banco central - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/banco-central/ Portal de noticias e análises sobre política brasileira, geopolítica, economia, tecnologia, sempre numa perspectiva democrática, progressista, anti-imperialista e multipolar! Wed, 01 Jul 2026 09:31:08 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://www.ocafezinho.com/wp-content/uploads/2015/10/cropped-Logo_Cafezinho_tmb-32x32.png banco central - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/banco-central/ 32 32 Juros do Banco Central sabotam ajuste fiscal apontado pela IFI https://www.ocafezinho.com/2026/06/26/juros-do-banco-central-sabotam-ajuste-fiscal-apontado-pela-ifi/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/26/juros-do-banco-central-sabotam-ajuste-fiscal-apontado-pela-ifi/#respond Fri, 26 Jun 2026 13:52:07 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=260782 O novo relatório da Instituição Fiscal Independente recoloca o debate fiscal brasileiro no ponto que a conversa pública costuma evitar: a trajetória da dívida não será enfrentada seriamente enquanto o país tratar juros estratosféricos como fenômeno natural. O documento projeta que a dívida bruta do governo, hoje em 80,1% do PIB, pode chegar a 115% do PIB em 2036, patamar descrito pelo próprio relatório como “um nível de endividamento extremamente elevado”.

O dado aparece no Relatório de Acompanhamento Fiscal 113, divulgado pela IFI e registrado pela Agência Senado. A instituição, vinculada ao Senado Federal, cumpre aqui uma função técnica relevante: mostra que o próximo presidente da República receberá um quadro duro, que não será resolvido com frases de efeito, chantagem contra aposentados ou caça ritual ao funcionalismo público.

A pergunta incômoda é outra. Se o endividamento avança em ritmo perigoso, por que a imprensa corporativa insiste em mirar quase sempre o gasto social, enquanto preserva a política de juros como se fosse uma cláusula pétrea da República? É nesse ponto que o presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo, deixa de ser apenas um operador técnico e passa a ocupar o centro de um conflito político de primeira grandeza.

A política monetária sob comando do Banco Central mantém o país preso a juros reais excepcionalmente elevados, com efeito direto sobre o Tesouro Nacional e sobre a capacidade do Estado de financiar políticas públicas. Dados oficiais do IBGE em parceria com o Tesouro Nacional indicam que o Governo Geral gastou R$ 971 bilhões com pagamento de juros da dívida pública em 2024, cifra que ajuda a explicar por que qualquer regra fiscal vira uma corrida contra uma esteira ligada no máximo.

O contraste é brutal porque revela a assimetria do debate. Cálculos da pesquisadora Tatiana Pinheiro, da Fundação Getulio Vargas, apontam que estabilizar a trajetória da dívida exigiria superávit primário próximo de 2,5% do PIB, algo em torno de R$ 450 bilhões. Apenas nos primeiros onze meses de 2024, o Tesouro Nacional desembolsou R$ 559,8 bilhões com juros nominais, valor superior ao esforço fiscal anual estimado para recolocar as contas em rota sustentável.

Essa comparação não elimina a necessidade de escolhas orçamentárias difíceis, mas muda a hierarquia do problema. Quando o custo parcial dos juros supera em mais de R$ 100 bilhões o ajuste anual apontado como necessário, fica difícil sustentar a fantasia de que o drama fiscal brasileiro se explica sobretudo por salários, aposentadorias ou programas sociais. A conta que sangra o orçamento tem endereço conhecido: a remuneração da dívida em um país submetido a uma política monetária que favorece o rentismo.

O roteiro preferido da grande imprensa é conhecido e, por isso mesmo, cada vez menos convincente. Dramatiza-se o gasto primário, transforma-se previdência em suspeita permanente, coloca-se o servidor público no banco dos réus e se preserva a renda financeira como se ela habitasse uma esfera moral superior. O problema é que a dívida não cresce apenas porque o Estado gasta, mas porque paga caro demais para rolar a própria dívida.

O próprio Banco Central reconhece, em seus dados fiscais, que a incorporação de juros nominais é um dos principais fatores de aumento da Dívida Bruta do Governo Geral. Em maio de 2026, a autoridade monetária detalhou que a alta do endividamento foi puxada pelo crescimento dos juros. É o velho efeito bola de neve: quando a taxa de juros real supera o crescimento da economia, a dívida engorda por inércia, mesmo quando o governo tenta conter despesas primárias.

Galípolo conhece essa engrenagem por dentro e isso torna sua posição ainda mais sensível. Antes de chegar à presidência do Banco Central, ele participou de decisões do Comitê de Política Monetária em que defendeu cortes mais fortes na Selic e chegou a classificar o patamar dos juros no Brasil como uma «anomalia» estrutural. A questão política, agora, é que a cadeira de comando cobra mais do que diagnóstico elegante: cobra capacidade de romper com a lógica que transforma o arcabouço fiscal em peça decorativa diante da voracidade financeira.

O alerta da IFI ganha força justamente porque não autoriza uma leitura simplória de terra arrasada. O IBGE informou que o PIB cresceu 1,1% no primeiro trimestre de 2026 frente ao trimestre anterior e chegou a R$ 3,3 trilhões, com altas nos três grandes setores. O Relatório de Política Monetária do Banco Central de junho de 2026 também registrou esse desempenho, sinal de que a economia real não confirma o catastrofismo usado para justificar arrocho permanente.

O próximo governo terá, sim, decisões fiscais difíceis, e a IFI presta serviço público ao colocar números incômodos na mesa. Mas a decisão mais difícil talvez seja enfrentar a blindagem ideológica que protege a renda financeira enquanto exige sacrifício de quem depende de serviço público, aposentadoria e salário. Se a discussão continuar tratando juros como detalhe técnico e gasto social como pecado original, o país seguirá chamando de responsabilidade fiscal aquilo que, na prática, funciona como transferência bilionária para os detentores da dívida.

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Flavio Bolsonaro ignora herança fiscal de seu pai e diz que Lula é pior que uma guerra https://www.ocafezinho.com/2026/06/23/flavio-bolsonaro-ignora-heranca-fiscal-de-seu-pai-e-diz-que-lula-e-pior-que-uma-guerra/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/23/flavio-bolsonaro-ignora-heranca-fiscal-de-seu-pai-e-diz-que-lula-e-pior-que-uma-guerra/#respond Tue, 23 Jun 2026 21:02:11 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/06/23/flavio-bolsonaro-ignora-heranca-fiscal-de-seu-pai-e-diz-que-lula-e-pior-que-uma-guerra/ O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, declarou nesta segunda-feira (22 de junho) que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ‘faz mais mal ao país do que a guerra entre Rússia e Ucrânia’. A fala, proferida durante evento em Brasília, foi registrada pelo Poder360 e representa mais um lance da campanha de hiperbolização que a extrema-direita adotou para tentar esconder os danos causados pela própria gestão de Jair Bolsonaro (PL) entre 2019 e 2022.

Flávio Bolsonaro sustentou que a taxa de juros brasileira, hoje entre as mais altas do planeta, só não supera a da Rússia — país que enfrenta um conflito armado de grandes proporções há mais de três anos. O raciocínio, porém, desmorona diante da realidade econômica: a Selic elevada não nasceu no governo Lula, mas sim da combinação explosiva entre desequilíbrio fiscal crônico, desmonte institucional e sucessivas crises de credibilidade acumuladas ao longo do mandato de seu pai.

A inflação que o Brasil combate hoje foi semeada durante a pandemia, quando o governo Bolsonaro promoveu uma gastança eleitoreira sem contrapartida fiscal. Foram mais de R$ 500 bilhões em medidas emergenciais descoordenadas, renúncias fiscais sem critério e um teto de gastos estourado por pedaladas orçamentárias. O Banco Central, cuja autonomia formal foi concedida exatamente naquela gestão, passou a reagir com juros altos a um quadro de incerteza que o próprio Executivo da época ajudou a construir.

Comparar os efeitos da Selic com a devastação de uma guerra — que já matou centenas de milhares de pessoas, deslocou milhões e destruiu cidades inteiras no leste europeu — não é apenas uma distorção grosseira. É um insulto deliberado à inteligência do eleitor, moldado para alimentar o ressentimento da militância bolsonarista e criar um clima de caos permanente que favorece o radicalismo político.

O senador do PL-RJ, no entanto, evita mencionar que a própria legenda foi uma das principais patrocinadoras da crise fiscal que agora aponta como drama nacional. O partido comandou o Ministério da Economia por quatro anos e deixou como legado um rombo fiscal estrutural, uma dívida pública que beirou 80% do PIB e uma série de calotes contra credores do setor produtivo — tudo sob a retórica vazia de ‘responsabilidade fiscal’.

Enquanto o bolsonarismo encena indignação com os juros altos, é útil lembrar que a Rússia, citada na comparação de Flávio, enfrenta uma taxa básica de 16% ao ano — em parte porque conseguiu preservar fundamentos macroeconômicos sólidos, reservas internacionais robustas e um superávit comercial expressivo mesmo sob sanções do Ocidente. O Brasil, por outro lado, ainda paga o preço de anos de irresponsabilidade e sabotagem das contas públicas.

A estratégia retórica de Flávio Bolsonaro é conhecida: deslocar o debate da realidade para o terreno da emoção, onde fatos perdem relevância diante do grito de guerra. Ao superdimensionar os problemas do governo Lula — que, apesar das dificuldades, conseguiu reduzir o desemprego a mínimas históricas, aprovar a reforma tributária e retomar programas sociais —, o pré-candidato busca unificar sua base em torno do inimigo comum e desviar a atenção dos escândalos que perseguem o clã Bolsonaro, como as investigações sobre o Banco Master e as articulações do PL com milícias digitais.

