conflito global - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/conflito-global/ Portal de noticias e análises sobre política brasileira, geopolítica, economia, tecnologia, sempre numa perspectiva democrática, progressista, anti-imperialista e multipolar! Sat, 08 Nov 2025 18:12:10 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://controle.ocafezinho.com/wp-content/uploads/2015/10/cropped-Logo_Cafezinho_tmb-32x32.png conflito global - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/conflito-global/ 32 32 O telefone sem fio da geopolítica https://www.ocafezinho.com/2025/11/08/o-telefone-sem-fio-da-geopolitica/ https://www.ocafezinho.com/2025/11/08/o-telefone-sem-fio-da-geopolitica/#respond Sat, 08 Nov 2025 18:04:58 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=220758 Interesses privados e personalismos corroem qualquer chance de entendimento real entre as maiores potências do mundo

A relação entre Estados Unidos e China não é apenas uma disputa econômica ou política; é um espelho das contradições de um sistema global centrado no poder, no lucro e na desconfiança. O atual estado das negociações bilaterais, marcado por manipulação, obstrução e generalizações exageradas, mostra que as duas maiores potências do planeta estão presas em um ciclo tóxico — incapazes de construir canais confiáveis de comunicação, mesmo após a cúpula multilateral na Coreia do Sul.

Essa relação disfuncional não é fruto apenas de diferenças culturais ou ideológicas. Ela decorre, em grande medida, de uma lógica de poder que privilegia interesses privados e curtos prazos políticos sobre soluções estruturais e coletivas. A falta de intermediários confiáveis, o desprezo por diplomatas experientes e o predomínio de conselheiros lealistas ou executivos corporativos transformam o diálogo em um “telefone sem fio” internacional: cada mensagem é distorcida, cada intenção mal interpretada, e os riscos globais aumentam.

Durante o primeiro mandato de Trump, havia, paradoxalmente, alguma eficácia nesse caos. O chamado “canal Kushner”, conduzido pelo genro do presidente, permitiu avanços que o aparato diplomático tradicional não conseguiria. O acordo comercial de “fase um” de 2020 é um exemplo disso. Hoje, porém, essa porta dos fundos está trancada. Não existem intermediários com influência suficiente para traduzir interesses complexos em acordos funcionais. A negociação oficial, conduzida por Scott Bessent e He Lifeng, esbarra na inexperiência específica em relações bilaterais e na falta de entrosamento profissional que é essencial para lidar com sistemas políticos e econômicos tão diferentes.

A busca por substitutos para Kushner revela ainda mais os riscos desse modelo de geopolítica centrado em indivíduos poderosos e magnatas corporativos. Elon Musk, Jensen Huang (Nvidia) e Stephen Schwarzman (Blackstone) foram cogitados como canais, mas nenhum tem proximidade suficiente com ambos os lados para construir confiança duradoura. A política interna agrava a situação: nos EUA, qualquer defesa de aproximação com a China é denunciada como “traidora”, enquanto na China a concentração de poder nas mãos de Xi torna os diplomatas paranóicos com a possibilidade de parecerem fracos. A demissão de figuras influentes em Pequim e a fragilidade da diplomacia americana — fruto de cortes no Conselho de Segurança Nacional e da escassez de especialistas em China — reforçam a disfunção.

O caso Nvidia exemplifica como a lógica do lucro e da competição tecnológica pode minar o diálogo político. Jensen Huang, CEO da Nvidia, tentou atuar como intermediário, mas enfrentou reações contraditórias: Pequim suspendeu compras de chips de IA, enquanto nos EUA Steve Bannon clamava por sua prisão. A situação ilustra como interesses corporativos e nacionalistas se entrelaçam, tornando quase impossível um consenso diplomático racional e sustentável.

O choque de estilos entre Trump e Xi revela a dimensão estrutural do problema. Trump aposta em “magnetismo pessoal” e negociação direta, enquanto Xi exige procedimentos claros e agendas definidas. Essa incompatibilidade não é apenas uma questão de estilo, mas de cultura institucional e prioridades de Estado. Sem canais confiáveis e sem diplomatas de carreira experientes, qualquer progresso é limitado a medidas cosméticas — como a recente reestruturação americana do TikTok — e corre o risco de se desfazer rapidamente.

A leitura crítica desse cenário aponta para um problema maior: a geopolítica contemporânea é conduzida por interesses concentrados, por personalidades e corporações, e não pelas necessidades coletivas do planeta. As decisões tomadas nesse ambiente afetam bilhões de pessoas, mas os riscos e custos são externalizados, enquanto os lucros e privilégios permanecem restritos a uma elite global.

Para além de estratégias comerciais e rivalidades bilaterais, o mundo enfrenta uma lição clara: sem canais de comunicação confiáveis, sem diplomacia baseada em conhecimento e experiência, sem atenção às consequências sociais e econômicas globais, os impasses continuarão, e o ciclo tóxico entre potências persistirá. A geopolítica deixada à mercê de interesses privados e personalismos é um jogo perigoso, que não apenas ameaça acordos comerciais, mas também a estabilidade global, o comércio justo e a paz.

O telefone sem fio da geopolítica mostra, portanto, a fragilidade de um sistema que prioriza lucros e poder concentrado em detrimento do bem comum. Enquanto isso não mudar, qualquer cúpula ou negociação será apenas mais um capítulo de um impasse estrutural, em que a humanidade, mais uma vez, paga o preço da incompetência e da ganância das elites.

