cooperação - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/cooperacao/ Portal de noticias e análises sobre política brasileira, geopolítica, economia, tecnologia, sempre numa perspectiva democrática, progressista, anti-imperialista e multipolar! Wed, 10 Dec 2025 00:33:54 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://www.ocafezinho.com/wp-content/uploads/2015/10/cropped-Logo_Cafezinho_tmb-32x32.png cooperação - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/cooperacao/ 32 32 Na CPI, Lewandowski defende cooperação nacional e internacional contra o crime https://www.ocafezinho.com/2025/12/10/na-cpi-lewandowski-defende-cooperacao-nacional-e-internacional-contra-o-crime/ https://www.ocafezinho.com/2025/12/10/na-cpi-lewandowski-defende-cooperacao-nacional-e-internacional-contra-o-crime/#respond Wed, 10 Dec 2025 09:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=222803 Ministro da Justiça é questionado pelos senadores sobre estratégias de combate a facções

O crime organizado é um “fenômeno novo” que saiu do mundo físico para o digital, das cidades para o mundo e da clandestinidade para as estruturas do poder e da economia. A avaliação é do ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, que compareceu à CPI do Crime Organizado nesta terça-feira (9).

O convidado afirmou que é preciso iniciativas locais, nacionais e internacionais para combater as facções criminosas. O ministro defendeu que o Brasil possui uma “atuação forte” no plano internacional, tendo assinado 12 acordos de cooperação neste ano, além de ser o terceiro país de fora da Europa a integrar a Agência da União Europeia para a Cooperação Policial (Europol).

“Em São Paulo, nos anos 90, nós lidamos com crimes relativamente simples do ponto de vista daquilo que a humanidade estava acostumada. Roubo, estelionato, crimes contra a economia popular… Hoje é extremamente complexo. É um fenômeno que preocupa tanto quanto o aquecimento global, a corrida por armas nucleares. Ouvimos falar de máfia chinesa, russa, latino-americana… Transcendeu as fronteiras nacionais e, do ponto de vista de sua natureza, mudou completamente.”

Na década de 90 foi criado o Primeiro Comando da Capital (PCC), facção criminosa que hoje atua em todo o mundo, como também faz o Comando Vermelho, que surgiu na década de 1970 no Rio de Janeiro.

O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) ponderou que a essência do crime nunca muda. Alessandro é relator da CPI e responsável por convidar Lewandowski (REQ 2/2025 – CPI do Crime Organizado).

“Como a sociedade e a economia avançaram, o crime muito naturalmente segue esse ritmo, tal qual o rio busca o oceano. O crime sempre vai estar buscando o resultado econômico e aproveitando as lacunas do Estado, as falhas listadas, omissões e as brechas criadas pela corrupção”, disse o senador.

Publicado originalmente pela Agência Senado em 09/12/2025

]]>
https://www.ocafezinho.com/2025/12/10/na-cpi-lewandowski-defende-cooperacao-nacional-e-internacional-contra-o-crime/feed/ 0
Lula sobre maratona pelo leste asiático: “Mais uma viagem exitosa” https://www.ocafezinho.com/2025/10/27/lula-sobre-maratona-pelo-leste-asiatico-mais-uma-viagem-exitosa/ https://www.ocafezinho.com/2025/10/27/lula-sobre-maratona-pelo-leste-asiatico-mais-uma-viagem-exitosa/#respond Mon, 27 Oct 2025 14:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=219890 Em entrevista na reta final da passagem por Indonésia e Malásia e pela Cúpula da Asean, presidente ressalta potencial das novas parcerias com países de forte crescimento na região

Visitas oficiais, reuniões bilaterais, acordos comerciais, aberturas de mercados, encontros com empresários, participação inédita na Cúpula de países do leste asiático e título de Doutor Honoris Causa. Na reta final de uma intensa agenda de compromissos na Indonésia e na Malásia desde a última quarta (22/10), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva concedeu uma coletiva de imprensa para traçar um balanço de seus compromissos, que ainda se estendem numa fala durante a Cúpula da Ásia do Leste na tarde desta segunda-feira.

Na bagagem de volta, novas perspectivas em áreas como agricultura e pecuária, semicondutores, ciência e tecnologia, minas e energia, segurança, transição energética e educação. “É mais uma viagem exitosa do governo brasileiro ao exterior. Temos um potencial extraordinário em todas as áreas para crescer a relação com a Indonésia, uma relação muito boa construída com o presidente Prabowo Subianto. E eu nunca tinha vindo à Malásia, e o primeiro-ministro Anwar Ibrahim é uma figura extraordinariamente agradável, que gosta do Brasil, que quer ter uma relação forte com o povo brasileiro”, afirmou Lula.

Portas Abertas

O presidente ressaltou a importância da vinda de mais de 100 empresários brasileiros na comitiva, para conhecer potencialidades e abrir caminhos para trocas comerciais. “O presidente não faz negócio, ele abre portas. E a receptividade tem sido extraordinária”, disse Lula. ‘

“Há muita vontade de conhecer o Brasil, de conhecer a transição energética que o Brasil está pensando, essa coisa maravilhosa de um país que tem quase 90% da sua energia elétrica renovável, de um país que tem petróleo e, ao mesmo tempo, defende que vamos trabalhar para que a gente não precise mais usar combustível fóssil”, completou o presidente.

Outro Patamar

Para o líder brasileiro, a viagem tem sido, em especial, uma oportunidade para o Brasil conhecer o que os dois países do leste asiático têm a oferecer para permitir que o fluxo comercial saia do patamar de US$ 6 bilhões anuais para um outro patamar.

“Temos que fazer a nossa economia crescer, aumentar o comércio exterior, a nossa atração de investimentos. Isso só se faz com a química rolando. Isso não se faz por WhatsApp, não se faz por e-mail, se faz pegando na mão das pessoas, olhando nos olhos e convencendo”, argumentou o presidente.

Ativa e Altiva

Lula enfatizou que o convite para participar da 47ª Cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), em Kuala Lumpur, foi motivo de alegria e distinção, e retrato da retomada do protagonismo do Brasil no tabuleiro geopolítico internacional desde 2023. Uma perspectiva ativa e altiva na defesa do livre-comércio, das instituições multilaterais e do fim da dependência comercial concentrada em um ou outro parceiro.

Diversificação

“Eu fui o primeiro presidente do Brasil a participar do G7, o primeiro a participar da reunião da União Europeia com a CELAC, o primeiro a participar da reunião da União Africana e estou sendo o primeiro convocado a participar da ASEAN, que são 11 países com uma afinidade grande pelo Brasil”, listou o presidente, que também teve encontros bilaterais à margem da cúpula com o presidente do Vietnã e o primeiro-ministro de Singapura, além de se reunir como presidente Donald Trump, dos Estados Unidos.

30 Anos

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, lembrou durante a coletiva que o encontro de Lula com o primeiro-ministro Anwar Ibrahim rompeu um hiato de 30 anos que um chefe de Estado brasileiro não visitava a Malásia. “E esse foi o terceiro encontro entre o presidente Lula e o primeiro-ministro em menos de um ano, já que ele esteve duas vezes no Brasil recentemente, em novembro de 2024 para a Cúpula do G20 e agora, em 2025, para a Cúpula do BRICS”. O chanceler celebrou o apoio público da Malásia ao pleito brasileiro de ocupar um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU e citou a importância estratégica da assinatura de um acordo de cooperação na indústria de semicondutores. “A Malásia é o sexto maior exportador de semicondutores do mundo e indústria responsável por uma verdadeira revolução na sua economia”.

Cooperação

Na Malásia, no início da visita oficial, o líder brasileiro teve uma reunião bilateral com o primeiro-ministro Anwar Ibrahim. Foram firmados sete instrumentos de cooperação, entre eles memorandos de entendimento nas áreas de semicondutores, ciência e tecnologia, inovação tecnológica, pesquisa espacial e agricultura sustentável, além de acordos entre instituições de formação diplomática e centros de pesquisa. Foram abertos seis novos mercados a produtos brasileiros.

Empresários

Na Reunião Empresarial Brasil – Malásia, os dois países firmaram entendimentos sobre biotecnologia, cultivo de algas, inovação genética e desenvolvimento de sustentabilidade.

Bilateral com Vietnã

Neste domingo, o presidente Lula encontrou-se com o primeiro-ministro do Vietnã, Pham Minh Chinh, com quem esteve em visita oficial no primeiro semestre. Lula agradeceu os avanços na abertura do mercado vietnamita a produtos brasileiros e reafirmou a intenção de ampliar o fluxo bilateral para 15 bilhões de dólares até 2030. Ambos concordaram que a diversificação de parcerias é fundamental para atravessar os atuais desafios no comércio global. O primeiro-ministro Pham reiterou o interesse em estreitar a relação com o MERCOSUL, e Lula expressou disposição de negociar Acordo Quadro de Cooperação Econômica com o Vietnã até o fim da presidência brasileira do bloco.

Bilateral com Singapura

O presidente Lula se reuniu com o primeiro-ministro de Singapura, Lawrence Wong, no domingo. Os mandatários reafirmaram a disposição em aprofundar a cooperação bilateral em áreas como inovação, economia verde e mineração. Destacaram o compromisso dos dois países com o enfrentamento do aquecimento global e concordaram quanto à importância de uma governança climática mais efetiva. Os líderes discutiram oportunidades de investimento geradas pela transição energética e pela descarbonização do setor de transportes, incluindo hidrogênio verde, combustíveis sustentáveis de aviação, diesel verde, geração de energia eólica offshore e minerais estratégicos.

Bilateral com Estados Unidos

O presidente Lula se reuniu com o presidente Donald Trump, dos Estados Unidos, para tratar das tarifas impostas às exportações brasileiras. Durante a conversa, descrita por Lula como “franca e construtiva”, os líderes discutiram caminhos para a suspensão das medidas e reforçaram o compromisso de aprofundar o diálogo econômico entre os dois países.

