Regional - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/regional/ Portal de noticias e análises sobre política brasileira, geopolítica, economia, tecnologia, sempre numa perspectiva democrática, progressista, anti-imperialista e multipolar! Tue, 19 May 2026 15:00:17 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://www.ocafezinho.com/wp-content/uploads/2015/10/cropped-Logo_Cafezinho_tmb-32x32.png Regional - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/regional/ 32 32 Ciro se lança candidato ao governo do Ceará lambendo as botas do bolsonarismo https://www.ocafezinho.com/2026/05/19/ciro-se-lanca-candidato-ao-governo-do-ceara-lambendo-as-botas-do-bolsonarismo/ https://www.ocafezinho.com/2026/05/19/ciro-se-lanca-candidato-ao-governo-do-ceara-lambendo-as-botas-do-bolsonarismo/#comments Tue, 19 May 2026 07:10:14 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=248982 23 Comentários 🔥]]> “Meu irmão, você tá querendo ser preso? Vai começar aqui? O cara tá fazendo o símbolo do Comando Vermelho ali. Prende ele.”

Ciro Gomes apontou o dedo para um apoiador na plateia e mandou prendê-lo. Estava no meio do discurso de lançamento de sua pré-candidatura ao governo do Ceará, no sábado, 16 de maio, em Fortaleza.

O apoiador estava apenas fazendo um C com a mão, gesto que a campanha de Ciro em 2022 havia tentado viralizar como resposta ao “L” dos eleitores de Lula. Depois de alguns segundos de perplexidade, em que as pessoas sorriam e pareciam acreditar tratar-se de uma espécie de brincadeira, percebeu-se que Ciro estava falando sério.

Então sua própria mulher lhe cochichou algo ao ouvido, depois lhe deu um tapinha nas costas, com olhar do tipo “que isso, meu amor, menos”.

Houve em seguida algumas risadas nervosas no palco. Todos tentaram disfarçar o constrangimento.

Possivelmente para justificar o surto meio louco meio autoritário como excesso de zelo contra o crime, Ciro subiu ainda mais a voz e gritou. “Comando Vermelho, olha isso aqui, vai pra cadeia! Vai pra cadeia!”

O caso seria apenas ridículo se não fosse perigoso, pois a cena poderia ter facilmente descambado para uma agressão física a uma pessoa inocente.

O ex-governador apareceu rodeado pela nata da ultradireita cearense. No palco estavam André Fernandes, deputado federal e presidente do PL no Ceará, e o pai dele, pastor Alcides Fernandes, indicado pelo PL para o Senado na chapa.

Junto deles, Capitão Wagner, do União Brasil, escolhido como o outro candidato a senador, além do vereador ultrarracionário Inspetor Alberto, do PL.

Em 2020, Inspetor Alberto havia sido processado por Ciro, que pedia R$ 50 mil de indenização após ser chamado em vídeos públicos de “drogueiro”, “chorão” e “homem do nariz nervoso”. Em fevereiro deste ano, Ciro retirou os processos. Agora é seu aliado.

O discurso foi agressivo e monotemático, concentrado quase exclusivamente em segurança pública. Aparentemente, Ciro quer se autopromover como o Bukele cearense.

Para não deixar dúvidas sobre seu compromisso com o ideário bolsonarista, declarou que seus dois candidatos ao Senado teriam apenas duas tarefas: endurecer as leis e “colocar um freio nesse lado apodrecido do Supremo Tribunal Federal”.

“Não é mais possível o Brasil ficar calado, amedrontado, diante de tanto abuso que está acontecendo lá.”

Na coletiva de imprensa subsequente ao evento, Ciro foi questionado sobre os áudios em que Flávio Bolsonaro pediu dinheiro ao dono do Banco Master para financiar filme sobre Jair Bolsonaro. A reação de Ciro foi atacar a jornalista que fez a pergunta, insinuando que ela fazia “jogo do PT”.

Na verdade, porém, não se trata de um Ciro muito diferente do de 2022. Só que, na eleição presidencial, ainda tentava disfarçar o namoro com a ultradireita golpista. Hoje desfila a seu lado com orgulhoso, enquanto manda prender seus próprios apoiadores.

Em 2022, embora tentasse se vender como terceira via de centro, ele já havia descambado para uma postura emocional extremamente agressiva, reacionária e antidemocrática, agredindo jornalistas e pessoas comuns que ousassem questioná-lo sobre suas opções.

Por fim, passou a atacar os próprios apoiadores históricos. Acusou Caetano Veloso, que havia anunciado voto em Lula, de ter mudado de posição por interesse financeiro.

Gregório Duvivier, humorista do Porta dos Fundos e hoje um dos apresentadores do podcast Calma Urgente, ao lado de Alessandra Orofino e Bruno Torturra, também foi atacado publicamente, assim como tantos outros artistas que se manifestavam em favor de Lula.

A diferença é que agora Ciro abandonou a fachada de terceira via, de alternativa à polarização, e mergulhou de cabeça no bolsonarismo mais doentio, violento e corrupto.

Quem te viu, quem te vê.

Assista aos dois vídeos abaixo.

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A renovação da esquerda já começou https://www.ocafezinho.com/2026/05/18/a-renovacao-da-esquerda-ja-comecou/ https://www.ocafezinho.com/2026/05/18/a-renovacao-da-esquerda-ja-comecou/#comments Mon, 18 May 2026 05:39:43 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=248553 20 Comentários 🔥]]> Uma das críticas regularmente feitas a Lula, ao PT e à esquerda brasileira é que esse campo político não estaria se renovando.

A preocupação é legítima. A esquerda precisa mesmo acelerar sua renovação, abrir mais espaço para jovens lideranças, disputar linguagem, território e redes. Mas talvez fosse saudável que essa crítica olhasse menos para impressões cristalizadas e mais para o que efetivamente acontece no Brasil.

A renovação existe. Talvez não tão ampla quanto deveria, nem com a velocidade necessária diante da ofensiva da extrema direita nas redes, nas igrejas, nas escolas e nas periferias. Mas está aí — nos mandatos populares espalhados pelo país, nas câmaras municipais, nas assembleias, no Parlamento Federal, nos movimentos sociais e em novas experiências administrativas.

João Campos, por exemplo, tornou-se prefeito do Recife aos 27 anos, o mais jovem da história da capital pernambucana.

No Rio de Janeiro, a renovação tem nome, rosto, território e movimento social. Maíra do MST, vereadora do PT, tem 30 anos, nasceu e foi criada em Jacarepaguá e chegou à Câmara Municipal do Rio como expressão de uma geração formada na interseção entre movimento estudantil, luta popular, feminismo, reforma agrária e combate à fome.

Eleita em 2024 com 14.667 votos, Maíra ficou em 44º lugar entre os 51 vereadores eleitos do Rio e é a terceira mais votada da bancada do PT, que elegeu quatro parlamentares — o mesmo número do PSOL. Somados os partidos de esquerda na Câmara, são apenas 11 vereadores em 51, num parlamento dominado pela base de Eduardo Paes (PSD, 16 cadeiras) e pelo PL (7). A chegada de Maíra representa também a entrada do MST numa nova etapa de atuação política urbana. O movimento já havia mostrado força no estado com a eleição de Marina do MST para a Assembleia Legislativa em 2022, com cerca de 46 mil votos.

A eleição de Maíra faz parte de uma estratégia mais ampla do MST. Em 2022, o movimento lançou pela primeira vez candidaturas coordenadas nacionalmente — 15 nomes em 12 estados, com seis eleitos para o Congresso e para as assembleias legislativas, o melhor resultado em quase quatro décadas. Em 2024, nas municipais, a aposta cresceu: 600 candidaturas em 367 municípios de 22 estados, com 133 eleitos — 23 prefeitos e vice-prefeitos e 110 vereadores. No Rio, além de Maíra, o MST elegeu Washington Quaquá (PT) prefeito de Maricá.

Maíra recebeu O Cafezinho em seu gabinete para uma conversa sobre sua história, seus projetos, o Brasil, a juventude e o papel dos movimentos sociais num momento em que a democracia brasileira volta a ser testada.

Sua trajetória é orgânica. Filha de militantes petistas, cresceu acompanhando lutas territoriais em Jacarepaguá e se formou politicamente no Levante Popular da Juventude, no movimento estudantil e no MST. É historiadora pela UERJ e pesquisa os movimentos políticos anteriores à ditadura militar, com foco na reforma agrária.

Maíra ajuda a desmontar a caricatura de que o MST seria um movimento distante da vida urbana. Durante a pandemia, segundo ela, o MST ampliou sua presença no trabalho urbano com ações de solidariedade, entrega de marmitas, cozinhas populares e o projeto Periferia Viva. Foi nesse período que a conexão entre campo e cidade ganhou ainda mais força: reforma agrária, alimentação saudável, agroecologia, agricultura urbana e combate à fome passaram a aparecer como partes de uma mesma luta.

No Rio, essa síntese tem peso especial. Maíra lembra que, durante a campanha, teve acesso ao Mapa da Fome da cidade, que apontava 2 milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar no município. Esse dado se tornou um dos eixos centrais de seu mandato.

Na Câmara Municipal, Maíra conseguiu participar da criação de uma Comissão Permanente de Segurança Alimentar. Antes, o tema aparecia de forma mais limitada em frentes parlamentares, com duração menor. A diferença é política e institucional: uma frente pode desaparecer com o tempo, uma comissão permanente coloca o combate à fome dentro da rotina da Câmara.

“Uma Comissão Permanente de Segurança Alimentar coloca o debate do combate à fome como parte do cotidiano dessa casa, com Maíra do MST ou sem Maíra do MST.”

Maíra não fala como alguém que caiu de paraquedas numa eleição. Fala como expressão de uma caminhada coletiva.

“O nosso mandato não é pensado apenas na figura de uma pessoa, mas na figura de um projeto político.”

Esse projeto envolve MST, PT, Levante Popular da Juventude, Movimento Brasil Popular, juventudes petistas, movimentos de moradia e organizações populares da cidade.

Outro eixo forte da entrevista é sua análise sobre a juventude. Maíra reconhece um problema real: setores da juventude, especialmente homens jovens, têm sido capturados pela extrema direita. Ela tenta entender o processo histórico.

Segundo Maíra, a geração que hoje começa a votar cresceu sob os efeitos do golpe contra Dilma, do governo Temer, do bolsonarismo, da precarização do trabalho, do sucateamento das universidades e do enfraquecimento das políticas públicas para jovens.

“Houve um desmonte do Estado que afetou essa juventude e tirou a capacidade de se pensar num futuro de possibilidades.”

A juventude não foi capturada pela direita porque nasceu conservadora. Foi empurrada para um mundo sem direitos, sem estabilidade e sem horizonte coletivo. A extrema direita soube explorar esse vazio — vendeu a ideia de que a saída é individual, que o trabalho sem direitos é liberdade, que a precarização é empreendedorismo, que o ódio é coragem.

Maíra chama atenção para o papel das Big Techs nesse processo. Para ela, a internet se tornou um espaço de manutenção de valores masculinistas e de disseminação de fake news por meio de linguagens joviais.

“Enquanto a gente não regulamentar o poder dessas Big Techs, a gente vai continuar tendo esse problema de acesso à informação manipulada através das fake news.”

A vereadora também aponta uma saída. A esquerda precisa recuperar a esperança da juventude com políticas públicas concretas: educação pública, trabalho com direitos, combate à jornada 6×1, Tarifa Zero, acesso à universidade, cultura, lazer e retomada do papel da escola como espaço de sociabilidade.

Uma proposta apresentada por ela na entrevista tem força especial: tarifa zero no transporte público para estudantes nos dias do Enem e do vestibular da UERJ. A ideia é simples e poderosa — se o jovem não tem dinheiro para a passagem, o direito formal à educação se transforma em ficção.

“Parte dos jovens não consegue chegar aos locais de prova porque simplesmente não tem o dinheiro da passagem.”

Não se combate a extrema direita apenas com discursos. Combate-se também garantindo que um jovem pobre consiga fazer uma prova, entrar numa universidade, circular pela cidade e enxergar algum futuro para além da tela do celular.

Na parte final da entrevista, Maíra fala sobre 2026. Para ela, a próxima eleição será novamente decisiva — não porque a esquerda deseje viver em clima permanente de emergência democrática, mas porque a extrema direita ainda ameaça as instituições, a memória do país e o próprio pacto democrático.

Maíra rejeita a ideia abstrata de “superar a polarização”:

“Como é que supera a polarização se as forças políticas do Brasil ainda estão polarizadas? Na polarização a gente tem um lado, que é o lado do antifascismo, que é o lado da democracia, que é o lado de quem respeita as instituições.”

