Negócios - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/negocios/ Portal de noticias e análises sobre política brasileira, geopolítica, economia, tecnologia, sempre numa perspectiva democrática, progressista, anti-imperialista e multipolar! Mon, 13 Apr 2026 17:46:50 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://controle.ocafezinho.com/wp-content/uploads/2015/10/cropped-Logo_Cafezinho_tmb-32x32.png Negócios - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/negocios/ 32 32 Xiaomi amplia linha de geladeiras premium com versão de 606 litros: o que muda para o Brasil https://www.ocafezinho.com/2026/04/13/xiaomi-amplia-linha-de-geladeiras-premium-com-versao-de-606-litros-o-que-muda-para-o-brasil/ https://www.ocafezinho.com/2026/04/13/xiaomi-amplia-linha-de-geladeiras-premium-com-versao-de-606-litros-o-que-muda-para-o-brasil/#respond Mon, 13 Apr 2026 17:46:50 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/04/13/xiaomi-amplia-linha-de-geladeiras-premium-com-versao-de-606-litros-o-que-muda-para-o-brasil/ A Xiaomi confirmou que o modelo chamado Mijia Refrigerator Cross-Door de 606 litros será lançado oficialmente na China por 3.499 yuans. Embora isso equivalha a cerca de R$ 2.600 pela cotação atual, esse preço é apenas de entrada no mercado chinês — no Brasil, desafios específicos podem elevar muito esse valor para o consumidor local.

O produto promete consumo diário inferior a 1 kWh, além de ruído de operação medido em cerca de 36 decibéis, números de destaque na categoria de geladeiras grandes. O modelo também incorpora compressor inverter e sensor de temperatura múltiplo — características de ponta antes restritas a eletrodomésticos premium.

Com volume de 606 litros, ele supera muitos concorrentes internacionais na mesma faixa de preço. A divisão interna oferece setores distintos para congelamento, resfriamento e uma zona de temperatura variável — formato cross-door que melhora organização e economia de energia ao evitar aberturas excessivas de portas.

No Brasil, entretanto, esse “bom negócio” chinês pode sair caro. Produtos importados enfrentam imposto de importação (II), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), PIS-Importação e COFINS-Importação, além do ICMS estadual. No fim, as taxas podem somar 60% ou mais do valor CIF (custo, seguro e frete). Dependendo do estado, o ICMS pode acrescentar mais 17% a 25% sobre esse montante.

Outra questão frequentemente esquecida é a voltagem e as certificações. A Xiaomi fabrica para padrões chineses (normalmente 220V), com certificações válidas naquele mercado. Importadores terão de adaptar o produto para 110V ou 220V conforme o estado brasileiro, além de submetê-lo à homologação do Inmetro e arcar com os testes de segurança, o que gera custos adicionais e pode atrasar a chegada ao varejo nacional.

No âmbito global, o lançamento da versão de 606 litros reforça a estratégia de marcas chinesas de oferecer alto valor agregado a preços competitivos, alterando o equilíbrio com produtores de outros continentes. Essas empresas já investem em eficiência energética de primeira linha — classificação alta equivalente — e combinam funcionalidade inteligente com design estético.

Esse modelo surge pouco depois do lançamento internacional da versão Cross-Door de 502 litros no mercado europeu, oferecida por aproximadamente £799-€849, ou cerca de R$ 5.500 dependendo da cotação cambial, o que indica que a Xiaomi prepara versões adaptadas para diferentes mercados.

Não é apenas uma geladeira enorme: também há ênfase em higiene, com módulo antibacteriano que promete eliminar até cerca de 99,9% a 99,99% das bactérias internas. O controle inteligente via aplicativo — ajuste de temperatura, alertas de porta aberta, modos especiais — é outro diferencial que amplia o valor real do produto.

Ao considerar trazer esse tipo de produto ao mercado brasileiro, fabricantes locais e importadores enfrentam duas linhas de pressão. A primeira envolve produção nacional — para concorrer, indústrias brasileiras de eletrodomésticos precisarão elevar eficiência, capacidade e inovação, além de pressionar por políticas de apoio tecnológico, certificações nacionais e incentivos à refrigeração de ponta. A segunda envolve política tributária e comércio exterior — tarifas altas protegem a indústria local, mas mantêm preços internos elevados, em choque com estratégias de exportação intensa e preços agressivos vindos do exterior.

Em resumo, esse novo modelo da Xiaomi redefine o patamar de valor esperado em geladeiras grandes. Ele pressiona fabricantes brasileiros como Electrolux, Brastemp, Consul a reagirem com inovações tecnológicas e preços mais agressivos. Para o consumidor, o preço “convertido” é apenas o primeiro estágio do custo total. Para o Brasil enquanto potência industrial do Sul Global, evidencia o quanto dependemos de políticas públicas fortes — impostos justos, certificações rigorosas, incentivos efetivos — para manter nossa indústria viva e nossos preços mais justos.

Com informações de simpar2025.org.

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BRICS acelera ofensiva contra o dólar e redesenha o sistema financeiro global https://www.ocafezinho.com/2026/03/30/brics-acelera-ofensiva-contra-o-dolar-e-redesenha-o-sistema-financeiro-global/ https://www.ocafezinho.com/2026/03/30/brics-acelera-ofensiva-contra-o-dolar-e-redesenha-o-sistema-financeiro-global/#respond Mon, 30 Mar 2026 15:23:34 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=229489 A criação de um sistema próprio de pagamentos pelos países do BRICS deixou de ser apenas uma proposta técnica e passou a representar um movimento estratégico com impacto direto na geopolítica mundial. O objetivo é claro — e cada vez mais explícito: reduzir a dependência do dólar e enfraquecer a hegemonia financeira dos Estados Unidos.

Segundo análise publicada pelo Brasil 247, especialistas apontam que o avanço do chamado BRICS Pay é uma peça central nesse processo de transformação do sistema monetário internacional.

O que está em jogo: mais do que tecnologia, poder

O projeto não se resume a um novo meio de pagamento.

Na prática, trata-se da construção de uma infraestrutura financeira paralela ao sistema dominado pelo Ocidente, especialmente ao dólar e à rede SWIFT, hoje responsável pela maior parte das transações globais.

O BRICS Pay foi concebido justamente para permitir que países realizem transações diretamente em suas moedas nacionais, sem precisar passar pela conversão em dólar.

Isso muda completamente a lógica do sistema atual.

Hoje, mesmo quando dois países não têm relação direta com os EUA, muitas operações comerciais passam pelo dólar — o que dá aos americanos enorme poder econômico e político, inclusive com uso de sanções.

Desdolarização deixa de ser discurso

O que antes era visto como uma ideia distante agora ganha forma concreta.

O sistema do BRICS permite, por exemplo, que um pagamento entre Brasil e China seja feito em reais e yuans, sem intermediários ocidentais. (Band)

Além disso, a plataforma pode operar com tecnologia descentralizada, baseada em blockchain, e integrar sistemas nacionais como o Pix brasileiro, o UPI indiano e outros. (Sindicomis)

Na prática, isso significa:

  • menos custos nas transações
  • maior velocidade nos pagamentos
  • mais autonomia para países emergentes
  • e, principalmente, menos dependência do dólar

O impacto geopolítico é direto

A criação desse sistema não é neutra.

Ela surge em um contexto de crescente tensão global, sanções econômicas e disputa por influência. Países como Rússia e Irã, por exemplo, já enfrentam restrições no sistema financeiro tradicional — o que acelerou a busca por alternativas.

Nesse cenário, o BRICS Pay funciona como uma resposta estratégica.

Ele reduz a vulnerabilidade desses países e fortalece a ideia de um mundo multipolar, onde diferentes blocos econômicos possuem suas próprias estruturas financeiras.

Um “Pix global” que incomoda Washington

O projeto já vem sendo chamado de uma espécie de “Pix internacional”, mas com um efeito político muito maior.

A possibilidade de realizar transações globais sem passar pelo dólar incomoda diretamente os Estados Unidos, porque atinge um dos pilares da sua influência global: o controle do sistema financeiro internacional.

E esse movimento não é isolado.

Ele acompanha o crescimento econômico e tecnológico dos países do BRICS, que ampliam sua participação no comércio global e passam a exigir maior protagonismo.

Caminho ainda em construção, mas sem volta

Especialistas destacam que o sistema ainda enfrenta desafios técnicos, regulatórios e políticos. A integração entre países com estruturas diferentes exige tempo e coordenação.

Mas a direção já está definida.

O lançamento previsto para os próximos anos e os testes em andamento mostram que o projeto saiu do papel e entrou em fase real de implementação.

Um novo eixo financeiro global

O avanço do sistema de pagamentos do BRICS representa mais do que inovação.

É um movimento que aponta para uma mudança estrutural na economia global.

A desdolarização, antes tratada como hipótese, passa a ser construída na prática — passo a passo, sistema por sistema, transação por transação.

E, se esse processo continuar avançando, o resultado pode ser histórico:

o fim de um sistema financeiro dominado por uma única moeda — e o nascimento de uma ordem verdadeiramente multipolar.

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Raízen também está a beira da falência e pede a maior recuperação extrajudicial do país https://www.ocafezinho.com/2026/03/11/raizen-tambem-esta-a-beira-da-falencia-e-pede-a-maior-recuperacao-extrajudicial-do-pais/ https://www.ocafezinho.com/2026/03/11/raizen-tambem-esta-a-beira-da-falencia-e-pede-a-maior-recuperacao-extrajudicial-do-pais/#respond Wed, 11 Mar 2026 10:00:16 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=226974 A Raízen, uma das maiores empresas de energia e biocombustíveis do Brasil, iniciou um processo de recuperação extrajudicial para renegociar cerca de R$ 6,5 bilhões em dívidas financeiras, movimento que pode se tornar o maior desse tipo já registrado no país. A medida faz parte de um plano mais amplo de reestruturação financeira diante do aumento do endividamento e das dificuldades recentes enfrentadas pela companhia.

A recuperação extrajudicial é um mecanismo legal que permite às empresas renegociar débitos diretamente com credores, sem a necessidade de um processo judicial tradicional. Nesse modelo, a companhia tenta chegar a um acordo coletivo para reorganizar suas finanças, alongar prazos de pagamento e reestruturar obrigações financeiras.

Estratégia para reorganizar a estrutura financeira

A decisão ocorre em meio a um processo mais amplo de reorganização da estrutura de capital da empresa. Em comunicado ao mercado, a Raízen afirmou que avalia uma solução considerada “abrangente e definitiva” para fortalecer sua situação financeira e garantir a continuidade das operações.

Segundo a companhia, uma das possibilidades é recorrer ao mecanismo de recuperação extrajudicial para criar um ambiente protegido de negociação com credores. A empresa afirmou que “pretende assegurar um ambiente protegido e ordenado que permita a condução de discussões com seus credores financeiros e a busca de uma solução consensual, a ser eventualmente implementada por meio de uma recuperação extrajudicial, se necessária”.

O plano de reestruturação inclui ainda medidas como conversão de parte das dívidas em capital, alongamento de prazos de pagamento e simplificação das operações da empresa, incluindo a venda de ativos considerados não estratégicos.

Aporte bilionário e participação dos acionistas

Entre as alternativas analisadas está também uma capitalização de cerca de R$ 4 bilhões, com participação dos principais acionistas da companhia. A proposta prevê aporte de R$ 3,5 bilhões do grupo Shell e R$ 500 milhões de um veículo ligado à Aguassanta Investimentos, holding associada à família do empresário Rubens Ometto, controlador da Cosan.

