Política - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/politica-2/ Portal de noticias e análises sobre política brasileira, geopolítica, economia, tecnologia, sempre numa perspectiva democrática, progressista, anti-imperialista e multipolar! Mon, 13 Jul 2026 22:00:30 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0.1 https://www.ocafezinho.com/wp-content/uploads/2015/10/cropped-Logo_Cafezinho_tmb-32x32.png Política - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/politica-2/ 32 32 Lula promete que o Brasil vai parar de exportar matéria-prima https://www.ocafezinho.com/2026/07/13/lula-promete-que-o-brasil-vai-parar-de-exportar-materia-prima/ https://www.ocafezinho.com/2026/07/13/lula-promete-que-o-brasil-vai-parar-de-exportar-materia-prima/#respond Mon, 13 Jul 2026 20:55:16 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=261594 Durante evento em São José dos Campos nesta segunda-feira (13), em que participou da apresentação do projeto da primeira turbina a gás movida a etanol do Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) associou soberania nacional à capacidade do país de processar internamente seus recursos naturais — e não apenas exportá-los como matéria-prima. “A gente não vai ser mais exportador de matéria-prima. A gente quer fazer um processo de transformação”, declarou o presidente, ao defender que minerais críticos e terras raras sejam processados em território brasileiro.

Um discurso alinhado à ambição, mas distante da realidade atual

O problema é que, hoje, o Brasil está longe de cumprir essa promessa — e os números ajudam a entender a distância entre o discurso e a prática. O país detém a segunda maior reserva mundial de terras raras, atrás apenas da China, com cerca de 21 milhões de toneladas identificadas pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). Mesmo assim, exportou apenas 20 toneladas desses minerais em 2024 — uma fração praticamente irrelevante diante das quase 390 mil toneladas produzidas globalmente no mesmo ano.

O gargalo não está na quantidade de minério disponível, mas na ausência de capacidade de processamento em escala industrial: sem tecnologia própria para refinar e transformar esses minerais em componentes de alto valor agregado, o Brasil segue relegado à etapa mais básica e menos lucrativa da cadeia produtiva.

Essa etapa mais valiosa — o refino — está concentrada quase inteiramente na China, que hoje responde por algo entre 70% e mais de 90% do processamento global de terras raras, a depender da metodologia de cálculo. É esse monopólio tecnológico chinês, mais do que a posse das reservas em si, que hoje define quem lucra de verdade com a cadeia de minerais críticos — e é justamente essa etapa que o Brasil ainda não domina.

O caso que expõe o dilema na prática: a venda da Serra Verde aos americanos

Um episódio recente ilustra bem essa tensão entre discurso soberanista e prática de mercado: a aquisição da mineradora brasileira Serra Verde — que já opera tanto extração quanto uma unidade de processamento de terras raras — pela americana USA Rare Earth, por US$ 2,8 bilhões, com apoio parcial do próprio governo dos Estados Unidos.

A operação já provocou resistência interna, com um partido de esquerda pedindo ao STF que barrasse a venda e o órgão brasileiro de defesa da concorrência abrindo investigação sobre o negócio — sinal de que o próprio setor produtivo nacional já debate se operações desse porte representam desenvolvimento genuíno ou apenas a transferência do controle de ativos estratégicos brasileiros para interesses estrangeiros, ainda que o comprador não seja chinês.

Uma corrida legislativa que ainda não terminou

O Congresso Nacional analisa hoje mais de uma dezena de projetos de lei relacionados a terras raras e minerais críticos, e a Câmara dos Deputados já aprovou, em maio, uma proposta de marco legal básico para o setor — com incentivos tributários ao processamento dentro do país e a criação de um conselho para coordenar projetos estratégicos.

O texto, porém, ainda depende do Senado para virar lei, e a própria Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, que o governo havia sinalizado meses atrás, segue sem data de divulgação. Especialistas internacionais já apontam que o ritmo brasileiro de resposta a essa disputa geopolítica é sensivelmente mais lento do que o de outros países que também correm atrás desses recursos — Estados Unidos, União Europeia, Índia, Japão, Coreia do Sul, Canadá e Austrália, todos hoje de olho nas reservas brasileiras.

O padrão histórico que o discurso tenta romper — mas ainda não rompeu

O que Lula descreveu nesta segunda-feira não é uma ambição nova: é, na verdade, o mesmo diagnóstico repetido por especialistas do setor mineral brasileiro há anos — o de que o país mantém, desde o ouro colonial, passando pelo ferro e pelo petróleo, o mesmo padrão de economia primário-exportadora, vendendo riqueza mineral bruta enquanto outros países concentram a tecnologia, o processamento e o valor agregado que vêm depois dela.

A diferença desta vez é o contexto: com a demanda global por minerais críticos projetada para quadruplicar até 2040, segundo a Agência Internacional de Energia, e com Estados Unidos e China disputando abertamente o controle dessas cadeias produtivas, o Brasil tem hoje uma janela de oportunidade genuína para tentar romper esse padrão histórico — mas, como mostram tanto o volume irrisório de terras raras processadas quanto a lentidão do trâmite legislativo, a distância entre o discurso presidencial de soberania industrial e a capacidade real do país de executá-lo ainda é considerável.

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Compra de 34 propriedades em El Salvador expõe enriquecimento da família Bukele (à moda de Bolsonaro e Trump) https://www.ocafezinho.com/2026/07/13/rapina-em-el-salvador-bukele-enriquece-circulo-intimo-e-repete-o-modelo-corrupto-de-bolsonaro-e-trump/ https://www.ocafezinho.com/2026/07/13/rapina-em-el-salvador-bukele-enriquece-circulo-intimo-e-repete-o-modelo-corrupto-de-bolsonaro-e-trump/#respond Mon, 13 Jul 2026 17:36:26 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/07/13/rapina-em-el-salvador-bukele-enriquece-circulo-intimo-e-repete-o-modelo-corrupto-de-bolsonaro-e-trump/ Uma reportagem investigativa de fôlego publicada pelo El País, o principal jornal da Espanha e um dos mais prestigiados do mundo, revelou o enriquecimento meteórico do círculo de poder do presidente de El Salvador, Nayib Bukele. A investigação jornalística expõe como a cúpula do regime salvadorenho multiplicou suas fortunas privadas através de empréstimos sob suspeita e flexibilização dos controles fiscais.

De acordo com a apuração, o próprio presidente Nayib Bukele viu seu patrimônio declarado saltar de 964 mil dólares em 2012 para cerca de 4,4 milhões de dólares em maio de 2026. Além disso, o mandatário e sua família adquiriram 34 novas propriedades em seus primeiros sete anos de governo, multiplicando por doze suas terras avaliadas em mais de 10 milhões de dólares.

A bonança financeira estende-se a outros nomes do primeiro escalão como o secretário de imprensa Ernesto Sanabria, cujo patrimônio disparou de 269 mil dólares em 2019 para mais de 2 milhões de dólares atuais. A jefa de gabinete Carolina Recinos e o presidente do Banco Central de Reserva Douglas Pablo Rodríguez também atingiram a marca de 1,3 milhão de dólares declarados, alimentados por generosos salários públicos e empréstimos camaradas do estatal Banco Hipotecario.

Essa súbita transparência patrimonial no país centro-americano só veio a público devido à pressão do Fundo Monetário Internacional como condição para a liberação de um empréstimo de 1,4 bilhão de dólares. A revelação de que pelo menos 21 dos 75 funcionários analisados tiveram enriquecimento de até 713% escancara como o poder estatal foi capturado para a criação de uma nova elite financeira.

No Brasil, o avanço patrimonial das elites de extrema-direita repete esse modelo de captura do aparato público sob um manto de moralismo fingido e retórica antissistema. A família do ex-presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, construiu um império imobiliário suspeito ao adquirir, ao longo de três décadas, 107 imóveis, dos quais pelo menos 51 foram pagos total ou parcialmente em dinheiro vivo.

Investigações judiciais no Brasil também revelaram esquemas sistemáticos de desvio de salários de assessores conhecidos como rachadinhas no gabinete do senador brasileiro Flávio Bolsonaro. Esse modelo financeiro suspeito permitiu a compra de uma mansão de 6 milhões de reais na capital federal com taxas favorecidas concedidas por um banco estatal de fomento.

Esse método de mercantilização do poder público assemelha-se de forma direta à conduta da família do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Durante o mandato na Casa Branca, o clã norte-americano faturou centenas de milhões de dólares através de hospedagens superfaturadas de agentes estatais e governos estrangeiros em seus próprios hotéis e clubes de luxo.

A consolidação do enriquecimento da dinastia norte-americana ficou patente quando o genro do ex-mandatário, Jared Kushner, fechou um fundo de 2 bilhões de dólares com a monarquia da Arábia Saudita pouco após deixar o cargo público. O bukelismo salvadorenho e as dinastias de Bolsonaro e Trump demonstram que a extrema-direita mundial opera a política não como serviço, mas como um acelerador de fortunas privadas.

Em El Salvador, a violência do Estado funciona como ferramenta de gentrificação para favorecer esse círculo, resultando na expulsão violenta de dezenas de milhares de trabalhadores informais do centro histórico de San Salvador sob a ameaça de prisão no regime de exceção. A remoção dos mais pobres abriu caminho para grandes franquias americanas e para a especulação imobiliária de corporações chinesas que compram prédios inteiros na região.

Diante do contraste de luxo governamental e o aumento de 241 mil pessoas na pobreza extrema no país, o ex-ministro da Economia de El Salvador Héctor Dada definiu o centro histórico como uma ilha de riqueza cercada por um mar de pobreza. O historiador salvadorenho Héctor Lindo completa afirmando que a família presidencial apenas repete velhas e brutais práticas das oligarquias locais para se perpetuar indefinidamente no poder estatal.

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Bolsonarismo se esconde entre os não polarizados e infla a terceira via, mostra Nexus https://www.ocafezinho.com/2026/07/13/bolsonarismo-se-esconde-entre-os-nao-polarizados-e-infla-a-terceira-via-mostra-nexus/ https://www.ocafezinho.com/2026/07/13/bolsonarismo-se-esconde-entre-os-nao-polarizados-e-infla-a-terceira-via-mostra-nexus/#comments Mon, 13 Jul 2026 15:48:32 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=261585 A sexta rodada da pesquisa Nexus, encomendada pelo BTG Pactual e divulgada nesta segunda-feira (13), mostra um quadro nacional aparentemente congelado. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem 40% das intenções de voto no primeiro turno, contra 34% do senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e vence o confronto direto por 47% a 44%, os mesmos números da rodada anterior.

A fotografia, porém, engana. Quando se abre a pesquisa por perfil de polarização, aparece o movimento mais importante do ciclo eleitoral até aqui: o bolsonarismo parou de dizer seu nome.

A Nexus ouviu 2.003 eleitores por telefone entre 10 e 12 de julho, com margem de erro de 2 pontos percentuais e registro TSE BR-07981/2026. Segundo o registro no Tribunal Superior Eleitoral, o levantamento custou R$ 164.888,89 ao BTG Pactual, valor que o coloca entre as pesquisas eleitorais mais caras do mercado.

O campo foi realizado duas semanas depois de Michelle Bolsonaro, ex-primeira-dama e até então presidente do PL Mulher, publicar o vídeo em que critica o enteado e anuncia seu afastamento da campanha.

Foi o segundo choque em dois meses. Em 13 de maio, o Intercept Brasil havia revelado o áudio em que Flávio negocia R$ 134 milhões com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro, com parte do dinheiro passando por um fundo no Texas controlado por aliados de Eduardo Bolsonaro.

O efeito combinado dos dois episódios aparece no segmento que a Nexus chama de não polarizados, eleitores que não se identificam nem com o antipetismo nem com o antibolsonarismo. Esse grupo, hoje 23% do eleitorado, vinha dando vantagem crescente a Lula no segundo turno: 43 a 37 em 15 de junho, 46 a 37 em 29 de junho.

Em duas semanas, o placar virou de cabeça para baixo. Na rodada de julho, Flávio lidera entre os não polarizados por 45% a 32%, com o voto em branco ou nulo subindo de 15% para 21%.

À primeira vista, seria uma debandada de Lula. A leitura fina dos dados conta outra história, menos óbvia e mais reveladora.

