crise climática - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/crise-climatica/ Portal de noticias e análises sobre política brasileira, geopolítica, economia, tecnologia, sempre numa perspectiva democrática, progressista, anti-imperialista e multipolar! Mon, 05 Jan 2026 05:16:59 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://www.ocafezinho.com/wp-content/uploads/2015/10/cropped-Logo_Cafezinho_tmb-32x32.png crise climática - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/crise-climatica/ 32 32 Capitalismo ameaça futuro da mobilidade sustentável https://www.ocafezinho.com/2026/01/08/capitalismo-ameaca-futuro-da-mobilidade-sustentavel/ https://www.ocafezinho.com/2026/01/08/capitalismo-ameaca-futuro-da-mobilidade-sustentavel/#respond Thu, 08 Jan 2026 08:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=223978 Setor enfrenta ventos contrários com recuo nos EUA, arrefecimento na China e flexibilização de regras na Europa

Depois de uma década marcada por crescimento vertiginoso, o mercado global de veículos elétricos entrará em 2026 com o ritmo mais lento desde 2020. Segundo projeções da consultoria especializada Benchmark Mineral Intelligence, as vendas mundiais devem subir apenas 13% este ano, atingindo 24 milhões de unidades. Esse número representa uma desaceleração significativa em relação ao avanço de 22% registrado em 2025.

Essa mudança de velocidade não acontece por acaso. Pela primeira vez, três dos principais pilares do setor — Estados Unidos, Europa e China — mostram sinais de esgotamento no impulso inicial da transição energética no transporte. Enquanto Pequim reduz gradualmente seus subsídios, Washington dá marcha ré em políticas de incentivo e Bruxelas afrouxa seu cronograma de descarbonização. O resultado? Um cenário de incerteza que obriga montadoras a repensar estratégias.


EUA freiam, Europa hesita e China desacelera

Nos Estados Unidos, a reversão é a mais drástica. As vendas de elétricos devem cair 29% em 2026, chegando a apenas 1,1 milhão de unidades — bem abaixo do recorde de 1,5 milhão alcançado em 2025. A causa principal está ligada à política: com a administração Trump eliminando incentivos fiscais para carros elétricos, o entusiasmo do consumidor americano esfriou rapidamente.

Leia também: Lucro, política e petróleo travam a transição energética

Na Europa, o quadro é diferente, mas igualmente desafiador. Apesar de as vendas ainda crescerem — 14%, para 4,9 milhões de unidades —, o ritmo é menos da metade do observado em 2025, quando o mercado avançou 33%. A decisão da União Europeia de flexibilizar a proibição de carros a gasolina a partir de 2035 removeu a pressão regulatória que acelerava a mudança de comportamento de montadoras e consumidores.

Já na China, o maior mercado do mundo para elétricos, o crescimento continua, mas perde fôlego. A Benchmark projeta 15,5 milhões de unidades vendidas em 2026, ante 13,3 milhões em 2025. Porém, isso está longe dos saltos exponenciais dos últimos anos, quando as vendas saíram de 1,1 milhão, em 2020, para mais de 13 milhões em apenas cinco anos.


A ascensão da BYD e a queda da Tesla

Um marco simbólico dessa nova fase veio nesta semana: dados confirmam que a chinesa BYD superou a Tesla como maior fabricante de veículos elétricos do mundo em 2025. A conquista se deve, em grande parte, à estratégia agressiva de preços e à expansão internacional da empresa, que levou modelos acessíveis à Europa e a outros mercados emergentes.

Essa ofensiva chinesa pressionou montadoras tradicionais, forçando-as a repensar não só seus preços, mas também seus próprios cronogramas de eletrificação. Enquanto isso, a infraestrutura de recarga deficiente em várias regiões do mundo seguiu afastando consumidores dos veículos 100% elétricos — e abrindo espaço para uma alternativa intermediária: os híbridos.


Híbridos ganham espaço como “ponte” para a transição

Diante das dificuldades, montadoras começam a priorizar soluções de transição. “Ambos os mercados (nos EUA e na Europa) estão percebendo que a eletrificação parcial é tão interessante quanto a eletrificação total”, afirmou Jim Farley, CEO da Ford.

A própria Ford ilustra essa mudança de rumo. No mês passado, a empresa anunciou uma baixa contábil de US$ 19,5 bilhões após cancelar diversos projetos elétricos, incluindo a picape F-150 Lightning, seu carro-chefe nesse segmento. Agora, a montadora redireciona investimentos para híbridos e veículos a combustão, considerados mais lucrativos no curto prazo.

Farley estima que a participação dos elétricos no mercado americano de carros novos pode cair de 10% em 2025 para apenas 5% nos próximos meses — um recuo que reflete tanto a falta de incentivos quanto a cautela do consumidor.


China aposta em estímulos para manter o ímpeto

Ao contrário dos EUA, a China ainda trabalha para manter viva a chama da mobilidade elétrica. Embora tenha reduzido gradualmente subsídios nos últimos anos, Pequim renovou recentemente por mais um ano a política de incentivos para troca de veículos — agora com foco em descontos diretos na compra de elétricos.

Além disso, governos locais seguem investindo em infraestrutura de recarga, um dos principais gargalos que desestimulam a adoção de carros totalmente elétricos. A UBS projeta um crescimento de 8% nas vendas chinesas em 2026, considerando tanto elétricos puros quanto híbridos plug-in.

Essa abordagem pragmática — apoiar a transição sem impor rupturas abruptas — pode servir de modelo para outras regiões que tentam equilibrar metas ambientais, viabilidade econômica e aceitação do consumidor.


O futuro ainda é elétrico — mas o caminho será mais longo

Apesar dos desafios, os executivos do setor mantêm a convicção de que a eletrificação é inevitável. “Estamos convencidos de que o futuro é elétrico. Precisamos descarbonizar a mobilidade”, disse Markus Haupt, diretor executivo da Seat-Cupra, marca do grupo Volkswagen voltada ao mercado de massa.

Contudo, o recado é claro: a transição não será linear. Montadoras precisam agora adaptar suas linhas de produto com mais flexibilidade, investir em tecnologias híbridas e esperar que políticas públicas, infraestrutura e confiança do consumidor amadureçam juntas.

Enquanto isso, o setor deixa para trás a ilusão de uma virada instantânea e entra em uma nova fase — mais realista, mais complexa e, acima de tudo, mais humana.

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Lucro, política e petróleo travam a transição energética https://www.ocafezinho.com/2026/01/07/lucro-politica-e-petroleo-travam-a-transicao-energetica/ https://www.ocafezinho.com/2026/01/07/lucro-politica-e-petroleo-travam-a-transicao-energetica/#respond Wed, 07 Jan 2026 12:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=223976 O crescimento dos carros elétricos desacelera diante de ventos políticos contrários

Após anos de expansão acelerada, o setor enfrenta obstáculos nos principais mercados devido a mudanças regulatórias e desafios de infraestrutura, testando o compromisso global com a transição energética. A transição para a mobilidade elétrica encontra um terreno mais acidentado. Após uma década de crescimento vigoroso, as vendas globais de veículos elétricos preparam-se para o ritmo de expansão mais lento desde a pandemia. Este revés não resulta apenas de ciclos econômicos, mas principalmente de escolhas políticas e da dificuldade em construir infraestrutura adequada.

A empresa de pesquisa Benchmark Mineral Intelligence projeta um aumento de apenas 13% nas vendas globais em 2026. Este número contrasta fortemente com o crescimento de 22% estimado para o ano passado. Três fatores principais explicam esta desaceleração: a decisão dos EUA de eliminar incentivos, a flexibilização das regras europeias e a maturação do mercado chinês.

Os três motores globais perdem força simultaneamente

Cada grande mercado enfrenta seus próprios desafios. Nos Estados Unidos, as vendas devem cair significativamente. A projeção indica uma queda de 29%, para 1,1 milhão de unidades. Esta contração reflete diretamente a mudança na política federal. A eliminação dos incentivos fiscais desencoraja consumidores e desestabiliza os planos das montadoras.

Na Europa, o crescimento esperado é de 14%. Este número, embora positivo, representa uma forte desaceleração em relação ao aumento de 33% estimado para 2025. A flexibilização da proibição de carros a gasolina, originalmente prevista para 2035, envia um sinal ambíguo ao setor. Consequentemente, investimentos podem ser redirecionados ou adiados.

Leia também: O recuo da mobilidade verde e o peso das decisões políticas

A China, por sua vez, ainda deve crescer, mas em ritmo mais moderado. As vendas devem atingir 15,5 milhões de unidades. No entanto, este crescimento de dois dígitos mascara uma desaceleração importante. Nos cinco anos até 2025, o mercado chinês expandiu-se de forma explosiva, saltando de cerca de 1,1 milhão para mais de 13 milhões de veículos.

A reação das montadoras: uma retirada estratégica?

Diante deste cenário, as fabricantes estão ajustando suas estratégias de forma prática, e por vezes drástica. A Ford oferece um exemplo claro desta reavaliação. A empresa anunciou uma baixa contábil de US$ 19,5 bilhões após abandonar modelos elétricos icônicos, incluindo sua picape F-150 Lightning.

Jim Farley, CEO da Ford, expressou uma visão que ganha força no setor. Ele afirmou que os mercados dos EUA e Europa estão percebendo que “a eletrificação parcial é tão interessante quanto a eletrificação total”. Esta afirmação reflete um movimento tático em direção aos híbridos, vistos como uma ponte mais segura e lucrativa no curto prazo.

Farley chegou a prever uma queda na participação de mercado dos veículos totalmente elétricos nos EUA. Ela poderia recuar de cerca de 10% para apenas 5% no curto prazo. Este cenário revela a volatilidade de um setor ainda dependente de suporte regulatório e infraestrutural.

A liderança chinesa persiste em um contexto desafiador

Apesar da desaceleração, a China mantém sua posição central na corrida elétrica. A BYD consolidou seu domínio, substituindo a Tesla como a maior fabricante mundial de veículos elétricos em 2025. A empresa conquistou este posto através de uma combinação agressiva: modelos acessíveis, expansão internacional e forte apoio estatal.

O governo chinês, consciente da importância estratégica do setor, continua oferecendo suporte, ainda que de forma mais moderada. Recentemente, Pequim estendeu por mais um ano sua política de subsídios para troca de veículos. Além disso, investimentos contínuos em infraestrutura de recarga buscam sustentar a demanda interna.

A UBS projeta um crescimento de 8% no mercado chinês para 2026. Este ritmo, mais lento, reflete um amadurecimento natural e a redução gradual dos estímulos diretos. No entanto, a China continua sendo o laboratório e a força motriz da transição global.

O dilema europeu entre a ambição e a realidade

A Europa vive uma tensão particular. De um lado, existe um compromisso declarado com a descarbonização. Markus Haupt, diretor executivo da Cupra, resume esta visão: “Estamos convencidos de que o futuro é elétrico. Precisamos descarbonizar a mobilidade.”

Por outro lado, a realidade do consumidor e as pressões industriais impõem uma transição mais gradual. A infraestrutura de carregamento inadequada afasta muitos compradores dos veículos totalmente elétricos. Como resultado, os híbridos plug-in ganham popularidade como uma solução de compromisso.

Esta abordagem flexível, defendida por líderes como Haupt, sugere que a trajetória para o fim do motor de combustão será mais longa e complexa do que se imaginava. A transição tornou-se uma maratona, não mais um sprint.

O caminho à frente: adaptação e resiliência

A atual desaceleração não significa o fim da transição elétrica. Em vez disso, ela representa uma fase de consolidação e correção de rota. Os anos de crescimento explosivo mascararam desafios fundamentais: custos elevados, infraestrutura insuficiente e dependência de subsídios.

Agora, o setor deve enfrentar estas questões de frente. As montadoras precisam desenvolver veículos verdadeiramente competitivos em custo e conveniência. Os governos, por sua vez, devem garantir que os compromissos climáticos não sejam sacrificados no altar da conveniência política de curto prazo.

A transição energética é um projeto de gerações. Sua trajetória nunca seria linear. Os obstáculos atuais testam a seriedade do compromisso global com um futuro de baixo carbono. A resposta das indústrias e dos governos nos próximos meses definirá se esta desaceleração é um ponto de inflexão necessário ou um desvio perigoso.

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Por que o mercado de carros elétricos encara seu pior ritmo desde 2020 https://www.ocafezinho.com/2026/01/05/por-que-o-mercado-de-carros-eletricos-encara-seu-pior-ritmo-desde-2020/ https://www.ocafezinho.com/2026/01/05/por-que-o-mercado-de-carros-eletricos-encara-seu-pior-ritmo-desde-2020/#comments Mon, 05 Jan 2026 12:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=223972 1 Comentário 🔥]]> Corte de subsídios nos EUA derruba o mercado interno, enquanto montadoras recuam e retomam motores híbridos e a combustão

A transição energética global, que antes avançava em velocidade máxima, acaba de encontrar um obstáculo significativo no caminho. Pela primeira vez desde o choque econômico da pandemia em 2020, o mercado de veículos elétricos (VEs) deve registrar o crescimento anual mais lento de sua história recente. Esse cenário reflete uma combinação amarga de mudanças políticas bruscas, infraestrutura insuficiente e uma economia global que ainda tenta proteger os lucros das velhas petroleiras e fabricantes tradicionais.

De acordo com dados da consultoria Benchmark Mineral Intelligence, o aumento nas vendas de VEs deve ficar em apenas 13% em 2026. Para fins de comparação, o setor celebrava um salto de 22% no ano anterior. Essa desaceleração não é apenas um número estatístico, mas um sintoma de como decisões governamentais — especialmente em Washington — podem sabotar esforços coletivos contra a crise climática.