O objetivo da injeção de recursos seria reforçar o caixa da empresa enquanto as negociações com credores avançam, reduzindo a pressão financeira sobre a companhia.

Endividamento elevado e pressão no mercado

A Raízen enfrenta um período de forte pressão financeira. A empresa encerrou recentemente o período com dívida líquida superior a R$ 55 bilhões, resultado de investimentos elevados, condições adversas no setor sucroenergético e aumento do custo de financiamento.

O cenário também foi agravado por resultados negativos recentes. Em balanço divulgado anteriormente, a companhia registrou prejuízo bilionário, o que ampliou preocupações no mercado sobre sua capacidade de recuperação financeira.

Apesar das dificuldades, a empresa afirma que continuará operando normalmente durante o processo de negociação com credores e reforçou que as medidas discutidas não devem afetar clientes, fornecedores e parceiros comerciais.

Impactos para o setor de energia e biocombustíveis

A Raízen é uma das maiores processadoras de cana-de-açúcar do mundo e tem papel central na produção de etanol, açúcar e distribuição de combustíveis no Brasil. Por isso, qualquer mudança relevante em sua estrutura financeira é acompanhada de perto por investidores e por toda a cadeia produtiva do setor sucroenergético.

A eventual conclusão do acordo com credores pode redefinir a estrutura de capital da empresa e ajudar a estabilizar suas operações nos próximos anos, enquanto o mercado acompanha os desdobramentos de uma das maiores reestruturações corporativas recentes do país.

Com informações da Infomoney

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Petróleo dispara acima de US$ 100 por barril e Trump zomba: “preço pequeno a pagar” https://www.ocafezinho.com/2026/03/09/petroleo-dispara-acima-de-us-100-por-barril-e-trump-zomba-preco-pequeno-a-pagar/ https://www.ocafezinho.com/2026/03/09/petroleo-dispara-acima-de-us-100-por-barril-e-trump-zomba-preco-pequeno-a-pagar/#respond Mon, 09 Mar 2026 10:32:13 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=226847 O preço do petróleo voltou a ultrapassar a marca de US$ 100 por barril no mercado internacional em meio à escalada do conflito no Oriente Médio envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. A alta ocorre em um momento de forte tensão geopolítica e levanta temores de uma nova crise energética global.

A disparada nos preços é impulsionada pelo risco de interrupção no fornecimento global de petróleo, especialmente caso o conflito afete rotas estratégicas de exportação na região do Golfo Pérsico. Analistas do mercado energético apontam que qualquer ameaça ao fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz — por onde passa cerca de um quinto de toda a produção mundial — pode provocar choques imediatos nos preços internacionais.

Trump minimiza impacto da alta do petróleo

Em meio à reação dos mercados, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a alta nos preços da energia não representa um problema relevante diante dos objetivos estratégicos da política externa norte-americana.

Em declaração publicada nas redes sociais, Trump escreveu:

“Short term oil prices… is a very small price to pay.”


O presidente norte-americano também afirmou que os preços da energia devem cair rapidamente caso a ameaça nuclear atribuída ao Irã seja eliminada.

“Oil prices will drop rapidly when the Iran nuclear threat is over.”


As declarações foram feitas enquanto o mercado internacional reagia às tensões militares e ao risco de ampliação do conflito na região.

Escalada militar pressiona mercados globais

A possibilidade de ampliação da guerra no Oriente Médio provocou forte volatilidade nos mercados internacionais. Investidores passaram a buscar ativos considerados mais seguros, enquanto commodities energéticas registraram forte valorização.

O petróleo Brent, referência internacional para o mercado global, ultrapassou os US$ 100 por barril, nível que não era registrado em momentos de maior tensão geopolítica desde ciclos anteriores de crise energética.

Especialistas alertam que um bloqueio parcial ou total do Estreito de Ormuz poderia reduzir drasticamente a oferta global de petróleo e provocar uma disparada ainda maior nos preços.

Risco de nova crise energética

Economistas e analistas de energia avaliam que preços acima de US$ 100 por barril podem gerar efeitos em cadeia em toda a economia global. O petróleo é insumo fundamental para transporte, indústria e geração de energia, o que significa que sua valorização tende a pressionar custos de produção e elevar a inflação em diversos países.

Além disso, a alta do petróleo costuma impactar diretamente o preço de combustíveis, fretes e alimentos, ampliando os efeitos da crise para consumidores e empresas.

Caso o conflito militar no Oriente Médio se prolongue ou atinja infraestruturas petrolíferas da região, analistas avaliam que o mercado pode enfrentar um período prolongado de instabilidade energética.

Guerra e energia voltam ao centro da economia global

A disparada do petróleo reforça como crises geopolíticas continuam tendo impacto direto sobre a economia mundial. O Oriente Médio concentra algumas das maiores reservas de petróleo do planeta, o que faz com que qualquer escalada militar na região seja imediatamente refletida nos mercados internacionais.

Enquanto governos e investidores monitoram os desdobramentos do conflito, o aumento dos preços da energia já reacende preocupações sobre inflação global, crescimento econômico e estabilidade dos mercados financeiros.

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Empresa indiana anuncia plano para instalar data centers soberanos na Bahia graças a parceria do BRICS https://www.ocafezinho.com/2026/02/22/empresa-indiana-anuncia-plano-para-instalar-data-centers-soberanos-na-bahia-gracas-a-parceria-do-brics/ https://www.ocafezinho.com/2026/02/22/empresa-indiana-anuncia-plano-para-instalar-data-centers-soberanos-na-bahia-gracas-a-parceria-do-brics/#respond Sun, 22 Feb 2026 13:41:56 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=226124 A empresa indiana Excellence AI anunciou um plano de investimentos para a implantação de data centers soberanos na Bahia, iniciativa que pretende fortalecer a autonomia tecnológica brasileira e transformar o estado em um polo estratégico de infraestrutura digital na América Latina. O anúncio foi feito pelo fundador e CEO da companhia, coronel reformado Pawan Joshu, ao governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, durante o Fórum Empresarial Brasil-Índia realizado em 21 de fevereiro, em Nova Déli.

Segundo a proposta, o projeto prevê a criação de uma infraestrutura nacional de nuvem com padrões elevados de segurança e resiliência, capaz de armazenar dados sensíveis sob jurisdição brasileira. A apresentação detalhada do plano deve ser feita ao presidente da agência Bahia Investe, Paulo Guimarães, no mês de março, quando serão discutidos aspectos técnicos, financeiros e regulatórios.

A iniciativa é fruto de parceria com o BRICS Forum International e tem como um de seus objetivos reduzir a dependência do Brasil de provedores estrangeiros de serviços digitais. De acordo com a empresa, a estrutura projetada deverá ampliar a capacidade de resposta a ameaças cibernéticas e garantir maior controle nacional sobre fluxos de dados estratégicos.

Entre os eixos centrais do projeto está a adequação integral à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), além da adoção de arquitetura avançada de cibersegurança e da preparação dos centros para aplicações de inteligência artificial. O plano também prevê conformidade com padrões éticos e regulatórios internacionais relacionados ao uso de tecnologias emergentes.

Outro componente destacado é a sustentabilidade energética. A proposta inclui o uso prioritário de fontes renováveis, com aproveitamento do potencial solar e eólico do território baiano. A estratégia busca alinhar a infraestrutura digital a metas ambientais globais, reduzindo a pegada de carbono das operações e reforçando a atratividade do estado para investimentos internacionais.

A Excellence AI afirma que a meta é transformar a Bahia em um hub regional de tecnologia, oferecendo serviços de nuvem, processamento de dados e soluções baseadas em inteligência artificial para empresas e governos da América Latina. A estrutura também poderá fornecer serviços de recuperação de desastres digitais e hospedagem regional de dados, ampliando a capacidade de atendimento a organizações multinacionais.

O projeto inclui a geração de empregos qualificados em áreas como ciência de dados, cibersegurança e desenvolvimento de software. Estão previstas iniciativas de capacitação profissional e formação técnica local, além de programas de incentivo a startups e ao fortalecimento de ecossistemas de inovação no estado. A empresa também sinalizou que pretende apoiar ações voltadas à inclusão digital em regiões remotas, com estímulo ao trabalho remoto e à educação tecnológica.

A proposta está alinhada à “Parceria Digital Brasil-Índia para o Futuro”, lançada oficialmente em 21 de fevereiro de 2026 por meio de declaração conjunta entre os governos dos dois países. O acordo bilateral estabelece cooperação em áreas consideradas estratégicas, como identidade digital, pagamentos eletrônicos, compartilhamento de dados, inteligência artificial e desenvolvimento de infraestruturas públicas digitais.

Entre os objetivos da parceria estão a criação de centros de excelência em tecnologia no Brasil, a implementação de projetos-piloto em setores como educação, clima, agricultura e qualificação profissional, além do desenvolvimento conjunto de soluções tecnológicas avançadas. O documento também prevê diálogo permanente sobre governança digital, proteção de dados, computação de alto desempenho, semicondutores, blockchain e telecomunicações de nova geração.

A coordenação dessas iniciativas ficará sob responsabilidade dos ministérios das Relações Exteriores de Brasil e Índia, com participação de instituições governamentais, empresas privadas, universidades e especialistas técnicos. A cooperação em segurança digital continuará sendo conduzida dentro do Diálogo Bilateral de Cibersegurança já existente entre as duas nações.

Nas próximas semanas, deverão começar consultas técnicas com autoridades estaduais, representantes do setor tecnológico e possíveis parceiros institucionais para definir a modelagem regulatória e o cronograma de implantação dos data centers. A etapa inicial inclui estudos de viabilidade, análise de infraestrutura energética e avaliação de conectividade internacional.

Se concretizado, o investimento poderá representar um dos maiores projetos de infraestrutura digital já planejados para o Nordeste brasileiro. Especialistas avaliam que iniciativas desse tipo têm potencial para impulsionar cadeias produtivas locais, atrair empresas globais de tecnologia e ampliar a competitividade do país em um cenário internacional cada vez mais dependente de processamento de dados e inteligência artificial.

O anúncio ocorre em um momento de intensificação da cooperação Sul-Sul e de crescente disputa geopolítica por autonomia tecnológica. Nesse contexto, projetos de soberania digital têm sido considerados estratégicos por governos e empresas que buscam maior controle sobre suas infraestruturas críticas e seus ativos informacionais.

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Brasil e China atingem recorde histórico no comércio bilateral e ampliam distância aos EUA https://www.ocafezinho.com/2026/01/13/brasil-e-china-atingem-recorde-historico-no-comercio-bilateral-e-ampliam-distancia-aos-eua/ https://www.ocafezinho.com/2026/01/13/brasil-e-china-atingem-recorde-historico-no-comercio-bilateral-e-ampliam-distancia-aos-eua/#respond Tue, 13 Jan 2026 13:17:06 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=224452 A relação comercial entre Brasil e China alcançou em 2025 o maior patamar já registrado, consolidando o país asiático como o principal parceiro do comércio exterior brasileiro. A corrente de comércio — soma das exportações e importações — chegou a US$ 171 bilhões, o maior valor da série histórica iniciada em 1997, segundo relatório do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC) divulgado e noticiado pelo jornal O Globo.

