defesa europeia - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/defesa-europeia/ Portal de noticias e análises sobre política brasileira, geopolítica, economia, tecnologia, sempre numa perspectiva democrática, progressista, anti-imperialista e multipolar! Fri, 06 Feb 2026 16:12:20 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://www.ocafezinho.com/wp-content/uploads/2015/10/cropped-Logo_Cafezinho_tmb-32x32.png defesa europeia - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/defesa-europeia/ 32 32 Europa aposta em chips https://www.ocafezinho.com/2026/02/09/europa-aposta-em-chips/ https://www.ocafezinho.com/2026/02/09/europa-aposta-em-chips/#respond Mon, 09 Feb 2026 07:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=225524 Plano da Comissão Europeia exige semicondutores confiáveis em drones

Enquanto cenas de drones modificados para guerra dominam as notícias internacionais, uma batalha diferente, mas igualmente crucial, começa a se desenhar nos corredores de Bruxelas. Trata-se de uma corrida pela soberania tecnológica, onde a peça mais valiosa não é o drone em si, mas o minúsculo cérebro que o comanda: o semicondutor. A União Europeia prepara um movimento ousado para reconquistar o controle sobre seus céus e sua cadeia produtiva, propondo o uso obrigatório de “semicondutores confiáveis” em todos os sistemas de drones civis e de defesa fabricados no bloco.

A medida é o núcleo de uma nova estratégia abrangente que a Comissão Europeia deve revelar nos próximos dias. O plano não surge do vácuo. Ele é, acima de tudo, uma resposta direta a uma realidade geopolítica cada vez mais tensa e fragmentada. A dependência de componentes eletrônicos fabricados fora do continente, especialmente em regiões de instabilidade ou sob influência de rivais estratégicos, tornou-se um calcanhar de Aquiles inaceitável.

Leia também: Por que a UE quer mudar a política de drones civis e militares?

O gatilho para a aceleração deste projeto foi sonoro e incontestável. Em setembro do ano passado, o silêncio da noite sobre a Polônia foi rompido pelo rastro de caças da OTAN em missão de interceptação. O alvo: 19 drones russos que violaram o espaço aéreo do país membro da aliança. O episódio não foi apenas mais uma incursão; marcou a primeira vez, desde o início da invasão em larga escala da Ucrânia, que um país da OTAN abateu uma aeronave militar em seu próprio território.

Esse evento funcionou como um choque de realidade. Ele mostrou, de forma dramática, que a ameaça dos drones transcende os campos de batalha convencionais e pode penetrar diretamente no coração da Europa. A vulnerabilidade ficou exposta. Mais do que aviões não-tripulados, o que cruzou a fronteira foi uma mensagem clara sobre a facilidade com que a segurança coletiva pode ser testada por tecnologias acessíveis e ubíquas.

Diante desse cenário, a estratégia europeia de drones deixa de ser um documento técnico para se tornar uma questão de segurança nacional coletiva e de preservação do modelo social europeu. O viés, portanto, é claro: fortalecer a indústria interna, gerar empregos de alta qualidade em solo europeu e reduzir a dependência de potências externas. É uma postura de esquerda pragmática, que enxerga a autonomia estratégica não como um projeto belicista, mas como um imperativo para a paz e a estabilidade social.

Mas o que define, afinal, um “semicondutor confiável”? A proposta vai muito além da simples qualidade do componente. O foco está em três pilares fundamentais: segurança, resistência e rastreabilidade. Esses chips precisarão ser projetados e fabricados sob padrões que garantam sua imunidade a ataques cibernéticos, adulteração física ou a inclusão de “backdoors” – falhas intencionais que poderiam permitir o controle remoto por agentes hostis.

A ideia é que, do drone de entrega de encomendas ao veículo de vigilância de fronteira, cada circuito integrado tenha uma espécie de “certificado de origem” digital e à prova de violações. Isso implica em um investimento massivo não apenas em fábricas (as chamadas “foundries”), mas em todo o ecossistema de pesquisa, design e certificação. A Europa pretende criar um padrão próprio, um selo de garantia que será condição para operar em seu mercado interno.

Este movimento é complementado por outras iniciativas práticas que a estratégia deve detalhar. Entre elas, destaca-se a aceleração da aliança antidrones com a Ucrânia, uma parceria que, anunciada há tempos, agora ganha urgência máxima. A experiência de guerra em tempo real dos ucranianos no combate a drones russos é um laboratório inestimável, e a UE quer integrar esse conhecimento à sua indústria de defesa.

Para transformar o plano em realidade, Bruxelas aposta em uma mobilização sem precedentes do setor privado. Antes do verão, a Comissão convocará um fórum industrial reunindo gigantes da eletrônica, startups de drones, centros de pesquisa e representantes dos Estados-membros. O objetivo é claro: mapear capacidades, identificar gargalos e alinhar investimentos para escalar a produção em velocidade de guerra.

O cronograma é ambicioso e reflete a urgência percebida. A meta é estabelecer um centro de pesquisa e desenvolvimento dedicado exclusivamente à defesa antidrone até o início de 2027. Paralelamente, ainda neste outono, o bloco pretende criar equipes de resposta rápida a emergências envolvendo drones. Essas unidades, compostas por especialistas de vários países, estarão prontas para se deslocar a qualquer ponto do território europeu onde uma ameaça do gênero seja identificada, reforçando a cooperação operacional.

A coordenação interna também será fortalecida. Cada país membro será instado a nomear um coordenador nacional para a segurança de drones. Esses oficiais serão os elos entre as políticas de Bruxelas e a implementação em nível nacional, monitorando o plano de ação e garantindo a troca fluida de informações. Significativamente, o plano permanecerá aberto a parceiros próximos, como o Reino Unido e a Noruega, reconhecendo que a segurança tecnológica é um desafio transnacional.