Também não é coincidência que o discurso tenha sido desferido justamente no momento em que o governo federal anuncia novos investimentos em infraestrutura, amplia o Bolsa Família e colhe resultados positivos da retomada da política industrial. A reação do bolsonarismo é inversamente proporcional ao medo de que Lula consolide um ciclo de crescimento com inclusão social, o que isolaria definitivamente a extrema-direita no campo da pura demagogia.

O choque de realidade que Flávio Bolsonaro tenta evitar é simples: a Selic alta não decorre de um suposto ‘mal’ intrínseco do governo Lula, mas de um passivo fiscal monumental deixado por quem hoje posa de fiscal da pátria. A inflação que o Banco Central combate é, em larga medida, produto de um ambiente de desconfiança semeado justamente por aqueles que, agora, exploram o sofrimento do crédito caro para inflamar o discurso de ódio.

Ao comparar um governo democraticamente eleito a uma guerra de agressão, Flávio Bolsonaro não apenas desrespeita a liturgia do cargo de senador. Ele rebaixa o debate público a um nível de irracionalidade que serve unicamente aos interesses de uma família política que, sem poder real, só sobrevive da fabricação incessante de crises imaginárias.

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TSE acumula 135 representações por propaganda antecipada e pré-campanha vira trincheira jurídica https://www.ocafezinho.com/2026/06/23/tse-acumula-135-representacoes-por-propaganda-antecipada-e-pre-campanha-vira-trincheira-ju/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/23/tse-acumula-135-representacoes-por-propaganda-antecipada-e-pre-campanha-vira-trincheira-ju/#respond Tue, 23 Jun 2026 17:00:33 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/06/23/tse-acumula-135-representacoes-por-propaganda-antecipada-e-pre-campanha-vira-trincheira-ju/ O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já recebeu 135 representações por propaganda eleitoral antecipada desde o início de 2026, cifra que representa um salto de 335% em relação ao mesmo período da corrida presidencial de 2022, quando apenas 31 ações foram protocoladas. Os números, antecipados pelo G1, revelam um cenário inédito de judicialização da pré-campanha, com as siglas partidárias transformando o tribunal em arena de combate muito antes da autorização legal para pedidos de voto.

O fenômeno expõe uma profissionalização da litigância eleitoral que altera a dinâmica da disputa: partidos não apenas fiscalizam eventuais irregularidades, mas utilizam as representações como plataforma de desgaste de adversários. A cada ação protocolada, busca-se não necessariamente a condenação do oponente, mas a construção de uma narrativa de ilegalidade que paute o noticiário e envenene a imagem do alvo antes que ele consiga se apresentar oficialmente ao eleitorado.

Do total de representações, a esmagadora maioria foi impulsionada pelas siglas que já possuem pré-candidatos à Presidência da República, em um movimento que escancara a estratégia de antecipar a guerra judicial para compensar eventuais fraquezas na guerra eleitoral propriamente dita. Legenda com mandatário no poder e partidos de oposição trocam acusações cruzadas, criando um ambiente de permanente estado de alerta jurídico que consome tempo, recursos financeiros e energia das assessorias.

O patamar de 135 ações em menos de seis meses supera com folga tudo o que se viu em ciclos eleitorais anteriores. Para efeito de comparação, as 31 representações de 2022 cobriam o período completo de janeiro a junho daquele ano — um intervalo praticamente idêntico, mas com volume quase cinco vezes menor. A escalada reflete não apenas uma pré-campanha mais agressiva, mas também uma mudança de comportamento institucional dos partidos, que passaram a encarar a Justiça Eleitoral como extensão natural do comitê de campanha.

Há uma razão objetiva para o fenômeno: a legislação eleitoral brasileira fixa punições brandas para a propaganda antecipada — em geral, multas de valor reduzido diante dos orçamentos bilionários de campanha. Com o risco financeiro baixo, o cálculo político se inverte: vale a pena forçar a barra, provocar o adversário e, se denunciado, transformar a representação em palanque midiático. O prejuízo reputacional causado a um oponente pode ser infinitamente superior ao custo de uma multa eventual.

Na prática, qualquer ato público de um pré-candidato se torna alvo potencial de representação. Um discurso com tom eleitoral, uma carreata disfarçada de evento partidário, uma postagem em rede social com pedido implícito de voto — tudo é capturado pela vigilância adversária e convertido em peça jurídica. A fronteira entre a fiscalização legítima e o assédio processual se torna cada vez mais tênue, e o TSE se vê forçado a arbitrar uma disputa que, em última instância, deveria ser resolvida nas urnas.

A corrida ao Judiciário também tem efeitos colaterais sobre o calendário eleitoral. Com a multiplicação de ações, cresce a pressão sobre os gabinetes dos ministros do TSE, que precisam separar os casos que de fato configuram abuso daqueles que são mero instrumento de guerrilha partidária. O risco de uma decisão liminar equivocada — seja para punir ou para absolver — pode influenciar indevidamente o equilíbrio entre os competidores, gerando um dano difícil de reparar mesmo que a sentença final venha depois da votação.

O fenômeno também espelha a fragmentação do sistema partidário brasileiro. Com tantas siglas disputando a atenção do eleitorado e o acesso ao fundo eleitoral bilionário, a pré-campanha se transformou em um mercado altamente competitivo onde vale qualquer recurso para se destacar — inclusive a provocação calculada para gerar uma representação que renda manchetes. Nessa lógica distorcida, o processo judicial deixa de ser um risco a ser evitado e se torna um ativo político a ser explorado.

Enquanto o tribunal analisa a enxurrada de ações, os pré-candidatos seguem com agendas que flertam perigosamente com a campanha explícita. Comícios disfarçados, inaugurações com multidões e entrevistas com forte teor eleitoral pontuam o noticiário diário, alimentando novas representações em um ciclo vicioso que não deve arrefecer até agosto, quando a propaganda oficial é finalmente liberada.

A escalada das representações também lança luz sobre a ineficácia do marco regulatório atual. As regras sobre pré-campanha foram concebidas para um tempo em que a disputa política se concentrava em poucos meses e em meios tradicionais de comunicação. Hoje, com as redes sociais permitindo campanha permanente e as estruturas partidárias operando 24 horas por dia, o arcabouço legal parece insuficiente para conter a antecipação da briga eleitoral por via judicial — e as 135 representações são a prova material desse descompasso.

Para os eleitores, o resultado concreto é uma pré-campanha ainda mais ruidosa e menos focada em propostas de governo. Enquanto as assessorias jurídicas se degladiam nos autos, as discussões programáticas sobre saúde, educação e economia ficam relegadas a segundo plano. A política se resolve em liminares e multas, e o debate público, que deveria amadurecer ao longo do ano, é substituído por uma guerra de dossiês que em nada prepara o país para a escolha que fará em outubro.

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Cientista político denuncia manipulação da pesquisa Ipsos/Ipec para ‘asfixiar’ governo Lula https://www.ocafezinho.com/2026/06/23/cientista-politico-denuncia-manipulacao-da-pesquisa-ipsos-ipec-para-asfixiar-governo-lula/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/23/cientista-politico-denuncia-manipulacao-da-pesquisa-ipsos-ipec-para-asfixiar-governo-lula/#respond Tue, 23 Jun 2026 15:00:48 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/06/23/cientista-politico-denuncia-manipulacao-da-pesquisa-ipsos-ipec-para-asfixiar-governo-lula/ A divulgação da mais recente pesquisa de intenção de voto do instituto Ipsos/Ipec transcendeu o debate sobre números e se converteu em uma operação de guerra política. A avaliação é do advogado e cientista político Jorge Folena, que em entrevista ao Brasil de Fato detalhou como a cobertura da imprensa de mercado atua para minar a legitimidade do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, descolando artificialmente os dados de desaprovação do contexto geral do levantamento.

Segundo Folena, é possível observar uma trajetória de recuperação consistente do governo federal, especialmente quando se compara o atual momento com pesquisas de meses anteriores. O dado que a grande imprensa sistematicamente omite ou relega a notas de rodapé é que, somadas as avaliações positivas — ótimo, bom e regular —, o índice de aprovação da gestão Lula se aproxima de 60%. Para o cientista político, esse recorte seletivo não é um acidente jornalístico, mas uma estratégia deliberada de asfixia política.

A elite econômica brasileira, representada por seus veículos de comunicação, opera um mecanismo conhecido: extrai da pesquisa o fragmento que serve à narrativa de caos e o amplifica, enquanto esconde os dados que apontam estabilidade e recuperação. O resultado é a fabricação de uma percepção pública distorcida, que por sua vez alimenta a pressão institucional sobre o Planalto. Folena classifica esse movimento como uma tentativa explícita de criar uma crise de governabilidade onde ela não existe nos números reais.

O contexto institucional brasileiro oferece camadas adicionais de gravidade a essa análise. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o Ministério Público Eleitoral intensificaram, ao longo de junho de 2026, as discussões sobre os riscos de indução do eleitorado a partir da formulação de perguntas e do uso de recursos multimídia em pesquisas de opinião. Essas preocupações, incorporadas ao arcabouço regulatório, demonstram que o próprio Estado brasileiro reconhece a capacidade de manipulação contida na divulgação parcial ou enviesada de levantamentos estatísticos.

Um marco relevante nesse processo foi a atualização da Resolução TSE nº 23.600/2019 pela Resolução nº 23.747/2026, publicada em fevereiro deste ano. A nova norma exige que estatísticos atestem formalmente a integridade dos dados e da metodologia utilizada, permitindo auditoria independente. A medida é uma resposta institucional direta à percepção de que pesquisas podem ser instrumentalizadas como armas de guerra política, impactando a estabilidade do ambiente democrático e a própria capacidade de governar.

