Atlas intel - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/atlas-intel/ Portal de noticias e análises sobre política brasileira, geopolítica, economia, tecnologia, sempre numa perspectiva democrática, progressista, anti-imperialista e multipolar! Wed, 20 May 2026 05:00:14 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://www.ocafezinho.com/wp-content/uploads/2015/10/cropped-Logo_Cafezinho_tmb-32x32.png Atlas intel - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/atlas-intel/ 32 32 Atlas Intel traz Flavio em queda livre após áudio com Vorcaro https://www.ocafezinho.com/2026/05/19/atlas-intel-traz-flavio-em-queda-livre-apos-audio-com-vorcaro/ https://www.ocafezinho.com/2026/05/19/atlas-intel-traz-flavio-em-queda-livre-apos-audio-com-vorcaro/#comments Tue, 19 May 2026 16:20:04 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=249136 31 Comentários 🔥]]> Os áudios em que Flávio Bolsonaro pede dinheiro a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para custear o filme Dark Horse sobre seu pai, vazados pela Intercept Brasil, produziram um efeito devastador no eleitorado brasileiro. A primeira pesquisa nacional realizada após o escândalo — Atlas Intel/Bloomberg, divulgada em maio de 2026 — quantifica o estrago: a candidatura do senador encolheu no 1º e no 2º turno, e a reação negativa ao episódio atinge mais de 60% do eleitorado.

No 2º turno contra Lula, Flávio caiu de 47,8% em abril para 41,8% em maio — uma queda de seis pontos percentuais em apenas um mês, justamente aquele em que o áudio veio a público. Lula, no mesmo intervalo, subiu de 47,8% para 48,9%, abrindo a maior vantagem do período: 7,1 pontos percentuais de diferença. Em abril, os dois estavam tecnicamente empatados; em maio, o cenário é outro.

 

 

No 1º turno, o tombo foi ainda mais severo. Flávio bateu seu pico em março, com 40,1%, e despencou para 34,3% em maio — perda de quase seis pontos em apenas dois meses. Lula, no mesmo período, oscilou pouco e voltou ao patamar dos 47%. A diferença entre os dois agora é de mais de doze pontos percentuais no 1º turno.

 

 

Mais de 60% do Brasil ficou menos disposto a votar em Flávio

O dado mais revelador da pesquisa Atlas Intel/Bloomberg, porém, não está nas intenções de voto, mas na pergunta sobre o impacto direto do episódio: “Após tomar conhecimento das conversas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, você ficou mais ou menos disposto a votar nele para presidente?

Quando se somam as três respostas negativas — “já não votaria nele de jeito nenhum” (47%), “muito menos disposto” (9,7%) e “menos disposto” (3,7%) —, chega-se a um indicador composto de 60,3% de reação negativa. Ou seja, três em cada cinco brasileiros declararam abertamente que ficaram mais distantes da candidatura de Flávio Bolsonaro depois das revelações.

 

 

Apenas 17,4% afirmaram o oposto — que ficaram mais dispostos a votar nele —, e 21,1% disseram que o episódio não afetou sua disposição. O saldo é categoricamente negativo, e o desproporcionalmente alto índice de “já não votaria de jeito nenhum” mostra que não se trata de um movimento mole, oscilante: é rejeição consolidada.

Por dentro do eleitorado de Flávio: a base aguentou, o teto desabou

A leitura mais importante, do ponto de vista político-eleitoral, não é, porém, o impacto no eleitorado adversário — que já rejeitava Flávio em massa antes do áudio. O que importa é entender o que aconteceu dentro do eleitorado potencial do senador: justamente os segmentos onde ele tinha mais base e mais espaço de crescimento. E aqui a pesquisa traz um paradoxo que estrutura toda a leitura política do momento.

A base ideológica e religiosa do bolsonarismo aguentou. Entre os eleitores que votaram em Jair Bolsonaro no 2º turno de 2022, apenas 20,4% declararam reação negativa aos áudios — quase quarenta pontos abaixo da média Brasil. Entre evangélicos, o indicador é de 43,5% — também abaixo da média. Na faixa de 35 a 44 anos, núcleo etário historicamente bolsonarista, fica em 51%. Em termos práticos, a fidelidade ideológica e religiosa do bolsonarismo raiz sobreviveu ao escândalo: o voto duro continua disponível.

 

 

Mas o teto eleitoral de Flávio desabou. É aqui que a pesquisa traz o achado mais grave para a candidatura. Entre os eleitores com renda familiar acima de R$ 10 mil, o indicador de reação negativa chega a 72,9% — treze pontos percentuais acima da média Brasil. Em pesquisas anteriores do Quaest e do próprio Atlas, esta era exatamente a faixa onde Flávio era mais competitivo no 2º turno: chegava a 58% de intenção de voto contra Lula. Era nesse segmento que ele construiria a vantagem necessária para vencer uma eleição nacional. Após os áudios, mais de sete em cada dez eleitores dessa faixa estão menos dispostos a votar nele.

 

 

Na faixa adulto-jovem dos 25 a 34 anos, outro território de expansão potencial do bolsonarismo, o indicador é de 64,9% — também acima da média. O Flávio, em síntese, manteve a base e perdeu o teto.

O eleitor disponível virou parede

O dado talvez mais dramático para o futuro político do senador está no comportamento dos chamados swing voters — aqueles eleitores que historicamente não estão ancorados em nenhum polo e que decidem segundo turno: quem votou branco, nulo, ou simplesmente não votou em 2022. São eles que, em qualquer eleição apertada, determinam o resultado.

 

 

Pois entre quem votou em branco ou nulo em 2022, a reação negativa ao áudio chega a 86,9%. Entre quem não foi votar em 2022, atinge 75,3%. Em termos comparativos: nos territórios que Flávio mais precisaria conquistar para vencer Lula no 2º turno, o impacto do escândalo foi praticamente o mesmo que entre os eleitores de Lula. A porta foi fechada.

A leitura é direta: o áudio do Banco Master não derrubou apenas a popularidade momentânea do senador. Ele consolidou uma imagem de continuidade tóxica do bolsonarismo — não como projeto político, mas como prática familiar — exatamente entre os eleitores que poderiam ser convertidos.

A força preservada de Lula

Do lado oposto da disputa, o presidente Lula chega a maio de 2026 em situação claramente mais favorável do que há alguns meses. A aprovação binária registra 47,4% aprovam contra 51,3% desaprovam, em recuperação leve frente a abril (46% × 53%). Na avaliação do governo, Ótimo/Bom está em 42,9%, contra 48,4% de Ruim/Péssimo — também ligeiramente melhor que o índice de fevereiro.

O quadro não é de euforia. É de estabilização, e isso, depois de quase um ano de desgaste, já é em si um sinal importante. A série temporal da pesquisa mostra que a aprovação binária de Lula despencou de 51% em janeiro de 2024 para 45% em abril de 2025, e desde então oscila num corredor estável em torno de 46–47%. A última leitura é a melhor desde fevereiro.

O presidente mantém bases sólidas e identificáveis: os mais velhos (56,1% de aprovação entre os de 60 anos ou mais; 54,6% na faixa de 45 a 59), os católicos (52,7%), os agnósticos e ateus (73,2%), as mulheres (49,9%), os nordestinos (54,8% de aprovação), o ensino superior (53%), os eleitores de renda mais baixa (49,4% até R$ 2 mil) e — dado especialmente relevante neste momento — também a faixa de renda mais alta, acima de R$ 10 mil: 56,1% de aprovação.

Esta característica do lulismo em 2026 — ter apoio forte tanto na base da pirâmide social quanto no topo — é uma das chaves para entender por que ele se sustenta enquanto Flávio derrete. A classe alta, que reagiu pior que a média ao escândalo Vorcaro, é o mesmo segmento que aprova majoritariamente o governo Lula. Há uma elite econômica que, sem nenhum entusiasmo petista, prefere a estabilidade institucional do atual governo ao retorno da família Bolsonaro ao Palácio do Planalto.

Os desafios da reeleição também estão mapeados, e devem ser tratados sem complacência. A juventude (16 a 24 anos) segue refratária (apenas 29,9% de aprovação); os evangélicos consolidam o bloco mais resistente (25,1%); o ensino médio segue como faixa intermediária ainda hostil (41,3%); e o Sul (37,3%) e o Centro-Oeste (31,5%) reproduzem padrões de oposição já conhecidos. São territórios a serem trabalhados — não com pirotecnia, mas com presença, política pública e comunicação que enfrente a desinformação.

Dois projetos, dois Brasis

Os áudios do Banco Master não devem ser lidos como acidente isolado de percurso. Eles emergem num contexto em que escândalos de corrupção do governo Bolsonaro estão sendo desvelados em série: a operação fraudulenta do próprio Banco Master, consolidado no quadriênio bolsonarista, e a chamada fraude do INSS, igualmente consolidada naquele governo, vêm a público com mais clareza a cada semana.

O contraste de projetos políticos, hoje, é cristalino. De um lado, o bolsonarismo — o projeto que produziu a convocação humilhante de embaixadores, a tentativa de golpe de 8 de janeiro, o descrédito das urnas eletrônicas, a baixaria diária no Twitter e no cercadinho, o xingamento sistemático de jornalistas, a tentativa de desmantelar instituições do Estado, as manifestações descumprindo a lei, a fraude do cartão de vacinação, e agora os esquemas financeiros e previdenciários que começam a emergir. Quatro anos de anomia institucional e barulho permanente.

Do outro lado, o governo Lula — com todos os seus problemas, suas tensões internas, sua dificuldade de comunicação e suas escolhas econômicas debatíveis — entregou estabilidade: respeito às instituições, previsibilidade jurídica, política econômica funcional, retomada da imagem internacional do país. Um Brasil de alívio, depois de quatro anos de tensão permanente. Não é entusiasmo: é normalidade. Mas a normalidade, em um país que esteve à beira do colapso democrático, é em si um valor político imenso — e a pesquisa Atlas mostra que parte significativa do eleitorado já reconhece isso.

A tarefa da frente democrática

A pesquisa Atlas Intel/Bloomberg desenha, portanto, uma janela de oportunidade clara para o campo democrático. E a tarefa principal, a partir de agora, é manter acesa a chama da indignação popular sobre o que esses áudios representam. Não como hostilização partidária — como vigilância cívica.

O caso Vorcaro precisa ser rigorosamente investigado. O uso do dinheiro pedido por Flávio Bolsonaro para custear o filme Dark Horse — produto de propaganda política da família — deve ser apurado em todos os seus desdobramentos: a origem dos recursos, os intermediários, as eventuais contrapartidas oferecidas ao Banco Master, a relação entre o pleito do senador e o destino institucional do próprio banco. Não pode haver impunidade, nem silêncio cúmplice, nem normalização do que a pesquisa mostra que três em cada cinco brasileiros já consideraram inaceitável.

Para o presidente Lula e seu campo, a leitura tática é igualmente clara. Há agora espaço político para consolidar a vantagem — espaço que não havia há três meses. E esse espaço deve ser usado para três coisas concretas:

Primeiro, construir melhor as alianças para 2026. A janela aberta permite negociar com mais força e clareza programática; é hora de definir compromissos, não de protelar definições.