O resultado representa um crescimento de 8,2% em relação a 2024 e mais que dobra o volume de trocas registrado entre o Brasil e os Estados Unidos, segundo maior parceiro comercial do país. Em 2025, o intercâmbio com os norte-americanos somou US$ 83 bilhões, evidenciando o avanço da China como eixo central do comércio brasileiro.

Exportações brasileiras sustentam recorde

Do total negociado com a China, as exportações brasileiras atingiram US$ 100 bilhões, o segundo maior valor já registrado. O desempenho foi puxado principalmente pela soja, que respondeu por pouco mais de um terço das vendas ao mercado chinês. Em relação a 2024, os embarques do grão cresceram cerca de 10%, em um contexto internacional marcado por tensões comerciais e mudanças nos fluxos globais de commodities.

O avanço das exportações ocorreu em paralelo a um ambiente de maior incerteza no comércio internacional. Em 2025, os Estados Unidos, sob a presidência de Donald Trump, ampliaram tarifas sobre diversos países, afetando cadeias produtivas e o desempenho de exportadores. Nesse cenário, o Brasil reduziu vendas ao mercado norte-americano e buscou ampliar sua presença em outros destinos para compensar perdas.

A China, por sua vez, chegou a suspender temporariamente compras de soja dos EUA como resposta às medidas tarifárias de Washington, abrindo espaço para maior participação brasileira. O movimento reforçou a centralidade do país asiático como destino estratégico para o agronegócio nacional.

Relação com os EUA enfrenta dificuldades

Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), cerca de 22% das exportações brasileiras para os Estados Unidos — o equivalente a US$ 8,9 bilhões — continuaram sujeitas às tarifas impostas em julho de 2024. Para Tulio Cariello, diretor de conteúdo do CEBC, o período foi especialmente difícil na relação bilateral.

“Foi um ano bem complicado para a relação Brasil e Estados Unidos na área comercial”, afirmou. De acordo com ele, as sobretaxas ampliaram o déficit brasileiro com os norte-americanos, já que poucos produtos conseguiram compensar, em outros mercados, a perda de competitividade nos EUA.

As exportações do Brasil para os Estados Unidos caíram de US$ 40,37 bilhões em 2024 para US$ 37,72 bilhões em 2025, uma retração de 6,6%, equivalente a US$ 2,65 bilhões, segundo dados oficiais. Houve algum redirecionamento pontual, como no caso do café, que ganhou espaço no mercado chinês após perder competitividade nos EUA. Ainda assim, especialistas apontam limites para essa substituição.

“São mercados que têm pouco a ver um com o outro. A pauta do Brasil para a China é muito diferente da pauta para os Estados Unidos”, explicou Cariello.

Perfis distintos de exportação

Enquanto as vendas brasileiras para a China são fortemente concentradas em produtos agrícolas e da indústria extrativa, cerca de 80% das exportações aos Estados Unidos envolvem bens da indústria de transformação, com maior valor agregado e diversidade. Essa diferença estrutural limita a capacidade de redirecionar rapidamente produtos de um mercado para outro.

Apesar disso, o fortalecimento da relação com a China ajudou a sustentar o desempenho global do comércio exterior brasileiro em 2025, mesmo diante de um cenário internacional mais protecionista.

Importações chinesas também batem recorde

No fluxo inverso, as importações brasileiras provenientes da China alcançaram US$ 70,9 bilhões, alta de 11,5% em relação a 2024. O crescimento foi impulsionado por fatores pontuais e estruturais, como a compra de um navio-plataforma para exploração de petróleo, além da maior entrada de veículos elétricos e híbridos, fertilizantes e produtos químicos.

Também houve avanço expressivo na importação de medicamentos e insumos farmacêuticos, o que levou a China a ocupar a quarta posição entre os principais fornecedores do Brasil nesse segmento. O movimento reflete tanto a competitividade da indústria chinesa quanto a crescente demanda brasileira por bens industriais e tecnológicos.

China amplia peso no comércio exterior brasileiro

Com os resultados de 2025, a China passou a responder por 27,2% de toda a corrente de comércio exterior brasileira, que somou US$ 629 bilhões no ano, com crescimento de 4,9%. O país asiático manteve-se como principal destino das exportações nacionais, embora outros mercados tenham registrado expansão mais acelerada.

As vendas para a Argentina cresceram 31,4%, enquanto as exportações para a Índia avançaram 30,2%. Ainda assim, o desempenho chinês superou o de parceiros tradicionais: as exportações brasileiras para os Estados Unidos recuaram 6,6%, as vendas para a Espanha caíram 11,8% e os embarques para os Países Baixos ficaram praticamente estáveis, com alta de apenas 0,2%.

No total, as exportações brasileiras ao mundo cresceram 3,5%, alcançando US$ 348,7 bilhões.

Eixo do comércio exterior se desloca para a Ásia

Para especialistas, os números confirmam uma tendência estrutural. Segundo Cariello, o esforço brasileiro de diversificação de mercados, com maior presença em países asiáticos por meio da exportação de carnes, grãos e outros produtos, reduz a dependência excessiva de um único parceiro.

“O eixo do comércio exterior brasileiro hoje tende a ir cada vez mais para a Ásia”, avaliou. O crescimento da classe média e da demanda por alimentos em países do Sudeste Asiático deve reforçar essa dinâmica nos próximos anos, consolidando a região como o principal vetor de expansão do comércio brasileiro no cenário global.

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Exxon Mobil coloca a ‘faca no pescoço’ de Trump e exige reformas para controlar o petróleo na Venezuela https://www.ocafezinho.com/2026/01/10/exxon-mobil-coloca-a-faca-no-pescoco-de-trump-e-exige-reformas-para-controlar-o-petroleo-na-venezuela/ https://www.ocafezinho.com/2026/01/10/exxon-mobil-coloca-a-faca-no-pescoco-de-trump-e-exige-reformas-para-controlar-o-petroleo-na-venezuela/#respond Sat, 10 Jan 2026 12:36:50 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=224342 O presidente-executivo da Exxon Mobil, Darren Woods, afirmou nesta sexta-feira (9) que a gigante petrolífera norte-americana está disposta a avaliar um possível retorno às operações na Venezuela, quase duas décadas depois de seus ativos no país terem sido nacionalizados — mas ressaltou que reformas legais e garantias de segurança são pré-requisitos para qualquer avanço. As declarações foram feitas durante uma reunião na Casa Branca com o presidente Donald Trump e executivos do setor energético.

Woods declarou que a Venezuela hoje é considerada “não investível” devido ao histórico de confisco de ativos e instabilidade jurídica, e defendeu a necessidade de mudanças profundas na legislação de hidrocarbonetos e em outras regras fiscais antes que a Exxon possa voltar a operar no país. Ele também ressaltou que seria “absolutamente fundamental” enviar uma equipe técnica para Caracas para avaliar o estado atual da indústria petrolífera e dos ativos venezuelanos — algo que ele disse poder ocorrer assim que “garantias adequadas de segurança” forem estabelecidas.

O executivo disse a Trump que a companhia precisa de “proteções duradouras aos investimentos” e de mudanças legais robustas para considerar um retorno, citando duas experiências anteriores de perda de ativos no país. “É possível imaginar que retornar uma terceira vez exigirá mudanças bastante significativas em relação ao que vimos historicamente e ao que é a situação atual”, afirmou Woods.

Contexto e incentivos para o setor

A posição da Exxon surgiu em meio a um encontro convocado às pressas pela Casa Branca, realizado menos de uma semana depois de uma operação militar dos EUA na Venezuela que culminou na captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa, a primeira-dama Cilia Flores. O presidente Trump tem incentivado as grandes petrolíferas americanas a considerar investimentos para revitalizar o setor energético venezuelano e aproveitar as vastas reservas de petróleo do país, que detém as maiores reservas comprovadas do mundo.

Segundo relatos empresariais, encontros dessa natureza também contaram com executivos de outras grandes companhias, incluindo Chevron e ConocoPhillips, que debateram a necessidade de reconstrução da infraestrutura de petróleo venezuelana, estimada em bilhões de dólares e seriamente deteriorada após anos de subinvestimento e sanções.

Reações e críticas

A possível reentrada de petrolíferas norte-americanas no mercado venezuelano tem sido criticada por autoridades do governo de Caracas e aliados internacionais, que afirmam que as ações dos EUA visam, em última análise, o controle dos recursos naturais venezuelanos. Antes da operação militar de 3 de janeiro, representantes venezuelanos disseram em fóruns internacionais que Washington estaria pressionando Caracas para beneficiar grandes corporações petrolíferas americanas, incluindo a ExxonMobil e a ConocoPhillips — acusações que foram rejeitadas pelos EUA.

Embora o governo Trump ofereça incentivos e garantias de segurança a empresas interessadas em atuar na Venezuela, o executivo da Exxon afirmou que a companhia não retornará sem mudanças estruturais significativas, destacando que a confiança empresarial depende de um ambiente jurídico estável e protegido.

No encontro, Trump também teria defendido incentivos adicionais e apoio de instituições financeiras públicas americanas, como o Export-Import Bank, para mitigar riscos relacionados ao investimento em infraestrutura energética venezuelana. Entretanto, muitos analistas e membros da indústria vêm adotando uma postura cautelosa diante da incerteza política e jurídica que ainda permeia o país.

A declaração de Woods reforça que, apesar das declarações de interesse político em reabrir o mercado venezuelano para empresas dos EUA, o retorno efetivo de grandes majors dependerá de um processo longo e complexo, com mudanças legislativas e garantias de que investimentos não serão novamente expropriados ou colocados em risco por instabilidade política.

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Petrolífera da Venezuela já negocia com os EUA a venda de petróleo cru https://www.ocafezinho.com/2026/01/07/petrolifera-da-venezuela-ja-negocia-com-os-eua-a-venda-de-petroleo-cru/ https://www.ocafezinho.com/2026/01/07/petrolifera-da-venezuela-ja-negocia-com-os-eua-a-venda-de-petroleo-cru/#respond Wed, 07 Jan 2026 21:17:07 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=224239 A estatal petroleira venezuelana Petróleos de Venezuela, S.A. (PDVSA) informou nesta quarta-feira (7) que está em negociações com autoridades dos Estados Unidos para a venda de petróleo bruto em termos comerciais. Segundo a empresa, as negociações ocorrem com base em acordos nos moldes daqueles já existentes com companhias internacionais, como a Chevron, e buscam condições “estritamente comerciais” para retomar fluxos de exportação e contribuir com a estabilidade energética global.

A PDVSA destacou em nota que “reafirma seu compromisso de continuar construindo alianças que promovam o desenvolvimento nacional em benefício do povo venezuelano”, ressaltando que os diálogos energéticos com Washington estão progredindo e que qualquer venda deverá obedecer a preços e condições de mercado, sem privilégios indevidos.

Estados Unidos reagem com mudança de política sobre sanções

Ainda nesta quarta-feira, o Departamento de Energia dos EUA (DOE) anunciou que a administração americana está revertendo de forma seletiva algumas sanções ao petróleo venezuelano para permitir seu transporte e comercialização no mercado internacional, inclusive com destino às refinarias dos Estados Unidos. Conforme comunicado da Casa Branca, essa flexibilização visa viabilizar um “acordo energético histórico” entre os dois países e permitir que petróleo leve dos EUA seja usado para otimizar a produção e o transporte do petróleo pesado venezuelano.

