agronegócio - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/agronegocio/ Portal de noticias e análises sobre política brasileira, geopolítica, economia, tecnologia, sempre numa perspectiva democrática, progressista, anti-imperialista e multipolar! Sat, 20 Jun 2026 09:00:18 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://www.ocafezinho.com/wp-content/uploads/2015/10/cropped-Logo_Cafezinho_tmb-32x32.png agronegócio - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/agronegocio/ 32 32 Noaa confirma El Niño no Pacífico e alerta para evento entre os mais intensos da história https://www.ocafezinho.com/2026/06/20/noaa-confirma-el-nino-no-pacifico-e-alerta-para-evento-entre-os-mais-intensos-da-historia/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/20/noaa-confirma-el-nino-no-pacifico-e-alerta-para-evento-entre-os-mais-intensos-da-historia/#respond Sat, 20 Jun 2026 06:22:54 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/06/20/noaa-confirma-el-nino-no-pacifico-e-alerta-para-evento-entre-os-mais-intensos-da-historia/ O Oceano Pacífico equatorial acaba de acionar um dos seus mais temíveis mecanismos climáticos. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos, a NOAA, confirmou oficialmente a formação de um novo El Niño, com previsões que apontam para uma intensificação capaz de reescrever os recordes históricos do fenômeno.

As temperaturas da superfície do mar na faixa central e oriental do Pacífico equatorial dispararam acima da média nas últimas semanas. O salto térmico, monitorado por uma vasta rede de boias e satélites, convenceu os meteorologistas de que o evento não apenas chegou, como veio para ficar e ganhar musculatura nos próximos meses.

A atmosfera já responde ao aquecimento das águas com alterações nos padrões de vento e pressão. Esse acoplamento oceano-atmosfera é justamente o que distingue um El Niño genuíno de uma simples anomalia térmica passageira, e os dados mais recentes não deixam margem para dúvidas sobre a consolidação do processo.

Os modelos climáticos globais, segundo apontou a cobertura da emissora WTRF com base nos boletins oficiais, indicam uma probabilidade crescente de que este El Niño se posicione entre os mais poderosos já registrados. A comparação inevitável remete aos eventos de 1997-1998 e 2015-2016, que deixaram cicatrizes profundas na economia e na geografia de dezenas de países.

O El Niño de 1997-1998 causou estragos estimados em 35 bilhões de dólares e matou cerca de 23 mil pessoas em todo o mundo. Já o episódio de 2015-2016 contribuiu para que o ano de 2016 se tornasse, na época, o mais quente da história moderna, com ondas de calor extremo, secas devastadoras e inundações catastróficas espalhadas por todos os continentes.

O mecanismo do fenômeno é ao mesmo tempo simples e aterrorizante. As águas anormalmente quentes do Pacífico liberam calor adicional para a atmosfera, alterando as correntes de jato e redistribuindo os sistemas de chuva e seca em escala planetária. O que começa com alguns graus a mais numa região remota do oceano termina em colheitas perdidas, cidades alagadas e florestas em chamas a milhares de quilômetros de distância.

Para a América do Sul, os impactos costumam ser particularmente severos. O Norte e o Nordeste do Brasil enfrentam estiagens prolongadas, com prejuízos severos para a agricultura de subsistência e para os reservatórios de água. Enquanto isso, o Sul do continente, incluindo os estados brasileiros do Sul, a Argentina e o Uruguai, tende a receber chuvas excessivas, com inundações e danos à infraestrutura urbana e rural.

Os países andinos, como Peru e Equador, sofrem com o aquecimento costeiro que dizima os cardumes de anchova e desestrutura a cadeia alimentar marinha. As chuvas torrenciais na costa peruana, tradicionalmente desértica, provocam deslizamentos e destruição de estradas. Já a Colômbia enfrenta oscilações entre seca e inundação que desafiam qualquer planejamento agrícola de longo prazo.

O agronegócio brasileiro, que representa cerca de um quarto do PIB nacional, entra em estado de alerta máximo com a confirmação do El Niño. As culturas de soja e milho no Centro-Oeste podem sofrer com veranicos mais longos e temperaturas extremas durante a floração e o enchimento de grãos. O café e a cana-de-açúcar também estão na linha de frente da vulnerabilidade climática.

Os meteorologistas do NOAA enfatizam que a intensidade final do fenômeno ainda depende de fatores atmosféricos que só se revelarão nos próximos meses. No entanto, a tendência de fortalecimento é robusta e consistente em todos os principais modelos de previsão climática, o que reduz drasticamente a margem para um desfecho mais brando.

As temperaturas globais, que já vinham batendo recordes sucessivos devido às mudanças climáticas de origem humana, receberão um impulso adicional do El Niño. O resultado pode ser um aquecimento global temporário acima do limiar de 1,5 graus Celsius em relação aos níveis pré-industriais, antecipando uma fronteira que o Acordo de Paris tentava evitar até meados do século. Cientistas alertam que a superação desse limite, mesmo que temporária, representa um marco preocupante na trajetória climática do planeta.

O Oceano Índico e o Atlântico tropical também sentirão os reflexos do aquecimento do Pacífico. A monção indiana, que sustenta a agricultura de mais de um bilhão de pessoas no sul da Ásia, costuma enfraquecer durante os El Niños intensos, gerando crises hídricas e alimentares em cadeia que reverberam nos mercados globais de commodities.

A África Austral e o Sudeste Asiático enfrentam secas severas, enquanto o Chifre da África e a América do Norte podem experimentar inundações. A Califórnia, que passou anos imersa em uma megaseca histórica, pode ver seus reservatórios transbordarem e seus diques cederem sob a pressão de rios atmosféricos turbinados pelo El Niño.

Os oceanógrafos do NOAA monitoram agora as chamadas ondas de Kelvin, imensas bolsas de água quente que viajam sob a superfície do Pacífico em direção à costa sul-americana. A chegada dessas ondas nos próximos meses deve intensificar ainda mais o aquecimento superficial e selar o destino deste El Niño como um evento de magnitude excepcional.

As seguradoras e os mercados financeiros globais já começam a precificar o risco de perdas bilionárias associadas a desastres naturais. A última vez que um El Niño desta envergadura se formou, os preços do trigo, do arroz e do cacau dispararam, provocando tensões sociais e inflação de alimentos em dezenas de países emergentes.

O Hemisfério Norte se prepara para um inverno boreal potencialmente caótico, com o vórtice polar mais suscetível a perturbações e episódios de frio extremo em latitudes que normalmente não enfrentam tais rigores. A Europa e a América do Norte podem alternar entre invasões de ar ártico e ondas de calor fora de época, num balé meteorológico imprevisível.

No Brasil, a memória ainda guarda as imagens das secas que transformaram a Amazônia em um cenário de rios intransitáveis e comunidades isoladas durante El Niños passados. A combinação de estiagem prolongada e desmatamento cria as condições perfeitas para temporadas de incêndios florestais fora de controle, que consomem ecossistemas inteiros e intoxicam o ar de cidades distantes.

Os sistemas de defesa civil de diversos países já revisam seus planos de contingência para inundações, deslizamentos e secas. A Organização Meteorológica Mundial coordena a troca de informações entre os serviços meteorológicos nacionais para que os alertas cheguem com antecedência às populações vulneráveis, mas a eficácia desses sistemas depende de governos locais muitas vezes negligentes ou financeiramente debilitados.

A ciência climática dispõe hoje de ferramentas que em 1997 pareciam ficção científica: modelos acoplados oceano-atmosfera de altíssima resolução, inteligência artificial aplicada à previsão sazonal e uma constelação de satélites que escaneiam o planeta em tempo real. Ainda assim, a complexidade do sistema terrestre impõe humildade aos pesquisadores mais experientes, que sabem que o Pacífico guarda surpresas.

O El Niño que agora emerge das profundezas do maior oceano do planeta será um teste de estresse para a infraestrutura global, para a resiliência das cadeias de suprimento e para a capacidade de cooperação internacional em um mundo já fragmentado por tensões geopolíticas. A resposta da humanidade a este gigante climático dirá muito sobre o nosso preparo para um futuro em que eventos extremos serão cada vez menos extremos e mais rotineiros.

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China reconhece o agronegócio brasileiro como livre de febre aftosa https://www.ocafezinho.com/2026/06/16/china-reconhece-o-agronegocio-brasileiro-como-livre-de-febre-aftosa/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/16/china-reconhece-o-agronegocio-brasileiro-como-livre-de-febre-aftosa/#respond Tue, 16 Jun 2026 15:04:22 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/06/16/china-reconhece-o-agronegocio-brasileiro-como-livre-de-febre-aftosa/ 16 de junho de 2026 | Jornal da USP

No início de junho, a Administração Geral das Alfândegas da China suspendeu as restrições à compra de carnes produzidas na região Norte do Brasil e reconheceu o País como livre de febre aftosa. As restrições chinesas tiveram início em 2002 e passaram por sucessivas flexibilizações ao longo das últimas décadas, até serem oficialmente encerradas em comunicado divulgado no dia 2 de junho.

Segundo Thiago Bernardino de Carvalho, coordenador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, a medida representa um avanço importante para o setor pecuário brasileiro e fortalece as relações comerciais entre os dois países.

Sobre a febre aftosa

A febre aftosa é uma doença viral altamente contagiosa entre animais e afeta principalmente bovinos, suínos, ovinos e caprinos. Embora o risco de transmissão para seres humanos seja considerado muito baixo, a enfermidade causa impactos econômicos significativos, como perda de produtividade, restrições às exportações, aumento dos custos de controle sanitário e medidas de erradicação da doença.

Os primeiros registros da febre aftosa no Brasil datam de 1895. A partir da década de 1960, o País passou a implementar campanhas sistemáticas de combate ao vírus. Paralelamente, o crescimento populacional e o aumento do consumo de carne na China ao longo dos séculos 20 e 21 intensificaram as relações comerciais com o Brasil, ao mesmo tempo em que ampliaram as exigências sanitárias do mercado chinês.