Se um bloco de 23% do eleitorado tivesse trocado 14 pontos de lado, o placar geral teria se mexido, e ele não se mexeu. O que mudou foi a composição do próprio bloco: entre junho e julho, os bolsonaristas convictos encolheram de 26% para 25%, o grupo que via Bolsonaro como alternativa caiu de 9% para 7% e os que rejeitam os dois campos recuaram de 9% para 7%.

Os não polarizados, em contrapartida, cresceram de 20% para 23%. Ou seja, uma fatia do eleitor de Flávio deixou de se declarar antilulista depois da sequência de crises e passou a se classificar como despolarizada, levando o voto junto.

O cluster ficou mais azul não porque Lula perdeu eleitores para Flávio, mas porque o bolsonarismo constrangido entrou nele disfarçado. É um fenômeno de identidade, não de migração de voto, e explica por que o agregado nacional segue parado.

Os números do grupo que via Bolsonaro como alternativa confirmam a leitura. Além de o segmento ter encolhido de 9% para 7% do eleitorado, o próprio Flávio despencou dentro dele: no segundo turno, sua fatia caiu de 81% para 68% em duas semanas, e no primeiro turno o senador nunca recuperou o tombo pós-áudio, quando foi de 50% em março para 35% em maio, patamar em que segue oscilando, hoje em 38%.

Parte desse eleitor em trânsito passou antes pelo grupo dos que rejeitam os dois campos, que inchou em junho e murchou em julho. O trajeto descreve uma fase de transição: o eleitor sai do bolsonarismo declarado, para na estação dos não polarizados e ainda não decidiu se segue viagem.

A etapa seguinte seria enxergar Lula como alternativa, e ela ainda não aconteceu: esse grupo segue pequeno, com 7% do eleitorado, e a fatia do presidente dentro dele até recuou, de 78% para 71% no segundo turno. Há aí uma janela aberta para a campanha governista disputar um eleitor que já largou a mão de Flávio, mas ainda não estendeu a mão a Lula.

Do lado petista, a notícia boa é de consolidação. Os lulistas convictos cresceram de 22% em abril para 24% e estão no auge da fidelidade em toda a série: 86% deles votam em Lula no primeiro turno e 90% no confronto direto com Flávio.

O mesmo constrangimento infla outra estatística que vem animando o mercado político: a demanda por terceira via. Perguntados sobre quem deveria ser eleito, 27% dos entrevistados escolhem um nome que não seja apoiado nem por Lula nem por Jair Bolsonaro, contra 21% em junho e 11% em março.

O campo bolsonarista despencou de 36% para 32% nessa mesma pergunta em duas semanas, enquanto Lula oscilou de 39% para 36%. Parte relevante desses 27%, portanto, não é centro órfão: é voto Flávio que não quer dizer o nome.

A terceira via real, aliás, continua sem dono. No primeiro turno, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), tem 5%, e Renan Santos, do MBL, e o governador de Minas, Romeu Zema (Novo), têm 4% cada, com Renan chegando a 13% apenas entre os jovens de 16 a 24 anos.

O risco para Lula está na pauta desse centro que cresceu. Entre os não polarizados, Flávio é visto como mais capaz de controlar a inflação (52% a 32%), promover o crescimento (49% a 31%) e gerar empregos (45% a 38%), e domina com folga os temas de segurança pública e crime organizado.

Lula vence nesse segmento em direitos das mulheres (49% a 33%) e educação (43% a 40%). Segurança é terreno historicamente ocupado pela direita, mas custo de vida não tem dono ideológico: é a conta do supermercado, e um governo que zerou o imposto de renda de quem ganha até R$ 5 mil tem o que apresentar nessa disputa, ainda que a percepção do eleitor despolarizado hoje penda para o adversário.

Flávio, por sua vez, paga o preço das crises no andar de cima. Desde abril, ele perdeu 9 pontos no segundo turno entre eleitores com ensino superior, caindo de 50% para 41%, perdeu 6 entre quem ganha mais de cinco salários mínimos e deixou a liderança da faixa, e cedeu 7 pontos entre os maiores de 60 anos.

A base popular dele, ao contrário, resiste. Entre evangélicos o senador mantém 55% a 36%, entre homens 51% a 40%, e no Sul ele até cresceu, de 53% para 58%.

O pano de fundo segue favorável ao governo. A aprovação de Lula empatou em 47% a 47%, o melhor resultado da série iniciada em março, quando a desaprovação superava a aprovação por 51% a 45%, e a rejeição do presidente caiu de 49% para 46% em duas semanas, enquanto a de Flávio segue em 50%.

Nem o eleitorado do senador nega o desgaste. Entre os que declaram voto em Flávio no segundo turno, 30% admitem que o episódio com Michelle prejudica a candidatura, e o voto puramente antibolsonarista voltou a crescer do outro lado: 19% dos eleitores de Lula dizem votar nele apenas para derrotar o adversário, contra 16% em junho.

O retrato de julho, em resumo, é o de uma guerra de trincheiras com os dois núcleos blindados em patamares recordes e um meio de campo que engordou com bolsonaristas em trânsito. A eleição de 2026 vai se decidir nesse terreno movediço, e a disputa agora é sobre quem chega primeiro a um eleitor que já se soltou de Flávio, mas ainda não encontrou onde se segurar.

A íntegra da pesquisa, com os 111 slides do relatório da Nexus, pode ser baixada neste link.

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Eduardo Moreira explica demissão de Demori e cita prejuízo com anúncios nas big techs https://www.ocafezinho.com/2026/07/13/eduardo-moreira-explica-demissao-de-demori-e-cita-prejuizo-com-anuncios-nas-big-techs/ https://www.ocafezinho.com/2026/07/13/eduardo-moreira-explica-demissao-de-demori-e-cita-prejuizo-com-anuncios-nas-big-techs/#comments Mon, 13 Jul 2026 15:19:38 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=261577 12 Comentários 🔥]]> O Instituto Conhecimento Liberta (ICL) vive sua crise interna mais pública em anos. O jornalista Leandro Demori, até então diretor de Jornalismo, apresentador e comentarista da casa havia três anos, foi desligado na última sexta-feira (10) — e as explicações dadas por ele e pelo fundador do instituto, o ex-banqueiro Eduardo Moreira, sobre o que de fato aconteceu simplesmente não coincidem.

A versão de Moreira: prejuízo e as big techs como vilãs

Em pronunciamento no telejornal do ICL nesta segunda-feira (13), Moreira atribuiu a saída de Demori a uma necessidade de reequilibrar as contas da empresa, que segundo ele acumula prejuízo desde o início do ano. O principal culpado, na sua narrativa, é o custo crescente de publicidade digital: como o ICL se financia majoritariamente pela venda de cursos — e recusa, por princípio editorial, publicidade de bancos, casas de apostas, governos ou monetização via YouTube —, a instituição dependeria fortemente de anúncios pagos no Instagram/Facebook (Meta) e Google para captar alunos.

Segundo Moreira, essas plataformas passaram a classificar parte das campanhas do ICL como propaganda política — inclusive elementos puramente estéticos, como o uso da cor vermelha em peças publicitárias —, encarecendo os anúncios e reduzindo sua eficiência.

Diante do aperto financeiro, Moreira diz ter optado por cortar cargos de maior remuneração — entre os quais Demori estaria incluído, ao lado do então CEO e de outros diretores — para preservar dezenas de postos de trabalho de menor salário. Segundo ele, “não tinha nenhuma alternativa a não ser fazer ajustes aqui na empresa”. Moreira fez questão de elogiar publicamente o jornalista demitido, chamando-o de um dos profissionais mais competentes do país.

A versão de Demori: um pedido para cortar 30% do jornalismo — e nenhuma negociação real

Demori conta uma história bem diferente. Em carta enviada ao Conselho Editorial do ICL — que reúne nomes como Juca Kfouri, Chico Pinheiro e Cristina Serra —, ele afirma que a origem da crise financeira está em decisões de negócio tomadas pela direção geral, das quais não participou nem foi consultado. Segundo o jornalista, antes de ser desligado recebeu a incumbência de cortar 30% do orçamento da própria área de jornalismo — cujos gastos, segundo ele, sempre foram acompanhados e aprovados por um comitê interno, o que descartaria a hipótese de que os problemas financeiros tivessem se originado ali.

Demori afirma ainda ter proposto uma reunião ampliada com diretores, sócios e o próprio Conselho Editorial antes de qualquer decisão — pedido que, segundo ele, não foi aceito. Na sexta-feira, foi informado de que deixaria tanto a Diretoria de Jornalismo quanto qualquer outra função na empresa. Em manifestação pública nesta segunda, resumiu o episódio como uma decisão unilateral: “Fui tirado do ar pelo ICL, por decisão unilateral da direção da empresa”.

Sócio, mas fora do grupo de WhatsApp

Um detalhe que ilustra a tensão do rompimento: segundo apuração do Diário do Centro do Mundo, depois de enviar a carta ao Conselho Editorial, Demori foi removido do grupo de WhatsApp da diretoria pelo próprio Moreira. Apesar de tudo, ele segue formalmente como um dos sócios do Instituto Conhecimento Liberta — ao lado do próprio Moreira e de outros seis sócios —, e já cogita pedir uma auditoria externa para esclarecer sua situação societária.

Um jornalista sem emprego às vésperas da eleição mais tensa em anos

O timing do rompimento é o que mais chama atenção. Antes de ingressar no ICL, Demori foi editor-executivo do The Intercept Brasil, onde liderou a cobertura da Vaza Jato — série de reportagens que expôs mensagens entre o então juiz Sergio Moro e procuradores da Lava Jato. Agora, sem vínculo institucional, ele afirma que seguirá fazendo jornalismo independente, mas destaca um problema prático real: terá de enfrentar sozinho, sem o amparo jurídico de uma empresa, os processos judiciais que sua atuação investigativa costuma atrair — um risco que ele próprio descreve como cada vez mais caro e frequente. Para se manter ativo durante a cobertura eleitoral, já anunciou uma campanha de financiamento coletivo e um livro sobre o exercício do poder no Brasil contemporâneo, com lançamento previsto para o período da campanha.

Um racha que expõe o dilema financeiro de todo o jornalismo independente

Para além da disputa pessoal entre os dois, o episódio ilustra um problema estrutural que atinge veículos de jornalismo independente no Brasil: sem publicidade estatal, bancária ou de apostas — um compromisso editorial que o próprio ICL faz questão de reafirmar —, a sustentabilidade financeira desses projetos fica refém quase exclusivamente do humor (e do algoritmo) de duas empresas americanas, Meta e Google, que controlam o custo e o alcance da publicidade digital.

Se a versão de Moreira estiver correta, o aperto argumentado por ele — de que campanhas legítimas de venda de cursos estariam sendo taxadas como propaganda política, encarecendo o marketing — é um problema que não afeta só o ICL, mas potencialmente qualquer veículo de imprensa independente que dependa da mesma engrenagem publicitária para se financiar, justamente às vésperas de uma eleição em que esse tipo de cobertura tende a ser mais necessária, não menos.

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Republicanos despacha Flávio e escancara o tamanho do racho na extrema-direita https://www.ocafezinho.com/2026/07/13/republicanos-despacha-flavio-e-escancara-o-tamanho-do-racho-na-extrema-direita/ https://www.ocafezinho.com/2026/07/13/republicanos-despacha-flavio-e-escancara-o-tamanho-do-racho-na-extrema-direita/#respond Mon, 13 Jul 2026 13:35:06 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=261570 O partido Republicanos decidiu não declarar apoio, por ora, à pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República, em mais um golpe à tentativa do PL de construir uma frente unificada do campo bolsonarista para outubro. Segundo apuração do UOL, a legenda optou por consultar bancadas, diretórios estaduais e bases antes de bater o martelo sobre seu posicionamento na disputa — decisão que, na prática, empurra a definição para mais adiante, justamente no momento em que Flávio mais precisava de sinais de consolidação.

Um recuo que expõe a fragilidade da articulação

A indefinição do Republicanos chega num momento particularmente desconfortável para a pré-campanha de Flávio: o partido de Marcos Pereira é peça-chave para qualquer tentativa de unificação da direita, e sua hesitação em declarar apoio formal reforça a leitura de que o senador ainda não conseguiu reunir, sob sua liderança, os mesmos partidos que historicamente compunham a base de Jair Bolsonaro.

