cpi do cachoeira - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/cpi-do-cachoeira/ Portal de noticias e análises sobre política brasileira, geopolítica, economia, tecnologia, sempre numa perspectiva democrática, progressista, anti-imperialista e multipolar! Tue, 21 Mar 2017 13:12:00 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://www.ocafezinho.com/wp-content/uploads/2015/10/cropped-Logo_Cafezinho_tmb-32x32.png cpi do cachoeira - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/cpi-do-cachoeira/ 32 32 Deveríamos prestar atenção no Projeto de Lei sobre a Terceirização https://www.ocafezinho.com/2017/03/21/deveriamos-prestar-atencao-no-projeto-de-lei-sobre-a-terceirizacao/ https://www.ocafezinho.com/2017/03/21/deveriamos-prestar-atencao-no-projeto-de-lei-sobre-a-terceirizacao/#comments Tue, 21 Mar 2017 13:12:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=68702 7 Comentários 🔥]]> Photo: BBC – Manchete do The Times sobre a falta de camas nos hospitais britânicos

Percebendo que terão dificuldades em passar a reforma da previdência, os parlamentares resolveram agir rapidamente para aprovar algo que vai trazer tantos danos como mexer na previdência: o projeto de lei que amplia a terceirização a todas as atividades empresariais.

Pois bem, nós brasileiros, com o nosso complexo de vira-lata, faríamos bem de olhar o que acontece nos países aonde a terceirização há muito é praxe. Às vezes a falta de protagonismo pode ter suas vantagens e em vez de idealizar tudo que vem de fora, seria bom se pudéssemos analisar as experiências para não cometer os mesmos erros.

A terceirização começou a ser a principal solução para todos os problemas nos anos 80 e não tem se revelado boa coisa.

A primeira pergunta que se deve fazer é a seguinte: a tercerização é boa para quem? Obviamente ela é vantajosa para as grandes empresas e governos. Porque ela é, primeiramente, uma maneira de se desprender das responsabilidades trabalhistas e do ônus financeiro que isto acarreta.

Quando uma empresa assina um contrato com uma prestadora de serviços, é a prestadora que se encarrega dos trabalhadores, responsabilizando-se, assim, somente pelo serviço prestado. E como na maioria das vezes o motivo do contrato é a redução de custos, não é mais da conta da empresa principal as condições dos trabalhadores terceirizados, abrindo espaço para todos os tipos de abusos. Assim, mesmo as entidades que se dizem ‘éticas’ podem lavar as mãos já que o abuso é responsabilidade de terceiros.

A prestadora de serviços também tem maneiras de se esquivar de suas responsabilidades trabalhistas, contratando pessoal temporariamente ou até como ‘autônomos’, já que ela contrata para a empresa, por períodos determinado, através de contratos de serviço.

De que adianta, portanto, lutarmos pela manutenção de boas leis trabalhistas e previdenciárias se uma grande parte da força de trabalho nacional nunca vai poder gozar destes direitos, porque serão terceirizados ou autônomos?

Outra vantagem para as empresas, mas não para os trabalhadores é que a mão de obra terceirizada, muitas vezes, não tem acesso à sindicalização.

Para dar um exemplo de fora, no Reino Unido os sindicatos foram quase que decimados principalmente por dois motivos: Primeiramente, o desaparecimento das indústrias nacionais, processo impulsionado e acelerado durante o governo de Margaret Thatcher. E segundo, a terceirização. Toda a parte mais braçal dos serviços públicos, principalmente aquelas tarefas feitas por mulheres, como a limpeza e a cozinha, foi terceirizada.

Estas trabalhadoras não só perderam seu vínculo empregatício com entidades conhecidas por velar pelos direitos trabalhistas, mas passaram a serem contratadas por hora de serviço, quando não forçadas a virarem autônomas, perdendo assim direito a licença médica, maternidade, férias, etc. E, uma vez dispersadas e atomizadas, perdem também o acesso à sindicalização.

Atualmente, os sindicatos britânicos estão fazendo um grande esforço, sem muito sucesso até agora, para re-sindicalizar os trabalhadores em situação precária. Quando os trabalhadores se encontram em situação precária, eles não querem reividincar seus direitos por medo de perder o emprego.

Mas quem sabe a consequência mais grave da terceirização seja o impacto social. A terceirização, que na realidade é a precarização do trabalho, leva não só à insegurança, mas a desvalorização do trabalho e do trabalhador. Situação que gera a insatisfação geral das pessoas com as suas vidas e com a sociedade. E quando as pessoas não são politizadas esta insatisfação, em vez de se tornar em força que pode ser canalizada para o bem, leva a atitudes reacionárias.

Dito de maneira simples, aí está uma das causas subjacentes dos recentes acontecimentos na Europa e nos Estados Unidos, como o Brexit e a eleição de Trump. As populações destes países estão se fechando em si mesmas e rejeitando a globalização liberalista – invenção das elites destes próprios países – porque elas se sentem inseguras, com medo e acham que sem imigrantes, conseguirão empregos melhores e mais seguros.

Talvez o aspecto mais absurdo do golpe que experimentamos é o desejo de seus protagonistas de querer retornar a um passado que visivelmente não deu certo.

Enquanto a Europa e os Estados Unidos se debatem tentando ententer o que está acontecendo. Aqui estão correndo para aprovar leis cujas consequências são claras. O liberalismo adotado pelas potências mundiais resultou na maior acumulação de capital, no aumento das desigualdades e na redundância (física, mental e ética) de milhões, se não bilhões, de seres humanos.

E quando a terceirização é acoplada com o sufocamento do serviço público e a recessão como consequência do emprego precário (também reduzindo a arrecadação de impostos) o resultado é o fracasso do ‘mercado’, tão amado pelos economistas ortodoxos.

Vou dar, mais uma vez, um exemplo do que está acontecendo no Reino Unido.

Os serviços sociais, braço direito do famoso serviço nacional de saúde (NHS) pública britânico, foram quase que completamente terceirizados. Principalmente, os serviços de cuidados.

A proposta dos Conservadores é a mesma que a de Temer: para salvar a ‘economia’ é necessário cortar a ‘gastança’ com os serviços públicos, feita pelo governo anterior.

Mas como o NHS é sagrado para público britânico, os Conservadores prometeram manter o mesmo nível de financiamento na saúde. Os cortes, portanto, afetaram principalmente os serviços complementários, como os serviços sociais.

Assim, os municípios ficaram sem recursos para contratar os serviços terceirizados de firmas de cuidados.

O resultado tem sido, primeiro, uma grande falta de cuidadoras (mal pago, poucos querem fazer este trabalho, situação que se agravará ainda mais com o Brexit) e, segundo, um grande número de empresas de cuidados estão deixando o mercado ou falindo.

O peso social de tudo isso? A maior crise do sistema público de saúde que o país já viu.

Neste inverno, de 50 das 152 fundações que administram os hospitais públicos pediram ajuda para o governo central, dos quais 15 declararam estar no mais alto nível de emergência, impossibilitando-os de dar cuidados integrais a seus pacientes.

E qual foi a razão principal da crise? Não foi a falta de médicos ou medicamentos. Os hospitais simplesmente não podiam mandar pacientes para casa, porque não tinha quem cuidasse deles.

Ainda não foi calculado o prejuízo e quantas vidas foram prejudicadas durante este inverno. Mas o NHS, que sempre foi o orgulho do povo britânico, chegou a tal ponto que a Cruz Vermelha alertou para a possibilidade de ‘uma crise humanitária’

A perda de direitos trabalhistas e ações que visam melhorar a ‘eficiência’ das empresas, como também os ‘cortes’ no Estado para torna-lo ‘menor’ tem consequências negativas que não afetam somente a vida dos indivíduos.

Os chamados países desenvolvidos, depois de anos de desmantelamento de seus estados de bem-estar social, estão apenas começando a sentir os impactos do que é viver numa sociedade sem seguranças e direitos.

Nós, nos chamados países em desenvolvimento, deveríamos já estar cientes do que isso significa.

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Reflexões sobre a CPI do Cachoeira https://www.ocafezinho.com/2012/12/19/reflexoes-sobre-a-cpi-do-cachoeira/ https://www.ocafezinho.com/2012/12/19/reflexoes-sobre-a-cpi-do-cachoeira/#comments Wed, 19 Dec 2012 17:27:12 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=9094 [s2If !current_user_can(access_s2member_level1) OR current_user_can(access_s2member_level1)]

A CPI do Cachoeira terminou em pizza. Uma derrota política dos governistas. Derrota minha, em particular, que desde o início emprestei um firme apoio aos trabalhos da comissão. O próprio relator da comissão, o deputado Odair Cunha (PT-MG) fez declarações revoltadas e chorosas sobre o resultado final. Ele mesmo perdeu duas vezes. Seu primeiro relatório, um corajoso documento de milhares de páginas onde constavam esclarecimentos detalhados sobre o braço midiático do esquema de Carlinhos Cachoeira, teve que ser amputado após um processo de negociação com os membros da CPI. Entretanto, mesmo poupando Policarpo e Gurgel, seu relatório ainda assim não foi aprovado. Ou seja, além de ser xingado de covarde e pusilânime por poupar a Veja, será chamado de perdedor por não conseguir, mesmo tendo cedido, aprovar seu relatório final.

Entretanto, pensando objetivamente, e se afastando das emoções suscitadas pela trilha sonora derrotista, acho que estão todos se esquecendo das coisas mais importantes. Chorar não põe mesa, não vence batalhas políticas, não prende corruptos. O caso pede antes uma apurada análise.

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Volto à estratégia pensada há alguns meses, de publicar um post de acesso gratuito às segundas-feiras e, no resto da semana, posts de conteúdos exclusivos para assinantes.  Para continuar ler a minha análise sobre o fim da CPI do Cachoeira, portanto, você terá que fazer um login como assinante. Confira aqui como assinar o blog O Cafezinho. Caso estivesse logado, você leria a análise completa sem sequer se deparar com esta mensagem, que só aparece para os não-assinantes.
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Uma breve recapitulação. O relatório de Odair Cunha, que indiciava o governador de Goiás, Marconi Perillo, foi rejeitado. De madrugada, rascunhou-se um outro texto, às pressas, que não indiciava ninguém, e foi este o documento final da CPI.

Em primeiro lugar, vamos analisar a votação do relatório rejeitado de Odair. Observe com atenção os nomes e partidos que votaram a favor e contra.

Senadores

A favor:
Jorge Viana (PT-AC)
Lídice da Mata (PSB-BA)
Pedro Taques (PDT-MT)
Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM)
Aníbal Diniz (PT-AC)
João Costa (PPL-TO)
Randolfe Rodrigues (PSOL-AP)

Contra:
Sérgio Petecão (PSD-AC)
Sérgio Souza (PMDB-PR)
Ciro Nogueira (PP-PI)
Ivo Cassol (PP-RO)
Jayme Campos (DEM-MT)
Alvaro Dias (PSDB-PR)
Cássio Cunha Lima (PSDB-PB)
Antonio Carlos Rodrigues (PR-SP)
Marco Antonio Costa (PSD-TO)

—–

Deputados

A favor
Cândido Vacarezza (PT-SP)
Odair Cunha (PT-MG)
Paulo Teixeira (PT-MG)
Íris de Araújo (PMDB-GO)
Ônix Lorenzini (DEM-RS)
Glauber Braga (PSB-RJ)
Miro Teixeira (PDT-RJ)
Rubens Bueno (PPS-PR)
Jô Moraes (PCdoB-MG)

Contra
Luiz Pitiman (PMDB-DF)
Carlos Sampaio (PSDB-SP)
Domingos Sávio (PSDB-MG)
Gladson Cameli (PP-AC)
Maurício Quintela Lessa (PR-AL)
Sílvio Costa (PTB-PE)
Filipe Pereira (PSC-RJ)
Armando Vergílio (PSD-GO)
César Halum (PSD-TO)

A lista acima nos permite tirar as seguintes conclusões:

  • Entre deputados, houve empate de 9 a 9. A derrota de Cunha se deu entre senadores, entre os quais havia maioria de parlamentares de direita.
  • O erro dos governistas, portanto, nasceu na origem da CPI. Mesmo sabendo que a comissão investigaria um esquema ligado sobretudo à oposição (DEM e PSDB), porque mais senadores do PT ou de outras legendas do núcleo duro da base não se inscreveram nela, a fim de comporem uma maioria? Onde estavam Suplicy, Humberto Costa, Vanessa Grazziotin?
  • Olhando o quadro de senadores que a compunham, explica-se porque tanto o primeiro como o segundo relatório de Odair Cunha não receberam apoio.

Doravante, quando a situação criar CPIs, uma boa iniciativa para sair da defensiva e combater a corrupção sem estar a reboque da mídia, que o faça com mais competência, a começar tomando o cuidado de compor maiorias. E não maiorias instáveis como se viu, calculadas a partir de uma abstrata “base aliada”, mas composta por membros do núcleo duro de apoio ao governo. O conceito de base aliada tem de ser revisto. A base é aliada para alguns objetivos, para outros, não. Numa CPI, não se pode brincar de “base aliada”.

O PT perdeu uma grande oportunidade de inflingir um contra-ataque político à oposição, partidária e midiática. Se tivesse agido com mais inteligência e galhardia, teria criado um contraponto ao massacre que sofreu com o julgamento do mensalão. Ainda mais porque havia inúmeros pontos de ligação entre uma coisa e outra. A parceria entre Cachoeira e Veja esteve por trás, desde o início, dos pesados ataques midiáticos que começou a sofrer a partir de 2005, a começar pelo flagra nos Correios, quando se divulgou vídeo onde Maurício Marinho embolsava uma propina de 2 ou 3 mil reais.

A estupidez política do PT resultou numa derrota não apenas para o partido, mas para toda a sociedade. E acabou por influenciar também o próprio julgamento da Ação Penal 470, visto que, se houvesse um contraponto, os juízes do STF ver-se-iam obrigados a considerar a luta midiática na análise de conjuntura.

Entretanto, mesmo considerando essa estupidez e essa derrota, ainda sim devemos olhar para os resultados concretos da CPI com menos emoção partidária e mais objetividade. Em primeiro lugar, deve-se entender que o conceito de “resultados concretos” tem sido um tanto distorcido pela midia, sempre com objetivo de atacar a CPI do Cachoeira.

Uma CPI quase nunca apresenta resultados concretos. Ela encaminha indiciamentos, dados e conclusões às autoridades competentes, que podem dar aceitá-los ou não.

O que se deve olhar, numa CPI, são seus resultados políticos. Ela é tocada numa casa política, por políticos, e, especificamente no caso desta, investigava um esquema de corrupção política.