ASEAN

Na Cúpula Empresarial da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), o presidente Lula destacou o potencial de cooperação em áreas como sustentabilidade, transformação digital e segurança alimentar. O evento reuniu líderes políticos e empresariais e marcou uma nova fase no fortalecimento das relações entre o Brasil e o bloco asiático, que hoje é o quinto maior parceiro comercial brasileiro no mundo. Do ponto de vista econômico, a corrente comercial do Brasil com os países da ASEAN passou de US$ 3 bilhões em 2002 para US$ 37 bilhões em 2024, aumento de 12 vezes.

Honoris Causa

O presidente Lula recebeu o título de Doutor Honoris Causa em Filosofia e Desenvolvimento Internacional e Sul Global concedido pela Universidade Nacional da Malásia (UKM). A homenagem reconheceu a trajetória política de Lula e sua atuação em prol da inclusão social, do combate à fome e da cooperação internacional.

Indonésia

Na primeira escala da viagem, na Indonésia, foram firmados oito acordos e parcerias em temas como agricultura e pecuária, ciência e tecnologia e na área de energia e recursos minerais. Além da visita de Estado, Lula participou de um fórum com mais de 100 empresários, entre brasileiros e indonésios.

Publicado originalmente pela Agência Gov em 27/10/2025

]]>
https://www.ocafezinho.com/2025/10/27/lula-sobre-maratona-pelo-leste-asiatico-mais-uma-viagem-exitosa/feed/ 0
Comissão aponta dependência do Brasil em relação às big techs https://www.ocafezinho.com/2025/10/09/comissao-aponta-dependencia-do-brasil-em-relacao-as-big-techs/ https://www.ocafezinho.com/2025/10/09/comissao-aponta-dependencia-do-brasil-em-relacao-as-big-techs/#respond Thu, 09 Oct 2025 11:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=218896 Audiência pública na Câmara debate soberania tecnológica e cooperação entre países do BRICS

A dependência do Brasil em relação às grandes empresas estrangeiras de tecnologia – as chamadas big techs –, a necessidade de construir infraestrutura própria e a cooperação com países do BRICS foram os principais temas debatidos nesta quarta-feira (8) na Comissão de Ciência, Tecnologia e Inovação da Câmara dos Deputados.

O debate foi solicitado pelo deputado Fausto Pinato (PP-SP) e contou com representantes do Brasil, da China e da Índia. O BRICS, atualmente com 11 países, é um fórum de articulação política e cooperação entre nações emergentes.

Os participantes concordaram que a soberania tecnológica é essencial para a autonomia de países e cidadãos na era digital.

A presidente do Fórum para Tecnologia Estratégica dos BRICS+, Isabela Rocha, criticou a dependência tecnológica do Brasil. Segundo ela, mesmo sendo um dos países que mais utilizam smartphones e tendo um polo industrial relevante em Manaus, o país ainda importa a maior parte da infraestrutura tecnológica.

Ela destacou que o cotidiano de trabalho e lazer no Brasil é mediado por plataformas estrangeiras e que a regulação dessas empresas ocorre nos Estados Unidos, o que faz com que dados brasileiros sejam processados fora do país.

“Onde nós, brasileiros, podemos promover nossos valores e preservar nossa cultura? Isso não acontece se a infraestrutura não for nossa e se a regulação não ocorrer no Brasil”, afirmou.

Poder de mercado

O consultor de políticas de ciência e tecnologia de Pequim Xiao Youdan afirmou que a concentração tecnológica em poucos países prejudica a diversidade econômica, ao concentrar cadeias de suprimentos e impor padrões que nem sempre refletem a realidade do sul global. Ele ressaltou que o BRICS reúne cerca de 40% da economia mundial, o que dá ao bloco poder de mercado para promover mudanças globais.

O integrante do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável Ergon Cugler afirmou que a soberania digital começa pela reflexão sobre “quem controla a tecnologia, por que e para quê”.

Ele defendeu a urgência da regulação. “Sem lei no ambiente digital, ficamos à mercê de regras estrangeiras que determinam nossos padrões”, disse.

Cugler destacou que os recursos gastos pelo governo com softwares e serviços externos poderiam financiar infraestrutura própria, como a criação de 86 datacenters. Segundo ele, entre 2014 e 2025 o Brasil destinou R$ 23 bilhões a contratos de softwares, serviços em nuvem e sistemas de segurança fornecidos por empresas estrangeiras.

O major-general Pawan Anand, da Índia, afirmou que o desafio é global. Segundo ele, economia e geopolítica estão sendo usadas como instrumentos de pressão entre países. Anand defendeu que, para fortalecer a cooperação, os países do BRICS precisam criar relações de confiança e interdependência mútua.

A diversidade do bloco, segundo ele, requer grupos de trabalho para compartilhar tecnologias e evitar a hegemonia de qualquer país.

O diretor do Instituto de Intercâmbio Cultural e Desenvolvimento Econômico dos Países do BRICS+, Luan Scliar, afirmou que o grupo, embora ainda não tenha caráter vinculante, deve fortalecer parcerias para impulsionar tecnologia, pesquisa e formação profissional no Brasil.

O debate foi conduzido pelo deputado Dr. Zacharias Calil (União-GO).

Publicado originalmente pela Agência Câmara de Notícias em 08/10/2025

Reportagem: Noéli Nobre

Edição: Geórgia Moraes

]]>
https://www.ocafezinho.com/2025/10/09/comissao-aponta-dependencia-do-brasil-em-relacao-as-big-techs/feed/ 0
Missão do Ministério da Agricultura discute abertura de mercados com União Europeia https://www.ocafezinho.com/2025/10/09/missao-do-ministerio-da-agricultura-discute-abertura-de-mercados-com-uniao-europeia/ https://www.ocafezinho.com/2025/10/09/missao-do-ministerio-da-agricultura-discute-abertura-de-mercados-com-uniao-europeia/#respond Thu, 09 Oct 2025 10:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=218850 Os encontros, em Bruxelas, trataram de temas sanitários e de acesso a mercados, demonstrando um interesse mútuo no aprimoramento da cooperação entre o governo brasileiro e a União Europeia

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) participou, no dia 2 de outubro, de uma série de reuniões em Bruxelas, com diretorias-gerais da Comissão Europeia. A comitiva brasileira foi liderada pelo secretário de Comércio e Relações Internacionais (SCRI) do Mapa, Luís Rua, acompanhado pelo diretor de Negociações Não Tarifárias da SCRI, Augusto Billi, e pelos adidos agrícolas brasileiros que atuam na União Europeia, Glauco Bertoldo e Nilton de Morais, além do apoio estratégico da Representação do Brasil junto à União Europeia, liderada pelo embaixador Pedro Miguel.

A delegação participou de três reuniões no mesmo dia com as diretorias-gerais de Agricultura (DG AGRI), Saúde e Segurança Alimentar (DG SANTE) e Comércio (DG TRADE).

Os encontros trataram de temas sanitários e de acesso a mercados, demonstrando um interesse mútuo no aprimoramento da cooperação entre o governo brasileiro e a União Europeia.

Nas conversas com a DG SANTE, o secretário reiterou cinco pedidos prioritários do lado brasileiro: retirar os controles reforçados sobre carnes de aves e carne bovina; restabelecer o pre-listing para esses produtos; avançar nas tratativas para o retorno dos pescados; reconhecer mutuamente a regionalização para doenças como influenza aviária de alta patogenicidade, doença de Newcastle, peste suína africana e febre aftosa; e atualizar o reconhecimento do país como livre de febre aftosa sem vacinação em todo o território, com a consequente adequação dos certificados de exportação. Sugeriu também instalar, ainda neste ano, um diálogo SPS de alto nível para acompanhar entregas técnicas pendentes.

Com a DG AGRI, o foco foi a retomada do instrumento de diálogo agrícola Brasil–UE, o interesse em ampliar o acesso a mercados mutuamente e a coordenação de pautas de sustentabilidade e rastreabilidade. Ademais, tratou-se da futura visita do comissário da DG AGRI ao Brasil, no final de outubro.

No encontro com a DG TRADE, o Brasil alinhou a necessidade de avanços sanitários e facilitação de comércio, assim como se discutiram os próximos passos em relação ao acordo comercial Mercosul–União Europeia.

Publicado originalmente pela Agência Gov em 08/10/2025

Por Mapa

]]>
https://www.ocafezinho.com/2025/10/09/missao-do-ministerio-da-agricultura-discute-abertura-de-mercados-com-uniao-europeia/feed/ 0
Voz do Sul Global: cúpula de líderes do Brics tem início neste domingo (6) https://www.ocafezinho.com/2025/07/05/voz-do-sul-global-cupula-de-lideres-do-brics-tem-inicio-neste-domingo-6/ https://www.ocafezinho.com/2025/07/05/voz-do-sul-global-cupula-de-lideres-do-brics-tem-inicio-neste-domingo-6/#respond Sun, 06 Jul 2025 00:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=212105 Presidente Lula vai liderar os debates, que vão se concentrar em duas prioridades: cooperação do Sul Global e parcerias para o desenvolvimento social, econômico e ambiental

Fortalecendo a Cooperação do Sul Global para uma Governança mais Inclusiva e Sustentável é o lema que guia a presidência brasileira do Brics em 2025 e tem sua consolidação na Cúpula do grupo que ocorre neste domingo (6/7) e segunda-feira (7/7). O Rio de Janeiro é a sede do evento que concentrará os debates em duas prioridades: cooperação do Sul Global e parcerias Brics para o Desenvolvimento Social, Econômico e Ambiental.

O grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, bem como por outros membros recém-admitidos – Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia e Irã – representa um dos principais foros de articulação político-diplomática dos países do Sul Global, com foco na cooperação em diversas áreas.