A polarização brasileira não é uma briga estética entre dois extremos equivalentes. Ela expressa uma disputa concreta entre um campo que, com todas as suas contradições, atua dentro da democracia, e outro que flertou abertamente com golpe, violência política e desrespeito às instituições.

No Rio, Maíra defende a eleição de Benedita da Silva para o Senado, afirmando que Benedita carrega “quase que a história da democracia no Brasil pós-ditadura”. Ao mesmo tempo, reconhece as contradições da frente ampla no estado. Sobre Eduardo Paes, diz ter muitas diferenças com seu projeto de cidade, que classifica como neoliberal. Ainda assim, vê a candidatura apoiada pelo PT como parte de uma frente necessária para impedir o avanço da extrema direita no governo estadual.

“A eleição estadual do Governo do Estado vai ser uma eleição que é democracia versus barbárie.”

Há renovação. Ela está nos movimentos sociais que decidiram disputar o Parlamento, em jovens mulheres que saem da militância estudantil e chegam às câmaras municipais, em mandatos que falam de fome, transporte, universidade, Big Techs, reforma agrária, democracia e juventude dentro de uma mesma visão de país.

Maíra do MST é parte dessa renovação. Não a única, nem uma exceção isolada — mas um exemplo expressivo de uma esquerda que tenta se reconstruir sem abandonar sua memória histórica. No caso dela, a luta pela terra encontra a cidade, a reforma agrária encontra a segurança alimentar, o MST encontra a Câmara Municipal do Rio. E a juventude deixa de ser apenas objeto de preocupação eleitoral para se tornar sujeito político de uma nova etapa da esquerda brasileira.

 

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Paes lidera com folga na Quaest e ajuda Lula, mas há perigos no caminho https://www.ocafezinho.com/2026/04/27/paes-lidera-com-folga-na-quaest-e-ajuda-lula-mas-ha-perigos-no-caminho/ https://www.ocafezinho.com/2026/04/27/paes-lidera-com-folga-na-quaest-e-ajuda-lula-mas-ha-perigos-no-caminho/#comments Mon, 27 Apr 2026 19:29:17 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=240495 78 Comentários 🔥]]> A nova pesquisa Quaest sobre o Rio de Janeiro é, antes de qualquer leitura partidária, uma boa notícia para o cidadão fluminense. Os números abrem a possibilidade concreta de o estado virar a página de quase uma década de decadência política, moral e administrativa.

A prática segue sendo o único critério de verdade. Apenas uma eventual administração Paes poderá demonstrar se a página foi de fato virada, ou se trocamos de fachada sem mexer nas estruturas que apodreceram o estado.

Mas o quadro atual é o melhor que se desenha desde 2018.

Eduardo Paes lidera o primeiro turno com folga em todos os cenários. No cenário principal, o prefeito do Rio aparece com 34% das intenções de voto, contra 9% de Douglas Ruas (PL), candidato bolsonarista, e 8% de Anthony Garotinho.

Sem Garotinho na disputa, Paes sobe para 40% e Ruas marca 10%. Em outro cenário sem candidatos pulverizando o centro, Paes registra 39% e Ruas, 11%.

No segundo turno, a vantagem é avassaladora. Paes aparece com 49% contra apenas 16% de Ruas.

Outros 16% estão indecisos e 19% declaram voto branco, nulo ou abstenção. Em todas as faixas etárias e em ambos os sexos, Paes lidera com folga de pelo menos 25 pontos.

Outro dado especialmente relevante para o campo progressista, para Lula e para o Brasil, é que a euforia assassina que tomou o Rio após a Operação Contenção, no Complexo do Alemão e da Penha, em 28 de outubro de 2025, aparentemente se diluiu. A chacina, que terminou com 121 mortos e foi a operação policial mais letal da história do Brasil, havia catapultado Cláudio Castro a 53% de aprovação no levantamento Quaest realizado logo após a operação.

Seis meses depois, o agora ex-governador, declarado inelegível pelo TSE no caso Ceperj, está com 35% de aprovação e 47% de desaprovação. Voltou à mediocridade administrativa de antes, e nem o sangue derramado bastou para sustentar a popularidade emprestada.

Mais grave para o PL: 53% dos fluminenses afirmam que Castro não merece eleger o sucessor que indicar. E 43% querem mudar totalmente o rumo do governo do estado, contra apenas 17% que defendem a continuidade.

O Rio de Janeiro tem cerca de 13 milhões de eleitores, o terceiro maior colégio eleitoral do país, atrás apenas de São Paulo e Minas Gerais. A capital, sozinha, reúne aproximadamente 5 milhões de eleitores, o segundo maior colégio municipal do Brasil.

Qualquer movimento eleitoral no estado tem peso desproporcional no resultado nacional.

Em 2018, Bolsonaro destroçou Haddad no Rio, com 67,95% contra 32,05% no segundo turno. Em 2022, mesmo derrotado nacionalmente, manteve vantagem de 13 pontos sobre Lula no estado, com 56,53% contra 43,47%.

Mas o quadro carioca melhorou de forma notável. Na capital, onde Haddad havia perdido por 36 pontos em 2018, Lula reduziu a diferença para apenas 5 pontos em 2022.

Foi um avanço de mais de 30 pontos em quatro anos.

O movimento sugere que o pesadelo reacionário que assolou o Rio nas duas últimas eleições presidenciais pode estar se esvaindo. A combinação do desgaste de Castro, da queda do bolsonarismo no eleitorado fluminense e da liderança consolidada de Paes oferece um cenário em que Lula pode finalmente vencer na capital em 2026, e talvez encurtar drasticamente a desvantagem no estado.

A Quaest é especialmente boa para Lula e seus eleitores no Rio. Há possibilidade real de Benedita da Silva se eleger senadora pelo PT, retomando uma cadeira que a esquerda perdeu há anos.

Em cenários sem Castro na disputa, Benedita aparece em primeiro lugar entre os eleitores progressistas e na disputa pela segunda vaga. E os principais nomes do bolsonarismo fluminense estão metidos em problemas graves.

Alexandre Ramagem, candidato do PL na disputa pela prefeitura do Rio em 2024, foi condenado pelo STF a 16 anos de prisão pela trama golpista. Fugiu para os Estados Unidos pela fronteira da Guiana e foi preso pelo ICE em Orlando neste mês (foi solto dias depois, mas sua situação continua instável).

Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Alerj e nome cogitado pelo União Brasil para o governo do estado, foi preso pelo STF e denunciado pela PGR por obstrução de investigação. É acusado de vazar informações da Polícia Federal para o ex-deputado TH Joias, ligado ao Comando Vermelho.

Cláudio Castro renunciou ao governo em 24 de março para tentar uma vaga no Senado e, no dia seguinte, foi declarado inelegível pelo TSE no caso Ceperj.

E Eduardo Bolsonaro segue radicado nos Estados Unidos, articulando sanções e tarifas contra o próprio país para tentar salvar o pai.

O Rio de Janeiro tem um histórico de patriotismo e defesa da soberania nacional que vem de Vargas, passa por Brizola e chega ao próprio Lula em sua melhor fase eleitoral fluminense. A aliança escancarada de Flávio Bolsonaro com Trump e com o governo Netanyahu vai enfrentar resistência considerável no eleitor carioca, que historicamente recusa subordinação a potências estrangeiras.

Paes está se preparando para neutralizar os ataques bolsonaristas. Vai costurar alianças formais e informais com figuras de direita, buscar manter o apoio dos eleitores independentes e de centro e evitar polarização explícita com a base de Flávio.

Mas, quando a campanha esquentar, o principal instrumento de ataque dos bolsonaristas contra Paes será exibir sua aliança com Lula. E aí está a ironia: cada peça de propaganda bolsonarista que mostrar Paes ao lado do presidente vai funcionar, na prática, como propaganda grátis para Lula no estado.

Quanto mais o PL gritar que Paes é aliado de Lula, mais o eleitor que apoia Paes será incentivado a votar em Lula.

Mas há perigos no caminho, e eles aparecem nos próprios dados da Quaest.

A violência é, disparado, a maior preocupação do eleitor fluminense. 58% citam violência como o problema mais grave do estado, contra 13% de saúde e 11% de corrupção.

Entre os eleitores de direita não bolsonarista, o índice chega a 69%. Esse cenário é terreno fértil natural do bolsonarismo, que faz da retórica de mão dura sua bandeira mais audível.

Foi exatamente o que catapultou Castro a 53% de aprovação após a Operação Contenção. A euforia se diluiu, mas o gatilho segue armado.

Basta uma nova chacina, um novo episódio de pânico urbano, e a direita ressurge com fôlego.

Douglas Ruas não pode ser subestimado. Hoje ele aparece com 9% no cenário principal de primeiro turno, número aparentemente modesto.

Mas o detalhe importa: 71% dos eleitores fluminenses sequer conhecem o nome dele, e sua rejeição é de apenas 17%, contra 40% de Paes. Conforme a campanha avançar e o eleitorado bolsonarista consolidar seu candidato oficial, a tendência é Ruas crescer.

Entre eleitores que se autodeclaram bolsonaristas, ele já marca 22% no primeiro turno e 31% no segundo. Entre a direita não bolsonarista, 21% e 33%.

São números que indicam piso, não teto.

Há um dado estrutural que não pode ser ignorado. Quando questionados sobre seu posicionamento político, 35% dos fluminenses se declaram bolsonaristas (16%) ou de direita não bolsonarista (19%).

Lulistas e esquerda não lulista somam 24%. A direita supera a esquerda em onze pontos no estado.

Independentes são 34%, peça-chave da disputa, e a polarização nacional vai puxar boa parte deles para um dos dois lados.

A folga de Paes hoje é real, mas não é estrutural. A vantagem se sustenta sobre uma combinação favorável de fatores conjunturais: desgaste de Castro, candidato bolsonarista ainda pouco conhecido, ausência de polarização explícita.

Quando a campanha esquentar, esses fatores vão se mover, e nem todos a favor.

A pesquisa Quaest é boa para Lula e para Paes, mas não é cheque em branco. O Rio de Janeiro segue sendo um estado conservador na média, com uma preocupação central que joga a favor da direita, um candidato bolsonarista com espaço para crescer e uma elite política nacional do bolsonarismo enraizada no estado.

As campanhas de Paes e de Lula vão precisar ser feitas com a porta da frente trancada.

Subestimar o adversário é o atalho mais curto para a derrota.

Acesse o relatório completo da pesquisa clicando aqui.

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Rodrigo Neves defende metrô sob a Baía de Guanabara – e mais investimentos estaduais e federais em FERROVIAS! https://www.ocafezinho.com/2026/04/23/rodrigo-neves-defende-metro-sob-a-baia-de-guanabara-e-mais-investimentos-estaduas-e-federais-em-ferrovias/ https://www.ocafezinho.com/2026/04/23/rodrigo-neves-defende-metro-sob-a-baia-de-guanabara-e-mais-investimentos-estaduas-e-federais-em-ferrovias/#comments Thu, 23 Apr 2026 14:21:26 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=238677 30 Comentários 🔥]]> Em entrevista ao Cafezinho, prefeito de Niterói defende a Linha 3 do metrô ligando Itaboraí, São Gonçalo e Niterói à estação Carioca, no centro do Rio, por um túnel sob a Baía, detalha o atentado judicial de 2018 que o tirou 93 dias da cadeira e confirma apoio a Eduardo Paes em 2026. O registro em vídeo da entrevista segue ao final do post. 

“Como que uma região metropolitana adensada, de 8 mil quilômetros quadrados apenas, reunindo 12 milhões de habitantes, não foi capaz de estruturar um planejamento de transporte público por trilhos?”, disse Rodrigo Neves, prefeito de Niterói, em entrevista ao Cafezinho.

Foi assim que começou uma longa conversa sobre mobilidade, o descaso do governo fluminense com o transporte público e a urgência de construir uma ligação metroviária entre a capital e o lado leste da Baía de Guanabara.

Para Neves, a situação escancara uma omissão política. “Como que a gente tem seis anos de governo Cláudio Castro e dois anos de governo Witzel, oito anos com a extrema direita governando o estado do Rio, e a gente não tem, nesses oito anos, uma linha de metrô, 100 metros que seja, de metrô construída por eles?”.

Durante a conversa, mencionei ao prefeito o estado calamitoso das estações e dos trens da Supervia, concessionária dos trens urbanos da região metropolitana.

“A Supervia é uma vergonha. As estações não têm banheiro, não têm bebedouro, tem estações que não têm nem cobertura de chuva, não têm segurança nenhuma. Devem ser as piores estações do mundo”, observei.

