PMDB - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/pmdb/ Portal de noticias e análises sobre política brasileira, geopolítica, economia, tecnologia, sempre numa perspectiva democrática, progressista, anti-imperialista e multipolar! Sat, 25 Nov 2017 11:56:36 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://controle.ocafezinho.com/wp-content/uploads/2015/10/cropped-Logo_Cafezinho_tmb-32x32.png PMDB - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/pmdb/ 32 32 Dissidentes e perseguidos darão a Lula a mais expressiva vitória política da história https://www.ocafezinho.com/2017/11/25/dissidentes-e-perseguidos-darao-lula-mais-expressiva-vitoria-politica-da-historia/ https://www.ocafezinho.com/2017/11/25/dissidentes-e-perseguidos-darao-lula-mais-expressiva-vitoria-politica-da-historia/#comments Sat, 25 Nov 2017 11:06:34 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=81562 49 Comentários 🔥]]> Por Wellington Calasans, para O Cafezinho

A expulsão da senadora Katia Abreu do PMDB rompeu com qualquer possibilidade de coesão desta sigla que desde a redemocratização de 1985 foi o fiel da balança eleitoral no país. Há quem diga que o senador Roberto Requião será o próximo a entrar na lista de perseguidos do, pausa para rir, “Conselho de Ética” do partido.

Katia Abreu (mesmo expulsa) e Roberto Requião estão em vantagem na briga interna do PMDB. Descolar de Cunha, Henrique Alves, Temer, Jucá, Moreira Franco, etc. parece uma escolha muito mais nobre para os aspirantes a qualquer cargo público.

No próximo ano, o voto será, pela primeira vez em anos, um “três em um” onde preferência, repúdio e proposta de governo estarão na mesma expressão popular. Neste contexto, Lula convidou Requião para uma conversa e Dilma lembrou aos eleitores o apoio e lealdade que recebeu de Katia Abreu.

Se internamente Requião e Katia (que poderá voltar aclamada) vencerem a disputa contra Jucá, abrirão uma porta gigantesca para que o PMDB seja renovado e inicie um processo de recuperação. A decadência do PSDB pode servir de parâmetro para que seja evitada a morte do partido de Ulysses e Tancredo.

Caso a “Surubatização Jucaniana” prevaleça, Requião e Katia podem abandonar o PMDB e levar para outro partido, não apenas, uma fatia significativa de correligionários preocupados com a opinião pública, como também podem, no novo ambiente, construir o “porto seguro” para os dissidentes do golpe. O antecipado perdão de “Dilma e Lula” é a luz verde para isto.

O crescimento de Lula nas pesquisas e a completa reprovação popular ao atual governo antecipam a bandeira eleitoral do “Referendo Revogatório para a Reconstrução Nacional”. Além disso, reforçam a nova e necessária bipolaridade “nacionalistas x entreguistas” para inserir o senso comum no debate político. Não há mais ambiente institucional para a polarização “esquerda x direita”.

O calendário segue implacável contra a cleptocracia no poder. A pressa, estratégia dos ladrões de galinha, é substituída pelo desespero de quem já sente a pressão dos donos do galinheiro. Vai acontecer a “debandada” e Lula terá a mais esmagadora vitória nas urnas da nossa história.

Políticos atentos sabem que o povo brasileiro não é o norte-americano. As pesquisas mostram que emprego com saúde e educação públicas são as prioridades da maioria que não caiu no papo furado da meritocracia. O debate está vivo e isso fortalece quem tem proposta para o Brasil e para os brasileiros.

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Crise do Rio de Janeiro é o retrato em carne viva do Brasil que Temer quer construir. https://www.ocafezinho.com/2016/11/19/crise-do-rio-de-janeiro-e-o-retrato-em-carne-viva-do-brasil-que-temer-quer-construir/ https://www.ocafezinho.com/2016/11/19/crise-do-rio-de-janeiro-e-o-retrato-em-carne-viva-do-brasil-que-temer-quer-construir/#comments Sat, 19 Nov 2016 17:34:37 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=60231 14 Comentários 🔥]]> Por Bajonas Teixeira, colunista de política do Cafezinho

Há cinco anos, o Rio era o estado que festejava Eike Batista, o Porto Maravilha e o projeto Rio Arte, e assegurava que as UPPs faziam milagres. Por sob essa fachada, os bueiros explodiam, o crime fervilhava, mas ninguém via nada. Os efeitos profundos desse período se mostram na crise atual, só comparável aos efeitos das pestes que assolavam as cidades medievais.

