Café - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/cafe/ Portal de noticias e análises sobre política brasileira, geopolítica, economia, tecnologia, sempre numa perspectiva democrática, progressista, anti-imperialista e multipolar! Mon, 11 May 2026 09:00:11 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://www.ocafezinho.com/wp-content/uploads/2015/10/cropped-Logo_Cafezinho_tmb-32x32.png Café - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/cafe/ 32 32 Os impressionantes recordes de abril https://www.ocafezinho.com/2026/05/10/os-impressionantes-recordes-de-abril/ https://www.ocafezinho.com/2026/05/10/os-impressionantes-recordes-de-abril/#comments Sun, 10 May 2026 21:37:14 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=245166 39 Comentários 🔥]]> Por qualquer ângulo que se analise, o comércio exterior brasileiro bateu recordes impressionantes em abril de 2026. Não foi um recorde único, mas uma batelada deles, em todas as métricas relevantes que se possam construir.

No mês isolado, abril registrou o maior volume mensal de exportações de toda a série histórica brasileira, iniciada em 1989: US$ 34,15 bilhões. As importações do mês também bateram recorde para meses de abril, e o superávit alcançou US$ 10,54 bilhões — recorde para qualquer abril e o terceiro maior saldo mensal absoluto da história, atrás apenas de maio e março de 2023.

No acumulado dos quatro primeiros meses do ano, o quadro se repete com a mesma força. Os 21 anos de série histórica mostram que jamais o Brasil exportou tanto nesse recorte: US$ 116,55 bilhões, contra US$ 108,04 bilhões do recorde anterior, fixado em 2024.

A corrente de comércio do quadrimestre — soma de exportações e importações — também é a maior já registrada: US$ 208,32 bilhões, doze bilhões acima do recorde anterior. As importações do período igualmente bateram o pico anterior.

O único indicador do quadrimestre que não foi recorde absoluto foi o saldo da balança. Mesmo assim, os US$ 24,78 bilhões representam o segundo maior superávit já registrado num quadrimestre, atrás apenas do mesmo período de 2024.

E quando ampliamos a janela para o acumulado de doze meses encerrado em abril de 2026, o cenário continua extraordinário. A corrente de comércio chegou a US$ 593,86 bilhões, com superávit de US$ 57,14 bilhões — patamar entre os mais altos da série histórica.

Há ainda uma métrica adicional, talvez a mais robusta de todas. Trata-se da média mensal móvel em doze meses da corrente de comércio, que neutraliza os ruídos da sazonalidade: ela alcançou US$ 53,9 bilhões por mês em abril de 2026, o maior valor da série de 20 anos, superando o pico anterior de janeiro de 2023.

Os recordes desenhados no tempo

Comparar 2026 com o passado mais recente já impressiona. Mas olhar para o passado mais longínquo é o que revela a verdadeira escala da transformação.

Dez anos antes, no acumulado de doze meses encerrado em abril de 2016 — em meio à recessão mais dura da história recente do país — a corrente era de apenas US$ 340,25 bilhões e o superávit não passava de US$ 35,56 bilhões. Em uma década, portanto, o Brasil ampliou em 74% sua corrente de comércio com o mundo e em mais de 60% seu superávit anual.

Esses doze meses encerrados em abril atravessaram um período de turbulência global excepcional. Guerras na Ucrânia e no Oriente Médio, tarifaço de Trump, estagnação europeia, reorganização global das cadeias de suprimento — e, ainda assim, recordes.

O eixo do Sul: BRICS pleno e a locomotiva chinesa

O dado mais superlativo da nossa balança comercial atual é o peso do bloco BRICS. Hoje o grupo tem onze membros plenos: Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã.

Considerando os dez parceiros sem o Brasil, a corrente de comércio brasileira com o BRICS atingiu US$ 234,58 bilhões nos últimos doze meses, contra US$ 211,98 bilhões nos doze meses imediatamente anteriores — alta de 10,7%. Esse volume representa cerca de 39,5% de todo o comércio exterior brasileiro com o mundo no período.

O superávit acumulado do Brasil com os dez parceiros do BRICS quase dobrou: passou de US$ 21,23 bilhões para US$ 39,02 bilhões em um ano. O bloco se consolida como âncora do superávit brasileiro.

A China, naturalmente, é o centro gravitacional dessa relação. A corrente de comércio bilateral atingiu US$ 178,0 bilhões nos últimos 12 meses, contra US$ 159,3 bilhões no acumulado anterior — um salto de quase 12% e um peso de 76% dentro do BRICS.

O superávit com Pequim foi ainda mais impressionante: US$ 36,4 bilhões, ante US$ 21,5 bilhões do acumulado anterior, alta de 69%. Em apenas um ano, o saldo positivo com a China cresceu cerca de US$ 15 bilhões.

Para a China, o Brasil envia montanhas de commodities essenciais: soja, óleos brutos de petróleo, carnes bovinas congeladas, açúcar, celulose e ferro-gusa. O salto confirma que o Brasil é, hoje, o principal provedor estratégico de energia e proteína para Pequim.

Entre os outros parceiros do BRICS, a Índia se destacou com a maior alta percentual no comércio com o Brasil: 26,9%, chegando a US$ 16,4 bilhões de corrente nos últimos doze meses. Arábia Saudita, Indonésia, Egito, Emirados Árabes e África do Sul também avançaram, abrindo frentes promissoras em mercados estratégicos do Oriente Médio, África e Sudeste Asiático.

A Rússia foi a única exceção em queda no bloco, com corrente de US$ 11,1 bilhões, baixa de 12,6% sobre o acumulado anterior. O que torna a posição brasileira singular, porém, é o fato de que o avanço asiático e do BRICS como um todo não veio às custas dos demais mercados.

Uma pauta exportadora rica e múltipla

O Brasil não é uma Arábia Saudita nem uma Venezuela. Não somos um país-petróleo nem dependemos de uma única commodity.

Nossa pauta exportadora é uma das mais diversificadas do mundo em desenvolvimento. Esse é um patrimônio econômico que poucas nações conseguiram construir, e o seu mérito é em primeiro lugar do setor produtivo brasileiro — empresários, trabalhadores, técnicos, agricultores, exportadores que mantêm o país competitivo mesmo em ambiente global hostil.

Carne bovina, carne suína, alumina, veículos de carga, caminhões, café torrado, máquinas e aparelhos elétricos, ferramentas mecânicas, perfumaria, papel e celulose, suco de laranja, álcool combustível, açúcar refinado e aeronaves comerciais figuram entre os destaques recentes. São itens que vão da agropecuária à indústria pesada, da química fina à aviação.

E há ainda a quase invisível constelação dos chamados produtos “não tradicionais”, que mostram a capilaridade do agro brasileiro. Comparando o acumulado de doze meses encerrado em abril de 2026 com o acumulado dos doze meses anteriores, a pimenta teve alta de 81% no valor exportado, o óleo de amendoim saltou 147%, a castanha de caju subiu 72% e os melões frescos avançaram 25%.

São itens que parecem pequenos diante da soja ou do petróleo. Mas que, somados, representam centenas de milhões de dólares em divisas e empregam milhões de brasileiros em regiões frequentemente esquecidas pelas grandes cadeias produtivas.

Mercados variados — e o retorno da diplomacia Lula

A diversificação não é só de produtos. É também de destinos.

Mais de quarenta mercados registraram recorde histórico de compras brasileiras recentemente, com destaque para Canadá, Índia, Turquia, Paraguai, Uruguai, Suíça, Paquistão e Noruega. O Paquistão, sozinho, ampliou em 122% suas compras de produtos do agro brasileiro na comparação dos últimos doze meses contra os doze anteriores.

Esse alargamento, é preciso dizer, tem como base o talento e a competitividade do setor produtivo nacional — sem isso, nenhum acordo comercial e nenhuma viagem presidencial levaria a resultados como os que temos visto. Mas é também resultado de uma diplomacia comercial que voltou a funcionar.

Desde 2023, o agro brasileiro abriu 525 novos mercados no exterior, gerando aproximadamente US$ 4 bilhões em receitas cambiais adicionais, segundo dados do Ministério da Agricultura. No campo dos acordos, o Mercosul fechou tratado de livre comércio com Singapura em 2024 e com o EFTA (Noruega, Suíça, Islândia e Liechtenstein), além de encaminhar o tratado com a União Europeia.

Com os três acordos somados, o percentual de exportações brasileiras cobertas por preferências tarifárias subirá de 12,2% para 30%. É a paisagem de um país que voltou a costurar pontes onde outros desperdiçaram décadas.

É o velho instinto da diplomacia Lula em ação. O presidente, sempre que governou, viajou o mundo abrindo mercados, costurando acordos e visitando capitais que governos anteriores haviam abandonado.

Foi assim em 2003-2010, quando a expansão asiática abriu o ciclo virtuoso das commodities. E voltou a ser assim agora, num mundo fragmentado em que cada acordo bilateral, cada nova ponte tarifária e cada compra recorde importa.

Encontro com Trump e a injustiça do tarifaço

Em meio a esse panorama positivo, a relação Brasil-Estados Unidos ganha contornos particulares. Justamente quando a diplomacia brasileira se senta à mesa com Donald Trump, os números mostram um quadro que escancara a injustiça da política comercial americana em relação ao nosso país.

Nos últimos doze meses, o Brasil exportou US$ 35,50 bilhões para os EUA, mas importou US$ 43,31 bilhões — déficit de quase US$ 8 bilhões. No acumulado dos doze meses anteriores, o saldo havia sido um pequeno déficit de US$ 1,65 bilhão. Em apenas um ano, portanto, o rombo bilateral com os americanos se multiplicou por cinco.

A deterioração tem nome: tarifaço. As exportações para os EUA caíram 11,3% em abril de 2026 sobre o mesmo mês de 2025, na nona queda consecutiva após a sobretaxa de 50% imposta pelo governo Trump.

E aqui está a contradição grosseira da retórica trumpista. Trump justificou as tarifas dizendo que o Brasil se aproveitaria comercialmente dos Estados Unidos, supostamente cobrando tarifas altas dos produtos americanos.

É mentira. As tarifas brasileiras sobre importações dos EUA são, em média, irrisórias.

Mais ainda: quem tem superávit na relação são os Estados Unidos, não o Brasil. Quando se considera apenas o comércio de bens, os americanos vendem mais para o Brasil do que compram, e o nosso déficit com eles, no acumulado dos últimos doze meses, é justamente esses quase US$ 8 bilhões.

Quando se incorpora o comércio de serviços — onde os Estados Unidos vendem softwares, plataformas digitais, royalties, consultorias e remessas tecnológicas em larga escala —, esse desequilíbrio fica ainda mais expressivo.

A pauta também é reveladora. O Brasil vende para os Estados Unidos óleos brutos de petróleo, semimanufaturados de ferro/aço, café em grão e ferro fundido — uma cesta tipicamente colonial.

A única exceção honrosa de alta tecnologia são os aviões comerciais da Embraer. Em troca, o Brasil importa partes de turbinas e motores de aviação, óleo diesel e naftas petroquímicas.

A leitura é clara: nós enviamos petróleo cru e aço básico, e eles nos devolvem diesel refinado e turbinas de alto valor agregado. Trump cobra tarifas de quem já lhe é deficitário, e exporta para o Brasil produtos de muito maior valor agregado do que os que de cá importa.

O Brasil nos próximos capítulos

Mesmo diante do tarifaço e da reorganização global das cadeias de comércio, o Brasil consolida-se como uma das economias mais resilientes e ativas do mundo em desenvolvimento. O país tem hoje uma indústria farmacêutica, um setor de saúde e uma base tecnológica que ainda dependem fortemente de importações, e essas são agendas estratégicas em aberto que precisam continuar sendo enfrentadas com política industrial robusta.

Mas o que se vê no acumulado encerrado em abril de 2026 — coroado por recordes históricos em exportações, importações e corrente de comércio — é o desenho de um país resiliente, comercialmente ativo, diplomaticamente reativado e, sobretudo, sustentado por um setor produtivo competente e diversificado. Há muito o que comemorar nessas cifras, e há muito o que continuar construindo.

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Exclusivo! O forte aumento da participação do café nas exportações brasileiras e a explosão do consumo chinês https://www.ocafezinho.com/2026/04/15/exclusivo-o-forte-aumento-da-participacao-do-cafe-nas-exportacoes-brasileiras-e-a-explosao-do-consumo-chines/ https://www.ocafezinho.com/2026/04/15/exclusivo-o-forte-aumento-da-participacao-do-cafe-nas-exportacoes-brasileiras-e-a-explosao-do-consumo-chines/#respond Wed, 15 Apr 2026 20:10:07 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=235182

O agronegócio brasileiro continua a ditar o ritmo da balança comercial, mas os dados aduaneiros mais recentes revelam que poucas mercadorias tiveram um salto tão fenomenal quanto o nosso café. Ao isolarmos ciclos anuais perfeitos, contabilizando sempre o total de fluxo entre abril de um ano e março do seguinte, o desempenho do grão, verde, torrado e em extratos, no comércio exterior consolida um movimento que entorta os gráficos oficiais e mostra o peso crescente desta safra nas riquezas do Brasil.

Entre abril de 2020 e março de 2021, o Brasil faturava pouco mais de US$ 5,7 bilhões anuais vendendo café pelo mundo, o que correspondia a cerca de 2,66% de tudo que o país exportava. Avançando o relógio para o ciclo de abril de 2025 a março de 2026, o cenário foi esmagadoramente pulverizado: faturamos brutos US$ 15,25 bilhões com o grão em apenas 12 meses, saltando a participação do café para notáveis 4,31% de todo o faturamento exportador nacional.

Os motores do crescimento

Quem está cimentando esse lastro monumental da produção cafeeira pelo mundo? O fluxo não esconde grandes mistérios quanto à nossa base fiel, mas traz saltos hiperbólicos nos portos asiáticos.