A CPI desbaratou e trouxe à luz um esquema complexo, onde se reuniam interesses políticos, mafiosos, empresariais, midiáticos.

Havia um braço político: Demóstenes Torres, Marconi Perillo, prefeitos e deputados. Um braço mafioso: Carlinhos Cachoeira Um braço empresarial: Delta. Um braço midiático: revista Veja.

Este é o grande trunfo da CPI, e a sua grande derrota acontece porque um esquema com essas características teria que ser, necessariamente, investigado por agentes políticos, porque ele embute não apenas crimes comuns, mas tramóias propriamente políticas, algumas das quais talvez seja difícil penalizar criminalmente, mas que podem ser facilmente exibidas, à sociedade, como exemplo notório de pilantragem midiático-política. Ninguém conseguia pegar Al Capone, porque ele cuidava para dar aparência legal à sua vida, mas todos sabiam que se tratava de um bandido. A mesma coisa poderia valer para Perillo, Veja e Cachoeira.

A inversão de valores que vimos este ano, em se tratando de política, é muito curiosa. Todo mundo sabe (inclusive a oposição) que José Genoíno é uma pessoa inocente, um cidadão sem posses, que se dedicou a vida inteira a ideais nobres, e no entanto, está condenado. Todo mundo sabe que Perillo é culpado, que seu governo foi tomado por Carlos Cachoeira, e que a Veja alugou suas páginas, por anos, aos interesses de um esquema mafioso, e, no entanto, Perillo e Policarpo estão livres, leves e soltos.

Essa contradição é que poderia ser explorada pelo PT, caso tivesse sido mais inteligente e mais cuidadoso ao montar os participantes da CPI.

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Policarpo e a impunidade https://www.ocafezinho.com/2012/11/29/policarpo-e-a-impunidade/ https://www.ocafezinho.com/2012/11/29/policarpo-e-a-impunidade/#comments Thu, 29 Nov 2012 20:30:32 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=8780

O mais irônico nas pressões da mídia e oposição para derrubar o texto de Odair Cunha, relator da CPI do Cachoeira, é que o cheiro de pizza se desprende justamente daqueles que acusam a CPI de terminar em pizza. Todos aqueles que vociferam diuturnamente contra a “impunidade” dos poderosos chancelaram submissamente a impunidade de um jornalista  mancomunado com uma quadrilha de criminosos.

Acho, porém, que houve injustiça contra o PT nas acusações de “covardia”. A legenda ficou isolada na CPI em sua disposição de convocar Policarpo Júnior, jornalista da Veja. O partido é minoritário na comissão. Não só isso. O PT tem carregado praticamente sozinho, entre os partidos, com exceção do PCdoB, a bandeira da regulação da mídia.

Entretanto, independente do relatório, a CPI reuniu vasto material a ser entregue ao Ministério Público e à Polícia Federal.

(Nota publicada hoje na coluna de Ilimar Franco, no Globo).

Neste link, você encontrará uma lista de todos os documentos recebidos pela CPI.

O PT já foi covarde, isso sim, durante o governo Lula. Agora está bem mais desenvolto, e aprovou diversos documentos com críticas muito contundentes  aos meios de comunicação. O recuo de Odair Cunha, ao tirar Policarpo da lista, só aconteceu porque o texto deve ser, necessariamente, negociado com os membros da CPI para ser aprovado. E a maioria era contra.

Não é questão de covardia, portanto, e sim de momento político. A mesma coisa vale para uma suposta Lei da Mídia, tão necessária ao aperfeiçoamento da nossa democracia, mas infelizmente tão distante de ser defendida e aprovada pelo Congresso Nacional.

Não se pode confundir maioria governista no Congresso com domínio imperial sobre o parlamento. O Executivo só tem maioria enquanto propor leis e reformas que não conflitarem com os interesses e as ideias dessa maioria. Isso é democracia, vale para o bem, vale para o mal.

Eu vejo as pessoas falando: ah, o governo tem maioria no Congresso, então porque não aprova isso ou aquilo? Ora, o governo só pode aprovar matérias previamente negociadas com os parlamentares. Não sei como é na Argentina, onde aprovaram a Ley dos Medios, mas aqui no Brasil temos um parlamento voluntarioso e autônomo, e a ideia de propor regulamentação da mídia não me parece popular, ainda, entre a maioria.  Ao contrário, há uma fila de congressistas, governistas ou não, querendo emprego como lobista da mídia. Trabalham até de graça, apenas em troca de elogios em cadeia nacional.

*

Na Inglaterra, após dois meses de trabalho, a comissão que investigava o caso de Rupert Murdoch concluiu ser necessário ampliar a regulação da mídia inglesa. A sugestão de criar uma entidade independente para regular a imprensa britância conta com apoio de 79% da população, segundo pesquisa. Aliás, essa é a grande diferença entre lá e cá, esse apoio da população à uma lei mais rígida. Ao contrário do que acontece no Brasil, as classes médias e altas da Inglaterra estão, nesse momento, propensas a aceitar maior controle sobre os meios de comunicação, em virtude das circunstâncias. Mesmo assim, não é ponto morto. O Primeiro Ministro, que havia feito um discurso em favor da criação de órgão independente, recuou e acaba de se declarar contrário qualquer aumento de regulação externa ou estatal sobre a mídia britânica. Segundo o The Guardian, Cameron dará um ano para que as próprias empresas de mídia aprimorem o sistema de auto-regulação vigente hoje no país. Existe, na Inglaterra, um órgão formado pelos próprios meios, para monitorar e coibir os abusos da mídia; é o Conselho de Reclamações da Imprensa, PCC na sigla em inglês. Um comentarista do The Guardian disse que Cameron terá de provar ao público que não é um puddle dos barões da mídia inglesa.

*

O que acontece na Inglaterra, embora tenha relação com o que ocorre no Brasil, não tem a explosiva conotação política que vemos por aqui. Os ingleses querem regular o sensacionalismo chulo, que expõe intimidades de qualquer pessoa com base numa suposta liberdade de expressão. A nossa situação é bem mais grave. Temos uma mídia infinitamente mais concentrada, mais poderosa, mais traiçoeira do que talvez jamais se viu no Reino Unido, e que se consolidou justamente num período de exceção. O cartel midiático que hoje se especializa em produzir crises é um rebento malcriado e sem caráter do regime militar.

*

O novo escândalo de corrupção nos altos escalões da república, envolvendo nomes como o de José Weber Holanda, o segundo na hierarquia da Advocacia Geral da União (AGU), Rosemary Noronha, chefe do gabinete da República em São Paulo, e diretores de agências reguladoras, chegou numa hora bastante apropriada para a oposição, porque coincide com o fim do julgamento do mensalão. Ou seja, um escândalo pode ser engatado no outro. Além disso, o vazamento dos emails de Rosemary permite à imprensa criar tantas histórias forem necessárias. Saberemos detalhes de cada viagem internacional de Rose. Páginas e mais páginas sobre suas cirurgias plásticas, conversas pessoais, vida social e planos de futuro. Qualquer telefonema, para qualquer pessoa, empresa ou instituição,  será relatado como coisa muito suspeita. Enfim, ela é o alvo porque se pode chegar, através dela, no ex-presidente Lula, o qual jamais será perdoado pela mídia por tê-la feito engolir uma fragorosa derrota em São Paulo.

*

Lembremos, porém, que a correlação de forças está mudando. A partir de 2013, teremos um Brasil mais avermelhado, com a entrada de milhares de prefeitos e vereadores de esquerda em pequenas e grandes cidades, a começar por São Paulo. Se eu fosse Haddad, me preparava desde já e começava a montar um gabinete digital de qualidade, que lhe permita receber e transmitir informações, fazer a defesa política de seus projetos e, sobretudo, reagir aos ataques violentos que seguramente receberá da oposição midiática.

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Pizzas tóxicas aterrorizam Brasília https://www.ocafezinho.com/2012/11/23/pizzas-toxicas-aterrorizam-brasilia/ https://www.ocafezinho.com/2012/11/23/pizzas-toxicas-aterrorizam-brasilia/#comments Fri, 23 Nov 2012 02:07:02 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=8700

Os capangas entraram em ação.

O relatório da CPI do Cachoeira, apresentado esta semana por seu relator, o deputado federal Odair Cunha (PT-MG), enfureceu os barões da mídia, que não perderam tempo. Seus leões de chácara travestidos de colunistas vociferaram pesadamente contra a audácia do parlamentar petista de tocar nos intocáveis.

Todos, todos, todos os capangas gritaram em uníssono. Noblat, Merval, Dora Kramer, Cantanhede, editoriais, manchetes.

Não vou me estender muito sobre o assunto, nem linkar ninguém. Todos dizem a mesma coisa, fazem as mesmas distorções. Vamos elencar as mentiras mais gritantes:

  1. Que a CPI indiciou o tucano Perillo e “poupou” Agnelo. Ora, os próprios jornais onde estes colunistas escrevem publicaram dezenas de denúncias gravíssimas contra o governador de Goiás. Contra Agnelo, não apareceu nada consistente. O Cachoeira foi preso na casa do Perillo!
  2. Que um policial disse que não encontrara nada de ilegal nas conversas entre Policarpo e Cachoeira. A função da CPI é justamente investigar aspectos políticos, o que não compete a um policial comum. O relatório diz, com abundâncias de provas (não há nenhum domínio de fato aqui), que a organização criminosa utilizava a mídia para chantagear políticos e autoridades, visando facilitar seus negócios escusos, e Policarpo era o principal homem de Cachoeira na grande mídia.
  3. Que a CPI fracassou ou acabará em pizza. Uai. A CPI indicia um montão de gente, governador, prefeitos, jornalistas importantes, policiais, altos servidores públicos, e um dos homens mais ricos do país, o proprietário da Delta, Fernando Cavendish. Que pizza é essa?
  4. Que a CPI não acrescentou nada ao trabalho da Polícia Federal. Mentira. A CPI vai entregar à PF e ao Ministério Público milhares de sigilos bancários, telefônicos, fiscais, eletrônicos. A começar do próprio Marconi Perillo. Como assim não acrescentou nada?
  5. Que o relatório da CPI representou uma vingança política contra o julgamento do mensalão. Ué, cadê a curiosidade, a sede por justiça, o espírito ético? A mídia e seus colunistas não estão indignados com o esquema montado por Cachoeira, mafioso goiano, e Demóstenes Torres, senador do DEM, o mosqueteiro da ética?
  6. Condenaram Dirceu porque uma de suas ex-mulheres conseguiu um empréstimo para comprar o apartamento onde mora. Um empréstimo! Enquanto isso Perillo ofereceu sua própria casa ao maior bandido de seu estado, e ninguém fica indignado?
  7. Quanto a Roberto Gurgel, o Jornal Nacional o entrevistou nesta quinta-feira. Vimos um homem debochado, a responder com um sorriso cínico, sem demonstrar nenhum respeito pelo Congresso Nacional e pelo trabalho dos parlamentares que dirigem a CPI.
  8. Disseram que a CPI é instrumento de minoria. Balela. CPI é para investigar corruptos, e a CPI interrogou e investigou Perillo, Cachoeira e Cavendish.
  9. Que a CPI blindou a Delta. Caramba! A Delta foi declarada inidônea pela CGI, por causa das denúncias feitas na CPI, perdeu bilhões em contratos, está sendo processada por diversas instâncias do governo, e não pode mais participar de nenhuma licitação pública. Logo nos primeiros dias da CPI, a presidente Dilma mandou a Casa Civil publicar na internet todos os contratos da Delta com o Executivo. A notícia de que ela ainda é uma das companhias que mais recebe recursos do governo falseia a realidade. Ela recebe por obras já contratadas, em andamento ou já realizadas.

 

Não cabe à CPI do Cachoeira, à nenhuma CPI, resolver todos os problemas do país. CPI tem de ter foco, e ir fundo nele, e entregar um relatório ao final, que deverá ser encaminhado ao Ministério Público para que este, ajudado pela polícia, faça o seu trabalho, que é investigar.

Agora, é claro que o PT usou a CPI como forma de revidar politicamente ao tratamento que recebeu no mensalão. É do jogo democrático. É a razão de ser da democracia: o povo elege seus representantes também para que estes façam o bom combate político. O sujeito não vota num deputado do PT para vê-lo apanhar de colunistas tucanos. Essa é uma equação simples que a mídia não parece entender. Quando a mídia ataca Lula e o PT, ataca milhões de brasileiros que admiram o ex-presidente e seu partido, e estes mesmos brasileiros, quando votam, quando transferem seu poder para um representante político, o fazem para que este os defendam.

Pelo menos o PT fez o dever de casa e suas acusações são munidas de áudios, vídeos, documentos. Não tem nenhuma ilação, nenhum domínio do fato.

*

Acho maravilhoso termos um negro como presidente do Supremo Tribunal Federal. Considero Joaquim Barbosa um sujeito íntegro, firme e corajoso. Mas não é um juiz competente. No julgamento do mensalão, vimos um magistrado destilar absurdos lógicos, incongruências jurídicas e agir apenas como acusador. Ele entrou no processo com ânsia de condenar, vestiu alegremente a fantasia de vingador e mostrou-se deslumbrado com as luzes de uma mídia obviamente engajada. Tenho opinião parecida de vários outros juízes. Não sei se os réus do mensalão são inocentes, se usaram crack na adolescência, se batem na mulher, se tem dinheiro em contas no exterior, se já roubaram roupa em lojas de departamento. O que me incomoda é ver juízes elaborando teorias escalafobéticas baseadas numa teoria alemã interpretada de forma indigente. É ver juízes condenando com base em ilações inconsistentes. A CPI do Cachoeira acaba de mostrar que é possível sim obter provas de crimes cometidos por graúdos.

*

Sugiro a leitura dos seguintes posts:

Estes dois do Nassif.

http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/a-cpmi-de-cachoeira-e-o-papel-da-midia

http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/a-importancia-do-relatorio-da-cpmi-para-a-propria-midia

*

Todo mundo também deve assistir a este vídeo, com Lewandowski agradecendo ao apoio que recebeu da blogosfera por ter sido o único juiz a resistir às pressões da mídia:

*

Interessante notar também que, enquanto a nossa mídia continua a guerra para destruir a reputação do ex-presidente Lula, o mesmo prossegue colecionando os prêmios e honras mais importantes mundo afora. Esta semana, Lula recebeu o prêmio Gandhi, por suas contribuições ao desenvolvimento e à paz.