A estratégia, contudo, não nasce sob consenso total. A ideia de uma “barreira antidrones” – um conceito de escudo eletrônico contínuo nas fronteiras – já havia sido levantada no ano passado e recebida com reservas por alguns governos, que questionaram seu custo, viabilidade técnica e impacto ambiental. O novo plano parece adotar uma abordagem mais pragmática, focada em resiliência e resposta, mas os debates sobre orçamento e soberania compartilhada prometem ser acalorados.

Além disso, o adiantamento de 6 mil milhões de euros de um empréstimo do G7 para a aliança com a Ucrânia sinaliza a prioridade do tema, mas também evidencia a pressão sobre os cofres públicos em um momento de múltiplas crises. Os defensores do plano, no entanto, argumentam que o custo da inação é infinitamente maior. Eles enxergam cada drone não-confiavél nos céus europeus não apenas como um risco à segurança, mas como um emprego de alta tecnologia que deixou de ser criado em solo europeu.

A aposta da União Europeia, em resumo, é uma só: reconectar seu destino tecnológico ao seu projeto político. Ao priorizar os “semicondutores confiáveis”, o bloco não está apenas protegendo seu espaço aéreo; está deliberadamente construindo os alicerces para uma indústria soberana, capaz de sustentar seu modelo de bem-estar social em um mundo cada vez mais disputado. A batalha pelo futuro, demonstram os planejadores em Bruxelas, já não se trava apenas no campo ou no mar, mas nas linhas de código e nas nanométricas arquiteturas de silício que passam a comandar, literalmente, os céus.

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União Europeia quer controlar o ‘risco dos drones’ https://www.ocafezinho.com/2026/02/06/uniao-europeia-quer-controlar-o-risco-dos-drones/ https://www.ocafezinho.com/2026/02/06/uniao-europeia-quer-controlar-o-risco-dos-drones/#respond Fri, 06 Feb 2026 15:57:33 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=225518 Plano da Comissão Europeia exige semicondutores confiáveis em drones civis e militares e responde diretamente a incursões russas e falhas de segurança recentes

A União Europeia vai apresentar, na próxima semana, uma estratégia inédita para drones que coloca a segurança no centro de tudo. O plano exige o uso de “semicondutores confiáveis” em todos os sistemas, tanto civis quanto militares, para proteger contra adulterações e ataques cibernéticos. Fontes próximas ao documento, citadas pela Bloomberg, confirmam que o texto ainda pode mudar, mas a direção já está definida: produzir mais drones e, ao mesmo tempo, torná-los muito mais seguros.

O calendário não é coincidência. Em setembro passado, caças da OTAN derrubaram 19 drones russos que invadiram o espaço aéreo polonês. Foi a primeira vez, desde o início da guerra na Ucrânia, que um país da Aliança abateu aeronaves militares inimigas em território próprio. O episódio deixou claro: a Europa não pode mais tratar drones como simples brinquedos tecnológicos.

Por isso, a Comissão Europeia decidiu agir com urgência. Já no ano passado, propôs a criação de uma “barreira antidrones” e adiantou 6 bilhões de euros de um empréstimo do G7 para montar uma aliança antidrones com a Ucrânia. Alguns governos membros reagiram com ceticismo, mas o clima mudou. Agora, ninguém discute mais a necessidade de uma resposta coordenada.

A nova estratégia não para na produção. Ela obriga os países a avaliar a proteção de portos, aeroportos, usinas e redes elétricas contra invasões por drones. O objetivo é simples e direto: tornar a União Europeia mais resiliente, mais capaz de fabricar seus próprios equipamentos e mais inovadora na defesa contra ameaças que chegam do céu.

Além disso, Bruxelas quer acelerar a aliança com a Ucrânia que já foi anunciada, mas ainda não saiu do papel. Antes do verão, vai convocar um fórum industrial para impulsionar a fabricação em escala. Até o início de 2027, pretende inaugurar um centro de pesquisa e desenvolvimento dedicado exclusivamente a tecnologias antidrones.

Para transformar o plano em prática, a UE vai lançar exercícios de segurança contra drones todos os anos. Até o outono, cada país terá equipes de resposta rápida prontas para atuar em emergências. Os Estados-membros também vão indicar coordenadores nacionais de segurança de drones, responsáveis por acompanhar a execução de todas as medidas.

O plano fica aberto a parceiros próximos. Reino Unido e Noruega já estão convidados a participar, sinalizando que a defesa europeia não se limita às fronteiras da União.

A Europa entendeu o recado dos céus poloneses: drones baratos e letais mudaram a guerra. Agora, o bloco quer responder com tecnologia confiável, produção acelerada e cooperação real. O documento que chega na próxima semana não é só mais uma estratégia. É a resposta concreta de um continente que decidiu não ser pego de surpresa outra vez.

Com informações de Bloomberg e Investing*

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Lideranças européias rasgam diplomacia e fazem ameaças diretas contra a Rússia https://www.ocafezinho.com/2025/03/18/liderancas-europeias-rasgam-diplomacia-e-fazem-ameacas-diretas-contra-a-russia/ Tue, 18 Mar 2025 19:09:10 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=204545 A União Europeia tem elevado o tom contra a Rússia, adotando um discurso mais agressivo que pode aumentar tensões já elevadas, conforme recente posicionamento da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. Em discurso realizado na Academia Militar Real Dinamarquesa, em Copenhague, Von der Leyen argumentou que a Rússia está se preparando ativamente para futuros conflitos com as democracias europeias, destacando uma ampliação significativa de sua capacidade militar-industrial, impulsionada pela guerra na Ucrânia.

Von der Leyen afirmou: “A Rússia expandiu maciçamente sua capacidade de produção militar-industrial… Esse investimento alimenta a guerra de agressão na Ucrânia, ao mesmo tempo em que a prepara para futuros confrontos com as democracias europeias”. Essa narrativa surge num momento em que os Estados Unidos, tradicional aliado da Europa, deslocam seu foco estratégico para o Indo-Pacífico, deixando o continente europeu em busca de maior autonomia em sua defesa.

