chips chineses - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/chips-chineses/ Portal de noticias e análises sobre política brasileira, geopolítica, economia, tecnologia, sempre numa perspectiva democrática, progressista, anti-imperialista e multipolar! Fri, 30 May 2025 16:53:04 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://www.ocafezinho.com/wp-content/uploads/2015/10/cropped-Logo_Cafezinho_tmb-32x32.png chips chineses - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/chips-chineses/ 32 32 Tecnologia chinesa enfrenta sanções e reage com IA https://www.ocafezinho.com/2025/06/02/tecnologia-chinesa-enfrenta-sancoes-e-reage-com-ia/ https://www.ocafezinho.com/2025/06/02/tecnologia-chinesa-enfrenta-sancoes-e-reage-com-ia/#respond Mon, 02 Jun 2025 07:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=209773 Huawei, Baidu, Alibaba e Tencent se movem para reduzir a dependência externa e fortalecer o ecossistema nacional de IA

Um novo capítulo na guerra tecnológica se desenrola enquanto as principais empresas de tecnologia da China, como Alibaba, Tencent e Baidu, intensificam seus esforços para desvencilhar o desenvolvimento de inteligência artificial da dependência dos processadores da Nvidia. A urgência é palpável, impulsionada por um estoque cada vez menor dos cobiçados chips norte-americanos e por um aperto regulatório de Washington que redefine as regras do jogo no mercado global de semicondutores.

Leia também: IA chinesa segue caminho próprio sem a Nvidia

Em um movimento estratégico que pode redesenhar o futuro da IA no país asiático, as maiores potências tecnológicas da China deram início a uma transição complexa e potencialmente custosa: adaptar seus ambiciosos projetos de inteligência artificial para operar com chips de fabricação doméstica.

Esta iniciativa, que já vinha sendo considerada, ganhou tração e urgência diante da escassez crescente dos processadores da gigante americana Nvidia e do recrudescimento das sanções comerciais impostas pelos Estados Unidos, que visam frear o avanço tecnológico chinês.

Fontes internas do setor, familiarizadas com as operações das gigantes, confirmam que nomes de peso como Alibaba Group Holding, Tencent Holdings e Baidu já estão em fase avançada de testes com semicondutores alternativos. O objetivo é claro: garantir a continuidade e a expansão de suas soluções de IA, tanto para atender à robusta demanda interna quanto para suprir as necessidades de seus vastos portfólios de clientes.

A pressão aumentou consideravelmente após a administração do ex-presidente Donald Trump, em uma de suas últimas ofensivas comerciais no mês passado, ter intensificado as restrições à venda do chip H20 da Nvidia. Este componente, uma versão com capacidade reduzida, havia sido especificamente desenvolvido pela Nvidia para contornar as regras de exportação previamente estabelecidas durante o governo de Joe Biden, mas acabou também entrando na mira dos reguladores.

A situação dos estoques é crítica. Informações de bastidores, obtidas junto a fontes com conhecimento direto do assunto, indicam que as reservas atuais de chips da Nvidia são suficientes para sustentar o ritmo de desenvolvimento de IA das empresas chinesas apenas até o início do próximo ano.

Considerando que novos pedidos de semicondutores de ponta podem levar de três a seis meses para serem processados e entregues – um prazo já apertado –, a incerteza sobre a capacidade da Nvidia de lançar um processador que seja ao mesmo tempo competitivo e compatível com as novas e mais rigorosas regras de exportação dos EUA coloca as companhias chinesas em uma verdadeira corrida contra o relógio.

Nesse cenário de urgência, Shen Dou, que comanda o grupo de negócios de IA em nuvem da Baidu, uma das pioneiras em inteligência artificial na China, expressou um otimismo cauteloso. Ele afirmou recentemente que a empresa dispõe de um leque variado de opções de chips, especialmente para o processamento de inferência – uma etapa fundamental na aplicação prática da IA para resolver problemas específicos – que podem, em tese, substituir os componentes da Nvidia.

“Acreditamos que, com o tempo, os chips desenvolvidos localmente, aliados a softwares cada vez mais eficientes, formarão uma base sólida para a inovação no ecossistema de IA da China”, declarou Shen, sinalizando uma aposta de longo prazo na capacidade de inovação doméstica.

A resposta das gigantes não se fez esperar. Em comunicados e aparições públicas recentes, os principais executivos das empresas chinesas têm sinalizado ajustes em suas estratégias de aquisição e desenvolvimento de hardware.

