aprovação - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/aprovacao/ Portal de noticias e análises sobre política brasileira, geopolítica, economia, tecnologia, sempre numa perspectiva democrática, progressista, anti-imperialista e multipolar! Thu, 05 Mar 2026 11:32:56 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://www.ocafezinho.com/wp-content/uploads/2015/10/cropped-Logo_Cafezinho_tmb-32x32.png aprovação - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/aprovacao/ 32 32 Por unanimidade, Senado aprova acordo entre Mercosul e União Europeia https://www.ocafezinho.com/2026/03/05/por-unanimidade-senado-aprova-acordo-entre-mercosul-e-uniao-europeia/ https://www.ocafezinho.com/2026/03/05/por-unanimidade-senado-aprova-acordo-entre-mercosul-e-uniao-europeia/#respond Thu, 05 Mar 2026 11:32:50 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=226627 Tratado de livre comércio supera mais uma etapa, e pode entrar em vigor ainda em maio. Texto segue para sanção de Lula. Comissão Europeia contornou manobra do agronegócio no Parlamento Europeu para atrasar texto

Após 26 anos de negociações entre as partes, o Senado aprovou nesta quarta-feira (4), por unanimidade, o Acordo Provisório de Comércio entre o Mercosul e a União Europeia. O texto prevê redução de tarifas para 91% dos produtos importados pelo Mercosul e 95% dos produtos importados pela UE. O PDL 41/2026, que ratifica o acordo, ainda precisa ser promulgado pelo presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre.

“Todos nós vamos guardar na nossa memória o dia de hoje, porque não é à toa que este acordo é sonhado há quase três décadas. O Parlamento brasileiro demonstra mais uma vez a maturidade institucional que nós temos, porque cada movimento como este é a constatação de que o Parlamento brasileiro está ao lado dos grandes temas de interesse da sociedade. (…) Esta matéria, que une todos nós, e é um encontro de ideias em favor do Brasil”, disse Davi.

Para a relatora, senadora Tereza Cristina (PP-MS), o acordo não é perfeito e envolveu concessões por parte dos dois blocos, mas é necessário, benéfico para o Brasil e capaz de gerar benefícios concretos à população.

“Que este Parlamento esteja à altura desse chamado histórico, reafirmando o compromisso com a democracia, com o desenvolvimento sustentável, com a inserção soberana e cooperativa do país no mundo”, afirmou a relatora ao defender o texto.

O presidente da Comissão de Relações Exteriores (CRE), senador Nelsinho Trad (PSD-MS), disse considerar a aprovação um momento histórico para o Brasil, com a concretização de um texto que levou décadas para ser negociado.

“Afirmo com convicção: esse acordo não é apenas desejável, ele é necessário. É a chave para dinamizar nossa economia, gerar empregos, atrair investimentos, diversificar nossa pauta exportadora e fortalecer micros, pequenas e médias empresas. É a oportunidade de colocar o Brasil na primeira liga da economia internacional. Trata-se da inserção estratégica do Brasil no mundo, de criar novas cadeias de valor, de projetar a imagem de um país aberto, responsável e inovador”, disse o senador.

Salvaguardas

Durante a discussão a relatora informou aos senadores que foi publicado, em edição extra do Diário Oficial da União, o Decreto 12.866, do Poder Executivo, com salvaguardas para proteger a competitividade nacional. A edição de um decreto vinha sendo defendida por parlamentares, já que a União Europeia havia aprovado, em fevereiro, a diminuição de um “gatilho” percentual a ser acionado para proteger seus produtores.

Essa regra permitiria suspender preferências tarifárias se as importações de produtos sensíveis (como carne bovina, aves, açúcar, arroz e mel) do Mercosul aumentarem mais de 5% em relação à média de três anos (em volume). Antes o índice era de 10%.

“O Brasil dispõe de instrumentos adequados, no âmbito do próprio Acordo e na ordem jurídica interna, para resguardar seus interesses e assegurar que as autoridades europeias observem os compromissos assumidos e as disciplinas aplicáveis à utilização de salvaguardas. Deve ser transmitida, de forma clara e inequívoca, a mensagem de que acompanharemos atentamente sua aplicação e não hesitaremos em defender o acesso negociado”, disse a senadora em Plenário.

O decreto deve garantir que produtores brasileiros e setores industriais tenham instrumentos de defesa comercial caso o fluxo de produtos europeus prejudique a produção interna. Com o texto, é esperado que o Brasil possa aplicar medidas de retaliação ou defesa caso os órgãos europeus imponham sanções injustificadas.

A adoção de salvaguardas foi defendida pelos senadores Jorge Seif (PL-SC), Jayme Campos (União-MT) e Jaime Bagattoli (PL-RO).

“A aprovação desse acordo realmente é um passo histórico, mas o verdadeiro sucesso vai depender da nossa capacidade de implementar, com inteligência estratégica e proteção aos produtores. Não podemos esquecer de que podem ocorrer medidas unilaterais por parte de alguns países da União Europeia e de que nós temos que dar a pronta resposta para a proteção dos produtores e dos produtos brasileiros”, disse Seif.

O acordo provisório prevê um mecanismo de reequilíbrio com interpretações divergentes de ambos os blocos, que permite a uma das partes do acordo solicitar uma compensação quando se sentir prejudicada por uma medida aplicada pela outra parte. Se após todo o processo, a arbitragem decidir a favor de uma parte, esta poderá aplicar retaliações, como suspensão de benefícios previstos no acordo, ainda que sobre produtos de outros setores (retaliação cruzada).

Além da mudança no gatilho para a suspensão de tarifas por parte da Europa, outro ponto que gera divergência é o regulamento da União Europeia para produtos livres de desmatamento (EUDR), aprovado em abril de 2023, que poderia prejudicar as exportações brasileiras de carne para a Europa.

Parceria

De acordo com o governo, juntos, Mercosul e UE reúnem cerca de 718 milhões de pessoas e Produto Interno Bruto (PIB) de aproximadamente US$ 22,4 trilhões (aproximadamente R$ 117,15 trilhões). Dados do Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex) apontam que a União Europeia é o segundo principal parceiro comercial brasileiro, com US$ 100 bilhões (cerca de R$ 523 bilhões) em comércio de bens e leve superávit para os europeus em 2025.

O líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP) afirmou que a ratificação do acordo representa não só a abertura de novos mercados para setores como o  agronegócio, mas também a relocalização do Brasil em um mundo que está se transformando.

“Junto com a União Europeia, com este acordo, estamos firmando no dia de hoje, o maior mercado do planeta de troca de relações comerciais, de desenvolvimento de negócios e de livre circulação de bens, mercadorias e serviços entre o Mercosul e o mercado europeu”, disse o líder.

Tanto Randolfe quanto Humberto Costa (PT-PE) lembraram  os esforços do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para que se chegasse à assinatura do acordo. Um exemplo citado por Humberto Costa foi o da exclusão de itens destinados ao Sistema Único de Saúde (SUS) da parte do acordo que trata de compras governamentais.  Assim, para preservar a indústria nacional, não haverá redução de imposto de importação nas vendas destinadas ao SUS no Brasil.

“O governo brasileiro fincou o pé e disse que a política na área da saúde, complexo industrial da saúde, não poderia ser atingido por esse entendimento e por esse acordo. Isso que é pensar estrategicamente”, lembrou o Humberto Costa.

Para o senador Alessandro Vieira (MDB-SE), a aprovação do acordo mostra que as divergências políticas foram deixadas de lado  pelo bem do país.

“Esse processo passou pela mão de dezenas, de centenas de negociadores, e calhou de termos, neste momento, um presidente de esquerda, o Presidente Lula, e uma relatora de direita, a Senadora Tereza. Em nenhum momento isso foi impedimento para resolver os problemas, sanar as dúvidas, apresentar soluções. (…) Quando a política para, senta e trabalha, a gente coloca de pé resultados extraordinários”, comemorou.

Entrada em vigor

A entrada em vigor do acordo depende da comunicação entre as partes de que o texto foi ratificado. Em 27 de fevereiro, Comissão Europeia  anunciou que o bloco iniciará a aplicação provisória dos termos comerciais, mesmo antes da ratificação total por todos os parlamentos nacionais europeus.

Apesar da adoção provisória, o Parlamento Europeu remeteu o texto à Justiça da União Europeia, que poderá demorar até dois anos para avaliar a legalidade. França, Hungria, Áustria e Irlanda foram contra o texto.

No Brasil, essas tratativas ainda dependiam da ratificação do acordo pelo Congresso. Segundo o governo, a expectativa é de que o texto entre em vigor em até 60 dias.

Publicado originalmente pela Agência Senado em 04/03/2026

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Lula resiste à sua primeira prova de fogo https://www.ocafezinho.com/2025/11/12/lula-resiste-a-sua-primeira-prova-de-fogo/ https://www.ocafezinho.com/2025/11/12/lula-resiste-a-sua-primeira-prova-de-fogo/#comments Wed, 12 Nov 2025 14:26:27 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=221095 1 Comentário 🔥]]> A nova pesquisa Genial Quaest, realizada entre 6 e 9 de novembro com 2.004 entrevistas, mostra que o governo Lula resistiu ao seu primeiro grande teste de fogo.

A aprovação presidencial sofreu uma oscilação de apenas um ponto para baixo, de 48% em outubro para 47% em novembro. A desaprovação variou de 49% para 50%, o que pode ser considerado estabilidade.

Este cenário de solidez se deu em meio a um dos maiores desafios políticos do ano. A operação policial promovida pelo governador Cláudio Castro no Complexo do Alemão, que resultou em 121 mortos, sequestrando a agenda política nacional.

O episódio impulsionou a criação da CPI da Organização Criminosa no Senado e o projeto de lei de facções na Câmara, consolidando a segurança pública como o epicentro do debate.

A ação pareceu um ato político espúrio, com fins eleitorais, desenhado para empurrar a esquerda para posições contramajoritárias, e neutralizar uma série de vitórias recentes do campo progressista.

A estratégia buscava gerar uma onda popular de apoio a operações violentas, criando uma armadilha política para os representantes do campo progressista, entre eles deputados, senadores, governadores, jornalistas, e sobretudo o presidente Lula.

Por uma ética da convicção, e para defender os valores de suas bases, estes representantes teriam que vir a público para criticar o que entenderam como uma operação desastrosa. Até mesmo para colocar um freio numa onda de violência policial que poderia desestabilizar o país.

E assim o fizeram.

A esquerda, os liberais autênticos (não confundir com “neoliberais fascistas da Faria Lima”) e os setores democráticos da sociedade reagiram com galhardia à provocação sangrenta de Cláudio Castro, mesmo entendendo que sua posição seria minoritária num primeiro momento.

Havia, portanto, a expectativa de que o debate sobre segurança, feito sob efeito das emoções causadas pela operação no Rio, pudesse causar arranhões na aprovação do presidente.

