crise humanitária - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/crise-humanitaria/ Portal de noticias e análises sobre política brasileira, geopolítica, economia, tecnologia, sempre numa perspectiva democrática, progressista, anti-imperialista e multipolar! Thu, 16 Apr 2026 14:11:22 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0.1 https://www.ocafezinho.com/wp-content/uploads/2015/10/cropped-Logo_Cafezinho_tmb-32x32.png crise humanitária - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/crise-humanitaria/ 32 32 Militares israelenses aplaudem demolição de casas de civis no Líbano https://www.ocafezinho.com/2026/04/16/militares-israelenses-demolem-casa-de-civis-no-libano-entre-risos-e-aplausos/ https://www.ocafezinho.com/2026/04/16/militares-israelenses-demolem-casa-de-civis-no-libano-entre-risos-e-aplausos/#comments Thu, 16 Apr 2026 12:22:57 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/04/16/militares-israelenses-demolem-casa-de-civis-no-libano-entre-risos-e-aplausos/ 3 Comentários 🔥]]> Militares israelenses demoliram uma casa pertencente a civis deslocados na cidade de Aita al-Shaab, no sul do Líbano. Eles riam e aplaudiam durante a destruição da estrutura, conforme mostra vídeo que circula nas redes sociais. A ação integra estratégia anunciada pelo ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, que defendeu a eliminação de todas as residências libanesas próximas à fronteira para impor uma “zona de segurança”.

Conforme o portal Actualidad RT, a demolição representa uma entre várias operações realizadas por Tel Aviv na região.

As forças israelenses arrasaram o que ainda restava das casas no povoado fronteiriço.

As imagens geraram forte indignação e críticas em escala internacional.

Observadores destacam o contraste entre o tom festivo dos soldados e o impacto devastador sobre famílias civis.

O anúncio de Katz reforçou a política agressiva de Israel na fronteira libanesa, intensificando o sofrimento de populações que já enfrentam deslocamento prolongado.

A destruição de residências civis agrava a crise humanitária no sul do Líbano, onde milhares de pessoas perderam moradia e as condições básicas de retorno às suas localidades.

Organizações de direitos humanos classificam essas demolições como violações do direito internacional.

Cientistas do MIT identificam vazamentos que atrasam recuperação da camada de ozônio em 7 anos

Tel Aviv sustenta que as medidas são indispensáveis para proteger seu território.

O caso específico de Aita al-Shaab expõe o padrão de ações israelenses na zona de contato, com tropas executando demolições sistemáticas que alteram permanentemente a geografia local.

A tensão na fronteira entre Israel e o Líbano se mantém elevada.

Incidentes sucessivos ameaçam ampliar o alcance dos confrontos para além dos limites atuais.

O vídeo serve como registro direto das táticas empregadas pelas tropas, e as risadas e aplausos dos militares revelam uma atitude que alimenta debates sobre conduta em território ocupado.

Autoridades libanesas repudiaram a operação e cobraram posicionamento da comunidade internacional, denunciando o esvaziamento deliberado de vilarejos inteiros na região sul.

A estratégia da “zona de segurança” resulta no abandono forçado de centenas de propriedades, deixando famílias inteiras sem perspectiva de reconstrução.

Esse episódio se soma a uma série de ações semelhantes documentadas ao longo da linha divisória, enquanto a comunidade internacional monitora os desdobramentos com atenção crescente.

Clique aqui para conferir o vídeo.


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Conflitos armados intensificam crise humanitária no sudeste da República Centro-Africana https://www.ocafezinho.com/2026/04/05/conflitos-armados-intensificam-crise-humanitaria-no-sudeste-da-republica-centro-africana/ https://www.ocafezinho.com/2026/04/05/conflitos-armados-intensificam-crise-humanitaria-no-sudeste-da-republica-centro-africana/#respond Sun, 05 Apr 2026 08:27:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=230264 Os confrontos armados na região de Haut-Mbomou, no sudeste da República Centro-Africana, têm agravado uma das piores crises humanitárias do país. A área é marcada por disputas entre a milícia comunitária Azandé Ani Kpi Gbé (AAKG), a rebelião UPC, o exército nacional e mercenários do grupo Wagner, sob o olhar das forças de paz da ONU.

Uma avaliação conduzida pelo Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU (OCHA), realizada na semana que incluiu o dia 24 de março de 2026, revelou que os embates recentes tornaram quase impossível o acesso de organizações de ajuda às populações afetadas. A missão percorreu os eixos que conectam a subprefeitura de Zemio a Mboki, no leste, e a Dembia, no oeste, identificando um aumento expressivo nos confrontos desde dezembro de 2025.

Representantes de diversas ONGs relataram que a violência impactou diretamente a capacidade de prestar assistência. Durante a operação, foram entrevistadas 6.500 pessoas em pequenos grupos, que descreveram violações graves de direitos humanos, como estupros e destruição de moradias por meio de incêndios. Muitos moradores foram forçados a abandonar suas casas, buscando refúgio em áreas remotas ou próximas a campos de deslocados.

As condições de vida na região são alarmantes. A população carece de abrigo, itens básicos de subsistência, purificadores de água e medicamentos essenciais. Um reflexo da gravidade da situação é o fechamento de todas as escolas no eixo Zémio-Mboki, privando crianças de educação em meio ao caos.

A missão humanitária veio na sequência de uma operação militar que expulsou milicianos zandé da periferia de Zemio, onde controlavam territórios desde o final de dezembro de 2025. A crise, no entanto, não se limita a Haut-Mbomou: o OCHA apontou que bases humanitárias estão sendo fechadas em várias partes da República Centro-Africana, sinalizando um preocupante desengajamento de ONGs em um momento em que 2,3 milhões de centro-africanos dependem de assistência urgente.

De acordo com informações divulgadas pelo portal RFI, mais de 120 escritórios de cerca de sessenta organizações humanitárias encerraram suas atividades no país desde 2025, agravando ainda mais o vazio de apoio. Declarações atribuídas a Pierre-Yves Bernard, ligado ao Médicos Sem Fronteiras (MSF), reforçam a urgência de ações coordenadas para reverter esse quadro.

A combinação de violência armada e retração de ajuda internacional coloca a população local em uma situação de vulnerabilidade extrema, com poucos sinais de melhora no horizonte. A presença de atores como o grupo Wagner, aliado ao governo centro-africano, levanta questões sobre a natureza dos conflitos e os interesses em jogo na região. Enquanto isso, as forças de paz da ONU enfrentam limitações para conter a escalada de violência e proteger civis. A crise em Haut-Mbomou é um lembrete brutal das consequências de guerras prolongadas em contextos de fragilidade estatal, onde a população civil paga o preço mais alto pela ausência de soluções políticas duradouras.

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Israel proíbe atuação de Médicos Sem Fronteiras em Gaza e Cisjordânia https://www.ocafezinho.com/2026/02/01/israel-proibe-atuacao-de-medicos-sem-fronteiras-em-gaza-e-cisjordania/ https://www.ocafezinho.com/2026/02/01/israel-proibe-atuacao-de-medicos-sem-fronteiras-em-gaza-e-cisjordania/#respond Sun, 01 Feb 2026 18:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=225292 A organização Médicos Sem Fronteiras manifestou preocupação com o fato de as autoridades israelenses não terem fornecido garantias sobre como as informações seriam utilizadas

O governo israelense determinou a suspensão das operações da organização humanitária Médicos Sem Fronteiras (MSF) na Faixa de Gaza e na Cisjordânia ocupada.

A decisão ocorreu após a entidade se recusar a fornecer uma lista completa de seus funcionários palestinos e internacionais às autoridades.

Em comunicado divulgado no domingo (1º), o Ministério das Relações Exteriores de Israel acusou a MSF de “ter algo a esconder” e afirmou que a solicitação faz parte de um processo de registro necessário por motivos de segurança. Segundo o ministério, a organização havia se comprometido, no início de janeiro, a compartilhar os dados, mas depois recuou, optando por “se retirar de Gaza”.

A autoridade israelense também reiterou acusações – rejeitadas pela MSF – de que dois funcionários da entidade teriam vínculos com grupos armados palestinos.

A organização humanitária, por sua vez, explicou em nota publicada em seu site na sexta-feira (30) que, como “medida excepcional”, havia concordado em compartilhar os nomes.

No entanto, afirmou que não obteve garantias básicas sobre como essas informações seriam utilizadas e protegidas. A MSF solicitou que os dados fossem usados apenas para fins administrativos e que não expusessem seus colaboradores a riscos.

“Ficou evidente que não conseguimos estabelecer um diálogo com as autoridades israelenses com base nas garantias concretas necessárias”, declarou a organização. Diante da ausência dessas garantias, a MSF “concluiu que não compartilhará informações sobre seus funcionários nas circunstâncias atuais”.

Com o impasse, Israel determinou que a entidade encerre suas atividades em Gaza até 28 de fevereiro de 2026.

A decisão da MSF de inicialmente aceitar a solicitação israelense gerou críticas dentro da comunidade médica e humanitária. O renomado cirurgião palestino Dr. Ghassan Abu Sittah alertou que a medida poderia colocar em risco a vida dos funcionários locais da organização.

A proibição acontece em um contexto de restrições crescentes contra agências de ajuda humanitária em Gaza. Em dezembro, Israel já havia anunciado planos para impedir a atuação de 37 organizações, incluindo a MSF, a partir de 1º de março, sob a mesma justificativa de falta de informações sobre seus quadros.

Organizações de direitos humanos alertam que essas medidas agravarão a crise humanitária no território, onde o sistema de saúde está devastado após meses de ofensiva militar e a população depende quase inteiramente de ajuda externa para sobreviver.

Com informações do Middle East Eye em 01/02/2026

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Drones atingem refinaria e deixam o Sudão às cegas https://www.ocafezinho.com/2025/09/12/drones-atingem-refinaria-e-deixam-o-sudao-as-cegas/ https://www.ocafezinho.com/2025/09/12/drones-atingem-refinaria-e-deixam-o-sudao-as-cegas/#respond Fri, 12 Sep 2025 12:20:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=218640 As explosões em Omdurman e Al-Jaili revelam o avanço da guerra civil que já matou milhares e deixou milhões sem abrigo nem eletricidade

No Sudão, a tragédia não é apenas uma estatística. Ela é real, visceral, diária. Na terça-feira, 9 de setembro, drones das Forças de Apoio Rápido (RSF) — uma força paramilitar em conflito com o Exército nacional desde abril de 2023 — atingiram áreas estratégicas em Cartum, a capital. O ataque, que incluiu a subestação elétrica de Al-Markhiyat, na cidade de Omdurman, provocou uma queda generalizada de energia, deixando milhares de pessoas sem eletricidade e agravando ainda mais as condições de vida já precárias em um país devastado pela guerra.

O que vimos nas redes sociais — transformadores em chamas, ruas mergulhadas na escuridão, civis em pânico — é mais do que imagens chocantes. É a face visível de uma crise humanitária que, há mais de dois anos, escapa ao controle da comunidade internacional. E que, com cada novo ataque, cada nova ofensiva, cada nova falha diplomática, se aprofunda de forma inaceitável.

Atacar uma subestação elétrica não é apenas um golpe militar — é um crime contra a população civil. A energia elétrica é essencial para o funcionamento de hospitais, escolas, serviços públicos e até mesmo para o acesso à informação. Quando a luz se apaga, as consequências se estendem muito além do imediato: pacientes em UTIs correm risco de vida, crianças deixam de frequentar aulas, e a cadeia de abastecimento de água e alimentos é comprometida.

As RSF, ao direcionar seus drones contra infraestrutura civil, demonstram um desprezo total pelas normas internacionais de proteção à população. É uma estratégia de guerra que não visa apenas vencer o inimigo, mas subjugar a população — uma tática comum em conflitos contemporâneos, mas não por isso menos condenável.

O Sudão é um dos maiores focos de sofrimento humano no mundo. Desde abril de 2023, mais de 20 mil pessoas morreram, e quase 15 milhões foram deslocadas — dentro e fora do país. Pesquisadores dos EUA estimam que o número real de mortos já ultrapasse 130 mil. Apesar disso, o conflito entre o Exército sudanês e as RSF raramente ocupa espaço nas primeiras páginas ou nos noticiários internacionais. Por quê? Será que o mundo só se importa com guerras quando elas afetam países “estratégicos” ou quando envolvem atores globais de destaque?

A esquerda humanitária tem o dever de manter o foco nesses dramas esquecidos. A dor de um refugiado sudanês não é menos importante do que a de um europeu ou de um americano. A fome de uma criança em Darfur não dói menos do que a de qualquer outro lugar do mundo. A vida de um médico que teve que abandonar seu hospital por medo de morte é tão preciosa quanto qualquer outra.

