alianças estratégicas - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/aliancas-estrategicas/ Portal de noticias e análises sobre política brasileira, geopolítica, economia, tecnologia, sempre numa perspectiva democrática, progressista, anti-imperialista e multipolar! Thu, 29 May 2025 20:38:56 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0.1 https://www.ocafezinho.com/wp-content/uploads/2015/10/cropped-Logo_Cafezinho_tmb-32x32.png alianças estratégicas - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/aliancas-estrategicas/ 32 32 China costura alianças em momento decisivo para o comércio https://www.ocafezinho.com/2025/05/29/china-costura-aliancas-em-momento-decisivo-para-o-comercio/ https://www.ocafezinho.com/2025/05/29/china-costura-aliancas-em-momento-decisivo-para-o-comercio/#respond Thu, 29 May 2025 20:38:47 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=209785 Em meio à retração dos EUA, China estreita laços com nações do Golfo e da Ásia, em um movimento que promete redesenhar as rotas do comércio mundial

Em sua fala a líderes do Sudeste Asiático e do Oriente Médio em Kuala Lumpur esta semana, o primeiro-ministro chinês, Li Qiang, transmitiu uma mensagem clara: em um momento em que o presidente dos EUA, Donald Trump, abala o sistema global de comércio, Pequim deseja fazer negócios. Em um jantar de gala após reuniões de cúpula com a Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) e o Conselho de Cooperação do Golfo (CCG), Li destacou que os países reunidos representam juntos quase um quarto da economia e da população mundial, mas uma parcela muito menor do comércio global.

“Em meio a conflitos geopolíticos, rivalidades e confrontos intensificados, podemos criar oportunidades estratégicas de longo prazo quando aprofundamos a confiança mútua”, afirmou. “Em meio ao crescente protecionismo e unilateralismo, podemos liberar enormes oportunidades de mercado quando continuamos a nos abrir ainda mais.”

Essa mensagem tem uma ressonância particular para muitos dos líderes presentes, cujas nações dependem do comércio com os EUA, o que as deixou extremamente vulneráveis às tarifas comerciais propostas por Trump no mês passado — embora uma decisão de um tribunal comercial dos EUA na noite de quarta-feira, invalidando as tarifas do “dia da libertação” de Trump, tenha adicionado incerteza.

“Tudo isso está pesando na mente de todos aqui”, disse Liew Chin Tong, vice-ministro do comércio da Malásia, ao Financial Times. “Este é um ponto de inflexão — é a maior mudança no comércio global desde 1945.”

“Todo mundo está pensando no que fazer além do mercado dos EUA”, completou Liew.


Ampliação de parcerias

O encontro em Kuala Lumpur foi apenas a segunda vez que chefes de estado e governo dos dez países da ASEAN e das seis nações do Golfo se reuniram para fortalecer os laços comerciais — e foi a primeira vez que foram acompanhados por um primeiro-ministro chinês e sua extensa delegação.

Os países que participaram da cúpula têm um PIB combinado de US$ 25 trilhões e uma população de 2 bilhões de pessoas. Mas Li disse que o comércio entre os blocos representava apenas 5% do total global.

Liew afirmou que o encontro deixou claro que os chineses conversarão com os estados do Golfo “com ou sem os países do Sudeste Asiático”.

“Precisamos garantir que façamos parte dessas conversas”, disse o vice-ministro.

No Mandarin Oriental, do outro lado da rua do principal centro de convenções, delegados do Oriente Médio, China e Sudeste Asiático trocaram cartões e discutiram investimentos e joint ventures.

“Os chineses estão tentando se envolver em todos os negócios”, disse um executivo de uma empresa de construção da Malásia. “Eles sempre se interessaram pela região, mas agora estão dizendo: ‘se os EUA não quiserem trabalhar com você, nós trabalharemos’. É realmente difícil evitá-los.”

Entre os acordos selados em Kuala Lumpur, estava um convênio para a estatal China Harbour Engineering Company desenvolver um porto e um centro industrial na costa nordeste da Malásia.

Além de líderes políticos, várias figuras empresariais seniores também participaram das conversas, incluindo Khairussaleh Ramli, CEO do Maybank, enquanto a grande comitiva chinesa incluía executivos do Bank of China e do grupo de telecomunicações ZTE.


Manobras diplomáticas e pressões comerciais

A ASEAN está em processo de fechamento de um acordo comercial com as seis nações membros do CCG. Anwar Ibrahim, primeiro-ministro da Malásia e presidente da ASEAN este ano, convidou a China para participar das conversas desta semana poucos dias antes de Trump vencer a presidência dos EUA em novembro passado.

