ABIN - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/abin/ Portal de noticias e análises sobre política brasileira, geopolítica, economia, tecnologia, sempre numa perspectiva democrática, progressista, anti-imperialista e multipolar! Sun, 07 Dec 2025 15:00:20 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://www.ocafezinho.com/wp-content/uploads/2015/10/cropped-Logo_Cafezinho_tmb-32x32.png ABIN - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/abin/ 32 32 CPI do Crime Organizado ouve ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski https://www.ocafezinho.com/2025/12/08/cpi-do-crime-organizado-ouve-ministro-da-justica-ricardo-lewandowski/ https://www.ocafezinho.com/2025/12/08/cpi-do-crime-organizado-ouve-ministro-da-justica-ricardo-lewandowski/#respond Mon, 08 Dec 2025 10:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=222662 O ministro deve compartilhar sua experiência no enfrentamento de organizações criminosas na terça-feira

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, será ouvido na reunião da CPI do Crime Organizado agendada para terça-feira (9), às 9h. Ele deverá compartilhar sua experiência no cargo sobre o enfrentamento das organizações criminosas.

A oitiva atende a requerimento (REQ 2/2025 – CPICRIME) do relator do colegiado, senador Alessandro Vieira (MDB-SE).

No requerimento, Alessandro também convida o ministro da Defesa, José Mucio Monteiro Filho, do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Luiz Fernando Corrêa. Ainda não há confirmação das datas de comparecimento.

Alessandro considera que a experiência dessas autoridades é de fundamental importância para a elaboração do diagnóstico da ameaça do crime organizado e das políticas públicas do setor.

“O enfrentamento eficaz dessa modalidade criminosa não é tarefa de um único órgão, mas exige uma atuação coordenada, sinérgica e robusta de múltiplas esferas do Poder Executivo, abrangendo desde a inteligência estratégica até a repressão qualificada e o controle do sistema prisional”, acrescenta.

Publicado originalmente pela Agência Senado em 05/12/2025

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STF decreta preventiva e amplia pressão sobre Ramagem https://www.ocafezinho.com/2025/11/21/stf-decreta-preventiva-e-amplia-pressao-sobre-ramagem/ https://www.ocafezinho.com/2025/11/21/stf-decreta-preventiva-e-amplia-pressao-sobre-ramagem/#comments Fri, 21 Nov 2025 18:42:46 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=221735 1 Comentário 🔥]]> Ministro Alexandre de Moraes emite mandado contra deputado federal (PL-RJ), que deixou o país em setembro e se encontra nos Estados Unidos

Em um desdobramento de grande impacto nas investigações sobre a tentativa de golpe de Estado no Brasil, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decretou a prisão preventiva do deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ). A decisão surge após a condenação do parlamentar a 16 anos de prisão, no âmbito da mesma ação penal que também condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

A situação se torna ainda mais delicada pelo fato de Ramagem ter se ausentado do país no mesmo mês em que a condenação, proferida pela Primeira Turma do STF, foi anunciada. O parlamentar, segundo informações, não retornou ao Brasil desde setembro.


A fuga e a licença sob suspeita

De acordo com reportagem do Platô BR, o deputado está atualmente em Miami, nos Estados Unidos. Contudo, o trajeto para deixar o território nacional teria sido mais complexo e discreto. O portal G1 noticiou que Ramagem teria voado para Boa Vista, em Roraima, de onde seguiu de carro em uma viagem clandestina em direção à fronteira, continuando para outro país.

Paralelamente à sua saída do Brasil, o deputado solicitou uma licença de 30 dias por tratamento de saúde à Câmara dos Deputados em setembro, e a renovou em 13 de outubro, mantendo a validade até 12 de dezembro. No entanto, a Câmara dos Deputados informou que não foi comunicada oficialmente sobre a ausência do parlamentar no exterior.


O papel de ramagem na trama golpista

Alexandre Ramagem, antes de ingressar na política, era delegado da Polícia Federal e ganhou notoriedade ao chefiar a equipe de segurança de Jair Bolsonaro após o ataque a faca sofrido pelo político na campanha eleitoral de 2018. Sua ascensão durante o governo anterior o levou ao cargo de diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin).

Ele deixou a direção da Abin em 2022 para se candidatar a deputado federal pelo Rio de Janeiro, sendo eleito com 59.170 votos. Em 2024, ele tentou, sem sucesso, a prefeitura do Rio.

Ramagem foi um dos oito réus condenados em setembro pela Primeira Turma do STF pela articulação golpista. A Procuradoria-Geral da República (PGR) o acusou de ter utilizado a estrutura da Abin para promover os planos antidemocráticos. A tese acusatória aponta que ele teria comandado uma “Abin paralela” que se dedicava a monitorar adversários e críticos do governo Bolsonaro, além de produzir e disseminar informações falsas e coordenar ataques virtuais.

