resistencia-do-movimento-negro-norte-americano-e-a-sua-influencia-na-moda-dos-anos-1960/#respond Wed, 01 Jun 2016 22:53:18 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=46999 Por Marina Martins, editora de Moda do Cafezinho

O Partido dos Panteras Negras, a autoafirmação de suas heranças e a rejeição da padronização estética e cultural na sociedade americana

Em outubro, o radical Partido dos Panteras Negras completa 50 anos do seu nascimento na luta pelos direitos da população negra dos Estados Unidos. Revolucionário, este grupo originário de Oakland, na Califórnia, protagonizou uma resistência armada contra a opressão da população afro-americana, causada pela violência policial, além de defender a liberação de todos os negros oprimidos por um sistema de justiça que os injustiçava e discriminava.

Na época, esses jovens fizeram muito mais do que propor para a sociedade americana a urgência de uma política de igualdade.

O grupo, criado pelos militantes Huey P. Newton e Bobby Seale, permitiu que tendências africanas e tribais influenciassem de forma significativa o futuro cultural e cidadão dos negros norte-americanos.

Esta tendência acabou refletida em um legado que influenciou manifestações na moda e no cinema, como a temática, os personagens e os figurinos do filmes do universo Blaxploitation e, até mesmo na música mais recente, como no clipe “Formation”, lançado este ano pela cantora Beyoncé, no Super Bowl 50.

Além disso, o movimento foi capaz ultrapassar fronteiras em um gesto revolucionário de seus simpatizantes, como ocorreu em 1968, durante os Jogos Olímpicos do México. Após conquistar as medalhas de ouro e bronze na corrida dos 200 metros rasos, os atletas afro-americanos Tommie Smith e John Carlos, saudaram o prêmio e o hino norte-americano de cabeças abaixadas, com os punhos fechados e luvas de couro preto, com a intenção de declarar solidariedade ao movimento de libertação negra em seu país.

Antes mesmo da impetuosa caça pela polícia dos Estados Unidos e pelo FBI, que alegava considerar o partido “a mais perigosa organização em ação do país”, essa militância investiu parte da sua ideologia nos seus uniformes, que representavam a resistência ao mesmo tempo em que enviavam uma mensagem clara para toda a sociedade branca da década de 1960: “estamos inteiramente comprometidos com a nossa causa e o nosso patrimônio.”

Na década de 1970, o Partido dos Panteras Negras proibiu seus membros de usarem o Kente, tecido originário de Ghana, bem como a utilização do Dashiki, clássico traje da moda africana, denominando seus consumidores como “oportunistas culturais” e “pessoas que impediam a verdadeira luta revolucionária”.

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Em contrapartida, inspirados na resistência francesa aos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial, o Partido dos Panteras Negras criou uma composição única de vestimenta, integrada por jaqueta de couro, calça preta, sapato preto, boinas pretas e luvas pretas – as quais eram opcionais.
Agindo como elemento fundamental para a consolidação de uma resistência, esse visual também colaborou para a solidificação da seriedade e ideal revolucionário do partido.

Neste cenário, a importância da moda estava muito mais presente e fortalecida do que os membros do Partido dos Panteras Negras poderiam imaginar.

Para Amanda Palomo, doutora em História Social da Universidade Federal Fluminense (UFF), o vestuário tem um papel de extrema relevância no processo de construção das identidades: “Ao criar identidades entre os seus usuários, a moda possui a capacidade de afirmar a individualidade e revelar elementos significativos para a análise do comportamento de determinados grupos e indivíduos da nossa sociedade. Pela aparência que assume, um indivíduo se situa em relação aos outros e a si mesmo. Nessa condição, a moda é um dos meios que ele utiliza para se tornar ele mesmo”, afirma.

As mulheres, por sua vez, não possuíam um traje exclusivo, fazendo com que muitas permanecessem à sombra dos homens, investindo em golas altas pretas, minissaias, óculos escuros, o famoso penteado black power e um mix de anéis e pulseiras. De fato, aquelas mulheres, como Angela Davis e Kathleen Cleaver, estavam armadas não apenas em suas ideologias, mas em um estilo que afirmava e confrontava os paradigmas estipulados pela elite branca em voga e que, nunca antes havia sido tão revolucionário quanto na década de 1960.

“Do mesmo modo que a indumentária, o cabelo constituiu outro destacado elemento na composição do visual black. Diferente dos anos 1950, quando se buscava a eliminação da ondulação, na década de 1960 e 1970 procurava-se dar ao cabelo uma aparência “natural”, pois passou a ser usado sem alisamento e em tamanho maior. O volume e a textura do “penteado soul” pareciam expressar um compromisso com a ancestralidade africana”, completa Palomo.

Descartando as perucas e cabelos alongados e adotando os penteados afro-naturais, o público negro feminino ajudava a fortalecer o slogan “Black is Beautiful”, enquanto desafiava a população. Tal imagem continuou se fortalecendo politicamente, enquanto esse ícone visual se enraizava entre a cultura popular periférica e o mainstream da moda.

A partir deste contexto, havia uma clara mensagem sendo enviada à América e ao resto do mundo, ilustrando a consciência e o orgulho negro: “eu sou fiel às minhas heranças e me amo do jeito que nasci.” Imutável, esse grito arraigou a causa da igualdade com a população, reafirmando suas origens e tornando o movimento negro acessível a todos.