Quem achava que o Brasil era sempre o país do futuro, mas nunca do presente, pode se dar por satisfeito: o Rio é o retrato vivo do país do futuro que Temer vai nos entregar, após 24 saques mensais, daqui a dois anos.

Que ninguém diga, portanto, que não foi avisado. O Rio mostra em detalhes o que o PMDB pode e sabe fazer. E para que nada falte, Moreira Franco, o atual braço direito de Michel Temer para dilapidar e saquear o estado brasileiro, foi governador do Rio e esteve envolvido em inúmeras denúncias de corrupção.

Antes de aderir incondicionalmente ao governo Temer, a Folha de São Paulo tinha esperança de que o PMDB fosse derrubado para que o PSDB, partido de São Paulo que é a sua menina dos olhos, pudesse ocupar o poder. Nessa época, fez uma matéria muito interessante, um raio X de Moreira, com o título de Camaleão político. Retratando inúmeros escândalos, suspeitas e denúncias de corrupção, desenhou a figura de um político capaz de causar arrepios mesmo nas sensibilidades mais insensíveis.

Como carioca, vivendo fora do estado há mais de duas décadas, guardo duas recordações marcantes do período do domínio recente do PMDB no estado do Rio. Uma foi um passeio de bondinho em Santa Teresa que fiz com minha mulher e minha filha em 2011. Tomamos o bonde na estação no Centro, depois de uma longa espera, porque a fila era imensa. Logo que o bonde saiu da estação, eu, que o conheço há décadas, estranhei o número e a altura dos ruídos e rangidos, de ferro velho, que se desprendiam do veículo. Falei ao motorneiro, e eles disse que era normal.

Mesmo assim, saltei na primeira estação com medo do que poderia acontecer. Pouco tempo depois, ocorreu o acidente que matou cinco pessoas e deixou 57 feridas.

Outro episódio foi um passeio no centro do Rio e no centro de Niterói. Eu estava há alguns dias em um apartamento em Ipanema, na Prudente da Moraes, e resolvi visitar aqueles cenários fora daquele vazio asfixiante da Zonal Sul. Fiquei tomado pela sensação geral de que uma espécie de sarna, de degradação epidérmica, que fazia adivinhar uma desintegração interior muito mais grave, estava tomando conta do estado.

Parecia que forças parasitárias invisíveis tinham sugado a verve, a começar pela cor e pelo asseio da cidade. Por toda parte, paredes que denunciavam não ver tinta há muitos anos, fachadas encardidas, vias públicas esburacadas, lixo acumulado, uma ambiência que há 20 anos, por exemplo, estavam restrita ao entorno da Central do Brasil, a porta de chegada dos trens do subúrbio ao centro da cidade do Rio, parecia agora ter se espalhado e passado a dominar o estado inteiro.

A isso se somavam os bueiros explodindo (2011 foi um ano de recorde de explosão de bueiros, como talvez esteja sendo, mas com menos alarde, o de 2016, que já assassinou a atriz Aline Barreto e feriu muitos outros), as violências praticadas pelas desocupações no Centro do Rio para a “revitalização” do Centro. Em contraste com o projeto centrado no Porto Maravilha, da modernização arquitetônica deslumbrante para os tolos, se via por toda a parte um impressionante número de mendigos espalhados na cidade, concentrados em grupos, dormindo nos gramados, especialmente no aterro do Flamengo e no Centro, formando grandes concentrações pela área dos Arcos da Lapa.  Os mendigos, como se sabe, hoje e na Inglaterra do cercamento dos campos,  apontam o grau em que a concentração econômica produz miseráveis.

Tudo isso era pouco ou quase nada visível. Sérgio Cabral era um herói da mídia. Aparecia em fotos cuidadosamente editadas, como Michel Temer hoje, de quem por mais que se procure no Google dificilmente se achará uma imagem destoante do padrão.

O homem que presidia a cidade, logo abaixo, ou um pouco acima, do governador Cabral, era Eike Batista, o dono das UPPs, o senhor do Marina da Glória, ou manda-chuva e o manda-sol da cidade. Respeitado, admirado, louvado, cultuado. Eike era o cara e a cara da cidade.

Ouvia-se também o refrão da nova cidade erguida em torno do Porto Maravilha, que era o seguinte: “O Rio é Arte. O tempo todo. Em toda parte.” Essa quadrinha imbecil soava sofisticada.