O episódio se soma a outro sinal de enfraquecimento na mesma legenda: a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) confirmou ao UOL que encerrou sua colaboração na formulação do plano de governo de Flávio na área de direitos humanos. Segundo ela, o trabalho já cumprido bastava por ora — “já fiz o que era preciso no primeiro momento” —, deixando em aberto se voltará a atuar diretamente na campanha ou apenas numa eventual fase de transição de governo, caso Flávio avance na disputa.

A carta de Jair e a acusação de boicote

Em meio a essas dificuldades de articulação, Flávio recorreu às redes sociais para divulgar uma carta atribuída ao próprio pai, Jair Bolsonaro, em prisão domiciliar, conclamando à unidade em torno de sua candidatura como “a melhor opção para livrarmos o Brasil da corrupção, da violência e do empobrecimento”. Mas o gesto, em vez de projetar força, acabou expondo fragilidade: logo após ler a carta publicamente, o próprio Flávio reclamou que parte de seus aliados estaria retardando o engajamento na campanha, dizendo que “muitas pessoas parecem que estão boicotando a nossa candidatura” — sem citar nomes —, numa crítica implícita a apoiadores que, segundo ele, esperam o momento mais oportuno para se engajar publicamente em vez de agir desde já.

Michelle, o racha mais visível de todos

A crise entre Flávio e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro segue como o capítulo mais exposto dessa fragmentação. Michelle já havia divulgado, no fim de junho, um vídeo em que relatou ter sido maltratada durante as negociações sobre as candidaturas do PL no Ceará — dizendo que ela e seus aliados foram tratados “como idiota” nas tratativas internas. É esse mesmo racha que levou à saída dela da presidência do PL Mulher, e que, segundo o próprio presidente do partido, Valdemar Costa Neto, segue sem solução mesmo depois do apelo por unidade feito na carta de Jair.

Um quadro de fragmentação que já não é mais discreto

O que a soma desses episódios revela é uma pré-candidatura que, a duas semanas da convenção nacional do PL, marcada para 25 de julho, ainda não conseguiu resolver praticamente nenhum dos seus problemas de articulação: falta o apoio formal do Republicanos, falta a reconciliação com Michelle, falta um vice definido, e sobra uma lista crescente de aliados — de Damares a nomes historicamente ligados ao bolsonarismo — que preferem, por ora, manter distância pública da candidatura.

Combinado às pesquisas mais recentes, que já mostram Lula (PT) na frente em praticamente todos os recortes e com eleitorado mais fiel, o quadro de fragmentação na extrema-direita brasileira parece, cada vez mais, um obstáculo que o próprio campo bolsonarista terá de resolver sozinho — e rápido — se quiser competir de forma consolidada em outubro.

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Lula tem o eleitorado mais fiel da corrida presidencial https://www.ocafezinho.com/2026/07/13/lula-tem-o-eleitorado-mais-fiel-da-corrida-presidencial/ https://www.ocafezinho.com/2026/07/13/lula-tem-o-eleitorado-mais-fiel-da-corrida-presidencial/#respond Mon, 13 Jul 2026 12:33:02 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=261565 Um dado costuma passar despercebido quando se olha só para o placar de intenção de voto, mas pode valer tanto quanto ele: o grau de fidelidade do eleitorado. E aí o presidente Lula (PT) também lidera com folga. Segundo a sexta rodada da pesquisa BTG/Nexus, divulgada nesta segunda-feira (13), 80% dos eleitores que hoje dizem votar em Lula afirmam que não vão mudar de escolha até outubro — seis pontos acima do índice de fidelidade do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), seu principal adversário, que fica em 74%.

Por que esse número importa mais do que parece

A lógica por trás do indicador é simples: quanto maior a parcela de eleitores que já “fecharam” o voto, menor é o espaço que resta para outros candidatos disputarem aquele mesmo eleitorado ao longo da campanha. Dos que hoje declaram voto em Lula, apenas 18% admitem que ainda podem mudar de ideia. No campo de Flávio, esse grupo “em aberto” é maior: 25%.

Entre os demais nomes testados, a disparidade fica ainda mais evidente: Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão) têm apenas 53% de eleitorado consolidado cada, com quase metade do público ainda aberto a mudar. Romeu Zema (Novo) tem só 33% de fidelidade — 63% dos seus eleitores atuais dizem que podem trocar de candidato. No fundo da lista está Cabo Daciolo (Mobiliza), com apenas 10% de voto consolidado.

Uma vantagem que cresceu ao longo do semestre

A série histórica da Nexus mostra que essa distância não é fixa: ela se abriu ao longo do ano. Em 30 de março, Lula e Flávio tinham exatamente o mesmo índice de fidelidade, 74% cada — um empate técnico completo. A partir daí, o índice do presidente subiu de forma consistente, chegando a 83% no fim de junho, enquanto Flávio oscilou na casa dos 74% a 77%, sem conseguir consolidar avanço equivalente. Na rodada atual, Lula recuou ligeiramente, para 80%, mas a distância de seis pontos sobre o senador se manteve.

A polarização também aparece na intensidade da convicção

Um recorte adicional da pesquisa reforça esse padrão: entre os eleitores identificados como “lulistas convictos”, a fidelidade chega a 87% — dez pontos acima da fidelidade registrada entre os “bolsonaristas convictos” (77%). Já entre quem hoje vê em Lula ou na família Bolsonaro apenas uma “alternativa”, e não uma escolha ideológica consolidada, os índices de fidelidade caem para a faixa dos 55% a 57%, praticamente equivalentes entre os dois campos — sinal de que a maior vantagem de Lula está concentrada justamente entre seu núcleo mais convicto de apoiadores, não necessariamente entre os eleitores mais neutros ou pragmáticos.

Quem herdou mais o próprio eleitorado de 2022

O levantamento também cruzou dados com a eleição presidencial de 2022, e aqui a assimetria é reveladora: Lula mantém 79% dos eleitores que declaram ter votado nele no segundo turno daquele ano, com apenas 3% desse grupo migrando hoje para Flávio. Já o senador consegue reter 72% do eleitorado que apoiou Jair Bolsonaro em 2022 — sete pontos a menos que a retenção do presidente. Entre os ex-eleitores de Bolsonaro, uma fatia relevante hoje se dispersa entre outros nomes: 7% para Caiado, 5% para Zema e 4% para Renan Santos, evidenciando que o “herdeiro natural” do bolsonarismo de 2022 ainda não conseguiu consolidar toda a base do pai.

O que esse dado soma ao quadro eleitoral

Combinado com a vantagem de Lula em todos os cenários de primeiro e segundo turno e com o empate técnico já favorável na avaliação de governo, o índice de fidelidade reforça uma leitura: mais do que vencer no retrato do momento, o presidente parece estar construindo uma base mais sólida e menos permeável à disputa por indecisos do que a de seu principal rival — justamente num momento em que o entorno de Flávio Bolsonaro enfrenta uma sequência de crises internas, do racha com Michelle ao bloqueio de bens de aliados como Valdemar Costa Neto, que tende a testar ainda mais a coesão desse eleitorado nos próximos meses de campanha.

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Aprovação de Lula empata com desaprovação em 47% — melhor patamar da série https://www.ocafezinho.com/2026/07/13/aprovacao-de-lula-empata-com-desaprovacao-em-47-melhor-patamar-da-serie/ https://www.ocafezinho.com/2026/07/13/aprovacao-de-lula-empata-com-desaprovacao-em-47-melhor-patamar-da-serie/#respond Mon, 13 Jul 2026 12:28:36 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=261563 O governo Lula (PT) atingiu, pela primeira vez desde o início da série histórica da pesquisa BTG/Nexus, um empate técnico entre aprovação e desaprovação: 47% a 47%, com 6% que não souberam ou não quiseram responder. O dado, divulgado nesta segunda-feira (13), representa o melhor resultado do governo desde 30 de março, quando a distância entre os dois indicadores era de seis pontos negativos (45% a 51%).

Uma trajetória de melhora lenta, mas constante

A série mostra recuperação gradual ao longo do semestre: em abril, o saldo era de 46% a 49%; em maio, 47% a 48%; em 15 de junho, o governo chegou a virar pela primeira vez, com 48% a 47%; e, em 29 de junho, ambos os índices bateram 48%. A rodada atual traz uma leve oscilação de um ponto para baixo em ambos os lados, mas mantém o padrão de empate técnico que já se consolidou nas últimas semanas — um contraste claro com o cenário do início do ano, quando a desaprovação era hegemônica.

Um Brasil dividido por renda: quanto menor o salário, maior o apoio a Lula

O dado mais contundente da pesquisa é a relação quase linear entre renda e avaliação do governo. Entre quem ganha até um salário mínimo, a aprovação chega a 58%, contra 33% de desaprovação — uma vantagem de 25 pontos. Entre desempregados, o índice é ainda mais expressivo: 63% aprovam a gestão, e apenas 34% desaprovam. Mas o quadro se inverte à medida que a renda sobe: entre quem ganha de dois a cinco salários mínimos, a desaprovação já supera a aprovação (53% a 44%), e essa distância negativa se mantém acima de cinco salários mínimos (54% a 43%).

É um retrato que ajuda a explicar a lógica de programas sociais e a política de valorização do salário mínimo como pilares centrais da estratégia eleitoral do governo: é exatamente na base da pirâmide de renda que Lula consolida sua maior margem de aprovação, enquanto perde terreno à medida que sobe a régua socioeconômica.

A divisão de gênero, geração e religião

O levantamento também confirma clivagens já conhecidas da política brasileira, mas agora com números atualizados: entre mulheres, a aprovação é de 54% contra 39% de desaprovação; entre homens, o quadro se inverte, com 56% de desaprovação contra 40% de aprovação. Por faixa etária, os idosos (60 anos ou mais) dão o maior respaldo ao governo, com 56% de aprovação — o público mais fiel ao Bolsa Família e aos reajustes do INSS. Já entre evangélicos, tradicionalmente mais afinados ao bolsonarismo, a desaprovação chega a 56%, contra apenas 38% de aprovação — o pior resultado do governo em qualquer recorte religioso.

Geografia da aprovação: Nordeste x Sul, um retrato que já virou clichê — mas que segue real

Regionalmente, o padrão histórico se confirma sem surpresas: o Nordeste dá a Lula sua maior vantagem, com 57% de aprovação contra 37% de desaprovação (20 pontos de saldo positivo), enquanto o Sul apresenta o cenário mais hostil, com apenas 34% de aprovação contra 58% de desaprovação. O Sudeste, região decisiva no equilíbrio eleitoral nacional, aparece empatado, com 49% para cada lado — um território que deve concentrar boa parte da disputa efetiva pelos votos indecisos até outubro.

Por que esse empate importa mais do que parece

O significado desse número vai além do “meio a meio” isolado: ele marca a consolidação de uma trajetória de recuperação real, não um pico isolado — a aprovação sobe de forma incremental há quatro meses seguidos, mesmo com a desaprovação também oscilando dentro de uma faixa relativamente estreita.

Combinado com os dados de intenção de voto divulgados na mesma rodada — que mostram Lula à frente em todos os cenários de primeiro e segundo turno —, esse empate na avaliação de governo sugere que o presidente está conseguindo transformar uma gestão ainda avaliada de forma dividida em vantagem eleitoral concreta, muito por conta do desgaste comparativamente maior de seu principal adversário, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) — hoje enredado em uma sequência de escândalos que vai do bloqueio de bens de seu padrinho político Valdemar Costa Neto ao financiamento do filme “Dark Horse” pelo Banco Master.

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BTG/Nexus: Lula vence em todos os cenários, mas segundo turno contra Flávio segue dentro da margem de erro https://www.ocafezinho.com/2026/07/13/btg-nexus-lula-vence-em-todos-os-cenarios-mas-segundo-turno-contra-flavio-segue-dentro-da-margem-de-erro/ https://www.ocafezinho.com/2026/07/13/btg-nexus-lula-vence-em-todos-os-cenarios-mas-segundo-turno-contra-flavio-segue-dentro-da-margem-de-erro/#respond Mon, 13 Jul 2026 12:24:56 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=261561 A sexta rodada da pesquisa BTG/Nexus, divulgada nesta segunda-feira (13), confirma o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na liderança de todas as simulações testadas para a eleição presidencial de outubro — tanto no primeiro quanto no segundo turno. O levantamento ouviu 2.003 eleitores por telefone entre 10 e 12 de julho, com margem de erro de dois pontos percentuais.