O ataque desta semana ocorre em um contexto mais amplo de intensificação do conflito. O Exército sudanês, nos últimos dias, tem intensificado operações em Kordofan, no centro do país, tentando retomar o controle de cidades estratégicas e romper o cerco das RSF à cidade de El Fasher, no norte de Darfur. El Fasher, que abriga um importante centro humanitário, tem sido palco de intensos combates desde maio de 2024. Milhares de civis estão presos no fogo cruzado, sem acesso a alimentos, medicamentos ou assistência básica.

A ONU e outros organismos internacionais alertaram repetidamente para os riscos de uma catástrofe humanitária completa. Mas alertas não bastam. A ação concreta, com pressão diplomática e assistência humanitária efetiva, é o que falta — e é urgente.

Quinze milhões de pessoas deslocadas — isso significa quase um em cada sete sudaneses teve que deixar sua casa. Muitos estão em campos de refugiados, em condições precárias, sem garantia de segurança, alimentação ou cuidados médicos. O impacto psicológico desse deslocamento forçado é imenso. Famílias inteiras se desfizeram, comunidades foram destruídas, e o futuro de milhões de pessoas está em suspenso.

A comunidade internacional precisa agir com urgência para garantir o acesso humanitário irrestrito a todas as áreas afetadas pelo conflito. E precisa pressionar tanto o Exército quanto as RSF a respeitarem os civis e a infraestrutura civil — um dever que transcende qualquer disputa política ou de poder.

A esquerda humanitária acredita que a paz só será possível com justiça. Isso significa investigar e responsabilizar os autores de crimes de guerra, inclusive os ataques deliberados a civis e infraestrutura civil. Mas também significa criar espaços de negociação realistas, com mediação internacional séria e comprometida com os direitos humanos.

O Sudão merece um futuro melhor. Seu povo merece segurança, dignidade e esperança. Mas isso só será possível se o mundo parar de olhar para o outro lado e assumir a responsabilidade de proteger quem está indefeso.

Em meio à brutalidade do conflito no Sudão, o que resta são os rostos das vítimas. São os civis que dormem com medo, que fogem com o que têm nas costas, que tentam reconstruir suas vidas em campos improvisados ou em países estrangeiros. São os profissionais de saúde que continuam atendendo, apesar de tudo. São as crianças que, apesar do horror, ainda sorriem.

A esquerda humanitária tem um compromisso inegociável: defender a vida. E defender a vida é exigir que os governos, as instituições internacionais e a sociedade civil se mobilizem para pôr fim a essa guerra. É urgente. É moral. E é possível.

Com informações de Agência Anadolu*

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Força paramilitar paralisa energia e acende o caos no Sudão https://www.ocafezinho.com/2025/09/11/forca-paramilitar-paralisa-energia-e-acende-o-caos-no-sudao/ https://www.ocafezinho.com/2025/09/11/forca-paramilitar-paralisa-energia-e-acende-o-caos-no-sudao/#respond Thu, 11 Sep 2025 10:50:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=218639 Testemunhas relataram cidades às escuras e transformadores em chamas após os bombardeios, símbolo da guerra que consome o coração do Sudão

A noite de terça-feira caiu mais cedo e mais pesada sobre o estado de Cartum. Não pelo ciclo da natureza, mas pela mão do homem. A capital sudanesa e suas cidades vizinhas foram mergulhadas na escuridão e no medo após uma onda de ataques com drones, lançados pela força paramilitar Forças de Apoio Rápido (RSF), que miraram deliberadamente a infraestrutura que mantém a vida civil pulsando. Foi o mais recente crime contra uma população encurralada em uma das guerras mais brutais e esquecidas do planeta.

Testemunhas oculares relataram o terror. Drones atingiram a subestação elétrica de Al-Markhiyat, na cidade de Omdurman, provocando uma série de explosões. Imagens que inundaram as redes sociais mostravam o pesadelo em tempo real: transformadores gigantescos, o coração do sistema elétrico, consumidos por chamas alaranjadas, deixando um rastro de fumaça e um blecaute massivo que se espalhou por toda a região.

Mas a tática de terra arrasada não parou por aí. Os ataques da RSF também atingiram a cidade de Al-Jaili, onde fica a principal refinaria de petróleo do país, um alvo estratégico cuja destruição visa paralisar a nação. O distrito de Al-Kalakla, em Cartum, também foi alvo, numa ofensiva que parece calculada para sufocar os centros urbanos e aprofundar o caos.

Este ato de terror contra a população civil não é um evento isolado, mas uma retaliação dentro da espiral de violência que consome o Sudão. Os ataques são uma resposta direta a uma ofensiva do Exército sudanês em Kordofan e aos seus esforços para romper o cerco impiedoso da RSF à cidade de El Fasher, em Darfur. Desde maio de 2024, El Fasher, um centro humanitário vital para milhões de pessoas, tornou-se um matadouro, com os apelos e alertas da comunidade internacional se mostrando completamente inúteis.

É neste xadrez macabro, jogado pelos generais de ambos os lados, que a população sudanesa é sacrificada. A guerra fratricida pelo poder, que eclodiu em abril de 2023, já deixou um legado de horror que o mundo parece incapaz ou desinteressado em confrontar.

Os números oficiais, divulgados pela ONU, falam em mais de 20.000 mortos e 15 milhões de deslocados – uma crise humanitária de proporções épicas. No entanto, a realidade é provavelmente muito mais sombria. Pesquisadores nos Estados Unidos, com base em análises mais aprofundadas, estimam que o número real de vidas ceifadas por esta guerra já chegue a aterradores 130.000. Uma carnificina que acontece longe das manchetes globais.

Embora não tenha havido relatos imediatos de vítimas nos ataques de terça-feira, a escuridão que se abateu sobre Cartum é, em si, uma ferida. Ela simboliza o abismo para o qual os senhores da guerra arrastam o Sudão. Para milhões de sudaneses, a luta diária não é por poder ou território, mas pela sobrevivência em meio ao colapso, à fome e a uma escuridão que é tanto literal quanto metafórica.

Com informações de Agência Anadolu*

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Drones mergulham o Sudão em nova escuridão de guerra https://www.ocafezinho.com/2025/09/10/drones-mergulham-o-sudao-em-nova-escuridao-de-guerra/ https://www.ocafezinho.com/2025/09/10/drones-mergulham-o-sudao-em-nova-escuridao-de-guerra/#respond Wed, 10 Sep 2025 10:40:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=218638 O ataque ocorreu em meio à ofensiva do exército contra a RSF, enquanto a população enfrenta um dos maiores desastres humanitários do mundo

Uma série de ataques de drones atribuídos às Forças de Apoio Rápido (RSF), grupo paramilitar que disputa o poder com o Exército do Sudão, provocou uma grande queda de energia em várias regiões do estado de Cartum. O incidente, ocorrido na terça-feira, aprofundou o caos em um país já devastado por mais de dois anos de conflito armado.

Segundo informações do Sudan Tribune, que citou testemunhas oculares, os drones atingiram a área militar de Wadi Seidna e a subestação elétrica de Al-Markhiyat, localizada na cidade de Omdurman, uma das mais populosas do país. As explosões atingiram transformadores e equipamentos essenciais do sistema elétrico, deixando amplas áreas sem energia.

Imagens divulgadas nas redes sociais mostram incêndios intensos na subestação, com colunas de fumaça densa subindo sobre a cidade. O ataque gerou pânico entre os moradores, que relataram fortes estrondos e blecautes repentinos pouco depois das primeiras explosões.

Além das infraestruturas elétricas, a RSF teria mirado também o distrito de Al-Kalakla, em Cartum, onde está localizada uma fábrica militar. Outro ponto atingido foi a cidade de Al-Jaili, que abriga a principal refinaria de petróleo do Sudão, conforme relatou o jornal. Apesar da gravidade dos ataques, não há relatos confirmados de vítimas até o momento.

Os bombardeios ocorreram poucos dias após o Exército sudanês intensificar suas operações em Kordofan, no centro do país. O objetivo das forças governamentais seria retomar o controle de áreas estratégicas e romper o cerco imposto pela RSF à cidade de El Fasher, capital do estado de Darfur do Norte.

Desde maio de 2024, El Fasher vem sendo palco de combates intensos e destrutivos, mesmo diante de alertas da comunidade internacional sobre o risco de uma catástrofe humanitária em uma cidade que serve de base logística e médica para toda a região de Darfur.

O conflito entre o Exército do Sudão, liderado pelo general Abdel Fattah al-Burhan, e as Forças de Apoio Rápido, comandadas por Mohamed Hamdan Dagalo (Hemedti), começou em abril de 2023 e já mergulhou o país em uma das piores crises humanitárias do planeta.

De acordo com dados da ONU e de autoridades locais, mais de 20 mil pessoas foram mortas e 15 milhões forçadas a deixar suas casas, fugindo da violência. No entanto, pesquisadores norte-americanos estimam que o número real de mortos possa chegar a 130 mil, considerando as áreas sob cerco e o colapso dos serviços de saúde.

O conflito destruiu infraestruturas críticas, paralisou o comércio, interrompeu serviços básicos e deixou milhões à beira da fome, especialmente nas regiões de Darfur, Kordofan e Cartum. Organizações humanitárias alertam que ataques a instalações elétricas e petrolíferas, como os mais recentes, podem agravar ainda mais a crise, prejudicando hospitais e centros de abrigo que dependem de energia para operar.

Enquanto a comunidade internacional pede um cessar-fogo imediato e o retorno às negociações de paz, a realidade no terreno mostra o oposto: os combates se intensificam, as cidades ficam em ruínas, e a população civil continua pagando o preço mais alto de uma disputa que parece distante de qualquer solução duradoura.

O apagão em Omdurman é mais um símbolo de um país literal e figurativamente às escuras, tentando sobreviver entre drones, bombas e promessas vazias de paz.

Com informações de Agência Anadolu*

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Queda de energia no Sudão devido a ataques de drones por força paramilitar: relatório https://www.ocafezinho.com/2025/09/09/queda-de-energia-no-sudao-devido-a-ataques-de-drones-por-forca-paramilitar-relatorio/ https://www.ocafezinho.com/2025/09/09/queda-de-energia-no-sudao-devido-a-ataques-de-drones-por-forca-paramilitar-relatorio/#respond Wed, 10 Sep 2025 00:30:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=218637 Vários drones atacaram a área militar de Wadi Seidna e a subestação elétrica de Al-Markhiyat na cidade de Omdurman, segundo relatos da mídia local

Ataques de drones das Forças de Apoio Rápido paramilitares (RSF) atingiram várias áreas no estado de Cartum, no Sudão, provocando uma grande queda de energia, de acordo com a mídia local na terça-feira.

Citando testemunhas oculares, o Sudan Tribune relatou que vários drones atacaram a área militar de Wadi Seidna e a subestação elétrica de Al-Markhiyat, na cidade de Omdurman.

O ataque causou grandes cortes de energia em toda a cidade, disseram testemunhas.

Imagens compartilhadas nas redes sociais capturaram transformadores elétricos na subestação em chamas após uma série de explosões.

A força paramilitar também teve como alvo o distrito de Al-Kalakla, em Cartum, onde fica uma fábrica militar, de acordo com o Sudan Tribune.

A cidade de Al-Jaili, que abriga a principal refinaria de petróleo do país, também foi atingida pelos ataques, acrescentou.

Não houve relatos de vítimas.

O ataque ocorreu dias depois que o Exército sudanês intensificou as operações militares em Kordofan, no centro do Sudão, para retomar o controle de cidades importantes na região e suspender o cerco da RSF à cidade de El Fasher, capital do estado de Darfur do Norte.

El-Fasher tem testemunhado intensos combates entre o exército sudanês e a RSF desde maio de 2024, apesar dos alertas internacionais sobre os riscos de violência em uma cidade que serve como um importante centro humanitário para os cinco estados de Darfur.

A RSF e o exército estão envolvidos em uma brutal luta pelo poder desde abril de 2023, resultando em milhares de mortes e levando o Sudão a uma das piores crises humanitárias do mundo.

Mais de 20.000 pessoas foram mortas e 15 milhões foram deslocadas, segundo dados da ONU e locais. No entanto, pesquisadores dos EUA estimam que o número real de mortos chegue a 130.000.

Com informações de Agência Anadolu*

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Nova análise alerta para mortes em massa por fome em Gaza https://www.ocafezinho.com/2025/07/29/nova-analise-alerta-para-mortes-em-massa-por-fome-em-gaza/ https://www.ocafezinho.com/2025/07/29/nova-analise-alerta-para-mortes-em-massa-por-fome-em-gaza/#respond Tue, 29 Jul 2025 13:55:09 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=213898 Apesar de promessas de ajuda e pausas humanitárias, a crise alimentar na Faixa de Gaza se agrava com crianças sofrendo e morrendo por falta de comida

Em um dos piores momentos enfrentados pela população palestina da Faixa de Gaza, especialistas em segurança alimentar alertam que o “cenário mais pessimista de fome” está se tornando realidade no território. Segundo o Integrated Food Security Phase Classification (IPC), principal autoridade internacional sobre crises alimentares, a situação atingiu um nível alarmante e mortal, com risco de mortes em grande escala caso não haja ações imediatas. O alerta foi divulgado nesta terça-feira (29), após uma onda de imagens impactantes de crianças desnutridas e relatos de centenas de óbitos associados à fome, todos ocorridos nos 21 meses de conflito entre Israel e Hamas.

