cpi da privataria - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/cpi-da-privataria/ Portal de noticias e análises sobre política brasileira, geopolítica, economia, tecnologia, sempre numa perspectiva democrática, progressista, anti-imperialista e multipolar! Thu, 22 Dec 2011 20:14:43 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://controle.ocafezinho.com/wp-content/uploads/2015/10/cropped-Logo_Cafezinho_tmb-32x32.png cpi da privataria - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/cpi-da-privataria/ 32 32 Inês Nassif: 2012, o ano da Privataria. https://www.ocafezinho.com/2011/12/22/ines-nassif-2012-o-ano-da-privataria/ https://www.ocafezinho.com/2011/12/22/ines-nassif-2012-o-ano-da-privataria/#respond Thu, 22 Dec 2011 20:14:43 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=2626 2011, o ano em que a mídia demitiu ministros. 2012, o ano da Privataria.

A imprensa estará muito menos disposta a comprar uma briga durante a CPI da Privataria – quer porque ela começa questionando a lisura de aliados sólidos da mídia hegemônica em 1994, 1998, 2002, 2006 e 2010, quer porque esse tema é uma caixinha de surpresas.

Maria Inês Nassif, na Carta Maior.

Em 2005, quando começaram a aparecer resultados da política de compensação de renda do governo de Luiz Inácio Lula da Silva – a melhoria na distribuição de renda e o avanço do eleitorado “lulista” nas populações mais pobres, antes facilmente capturáveis pelo voto conservador –, eles eram mensuráveis. Renda é renda, voto é voto. Isso permitia a antevisão da mudança que se prenunciava. Tinha o rosto de uma política, de pessoas que ascendiam ao mercado de consumo e da decadência das elites políticas tradicionais em redutos de votos “do atraso”. Um balanço do que foi 2011, pela profusão de caminhos e possibilidades que se abriram, torna menos óbvia a sensação de que o mundo caminha, e o Brasil caminha também, e até melhor. O país está andando com relativa desenvoltura. Não que vá chegar ao que era (no passado) o Primeiro Mundo num passe de mágicas, mas com certeza a algo melhor do que as experiências que acumulou ao longo da sua pobre história.

O perfil político do governo Dilma é mais difuso, mas não se pode negar que tenha estilo próprio, e sorte. As ofensivas da mídia tradicional contra o seu ministério permitirão a ela, no próximo ano, fazer um gabinete como credora de praticamente todos os partidos da coalizão governamental. No início do governo, os partidos tinham teoricamente poder sobre ela, uma presidenta que chegou ao Planalto sem fazer vestibular em outras eleições. Na reforma ministerial, ela passa a ter maior poder de impor nomes do que os partidos aliados, inclusive o PT. Do ponto de vista da eficiência da máquina pública – e este é o perfil da presidenta – ela ganha muito num ano em que os partidos estarão mais ocupados com as questões municipais e em que o governo federal precisa agilidade para recuperar o ritmo de crescimento e fazer as obras para a Copa do Mundo.

Sorte ou arte, o distanciamento de Dilma das denúncias contra os seus ministros, o fato de não segurar ninguém e, especialmente, seu estilo de manter o pé no acelerador das políticas públicas independentemente se o ministro da pasta é o candidato a ser derrubado pela imprensa, não a contaminaram com os malfeitos atribuídos a subalternos. Prova é a popularidade registrada no último mês do ano.

Mais sorte que arte, a reforma ministerial começa no momento em que a grande mídia, que derrubou um a um sete ministros de Dilma, se meteu na enrascada de lidar com muito pouca arte no episódio do livro “A Privataria Tucana”, do jornalista Amaury Ribeiro Jr. Passou recibo numa denúncia fundamentada e grave. Envolve venda (ou doação) do patrimônio público, lavagem de dinheiro – e, na prática, a arrogância de um projeto político que, fundamentado na ideia de redução do Estado, incorporou como estratégia a “construção” de uma “burguesia moderna”, escolhida a dedo por uma elite iluminada, e tecida especialmente para redimir o país da velha oligarquia, mas em aliança com ela própria. Os beneficiários foram os salvadores liberais, príncipes da nova era. O livro “Cabeças de Planilha”, de Luís Nassif, e o de Amaury, são complementares. O ciclo brasileiro do neoliberalismo tucano é desvendado em dois volumes “malditos” pela grande imprensa e provado por muitas novas fortunas. Na teoria. Na prática, isso é apenas a ponta do iceberg, como disse Ribeiro Jr. no debate de ontem (20), realizado pelo Centro de Estudos Barão de Itararé, no Sindicato dos Bancários: se o “Privataria” virar CPI, José Serra, família e amigos serão apenas o começo.

