ambientalismo - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/ambientalismo/ Portal de noticias e análises sobre política brasileira, geopolítica, economia, tecnologia, sempre numa perspectiva democrática, progressista, anti-imperialista e multipolar! Mon, 09 Feb 2026 15:47:25 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://www.ocafezinho.com/wp-content/uploads/2015/10/cropped-Logo_Cafezinho_tmb-32x32.png ambientalismo - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/ambientalismo/ 32 32 Por um Rio mais verde https://www.ocafezinho.com/2026/02/09/por-um-rio-mais-verde/ https://www.ocafezinho.com/2026/02/09/por-um-rio-mais-verde/#comments Mon, 09 Feb 2026 15:47:14 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=225668 1 Comentário 🔥]]> Sociedade civil lança manifesto e convoca população a assinar carta ao prefeito

corte de 71 árvores no terreno do antigo Colégio Bennett, no Flamengo, tornou-se o estopim de uma mobilização mais ampla no Rio de Janeiro. O episódio, que envolveu a derrubada de árvores centenárias protegidas, denúncias de descumprimento do Estudo de Impacto de Vizinhança e falta de transparência na compensação ambiental, expôs um problema que, segundo ambientalistas e associações de moradores, vem se repetindo em todas as regiões da cidade.

Diante do avanço acelerado de empreendimentos urbanos e da perda contínua de áreas verdes, artistas, ambientalistas, técnicos e organizações da sociedade civil lançaram uma Carta Aberta à Prefeitura do Rio de Janeiro, dirigida ao prefeito Eduardo Paes e ao vice-prefeito Eduardo Cavaliere. O documento cobra esclarecimentos objetivos sobre os critérios ambientais adotados pelo município e convoca a população a assiná-lo.

A iniciativa reúne associações de bairro, como a Ama-Gávea, coletivos ambientais e nomes de peso da cultura e da política ambiental brasileira. Entre os apoiadores estão Marisa MonteFernanda TorresMaria Padilha e o ambientalista e ex-ministro Carlos Minc, além do Instituto Vida Livre, ligado ao artista Ney Matogrosso. Para os organizadores, esse apoio amplia a legitimidade do manifesto e reforça seu caráter suprapartidário.

Um déficit verde alarmante

O texto da carta destaca que o Rio de Janeiro possui hoje um déficit superior a um milhão de árvores, sendo mais de 300 mil reconhecidas oficialmente pela própria Secretaria Municipal de Meio Ambiente. Em um cenário de emergência climática, esse número preocupa especialistas, que associam a perda de cobertura vegetal ao aumento das temperaturas, à formação de ilhas de calor, à piora da qualidade do ar e ao crescimento dos riscos de alagamentos e deslizamentos.

“Sem árvores, os impactos recaem diretamente sobre a saúde da população e sobre a segurança da cidade”, alertam os signatários. O documento também chama atenção para o desequilíbrio ecológico que favorece a proliferação de doenças, como a dengue, e para os prejuízos ao bem-estar urbano, ao trânsito e ao turismo.

Falhas no licenciamento e na compensação ambiental

Outro eixo central do manifesto é a crítica à fragilização do licenciamento ambiental urbano. Segundo a carta, há descumprimento recorrente do Estudo de Impacto de Vizinhança, previsto na Lei Orgânica do Município e no Plano Diretor, além de remoções de áreas verdes preservadas e da destruição de árvores protegidas sem justificativas técnicas claras.

A falta de transparência nos processos de compensação ambiental também é alvo de questionamento. Em muitos casos, apontam os autores, árvores são suprimidas sem que o replantio seja devidamente acompanhado, as mudas não recebem manutenção adequada e não há prestação de contas clara sobre o uso dos recursos públicos destinados a essas ações.

Propostas e cobrança de respostas

Mais do que denunciar problemas, a carta apresenta uma agenda concreta de reivindicações. Entre elas estão a exigência sistemática dos Relatórios de Impacto de Vizinhança, o fortalecimento do licenciamento ambiental sob responsabilidade da área ambiental, a divulgação de dados sobre supressão de árvores, a elaboração do inventário de arborização urbana, metas públicas para reduzir o déficit arbóreo e a proteção permanente das áreas verdes municipais.

O documento também pede estudos técnicos sobre a permeabilidade do solo, limites mais rigorosos à ocupação urbana e maior transparência na gestão do Fundo Municipal de Meio Ambiente, com auditorias independentes e prestação de contas periódica.