Apesar das medidas anunciadas pelo governo israelense no fim de semana — como pausas humanitárias diárias em partes do território e a realização de airdrops —, tanto a ONU quanto organizações locais afirmam que pouco mudou no chão. As entregas de ajuda continuam sendo saqueadas antes mesmo de chegar ao destino, e a população segue em constante luta para sobreviver.

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“Estamos diante do que pode ser classificado como fome”, afirma Alex de Waal, diretor-executivo do World Peace Foundation e autor do livro Mass Starvation: The History and Future of Famine, em entrevista à Associated Press. Ele compara a situação a um diagnóstico médico: “Assim como um médico familiar pode diagnosticar um paciente com base em sintomas visíveis sem precisar enviar amostras para análise laboratoriais, também podemos interpretar os sinais da fome em Gaza.”

A IPC, entidade responsável por monitorar e classificar níveis de insegurança alimentar globalmente, destaca que Gaza já estava à beira da fome há dois anos, mas recentes agravamentos — incluindo bloqueios cada vez mais rigorosos impostos por Israel — transformaram a crise em algo ainda mais grave. A falta de acesso ao território e a mobilidade restringida dificultam a coleta de dados necessários para uma declaração formal de fome, algo extremamente raro e usado apenas em situações excepcionais, como as ocorridas em Somália em 2011, Sudão do Sul em 2017 e 2020, e partes do Darfur, na Líbia, no ano passado.

Apesar disso, os números disponíveis até o dia 25 de julho são claros: o consumo de alimentos na maioria da Faixa de Gaza atingiu seu menor nível desde o início do conflito. Na cidade de Gaza, quase 17% das crianças menores de cinco anos sofrem de desnutrição aguda. Além disso, a taxa de mortalidade infantil está subindo rapidamente, com hospitais relatando casos crescentes de mortes ligadas à fome.

Segundo o Programa Mundial de Alimentos (WFP), um em cada três habitantes da Faixa de Gaza vive sem comida por dias inteiros. Mais de 2 milhões de pessoas estão confinadas em áreas cada vez menores, muitas delas dependentes de ajuda externa. Serviços essenciais, como saúde e abastecimento de água, colapsaram, deixando a população sem suporte básico.

O alerta mais recente da IPC, publicado em maio, já advertia que Gaza corria sério risco de cair em fome caso o bloqueio israelense fosse mantido e a campanha militar continuasse. Agora, a nova avaliação pede ações imediatas e em larga escala, ressaltando que “o fracasso em agir agora resultará em mortes generalizadas na maior parte da faixa”.

Restrições à ajuda complicam resposta humanitária

Desde o início do conflito, Israel impôs restrições variadas ao fluxo de bens essenciais, como alimentos, combustível e medicamentos. Em março, o país interrompeu totalmente a entrada desses itens, visando pressionar o grupo Hamas a libertar reféns. Embora tenha flexibilizado as restrições em maio, o sistema de entrega de ajuda apoiado pelos Estados Unidos tem sido marcado por caos e violência.

Organizações humanitárias lideradas pela ONU denunciam que as entregas são constantemente prejudicadas por limitações militares israelenses e episódios de saques. Enquanto isso, criminosos e multidões famintas invadem os caminhões logo após sua chegada, dificultando qualquer distribuição organizada.

Embora o exército israelense afirme que não há limite para o número de veículos de ajuda que podem entrar em Gaza, representantes da ONU e grupos de assistência dizem que as medidas adotadas são insuficientes para conter o avanço da fome. Médicos Sem Fronteiras criticou recentemente os airdrops como “ineficientes e perigosos”, destacando que eles entregam menos ajuda do que os caminhões.

A posição de Israel e a voz do mundo

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, nega a existência de uma crise de fome em Gaza, afirmando que o país forneceu ajuda suficiente durante todo o conflito. “Se não tivéssemos feito isso, não haveria mais ninguém em Gaza”, disse ele. Já o exército israelense chamou as acusações de “desinformação deliberada”.

No entanto, uma mudança surpreendente parece estar ocorrendo. Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, recentemente comentou sobre as imagens de crianças famintas em Gaza, dizendo: “Essas crianças parecem muito famintas.” Sua observação, embora breve, pode sinalizar uma mudança de tom ou uma influência crescente nas discussões sobre a crise humanitária.

Enquanto o mundo assiste ao agravamento da situação, a comunidade internacional repete a mesma pergunta: quando será feita uma ação efetiva para salvar vidas? Para a maioria dos especialistas, o tempo é curto e a fome está batendo à porta.

Em Gaza, há cada vez mais evidências de fome e inanição generalizada

Naima Abu Ful posa para uma foto com seu filho desnutrido de 2 anos, Yazan, em sua casa no campo de refugiados de Shati, na Cidade de Gaza, quarta-feira, 23 de julho de 2025. (AP Photo/Jehad Alshrafi)
Especialistas alertam para uma catástrofe iminente: sem ações urgentes, a fome pode matar milhares em Gaza nos próximos dias e semanas /AP Photo

Uma menina gravemente desnutrida em Gaza. Equipes humanitárias têm apelado repetidamente a Israel para que permita a entrada de muito mais ajuda no enclave para evitar uma catástrofe humanitária sem precedentes.


“O pior cenário de fome está atualmente acontecendo em Gaza”, disseram especialistas em segurança alimentar apoiados pela ONU nesta terça-feira (29), em um apelo à ação urgente diante do conflito prolongado, do deslocamento massivo e do colapso quase total dos serviços essenciais no território devastado.

De acordo com a plataforma Classificação Integrada de Fases de Segurança Alimentar (IPC), dois dos três critérios técnicos necessários para classificar uma situação como fome já foram atingidos em Gaza: queda drástica no consumo de alimentos e aumento alarmante da desnutrição aguda.

Há sinais crescentes de que “fome generalizada, desnutrição severa e doenças” estão provocando um aumento nas mortes por causas relacionadas à fome, o terceiro indicador que completa a definição técnica de fome segundo o IPC.

“É claramente um desastre se desenrolando diante dos nossos olhos, diante das nossas telas de televisão”, disse Ross Smith, Diretor de Emergências do Programa Mundial de Alimentos (PMA) da ONU. “Isso não é um alerta, é um chamado à ação. Isso é diferente de tudo que já vimos neste século”, afirmou ele durante entrevista coletiva em Genebra.


Sem comida – por dias

A realidade em Gaza é brutal: uma em cada três pessoas passa dias inteiros sem comer, segundo relatório do IPC. Hospitais, sobrecarregados e mal equipados, trataram mais de 20.000 crianças com desnutrição aguda desde abril. Pelo menos 16 crianças menores de cinco anos morreram de causas relacionadas à fome desde meados de julho.

O alerta surge após uma análise divulgada pelo IPC em maio de 2025, que projetou níveis catastróficos de insegurança alimentar para toda a população até setembro. Segundo os especialistas, espera-se que cerca de meio milhão de pessoas estejam na Fase 5 do IPC – “catástrofe”, caracterizada por fome generalizada, miséria extrema e mortalidade elevada.

A crise foi desencadeada por quase dois anos de conflito iniciado pelos ataques terroristas liderados pelo Hamas em outubro de 2023, que deixaram aproximadamente 1.250 mortos e cerca de 450 reféns israelenses.

Os combates intensos já resultaram na morte de mais de 59.500 pessoas, segundo dados oficiais palestinos, e destruíram 70% da infraestrutura local. A avaliação do IPC também confirmou que o deslocamento é generalizado, com as áreas consideradas seguras reduzidas a menos de 12% do território.


Cessar-fogo agora

Gaza abriga cerca de 2,1 milhões de pessoas, das quais 90% foram deslocadas, muitas vezes várias vezes. Mais de 762.500 novos deslocamentos foram registrados desde o fim do cessar-fogo em 18 de março.

Enquanto isso, o acesso humanitário permanece severamente limitado, com comboios de ajuda frequentemente bloqueados ou saqueados. No domingo, Israel anunciou que iniciaria pausas humanitárias diárias em partes de Gaza. Mais de 100 caminhões de ajuda entraram no enclave, mas as organizações internacionais insistem que essa medida é insuficiente para conter o avanço da fome.

Na linha do que pedem as agências da ONU, o IPC também exige um cessar-fogo imediato e incondicional, acesso irrestrito à assistência humanitária e o restabelecimento dos serviços essenciais, como saúde, água, saneamento e comunicação. “Sem intervenção urgente, a morte generalizada será inevitável”, alerta o relatório.

Além disso, os especialistas solicitam a proteção de civis, pessoal humanitário e infraestrutura crítica, incluindo hospitais, estações de água, estradas e redes de telecomunicação.


Pontos-chave da crise

  • Fome confirmada: Quando todos os três limiares são ultrapassados: queda no consumo de alimentos, desnutrição aguda e aumento de mortes relacionadas à fome.
  • Dados difíceis de coletar: Devido ao colapso dos sistemas de saúde, é difícil obter informações robustas sobre desnutrição e mortalidade.
  • Crianças em risco: Mais de 20.000 tratadas por desnutrição aguda; 16 óbitos confirmados.
  • Colapso da infraestrutura: 70% da infraestrutura de Gaza destruída.
  • Crise de deslocamento: Zonas seguras representam menos de 12% do território.

Relatórios mostram impacto humano contínuo

© OMS Uma menina gravemente desnutrida em Gaza. Equipes humanitárias têm apelado repetidamente a Israel para que permita a entrada de muito mais ajuda em Gaza para evitar a catástrofe humanitária em curso.
A ONU e entidades médicas denunciam falhas graves na entrega de ajuda em Gaza, enquanto o número de crianças desnutridas cresce a cada semana / OMS

Relatórios recentes revelaram que mais de 60.000 habitantes de Gaza foram mortos desde o início da guerra, em outubro de 2023. Mulheres e meninas estão entre os grupos mais vulneráveis, enfrentando escolhas impossíveis: morrer de fome em seus abrigos ou arriscar suas vidas em busca de comida e água.

“Em Gaza, mulheres e meninas estão enfrentando a escolha impossível de morrer de fome em seus abrigos ou se aventurar em busca de comida e água, correndo risco extremo de serem mortas”, disse Sofia Calltorp, diretora da ONU Mulheres em Genebra.

Ela reiterou o apelo da ONU Mulheres por acesso irrestrito à assistência humanitária, liberdade para todos os reféns e um cessar-fogo imediato. Além disso, destacou a importância da Conferência Internacional de alto nível para a Solução Pacífica da Questão Palestina, promovida pela França e pela Arábia Saudita, como possível ponto de virada para a construção de um futuro baseado no direito à paz e à coexistência entre israelenses e palestinos.


Desafios na entrega de ajuda

Questionado sobre a eficácia dos airdrops recém-iniciados por Israel, Ross Smith, do PMA, os descreveu como “um último recurso quando não há outras opções de logística ou transporte”. Ele ressaltou que as operações aéreas são “muito caras e ineficientes”, além de trazer “riscos extremos” para a população, que vive em condições de superlotação.

No domingo, ao menos 11 pessoas ficaram feridas durante um lançamento aéreo de suprimentos em Gaza. Apesar disso, as agências da ONU continuam a defender a necessidade de acesso completo ao território para atender às populações vulneráveis.

“Acolhemos com satisfação as pausas humanitárias anunciadas e gostaríamos de ver todo o seu espírito implementado, inclusive nos pontos de distribuição, para que possamos agir de forma rápida e eficaz”, disse Smith.

“Enquanto as autorizações e atrasos persistirem, e enquanto a interação com as forças armadas e civis em terra continuar sendo problemática, não veremos mudanças suficientes para reverter a situação humanitária dentro de Gaza.”

Com informações de AP e ONU*

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França vai reconhecer Estado palestino, anuncia Macron https://www.ocafezinho.com/2025/07/25/franca-vai-reconhecer-estado-palestino-anuncia-macron/ https://www.ocafezinho.com/2025/07/25/franca-vai-reconhecer-estado-palestino-anuncia-macron/#respond Fri, 25 Jul 2025 22:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=213671 Confirmação será feita em reunião da Assembleia Geral da ONU em setembro. Com isso, a causa palestina deve ganhar o apoio de uma das nações mais poderosas da Europa.

O presidente da França, Emmanuel Macron, anunciou nesta quinta-feira (24/07) que o país vai reconhecer a Palestina como Estado em reunião da Assembleia Geral das Nações Unidas em setembro.

Com isso, a causa palestina deve ganhar o apoio de uma das nações mais poderosas da Europa, eventualmente levando outras potências ocidentais a seguirem pelo mesmo caminho.