Eddie Wu, o CEO do Alibaba, conglomerado que abrange desde o comércio eletrônico até serviços de nuvem com uso intensivo de IA, destacou que a companhia está “explorando ativamente soluções diversificadas para atender à crescente demanda dos clientes”. Essa declaração sugere uma abertura para múltiplos fornecedores e tecnologias, incluindo as desenvolvidas internamente.

De forma similar, Martin Lau, presidente da Tencent, outra potência com vastos interesses em games, redes sociais e computação em nuvem, afirmou que a empresa está em um processo contínuo de otimização do uso de seus chips existentes, ao mesmo tempo em que avalia alternativas viáveis no mercado.

“Temos estoque suficiente de chips de alta performance para treinar nossos modelos por algumas gerações”, disse Lau, buscando tranquilizar o mercado quanto à capacidade de treinamento de modelos de IA, que exigem grande poder computacional. Ele acrescentou, no entanto, que a Tencent pode “utilizar outros processadores” para suprir a crescente demanda por inferência, um segmento que tem se expandido rapidamente com a popularização de aplicações de IA em diversos setores da economia chinesa.

Um relatório recente de um influente think-tank com ligações com o Ministério da Segurança do Estado da China trouxe uma perspectiva interessante sobre o impacto das sanções. O documento destaca que, embora as restrições impostas pelos EUA sejam, sem dúvida, prejudiciais no curto prazo, elas paradoxalmente “estimularam uma onda de inovação independente em chips de IA de alto desempenho, com a série Ascend da Huawei como principal exemplo”. De fato, segundo o China Institutes of Contemporary International Relations, diversas entidades chinesas já iniciaram um movimento de adoção em larga escala dos chips Ascend, desenvolvidos pela Huawei.

Inicialmente, os principais compradores desses processadores eram empresas estatais, como a gigante de telecomunicações China Mobile, e setores considerados estratégicos ou sensíveis, como defesa, saúde e o sistema financeiro. Contudo, a expectativa agora é que um espectro mais amplo de companhias de tecnologia, incluindo as grandes do setor privado, passe a disputar os chips da Huawei.

Apesar disso, um véu de cautela paira sobre essa transição. Muitas empresas evitam comentar publicamente sobre seus testes e planos de adoção dos processadores Ascend, especialmente após os Estados Unidos terem emitido alertas de que o uso desses componentes “em qualquer lugar do mundo” poderia resultar em penalidades criminais, elevando o risco associado à aposta na solução da Huawei.

Do lado da Nvidia, a situação também é delicada. A empresa americana, líder inconteste no mercado de chips para IA, vê um de seus maiores mercados sob severa restrição. Analistas da GF Securities projetam que a Nvidia possa iniciar a produção de um novo chip, compatível com as atuais regras de exportação dos EUA, por volta de julho.

No entanto, este novo processador, que seria baseado na mais recente arquitetura Blackwell da empresa, provavelmente não contará com memória de alta largura de banda (HBM), um componente crucial para o processamento ágil de grandes volumes de dados, essencial para tarefas complexas de IA.

Além disso, detalhes fundamentais, como a inclusão da tecnologia NVLink – utilizada para estabelecer conexões de altíssima velocidade entre múltiplos chips, otimizando o desempenho em cargas de trabalho paralelas –, ainda permanecem incertos.

Em uma conferência recente, Jensen Huang, o carismático CEO da Nvidia, admitiu abertamente as dificuldades enfrentadas pela empresa para atender ao mercado chinês sob as novas diretrizes. Sua declaração foi direta e um tanto desanimadora para os clientes locais: “No momento, não temos nada”, afirmou, sublinhando a ausência de uma solução definitiva e imediata.

A transição para chips de fabricação local está longe de ser uma tarefa simples ou indolor. Adaptar os complexos códigos de treinamento de modelos de IA, majoritariamente desenvolvidos para a plataforma CUDA da Nvidia – um ecossistema de software e hardware amplamente dominante na indústria –, para o framework CANN da Huawei, por exemplo, é um processo intrinsecamente demorado e que exige um suporte intensivo de equipes de engenharia.

Estes profissionais precisam realizar ajustes finos e otimizações profundas para garantir que os modelos de IA funcionem com eficiência e precisão nas novas arquiteturas de hardware. Um executivo de uma das grandes empresas de tecnologia, que preferiu não se identificar, estimou que essa migração poderia acarretar um atraso de aproximadamente três meses no desenvolvimento de projetos de IA.