Segundo, iniciar uma comunicação mais assertiva sobre o que já foi feito. A pesquisa mostra que parte do eleitorado simplesmente não reconhece as entregas do governo. Uma prestação de contas direta, com números e com nomes, dirigida especialmente aos segmentos onde a aprovação é mais frágil — a juventude, o ensino médio, o Sul — é tarefa urgente.

Terceiro, e talvez o mais importante: abrir a discussão pública sobre o que o Brasil deseja para os próximos quatro anos. Que país queremos construir? Que projeto de desenvolvimento? Que política industrial? Que reforma tributária? Que política externa para a transição multipolar? Que sociedade do trabalho na era da inteligência artificial? Não basta administrar o presente — é preciso oferecer horizonte.

Lula tem, neste momento, a chance de reconquistar parte do eleitorado oferecendo o que o bolsonarismo nunca conseguiu oferecer: esperança, sonho, desenvolvimento. Um projeto positivo para o Brasil. Não a recusa do passado, mas a construção do futuro.

O efeito devastador dos áudios sobre Flávio Bolsonaro abriu essa janela. Cabe ao campo democrático mantê-la aberta — e fazer da indignação de hoje a esperança de amanhã.

Leia a íntegra da pesquisa aqui.

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Mastergate de Flavio faz Lula abrir 7 pontos à frente no segundo turno, diz Atlas https://www.ocafezinho.com/2026/05/15/escandalo-de-flavio-bolsonaro-faz-lula-abrir-7-pontos-a-frente-no-segundo-turno-diz-atlas/ https://www.ocafezinho.com/2026/05/15/escandalo-de-flavio-bolsonaro-faz-lula-abrir-7-pontos-a-frente-no-segundo-turno-diz-atlas/#comments Fri, 15 May 2026 20:20:16 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=247580 36 Comentários 🔥]]> O novo tracking da Atlas Intel, revelado há pouco pela CNN Brasil, mostra que o vazamento dos áudios em que Flávio Bolsonaro conversa com o banqueiro Daniel Vorcaro produziu impacto devastador nas chances do senador chegar ao Planalto.

A medição traz Lula com 49,1% das intenções de voto contra 42,6% de Flávio na simulação de segundo turno. Em votos válidos, segundo fontes ligadas ao instituto, o petista chega a 54% contra 46% do senador.

Cabe um esclarecimento metodológico. Os dados de 15 de maio vêm de um tracking, levantamento diário e mais ágil, com método e amostra distintos das pesquisas convencionais mensais que a Atlas Intel vinha publicando até agora.

Para medir o tamanho do impacto, é preciso olhar a série anterior, feita pelo método tradicional da casa. Em dezembro de 2025, a Atlas mostrava Lula com folgados 12 pontos de vantagem, 53,0% a 41,0%.

De lá pra cá, o petista vinha caindo enquanto Flávio subia. Em fevereiro de 2026, o senador passou numericamente à frente pela primeira vez, ainda que por apenas 0,1 ponto (46,3% a 46,2%).

A liderança numérica de Flávio se manteve em março (47,6% a 46,6%) e em abril (47,8% a 47,5%), sempre dentro da margem de erro, mas com a direção do movimento favorecendo o senador. Era esse o cenário que o vazamento dos áudios interrompeu.

O tracking de hoje rompe com essa trajetória de forma abrupta. Lula sobe 1,6 ponto em relação a abril, Flávio despenca 5,2 pontos, e abre-se uma diferença de 6,5 pp que a CNN arredondou para sete.

O levantamento também indica que os demais pré-candidatos da direita, Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Renan Santos, não tiveram mudanças significativas. Houve leve alta no primeiro turno, mas recuo no segundo.

A leitura inicial dos pesquisadores é de que o episódio atingiu sobretudo o eleitor indeciso de perfil moderado e de centro. Foi justamente o segmento que Flávio precisava manter para sustentar competitividade no segundo turno.

Vale lembrar que o Datafolha, com divulgação prevista para sexta ou sábado, deve pegar apenas uma beiradinha do escândalo. Só na semana que vem, se houver nova pesquisa convencional, teremos uma ideia mais precisa do impacto.

Por ora, o tracking da Atlas já oferece um bom indicativo dos efeitos do escândalo.

 

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O teto de Flávio e o chão de Lula https://www.ocafezinho.com/2026/04/28/o-teto-de-flavio-e-o-chao-de-lula/ https://www.ocafezinho.com/2026/04/28/o-teto-de-flavio-e-o-chao-de-lula/#comments Tue, 28 Apr 2026 19:51:31 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=240768 67 Comentários 🔥]]> A nova pesquisa Atlas Intel divulgada nesta terça-feira traz um dado que passou despercebido na maioria das manchetes, mas que pode ser o ponto de inflexão da corrida presidencial de 2026: pela primeira vez desde que entrou no jogo, Flávio Bolsonaro não cresceu.

O senador saiu de 40,1% em março para 39,7% em abril no principal cenário de primeiro turno. A oscilação está dentro da margem de erro, é verdade. Mas interrompe sete meses consecutivos de alta. A trajetória vinha sendo vertical: 23,1% em novembro, 29,3% em dezembro, 35% em janeiro, 37,9% em fevereiro, 40,1% em março. E, agora, a primeira parada.

O dado importa porque ajuda a entender a natureza do crescimento do senador. Flávio não cresceu por mérito próprio, por proposta, por trajetória política ou por carisma. Cresceu por absorção. Herdou o espólio do pai, capitalizou a unificação tática da direita em torno de um sobrenome conhecido e foi recebendo, mês a mês, os votos que estavam soltos no campo bolsonarista. Quando essa transferência se esgota, e tudo indica que se esgotou, o candidato precisa de combustível novo. E é justamente aí que começam os problemas dele.

Os cruzamentos regionais da Atlas contam essa história com clareza. Lula domina o Norte com 55,7% das intenções de voto, contra 30% de Flávio. No Nordeste, são 53,2% contra 34,5%. No conjunto dessas duas regiões, que somam dezenas de milhões de eleitores, a vantagem do presidente é de mais de vinte pontos percentuais. Flávio se sai bem onde já era esperado: 41,2% no Sudeste, 46% no Sul e 51,1% no Centro-Oeste. Mas o mapa de 2026 reproduz o de 2022 com uma diferença relevante. O Norte, que há quatro anos foi competitivo, agora se firmou como bolsão lulista. Para Flávio mudar o resultado da eleição, ele precisa furar uma região onde o presidente tem maioria absoluta, e os números mostram que ele não está conseguindo.

O recorte de classe é ainda mais revelador. Entre os eleitores que ganham até dois salários mínimos, Lula tem 51,7% e Flávio 35,4%. Aí está o núcleo histórico do voto lulista, e ele segue intacto. O ponto de tensão está logo acima, na faixa que ganha entre dois e três salários mínimos. Nesse extrato, Flávio aparece com 53,9% e Lula com 34,4%. É a baixa classe média que oscilou nos últimos ciclos eleitorais, ora pendendo para o lulismo, ora migrando para o bolsonarismo. É nessa faixa específica que a eleição de 2026 será decidida.

 

E é nessa faixa que o governo Lula tem as ferramentas mais concretas de atuação. O eleitor de dois a três salários mínimos não decide voto pelo debate ideológico. Decide pela conta do supermercado, pela prestação do financiamento, pela carteira assinada do filho, pelo programa habitacional que sai do papel. Cada décimo de redução de juros, cada ponto de inflação contida, cada obra de infraestrutura que gera emprego formal opera diretamente sobre esse extrato. A campanha governista não vai se ganhar no Twitter ou no estúdio de televisão. Vai se ganhar no caixa do supermercado e no contracheque.

A pesquisa BTG/Nexus, divulgada na segunda-feira, confirma o quadro por outro ângulo. No principal cenário de primeiro turno, Lula tem 41% e Flávio 36%, vantagem semelhante à registrada pela Atlas. E há um dado adicional que fecha o raciocínio: 69% dos eleitores afirmam que a decisão de voto já está tomada e não vai mudar. O jogo se concentra, portanto, numa faixa estreita de eleitores que ainda admitem oscilar. E essa faixa mora majoritariamente onde o governo tem instrumentos para entregar resultado.

Flávio Bolsonaro pode ter encontrado seu teto. Lula está consolidando seu chão. A diferença entre os dois é que o teto, quando é alcançado, vira limite. O chão, quando é firme, vira plataforma de decolagem.

Clique aqui para baixar a íntegra da pesquisa.

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Pesquisa Atlas/estadão aponta empate técnico entre Haddad e Tarcísio no governo de São Paulo em 2026 https://www.ocafezinho.com/2026/03/30/pesquisa-atlas-estadao-aponta-empate-tecnico-entre-haddad-e-tarcisio-no-governo-de-sao-paulo-em-2026/ https://www.ocafezinho.com/2026/03/30/pesquisa-atlas-estadao-aponta-empate-tecnico-entre-haddad-e-tarcisio-no-governo-de-sao-paulo-em-2026/#respond Mon, 30 Mar 2026 13:22:31 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/03/30/pesquisa-atlas-estadao-aponta-empate-tecnico-entre-haddad-e-tarcisio-no-governo-de-sao-paulo-em-2026/ Levantamento com 2.254 eleitores realizado entre 24 e 27 de março coloca Haddad como o candidato mais competitivo do campo progressista no maior colégio eleitoral do país, a mais de um ano do pleito.

Fernando Haddad, do PT, aparece com 42,6% das intenções de voto para o governo de São Paulo em 2026, contra 49,1% do atual governador Tarcísio de Freitas, do Republicanos.

A diferença de 6,5 pontos percentuais está dentro da margem de erro de dois pontos da pesquisa Atlas/Estadão, realizada entre 24 e 27 de março com 2.254 eleitores e nível de confiança de 95%.

O resultado configura empate técnico e torna a disputa imprevisível a mais de um ano do pleito.

Os demais candidatos aparecem com expressão marginal. Kim Kataguiri, do Missão, registra 5%; Paulo Serra, do PSDB, tem 1,2%; votos em branco ou nulos somam 1,5%; e 0,6% dos entrevistados não souberam responder.

Haddad resistiu inicialmente à candidatura, mas foi confirmado pelo PT com apoio de aliados do governo federal. Quando substituído por outros nomes do campo governista, como a ministra Simone Tebet ou o ex-governador Márcio França, os números caem.

Isso confirma que Haddad é o nome mais competitivo da oposição no estado e o único com condições reais de levar a disputa ao segundo turno.

São Paulo é o maior colégio eleitoral do Brasil, e o resultado de 2026 terá peso direto sobre o equilíbrio de forças no cenário nacional. O que os números mostram, de forma objetiva, é uma corrida em aberto, sem vencedor definido.