Diplomatas chineses têm feito uma ofensiva de charme no Sudeste Asiático desde que as tarifas recíprocas dos EUA foram reveladas em 2 de abril. O presidente Xi Jinping embarcou em uma turnê pela região, buscando evitar uma ameaça percebida de que os EUA poderiam usar negociações com países sobre suas eventuais tarifas para restringir a influência global de Pequim.

Na semana passada, os ministros do comércio da Malásia e de Singapura alertaram que os países do Sudeste Asiático estavam sob pressão para escolher um lado entre as duas superpotências globais.

O Sudeste Asiático está entre as regiões que seriam mais atingidas pelas tarifas de Trump, com o Vietnã e o Camboja entre os países que têm grandes superávits comerciais com os EUA e receberam impostos de mais de 40%. Washington definiu um prazo para a implementação das tarifas que expira em julho para permitir que os países negociem.

Os líderes da ASEAN concordaram esta semana que quaisquer concessões feitas aos EUA em troca de taxas reduzidas não devem ocorrer às custas de outros países dentro do bloco.

Anwar foi questionado durante a cúpula se a presença da China mostrava que os países da ASEAN estavam favorecendo seu poderoso vizinho em detrão dos EUA. Ele respondeu que seu objetivo ainda era manter ambas as superpotências econômicas ao lado.

“Se isso significa trabalhar com os chineses, sim, faremos [isso]. Com os Estados Unidos? Sim, temos que fazer”, disse ele. “Faz muito sentido continuar a nos engajar e ter relações razoavelmente boas.”

Ele acrescentou que escreveu pessoalmente a Trump para solicitar uma cúpula EUA-ASEAN ainda este ano. Funcionários do governo malaio disseram que ainda aguardavam Washington definir uma data.

“Os EUA estão construindo um muro ao seu redor — temos que decidir o que faremos em seguida”, acrescentou Liew.

Com informações de Financial Times*

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Trump ameaça impor tarifas comerciais em aliados https://www.ocafezinho.com/2025/02/07/trump-ameaca-impor-tarifas-comerciais-em-aliados/ https://www.ocafezinho.com/2025/02/07/trump-ameaca-impor-tarifas-comerciais-em-aliados/#respond Fri, 07 Feb 2025 22:57:51 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=201618 Donald Trump ameaça impor tarifas comerciais sobre o Japão e outros países, intensificando tensões globais e redefinindo as relações comerciais dos EUA. Entenda os impactos dessa estratégia ousada

Em um movimento que pode redefinir as relações comerciais globais, Donald Trump anunciou que está considerando impor tarifas comerciais sobre exportações japonesas caso o déficit comercial com os EUA não seja resolvido. O presidente também prometeu revelar novas tarifas recíprocas para outros países na próxima semana, intensificando as tensões com aliados estratégicos.


Donald Trump declarou que pode impor tarifas comerciais sobre as exportações do Japão caso o déficit comercial dos EUA com o país asiático não seja eliminado. Durante um discurso na Casa Branca ao lado do primeiro-ministro japonês, Shigeru Ishiba, o ex-presidente destacou que as tarifas são uma opção viável para equilibrar a balança comercial com um dos principais aliados dos EUA no Indo-Pacífico.

Segundo o Financial Times, em 2024, o déficit comercial dos EUA com o Japão atingiu US$ 68 bilhões, um aumento significativo em comparação com os US$ 55 bilhões registrados em 2020. Trump afirmou que Washington e Tóquio trabalharão juntos para reduzir esse desequilíbrio, mas deixou claro que as tarifas comerciais continuam sendo uma possibilidade.

Tarifas recíprocas e o risco de uma guerra comercial

O ex-presidente também anunciou que revelará novas tarifas recíprocas para outros países na próxima semana, elevando o tom de sua retórica e aproximando os EUA de uma guerra comercial multifrontal. Essa estratégia já impactou relações com México, Canadá e China, que responderam com medidas retaliatórias.

Oposição à aquisição da US Steel

Além das tarifas comerciais, Trump reiterou sua oposição à aquisição da US Steel pela Nippon Steel, avaliada em US$ 15 bilhões. O governo Biden já havia bloqueado o acordo em janeiro, e as empresas agora processam o governo americano.

As declarações de Trump sobre tarifas comerciais e sua postura firme em negociações internacionais refletem uma estratégia agressiva para proteger os interesses econômicos dos EUA. No entanto, essa abordagem pode gerar consequências profundas para a economia global e as alianças estratégicas do país.