Diante desses desafios, a maioria das empresas chinesas parece estar considerando uma abordagem híbrida como estratégia de transição. Isso implicaria continuar utilizando os chips da Nvidia, enquanto os estoques permitirem e para tarefas específicas como o treinamento de modelos de IA mais complexos, e, simultaneamente, adotar processadores locais para as tarefas de inferência. A demanda por inferência, vale ressaltar, disparou nos últimos tempos com a rápida expansão e adoção de aplicações de IA em toda a China.

A Huawei, por sua vez, está se esforçando para aumentar sua capacidade de produção, recorrendo a parceiros de fabricação e, segundo relatos, investindo na construção de uma nova fábrica. No entanto, a oferta de seus chips Ascend ainda não consegue acompanhar a crescente procura. Enquanto isso, outras fabricantes chinesas de semicondutores, como a Cambricon Technologies e a Hygon Information Technology, também estão sendo rigorosamente testadas pelas gigantes de tecnologia como potenciais alternativas.

Em paralelo, empresas como Baidu e Alibaba também investem no desenvolvimento de seus próprios processadores, em uma tentativa de reduzir a dependência de fornecedores externos e garantir maior controle sobre sua cadeia de suprimentos de componentes críticos.

A acirrada disputa pela soberania tecnológica está, inegavelmente, redefinindo as dinâmicas do mercado global de semicondutores. Enquanto a China acelera sua busca por autossuficiência e alternativas domésticas para alimentar suas ambições em inteligência artificial, as empresas ocidentais e seus governos monitoram atentamente os desdobramentos dessa complexa guerra comercial.

As decisões tomadas hoje, tanto em Pequim quanto em Washington, têm o potencial de moldar não apenas o futuro da inteligência artificial, mas também o equilíbrio de poder tecnológico nas próximas décadas. A corrida está lançada, e seus impactos serão sentidos em escala global.

Com informações de Financial Times*

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IA chinesa segue caminho próprio sem a Nvidia https://www.ocafezinho.com/2025/06/01/ia-chinesa-segue-caminho-proprio-sem-a-nvidia/ https://www.ocafezinho.com/2025/06/01/ia-chinesa-segue-caminho-proprio-sem-a-nvidia/#respond Sun, 01 Jun 2025 07:30:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=209819 Em resposta às sanções dos EUA, empresas chinesas investem em chips próprios para manter a liderança em inteligência artificial

Em meio a uma escalada das restrições impostas pelos Estados Unidos sobre a exportação de chips avançados, grandes empresas tecnológicas chinesas estão acelerando esforços para substituir componentes importados por alternativas fabricadas dentro do país. O objetivo é manter o ritmo do desenvolvimento de inteligência artificial (IA) sem depender da gigante norte-americana Nvidia. Segundo informações apuradas junto ao setor, empresas como Alibaba, Tencent e Baidu já iniciaram testes com semicondutores locais, buscando atender à crescente demanda interna por soluções em IA.

Leia também: Gigantes chinesas traçam futuro da IA sem a Nvidia

A mudança foi intensificada após o governo anterior dos EUA, liderado por Donald Trump, reforçar no mês passado as proibições à venda do chip H20 — versão adaptada pela Nvidia para cumprir exigências anteriores do governo Joe Biden.

Estoques se esgotam e pressão aumenta

Relatos de fontes próximas ao setor indicam que os estoques atuais de chips da Nvidia devem durar até o início de 2025. Como encomendas novas demoram entre três e seis meses para serem entregues, e não há garantia de que a empresa consiga lançar um modelo compatível com as novas regras de exportação, as empresas chinesas enfrentam uma corrida contra o tempo.

Shen Dou, responsável pelo grupo de IA em nuvem da Baidu, afirmou recentemente que a empresa conta com várias opções de chips para a etapa de inferência — fundamental para a aplicação prática de modelos de IA — capazes de substituir os da Nvidia.

“Acreditamos que, com o tempo, os chips desenvolvidos localmente, aliados a softwares cada vez mais eficientes, formarão uma base sólida para a inovação no ecossistema de IA da China”, destacou Shen.

Estratégias ajustadas para lidar com nova realidade

Nas últimas semanas, executivos das maiores empresas tecnológicas do país têm sinalizado mudanças em suas estratégias de fornecimento. Eddie Wu, CEO da Alibaba, mencionou que a companhia está “explorando ativamente soluções diversificadas para atender à crescente demanda dos clientes”. Já Martin Lau, presidente da Tencent, afirmou que a empresa está otimizando o uso de seus chips existentes e avaliando opções alternativas.