O impacto das políticas de Trump e o retrocesso ambiental nos EUA

O mercado norte-americano aparece como o ponto mais crítico dessa retração global. A decisão do governo Trump de eliminar incentivos fiscais para carros elétricos funciona como um ataque direto à acessibilidade tecnológica para a classe trabalhadora. Sem o apoio do Estado, o veículo elétrico volta a ser um item de luxo, enquanto o motor a combustão ganha fôlego artificial.

As projeções indicam que as vendas nos Estados Unidos devem despencar 29% este ano. Após um recorde de 1,5 milhão de unidades em 2025, o mercado deve absorver apenas 1,1 milhão em 2026. Essa queda demonstra como a ausência de políticas públicas progressistas favorece o status quo das indústrias poluentes. Mark Wakefield, da AlixPartners, confirma que o setor enfrenta desafios severos, exacerbados por um ambiente regulatório que parou de incentivar a inovação sustentável.

A resistência da China e a ascensão dos modelos populares

Enquanto o Ocidente titubeia, a China continua liderando a mobilidade elétrica, embora em um ritmo menos frenético. O gigante asiático deve comercializar 15,5 milhões de unidades em 2026, mantendo o posto de maior mercado do planeta. Entretanto, esse crescimento é moderado se comparado à explosão dos últimos cinco anos, quando as vendas saltaram de 1,1 milhão para mais de 13 milhões.

Diferente das montadoras americanas, que focaram em modelos caros, fabricantes chinesas como a BYD investiram em carros populares. Recentemente, a BYD superou a Tesla como a maior fabricante de elétricos do mundo. Esse sucesso se deve à estratégia de democratizar o acesso, ocupando espaços na Europa e em mercados emergentes onde o preço é o fator decisivo para o consumidor.

A volta dos híbridos e a crise de infraestrutura de recarga

Um dos grandes vilões da eletrificação total é a falta de investimentos públicos em infraestrutura de carregamento. Como os pontos de recarga continuam escassos em muitas cidades, o consumidor médio sente insegurança ao abandonar o tanque de combustível. Por conta disso, os modelos híbridos e híbridos plug-in ganharam uma sobrevida inesperada, servindo como uma solução intermediária para um sistema que ainda não se adaptou totalmente.

O CEO da Ford, Jim Farley, admitiu que a participação de mercado dos carros totalmente elétricos nos EUA pode cair pela metade no curto prazo. Como resposta a essa turbulência, a Ford realizou uma baixa contábil bilionária e cancelou modelos emblemáticos, como a picape elétrica F-150. A empresa agora redireciona seus esforços para motores híbridos e a combustão, que garantem lucros imediatos para os acionistas em detrimento de uma agenda ambiental mais agressiva.

O futuro da mobilidade entre a necessidade e o lucro

Apesar do cenário pessimista para 2026, vozes dentro da indústria ainda defendem que o caminho da descarbonização é irreversível. Markus Haupt, da Seat-Cupra (Grupo Volkswagen), mantém o otimismo ao afirmar que o futuro precisa ser elétrico. Ele defende que a flexibilidade nas linhas de produção é necessária apenas para sobreviver a essa transição conturbada.

Portanto, o desafio atual não é técnico, mas político e econômico. A desaceleração de 2026 serve como um alerta: sem subsídios que favoreçam a população e sem um compromisso real com a infraestrutura pública, a transição para uma economia verde continuará sendo sabotada por interesses de curto prazo e por líderes que ignoram a urgência climática.

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Bloqueio atmosférico mantém calor extremo e coloca milhões de brasileiros em risco https://www.ocafezinho.com/2025/12/27/bloqueio-atmosferico-mantem-calor-extremo-e-coloca-milhoes-de-brasileiros-em-risco/ https://www.ocafezinho.com/2025/12/27/bloqueio-atmosferico-mantem-calor-extremo-e-coloca-milhoes-de-brasileiros-em-risco/#respond Sat, 27 Dec 2025 15:01:32 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=223621 Milhões de brasileiros enfrentam nos últimos dias um episódio de calor extremo que já entrou para a história e levou o Instituto Nacional de Meteorologia a emitir alerta máximo para mais de 1,2 mil municípios. As temperaturas elevadas, acima dos padrões normais para o período, têm sido associadas a riscos à saúde, sobrecarga de serviços públicos e maior vulnerabilidade de grupos como idosos, crianças e pessoas com doenças crônicas.

Na cidade de São Paulo, os termômetros marcaram 36,2 °C na sexta-feira, 26, o maior valor já registrado para um mês de dezembro desde 1961, segundo o governo estadual. Foi o segundo recorde consecutivo de calor na capital paulista em 2025. No dia anterior, feriado de Natal, a máxima havia chegado a 35,9 °C, número que já representava o maior registro do ano e que foi superado menos de 24 horas depois. Em comunicado, o governo afirmou que o dado “evidencia a intensidade do atual episódio de calor extremo”.

A persistência das altas temperaturas está associada à formação de um bloqueio atmosférico sobre parte do país, especialmente no Sudeste. Esse tipo de sistema dificulta a chegada de frentes frias e de áreas de instabilidade, o que impede a renovação do ar e favorece a manutenção do calor por vários dias consecutivos.

Diante desse cenário, o Inmet classificou o evento como de “grande perigo” e colocou cidades de oito estados sob alerta vermelho até as 18h da próxima segunda-feira, 29 de dezembro. O aviso começou a valer na terça-feira, 23, e atinge mais de 1,2 mil municípios distribuídos por três regiões do país.

De acordo com os critérios do instituto, uma onda de calor é caracterizada quando as temperaturas permanecem pelo menos 5 °C acima da média climatológica por um período de cinco dias ou mais. Esse padrão está sendo observado em áreas como os estados de São Paulo e Rio de Janeiro, o norte do Paraná, incluindo Londrina e Curitiba, o sul de Minas Gerais, em municípios como Uberaba, Varginha e Juiz de Fora, o leste do Mato Grosso do Sul, com destaque para Três Lagoas, e o sul do Espírito Santo, na região de Cachoeiro de Itapemirim.

Enquanto o alerta estiver em vigor, as autoridades recomendam que a população evite exposição prolongada ao sol nos horários mais quentes do dia, mantenha hidratação frequente e redobre a atenção com pessoas mais vulneráveis aos efeitos do calor.

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Volume de chuva acima do normal preocupa autoridades no RS às vésperas do Natal https://www.ocafezinho.com/2025/12/22/volume-de-chuva-acima-do-normal-preocupa-autoridades-no-rs-as-vesperas-do-natal/ https://www.ocafezinho.com/2025/12/22/volume-de-chuva-acima-do-normal-preocupa-autoridades-no-rs-as-vesperas-do-natal/#respond Mon, 22 Dec 2025 13:38:31 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=223446 O Rio Grande do Sul volta a enfrentar um cenário de alto risco provocado por chuvas intensas que devem se concentrar nos próximos dias e se estender até o período do Natal. A previsão indica volumes de chuva muito acima do normal, que podem ultrapassar 200 milímetros em algumas regiões do estado, aumentando a possibilidade de alagamentos, inundações e outros transtornos.

A situação é resultado da chegada de uma frente fria que começa a se formar neste domingo (21) e que encontra condições favoráveis para provocar temporais persistentes. Esse sistema climático será alimentado por uma grande quantidade de umidade vinda da região Norte do país, o que reforça a intensidade das chuvas no Sul.

Imagens de satélite já mostram a formação de tempestades fortes no noroeste do estado desde a manhã deste domingo. A previsão indica que o sistema deve avançar lentamente, permanecendo praticamente estacionado sobre o Rio Grande do Sul, o que contribui para o acúmulo elevado de chuva ao longo dos dias.

Os alertas foram reforçados por simulações de um dos principais modelos de previsão do tempo do mundo, que aponta para um cenário considerado incomum e até extremo para esta época do ano. As áreas mais afetadas devem ser o Oeste e o Noroeste do estado, embora regiões do Centro e do Sul também possam registrar volumes elevados de precipitação.

Um dos fatores que explicam esse quadro é a presença do chamado “rio atmosférico”, um fenômeno que funciona como uma faixa de ar muito úmido transportando vapor d’água da Amazônia em direção ao Sul do Brasil. Esse fluxo constante de umidade alimenta as nuvens de tempestade, favorecendo chuvas fortes e persistentes.

Com a frente fria avançando lentamente, esse corredor de umidade deve permanecer sobre o estado por vários dias. A previsão indica tempestades intensas, com possibilidade de rajadas de vento e queda de granizo, o que pode causar danos a estruturas, queda de árvores e interrupções no fornecimento de energia.

As chuvas já começaram neste domingo e devem continuar, pelo menos, até o dia de Natal. A maior parte do volume previsto deve se concentrar até o fim da segunda-feira (22), quando os riscos de alagamentos e enchentes tendem a ser mais elevados, especialmente em áreas urbanas e regiões próximas a rios.

Diante do cenário, autoridades e moradores de áreas vulneráveis devem manter atenção redobrada. A recomendação é acompanhar os avisos oficiais e adotar medidas preventivas para reduzir possíveis prejuízos causados pelas chuvas intensas.

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Governo aprova Plano Clima e define diretrizes para mitigação e adaptação até 2035 https://www.ocafezinho.com/2025/12/17/governo-aprova-plano-clima-e-define-diretrizes-para-mitigacao-e-adaptacao-ate-2035/ https://www.ocafezinho.com/2025/12/17/governo-aprova-plano-clima-e-define-diretrizes-para-mitigacao-e-adaptacao-ate-2035/#respond Wed, 17 Dec 2025 12:50:07 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=223255 Nesta segunda-feira (15), Plano Clima pelo Comitê Interministerial sobre Mudança do Clima (CIM) foi aprovado como o documento que passa a orientar as políticas brasileiras de enfrentamento à crise climática até 2035. O texto deve entrar em vigor nos próximos dias, após publicação no Diário Oficial da União, estabelecendo diretrizes que envolvem tanto a redução das emissões de gases de efeito estufa quanto a preparação do país para eventos extremos cada vez mais frequentes.

Concebido como um eixo organizador das ações públicas e privadas, o plano reúne a Estratégia Nacional de Mitigação e a Estratégia Nacional de Adaptação, além de planejamentos específicos para diferentes setores da economia. Segundo o secretário nacional de Mudança do Clima do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Aloisio Lopes de Melo, o documento funciona como um guia amplo para a atuação coordenada do país. “O Plano Clima é um orientador desse conjunto de ações. Quando a gente fala de adaptação a essa nova realidade, ele traz isso na forma de 16 agendas de trabalho. E tem o outro lado, de como a gente enfrenta o problema na sua causa, de como a gente reduz emissões, que traz 8 agendas na forma de planos setoriais”, afirmou.

Na prática, o plano estabelece um conjunto de iniciativas a serem adotadas até 2035, envolvendo governos e iniciativa privada, com o objetivo de contribuir para que o aquecimento global não ultrapasse 1,5 °C e, ao mesmo tempo, preparar o país para impactos já em curso, como secas prolongadas e chuvas intensas. Melo destaca que o alcance do documento vai além da esfera federal e dialoga diretamente com estados e municípios. “Ele orienta o conjunto de atores, como municípios, por exemplo, para terem um desenvolvimento urbano mais sustentável, seja no sentido de ter mais mobilidade pública, com modais coletivos, com avanço na eletriticação dos transportes, uso de biocombustíveis, e na organização da mobilidade urbana no sentido de ter cidades menos dependentes de combustíveis fósseis, cidades mais sustentáveis”, disse.

O secretário também ressaltou que o plano cria condições para orientar investimentos privados. “Por exemplo, o Plano Clima estabelece mecanismos para aumentar a oferta de recursos de financiamento para os investimentos em atividade de baixo carbono, para que o setor privado possa olhar para essas prioridades, entender quais são as principais inovações e eixos de atuações e possa orientar sua atividade e seus investimentos para essa finalidade”, explicou.

O documento complementa a Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) apresentada pelo Brasil à Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, a UNFCCC, em novembro de 2024. O governo pretende entregar o Plano Clima como método para cumprir a meta de redução de 59% a 67% das emissões até 2035. Para Melo, a Estratégia Nacional de Adaptação representa uma inovação no cenário internacional. “Vai servir como referência e ajudar nesse debate internacional e nesse desafio que todos os países têm de conviver com a mudança do clima, fazendo com que ela não afete os seus processos de desenvolvimento social e econômico”, avaliou.

A construção do plano contou com ampla participação social desde 2023, envolvendo consultas públicas, oficinas e debates. Para Marta Salomon, especialista sênior do Instituto Talanoa, o Plano Clima se consolida como a espinha dorsal da política climática brasileira. “O que está diante de nós agora como grande desafio é exatamente implementar aquilo que foi definido nesse grande acordo. Teve uma série de consultas públicas, de oficinas, de debates para construir isso que foi aprovado ontem no CIM”, afirmou.

Apesar do avanço, representantes da sociedade civil apontam lacunas importantes. Marta avalia que falta maior ambição na transição definitiva da economia brasileira para longe dos combustíveis fósseis. “Tem problemas que a própria mudança climática impõe, como falta de chuva para gerar energia hidrelétrica. Então, isso vai ter um impacto no percentual de renovabilidade da matriz elétrica. Nesse sentido, a gente sentiu falta de o Plano Clima expressar o afastamento do uso de combustíveis fósseis”, disse. Uma avaliação semelhante foi feita por Fábio Ishisaki, assessor de políticas públicas do Observatório do Clima, que considera insuficiente o detalhamento nos planos setoriais de energia e indústria. “No setor de energia, tem incentivos para adoção de renováveis, mas o principal que é você não utilizar mais os fósseis, você não fomentar novas frentes de exploração, isso realmente nós não conseguimos identificar”, afirmou.