*

Lembremos ainda que um dos obstáculos mais fortes para o avanço da reforma agrária no Brasil, além da pusilanimidade do governo federal nesta seara, é o conservadorismo do Judiciário, que historicamente tem sido aliado do latifúndio. O Ministério Público também ajuda o latifúndio, ao blindá-lo contra investigações que resultariam, se levadas ao cabo, em distribuição de terras improdutivas ao povo que delas precisam. Nenhum latifundiário jamais foi condenado apenas por “domínio de fato”…

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CPI do Cachoeira diz a que veio https://www.ocafezinho.com/2012/11/21/cpi-do-cachoeira-diz-a-que-veio/ https://www.ocafezinho.com/2012/11/21/cpi-do-cachoeira-diz-a-que-veio/#comments Wed, 21 Nov 2012 19:09:41 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=8693

Relator da CPI do Cachoeira pede indiciamento de Policarpo Júnior e mais quatro jornalistas

publicado em 21 de novembro de 2012 às 16:08
de CartaCapital (Via Azenha)

O relatório final da CPI do Cachoeira, que investigou o grupo do bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, será lido apenas na quinta-feira 22, mas o capítulo a respeito dos elos da quadrilha com a mídia revela que o relator da comissão, deputado Odair Cunha (PT-MG), pedirá o indiciamento de cinco jornalistas, entre eles Policarpo Júnior, redator-chefe da revista Veja em Brasília.

De acordo com o relatório da CPI, Cachoeira contava, como “órgão de apoio de suas empreitadas criminosas, com um forte e atuante braço midiático, a ser utilizado para atender aos desígnios diversos da quadrilha”. Segundo as investigações da CPI, Cachoeira é proprietário oculto de quatro jornais em Goiás (A Redação Online, O Estado de Goiás, Jornal de Anápolis e Opção) mas tentava influenciar, e muitas vezes conseguia, publicações como o jornal Correio Braziliense e Veja.

O capítulo a respeito da mídia tem 348 páginas. Dessas, 86 são dedicadas ao longo relacionamento de Cachoeira e Policarpo Júnior, “um dos profissionais da imprensa mais requisitados pelo líder da quadrilha”. Segundo o relator, o jornalista da revista Veja não mantinha com Cachoeira “uma vinculação que se consubstanciava apenas na relação de jornalista e fonte”.

Para Cunha, Cachoeira e seus aliados “alimentavam de informações o jornalista Policarpo e usavam as matérias assinadas e/ou pautadas pelo jornalista ou sua equipe como uma arma letal para prejudicar adversários, destruir personalidades e biografias, criar e promover de modo amiúde falsos moralistas e paladinos da ética, visando sempre alcançar o êxito político e econômico” da organização.

Policarpo Júnior, afirma o relatório, “aderia aos estratagemas e utilizava as informações que lhe repassavam o grupo criminoso, na exata medida em que tais enredos pudessem se coadunar com os caminhos e as visões de mundo que orientam a linha editorial do conglomerado que o emprega”.

Há, segundo o relatório, casos em que Veja teria mantido como verdadeiras histórias que sabia não ser verdadeiras. Em maio de 2011, Veja publicou reportagem na qual acusava o ex-deputado e ex-ministro do governo Lula José Dirceu (PT) de ser responsável por ter transformado a construtora Delta na maior parceira do governo federal no PAC.

Segundo o relatório, a revista acusava Dirceu de fazer “tráfico de influência”. O relatório da CPI mostra, no entanto, diálogos entre Cachoeira e Claudio Abreu, diretor da Delta no Centro-Oeste, nos quais eles afirmam que Dirceu nada tinha a ver com a entrada da Delta nas obras federais. Segundo o relatório, mesmo informado de que Dirceu não tinha influência sobre os contratos da Delta com o governo federal, a história foi mantida.

Há também um caso em que Cachoeira teria conseguido evitar a publicação de denúncias contra o senador agora cassado Demóstenes Torres (ex-DEM). De acordo com o relatório, uma repercussão de reportagem de março de 2011 na qual o ex-governador do DF José Roberto Arruda fazia denúncias contra Demóstenes foi deixada de lado após intervenção de Carlos Cachoeira e Claudio Abreu com Policarpo Júnior. O diálogo, de maio de 2011, foi reproduzido pelo relator:

Demóstenes – Oi professor, não saiu nada na Veja não
Carlinhos – Foi melhor assim né. Eu vi cedo, bom demais
Demóstenes – Morreu o assunto né, tranquilo então beleza, isso aí resolveu então, cem por cento resolvido.
Carlinhos – Foi a conversa que eu e o Claudio tivemos lá com o Policarpo…foi bom, bom demais, valeu.

O relatório nota que, em junho de 2011, quando Veja publicou reportagem tratando Demóstenes como um dos “mosqueteiros” da ética em Brasília, Policarpo já havia descartado uma denúncia contra ele. O mesmo não ocorria, diz o relatório, quando os alvos eram adversários políticos da organização de Cachoeira e também da revista Veja, como Paulo Garcia (PT), prefeito de Goiânia.

Cunha escreveu ainda que Policarpo Júnior usava os serviços da quadrilha de Cachoeira para fazer investigações. Isso teria ocorrido em agosto de 2011, com o deputado Jovair Arantes, envolvido em supostas irregularidades na Conab, e no mesmo mês com o ex-ministro José Dirceu. Segundo o relatório, Policarpo Junior procurou o araponga Jairo Martins, que trabalhava para Cachoeira, para obter imagens de um hotel onde José Dirceu estava hospedado em Brasília e mantinha encontros políticos. Cachoeira, afirma o relator, “a tudo acompanhava e controlava, sendo todo o tempo informado dos pedidos e solicitações de Policarpo Junior para Jairo Martins.”

Confira abaixo os nomes de todos os jornalistas citados pelo relatório final da CPI, bem como as implicações de cada um deles:

A) Assessores de comunicação que prestaram serviços profissionais para empresas ou integrantes da Organização Criminosa. São três jornalistas, nenhum dos quais foi indiciado pela CPI por falta de provas.

Luís Costa Pinto (o “Lula” ou “Lulinha”), dono da empresa Ideias, Fatos e Textos (IFT). Segundo a CPI, Lulinha recebeu 425,1 mil reais da Delta Construções entre fevereiro de 2011 e maio de 2012 para prestar serviços ao grupo de Cachoeira. A intenção era usar o conhecimento de Lulinha “para emplacar matérias que pudessem beneficiar ou as atividades ou pessoas ligadas a Cachoeira.” Uma das tentativas do grupo foi fazer com que o jornal Correio Braziliense “pudesse produzir alguma matéria que beneficiasse, pessoal e politicamente, o prefeito Geraldo Messias, de Águas Lindas de Goiás, um dos mais atuantes servos da quadrilha liderada por Carlinhos Cachoeira.” Não há provas de que Lulinha tenha se envolvido em prática criminosa.

Claudio Humberto. De acordo com a CPI, a atuação de Claudio Humberto prova a “íntima ligação” do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), com a quadrilha comandada por Carlos Cachoeira. Os diálogos mostram que Perillo solicitou que a quadrilha de Cachoeira contratasse o “jornalista Cláudio Humberto através da empresa Delta a fim de que este receba, durante um período, uma determinada quantia por supostos serviços de mídia, tudo de modo que o governador cumpra algum compromisso ou favor junto ao mencionado profissional da imprensa”. A CPI não encontrou provas de que Claudio Humberto tenha cometido crimes, mas mostra que ele recebeu 187,7 mil reais da organização criminosa.

Jorge Kajuru, apresentador da TV Esporte Interativo. Segundo a CPI, ele recebeu 20 mil reais de empresas laranjas controladas por Cachoeira. O jornalista admite o recebimento e afirma que era referente a publicidade da Vitapan Indústria Farmacêutica Ltda, empresa de Cachoeira. Não há provas de que Kajuru tenha cometido crimes.

B) Jornalistas que prestaram ou teriam supostamente prestado algum favor em seus veículos de comunicação para a Organização Criminosa em troca de alguma remuneração.

Wagner Relâmpago, repórter policial do programa DF Alerta, da TV Brasília/Rede TV e também do programa Na Polícia e nas Ruas – Rádio Clube 105,5 FM – DF. Segundo a CPI, ele “aderiu de forma vergonhosa aos desígnios da Organização Criminosa e, em troca de retribuição financeira, passou a colaborar com os interesses espúrios do grupo criminoso”, como desacreditar a atuação da Força Nacional de Segurança que combatia o crime organizado no DF. É acusado pela CPI de formação de quadrilha ou bando.

Magnho José (Maguinho), editor do blog BNL – Boletim de Novidades Lotéricas. De acordo com o relatório final da CPI, Maguinho “colaborou, mediante retribuição financeira” com o grupo de Cachoeira ao promover em seu blog reportagens que divulgavam os jogos e, “consequentemente, as atividades da organização criminosa”. A CPI não conseguiu provar o recebimento de dinheiro e, portanto, não pediu seu indiciamento.

Etelmino Alfredo Pedrosa, o Mino Pedrosa, é editor-chefe do blog QuidNovi. Segundo a CPI, ele tem “uma relação antiga com Carlinhos Cachoeira” e teria procurado avisar aliados do bicheiro a respeito da Operação Monte Carlo, que desbaratou a quadrilha. Segundo a CPI, Mino Pedrosa teria recebido um apartamento de Cachoeira. Como a CPI não encontrou indícios suficientes de sua participação na organização criminosa, não pediu seu indiciamento e sugeriu que as investigações sejam aprofundadas.

C) Jornalistas-empresários, que atuam comercialmente à frente de veículos de comunicação e que tiveram papel fundamental na expansão midiática da Organização Criminosa.

Patrícia Moraes Machado, diretora-executiva e editora de Política do jornal Opção, do Estado de Goiás. Havia, segundo a CPI, “interlocução frequente” entre Patrícia e a quadrilha, além de “pagamentos periódicos”. A CPI cogita, ainda, que o verdadeiro dono do jornal Opção seja o próprio Carlinhos Cachoeira. A CPI pede seu indiciamento por formação de quadrilha e lavagem de dinheiro.

João Unes, jornalista, advogado, idealizador e diretor do jornal online A Redação. Segundo a CPI, Unes teria recebido mais de 1,8 milhão da quadrilha de Cachoeira na compra do jornal A Redação, “mantendo-o, entretanto, à frente da direção do empreendimento, como um verdadeiro testa de ferro da quadrilha chefiada por Carlos Cachoeira”. A CPI pede seu indiciamento por lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.

Carlos Antônio Nogueira (Botina), sócio de Carlos Cachoeira no jornal O Estado de Goiás. Segundo a CPI, Botina é sócio minoritário de Cachoeira no jornal O Estado de Goiás e também no Jornal de Anápolis. Sobre O Estado de Goiás, o relator da CPI afirma que “é Carlos Cachoeira quem decide o que vai e o que não vai ser publicado, quem vai ou não vai fazer propaganda no jornal, qual a linha editorial a ser seguida, qual o tom das reportagens que serão publicadas, quais os adversários que serão atacados, quem será promovido midiaticamente”. Ainda segundo a CPI, o governador Marconi Perillo “também integrava ou integrou a sociedade proprietária do jornal”. A CPI pede seu indiciamento pelos crimes de formação de quadrilha e lavagem de dinheiro.

D) Profissionais que mantiveram constantes interlocuções com o chefe da Organização Criminosa Carlos Cachoeira. Atuam na imprensa e publicam o que interessa a eles, usando Cachoeira como fonte, mas também publicando, por vezes, o que interessa à Organização Criminosa, sendo usados pela quadrilha.

Renato Alves, do jornal Correio Braziliense. O relatório final da CPI afirma que ele mantinha “interlocução frequente com a chefia e com alguns integrantes da Organização Criminosa de Carlos Cachoeira”. Segundo a CPI, Renato Alves teria “ajudado a promover os negócios criminosos da organização, assinando matérias sob uma roupagem investigativa e falsamente denunciativa, que serviam na verdade para promover as atividades contravencionais da quadrilha chefiada por Carlos Cachoeira, como também fazia publicar matérias que, de alguma forma, prejudicassem empresas e grupos concorrentes”. Em troca, afirma a CPI, Alves recebia “presentes e recompensas”. Como as investigações não conseguiram comprovar o recebimento de favores, o relatório final da CPI não recomenda o indiciamento de Alves.

Policarpo Júnior, diretor da sucursal Brasília e redator-chefe da revista Veja. O relatório da CPI afirma que o relacionamento entre Cachoeira e Policarpo teve início em em 2004, quando Veja publicou, uma semana depois da revista Época, matéria sobre fita gravada, em 2002, por Cachoeira, na qual Waldomiro Diniz, que viria a se tornar assessor da Casa Civil no governo Lula, aparece extorquindo o contraventor. A partir daí, diz o relatório, surgiu um relacionamento por meio do qual Policarpo Junior e sua equipe “utilizavam-se das supostas fontes repassadas por integrantes da Organização Criminosa, ou por pessoas próximas, para publicar matérias que serviam aos propósitos” tanto do grupo de Cachoeira, quanto “aos desideratos valorativos e às visões de mundo que movimentavam uma determinada linha editorial”. A CPI pede seu indiciamento por formação de quadrilha.

Eumano Silva, da revista Época (Leia mais AQUI). Segundo a CPI, diferentemente dos outros jornalistas, os indícios indicam apenas que Silva usou a organização criminosa para confirmar informações que obteve por outras fontes. O jornalista manteve contato com integrantes do grupo, sobretudo o araponga Idalberto Matias, o Dadá, para obter informações sobre uma empresa ligada ao Ministério do Turismo que teria sido beneficiada em obras em Goiânia. “Nossas investigações preliminares não identificaram ações desse profissional em prol dos objetivos do grupo criminoso, de modo que os diálogos seguintes mostram tratativas que se encerram dentro dos parâmetros de uma relação jornalista-fonte”, diz o relatório.

PS Cafezinho: A CPI do Cachoeira diz a que veio. Enquanto os mais espertinhos queriam que ela se prolongasse por mais 40 dias e se transfomasse numa nova CPI do fim do mundo, desviando-se de seu foco e aí sim, caminhando para a desmoralização, os seus integrantes fecham os trabalhos com indiciamentos consistentes (com provas, áudios, documentos, e não apenas ilações, conforme virou moda em alguns circuitos) de gente graúda. Mais que isso, o relatório final da CPI dedica-se especialmente às relações íntimas e espúrias entre a máfia Cachoeira e mídia.

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Os resultados da CPI do Cachoeira https://www.ocafezinho.com/2012/11/18/os-resultados-da-cpi-do-cachoeira/ https://www.ocafezinho.com/2012/11/18/os-resultados-da-cpi-do-cachoeira/#comments Sun, 18 Nov 2012 14:50:05 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=8647

Você com certeza já leu em toda parte que a CPI do Cachoeira foi um fiasco. Nos últimos dias, quando se informou que ela chegara em sua etapa final, divulgou-se por aí todo o tipo de ofensa contra o trabalho dos parlamentares. Desde que foi criada, jamais se viu uma CPI tão vilipendiada. Claro, foi a primeira CPI que realmente fez a mídia tremer nas pernas.