“Temos estoque suficiente de chips de alta performance para treinar nossos modelos por algumas gerações”, garantiu Lau, acrescentando que a Tencent pode recorrer a “outros processadores” para suprir a crescente necessidade de inferência impulsionada pela popularização da IA no país.

Huawei surge como principal alternativa, mas enfrenta obstáculos

Um instituto de estudos ligado ao Ministério da Segurança do Estado chinês ressaltou que, embora as sanções americanas sejam desafiadoras, elas também “estimularam uma onda de inovação independente em chips de IA de alto desempenho, com a série Ascend da Huawei como principal exemplo.”

De acordo com o China Institutes of Contemporary International Relations, entidades chinesas já estão adotando amplamente os chips da Huawei. Inicialmente, eram principalmente empresas estatais, como a China Mobile, e setores estratégicos como defesa, saúde e finanças. Agora, espera-se que outras gigantes da tecnologia passem a utilizar esses componentes. No entanto, muitas evitam falar publicamente sobre os testes com os chips Ascend, temendo represálias dos EUA, que alertaram que seu uso “em qualquer lugar do mundo” pode resultar em penalidades criminais.

Nvidia busca solução, mas enfrenta limitações técnicas

Analistas da GF Securities estimam que a Nvidia possa iniciar a produção de um novo chip compatível com as regras de exportação dos EUA a partir de julho. Porém, o componente, baseado na arquitetura Blackwell, não incluirá memória de alta largura de banda (HBM), peça essencial para o processamento rápido de grandes volumes de dados. Além disso, ainda não está claro se ele contará com a tecnologia NVLink, usada para conectar chips de forma ultrarrápida.

Durante uma conferência recente, Jensen Huang, CEO da Nvidia, admitiu que a empresa ainda não tem uma resposta definitiva para o mercado chinês: “No momento, não temos nada”, afirmou.

Migração traz custos elevados e complexidade técnica

O processo de transição para chips locais é complicado. Adaptar códigos desenvolvidos para a plataforma CUDA, da Nvidia, para o ambiente CANN, da Huawei, exige tempo e grande apoio de engenheiros. Um executivo de uma grande empresa estimou que essa migração poderia causar um atraso de cerca de três meses no desenvolvimento de projetos de IA.

Diante disso, muitas companhias estão optando por uma estratégia híbrida: continuar utilizando chips da Nvidia para o treinamento de modelos, enquanto adotam processadores locais para a inferência, área cuja demanda explodiu na China.

Enquanto a Huawei tenta expandir sua capacidade produtiva por meio de parceiros e da construção de uma nova fábrica, a oferta ainda não acompanha a alta procura. Outras empresas chinesas, como Cambricon e Hygon, também estão sendo testadas pelas grandes techs. Além disso, Baidu e Alibaba estão investindo no desenvolvimento próprio de chips, visando reduzir a dependência externa.

A disputa por autonomia tecnológica está transformando o cenário global de semicondutores. Enquanto a China acelera na busca por alternativas domésticas, empresas ocidentais observam com atenção os desdobramentos de uma guerra comercial que promete moldar o futuro da inteligência artificial no mundo inteiro.

Com informações de Financial Times*

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Gigantes chinesas traçam futuro da IA sem a Nvidia https://www.ocafezinho.com/2025/05/30/gigantes-chinesas-tracam-futuro-da-ia-sem-a-nvidia/ https://www.ocafezinho.com/2025/05/30/gigantes-chinesas-tracam-futuro-da-ia-sem-a-nvidia/#respond Fri, 30 May 2025 16:40:53 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=209838 Restrições mais rígidas dos EUA à exportação de chips avançados aceleram testes de alternativas domésticas; Grupos de tecnologia chineses se preparam para um futuro de IA sem Nvidia

As maiores empresas de tecnologia da China iniciaram um processo complexo e demorado: migrar o desenvolvimento de inteligência artificial para chips fabricados localmente. O movimento surge em meio a estoques cada vez mais escassos de processadores da Nvidia e ao endurecimento das sanções comerciais impostas pelos Estados Unidos. Segundo executivos do setor, gigantes como Alibaba, Tencent e Baidu já começaram a testar semicondutores alternativos para atender à crescente demanda interna e de clientes por soluções de IA.

A medida foi acelerada após a administração do ex-presidente Donald Trump intensificar, no mês passado, as restrições à venda do chip preferido dessas empresas: o H20 da Nvidia, uma versão menos potente desenvolvida para cumprir as regras impostas durante o governo de Joe Biden.