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Por que a diplomacia entre EUA e China morreu https://www.ocafezinho.com/2025/10/21/por-que-a-diplomacia-entre-eua-e-china-morreu/ https://www.ocafezinho.com/2025/10/21/por-que-a-diplomacia-entre-eua-e-china-morreu/#respond Tue, 21 Oct 2025 08:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=220753 A competição tecnológica e o lucro exacerbado tornam impossível um diálogo racional entre países que decidem o futuro de todos

Estamos assistindo a um espetáculo de pura patologia diplomática. A poucos dias de uma cúpula de alto risco entre Donald Trump e Xi Jinping na Coreia do Sul, as negociações comerciais entre as duas maiores economias do mundo não estão apenas paralisadas; elas estão imersas em um ciclo tóxico de “manipulação, obstrução, exageros e falta de clareza”.

Enquanto conversas preparatórias de fachada ocorrem na Malásia, a verdade é que o diálogo real ruiu. O que resta é um vácuo perigoso, preenchido por egos inflados, paranoia burocrática e a ganância de bilionários da tecnologia que se autoproclamaram intermediários.

O problema não é a falta de vontade de negociar. O problema é que a própria arquitetura da comunicação foi demolida, tanto em Washington quanto em Pequim.

Para entender o deserto de hoje, precisamos olhar para o caos feudal de ontem. No primeiro mandato de Trump, a diplomacia formal foi descartada em favor do “canal Kushner”. O genro do presidente, Jared Kushner, mantinha uma linha direta com Cui Tiankai, então embaixador chinês.

Esse arranjo, que frustrou e marginalizou as próprias agências de segurança e comércio dos EUA, era a antítese da governança institucional. Era um acordo neofeudal, de família para família, que, por um alinhamento temporário de interesses, conseguiu produzir duas cúpulas e o frágil acordo comercial de “fase um” em 2020.

Hoje, nem mesmo esse canal duvidoso existe. Kushner está focado no Oriente Médio. Em seu lugar, temos o canal oficial, liderado pelo secretário do Tesouro, Scott Bessent, e pelo vice-primeiro-ministro He Lifeng. E ele é um desastre.

Após quatro rodadas desde maio, as negociações estão estagnadas. Os dois lados não conseguem sequer concordar sobre o que foi discutido nas reuniões anteriores, muito menos definir uma agenda futura. A falta de entrosamento, que existia entre os negociadores anteriores (Lighthizer e Liu He), foi substituída por desprezo aberto. Bessent, um ex-chefe de fundo de hedge, chegou ao ponto de insultar publicamente o principal assessor de He, chamando-o de “desequilibrado”.

Não há experiência real de negociação entre eles. O resultado é um diálogo de surdos, onde a única coisa que avança é a desconfiança mútua.

Na ausência de canais estatais funcionais, quem assume o papel de diplomata? O capital.

Líderes empresariais como Elon Musk (Tesla), Jensen Huang (Nvidia) e Stephen Schwarzman (Blackstone) foram sondados. Mas isso não é diplomacia; é lobby de altíssimo nível. Nenhum deles tem a confiança de ambos os lados para mediar a geopolítica. O que eles têm é um interesse direto em proteger seus próprios mercados.

O caso de Jensen Huang é emblemático. Atuando como intermediário, ele conseguiu uma suspensão temporária das restrições à venda de chips de IA da Nvidia para a China. O interesse dele não é a segurança nacional dos EUA ou a estabilidade global; é o próximo balanço trimestral da Nvidia. Essa confusão entre o interesse corporativo e o interesse nacional gera reações previsíveis, como as críticas de Steve Bannon, expondo a guerra interna na própria administração.

Essa disfunção é agravada por um clima político macarthista. Em Washington, qualquer voz que defenda relações estáveis com Pequim é imediatamente rotulada de “traidor” ou “simpatizante do comunismo”, paralisando qualquer formulação de política racional.

O governo Trump 2.0 reflete essa desordem. O Conselho de Segurança Nacional (CSN) foi desmantelado, expurgando especialistas em China. A política é esquizofrênica: enquanto o Departamento de Comércio impõe restrições severas, a Casa Branca pressiona a China a comprar mais soja e aviões, cedendo a outros lobbies.

Como resumiu Da Wei, da Universidade Tsinghua, a equipe Trump 2.0 é “mais um clube de lealistas do que uma unidade coesa”. Ninguém sabe quem, de fato, fala em nome do presidente.

Se Washington é um caos de lealistas em conflito, Pequim é uma fortaleza de paranoia burocrática. A extrema concentração de poder em Xi Jinping criou um sistema onde nenhum funcionário ousa ter iniciativa.

O medo é palpável. As recentes e obscuras demissões de dois diplomatas com fortes conexões em Washington, Qin Gang e Liu Jianchao, serviram como um aviso brutal: qualquer um que pareça “próximo demais” do Ocidente arrisca a carreira.

Os antigos canais secaram. O novo embaixador chinês em Washington não tem os contatos de seus predecessores. A aposentadoria de Wang Qishan, o ex-vice-presidente que era a linha direta de Pequim com Wall Street, fechou outra porta crucial.

O resultado é que a China, assim como os EUA, não sabe com quem falar. A situação é tão desesperadora que Pequim teve que “reativar” Cui Tiankai, o embaixador aposentado do “canal Kushner”, enviando-o a Washington pelo menos duas vezes este ano numa tentativa de encontrar qualquer aliado próximo a Trump que possa ouvir.