Primeiro turno: vantagem de seis pontos, mas encolhendo

No cenário estimulado, Lula aparece com 40% das intenções de voto, contra 34% do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) — seu principal adversário em todas as simulações. É uma vantagem de seis pontos, mas que vem de uma queda: na rodada anterior, de 29 de junho, o presidente tinha 42%, enquanto Flávio se manteve estável nos mesmos 34%. Ronaldo Caiado (PSD) aparece isolado em terceiro, com 5%.

No espontâneo — quando o entrevistado precisa lembrar o nome sozinho, sem lista de candidatos — a distância é maior, de 11 pontos: 35% para Lula contra 24% para Flávio. Mas aqui também há recuo dos dois principais nomes desde a rodada anterior, sinal de que uma fatia do eleitorado ainda oscila ou migra para a indecisão (22% não souberam responder).

Segundo turno: Lula vence, mas dentro da margem de erro contra Flávio

Nas quatro simulações de segundo turno, Lula vence todas numericamente. Contra Flávio, porém, o resultado — 47% a 44% — é o mais apertado, e a diferença de três pontos fica dentro da margem de erro da pesquisa, o que exige cautela na leitura: estatisticamente, o cenário pode ser tratado como um empate técnico. Contra Zema, a vantagem sobe para sete pontos (47% a 40%); contra Caiado, para nove (47% a 38%); e contra Renan Santos, do movimento bolsonarista “Missão”, a distância é a maior de todas, de 14 pontos (49% a 35%).

Um Brasil dividido em pelo menos dois países eleitorais

O dado mais revelador do levantamento está no recorte regional, que expõe uma polarização quase geográfica. No Nordeste, Lula dispara com 54% contra 25% de Flávio no primeiro turno — vantagem que se amplia para 59% a 35% no segundo turno. No Sul, o quadro se inverte com força ainda maior: Flávio lidera por 47% a 26% no primeiro turno, chegando a 58% a 34% no confronto direto. No Sudeste, região mais populosa do país, Lula mantém vantagem mais estreita (38% a 33%, ampliando para 46% a 42% no segundo turno), e no bloco Norte/Centro-Oeste é Flávio quem sai na frente (37% a 32%, e 50% a 42% no segundo turno).

O recorte de renda também é expressivo: Lula tem 53% entre eleitores com até um salário mínimo, contra apenas 22% de Flávio nessa faixa — a maior distância registrada em qualquer segmento da pesquisa.

O terreno fértil para uma “terceira via”

Um dado que merece atenção específica: quando perguntados sobre qual campo político deveria vencer a eleição, independentemente de nomes, 27% dos entrevistados dizem preferir uma candidatura fora tanto do campo lulista quanto do bolsonarista — patamar que subiu dos 21% registrados na rodada anterior. É um crescimento que, somado à consistência do apoio a Lula (36%) e ao bolsonarismo (32%), sinaliza um espaço real de insatisfação com a polarização entre os dois blocos que já dura mais de uma década na política brasileira.

O contexto que ajuda a explicar os números

A pesquisa foi feita bem no meio de uma sequência particularmente desgastante para o entorno de Flávio Bolsonaro: a crise pública com a madrasta Michelle, o bloqueio de R$ 119 milhões em bens do padrinho político Valdemar Costa Neto por suspeita de desvio de emendas, e a extensão da mesma investigação a Eduardo Cunha — cujas emendas, segundo reportagem divulgada nesta mesma segunda, teriam sido formalmente assinadas pelo Republicanos, partido de Marcos Pereira, com quem Flávio já articula uma possível aliança eleitoral.

Some-se a isso o desgaste ainda em curso do escândalo do Banco Master e do financiamento do filme “Dark Horse”. A pesquisa reforça que essa sequência de escândalos ainda não devastou o piso eleitoral de Flávio — ele segue estável em 34% no cenário estimulado —, mas também não impede que Lula mantenha vantagem em praticamente todos os recortes relevantes, com exceção do eleitorado sulista e de renda mais alta, terreno historicamente mais hostil ao PT.

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PF diz que Câmara deu “pleno aval” para Tuca desviar emendas a Eduardo Cunha https://www.ocafezinho.com/2026/07/12/pf-diz-que-camara-deu-pleno-aval-para-tuca-desviar-emendas-a-eduardo-cunha/ https://www.ocafezinho.com/2026/07/12/pf-diz-que-camara-deu-pleno-aval-para-tuca-desviar-emendas-a-eduardo-cunha/#comments Sun, 12 Jul 2026 23:11:44 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=261557 1 Comentário 🔥]]> A investigação sobre o esquema de emendas parlamentares que já resultou no bloqueio de R$ 119 milhões de bens do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, ganhou neste domingo (12) um novo e poderoso capítulo: a Polícia Federal afirma que a própria Presidência da Câmara dos Deputados deu aval para que a servidora Mariângela Fialek, a “Tuca”, direcionasse emendas em benefício do ex-deputado Eduardo Cunha (Republicanos-MG) — hoje sem mandato havia anos. A apuração levou ao bloqueio de R$ 6,15 milhões vinculados a Cunha.

Mesma operadora, dois “clientes” sem mandato

O caso é um desdobramento direto da Operação Transparência, deflagrada em dezembro do ano passado, e reforça o padrão já identificado no caso Valdemar: uma funcionária de carreira da Câmara operando, na prática, como intermediária de dirigentes políticos sem assento no Congresso — e, portanto, sem qualquer prerrogativa formal para indicar emendas ao orçamento da União. A extração de dados do celular de Tuca, que já havia sido alvo de busca da PF em dezembro, é a base tanto da investigação sobre Cunha quanto da que atingiu Valdemar.

Segundo a Polícia Federal, tudo indica que a servidora contava com “pleno aval da presidência da Casa para promover os desvios de emendas” em favor de Cunha — uma frase que, se confirmada, eleva a gravidade do caso: não se trataria de uma funcionária agindo por conta própria ou sob pressão isolada de um ex-parlamentar influente, mas de um esquema tolerado, ou ao menos não impedido, pelo comando institucional da própria Câmara durante a gestão de Arthur Lira (PP-AL), à frente da Casa entre 2021 e o início de 2025.

“Vetor relevante” mesmo sem mandato

O relatório enviado ao STF descreve a situação de forma direta: mesmo desprovido de mandato, Cunha aparece como figura relevante na definição e no remanejamento de emendas — uma configuração que a PF já havia identificado, em contornos praticamente idênticos, na apuração sobre Valdemar Costa Neto. Os investigadores apontam possíveis indícios de peculato, argumentando que Cunha se valia dos serviços de Tuca e de articulação política para direcionar recursos conforme seus próprios interesses.

A defesa: bloqueio sem intimação prévia

Os advogados de Eduardo Cunha reagiram com dureza à divulgação do caso, afirmando que a defesa soube da decisão pela imprensa, sem qualquer intimação ou oportunidade de esclarecimento prévio. O argumento central da defesa é técnico e direto: como Cunha “não exerce mandato parlamentar”, ele simplesmente não teria como ter apresentado, subscrito ou formalizado nenhuma emenda — todas teriam sido oficialmente indicadas por parlamentares, bancadas ou órgãos legitimados, os únicos com competência formal sobre o processo orçamentário. A defesa também nega que o bloqueio de R$ 6,15 milhões represente qualquer benefício financeiro pessoal a Cunha, classificando o valor como o total das emendas questionadas, destinadas a municípios e outros órgãos públicos — não dinheiro recebido pelo ex-deputado. Os advogados classificaram os contatos políticos de Cunha como interlocução legítima, rejeitando a equiparação a exercício clandestino de mandato, e informaram que vão recorrer da decisão.

Um padrão que já não parece coincidência

O que emerge da soma dos dois casos — Valdemar e Cunha, ambos operados pela mesma servidora, ambos sem mandato, ambos com volumes de recursos badalados em torno de dezenas de milhões de reais — é a hipótese, ainda a ser plenamente confirmada pela Justiça, de que o expediente de usar “lideranças partidárias” ou ex-parlamentares influentes como decisores informais das emendas de comissão não foi um episódio isolado, mas um método replicável dentro da estrutura da Câmara, operacionalizado por uma mesma rede de servidores e tolerado — segundo a PF — pelo próprio comando da Casa. A Polícia Federal afirma que a apuração sobre a atuação de pessoas sem mandato na destinação de emendas continua, e o STF acompanha o caso dado o envolvimento de autoridades com prerrogativa de foro — o que sugere que este pode não ser o último nome a surgir dessa mesma engrenagem.

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Damares deixa equipe de plano de governo de Flávio após sofrer ataques https://www.ocafezinho.com/2026/07/12/damares-deixa-equipe-de-plano-de-governo-de-flavio-apos-sofrer-ataques/ https://www.ocafezinho.com/2026/07/12/damares-deixa-equipe-de-plano-de-governo-de-flavio-apos-sofrer-ataques/#comments Sun, 12 Jul 2026 14:53:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=261545 13 Comentários 🔥]]> Damares Alves deixa equipe de plano de governo de Flávio Bolsonaro após se sentir atacada por aliados do senador

A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) interrompeu sua colaboração na elaboração do plano de governo do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República. Ela havia sido convidada para ajudar a formular propostas na área de direitos humanos, um dos eixos programáticos da pré-campanha.

O motivo da saída: fogo amigo em meio à crise Michelle-Flávio

Segundo apuração do jornalista Igor Gadelha, do Metrópoles, a decisão de Damares se deu depois que ela passou a ser alvo de ataques por parte de aliados do próprio Flávio — justamente no momento em que a repercussão do vídeo em que Michelle Bolsonaro fez críticas ao senador ainda dominava o noticiário bolsonarista. Damares resumiu o motivo da ruptura de forma direta: “Fui atacada diretamente pelo time da direita”.

A senadora não soletrou publicamente o conteúdo desses ataques, mas o contexto em que a saída ocorre — dias depois da crise entre Michelle e Flávio se tornar pública, e horas depois de Jair Bolsonaro tentar apaziguar os ânimos com uma carta pedindo união entre aliados — sugere que Damares se viu, de alguma forma, arrastada para dentro do fogo cruzado que já consome a articulação em torno da candidatura do senador.

Uma saída que não fecha a porta de vez

Apesar do desgaste, Damares deixou claro que sua colaboração pode ser retomada em outro momento da campanha — especificamente numa eventual fase de governo de transição, caso Flávio avance na disputa presidencial. Segundo ela, o trabalho inicial já havia sido cumprido, e uma nova rodada de apoio poderia ocorrer mais adiante, já em fase de transição.

Questionada sobre se chegou a conversar diretamente com Flávio depois do episódio, a senadora foi econômica: segundo ela, o senador não voltou a procurá-la, ocupado que está com a própria pré-campanha.

Mais uma fissura numa base que deveria estar se consolidando

O episódio se soma a uma sequência desconfortável para a articulação de Flávio Bolsonaro nas últimas semanas: a crise pública com Michelle, a carta de Jair tentando — sem sucesso, segundo o próprio Valdemar Costa Neto — reconciliar os dois, e agora a saída de um nome relevante da equipe técnica que ajudaria a dar substância ao programa de governo, numa área — direitos humanos — historicamente sensível para o eleitorado que o senador tenta consolidar. Faltam pouco mais de duas semanas para a convenção do PL, marcada para 25 de julho, e a lista de pendências internas do partido só cresce: crise familiar sem solução, vice ainda não definido e agora uma baixa na equipe que deveria estar fechando o pacote de propostas a ser apresentado à militância. Até o momento, Flávio Bolsonaro não se manifestou publicamente sobre a saída de Damares.

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Valdemar admite: crise entre Michelle e Flávio segue sem solução https://www.ocafezinho.com/2026/07/12/valdemar-admite-crise-entre-michelle-e-flavio-segue-sem-solucao/ https://www.ocafezinho.com/2026/07/12/valdemar-admite-crise-entre-michelle-e-flavio-segue-sem-solucao/#comments Sun, 12 Jul 2026 14:29:35 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=261542 12 Comentários 🔥]]> A crise entre a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) permanece sem solução, mesmo depois da carta pública em que Jair Bolsonaro pediu união entre os aliados. A confirmação partiu do próprio presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, em entrevista ao SBT News neste sábado (11): segundo ele, apenas o ex-presidente teria capital político suficiente para convencer Michelle a se engajar na campanha presidencial do enteado.