Ajudado por um ambiente econômico sólido, porém, o governo Lula mostrou capacidade de resistência notável em segmentos estratégicos, como seus próprios eleitores, as famílias de baixa renda, e os trabalhadores com ensino médio completo.

Houve ainda surpresas, como uma melhora da aprovação do governo entre evangélicos.

Separamos abaixo alguns gráficos, sempre antecedidos de comentários resumindo os principais pontos.

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Entre os eleitores que votaram em Lula no segundo turno de 2022, a aprovação se manteve em um patamar elevado de 82%, bem acima dos 74% de julho.

Outra boa notícia é a resistência do governo entre os eleitores que não foram votar, entre os quais a aprovação do presidente se manteve estável em 41%, 10 pontos acima do que tinha em julho.

Por posicionamento político, o levantamento indica que entre eleitores identificados como “independentes”, e que poderíamos também classificar de “centro”, a aprovação oscilou 3 pontos para baixo, para 43%, nível porém bem acima dos 38% de julho.

Curiosamente, a popularidade de Lula também oscilou cinco pontos para cima entre os bolsonaristas, saindo de 9% para 14% de aprovação, provavelmente eleitores de baixa renda que estão mais otimistas sobre economia e inflação.

A queda na inflação de alimentos e energia parece ter neutralizado o desgaste na pauta da segurança. Outro fator que pode ter ajudado foi o encontro de Lula com o presidente Donald Trump, do qual 45% dos brasileiros acreditam que o presidente saiu fortalecido.

Por posicionamento político, o encontro com Trump foi especialmente bem avaliado entre os eleitores de esquerda. Em tempos de rede social, é sempre importante para um líder manter suas tropas mobilizadas.

A maioria dos independentes também considerou que o presidente saiu fortalecido do encontro. Até mesmo 30% dos eleitores do bloco “direita não bolsonarista” tirou o chapéu para Lula neste caso.

A força do governo também se manifesta em sua principal base social, as famílias com renda de até dois salários mínimos, onde a aprovação se manteve estável em 54%, com queda de 3 pontos na desaprovação, que foi para 40%. Houve solidez também no setor médio, com renda entre 2 e 5 salários, onde o governo vem seguindo firme com 43% a 46% de aprovação desde julho.

Outro dado positivo vem do eleitorado com ensino médio completo, que representa a maioria do país. Nesse grupo, a aprovação de Lula subiu três pontos, de 42% para 45%.

Entre as mulheres, a aprovação oscilou de 52% em outubro para 51% em novembro, mas ainda se mantém cinco pontos acima da pontuação de julho. Entre os homens houve estabilidade, com 43% de aprovação (1 ponto apenas abaixo de outubro), mas ainda 4 pontos acima do patamar do início da série.

A aprovação de Lula entre os evangélicos atingiu o maior patamar dos últimos meses, 38%. O número representa um crescimento de dez pontos desde julho, e pode ser fruto tanto da percepção econômica quanto de uma possível ressonância da postura mais humanista do presidente em relação à violência policial.

O instituto identificou que a violência se tornou a maior preocupação do brasileiro, citada por 38% dos entrevistados. O tema agora está muito à frente da economia, com 15%, dos problemas sociais, com 13%, e da corrupção, com 13%. Mas isso também pode provar que a opinião pública ainda está processando o choque provocado pela matança no Complexo do Alemão, e essa preocupação pode se diluir um pouco ao longo dos próximos meses.

No entanto, ao forçar um debate sobre segurança pública de forma tão abrupta, a direita pode ter “queimado a largada”. A manobra deu ao governo tempo para construir um discurso e ações firmes nesse tema.

A própria pesquisa mostra que a maioria da população (52%) é favorável a que o governo federal assuma mais responsabilidades na segurança pública, indicando um caminho.

A operação no Rio de Janeiro teve aprovação maciça de 67% dos brasileiros. Isso é compreensível, como explica a professora Jacqueline Muniz, do departamento de segurança pública da Universidade Federal Fluminense. Para Muniz, o brasileiro defende a presença do Estado na ocupação de territórios e combate ao crime, e por isso sempre haverá maioria em favor de operações.

O levantamento, no entanto, traz alguns nuances importantes, que ajudam a quebrar a impressão desagradável de que a população brasileira deseja combater violência com mais violência. Um deles é que a maioria dos entrevistados, 55%, não gostaria que uma “operação igual” acontecesse em seu estado.

A maioria (57%) dos eleitores discorda da avaliação de Lula, que classificou a operação policial no Rio como “desastrosa”.

Essa clivagem era exatamente o que a direita queria explorar ao promover esse banho de sangue. Por isso o presidente Lula foi corajoso ao sustentar sua crítica em meio à comoção nacional, mesmo indo contra a maioria, e sob risco de perder 1 ou 2 pontos numa pesquisa de aprovação.

A pesquisa também mostra que a maioria da população (73%) apoia que as organizações criminosas sejam consideradas terroristas. Isso com certeza reflete uma confusão semântica. A população odeia criminosos e os chamará de todos os nomes maus que se lhe oferecerem. Mas a questão do terrorismo é uma questão jurídica complexa, que deve ser deixada para especialistas em segurança pública. A pesquisa não capta o tema de maneira adequada.

O presidente Lula e a esquerda têm a obrigação moral de defender a democracia, os direitos humanos e as garantias fundamentais, mesmo que para isso tenham de correr alguns riscos políticos, como de ficar, temporariamente, em posição minoritária.

A pesquisa Quaest mostra que o presidente Lula e o campo progressista resistiram à tentação de se submeterem, por oportunismo, a um discurso de violência. Saíram talvez um pouco chamuscados, mas íntegros, e sobretudo mais preparados para mais essa guerra cultural.

A razão histórica está ao seu lado. O desafio é trabalhar para, com inteligência e firmeza, reverter essa percepção e evitar que o país enverede por um caminho de autoritarismo e violência.

O episódio revelou o compromisso de parte da sociedade brasileira com valores democráticos e humanistas, e que não se dobram ao clamor por vingança.

Para baixar o relatório da Quaest na íntegra, clique aqui.

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Isenção do IR: Senado deve aprovar projeto rapidamente, avaliam senadores https://www.ocafezinho.com/2025/10/03/isencao-do-ir-senado-deve-aprovar-projeto-rapidamente-avaliam-senadores/ https://www.ocafezinho.com/2025/10/03/isencao-do-ir-senado-deve-aprovar-projeto-rapidamente-avaliam-senadores/#respond Fri, 03 Oct 2025 15:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=218410 O líder do governo, Randolfe Rodrigues, acredita que o projeto irá a votação no Plenário do Senado até o início de novembro

Depois de mais de seis meses de tramitação, a Câmara dos Deputados aprovou na quarta-feira (1º) o projeto de lei que prevê a isenção do Imposto de Renda (IR) para quem recebe até R$ 5 mil mensais, além de descontos para quem ganha até R$ 7.350. Esse projeto (PL 1.087/25) foi proposto pelo governo federal.

A expectativa dos senadores é que a matéria tramite de forma mais rápida no Senado e possa valer já no próximo ano. Para entrar em vigor em 2026, o texto precisa ser aprovado pelo Congresso e sancionado pelo presidente da República ainda em 2025.

O líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), avalia que a votação do projeto no Plenário do Senado deve ocorrer até o início de novembro. Mas, antes disso, o texto precisa passar pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE).

“Tem de passar rápido, porque o brasileiro não quer pagar imposto no ano que vem. Nossa expectativa é que até novembro a gente possa votar aqui [no Plenário do Senado]. No máximo, no começo de novembro”, disse Randolfe.

O senador Izalci Lucas (PL-DF) considera que a proposta não enfrentará obstáculos no Senado.

“Acho que vai aprovar. É evidente que haverá alguns destaques. A proposta do PL é ampliar a faixa de isenção para R$ 10 mil, e não para R$ 5 mil, que ainda é pouco. Chegando aqui [no Senado], votamos rápido”, reiterou.

O Senado já havia aprovado um projeto semelhante na semana passada, na Comissão de Assuntos Econômicos. O senador Renan Calheiros (MDB-AL), presidente da CAE, foi o relator da proposta, que foi encaminhada à Câmara. Conforme ele mesmo contou, essa decisão teve o objetivo de pressionar aquela Casa a aprovar o projeto do governo.

Compensação

Atualmente, estão isentos do Imposto de Renda os contribuintes que recebem até R$ 3.036 por mês. Para compensar a ampliação dessa faixa de isenção — que terá um custo estimado de R$ 25,8 bilhões aos cofres públicos —, o projeto propõe a criação de um “imposto mínimo” sobre a renda de pessoas físicas de alta renda, cujos ganhos costumam incluir parcelas isentas, como lucros e dividendos.

De acordo com a proposta, o novo imposto incidirá sobre contribuintes que recebem acima de R$ 50 mil por mês (ou R$ 600 mil por ano). A alíquota será progressiva, chegando a 10% para quem ganha R$ 100 mil ou mais por mês (equivalente a R$ 1,2 milhão por ano).

Segundo o governo, cerca de 141 mil contribuintes poderão ser impactados pelo novo imposto. Atualmente, esse grupo paga, em média, apenas 2,5% de Imposto de Renda efetivo sobre seus rendimentos totais.

Correção da tabela

O texto aprovado pela Câmara passou por alterações promovidas pelo deputado federal Arthur Lira (PP-AL), que foi o relator da matéria. O texto prevê que o Poder Executivo envie ao Congresso, no prazo de um ano, uma proposta de política nacional de atualização da tabela do Imposto de Renda.

A justificativa apresentada pelo governo, quando apresentou seu projeto, é que a iniciativa beneficiará diretamente cerca de 15 milhões de pessoas, enquanto apenas aproximadamente 140 mil contribuintes de alta renda serão impactados pela compensação da nova faixa de isenção.

Publicado originalmente pela Agência Senado em 02/10/2025

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Câmara aprova MP que cria o programa Agora Tem Especialistas https://www.ocafezinho.com/2025/09/26/camara-aprova-mp-que-cria-o-programa-agora-tem-especialistas/ https://www.ocafezinho.com/2025/09/26/camara-aprova-mp-que-cria-o-programa-agora-tem-especialistas/#comments Fri, 26 Sep 2025 13:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=217971 1 Comentário 🔥]]> Objetivo é acelerar atendimento de pacientes do SUS com médicos especialistas; texto já passou pelo Senado e segue para sanção

A Câmara dos Deputados aprovou a Medida Provisória 1301/25, que cria o Programa Agora Tem Especialistas. O objetivo é ampliar o acesso do usuário do Sistema Único de Saúde (SUS) a serviços de saúde por meio da oferta de prestadores privados em troca de redução em tributos federais.

O texto foi em seguida aprovado pelo Senado e segue para sanção presidencial. A MP perderia a vigência nesta sexta-feira (26) caso não fosse votada.

Segundo o texto, o programa funcionará até 31 de dezembro de 2030. A renúncia fiscal estimada será de R$ 2 bilhões ao ano a partir de 2026. Embora os procedimentos possam ser realizados já a partir deste ano, as deduções do imposto a pagar ou em débito começam em 2026.