Fontes oficiais ouvidas pela Reuters confirmaram que autoridades venezuelanas e norte-americanas estão discutindo a exportação de milhões de barris de petróleo bruto que estavam retidos em navios-tanque e tanques de armazenamento no país, devido ao bloqueio imposto por Washington desde meados de dezembro. Desde então, a falta de espaço de armazenamento tem forçado cortes de produção.

Propostas em discussão incluem redirecionar exportações originalmente destinadas à China, principal comprador venezuelano nas últimas décadas, para as refinarias norte-americanas, que conseguem processar o tipo de petróleo pesado produzido na Venezuela.

Contexto da crise petrolífera e política

As exportações de petróleo venezuelano ficaram praticamente paralisadas após os Estados Unidos imporem um bloqueio e sancionarem navios-tanque ligados à PDVSA como parte da pressão econômica sobre o governo de Nicolás Maduro. Embora a Chevron tenha mantido operações de exportação sob licença especial do Tesouro americano, o embargo e a apreensão de embarcações reduziram drasticamente o fluxo de petróleo bruto para fora do país, obrigando a PDVSA a considerar cortes de produção para evitar superlotação dos estoques.

A retomada de negociações entre PDVSA e Estados Unidos ocorre em um momento de profundas mudanças nas relações bilaterais, após a recente intensificação de medidas americanas contra Caracas e a evolução das conversas sobre abertura do setor petrolífero venezuelano a interesses comerciais em um novo cenário geopolítico.

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Invasão dos EUA a Venezuela pressiona governo Lula e Petrobras a explorar Margem Equatorial https://www.ocafezinho.com/2026/01/06/invasao-dos-eua-a-venezuela-pressiona-governo-lula-e-petrobras-a-explorar-margem-equatorial/ https://www.ocafezinho.com/2026/01/06/invasao-dos-eua-a-venezuela-pressiona-governo-lula-e-petrobras-a-explorar-margem-equatorial/#respond Tue, 06 Jan 2026 12:42:40 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=224155 A sinalização do governo dos Estados Unidos de que pretende impulsionar a produção de petróleo na Venezuela, caso se confirmem os planos anunciados pelo presidente Donald Trump, tende a provocar mudanças relevantes no cenário energético da América do Sul e gerar impactos diretos para o Brasil e para a Petrobras. A avaliação é de especialistas ouvidos pelo jornal O Globo, que apontam aumento da concorrência por investimentos e pressão sobre decisões estratégicas da estatal brasileira.

A Venezuela concentra as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, estimadas em cerca de 303 bilhões de barris, mas vive há décadas um forte declínio produtivo. No auge, o país chegou a produzir aproximadamente 3,5 milhões de barris por dia. Esse volume despencou nos anos seguintes, chegando a patamares inferiores a 1 milhão de barris diários, em meio a problemas de gestão, falta de investimentos, sanções internacionais e deterioração da infraestrutura.

A possibilidade de retomada gradual da produção venezuelana ocorre em um momento de mudanças no mercado regional. Além da Venezuela, Guiana e Suriname já avançam em projetos relevantes, ampliando a oferta de petróleo na região e acirrando a disputa por capital internacional. Esse movimento se dá em um contexto de elevada volatilidade no mercado global, intensificada por tensões geopolíticas recentes no Caribe.

Concorrência regional e Margem Equatorial

Especialistas avaliam que esse novo cenário tende a pressionar a Petrobras a acelerar decisões estratégicas, especialmente em relação à exploração da Margem Equatorial brasileira. Para Roberto Ardenghy, presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP), os efeitos diretos sobre a Petrobras devem ser percebidos principalmente no médio e longo prazos.

“Em dois anos, se os planos do governo americano derem certo, a produção na Venezuela pode aumentar para algo em torno de 400 mil barris por dia. Isso significa mais oferta regional e uma disputa maior por investimento internacional. A Petrobras precisará ser mais atrativa e competitiva”, afirmou Ardenghy.

Além da concorrência por capital, ele chama atenção para impactos imediatos associados ao ambiente de instabilidade no Caribe, rota estratégica para o transporte de petróleo entre Brasil e Estados Unidos. Segundo o dirigente, os custos logísticos podem aumentar entre 10% e 15% em função do risco geopolítico, afetando cadeias de suprimento e contratos de frete.

Guiana e Suriname ampliam oferta

A Guiana, cujo principal projeto é liderado pela ExxonMobil, deve elevar sua produção dos atuais cerca de 900 mil barris por dia para aproximadamente 1,3 milhão em um horizonte de dois anos. Já o Suriname, que possui reservas estimadas em mais de 750 milhões de barris recuperáveis, receberá ainda neste ano sua primeira plataforma operada pela TotalEnergies, com início de produção previsto para 2028.

Para Pedro Rodrigues, do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), o aumento da oferta regional tende a pressionar os preços internacionais do petróleo. “A demanda global cresce em ritmo menor do que a oferta projetada. Com mais petróleo vindo da Venezuela, Guiana e Suriname, o cenário é de pressão baixista sobre os preços. Para a Petrobras, isso é negativo, assim como para projetos mais caros, como os da Margem Equatorial”, avaliou.

Rodrigues acrescenta que a Venezuela pode se tornar um destino mais atraente para o capital internacional por combinar grandes reservas conhecidas e custos de produção mais baixos, intensificando a disputa com o Brasil por recursos financeiros.

Custos, reservas e decisões estratégicas

Na avaliação de Rafael Chaves, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) e ex-diretor da Petrobras, o diferencial venezuelano está no fato de seus reservatórios serem amplamente conhecidos, o que reduz riscos exploratórios e acelera decisões de investimento. “Isso aumenta a urgência de o Brasil avançar na Margem Equatorial. O cenário global está ficando mais competitivo, e a velocidade passa a ser um fator decisivo”, afirmou.

Marcus D’Elia, sócio-diretor da Leggio Consultoria, avalia que o contexto atual reforça o argumento a favor da exploração da Margem Equatorial, tanto para compensar a queda projetada da produção nacional a partir de 2033 e 2034 quanto para oferecer ao mercado um petróleo de melhor qualidade em relação ao venezuelano, predominantemente pesado.

Embora as reservas da Margem Equatorial brasileira sejam estimadas em cerca de 30 bilhões de barris — número inferior às reservas venezuelanas —, especialistas ressaltam que o petróleo brasileiro tende a ter maior valor agregado. Ainda assim, os custos de produção diferem de forma significativa.

O geólogo Pedro Zalan observa que a extração na Venezuela ocorre majoritariamente em terra ou em águas rasas, o que reduz custos e aumenta a competitividade. Em contraste, as jazidas da Margem Equatorial, assim como as da Guiana e do Suriname, estão localizadas em águas profundas e ultraprofundas, exigindo investimentos mais elevados e tecnologia complexa.

Impactos para o Brasil

Diante desse cenário, analistas apontam que a Petrobras precisará reforçar eficiência operacional, disciplina de capital e clareza estratégica para manter sua atratividade diante de investidores internacionais. Ao mesmo tempo, decisões regulatórias e ambientais no Brasil ganham peso adicional, uma vez que atrasos na exploração podem ampliar a vantagem competitiva de países vizinhos.

A possível retomada da produção venezuelana, combinada ao avanço de projetos na Guiana e no Suriname, sinaliza uma nova fase para o mercado energético sul-americano. Para o Brasil, o desafio será equilibrar competitividade, sustentabilidade e velocidade de decisão em um ambiente regional cada vez mais disputado.

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China reduz brutalmente a compra de milho brasileiro em julho e ‘quebra’ exportadores https://www.ocafezinho.com/2025/08/19/china-reduz-brutalmente-a-compra-de-milho-brasileiro-em-julho-e-quebra-exportadores/ https://www.ocafezinho.com/2025/08/19/china-reduz-brutalmente-a-compra-de-milho-brasileiro-em-julho-e-quebra-exportadores/#respond Wed, 20 Aug 2025 01:37:58 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=215708 A China registrou em julho de 2025 uma queda de 95% nas compras de milho do Brasil, segundo dados do Departamento de Alfândegas (Gacc). Foram importadas apenas 60 mil toneladas, contra 1,1 milhão no mesmo mês de 2024. Em valores, a operação representou US$ 14 milhões, sinalizando uma mudança significativa na estratégia de abastecimento chinesa.

No acumulado de janeiro a julho, a redução também foi expressiva: 840 mil toneladas, queda de 93% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Impacto no agronegócio brasileiro

A retração ocorre em um momento de safra recorde no Brasil, pressionando os preços internos e obrigando exportadores a buscar novos mercados. Produtores que haviam consolidado vendas para a China desde a abertura do mercado em 2022 agora enfrentam maior incerteza.

Especialistas apontam que parte da produção pode ser redirecionada ao consumo doméstico ou a destinos alternativos, como países da Ásia e do Oriente Médio. No entanto, os contratos futuros já refletem a queda da demanda chinesa, elevando a volatilidade no setor agrícola.

Queda também nas compras de trigo

O movimento chinês não se limitou ao milho. As importações de trigo também recuaram:

410 mil toneladas em julho, queda de 48% frente a 2024.

2,37 milhões de toneladas no acumulado do ano, retração de 76,4%.


A estratégia indica diversificação de fornecedores e maior utilização de estoques internos pela China.

Soja segue em alta

Apesar do recuo em milho e trigo, a China manteve a soja como prioridade. Em julho, foram compradas 11,67 milhões de toneladas, aumento de 18,4% em relação ao ano anterior. De janeiro a julho, o volume chegou a 61 milhões de toneladas, alta de 4,6%.

Outros produtos também registraram crescimento:

Açúcar: +76,4% em julho.

Lácteos: +5,2%.


Por outro lado, itens como algodão, óleo de palma e fertilizantes sofreram quedas significativas, reforçando a seletividade da pauta chinesa.

Motivos para a redução

Analistas apontam diferentes fatores que explicam por que a China compra 95% menos milho do Brasil:

Aumento da produção doméstica e uso de estoques reguladores.

Busca por fornecedores alternativos, como Estados Unidos e Ucrânia.

Questões diplomáticas e comerciais, ligadas à negociação de tarifas e qualidade dos produtos.

Desaceleração econômica interna, que reduz a demanda por determinados grãos.


Perspectivas

A perda de espaço no mercado chinês preocupa o agronegócio brasileiro, que depende fortemente das exportações para o país asiático. A soja mantém equilíbrio parcial, mas não compensa integralmente as perdas em milho e trigo.

Para especialistas, o episódio reforça a necessidade de diversificação de mercados e de políticas agrícolas de longo prazo, a fim de reduzir a vulnerabilidade frente a mudanças bruscas nas estratégias de importação chinesas.

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PIX invade a economia de Portugal e assusta a Casa Branca https://www.ocafezinho.com/2025/08/17/pix-invade-a-economia-de-portugal-e-assusta-a-casa-branca/ https://www.ocafezinho.com/2025/08/17/pix-invade-a-economia-de-portugal-e-assusta-a-casa-branca/#comments Sun, 17 Aug 2025 23:08:06 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=215431 3 Comentários 🔥]]> O sistema brasileiro de pagamentos instantâneos, o Pix, começou a ser utilizado em redes de varejo em Portugal e já aparece como alternativa consolidada em compras de supermercado. A novidade foi confirmada após acordo entre o Braza Bank, no Brasil, e a Unicre, operadora de terminais de pagamento no varejo português.