Mais grave ainda, a acusação sustenta que Ramagem teria fornecido material ao ex-presidente com o objetivo de dar suporte ao ataque às urnas eletrônicas e justificar uma eventual intervenção das Forças Armadas.


Defesa e imunidade parlamentar

Em suas alegações finais, a defesa de Ramagem pediu a absolvição do deputado, alegando que ele não poderia ser responsabilizado por todos os atos praticados no âmbito da Abin durante sua gestão, “salvo se se admitisse eventual responsabilização por culpa”.

No julgamento, o ex-diretor da Abin foi o único réu a ser condenado por três crimes, e não cinco. Isso ocorreu porque, por ser deputado federal com mandato em curso, a Primeira Turma do STF decidiu suspender as acusações de dano contra o patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado – crimes estes ligados aos ataques de 8 de janeiro. A suspensão foi concedida em virtude de sua imunidade parlamentar, já que, segundo a acusação, os fatos teriam ocorrido após ele assumir o cargo.

A decretação da prisão preventiva contra um deputado federal, condenado por tentativa de golpe de Estado, representa um passo significativo na responsabilização dos envolvidos nos eventos que abalaram a democracia brasileira.

Com informações de BBC*

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Senadores e deputados avaliam audiência com diretor da Abin como produtiva https://www.ocafezinho.com/2025/07/02/senadores-e-deputados-avaliam-audiencia-com-diretor-da-abin-como-produtiva/ https://www.ocafezinho.com/2025/07/02/senadores-e-deputados-avaliam-audiencia-com-diretor-da-abin-como-produtiva/#respond Wed, 02 Jul 2025 22:30:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=211872 Luiz Fernando Corrêa respondeu questionamentos sobre a atuação da Agência Brasileira de Inteligência

Senadores e deputados da Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência (CCAI) consideraram produtiva a audiência realizada nesta quarta-feira (2) com o diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Luiz Fernando Corrêa. Conforme estabelece a Resolução do Congresso Nacional n.2 de 2013, a reunião foi secreta, e conduzida pelo presidente da comissão, deputado Filipe Barros (PL-PR), com participação do vice-presidente, senador Nelsinho Trad (PSD-MS), durou cerca de duas horas.

Segundo Filipe Barros, o diretor respondeu a todos os questionamentos feitos pelos parlamentares sobre temas como suposta espionagem com o Paraguai, denúncias de “Abin paralela” e outros assuntos relacionados à atuação da agência. O deputado destacou que todos se sentiram contemplados com as explicações e elogiaram a transparência do diretor.

A sessão foi suspensa e a comissão voltará a se reunir no próximo dia 16, às 15h, para dar continuidade à pauta deliberativa e decidir sobre possíveis convites a novas autoridades, como o ministro da Casa Civil, Rui Costa, para prestar esclarecimentos.

Publicado originalmente pela Agência Senado em 02/07/2025

Por Vinícius Gonçalves, sob supervisão de Patrícia Oliveira

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Bolsonaro sabia que ABIN paralela espionava seus ex-aliados https://www.ocafezinho.com/2025/06/23/bolsonaro-sabia-que-abin-paralela-espionava-seus-ex-aliados/ https://www.ocafezinho.com/2025/06/23/bolsonaro-sabia-que-abin-paralela-espionava-seus-ex-aliados/#respond Mon, 23 Jun 2025 22:25:40 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=211160 O relatório final da Polícia Federal sobre a ABIN (Agência Brasileira de Inteligência) “paralela” afirma que o sistema First Mile, usado pelo órgão, contêm em seu registro uma série de ações clandestinas contra Rodrigo Maia, Joice Hasselman, o ex-ministro Onyx Lorenzoni e o advogado Antônio Rueda, Vice-Presidente do Partido Social Liberal (atualmente União Brasil). Todos são ex-apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que tinha conhecimento do monitoramento enquanto ainda estava no cargo.

As evidências apontam que essa ação foi executada pela estrutura “paralela” da ABIN sob determinação do seu então Diretor-Geral, Alexandre Ramagem. A PF obteve acesso a inúmeras conversas de WhatsApp e dentre elas uma mensagem encaminhada por ele chamou a atenção:

Print de conversa no WhatsApp de Ramagem

O “Próprio”, nesse caso, é Roberto Bertholdo, que foi investigado em 2020 no caso de esquema de corrupção na Saúde do Rio de Janeiro. A organização estava tentando vincular as imagens dos ex-apoiadores e críticos de Bolsonaro ao de corruptos por meio de notícias falsas.

A Controladoria-Geral da União (CGU) também descobriu que Felipe Arlotta, assessor de Ramagem, imprimiu arquivos que detalhavam ações para monitorar de forma clandestina os deputados federais.