Um recado que a carta de Jair não bastou para resolver

A fala de Valdemar expõe o limite real do gesto simbólico feito por Jair Bolsonaro um dia antes. Mesmo com a carta manuscrita divulgada na sexta-feira (10), na qual o ex-presidente chamou Flávio de seu “porta-voz” e pediu que aliados deixassem diferenças de lado, o dirigente do PL confirmou que o racha entre os dois segue de pé — reconhecimento raro, vindo do próprio comando do partido, de que o apelo por unidade não produziu o efeito esperado.

Valdemar foi direto ao tratar o problema como uma questão estritamente familiar: para ele, somente Jair, com jeito, conseguiria convencer Michelle a apoiar a campanha, dado o peso eleitoral que ela carrega — especialmente junto ao público feminino, um dos eleitorados que o PL mais precisa mobilizar para viabilizar a candidatura presidencial de Flávio.

O torcedor por uma volta que ainda não aconteceu

Questionado sobre o futuro político de Michelle dentro da legenda, Valdemar admitiu torcer pelo retorno dela à presidência do PL Mulher, posto que deixou em meio ao agravamento da crise. A fala confirma que, até aqui, essa volta segue apenas no campo do desejo — não há, segundo o próprio dirigente, sinal concreto de reaproximação entre os dois lados.

A frase que expõe o que realmente está em jogo

O momento mais revelador da entrevista, porém, foi quando Valdemar conectou diretamente a unidade da família Bolsonaro ao destino jurídico do próprio ex-presidente. Segundo ele, “se nós perdemos [a eleição presidencial], o Bolsonaro ficará mais 10 anos preso” — frase que escancara o cálculo por trás de toda a pressão por reconciliação: não se trata apenas de uma disputa entre parentes por protagonismo político, mas de uma equação em que a soltura ou a permanência de Jair Bolsonaro em prisão domiciliar está, na leitura do próprio presidente do partido, diretamente atrelada ao resultado das urnas em outubro.

Vice ainda em aberto, com prazo cada vez mais curto

Valdemar também confirmou que a definição do vice na chapa de Flávio deve ocorrer apenas perto da Convenção Nacional do PL, marcada para 25 de julho em São Paulo — data que, segundo o próprio dirigente, seria o cenário ideal para fechar esse nome. Faltam pouco mais de duas semanas para o encontro, e o partido ainda não tem candidato a vice definido nem a crise interna resolvida — dois problemas que, somados, ameaçam transformar o que deveria ser a data de lançamento triunfal da candidatura presidencial de Flávio em uma vitrine involuntária das fraturas internas do bolsonarismo.

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Bolsonaro escreve carta da prisão domiciliar pedindo unidade de Flávio e Michelle https://www.ocafezinho.com/2026/07/11/bolsonaro-escreve-carta-da-prisao-domiciliar-pedindo-unidade-de-flavio-e-michelle/ https://www.ocafezinho.com/2026/07/11/bolsonaro-escreve-carta-da-prisao-domiciliar-pedindo-unidade-de-flavio-e-michelle/#respond Sat, 11 Jul 2026 19:00:04 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=261532 Em prisão domiciliar após ser condenado pelo STF a 27 anos de prisão pela trama golpista, Jair Bolsonaro (PL) escreveu uma carta manuscrita divulgada neste sábado (11) na qual reafirma o filho, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), como seu porta-voz e pede que aliados deixem de lado eventuais divergências internas. O documento, porém, chama atenção pelo que não diz: em nenhum momento o ex-presidente faz referência direta à crise pública que opõe Flávio e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, hoje o principal racha dentro do PL às vésperas da convenção que deve oficializar a candidatura presidencial do senador.

O que diz a carta

Na mensagem, apresentada por Flávio durante uma transmissão ao vivo neste sábado, Bolsonaro escreve que o momento é de “arregaçar as mangas e deixar de lado possíveis diferenças” — um apelo direto à coesão do campo bolsonarista a cerca de duas semanas da convenção nacional do partido, marcada para 25 de julho em São Paulo. O ex-presidente também renova formalmente a indicação do filho como seu representante político, papel que Flávio já vinha ocupando informalmente desde que o pai foi condenado.

Durante a live, o próprio senador explicou o motivo da carta: segundo ele, o objetivo é impedir que mensagens contraditórias circulem dentro do movimento bolsonarista, numa referência a apoiadores que, em suas palavras, “importante para evitar que existam falas conflituosas ou direções diferentes” dentro da militância — numa crítica velada a quem estaria esperando o momento certo para se engajar na campanha, em vez de apoiar abertamente desde já.

O elefante na sala que a carta não menciona

O timing do documento não é aleatório. Ele chega poucos dias depois de Michelle Bolsonaro publicar um relato nas redes sociais acusando Flávio de tê-la maltratado e humilhado — episódio que levou o senador a se desculpar publicamente e que culminou na saída da ex-primeira-dama da presidência do PL Mulher. A crise é considerada, nos bastidores do partido, o racha mais delicado da pré-campanha, justamente por envolver duas figuras com apelo eleitoral complementar: Flávio, como candidato, e Michelle, como uma das lideranças femininas mais populares do bolsonarismo.

É esse pano de fundo que dá sentido ao apelo genérico por unidade feito na carta: ao pedir que “diferenças” sejam deixadas de lado sem nomear qual diferença especificamente, Bolsonaro consegue endereçar o problema politicamente sensível sem expor publicamente o conflito entre o filho e a ex-primeira-dama — uma escolha de linguagem que tenta blindar a imagem de ambos, mas que dificilmente passa despercebida por quem acompanha a novela nos bastidores do partido.

Valdemar corre para apagar o incêndio antes da convenção

Quem assumiu publicamente o papel de mediador da crise foi o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto — hoje ele próprio sob investigação da Polícia Federal por suposto desvio de R$ 119 milhões em emendas parlamentares. Valdemar confirmou que Flávio e Michelle deixaram de se falar após o embate nas redes sociais, e cobrou publicamente uma reconciliação, chegando a dizer que o partido “temos que acertar isso aí em 20 dias pra gente tomar um rumo” antes da convenção de 25 de julho.

O prazo apertado explicita a urgência do PL: transformar a data da convenção, que deveria ser um mero ato de oficialização da candidatura de Flávio, em uma vitrine de unidade partidária — e não em confirmação pública de que a legenda chega à disputa presidencial já rachada por dentro, num momento em que o próprio Flávio enfrenta desgaste crescente em outras frentes, da repercussão negativa de sua atuação em Washington sobre o tarifaço ao escândalo do financiamento do filme “Dark Horse” pelo Banco Master.

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Sozinho, sem mandato há 13 anos, Valdemar movimentou mais emendas que 512 dos 513 deputados do Brasil https://www.ocafezinho.com/2026/07/11/sozinho-sem-mandato-ha-13-anos-valdemar-movimentou-mais-emendas-que-512-dos-513-deputados-do-brasil/ https://www.ocafezinho.com/2026/07/11/sozinho-sem-mandato-ha-13-anos-valdemar-movimentou-mais-emendas-que-512-dos-513-deputados-do-brasil/#comments Sat, 11 Jul 2026 13:25:15 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=261520 1 Comentário 🔥]]> Um novo relatório da Polícia Federal, obtido pela Folha de S.Paulo, revela a dimensão real do esquema de emendas atribuído a Valdemar Costa Neto: em 2024, o presidente do PL teria direcionado R$ 111,8 milhões em emendas parlamentares de comissão — mais do que 512 dos 513 deputados federais em exercício naquele ano. Valdemar está sem mandato desde dezembro de 2013, quando renunciou à cadeira na Câmara após ser condenado no processo do mensalão.

Um volume maior que quase toda a Câmara dos Deputados — mas não maior que Lira

O único parlamentar que superou o volume atribuído a Valdemar foi o então presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), que destinou R$ 255,3 milhões em emendas de comissão no mesmo ano. Para efeito de comparação: o montante ligado a Valdemar superou os R$ 102 milhões movimentados pelo relator da reforma tributária, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), e os R$ 91,6 milhões do então líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE) — ambos parlamentares em pleno exercício do mandato, ao contrário do dirigente do PL.

A própria Polícia Federal reconhece a anomalia no relatório enviado ao ministro Flávio Dino, do STF: segundo a corporação, Valdemar contava com autonomia para direcionar recursos de emendas conforme sua cota pessoal e particular, atribuída unicamente por sua condição de presidente da sigla — não por qualquer mandato eletivo, que ele não possui há treze anos.

Os “laranjas” identificados: Sóstenes, Motta e Capitão Alden

Uma segunda apuração, publicada pelo Estadão, identifica três deputados federais do PL cujos nomes teriam sido usados como fachada formal para as indicações atribuídas a Valdemar: o líder da bancada na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), aparece como solicitante de R$ 94 milhões — parte deles destinados a municípios de São Paulo, Paraná, Bahia e Pará, estados aos quais ele não tem qualquer vínculo de representação, já que é deputado pelo Rio de Janeiro. A maior emenda associada a seu nome, de R$ 25 milhões, foi enviada a Porto Seguro (BA).

Luiz Carlos Motta (PL-SP) aparece como responsável por duas emendas somando R$ 22,8 milhões, e Capitão Alden (PL-BA) por uma indicação de R$ 2,4 milhões para Itaguaçu da Bahia. Ambos negaram ter participado das decisões: Motta afirmou que seu nome passou a constar nos registros administrativos relacionados à tramitação dessas indicações por ter sido relator do Orçamento Geral da União naquele ano, e não por escolha própria. Já Alden foi mais direto: segundo ele, não houve qualquer contato comigo sobre esse assunto.

Como o esquema conseguiu se camuflar mesmo após o STF exigir transparência

Esse é o ponto que talvez mereça mais atenção no caso: em 2024, o próprio STF já havia determinado que o Congresso identificasse os verdadeiros “padrinhos” de cada emenda de comissão, numa tentativa de corrigir a opacidade que marcou o extinto orçamento secreto. Mesmo assim, boa parte dos recursos atribuídos a Valdemar apareceu nos registros oficiais apenas como indicação da “liderança do partido” — sem qualquer nome específico —, driblando exatamente a exigência de transparência imposta pela Corte. A prática não foi exclusividade do PL: partidos como PP, União Brasil e PT também usaram lideranças partidárias como autoras formais de repasses em 2024, e, segundo a Folha, mais de R$ 1 bilhão em verbas da Câmara seguiu esse mesmo caminho só em 2025.

O bloqueio de Dino e a queda abrupta em 2025

Ao determinar o bloqueio de R$ 119 milhões em bens de Valdemar, Dino foi enfático: segundo o ministro, o problema central é que um terceiro sem mandato tinha o poder e a ingerência sobre o direcionamento do orçamento público — uma situação que ele classificou como gravíssima. Chama atenção, aliás, um dado isolado no relatório da PF: o valor atribuído a Valdemar caiu drasticamente em 2025, para apenas R$ 7,4 milhões — uma queda de mais de 90% em relação ao ano anterior, cujos motivos a própria investigação não esclarece, mas que coincide com o período em que o esquema das emendas de comissão já vinha sob escrutínio crescente do Judiciário.

Defesa nega, e Flávio Bolsonaro chama a investigação de perseguição seletiva

A defesa de Valdemar, pelos advogados Marcelo Ávila de Bessa e Thiago Fleury, nega qualquer irregularidade e classifica a atuação do dirigente partidário como natural dentro do sistema político — dialogar com parlamentares e articular prioridades, segundo a nota, não configura crime algum. Já o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, saiu em defesa pública do padrinho político de sua candidatura, classificando a atuação da Polícia Federal como seletiva para constranger um adversário político do atual governo, e contrapondo o caso à alegada inação da PF em investigações envolvendo o filho do presidente Lula.

