Redação - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/redacao/ Portal de noticias e análises sobre política brasileira, geopolítica, economia, tecnologia, sempre numa perspectiva democrática, progressista, anti-imperialista e multipolar! Thu, 09 Jul 2026 10:00:23 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://www.ocafezinho.com/wp-content/uploads/2015/10/cropped-Logo_Cafezinho_tmb-32x32.png Redação - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/redacao/ 32 32 Brasil já venceu o tarifaço — Parte 3: a ampliação de mercados https://www.ocafezinho.com/2026/07/08/brasil-ja-venceu-o-tarifaco-parte-3-a-ampliacao-de-mercados/ https://www.ocafezinho.com/2026/07/08/brasil-ja-venceu-o-tarifaco-parte-3-a-ampliacao-de-mercados/#respond Wed, 08 Jul 2026 21:41:06 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=261425 Nas duas primeiras partes desta série, acompanhamos a escalada da ameaça tarifária dos Estados Unidos contra o Brasil — do anúncio da tarifa de 25% (depois 50%) sobre produtos brasileiros até a longa lista de exceções que poupou café, carnes, celulose, petróleo, aeronaves da Embraer e até suco de laranja. Chegou a hora de fechar o balanço com os dados duros. E o veredito dos números é claro: o tarifaço pode ter causado dor real a setores específicos, mas o Brasil, no agregado, superou a tempestade — e saiu dela com o comércio exterior maior, mais diversificado e menos dependente de Washington do que entrou.

É a tese que sustenta esta série desde a Parte 1, e que os números confirmam sem ambiguidade: as exportações brasileiras no total cresceram. Na janela dos últimos 50 meses (dezembro/2021 a abril/2026), a exportação mensal média do Brasil saltou de US$ 19,6 bilhões para US$ 29,9 bilhões — alta de +52,7%. Em valores acumulados em 12 meses, o país passou de US$ 234,8 bilhões para US$ 358,6 bilhões exportados por ano. A corrente de comércio (exportações + importações) cresceu +46,6%, passando de US$ 446,2 bilhões para US$ 654,2 bilhões acumulados em 12 meses.

Para esta análise, compilamos 64 meses de dados oficiais de comércio exterior na API da ONU Comtrade — a base estatística das Nações Unidas — e trabalhamos com média móvel mensal de 12 meses (mm12m), mês a mês. Importante: todos os valores que aparecem a seguir são médias mensais (a média móvel dá, para cada mês, a média dos últimos 12); quando citamos o acumulado em 12 meses, isso fica explícito. A janela de observação são os últimos 50 meses.

Lembrete metodológico: corrente de comércio = exportações + importações; média móvel mensal de 12 meses, em valores correntes de US$ bilhões por mês. Sempre que aparecer “por mês”, trata-se da média móvel; quando for “acumulado 12 meses”, estará indicado.

O gráfico que conta toda a história

Antes dos números, olhe para a curva. É o resumo visual de tudo o que aconteceu com os dois maiores parceiros do Brasil:

Corrente de comércio do Brasil com China e Estados Unidos — média móvel 12 meses
Corrente de comércio do Brasil com a China (vermelho) e os Estados Unidos (azul-escuro). Média móvel mensal de 12 meses, em US$ bilhões/mês. Últimos 50 meses. Fonte: UN Comtrade / Elaboração O Cafezinho.

Há duas histórias em uma só imagem:

  • A China subiu, e subiu muito. A corrente de comércio Brasil-China saltou de cerca de US$ 8,5 bi para quase US$ 13,3 bi por mês — um avanço de +25,3% em quatro anos. Acumulado em 12 meses: de cerca de US$ 102 bi para US$ 159 bi.
  • Os Estados Unidos recuaram. Foram a única relação entre os grandes parceiros a encolher: de US$ 5,24 bi para US$ 4,79 bi por mês — uma queda de −8,6%. Acumulado em 12 meses: de US$ 62,9 bi para US$ 57,5 bi.

E note o detalhe decisivo: enquanto a curva chinesa dispara, a americana afina e cai. O abismo entre as duas só faz crescer — e é exatamente este o ponto. O tarifaço não esmagou o comércio exterior do Brasil; apenas redirecionou o seu fluxo para longe dos Estados Unidos.

A pergunta central: quanto os EUA representam hoje?

Se o tarifaço funcionasse, esperaríamos ver a importância dos Estados Unidos nas exportações brasileiras cair — e é exatamente o que os números mostram, em uma queda livre paciente e contínua. Comparemos três momentos distintos, sempre em participação sobre o total exportado pelo Brasil (média móvel mensal de 12 meses):

Parceiro Há 50 meses Há 1 ano Hoje (abr/2026) Variação
Estados Unidos 12,36% 12,34% 10,01% −2,35 p.p.
China 26,37% 26,92% 29,95% +3,58 p.p.

Os Estados Unidos perderam mais de 2,3 pontos percentuais de participação nas exportações brasileiras em quatro anos. Para ler sem rodeios: hoje, para cada US$ 1 que o Brasil vende aos Estados Unidos, vende quase US$ 3 para a China. Há 50 meses essa razão era de pouco menos de 1 para 2. A assimetria só faz crescer.

E atenção ao dado que mais importa para a tese desta série: as vendas para os Estados Unidos até cresceram em valor absoluto (+23,7%) — mas cresceram muito menos que o total exportado pelo Brasil (+52,7%). Por isso a participação americana cai. Em outras palavras, mesmo quando o bolo quase dobrou, a fatia dos EUA encolheu. O resto foi todo para outros compradores.

Quem está entrando no lugar dos EUA? Os novos mercados

Aqui está o achado que mais reforça a tese: quem está ganhando o espaço deixado pela retração americana não é apenas a China, mas uma constelação de economias emergentes da Ásia e do Oriente Médio. Vejamos país a país, com dados de exportação brasileira em média móvel mensal de 12 meses — o contraste entre “há 50 meses” e “agora” é a prova de que o Brasil está encontrando novos clientes:

Filipinas — o caso mais eloquente

Há 50 meses, as Filipinas compravam do Brasil cerca de US$ 89 milhões por mês (0,46% das exportações brasileiras; acumulado em 12 meses de US$ 1,07 bilhão). Hoje, compram US$ 211 milhões por mês (0,71% do total; acumulado em 12 meses de US$ 2,53 bilhões). É um salto de +135,7% no valor exportado. Um mercado que era residual tornou-se relevante — e o fez exatamente enquanto os Estados Unidos recuavam.

Egito — mais que dobrou

O Egito passou de US$ 137 milhões/mês há 50 meses para US$ 334 milhões/mês agora — alta de +144,1%. Em acumulado 12 meses, saiu de US$ 1,64 bilhão para US$ 4,01 bilhões. A participação nas exportações brasileiras subiu de 0,70% para 1,12%.

Iraque — multiplicou por oito

O caso mais extremo. Há 50 meses o Iraque comprava do Brasil apenas US$ 15 milhões/mês (0,08% do total; acumulado 12 meses de US$ 180 milhões). Hoje absorve US$ 116 milhões/mês (0,39% do total; acumulado 12 meses de US$ 1,39 bilhão). Uma variação de +671% — quase oito vezes mais. Um país quase invisível na pauta brasileira tornou-se comprador de mais de um bilhão de dólares por ano.

China — o gigante que cresceu ainda mais

Para comparação de escala: a China passou de US$ 5,16 bilhões/mês há 50 meses para US$ 8,95 bilhões/mês agora (+73,5%). Acumulado em 12 meses: de US$ 61,9 bilhões para US$ 107,4 bilhões exportados. Sozinha, a China absorve hoje quase 30% de tudo o que o Brasil vende ao mundo.

O padrão é inequívoco: cada vez que os Estados Unidos recuam, vários compradores no Oriente e no Sul avançam. Bangladesh, Turquia, Indonésia, Emirados Árabes e outros seguem a mesma trajetória ascendente. O Brasil está, de fato, diversificando — não apenas desviando vendas temporariamente.

A prova do crime: o que aconteceu produto a produto

Até aqui vimos o agregado. Mas a parte mais reveladora está num cruzamento por produto. A indústria dizia que o tarifaço destruiria exportações-chave. Para os produtos efetivamente ameaçados, os dados confirmam que houve queda para os EUA — mas, em vez de evaporar, a venda foi redirecionada para outros compradores. Para os produtos preservados pela lista de exceções, o comércio floresceu.

Caso 1 — Aço semiacabado (HS 7207): o alvo perfeito

O aço semiacabado foi talvez o produto mais citado como “na mira” da tarifa. Os números não mentem: as vendas para os Estados Unidos despencaram 39,2% na média móvel mensal de 12 meses (de US$ 326 milhões para US$ 198 milhões por mês). Mas veja para onde esse aço foi:

Destino do aço semiacabado Variação (50 meses)
Estados Unidos −39,2%
França +318,1%
Polônia +178,0%
Espanha +244,1%
Alemanha +92,2%
Peru +53,5%

O aço que saiu dos EUA não sumiu — mudou de porto. A Europa (França, Polônia, Espanha, Alemanha) absorveu o que Washington deixou de comprar. É o redirecionamento comercial em estado puro, capturado em dado mensal.

Caso 2 — Etanol: a vingança silenciosa

O etanol foi o epicentro simbólico da briga — os EUA reclamavam da tarifa brasileira de 18% sobre o produto americano. Pois bem: a venda de etanol do Brasil para os EUA caiu pela metade (−53,3%) na média móvel mensal de 12 meses. E quem apareceu para comprar? A Holanda, porta de entrada europeia, com alta de +32,5%.

Caso 3 — Suco de laranja e alumínio: a recompensa da isenção

Aqui a história se inverte — e isso é crucial para o argumento. O suco de laranja, preservado na lista de exceções do USTR (junto com café, carnes e celulose), não só resistiu como disparou para os EUA: +174,1% na média móvel mensal de 12 meses (de US$ 40 milhões para US$ 109 milhões por mês). O mesmo com o alumínio, que subiu +91,7% para os Estados Unidos.

Produto Status na lista Variação para os EUA
Aço semiacabado ameaçado −39,2%
Etanol ameaçado −53,3%
Suco de laranja isento +174,1%
Alumínio isento +91,7%
Café isento +16,9%

A correlação é quase cirúrgica: produtos na mira da tarifa, caíram para os EUA; produtos poupados, prosperaram. Mas — e este é o ponto central do artigo — mesmo os que caíram para os EUA encontraram outros compradores e não se perderam no caminho.

A grande síntese: o Brasil aprendeu a não depender de um só cliente

Junte todas as peças e o quadro que se forma é inequívoco:

  1. As exportações totais do Brasil cresceram 52,7% em quatro anos — passando de US$ 234,8 bi para US$ 358,6 bi acumulados em 12 meses.
  2. A corrente de comércio total cresceu 46,6% — de US$ 446,2 bi para US$ 654,2 bi acumulados em 12 meses.
  3. A relação com os EUA foi a única, entre os grandes parceiros, a encolher (−8,6% na corrente de comércio mensal).
  4. A participação americana nas exportações brasileiras caiu de 12,36% para 10,01% — o nível mais baixo da série analisada.
  5. Uma constelação de novos mercados emergiu — Filipinas (+135,7%), Egito (+144,1%), Iraque (+671%), Bangladesh, Turquia, Indonésia, Emirados — demonstrando diversificação real, não mero desvio temporário.
  6. Produtos efetivamente tarifados foram redirecionados (aço → Europa; etanol → Holanda), enquanto produtos poupados pela lista de exceções (suco, café, alumínio) floresceram com os EUA.

O tarifaço, portanto, não destruiu a pauta brasileira — reordenou a sua geografia. Os setores que dependerem exclusivamente do mercado americano sentiram (e ainda podem sentir) o golpe. Para o país como um todo, porém, a conclusão é a oposta: o comércio exterior é hoje maior, mais diversificado e mais resiliente do que antes da guerra tarifária.

O que vem agora

Há, é claro, riscos a vigiar. Os Estados Unidos ainda ensaiam uma “segunda lista de exceções” e novos pacotes tarifários podem mirar produtos hoje protegidos. Setores específicos — sobretudo a siderurgia e o complexo sucroalcooleiro — seguirão pressionados. Mas a lição macro dos 50 meses é clara: cada vez que uma porta se fecha no Norte, várias se abrem no Oriente e no Sul.

O Brasil não “venceu” o tarifaço no sentido de ter saído ileso — houve baixas reais em fábricas e lavouras específicas. Mas venceu no sentido que realmente importa para um país: manteve o seu comércio crescendo, diversificou parceiros e reduziu a própria vulnerabilidade. E, no jogo longo da economia, isso é o mais próximo de uma vitória que se pode obter.

 

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China anuncia nova geração de bateria nuclear autossuficiente em carbono https://www.ocafezinho.com/2026/07/08/china-anuncia-nova-geracao-de-bateria-nuclear-autossuficiente-em-carbono/ https://www.ocafezinho.com/2026/07/08/china-anuncia-nova-geracao-de-bateria-nuclear-autossuficiente-em-carbono/#comments Wed, 08 Jul 2026 18:34:10 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=261421 9 Comentários 🔥]]> Pesquisadores chineses apresentaram nesta terça-feira (7) uma nova versão de bateria nuclear que promete durar milhares de anos sem necessidade de recarga. O dispositivo, batizado de Qianjiyuan Tianshu, foi desenvolvido pela Universidade Normal do Noroeste da China em parceria com a empresa Gansu Zhulong Technology, e a equipe responsável afirma que ele foi construído inteiramente com tecnologia e componentes nacionais, sem depender de fornecedores estrangeiros.

Um salto de geração — mas ainda em microwatts

O novo protótipo é a evolução direta do Candle Dragon-I (ou Zhulong-1), primeira versão da bateria apresentada pela mesma equipe em novembro de 2024. Segundo os pesquisadores, a nova geração reduziu o uso de material radioativo para apenas 22% do necessário na versão anterior, ao mesmo tempo em que multiplicou por 2,5 vezes a corrente de curto-circuito e por 2,6 vezes a potência máxima do dispositivo — mantendo a mesma tensão e estabilidade. O volume efetivo do equipamento também encolheu para 17% do tamanho original, o que elevou em 15,5 vezes a densidade de potência por volume.

O físico Su Maogen, que lidera o projeto na Universidade Normal do Noroeste, explicou que o carbono-14 usado como fonte de energia tem meia-vida de 5.730 anos, o que dá à bateria uma expectativa teórica de funcionamento medida em milênios. Segundo ele, o dispositivo opera de forma confiável em temperaturas que vão de -100°C a 200°C, o que abriria caminho para uso em implantes médicos, expedições polares, exploração das profundezas oceânicas e aplicações aeroespaciais e de defesa.