O debate sobre a transição energética foi defendido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a COP30, realizada em Belém, e também constou do documento final da COP28, em Dubai, como parte do aperfeiçoamento do Acordo de Paris. Embora não tenha havido consenso pleno, houve compromisso governamental de construção de um caminho para essa transição. “O mapa do caminho e essa transição para longe dos fósseis, ainda que o Brasil tenha uma matriz energética limpa e uma matriz elétrica limpíssima, a gente precisa ter no Plano Clima”, reforçou Marta.

Outro ponto sensível apontado pela especialista é a ausência de um projeto de lei que institucionalize o Plano Clima. “O desafio é gigantesco, porque a gente não tem o Plano Clima institucionalizado como uma lei. Então, dependendo do cenário eleitoral de 2026, o Plano Clima está sob risco de um próximo governo não comprometido com a causa climática, como o atual governo é, simplesmente transformar isso em pó”, alertou. Para Ishisaki, porém, o risco é mitigado pelo fato de as políticas previstas estarem vinculadas a legislações específicas e pelo reconhecimento, pelo Supremo Tribunal Federal, do Acordo de Paris como norma supralegal. “O Acordo de Paris está naquele patamar entre a lei e a Constituição Federal, que é a nossa lei máxima, nossa norma máxima”, afirmou.

Também há questionamentos sobre o financiamento. O Observatório do Clima avalia que ainda falta clareza sobre o custo total de implementação do plano, apesar da menção a fundos e recursos públicos e privados. “Se você não tem o dinheiro necessário e não sabe de onde você vai ter que tirar esse dinheiro, acaba travando, na verdade, todo o caminho para se implementar e efetivar as medidas do Plano Clima”, concluiu Ishisaki.

Contém informações da Agência Brasil

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Governo Lula reforça o SUS para enfrentar a crise climática; entenda https://www.ocafezinho.com/2025/12/01/governo-lula-reforca-o-sus-para-enfrentar-a-crise-climatica-entenda/ https://www.ocafezinho.com/2025/12/01/governo-lula-reforca-o-sus-para-enfrentar-a-crise-climatica-entenda/#respond Mon, 01 Dec 2025 20:30:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=222276 Com investimento de R$ 9,8 bilhões, o AdaptaSUS estabelece metas e ações para garantir que unidades de saúde sigam funcionando diante de enchentes, calor extremo ou longos períodos de seca

Em um momento em que eventos extremos se tornam cada vez mais frequentes e impactam diretamente a vida da população, o Governo do Brasil anunciou um pacote de R$ 9,8 bilhões para fortalecer o Sistema Único de Saúde (SUS) frente à mudança do clima. A decisão, revelada no domingo, 30 de novembro, durante o 14º Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva (Abrascão), representa um avanço significativo na construção de um sistema de saúde mais preparado, mais justo e mais acessível — sobretudo para as regiões mais vulneráveis do país.

O investimento integra o AdaptaSUS, plano estratégico apresentado pelo governo durante a COP30, em Belém (PA). A iniciativa estabelece 27 metas e 93 ações, pensadas para curto, médio e longo prazo, que devem ser implementadas até 2035. O objetivo é fortalecer sistemas de alerta, ampliar a vigilância em saúde, qualificar equipes, apoiar pesquisas e realizar obras estruturantes em localidades que sofrem com efeitos cada vez mais severos da crise climática.


Plano AdaptaSUS mira continuidade da assistência em tempos críticos

O conjunto de ações prevê recursos destinados a garantir que unidades de saúde continuem funcionando mesmo diante de enchentes, ondas de calor, secas prolongadas ou outros eventos climáticos extremos. Parte do investimento será direcionada à ciência e tecnologia, com foco no desenvolvimento de estudos capazes de antecipar riscos e orientar políticas públicas mais eficazes.

Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, o desafio climático já é uma realidade urgente e afeta diretamente a rede assistencial. “A crise climática é um problema de saúde pública. Hoje, no mundo, um a cada 12 hospitais paralisa atividades por causa de eventos climáticos extremos. Para nós, debater saúde e clima é questão de equidade. Precisamos de um sistema que se antecipe, responda e se adapte às mudanças climáticas para garantir atendimento a todos”, afirmou.

Com essa diretriz, o governo busca impedir que populações mais pobres — historicamente as mais expostas aos impactos ambientais — sejam novamente as que mais sofrem quando catástrofes atingem o território nacional.


Guia de resiliência orienta construção de unidades mais seguras

Durante o Abrascão, o Ministério da Saúde apresentou o Guia de Unidades de Saúde Resilientes, documento que passa a integrar os projetos do Novo PAC Saúde. O material reúne diretrizes minuciosas sobre como UBSs, UPAs e hospitais devem ser construídos ou adaptados para resistir a eventos climáticos cada vez mais intensos.

As orientações abrangem desde estruturas reforçadas até autonomia energética e hídrica, além de padrões de segurança e soluções de inteligência predial. Para viabilizar a aplicação dessas regras, foi instituído um grupo técnico encarregado de detalhar cada etapa da implementação.


Reconhecimento da profissão de sanitarista avança

O governo também assinou portarias que instituem a Comissão Técnica de Registro Profissional do Sanitarista e o Comitê de Acompanhamento de Formação da Profissão do Sanitarista, dando andamento ao que determina a Lei nº 14.725/2023. Esses novos espaços serão responsáveis por definir critérios de formação, organizar o sistema digital de registro, analisar pedidos profissionais e consolidar a identidade da categoria.

Valorizar o sanitarista é reconhecer a essência do SUS”, pontuou Padilha, destacando o papel central desses profissionais na defesa de políticas públicas inclusivas e na construção de um sistema de saúde que priorize a vida e o bem-estar coletivo.


Nova instância moderniza ética em pesquisa no país

Outro anúncio importante foi a criação da Instância Nacional de Ética em Pesquisa, que moderniza o sistema brasileiro de avaliação ética em estudos envolvendo seres humanos. A estrutura pretende acelerar os processos de análise, reduzir duplicidades, definir com clareza os critérios de risco e regulamentar biobancos — aproximando o Brasil das melhores práticas internacionais.

Com o AdaptaSUS, o país assume um compromisso de longo prazo com a proteção da saúde pública em um cenário global de instabilidade climática. O plano demonstra que, diante dos desafios ambientais que já afetam o cotidiano da população, fortalecer o SUS é também fortalecer a capacidade do Brasil de enfrentar desigualdades históricas e garantir que nenhuma comunidade fique para trás.

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Parlamentares aprovam 25 diretrizes para enfrentar crise climática durante a COP30 https://www.ocafezinho.com/2025/11/15/parlamentares-aprovam-25-diretrizes-para-enfrentar-crise-climatica-durante-a-cop30/ https://www.ocafezinho.com/2025/11/15/parlamentares-aprovam-25-diretrizes-para-enfrentar-crise-climatica-durante-a-cop30/#respond Sat, 15 Nov 2025 14:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=221390 Documento destaca transição energética justa, adaptação climática e proteção de povos indígenas

A União Interparlamentar (UIP) aprovou nesta sexta-feira (14), 25 diretrizes para enfrentar a crise climática. O documento foi discutido por parlamentares de 47 países reunidos na Assembleia Legislativa do Pará, durante a Conferência da ONU sobre Mudança do Clima (COP30).

Os parlamentares afirmam que o aquecimento global é uma ameaça existencial. Segundo o texto, os impactos atingem as seguranças alimentar, hídrica e energética; as infraestruturas nacionais; os sistemas financeiros; e, sobretudo, os direitos humanos.

O relator da reunião parlamentar na COP30, senador Humberto Costa (PT-PE), destacou o papel dos Legislativos no financiamento climático e no monitoramento das metas.

“Defendemos transparência orçamentária, monitoramento rigoroso das metas de mitigação e financiamento adequado para que países em desenvolvimento cumpram seus compromissos”, afirmou.

Transição energética

O documento recomenda uma transição energética justa e inclusiva, com redução de subsídios aos combustíveis fósseis — petróleo, carvão e gás natural — e crescimento do uso de energias renováveis.

Outro eixo é o fortalecimento dos planos de adaptação climática, com atenção especial às populações mais vulneráveis a eventos extremos.

As diretrizes incluem ainda:

  • ações climáticas para reduzir desigualdades;
  • valorização dos conhecimentos dos povos indígenas e comunidades tradicionais;
  • uso do risco climático nas decisões públicas;
  • ampliação do papel dos bancos multilaterais de desenvolvimento;
  • reconhecimento do ecocídio como crime internacional;
  • proteção de defensores do meio ambiente.

Atuação dos Parlamentos

O senador Humberto Costa afirmou que os Parlamentos precisam ampliar a cooperação internacional.

“Os Parlamentos devem definir leis que garantam a implementação das contribuições climáticas e fiscalizar a ação dos governos, inclusive o financiamento”, disse.

Integrante do comitê-executivo da UIP, o deputado Claudio Cajado (PP-BA) ressaltou que os eventos climáticos extremos exigem debate suprapartidário.

“Quando reunimos parlamentares do mundo inteiro, trocamos experiências, ideias e críticas. Discutiremos em cada Parlamento o que foi debatido aqui”, afirmou.

O documento final também aborda o incentivo à pesquisa, à inovação e ao uso da inteligência artificial para enfrentar a crise climática; a ampliação da proteção da biodiversidade; e ações para combater a desinformação climática.

Publicado originalmente pela Agência Câmara de Notícias em 14/11/2025

Reportagem: José Carlos Oliveira

Edição: Geórgia Moraes

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Belém lida com apagões, insegurança e improviso https://www.ocafezinho.com/2025/11/14/belem-lida-com-apagoes-inseguranca-e-improviso/ https://www.ocafezinho.com/2025/11/14/belem-lida-com-apagoes-inseguranca-e-improviso/#comments Fri, 14 Nov 2025 09:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=221261 1 Comentário 🔥]]> A promessa de um evento simbólico na Amazônia se converteu em espelho das falhas estruturais que o discurso oficial tenta ocultar

A imagem que o Brasil pretende projetar ao mundo durante a COP30, em Belém, está seriamente ameaçada. Não pela floresta, que permanece de pé como testemunha silenciosa, mas pela incapacidade do poder público de garantir o básico: segurança, infraestrutura e dignidade para os milhares de participantes deste evento crucial. Um duro alerta da ONU ao governo Lula, obtido pela imprensa, expõe uma fratura preocupante entre a ambição do discurso e a precariedade da execução.

A carta do secretário-executivo da ONU para o Clima, Simon Stiell, é um documento que deveria envergonhar a administração federal. Ela vai além de apontar desconfortos logísticos, comuns em eventos de grande porte. Ela revela uma falha sistêmica e grave na gestão do evento.

A crítica mais contundente recai sobre a segurança, ou melhor, sobre a sua ausência. O episódio em que cerca de 150 manifestantes invadiram a área restrita, danificando instalações e ferindo seguranças, seria, por si só, grave. O inaceitável, no entanto, foi a inação das forças de segurança presentes no local.

A sugestão de que o gabinete do presidente Lula poderia ter orientado a Polícia Federal a não intervir – se confirmada – é de uma gravidade ímpar. Representa uma leitura política equivocada e perigosa que coloca em risco a integridade física dos participantes e viola diretamente os protocolos internacionais assumidos pelo país.

Um governo que se apresenta como a âncora da ordem democrática não pode, em nome de qualquer cálculo, falhar no seu dever primordial de garantir a segurança de uma conferência da qual é anfitrião.

Esta falha de segurança não é um ponto isolado; é a face mais aguda de um colapso administrativo mais amplo. As queixas sobre o calor sufocante, o ar-condicionado falho, as infiltrações que representam risco elétrico, a falta de água e os pavilhões inacabados pintam um quadro de despreparo que beira a negligência.

São problemas que afetam diretamente a saúde e o bem-estar de todos, mas que atingem com mais força as delegações de países pequenos e em desenvolvimento, historicamente menos equipadas para lidar com adversidades. Mais uma vez, a assimetria global se reproduz no microcosmo da COP, prejudicando o equilíbrio das negociações.

Há uma ironia amarga nessa situação. Lula insistiu em sediar a COP30 na Amazônia, rejeitando cidades com infraestrutura consolidada, com o argumento nobre de mostrar ao mundo a realidade da floresta e das mudanças climáticas. No entanto, a realidade que se impõe é a de um Estado que, historicamente, negligenciou a região Norte.

A escolha de Belém como palco era simbólica e poderosa, mas esbarrou na falta de investimentos crônicos em logística, saneamento, hotelaria e segurança pública. O discurso progressista de levar o evento para o coração da Amazônia esfacela-se ante a incapacidade de fornecer água potável nos banheiros.

O risco, agora, é que o legado da COP30 não seja o do protagonismo brasileiro na agenda climática, mas o do constrangimento diplomático. A pressão internacional é justa e necessária. O governo federal não pode tratar isso como mera rusga de percurso. É urgente que apresente um plano de ação convincente e o execute com transparência, recuperando a confiança da ONU e da comunidade internacional.

Belém, cidade-porta de entrada da Amazônia, merecia mais. A luta contra as mudanças climáticas, que é essencialmente uma luta por justiça social e ambiental, merecia mais. Cabe ao governo Lula corrigir rotas imediatamente, provando que a defesa da Amazônia e de seu povo começa com a capacidade de gerir com competência e seriedade um evento que deveria ser um marco, e não um alerta vermelho sobre nossas próprias contradições.

Com informações de Bloomberg*

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ONU reclama de segurança e más condições na COP30 https://www.ocafezinho.com/2025/11/13/onu-reclama-de-seguranca-e-mas-condicoes-na-cop30/ https://www.ocafezinho.com/2025/11/13/onu-reclama-de-seguranca-e-mas-condicoes-na-cop30/#comments Thu, 13 Nov 2025 16:05:26 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=221262 2 Comentários 🔥]]> Carta obtida pela imprensa revela preocupação da ONU com falhas graves de segurança e infraestrutura durante a COP30, expondo fragilidade da organização brasileira

A Organização das Nações Unidas (ONU) fez um duro alerta ao governo brasileiro sobre as falhas de segurança e as precárias condições estruturais da Conferência do Clima (COP30), realizada em Belém, no Pará. Em uma carta enviada em 12 de novembro, o secretário-executivo da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, Simon Stiell, exigiu que o Brasil apresente imediatamente um plano de ação para corrigir problemas que colocam em risco tanto os participantes quanto a reputação do evento.