É nesse vácuo que a cúpula Trump-Xi irá ocorrer. E ela está fadada ao fracasso por um choque fundamental de patologias de liderança.

Donald Trump despreza o processo. Ele aposta tudo em seu “magnetismo e habilidades de negociação” pessoais. Ele vê o encontro como um episódio dramático onde sua força de vontade dobrará o oponente.

Xi Jinping é o oposto. Ele valoriza “processos estruturados e agendas detalhadas”. Para o líder chinês, a cúpula não é a negociação; é a cerimônia de assinatura de acordos pré-definidos nos mínimos detalhes por subordinados.

Um quer um duelo de egos; o outro quer um roteiro.

Não se enganem com avanços pontuais, como a recente transferência negociada das operações do TikTok para mãos americanas. Isso não foi diplomacia; foi uma transação comercial forçada, uma expropriação.

Sem canais confiáveis, sem instituições fortalecidas (como um Departamento do Tesouro efetivo) e com duas potências reféns dos caprichos de seus líderes, o máximo que teremos são acordos menores e transitórios. A relação tóxica continuará, porque o circo de personalidades e os interesses corporativos substituíram o interesse público.

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A rivalidade entre EUA e China não é só política https://www.ocafezinho.com/2025/10/20/a-rivalidade-entre-eua-e-china-nao-e-so-politica/ https://www.ocafezinho.com/2025/10/20/a-rivalidade-entre-eua-e-china-nao-e-so-politica/#respond Mon, 20 Oct 2025 12:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=220752 Sem canais de confiança e com negociadores inexperientes na relação bilateral, as duas maiores potências mundiais caminham para mais um impasse, mesmo com um encontro de cúpula no horizonte


É um roteiro de relacionamento fadado ao fracasso. “Manipulação , gaslighting, obstrução, generalizações excessivas”: o diálogo atual entre os Estados Unidos e a China exibe todas as marcas de uma “relação tóxica e disfuncional”.

Há meses, as duas maiores economias do mundo oscilam perigosamente “entre tréguas temporárias e escaladas explosivas”. A tensão é tanta que os últimos atritos ameaçam comprometer os planos para um encontro crucial entre Donald Trump e Xi Jinping, previsto para uma cúpula multilateral na Coreia do Sul no final de outubro.

Por enquanto, o encontro parece estar de pé. Conversas preparatórias estão agendadas para a Malásia, por volta de 25 de outubro. Ainda assim, nos bastidores de Washington e Pequim, as esperanças de qualquer avanço real são mínimas. A expectativa é, na melhor das hipóteses, mais uma frágil trégua.

O motivo principal não é necessariamente a falta de vontade política, mas algo muito mais fundamental: a completa precariedade dos canais de comunicação.

Durante o primeiro mandato de Trump, a relação, embora caótica, tinha uma porta dos fundos funcional: o “canal Kushner”. Para a frustração de diplomatas de carreira e autoridades de segurança americanas, Trump frequentemente negociava através de um caminho paralelo, operado por seu genro, Jared Kushner, e Cui Tiankai, o então emjovembaixador da China em Washington.

Na época, os críticos na China reclamaram que isso frustrava seus planos. Mas, segundo outras fontes internas da Casa Branca, foi essa tática heterodoxa que “ajudou a pavimentar o caminho” para as duas primeiras cúpulas entre Trump e Xi e, por fim, para o acordo comercial de “fase um” assinado em 2020.

Desta vez, essa porta dos fundos está trancada. Não existem canais paralelos confiáveis.

E as negociações oficiais, a porta da frente, estão atoladas. Lideradas por Scott Bessent, Secretário do Tesouro dos EUA, e pelo vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng, as conversas parecem ter chegado a um impasse após quatro rodadas desde maio. Os dois lados “têm tido dificuldades para chegar a um acordo sobre o resultado das negociações anteriores”, quanto mais para fechar um novo pacto comercial.

A frustração é tanta que Bessent chegou a criticar publicamente o principal assessor de He, chamando-o de “desequilibrado”.

O problema não é falta de calibre. Bessent é um ex-gestor de um grande fundo de hedge; He é um administrador experiente. Ambos “gozam da confiança de seus respectivos chefes”. O que falta é a quilometragem diplomática específica: eles têm “relativamente pouca experiência em negociações com o lado oposto e carecem de um conhecimento profundo dos sistemas políticos e econômicos um do outro”.

Falta a eles, crucialmente, o “entrosamento profissional” que Robert Lighthizer, representante comercial de Trump, desenvolveu com Liu He, o principal conselheiro econômico da China na época.

Com Kushner agora focado em questões do Oriente Médio, houve uma busca frenética por novos intermediários. Alguns dos líderes empresariais mais poderosos do mundo foram cogitados, incluindo Elon Musk (Tesla), Jensen Huang (Nvidia) e Stephen Schwarzman (Blackstone).

Alguns deles podem até ser “capazes de transmitir mensagens entre os dois líderes”. No entanto, nenhum é considerado próximo o suficiente de ambos os lados para servir como um canal confiável para negociações mais amplas.

A própria política interna envenena o poço. Nos EUA, defensores de melhores relações com a China “são frequentemente denunciados como traidores ou comunistas”. Do lado chinês, a extrema concentração de poder nas mãos de Xi tornou os funcionários paranoicos “com a possibilidade de parecerem fracos” em qualquer negociação.