Curadoria: Augusto Gomes | Redação: Afonso Santos | Revisão: Pierre Arnaud

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Popularidade de Lula cai com fila do Inss perto de 3 milhões e queda nas matr… https://www.ocafezinho.com/2026/03/28/popularidade-de-lula-cai-com-fila-do-inss-perto-de-3-milhoes-e-queda-nas-matr/ https://www.ocafezinho.com/2026/03/28/popularidade-de-lula-cai-com-fila-do-inss-perto-de-3-milhoes-e-queda-nas-matr/#respond Sun, 29 Mar 2026 02:33:14 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/03/28/popularidade-de-lula-cai-com-fila-do-inss-perto-de-3-milhoes-e-queda-nas-matr/ A popularidade de Lula despenca em meio a filas do INSS e queda nas matrículas escolares, enquanto a oposição se fortalece.

O governo Lula, em seu terceiro mandato, enfrenta turbulência com a popularidade do presidente em queda. Pesquisa da Atlas/Bloomberg mostra desaprovação de 54%, com Lula tecnicamente empatado com Flávio Bolsonaro em uma simulação de segundo turno.

A fila do INSS ameaça atingir 3 milhões de pessoas, um problema persistente que carece de solução eficaz. A redução no número de funcionários do órgão , de 36 mil em 2022 para 18 mil em 2025 , complica a situação. O ministro da Previdência, Wolney Queiroz, prometeu atendimento rápido, mas a realidade não corresponde.

Além disso, o programa Pé-de-Meia não evitou a queda de 6,3% nas matrículas do ensino médio. Isso indica que as políticas educacionais precisam de revisão urgente para atender às demandas da juventude.

A crítica mais contundente à gestão de Lula vem do "andar de baixo", que se sente deixado de lado. Problemas como endividamento familiar e falta de orçamento mensal alimentam o descontentamento.

Flávio Bolsonaro, mesmo sem plano de governo claro, ganha força ao capitalizar o mau humor dos eleitores. Sua estratégia de "jogar parado" parece eficaz nesse contexto.

Questões envolvendo familiares de Lula, como Fábio Luís Lula da Silva, também são exploradas pela oposição. A participação de Lulinha em negócios e sua ligação com empresários são usadas para minar a confiança no governo.

O Planalto ainda tem tempo para desativar essas "bombas-relógio", mas precisa reavaliar suas estratégias de comunicação e políticas públicas. Resultados concretos e reconexão com a base popular são essenciais.

A comunicação governamental precisa ser mais assertiva, destacando avanços e enfrentando críticas de forma transparente. A confiança do eleitorado pode ser reconquistada com ações claras e comprometidas.

Curadoria: Augusto Gomes | Redação: Afonso Santos

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STF em xeque a confiança dos brasileiros desaba por falta de conduta https://www.ocafezinho.com/2026/03/22/stf-em-xeque-a-confianca-dos-brasileiros-desaba-por-falta-de-conduta/ https://www.ocafezinho.com/2026/03/22/stf-em-xeque-a-confianca-dos-brasileiros-desaba-por-falta-de-conduta/#respond Sun, 22 Mar 2026 17:56:01 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/03/22/stf-em-xeque-a-confianca-dos-brasileiros-desaba-por-falta-de-conduta/ Quando a corte que arbitra a democracia perde lastro social, o problema deixa de ser jurídico e vira crise de regime.

Pesquisas divulgadas em março por Datafolha, Quaest e Atlas Intel apontam na mesma direção: a confiança dos brasileiros no Supremo Tribunal Federal está em queda.

O recuo ocorre num momento especialmente sensível para a corte, pressionada por denúncias envolvendo ministros e familiares no caso do Banco Master e pela demora em adotar um código de conduta mais rigoroso.

O ponto central não é apenas a popularidade do tribunal, mas a base de legitimidade que sustenta sua autoridade para decidir contra maiorias ocasionais e proteger a Constituição.

A força de uma corte constitucional não depende só do texto legal que a ampara. Depende também da percepção pública de que seus integrantes atuam com independência, sobriedade e distância dos interesses que circulam no coração de Brasília.

Quando essa percepção se enfraquece, o tribunal continua formalmente poderoso. Mas suas decisões passam a carregar um déficit de aceitação social que corrói sua autoridade moral e amplia o ruído político em torno de cada julgamento.

É esse o pano de fundo da discussão levantada em análise publicada na Folha de S.Paulo. O problema não está apenas no desgaste de imagem, e sim no risco de que o Supremo perca justamente o atributo que lhe permite exercer o papel contramajoritário sem ser visto como mais um ator partidário.

A questão é decisiva porque tribunais constitucionais existem, em parte, para conter impulsos de ocasião e proteger direitos que nem sempre contam com apoio majoritário. Sem legitimidade social robusta, porém, essa função deixa de parecer defesa da ordem constitucional e passa a ser interpretada como intervenção política sem freio.

A ciência política e o direito público oferecem instrumentos úteis para desmontar idealizações. Daniel Wang, professor de direito da Fundação Getulio Vargas de São Paulo, questiona em artigo acadêmico a crença de que o Judiciário seria, por natureza, mais técnico, mais racional ou mais justo do que Executivo e Legislativo.

A crítica de Wang mira um vício comum do debate brasileiro. Com frequência, compara-se a política real, cheia de barganhas, conflitos e imperfeições, com uma imagem fantasiosa de um Judiciário neutro, imune a interesses e guiado apenas por critérios técnicos.

Na prática, cortes constitucionais também são instituições políticas, ainda que não eleitorais. Elas funcionam como pontos de veto no processo decisório, e cada novo ponto de veto pode elevar o custo de implementação de políticas públicas, sobretudo aquelas de caráter redistributivo, que afetam orçamento, prioridades e disputa por recursos.

Esse dado é especialmente relevante num país desigual como o Brasil. Quanto mais difícil se torna executar políticas voltadas à maioria pobre, maior é o risco de que o sistema institucional opere como barreira à redistribuição, mesmo quando ela passa pelos canais formais da democracia representativa.

O exemplo lembrado no debate ajuda a tirar a discussão da abstração. Em 2014, o ministro Luiz Fux concedeu liminar que estendeu o auxílio-moradia a magistrados, empurrando para cima uma despesa de grande impacto e reforçando privilégios numa estrutura já marcada por distorções salariais.

A medida só foi revertida depois de forte pressão política. O desfecho veio quando o governo federal aceitou elevar o teto salarial e conceder reajustes à categoria, em meio a um ambiente de austeridade fiscal e cobrança por contenção de gastos públicos.

O episódio expôs um problema estrutural. Ao intervir em temas com forte repercussão orçamentária, a corte deixa de ser apenas intérprete da Constituição e passa a influenciar diretamente a formulação de políticas, sem necessariamente dispor da expertise técnica exigida por decisões complexas de finanças públicas.

Não se trata de negar o papel do Supremo em matérias fiscais ou administrativas quando a Constituição está em jogo. O ponto é outro: quanto mais amplo o raio de ação do tribunal, maior a necessidade de critérios transparentes, autocontenção institucional e mecanismos éticos capazes de preservar a confiança pública.

Esse é justamente o flanco hoje mais vulnerável. As denúncias de envolvimento de ministros e familiares com o Banco Master, somadas à lentidão na adoção de regras de conduta mais claras, reforçam a percepção de que a corte cobra dos demais poderes padrões que ainda não consolidou plenamente dentro de casa.

O desgaste se agrava porque ministros do Supremo não passam pelo escrutínio periódico das urnas. Isso não significa, porém, que vivam isolados da política real ou blindados das pressões que moldam o ambiente de poder em Brasília.

Eles circulam nos mesmos espaços sociais e institucionais frequentados por parlamentares, integrantes do Executivo, advogados influentes e agentes econômicos. Ao mesmo tempo, convivem com a possibilidade, cada vez menos abstrata, de pedidos de impeachment impulsionados por um Congresso hostil ou por maiorias ocasionais dispostas a tensionar a relação entre os poderes.

Forma-se, assim, uma combinação delicada. O tribunal amplia seu protagonismo, entra em mais temas, arbitra mais conflitos e se torna peça ainda mais central da vida nacional, mas faz isso num contexto em que sua imagem de neutralidade sofre desgaste contínuo.

O resultado é uma erosão de confiança que não pode ser tratada como detalhe de comunicação. Em sociedades marcadas por descrença institucional, a expansão do poder judicial sem revisão de seus próprios limites tende menos a fortalecer a democracia do que a deslocar para o Judiciário impasses que deveriam ser enfrentados também no terreno da política representativa.

Esse deslocamento produz uma ilusão de solução técnica para problemas que continuam sendo políticos. E, quando a solução judicial desagrada, o custo recai sobre a própria legitimidade da corte, que passa a ser vista não como árbitra, mas como parte interessada no jogo.

Por isso a crise atual do Supremo não é apenas uma crise de imagem. Ela toca o núcleo do pacto democrático, porque uma corte constitucional só consegue exercer autoridade contramajoritária de forma estável quando a sociedade reconhece nela um grau elevado de integridade, independência e compromisso com o interesse público.

Sem esse lastro, decisões continuam valendo juridicamente, mas perdem capacidade de persuasão e de pacificação. A obediência formal pode até permanecer, porém acompanhada de ressentimento, suspeita e contestação crescente, o que enfraquece a função institucional do tribunal.

A saída, como o próprio debate sugere, está longe de ser simples. O primeiro passo é transparência radical, com regras éticas rígidas e inequívocas para ministros e familiares, capazes de reduzir zonas cinzentas e responder à cobrança pública por padrões mais altos de conduta.

O segundo passo é um debate franco sobre os limites da atuação da corte. O Supremo precisa explicitar melhor onde termina a guarda da Constituição e onde começa uma ingerência excessiva em políticas públicas cuja formulação cabe, em primeiro lugar, aos poderes eleitos.

Nada disso significa defender um tribunal fraco. Significa defender um tribunal forte porque legítimo, respeitado porque previsível, e influente porque capaz de exercer autocontenção quando necessário.

A sociedade brasileira também tem interesse direto nessa discussão. O equilíbrio entre os poderes depende de um Judiciário robusto, mas esse vigor institucional só se sustenta quando vem acompanhado de confiança social e de compromisso visível com práticas concretas de integridade.

A crise de confiança no Supremo, no fundo, é sintoma de um mal mais amplo. Ela reflete a dificuldade das instituições brasileiras de se renovar, prestar contas e reconstruir vínculos com uma sociedade cansada de privilégios, opacidade e distância entre discurso republicano e prática cotidiana.

Medidas cosméticas não bastam. Se o tribunal quiser preservar o capital acumulado ao longo de décadas, terá de enfrentar o problema antes que a erosão de credibilidade se torne uma fratura mais profunda na arquitetura democrática do país.

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O Datafolha e as desventuras de um incumbente https://www.ocafezinho.com/2026/03/09/o-datafolha-e-as-desventuras-de-um-incumbente/ https://www.ocafezinho.com/2026/03/09/o-datafolha-e-as-desventuras-de-um-incumbente/#comments Mon, 09 Mar 2026 14:17:46 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=226859 3 Comentários 🔥]]> Incumbente é uma palavra feia, porém muito útil na análise política. É como nos referimos ao candidato que já ocupa o cargo e pretende permanecer nele.