Print de conversa do WhatsApp com monitoramento ilegal das posições dos envolvidos


Paulo Maurício, oficial da Agência, destacou em um dos seus depoimentos a PF que Arlotta teria lhe telefonado pedindo o contato da empresa de segurança responsável de um endereço em Brasília e que, em momento posterior, Ramagem o teria pedido que filmasse todo mundo que saísse da residência. O documento da Polícia Federal não explicita quem morava no local, mas deixa claro que eram eventuais opositores de Bolsonaro.

A ação de monitoramento direcionado contra Roberto Bertholdo visava atingir, também, o ex-ministro Onyx Lorenzoni após sua saída do governo. Jair Bolsonaro sabia do que estava acontecendo, pelo que se depreende da anotação de Ramagem nomeada “PR presidente” contendo informações do caso. Ela foi encaminhada para o ex-presidente pelo WhatsApp.

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Relatório da PF revela que Carlos Bolsonaro foi o idealizador da ABIN paralela https://www.ocafezinho.com/2025/06/19/relatorio-da-pf-revela-que-carlos-bolsonaro-foi-o-idealizador-da-abin-paralela/ https://www.ocafezinho.com/2025/06/19/relatorio-da-pf-revela-que-carlos-bolsonaro-foi-o-idealizador-da-abin-paralela/#respond Fri, 20 Jun 2025 01:33:01 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=211066 O relatório final da Polícia Federal sobre a ABIN (Agência Brasileira de Inteligência) paralela, que ilegalmente investigava inimigos políticos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), indicou Carlos Bolsonaro (PL), seu filho, como idealizador e um dos maiores líderes da cúpula da organização criminosa.

Carlos era responsável por enraizar comparsas do clã Bolsonaro em diversas esferas do governo, criando múltiplas facetas de uma organização paralela de poder. Ele atuou como figura central nas estratégias de comunicação da última presidência e foi apontado pelo inquérito das fake news como pivô do esquema ilegal de disseminação em massa de informações falsas conhecido como “Gabinete do Ódio”. O atual vereador do Rio de Janeiro já admitiu ser responsável pelas redes sociais de Jair Bolsonaro.

A investigação também apontou Carluxo como a figura central que estruturou a “inteligência paralela” e o núcleo político (leia-se bolsonarista) da ABIN. Ele comandava, de forma extraoficial, os agentes Felipe Arlotta Freitas, Henrique César Zordan e Alexandre Ramalho Dias Ferreira. Os três eram responsáveis pelas ações clandestinas realizadas pelo órgão, como vigilância indevida, falsificação de provas e monitoramento ilegal de agentes considerados por eles inimigos do Estado. Eles também trabalharam de forma irregular na sua campanha eleitoral para vereador.

Conversas de WhatsApp de Giancarlo Gomes Rodrigues e Marcelo Bormevet, que investigaram e ameaçaram o Ministro Alexandre de Moraes, revelam também que Carlos Bolsonaro era o destinatário final e direcionador das informações produzidas pela estrutura paralela da ABIN.

A partir de certo ponto, quando os inquéritos do STF (Supremo Tribunal Federal) começaram a chegar perto de Jair Bolsonaro, Carlos denominou que a tarefa máxima da contrainteligência da ABIN seria a de “proteger” a sua família.

Para conquistar esse objetivo, Carluxo não mediu esforços e chegou até a usar sua assessora, Luciana Paula Garcia da Silva Almeida, para defender os interesses de seu pai. O relatório cita mensagens que ela mandou a Alexandre Ramagem, então diretor-geral da ABIN, pedindo ajuda com os inquéritos da Polícia Federal que “envolviam PR e 3 filhos”, referindo-se ao presidente e seus três filhos. Ela se defendeu, falando que a sigla remetia a um pastor, e não a Bolsonaro.

Luciana Almeida também teve participação ativa na ação clandestina de ataques ao sistema eleitoral e ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) a mando da ABIN paralela. Foi ela que obteve o Inquérito Policial Federal que investigava a invasão de sistemas e banco de dados do TSE que foram publicados nas redes de Jair Bolsonaro. Carlos já admitiu ser o gerente de todas as contas de seu pai.

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Jair Renan foi protegido pela ABIN paralela a mando de seu pai https://www.ocafezinho.com/2025/06/19/jair-renan-foi-protegido-pela-abin-paralela-a-mando-de-seu-pai/ https://www.ocafezinho.com/2025/06/19/jair-renan-foi-protegido-pela-abin-paralela-a-mando-de-seu-pai/#respond Thu, 19 Jun 2025 20:27:04 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=211064 Jair Renan Bolsonaro (PL), o filho “04” do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), foi beneficiado por investigações e interferências ilegais executadas pela ABIN paralela no caso em que foi investigado por tráfico de influência.