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Troca do sherpa brasileiro no Brics abre debate sobre mudanças do governo na relação com o bloco https://www.ocafezinho.com/2025/01/23/mudanca-do-sherpa-brasileiro-nos-brics-e-vitoria-da-ala-pro-china-do-governo/ https://www.ocafezinho.com/2025/01/23/mudanca-do-sherpa-brasileiro-nos-brics-e-vitoria-da-ala-pro-china-do-governo/#comments Thu, 23 Jan 2025 13:04:40 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=201016 2 Comentários 🔥]]> A nota oficial é lacônica, mas as implicações são profundas. Vamos à nota, depois comentamos:

“O governo federal designou o embaixador Mauricio Carvalho Lyrio, Secretário de Assuntos Econômicos e Financeiros do Ministério das Relações Exteriores, para a função de negociador-chefe (sherpa) do Brasil no BRICS, por ocasião da presidência brasileira do bloco em 2025, em substituição ao embaixador Eduardo Paes Saboia.

Com larga experiência diplomática, o embaixador Mauricio Carvalho Lyrio é também o sherpa do Brasil no G20 e estará a cargo da organização de extensa agenda de reuniões técnicas e ministeriais durante a presidência pro tempore brasileira do BRICS, que culminará com a Cúpula de líderes.”

Segundo fontes do Cafezinho, a mudança é promissora e sinaliza a vitória da ala pró-China e pró-Brics dentro do governo e dentro do Itamaraty.

Lembrando: sherpa é um nome técnico no jargão diplomático para se referir ao principal representante de um país dentro de um bloco ou durante uma negociação estratégica entre nações.

Diferentemente de Eduardo Saboia, antigo sherpa do Brasil no Brics, que é da chamada “aristocracia itamarateca”, filho de embaixador, com uma visão de mundo extremamente anglófila e europocêntrica, e que faz parte da ala anti-China, ainda muito forte dentro do Itamaraty e do governo (e isso apesar de Saboia ser o secretário de Ásia do Itamaraty!), Lyrio, também um diplomata de carreira, é um intelectual de esquerda, simpatizante do PT na juventude e autor de um livro sobre a China.

Embora os movimentos sociais mais engajados no debate geopolítico ainda estejam cautelosos com a mudança de sherpa, minhas fontes não conseguiram esconder uma ponta de otimismo e esperança de que ela pode indicar uma vitória da ala pró-Brics e pró-China dentro do governo.

O momento é muito desafiador para a política externa do Brasil. O Brics, quando foi criado, não tinha, nem de longe, o peso geopolítico, ou antes, a imagem geopolítica anti-imperialista que tem hoje. Quer dizer, ele já era visto como uma associação aos moldes dos países não-alinhados, mas o Ocidente encarava a iniciativa com benevolência, possivelmente por considerá-la inofensiva à velha ordem mundial.

Isso mudou completamente de uns anos para cá, e vem mudando em progressão geométrica, em virtude da nova realidade geopolítica. A China impôs-se como uma grande potência tecnológica, industrial, comercial e militar, abalando fatalmente uma ordem mundial baseada na subserviência de todos os países aos Estados Unidos. O que é mais interessante: a China também tornou-se uma potência ideológica, na medida em que pessoas do mundo inteiro passaram a olhar para o regime político chinês com admiração e curiosidade. E o próprio país, antes fechado numa orientação low-profile, tímida, silenciosa, imposta pelo astuto Deng Xiaoping, líder do processo de abertura da China ao mundo, passou a investir pesado, sob Xi Jinpging, na defesa de suas ideias e valores no palco internacional. A China finalmente vem ganhando softpower a um ritmo proporcional a seu crescimento!

Hoje a China tem um ecossistema próprio de mídia internacional, aí incluindo milhares, quiçá milhões de influenciadores, que fazem uma eficiente defesa do país na gigantesca ágora geopolítica da internet. E isso no momento em que a opinião pública mundial assiste, perplexa, os Estados Unidos e a Europa apoiarem um genocídio na Palestina, e o novo presidente dos EUA, Donald Trump, retirar o país da Organização Mundial de Saúde e do Acordo de Paris.

Após o discurso de posse de Donald Trump e a assinatura de suas primeiras decisões, ficou bastante claro que o Sul Global, mais que nunca, precisa se unir numa grande aliança anti-imperialista, que permita aos países em desenvolvimento se emanciparem. Não é um processo fácil, naturalmente, sobretudo porque os países pobres são pobres justamente porque permanecem, em grande parte, paralisados por suas próprias contradições políticas domésticas.