Em março de 2022, o incumbente era o presidente Jair Bolsonaro, que pretendia a reeleição. Naquele mês, ele apresentava 55% de rejeição eleitoral no Datafolha.

O sociólogo Antônio Lavareda destaca duas faces dessa condição. A vantagem é que a campanha dá ao titular a chance de reduzir a rejeição, mostrando ao eleitorado o que realizou. Bolsonaro, ao longo da campanha de 2022, parece ter reduzido sua rejeição o suficiente para chegar competitivo ao segundo turno. A desvantagem é o chamado teto de vidro. Todas as insatisfações nacionais, todas as angústias e frustrações acumuladas, recaem no colo de quem governa. E como a campanha ainda não começou, o atual presidente ainda não teve a oportunidade de responder a elas.

Em março de 2026, Lula, agora no papel de incumbente, aparece com 46% de rejeição eleitoral no Datafolha. Não é o mesmo número dos 49% de desaprovação do governo, sobre os quais a gente vai falar mais adiante. Aqui estamos falando da parcela do eleitorado que diz que não votaria nele de jeito nenhum, pois esse é o dado que permite a comparação direta com março de 2022, já que o instituto não fazia pesquisa de aprovação binária naquela época.

Como Lula não possui a rejeição que Bolsonaro carregava, ele pode tranquilamente se reeleger com o número que tem hoje. Basta não piorá-la, e trabalhar para melhorar um pouco a sua aprovação.

A aprovação binária de Lula é de 47% na mesma pesquisa, contra 49% de desaprovação. Essa rejeição reflete o teto de vidro de que fala Lavareda, ou seja, o acúmulo de frustrações de final de governo que pesa sobre o titular antes da campanha.

Pela escala trinária, que é a única comparável com 2022, Lula está melhor. Tem 32% de ótimo ou bom e 40% de ruim ou péssimo. Em março de 2022, Bolsonaro tinha 25% de ótimo ou bom e 46% de ruim ou péssimo.

No primeiro turno, o candidato à reeleição em 2022 marcava 26% de intenções estimuladas de voto no levantamento de março daquele ano. Lula aparece hoje com 38%.

No segundo turno, Bolsonaro tinha 34% em março de 2022. Lula tem 46% em março de 2026.

O que deixou os eleitores do presidente Lula apreensivos foi o estreitamento entre ele e Flávio Bolsonaro no cenário de segundo turno. A vantagem de Lula, que era de 15 pontos em dezembro, passou para três pontos agora em março.

Essa é, todavia, a melhor margem dentre todas as sondagens recentes.

No AtlasIntel, por exemplo, há empate técnico, com Lula em 46,2% e Flávio em 46,3%.

A explicação para essa subida brusca de Flávio é simples. Em dezembro, ele não era ainda o candidato oficial do bolsonarismo. Agora passou a ser, e por isso passou a concentrar o voto conservador, que antes se dispersava.

Quanto à aprovação, o Datafolha também traz os melhores números para Lula das últimas semanas, com 47%.

Nos outros institutos ela é um pouco menor. No AtlasIntel, é de 46,6%. Na Quaest/Genial, 45%. Na Paraná Pesquisas, 45%. No Real Time Big Data, 44%.

O indicador principal para entender a possibilidade de reeleição de um incumbente continua sendo a aprovação.

Trump, com pouco mais de um ano de governo, flutua abaixo de 40%. Keir Starmer no Reino Unido não chega a 30%. Friedrich Merz na Alemanha não chega a 25%. Claudia Sheinbaum no México é uma exceção notável, com aprovação acima de 55%. Os números de Lula permanecem perfeitamente compatíveis com um cenário de vitória.

Esse Datafolha é recebido com um certo gosto amargo porque o campo progressista leva a ciência eleitoral a sério. Isso é uma virtude. A extrema direita, por exemplo, vive no mundo da fantasia, não acredita em pesquisa, e quando as urnas revelam a derrota do seu candidato, como aconteceu em 2022, ela não acredita, vê fraude, acampa em frente a quarteis, e quer ir a Brasília quebrar tudo.

O preço que o progressista paga por confiar nos dados, no entanto, é psicológico e emocional. Ele se ressente com números que sugerem momentos difíceis. Em compensação, quando há uma derrota, ele tende a estar mais preparado, porque já absorveu essa possibilidade. Viver no mundo dos sonhos parece bom, mas como a vida real é sempre mais dificil e complexa do que qualquer ilusão, é mais saudável e seguro manter os pés firmes na realidade.

O campo progressista precisa agora manter a calma e cobrar do governo que tenha mais energia e criatividade na gestão e na campanha, que saia da mesmice e ofereça ideias novas visando não apenas manter o eleitorado de sempre, mas conquistar novos. Nessa campanha não bastará mostrar o passado. O governo precisa oferecer novos horizontes de futuro, que mobilizem o imaginário da sociedade.

Me preocupa, sinceramente, a possibilidade de a direita perceber a lacuna de projetos ambiciosos e vender para o eleitorado propostas irrealizáveis. A esquerda não pode perder a ambição de ter grandes projetos nacionais. Um dos vícios liberais mais perniciosos do governo Lula hoje, e que pode lhe custar a reeleição, é enquadrar os projetos de forma burocrática, fiscalista, sem grandeza.

É absolutamente vital oferecer ao povo brasileiro a oportunidade de sonhar grande. Quando falamos da necessidade de fincar os pés no chão e ter uma visão ancorada na realidade, isso não quer dizer matar a imaginação. Ou para formular de um jeito mais confuciano: temos que agir com sobriedade aqui embaixo, cultivar a virtude, e orientar a vida por um princípio mais alto!

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Lula não está “nas cordas” e ainda é o favorito https://www.ocafezinho.com/2026/02/27/lula-nao-esta-nas-cordas-e-ainda-e-o-favorito/ https://www.ocafezinho.com/2026/02/27/lula-nao-esta-nas-cordas-e-ainda-e-o-favorito/#comments Fri, 27 Feb 2026 17:00:02 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=226407 4 Comentários 🔥]]> Sou obrigado a discordar aqui do nosso colunista, o nobre jornalista cearense Gabriel Barbosa, que publicou uma análise política um pouco pessimista a partir dos números da Paraná Pesquisas divulgada hoje.

Em primeiro lugar, a própria pesquisa mencionada traz o presidente Lula à frente no primeiro turno, assim como a Atlas Intel também o fazia.

O presidente Lula mantém uma aprovação razoável, suficiente para ser um candidato competitivo e, segundo muitos analistas, favorito.

Os indicadores econômicos permanecem sólidos, e eles valem tão ou mais que pesquisas eleitorais, muito expostas a interesses particulares, oscilações emotivas de curto prazo e margens de erro.

Isso não quer dizer que não teremos uma eleição extremamente acirrada, como venho escrevendo por aqui desde sempre. O resultado é imprevisível.

Pesquisas favoráveis ao candidato progressista devem ser recebidas sem entusiasmo excessivo, assim como as menos favoráveis não devem ser vistas com pessimismo exagerado. Elas ajudam a entender, e devemos respeitar a maioria delas, mas sem nos deixarmos levar por nenhum tipo de emoção.

Na Atlas Intel divulgada nesta semana, Lula aparece com 45% das intenções de voto, contra 39% de Flavio Bolsonaro.

Adivinha quanto Lula e Jair Bolsonaro tinham em maio de 2022, ano da última eleição presidencial, segundo a mesma Atlas Intel?

Lula tinha exatamente 45%, contra 39% de Jair Bolsonaro.

Esses 45% são a base eleitoral de Lula há muito tempo. Mas esse número refere-se sempre aos votos totais. Quando é convertido para válidos, vai para mais de 47%. Entretanto, no momento da eleição, ele sempre tende a crescer por causa da abstenção, o que explica a vitória de Lula em 2022.

Considerando o universo de eleitores registrados no Brasil, que chegaram a 155 milhões segundo a última atualização do TSE, de dezembro de 2025, esses 45% da Atlas Intel correspondem a 70 milhões de eleitores. Como o Lula está 7 pontos à frente de Bolsonaro, segundo a Atlas, e cada ponto percentual equivale a 1,55 milhão de eleitores, Lula teria, hoje, 11 milhões de votos a mais que Flavio Bolsonaro no primeiro turno.

Caso Lula passe para o segundo turno com essa vantagem, será difícil uma virada.

Agora passemos para a Paraná Pesquisas, divulgada hoje. Nela, Lula lidera na espontânea com 26%, contra 14,8% de Flavio Bolsonaro.

Em março de 2022, segundo a mesma Paraná Pesquisas, Lula tinha exatamente 26% na espontânea, contra 21% de Jair Bolsonaro.

Lidera também na estimulada, com 39,6% dos votos, 4 pontos à frente de Flavio Bolsonaro. O percentual de Lula corresponderia a 61,53 milhões de eleitores, 7 milhões de eleitores a mais que o segundo colocado.

Repare que Lula vem se mantendo estável ao longo dos últimos meses, tendo inclusive crescido em relação aos 36%-37% que apresentava nos últimos meses de 2025.

Adivinha quantos por cento Lula tinha, em março de 2022, segundo a mesma Paraná Pesquisas? Ele tinha exatamente 38,9%, virtualmente o mesmo que tem hoje, contra 31% de Jair Bolsonaro.

Ou seja, não há razão para nenhum tipo de desespero. Lula mantém uma base sólida de eleitores, suficiente para ganhar. Com uma vantagem sobre 2022, que é poder fazer uma campanha mostrando o que realizou ao longo de seu mandato.

Entretanto, um número tão ou mais importante que pesquisas eleitorais é a inflação de alimentos, e temos hoje a novidade divulgada pelo IBGE. O instituto liberou hoje o IPCA-15, que é o indicador de inflação que antecipa o IPCA oficial, e os números de fevereiro mostram mais queda no custo dos alimentos consumidos em domicílio.

Segundo o IBGE, a inflação de alimentos no Brasil caiu para 0,49% em fevereiro, no acumulado de 12 meses, o que é um dos menores números da história do país.

Naturalmente, Lula não pode errar. Ninguém pode subir no salto alto. A comunicação precisa sempre melhorar. E, reiteramos, o resultado que sairá das urnas em outubro é imprevisível.

Há motivos, porém, para permanecermos confiantes e otimistas de que o Brasil não escolherá o caminho do retrocesso.