Um campo que a China não inaugurou — e no qual não está sozinha

Vale contextualizar o anúncio dentro de uma corrida tecnológica que já dura alguns anos e da qual a China é apenas uma das protagonistas. A startup chinesa Betavolt já havia apresentado, em janeiro de 2024, um protótipo de bateria nuclear à base de níquel-63 encapsulado em semicondutor de diamante, com potência declarada de 100 microwatts e vida útil estimada em 50 anos — mesma faixa de potência que caracteriza esse tipo de tecnologia até hoje. No Reino Unido, pesquisadores da Universidade de Bristol fundaram, em 2020, a empresa Arkenlight para desenvolver uma abordagem semelhante, extraindo carbono-14 de grafite irradiado proveniente de usinas nucleares desativadas — o mesmo isótopo usado agora pela equipe chinesa. Na Coreia do Sul, o Instituto de Ciência e Tecnologia de Daegu Gyeongbuk também apresentou, em 2025, uma bateria betavoltaica de alta eficiência baseada no mesmo princípio.

O que a empolgação do anúncio não deixa claro

É aqui que vale um exercício de cautela editorial, comum quando a cobertura de tecnologia depende quase inteiramente do comunicado da própria equipe de pesquisa. Baterias nucleares desse tipo — chamadas tecnicamente de betavoltaicas — convertem a energia da radiação beta emitida por um isótopo radioativo em eletricidade, por meio de um semicondutor. O princípio é conhecido desde os anos 1950 e já é usado, em versões bem mais robustas (os chamados geradores termoelétricos de radioisótopos), em sondas espaciais como as sondas Voyager e o rover Curiosity, da Nasa.

O que ainda falta a essa nova geração de baterias em miniatura, chinesas ou não, é justamente o que os próprios pesquisadores do setor reconhecem: densidade de potência muito baixa. Até as versões mais avançadas apresentadas por Betavolt, Arkenlight e outros grupos internacionais operam na faixa de microwatts — energia suficiente para sensores minúsculos, chips de baixíssimo consumo ou pulsos de LED, mas incapaz, com a tecnologia atual, de alimentar algo tão simples quanto um smartphone ou um notebook. Um teste divulgado por outro grupo que trabalha com carbono-14 mostrou uma lâmpada de LED operando por apenas quatro meses com pouco mais de 35 mil pulsos de luz — uma demonstração de conceito, não de aplicação prática imediata.

O verdadeiro diferencial do anúncio chinês

O ponto mais consistente do anúncio talvez não seja o desempenho da bateria em si, mas a cadeia de suprimento por trás dela. A China vinha historicamente dependendo de importações de carbono-14 de países como Canadá, África do Sul, Rússia e Austrália. Desde o ano passado, o país iniciou produção em escala comercial do isótopo em um reator nuclear em Zhejiang — o que, mais do que qualquer ganho de potência, é o que sustenta a alegação de autossuficiência tecnológica destacada pelos pesquisadores chineses nesta nova versão.

Trata-se, portanto, de um avanço real dentro de um nicho ainda estritamente experimental — mas que segue distante das promessas mais ambiciosas de “energia nuclear no bolso” que costumam acompanhar esse tipo de anúncio. Aplicações de fato transformadoras, como marca-passos ou interfaces cérebro-computador alimentados por décadas sem troca de bateria, seguem no campo do “potencial futuro” mencionado pelos próprios cientistas — não do produto pronto para uso.

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Operação nacional contra facções cumpre 274 mandados em 16 estados https://www.ocafezinho.com/2026/07/08/operacao-nacional-contra-faccoes-cumpre-274-mandados-em-16-estados/ https://www.ocafezinho.com/2026/07/08/operacao-nacional-contra-faccoes-cumpre-274-mandados-em-16-estados/#respond Wed, 08 Jul 2026 18:03:45 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=261417 As Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (Ficcos) deflagraram, nesta quarta-feira (8), uma operação para executar 274 mandados judiciais expedidos contra suspeitos de integrar facções criminosas em 16 estados brasileiros.

Os policiais cumprem medidas judiciais relacionadas à atuação de organizações criminosas, ao tráfico de drogas, de armas e lavagem de dinheiro.

De acordo com a Polícia Federal (PF), são 181 mandados de busca e apreensão, 93 de prisão, além de outras medidas cautelares autorizadas pelo Poder Judiciário.

As Ficcos são forças-tarefas permanentes, criadas pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública e coordenadas pela Polícia Federal (PF).

Operam em diferentes unidades da federação como grupos operacionais integrados e reúnem representantes de forças de segurança federais (Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e Polícia Penal Federal) e estaduais (polícias Civil e Militar).

Batizada nacionalmente de Operação Força Integrada III, a ação simultânea contra a atuação de organizações criminosas recebeu outros nomes em cada localidade onde os mandados estão sendo executados:

  • Macapá/AP: Operação Zip Lock – São cumpridos dois mandados de busca e apreensão em endereços localizados nos estados do Amapá e do Pará, além de outras medidas cautelares autorizadas pela Justiça, em investigação relacionada ao tráfico de drogas e à atuação de organização criminosa.
  • Rio Branco/AC: 2ª fase da Operação Ruptura – É cumprido um mandado de busca e apreensão em Rio Branco, em investigação relacionada à atuação de organização criminosa e ao tráfico de drogas.
  • Manaus/AM: Operação Torre 8 – São cumpridos dois mandados de busca e apreensão em Manaus, em investigação sobre tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.
  • Fortaleza/CE: Operação Conexão Amazônia – São cumpridos 16 mandados de busca e apreensão nos estados do Ceará, Pernambuco, Pará e Amazonas, além de medidas de sequestro de bens e bloqueio patrimonial, em investigação relacionada ao tráfico interestadual de drogas e à lavagem de dinheiro.
  • Goiânia/GO: Operação Blend – São cumpridos sete mandados de busca e apreensão nos estados de Goiás, Mato Grosso e São Paulo, em investigação sobre fornecimento e distribuição de insumos químicos utilizados na adulteração de entorpecentes.
  • São Luís/MA: Operação Thálassa – São cumpridos dois mandados de prisão preventiva e dois de busca e apreensão, em investigação relacionada à atuação de organização criminosa.
  • Campo Grande/MS: Operação Mandamus – São cumpridos três mandados de prisão preventiva em Campo Grande, em investigação relacionada ao tráfico de drogas e à atuação de organização criminosa.
  • Belo Horizonte/MG: Operação Borak – São cumpridos dez mandados de prisão e 17 de busca e apreensão em Belo Horizonte, em investigação sobre organização criminosa relacionada ao tráfico de drogas, a homicídios e à posse ou porte ilegal de arma de fogo. Também foi determinada a retirada de câmeras de vigilância instaladas irregularmente em vias públicas.
  • Uberaba/MG: Operação Conexão – São cumpridos dois mandados de prisão e três de busca e apreensão nas cidades de Uberaba/MG e de Uberlândia/MG, em investigação sobre organização criminosa relacionada ao tráfico de drogas.
  • Belém/PA: Operação Coalizão – COP VIII – São cumpridos 32 mandados de prisão preventiva e 32 de busca e apreensão em investigação relacionada à atuação de organização criminosa.
  • João Pessoa/PB: Operação Consigliere – São cumpridos 46 mandados de busca e apreensão e 13 de prisão preventiva na Paraíba, em Mato Grosso do Sul e em São Paulo, em investigação sobre organização criminosa, tráfico de drogas e lavagem de capitais.
  • Recife/PE: Operação Non Maneat – É cumprido um mandado de busca e apreensão em Bezerros/PE, em investigação sobre organização criminosa voltada ao tráfico de drogas e armas.
  • Teresina/PI: Operação Contenção – São cumpridos três mandados de busca e apreensão e oito de prisão temporária nos municípios de Luís Correia/PI e de Parnaíba/PI, em investigação relacionada à atuação de organização criminosa, ao tráfico de drogas e a homicídios.
  • Natal/RN: Operação Matriarca – São cumpridos cinco mandados de prisão preventiva e sete de busca e apreensão em Natal/RN, além de medidas de bloqueio e sequestro de bens, em investigação sobre organização criminosa relacionada ao tráfico de drogas e à lavagem de dinheiro.
  •  Mossoró/RN: Operação Busting – São cumpridos 19 mandados de busca e apreensão nos municípios de Mossoró/RN, de Upanema/RN, de Areia Branca/RN e de Serra do Mel/RN, em investigação relacionada à atuação de organização criminosa.
  • Santos/SP: Operação Desatrela – São cumpridos sete mandados de prisão temporária e dez de busca e apreensão no estado de São Paulo, além de medidas de sequestro de bens e valores, em investigação sobre associação criminosa voltada ao roubo de cargas e de caminhões.
  • Operação Argenti Lardum – São cumpridos dez mandados de prisão temporária e dez de busca e apreensão nos estados de São Paulo e do Paraná, além de medidas de bloqueio e sequestro de bens, em investigação sobre organização criminosa relacionada a furtos, a roubos e à receptação de cargas.
  • Operação Rebojo – São cumpridos um mandado de prisão preventiva, dois de busca e apreensão e medida de busca e apreensão de adolescente no município de Ubaitaba/BA, em investigação relacionada à atuação de organização criminosa.

Fonte: Agência Brasil 

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AFA entra na mira do FBI por escândalo bilionário durante a Copa https://www.ocafezinho.com/2026/07/08/afa-entra-na-mira-do-fbi-por-escandalo-bilionario-durante-a-copa/ https://www.ocafezinho.com/2026/07/08/afa-entra-na-mira-do-fbi-por-escandalo-bilionario-durante-a-copa/#comments Wed, 08 Jul 2026 17:18:57 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=261410 12 Comentários 🔥]]> A campanha da Argentina rumo às quartas de final da Copa do Mundo de 2026 corre em paralelo a uma investigação federal americana que pode se tornar o maior escândalo financeiro do futebol sul-americano em anos. O FBI e procuradores do Departamento de Justiça dos Estados Unidos já colhem depoimentos e documentos para apurar se movimentações de mais de US$ 300 milhões (cerca de R$ 1,55 bilhão) feitas pela Associação do Futebol Argentino (AFA) no sistema bancário americano configuram lavagem de dinheiro ou fraude bancária.

O núcleo do esquema: uma empresa de produção teatral administrando milhões do futebol

No centro da apuração está a TourProdEnter LLC, empresa que passou a atuar como intermediária de cobrança dos contratos comerciais internacionais da AFA — incluindo acordos com multinacionais como Adidas (US$ 60 milhões) e Warner (US$ 40 milhões). A companhia é de propriedade de Javier Faroni, produtor teatral argentino sem histórico prévio de atuação no mercado financeiro esportivo, o que já chamava atenção antes mesmo da abertura da investigação.

Segundo reportagem do jornal argentino La Nación, que teve acesso a registros bancários movimentados por contas da TourProdEnter em instituições como Citibank, Bank of America e JP Morgan, a empresa administrou pelo menos US$ 260 milhões em receitas da AFA. Enquanto parte desse volume pôde ser associada a despesas operacionais identificáveis da federação, outros US$ 57 milhões foram distribuídos entre diferentes sociedades e beneficiários sem justificativa econômica aparente na documentação analisada pelo jornal — incluindo repasses a pessoas que, segundo registros oficiais, recebiam benefícios sociais do Estado argentino e residiam em Bariloche ou em Buenos Aires.

O denunciante e o momento da citação

A investigação ganhou tração pública depois que o empresário Guillermo Tofoni — que já havia denunciado formalmente Claudio Tapia e o tesoureiro da AFA, Pablo Toviggino, por suposta fraude — foi ouvido por cerca de três horas em videoconferência por promotores federais e agentes do FBI de Washington e Miami. O momento escolhido para essa oitiva não passou despercebido: ocorreu horas depois de a seleção argentina vencer Cabo Verde por 3 a 2 na prorrogação e avançar de fase no Mundial, enquanto a cúpula da AFA, incluindo o próprio Tapia, acompanhava a delegação nos Estados Unidos.

A investigação, que ganhou força a partir de 2025, é conduzida pelos procuradores Patrick Gushue e Christopher Ting, em Washington, e por Michael Berger, do Distrito Sul da Flórida — este último com histórico relevante na área, tendo atuado na condenação por lavagem de dinheiro do ex-controlador-geral do Equador, Carlos Ramón Polit Faggioni, em Miami. Gushue integra a Unidade de Integridade Bancária do Departamento de Justiça americano, especializada em crimes financeiros complexos.

Tapia já responde à Justiça argentina por outro caso

O episódio não surge isolado no currículo recente do dirigente. Em março, a Justiça argentina já havia processado e determinado o embargo de bens de Tapia e Toviggino por evasão fiscal, apontando omissão sistemática no repasse de impostos retidos — IVA, Imposto de Renda e contribuições previdenciárias — entre agosto e setembro de 2025. O juiz responsável pelo caso, Diego Amarante, rejeitou a defesa apresentada pelos dirigentes e concluiu que a AFA conduziu uma manobra deliberada de apropriação de tributos, mesmo dispondo de liquidez suficiente para honrar as obrigações fiscais. Os embargos impostos somam 1,7 bilhão de pesos argentinos, e Tapia segue proibido de deixar o país — só pôde viajar aos Estados Unidos para acompanhar o Mundial mediante autorização judicial específica.

Curiosamente, ao ser interrogado sobre seu papel na gestão cotidiana da AFA, Tapia argumentou que sua função é predominantemente institucional, alegando ainda ter passado 141 dias fora da Argentina em 2024 e 139 em 2025 — o que, segundo ele, tornaria inviável qualquer participação direta na rotina burocrática da entidade.

A defesa da AFA: investigação não é condenação

Procurada, a AFA não se manifestou oficialmente sobre o caso até o momento. Mas Tomás Regalado, apresentado como embaixador da entidade para a América do Norte, já saiu em defesa da federação durante um fórum sobre futebol, corrupção e justiça realizado em Miami — o mesmo evento, batizado de “AFAgate”, que reuniu jornalistas investigativos e especialistas em transparência para discutir o caso. Segundo Regalado, as medidas de investigação por si só não determinam responsabilidade nem culpabilidade.

Um caso que ainda está só começando

Até aqui, nem o FBI nem o Departamento de Justiça dos Estados Unidos confirmaram oficialmente a abertura de um processo criminal formal contra a AFA ou seus dirigentes — a fase atual é de coleta de documentos, análise de movimentações bancárias e depoimentos de testemunhas. Investigadores americanos já avaliam, inclusive, convocar ex-funcionários do governo de Javier Milei que tiveram acesso a informações sensíveis sobre a AFA ou supervisionaram suas operações nos últimos anos — o que pode ampliar o alcance político do caso para além do próprio futebol argentino.