Em postagem nas redes sociais, Macron disse que a “prioridade urgente hoje é acabar com a guerra em Gaza e resgatar a população civil”, e defendeu a criação de um Estado palestino como necessária a uma “paz justa e duradoura no Oriente Médio”.

“Precisamos finalmente construir o Estado da Palestina, assegurar sua viabilidade e permitir que ele, ao aceitar sua desmilitarização e reconhecer plenamente Israel, contribua para a segurança de todos no Oriente Médio”, afirmou.

O anúncio foi feito em carta enviada ao presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, que governa a Cisjordânia, e publicada por Macron no X.

Israel vê “recompensa ao terrorismo”

O anúncio de Macron irritou Israel. Em postagem no X, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu disse que reconhecer um Estado palestino é recompensar o terrorismo.

“Um Estado palestino nessas condições seria um trampolim para aniquilar Israel – não para viver em paz ao seu lado”, afirmou Netanyahu, alegando que os palestinos não teriam interesse em conviver pacificamente ao lado do Estado judaico. “Sejamos claros: os palestinos não buscam um Estado ao lado de Israel; eles buscam um Estado em vez de Israel.”

Já Hussein al-Sheikh, emissário da Autoridade Palestina, saudou o anúncio de Macron e disse que ele “reflete o compromisso da França com o direito internacional e seu apoio ao direito do povo palestino à autodeterminação e ao estabelecimento de nosso Estado independente”.

A França abriga as maiores comunidades na Europa tanto de muçulmanos quanto de judeus.

Apesar de trazer vantagens legais e simbólicas, o reconhecimento da Palestina como um Estado não mudaria imediatamente a situação dos palestinos, mas daria a eles mais poder político, legal e até mesmo simbólico.

Em particular, a ocupação israelense ou a anexação do território palestino se tornaria uma questão legal mais séria.

Agravamento da crise humanitária na Faixa de Gaza eleva pressão internacional sobre Israel | Ali Jadallah/Anadolu/picture alliance

Pressão internacional sobre Israel aumenta

Nas contas da agência de notícias AFP, 142 países já reconhecem ou planejam reconhecer um Estado palestino – algo ao qual Israel e Estados Unidos se opõem fortemente.

Já Israel ainda não é reconhecido por países como a Arábia Saudita, o Iraque e a Síria.

Chefe do governo britânico, o premiê Keir Starmer anunciou que telefonaria nesta sexta-feira para os seus homólogos alemão e francês para discutir o fim do conflito, acrescentando que um cessar-fogo “nos colocaria no caminho rumo ao reconhecimento de um Estado palestino” – algo que Reino Unido e Alemanha ainda não endossam.

No início desta semana, 28 países do Ocidente se uniram em declaração conjunta para pedir a paz e pressionar o governo isralense a cumprir o direito internacional, rechaçando a proposta de confinar a população de Gaza em uma “cidade humanitária” no sul do território palestino.

O texto foi endossado por Austrália, Áustria, Bélgica, Canadá, Chipre, Dinamarca, Estônia, Finlândia, França, Grécia, Islândia, Irlanda, Itália, Japão, Letônia, Lituânia, Luxemburgo, Holanda, Malta, Nova Zelândia, Noruega, Polônia, Portugal, Eslovênia, Espanha, Suécia, Suíça e Reino Unido.

O movimento pró-palestinos ganhou força desde que Israel lançou sua ofensiva na Faixa de Gaza em resposta ao ataque sofrido em 7 de outubro de 2023, quando mais de 1,2 mil pessoas foram mortas.

A situação no território palestino tem se deteriorado cada vez mais desde então, e piorou significativamente nos últimos meses. Cerca de 90% da população foi deslocada pela guerra, e seus mais de 2 milhões de habitantes enfrentam a fome e uma grave crise humanitária.

O agravamento da crise humanitária na região levou Noruega, Espanha, Irlanda e Eslovênia, além de alguns outros países em outras regiões, a reconhecerem o Estado palestino.

A ofensiva israelense em Gaza já deixou quase 60 mil palestinos mortos, a maioria mulheres e crianças, segundo o Ministério da Saúde em Gaza. A ONU considera os números amplamente confiáveis, e pesquisas independentes recentes sugerem que o verdadeiro saldo de vítimas seria significativamente maior.

Publicado originalmente pelo DW em 24/07/2025

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Gaza agoniza de fome sob novos ataques israelenses https://www.ocafezinho.com/2025/07/25/gaza-agoniza-de-fome-sob-novos-ataques-israelenses/ https://www.ocafezinho.com/2025/07/25/gaza-agoniza-de-fome-sob-novos-ataques-israelenses/#respond Fri, 25 Jul 2025 19:05:38 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=213652 Famílias se desfazem pela fome enquanto Israel mantém o bloqueio e a ajuda humanitária é barrada na Faixa de Gaza

A situação em Gaza se torna cada vez mais dramática. O número de palestinos que morreram de fome no enclave já ultrapassou 115, segundo dados divulgados na última quinta-feira (24) pelo Ministério da Saúde local. A maior parte dessas mortes ocorreu nas últimas semanas, em meio ao agravamento da crise humanitária provocada pelo bloqueio israelense ao território.

Além disso, pelo menos 62 pessoas foram mortas em novos ataques aéreos israelenses, incluindo 19 que estavam em busca de assistência humanitária, conforme informaram fontes hospitalares à Al Jazeera. O cenário de desespero cresce com a escassez de alimentos, água e cuidados médicos, enquanto a comunidade internacional assiste, impotente, ao colapso das condições de vida na região.

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Desde o início da ofensiva israelense em outubro de 2023, o bloqueio total imposto por Israel tem dificultado a entrada de ajuda humanitária. Apenas uma pequena quantidade de suprimentos conseguiu entrar em Gaza desde o final de maio, o que agravou ainda mais a crise alimentar. Segundo a agência das Nações Unidas para refugiados palestinos (UNRWA), famílias estão literalmente se desintegrando diante da falta de alimentos e cuidados básicos.

“Os pais estão com muita fome para cuidar dos filhos”, escreveu Philippe Lazzarini, diretor da UNRWA, em uma postagem no X (antigo Twitter). Ele destacou que muitos que chegam às clínicas da agência não têm energia nem condições mínimas para seguir orientações médicas simples.

A agência humanitária da ONU, OCHA, também alertou que Israel tem dificultado a verificação e distribuição da ajuda estocada em centros de distribuição, o que contribui para agravar a situação.

Reportando diretamente da Cidade de Gaza, o correspondente da Al Jazeera, Hani Mahmoud, descreveu o cenário como “desolador”. “Fome forçada, desidratação forçada e doenças estão afetando a Faixa de Gaza. As pessoas estão morrendo de desnutrição, e o sistema imunológico delas está tão debilitado que não conseguem lutar contra as doenças que se espalham”, afirmou.

Com o colapso das condições humanitárias, a indignação internacional também cresce. Mais de 60 membros do Parlamento Europeu (MEPs) assinaram uma carta pedindo uma reunião de emergência da União Europeia para discutir medidas contra Israel. A parlamentar irlandesa Lynn Boylan criticou o que chamou de “padrão duplo” da elite europeia em relação às vidas palestinas.

“Claramente, as vidas palestinas não são vistas pela UE como equivalentes às vidas ucranianas”, disse Boylan. “Há um efeito assustador: se você ousa falar contra Israel ou denunciar crimes de guerra, sofre ataques imediatos”, completou.

Na quarta-feira, 28 países europeus condenaram o bloqueio de ajuda humanitária a Gaza e pediram o fim imediato dos conflitos. Na quinta-feira, o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, anunciou que conversaria com seus colegas da Alemanha e da França para discutir formas urgentes de interromper o que ele chamou de “matança” e garantir que a população tenha acesso à comida.

Negociações de paz fracassam novamente

Enquanto isso, as tentativas de alcançar um cessar-fogo também seguem sem sucesso. O enviado especial dos Estados Unidos, Steve Witkoff, anunciou que sua equipe estava deixando as negociações no Catar, após Israel ter retirado sua delegação do processo. Em comunicado, Witkoff culpou o Hamas por não demonstrar interesse em chegar a um acordo.

“Agora consideraremos opções alternativas para trazer os reféns para casa e tentar criar um ambiente mais estável para o povo de Gaza”, disse, sem dar detalhes sobre quais seriam essas alternativas.

Por sua vez, o Hamas negou a acusação e afirmou estar comprometido com a continuidade das negociações. Em nota divulgada na noite de quinta-feira, o grupo ressaltou que continua disposto a dialogar para superar os obstáculos e viabilizar um cessar-fogo duradouro.

Enquanto isso, presidente dos EUA, Donald Trump, continua defendendo um acordo que incluiria o deslocamento de palestinos para outros países — uma proposta que muitos especialistas consideram potencialmente uma forma de limpeza étnica.

França reconhece Estado palestino

Em mais um movimento simbólico, mas com grande impacto político, o presidente francês Emmanuel Macron anunciou, na quinta-feira à noite, que a França reconhecerá oficialmente o Estado da Palestina durante a Assembleia Geral das Nações Unidas em setembro. Segundo Macron, a decisão é parte do “compromisso histórico da França com uma paz justa e duradoura no Oriente Médio”.

Com isso, a França se tornará o maior país da Europa a reconhecer formalmente a Palestina como Estado, o que pode abrir caminho para outras nações seguirem o mesmo caminho.

O vice-presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, saudou a decisão como um “sinal claro de apoio ao direito internacional e à autodeterminação do povo palestino”. Já as autoridades israelenses reagiram com veemência. O ministro da Defesa, Israel Katz, chamou o gesto de “vergonha e rendição ao terrorismo”.

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“Não permitiremos o estabelecimento de uma entidade palestina que comprometa nossa segurança e ameace nossa existência”, declarou Katz, reafirmando a posição de Israel de que o reconhecimento unilateral do Estado palestino é inaceitável.

Enquanto o mundo debate soluções políticas, a população de Gaza enfrenta o que muitos especialistas chamam de “fome forçada”, resultado direto do bloqueio e da escalada da violência. A cada dia que passa, o número de vítimas aumenta, e o silêncio internacional parece se tornar mais ensurdecedor.

“Você comeu hoje?”: Vozes de Gaza falam de fome e sobrevivência

“Estamos famintos por causa da ocupação israelense”, diz Taqwa al-Wawi em Gaza, onde tudo o que ela pensa é em como está faminta. Esta não é uma advertência. É a realidade cruel que assola o enclave há meses.

A fome já chegou a Gaza. Não como uma ameaça distante, nem como uma possibilidade futura. Ela está aqui, agora, em cada lar, em cada olhar vazio, em cada criança que acorda pedindo comida que não existe.

É a criança que acorda pedindo biscoitos que não existem mais. O aluno que estuda para provas desmaiado de fome. É a mãe que não consegue explicar ao filho por que não há pão. E é o silêncio do mundo que torna esse horror possível.

Filhos da fome

Noor, filha da minha irmã mais velha, Tasneem, tem três anos; ela nasceu em 11 de maio de 2021. O filho da minha irmã, Ezz Aldin, nasceu em 25 de dezembro de 2023 — nos primeiros meses da guerra.

Certa manhã, Tasneem entrou em nosso espaço carregando-os nos braços. Olhei para ela e fiz a pergunta que não saía da minha cabeça: “Tasneem, Noor e Ezz Aldin entendem o que é fome? Eles sabem que estamos em um período de fome?”

“Sim”, ela disse imediatamente. “Até o Ezz, que só conheceu guerra e ruínas, entende. Ele nunca viu comida de verdade na vida. Ele não sabe o que são ‘opções’. A única coisa que ele pede é pão.”

Ela imitou a voz de bebê dele: “Obz! Obza! Obza!” – seu jeito de dizer “khobza” (um pedaço de pão).

Ela teve que dizer a ele: “Não tetem farinha, querido. Seu pai saiu para procurar.”

Ezz Aldin não entende de cessar-fogo, fronteiras ou política. Ele não se importa com operações militares ou declarações diplomáticas. Ele só quer um pedacinho de pão. E o mundo não lhe dá nada.

Noor aprendeu a contar e recitar o alfabeto com a mãe. Antes da guerra, ela adorava chocolate e biscoitos. Ela foi a primeira neta da nossa família, repleta de brinquedos, lanches e vestidinhos.

Agora, todas as manhãs, ela acorda e se vira para a mãe com os olhos arregalados e animados: “Vá me comprar 15 chocolates e biscoitos”, diz ela. Ela diz 15 porque é o maior número que conhece. Parece o suficiente; o suficiente para encher a barriga dela, o suficiente para trazer de volta o mundo que ela conhecia. Mas não há nada para comprar. Não resta nada.

Onde está a sua humanidade? Olhe para ela. Depois me diga como é a justiça.