O caos é interno em ambos os lados. Em Pequim, a recente e misteriosa demissão de dois diplomatas com bons contatos em Washington, Qin Gang e Liu Jianchao, só aumentou a apreensão. O atual embaixador chinês não tem as mesmas conexões nos EUA nem a mesma influência sobre Xi. A aposentadoria de Wang Qishan como vice-presidente em 2023 também fechou um canal vital que ele mantinha com magnatas de Wall Street.

Em Washington, a situação é igualmente disfuncional. O Sr. Trump “desmantelou o Conselho de Segurança Nacional (CSN)”, criando uma “escassez de especialistas em China” e dificultando a coordenação entre agências. Além disso, ele não demonstrou interesse em replicar o canal de comunicação direto que existiu entre 2023-2024 (na era Biden) entre o conselheiro de segurança nacional Jake Sullivan e o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi.

O resultado são os “impulsos contraditórios” do governo, como define Sarah Beran, ex-diretora para a China do CSN. Ao mesmo tempo em que o Departamento de Comércio impõe novas e rigorosas medidas contra Pequim, a Casa Branca pressiona o país “a comprar mais soja e aviões comerciais”.

Beran acrescenta que as divergências públicas sobre o que foi negociado sugerem que as equipes nem sequer “definiram a linguagem das declarações públicas” — um erro básico que impede que funcionários de escalões inferiores deem seguimento às discussões.

Nada ilustra melhor o impasse do que a recente divisão dentro do próprio campo de Trump, especialmente entre os falcões da segurança nacional e os líderes da indústria de tecnologia.

O potencial intermediário pego nesse fogo cruzado foi Jensen Huang, o chefe da Nvidia. Ele se encontrou com Trump diversas vezes este ano e também tem boas conexões na China, onde se reuniu com autoridades, incluindo o próprio He Lifeng.

Seu lobby pareceu dar resultado durante o verão, quando Trump suspendeu restrições à venda de alguns chips de IA da Nvidia para a China.

Mas a lua de mel acabou rápido. Primeiro, a China “ficou assustada com as sugestões” de funcionários da Casa Branca de que o objetivo era torná-la dependente da tecnologia americana. Em setembro, Pequim reagiu e “proibiu suas principais empresas de tecnologia de comprarem chips de IA da Nvidia”.

Para piorar, Huang provocou uma reação furiosa nos EUA após sugerir em uma entrevista que o termo “falcão da China” (usado para descrever críticos ferrenhos de Pequim) era um “símbolo de vergonha”. A resposta de Steve Bannon, ex-conselheiro de Trump, foi imediata: Huang “deveria ir para a prisão”.

Do lado chinês, a confusão sobre com quem falar é total. “A equipe Trump 2.0 é mais um clube de lealistas do que uma unidade coesa, ao contrário da equipe 1.0, que contava com alguns burocratas veteranos e de personalidade forte”, resumiu Da Wei, da Universidade Tsinghua. Segundo ele, é difícil até “identificar quem falava em nome de Trump” entre os defensores de políticas de segurança.

O desespero em Pequim é tanto que eles reativaram recentemente o Sr. Cui, o embaixador aposentado do “canal Kushner”, para “tentar contatar aliados próximos ou familiares do presidente”.

Progressos mínimos, como o acordo de setembro para colocar as operações americanas do TikTok em mãos americanas, ainda são possíveis. O problema fundamental, no entanto, é o choque de estilos diplomáticos.

Como afirma Chris Johnson, ex-analista da CIA, Trump está confiando em seu próprio “magnetismo e habilidades de negociação” para fechar um acordo pessoalmente com Xi. O problema? “Não é assim que os chineses operam”. Xi acredita em procedimentos e dificilmente fará algo “sem uma agenda clara definida com antecedência”.

Sem uma reformulação completa dos canais de comunicação – seja ressuscitando um canal paralelo com Kushner ou forçando Bessent a se apoiar na experiência de diplomatas de carreira – o progresso parece limitado a questões menores. E mesmo que um acordo mais amplo seja milagrosamente alcançado, o risco é que ele se “desfaça rapidamente”.

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Grayzone: EUA e Reino Unido sugeriram à Ucrânia terrorismo tipo Al Qaeda e Isis contra a Rússia https://www.ocafezinho.com/2025/02/17/grayzone-eua-e-reino-unido-sugeriram-a-ucrania-terrorismo-tipo-al-qaeda-e-isis-contra-a-russia/ https://www.ocafezinho.com/2025/02/17/grayzone-eua-e-reino-unido-sugeriram-a-ucrania-terrorismo-tipo-al-qaeda-e-isis-contra-a-russia/#respond Mon, 17 Feb 2025 18:23:40 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=202043 Documentos vazados expõem um plano secreto de acadêmicos militares para prolongar a guerra na Ucrânia, inspirando-se no manual do ISIS e táticas de insurgentes

Documentos explosivos vazados e analisados pelo The Grayzone mostram como um coletivo clandestino transatlântico de acadêmicos e operativos militares-inteligência concebeu esquemas que levariam os EUA a “ajudar a Ucrânia a resistir”, para “prolongar” a guerra por procuração “por praticamente qualquer meio, exceto o envio de forças americanas e da OTAN para a Ucrânia ou ataques diretos à Rússia”.

Os operativos montaram seus planos de guerra imediatamente após a invasão russa à Ucrânia em fevereiro de 2022 e os entregaram diretamente ao oficial de mais alta patente do Conselho de Segurança Nacional dos EUA na administração Biden.

As operações propostas variavam desde opções militares encobertas até operações psicológicas no estilo jihadista contra civis russos, com os autores insistindo: “precisamos pegar uma página do manual do ISIS”.