A arte o tempo todo e em toda parte, está espalhada agora por todo o estado do Rio. E é a mesma arte, que um vetusto autor anônimo português chamou de “a arte de furtar”, em livro justamente célebre do século XVII.

O Brasil do futuro, o Brasil do PMDB, de Sérgio Cabral, de Michel Temer é uma terra de ninguém degradada, sangrada até a última gota de riqueza extraível. Para bajular os empresários e as elites brasileiras em geral, e receber as migalhas do banquete, será desmontado todo o patrimônio público, de leis, garantias, e direitos. Não apenas a Constituição de 1988, e seus mecanismos que asseguram verbas para a educação, a saúde, a previdências, mas os direitos trabalhistas conquistados nas décadas entre 1910 e 1930, que Getúlio Vargas teve que reconhecer na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

Ele quer, e vai se não for detido, destruir cem anos de lutas e conquistas sociais. Nada menos que isso. Vai quebrar todas as instituições sólidas (o SUS, a previdência, as universidades públicas, etc.), vai destruir o salário mínimo, a aposentadoria, o seguro desemprego, as garantias jurídicas do trabalho.

E quem é o homem que agora assume, em nome de Temer, a missão de implementar tudo isso? É Romero Jucá, nomeado líder do governo no Congresso.  Contra ele, segundo levantamento site Congresso em Foco, pesam apenas as acusações referentes aos crimes de lavagem de dinheiro, formação de quadrilha, corrupção passiva, crimes eleitorais, crimes contra a ordem tributária, apropriação indébita previdenciária e falsidade ideológica, que constam dos Inquéritos 3989, 3297, 2116 e 2963.

E note-se que, no momento em que a devastação do estado brasileiro por Temer está sendo levada adiante, a esquerda fechou a boca. Desde a derrota nos dois turnos da última eleição, portanto, desde o final de outubro, o silêncio paira sobre a oposição. Não se escuta mais murmúrios. Mesmos os poucos políticos, um ou dois senadores, e um ou dois deputados, que ainda abriam a boca com mais veemência, como o senador cara-pintada Lindbergh Farias, se fecharam em mutismo profundo.

Esse raquitismo e essa anemia política são vergonhosos, porque, para qualquer um que saiba ler e escrever, o governo Temer revela facilmente que é um governo débil, que já teria caído como um castelo de cartas, se houvesse quem lhe desse um bom chute.

Caro leitor, visite e curta a página da MÁQUINA CRÍTICA, vamos criar diversidade contra a mídia fascista do golpe. Abraços. 

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O arquivamento do inquérito contra Pedro Paulo é mais um presente do MPF ao PMDB https://www.ocafezinho.com/2016/08/17/o-arquivamento-do-inquerito-contra-pedro-paulo-e-mais-um-presente-do-mpf-ao-pmdb/ https://www.ocafezinho.com/2016/08/17/o-arquivamento-do-inquerito-contra-pedro-paulo-e-mais-um-presente-do-mpf-ao-pmdb/#comments Wed, 17 Aug 2016 18:42:46 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=52574 10 Comentários 🔥]]> (Rodrigo Janot. Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil)

Por Pedro Breier, correspondente policial do Cafezinho

O ministro do STF Luiz Fux determinou o arquivamento do inquérito contra o candidato do PMDB à prefeitura do Rio de Janeiro, Pedro Paulo, que apurava denúncia de agressão à sua ex-mulher, Alexandra Marcondes. O arquivamento foi solicitado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, na segunda-feira, dia 15.

Janot concordou com a tese dos advogados de defesa de Pedro Paulo, afirmando, no seu parecer, que “ganhou peso a tese defensiva no sentido de que as lesões verificadas em exame de corpo de delito a que foi submetida a suposta vítima seriam decorrentes de atitude defensiva do investigado”.

Essa conclusão contrasta com uma entrevista dada pelo próprio Pedro Paulo à Folha, em novembro do ano passado, na qual afirmou: “Tivemos discussões e agressões mútuas. Acho que não cabe a gente falar ‘Ah! Ela me agrediu e eu me defendi’. Fazer disso uma discussão pericial do episódio.”

Janot cita, no pedido de arquivamento, que Alexandra “foi peremptória ao negar ter sido agredida por seu então marido. Na ocasião, atribuiu as próprias lesões a movimentos de defesa de Pedro Paulo, para repelir investidas da depoente contra ele”.