Mobilização aberta à população

Construída de forma colaborativa por cidadãos de diferentes regiões da cidade, a carta solicita uma resposta formal do prefeito e do vice-prefeito e aposta na mobilização popular como instrumento de pressão democrática. “Assinar o manifesto é uma forma de dizer que o Rio precisa de planejamento, transparência e compromisso real com o futuro”, afirmam os organizadores.

Para eles, preservar a paisagem, a biodiversidade e a qualidade de vida do Rio de Janeiro não é apenas uma pauta ambiental, mas uma questão de saúde pública, justiça social e responsabilidade com as próximas gerações. A convocação está feita: quem defende um Rio mais verde, menos cinza e menos quente é chamado a assinar e fortalecer o manifesto.

VAMOS FORTALECER ESSE MOVIMENTO ASSINE A CARTA VOCÊ TAMBÉM

A gente vem reclamando da destruição da arborização do e surgiu uma iniciativa. Vamos apoiar!

https://docs.google.com/forms/u/0/d/e/1FAIpQLScR9Agxu9sW_p2pvfP23ZVdR_CPyGyzZGyrk1j6pWpmlvvpyQ/formResponse

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Revista The Economist elogia ações do Brasil para salvar as florestas https://www.ocafezinho.com/2025/10/23/revista-the-economist-elogia-acoes-do-brasil-para-salvar-as-florestas/ https://www.ocafezinho.com/2025/10/23/revista-the-economist-elogia-acoes-do-brasil-para-salvar-as-florestas/#respond Fri, 24 Oct 2025 00:30:06 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=219767 Editorial diz que estratégias devem ser replicadas em outros países

Um editorial da revista The Economist, publicado nesta quinta-feira (23), defende que a estratégia do governo federal brasileiro para preservar a floresta Amazônica deveria ser replicada por demais países do mundo que pretendem manter suas florestas tropicais em pé. De acordo com o texto, o país mostrou, na gestão do presidente Luís Inácio Lula da Silva, como boas políticas públicas podem fazer a diferença na preservação ambiental.

“Durante o governo de Jair Bolsonaro, um político de direita que foi presidente de 2019 a 2023, pouco foi feito para conter as motosserras. Em contraste, seu sucessor, Luiz Inácio Lula da Silva, junto com uma ministra do Meio Ambiente resoluta, Marina Silva, aplicam uma combinação equilibrada de punição e incentivo. Agentes federais fortemente armados prendem madeireiros ilegais e destroem garimpos clandestinos. Propriedades onde ocorre desmatamento ilegal são impedidas de receber crédito subsidiado”.

Segundo a The Economist, o ritmo do desmatamento caiu 80% durante os primeiros mandatos de Lula (2003–2011) e voltou a ser reduzido quando ele reassumiu em 2023, antes dos incêndios florestais.

“Enquanto Bolsonaro via o ambientalismo como um obstáculo ao desenvolvimento, o governo Lula entende que destruir a floresta amazônica significaria arruinar a própria agricultura brasileira. O governo vem se esforçando mais para proteger as terras indígenas – cujos povos costumam ser excelentes guardiões da floresta – e para regularizar a posse de terras na Amazônia, hoje marcada por uma confusão de títulos sobrepostos e mal documentados”.

O editorial destaca que o processo de regularização de terras empreendido pelo governo brasileiro é uma estratégia que deveria ser replicada pelos demais países. “Quando se sabe quem é o dono da terra, sabe-se também a quem punir por destruí-la ou recompensar por preservá-la”.

“Felizmente, com o avanço da tecnologia de imagens digitais, as infrações podem ser detectadas e relatadas em poucos dias, permitindo que as autoridades ajam rapidamente. Todas essas lições deveriam ser aplicadas em outros países que possuem florestas tropicais”.

Pagamento

Segundo o editorial, a preservação das florestas deveria ser financiada pelos demais países do mundo. A revista ressalva, no entanto, que os países ricos estão cada vez mais reticentes em fazer isso.

“Como preservar as florestas tropicais é um bem público global, o mundo deveria ajudar a pagar por isso. Mas, novamente, falar é mais fácil do que fazer. Os países ricos estão cada vez mais reticentes em oferecer ajuda internacional. Os mercados de créditos de carbono ainda não decolaram, em parte porque é difícil comprovar se o dinheiro destinado a projetos de conservação realmente resulta em árvores preservadas”.