A cobertura da pesquisa Ipsos/Ipec se insere nesse debate de forma exemplar. Ao isolar o índice de desaprovação e transformá-lo em manchete, os veículos da mídia corporativa não relatam um dado — eles produzem um fato político novo. A consequência concreta é a erosão da confiança popular, o encarecimento do capital político necessário para aprovar pautas no Congresso Nacional e a criação de um ambiente propício para ofensivas especulativas contra a economia brasileira.

Folena argumenta que a fragmentação da pesquisa serve a um projeto político que jamais aceitou a derrota nas urnas. Setores que perderam o controle do Palácio do Planalto transferiram a disputa para o campo da percepção pública, utilizando seus instrumentos midiáticos para corroer a autoridade do governo eleito. Não se trata de opinião ou viés, mas de uma engenharia de consenso fabricada com o propósito explícito de enfraquecer um projeto de país soberano e voltado ao desenvolvimento social.

O impacto legislativo dessa operação é imediato. Uma gestão artificialmente desgastada pela mídia enfrenta resistência ampliada no Parlamento, vê suas medidas provisórias travadas e seus ministros convocados para desgastes rituais em comissões. A crise de governabilidade, quando não encontra lastro na realidade material, precisa ser encenada nos jornais e telejornais para depois se materializar no plenário. O círculo vicioso se fecha quando a imprensa noticia como fato político aquilo que ela mesma ajudou a criar.

A defesa de maior transparência e fiscalização sobre os institutos de pesquisa, bandeira que o TSE transformou em norma, ganha urgência diante desse cenário. Não basta que os números sejam auditáveis; é preciso que sua divulgação não seja sequestrada por interesses que nada têm a ver com informação pública. A fragmentação maliciosa de dados é uma forma de desinformação tão eficaz quanto a mentira explícita, e no atual ambiente regulatório brasileiro, ainda encontra terreno fértil para prosperar.

Para o cientista político, a resiliência do governo Lula diante desse cerco midiático é um dado subestimado pelos analistas de mercado. Enquanto os jornais econômicos decretam crises semanais, os indicadores sociais seguem em recuperação, o emprego resiste e a política externa brasileira recupera protagonismo com a presidência do BRICS. Há um país real que insiste em não se comportar conforme o roteiro da manchete, e é precisamente essa desconexão que os operadores da crise tentam eliminar.

A análise de Jorge Folena expõe, portanto, a mecânica precisa de uma guerra de quarta geração travada no campo informacional: a elite econômica financia institutos, a imprensa de mercado recorta os dados, o Congresso reage ao clima artificial e o governo é forçado a gastar energia política se defendendo de crises que não brotam da realidade, mas das páginas dos jornais. Romper esse ciclo exige não apenas regulação, mas uma alfabetização crítica do eleitorado brasileiro sobre como as pesquisas são produzidas e, sobretudo, como são contadas.

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Lucro recorde dos bancos atinge R$ 255 bilhões e expõe relação promíscua entre juros altos e autonomia do BC https://www.ocafezinho.com/2026/06/22/lucro-recorde-dos-bancos-atinge-r-255-bilhoes-e-expoe-relacao-promiscua-entre-juros-altos/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/22/lucro-recorde-dos-bancos-atinge-r-255-bilhoes-e-expoe-relacao-promiscua-entre-juros-altos/#respond Mon, 22 Jun 2026 21:04:44 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/06/22/lucro-recorde-dos-bancos-atinge-r-255-bilhoes-e-expoe-relacao-promiscua-entre-juros-altos/ O sistema financeiro brasileiro alcançou em 2025 o maior lucro de sua história: R$ 255 bilhões. O montante, que representa um salto significativo sobre os R$ 145 bilhões registrados em 2024, foi impulsionado diretamente por uma taxa Selic que o Banco Central manteve em 15% ao ano — a mais elevada em quase duas décadas e uma das maiores do planeta quando descontada a inflação. O levantamento do G1 com base nos balanços dos cinco maiores bancos do país — Itaú, Banco do Brasil, Bradesco, Santander e Caixa Econômica Federal — expõe a engrenagem que transfere riqueza da economia real para o patrimônio de acionistas.

O recorde bilionário é fruto de um mecanismo que se retroalimenta. A Selic, fixada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) com o aval da autonomia operacional do BC, serve de piso para os juros cobrados nos empréstimos bancários. Nas linhas de crédito não direcionado — aquelas sem taxas favorecidas — os bancos praticam spreads que multiplicam o custo do dinheiro para empresas e famílias. Com a taxa básica a 15%, o crédito rotativo do cartão, o cheque especial e o capital de giro tornaram-se instrumentos de confisco silencioso da renda nacional.

A autonomia formal do Banco Central, conquistada durante o governo anterior sob o pretexto de blindagem técnica, revela-se agora como o pilar institucional que garante previsibilidade ao rentismo. Enquanto o discurso oficial insiste no mantra do combate à inflação, a realidade dos demonstrativos contábeis conta outra história: o custo da dívida pública explodiu, o Tesouro Nacional sangrou com encargos que superaram R$ 800 bilhões no ano, e o setor produtivo viu o investimento produtivo encolher diante da alternativa muito mais rentável de aplicar em títulos soberanos.

É uma década de consolidação dessa transferência. Desde 2016, ano do impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff, o país assistiu a uma escalada consistente dos ganhos financeiros em proporção ao PIB. Cada ponto percentual da Selic mantido acima do necessário para convergência inflacionária representa, na prática, uma renúncia fiscal invertida: o Estado renuncia ao crescimento e repassa, via dívida pública, recursos que engordam o balanço das instituições financeiras.

Os números de 2025 revelam que o Itaú Unibanco liderou o ranking com folga, aproximando-se da marca de R$ 100 bilhões em lucro líquido. O Banco do Brasil, mesmo com a dupla função de banco comercial e agente de políticas públicas, também registrou alta expressiva, beneficiando-se da carteira de crédito atrelada ao agronegócio — setor que, apesar de isenções fiscais e taxas subsidiadas, remunera acionistas com dividendos generosos.

O Bradesco e o Santander, que em anos anteriores amargaram provisões mais pesadas com inadimplência, reverteram o cenário. A explicação é cíclica, mas também política: a renegociação de dívidas de grandes empresas e o alongamento de perfis de crédito foram acompanhados por um encolhimento da oferta para pequenas e médias empresas, justamente as que geram emprego. O resultado é lucro recorde para os bancos e desassistência para quem produz.

A Caixa Econômica Federal, por sua vez, ilustra a contradição do modelo. Banco estatal responsável pelo financiamento habitacional e pelo FGTS, a Caixa viu seu lucro subir, mas sua carteira de crédito imobiliário encolher em termos reais. O dinheiro que deveria irrigar a construção civil e gerar empregos de qualidade foi, em parte, drenado por aplicações em títulos públicos de curtíssimo prazo — operação perfeitamente legal, mas que desvirtua a função social de um banco público.

O ano de 2025 expôs também a hipocrisia do discurso liberal sobre eficiência. Enquanto os bancos celebram ganhos extraordinários, a indústria de transformação brasileira perdeu participação no PIB, recuando ao nível mais baixo desde os anos 1940. A cada R$ 100 gerados pela economia brasileira, mais de R$ 20 foram parar no setor financeiro — uma proporção típica de economias periféricas e dependentes, onde o rentismo captura o excedente antes que ele se converta em salário, inovação ou infraestrutura.

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfrenta o dilema com as mãos parcialmente amarradas. A autonomia do BC, herdada da gestão anterior e mantida por força de lei, impede que o Palácio do Planalto interfira diretamente na taxa de juros. O presidente já criticou publicamente o patamar da Selic em diversas ocasiões, classificando-o como injustificável e lesivo ao país, mas a caneta que define os juros segue nas mãos do Copom.

Especialistas críticos ao modelo apontam que a solução passa por um novo arranjo institucional. Além de revisar a autonomia — que na prática funciona como um mandato para favorecer o capital financeiro —, seria preciso ampliar o crédito direcionado, usar os bancos públicos como indutores de concorrência e tributar lucros extraordinários. A taxação de dividendos, até agora bloqueada no Congresso Nacional, aparece como instrumento central para reequilibrar minimamente a balança.

Enquanto o debate legislativo não avança, os R$ 255 bilhões de 2025 entram para a história como o símbolo mais bem-acabado de uma economia que premia quem empresta, pune quem produz e concentra renda em velocidade recorde. O Brasil acumula, ano após ano, as marcas de um projeto de poder que soube blindar o sistema financeiro das urgências do desenvolvimento nacional.

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Copom reduz taxa Selic para 14,25% ao ano https://www.ocafezinho.com/2026/06/18/copom-reduz-taxa-selic-para-1425-ao-ano/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/18/copom-reduz-taxa-selic-para-1425-ao-ano/#respond Thu, 18 Jun 2026 10:22:56 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/06/18/copom-reduz-taxa-selic-para-1425-ao-ano/ O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) reduziu nesta quarta-feira (17) em 0,25 ponto percentual a Taxa Selic, que passará de 14,50% para 14,25% ao ano.

Esta é a terceira vez consecutiva que o comitê reduz os juros.

O BC utiliza a Selic, os juros básicos da economia, como um instrumento para reduzir o ritmo da atividade econômica e, com isso, tentar controlar a inflação.

Quando o juro sobe ou fica alto por muito tempo, o crédito encarece, ficando mais caro para quem compra no cartão, nas parcelas de produtos e no financiamento de imóveis, levando a uma perda de força no consumo.

Quando há redução, a perspectiva é de estímulo para a economia e de um menor risco de descontrole nos preços.

Na reunião anterior, em abril, o comitê apontou como justificativa para um ritmo menor na queda dos juros as incertezas sobre os desdobramentos dos conflitos geopolíticos no Oriente Médio e as expectativas para inflação em alta por período mais prolongado.

De junho de 2025 a março deste ano, a Selic ficou em 15% ao ano, o maior nível em quase 20 anos.