Os grandes baluartes do consumo no Ocidente responderam por uma absorção tremenda ao longo de todos os ciclos. A Alemanha ancorou o topo da tabela com US$ 2,22 bilhões no último ciclo, seguida pelos Estados Unidos com contínuos US$ 1,9 bilhão. Itália e Japão também sustentaram faturamentos superiores a US$ 1 bilhão ao ano, fornecendo o alicerce que garante a estabilidade agrícola no exterior.

A anomalia chinesa

Por outro lado, o ritmo sem teto que efetivamente chama a atenção não passa pelo Ocidente. Os chineses, tidos desde antes das dinastias como os imodificáveis consumidores da folha do chá, viram seus jovens centros urbanos aderirem de maneira maníaca à expansão global de redes de cafeteria e torrefação nos últimos cinco anos, provocando o rompimento definitivo da muralha.

Há seis anos, entre abril de 2020 e março de 2021, o Brasil exportava míseros US$ 32,9 milhões em derivados do grão para a China inteira. O avanço em ritmo avassalador que se seguiu quebrou todas as escalas, fechando em março de 2026 com recorde intocável de estonteantes US$ 402,8 milhões. Trata-se de uma multiplicação inaudita de demanda, superior a doze vezes em apenas seis anos.

No horizonte, resta saber o teto. O asiático hoje se recusa a pisar no freio, abraçando o café brasileiro e redesenhando estruturalmente nossa maior força agromercantil.

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Brasil deve colher recorde de café em 2026, com alta de 17%, aponta Conab https://www.ocafezinho.com/2026/02/05/brasil-deve-colher-recorde-de-cafe-em-2026-com-alta-de-17-aponta-conab/ https://www.ocafezinho.com/2026/02/05/brasil-deve-colher-recorde-de-cafe-em-2026-com-alta-de-17-aponta-conab/#respond Thu, 05 Feb 2026 17:21:50 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=225478 Tanto a área de produção quanto a produtividade avançaram

A primeira estimativa para a safra de café de 2026 prevê um novo recorde histórico para o Brasil.

Segundo o 1º Levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado nesta quinta-feira (5/2), a produção deve atingir 66,2 milhões de sacas beneficiadas. O volume representa um crescimento expressivo de 17,1% em comparação com a safra de 2025.

“Se confirmado o resultado, este será um novo recorde na série histórica da Companhia, ultrapassando a safra de 2020, quando foram colhidas 63,1 milhões de sacas”, informou a Conab.

Mais terra e produtividade

O desempenho esperado é impulsionado por uma conjunção de fatores:

  • Bienalidade positiva: 2026 é um ano de alta produtividade no ciclo natural da cafeicultura.
  • Expansão da área: incremento de 4,1% na área em produção, totalizando 1,9 milhão de hectares.
  • Clima e tecnologia: condições climáticas mais favoráveis e a adoção de tecnologias e boas práticas agrícolas elevam a produtividade em 12,4%, para 34,2 sacas por hectare.

Desempenho por tipo de grão

Com relação à produção de café arábica, a colheita estimada é de 44,1 milhões de sacas – aumento de 23,3% na comparação com o ciclo 2025.

“Essa elevação é atribuída ao crescimento de área em produção, às condições climáticas mais favoráveis e à bienalidade positiva”, detalhou a Conab.

A expectativa é também de aumento na colheita do café tipo conilon, com uma safra de 22,1 milhões de sacas, crescimento de 6,4%, também com potencial recorde.

De acordo com a Conab, se confirmada essa projeção, será estabelecido novo recorde, motivado pelo crescimento da área em produção e das condições climáticas mais favoráveis até o momento.

Produção nos estados

  • Minas Gerais: principal produtor, com estimativa de 32,4 milhões de sacas de arábica, beneficiado pela boa distribuição das chuvas.
  • Espírito Santo: maior produtor de conilon, com safra total estimada em 19 milhões de sacas (alta de 9%). Desse total, 14,9 milhões são de conilon.
  • São Paulo: expectativa de 5,5 milhões de sacas de arábica, com recuperação de áreas.
  • Bahia: produção total estimada em 4,6 milhões de sacas (alta de 4%), com destaque para o conilon (3,4 milhões).
  • Rondônia: produção exclusiva de conilon deve crescer 18,3%, para 2,7 milhões de sacas, impulsionada pela renovação genética.

Cenário de mercado: preços altos apesar da produção recorde

A Conab projeta que os preços do café devem se manter em patamares elevados em 2026, mesmo com a expectativa de safra cheia no Brasil e no Vietnã. O suporte vem do consumo global, que deve atingir um recorde de 173,9 milhões de sacas, puxado pela demanda asiática.

Além disso, os estoques mundiais estão nos níveis mais baixos em 25 anos. Estima-se que eles iniciem a safra 2025/26 em 21,3 milhões de sacas (queda de 7,8%) e terminem o ciclo em 20,1 milhões de sacas (nova redução de 5,4%), mantendo pressão de alta nos preços.

O relatório completo com tabelas detalhadas está disponível no site da Conab.

Com informações da Agência Gov e da Agência Brasil em 05/02/2026

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A nova era dourada do café brasileiro! https://www.ocafezinho.com/2026/01/14/a-nova-era-dourada-do-cafe-brasileiro/ https://www.ocafezinho.com/2026/01/14/a-nova-era-dourada-do-cafe-brasileiro/#respond Wed, 14 Jan 2026 16:05:31 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=224518 Exportações batem recorde mesmo com tarifaço de Trump, apesar da queda no volume exportado, impulsionadas pela disparada dos preços internacionais.

O Brasil exportou US$ 16 bilhões em café em 2025, um recorde histórico. O dado impressiona ainda mais quando se observa que esse crescimento ocorreu apesar da queda na quantidade exportada. Em volume físico, o país embarcou cerca de 41,5 milhões de sacas de 60 quilos, somando café verde e café solúvel em equivalente grão — uma retração de aproximadamente 17% em relação a 2024. O recorde, portanto, não veio do aumento de volume, mas da forte valorização dos preços internacionais.

Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior, o valor exportado cresceu 31% em relação ao ano anterior e 168% em comparação com uma década atrás.

O desempenho ocorreu apesar do tarifaço imposto por Donald Trump, que entre agosto e novembro de 2025 aplicou uma sobretaxa de 50% sobre o café brasileiro na entrada dos Estados Unidos. A tarifa só foi zerada após negociação direta entre Lula e Trump, evitando impactos mais severos sobre o segundo maior mercado consumidor do produto.

Desse total exportado, 93% corresponderam ao café verde — o grão cru, ainda não industrializado —, 7% ao café solúvel e menos de 1% ao café torrado.

A participação do café nas exportações brasileiras atingiu 4,3% em 2025, contra 3,4% no ano anterior. Em 2003 e 2004, esse indicador havia despencado para 1,8%, o piso da série histórica. A recuperação ao longo de duas décadas mais que dobrou o peso do café na pauta exportadora.

Os mercados tradicionais ainda dominam as compras do café brasileiro. A Alemanha lidera com US$ 2,3 bilhões, alta de 27% no ano e de 118% na década; os Estados Unidos vêm em segundo, com US$ 1,9 bilhão, estáveis no ano, mas 62% acima de dez anos atrás; Itália, Japão e Bélgica completam os cinco maiores compradores. Todos os números deste parágrafo referem-se exclusivamente às exportações brasileiras de café verde.

Os países do chamado Norte Global — Europa Ocidental, Estados Unidos, Canadá, Japão, Coreia do Sul e Austrália — responderam por 77,5% das exportações brasileiras de café verde em 2025, uma fatia ainda robusta, mas em declínio: em 2015, esse grupo representava 87%. São mercados maduros, onde o consumo per capita já é elevado e o espaço para expansão é limitado.

No café solúvel, o Brasil exportou cerca de US$ 1,12 bilhão em 2025. Os Estados Unidos lideraram as compras, com US$ 190 milhões, o equivalente a 17,1% do total, alta de 10% em relação a 2024. A Rússia veio em seguida, com US$ 78,6 milhões (7,0% do total), crescimento expressivo de 46,5% no ano. Polônia (US$ 56,9 milhões) e Japão (US$ 48,4 milhões) também registraram avanços superiores a 35%.

O café chegou ao Brasil em 1727, trazido da Guiana Francesa por Francisco de Melo Palheta. As primeiras lavouras comerciais se estabeleceram no Vale do Paraíba, entre Rio de Janeiro e São Paulo, sob o regime da escravidão. A partir da década de 1870, a produção explodiu no oeste paulista — dessa vez com trabalho livre e forte participação de imigrantes italianos — e tornou-se o primeiro grande produto de exportação do Brasil sob regime assalariado. Os lucros do café financiaram ferrovias, modernizaram o porto de Santos e lançaram as bases da industrialização paulista.

As perspectivas de crescimento do consumo global de café se concentram hoje principalmente no Sul Global. China, Rússia, Turquia e outros países emergentes responderam por 22,5% das exportações brasileiras de café em 2025, contra apenas 13% em 2015. O crescimento foi de 42% em um único ano e de 363% na década — ritmo quase três vezes superior ao dos mercados tradicionais.

Os números individuais impressionam. Em relação a dez anos antes, as exportações brasileiras cresceram 3.430% para a China, 1.189% para a Arábia Saudita, 767% para os Emirados Árabes, 588% para a Rússia, 546% para a Malásia, 497% para Taiwan e 403% para a Turquia. São mercados que estão descobrindo o café agora.

Há um dado revelador: em 2025, Colômbia, México e Vietnã registraram aumentos explosivos nas importações de café brasileiro. O movimento sugere triangulação comercial — diante das tarifas elevadas impostas pelos Estados Unidos, importadores americanos passaram a comprar café brasileiro via terceiros países, que adquirem o grão do Brasil e o reexportam, contornando o tarifaço insano de Donald Trump.

A China é o grande prêmio. O consumo per capita chinês é de apenas 0,26 kg por ano24 vezes menor que os 6,26 kg do Brasil. Se os chineses bebessem café na mesma proporção, a demanda chegaria a 144 milhões de sacas anuais, quase a produção mundial inteira.

O país já dá sinais claros de despertar. Xangai tornou-se a cidade com mais cafeterias no mundo, com 9.115 estabelecimentos em 2024, superando Londres, Nova York e Tóquio. A rede chinesa Luckin Coffee encerrou o ano com mais de 30 mil lojas, ultrapassando a Starbucks. O café deixou de ser curiosidade de expatriados para virar hábito urbano.

Segundo dados da alfândega chinesa, as suas importações de café verde somaram US$ 1,46 bilhão no acumulado de 12 meses até novembro de 2025, alta de 72% em relação ao período anterior.

A Etiópia tornou-se o principal fornecedor da China, com 32,1% do total importado, ligeiramente à frente do Brasil, com 31,1%. As vendas etíopes cresceram 328% em um ano, enquanto as brasileiras avançaram 48,6%. Há, porém, um limite físico para esse avanço: a Etiópia produz cerca de 8 milhões de sacas por ano, contra 63 milhões do Brasil. Se o consumo chinês acelerar de forma consistente, o crescimento exigirá necessariamente o grão brasileiro.

O café possui uma característica singular: funciona como produto-âncora, capaz de abrir mercados urbanos muito mais amplos. Cafeterias não vendem apenas café. Vendem alimentos, bebidas, espaço, tempo, conforto, sociabilidade e serviços — mesas, cadeiras, banheiros, Wi-Fi, ambientes climatizados. O café é a porta de entrada desse ecossistema.

O mercado global de café movimenta entre US$ 270 bilhões e US$ 486 bilhões por ano, dependendo da metodologia. As exportações mundiais de café verde, torrado e solúvel somaram US$ 51 bilhões em 2024. A diferença não indica perda, mas a existência de cadeias de serviços e consumo que se organizam em torno da bebida.

A Luckin Coffee assinou contratos de US$ 2,5 bilhões para comprar café brasileiro até 2029. Em dezembro de 2025, a marca “Café do Brasil” estampou 400 milhões de copos vendidos nas lojas da rede — cerca de 14 milhões por dia.

A produção mundial de café na safra 2024/25 foi de 175 milhões de sacas, segundo o USDA. O Brasil domina os dois principais segmentos — 44% do arábica mundial e 28% do robusta — e respondeu por 37% da produção global. Além de maior produtor e exportador, é o segundo maior consumidor mundial em volume, com mercado interno de 22 milhões de sacas por ano. Em consumo per capita, porém, o Brasil supera o tio Sam: 6,26 kg por habitante, contra 4,9 kg nos Estados Unidos.

Do ponto de vista social, o café distribui renda como poucas culturas. No Brasil, são 287 mil produtores em 1.900 municípios, numa área de 1,9 milhão de hectares. Cerca de 78% são agricultores familiares. No mundo, 25 milhões de famílias vivem do café — quase todas em pequenas propriedades.

Por trás desses números há mais de um século de ciência aplicada ao campo. A agricultura moderna não é atraso: é indústria a céu aberto. O café brasileiro carrega décadas de pesquisa, conhecimento e tecnologia. E, à medida que o Sul Global passa a beber mais café, o setor tende a gerar ainda mais renda, emprego e estabilidade social, sobretudo nas áreas rurais do país.

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Exclusivo! Exportações brasileiras de café para a China crescem mais de 600% em outubro! https://www.ocafezinho.com/2025/11/14/exclusivo-exportacoes-brasileiras-de-cafe-para-a-china-crescem-mais-de-600-em-outubro/ https://www.ocafezinho.com/2025/11/14/exclusivo-exportacoes-brasileiras-de-cafe-para-a-china-crescem-mais-de-600-em-outubro/#comments Fri, 14 Nov 2025 18:23:25 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=221326 2 Comentários 🔥]]> Ao analisar os efeitos do tarifaço de Donald Trump contra produtos brasileiros, é difícil entender como um presidente poderia ser tão estúpido. O caso do café é particularmente grotesco.

Os Estados Unidos, maiores consumidores de café do mundo, não produzem o grão em escala comercial. Sua produção insignificante no Havaí mal seria suficiente para uma cafeteria em Los Angeles.

Em um momento de preços internacionais historicamente elevados, aplicar uma tarifa de importação foi uma medida desastrosa. O resultado óbvio se concretizou: os preços do café explodiram nas gôndolas dos supermercados em todo o país.