Expansão no comércio português

A rede Continente, uma das maiores do país, passou a aceitar o Pix em 18 lojas localizadas em Lisboa, Oeiras e Cascais. A medida sucede testes conduzidos em Braga, cidade que concentra cerca de 20 mil brasileiros. O plano da empresa é estender a aceitação para todas as unidades no território português.

Segundo dados oficiais, a escolha por Portugal está ligada à alta concentração de brasileiros residentes no país, estimada em mais de 550 mil pessoas — sendo aproximadamente 350 mil apenas na região de Lisboa. O primeiro-ministro português, Luís Montenegro, destacou a relevância desse público para a atividade comercial local.

Funcionamento e custos

O Pix no exterior permite que brasileiros paguem diretamente em reais, com conversão automática para a moeda local. O valor da operação é exibido em reais e euros no momento da compra. Para o lojista, há incidência de taxa operacional em torno de 3%, além de cobrança de IOF e exposição à variação cambial.

O consultor financeiro Maurício Baum avalia que a ferramenta pode ser mais vantajosa que o uso do cartão de crédito. No Pix, ocorre apenas uma conversão cambial — de reais para euros —, enquanto os cartões costumam passar pelo dólar antes de chegar à moeda final. Além disso, o consumidor conhece o valor exato no instante da compra, evitando ajustes posteriores na fatura.

Presença em outros países

Dados do Banco Central indicam que o Pix já é aceito também em outros mercados: Estados Unidos (Miami), França, Chile, Argentina, Uruguai, Espanha e Paraguai, por meio de parcerias com empresas de tecnologia de pagamentos.

Limitações atuais

Apesar da expansão, a utilização do Pix fora do Brasil está restrita a pagamentos em estabelecimentos comerciais. Transferências internacionais entre contas bancárias ainda não estão disponíveis.

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Brasil e Índia também estudam integrar Pix e UPI em rede de pagamentos sem dólar https://www.ocafezinho.com/2025/08/17/brasil-e-india-tambem-estudam-integrar-pix-e-upi-em-rede-de-pagamentos-sem-dolar/ https://www.ocafezinho.com/2025/08/17/brasil-e-india-tambem-estudam-integrar-pix-e-upi-em-rede-de-pagamentos-sem-dolar/#respond Sun, 17 Aug 2025 12:10:18 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=215429 O Brasil e a Índia discutem a possibilidade de interligar seus sistemas de pagamento instantâneo — Pix e Unified Payments Interface (UPI) — para permitir transações diretas em moedas locais, sem necessidade de conversão para o dólar. A iniciativa, revelada em 12 de agosto pelo portal Coingeek, representa mais um passo na agenda de desdolarização promovida no âmbito do BRICS.

Pix e UPI: gigantes digitais no centro da proposta

O Pix, criado em 2020 pelo Banco Central, já conta com mais de 160 milhões de usuários e bilhões de transações mensais.

O UPI, lançado na Índia em 2016, movimenta volumes diários que superam o PIB de muitos países, consolidando-se como um dos sistemas mais avançados do mundo.


Ambos oferecem transferências instantâneas e gratuitas, disponíveis 24 horas por dia. A ideia é que usuários no Brasil possam enviar valores em reais e os recebedores na Índia recebam diretamente em rúpias — e vice-versa — sem passar pelo dólar como intermediário.

Conversas bilaterais e apoio político

Fontes diplomáticas confirmam que autoridades financeiras dos dois países discutem a integração e que o projeto já recebeu apoio político e técnico.

O modelo inicial pode ser lançado em caráter piloto, com foco em:

remessas de familiares,

compras online,

pagamentos de serviços.


Numa fase seguinte, empresas exportadoras e importadoras poderiam utilizar o sistema para reduzir custos e acelerar liquidações comerciais.

Potencial impacto no comércio Brasil–Índia

O intercâmbio entre os países movimenta cerca de US$ 15 bilhões anuais.

O Brasil exporta principalmente petróleo, óleo de soja e açúcar.

A Índia envia ao Brasil medicamentos, fertilizantes e bens industriais.


Com o Pix–UPI, os fluxos comerciais poderiam ganhar agilidade e previsibilidade, além de diminuir exposição cambial e custos bancários.

Especialistas avaliam que a medida fortalece a autonomia financeira e pode incentivar novas empresas a explorar a rota bilateral.

O papel do BRICS e a disputa com o dólar

A integração se insere em uma estratégia mais ampla do BRICS para reduzir a dependência da moeda americana. O bloco já discute:

uso ampliado de moedas locais,

plataformas de liquidação próprias,

moedas digitais emitidas por bancos centrais.


Para os EUA, movimentos dessa natureza sinalizam a formação de redes alternativas de liquidação comercial, que podem enfraquecer o papel estratégico do dólar, ainda que não representem uma ameaça imediata.

Desafios técnicos e regulatórios

Apesar da compatibilidade tecnológica entre Pix e UPI, o projeto enfrenta obstáculos:

harmonização regulatória, especialmente em compliance e prevenção à lavagem de dinheiro;

definição de modelos de câmbio estáveis;

governança sobre operação, auditoria e segurança do sistema conjunto.


Peso simbólico

Mesmo com impacto inicial limitado, a integração teria forte valor simbólico. Mostraria que é possível avançar em soluções práticas para a desdolarização por meio de acordos bilaterais, sem esperar por reformas estruturais no sistema financeiro global.

A parceria também reforça o papel da tecnologia como instrumento diplomático, combinando inovação doméstica com estratégias de autonomia econômica para países emergentes.

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Gigante britânica anuncia maior descoberta no pré-sal da Bacia de Santos em 25 anos https://www.ocafezinho.com/2025/08/04/gigante-britanica-anuncia-maior-descoberta-no-pre-sal-da-bacia-de-santos-em-25-anos/ https://www.ocafezinho.com/2025/08/04/gigante-britanica-anuncia-maior-descoberta-no-pre-sal-da-bacia-de-santos-em-25-anos/#respond Mon, 04 Aug 2025 13:41:02 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=214420 A multinacional britânica BP anunciou nesta segunda-feira, 4, a identificação de uma nova jazida de petróleo e gás natural no prospecto Bumerangue, localizado em águas profundas da Bacia de Santos, a cerca de 404 km da costa do Rio de Janeiro. Segundo a empresa, trata-se da maior descoberta realizada pela companhia desde 1999, quando foi encontrado o campo de Shah Deniz, no Mar Cáspio.

Com área superior a 300 km², o campo do Bumerangue foi arrematado pela BP durante o 1º Ciclo da Oferta Permanente de Partilha da Produção, promovido pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), em dezembro de 2022. Pelo modelo de partilha, a empresa será responsável por recuperar até 80% dos custos de produção, e o percentual de óleo-lucro destinado ao Estado brasileiro será de 5,9% após a recuperação dos investimentos.

O poço perfurado alcançou profundidade total de 5.855 metros, sendo 2.372 metros em lâmina d’água. A BP informou que o reservatório está situado em formações de carbonato do pré-sal e apresenta uma coluna de hidrocarbonetos com cerca de 500 metros. A companhia também relatou a presença de níveis elevados de dióxido de carbono, o que pode exigir ajustes técnicos nos métodos de extração.

Empresa prevê polo de produção no Brasil

O anúncio foi feito por meio de comunicado oficial, assinado por Gordon Birrell, vice-presidente executivo de Produção e Operações da BP. “Estamos entusiasmados em anunciar essa descoberta significativa no Bumerangue, a maior da BP em 25 anos”, declarou Birrell. “O Brasil é um país importante para a BP. Estamos explorando o potencial de estabelecer um polo de produção material e vantajoso no país.”

A BP detém 100% da concessão do bloco, e a estatal Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA) atua como gestora do contrato de partilha. A empresa anunciou que realizará análises laboratoriais para avaliar melhor o potencial da jazida, além de planejar novas atividades de avaliação, ainda sujeitas à aprovação regulatória.

A descoberta no Bumerangue se soma a outros nove achados da BP realizados ao longo de 2025, distribuídos entre Brasil, Trinidad e Tobago, Egito, Líbia, Golfo do México, Namíbia e Angola. A companhia reafirmou o compromisso de manter sua produção global entre 2,3 milhões e 2,5 milhões de barris de óleo equivalente por dia até 2030, com possibilidade de expansão até 2035.

Modelo de partilha e gestão nacional

O bloco do Bumerangue foi licitado sob regime de partilha de produção, no qual a União recebe uma parcela do excedente em óleo após o ressarcimento dos custos exploratórios. No caso da BP, essa parcela foi definida em 5,9% do volume produzido, conforme estabelecido no edital da ANP. A PPSA será responsável por acompanhar a execução do contrato, fiscalizar a medição da produção e comercializar a parcela do óleo pertencente à União.

Especialistas do setor avaliam que a descoberta reafirma o potencial da Bacia de Santos como uma das principais fronteiras de exploração de petróleo e gás no mundo. Segundo dados da ANP, a região concentra a maior parte da produção nacional de óleo e gás, com campos como Lula, Búzios e Mero, operados por outras grandes companhias do setor energético.

Impacto técnico e comercial

A presença de alto teor de dióxido de carbono (CO₂) nos hidrocarbonetos encontrados é um fator que pode aumentar a complexidade da operação no campo do Bumerangue. O gás ácido exige tecnologias específicas para separação e reinjeção nos reservatórios, o que pode impactar os custos e os prazos de desenvolvimento. Ainda assim, a extensão da coluna de petróleo e a localização estratégica tornam o ativo relevante para os planos de expansão da BP.

O anúncio ocorre em um contexto de reconfiguração da matriz energética global e aumento do interesse por ativos de alta produtividade. O Brasil, em particular, tem atraído grandes investimentos em exploração e produção de petróleo em águas profundas, especialmente na área do pré-sal, onde os reservatórios costumam apresentar elevada produtividade por poço.

Perspectivas para a indústria nacional

A descoberta no campo do Bumerangue deve reforçar o papel do Brasil no mercado internacional de energia. Com a ampliação das reservas confirmadas e a crescente participação de empresas estrangeiras nos leilões da ANP, o país se posiciona como fornecedor relevante de óleo e gás nos próximos anos.

A BP, por sua vez, busca expandir suas operações fora do Reino Unido, com foco em ativos de baixo custo e alta produtividade. A empresa tem priorizado investimentos em regiões com estabilidade regulatória e infraestrutura consolidada, critérios que o Brasil tem cumprido no setor de exploração e produção offshore.

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China autoriza 183 empresas do Brasil aexportar café em meio ao tarifaço de Trump https://www.ocafezinho.com/2025/08/04/china-autoriza-183-empresas-do-brasil-aexportar-cafe-em-meio-ao-tarifaco-de-trump/ https://www.ocafezinho.com/2025/08/04/china-autoriza-183-empresas-do-brasil-aexportar-cafe-em-meio-ao-tarifaco-de-trump/#respond Mon, 04 Aug 2025 11:34:29 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=214385 A China aprovou a habilitação de 183 novas empresas brasileiras para exportação de café ao seu território, conforme anúncio divulgado pela embaixada chinesa no Brasil no último domingo, 3. A medida, que entrou em vigor em 30 de julho, ocorre em meio à escalada das tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos e abre uma nova frente de mercado para os produtores brasileiros do grão.