O atual vereador de Balneário Camboriú recebeu um carro elétrico do empresário Wellington Leite, do grupo WK, um pouco antes de se encontrar com o então presidente Jair Bolsonaro em 2021. Sua empresa tinha interesse em investir em projetos de casas populares do Ministério do Desenvolvimento Regional.

A Polícia Federal, na época, abriu um inquérito para investigar o ocorrido. O relatório final da PF sobre a ABIN paralela revelou que alguns policiais federais membros do órgão clandestino tentaram, a mando de Alexandre Ramagem, plantar uma falsa prova de que o carro foi usado por Allan Gustavo Lucena do Norte, sócio de Jair Renan, para “proteger o filho” de Bolsonaro.

A ação foi executada diretamente pelo policial federal Luiz Felipe Barros Felix, que vigiou fisicamente Allan Gustavo com o objetivo de forjar alguma prova. Ele foi identificado e a polícia militar foi acionada, mas Luiz Felipe fugiu antes de ser pego em flagrante.

A ação foi inútil, já que a própria investigação da polícia federal afastou a premissa de que o veículo fosse da posse de Jair Renan. Após a exposição da operação fracassada, Luiz Felipe Barros Felix foi “devolvido” à Polícia Federal, sendo retirado da cúpula da ABIN paralela, em uma aparente tentativa de responsabilizá-lo individualmente e afastar as suspeitas da organização.

Henrique César Prado Zordan e outros membros da organização criminosa tentaram dar aparência de legalidade ao ocorrido, inserindo um relatório forjado no sistema oficial da ABIN para proteger a operação fracassada. O texto foi considerado “pobre de conteúdo” e “desnecessário” pela direção-geral do órgão, e decidiu-se que ele não seria divulgado.

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STF retira sigilo de investigação sobre uso de programa secreto pela Abin https://www.ocafezinho.com/2025/06/19/stf-retira-sigilo-de-investigacao-sobre-uso-de-programa-secreto-pela-abin/ https://www.ocafezinho.com/2025/06/19/stf-retira-sigilo-de-investigacao-sobre-uso-de-programa-secreto-pela-abin/#respond Thu, 19 Jun 2025 09:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=211028 Para ministro Alexandre de Moraes, providência é necessária para cessar vazamentos e informações contraditórias que podem prejudicar a investigação

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o levantamento do sigilo dos autos da Petição (Pet) 11108, que investiga o uso de um programa secreto de monitoramento pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante o governo Bolsonaro. A decisão foi tomada após a constatação de vazamentos seletivos de trechos do relatório policial, que resultaram em matérias contraditórias na imprensa.

“Em que pese o sigilo dos autos, lamentavelmente, vêm ocorrendo inúmeros vazamentos seletivos de trechos do relatório apresentado pela autoridade policial, com matérias confusas, contraditórias e errôneas na mídia”, afirmou o relator. Para o relator, a continuidade de vazamentos seletivos pode prejudicar a instrução processual. Foi mantido o sigilo apenas das petições relacionadas a dados bancários e fiscais dos investigados.

A investigação começou após reportagem publicada pelo jornal “O Globo” em 14 de março de 2023, em que a Abin confirmava o uso de um programa secreto para monitorar alvos específicos. Em 12 de junho de 2025, a PF encaminhou o relatório final da investigação ao STF.

O ministro determinou o envio dos autos à Procuradoria-Geral da República (PGR) para manifestação no prazo de 15 dias e a intimação dos advogados das partes envolvidas.

Leia a íntegra do despacho.

Veja a íntegra do relatório da PF.

Publicado originalmente pelo STF em 18/06/2025

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PF indicia Carlos Bolsonaro e Ramagem no inquérito da “Abin Paralela” https://www.ocafezinho.com/2025/06/18/pf-indicia-carlos-bolsonaro-e-ramagem-no-inquerito-da-abin-paralela/ https://www.ocafezinho.com/2025/06/18/pf-indicia-carlos-bolsonaro-e-ramagem-no-inquerito-da-abin-paralela/#respond Wed, 18 Jun 2025 20:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=211022 Lista entregue ao Supremo inclui 36 nomes

A Polícia Federal (PF) indiciou o vereador Carlos Bolsonaro e o deputado federal Alexandre Ramagem no inquérito que investiga um suposto esquema de espionagem montado na Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante o governo de Jair Bolsonaro. À época, Ramagem era o diretor-geral da Abin.

Entre os indiciados também está a cúpula atual da Abin, que tem Luiz Fernando Corrêa como diretor-geral. Com isso, a PF concluiu a investigação e enviou o inquérito da chamada “Abin Paralela” ao Supremo Tribunal Federal (STF). A lista entregue ao Supremo inclui 36 nomes

O principal alvo da investigação é o uso da Abin para monitorar ilegalmente autoridades públicas durante o governo Bolsonaro.