Morto após cinco dias de fome

Assisti a um vídeo que me partiu o coração. Um homem chorava pelos corpos envoltos em mantos de sete membros de sua família. Em desespero, ele gritava: “Estamos com fome.” Eles estavam morrendo de fome há dias, quando um drone de vigilância israelense atingiu sua barraca perto da Escola Al-Tabin, em Daraj, no norte de Gaza.

“Este é o jovem que eu estava criando”, chorou o homem no vídeo. “Vejam o que aconteceu com eles”, enquanto tocava suas cabeças uma última vez.

Algumas pessoas ainda não entendem. Não se trata de termos dinheiro. Trata-se da total ausência de comida. Mesmo que você seja um milionário em Gaza neste momento, não encontrará pão. Não encontrará um saco de arroz ou uma lata de leite. Os mercados estão vazios. As lojas estão destruídas. Os shoppings foram arrasados. As prateleiras não estão vazias – elas desapareceram.

O paraíso perdido

Costumávamos cultivar nossa própria comida. Gaza antigamente exportava frutas e vegetais; nós enviávamos morangos para a Europa. Nossos preços eram os mais baratos da região.

Um quilo de uvas ou maçãs? Três shekels (US$ 0,90). Um quilo de frango das fazendas de Gaza? Nove shekels (US$ 2,70). Agora, não conseguimos encontrar um único ovo.

Antes: Uma melancia enorme de Khan Younis pesava 21 quilos (46 libras) e custava 18 shekels (US$ 5). Hoje: A mesma melancia custaria US$ 250 – se você conseguir encontrá-la.

Abacates, antes considerados uma fruta de luxo, eram cultivados em toneladas em al-Mawasi, Khan Younis e Rafah. Costumavam custar um dólar o quilo. Também tínhamos autossuficiência em laticínios – queijos e iogurtes feitos em Shujayea por mãos locais.

Nossos filhos não eram mimados – eles apenas tinham direitos básicos. Café da manhã significava leite. Um sanduíche com queijo. Um ovo cozido. Agora, tudo foi cortado.

E não importa como eu explique às crianças, elas não conseguem entender as palavras “fome” ou “aumento de preços”. Elas simplesmente sabem que suas barrigas estão vazias.

Até mesmo frutos do mar – antes um alimento básico na dieta de Gaza – desapareceram. Apesar das rígidas restrições à pesca, costumávamos enviar peixes para a Cisjordânia. Agora, até o nosso mar está silencioso.

E com todo o respeito ao café turco, você não experimentou café até experimentar o Mazaj Coffee de Gaza. Tinha uma força que você podia sentir nos ossos.

Sobrevivendo com migalhas

Isto não é uma previsão. A fome está chegando. A maioria de nós está deslocada. Desempregada. De luto.

Se conseguimos fazer uma refeição por dia, comemos à noite. Não é um banquete. É arroz. Macarrão. Talvez sopa. Feijão enlatado. Coisas que você guarda como reserva na despensa. Aqui, elas são um luxo.

Na maioria dos dias, bebemos água e nada mais. Quando a fome aperta, olhamos fotos antigas, imagens de refeições do passado, só para lembrar como era o sabor da vida.

Passar fome enquanto fazia provas

Como sempre, nossos exames universitários são online, porque o campus está em ruínas. Estamos vivendo um genocídio. E, no entanto, estamos tentando estudar. Sou um estudante do segundo ano.

Acabamos de terminar as provas finais do primeiro semestre. Estudamos cercados pela fome, pelos drones, pelo medo constante. Não é isso que as pessoas pensam que é a universidade.

Fizemos provas de estômago vazio, sob o rugido dos aviões de guerra. Tentamos lembrar datas enquanto esquecíamos a última vez que provamos pão.

Todos os dias, converso com minhas amigas – Huda, Mariam e Esraa – pelo WhatsApp. Nos falamos e fazemos as mesmas perguntas repetidamente:

“O que você comeu hoje?” “Você consegue se concentrar?”

Estas são as nossas conversas – não sobre palestras ou trabalhos, mas sobre fome, dores de cabeça, tonturas e como ainda estamos de pé. Uma diz: “Minha barriga dói demais para pensar”. Outra diz: “Quase desabei quando me levantei”.

E mesmo assim, seguimos em frente. Nossa última prova foi em 15 de julho. Perseveramos, não porque éramos fortes, mas porque não tínhamos escolha. Não queríamos perder um semestre. Mas mesmo dizer isso parece tão insignificante comparado à verdade.

Estudar enquanto passa fome destrói sua alma.

Um dia, durante as provas, um ataque aéreo atingiu nossos vizinhos. A explosão abalou as paredes. Um momento antes, eu estava pensando em como eu estava com fome. Um momento depois, eu não sentia nada. Eu não corri. Fiquei na minha mesa e continuei estudando. Não porque eu estivesse bem, mas porque não havia outra escolha.

Eles nos matam de fome e depois nos culpam

Deixe-me ser claro: o povo de Gaza está passando fome de propósito. Não somos azarados – somos vítimas de crimes de guerra.

Abram as passagens. Deixem a ajuda entrar. Deixem a comida entrar. Deixem a medicina entrar.

Gaza não precisa de compaixão. Podemos reconstruir. Podemos nos recuperar. Mas primeiro, parem de nos matar de fome.

Matar, passar fome e sitiar não são apenas condições – são ações que nos são impostas. A linguagem revela aqueles que tentam esconder quem é o responsável.

Então, continuaremos dizendo: Fomos mortos pela ocupação israelense. Fomos mortos de fome pela ocupação israelense. Fomos sitiados pela ocupação israelense.

Enquanto o mundo discute geopolítica e interesses estratégicos, as crianças de Gaza acordam todos os dias com a mesma pergunta: “Tem alguma coisa pra comer?” E a resposta, infelizmente, continua sendo não.

Com informações de Al Jazeera*

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O que levou ao bombardeio israelense que tirou 100 vidas em Gaza? https://www.ocafezinho.com/2025/05/18/o-que-levou-ao-bombardeio-israelense-que-tirou-100-vidas-em-gaza/ https://www.ocafezinho.com/2025/05/18/o-que-levou-ao-bombardeio-israelense-que-tirou-100-vidas-em-gaza/#respond Sun, 18 May 2025 08:30:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=208926 Um ataque devastador atingiu o norte de Gaza, deixando quase 100 mortos, incluindo crianças. Sobreviventes relatam momentos de puro desespero

Um intenso ataque conjunto das forças israelenses, envolvendo operações terrestres, aéreas e navais, resultou na morte de aproximadamente 100 pessoas nesta sexta-feira (16) no norte da Faixa de Gaza, conforme informações de equipes de resgate locais e moradores. Entre as vítimas estão várias crianças.

De acordo com a defesa civil de Gaza, ligada ao Hamas, pelo menos nove residências e abrigos improvisados foram atingidos durante a noite, com relatos de dezenas de civis soterrados sob os escombros. Testemunhas descreveram cenas de caos, com o uso de granadas de fumaça, intenso bombardeio de artilharia e a presença de tanques militares na região de Beit Lahia.

Leia também: Noite de terror em Gaza deixa 100 mortos e famílias em desespero

O Exército israelense declarou que a operação teve como objetivo “neutralizar estruturas terroristas” na área e que “eliminou diversos militantes” nas últimas horas. Esta é a maior incursão terrestre no local desde que Israel retomou suas ações militares em março.

Basheer al-Ghandour, que conseguiu escapar de Beit Lahia para Jabalia, descreveu à BBC como famílias foram surpreendidas por um “bombardeio avassalador” durante a madrugada.

“A casa do meu irmão foi reduzida a ruínas. Havia 25 pessoas lá dentro”, narrou. Onze ficaram feridas e cinco perderam a vida, entre elas suas sobrinhas de 5 e 18 anos e um sobrinho de 15. Ele e outros parentes tentaram resgatar sobreviventes sob os destroços.

“A esposa do meu irmão ainda está presa nos escombros. Não conseguimos retirá-la porque os ataques continuavam sem trégua”, lamentou. “Fugimos com apenas a roupa do corpo – sem documentos, comida ou qualquer pertence.”

Yousif Salem, outro morador, contou como escapou por pouco com seus três filhos. “A casa ao lado foi atingida por um míssil. Ninguém sobreviveu”, disse. Ao tentar deixar a área, afirmou ter sido alvo de disparos de um drone militar.

Ordens para deixar casas geram desespero

A distribuição de panfletos por aviões israelenses, exigindo a evacuação imediata de diversas áreas do norte de Gaza, aumentou o temor de uma escalada militar em uma das zonas mais populosas do enclave.

A medida provocou pânico entre famílias que já haviam sido deslocadas múltiplas vezes desde o início do conflito. Muitas se viram sem opções de abrigo.

“Não fazemos ideia para onde ir”, desabafou Sana Marouf, enquanto se deslocava com a família em um carroção puxado por um burro. “Perdemos tudo – colchões, cobertores e até comida.”

O ataque ocorre um dia após bombardeios no sul de Gaza terem deixado mais de 120 mortos. As forças israelenses afirmaram ter atingido mais de 150 “alvos ligados a grupos armados” no território nas últimas 24 horas.

Há mais de dez semanas, Israel impõe restrições severas à entrada de ajuda humanitária em Gaza, medida que tem sido alvo de críticas internacionais. Um relatório da ONU alertou que toda a população do território – aproximadamente 2,1 milhões de pessoas – enfrenta risco iminente de fome.

Autoridades israelenses afirmam que “não há desabastecimento” e acusam o Hamas de desviar suprimentos. Enquanto isso, os Estados Unidos sugeriram um novo modelo de distribuição por meio de empresas privadas, proposta rejeitada pelas Nações Unidas.

O conflito teve início após o ataque do Hamas a Israel em 7 de outubro de 2023, que deixou cerca de 1.200 mortos. Desde então, mais de 53.000 palestinos perderam a vida em Gaza, segundo fontes locais. Cinquenta e oito reféns permanecem sob custódia do grupo, com estimativas indicando que até 23 podem ainda estar vivos.

Com informações de BBC*

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Crianças em Gaza imploram por um prato de comida https://www.ocafezinho.com/2025/05/18/criancas-em-gaza-imploram-por-um-prato-de-comida/ https://www.ocafezinho.com/2025/05/18/criancas-em-gaza-imploram-por-um-prato-de-comida/#respond Sun, 18 May 2025 08:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=208919 A intensificação do bloqueio em Gaza agrava a crise humanitária, deixando milhares sem alimentos e água, enquanto crianças lutam pela sobrevivência

Enquanto aguardava por comida em um ponto de distribuição no norte de Gaza, Ismail Abu Odeh, de seis anos, implorava: “Me dá um pouco”. Mas ao voltar para o abrigo onde vive com a família, sua tigela de lentilhas caiu no chão. No dia seguinte, sem novas entregas de alimentos ou água no campo de deslocados onde estão abrigados, o menino chorou novamente de fome.

Leia também: ‘Meus filhos vão dormir com fome’, dizem moradores de Gaza

A BBC conversou com moradores de Gaza nos últimos dois dias, enquanto Israel intensifica sua ofensiva militar e mantém um bloqueio que já dura mais de 10 semanas, restringindo o acesso a alimentos, remédios e outros suprimentos básicos. Organizações internacionais alertam que o território está à beira de uma crise de fome generalizada.

O governo israelense afirma que “não há escassez” de alimentos em Gaza e acusa o Hamas de desviar ajuda humanitária. Autoridades israelenses também defendem que a restrição de suprimentos é uma forma de pressionar o grupo militante a libertar os reféns ainda mantidos em Gaza – estima-se que até 23 dos 58 sequestrados estejam vivos.

Fome e criatividade para sobreviver

Com o fechamento de cozinhas comunitárias e a escassez nos mercados, os gazenses enfrentam dificuldades para conseguir até uma refeição por dia. Os poucos alimentos disponíveis estão com preços exorbitantes, segundo relatos.

Adham al-Batrawi, de 31 anos, deslocado no centro de Gaza, contou à BBC que as pessoas estão sendo “criativas só para sobreviver”. Ele descreveu como amassa macarrão cozido em excesso para imitar pão, um alimento básico na dieta palestina. “Inventamos maneiras de cozinhar que nunca imaginamos que precisaríamos”, disse.

Uma jovem de 23 anos, também no norte de Gaza, relatou sentir “tontura constante” e fraqueza devido à falta de comida e remédios.

Crianças sob bombardeios e hospitais em colapso

Rewaa Mohsen, enfermeira em Deir al-Balah, luta para sustentar suas duas filhas pequenas. Em mensagens pelo WhatsApp, ela contou que estocou fraldas durante o cessar-fogo, mas que os suprimentos devem acabar em um mês. Suas filhas, de três e 19 meses, já se acostumaram com o som dos bombardeios. “Às vezes, sinto mais medo do que elas”, admitiu.

Nos hospitais, a situação é crítica. Randa Saied, enfermeira no Hospital Europeu de Khan Younis, descreveu o momento em que o local foi atingido por um ataque israelense como “puro terror”. A estrutura, agora inoperante, teve pacientes e funcionários transferidos para o Hospital Nasser, que também enfrenta falta de medicamentos e equipamentos.