A ironia da medida se aprofunda quando se considera seu pretenso objetivo: punir o Brasil. O tarifaço encontrou o setor cafeeiro brasileiro em um momento de extrema força, beneficiado por uma combinação rara de safra grande e preços altos.

O setor vive um momento de prosperidade. As exportações de café verde e solúvel, no acumulado de 12 meses, atingiram US$ 15,3 bilhões, um crescimento de 35,7% sobre o período anterior e um recorde de todos os tempos em valor. Em quantidade, o volume foi ligeiramente menor que o do período anterior, mas os preços elevados garantiram a receita recorde.

Cerca de 85% a 90% desse volume é de café verde, sendo o restante de solúvel, já que as exportações de café torrado são insignificantes.

Os números são do Comexst, a agência estatística de comércio exterior do governo federal.

Alguns leitores sabem que trabalhei como jornalista especializado em café muitos anos atrás, no final da década de 90 e início dos anos 2000. Nessa época, a exportação de café gerava 2 ou 3 bilhões de dólares por ano, quando as coisas iam bem. Agora, está gerando 15 bilhões. É um salto impressionante.

Em outubro, as exportações somaram US$ 1,62 bilhão, um aumento de 16,9% em relação a outubro de 2024 e de 26,3% sobre setembro de 2025.

O tarifaço, em vez de prejudicar o Brasil, provocou um efeito bumerangue. As exportações para os Estados Unidos caíram, mas o setor se mobilizou e encontrou novos mercados. No acumulado de 12 meses, as vendas para os EUA somaram US$ 702 milhões.

O destaque é a China. Em outubro de 2025, as exportações brasileiras de café para o gigante asiático cresceram mais de 600% em relação ao mesmo mês do ano anterior, somando US$ 78 milhões, contra US$ 157 milhões dos EUA. No acumulado de 12 meses, as vendas para a China atingiram US$ 127 milhões.

Isso significa que a China, que antes comprava uma quantidade insignificante de café brasileiro, agora importa o correspondente a quase metade do volume importado pelos Estados Unidos. A ascensão da China é um divisor de águas.

Vinte anos atrás, a participação chinesa nas importações americanas era próxima de zero. Em outubro de 2025, essa proporção chegou a quase 50%.

O que se vê na China é o surgimento de redes de cafeterias nas grandes cidades, onde se desenvolve uma atmosfera cada vez mais cosmopolita. Isso faz com que o hábito do café se enraíze entre os chineses, e quando o café vira hábito, o consumo tende a ser permanente.

Com um mercado de 1,4 bilhão de pessoas, é fácil prever que a China ultrapassará os Estados Unidos como principal comprador do café brasileiro.

Enquanto isso, os Estados Unidos amargam um prejuízo bilionário. A indústria cafeeira americana, que lucra com a torrefação e revenda do grão brasileiro, foi diretamente atingida.

Além disso, o café brasileiro, por ser uma commodity, encontra outros caminhos para chegar ao consumidor americano. A triangulação por outros países torna o produto final ainda mais caro.

No fim, o cafeicultor brasileiro continua recebendo seu dinheiro. O setor, que gera milhões de empregos e sustenta pequenos e médios produtores, nunca esteve tão forte.

Obrigado, Trump, por ajudar a abrir novos mercados para o glorioso café brasileiro.

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Exclusivo! Brasil esmagou o tarifaço! https://www.ocafezinho.com/2025/11/08/exclusivo-brasil-esmagou-o-tarifaco/ https://www.ocafezinho.com/2025/11/08/exclusivo-brasil-esmagou-o-tarifaco/#comments Sat, 08 Nov 2025 19:44:07 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=220666 1 Comentário 🔥]]> Em seu clássico “Anti-Dühring”, de 1878, Friedrich Engels observou: “Poderíamos afirmar, portanto, para usar uma expressão que tanta indignação provoca no Sr. Dühring, que a quantidade se converte em qualidade e vice-versa.” (Parte III — Dialética, Capítulo 12). A máxima talvez pudesse ser aplicada também ao comércio exterior brasileiro dos últimos anos.

A magnitude dos números sugere uma profunda transformação qualitativa na economia do país e em seu papel estratégico na cadeia global de valores, na estabilidade financeira dos mercados internacionais e na segurança alimentar de importante parte da humanidade. As exportações de outubro, que atingiram US$ 32 bilhões, repetindo o recorde histórico de julho, confirmam essa mudança estrutural na geografia comercial brasileira.

Os dados são do ComexStat, a agência estatística do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

A participação dos Estados Unidos em nossas vendas externas de outubro caiu para 6,9%, muito distante dos cerca de 25% que representavam há vinte anos. A retração recente foi acentuada pelos efeitos das novas tarifas impostas por Washington, que se iniciaram em abril e foram aumentadas em agosto, quando a alíquota foi elevada para 50% para mais de um terço dos produtos brasileiros.

Mesmo com essa queda para os EUA, as exportações brasileiras cresceram 9,13% em relação ao mesmo mês do ano anterior, impulsionadas por outros mercados e pela diversificação da pauta.

Com trabalho, diplomacia e o famoso jeitinho nacional, o Brasil derrotou o tarifaço.

O saldo comercial de outubro foi de US$ 7,0 bilhões, o segundo maior da história para o mês, com um crescimento de 70,7% em relação a outubro de 2024.

No acumulado de 12 meses, a corrente de comércio atingiu o recorde histórico de US$ 645,3 bilhões, o equivalente a R$ 3,3 trilhões. Para ter noção da magnitude, isso corresponderia a toda a despesa da União em 12 meses mais os juros nominais.

A China permanece como principal parceiro, absorvendo cerca de um terço das exportações brasileiras, seguida pela União Europeia e, em terceiro lugar, pelos países da América do Sul. O comércio com os Estados Unidos, embora ainda relevante, vem perdendo espaço tanto em valor absoluto quanto em participação relativa.

O que antes era rotulado como ‘setor primário’ hoje representa um dos mais sofisticados complexos produtivos do mundo. Para que o Brasil consiga suprir grande parte da proteína vegetal e animal consumida no planeta, são necessários investimentos massivos em tecnologia, ciência e genética, além de uma estrutura logística, comercial, financeira e diplomática de alta complexidade. A cadeia da soja ou da carne, por exemplo, envolve desde satélites e drones no campo até algoritmos de otimização de rotas nos portos, consolidando o país como uma potência agro-tecnológica.

Entre os setores que impulsionaram as exportações brasileiras em 2025 estão o agronegócio, a mineração e a indústria de transformação. Petróleo e derivados lideram a pauta, com 16,16% do total, seguidos por soja (14,16%) e minério de ferro (10,97%). No setor industrial, destacam-se veículos, máquinas, geradores elétricos e produtos químicos, que vêm conquistando novos mercados fora do eixo tradicional. A pauta industrial representa hoje cerca de 28% das exportações, um avanço em relação aos anos anteriores. Entre os produtos com maior crescimento no ano estão o ouro (+67,46%), veículos (+35,91%), café (+32,75%) e carnes (+19,69%).

Os Estados Unidos, apesar da perda de participação, continuam sendo o principal destino de produtos industrializados brasileiros, especialmente automóveis, motores, aviões e máquinas. Já os países asiáticos, em particular a China, ampliam a demanda por bens primários e intermediários, o que tem estimulado investimentos logísticos e diplomáticos na integração com o continente asiático.

Em termos de dependência do comércio exterior, o Brasil apresenta um perfil moderado. As exportações de bens e serviços representam cerca de 17% do PIB, um patamar intermediário entre a China (20%) e os Estados Unidos (11%), mas muito distante de economias altamente abertas como a Alemanha (48%) e o Vietnã (85%).

Considerando toda a corrente de comércio (exportações + importações de bens e serviços), a participação no PIB brasileiro é de 34%, bem abaixo da média mundial de 58%. Novamente, o Brasil se posiciona entre a China (37%) e os Estados Unidos (40%), mas muito longe da Alemanha (90%) e do Vietnã (185%).

Os 25 gráficos a seguir detalham essa transformação, mostrando a evolução do comércio exterior brasileiro em diferentes setores, mercados e períodos.

1. Corrente de Comércio do Brasil – Dados Mensais – Média Móvel 12 meses (Abr-Out/2025)

A média móvel de 12 meses da corrente de comércio do Brasil (exportação + importação) mostra uma tendência de alta consistente entre abril e outubro de 2025. O indicador subiu de US$ 50,6 bilhões para US$ 51,8 bilhões no período, um crescimento de 2,3% em seis meses. A evolução positiva reflete o aquecimento contínuo do comércio exterior brasileiro, com o valor de outubro sendo 0,8% superior a setembro de 2025.

2. Exportações do Brasil – Dados Mensais – Média Móvel 12 meses (Abr-Out/2025)

A média móvel de 12 meses das exportações brasileiras também apresentou crescimento entre abril e outubro de 2025, passando de US$ 28,0 bilhões para US$ 28,5 bilhões. A alta de 2,0% no período indica uma performance robusta das vendas externas, com o valor de outubro sendo 0,7% superior ao de setembro de 2025.

3. Corrente de Comércio do Brasil (Acumulado 12 meses)

A corrente de comércio do Brasil atingiu US$ 621,2 bilhões no acumulado de 12 meses encerrado em outubro de 2025, um aumento de 2,5% em relação aos 12 meses anteriores (US$ 606,1 bilhões). O gráfico mostra uma trajetória de crescimento consistente, com o valor atual sendo o maior da série histórica.

4. Exportações do Brasil (Acumulado 12 meses)

As exportações brasileiras registraram recorde no acumulado de 12 meses encerrado em outubro de 2025, atingindo US$ 342,5 bilhões. O valor representa um crescimento de 3,1% em comparação com o mesmo período do ano anterior (US$ 332,1 bilhões), impulsionando o superávit da balança comercial.

5. Exportações Totais do Brasil (Dados Mensais)

As exportações totais do Brasil em outubro de 2025 somaram US$ 32,1 bilhões, uma alta de 5,2% em relação a setembro de 2025 (US$ 30,5 bilhões) e um crescimento de 1,6% sobre outubro de 2024 (US$ 31,6 bilhões). O gráfico mostra a volatilidade mensal, com outubro sendo um dos meses mais fortes do ano.

6. Saldo Comercial em Outubro (2005-2025)

O saldo comercial do Brasil em outubro de 2025 foi de US$ 7,0 bilhões, o segundo maior da série histórica para o mês. O valor representa uma forte recuperação de 70,7% em relação a outubro de 2024 (US$ 4,1 bilhões), embora ainda esteja abaixo do recorde de US$ 9,2 bilhões registrado em outubro de 2023.

7. Corrente de Comércio Brasil-Estados Unidos (Acumulado 12 meses)

A corrente de comércio entre Brasil e Estados Unidos atingiu US$ 83,5 bilhões no acumulado de 12 meses encerrado em outubro de 2025. O valor representa um crescimento de 3,9% em relação ao mesmo período do ano anterior (US$ 80,4 bilhões), mostrando uma recuperação após a queda observada entre 2022 e 2023.

8. Exportações do Brasil para os Estados Unidos (Acumulado 12 meses)

As exportações brasileiras para os Estados Unidos totalizaram US$ 38,9 bilhões no acumulado de 12 meses encerrado em outubro de 2025. O valor é 2,3% inferior ao registrado no mesmo período do ano anterior (US$ 39,8 bilhões), indicando uma leve retração nas vendas para o mercado americano.

9. Participação dos EUA nas Exportações Totais do Brasil (Dados Mensais)

O gráfico mostra a participação mensal dos Estados Unidos nas exportações totais do Brasil de abril a outubro de 2025. Houve uma queda acentuada de 11,8% em abril para 6,9% em outubro, uma redução de 42% na participação no período, indicando uma diversificação no destino das exportações brasileiras.

10. Corrente de Comércio Brasil-BRICS+ (Acumulado 12 meses)

A corrente de comércio do Brasil com os países do BRICS+ atingiu o recorde de US$ 206,2 bilhões no acumulado de 12 meses encerrado em outubro de 2025. O valor representa um crescimento de 5,4% em relação ao mesmo período do ano anterior (US$ 195,6 bilhões), evidenciando a crescente importância do bloco.

11. Corrente de Comércio Brasil-África (Acumulado 12 meses)

A corrente de comércio entre Brasil e África atingiu o recorde de US$ 23,5 bilhões no acumulado de 12 meses encerrado em outubro de 2025. O valor é 14,6% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior (US$ 20,5 bilhões), consolidando a forte recuperação do comércio com o continente africano desde 2021.

12. Corrente de Comércio Brasil-ASEAN (Média Móvel 12 meses)

A corrente de comércio do Brasil com a ASEAN atingiu o recorde de US$ 3,18 bilhões na média móvel de 12 meses em outubro de 2025. O valor representa um crescimento de 11,5% em relação a outubro de 2024 (US$ 2,85 bilhões), mostrando forte aceleração do comércio com o bloco asiático.

13. Exportações de Café do Brasil (Acumulado 12 meses)

As exportações brasileiras de café atingiram o recorde de US$ 14,3 bilhões no acumulado de 12 meses encerrado em outubro de 2025. O valor é 34,9% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior (US$ 10,6 bilhões), refletindo a forte valorização do produto no mercado internacional.

14. Exportações de Café do Brasil (Média Móvel 12 meses)

A média móvel de 12 meses das exportações de café do Brasil atingiu o recorde de US$ 1,2 bilhões em outubro de 2025. O valor representa um crescimento de 33,3% em relação a outubro de 2024 (US$ 900 milhões), evidenciando a forte aceleração das vendas nos últimos 12 meses.

15. Exportações de Café do Brasil para a China (Média Móvel 12 meses)

As exportações de café para a China mostram um crescimento exponencial. A média móvel de 12 meses, que era de US$ 10,9 milhões em outubro de 2024, saltou para US$ 32,0 milhões em outubro de 2025, um aumento de 193%. O resultado consolida a China como um dos principais e mais dinâmicos mercados para o café brasileiro.