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Onde está a mulher da moda? https://www.ocafezinho.com/2016/05/23/onde-esta-a-mulher-da-moda/ https://www.ocafezinho.com/2016/05/23/onde-esta-a-mulher-da-moda/#comments Mon, 23 May 2016 22:39:50 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=46056 1 Comentário 🔥]]> Por Marina Martins, editora de moda do Cafezinho

O público feminino é responsável pelos lucros de um dos setores mais milionários do mundo, mas o que ganhamos com isso?

Arbitrária e também fascinante, a moda parece destinada a moldar o comportamento de cada indivíduo antes mesmo que suas verdadeiras preferências e gostos sejam descobertos.

Por meio dela, nos descobrimos, nos afirmamos e nos preenchemos de contentamentos imateriais, presentes em cada peça de roupa, cada acessório que compõe o visual e cada detalhe construído em prol da beleza e do bem-estar.

A moda é a quintessência da sublimação de todos os desejos e a criação de necessidades da sociedade de consumo.

Ainda que haja campanhas e tendências voltadas ao consumidor masculino, persiste a ideia de que este é um universo reservado apenas ao público feminino, seja pelas propagandas e revistas direcionadas às mulheres ou pelas estatísticas de mão de obra feminina nas confecções. Em 2015, apenas no Brasil, o setor têxtil e de confecção empregou 1,7 milhão de pessoas de forma direta, dos quais 75% são mulheres.

Mesmo sendo maioria na composição da mão de obra da indústria – bem como principal público-alvo das milionárias campanhas de publicidade e as maiores consumidoras das grifes – ainda resta às mulheres conquistar seu espaço no topo da cadeia de produção da atividade.

Ainda não vivemos um tempo em que mulheres possuem cargos representativos e postos de comando. Tampouco observamos existir igualdade de gênero neste campo.

Nas salas dos cursos de design de moda é comum encontrar um universo de mulheres com muito interesse em atuar na área. Por outro lado, são poucas aquelas que, como Vivienne Westwood ou Diane Von Furstenberg, estão à frente das grandes marcas. É o que afirma a docente e autora do livro “Moda e Publicidade no Brasil nos anos 1960”, Maria Claudia Bonadio: “O que nós vemos nas grandes marcas, de modo algum é recorrência da formação em moda, onde as mulheres são maioria, mas talvez, de uma preferência do mercado”.

Outro dado interessante foi levantado pela WWD Magazine, em 2012, que mostra que apenas 1,7% das mulheres estão liderando cargos de CEO nas empresas da indústria têxtil, que fazem parte da lista da Fortune 500 – as maiores corporações do mundo.

Já em relação às mulheres negras, a dificuldade é ainda maior. O sistema seleciona uma pequena parcela desse público para as passarelas e revistas do segmento, deixando à margem outras etnias e manifestações culturais não-ocidentais. “Os estilistas negros famosos são bastante escassos. Basta olhar os números e as pesquisas de mercado para saber que as mulheres negras estão lá atrás na escala dos salários”, conta.

Dentro desse quadro, quantas vezes ouvimos o nome de estilistas como Zelda Wynn ou Laura Smalls antes de Michelle Obama? E quantas estudantes das salas de aula dos cursos de moda conseguem atingir o topo?

Para a doutoranda em Economia do Desenvolvimento, pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e autora da dissertação “A moda do Século XXI: para além da distinção social”, Aline Hellmann, a moda vem dialogando, em primeiro lugar, com as mulheres que podem consumir os lançamentos e não precisam se preocupar com as necessidades mais básicas de sobrevivência: “Mesmo que eventualmente a moda se inspire em estilos usados pelas camadas inferiores da sociedade (fenômeno denominado bottom-up), ela tende a ser originada nas classes mais abastadas e detentoras de capital social.”

Em geral, os grandes nomes da indústria escolhem produzir suas peças em países menos desenvolvidos, onde leis trabalhistas são quase nulas e os salários, quando otimistas, giram em torno de 100 dólares por mês.

Recentemente, a marca de roupas da cantora Beyoncé, Ivy Park, foi acusada de usar mão de obra similar à escrava, no Sri Lanka. Infelizmente, tal situação não é novidade no universo das grandes marcas, principalmente aquelas do chamado “fast fashion”, como mostra o documentário do diretor Andrew Morgan, The True Cost (2015).

De um lado, as mulheres são ícones e o principal alvo das grandes marcas. De outro, ainda são exploradas, marginalizadas pelo mercado e, muitas vezes, colocadas em situações de violência glamourizada, como na campanha assinada por Marc Jacobs (2014), com Miley Cyrus, ou no edital da Vogue Italia, do mesmo ano, que exibe um verdadeiro filme de terror, ilustrando mulheres vítimas de violência doméstica.

Mesmo representando a maior parcela da força de trabalho, sendo as maiores consumidoras de tendências e adquirindo avidamente os produtos da mídia especializada, as mulheres são as principais vítimas de uma das indústrias mais lucrativas do mundo.

Por fim, quando a sociedade afirma que a moda é um segmento direcionado apenas à mulher, cabe o questionamento: “Onde está a mulher da moda?”

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