Fim das restrições pode ampliar vendas

Atualmente o Brasil é o maior exportador mundial de carne bovina e de frango. Em 2025, mais da metade das exportações brasileiras de carne bovina teve como destino a China, maior importadora mundial do produto. Apenas no primeiro trimestre de 2026, o país asiático comprou cerca de US$ 3 bilhões em carnes brasileiras.

O reconhecimento do Brasil como livre de febre aftosa e o fim das restrições comerciais tendem a ampliar os negócios entre os dois países, beneficiando especialmente os produtores da região Norte, que até então estavam impedidos de exportar para o mercado chinês. Além disso, a China busca reforçar seus estoques estratégicos de alimentos e garantir a segurança alimentar de sua população.

Apesar das perspectivas positivas para o agronegócio brasileiro, Bernardino ressalta que a adoção de cotas de importação pelo governo chinês pode limitar o crescimento das compras externas. A estratégia tem como objetivo proteger e fortalecer a produção interna do país.

Fonte: Jornal da USP

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Manifestantes protestam na Paulista contra exportação de animais vivos https://www.ocafezinho.com/2026/06/15/manifestantes-protestam-na-paulista-contra-exportacao-de-animais-vivos/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/15/manifestantes-protestam-na-paulista-contra-exportacao-de-animais-vivos/#respond Mon, 15 Jun 2026 09:42:25 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/06/15/manifestantes-protestam-na-paulista-contra-exportacao-de-animais-vivos/ Entidades e ativistas da causa animal protestaram neste domingo (14), em frente ao Museu de Arte de São Paulo (Masp), na Avenida Paulista, em São Paulo, contra a exportação de animais vivos. O ato é parte de um movimento nacional contrário à prática e busca chamar a atenção para os impactos ambientais, sanitários e econômicos associados ao transporte de animais vivos.

De acordo com os ativistas, o transporte de carga viva submete os animais a riscos elevados de acidentes e coloca em risco a saúde e o bem-estar deles, por conta do confinamento prolongado e da superlotação. Ativista do Movimento Nacional pelo Fim das Exportações de Animais Vivos, Patrícia Aguiar, defendeu que animais não sejam transportados ainda vivos para que sua carne seja consumida em outros países.

“A gente não quer acabar com o agronegócio. O que a gente quer acabar é com essa crueldade que acontece com os animais. Nas exportações, os animais passam por maus-tratos intrínsecos, desde a saída das fazendas até o final deles, que é no Oriente Médio, com o abate. O que a gente quer é acabar com as exportações dos animais vivos. Quer exportar? Exporte carne congelada”, ressaltou.

Em entrevista à Agência Brasil durante o ato, a ativista afirmou que, durante essas viagens, os animais são submetidos a muitos tipos de violência, sendo obrigados a viver em espaços apertados e em meio às próprias fezes e urinas, além de serem expostos a quantidades elevadas de amônia. “Nas exportações, eles já vão em caminhões fechados por cinco ou seis dias na estrada. Eles vão em pé, com o piso escorregadio, porque, ali, eles defecam e urinam. Muitos chegam com as patas quebradas já no porto e são obrigados a embarcar no navio com essas patas quebradas”, contou.

Outro problema seria a superlotação. Segundo ela, os navios são antigos e chegam a embarcar até 24 mil bois. “A exportação de animais vivos, além de ser cruel, é totalmente antiética e inconstitucional, porque fere o artigo da Constituição sobre tratamento aos animais. Além disso, ela é anti-ambiental, por conta dos riscos de acidentes, como a gente já teve aqui no Brasil, em 2015, no Pará, quando um navio naufragou com 5 mil bois”.

Segundo a ativista, atualmente, cinco projetos de lei estão tramitando no Congresso Nacional buscando proibir ou aumentar a taxação de exportação e importação de animais vivos. “Hoje, nós temos cinco projetos de lei que estão parados. O que está mais à frente é um que está no Senado, o Projeto de Lei 3093/2021, que pede totalmente o fim da exportação de animais vivos”.

Fonte: Agência Brasil

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Carne de laboratório: conheça a técnica desenvolvida pela Embrapa https://www.ocafezinho.com/2026/06/14/carne-de-laboratorio-conheca-a-tecnica-desenvolvida-pela-embrapa/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/14/carne-de-laboratorio-conheca-a-tecnica-desenvolvida-pela-embrapa/#respond Sun, 14 Jun 2026 22:03:02 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/06/14/carne-de-laboratorio-conheca-a-tecnica-desenvolvida-pela-embrapa/ A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) está produzindo carne em laboratório. O experimento não sacrifica animais e não tem impacto ambiental, como ocorre na pecuária que, por causa do desmatamento e da emissão de gás metano, agrava o efeito estufa.

A inovação é liderada pela Embrapa Suínos e Aves, com sede em Concórdia (SC), que já produziu protótipos de filés de peito de frango, e pelo Laboratório de Nanobiotecnologia (LNANO) da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (Cenargen), sediada em Brasília.

O laboratório desenvolveu amostras de alimentos impressos com base vegetal, como filé de salmão, caviar e anéis de lula.

A técnica envolve a multiplicação de uma amostra de células retiradas de animais vivos, equivalente a uma pequena biópsia. A amostra extraída é cultivada in vitro, em meio líquido rico em oxigênio e nutrientes — como glicose, aminoácidos e sais minerais — que permitem que as células se multipliquem.

A produção de carne cultivada utiliza técnicas da engenharia de tecidos para reparar tecidos biológicos danificados e técnicas da biotecnologia celular, que utiliza células vivas ou partes delas para tratar problemas biológicos. Os recursos são comuns à medicina regenerativa.

“Nós conseguimos isolar as diferentes células que compõem o tecido muscular vivo. A amostra tem um punhado de células musculares, algumas células de gordura e células do tecido conjuntivo. A partir disso, escolhemos qual é a célula que a gente quer e focamos na multiplicação em grande quantidade daquele tipo celular”, explica a veterinária Naiara Milagres Augusto da Silva, analista do Cenargen.

O crescimento do tecido muscular da carne cultivada necessita de uma superfície para ancoragem física, que imita a matriz extracelular dos sistemas biológicos naturais. Essas estruturas biomiméticas podem ser suportes (scaffolds) fibrosos e microcarreadores esféricos que transportam elétrons para as células que são aderentes.

“Enquanto os scaffolds fibrosos auxiliam na orientação celular, na diferenciação muscular e na organização tridimensional do tecido cultivado, os microcarreadores esféricos favorecem a expansão celular em suspensão, aumentando a área disponível para crescimento e contribuindo para a produção em larga escala de tecido muscular”, descreve uma nota técnica da Embrapa a qual à Agência Brasil teve acesso.

Conforme a nota, suportes e microcarreadores são fundamentais para o desenvolvimento de propriedades na carne de laboratório. “Além das funções biológicas, essas estruturas influenciam diretamente [nas] propriedades tecnológicas e sensoriais da carne cultivada, incluindo textura, firmeza, retenção de água e percepção mastigatória”.

O foco do trabalho do Laboratório de Nanobiotecnologia do Cenargen é desenvolver biomateriais (insumos) a partir de proteínas vegetais, que podem servir de estruturas onde as células da carne cultivada vão aderir e se multiplicar.

Esse é o caso das malhas formadas por fibras de escala nanométricas. A olho nu parecem um pedaço de papel, mas no microscópio é possível observar uma superfície porosa que funciona como a matriz extracelular encontrada no organismo vivo, onde as células colam e se unem.

“O que temos tentado fazer é uma carne produzida a partir de células animais, mas que contam com diferentes insumos de origem natural — comestível e vegetal – para que possamos depender menos do uso de animais para esse processo”, detalha Naiara da Silva.

Outro produto do laboratório é uma película comestível que serve como a tripa para o invólucro de embutidos, como linguiça, produzidos com a técnica de carne cultivada.

O protótipo deve ser finalizado em 2027. “Até meados do ano que vem, vai estar na vitrine como um ativo tecnológico Embrapa”, prevê o biólogo Luciano Paulino da Silva, pesquisador que coordena os experimentos com carne cultivada entre outras iniciativas no LNANO.

Segundo o especialista, após a finalização, os experimentos em torno da carne cultivada podem ganhar diferentes parceiros que se especializem na aplicação de produtos específicos com finalidade de produção industrial e comercialização.

Grandes agroindústrias e startups brasileiras têm unidades para pesquisa com carne cultivada. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou em 2023 a Resolução RDC nº 839, marco regulatório para a carne cultivada em laboratório.

Outros países como Singapura, Estados Unidos, Israel e Austrália também desenvolvem carne cultivada e têm aprovação regulatória e comercial.

A experiência no LNANO foi documentada em artigo científico na revista Foods da editora suíça MDPI (sigla em inglês para Multidisciplinary Digital Publishing Institute), especializada em periódicos de acesso aberto sobre ciência e tecnologia.

Fonte: Agência Brasil

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Senado analisa uso de fundo do pré-sal para financiar dívidas do agro https://www.ocafezinho.com/2026/06/09/senado-analisa-uso-de-fundo-do-pre-sal-para-financiar-dividas-do-agro/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/09/senado-analisa-uso-de-fundo-do-pre-sal-para-financiar-dividas-do-agro/#respond Tue, 09 Jun 2026 15:23:32 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/06/09/senado-analisa-uso-de-fundo-do-pre-sal-para-financiar-dividas-do-agro/ O plenário do Senado deve analisar, nesta quarta-feira (10), o projeto de lei (PL) que destina recursos do Fundo Social do Pré-Sal para financiar dívidas de agricultores que perderam parte da safra devido a calamidades climáticas.

O governo se manifestou contrário ao parecer do relator, senador Renan Calheiros (MDB-AL), porque ele não acolheu demandas apresentadas pelo Ministério da Fazenda para modificar o texto que veio da Câmara dos Deputados.

O projeto 5.122 de 2023, aprovado na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado no final de maio, ainda prevê o uso de receitas de outros fundos, como os de Financiamento do Nordeste (FNE), do Norte (FNO) e do Centro-Oeste (FCO).