16. Exportações de Café do Brasil para os EUA (Acumulado 12 meses, Nov-Out)

As exportações de café para os EUA, no acumulado de 12 meses de novembro a outubro, atingiram o recorde de US$ 2.165 milhões em 2025. O valor representa um crescimento de 36,5% em relação ao mesmo período anterior (Nov/23-Out/24), que foi de US$ 1.587 milhões, mostrando forte recuperação e expansão das vendas para o mercado americano.

17. Exportações de Café do Brasil para os EUA – Dados Mensais – Média Móvel 12 meses (Abr-Out/2025)

A média móvel de 12 meses das exportações de café para os EUA apresentou tendência de queda entre abril e outubro de 2025, passando de US$ 180,9 milhões para US$ 180,4 milhões. Apesar de um pico em agosto (US$ 187,7 milhões), o indicador mostra uma leve retração de 0,3% no período de seis meses.

18. Índice de Exportações de Café (Base 100 = Abril/2025)

O gráfico mostra trajetórias divergentes para as exportações de café do Brasil de abril a outubro de 2025. Enquanto as exportações totais de café cresceram 21,3% (índice de 121,3), as exportações para os Estados Unidos caíram 44,9% (índice de 55,1) no mesmo período, evidenciando uma forte mudança no destino do produto.

19. Exportações de Carne Bovina Congelada do Brasil (Acumulado 12 meses)

As exportações brasileiras de carne bovina congelada atingiram o recorde de US$ 13,3 bilhões no acumulado de 12 meses encerrado em outubro de 2025. O valor é 19,8% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior (US$ 11,1 bilhões), consolidando a forte expansão do setor.

20. Exportações de Carne Bovina Congelada do Brasil (Média Móvel 12 meses)

A média móvel de 12 meses das exportações de carne bovina congelada do Brasil atingiu o recorde de US$ 1,11 bilhões em outubro de 2025. O valor representa um crescimento de 18,1% em relação a outubro de 2024 (US$ 940 milhões), consolidando o Brasil como líder mundial no setor.

21. Índice de Exportações de Carne Bovina Congelada (Base 100 = Abril/2025)

O gráfico mostra um forte crescimento de 49,2% nas exportações totais de carne bovina congelada do Brasil de abril a outubro de 2025 (índice de 149,2). Em contraste, as exportações para os Estados Unidos sofreram uma queda de 80% no mesmo período (índice de 20,0), indicando uma forte mudança no destino do produto.

22. Participação da Corrente de Comércio no PIB do Brasil – Média Móvel 12 meses (Jan/2016 – Out/2025)

O gráfico mostra uma forte tendência de crescimento da participação do comércio exterior na economia brasileira. Em janeiro de 2016, a corrente de comércio representava 3,72% do PIB. Em outubro de 2025, essa participação mais que dobrou, atingindo 7,56%. O pico da série foi em fevereiro de 2022, com 8,28%, indicando que o Brasil está cada vez mais integrado ao comércio global.

23. Participação das Exportações no PIB do Brasil – Média Móvel 12 meses (Jan/2016 – Out/2025)

Assim como a corrente de comércio, a participação das exportações no PIB também mais que dobrou no período. Em janeiro de 2016, as exportações representavam 2,03% do PIB. Em outubro de 2025, a participação atingiu 4,35%. O crescimento de 2,33 pontos percentuais mostra a crescente importância das exportações para a economia brasileira.

24. Top 10 Produtos Exportados pelo Brasil – Participação % (Média Mensal Jan-Out/2025)

As exportações brasileiras estão relativamente diversificadas, sem a dependência extrema de um único produto que caracteriza países como Venezuela, Arábia Saudita ou Rússia. Nos 12 meses encerrados em outubro de 2025, o petróleo liderou a pauta com US$ 55,2 bilhões, seguido de soja (US$ 43,2 bilhões), minério de ferro (US$ 38,4 bilhões) e carne (US$ 30 bilhões). Outros produtos também tiveram destaque, como café (US$ 17 bilhões), açúcar (US$ 15 bilhões), veículos (US$ 15 bilhões) e celulose (US$ 10 bilhões). Essa distribuição mostra uma economia exportadora baseada em commodities, mas com uma base produtiva diversificada e múltiplas fontes de receita externa.

25. Top 10 Produtos Importados pelo Brasil – Participação % (Média Mensal Jan-Out/2025)

As importações são mais diversificadas que as exportações. Os 10 principais produtos representam 59,71% do total, com uma média mensal de US$ 14,17 bilhões. Petróleo e derivados (8,07%) e veículos (8,05%) lideram. A queda de 11,56% na importação de petróleo e derivados sugere que a Petrobras está conseguindo refinar mais internamente. Por outro lado, a importação de máquinas e equipamentos cresceu 10,52%, e a de material de transporte explodiu 134,4% em um ano, indicando forte investimento na indústria e infraestrutura.

Escreva para o autor: migueldorosario@gmail.com

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Espécie de café criada para a Amazônia dá lucro e protege o ambiente em Rondônia https://www.ocafezinho.com/2025/10/30/especie-de-cafe-criada-para-a-amazonia-da-lucro-e-protege-o-ambiente-em-rondonia/ https://www.ocafezinho.com/2025/10/30/especie-de-cafe-criada-para-a-amazonia-da-lucro-e-protege-o-ambiente-em-rondonia/#respond Thu, 30 Oct 2025 11:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=219995 Robusta amazônica surgiu nos anos 1970, com o trabalho da Embrapa e outros centros de pesquisa. Atualmente, a espécie traz riqueza e ainda é eficaz na proteção ao ambiente, reduzindo o uso da terra e capturando emissões de carbono. Agricultores familiares estão à frente desse trabalho

A Robusta Amazônica, variedade de café desenvolvida especialmente para a região amazônica, nos anos 1970, com pesquisas e apoio da Embrapa e outros centros de estudo, tornou-se um exemplo de sucesso em produtividade, baixo uso da terra, lucro para os agricultores e eficiente capacidade de captura de emissões de gás carbônico. Rondônia é espaço desse desenvolvimento, conforme revelado por estudo realizado pela Embrapa.

O caso do café em Rondônia pode servir de exemplo para os debates sobre desenvolvimento sustentável que serão realizados na COP 30, em Belém (PA).

O levantamento da Embrapa mostra um panorama positivo e bastante promissor da cafeicultura das Matas de Rondônia, região do estado que se destacou na última década na produção dos robustas amazônicos, espécie desenvolvida para a região, com mistura de outras variedades, e que também recebeu manejo e insumos próprios. O raio-x da principal região produtora do estado mostrou que lá o café se concentra em pequenas propriedades, com grau de tecnificação elevado, alta produtividade, sustentabilidade ambiental e boa margem de lucro.

O Perfil socioeconômico e produtivo dos cafeicultores da região das Matas de Rondônia abrangeu os 15 municípios formadores da região das Matas de Rondônia. Responsáveis por 75% da produção rondoniense de café robusta, esses municípios obtiveram, em 2021, o registro de Indicação Geográfica do tipo denominação de origem para o grão produzido na região.

No estado como um todo, o trabalho identificou um dado impressionante: a área de cafezais em produção encolheu de 245 mil hectares, em 2001, para apenas 60,6 mil hectares, em 2023. No entanto, a produtividade saltou de 7,8 para 50,2 sacas por hectare no mesmo período, um efeito chamado de poupa-terra.

Resumo

  • Produtividade média de canéforas no estado alcança 68,5 sacas de 60 kg por hectare, contra 50,4 sacas/ha da média nacional.
  • 90% da produção rondoniense é concentrada em pequenas propriedades familiares de 28 hectares e lavouras de 3,4 ha, em média.
  • Faturamento médio por propriedade aumentou 38% entre 2021 e 2023.
  • Grande maioria das lavouras é tecnificada: irrigação alcança 98,7% da área total plantada e 97.7% dos produtores têm acesso à internet.
  • Efeito poupa terra foi impressionante no estado: em 22 anos, área em produção encolheu 75% enquanto produção saltou 550%, de 7,8 para 50 sacas por hectare.

Baseando-se em um questionário, aplicado com a ajuda do Serviço de Apoio à Micro e Pequena Empresa do estado (Sebrae-RO ), além de dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e informações coletadas por satélite, o estudo foi realizado no âmbito do projeto CarbCafé, coordenado pela Embrapa Territorial (SP).

“Um dos registros mais positivos foi a boa rentabilidade do Robusta Amazônico”, relata Calixto Rosa Neto , analista da Embrapa Rondônia que assina o estudo. “Uma saca de 60kg tem um custo de R$ 618,00 reais e é vendida a cerca de R$1.300,00, uma margem que tem ajudado a melhorar a vida de muitos produtores”, frisa. Importante efeito disso é a fixação dos jovens no campo, o que foi comprovado pela queda da idade média do cafeicultor que, em 15 anos, passou de 53 para 47 anos.

“O impacto social é mais impressionante quando se constata que a imensa maioria dos cafeicultores da região possuem pequenas propriedades, principalmente familiares. São fazendas de até 28,6 hectares, em média, e com cafezais que ocupam cerca de 3,4 hectares. “São mais de sete mil produtores no estado, o que ajuda a promover um amplo desenvolvimento social”, declara Rosa Neto.

“Um ponto positivo encontrado foi o tempo de espera para comercializar a safra. A grande maioria espera por melhores preços. Isso reflete uma certa maturidade econômica dos cafeicultores. Sinal que não estão endividados ou em desespero econômico”, explica o pesquisador Enrique Alves , que também assina o documento.

A atividade tem forte participação no PIB agrícola dos 15 municípios. O estudo retrata que a participação do Valor Bruto da Produção (VBP) do café em relação ao VBP agrícola total da região, verifica-se que ela é de 63,6%, na média, evidenciando a importância da cafeicultura no contexto socioeconômico desses municípios.

Conheça a história do robusta amazônica

Bom nível de tecnificação nos cafezais

Com mais dinheiro é possível reinvestir em tecnologia, que por sua vez aumenta a produtividade e a sustentabilidade, impulsionando o faturamento. Esse ciclo virtuoso também foi observado pelos pesquisadores. “Encontramos mais de 200 máquinas colhedoras no campo. A demanda é tanta que descobrimos uma empresa de aluguel de colhedoras de café semi-mecanizadas, algo que não existia na região”, conta Neto apontando esse como um dos sinais de que a cadeia produtiva está crescendo e se consolidando.

Além da mecanização da colheita, o levantamento encontrou outras práticas importantes que indicam bons níveis tecnológicos na lavoura. Manejos específicos de solos e plantas, a prática da fertirrigação (adubos adicionados à água), a adubação correta e as podas executadas nos períodos recomendados são indicadores de uso de conhecimentos, ferramentas e insumos atualizados. A adoção tecnológica começou há mais de dez anos com o plantio de cafeeiros clonais desenvolvidos especialmente para a região, híbridos de robusta e conilon.

Um salto impressionante observado aconteceu em um período menor que dez anos: o da conectividade. Em 2017, o Censo Agropecuário do IBGE havia registrado apenas 9,2% de propriedades conectadas nos 15 municípios que formam a região das Matas de Rondônia. Apenas sete anos depois, 97,7% dos produtores entrevistados para o estudo disseram ter acesso à internet. A tecnologia é usada principalmente para a aquisição de insumos, seguido de comunicação e da comercialização da produção. “Esse é um dos principais desafios das residências rurais. A falta de conectividade afeta a administração da lavoura e é um dos motivos que provoca a evasão de jovens do campo”, revela Neto, “por isso, esse alto índice de acesso à internet é uma excelente notícia”.

Desafios, gargalos e pontos a melhorar

O trabalho também lançou luz sobre problemas importantes que precisarão ser contornados como o da escassez de mão-de-obra, por exemplo. Neto explica que os cafezais demandam efetivo grande de trabalhadores nos períodos de colheita, que duram cerca de três meses. “Está cada vez mais difícil encontrar empregados temporários que aceitem atuar somente nesse período, por melhor que seja a remuneração. A mecanização pode ajudar a resolver parte do problema, ela substitui até cerca de 50% da mão-de-obra, mas ainda haverá um efetivo considerável a ser suprido”, prevê o analista da Embrapa ao informar que, desde 2011, a cafeicultura da região já perdeu cerca de 20 mil trabalhadores.

Há de se desenvolver tecnologias próprias de colheita para os Robustas Amazônicos. Com arquitetura diferente das plantas arábica, para as quais há colhedoras eficientes, os robustas ainda necessitam de máquinas específicas para essa atividade. Plantas arábicas possuem um único caule, enquanto os robustas têm vários caules, um dos motivos que impede que as duas espécies compartilhem o mesmo ferramental de colheita.

O controle financeiro é outro item a se aprimorar entre os produtores, 61% deles declararam não fazer registro algum. Apenas 6,6% usam planilha eletrônica para organizar as finanças e 35% anotam receitas e despesas em cadernos.

O custo médio de produção informado pelos produtores foi de R$17,8 mil por hectare. No entanto, o cálculo teve de ser refeito uma vez que a maioria não inclui nesse montante valores como o da mão-de-obra familiar, da depreciação de equipamentos e do custo da terra, por exemplo. “É comum, por exemplo, fazer a contratação temporária de empregados com almoço incluso. No entanto, o custo dos alimentos e a hora da cozinheira não são considerados”, conta Neto.

Mais de sete mil pequenos produtores no estado, o que dissemina desenvolvimento social | Embrapa

Mudanças climáticas

Como toda atividade agrícola, a cafeicultura de Rondônia já está sendo obrigada a se adaptar às alterações climáticas. Os produtores estão registrando períodos bem maiores de seca. “Há pouco tempo, era preciso irrigar por cerca de três meses. Agora, com maiores temperaturas e períodos mais extensos de estiagem, os cafeicultores têm de estender a irrigação por até cinco meses”, revela o analista. Isso significa aumento no custo de produção, especialmente em energia elétrica, e, o mais preocupante, necessidade de maior suprimento de água. “Recentemente, observamos produtores do noroeste do Mato Grosso que não irrigaram, simplesmente, porque não encontraram água. Os rios secaram”, alerta Calixto Neto. Segundo ele, técnicas avançadas de eficiência hídrica serão cada vez mais necessárias.