O que já está claro é o contraste que a Copa do Mundo escancara: enquanto a Seleção de Lionel Scaloni segue avançando dentro de campo, a cúpula que a comanda institucionalmente enfrenta, ao mesmo tempo, uma investigação fiscal doméstica e outra, mais recente e potencialmente mais grave, sob jurisdição direta dos Estados Unidos — justamente o país que sedia o torneio.

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FMI eleva projeção do Brasil para 2,4% em 2026 https://www.ocafezinho.com/2026/07/08/fmi-eleva-projecao-do-brasil-para-24-em-2026/ https://www.ocafezinho.com/2026/07/08/fmi-eleva-projecao-do-brasil-para-24-em-2026/#comments Wed, 08 Jul 2026 14:20:37 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=261403 12 Comentários 🔥]]> O Fundo Monetário Internacional (FMI) elevou nesta quarta-feira (8) sua projeção de crescimento para a economia brasileira em 2026, de 1,9% para 2,4% — meio ponto percentual de melhora em relação ao relatório anterior, divulgado em abril. O novo número consta do relatório Perspectivas da Economia Mundial (World Economic Outlook), e chega num contexto em que o próprio Fundo reduziu a expectativa para o crescimento da economia global, hoje projetada em 3%, ante 3,1% na rodada de abril.

Uma trajetória que também conta uma história

O dado de hoje ganha mais sentido quando colocado ao lado das duas revisões anteriores do próprio FMI para o Brasil neste mesmo ciclo. Em janeiro, o Fundo havia cortado a estimativa para 1,6%, atribuindo o corte principalmente à política monetária restritiva adotada pelo Banco Central para conter a inflação — a Selic, hoje em 15% ao ano, a maior taxa básica de juros do país em quase duas décadas. Em abril, em meio à escalada do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã, o FMI reviu a projeção brasileira para cima, para 1,9%, justamente por avaliar que o Brasil, como exportador líquido de commodities energéticas, tenderia a se beneficiar da alta do petróleo provocada pela guerra, enquanto boa parte do mundo sofreria o efeito inverso.

Agora, com o novo salto para 2,4%, o Brasil aparece novamente entre os poucos países com revisão positiva num cenário global mais cauteloso — uma melhora que o próprio ministro da Fazenda, Dario Durigan, já havia adiantado durante um fórum econômico no BNDES na semana passada, antes mesmo da confirmação oficial do Fundo.

O que está por trás da cautela global

O tom mais reservado do FMI em relação à economia mundial reflete diretamente os efeitos da guerra entre Estados Unidos e Irã sobre preços de energia, cadeias produtivas e confiança dos mercados. Segundo o Fundo, tensões geopolíticas continuam pressionando decisões de investimento e ampliando a volatilidade nos mercados internacionais — e o relatório foi fechado antes mesmo de uma nova declaração de Donald Trump sobre um possível fim do cessar-fogo com o Irã, o que pode adicionar ainda mais instabilidade ao quadro nos próximos meses. Na prática, o principal ativo que sustenta a melhora brasileira é uma vulnerabilidade alheia: quanto mais a guerra pressiona o preço do petróleo, mais o Brasil, como produtor e exportador da commodity, tende a colher o efeito colateral positivo — um tipo de “sorte” que depende inteiramente de uma tragédia geopolítica continuar ocorrendo em outro lugar do mundo.

O que os números não dizem sozinhos

Vale contextualizar o outro lado da equação, que o comunicado oficial não menciona: o próprio FMI vem, em relatórios recentes, apontando para uma trajetória de alta da dívida bruta brasileira, projetada para saltar de 87,3% do PIB em 2024 para 91,4% neste ano — um indicador que segue sob monitoramento de investidores e agências de risco, e que tende a pesar nas discussões sobre a sustentabilidade fiscal do país nos próximos anos, independentemente do desempenho pontual do PIB.

Também merece nota que a melhora nas projeções do Fundo para o Brasil, embora real, ainda deixa o país com ritmo de expansão mais moderado do que a média das economias emergentes: o FMI projeta crescimento de 4,2% para o conjunto de economias emergentes e em desenvolvimento neste ano — quase o dobro da nova estimativa brasileira —, com destaque para a China, cuja expansão prevista gira em torno de 4,4%.

Uma boa notícia real, mas que exige leitura sem excesso de entusiasmo

A elevação da projeção do FMI é, sim, um dado positivo para o governo Lula (PT), que já vinha sinalizando otimismo com o desempenho da economia em 2026 — reforçado, na mesma semana, pela revisão para cima nas vendas de veículos feita pela Anfavea. Mas a trajetória de vaivém das próprias estimativas do Fundo ao longo do ano — corte em janeiro por causa dos juros, alta em abril por causa da guerra, nova alta agora — é também um lembrete de que essas projeções são fotografias de um momento particularmente volátil, sujeitas a revisão a cada poucos meses conforme a guerra no Oriente Médio, o custo do crédito interno e o cenário fiscal brasileiro evoluam. Tratar o número de hoje como veredito definitivo sobre a saúde da economia brasileira seria ignorar exatamente o padrão que os últimos dois relatórios do próprio FMI acabaram de demonstrar.

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Indústria automotiva projeta melhor ano desde 2014 — mas alerta que parte da recuperação está escapando para fora do país https://www.ocafezinho.com/2026/07/08/industria-automotiva-projeta-melhor-ano-desde-2014-mas-alerta-que-parte-da-recuperacao-esta-escapando-para-fora-do-pais/ https://www.ocafezinho.com/2026/07/08/industria-automotiva-projeta-melhor-ano-desde-2014-mas-alerta-que-parte-da-recuperacao-esta-escapando-para-fora-do-pais/#comments Wed, 08 Jul 2026 13:18:26 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=261401 12 Comentários 🔥]]> A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) revisou nesta terça-feira (7) suas projeções para 2026, e o novo cenário é o mais otimista em mais de uma década: a entidade passou a estimar 3,01 milhões de veículos vendidos no Brasil neste ano, alta de 12,1% sobre 2025 e o melhor resultado desde 2014. A revisão é expressiva mesmo para os padrões do setor — em janeiro, a própria Anfavea previa crescimento de apenas 2,7%, quase cinco vezes menor que o número atual.

Carros puxam a alta, caminhões seguem no vermelho

O motor da recuperação é claramente o segmento de veículos leves — automóveis e comerciais leves —, que deve crescer 13% em 2026. Já o mercado de veículos pesados, sobretudo caminhões, caminha na direção oposta, com retração projetada de 6% no ano, evidenciando que o aquecimento da economia tem beneficiado muito mais o consumo das famílias do que o investimento produtivo das empresas, que costuma se refletir primeiro na renovação de frotas de transporte de carga.

A produção nacional também foi revisada para cima, de uma expectativa de alta de 3,7% para 5,8% — o equivalente a 2,80 milhões de veículos fabricados no país, o melhor volume desde 2019. Os números do primeiro semestre já confirmam a tendência: a produção cresceu 8,8% entre janeiro e junho ante o mesmo período de 2025, e os emplacamentos avançaram 18,5% na mesma comparação.

O papel do Move Brasil — e por que não deve ter uma terceira fase

Parte relevante desse desempenho é atribuída pela própria Anfavea às duas etapas do Move Brasil, programa federal de financiamento para que profissionais do transporte troquem veículos antigos por modelos novos e mais eficientes. O presidente da entidade, Igor Calvet, no entanto, foi direto ao afastar a expectativa de uma terceira rodada do programa: segundo ele, fontes do próprio governo já sinalizaram que não há espaço fiscal nem político para um “Move 3” em ano eleitoral.

O outro lado da moeda: mercado aquecido, mas com déficit comercial

É aqui que o retrato deixa de ser só comemoração e ganha uma camada mais incômoda para a indústria nacional. Calvet reconheceu que parte do aquecimento do mercado interno não está sendo capturada pela produção brasileira, e sim pelo avanço das importações — fenômeno que ele atribuiu a alíquotas de importação abaixo da média mundial e à isenção de Imposto de Importação para veículos eletrificados montados no sistema SKD (semidesmontados).

O resultado prático já apareceu na balança comercial do setor: entre janeiro e junho, o Brasil importou 280,6 mil veículos, contra exportações de 216,6 mil no mesmo período — um déficit de cerca de 63 mil unidades que devolve o setor automotivo brasileiro a um patamar de dependência externa que não se via há anos. A China concentrou aproximadamente metade de todos os veículos importados no semestre, e o volume de carros chineses vendidos no Brasil dobrou em um único ano, saltando de cerca de 70 mil para 140 mil unidades — impulsionado sobretudo pelo mercado de eletrificados, hoje o segmento que mais cresce dentro do setor, com alta de mais de 70% nas importações no acumulado do ano.

Exportações seguem patinando

Do lado externo, o cenário é de queda mais acentuada do que o previsto originalmente: a Anfavea agora projeta recuo de 12,8% nas exportações em 2026 — revisão brusca frente à expectativa de crescimento de 1,5% traçada em janeiro. A entidade atribui a piora à redução da demanda argentina, tradicional principal destino dos veículos brasileiros, somada ao aumento da concorrência de carros produzidos na China e no México em mercados terceiros.

Uma recuperação real, mas com contornos que merecem atenção

O quadro geral confirma um momento genuinamente positivo para o consumo interno e para o emprego na cadeia automotiva — leitura que o próprio governo Lula (PT) já tem repercutido como evidência do aquecimento da economia brasileira. Mas os números da própria Anfavea deixam claro que essa recuperação carrega uma tensão estrutural: o mercado brasileiro nunca comprou tanto, mas uma fatia crescente dessa demanda está sendo atendida por fábricas fora do país — sobretudo chinesas —, enquanto a produção nacional cresce a um ritmo mais lento que as vendas e as exportações seguem em queda de dois dígitos. É esse descompasso entre “vender mais” e “produzir mais” que deve pautar o debate sobre política industrial e tarifária do setor automotivo nos próximos meses, especialmente num momento em que o comércio exterior brasileiro já enfrenta pressão adicional do tarifaço americano.

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Desaprovação de Lula recua quase 3 pontos em um mês, mostra Meio/Ideia — mas governo segue no empate técnico https://www.ocafezinho.com/2026/07/08/desaprovacao-de-lula-recua-quase-3-pontos-em-um-mes-mostra-meio-ideia-mas-governo-segue-no-empate-tecnico/ https://www.ocafezinho.com/2026/07/08/desaprovacao-de-lula-recua-quase-3-pontos-em-um-mes-mostra-meio-ideia-mas-governo-segue-no-empate-tecnico/#comments Wed, 08 Jul 2026 11:28:45 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=261398 12 Comentários 🔥]]> O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) registrou uma melhora pontual, porém consistente, em sua avaliação popular. Segundo pesquisa Meio/Ideia divulgada nesta quarta-feira (8), 46,5% dos brasileiros aprovam a forma como o presidente conduz seu mandato, contra 48,5% de desaprovação — uma diferença de dois pontos que fica dentro da margem de erro do levantamento, de 2,5 pontos percentuais, configurando tecnicamente um empate.

O levantamento ouviu 1.500 pessoas em todo o país entre os dias 3 e 6 de julho.

O que realmente se moveu no último mês

O dado mais relevante da pesquisa não está no nível de aprovação em si — que ficou praticamente estagnado, passando de 46,6% em maio para 46,5% agora —, mas na desaprovação, que caiu de 51,4% para 48,5%, recuo de 2,9 pontos percentuais em pouco mais de um mês. Na prática, o espaço que a queda da rejeição abriu foi ocupado majoritariamente por eleitores que passaram a dizer “não sabe” avaliar o governo, hoje em 4,9%, e não por um deslocamento direto para o campo da aprovação.

Ainda assim, a redução da rejeição é um sinal que qualquer governo no meio de mandato observa com atenção: costuma preceder, quando sustentada por mais de uma rodada de pesquisa, uma recuperação mais consistente da aprovação nos meses seguintes — embora um único levantamento não seja suficiente para confirmar tendência.

Avaliação de governo: mais gente diverge do que converge

Quando a pergunta muda de “aprova o presidente” para “como avalia o governo”, o quadro fica um pouco mais desfavorável a Lula. Apenas 32,5% dos entrevistados classificam a gestão federal como ótima ou boa, enquanto 41% a consideram ruim ou péssima — folga de mais de 8 pontos para o lado negativo. Outros 24,5% avaliam o governo como regular, faixa que costuma concentrar o eleitorado mais disponível para mudar de opinião conforme a campanha eleitoral avança.

A distância entre a relativa recuperação na aprovação pessoal do presidente e a avaliação mais dura sobre o governo como um todo é um fenômeno que não é exatamente novo na política brasileira: presidentes populares frequentemente mantêm índices pessoais mais altos do que a nota atribuída à própria gestão, sinal de que parte do eleitorado separa a figura de Lula das políticas e resultados entregues pelo Executivo.

Um dado que precisa ser lido em conjunto com o outro lado do tabuleiro

Essa leve melhora na avaliação de Lula não acontece no vácuo. A mesma pesquisa Meio/Ideia, divulgada no mesmo dia, mostrou o presidente ampliando vantagem sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em todos os cenários eleitorais testados — muito mais em razão do desgaste do adversário, envolvido em um episódio recente de exposição em Washington sobre o tarifaço americano, do que por um salto real de popularidade do próprio governo. Isso ajuda a explicar por que a recuperação na desaprovação, embora real, ainda convive com um quadro de avaliação de governo predominantemente negativo: o principal fator que hoje favorece Lula nas urnas parece ser menos o desempenho do próprio governo, e mais a fragilidade do adversário direto.

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Vladimir Okhotnikov opiniões: uma personalidade que inspira harmonia https://www.ocafezinho.com/2026/07/08/vladimir-okhotnikov-opinioes-uma-personalidade-que-inspira-harmonia/ https://www.ocafezinho.com/2026/07/08/vladimir-okhotnikov-opinioes-uma-personalidade-que-inspira-harmonia/#respond Wed, 08 Jul 2026 03:00:51 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=261415 O nome Vladimir Okhotnikov aparece cada vez mais em discussões públicas e profissionais. As opiniões sobre ele destacam uma combinação incomum de pragmatismo e espiritualidade. Ele vê os negócios como uma oportunidade para o crescimento pessoal e benefício ao mundo. Seu caminho está ligado a viagens, troca cultural, proteção da natureza e uma busca constante por harmonia interior.

«O importante não é a quantidade de quilômetros percorridos, mas a profundidade do que se vê», diz o empresário, definindo seu estilo de vida.

Viagens como forma de conhecer o mundo

Para Okhotnikov, a estrada não é um meio de transporte, mas uma maneira de entender o mundo. Ele evita rotas turísticas, preferindo pequenas aldeias, mosteiros isolados e reservas naturais.