Pois é, hoje eu vejo as seguintes notas na coluna do Ilimar Franco, no Globo:

Repare que mesmo os supostos “problemas” da CPI, como a não convocação de Policarpo Júnior, repórter da Veja, e a não citação de Roberto Gurgel, resultaram ao menos num salutar susto em ambos: na Veja e na Procuradoria Geral da República. Os dois têm culpa no cartório, mas foram suficientemente blindados pela mídia e conseguiram se safar. Membros da CPI tentaram convocar Policarpo, mas a maioria bloqueou a iniciativa.

Quanto à Gurgel, tornou-se um herói midiático por seu papel na denúncia do mensalão, mas boa parte da sociedade civil e o próprio governo entendeu agora porque FHC jamais escolhia os primeiros indicados do Ministério Público. O jogo de poder é pesado. O MP é peça importante no tabuleiro, uma peça que não é imparcial, nem isenta. O MP não é puro. O presidente da República tem de escolher um procurador sério, rigoroso, mas não pode abrir mão da prerrogativa democrática de escolher alguém que não pertença ao campo da oposição.

A CPI do Cachoeira gerará resultados importantes: o indiciamento de um governador de Estado; o desmantelamento de um grande esquema de corrupção e balcão de chantagens políticas, sustentado por Carlinhos Cachoeira, Demóstenes Torres e Roberto Civita, dono da Abril; a quebra de milhares de sigilos, os quais serão encaminhados para o Ministério Público, que deverá prosseguir as investigações.

Não tem sentido, portanto, apregoar o “fracasso” da CPI do Cachoeira. Essa versão interessa aos bandidos da política e da mídia que foram desmascarados pela comissão. O que a sociedade espera, agora, é pressão sobre o Ministério Público e a Polícia Federal, a quem cabe constitucionalmente a obrigação de investigar e denunciar os crimes cometidos. A CPI fez seu papel. Não foi perfeita. Não consertou o Brasil. Mas os parlamentares têm um país para cuidar, num ambiente de economia mundial em crise, não podem ficar indefinidamente cuidando das estrepolias do Clube Nextel.  Quem é pago para isso é Roberto Gurgel, é dele que devemos cobrar serviço.

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Pagot denuncia complô entre Cachoeira e Veja https://www.ocafezinho.com/2012/08/28/pagot-denuncia-complo-entre-cachoeira-e-veja/ https://www.ocafezinho.com/2012/08/28/pagot-denuncia-complo-entre-cachoeira-e-veja/#comments Tue, 28 Aug 2012 22:26:21 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=7567

Pagot na CPI do Cachoeira (foto Antonio Cruz, Agência Brasil)

Pagot diz que Cachoeira patrocinou reportagem para o derrubar?

28 de agosto de 2012 • 12h21 • atualizado às 14h09

?do Terra (Via Azenha)

GUSTAVO AZEVEDO

Direto de Brasília

O ex-diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) Luiz Antônio Pagot afirmou na manhã desta terça-feira, em depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) mista do Cachoeira, que não conhecia o contraventor e que foi surpreendido pelo fato de o bicheiro ter sido um dos possíveis autores de sua exoneração da autarquia. Disse ainda que Carlinhos Cachoeira patrocinou uma reportagem para lhe derrubar e que recebeu um pedido do ex-senador Demóstenes Torres para beneficiar a construtora Delta.

“Eu fiquei extremamente estarrecido, primeiro com o afastamento e depois com a exoneração. Foi um episódio amargo na minha vida. Me sentia um morto vivo, um fantasma. Quando começa a me reestabelecer, tive essa brutal notícia, que um contraventor e um agente de uma empresa, seriam os responsáveis pela reportagem que gerou o afastamento e posteriormente a exoneração”, afirmou Pagot.

Perguntado pelo relator da CPI, deputado Odair Cunha (PT-MG), o ex-diretor do Dnit afirmou que essa pressão teria sido gerada por sua postura contra a construtora Delta, beneficiada pela organização de Carlinhos Cachoeira. “Era pela atuação que vinha tendo ao Dnit, não dava vida boa a nenhuma empreiteira e prestador de serviço. Era muito exigente. Penso que por isso eles patrocinaram essa matéria jornalística para me tirar do Dnit”, destacou.

Pagot saiu do governo em julho do ano passado, desgastado após a crise no Ministério dos Transportes, alvo de denúncias de irregularidades e que gerou a crise entre a presidente Dilma e o Partido da República (PR). A reportagem da revista Veja, do início de julho, foi o estopim e apontava que integrantes do PR haviam montado um esquema de superfaturamento de obras e recebimento de propina por meio de empreiteiras dentro do ministério.

O ex-diretor, que comandava o principal braço operacional dos Transportes, voltou à cena neste ano após vir à tona o escândalo das relações escusas de Carlinhos Cachoeira. Ele fez as mesmas denúncias relatadas à CPI para a imprensa. A situação chegou a ser flagrada por gravações da Polícia Federal em que Cachoeira diz ao então representante da Delta no Centro-Oeste, Claudio Abreu, que “plantou” as informações contra Pagot na imprensa. “Enfiei tudo no r… do Pagot”, falou na ligação telefônica gravada.

No início do depoimento, Pagot relatou aos parlamentares o seu currículo como gestor no Paraná, secretário do governo Blairo Maggi (PR) em Mato Grosso e como diretor do Dnit, elogiando-se como “homem que faz”, “o verdadeiro pau para toda obra” e “tocador de obras”.

“Juntos, funcionários e diretores, fomos responsáveis pela melhor performance de autarquia no PAC, superamos 1,1 mil contratos de obras e serviços, chegando a pagar mais de um bilhão por mês. Chegamos aos melhores índices rodoviários”, destacou Pagot, que hoje trabalha na Companhia Norte de Navegação e Portos, Ciaport, empresa que atua na construção de portos no Pará e no Amapá.

O pedido de Demóstenes?Pagot revelou que o senador cassado Demóstenes Torres lhe fez um pedido para beneficiar a Delta. Segundo ele, o ex-parlamentar pediu para ajudá-lo a conseguir obras para a empresa no Estado do Mato Grosso, durante um jantar em que estava o ex-presidente da Delta, Fernando Cavendish, e o representante da construtora no Centro-Oeste, Claudio Abreu.

O ex-diretor do Dnit afirmou que Demóstenes, após o jantar, falou reservadamente com ele, e confidenciou que tinha dívidas de campanha com a empreiteira. “Preciso ter alguma obra com meu carimbo, ele disse. Eu falei que lamentava, não podia atendê-lo. Não tinha como o diretor do Dnit ir para o mercado e dizer: reservem uma obra para a Delta”, declarou Pagot à CPI.

Demóstenes teria solicitado que as obras das BRs 242 e 080 no Mato Grosso, ainda em projeto, fossem concedidas à Delta.

Carlinhos Cachoeira

Acusado de comandar a exploração do jogo ilegal em Goiás, Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, foi preso na Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, em 29 de fevereiro de 2012, oito anos após a divulgação de um vídeo em que Waldomiro Diniz, assessor do então ministro da Casa Civil, José Dirceu, lhe pedia propina. O escândalo culminou na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bingos e na revelação do suposto esquema de pagamento de parlamentares que ficou conhecido como mensalão.

Escutas telefônicas realizadas durante a investigação da PF apontaram diversos contatos entre Cachoeira e o senador Demóstenes Torres (GO), então líder do DEM no Senado. Ele reagiu dizendo que a violação do seu sigilo telefônico não havia obedecido a critérios legais, confirmou amizade com o bicheiro, mas negou conhecimento e envolvimento nos negócios ilegais de Cachoeira. As denúncias levaram o Psol a representar contra Demóstenes no Conselho de Ética e o DEM a abrir processo para expulsar o senador. O goiano se antecipou e pediu desfiliação da legenda.

Com o vazamento de informações do inquérito, as denúncias começaram a atingir outros políticos, agentes públicos e empresas, o que culminou na abertura da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) mista do Cachoeira. O colegiado ouviu os governadores Agnelo Queiroz (PT), do Distrito Federal, e Marconi Perillo (PSDB), de Goiás, que negaram envolvimento com o grupo do bicheiro. O governador Sérgio Cabral (PMDB), do Rio de Janeiro, escapou de ser convocado. Ele é amigo do empreiteiro Fernando Cavendish, dono da Delta, apontada como parte do esquema de Cachoeira e maior recebedora de recursos do governo federal nos últimos três anos.

Demóstenes passou por processo de cassação por quebra de decoro parlamentar no Conselho de Ética da Casa. Em 11 de julho, o plenário do Senado aprovou, por 56 votos a favor, 19 contra e cinco abstenções, a perda de mandato do goiano. Ele foi o segundo senador cassado pelo voto dos colegas na história do Senado.

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O Triste fim de Policarpo https://www.ocafezinho.com/2012/08/10/o-triste-fim-de-policarpo/ https://www.ocafezinho.com/2012/08/10/o-triste-fim-de-policarpo/#respond Fri, 10 Aug 2012 16:26:16 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=7369 Por Leandro Fortes, no site da Carta Capital.

Na CartaCapital dessa semana há uma história dentro de uma história. A história da capa é o desfecho de uma tragédia jornalística anunciada desde que a Editora Abril decidiu, após a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002, que a revista Veja seria transformada num panfleto ideológico da extrema-direita brasileira. Abandonado o jornalismo, sobreveio a dedicação quase que exclusiva ao banditismo e ao exercício semanal de desonestidade intelectual. O resultado é o que se lê, agora, em CartaCapital: Veja era um dos pilares do esquema criminoso de Carlinhos Cachoeira. O outro era o ex-senador Demóstenes Torres, do DEM de Goiás. Sem a semanal da Abril, não haveria Cachoeira. Sem Cachoeira, não haveria essa formidável máquina de assassinar reputações recheada de publicidade, inclusive oficial.


Capa da edição de número 710 de CartaCapital

A outra história é a de um jornalista, Policarpo Jr., que abandonou uma carreira de bom repórter para se subordinar ao que talvez tenha imaginado ser uma carreira brilhante na empresa onde foi praticamente criado. Ao se subordinar a Carlinhos Cachoeira, muitas vezes de forma incompreensível para um profissional de larga experiência, Policarpo criou na sucursal da Veja, em Brasília, um núcleo experimental do que pior se pode fazer no jornalismo. Em certo momento, instigou um jovem repórter, um garoto de apenas 23 anos, a invadir o quarto do ex-ministro José Dirceu, no Hotel Nahoum, na capital federal. Esse ato de irresponsabilidade e vandalismo, ainda obscuro no campo das intenções, foi a primeira exalação de mau cheiro desse esgoto transformado em rotina, perceptível até mesmo para quem, em nome das próprias convicções políticas, mantém-se fiel à Veja, como quem se agarra a um tronco podre na esperança de não naufragar.

A compilação e análise dos dados produzidos pela Polícia Federal em duas operações – Vegas, em 2009, e Monte Carlos, em 2012 – demonstram, agora, a seriedade dessa autodesconstrução midiática centrada na Veja, mas seguida em muitos níveis pelo resto da chamada “grande” imprensa brasileira, notadamente as Organizações Globo, Folha de S.Paulo, O Estado de S.Paulo e alguns substratos regionais de menor monta. Ao se colocar, veladamente, como grupo de ação partidária de oposição, esse setor da mídia contaminou a própria estrutura de produção de notícias, gerou uma miríade de colunistas-papagaios, a repetir as frases que lhes são sopradas dos aquários das redações, e talvez tenha provocado um dano geracional de longo prazo, a consequência mais triste: o péssimo exemplo aos novos repórteres de que jornalismo é um vale tudo, a arte da bajulação calculada, um ofício servil e de remuneração vinculada aos interesses do patrão.

A Operação Vegas, vale lembrar, foi escondida pelo procurador-geral da República Roberto Gurgel, este mesmo que por ora acusa mensaleiros no STF com base em uma denúncia basicamente moldada sobre os clichês da mídia, em especial, desta Veja sobre a qual sabemos, agora, que tipo de fontes frequentava. Na Vegas, a PF havia detecdado não somente a participação de Demóstenes Torres na quadrilha, mas também de Policarpo Jr. e da Veja. Essa informação abre uma nova perspectiva a ser explorada pela CPI do Cachoeira, resta saber se vai haver coragem para tal.

Há três meses, representantes das Organizações Globo e da Editora Abril fecharam um sórdido armistício com Michel Temer, vice-presidente da República e cacique-mor do PMDB. Pelo acordo, o noticiário daria um descanso para Dilma Rousseff em troca de jamais, em hipótese alguma, a CPI do Cachoeira convocar Policarpo Jr., ou gente maior, como Roberto Civita, dono da Abril. A fachada para essa negociata foi, como de costume, as bandeiras das liberdades de imprensa e de expressão, dois conceitos deliberadamente manipulados pela mídia para que não se compreenda nem um nem outro.

No dia 14 de agosto, terça-feira que vem, o deputado Dr. Rosinha irá ao plenário da CPI apresentar um requerimento de convocação do jornalista Policarpo Jr.. É possível, no mundo irrreal criado pela mídia e onde vivem nossos piores parlamentares, que o requerimento caia, justamente por conta do bloqueio do PMDB e dos votos dessa oposição undenista sem qualquer compromisso com a moral nem o interesse público.

Será uma chance de ouro de todos nós percebermos, enfim, quem é quem naquela comissão.

Leia também:
Murdoquianas. Por Mino Carta
Veja e Cachoeira: As provas definitivas da parceria

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CPI do Cachoeira: muitas águas vão rolar https://www.ocafezinho.com/2012/08/08/cpi-do-cachoeira-muitas-aguas-vao-rolar/ https://www.ocafezinho.com/2012/08/08/cpi-do-cachoeira-muitas-aguas-vao-rolar/#comments Thu, 09 Aug 2012 02:37:33 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=7329 CPI quer identificar envolvidos nos 3 poderes e imprensa

Enviado por luisnassif, qua, 08/08/2012 – 14:04

Por Marco Antonio L.
Do Opensante

Paulo Teixeira: CPI vai identificar envolvidos no executivo, legislativo, judiciário e imprensa

Saiu no Blog do Dirceu uma entrevista com o deputado Paulo Teixeira sobre o tema “jornalista bandido bandido é”: Paulo Teixeira: CPI vai identificar envolvidos no executivo, legislativo, judiciário e imprensa

Ao fazer o balanço do andamento da Comissão Parlamentar Mista do Congresso (CPMI) que investiga as atividades da organização criminosa comandada pelo bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, em artigo publicado na Folha em 3 de agosto, o relator deputado Odair Cunha (PT-MG) disse que estão sendo investigadas 516 contas bancárias distribuídas por 21 bancos. E que a base de dados envolve um “volume financeiro que passa de R$ 18 bilhões”.