Israel alega que o Hamas usa hospitais como bases, acusação negada pelo grupo. Enquanto isso, os EUA preparam um novo sistema de ajuda humanitária, com proteção militar israelense – plano criticado pela ONU, que o vê como uma forma de “transformar a ajuda em arma”.

De volta ao abrigo onde Ismail e sua família tentam sobreviver, o pai do menino desabafa: “Meus filhos vão dormir com fome. Às vezes, eu fico sentado chorando como uma criança se não consigo dar comida para eles.”

Com informações de BBC*

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Noite de terror em Gaza deixa 100 mortos e famílias em desespero https://www.ocafezinho.com/2025/05/17/noite-de-terror-em-gaza-deixa-100-mortos-e-familias-em-desespero/ https://www.ocafezinho.com/2025/05/17/noite-de-terror-em-gaza-deixa-100-mortos-e-familias-em-desespero/#respond Sat, 17 May 2025 18:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=208927 Famílias foram pegas de surpresa enquanto dormiam, quando bombas israelenses destruíram suas casas; Moradores fogem em meio ao caos e à destruição

Quase 100 pessoas, incluindo crianças, morreram em um grande ataque terrestre, aéreo e marítimo de Israel realizado nesta sexta-feira (16) no norte de Gaza, segundo a defesa civil local, controlada pelo Hamas, e moradores. A defesa civil afirmou que pelo menos nove casas e barracas com civis foram bombardeadas durante a noite e que recebeu dezenas de chamados de pessoas presas sob escombros. Testemunhas relataram bombas de fumaça, disparos de artilharia e tanques em Beit Lahia.

O Exército israelense disse que está “agindo para localizar e desmantelar infraestruturas terroristas” no norte de Gaza e que “eliminou vários terroristas” nas últimas horas. Este é o maior ataque terrestre na região desde que Israel retomou sua ofensiva em março.

Sobreviventes relatam fuga desesperada

Basheer al-Ghandour, que fugiu de Beit Lahia para Jabalia após o ataque, contou à BBC que as pessoas estavam dormindo quando começou um “bombardeio intenso” durante a noite.

“A casa do meu irmão desabou. Havia 25 pessoas lá dentro”, disse. Onze ficaram feridas e cinco morreram, incluindo suas sobrinhas de 5 e 18 anos e um sobrinho de 15. Ele e outros tentaram resgatar parentes dos escombros.

“A esposa do meu irmão ainda está sob os destroços. Não conseguimos tirá-la de lá. Tivemos que fugir porque os bombardeios eram muito intensos”, relatou. “Saímos descalços, sem levar nada – nem móveis, nem comida, nem farinha.”

Outro sobrevivente, Yousif Salem, disse que escapou por pouco com seus três filhos. “Um ataque aéreo atingiu a casa dos nossos vizinhos – ninguém sobreviveu”, contou. Quando tentou sair, um drone israelense abriu fogo, segundo ele.

Ordens de evacuação causam pânico

Aviões israelenses lançaram panfletos ordenando que moradores deixassem imediatamente várias áreas do norte de Gaza, aumentando temores de uma expansão da operação militar em uma das regiões mais densamente povoadas do território.

As ordens causaram pânico entre famílias já deslocadas várias vezes desde o início da guerra. Muitas não têm para onde ir.

“Juro que não sei para onde vamos”, disse Sana Marouf, que fugia com a família em um carroção puxado por burro em Gaza City. “Não temos colchões, cobertores, comida ou água.”

O ataque ocorre após bombardeios israelenses no sul de Gaza matarem mais de 120 pessoas na quinta-feira. O Exército israelense afirmou ter atingido mais de 150 “alvos terroristas” em Gaza nas últimas 24 horas.

Crise humanitária se agrava

Israel mantém um bloqueio total à ajuda humanitária em Gaza há mais de 10 semanas, medida amplamente condenada pela ONU e outros países. Um relatório recente apoiado pela ONU alertou que toda a população de Gaza – cerca de 2,1 milhões de pessoas – corre risco crítico de fome.

O governo israelense insiste que “não há escassez” de alimentos e acusa o Hamas de desviar ajuda. Enquanto isso, os EUA propuseram um novo sistema de distribuição por empresas privadas, rejeitado pela ONU.

O conflito começou após o ataque do Hamas a Israel em 7 de outubro de 2023, que matou cerca de 1.200 pessoas. Desde então, mais de 53.000 palestinos morreram em Gaza, segundo autoridades locais. Cinquenta e oito reféns ainda estão em poder do Hamas, sendo até 23 considerados vivos.

Com informações da BBC*

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‘Meus filhos vão dormir com fome’, dizem moradores de Gaza https://www.ocafezinho.com/2025/05/17/meus-filhos-vao-dormir-com-fome-dizem-moradores-de-gaza/ https://www.ocafezinho.com/2025/05/17/meus-filhos-vao-dormir-com-fome-dizem-moradores-de-gaza/#respond Sat, 17 May 2025 17:30:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=208918 Famílias palestinas vivem a dor da fome em meio ao bloqueio israelense, enquanto relatos de sofrimento emocionam o mundo

Enquanto multidões se reuniam em um ponto de distribuição de alimentos no norte de Gaza, Ismail Abu Odeh, de seis anos, lutava para chegar à frente. “Me dá um pouco”, ele gritou. Sua tigela estava cheia de lentilhas, mas, ao retornar, ela caiu de suas mãos. Ele voltou para a barraca da família chorando. Um tio que conseguiu um pouco de comida depois compartilhou um pouco com Ismail. No dia seguinte, nenhuma entrega de água ou comida chegou ao campo de deslocados onde ele mora, localizado em uma escola na Cidade de Gaza, e as pessoas reunidas ali ficaram com garrafas e tigelas vazias. Ismail chorou novamente. A BBC passou os últimos dois dias falando com pessoas em Gaza, enquanto Israel intensifica sua ação militar e continua um bloqueio total de mais de 10 semanas de alimentos, suprimentos médicos e outras ajudas.

Há alertas crescentes das Nações Unidas e de outros países de que o enclave está à beira da fome.

O governo israelense insiste que “não há escassez” de alimentos em Gaza e que a “verdadeira crise é o Hamas saqueando e vendendo ajuda”.

Ministros do governo descreveram a interrupção da ajuda humanitária como uma “principal alavanca de pressão” para garantir a vitória sobre o Hamas e libertar todos os reféns. Ainda há 58 reféns em Gaza, dos quais acredita-se que até 23 estejam vivos.

Israel não permite que jornalistas internacionais tenham livre acesso a Gaza, então nossa comunicação tem sido feita por telefonemas e mensagens de WhatsApp, e por meio de freelancers palestinos de confiança que vivem no território.

Aqueles que falaram com a BBC descreveram a dificuldade de encontrar pelo menos uma refeição por dia, com as cozinhas comunitárias fechadas devido à escassez e a escassez de itens nos mercados. Os itens que ainda estão disponíveis estão com preços inflacionados, inacessíveis, disseram.

Um homem que comandava uma das cozinhas de alimentos restantes em Gaza disse que estava trabalhando “dia após dia” para encontrar comida e óleo. Outro homem com quem conversamos disse que a cozinha onde ele trabalhava como voluntário havia fechado há 10 dias quando os suprimentos acabaram, descrevendo a situação como uma “sensação desastrosa”.

Uma mulher de 23 anos que mora no norte de Gaza disse que “a tontura se tornou uma sensação constante”, assim como “fraqueza e fadiga generalizadas pela falta de comida e remédios”.

Adham al-Batrawi, 31, que morava na rica cidade de al-Zahra, mas agora está deslocado no centro de Gaza, disse que a fome era “uma das partes mais difíceis da vida diária”.

Fome em Gaza; Adham al-Batrawi em al-Zahra
Metade da casa da família de Adham al-Batrawi em al-Zahra foi destruída, disse ele à BBC

Ele disse que as pessoas tinham que ser “criativas só para sobreviver”, descrevendo por meio de mensagens de WhatsApp como ele cozinhava demais o macarrão e o amassava até formar uma massa antes de cozinhá-lo no fogo para criar uma imitação de pão — um alimento básico na dieta palestina.

“Inventamos maneiras de cozinhar e comer que nunca imaginamos que precisaríamos”, disse ele.

Ele acrescentou que a única refeição diária que ele tem feito ultimamente é “suficiente para passar o dia, mas está longe de ser suficiente para suprir nossas necessidades energéticas”.

Em outro lugar no centro de Gaza, na cidade de Deir al-Balah, a enfermeira Rewaa Mohsen disse que foi uma luta sustentar suas duas filhas pequenas, de três e 19 meses.

Ela disse que havia estocado fraldas durante o cessar-fogo no início deste ano, mas que elas acabariam em um mês.

Em entrevista ao WhatsApp na quinta-feira, ela disse que suas filhas já estavam acostumadas aos sons dos bombardeios que ecoavam pelo apartamento. “Às vezes, sinto mais medo do que elas”, escreveu, acrescentando que distraía as filhas com livros de colorir e brinquedos.

No dia seguinte, ela disse por mensagem de voz que ordens de evacuação haviam sido emitidas para sua área antes que um ataque israelense atingisse um prédio próximo.

Quando ela voltou para casa para “limpar a bagunça”, descobriu que as portas e janelas tinham sido arrancadas.

“Graças a Deus ainda estou viva com minhas meninas”, disse ela.

Quando perguntada se ela ficaria no apartamento, ela respondeu: “Para onde mais eu irei?”

Em Gaza, médicos descreveram o impacto do bloqueio nos suprimentos médicos e disseram que não se sentiam mais seguros no trabalho após ataques israelenses contra hospitais.

A enfermeira Randa Saied disse que estava trabalhando no Hospital Europeu em Khan Younis quando este foi atingido por um ataque israelense esta semana, descrevendo o momento como “puro terror e desamparo”.

Israel há muito acusa o Hamas de usar hospitais como bases secretas e para armazenamento de armas, o que o grupo nega.

O Hospital Europeu não está mais funcionando, mas Randa disse que funcionários e pacientes foram transferidos para o Hospital Nasser, nas proximidades.

“Nossos pacientes são mães, filhos, filhas e irmãos — assim como nós. Sabemos, no fundo do coração, que nosso dever não deve terminar, especialmente agora que eles mais precisam de nós”, disse ela.

Hospital Europeu em Khan Younis
Imagens do Hospital Europeu em Khan Younis mostram pilhas de escombros no chão / Reuters

Funcionários do Nasser e de outros hospitais em Gaza disseram à BBC que o bloqueio fez com que eles ficassem sem suprimentos básicos, como analgésicos e gaze, e tiveram que fechar alguns serviços.

Os EUA confirmaram que um novo sistema para fornecer ajuda humanitária aos palestinos em Gaza por meio de empresas privadas está sendo preparado, com forças israelenses prontas para proteger os perímetros dos centros. As Nações Unidas criticaram o plano, dizendo que ele parece “transformar a ajuda em uma arma”.

De volta à Cidade de Gaza, o pai de Ismail disse que lutava por não conseguir mais sustentar seus seis filhos.

“Meus filhos vão dormir com fome”, disse ele. “Às vezes, eu fico sentado chorando como uma criança se não consigo dar comida para eles.”

Com informações de BBC*

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Israel intensifica ataques em meio ao bloqueio em Gaza https://www.ocafezinho.com/2025/05/15/israel-intensifica-ataques-em-meio-ao-bloqueio-em-gaza/ https://www.ocafezinho.com/2025/05/15/israel-intensifica-ataques-em-meio-ao-bloqueio-em-gaza/#respond Thu, 15 May 2025 22:51:51 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=208807 Defesa Civil do território palestino relata mais de 100 mortes em apenas um dia, enquanto acesso de ajuda ao enclave continua suspenso. Hamas diz negociar fim do conflito diretamente com os EUA.

Equipes de resgate palestinas relataram a morte de mais de 100 pessoas somente nesta quinta-feira (15/05) nos ataques israelenses à Faixa de Gaza, onde a crise humanitária e a escassez de recursos atingem níveis cada vez mais alarmantes.

O envio de ajuda humanitária a Gaza está suspenso desde 2 de março por Israel, que visa forçar concessões por parte do Hamas. O grupo islamista, porém, insistiu nesta quinta-feira que a retomada do envio de bens essenciais ao território devastado pela guerra é “o requisito mínimo” para o reinício das negociações.

A Defesa Civil de Gaza informou que o número de mortos nos bombardeios israelenses somente nesta quinta-feira era de ao menos 103.

O bloqueio israelense teve início dias antes retomada das operações militares em Gaza, em 18 de março, que puseram fim ao cessar-fogo que estava em vigor desde meados de janeiro.

Bloqueio agrava crise humanitária

Há semanas, agências da ONU vêm alertando que os estoques de alimentos, água potável, combustíveis e medicamentos atingiram níveis extremamente baixos.