Neves concordou com o diagnóstico: “é dramático”.

O prefeito cobra investimento no modal ferroviário como agenda estratégica do estado. “É inacreditável como o trabalhador da Zona Oeste sofre com os trens da Supervia sucateados, quando a gente poderia ter um sistema de trens de alta performance, porque as distâncias são curtas”.

A proposta central é antiga, mas segue no papel. A Linha 3 do metrô ligaria Itaboraí, São Gonçalo e Niterói à estação Carioca, no centro do Rio, por um túnel sob a Baía de Guanabara.

“Esse projeto, rapaz, é absolutamente viável”, diz Neves. O custo estimado pelo governo do estado, em anúncio de junho de 2025, é de R$ 14,6 bilhões, dentro de um pacote de expansão metroviária de R$ 28,8 bilhões. A viabilização dependeria de parceria entre governo federal, governo do estado e iniciativa privada.

A comparação técnica que o prefeito apresenta é com o túnel submerso Santos-Guarujá, em obras com apoio do governo Lula. “O túnel lá, o presidente está apoiando um governador que não é um governador aliado a ele, para fazer um túnel de um quilômetro. O túnel debaixo da Baía de Guanabara é um túnel de três quilômetros no máximo”.

O atalho marítimo é mais curto do que parece. “A ponte tem 13 quilômetros, mas a ponte faz uma volta enorme para fazer a ligação Rio-Niterói. A menor distância entre o Rio e Niterói são 3 quilômetros”, explica.

A estação Carioca, acrescenta, já foi construída pensando nessa integração. “Lá atrás, quando foi inaugurada, ela previa um andar para a chegada da linha 3 de Niterói”.

O impacto no cotidiano seria imediato. “Hoje as pessoas levam uma hora e meia, duas horas para chegar no Rio pela ponte. Com o túnel e a Linha 3 do metrô, elas vão levar 15 minutos. É uma revolução”.

A defesa do metrô submerso não vem descolada da experiência concreta. Em oito anos de mandato anterior, Neves entregou quatro dos seis túneis da cidade, ampliou a malha cicloviária para cerca de 100 quilômetros e colocou Niterói no topo do ranking dinamarquês Copenhagenize 2025 como a cidade mais amigável para bicicletas da América Latina.

O caso mais emblemático é o túnel que ligou a zona sul à região oceânica. “As pessoas levavam uma hora, uma hora e meia para chegar em Piratininga, que é um bairro com praias em Niterói. E hoje, com túnel, levam 20 minutos”.

Para ele, a conta não é apenas de engenharia, mas de tempo de vida. “As pessoas ganharam com o túnel que eu fiz aqui praticamente um dia e meio, dois dias. Para ir ao cinema, para ir à igreja, para namorar, para curtir uma praia”.

O sistema de bicicletas compartilhadas da cidade, o NitBike, tem cerca de 150 mil usuários cadastrados numa população de 520 mil habitantes. A ciclovia das avenidas Roberto Silveira e Marquês do Paraná, segundo o prefeito, é hoje a mais movimentada do Brasil, à frente da Paulista.

Neste novo mandato, Neves promete avançar na integração hidroviária da orla e na construção de um veículo leve sobre trilhos. “Nós vamos fazer o VLT. Nas divisas com São Gonçalo até o centro de Niterói”.

Um convênio com a Secretaria de Transportes já reduziu a tarifa do catamarã Charitas-Praça XV de 21 para 7 reais, introduzindo uma segunda ligação hidroviária com a capital, além da conexão tradicional Arariboia – Praça XV.

No meio da conversa sobre infraestrutura e projeto para o estado, a entrevista alcança o episódio que marcou a biografia política do prefeito. Em 2018, no auge do avanço bolsonarista no Rio, Neves foi preso por determinação do juiz Marcelo Bretas, da Lava Jato fluminense.

“Me sequestraram dessa cadeira durante 93 dias”, resume ele.

A operação foi deflagrada com base numa delação premiada que, segundo o prefeito, era falsa. “Foi ele que determinou a prisão, e depois falaram que a delação foi um equívoco. Então, inventaram uma história, e a minha esposa era dona de uma empresa de ambulância que tinha relação com a corrupção do governo do Sérgio Cabral, e a gente nunca tinha ouvido falar nessa empresa”.

O processo foi arquivado por unanimidade. Mas o estrago político, na avaliação de Neves, foi deliberado.

Naquele momento, ele era praticamente o único sobrevivente progressista de peso no estado. “Naquela época, o Eduardo Paes estava derrotado, o presidente Lula estava preso, o Crivella era prefeito do Rio e o Witzel tinha sido eleito governador do Rio. Então, só sobrou eu, em todo o estado”.

A extrema direita fluminense tentou transformar o processo em afastamento definitivo. “A extrema direita capitaneada por Flávio Bolsonaro e pelo Carlos Jordi em Niterói tentou o meu impeachment e a convocação de uma nova eleição logo depois da eleição do Bolsonaro em 2018”.

Neves também foi afastado da presidência do Consórcio do Leste Metropolitano, o Conleste. Segundo ele, isso não deve ter sido uma casualidade.

“A principal bandeira do Conleste era a conclusão da refinaria de Itaboraí. Então, não foi à toa que, além de me tirar da prefeitura, me tiraram do Conleste. E aí a bandeira da conclusão da refinaria ficou quatro anos, de 2018 a 2022, arriada. E não concluíram a refinaria de Itaboraí. E hoje o diesel está aí por esse preço”.

Niterói é hoje a única cidade das 22 que formam a região metropolitana do Rio sem território dominado por milícia, segundo o prefeito. O dado abre a discussão sobre segurança pública, em que Neves apresenta o Pacto Niterói Contra a Violência como modelo replicável para o estado.

A comparação com a cidade vizinha é brutal. No primeiro trimestre de 2026, Niterói registrou três roubos de carga, um por mês.

São Gonçalo, a cinco minutos dali, registrou 185 roubos de carga no mesmo período, uma média de dois por dia.

“Nós não deixamos as milícias entrarem em Niterói, e isso é muito importante”, afirma.

O enfrentamento, ressalta, combinou repressão e urbanismo social. A Guarda Municipal cresceu de 150 para quase mil agentes, um Centro Integrado de Segurança Pública foi inaugurado em 2015 e a prefeitura paga convênio para policiais militares trabalharem na cidade em horário de folga.

Em paralelo, comunidades históricas como o Viradouro e o Caramujo receberam escolas técnicas, parques esportivos, saneamento e centros culturais. “Nós fizemos mais de 300 milhões de reais de investimento”, diz, sobre o Viradouro.

A cidade tem hoje 10 mil jovens no maior programa de iniciação musical do país, em escolas municipais. E bolsas para o ensino técnico por meio de convênio com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial, o Senai.

O resultado, segundo Neves, é estatístico. Em 2013, jovens de 13 a 20 anos representavam 25% das mortes por violência na cidade.

Em dez anos, o índice caiu para 7%. A média mensal de homicídios saiu de 35 para dois ou três.

“Nós passamos, ano passado, vários meses sem nenhum homicídio na cidade”, diz.

Para Neves, o tema não pode ser monopolizado pela extrema direita. “A segurança pública é a mãe de todas as políticas. Se você não tiver segurança pública, você não tem aquilo que é caríssimo ao campo progressista, que é a apropriação do cidadão do espaço público”.

Ele acusa a elite política fluminense de conivência. “Infelizmente, parte da elite política do Rio está completamente comprometida com o crime organizado. E há uma clara contaminação das instituições do Estado pelo crime organizado”.

Se Niterói é laboratório, a Baixada Fluminense é o problema mais duro. A entrevista entra no tema a partir de uma pergunta simples: como uma região historicamente de esquerda, berço do voto em Brizola e Lula, virou bastião bolsonarista?

A resposta começa no longo prazo. “A destruição do Rio não foi por acaso, tinha um projeto de destruição do Rio”.

Neves recupera a perda da capital federal nos anos 60, a fusão autoritária entre Guanabara e estado do Rio decretada pelo general Geisel em 1974, a desindustrialização da região metropolitana nos anos 80 e a deformação da Lava Jato, que, segundo o prefeito, atacou a engenharia brasileira concentrada no Rio.

A esse roteiro econômico se soma uma transformação sociorreligiosa profunda. “No início da década de 90, na década de 80, na Baixada Fluminense, por exemplo, você tinha vários bispos, como Dom Mauro Morelli, em Caxias, que tinham vínculo com os movimentos populares, tinham uma visão progressista, e 70% da população era católica e 20% evangélica”.

A proporção se inverteu. “20 anos depois, você tem, na Baixada, 70% da população evangélica. Em São Gonçalo, 60% da população evangélica”.

Católico praticante, Neves diz ter passado pela Pastoral da Juventude no início dos anos 90 e faz uma autocrítica ao campo progressista. “Me parece que estigmatizar esses segmentos não é o melhor caminho. Ao contrário, é preciso estabelecer diálogo com esses segmentos, até porque a grande maioria é constituída de pessoas sérias”.

A referência que ele aponta é a Frente Ampla uruguaia. “O campo progressista precisa estar nas favelas, nas universidades, no dia a dia das pessoas, conversando sobre os problemas das pessoas, construindo redes de solidariedade”.

Com o governador Cláudio Castro cassado e a linha sucessória desmoralizada por prisões e investigações, o estado entrou no ano eleitoral sem comando estável.

“A situação do Rio é uma situação hoje dramática porque o governador foi cassado, a linha de sucessão está desmoralizada e o Rio está sem um comando estável mais uma vez”, resume Neves.

Diante desse cenário, ele já definiu seu apoio para 2026. “Eu estou apoiando o ex-prefeito Eduardo Paes. Evidentemente que não é o momento de pedir voto, mas a gente está construindo um programa”.

A entrevista fecha na agenda do país. Para Neves, o Brasil tem uma oportunidade histórica, mas precisa enfrentar simultaneamente problemas do século 20 e desafios do século 21.

Do lado do passivo acumulado, cita três frentes urgentes. “Nós temos 100 milhões de pessoas sem acesso a saneamento ainda no Brasil. Metade da população”.

A questão habitacional exige mais ambição do que a meta atual. “Nós temos um déficit habitacional de quase 8 milhões de moradias. (…) Se a gente não fizer mais moradias do que 3 milhões em 4 anos, nós não vamos resolver o problema do déficit habitacional do Brasil nos próximos 20, 30 anos”.

A política de resíduos sólidos segue precária. “Nós temos 3 mil cidades depositando o seu lixo em lixões”.

Sobre mobilidade, defende uma inflexão estrutural. “Cidade moderna e desenvolvida não é aquela onde o pobre, a classe média e todo mundo usa carro. É a cidade onde o rico, a classe média e o pobre usam transporte público de qualidade”.

Neves pede também uma mudança de arquitetura institucional. “Tem que criar o Ministério da Segurança Pública”, afirma, defendendo um desmembramento do atual Ministério da Justiça.

Crítico das políticas armamentistas do governo Bolsonaro, descreve o efeito concreto do afrouxamento das regras de acesso a armas de fogo. “Durante quatro anos, no governo Bolsonaro, eles fizeram os caques, facilitaram o uso de arma de fogo por qualquer um. E o que aconteceu? A violência não diminuiu no Brasil. Ao contrário, as milícias e o tráfico passaram a ter acesso a armas de fogo, muitas das vezes, dos caques”.

Para fechar, um recado ao Cafezinho. Questionado sobre o momento do debate nas redes, o prefeito foi direto.

“A gente acredita muito que o caminho do debate e das redes tem que ser o caminho também do campo progressista. Não é possível que a extrema direita continue tomando conta majoritariamente do debate nas redes sociais”.

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“O filho do Bolsonaro é abertamente submisso aos Estados Unidos”, diz Jandira Feghali https://www.ocafezinho.com/2026/04/02/o-filho-do-bolsonaro-e-abertamente-submisso-aos-estados-unidos-diz-jandira-feghali/ https://www.ocafezinho.com/2026/04/02/o-filho-do-bolsonaro-e-abertamente-submisso-aos-estados-unidos-diz-jandira-feghali/#respond Thu, 02 Apr 2026 17:56:02 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=229860 Entrevistei a deputada federal pelo PCdoB em seu escritório na Glória, no Rio de Janeiro, no dia 1º de abril — data que marca 62 anos do golpe militar de 1964

No primeiro dia de abril de 2026, fui ao escritório da deputada federal Jandira Feghali, no bairro da Glória, zona sul do Rio de Janeiro. A data não era trivial: 62 anos antes, na madrugada de 31 de março para 1º de abril, militares derrubavam o governo João Goulart e inauguravam duas décadas de ditadura no Brasil. Relatora da Lei Maria da Penha, veterana da esquerda brasileira e em pré-campanha para a reeleição, Jandira não escondeu nem o otimismo com a candidatura de Lula nem a preocupação com as forças que, segundo ela, se organizam para impedir sua reeleição. Conversamos sobre três grandes temas: o cenário eleitoral nacional, a crise institucional crônica do Rio de Janeiro e a escalada do imperialismo americano no mundo.