É um valor elevado. Para saber como anda o trabalho da CPI nessa retomada do processo legislativo depois do recesso, e como seus integrantes estão vendo a continuidade da investigação nos próximos meses, o blog ouviu o deputado Paulo Teixeira (PT-SP), vice-presidente da CPI. Aqui vai o seu depoimento:

O que estamos vendo, pela documentação existente, é que se trata de uma sofisticada organização criminosa que capta dinheiro em atividades ilícitas, faz esses recursos passarem por atividades lícitas, como é o caso da empresa de fármacos Vitapan – mas não só –, e também para atividades de campanhas políticas.

O que aconteceu foi que essa organização criminosa, depois que aprendeu a explorar uma fragilidade do sistema político-eleitoral brasileiro, que é exatamente o financiamento de campanha eleitoral, tendo criado o vínculo com os políticos a partir dessa atividade de financiamento das campanhas eleitorais, para diversos partidos e em diversos estados do país, a organização criminosa conseguiu capturar contratos de obras e serviços com diferentes governos, principalmente governos de estados e prefeituras.

É a primeira vez que temos provas de uma organização criminosa financiando, de forma regular e contínua, atividades políticas no país. Dessa forma ela passou a cooptar membros dos poderes legislativos, dos executivos, do judiciário e da imprensa. E não é algo que ocorra apenas durante as campanhas eleitorais: os fluxos de recursos são permanentes e se dão ao longo de todo o tempo.

Sobre o andamento dos trabalhos da CPI

No momento a CPI está debruçada sobre a tarefa de identificar a organização criminosa em sua totalidade. Sabemos que ela se baseia inicialmente no jogo das máquinas de videopôquer. Para essa atividade a organização conta com a proteção da política, tanto para manter suas máquinas funcionando como para fechar os pontos dos concorrentes.

Os próximos passos da CPI estão definidos assim: primeiro, vamos buscar o desmantelamento da organização criminosa; o segundo passo é tratar da recuperação dos bens que essa organização criminosa detém, de forma ilícita; o terceiro passo é identificar todos os agentes públicos envolvidos que, como eu já disse, atinge os poderes executivo, legislativo e judiciário em diversos estados da federação. O quarto e último passo é identificar os veículos de imprensa e jornalistas envolvidos no esquema. Há órgãos de imprensa envolvidos tanto de alcance regional quanto nacional. Até outubro pretendemos fazer isso.

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Policarpo da Veja fez dossiê pra soltar Cachoeira, acusa juiz https://www.ocafezinho.com/2012/07/30/policarpo-da-veja-fez-dossie-pra-soltar-cachoeira-acusa-juiz/ https://www.ocafezinho.com/2012/07/30/policarpo-da-veja-fez-dossie-pra-soltar-cachoeira-acusa-juiz/#comments Mon, 30 Jul 2012 16:14:38 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=7167 Saiu no G1

30/07/2012 12h11 – Atualizado em 30/07/2012 12h49

Juiz afirma que mulher de Cachoeira tentou chantagem para soltar bicheiro

Magistrado diz que mulher de contraventor teria dossiê com fotos contra ele.

Andressa Mendonça presta esclarecimento na manhã desta segunda na PF.

A mulher de Carlinhos Cachoeira, Andressa Mendonça, na Polícia Federal, em Goiânia (Foto:  Sebastião Nogueira/O Popular/Futura Press)
A mulher de Carlinhos Cachoeira, Andressa
Mendonça, na PF em Goiânia no dia 24
(Foto: Sebastião Nogueira/O Popular/Futura Press)

O juiz federal Alderico Rocha Santos afirmou ao G1 nesta segunda-feira (30) ter sido chantageado por Andressa Mendonça, mulher do contraventor Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira.

Santos é responsável pelo processo da Operação Monte Carlo na Justiça Federal, que culminou na prisão do bicheiro em fevereiro.

Segundo o magistrado, Andressa o procurou na quinta-feira (26) afirmando que teria um dossiê contra o magistrado e, em troca da não-publicação, teria pedido um alvará de soltura para Cachoeira.

O juiz diz ter encaminhado ao Ministério Público um papel com nomes escrito por Andressa e imagens de sua entrada e saída no prédio da Justiça Federal.

Andressa prestou esclarecimentos nesta manhã na Polícia Federal em Goiânia e saiu sem falar com a imprensa. A mulher do contraventor terá de pagar fiança de R$ 100 mil e está proibida de visitar o marido, informou a PF.

Segundo o delegado Sandro Paes Sandre, “caso essas medidas não sejam atendidas, Andressa terá a prisão preventiva decretada e ficará presa na PF”.

A suposta conduta de Andressa está prevista no artigo nº 333 do Código Penal, que trata de corrupção ativa, diz a PF em nota.

G1 tenta contato por telefone com Andressa Mendonça e seus advogados, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem.

Dossiê

Conforme relatou o juiz ao G1, o dossiê teria sido produzido a pedido de Cachoeira pelo jornalista Policarpo Júnior, repórter da sucursal da revista ‘Veja’, em Brasília. O G1 procurou a assessoria de imprensa da revista, que informou não poder se posicionar sobre questões editoriais. Nas redações de São Paulo e Brasília, não localizou responsáveis para comentar o caso.

Ainda segundo Santos, Andressa teria pedido para falar com ele mesmo sem a presença do seu advogado. Como ela insistiu em ser atendida, o juiz diz que concordou em recebê-la e chamou uma de suas assessoras para acompanhar a reunião.

Depois de cerca de 20 minutos, diz ainda o magistrado, Andressa teria dito para que a assistente fosse retirada sala. Depois de mais 25 minutos, teria insistido. “Ela disse: ‘Quero falar com o senhor a respeito das minhas visitas ao Carlos e vou falar de questões pessoais. Não queria que questões da minha intimidade fossem reportadas a terceiros’. Então concordei com a saída da minha assessora”, relatou.

Conforme o juiz, Andressa teria dito: “Doutor, tenho algo muito bom para o senhor. O senhor conhece o Policarpo Júnior? O Carlos contratou o Policarpo para fazer um dossiê contra o senhor. Se o senhor soltar o Carlos, não vamos soltar o dossiê”.

O juiz diz também que respondeu que não tinha nada a temer, quando teria ouvido de Andressa: “O senhor tem certeza?”.

A mulher de Cachoeira, conforme o relato do juiz, teria então escrito o nome de três pessoas em um pedaço de papel e perguntado se ele os conhecia: o ex-governador do Tocantins, Marcelo Miranda (PMDB), que teve o mandato cassado em setembro de 2009 por suspeita de abuso de poder político nas eleições de 2006; um fazendeiro da região do Tocantins e Pará, conhecido como Maranhense; e Luiz, que seria um amigo de infância do juiz e supostamente responderia a processo por trabalho escravo.

De acordo com o juiz, Andressa teria dito que o jornalista teria fotos do magistrado com essas três pessoas.

“Não tenho nada a temer. Eu não vejo Marcelo Miranda há mais de quatro anos. O Maranhense, ou quem imagino que possa ser o Maranhense, também não vejo há bastante tempo. Já o Luiz é meu amigo de infância. As terras da família dele fazem divisa com as do meu pai, no Maranhão, há mais de 50 anos”, disse Santos.

O magistrado afirmou ter voltado a dizer a Andressa não ter nada a temer, momento em que ela teria se retirado de sua sala. “Quando ela saiu, guardei o papel onde ela escreveu os três nomes, solicitei as imagens que mostram a sua entrada e saída do prédio da Justiça Federal e encaminhei um documento ao Ministério Público relatando o fato.”

“Eles entenderam que a ação dela se caracteriza crime e que ela deve pagar uma fiança de R$ 100 mil sob pena de prisão”, relatou.

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Cachoeira e Perillo, mais provas de união https://www.ocafezinho.com/2012/07/27/cachoeira-e-perillo-mais-provas-de-uniao/ https://www.ocafezinho.com/2012/07/27/cachoeira-e-perillo-mais-provas-de-uniao/#comments Fri, 27 Jul 2012 20:19:04 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=7150 Grampos da PF indicam que Cachoeira marcou jantar com governador de Goiás

Rafhael Borges
Do UOL, em Goiânia (Via Esquerdopata)

Interceptações telefônicas da operação Monte Carlo, da Polícia Federal, gravadas com autorização da Justiça Federal, e às quais o UOL teve acesso, mostram Edivaldo Cardoso, ex-presidente do Detran de Goiás, e Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, combinando um jantar com um governador, cujo nome não é citado.

Segundo relatório da PF apresentado à CPI do Cachoeira, no Congresso Nacional, a confirmação do jantar por uma funcionária do governo de Goiás, e posteriormente pelo ex-vereador Wladimir Garcez, apontado como braço político no esquema do contraventor no Estado, sugerem que o governador citado nas conversas é Marconi Perillo (PSDB), de Goiás. O governador, por meio de sua assessoria de imprensa, negou o encontro. Cachoeira está preso desde fevereiro acusado de diversos crimes e envolvimento com agentes públicos e privados.

No primeiro diálogo sobre o encontro, em 24 de março de 2011, Cardoso conta a Cachoeira que uma funcionária da Casa Civil de Goiás, conhecida como Glorinha –que seria Glória Miranda Coelho, também chefe do gabinete particular de Perillo–, disse que o governador tinha pré-agendado um jantar em sua casa, e que era para ele “se preparar”. Cachoeira responde: “Oh, doutor, excelente! Valeu”. Glória permanece no cargo, mas não comenta o assunto.

 

A tentativa de encontro do grupo de Cachoeira com Perillo ocorre pouco tempo depois de concluídas as negociações da casa que pertencia ao governador e que teria sido adquirida pelo contraventor –foi neste imóvel que Cachoeira foi preso em fevereiro.

 
Em depoimento à CPI do Cachoeira, em junho, Perillo negou que tenha feito negócios com Cachoeira. O governador manteve a versão, difundida por ele desde março, de que tratou da venda da casa apenas com Wladimir Garcez e que não prestou atenção no emitente dos cheques –no caso, um sobrinho de Cachoeira.
 

Ainda segundo os áudios da PF, o jantar só é confirmado dois dias antes da data marcada. Cachoeira liga para Cardoso. “Ele confirmou, então, quarta-feira?”, pergunta o ex-presidente do Detran, mas é Wladimir Garcez quem responde, ao ser chamado pelo contraventor ao telefone. “Confirmado, viu. Quarta-feira”.

 

Cachoeira e Cardoso mostram intimidade ao acertarem detalhes do jantar em outro telefonema. “Aí você passa pra ver o que eu devo levar. Champanhe, né?”, diz Cachoeira. Cardoso afirma: “É. Escuta, vamos buscar um cara pra tocar um violão?” Cachoeira responde: “Uai, eu tenho. Leva, né?”. E Cardoso: “Não, eu tenho um cara legal também pra ir, eu acho que ele gosta, seresteiro”. Cachoeira completa: “Ah, leva, né, tá bom?”. “Vou levar, né? Se ele não for, a gente fica lá tomando um vinho e ouvindo uma música, não é não?”, responde Cardoso.

 
No mesmo dia, que seria 30 de março, os dois voltam a se falar. Cardoso combina com Cachoeira quem eles iriam levar ao encontro –e chegam a conclusão de que seria “no máximo umas oito pessoas”. Mais tarde, Cardoso pede para Cachoeira levar um vinho e confirma que o jantar seria às 21h. Ambos concordam que é melhor não levar Wladimir Garcez ao encontro, sem especificar o motivo.

 

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Serra na mira da CPI do Cachoeira https://www.ocafezinho.com/2012/07/27/serra-na-mira-da-cpi-do-cachoeira/ https://www.ocafezinho.com/2012/07/27/serra-na-mira-da-cpi-do-cachoeira/#respond Fri, 27 Jul 2012 20:14:52 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=7147

José Serra é o mais novo alvo da CPMI do Cachoeira

Najla Passos, na Carta Maior (Via Esquerdopata)

O candidato pelo PSDB à prefeitura de São Paulo, José Serra, é o mais novo alvo das investigações da CPMI do Cachoeira. Candidato à presidência da república em 2010, ele recebeu uma doação milionária de Ana Maria Baeta Valadares Gontijo, esposa de José Celso Gontijo, acusado de participar do esquema criminoso do contraventor.

Gontijo é aquele empreiteiro flagrado em vídeo, em 2009, pagando propina para o chamado “mensalão do DEM”, durante o governo do também tucano José Arruda no Distrito Federal. E, nas conversas interceptadas pela Polícia Federal entre membros da quadrilha de Cachoeira, é apontado como o responsável pela entrada da Construtora Delta no Distrito Federal.

A doação de Ana Maria chamou a atenção da Receita Federal pelo valor recorde: R$ 8,2 milhões. Como a legislação eleitoral só permite que uma pessoa física doe 10% dos seus rendimentos anuais, ela precisaria ter recebido R$ 7 milhões por mês durante 2009. Algo, no mínimo, incomum. Na semana passada, os membros da CPMI já aprovaram a convocação de Gontijo e a do ex-presidente da Delta, Fernando Cavendish. E também a de Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, ex-captador de recursos da campanha de José Serra.

O deputado Dr. Rosinha (PT-PR), membro da CPMI, acha provável que as investigações sobre o esquema de Cachoeira cheguem ao PSDB nacional. E, segundo ele, nem por mera vontade ou mesmo mérito da CPMI. “Agora surgiu esta possível conexão com o Paulo Petro. E os documentos apareceram sem que nós os tivéssemos buscado”, afirma, se referindo à doação que surpreendeu à Receita.

Foi Paulo Preto quem assinou a maior parte dos contratos do governo de São Paulo com a Delta, durante as gestões de Geraldo Alkmin e Serra, que totalizam quase R$ 1 bilhão.

Tucanos na berlinda

José Serra não é o único tucano na berlinda. Situação ainda mais incômoda é a do governador de Goiás, Marconi Perillo. Ele não conseguir explicar à CPMI porque Cachoeira foi preso na mansão que vendera poucos meses antes e não convenceu os parlamentares de que sua campanha não foi financiada com o caixa 2 de empresas ligadas à quadrilha.

Agora, para agravar a situação, é acusado de receber propina para liberar pagamentos devidos pelo governo à Delta, construtora ligada à organização criminosa. Conforme as denúncias, o dinheiro teria sido liberado via a venda da sua casa à Cachoeira. “A situação do Perillo está realmente complicada”, avalia Rosinha.

O senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) já pediu a reconvocação do governador para depor. No requerimento, ele alega que a venda da casa teria sido feita com sobrepreço de R$ 500, em troca do pagamento de uma dívida de R$ 8,5 milhões do governo com a empreiteira. Em coletiva, na tarde desta quarta (18), o presidente da CPMI, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB) disse que o assunto só será definido em meados de agosto, após o recesso parlamentar. E rebateu as críticas do PSDB de que a convocação atendia a interesses eleitoreiros.

Outro tucano sob a mira da CPMI é o deputado Carlos Leréia (GO), flagrado em ligações comprometedoras com a quadrilha. A corregedoria já recomendou a abertura de processo contra ele por quebra de decoro parlamentar. Segundo o relator da representação, deputado Jerônimo Goergen (PP-RS), há indícios de uma relação muito próxima entre Leréia e Cachoeira, que estava tentando exercer influência no governo de Goiás por meio do deputado.

Leia mais em: O Esquerdopata
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Fantástico! A montanha pariu um rato https://www.ocafezinho.com/2012/07/16/fantastico-a-montanha-pariu-um-rato/ https://www.ocafezinho.com/2012/07/16/fantastico-a-montanha-pariu-um-rato/#comments Mon, 16 Jul 2012 14:51:40 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=7001 Globo mira Collor e pode acertar em Perillo

Por Rogério Tomaz Jr.  

Do Conexão Brasília Maranhão (Via Nassif)

Boa parte do Brasil parou na noite deste domingo, 15 de julho, para ver a supostamente bombástica entrevista de Rosane Brandão Malta (ex-Rosane Collor) ao Fantástico, a “revista eletrônica” da Rede Globo.

Todos esperavam revelações “fortes” – prometidas nas chamadas do programa – da ex-primeira dama da República. Para usar uma metáfora gasta, a Globo prometeu a lua, mas entregou a seus telespectadores uma paisagem lunar: só crateras vazias e nenhuma substância consistente.

Os rituais de magia negra, a relação com PC Farias, as memórias sobre o processo de impeachment… tudo que Rosane falou e o Fantástico exibiu hoje já era de conhecimento até do reino mineral – expressão de Nelson Rodrigues, não de Mino Carta, como pensam alguns.

Nada, absolutamente nada se salva da entrevista, em termos de novidade. Em termos jornalísticos, a “reportagem” foi um fracasso total. É de se perguntar, aliás, qual o critério jornalístico que levou a Globo a produzir tal entrevista. Não há qualquer fato novo – poderia ser o livro de Rosane, mas não se sabe nada dele, tanto que foi citado apenas superficialmente* – que justifique toda a mobilização da maior emissora do Brasil para tal empreitada com tanto destaque.

Coube à simpática Renata Ceribelli fazer a “matéria” com Rosane Collor

O que justifica a reportagem, na verdade, não é nada mais do que a necessidade de atacar o agora inimigo Fernando Collor de Mello.

A eleição de Collor foi uma fraude. Não pelos votos em si, mas pelo candidato, que não passava de um produto midiático preparado e apoiado com todo o poder dos grandes meios de comunicação para ser o anti-Lula de 1989.

Agora, passados vinte anos, Collor deixou de ser aliado e passou a ser inimigo, por compor a base de apoio do governo petista. Para a Globo e para a Veja, a primeira que ungiu Collor como um verdadeiro Messias em 89, é o que basta para ele ser colocado na alça de mira.

Lamentável é ver que profissionais – vou poupá-los de citação nominal – tão respeitados na TV brasileira se prestem a cumprir um papel vexatório como o dessa “matéria”. Aliás, para fingir que o assunto se tratava mesmo de jornalismo, os apresentadores do Fantástico fizeram questão de informar que tentaram ouvir Collor durante toda a semana, mas o senador, que de besta não tem nada, se recusou a falar.

Ótimo seria se Collor publicasse um livro contando como atuavam os donos, diretores e lobbistas da Rede Globo durante o seu governo.

Para ver a entrevista completa, clique no link abaixo:

http://fantastico.globo.com/Jornalismo/FANT/0,,MUL1681379-15605,00.html

Marconi Perillo

O governador tucano de Goiás, que não tem nada a ver com a briga Globo x Collor, deve ter sentido muito incômodo com as referências tão detalhadas do processo que levou à deposição do então presidente.

O Fantástico mirou Collor, mas poderá acabar acertando Perillo, pois colocou em evidência denúncias que derrubaram o presidente e hoje acossam o tucano.

Perillo provavelmente se viu na “reportagem” quando esta falou da CPI que investigou Collor e descobriu cheques-fantasmas, esquemas de caixa 2, um tesoureiro de campanha influenciando no governo (no caso do tucano, este atende por Lúcio Fiúza Gouthier, que foi convocado à CPMI do Cachoeira, mas ficou calado).

A CPMI do Cachoeira está sendo tratada pelos grandes meios de comunicação como se fosse uma novela. Heróis, vilões, figuras exóticas, tramas urdidas nas sombras e outros ingredientes são utilizados para cobrir o cotidiano do órgão.

Para o azar de Perillo, a matéria do Fantástico faz a CPMI do Cachoeira parecer uma “Vale a pena ver de novo”, com o tucano no centro do trama.

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CPI firme e forte https://www.ocafezinho.com/2012/07/04/cpi-firme-e-forte/ https://www.ocafezinho.com/2012/07/04/cpi-firme-e-forte/#respond Wed, 04 Jul 2012 18:52:28 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=6824 (Ilustração capa: Jonhatan Meese)

A CPI do Cachoeira está mais viva que nunca, apesar dos mervais piguianos pintarem-na, diariamente, como moribunda. Novas gravações têm aparecido, os dados referentes aos sigilos estão sendo processados, ela continua enfim produzindo elementos úteis à investigação. Outro dia mesmo, a CPI revelou que o grupo Cachoeira fez saques de R$ 16 milhões em ano eleitoral, e não R$ 8 milhões conforme a PF havia apurado. A informação veio através dos sigilos quebrados, o que derruba a tese de que a CPI não vem acrescentando nada ao que já havia sido descoberto pela polícia.

Há novidades também sobre o caso dos aloprados; no mínimo, é uma curiosidade: um vídeo com Dadá e Mino Pedrosa comemorando, eufóricos, a prisão dos petistas, com Pedrosa dizendo que os tucanos haviam feito uma armadilha. De fato, aquele episódio apenas prejudicou Lula, e abafou o escândalo da máfia das ambulâncias, que envolvia Serra, com direito a imagens e vídeos do tucano em evento comemorativo junto aos meliantes; sem falar nas denúncias dos Vedoin contra o ex-ministro. Essas denúncias, como bem lembra PHA, jamais chegaram ao Jornal Nacional. E aí que reside a força de Serra, ele tem blindagem na Globo.

Soubemos hoje também que o diretor da revista Época foi demitido há poucos dias porque apareceu num áudio da PF, negociando com Dadá matéria contra concorrente da Delta. Ou seja, a Época integrava o esquema Cachoeira, que usava a mídia para chantagear políticos e beneficiar a Delta.

O quebra-cabeças agora está bem inteligível. Falta apenas chegarem as transcrições completas das conversas envolvendo Poli e outros figurões da mídia.

A CPI pegou ainda um petista, o prefeito Raul Filho, de Palmas, enrolado nas teias do esquema, fazendo a mídia se empolgar novamente. A Folha publicou editorial dizendo que o foco da CPI agora tem de ser Raul Filho, claro, porque ele é do PT. Sugiro à CPI que dê a devida atenção ao caso, porque ele permite desconstruir as acusações de partidarismo com que tentam desprestigiar o trabalho da comissão.

Como declarou Walter Pinheiro, quando ainda se discutia a criação da CPI: “caiu na rede, é peixe!”. Se o PT não teve receio nem da possível fritura de um governador do partido, Agnelo Queiroz, não vai ter medo de um prefeito. O interesse popular é que a comissão vá fundo, e investigue impiedosamente todos os envolvidos, independente de partido. Trata-se de uma das máfias mais sinistras já registradas na história brasileira, porque conseguiu pautar por anos a agenda política nacional e jogar o jogo da mídia partidária.

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Uma janela para a justiça https://www.ocafezinho.com/2012/06/18/uma-janela-para-a-justica/ https://www.ocafezinho.com/2012/06/18/uma-janela-para-a-justica/#comments Mon, 18 Jun 2012 21:09:47 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=6411 (Ilustração capa: A room for justice, foto de exposição dos Advogados Sem Fronteiras)

 

A luz declina suavemente sobre a cidade engarrafada. Buzinas cantam, bueiros explodem, ônibus lotados se libertam do jugo de seus motoristas e se jogam, desvairadamente, sobre as calçadas. Neste final de tarde, o blogueiro está relativamente feliz. O barco do Greenpeace acostou no porto. Chefes de Estado desembarcam às pencas, alguns mais pobrinhos vindo em aeronaves emprestadas pela FAB. Quem sabe a presença de tantos ambientalistas internacionais na cidade não influenciarão minha vizinha a parar de amontoar sacos abertos de lixo no corredor do andar?

O motivo da alegria deste blogueiro, contudo, não é nada disso, e sim uma decisão tomada em Brasília, pelo desembargador Candido Ribeiro, do 1º Tribunal Regional Federal. Ribeiro votou pela validade das escutas da Operação Monte Carlo da Polícia Federal, com isso afastando o risco de uma desastrosa anulação de toneladas de provas contra o esquema de Carlinhos Cachoeira, como era o desejo do desembargador Tourinho Neto.

Semana passada, os cidadãos que acompanham os desdobramentos da CPI do Cachoeira foram informados, para sua grande perplexidade, que um desembargador de Brasília, o excelentíssimo Tourinho Neto, havia votado pela anulação de todas as escutas da operação Monte Carlo, jogando no lixo o trabalho de anos de competentes policiais federais e aplicando um golpe covarde contra o Estado e em favor de uma organização criminosa. Depois de dias de tensão, ficamos sabendo hoje que Tourinho Neto foi voto vencido. O Brasil prossegue a semana um pouco mais aliviado.

Certo, não dá para comemorar o fato de termos um Judiciário permanentemente pondo em risco investigações contra o crime organizado, sempre que este atinge membros da elite financeira ou política. Os movimentos anticorrupção, por sua vez, sequer se manifestaram sobre a possibilidade de um golpe judicial em favor de Carlos Cachoeira. Estão muito ocupados pondo a faca no pescoço do STF para julgar logo o mensalão…

Outra notícia preocupante, ainda sobre o caso Cachoeira, é a substituição do juiz que autorizou os grampos da operação Monte Carlo, uma decisão que acarretará em grande atraso nas investigações, visto que o novo magistrado terá que se atualizar com toneladas de evidências. A substituição cheira a mais um golpe judicial, uma típica chicana das altas rodas.

Mas desde que Cachoeira permaneça preso e que as provas contra ele continuem válidas, há esperança de ver, desta vez, o Estado se empenhar concretamente  em combater as raízes da corrupção no país.

Houve quem visse, na derrota de Tourinho Neto, uma vitória da blogosfera, que protestou solitária contra o desembargador. A grande mídia, ao contrário, monitorou o caso com um silêncio conivente, mal escondendo a euforia.  Quem sabe? Talvez a pressão democrática da blogosfera tenha feito a diferença.

Desde o início do escândalo Cachoeira, a mídia velha tem trabalhado no sentido de confundir a opinião pública. A nova ladainha é que os governistas da CPI estariam blindando a Delta, e seu dono, Cavendish, porque se recusaram a convocá-lo neste momento. Como disse aquele travesti bem de vida: pohan! O governo praticamente destruiu a Delta, e a CPI votou pela quebra total dos sigilos da empresa em âmbito nacional. Se isto é blindar, não quero jamais que me blindem!

O fato é que a CPI já mostrou que convocar o sujeito para depor não significa muita coisa. Se o cara tem culpa no cartório e possui um bom advogado, vai ficar calado, ou só falar estritamente o combinado. Se for um político, vai usar o palco para se defender e se autopromover. O depoimento só tem sentido quando os parlamentares têm amplo domínio da situação, ou seja, possuem documentos em mãos para constranger a testemunha ou acusado e fazê-los abrir o bico ou entrar em contradição.

De resto, é acompanhar a história fazendo uma legítima pressão democrática em prol de uma resposta dura ao esquema Cachoeira, que serviu desavergonhadamente a um grupo político e  a seus prepostos midiáticos, e vice-versa, a um grupo midiático e seus prepostos políticos. Tudo bandido, tudo mafioso.

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Ombudsman diz que Folha foi tendenciosa https://www.ocafezinho.com/2012/06/17/ombudsman-diz-que-folha-foi-tendenciosa/ https://www.ocafezinho.com/2012/06/17/ombudsman-diz-que-folha-foi-tendenciosa/#respond Sun, 17 Jun 2012 16:46:44 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=6405 PARA ALÉM DOS APLAUSOS

Por Suzana Singer, Ombudsman da Folha.

A cobertura da CPI do caso Cachoeira vai mal na Folha. Na quarta-feira, o depoimento do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), foi ignorado pela Primeira Página. Ficou apenas em “Poder”, que escolheu um título extremamente favorável -Perillo dizendo-se vítima de perseguição do PT, uma repetição do que havia sido publicado dois dias antes, na “entrevista de segunda”.

Já o depoimento do governador petista Agnelo Queiroz, do Distrito Federal, foi para a capa, mas sem a notícia principal, que era a manobra para obrigar Perillo a abrir seu sigilo telefônico. Destacou-se apenas o comportamento dos parlamentares, com uma grande foto do líder do PT na Câmara aplaudindo seu colega de partido.

Vários leitores reclamaram do desequilíbrio. A Secretaria de Redação afirma que o texto na Primeira Página “tratou do fato de que a CPI aplaudiu os dois depoentes, Perillo e Agnelo”. Havia mesmo quatro linhas dizendo que “tucanos já haviam feito o mesmo” no dia anterior, mas a crítica maior ficou, sem dúvida, para o PT.

Até agora, o jornal não poupou PSDB, PT ou PMDB nas investigações, mas precisa redobrar a atenção dada à CPI, detectar onde está a notícia para não cair na armadilha de acreditar que se trata apenas de um espetáculo político.