Café em harmonia com a floresta em Rondônia

Estudo publicado pela Embrapa este ano comprovou que os cafezais das Matas de Rondônia sequestram 2,3 vezes mais carbono do que emitem Os resultados mostram que a cafeicultura da região tem alta contribuição na mitigação dos efeitos nas mudanças climáticas.

A pesquisa também registrou que em sete dos 15 municípios da região das Matas de Rondônia, houve desmatamento zero entre 2020 e 2023. Em toda a região foram encontrados traços de retiradas de áreas florestais em menos de 1% da área total ocupada pela cafeicultura. O trabalho também demonstra que mais da metade dos territórios dos 15 municípios somados é coberta por florestas, o que totaliza 2,2 milhões de hectares com vegetação nativa e 56% da floresta preservada se encontra em terras indígenas. O trabalho, feito pela Embrapa Territorial (SP), comparou dados de 2020 e 2023 obtidos em fontes oficiais e analisou imagens de satélites dos dois períodos.

Além da conservação ambiental por parte dos produtores, o estudo destaca a contribuição das reservas indígenas, que preservam e conservam grandes “blocos” de florestas nativas primárias num total de 1,2 milhão de ha. Somadas, essas áreas de vegetação nativa chegam a 56% de todo o território das Matas de Rondônia, ou 2,2 milhões de hectares.

Enrique Alves conta que a sustentabilidade ambiental é um dos pontos mais importantes para os produtores, que além de se beneficiarem das vantagens de manter a floresta, também o usam como valor adicional à marca Robustas Amazônicos. “Esse café está se consolidando como produto de alta qualidade, que promove o desenvolvimento social em pequenas propriedades e comunidades tradicionais e que ainda ajuda a manter a floresta Amazônica”, declara o pesquisador da Embrapa. “É importante frisar que o café, apesar de estar entre as três principais culturas agronômicas do estado, ocupa apenas 0,8% da área das Matas de Rondônia, que responde por 75% da produção estadual”, compara Alves.

Publicado originalmente pela Agência Gov em 28/10/2025

Por Embrapa

Edição: Isaías Dalle

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Agronegócio tem recorde de exportações em setembro. Carnes suína e bovina lideram altas https://www.ocafezinho.com/2025/10/11/agronegocio-tem-recorde-de-exportacoes-em-setembro-carnes-suina-e-bovina-lideram-altas/ https://www.ocafezinho.com/2025/10/11/agronegocio-tem-recorde-de-exportacoes-em-setembro-carnes-suina-e-bovina-lideram-altas/#respond Sat, 11 Oct 2025 15:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=219038 Valor exportado soma US$ 14,95 bilhões. Café mantém patamar acima de US$ 1 bilhão e pescados apresentam 6,1% de aumento em volume exportado

O Brasil registrou, em setembro de 2025, o maior valor de exportações do agronegócio para meses de setembro desde o início da série histórica. Foram exportados US$ 14,95 bilhões, alta de 6,1% na comparação com setembro de 2024. O setor respondeu por 49,0% de todas as exportações brasileiras no mês. O avanço foi sustentado, sobretudo, pelo aumento dos volumes embarcados (+7,4%), em um cenário de leve recuo dos preços médios internacionais (-1,1%).

No acumulado do ano, as exportações brasileiras do agronegócio registraram incremento de 0,7%, tendo sido exportados, de janeiro a setembro, US$ 126,6 bilhões. Por sua vez, as importações de produtos do setor registraram aumento de 7,3% no mês de setembro e de 5,4% no acumulado do ano. O agro tem trazido ao país mais de US$ 111 bilhões no acumulado do ano de superávit comercial, contribuindo para o equilíbrio das contas externas do Brasil.

Para o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, o desempenho confirma a resiliência do setor na economia. “Os resultados de setembro mostram, mesmo diante de um cenário externo desafiador, a competitividade do agronegócio brasileiro e o acerto na estratégia reforçada a partir de 2023 de abertura, ampliação e diversificação de mercados e produtos. Até o momento, foram abertas 444 novas oportunidades para os produtores e exportadores brasileiros.”

Destacaram-se, em setembro, itens como a carne bovina in natura, com US$ 1,77 bilhão (+55,6%); a carne suína in natura, que alcançou marca histórica de US$ 346,1 milhões (+28,6%) e quase dobrou o volume embarcado (+78,2%); e o milho, com US$ 1,52 bilhão (+23,5%). Já entre os produtos potencialmente mais afetados pelo tarifaço, destaque para o café, com US$ 1,3 bilhão (+9,3%), e os pescados, cujas exportações somaram US$ 38,7 milhões, com aumento de 6,1% em volume.

Além dos itens mais tradicionais da pauta exportadora, o governo brasileiro tem trabalhado intensamente na diversificação da pauta e no acesso a nichos com maior valor agregado. A estratégia reúne abertura e ampliação de mercados, promoção comercial e suporte às cadeias produtivas, para ganhar presença especialmente em destinos da Ásia, Europa e América do Norte.

Entre os itens menos tradicionais da pauta, setembro também registrou recordes históricos em volume na série, reforçando a diversificação das vendas externas: sementes de oleaginosas (exceto soja) (+92,3%), melancias frescas (+65%), feijões (+50,8%) e lácteos (+13,7%). No geral, os produtos menos tradicionais incrementaram 9,2% em setembro e 19,1% no acumulado do ano.

O secretário de Comércio e Relações Internacionais do MAPA, Luís Rua, destacou a importância das missões internacionais para sustentar o ritmo das vendas. “Setembro demonstra o esforço da presença internacional do agro brasileiro em um contexto global desafiador. A combinação de sanidade, qualidade e competitividade, somada ao diálogo com o setor privado e às ações de promoção comercial, consolida o país como parceiro confiável para a segurança alimentar do mundo. Apenas em 2025, foram mais de 60 missões internacionais promovidas pelo MAPA, além de feiras internacionais e ações, como a Caravana do Agro Exportador, que apoiam a inserção do nosso agro no cenário internacional, sempre em conjunto com a ApexBrasil e o MRE”, afirmou.

A expansão das exportações, com manutenção da oferta interna, gera emprego e renda, atrai divisas e reduz riscos ao diversificar mercados e produtos. Também estimula investimentos em inovação e sustentabilidade e fortalece relações estratégicas no comércio internacional.

Os avanços são resultado do trabalho conjunto entre governo e setor privado, com foco em habilitações, equivalências e requisitos sanitários, além de ações de promoção comercial para ampliar a presença do Brasil nas principais cadeias globais de alimentos.

Publicado originalmente pela Agência Gov em 10/10/2025

Por Ministério da Agricultura

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Tio Sam sentiu saudades https://www.ocafezinho.com/2025/10/07/tio-sam-nao-fez-falta/ https://www.ocafezinho.com/2025/10/07/tio-sam-nao-fez-falta/#comments Tue, 07 Oct 2025 06:05:33 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=218725 1 Comentário 🔥]]> Apesar do tarifaço imposto por Trump sobre mais da metade dos produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos, as nossas exportações voltaram a bater um recorde histórico em setembro. As vendas para os Estados Unidos caíram fortemente, quase 30%, mas aumentaram para outros destinos, mais do que compensando a perda do mercado americano.

No acumulado dos últimos 12 meses (outubro de 2024 a setembro de 2025), o Brasil exportou US$ 339,8 bilhões — o equivalente a R$ 1,81 trilhão, mantendo um volume estável em relação ao ano anterior. A corrente de comércio, que é a soma de exportação e importação, atingiu US$ 618,7 bilhões (R$ 3,30 trilhões), um crescimento de 3,7% em relação aos 12 meses anteriores, consolidando o Brasil como uma potência comercial global.

Os números de setembro também são impressionantes. O Brasil exportou US$ 30,5 bilhões, um crescimento de 7,2% em relação a setembro de 2024, e a maior marca já registrada para o mês. A corrente de comércio bateu recorde histórico, chegando a US$ 58,1 bilhões, um aumento de 12,0% sobre setembro de 2024. O saldo comercial ficou em US$ 3,0 bilhões, uma queda de 41,1% em relação a setembro de 2024, mas ainda um resultado sólido e alinhado com a média dos últimos 20 anos para setembro.

Esses dados são do Comexstat, banco de dados online sobre comércio exterior do Brasil do Ministério do Desenvolvimento.

A participação dos Estados Unidos no comércio exterior brasileiro caiu para uma mínima histórica de 8%. Há 20 anos, esse percentual era de quase 20%. Enquanto o mercado americano encolheu, outros destinos cresceram vigorosamente, provando nossa capacidade de adaptação diante das barreiras comerciais agressivas de Donald Trump.

Nesta segunda-feira, 6 de outubro de 2025, o presidente dos Estados Unidos e o presidente Lula realizaram uma videochamada, duas semanas após um encontro aparentemente fortuito na ONU. O tratamento cordial que Trump deu a Lula, tanto na videochamada quanto nas redes sociais e na coletiva na Casa Branca, deve ser visto sob uma ótica comercial. Com saudades de nossos produtos, o Tio Sam não aguentou ficar de mal com o Brasil por muito tempo.

O Brasil é um parceiro estratégico dos Estados Unidos. Os produtos que exportamos são de necessidade básica, como café e carne — justamente aqueles que ficaram de fora da isenção de tarifas. Isso coloca os EUA numa posição delicada, pois dependem dessas importações.

O setor do café ilustra perfeitamente essa dinâmica. Em setembro, a exportação total de café brasileiro atingiu US$ 1,18 bilhão, um recorde histórico. No entanto, a participação dos EUA nessas exportações foi a menor de todos os tempos: apenas 9%. As compras americanas caíram quase 30% em relação a setembro do ano passado, totalizando apenas US$ 105,7 milhões.

Enquanto isso, outros mercados compensaram e cresceram exponencialmente. A Alemanha se tornou a principal compradora de café verde do Brasil, com 20,4% do total — um aumento de 49% nas compras. A Itália vem em segundo lugar, com 10%. Os Estados Unidos caíram para o terceiro lugar. As exportações brasileiras de café para a China cresceram quase 200% em setembro…

O aumento expressivo das importações de café brasileiro por países como México (+139%) e Colômbia (+586%) indica um fenômeno comum e perfeitamente legal no mercado de commodities: a reexportação. Esses países compram nosso café, fazem um blend e revendem para os Estados Unidos, contornando as tarifas e lucrando com a operação.

Entre os principais produtos exportados pelo Brasil em setembro, o petróleo bruto e derivados liderou com US$ 4,5 bilhões, seguido por minérios de ferro (US$ 3,3 bilhões) e soja (US$ 3,3 bilhões). As exportações de carne também tiveram destaque, atingindo US$ 3,1 bilhões, um crescimento de 26% em relação a setembro de 2024. Outros produtos importantes incluem carros, cereais, café e chá, açúcar, aço e celulose, demonstrando a diversificação da pauta exportadora brasileira.

A China consolidou sua posição como principal parceiro comercial do Brasil, com uma corrente de comércio de US$ 14,8 bilhões em setembro, um crescimento de 12% em relação ao mesmo mês de 2024.

Os Estados Unidos aparecem em segundo lugar, com uma corrente de comércio de US$ 6,9 bilhões, uma queda em relação aos US$ 7,0 bilhões de setembro de 2024. Essa redução reflete o fato de que, apesar de o Brasil ter exportado bem menos para os Estados Unidos em setembro de 2025 em relação a setembro de 2024, as importações americanas aumentaram, resultando em uma corrente de comércio relativamente estável.

Singapura, um dos principais hubs comerciais da Ásia, surpreende ao aparecer em terceiro lugar, com US$ 3,3 bilhões, um salto expressivo em relação aos US$ 0,4 bilhão do ano anterior. Esse aumento pode refletir um reencaminhamento de produtos para outros mercados da região.

A relação comercial entre Brasil e Estados Unidos é historicamente equilibrada. Embora os Estados Unidos geralmente tenham um superávit comercial com o Brasil, há meses e períodos em que o Brasil registra superávit com os EUA. Em setembro de 2025, os Estados Unidos registraram um superávit de US$ 1,77 bilhão no comércio bilateral — o maior desde 2005. Isso significa que os americanos venderam mais para o Brasil do que compraram, mas o desequilíbrio é relativamente pequeno considerando o volume total do comércio entre os dois países.

EUA e Brasil são duas economias bastante integradas. Os produtos brasileiros são importantes para milhares de empresas americanas e ajudam a gerar milhões de empregos norte-americanos — e vice-versa. Esse entrelaçamento profundo é justamente o que torna o tarifaço tão irracional em relação aos negócios existentes entre os dois países.

No fim, a estratégia de tarifas não surtiu o efeito desejado — no caso do Brasil, nossos exportadores se adaptaram, encontraram novos destinos ou conseguiram, por vias mais complicadas, acesso ao próprio mercado americano.

A diversificação de compradores provou ser a melhor resposta às barreiras comerciais impostas por Washington. Quem acabou sendo prejudicado foram os consumidores americanos, que estão pagando mais caro por produtos brasileiros essenciais, como café e carnes.

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Tarifaço de Trump sobre o café brasileiro foi a maior burrice de todos os tempos https://www.ocafezinho.com/2025/09/22/tarifaco-de-trump-sobre-o-cafe-brasileiro-foi-a-maior-burrice-de-todos-os-tempos/ https://www.ocafezinho.com/2025/09/22/tarifaco-de-trump-sobre-o-cafe-brasileiro-foi-a-maior-burrice-de-todos-os-tempos/#comments Mon, 22 Sep 2025 15:52:22 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=217765 1 Comentário 🔥]]> O tarifaço de Donald Trump é uma estupidez econômica inominável. Isso já está claro para qualquer economista com mínimo de honestidade intelectual. Mas, olhando para circunstâncias específicas, a coisa beira o doentio. O caso do café brasileiro mostra como decisões erráticas de política comercial penalizam os próprios consumidores americanos em um momento de preços recordes.