“O Lula tem toda a chance de ganhar, mas não será simples”

Perguntei a Jandira sobre suas expectativas para as eleições de 2026 e os principais desafios que Lula deve enfrentar.

“A minha expectativa de vitória do Lula é grande, eu acho que o Lula hoje tem toda a chance de ganhar essa eleição novamente e ir para o seu quarto mandato, mas não acho que é simples o processo eleitoral porque essas forças virão contra nós. Nós vamos enfrentar, ao que tudo indica, um candidato que é o filho do Bolsonaro, que pela primeira vez na história é um candidato abertamente pró-Estados Unidos. Abertamente submetido, submisso, que quer fazer a política a favor do povo norte-americano e não a favor do povo brasileiro. Então vai ser uma aliança entre eles que tem força, mas a gente acredita muito naquilo que a gente entrega e na força do povo brasileiro.”

Para ela, o imperialismo americano não ficará neutro diante de uma eleição em que Lula representa “uma pedra no sapato” para os interesses de Washington. “A reafirmação da soberania nacional, a reafirmação do papel do Estado, da nossa independência, da nossa altivez, não interessa aos Estados Unidos”, disse.

O Rio de Janeiro e o ciclo interminável de governadores cassados e presos

Trouxe à conversa a situação calamitosa do Rio de Janeiro, estado que vive há anos um ciclo de governadores presos, cassados e denunciados, e que naquele momento aguardava decisão do STF sobre uma nova vacância no governo estadual.

“O povo fluminense tem feito péssimas escolhas para governador. Esse eleitor tem que botar a mão na consciência e perceber que voto ele tem dado. Ganhou o Witzel, que ninguém sabia quem era, com o vice que era o Cláudio Castro. De repente o Witzel sofre um impeachment, vai o Cláudio Castro, que agora está cassado com a possibilidade de ser preso e inelegível. O Rio é o estado pior em nível de emprego do Brasil, é o pior em nível educacional, é o pior em nível de saúde. Não é possível mais conviver com esse tipo de realidade.”

Jandira lembrou ainda que o estado acumulava duas vacâncias simultâneas — no governo e na presidência da Assembleia Legislativa, após a prisão de Rodrigo Bacellar. “Que coisa sui generis que a gente vive no Rio de Janeiro”, resumiu.

“Cuba está sendo assassinada. O Brasil precisa agir”

Por fim, perguntei sobre a nova fase do imperialismo americano — o sequestro de Nicolás Maduro, o bloqueio a Cuba, a guerra ao Irã — e o que o Brasil poderia fazer diante disso.

“Cuba é um genocídio de outro tipo porque está matando mesmo por falta de energia, por falta de semente para fazer alimento. Agora que a Rússia furou o bloqueio do petróleo e o Trump disse que não vai ter sanção de tarifa para quem levar petróleo a Cuba, acho que está na hora do Brasil entrar com isso também: levar petróleo, levar estruturalmente uma saída para Cuba. Na questão palestina, na questão do Irã, é ajudar na mediação, porque o fechamento do estreito de Ormuz tem impacto econômico para o mundo inteiro. A ONU infelizmente não consegue jogar papel, o que é muito triste para a humanidade.”

Sobre Gaza, Jandira foi direta: “Guerra é estado contra estado. Aquilo ali foi um massacre, uma política de limpeza étnica do sionismo de Israel em aliança com os Estados Unidos.”

 

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A “guerra híbrida” entre Zeca do PT e associados contra Eloy Terena e aliados indígenas em Mato Grosso do Sul https://www.ocafezinho.com/2026/01/21/a-guerra-hibrida-entre-zeca-do-pt-e-associados-contra-eloy-terena-e-aliados-indigenas-em-mato-grosso-do-sul/ https://www.ocafezinho.com/2026/01/21/a-guerra-hibrida-entre-zeca-do-pt-e-associados-contra-eloy-terena-e-aliados-indigenas-em-mato-grosso-do-sul/#respond Wed, 21 Jan 2026 14:20:15 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=224796 Divergências sobre terras indígenas e decisões administrativas escalam para uma crise política dentro da base do governo federal em Mato Grosso do Sul

Por Jorge Eremites de Oliveira


Pelo visto, estamos diante de uma espécie de “guerra híbrida” da política em Mato Grosso do Sul, travada desde o início do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2023. De um lado, o deputado estadual José Orcírio Miranda dos Santos, popular Zeca do PT, e associados. Do outro, o Prof. Dr. Luiz Henrique Eloy Amado, mais conhecido como Dr. Eloy Terena, secretário-executivo do Ministério dos Povos Indígenas (MPI), e lideranças indígenas que o apoiam e a ele se aliam.

Vejamos quem são os principais protagonistas desse conflito, marcado por críticas e, sobretudo, por uma campanha denunciada como estruturada a partir de mentiras, injúrias, calúnias e difamação dirigidas contra o citado patrício Terena. Essa denúncia tem sido formulada de maneira categórica e igualmente repudiada por meio de notas públicas e vídeos divulgados nas redes sociais, todos assinados por lideranças indígenas do estado.

Zeca do PT, 75 anos, é bancário aposentado, parlamentar e produtor rural. Descendente de migrantes gaúchos, nasceu em 1950, em família que seria abastada e ligada à política no município de Porto Murtinho. Foi deputado estadual eleito em 1990 e 1994, exercendo dois mandatos consecutivos. Em 1998 e 2002, respectivamente, venceu a eleição e a reeleição para governador do estado. Posteriormente, em 2014, foi eleito deputado federal e, em 2022, voltou a se eleger para a Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul. Até onde se sabe, ele nunca concluiu qualquer curso superior, embora teria iniciado algumas graduações.

Dr. Eloy Terena, 37 anos, nasceu em 1988, em família humilde, na Aldeia Ipegue, localizada no município de Aquidauana. É advogado, jurista, antropólogo social, sociólogo, liderança indígena de projeção nacional, professor na Escola de Direito da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) e, em 2023, passou a integrar o segundo escalão do governo federal. É bacharel em Direito e mestre em Desenvolvimento Local pela Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), com títulos obtidos em 2011 e 2014. Possui dois doutorados, um em Antropologia Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), concluído em 2019, e outro em Sociologia e Direito pela Universidade Federal Fluminense (UFF), em 2022. Realizou estágio de pós-doutoramento em Ciências Sociais pela École des Hautes Études en Sciences Sociales (EHESS), em Paris, no ano de 2020. Em 2025, recebeu da UCDB, sua alma mater, o título de Doutor Honoris Causa, em reconhecimento à trajetória profissional dedicada às causas indígenas.

Mas quando e como essas desavenças tiveram início? Segundo registros da imprensa regional e nacional, disponíveis na Internet, os desentendimentos começaram no primeiro ano do atual mandato presidencial, logo após a criação do MPI. À época, Zeca do PT classificou como “barbaridade” a “presença de famílias Guarani e Kaiowá na propriedade de um dos dirigentes do partido”, no município de Rio Brilhante, conforme noticiado pelo jornal O Globo, entre outros veículos (O Globo, 13/05/2023).

Nas palavras do ex-governador, publicadas pelo portal G1 Mato Grosso do Sul: “É uma barbaridade o que se está fazendo com o companheiro, amigo Raul, em sua propriedade em Rio Brilhante. De um lado, porque não se tem nenhum estudo antropológico definido para dizer que é terra indígena e, do outro, dois ônibus com aproximadamente 80 indígenas ‘derramados’ lá; agora trancaram o portão, ocuparam a sede da fazenda de 400 hectares, proibindo Raul e sua família de tirar de lá aproximadamente sete mil sacas de soja que foram colhidas”. Mais adiante, afirmou: “É uma vergonha, não contem comigo essa gente que, sem nenhuma razão, ocupa e invade propriedade produtiva, gerando insegurança jurídica e correndo risco de consequências que a gente não tem dimensão do que pode acontecer” (G1 MS, 21/03/2023).

À época, Dr. Eloy Terena, já na condição de secretário-executivo do MPI, declarou: “Lamentável o pronunciamento do deputado Zeca do PT na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul ao questionar a reivindicação legítima dos Guarani e Kaiowá ao seu território tradicional. Laranjeira Nhanderu é terra indígena, possui estudo antropológico e é espaço essencial para a sobrevivência física e cultural dos GK [Guarani e Kaiowá]” (O Globo, 13/05/2023).

Essa crítica soou como um puxão de orelha em uma espécie de “divindade” do petismo sul-mato-grossense. Como poderia, afinal, aquele jovem Terena de Ipegue, agora empoderado e recusando o papel de subalterno sem direito à fala, retrucar o todo-poderoso Zeca do PT? A contradição não partiu do secretário-executivo do MPI, coerente na defesa dos direitos dos povos originários, mas do próprio ex-governador. Ocorre que ele ora se apresenta como petista histórico, político de esquerda, conhecedor da temática indígena e suposto falante do guarani, ora como defensor de fazendeiro amigo, cuja propriedade incide sobre terras tradicionalmente ocupadas. Por extensão, posiciona-se como crítico e contrário em relação ao movimento de retomada de terras indígenas no estado.

Essa não é a primeira vez que o deputado profere declarações controversas sobre a situação dos povos Guarani e Kaiowá no estado. Em fevereiro de 2005, na cidade de Dourados, quando era governador, ao comentar sobre a morte de crianças indígenas vítimas de desnutrição infantil, afirmou que a condição dos indígenas teria uma “vertente cultural”. Segundo a imprensa, a suposta “vertente cultural”, de que saberia tanto com apoio de especialistas por ele consultados, estaria associada à ideia de que seria “da cultura dos índios ‘abandonar’ os mais fracos” (Campo Grande News, 24/02/2005, citado pelo Instituto Socioambiental). À época, chegou-se a ouvir que mães Guarani e Kaiowá se alimentariam antes dos filhos e, caso sobrasse comida, depois alimentariam as crianças, o que nunca ocorreu em qualquer comunidade indígena de que tenhamos conhecimento em Mato Grosso do Sul ou em outro estado da Federação.

Em novembro de 2025, o Dr. Eloy Terena, no exercício de sua autoridade e prerrogativa legal, exonerou o Prof. Elvisclei Polidório, aliado de Zeca do PT e de outros integrantes de seu coletivo político, como o deputado federal Vander Loubet, e nomeou, em seu lugar, o Prof. Dioni Alcântara Batista para a Coordenação Regional de Campo Grande da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (FUNAI). A partir desse episódio, a “guerra híbrida” ingressou em um segundo momento de tensões, marcado pela intensificação de matérias, notas e postagens na mídia e nas redes sociais.

No dia 18/01/2026, o portal Folha de Dourados publicou a matéria intitulada “Zeca denuncia abandono de Terra Indígena em Antônio João e critica Eloy Terena, do MPI”. O texto sustenta que o MPI e seu secretário-executivo nada teriam feito em benefício da comunidade Kaiowá da Terra Indígena Ñande Ru Marangatu. Daí emergem alguns questionamentos inevitáveis. Primeiro: houve ou não ações do governo federal, com a participação do MPI, voltadas à regularização fundiária daquele território? Segundo: projetos produtivos, como o de piscicultura, inexistem ou foram ignorados pelo parlamentar durante a recente visita feita à comunidade? Terceiro: nenhuma dessas ações contou com atuação do citado gestor público? Quarto: o contraditório foi devidamente assegurado pelo referido portal na apuração das informações e elaboração da matéria?

A publicação atribui ainda ao ex-governador a afirmação de que Dr. Eloy Terena não teria visitado a comunidade Kaiowá de Ñande Ru Marangatu. Diante disso, apresentamos outros questionamentos. Quinto: desde 2023, o secretário-executivo do MPI não esteve nessa comunidade indígena? Sexto: as informações divulgadas em 2024 e 2025 pela imprensa regional sobre a presença do MPI nessa área seriam “fake news”? Sétimo: agora, todas as demandas indígenas de Mato Grosso do Sul seriam de responsabilidade exclusiva do MPI? Oitavo: o citado Ministério teria sido transformado, por força da lei, em uma secretaria estadual ou suas ações devem ocorrer em todo o território nacional, inclusive em áreas invadidas e devastadas por garimpeiros e outros criminosos na Amazônia Legal?