O documento, obtido pela Bloomberg News, relata uma série de deficiências que vão desde incidentes de segurança até questões relacionadas ao calor excessivo, falhas no sistema de ar condicionado e infiltrações causadas pelas chuvas. Stiell afirmou que as condições observadas são incompatíveis com o padrão esperado para uma conferência internacional dessa magnitude e cobrou do país-sede medidas imediatas.

A crítica mais contundente foi direcionada à atuação das forças de segurança durante a invasão do local da conferência, ocorrida na noite de terça-feira. Segundo o representante da ONU, cerca de 150 manifestantes conseguiram entrar na área restrita, danificando instalações e ferindo seguranças. O mais preocupante, segundo Stiell, foi a falta de reação das autoridades: “As forças de segurança e a estrutura de comando necessárias para executar o plano de segurança estavam todas presentes no local durante o incidente, mas não agiram”, escreveu.

Na correspondência, o chefe da ONU para o clima afirmou ainda que recebeu informações de que o gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria orientado a Polícia Federal a não intervir para dispersar os manifestantes — algo que, se confirmado, representaria uma violação direta dos protocolos firmados com a organização internacional. Ele descreveu vulnerabilidades sérias, como portas desprotegidas, efetivo insuficiente e falta de garantias de que as autoridades federais e estaduais agiriam em casos de emergência.

“Isso representa uma grave violação da estrutura de segurança estabelecida”, afirmou Stiell, acrescentando que o episódio levanta “preocupações significativas” sobre o cumprimento das obrigações do Brasil como país anfitrião e presidente da COP30.

A carta foi endereçada a Rui Costa, ministro-chefe da Casa Civil, e a André Corrêa do Lago, diplomata brasileiro que preside as negociações da conferência. Até o momento, nem o governo federal nem representantes da ONU comentaram publicamente o caso.

A situação é especialmente delicada para o presidente Lula, que tem insistido na importância de sediar a COP30 na Amazônia, argumentando que o evento em Belém serviria para expor ao mundo as consequências concretas das mudanças climáticas. O petista rejeitou propostas de transferir a conferência para cidades maiores, como São Paulo ou Rio de Janeiro, que possuem melhor infraestrutura hoteleira e logística.

Mas a realidade no local tem se mostrado desafiadora. Delegações estrangeiras e representantes da sociedade civil relataram temperaturas sufocantes, longas filas para alimentação, falhas no abastecimento de água nos banheiros e pavilhões inacabados. Além disso, o sistema de pagamento interno, baseado em um cartão pré-pago, tem gerado insatisfação por exigir recarga e permitir reembolso apenas mediante apresentação de documento de identidade.

Stiell também apontou falhas graves na infraestrutura física dos espaços, destacando o calor extremo e o funcionamento precário do ar condicionado, o que já teria causado problemas de saúde entre participantes e funcionários. As chuvas típicas da região amazônica agravaram o cenário: houve relatos de infiltrações no teto e nas luminárias, o que, segundo ele, representa um risco elétrico e ameaça à integridade das pessoas presentes.

Os problemas estruturais somam-se às críticas anteriores sobre a falta de acomodações acessíveis na cidade. Delegações de países pequenos e em desenvolvimento têm enfrentado dificuldades para enviar representantes, o que pode prejudicar o equilíbrio das negociações climáticas.

Durante a última semana, a ausência de diversos líderes internacionais também chamou atenção. Fontes próximas à organização afirmam que os desafios logísticos e a infraestrutura limitada pesaram na decisão de algumas autoridades de não comparecer à cúpula.

De acordo com Stiell, o desconforto entre os países membros é crescente. Delegações que investiram quantias elevadas na construção de pavilhões e no aluguel de escritórios manifestaram “séria preocupação com as más condições das instalações”. Algumas estruturas, segundo o secretário, “não estão dentro dos padrões acordados”, e outras “simplesmente não são adequadas para uso”.

A pressão internacional agora recai sobre o governo brasileiro, que tem o desafio de restaurar a confiança da ONU e garantir que a COP30 — um evento que deveria simbolizar o protagonismo do país na agenda climática global — não se transforme em um constrangimento diplomático.

Belém, que foi escolhida como símbolo da Amazônia e da luta ambiental, enfrenta o teste de provar que é capaz de sediar com segurança e dignidade um dos encontros mais importantes do planeta sobre o futuro do clima.

Com informações de Bloomberg*

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Marina Silva defende abordagem integrada contra fome e crise climática na COP30 https://www.ocafezinho.com/2025/11/11/marina-silva-defende-abordagem-integrada-contra-fome-e-crise-climatica-na-cop30/ https://www.ocafezinho.com/2025/11/11/marina-silva-defende-abordagem-integrada-contra-fome-e-crise-climatica-na-cop30/#respond Tue, 11 Nov 2025 17:31:25 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=221032 A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, afirmou nesta segunda-feira (10), durante a COP30 em Belém, que o combate à fome, à pobreza e à crise climática deve ser conduzido de forma conjunta. A declaração foi feita em um evento ministerial de alto nível que reuniu autoridades brasileiras e internacionais para discutir a interseção entre justiça climática e segurança alimentar.

Marina destacou que fenômenos climáticos extremos — como o tornado que destruiu parte de Rio Novo do Iguaçu, no Paraná, na última sexta-feira — não apenas causam danos materiais e perdas de vidas, mas também agravam a vulnerabilidade social. “As pessoas perdem seus sistemas alimentares, locais de trabalho, quando tem uma enchente, quando tem um tufão ou um furacão, agravado pela mudança do clima, como aconteceu agora no Paraná, onde uma cidade inteira foi arrasada com perdas de vida. Elas ficam mais vulneráveis”, afirmou.

Para a ministra, enfrentar a desigualdade e a mudança do clima de forma separada é ineficaz. “Pensar o enfrentamento da desigualdade junto com o enfrentamento da mudança do clima é algo perfeitamente possível, e é o único caminho para lidar com os dois problemas com eficiência”, complementou.

O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, também participou do evento e reforçou a importância de redes de proteção social nas respostas a emergências climáticas. Ele destacou ainda o papel central de povos tradicionais e da agricultura familiar na garantia da segurança alimentar e na preservação ambiental.

“Não há segurança alimentar nem resiliência climática sem aqueles que cuidam da terra, das águas e das sementes, da produção. A agricultura familiar fornece a maior parte dos nossos alimentos”, disse Dias. “Ao mesmo tempo, povos tradicionais agem como guardiões de técnicas tradicionais de plantio e da diversidade genética de nossos alimentos. A floresta produtiva é um caminho que integra o social, o ambiental e o ecológico”, acrescentou.

O encontro ocorre na esteira da Declaração de Belém sobre Fome, Pobreza e Ação Climática Centrada nas Pessoas, aprovada em 7 de novembro por 43 países e a União Europeia durante a Cúpula do Clima. O documento posiciona pela primeira vez a erradicação da fome e da pobreza como eixos centrais da agenda climática global.

A ministra da Cooperação e Desenvolvimento da Alemanha, Reem Alabali Radovan, elogiou a iniciativa brasileira. “Esta declaração representa um passo pioneiro na articulação entre ação climática, proteção social e segurança alimentar. Reconhece que a proteção do planeta e a proteção das pessoas devem caminhar juntas”, afirmou. “A declaração deixa claro que a proteção social é um pilar da ação climática nacional e global.”

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Países ricos perderam o entusiasmo em enfrentar a crise climática, afirma chefe da COP30 https://www.ocafezinho.com/2025/11/10/paises-ricos-perderam-o-entusiasmo-em-enfrentar-a-crise-climatica-afirma-chefe-da-cop30/ https://www.ocafezinho.com/2025/11/10/paises-ricos-perderam-o-entusiasmo-em-enfrentar-a-crise-climatica-afirma-chefe-da-cop30/#respond Mon, 10 Nov 2025 17:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=220927 André Corrêa do Lago, do Brasil, afirma que os países devem seguir o exemplo da China em energia limpa, no início da conferência.

Os países ricos perderam o entusiasmo pelo combate à crise climática, enquanto a China avança rapidamente na produção e utilização de equipamentos de energia limpa, afirmou o presidente das negociações climáticas da ONU.

Mais países deveriam seguir o exemplo da China em vez de reclamar de serem superados pela concorrência, disse André Corrêa do Lago, diplomata brasileiro responsável pela conferência COP30, que começa na segunda-feira.

“De alguma forma, a redução do entusiasmo do Norte global está mostrando que o Sul global está se movimentando”, disse Corrêa do Lago a repórteres em Belém, cidade na floresta amazônica onde está acontecendo a conferência COP30, com duração de duas semanas. “Não é algo recente, esse movimento vem ocorrendo há anos, mas não tinha a visibilidade que tem agora.”

Ele apontou para o maior emissor mundial de gases de efeito estufa, a China, que também é a maior produtora e consumidora de energia de baixo carbono. “A China está criando soluções que são para todos, não apenas para a China”, disse ele. “Os painéis solares são mais baratos, são tão competitivos [em comparação com a energia de combustíveis fósseis] que estão por toda parte agora. Se você está pensando em mudanças climáticas, isso é bom.”

Ministros e altos funcionários de 194 países buscarão elaborar planos na COP30 para se manterem dentro do limite de 1,5°C de aquecimento estabelecido no Acordo de Paris, ou o mais próximo possível dele, para definir um roteiro para a eliminação gradual dos combustíveis fósseis e para garantir que os países pobres recebam a ajuda de que precisam.

No topo da agenda estarão os planos nacionais para reduzir as emissões de gases de efeito estufa, que atualmente levariam a um aquecimento devastador de 2,5°C. Os países vulneráveis ​​querem elaborar um plano que mostre como os países podem superar seus esforços atuais, que são insuficientes, e cumprir as metas do Acordo de Paris.

Ilana Seid, embaixadora de Palau na ONU e porta-voz da Aliança dos Pequenos Estados Insulares (Aosis), afirmou que definir um caminho global para cortes mais profundos nas emissões seria fundamental. “O progresso alcançado até agora tem sido insuficiente e precisamos de uma resposta”, disse ela ao The Guardian. “Caso contrário, não sabemos para onde estamos indo.”

Os anfitriões brasileiros estão focados na “implementação” – ou seja, em colocar em prática os compromissos já assumidos, como a redução das emissões de gases de efeito estufa, a triplicação da energia renovável até 2030 e a duplicação da eficiência energética. Mas Aosis quer mais do que isso, argumentando que, sem políticas para reduzir as emissões mais rapidamente, a meta de limitar o aquecimento a 1,5°C será perdida.

“A meta de 1,5°C deve ser a nossa estrela guia”, disse Seid. “Precisamos reconhecer que, coletivamente, estamos aquém dessa meta e precisamos de uma resposta.”

Os países pobres também querem garantias de que receberão os fundos prometidos para se protegerem dos impactos das mudanças climáticas. Um roteiro para a transição global para longe dos combustíveis fósseis também será discutido.

Mas, apesar dos esforços do Brasil ao longo de mais de seis meses para evitar um conflito na abertura da conferência sobre o que deveria estar na agenda, é provável que ainda ocorram divergências acirradas na segunda-feira sobre o foco da conferência e o que deveria ser descartado.

Com o início da conferência, o Guardian revela que uma das principais promessas climáticas já está sendo minada. Na COP26, em Glasgow, em 2021, o Reino Unido, os EUA, a UE e outros países firmaram o compromisso global de redução do metano, que exige uma diminuição de 30% nas emissões de metano até 2030. Cerca de 159 países aderiram ao compromisso.

No entanto, as emissões de alguns dos principais signatários aumentaram, segundo dados da empresa de análise por satélite Kayrros, o que provavelmente elevará ainda mais as temperaturas globais. Coletivamente, as emissões de seis dos maiores signatários – EUA, Austrália, Kuwait, Turcomenistão, Uzbequistão e Iraque – estão agora 8,5% acima do nível de 2020.

O Kuwait e a Austrália fizeram progressos na redução de suas emissões, mas as emissões das operações de petróleo e gás dos EUA aumentaram 18%.

Antoine Rostand, presidente da Kayrros, afirmou: “Apesar das promessas feitas ano após ano, apesar da piora da situação climática, as emissões de metano estão aumentando. Nossa análise deixa isso dolorosamente claro. Podemos esperar que as coisas mudem? Devemos ao menos ter esperança de que sim. O tempo está se esgotando.”

O metano é um gás de efeito estufa 80 vezes mais potente que o dióxido de carbono e é responsável por cerca de um terço do aquecimento global registrado recentemente. Reduzi-lo poderia ser um “freio de emergência” para as temperaturas globais, mas até agora os países não tomaram as medidas necessárias.

Durwood Zaelke, presidente do Instituto para Governança e Desenvolvimento Sustentável, afirmou que os países precisam assinar um novo acordo global sobre metano, em vez de se manterem fiéis ao compromisso não vinculativo. “Com as emissões ainda elevadas, o compromisso voluntário claramente não é suficiente para nos impedir de ultrapassar os pontos de inflexão que se aproximam rapidamente”, disse ele. “Precisamos de um acordo vinculativo mais robusto sobre o metano.”