“O método mais simples seria pagar diretamente aos governos de países (ou províncias) onde o desmatamento for interrompido, conforme verificado por imagens de satélite. O Brasil vem tentando despertar interesse por essa ideia”.

Publicado originalmente pela Agência Brasil em 23/10/2025

Edição: Sabrina Craide

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Argentina pode abandonar o acordo de Paris e seguir os passos dos EUA https://www.ocafezinho.com/2025/01/24/argentina-pode-abandonar-o-acordo-de-paris-e-seguir-os-passos-dos-eua/ https://www.ocafezinho.com/2025/01/24/argentina-pode-abandonar-o-acordo-de-paris-e-seguir-os-passos-dos-eua/#comments Fri, 24 Jan 2025 15:10:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=201125 1 Comentário 🔥]]> Com críticas ao movimento ambientalista, Milei sinaliza saída da Argentina do acordo de Paris, colocando em risco metas globais de limitar o aquecimento a 1,5°C


O governo de Javier Milei está avaliando uma proposta para que a Argentina abandone o Acordo de Paris, poucos dias após Donald Trump anunciar que os Estados Unidos sairiam do principal tratado global sobre mudanças climáticas.

Segundo o Financial Times, embora uma decisão final ainda não tenha sido tomada, duas pessoas familiarizadas com as discussões disseram que a Argentina provavelmente seguirá os passos dos EUA, uma decisão que a tornaria o segundo país a deixar o acordo assinado por quase 200 nações.

Altos funcionários estão estudando um memorando interno que recomenda a saída, segundo pessoas informadas sobre o assunto. A medida ocorre após o país retirar negociadores da cúpula climática COP29 no ano passado e afirmar que está reavaliando seus compromissos internacionais relacionados ao meio ambiente.

Funcionários públicos tentam dissuadir a equipe de Milei de abandonar o acordo, disseram as fontes. Um diplomata argentino afirmou que Milei tomará a decisão final e que “parece muito provável que acabemos saindo”.

Uma saída, se confirmada, representaria um grande golpe para os esforços globais de combate às mudanças climáticas. O Acordo de Paris tem como objetivo limitar o aumento da temperatura global a bem abaixo de 2°C e, idealmente, a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais.

A divisão ambiental do Ministério do Interior da Argentina não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

O líder libertário, que nega que os seres humanos sejam uma causa das mudanças climáticas, condenou o movimento ambientalista global em um discurso no Fórum Econômico Mundial em Davos na quinta-feira.

“O wokeismo perverteu a ideia básica de preservar o meio ambiente para o usufruto dos seres humanos e a transformou em um ambientalismo fanático, onde os humanos são vistos como um câncer que deve ser eliminado, e o desenvolvimento econômico é tratado como um crime contra a natureza”, disse ele.

Na segunda-feira, Trump assinou uma ordem executiva para retirar os EUA do Acordo de Paris pela segunda vez, após já ter deixado o acordo durante seu primeiro mandato. Nenhum outro país abandonou o tratado de 2015.

A saída do Acordo de Paris exigiria aprovação do Congresso na Argentina, mas Milei frequentemente contorna o Legislativo por meio de decretos de emergência desde que assumiu a presidência.

O ano passado foi o mais quente já registrado, e cientistas alertam que o mundo está cada vez mais distante de atingir as metas de temperatura estabelecidas no acordo.

Impactos potenciais da saída

Icebergs derretendo na Groenlândia. O acordo de Paris visa limitar o aumento da temperatura global para bem abaixo de 2C e, idealmente, para 1,5C acima dos níveis pré-industriais / Sean Gallup/Getty Images

Uma retirada poderia afetar o acordo comercial entre a UE e o Mercosul, concluído em dezembro entre Europa, Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, que prevê a suspensão do acordo comercial caso uma das partes signatárias deixe o Acordo de Paris.

Um diplomata afirmou: “A equipe técnica do ministério está tentando explicar que, embora Trump possa fazer o que quiser, para a Argentina isso traria consequências.”

Eles também citaram possíveis complicações para a recente candidatura da Argentina de ingressar na OCDE, organização que defende padrões de políticas ambientais para seus membros.