O ISIS não foi o único grupo militante apresentado como modelo para as Forças Armadas ucranianas O cabide de inteligência também propôs modernizar IEDs (dispositivos explosivos improvisados), semelhantes aos usados por insurgentes iraquianos contra tropas americanas ocupantes, para uma potencial guerrilha de retaguarda na Rússia, que atacaria linhas ferroviárias, usinas elétricas e outros alvos civis.

Muitas das recomendações do cabide foram posteriormente implementadas pela administração Biden, escalando perigosamente o conflito e cruzando repetidamente as linhas vermelhas claramente definidas pela Rússia.

Entre as propostas estavam o treinamento extensivo de “expatriados ucranianos” no uso de mísseis Javelin e Stinger, permitindo “ataques cibernéticos à Rússia por ‘hackers patriotas’ com negabilidade”, e inundando Kiev com “veículos aéreos de combate não tripulados” Também se previa que “aeronaves de caça de reposição” seriam fornecidas por “muitas fontes”, e que “pilotos e equipes de solo não ucranianos voluntários” seriam recrutados para lutar batalhas aéreas à maneira dos Flying Tigers, uma força composta por pilotos da Força Aérea americana formada em abril de 1941 para ajudar a China a resistir à invasão japonesa antes da entrada formal de Washington no conflito.

O documento foi escrito e assinado por um quarteto de acadêmicos estrategistas de poltrona com passados coloridos Entre eles estava o historiador Andrew Orr, diretor do Instituto de História Militar da Universidade Estadual do Kansas Suas contribuições acadêmicas recentes incluem um capítulo em um obscuro volume acadêmico intitulado “Quem é um soldado? Usando a Teoria Trans para Repensar a Identidade Militar das Mulheres Francesas na Segunda Guerra Mundial”.

Juntando-se a ele estava Ash Rossiter, professor assistente de segurança internacional na Universidade Khalifa dos Emirados Árabes Unidos, descrito como “ex-Corpo de Inteligência do Exército Britânico” Também participou Marcel Plichta, então candidato a doutorado em St. Andrews Ele é descrito como veterano da Agência de Inteligência de Defesa dos EUA, e seu perfil no LinkedIn indica que ele estagiou na OTAN antes de trabalhar em funções com contratantes do Pentágono e depois ingressou na DIA como analista de inteligência No caminho, Plichta afirma ter “[indicado] terroristas conhecidos ou suspeitos para a comunidade de observação e triagem nacional”.

Também envolvido no cabide acadêmico estava Zachary Kallenborn, um autoproclamado “cientista maluco” do Exército dos EUA, atualmente cursando seu PhD em Estudos de Guerra no King’s College London, com foco em drones, ADM e outras formas modernas de guerra Kallenborn, que trabalhou no Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais com sede em DC, contribuiu para o planejamento da guerra na Ucrânia oferecendo propostas para ataques de IEDs “inteligentes” no estilo insurgente iraquiano contra alvos russos e plantando bombas em trens e ferrovias russas.

O cabide parece ter sido liderado por Marc R. DeVore, professor sênior na Universidade de St. Andrews, na Grã-Bretanha Pouco sobre seu passado pessoal ou profissional pode ser encontrado online, embora suas publicações acadêmicas mais recentes discutam estratégia militar Por volta do tempo em que o documento secreto estava sendo redigido, ele publicou um artigo com Orr para a revista Military Review do Pentágono intitulado “Vencer por Resistência: Os Estados Unidos e a Resistência Ucraniana à Rússia” Além disso, ele é membro do prestigiado Royal Navy Strategic Studies Centre, um “think tank” dirigido pelo Ministério da Defesa.

Professor sênior da Universidade St. Andrews, Marc Devore / Via The Grazyone

E-mails mostram que DeVore enviou o trabalho do grupo diretamente ao Col. Tim Wright, que era Diretor para a Rússia no Conselho de Segurança Nacional (NSC) da administração Biden no momento em que os e-mails foram enviados, de acordo com seu perfil no LinkedIn Desde julho de 2022, Wright tem sido o Assistente Chefe de Pesquisa e Experimentação na Diretoria de Futuros do Exército Britânico.

The Grayzone tentou contatar Orr, Rossiter e DeVore por telefone e e-mail para solicitar comentários sobre seu papel no esquema de guerra por procuração e sobre se a Universidade de St. Andrews estava ciente de que estava sendo usada como base para planejar ataques terroristas contra a Rússia Nenhum deles respondeu às nossas solicitações.

Impulsionando a diáspora ucraniana para a frente

Assim que a guerra por procuração na Ucrânia irrompeu com toda a força em fevereiro de 2022, o cabide de acadêmicos militares rapidamente delineou o que descreveram como “ideias de variada praticidade que podem não ter sido consideradas que os estados ocidentais podem coletivamente adotar para fortalecer a capacidade da Ucrânia de resistir e, esperançosamente, preservar sua independência” Seções dedicadas detalharam cinco sugestões, junto com “antecedentes para tais ações e possíveis vias para implementá-las” Eles se gabaram de que as “propostas mais rápidas” no documento eram “executáveis em pouco mais de uma semana”.

Em primeiro lugar na lista estava armar emigrantes ucranianos com mísseis antitanque e antiaéreos, devido à falta de “tripulações treinadas para operar o grande número de mísseis” que o Ocidente estava enviando a Kiev Eles citaram a pouco conhecida Operação Nickel Grass de outubro de 1973 como um meio de “fornecer tripulações treinadas junto com o hardware” Sob os auspícios dessa missão, a embaixada de Tel Aviv em Washington “mobilizou estudantes israelenses estudando em universidades americanas,” que foram então “apressados… através de um programa de treinamento rápido” pelas Forças Armadas dos EUA.