E mais! O que dizer da Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI), da FUNAI e de outros órgãos federais com atribuições legais na garantia de direitos indígenas? Não haveria responsabilidades institucionais compartilhadas? O Distrito Sanitário Especial Indígena de Mato Grosso do Sul (DSEI-MS), nas mãos de aliados petistas, tem garantido atendimento adequado às comunidades indígenas do Pantanal e de outras regiões? Conseguiu resolver os problemas históricos de abastecimento de água na Reserva Indígena Dourados? Na Aldeia Uberaba, Terra Indígena Guató, em Corumbá, todas as famílias ali estabelecidas dispõem de água tratada encanada? Na Aldeia Barra do São Lourenço, igualmente do povo Guató e em Corumbá, há atendimento regular de saúde para as famílias ali residentes?

São perguntas que não se calam e que partem de quem conhece minimamente a realidade das comunidades indígenas em Mato Grosso do Sul e se importa com o bem-estar dos povos originários.

Em linhas gerais, desde o início dos desentendimentos tornados públicos, o conflito deveria ter sido enfrentado e resolvido no interior da base aliada do governo federal, por meio de diálogo político orientado pela defesa inegociável dos direitos dos povos indígenas. Como isso não ocorreu, as disputas foram deslocadas para o espaço público e seguem em pleno ano eleitoral, enquanto a oposição, liderada pela extrema-direita e por aliados circunstanciais, assiste ao processo de camarote, capitalizando os efeitos da fragmentação interna do campo progressista.

O que Zeca do PT deixa transparecer é não apenas uma dificuldade em tolerar críticas públicas, mas a resistência em reconhecer a emergência de sujeitos políticos indígenas que recusam o lugar histórico da subalternidade. Ao insistir nessa postura, contribui para aprofundar uma dinâmica de “guerra híbrida” que opera desde dentro do próprio campo político ao qual formalmente pertence, corroendo alianças, tensionando instituições e produzindo desgaste político desnecessário. Se esse for, consciente ou inconscientemente, o desfecho pretendido, o Partido dos Trabalhadores em Mato Grosso do Sul reafirmará, com precisão quase didática, a caracterização atribuída por Leonel de Moura Brizola e Darcy Ribeiro à legenda em âmbito nacional: a esquerda que a direita gosta.


Jorge Eremites de Oliveira é professor, arqueólogo, etnólogo e historiador; licenciado em História pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), mestre e doutor em História/Arqueologia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS); realizou estágio de pós-doutoramento em Antropologia Social no Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); docente da Universidade Federal de Pelotas (UFPel).

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O tabuleiro eleitoral da Região dos Lagos ganha novos jogadores https://www.ocafezinho.com/2025/09/10/o-tabuleiro-eleitoral-da-regiao-dos-lagos-ganha-novos-jogadores/ https://www.ocafezinho.com/2025/09/10/o-tabuleiro-eleitoral-da-regiao-dos-lagos-ganha-novos-jogadores/#respond Wed, 10 Sep 2025 17:31:03 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=217145 Enquanto Cláudio Castro e Flávio Bolsonaro consolidam presença, Bacellar vê seu protagonismo minguar e abre espaço para novas lideranças locais

Para as Eleições de 2026, os quadros estão se desenhando na Região dos Lagos (RJ) e trazendo diversas alianças. Os prefeitos e lideranças de municípios como Cabo Frio, Saquarema, Arraial do Cabo, Araruama, Iguaba Grande e São Pedro da Aldeia, têm apresentado movimentações estratégicas e cooperativas importantes, visando fortalecer suas redes políticas e talvez abrir caminhos para possíveis candidaturas em 2026. Isso se mostrou a partir de um encontro informal, porém estratégico, promovido pelo prefeito de Arraial do Cabo, Marcelo Magno (PL), em fevereiro deste ano.

O encontro contou com a presença dos prefeitos dessas cidades citadas, como  Fabinho de Oliveira (Cidadania).  Fábio do Pastel (PL).  Dr. Serginho (PL) e  Daniela Soares (PL), que foi eleita pelo MDB porém, em março deste ano, trocou de partido e em junho tornou-se presidente do diretório municipal do PL, em Araruama. 

Além dos prefeitos, O vice-prefeito de Arraial do Cabo, Diogo Silveira (PL), o secretário de Educação, Cultura, Ciência, Tecnologia, Esporte e Lazer de Arraial do Cabo, Bernardo Alcântara e o Secretário de Desenvolvimento Econômico, Urbano e Trabalho de Iguaba, Vantoil Martins (Cidadania) – ex-prefeito de Iguaba Grande que foi eleito em 2020 pelo Cidadania.

O ex-vice-governador do Rio de Janeiro Thiago Pampolha (MDB) também estava presente nesse encontro. Ele renunciou ao cargo em maio deste ano para se tornar conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ), assim, abrindo caminho para que Rodrigo Bacellar (União), presidente da ALERJ, passe a ser o primeiro na linha sucessória de Cláudio Castro (PL), o atual Governador do estado do Rio de Janeiro.

Em suas redes sociais, Marcelo Magno (PL) falou sobre o propósito do encontro, “Tivemos a oportunidade de aproveitar um momento de lazer, mas também de diálogo sobre o futuro das nossas cidades!”. Este evento chamou atenção por trazer especulações sobre um possível nome desse grupo para a disputa eleitoral de 2026 para a Alerj, com Vantoil Martins (Cidadania) sendo um dos cotados. A hipótese se prova verdadeira em julho deste ano, quando Vantoil oficializou sua pré-candidatura a deputado estadual pelo Cidadania, junto com Thiago Moura (Cidadania), que é secretário de turismo e vereador licenciado de Araruama. O partido Cidadania parece se movimentar para ocupar um espaço cada vez mais relevante na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), segundo o presidente do diretório municipal do Cidadania em Araruama, Paulo Mazzei (Cidadania), a expectativa é de eleger pelo menos três deputados estaduais.

No geral, as articulações mais influentes na região têm partido diretamente do governador Cláudio Castro (PL) e do senador Flávio Bolsonaro (PL), que assumiram o controle das agendas políticas locais a partir de ações políticas, eventos e apoio eleitoral – no caso de Flávio –, e investimentos de Cláudio Castro, como inaugurações e projetos.

Já Rodrigo Bacellar (União), tem perdido protagonismo local devido a problemas estruturais com sua base de apoio em Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense, refletindo indiretamente em outras regiões do estado como um todo. Enquanto isso, o atual prefeito da cidade do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), vem dialogando com diversas lideranças da Região dos Lagos, embora ainda não tenha obtido resultados concretos para consolidar sua pré-candidatura ao governo do estado em 2026.

O prefeito de Arraial do Cabo, Marcelo Magno (PL), é um dos atores que está à frente da mobilização que visa criar um consórcio envolvendo 10 municípios da Baixada Litorânea e Região dos Lagos – incluindo, Armação de Búzios, Saquarema, Rio das Ostras, Casimiro de Abreu e Silva Jardim, além dos já citados – com foco no desenvolvimento econômico e integração regional. Esta iniciativa está em curso desde abril desse ano, depois de uma visita a Campos dos Goytacazes para conhecer o trabalho do Consórcio Público Intermunicipal de Desenvolvimento do Norte e Noroeste Fluminense (Cidennf), e mostra como Magno tem uma postura de articulador político regional com grande apelo eleitoral e com capacidade de influenciar destinações de apoio a candidaturas para a Alerj ou até federais, dialogando mais com Cláudio Castro (PL) e Flávio Bolsonaro (PL). Com isso, Arraial do Cabo passa a se consolidar como um pólo importante nas articulações eleitorais da região. 

Dos principais nomes da região que são ou foram deputados, temos Gutemberg Reis (MDB), que é coordenador da Frente Parlamentar em Defesa da Região dos Lagos na Câmara e é irmão de Washington Reis (MDB),, e Dr. Serginho (PL), que já foi um dos mais votados da Alerj na Região dos Lagos assumindo papel relevante localmente e agora como prefeito de Cabo Frio.

Desde o início de sua gestão, Dr. Serginho (PL) atua diretamente junto à população e adota uma comunicação ativa nas redes sociais, reforçando sua imagem de gestor presente e operante. Durante sua campanha em 2024, ele consolidou uma ampla coligação “Cabo Frio Vai Melhorar!” que envolve 14 partidos.  Esses fatores podem servir como base política sólida para eventuais escaladas políticas, mesmo que por enquanto não haja relatos públicos claros sobre suas intenções eleitorais para 2026.

Ele contou com o apoio de Rodrigo Bacellar e a liberação de recursos emergenciais para o município nas obras de revitalização do centro de Cabo Frio. Bacellar agradeceu o apoio de parlamentares e vereadores e elogiou a gestão de Serginho, reafirmando o compromisso do Governo do Estado com os municípios do interior. Contudo, essa parceria tem perdido sua força dado esse enfraquecimento de Bacellar na região.

As movimentações políticas que vem acontecendo na Região dos Lagos, revelam um esforço de unir seus principais municípios e projetá-los no escopo estadual, a partir de nomes conhecidos por suas atuações públicas e pelos históricos de resultados expressivos em suas regiões.


Por Niara Melo Retana, graduanda em Ciências Sociais na Universidade Federal do Rio de Janeiro (IFCS/UFRJ) e pesquisadora do Laboratório de Partidos Eleições e Política Comparada (Lappcom) nos projetos Mulheres Eleitas, Cartpol e Política Local.

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Angra dos Reis mergulha em velhas alianças políticas nas eleições de 2026 https://www.ocafezinho.com/2025/09/10/angra-dos-reis-mergulha-em-velhas-aliancas-politicas-nas-eleicoes-de-2026/ https://www.ocafezinho.com/2025/09/10/angra-dos-reis-mergulha-em-velhas-aliancas-politicas-nas-eleicoes-de-2026/#respond Wed, 10 Sep 2025 17:23:55 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=217142 A família Jordão articula candidaturas e volta a se firmar como peça central no xadrez político angrense

A análise do cenário político atual de Angra dos Reis se inicia no período das Eleições Municipais de 2024. No pleito eleitoral, Cláudio Ferretti (MDB) foi eleito prefeito do município em alinhamento partidário com o prefeito anterior Fernando Jordão (MDB). A oposição, centralizada na figura de Renato Araújo (PL), contava com o apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro e perdeu as eleições sendo o segundo colocado com 41,27% dos votos. 

Após os 100 dias de governo, o mandato do prefeito Cláudio Ferretti (MDB) foi marcado por ações locais e reuniões externas, com visitas frequentes a Brasília em que se reunia com ministros e deputados. As aparições públicas do prefeito com atores do contexto político estadual e nacional se orientava para a captação de recursos e apoio em projetos relativos a expansão em Angra dos Reis como a revitalização do Cais dos Pescadores, ampliação da cobertura de internet e telefonia, aumento da capacidade de atendimentos no Hospital Maternidade, reativação da ferrovia Angra-Barra, participação em eventos internacionais de turismo e outros. 

Deslocando-se o foco para as eleições gerais, o prefeito Cláudio Ferretti (MDB) até o momento não fez nenhuma declaração sobre as eleições de 2026, no entanto, seus encontros e alianças em Brasília indicam apoio para a possível candidatura da Deputada Estadual Célia Jordão (PL), da Deputada Federal Laura Carneiro (PSD) e do Deputado Federal Marcelo Crivella (Republicanos). O prefeito de Angra dos Reis também acena para o Deputado Estadual Rosenverg Reis (MDB), com quem tem um vínculo por alinhamento partidário. 

Após cem dias de governo, Ferretti aposta em Brasília para reforçar obras locais e consolidar a influência de Angra no cenário estadual / Reprodução

O cenário angrense possui atores políticos que se destacam, traduzindo-se em possibilidades de candidatura para 2026. Em primeiro lugar, aponta-se a família Jordão, dinastia tradicional na política de Angra dos Reis. Célia Jordão (PL), deputada estadual do Rio de Janeiro, teve sua pré-candidatura anunciada pelo prefeito de Angra, Cláudio Ferretti (MDB) no dia 1 de setembro. A deputada tem sua atuação fortemente ligada aos interesses de Angra dos Reis, município de onde é natural e que aloca sua base eleitoral, apontada pelo prefeito como a voz política de Angra no legislativo.