Por que o caso é maior do que parece à primeira vista

O que os dois relatórios, somados, revelam é uma engenharia difícil de justificar como mero exercício de “liderança partidária informal”: um homem sem mandato há mais de uma década movimentando, sozinho, um volume de recursos públicos superior ao de quase todo o plenário da Câmara dos Deputados — usando nomes de parlamentares em exercício como fachada formal para escapar da exigência de transparência imposta pelo próprio STF. Independentemente do desfecho jurídico do caso, o episódio já expõe uma fragilidade estrutural do sistema de emendas de comissão: mesmo depois de anos de pressão da Corte por rastreabilidade, o mecanismo de esconder o verdadeiro “padrinho” atrás da “liderança do partido” continua funcionando — e, ao que tudo indica, funcionou por pelo menos um ano inteiro em plena vista de todos, sem que ninguém questionasse por que um dirigente sem assento no Congresso aparecia direcionando dezenas de milhões de reais em dinheiro público.

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Como o Partido Novo virou o pesadelo de Deltan Dallagnol  https://www.ocafezinho.com/2026/07/10/como-o-partido-novo-virou-o-pesadelo-de-deltan-dallagnol/ https://www.ocafezinho.com/2026/07/10/como-o-partido-novo-virou-o-pesadelo-de-deltan-dallagnol/#comments Sat, 11 Jul 2026 00:49:53 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=261516 12 Comentários 🔥]]> A empresa Comply Aperfeiçoamento Profissional — que tem como sócios o ex-procurador Deltan Dallagnol (Novo-PR), cassado pela Justiça Eleitoral, sua esposa e seus filhos — recebeu R$ 382 mil do Partido Novo em 2025, pagos com recursos do fundo partidário, verba pública destinada à manutenção e ao funcionamento das legendas. A informação é da coluna Painel, da Folha de S.Paulo, com base em dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

De pessoa física a pessoa jurídica: uma mudança que também é contábil

O detalhe mais revelador do caso está na engenharia do próprio contrato. Segundo a reportagem, Dallagnol inicialmente recebia a remuneração diretamente, como pessoa física, pelo trabalho de “embaixador” da legenda. Em algum momento, esse vínculo passou a ser formalizado por meio da Comply — empresa aberta em julho de 2021, ainda quando ele integrava o Ministério Público Federal, e da qual são sócios sua esposa e seus filhos. O contrato hoje em vigor prevê remuneração mensal de R$ 42,5 mil.

Migrar de pagamento por pessoa física para prestação de serviço via pessoa jurídica costuma render vantagens tributárias relevantes — planejamento tributário comum e não necessariamente ilegal, mas que ganha outro peso quando a fonte pagadora é recurso público do fundo partidário e o beneficiário é uma empresa familiar do próprio contratado.

O currículo por trás do “embaixador”

Vale lembrar o histórico que trouxe Dallagnol a essa função. Ex-procurador que liderou a força-tarefa da Lava Jato no Paraná, ele se elegeu deputado federal em 2022 pelo Podemos, migrando depois para o Novo. Em maio de 2023, porém, foi cassado pelo TSE por infração à Lei da Ficha Limpa — decisão relacionada a seu histórico como procurador — perdendo o mandato. Desde então, ocupa a função de “embaixador” do Partido Novo, hoje também na condição de pré-candidato ao Senado.

A defesa: crescimento de filiados como métrica de resultado

Tanto a assessoria de Dallagnol quanto a direção nacional do Novo classificaram o contrato como regular. Segundo a legenda, a função de embaixador envolve o desenvolvimento de campanhas de comunicação e marketing partidário, engajamento de bases e atração de novos filiados. O presidente nacional do partido, Eduardo Ribeiro, foi além e apresentou números para justificar o investimento: segundo ele, o Novo saltou de 34.421 para 81.755 filiados entre a chegada de Dallagnol, em setembro de 2023, e julho de 2026 — crescimento de 137,5% —, com um pico de 1.720 novas filiações já no primeiro mês de atuação do ex-procurador.

Um padrão que vale a pena observar de perto

O episódio se soma a um debate mais amplo sobre o uso do fundo partidário — recurso público, bilionário, distribuído anualmente entre as legendas conforme sua representação no Congresso — para remunerar atividades de comunicação, marketing e “embaixadores” que, na prática, também funcionam como pré-campanha antecipada de figuras políticas relevantes. Não é a primeira vez que esse tipo de gasto aparece no noticiário recente: o próprio PL, por exemplo, já teve apontados R$ 484 mil gastos em quatro meses com um núcleo de comunicação ligado a Jair Bolsonaro, também bancados por recursos partidários.

O que diferencia o caso Dallagnol é a proximidade familiar do arranjo: o dinheiro público do fundo partidário paga uma empresa cujos sócios são o próprio contratado, sua esposa e seus filhos — uma estrutura que, mesmo formalmente regular perante a legislação eleitoral, expõe como recursos originalmente destinados ao fortalecimento institucional dos partidos podem se converter, na prática, em fonte de renda familiar de quadros políticos em ascensão, num modelo de remuneração que só se torna público quando jornalistas cruzam os dados abertos do TSE.

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Bolsonaro pede a Milei que venha ao Brasil apoiar sua campanha https://www.ocafezinho.com/2026/07/10/bolsonaro-pede-a-milei-que-venha-ao-brasil-apoiar-sua-campanha/ https://www.ocafezinho.com/2026/07/10/bolsonaro-pede-a-milei-que-venha-ao-brasil-apoiar-sua-campanha/#respond Sat, 11 Jul 2026 00:19:20 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/07/10/bolsonaro-pede-a-milei-que-venha-ao-brasil-apoiar-sua-campanha/ O presidente da Argentina, Javier Milei, confirmou que viajará ao Brasil no dia 25 de julho para manifestar seu apoio à pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República. A visita inclui uma passagem por Brasília para se encontrar com o ex-presidente Jair Bolsonaro, que atualmente cumpre prisão domiciliar devido a investigações judiciais em curso.

A aliança de Milei com os Bolsonaro evidencia um esforço coordenado da extrema-direita sul-americana para consolidar um palanque subordinado aos interesses geopolíticos de Donald Trump. Essa subserviência ao trumpismo revela o alinhamento cego dos líderes conservadores locais às diretrizes de Washington, ignorando a necessidade de uma diplomacia soberana e independente na América Latina.

Enquanto Milei prioriza viagens de propaganda política ao exterior, a Argentina afunda em uma crise socioeconômica sem precedentes, marcada pelo fechamento em massa de pequenas e médias empresas. O desmonte do mercado interno promovido pelas políticas ultraliberais de austeridade estrangula o setor produtivo nacional e joga milhares de trabalhadores na informalidade diária.

Um dos indicadores mais trágicos desse colapso econômico argentino é a queda histórica e dramática no consumo per capita de carne vermelha no país. Incapazes de arcar com a inflação descontrolada dos alimentos básicos, os cidadãos argentinos enfrentam o menor nível de acesso a proteínas em mais de cem anos de registros históricos.

No cenário global, a gestão de Milei tem isolado a Argentina diplomaticamente e colecionado atritos desnecessários com importantes parceiros comerciais da região. Esse isolamento internacional é agravado pelo apoio incondicional do governo argentino ao regime genocida de Israel, contrariando a posição majoritária das nações do Sul Global sobre os direitos humanos na Palestina.

A articulação política que traz o mandatário argentino ao território brasileiro expõe a fragilidade de um projeto eleitoral que depende de intervenção externa para ganhar fôlego nas pesquisas. Resta saber se o eleitorado nacional aceitará a tutela de uma administração vizinha falida e profundamente desgastada em seu próprio país de origem.

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Três testemunhas contestam versão da ICE sobre assassinato de imigrante mexicano em Houston https://www.ocafezinho.com/2026/07/10/tres-testemunhas-contestam-versao-da-ice-sobre-assassinato-de-imigrante-mexicano-em-houston/ https://www.ocafezinho.com/2026/07/10/tres-testemunhas-contestam-versao-da-ice-sobre-assassinato-de-imigrante-mexicano-em-houston/#comments Fri, 10 Jul 2026 20:13:45 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=261509 Três homens que estavam dentro da van com Lorenzo Salgado Araujo, morto por um agente da ICE em Houston no dia 7 de julho, contestam a versão oficial do Departamento de Homeland Security.

Eles afirmam que o agente atirou quase imediatamente depois de sair do próprio veículo e que, em nenhum momento, o motorista desviou na direção dele ou tentou atropelá-lo.

O relato foi dado por meio de advogado ao jornal Washington Post e representa o primeiro contraponto direto de testemunhas oculares que estavam no carro.

A versão oficial da ICE diz que Lorenzo, mexicano de 52 anos, tentou evadir uma abordagem, bateu em um veículo da agência e “weaponized his vehicle” para tentar atropelar um agente, que teria atirado em legítima defesa.

Os três passageiros, que também foram detidos, dizem que os veículos da ICE eram sem identificação e que Lorenzo ficou com medo ao ser seguido.

Segundo o filho de Lorenzo, Ronaldo Salgado, o pai trabalhava na construção civil há décadas, não tinha antecedentes criminais e estava em processo de obter permissão de trabalho legal.

Ele disse que o pai teria parado imediatamente se tivesse visto qualquer emblema de autoridade.

Os três homens que estavam na van são Victor Hugo Salgado Araujo, irmão de Lorenzo, além de Daniel Tirado Pantoja e Jose Trinidad Rojas Pliego.

Eles permanecem detidos pela ICE. Familiares e a organização LULAC relatam que os homens estariam sendo pressionados a assinar documentos de auto-deportação.

Não há imagens de bodycam do momento do tiro. Agentes do escritório da ICE em Houston ainda não estavam equipados com câmeras corporais.

A morte de Lorenzo Salgado Araujo gerou protestos em Houston e pedidos de investigação independente por parte da família, de congressistas democratas e de grupos de direitos civis.

O Departamento de Homeland Security e o FBI investigam o caso. Até o momento, não foram divulgadas imagens oficiais do instante em que os disparos ocorreram.

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Diálogos revelam controle de emendas de R$ 119 milhões por Valdemar Costa Neto no Congresso https://www.ocafezinho.com/2026/07/10/policia-federal-aponta-valdemar-costa-neto-como-mandante-de-desvio-de-r-119-milhoes-em-emendas/ https://www.ocafezinho.com/2026/07/10/policia-federal-aponta-valdemar-costa-neto-como-mandante-de-desvio-de-r-119-milhoes-em-emendas/#comments Fri, 10 Jul 2026 18:22:26 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=261490 12 Comentários 🔥]]> O ministro do Supremo Tribunal Federal do Brasil, Flávio Dino, determinou o bloqueio de bens do presidente nacional do Partido Liberal, Valdemar Costa Neto, até o limite de R$ 119,2 milhões. A medida cautelar baseia-se em conversas telefônicas obtidas pela Polícia Federal do Brasil que detalham a interferência direta do dirigente na destinação de recursos orçamentários.

As mensagens interceptadas revelam que a ex-assessora da liderança do Progressistas na Câmara dos Deputados, Mariângela Fialek, atuava como o elo central na gestão das verbas federais. A assessora parlamentar recebia orientações expressas sobre as prioridades financeiras do dirigente que não ocupa cadeira legislativa.

Em uma das mensagens mais explícitas, um assessor de confiança envia uma pergunta direta a respeito das cotas de recursos partidários. A indagação questiona textualmente se o valor reservado ao presidente Valdemar Costa Neto já havia sido fechado para aquela etapa de distribuição.

O fluxo de mensagens interceptadas indica que as ordens internas determinavam maximizar as quantias destinadas a setores específicos da administração federal. As orientações escritas exigiam que os assessores colocassem o maior valor possível para atender aos interesses da sigla na pasta do Turismo.

As tratativas contavam com a participação ativa da servidora da liderança do Partido Liberal na Câmara dos Deputados, Nara Brum, que operacionalizava as planilhas do esquema. A funcionária pública auxiliava no direcionamento das verbas sob a orientação de seus superiores hierárquicos.

O secretário executivo do Partido Liberal na Câmara dos Deputados, Garigham Amarante Pinto, também participava da intermediação técnica e política das emendas do grupo. A Polícia Federal do Brasil aponta que a equipe de assessores atuava de forma coordenada para ocultar a autoria real das indicações orçamentárias.

A decisão judicial expedida pelo magistrado Flávio Dino classificou como espantosa a influência exercida por cidadãos sem mandato sobre a partilha de dinheiro público. O magistrado destacou que as funções constitucionais dos parlamentares não podem ser terceirizadas a presidentes de partidos políticos.