Isso incluiu ensinar aos conscritos como usar armas semelhantes aos mísseis Javelin e Stinger Os israelenses foram então lançados nas frentes da Guerra do Yom Kippur de 1973 contra a Síria e o Egito, onde “causaram amplos danos a tanques antes do fim da guerra de duas semanas” Os acadêmicos propuseram fazer “o mesmo para a Ucrânia,” devido ao “grande número de jovens ucranianos” vivendo no Ocidente, alguns dos quais teriam concluído o treinamento militar obrigatório antes de emigrarem.

Essa diáspora, acreditava-se, poderia ser facilmente identificada e recrutada devido ao seu registro em “consulados ou embaixadas” ucranianas no Ocidente, e então receber “aulas intensivas” no uso de “mísseis lançados por ombro” antes de serem enviados a Kiev.

“Guerrilheiros cibernéticos voluntários” encobrem hackeamentos estatais

Os planos do quarteto se estenderam ao reino do ciberespaço, pedindo que “agências de inteligência ocidentais” “fornecessem ferramentas cibernéticas e sugestões” a “hackers voluntários que querem dar seu golpe pela independência ucraniana, enquanto também avisavam quais alvos não queríamos que fossem atacados”

Uma “tarefa importante para esses guerrilheiros cibernéticos voluntários,” escreveram os quatro, “poderia ser garantir que vídeos de ataques indiscriminados russos, o uso de armas objetáveis como termobáricas, baixas civis ucranianas, baixas russas e pobres conscritos russos confusos” fossem disponibilizados ao público russo Simultaneamente, “hackers patriotas” poderiam buscar bombardear os russos com propaganda “sobre a oposição doméstica à guerra”

O cabide de inteligência deixou claro que pretendia alcançar o mesmo impacto psicológico da organização terrorista mais notória do mundo, declarando: “precisamos pegar uma página do manual do ISIS para comunicar nossa mensagem aos russos de forma ágil”

As atividades desses “guerrilheiros cibernéticos voluntários” foram projetadas para fornecer cobertura para ataques cibernéticos mais formais de nível estatal à infraestrutura cibernética russa “Quanto maior o volume de ataques cibernéticos independentes à Rússia, maiores serão as oportunidades para agências de inteligência ocidentais lançarem ataques cirúrgicos cibernéticos para interromper sistemas-chave em momentos-chave… porque estes serão mais plausivelmente atribuíveis ao componente verdadeiramente amador,” evangelizaram os quatro acadêmicos

A descrição oferecida assemelha-se fortemente ao chamado “Exército de TI da Ucrânia,” uma milícia cibernética voluntária criada nos dias após a invasão russa Desde então, ela foi supervisionada por Mikhailo Federov, o czar digital ucraniano creditado pela BBC por pressionar Samsung e Nvidia a cessar operações em Moscou e fazer com que o PayPal desbancasse todos os seus clientes russos

O exército cibernético da Ucrânia colabora intimamente com o Anonymous, a coletividade hacker online outrora contracultural cujo trabalho agora acompanha de perto os objetivos da CIA Os autores da proposta ao NSC insinuaram a relação, escrevendo: “Grupos de hackers como o Anonymous já começaram a mirar a Rússia Este esforço poderia ser ampliado e aprimorado”

O exército cibernético ucraniano assumiu crédito por vários atos de vandalismo online No entanto, também parece estar envolvido em hacks que visam as redes elétricas e ferrovias da Rússia Um ataque ao serviço de táxi Yandex que causou um grande congestionamento de tráfego em Moscou em setembro de 2022 foi atribuído conjuntamente ao ‘Exército de TI’ da Ucrânia e ao Anonymous.

O “cientista louco” do Exército dos EUA e autoproclamado “médico de guerra em treinamento” Zak Kallenborn / Via The Grazyone

IEDs “modernos” para explodir infraestrutura russa

Os planos do cabide acadêmico para atacar a Rússia por meios não convencionais se estenderam explicitamente ao reino do terrorismo Uma série de recomendações detalhadas para atacar sistemas ferroviários e estradas russas com dispositivos explosivos improvisados foi apresentada por Zachary Kallenborn, um autodescrito “doutorando em Estudos de Guerra no King’s College London pesquisando análise de risco, percepção, gestão e teorias com foco em catástrofes globais, guerra de drones, ADM, terrorismo extremo e infraestrutura crítica”

“Os tanques de combustível para locomotivas a diesel estão geralmente na parte inferior, abaixo do motor,” escreveu Kallenborn “Não seria muito difícil plantar e disfarçar pequenas explosões entre as ripas de madeira da ferrovia e detonar quando a locomotiva estiver acima dela… Idealmente, guerrilheiros operando atrás das linhas russas colocariam as linhas anti-locomotivas”

Ao longo de 2023, um grupo de anarquistas autoproclamados russos e bielorrussos realizou uma série de ataques a ferrovias, torres de celular e infraestrutura dentro da Rússia Chamando a si mesmos de BOAK, ou Organização de Combate dos Anarco-Comunistas, o grupo de sabotadores radicais ganhou promoção brilhante na mídia ocidental Não está claro se recebeu alguma assistência externa.