Entre os temas a serem abordados, estão:

Cooperação em Saúde Global: incentivar projetos concretos de cooperação entre as nações do Brics para promover o desenvolvimento sustentável e inclusivo em vários setores, particularmente na saúde, para garantir o acesso a medicamentos e vacinas; lançar a Parceria Brics para a Eliminação das Doenças Socialmente Determinadas e Doenças Tropicais Negligenciadas;

Comércio, Investimentos e Finanças: considerar a governança e a reforma dos mercados financeiros, as moedas locais, e os instrumentos e plataformas de pagamento como meio de aumentar e diversificar os fluxos comerciais, financeiros e de investimentos; fazer avançar a Parceria para a Nova Revolução Industrial e adotar a Estratégia 2030 para a Parceria Econômica dos Brics;

Mudança climática: adotar uma Agenda de Liderança Climática do Brics, incluindo uma Declaração-Quadro dos Líderes sobre Financiamento Climático visando a orientar mudança estrutural no setor financeiro;

Governança da Inteligência Artificial: promover uma governança internacional inclusiva e responsável da inteligência artificial, a fim de destravar o potencial dessa tecnologia para o desenvolvimento social, econômico e ambiental;

Arquitetura Multilateral de Paz e Segurança: promover uma reforma abrangente da arquitetura multilateral de paz e segurança, a fim de garantir atuação eficaz no enfrentamento de conflitos, evitar catástrofes humanitárias e impedir a eclosão de novas crises; reconstruir a confiança e o entendimento mútuos, retomar a diplomacia e promover soluções pacíficas para conflitos e disputas;

Desenvolvimento Institucional: melhorar a estrutura e a coesão do Brics.

História e Origem

O acrônimo Bric foi concebido, em 2001, por um economista do banco de investimentos Goldman Sachs em reconhecimento ao dinamismo de crescimento econômico de Brasil, Rússia, Índia e China.

O Bric como foro de cooperação e de concertação foi criado por iniciativa política dos governos dos seus países fundadores. Seu objetivo inicial era dialogar sobre grandes temas da agenda internacional e fortalecer politicamente suas posições comuns, a fim de democratizar, legitimizar e equilibrar a ordem internacional.

A primeira reunião do Bric ocorreu em nível de Ministros das Relações Exteriores em 2006, às margens da Assembleia-Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque. A primeira reunião de Cúpula de Chefes de Estado ocorreu em 2009, na cidade de Ecaterimburgo, na Rússia.

A partir da crise financeira de 2008, os então quatro países buscaram atuar de forma concertada, no âmbito do G20, do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial, com propostas de reforma da governança econômica e financeira internacional, de modo a refletir o aumento do peso relativo dos países emergentes na economia mundial.

Com a incorporação da África do Sul em 2011, o “S” foi acrescentado ao acrônimo original, na primeira expansão do agrupamento. Em 2023, na Cúpula de Joanesburgo, definiu-se a segunda expansão do grupo, com a adesão de seis novos membros.

Ao longo dos últimos anos, o Brics permaneceu como mecanismo informal de coordenação, sendo sua presidência exercida de forma rotativa entre seus membros. Sua atuação desenvolve-se tradicionalmente em torno de três pilares: 1) política e segurança; 2) economia e finanças; e 3) P2P (“people-to-people”), ou sociedade civil.

Países Membros

Atualmente, o Brics é composto por onze países membros: seus cinco membros originais – África do Sul, Brasil, China, Índia e Rússia -, e os seis novos membros admitidos em 2024-25 – Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã. O agrupamento foi primeiramente composto por Brasil, Rússia, Índia e China em 2006; a África do Sul aderiu em 2011; a nova expansão, efetivada em 2024, derivou de mandato da Declaração de Joanesburgo, de agosto de 2023.

De acordo com o mandato da Declaração de Joanesburgo, os líderes aprovaram a criação da categoria de país parceiro do Brics, durante a Cúpula de Kazan, em 2024. São países parceiros do BRICS: Belarus, Bolívia, Cazaquistão, Cuba, Malásia, Nigéria, Tailândia, Uganda e Uzbequistão.

No exercício de sua presidência pro tempore do Brics, o governo brasileiro anunciou o ingresso formal do Vietnã como país parceiro do agrupamento. Com isso, o Vietnã torna-se o décimo país parceiro do Brics. Com uma população de quase 100 milhões de habitantes e uma economia dinâmica fortemente integrada às cadeias globais de valor, o Vietnã destaca-se como um ator relevante na Ásia. O país compartilha com os membros e parceiros do Brics o compromisso com uma ordem internacional mais inclusiva e representativa. Sua atuação em prol da cooperação Sul-Sul e do desenvolvimento sustentável reforça a convergência com os interesses do agrupamento.

Publicado originalmente pela Agência Gov em 05/07/2025

Por Thays de Araújo – Com Planalto e Brics Brasil

]]>
https://www.ocafezinho.com/2025/07/05/voz-do-sul-global-cupula-de-lideres-do-brics-tem-inicio-neste-domingo-6/feed/ 0
Na Interpol, Lula diz que combate ao crime organizado requer ações coordenadas entre países https://www.ocafezinho.com/2025/06/09/na-interpol-lula-diz-que-combate-ao-crime-organizado-requer-acoes-coordenadas-entre-paises/ https://www.ocafezinho.com/2025/06/09/na-interpol-lula-diz-que-combate-ao-crime-organizado-requer-acoes-coordenadas-entre-paises/#respond Tue, 10 Jun 2025 00:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=210392 Presidente Lula assina declaração de intenções entre o Brasil e a organização policial. Entre as iniciativas, o esforço para desarticular grupos criminosos transnacionais e suas redes de apoio

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta segunda-feira (9/6), que, impulsionado pela tecnologia digital, o crime organizado tornou-se uma questão global e para enfrentá-lo são necessárias ações multilaterais urgentes e coordenadas. Nesta manhã, Lula esteve na sede da Interpol, em Lyon, na França, para a assinatura de declaração de intenções entre o Brasil e a Interpol.

“Uma das consequências perversas da globalização é a articulação de grupos criminosos para além das fronteiras nacionais. A criminalidade está evoluindo a uma velocidade sem precedentes, exigindo ações multilaterais urgentes e coordenadas”, disse o presidente.

Lula citou que a Diretoria de Combate a Crimes Cibernéticos, criada em seu governo, vem tratando com prioridade os delitos de alta tecnologia, fraudes bancárias eletrônicas e, principalmente, de abuso sexual contra crianças e adolescentes pela internet.

“Para combater o crime de forma efetiva é preciso asfixiar seus mecanismos de financiamento, em especial a lavagem de dinheiro. Nenhum país isoladamente conseguirá debelar a criminalidade transnacional” disse.

O presidente afirmou que, assim como outros desafios da atualidade que exigem ação coletiva, como a mudança do clima e a governança do espaço digital, a cooperação policial permanecerá como prioridade da política externa brasileira.

Ele destacou a ampliação do alcance do crime organizado que se espalhou por diversos setores e atividades da sociedade. “O crime organizado você não enfrenta uma simples quadrilha. Você não enfrenta uns simples grupos. São verdadeiras empresas multinacionais que estão envolvidas dentro das empresas, estão envolvidas na política, estão envolvidas no judiciário, estão envolvidas no futebol, estão envolvidas em toda parte da cultura”.

Leia a íntegra do discurso do presidente Lula na Interpol

Segurança e meio ambiente

No discurso na sede da Interpol, o presidente brasileiro disse que fortalecer a segurança pública também significa proteger a natureza. “Meu compromisso de zerar o desmatamento ilegal até 2030 passa por atuar na repressão a todo tipo de ilícito ambiental. No ano passado, a polícia brasileira apreendeu mais de US$ 250 milhões em bens de acusados de praticar crimes contra o meio ambiente”.

Brasileiro na direção da Interpol

Atualmente, a Interpol é comandada pelo brasileiro Valdecy Urquiza, que é delegado da Polícia Federal. É a primeira vez que um brasileiro e representante de um país do Sul Global assume a liderança da organização. Ao iniciar o discurso no evento, o presidente afirmou que é honroso ter um delegado brasileiro dirigindo, possivelmente, a mais antiga organização policial do mundo.

Cooperação

A Declaração de Intenções firmada nesta segunda-feira entre o Brasil e a Interpol ampliará a cooperação por meio de iniciativas que visam:

• Reforçar a cooperação internacional para enfrentamento do crime organizado
• Desarticular organizações criminosas transnacionais e suas redes de apoio
• Apoiar a modernização tecnológica e institucional dos órgãos de segurança publica no Brasil e na América Latina
• Promover a proteção de grupos vulneráveis e os direitos humanos na atuação policial

Publicado originalmente pela Agência Gov em 09/06/2025

Por Yara Aquino

]]>
https://www.ocafezinho.com/2025/06/09/na-interpol-lula-diz-que-combate-ao-crime-organizado-requer-acoes-coordenadas-entre-paises/feed/ 0
Lula: ‘Devemos o que somos, nossa cor, nossa arte, cultura e jeito de ser, ao continente africano’ https://www.ocafezinho.com/2025/05/20/lula-devemos-o-que-somos-nossa-cor-nossa-arte-cultura-e-jeito-de-ser-ao-continente-africano/ https://www.ocafezinho.com/2025/05/20/lula-devemos-o-que-somos-nossa-cor-nossa-arte-cultura-e-jeito-de-ser-ao-continente-africano/#respond Tue, 20 May 2025 22:30:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=209140 Presidente participou, ao lado de ministros de Agricultura da União Africana, do II Diálogo Brasil-África sobre Segurança Alimentar, Combate à Fome e Desenvolvimento Rural

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou nesta segunda-feira (19/5) no Palácio Itamaraty, em Brasília, com ministros da Agricultura da União Africana, da abertura do II Diálogo Brasil-África sobre Segurança Alimentar, Combate à Fome e Desenvolvimento Rural, que acontece até a próxima quinta-feira (22).