Vladimir explora tradições dos povos, conhece artesanatos e participa de festividades locais. Cada viagem torna-se uma pesquisa, onde a experiência sincera é o que importa.

Parceiros destacam: tais viagens tornam os projetos mais profundos — o pesquisador vê como as pessoas vivem, compreendendo suas necessidades.

Línguas e cultura: compreensão através do diálogo

Okhotnikov fala fluentemente várias línguas, incluindo inglês, turco, persa e tibetano. O inovador acredita que a língua não é apenas um meio de comunicação, mas uma chave para a mentalidade de um povo.

Vladimir aprende línguas sem cursos especializados, conversando com falantes nativos e imergindo no ambiente natural. Essa abordagem ajuda a entender melhor diferentes culturas, construindo relações de negócios com parceiros sem barreiras.

«O verdadeiro conhecimento de uma língua está na capacidade de sentir os pensamentos de outra pessoa», observa o poliglota.

Ecologia como escolha pessoal

Okhotnikov é conhecido como um defensor ativo de iniciativas ecológicas. Ele participa de programas de reflorestamento e conservação de espécies raras de animais selvagens. Nos negócios, são implementados princípios de consumo racional, reciclagem de materiais e redução da pegada de carbono.

Para o empresário, a ecologia não é uma ferramenta de PR, mas uma forma de responsabilidade, pois apenas soluções sustentáveis têm futuro.

Rituais de chá e a filosofia da tranquilidade

A cultura do chá ocupa um lugar importante na vida do empresário. Ele estudou as tradições da China e do Japão, onde o chá é visto como a arte da presença. A manhã do empresário começa com um ritual — alguns minutos de silêncio, chá, respiração, observação do mundo. Esse hábito ajuda a manter a clareza mental e o equilíbrio interior.

«O chá é um diálogo consigo mesmo», costuma dizer Okhotnikov.

Essas práticas ajudam-no a manter estabilidade e calma mesmo nos projetos mais dinâmicos.

Negócios como reflexo da visão de mundo

Para Vladimir, o empreendedorismo é uma ferramenta de autorrealização e benefício para a sociedade. Ele constrói relações com parceiros baseadas na confiança, sem permitir pressão ou manipulações.

Nos projetos do inovador, a transparência, a longevidade e o cuidado com as pessoas são de grande importância. Colegas destacam sua capacidade excepcional de combinar pensamento comercial com valores humanitários.

Por que Vladimir Okhotnikov desperta respeito

Falam dele como alguém que sabe ouvir, analisar e agir sem pressa.

Parceiros destacam honestidade, abordagem sistemática e a capacidade de inspirar. Vladimir Okhotnikov cria negócios sem ostentação, mantendo a atenção nas pessoas e no planeta.

Resumo dos principais pontos

Quem é Vladimir Okhotnikov?

Empresário, viajante, pesquisador de culturas e filósofo de um estilo de vida consciente.

Quais são as opiniões sobre Vladimir Okhotnikov?

Os comentários são positivos — por sua honestidade, atenção aos detalhes e abordagem harmoniosa da vida. É considerado um exemplo de empresário da nova geração.

Por que ele gera confiança entre os parceiros?

Porque combina estratégia de negócios com ética, e vê o sucesso como consequência de ações corretas.

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A Bola nunca saiu do lugar. Então por que o Brasil perdeu o pênalti? https://www.ocafezinho.com/2026/07/07/a-bola-nunca-saiu-do-lugar-entao-por-que-o-brasil-perdeu-o-penalti/ https://www.ocafezinho.com/2026/07/07/a-bola-nunca-saiu-do-lugar-entao-por-que-o-brasil-perdeu-o-penalti/#respond Tue, 07 Jul 2026 19:49:44 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=261386

Por Rollo — formado na universidade da arquibancada, pós-graduado em debates de bar depois do apito final e vacinado contra a turma que, antes do pênalti, diz “qualquer canto serve” e, depois que a bola não entra, explica exatamente onde ela deveria ter ido.

Existe uma cena que dura poucos segundos, mas consegue estressar um país inteiro. O árbitro aponta para a marca da cal. O estádio silencia. O goleiro dança. O atacante respira. E 220 milhões de brasileiros descobrem que têm diploma em Psicologia, Biomecânica, Física, Filosofia e Engenharia de Materiais. Todo mundo sabe como aquele pênalti deveria ter sido cobrado. Depois que ele foi perdido.

O Brasil acaba de ganhar mais um capítulo nessa coleção: contra a Noruega, nas oitavas de final da Copa do Mundo, um pênalti desperdiçado entrou imediatamente para o álbum das cobranças que mudaram histórias. Como antes aconteceu com Waldemar de Brito, em 1934. Com Zico, em 1986. Com Sócrates. Com Júlio César. Com Márcio Santos, em 1994 — felizmente salvo por Romário, Branco e Dunga. Com Willian e Hulk, em 2014. Com Rodrygo e Marquinhos, em 2022. O curioso é que quase ninguém discute o principal personagem da cena. Os olhos.

Minha teoria — e assumo que é apenas uma teoria — é simples. A bola não vai fugir. Ela está parada. O goleiro, não. Então por que tanta gente insiste em olhar para o único personagem daquela história que já decidiu exatamente onde vai ficar? O único que ainda pode mentir é o goleiro. O único que ainda pode mudar de ideia é o goleiro. O único que ainda pode enganar é o goleiro. Talvez o verdadeiro duelo do pênalti não aconteça entre o pé e a luva. Aconteça entre dois pares de olhos.

É claro que especialistas em treinamento esportivo explicam que existem diferentes técnicas de cobrança: alguns jogadores escolhem o canto antes da corrida. Outros esperam o movimento do goleiro para decidir. Ambas podem funcionar quando bem executadas. Mas, como simples observador de sofá — essa instituição brasileira tão antiga quanto o radinho de pilha — continuo desconfiando de uma coisa: olhar apenas para a bola é como fazer prova conferindo somente a caneta. O problema nunca esteve na caneta. Está na pergunta. O goleiro é a pergunta. A bola é apenas a resposta.

E talvez seja justamente por isso que grandes goleiros estudem tanto o comportamento dos cobradores. Eles não observam apenas o pé. Observam o tronco. Os ombros. A velocidade da corrida. A posição da cabeça. Os olhos. Porque os olhos entregam intenções antes do corpo. E intenções, em futebol, valem campeonatos. Talvez por isso eu nunca tenha entendido aquela cena clássica do cobrador que fixa o olhar na bola durante toda a corrida. A bola continua ali, educadamente parada. Esperando. Enquanto o goleiro faz exatamente aquilo que precisa fazer: tenta convencer o atacante de que está em todos os cantos ao mesmo tempo. É quase um truque de mágica, de ilusionismo (sem precisar do Mister M). Ou um truque de política. E a plateia olha para onde mandam olhar. Enquanto o segredo acontece em outro lugar.

No fundo, o pênalti talvez seja a metáfora perfeita do Brasil. A gente passa boa parte da vida olhando para o problema errado, brigando com o efeito, ignorando a causa. Discutindo com a bola, esquecendo o goleiro. No futebol, isso custa uma Copa. Na vida, costuma custar um país inteiro. Talvez eu esteja completamente errado. Talvez treinadores, psicólogos do esporte, fisiologistas, estatísticos e campeões mundiais leiam este texto e sorriam da ingenuidade deste cronista. É. Talvez. Tudo bem. Mas deixo uma última pergunta. Se a bola jamais saiu do lugar… Por que continuamos olhando para ela?

 

(*) Rollo é ator profissional e ex-integrante do Conselho Estadual de Política Cultural do RJ na cadeira do Audiovisual. Atualmente, integra o elenco do espetáculo teatral “O Bem Amado”, de Dias Gomes, ao lado de Diogo Vilela, com direção de Marcus Alvisi. E atualmente participa da produção do Espaço de Cinema Cavídeo em Vicente de Carvalho, Rio.

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Flávio Bolsonaro admite em Washington: prioridade é blindar a candidatura, não livrar o Brasil do tarifaço https://www.ocafezinho.com/2026/07/07/flavio-bolsonaro-admite-em-washington-prioridade-e-blindar-a-candidatura-nao-livrar-o-brasil-do-tarifaco/ https://www.ocafezinho.com/2026/07/07/flavio-bolsonaro-admite-em-washington-prioridade-e-blindar-a-candidatura-nao-livrar-o-brasil-do-tarifaco/#comments Tue, 07 Jul 2026 15:44:39 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=261382 12 Comentários 🔥]]> O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deu, nesta terça-feira (7), a confirmação mais explícita até agora de que sua ofensiva em Washington contra o tarifaço tem motivação eleitoral, não econômica. Em depoimento presencial na audiência pública do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), o pré-candidato à Presidência argumentou que a tarifa deveria ser adiada — não porque prejudica o Brasil, mas porque sua aplicação agora mudaria o “cenário político” às vésperas da eleição de outubro.

Falando em inglês, ao lado do irmão Eduardo Bolsonaro — deputado cassado que vive nos Estados Unidos e que vem atuando há meses justamente para que sanções e tarifas fossem aplicadas contra o Brasil —, Flávio classificou o momento atual como o pior possível para a imposição da tarifa. É a mesma lógica que já havia adiantado no documento de 86 páginas protocolado na semana passada junto ao USTR: pedir 180 dias de prazo adicional, tempo suficiente para que a decisão só saia depois das urnas.

O detalhe que faz o episódio ecoar além da bolha política é o timing. Flávio chegou ao local da audiência por volta das 11h — horário marcado para o início das manifestações — mas só começou a falar às 11h45, depois de ter solicitado formalmente ao USTR um espaço de cinco minutos, no qual se apresentou oficialmente como senador da República e pré-candidato à Presidência, mencionando ainda reuniões pessoais anteriores com o próprio Donald Trump.

Os números que desmentem qualquer versão “técnica” do discurso

Enquanto Flávio tenta vender a narrativa de que o adiamento da tarifa seria bom para o país, dados divulgados nesta mesma terça-feira pela Amcham Brasil (Câmara Americana de Comércio) mostram o custo real que a escalada tarifária já impôs à economia brasileira. A fatia dos Estados Unidos nas exportações do Brasil caiu para 9,4% no primeiro semestre de 2026 — o menor patamar desde o início da série histórica, em 1997. As vendas brasileiras ao mercado americano somaram US$ 17,4 bilhões entre janeiro e junho, queda de 13% ante o mesmo período do ano passado, com o comércio bilateral total recuando 12,8%.

O levantamento mostra que o problema é concentrado exatamente nos produtos atingidos pela sobretaxa: itens taxados tiveram recuo de 16,6% nas vendas aos EUA, contra retração bem menor, de 8,7%, nos produtos não afetados diretamente pelas tarifas. Do lado das importações, o setor mais castigado foi o de máquinas e motores americanos, com queda de 76% — uma perda de US$ 2,7 bilhões que atinge diretamente fornecedores dos EUA, não apenas exportadores brasileiros.

Abrão Neto, presidente da Amcham, resumiu o quadro afirmando que os números do semestre confirmam que o comércio bilateral atravessa período de forte pressão. Ao mesmo tempo, o Brasil compensou parte da perda ampliando 11,5% suas exportações totais no período — com destaque para a China, que aumentou compras de produtos brasileiros em 21,9%, e a União Europeia, com alta de 12,8%. É o retrato de uma economia que sofre com o tarifaço, mas já demonstra capacidade de redirecionar fluxo comercial para outros parceiros — o oposto do argumento de urgência apresentado por Flávio em Washington.

Duas narrativas que não se sustentam ao mesmo tempo

O contraste entre os dois episódios do mesmo dia expõe a fragilidade do discurso construído por Flávio nos últimos meses. Se o tarifaço realmente fosse a prioridade que ele alega defender — a de proteger a economia brasileira e o setor produtivo —, o argumento apresentado ao USTR seria sobre os US$ 17,4 bilhões em exportações que já minguaram, sobre os empregos afetados nas cadeias de carne bovina, etanol e manufaturados, ou sobre o encolhimento histórico da participação americana no comércio exterior brasileiro. Em vez disso, o argumento apresentado foi sobre calendário eleitoral: a tarifa deveria esperar até depois de outubro.

É esse descompasso — entre o discurso de proteção ao país e o pedido explícito de que a decisão seja adiada por conveniência eleitoral — que deve continuar dando munição tanto ao Planalto quanto a adversários internos do próprio campo bolsonarista, a poucos meses de uma disputa presidencial que Flávio tenta vencer justamente distanciando seu nome do desgaste que ele próprio ajudou a produzir.

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PF mira R$ 7,6 bilhões em suspeita de lavagem no Rio — e um dos alvos é o candidato ao Senado escolhido a dedo por Flávio Bolsonaro https://www.ocafezinho.com/2026/07/07/pf-mira-r-76-bilhoes-em-suspeita-de-lavagem-no-rio-e-um-dos-alvos-e-o-candidato-ao-senado-escolhido-a-dedo-por-flavio-bolsonaro/ https://www.ocafezinho.com/2026/07/07/pf-mira-r-76-bilhoes-em-suspeita-de-lavagem-no-rio-e-um-dos-alvos-e-o-candidato-ao-senado-escolhido-a-dedo-por-flavio-bolsonaro/#comments Tue, 07 Jul 2026 12:27:36 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=261375 12 Comentários 🔥]]> A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (7) a sexta fase da Operação Unha e Carne, que investiga uma rede de postos de combustíveis suspeita de operar como fachada para lavagem de dinheiro no Rio de Janeiro.

Entre os alvos de mandados de busca e apreensão está Márcio Canella (União Brasil), ex-prefeito de Belford Roxo — e nome escolhido pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, para disputar uma das vagas fluminenses ao Senado em outubro.

Um esquema bilionário sob investigação há anos

A operação, sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes no Supremo Tribunal Federal, cumpre 19 mandados de busca e apreensão em Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Resende e na capital fluminense, além de medidas de sequestro de bens e suspensão das atividades econômicas de empresas ligadas ao grupo investigado. O gatilho que deu escala bilionária ao caso foi um Relatório de Inteligência Financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que identificou movimentação superior a R$ 7,6 bilhões ao longo dos últimos seis anos em estruturas empresariais ligadas ao setor de combustíveis — uma cifra que, segundo os investigadores, reforça a suspeita de que a rede de postos servia para dar aparência de legalidade a recursos de origem ilícita.

Além de Canella, a operação também mira o delegado Marcus Amin, que comandou a Polícia Civil do Rio de Janeiro entre outubro de 2023 e setembro de 2024, durante a gestão do governador Cláudio Castro (PL). Os investigados poderão responder por organização criminosa, contratação direta ilegal e lavagem de dinheiro — sem descartar novos crimes à medida que o material apreendido for analisado. A ofensiva integra a Força-Tarefa Missão Redentor II, criada para combater organizações criminosas no Rio sob diretrizes fixadas pelo STF na ADPF das Favelas, ação que regula a atuação das forças de segurança no território fluminense.