O pesquisador do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep) Iago Montalvão avalia que o PL pode prejudicar o programa Minha Casa Minha Vida, que vem sendo financiado pelo Fundo do Pré-Sal.

“O fundo vai virar, por dois anos pelo menos, um instrumento de subsídio do agronegócio. Isso inviabilizaria as demais políticas, como de habitação social. Nós não sabemos o valor que será destinado às dívidas do setor. Mas pode inviabilizar qualquer outro uso que não vá para a educação”, avalia.

Atualmente, 50% do Fundo do Pré-sal devem ir para a educação. A outra metade é dividida entre áreas como habitação social, saúde, ciência e tecnologia, cultura e esporte.

Procurada pela reportagem para comentar o possível impacto do PL para o Minha Casa Minha Vida, o Ministério das Cidades informou que não se manifesta sobre projetos em tramitação no Parlamento.

Estima-se que Fundo do Pré-Sal tenha contribuído com cerca de R$ 35 bilhões para o Minha Casa Minha Vida entre 2025 e 2026, permitindo aumentar a meta do programa, na atual gestão, para 3 milhões de residências até o final de 2026.

Limite será definido pelo Executivo

O texto que chegou da Câmara dos Deputados previa entre R$ 30 bilhões e R$ 100 bilhões para financiar dívidas de agricultores. Porém, o senador Renan Calheiros transferiu, para o Poder Executivo, a definição do limite de gastos com o refinanciamento do agro.

O economista Iago Montalvão considera que o governo será pressionado a destinar um valor alto para refinanciar essas dívidas.

“O Fundo Social, em última instância, virou uma forma de apagar incêndios. Quando há uma calamidade e é preciso recurso rápido, se usa o Fundo. Isso fez com que ele virasse também objeto de disputa. O setor do agronegócio viu uma possibilidade de disputar um recurso fora desse âmbito do ajuste fiscal”, completou.

A Agência Brasil procurou a assessoria do relator Renan Calheiros, mas não obteve retorno até o fechamento desta reportagem.

Fundo Social do Pré-sal

Criado em 2010 para financiar políticas de caráter permanente com recursos do pré-sal, que é uma riqueza finita, o fundo vem sofrendo alterações ao longo dos anos, com a inclusão de novas atribuições.

Em 2025, uma medida provisória (MP) do governo federal, transformada em lei posteriormente pelo Parlamento, incluiu o financiamento de políticas de habitação social e de mitigação das mudanças climáticas, servindo também como fonte de recursos para a reconstrução do Rio Grande do Sul (RS) após as enchentes de maio de 2024.

Debate no Senado

O projeto de lei, pautado para votação no plenário nesta quarta-feira, pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), foi criticado pelo governo, que gostaria de ter algumas demandas atendidas, conforme explicou, no dia da votação na CAE, o líder do governo no Senado, Jacques Wagner (PT-BA).

“Não chegamos a um denominador comum e o [relatório], evidente que absorve algumas coisas, mas ainda tem contradições com o Ministério da Fazenda. Minha pretensão é que a gente pudesse, efetivamente, voltar à mesa de negociação”, disse a liderança governista.

O relator Renan Calheiros comentou que acolheu diversas demandas do Ministério da Fazenda, mas que não atendeu todos os pedidos porque, segundo ele, inviabilizaria o socorro aos produtores rurais.

“[Entre as sugestões do governo, acolhemos] a retirada de limites globais fixos anteriormente propostos e a adoção do critério de enquadramento baseado na ocorrência de duas perdas de 30% [da plantação] em duas safras”, disse Renan.

Por outro lado, o relator não acatou a sugestão do ministério de reduzir os limites para os produtores se enquadrarem no programa, além de não acatar o pedido para aumentar a taxa de juros do refinanciamento para 12%. O PL fixa os juros entre 3,5% e 7,5%. Procurado, o Ministério da Fazenda não quis se pronunciar.

Os financiamentos previstos no projeto têm como limite o valor de R$ 10 milhões por beneficiário e R$ 50 milhões por associação ou cooperativa de produtores, com prazo de pagamento de dez anos, além de três anos de carência.

Ruralistas comemoram

A aprovação do PL na CAE foi comemorada pelas principais lideranças da Frente Parlamentar Agropecuária (FPA), que compareceram à votação.

“Nós não engessamos [o limite de financiamento] – não é R$ 30 bilhões, não é R$ 50 bilhões, não é R$ 100 bilhões -, porque os fundos são coisas que vão começar do zero, e pode ter mais ou menos dinheiro, pode ter outros fundos. Não é a proposta dos nossos sonhos, mas é a proposta possível”, avaliou a senadora Tereza Cristina (PP-MS), vice-presidente da FPA.

TCU

Em acórdão publicado em maio de 2023, o Tribunal de Contas da União (TCU) havia identificado “o esvaziamento financeiro e o desvirtuamento dos objetivos de criação do Fundo Social, bem como a ausência de estruturas para sua governança”.

“Dos R$ 146 bilhões arrecadados, restavam em 2022 apenas R$ 20 bilhões, sendo que somente para pagamento de dívida pública, no período de 2021 e 2022, foram gastos R$ 64 bilhões”, informou o ministro do TCU Antonio Anastasia.

A lei aprovada em 2025 buscou resolver os problemas apontados pelo TCU, segundo o economista Iago Montalvão. Para ele, houve um desvirtuamento do fundo, no governo anterior, para pagar a dívida pública.

“O Fundo Social do Pré-sal foi criado partindo da visão de que o Brasil precisa utilizar riquezas finitas, como o petróleo, para investir em áreas cujos resultados sejam permanentes”, comentou.

Montalvão ressaltou que ainda persistem, no fundo, problemas de transparência que tornam difícil para a sociedade acompanhar o uso desses recursos.

“Hoje, a gente consegue ver a receita dos royalties, da participação especial, que vai para o Fundo Social. Mas você não tem o dado consolidado, por exemplo, de qual é o patrimônio hoje do fundo. Você não consegue encontrar isso”, lamenta.

O TCU estimou que, entre 2023 e 2032, o Fundo do Pré-Sal arrecade um montante de quase R$ 1 trilhão, mais especificamente R$ 968 bilhões.

Fonte: Agência Brasil

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União Europeia proíbe importação de carne brasileira a partir de setembro https://www.ocafezinho.com/2026/06/06/uniao-europeia-proibe-importacao-de-carne-brasileira-a-partir-de-setembro/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/06/uniao-europeia-proibe-importacao-de-carne-brasileira-a-partir-de-setembro/#respond Sat, 06 Jun 2026 15:11:36 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/06/06/uniao-europeia-proibe-importacao-de-carne-brasileira-a-partir-de-setembro/ A União Europeia publicou documento que oficializa o Brasil como país que não cumpre as regras europeias contra o uso excessivo de antimicrobianos na pecuária. Com a decisão, o bloco proibiu as importações de carne brasileira a partir de 3 de setembro.

A medida atinge diretamente um mercado que movimentou US$ 1,8 bilhão em exportações para os 27 países europeus em 2025. A Comissão Europeia afirmou não ter recebido informações suficientes para garantir que o Brasil implementaria as medidas exigidas pela legislação do bloco até o prazo estipulado.

Os produtos afetados pela proibição incluem carne bovina, de frango, equina, pescado, mel e tripas, itens que estavam habilitados para comercialização com o mercado europeu. Segundo as normas europeias, o uso de antimicrobianos em animais para promover crescimento ou aumentar a produção é proibido. Os animais também não podem ser tratados com antimicrobianos reservados exclusivamente para infecções humanas.

Essas medidas integram a política europeia de combate à resistência dos micróbios aos medicamentos, conhecida como abordagem de saúde única. A decisão ocorre em momento de forte tensão comercial entre a União Europeia e os países do Mercosul, conforme reportagem publicada pela Carta Capital.

O acordo de livre comércio entre os dois blocos entrou em vigor em caráter provisório em 1º de maio, mas enfrenta resistência de setores agrícolas europeus, especialmente na França. A publicação do veto à carne brasileira é interpretada como sinal de vigilância da Comissão Europeia para acalmar esses setores.

O Brasil é o segundo maior fornecedor de carnes para a União Europeia, atrás apenas da China, que lidera as importações com US$ 9,8 bilhões em compras no ano passado. Dos US$ 31,8 bilhões que o país exportou em carnes em 2025, o bloco europeu respondeu por fatia expressiva, o que torna o embargo um golpe significativo para o setor pecuário nacional.

Especialistas do setor apontam que a decisão europeia pode ser contestada na Organização Mundial do Comércio, uma vez que combina justificativas sanitárias com interesses protecionistas. O governo brasileiro ainda não se pronunciou oficialmente sobre a publicação do documento, mas a expectativa é de que o Itamaraty articule resposta diplomática nos próximos dias.

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São Paulo e Pernambuco adotam medidas para proteger produtor de tilápia nacional https://www.ocafezinho.com/2026/06/05/sao-paulo-e-pernambuco-adotam-medidas-para-proteger-produtor-de-tilapia-nacional/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/05/sao-paulo-e-pernambuco-adotam-medidas-para-proteger-produtor-de-tilapia-nacional/#comments Fri, 05 Jun 2026 15:11:46 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/06/05/sao-paulo-e-pernambuco-adotam-medidas-para-proteger-produtor-de-tilapia-nacional/ 5 Comentários 🔥]]> Os governos de São Paulo e Pernambuco implementaram ações concretas para fortalecer a defesa sanitária e tributária da piscicultura brasileira, visando diretamente a importação de filé de tilápia. As iniciativas foram anunciadas no início desta semana e comemoradas pela Associação Brasileira da Piscicultura, a Peixe BR, como um avanço significativo na busca por isonomia competitiva para os produtores nacionais.

O governo paulista publicou decreto estabelecendo uma alíquota específica de ICMS para o filé de tilápia importado, equalizando a carga tributária incidente sobre o produto estrangeiro. No dia seguinte, a Agência de Defesa e Fiscalização Agropecuária de Pernambuco, a Adagro, publicou portaria suspendendo a comercialização de pescados que representem riscos sanitários à produção aquícola do estado, com foco nos produtos oriundos da importação de tilápia.