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Janio de Freitas entrou para o Clube Nextel? https://www.ocafezinho.com/2012/06/17/janio-de-freitas-entrou-para-o-clube-nextel/ https://www.ocafezinho.com/2012/06/17/janio-de-freitas-entrou-para-o-clube-nextel/#comments Sun, 17 Jun 2012 16:31:01 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=6402 Publico o artigo abaixo de Janio de Freitas com um aperto no coração, pois ele desmoraliza de vez, para mim, um dos últimos nomes em que eu acreditava na grande imprensa. Freitas inicia o texto fazendo um ataque pesadíssimo à CPI, e aí o leitor espera que ele vá revelar alguma coisa nova, grave, para validar seu argumento. Traz um assunto apenas, surrado, sobre a casa do… Agnelo!

Algumas considerações rápidas sobre o texto de Freitas:

  1. A casa de Agnelo não tem nada a ver com o foco da CPI do Cachoeira. Portanto, é ridículo Freitas pretender desqualificar a CPI por “não investigar” a fundo a casa de Agnelo. O que aliás é uma mentira imbecil, visto que a CPI quebrou os sigilos de Agnelo por 10 anos, de maneira que qualquer problema com a casa do governador será encontrado.
  2. Freitas diz que a casa foi comprada por 400 mil reais e hoje vale 3 a 5 milhões. Ora, eu comprei o meu apartamento na Lapa por 56 mil reais, mais ou menos na mesma época que Agnelo comprou a casa dele, e hoje ele vale 250 a 300 mil reais. A valorização da casa de Agnelo é totalmente normal. Mais uma ilação imbecil de Freitas, portanto.
  3. O jornalista também lança suspeitas sobre o governador acerca de sua suposta omissão na denúncia imediata dos roubos cometidos na gestão anterior, visto que Agnelo teria recebido os vídeos em primeira mão. Ora, mais uma ilação idiota, pois a quebra de sigilo do governador também poderá ajudar a verificar isso. Repare que nem defendo Agnelo, o que eu acho bizarro é Freitas atacar a CPI por suas virtudes. Se Freitas tem alguma desconfiança de Agnelo, deveria estar satisfeito pela CPI ter quebrado seus sigilos por 10 anos, não?
  4. De qualquer forma, as desconfianças de Freitas em relação a Agnelo, além de me parecerem descabidas, não têm nada a ver com o foco da CPI, que é investigar o esquema Cachoeira. Se formos usar a CPI para investigar todos os maus feitos de todos os governadores, em relação a todos os assuntos, beneficiaremos o Clube Nextel. CPI tem que ter foco.
  5. Na segunda parte do texto, Freitas faz elocubrações confusas sobre a Delta, e deita considerações arrogantes sobre o que a CPI deveria ou não fazer, no momento em que ele , Janio de Freitas, acha certo.  O presidente da CPI, Vital do Rego, deu entrevista ao UOL, pertencente à mesma empresa que paga os salários de Janio de Freitas. Ele não viu a entrevista? Rego diz que Cavendish será chamado a seu devido momento, depois que os parlamentares conseguirem se aprofundar um pouco mais na papelada que está chegando à CPI. Não adianta nada chamar depoentes sem uma anterior coleta de informações. Além do mais, é ridículo alegar blindagem da Delta, depois da quebra de sigilo nacional da empresa, da publicação de todos os contratos da empresa com o governo federal na internet, da devassa feita pelo CGU e posterior declaração de sua inidoneidade.
  6. Diante de um ataque tão rasteiro, tão mal fundamentado, só me resta a triste conclusão de que Freitas tem rabo preso com o esquema Cachoeira e quer ver a CPI afundar. É isso, ou ele é burro. Bem, prefiro acreditar que ele é simplesmente burro.
  7. A postura de Freitas revela a decadência moral profunda da imprensa tradicional. Se Freitas fosse um blogueiro, e esse texto fosse um post, a seção de comentários seria abarrotada com críticas bem fundamentadas apontando suas incoerências bizarras, o que constrangeria profundamente o jornalista. Como ele escreve lá no alto do pedestal de sua coluna em jornal impresso, ninguém pode protestar.

De choque e de cheque – JANIO DE FREITAS

FOLHA DE SP – 17/06

A CPI transforma-se num escândalo de imoralidade política e rejeição a princípios do Estado de Direito

A CPI do Cachoeira foi rápida: já está no fundo da desmoralização. Ela é o escândalo. E por ser CPI mista do Senado e da Câmara, os seus conluios desviantes projetam a desmoralização sobre um dos três pilares institucionais do Estado democrático: o próprio Congresso. A CPI volta-se contra a democracia.

Tal situação não requer explicações. Percebê-la está ao alcance de todos. O que ainda se justifica é completar a percepção, com indicações de que grande parte da desmoralização da CPI é deliberada. E imposta pela maioria formada por PT e PMDB, coadjuvados pelos integrantes chinfrins de sua aliança. Ou melhor, sociedade.

Uma dessas indicações pode ser a omissão, durante dez horas de interrogatório, de qualquer referência a determinada conduta de Agnelo Queiroz, governador do Distrito Federal.

Se a compra por R$ 400 mil de uma casa avaliada em milhões (já foi dito que de três a cinco) tem sido um dos pontos considerados, por que não foi feita nem sequer uma pergunta relacionada, de uma vez só, a milhões ilegítimos e a Agnelo?

Primeiro a receber de Durval Barbosa as imagens gravadas do então governador José Roberto Arruda e vários do seu grupo, enfurnando blocos de dinheiro de corrupção, Agnelo Queiroz também enfurnou o material (nem candidato era ainda). Qual foi o objetivo da omissão? E o que aconteceu com seu patrimônio naquela época, ou um pouco mais tarde? Se teve ou se não uma de suas alterações, é significativo do mesmo modo.

Nesse quesito, aliás, também a Polícia Federal está em dívida. Era de sua obrigação, constatada a disparidade entre o valor declarado da compra e as avaliações do imóvel, examinar a eventual variação patrimonial do vendedor. Se de R$ 400 mil ou de movimentos que sugeririam recebimento maior. Ou por fora.

Ainda no início desse caso Cachoeira, comecei a insistir, e o fiz várias vezes, na afirmação de que investigar a Delta Construções e seu “dono” Fernando Cavendish era a chave para muitos esclarecimentos, relativos a Carlos Cachoeira e a muito mais. Desculpem, mas volto a fazê-lo.

Agora, para dizer que é a própria importância das intimidades da Delta que faz o comando da CPI e sua maioria fugirem de aprovar tais convocações. É o conluio dos beneficiários, diretos e indiretos, com os guardiães das aparências governamentais e partidárias. Elas se entendem: tropa de cheque, como diz o deputado Miro Teixeira, e tropa de choque.

A CPI transforma-se em um escândalo de imoralidade política e de rejeição aos princípios do Estado de Direito democrático.

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A guerra não terminou https://www.ocafezinho.com/2012/06/15/a-guerra-nao-terminou/ https://www.ocafezinho.com/2012/06/15/a-guerra-nao-terminou/#comments Fri, 15 Jun 2012 19:16:10 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=6361 [s2If !current_user_can(access_s2member_level1) OR current_user_can(access_s2member_level1)]
(Ilustração capa: Basquiat)

Hoje a mídia amanheceu, como se diz por aí, “daquele jeito”. Manipulação pra dar e vender. Os soldadinhos da mídia todos marchando juntinhos, disciplinadamente, com objetivo explícito de confundir ou desqualificar os trabalhos da CPI.

Comecemos pelo Globo. Vejam a capa.

Pra variar, não é bem assim.

  1. Não foram “integrantes”, mas somente dois integrantes, e dos mais apagados: Ciro Nogueira (PP-PI) e Maurício Quintela (PR-AL), que integram os partidos menos representativos da CPI.
  2. O encontro aconteceu antes da abertura da CPI, portanto é um tanto surreal a ilação da mídia (e do Miro Teixeira, do PDT, que é uma espécie de vedete midiática) de que os dois parlamentares se encontraram com objetivo de barrar a convocação de Cavendish numa CPI que ainda nem fora aberta.
  3. A ilação é ainda mais surreal se se considera que o governo tem sido duríssimo com a Delta. Logo no início do escândalo, Dilma mandou fazer uma devassa nos contratos com a Delta e publicou-os na íntegra na internet. A CGU acaba de declarar a empresa inidônea e a CPI decidiu abrir todos os sigilos da Delta. Se isso é “blindar” a Delta, então não sei o que é proteger.
  4. Os parlamentares disseram que o encontro foi casual, o que me parece perfeitamente plausível. E se não foi casual, não há nada demais.  Os parlamentares estavam com suas respectivas esposas, em programa social, e não creio que se façam negociatas em presença da família, em lugar público.
Merval Pereira, naturalmente, aproveitou a informação para fazer mais um de seus longos proselitismos ficcionais. Agora entende-se porque ele entrou para a ABL. Poupar-vos-ei de comentar o texto inteiro, mas somente alguns trechos mais explicitamente manipuladores.

Pra começar uma informação errada:

O encontro foi denunciado ontem na reunião da CPI do Cachoeira pelo deputado federal Miro Teixeira, com requintes de crueldade: o senador Ciro Nogueira encaminhara momentos antes a votação para que o ex-presidente da Delta não fosse convocado a depor, e Miro usou uma expressão cunhada pelo ato falho do governador Agnelo Queiroz, do PT, ao depor na CPI no dia anterior.

Ele se referiu, provocando gargalhadas gerais e muitos twitters, a uma “tropa de cheque”, quando pretendia dizer “tropa de choque”, o que é perfeitamente compreensível nas atuais circunstâncias, diria Freud.

O “ato falho” não foi do governador Agnelo Queiroz, e sim de um deputado do PP-DF. Não anotei o nome dele, mas lembro-me perfeitamente do momento em que ele usou a expressão “tropa do cheque”. Ele sentava-se ao lado da senadora Vanessa Grazziotin. Ato falho, pelo jeito, é do Merval, que na sua gana de pintar Agnelo com tintas do mal, atribui-lhe um erro que ele não cometeu.

Em seguida, Merval faz a seguinte afirmação, plena de um lacerdismo de doido:

O senador Ciro Nogueira diz que é amigo de Cavendish há muitos anos, e chegou mesmo a anunciar em seu twitter que iria ao casamento do amigo em Itaipava, mas deveria manter uma distância preventiva do empreiteiro, principalmente depois da revelação de uma gravação em que Cavendish garante: “Se eu botar 30 milhões na mão de um político, eu sou convidado para coisa para c… Pode ter certeza disso. Te garanto”.

Ué, o escândalo contra Cavendish ainda não era conhecido. Se Marconi Perillo pode ligar para Cachoeira desejando-lhe feliz aniversário, se Gilmar Mendes pode viajar juntinho com Demóstenes Torres, se toda a oposição, aliás, podia ser amiga íntima de Demóstenes, então não vejo porque culpar Ciro Nogueira por ser amigo de Cavendish. Com um diferencial, Cachoeira é contraventor conhecido e notório há anos, e membros da oposição não se encontraram “casualmente” com Demóstenes Torres, mas conviveram com ele por muito tempo.

O interessante é notar que a maioria governista serve apenas para ações defensivas, isto é, não convocar Cavendish ou Luis Pagot, o ex-diretor do Dnit que anda falando pelos cotovelos e está louco para depor na CPI, que, no entanto, também adiou sua convocação, por motivos mais do que claros.

Essa confusão do Merval foi lançada por toda a mídia. A CPI apenas não tenta ser pautada. Pagot e Cavendish virão à CPI a seu devido tempo. Os parlamentares querem evitar erros anteriores, de convocar depoentes antes do momento certo, antes de examinarem os documentos que têm à sua disposição.

O presidente da CPI, Vital do Rego, ontem mesmo, explicou isso ao jornalista Fernando Rodrigues, ao UOL.

Vitor do Rego, presidente da CPI: “Pagot deve ir à CPI”

 

Vitor do Rego, presidente da CPI: “Presença de Cavendish é irreversível”

 

Ou seja, todas as deficiências que a mídia aponta na CPI tem sido furadas pelas ações da mesma.

Tenho uma amiga que trabalhou no Estadão por mais de dez anos, e cobriu as CPIs da oposição contra o governo Lula. Ela me disse que viu colegas se engajarem em favor da CPI com paixão histérica. Uma delas chegou a ligar para senador, exigindo-lhe que viesse para dar quorum a uma reunião. Hoje parece que é ao contrário.

Mais um trecho do Merval:

Os dois, aliás, estão ironicamente enrolados em transações financeiras difíceis de explicar envolvendo compra e venda de mansões, o que não deixa de ser sintomático.

Aí é muita cara de pau. A casa de Agnelo foi comprada de um casal de advogados respeitáveis. Custou 400 mil reais, valor perfeitamente acessível a um casal de classe média.

Mais importante: não tem a ver com o esquema Cachoeira, que é o escopo da CPI. Se há qualquer problema na casa de Agnelo, é um problema a ser resolvido pela Receita Federal, não pelos membros da CPI do Cachoeira. Já a casa do Perillo foi vendida para Cachoeira, tanto é que Cachoeira foi preso onde? Na ex-casa de Perillo. Fingir uma simetria é descarada má fé.

*

Agora pulemos para a Folha, igualmente farta em distorções e tentativas explícitas de desqualificar o trabalho da CPI. A começar pelo editorial Palmas para todos, que tenta criminalizar a manifestação dos deputados em defesa de alguém que consideram injustiçado. Aliás, aí está uma diferença que os jornais não destacaram. Perillo levou uma claque. As palmas para Agnelo vieram dos parlamentares.

O mais sinistro, no entanto, é o final do texto, onde a Folha dá um apoio tácito à decisão do desembargador Tourinho Neto de soltar Cachoeira e inutilizar toneladas de provas contra sua quadrilha:

Uma derradeira ovação, quem sabe, fica reservada à Polícia Federal (PF). Todo o caso Cachoeira ameaça dissolver-se em vapores impalpáveis. No Tribunal Regional Federal, o relator do processo que examina a legalidade das provas da Operação Monte Carlo considera insuficientes os motivos que embasaram a escuta policial das ligações dos envolvidos.

A decisão aponta, mais uma vez, para possíveis abusos e leviandades da PF. Por falta de provas legitimamente obtidas, tudo desaparece por encanto. Merecem de fato palmas, há de se convir: tem sido primorosa a encenação.

Falar em “possíveis abusos e leviandades da PF” numa hora dessa, na verdade, nem é apoio tácito, é explícito mesmo. O Clube Nextel é que bate palmas.

Daí topamos com a coluna de Valdo Cruz, que é curta então dá para fazer uma análise integral. Faço daquela maneira convencional, com o texto dele em negrito, o meu em fonte normal.

O restante do post é exclusivo para assinantes. Desculpem por isso, mas o blog precisa sobreviver.