O substitutivo do relator na comissão mista, senador Otto Alencar (PSD-BA), cria novas regras para ampliar o acesso ao tratamento de diálise no SUS.

Adesão opcional

A adesão ao programa dos hospitais privados e clínicas privadas, com ou sem fins lucrativos, será opcional e abrange consultas, exames, procedimentos diagnósticos e terapêuticos e cirurgias eletivas de baixa e média complexidades.

Os atendimentos deverão seguir condições estabelecidas pelo Ministério da Saúde, que definirá inclusive as especialidades a serem preferencialmente ofertadas, os procedimentos operacionais e o valor de atribuição dos atendimentos médico-hospitalares. Esses atendimentos deverão ser registrados pela entidade de saúde em sistema eletrônico de informações mantido pelo ministério.

Para aderir, as empresas do setor devem desistir de recursos administrativos e de ações na Justiça questionando tributos federais para poderem quitar os débitos com o crédito financeiro obtido em troca dos serviços prestados.

Além disso, deverão manter regularidade fiscal com a Receita Federal sob pena de desligamento do programa. A prioridade de uso dos créditos será para abater dívidas negociadas com a Receita ou com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN). Se sobrarem créditos, poderão ser utilizados para compensar tributos a pagar.

Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e presidente da Câmara, Hugo Motta, na votação | Bruno Spada/Câmara dos Deputados

Caso a entidade hospitalar não seguir os procedimentos definidos em portarias, o titular ficará sujeitos a multas de 10% ou 20%, dedutíveis dos créditos obtidos com os atendimentos.

Anualmente, o Ministério da Saúde publicará relatório com avaliação dos resultados do programa, promovendo ainda transparência ativa sobre os dados relativos aos beneficiários.

Planos de saúde

Além dos hospitais, os planos de saúde poderão participar por meio de um termo de compromisso que especificará os serviços a serem prestados. Essa prestação de serviços será uma alternativa ao ressarcimento que os planos de saúde devem fazer ao SUS quando seus clientes são atendidos pelo sistema.

Dados citados pelo governo indicam uma média de R$ 766 milhões ao ano de ressarcimento voluntário dos planos no período de 2020 a 2023. Nesse caso, a estimativa orçamentária de renúncia do ressarcimento em troca dos serviços é de R$ 750 milhões ao ano em 2026 e 2027.

Nesse item, o relator acrescentou que os serviços prestados, em valores financeiros, também poderão representar a conversão de dívida, inscrita ou não na Dívida Ativa, de débitos contestados judicialmente, de valores depositados na Justiça vinculados a ações ou de programas de renegociação de dívidas.

Telemedicina

O texto aprovado deixa claro que, entre os atendimentos especializados, incluem-se as ações e serviços de oftalmologia infantil. Outra mudança na MP original prevê que os atendimentos do programa poderão ser realizados, total ou parcialmente, por telemedicina.

Para isso, terão de ser respeitados os princípios do SUS, a confidencialidade das informações e o consentimento expresso do paciente.

Quando a telemedicina for utilizada, deverá ser assegurada a rastreabilidade, o registro em prontuário eletrônico, a integração aos sistemas do Ministério da Saúde e a acessibilidade em todo o território nacional. Haverá prioridade no uso da telemedicina em regiões remotas ou com comprovada escassez de médicos especialistas.

Debate em Plenário

Para o relator da MP em Plenário, deputado Yury do Paredão (MDB-CE), a alta demanda do sistema público por cirurgias é um dos principais desafios do Sistema Único de Saúde. “O SUS, enquanto patrimônio público do Brasil, deve ser constantemente fortalecido com orçamento prioritário e estratégico”, disse.

A deputada Ana Pimentel (PT-MG) disse que todas as vezes que o País investiu no SUS a vida da população brasileira melhorou. “Foi assim com saúde da família, com Samu e agora com esse programa fundamental que precisa ser votado hoje”, afirmou.

O líder do PSB, deputado Pedro Campos (PE), disse que é fundamental votar o texto para dar tranquilidade para o ministério continuar levando especialistas e atendimento à saúde especializada. Ele lembrou que a medida perderá a vigência na próxima sexta-feira (26).

A deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), vice-líder do governo, lembrou que a pandemia de Covid-19 gerou uma demanda reprimida na área das especialidades. “Muitos atendimentos, cirurgias e várias patologias não puderam ser atendidas. O que o governo está fazendo é agilizar, acelerar”, afirmou.

Jandira Feghali lembrou que o programa está começando agora e que ainda é necessário intensificar a relação com estados e municípios.

Críticas

O deputado Gilson Marques (Novo-SC) citou o que considera pontos negativos do texto. “Ele fortalece uma estrutura burocrática e cara da Anvisa, traz mais estrutura estatal através de cargos públicos”, disse. Mas, ainda assim, afirmou que em geral a medida melhora o sistema atual.

Porém, o deputado Dr. Frederico (PRD-MG) afirmou que a medida é um projeto ineficaz e ineficiente. “Não traz mecanismos sólidos de auditoria, dispensa de licitação, concentração de atendimento em grandes hospitais privados, preferência de atendimento a paciente rentável dos sistemas em troca de benefícios fiscais”, disse.

Segundo ele, o texto é um claro exemplo de medida populista e marketeira do governo federal.

O deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB), vice-líder da oposição, reforçou o discurso de que a medida é eleitoreira. “Médicos podem ser distribuídos conforme interesses políticos e não por critérios técnicos”, declarou.

Segundo o deputado Odair Cunha (PT-MG), ter mais especialistas, com diagnóstico rápido e tratamento eficaz, é fundamental para os usuários do SUS. “Queremos ver esta matéria aprovada nesta noite na Câmara e no Senado”, afirmou.

No início da votação, o presidente da Câmara, Hugo Motta, agradeceu a presença do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que acompanhou no Plenário a análise da MP.

Publicado originalmente pela Agência Câmara em 24/09/2025

Reportagem: Eduardo Piovesan e Tiago Miranda

Edição: Pierre Triboli

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“Projeto da isenção do Imposto de Renda chega muito forte ao Plenário”, afirma Motta https://www.ocafezinho.com/2025/08/27/projeto-da-isencao-do-imposto-de-renda-chega-muito-forte-ao-plenario-afirma-motta/ https://www.ocafezinho.com/2025/08/27/projeto-da-isencao-do-imposto-de-renda-chega-muito-forte-ao-plenario-afirma-motta/#respond Wed, 27 Aug 2025 22:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=216306 Para ele, o texto aprovado pela comissão especial deve ser mantido no Plenário

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que o texto da comissão especial que debateu a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil chega forte ao Plenário para ser aprovado. Na avaliação de Motta, as compensações foram bem debatidas e a proposta da comissão deve ser mantida. Ele deu a declaração em evento promovido pelos jornais O Globo e Valor Econômico e pela emissora CBN para discutir propostas sobre eficiência, sustentabilidade fiscal e valorização do serviço público.

“A escolha do [ex]-presidente Lira [como relator] demonstra que colocamos alguém com interlocução com a Casa e que dialoga bem com os partidos da base aliada e da oposição. Os trabalhos cumpriram os requisitos do debate, e a aprovação por unanimidade demonstra que o trabalho foi bem feito”, afirmou Motta.

Segundo o presidente, as iniciativas para mudanças no texto serão analisadas pelos parlamentares com responsabilidade.

“Claro que teremos emendas e destaques que queiram mudar algo, mas, pela construção feita, entendo que o texto da comissão possa vir a ser mantido. Temos que aguardar, a política é dinâmica, é uma Casa plural, mas vamos enfrentar os destaques e as iniciativas para aumentar a bondade do pacote, mas a Câmara vai ter responsabilidade”, defendeu o presidente.

Articulação política

Questionado se a falha na articulação política do governo, que permitiu que a oposição dirigisse os trabalhos na CPMI do INSS, pode atrapalhar a aprovação das medidas econômicas, como a isenção do IR e a proteção das empresas diante do tarifaço americano, Motta afirmou que a falha do governo foi pontual. O presidente destacou que estão em jogo a economia, os empregos e a soberania do Brasil, e que isso é inegociável.

“O governo não acompanhou essa ausência de parlamentares e facilitou que oposição pudesse eleger o presidente. Querer trazer esse cenário pontual da CPMI para um cenário de evitar e diminuir os danos da política tarifária é exagero. É pessimista dizer que as medidas não prosperarão no Congresso. É importante lembrar que o Senado e Câmara aprovamos a lei da reciprocidade econômica por unanimidade nas duas Casas”, lembrou Motta.

“Entendo que todo brasileiro que exerce a função parlamentar tem que ter compromisso com o Brasil, e temos que estar alinhados aos Poderes Executivo e Judiciário”, afirmou Motta.

Respostas Legislativas

Hugo Motta afirmou que vai dar total prioridade à MP 1309/25 para garantir respostas legislativas e ajudar o País. Segundo ele, o texto apresenta boas medidas , porque traz abertura de crédito e diversas formas para socorrer setores impactados pelo tarifaço. Motta disse que esses setores só tem o poder público para se apoiar nas circunstâncias do momento.

O presidente afirmou que o governo brasileiro tem demonstrado interesse em dialogar com o governo americano, mas não tem visto o mesmo interesse por parte dos EUA. De acordo com o presidente Hugo Motta, as atitudes americanas desrespeitam as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC). Segundo ele, a solução é manter o diálogo e a diplomacia.

“Espero que essa intransigência política possa ser ultrapassada, e o governo americano possa voltar um pouco mais para realidade e que a normalidade possa ser retomada”, afirmou.

“O mundo inteiro tem criticado o que foi feito com o nosso País, e temos, claro, que nos posicionar”, disse Motta no evento.

Publicado originalmente pela Agência Câmara de Notícias em 27/08/2025

Reportagem: Luiz Gustavo Xavier

Edição: Wilson Silveira

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Aprovação de Trump cai 11 pontos em cinco meses https://www.ocafezinho.com/2025/07/22/aprovacao-de-trump-cai-11-pontos-em-cinco-meses/ https://www.ocafezinho.com/2025/07/22/aprovacao-de-trump-cai-11-pontos-em-cinco-meses/#respond Tue, 22 Jul 2025 15:51:52 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=213447 Primeira pesquisa após guerra tarifária contra o Brasil revela efeito contrário para os dois presidentes.

A primeira pesquisa de aprovação realizada após Donald Trump anunciar tarifas de 50% contra produtos brasileiros revela um efeito político contrastante para os dois presidentes. Enquanto Luiz Inácio Lula da Silva registra aumento expressivo de popularidade no Brasil, Trump caminha na direção oposta, com sua aprovação despencando 11 pontos percentuais em cinco meses.

A aprovação do presidente americano passou de 53% em fevereiro para 42% em julho, segundo nova pesquisa da CBS News/YouGov divulgada neste domingo. A população americana tem recebido com crescente rejeição as políticas tarifárias da administração, em um movimento que contrasta diametralmente com o fortalecimento político que Lula experimenta no Brasil após o confronto comercial.