O Copom iniciou o corte dos juros em março, num cenário de queda da inflação. No entanto, a guerra no Oriente Médio, que se refletiu no aumento dos preços de combustíveis e de alimentos, dificulta a queda da taxa.

Consequências do conflito

O Copom apontou a permanência de incertezas sobre os termos do acordo para cessar os conflitos armados no Oriente Médio e as consequências dos efeitos já materializados desses conflitos como determinantes para a decisão de cortar a taxa de juros.

Segundo a instituição, o cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities.

“No cenário atual, caracterizado por forte aumento da incerteza, o Comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária. Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego”, disse o Copom em comunicado.

Em relação ao ambiente doméstico, o comitê disse que o conjunto dos indicadores mostra aceleração da atividade econômica no primeiro trimestre do ano, “com setores mais cíclicos voltando a desempenhar papel significativo, e mercado de trabalho ainda com sinais de resiliência.”

Nesse cenário, as expectativas de inflação cheia aceleraram, distanciando-se da meta para a inflação, inclusive superando o limite superior da banda, com projeções de inflação para 2026 e 2027, apuradas pela pesquisa Focus, situando-se em 5,30% e 4,10%, respectivamente.

A meta para a inflação fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) para o período iniciado em janeiro de 2025 é 3%, com intervalo de tolerância de menos 1,50 ponto percentual e mais 1,50 ponto percentual, isto é, de 1,50% a 4,50%.

“O comitê segue acompanhando como os desenvolvimentos da política fiscal doméstica impactam a política monetária e os ativos financeiros, reforçando a postura de cautela em cenário de maior incerteza”, diz o comunicado.

Segundo o comitê, os indicadores correntes de atividade econômica mostram recuperação em relação ao último trimestre de 2025, mantendo-se consistentes com uma trajetória de desaceleração no acumulado de 2026, mas que o cenário segue sendo marcado por “expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas, e pressões no mercado de trabalho”.

O comitê informou ainda que o tamanho total do ajuste dos juros dependerá dos próximos dados econômicos, com o objetivo de garantir que a inflação volte à meta.

“Nessas condições, o Comitê avalia que trajetórias alternativas garantindo a convergência da inflação à meta no primeiro trimestre de 2028, o horizonte relevante a partir de sua próxima decisão, são compatíveis com a suavização na variação dos agregados macroeconômicos”, disse o Copom.

Fonte: Agência Brasil

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PEC no Senado facilita cooptação do Banco Central, dizem economistas https://www.ocafezinho.com/2026/06/06/pec-no-senado-facilita-cooptacao-do-banco-central-dizem-economistas/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/06/pec-no-senado-facilita-cooptacao-do-banco-central-dizem-economistas/#respond Sat, 06 Jun 2026 20:21:58 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/06/06/pec-no-senado-facilita-cooptacao-do-banco-central-dizem-economistas/ A autonomia financeira e orçamentária do Banco Central (BC), prevista em proposta de emenda à Constituição (PEC), em tramitação no Senado, facilita a cooptação pelo setor financeiro da autoridade monetária responsável por regular e fiscalizar a área, além de favorecer a manutenção dos altos juros no Brasil.

Essa é a avaliação de renomados economistas brasileiros que publicaram nesta semana manifesto contra a PEC 65 de 2023, que está na pauta de votações da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado.

“A PEC cria independência seletiva: afasta o BC do controle democrático do Estado (Congresso, Tribunal de Contas da União- TCU, Executivo), mas o mantém estruturalmente poroso às influências do mercado financeiro. Perdem-se os freios dos poderes constituídos e os canais de acesso do setor privado continuam abertos”, diz o manifesto.

Entre os autores, estão Luiz Carlos Bresser-Pereira, professor de economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e ex-ministro da Fazenda; e Luiz Gonzaga Belluzzo, professor de economia da Unicamp e ex-secretário de política econômica do Ministério da Fazenda. A lista completa dos signatários pode ser conferida no final desta reportagem.

O manifesto sustenta que a PEC fragiliza a fiscalização, o controle social e a responsabilização do Banco Central; aumenta a dívida pública; e poderia criar um modelo único no mundo que reúne autonomia financeira e operacional da autoridade monetária.

Manutenção dos Juros altos

O manifesto destaca que o dinheiro que seria retido pelo Banco Central por meio da senhoriagem – receita oriunda da criação de moeda – é fruto das condições macroeconômicas que o BC deve administrar. Isso criaria um possível conflito entre interesse público e o orçamento da instituição.

“O BC passaria a se beneficiar institucionalmente de condições macroeconômicas que deveria administrar em nome do interesse público, e não de seu próprio orçamento. E como a senhoriagem depende dos juros, o BCB passaria a ter conflito de incentivos em relação à manutenção de juros elevados”, dizem os economistas.

O Brasil tem hoje as segundas maiores taxas de juros reais do mundo, perdendo apenas para Rússia, país que está em guerra. Os juros altos são o principal motor do crescimento da dívida pública do país.

Receita da criação de moeda ficaria com BC

Em 2021, foi aprovada e sancionada Lei que concedeu ao BC autonomia administrativa e operacional em relação ao governo, mas a instituição segue dependente do Orçamento da União para as atividades que desempenha.

A PEC 65 ampliaria essa autonomia ao permitir que o BC retenha recursos que obtém por meio da senhoriagem. Essa receita foi de R$ 23,3 bilhões, ao ano, entre 2017 e 2025, enquanto o orçamento do BC foi de R$ 4,8 bilhões, ao ano, no mesmo período.

“A senhoriagem equivale a cerca de cinco vezes o que o Banco gasta para funcionar. A PEC abre espaço legal para a apropriação patrimonialista da senhoriagem e confere imensa frouxidão fiscal ao BC, que contrasta com o corte dos gastos sociais que é exigido pelo mercado financeiro e pelo presidente do BC [Gabriel Galípolo]”, diz o documento.

Galípolo e bancos defendem PEC

A PEC 65 é defendida pela direção do Banco Central, liderada pelo presidente Gabriel Galípolo, que argumenta que a instituição está nos limites dos recursos para cumprir com a missão de fiscalizar e regular o sistema financeiro.

A PEC também é defendida pelos bancos privados que o BC tem a obrigação de regular e fiscalizar. A Associação Brasileira de Bancos (ABBC) e a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) têm se manifestado favoravelmente à proposta.

Caso Master

Os signatários do manifesto contrário à PEC 65 citam o caso da emenda do Banco Master, apresentado a essa proposta pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI), investigado pela Polícia Federal (PF) sob a suspeita de ter sido redigida pela instituição de Daniel Vorcaro para ampliar a capacidade de fraude no sistema financeiro.

“Um BC orçamentariamente autônomo e desvinculado da supervisão parlamentar torna-se, estruturalmente, um regulador mais vulnerável à pressão do setor que regula. Os parágrafos 8º e 9º do novo art. 164 do substitutivo ampliam os mecanismos de socorro financeiro de emergência”, afirmam os economistas.

Para os especialistas, a PEC deixa o BC mais “vulnerável à interferência política, de lobistas e do setor financeiro sobre a nomeação de diretores e a composição de seu quadro funcional”.

Fiscalização fragilizada

Os signatários do manifesto apontam ainda que a proposta desmonta os mecanismos de fiscalização e responsabilização orçamentária, hoje previstos na Lei Orçamentária Anual.

“A PEC desmonta esses mecanismos sistematicamente — retira o BC da LOA, enfraquece a jurisdição do TCU”, diz o manifesto.

O texto lembra que o BC aprova, supervisiona e pode socorrer as mesmas instituições que, indiretamente, alimentam seu orçamento. “Essa é a definição clássica de um regulador capturado: um agente concebido para servir ao público, mas cujos incentivos o aproximam sistematicamente dos interesses dos regulados”, completa o documento.

Para os economistas, a PEC fragiliza os mecanismos de controle social do Banco Central ao retirar o orçamento da instituição da LOA, reduzindo “a capacidade de supervisão efetiva do Congresso, do TCU e da sociedade sobre decisões com amplo impacto macroeconômico”.

Dívida Pública

Os economistas lembram que a medida aumenta a dívida pública do governo ao retirar receitas do Tesouro Nacional, que passariam a ser controladas pelo Banco Central.

“Com a PEC, a senhoriagem [receita oriunda da emissão de moedas] deixaria de abater a dívida, porque seria entendida como ‘receita própria’ do BC sem obrigatoriedade de transferência para o Estado brasileiro.”

Caso único

Os economistas que subscrevem o manifesto refutam a justificativa apresentada pelo relator, senador Plínio Valério (PSDB-MA), de que a PEC se alinha as melhores práticas internacionais.

“Nenhum dos principais bancos centrais do mundo possui a combinação de autonomia financeira, isenção orçamentária e blindagem parlamentar que a PEC pretende criar”, diz o documento, que descreve os casos dos BCs dos Estados Unidos (EUA), Reino Unido, Zona do Euro e Japão.