Críticos argumentam que a Argentina também correria o risco de perder acesso a fluxos de financiamento internacional vinculados ao clima, após receber bilhões em recursos desse tipo, e poderia ser excluída dos mercados globais de carbono no futuro.

Os países devem apresentar planos climáticos atualizados no próximo mês, conforme previsto pelo Acordo de Paris, embora muitos devam perder o prazo.

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O dilema ambientalismo X progresso https://www.ocafezinho.com/2011/12/01/o-dilema-ambientalismo-x-progresso/ https://www.ocafezinho.com/2011/12/01/o-dilema-ambientalismo-x-progresso/#respond Thu, 01 Dec 2011 23:38:54 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=1806

A discussão sobre o Código Florestal, que ainda tramita no Congresso Nacional, sofre dos mesmos males que já foram percebidos no debate sobre a usina de Belo Monte. Muita emoção, pouca informação. Já escrevi vários artigos sobre o tema no Óleo do Diabo. Sou obviamente contra o desmatamento, e compreendo que o equilíbrio ecológico é um imperativo categórico da existência humana. E mais: sendo o Brasil um país não apenas com uma “vocação agrícola”, mas diante das atuais circunstâncias globais, com uma “obrigação agrícola”, um código florestal que proteja rigorosamente a natureza é fundamental inclusive para evitar que o nosso potencial agrícola seja afetado por desequilíbrios ambientais decorrentes da falta de planejamento ecológico e desrespeito à natureza.

O que realmente me incomoda é a ignorância de muita gente em relação à importância da produção agrícola brasileira no contexto da segurança alimentar global.

Não é honesto discutir o problema do agronegócio sem considerar esse fator: que a vida de bilhões de seres humanos hoje dependem do que se produz nas lavouras brasileiras, e sobretudo em suas áreas mais comerciais.

Então quando eu leio gente depreciar, em tom de desprezo, a importância da soja brasileira dizendo que ela serve apenas para alimentar porcos na China, eu fico aborrecido com a ausência total de bom senso no debate: ora, por acaso os chineses criam porcos por hobby? Em primeiro lugar, a soja é um dos vegetais com maior conteúdo proteico, servindo maravilhosamente para o consumo humano. Em segundo, ela entra, de fato, como componente da ração de suínos, que é o principal tipo de carne consumido na China. E os suínos são a proteína que garantem a sobrevivência de um bilhão e meio de chineses.

No Brasil, é a mesma coisa. A soja é o componente mais importante na ração animal. Portanto, quando se come carne no Brasil, está se consumindo soja.

A constatação da importância da soja não significa que devemos permitir o desmatamento para a produção de soja. O Brasil não precisa desmatar mais nada para aumentar, se quiser, em dez vezes a sua produção agrícola.

Para nos dar subsídios para o debate, publico abaixo uma tabela com a área plantada dos principais produtos agrícolas brasileiros.

Por fim, a última pesquisa do IBGE sobre distribuição de renda sepultou o preconceito de que o agronegócio não trazia desenvolvimento sócio-econômico sustentável. No Mato Grosso, principal produtor de soja a queda na desigualdade econômica caiu 40% de 1980 a 2010, em função da economia agrícola.

Confira agora, a título de curiosidade, uma tabelinha com a produção de soja por estado:

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Belo Monte e os artistas https://www.ocafezinho.com/2011/11/17/belo-monte-e-os-artistas/ https://www.ocafezinho.com/2011/11/17/belo-monte-e-os-artistas/#comments Thu, 17 Nov 2011 19:28:10 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=803

Formou-se uma grande polêmica, desde ontem, a partir de um vídeo publicado no youtube com depoimentos de artistas globais declarando-se contrários à construção da usina hidroelétrica de Belo Monte. Sobre isso, gostaria apenas de alertar aos defensores de Belo Monte (entre os quais eu me incluo) que participem da discussão com mais cuidado. O insulto aos artistas me pareceu excessivo e desnecessário. Eles podem não entender nada de energia, mas a sua participação no vídeo foi obviamente desinteressada e altruísta. Ali estavam grandes artistas da televisão brasileira. De qualquer forma, nem vem ao caso discutir o talento de cada um. São cidadãos brasileiros exercendo o sagrado e democrático direito de se expressar.

Também prefiro não comentar a cena realmente ridícula da Maitê Proença tirando o sutiã. Há uma outra cena, com um ator se insinuando sensualmente. Achei de um mau gosto lamentável usar esse tipo de ferramenta midiática para influenciar um debate que é puramente técnico e, em menor escala, político.