Segundo reportagem do UOL, a Peixe BR destacou em nota oficial que as duas iniciativas representam um passo fundamental na construção de um ambiente de negócios mais seguro e competitivo para o setor. A entidade enfatizou a importância de critérios rigorosos de defesa sanitária como ferramenta indispensável para proteger a produção nacional contra ameaças externas.

Além de São Paulo e Pernambuco, outros estados já analisam medidas similares voltadas à proteção da cadeia produtiva aquícola. A Peixe BR cita Mato Grosso e Bahia entre as unidades da federação que demonstram preocupação crescente com a sustentabilidade e a competitividade do setor, sinalizando um movimento coordenado de governos estaduais em defesa da piscicultura brasileira.

As medidas chegam em um momento em que o Brasil consolida sua posição como um dos maiores produtores mundiais de tilápia, com uma cadeia que emprega milhares de famílias e gera renda em centenas de municípios do interior. A ação dos estados contra as importações sem controle sanitário rigoroso busca corrigir uma assimetria histórica que expunha o produtor nacional a concorrência desleal, frequentemente lastreada em padrões sanitários mais flexíveis nos países de origem.

A adoção de barreiras tributárias e sanitárias pelos estados brasileiros reflete uma estratégia de soberania produtiva que o setor aquícola vinha reivindicando. A Peixe BR avalia que o movimento conjunto de São Paulo, Pernambuco e os demais estados em análise pode reconfigurar o mercado nacional de tilápia, garantindo que o peixe cultivado em território brasileiro, submetido a controles sanitários rígidos e gerador de empregos locais, possa competir em condições de igualdade com o produto estrangeiro.

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Cientistas chineses resgatam gene perdido do milho ancestral e elevam teor proteico do grão https://www.ocafezinho.com/2026/06/03/cientistas-chineses-resgatam-gene-perdido-do-milho-ancestral-e-elevam-teor-proteico-do-grao/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/03/cientistas-chineses-resgatam-gene-perdido-do-milho-ancestral-e-elevam-teor-proteico-do-grao/#respond Wed, 03 Jun 2026 16:52:46 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/06/03/cientistas-chineses-resgatam-gene-perdido-do-milho-ancestral-e-elevam-teor-proteico-do-grao/ Uma equipe de pesquisadores da Academia Chinesa de Ciências conseguiu reativar um gene perdido durante a domesticação do milho, elevando de forma expressiva o teor de proteína nas sementes sem sacrificar a produtividade. O estudo, publicado na revista Nature, representa um avanço notável para a segurança alimentar global em um cenário de demanda crescente por proteína vegetal.

O gene, chamado THP3, codifica a enzima GOT1, peça-chave na assimilação de nitrogênio e no equilíbrio entre carbono e nitrogênio da planta. Ele estava presente no teosinte, o ancestral selvagem do milho moderno, mas foi perdido ao longo de milênios de seleção agrícola que priorizaram grãos maiores e mais doces em detrimento do valor nutricional.

Os cientistas liderados por Y. Huang, H. Wang e Y. Wang identificaram que o alelo ancestral THP3-T possui variações naturais que aumentam tanto sua expressão quanto sua atividade enzimática. Ao reintroduzi-lo em linhagens modernas de milho, o teor de proteína das sementes subiu de forma significativa, alterando a composição carbono-nitrogênio do grão em favor de maior densidade nutricional.

O experimento mais ambicioso combinou o THP3-T com outro gene já mapeado pela mesma equipe em 2022, o THP9-T, que codifica a asparagina sintase 4. O empilhamento dos dois alelos superiores produziu um efeito sinérgico: os híbridos de elite resultantes apresentaram mais proteína tanto nas sementes quanto na planta inteira, mantendo o rendimento agrícola inalterado.

O trabalho lança luz sobre um paradoxo da domesticação: ao selecionar plantas com espigas maiores e mais fáceis de colher, os agricultores pré-colombianos eliminaram involuntariamente variantes genéticas valiosas para a nutrição humana e animal. O milho moderno, base da alimentação de bilhões de pessoas e da ração animal global, carrega apenas uma fração do potencial proteico de seus ancestrais selvagens.

Os ensaios de campo foram conduzidos em múltiplos locais da China, incluindo Xangai e Sanya, com diferentes níveis de aplicação de nitrogênio. As linhagens portadoras do THP3-T demonstraram eficiência superior no uso do nitrogênio do solo, produzindo mais proteína mesmo sob condições de baixa adubação nitrogenada, o que abre caminho para uma agricultura menos dependente de fertilizantes sintéticos.

A descoberta chega em um momento em que a demanda mundial por proteína vegetal dispara, impulsionada pelo crescimento populacional e pela expansão da pecuária nos países em desenvolvimento. O milho responde por mais de um bilhão de toneladas anuais de ração animal, e qualquer ganho percentual em seu teor proteico representa bilhões de dólares em valor nutricional agregado.

A equipe chinesa empregou técnicas avançadas de sequenciamento genômico, retrocruzamento e análise bioquímica para isolar o gene em populações de mapeamento derivadas do cruzamento entre a linhagem moderna B73 e o teosinte Ames21814. Os dados de RNA e resequenciamento foram depositados no Centro Nacional de Dados Genômicos da China, sob o código PRJCA060390.

A estratégia de resgatar alelos benéficos descartados pela domesticação não é nova, mas os resultados com o THP3-T e o THP9-T demonstram que ela pode ser aplicada em escala comercial sem as penalidades habituais de rendimento. O próximo passo é transferir esses genes para variedades cultivadas em larga escala nos trópicos, incluindo o Brasil, segundo maior exportador mundial do grão.

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Cercas virtuais e drones com IA revolucionam agricultura moderna https://www.ocafezinho.com/2026/06/02/cercas-virtuais-e-drones-com-ia-revolucionam-agricultura-moderna/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/02/cercas-virtuais-e-drones-com-ia-revolucionam-agricultura-moderna/#respond Tue, 02 Jun 2026 13:51:52 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/06/02/cercas-virtuais-e-drones-com-ia-revolucionam-agricultura-moderna/ Em uma manhã de primavera na Estação de Campo Cottonwood, no oeste da Dakota do Sul, 150 novilhos Angus se preparam para uma nova rotação de pasto sem necessidade de vaqueiros extras, porteiras ou cercas temporárias. O professor assistente da Universidade Estadual de Dakota do Sul, Hector Menendez, desenha em seu telefone os limites do novo piquete enquanto toma café em seu escritório, a quilômetros da pastagem.

A tecnologia de cerca virtual, que utiliza colares GPS comunicando-se com uma estação base movida a energia solar, guia os animais emitindo um sinal sonoro quando se aproximam do limite e um estímulo elétrico se insistirem em ultrapassá-lo. O tema tem sido amplamente debatido em conferências e workshops de manejo pecuário, atraindo produtores que enfrentam custos crescentes, escassez de mão de obra e pressões ambientais.

Pesquisadores da SDSU investigam como inovações como pesagem remota, inteligência artificial e drones podem remodelar a agricultura moderna e apoiar os produtores do estado. O doutorando Elias R. V. Moreno, que trabalha sob orientação de Menendez, destaca que os custos de insumos são o principal fator de decisão dos pecuaristas, e o cercamento virtual surge como nova forma de implementar estratégias de pastejo rotacionado.

Estudos concluíram que a tecnologia não prejudica o ganho de peso diário, a ingestão de matéria seca, a conversão alimentar ou a qualidade da carcaça dos bovinos quando comparada ao pastejo contínuo. Além dos benefícios produtivos, o sistema oferece tranquilidade aos pecuaristas, que podem monitorar remotamente seus rebanhos e até se ausentar da propriedade por alguns dias sem perder o controle gerencial, conforme explicou o professor assistente de ciência animal Ira Parsons.

O professor associado e especialista em pastejo da Extensão da SDSU, Jameson Brennan, ressalta que o cercamento virtual pode melhorar o equilíbrio entre vida pessoal e trabalho dos rancheiros e atrair de volta ao setor pessoas com empregos de tempo integral. A tecnologia demonstrou ser 99,5% eficaz em manter o gado fora de áreas de exclusão, como margens de rios, contribuindo para a recuperação da vegetação ribeirinha e a melhoria da qualidade da água.

Enquanto o cercamento virtual transforma a pecuária, outra revolução ocorre nos campos de cultivo. O professor assistente de agricultura de precisão Pappu Yadav lidera uma equipe que desenvolve um drone híbrido equipado com inteligência artificial de borda, câmeras RGB e multiespectrais, além de um pulverizador de bico único, capaz de identificar e neutralizar ervas daninhas em uma única passagem.

A pesquisadora associada Krisha Joshi trabalha no cérebro do sistema, treinando modelos de IA com grandes conjuntos de dados de espécies invasoras de Dakota do Sul para que o drone distinga instantaneamente uma planta de milho ou soja de uma erva daninha. Os estudantes de graduação Devraj Majhi e Dustin Seubert customizaram o equipamento com um bico único para pulverização de precisão e usaram impressora 3D para criar os componentes de fixação do computador de bordo e das câmeras.

A aplicação direcionada reduz os custos de herbicidas e diminui a compactação do solo causada pelo trânsito de tratores com pulverizadores convencionais, que pode comprometer os poros necessários para água, oxigênio e desenvolvimento das raízes. A estudante de mestrado Aastha Gautam explica que o drone voa de forma totalmente automatizada, bastando ao usuário planejar a missão de voo antes da decolagem, o que torna a tecnologia acessível mesmo para produtores sem experiência técnica avançada.

A versatilidade do equipamento vai além da pulverização: a carga útil modular permite trocar os sensores conforme a necessidade da safra, podendo utilizar câmeras térmicas ou hiperespectrais para detecção precoce de doenças, estresse hídrico ou programação de irrigação. Yadav enfatiza que a pesquisa se concentra em desenvolver os algoritmos subjacentes para que o hardware permaneça flexível e adaptável a qualquer desafio agrícola, gerando mapas de calor de alta resolução que revelam problemas nas lavouras dias ou semanas antes de se tornarem visíveis a olho nu.