É o caso do Brasil e de quase todos os países latino-americanos, que tem enorme dificuldade de respirar livremente, pois vivem dentro da bolha asfixiante de um gigantesco e ultra-agressivo complexo midiático-cultural, que mantém suas camadas médias e intelectualizadas numa espécie de hipnose profunda, construída ao longo das últimas décadas através de golpes de Estado, sanções, intimidação geopolítica, e pressão econômica. E quem domina corações e mentes da classe média, também domina a opinião pública e o poder de facto do país. (Por isso defendo tanto, a propósito, que o governo e a esquerda, construam teorias e implementem ações práticas para reconstruir suas pontes com as classes médias nacionais).

Os movimentos sociais mais conscientes dos desafios geopolíticos vêem com muita esperança o crescimento da China e o fortalecimento do Brics. Essa é razão pela qual pressionam o governo Lula para que escolha um lado na nova ordem mundial, e que este lado seja o do Sul Global, da China e do Brics.

Espera-se que novo sherpa seja realmente uma vitória neste sentido. Em 2025, o Brasil será presidente do Brics, e seria lamentável que o principal negociador brasileiro no bloco fosse um sujeito como Saboia, que apesar de ser reconhecidamente um diplomata íntegro e brilhante, é alguém ideologicamente comprometido até a medula com uma ordem mundial que já não interessa ao Brasil defender.

A ordem dos movimentos sociais e da esquerda é se aproximar de Mauricio Carvalho Lyrio, nosso novo sherpa no Brics, e convencê-lo a se manter leal à ala do governo que defende o multilateralismo, a democratização do conselho de segurança da ONU, o direito da China a se desenvolver tecnologicamente (livre de sanções), o direito da Rússia a não permitir mísseis da Otan em suas fronteiras (assim como os EUA tem direito a não permitir mísseis russos ou chineses posicionados na fronteira do México), e o direito de todos os países de fazerem comércio nas moedas que quiserem.

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Bomba! Brics deve aceitar mais 12 países! Saiba quais são https://www.ocafezinho.com/2024/10/22/bomba-brics-deve-aceitar-mais-12-paises-saiba-quais-sao/ https://www.ocafezinho.com/2024/10/22/bomba-brics-deve-aceitar-mais-12-paises-saiba-quais-sao/#respond Tue, 22 Oct 2024 15:09:36 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=195627

Na 16ª reunião do Brics, que começa nesta terça (22) em Kazan, na Rússia, uma das principais novidades será a admissão de 12 novos países como parceiros do grupo. Embora a lista final ainda possa sofrer mudanças durante as reuniões de líderes, os países convidados até agora, segundo informações obtidas por negociadores, são:

  • Cuba e Bolívia (América Latina)
  • Indonésia e Malásia (Sudeste Asiático)
  • Uzbequistão e Cazaquistão (Ásia Central)
  • Tailândia e Indonésia (Sudeste Asiático)
  • Nigéria e Uganda (África)
  • Turquia e Belarus (Europa/Ásia)

A inclusão desses países segue uma linha de diversificação regional e estratégica. A presidência russa do Brics, que está liderando as negociações, busca equilibrar o bloco com a entrada de novas nações, evitando o predomínio de apenas uma região ou potência.

A decisão de expandir o grupo ocorre após a primeira grande ampliação em 2023, quando Irã e Etiópia foram adicionados, demonstrando a influência da China dentro do grupo. O processo de inclusão, no entanto, tem sido conduzido com cautela, para evitar situações como a da Arábia Saudita, que demonstrou desinteresse após o ingresso de seu arquirrival Irã no ano passado.

Outra novidade importante a ser discutida na cúpula é a questão da reforma do Conselho de Segurança da ONU, onde o Brics busca maior representatividade. O Brasil, que já havia garantido uma menção nominal em 2023 ao lado de Índia e África do Sul, vê agora uma reformulação dos termos após as demandas de novos membros, como Egito e Etiópia, que também almejam assentos no conselho reformado.

A exclusão da Venezuela

Apesar do estreito relacionamento entre Caracas e Moscou, o Brasil vetou informalmente a inclusão da Venezuela como parceira do Brics. A ausência da Venezuela na lista de convidados reflete um consenso nas reuniões preparatórias, onde prevaleceu a decisão de não admitir o país liderado por Nicolás Maduro.

A relação entre o Brasil e a Venezuela de Maduro se deteriorou desde que Lula (PT) decidiu não reconhecer os resultados das eleições venezuelanas, amplamente consideradas fraudulentas. Essa postura levou a uma ruptura virtual entre os dois países, o que explica a exclusão da Venezuela das negociações.

Com informações de Igor Gielow, da Folha de São Paulo.

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