“O bloqueio israelense transcendeu as táticas militares e se tornou uma ferramenta de extermínio”, disse Federico Borello, diretor executivo interino da ONG Human Rights Watch.

Israel afirma que a interrupção do acesso de ajuda humanitária e a maior pressão militar visam forçar o Hamas a libertar os reféns que ainda estão sob seu poder, desde que foram capturados nos ataques terroristas de 7 de outubro de 2023, que desencadearam a guerra em Gaza.

Crise humanitária e a escassez de recursos atingem níveis cada vez mais alarmantes em Gaza | Mahmoud İssa/Anadolu/picture alliance

No entanto, Basem Naim, um alto funcionário do Hamas, afirmou que a permissão para a entrada de ajuda em Gaza era “o requisito mínimo para um ambiente de negociação propício e construtivo”. “O acesso a alimentos, água e medicamentos é um direito humano fundamental; não é um assunto para negociação”, acrescentou.

As Nações Unidas estimam que 70% do território de Gaza seja atualmente parte da zona proibida declarada por Israel ou esteja sob ordem de evacuação.

Hamas diz negociar diretamente com EUA

Basem disse que o Hamas está em contato “diretamente com algumas pessoas no governo americano” pra tratar das condições para o fim dos bombardeios israelenses em Gaza.

Ele explicou que o Hamas quer “uma troca de prisioneiros, a retirada total das forças israelenses, permitindo que toda a ajuda chegue a Gaza e a reconstrução da Faixa de Gaza sem imigração forçada”.

O representante do Hamas também confirmou que o Hamas estaria disposto a renunciar ao comando de Gaza, que mantém desde 2006, em troca de suas exigências. “Também dissemos aos americanos que estamos prontos para, novamente, entregar o governo imediatamente se chegarmos ao fim desta guerra”, destacou.

Nos últimos dias, os EUA negociaram a libertação de Edan Alexander, cidadão americano e israelense sequestrado pelo Hamas.

Sua libertação foi vista como um gesto de aproximação com os Estados Unidos. O Hamas espera que Trump pressione o governo israelense a concordar com um acordo que inclua o fim permanente da guerra em Gaza.

Oficialmente, o governo americano não tem contato direto com a organização, que classifica como um grupo terrorista. No entanto, relatos de conversas diretas entre o Hamas e o governo americano surgiram em março. A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, pareceu confirmá-los ao dizer que o enviado do governo Trump, Adam Boehler, estava autorizado a falar com qualquer pessoa.

ONU critica iniciativa humanitária dos EUA

A Fundação Humanitária de Gaza, uma ONG apoiada pelos EUA, afirmou que começaria a distribuir ajuda humanitária em Gaza ainda neste mês, após conversas com autoridades israelenses.

A ONU, porém, descartou nesta quinta-feira qualquer envolvimento com a iniciativa.

Envio de ajuda humanitária a Gaza está suspenso desde 2 de março por Israel, que visa forçar concessões por parte do Hamas | Christoph Soeder/dpa/picture alliance

“Como afirmamos repetidamente, este plano de distribuição em particular não está de acordo com nossos princípios básicos, incluindo os de imparcialidade, neutralidade e independência, e não participaremos disso”, disse o porta-voz da ONU, Farhan Haq.

A “zona de liberdade” de Trump

O presidente dos EUA, Donald Trump, em visita ao Oriente Médio, cogitou novamente a possibilidade de seu país tomar o território palestino. No Catar, Trump disse que ficaria “orgulhoso de que os Estados Unidos a tenham, a tomem e a tornem uma zona de liberdade”.

Seus comentários ecoaram a ideia apresentada por ele mesmo em fevereiro, de que os Estados Unidos deveriam tomar posse do território e transformá-lo na “Riviera do Oriente Médio”.

Por sua vez, Naim disse que “Gaza é parte integrante das terras palestinas; não é um imóvel à venda no mercado aberto”.

O Ministério da Saúde de Gaza, administrado pelo Hamas, informou que 2.876 pessoas foram mortas desde que Israel retomou os ataques em 18 de março, elevando o número total de óbitos na guerra para 53.010.

Os ataques terroristas do Hamas em 7 de outubro de 2023 resultaram na morte de cerca de 1.200 pessoas. Dos 251 reféns feitos durante o ataque, 57 permanecem em Gaza, incluindo 34 que, segundo os militares israelenses, estão mortos.

Publicado originalmente pelo DW em 15/05/2025

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Gaza: Meu sobrinho pergunta se só comerá carne no paraíso. Eu não sei o que responder https://www.ocafezinho.com/2025/05/11/gaza-meu-sobrinho-pergunta-se-so-comera-carne-no-paraiso-eu-nao-sei-o-que-responder/ https://www.ocafezinho.com/2025/05/11/gaza-meu-sobrinho-pergunta-se-so-comera-carne-no-paraiso-eu-nao-sei-o-que-responder/#respond Sun, 11 May 2025 05:30:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=208454

O aspecto mais difícil da fome em Gaza é ter que explicá-la para crianças pequenas.

Quando, em 2 de março, soubemos que todas as passagens para Gaza estavam fechadas, achamos que duraria no máximo duas semanas. Queríamos muito um ramadã normal, em que pudéssemos convidar os parentes sobreviventes para o iftar e não nos preocupar com o que haveria para quebrar o jejum.

Mas não foi assim. Passamos o mês sagrado quebrando o jejum com comida enlatada.

Minha família, como a maioria em Gaza, não havia feito estoque de alimentos ou itens essenciais, pois ninguém esperava o fechamento das passagens, a fome ou sequer a volta da guerra.

Nos dias após o fechamento, alimentos e produtos básicos desapareceram dos mercados, e os preços dispararam. Um quilo de qualquer vegetal chegou a US\$ 8 ou mais, o açúcar a US\$ 22 e a fórmula infantil a US\$ 11. Um saco de farinha, que custava US\$ 8, passou para US\$ 50 e, em dois meses, alcançou US\$ 300.

A maioria das famílias em Gaza não conseguiu pagar esses preços. Como resultado, muitas, incluindo a minha, começaram a reduzir o número de refeições para apenas café da manhã e jantar, diminuindo também as porções: meio pão pela manhã e um pão inteiro à noite. Homens, mulheres, idosos e crianças passaram a esperar por horas em frente a padarias e cozinhas comunitárias, em vergonha e tristeza, apenas para conseguir alguns pães ou um pequeno prato de comida. Para algumas famílias, essa era a única refeição do dia.

Todos os moradores do centro de Gaza, onde vivo, passaram a depender de apenas três padarias: duas em Nuseirat e uma em Deir el-Balah.

As filas nessas padarias bloqueavam ruas e paralisavam o trânsito local. Todos os dias, pessoas desmaiavam ou sofriam sufocamento por causa da aglomeração. No fim, apenas alguns dos que esperavam desde cedo conseguiam pão.

Meu pai costumava ir antes do amanhecer para garantir um lugar na fila, em vez de gastar o pouco de farinha que nos restava. Mas ele já encontrava dezenas que haviam dormido na porta da padaria. Ficava até o meio-dia, quando meu irmão assumia seu lugar. No final, muitas vezes voltavam de mãos vazias.

Em 31 de março, o Programa Mundial de Alimentos anunciou o fechamento de todas as suas padarias, inclusive as três que acessávamos, por falta de farinha e gás para os fornos. Isso marcou o início da verdadeira fome.

Logo, as cozinhas comunitárias também começaram a fechar por falta de alimentos. Dezenas fecharam na última semana. As pessoas ficaram ainda mais desesperadas, recorrendo a grupos locais no Facebook ou Telegram para pedir que alguém vendesse um saco de farinha a um preço acessível.

Vivemos em um bairro “sortudo”, onde a cozinha comunitária ainda funciona.

Minha sobrinha Dana, de oito anos, enfrenta a fila todos os dias com os amigos, como se fosse uma brincadeira. Se consegue uma única concha de comida, volta correndo para casa, orgulhosa. Se não consegue antes de a comida acabar, volta chorando, dizendo como o mundo é injusto.

Durante o ramadã, um menino, deslocado com a família para a escola al-Mufti perto da nossa casa, caiu no caldeirão de comida quente da cozinha comunitária. Sofreu queimaduras graves e morreu.

Os sinais da fome se tornaram visíveis cerca de um mês e meio após o fechamento das passagens. Dormimos de estômago vazio, perdemos peso rapidamente, temos rostos pálidos e corpos fracos. Subir escadas agora exige o dobro do esforço.

Ficamos doentes com facilidade e a recuperação demora mais. Meus sobrinhos Musab, de 18 meses, e Mohammed, de dois anos, ficaram um mês doentes, com febre alta e sintomas gripais, pois não havia comida ou remédios suficientes.

Minha mãe teve grave perda de visão após complicações de uma cirurgia ocular em fevereiro. A desnutrição e a falta de colírios agravaram seu quadro.

Eu mesma não estou bem. Doei sangue ao hospital al-Awda em Nuseirat dias antes do fechamento da fronteira, o que afetou muito minha saúde. Sofro de fraqueza extrema, perda de peso e dificuldade de concentração. Quando procurei o médico, ele recomendou parar com alimentos enlatados e comer mais frutas e carne. Sabia que era impossível, mas o que mais poderia dizer?

Talvez a parte mais difícil seja explicar a fome para crianças pequenas. Meus sobrinhos pedem alimentos que simplesmente não temos. Tentamos convencê-los de que não estamos escondendo comida, mas que não existe nada para dar.

Khaled, de cinco anos, pede carne todos os dias enquanto vê fotos de comida no celular da mãe. Olha as imagens e pergunta se seu pai, martirizado, pode comer tudo isso no paraíso. Depois quer saber quando chegará sua vez de se juntar ao pai e comer com ele.

Não sabemos o que responder. Dizemos para ele ter paciência, pois ela será recompensada.

Sinto-me impotente ao ver todos os dias cenas de fome e desespero. Pergunto-me como o mundo consegue ficar em silêncio ao ver corpos infantis enfraquecidos e doentes morrendo lentamente.

A ocupação usa todos os meios para nos matar: bombas, fome ou doenças. Fomos reduzidos a mendigar por um pedaço de pão. O mundo inteiro assiste e finge que nada pode fazer.

Autor: Hala Al-Khatib
Biografia: Hala Al-Khatib é escritora de Gaza e estudante de literatura inglesa.
Data: 10 de maio de 2025
Fonte: Al Jazeera

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Governo Lula condena plano de ocupação em Gaza https://www.ocafezinho.com/2025/05/08/governo-lula-condena-plano-de-ocupacao-em-gaza/ https://www.ocafezinho.com/2025/05/08/governo-lula-condena-plano-de-ocupacao-em-gaza/#respond Thu, 08 May 2025 13:26:40 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=208191 Brasil se posiciona contra plano de Israel que agrava a crise humanitária em Gaza e compromete negociações de cessar-fogo

O governo Lula, através do Itamaraty, manifestou “grave consternação” com a aprovação pelo governo israelense de um plano para ampliar a ofensiva militar e estabelecer presença permanente na Faixa de Gaza, o que violaria o direito internacional. Em nota oficial divulgada nesta quinta (8), a gestão petista alertou que a escalada militar pode prejudicar as negociações para cessar-fogo e libertação de reféns. “O Brasil exorta Israel a abster-se da implementação do referido plano”, afirmou o Executivo federal.

A administração Lula enfatizou que qualquer operação israelense que force o deslocamento de civis palestinos agravará a já trágica crise humanitária, aumentando o número de vítimas e a destruição no território palestino.

O Planalto ainda cobrou que o Estado de Israel cumpra sua obrigação de garantir serviços básicos e ajuda humanitária à população de Gaza, reforçando a defesa da entrada irrestrita de suprimentos essenciais no território sitiado.

Confira a nota completa

Plano de nova ofensiva militar em Gaza

“O Brasil exorta Israel a abster-se da implementação do referido plano”, diz trecho de nota expedida pelo Itamaraty. Governo destaca que “presença continuada” de Israel em Gaza fere direito internacional / Ibraheem Abu Mustafa / Reuters

“O governo brasileiro expressa grave consternação com a aprovação, em Israel, de plano de expansão da ofensiva militar na Faixa de Gaza e estabelecimento de presença continuada naquele território, em desrespeito ao direito internacional.

Tendo em vista que uma escalada militar poderá prejudicar as negociações para cessação das hostilidades e liberação dos reféns, o Brasil exorta Israel a abster-se da implementação do referido plano.

Qualquer operação israelense que resulte no deslocamento de civis agravaria, ainda mais, a trágica situação humanitária, assim como o quadro de mortes e destruição no Estado da Palestina.

O Brasil recorda a obrigação de Israel de garantir prestação continuada de serviços básicos e assistência humanitária na Faixa, e renova seu apelo em favor do ingresso desimpedido de suprimentos essenciais em Gaza”.