Publicado originalmente pelo The Guardian em 10/11/2025

Por Fiona Harvey em Belém

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Segundo dia da Cúpula do Clima terá debates sobre transição energética https://www.ocafezinho.com/2025/11/07/segundo-dia-da-cupula-do-clima-tera-debates-sobre-transicao-energetica/ https://www.ocafezinho.com/2025/11/07/segundo-dia-da-cupula-do-clima-tera-debates-sobre-transicao-energetica/#respond Fri, 07 Nov 2025 14:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=220612 O Acordo de Paris, Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) e o financiamento de ações para combater a crise climática também estão na pauta

A Cúpula do Clima, em Belém (PA), entra nesta sexta-feira (7/11) no seu segundo e último dia com a retomada dos discursos dos líderes e representantes dos países participantes da COP 30 e sessões temáticas sobre transição energética, o Acordo de Paris, Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) e o financiamento de ações para combater a crise climática.

Chefes de Estado, líderes de governos e representantes de alto nível de mais de 70 países estão em Belém para participar da Cúpula do Clima. Considerando embaixadores e pessoal diplomático, a lista ultrapassa uma centena de governos estrangeiros representados na capital paraense.

A Cúpula do Clima antecede a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP 30), que será realizada de 10 a 21 de novembro, também em Belém. O objetivo é atualizar e reforçar os compromissos multilaterais para lidar com a urgência da crise climática.

Na prática, a Cúpula do Clima busca dar peso político às negociações que se seguirão pelas próximas duas semanas de COP 30.

Programação

A programação desta sexta-feira tem início com a chegada dos líderes à Zona Azul, logo pela manhã. Neste local, é autorizada a entrada de delegações oficiais, chefes de Estado, observadores e imprensa credenciada.

Na sequência, haverá uma nova sessão de foto de família, com os líderes participantes do evento. Depois, haverá a retomada dos discursos dos líderes sobre o clima.

Também haverá uma sessão temática sobre a transição energética. O Brasil tem defendido que é urgente acelerar a transição, com justiça climática, para proteger as florestas e também para combater as desigualdades, com um desenvolvimento sustentável e justo para as sociedades.

Ao final da tarde ocorre a Terceira Sessão Temática da Mesa de Líderes: “10 Anos do Acordo de Paris: Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) e Financiamento”.

Agenda

Lula retoma nesta sexta-feira a agenda de reuniões bilaterais com chefes de Estado e de governo como o primeiro-ministro do Reino Unidos, Keir Starmer, e o presidente da República de Moçambique, Daniel Chapo.

O presidente brasileiro tem alertado para o fato de que a crise do clima, por sua natureza global e interdependente, só pode ser enfrentada de forma efetiva por meio da cooperação internacional e do fortalecimento do multilateralismo.

Primeiro dia

Ontem (6), na abertura, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um chamado para que os países tomem ações concretas dos países para conter a elevação da temperatura global. O Relatório sobre a Lacuna de Emissões 2025, do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) mostra que está cada vez mais difícil alcançar a meta de limitar o aquecimento global a 1,5°C, exigindo medidas mais contundentes para reverter o cenário catastrófico.

“A COP 30 será a COP da verdade. É o momento de levar a sério os alertas da ciência. É hora de encarar a realidade e decidir se teremos ou não a coragem e a determinação necessárias para transformá-la”, disse Lula durante a abertura da Cúpula do Clima.

Depois abrir a plenária, o presidente recebeu as lideranças mundiais em um almoço oficial para o lançamento do Fundo Florestas Tropicais para Sempre(TFFF, sigla em inglês).

Em entrevista coletiva, com a participação dos ministros da Fazenda, Fernando Haddad; do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva; e dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara foi anunciado que o fundo já conta com US$ 5,5 bilhões.

A cada ano, um país recebe o encontro, que tem como principal missão buscar formas de implementar a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC, na sigla em inglês). Esse documento foi adotado por diversos países em 1992, justamente em uma conferência no Brasil, a Eco92. Desde então, a meta geral passou a ser a de estabilizar a concentração de gases de efeito estufa na atmosfera.

Publicado originalmente pela Agência Gov em 07/11/2025

Por Luciano Nascimento – Agência Brasil

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Quando o progresso vem cheirando a gás https://www.ocafezinho.com/2025/11/05/quando-o-progresso-vem-cheirando-a-gas/ https://www.ocafezinho.com/2025/11/05/quando-o-progresso-vem-cheirando-a-gas/#respond Wed, 05 Nov 2025 07:30:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=220422 Enquanto o Sul Global luta por soberania, o Norte vende soluções sujas com a mesma arrogância colonial de séculos atrás

Enquanto o mundo debate a transição energética e o Sul Global luta para proteger suas economias da espoliação histórica, os Estados Unidos, sob a égide de políticas trumpistas que ressuscitam o mais cru imperialismo, nos oferecem mais um capítulo de sua hipocrisia energética. O caso da First American Nuclear Co., em Indiana, é um microcosmo perfeito do que se tornou o projeto de poder norte-americano para o século XXI: uma fachada futurista sustentada por estruturas arcaicas, poluentes e profundamente injustas.

A startup promete um futuro de energia nuclear “limpa”, com reatores que magicamente reciclam seus próprios resíduos tóxicos. Soa bem, soa progressista. No entanto, a letra miúda – aquela que sempre escondem dos olhos do mundo – revela a verdadeira essência. Para alimentar a fera insaciável da Inteligência Artificial, a solução imediata não é a inovação, mas o velho e sujo gás natural.

O plano é começar a poluir em 2028 para, quiçá, vender o tal sonho atômico em 2032. É o capitalismo de desastre aplicado à crise climática: criar um problema urgente (a demanda energética explosiva da IA) para justificar a ampliação da infraestrutura de combustíveis fósseis, enquanto se posterga a solução verdadeira para um amanhã incerto.

Esta não é uma mera estratégia de negócios. É uma declaração política. É a materialização da doutrina Trump de “America First”, que na prática significa “America Burns the World First”. Enquanto nos pressionam a abrir nossas economias e nossos recursos naturais para seus interesses, seu próprio desenvolvimento é construído sobre a queima acelerada de combustíveis fósseis, aprofundando a crise climática que mais afetará a América Latina, a África e a Ásia. A fome de energia dos data centers, impulsionada por corporações bilionárias, é tratada como uma emergência nacional que justifica tudo, até mesmo regredir na matriz energética.

O investimento de US$ 4,2 bilhões nesta aposta híbrida – gás hoje, uma química nuclear duvidosa amanhã – expõe a falácia do “capitalismo inovador” norte-americano. A tecnologia milagrosa que prometem, o reator de metal líquido, não é uma novidade saída dos laboratórios de Stanford ou do MIT. É uma tecnologia “já utilizada em submarinos russos há anos”. A ironia é grossa: em plena retórica belicista e antirrussa, o suposto futuro energético dos EUA depende de adaptar uma tecnologia do seu inimigo geopolítico declarado. Isso não é inovação; é desespero travestido de genialidade.

E o que significa a promessa de que “os resíduos, na verdade, fornecem energia”, feita pelo presidente da empresa, Bill Stokes? Soa perigosamente como a velha lógica colonial de que o veneno pode ser o remédio. É o mesmo pensamento mágico que, por décadas, tentou vender para a América Latina e outras regiões modelos extrativistas como “oportunidades de desenvolvimento”, deixando para trás apenas passivos ambientais e sociais. Agora, querem aplicar essa lógica ao seu próprio quintal, e o mundo deve assistir passivamente.

Este caso em Indiana é um alerta para nossa América Latina. Ele nos mostra que, sob o comando de figuras como Trump, os EUA não têm um projeto viável e sustentável nem para si mesmos. Seu modelo é predatório, de curto prazo e baseado em salvar os lucros das Big Techs à custa do planeta. Enquanto isso, nossa região, tão rica em sol, vento, água e biodiversidade, deve fortalecer com urgência sua própria soberania energética.

Não podemos nos curvar a um parceiro que, em sua sede descontrolada, nos oferece como futuro a poluição de hoje e as quimeras de amanhã. A verdadeira energia limpa, democratizada e soberana não virá dos reatores de submarinos adaptados em Indiana, nem dos poços de gás natural abertos às pressas. Virá de nossa capacidade de união e de investir em nossas próprias soluções, livres da dependência de um império que, para saciar sua própria fome, está disposto a queimar o presente e hipotecar o futuro de todos.

Com informações de Bloomberg*

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Startup de Indiana promete reatores que reciclam resíduos https://www.ocafezinho.com/2025/11/04/startup-de-indiana-promete-reatores-que-reciclam-residuos/ https://www.ocafezinho.com/2025/11/04/startup-de-indiana-promete-reatores-que-reciclam-residuos/#respond Tue, 04 Nov 2025 12:47:22 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=220423 Enquanto a First American Nuclear Co. vende um futuro onde reatores reciclam seus próprios resíduos tóxicos, o plano imediato para alimentar data centers envolve combustíveis fósseis

Em meio a uma corrida desesperada por energia para alimentar a crescente demanda da Inteligência Artificial (IA), uma startup sediada em Indiana, Estados Unidos, apresentou um plano ambicioso que beira a ficção científica: construir uma usina nuclear capaz de consumir os próprios “resíduos mortais” que produz.

A empresa, chamada First American Nuclear Co., promete uma revolução energética. No entanto, por trás do discurso de inovação, a realidade imediata é mais fóssil do que atômica.

O plano da companhia é começar a fornecer eletricidade em 2028, mas não com seu reator milagroso. A fase inicial da operação será alimentada por gás natural. Somente em uma segunda etapa, prevista para 2032, a empresa espera implantar seu reator rápido de metal líquido, segundo confirmou o diretor executivo, Mike Reinboth.

O verdadeiro alvo desse esforço não é o consumidor residencial comum, mas sim o apetite colossal dos centros de dados. A explosão da IA gerou uma demanda sem precedentes por eletricidade, e a energia nuclear tem sido cada vez mais apresentada como a solução viável, apesar do consenso de que “é improvável que o setor construa novos reatores nos próximos anos”.

A First American aposta no seu modelo híbrido: usar o gás natural, uma fonte de energia que contribui para a crise climática, permite que ela “comece a fornecer eletricidade nos próximos anos” e, crucialmente, comece a faturar enquanto aguarda as complexas aprovações regulatórias para sua tecnologia nuclear.

Reinboth admitiu que outras empresas estão adotando estratégias semelhantes e confirmou estar em negociações ativas com potenciais clientes de data centers. A demanda é clara e urgente. “Os centros de dados estão impulsionando a demanda por energia”, disse ele.

Uma aposta de US$ 4,2 bilhões em tecnologia controversa

A empresa está atualmente avaliando diversos locais em Indiana para seu projeto. O objetivo é instalar seis desses sistemas, a um custo estimado de US$ 4,2 bilhões. Se concretizado, o complexo geraria energia suficiente para abastecer 1,5 milhão de residências — ou, mais provavelmente, um número significativo de servidores de IA.

A tecnologia central da promessa é um reator de metal líquido de 240 megawatts. Este design utiliza chumbo-bismuto como refrigerante. A própria empresa admite ser a única nos Estados Unidos a desenvolver essa tecnologia específica para uso comercial, embora ela tenha um histórico de aplicação em outro contexto: “já é utilizada em submarinos russos há anos”.

A grande promessa de marketing da First American é a sua instalação de reprocessamento. A empresa afirma que o sistema será capaz de converter o urânio já utilizado (o lixo nuclear) de volta em novo combustível.

Segundo o comunicado divulgado na terça-feira, essa capacidade de reutilizar o combustível irradiado eliminaria o desafio histórico dos resíduos tóxicos gerados por reatores convencionais e, de quebra, tornaria as usinas “mais baratas de operar”.

É uma visão de um ciclo nuclear perfeito, onde o problema se torna a solução. Nas palavras otimistas de Bill Stokes, fundador e presidente da empresa: “Os resíduos, na verdade, fornecem energia”.

Resta saber se a First American Nuclear Co. conseguirá superar os imensos desafios regulatórios e técnicos de domar uma tecnologia de submarinos militares para uso civil, ou se o futuro imediato em Indiana será apenas mais uma usina de gás natural, construída às pressas para saciar a fome energética de Big Tech.

Com informações de Bloomberg*

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Caravana social vai à COP30 denunciar megaprojetos do agronegócio https://www.ocafezinho.com/2025/10/26/caravana-social-vai-a-cop30-denunciar-megaprojetos-do-agronegocio/ https://www.ocafezinho.com/2025/10/26/caravana-social-vai-a-cop30-denunciar-megaprojetos-do-agronegocio/#respond Sun, 26 Oct 2025 21:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=219862 Indígenas e organizações da sociedade civil lideram o movimento

Indígenas e movimentos sociais anunciaram a Caravana da Resposta, uma mobilização que vai percorrer mais de 3 mil quilômetros entre Mato Grosso e Belém, rumo à 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30). O objetivo é denunciar os impactos da monocultura e dos grandes corredores logísticos do agronegócio na Amazônia e no Cerrado.

Mais de 300 participantes de dezenas de organizações, povos e comunidades tradicionais seguirão pela chamada “rota da soja”. Durante o percurso, estão previstos atos públicos, manifestações culturais e espaços de diálogo com as comunidades.

O barco que conduzirá a etapa final da viagem também servirá como alojamento coletivo e cozinha solidária em Belém, para que os participantes possam estar presentes na conferência climática. A iniciativa pretende se contrapor ao modelo exportador que, segundo os organizadores, “concentra riquezas, destrói florestas e ameaça modos de vida”.

Corredores logísticos

A mobilização é organizada pela Aliança Chega de Soja, uma articulação que surgiu em 2024 e hoje reúne mais de 40 organizações. Entre os objetivos do movimento estão impedir megaprojetos como a Ferrogrão, projeto de ferrovia que ligaria Sinop (MT) a Itaituba (PA), para transportar grãos e reduzir custos logísticos.

De acordo com estudos da Climate Policy Initiative (CPI), da Pontifícia Universidade Católica (PUC-RJ), a construção da Ferrogrão pode causar o desmatamento de até 49 mil km² de floresta. O projeto, defendido por corporações internacionais do agronegócio, está suspenso por decisão liminar do Supremo Tribunal Federal (STF), à espera de retomada do julgamento, depois do pedido de vista do ministro Flávio Dino.