Essa caracterização da Rússia como ameaça existencial por parte de líderes europeus, como o presidente francês Emmanuel Macron, impulsionou aumentos consideráveis no gasto militar europeu. Macron anunciou novos investimentos militares substanciais, incluindo a aquisição de mais aeronaves Rafale e um gasto expressivo de €1,5 bilhão em uma base aérea, projetada para abrigar aviões equipados com mísseis nucleares hipersônicos até 2035.

Da mesma forma, a Alemanha anunciou uma significativa ampliação em seus gastos militares, com o parlamento aprovando um investimento de até €1 trilhão para modernização das forças armadas e infraestrutura associada. Esse movimento, liderado pelo futuro chanceler Friedrich Merz, facilita gastos militares que superam €400 bilhões em um futuro próximo, ao flexibilizar restrições fiscais tradicionais do país.

A proposta de Von der Leyen de estabelecer um “Mecanismo Europeu de Vendas Militares”, permitindo compras centralizadas de armas para toda a União Europeia, embora apresentada como solução prática para reposição rápida de estoques militares, indica uma mudança delicada e potencialmente problemática para a dinâmica de soberania dos estados-membros. Ao propor a criação de um mercado unificado europeu para equipamentos militares, Von der Leyen afirmou: “Precisamos comprar mais armas europeias”, sugerindo uma centralização do controle militar em Bruxelas.

Embora exista um apoio preliminar à iniciativa entre líderes europeus, há uma preocupação legítima quanto à concentração excessiva de poder nas mãos da Comissão Europeia. Diplomatas têm insistido que questões de defesa permanecem competência soberana das nações e alertam sutilmente para os riscos inerentes a esta nova estratégia centralizadora.

Além disso, a iniciativa reconhece implicitamente as fragilidades estruturais da indústria militar europeia, incapaz de suprir com agilidade e eficiência as necessidades atuais dos países membros. Para remediar essas deficiências, Von der Leyen propôs um fundo de €150 bilhões dedicado exclusivamente aos gastos militares, acompanhado de flexibilizações fiscais que permitiriam contornar regras orçamentárias da UE para despesas militares, redirecionando verbas de outras áreas para financiar iniciativas de defesa.

Esses movimentos sugerem uma Europa disposta a investir fortemente em capacidade militar própria, talvez à custa de outras prioridades internas, em resposta ao recuo estratégico norte-americano. Contudo, ao reforçar uma retórica de confrontação e expansão militar, a UE corre o risco de exacerbar desnecessariamente tensões com a Rússia, prejudicando ainda mais o já frágil equilíbrio de segurança regional.

Embora a segurança seja crucial, questiona-se discretamente se a aceleração militar europeia representa de fato uma solução eficaz para um cenário geopolítico complexo, ou se acabará contribuindo para um círculo vicioso de desconfiança mútua e escalada armamentista. Em última análise, cabe avaliar se a Europa não estaria inadvertidamente alimentando o conflito que deseja prevenir ao adotar esse tom cada vez mais assertivo e militarizado.

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Trump está tornando a Europa grande novamente https://www.ocafezinho.com/2025/03/10/trump-esta-tornando-a-europa-grande-novamente/ Mon, 10 Mar 2025 16:08:01 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=203874 A presidência de Trump desafia a Europa, impulsionando defesa, economia e alianças estratégicas, enquanto a UE avança para maior independência global

Donald Trump nunca ganhará o Prêmio Nobel da Paz. Mas ele deveria ser um forte candidato ao Prêmio Carlos Magno — concedido anualmente à pessoa que mais contribuiu para a unidade europeia. O presidente dos EUA corteja a Rússia, mina a confiança na aliança da Otan, ameaça a UE com tarifas e impulsiona a extrema-direita na Europa. Tudo isso teve um efeito galvanizador sobre a UE. Passos fundamentais em direção a uma maior unidade europeia — estagnados por décadas — estão agora em andamento.

Há três áreas-chave para observar. A primeira é a defesa europeia; a segunda, a dívida conjunta europeia; a terceira, a reparação da ruptura entre o Reino Unido e a UE.

Mudanças dramáticas na opinião pública europeia sustentam esses desenvolvimentos. Uma pesquisa na semana passada mostrou que 78% dos britânicos consideram Trump uma ameaça ao Reino Unido. Cerca de 74% dos alemães e 69% dos franceses concordam. Em outra pesquisa, a França foi considerada um “parceiro confiável” por 85% dos alemães, e o Reino Unido obteve 78% — os EUA caíram para 16%.

Muitos líderes europeus concordam que a América de Trump agora é uma ameaça, embora poucos digam isso em voz alta por razões diplomáticas. Eles também estão cientes, de forma desconfortável, de como a aliança transatlântica, agora em sua oitava década, os tornou altamente dependentes do apoio militar americano. Isso não é apenas uma questão de dinheiro. As dependências realmente perigosas são em tecnologia e armamentos dos EUA.

Os europeus podem ver quantos problemas os ucranianos enfrentam após a decisão do governo Trump de cortar o fluxo de inteligência e armamentos. Por isso, estão perseguindo uma política de duas vias. Eles precisam adiar o corte do apoio militar americano à Europa pelo maior tempo possível, enquanto se preparam para esse momento o mais rápido possível.

Essa foi a lógica por trás da decisão da semana passada de permitir que a Comissão Europeia levantasse €150 bilhões para investir na indústria de defesa da UE. Os novos gastos provavelmente serão concentrados em áreas onde os países europeus são particularmente dependentes dos EUA, como a defesa aérea.

A emissão de dívida comum europeia não é apenas uma forma de levantar dinheiro para a defesa. Também oferece a chance de construir o euro como uma alternativa ao dólar como moeda de reserva global. A imprevisibilidade do governo Trump significa que há um apetite global considerável por uma alternativa aos títulos do Tesouro dos EUA como ativo seguro.