Os números revelam uma trajetória de declínio constante: 53% em 9 de fevereiro, 51% em 2 de março, 50% em 30 de março, 47% em 13 de abril, 45% em 27 de abril, mantendo-se em 45% em 8 de junho, até chegar aos atuais 42%. Cada medição mensal registrou queda ou estagnação, sem qualquer período de recuperação.

A pesquisa, realizada entre 16 e 18 de julho de 2025 com 2.343 adultos americanos e margem de erro de ±2,5 pontos percentuais, mostra que 58% dos americanos agora desaprovam o desempenho presidencial. A intensidade da rejeição é particularmente preocupante: 47% desaprovam “fortemente” Trump, mais que o dobro dos 24% que o aprovam “fortemente”.

O cenário se torna ainda mais desafiador quando analisamos a percepção geral sobre o rumo do país. Apenas 38% dos americanos consideram que as coisas estão indo bem, enquanto 61% acreditam que o país está no caminho errado. Entre estes, 38% consideram que as coisas estão indo “muito mal”, superando os 9% que acreditam que estão indo “muito bem”.

Trump e as tarifas: política impopular agrava cenário de rejeição

As tarifas, uma das políticas centrais da agenda econômica de Trump, enfrentam forte rejeição popular que ajuda a explicar a queda de aprovação presidencial. Três em cada cinco americanos (60%) se opõem à imposição de novas tarifas sobre produtos importados, enquanto apenas 40% as favorecem. Esta oposição majoritária representa um obstáculo significativo para uma das principais promessas de campanha do presidente.

A percepção sobre o foco excessivo em tarifas também prejudica Trump. Segundo a pesquisa, 61% dos americanos consideram que a administração está focando “demais” na imposição de tarifas, enquanto apenas 33% consideram o foco “adequado” e meros 5% acreditam que não é suficiente. A rejeição às tarifas se intensifica justamente no momento em que Trump escala o confronto comercial com o Brasil.

A falta de clareza na política tarifária também gera desconfiança. Quando questionados se Trump tem um plano claro para tarifas e comércio, 57% dos americanos respondem que ele “não tem um plano claro”, contra 43% que acreditam no contrário. Esta percepção de improviso em uma área central da política econômica mina a credibilidade presidencial.

O contraste com as prioridades dos americanos é evidente. Enquanto Trump foca em tarifas, 70% dos entrevistados consideram que a administração não está fazendo “o suficiente” para baixar preços de bens e serviços. Apenas 6% acreditam que há foco “demais” em reduzir preços, evidenciando o desalinhamento entre as prioridades presidenciais e as demandas populares.

Economia e inflação pesam contra o presidente

A gestão econômica emerge como um dos principais pontos fracos da administração Trump. Apenas 40% aprovam seu desempenho na economia, enquanto 60% desaprovam. O quadro se deteriora ainda mais na questão da inflação, onde Trump registra seu pior desempenho: apenas 36% aprovam sua gestão, contra 64% que desaprovam.

A responsabilização pelas condições econômicas atuais também pesa contra Trump. Quando questionados sobre quem é mais responsável pelo estado da economia americana, 48% apontam as políticas de Trump, comparado a apenas 23% que responsabilizam Joe Biden. Esta percepção de responsabilidade direta impacta negativamente a aprovação presidencial.

A situação financeira pessoal dos americanos reflete o descontentamento econômico. Metade dos entrevistados (50%) afirma que as políticas de Trump os deixaram “financeiramente pior”, enquanto apenas 18% se sentem “financeiramente melhor”. Outros 32% consideram que sua situação permanece igual.

O impacto nos preços de alimentos e produtos básicos é particularmente severo. Dois terços dos americanos (62%) afirmam que as políticas de Trump estão fazendo os preços de comida e produtos básicos subirem, enquanto apenas 16% percebem redução nos preços. Para 56% dos entrevistados, a questão da inflação e preços importa “muito” na avaliação da presidência de Trump.

Deportação: programa perde apoio popular

O programa de deportação, inicialmente popular, também enfrenta erosão de apoio. Atualmente, 51% dos americanos desaprovam o programa de deportação, enquanto 49% o aprovam – uma inversão significativa em relação ao início do mandato, quando tinha apoio majoritário.

A percepção sobre os alvos das deportações contribui para esta mudança. Mais da metade dos americanos (52%) acredita que Trump está tentando deportar “mais pessoas do que pensavam”, enquanto apenas 11% consideram que está deportando “menos pessoas”. Esta percepção de excesso nas deportações alimenta a desaprovação.

Mais preocupante para a administração é a percepção sobre as prioridades das deportações. Maioria dos americanos (56%) acredita que Trump está priorizando pessoas “que não são criminosos perigosos”, enquanto apenas 44% consideram que está focando em “criminosos perigosos”. Esta percepção mina o argumento central da política de deportação.

O uso de instalações de detenção também enfrenta forte oposição. Quase seis em cada dez americanos (58%) se opõem à forma como a administração está usando as instalações de detenção, enquanto apenas 42% aprovam.

Imigração: de ponto forte a vulnerabilidade

A imigração, tradicionalmente um ponto forte de Trump, agora apresenta números negativos. Apenas 44% aprovam sua gestão na área, enquanto 56% desaprovam. Esta mudança representa uma transformação significativa na percepção pública sobre uma das principais bandeiras trumpistas.

A percepção sobre a abordagem republicana na imigração também mudou drasticamente. Atualmente, 53% dos americanos consideram que Trump e os republicanos estão sendo “duros demais” na imigração, enquanto apenas 18% acreditam que não estão sendo “duros o suficiente”. Outros 29% consideram a abordagem “adequada”.

Este resultado representa uma inversão completa em relação ao governo Biden, quando a maioria dos americanos considerava que democratas não estavam sendo “duros o suficiente” na imigração. A mudança ilustra como as políticas podem gerar reações pendulares na opinião pública americana.

A questão racial também emerge como fator complicador. Dois terços dos americanos (64%), incluindo hispânicos, acreditam que pessoas hispânicas estão sendo mais visadas em buscas de imigração e deportação do que pessoas de outras origens. Entre aqueles que percebem este direcionamento, a maioria considera a prática “injusta”.

Federal Reserve: independência versus controle presidencial

A relação com o Federal Reserve também gera controvérsia. Embora muitos americanos admitam conhecer pouco sobre as funções do Fed (49% conhecem “pouco” ou “nada”), 68% consideram que a instituição deve tomar decisões “independentemente” de Trump, enquanto apenas 32% acreditam que deve ser “guiada” pelo presidente.

A confiança no presidente do Fed, Jerome Powell, é mista. Apenas 38% expressam “muita” ou “alguma” confiança em Powell, enquanto 34% têm “pouca” ou “nenhuma” confiança. Outros 28% não têm certeza. A divisão partidária é evidente: democratas expressam mais confiança em Powell que republicanos.

Política externa: desafios persistem

Na política externa, Trump enfrenta desaprovação majoritária. Na gestão do conflito Israel-Hamas, apenas 43% aprovam sua abordagem, enquanto 57% desaprovam. Em relação ao Irã, os números são similares: 44% de aprovação contra 56% de desaprovação.

Estes indicadores sugerem que mesmo em áreas tradicionalmente favoráveis aos republicanos, Trump enfrenta resistência significativa da opinião pública.


Sobre a pesquisa: A pesquisa CBS News/YouGov foi realizada entre 16 e 18 de julho de 2025, com 2.343 adultos americanos. A amostra foi ponderada para ser representativa da população adulta nacional por gênero, idade, raça, educação e voto presidencial de 2024. A margem de erro é de ±2,5 pontos percentuais.

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Aprovação de Trump continua em queda livre nos Estados Unidos https://www.ocafezinho.com/2025/07/18/aprovacao-de-trump-continua-em-queda-livre-nos-estados-unidos/ https://www.ocafezinho.com/2025/07/18/aprovacao-de-trump-continua-em-queda-livre-nos-estados-unidos/#respond Fri, 18 Jul 2025 14:51:04 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=213151 A popularidade do presidente Donald Trump despencou para 40% de aprovação, segundo pesquisa da Quinnipiac University divulgada em 16 de julho, marcando uma trajetória descendente que começou em janeiro com 46% e agora atinge um dos piores índices de sua administração. Os dados revelam um cenário de crescente descontentamento com as políticas controversas e decisões polêmicas que têm caracterizado os primeiros meses de seu segundo mandato.

Evolução da Aprovação de Donald Trump nos EUA

O gráfico acima ilustra de forma clara a trajetória descendente da aprovação presidencial ao longo dos primeiros sete meses de 2025. A queda de seis pontos percentuais desde janeiro (de 46% para 40%) coincide com o aumento constante da desaprovação, que saltou de 43% para 54% no mesmo período, evidenciando uma polarização crescente e o desgaste político da administração.

A desaprovação presidencial atingiu 54%, refletindo o impacto negativo de uma série de crises que se acumulam na Casa Branca. Entre os temas específicos avaliados, as deportações registram o pior desempenho, com apenas 38% de aprovação contra 59% de desaprovação, evidenciando o repúdio às práticas migratórias extremas implementadas pela administração.

Índices de Rejeição do Governo Trump

O gráfico de rejeição demonstra que os arquivos de Jeffrey Epstein lideram o descontentamento popular com 63% de desaprovação, seguidos pelas deportações (59%) e pela guerra Rússia-Ucrânia (57%). Estes números refletem o descontentamento generalizado com as políticas mais controversas do governo, abrangendo desde questões domésticas até a política externa.

Polêmica dos arquivos Epstein divide base conservadora

A polêmica em torno dos arquivos de Jeffrey Epstein expôs uma rachadura inédita na base conservadora de Trump. Após semanas de pressão para a liberação dos documentos, o presidente mudou abruptamente o discurso, chamando seus próprios apoiadores de “fracos” e “tolos” por questionarem o manejo do caso. A pesquisa mostra que 63% dos eleitores desaprovam a forma como a administração lidou com os arquivos Epstein, incluindo 36% dos próprios republicanos.

O caso ganhou contornos dramáticos quando o Speaker da Câmara, Mike Johnson, rompeu publicamente com Trump ao exigir transparência total do Departamento de Justiça. A situação deteriorou quando Trump atacou no Truth Social aqueles que ele classificou como “ex-apoiadores”, acusando-os de caírem em “besteiras democratas” sobre Epstein.

Crise diplomática com o Brasil

As tensões diplomáticas atingiram níveis alarmantes com as ameaças de tarifas de 50% contra o Brasil, anunciadas como forma de pressionar pela libertação do ex-presidente Jair Bolsonaro, que enfrenta acusações de tentativa de golpe. Trump descreveu o processo judicial brasileiro como “caça às bruxas” e exigiu que as autoridades brasileiras “deixem Bolsonaro em paz”, gerando uma crise diplomática sem precedentes.