Signatários

  • Luiz Carlos Bresser-Pereira – FGV, ex-Ministro da Fazenda
  • Luiz Gonzaga Belluzzo – Unicamp, ex-Secretário de política econômica do Ministério da Fazenda
  • Flavia Dantas – SUNY – Cortland
  • Pedro Paulo Zahluth Bastos – Unicamp
  • Élida Graziane – FGV e Procuradora do Ministério Público de Contas do Estado de São Paulo
  • Paulo Nogueira Batista Jr. – Economista
  • Leda Paulani – USP
  • Ladislau Dowbor – PUC-SP
  • Maria de Lourdes Rollemberg Mollo – UNB
  • Haroldo Silva – Presidente do Corecon – SP
  • Isabel Busato – UFRJ
  • André Modenesi – UFRJ
  • Lena Lavinas – UFRJ
  • Luiz Fernando de Paula – UFRJ
  • Vanessa Petrelli Corrêa – UFU
  • Carlos Aguiar de Medeiros – UFRJ
  • Rosa Maria Marques – PUC-SP
  • Simone Deos – Unicamp
  • Antônio Prado – Vice-Presidente do Corecon – SP
  • Adriana Amado – UNB
  • Pedro Rossi – Unicamp
  • Gilberto Bercovicci – USP
  • Larissa Naves de Deus Dornelas – UFPR
  • Marco Antônio Rocha – Unicamp
  • Juliane Furno – UFF

Fonte: Agência Brasil

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Economistas lançam manifesto contra PEC que amplia autonomia financeira do Banco Central https://www.ocafezinho.com/2026/06/03/economistas-lancam-manifesto-contra-pec-que-amplia-autonomia-financeira-do-banco-central/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/03/economistas-lancam-manifesto-contra-pec-que-amplia-autonomia-financeira-do-banco-central/#respond Thu, 04 Jun 2026 00:40:31 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/06/03/economistas-lancam-manifesto-contra-pec-que-amplia-autonomia-financeira-do-banco-central/ Um grupo de destacados economistas brasileiros lançou um manifesto contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que amplia a autonomia financeira do Banco Central, atualmente em tramitação no Senado. O documento alerta que a medida criaria um perigoso vácuo de responsabilidade democrática sobre a principal instituição monetária do país e a tornaria mais suscetível à interferência de lobistas e do setor financeiro.

Entre os signatários do manifesto estão figuras de peso como o ex-ministro da Fazenda Luiz Carlos Bresser-Pereira, o consultor editorial de CartaCapital Luiz Gonzaga Belluzzo e a procuradora do Ministério Público de Contas de São Paulo Élida Graziane. Também assinam o documento Paulo Nogueira Batista Jr., colunista de CartaCapital e ex-diretor-executivo do FMI pelo Brasil, e a economista Juliane Furno, da Universidade Federal Fluminense, formando uma frente técnica de oposição à proposta.

A PEC, relatada pelo senador Plínio Valério (PSDB-AM), está em análise na Comissão de Constituição e Justiça do Senado. A expectativa no Congresso é que o texto seja votado no colegiado em meio a pressão de setores do mercado financeiro e da academia.

O manifesto sustenta que a proposta abre espaço legal para a apropriação patrimonialista da senhoriagem, recurso bilionário oriundo da emissão de moedas que atualmente é transferido ao Tesouro Nacional para abater a dívida pública. Os economistas denunciam que a PEC confere imensa frouxidão fiscal ao Banco Central, contrastando com o rigoroso corte de gastos sociais exigido pelo mercado e pelo próprio presidente da autarquia, Gabriel Galípolo.

Segundo reportagem da Carta Capital, o documento defende não apenas a rejeição integral do texto, mas também a preservação do modelo atual de transferência das receitas de senhoriagem ao Tesouro Nacional. Além disso, os signatários exigem a manutenção da supervisão parlamentar plena sobre a autoridade monetária e o fortalecimento dos mecanismos de prestação de contas do Banco Central ao Congresso Nacional.

Um ponto sensível do manifesto é o pedido de abertura de investigação pelo Senado sobre a elaboração das emendas apresentadas à PEC, com destaque para a de número 11. Essa emenda, de autoria do senador Ciro Nogueira (PP-PI), propunha aumentar o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito de R$ 250 mil para R$ 1 milhão e está no centro das apurações da Polícia Federal na Operação Compliance Zero.

O relator Plínio Valério optou por não incluir a controversa emenda em seu parecer, mas a suspeita sobre sua origem permanece. Para os economistas, o episódio reforça a necessidade de controle democrático sobre qualquer mudança que altere a estrutura de funcionamento da autoridade monetária, especialmente em um momento de forte influência do capital financeiro sobre as decisões de Estado.

Desde 2021, o Banco Central já opera com autonomia operacional, condição que desvinculou a instituição do Ministério da Fazenda e estabeleceu mandatos não coincidentes entre o presidente do BC e o presidente da República. A PEC em discussão, contudo, vai além, ao transferir ao Congresso a supervisão da gestão administrativa, contábil, orçamentária, financeira, patrimonial e operacional do banco, ao mesmo tempo que permite à autarquia reter os recursos da senhoriagem.

O movimento dos economistas expõe uma fissura profunda no debate sobre a quem serve a política monetária brasileira. Ao defender que o Banco Central permaneça submetido às mesmas regras fiscais de toda a administração pública, o manifesto rejeita a criação de uma ilha de autonomia financeira que, na prática, blindaria a instituição do controle social e a entregaria aos interesses do sistema financeiro privado.

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Febraban defende o pix e contesta análise dos Estados Unidos https://www.ocafezinho.com/2026/06/02/febraban-defende-o-pix-e-contesta-analise-dos-estados-unidos/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/02/febraban-defende-o-pix-e-contesta-analise-dos-estados-unidos/#respond Tue, 02 Jun 2026 23:51:07 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/06/02/febraban-defende-o-pix-e-contesta-analise-dos-estados-unidos/ A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) reagiu com firmeza nesta terça-feira (2) às conclusões da investigação comercial dos Estados Unidos que classificou o Pix como uma prática ‘injusta e discriminatória’ contra empresas americanas, afirmando que o relatório do governo norte-americano parte de ‘informações incompletas’ sobre os objetivos e o funcionamento da ferramenta. A entidade ressaltou que o Pix é uma infraestrutura de pagamentos, e não um produto comercial, construída sobre um modelo aberto e não discriminatório.

A plataforma conta com a participação de bancos nacionais e estrangeiros, fintechs e demais instituições financeiras, sendo que a única exigência para operar é atuar no mercado brasileiro, uma vez que se trata de um sistema de pagamentos local em reais. A Febraban destacou ainda o papel da ferramenta na inclusão financeira, na redução de custos de transação e na eficiência das operações de cobrança, especialmente em pagamentos de baixo valor.

A contestação ocorre um dia depois de o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) propor a imposição de tarifas de 25% sobre todas as importações brasileiras, com exceção de produtos estratégicos para a segurança nacional americana. A medida foi formalizada com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, instrumento que permite ao governo americano investigar e retaliar países por práticas comerciais consideradas desleais.

No documento, o Pix é citado 20 vezes e o USTR alega que o duplo papel do Banco Central do Brasil, simultaneamente regulador e proprietário da plataforma, configura um conflito de interesses diante da ausência de salvaguardas processuais adequadas. Além do sistema de pagamentos instantâneo, o órgão americano listou outras supostas irregularidades, como tarifas preferenciais, combate à corrupção, patentes, pirataria, etanol e desmatamento ilegal, todas apontadas como fontes de insegurança jurídica para empresas dos Estados Unidos.

A ofensiva tarifária, que pode ser aplicada já a partir de 15 de julho, após audiência pública marcada para o dia 6, ocorre em pleno ano pré-eleitoral no Brasil e coloca o governo Lula sob pressão dupla. De um lado, precisa defender a soberania do sistema financeiro nacional e, de outro, evitar um agravamento da relação comercial com Washington em um momento de fragilidade econômica global.

A oposição bolsonarista, que já mira as eleições de 2026, tenta capitalizar o imbróglio como suposta prova de um ‘isolamento’ internacional do governo atual, embora especialistas apontem que a medida americana é mais ampla e reflete a escalada protecionista de Washington contra diversos parceiros comerciais, incluindo aliados históricos. Ainda assim, o desgaste diplomático pode ser explorado pelo campo bolsonarista, que mantém fortes laços com setores do Partido Republicano e com o ex-presidente Donald Trump.

A Febraban, que reúne os grandes bancos do país, afirmou ter ‘boa expectativa’ em relação à audiência pública e sinalizou que o Banco Central e instituições do sistema bancário brasileiro, incluindo bancos de origem americana que operam no Brasil, devem apresentar contribuições para esclarecer as conclusões do USTR. A entidade enfatizou que a própria presença de instituições financeiras americanas no sistema Pix demonstra a inexistência de barreiras discriminatórias, já que esses bancos participam ativamente da plataforma.

No campo jurídico, a acusação americana de que o Banco Central teria um ‘conflito de interesses’ por ser regulador e operador do Pix ignora que o modelo brasileiro segue padrões internacionais de sistemas de pagamento de varejo, como o FedNow nos Estados Unidos, que também é gerido pelo Federal Reserve. A diferença é que, no Brasil, o sistema é público, aberto e sem custo para os usuários, o que ameaça o oligopólio das bandeiras de cartão e das big techs americanas no setor de pagamentos digitais.

A tentativa de Washington de usar o Pix como pretexto para um tarifaço de 25% revela a hipocrisia do discurso de livre-comércio, já que o sistema financeiro brasileiro foi elogiado internacionalmente por sua eficiência e inclusão, reduzindo a dependência de cartões de crédito controlados por gigantes americanas. Enquanto os EUA criticam uma plataforma pública de pagamentos, suas próprias instituições financeiras lucram com taxas elevadas e concentração de mercado, o que evidencia o caráter geopolítico e protecionista da ofensiva.

Conforme reportou o portal GGN, a audiência de 6 de julho será um momento decisivo para que o Brasil apresente seus argumentos técnicos e desmascare a narrativa construída pelo USTR. O prazo final para a definição das chamadas ‘medidas corretivas’ é 15 de julho, e a expectativa no mercado financeiro é de que uma negociação política possa evitar o pior cenário, especialmente diante dos interesses de multinacionais americanas com forte presença no país.

Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, os Estados Unidos são o segundo maior parceiro comercial do Brasil, e um tarifaço de 25% poderia comprometer exportações de produtos como aço, alumínio e suco de laranja. A ameaça ocorre em um cenário de desaceleração da economia brasileira, o que transforma a disputa em uma bomba-relógio para o planejamento eleitoral de 2026.