Estoques Limitados e Busca por Alternativas

Fontes próximas ao assunto revelam que os estoques existentes de chips da Nvidia devem sustentar o desenvolvimento de IA apenas até o início do próximo ano. Como novos pedidos levam de três a seis meses para serem entregues, e não há garantias de que a Nvidia consiga lançar um processador competitivo e compatível com as novas regras de exportação, as empresas chinesas estão correndo contra o tempo.

Shen Dou, líder do grupo de IA em nuvem da Baidu, afirmou recentemente que a empresa tem diversas opções de chips — especialmente para processamento de inferência (etapa crucial na resolução de problemas com IA) — que podem substituir os da Nvidia.

“Acreditamos que, com o tempo, os chips desenvolvidos localmente, aliados a softwares cada vez mais eficientes, formarão uma base sólida para a inovação no ecossistema de IA da China”, declarou Shen.

Adaptação e Estratégias das Gigantes Tech

Em comunicados recentes, executivos das principais empresas chinesas sinalizaram mudanças em suas estratégias. Eddie Wu, CEO da Alibaba, destacou que a companhia está “explorando ativamente soluções diversificadas para atender à crescente demanda dos clientes”. Já Martin Lau, presidente da Tencent, afirmou que a empresa está otimizando o uso de seus chips e avaliando alternativas.

“Temos estoque suficiente de chips de alta performance para treinar nossos modelos por algumas gerações”, disse Lau, acrescentando que a Tencent pode “utilizar outros processadores” para suprir a demanda por inferência, que vem crescendo com a popularização da IA no país.

Huawei Surge como Alternativa, mas Enfreta Desafios

Um think-tank ligado ao Ministério da Segurança do Estado chinês destacou que, embora as sanções dos EUA sejam prejudiciais, elas “estimularam uma onda de inovação independente em chips de IA de alto desempenho, com a série Ascend da Huawei como principal exemplo”. De fato, entidades chinesas já começaram a adotar em larga escala os chips da Huawei, segundo o China Institutes of Contemporary International Relations.

Inicialmente, os maiores compradores eram empresas estatais, como a China Mobile, e setores sensíveis, como defesa, saúde e finanças. Agora, espera-se que um leque mais amplo de companhias de tecnologia passem a disputar os chips da Huawei. No entanto, muitas evitam comentar publicamente os testes com os processadores Ascend após os EUA alertarem que o uso deles “em qualquer lugar do mundo” pode levar a penalidades criminais.

Nvidia em Busca de uma Solução, mas com Limitações

Analistas da GF Securities estimam que a Nvidia possa começar a produzir em julho um novo chip compatível com as regras de exportação dos EUA. No entanto, o processador, baseado na arquitetura Blackwell, não terá memória de alta largura de banda (HBM), componente essencial para processar grandes volumes de dados com agilidade. Detalhes cruciais, como a presença da tecnologia NVLink (usada para conexão rápida entre chips), ainda são incertos.

Em uma conferência recente, Jensen Huang, CEO da Nvidia, admitiu que a empresa ainda não tem uma solução definitiva para o mercado chinês: “No momento, não temos nada”, declarou.

Custos e Desafios da Migração

A transição para chips locais não é simples. Adaptar códigos de treinamento desenvolvidos para a plataforma CUDA (da Nvidia) para o framework CANN (da Huawei) é um processo demorado e exige suporte intensivo de engenheiros para ajustes e otimizações. Um executivo de uma grande empresa de tecnologia estimou que a migração causaria cerca de três meses de atraso no desenvolvimento de IA.

A maioria das empresas está considerando uma abordagem híbrida: continuar usando chips da Nvidia para treinamento de modelos enquanto adotam processadores locais para inferência, cuja demanda disparou com a expansão da IA na China.

A Huawei tenta aumentar a produção por meio de parceiros e até mesmo com uma nova fábrica, mas a oferta ainda não acompanha a procura. Enquanto isso, outras fabricantes chinesas, como Cambricon e Hygon, também estão sendo testadas pelas gigantes de tecnologia. Baidu e Alibaba, por sua vez, desenvolvem seus próprios processadores para reduzir a dependência externa.

Conclusão: Uma Corrida Tecnológica com Impactos Globais

A disputa por soberania tecnológica está redefinindo o mercado global de semicondutores. Enquanto a China acelera a busca por alternativas, as empresas ocidentais monitoram os desdobramentos de uma guerra comercial que pode moldar o futuro da inteligência artificial.