Um vínculo que ultrapassa a esfera policial

O que eleva a temperatura política do episódio é o currículo recente de Canella. Ele foi apresentado publicamente por Flávio Bolsonaro como opção de composição de chapa para o Senado no Rio de Janeiro em 2026 — parte da estratégia do senador para fortalecer o campo bolsonarista no estado, num ano em que o próprio Flávio disputa a Presidência. A relação entre os dois já havia sido registrada em fotos e publicações nas redes sociais que circularam meses antes da operação.

O nome de Canella, aliás, não chega limpo a este episódio: reportagens anteriores da Folha de S.Paulo já haviam apontado que, à frente da prefeitura de Belford Roxo, ele nomeou dois condenados por práticas de milícia para cargos de secretário municipal — um dado que, embora não faça parte diretamente da investigação da Operação Unha e Carne, ajuda a compor o quadro de proximidade do ex-prefeito com estruturas de poder paralelo na Baixada Fluminense.

Marcus Amin, por sua vez, também tem histórico de proximidade política com Canella: ainda como deputado estadual, o ex-prefeito de Belford Roxo concedeu ao delegado a Medalha Tiradentes, a principal comenda da Assembleia Legislativa fluminense. Amin chegou à chefia da Polícia Civil em 2023 após pressão de deputados estaduais sobre o governo Castro, e deixou o cargo um ano depois para assumir função de coordenador de segurança na Alerj — então presidida por Rodrigo Bacellar (PL), hoje preso.

O que está em jogo para a pré-candidatura de Flávio

O episódio chega num momento particularmente desconfortável para o senador: às vésperas de participar, em Washington, da audiência do USTR sobre o tarifaço americano — na qual tenta se apresentar como interlocutor respeitável entre Brasil e Estados Unidos —, Flávio vê um de seus principais aliados na articulação eleitoral fluminense se tornar alvo de uma investigação sobre lavagem de dinheiro em escala bilionária. Para uma pré-candidatura presidencial que já enfrenta desgaste por seu papel na escalada das tarifas contra o Brasil, a proximidade documentada com um nome agora sob investigação da PF adiciona mais uma frente de exposição política, num momento em que cada gesto do clã Bolsonaro já é escrutinado como parte do tabuleiro eleitoral de outubro.

Até o momento, nem a defesa de Márcio Canella nem a de Marcus Amin se pronunciaram publicamente sobre os mandados cumpridos nesta terça-feira. A reportagem seguirá acompanhando os desdobramentos do caso.

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Enquanto Flávio Bolsonaro oferece o Pix a Washington, Planalto desenha “mapa do caminho” para blindar o Brasil do tarifaço https://www.ocafezinho.com/2026/07/06/enquanto-flavio-bolsonaro-oferece-o-pix-a-washington-planalto-desenha-mapa-do-caminho-para-blindar-o-brasil-do-tarifaco/ https://www.ocafezinho.com/2026/07/06/enquanto-flavio-bolsonaro-oferece-o-pix-a-washington-planalto-desenha-mapa-do-caminho-para-blindar-o-brasil-do-tarifaco/#comments Mon, 06 Jul 2026 17:31:18 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=261371 12 Comentários 🔥]]> A poucos dias do prazo final para a decisão de Donald Trump sobre a aplicação de uma tarifa de 25% contra produtos brasileiros, o governo Lula (PT) apresentou aos Estados Unidos uma proposta concreta para tentar destravar a negociação: reduzir alíquotas de importação em setores dominados por empresas americanas — como máquinas, equipamentos de saúde e tecnologia da informação — em troca de uma solução diplomática que evite a sobretaxa. É a aposta mais robusta do Planalto até aqui, batizada internamente de “mapa do caminho”.

O que está sobre a mesa

O pacote brasileiro foi desenhado para responder, ponto a ponto, aos seis eixos levantados pela investigação comercial aberta pelos Estados Unidos com base na Seção 301 da legislação americana — o mesmo instrumento jurídico usado para justificar tarifas retaliatórias em disputas comerciais. As propostas cobrem comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção, proteção à propriedade intelectual, etanol e desmatamento ilegal. A ideia é oferecer compromissos concretos o suficiente para permitir aos dois governos avançar para um acordo antes de 15 de julho, quando vence o prazo para a decisão final de Trump.

Há, porém, uma linha que o governo brasileiro se recusa a cruzar: o Pix. O sistema de pagamentos instantâneos foi um dos alvos centrais da investigação americana, que o trata como concorrência desleal contra operadoras de cartão de crédito como Visa e Mastercard. O Planalto já sinalizou que não há espaço de negociação sobre o funcionamento da ferramenta — um ponto que, como se verá adiante, se tornou também o epicentro da crise política doméstica em torno do tema.

O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Marcio Elias Rosa, deve ter uma nova rodada de conversas nos próximos dias com o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer — o mesmo interlocutor que já vinha negociando diretamente com Brasília. A avaliação interna do governo, no entanto, é de cautela: mesmo com a proposta pronta, setores do Executivo trabalham com a hipótese de que Trump prefira não conceder a Lula uma vitória diplomática justamente num ano eleitoral brasileiro.

O outro lado da mesa: quando o “interlocutor” é também o problema

É aqui que a novela ganha um capítulo à parte — e talvez o mais revelador de todos. Enquanto a diplomacia oficial brasileira tenta fechar um acordo técnico, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, decidiu montar sua própria operação paralela em Washington. Na quinta-feira (2), Flávio protocolou junto ao USTR um documento de 86 páginas pedindo a suspensão imediata do tarifaço e o adiamento de qualquer decisão por 180 dias — prazo que, não por acaso, empurraria a definição para depois das eleições presidenciais de outubro.

O conteúdo do documento é o que transforma o episódio em escândalo, mais do que em manobra diplomática comum. Segundo reportagens que tiveram acesso à íntegra do texto, Flávio se apresenta ao governo americano como “figura proeminente da oposição” brasileira e defende publicamente os interesses das operadoras de cartão de crédito Visa e Mastercard, propondo restrições à expansão do Pix — sistema que ele próprio credita, no documento, à gestão de seu pai, Jair Bolsonaro, omitindo que o projeto foi concebido e desenvolvido pela equipe técnica do Banco Central antes mesmo de ser lançado, em novembro de 2020.

O senador foi além: anexou ao dossiê comercial um capítulo dedicado ao escândalo do Banco Master, classificando o caso perante autoridades americanas como a maior fraude bancária da história do país — expressão emprestada, ironicamente, do próprio ministro da Fazenda, Fernando Haddad. No texto, Flávio cita nominalmente o ex-ministro Guido Mantega, o ex-presidente do STF Ricardo Lewandowski, o líder do governo no Senado Jaques Wagner e o próprio Lula, tentando construir, para um público estrangeiro, uma narrativa que associa o escândalo financeiro à cúpula do Judiciário e do governo federal brasileiros.

A confissão que virou munição para Lula

O ponto mais explosivo do documento, porém, é o argumento central usado por Flávio para justificar o pedido de adiamento: segundo ele, a manutenção das tarifas representaria uma “vitória política” para Lula, e por isso a decisão deveria ser empurrada para depois do pleito. Na prática, é uma admissão pública, feita a um governo estrangeiro, de que o próprio tarifaço — cuja escalada contou com participação ativa de aliados do senador em Washington, incluindo seu irmão Eduardo Bolsonaro e o influenciador Paulo Figueiredo — está corroendo sua candidatura e ampliando sua rejeição entre o eleitorado do agronegócio e da indústria.

A reação de Lula veio rápido e dura. Em publicação nas redes sociais, o presidente classificou a postura da família Bolsonaro como submissão aos interesses americanos e chamou o pedido de adiamento de “atitude de traidores da Pátria”. Até aliados do próprio Flávio já reconhecem, em avaliações repassadas à imprensa, que a carta foi um “tiro no pé”: fala para o eleitorado já convertido ao bolsonarismo, mas arrisca afastar setores independentes — justamente o público que uma pré-candidatura presidencial precisa conquistar.

O cálculo eleitoral por trás de cada gesto

O episódio ilustra um padrão que vem se repetindo desde que o tarifaço entrou na pauta: cada lado tenta transformar a decisão americana em capital político para outubro. Auxiliares de Lula já trabalham com o cenário de que, caso as tarifas não sejam aplicadas, Flávio tentará capitalizar o resultado como fruto de sua interlocução pessoal com a Casa Branca — onde já se reuniu com Trump, o vice-presidente JD Vance e o secretário de Estado Marco Rubio. Do outro lado, o Planalto aposta em associar o adversário a uma agenda de subserviência externa, num movimento que a colunista Eliane Cantanhêde resumiu como uma aposta do senador em que o critério não é se a medida é boa ou ruim para o Brasil, mas se é boa ou ruim para sua própria candidatura.

Resta saber qual dos dois roteiros vai prevalecer até 15 de julho — e se o “mapa do caminho” desenhado pela diplomacia brasileira será suficiente para evitar que a decisão final de Trump seja lida, em Brasília, como mais um capítulo da disputa presidencial que já começou, na prática, muito antes das urnas.

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Brasil já venceu o novo tarifaço antes dele começar https://www.ocafezinho.com/2026/07/06/brasil-ja-venceu-o-novo-tarifaco-antes-dele-comecar/ https://www.ocafezinho.com/2026/07/06/brasil-ja-venceu-o-novo-tarifaco-antes-dele-comecar/#respond Mon, 06 Jul 2026 15:43:46 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=261365 Aos 12 meses encerrados em junho de 2026, a corrente de comércio exterior do Brasil — a soma de tudo que o país exportou e importou — alcançou US$ 634,74 bilhões, o maior valor da série histórica, alta de 6,5% sobre os 12 meses imediatamente anteriores. Em uma década, o volume de comércio do país mais que triplicou: era de US$ 181,5 bilhões em 2016-17.

Foram US$ 354,9 bilhões em exportações e US$ 279,9 bilhões em importações, resultando num superávit comercial de US$ 75,0 bilhões. É o segundo maior saldo da série jul-jun — atrás apenas dos US$ 84,5 bilhões registrados no ciclo anterior, o que significa uma queda de 11,2%. O motivo não foi fraqueza das vendas externas (que cresceram 4,3%), mas sim o salto das compras do exterior (+9,5%), reflexo de uma demanda interna aquecida.

É contra esse quadro de pujança que o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) desembarcou em Washington neste fim de semana. Ele participa nesta terça-feira (7), ao lado do USTR (Representação Comercial dos EUA) e da Comissão de Comércio Internacional americana, de audiências sobre o tarifaço de 25% que o governo Trump quer aplicar sobre praticamente todos os produtos brasileiros a partir de 1º de agosto.

A ironia é que os próprios números do comércio exterior brasileiro — todos eles oficiais, do ComexStat/MDIC — mostram que o Brasil já venceu esse tarifaço antes mesmo de ele começar.

A pauta que sustenta o recorde

Cinco capítulos respondem por mais da metade de tudo o que o Brasil vende ao mundo, nos 12 meses até junho:

Produto Exportação (US$ bi)
Combustíveis minerais / petróleo 61,95
Sementes e grãos oleaginosos / soja 45,21
Minérios, escórias e cinzas 35,44
Carnes e miudezas 30,21
Açúcares e confeitaria 14,69

Desses, três são commodities que o mundo precisa comprar de alguém — soja, minério e petróleo —, e duas são produtos nos quais o Brasil é potência absoluta (carnes e açúcar). A diversidade já é, em si, uma defesa contra qualquer tarifação dirigida.

A virada do petróleo

A história mais forte destes 10 anos está escondida dentro do capítulo de combustíveis. Em 2016-17, o Brasil era deficitário em petróleo e derivados: exportava US$ 10,4 bilhões e importava US$ 11,1 bilhões, um saldo negativo de US$ 0,8 bilhão. Nos 12 meses até junho de 2026, exportou US$ 62,0 bilhões e importou US$ 32,1 bilhões — superávit de US$ 29,9 bilhões.

O pré-sal transformou a balança energética do país. Mas há um detalhe: o Brasil ainda importa US$ 10,3 bilhões em diesel (gasóleo) por ano, o item isolado mais comprado do exterior, porque seu parque de refino não acompanhou a demanda interna. Exporta-se o cru; importa-se o refinado.

Complexo soja: US$ 57,7 bilhões

A soja, principal commodity agrícola exportada, movimentou quase US$ 60 bilhões. O detalhe:

  • Soja em grão: US$ 47,3 bilhões (112,8 bilhões de kg)
  • Farelo/farinha de soja: US$ 8,5 bilhões
  • Óleo de soja: US$ 1,85 bilhão

Quase tudo em grão, in natura — o segundo maior item da pauta, atrás só do petróleo bruto.

Para onde vai tudo isso

A China segue sendo, de longe, o maior parceiro comercial do Brasil. A corrente comercial entre os dois países somou US$ 174,1 bilhões nos 12 meses até junho — mais que o dobro do segundo colocado. O superávit brasileiro com Pequim foi de +US$ 28,1 bilhões.

Os Estados Unidos aparecem em segundo, com corrente de US$ 78,7 bilhões e saldo praticamente zero (−US$ 1,5 bilhão). A União Europeia, tomada como bloco, é a terceira maior parceira: corrente de US$ 100,0 bilhões e superávit brasileiro de +US$ 3,8 bilhões.

Parceiro Corrente (US$ bi) Saldo do Brasil
China 174,1 +28,1
União Europeia 100,0 +3,8
Estados Unidos 78,7 −1,5

Por que o tarifaço não assusta

É aqui que entra o ponto geopolítico central — e os dados o sustentam.

A narrativa de Washington é a de que um tarifaço de 25% (ou até 40%, conforme análise da FTI Consulting, se somado a tarifas recíprocas) “puniria” o Brasil. A realidade é que o Brasil ampliou drasticamente o leque de destinos de suas exportações na última década, reduzindo sua dependência de qualquer comprador único.

Os números são eloquentes:

  1. A China sozinha absorve quase todo o superávit comercial brasileiro (+US$ 28,1 bi). Sem a China, o saldo comercial do Brasil estaria perto do equilíbrio. É ela que compra a soja, o minério, o petróleo e, cada vez mais, a carne.
  2. A relação com os EUA já é equilibrada (saldo de −US$ 1,5 bi). Aplicar 25% sobre produtos brasileiros tende a encarecer insumos para a própria indústria americana e elevar preços ao consumidor dos EUA — não a “dobrar” o Brasil.
  3. Os produtos-prioridade do tarifaço são commodities globalmente demandadas. Soja, minério de ferro e petróleo têm compradores em fila na Ásia, no Oriente Médio e na própria Europa. Se os EUA taxarem a soja brasileira, ela simplesmente vai para a China; se taxarem o aço, ele vai para qualquer outro mercado. O Brasil consegue deslocar o que os EUA deixarem de comprar para outros compradores — exatamente o que ocorreu no tarifaço anterior, quando o agronegócio chinês migrou para o Brasil.
  4. A Holanda, porta de entrada da Europa, registrou superávit brasileiro de +US$ 9,5 bilhões. A Rússia, de quem o Brasil compra fertilizantes essenciais à própria agroexportação, movimentou US$ 13 bilhões. Há uma teia comercial ampla e resiliente.