O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva reagiu duramente, classificando as ameaças como “chantagem inaceitável” e declarando que “nenhum gringo vai dar ordens” ao Brasil. A resposta brasileira incluiu protestos nas ruas com queima de bonecos de Trump e ameaças de retaliação comercial, transformando um aliado regional em adversário declarado.

Políticas migratórias geram repúdio

As políticas de imigração continuam gerando controvérsia internacional. A administração retomou as deportações para países terceiros, enviando imigrantes de Vietnam, Jamaica, Laos, Cuba e Iêmen para Eswatini, na África, uma prática que 64% dos americanos rejeitam. O orçamento de US$ 170 bilhões aprovado para enforcement migratório inclui US$ 45 bilhões para centros de detenção e US$ 30 bilhões para contratação de agentes do ICE.

Os dados da pesquisa mostram que as deportações são o tema com maior rejeição entre as políticas específicas de Trump, com 59% de desaprovação. Este índice supera até mesmo temas tradicionalmente polêmicos como a guerra na Ucrânia e questões comerciais, demonstrando o profundo desconforto da população americana com as práticas migratórias extremas.

Índices de Aprovação do Governo Trump

Mesmo nos temas onde Trump obtém melhor desempenho, os números permanecem baixos. A economia, tradicionalmente um ponto forte republicano, registra apenas 42% de aprovação, enquanto a política externa alcança 41%. Estes índices, embora superiores aos demais, ainda ficam aquém do necessário para uma administração sólida, indicando fragilidades estruturais na percepção pública das políticas governamentais.

Ameaça inflacionária das tarifas

O impacto econômico das tarifas ameaça agravar a inflação no país. Embora as tarifas mais altas ainda não tenham sido implementadas, economistas alertam que a partir de 1º de agosto, quando entram em vigor as medidas contra Brasil, México e União Europeia, os efeitos inflacionários podem se tornar mais dramáticos. O Nobel de Economia Paul Krugman classificou as ameaças tarifárias como “grotescamente ilegais”.

A instabilidade se reflete também na política externa, com demissões em massa no Departamento de Estado atingindo 1.350 funcionários diplomáticos, comprometendo a capacidade de resposta americana em crises internacionais. As tensões internas na administração se intensificaram com conflitos entre o Secretário de Estado Marco Rubio e o enviado especial Richard Grenell sobre negociações na Venezuela.

Perspectivas sombrias

A combinação de escândalos domésticos, crises diplomáticas e políticas econômicas controversas consolida um cenário de deterioração da imagem presidencial. Com aprovação em queda livre e crescente isolamento internacional, Trump enfrenta o desafio de recuperar credibilidade em meio a uma sucessão de polêmicas que parecem se aprofundar a cada semana.

Os números da pesquisa Quinnipiac pintam um retrato preocupante para a administração, com rejeição superior a 50% em praticamente todos os temas avaliados. A análise temporal revela que a tendência de queda iniciada em janeiro não apenas se manteve, mas se acelerou nos últimos meses, sugerindo que as políticas controversas têm um impacto cumulativo negativo na percepção pública.

O cenário político atual indica que Trump enfrenta não apenas uma crise de aprovação, mas uma crise sistêmica de confiança que abrange múltiplas dimensões de sua administração, desde a política doméstica até as relações internacionais, criando um ambiente de instabilidade que pode comprometer a governabilidade nos próximos meses.

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Datafolha e Ipec confirmam “novo normal” da aprovação do governo https://www.ocafezinho.com/2025/06/12/datafolha-e-ipec-confirmam-novo-normal-da-aprovacao-do-governo/ https://www.ocafezinho.com/2025/06/12/datafolha-e-ipec-confirmam-novo-normal-da-aprovacao-do-governo/#comments Thu, 12 Jun 2025 22:57:59 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=210660 1 Comentário 🔥]]>

O que vimos na pesquisa Atlas e Quaest agora vem confirmado por novas pesquisas Datafolha e Ipec.

O novo normal da aprovação de Lula está se estabilizando em torno dos 40%.

Na Atlas, divulgada 23 de maio, Lula marcou 45% de aprovação.

Na Quaest, de 1 de junho, o percentual de aprovação de Lula ficou em 40%.

Agora temos um Datafolha com Lula aprovado por 46% dos brasileiros.

No Ipec, a aprovação do presidente foi estimada em 39%.

As pesquisas Datafolha e Ipec, divulgadas em 12 de junho, apresentam um retrato semelhante da avaliação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Nos dois levantamentos, os índices de aprovação e desaprovação mostram uma diferença consolidada entre os que apoiam e os que rejeitam o governo federal.

No Datafolha, 50% dos entrevistados afirmaram desaprovar o trabalho do presidente, enquanto 46% disseram aprovar. Os dados foram coletados entre os dias 10 e 11 de junho, com 2.004 pessoas em 136 municípios. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

A pesquisa Ipec, realizada de 5 a 9 de junho, ouviu 2.000 pessoas em 132 municípios e tem a mesma margem de erro. Segundo os dados, 55% dos brasileiros desaprovam a forma como Lula administra o país, enquanto 39% aprovam.

Os dois levantamentos também coletaram informações sobre a avaliação geral do governo. No Datafolha, 28% consideram a gestão “boa” ou “ótima”, 31% a classificam como “regular” e 40% como “ruim” ou “péssima”. No Ipec, 25% disseram que o governo é “bom” ou “ótimo”, 29% consideram “regular” e 43% avaliaram como “ruim” ou “péssimo”.

Os recortes por perfil socioeconômico apresentam variações nos índices. No Datafolha, entre os eleitores com ensino superior, 25% aprovam a gestão, e 56% desaprovam. Entre os que ganham de dois a cinco salários mínimos, a aprovação é de 22%, e a desaprovação é de 54%. Entre os mais pobres, que ganham até dois salários mínimos, 32% aprovam o governo, e 33% desaprovam. No Nordeste, 37% aprovam a gestão, enquanto no Sul a taxa é de 22%, e no Sudeste, de 25%.

O Ipec também identificou diferenças por faixa de renda, escolaridade e religião. Entre os que ganham mais de cinco salários mínimos, 59% desaprovam o governo, e 32% aprovam. Entre os entrevistados com ensino superior, a desaprovação é de 51%, e a aprovação, de 36%. Entre os evangélicos, 50% desaprovam, e 30% aprovam. Já entre os católicos, 32% aprovam, e 43% desaprovam. No Nordeste, a aprovação é de 38%; no Sudeste, de 23%; no Sul, de 22%; e nas regiões Norte e Centro-Oeste, de 25%.

Sobre a confiança no presidente, o Ipec mostra que 37% dos entrevistados dizem confiar em Lula, enquanto 58% afirmam não confiar. Entre os moradores de periferias, a taxa de confiança é de 31%. Entre os eleitores que votaram em Lula no segundo turno de 2022, 23% dizem não confiar no presidente.

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Câmara aprova projeto que amplia número de deputados federais de 513 para 531 https://www.ocafezinho.com/2025/05/07/camara-aprova-projeto-que-amplia-numero-de-deputados-federais-de-513-para-531/ https://www.ocafezinho.com/2025/05/07/camara-aprova-projeto-que-amplia-numero-de-deputados-federais-de-513-para-531/#respond Wed, 07 May 2025 16:29:04 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=208090 Vagas aumentam para Amazonas, Ceará, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará, Paraná, Rio Grande do Norte e Santa Catarina; texto vai ao Senado

A Câmara dos Deputados aprovou projeto de lei complementar (PLP) que aumenta de 513 para 531 o número de vagas na Casa em razão do crescimento populacional. O texto mantém o tamanho das bancadas que perderiam representantes segundo o Censo de 2022. A mudança será a partir da legislatura de 2027.

O texto a ser enviado ao Senado é um substitutivo do relator, deputado Damião Feliciano (União-PB) para o Projeto de Lei Complementar (PLP) 177/23, da deputada Dani Cunha (União-RJ). A proposta foi aprovada nesta terça-feira (6) no Plenário da Câmara.

O relator optou por uma abordagem política em vez do cálculo diretamente proporcional previsto na Lei Complementar 78/93, revogada pelo texto. “Estamos a falar de um acréscimo modesto de 3,5%, enquanto a população nos últimos 40 anos cresceu mais de 40%”, afirmou.

Damião Feliciano argumenta que a perda de representantes significaria também perda de recursos em emendas parlamentares, aumentando a desigualdade regional (somente o Nordeste perderia oito vagas). “Perder cadeiras significa perder peso político na correlação federativa e, portanto, perder recursos”, disse.

A necessidade de rever a distribuição de cadeiras surgiu após decisão, em agosto de 2023, do Supremo Tribunal Federal (STF) ao acatar uma ação do governo do Pará que apontou omissão do Legislativo em atualizar o número de deputados de acordo com a mudança populacional, como previsto na Constituição.

A corte deu prazo até 30 de junho para o Congresso aprovar a redistribuição de vagas de acordo com o Censo de 2022, sob pena de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) realizá-la. O Pará argumentou que teria direito a mais quatro deputados desde 2010. A decisão do STF prevê a manutenção dos 513 deputados federais com redistribuição de 14 cadeiras, tomando como base a lei de 1993.

No entanto, com o aumento de vagas constante da proposta aprovada pela Câmara, os sete estados que perderiam vagas para outros nessa redistribuição continuam com o mesmo número de deputados:

  • Rio de Janeiro (46 deputados) perderia quatro cadeiras
  • Paraíba (12), Bahia (39), Piauí (10) e Rio Grande do Sul (31) perderiam duas cadeiras cada um;
  • Pernambuco (25) e Alagoas (9) perderiam uma cadeira cada um.

Impacto orçamentário

A criação de novas cadeiras implicará impacto orçamentário de R$ 64,8 milhões ao ano, segundo informações da Diretoria-Geral da Câmara, a ser absorvido pelas previsões orçamentárias de 2027, quando começa a próxima legislatura com a nova quantidade.

Outro impacto que deverá ser alocado é o de emendas parlamentares que os novos representantes passarão a ter direito de indicar no âmbito do Orçamento da União.

Assembleias estaduais

Além disso, conforme determina a Constituição Federal, o número de deputados estaduais mudará porque a Assembleia Legislativa deve ter o triplo da representação do estado na Câmara dos Deputados com uma trava de 36. Se atingido esse número, o total será os 36 mais o quanto passar de 12 na bancada federal.

Dessa forma, estados que passam de 8 deputados federais (24 estaduais) para 10 terão assembleias com 30 deputados estaduais (três vezes mais).

Deputados aprovaram o projeto na sessão do Plenário desta terça-feira | Bruno Spada/Câmara dos Deputados

Ajuste à população

Para os estados que contarão com mais deputados, o texto de Damião Feliciano segue as contas já apontadas pelo Supremo, com ajustes na bancada de Mato Grosso.

Assim, o Pará passará a ter mais 4 deputados (bancada de 21), da mesma forma que Santa Catarina (de 16 para 20 deputados), Amazonas aumenta sua bancada de 8 para 10, Ceará passa de 22 para 23 deputados, Goiás aumenta de 17 para 18 e Minas Gerais de 53 para 54.