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Netanyahu endurece ataques e descarta trégua com o Hamas https://www.ocafezinho.com/2025/04/02/netanyahu-endurece-ataques-e-descarta-tregua-com-o-hamas/ Wed, 02 Apr 2025 07:30:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=205610 Imagens de satélite revelam que Israel destruiu ambulâncias e matou profissionais de saúde em Rafah. Crescente Vermelho classifica ataque como crime de guerra

Os ataques israelenses na Faixa de Gaza prosseguiram no início do feriado muçulmano do Eid, deixando dezenas de mortos, enquanto o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu mantém sua postura intransigente contra o Hamas, mesmo diante de novas rodadas de negociações para um cessar-fogo.

Diversos bombardeios aéreos nas primeiras horas deste último domingo (30) atingiram tendas e residências enquanto os palestinos celebravam o Eid al-Fitr, que marca o encerramento do mês sagrado de jejum do Ramadã. Pelo menos 35 pessoas perderam a vida em Rafah e Khan Younis, conforme informaram fontes médicas à Al Jazeera.

Os ataques deste domingo ocorreram quando a Sociedade do Crescente Vermelho Palestino (PRCS) recuperava os corpos de 15 trabalhadores da saúde mortos sob intenso fogo israelense em Rafah na semana anterior. A Sanad, agência de verificação de fatos da Al Jazeera, obteve imagens de satélite exclusivas revelando que pelo menos cinco veículos de resgate foram destruídos nesse incidente fatal.

“[Isso] é uma tragédia não apenas para nós… mas também para o trabalho humanitário e a humanidade”, declarou o PRCS em comunicado, classificando o ataque militar israelense contra profissionais de saúde como “nada menos que um crime de guerra”.

Em meio aos confrontos, a situação humanitária na Faixa de Gaza continua se deteriorando, já que Israel suspendeu a entrega de ajuda humanitária desde o início de março.

“Os palestinos deveriam quebrar o jejum com uma refeição especial [durante o Eid], mas hoje eles mal conseguem garantir uma única refeição. A situação em Gaza é catastrófica”, relatou Hind Khoudary, correspondente da Al Jazeera em Deir el-Balah.

Os alimentos são escassos e caros na região, e muitos pais afirmam que alimentar suas famílias se tornou uma “missão impossível”, segundo Khoudary.

Paralelamente, as chances de progresso nas negociações de cessar-fogo parecem distantes.

No domingo, Netanyahu reiterou sua exigência de que o Hamas desmobilize suas armas e retire seus líderes de Gaza, ao mesmo tempo em que prometeu intensificar a pressão sobre o grupo para libertar os 59 prisioneiros restantes, dos quais 35 supostamente estão mortos.

Essa posição faz parte de um novo conjunto de demandas apresentadas por Israel, apoiadas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, que deve rever os termos de um acordo de cessar-fogo de três fases assinado em janeiro.

De acordo com o pacto original, após a libertação semanal do primeiro grupo de prisioneiros, as partes deveriam avançar para uma segunda fase de negociações para discutir o fim definitivo do conflito, a soltura dos demais reféns e a retirada das forças israelenses de Gaza.

No entanto, Israel insiste que o Hamas deve libertar todos os cativos sem qualquer compromisso prévio de encerrar a guerra. Com o Hamas rejeitando essas novas condições, Israel retomou os bombardeios em Gaza e realocou tropas dentro do território.

No domingo, Netanyahu também afirmou que Israel buscará implementar o “plano de emigração voluntária” proposto por Trump para Gaza e disse que seu governo concordou em manter a pressão sobre o Hamas, que afirma ter aceitado uma nova proposta de cessar-fogo mediada pelo Egito e pelo Catar.

Sami Abu Zuhri, alto representante do Hamas, afirmou que as declarações de Netanyahu configuram uma receita para uma “escalada sem fim” na região.

Netanyahu descartou as alegações de que Israel não está negociando, afirmando: “Estamos conduzindo isso sob fogo e, portanto, também é eficaz”.

“Vemos que de repente surgem rachaduras”, declarou ele em um vídeo divulgado no domingo.

Khalil al-Hayya, líder do Hamas em Gaza, disse que o grupo aceitou uma proposta que, segundo fontes de segurança, inclui a libertação de cinco prisioneiros israelenses por semana. No entanto, ele reiterou que desarmar o movimento, como exigido por Israel, é uma “linha vermelha” que o grupo não cruzará.

Com informações de Al Jazeera e agências de notícias

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Explosões no Eid! Gaza sob ataque e luto no feriado https://www.ocafezinho.com/2025/03/31/explosoes-no-eid-gaza-sob-ataque-e-luto-no-feriado/ Mon, 31 Mar 2025 13:41:28 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=205609 Ataques aéreos atingiram casas e tendas no sul de Gaza, ceifando vidas no feriado sagrado. Famílias enfrentam fome e destruição em meio à escalada da guerra

O bombardeio israelense na Faixa de Gaza continuou no primeiro dia do feriado muçulmano do Eid, matando dezenas de pessoas, enquanto o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu não mostra sinais de que irá diminuir a pressão sobre o Hamas em meio a uma nova rodada de negociações de cessar-fogo.

Vários ataques aéreos nas primeiras horas de domingo atingiram tendas e casas enquanto os palestinos celebravam o feriado de Eid al-Fitr, marcando o fim do mês de jejum muçulmano do Ramadã. Pelo menos 35 pessoas foram mortas nas cidades do sul de Rafah e Khan Younis, fontes médicas disseram à Al Jazeera.

Os assassinatos de domingo ocorreram enquanto a Sociedade do Crescente Vermelho Palestino (PRCS) recuperava os corpos de 15 profissionais de saúde em Rafah que ficaram sob forte fogo israelense na semana passada. A agência de checagem de fatos Sanad, da Al Jazeera, obteve imagens de satélite exclusivas mostrando que pelo menos cinco veículos de resgate foram destruídos pelos militares israelenses naquele ataque mortal.

“[Isto] é uma tragédia não só para nós… mas também para o trabalho humanitário e a humanidade”, disse o PRCS em um comunicado, acrescentando que o ataque militar israelense aos profissionais de saúde “só pode ser considerado um crime de guerra”.

Em meio à violência, a situação humanitária na Faixa de Gaza continua a se deteriorar, já que Israel interrompeu a entrega de ajuda a Gaza desde o início de março.

“Os palestinos deveriam quebrar o jejum com uma refeição muito boa [para o Eid], mas hoje eles não conseguiram garantir uma refeição sequer. A situação em Gaza é devastadora”, disse Hind Khoudary, da Al Jazeera, reportando de Deir el-Balah.

A comida na Faixa é escassa e muito cara, com os pais dizendo que alimentar suas famílias é uma “missão impossível”, disse Khoudary.

Enquanto isso, as perspectivas de um avanço nas negociações de cessar-fogo parecem remotas.

No domingo, Netanyahu repetiu a exigência para que o Hamas se desarme e que seus líderes deixem Gaza, ao mesmo tempo em que prometeu aumentar a pressão sobre o grupo para libertar os 59 prisioneiros restantes, 35 dos quais se acredita estarem mortos.

Elas fazem parte de um novo conjunto de demandas apresentadas por Israel, com o apoio do presidente dos EUA, Donald Trump, que deve revisar os termos de um acordo de cessar-fogo de três fases assinado em janeiro.

De acordo com o acordo original, após a libertação do primeiro lote de prisioneiros a cada semana, as duas partes concordaram em entrar em uma segunda fase de negociações para discutir o fim permanente da guerra, a libertação dos prisioneiros restantes e a retirada das tropas israelenses de Gaza.

Mas Israel insiste que o Hamas deve libertar todos os cativos sem que Israel se comprometa a acabar com a guerra. Com o Hamas recusando as novas exigências, Israel retomou o bombardeio da Faixa e realocou tropas dentro do enclave.

No domingo, Netanyahu também disse que Israel trabalharia para implementar o “plano de emigração voluntária” de Trump para Gaza e disse que seu gabinete concordou em continuar pressionando o Hamas, que afirma ter concordado com uma nova proposta de cessar-fogo dos mediadores Egito e Catar.

Sami Abu Zuhri, alto funcionário do Hamas, disse que os comentários de Netanyahu eram uma receita para uma “escalada sem fim” na região.

Netanyahu rejeitou as afirmações de que Israel não estava negociando, dizendo: “Estamos conduzindo isso sob fogo e, portanto, também é eficaz”.

“Vemos que de repente há rachaduras”, disse ele em uma declaração em vídeo emitida no domingo.

Khalil al-Hayya, o líder do Hamas em Gaza, disse que o grupo concordou com uma proposta que fontes de segurança disseram incluir a libertação de cinco prisioneiros israelenses a cada semana. Mas ele disse que depor suas armas como Israel exigiu era uma “linha vermelha” que o grupo não cruzaria.

Com informações de Al Jazeera e agências de notícias

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Médicos Sem Fronteiras reage após hospital em Gaza ser bombardeado https://www.ocafezinho.com/2025/03/26/medicos-sem-fronteiras-reage-apos-hospital-em-gaza-ser-bombardeado/ Wed, 26 Mar 2025 07:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=205145 A MSF condena mais um ataque contra instalações médicas em Gaza e alerta: o sistema de saúde está à beira do colapso, sem meios para atender os feridos

Médicos Sem Fronteiras (MSF) condena veementemente o ataque de Israel ao hospital Nasser em Khan Younis, sul de Gaza, Palestina, que é o maior hospital em funcionamento na Faixa de Gaza, onde equipes da MSF trabalham. No último domingo (23), forças israelenses atacaram o departamento cirúrgico de internação do hospital, matando duas pessoas, de acordo com o Ministério da Saúde. As equipes da MSF confirmaram que havia várias pessoas feridas, uma das quais foi admitida em sua unidade de trauma, e que danos graves foram causados ao prédio.

Este ataque demonstra um total desrespeito à proteção de instalações médicas, pacientes em perigo e equipe médica, além da própria prestação de cuidados de saúde. Enquanto as forças israelenses intensificam suas operações em Gaza mais uma vez, a MSF pede respeito e proteção às instalações de saúde, pacientes e equipe médica no território, onde o sistema de saúde foi quase totalmente destruído.

“Greves como essas são horríveis para a equipe e os pacientes”, diz Claire Nicolet, chefe de emergências da MSF em Gaza. “Não podemos voltar a ataques repetidos a instalações de saúde quando o sistema de saúde em Gaza já está pendurado por um fio, e nenhum suprimento entra há semanas.”

Enquanto o sistema de saúde de Gaza entra em colapso, e as necessidades médicas da população disparam, os profissionais médicos são mais uma vez forçados a temer por suas vidas enquanto prestam cuidados. No hospital Nasser, dois colegas da MSF, que trabalhavam em diferentes departamentos, relataram pânico entre os pacientes durante o ataque.

“A distância entre nós e a explosão era tão próxima que poderíamos ter sido atingidos também”, disse uma enfermeira da MSF que atua no hospital Nasser. “Nossos colegas, equipe médica, pacientes e seus cuidadores ficaram todos aterrorizados.”

Durante a guerra de Israel em Gaza, a MSF testemunhou ataques implacáveis a instalações de saúde, um completo desrespeito aos pacientes, profissionais médicos e ao Direito Internacional Humanitário. O resultado foi o desmantelamento sistemático do sistema de saúde de Gaza. Nenhum hospital na Faixa de Gaza está atualmente totalmente funcional, e apenas 21 dos 36 hospitais do enclave operam parcialmente, segundo a Organização Mundial da Saúde.

Como um dos últimos hospitais principais no sul de Gaza, o Nasser fornece cuidados a pessoas com queimaduras graves, ferimentos por trauma, recém-nascidos e mulheres grávidas. Desde seu retorno em meados de maio de 2024, as equipes da MSF apoiam os departamentos de emergência, pediatria e maternidade do hospital, além de administrar uma unidade de queimados e trauma. Em fevereiro de 2024, as equipes foram forçadas a fugir após o hospital ser bombardeado.

Além disso, o Nasser, como outras unidades de saúde em Gaza, enfrenta desafios de suprimentos, incluindo itens de higiene, medicamentos e materiais cirúrgicos. As autoridades israelenses mantêm o cerco à Faixa há mais de 20 dias. Com o fluxo de pacientes devido aos bombardeios, os estoques da MSF estão se esgotando mais rápido do que o esperado, e o bloqueio impede a reposição de itens vitais, como antibióticos, analgésicos e anestésicos.

Em um incidente separado em 24 de março, equipes da MSF na clínica de Al-Mawasi foram forçadas a fechar o pronto-socorro e evacuar devido a tiroteios e bombardeios próximos. Instalações de saúde, pacientes e equipe médica devem ser protegidos.

A MSF pede novamente a restauração imediata do cessar-fogo e a retomada da entrada de ajuda essencial e suprimentos básicos, dos quais a população de Gaza depende desesperadamente.

Com informações de MSF*

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