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Nova pesquisa Atlas acende sinal amarelo para o governo https://www.ocafezinho.com/2026/02/25/nova-pesquisa-atlas-acende-sinal-amarelo-para-o-governo/ https://www.ocafezinho.com/2026/02/25/nova-pesquisa-atlas-acende-sinal-amarelo-para-o-governo/#comments Wed, 25 Feb 2026 16:17:05 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=226273 2 Comentários 🔥]]> Nos cenários de segundo turno, Lula e Flávio Bolsonaro aparecem rigorosamente empatados, com 46,2% para Lula e 46,3% para Flávio. Isso indica que os eleitores dos candidatos menores, ao serem forçados a escolher entre os dois polos, tendem a migrar majoritariamente para Flávio Bolsonaro — o que faz sentido, já que a maioria desses candidatos é alinhada ideologicamente com o campo bolsonarista. O padrão, aliás, é muito semelhante ao que Tarcísio de Freitas vinha apresentando nos cenários de segundo turno ao longo dos últimos 15 meses — ora ligeiramente à frente, ora ligeiramente atrás de Lula, mas sempre numa faixa de empate técnico. A coincidência não é casual: sugere que o eleitorado potencial de Tarcísio já migrou integralmente para Flávio Bolsonaro, e que o teto do campo bolsonarista no segundo turno permanece essencialmente o mesmo, independentemente do nome que o represente. Na avaliação presidencial, a Atlas registra oscilação dentro da margem de erro: a aprovação vai de 48,7% para 46,6%, enquanto a desaprovação passa de 50,7% para 51,5%. Não há ruptura, mas há um leve deslocamento negativo. Outro dado relevante é o índice de rejeição. Lula aparece com 48,2% de rejeição, contra 46,4% de Flávio Bolsonaro, mostrando que ambos carregam níveis elevados de resistência no eleitorado. A pesquisa também mediu o sentimento de medo ou preocupação em relação aos possíveis resultados eleitorais. Perguntados sobre qual cenário causa mais preocupação, 47,5% disseram temer a reeleição de Lula, enquanto 44,9% afirmaram temer a eleição de Flávio Bolsonaro. Combinados com os índices de rejeição, esses números retratam um país dividido praticamente ao meio, onde o voto é cada vez menos uma adesão entusiasmada e cada vez mais uma escolha contra o adversário. Para colocar o momento em perspectiva, vale observar o ciclo anterior com o mesmo instituto. Em 2022, segundo a Atlas Intel, Jair Bolsonaro tinha apenas 33% de aprovação em março, enquanto sua desaprovação estava em 65%. Ao longo da campanha, porém, Bolsonaro elevou sua aprovação para algo próximo de 44% na reta final de outubro e conseguiu reduzir expressivamente sua desaprovação para 53%. O histórico recente mostra que incumbentes tendem a recuperar apoio quando a campanha começa, porque deixam de ser apenas alvo de desgaste cotidiano e passam a ter mais oportunidade de mostrar o que fizeram durante sua gestão, disputando a narrativa em condições mais equilibradas. Os cruzamentos demográficos também chamam atenção. No recorte por renda, Lula aparece atrás entre os mais pobres e muito forte entre os mais ricos, enquanto Flávio Bolsonaro faz o movimento inverso. Esse padrão contraria o comportamento tradicional do eleitorado lulista e o que outros institutos vêm registrando. É normal que haja variações amostrais de uma pesquisa para outra, ainda mais considerando a elevadíssima margem de erro nesses estratos, mas uma inversão tão contrária à média (e ao senso comum) indica que o método da Atlas Intel pode ter inconsistências. Outra distorção aparece nos segmentos ligados ao comportamento eleitoral de 2022. Em grupos como “voto branco/nulo” e “não votou”, Renan Santos registra percentuais muito altos para um candidato pouco conhecido. Neste caso, Renan pontua 22% entre quem não votou em 2022. Ao mesmo tempo, a Atlas confirma a forte cristalização dos blocos. Entre quem votou em Lula no segundo turno de 2022, 89% declaram intenção de repetir o voto, enquanto, entre quem votou em Bolsonaro, Flávio concentra cerca de 80,9% e a desaprovação de Lula chega a 99,5%. O retrato final é de um país altamente polarizado, com pouca permeabilidade entre os dois campos e com margens estreitas decidindo o jogo. Para Lula, a equação é clara: precisa chegar ao primeiro turno com pelo menos 10 pontos de vantagem para garantir uma vitória confortável no segundo turno, já que a migração dos votos dos candidatos menores tende a favorecer o campo adversário. Com 7 pontos de vantagem hoje, o caminho existe, mas é estreito. Se ao longo da campanha Lula conseguir recuperar parte da aprovação perdida nos últimos meses — o que o precedente de 2022 sugere ser possível para incumbentes —, a vantagem no primeiro turno pode se ampliar o suficiente para tornar o segundo turno menos incerto. Abaixo, alguns gráficos retirados do relatório da Atlas.



Clique aqui para baixar a íntegra da pesquisa Atlas.

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Adeus, Tarcísio https://www.ocafezinho.com/2026/01/21/adeus-tarcisio/ https://www.ocafezinho.com/2026/01/21/adeus-tarcisio/#comments Wed, 21 Jan 2026 21:31:35 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=224859 1 Comentário 🔥]]> A nova pesquisa Atlas Intel/Bloomberg, realizada entre 15 e 20 de janeiro de 2026, mostra Tarcísio de Freitas perdendo a aura de candidato mais competitivo da direita à Presidência.

Flávio Bolsonaro consolida seu nome como principal herdeiro do bolsonarismo, enquanto o governador paulista encolhe.

No cenário ampliado, que reúne todos os principais nomes, Lula aparece com 48,4%, muito próximo de uma vitória em primeiro turno. Flávio Bolsonaro surge com 28%. Tarcísio fica com apenas 11%. Os demais candidatos têm desempenhos residuais, como Ratinho Jr. com 1,7%.

Entre Flávio e Tarcísio, portanto, a diferença já é de quase três vezes. E ela se manifesta com mais força justamente nos segmentos onde o bolsonarismo é mais forte.

Entre os eleitores que votaram em Jair Bolsonaro no segundo turno de 2022, 59,2% declaram voto em Flávio no cenário ampliado, enquanto apenas 21,1% optariam por Tarcísio. O mesmo padrão aparece entre os evangélicos: 43,3% votariam em Flávio, contra 14,5% para Tarcísio.

O cenário ampliado serve sobretudo como instrumento de comparação, já que é improvável que Flávio e Tarcísio disputem a eleição simultaneamente. Ainda assim, ele é fundamental para medir força relativa — e nesse teste Tarcísio sai enfraquecido.

No cenário mais plausível do momento — com Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado, Renan Santos, Ratinho Jr., Romeu Zema e Aldo Rebelo —, Lula aparece com 48,8% das intenções de voto. Flávio surge com 35%, enquanto todos os demais ficam abaixo de 5%.

Já no cenário equivalente com Tarcísio no lugar de Flávio, Lula tem 48,5% e Tarcísio fica com 28,4%. A comparação é reveladora: sem a concorrência direta de Flávio, Tarcísio não consegue atrair a mesma proporção de votos bolsonaristas. Flávio, sozinho, chega a 35%. Tarcísio, sozinho, para em 28,4%. O governador paulista tem dificuldade de receber a transferência de votos do bolsonarismo na mesma proporção que o senador.

A evolução de Flávio é notável: subiu de 29% na rodada anterior para 35% agora, sinalizando consolidação junto ao eleitorado da direita. Entre os eleitores de Jair Bolsonaro em 2022, Flávio já concentra 73,6% das intenções de voto.

Um dado relevante da Atlas Intel, que a diferencia de outros institutos, é o desempenho de Lula na classe média. Em todos os cenários, o presidente lidera com folga entre eleitores com renda acima de R$ 3 mil, R$ 5 mil e R$ 10 mil, além de manter vantagem expressiva entre pessoas com ensino superior.

Em cenários sem Flávio Bolsonaro, Tarcísio chegou a atingir 34% em momentos anteriores. Agora recuou para 28,4%. O movimento é de perda, não de crescimento. Lula, por sua vez, oscilou levemente desde os 51,3% de outubro de 2025, estabilizando-se num patamar ainda muito elevado. A queda de Lula é marginal; a de Tarcísio é estrutural.

Quando se comparam os cinco cenários de primeiro turno testados, o padrão impressiona pela regularidade: Lula aparece sempre entre 48% e 49%. Já entre os nomes da direita, o pior desempenho recorrente é justamente o de Tarcísio. Entre Flávio, Michelle e Tarcísio, o governador paulista passa a ser aquele que menos consegue agregar votos.

A Atlas Intel também contesta a tese de que Lula não teria sucessor. Os cenários com Fernando Haddad mostram que a esquerda e a frente ampla democrática dispõem de um plano B viável.

No cenário em que Haddad enfrenta Flávio Bolsonaro, o ministro aparece com 41,5% das intenções de voto, contra 35,4% de Flávio. A vantagem de 6 pontos percentuais é semelhante à que o próprio Lula mantém sobre o bolsonarismo. No confronto com Tarcísio, Haddad surge com 42%, contra 28,9% do governador — diferença de 13 pontos.

Entre os eleitores que votaram em Lula no segundo turno de 2022, 82,2% afirmam que votariam em Haddad. A transferência de votos é direta e robusta.

Nos cenários de segundo turno, o quadro permanece estável. Lula vence todos os principais adversários, com margens mais apertadas contra os nomes mais fortes da direita e vantagens mais amplas contra candidatos menos competitivos.

Em síntese, a nova Atlas Intel/Bloomberg é uma pesquisa positiva para Lula, revela um cenário estável para o campo democrático, consolida Flávio Bolsonaro como principal nome da direita e indica que Tarcísio de Freitas está ficando para trás. O tempo passa, o nome de Flávio se torna mais conhecido como candidato, e a discussão sobre a viabilidade de Tarcísio fica cada vez mais defensiva.

Clique aqui para baixar a íntegra da pesquisa.

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É a segurança pública, estúpido! https://www.ocafezinho.com/2025/11/01/e-a-seguranca-publica-estupido/ https://www.ocafezinho.com/2025/11/01/e-a-seguranca-publica-estupido/#comments Sat, 01 Nov 2025 17:27:55 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=220275 2 Comentários 🔥]]> Não foi exatamente uma surpresa. A pesquisa Atlas Intel, realizada entre 29 e 30 de outubro de 2025, ajuda a explicar por que houve uma operação tão violenta no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro. O levantamento foi feito em dois níveis: uma amostra nacional com 1.089 respondentes e outra específica da Cidade do Rio de Janeiro com 1.527 entrevistados. Os resultados revelam diferenças importantes entre a percepção nacional e a da capital fluminense.

Os dados indicam que houve interesse político, pois alguns setores sabem que a violência é popular. E como a direita não quer entregar educação, saúde ou mobilidade urbana, para ela é muito mais confortável entregar cadáveres. Consegue votos sem precisar repartir riqueza.

Há outra enorme vantagem para a direita em seguir essa estratégia: empurrar a esquerda para a posição desconfortável de defender a ordem institucional quando a maioria parece querer a barbárie.

Por outro lado, os números não são tão ruins assim. Em nível nacional, 55,2% dos brasileiros apoiaram a operação, mas um percentual expressivo de 42,3% não o fizeram. Isso mostra que o país amadureceu e que uma fatia importante da população se preocupa com um combate ao crime que preserve a segurança dos próprios policiais e dos civis.

Além do mais, 42% dos entrevistados no país consideram que a ação foi motivada por ganho político, contra 39,3% que a veem como a melhor forma de combater o crime.