De acordo com a PF, policiais e delegados da corporação que estavam cedidos à Abin, além de servidores do órgão, teriam participado de uma organização criminosa para cumprir ações ilegais de espionagem.

Durante a apuração, os investigadores da PF descobriram que foi realizada uma ação para obtenção de informações sigilosas de autoridades do Paraguai envolvidas nas negociações do contrato de energia da usina hidrelétrica de Itaipu, operada pelos dois países.

Alexandre Ramagem não comentou o indiciamento, mas já negou anteriormente a existência do esquema. Carlos Bolsonaro se manifestou nas redes sociais e alegou que a operação da PF tem motivação política, visando as eleições de 2026.

A Abin afirmou que não vai se manifestar sobre os indiciamentos. Em abril, o diretor-geral da agência publicou uma nota em que dizia estar à disposição das autoridades competentes para prestar quaisquer esclarecimentos, seja no âmbito administrativo, civil ou criminal.

Publicado originalmente pela Agência Brasil* em 17/06/2025

* Colaborou Gabriel Brum, repórter da Rádio Nacional

Edição: Marcelo Brandão

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Ramagem tenta escapar do rastro de um golpe em ruínas https://www.ocafezinho.com/2025/06/12/ramagem-tenta-escapar-do-rastro-de-um-golpe-em-ruinas/ https://www.ocafezinho.com/2025/06/12/ramagem-tenta-escapar-do-rastro-de-um-golpe-em-ruinas/#respond Thu, 12 Jun 2025 08:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=210427 A defesa de Ramagem tenta desvinculá-lo da espionagem e da rede de desinformação atribuída à Abin durante sua gestão

O deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) negou, durante depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF) na segunda-feira (9), qualquer envolvimento em uma suposta tentativa de impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva após as eleições de 2022. O parlamentar, que também foi diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), é acusado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) de integrar um esquema ilegal de espionagem e disseminação de desinformação contra adversários do então governo.

Leia também: Acusado de golpismo, Ramagem enfrenta o STF

Considerado o segundo réu do chamado “núcleo crucial” da investigação a ser ouvido, Ramagem afirmou estar confiante quanto à sua inocência:

“Não há veracidade na imputação de crimes. Estamos aqui para demonstrar inocência.”

Ele também comentou sobre documentos encontrados em seus dispositivos com críticas ao sistema eleitoral brasileiro, classificando-os como “anotações privadas” e rejeitando a ideia de que fizessem parte de um plano orquestrado contra as urnas eletrônicas.

Acusação aponta uso irregular da Abin para fins políticos

A PGR sustenta que, durante o período em que Ramagem comandou a Abin, a agência teria sido utilizada de forma ilegal para monitorar opositores do governo Jair Bolsonaro e disseminar conteúdos falsos nas redes sociais. Segundo a denúncia, o ex-diretor “supervisionou e teve pleno conhecimento” de uma estrutura paralela dentro da instituição, composta pelo policial federal Marcelo Araújo Bormevet e pelo sargento Giancarlo Gomes Rodrigues, responsável por operar perfis digitais fantasmas voltados à desqualificação de figuras públicas e instituições.

As atividades irregulares teriam início em 2019 e ganhado força em 2021, com suposto apoio do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), então chefiado pelo general Augusto Heleno. Um documento intitulado “Presidente TSE informa.docx”, encontrado entre os arquivos pessoais de Ramagem, indica que ele poderia ter orientado diretamente o ex-presidente Bolsonaro a reforçar a narrativa de fraude eleitoral em discursos oficiais.

Interrogatórios seguem até sexta-feira com presença dos principais acusados

Além de Ramagem, fazem parte do grupo de oito réus acusados de participar da organização criminosa supostamente voltada a manter Bolsonaro no poder: o próprio ex-presidente; o almirante Almir Garnier Santos, ex-comandante da Marinha; e o ex-ministro Anderson Torres, entre outros.

Os depoimentos prosseguem até sexta-feira (13/6), com expectativa de que sejam ouvidos ainda o general Augusto Heleno, o ministro Paulo Sérgio Nogueira, o ex-presidente Jair Bolsonaro e o preso Walter Braga Netto, por videoconferência.

Apesar da postura defensiva assumida por Ramagem, as provas apresentadas pela PGR indicam um uso potencialmente indevido de órgãos de inteligência para fins políticos, num contexto que pode configurar grave violação às normas constitucionais.

O caso promete estabelecer importantes precedentes sobre os limites entre segurança nacional e atuação política no Brasil. Enquanto isso, o país acompanha de perto o andamento do julgamento, diante da gravidade das acusações e do impacto que o resultado pode ter sobre a história recente da democracia brasileira.