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Frango, etanol e arroz seguram inflação de junho https://www.ocafezinho.com/2026/07/10/frango-etanol-e-arroz-seguram-inflacao-de-junho/ https://www.ocafezinho.com/2026/07/10/frango-etanol-e-arroz-seguram-inflacao-de-junho/#comments Fri, 10 Jul 2026 15:34:01 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/07/10/frango-etanol-e-arroz-seguram-inflacao-de-junho/ 1 Comentário 🔥]]> A guerra no Irã provocou novas instabilidades na estrutura de preços do Brasil, assim como ocorreu em praticamente todos os países do mundo, gerando oscilações nos principais produtos e serviços consumidos pelas famílias. No entanto, felizmente para o consumidor brasileiro, nem tudo subiu. Alguns produtos nacionais de grande peso no consumo popular puxaram a inflação geral para baixo em junho, ajudando a aliviar o orçamento doméstico. Os grandes destaques deste alívio foram o arroz, o etanol e o frango.

Em termos gerais, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do IBGE registrou uma desaceleração importante em junho de 2026, com alta mensal de apenas 0,16%, contra 0,58% em maio. Com isso, o acumulado em 12 meses no Brasil recuou ligeiramente para 4,64%. A trajetória aponta para uma convergência histórica e incomum com os Estados Unidos, cuja inflação acumulada até maio registrou 4,2% (sendo o indicador provisório do Cleveland Fed para junho estimado em 3,92%). Embora os EUA historicamente apresentem uma inflação estrutural muito menor que a do Brasil, a distância entre as duas economias encolheu drasticamente.

A disparidade mais evidente entre os dois países está na forma como o choque energético global é absorvido. Os Estados Unidos são hoje o maior produtor mundial de petróleo bruto e um exportador superavitário de produtos refinados de petróleo (gasolina e diesel). O Brasil, em contrapartida, ainda possui déficit na importação de alguns derivados refinados. Apesar de sua autossuficiência e de sua balança comercial superavitária em refino, a estrutura energética dos EUA é totalmente privada e desregulada. Sem um colchão estatal de amortecimento, o consumidor americano absorve integralmente os picos especulativos do mercado global. O resultado é devastador: nos EUA, a gasolina acumulou uma alta de +40,5% em 12 meses até maio, e o combustível de aquecimento (fuel oil) disparou +58,9%.

No Brasil, a existência de uma Petrobras sob controle estatal permitiu mitigar a volatilidade internacional. Mesmo com o diesel pressionado (+14,71% em 12 meses), a gasolina brasileira acumulou uma alta de apenas +5,67%, e o etanol — impulsionado pela safra de cana — registrou queda mensal de -3,09% em junho (acumulando recuo de -0,32% em um ano). A soberania energética nacional se provou, mais uma vez, o principal escudo contra a desestabilização de preços.

No setor de alimentos, a dinâmica de preços mostra como a diversificação da produção brasileira protege o consumidor. A carne bovina em geral subiu +7,58% em 12 meses no Brasil (com a picanha registrando +7,61% e o acém, equivalente à carne moída para hambúrguer nos EUA, acumulando +10,15%). Nos EUA, o grupo de carne bovina e vitela (beef and veal) subiu mais expressivamente, acumulando +12,9% no ano. A grande salvaguarda das famílias brasileiras, contudo, reside na liderança do país como maior produtor e exportador mundial de carne de frango. Enquanto a carne bovina encareceu, o frango inteiro registrou deflação de -3,98% em 12 meses no Brasil (e o frango em pedaços caiu -4,60%). Essa abundância permite que as famílias brasileiras realizem a substituição de proteínas no dia a dia para proteger o orçamento. Nos EUA, o consumidor não dispõe dessa mesma válvula de escape, pois a categoria de aves (poultry) também registrou alta acumulada de +1,8%. Outro elemento de alívio importante foi o arroz, que registrou queda de -14,57% em 12 meses no mercado nacional, compensando a alta histórica e isolada do feijão-carioca (+47,79%), provocada por quebras de safra locais.

Alimentação no Domicílio
Trajetória da Alimentação no Domicílio (Brasil) — O gráfico revela a trajetória em ‘U’ da inflação de alimentos no Brasil, que despencou até fevereiro de 2026, sofrendo leve repique nos meses seguintes antes de recuar em junho.

A questão da energia elétrica e o alerta de aprovação

Embora o grupo de alimentação e bebidas traga alívios temporários, a conta de luz continua sendo uma das principais pressões domésticas no Brasil. A inflação da energia elétrica residencial registrou alta mensal de +1,53% em junho (após subir +3,67% em maio), acumulando +8,79% em 12 meses. Esse comportamento reflete a vulnerabilidade estrutural de uma matriz muito dependente do clima (hidrelétrica), sujeita a acionamentos frequentes de usinas térmicas caras sob o sistema de bandeiras tarifárias da ANEEL. Nos EUA, a tarifa residencial subiu de forma mais suave, fechando em +5,9% em 12 meses até maio.

Energia Elétrica Residencial
Alta Acumulada da Energia Elétrica Residencial (Brasil) — O gráfico de tarifas de eletricidade residencial no Brasil mostra a volatilidade persistente de patamares elevados acima de 8% nos últimos meses.

Esse encarecimento da eletricidade serve como um sinal de alerta vermelho para o governo Lula. Pesquisas históricas demonstram que os índices de aprovação da gestão federal e do presidente Lula são extremamente sensíveis ao preço de alimentos básicos e das tarifas de energia. A alta da energia elétrica e o estresse sobre determinados alimentos ameaçam desgastar o capital político do governo, exigindo respostas estruturais.

Comparativo da Gasolina
Comparativo da Gasolina em 12 Meses (Brasil vs EUA) — Este gráfico expõe a brutal assimetria entre a gasolina brasileira e a americana. A privatização e o repasse integral nos EUA empurraram o combustível acima de 40% de inflação anual, enquanto a Petrobras amortece o impacto no mercado nacional.

O caminho do futuro: geração solar e garantias de crédito

Para estabilizar os custos da energia elétrica residencial e blindar as famílias contra a volatilidade climática, o governo Lula precisa avançar rumo a um programa robusto de distribuição de painéis de energia solar. Embora os bancos privados ofereçam linhas de crédito para sistemas fotovoltaicos, a imensa maioria das famílias brasileiras (não apenas as de baixa renda) é barrada por não conseguir oferecer as garantias reais exigidas pelo sistema financeiro.

A solução exige que o governo federal atue como o garantidor do crédito, criando um fundo financeiro público de aval que atue como colchão de garantia para esses financiamentos. Essa democratização do acesso à energia solar torna-se ainda mais urgente com a transição da mobilidade urbana. A frota de carros e ônibus elétricos cresce rapidamente no país — com milhares de motoristas de aplicativos (como o Uber) abastecendo seus veículos diretamente nas tomadas de casa. Para quem dispõe de painéis solares, o custo de abastecimento do transporte doméstico e do trabalho cai a quase zero, gerando uma emancipação financeira imediata e sustentável.

Apesar do bom sinal emitido pelo recuo da inflação de junho, as hostilidades no Irã ameaçam gerar novos picos no preço dos combustíveis fósseis globais, que se espalham rapidamente pela cadeia de suprimentos. O presidente americano tornou-se hoje o principal fator de instabilidade no mundo. A segurança alimentar e energética de bilhões de seres humanos hoje está à mercê dos humores de uma personalidade tirânica e inconsequente.

Os países grandes produtores de alimentos e energia, como o Brasil, ainda conseguem superar a crise de maneira mais tranquila. Porém, muitos analistas preveem que a humanidade irá sofrer tragicamente ao longo dos próximos dois anos com o aumento do preço dos fertilizantes e de alguns derivados mais raros do petróleo, o que poderá provocar fome e morte para milhões de pessoas no mundo, especialmente nos países mais pobres. É inacreditável que, nesse quadro, ainda haja no Brasil, como é o caso dos bolsonaristas, gente que apoie esse sociopata imperialista.

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Eurasia eleva chances de reeleição de Lula para 60% — e o motivo do salto não é o que a oposição gostaria de ouvir https://www.ocafezinho.com/2026/07/10/eurasia-eleva-chances-de-reeleicao-de-lula-para-60-e-o-motivo-do-salto-nao-e-o-que-a-oposicao-gostaria-de-ouvir/ https://www.ocafezinho.com/2026/07/10/eurasia-eleva-chances-de-reeleicao-de-lula-para-60-e-o-motivo-do-salto-nao-e-o-que-a-oposicao-gostaria-de-ouvir/#comments Fri, 10 Jul 2026 13:59:02 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=261481 13 Comentários 🔥]]> A consultoria de risco político Eurasia Group elevou de 55% para 60% a probabilidade de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em outubro, segundo avaliação repercutida pela revista Exame nesta quinta-feira (10). É a segunda revisão para cima da consultoria em pouco mais de um mês, movimento que consolida a leitura predominante entre analistas de risco internacionais: a de que Lula chega à disputa presidencial na condição de favorito, ainda que não com vitória garantida.

O que realmente empurrou o número para cima

O detalhe mais relevante da revisão está na explicação que a própria Eurasia dá para ela — e que contraria a narrativa que boa parte da oposição vinha tentando construir nos últimos dois meses. Segundo a consultoria, o salto de 55% para 60% foi puxado principalmente pela recuperação dos índices de aprovação do governo e pela redução dos riscos de inflação de alimentos ligados à guerra no Oriente Médio — não pelo desgaste de imagem do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, em meio ao escândalo do Banco Master, cujo financiamento bilionário ao filme “Dark Horse” já rendeu semanas de exposição negativa ao senador.

Esse ponto é relevante porque desmonta uma leitura simplista do momento: não é que Lula esteja subindo simplesmente porque o adversário está afundando. Pelo contrário — a consultoria já havia registrado, ainda em maio, que o impacto do vazamento de áudios entre Flávio e o banqueiro Daniel Vorcaro tendia a ser passageiro, precisamente por avaliar que danos de imagem sem repercussão eleitoral direta costumam se dissipar ao longo de uma campanha longa. O que sustenta o novo número, portanto, é o desempenho do próprio governo — reforma do Imposto de Renda, arrefecimento da inflação de alimentos e a vantagem estrutural que todo presidente em exercício carrega — mais do que qualquer tropeço específico da oposição.

Um “favorito”, mas não um “vencedor certo”

O diretor da Eurasia para as Américas, Christopher Garman, já vem repetindo há meses o mesmo recado, e a nova revisão não muda essa moldura: presidentes que chegam ao período eleitoral com aprovação na faixa em que Lula se encontra hoje tendem, historicamente, a se sair bem nas urnas — mas isso está longe de ser garantia. Em avaliações anteriores, Garman chegou a resumir o cenário eleitoral brasileiro como “50%-50%, com viés Lula”, e apontou a segurança pública como o principal ponto vulnerável do governo, capaz de manter qualquer candidato de oposição competitivo até o fim da corrida.

A própria Eurasia também já havia calculado, em maio, uma probabilidade de 30% de que um nome de direita diferente de Flávio — como o governador goiano Ronaldo Caiado (PSD) — surpreenda e chegue ao segundo turno no lugar do senador carioca, o que reforça que a consultoria não trata a disputa entre Lula e Flávio como um duelo fechado e definitivo, mas como um cenário ainda sujeito a reconfigurações no campo oposicionista.

O contraste com o discurso de “governo acabado”

A revisão de hoje chega num momento em que o desgaste do adversário direto de Lula parece, de fato, crescer — mas por méritos próprios de Flávio, não por decisão automática do mercado. Apenas nesta semana, o senador colecionou críticas até de veículos e entidades historicamente afinados com pautas liberais, por sua atuação em Washington na audiência sobre o tarifaço americano, quando admitiu publicamente que sua maior preocupação era o calendário eleitoral brasileiro. Esse tipo de episódio ilustra por que a Eurasia trata a corrida presidencial como estruturalmente competitiva, mesmo com o viés favorável a Lula: o resultado de outubro ainda depende de como o campo de oposição vai lidar com seus próprios problemas — que, cada vez mais, parecem ser autoinfligidos.