A pesquisa revela uma divisão marcante de visões de mundo. Entre os eleitores de Lula no Brasil, houve uma percepção muito crítica da operação, especialmente pelo número de mortos. Já entre os eleitores de Bolsonaro, ela foi aprovada quase por unanimidade: 99,1% de aprovação entre bolsonaristas, contra apenas 12,1% entre lulistas.

O que é realmente preocupante é o cenário no Rio de Janeiro. Na capital fluminense, 62,2% apoiaram a operação, contra 55,2% no Brasil. E o que chamou a atenção foi o grande apoio nas favelas cariocas: 87,6% dos moradores aprovaram a ação. Mas isso não deveria surpreender. Quem vive nessas comunidades é quem mais sofre com o tráfico, a milícia e a guerra entre facções e com a polícia. É natural que desejem uma ação que resolva o problema da criminalidade.

Cabe às instituições da República oferecer proteção sem colocar a vida do cidadão em risco, sem colapsar a cidade e sem matar inocentes. Do ponto de vista político, os números mostram uma oportunidade para o campo progressista: há um setor social maior do que em outras ocasiões que está vendo criticamente esse tipo de operação.

A direita, naturalmente, brande os dados como prova de que “o povo quer a matança”. Não é bem assim. As informações sobre os possíveis excessos e a real intenção da operação ainda não circularam amplamente.

O levantamento alerta a esquerda sobre a “casca de banana” que a direita joga. É preciso incorporar a demanda popular por proteção e entender a revolta contra as facções. A luta contra o crime é uma causa democrática fundamental, pois o crime limita não apenas a liberdade de ir e vir, mas a mais fundamental de todas, a liberdade de estar vivo.

A esquerda precisa adotar uma linguagem dura nesse combate, defendendo o policiamento ostensivo e a repressão forte às organizações armadas.

Ao mesmo tempo, é preciso mostrar que a direita manipula o debate e que a resposta de longo prazo passa por políticas sociais, como emprego para a juventude. O discurso não pode ser misturado: um para combater o crime, outro para oferecer oportunidades.

Nesse contexto, o gesto do ministro Guilherme Boulos, que pediu um minuto de silêncio pelas vítimas, foi visto como inapropriado por 59,8% dos entrevistados no Rio de Janeiro. A pesquisa indica que a população das comunidades quer policiamento e proteção, não um minuto de silêncio. Foi um erro, embora bem-intencionado.

O episódio mostra que o governo Lula precisa de inteligência e iniciativa. É hora de mexer no orçamento, criar um Ministério da Segurança Pública e fazer um grande esforço nacional. Não basta oferecer estatística de queda nos homicídios; é preciso visibilidade, comunicação assertiva e demonstração de firmeza moral contra o crime.

Os relatórios do Atlas Intel, na íntegra, podem ser baixados aqui (nacional), aqui (cidade do Rio) e aqui (comparativo cidade x país).

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Atlas Intel prevê vitória de Lula no primeiro turno https://www.ocafezinho.com/2025/10/24/atlas-intel-preve-vitoria-de-lula-no-primeiro-turno/ https://www.ocafezinho.com/2025/10/24/atlas-intel-preve-vitoria-de-lula-no-primeiro-turno/#respond Fri, 24 Oct 2025 20:00:22 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=219842 Se as eleições fossem hoje, Lula ganharia com folga no primeiro turno, aponta levantamento divulgado hoje pela Atlas Intel. O presidente teria 51,3% dos votos totais no cenário 1, em que o principal candidato da direita é o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.

Convertido em votos válidos, esse índice poderia chegar a 55,04%.

Nessa simulação, que não inclui mais Bolsonaro (dada a sua inelegibilidade), o voto na direita se concentra especialmente em Tarcísio. Os números mostram o governador de São Paulo com 30,4%, Caiado 6%, Ratinho 3% e Romeu Zema 2,5%. Mesmo que o candidato da direita herdasse todos os votos dos demais, o petista ainda venceria no primeiro turno. Além disso, é esperado que uma parcela desses votos, mesmo que marginal, possa migrar para o petista.

A importância desta sondagem, a mais de um ano da eleição, reside principalmente no fato de ajudar Lula a atrair setores importantes do centro, como PSD e MDB.

O instituto também simulou uma hipótese com os mesmos candidatos de 2022. Nessa situação, Lula teria 49%, Bolsonaro 41,3%, Ciro Gomes 3,1% e Simone Tebet 2,3%.

A solidez dos números de intenção de voto de Lula é acompanhada por uma melhora estável em sua aprovação, que subiu para 51,2%, segundo o levantamento. De acordo com Antonio Lavareda, um dos principais especialistas em pesquisa do país, uma aprovação acima de 51% sinaliza o favoritismo do incumbente.

Outro fator de consistência é o fortíssimo apoio popular às principais iniciativas do governo. Isso indica que Lula está finalmente consolidando uma personalidade própria. Entre as medidas mais populares estão: a gratuidade para medicamentos com Farmácia Popular, a isenção de Imposto de Renda para pessoas com renda mensal acima de R$ 5 mil, a retirada dos garimpeiros das reservas indígenas, a retomada do Minha Casa Minha Vida, a PEC da Segurança Pública, a retomada do Programa Mais Médicos e a assinatura do Acordo de Livre Comércio do Mercosul com a União Europeia.

Em contrapartida, a oposição, associada ao bolsonarismo, tem sido ligada a pautas profundamente negativas, como a “PEC da bandidagem” e o apoio ao “tarifaço”. A isso se soma a atitude bizarra do senador Flávio Bolsonaro de apoiar um bombardeio americano na Baía de Guanabara para explodir barcos de traficantes.

Há um ano antes da eleição, ou seja, mais ou menos na mesma época que estamos hoje, Bolsonaro tinha 14% de avaliação positiva e 60% negativa (considerando a aprovação do governo e não do presidente, que são números diferentes), e mesmo assim foi competitivo. Hoje, Lula tem 48% de avaliação positiva e 46% negativa na mesma pesquisa.

Entretanto, o indicador mais importante para a avaliação popular de um governo, mais do que pesquisas, é a inflação de alimentos. E neste ponto, o governo Lula está num momento muito bom. Observa-se uma queda consistente no preço de itens essenciais como café, carne, arroz, feijão e peixe, segundo o IPCA-15, indicador do IBGE, o segundo mais importante depois do IPCA, divulgado hoje. A percepção dessa melhora no supermercado é imediata. Além disso, o botijão de gás, acessório fundamental para o preparo dos alimentos, também vem baixando de preço. A redução da inflação de alimentos aumenta o poder aquisitivo sobretudo da classe trabalhadora e da população de baixa renda.

Em contraste, a queda na aprovação de Javier Milei na Argentina, segundo pesquisa Atlas Intel também divulgada hoje, serve de um contraponto muito interessante à recuperação do presidente Lula. Milei é uma espécie de antípoda ideológico do presidente Lula, que foi incensado pela direita brasileira. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, chegou a sugerir que o Brasil deveria seguir o caminho da Argentina.

Por fim, o presidente Lula precisa vincular seu projeto e sua marca a obras de infraestrutura urbana que impactem a vida das pessoas, ofereçam visibilidade e um sonho de desenvolvimento. A infraestrutura urbana é um tema crucial. Seria importante que Lula abraçasse a ideia de um grande projeto nacional de modernização do sistema de mobilidade, promovendo um amplo debate sobre as condições para criar um novo marco nacional de ferrovias, para aumentar a produtividade industrial, o turismo interno e a integração nacional.

Com o Brasil se tornando um país mais de classe média, os aeroportos ficarão abarrotados e as estradas, com excesso de caminhões e ônibus, gerando riscos crescentes de acidentes graves. As cidades enfrentarão problemas semelhantes.

Um projeto de mobilidade deve incluir a interligação de grandes cidades por trens de alta velocidade e a criação de grandes redes de metrô e VLT nas áreas urbanas. Outra coisa importante seria a implementação de mobilidade ativa como ciclovias e calçadas boas para pedestres, além da construção de parques verdes. Lula pode lançar a pedra fundamental desse grande projeto nacional de mobilidade urbana, o que o ajudaria a superar a imagem de um governo focado apenas em programas sociais – que são fundamentais, mas precisam ser complementados pela oferta de infraestrutura.

Mais gráficos aqui

Baixe a íntegra da pesquisa Atlas Intel aqui.

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Nova Atlas Intel confirma forte recuperação de Lula e rejeição à anistia para golpistas https://www.ocafezinho.com/2025/09/17/nova-atlas-intel-confirma-forte-recuperacao-de-lula-e-rejeicao-a-anistia-para-golpistas/ https://www.ocafezinho.com/2025/09/17/nova-atlas-intel-confirma-forte-recuperacao-de-lula-e-rejeicao-a-anistia-para-golpistas/#comments Wed, 17 Sep 2025 16:31:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=217536 1 Comentário 🔥]]> A nova pesquisa da Atlas Intel, divulgada hoje, traz resultados que consolidam tendências já visíveis em levantamentos anteriores e acendem alertas importantes para o campo da direita. O dado mais expressivo é a rejeição crescente à ideia de anistia para Jair Bolsonaro e outros envolvidos em tentativas de golpe. Segundo o levantamento, 57% dos entrevistados são contra a anistia ampla, geral e irrestrita, contra 40,6% que a apoiam. É um crescimento claro em relação a agosto, quando os contrários eram 51%. Esse resultado mostra uma maioria cada vez mais convicta de que o país não deve ceder a pressões por esquecimento dos crimes cometidos contra a democracia.

Esse ponto inicial é central porque desmonta a narrativa construída por aliados de Bolsonaro e de governadores como Tarcísio de Freitas. O discurso do paulista em defesa da anistia e em ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF) encontra forte resistência fora de nichos específicos. Ainda que tenha respaldo entre evangélicos — 62% concordam com suas declarações contra o STF —, o impacto nacional é claramente negativo. A pesquisa mostra que, caso Tarcísio adote essa postura como bandeira de uma eventual candidatura presidencial, 54% dizem que jamais votariam nele. Entre os que ganham mais de R$ 5 mil, a rejeição salta para 66%. Isso indica que o discurso radicalizado pode reforçar sua base no Sudeste e em setores evangélicos, mas enfraquece seriamente suas pretensões de alcançar o eleitorado médio nacional.

Do lado de Bolsonaro, a pesquisa traz más notícias no que diz respeito à percepção sobre o julgamento no STF. A maioria da população (53%) acredita que ele participou de um plano de golpe de Estado em 2022, e 47,6% consideram que a condenação no Supremo terá impacto positivo na política brasileira, contra 41% que a veem de forma negativa.