No caso de Mato Grosso, cuja bancada aumentaria em um deputado, o relator propõe o ganho de mais uma cadeira em função de cálculos de proporcionalidade que pretendem evitar o fato de um estado com maior população ter menos representantes que outro com menos população que aquele.

Dessa forma, ao comparar os estados de Piauí (população de 3.269.200), Mato Grosso (população de 3.658.813) e Rio Grande do Norte (população de 3.302.406), o primeiro continuaria com 10 cadeiras tendo população menor que os outros dois, que ficariam com 9 e 8 respectivamente.

Para evitar isso, Damião Feliciano passa ambas as bancadas de Mato Grosso e Rio Grande do Norte para 10 representantes.

Igual comparação ele usou para aumentar a bancada do Paraná (população de 11.443.208) de 30 para 31, a fim de não ficar menor que a do Rio Grande do Sul (população de 10.880.506), que mantém seus 31 deputados federais.

Peso regional

Em relação à legislatura atual, a mudança nas bancadas altera ainda o peso regional proporcionalmente ao total de deputados. A bancada do Norte foi a que mais cresceu (de 65 para 71), seguida pelo Sul (de 77 para 82). A primeira corresponde hoje a 12,67% da Câmara, e a segunda equivale a 15%. A partir de 2027, o Norte será 13,37% da Casa, e o Sul terá 15,44%.

Apesar de aumentar sua bancada em três deputados (151 para 154), o Nordeste passa de 29,43% para 29% na nova composição com mais parlamentares. O mesmo acontece com o Sudeste (de 179 para 180), que diminui de 34,89% para 33,89%. Já o Centro-Oeste aumenta de 7,99% (41 deputados) para 8,28% (44 representantes).

Censo contestado

O texto aprovado determina que nenhuma unidade da Federação terá sua representação novamente modificada até a divulgação oficial dos resultados do censo demográfico seguinte à publicação da nova lei.

No Brasil, os censos ocorrem de dez em dez anos, e o de 2020 foi adiado para 2022 devido à pandemia de Covid-19. Se o próximo censo populacional for em 2030 ou mesmo em 2032, qualquer alteração nas bancadas deverá valer apenas para as eleições gerais de 2034, pois as mudanças têm de ocorrer em até um ano antes do pleito.

Do projeto original, Damião Feliciano manteve a possibilidade de os partidos políticos contestarem os dados do Censo perante o Tribunal de Contas da União (TCU), que deverá auditá-los. No entanto, não será permitido o uso de dados obtidos por meio de pesquisas amostrais ou estimativas entre cada censo.

O TCU terá 60 dias para julgar a impugnação, que também poderá ser proposta pela representação jurídica do estado que se considerar prejudicado.

Embora proíba o uso de outros dados, o relator prevê que, caso o TCU considere os dados não confiáveis, eles não poderão ser utilizados para fins de redistribuição de cadeiras.

Próximas revisões

Nas próximas revisões, a bancada de cada unidade da Federação deverá ser calculada conforme método de quocientes análogo ao utilizado nas eleições proporcionais (quociente eleitoral), no que couber.

Em todo caso, devem ser respeitadas as representações mínima e máxima estabelecidas na Constituição Federal (8 e 70 deputados).

Debate em Plenário

Durante o debate do projeto em Plenário, a maioria dos deputados a favor da medida defendeu a necessidade de a Câmara decidir sobre o tema, e não o Tribunal Superior Eleitoral.

Para o líder do PP, deputado Doutor Luizinho (RJ), a eventual redução do número de deputados fluminenses mostraria que o brasileiro do Rio de Janeiro valeria menos que o de outros estados. “O que não pode é um voto no Amapá e Rondônia valer 10 vezes mais que no Rio de Janeiro, 20 vezes mais que em São Paulo”, disse.

O líder do MDB, deputado Isnaldo Bulhões Jr. (AL), afirmou ser legítima a revisão da quantidade de deputados depois de tantos anos sem a legislação ser revista. “Muitos criticam a interferência do Judiciário nas decisões do Parlamento. Esta é uma decisão interna corporis [que deve ser resolvida internamente por cada Poder]”, declarou.

O deputado Merlong Solano (PT-PI) afirmou que o Parlamento brasileiro é proporcionalmente menor que boa parte das democracias ocidentais. “O número de deputados por habitante é menor que no Canadá, no México, na Argentina, no Chile, na Alemanha, na França. Não temos um Parlamento muito grande em relação ao país de dimensões continentais”, disse.

Porém, deputados da oposição criticaram a ampliação da bancada da Câmara. O líder da oposição, deputado Zucco (PL-RS), citou outros países mais populosos que o Brasil, como Estados Unidos e Índia, e com número proporcionalmente inferior de deputados.

Para o deputado Carlos Jordy (PL-RJ), vice-líder da oposição, mais injusto que reduzir o número de deputados de alguns estados é aumentar a máquina pública para atender parlamentares com receio de não serem reeleitos.

A líder da Minoria, deputada Caroline de Toni (PL-SC), afirmou que apenas aumentar o número de cadeiras, sem a redução de acordo com a diminuição da população significa descumprir o previsto na Constituição. “[O texto constitucional] não fala que tem de aumentar ou diminuir, fala que tem de ser obedecida a proporcionalidade.”

O deputado Kim Kataguiri (União-SP) criticou o discurso de que o orçamento do Legislativo suportaria um aumento no quantitativo dos parlamentares sem custo adicional. “A desculpa que não tem gasto é falsa. Tem gasto real sim para a população. É uma acomodação de interesses que aumenta a distorção que a Constituição manda a gente corrigir”, afirmou.

Segundo o deputado Chico Alencar (Psol-RJ), a proposta não resolve o problema central da proporcionalidade na representação. “Essa redistribuição buscando uma proporção mais adequada tem de ser buscada nesse quantitativo [de 513]. Está de bom tamanho”, avaliou.

Publicado originalmente pela Agência Câmara de Notícias em 06/05/2025

Reportagem: Eduardo Piovesan e Tiago Miranda

Edição: Pierre Triboli

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Lavareda: clima político se reverteu e Lula volta a ser favorito em 2026 https://www.ocafezinho.com/2025/04/05/lavareda-clima-politico-se-reverteu-e-lula-volta-a-ser-favorito-em-2026/ Sat, 05 Apr 2025 17:55:59 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=206094 Na manhã deste sábado, 5 de abril de 2025, o cientista político e sociólogo Antônio Lavareda participou da programação ao vivo da CNN Brasil para comentar os resultados da nova pesquisa Datafolha sobre a avaliação do governo Lula. Lavareda, que também é apresentador do programa CNN Eleições 2026 e colunista do site da emissora, trouxe uma leitura otimista sobre o desempenho do governo, afirmando que os dados marcam uma virada de percepção positiva na opinião pública e sinalizam que o presidente tem motivos para comemorar.

Segundo Lavareda, o levantamento do Datafolha indica uma inversão de tendência em relação a outras pesquisas recentes, como a da Genial/Quaest, que apontavam queda de popularidade. Ele explica que, no caso da Quaest, houve um hiato metodológico — a ausência de uma medição em fevereiro — que gerou uma falsa ideia de deterioração contínua na avaliação do governo. A nova pesquisa Datafolha, com metodologia regular e credibilidade consolidada, mostra o oposto: o governo Lula parou de piorar e começou a melhorar.

O cientista político destacou que o dado mais relevante da pesquisa não está apenas nos números de “ótimo” e “bom”, mas na taxa de aprovação direta do governo. Pela primeira vez na história, o Datafolha incluiu esse item no questionário.

Segundo o levantamento, 48% dos brasileiros aprovam o governo Lula, o que representa uma melhora substancial em relação aos índices anteriores. Para Lavareda, esse resultado tem peso político estratégico, sobretudo quando comparado ao índice CNN, que em março mostrava Lula com saldo negativo de 13 pontos em aprovação. Agora, com apenas um ponto negativo, o presidente se aproxima de um cenário de estabilidade e competitividade eleitoral.

Lavareda lembrou que, em artigo recente publicado no site da CNN, havia escrito que com 41% de aprovação, Lula não teria condições de reeleição em 2026.

Para alcançar competitividade, segundo ele, seria necessário atingir pelo menos 45%. A pesquisa Datafolha, ao apontar 48%, coloca o presidente “na direção dos 50%”, marca considerada ideal para quem deseja se consolidar como favorito à reeleição.

Outro ponto enfatizado foi a capacidade do governo de usar a chamada “vantagem do incumbente” — o poder que quem ocupa o cargo tem para influenciar a agenda pública. Lavareda apontou que o governo passou a utilizar esse recurso com mais intensidade: ampliou ações de comunicação, reforçou a presença midiática, aumentou a interlocução com o Congresso e anunciou medidas populares, como a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, o crédito consignado para seletistas com garantia do FGTS e os ganhos econômicos das viagens internacionais, como as ao Japão e Vietnã.

Essas iniciativas, segundo Lavareda, compõem um pacote de “boas notícias” que foram bem recebidas pela população. Ele avaliou que o governo acertou ao reagir politicamente e mobilizar sua estrutura de comunicação e articulação. Para ele, o salto de cinco pontos na avaliação positiva e a queda de três na negativa geram um movimento combinado de oito pontos, algo “muito expressivo” do ponto de vista estatístico e simbólico.

Por fim, Lavareda disse que a pesquisa do Datafolha oferece ao governo um motivo real de comemoração, não apenas pela melhora numérica, mas porque representa uma mudança de clima político.

Ele usou um tom bem-humorado ao afirmar que a comunicação do governo “pode estar soltando fogos” e que o responsável pela área, sendo baiano, “deve estar homenageando todos os orixás”. Ainda brincou dizendo que, se não é hora de abrir o champanhe, “dá para abrir a cerveja com direito a acarajé”.

Com essa leitura, Lavareda sinaliza que o presidente Lula ganha fôlego político em um momento chave do governo e, se mantiver a tendência de alta, reentra no jogo sucessório com chances reais de se consolidar como candidato competitivo para 2026.

 

Trechos da fala de Lavareda:

Olha, respondendo à sua questão, eu diria sinteticamente que o Sidonio, a área de comunicação do governo, pode estar soltando fogos nesse sábado. Débora, aliás, como o Sidonio é baiano, ele deve estar homenageando todos os orixás dele também, como sinal de regozijo aí, por essa pesquisa do Datafolha, que inverte, que de certa forma contrarresta, se contrapõe, à análise de algumas pesquisas divulgadas essa semana, mais especificamente a pesquisa da Genial Quest, que retratava uma queda, uma suposta queda. […] Então, para a área de comunicação, para o governo, é, de fato, uma excelente notícia. Não é ainda tempo de soltar champanhe, mas dá pra abrir a cerveja. E com direito a acarajé, se for o caso. Porque inverte o clima, inverte a narrativa que vinha se consolidando, né, de que o governo estava em queda livre.