O tabu contra a dívida comum europeia é tradicionalmente forte na frugal Alemanha. Foi parcialmente quebrado durante a pandemia. Agora, é provável que seja varrido. Friedrich Merz, que será o próximo chanceler da Alemanha, também está se movendo para isentar os gastos nacionais com defesa e infraestrutura dos limites constitucionais do país para gastos deficitários. A prudência fiscal passada da Alemanha significa que ela tem muito mais espaço para tomar empréstimos do que a França ou o Reino Unido, altamente endividados.

Uma forma de keynesianismo militar poderia reestimular a maior economia da Europa. Como um importante empresário francês me disse, com um toque de ambivalência: “Está muito claro. Os alemães não conseguem vender seus carros. Então, farão tanques.”

O favor final de Trump à Europa é acelerar a reaproximação pós-Brexit entre a UE e o Reino Unido. Sir Keir Starmer e Emmanuel Macron, os líderes britânico e francês, trabalharam juntos de perto na Ucrânia. Eles poderiam formar um poderoso triunvirato com Merz.

Um mecanismo para aumentar os gastos militares seria um novo fundo de defesa europeu, no qual o Reino Unido poderia participar. Isso teria a virtude adicional de dar ao Reino Unido e à UE uma nova forma de cooperação que evita reabrir a caixa de Pandora do Brexit.

A perspectiva de reparar parte dos danos causados pelo Brexit ressalta que este não é apenas um momento de ameaça para a Europa. É também um momento de oportunidade. A Europa agora pode plausivelmente oferecer um ambiente de negócios mais estável do que a América de Trump — o que já pode estar refletido no desempenho relativo dos mercados de ações nos EUA e na Europa.

À medida que o governo Trump aumenta seu ataque às universidades americanas, também há uma chance de atrair pesquisadores de ponta para a Europa. A diferença salarial e de financiamento para pesquisa entre a América do Norte e a Europa é grande. Mas os valores totais envolvidos são pequenos, em comparação com os montantes gastos em defesa.

Haverá muitos desentendimentos e contratempos no caminho para uma maior unidade europeia. França e Alemanha já estão em conflito sobre como o novo fundo de defesa da UE gastará seu dinheiro.

Cada conflito como esse alimentará o ceticismo daqueles que dizem que a Europa nunca vai se organizar. Houve dúvidas e contratempos semelhantes no caminho muitas vezes acidentado para a criação da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço nos anos 1950 e da moeda única nos anos 1990. Mas os líderes europeus chegaram lá no final porque o imperativo político de concordar era esmagador.

Todos os grandes saltos em direção à unidade europeia foram causados por choques geopolíticos — primeiro o fim da Segunda Guerra Mundial; depois, o fim da Guerra Fria. Agora, cortesia de Trump, estamos olhando para o fim da aliança transatlântica. A Europa respondeu com força e criatividade aos dois últimos grandes desafios. Ela pode fazer isso novamente.

Via Financial Times*

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Colunista defende que Europa use dívida pública pra financiar um grande aumento em despesas militares https://www.ocafezinho.com/2025/03/06/colunista-defende-que-europa-use-divida-publica-pra-financiar-um-grande-aumento-em-despesas-militares/ Thu, 06 Mar 2025 22:46:35 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=203607 Com a pressão russa e a incerteza dos EUA, a Europa busca financiar um aumento massivo em defesa, levantando o debate sobre o uso da dívida pública

Mais um dia, mais uma retirada do apoio dos EUA à segurança da Ucrânia e, portanto, da Europa. Enquanto o presidente Donald Trump pressiona por um acordo de rendição com a Rússia, os europeus estão se apressando para equipar a Europa para se defender sem a ajuda americana. A Europa é um continente rico, e os sinais são de que seus líderes podem se mover rápido quando têm uma faca na garganta. Que Friedrich Merz, que está a caminho de ser o chanceler da Alemanha, tenha intermediado um acordo político para isentar os gastos com defesa do freio da dívida paralisante do país é nada menos que impressionante.

Também há muita discussão sobre modelos de financiamento. Então, abaixo, eu passo pelas perguntas que precisam ser feitas sobre as finanças do desafio de defesa da Europa e ofereço algumas respostas provisórias. O que os leitores do Free Lunch acham? Envie suas opiniões para freelunch@ft.com .

Para desembaraçar minhas próprias confusões, achei útil dividir as perguntas em três. Quanto dinheiro precisa ser levantado e gasto? De onde? E por quem? Vamos começar com o primeiro.

Quanto a Europa deve gastar?

Os europeus precisam gastar mais em defesa. Mas quanto mais? Isso depende do que você acha que precisa ser capaz de se defender. Mas qualquer resposta plausível para isso implica um aumento muito grande em relação aos níveis atuais (e muito menos pré-2022), plausivelmente vários pontos percentuais do PIB anual para muitos países. Isso pode chegar a dobrar os níveis atuais, que para a maior parte da Europa estão um pouco acima, e às vezes bem abaixo, de 2% do PIB.

Como um bom parâmetro, tome a Polônia, a aluna de destaque. Em apenas três anos, ela passou de uma média de cerca de 2% do PIB para quase 5%. A Polônia está, é claro, particularmente exposta a uma potencial invasão russa e altamente ciente disso. Então, o que dizer do resto da Europa?

Um relatório recente de Alexandr Burilkov e Guntram Wolff dá uma resposta sucinta, mas informada. Se não for possível contar com os EUA, eles argumentam, a Europa precisaria de mais 300.000 tropas e pelo menos € 250 bilhões a mais em gastos com defesa por ano — quase o dobro de 2 para 3,5 por cento do PIB — para compensar a perda de capacidade. Não muito longe do esforço adicional da Polônia, então.

Onde o dinheiro deve ser encontrado?

Tal acúmulo de defesa significa realocar vários pontos percentuais dos recursos reais das economias europeias, longe dos usos atuais, para equipamentos de defesa, pessoal, logística e pesquisa e desenvolvimento. Essa realidade econômica é o ponto fundamental sobre “financiamento” e precisa ser mantida firmemente em mente em quaisquer discussões sobre como os números contábeis entram nos orçamentos.