O esforço do ex-presidente em se vitimizar nas redes sociais e em mobilizar sua base não conseguiu mudar a narrativa predominante de que ele foi protagonista de um ataque frontal à democracia. Isso não significa, contudo, que Bolsonaro tenha perdido totalmente sua força: entre eleitores de direita e centro-direita, continua sendo o nome mais lembrado, com 43% de preferência para liderar o campo conservador. É muito mais do que Nicolas Ferreira (22%) e Eduardo Bolsonaro (13,8%). Mas a pesquisa também mostra que, caso Bolsonaro não possa concorrer em 2026, a maioria de seus apoiadores (46%) gostaria que ele escolhesse Tarcísio como sucessor.

Enquanto a direita enfrenta dificuldades, o presidente Lula aparece fortalecido. Sua aprovação chegou a 51%, melhor nível da série histórica da Atlas Intel, com crescimento de três pontos em relação a agosto. A desaprovação caiu para 48%. Mais importante do que os números agregados é o perfil dos apoiadores: Lula tem aprovação majoritária na classe média, inclusive na faixa de renda acima de R$ 10 mil, onde 62% avaliam positivamente seu governo. A avaliação geral também melhorou: 46%, contra 37% no início do ano. Essa ascensão está ancorada em fatores concretos. A percepção da inflação está em 5,7%, muito próxima do índice oficial do IBGE, e a expectativa para os próximos seis meses caiu para 4,9%. O desemprego em queda e o risco Brasil no menor patamar da América Latina reforçam a confiança.

Nos cenários eleitorais, os resultados confirmam o favoritismo de Lula. Contra Bolsonaro, aparece com 48,1%, abrindo possibilidade de vitória em primeiro turno. Contra Tarcísio, tem 48%, enquanto o governador paulista caiu de 34% para 30%. Contra Michelle Bolsonaro, a vantagem de Lula é de 20 pontos. Já em cenários sem Lula, Fernando Haddad lidera contra Tarcísio, com 38% a 31%, mostrando que o campo progressista não depende apenas da figura presidencial para se manter competitivo. No segundo turno, Lula venceria todos os adversários testados, sempre com margem de pelo menos cinco pontos.

Esses números reforçam a análise já feita por especialistas como Antônio Lavareda: aprovação acima de 50% coloca o incumbente em posição de favorito para a reeleição. A Atlas Intel, com sua metodologia de entrevistas digitais aleatórias e grande amostra de mais de 7.000 respondentes, mostra tendências consistentes. A direita ainda tem força, especialmente nos segmentos evangélicos e entre os mais radicalizados, mas enfrenta uma conjuntura adversa: Bolsonaro carrega o peso de sua condenação, Tarcísio não consegue ampliar seu discurso e nomes alternativos como Ciro Gomes aparecem cada vez mais irrelevantes.

No balanço, a pesquisa confirma que Lula vive um momento político favorável, enquanto a direita busca um caminho entre a fidelidade à figura de Bolsonaro e a necessidade de encontrar alternativas viáveis para 2026. Se hoje a disputa fosse travada, Lula teria a vantagem de estar ancorado em resultados econômicos concretos, enquanto seus adversários ainda parecem prisioneiros de discursos de nicho.

Íntegra do relatório da Atlas Intel de setembro de 2025.

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Pesquisas e economia trazem boas notícias para Lula https://www.ocafezinho.com/2025/08/01/pesquisas-e-economia-trazem-boas-noticias-para-lula/ https://www.ocafezinho.com/2025/08/01/pesquisas-e-economia-trazem-boas-noticias-para-lula/#comments Fri, 01 Aug 2025 15:49:31 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=214276 9 Comentários 🔥]]> A semana vai terminando com  excelentes notícias para a frente ampla democrática.

Considerando as últimas pesquisas e os mais recentes indicadores econômicos, a situação política parece cada vez mais favorável para a reeleição do presidente Lula.

A pesquisa Atlas Intel divulgada nesta quinta-feira revela um cenário que ninguém imaginava há poucas semanas: se as eleições fossem hoje, Lula venceria as eleições presidenciais de 2026 já no primeiro turno, com 51,5% dos votos válidos.

Tarcísio de Freitas, seu principal adversário, aparece com 35,0% dos votos válidos, uma diferença confortável de 16,5 pontos percentuais em favor de Lula.

Em votos totais, Lula teria 48,5%, contra 33% para Tarcísio. Todos os outros candidados teriam menos de 4%, o que mostra um eleitorado com opinião bastante consolidada. Ciro Gomes, que chegou a pontuar aproximadamente 10% em algumas pesquisas, agora tem menos de 3%.

Os ataques de Trump ao Brasil criaram uma onda nacionalista que pegou muito mal para a direita e tem esvaziado o bolsonarismo.

O que talvez esteja sendo ainda mais importante para esse novo favoritismo de Lula é a melhora expressiva nos fundamentos econômicos.

Além disso, a questão das tarifas teve um final feliz para o Brasil – e triste para os bolsonaristas.

Para a ultradireita, o resultado foi duplamente negativo: de um lado, ficaram com a pecha de traidores da pátria, entreguistas, sabujos dos Estados Unidos, e de outro, de incrivelmente burros e incompetentes, porque tentaram de tudo para prejudicar o Brasil e apenas conseguiram atirar em seus próprios pés.

Eduardo Bolsonaro terá que ficar longe do país, e de qualquer pretensão de ocupar cargo público, por muitos e muitos anos, e a situação jurídica de seu pai agora está bem pior do que antes. A capivara judicial de Jair, que já era enorme, passou a incluir o envolvimento em tentativa de obstrução de justiça, traição ao país e mais atentados contra nossas instituições.

Lula, por sua vez, emergiu da crise como um gigante diplomático e um heroi do Sul Global.

Diferentemente das lideranças da Europa, Japão, entre outros, que se deixaram humilhar, o presidente Lula não recuou, não demonstrou fraqueza, e ao final obteve um acordo melhor do que muitos outros países.

O Brasil passou ao mundo a imagem de um país que preza a sua independência política e a sua soberania, o que tem sido motivo de muito orgulho para todos os povos do mundo.

Pelo que se sabe até o momento, apenas 36% das nossas exportações permanecerão tarifadas pelos EUA, mas é provável que Trump ainda recue em outros itens como café e carnes, pois a incidência de tarifas sobre estes itens pode gerar muita inflação para o setor de alimentos nos Estados Unidos. Os americanos não tem como substituir nem nosso café nem nossa carne por produtos de outras origens.

Nunca é demais lembrar que essas tarifas de Trump constituem a mais imbecil, irracional e autodestrutiva iniciativa econômica já tomada por um país na história do mundo. Elas trazem prejuízo financeiro devastador para empresas americanas, inflação para os consumidores e enorme isolamento diplomático, comercial, geopolítico, para os Estados Unidos.

Os setores tarifados, por sua vez, já receberam a promessa do governo brasileiro de financiamento e ajuda diplomática para encontrar outros mercados.

Sobre os fundamentos econômicos, vamos discorrer mais adiante, mas podemos adiantar que todos os dados estão melhorando – emprego, renda, inflação e situação fiscal -, para a eterna “surpresa” da Faria Lima e da grande mídia.

Lula com aprovação em alta enquanto Trump despenca

Enquanto o Brasil vive um momento de otimismo político e econômico, os Estados Unidos entraram numa das fases mais sombrias de sua história.

Os dados de aprovação presidencial revelam trajetórias que espelham os diferentes climas políticos.

A aprovação do presidente Lula apresenta uma trajetória de melhora contínua. Segundo a Atlas Intel, de março de 2025 até julho de 2025, a aprovação presidencial saltou de 44,9% para 50,2%, um crescimento de 5,3 pontos percentuais em apenas cinco meses.

Do outro lado do continente, Donald Trump experimenta o movimento contrário. No mesmo período em que Lula consolidava sua recuperação, o prestígio do presidente americano despencava de 50,1% em janeiro de 2025 para 44,3% em julho de 2025, uma queda de 5,8 pontos percentuais.

Outro dado interessante da pesquisa Atlas Intel divulgada hoje foi o esvaziamento da preocupação dos brasileiros com três grandes problemas nacionais: corrupção, criminalidade e economia.

Os números que sustentam o otimismo

O mercado de trabalho vive seu melhor momento em décadas.

No segundo trimestre de 2025, a população desocupada recuou 17,4% em relação ao trimestre anterior, caindo para 6,3 milhões de pessoas ao final de junho. Isso significa que, em apenas três meses, 1,3 milhão de pessoas saíram da condição de desempregados.

Em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, a queda no desemprego foi de 15,4% (menos 1,1 milhão de pessoas).

Com isso, o desemprego no Brasil caiu para 5,8% o menor índice da série histórica do IBGE.

Paralelamente, o número de pessoas ocupadas cresceu de 99,8 milhões em junho de 2024 para 102,3 milhões em junho de 2025, um aumento de quase 2 milhões de novos postos de trabalho.

A renda real do trabalhador brasileiro apresenta trajetória de crescimento contínuo. A renda média real cresceu de R$ 3.074 em dezembro de 2022 para R$ 3.369 em junho de 2025, um crescimento de 9,6%, já descontada a inflação.

A inflação, por sua vez, permanece sob controle.

O IPCA-15, indicador de inflação do IBGE, ficou em apenas 0,33% em julho de 2025, o que é um percentual baixo para um mês.

Se todos os meses tivessem inflação de 0,33%, a inflação em 12 meses seria de 4,05%, abaixo do teto da meta da política econômica do Brasil, que é de 4,5%. Hoje, o acumulado nos últimos 12 meses, segundo o IPCA-15, está em 5,3%.

Um destaque especial deve ser dado para os alimentos consumidos em domicílio, cujos preços tiveram queda de 0,40% em julho, o terceiro recuo consecutivo.

No campo fiscal, os resultados também surpreenderam positivamente. O governo federal registrou superávit primário de 0,15% do PIB, no acumulado de 12 meses até junho, esvaziando a campanha de terrorismo fiscal que as viúvas de Paulo Guedes vem promovendo desde o início do governo Lula 3.

Ao contrário do que vem fazendo a Argentina de Milei, essa melhora nas contas públicas não veio através de cortes drásticos em investimentos ou programas sociais, mas sim do crescimento na arrecadação impulsionado pela maior atividade econômica e formalização do mercado de trabalho.

O resultado nominal do setor público consolidado, que inclui o pagamento de juros da dívida pública, vem apresentando melhora consistente desde o início do ano, com o déficit caindo de 8,09% em janeiro para 7,3% em junho, no acumulado em 12 meses.

A importância da robustez fiscal não pode ser subestimada, porque ela abre portas para mais investimentos públicos e privados ao longo dos próximos anos, além de oferecer uma vitrine importante para a campanha eleitoral de Lula em 2026.

Todos esses indicadores ajudam a explicar a recuperação da aprovação presidencial e a melhora das perspectivas eleitorais da frente ampla democrática.

De certa forma, alguns indicadores econômicos me parecem ainda mais importantes do que pesquisas de intenção de voto, porque são fundamentos sólidos, que dificilmente serão abalados por turbulências políticas menores ou pressões externas.