A mudança do Datafolha é significativa quando você combina os números de avaliação positiva, Débora e Basília, de avaliação negativa, e vê os movimentos desses dois números. Movimento da avaliação positiva foi de mais cinco. Movimento da avaliação negativa foi de menos três.

Então você tem um movimento combinado de oito pontos. Isso é muito expressivo, muito significativo. Agora, por que isso ocorreu? É muito importante nós pensarmos por que isso ocorreu. […] O governo passou a utilizar com intensidade a vantagem do incumbente […] com destaque, além das ações de PR, de relações públicas e novos contatos com a classe política etc., forte teor de propaganda, de publicidade governamental. É assim que os governos conseguem reagir.

O número mais importante para o governo, me permitam Basília e Débora, dessa pesquisa, mais do que esse ótimo e bom de 29 versus ruim e péssimo de 38, é essa aprovação.

O Datafolha, pela primeira vez na sua história, mede aprovação. O índice CNN mostrou em março, naquele momento, um saldo de 13 pontos negativos, menos 13. Então esse menos um de agora é uma coisa, como eu disse, para o Sidonio comemorar muito. Eu também escrevi naquele artigo — só concluindo, me desculpa por me estender — que daqueles 41% que o presidente tinha em março, segundo o índice CNN, aquele percentual não era alviçareiro para nenhum incumbente que pretenda reeleição.

Eu fui mais taxativo: com 41% ele não se reelege. Eu escrevi também: ele precisará chegar aos 45 para se tornar competitivo e se aproximar dos 50 para ser visto como favorito.

Pois bem, ele tá entre 45 e 50, ele ultrapassou, segundo o Datafolha, os 45 e tá na direção dos 50 aí com esses 48%. Do ponto de vista de projeto eleitoral, o presidente Lula também tem muito a comemorar com essa pesquisa do Datafolha.

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Datafolha: aprovação de Lula sobe 5 pontos https://www.ocafezinho.com/2025/04/05/datafolha-aprovacao-de-lula-sobe-5-pontos/ Sat, 05 Apr 2025 11:54:55 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=206041 Pesquisa Datafolha aponta melhora na avaliação do governo, sinalizando reversão da tendência negativa e impacto positivo da nova comunicação oficial

Após um período de queda no início do ano, o presidente Lula (PT) registrou um crescimento na avaliação positiva de seu governo, segundo a nova pesquisa Datafolha. O índice de aprovação subiu de 24% em fevereiro para 29%, indicando uma retomada de confiança. A parcela que considera o governo ruim ou péssimo recuou de 41% para 38%, enquanto os que avaliam a gestão como regular se mantêm em 32%. O Datafolha ouviu 3.054 pessoas em 172 municípios entre terça (1º) e quinta-feira (3), com margem de erro de 2 pontos percentuais.

Fonte: Pesquisa Datafolha realizada presencialmente com 3.054 pessoas de 16 anos ou mais em 172 municípios pelo Brasil nos dias 1 a 3 abr.; a margem de erro é de 2 p.p., para mais ou para menos
Fonte: Pesquisa Datafolha / Gráfico: Folha de São Paulo

Apesar de ainda estar abaixo dos patamares anteriores, a melhora recente sinaliza uma reversão na tendência de queda. Em dezembro, a aprovação era de 35%, contra 34% de reprovação, mostrando que o governo busca recuperar espaço.

Lula enfrentou desafios como a alta nos preços dos alimentos e desinformação sobre medidas econômicas, mas ajustes na comunicação, como a entrada do marqueteiro Sidônio Palmeira na Secom, podem estar contribuindo para a recuperação.

Comparado a momentos históricos, o atual índice de 29% se assemelha aos 28% registrados em 2005, durante o primeiro mandato. Em contraste, em maio de 2021, Jair Bolsonaro (PL) tinha 24% de avaliação positiva.

Fonte: Pesquisas Datafolha realizadas em cerca de dois anos e quatro meses após o início de cada mandato presidencial, com variações entre número de cidades e respondentes
Fonte: Pesquisa Datafolha / Gráfico: Folha de São Paulo

Quando questionados sobre a aprovação geral do governo, os números estão equilibrados: 48% aprovam e 49% desaprovam, dentro da margem de erro. Outros 3% não souberam responder.

Fonte: Pesquisa Datafolha realizada presencialmente com 3.054 pessoas de 16 anos ou mais em 172 municípios pelo Brasil nos dias 1 a 3 abr.; a margem de erro é de 2 p.p., para mais ou para menos
Fonte: Pesquisa Datafolha / Gráfico: Folha de São Paulo

A expectativa sobre o futuro do governo também apresenta equilíbrio, com 35% acreditando em um desempenho positivo e 35% projetando cenário negativo. Embora ainda distante do otimismo inicial do mandato, a estabilização é um passo importante.

Fonte: Pesquisa Datafolha realizada presencialmente com 3.054 pessoas de 16 anos ou mais em 172 municípios pelo Brasil nos dias 1 a 3 abr.; a margem de erro é de 2 p.p., para mais ou para menos
Fonte: Pesquisa Datafolha / Gráfico: Folha de São Paulo

Entre as mulheres, a aprovação subiu de 24% para 30%, enquanto entre os mais pobres ficou em 30%, mantendo-se como um dos grupos de maior apoio. Destaque também para a melhora entre pessoas com ensino superior e nas faixas de renda mais altas.

Fonte: Pesquisa Datafolha realizada presencialmente com 3.054 pessoas de 16 anos ou mais em 172 municípios pelo Brasil nos dias 1 a 3.abr; a margem de erro entre pessoas com até dois salários mínimos: 3 p.p.
Fonte: Pesquisa Datafolha / Gráfico: Folha de São Paulo

No Nordeste, tradicionalmente favorável a Lula, a avaliação positiva é de 38%, enquanto no Sudeste cresceu de 20% para 25%. O governo prepara uma forte campanha publicitária para reforçar sua imagem, com investimentos que podem chegar a R$ 3,5 bilhões.

Fonte: Pesquisa Datafolha realizada presencialmente com 3.054 pessoas de 16 anos ou mais em 172 municípios pelo Brasil nos dias 1 a 3.abr; a margem de erro: 4 p.p.
Fonte: Pesquisa Datafolha / Gráfico: Folha de São Paulo

Na quinta-feira, a gestão promoveu o evento “Brasil Dando a Volta por Cima”, destacando avanços e reforçando o otimismo para os próximos meses.

Com informações da Folha e do Datafolha*

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Queda de popularidade reflete descaso do governo com mobilidade. É ferrovia, tolinho! https://www.ocafezinho.com/2025/04/03/queda-de-popularidade-reflete-descaso-do-governo-com-mobilidade-e-ferrovia-tolinho/ Thu, 03 Apr 2025 14:38:50 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=205818 A cúpula do governo brasileiro está perplexa porque seus índices de popularidade vem derretendo mês a mês, pesquisa após pesquisa.

Como assim, pensam os estrategistas de Brasília (supondo que eles existam)?

Os índices econômicos estão relativamente bons. O desemprego é o menor da história. O PIB cresceu. A inflação de alimentos preocupa, mas não é tudo isso, e já está cedendo.

Segundo a pesquisa Quaest divulgada ontem, a aprovação do governo Lula caiu para 41%, ao passo que a desaprovação explodiu para 56%.

Em termos internacionais, uma aprovação de 41% não é nenhuma tragédia. Em democracias de massa contemporâneas, é muito difícil manter, por muito tempo, aprovações acima desse patamar, sobretudo nos períodos que caracterizam esse intervalo entre uma eleição e outra. A teoria democrática explica isso de maneira muito simples. O único momento realmente democrático, em que o eleitor tem uma relação viva, dinâmica, ardente, com o processo democrático é o momento do voto. É ali, e praticamente só ali, que ele se conecta com o governo nacional que emergirá. Por isso, aliás, há tanta alegria e entusiasmo de um lado, e frustração de outro.

Mas fora desse momento, há pouca interação. É um problema grave do nosso modelo democrático, aliás, que segue o padrão europeu e americano. Seria preciso criar mecanismos mais abertos e interativos para que a população se sentisse sempre monitorando o governo. Houve momentos em que o governo Lula ou Dilma até tentaram fazer isso, mas de maneira puramente protocolar, o que não adianta nada, ou apenas traz ainda mais irritação. Não basta ouvir o povo. O povo não quer ser “ouvido”. O povo quer ser obedecido!

É preciso ouvir e sobretudo obedecer, ou antes, é preciso ouvir, obedecer e entregar. E tudo isso de maneira muito rápida!

Mas não podemos obedecer cegamente o povo, naturalmente. É preciso, antes de tudo, ciência, o que pressupõe não apenas ouvir o povo, mas entender o que ele realmente aspira e precisa.

E aí entra esta cegueira profunda de todo esse campo progressista de classe média que vai trabalhar no governo. Já repeti isso mil vezes. Eles parecem esquecer, sempre, o principal.

Mobilidade.

O país precisa de mobilidade, em todas as acepções. Social, urbana, e de mercadorias.

O Brasil precisa, em suma, de ferrovias!

Será tão difícil para o governo entender que o povo não tem dinheiro para comprar carro? E mesmo quando o tem, não tem dinheiro para mantê-lo, com todos esses custos de seguro, IPVA, multas, etc? E mesmo que consiga todo esse dinheiro, do que adianta se fica preso em engarrafamentos intermináveis?

A esquerda no poder cometerá mais uma vez um erro de proporções catastróficas, se achar que o povo está feliz em gastar 4 horas por dia no transporte público, ou mesmo metade disso dentro de seu carro, num congestionamento, enquanto ela – a esquerda classe média politizada da elite – reside em áreas próximas ao trabalho e anda de avião com passagens pagas pelo Estado. Depois aparece um Milei, chama todo mundo de casta, ganha a eleição nacional e instaura um governo de terror e propaganda. A população brasileira não merece esse destino!

Aliás, pode acontecer também o seguinte. A direita pode ganhar, com um Tarcísio Freitas por exemplo, e pode finalmente inaugurar um sistema nacional de transporte sobre trilhos e ficar cinquenta ou sessenta anos no poder. E aqui entre nós, será melhor do que entrar um cretino inútil e fanático como um Javier Milei ou um psicopata como Jair Bolsonaro.

Ao não olhar para o problema estrutural do Brasil, a mobilidade, Lula está pavimentando o caminho para uma direita que o faça.

É muito importante que Lula tenha ampliado os programas sociais. E agora o governo oferece ainda empréstimos consignados ao trabalhador com carteira assinada. Mas isso não é solução estrutural!

Alguém poderia dizer que essas soluções estrutrais seriam muito demoradas. Não daria tempo para o governo Lula implementar nada até 2026, e portanto essa seria a razão para a preferência por políticas de cunho assistencialista, que são mais rápidas e visíveis. Ora, mas esse é uma pensamento absolutamente medíocre! Se as soluções estruturais demoram para serem implementadas, mais uma razão para começarmos logo! Ou alguém acha que existe algum futuro para o país sem resolver seus problemas estruturais?