Além do Ferrogrão, o movimento critica os projetos de hidrovias dos rios Tapajós, Madeira e Tocantins, pede o fortalecimento da agroecologia e da pesca artesanal, e propõe um modelo de infraestrutura “voltado às pessoas, e não ao lucro”.

“Não vamos permitir que o interesse de grandes corporações destrua nossos rios e florestas. Querem transformar nossos rios em hidrovias mortas, nossas casas em corredor logístico, e entregar nossas florestas para os ricos, que ganham dinheiro com a soja, ficarem ainda mais ricos. Mas nós vamos defender nossos territórios, porque disso depende o futuro de todo mundo”, diz a liderança indígena Alessandra Munduruku.

Alessandra Korap Munduruku, líder dos povos indígenas Munduruku da Amazônia brasileira, fala durante o TEDxAmazônia | Tânia Rêgo/Agência Brasil

Alternativas

A Caravana da Resposta também busca dar visibilidade a alternativas agroecológicas e sistemas de sociobiodiversidade. A defesa é pela valorização da produção de pequenos agricultores e comunidades tradicionais.

O percurso de 14 dias seguirá tanto por terra — pela BR-163, conhecida como “rodovia da soja” — quanto por água, pelos rios Tapajós e Amazonas, com paradas em portos como Miritituba e Santarém, para ações conjuntas com comunidades locais.

Em Belém, os participantes se unirão às mobilizações populares Cúpula dos Povos e COP do Povo, para reforçar o protagonismo dos povos da floresta e das comunidades tradicionais na construção de uma agenda climática justa e inclusiva.

Publicado originalmente pela Agência Brasil em 25/10/2025

Por Rafael Cardoso – Repórter da Agência Brasil – Rio de Janeiro

Edição: Vinicius Lisboa

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A íntegra do discurso histórico de Petro Gustavo na ONU, em setembro de 2025 https://www.ocafezinho.com/2025/09/24/a-integra-do-discurso-historico-de-petro-gustavo-na-onu-em-setembro-de-2025/ https://www.ocafezinho.com/2025/09/24/a-integra-do-discurso-historico-de-petro-gustavo-na-onu-em-setembro-de-2025/#respond Wed, 24 Sep 2025 17:53:42 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=217893 Este é meu último discurso como presidente aqui.

Já é o quarto.

Na primeira, anunciei à Assembleia que era bem possível que um conflito eclodisse ao lado da Ucrânia na Palestina.

Pedi que fosse realizada uma conferência de paz.

Aqueles de nós que não temos bombas ou grandes orçamentos não somos ouvidos aqui.

Mas quatro anos depois, hoje, a situação aterrorizante na Palestina não me leva a pensar que o mesmo, ou quase o mesmo, possa acontecer no Caribe colombiano, quando lançam mísseis contra jovens desarmados no mar.

E agora estamos enfrentando uma situação diferente, talvez mais global.

A barbárie já está no planeta.

Hoje ela recai sobre toda a humanidade.

Os mísseis atingiram 17 jovens desarmados nas águas do Mar do Caribe, alguns deles talvez colombianos.

A perseguição, a prisão, o acorrentamento e a expulsão de milhões de migrantes.

Os mísseis que caem sobre as 70.000 pessoas em Gaza e as matam.

A falta de ação sobre a crise climática, cujas palavras estão sendo apagadas por ordem de Trump, estão interligadas e respondem à mesma causa.

A migração é uma desculpa para uma sociedade rica, branca e racista acreditar que é uma raça superior.

E não olhe para como seus líderes estão levando você e toda a humanidade ao abismo da sua própria extinção.

Dizem que os mísseis no Caribe eram para acabar com as drogas.

Mentira contada aqui, neste mesmo lugar.

Os anos de 2023 e 2024 foram os anos em que mais cocaína foi apreendida.

E mais de 700 traficantes foram extraditados para os Estados Unidos e Europa.

Eu os extraditei e meu governo apreendeu a cocaína.

E não disparamos um único míssil nem matamos nenhum jovem.

Os anos em que provei que é mais eficaz substituir voluntariamente as plantações de folhas de coca do que erradicá-las à força com glifosato e aplicá-lo à força aos agricultores pobres da Colômbia.

Substituí a fracassada e violenta guerra contra as drogas por uma política antidrogas eficaz, que é diferente.

Não confunda a substância morta com a pessoa gananciosa.

Mas eles precisam da violência para dominar a Colômbia e a América Latina.

Eles precisam destruir o diálogo e impor e lançar mísseis assassinos contra os jovens pobres do Caribe.

A política antidrogas não visa impedir que a cocaína chegue aos Estados Unidos.

A política antidrogas visa dominar a população do Sul em geral.

Ele não olha para as drogas, ele olha para o poder e a dominação.

É por isso que falo com vocês como um presidente abandonado pelo próprio presidente Trump, sem qualquer direito de fazê-lo, humano ou divino.

E sem nenhuma razão mental, eles querem violar e forçar dezenas de milhares de agricultores do governo dos Estados Unidos, que é influenciado pelos políticos da máfia colombiana no poder.

Centenas de milhares de camponeses colombianos foram massacrados, assim como crianças são massacradas em Gaza.

Os massacres na Colômbia foram realizados por políticos que eram senadores, presidentes e ministros, ligados e subornados pela máfia colombiana do tráfico de drogas, aliados ao mesmo tempo à extrema direita da Flórida, nos Estados Unidos.

E agora aliados do governo Trump, aliados de décadas dos chefões da cocaína na Colômbia.

Verdadeiros esquifos, como dizem os italianos.

Aliados dos esquifos fazem política antidrogas em Washington, Estados Unidos.

Não sei se Trump sabe que sua política externa em relação à Colômbia, Venezuela e Caribe é aconselhada por colombianos que são aliados políticos da máfia da cocaína.

Eu mesmo denunciei esses políticos paramilitares do narcotráfico, nominalmente, durante uma década no Congresso da República, como senador.

E eles tentaram me matar muitas vezes por isso.

E eles gostariam que eu não fosse presidente e ficasse quieto e silenciado.

E agora eles querem impedir que um novo governo progressista continue.

E é por isso que eles quase pessoalmente me denigrem e caluniam a Colômbia.

A maior quantidade de cocaína da história mundial foi apreendida na Colômbia.

E este governo fez isso.

E eles me desertificam.

Na Colômbia, conseguimos deter a taxa de crescimento do cultivo de folhas de coca, que era de 43% ao ano durante o governo Duque, e a reduzimos para 3% neste ano.

E eles não abandonaram Duque, que tinha um financiador narcotraficante em sua campanha, mas abandonaram Petro, porque ele diz coisas e diz a verdade.

Portanto, a política antidrogas não é para a saúde pública da sociedade, mas para a política do poder.

Eles não querem que a luz brilhe na América Latina e que o tempo dos povos volte.

Os jovens mortos por mísseis no Caribe não eram do trem Aragua, cujo nome talvez ninguém aqui saiba, nem nunca.

Eles eram caribenhos, possivelmente colombianos.

E se fossem colombianos, com as desculpas daqueles que controlam as Nações Unidas, um processo criminal deveria ser aberto contra esses funcionários que são dos Estados Unidos.

Isso inclui o alto funcionário que deu a ordem, o presidente Trump, que permitiu o assassinato de jovens que simplesmente tentavam escapar da pobreza.

Jovens em um barco.

Se eles tivessem uma remessa ilegal.

Eles não eram traficantes de drogas, eram apenas jovens pobres da América Latina que não tinham outra opção.

Os traficantes de drogas vivem em outro lugar, e não na América Latina.

Trump lança mísseis contra barcos de migrantes desarmados e os acusa de serem traficantes de drogas e terroristas, mesmo que eles não tenham uma única arma para se defender.

Quando traficantes de drogas vivem em Nova York, aqui mesmo, a poucos quarteirões de distância, e em Miami, e fazem acordos com a DEA que lhes permitem traficar na África, Europa, Rússia ou China, mas não nos Estados Unidos, um país que interrompe o crescimento do consumo de cocaína sem reduzi-lo, apenas porque seus viciados em drogas doentes passaram, e estão doentes, passaram a consumir a droga mortal da contracultura da humanidade em tempos de extinção devido à crise climática, o fentanil.

Este fentanil é produzido no aparato industrial dos Estados Unidos, aqui, perto daqui, e aqui estão os consumidores.

É um autoconsumo americano que deriva do pior que se entendeu sobre drogas na história da humanidade desde que conhecemos vinho, álcool ou cerveja.

Viciados em fentanil e gasolina, os venenos totais da vida no mundo.

Gasolina é pior que fentanil.

Somente os negros aqui, os ancestrais aqui, com mais de 20.000 anos, os jovens, as mulheres que não querem ver seus filhos morrerem em massa, brancos, negros, de todas as cores, que ainda pensam, pessoas que ainda pensam, não dormem sob fentanil ou sob a televisão mentirosa, e que podem deter a tirania dentro dos próprios Estados Unidos e no mundo.

Os cidadãos que saem às ruas na Califórnia, em Nova York, na Filadélfia, onde o sino da liberdade foi tocado, apesar dos exércitos que Trump envia contra seu próprio povo para intimidá-los, nos estados de livre cidadania, nos mesmos estados que não estão mais unidos hoje diante da tirania.

De mal a pior.

O presidente dos Estados Unidos não vê que um milhão de latino-americanos foram assassinados, a maioria dos quais são colombianos.

E mais um milhão de americanos morrerão por causa do fentanil.

Em 10 anos, a cocaína matou 3.000 pessoas por ano neste país devido aos venenos misturados a ela.

Hoje, Fentalino mata 100.000.

33 vezes mais.

Os Estados Unidos melhoraram com 50 anos de políticas absurdas ou pioraram e estão levando sua sociedade à morte dantesca da droga que mata o cérebro e os pulmões nessa mortalidade da humanidade?

Trump não apenas permite que mísseis caiam sobre jovens no Caribe, não apenas aprisiona e acorrenta migrantes, mas também permite que mísseis sejam lançados contra crianças, jovens, mulheres e idosos em Gaza.

Ele se torna cúmplice do genocídio, porque é genocídio e deve ser gritado repetidamente.

Este lugar é uma testemunha silenciosa e cúmplice de um genocídio no mundo de hoje, quando acreditávamos que era propriedade exclusiva de Hitler.

Trump não fala sobre democracia, não fala sobre a crise climática, não fala sobre a vida, ele apenas ameaça, mata e permite que dezenas de milhares sejam mortos.

Entretanto, durante minha administração na Colômbia não aumentamos a taxa de homicídios.

Temos a menor taxa de desemprego do século no país, temos a menor taxa de pobreza do século em nossas estatísticas e impulsionamos nossa agricultura em 10% ao ano e nossa indústria em 5% ao ano.

E milhões de turistas vieram como nunca antes para admirar nossa imensa beleza, o país da beleza e da diversidade natural, humana e cultural.

E buscamos a paz conversando com traficantes de drogas e rebeldes.

Não tenho vergonha de falar, sempre falo para salvar vidas.

Colocando como princípio a erradicação total das economias ilícitas e a erradicação dos cultivos de folha de coca pela vontade dos camponeses cansados da violência.

Não nos deixamos subornar por narcotraficantes, como aconteceu em governos colombianos anteriores.

E já erradicamos voluntariamente 25.000 hectares.

Temos sucesso em nossa nova política, que não é sobre drogas, mas sobre tráfico de drogas, que é diferente.

Agradecemos aos países que nos ajudaram a semear a paz.

Catar, Cuba, México, Estado da Cidade do Vaticano, Noruega, Brasil e Venezuela.

Não agradecemos àqueles que querem nos levar à guerra entre nós.

Ouçam, senhoras e senhores do mundo, a América Latina não é feita apenas de cocaína, terroristas ou traficantes de drogas.

A América Latina tem potencialmente 1.400 GB de capacidade anual de energia elétrica limpa baseada em energia hídrica, eólica e solar.

E os Estados Unidos, no norte, aqui, todos os anos, demandam 1.200 gigabytes de energia, que hoje é 70% de combustíveis fósseis, ou seja, à base de carvão, gás e petróleo.

A América Latina, se desenvolver seu potencial de energia limpa, poderá limpar toda a matriz energética fóssil dos Estados Unidos.

Ouça isso.

Só falta dinheiro, e essa seria a maior contribuição para superar a crise climática.

Hoje, quase nenhum passo à frente.

Entre o potencial de energia limpa e a enorme esponja absorvente da floresta amazônica, a América Latina seria a vanguarda humana que poderia dar o primeiro passo certo e decisivo para salvar a vida do planeta e de toda a humanidade.

São necessários apenas US$ 600 bilhões para concretizar seu potencial.

A África pode fazer o mesmo com a Europa.

A soma desse aspecto fundamental da descarbonização nos daria um trilhão, duzentos bilhões de dólares, ou um trilhão e duzentos trilhões, como dizem em inglês.

Esse dinheiro já está lá, está nos cofres, armazenado nos Estados Unidos, na Europa e na China, mas nem um único dólar está sendo movimentado.

Não é lucrativo, ou pior, pode ser muito lucrativo em termos de vidas humanas, incluindo vidas nos Estados Unidos, Europa e China.

Mas eles não querem ser interdependentes com a América Latina e a África.

Eles sabem que a combinação de energia limpa da América Latina e da África com as economias de combustíveis fósseis do Norte não apenas descarboniza o planeta e o salva do colapso climático, mas também transfere o poder global.

Quem fala aqui às vezes, mas fala todos os dias, o faz com bombas e não com palavras.

A descarbonização traz a democracia global de volta ao poder e muda as relações de produção, porque a vida e a humanidade vêm em primeiro lugar, em vez da ganância.