A decisão é interpretada como uma alternativa estratégica diante das tarifas de 50% impostas pelo governo norte-americano, liderado por Donald Trump, sobre uma série de produtos brasileiros, incluindo o café. As tarifas, anunciadas em julho, estão previstas para entrar em vigor em 6 de agosto.

Dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafe) indicam que o Brasil exportou 440.034 sacas de 60 quilos para os Estados Unidos em junho de 2025. No mesmo mês, o volume enviado à China foi de aproximadamente 56 mil sacas. A autorização para mais empresas operarem com o mercado chinês busca equilibrar essa disparidade.

A concessão feita pelas autoridades chinesas garante certificados de exportação com validade de cinco anos. O movimento sinaliza a intenção de Pequim em aprofundar as relações comerciais com o Brasil no setor agrícola, especialmente em um momento em que Washington adota medidas protecionistas.

A cadeia produtiva do café nacional depende amplamente do mercado norte-americano. Estima-se que o Brasil atenda cerca de um terço do consumo anual de café dos Estados Unidos. O fluxo comercial envolvendo o grão entre os dois países movimentou aproximadamente US$ 4,4 bilhões nos 12 meses encerrados em junho de 2025.

Especialistas do setor veem a habilitação de novas empresas como uma oportunidade para diversificação dos destinos das exportações. O mercado chinês, embora ainda represente uma parcela pequena do total comercializado, possui potencial de crescimento, especialmente diante do aumento do consumo de café em centros urbanos da Ásia.

Até o momento, nem o Ministério da Agricultura nem o Cecafe comentaram oficialmente a medida chinesa. A autoridade alfandegária da China também não respondeu a pedidos de esclarecimento, uma vez que o anúncio ocorreu fora do horário comercial no país asiático.

Segundo fontes da indústria cafeeira, a entrada de novas empresas no mercado chinês poderá incentivar investimentos em logística e distribuição voltados ao leste asiático, com foco em cidades como Xangai, Pequim e Cantão, que concentram o consumo de bebidas gourmet.

O movimento da China também é observado em meio a um cenário de reorganização das cadeias globais de fornecimento. Desde que os Estados Unidos adotaram as tarifas sobre produtos brasileiros, diferentes setores da economia nacional têm buscado ampliar sua presença em mercados alternativos, com destaque para países asiáticos e do Oriente Médio.

A medida chinesa ocorre paralelamente à intensificação do comércio bilateral entre os dois países. Em 2024, a China se manteve como principal parceiro comercial do Brasil, com fluxo de comércio superior a US$ 150 bilhões. O agronegócio representou parcela significativa dessa movimentação.

A autorização concedida às novas empresas exportadoras ocorre no momento em que o setor cafeeiro se mobiliza para lidar com os efeitos do tarifaço norte-americano. Produtores e entidades representativas já alertaram para os impactos financeiros da medida de Trump, que pode comprometer margens de lucro e contratos já firmados com importadores dos Estados Unidos.

Representantes da cadeia produtiva também têm pressionado o governo federal por medidas de compensação ou abertura de novos mercados para mitigar as perdas previstas com a queda nas exportações para o mercado norte-americano. Entre os destinos prioritários estão países do sudeste asiático, África e Europa Oriental.

A habilitação para exportação à China é considerada um passo relevante dentro desse esforço de reposicionamento estratégico. Ainda que o volume de vendas para o país asiático seja, até agora, limitado, há consenso de que a abertura regulatória pode facilitar a ampliação da presença brasileira nesse mercado nos próximos anos.

Com a proximidade da entrada em vigor das tarifas dos EUA, o setor cafeeiro segue monitorando a evolução das negociações entre os governos de Brasil e Estados Unidos. Até o momento, não houve anúncio oficial de recuo ou adiamento da medida por parte de Washington.

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Empresas dos EUA pressionam por acordo e tentam impedir tarifa de Trump contra o Brasil https://www.ocafezinho.com/2025/07/17/empresas-dos-eua-pressionam-por-acordo-e-tentam-impedir-tarifa-de-trump-contra-o-brasil/ https://www.ocafezinho.com/2025/07/17/empresas-dos-eua-pressionam-por-acordo-e-tentam-impedir-tarifa-de-trump-contra-o-brasil/#respond Thu, 17 Jul 2025 12:37:19 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=213054 Representantes de multinacionais norte-americanas com atuação no Brasil se reuniram nesta quarta-feira, 16, com autoridades do governo brasileiro para discutir alternativas à tarifa de 50% anunciada pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre produtos brasileiros.

O encontro, liderado pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, teve a participação de executivos da Amazon, Coca-Cola, General Motors, Caterpillar, MedTech, Dow, John Deere, entre outras.

A reunião foi realizada no âmbito do Comitê Interministerial de Negociação e Contramedidas Econômicas e Comerciais, criado para coordenar a resposta do Brasil às barreiras comerciais impostas por Washington. Também estiveram presentes representantes da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) e da US Chamber, que manifestaram apoio a uma solução negociada entre os dois países.

Em nota conjunta, as duas entidades declararam: “Tanto a Amcham quanto a US Chamber fizeram uma nota conjunta. E nessa nota, elas colocam a sua posição favorável à negociação e que se possa rever a questão das alíquotas”, relatou Alckmin durante o encontro.

Ele também destacou o alerta contido no texto: “A imposição de medidas tarifárias como resposta a questões políticas mais amplas tem o potencial de causar danos graves a uma das relações econômicas mais importantes dos Estados Unidos, além de estabelecer um precedente preocupante”.

Segundo Alckmin, o posicionamento das empresas mostra que há interesse de ambos os lados em evitar prejuízos comerciais. “É um perde-perde”, afirmou. “Nós queremos todo mundo unido para resolver essa questão. E as empresas têm um papel importante, tanto as brasileiras, que aliás têm indústria nos Estados Unidos, quanto as empresas americanas.”

Durante o encontro, o vice-presidente citou os vínculos históricos de grandes corporações com o Brasil. “A General Motors comemorou esse ano, participei do seu centenário no Brasil. A Johnson & Johnson tem 90 anos, a Caterpillar tem 70 anos, muitas delas exportam para os Estados Unidos.”

A Agência Gov, que divulgou detalhes da reunião, informou que o governo brasileiro enviou recentemente uma nova carta à administração dos EUA, reiterando a disposição por uma solução consensual.

“A carta foi confidencial aos Estados Unidos enumerando um conjunto de itens que se poderia avançar no acordo comercial, sempre procurando estimular o acordo comercial, estimular complementariedade econômica e crescimento do comércio exterior, que é emprego e renda”, disse Alckmin.

O presidente da Amcham Brasil, Abrão Neto, reforçou a posição do setor empresarial. “O nosso desejo, que é um sentimento, acho que, unânime no setor empresarial aqui no Brasil, é de se buscar a construção de uma solução negociada entre os dois governos e que aconteça de maneira a impedir um aumento tarifário”, declarou. “O setor empresarial brasileiro e americano tem buscado contribuir com o governo brasileiro e contribuir também do lado americano, trazendo essas suas percepções”, acrescentou.

Dados do governo apontam que aproximadamente 10 mil empresas brasileiras exportam atualmente para os Estados Unidos. Essa atividade está associada à geração de cerca de 3,2 milhões de empregos no Brasil. A nova tarifa de 50%, prevista para entrar em vigor em 1º de agosto, pode impactar diretamente esse fluxo de comércio.

Alckmin também comentou sobre a investigação aberta pelos EUA com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que serve como base jurídica para a imposição de medidas retaliatórias. Segundo ele, o Brasil está pronto para prestar todos os esclarecimentos necessários. “Vários dos temas levantados na investigação já vêm sendo enfrentados com seriedade pelo governo brasileiro”, afirmou.

Além do debate sobre a medida tarifária, o encontro também foi marcado por manifestações do governo brasileiro em favor da ampliação das relações comerciais com os Estados Unidos, desde que essas relações se mantenham em condições equilibradas e sem interferências de ordem política.

A participação de empresas norte-americanas com forte presença no Brasil reforça o esforço bilateral para evitar um impasse econômico. A presença de multinacionais como Amazon, General Motors, Coca-Cola, Dow, Corteva Agriscience, Sylvamo, Caterpillar, MedTech e John Deere foi interpretada como um gesto de pressão sobre a administração americana para que adote uma abordagem mais flexível.

Com o prazo de implementação da tarifa se aproximando, a mobilização conjunta entre setor privado e autoridades de ambos os países aparece como uma tentativa de evitar uma escalada nas tensões comerciais. A expectativa é de que a negociação avance nas próximas semanas, com o objetivo de preservar o intercâmbio entre duas das maiores economias do continente.

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Indústria retoma liderança em crédito do BNDES e ultrapassa agronegócio pela primeira vez desde 2017 https://www.ocafezinho.com/2025/07/09/industria-retoma-lideranca-em-credito-do-bndes-e-ultrapassa-agronegocio-pela-primeira-vez-desde-2017/ https://www.ocafezinho.com/2025/07/09/industria-retoma-lideranca-em-credito-do-bndes-e-ultrapassa-agronegocio-pela-primeira-vez-desde-2017/#respond Wed, 09 Jul 2025 12:26:44 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=212414 As liberações de crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) voltaram a favorecer a indústria no primeiro semestre de 2025, interrompendo um ciclo de predominância do agronegócio que durava desde 2017. Segundo dados oficiais divulgados pela instituição, o setor industrial respondeu por 24,9% das aprovações de crédito no período, superando o agronegócio, que ficou com 23,7%.

O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, atribuiu esse resultado às diretrizes estabelecidas pela Nova Indústria Brasil, política pública que tem direcionado os financiamentos do banco a setores industriais estratégicos.

“A retomada do protagonismo da indústria é resultado especialmente da Nova Indústria Brasil, que significou um salto de qualidade no crédito oferecido pelo BNDES para o setor, com instrumentos essenciais para segmentos específicos como inovação e digitalização”, declarou Mercadante.

A mudança de cenário marca a consolidação de uma tendência que começou no ano anterior. Em 2024, o BNDES aprovou R$ 212,6 bilhões em crédito. Desse total, R$ 52,4 bilhões foram destinados à indústria, representando um crescimento de 132% em relação a 2022. No mesmo intervalo, a agropecuária também cresceu, mas em ritmo inferior: 92%, atingindo R$ 52,3 bilhões.

O desempenho de 2024 já havia sinalizado uma inflexão no perfil dos investimentos do banco. Foi a primeira vez, desde 2017, que o crédito aprovado para a indústria superou o destinado ao setor agropecuário. Agora, com os dados do primeiro semestre de 2025, essa guinada se confirma.

Apesar da inversão na liderança, o presidente do banco reforçou que o agronegócio continua com forte demanda por financiamento e poderá se beneficiar mais intensamente nos próximos meses. “As aprovações de crédito para o agronegócio seguem muito fortes e tendem a ganhar maior tração no segundo semestre, com o novo Plano Safra”, afirmou Mercadante.

O crescimento do crédito industrial está atrelado, segundo o BNDES, a projetos que envolvem modernização tecnológica, digitalização de processos produtivos e incentivo à inovação. As linhas de financiamento têm sido direcionadas de forma segmentada, priorizando áreas consideradas estratégicas pela Nova Indústria Brasil.