Além disso, com a pré-candidatura anunciada juntamente com a de Célia Jordão (PL), a família Jordão pretende ocupar a gestão de Angra dos Reis com o retorno de Fernando Jordão (MDB). Fernando Jordão (MDB) é marido de Célia Jordão (PL) e ex-prefeito de Angra dos Reis, cargo que ocupou por duas vezes durante os períodos de 2005 a 2008 e 2017 a 2024 . Após o fim do seu mandato em 2024, o político filiou-se ao Partido Liberal onde atuou por 1 ano, rompendo com o PL no mês de junho de 2025 quando se filiou novamente ao partido Movimento Democrático Brasileiro, partido do atual prefeito do município.

Renato Araújo (PL), que disputou a prefeitura de Angra com Cláudio Ferretti (MDB) em 2024 também é apontado como possível candidato. Apesar de ainda não ter pré-candidatura anunciada, mantém uma presença ativa nas redes sociais com visitas a bairros de Angra, entrevistas em mídias locais e eventos do Partido Liberal, reafirmando seu compromisso em proteger os valores conservadores em Angra dos Reis. Renato se intitula “Renato do Bolsonaro” e demonstra apoio irrestrito ao ex-presidente Jair Bolsonaro e uma boa relação com a família Bolsonaro como estratégia política. 

Pode-se verificar também projeção estadual de alguns vereadores de Angra dos Reis. Dentre os mais votados nas eleições de 2024, Kelven da Saúde (PP), Dudu do Turismo (PP), Marquinho Coelho (Solidariedade) e Jorginho Brum (MDB), se destacam. Os vereadores, juntamente com vereador Nilsinho Batalhador (MDB), Charles Neves (PP) e Jane Veiga (MDB) manifestaram apoio a pré-candidatura do presidente da Câmara Municipal de Angra dos Reis, Jorginho Brum (MDB), demonstrando a união da Câmara em prol do projeto político do pré-candidato. 

A relação entre diferentes planos governamentais também influencia o cenário de Angra dos Reis para as eleições de 2026. Para além de Renato Araújo (PL), que conta com o apoio da família Bolsonaro, Rodrigo Bacellar (União) também apresentou relação com Angra dos Reis que se estabeleceu através de aparições com aliados locais como o ex-prefeito Fernando Jordão (MDB) e visitas ao município junto com o ex-presidente Jair Bolsonaro, em março deste ano. Apesar da parceria inicial, Bacellar (União) e Bolsonaro tiveram um distanciamento após o silêncio do presidente da Alerj diante da prisão domiciliar e imposição do uso de tornozeleira eletrônica ao ex-presidente. É nesse contexto que as eleições de 2026 vão criando contornos em Angra dos Reis e provocando movimentações, ainda que preliminares, no município. 


Por Rayssa Veras, graduanda em Ciências Sociais na Universidade Federal do Rio de Janeiro e atua no Laboratório de Partidos, Eleições e Política Comparada (Lappcom).

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Revoltante! Anjo de três meses luta pela vida após agressão na Paraíba https://www.ocafezinho.com/2025/06/10/revoltante-anjo-de-tres-meses-luta-pela-vida-apos-agressao-na-paraiba/ https://www.ocafezinho.com/2025/06/10/revoltante-anjo-de-tres-meses-luta-pela-vida-apos-agressao-na-paraiba/#respond Tue, 10 Jun 2025 14:20:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=210445 Bebê está em estado grave; caso suspeito de violência doméstica mobiliza polícia e conselho tutelar; criança foi transferida de helicóptero para hospital de referência

Uma menina de apenas três meses de vida luta pela sobrevivência na UTI do Hospital de Emergência e Trauma Dom Luiz Gonzaga Fernandes, em Campina Grande. O estado crítico da criança, com traumatismo craniano, parada cardíaca e hemorragias, acendeu um alerta sobre possível caso de violência infantil no Sertão paraibano.

Na madrugada desta segunda-feira (9), uma mulher que se apresentou como tia da bebê chegou com a criança ao Hospital Regional de Sousa. Relatou que os pais estavam embriagados e envolvidos em uma briga doméstica quando o acidente teria ocorrido. Segundo seu relato, a mãe, em meio à discussão, deixou a menina cair acidentalmente.

Cena do crime e depoimentos contraditórios

Ao atender a ocorrência, policiais militares encontraram a mãe em evidente estado de embriaguez. Em declaração inicial, ela confirmou ter deixado a filha cair durante a discussão com o parceiro. No entanto, outros familiares contaram uma versão diferente à equipe de resgate: afirmaram ter percebido a gravidade da situação e acionado os serviços de emergência imediatamente.

Operação de resgate aéreo

Diante da gravidade dos ferimentos, a pequena paciente precisou ser transferida com urgência para Campina Grande. O Grupo de Resgate Aeromédico da Paraíba (Grame) realizou o transporte em uma UTI aérea, com acompanhamento de especialistas e do Conselho Tutelar de Sousa.

Quadro clínico preocupante

Médicos do hospital de referência confirmaram que a criança sofreu múltiplos traumas compatíveis com agressão física. Apesar de estar intubada e com o quadro estável após as primeiras intervenções, seu estado ainda é considerado grave. Os profissionais de saúde não descartam a possibilidade de lesões permanentes.

Investigação em andamento

A Delegacia de Sousa assumiu o caso e deve instaurar inquérito para apurar responsabilidades. As circunstâncias do ocorrido – incluindo o nível de embriaguez dos pais e as contradições nos relatos – serão minuciosamente analisadas. O Conselho Tutelar local acompanha o caso e já iniciou procedimentos para garantir a proteção da criança.

Alerta sobre violência infantil

Este triste episódio reacende o debate sobre a proteção de crianças em ambientes familiares violentos. Especialistas lembram que qualquer suspeita de maus-tratos contra menores deve ser imediatamente comunicada ao Disque 100 ou aos órgãos de proteção locais. A sociedade civil e as autoridades seguem mobilizadas, aguardando novidades sobre o estado de saúde da pequena vítima.

Com informações do Portal T5*

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Ex-primeira-dama da Paraíba está na mira da PGR por atos golpistas https://www.ocafezinho.com/2025/05/28/ex-primeira-dama-da-paraiba-esta-na-mira-da-pgr-por-atos-golpistas/ https://www.ocafezinho.com/2025/05/28/ex-primeira-dama-da-paraiba-esta-na-mira-da-pgr-por-atos-golpistas/#respond Wed, 28 May 2025 14:31:41 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=209611 Com vídeos e provas, Pâmela Bório é apontada como executora dos ataques aos Três Poderes; presença do filho menor agrava a denúncia

A Procuradoria-Geral da República (PGR) formalizou, nesta segunda-feira (26), um pedido de condenação contra Pâmela Bório, ex-primeira-dama da Paraíba, por sua participação nos episódios violentos ocorridos em 8 de janeiro de 2023, em Brasília. Ela é acusada de cometer cinco crimes, incluindo tentativa de golpe de Estado e destruição de patrimônio público. A PGR sustenta que ela não apenas levou seu filho menor de idade aos protestos, mas também atuou como uma das principais executoras dos ataques às sedes dos Três Poderes.

De acordo com informações do jornal O Globo, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, assinou um documento no qual classifica Pâmela como “executora material das invasões”. O texto afirma: “Pâmela Monique Cardoso Bório foi denunciada como executora material dos crimes […] invadiu as sedes dos Três Poderes da República em Brasília/DF e depredou bens públicos”.

Um dos pontos mais polêmicos do caso é a presença do filho de Pâmela, então com 12 anos, durante os atos criminosos. Em um vídeo compartilhado por ela nas redes sociais, a ex-primeira-dama pergunta ao menino: “Estamos fazendo o que aqui?”, ao que ele responde: “Estamos fazendo história… tirar o Brasil da mão do comunismo tirano”. A situação levou o ex-marido de Pâmela, Ricardo Coutinho (PT), a entrar na Justiça para solicitar a guarda do filho. Nas imagens divulgadas, é possível vê-la dentro do Congresso Nacional, acompanhada de manifestantes bolsonaristas, registrando vídeos e fotos com a criança.

Em sua defesa, Pâmela alega que estava nos locais dos ataques para realizar uma “cobertura jornalística”, justificativa que baseia em sua formação em Jornalismo pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB). Ela também negou que o filho estivesse com ela, afirmando que ele estava “de férias com tios”. No entanto, a PGR rejeitou essa versão, declarando: “A narrativa, no entanto, não se coaduna com os elementos de prova acostados aos autos, que denotam a ativa contribuição de Pâmela […]”.

Pâmela Bório ficou conhecida como apresentadora de telejornais em emissoras afiliadas da Rede Globo e do SBT entre 2001 e 2010. Em 2008, foi eleita Miss Bahia. Dois anos depois, iniciou um relacionamento com Ricardo Coutinho, com quem se casou em 2011, separando-se em 2015.

Em 2018, ela registrou uma queixa-crime contra o ex-marido, alegando ter sido agredida por parentes dele durante uma discussão. No mesmo ano, foi acusada de danificar o portão da granja de Coutinho ao tentar invadir a propriedade. Na ocasião, foi absolvida da acusação de dano qualificado, argumentando que agiu por medo de sofrer violência.

O caso segue em tramitação no Supremo Tribunal Federal (STF), onde Pâmela responde pelos crimes relacionados aos atos golpistas de 8 de janeiro.

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PF descobre esquema milionário de venda de sentenças https://www.ocafezinho.com/2024/10/25/pf-descobre-esquema-milionario-de-venda-de-sentencas/ https://www.ocafezinho.com/2024/10/25/pf-descobre-esquema-milionario-de-venda-de-sentencas/#respond Fri, 25 Oct 2024 17:27:08 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=195838 Operação em Mato Grosso do Sul expõe rede de corrupção absurda no Judiciário, envolvendo venda de decisões judiciais por desembargadores


Um esquema de corrupção no Poder Judiciário de Mato Grosso do Sul veio à tona, envolvendo desembargadores e seus próprios familiares em um complexo sistema de lavagem de dinheiro, extorsão e falsificação de documentos públicos. Conforme reportado pelo Metrópoles, os magistrados, que agiam em conluio com seus filhos advogados, formaram uma rede organizada para vender decisões judiciais a quem pagasse mais.

Entre os envolvidos, temos um verdadeiro “quem é quem” do Judiciário de MS:

  • Desembargador Vladimir Abreu da Silva e seus filhos:
    • Ana Carolina Machado Abreu da Silva
    • Marcus Vinícius Machado Abreu da Silva
  • Desembargador Alexandre Aguiar Bastos e sua filha:
    • Camila Cavalcante Bastos
  • Desembargador Divoncir Schreiner Maran, que atuava junto com seus quatro filhos:
    • Divoncir Schreiner Maran Júnior
    • Vanio Cesar Bonadiman Maran
    • Rafael Fernando Ghelen Maran
    • Maria Fernanda Ghelen Maran
  • Desembargador Sideni Soncini Pimentel e seus filhos:
    • Rodrigo Gonçalves Pimentel
    • Renata Gonçalves Pimentel

E para fechar, até o presidente do Tribunal de Justiça de MS, Sérgio Fernandes Martins, também está na lista dos investigados!

A Polícia Federal realizou uma megaoperação com 44 mandados de busca e apreensão contra os desembargadores, seus filhos advogados, e empresários suspeitos de se beneficiarem do esquema ilícito.

Durante as ações, foram apreendidos mais de R$ 3 milhões em dinheiro vivo, sendo R$ 2,7 milhões encontrados apenas na residência de um dos magistrados, além de armas.

As buscas e apreensões ocorreram em várias localidades, incluindo Campo Grande (MS), Brasília (DF), São Paulo (SP) e Cuiabá (MT), em uma tentativa de desmantelar a rede criminosa que atuava livremente no sistema judiciário.

Os investigados, agora afastados de seus cargos por um período inicial de 180 dias, terão de usar tornozeleiras eletrônicas e estão proibidos de acessar qualquer órgão público ou manter contato com outros envolvidos na operação.

Imagens via Metrópoles*

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Primeira dama de João Pessoa é presa https://www.ocafezinho.com/2024/09/28/primeira-dama-de-joao-pessoa-e-presa/ https://www.ocafezinho.com/2024/09/28/primeira-dama-de-joao-pessoa-e-presa/#respond Sat, 28 Sep 2024 14:06:26 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=193428 A primeira-dama de João Pessoa, Lauremília Lucena, foi presa na manhã deste sábado (28) pela Polícia Federal. A prisão ocorreu no âmbito de um mandado expedido como parte de uma investigação conduzida pela Justiça Eleitoral da Capital. Além da prisão de Lauremília, a operação também cumpriu outro mandado de prisão contra Tereza Cristina Barbosa e dois mandados de busca e apreensão.