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CPIlusão – VALDO CRUZ
FOLHA DE SP – 15/06

BRASÍLIA – Palco montado para desfile de prestidigitadores e seus afins, no qual exercitam a arte da encenação em busca dos holofotes da mídia, tendo como objetivo quase único desgastar adversários políticos de ontem e de hoje.

Talvez seja esse o melhor resumo sobre o atual cenário da CPI do Cachoeira, destinada, salvo grata surpresa, a gerar nada de relevante em termos de novidades sobre o que seria o esquema ilegal do empresário de jogos Carlinhos Cachoeira.

Eu acho um bocado filisteu acusar deputado de querer chamar atenção e buscar holofotes, sobretudo se considerarmos que aqueles que a mídia mais adula, como os senadores Pedro Tacques, Álvaro Dias e Pedro Simon. Além do mais, a coluna desqualifica a CPI de maneira leviana. Ela tem permitido a quebra de sigilo e análise de documentos que permitirão entender melhor o funcionamento do esquema Cachoeira, que agia politicamente, então precisa ser investigado politicamente.

Os depoimentos dos governadores Marconi Perillo (PSDB-GO) e Agnelo Queiroz (PT-DF) apenas reforçaram tal sensação. Nada acrescentaram aos trabalhos da comissão, cujos membros mostraram-se despreparados para inquiri-los de fato.

Mais um espertinho a misturar Perillo com Agnelo. Seus depoimentos ajudaram a sim a esclarecer muitas dúvidas e suspeitas, sobretudo no caso de Agnelo, que andaram ocupando a mídia por várias semanas. A Folha não gostou justamente por causa disso: não conseguiu crucificar Agnelo. Perillo pode até ter se saído bem, do ponto-de-vista político, de seu depoimento, mas continua enrolado até o pescoço com o esquema Cachoeira, que era patrocinador de suas campanhas, comprou sua casa, pagava os jornalistas que lhe apoiavam; e mandava em Demóstenes Torres, senador de sua bancada, eleito na chapa de Perillo.

O que se viu foi muito mais um festival de estocadas entre petistas e tucanos, numa disputa de aplausos para seus aliados. Isso tudo tem pouca serventia para esclarecer as suspeitas relações de Cachoeira com parlamentares, governos e empreiteiras.

O que Cruz chama de estocadas, eu chamaria de a velha e boa luta política, que não é feita com mimos. Os aplausos foram apenas pontuais; no caso de Agnelo, apenas para o momento em que declarou abrir seus sigilos. Quanto à serventia para esclarecer as relações suspeitas entre parlamentares, governos e empreiteiras, a CPI faz um trabalho extenso, e os depoimentos entram como peça de apoio. Nem sempre é fundamental, mas claro que tem serventia.

O grande resultado auferido nos depoimentos foi obter a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos dois governadores -o que gera muito barulho e repercussão, mas rende quase nada. Afinal, foi-se o tempo em que se depositava cheque-fantasma, fruto de ilegalidade, em contas pessoais.

Aí é burrice. Valdo Cruz omite que a CPI quebrou também os sigilos de telefone, torpedos e internet de ambos os governadores, o que é ainda mais importante que os sigilos bancários.

Mais do que nunca, estamos diante de uma CPI que é um palco de guerra entre facções políticas, que mira em adversários e “esquece” de investigar os corruptores por conta do receio de que todo mundo tem um pouco ou muito a perder.

Raciocínio capcioso. Guerra política é natural num parlamento. Querer o contrário é defender a hipocrisia. É proibir que se fale de Deus numa igreja. O importante é que a CPI quebrou sigilo de dois governadores, do PSDB e do PT. E está investigando a Delta, empresa com obras no Brasil inteiro, a começar pelo governo federal.

Posso estar enganado, mas os ilusionistas querem entreter o prezado público até o recesso do Legislativo em julho. Depois, vem a eleição municipal e Brasília fica esvaziada. Aí, esqueçam -a não ser que jornalistas descubram algo que a CPI prefere não vasculhar.

Pode estar enganado, não. Está engando. Quebrar sigilos é coisa séria, dolorosa, e agregará dados à investigação da Polícia Federal.

O fato é que o instrumento da Comissão Parlamentar de Inquérito, visto até pouco tempo como uma arma contra desvios, vai perdendo sua eficácia e credibilidade.

Essa gana de desqualificar a CPI, explícita desde antes sua criação, agora toma ares ridículos, justamente quando ela começa a esquentar. Ora, quebrar sigilos por 10 anos de Perillo e Agnelo, quebrar o sigilo de uma das maiores empreiteiras do país, é “perder eficácia e credibilidade”?

Acho melhor os colunistas da Folha voltarem a falar de mensalão. Sempre que abrem a boca para falar da CPI do Cachoeira, é uma tristeza.

*

Eu gostaria ainda de comentar os editoriais do Globo e Estadão de hoje, que também procuram desqualificar a CPI.

A coluna da Dora Kramer, no Estadão, vai na mesma linha.

Hoje temos ainda um artigo de Nelson Motta e outro de João Mellão Neto xingando Lula. Mas prefiro não comentá-los, apenas adjetivar o primeiro de baixo nível e o segundo de caricatural.

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https://www.ocafezinho.com/2012/06/15/a-guerra-nao-terminou/feed/ 17
Mídia continua apoiando Clube Nextel https://www.ocafezinho.com/2012/06/14/midia-continua-apoiando-clube-nextel/ https://www.ocafezinho.com/2012/06/14/midia-continua-apoiando-clube-nextel/#comments Thu, 14 Jun 2012 16:53:54 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=6334 Um desembargador do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, Tourinho Neto, declarou as escutas envolvendo Carlinhos Cachoeira ilegais porque as justificativas do juiz foram “insuficientes”. Em artigo publicado hoje na Folha, o professor de Direito Público, Joaquim Falcão, explica o negócio:

Indício, diz o dicionário, é sinal aparente de algo que existe. O juiz achou que havia desde o início aparência de ilícitos. Seu cálculo de probabilidade parece se confirmar. Mas o desembargador acha que os indícios só se confirmaram após a escuta.

Ou seja, a Polícia Federal consegue desbaratar uma das mais sinistas máfias políticas da República, e Tourinho Neto diz que “os indícios só se confirmaram após a escuta”. Se outros desembargadores seguirem Tourinho Neto, Carlos Cachoeira, um dos maiores bandidos do Brasil, será solto e a operação Monte Carlo, que desbaratou uma das maiores máfias políticas que já atuaram na república, estará praticamente morta, com reflexos óbvios sobre a CPMI em curso.

É como se os EUA descobrissem os reais autores do 11 de setembro, baseados em escutas telefônicas, prendessem-nos, e um juiz os mandasse soltar porque os “indícios só se confirmaram após a escuta”.

E a mídia, que pressionou o STF a julgar o mensalão às pressas, em pleno período eleitoral, tem dado um apoio tácito à posição de Tourinho Neto. Ninguém manifesta contrariedade. Ao contrário, Jânio de Freitas, para minha grande decepção, vem com aquela conversinha pra boi dormir sobre “uso abusivo de escutas policiais de telefones”.

É a mídia, mais uma vez, dando uma forcinha ao Clube Nextel.

Ora, ontem publicou-se notícia de que as escutas representam um percentual mínimo nas investigações da Polícia Federal! Todas as escutas da PF são autorizadas judicialmente, e embasadas em indícios levantados por competentes investigadores.

A situação é particualrmente absurda porque o esquema desbaratado caracterizou-se justamente por fazer escutas clandestinas.

O modus operandis da organização quadrilheira baseava-se na realização de grampos ilegais, com os quais abasteciam órgãos de mídia, cumprindo dois objetivos centrais:

1) Fortalecer seus prepostos políticos, como Demóstenes Torres, que ia para tribuna brandir discursos éticos contra adversários fragilizados pelos grampos clandestinos e pelas reportagens relacionadas.

2) Chantagear funcionários públicos, forçando-lhes a entrar no esquema.

3) Descobrir segredos de Estado que facilitavam suas operações.

Já se sabe hoje como funcionava a organização Cachoeira. Ela tinha três braços: o político, liderado por Demóstenes Torres, Marconi Perillo e vários outros políticos; o financeiro, liderado pela Delta, que obtinha contratos milionários e derrubava concorrentes a partir das ações da quadrilha; o administrativo, que era comandado por Carlinhos Cachoeira, seus assessores e arapongas.

Sendo que o braço político tinha ramificações no Executivo (Marconi Perillo), no Legislativo (Demóstenes), no Judiciário (Gilmar Mendes?) e na mídia (revistas Veja, Época e jornalistas a serviço). Os nomes entre parêntes são os mais importantes, mas a quadrilha era grande. Tinha no bolso muitos deputados, delegados, funcionários federais, jornalistas, etc.

A grande pergunta que se faz agora é: cade a pressão da opinião pública para impedir que membros corruptos ou incompetentes do judiciário apliquem um profundo golpe contra a democracia brasileira? Cadê os movimentos de corrupção? Onde estão os paladinos da ética? Nenhum estrela da mídia irá se manifestar? Quer dizer que agora só bandidos podem grampear?

Não, Merval Pereira hoje faz a sua bilionésima coluna sobre o… mensalão. Dora Kramer saúda a “concorrência salutar” entre petistas e tucanos, e Fernando Rodrigues repete que a CPMI “perdeu o rumo“.

*

Na verdade, quem parece ter perdido o rumo são os jornalões, que voltaram a bater cabeça (o que é raro: em geral caminham sempre de mãozinhas dadas, com as mesmas opiniões, mesmos colunistas, mesmas fontes). Enquanto Dora Kramer elogia justamente o fato de haver concorrência política na CPMI, o que impede “acordões”, Ilimar Franco critica petistas e tucanos por terem transformado a CPI num ringue de “galos de rinha”.

O raciocínio de Franco, porém, traz um equívoco baseado no pressuposto de que há similaridade entre Agnelo e Perillo. Não há.

Ninguém jamais disse que Agnelo é santo, mas sim que não há nada que o ligue ao esquema Cachoeira. Muito pelo contrário. Ontem isso ficou bem claro, ao se fazer um levantamento dos fatos durante o seu depoimento. O Clube Nextel tentou derrubar Agnelo porque não conseguiu o que queria de sua administração. Pouco depois de Cachoeira e Dadá protestarem contra seus insucessos junto ao governo do Distrito Federal e externarem desejos de retalização contra Agnelo, Demóstenes Torres sobe a tribuna, pau mandado que era de Cachoeira, para pedir o impeachment do governador. E a revista Época inicia ataques sistemáticos a Agnelo.

*

Os jornalões hoje repetem ainda a estratégia de levantar suspeitas sobre a casa de Agnelo Queiroz. Ora, em primeiro lugar, o caso não tem nada a ver com o esquema Cachoeira, então não é escopo da CPI. Se quiserem façam uma CPI da Casa do Agnelo. Para um profissional bem sucedido, médico, deputado federal, ministro, diretor de agência federal e depois governador, comprar uma casa própria para si próprio, com ajuda da esposa, no valor de 400 mil reais, não é evidentemente nenhum absurdo.

O caso Perillo é totalmente diverso. Ele vendeu a casa ao principal bandido investigado pela CPI! Carlos Cachoeira, o homem central da organização criminosa que é o foco da CPI, morava na casa que o governador lhe vendeu! Ou seja, a casa de Perillo tem obviamente ligação com o esquema Cachoeira. A casa de Agnelo, não.

*

Assine a petição que pede à Justiça que não comete esse crime contra a democracia. Que não considere ilegal as escutas da Monte Carlo, o que praticamente anularia todo o inquérito e libertaria os principais bandidos.

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Agnelo na CPI: derrota da oposição https://www.ocafezinho.com/2012/06/13/agnelo-na-cpi-derrota-da-oposicao/ https://www.ocafezinho.com/2012/06/13/agnelo-na-cpi-derrota-da-oposicao/#comments Wed, 13 Jun 2012 21:45:03 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=6313 Já perto do fim da sessão desta quarta-feira, Cássio Cunha Lima, senador pelo PSDB, admitiu que o governador Agnelo Queiroz conseguiu provar sua inocência em relação ao esquema Cachoeira. Aproveitou, contudo, numa jogada esperta, ou supostamente esperta, para inocentar igualmente Marconi Perillo. Lembrou um advogado que tentasse inocentar Fernandinho Beira-Mar dizendo que não há provas contra Bin Laden. Ou seja, uma coisa não tem nada a ver com outra.

Marconi Perillo era um membro do clube Cachoeira. Era amigo pessoal do bandido (telefonou-lhe pessoalmente para lhe desejar feliz aniversário) e tinha com ele íntimas ligações financeiras (Cachoeira foi preso na casa que Perillo lhe vendeu).

Ficou provado que o esquema Cachoeira tentou derrubar Agnelo. Há gravações que mostram o próprio Cachoeira xingando o governador por não conseguir arrancar o que queria de sua administração, ameaçando botar o “gordinho” (apelido de Demóstenes Torres) e a revista Época para prejudicá-lo. Dias depois Demóstenes subiu à tribuna para pedir o impeachment do governador do Distrito Federal. E a revista Época iniciou ataques sistemáticos contra Agnelo. Ou seja, mais uma vez observamos a mídia aliada ao crime organizado.

O fato é que o depoimento de Agnelo resultou numa estrondosa derrota da oposição. Alguns parlamentares falaram em “xeque-mate” de Agnelo, ao abrir a sessão oferecendo seus sigilos bancários, fiscal e telefônico. Parlamantares do PSDB, DEM e PPS não conseguiram sequer encontrar acusações consistentes contra o governador e começaram a levantar fatos totalmente desconectados do foco da CPI.

Os sigilos de Agnelo já tinham sido quebrados pela Justiça ao final do ano passado, num daqueles escândalos que, agora sabemos, tinham o dedo do esquema Cachoeira-Veja, mas somente os fiscais e bancários. Agnelo acrescentou agora seus sigilos telefônicos e de email.

Com isso, criou-se uma enorme onda nas redes sociais e na própria comissão para quebrar o sigilo de Marconi. O governador de Goiás, vendo o fato consumado, procurou-se adiantar-se e também ofereceu seus sigilos.

Estou muito curioso para ver como a imprensa repercutirá o dia de hoje. Certamente os colunistas continuarão desqualificando a CPI, mas todas acusações que se fazia contra ela já caíram por terra.

Falaram que havia interesse de blindar a Delta. Pois bem, o sigilo nacional da empresa foi quebrado, a Controladoria Geral da União declarou-a inidônea e todos seus contratos com o governo federal estão disponíveis na internet.

Falaram que havia acordo para blindar governadores: pois bem, ambos foram convocados pela CPI, prestaram esclarecimenots e seus sigilos serão quebrados e suas vidas devassadas.

A CPI engrenou de vez.

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