Existem apenas três maneiras de fazer isso em economias que não estão deixando recursos significativos ociosos ao produzir menos do que seu potencial. (Pode haver, de fato, alguma folga nas economias europeias — nesse caso, mais gastos com defesa podem, macroeconomicamente, se pagar ao impulsionar a atividade econômica total. Mas, para o bem desta discussão, vamos deixar essa possibilidade de lado.) Você tira recursos do consumo e do investimento privado por meio de impostos; empréstimos governamentais podem persuadir o setor privado a economizar mais recursos, com os recursos liberados canalizados para orçamentos de defesa; ou o governo pode cortar outras despesas orçamentárias.

Johannes Marzian e Christoph Trebesch, do Instituto Kiel, estudaram como os acúmulos militares foram historicamente financiados. Eles descobriram que, em média, e em estudos de caso importantes, as expansões militares geralmente não são pagas pela realocação de gastos governamentais existentes. Em vez disso, elas são financiadas por meio de uma mistura de impostos e dívidas — e quanto mais íngreme o rearmamento, mais dívida na mistura. Isso também se encaixa no caso polonês atual, que é amplamente financiado por dívidas.

A história pode ser um guia ruim, é claro, mas Marzian e Trebesch apontam que os princípios econômicos recomendam precisamente isso. Qualquer aumento permanente nos gastos com defesa deve ser pago por impostos ou cortes em outros gastos. Mas em uma rápida aceleração, é bom suavizar os aumentos de impostos ao longo do tempo, então faz sentido tomar emprestado para o estouro inicial. Além disso, quando o acúmulo envolve um aumento permanente no estoque de material, as necessidades de gastos de curto a médio prazo serão um pouco maiores do que o nível permanente. Esse aumento também deve ser financiado por dívida para evitar um aumento no nível de impostos também. (E em um caso de folga econômica, os gastos deficitários financiados por dívida são garantidos por razões keynesianas padrão.)

Quem deve fazer os empréstimos e os gastos?

Então, estamos prontos (ou deveríamos estar) para uma explosão iminente de empréstimos para gastar em defesa, a ser parcialmente substituída por um aumento nos níveis de impostos ao longo do tempo. Uma questão crítica na Europa é se os empréstimos devem ser feitos nacionalmente ou em nível europeu. Este é frequentemente um debate confuso que, felizmente, recentemente se beneficiou de algum esclarecimento maior.

Uma fonte de confusão é que muitos países estão se deparando com regras domésticas e/ou europeias sobre gastos deficitários. Esta é uma das razões pelas quais há apelos por empréstimos comuns pan-europeus ou novas instituições como um “fundo de defesa” (modelado no fundo de recuperação da pandemia da UE, por exemplo) ou um “banco de defesa” (modelado nos bancos multilaterais de desenvolvimento existentes). Mas é uma razão ruim. Se as regras levarem a uma política econômica ruim (na verdade, uma política ruim de segurança e defesa), são as regras que devem mudar.

Foi exatamente isso que aconteceu esta semana. Em uma decisão ousada, os dois partidos tradicionais do governo da Alemanha concordaram em isentar permanentemente os aumentos nos gastos com defesa do freio constitucional da dívida do país. Enquanto isso, a Comissão Europeia propôs suspender as regras orçamentárias da UE para gastos com defesa. (Como exatamente isso será feito não está totalmente claro, já que a “cláusula de escape” que será invocada não é específica do setor, mas suspende restrições em orçamentos governamentais inteiros. Mas a decisão política é clara.) Para a Alemanha, então, nem as regras domésticas nem as europeias agora colocam qualquer limite em um déficit maior para financiar a defesa.

Há outros bons argumentos para empréstimos conjuntos e novas facilidades, no entanto. Um é que empréstimos conjuntos ajudariam com gastos conjuntos, ou pelo menos gastos coordenados e padronizados entre países. Como muitos observadores apontam, diferentes especificações nacionais são um grande fardo para a eficiência de aquisição militar da Europa (porque economias de escala não são exploradas) e para sua eficácia de combate militar (porque o equipamento dos países não é suficientemente interoperável ou intercambiável).

Outra razão é que a aquisição conjunta e a interoperabilidade devem naturalmente incluir membros não pertencentes à UE, como o Reino Unido e a Noruega. Mas há todos os tipos de restrições legais e políticas à participação desses países nas estruturas de política e financiamento existentes da UE. (Um documento de trabalho da Stiftung Wissenschaft und Politik explica bem as complicações.) Além disso, nem todos os membros da UE — alguns são neutros, alguns são amigáveis ​​com o presidente russo Vladimir Putin — podem querer se juntar à necessária construção de defesa. Então, algumas novas construções podem ser necessárias para o financiamento e aquisição conjunta por uma “coalizão dos dispostos” que inclua estados não pertencentes à UE.

Mesmo assim, ninguém deve pensar que um banco de defesa de alguma forma contorna as escolhas políticas envolvidas na realocação de recursos reais. Ao contrário de outras grandes iniciativas, como a transição verde, não é possível “alavancar” pequenas quantias de financiamento público para obter financiamento privado para fazer o resto. Apenas governos compram tanques (e graças a Deus por isso). Empréstimos de um banco de defesa não superam a necessidade de um governo colocar dinheiro em risco para um pedido, se o tanque for construído. Os líderes europeus devem evitar categoricamente a tentação de pensar que um desvio da criação de uma nova instituição mudará de alguma forma esse fato básico. Muita engenharia financeira enviará um sinal inconfundível de fraqueza — de ainda não querer reunir os recursos necessários.

Se isso for mantido em mente, há um caso para empréstimos comuns (Sander Tordoir expõe utilmente como pensar sobre títulos de defesa comuns), se isso for projetado para encorajar especificações de simplificação e aquisição conjunta em toda a Europa. Burilkov e Wolff sugerem que metade dos € 250 bilhões adicionais necessários por ano poderiam ser feitos em nível europeu, metade em nível nacional. Ao longo de um período de sete anos do orçamento plurianual da UE, isso corresponderia ao tamanho do fundo de recuperação: ousado, mas factível.