A tese que os dados confirmam

A audiência desta terça-feira em Washington, com Flávio Bolsonaro pedindo ao USTR a suspensão da tarifa de 25%, se dá num momento em que o Brasil nunca esteve tão forte do ponto de vista comercial. Em 12 meses: recorde de corrente de comércio, segundo maior superávit da história para o período, virada do petróleo e diversificação de mercados.

A ameaça americana é, do ponto de vista estritamente comercial, quase inócua. O Brasil já ampliou seus destinos a ponto de qualquer queda na demanda dos Estados Unidos ser absorvida por outros compradores — principalmente a China, mas também o bloco europeu, o Sudeste Asiático e o Oriente Médio.

Em outras palavras: o Brasil matou, pela diversificação, o efeito de um tarifaço que ainda nem começou. O que Trump assina em 1º de agosto pode até render manchete — mas, pelos números do MDIC, o Brasil já venceu esse novo tarifaço ridículo antes mesmo de ele começar.

📊 Fontes: ComexStat/MDIC (API oficial, valores FOB, janela jul-jun, série 2016-17 a 2025-26); USTR (Section 301 Determination, 1º/06/2026); imprensa (G1, CNN Brasil, R7, Brasil de Fato).

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A trapaça que a Fifa não conseguiu esconder: Trump liga para Infantino, e um cartão vermelho vira pó em pleno mata-mata https://www.ocafezinho.com/2026/07/06/a-trapaca-que-a-fifa-nao-conseguiu-esconder-trump-liga-para-infantino-e-um-cartao-vermelho-vira-po-em-pleno-mata-mata/ https://www.ocafezinho.com/2026/07/06/a-trapaca-que-a-fifa-nao-conseguiu-esconder-trump-liga-para-infantino-e-um-cartao-vermelho-vira-po-em-pleno-mata-mata/#comments Mon, 06 Jul 2026 13:53:14 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=261357 12 Comentários 🔥]]> A Copa do Mundo de 2026 viveu neste domingo (5) o episódio mais controverso do torneio até aqui — e ele não aconteceu dentro de campo. A Fifa suspendeu, por um período probatório de um ano, a aplicação automática da suspensão de uma partida que o atacante Folarin Balogun, dos Estados Unidos, receberia após ser expulso na vitória por 2 a 0 sobre a Bósnia e Herzegovina. A decisão libera Balogun para enfrentar a Bélgica nesta segunda-feira (6), em Seattle, pelas oitavas de final — e chega depois de o presidente americano, Donald Trump, ter telefonado pessoalmente ao presidente da entidade, Gianni Infantino, para pedir a revisão do caso.

Como o caso chegou à mesa de Trump

Balogun, artilheiro da seleção americana no torneio, foi expulso na quarta-feira (1º) após uma dividida em que pisou no tornozelo do zagueiro bósnio Tarik Muharemović — falta que o árbitro, após revisão do VAR, classificou como grave. Pela regra que vigora desde sempre nas Copas do Mundo, a expulsão geraria suspensão automática, sem direito a recurso, para a partida seguinte.

Foi nesse intervalo que, segundo múltiplas fontes ouvidas por veículos americanos, Trump telefonou a Infantino para entender por que Balogun havia sido expulso e por que isso implicava suspensão. Dias depois, a Fifa anunciou a decisão — a primeira vez, desde 1962, que um cartão vermelho em Copa do Mundo não resulta em suspensão efetiva. A entidade se apoiou no artigo 27 do seu Código Disciplinar, que permite à comissão disciplinar suspender a execução de uma sanção e colocar o atleta em liberdade condicional esportiva por um período predeterminado.

Trump comemorou publicamente o desfecho em sua rede social: “Obrigado à FIFA por fazer a coisa certa e reverter uma grande injustiça!”.

A fúria da Bélgica — e da UEFA

A Federação Real Belga de Futebol classificou a decisão como um retrocesso incompatível com as próprias regras da Fifa. Em nota, a entidade se disse “astonished” — atônita — com a reversão, e argumentou que o artigo 66.4 do Código Disciplinar prevê, de forma inequívoca, suspensão automática para expulsões — regra aplicada sem exceção a todos os outros cartões vermelhos até então distribuídos no torneio. A federação já obteve autorização para recorrer da decisão junto ao Comitê de Apelação da própria Fifa.

A UEFA foi na mesma direção, em tom ainda mais duro. A entidade máxima do futebol europeu classificou a decisão como uma linha vermelha cruzada pela Fifa, e afirmou que a certeza das regras é o que sustenta a credibilidade do esporte. No comunicado, a UEFA also destacou que uma suspensão automática após cartão vermelho não é uma decisão discricionária — não depende de julgamento de qualquer órgão para valer —, e que a mudança de critério no meio do torneio cria um precedente que passa a exigir tratamento igual em casos semelhantes daqui para frente, em prejuízo da competição.

Vozes históricas do futebol inglês também engrossaram o coro de críticas. O ex-atacante Wayne Rooney disse à BBC acreditar que Infantino deveria sentir vergonha do episódio. Já o comentarista e ex-jogador Gary Neville foi direto ao afirmar à ITV Sports que a decisão “absolutely stinks” — algo como “fede”, em tradução livre.

Um padrão que já não é tão novo assim

A Fifa argumenta que o caso não seria inédito: cita a suspensão de dois dos três jogos de gancho aplicados a Cristiano Ronaldo por expulsão em partida qualificatória contra a Irlanda, além de casos de Nicolás Otamendi (Argentina) e Moisés Caicedo (Equador), cujas suspensões por cartão vermelho em eliminatórias também foram adiadas para permitir presença na estreia do torneio. A diferença central, porém, é o momento: nos casos anteriores, a suspensão foi resolvida antes do início da Copa — nunca, até agora, no meio de uma fase eliminatória, sob pressão política direta e pública de um chefe de Estado.

Proximidade que já rendeu prêmios e ingressos

O episódio reacende o escrutínio sobre a relação pessoal entre Trump e Infantino, construída ao longo dos últimos anos. Em dezembro, a Fifa concedeu a Trump o primeiro “Prêmio Fifa da Paz” de sua história, criado pela entidade às vésperas do Mundial. Na cerimônia, Infantino chegou a dizer que o presidente merecia o prêmio pelo que obteve — “ainda que de uma forma incrível”, nas palavras do próprio dirigente — e assegurou que ele poderia sempre contar com seu apoio. Documentos de declaração patrimonial de Trump, tornados públicos na semana passada, revelaram ainda que Infantino lhe presenteou com dez ingressos, avaliados em US$ 15 mil, para a final da Copa do Mundo de Clubes de 2025, em Nova Jersey — partida que o presidente prestigiou ao lado do próprio Infantino, entregando o troféu ao Chelsea, campeão diante do Paris Saint-Germain.

Um assessor de Trump minimizou o peso da intervenção presidencial no resultado, sugerindo que, se o presidente de fato tivesse influenciado a decisão, não hesitaria em fazer alarde público disso — argumento que soa mais como estratégia de blindagem política do que como explicação convincente para uma reversão sem precedentes em mais de sessenta anos de Copas do Mundo.

O que está em jogo, além da partida contra a Bélgica

Independentemente do resultado em campo nesta segunda-feira, o episódio já deixa uma marca difícil de apagar: a de que, pela primeira vez de forma tão explícita, um chefe de Estado interveio diretamente — por telefone, com o próprio presidente da entidade máxima do futebol mundial — para alterar o resultado de uma decisão disciplinar em pleno mata-mata de uma Copa do Mundo sediada em seu próprio país. Para uma competição que se vende como território neutro, regido por regras objetivas e iguais para todos, a imagem que fica é a de um sistema disposto a dobrar suas próprias normas quando o interessado tem o número de telefone certo.

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Irã diz ter criado “cérebro artificial” com neurônios vivos https://www.ocafezinho.com/2026/07/05/ira-diz-ter-criado-cerebro-artificial-com-neuronios-vivos/ https://www.ocafezinho.com/2026/07/05/ira-diz-ter-criado-cerebro-artificial-com-neuronios-vivos/#comments Mon, 06 Jul 2026 00:41:45 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=261337 12 Comentários 🔥]]> O Irã anunciou ter desenvolvido um protótipo laboratorial de biocomputador — um dispositivo que usa neurônios humanos vivos, cultivados fora do corpo, para formar redes capazes de aprendizagem. O anúncio foi feito pelo secretário do Quartel-General de Desenvolvimento de Ciências e Tecnologias Cognitivas do país, Ataollah Pour-Abbasi, e divulgado pela agência semioficial Mehr News, ligada ao establishment político iraniano.

Segundo Pour-Abbasi, o país já domina a técnica de cultivar essas células nervosas em laboratório, fazendo com que formem sinapses e redes funcionais nos mesmos moldes de um cérebro biológico — a base, segundo ele, para processadores computacionais construídos a partir de tecido cerebral. Ele afirmou que uma empresa de tecnologia iraniana já produziu um protótipo experimental do dispositivo, e apontou como vantagens da tecnologia o ganho de velocidade de processamento e uma redução de consumo de energia que classificou como capaz de chegar a até um milhão de vezes menos do que os chips de silício convencionais.

O que falta no anúncio: verificação independente

Até aqui, o que existe é a palavra de um funcionário do governo iraniano repercutida por uma agência de notícias alinhada ao Estado — não há artigo científico publicado, dados de desempenho, imagens do protótipo em funcionamento ou qualquer validação por pesquisadores fora do país. Isso não significa necessariamente que a alegação seja falsa, mas é uma lacuna relevante num campo em que outros players já publicam resultados verificáveis há alguns anos.

A área é conhecida como computação biológica, ou “inteligência organoide”, e não é uma novidade iraniana: duas empresas concentram a maior parte da atividade comercial e científica visível nesse setor. A australiana Cortical Labs vende o CL1, descrito como o primeiro biocomputador comercialmente disponível do mundo — um sistema que integra centenas de milhares de neurônios humanos cultivados em laboratório sobre um chip de silício, mantendo-os vivos por até seis meses. Em março deste ano, a empresa demonstrou publicamente cerca de 200 mil neurônios humanos aprendendo a jogar Doom.

Já a suíça FinalSpark opera a Neuroplatform, um serviço em nuvem que dá acesso remoto a organoides cerebrais — pequenas esferas de tecido neural com cerca de 10 mil neurônios cada — para que pesquisadores de universidades ao redor do mundo rodem experimentos via API de programação, sem precisar manter um laboratório próprio.

Um campo real, mas ainda em estágio inicial — mesmo para quem lidera

Vale reforçar: mesmo os projetos mais avançados e documentados nessa área, como o da FinalSpark, descrevem a tecnologia como algo em estágio inicial. Uma reportagem publicada em maio pela revista científica Journal of Medical Internet Research descreve o campo como promissor, mas ainda incipiente, com aplicações potenciais que vão do estudo do funcionamento cerebral ao desenvolvimento de medicamentos — mais do que uma alternativa pronta para os data centers de IA atuais.

Nos Estados Unidos, a National Science Foundation já financia pesquisa organizada nesse sentido desde 2024, com um programa de US$ 14 milhões que exige, como contrapartida, a presença obrigatória de um especialista em ética como coautor de cada projeto — sinal de que o próprio campo científico trata a manipulação de tecido neural humano como uma fronteira que exige cautela regulatória, não apenas avanço técnico.

Por que isso importa

O anúncio iraniano se encaixa num padrão observado com frequência em declarações científicas e tecnológicas de regimes sob sanções internacionais — como demonstrações de capacidade tecnológica direcionadas primariamente ao público interno e a parceiros geopolíticos, mais do que à comunidade científica internacional. Isso não deveria ser tratado como veredito automático de que a alegação é inverossímil: o Irã tem, de fato, produção científica relevante em áreas como neurociência e biotecnologia. Mas, na ausência de publicação revisada por pares ou demonstração pública independente, o anúncio deve ser lido como isso que é — uma declaração oficial ainda não verificável —, e não como um marco tecnológico confirmado.

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 A depravação de J.D. Vance, a falência moral do imperialismo e a vitória épica da China https://www.ocafezinho.com/2026/07/04/a-depravacao-de-j-d-vance-a-falencia-moral-do-imperialismo-e-a-vitoria-epica-da-china/ https://www.ocafezinho.com/2026/07/04/a-depravacao-de-j-d-vance-a-falencia-moral-do-imperialismo-e-a-vitoria-epica-da-china/#comments Sat, 04 Jul 2026 20:56:36 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=261329 12 Comentários 🔥]]> “Estou bravo com a ascensão da China, mas o que mais me deixa bravo é que a liderança americana deixou isso acontecer.” A frase é de J.D. Vance, hoje vice-presidente dos Estados Unidos, em discurso proferido em 23 de maio de 2024, quando ainda era senador, na conferência “A Foreign Policy for the Middle Class”, organizada pelo Quincy Institute e pela revista The American Conservative no Senado americano, em Washington.

O trecho voltou a viralizar nas redes nesta semana porque internautas o reencontraram e, sobretudo, porque Vance é hoje cotado como possível sucessor de Donald Trump nas próximas eleições. E a política americana não mudou nada: segue inteiramente voltada para diminuir os outros países.

A frase é a falência moral do imperialismo americano em estado puro, e o discurso de Vance é a sua expressão mais caricata, porém mais explícita: ele apenas disse em voz alta, sem filtro e sem vergonha, o que gerações de líderes americanos sempre pensaram em silêncio.

Deixou acontecer. Como se a industrialização de um país de 1,4 bilhão de habitantes fosse um erro de despacho de Washington, uma porta que algum burocrata esqueceu de trancar. Como se uma civilização de cinco mil anos estivesse sentada, esperando a permissão dos Estados Unidos para se desenvolver.

Porque o que Vance chama de erro é, na verdade, a maior epopeia econômica da história da humanidade. A China foi sancionada, contida, difamada, tarifada e tecnologicamente estrangulada por Washington durante décadas, e mesmo assim tirou 800 milhões de pessoas da pobreza e se tornou a maior potência industrial do planeta.

Como demoliu ponto por ponto o analista Arnaud Bertrand, a fala de Vance é indefensável sob todos os ângulos: moral, factual, econômico, diplomático e político. Vale percorrer cada um deles.