Com informações de Poder 360*

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Acusado de golpismo, Ramagem enfrenta o STF https://www.ocafezinho.com/2025/06/10/acusado-de-golpismo-ramagem-enfrenta-o-stf/ https://www.ocafezinho.com/2025/06/10/acusado-de-golpismo-ramagem-enfrenta-o-stf/#respond Tue, 10 Jun 2025 06:30:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=210422 Em interrogatório no STF, Ramagem nega ligação com plano golpista e afirma que as acusações da PGR são infundadas e baseadas em anotações pessoais

Em depoimento ao Supremo Tribunal Federal nesta segunda-feira (9), o deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) negou qualquer participação em uma tentativa de golpe para manter Jair Bolsonaro no poder após a derrota eleitoral de 2022. O ex-diretor da Abin (Agência Brasileira de Inteligência), no entanto, enfrenta acusações graves da Procuradoria-Geral da República (PGR), que o aponta como um dos articuladores de um esquema de espionagem e disseminação de desinformação contra opositores do governo anterior.

Ramagem, segundo réu do chamado “núcleo crucial” da investigação a ser ouvido, afirmou que provará sua inocência. “Não há veracidade na imputação de crimes. Estamos aqui para demonstrar inocência”, declarou. Sobre documentos encontrados em seus dispositivos com críticas ao sistema eleitoral, o parlamentar os classificou como meras “anotações privadas”, negando que representassem um plano de ataque às urnas.

Abin sob suspeita: espionagem e guerra de desinformação

A PGR sustenta que, durante a gestão de Ramagem na Abin, a agência foi usada ilegalmente para monitorar adversários políticos e alimentar campanhas de desinformação. Segundo a denúncia, o ex-diretor “supervisionou e teve pleno conhecimento” de uma célula paralela dentro da Abin, composta pelo policial federal Marcelo Araújo Bormevet e pelo sargento Giancarlo Gomes Rodrigues, que supostamente operava perfis falsos nas redes sociais para atacar instituições e figuras da oposição.

Ainda de acordo com a acusação, as atividades irregulares teriam começado em 2019 e se intensificado em 2021, com o aval do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), então chefiado pelo general Augusto Heleno. Um documento intitulado “Presidente TSE informa.docx”, encontrado em posse de Ramagem, indicaria que ele próprio orientava Bolsonaro a reforçar a narrativa de fraude eleitoral em seus discursos públicos.

O núcleo crucial e os próximos passos do processo

Ramagem integra o grupo de oito réus acusados de liderar a suposta organização criminosa que buscava impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva. Os interrogatórios, que seguem até sexta-feira (13/6), incluem nomes como o ex-presidente Jair Bolsonaro, o ex-comandante da Marinha Almir Garnier e o ex-ministro da Justiça Anderson Torres.

Apesar do tom defensivo de Ramagem, as evidências apresentadas pela PGR pintam um cenário preocupante de instrumentalização do Estado para fins políticos, com uso de órgãos de inteligência para perseguição de adversários. O desfecho do caso poderá marcar um precedente crucial sobre os limites entre política e segurança nacional no Brasil.

Enquanto os interrogatórios avançam, a sociedade aguarda para ver se as provas serão suficientes para comprovar as acusações ou se, como alega a defesa, tudo não passaria de um mal-entendido. O STF, no entanto, parece determinado a esclarecer até que ponto o aparato estatal foi cooptado para servir a interesses particulares durante o governo Bolsonaro.

Com informações de Poder 360*

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Ramagem diz que vai demonstrar inocência em ação da trama golpista https://www.ocafezinho.com/2025/06/09/ramagem-diz-que-vai-demonstrar-inocencia-em-acao-da-trama-golpista/ https://www.ocafezinho.com/2025/06/09/ramagem-diz-que-vai-demonstrar-inocencia-em-acao-da-trama-golpista/#respond Mon, 09 Jun 2025 22:30:53 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=210394 Ele é acusado de usar a estrutura da Abin para fazer espionagem ilegal

O Supremo Tribunal Federal (STF) iniciou há pouco o interrogatório do ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ).

Ramagem é o segundo réu do núcleo 1 da trama golpista ocorrida durante o governo de Jair Bolsonaro a ser interrogado pelo ministro Alexandre de Moraes, relator da ação penal da trama golpista.

O ex-diretor é acusado de usar a estrutura do órgão para espionar ilegalmente desafetos do ex-presidente.

Logo no início da oitiva, Ramagem disse que vai provar a inocência durante o depoimento.

“Não há veracidade na imputação de crimes. Estamos aqui para demonstrar inocência”, afirmou.

Mais cedo, o tenente-coronel do Exército Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, confirmou que o ex-presidente sabia da minuta do golpe para reverter o resultado das eleições de 2022.