O café não é uma commodity qualquer. Diferente da soja ou do arroz, trata-se de uma planta sensível e de difícil cultivo. Pequenas variações de clima, excesso de sol, falta de chuva, pragas ou problemas de fertilização podem arruinar uma safra. Essa vulnerabilidade torna o mercado historicamente volátil, alternando superproduções e colheitas ruins. Ao mesmo tempo, a demanda global é firme e inelástica: quando uma sociedade incorpora o hábito do café, raramente o abandona. Hoje, o consumo cresce nos EUA e na Europa, e é puxado com força por Ásia, Oriente Médio e países africanos.

Como o café enfrenta muitas variáveis, é sempre saudável fazer a média mensal em 12 meses para neutralizar influências e enxergar a tendência com mais clareza. Em agosto, a média mensal em 12 meses das exportações brasileiras de café verde atingiu US$ 1,156 bilhão, um recorde histórico, apesar de a quantidade ter ficado em 202,25 mil toneladas — não é recorde em volume. Ou seja: mesmo exportando um pouco menos, o Brasil está batendo recordes de receita porque os preços estão mais altos.

Em agosto de 2025, o preço médio do café exportado pelo Brasil foi de US$ 6.179 por tonelada. Para os Estados Unidos, o preço médio foi de US$ 6.118 por tonelada. Num momento em que o café já estava caro por razões de mercado, o governo americano resolveu encarecer ainda mais o produto no varejo interno com um tarifaço de 50% — uma medida que agrava o problema em vez de aliviar o bolso do consumidor.

Nos últimos 12 meses, as exportações brasileiras de café verde geraram quase US$ 14 bilhões em receitas — um salto forte em relação aos US$ 9,4 bilhões dos 12 meses anteriores. Para comparar, em 2021 a receita anual era de US$ 5,5 bilhões. O setor hoje é robusto e capitalizado, com “gordura para queimar”. Na prática, Trump escolheu o adversário errado para brigar: o tarifaço encontrou um produtor capitalizado, preços internacionais elevados e demanda crescente em outros mercados, o que limitou o impacto sobre o Brasil.

Já do lado americano, o resultado foi pagar mais por um item do dia a dia. O tarifaço elevou os preços no varejo justamente quando o café já estava caro em toda parte. Para os produtores brasileiros, fica a lição de intensificar a diversificação de destinos, reduzindo a dependência dos EUA; para os consumidores americanos, a constatação de que aventuras protecionistas, em especial aquelas motivadas por motivos políticos irrefletidos, encarecem o que é essencial.

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Exportações de café especial do Brasil aos EUA caem em 69,6% após tarifaço https://www.ocafezinho.com/2025/09/16/exportacoes-de-cafe-especial-do-brasil-aos-eua-caem-em-696-apos-tarifaco/ https://www.ocafezinho.com/2025/09/16/exportacoes-de-cafe-especial-do-brasil-aos-eua-caem-em-696-apos-tarifaco/#respond Tue, 16 Sep 2025 13:01:24 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=217405 O tarifaço de Trump contra produtos brasileiros, que entrou em vigor em agosto, causou uma brusca queda nas exportações de café especial aos EUA. O Brasil enviou 21.679 sacas do grão aos Estados Unidos em agosto, representando uma queda de 69,6% na comparação com julho deste ano.

Já em relação a agosto de 2024, as vendas caíram 79,5%, segundo o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).

Outro produto similar também sofreu com as tarifas. Ocafé solúvel sofreu com uma queda nas exportações de 50,1% em relação a julho e 59,9% na comparação com agosto do ano passado, conforme a Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics).

O impacto do tarifaço na exportação do café brasileiro também já havia sido percebido pelo setor produtivo. Segundo o Cecafé, em agosto de 2025, o Brasil exportou 17,5% menos café de todos os tipos na comparação com o mesmo mês do ano passado. A Alemanha, inclusive, ultrapassou os EUA como maior importador do produto brasileiro.

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Estimativa atualiza produção de café para 55,2 milhões de sacas na safra 2025 https://www.ocafezinho.com/2025/09/06/estimativa-atualiza-producao-de-cafe-para-552-milhoes-de-sacas-na-safra-2025/ https://www.ocafezinho.com/2025/09/06/estimativa-atualiza-producao-de-cafe-para-552-milhoes-de-sacas-na-safra-2025/#respond Sat, 06 Sep 2025 14:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=216885 Crescimento é esperado mesmo em ano de bienalidade negativa. O resultado estimado para a produção de café em 2025 é influenciado pela recuperação de 3% na produtividade das lavouras na média nacional

Com 96% da área do café já colhida no final de agosto, a safra de 2025 do grão está estimada em 55,2 milhões de sacas beneficiadas. Mesmo este ano sendo caracterizado por ser um ciclo de baixa bienalidade, o volume estimado aponta um crescimento de 1,8% em comparação com o resultado obtido em 2024. Os dados estão no 3º levantamento da cultura, divulgado nesta quinta-feira (4) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

A produção estimada de café em 2025 é influenciada pela recuperação de 3% na produtividade das lavouras na média nacional, saindo de 28,8 sacas por hectare em 2024 para 29,7 sacas por hectare neste ano. É importante lembrar que em 2024, ano de bienalidade positiva, o desempenho das lavouras foi prejudicado devido às adversidades climáticas registradas em diversas regiões produtoras. Já a área em produção para o atual ciclo está estimada em 1,86 milhão de hectares, redução de 1,2% ao se comparar com 2024, enquanto a área em formação registra um aumento de 11,9%, podendo chegar a 395,8 mil hectares. Com isso, a área total destinada à cafeicultura em 2025, considerando as espécies arábica e conilon tanto em produção como em formação, é de 2,25 milhões de hectares, o que representa um crescimento de 0,9% em relação ao ano anterior.

A produção do café arábica está estimada em 35,2 milhões de sacas beneficiadas, o que representa uma redução de 11,2% em comparação à safra anterior. Essa queda é explicada, principalmente, pelo ciclo de baixa bienalidade associado à redução da área em produção. Minas Gerais, principal estado produtor de café do país, concentra a maior área com a espécie, totalizando 1,38 milhão de hectares, equivalente a 75,2% da área nacional de arábica. No estado mineiro, a produção está estimada em 24,7 milhões de sacas, redução de 10,8% em relação ao volume total produzido na safra anterior. Além da bienalidade negativa, o registro de longo período de seca nos meses que antecederam à floração influencia na queda esperada.

No caso do conilon, a produção está estimada em 20,1 milhões de sacas beneficiadas, acréscimo de 37,2% em relação à safra anterior. Esse resultado é atribuído à melhor regularidade climática durante as fases críticas das lavouras, que favoreceu parte das floradas, e à boa formação de frutos por rosetas, em especial no Espírito Santo que representa 69% da produção de conilon no país. No estado capixaba, espera-se uma colheita de 13,8 milhões de sacas desta espécie, incremento de de 40,3% em relação à safra anterior. Esta alta é justificada pelas boas precipitações verificadas no norte do estado, que beneficiaram as lavouras de conilon.

Outro importante estado produtor, a Bahia deve registrar uma melhora de 33,5% na produção total do grão (arábica e conilon), estimada em 4,1 milhões de sacas em todo o estado. Tal crescimento se deve à entrada de novas lavouras em produção, com alta produtividade e manejo irrigado, sobretudo na região do Atlântico, onde predomina a espécie conilon, e no Cerrado baiano. Na espécie conilon, que representa 72% da produção de café na Bahia, observa-se o expressivo crescimento de 51,2%, com o volume de produção previsto em 2,95 milhões de sacas. A espécie arábica apresenta crescimento de 2,4%, prevista em 1,1 milhão de sacas. Rondônia também deverá registrar um acréscimo de 10,4% na colheita em comparação à safra passada, com uma produção estimada em 2,3 milhões de sacas em 2025.

Mercado

O Brasil exportou 23,7 milhões de sacas de 60 quilos de café no acumulado de janeiro a julho de 2025, o que representa uma redução de 16,4% na comparação com igual período de 2024, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Apesar da redução no comparativo anual, a quantidade exportada nos sete primeiros meses de 2025 é a terceira maior já registrada no Brasil, na comparação com igual período dos anos anteriores. Essa redução no volume de café exportado pelo Brasil nos primeiros meses de 2025 já era esperada, sendo influenciada pela restrição dos estoques internos após o recorde de exportação em 2024 e pela limitação da produção de arábica na safra em andamento.

No mesmo intervalo, a exportação brasileira de café nos sete primeiros meses de 2025 somou cerca de US$ 9 bilhões, o que representa uma alta de 44,1% na comparação com igual período de 2024 e corresponde ao maior valor já registrado para o período, na comparação com os anos anteriores. A alta dos preços internacionais do café, especialmente no primeiro bimestre do ano, favoreceu esse aumento da exportação em valor, mesmo com a queda do volume embarcado no período.

Os números detalhados da produção brasileira de café e as análises de mercado do grão podem ser conferidos no Boletim completo do 3º Levantamento de Café – Safra 2025, publicado no site da Companhia.

Publicado originalmente pela Conab em 04/09/2025

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Tarifaço de Trump derruba a inflação no Brasil https://www.ocafezinho.com/2025/09/05/tarifaco-de-trump-derruba-a-inflacao-no-brasil/ https://www.ocafezinho.com/2025/09/05/tarifaco-de-trump-derruba-a-inflacao-no-brasil/#comments Fri, 05 Sep 2025 14:08:34 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=216848 1 Comentário 🔥]]>

Produtores recebem menos por café, suco de laranja e derivados de petróleo.

Queda no atacado abre espaço para preços menores nas prateleiras.

O Brasil está conseguindo absorver o impacto do tarifaço de Donald Trump sobre produtos brasileiros com relativo sucesso. A consequência mais visível até agora é a queda da inflação ao produtor, indicador que mede os preços no atacado e antecipa movimentos da inflação ao consumidor.

Em julho, o Índice de Preços ao Produtor (IPP), do IBGE, recuou 0,30% frente a junho, no sexto resultado negativo seguido. No acumulado de 2025, a retração já chega a -3,42%, enquanto em 12 meses a alta é de apenas 1,36%, mostrando forte desaceleração.

A pressão baixista veio principalmente dos alimentos, especialmente daqueles exportados para os Estados Unidos.

O café apresentou queda acentuada de 6,20%, reflexo do início da nova safra e da redução de custos de produção. O suco de laranja também recuou, diante da demanda internacional enfraquecida, enquanto os derivados da soja seguiram pressionados por excesso de oferta e baixa nas cotações externas. O açúcar, por sua vez, caiu 4,31%, acompanhando a trajetória internacional após aumento de produção em grandes exportadores.

O setor de refino de petróleo e biocombustíveis também contribuiu para conter os preços. Em julho houve leve alta de 0,17%, mas o acumulado no ano ainda registra queda de -5,22% e, em 12 meses, recuo de -4,28%. Os derivados mais consumidos — como diesel, gasolina e óleos combustíveis — permanecem mais baratos do que em 2024, um fator decisivo para aliviar custos em toda a economia.

A metalurgia registrou retração de 1,65%, a sétima seguida, acumulando perda de 11,01% em 2025. Já as indústrias extrativas, puxadas pelo minério de ferro, tiveram alta de 2,42% no mês, mas continuam com forte queda no ano (-12,82%) e em 12 meses (-9,85%).

O IPP, calculado pelo IBGE, acompanha os preços “na porta de fábrica”, sem impostos ou fretes, refletindo o quanto o produtor recebe ao vender para o varejo ou para outras indústrias. Quando esses valores recuam, há maior espaço para descontos ao consumidor final.

Por enquanto, os números de julho indicam que, mesmo sob pressão do tarifaço de Trump, o Brasil consegue administrar os impactos. A queda de preços em itens estratégicos como alimentos e combustíveis abre caminho para uma inflação mais baixa nas prateleiras, beneficiando diretamente o consumidor.

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China habilita 183 empresas brasileiras a exportar café para o país https://www.ocafezinho.com/2025/08/08/china-habilita-183-empresas-brasileiras-a-exportar-cafe-para-o-pais/ https://www.ocafezinho.com/2025/08/08/china-habilita-183-empresas-brasileiras-a-exportar-cafe-para-o-pais/#respond Fri, 08 Aug 2025 11:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=214816 Medida entrou em vigor no mesmo dia que Trump assinou tarifaço

A China habilitou 183 novas empresas brasileiras de café a exportar o produto para o país. O anúncio foi feito pela Embaixada da China no Brasil nas redes sociais. Segundo a publicação, a medida tem validade de cinco anos e entrou em vigor a partir de 30 de julho, mesmo dia em que os Estados Unidos assinaram a ordem que oficializou o tarifaço contra o Brasil.

Durante a semana, uma postagem já trazia números do produto no mercado chinês. As importações líquidas de café no país cresceram 13,08 mil toneladas entre 2020 e 2024. E o potencial de crescimento é medido pelo fato de que o consumo per capita é de 16 xícaras/ano, muito abaixo da média global de 240. “O café vem conquistando espaço no dia a dia dos chineses”, comemora a publicação.

O Ministério da Agricultura e o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) ainda não se manifestaram sobre o assunto.

O anúncio ocorre em um momento de incertezas para os exportadores do produto. O governo de Donald Trump anunciou que, a partir de 6 de agosto, a exportação do café brasileiro para os Estados Unidos passará a ser taxada em 50%.

Os Estados Unidos são o principal destino das exportações do produto. Em 2024, eles importaram cerca de 23% de café brasileiro, especialmente da variedade arábica, insumo essencial para a indústria local de torrefação.

Nos seis primeiros meses de 2025, as exportações de café para os EUA totalizaram 3.316.287 sacas de 60 quilos. Enquanto o país lidera as compras do produto, a China ocupa a décima colocação nesse ranking. No mesmo período, foram exportadas 529.709 sacas de 60 quilos para o país asiático. Um número 6,2 vezes menor do que o volume vendido aos EUA. Os dados são do Cecafé.

Segundo pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da Universidade de São Paulo (USP), os produtores brasileiros poderão ser forçados a redirecionar parte de sua produção para outros mercados. Isso deverá exigir “agilidade logística e estratégia comercial para mitigar os prejuízos à cadeia produtiva nacional”.