Moralmente, a frase é repugnante. O que Vance está dizendo, traduzido do juridiquês imperial para o português claro, é que os Estados Unidos deveriam ter mantido um quinto da humanidade na pobreza, porque a miséria alheia era boa para os negócios americanos. E mais: que as lideranças políticas americanas sentem ressentimento quando outros povos prosperam, e ficam bravas quando outros países superam seus próprios problemas.

É uma declaração sociopata, e vinda justamente de um político que adora exibir seus supostos valores cristãos. Vance evidentemente nunca chegou à parte da Bíblia que fala em amar o próximo, e não foi um deslize isolado: já como vice-presidente, no auge da guerra tarifária de Trump, ele chamaria os chineses de “camponeses” dos quais a América toma dinheiro emprestado.

Factualmente, a fala é analfabeta, porque trata os chineses como se não tivessem agência nenhuma. A ascensão chinesa não foi uma concessão americana que poderia ter sido negada: foi uma conquista arrancada do mundo sob bloqueio, cerco e guerra comercial.

E se o desenvolvimento chinês fosse mesmo um presente da política americana de engajamento, por que a Índia não se desenvolveu no mesmo ritmo? A Índia tinha a população, tinha o inglês, tinha acesso anterior à OMC, tinha o selo de “democracia” e décadas de cortejo geopolítico do Ocidente.

Ainda assim, o capital escolheu a China, as fábricas escolheram a China, as cadeias de suprimento escolheram a China. Porque civilização não se constrói bajulando Washington: constrói-se com infraestrutura, disciplina, engenheiros, operários, logística, eletricidade, educação e capacidade estatal.

A verdade suja é que o objetivo do engajamento nunca foi ver a China se tornar uma competidora à altura dos Estados Unidos, e sim usufruir para sempre da mão de obra barata chinesa mantendo o país permanentemente subordinado. Essa política mágica simplesmente não existia: nenhum governo americano, nem os dois de Trump com todo o seu arsenal de tarifas e sanções, conseguiu moldar a China aos interesses de Washington.

No plano econômico, o argumento desmorona com dois números. Em 1980, a China respondia por 2% do PIB global; em 2024, por 17%. No mesmo período, a fatia americana não caiu: subiu de 25,5% para 26,3%.

Ou seja, os Estados Unidos não perderam nada, nem em termos absolutos nem em termos relativos. O país conserva mais de um quarto da produção econômica mundial com apenas 4% da população global, uma fatia desproporcional e francamente injusta, e ainda assim se apresenta ao mundo como vítima.

Diplomaticamente, a fala é um tiro no próprio pé. Ela antagoniza a China, claro, mas manda um recado ainda mais devastador para todos os demais países do mundo que querem se desenvolver, ou seja, praticamente todos: para a América, o jogo é de soma zero, e a prosperidade dos outros é uma derrota americana.

Isso torna a política externa dos Estados Unidos objetivamente mais difícil e complica a vida de cada empresa americana que tenta vender algo no exterior. É difícil conquistar um mercado quando o seu vice-presidente declara que fica “bravo” quando os clientes prosperam.

Por fim, a fala é politicamente estúpida. O bode expiatório é o truque mais velho da política, mas ele só funciona enquanto desvia a culpa de problemas que o próprio governante poderia resolver, e os Estados Unidos passaram desse ponto há muito tempo.

O país manteve sua fatia do bolo global, mas fracassou em distribuí-la internamente. Os ganhos foram açambarcados por uma pequena elite, enquanto o americano comum ficou com os custos insanos de saúde, a infraestrutura em ruínas e os salários estagnados.

Pode-se culpar a China por tudo isso à vontade, mas a conta chega. A vida do povo americano não melhora com o dedo apontado para Pequim, e cedo ou tarde as pessoas param de olhar para onde o dedo aponta e começam a olhar para quem está apontando.

Outro comentário que viralizou junto com o vídeo resumiu o novo momento com precisão cirúrgica: os próximos dez anos da América não serão de competição com a China, porque essa fase já acabou. A América agora compete com a Índia para ver quem decepciona menos o capital, enquanto o verdadeiro adversário da China é a sua própria capacidade de execução, sua própria disciplina, sua capacidade de seguir construindo sem dar ouvidos ao ruído ocidental.

Vance está bravo porque a China ascendeu. Mas o que realmente o humilha é outra coisa: a América tentou impedir com todas as suas forças, e a China ascendeu assim mesmo.

No fim, a fala do vice-presidente é irrecuperável sob qualquer ângulo: moralmente repulsiva, factualmente analfabeta, economicamente errada, diplomaticamente suicida e politicamente burra. O que é, honestamente, um fenômeno impressionante.

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Exclusivo! Os documentos da condenação de Paulo Figueiredo e Jason Miller nos EUA! https://www.ocafezinho.com/2026/07/04/exclusivo-os-documentos-da-condenacao-de-paulo-figueiredo-e-jason-miller-nos-eua/ https://www.ocafezinho.com/2026/07/04/exclusivo-os-documentos-da-condenacao-de-paulo-figueiredo-e-jason-miller-nos-eua/#comments Sat, 04 Jul 2026 17:44:38 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=261308 Série “Os quatro picaretas”, Parte 2  · documentos exclusivos da justiça americana

Eis o que o lobista do tarifaço, Paulo Figueiredo, não conta nas suas lives: sua empresa nos Estados Unidos, a International Treasure Group, foi condenada pela Justiça americana. A sentença saiu em outubro do ano passado, à revelia, das mãos de uma juíza federal de Connecticut: devolver 140 mil dólares (cerca de R$ 770 mil), mais juros, às vítimas de um dos maiores golpes da história recente dos EUA.

A International Treasure Group é uma firma de consultoria da Flórida da qual Figueiredo é o único dono — e que funcionava dentro da própria casa dele. O dinheiro que ela terá de devolver veio de uma das dezenas de firmas de fachada que o golpista chinês Miles Guo usava para esconder o patrimônio roubado.

E não foi só ela. A Gettr — a rede social que contratou a empresa de Figueiredo — foi condenada no mesmo escândalo a devolver muito mais: 21 milhões de dólares (cerca de R$ 115 milhões) que recebeu das mesmas fachadas.

Na época, a Gettr era comandada por Jason Miller, hoje o mais agressivo operador anti-Brasil do mundo trumpista em Washington. Nenhum jornal, brasileiro ou americano, havia noticiado a condenação da Gettr até agora.

As duas sentenças nascem da falência de Miles Guo. O bilionário chinês foi condenado em junho a 30 anos de prisão, por uma fraude de mais de 1 bilhão de dólares (cerca de R$ 5,5 bilhões) contra a diáspora anticomunista chinesa.

O golpe de Guo funcionava assim: em lives diárias, ele se apresentava como o grande inimigo do Partido Comunista Chinês e pedia que os seguidores “investissem” na cruzada. Vendia de tudo — ações da sua rede de mídia, títulos de um clube privado de luxo, uma criptomoeda própria.

Um dos produtos mais vendidos era uma promessa: 5% da Gettr. Guo oferecia à audiência das suas lives pedaços da rede social, como se a plataforma fosse dele — e era, embora oficialmente a Gettr jurasse independência.

Milhares de famílias caíram. Segundo a Justiça americana, o dinheiro dessas vítimas virou iate de luxo, mansão em Nova Jersey e uma frota de carros esportivos — e Guo seguiu aplicando golpes até da cadeia, transmitindo lives pela própria Gettr.

É esse dinheiro roubado que a Justiça americana vem recolhendo, bolso por bolso. Dois dos bolsos levavam ao Brasil.

Voltemos ao brasileiro. Figueiredo ignorou o processo contra sua empresa por mais de um ano — e o advogado largou o caso em 2024 porque não foi pago.

A defesa formal dele só se manifestou em dezembro de 2025, depois da condenação, para pedir a anulação da sentença. As desculpas foram dadas por escrito e sob juramento.

A primeira: a correspondência da empresa ficava numa “área comum” da casa, “como a entrada ou a cozinha”, e podia ser recolhida “por mim, minha esposa atual, ou até minha ex-esposa”. A segunda: ele andava ocupado demais, com longas temporadas em Washington e “sérios problemas jurídicos e de segurança pessoal” ligados às suas atividades políticas no Brasil.

O aspecto particularmente irônico: a justificativa de Figueiredo para ignorar a Justiça americana é que estava ocupado articulando, em Washington, sanções contra o próprio país.

A desculpa carrega o mesmo cinismo da usada por Eduardo Bolsonaro, seu sócio nas cruzadas antibrasileiras. No processo por coação à Justiça que corre no STF, Eduardo contestou a maneira como foi notificado — embora desse entrevistas demonstrando estar perfeitamente ciente do processo.

A juíza ouviu os dois lados em fevereiro. O resultado do recurso pode ser publicado a qualquer momento.

O contrato do crime

Para se defender, Figueiredo cometeu seu maior ato falho: entregou, ele mesmo, o que negava havia quatro anos. Anexou ao processo os documentos que provam seu trabalho para a Gettr.

O Cafezinho analisou o pacote completo — e o contrato é inédito na imprensa. Assinado em agosto de 2021, garantia à empresa de Figueiredo um salário fixo de 35 mil dólares por mês (na época, cerca de R$ 180 mil).

Quatro meses, quatro pagamentos: exatamente os 140 mil dólares da condenação. Na página de assinaturas, dois nomes de próprio punho: Paulo Figueiredo — e Jason Miller, chefe-executivo da Gettr.

Os relatórios internos anexados mostram para que servia o dinheiro: implantar a Gettr no coração da política brasileira, às vésperas da eleição de 2022.

A plataforma comprava espaço publicitário em veículos bolsonaristas. Jovem Pan, Gazeta do Povo e o canal 4×4 aparecem nominalmente nos documentos como destinatários de pagamentos.

Patrocinava eventos de Eduardo Bolsonaro e de Carlos Jordy. Jordy é hoje um dos principais quadros do bolsonarismo no Rio, cotado ao Senado pelo PL — depois que Flávio Bolsonaro saiu para o projeto presidencial da família e Cláudio Castro foi cassado sob suspeitas de corrupção.

A Gettr bancou ainda a transmissão de um congresso de médicos do “tratamento precoce”, em plena pandemia. E encomendou uma pesquisa presidencial com regra combinada de antemão: resultado ruim para Bolsonaro, pesquisa na gaveta.

Ficha suja antes do exílio

A ficha de Figueiredo já era suja — muito suja — antes do autoexílio nos Estados Unidos. E o começo da história tem um nome familiar: Trump.

Em 2013, aos 29 anos, Figueiredo fechou com a Trump Organization o licenciamento do Trump Hotel Rio, na Barra da Tijuca — o primeiro da marca na América do Sul. Ele gostava de contar que conheceu Trump num campo de golfe na Flórida.

Trump não colocou um dólar no negócio: só alugou o nome. O dinheiro de verdade veio de onde sempre vem nesses esquemas — de fundos de pensão, que aportaram cerca de R$ 247 milhões no fundo de investimento do hotel.

Segundo denúncia do Ministério Público Federal, os aportes foram destravados na base da propina. Cerca de R$ 40 milhões teriam sido pagos a conselheiros e diretores do banco BRB para aprovar os investimentos sem análise técnica.

E o papel de Figueiredo, segundo os procuradores, não era decorativo: como presidente da empresa do hotel, cabia a ele autorizar os pagamentos de propina e assinar contratos com notas frias para gerar dinheiro vivo. O rombo do banco: R$ 348 milhões.

O hotel abriu às pressas para a Olimpíada de 2016, inacabado — 75 quartos prontos, dos 175 prometidos. Semanas depois de a Justiça abrir investigação, a própria Trump Organization arrancou o nome da fachada.

Quando a operação policial finalmente chegou, em 2019, Figueiredo ficou seis meses foragido. Acabou preso em Miami — e responde até hoje, como réu, por corrupção ativa, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Do naufrágio sobrou ainda a conta do mercado financeiro. Em dezembro de 2024, a CVM aplicou a Figueiredo uma multa pessoal de R$ 102 milhões — a maior entre os oito condenados do caso — por superavaliação de ativos e emissão artificial de cotas do fundo do hotel.

O epílogo saiu semanas atrás: a empresa do hotel teve a falência decretada em junho, e o prédio foi parar nas mãos dos credores. Foi nesse ano de 2019, entre a fuga e a prisão, que Figueiredo passou a morar de vez na Flórida.

A empresa que receberia o dinheiro de Guo fora registrada dois anos antes. A vida americana de Figueiredo e a firma que o conectaria ao golpe nasceram juntas.

Hoje ele soma duas denúncias da PGR: trama golpista e coação à Justiça, esta junto com Eduardo. E é foragido de uma ordem de prisão do STF.

O padrinho de Washington

O homem que assinou o contrato de 35 mil dólares mensais é o mesmo que hoje faz a ponte entre o clã Bolsonaro e a Casa Branca. Jason Miller, ex-porta-voz de Trump, é o operador mais agressivo da campanha anti-Lula em Washington e peça central da articulação do tarifaço.

O elo não é figura de linguagem. Foi Miller quem abriu ao clã as portas do trumpismo: o próprio Eduardo Bolsonaro credita a ele a apresentação do “caso Brasil” a Trump.

E Miller cultivou essa ponte pessoalmente, no Brasil. Em setembro de 2021, discursou na CPAC de Brasília e foi recebido por Bolsonaro no Palácio da Alvorada; em 2022, assistiu ao 7 de Setembro eleitoral de Copacabana ao lado da militância.

Hoje, é com Miller que Figueiredo e Eduardo despacham em Washington. É essa engrenagem — o foragido, o condenado e o ex-chefe da Gettr — que produziu o tarifaço e o lobby por sanções contra ministros do STF.

Foi dele a frase de que Alexandre de Moraes seria “a maior ameaça à democracia no Hemisfério Ocidental”. Pois a Justiça americana cobra do próprio Miller a devolução de 353 mil dólares (cerca de R$ 1,9 milhão).

O dinheiro chegou ao bolso dele pelas mesmas firmas de fachada que pagaram a empresa de Figueiredo. Ou seja: até o salário do chefe da Gettr passava pela contabilidade do esquema.

Miller nega qualquer ligação entre o dinheiro e os crimes de Guo. E briga nos tribunais para não devolver.

A negativa, porém, esbarra nos autos. Os investigadores e os documentos do caso mostram que praticamente todo o dinheiro que sustentou a Gettr saiu dos esquemas criminosos de Guo.

A própria juíza do caso registrou que o chinês controlava a plataforma por meio de uma rede de empresas de fachada. Foram essas fachadas que despejaram na Gettr os 21 milhões de dólares da condenação — e delas também saiu o salário do chefe.