A ação faz parte da 3ª fase da Operação Território Livre, batizada de “Sementem”, que investiga um suposto esquema de aliciamento violento de eleitores durante o pleito municipal. A operação contou com o apoio do Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público da Paraíba.

Tereza Cristina Barbosa é apontada como a secretária particular de Lauremília Lucena, e ambas são investigadas por sua participação em um esquema envolvendo a indicação de cargos na prefeitura de João Pessoa. Segundo as investigações, Lauremília teria influência na escolha de cargos que eram solicitados por pessoas ligadas a grupos que controlam comunidades na cidade. Em troca, esses grupos ofereceriam facilidades de acesso a essas áreas.

O nome de Lauremília já havia sido citado em documentos anteriores da Polícia Federal, em transcrições atribuídas a outras pessoas investigadas. Nessas transcrições, ela era mencionada como alguém com poder decisório sobre a indicação de cargos na administração pública.

A prisão da primeira dama agita a disputa pelo comando da capital da Paraíba. Adversários do prefeito Cícero Lucena vinham denunciando, há semanas, o aliciamento de eleitores por parte da campanha de Lucena pela reeleição.

Às 8h40 da manhã deste sábado, o prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena, marido de Lauremília, divulgou uma nota sobre o ocorrido. No texto, ele afirma que sua esposa é vítima de uma perseguição política, orquestrada por seus adversários às vésperas da eleição municipal. Ele menciona que, nos últimos dias, boatos sobre uma operação iminente circulavam pela cidade e que a ação de hoje teria sido prevista e denunciada publicamente pela deputada federal Eliza Virgínia no plenário da Câmara dos Deputados. Eliza teria alertado para o uso político das instituições com o objetivo de influenciar o pleito eleitoral em João Pessoa.

O prefeito criticou as versões divulgadas pela imprensa e por seus adversários, classificando-as como fantasiosas e inverídicas, com o objetivo de manchar a honra de sua esposa. Ele reforçou que Lauremília é uma mulher íntegra, respeitada e querida pelo povo da Paraíba, e que ela não teme as investigações. Segundo a nota, Lauremília demonstrará na Justiça que é vítima de uma grave perseguição política.

Cícero Lucena afirmou ainda que se trata de uma prisão política, já que Lauremília tem residência fixa e não se recusaria a prestar depoimento ou esclarecer os fatos. Ele criticou o uso de força desproporcional, pois sua esposa sequer foi convocada para prestar depoimento antes da prisão. Para ele, a ação dos adversários visa conquistar o poder a qualquer custo, sem respeito à sua família ou à cidade de João Pessoa.

A nota finaliza afirmando que Lauremília tem uma vida limpa e é uma benfeitora tanto na cidade quanto no estado da Paraíba. O prefeito acredita que ela provará sua inocência e que as injustiças cometidas contra sua família não ficarão impunes. Mesmo diante da prisão, a campanha eleitoral de Cícero continuará nas ruas, e o prefeito reafirma que nenhuma força política está acima de Deus ou da vontade soberana do povo.

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Escolas cancelam aulas por causa da fumaça https://www.ocafezinho.com/2024/09/17/escolas-cancelam-aulas-por-causa-da-fumaca/ https://www.ocafezinho.com/2024/09/17/escolas-cancelam-aulas-por-causa-da-fumaca/#respond Tue, 17 Sep 2024 07:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=192338 Escolas do Distrito Federal foram autorizadas a, caso considerem necessário, cancelar as aulas previstas para esta segunda-feira (16). A medida vale para as unidades escolares localizadas em áreas próximas à queimada que atinge, desde o domingo (15) o Parque Nacional de Brasília, o que prejudicou ainda mais a qualidade do ar que estava seca e, agora, apresenta fumaça e fuligem.

A orientação da Secretaria de Educação do DF (SEEDF ) é para que as escolas decidam de forma autônoma o cancelamento ou não das aulas. “Caso a gestão da escola identifique riscos à saúde da comunidade escolar, está autorizada a suspender temporariamente as atividades, garantindo, posteriormente, a apresentação de um calendário de reposição das aulas”, informou a secretaria.

Já foram canceladas as aulas do Centro de Ensino Médio da Asa Norte (CEAN), do CEM Paulo Freire, na 610 Norte e o Centro de Ensino Fundamental 1 do Lago Norte (CELAN).

A Universidade de Brasília (UnB) também cancelou o expediente presencial nesta segunda-feira, sugerindo que as atividades previstas poderão ser feitas de forma remota. Algumas escolas privadas já comunicaram que suspenderam as aulas de hoje.

Outras recomendações

Em meio à seca que há meses atinge a capital federal, a SEEDF já havia feito algumas orientações sobre medidas durante o período de estiagem. Entre elas, a suspensão temporária das aulas de educação física, mas com a ressalva de que os alunos devem ter outras atividades no mesmo horário, seguindo orientação da gestão escolar.

Foi também recomendado que as escolas mantenham os bebedouros em boas condições. A SEEDF sugeriu, aos estudantes, que levem sua garrafinha de água para a escola, de forma a terem condições de fazer um consumo regular de água.

Foi também sugerido que as salas de aula estejam sempre bem ventiladas; e que medidas de higiene sejam reforçadas em todos os ambientes escolares, o que inclui pátios, sanitários e salas de aula.

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Operação Buzz Bomb: PF prende operador de drones usados em ataques no Rio! https://www.ocafezinho.com/2024/09/16/operacao-buzz-bomb-pf-prende-operador-de-drones-usados-em-ataques-no-rio/ https://www.ocafezinho.com/2024/09/16/operacao-buzz-bomb-pf-prende-operador-de-drones-usados-em-ataques-no-rio/#respond Mon, 16 Sep 2024 20:45:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=192426 Foi cumprido um mandado de prisão preventiva contra o responsável por operar os drones lança-granadas

A Polícia Federal, com o apoio da Marinha do Brasil, lançou na manhã desta segunda-feira (16) a Operação Buzz Bomb, com o objetivo de reprimir o uso de drones por uma organização criminosa do Rio de Janeiro em ataques contra forças de segurança, facções rivais e milicianos.

Durante a operação, os policiais federais cumpriram um mandado de prisão preventiva contra o operador dos drones lança-granadas. A ordem judicial foi emitida pela 1ª Vara Criminal Especializada em Organização Criminosa do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ/RJ).

As investigações começaram após um ataque de traficantes dessa organização criminosa contra milicianos, no qual foram usados drones equipados para lançar explosivos, na comunidade de Gardênia Azul, localizada na Zona Oeste do Rio de Janeiro.

Os alvos dos mandados de prisão preventiva poderão responder pelos crimes de organização criminosa e posse de material explosivo / Divulgação / Polícia Federal

Durante as investigações, a Polícia Federal identificou o operador do drone utilizado no ataque de 15 de fevereiro de 2024. Além disso, foi constatado que os drones também eram empregados pela facção criminosa para monitorar as ações da polícia no Complexo da Penha e em outras áreas sob seu controle.

Os envolvidos, já denunciados pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MP/RJ), poderão ser processados por organização criminosa e posse de material explosivo.

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Brasília amanhece encoberta por fumaça de incêndio no Parque Nacional https://www.ocafezinho.com/2024/09/16/brasilia-amanhece-encoberta-por-fumaca-de-incendio-no-parque-nacional/ https://www.ocafezinho.com/2024/09/16/brasilia-amanhece-encoberta-por-fumaca-de-incendio-no-parque-nacional/#respond Mon, 16 Sep 2024 15:21:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=192337 A capital federal está encoberta por fumaça nesta segunda-feira (16).

Um incêndio, nesse domingo (15), tomou conta do Parque Nacional de Brasília e já destruiu mais de 1,2 mil hectares.  

Dois militares do Corpo de Bombeiros foram atingidos pelas chamas e encaminhados, com ferimentos leves, ao Hospital da Asa Norte.

O fogo começou, no final da manhã, próximo à Granja do Torto, casa de campo oficial da Presidência da República. Mas, por causa do clima quente e seco, as chamas se alastraram e atingiram a área do Parque.

O presidente do ICMBio, Mauro Pires, afirmou que há indícios de incêndio criminoso.

À tarde, o presidente Lula e a primeira-dama Janja sobrevoaram a região.

Lula disse que a Polícia Federal tem 52 inquéritos abertos contra responsáveis por incêndios criminosos.  E que nesta segunda-feira (16) vai se reunir com a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, e com o núcleo de governo para discutir mais ações para lidar com essa emergência climática.

Trinta e cinco combatentes dos Bombeiros e do ICMBio atuam na região. Um avião e um helicóptero auxiliam nos trabalhos.

Ainda hoje está prevista a chegada de reforço de equipes que atuam na Chapada dos Veadeiros, em Goiás.

Não há informação de fauna atingida.

Por causa do incêndio, o parque está fechado para visitantes.

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Quaest: Paes à frente de bolsonarista com 62% das intenções de voto no Rio https://www.ocafezinho.com/2024/07/24/quaest-paes-a-frente-de-bolsonarista-com-62-das-intencoes-de-voto-no-rio/ https://www.ocafezinho.com/2024/07/24/quaest-paes-a-frente-de-bolsonarista-com-62-das-intencoes-de-voto-no-rio/#respond Wed, 24 Jul 2024 14:40:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=188951 A pesquisa Quaest/Genial revela que o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), lidera com 62% das intenções de voto em um possível segundo turno contra Alexandre Ramagem (PL), que possui 25% das preferências.

No primeiro turno, Paes também mantém a vantagem, alcançando 52% das intenções de voto. Os demais candidatos, Alexandre Ramagem (PL), Tarcísio Motta (PSOL), Rodrigo Amorim (União) e Marcelo Queiroz (PP), obtêm 14%, 10%, 3% e 2%, respectivamente.

Realizada entre 19 e 22 de julho, a pesquisa contou com 1.104 entrevistas presenciais com eleitores do Rio de Janeiro e apresenta uma margem de erro de 3 pontos percentuais.

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Emergência zoossanitária: governo adota plano para combater Doença de Newcastle em aves do RS https://www.ocafezinho.com/2024/07/19/emergencia-zoossanitaria-governo-adota-plano-para-combater-doenca-de-newcastle-em-aves-do-rs/ https://www.ocafezinho.com/2024/07/19/emergencia-zoossanitaria-governo-adota-plano-para-combater-doenca-de-newcastle-em-aves-do-rs/#respond Fri, 19 Jul 2024 14:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=188656 O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) decretou, nesta sexta-feira (19), estado de emergência zoossanitária no Estado do Rio Grande do Sul devido à detecção do vírus patogênico da doença de Newcastle em aves comerciais. A medida, válida por 90 dias, busca controlar e erradicar a infecção conforme estabelecido no Plano de Contingência de Influenza Aviária e doença de Newcastle.

Medidas de contenção

A declaração de emergência permitirá uma vigilância epidemiológica mais ágil, incluindo ações rigorosas como o sacrifício de todas as aves nas áreas afetadas, limpeza e desinfecção dos locais, e a implementação de medidas de biosseguridade. Zonas de proteção e vigilância serão estabelecidas em um raio de 10 km das propriedades afetadas, juntamente com a definição de barreiras sanitárias.

Sobre a Doença de Newcastle

A doença de Newcastle (DNC) é uma enfermidade viral que afeta aves domésticas e silvestres, causando sinais respiratórios, nervosos, diarreia e edema da cabeça. De notificação obrigatória à OMSA, a doença é causada pelo vírus paramixovírus aviário sorotipo 1 (APMV-1). Os últimos casos confirmados no Brasil ocorreram em 2006, afetando aves de subsistência nos estados do Amazonas, Mato Grosso e Rio Grande do Sul.

Confirmação do foco

Em 17 de julho, foi confirmado pelo Mapa um diagnóstico positivo para a doença de Newcastle no município de Anta Gorda (RS). A análise foi realizada pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária de São Paulo (LFDA-SP), reconhecido internacionalmente pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) para o diagnóstico da doença. A investigação epidemiológica foi conduzida pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação do Rio Grande do Sul (Seapi).

Segurança alimentar garantida

O Mapa tranquiliza a população sobre a segurança do consumo de carne de frango e ovos, mesmo na região afetada. Os produtos avícolas inspecionados pelo Serviço Veterinário Oficial (SVO) continuam sendo seguros para consumo.

Projeto de lei em tramitação

Para fortalecer as ações de resposta a emergências fitossanitárias e zoossanitárias, o Mapa elaborou um Projeto de Lei, já aprovado pela Casa Civil e atualmente em análise no Congresso Nacional. A aprovação da lei permitirá uma resposta mais rápida e coordenada envolvendo União, estados e municípios em operações de defesa agropecuária.