O evento visa fortalecer as relações do Brasil com países africanos e promover a cooperação baseada na solidariedade e no desenvolvimento sustentável, e reúne delegações oficiais de países africanos, além de representantes de organizações internacionais, bancos multilaterais de desenvolvimento, instituições de pesquisa, organizações e cooperativas da agricultura familiar e entidades do setor privado. O encontro busca, ainda, identificar oportunidades de investimento no setor agropecuário e discutir políticas públicas eficazes contra a fome e a pobreza.

Durante seu discurso, Lula destacou a prioridade da política externa brasileira em relação à África, refletindo laços históricos e interesses convergentes. “Precisamos produzir alimentos e sensibilizar o resto do mundo, criando um processo de indignação na mente das pessoas. Não é possível a gente se conformar que, na primeira metade do século 21, existam 730 milhões de pessoas passando fome. É uma marca que não podemos esquecer”, ressaltou o presidente.

De acordo com Lula, muitas vezes a fome é causada porque aqueles que governam o país não colocam seu combate como prioridade. “Temos condições de mudar isso e determinar uma prioridade: para quem eu quero governar, quem eu preciso atender, a quem o Estado deve servir? Essa é uma decisão que somente nós, governantes, precisamos tomar”, disse.

É triste saber que o mundo gastou US$ 2,4 trilhões em armamentos, no ano passado, e não teve a coragem de gastar isso ensinando as pessoas a acabar com a fome”, lamentou Lula

Em relação à África, o presidente disse que o Brasil tem uma dívida histórica com o continente. “Devemos o que nós somos, a nossa cor, a nossa arte, a nossa cultura, o nosso jeito de ser, ao continente africano. O Brasil não pode pagar isso em dinheiro, isso não pode ser mensurado em dinheiro. Mas podemos pagar em solidariedade e em transferência de tecnologia, para que vocês possam produzir parte daquilo que nós produzimos”, declarou aos ministros da Agricultura presentes à abertura do II Diálogo Brasil-África sobre Segurança Alimentar, Combate à Fome e Desenvolvimento Rural.

“O Brasil pode ajudar, tem como ajudar. Basta que a gente assuma a responsabilidade de tratar vocês com o carinho e respeito que merecem. E saibam que, com a existência das mais modernas técnicas, não tem mais terra improdutiva em lugar nenhum do mundo. Sejam bem-vindos, tirem proveito da visita. Desse momento tem que sair algo diferente”, aconselhou.

Cooperação

O embaixador Mauro Vieira, ministro das Relações Exteriores, concluiu seu discurso dizendo que para o Brasil as questões africanas não são observadas à distância. “Temos reforçado os vínculos com cada um dos países africanos, em uma cooperação orientada pela solidariedade e respeito mútuos. A expressiva participação de representantes do continente africano no II Diálogo exemplifica a força do Sul Global, num cenário impactado pelas mudanças climáticas”, salientou.

O ministro afirmou, ainda, que espera que as visitas de campo em Brasília e Petrolina (PE) possam inspirar novas iniciativas de cooperação entre o Brasil e os países africanos. “Nos últimos anos, por meio da Agência [Brasileira] de Cooperação, do Ministério das Relações Exteriores, fomos para países africanos em diversas frentes. E temos incentivado a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, que já reuniu mais de 180 membros, dos quais 20 são países africanos. Reafirmo a disposição do Brasil em cooperar com os países africanos, de acordo com a realidade de cada país”.

Delegação Africana

A vice-primeira-ministra do reino de Essuatíni, Thulisile Dladla, representou as delegações africanes e afirmou que a convocação para o II Diálogo reflete o compromisso duradouro do Brasil com o Sul Global. “Agradeço a hospitalidade do governo brasileiro ao receber nossas delegações desde que aterrissamos em seu bonito país. O evento aborda a cooperação Sul-Sul, numa história compartilhada entre Brasil e África, com solidariedade pós-colonialismo e a busca constante por justiça. Compartilhamos um legado que mostra nossa resiliência”, disse.

“A necessidade de fortalecer a agricultura familiar e a agricultura de subsistência é urgente, já que sofremos com mudança climática e crise econômica, que afetam nossos agricultores. Quero reafirmar nosso compromisso em torno desse diálogo, testemunho do engajamento e da liderança do Brasil contra a fome e por uma agricultura sustentável. Assumo o compromisso da nossa cooperação para garantir que toda família tenha comida e abrigo. Que isso renda resultados positivos para o nosso povo e planeta”, garantiu Dladla.

19.05.2025 – Reunião com Ministros de Agricultura da União Africana

Intercâmbio de Conhecimentos

O Diálogo ocorre após o sucesso da primeira edição, realizada em 2010, e tem como objetivo principal promover o intercâmbio de conhecimentos e experiências bem-sucedidas para aprofundar a cooperação do Brasil com a África e fortalecer a produção alimentar local nos países africanos. Busca, além disso, favorecer a reflexão sobre as experiências brasileiras no setor agrícola à luz das observações das delegações africanas.

O encontro reunirá mais de 40 delegações de países africanos, além de representantes de organismos internacionais, de bancos multilaterais de desenvolvimento, instituições de pesquisa, organizações e cooperativas da agricultura familiar e entidades do setor privado.

Programação

A programação prevê visitas de campo no entorno de Brasília (20/5), abordando temas como agricultura familiar, sistemas de integração, saúde do solo, acervo genético de hortaliças, bioinsumos, reuso de esgoto e comercialização, e em Petrolina, no Vale do São Francisco (21/5), sobre tecnologias para convivência com a seca, rebanho resistente, agricultura irrigada e fruticultura tropicalizada.

Em 22/5, será realizado o “Diálogo de Alto Nível”, com painéis sobre sistemas agroalimentares sustentáveis e resilientes, pesquisa, desenvolvimento e inovação, Aliança Global Contra a Fome e a Pobreza e políticas públicas, e financiamento.

Objetivos

Entre os principais objetivos do II Diálogo estão incluídos: o compartilhamento de experiências em produção agropecuária e aquícola; a troca de conhecimentos e tecnologias; o debate sobre o papel das políticas públicas eficazes, como o PAA (Programa de Aquisição de Alimentos) e o PNAE (Programa Nacional de Alimentação Escolar); a discussão sobre pesquisa e inovação; a valorização da agricultura familiar e da sustentabilidade; a identificação de novas oportunidades de cooperação técnica; a exploração de alternativas de financiamento e investimentos; a apresentação dos objetivos da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza.

O evento propiciará fortalecimento da cooperação bilateral e multilateral, promoção do compartilhamento de conhecimentos adaptáveis e fomento de parcerias sustentáveis entre o Brasil e os países africanos.

Publicado originalmente pela Agência Gov em 19/05/2025

]]>
https://www.ocafezinho.com/2025/05/20/lula-devemos-o-que-somos-nossa-cor-nossa-arte-cultura-e-jeito-de-ser-ao-continente-africano/feed/ 0
Brasil e Vietnã oficializam Plano de Ação para o período de 2025 a 2030 https://www.ocafezinho.com/2025/03/28/brasil-e-vietna-oficializam-plano-de-acao-para-o-periodo-de-2025-a-2030/ Fri, 28 Mar 2025 13:39:43 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=205398 Documento reúne iniciativas para intensificar diálogo e cooperação entre as nações e foi assinado nesta sexta (28/3), em Hanói, durante visita de Estado de Lula ao país asiático

Brasil e Vietnã elevaram nesta sexta-feira (28/3), as relações entre os dois países a um novo patamar, a partir da assinatura do Plano de Ação para Implementação da Parceria Estratégica. O documento foi oficializado em Hanói, capital vietnamita, após encontro do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o presidente Luong Cuong. “Adotamos um plano de ação abrangente para o período 2025-2030, que nos ajudará a avançar em diversas áreas”, afirmou Lula em declaração à imprensa, após reunir-se com o líder vietnamita dentro das atividades da visita de Estado ao país asiático.

O plano reúne prioridades do relacionamento bilateral em assuntos como defesa, economia, comércio e investimentos; agricultura e segurança alimentar e nutricional; ciência, tecnologia e inovação; meio ambiente e sustentabilidade; transição energética e cooperação sociocultural e assuntos consulares. A Parceria Estratégica pretende aprofundar o diálogo político, reforçar a cooperação econômica, intensificar o fluxo de comércio e os investimentos, fortalecer a coordenação em temas da agenda multilateral e impulsionar novas iniciativas de cooperação. “Meu governo tem interesse em reconhecer o Vietnã como economia de mercado. Essas e outras medidas vão nos permitir ampliar os fluxos de comércio e de investimento entre nossos países”, frisou Lula.

Assinaturas

Além do Plano de Ação, o encontro foi marcado pela assinatura de dois acordos e dois memorandos. Os acordos abordam o exercício de atividade remunerada por parte de dependentes de missões diplomáticas, repartições consulares e missões permanentes junto a Organismos Internacionais, além da troca e proteção mútua de informações classificadas. Brasil e Vietnã também assinaram Memorando de Entendimento entre o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e o Ministério da Indústria e Comércio do Vietnã para cooperação comercial e industrial, além de um memorando em torno de parcerias ligadas ao futebol.

Carne Bovina

A ampliação do comércio entre as duas nações prevê a abertura do país asiático à carne bovina brasileira. “A abertura do mercado vietnamita para a carne bovina brasileira atrairá investimentos de frigoríficos do Brasil para fazer deste país uma plataforma de exportação para o Sudeste Asiático”, afirmou.

Valor Agregado

Para Lula, além das exportações ligadas ao setor de alimentos, o Brasil tem potencial para investir em produtos de valor agregado. “Já contribuímos para a segurança alimentar do Vietnã e queremos ampliar a exportação de bens de maior valor agregado, incluindo aeronaves. Espero que a Vietnam Airlines avalie positivamente a oferta da Embraer para jatos da família E-Jets, ideais para a conectividade regional”.