A proposta de Kallenborn, elaborada em conjunto com a Organização Conjunta de Derrota de IEDs do Departamento de Guerra dos EUA, sugeriu que os EUA e seus aliados poderiam “utilizar as lições que aprenderam dolorosamente no Iraque e no Afeganistão para ajudar a Ucrânia a orquestrar uma campanha de IEDs atrás das linhas russas”

Com o Talibã e os insurgentes iraquianos como modelos, Kallenborn propôs duas tecnologias, “criptografia de chave pública-privada e IEDs ‘inteligentes’… para aumentar enormemente a eficácia de tal campanha”

Para causar estragos dentro da Rússia, Kallenborn imaginou uma força moderna de “ficar para trás” semelhante àquelas lançadas na Europa durante a era da Guerra Fria na Operação Gladio, quando a CIA e a OTAN organizaram gangues fascistas e mafiosos para realizar ataques terroristas anticomunistas

Enquanto isso, IEDs “inteligentes” com “componentes modernos” como “microcontroladores,” que agora são “abundantes e baratos,” permitiriam que os atacantes ucranianos “exercessem discrição adicional, reduzindo o potencial de danos colaterais,” e “detonassem o IED independentemente do que os alvos façam”

“A fiação dos microcontroladores pode internalizar a maior parte da fiação que originalmente teria sido conectada de forma rígida aos interruptores de iniciação de IEDs,” escreveu Kallenborn “Todos os microcontroladores têm múltiplas entradas e saídas, permitindo várias entradas, tudo enquanto controlam vários dispositivos Como os microcontroladores são programáveis, os atacantes podem automatizar algoritmos complicados para maximizar os efeitos dos IEDs e reduzir danos colaterais Os microcontroladores podem até, relativamente facilmente, contornar muitas contramedidas comuns”

Empregando secretamente contratados para pilotar drones

Embora tomando inspiração de atores não estatais como o ISIS e o Talibã, os acadêmicos ocidentais que tramavam em nome do governo ucraniano tinham planos elaborados para a guerra convencional também

Eles avaliaram que os drones já haviam “provado ser eficazes até agora” na guerra por procuração, então instaram maiores entregas de Bayraktar TB2s turcos, que disseram serem “praticamente a única plataforma aérea com a qual a Ucrânia está atacando com sucesso as forças terrestres russas” Eles propuseram inundar Kiev com “TB2s adicionais,” apontando que, como a Ucrânia já estava usando-os abertamente, e “tinha mais encomendados antes do conflito começar,” o papel da Turquia em fornecer ainda mais drones poderia ser ocultado, deixando sua neutralidade publicamente intacta

Ancara “poderia potencialmente transferir grandes números de TB2s rapidamente” de uma variedade de fontes, assumiram os acadêmicos, e voá-los usando “contratados do setor privado” locais Se a Turquia fosse incapaz ou relutante em seguir esse plano, alternativas poderiam ser buscadas “Dado o quão comumente os UCAVs são operados por contratados do setor privado, estes poderiam ser pilotados remotamente por pessoal do setor privado empregado pela Ucrânia, em vez de membros uniformizados das forças armadas da OTAN,” observaram eles

Como os drones podem ser operados “de distâncias consideráveis da linha de frente (potencialmente com pilotos operando de países vizinhos),” eles ofereciam a vantagem adicional sobre pilotos contratados, pois estariam “relativamente seguros e certamente improváveis de serem capturados e exibidos diante das câmeras russas” Embora sistemas não tripulados produzidos pelos EUA, como Predators e Reapers, fossem uma opção, e pudessem ser fornecidos “em grandes números,” eles “pareceriam os mais provocativos” do ponto de vista da Rússia, e tornariam a participação ativa dos EUA óbvia demais.

Profeticamente, o artigo observou que a Ucrânia poderia ser provida, em vez disso, de “drones comerciais prontos para uso, como o DJI Mavic e o Phantom”, que não só tinham equipamento de gravação capaz de produzir “inteligência taticamente útil”, mas poderiam “ser modificados para transportar explosivos”. Além disso, “sua ampla disponibilidade” tornou “difícil a atribuição dessas plataformas a uma nação fornecedora”. Certamente não é coincidência que, desde então, ambos os drones tenham sido amplamente utilizados por Kiev para retardar os avanços russos e invadir a infraestrutura militar e civil.

Em contraste, apesar dos supostos sucessos iniciais, os Bayraktar TB2s rapidamente desapareceram dos céus de Donbass. Como vários oficiais ucranianos admitiram , a inovação russa em defesa aérea e guerra eletrônica tornou os drones efetivamente inúteis. Por outro lado, o jornal observou que, enquanto a Força Aérea da Ucrânia ainda estava conduzindo missões, Kiev logo “ficaria sem aeronaves”. A solução prescrita era reequipar o país com caças MiG-29 produzidos pelos soviéticos, que “os pilotos ucranianos já sabem como operar”.

Este plano, no entanto, exigiu que vários países entregassem suas frotas antigas de MiG-29s. Os acadêmicos expressaram preocupação de que os estados da Europa Central e Oriental pudessem ser “reticentes” devido ao risco de “retaliação russa”, que poderia ser contornada por “presentes promissores” a eles, como atualizações de armas. Um ano depois, em março de 2023, a Eslováquia concedeu a Kiev seu esquadrão inteiro de treze MiG-29s em troca de uma promessa dos EUA de doze helicópteros de ataque Bell AH-1Z equipados com mísseis Hellfire.