A pesagem remota complementa esse ecossistema de precisão. Parsons utiliza plataformas de balança com captura automática que coletam dados sem fio do peso dos bovinos diretamente no pasto, alimentando modelos nutricionais e decisões gerenciais com informações que antes exigiam manejo estressante e logisticamente inviável em paisagens extensivas.

O verdadeiro valor dessas tecnologias, segundo Parsons, está na integração dos dados por meio de aprendizado de máquina, fundindo medições diárias de peso, rastreamento GPS e informações climáticas para gerar percepções acionáveis. A ideia não é substituir o conhecimento dos produtores, mas reforçar com dados objetivos aquilo que eles já observam empiricamente, permitindo decisões mais precisas e produtivas.

A agricultura sempre evoluiu junto com a tecnologia, das ferramentas manuais ao arame farpado e à mecanização, e agora avança com satélites, sensores e inteligência artificial. os pesquisadores da Universidade Estadual de Dakota do Sul garantem que os produtores permaneçam na vanguarda dessa transformação, com ferramentas que reduzem demandas de trabalho e ampliam a eficiência produtiva.

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Cientistas japoneses desenvolvem arena virtual para treinar robôs colheitadeiras de tomate https://www.ocafezinho.com/2026/06/01/cientistas-japoneses-desenvolvem-arena-virtual-para-treinar-robos-colheitadeiras-de-tomate/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/01/cientistas-japoneses-desenvolvem-arena-virtual-para-treinar-robos-colheitadeiras-de-tomate/#respond Mon, 01 Jun 2026 20:22:46 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/06/01/cientistas-japoneses-desenvolvem-arena-virtual-para-treinar-robos-colheitadeiras-de-tomate/
Tomateiros em estágio de crescimento, com frutos em diferentes fases de maturação, em ambiente controlado.

Pesquisadores da Universidade Metropolitana de Osaka criaram um ambiente virtual que gera imagens realistas de tomates e dados de treinamento para inteligência artificial. A inovação elimina a necessidade de rotulagem manual de milhares de imagens em campo, um dos principais gargalos da robótica agrícola.

Robôs colheitadeiras utilizam IA para identificar frutos maduros nas plantas. O treinamento desses sistemas exige conjuntos massivos de imagens, onde cada tomate precisa ser manualmente contornado e classificado por maturação.

As condições reais das fazendas variam conforme a luz natural, formato das plantas e ambiente de cultivo. Essa variabilidade dificulta a criação de modelos de IA confiáveis fora do laboratório.

A equipe liderada pelo professor Takuya Fujinaga reconstruiu ambientes agrícolas em 3D usando o motor gráfico Unreal Engine 5 e a técnica 3D Gaussian Splatting. Segundo reportagem do portal phys.org, a simulação reproduz com fidelidade iluminação, texturas e geometria de plantações reais.

O sistema gera automaticamente etiquetas no formato YOLO, padrão adotado para treinamento de detecção de objetos por IA. As etiquetas indicam a posição e o nível de maturação de cada tomate nas imagens sintéticas, sem intervenção humana.

Os pesquisadores treinaram modelos de IA com os dados sintéticos e comprovaram sua eficácia na detecção de tomates em imagens reais. A validação cruzada entre virtual e físico demonstra que a simulação pode substituir o trabalho exaustivo em campo.

Fujinaga destacou que a equipe identificou as condições que mais influenciam a precisão da IA. Entre elas estão as diferenças na forma dos modelos 3D dos tomates, variações de iluminação e o tamanho do conjunto de dados.

Embora o estudo tenha se concentrado em tomates, os princípios são aplicáveis a diversas culturas agrícolas. A pesquisa abre caminho para acelerar a automação da colheita em diferentes produtos.

O trabalho foi publicado na revista Smart Agricultural Technology. Representa um avanço na agricultura de precisão, combinando robótica, visão computacional e IA para aumentar a eficiência e reduzir a dependência de mão de obra intensiva.


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Forças mecânicas nas folhas orientam poros que controlam respiração das plantas https://www.ocafezinho.com/2026/06/01/forcas-mecanicas-nas-folhas-orientam-poros-que-controlam-respiracao-das-plantas/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/01/forcas-mecanicas-nas-folhas-orientam-poros-que-controlam-respiracao-das-plantas/#comments Mon, 01 Jun 2026 05:21:29 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/06/01/forcas-mecanicas-nas-folhas-orientam-poros-que-controlam-respiracao-das-plantas/ 4 Comentários 🔥]]>
Ilustração editorial sobre Forças mecânicas nas folhas orientam poros que controlam respiração das plantas.

Cientistas da Universidade de Cambridge descobriram que forças mecânicas geradas durante o crescimento das folhas influenciam diretamente a orientação dos estômatos. Esses poros microscópicos são responsáveis pela troca de gases e retenção de água nas plantas.

A pesquisa, publicada na revista Cell Reports, acompanhou mais de 10 mil estômatos em 72 folhas embrionárias da planta-modelo Arabidopsis thaliana. O estudo analisou o desenvolvimento nos primeiros cinco dias após a germinação.

O estudo revelou que a geometria da célula é o fator dominante na orientação dos estômatos. A maioria das divisões celulares se alinha ao eixo mais longo da célula.

Os pesquisadores identificaram que o estresse mecânico gerado pela expansão da folha pode se sobrepor a essa regra geométrica. Em determinados contextos, esse estresse altera o posicionamento final dos poros.

Segundo o Dr. Leo Serra, primeiro autor do trabalho, as divisões estomáticas são fortemente guiadas pela geometria celular. Essa constatação isolada, porém, não explicava completamente o alinhamento observado em escala de órgão.

Para investigar o fenômeno, a equipe combinou imageamento ao vivo com modelagem computacional. Foram utilizadas plantas mutantes com adesão celular enfraquecida para visualizar os padrões de tensão na superfície das folhas.

O Dr. Euan Smithers, responsável pela modelagem, explicou que a equipe observou mudanças claras na orientação das divisões das células-guarda. As alterações ocorreram ao modificar experimentalmente as forças mecânicas aplicadas às folhas jovens.

A técnica envolveu dobrar delicadamente as folhas para modificar os padrões de estresse na superfície. O desafio foi considerável devido ao tamanho diminuto dos tecidos analisados.

A pesquisa também revelou diferenças marcantes entre os lados superior e inferior das folhas. O lado abaxial manteve um alinhamento mais coordenado ao longo do eixo da folha.

O lado adaxial apresentou desorganização mais precoce. A Dra. Sarah Robinson, líder do grupo de pesquisa no Laboratório Sainsbury, atribuiu essa divergência a taxas de crescimento distintas entre as duas faces da folha.

O crescimento mais rápido do lado superior provoca relaxamento mais intenso do estresse tênsil. O lado inferior, de crescimento mais lento, conserva padrões de tensão mais estáveis que favorecem alinhamento consistente.

Essa descoberta oferece nova compreensão sobre como as plantas coordenam o comportamento celular em tecidos inteiros. Conforme relatado pelo portal Phys.org, os estômatos desempenham papel crucial na produtividade agrícola.

Os estômatos regulam a captura de dióxido de carbono para a fotossíntese e limitam a perda de água durante períodos de seca. A compreensão aprofundada dos mecanismos que controlam sua orientação pode abrir caminho para culturas mais eficientes no uso da água.

O desenvolvimento de culturas com maior resiliência às mudanças climáticas também se torna possível. Embora o estudo não tenha testado diretamente o impacto funcional da orientação estomática, os pesquisadores sugerem que alinhar os poros aos padrões de estresse mecânico pode otimizar a abertura e fechamento das células-guarda.

Como os próprios estômatos geram forças mecânicas sobre as células vizinhas, a sensibilidade ao estresse também pode ajudar a posicionar novos poros. Isso melhoraria o desempenho global da planta.


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Hidrogel biodegradável criado no Cazaquistão dobra crescimento de mudas de beterraba https://www.ocafezinho.com/2026/05/31/hidrogel-biodegradavel-criado-no-cazaquistao-dobra-crescimento-de-mudas-de-beterraba/ https://www.ocafezinho.com/2026/05/31/hidrogel-biodegradavel-criado-no-cazaquistao-dobra-crescimento-de-mudas-de-beterraba/#respond Mon, 01 Jun 2026 01:02:51 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/05/31/hidrogel-biodegradavel-criado-no-cazaquistao-dobra-crescimento-de-mudas-de-beterraba/
Ilustração editorial sobre Hidrogel biodegradável criado no Cazaquistão dobra crescimento de mudas de beterraba.

Pesquisadores da Universidade Nazarbayev, no Cazaquistão, desenvolveram um novo tipo de revestimento para sementes feito de hidrogéis biodegradáveis à base de amido e carboximetilcelulose. O material, testado em sementes de beterraba açucareira, conseguiu dobrar o comprimento das mudas em comparação com sementes não revestidas.

Os hidrogéis demonstraram capacidade de absorver até 17,5 gramas de água por grama de material, retendo a umidade ao redor da semente durante a germinação. Essa propriedade é crucial para regiões com escassez hídrica e solos degradados, onde o desenvolvimento inicial das plantas é particularmente vulnerável.

Além da alta capacidade de retenção de água, os materiais mostraram forte biodegradabilidade, com aproximadamente 67% de degradação no solo durante o período do estudo. Isso contrasta com os superabsorventes convencionais, frequentemente derivados de polímeros à base de petróleo e de difícil decomposição.

A equipe sintetizou os hidrogéis usando diferentes proporções de amido e carboximetilcelulose, dois polímeros naturais renováveis e biodegradáveis. Análises de microscopia eletrônica de varredura confirmaram uma estrutura porosa que favorece a absorção de água, enquanto testes espectroscópicos validaram a formação de uma rede polimérica estável.

Nos ensaios com revestimento de sementes, as formulações de hidrogel melhoraram significativamente a emergência das plântulas. As combinações mais eficazes resultaram em mudas com comprimento de cerca de 6 centímetros, enquanto as sementes não tratadas atingiram apenas cerca de 3 centímetros.