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Bancos transferem R$ 5,7 bilhões de dinheiro esquecido ao fundo do Desenrola https://www.ocafezinho.com/2026/05/27/bancos-transferem-r-57-bilhoes-de-dinheiro-esquecido-ao-fundo-do-desenrola/ https://www.ocafezinho.com/2026/05/27/bancos-transferem-r-57-bilhoes-de-dinheiro-esquecido-ao-fundo-do-desenrola/#respond Wed, 27 May 2026 20:43:12 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/05/27/bancos-transferem-r-57-bilhoes-de-dinheiro-esquecido-ao-fundo-do-desenrola/
Ilustração editorial sobre Bancos transferem R$ 5,7 bilhões de dinheiro esquecido ao fundo do Desenrola. (Ilustração: Cafezinho / Wan 2.6)

Os bancos transferiram R$ 5,7 bilhões em recursos esquecidos por clientes ao Fundo Garantidor de Operações (FGO). O montante será utilizado como garantia para ampliar as operações de crédito do programa Desenrola, relançado neste ano para renegociar dívidas de pessoas físicas.

O governo espera mobilizar até R$ 8 bilhões desses recursos, que estavam parados nas instituições financeiras. Cerca de 10% do total transferido permanecerá reservado para atender eventuais pedidos de resgate pelos titulares que comprovarem direito aos valores.

A iniciativa integra a nova fase do Desenrola, que busca aumentar a oferta de empréstimos com desconto para pessoas endividadas. Dados do Banco Central revelam que ainda existem aproximadamente R$ 10,6 bilhões em valores a receber no sistema financeiro, distribuídos entre milhões de CPFs.

A transferência ao FGO foi determinada por portaria editada no início de maio. O uso do dinheiro esquecido é visto pela equipe econômica como forma de financiar políticas de crédito com recursos ociosos, sem pressionar as contas públicas.

A nova fase do Desenrola ocorre em meio ao elevado índice de inadimplência das famílias brasileiras. O governo espera que a injeção de garantias ajude a destravar o crédito e estimular a atividade econômica nos próximos meses.

Leia mais sobre o assunto na metropoles.com.


Leia também: Governo Lula mobiliza R$ 4,5 bilhões do FGTS para novo Desenrola e impõe desconto mínimo de 40% aos bancos


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GDF aciona TCU para suspender veto do Banco Central à compra do Banco Master pelo BRB https://www.ocafezinho.com/2026/05/27/gdf-aciona-tcu-para-suspender-veto-do-banco-central-a-compra-do-banco-master-pelo-brb/ https://www.ocafezinho.com/2026/05/27/gdf-aciona-tcu-para-suspender-veto-do-banco-central-a-compra-do-banco-master-pelo-brb/#respond Wed, 27 May 2026 15:41:08 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/05/27/gdf-aciona-tcu-para-suspender-veto-do-banco-central-a-compra-do-banco-master-pelo-brb/
Fachada do Banco Master e do BRB em Brasília, em referência à disputa envolvendo a compra da instituição. (Foto: metropoles.com)

O Governo do Distrito Federal (GDF) protocolou pedido junto ao Tribunal de Contas da União (TCU) para suspender os efeitos da decisão do Banco Central (BC) que rejeitou a operação de aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). O documento foi apresentado em 3 de setembro de 2025, data em que o BC divulgou sua manifestação técnica contrária à transação.

O pedido foi encaminhado ao ministro Jhonatan de Jesus, relator de uma ação de fiscalização sobre possíveis falhas na supervisão do BC sobre o Banco Master. O então procurador-geral do Distrito Federal, Márcio Wanderley, sustentou que a decisão do BC surpreendeu o GDF e não foi precedida de diálogo.

Wanderley argumentou que a manutenção da rejeição poderia gerar instabilidade no sistema financeiro local e comprometer a solidez do BRB. Ele destacou que a operação era estratégica para a expansão do banco público e para a consolidação de serviços financeiros no Distrito Federal.

O ministro Jhonatan de Jesus determinou apenas o apensamento do pedido à ação principal em tramitação no TCU, sem analisar o mérito ou conceder medida liminar. A decisão deixou sem efeito prático a iniciativa do GDF de obter respaldo jurídico para contestar a posição do BC.

Dois meses após a rejeição, em novembro de 2025, a Polícia Federal deflagrou a Operação Compliance Zero para investigar crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, lavagem de dinheiro e corrupção envolvendo o Banco Master. A operação teve como alvo principal o empresário Daniel Vorcaro, controlador da instituição financeira. Conforme reportagem do portal Metrópoles, a Polícia Federal informou em abril de 2026 que a operação já contava com oito fases.

A cronologia revela que o GDF atuou de forma imediata e simultânea à decisão do BC, buscando instrumentos legais para viabilizar a operação. A persistência do governo distrital na tentativa de incorporação ocorreu mesmo diante de alertas regulatórios sobre a fragilidade patrimonial do Banco Master.

O Banco Central fundamentou sua rejeição em análise técnica que apontou riscos significativos à estabilidade do BRB. A análise citou exposições contábeis não transparentes, inadimplência elevada e ausência de governança adequada no Banco Master.

A Operação Compliance Zero segue em andamento com novas etapas sob sigilo judicial, mantendo foco nas estruturas societárias e fluxos financeiros do Banco Master. O caso ilustra os desafios dos órgãos de controle na conciliação entre interesses de política pública e exigências de segurança no setor bancário.


Leia também: BRB envia 21 cobranças por dívida de R$ 1,6 bilhão ao Banco Master enquanto negociava compra barrada pelo BC


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Senado adia votação de autonomia financeira do Banco Central https://www.ocafezinho.com/2026/05/20/senado-adia-votacao-de-autonomia-financeira-do-banco-central/ https://www.ocafezinho.com/2026/05/20/senado-adia-votacao-de-autonomia-financeira-do-banco-central/#respond Wed, 20 May 2026 20:21:52 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/05/20/senado-adia-votacao-de-autonomia-financeira-do-banco-central/
Homem de terno em mesa com o logo do Banco Central do Brasil. (Foto: cartacapital.com.br)

A Comissão de Constituição e Justiça do Senado adiou, nesta quarta-feira 20, após pedido de vista coletivo, a votação da proposta de emenda à Constituição que concede autonomia financeira e orçamentária ao Banco Central. O tema deve voltar à pauta da CCJ na próxima semana.

Em 2021, foi concedida ao BC autonomia administrativa e operacional em relação ao governo, mas a instituição segue dependente do Orçamento da União para as atividades que desempenha. A PEC 65 de 2023 ampliaria essa autonomia ao permitir que o BC retenha recursos que obtém por meio da senhoriagem, estimada em bilhões de reais ao ano.

Inicialmente, o texto da PEC transformava o Banco Central em empresa pública, com natureza especial e personalidade jurídica de direito privado. Após críticas da base governista, o relator, senador Plínio Valério (PSDB-MA), modificou o texto, classificando a instituição como “entidade pública de natureza especial”.

O relator afirma que acolheu várias demandas do Poder Executivo, que ficará responsável por enviar ao Parlamento projeto de lei complementar para regulamentar a estrutura organizacional do BC. “A lei complementar foi deixada para o governo apresentar. Tudo que o governo apontava a gente cedia. Só não na natureza porque, se a gente muda a natureza, acabou com a autonomia que a gente está querendo”, disse o senador amazonense.

O senador do PT de Sergipe Rogério Carvalho apresentou voto em separado pedindo a rejeição da PEC 65. Além de alegar que a proposta é inconstitucional porque o tema seria de iniciativa privativa do presidente da República, Carvalho critica a transformação do BC de autarquia em entidade pública de natureza especial.

Sua natureza jurídica deve ser mantida como autarquia de natureza especial, a fim de reafirmar a segurança jurídica na execução de seus atos, que são típicos dos praticados pela Administração Pública”, escreveu o senador.

Ainda segundo a PEC, os servidores do BC deixam de ser submetidos ao regime único da União e se tornam empregados públicos, regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). A PEC é rejeitada pelo Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central (Sinal).

Ela representa um salto no escuro para o Estado brasileiro e para a sociedade. Ao desvincular o BC do Estado, a proposta pode enfraquecer controles democráticos, fragilizar a supervisão do sistema financeiro e reduzir a transparência dos gastos, e também concentra poder na alta administração”, diz comunicado do sindicato.

A proposta vem sendo defendida pelo presidente do BC, Gabriel Galípolo, que reclama que a instituição não tem recursos suficientes para as atividades normais, acrescentando que vai chegar o momento que vão ter que escolher o que fiscalizar no sistema financeiro.

Nós temos, nos últimos dez anos, menos 1,2 mil, 1,3 mil servidores do que nós tínhamos antes. Neste ano, eu devo ter 100 servidores se aposentando na supervisão, de 600 vai cair para 500, com muito mais instituições que nós temos hoje no mercado para serem supervisionadas”, disse Galípolo nesta terça-feira 19 na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado.

Atualmente, o Banco Central tem o orçamento restrito pelas regras fiscais impostas a toda a administração pública. Como a autoridade monetária gera receita própria, esse recurso acaba sendo transferido para União para abater a dívida pública.

Para especialistas consultados pela Agência Brasil, a autonomia orçamentária do Banco Central promove uma espécie de “privatização” da autoridade monetária e pode causar custos fiscais ao País ao reter receitas que hoje são transferidas para o Orçamento da União.

Em nota técnica publicada nesta quarta-feira, o professor associado de economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Pedro Paulo Zaluth Bastos sustenta que o novo texto do relator não altera “o coração da proposta”, que permaneceria intacto.