A ganância é o veneno da vida.

É uma contradição antagônica, como disse Mao certa vez, mas não pensando em patrões e trabalhadores, mas sim entre a ganância e a própria vida do planeta Terra.

Segundo a ciência, temos 10 anos para chegar ao ponto sem retorno.

10 anos.

E quando chegamos a esse ponto, nada pode ser feito.

Nós apenas observaremos as catástrofes e as sentiremos até mesmo em nossas próprias famílias.

Porque será, porque será, se puderem, irreversível a extinção da vida, incluindo a irreversibilidade humana do processo.

Nenhuma tecnologia, nenhuma força política ou social, nenhuma mente humana será capaz de fazer algo para impedir o colapso.

E temos mais 10 anos pela frente, diz a ciência.

Mas aqui eles não acreditam na ciência.

Disse um.

O homem mais poderoso do mundo não acredita na ciência.

E isso se chama irracionalismo.

E a Alemanha, o país dos grandes filósofos, de Führerbach, de Hegel, de Kant, estava repleta filosoficamente de irracionalismo.

E hoje os Estados Unidos estão sendo inundados de irracionalismo.

E foi o prelúdio de Hitler em 1933.

A solução é parar de consumir carvão, petróleo, gás e hidrocarbonetos e migrar rapidamente para água, sol, hidrogênio verde e vento.

Mas a palavra descarbonização agora soa subversiva em conferências de grupos poderosos de países, o G, o Genos 20 e, em Davos, os mega-ricos.

Assim como a palavra democracia soava subversiva há cinco séculos, até mesmo aqui em Nova York, Cartagena, Bogotá ou Paris, e ainda mais em Madri.

O dinheiro de que estou falando aqui, US$ 600 bilhões, um trilhão e duzentos bilhões, é dois zeros a mais do que o valor que os países desenvolvidos prometeram dar, que são esmolas e não foram entregues desde a COP de Paris porque eles não estão interessados na descarbonização.

E o excesso do valor dos magros empréstimos dos bancos multilaterais está entre zeros.

O que eles são: pura caridade inofensiva, pura ideologia pensando que a lucratividade do capital limpa a atmosfera e salva vidas.

Mentiras ideológicas fantasmagóricas, fetiches para nos impedir de olhar para cima e agir como humanidade.

A crise climática exige priorizar investimentos em descarbonização e adaptação em todos os orçamentos públicos.

Isso requer uma política financeira global completamente diferente e a abolição do prêmio de risco da dívida.

Quem disse que países que mais emitem gases de efeito estufa, como este, o segundo maior da Terra, são arriscados? Que países que mais emitem gases de efeito estufa, como este, não são arriscados?

E países que absorvem CO2 e têm florestas e muita água, e no sul absorvemos CO2 do norte porque o mercado diz o contrário, são arriscados? Se não, porque é errado e caminha para o abismo da vida?

O perdão da dívida é necessário nos países mais pobres e os pagamentos da dívida externa devem ser trocados por investimentos em adaptação e mitigação da crise climática.

Sim, senhores da China, da Alemanha, dos Estados Unidos, de Wall Street, de Paris e da Bolsa de Valores de Londres, se vocês quiserem cobrar os juros da dívida externa em nossos países, encontrarão cemitérios e cadáveres.

E quando você for buscá-lo, você também estará em um cemitério e morto.

Esse dinheiro não serve para nada entre os cadáveres.

Aqui está outra palavra subversiva: planejamento.

Plano, plano global.

A palavra foi esquecida.

Para o mercado.

Eles disseram que não era necessário planejamento.

Quando o planejamento é feito por seres humanos, é um anátema.

Tantas crenças religiosas e falsas foram liberadas no mercado.

Crença fundamentalista.

Pensando que estava levando o mercado para a felicidade, disse o economista suíço.

E o abismo.

O que leva ao mercado não é a felicidade, mas a morte.

E o abismo, como o vemos hoje, Balras estava errado.

O neoliberalismo estava errado desde o início.

E temos guiado nossos países por 50 anos usando fórmulas completamente erráticas e anticientíficas, e não as mudamos.

O plano deve ser vinculativo para os Estados-nação, implementado dentro de uma democracia global e monitorado para cumprimento pelo Conselho de Segurança sem direito de veto.

Bom, vamos saber.

O mercado não resolve a crise climática.

Vamos saber de uma vez por todas, porque ele mesmo o produziu.

Foi o capital, que é uma relação humana desigual entre o dono da máquina faminta por carvão e petróleo, e o trabalhador assalariado, homem ou mulher, que tem que produzir cada vez mais coisas para que o patrão possa vender aquelas coisas feitas com a máquina do patrão que precisa de cada vez mais petróleo, que produziu a crise climática.

Faça mais, venda mais, ganhe mais, mais e mais, e use mais e mais.

Então, carvão, petróleo, até hoje, mas não até a eternidade.

Porque o petróleo e o carvão chegaram ao fim, que talvez seja o fim do capital.

Se não for capital, será humanidade e vida.

Então, o dono do capital é um ser humano de poder.

E não é uma coisa, não é um fetiche.

Esse ser humano, com sua ganância, com sua escravidão total à ganância, é quem buscará aprovação aqui para a busca por cada vez mais petróleo, para a busca por cada vez mais petróleo em todos os países.

Não importa o envenenamento da atmosfera com CO, que é o envenenamento de toda a vida no planeta.

Perfure, perfure e perfure, eles dizem sem piedade.

Então, capital ou vida, amigos, ganância ou vida ou barbárie ou democracia local e global ou liberdade ou morte, como disse Bolívar e levantou sua bandeira vermelha, preta e também branca da liberdade, vermelha da morte, preta, branca da paz possível.

Uma revolução popular global é necessária para superar positivamente a crise climática e evitar que ela se transforme em um colapso global.

É uma revolução de povos unidos, de civilizações que devem dialogar mais do que os próprios Estados.

É uma revolução para que a humanidade permaneça viva no planeta e livre, talvez aliada a alguns governos que querem defender a vida.

Hoje, as Nações Unidas veem sua crise e a necessidade de sua transformação.

Aqui, reúnem-se Estados-nação que já não têm poder e, não importa o quanto votem, são ignorados porque o Estado-nação também atingiu seu talvez declínio final.

Foi inventado há alguns séculos e não é mais eficaz.

E não dá mais porque o mesmo capital se tornou global, não estatal.

O socialismo de Stalin deveria ter se tornado global e não baseado em Estado.

Mas Stalin não tinha inteligência para isso.

Ele acreditava mais na tribo e condenou em Yalta uma revolução mundial na Espanha, Itália, Grécia e talvez na América Latina e outros.

A humanidade é o novo sujeito político que emerge, não o Estado-nação, e, portanto, as Nações Unidas devem retornar e se transformar em uma humanidade unida, embora diversa.

Um novo sujeito político está emergindo na história da humanidade, e isso é importante e, na minha opinião, espetacular. Estamos superando a ideia de Estado-nação para nos tornarmos humanidade.

Mas para que a humanidade esteja unida e unida na ação, é preciso que haja democracia em todo o mundo.

Deve haver diálogo permanente em meio à diversidade.

É a diferença que nos leva à possibilidade de coordenação eficaz de ações em escala global.

Humanidade que dialoga, sim.

Humanidade civil, sim.

Humanidade profundamente democrática, sim.

Desejo uma humanidade de pessoas livres, sua definição, seu sinônimo.

Porque a humanidade não pode ser escravizada.

Humanidade escravizada não é humanidade, é besta.

Ele é uma besta que escraviza, acorrenta migrantes, lança mísseis contra jovens, criva meninos e meninas com mísseis em uma cidade muito próxima de onde Jesus nasceu.

Isso não é mais resolvido por estados que falam, mas não agem.

Isso não pode ser resolvido por governantes subornados pelo petróleo e dispostos a lançar mísseis contra o povo do Sul.

Um novo sujeito político Então a humanidade parece unida e diversa em suas culturas, enquanto o colapso se aproxima e as velhas sociedades brancas da Europa e dos Estados Unidos continuam a aplaudir seus novos Hitlers da moda.

Eles não ouvem sua juventude, seus filhos, a humanidade, as estrelas ou seus avós que morreram como heróis nos campos da Europa, lutando verdadeiramente contra Hitler e sua ideia criminosa de uma raça superior.

Hoje eles fazem o mesmo que Hitler.

Eles constroem campos de concentração para migrantes e aplaudem maiorias eleitorais, alegando que os migrantes são uma raça inferior e coletivizando a culpa sobre eles, assim como fizeram com os judeus.

E eles os chamam de terroristas, inferiores, ladrões, todos traficantes de drogas, quando a maioria dos traficantes são loiros e de olhos azuis e mantêm suas enormes fortunas nos maiores bancos do mundo.

E eles não moram em Bogotá, nem em Caracas, nem no Caribe, nem em Gaza. Eles moram em Miami, são vizinhos do Presidente dos Estados Unidos e moram em Nova York, Paris, Madri e Dubai.

Eles vivem onde há luxo, não pobreza.

Mas eles disparam mísseis onde há pobreza, não onde há luxo.

É mentira que o trem Aragua é terrorista.

Eles são apenas criminosos comuns em forma de gangue, instigados pela ideia estúpida de bloquear a Venezuela e confiscar seu petróleo pesado e já venenoso.

Migrantes não são criminosos.

Eles não precisam ser levados para campos de concentração ou deportados acorrentados.

A migração nada mais é do que um produto do bloqueio imposto aos países mais pobres, como Iraque, Irã, Cuba ou Venezuela.

O bloqueio econômico nada mais é do que genocídio.

A migração nada mais é do que um produto do empobrecimento dos países mais pobres devido a dívidas impagáveis e gananciosas.

A migração nada mais é do que uma consequência das guerras e invasões alimentadas pelo petróleo desencadeadas pelos Estados Unidos e pela Europa da OTAN.

A migração nada mais é do que uma consequência da crise climática, que está se alastrando e deixando as terras tropicais sem água, pois à medida que o calor aumenta, o líquido vital evapora.

A solução para a migração não é nada mais, nada menos, do que correntes, prisões ou mísseis.

Não existe raça superior, senhores.

Não há povo escolhido de Deus.

Não são os Estados Unidos nem Israel.

Fundamentalistas de direita ignorantes pensam assim.

O povo escolhido de Deus é toda a humanidade.

Eles usam a migração como desculpa para não fazer nada a respeito da crise climática que destrói vidas todos os dias.

Eles buscam a migração para ganhar votos de brancos e idosos, mas daqueles que estão no poder, eles escondem o fato de que o consumo de carvão e petróleo deve acabar, e eles incentivam a perfuração, perfuração e perfuração.

A ONU precisa mudar agora.

Uma ONU diferente e humana deve, antes de tudo, impedir o genocídio em Gaza.

A humanidade não pode permitir mais um dia de genocídio, nem dos genocidas de Netanyahu nem de seus aliados nos Estados Unidos e na Europa.

Liberte-os.

As Nações Unidas devem defender os tribunais internacionais de justiça e o direito internacional, que são a base da civilização e a sabedoria da humanidade encapsulada na história.

E ele deve executar a sentença de sua justiça.

A diplomacia já terminou seu papel, senhores, no caso de Gaza.

Ele não conseguiu consertar.

Não é verdade, e peço desculpas, Macron, que possamos insistir e insistir em falar e falar quando a cada segundo um míssil cai e destrói corpos de bebês e seres.

Bebês, bebês, meninos e meninas no país árabe da Palestina.

Todos os dias de emoções são proibidos no Conselho de Segurança da ONU.

A cada dia que passa, mais crianças são bombardeadas.

Toda vez que você pega bombas, toda vez que você pega mortos.

Quem veta, quem pensa, não é mãe, não é pai, não está vivo.

Pode vir de forças obscuras. É um robô porque não tem coragem de vetar o genocídio.

Você deve parar com o que vem depois da diplomacia.

É com o voto da Assembleia das Nações Unidas e não com o voto do Conselho de Segurança que eles vetam.

É com a Unidos pela Paz para a Palestina, formando uma força armada para defender a vida do povo palestino.

Palavras e armas são o tópico de hoje.

Eles não são capacetes azuis destreinados, às vezes relutantes em fazer o que precisam.

É um exército poderoso de países que não aceitam genocídio.

Portanto, convido as nações do mundo e seus povos, especialmente como parte da humanidade, a unir exércitos e armas.

A Palestina deve ser libertada.

Convido os exércitos da Ásia, dos povos eslavos que tão heroicamente derrotaram Hitler, os exércitos latino-americanos de Bolívar, de Garibaldi, que também tinha um na Itália, de Martí, de Artigas, de Santa Cruz.

Palavras são desnecessárias.

É a hora da espada da liberdade ou da morte de Bolívar.

Porque eles não vão bombardear apenas Gaza, não apenas o Caribe, como já fazem, mas também a humanidade, que clama por liberdade, porque Washington e a OTAN estão matando a democracia e revivendo a tirania e o totalitarismo em nível global.

Devemos hastear a bandeira vermelha e preta da liberdade ou da morte que Bolívar hasteou, sem esquecer a cor branca que ele hasteou junto com a cor vermelha e preta da paz como esperança, para que haja esperança de vida na Terra e nos corações da humanidade.

Os Estados Unidos não ensinam mais a democracia, mas a matam com seus migrantes e sua ganância.

Os Estados Unidos ensinam a tirania.

A ONU deve começar sua mudança interrompendo o genocídio em Gaza com a eficácia de um exército capaz de salvar o mundo, votado pela Assembleia Geral das Nações Unidas sem direito a veto.

Depois de salvar Gaza, passaremos ao plano de descarbonizar a economia do planeta para que ela se torne uma economia global democraticamente construída e estabeleça uma democracia global.