A tese de lesões provocadas por movimentos de defesa não bate com o laudo feito pelo IML em 2010, o qual aponta que Alexandra teve um dente quebrado no episódio.

O perito que fez o exame de corpo de delito afirmou, em depoimento ao STF, que cometeu um erro no laudo ao escrever que houve “avulsão pequena”. O termo teria sido utilizado de forma imprecisa, segundo o perito, não significando que Alexandra tenha perdido um dente mas sim que tinha “uma pequena falha dentária”.

Essa mudança de opinião do perito é só mais uma dentre as várias contradições do caso.

Pedro Paulo inicialmente negou a agressão. Depois admitiu, na entrevista à Folha citada acima. Na mesma entrevista afirmou que “é importante dizer que foi um episódio único na minha vida. Não tenho uma atitude de violência antes e depois desse episódio.”

Depois dessa declaração surgiram as informações de que na verdade Alexandra já havia feito boletim de ocorrência contra Pedro Paulo em 2008, por agressão, e em agosto de 2010, por ameaças.

Após a divulgação do caso, a assessoria de imprensa do peemedebista divulgou, em outubro de 2015, documento com assinatura autenticada de Alexandra, no qual ela negava as agressões relatadas à polícia.

Em novembro do mesmo ano Alexandra confirmou ao Ministério Público ter sido vítima de agressões do ex-marido.

Em fevereiro de 2016 saiu na Folha que Alexandra assinou no mesmo dia (16 de outubro de 2015) dois documentos com versões diferentes sobre as agressões que sofreu.

Após, passou a negar peremptoriamente as agressões, versão à qual Janot deu credibilidade ao pedir o arquivamento do inquérito.

O caso fica mais nebuloso ainda porque o pedido de arquivamento e o seu rápido acatamento por Fux aconteceram exatamente no início do período oficial de campanha eleitoral.

Pedro Paulo quase teve que desistir da candidatura por conta da repercussão negativa do caso das agressões. Vem bem a calhar um pedido de arquivamento do inquérito exatamente no início da campanha, não?

É o segundo presente que o PMDB recebe do MPF em pouquíssimo tempo: a presidência da República só caiu no colo do partido por conta da atuação da PGR e dos procuradores da Lava Jato nos movimentos que culminaram no golpe de Estado a que estamos sendo obrigados a assistir em pleno 2016.

O PMDB aparentemente juntou-se ao PSDB no time dos inimputáveis brasileiros. Vejam a demora das instituições para conter Eduardo Cunha, mesmo com a avalanche de provas contra ele.

Enquanto isso, Lula já está condenado por antecipação há muito tempo pelos meganhas da Lava Jato. Sem provas, obviamente.

A frase de Janot na sabatina que analisava a sua recondução ao cargo de PGR, “pau que bate em Chico também bate em Francisco”, nunca pareceu tão cínica.

 

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Mais um exemplo da vil relação entre a mídia e o golpe. O caso “Temer devolve Furnas” https://www.ocafezinho.com/2016/07/17/mais-um-exemplo-da-vil-relacao-entre-a-midia-e-o-golpe-o-caso-temer-devolve-furnas/ https://www.ocafezinho.com/2016/07/17/mais-um-exemplo-da-vil-relacao-entre-a-midia-e-o-golpe-o-caso-temer-devolve-furnas/#comments Mon, 18 Jul 2016 01:52:05 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=50442 1 Comentário 🔥]]> Por Tadeu Porto* (@tadeuporto) colunista do Blog O Cafezinho

Imaginem, nem que seja por um pequeno instante, a seguinte situação: Dilma assume a presidência e, em entrevista a um jornal de grande circulação, responde a uma pergunta específica com a seguinte frase: “A bancada do PT de Minas está acertando com a Petrobrás. Vou devolver a estatal a eles”.

Oras, parece não ser tão difícil projetar o que aconteceria. Vejamos:

Reinaldo Azevedo escreveria uma coluna do tipo “Horror, horror!! Petralhas querem o Brasil de volta!”; Diego Escosteguy faria um periscope explicando como a presidente pretende retomar o esquema de corrupção; o MBL chamaria uma manifestação contra o ~aparelhamento~ da Petrobras (e pedindo para banir venezuelanas do Miss Universo); Veja e Época publicariam revistas com a Dilma na capa e títulos derivados de “O esquema da Lava-Jato volta”; A Folha daria destaque ao título “Dilma volta a roubar a Petrobras” para depois publicar um erramos no rodapé da caderno Folha Corrida; William Bonner gastaria 20min no JN passando a imagem de um oleoduto escorrendo dinheiro; e, por fim, Aécio Neves apareceria em todas as mídias para se dizer contra esse “absurdo” e que vai fazer o possível para “moralizar o país e acabar com a corrupção e com o PT”.