Tarifaço

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, oficializou, na quarta-feira (30), a proposta de taxação de produtos brasileiros comercializados com os EUA. Mas a Ordem Executiva trouxe cerca de 700 exceções, como suco e polpa de laranja, combustíveis, minérios, fertilizantes e aeronaves civis.

>> Confira a lista de quase 700 produtos que não serão taxados pelos EUA.

O café não entrou nessa lista de exceções. Com isso, logo após o anúncio de Trump, o Cecafé disse que vai seguir em tratativas para que o café seja incluído na lista de produtos brasileiros que vão ficar de fora da taxação.

Publicado originalmente pela Agência Brasil em 03/08/2025

Por Rafael Cardoso – Repórter da Agência Brasil – Rio de Janeiro

Edição: Vinicius Lisboa

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IBGE detecta mais queda no preço dos alimentos em julho https://www.ocafezinho.com/2025/07/25/obrigado-trump-tarifas-comecam-a-derrubar-os-precos-da-picanha-e-do-cafe/ https://www.ocafezinho.com/2025/07/25/obrigado-trump-tarifas-comecam-a-derrubar-os-precos-da-picanha-e-do-cafe/#comments Fri, 25 Jul 2025 22:57:40 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=213725 1 Comentário 🔥]]> Inflação de alimentos continua em queda segundo IBGE.

Enquanto bolsonaristas se esforçam para promover uma campanha de que “o Brasil vai quebrar”, a realidade não parece estar dando muita bola para esses esforços. O cenário econômico permanece dinâmico e a inflação está sob controle. O preço de alimentos em especial vem continuando a declinar, o que é fundamental para as faixas mais pobres da população.

Existe uma dupla ironia nos esforços bolsonaristas: ao tentar convencer o governo americano a adotar tarifas gigantescas contra produtos brasileiros, eles podem estar levando os Estados Unidos a tomar medidas que aumentarão a inflação de alimentos por lá. Enquanto isso, se esses alimentos brasileiros – carnes, café, laranja, frutas, pescados e outros produtos – não conseguirem acessar o mercado americano devido às tarifas, eles acabam sobrando mais para o mercado brasileiro, pressionando os preços para baixo.

Os números oficiais confirmam essa tendência. O IPCA-15 é o segundo indicador de inflação mais importante do país, depois do IPCA oficial, sem grandes diferenças metodológicas e divulgado 15 dias antes. O índice divulgado hoje (25/07/2025) pelo IBGE registrou mais uma trégua no bolso do consumidor em julho. Pelo segundo mês consecutivo, o grupo Alimentação e bebidas teve queda de preços, desta vez de -0,06% em julho, após o recuo de -0,02% observado em junho. Para quem faz compras no supermercado, a boa notícia fica ainda melhor: os alimentos consumidos em casa tiveram queda de -0,40% no mês de julho, ou seja, uma queda ainda mais acentuada do que a verificada no mês anterior de junho.

A inflação geral medida pelo IPCA-15, por sua vez, ficou em 0,33% em julho, ligeiramente acima dos 0,26% registrados em junho. No acumulado de 12 meses, o índice chegou a 5,30%, mantendo-se em patamares controlados e próximos da meta de inflação.

As carnes em geral registraram queda de -0,36% em julho, com a picanha especificamente tendo uma redução ainda mais expressiva de -1,74%. Apesar da melhoria recente, as carnes ainda acumulam alta no período de 12 meses, reflexo das pressões inflacionárias anteriores. Para quem não gosta de carne vermelha e prefere pescado, a notícia é melhor ainda: os preços dos peixes despencaram -2,03% no mês. Aves e ovos também colaboraram para o alívio no açougue, com queda de -0,57%.

A queda no preço da carne brasileira pode já ter sido influenciada pela palhaçada bolsonarista de convencer o Trump sobre as tarifas. Já que o Brasil é um importante exportador desse produto para os Estados Unidos, a proteína que não consegue ir para o mercado americano acaba ficando mais disponível no Brasil, pressionando para baixo os preços e beneficiando o consumidor brasileiro. Uma ironia deliciosa: quanto mais os bolsonaristas tentam prejudicar o país, mais barata fica a picanha na mesa do brasileiro.

O café moído, que vinha castigando os amantes da bebida nacional com altas sucessivas, finalmente deu uma trégua com queda de -0,36% em julho. É mais um exemplo de como os esforços bolsonaristas para prejudicar o Brasil se mostram um tiro no pé. Os Estados Unidos são o principal comprador do café brasileiro, e se as tarifas trumpistas realmente se concretizarem, esse café que não conseguir chegar ao mercado americano ficará mais disponível no Brasil.

O resultado é que o café, que estava muito caro e acumulava alta de impressionantes 48,2% em 12 meses até junho, agora começa a dar sinais de alívio no mercado interno. Para um país que se orgulha de produzir um dos melhores cafés do mundo, nada mais justo que o brasileiro possa tomar um cafezinho mais barato enquanto os bolsonaristas continuam sua campanha de autossabotagem econômica.

Se a cozinha deu alívio, a mobilidade urbana também fez sua parte. Os combustíveis registraram quedas generalizadas em julho: o gás veicular liderou com recuo de -1,21%, seguido pelo óleo diesel (-1,09%), etanol (-0,83%) e gasolina (-0,50%). Para quem depende do carro ou da moto para trabalhar, cada centavo a menos na bomba faz diferença no final do mês.

E o gás de botijão? Bem, este praticamente ficou no zero a zero, com alta simbólica de apenas 0,09% em julho. Para um produto que está presente em 91% dos lares brasileiros e que representa um peso significativo no orçamento das famílias mais pobres, essa estabilidade é importante. Afinal, com o botijão custando entre R$ 130 e R$ 154 – cerca de 10% do salário mínimo – e durando em média 50 dias, qualquer alta significativa seria sentida imediatamente no orçamento doméstico.

No universo dos produtos que fazem parte da rotina familiar, julho trouxe boas notícias. Para as famílias com bebês, as fraldas descartáveis tiveram alta simbólica de apenas 0,08%. Quem tem criança pequena sabe que fralda é gasto certo e constante – então qualquer estabilidade nesse item é bem-vinda. Afinal, bebê não negocia horário para fazer suas necessidades, e os pais agradecem quando pelo menos o preço da fralda não vira uma dor de cabeça adicional.

O papel higiênico, item indispensável em qualquer lar, teve alta modesta de 0,43% no mês, mas acumula apenas 3,06% em 12 meses – uma inflação bem comportada para um produto essencial. Os analgésicos e antitérmicos, aqueles companheiros fiéis para dores de cabeça e febres, subiram apenas 0,05% em julho – praticamente estáveis. Uma boa notícia, considerando que remédio é item de primeira necessidade que ninguém gosta de comprar, mas todo mundo precisa ter em casa.

O cenário econômico favorável se completa com os dados mais recentes do mercado de trabalho. Segundo o IBGE, a renda dos brasileiros tem crescido acima da inflação no período recente. Na última atualização da PNAD Contínua, o rendimento médio mensal dos trabalhadores brasileiros cresceu 3,1% em 12 meses, chegando a R$ 3.457. Esse crescimento já está descontado da inflação, representando um aumento real no poder de compra do trabalhador brasileiro.

Para o presidente Lula, essa tendência de queda nos preços dos alimentos pode representar um respiro importante. Historicamente, a inflação de alimentos é um dos fatores que mais influenciam a aprovação governamental, especialmente entre as classes populares que formam a base eleitoral do petista. Quando a comida fica mais barata, o governo colhe os frutos políticos; quando encarece, sente o peso da insatisfação popular.

Além dos alimentos, combustíveis mais baratos, transporte público com preços estáveis e produtos essenciais com inflação controlada vem proporcionando alívio ao orçamento das famílias. Não é à toa que o governo comunicou a saída de quase 1 milhão de brasileiros do Bolsa Família, em função da melhora da renda.

Por outro lado, alguns itens registraram alta e pressionaram o bolso do consumidor. A energia elétrica residencial liderou as altas com 3,01% em julho e acumula 6,57% em 12 meses, sendo o maior responsável pelo IPCA-15 não ter caído mais, apesar da queda no preço dos alimentos. Com a bandeira tarifária vermelha em vigor, cobrando R$ 4,46 a cada 100 kWh consumidos, a conta de luz continua sendo uma pedra no sapato das famílias brasileiras.

O transporte por aplicativo disparou 14,55% no mês e acumula impressionantes 20,61% em 12 meses. Para quem depende do Uber ou 99 para se locomover, o bolso sente – e muito. Em contraste, o transporte público ofereceu alívio: o ônibus urbano ficou -0,44% mais barato em julho, mas acumula alta de 5,58% em 12 meses, e o metrô teve redução de -0,14% no mês, acumulando 2,90% em 12 meses. É o tipo de cenário que faz o consumidor repensar se não é melhor voltar ao transporte público ou, quem sabe, investir numa bicicleta.

As passagens aéreas também resolveram voar alto, com alta de 19,86% em julho. Apesar da disparada mensal, ainda acumulam queda de -13,28% em 12 meses. É o famoso efeito “julho de férias”, quando a demanda por viagens dispara e os preços acompanham. Para quem planejava viajar em julho, a conta chegou salgada; para quem pode esperar, o cenário anual ainda é favorável.

Os planos de saúde incorporaram os reajustes autorizados pela ANS com alta de 0,35% no mês e acumulam 6,78% em 12 meses.

Já os serviços de streaming mantiveram a inflação baixa, acumulando apenas 0,99% em 12 meses. Os serviços de acesso à internet permaneceram completamente estáveis, sem qualquer variação tanto em julho quanto no acumulado de 12 meses (0,00%).

Se as próximas pesquisas mantiverem a tendência de recuperação da popularidade do presidente Lula que já vem sendo observada, isso confirmará a tese de que a inflação baixa de alimentos está diretamente ligada à melhoria da aprovação presidencial. Para um governo que tem sua base eleitoral concentrada nas camadas populares, nada é mais decisivo do que a comida ficar mais barata na mesa do brasileiro.

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Tarifaço de Trump abre oportunidades para o café brasileiro na China e no mercado interno https://www.ocafezinho.com/2025/07/22/tarifaco-de-trump-abre-oportunidades-para-o-cafe-brasileiro-na-china-e-no-mercado-interno/ https://www.ocafezinho.com/2025/07/22/tarifaco-de-trump-abre-oportunidades-para-o-cafe-brasileiro-na-china-e-no-mercado-interno/#respond Tue, 22 Jul 2025 17:04:44 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=213453 O tarifaço de 50% anunciado por Trump sobre todos os produtos brasileiros, incluindo café, entra em vigor a partir de 1º de agosto, coincidindo precisamente com o pico de exportações de café do Brasil para os Estados Unidos. O café figura como um dos produtos mais importantes na pauta brasileira e representa item estratégico na lista dos principais bens que os americanos importam do país. Com os Estados Unidos sendo o principal comprador do café brasileiro, o timing das tarifas torna-se particularmente crítico.

A sazonalidade da colheita agrava o cenário. O grão colhido a partir de maio precisa ser secado e preparado, concentrando os embarques entre setembro e janeiro – justamente quando as tarifas estarão vigentes. Caso Trump não recue, essa dificuldade pode abrir oportunidade histórica para a China, onde preços mais competitivos e fretes vantajosos podem atrair os exportadores brasileiros, criando condições ideais para uma mudança estratégica de mercados.

Devastação na cadeia americana de café

O impacto das tarifas sobre a cadeia cafeeira americana será devastador. A cadeia completa do café movimenta US$ 343,2 bilhões na economia americana – valor que inclui desde a importação do grão verde até a venda final nas cafeterias e supermercados. Este montante representa toda a transformação e agregação de valor que acontece em solo americano: torrefação, distribuição, varejo e serviços.

O setor emprega 2,2 milhões de pessoas, representando 1,2% do PIB americano. Para cada dólar de café importado, são gerados US$ 43 na economia interna, demonstrando o poderoso efeito multiplicador da cadeia cafeeira. Esse valor elevado explica por que a cadeia americana (US$ 343 bilhões) supera até mesmo o mercado mundial de café como commodity (US$ 269 bilhões), já que inclui toda a transformação e serviços agregados.

Os pequenos estabelecimentos serão os mais prejudicados. Enquanto grandes redes como Starbucks, com faturamento de US$ 27,5 bilhões, têm margem para absorver custos adicionais, as cafeterias especializadas e estabelecimentos independentes operam com margens menores. O setor de cafés especiais, que representa 55% do valor do mercado americano, será particularmente vulnerável por depender de grãos de alta qualidade, frequentemente brasileiros.

Participação do café brasileiro nas importações totais de café dos EUA (2022-2025)

A oportunidade chinesa em expansão

A China emerge como a alternativa estratégica para o café brasileiro. As exportações brasileiras para o mercado chinês registraram crescimento explosivo de 867% entre 2021 e 2025, com aceleração de 75% apenas no último ano. O Brasil já conquistou a posição de maior fornecedor de café para a China, com 24% de participação nas importações chinesas.

O mercado chinês de café atingiu US$ 43,29 bilhões em 2024, com crescimento anual robusto de 18,1%. O consumo chinês cresceu 38,9% entre 2019 e 2023, superando qualquer outro grande país consumidor do mundo. Essa expansão é impulsionada pelas principais cadeias de cafeterias: a Luckin Coffee lidera com mais de 20 mil pontos de venda, enquanto a Starbucks mantém 7,3 mil lojas no país.

A Luckin Coffee representa o novo modelo de consumo chinês, oferecendo preços 30% menores que a Starbucks e focando na conveniência digital. Essa abordagem democratiza o acesso ao café e acelera a adoção de novos hábitos de consumo, especialmente entre consumidores de 25 a 44 anos, que formam o maior grupo de bebedores de café na China.

Evolução das exportações brasileiras para China e participação percentual (2021-2025)

O cenário transformador: China com padrão americano

Se a China atingisse o consumo per capita de café dos Estados Unidos, o país asiático consumiria 114,1 milhões de sacas por ano – equivalente a 64,8% de toda a produção mundial atual. Os números revelam uma oportunidade de dimensões históricas que poderia revolucionar o mercado global de café.