Interrogatórios

Entre os dias 9 e 13 de junho, Alexandre de Moraes vai interrogar o ex-presidente Jair Bolsonaro, Braga Netto e mais seis réus acusados de participarem do “núcleo crucial” de uma trama para impedir a posse do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva após o resultado das eleições de 2022.

Confira a ordem dos depoimentos:

  • Mauro Cid, delator e ex-ajudante de ordens de Bolsonaro (encerrado);
  • Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin);
  • Almir Garnier, ex-comandante da Marinha;
  • Anderson Torres, ex-ministro da Justiça e ex-secretário de segurança do Distrito Federal;
  • Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional;
  • Jair Bolsonaro, ex-presidente da República;
  • Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa;
  • Walter Braga Netto, general do Exército e ex-ministro de Bolsonaro.

Publicado originalmente pela Agência Brasil em 09/06/2025

Por André Richter – Repórter da Agência Brasil – Brasília

Edição: Sabrina Craide

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Ex-diretor da Abin expõe reação estranha ao questionar uso de ‘software espião’ https://www.ocafezinho.com/2025/05/23/ex-diretor-da-abin-expoe-reacao-estranha-ao-questionar-uso-de-software-espiao/ https://www.ocafezinho.com/2025/05/23/ex-diretor-da-abin-expoe-reacao-estranha-ao-questionar-uso-de-software-espiao/#respond Fri, 23 May 2025 14:32:03 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=209358 Investigação revela clima de intimidação e silenciamento dentro da Abin ao redor do uso do sistema First Mile para monitoramento ilegal

Em depoimento realizado nesta sexta-feira (23), o ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), delegado Carlos Afonso Gonçalves Gomes Coelho, revelou que o então diretor do Departamento de Operações de Inteligência, Paulo Maurício, reagiu com agressividade ao ser informado sobre uma investigação interna sobre a legalidade do uso do sistema de monitoramento “First Mile”.

Coelho, que atuou como testemunha de defesa do ex-diretor-geral da Abin e atual deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), fez essas declarações no contexto de um processo que investiga uma suposta tentativa de golpe orquestrada por aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro. Ramagem, que é réu na ação, também é alvo de uma investigação da Polícia Federal (PF) por suspeita de comandar espionagem ilegal contra autoridades durante sua gestão na Abin.

Segundo o relato do delegado, ao solicitar informações ao oficial Marcelo Furtado, responsável pelo contrato do “First Mile”, sobre a regularidade do software, ele ouviu do servidor que “não se sentia à vontade para atestar o que havia sido solicitado”. Diante da resposta evasiva, Coelho orientou Furtado a consultar seu superior, Paulo Maurício.

“Depois, eu tive uma interação com o diretor do Departamento de Operações de Inteligência, Paulo Maurício, que foi ríspido, agressivo, disse que eu não tinha que me imiscuir em assuntos da atividade-fim, que não deveria ser tratado no âmbito da direção adjunta e se negou a prestar qualquer esclarecimento adicional”, afirmou Coelho.

O delegado, que tinha a função de verificar a legalidade das contratações da Abin, declarou que a postura hostil de Maurício levantou suspeitas sobre a legitimidade do sistema dentro da agência.

“Diante da manifestação, tanto do gestor do contrato, oficial de inteligência Marcelo Furtado, dizendo que não se sentia à vontade, quanto do diretor de Operações de Inteligência, que foi agressivo, ríspido e indelicado no trato, eu disse que não ia homologar essas informações e submeti à consideração do diretor-adjunto que era o responsável legal para atestar a regularidade da utilização da ferramenta”, explicou.

O caso foi encaminhado ao então diretor-geral Alexandre Ramagem, que determinou a abertura de um procedimento corregedor por meio da Ouvidoria da Abin.

O que é o “First Mile”?

A PF investiga um suposto esquema de espionagem ilegal dentro da Abin, batizado de “Abin Paralela”, que teria utilizado o sistema “First Mile” para rastrear a localização de cidadãos por meio de dados de telefonia móvel. A ferramenta permitia monitorar aparelhos conectados às redes 2G, 3G e 4G, fornecendo históricos de deslocamento e alertas em tempo real sobre a posição de um alvo.

De acordo com as investigações, servidores e funcionários da Abin formaram uma organização criminosa para vigiar autoridades públicas, incluindo membros do Judiciário, Legislativo e jornalistas. Entre os supostos alvos estariam o ministro do STF Alexandre de Moraes, o ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL) e o senador Renan Calheiros (MDB-AL).

A Procuradoria-Geral da República (PGR) afirmou, em denúncia enviada ao Supremo, que o núcleo ligado a Ramagem “atuava como central de contrainteligência da organização criminosa que, por meio dos recursos e ferramentas de pesquisa da Abin, produzia desinformação contra seus opositores”.