Com informações de Financial Times*

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Sanções dos EUA fortalecem indústria de chips da China https://www.ocafezinho.com/2025/05/28/sancoes-dos-eua-fortalecem-industria-de-chips-da-china/ https://www.ocafezinho.com/2025/05/28/sancoes-dos-eua-fortalecem-industria-de-chips-da-china/#respond Wed, 28 May 2025 14:54:11 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=209616 Em vez de prejudicar as ambições da China no setor de semicondutores, sanções dos EUA podem estar inadvertidamente acelerando seu avanço, afirma relatório — segundo a publicação, medidas de Washington podem estar fortalecendo o mercado chinês de chips

Um novo relatório afirma que as sanções e restrições impostas pelos Estados Unidos ao mercado de semicondutores com o objetivo de conter o crescimento da China podem estar, na verdade, impulsionando um aumento na indústria própria de semicondutores do país asiático, construindo um ecossistema mais sólido e, de forma não intencional, acelerando as ambições chinesas no setor.

Segundo informações divulgadas pelo Digitimes, apesar de os EUA e a China terem concordado em um acordo comercial de 90 dias para suspender as tarifas mais duras entre as duas nações, “as tensões no setor de semicondutores estão aumentando”.

O Digitimes afirma que o aumento das tensões tem colocado novamente sob escrutínio os fabricantes taiwaneses de substratos de circuitos integrados (IC substrates) que operam na China, revelando dúvidas quanto à eficácia das sanções norte-americanas.

Como destacado no relatório, a cadeia de suprimentos de substratos em Taiwan apresentou resultados surpreendentemente fortes no primeiro trimestre de 2025. Segundo o Digitimes, uma “disparidade clara” na posição das empresas em Taiwan em comparação com as da China revela a possibilidade de que “o ecossistema semicondutor chinês esteja acelerando sua ascensão, mesmo sob as restrições impostas pelos EUA”.

Conforme o relatório destaca, o presidente Trump abandonou as regras escalonadas de difusão de chips do governo Biden em favor de uma proibição ampla sobre o uso global dos chips de inteligência artificial da Huawei, o Ascend, além de medidas para impedir a exportação de outros chips de IA para a China — uma decisão que o CEO da Nvidia, Jensen Huang, classificou como “um fracasso”.

O relatório destaca os contrastantes desempenhos da Unimicron e da Zhen Ding Technology. A primeira registrou baixa utilização da capacidade de alta tecnologia em suas fábricas na China, como resultado das restrições mais rígidas aos chips. O principal fabricante mundial de substratos de IC viu uma recuperação nos pedidos em suas instalações em Taiwan, compensando a queda, mas executivos continuam preocupados de que sanções crescentes possam levar à perda permanente de negócios de alto valor provenientes do setor premium de eletrônicos da China.

Por outro lado, a Zhen Ding – citada como exemplo central da teoria de que as sanções estão impulsionando a indústria de chips chinesa – está registrando forte dinamismo em mercados domésticos na China. A empresa atribui sua estratégia de “China para a China” (priorizando produção local para atender à demanda interna) como fator fundamental para um aumento anual de receita de 30% em sua divisão de substratos.

De acordo com o Digitimes, o aumento contínuo da demanda na China pode permitir que a Zhen Ding aproveite sua unidade fabril em Kaohsiung, em parques de inteligência artificial, para atender às necessidades do mercado, revertendo o fluxo tradicional da cadeia de suprimentos.

Para observadores do setor citados no relatório, o resultado é o que chamam de “paradoxo crítico”. O Digitimes afirma que “em vez de prejudicar as ambições da China no setor de semicondutores, as sanções dos EUA podem estar inadvertidamente acelerando-as”, com a demanda doméstica e a localização da cadeia de suprimentos criando um ecossistema resistente que “pode se tornar ainda mais forte diante da adversidade”.

Essa visão reflete amplamente os comentários recentes do CEO da Nvidia, Jensen Huang, sobre a proibição das exportações de chips de IA. Como mencionado, ele considerou as medidas um fracasso e destacou especificamente que empresas estão recorrendo a concorrentes chineses da Nvidia para suprir a carência de chips desenvolvidos nos EUA, como o H20, beneficiando seus rivais em vez de prejudicar a indústria como um todo.

Recentemente, um relatório afirmou que a Nvidia planeja lançar novas soluções baseadas na arquitetura Blackwell para o mercado chinês no final deste ano, substituindo o modelo H20.ai, bloqueado pelas restrições.

Com informações de tomshardware.com*

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