A diferença de consumo per capita é abissal: cada americano consome 4,7 kg de café por ano, enquanto cada chinês consome apenas 0,15 kg – uma diferença de 31 vezes. Combinada com a população de 1,4 bilhão de chineses, essa disparidade cria um potencial sem precedentes. Para comparação, países escandinavos como Finlândia (12 kg) e Noruega (9,9 kg) lideram o consumo mundial, seguidos por Islândia (9 kg) e Dinamarca (8,7 kg).

Vantagens estratégicas para o Brasil

Instrumentos de resiliência

O Brasil possui ferramentas robustas para superar o impacto das tarifas americanas. O setor cafeeiro conta com o Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé), que oferece financiamento específico para produtores e exportadores. O Banco do Brasil mantém linhas de crédito especializadas, garantindo liquidez em momentos de crise.

O governo Lula, através do ministro Fernando Haddad, já sinalizou apoio aos setores atingidos pelas tarifas americanas. Essa promessa de suporte governamental adiciona proteção extra ao setor produtivo brasileiro, complementando os instrumentos financeiros já disponíveis.

Benefícios do redirecionamento de mercados

O redirecionamento das exportações traz benefícios inesperados para o mercado interno brasileiro. Com o café em alta no Brasil, parte da produção que seria exportada para os Estados Unidos pode permanecer no mercado doméstico, melhorando os preços do café vendido nos supermercados e no varejo nacional.

Essa maior disponibilidade interna pode impulsionar o consumo brasileiro e criar oportunidades para melhorar a qualidade do café oferecido aos consumidores nacionais. O Brasil, segundo maior consumidor mundial com 21 milhões de sacas anuais, tem consumo per capita de 6,2 kg por pessoa – superior aos Estados Unidos (4,7 kg) e bem acima da média mundial de 1,3 kg. Ainda assim, há potencial para crescimento, especialmente no segmento de cafés especiais.

Estratégias para conquista da China

O momento é ideal para intensificar investimentos em marketing localizado na China. Com uma boa campanha de promoção, o Brasil pode expandir significativamente o mercado para o café brasileiro no país asiático. A urbanização acelerada e o crescimento da renda per capita chinesa criam condições perfeitas para novos hábitos de consumo.

As cadeias estabelecidas como Luckin Coffee e Starbucks representam canais de distribuição prontos para ampliar a presença do café brasileiro, especialmente nas grandes cidades chinesas onde o consumo de café cresce mais rapidamente.

Contexto global e oportunidades futuras

A dimensão da oportunidade chinesa fica clara quando comparada com o mercado mundial. O comércio internacional de café como commodity movimenta US$ 269,27 bilhões em 2024, com projeção de crescimento para US$ 369,46 bilhões até 2030. Esse valor refere-se especificamente ao comércio do grão verde entre países, antes da transformação e agregação de valor nos mercados consumidores.

A Ásia como um todo representa uma fronteira inexplorada. Países como Índia, Indonésia e Vietnã também apresentam baixo consumo per capita e populações massivas. Se toda a região adotasse padrões ocidentais de consumo, a demanda mundial por café poderia triplicar, criando oportunidades sem precedentes para países produtores.

Conclusão

As tarifas de Trump, ironicamente, podem acelerar uma transformação que beneficiará mais o Brasil que os próprios Estados Unidos. Enquanto a cadeia cafeeira americana enfrentará custos adicionais bilionários e risco para 2,2 milhões de empregos, o Brasil ganha a oportunidade de diversificar mercados e reduzir a dependência americana.

As tarifas abrem oportunidades para o Brasil iniciar uma estratégia mais ambiciosa de aumento da exportação de café para a China. O país pode usar o próprio tarifaço como argumento de marketing: preços mais competitivos e maior disponibilidade para o mercado chinês, que já demonstra crescimento acelerado no consumo.

O setor cafeeiro brasileiro tem todos os instrumentos necessários para superar as tarifas: financiamento especializado, apoio governamental, mercado interno robusto e, principalmente, a oportunidade de transformar uma crise em estratégia de expansão internacional.

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Café chega mais barato aos supermercados pela primeira vez em 16 meses https://www.ocafezinho.com/2025/07/19/cafe-chega-mais-barato-aos-supermercados-pela-primeira-vez-em-16-meses/ https://www.ocafezinho.com/2025/07/19/cafe-chega-mais-barato-aos-supermercados-pela-primeira-vez-em-16-meses/#respond Sat, 19 Jul 2025 22:35:42 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=213250 Para o sutil alívio do consumidor brasileiro, o preço do café caiu pela primeira vez após 16 meses de alta, segundo o indicador de inflação da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), o IPC.

Segundo o Instituto, o preço do café em pó teve queda de 0,18% no último mês, na comparação com o período de 16 de maio a 15 de junho. Mesmo assim, o grão continua 86,5% mais caro do que há um ano.

Os economistas tinham a expectativa de que os preços iam mesmo começar a cair nesse período. Isso porque a colheita do café no Brasil entrou na sua fase mais intensa entre junho e julho, com seu término em setembro. A maior oferta nos mercados vai acabar diminuindo os preços.

A favor das projeções, o tarifaço de 50% aos produtos brasileiros que forem comprados pelos Estados Unidos, definido por Donald Trump, pode reduzir ainda mais o preço do café no nosso país. Os EUA são responsáveis por comprar 16% de toda a safra anual dos produtores do Brasil, que com as tarifas irão perder grande parte desses compradores.

O prognóstico é de que o pó, que antes era destinado ao mercado estadunidense, acabe ficando por aqui, aumentando ainda mais a oferta do café e empurrando seus preços a níveis mais competitivos e agradáveis ao consumidor.

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Exclusivo! Exportações brasileiras para os EUA tem o melhor maio da história https://www.ocafezinho.com/2025/06/06/exclusivo-participacao-das-exportacoes-no-pib-brasileiro-dobrou-nos-ultimos-15-anos/ https://www.ocafezinho.com/2025/06/06/exclusivo-participacao-das-exportacoes-no-pib-brasileiro-dobrou-nos-ultimos-15-anos/#respond Fri, 06 Jun 2025 21:24:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=210229 O Brasil não é mais o mesmo.

Algumas inseguranças que tínhamos até o início da década fazem menos sentido hoje.

Uma delas era paranóia cambial, o medo de que nossa moeda poderia se desvalorizar subitamente, golpeando os salários e a inflação.

Um país com o nosso nível de comércio exterior tem muito mais resistência a ataques especulativos dessa natureza.

Segundo dados do Comexstat e do Banco Central, obtidos com exclusividade pelo Cafezinho, a participação de nossas exportações no PIB quase dobrou em 15 anos. Era inferior a 10% antes de 2010, e passou a oscilar perto de 16% nos últimos anos.

Nos últimos 12 meses até maio, o Brasil exportou US$ 335,7 bilhões, o que é o quarto ano consecutivo com exportações acima de 300 bilhões de dólares.

Os principais produtos exportados pelo país, nos últimos 12 meses, por ordem de grandeza, foram petróleo, soja, ferro, carne, açúcar, café, carros, aço, celulose e ração animal.

O destaque dessa vez vai para a carne, cujas exportações cresceram 17% nos últimos 12 meses.

Mas vai também, e sobretudo, para o café!

As exportações brasileiras de café registraram mais um impressionante recorde histórico, chegando a US$ 16,14 bilhões no acumulado de 12 meses até maio, um aumento de 56% sobre o ano anterior!

O Brasil vende café para o mundo inteiro, e os principais compradores ainda são os consumidores tradicionais do ocidente, como EUA e Europa.

Mas a China parece finalmente ter descoberto as delícias da nossa rubiácea. As exportações brasileiras de café para a China, nestes primeiros cinco meses de 2025, chegaram a US$ 165 milhões, 45% a mais do que no mesmo período de 2024, e quase 2000% de aumento em 10 anos.

Entretanto, não pense que apenas a China está puxando as vendas externas do Brasil.

As exportações brasileiras (de todos os produtos) para os Estados Unidos em maio, por exemplo, bateram um recorde histórico, chegando a 3,6 bilhões de dólares.

Os políticos brasileiros que andaram circulando pela Casa Branca, pedindo que os EUA impusesse sanções contra nós, por razões partidárias incrivelmente mesquinhas, não estão conseguindo atingir seus objetivos…

Esse bom desempenho do Brasil nos dois pólos da disputa comercial e tecnológica hoje no mundo, EUA e China, é a prova de que estamos posicionados numa situação geopolítica confortável.

A propósito, o dólar fechou hoje, 6 de junho de 2025, em 5,55 reais, o menor valor em mais de 6 meses.

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Fraude no café: Anvisa ordena recolhimento de 3 marcas falsas https://www.ocafezinho.com/2025/06/02/fraude-no-cafe-anvisa-ordena-recolhimento-de-3-marcas-falsas/ https://www.ocafezinho.com/2025/06/02/fraude-no-cafe-anvisa-ordena-recolhimento-de-3-marcas-falsas/#respond Mon, 02 Jun 2025 18:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=209953 Produtos apresentam irregularidades como contaminação e informações incorretas no rótulo e não devem ser consumidos

A Anvisa determinou o recolhimento de três marcas de pó para o preparo de bebida sabor café. Isso significa que está proibido comercializar, distribuir, fabricar ou fazer propaganda e uso dos produtos.

A proibição atinge as seguintes marcas e empresas:

  • Pó para o Preparo de Bebida Sabor Café – Master Blends Indústria de Alimentos Ltda.
  • Pó para o Preparo de Bebida Sabor Café Tradicional Marca Melissa – D M Alimentos Ltda.
  • Pó para o Preparo de Bebida Sabor Café Preto Marca Pingo Preto – Jurere Caffe Comercio de Alimentos Ltda.

A medida foi adotada após inspeção realizada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento que verificou as condições de produção. Nos três casos os motivos da proibição são os mesmos . Confira as irregularidades:

  • Uso de matéria-prima imprópria para o consumo humano, contaminada com ocratoxina A, uma micotoxina produzida por fungos.
  • Presença de matérias estranhas e com impurezas, denominadas incorretamente no rótulo como polpa de café e café torrado e moído, que na verdade eram cascas e resíduos de café.
  • Contaminação no produto acabado, indicando falhas nas Boas Práticas de Fabricação, no processo de seleção de matérias-primas, e na produção e controle de qualidade do produto final.
  • Os rótulos dos produtos também continham imagens e informações que podem causar erro e confusão em relação à natureza do produto, podendo levar o consumidor a entender que o produto se trata de café.

Esses produtos devem ser recolhidos pelas empresas e não devem ser consumidos.

Publicado originalmente pela Agência Gov em 02/06/2025

Por Anvisa

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Café vira luxo e consumo despenca nos lares do Brasil https://www.ocafezinho.com/2025/05/22/cafe-vira-luxo-e-consumo-despenca-nos-lares-do-brasil/ https://www.ocafezinho.com/2025/05/22/cafe-vira-luxo-e-consumo-despenca-nos-lares-do-brasil/#respond Thu, 22 May 2025 19:59:22 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=209328 Com o preço do grão em alta recorde, o consumo de café caiu 16% em abril, refletindo uma mudança drástica nos hábitos de milhões de brasileiros

O hábito de tomar café, tão tradicional no Brasil, está enfrentando um revés significativo. Dados divulgados pela Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) nesta quinta-feira (22) revelam que o consumo do produto no país recuou quase 16% em abril, na comparação com o mesmo mês de 2024. A queda ocorre em meio a uma disparada nos preços, que atingiram o maior patamar em três décadas.

Segundo o IBGE, o café ficou 80% mais caro nos últimos 12 meses, pressionando o bolso dos consumidores e reduzindo a demanda. No acumulado do ano (janeiro a abril), as vendas do grão caíram 5% em relação ao mesmo período de 2024, totalizando 4,7 milhões de sacas de 60 kg. Os números da Abic refletem o desempenho no varejo, responsável por 73% a 78% do consumo interno.

Tipos de café e variação de preços

Entre as variedades analisadas, o café solúvel foi o que registrou o maior aumento em abril, na comparação anual:

  • Café solúvel: +85%
  • Gourmet: +56%
  • Tradicional/Extraforte: +50%
  • Especial: +42,3%
  • Superior: +29%

A Abic já havia alertado, em fevereiro, que os preços continuariam subindo nos meses seguintes, uma vez que as indústrias ainda não haviam repassado integralmente aos consumidores os custos elevados da matéria-prima.

Fatores por trás da alta

Especialistas apontam uma combinação de fatores que impactaram a produção e impulsionaram os preços:

  1. Problemas Climáticos: Secas e ondas de calor em 2024 afetaram as plantações, levando as plantas a abortarem frutos para sobreviver. Nos últimos quatro anos, geadas e temperaturas extremas têm prejudicado a safra, elevando os custos da indústria em 224% e encarecendo o produto em 110% para o consumidor.
  2. Queda na Oferta Global: Grandes produtores, como o Vietnã, também enfrentaram adversidades climáticas, reduzindo a disponibilidade do grão no mercado internacional.
  3. Custos Logísticos: Conflitos no Oriente Médio aumentaram os preços do frete marítimo, impactando o valor dos contêineres utilizados para exportação.
  4. Crescimento do Consumo Mundial: O café é a segunda bebida mais consumida no planeta, atrás apenas da água. Com a expansão do mercado internacional, parte da produção brasileira tem sido direcionada para o exterior, reduzindo a oferta interna.

Impacto no dia a dia dos brasileiros

O café filtrado, método tradicional no Brasil e cada vez mais popular no exterior, está entre os mais afetados pela alta. Para muitos consumidores, a escalada de preços tem levado à redução do consumo ou à busca por alternativas mais acessíveis.

Enquanto a indústria se ajusta aos novos patamares de custos, os brasileiros precisam adaptar seus hábitos diários diante de um produto que, pelo menos no curto prazo, parece ter se tornado um luxo para parte da população.

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