A política pública em questão tem como foco a reindustrialização do país por meio de investimentos em cadeias produtivas de alto valor agregado. Um dos pilares do programa é facilitar o acesso a crédito para empresas com foco em pesquisa, desenvolvimento e transformação digital. Isso, na avaliação do BNDES, tem impulsionado o crescimento nas aprovações de crédito voltadas ao setor.

Em contrapartida, o agronegócio, mesmo com leve retração relativa no primeiro semestre, mantém uma base sólida de financiamentos e deve ser impulsionado com mais intensidade ao longo do segundo semestre, com a execução das medidas previstas no novo Plano Safra.

O movimento atual representa um realinhamento estratégico nas prioridades de financiamento do banco. A inversão na ordem dos setores mais contemplados não significa redução no apoio ao campo, mas sim uma tentativa de reequilibrar o papel da indústria na economia nacional, especialmente diante dos objetivos de modernização tecnológica e competitividade internacional.

A última vez que a indústria havia superado o agronegócio em volume de crédito aprovado pelo BNDES foi em 2017. Desde então, o setor agropecuário vinha liderando com folga, impulsionado por safras recordes, aumento das exportações e demanda por mecanização e insumos.

A reversão verificada em 2025 deve abrir espaço para novas disputas por protagonismo entre os setores nos próximos ciclos de financiamento. Com o foco do governo federal na neoindustrialização e a manutenção dos incentivos à produção agropecuária, o BNDES seguirá desempenhando um papel central no direcionamento de investimentos estruturantes.

No balanço do primeiro semestre, o desempenho da indústria marca um ponto de inflexão na estratégia de financiamento público federal. O desfecho do ano dependerá do ritmo de execução do Plano Safra e da continuidade dos programas voltados à modernização industrial.

O banco não divulgou ainda os valores totais de crédito aprovados nos primeiros seis meses de 2025, mas indicou que o volume geral acompanha o ritmo de crescimento observado no ano anterior. A disputa entre indústria e agronegócio por fatias maiores do crédito do BNDES promete se intensificar nos próximos meses.

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Explosão dos app’s no Brasil: 2,2 milhões atuam como motoristas/entregadores e rendem mais que o salário-mínimo https://www.ocafezinho.com/2025/06/28/explosao-dos-apps-no-brasil-22-milhoes-atuam-como-motoristas-entregadores-e-rendem-mais-que-o-salario-minimo/ https://www.ocafezinho.com/2025/06/28/explosao-dos-apps-no-brasil-22-milhoes-atuam-como-motoristas-entregadores-e-rendem-mais-que-o-salario-minimo/#respond Sat, 28 Jun 2025 08:32:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=211290 O número de trabalhadores atuando por meio de plataformas digitais no Brasil aumentou expressivamente entre 2022 e 2024. Segundo dados da segunda edição da pesquisa do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), divulgada nesta quarta-feira, 25, cerca de 2,2 milhões de pessoas trabalham atualmente como motoristas de transporte individual ou entregadores. O crescimento foi de 35% entre os motoristas e de 18% entre os entregadores no período.

O levantamento é o único do país baseado em registros administrativos das empresas do setor e oferece um retrato inédito sobre perfil, remuneração, jornada e vínculos com os aplicativos. Entre os 2,2 milhões de trabalhadores, 1,7 milhão são motoristas e aproximadamente 455 mil realizam entregas.

A pesquisa revela que, mesmo sem vínculo empregatício formal, os rendimentos líquidos médios desses trabalhadores superam o salário-mínimo nacional vigente e também os salários de trabalhadores com o mesmo nível de escolaridade no setor de serviços.

Motoristas que trabalham 40 horas por semana recebem entre R$ 3.083 e R$ 4.400 líquidos por mês, o equivalente a R$ 19 a R$ 27 por hora. Já os entregadores, na mesma carga horária, têm rendimentos entre R$ 2.669 e R$ 3.581, com ganho por hora entre R$ 17 e R$ 22. Para efeito de comparação, o salário-mínimo em 2024 é de R$ 1.412, e a média salarial de trabalhadores com ensino médio completo no setor de serviços, segundo o IBGE, é de R$ 2.392.

A jornada dos trabalhadores de aplicativo também apresenta características específicas. Os motoristas atuam, em média, entre 19 e 27 horas por semana, conectando-se às plataformas por cerca de três dias por semana.

Os entregadores, por sua vez, têm uma média semanal de 9 a 13 horas, com quatro dias de trabalho. A flexibilidade é apontada como fator determinante para a permanência na atividade: 42% dos motoristas e 45% dos entregadores afirmam que a carga horária varia consideravelmente semana a semana.

Ainda segundo o Cebrap, 58% dos motoristas têm nas plataformas sua única fonte de renda e 63% não estão em busca de outro tipo de ocupação. No grupo dos entregadores, 54% exercem exclusivamente essa atividade remunerada.

Entre os principais motivos apontados para essa escolha estão os ganhos financeiros (citado por 43% dos motoristas e 48% dos entregadores) e a flexibilidade e autonomia oferecidas pelo modelo de trabalho (27% e 24%, respectivamente).

O estudo indica também uma mudança no perfil da ocupação com plataformas digitais. O vínculo deixou de ser apenas uma alternativa ao desemprego. Cada vez mais, trabalhadores autônomos e com outras fontes de renda utilizam os aplicativos como forma de complementar o orçamento.

Entre os motoristas, o número de pessoas que acumulam outra atividade remunerada subiu de 37% para 42%. Entre os entregadores, 43% também têm outra ocupação, sendo que mais da metade possui vínculo formal com carteira assinada.

A cobertura previdenciária dos trabalhadores de aplicativo também foi analisada. Entre os motoristas, 53% contribuem com a Previdência Social. No grupo dos entregadores, a taxa é de 57%.

Desses, 21% dos motoristas e 27% dos entregadores estão registrados como trabalhadores formais. Outros 27% em ambos os grupos fazem as contribuições na condição de Microempreendedor Individual (MEI).

O Cebrap destaca que a regulamentação desses vínculos é tema em discussão no Congresso Nacional, especialmente por meio do Projeto de Lei Complementar 12/2024. A proposta trata das relações trabalhistas envolvendo plataformas digitais.

Em paralelo, um estudo da consultoria Ecoa, encomendado pela Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec), analisou os possíveis impactos econômicos da aplicação das regras da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) aos motoristas e entregadores de aplicativo.

Os resultados apontam que, caso essa mudança ocorra, o valor das viagens pode subir até 34% e o preço das entregas até 26%. Como consequência, haveria uma queda estimada de 31% na demanda por corridas e de 43% por entregas.

A consultoria prevê ainda um impacto direto no número de postos de trabalho. A estimativa é de que 52% das vagas para motoristas e até 82% das oportunidades para entregadores poderiam ser extintas. Os ganhos líquidos dos trabalhadores também sofreriam redução mínima de 10%, segundo as projeções da Ecoa.

O diretor-executivo da Amobitec, André Porto, defende que qualquer proposta de regulamentação considere as especificidades do setor.

“Defendemos a regulamentação do setor para oferecer maior proteção social para os profissionais, assim como segurança jurídica para as empresas. Consideramos que qualquer iniciativa deve ser avaliada com cautela, observando as particularidades do modelo de negócio e os benefícios econômicos e sociais gerados pela tecnologia”, afirmou.

O debate sobre os rumos do trabalho por aplicativo continua em pauta, com foco na busca de equilíbrio entre segurança jurídica, proteção social e preservação das oportunidades de trabalho oferecidas pelo setor.

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XP Investimentos vira alvo de inquérito do MPF por operações financeiras suspeitas https://www.ocafezinho.com/2025/06/25/xp-investimentos-vira-alvo-de-inquerito-do-mpf-por-operacoes-financeiras-suspeitas/ https://www.ocafezinho.com/2025/06/25/xp-investimentos-vira-alvo-de-inquerito-do-mpf-por-operacoes-financeiras-suspeitas/#respond Wed, 25 Jun 2025 07:44:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=211219 O Ministério Público Federal (MPF) instaurou um inquérito para apurar possíveis irregularidades em operações da XP Investimentos, informou a revista Veja nesta segunda-feira, 23. A investigação envolve estruturas financeiras conhecidas no mercado como “Collar com UI ativo”.

A apuração foi determinada pelo procurador da República Claudio Gheventer, após uma representação feita por um consumidor. Até o momento, os detalhes sobre a natureza das supostas irregularidades não foram divulgados pelo órgão.

Segundo fontes do setor financeiro, a estrutura “Collar com UI ativo” é utilizada com o objetivo de mitigar riscos de mercado. Esse tipo de instrumento financeiro é comumente adotado em operações de hedge cambial, na proteção de preços agrícolas e na administração da volatilidade em carteiras de investimento.

“O instrumento é um tipo de estrutura financeira usada principalmente para mitigar riscos de mercado, especialmente variações bruscas em taxas de câmbio, preços de commodities ou ativos financeiros. No mercado brasileiro, esse tipo de estrutura é bastante usado em operações de hedge cambial, proteção de safras agrícolas e gestão de volatilidade de carteiras de investimento”, afirmou o advogado Rodrigo Borges, sócio do escritório Carvalho Borges Araújo Advogados, em entrevista ao Valor Econômico.

As chamadas estruturas “Collar” consistem em operações que combinam derivativos financeiros, como opções de compra e venda, com o objetivo de limitar perdas e ganhos dentro de uma faixa pré-estabelecida. No caso investigado, o componente adicional identificado como “UI ativo” ainda não teve suas características técnicas detalhadas no inquérito.

A XP Investimentos não se manifestou oficialmente até o momento. A empresa, que possui forte atuação no varejo financeiro e mantém significativa presença no mercado de capitais brasileiro, poderá ser intimada a prestar esclarecimentos durante o andamento das investigações.

O MPF não informou se outras instituições ou operadores financeiros também serão alvo da apuração. A representação que deu origem ao inquérito foi apresentada por um cliente da instituição, o que pode indicar que a suposta irregularidade envolva relação direta com investidores de varejo.

De acordo com especialistas, estruturas complexas como a investigada costumam exigir alto nível de conhecimento técnico, sendo normalmente oferecidas a investidores qualificados. No entanto, a possibilidade de má conduta na oferta, execução ou explicação dos riscos associados é um dos principais pontos que podem estar sob análise do MPF.

A decisão de instaurar o inquérito ocorre em um contexto de maior atenção do Ministério Público e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) a produtos estruturados e complexos comercializados no mercado brasileiro.

Nos últimos anos, casos envolvendo perdas significativas em instrumentos derivados levaram órgãos de controle a reforçar a fiscalização sobre práticas comerciais, especialmente quando voltadas a investidores sem perfil técnico para compreender a totalidade dos riscos.

A XP, por sua vez, já foi alvo de questionamentos públicos em outras ocasiões envolvendo o relacionamento com clientes e os mecanismos de proteção ao investidor. Ainda não está claro se o inquérito atual será acompanhado de ação conjunta com a CVM ou outros órgãos de regulação do mercado financeiro.

O andamento da investigação dependerá agora da análise preliminar do MPF sobre os documentos e informações a serem coletados. Caso o órgão encontre indícios de infrações cíveis ou criminais, poderá avançar para etapas mais rigorosas, que incluem diligências formais e eventual responsabilização judicial.

O procurador Claudio Gheventer, responsável pela condução do inquérito, também não detalhou prazos para a conclusão da análise inicial. Como se trata de uma investigação em estágio inicial, o sigilo sobre os autos pode ser mantido até que haja posicionamento formal do órgão.