E o órgão que supervisiona sua rápida implementação deve ser o Conselho de Segurança, mas sem vetos e com força vinculativa na OMC, no Banco Mundial, no FMI e no sistema financeiro privado, dada a enorme capacidade do sistema financeiro nacional e global de centralizar capital.

É a partir daí que a humanidade pode regular o capital para subordiná-lo à vida e à humanidade.

Um capital regulado e subordinado à vida e às pessoas.

Ao longo desse caminho, as Nações Unidas passarão de uma aliança de Estados para uma aliança de diversos povos e culturas que compõem a estrutura da humanidade.

Se superarmos a crise climática, e só o faremos unidos como humanidade, também alcançaremos o movimento das Nações Unidas em direção a uma Assembleia Popular, buscando garantir que cada pessoa no planeta seja livre, buscando garantir que a mente de cada pessoa atinja seu potencial máximo e se interconecte no planeta.

Porque esse grande cérebro da humanidade, como uma inteligência poderosa iluminada por uma ciência cada vez mais aprofundada, será capaz não apenas de salvar a vida no planeta, mas também de cumprir a missão da humanidade expandindo a vida nas estrelas.

Uma humanidade unida e livre pode olhar para as estrelas e alcançá-las, assim como os legionários romanos pensavam, quando as palavras latinas ad astra, astra, foram inventadas.

É sempre tempo de liberdade ou morte.

E a morte em mísseis é real, mas também o é a liberdade no coração humano e sua capacidade de unidade, rebelião e existência.

Obrigado, muito gentil.

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Al Gore lamenta postura “esquizofrênica” dos EUA sobre crise climática https://www.ocafezinho.com/2025/08/16/al-gore-lamenta-postura-esquizofrenica-dos-eua-sobre-crise-climatica/ https://www.ocafezinho.com/2025/08/16/al-gore-lamenta-postura-esquizofrenica-dos-eua-sobre-crise-climatica/#respond Sat, 16 Aug 2025 18:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=215397 País tem alternado posição sobre Acordo de Paris nos últimos anos

O ex-vice-presidente dos Estados Unidos e ativista ambiental Al Gore disse que a postura do próprio país em relação à crise climática é “esquizofrênica”. O compromisso com a redução de gases de efeito estufa tem mudado sempre que há um novo ocupante na cadeira presidencial.

No primeiro mandato – entre 2017 e 2020 – Donald Trump retirou os EUA do Acordo de Paris, que tem como principal objetivo limitar o aquecimento global a 1,5°C. Com a vitória de Joe Biden nas eleições seguintes, o país voltou ao acordo. Uma nova saída foi anunciada no início do segundo mandato de Trump em janeiro deste ano.

“É lamentável que os Estados Unidos tenham tido uma abordagem esquizofrênica em relação à crise climática, alternando entre presidentes democratas e republicanos. Isso está longe de ser o ideal”, disse Al Gore.

“Na era pós-Segunda Guerra Mundial, o papel que os EUA desempenharam na tentativa de ser uma liderança responsável para a comunidade mundial torna isso ainda mais lamentável. Vimos a União Europeia crescer em seu potencial de liderança. Mas seria muito melhor se os EUA restaurassem seu compromisso com valores humanos e permanecessem no caminho certo”, assegurou.

Al Gore conversou com jornalistas ao fim de um dia de atividades do The Climate Reality Project, evento voltado para mobilização política em ações climáticas, que ocorre no Rio de Janeiro até domingo (17).

COP30 em Belém

Em nova crítica ao atual governo norte-americano, o democrata disse não acreditar que a ofensiva comercial e política de Trump contra o Brasil possa atrapalhar a participação de governos subnacionais, estaduais e municipais dos Estados Unidos na 30ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas – COP30 -, em novembro, em Belém.

“Acho profundamente ofensivo para muitos cidadãos americanos que ele [Trump] tenha mentido descaradamente ao dizer que os EUA têm um grande déficit comercial com o Brasil, quando, na verdade, temos um grande superávit comercial com o Brasil. Ele diz que a Ucrânia começou a guerra com a Rússia, e sabemos que foi o contrário. Ele diz que o carvão é limpo. Ele diz que moinhos de vento causam câncer. Ele diz que é um homem honesto. Todas essas coisas são mentiras”, disse o democrata.

Capitalismo e clima

Durante o evento, parte central das discussões sobre redução de emissões de gases do efeito estufa envolveu o quanto os países estão dispostos a reestruturar modelos econômicos. Transição energética, substituição dos combustíveis fósseis, construção de modelos sustentáveis de desenvolvimento e financiamento climático foram alguns dos tópicos.

Al Gore foi questionado se é possível uma redução real de poluentes sem que haja uma transformação estrutural das formas de produção e consumo. Em outras palavras, repensar o próprio sistema capitalista.

“Eu acredito que o capitalismo pode ser parte da solução, em vez de uma parte central do problema. Se você olhar para as notícias otimistas de que 93% de toda a geração de eletricidade no ano passado foram renováveis e perguntar de onde veio o dinheiro para todo esse desenvolvimento, 85% vieram de fontes privadas de capital”, disse.

“Acredito que é inevitável que façamos essa transição energética mais ampla, que seja sustentável. Mas a questão séria que permanece é se faremos isso a tempo. O presidente do meu país está tentando desacelerar essa transição. Os poluidores de combustíveis fósseis estão fazendo tudo o que podem para bloquear qualquer ação que contribua para essa transição. Mas acredito que há uma demanda crescente entre as pessoas em todos os países para fazer essa transição. Certamente, esse é o caso no Brasil”, complementou.

Plásticos

O encontro de 185 países em Genebra para negociar um tratado sobre o combate à poluição por plásticos terminou na sexta-feira (15) sem consenso. A poucos meses da COP30, seria um sinal das dificuldades que a conferência do clima vai enfrentar?

“Acho que isso demonstra o grau em que a indústria de combustíveis fósseis se tornou uma hegemonia global, com poder político para ditar o que o mundo tem permissão para fazer e o que não tem permissão para fazer. O uso da rede de poder econômico para distorcer decisões políticas é um verdadeiro desafio para a governança do mundo hoje”, disse Al Gore.

“E é por isso que dedico tanto do meu tempo e esforço à construção de movimentos populares para reafirmar a capacidade da humanidade de retomar o controle do nosso destino. É uma loucura permitir que os poluidores escrevam as regras e as leis e nos ditem o que temos permissão para fazer e o que eles não nos permitem fazer”, finalizou.

Publicado originalmente pela Agência Brasil em 16/08/2025

Por Rafael Cardoso – Repórter da Agência Brasil – Rio de Janeiro

Edição: Kleber Sampaio

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Shell critica Brasil por não explorar mais petróleo https://www.ocafezinho.com/2025/06/30/shell-critica-brasil-por-nao-explorar-mais-petroleo/ https://www.ocafezinho.com/2025/06/30/shell-critica-brasil-por-nao-explorar-mais-petroleo/#respond Mon, 30 Jun 2025 16:40:27 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=211635 A Shell, uma das maiores empresas petrolíferas do planeta e participante do que se chama de “Big Oil”, conglomerado dos maiores lobistas mundiais do petróleo, criticou o Brasil pela sua “baixa taxa” de perfuração de poços do óleo.

Projeções feitas pela empresa afirmam que o nosso país poderá voltar a importar líquido de petróleo até 2035 se não aumentarmos nossos níveis de produção. O presidente da Shell no Brasil, Cristiano Pinto da Costa, em entrevista à CNN, afirmou que precisamos abrir novas fronteiras de exploração, como a da Bacia Amazônica.

O projeto já foi duramente criticado pela equipe técnica do IBAMA, que o rejeitou uma vez pelo seu risco de contaminação da bacia, e por outras entidades que defendem o meio ambiente, como o Greenpeace. Mesmo assim, Costa afirma que deveriam existir “um ou dois” leilões de bacias de petróleo por ano para manter o Brasil em um nível de produção acima do seu consumo energético.

O CEO da multinacional britânica, entretanto, parece se preocupar pouco com o eminente desastre climático que nos aguarda caso não haja redução drástica da emissão de gases estufa. De acordo com uma pesquisa do Fórum Econômico Mundial, o petróleo foi responsável por 34% das emissões de CO₂, principal gás que causa o aquecimento global, no ano de 2022. Para Costa, a perspectiva é de aumento do consumo de petróleo de qualquer forma.

Ele ainda afirmou que as “Big Techs”, como Open AI e Meta, são partes muito interessadas na exploração petrolífera: “Antes, elas perguntavam se tínhamos energia renovável para fornecer. Depois, passaram a perguntar se tínhamos energia segura. Hoje, perguntam apenas se temos energia. Qualquer que seja.”

Recentemente, a Shell também foi acusada de poluir os rios do Delta do Níger e de destruir comunidades inteiras com vazamentos de petróleo na região. Ativistas nigerianos estão processando a empresa na alta corte da Inglaterra.

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A crise climática já não bate à porta — ela entrou https://www.ocafezinho.com/2025/06/30/a-crise-climatica-ja-nao-bate-a-porta-ela-entrou/ https://www.ocafezinho.com/2025/06/30/a-crise-climatica-ja-nao-bate-a-porta-ela-entrou/#respond Mon, 30 Jun 2025 08:20:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=211525 Eventos extremos se multiplicam no hemisfério norte, revelando um planeta que oscila entre secas, enchentes e calor insuportável — tudo ao mesmo tempo

Enquanto autoridades e especialistas discutem estratégias contra a crise climática em eventos como a London Climate Action Week, o planeta enfrenta um aviso brutal: as temperaturas recordes deste verão estão colocando milhões à prova. Sob o efeito de “domos térmicos”, cidades dos EUA e Europa registram marcas acima dos 40°C, enquanto cientistas alertam que esses eventos triplicaram desde meados do século XX – e só tendem a piorar.

Na última semana, Nova York e Londres bateram recordes alarmantes. Em Manhattan, os termômetros chegaram a 37,2°C (99°F), enquanto o aeroporto JFK registrou 40,5°C (102°F). Na Europa, Grécia, Espanha e França enfrentam asfalto derretido e riscos à saúde pública. Enquanto o hemisfério norte queima, partes da China sofrem com enchentes devastadoras – um paradoxo que ilustra a complexidade da crise climática.

Leia também: TikTok vira moeda no jogo eleitoral de Trump

O que são os “domos térmicos” e por que estão se intensificando?

De acordo com Michael Mann, climatologista da Universidade da Pensilvânia, os “domos térmicos” são sistemas de alta pressão que funcionam como “armadilhas de calor”. Quando uma massa de ar quente fica presa na atmosfera superior, ela se expande e bloqueia a circulação normal do ar. “É como se o planeta tentasse respirar, mas encontrasse uma barreira que não deixa o calor escapar”, explica.

Esse fenômeno está diretamente ligado à alteração do jato polar, uma corrente de vento que circula o globo em alta velocidade. Estudos liderados por Mann, publicados na PNAS, mostram que o aquecimento global está tornando essa corrente mais lenta e irregular. Consequência? Sistemas de pressão ficam estacionários por dias, prolongando secas, incêndios e chuvas extremas. “Não se trata apenas de calor intenso, mas de sua persistência”, ressalta o cientista.

Calor + umidade: uma combinação mortal

Quando altas temperaturas se unem à umidade elevada, o corpo humano entra em risco. Em Londres, onde os termômetros não chegaram a níveis extremos como no sul da Europa, a sensação térmica ultrapassou 40°C, deixando a população exausta. “Sem refrigeração ou hidratação adequada, qualquer pessoa pode entrar em colapso”, alerta a National Weather Service (NWS) dos EUA.

Enquanto o Meio-Oeste e o leste dos EUA continuam sob alerta de calor extremo, estados como Novo México e Texas enfrentam um contraste brutal: algumas regiões sofrem com seca, enquanto outras são atingidas por tempestades repentinas. Esse cenário reflete a instabilidade crescente do clima, onde a energia acumulada na atmosfera se manifesta de formas imprevisíveis.

Por que esses eventos estão se tornando mais frequentes?

Dados históricos revelam que fenômenos de “ressonância quase amplificada” – que travam sistemas climáticos por longos períodos – eram raros antes dos anos 1980. Hoje, são cada vez mais comuns. “Os modelos climáticos tradicionais subestimam essa mudança. Estamos vendo transformações que nem sequer conseguimos prever totalmente”, afirma Mann.

Um ciclo vicioso se forma: o ar quente do Pacífico é capturado pelo jato polar, forma um bloqueio em formato de “ômega”, expande-se para cima e depois retorna ao solo, gerando ainda mais calor. Com o solo seco, a umidade diminui, aumentando o risco de incêndios florestais e reduzindo a capacidade da vegetação de resfriar o ambiente.

Impactos humanos e econômicos: quem paga o preço?

Além dos riscos à saúde, a economia já sente os efeitos. Agricultores americanos reportam perdas nas safras de milho e soja, enquanto a demanda por energia elétrica para refrigeração bate recordes. Na Europa, o turismo sofre com cancelamentos de voos e trilhos de trem que derretem sob o sol.

Mas os mais afetados são os vulneráveis: idosos, crianças e trabalhadores informais. “Não há ‘adaptação’ para quem não tem acesso a ar-condicionado ou água potável”, destaca Ana Ferreira, médica especialista em saúde pública em Lisboa.

A ciência é clara: reduzir emissões de gases de efeito estufa é urgente. Porém, mesmo com cortes drásticos, os efeitos já desencadeados persistirão por décadas. “O clima tem inércia. Mesmo que parássemos todas as emissões hoje, ainda enfrentaríamos impactos por anos”, afirma Mann.

Enquanto isso, cidades ao redor do mundo adotam medidas emergenciais: “ilhas de frio” em parques, distribuição de água e sistemas de alerta para grupos de risco. A mensagem é clara: o clima extremo não é mais uma ameaça distante – ele já está dentro de nossas casas, exigindo ação imediata.

Com informações de Financial Times*

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