Mercosul e Intercâmbios

A exemplo do que articulou em sua viagem ao Japão, o presidente brasileiro ressaltou o interesse em aproximar o Vietnã da zona comercial do Mercosul, além de promover intercâmbios. “A presidência brasileira do Mercosul, que se iniciará em julho, vai trabalhar em prol de um acordo com o Vietnã que seja equilibrado e beneficie os dois lados. Nenhuma colaboração é tão estratégica para o futuro de dois países emergentes quanto a cooperação em educação e em ciência e tecnologia. Em breve, nossas universidades poderão promover o intercâmbio de professores e estudantes. Estamos estudando parcerias em áreas como semicondutores, Inteligência Artificial, tecnologias digitais, biotecnologia e energias renováveis”, listou.

COP30 e BRICS

Outro ponto de destaque foi o convite feito pelo Brasil para que o Vietnã participe do encontro do BRICS, no Rio de Janeiro, em julho, e da COP30, em Belém, em novembro. “Para cumprirmos o Acordo de Paris, todos os países deverão adotar o mais alto grau de ambição possível dentro de suas circunstâncias de desenvolvimento”, afirmou Lula.

Café

Outro caminho apontado pelo líder brasileiro no fortalecimento das relações entre as duas nações prevê um trabalho em torno do café, com os dois países atuando em pesquisas para tornar o grão mais resistente aos impactos da mudança do clima. “Vietnã e Brasil são os dois maiores produtores mundiais de café e ambos tivemos safras recentes afetadas pela mudança do clima. Estamos determinados a ampliar nosso intercâmbio técnico para fortalecer a resiliência da cultura do café. O Vietnã pode se beneficiar do Fundo Florestas Tropicais para Sempre, proposto pelo Brasil, e ser remunerado por seu esforço de preservação ambiental”, disse o presidente brasileiro.

Pilares

Além da reunião com o presidente do país asiático, a agenda de Lula foi marcada por encontros com os líderes dos outros três pilares do sistema político vietnamita: o primeiro-ministro, Pham Minh Chính; o presidente da Assembleia Nacional, Tran Thanh Man; e o secretário-geral do Partido Comunista, Tô Lâm. Ao final, o presidente brasileiro participa da recepção oficial oferecida pelo presidente Luong Cuong.

Aposição de coroa de flores e visita a o Mausoléu do Presidente Ho Chi Minh

Boas-vindas

Antes de reunir-se com o presidente vietnamita, Lula abriu sua agenda na cerimônia de aposição de coroa de flores no Monumento aos Heróis e Mártires, visitou o Mausoléu do Presidente Ho Chi Minh, onde também depositou coroa de flores, teve uma Cerimônia de Boas-Vindas no Palácio Imperial, com execução do Hino Nacional, revista às tropas, homenagens prestadas pelo governo vietnamita e a participação de crianças empunhando as bandeiras dos dois países.

Patamar Recorde

A visita do presidente Lula também visa fortalecer a presença brasileira no Sudeste Asiático e as relações com a Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), região mais dinâmica do mundo em termos de crescimento econômico. Transcorridos 17 anos desde a primeira visita de Lula ao Vietnã, houve forte crescimento do comércio entre os países. Passou de 534 milhões de dólares em 2008 para 7,7 bilhões em 2024, um recorde na série histórica, com saldo positivo brasileiro de US$ 405 milhões. A meta conjunta é chegar a 15 bilhões de dólares em 2030.

35 Anos

Em 2024, Brasil e Vietnã celebraram 35 anos de relações diplomáticas. A relação foi elevada a Parceria Estratégica em 17 de novembro de 2024, em encontro de Lula e do primeiro-ministro vietnamita à margem da Cúpula do G20, no Rio de Janeiro, quando o presidente brasileiro foi convidado a visitar o país asiático. Nos últimos dois anos, Lula reuniu-se três vezes com o primeiro-ministro Pham Minh Chinh: em maio de 2023, em Hiroshima, na Cúpula do G7; em setembro de 2023, em Brasília, durante visita oficial; e em novembro de 2024, no Rio de Janeiro, na Cúpula do G20.

Fluxo Comercial

O Vietnã consolidou-se como principal origem das importações brasileiras oriundas da ASEAN, além de ter sido o 14º fornecedor mundial de produtos para o Brasil. O Brasil exporta mais para o Vietnã do que para Portugal, Reino Unido, França ou Paraguai. O Vietnã ocupa a quinta posição entre os países de destino de produtos do agronegócio brasileiro. O Brasil fornece cerca de 70% da soja importada pelo Vietnã, além de ser o principal fornecedor de carne suína (cerca de 37%), o segundo maior de carne de frango e de algodão.

Publicado originalmente pela Agência Gov em 28/03/2025

]]>
Xi Jinping alinha discurso com Lula e defende “sinergia” entre projetos do Brasil e Rota da Seda https://www.ocafezinho.com/2024/11/17/xi-jinping-alinha-discurso-com-lula-e-defende-sinergia-entre-projetos-do-brasil-e-rota-da-seda/ https://www.ocafezinho.com/2024/11/17/xi-jinping-alinha-discurso-com-lula-e-defende-sinergia-entre-projetos-do-brasil-e-rota-da-seda/#comments Sun, 17 Nov 2024 13:16:56 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=197108 1 Comentário 🔥]]> “Vamos promover continuamente o reforço das sinergias entre a Iniciativa Cinturão e Rota e as estratégias de desenvolvimento do Brasil”, diz Xi, em artigo publicado hoje na Folha. A expressão é a mesma usada pelo chefe da assessoria do presidente Lula, Celso Amorim, e pelo secretário para Ásia e Pacífico, Eduardo Saboia, e sinaliza alinhamento do discurso entre os serviços diplomáticos de ambos os países.

***

China-Brasil: Com futuro compartilhado e amizade que supera distâncias é hora de navegarmos juntos sob velas cheias.

Em artigo para a Folha às vésperas da cúpula do G20, líder chinês, Xi Jinping, destaca parceria em várias áreas e diz ser preciso reformar FMI, Banco Mundial e OMC.

Por Xi Jinping, presidente da China

A convite do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, realizarei em breve uma visita de Estado à República Federativa do Brasil e participarei da Cúpula de Líderes do G20 no Rio de Janeiro.

O Brasil tem território vasto, recursos ricos, paisagens deslumbrantes e culturas diversas, e é um país do qual o povo chinês gosta muito. Há mais de 200 anos, o chá, a lichia, as especiarias e as porcelanas atravessaram mares e chegaram ao Brasil, daí se criou uma ponte de intercâmbio econômico e comercial entre os dois países e nasceram os laços de intercâmbio amigável entre chineses e brasileiros.


As relações diplomáticas China-Brasil, estabelecidas em 15 de agosto de 1974, têm resistido às mudanças e turbulências na situação internacional nesses 50 anos e são cada vez mais maduras e dinâmicas. Têm promovido efetivamente o desenvolvimento dos dois países, contribuído positivamente para a paz e a estabilidade do mundo e oferecido um exemplo de cooperação ganha-ganha e futuro compartilhado entre dois grandes países em desenvolvimento.

China e Brasil sempre persistem em respeito mútuo e tratamento em pé de igualdade. Entendem e apoiam os caminhos de desenvolvimento que o povo chinês e o povo brasileiro escolheram. O Brasil foi o primeiro país a estabelecer uma parceria estratégica com a China e o primeiro país da América Latina e Caribe a estabelecer uma parceria estratégica global com Pequim.

Os dois países têm um relacionamento que sempre fica na vanguarda dos relacionamentos entre a China e os países em desenvolvimento e possuem mecanismos governamentais de diálogo e cooperação completos. A Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação (Cosban), que já está em bom funcionamento por 20 anos, desempenha um papel importante na coordenação e planejamento da cooperação em diferentes áreas e na busca de desenvolvimento comum.

China e Brasil sempre persistem em benefícios mútuos, ganhos compartilhados e complementaridade, e promovem conjuntamente a modernização dos dois países. A China é o maior parceiro comercial do Brasil por 15 anos consecutivos e uma das principais fontes de investimento estrangeiro — conforme estatísticas chinesas, importou mais de US$ 100 bilhões do Brasil anualmente nos últimos três anos, batendo um novo recorde. Com esforços conjuntos, os dois países gozam de uma pauta comercial bilateral cada vez mais aprimorada, uma cooperação de qualidade cada vez mais elevada e os interesses comuns cada vez mais ampliados. A sua cooperação de benefícios mútuos em áreas como agricultura, infraestrutura, energia e recursos naturais, desenvolvimento verde, ciência, tecnologia e inovação, finanças, entre outras, é efetiva e repleta de destaques e oferece impulsos vigorosos ao desenvolvimento econômico e social dos dois países.

China e Brasil sempre persistem em abertura, inclusão e aprendizagem mútua. Por natureza, sentem-se próximos um do outro e têm uma busca comum por tudo o que é belo. O fato de que Cecília Meireles e Machado de Assis, ambos poetas e escritores brasileiros bem conhecidos, traduziram poemas da dinastia chinesa Tang reflete uma sinfonia mental entre os dois lados que transcende tempo e espaço. Nos últimos anos, músicas, danças, gastronomias, esportes e artes passaram a ser as novas pontes que ligam os dois povos e contribuem para o aprofundamento do conhecimento mútuo e amizade entre chineses e brasileiros.

As fofinhas capivaras, a bossa-nova, o samba e a capoeira são populares na China, enquanto festivais tradicionais como o da primavera e outros elementos de cultura chinesa como a medicina tradicional são cada vez mais conhecidos pelos brasileiros. Entre os dois países, há interações frequentes entre jovens, jornalistas e acadêmicos, bem como intercâmbios dinâmicos entre entidades subnacionais. Mais ainda, as atividades para celebrar o 50º aniversário do estabelecimento das relações diplomáticas servem como banquetes de delícias culturais oferecidos aos dois povos. Nos últimos dias, recebi cartas de mais de uma centena de amigos brasileiros da Associação de Amizade Brasil-China, das universidades do Brasil, da Orquestra Forte de Copacabana do Rio e de outros setores da sociedade brasileira, e fiquei muito tocado com as grandes expectativas que depositam em aprofundar a amizade sino-brasileira.