A XP Investimentos, controlada pelo grupo XP Inc., mantém presença relevante no setor bancário digital e no segmento de corretoras de valores, com milhões de clientes ativos no Brasil. Com ações listadas na Nasdaq, a empresa também está sujeita a normas de regulação e compliance nos Estados Unidos.

A repercussão do inquérito poderá ter impactos sobre a reputação institucional da XP, a depender do desenrolar do processo. Embora nenhuma acusação formal tenha sido feita até o momento, a abertura do inquérito marca o início de uma fase de apuração que poderá resultar em novas etapas jurídicas.

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BB libera US$ 700 milhões para pequenas empresas investirem em energia limpa e exportação https://www.ocafezinho.com/2025/06/24/bb-libera-us-700-milhoes-para-pequenas-empresas-investirem-em-energia-limpa-e-exportacao/ https://www.ocafezinho.com/2025/06/24/bb-libera-us-700-milhoes-para-pequenas-empresas-investirem-em-energia-limpa-e-exportacao/#respond Wed, 25 Jun 2025 00:59:12 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=211244 Micro, pequenas e médias empresas brasileiras terão acesso a até US$ 700 milhões em crédito internacional para projetos de energia limpa e operações de comércio exterior até 2028.

O valor será disponibilizado por meio de um acordo assinado entre o Banco do Brasil (BB) e a Agência Multilateral de Garantia de Investimentos (MIGA), entidade vinculada ao Banco Mundial. A assinatura ocorreu em Londres e integra o programa TFG (Trade Finance Guarantee), voltado à expansão de crédito com risco reduzido.

O objetivo da parceria é facilitar o acesso dessas empresas a financiamento em moeda estrangeira, com condições mais competitivas, para aplicação em atividades sustentáveis e exportações. O crédito estará disponível para aquisição de equipamentos e insumos ligados à produção com menor impacto ambiental, como sistemas de energia solar, eólica, biomassa e biocombustíveis.

Segundo o Banco do Brasil, o primeiro desembolso será imediato, no valor de US$ 350 milhões, com participação de instituições financeiras internacionais como BBVA e HSBC. Os recursos virão com garantia de até 95% da MIGA, reduzindo o risco de inadimplência para os bancos e permitindo a concessão de crédito com juros menores.

As garantias da MIGA são estruturadas para cobrir eventuais perdas em financiamentos internacionais. O programa oferece proteção contra riscos comerciais e políticos, o que permite ao Banco do Brasil captar recursos com classificação de risco AAA. Essa condição viabiliza o aumento da oferta de crédito para empresas brasileiras com atuação internacional e reduz o custo de captação no exterior.

Os recursos estarão disponíveis com prazos de até um ano por operação. A previsão é que o valor total de US$ 700 milhões seja liberado ao longo dos próximos três anos, com novas tranches a depender do ritmo de contratação pelas empresas.

O financiamento é voltado exclusivamente a empresas de menor porte, segmento que representa cerca de 99% das empresas ativas no país, conforme dados do Banco do Brasil. Essas companhias poderão utilizar os recursos para modernização de seus processos produtivos, investimentos em sustentabilidade e expansão de operações de comércio internacional.

A instituição financeira informou que a iniciativa faz parte do Plano de Transformação Ecológica. Lançado em 2023, o plano busca direcionar recursos para projetos que estimulem práticas de baixo carbono e promovam a adaptação a novas exigências ambientais e regulatórias nos mercados externos.

Além da área de energia renovável, as micro, pequenas e médias empresas poderão utilizar o crédito para atividades ligadas à produção sustentável, como processos de eficiência energética, substituição de fontes fósseis por alternativas renováveis e compra de equipamentos de baixa emissão de carbono.

A estrutura financeira da operação permite ao Banco do Brasil diversificar suas fontes de captação e ampliar sua atuação no mercado de crédito externo, com foco em empresas de menor porte. Ao reduzir a exposição a riscos, a garantia da MIGA estimula maior participação de instituições financeiras globais na concessão de crédito voltado ao segmento.

O programa TFG, da MIGA, já foi utilizado em outros países com o mesmo propósito: apoiar bancos nacionais na concessão de crédito para exportação e sustentabilidade. A agência do Banco Mundial atua como avalista de operações que envolvem múltiplas partes e mercados emergentes, com foco em incentivar o fluxo de capital privado para setores estratégicos.

Com o início do desembolso imediato, o Banco do Brasil passa a operar uma das maiores linhas de crédito externas direcionadas a MPMEs com foco ambiental da América Latina. A previsão é que os contratos com empresas brasileiras comecem a ser formalizados já nas próximas semanas, com liberação de recursos escalonada conforme os cronogramas dos projetos.

Os recursos serão operados por meio de contratos padronizados de financiamento externo e deverão atender aos critérios estabelecidos pela instituição financeira para a caracterização de projetos sustentáveis. A avaliação de elegibilidade dos tomadores será feita conforme parâmetros técnicos, incluindo certificações ambientais, planos de mitigação de impacto e aderência às metas climáticas globais.

A expectativa do Banco do Brasil é que a medida também contribua para fortalecer a presença de empresas brasileiras em cadeias produtivas internacionais, especialmente nos setores em que há exigência crescente por fornecedores com práticas ambientais comprovadas.

O acesso a linhas de crédito com menor custo em moeda estrangeira pode ampliar a competitividade dessas empresas em mercados onde os requisitos de sustentabilidade são condição para contratos.

Segundo dados do BB, as empresas de menor porte têm ampliado sua participação nas exportações brasileiras, especialmente nos segmentos de alimentos, cosméticos, vestuário e manufaturados de menor escala. O novo programa de crédito será uma ferramenta adicional para que esse público mantenha presença estável nos mercados internacionais.

A operação, com risco compartilhado e respaldo institucional, representa uma das estratégias do Banco do Brasil para alinhar sua política de crédito à agenda global de sustentabilidade e inclusão financeira. Novos desembolsos serão avaliados conforme a resposta do mercado e o nível de execução dos primeiros projetos financiados.

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Saiba porque o Estreito de Ormuz é tão estratégico e como bloqueio pelo Irã pode impactar o mundo https://www.ocafezinho.com/2025/06/23/saiba-porque-o-estreito-de-ormuz-e-tao-estrategico-e-como-bloqueio-pelo-ira-pode-impactar-o-mundo/ https://www.ocafezinho.com/2025/06/23/saiba-porque-o-estreito-de-ormuz-e-tao-estrategico-e-como-bloqueio-pelo-ira-pode-impactar-o-mundo/#respond Mon, 23 Jun 2025 18:06:09 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=211148 O parlamento iraniano aprovou nesta semana uma proposta para fechar o Estreito de Ormuz, em resposta aos ataques militares dos Estados Unidos a instalações nucleares do país.

A decisão final depende do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã e do Líder Supremo, aiatolá Ali Khamenei, mas a medida elevou o temor de desabastecimento de petróleo e gás.

O Estreito de Ormuz é uma passagem de 33 quilômetros entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã que responde por cerca de 20% das exportações globais de petróleo e gás, segundo a Administração de Informação de Energia dos EUA. Em 2024, estima-se que 84% do petróleo bruto e condensado e 83% do gás natural liquefeito que trafegaram pela via tenham como destino mercados asiáticos.

China, Índia, Japão e Coreia do Sul concentraram 69% do fluxo de petróleo bruto e condensado pelo estreito. A China, maior importadora de petróleo, adquire mais de 70% de seus suprimentos do exterior, com metade vindo do Oriente Médio.

Embora nunca tenha sido totalmente bloqueado, o Estreito de Ormuz já sofreu interrupções. Durante a guerra Irã-Iraque, petroleiros foram alvo de ataques. Em 2007, marinhas iraniana e americana tiveram confrontos na região. Em 2023, o petroleiro Advantage Sweet, fretado pela Chevron, foi apreendido por forças iranianas.

Analistas do Goldman Sachs afirmaram em nota de pesquisa que “embora os eventos no Oriente Médio permaneçam fluidos, acreditamos que os incentivos econômicos, inclusive para os EUA e a China, para tentar evitar uma perturbação sustentada e muito grande do Estreito de Ormuz, seriam fortes”.

Segundo o documento, uma paralisação prolongada poderia elevar o preço do petróleo acima de US$ 110 por barril e do gás europeu para mais de € 100 por megawatt-hora.

O chefe de pesquisa de câmbio do Deutsche Bank, George Saravelos, disse em relatório de 14 de junho que “o pior cenário — interrupção total do fornecimento de petróleo iraniano e fechamento do Estreito — poderia levar os preços do petróleo a subirem para mais de US$ 120 por barril”.

Ele acrescentou que “embora as instalações petrolíferas também não tenham sido alvos de rodadas anteriores de hostilidades, o mercado não pode ignorar a possibilidade de que um ciclo de escalada cause interrupções”.

Nigel Green, CEO do grupo de consultoria deVere, declarou que “agora alertam que o petróleo bruto pode subir para US$ 130 por barril”, dependendo das próximas ações de Teerã.

Ele também afirmou: “Tal choque de preços se refletiria na inflação global, que permanece elevada e/ou estável em muitas regiões. Os participantes do mercado vinham precificando cortes de juros pelos bancos centrais, incluindo o Federal Reserve, no segundo semestre. Isso agora está em questão.”

O movimento do parlamento iraniano ocorre em meio à escalada de tensão entre Teerã, Washington e Tel Aviv. Os Estados Unidos defenderam os ataques como parte de um esforço para impedir o avanço do programa nuclear iraniano, enquanto Israel intensificou operações que atingiram supostos depósitos de mísseis e instalações de radar no oeste do país.

Teerã nega qualquer desvio de fins civis em seu programa nuclear e lembra que mantém supervisão da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e obedece ao Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP). Já Israel, que não ratificou o TNP, não divulga oficialmente informações sobre seu arsenal atômico.

O possível bloqueio do Estreito de Ormuz projeta efeitos imediatos no comércio de energia. Empresas de transporte marítimo avaliarão rotas alternativas, mas essas trajetórias aumentam custos e levam mais tempo. Governos de países importadores afirmam que buscam canais diplomáticos para evitar qualquer interrupção.

No âmbito político, a proposta aprovada pelo parlamento faz parte de uma estratégia de retaliação a ataques percebidos como violações de soberania. A decisão será submetida a votação no Conselho Supremo de Segurança Nacional, presidido por Khamenei. Caso confirme a medida, o Irã terá base legal interna para negar passagem a navios que não atendam a requisitos definidos por suas Forças Armadas.

Especialistas em energia recomendam que Estados consumidores busquem estoques de reserva e acelerem acordos com produtores extra-regionais para mitigar risco de desabastecimento. Além disso, destacam a necessidade de diálogo em fóruns multilaterais para reduzir a chance de escalada.

Até o fechamento desta reportagem, o Conselho Supremo de Segurança Nacional não havia divulgado posição oficial. A incerteza levou agentes de mercado a elevar prêmios de risco nos contratos futuros de petróleo.

O desdobramento dos próximos dias determinará se o Estreito de Ormuz sofrerá restrição efetiva de tráfego. Países afetados, empresas de energia e organizações financeiras acompanham as decisões em Teerã com atenção, cientes de que qualquer bloqueio terá impacto direto no preço dos combustíveis e na política monetária global.

Com informações da SCMP

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