Agora, analisando os argumentos expostos pelos artistas, gostaria de discutir os seguintes pontos:

  • Em determinado momento do vídeo, os artistas enchem a boca para falar no custo da obra: R$ 30 bilhões. É um momento bastante desagradável, porque eles passam a ideia de que se trata simplesmente de um disperdício, que o governo enfiou a mão em seus bolsos e tirou de lá a grana, quando na verdade é um investimento com vistas justamente a desenvolver o Norte do Brasil, que ainda é deficitário em energia. Ou seja, não é gasto, é investimento, é um dinheiro que vai voltar numa escala muito superior ao gasto realizado.
  • Em outra parte, eles falam que o Brasil deveria investir em energias “limpas” como a eólica e a solar. Eu sou fã dessas fontes alternativas, e também acho que o governo deveria ampliar os investimentos nessa área. No caso da eólica, há informações de que está havendo uma grande expansão do parque eólico no país. Entretanto, a energia eólica não oferece, nem de perto, o mesmo nível de estabilidade e segurança da hidroenergia. Simplesmente porque é impossível controlar a intensidade dos ventos. O clima no planeta (aí incluindo seu regime de ventos) é naturalmente instável. E tanto a energia eólica e solar ainda não possuem tecnologia que as permitam ser um substituto à altura da hidroenergia quando falamos em larga escala.
Concluindo, eu acho que o Brasil tem um enorme potencial no campo das energias limpas, como as eólicas e solar, e concordo que deveria haver maior investimento nessa área. Mas é irreal achar que essas alternativas substituem a necessidade de uma fonte energética estável, segura e barata, como a hidroenergia, sobretudo na escala de que o Brasil precisa para atender o aumento da demanda esperado para as próximas décadas.
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Discutindo Belo Monte https://www.ocafezinho.com/2011/11/16/discutindo-belo-monte/ https://www.ocafezinho.com/2011/11/16/discutindo-belo-monte/#comments Wed, 16 Nov 2011 21:47:40 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=748 Os debates em torno de Belo Monte reacenderam-se em virtude da divulgação de um vídeo onde atores globais protestam contra a usina. Então eu selecionei o melhor post que encontrei sobre o tema.

De(s)cu(l)pando Belo Monte

Posted on 7 setembro 2011 by 

Se hoje o cenário para aquele lugar é “as obras já começaram!”, quando (e se) terminarem, a região estará transformada definitivamente. Dentre os graves impactos socioambientais, alguns são irreversíveis e outros não, mas a esperança de ver reverter muitos deles, pouco a pouco vai por água abaixo (sem trocadilho). Atraso, permissividade, ganância e truculência marcam a atuação do Ibama e das empreiteiras, que sempre acabam por varrer os programas de mitigação de impactos para baixo do tapete, restando apenas a obra, símbolo do progresso desmedido, ao melhor do estilo medicista.

Dilma sabe que esse pode ser um calcanhar de Aquiles em seu governo e parece que quer se ver livre disso o mais rápido possível, endossando o atual andar da tratoragem. Alguns artigos defendem que a atual continuada de Belo Monte não é nada mais do que um compromisso de campanha com as grande irmãs, articulado ainda na era Lula, respinga até hoje. A Presidenta já estava à frente dessa articulação na Casa Civil, mas agora é sua gestão que leva o nome dos feitos e mal feitos do governo federal.

Existem dois grandes impactos socioambientais que merecem toda a atenção em relação à construção da usina de belo monte: o caso da Volta Grande do Xingu e o caso da cidade de Altamira e demais estruturas urbanas.

TVR: O projeto prevê que a barragem principal desvie a água do rio pelos canais e só a devolva aonde você vê escrito “Turbinas”. A cidade de Altamira está bem na curva logo acima do texto “Reservatório principal”. Fonte: EIA-RIMA

O primeiro deles, por ser irreversível, é o mais grave e o que vem gerando mais revolta e protestos. A Volta Grande do Xingu – trecho de cerca de 100 km do Rio Xingu entre a barragem principal (Pimental) e as vilas de Belo Monte e Belo Monte do Pontal – está no denominado TVR – Trecho de Vazão Reduzida. Trata-se de um local com geologia única no mundo (Formação Xingu) e por esse motivo tem um ecossistema muito específico. Devido à formação geológica, o rio se divide em diversos pequenos canais que servem de acesso, meio de transporte, fonte de alimento, trabalho e renda para as populações indígenas e ribeirinhas. Esses meandros representam importantes referências simbólicas e patrimônio paisagístico para os habitantes do entorno, que ainda sofrem com a incerteza acerca de quais canais secarão de fato e quais permanecerão perenes.