Esta semana, o presidente da Comissão Europeia propôs um estouro de gastos de € 800 bilhões em defesa pela UE e seus estados-membros — dos quais € 650 bilhões seriam gastos por capitais nacionais ao longo de quatro anos, possibilitados pela suspensão das regras fiscais. Isso é quase a quantia certa. Mas as capitais ainda teriam que fazer o trabalho político para decidir gastar mais. A Polônia fez isso; a Alemanha se colocou em posição de fazê-lo, mas ainda não comprometeu os gastos. E os compromissos de gastos devem ser sustentados a longo prazo para dar aos fabricantes de armas confiança para desenvolver capacidade. Merz está, portanto, certo quando diz que a suspensão da regra orçamentária da UE para defesa deve estar em vigor de forma confiável ao longo do tempo.

Quanto ao empréstimo comum, os €150 bilhões propostos são muito pouco, e provavelmente definidos menos pelas necessidades do que pelo que poderia ser reaproveitado da capacidade de empréstimo não utilizada sem muito alarido. Então, embora tenha havido alguns passos excelentes na direção certa esta semana, ainda resta muito mais trabalho financeiro e político.

Por Martin Sandbu, para o Financial Times*

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Segurança britânica está ameaçada sem os EUA https://www.ocafezinho.com/2025/03/06/seguranca-britanica-esta-ameacada-sem-os-eua/ Thu, 06 Mar 2025 14:51:18 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=203547 Sem garantias dos EUA, o Reino Unido precisa redefinir prioridades ou arrisca comprometer sua segurança e estabilidade diante de um cenário global incerto

Keir não se saiu bem? Ele saiu do Salão Oval sem ser humilhado. Ele se esquivou daquela pergunta sobre o desejo de Donald Trump de anexar um país do qual o Rei Charles é chefe de estado. Ele o persuadiu a fazer uma promessa casual de sempre ficar ao lado dos britânicos, organizou uma cúpula de líderes majoritariamente europeus e se recusou a ser provocado por desprezos do dachshund latindo de um vice-presidente.

Não quero zombar de Starmer. Ele demonstrou firmeza estratégica e foi devidamente elogiado no parlamento na segunda-feira . Um ex-secretário de Relações Exteriores conservador disse que ele “não cometeu nenhum erro”, enquanto o líder liberal democrata disse com entusiasmo que a Grã-Bretanha estava “liderando o mundo, como fizemos tantas vezes no passado”.

É claramente bom ter um premiê que não age como um gibão no cenário mundial. Mas estamos discutindo, em chavões de desempenho, um clima em que uma visita ao aliado mais próximo do país carrega o risco de um episódio de Squid Game . Sucesso é evitar humilhação, esquivar tarifas e salvar a OTAN. E em poucos dias Trump estava sufocando a luta da Ucrânia. O mundo mudou, mas Westminster não o alcançou.

O primeiro-ministro está certo em lutar pela aliança atlântica, mas isso está fomentando uma esperança residual de que a normalidade ainda pode ser recuperada. As palavras certas estão sendo proferidas, mas os parlamentares de todos os lados estão visivelmente se agarrando à esperança de Trump sussurrar o presidente de volta para dentro da tenda. Isso vale o esforço, mas não é mais uma base racional para o planejamento.

Assistir ao debate da Câmara dos Comuns na segunda-feira foi ver um corpo político ainda não ajustado a um mundo mudado no qual a rocha da segurança ocidental é agora, na melhor das hipóteses, um aliado cronicamente não confiável. Poucos abordaram a magnitude do envio de tropas britânicas para a Ucrânia. Isso me lembrou das primeiras semanas da Covid-19, antes das mortes e do bloqueio — em particular do Orçamento de março de 2020 de Rishi Sunak, que continuou com as prioridades do governo de Boris Johnson como se toda a sua agenda não estivesse prestes a ser consumida por uma crise já visível.


Algo semelhante está acontecendo agora. Starmer e sua equipe veem a gravidade dos eventos, mas a política ainda permanece naquele meio mundo de saber e não saber. Os parlamentares aplaudiram sua promessa de aumentar os gastos com defesa para 2,5% do PIB (e a promessa mais vaga de atingir 3% em algum momento no próximo parlamento), mesmo que alguns lamentem os cortes na ajuda externa para financiá-la. No entanto, todos sabem que isso não é suficiente. Um prazo de até nove anos é um absurdo para o que muitos já consideram um aumento inadequado.

Para usar o próprio vernáculo de Starmer, o rearmamento para uma nova arquitetura de segurança europeia é agora uma das “missões” centrais do Reino Unido. Mas o Partido Trabalhista ainda precisa digerir as consequências para sua própria agenda. Até agora, o Tesouro não está planejando além da promessa de 2,5 por cento. A atual revisão de gastos, prevista para junho, não foi projetada para liberar ainda mais dinheiro para a defesa.

Isso tudo é muito modesto. Manter essa linha é jogar com a segurança da nação. A noção de nenhum aumento além de 2,5 por cento até pelo menos 2028-29 não é mais crível. É uma nova realidade à qual o governo ainda precisa se ajustar.

Os conservadores falam em economizar em assistência social, mas cortes significativos já estão planejados e podem ser usados ​​para atender às regras fiscais do chanceler e financiar outros programas, incluindo gastar parte da economia para colocar os jovens de volta ao trabalho.

O Tesouro se recusou a tolerar a mudança de suas regras fiscais — como a Alemanha fez espetacularmente esta semana. Ele também se recusa a voltar atrás na promessa do Partido Trabalhista de não aumentar os principais impostos. Algumas opções de empréstimos não contábeis podem surgir, mas a dívida formal já está muito alta, em 95% do PIB . E o Reino Unido ainda não sentiu o impacto de nenhuma tarifa de Trump.

Podem ser encontrados arrecadadores furtivos de receitas, embora estrategistas partidários se preocupem que o apoio público à Ucrânia irá desaparecer se o preço for impostos mais altos. Mas isso não é mais apenas sobre a Ucrânia — se é que já foi. É sobre a segurança da Europa.