O estudo também explorou a incorporação de cinzas de madeira na composição do revestimento, fornecendo minerais essenciais como potássio, cálcio e fósforo. A estrutura cinza–polímero–cinza demonstrou resultados particularmente promissores, unindo retenção de umidade com liberação gradual de nutrientes.

Os autores, liderados por Raikhan Rakhmetullayeva, destacaram que mais pesquisas são necessárias para otimizar a estabilidade mecânica e o desempenho em campo de longo prazo. No entanto, os achados sugerem que hidrogéis de amido–CMC podem se tornar uma plataforma viável para revestimentos sustentáveis de sementes e condicionadores de solo.

Tecnologias de revestimento de sementes são cada vez mais relevantes para a agricultura sustentável, pois melhoram a germinação, protegem as plântulas e aumentam a eficiência no uso de água e nutrientes. Ao empregar materiais biodegradáveis de fontes renováveis, a pesquisa contribui para insumos agrícolas funcionalmente eficazes e ambientalmente responsáveis.

Em um cenário de mudanças climáticas, degradação do solo e escassez de água, soluções que reduzem a dependência de polímeros sintéticos persistentes ganham importância estratégica. Os superabsorventes derivados de petróleo apresentam problemas de poluição e acúmulo de microplásticos, ao passo que os novos hidrogéis oferecem uma alternativa de base biológica com alta taxa de degradação.

O trabalho foi publicado na revista Scientific Reports e divulgado pelo portal Phys.org. A pesquisa contou com a participação do Laboratório Nacional Astana, da Universidade Nazarbayev, e reforça o papel do Cazaquistão na fronteira da inovação em materiais agrícolas.

Para regiões do Sul Global afetadas por estresse hídrico, materiais capazes de reter água e nutrientes junto à semente podem representar um salto na produtividade agrícola. A abordagem também está alinhada com esforços globais de redução da poluição plástica e promoção de bioeconomias locais.

Os pesquisadores planejam continuar os testes para ajustar a formulação e avaliar a segurança ambiental de agentes de reticulação residuais. Enquanto isso, os resultados já demonstram que a combinação de polímeros naturais com cinzas de madeira pode transformar a forma como as sementes enfrentam solos secos.


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Embrapa produz em laboratório salmão, caviar e anéis de lula veganos https://www.ocafezinho.com/2026/05/30/embrapa-produz-em-laboratorio-salmao-caviar-e-aneis-de-lula-veganos/ https://www.ocafezinho.com/2026/05/30/embrapa-produz-em-laboratorio-salmao-caviar-e-aneis-de-lula-veganos/#respond Sun, 31 May 2026 01:22:25 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/05/30/embrapa-produz-em-laboratorio-salmao-caviar-e-aneis-de-lula-veganos/ Depois de 30 meses de pesquisa, o Laboratório de Nanobiotecnologia (LNANO) da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, com sede em Brasília, desenvolveu amostras de alimentos impressos com base vegetal, que mimetizam filé de salmão, caviar e anéis de lula.

Além de copiar as formas dos alimentos, os protótipos – feitos em impressoras 3D da Embrapa – têm gosto e características nutricionais semelhantes à comida original.

“Uma das coisas que buscamos foi avaliar o teor nutricional da carne animal em sua composição total. Atentos a três grupos principais – carboidratos, lipídeos e proteínas -, buscamos nos recursos vegetais ingredientes ou insumos que nos trazem a mesma quantidade em percentual de tecido animal”, explica a bióloga Cínthia Caetano Bonatto, pesquisadora bolsista no LNANO.

Tintas alimentícias

As amostras foram criadas com tintas alimentícias feitas a partir de proteínas vegetais, farinhas de leguminosas, óleos vegetais e de algas, nanoingredientes, corantes naturais e espessantes – usados para aumentar a viscosidade dos alimentos.

De acordo com Cínthia Bonatto, as tintas alimentícias são constituídas por ingredientes “que, em sua maioria, são os mesmos que utilizamos na culinária na nossa residência.”

Arca de Noé

Parte desses insumos foi obtida nos Bancos Ativos de Germoplasma da Embrapa, uma espécie de “arca de Noé” que coleciona em 140 acervos o material genético de milhares de plantas, microorganismos e animais.

Com o material genético do repositório da própria Embrapa, é possível elaborar alimentos de base vegetal com composição “o mais similar possível àquela encontrada nos animais”, descreve o pesquisador Luciano Paulino da Silva, que coordena projetos de impressão de alimentos.

Com essa tecnologia, os pesquisadores conseguem “fazer o enriquecimento nutricional dos produtos impressos”, comenta a biotecnóloga Gabriela Mendes da Rocha Vaz, também pesquisadora bolsista no LNANO.

Essa aplicação pode ser útil para o combate à fome e subnutrição. Em tese, a impressão de alimentos também pode evitar pesca predatória ou sofrimento no abate dos animais e ainda atender segmentos de públicos com restrições alimentares, por exemplo quem não quer comer carne.

Vitrine

Os alimentos criados no LNANO já foram experimentados por pessoas, conforme liberação de comissão de ética. Segundo Luciano Paulino da Silva, o experimento está “na vitrine da Embrapa”, mas ainda não tem data para ser lançado no mercado.

A pesquisa da Embrapa foi financiada pelo Good Food Institute (GFI), uma organização global sem fins lucrativos que financia a criação de alimentos à base de plantas, com microorganismos em processo de fermentação, e a produção de carne cultivada a partir de células animais em laboratório.

A exploração comercial vai depender do modelo de negócios: alimentos criados em impressoras domésticas para preparo em restaurantes ou ainda em escala industrial.

Alimentos impressos já são comercializados na Austrália, nos Estados Unidos, em Israel e Singapura. No Brasil, pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) desenvolvem experimentos para a impressão de alimentos em parceria com a Escola de Medicina da Universidade Harvard, e com a Universidade de Tecnologia e Design de Singapura.

Fonte: Agência Brasil

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Estão previstos R$ 8,5 bilhões em investimentos, com duplicações, contorno viário, bases de atendimento ao usuário, nas BRs 116 e 324, totalizando 502 quilômetros entre Salgueiro (PE) e o anel rodoviário de Feira de Santana (BA).

Ao todo, serão usados R$ 8,5 bilhões ao longo dos 30 anos de contrato, sendo R$ 4,1 bilhões destinados diretamente a obras de ampliação e modernização da infraestrutura rodoviária.

As intervenções previstas abrangem 16 municípios ao longo do corredor rodoviário e incluem:

  • duplicação de 108 quilômetros de rodovia;
  • implantação de vias marginais;
  • construção de novos retornos;
  • execução do contorno viário de Serrinha (BA);
  • implementação de sistemas inteligentes de monitoramento;
  • instalação de 10 bases de serviço de atendimento ao usuário;
  • construção de ponto de parada e descanso para motoristas profissionais.

O critério de julgamento do leilão foi o maior desconto tarifário sobre a tarifa básica de pedágio prevista no edital. O projeto foi estruturado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), em parceria com o Ministério dos Transportes e o Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES).

O trecho concedido conecta importantes eixos logísticos do Nordeste e tem papel fundamental no escoamento da produção agropecuária e industrial da região, além de integrar centros urbanos, polos industriais e mercados consumidores.

Feira de Santana (BA) é o principal entroncamento rodoviário do Norte-Nordeste, ao concentrar operações industriais, comerciais e logísticas que dependem da BR-116/324.

Para o diretor-geral da ANTT, Guilherme Theo Rodrigues da Rocha Sampaio, o sucesso do leilão é reflexo da confiança do mercado na solidez da instituição. Segundo ele, a duração do contrato traz a previsibilidade necessária para transformar a infraestrutura do país.

“Nosso compromisso é com a segurança jurídica e a entrega de uma rodovia que realmente chegue à ponta, atendendo quem vive e trabalha neste importante corredor entre a Bahia e Pernambuco.”

A ANTT acompanhará as próximas etapas para assinatura do contrato e início da transição operacional da concessão, a fim de assegurar a continuidade dos serviços e melhoria da infraestrutura.

Fonte: Agência Brasil

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Pesquisa alemã revela mecanismo único de plantas contra erros genéticos https://www.ocafezinho.com/2026/05/28/pesquisa-alema-revela-mecanismo-unico-de-plantas-contra-erros-geneticos/ https://www.ocafezinho.com/2026/05/28/pesquisa-alema-revela-mecanismo-unico-de-plantas-contra-erros-geneticos/#respond Thu, 28 May 2026 23:32:18 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/05/28/pesquisa-alema-revela-mecanismo-unico-de-plantas-contra-erros-geneticos/
Ilustração editorial sobre Pesquisa alemã revela mecanismo único de plantas contra erros genéticos. (Ilustração: Cafezinho / Wan 2.6)

Cientistas da Universidade Ludwig Maximilian de Munique descobriram que as plantas possuem uma capacidade excepcional de tolerar erros durante a síntese de proteínas. O estudo, publicado no Proceedings of the National Academy of Sciences, utilizou a Arabidopsis thaliana como modelo para analisar respostas de mitocôndrias e cloroplastos a falhas na tradução proteica.

Os pesquisadores, liderados pelo biólogo Benjamin Brandt e pelo professor Hans-Henning Kunz, induziram erros controlados na produção de proteínas usando RNAs transportadores geneticamente modificados. Esses tRNAs incorporaram aminoácidos incorretos, permitindo observar como as organelas reagem a essas falhas.

As mitocôndrias demonstraram suprimir ativamente os erros, rejeitando tRNAs com aminoácidos incorretos antes da síntese continuar. Os cloroplastos, por outro lado, toleraram altas taxas de erros de tradução sem comprometer sua função fotossintética.

Os cloroplastos possuem mecanismos de compensação que mantêm sua eficiência mesmo com proteínas defeituosas. Essa combinação de tolerância e controle de qualidade representa uma estratégia evolutiva exclusiva do reino vegetal.

A pesquisa também revelou que erros semelhantes ocorrem naturalmente em plantas sob estresse térmico. Isso indica que tais falhas podem ser parte de uma resposta fisiológica adaptativa a condições adversas.