China e Brasil sempre persistem em desenvolvimento pacífico, imparcialidade e justiça e têm opiniões idênticas ou convergentes sobre muitas questões internacionais e regionais. Ambos os países são defensores firmes do multilateralismo e das normas básicas que regem as relações internacionais e têm mantido, ao longo de todo esse tempo, uma colaboração estreita nos temas importantes como a governança global e as mudanças climáticas nas organizações internacionais e foros multilaterais como a ONU, o G20 e o Brics.

Há pouco, China e Brasil emitiram entendimentos comuns sobre uma resolução política para a crise na Ucrânia e receberam resposta positiva da comunidade internacional. De mãos dadas, os dois países cumprem seus papéis como grandes países responsáveis, promovem a multipolarização global e a democratização das relações internacionais, bem como injetam energia positiva à paz e à estabilidade mundiais.

No mundo de hoje, transformações de escala nunca vista em um século estão ocorrendo em um ritmo acelerado, e novos desafios e mudanças continuam surgindo. Diz um ditado chinês: “Em corrida de barcos, vencem aqueles que remam com força; em regata de veleiros, ganham aqueles que ousam avançar sob vela cheia.” China e Brasil, dois grandes países em desenvolvimento nos hemisférios leste e oeste e membros importantes do Brics, devem se unir mais estreitamente, ousar ser pioneiros e caçadores de ondas, e juntos abrir novas rotas de navegação que levam a um futuro mais belo que os povos dos dois países e a humanidade merecem.

Devemos manter a amizade como a direção geral do desenvolvimento do relacionamento entre China e Brasil. Vamos persistir sempre em respeito, confiança e aprendizagem mútuos e estreitar ainda mais os intercâmbios entre governos, entre partidos políticos, entre órgãos legislativos, de todos os níveis e em todas as áreas. Vamos reforçar trocas de experiências de governança e de desenvolvimento, consolidar a confiança estratégica mútua e compactar ainda mais a base política para as relações sino-brasileiras. Vamos continuar aproveitando o papel dos mecanismos de cooperação como a Cosban e o Diálogo Estratégico Global, para formarmos um relacionamento estável e maduro entre grandes países e promovê-lo para avançar com passos firmes e chegar ao longe.

Devemos cultivar as novas forças para a cooperação de benefícios mútuos entre China e Brasil. Ambos os países têm como metas importantes acelerar o desenvolvimento econômico e melhorar o bem-estar do povo e estão se esforçando para conseguir avanços rumo à modernização. No contexto de evolução rápida da nova rodada da revolução científica e tecnológica e transformação industrial, os nossos países devem agarrar as oportunidades futuras. Vamos promover continuamente o reforço das sinergias entre a Iniciativa Cinturão e Rota e as estratégias de desenvolvimento do Brasil, fortalecer constantemente a natureza estratégica, global e criativa da cooperação mutuamente benéfica China-Brasil, criar mais projetos exemplares que atendam a demandas futuras e trazem benefícios duradouros aos povos, e impulsionar o desenvolvimento comum dos nossos países e das nossas regiões.

Devemos consolidar a amizade entre os povos da China e do Brasil. As culturas ricas e únicas dos dois países se inspiram e se atraem. Devemos levar adiante a boa tradição de abertura e inclusão, aprofundar intercâmbios e cooperação em cultura e educação, ciência e tecnologia, saúde, esporte, turismo e entre entes subnacionais. Com isso, os nossos povos podem conhecer uma China e um Brasil mais genuínos, multidimensionais e vivos, e vamos formar mais “embaixadores” que trabalham para a longa continuidade da amizade tradicional China-Brasil. Com esses intercâmbios, vamos fazer com que as nossas civilizações convivam em harmonia, brilhem juntas e contribuam para a diversidade civilizacional do nosso mundo que pode ser comparado a um jardim cheio de flores.

Devemos demonstrar a união, a ajuda mútua e a responsabilidade da China e do Brasil. Atualmente, o Sul Global está em ascensão coletiva, mas a sua voz e aspiração ainda não são plenamente refletidas no sistema da governança global. Sendo principais grandes países em desenvolvimento, China e Brasil devem assumir a responsabilidade confiada pela história e trabalhar junto com os outros países do Sul Global para defender com toda a firmeza os interesses comuns dos países em desenvolvimento, enfrentar desafios globais com cooperação, tornar a governança global mais justa e equitativa, e contribuir para a paz, a estabilidade e o desenvolvimento comum do mundo.

Um outro objetivo importante da minha visita ao Brasil é participar da Cúpula do G20. O G20 é uma plataforma importante para a cooperação econômica internacional. O Brasil definiu como lema da sua presidência “Construir um mundo justo e um planeta sustentável”, promoveu proativamente a cooperação do G20 em todas as áreas e estabeleceu uma boa base para a realização bem-sucedida da Cúpula no Rio. O presidente Lula adotou “combate à fome e à pobreza” como um tema principal da cúpula e propôs o lançamento da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, à qual a China expressa grande apreço e apoio.

Para construir um mundo justo, é preciso o G20 persistir nos princípios de respeito mútuo, cooperação em pé de igualdade, benefícios mútuos e ganhos compartilhados, e apoiar os países do Sul Global para realizar um maior desenvolvimento. É necessário colocar o desenvolvimento no centro da cooperação do G20, priorizar a implementação da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável da ONU, formar parceria global para o desenvolvimento sustentável, promover um desenvolvimento global mais inclusivo, benéfico para todos e mais resiliente. É preciso promover proativamente a reforma do Fundo Monetário Internacional, Banco Mundial e Organização Mundial do Comércio e aumentar a representação e a voz do Sul Global. Devemos reforçar a coordenação das políticas macroeconômicas, promover a liberalização e a facilitação do comércio e investimento e criar um ambiente aberto, inclusivo e não discriminatório para a cooperação econômica internacional.

Para construir um planeta sustentável, é preciso o G20 preconizar produção e vida sustentáveis e convivência harmoniosa entre o homem e a natureza. É necessário impulsionar a cooperação internacional aprofundada em áreas como desenvolvimento verde e de baixo carbono, proteção ambiental, transição energética e enfrentamento das mudanças climáticas, persistir no princípio de responsabilidades comuns, porém diferenciadas, e fornecer mais apoios aos países do Sul Global em termos de financiamento, tecnologia e construção da capacidade. Trinta e dois anos atrás, foi realizada no Rio de Janeiro a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, ocasião na qual foram alcançados resultados essenciais como a Agenda 21. Uma das agendas importantes dos líderes do G20 no Rio será a discussão sobre o desenvolvimento verde e de baixo carbono no planeta. Espero que a cúpula possa injetar maior vigor e confiança ao desenvolvimento sustentável global.

Estou convicto de que a Cúpula do G20 no Rio alcançará resultados frutíferos e deixará distintas marcas brasileiras na história do bloco. Aguardo também trabalhar junto com o presidente Lula para conduzir as relações China-Brasil a entrar nos novos “50 anos dourados” e formar uma comunidade com futuro compartilhado mais justo e mais sustentável.

]]>
https://www.ocafezinho.com/2024/11/17/xi-jinping-alinha-discurso-com-lula-e-defende-sinergia-entre-projetos-do-brasil-e-rota-da-seda/feed/ 1
Brasil e China ampliam cooperação em ciência e tecnologia https://www.ocafezinho.com/2024/11/15/brasil-e-china-ampliam-cooperacao-em-ciencia-e-tecnologia/ https://www.ocafezinho.com/2024/11/15/brasil-e-china-ampliam-cooperacao-em-ciencia-e-tecnologia/#respond Fri, 15 Nov 2024 22:15:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=197080 Assinatura de cinco memorandos de entendimento precede visita do presidente chinês Xi Jinping ao Brasil

A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, assinou, nesta quinta-feira (14), cinco memorandos de entendimento com instituições de governo da China, para estabelecer cooperação nas áreas de tecnologia nuclear, agricultura familiar, indústria fotovoltaica, inteligência artificial e fonte de luz síncrotron. Os instrumentos bilaterais farão parte da lista de resultados da visita de Estado do presidente chinês Xi Jinping ao Brasil, na próxima semana.

Firmado com o presidente da Autoridade de Energia Atômica da China, Liu Jing, de forma virtual, um dos memorandos visa fortalecer a cooperação em capacidade produtiva, ancoragem industrial e desenvolvimento de recursos humanos nas aplicações de ciência e tecnologia nuclear na saúde e em outros campos.

“O intercâmbio científico e tecnológico e a cooperação entre os dois países no campo das aplicações de tecnologia nuclear, especialmente na pesquisa e desenvolvimento de novos radiofármacos, ensaios clínicos, transformação industrial, localização e escalonamento da produção de radiofármacos, disposição de resíduos radioativos, aumentarão nossas sinergias e trarão benefícios mútuos aos nossos respectivos setores acadêmicos e produtivos”, discursou a ministra brasileira.

De acordo com ela, a cooperação poderá contribuir com duas ações importantes do Ministério: o Centro Tecnológico Nuclear e Ambiental (CENTENA), para desenvolvimento tecnológico na área de gerência de rejeitos e meio ambiente, e o Reator Multipropósito Brasileiro, que se destina à pesquisa e produção de radioisótopos aplicados na medicina, agricultura, indústria e testes de materiais.

Os outros quatro instrumentos foram assinados com os Ministérios de Ciência e Tecnologia e de Indústria e TICs da China. Os memorandos tratam da criação de um Programa Sino-Brasileiro de Fonte de Luz Síncrotron; do estabelecimento do Laboratório Conjunto em Mecanização e Inteligência Artificial para Agricultura Familiar; do aprimoramento da cooperação no desenvolvimento de capacidades em Inteligência Artificial; e da cooperação na indústria fotovoltaica.