Agora peguem a mesma abstração que propus no primeiro parágrafo, substituam Dilma por Temer (sei que é difícil, mas é só virtualmente), PT por PMDB e a Petrobrás por Furnas.

O interessante é que o resultado dessa combinação existe no mundo material e aconteceu, há três dias, numa entrevista do vice-presidente decorativo ao Estadão.

Para ser mais preciso, cito aqui o próprio Michel:

“Estamos examinando com calma. A bancada do PMDB de Minas está acertando com Furnas. Vou devolver a estatal a eles. Furnas pode ser mais expressiva politicamente do que o Turismo. Tem Chesf, Eletronorte, Eletrosul, Itaipu…”

No melhor do minerês, prestenção nesse trem: o presidente em exercício, que precisa de votos no senado para se efetivar (e pode compra-los com favores), diz para todo o país ler e escutar que vai aparelhar uma das maiores estatais do país.

E o que acontece na chamada grande imprensa? Quase nada, se não fosse a coluna do Bernardo Mello da FSP. Nenhuma treta foi iniciada e nada de negativo ao governo apareceu, como se nossos veículos de comunicação fossem centros avançados de deboísmo (aliás, aqui vai um exemplo do Reinaldo Azevedo super deboas com delações) .

Quer dizer, existe uma empresa pública – interesse direto da população – sendo investigada por possíveis atos ilícitos de pessoas que já não fazem mais parte da companhia e o chefe do executivo interino afirma, com toda a tranquilidade do mundo, que vai devolver a empresa para as mãos do grupo que pode ter a lesado.

Vale relembrar que a proximidade de Aécio Neves e o PMDB mineiro, em seus tempos de “Lulécio”, foi tamanha a ponto do ex-governador mineiro ser cogitado a se candidatar a presidente ainda em 2010 pelo Partido de Temer (a convite deste). Ou seja, o “mais vulnerável”, o campeão de aparecimento em delações caso de Furnas, o menino que, segundo delatores, levava um terço só para ele (e olha que dividia o resto com um país inteiro e com o maior estado da federação) pode ver seus coleguinhas voltarem a dirigir a empresa no melhor estilo “Vale a Pena Ver de Novo”.

E tudo isso sem nenhum protesto da mídia investigativa, tão entusiasta da maior investigação da história do país, a intocável – pelo menos por enquanto – operação Lava-Jato.

Uma mídia que aceita uma fala bizarra como a de Temer sem demonstrar a população a verdade – que devolver Furnas ao PMDB mineiro é como fumar cigarro para se livrar dos adesivos de tabaco – é muito mais do que golpista, é a materialização do que há de mais canalha nesse perverso jogo político que vivemos.

Tadeu Porto é diretor do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (SindipetroNF)

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Sérgio Cabral e a arte de desaparecer https://www.ocafezinho.com/2016/06/20/sergio-cabral-e-a-arte-de-desaparecer/ https://www.ocafezinho.com/2016/06/20/sergio-cabral-e-a-arte-de-desaparecer/#comments Mon, 20 Jun 2016 21:25:37 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=48621 5 Comentários 🔥]]> Foto: Momento Verdadeiro/Fonte: O DIA.

Por Vinícius Silva, colaborador de O Cafezinho.

Uma das falas mais inacreditáveis e que passou “despercebida” nas entrevistas dadas à mídia corporativa em que o então governador em exercício do Rio de Janeiro Francisco Dornelles (PP), ao decretar pela primeira vez na história “estado de calamidade pública” no Rio de Janeiro quando indagado sobre as causas da crise, foi:  “O que aconteceu ontem pertence à história”. Como? O que aconteceu pertence à história?

Se o governador não é capaz de dizer, se a mídia corporativa (e seus respectivos interesses) é simplesmente incapaz de argumentar – “Mas, como assim?” – eu e O Cafezinho não nos furtaremos a dizer os responsáveis pela tragédia e o circo de horrores em que vivemos no Estado do Rio de Janeiro neste momento, e eles são o ex-governador Sérgio Cabral e o PMDB.