A comparação com bactérias reforça a importância desses erros, já que em microrganismos eles aumentam a sobrevivência sob estresse. Os resultados abrem caminho para o desenvolvimento de cultivos mais resistentes a condições climáticas extremas.

O professor Kunz destacou que o conhecimento adquirido pode ser usado para criar variedades agrícolas mais robustas e produtivas. A pesquisa desafia a ideia de que a precisão na síntese proteica é absolutamente essencial para a sobrevivência dos organismos.


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Plantas ajustam estratégia de crescimento ao detectar aromas de vizinhas, revela estudo https://www.ocafezinho.com/2026/05/28/plantas-ajustam-estrategia-de-crescimento-ao-detectar-aromas-de-vizinhas-revela-estudo/ https://www.ocafezinho.com/2026/05/28/plantas-ajustam-estrategia-de-crescimento-ao-detectar-aromas-de-vizinhas-revela-estudo/#respond Thu, 28 May 2026 08:52:07 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/05/28/plantas-ajustam-estrategia-de-crescimento-ao-detectar-aromas-de-vizinhas-revela-estudo/
Ilustração de plantas em campo emitindo compostos voláteis, representando a troca de sinais entre vegetais. (Foto: phys.org)

Pesquisa publicada no Journal of Experimental Botany demonstra que plantas detectam a taxa de crescimento de suas vizinhas por meio de compostos orgânicos voláteis (COVs). O estudo amplia o conhecimento sobre comunicação vegetal, antes restrito a sinais de alarme emitidos por plantas danificadas.

O Dr. Velemir Ninkovic, da Universidade Sueca de Ciências Agrícolas, conduziu experimentos com três cultivares de cevada (Hordeum vulgare) de ritmos distintos: a lenta Fairytale, a intermediária Luhkas e a rápida Salome. A cevada é um cereal de relevância global para a agricultura, conforme destacado pelo phys.org.

Durante 25 dias, as cultivares de crescimento lento e rápido foram expostas aos COVs das três variedades. A equipe mediu biomassa e alterações na expressão gênica das plantas receptoras. Os resultados indicaram que voláteis de plantas saudáveis funcionam como um diálogo químico contínuo entre vizinhas.

As plantas ajustaram seu crescimento conforme a pressão competitiva sinalizada pelos aromas. Cresceram mais ao detectar vizinhos de crescimento rápido e menos diante de perfis lentos. O efeito foi observado em folhas, caules e raízes, sem mero rearranjo de recursos.

A análise genética mostrou que a mudança na biomassa estava ligada a vias de crescimento e defesa. A exposição ao perfil da cultivar lenta ativou genes de resposta ao estresse contra herbívoros e suprimiu genes de transporte celular. O padrão inverso ocorreu com o aroma da cultivar rápida.

Os compostos associados a esses sinais incluem nitrilo de benzila, linalol e octanal. Essas substâncias produzem fragrâncias florais como lavanda e cítricos, além de aromas metálicos e terrosos. Ninkovic destacou que as plantas liberam misturas ricas de voláteis como parte normal de sua biologia.

A capacidade de detectar sinais químicos teria sido favorecida evolutivamente ao longo de milhões de anos. A equipe sugere que interações por COVs constitutivos são comuns no reino vegetal, embora compostos e intensidade da resposta variem entre espécies. O estudo completo está disponível no Journal of Experimental Botany.


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Irrigação e lençol freático amplificam tempestades no Cinturão do Milho em até 35% https://www.ocafezinho.com/2026/05/27/irrigacao-e-lencol-freatico-amplificam-tempestades-no-cinturao-do-milho-em-ate-35/ https://www.ocafezinho.com/2026/05/27/irrigacao-e-lencol-freatico-amplificam-tempestades-no-cinturao-do-milho-em-ate-35/#respond Wed, 27 May 2026 21:39:33 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/05/27/irrigacao-e-lencol-freatico-amplificam-tempestades-no-cinturao-do-milho-em-ate-35/
Plantio de milho inundado durante chuva intensa na região do Corn Belt. (Foto: phys.org)

A combinação de lençóis freáticos rasos, sistemas de irrigação e vastos campos de milho no Cinturão do Milho dos Estados Unidos aumenta a frequência de complexos de tempestades em até 35%. As simulações também mostraram que esses sistemas convectivos de mesoescala duram cerca de 10% mais tempo quando alimentados pela umidade proveniente do solo e das lavouras.

Os sistemas convectivos de mesoescala são aglomerados de tempestades que se estendem por mais de 100 km e persistem por várias horas. Eles respondem por 40% a 60% da precipitação durante a estação de crescimento da região, essencial para uma área que produz mais de um terço do milho mundial.

Esses fenômenos, no entanto, também desencadeiam inundações, granizo, ventos fortes e tornados. Zhe Zhang, cientista do Centro Nacional de Pesquisas Atmosféricas da Fundação Nacional de Ciências dos EUA e autor principal do estudo, afirmou que as descobertas oferecem uma visão holística de como as interações entre água subterrânea, culturas e irrigação influenciam a atmosfera local.

Zhang destacou que a compreensão desses mecanismos é importante para melhorar a previsão de tempo severo na região e antecipar padrões de tempestades com semanas ou meses de antecedência. A pesquisa foi publicada na revista Communications Earth & Environment e noticiada pelo portal Phys.org.

O estudo contou com a colaboração de cientistas do Instituto de Ciências Atmosféricas e Climáticas da ETH de Zurique, da Universidade de Santiago de Compostela e da Universidade de Ciência e Tecnologia de Hong Kong. A equipe utilizou modelos computacionais avançados do NSF NCAR e um algoritmo especializado para rastrear o movimento do vapor d’água nas simulações.

Pesquisas anteriores já haviam indicado que o Cinturão do Milho se tornou mais úmido nas últimas décadas, com aumento das chuvas. Zhang liderou um estudo anterior que investigou como as mudanças no uso da terra e a irrigação, combinadas com a influência do lençol freático raso, afetam os padrões de precipitação locais.

No novo estudo, os pesquisadores concentraram-se na influência da água subterrânea e da agricultura sobre os sistemas convectivos de mesoescala. Eles executaram dois conjuntos de simulações: um que incorporava os processos de lençol freático, crescimento das culturas e irrigação, e outro sem esses elementos.

As simulações foram baseadas em modelos do NSF NCAR e rodadas no NSF NCAR–Wyoming Supercomputing Center. Ao comparar os resultados com os padrões climáticos reais do Cinturão do Milho em três anos representativos, os cientistas constataram que apenas as simulações com os processos de superfície terrestre recriaram com fidelidade as tempestades observadas.

O algoritmo de rastreamento revelou que a umidade proveniente do solo e das atividades agrícolas aumentou o vapor d’água e intensificou as correntes ascendentes. Isso alimentou a instabilidade atmosférica e criou condições favoráveis para sistemas convectivos mais potentes e duradouros.

Zhang observou que o estudo fornece uma perspectiva importante sobre o sistema terrestre, focando nas influências verticais do vapor d’água. Essa abordagem contrasta com a maioria das pesquisas, que analisam o deslocamento horizontal dos sistemas meteorológicos.

Compreender o peso relativo dos diferentes processos pode informar estratégias de plantio e alocação de recursos hídricos. Como a região é vital para o abastecimento global de alimentos, os resultados têm implicações diretas para a segurança alimentar e a gestão de riscos climáticos.

É fundamental desenvolver uma compreensão mais aprofundada da influência das mudanças no uso da terra sobre o clima local, especialmente em uma área agrícola intensiva e crucial para o suprimento de alimentos, concluiu Zhang. O estudo, intitulado Moisture from US Corn Belt fuels more intense convective storms, foi publicado com o DOI 10.1038/s43247-025-03089-0.


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Desmatamento no Brasil registra queda de 20,6% em 2025 https://www.ocafezinho.com/2026/05/27/desmatamento-no-brasil-registra-queda-de-206-em-2025/ https://www.ocafezinho.com/2026/05/27/desmatamento-no-brasil-registra-queda-de-206-em-2025/#respond Wed, 27 May 2026 11:21:39 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/05/27/desmatamento-no-brasil-registra-queda-de-206-em-2025/ Pela primeira vez desde 2019, a área total de vegetação nativa desmatada no Brasil ficou abaixo de 1 milhão de hectares em um único ano. De acordo com o Relatório Anual do Desmatamento no Brasil (RAD2025), divulgado pelo MapBiomas nesta quarta-feira (27), foram desmatados 984.794 hectares no país em 2025, uma redução de 20,6% em relação a 2024.

Todos os biomas do país tiveram redução da área desmatada. O Pantanal registrou a maior redução proporcional entre todos os biomas, com queda de 48,4% na área desmatada em relação a 2024, somando 12.260 hectares perdidos no ano. O Cerrado continua sendo o bioma com maior área desmatada, com 540.614 hectares em 2025.

O MapBiomas alerta que, apesar da redução no desmatamento no ano passado, a área desmatada no Brasil chegou à média de 2.698 hectares por dia, cerca de 112 hectares por hora.

“É como se 17 parques do Ibirapuera – o maior parque urbano da cidade de São Paulo – fossem desmatados todos os dias”, comparou a entidade, em nota.

Nos últimos sete anos, série histórica do MapBiomas Alerta, o Brasil perdeu mais de 10,9 milhões de hectares de vegetação nativa, área superior à do estado de Pernambuco.

A Amazônia e o Cerrado foram os biomas mais desmatados em 2025. Juntos, os dois biomas responderam por mais de 84% de toda a área desmatada no país no ano.

O Cerrado concentrou sozinho 54,9% do desmatamento do país, um total de 540.614 hectares, apesar da queda de 16,9% em relação a 2024. O bioma perdeu 1.482 hectares de vegetação nativa diariamente.

Na Amazônia, foram desmatados 289.478 hectares em 2025, uma redução de 23,5% frente ao ano anterior. O desmatamento no bioma foi de 792 hectares por dia, o que equivale à perda de cerca de 5 árvores por segundo, segundo análise do MapBiomas.