A escala do desafio significa que ele não pode ser refinado dentro dos planos existentes. Uma vez que isso seja aceito, verdades desagradáveis ​​aguardam. Se as linhas vermelhas do Tesouro se mantiverem, o custo do rearmamento terá que ser suportado em bilhões de cortes extras que Starmer, sua chanceler Rachel Reeves e a maioria dos parlamentares trabalhistas parecem despreparados para contemplar. Starmer deve preparar os eleitores para escolhas difíceis — se não aumentos de impostos, então ambições não atendidas.

Se o rearmamento da Grã-Bretanha for realmente a missão que deveria ser, o Partido Trabalhista será forçado a abordar quais prioridades rebaixar. São as metas de descarbonização líquida zero, que já enfrentam uma reação política significativa? Quais investimentos em energia limpa serão desviados? Os apoiadores argumentarão que alcançar a independência energética é agora ainda mais urgente, mas a meta já esticada de 2030 provavelmente cairá ainda mais. 

Quais projetos de infraestrutura murcharão por falta de fundos? E quanto às novas cidades previstas pela vice-primeira-ministra Angela Rayner? Quais serviços públicos serão cortados ainda mais ou terão melhorias adiadas? O Reino Unido também deve analisar seu próprio planejamento de resiliência e talvez os processos de subsídios que permitiram que ele perdesse uma fábrica de vacinas da AstraZeneca.

O Partido Trabalhista precisa começar essa conversa consigo mesmo e com o país. Ainda há muito business as usual; muito desejo e desvio. Preparar-se para um mundo sem garantias de segurança dos EUA é agora uma missão primária e a política britânica deve acompanhar as implicações dessa realidade.

Por Robert Shrimsley, para o Financial Times*

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O gigante alemão acorda e impõe nova era militar https://www.ocafezinho.com/2025/03/05/o-gigante-alemao-acorda-e-impoe-nova-era-militar/ Wed, 05 Mar 2025 17:41:27 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=203461 Com bilhões em investimentos e um novo posicionamento estratégico, a Alemanha assume a liderança militar europeia em resposta à crescente ameaça russa

Poucos países têm tantas demandas colocadas sobre eles quanto a Alemanha. Na maioria das vezes, elas não são atendidas. Com sua enorme onda de gastos, Berlim acaba de superar todas as expectativas. Parece um momento crucial para a Europa. O anúncio feito ontem pelo futuro chanceler Friedrich Merz de centenas de bilhões de euros para a defesa é um ponto de virada não apenas para a Alemanha, mas para todo o continente, que enfrenta a agressão da Rússia — e um vácuo onde antes estava a aliança transatlântica.

A Alemanha já é o maior gastador da OTAN em termos de dólares, depois dos EUA. No entanto, permaneceu visivelmente quieta durante a recente mobilização diplomática europeia para apoiar o presidente ucraniano Volodymyr Zelenskiy após seu tratamento nas mãos de Donald Trump.

O chanceler Olaf Scholz está de saída, e Merz ainda não assumiu. No entanto, juntos, seus partidos concordaram em revogar anos de excessiva prudência fiscal, alterando a constituição para isentar gastos com defesa e segurança.

Eles também planejam lançar um fundo de infraestrutura de € 500 bilhões (US$ 536 bilhões) para investir em áreas como transporte e redes de energia.
Se conseguir aprovação no Bundestag, isso colocará a Alemanha em posição de finalmente atingir seu potencial como o verdadeiro peso pesado da Europa em termos econômicos, políticos e de segurança.

A abordagem de Trump em relação à Europa em geral, e à Ucrânia em particular, parece ter sido o ponto de inflexão. A decisão do presidente americano de reter ajuda militar a Kiev mostrou o quão profunda é a divisão transatlântica e exigiu ação, nas palavras de Merz.

Liberta de restrições fiscais autoimpostas, a Alemanha tem o poder financeiro e alguns dos contratados de defesa mais capacitados da Europa, o que pode fazer a diferença, embora não da noite para o dia.

O ministro das Relações Exteriores da Polônia, Radosław Sikorski, certa vez disse que temia menos o poder da Alemanha do que a inação alemã.
O gigante adormecido agora acordou. E toda a Europa está observando o que ele escolherá fazer a partir daqui.

Leituras globais necessárias
Trump alertou os americanos em seu discurso ao Congresso sobre o desconforto econômico que virá para a economia dos EUA devido ao seu plano de arrecadar “trilhões e triliões” em receita por meio dos maiores aumentos de tarifas em um século e reequilibrar relações comerciais que ele chamou de injustas. O secretário de Comércio, Howard Lutnick, disse que um caminho para alívio tarifário sobre bens mexicanos e canadenses cobertos pelo acordo de livre-comércio da América do Norte pode ser anunciado já hoje.

Líderes de países árabes endossaram o plano de reconstrução de Gaza do Egito, que “preserva o direito do povo palestino de reconstruir sua pátria e garante que ela permaneça em sua terra”, anunciou o presidente Abdel-Fattah El-Sisi em uma cúpula ontem, em uma movimentação para contrapor as propostas controversas de Trump. Israel disse que está dando ao Hamas “alguns dias” para repensar os termos de um novo cessar-fogo em Gaza, aumentando a perspectiva de táticas de pressão adicionais ou de uma retomada da guerra.

A Rússia concordou em auxiliar a administração Trump na comunicação com o Irã sobre questões que incluem o programa nuclear da República Islâmica e seu apoio a proxies regionais anti-EUA, disseram fontes. Trump transmitiu esse interesse ao presidente Vladimir Putin em uma ligação telefônica em fevereiro, e altos funcionários dos EUA e da Rússia discutiram o assunto em conversas na Arábia Saudita dias depois.