“Com esses cinco instrumentos firmados, estamos passando uma mensagem importante, no sentido de que Ciência, Tecnologia e Inovação ocupam um espaço central nos resultados da visita de Estado do presidente Xi Jinping ao Brasil”, afirmou Luciana Santos.

O presidente chinês chegará ao Rio de Janeiro no próximo dia 17. No país, ele participará da Cúpula do G20, que congrega líderes das principais economias do mundo, e se reunirá com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“A China está disposta a trabalhar com o Brasil para implementar os importantes consensos alcançados pelos dois presidentes, fortalecer a conexão entre a iniciativa do Cinturão e Rota e a estratégia de desenvolvimento do Brasil e promover uma cooperação de longo prazo em níveis mais altos e áreas mais amplas, avançando em direção à construção de uma comunidade com futuro compartilhado para a China e o Brasil”, afirmou o ministro-conselheiro para os temas de Ciência e Tecnologia da Embaixada da China no Brasil, Jiang Dehua, que esteve na sede do MCTI, em Brasília.

Ele destacou que os dois países já possuem uma cooperação frutífera em áreas como tecnologia espacial, ciência básica, biotecnologia, mudanças climáticas e saúde pública. “Os satélites de recursos terrestres, desenvolvidos em conjunto por China e Brasil, têm mais de 34 anos de história e são considerados um exemplo de cooperação Sul-Sul”.

Jiang Dehua também avaliou que os novos entendimentos, firmados no marco dos 50 anos das relações diplomáticas entre Brasil e China, contribuirão com resultados no campo da ciência e da tecnologia, e fortalecerão o desenvolvimento das relações bilaterais.

Publicado originalmente pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação em 14/11/2024 – 18h35

]]>
https://www.ocafezinho.com/2024/11/15/brasil-e-china-ampliam-cooperacao-em-ciencia-e-tecnologia/feed/ 0
Os 13 novos países que devem se associar ao Brics https://www.ocafezinho.com/2024/10/23/os-13-novos-paises-que-devem-se-associar-ao-brics/ https://www.ocafezinho.com/2024/10/23/os-13-novos-paises-que-devem-se-associar-ao-brics/#respond Wed, 23 Oct 2024 22:38:04 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=195753 Os países do Brics formalizaram nesta quarta-feira, dia 23, a criação de uma nova categoria de associação ao bloco e definiram a lista com 13 países potenciais: Argélia, Belarus, Bolívia, Cuba, Indonésia, Cazaquistão, Malásia, Nigéria, Tailândia, Turquia, Uganda, Uzbequistão e Vietnã.

A Declaração de Kazan, documento final da 16ª cúpula anual de líderes do Brics, confirma o estabelecimento da categoria de “Países Parceiros do Brics”. Os líderes celebraram o “considerável interesse dos países do Sul Global”. Em Kazan, os atuais membros do bloco avaliaram manifestações formais de adesão expressadas por 33 países.

Participaram pela primeira vez de uma cúpula do Brics após a expansão de 2023 os dez membros atuais – Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Egito, Etiópia, Emirados Árabes Unidos e Irã. A presidência rotativa será assumida pelo Brasil em 1º de janeiro de 2025, quando será criada oficialmente a categoria de países “parceiros”.

O chanceler Mauro Vieira destacou que a discussão na cúpula foi centrada nos critérios e princípios que vão orientar a futura ampliação do Brics, sem definir prazos específicos para a inclusão formal dos novos países. Segundo ele, qualquer decisão será tomada em consenso entre os dez membros atuais. Vieira ressaltou que o Brasil não vê o Brics como um bloco hostil ao Ocidente, mas como um espaço de cooperação para o desenvolvimento e fortalecimento do interesse nacional.

O Brasil indicou simpatia por candidaturas de países latino-americanos, como Cuba e Bolívia, e se posicionou contra um aumento desmedido no número de associados. A expansão do bloco tem sido fomentada principalmente por China e Rússia, interessadas em aumentar a influência do Brics no cenário global.

A Venezuela, apesar da presença de Nicolás Maduro na cúpula e do apoio de Rússia e China, ficou de fora da lista de países potenciais. Nos bastidores, diplomatas indicaram que o Brasil se opôs ao ingresso venezuelano devido a questões políticas e recentes provocações de Caracas. O retorno da Venezuela ao processo de adesão dependeria de uma nova rodada de consultas entre os líderes.

]]>
https://www.ocafezinho.com/2024/10/23/os-13-novos-paises-que-devem-se-associar-ao-brics/feed/ 0
Exclusivo! O discurso histórico de Xi Jinping (legendado em português) https://www.ocafezinho.com/2024/10/23/exclusivo-o-discurso-historico-de-xi-jinping-legendado-em-portugues/ https://www.ocafezinho.com/2024/10/23/exclusivo-o-discurso-historico-de-xi-jinping-legendado-em-portugues/#respond Wed, 23 Oct 2024 19:53:47 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=195729 O presidente chinês Xi Jinping, na quarta-feira 23, pediu aos países do BRICS que trabalhem para o desenvolvimento de alta qualidade de uma maior cooperação dentro do grupo.

Em um discurso na 16ª Cúpula do BRICS, Xi afirmou que o encontro decidiu convidar várias nações para se tornarem países parceiros, destacando essa decisão como outro importante passo no desenvolvimento do BRICS.

Xi apelou aos membros do BRICS para transformarem o mecanismo multilateral em um local central de solidariedade e cooperação para o Sul Global, além de uma força de vanguarda na reforma da governança global.

Continue a ler sobre o discurso, e confira a sua íntegra por aqui.

O vídeo legendado para português, com exclusividade pelo Cafezinho, está abaixo:

]]>
https://www.ocafezinho.com/2024/10/23/exclusivo-o-discurso-historico-de-xi-jinping-legendado-em-portugues/feed/ 0
Os BRICS e o ocaso do Ocidente https://www.ocafezinho.com/2024/10/13/os-brics-e-o-ocaso-do-ocidente/ https://www.ocafezinho.com/2024/10/13/os-brics-e-o-ocaso-do-ocidente/#respond Sun, 13 Oct 2024 17:03:49 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=194801

Entre os dias 22 e 24 de outubro, será realizada na Federação Russa a cúpula dos países que integram os BRICS+. O encontro acontecerá na cidade de Kazan, capital da República do Tartaristão, às margens do rio Volga. Até o ano passado, os BRICS+ eram compostos por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. No dia 1º de janeiro de 2024, quatro novos países se uniram ao grupo: Egito, Etiópia, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita. A Argentina, que havia sido indicada para ingressar, rejeitou a filiação em nome de um alinhamento geopolítico com o G7 e a OTAN.

Os dez membros dos BRICS+ representam atualmente 46% da população mundial, 37,6% do Produto Interno Bruto (PIB) global e mais de dois terços da produção mundial de hidrocarbonetos. Há três décadas, o G7 (composto pela Europa Ocidental, Japão, Estados Unidos e Canadá) representava 50% do PIB mundial, enquanto os BRICS alcançavam apenas 16%. Durante a cúpula de Kazan, os BRICS deverão atingir 32% do PIB global, enquanto o G7 ficará em torno de 29%, uma diferença que tende a aumentar nas próximas décadas.

Até agosto deste ano, 32 países manifestaram interesse em se unir aos BRICS+. Entre os pedidos de adesão estão os casos paradigmáticos de Cuba e Turquia. No caso de Cuba, o país sofre há seis décadas com um bloqueio imposto pelos Estados Unidos. Seu ingresso nos BRICS+ criaria oportunidades para romper esse bloqueio por meio da cooperação oferecida pelo Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), que oferece financiamento sem interferências geopolíticas. Já o pedido de adesão da Turquia, se aceito, representaria um golpe significativo para a OTAN, enfraquecendo sua coesão.

Enquanto Washington e Bruxelas continuam a promover bloqueios, sanções unilaterais, interferências políticas, econômicas e financeiras, guerras híbridas e confusão cognitiva, os BRICS+ propõem uma nova ordem global baseada no respeito às soberanias nacionais e na regulamentação das grandes corporações. Ao contrário do Ocidente, que insiste em criar caos e manipulação, os BRICS+ defendem um modelo alternativo de governança global, desconectando o Sul Global das extorsões atlanticistas e buscando superar a paralisia das Nações Unidas diante da militarização da OTAN, da guerra tecnológica contra a China e da crise no Oriente Médio.

Um dos temas centrais da cúpula de Kazan será a continuação da política de desdolarização. Quatro décadas atrás, o dólar era utilizado em 80% das transações do comércio internacional. Hoje, esse número caiu para 45%. Para acelerar esse processo de desconexão monetária, será discutida a criação do BRICS Bridge, uma plataforma de pagamentos supranacional que competiria com o sistema Swift ocidental, utilizado por 11 mil instituições financeiras. O BRICS Bridge permitirá pagamentos em moedas nacionais dos países membros, com o Novo Banco de Desenvolvimento atuando como um sistema de compensação. Isso facilitaria o comércio entre os membros e simplificaria as transações de governos, empresas e indivíduos.

Outro tópico que será debatido é a criação de uma moeda digital única para os BRICS, chamada R5, uma referência à primeira letra das moedas dos países membros: real, rublo, rupia, renminbi e rand. A proposta da Rússia inclui o uso dessa moeda tanto para transações internacionais quanto para reservas de valor.

Uma pesquisa realizada por Zongyuan Liu e Mihaela Papa, acadêmicos norte-americanos, questionou em 2022 se os BRICS seriam capazes de aprofundar a desdolarização. A resposta foi clara: o Sul Global contribuirá para o declínio do modelo estabelecido em Bretton Woods. A decisão do governo de Javier Milei de recusar o ingresso da Argentina nos BRICS no início de 2024, sob pressão de Washington, provocou debates sobre as responsabilidades e compromissos dos membros. O chanceler brasileiro Mauro Luiz Vieira confirmou que um dos temas a serem abordados em Tartaristão será o estabelecimento de regras para futuras adesões.