O levantamento mostrou que as formações savânicas lideram o tipo de vegetação nativa mais ameaçada. Pelo terceiro ano consecutivo, foram as mais afetadas pelo desmatamento no Brasil, respondendo por 51,4% da área total desmatada, seguidas das formações florestais, com 46,3%.

Na Amazônia e Mata Atlântica predominou o desmatamento em formações florestais, enquanto nos biomas Cerrado, Caatinga e Pantanal, o predomínio foi de supressão das formações savânicas.

A região conhecida como Matopiba, que reúne os estados do Maranhão, Tocantins, Piauí, Bahia e Mato Grosso, concentra mais de 63% do desmatamento entre os estados. São as cinco unidades federativas com maior área desmatada em 2025.

No acumulado de 2019 a 2025, o Pará é o estado com maior área desmatada, com mais de 2 milhões de hectares de vegetação nativa perdidos no período. No entanto, em 2025, o estado registrou queda de 40% em relação ao ano anterior.

Entre os estados com maiores reduções absolutas, Maranhão, Pará e Tocantins registraram queda superior a 50 mil hectares de área desmatada. Sergipe e Alagoas reduziram mais de 60% em relação ao ano anterior.

O desmatamento associado à expansão da agropecuária responde por mais de 97% de toda a perda de vegetação nativa no Brasil nos últimos sete anos, apontou o MapBiomas.

Esse vetor de pressão responde por 99% da vegetação nativa perdida no Brasil em 2025.

Além disso, no último ano, 99% da área desmatada associada ao garimpo estava concentrada na Amazônia, com maior incidência no Pará. Já os desmatamentos relacionados a empreendimentos de energia renovável estiveram concentrados na Caatinga, que respondeu por 97% da área desmatada associada a esse vetor.

Os desmatamentos associados à expansão urbana apresentaram aumento de 7% em relação a 2024 e concentraram-se principalmente no Cerrado e na Amazônia, que juntos responderam por mais de 60% da área de vegetação nativa perdida vinculadas às áreas urbanizadas.

Mais da metade dos 5.572 municípios brasileiros (2.932) tiveram pelo menos um evento de desmatamento detectado e validado em 2025. O município de Canto do Buriti, no Piauí, lidera o ranking de maior área desmatada pela primeira vez na série histórica, com 20.877 hectares desmatados.

Localizado no bioma da Caatinga, Canto do Buriti também apresentou o maior evento de desmatamento detectado em 2025, com 20.834 hectares desmatados. A média diária de desmatamento neste município foi de 57,2 hectares, o equivalente a cerca de 80 campos de futebol por dia.

Os dez municípios com maior área desmatada responderam juntos por 15% do total do desmatamento validado no país, sendo que oito desses municípios estão localizados no Matopiba. Só essa região concentra 40% da perda de vegetação nativa do país e 70% do desmatamento registrado no Cerrado.

As Unidades de Conservação (UCs) e Terras Indígenas são as áreas mais preservadas, segundo análise do MapBiomas. Ainda assim, dentro de UCs, foram desmatados 46.257 hectares em 2025, redução de 21,4% em relação ao ano anterior.

Dentro das unidades de conservação, as UCs de Proteção Integral (federais, estaduais e municipais) – modalidade com maior grau de preservação – registraram queda de 55,8%, com 2.034 hectares desmatados.

O Cerrado responde por 43,5% do desmatamento em UCs, sendo 97% desta área localizada em Áreas de Proteção Ambiental (APAs), que é uma das formas de uso sustentável – com objetivo de conciliar ocupação humana e sustentabilidade dos recursos naturais – localizada dentro de unidades de conservação.

A APA do Rio Preto, na Bahia, com grande parte de seu território no Cerrado, foi a UC com maior área desmatada (7.701 hectares) no Brasil em 2025, com aumento de 44% em relação a 2024.

Em Terras Indígenas, a perda foi de 12.593 hectares, com redução de 22% em relação a 2024. A Terra Indígena Porquinhos dos Canela-Apãnjekra, no Maranhão, permanece pelo terceiro ano consecutivo no topo do ranking (com 4.089 ha desmatados), apesar de ter registrado queda de 34% na área desmatada.

Em 2025, 30% das TIs do Brasil registraram ao menos um evento de desmatamento. Entre 2019 e 2025, a parcela de 1,7% (184.622 hectares) do total de terras desmatadas no Brasil estavam em Terras Indígenas.

Fonte: Agência Brasil

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China suspende três frigoríficos brasileiros após irregularidades https://www.ocafezinho.com/2026/05/24/china-suspende-tres-frigorificos-brasileiros-apos-irregularidades/ https://www.ocafezinho.com/2026/05/24/china-suspende-tres-frigorificos-brasileiros-apos-irregularidades/#respond Sun, 24 May 2026 11:21:12 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/05/24/china-suspende-tres-frigorificos-brasileiros-apos-irregularidades/ A China suspendeu temporariamente as exportações de três frigoríficos brasileiros após identificar irregularidades sanitárias em cargas de carne bovina enviadas ao país.

A medida atinge unidades da JBS, da PrimaFoods e da Frialto e foi confirmada pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec).

Foram suspensas a unidade da JBS em Pontes e Lacerda (MT), a planta da PrimaFoods em Araguari (MG) e o frigorífico da Frialto em Matupá (MT). Segundo a Abiec, o embargo tem caráter preventivo e temporário, enquanto as empresas adotam medidas para rastrear a origem das cargas e corrigir os problemas apontados pelas autoridades chinesas.

A Frialto informou que a fiscalização chinesa identificou a presença do hormônio sintético acetato de medroxiprogesterona em uma das cargas exportadas pela empresa.

Após a suspensão, a companhia reduziu em 40% a produção da unidade de Matupá e passou a direcionar parte da carne para outros mercados, como Estados Unidos, México, União Europeia e países árabes e asiáticos.

A empresa também afirmou ter iniciado uma investigação técnica dos lotes envolvidos e disse esperar a retomada das operações antes do início do ciclo de exportações da cota chinesa de 2027. Segundo a Frialto, a suspensão ocorre em um momento em que o Brasil já se aproxima do limite da cota de exportação para 2026, o que naturalmente reduziria os embarques no segundo semestre.

A Abiec afirmou que o Brasil possui um dos sistemas de controle sanitário mais rigorosos do mundo, com monitoramento permanente da cadeia produtiva e fiscalização do Serviço de Inspeção Federal (SIF). As cargas questionadas pela China, segundo a entidade, estão sendo tratadas conforme os protocolos sanitários firmados entre os dois países.

O Ministério da Agricultura e Pecuária e a Embaixada da China no Brasil não se manifestaram.

A suspensão acontece na mesma semana em que a China autorizou a retomada das exportações de outras três plantas brasileiras que estavam embargadas desde março de 2025. Na quarta-feira (20), a China reabilitou as unidades da JBS em Mozarlândia (GO), da Frisa em Nanuque (MG) e da Bon-Mart Frigorífico em Presidente Prudente (SP).

Na ocasião, a Abiec comemorou a decisão e afirmou que a retomada reforça a confiança das autoridades chinesas no sistema sanitário brasileiro e na qualidade da carne bovina produzida no país. A entidade também destacou a atuação do Ministério da Agricultura e Pecuária nas negociações conduzidas diretamente em Pequim para restabelecer as habilitações.

O Brasil possui mais de 100 frigoríficos habilitados para exportar carne bovina para a China, principal destino internacional do produto brasileiro.

Fonte: Agência Brasil

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Bancada ruralista intensifica projetos pró-agro na Câmara https://www.ocafezinho.com/2026/05/19/bancada-ruralista-intensifica-projetos-pro-agro-na-camara/ https://www.ocafezinho.com/2026/05/19/bancada-ruralista-intensifica-projetos-pro-agro-na-camara/#respond Tue, 19 May 2026 15:49:37 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/05/19/bancada-ruralista-intensifica-projetos-pro-agro-na-camara/
Pedro Lupion, presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, em reunião na Câmara dos Deputados. (Foto: cartacapital.com.br)

A bancada ruralista na Câmara dos Deputados está intensificando seus esforços legislativos com uma série de projetos que favorecem o agronegócio, levantando preocupações sobre o impacto nas políticas ambientais do Brasil. Essa movimentação é liderada por Pedro Lupion, deputado federal e presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, em colaboração com Hugo Motta, presidente da Câmara dos Deputados, ambos do partido Republicanos.

Entre as propostas em discussão, destacam-se iniciativas que podem limitar a atuação de órgãos ambientais, como a restrição ao uso de imagens de satélite para embargos e a concessão de poderes exclusivos ao Ministério da Agricultura para vetar regulações ambientais sobre espécies economicamente exploradas. Tais medidas podem comprometer a autonomia técnica de entidades como o Ministério do Meio Ambiente, o Ibama, o ICMBio e o Conama.

Suely Araújo, coordenadora de Políticas Públicas do Observatório do Clima, expressou preocupação com essa ofensiva, afirmando que a seleção dos projetos para votação no chamado Dia do Agro na Câmara dos Deputados evidencia uma intenção de enfraquecer a política ambiental vigente. Malu Ribeiro, da SOS Mata Atlântica, também manifestou apreensão, destacando que o agronegócio pode estar perdendo a oportunidade de buscar a sustentabilidade ao se alinhar a interesses mais conservadores no Congresso.

Os projetos incluem o PL 2951/2026, que aborda os marcos legais do seguro rural, e o PL 699/2026, que institui o Profert, um programa de desenvolvimento da indústria de fertilizantes. Além disso, há requerimentos de urgência para alterações em legislações que afetam o setor agropecuário, como a Lei de Proteção de Cultivares e a legislação do Imposto de Renda sobre rendimentos de arrendamento de imóveis rurais.

O cenário político brasileiro, às vésperas das eleições de 2026, está em um ponto de inflexão, com forças conservadoras ainda exercendo influência significativa no Congresso. Segundo o portal Carta Capital, este é um momento crítico para o jornalismo comprometido com a democracia, em meio a uma instabilidade global exacerbada por conflitos em regiões como Gaza, Irã e Ucrânia.


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