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Megaoperação contra milícia do Rio tem prisões e apreensão de armas e drogas https://www.ocafezinho.com/2024/07/15/megaoperacao-contra-milicia-do-rio-tem-prisoes-e-apreensao-de-armas-e-drogas/ https://www.ocafezinho.com/2024/07/15/megaoperacao-contra-milicia-do-rio-tem-prisoes-e-apreensao-de-armas-e-drogas/#respond Mon, 15 Jul 2024 17:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=188242 A Operação Ordo, lançada para combater traficantes e milicianos na zona oeste do Rio de Janeiro, já resultou na prisão de três homens envolvidos em atividades criminosas. A operação, que começou nas primeiras horas da manhã desta segunda-feira (15), está sendo conduzida em dez comunidades dos bairros de Jacarepaguá, Barra da Tijuca, Recreio, Itanhangá, Vargem Grande e Vargem Pequena.

Entre as áreas visadas estão Rio das Pedras, Terreirão, César Maia/Coroado, Cidade de Deus, Muzema, Gardênia Azul, Tijuquinha, Fontela, Morro do Banco e Sítio do Pai João.

Ação policial ocorre em dez comunidades da zona oeste do Rio. Foto Carlos Magno/Governo do Estado do Rio

Durante a operação, a polícia apreendeu um carro abandonado na Linha Amarela, contendo três granadas, uma arma Beretta 9 mm, 102 papelotes de maconha e uma quantia em dinheiro.

A ação também levou à autuação de uma fábrica de gelo na Cidade de Deus por poluição do solo e furto de água.

O governador Cláudio Castro afirmou que a operação não tem prazo para terminar e envolve um grande contingente de segurança, incluindo dois mil policiais militares, civis e agentes do programa Segurança Presente, com apoio de 300 viaturas, 37 motocicletas, dois helicópteros e drones com tecnologia de reconhecimento facial e leitura de placas. O Centro Integrado de Comando e Controle Móvel foi instalado na Barra da Tijuca para coordenar as atividades.

Créditos Governo do Estado do Rio/ Foto CARLOS MAGNO

Castro enfatizou a importância da operação para combater as organizações criminosas e desarticular empresas de fachada que financiam o crime. “Vamos livrar essas áreas dos criminosos”, afirmou o governador em nota oficial.

As ações da Operação Ordo incluem o cumprimento de mandados de busca, apreensão e prisão, e o patrulhamento intensificado nos principais eixos viários dos bairros afetados. A Secretaria de Estado de Educação informou que as atividades escolares não foram prejudicadas devido ao período de férias, e as unidades estaduais de saúde estão operando normalmente.

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Prefeito do Rio não vê apoio de Lula como decisivo https://www.ocafezinho.com/2024/06/20/prefeito-do-rio-nao-ve-apoio-de-lula-como-decidivo/ https://www.ocafezinho.com/2024/06/20/prefeito-do-rio-nao-ve-apoio-de-lula-como-decidivo/#respond Thu, 20 Jun 2024 12:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=185964 Pesquisa mostra prefeito do Rio com vantagem suficiente para vencer no primeiro turno. Seguro de sua vantagem, Paes resiste à indicação de André Ceciliano, ex-deputado estadual, como seu vice, uma escolha sugerida pelo PT.

Uma pesquisa Quaest, divulgada na última terça-feira (18/06), indica que Eduardo Paes (PSD), atual prefeito do Rio de Janeiro, lidera a disputa pela prefeitura com 51% das intenções de voto, o que garantiria sua reeleição no primeiro turno.

Seguro de sua vantagem, Paes resiste à indicação de André Ceciliano, ex-deputado estadual, como seu vice, uma escolha sugerida pelo PT. O Partido dos Trabalhadores argumenta que a campanha ainda não começou oficialmente e que a popularidade de Alexandre Ramagem, associado a Jair Bolsonaro, pode crescer com o início das campanhas, aumentando a polarização.

Apesar disso, a direção do PSD prefere formar uma chapa pura, e Paes deseja ter o deputado federal Pedro Paulo (PSD-RJ) como seu vice. Ainda assim, Paes pretende contar com o apoio do presidente Lula e deve convidá-lo para participar de sua campanha na capital carioca.

Com informações de Vinícius Nunes, para o Blog do Noblat.

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A agenda de direita do PT no Piauí silencia lideranças do partido https://www.ocafezinho.com/2024/05/11/a-agenda-de-direita-do-pt-no-piaui-silencia-liderancas-do-partido/ https://www.ocafezinho.com/2024/05/11/a-agenda-de-direita-do-pt-no-piaui-silencia-liderancas-do-partido/#comments Sat, 11 May 2024 12:49:21 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=182454 5 Comentários 🔥]]> Privatização da estatal de água e esgoto com discussão pública limitada a um chat na internet. Flexibilização das leis ambientais para atender aos interesses de grandes empresas. Recusa em negociar com professores da universidade estadual em greve por mais de dois meses. Indicação da esposa do ex-governador para um cargo vitalício no Tribunal de Contas.

Não haveria novidade alguma se o parágrafo acima poderia se referisse às políticas de um governador bolsonarista ou de uma legenda do centrão.

No entanto, são essas as marcas da gestão do petista Rafael Fonteles, governador do Piauí, eleito em 2022 com apoio do seu antecessor Wellington Dias, eleito senador na mesma eleição e atual ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome.

Das iniciativas tomadas por Fonteles, a mais surpreendente é a de vender a empresa pública Águas e Esgotos do Piauí (Agespisa) ao mesmo tempo em que o PT luta contra a privatização da Sabesp, a estatal paulista de saneamento, pelo governador Tarcísio de Freitas, ex-ministro de Jair Bolsonaro.

O esforço dos petistas paulistas contra a privatização merece destaque nos canais de comunicação do partido. No site oficial do PT, por exemplo, há dezenas de matérias e editoriais contra a pressa e os métodos do governo paulista para privatizar a estatal. Uma consulta rápida no Google mostra, pelo menos 21 conteúdos sobre o assunto, onde a venda da Sabesp é tratada como “ataque ao patrimônio público”.

Infelizmente, não é possível saber se a privatização da estatal piauiense é vista da mesma forma pelo site do PT nacional, afinal não foi possível encontrar qualquer texto ou postagem sobre o tema nos canais e perfis do partido.

SILÊNCIO REVELADOR

Depois de republicar reportagem do site Ocorre Diário, portal de jornalismo independente do Piauí, a Marco Zero tentou saber o que lideranças do PT teriam a comentar sobre o projeto do governador Fonteles e a óbvia contradição entre os posicionamentos do partido em dois estados. O silêncio foi semelhante ao do site oficial.

Primeiro, tentamos a secretária nacional de Comunicação do PT, em Brasília. Foi sugerido que procurássemos a direção estadual do PT em São Paulo por ela estar lidando diretamente com o tema. Fazia sentido. Os contatos inciais forma promissores, a ponto da assessoria de imprensa do PT paulista nos prometer uma nota ou uma entrevista. Ficou na promessa. A assessora simplesmente deixou de responder às mensagens.

Com o PT do Piauí, a reação foi pior. As assessorias dos deputados estaduais Hélio Isaías e Franzé Silva ignoraram os contatos da Marco Zero. A secretaria de comunicação da direção estadual do partido não fez diferente.

Enquanto tentávamos em vão entrevistar dirigentes do PT em Brasília, São Paulo e Teresina, procuramos também os principais nomes do PT em Pernambuco. Só quem aceitou comentar a questão foram a deputada estadual Rosa Amorim e o ex-prefeito do Recife e também deputado estadual João Paulo. Ambos criticaram a privatização da água, como se verá abaixo.

O senador Humberto Costa, principal nome do partido em Pernambuco, escapou pela tangente. Sua assessoria informou que ele não falaria “por não estar a par da situação no Piauí”. Ao menos respondeu. A assessoria da senadora Teresa Leitão informou que ela não se posicionaria sobre o caso específico do Piauí, assim como não comentou o de São Paulo, mas afirmou que ela é contrária à privatização da Compesa.

Já o deputado estadual e presidente da legenda em Pernambuco, o deputado estadual Doriel Barros, e o deputado federal Carlos Veras ignoraram os pedidos de entrevista.

Um dirigente estadual que também é ativista ambiental se comprometeu a comentar o caso, antecipando que iria fazer um crítica aos companheiros do Piauí que, segundo ele, estariam conduzindo a privatização de maneira ainda mais autoritária do que Tarcísio de Freitas, em São Paulo. No entanto, antes de conceder a entrevista, ele teria que avisar a algumas pessoas da direção estadual que falaria com o repórter. Depois disso, se calou.

ROSA E JOÃO SE POSICIONAM

João Paulo foi o único dos petistas consultados pela Marco Zero a não hesitar. Ele criticou abertamente a postura da gestão piauiense comandada pelo seu partido.

“Não conheço a realidade do Piauí, mas conheço a realidade das empresas que foram privatizadas no Brasil. Conheço a realidade da Neoenergia aqui em Pernambuco e testemunhamos uma realidade de tarifas altas e interrupções prolongadas de fornecimento de energia em vários bairros e cidades”, afirmou, lembrando que apresentou o pedido de uma CPI para investigar a queda de qualidade dos serviços da antiga Celpe.

“Nós não podemos ser contrários à privatização quando somos oposição e privatizar em um estado onde governamos. É preciso coerência! Acesso à água é um direito público, não uma mercadoria”, alfinetou o ex-prefeito da capital pernambucana.

Em nota enviada por e-mail, Rosa Amorim também diz ser contrária à privatização da água e da Compesa, sem fazer referência à política conduzida pelo seu correligionário no Piauí:

“É inaceitável a privatização do acesso à água, ainda mais quando estamos falando de uma empresa eficiente, mesmo que ela tenha muitos desafios para garantir a universalização do acesso, porque a crise no abastecimento é um fato”.

“BOIADA” VERMELHA

Filho de um petista histórico no Piauí, o ex-deputado federal Nazareno Fonteles, o governador não tem laços com os movimentos sociais. Na verdade, nada indicava que Rafael Fonteles seria político. A carreira científica parecia ser o destino mais óbvio para quem passou a adolescência ganhando medalhas de ouro em Olimpíadas de Física e Matemática e, aos 22 anos, já era mestre em Matemática.

Logo, ele seguiu outro rumo ao se tornar um empresário bem sucedido na educação privada à frente do Instituto de Ensino Superior, uma faculdade focada em cursos de Direito, Gestão e Tecnologia. Depois de integrar a equipe de Wellington Dias como secretário da Fazenda, foi eleito governador no primeiro turno, com mais de 57% dos votos.

Pouco depois de tomar posse, já indicou Rejane Dias, esposa do seu padrinho político, Wellington Dias, para uma vaga de conselheira vitalícia do Tribunal de Contas do Estado.

Distante das lutas sociais em defesa do Meio Ambiente, agora Fonteles iniciou uma ofensiva para reformar e “flexibilizar” as leis ambientais do estado. O projeto começou a tramitar na Assembleia Legislativa e tem como relator um deputado do PT.

De acordo com reportagem publicada pelo Ocorre Diário no dia 2 de maio, ambientalistas, cientistas e até a defensoria pública criticam vários artigos da proposta, que lembra a “boiada” idealizada por Ricardo salles, o ex-ministro do Meio Ambiente de Bolsonaro.

Um dos artigos propostos pelo governador petista cria a possibilidade de emissão de um “licenciamento ambiental de natureza cautelar” a ser emitido pelo secretário de Meio Ambiente caso a “morosidade do licenciamento oferecer prejuízos ao empreendedor ou ao estado”. O defensor público Humberto Rodrigues avaliou que o artigo é inconstitucional e, na prática, seria o fim do licenciamento ambiental.

Em outro artigo, Fonteles quer anular as multa decorrentes de infrações ambientais cometidas no curso do pedido de licenciamento. Traduzindo: se o empresário cometer um crime ambiental depois que tiver dado entrada no pedido de licenciamento, o valor da multa seria zerado.

Na reportagem, o professor da Universidade Federal do Piauí (UFPI) Davi Pantoja chamou a atenção para o artigo 23 que concede até 95% de desconto para multas de infração ambiental.

“É praticamente uma isenção. É surreal. Para que existe a multa? A multa não pode ser um preço para cometer infrações. A multa tem que efetivamente coibir a ação nociva ao meio ambiente. As atividades mais impactantes são extremamente lucrativas”, argumentou.

Reportagem publicada originalmente no portal Marco Zero em 08/05/2024

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