O clube que desafia o Ocidente continuará a crescer, enquanto o Ocidente tentará conter esse avanço com guerras cognitivas, híbridas e de procuração, sinalizando seu ocaso.

Por Jorge Elbaum, para o Página 12

]]>
https://www.ocafezinho.com/2024/10/13/os-brics-e-o-ocaso-do-ocidente/feed/ 0
Apple inaugura laboratório bilionário na China em meio à rivalidade crescente com a Huawei https://www.ocafezinho.com/2024/10/13/apple-inaugura-laboratorio-bilionario-na-china-em-meio-a-rivalidade-crescente-com-a-huawei/ https://www.ocafezinho.com/2024/10/13/apple-inaugura-laboratorio-bilionario-na-china-em-meio-a-rivalidade-crescente-com-a-huawei/#respond Sun, 13 Oct 2024 16:51:47 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=194796

A Apple inaugurou um laboratório de pesquisa aplicada no centro tecnológico de Shenzhen, no sul da China, reforçando seu compromisso com o maior mercado de smartphones do mundo, em meio à crescente competição com empresas locais, como a Huawei Technologies.

A instalação começou a operar na quinta-feira, no Parque de Shenzhen, em Hetao, uma zona de cooperação desenvolvida sob a diretriz do governo central para aprofundar as parcerias tecnológicas da cidade com a vizinha Hong Kong, de acordo com um relatório da mídia estatal People’s Daily.

A Apple anunciou em março seus planos de construir um novo laboratório em Shenzhen, com o objetivo de aprimorar suas capacidades de teste e pesquisa para seus principais produtos, como o iPhone, iPad e o headset de realidade mista Vision Pro, além de fortalecer a colaboração da empresa com fornecedores locais.

O laboratório, que ocupa uma área de 20 mil metros quadrados na fase inicial, se tornará o centro de pesquisa e desenvolvimento da Apple na Grande Baía – uma região econômica que inclui Hong Kong, Macau e nove cidades da província de Guangdong.

A instalação empregará mais de mil talentos locais e internacionais, tornando-se o laboratório mais extenso da empresa fora dos Estados Unidos, segundo o relatório.

A Apple não respondeu imediatamente a um pedido de comentário na sexta-feira.

Apesar dos esforços recentes para diversificar sua cadeia de fornecimento de manufatura para fora da China, a empresa sediada em Cupertino, Califórnia, está aumentando seus investimentos em pesquisa no país. O continente chinês, juntamente com Hong Kong e Taiwan, constitui o maior mercado geográfico da Apple após as Américas e a Europa.

A empresa afirmou em março que já estabeleceu centros de pesquisa em Pequim, Xangai, Suzhou e Shenzhen. O tamanho de sua equipe de pesquisa e desenvolvimento na China dobrou nos últimos cinco anos.

A Apple enfrenta uma crescente concorrência no mercado chinês de smartphones, onde a Huawei, com sede em Shenzhen, viu uma recuperação em seus negócios de aparelhos. Em agosto, a gigante chinesa vendeu mais smartphones no continente do que a Apple pela primeira vez em quase quatro anos, de acordo com um relatório da empresa de pesquisa CINNO divulgado na quarta-feira.

Isso também foi corroborado por um relatório da Academia Chinesa de Tecnologia da Informação e Comunicações, que apontou uma queda de 12,7% nas remessas de smartphones estrangeiros, incluindo o iPhone, no mesmo mês.

A Apple caiu para fora do ranking das cinco maiores fabricantes de smartphones na China durante o segundo trimestre, com sua participação de mercado reduzida para menos de 14%, segundo a empresa de pesquisa IDC. Suas vendas combinadas no continente chinês, Hong Kong e Taiwan caíram 6,5% em relação ao ano anterior no segundo trimestre, totalizando US$ 14,73 bilhões.

Por Iris Deng, para o South China Morning Post

]]>
https://www.ocafezinho.com/2024/10/13/apple-inaugura-laboratorio-bilionario-na-china-em-meio-a-rivalidade-crescente-com-a-huawei/feed/ 0
Em reunião da Asean, membros repudiam ideia de uma “Otan asiática” https://www.ocafezinho.com/2024/10/13/em-reuniao-da-asean-membros-repudiam-ideia-de-uma-otan-asiatica/ https://www.ocafezinho.com/2024/10/13/em-reuniao-da-asean-membros-repudiam-ideia-de-uma-otan-asiatica/#respond Sun, 13 Oct 2024 16:44:07 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=194792 O fracasso da ideia de uma ‘OTAN Asiática’ na ASEAN: Editorial do Global Times

As 44ª e 45ª cúpulas da ASEAN e as reuniões de líderes sobre a cooperação no Leste Asiático estão sendo realizadas nesta semana, reunindo líderes ou representantes dos 10 países da ASEAN, além de China, Japão, Coreia do Sul, Índia, Austrália, Nova Zelândia, Rússia e EUA, em Vientiane, capital do Laos. Durante a 27ª Cúpula China-ASEAN, realizada na quinta-feira, os líderes da China e dos países da ASEAN anunciaram a conclusão substancial das negociações de atualização da Versão 3.0 da Área de Livre Comércio China-ASEAN (FTA). Esse marco importante demonstra o esforço conjunto da China e da ASEAN para liderar a integração econômica no Leste Asiático, reafirmando o apoio mútuo ao multilateralismo e ao livre comércio. Isso também destaca que a busca por estabilidade, cooperação e desenvolvimento continua a ser o principal objetivo da região.

Notavelmente, antes da cúpula da ASEAN, altos funcionários de países como os EUA e Japão sugeriram trazer confrontos entre blocos e conflitos geopolíticos para a reunião, uma intenção que encontrou resistência clara. Em particular, a proposta de uma “OTAN Asiática”, sugerida pelo novo primeiro-ministro do Japão, Shigeru Ishiba, enfrentou forte oposição na região. O ministro das Relações Exteriores da Malásia, Mohamad Hasan, afirmou de forma direta: “Não precisamos de uma OTAN na ASEAN”, enquanto o maior jornal de língua inglesa da Indonésia, o Jakarta Post, alertou que uma “OTAN Asiática” visa a confrontar a China, o que é “muito ofensivo” para os 10 membros da ASEAN. Essa resistência significativa fez com que Ishiba desistisse de mencionar a “OTAN Asiática” na reunião.

O fracasso dessa ideia destaca vários pontos. Primeiro, mostra que, ao contrário da percepção dos aliados dos EUA e da OTAN, essa aliança é vista por outras nações como um “prenúncio de desastre”. As ações da OTAN para melhorar sua imagem, gerando opinião pública e ampliando sua influência por meio da exploração de conflitos geopolíticos, apenas consolidaram sua reputação como criadora de caos e conflito. A opinião pública nos países da ASEAN revela um claro desprezo pela OTAN, que muitos veem como um “zumbi da Guerra Fria”, uma organização que já deveria ter sido relegada à história.

Segundo, os países da região não apenas rejeitam a introdução do modelo da OTAN na Ásia-Pacífico, mas também se opõem à importação da mentalidade de Guerra Fria e à criação de inimigos geopolíticos hipotéticos, como a China. Os princípios da OTAN são fundamentalmente diferentes dos dos países asiáticos. Enquanto a OTAN é uma aliança militar de países ocidentais, os países asiáticos valorizam sua independência e autonomia. A missão da OTAN é promover a “dissuasão” militar, enquanto os países asiáticos priorizam a paz e o desenvolvimento. Além disso, muitos países asiáticos têm histórias dolorosas de colonização e invasão, tornando-os profundamente contrários à interferência externa. As nações asiáticas valorizam a “Sabedoria Oriental” e entendem que a inclusão e a abertura são o caminho certo, em contraste com a diplomacia coercitiva e a lógica do “mais forte vence”.

A OTAN mantém sua relevância ao criar uma ameaça externa comum, algo que não existe na Ásia. Tentativas de direcionar o conflito contra a China estão fadadas ao fracasso. A China é o maior parceiro comercial da ASEAN há 15 anos consecutivos, e a ASEAN tem sido o maior parceiro comercial da China nos últimos quatro anos. A China apoia firmemente a construção da comunidade da ASEAN, o papel central do bloco na cooperação regional e defende sua maior participação nos assuntos internacionais. A implementação abrangente do RCEP e projetos como a Ferrovia China-Laos e a Ferrovia de Alta Velocidade Jacarta-Bandung são exemplos do sucesso da Iniciativa Cinturão e Rota, enquanto indústrias emergentes, como a economia digital e verde, estão gerando um forte impulso para a cooperação.

Uma pesquisa publicada em abril pelo Instituto ISEAS-Yusof Ishak de Cingapura indicou que os países da ASEAN veem a China de forma mais favorável do que os EUA. Mesmo nas Filipinas, observadores consideram a ideia de uma “OTAN Asiática” irrealista.

Percebemos que alguns meios de comunicação ocidentais refletiram sobre as razões para o fracasso da ideia da “OTAN Asiática”, mas essas reflexões não devem ser superficiais. Durante as reuniões de líderes sobre a cooperação no Leste Asiático, Ishiba expressou disposição para fortalecer as trocas de alto nível, intensificar o diálogo e promover o desenvolvimento constante das relações Japão-China, o que é uma atitude louvável.

Esperamos que as reuniões deste ano sobre a cooperação no Leste Asiático sirvam como um lembrete para todos os países externos: a região acolhe parceiros no desenvolvimento pacífico, mas não aqueles que criam problemas e conflitos.

Editorial no Global Times.

]]>
https://www.ocafezinho.com/2024/10/13/em-reuniao-da-asean-membros-repudiam-ideia-de-uma-otan-asiatica/feed/ 0