A “Privataria” tem muito a ver com a conjuntura e com o esporte preferido da imprensa este ano, o “ministro no alvo”. Até a edição do livro, a imprensa mantinha o seu poder de agendamento e derrubava ministros por quilo; Dilma fingia indiferença e dava a cabeça do escolhido. A grande mídia exultou de poder: depois de derrubar um presidente, nos anos 90, passou a definir gabinetes, em 2011, sem ter sido eleito e sem participar do governo de coalizão da mandatária do país. A ideologia conservadora segundo a qual a política é intrinsicamente suja, e a democracia uma obra de ignorantes, resolveu o fato de que a popularidade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva dizimou a oposição institucional, em 2010, e a criação do PSD jogou as cinzas fora, terceirizando a política: a mídia assumiu, sem constrangimentos, o papel de partido político. No ano de 2011, a única oposição do país foi a mídia tradicional. As pequenas legendas de esquerda sequer fizeram barulho, por falta de condições, inclusive internas (parece que o P-SOL levou do PT apenas uma vocação atávica para dissidências internas; e o PT, ao institucionalizar-se, livrou-se um pouco dela – aliás, nem tanto, vide o último capítulo do livro do Amaury Ribeiro Jr.).

Quando a presidenta Dilma Rousseff começar a escolher seus novos ministros, e se fizer isso logo, a grande mídia ainda estará sob o impacto do contrangimento. Dilma ganhou, sem imaginar, um presente de Papai Noel. A imprensa estará muito menos disposta a comprar uma briga durante a CPI da Privataria – quer porque ela começa questionando a lisura de aliados sólidos da mídia hegemônica em 1994, 1998, 2002, 2006 e 2010, quer porque esse tema é uma caixinha de surpresas.

Isso não chega a ser uma crise que a democracia não tenha condições de lidar. Na CPI dos Anões do Orçamento, que atingiu o Congresso, os partidos viveram intensamente a crise e, até por instinto de sobrevivência, cortaram na própria carne (em alguns casos, com a ajuda da imprensa, jogaram fora a água da bacia com alguns inocentes junto). A CPI pode ser uma boa chance de o Brasil fazer um acerto com a história de suas elites.

E, mais do que isso, um debate sério, de fato, sobre um sistema político que mantém no poder elites decadentes e é facilmente capturado por interesses privados. Pode dar uma boa mão para o debate sobre a transparência do Estado e sobre uma verdadeira separação da política e do poder econômico. 2012 pode ser bom para a reforma política, apesar de ter eleições municipais. Pode ser o ano em que o Brasil começará a discutir a corrupção do seu sistema político como gente grande. Cansou essa brincadeira de o tema da corrupção ser usado apenas como slogan eleitoral. O Brasil já está maduro para discutir e resolver esse sério problema estrutural da vida política brasileira.

(*) Colunista política, editora da Carta Maior em São Paulo.

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Blogosfera pauta agenda política https://www.ocafezinho.com/2011/12/15/globo-marca-ponto-sobre-pimentel-folha-fura-cerco-sobre-livro-do-amaury/ https://www.ocafezinho.com/2011/12/15/globo-marca-ponto-sobre-pimentel-folha-fura-cerco-sobre-livro-do-amaury/#comments Thu, 15 Dec 2011 10:33:15 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=2372 Depois de um início preguiçoso, a semana promete encerrar pegando fogo, por isso não encontrei melhor ilustração para o post do que uma pintura de Hieronymus Bosch, com sua agitação infernal. E desta vez, a pauta política, pela primeira vez na história da república, não está sendo conduzida pela mídia, e sim pela combativa blogosfera progressista.

A panela esquenta sobre dois bocais do fogão legislativo: no Senado e na Câmara.

O líder do PT no Senado, o pernambucano Humberto Costa, subiu à tribuna ontem para pedir a reabertura de investigações sobre o processo de privatização, em virtude das graves e documentadas denúncias contidas no livro de Amaury Ribeiro, a Privataria Tucana.