Se Lula apostar na solução de problemas estruturais, como a mobilidade, a população vai entender, vai defender, vai querer dar mais tempo para o governo continuar seu trabalho. Ou seja, se o governo inspirar confiança de que está realmente interessado, finalmente, em sanar problemas que assolam todas as classes, como a mobilidade, ele receberá apoio! E se perder a eleição, o sucessor da oposição que descontinuasse o projeto será chutado para fora no pleito seguinte.

Mais que isso: Lula deixará um legado. Depois do Bolsa Família e de tantas outras políticas públicas importantes, é hora de Lula deixar um legado físico, que transforme a vida das pessoas da porta de casa para fora.

A questão de segurança pública é outro problema que a mobilidade ajudaria a resolver. As forças de segurança precisam de sistemas modernos de mobilidade para agirem.

O conceito de mobilidade social, por sua vez, é chave para entender o humor da população. Se as pessoas encontram cada vez mais dificuldade para ascender socialmente, vão culpar o governo, e com razão. E haverá pouca mobilidade social, se a classe trabalhadora não conseguir se movimentar para disputar empregos em cidades, regiões ou mesmo bairros diferentes.

Enfim, há momentos da conjuntura em que uma “análise inteligente” de uma pesquisa pode nos ajudar a entender melhor o que acontece. Não estamos nesse momento. Análises inteligentes não resolvem mais nada. O governo Lula agora precisa entregar. E não falo de fábricas de carros. Falo de obras de infraestrutura urbana, especialmente no campo da mobilidade. Barcas da praça XV para São Gonçalo. Metrô sob a Baía de Guanabara. Trem bala Rio a São Paulo, Rio a Brasília e de São Paulo a Brasília. Trens turísticos percorrendo a costa do Nordeste. VLTs e metrôs ligando as periferias urbanas de São Paulo, Recife, Porto Alegre, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, ao centro dessas cidades.

A mesma coisa vale para o transporte de cargas. Todo projeto de “neoindustrialização” acabará se chocando com a falta de logística de transporte. Ou seja, a nova indústria brasileira jamais irá para a frente se o governo não oferecer transporte sobre trilho.

O governo e seus apoiadores estão realmente dispostos a passar o resto do mandato chorando de perplexidade diante dos números de aprovação, tentando revertê-los a golpes de propaganda sobre o Brasil maravilhoso que a população ingrata não estaria enxergando?

Quando for  a próxima vez à China, o presidente Lula bem que podia andar num trem de alta velocidade, e fazer um anúncio de que o Brasil entrará, no governo dele, numa nova era. A era dos trens. E fazer um acordo com a China, em grande estilo, para que haja transferência de tecnologia para o Brasil. Milhões de empregos serão gerados, sendo milhares e milhares apenas na área de engenharia. Ou seja, muitos anos antes dos trens ficarem prontos, já sentiríamos o início da transformação!

Conclusão: a mesma pesquisa diz que o governo Lula continua aprovado por 72% de seus eleitores no segundo turno. Ou seja, a adminstração ainda tem apoio forte em sua base, embora tenha perdido um bocado pois tinha 88% em outubro do ano passado. De qualquer forma, o recado está dado: o governo precisa oferecer transformação, e não apenas porque isso será importante para melhorar a aprovação, mas porque o país realmente precisa!

 

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Em nova pesquisa Atlas, Lula ganha com folga em todos os cenários https://www.ocafezinho.com/2025/01/11/em-nova-pesquisa-atlas-lula-ganharia-com-folga-em-todos-os-cenarios/ https://www.ocafezinho.com/2025/01/11/em-nova-pesquisa-atlas-lula-ganharia-com-folga-em-todos-os-cenarios/#comments Sat, 11 Jan 2025 16:31:42 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=200266 1 Comentário 🔥]]> A nova Atlas Intel, com pesquisas realizadas entre os dias 26 a 31 de dezembro de 2024, não é ruim para o governo.

Na verdade, se o leitor tiver cuidado para não se deixar levar pelo costumeiro rancor da mídia e pela neurastenia das redes, constatará que a pesquisa divulgada hoje mostra um presidente e um governo ancorados em sólido apoio popular, e com políticas bem avaliadas. 

Lula tem 48% de aprovação pessoal na Atlas Intel. Entre seus próprios eleitores no primeiro e segundo turnos sua aprovação é de 93% e 91%, respectivamente.  

O governo, por sua vez, é classificado como “ótimo e bom” por 41%, o que também é um número razoável. Para comparação, o último Datafolha, com pesquisas realizadas em 12 a 13 de dezembro, trazia o governo avaliado positivamente por 35%, número que foi visto como um alívio por apoiadores.

Uma maioria de 51% dos entrevistados considera a gestão econômica do governo Lula melhor do que a do anterior, um número particularmente interessante numa pesquisa patrocinada pela Bloomberg, cheia de perguntas sobre política econômica e fiscal.

Também achei curioso que 47% dos entrevistados disseram acreditar que “o governo federal está comprometido com a responsabilidade fiscal e econômica”. Depois de tanto terrorismo da mídia era de se esperar um número trágico nessa questão, e ao invés disso temos a quase totalidade dos eleitores de Lula confiando na gestão fiscal de sua administração. 

O quadro das imagens positiva X negativa das principais lideranças políticas do país também é muito vantajoso para Lula, na medida em que ele se mantém em primeiro lugar, acima de todos os seus adversários. Curiosamente, quanto mais distante de Lula, mais impopular. 

Lula tem 51% de imagem positiva, o que é consistente com sua aprovação, e 46% de imagem negativa, perfazendo um “superávit” de 5 pontos.

Sem contar Arthur Lira, que não é propriamente uma “liderança política”, pelo menos não numa acepção popular, o nome mais rejeitado no ranking da Atlas Intel, com incríveis 67% de imagem negativa, é Ciro Gomes, justamente o adversário mais rancoroso de Lula. 

Bolsonaro, o líder mais importante da direita, embora hoje inelegível, tem 56% de imagem negativa. 

A Atlas Intel também projeta cenários eleitorais para 2026, e Lula lidera isoladamente em todos, tanto no primeiro como no segundo turnos. 

A seção da pesquisa que sonda a percepção sobre inflação dos entrevistados não me parece tão negativa. Perguntados se esperam alta de preços nos próximos 6 meses, o maior grupo (24%) disse contar com queda ou estabilidade.

Por fim, a sondagem identifica uma maioria de 49% contrários a que Bolsonaro recupere seus direitos políticos, e isso naturalmente é salutar para Lula – e para o processo democrático. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

                 

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Datafolha traz boas notícias, e um alerta https://www.ocafezinho.com/2024/12/17/datafolha-traz-boas-noticias-e-um-alerta/ https://www.ocafezinho.com/2024/12/17/datafolha-traz-boas-noticias-e-um-alerta/#comments Tue, 17 Dec 2024 19:30:44 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=198783 4 Comentários 🔥]]> A pesquisa Datafolha publicada hoje traz o governo fechando o ano com uma aprovação sólida, estável,  ancorada principalmente em três grandes grupos sociais: mulheres, famílias de baixa renda e brasileiros que se autoreferenciam como pardos e pretos. 

Não por coincidência, são os três maiores grupos sociais do país.

No geral, a avaliação do governo Lula, com entrevistas realizadas entre os dias 12 e 13 de dezembro, ficou em 35% de ótimo e bom, número que o governo vem mantendo desde a primeira pesquisa de 2024, em março, quando pontuou exatamente… 35%.

De lá para cá, aprovação do governo Lula oscilou entre 35% e 36%. 

O ruim e péssimo oscilou um pouco para cima na pesquisa de hoje (32% para 34%), mas dentro da margem de erro e o número não é diferente daquele mostrado em março, quando chegou a 33%.

 

Entretanto, é preciso considerar que o governo mantém sua aprovação firme entre as mulheres, com 38% de ótimo/bom contra 29% de ruim/péssimo.

Curiosidade: tanto a Folha como o G1 erraram as legendas dos números de aprovação de Lula entre mulheres. 

 

O governo mantém uma aprovação forte de 44% entre as famílias de baixa renda, ou seja, que ganham até 2 salários por mês. 

Este percentual de ótimo e bom, entre os mais pobres, se mantém solidamente estável desde a primeira pesquisa Datafolha de março de 2023, quando era de 45%. Já chegou a 40% em março de 2024 e a 46% em outubro.

A rejeição (nota ruim/péssimo), por sua vez, que tinha atingido 29% em março deste ano, entre as famílias de baixa renda, agora declinou para 24%.

 

Mas o governo precisa se preocupar com outro extrato igualmente importante, e com mais capacidade de mobilização, que é eleitor com renda familiar de 2 a 5 salários. 

É nesta faixa que a administração está enfrentando uma alta de rejeição que a pode desestabilizar politicamente, caso essa tendência não seja revertida.

Este é alerta mencionado no título.

Historicamente, no Brasil, governos que perdem apoio na classe média tem muito mais dificuldade para seguir adiante.

Nesta faixa de classe média, o governo Lula agora tem rejeição de 42%, contra apenas 26% de aprovação. 

 

   

Na faixa superior, de eleitores com renda acima de 5 salários, a situação do governo também não é muito confortável, pois tem rejeição de 49% (ruim/péssimo), contra somente 27% de aprovação (ótimo/bom).

O presidente Lula também exibe uma aprovação mais forte entre pessoas pretas, com 44% de ótimo/bom, 20 pontos acima de sua rejeição, de 24%.

  

Conclusão

Esse Datafolha é bom para o governo, ainda mais porque pegou um momento delicado, com um ligeiro pico na inflação de alimentos, a qual, pelo visto, ainda não fez estrago expressivo na aprovação do governo entre famílias de baixa renda.

O problema do governo está se concentrando na classe média, provavelmente em função da maior mobilização da direita, energizada pelas vitórias conquistadas nas eleições municipais.

A alta do dólar também parece afeitar mais diretamente este segmento, mais afeito a viagens internacionais.

Mas isso também não me parece nada ainda fora de controle. Conforme o câmbio se estabilizar, e o governo fechar a primeira metade de sua gestão com números econômicos sólidos (PIB alto, renda crescente, inflação controlada), vitórias legislativas (reforma tributária) e conquistas geopolíticas (acordo mercosul X união européia), a oposição de direita ao governo Lula terá alguma dificuldade para emplacar narrativas apocalípticas.

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Conservadores? A atual juventude brasileira #webstory #webstories https://www.ocafezinho.com/2022/05/04/conservadores-a-atual-juventude-brasileira-webstory-webtories/ https://www.ocafezinho.com/2022/05/04/conservadores-a-atual-juventude-brasileira-webstory-webtories/#respond Wed, 04 May 2022 22:14:43 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=139990 Qual o perfil da juventude brasileira? Como ela pensa? A nova pesquisa Exame/Ideia traz os dados. Miguel do Rosário analisa.
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