O PMDB governa o estado do Rio de Janeiro, e vários outros municípios da Região Metropolitana, inclusive a cidade do Rio de Janeiro sede Olímpica, há no mínimo 15 anos. Levando-se em consideração as pequenas intermitências, podemos falar em 20, 30 anos de governos do PMDB. Governos muito bem ocupados por outros partidos, como o PP, do atual governador, o PSDB, DEM, entre outros menores da centro-direita. Também não podemos esquecer que nossa centro-esquerda também habitou, desde sempre, os governos do PMDB, com alianças regionais e nacionais. Lula dizia que “Sérgio Cabral era o cara” aqui no Rio. O PT carioca tornou-se um satélite do PMDB, assim como o PPS também o é em relação ao PSDB em São Paulo. O PC do B também fez parte e apoio o PMDB fluminense até… ontem. Agora todos rejeitam o filho feio, mas estiveram lá, desde sempre.

E o que se desenhou nestes 10 anos de governo Sérgio Cabral/Pezão/PMDB, isso sem contar a cidade do Rio e outros municípios? Denúncias, muitas denúncias. Convivemos com o fisiologismo clássico dos caciques regionais, com o consórcio partidário-empresarial em que o orçamento de TODAS as grandes obras e concessões públicas foram repassadas para os grandes investidores/doadores de campanhas. Denúncias de compra de votos, de uso eleitoral da máquina pública. Denúncias de associação com milicianos/máfia, como esquecer da já clássica entrevista do atual prefeito do Rio Eduardo Paes (PMDB) ao RJTV, dizendo que alguns “amigos” estavam ajudando na segurança pública em alguns bairros da zona oeste da cidade. Denúncias de envolvimento em corrupção de praticamente todos os caciques políticos do PMDB nas delações e investigações da Lava-Jato. Lembremos: Eduardo Cunha é deputado federal eleito pelo… PMDB do Rio de Janeiro!

E diante dessas “parcas” denúncias (com ironia, por favor), os políticos do PMDB do Rio de Janeiro vivem certa tranquilidade de gestão, principalmente em relação à pressão pública da grande mídia corporativa. Apesar do “aperto” recente. Também pudera, não?

O galopante endividamento público já vinha denunciado desde meados de 2014 por muitos políticos de oposição ao PMDB. Os juros associados às novas dívidas também. Os pedidos de auditoria da dívida pública estadual simplesmente ignorados. O aparelhamento do TCE por indicados políticos. O silêncio sorridente do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, movido a muitos aumentos de sortidos auxílios. O avanço galopante do extermínio de pobres e repressão política promovidos pela PMERJ. A conveniente preguiça jornalística de jornalões e empresas de comunicação. Tudo isto no governo de… Sérgio Cabral!

O ex-governador Sérgio Cabral está desaparecido desde as Manifestações de 2013, quando todos os fatores acima listados estavam na boca de grande parte dos jovens manifestantes que foram às ruas e, mais uma vez, foram reprimidos, violentados e perseguidos pela PM fluminense. Especialidade da casa.

Sérgio Cabral desapareceu em 2013, mas continuou operando nos bastidores. Através da máquina do PMDB e do desencantamento da população fluminense, elegeu seu vice, Pezão, como governador em 2014. Também elegeu seu filho, Marco Antônio Cabral (PMDB) a deputado federal, e que hoje é o secretário estadual de esportes, no ano das Olimpíadas, diante da sua grande experiência de… 23 anos!

O governador Francisco Dornelles pode ter esquecido! A grande mídia corporativa também pode ter esquecido! Mas eu não esqueci, e certamente a população do Rio de Janeiro também não. Os responsáveis pelo estado de calamidade política em que vivemos neste momento são: Sérgio Cabral e o PMDB.

Obs.: Para confirmar minha coluna anterior “Temer e arte de governar por editoriais”, o O GLOBO lança mais uma vez um editorial on line e à tarde (A União tem uma dívida com o Rio), só que dessa vez é, em nome das Olimpíadas e de nossa “imagem” internacional, uma tentativa de salvar o PMDB do Rio de Janeiro, até porque ele foi decisivo, via Eduardo Cunha, para a golpe e a manutenção do ilegítimo Michel Temer. E porque o Grupo Globo investiu muito dinheiro nestas Olimpíadas e seu fracasso seria intolerável. A conta do golpe ainda está aberta, e tem que ser paga!

 

Vinícius Silva é sociólogo, professor, escritor e ativista de direitos humanos.

Contato: vinicius.fsilva@gmail.com

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