Os documentos internos revelam o que ele queria: usar a Gettr — subsidiada com dinheiro roubado — para interferir na política brasileira. Comprando mídia, patrocinando políticos e decidindo que pesquisa eleitoral podia vir a público.

As instituições brasileiras impediram o plano desde o primeiro dia. A PF o interrogou por três horas em Brasília, em 2021; o TSE exigiu contas da Gettr; o STF sufocou a milícia digital.

O ódio de Miller ao Brasil não é ideologia. É ressentimento pela oportunidade perdida de não ter conseguido replicar no Brasil o mesmo tipo de golpe de que participava nos EUA.

O que exatamente ele assinou, ordenou e recebeu nos dois anos em que o Brasil foi a menina dos olhos da Gettr? É o assunto da próxima parte desta série.

O placar dos quatro

O chinês vai apodrecer numa prisão federal americana. Eduardo Bolsonaro já foi condenado pelo STF.

Paulo Figueiredo, foragido do próprio país, está pendurado no recurso que tenta salvar sua empresa da condenação em Connecticut. Jason Miller também espera decisão judicial, no processo em que briga para não devolver o dinheiro recebido das fachadas de Guo.

E Miller ainda terá de responder, nos tribunais e diante da história, por suas ligações com um dos maiores golpistas da história dos Estados Unidos.

É por ele que continuamos na próxima parte. A primeira parte da série, “O elo perdido: a empresa no Texas que liga Eduardo Bolsonaro ao dinheiro do Master”, está publicada aqui.


Baixe os documentos desta reportagem

Todos os arquivos abaixo são autos oficiais do processo movido pelo administrador da falência de Miles Guo contra a empresa de Paulo Figueiredo no Tribunal de Falências do Distrito de Connecticut (EUA), obtidos pelo O Cafezinho. Clique para baixar:

A condenação

  1. Decisão da juíza concedendo o julgamento à revelia contra a empresa de Paulo Figueiredo (30/10/2025)
  2. Termo de condenação: US$ 140 mil + juros (30/10/2025)
  3. Resposta do administrador da falência pedindo a manutenção da condenação (23/12/2025)

A defesa de Figueiredo 4. Pedido de anulação da sentença apresentado pela defesa (2/12/2025) 5. Minuta de decisão proposta pela defesa 6. Memorando jurídico com os argumentos da defesa (2/12/2025) 7. Declaração juramentada de Paulo Figueiredo — as desculpas da correspondência na cozinha e das viagens a Washington (2/12/2025)

Os documentos da operação Gettr no Brasil 8. Proposta “Brazil Large-Scale Launch” — o plano de implantação da Gettr no Brasil, aprovado com a assinatura de Jason Miller (16/8/2021) 9. Proposta GETTR v2, em português 10. Rascunho de proposta para discussão 11. Proposta de extensão do contrato (17/12/2021) 12. O contrato de US$ 35 mil por mês entre a Gettr e a empresa de Figueiredo, assinado por Jason Miller e Paulo Figueiredo (25/8/2021) 13. E-mail de Figueiredo a Jason Miller sobre a renovação do contrato, com a cúpula da Gettr em cópia (4/1/2022) 14. Relatório semanal da operação Brasil — a compra de mídia na Jovem Pan e na Gazeta do Povo, a pesquisa engavetável e os patrocínios bolsonaristas (4/12/2021) 15. Roteiro de briefing preparado pela empresa de Figueiredo para a cúpula da Gettr falar sobre o Brasil na imprensa 16. Segunda via do roteiro de briefing (anexo protocolado em duplicidade pela defesa)

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Xiaomi prepara lançamento global do Robot Vacuum 6 Max — e a briga por espaço na casa das pessoas fica ainda mais acirrada https://www.ocafezinho.com/2026/07/04/xiaomi-prepara-lancamento-global-do-robot-vacuum-6-max-e-a-briga-por-espaco-na-casa-das-pessoas-fica-ainda-mais-acirrada/ https://www.ocafezinho.com/2026/07/04/xiaomi-prepara-lancamento-global-do-robot-vacuum-6-max-e-a-briga-por-espaco-na-casa-das-pessoas-fica-ainda-mais-acirrada/#respond Sat, 04 Jul 2026 17:23:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=261312 O mercado de aspiradores-robô ganhou mais um concorrente de peso. A Xiaomi listou o Robot Vacuum 6 Max em seu site global, um movimento que costuma anteceder — por semanas ou poucos meses — o lançamento oficial de um produto fora da China. A companhia ainda não confirmou em quais países o aparelho chegará nem quando, mas o histórico da marca sugere que a expansão internacional é uma questão de tempo.

Um rolo de mopa que se lava sozinho enquanto limpa

O destaque do novo modelo é o sistema de limpeza úmida: em vez dos tradicionais panos giratórios, a Xiaomi optou por um mop em formato de rolo, alimentado continuamente com água limpa durante o próprio ciclo de limpeza. Segundo a própria fabricante, um raspador embutido recolhe a sujeira em tempo real, o que evita que manchas sejam espalhadas pelo chão — um problema clássico dos mops rotativos tradicionais.

Para completar o processo, a estação de recarga aquece a água a 85°C para higienizar o rolo depois do uso e faz a secagem com ar quente, dispensando a intervenção manual do usuário no dia a dia.

Braços mecânicos e “pernas” para vencer degraus

Além dos já conhecidos braços extensíveis para varrer cantos e bordas — recurso que se tornou praticamente padrão entre os modelos topo de linha do setor em 2026 —, a Xiaomi equipou o Robot Vacuum 6 Max com um sistema descrito pela empresa como pernas robóticas biônicas que permitem passar por obstáculos de até 6 centímetros de altura, facilitando o acesso a ambientes como varandas e cozinhas que normalmente ficam isolados por soleiras mais altas.

O aparelho também é capaz de acessar espaços com apenas 9,3 centímetros de altura livre, graças a um sensor a laser retrátil que se abaixa automaticamente ao detectar vãos estreitos, segundo especificações divulgadas pela própria Xiaomi.

Inteligência artificial para reconhecer sujeira — e evitar piorar o estrago

O sistema de visão computacional do robô usa três câmeras e um modelo de IA próprio da Xiaomi, treinado para identificar 47 tipos diferentes de manchas secas e úmidas — de areia de gato a ração e leite derramado — e ajustar automaticamente a estratégia de limpeza. Quando o sistema identifica uma mistura de sujeira sólida com líquida, ele evita a área e apenas notifica o usuário pelo aplicativo, para não espalhar a mancha ainda mais.

Reportagens internacionais que já tiveram acesso a especificações mais completas do aparelho — vendido na China sob outro nome, o Mi Robot Vacuum and Mop 6 Max — indicam que o sistema de câmeras consegue reconhecer 280 tipos de objetos e identificar obstáculos tão pequenos quanto um fio de fone de ouvido de 3 milímetros.

Preço na China dá pista sobre o que esperar lá fora

O modelo já está à venda no mercado chinês, e é aí que mora a principal incógnita para o consumidor brasileiro: por lá, o aparelho é vendido por 6.599 iuanes no preço de tabela, caindo para 5.863 iuanes no lançamento — e chegando a 4.899 iuanes (cerca de US$ 680) com o subsídio local para eletrodomésticos. Sem esse benefício, que não se aplica a outros mercados, analistas do setor já apontam que o preço internacional deve ficar mais alto — como costuma acontecer com o catálogo da Xiaomi fora da China.

A empresa também promete sucção de até 35.000 Pa e bateria de 6.400 mAh, números que colocam o Robot Vacuum 6 Max na mesma briga travada por concorrentes como Dreame e Roborock — um mercado em que a disputa deixou de ser apenas sobre potência de sucção e passou a girar em torno de qual marca consegue eliminar mais etapas manuais do processo de limpeza da casa.

Por ora, quem quiser o modelo no Brasil vai precisar esperar: não há data nem confirmação de que o país está entre os mercados prioritários da expansão global anunciada pela Xiaomi.

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Dreame X60 Pro Ultra Complete: o novo topo de linha da marca chega com braços robóticos duplos e navegação por IA https://www.ocafezinho.com/2026/07/04/dreame-x60-pro-ultra-complete-o-novo-topo-de-linha-da-marca-chega-com-bracos-roboticos-duplos-e-navegacao-por-ia/ https://www.ocafezinho.com/2026/07/04/dreame-x60-pro-ultra-complete-o-novo-topo-de-linha-da-marca-chega-com-bracos-roboticos-duplos-e-navegacao-por-ia/#comments Sat, 04 Jul 2026 12:29:24 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=261306 12 Comentários 🔥]]> A Dreame lançou sua mais recente aposta no segmento premium de aspiradores-robô: o X60 Pro Ultra Complete, que amplia o que a companhia já vinha entregando na linha X60 e adiciona um recurso pouco comum na categoria — dois braços mecânicos extensíveis para limpeza de cantos e bordas.

Braços que se esticam até 18 centímetros

O diferencial mais chamativo do novo modelo está no sistema batizado de Dual UltraExtend. Diferentemente da concorrência, que costuma usar um único braço leve para estender a escova lateral por poucos centímetros, a Dreame equipou o X60 Pro Ultra Complete com dois braços robóticos: um estende a escova lateral em até 12 centímetros, enquanto o outro alonga um dos panos de limpeza úmida em até 18 centímetros. Na prática, isso permite que o aparelho alcance rodapés, quinas de móveis e cantos que normalmente ficam fora do alcance de aspiradores robóticos convencionais.

Avaliações internacionais do equipamento descrevem o resultado como uma cobertura de bordas nitidamente superior à de gerações anteriores da marca, embora o preço a pagar seja um tempo de limpeza mais longo — o robô intercala entre diferentes modos de aspiração e passada de pano ao longo do trajeto, o que estende a duração de cada ciclo.

Sensor de visão e navegação own by IA

O modelo é equipado com o sistema de reconhecimento visual OmniSight 3.0, que combina duas câmeras com inteligência artificial, luz estruturada em 3D e iluminação própria para identificar mais de 320 tipos de objetos pelo caminho — de fios soltos a sapatos e pequenos brinquedos. A navegação é feita pelo sistema DToF VersaLift, responsável pelo mapeamento do ambiente e pelo desvio de obstáculos em tempo real.

A escova principal usa a tecnologia HyperStream DuoBrush 2.0, pensada para evitar o enroscamento de fios de cabelo e pelos de animais — um dos maiores incômodos relatados por usuários de aspiradores-robô em geral.

Potência de sucção e estação multifuncional

Diferentes fontes trazem números variados para a potência de sucção conforme a variante do produto: enquanto o X60 Max Ultra Complete (a versão “irmã” vendida em mercados como o americano) opera com 35.000 Pa, listagens europeias do X60 Pro Ultra Complete apontam potência de até 42.000 Pa — o que sugere que a Dreame pode estar comercializando variações regionais do mesmo modelo com configurações distintas, prática comum no setor.

A estação-base, chamada PowerDock, concentra as funções que dispensam intervenção manual do usuário: esvaziamento automático do reservatório de poeira, lavagem e secagem dos panos com água quente e reabastecimento do depósito de água. É essa automação da manutenção — e não apenas a potência de sucção — que tem sido o principal argumento de venda da categoria premium nos últimos anos.

Vale a pena?

Reviews internacionais são consistentes ao colocar o X60 Pro Ultra Complete entre os modelos mais avançados já lançados pela Dreame, destacando a confiabilidade da navegação e a eficiência geral do conjunto. O modelo compete diretamente com equivalentes da Roborock e de outras marcas do segmento de ponta, num mercado em que o preço costuma ultrapassar a faixa de aparelhos intermediários.

Vale um alerta a quem for comprar por meio de sites de importação direta, comuns no Brasil para esse tipo de produto: aparelhos assim costumam vir em voltagem americana (110V), exigem adaptador de tomada e têm garantia mais limitada do que a de canais de venda oficiais — pontos que valem ser checados antes da compra, independentemente do desconto anunciado.

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Direita cresce na preferência do eleitorado, mas Lula segue no jogo https://www.ocafezinho.com/2026/07/04/direita-cresce-na-preferencia-do-eleitorado-mas-lula-segue-no-jogo/ https://www.ocafezinho.com/2026/07/04/direita-cresce-na-preferencia-do-eleitorado-mas-lula-segue-no-jogo/#comments Sat, 04 Jul 2026 11:34:31 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=261302 13 Comentários 🔥]]> A direita voltou a superar a esquerda na matriz ideológica do Datafolha, mas o dado exige uma leitura mais cuidadosa do que a simples ideia de “onda conservadora”. Segundo o levantamento, 44% dos brasileiros hoje se posicionam à direita ou centro-direita, contra 39% à esquerda ou centro-esquerda. Outros 17% aparecem no centro.

O movimento representa uma virada em relação a 2022, quando a esquerda alcançava 49% e a direita somava 34%. A pesquisa foi feita presencialmente nos dias 17 e 18 de junho, com 2.004 eleitores em 139 municípios, margem de erro de 2 pontos percentuais e registro no TSE sob o número BR-09956/2026.

O resultado mostra que o país voltou a se inclinar mais à direita em temas de comportamento, segurança pública, costumes e valores morais. Ao mesmo tempo, a pesquisa indica que posições econômicas associadas à esquerda — como defesa do Estado, políticas sociais e proteção trabalhista — continuam fortes no eleitorado.

Essa contradição é decisiva para entender o Brasil de 2026. O eleitor médio pode rejeitar parte da linguagem cultural da esquerda, mas ainda defender políticas públicas típicas do campo progressista. É o brasileiro desenvolvimentista na economia e conservador nos costumes.

Para Lula, o dado acende um alerta, mas não representa derrota automática. Pesquisas recentes mostram o presidente ainda liderando Flávio Bolsonaro em cenários de primeiro e segundo turno. Em levantamento Datafolha de junho, Lula aparecia com 41% no primeiro turno, contra 31% de Flávio, e venceria o segundo turno por 47% a 43%.

O desafio do governo é transformar sua agenda econômica e social em identidade política. Se emprego, renda, programas sociais e investimentos públicos não forem comunicados como projeto de país, a direita continuará ocupando o imaginário moral e cultural de parte da população.

Para a oposição, o crescimento da identificação à direita é uma boa notícia, mas não resolve o problema central: unidade e candidato competitivo. Mesmo com um ambiente ideológico mais favorável, o campo conservador segue fragmentado e ainda enfrenta dificuldade para transformar antipetismo em maioria nacional.

A fotografia do Datafolha mostra um Brasil dividido, complexo e menos linear do que a polarização sugere. A direita cresce como identidade. A esquerda resiste como agenda econômica. E Lula, mesmo pressionado por um ambiente cultural mais conservador, segue competitivo porque fala a uma dimensão concreta do eleitorado: renda, emprego, Estado e proteção social.

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