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O Brasil já venceu o tarifaço, parte 4: quem corre risco de verdade e a rendição de Flávio em Washington https://www.ocafezinho.com/2026/07/09/o-brasil-ja-venceu-o-tarifaco-parte-4-quem-corre-risco-de-verdade-e-a-rendicao-de-flavio-em-washington/ https://www.ocafezinho.com/2026/07/09/o-brasil-ja-venceu-o-tarifaco-parte-4-quem-corre-risco-de-verdade-e-a-rendicao-de-flavio-em-washington/#comments Fri, 10 Jul 2026 01:36:47 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=261468 12 Comentários 🔥]]> No artigo anterior desta série, mostramos com os dados da ONU Comtrade o veredito agregado. O tarifaço de Trump não esmagou o comércio exterior brasileiro, apenas redirecionou o seu fluxo para longe dos Estados Unidos. A fatia americana nas exportações do Brasil caiu de 12,36% para 10,01% em quatro anos, enquanto a China saltava para quase 30% e novos compradores no Oriente Médio e no Sudeste Asiático entravam no lugar.

Faltava o detalhe que muitos leitores pediram. Produto a produto, quem está realmente ameaçado? Quais itens correm risco, quais foram poupados pela lista de isenções, e o que os dados de comércio dizem sobre a resiliência real de cada cadeia? É o que esta Parte 4 traz, com a leitura direta do documento do USTR, os números do Comex Stat/MDIC e a cartografia de quem depende dos EUA.

E há um epílogo político. Na terça-feira (7 de julho), o senador Flávio Bolsonaro sentou à mesa de testemunhas da audiência do USTR, em Washington, e na prática defendeu os argumentos do tarifaço. Não no conteúdo que declarou à imprensa, mas no documento de 86 páginas que entregou à Casa Branca, no qual aceita impor limites ao Pix. Voltaremos a isso adiante, porque é o ponto mais revelador da semana.

O que o USTR realmente propõe

A primeira coisa que precisa ser dita é que a proposta do USTR, publicada no Federal Register em 4 de junho, não é uma lista de produtos mirados. É o oposto. Uma sobretaxa adicional de 25% sobre todos os bens brasileiros, acompanhada de uma extensa lista de isenções, com mais de 1.600 subcódigos da nomenclatura aduaneira americana (HTSUS), dos quais cerca de 430 referem-se a aeronaves civis.

A página oficial da investigação, no site do USTR, reúne todos os documentos do processo. O povo brasileiro pode e deve ler tudo lá.

Em termos práticos, os produtos isentos são a maior parte do que o Brasil vende aos EUA. Petróleo cru, café, carnes, suco de laranja, celulose, minérios (incluindo nióbio e terras-raras), combustíveis, produtos farmacêuticos e as aeronaves da Embraer. Os bens que continuam na mira, não cobertos pelas exceções nem já tributados pela Seção 232 do aço, são sobretudo calçados, pescado e manufaturados diversos.

A confusão pública nasce daí. Quando se fala em “tarifaço”, a imagem popular é a de café e carne sendo taxados. Na verdade, o grosso da pauta agrícola e mineral brasileira foi preservado. A dor concentrada recai sobre setores industriais específicos, e mesmo neles, como veremos, o Brasil demonstrou resiliência surpreendente.

O mapa da vulnerabilidade

Se quisermos medir o risco de cada produto, a pergunta certa é outra. Que percentual da exportação brasileira desse item tem os Estados Unidos como destino? Quanto maior a dependência, maior o estrago potencial de um tarifaço. O gráfico abaixo organiza as principais cadeias por grau de exposição.

Percentual das exportações de cada produto que tem os EUA como destino. Fonte: C
Percentual das exportações de cada produto que tem os EUA como destino. Fonte: Comex Stat/MDIC, LogComex, Estadão, Agência Brasil. Valores de 2024–2025.

O retrato é didático. Há dois grupos nitidamente vulneráveis. O ferro fundido bruto envia cerca de 86% das exportações aos EUA, e o aço semiacabado, 72,5%. São justamente os semimanufaturados que a siderurgia americana usa como insumo. O suco de laranja, apesar de isento do tarifaço mais agudo, segue com mais da metade das vendas indo ao mercado americano. E os calçados, único setor manufatureiro realmente exposto, mandam cerca de 20% das exportações para lá.

No outro extremo, a resiliência. A carne bovina manda só 7,3% das exportações aos EUA (a participação caiu de 8,1% em 2024). O café, 16,7%. O petróleo, cerca de 8%. Mesmo as aeronaves da Embraer, poupadas pela lista de isenções e com carteira de pedidos recorde de US$ 31,6 bilhões, dependem dos EUA em torno de 12% das exportações. O Brasil, como um todo, vende muito mais para o resto do mundo do que para Washington.

O caso emblemático da carne bovina

Nenhuma cadeia ilustra melhor a tese desta série do que a carne bovina. Foi o alvo político mais ruidoso do tarifaço. A NCBA (associação dos pecuaristas americanos) e o R-CALF USA pedalaram junto ao USTR para tirar a carne brasileira da lista de isenções, alegando “competição desleal”. E o que aconteceu com as exportações brasileiras?

Carne bovina: receita (barras) e volume (linha) de exportação. Fonte: ABIEC/SECE
Carne bovina: receita (barras) e volume (linha) de exportação. Fonte: ABIEC/SECEX. Tarifa de 50% vigente desde ago/2025; mesmo assim, 2025 foi recorde histórico.

Em 2025, com a tarifa de 50% já em vigor desde agosto, o Brasil exportou 3,5 milhões de toneladas de carne bovina e faturou US$ 18 bilhões. Recorde histórico, alta de 42,5% em valor sobre 2024. Como? Porque o país vende hoje para cerca de 160 mercados, e a perda relativa de participação dos EUA (de 8,1% para 7,3%) foi mais que compensada pela China, pelo Egito, pelos Emirados e por dezenas de outros compradores. O tarifaço chegou e o recorde veio junto.

Este é o ponto metodológico decisivo. Mesmo quando um produto é atingido, o estrago se dilui, porque o exportador brasileiro já não depende de um único cliente. É o oposto do que ocorreria há vinte anos, quando os EUA eram parceiro hegemônico.

Os dois setores onde o tarifaço realmente dói

Seria desonesto negar que há dor. Há, sim, e concentrada. O setor de calçados é o caso mais claro. A Abicalçados avisou que uma tarifa de 50% “inviabilizaria as exportações” para os EUA, e os dados de agosto de 2025 já mostravam queda de 17,6% em volume, com recuo de quase 30% projetado para setembro. Os EUA representam mais de 20% das exportações brasileiras de calçados, embora o Brasil ocupe apenas 0,5% do mercado importador americano. Tarifa combinada passa de 40%.

O outro caso, menos conhecido mas mais dramático, é o do mel orgânico. Na própria audiência do USTR, a Sweet Harvest Foods, a maior operação de apicultura dos EUA, explicou que 85% do mel orgânico consumido pelos americanos vem do Brasil ou da Índia, e que não existe substituto comercialmente viável para produzir mel orgânico em solo americano. Cada dólar gasto importando gera cerca de US$ 5,50 em atividade econômica nos EUA. Mesmo assim, o mel não foi isentado, e a tarifa combinada ultrapassa 40%. As exportações de mel orgânico do Piauí (Casa Apis) para os EUA foram suspensas.

A ironia é cruel. A tarifa pune exatamente o produto que os americanos não conseguem fazer. É a prova de que o tarifaço não é uma política técnica, é um instrumento político, como o próprio economista Gustavo Pessoa, da FGV, afirmou após depor no painel do Pix.

O movimento de fundo: a fatia americana derrete

A soma de todos esses produtos conta uma história única. Mesmo com a tarifa de 50% e a ameaça dos 25% adicionais da Seção 301, o que se vê é uma queda livre paciente da importância dos Estados Unidos no comércio brasileiro. Os dados mais recentes, divulgados em 7 de julho pelo MDIC e pela Amcham Brasil, mostram a participação de cada país no total das exportações brasileiras no primeiro semestre de 2026.

Participação de EUA e China no total das exportações brasileiras. Fonte: Amcham
Participação de EUA e China no total das exportações brasileiras. Fonte: Amcham Brasil/MDIC-Secex, divulgado em 07/07/2026.

Os EUA caíram de 12,1% no primeiro semestre de 2025 para 9,4% no mesmo período de 2026. É a mínima histórica da série iniciada em 1997. A China foi no sentido oposto, de 28,9% para 31,5%, o maior percentual desde 2021. Cada lado moveu quase 3 pontos percentuais. A China ganhou, em participação, praticamente o que os EUA perderam.

No acumulado do semestre, o Brasil exportou US$ 17,4 bilhões aos EUA (queda de 13% sobre o ano anterior) e US$ 58,3 bilhões à China (alta de 21,9%). Pela primeira vez em anos, a balança comercial com os Estados Unidos fechou em déficit, de US$ 1,5 bilhão, enquanto com a China o superávit foi de US$ 19,8 bilhões.

Houve um único respiro. Em junho de 2026 as exportações para os EUA cresceram 3,7%, a primeira alta desde julho de 2025, antes do tarifaço. Mas a alta veio puxada por preço, não por volume. O preço médio dos produtos exportados subiu 11%, enquanto a quantidade embarcada ainda caiu 6,6%.

Em São Paulo, o estado mais industrializado do país, a China ultrapassou os EUA em 2025 (US$ 30,7 bilhões contra US$ 27,3 bilhões). O padrão é inequívoco. Cada vez que Washington recua, vários compradores no Oriente e no Sul Global avançam. É diversificação real, não desvio temporário.

A rendição de Flávio em Washington

Toda essa resiliência, construída por técnicos do Itamaraty, do Banco Central, por empresários que diversificaram mercados e por milhões de trabalhadores, teve um oponente inesperado na terça-feira. O próprio pré-candidato da extrema direita que diz querer governar o Brasil.

Flávio Bolsonaro foi a Washington depor contra o tarifaço, segundo a narrativa que vendeu à imprensa. Mas o documento que entregou ao USTR conta outra história. Segundo reportagem da Reuters, em sua submissão de 86 páginas o senador fez uma concessão política colossal. Propôs legislação para proibir a interconexão do Pix com sistemas de compensação transfronteiriça “não-ocidentais”, ou seja, aceitar isolar o Pix das redes ligadas aos BRICS e às alternativas ao dólar.

Na linguagem diplomática, isso se chama “sinal decisivo a Washington”. Na linguagem correta, chama-se entregar o Pix. Flávio reconheceu, perante as autoridades americanas, a acusação central do USTR, a de que o Banco Central atua simultaneamente como dono e operador do sistema, e, em vez de defendê-la, ofereceu como moeda de troca a soberania do pagamento instantâneo mais bem-sucedido do mundo.

O presidente Lula reagiu com a claridade que o tema exige. “O Pix é uma conquista brasileira e não vamos abrir mão dele.” A plataforma criada no governo Bolsonaro pai virou, na caneta do filho, mercadoria de negociação com Trump.

E há mais. Na audiência, Flávio chegou acompanhado do irmão Eduardo e de três assessores, filmando e fotografando dentro do prédio onde gravações são proibidas, até ser repreendido pela presidência da mesa. Na saída, pediu para escapar pela garagem, fugindo dos repórteres. E admitiu, diante das autoridades americanas, que as tarifas podem prejudicar sua campanha por favorecerem politicamente Lula, transformando uma audiência comercial em palanque eleitoral.

Quando até o mercado financeiro, que torce contra Lula, classificou a atuação do senador como inócua e frustrante, e quando o articulador bolsonarista Paulo Figueiredo, confesso promotor das sanções contra o próprio país, chamou de “desgraçada” a comunicação da campanha, o vexame é completo.

A decisão final e o saldo

O USTR tem até 15 de julho para tomar a ação responsiva, e até 29 de novembro para a determinação completa. Economistas estimam impacto de cerca de US$ 8,4 bilhões ao Brasil, e a CNI alerta que mais de 4 mil produtos podem ser afetados. Nada disso é desprezível, e os setores de calçados e mel orgânico sentirão a dor de verdade.

Mas o saldo estratégico é nítido. O Brasil entra no confronto com Washington com o comércio exterior maior, mais diversificado e menos dependente de um único comprador do que em qualquer outro momento de sua história. A fatia americana derrete, a chinesa cresce, e uma constelação de mercados emergentes entra no lugar. O Pix segue intacto como patrimônio nacional, apesar da tentativa de um pré-candidato de entregá-lo.

Trump pode assinar a tarifa. O Brasil, no agregado, já a absorveu. Venceu o debate econômico apesar de Flávio Bolsonaro, não graças a ele.

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