A Polônia prometeu inicialmente igualar o alarde da Eslováquia, mas acabou entregando apenas uma quantia simbólica . O acordo permaneceu em espera desde o anúncio de Cracóvia em agosto de 2024 de que não forneceria mais MiG-29s até receber uma frota de F-35s, que não devem chegar antes de 2026. O Peru, também explorado pelos acadêmicos como uma fonte potencial para a aeronave, teria inicialmente dado sinal verde para o fornecimento de seus MiG-29s para a Ucrânia, mas depois renegou . Os governos latino-americanos em geral se recusaram a enviar quaisquer armas para a Ucrânia, apesar da pressão dos EUA. 

Guerras aéreas travadas contra a Rússia por pilotos “não ucranianos”

Talvez a passagem mais inquietante do documento seja a última, na qual seus autores pesquisam exemplos históricos de forças aéreas empregando pilotos estrangeiros em grandes conflitos. O artigo observa que os Tigres Voadores acima mencionados “foram dispensados ​​das forças armadas dos EUA” para lutar contra o Japão na China, “com o claro entendimento de que seriam bem-vindos de volta depois disso”. Também foi citado o emprego pela Finlândia de um esquadrão “inteiramente” estrangeiro em sua guerra de 1940 com Moscou, bem como a dependência dos colonos sionistas de uma força aérea “composta quase inteiramente de voluntários estrangeiros” durante sua campanha militar contra forças indígenas palestinas e árabes em 1948.

Os acadêmicos desejavam aplicar esses precedentes ao conflito por procuração da Ucrânia, criando “grupos de caças voluntários hoje para reforçar a defesa aérea da Ucrânia” compostos por “um número razoável de pilotos ocidentais”. Eles escreveram que esses aviadores “poderiam se voluntariar se suas forças armadas nacionais oferecessem licenças” – assim como suas contrapartes civis, se as companhias aéreas comerciais dos EUA pudessem ser “pressionadas a permitir que seus pilotos, que são pilotos qualificados de caça da Reserva da Força Aérea ou da Guarda Nacional Aérea, tirassem tais licenças”. O documento se gabava de que “grupos de caças voluntários poderiam desarticular substancialmente a campanha aérea da Rússia”.

Os F-16s foram considerados “a opção mais lógica” devido ao “número de membros da OTAN que usam F-16s”, incluindo a Polônia. Consequentemente, “peças de reposição polonesas poderiam ser transportadas para a Ucrânia comparativamente rápido”, com os EUA “transportando substituições por via aérea” para Varsóvia. Desde quase o primeiro dia da guerra por procuração, seus apoiadores mais agressivos exigiram que Kiev recebesse esses caças, referindo-se aos aviões como um “divisor de águas” que inclinaria a balança do conflito decisivamente a favor da Ucrânia.

Apesar de muita fanfarra inicial , quando os F-16 finalmente chegaram a Kiev no final de julho de 2024, o presidente Volodomyr Zelensky quase imediatamente reclamou que o país havia recebido apenas um punhado de jatos e não tinha pilotos treinados o suficiente para pilotá-los. O pânico se espalhou para Washington, onde o senador Lindsey Graham pediu publicamente que qualquer “piloto aposentado de F-16… procurando lutar pela liberdade” se alistasse. No final do mês, o primeiro F-16 caiu em circunstâncias incertas .

Embora as referências ao uso “revolucionário” dos F-16 pela Ucrânia tenham praticamente desaparecido da mídia nos meses seguintes, o conteúdo da proposta vazada levanta sérias questões sobre quantos ataques supostamente ucranianos nas profundezas da Rússia foram realmente perpetrados por agentes militares ocidentais, agindo a mando e com a assistência material da OTAN e dos EUA.

“Pilotos de caça da Europa Ocidental e dos Estados Unidos tendem a voar substancialmente mais horas e treinar de forma mais realista do que seus colegas russos ou ucranianos”, alegaram os acadêmicos, o que significa que eles eram candidatos ideais para conduzir “missões de combate” contra posições, forças e territórios de Moscou. No entanto, os acadêmicos alertaram contra pilotos ocidentais voando perto da linha de frente, por medo de que “voluntários estrangeiros caiam sob custódia russa, onde um exemplo poderia ser feito deles, ou eles poderiam ser exibidos na frente das câmeras”. Isso talvez tenha sido um aceno aos pilotos da CIA Gary Powers e Eugene Hassenfus, cuja captura pela União Soviética e Nicarágua, respectivamente, humilhou a inteligência dos EUA.

Ainda não está claro o quanto essas propostas determinaram o curso das operações das forças ucranianas contra seus inimigos russos. Mas os vazamentos revisados ​​pelo The Grayzone revelam pela primeira vez como, em apenas algumas semanas, uma pequena cabala de acadêmicos secretamente forneceu alguns planos de guerra bastante não convencionais em uma bandeja para a CIA e o MI6. 

Assim como a Grã-Bretanha fez com seu Projeto Alquimia , o governo Biden parece ter terceirizado a responsabilidade de elaborar sua estratégia de campo de batalha na Ucrânia para um nexo de cabeças de alfinete com origens duvidosas, situado a milhares de quilômetros da linha de frente e de suas realidades horríveis. Quase três anos depois, com uma geração de ucranianos perdida para o moedor de carne da guerra por procuração, os autores desses planos de batalha provavelmente ainda estão bicando seus laptops em algum lugar nos corredores mofados da academia.

Com informações de Kit Klarenberg, um jornalista investigativa que explora o papel dos serviços de inteligência na formação de políticas e percepções

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