Na Câmara, depois do discurso inflamado do deputado Brizola Neto (PDT-RJ)…

… temos notícia de que o seu colega, Protógenes Queiroz, prometeu entregar um pedido de CPI sobre a Privataria com mais de 200 assinaturas ainda nesta quinta-feira.

Então teremos briga, como aliás adianta o Tijolaço, do Brizola. Os tucanos devem lançar hoje uma contra-ofensiva.

O Globo, porém, amanheceu com a pretensão de ignorar solenemente o tema e pautar à sua maneira a agenda política. Conseguiu, de fato, aplicar um golpe em Pimentel. O presidente da Fiemg, Robson Andrade, falara que Pimentel dera palestras nas regionais, mas o ministro não o fez. Foi um equívoco de Andrade, não do ministro, mas já foi o bastante para gerar duas páginas negativas na edição de hoje, além de uma chamada na capa, no hemisfério superior, ao lado das manchetes.

Noblat, naturalmente, se esbaldou.

O procedimento é corriqueiro em crises políticas. Obriga-se todos os envolvidos a se manifestarem diariamente, e qualquer mínima contradição ou erro factual em suas falas são tratados como um grande trunfo, mesmo que aquele deslize verbal não tenha nada a ver com o objeto da denúncia em si.

Outro destaque na mídia foi a publicação, pela Folha, de matéria sobre o livro de Amaury, rompendo o estrondoso silêncio que vinha perdurando nos últimos dias. A reportagem, contudo, se esmera em atacar Amaury, repetindo pleonasticamente umas quatro ou cinco vezes que ele está sendo investigado e processado por “quebra de sigilo”, e que teria trabalhado ou quase trabalhado na campanha de Dilma Rousseff em 2010.  Também tenta acobertar os indícios de ligação entre as transferências milionárias registradas para integrantes do PSDB e familiares de Serra e o processo de privatização. E dá destaque à agressiva defesa de Serra. Trata-se, enfim, de uma peça jornalística em defesa mal disfarçada dos tucanos envolvidos nas denúncias.

Temos um artigo do Eugênio Bucci no Estadão, tentando convencer os meios de comunicação a não temerem a inevitável reforma nas leis do setor.

E uma charge animada do Maurício Ricardo, publicada no UOL, que, segundo o Eduardo Guimarães, já foi retirada e republicada do ar algumas vezes, numa prova de nervosismo e insegurança do editor do portal sobre a conveniência de se publicar alguma coisa negativa sobre Serra.

 

A blogosfera continua a seguir as indicações do livro do Amaury e a puxar o fio do novelo.  Um post do Nassif revela que Serra reside em casa de sua filha comprada com dinheiro de Daniel Dantas.

O fato é que o escândalo das privatizações constitui um objeto de grande curiosidade e revolta porque além de envolver, comprovadamente, corrupção a um nível realmente digno da magnitude continental do país, consistiu na entrega criminosa de patrimônio público de valor estratégico. Não se trata de radicalismo antiprivatização. O governo brasileiro poderia perfeitamente ter aberto o capital das empresas de telefonia e mineração, modernizando-as e adequando-as aos novos tempos. O que se viu, contudo, foi um plano deliberado para lesar a pátria, e que envolveu diretamente a mídia.  Membros do próprio governo davam declarações depreciativas sobre as estatais, desvalorizando seu preço, e realizaram leilões a toque de caixa, sem promover nenhuma consulta popular. Colunistas como Miriam Leitão, faziam análises tendenciosas e descontextualizadas sobre essas empresas, num joguinho pré-armado para criar um clima favorável à privatização, a preços baixos. E o pior: tudo financiado a juros amigos pelos bancos governamentais e fundos de pensão!

Para culminar um dia que promete fogosos embates políticos, noticio aqui a misteriosa morte do blogueiro Amilton Alexandre, o famoso Mosquito, de Santa Catarina, que ganhou notoriedade ao denunciar o estupro cometido pelo filho do magnata da mídia gaúcha. O caso suscita muita apreensão entre a blogosfera do sul, e de todo país, pela possibilidade de ter ocorrido um crime político.

 

Link da imagem (Cristo no Limbo, de Hieronymus Bosch) da capa, em melhor resolução.

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