Bastos critica a transformação do servidor público em empregado regido pela CLT, o que reduz a estabilidade dos funcionários. “Numa autoridade que regula, supervisiona e sanciona bancos privados, essa diferença não é meramente nominal. É o que protege, ou desprotege, o servidor que decide aplicar uma multa de R$ 1 bilhão a uma instituição financeira”, afirma.

Além disso, o professor da Unicamp avalia que a PEC abre espaço para conflitos entre a política monetária e cambial porque a sustentabilidade orçamentária do BC passaria a depender de juros nominais e de operações cambiais que ele mesmo executa.

Quem executa uma política não deve ser beneficiário direto do respectivo produto financeiro”, completou em nota técnica publicada no Transforma Economia Unicamp, segundo Carta Capital.


Leia também: Votação da PEC sobre autonomia total do BC é adiada pela CCJ do Senado


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CCJ do Senado analisa PEC da autonomia financeira do BC https://www.ocafezinho.com/2026/05/20/ccj-do-senado-analisa-pec-da-autonomia-financeira-do-bc/ https://www.ocafezinho.com/2026/05/20/ccj-do-senado-analisa-pec-da-autonomia-financeira-do-bc/#respond Wed, 20 May 2026 08:50:08 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/05/20/ccj-do-senado-analisa-pec-da-autonomia-financeira-do-bc/
Fachada do edifício do Banco Central do Brasil em Brasília. (Foto: metropoles.com)

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado analisa a proposta de emenda à Constituição (PEC) que amplia a autonomia do Banco Central. A PEC 65/2023, de autoria do senador Vanderlan Cardoso (PSD-GO), tem como relator o senador Plínio Valério (PSDB-AM).

O texto prevê que o Banco Central deixe de ser uma autarquia e seja transformado em uma “instituição de natureza especial” com autonomia técnica, operacional, administrativa, orçamentária e financeira. Dessa forma, a instituição deixaria de depender do orçamento da União e passaria a elaborar e executar o próprio orçamento.

O Banco Central já possui autonomia operacional desde 2021, o que significa que não é mais vinculado ao Ministério da Fazenda e tem mandatos fixos para o presidente e diretores. No entanto, a proposta pretende garantir maior autonomia e independência para o Banco Central executar suas funções.

Nesta terça-feira, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, comentou sobre o assunto durante audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. “O Banco Central é uma instituição que não vai botar para jogo o seu mandato. O meu receio é que o fato de o Banco Central não negociar o seu mandato o faça ser asfixiado, porque não entra em jogo político. Ou, quiçá, um dia, possa ser presidido por alguém que tope”, afirmou.

Galípolo defende a proposta. “Vou ser talvez mais franco do que eu devia: o que vai começar a acontecer é que o Banco Central, ciente de que o cobertor é curto, a gente vai ter de escolher o que a gente cobre e (o que) a gente não cobre. A gente vai ter de começar a fazer uma gestão de risco, dizendo assim. Não há pessoal para tudo”, enfatizou durante a sessão.

O Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central (Sinal), no entanto, é crítico da proposta. Segundo o sindicato, a PEC institui uma “entidade com superpoderes”, sem o sistema de freios e contrapesos da República, ao tirar os poderes do Executivo e do Congresso sobre o Banco Central. “Os parlamentares têm o dever de distinguir a necessária autonomia da perigosa isenção política; aprovar a PEC 65/2023 é abdicar da prerrogativa de fiscalizar o dinheiro público e transferir a soberania das urnas para um colegiado técnico imune ao escrutínio popular. Modernizar o Banco Central não pode significar a criação de um poder paralelo”, afirma o Sinal.

Leia mais sobre o assunto na metropoles.com.


Leia também: Votação da PEC sobre autonomia total do BC é adiada pela CCJ do Senado


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Mercado projeta inflação de 4,92% em 2026 https://www.ocafezinho.com/2026/05/18/mercado-projeta-inflacao-de-492-em-2026/ https://www.ocafezinho.com/2026/05/18/mercado-projeta-inflacao-de-492-em-2026/#comments Mon, 18 May 2026 15:20:58 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/05/18/mercado-projeta-inflacao-de-492-em-2026/ 1 Comentário 🔥]]> A expectativa do mercado financeiro para inflação e juros subiu na comparação com a semana passada. As projeções relacionadas a câmbio e economia se mantiveram estáveis, segundo o Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (18) pelo Banco Central (BC).

De acordo com o levantamento, a previsão do mercado é de que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o indicador oficial de inflação do país, feche 2026 em 4,92%. É a décima semana consecutiva com previsão de alta inflacionária. Na semana passada, o mercado projetava um índice ligeiramente menor (4,91%). Há quatro semanas, a inflação projetada para 2026 estava em 4,8%. Para os anos subsequentes, as projeções de inflação são de 4% em 2027 e de 3,65% em 2028.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a inflação no Brasil desacelerou em abril, fechando o mês em 0,67%, pressionada pelos preços de alimentos e bebidas (1,34%).

Estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta de inflação para o Brasil é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual. Ou seja, o limite inferior é 1,5% e o superior, 4,5%.

Selic
Para alcançar a meta de inflação, o Banco Central usa como principal instrumento a taxa básica de juros, a Selic, definida atualmente em 14,5% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do BC. O Boletim Focus aumentou em 0,25 ponto percentual as projeções para a Selic ao final do ano – passando dos 13% projetados nos meses anteriores para 13,25%. Para 2027 e 2028, a previsão é de que a Selic feche em 11,25% e 10%, respectivamente.

PIB e dólar estáveis
As previsões do mercado financeiro para a economia e para o dólar ficaram estáveis, na comparação com a semana passada. O mercado financeiro projeta uma cotação de R$ 5,20 para a moeda estadunidense ao final de 2026. Para 2027, a projeção é de que o dólar feche o ano em R$ 5,27, e em R$ 5,34, em 2028. Em relação à economia, o Boletim Focus mantém a mesma previsão há três semanas, de que o Produto Interno Bruto (PIB, a soma de todas as riquezas produzidas no país) feche 2026 com crescimento de 1,85%. Para 2027 e 2028, as expectativas são de que o PIB seja de 1,77% e 2%, respectivamente.

Fonte: Agência Brasil.

]]> https://www.ocafezinho.com/2026/05/18/mercado-projeta-inflacao-de-492-em-2026/feed/ 1 Lenio Streck critica PEC que amplia autonomia do Banco Central https://www.ocafezinho.com/2026/05/11/lenio-streck-critica-pec-que-amplia-autonomia-do-banco-central/ https://www.ocafezinho.com/2026/05/11/lenio-streck-critica-pec-que-amplia-autonomia-do-banco-central/#respond Mon, 11 May 2026 16:40:31 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/05/11/lenio-streck-critica-pec-que-amplia-autonomia-do-banco-central/

Ilustração editorial sobre Lenio Streck critica PEC que amplia autonomia do Banco Central. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro)

O jurista Lenio Streck criticou a Proposta de Emenda à Constituição 65 de 2023, que visa ampliar a autonomia do Banco Central. Ele afirma que a medida fragiliza o controle democrático ao concentrar poderes sem mecanismos adequados de responsabilização.

Streck considera a PEC inconstitucional e de caráter tecnocrático. A proposta mina o presidencialismo e impede que o governo eleito defina as principais políticas econômicas.

A PEC permite a contratação de servidores sob o regime da CLT. Essa mudança retira a estabilidade que garante a independência funcional dos servidores do Banco Central.

A proposta desvia receitas de senhoriagem para custeio próprio da instituição. Tal ação compromete a transparência e a subordinação ao interesse público, de acordo com o jurista.

Streck alertou para o rompimento do vínculo do Banco Central com a administração pública. Com a mudança, o presidente da República deixa de nomear a diretoria, o presidente do Banco Central, os membros do Conselho Monetário Nacional e da Comissão Técnica da Moeda e do Crédito.

A autonomia absoluta cria um superpoder institucional sem precedentes. Essa estrutura enfraquece ainda mais o presidencialismo, já fragilizado pelas emendas parlamentares impositivas.

Streck questiona qual a razão para um presidente da República atravessar tempestades, disputar votos um a um e depois não poder opinar sobre a política monetária, fiscal, cambial e creditícia que afeta o coração da República. Ele defende que todo poder emana do povo e deve ser exercido por representantes eleitos.

A autonomia técnica do Banco Central deve vir acompanhada de mecanismos de responsabilização pública e accountability. Streck questiona se o Banco Central deve ser independente da administração pública, do sistema político ou do próprio controle democrático.

A análise de Lenio Streck sobre os riscos da PEC 65 de 2023 pode ser conferida no portal Diário do Centro do Mundo. O jurista reforça a necessidade de preservar a soberania democrática nas decisões econômicas do país.


Leia também: Relator inclui medida para proteger Pix na PEC do Banco Central


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Copom reduz Selic para 14,5% ao ano e mantém trajetória de cortes https://www.ocafezinho.com/2026/05/02/copom-reduz-selic-para-145-ao-ano-e-mantem-trajetoria-de-cortes/ https://www.ocafezinho.com/2026/05/02/copom-reduz-selic-para-145-ao-ano-e-mantem-trajetoria-de-cortes/#comments Sat, 02 May 2026 23:49:59 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/05/02/copom-reduz-selic-para-145-ao-ano-e-mantem-trajetoria-de-cortes/ 49 Comentários 🔥]]>
Vista aérea do prédio do Banco Central do Brasil, em Brasília. (Foto: metropoles.com)

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil reduziu a taxa Selic para 14,5% ao ano, em decisão unânime. A medida marca a continuidade do ciclo de flexibilização monetária, iniciado na reunião anterior.

A taxa havia sido reduzida de 15% para 14,75% ao ano na última reunião, encerrando um período de cinco encontros sem alterações. A nova redução alinha-se às expectativas do mercado, que projetava o início de um ciclo de alívio diante dos sinais de desaceleração econômica no país.