Além do “First Mile”, a PGR identificou o uso de outros sistemas para ocultar rastros e monitorar alvos considerados mais sensíveis. O esquema teria operado durante o governo Bolsonaro e vem sendo apurado desde 2023.

O caso continua em andamento, com novas investigações sobre o possível desvio das funções de inteligência do Estado para fins políticos.

Com informações de g1*

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Mensagem da Abin é a imagem do governo Temer: canalhice disfarçada de ignorância https://www.ocafezinho.com/2016/07/11/mensagem-da-abin-e-a-imagem-do-governo-temer-canalhice-disfarcada-de-ignorancia/ https://www.ocafezinho.com/2016/07/11/mensagem-da-abin-e-a-imagem-do-governo-temer-canalhice-disfarcada-de-ignorancia/#comments Mon, 11 Jul 2016 22:19:56 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=49954 9 Comentários 🔥]]> Por Tadeu Porto* (@tadeuporto), colunista do Blog O Cafezinho

Bastou alguns compartilhamentos na internet para que a mensagem de “prevenção ao terrorismo” da Agência Brasileira de Inteligência se tornasse um meme de proporções virais.

A zueira não ter limites é um postulado sagrado do mundo digital, portanto, mesmo se tratando de uma instituição de Estado ligada a assuntos da ~inteligência~ nacional (e que deveria ser fortemente respeitada) a internet perdeu a linha com o post da Abin que dizia, entre outras coisas, que pessoas que andam com roupas, bolsas e mochilas destoantes das circunstâncias e do clima são suspeitas de terrorismo.

A gozação foi geral, desde trending topics (assuntos mais comentados) no Twitter, passando por milhares de memes circulando no Facebook e Whatsapp, até as piadas costumeiras do Sensacionalista e do seu site de notícias verdadeiras, o Surrealista.

Bom, era de se esperar tamanha reação cômica à uma mensagem que beira tanto ao absurdo. Primeiro pois é uma burrice incrível tentar difundir em massa as características de alguém que fará de tudo para se disfarçar (qualquer terrorista com o mínimo de capacidade cognitiva iria se comportar ao contrário do senso comum); segundo pela arte utilizada pela Abin, com um tipo de Assassin’s Creed de ilustração, na tentativa de estereotipar uma prática criminosa que é ampla demais para ser rotulada de tal maneira; e  terceiro pela definição vasta de “pessoa suspeita”, inferida pelo conjunto de possibilidades presentes na mensagem (“destoando do clima” ou “agindo de forma estranha”) que abre brechas para milhares de interpretações, inclusive combinações hilárias como chamar adolescente gótico de suspeito.

Não ia dar outra, a piada veio prontinha para consumir.

Todavia, por mais que exista atitudes do executivo que beiram a idiotice crônica (por exemplo tirar status de um ministério de alto apelo popular como o Minc), infelizmente, o governo Temer parece não ter jogado essa cartada por ignorância, muito pelo contrário, ela vem bem a calhar com a repressão que se desenha para as manifestações inevitáveis que as Olimpíadas irão trazer na caótica cidade do Rio de Janeiro.

A ideia é colar a imagem de terrorismo aos movimentos sociais que irão, certamente, tomar as ruas num futuro próximo: não só para combater o pacote de maldade de Temer, mas também para dar um recado ao mundo sobre o golpe de Estado que o país está sofrendo.

Sendo assim, quando a Abin solta uma mensagem genérica como essa ela pode, perfeitamente, tentar mandar o seguinte recado para ~as pessoas de bem~ do Brasil: se ver alguma pessoa estranha ou destoante do clima, basta comunicar às autoridades para desencadear todo um processo de repressão que pode estar respaldado, inclusive, pela lei antiterrorismo (erro crasso do governo Dilma) e o recente julgamento de militares pelo foro de mesmo calão.

Basicamente, existirão tantos suspeitas e suspeitos que o espectro de terroristas em potencial será enorme, assim,  caberá às autoridades escolher a dedo quem deverá ser vigiado de perto [e advinha quem vai ser?].

Ou seja, o governo usurpador fala em alto e bom som para entendedores fascistas: “viu um estudante de mochila na rua? Avise que a polícia mais próxima vai lhe mostrar o baculejo”; “Tem algum trabalhador ou trabalhadora com roupas esquisitas? Chame o exército para dar uma conferida”; ou “o pobre, que anda nervosinho, e a negra que age de forma estranha merecem ser observados de perto pelas autoridades”.

Portanto, a mensagem aparentemente tola e infantil da central de inteligência do Estado não passa de mais um recado de Temer & Cia do que se pode esperar do Brasil do futuro. Um país de censura ditatorial, nos moldes de 1964 (o slogan de Michelzinho que o diga), que o PMDB , com a aparente covardia do judiciário e a conivência do legislativo, sequer tem o pudor de disfarçar.

Tadeu Porto é diretor do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense

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