Sobre a estrutura urbana, teremos o impacto do contingente populacional. Atraídos pelas oportunidades de emprego geradas pela obra e o alagamento de áreas densamente habitadas, estima-se que a região receberá cerca de 100 mil migrantes, entre funcionários diretos e suas famílias, além dos cidadãos em busca de novas oportunidades, diretas ou indiretas.Com a chegada desse grande contingente populacional aliada à população que será relocada, a cidade referência regional Altamira, com aproximadamente 65 mil habitantes, poderá virar do avesso. Após a demarcação das áreas alagáveis pelo lago da represa, mais de 20.000 habitantes (quase um terço da população atual) deverão ser reassentados. A cidade receberá também a vila dos engenheiros com 500 casas (cerca de 2.000 habitantes a mais), que muito provavelmente serão construídas em condomínio fechado. E ainda o tal contingente populacional indireto atraído, destino previsto para mais 40.000 pessoas em cinco anos (período da obra). Feche as contas: crescimento de 65 para mais de 105 mil!

Acontece que mais de 90% das famílias das 5.000 a serem reassentadas são de baixa renda e vivem sobre palafitas nos igarapés afluentes do Xingu; os terrenos planos da cidade estão se esgotando e o preço da terra subindo vertiginosamente; 0% do esgoto da cidade é tratado, lançado diretamente no Rio Xingu e menos de 30% das casas tem água tratada.

No Igarapé Altamira, afluente do Rio Xingu, vivem mais de 13.000 pessoas.

Foto: Fernando Cavalcanti

Infelizmente, o impacto sobre a Volta Grande do Xingu não parece ter mitigação possível. As comunidades indígenas e ribeirinhas não foram devidamente ouvidas e seguem protestando. Não surgiu projeto capaz de aliviar de forma aceitável os impactos sobre os quais vão ser submetidos. No aspecto ambiental, é difícil achar, por exemplo, empresa especializada no manejo da fauna aquática capaz de garantir um sistema eficiente para transposição dos peixes e demais organismos aquáticos sobre a barragem e assim garantir as trocas bióticas que transformam aquele ecossistema em algo único.

O desenvolvimento econômico e o movimento gerado pelas obras, por outro lado, poderiam ser encarados como um paradigma de benefício socioambiental. Dentre os projetos apresentados ao Ibama no Plano Básico Ambiental (que garantiu a tal inédita Licença Provisória de Instalação), está uma visão de como Altamira poderia se tornar a “capital verde” da Amazônia. O plano apresentado, por exemplo, já prevê vetores de crescimento urbano, ou seja, dá diretrizes de possíveis lugares para onde a cidade poderá crescer a partir do reassentamento de um terço de sua população. Propõe o envolvimento entre proprietários de terras, governo municipal e o consórcio da usina para definição de locais de novos loteamentos em espaços que não ofereçam riscos à população e que tenham fácil acesso aos serviços básicos de saneamento, educação e saúde. Os igarapés de onde sairão as famílias poderiam ser recuperados e transformados em grandes reservas ambientais urbanas, parques para recreação, ócio, prática de esportes e educação ambiental dos cidadãos. O plano prevê ainda a instalação de infraestrutura completa de coleta de esgotos e abastecimento de água.

Cidade de Altamira hoje. Fonte: Google Earth

 

Observe que áreas habitadas estão em azul, pois serão alagadas, ou em verde, pois por falta de habitabilidade se tornarão parques. Fonte: FortXingu

Já que a obra está em curso, minha esperança é não ver apenas a obra e sua energia gerada, mas sim ver mais de 40.000 pessoas (tanto a população urbana quanto a rural) serem retiradas da situação de extrema vulnerabilidade social para uma situação digna, vivendo em uma região dinâmica e estruturada.

Ainda que as chances de ver esses projetos executados sejam pequenas, os envolvidos nos movimentos que legitimamente insistem em barrar as obras que me perdoem, mas se o cenário pintado acima vingasse, eu desculparia Belo Monte.

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