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AtlasIntel: brasileiros apoiam taxar bilionários, bancos e bets; Congresso é visto como aliado dos ricos https://www.ocafezinho.com/2025/07/09/atlasintel-brasileiros-apoiam-taxar-bilionarios-bancos-e-bets-congresso-e-visto-como-aliado-dos-ricos/ https://www.ocafezinho.com/2025/07/09/atlasintel-brasileiros-apoiam-taxar-bilionarios-bancos-e-bets-congresso-e-visto-como-aliado-dos-ricos/#respond Wed, 09 Jul 2025 21:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=212472 Pesquisa mostra apoio popular à justiça tributária e desconfiança em relação ao Legislativo

A maioria da população brasileira quer que bilionários, bancos e casas de apostas online — as chamadas bets — paguem mais impostos. Segundo levantamento da AtlasIntel, divulgado nesta quarta-feira (9), 58% dos entrevistados apoiam a chamada “taxação BBB”, enquanto apenas 37% se opõem.

A medida, defendida por partidos de esquerda e pelo governo federal, ganha força nas redes sociais e mostra que a pauta da justiça tributária é popular e a narrativa da direita, de que o aumento de impostos levaria empresários a abandonar o país, não convenceu.

A pesquisa também perguntou sobre os motivos da derrubada do decreto presidencial que aumentava o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Para 39,9%, o Congresso agiu para favorecer empresários e o mercado financeiro; 37,8% acreditam que foi para proteger a população de mais impostos.

O estudo revelou ainda que 42,4% da população considera o governo federal mais responsável com as contas públicas do que o Congresso Nacional. Apenas 21,8% veem os deputados e senadores como mais responsáveis. Outros 34,7% não confiam em nenhum dos dois.

A pesquisa foi realizada digitalmente entre os dias 1º e 7 de junho. A margem de erro é de 3 pontos percentuais e o nível de confiança é de 95%.

Publicado originalmente pelo Brasil de Fato em 09/07/2025

Edição: Rodrigo Durão Coelho

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Lula tem melhor aprovação que Milei e Trump https://www.ocafezinho.com/2025/07/09/lula-tem-melhor-aprovacao-que-milei-e-trump-segundo-ultimas-pesquisas/ https://www.ocafezinho.com/2025/07/09/lula-tem-melhor-aprovacao-que-milei-e-trump-segundo-ultimas-pesquisas/#respond Wed, 09 Jul 2025 18:17:08 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=212378 Os ataques de Trump ao Brasil e aos BRICS vêm numa hora de muita solidez das nossas instituições.

As ameaças de tarifas adicionais de 10% às nações que integram a organização fundada por Brasil, Rússia, China e Índia, além da tentativa infame de interferir num processo judicial em curso, podem ter efeito bumerangue. Ou seja, suas falas devem ajudar Lula a ampliar seu apoio popular, além de fortalecer o respeito da população às nossas instituições. Quanto aos ataques aos Brics, eles apenas reforçam a necessidade, por parte dos países em desenvolvimento, a estabelecerem parcerias mais profundas e estratégicas.

O processo em questão é um dos mais importantes da história moderna do país, em que finalmente um punhado de golpistas corre o risco de ser punido pelo atentado à nossa democracia. Imaginem se Xi Jinping, presidente da China, ou qualquer outra liderança estrangeira, fizessem tais tipos de comentários sobre a política interna nacional?

Segundo a pesquisa AtlasIntel, o presidente Lula está mais forte no Brasil do que Trump nos Estados Unidos. A aprovação de Lula registrou 47,3%, representando crescimento em relação ao mês anterior, enquanto Trump, segundo a última pesquisa YouGov de 7 de julho, tem apenas 42% de aprovação. Vale lembrar que Trump está há menos de 200 dias de mandato, enquanto Lula já está há dois anos e meio no governo, enfrentando o desgaste natural do poder.

No comparativo regional, Lula também se destaca. Gabriel Boric, do Chile, tem 38% de aprovação, e Gustavo Petro, da Colômbia, registra apenas 32%. Segundo a AtlasIntel, Milei tem 44% de aprovação na Argentina. Somente Claudia Sheinbaum, do México, supera o brasileiro com 61% de aprovação, mas ela acabou de assumir e ainda desfruta do período de graça típico dos primeiros meses de mandato.

Outro ponto positivo é que Lula mantém 95% de aprovação entre seus próprios eleitores. Esse dado mostra que o presidente tem controle total sobre seu campo político, minando qualquer vestígio de possibilidade para um aventureiro, pelo menos no campo da esquerda. O campo da direita também é difícil para aventureiros aparecerem, já pelo controle que Bolsonaro, por sua vez, tem sobre sua base.

A pesquisa Bloomberg/AtlasIntel, que faz comparação abrangente entre vários países latino-americanos, revela dados sobre a confiança dos brasileiros nas instituições democráticas. O Brasil registra 36% de muita confiança na autoridade eleitoral, o maior índice da região, contra apenas 19% na Argentina e 23% no México.

43% dos brasileiros consideram o processo eleitoral completamente justo, contra apenas 13% na Argentina, 5% no Peru e 8% na Colômbia. Apenas 25% dos brasileiros veem problemas no processo eleitoral, índice similar ao de outros países. Os dados mostram que os bolsonaristas não estão conseguindo influenciar a opinião pública brasileira sobre supostos problemas em nossa democracia.

O país também registra a maior rejeição ao autoritarismo na região: apenas 6% aceitariam um governo não democrático para resolver problemas, contra 18% na Argentina e 26% no México. O judiciário brasileiro tem a maior confiança regional, com 22% dos entrevistados demonstrando muita confiança, contra apenas 2% no Chile.

A mesma coisa vale para os BRICS. Os ataques de Trump vêm no momento em que a organização está mais fortalecida do que nunca, com uma fila de países querendo aderir. A reunião no Rio de Janeiro terminou com a aprovação da ampliação do total de parceiros. Por sua vez, Trump está no auge de sua rejeição na comunidade internacional, com suas tarifas malucas e sua decisão criminosa de atacar o Irã.

Avaliações setoriais equilibradas

As avaliações setoriais do governo mostram um cenário equilibrado. Lula tem boa avaliação em relações internacionais, criação de empregos, comércio internacional, direitos humanos, políticas sociais, moradia e turismo. O ponto mais fraco continua sendo a segurança pública, mas mesmo assim 40% consideram que está melhor que no governo Bolsonaro.

Entre os programas considerados acertos pela população, a gratuidade para medicamentos do Farmácia Popular lidera com 85% de aprovação. A isenção de imposto de renda para pessoas com renda mensal abaixo de 5 mil reais tem 77% de aprovação, e a retomada do programa Mais Médicos registra 61%. O programa menos popular é o imposto sobre compras até 50 dólares, o famoso “imposto das blusinhas”.

Brasil lidera indicadores regionais

O risco político brasileiro caiu para 38 pontos em junho, o menor da série histórica e o melhor índice entre os países pesquisados na América Latina. O indicador varia de 0 (ausência total de risco de crise política) a 100 (risco máximo de crise política). Enquanto isso, a Argentina viu seu risco político explodir de 45 para 53 pontos. Colômbia está em 56, México em 46, e o Brasil mantém a melhor posição regional.

O índice de confiança do consumidor também registrou alta e está entre os melhores da América Latina, empatado com o México. As expectativas econômicas mostram equilíbrio: 43% acham que a situação da família vai melhorar, 43% que o emprego vai melhorar, e 43% que a situação do Brasil vai melhorar.

A inflação registrou melhora significativa tanto na expectativa quanto na percepção atual. A expectativa caiu para 5,2%, o menor nível desde outubro de 2024, enquanto a percepção atual recuou para 6,2%.

Curiosamente, as Forças Armadas brasileiras registram a menor confiança da região, com apenas 8% de muita confiança e 47% sem nenhuma confiança – reflexo direto das tentativas golpistas recentes.

Baixe aqui as íntegras das pesquisas Atlas/Bloomberg sobre o Brasil, e sobre a América Latina.

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Em nova pesquisa Atlas, Lula ganha com folga em todos os cenários https://www.ocafezinho.com/2025/01/11/em-nova-pesquisa-atlas-lula-ganharia-com-folga-em-todos-os-cenarios/ https://www.ocafezinho.com/2025/01/11/em-nova-pesquisa-atlas-lula-ganharia-com-folga-em-todos-os-cenarios/#comments Sat, 11 Jan 2025 16:31:42 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=200266 1 Comentário 🔥]]> A nova Atlas Intel, com pesquisas realizadas entre os dias 26 a 31 de dezembro de 2024, não é ruim para o governo.

Na verdade, se o leitor tiver cuidado para não se deixar levar pelo costumeiro rancor da mídia e pela neurastenia das redes, constatará que a pesquisa divulgada hoje mostra um presidente e um governo ancorados em sólido apoio popular, e com políticas bem avaliadas. 

Lula tem 48% de aprovação pessoal na Atlas Intel. Entre seus próprios eleitores no primeiro e segundo turnos sua aprovação é de 93% e 91%, respectivamente.  

O governo, por sua vez, é classificado como “ótimo e bom” por 41%, o que também é um número razoável. Para comparação, o último Datafolha, com pesquisas realizadas em 12 a 13 de dezembro, trazia o governo avaliado positivamente por 35%, número que foi visto como um alívio por apoiadores.

Uma maioria de 51% dos entrevistados considera a gestão econômica do governo Lula melhor do que a do anterior, um número particularmente interessante numa pesquisa patrocinada pela Bloomberg, cheia de perguntas sobre política econômica e fiscal.

Também achei curioso que 47% dos entrevistados disseram acreditar que “o governo federal está comprometido com a responsabilidade fiscal e econômica”. Depois de tanto terrorismo da mídia era de se esperar um número trágico nessa questão, e ao invés disso temos a quase totalidade dos eleitores de Lula confiando na gestão fiscal de sua administração. 

O quadro das imagens positiva X negativa das principais lideranças políticas do país também é muito vantajoso para Lula, na medida em que ele se mantém em primeiro lugar, acima de todos os seus adversários. Curiosamente, quanto mais distante de Lula, mais impopular. 

Lula tem 51% de imagem positiva, o que é consistente com sua aprovação, e 46% de imagem negativa, perfazendo um “superávit” de 5 pontos.

Sem contar Arthur Lira, que não é propriamente uma “liderança política”, pelo menos não numa acepção popular, o nome mais rejeitado no ranking da Atlas Intel, com incríveis 67% de imagem negativa, é Ciro Gomes, justamente o adversário mais rancoroso de Lula. 

Bolsonaro, o líder mais importante da direita, embora hoje inelegível, tem 56% de imagem negativa. 

A Atlas Intel também projeta cenários eleitorais para 2026, e Lula lidera isoladamente em todos, tanto no primeiro como no segundo turnos. 

A seção da pesquisa que sonda a percepção sobre inflação dos entrevistados não me parece tão negativa. Perguntados se esperam alta de preços nos próximos 6 meses, o maior grupo (24%) disse contar com queda ou estabilidade.

Por fim, a sondagem identifica uma maioria de 49% contrários a que Bolsonaro recupere seus direitos políticos, e isso naturalmente é salutar para Lula – e para o processo democrático. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

                 

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