O Copom destacou no comunicado oficial o elevado grau de incerteza no cenário internacional, especialmente pelo impacto do conflito geopolítico no Oriente Médio. Esse cenário pode afetar a cadeia global de suprimentos e os preços das commodities, com reflexos diretos e indiretos sobre a inflação brasileira.

O comitê reconheceu o aumento da volatilidade devido à falta de clareza sobre a duração dos conflitos, o que afeta as projeções de inflação e os modelos de análise do Banco Central. Apesar disso, a decisão reflete a avaliação de que a atividade econômica apresenta sinais de desaceleração após longo período de juros elevados.

O Banco Central não definiu explicitamente os próximos passos, mas afirmou que a calibração da taxa segue apropriada. Futuras decisões dependerão de novas informações sobre o cenário internacional e seus efeitos sobre os preços no Brasil, incluindo a persistência da crise energética global.

A Selic, principal instrumento de controle da inflação, influencia diretamente o custo do crédito, o consumo das famílias e os investimentos das empresas. A redução da taxa indica uma estratégia de alívio gradual das condições financeiras, mantendo o compromisso com a estabilidade de preços.

Projeções do mercado financeiro indicam que a Selic deve encerrar 2026 em 13% ao ano, com estimativas de 10,5% para 2027, 10% para 2028 e 9,5% para 2029. No entanto, especialistas avaliam que a taxa dificilmente ficará abaixo de dois dígitos até o fim do atual governo.

Leia mais sobre o assunto na metropoles.com.


Leia também: Copom decide nesta quarta se mantém Taxa Selic em 15% ao ano


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BC reforça segurança em transferências eletrônicas para exterior https://www.ocafezinho.com/2026/05/01/bc-reforca-seguranca-em-transferencias-eletronicas-para-exterior/ https://www.ocafezinho.com/2026/05/01/bc-reforca-seguranca-em-transferencias-eletronicas-para-exterior/#respond Fri, 01 May 2026 07:31:20 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/05/01/bc-reforca-seguranca-em-transferencias-eletronicas-para-exterior/ A partir de outubro, o serviço de pagamento ou transferência eletrônica internacional (eFX) obedecerá a novas regras de segurança e transparência. O Banco Central (BC) aprovou nesta quinta-feira (30) uma resolução que restringe a execução do serviço a instituições autorizadas pelo órgão.

As instituições sem autorização, informou o BC, podem continuar a operar o eFX, mas deverão pedir, até maio de 2027, permissão à autoridade monetária para funcionarem.

A resolução determinou que as instituições que fornecem o serviço deverão enviar, todos os meses, informações detalhadas ao BC. Também deverão usar contas separadas para o trânsito de recursos de clientes de eFX.

As novas regras, informou o BC, foram resultado de consulta pública feita em 2025. Segundo o órgão, as normas pretendem alinhar a regulamentação brasileira aos padrões internacionais.

Ampliação

Embora tenha restringido a segurança do serviço eFX, o BC estendeu a utilização do serviço a investimentos no mercado financeiro e de capitais no Brasil e no exterior. O limite será de US$ 10 mil por transação, assim como nas demais operações.

Regulamentado pelo BC em 2022, o eFX é usado para os seguintes objetivos: pagar compras no exterior; contratar serviços internacionais; e fazer transferências de recursos.

Diferentemente das operações comuns de câmbio, o eFX não precisa de contratos individuais para cada operação.

Fonte: Agência Brasil

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Entidades do setor produtivo cobram cortes maiores da Selic https://www.ocafezinho.com/2026/04/30/entidades-do-setor-produtivo-cobram-cortes-maiores-da-selic/ https://www.ocafezinho.com/2026/04/30/entidades-do-setor-produtivo-cobram-cortes-maiores-da-selic/#respond Thu, 30 Apr 2026 04:03:32 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/04/30/entidades-do-setor-produtivo-cobram-cortes-maiores-da-selic/ A redução de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros, anunciada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) em abril de 2026, foi considerada insuficiente por entidades do setor produtivo e por representantes sindicais, que apontam efeitos negativos sobre investimentos, consumo e renda.

A Selic foi reduzida de 14,75% para 14,50% ao ano, mas, na avaliação dessas instituições, o nível ainda elevado dos juros continua pressionando a economia.

Indústria

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) avalia que o corte foi tímido e mantém o custo do crédito em patamar elevado. Para a entidade, isso compromete investimentos e a competitividade do setor produtivo.

“O custo do capital continuará em um nível proibitivo, inviabilizando projetos e investimentos que poderiam ampliar a competitividade industrial”, afirmou o presidente da CNI, Ricardo Alban.

A entidade também aponta deterioração financeira de empresas e famílias. “O endividamento das empresas e das famílias bate recorde mês a mês, fragilizando a saúde financeira de toda a economia”, completou.

Comércio

A Associação Paulista de Supermercados (APAS) também considera que o Banco Central poderia ter adotado uma redução mais significativa da taxa de juros.

“O Banco Central, desde a última reunião, já poderia ter ampliado o afrouxamento monetário”, afirmou o economista-chefe da entidade, Felipe Queiroz.

Segundo Queiroz, o atual patamar da Selic penaliza a atividade econômica. “Estamos vendo muitas empresas entrando em recuperação judicial, endividamento das famílias aumentando e o custo com o serviço da dívida também”, disse.

A entidade também destaca o efeito dos juros sobre os investimentos. “Há um estímulo muito grande ao capital especulativo, em detrimento do setor produtivo”, avaliou.

Centrais sindicais

A Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro da Central Única dos Trabalhadores (Contraf-CUT) critica o ritmo de queda da Selic e afirma que a política monetária tem impacto direto sobre a renda da população.

“A redução de 0,25% é muito pouco. O nível de endividamento das famílias está enorme”, afirmou a presidenta da entidade, Juvandia Moreira.

Ela ressalta que a taxa básica influencia todo o sistema financeiro. “Quando a Selic sobe, os bancos cobram mais caro no crédito. Quando cai, o crédito fica mais barato, mas essa redução ainda é insuficiente”, disse.

A Força Sindical também classificou a decisão como insuficiente e destacou impactos negativos sobre a economia.

“A redução foi tímida e mantém os juros em patamar elevado”, afirmou a entidade em nota.

Segundo a central, a política de juros altos afeta diretamente o crescimento do país. “Os juros restringem investimentos, freiam a produção e comprometem a geração de empregos e renda”, destacou.

A entidade também relaciona o cenário ao endividamento das famílias. “O alto nível de endividamento está diretamente ligado ao custo elevado do crédito”, concluiu.

Pressão por novos cortes

Apesar de representarem setores diferentes, as entidades convergem na avaliação de que há espaço para uma redução mais acelerada da taxa básica de juros.

O ponto em comum entre indústria, comércio e representantes dos trabalhadores é o diagnóstico de que o atual nível da Selic ainda impõe restrições relevantes ao crescimento econômico, ao crédito e ao consumo no país.

Fonte: Agência Brasil

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Banco Central revela que R$ 10,5 bilhões ainda aguardam resgate no Sistema de Valores a Receber https://www.ocafezinho.com/2026/04/29/banco-central-revela-que-r-105-bilhoes-ainda-aguardam-resgate-no-sistema-de-valores-a-receber/ https://www.ocafezinho.com/2026/04/29/banco-central-revela-que-r-105-bilhoes-ainda-aguardam-resgate-no-sistema-de-valores-a-receber/#comments Thu, 30 Apr 2026 02:11:38 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/04/29/banco-central-revela-que-r-105-bilhoes-ainda-aguardam-resgate-no-sistema-de-valores-a-receber/ 59 Comentários 🔥]]>
Ilustração editorial sobre Banco Central revela que R$ 10,5 bilhões ainda aguardam resgate no Sistema de Valores a Receber. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro)

O Banco Central do Brasil revelou que R$ 10,5 bilhões permanecem disponíveis para resgate no Sistema de Valores a Receber (SVR), com mais de 52 milhões de beneficiários potenciais.

Do total, R$ 8,15 bilhões pertencem a pessoas físicas e R$ 2,4 bilhões a empresas. O levantamento é referente a fevereiro de 2026.

Desde o início do programa, o Banco Central já devolveu R$ 14,14 bilhões aos cidadãos. O Ministério da Fazenda extinguiu o prazo final que vigorava até outubro de 2024, e os recursos seguem disponíveis de forma indefinida.

O SVR permite que qualquer cidadão consulte valores pendentes e solicite o resgate pela plataforma digital do Banco Central. O sistema oferece opção de solicitação automática para simplificar o processo e reduzir a burocracia.

O acesso ao serviço exige login no site oficial com conta gov.br em nível prata ou ouro. O usuário deve aceitar o termo de responsabilidade para verificar o valor disponível, a instituição responsável e a origem do crédito.

A devolução ocorre preferencialmente por Pix em até 12 dias úteis. Quando o beneficiário não possui chave Pix, o resgate deve ser solicitado diretamente à instituição financeira envolvida.

Os valores esquecidos derivam de saldos remanescentes em contas-correntes e poupanças encerradas. Também estão incluídas cotas de cooperativas de crédito, recursos de consórcios finalizados e tarifas cobradas indevidamente.

Parcelas de operações de crédito quitadas, contas de pagamento pré-pagas ou pós-pagas e registros de corretoras e distribuidoras encerradas completam as situações cobertas. O Banco Central orienta que todos os procedimentos ocorram exclusivamente nos canais oficiais do SVR.

Qualquer link enviado por e-mail ou aplicativos de mensagem deve ser ignorado. Essas comunicações configuram tentativas de fraude, segundo alerta do próprio Banco Central.

Leia mais sobre o assunto na metropoles.com.


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