Trump disse que recebeu uma “carta importante” de Zelenskiy buscando suavizar o conflito em uma reunião contenciosa no Salão Oval, mas se absteve de suspender a pausa dos EUA na ajuda militar ou anunciar um acordo de minerais revivido. Em uma postagem nas redes sociais, Zelenskiy expressou arrependimento sobre como a reunião com Trump transcorreu e disse que estava pronto para assinar o acordo.

Deputados da oposição lançaram granadas de fumaça na assembleia nacional da Sérvia, interrompendo uma sessão que confirmaria a renúncia do primeiro-ministro Miloš Vučević e um debate sobre leis destinadas a aliviar meses de protestos anti-governo. Pelo menos três deputados ficaram feridos na briga, de acordo com a presidente do parlamento, Ana Brnabić, aliada do presidente Aleksandar Vučić, que chamou os parlamentares da oposição de “gangue terrorista”.

A administração Trump está dando à Chevron até 3 de abril para parar a produção de petróleo na Venezuela, desferindo um golpe pesado ao regime autocrático do presidente Nicolás Maduro.

A República Democrática do Congo ofereceu aos EUA acesso exclusivo a minerais críticos e projetos de infraestrutura em troca de assistência de segurança enquanto enfrenta uma rebelião apoiada pela vizinha Ruanda.

A Tunísia colocou dezenas de pessoas em julgamento por traição, incluindo proeminentes opositores do presidente Kais Saied, intensificando uma repressão sem precedentes que atraiu críticas das Nações Unidas.

Trump pediu o fim de um programa bipartidário de subsídios de US$ 52 bilhões para semicondutores que impulsionou mais de US$ 400 bilhões em investimentos de empresas como TSMC e Intel. Ele chamou a Lei de Chips e Ciência de uma “coisa horrível, horrível” e implorou ao presidente da Câmara, Mike Johnson, que acabasse com a legislação. O vice-presidente JD Vance, cujo estado natal, Ohio, ganhou um enorme projeto da Intel graças à legislação, levantou-se para mostrar seu apoio à sua revogação.

E, finalmente
O governador da Califórnia, Gavin Newsom, ordenou que quase 100.000 funcionários estaduais retornem aos seus escritórios quatro dias por semana a partir de julho. O anúncio é um dos maiores mandatos estaduais desde que a pandemia de Covid-19 revolucionou os hábitos de trabalho. Ele segue uma diretiva da Casa Branca para trazer de volta funcionários federais em tempo integral, enquanto grandes empresas como Salesforce e JPMorgan Chase tomaram medidas semelhantes para o retorno dos funcionários.

Com informações de Bloomberg*

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Europa quer aumentar gastos com defesa, mas ainda não sabe de onde virá o dinheiro https://www.ocafezinho.com/2025/03/04/europa-quer-aumentar-gastos-com-defesa-mas-ainda-nao-sabe-de-onde-vira-o-dinheiro/ Tue, 04 Mar 2025 12:15:26 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=203221 Europa precisará acionar todos os mecanismos para aumentar gastos com defesa.

Como chegar a 3,5% do PIB

27 de fevereiro de 2025

A percepção está se consolidando: a Europa precisa se preparar para se defender sem a ajuda dos Estados Unidos. De Friedrich Merz, provável próximo chanceler da Alemanha, a Emmanuel Macron, presidente da França e defensor da chamada “autonomia estratégica”, líderes europeus têm pedido um aumento nos gastos com defesa. O problema é que poucos apresentam propostas concretas sobre como financiar essa ampliação.

Atualmente, os países da União Europeia gastam cerca de €325 bilhões (US$ 340 bilhões) por ano com defesa, o que representa aproximadamente 1,8% do PIB do bloco. Esse percentual ainda está abaixo da meta de 2% estabelecida pela OTAN em 2014, após a anexação da Crimeia pela Rússia. De acordo com Guntram Wolff, do think tank Bruegel, e Alex Burilkov, da Universidade de Lüneburg, o percentual necessário para garantir a defesa europeia sem apoio americano seria de 3,5% do PIB. No longo prazo, segundo The Economist, os gastos podem chegar a 4% ou 5%. Mesmo a meta inicial de 3,5% criaria um déficit de 1,7% do PIB a ser preenchido.

Apoio à Ucrânia e desafios financeiros

O apoio da Europa à Ucrânia também tem sido limitado. Desde janeiro de 2022, os países da UE gastaram €113 bilhões em assistência financeira, militar e humanitária, o que equivale a apenas 0,2% do PIB do bloco a cada ano. Caso os Estados Unidos retirassem sua ajuda, a Europa precisaria dobrar essa contribuição. O montante necessário, cerca de 0,4% do PIB anual, é metade do que a Dinamarca já destina à Ucrânia e equivale ao que a Finlândia gasta, o que sugere que a meta é viável. No entanto, esse suporte representa apenas uma parte do desafio maior: fortalecer os próprios gastos militares da Europa.

Para atingir os 3,5% do PIB em defesa e substituir a ajuda americana à Ucrânia, a Europa precisaria de um acréscimo de 1,9% do PIB em gastos militares. Três caminhos são possíveis: cortes em outras áreas, aumento da dívida pública ou financiamento via União Europeia.

A primeira opção envolve reduzir despesas ou aumentar impostos. No entanto, os países europeus já estão entre os mais tributados do mundo, tornando essa alternativa impopular. Além disso, os orçamentos nacionais estão sob pressão. A França, por exemplo, comprometeu-se a reduzir seu déficit de 6,1% em 2024 para 4% até 2027. Na Alemanha, o governo de coalizão anterior colapsou devido a impasses sobre cortes orçamentários, e a nova administração enfrentará desafios semelhantes. Reduzir ainda mais os gastos sociais para priorizar a defesa será politicamente delicado.

Dívida e financiamento europeu

Outra possibilidade seria recorrer ao endividamento, ampliando déficits e ajustando as regras fiscais do bloco. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, sugeriu uma “cláusula de escape” para investimentos em defesa, mas isso exigiria uma nova reforma, potencialmente controversa. Além disso, a Alemanha já indicou que qualquer exceção orçamentária só se aplicaria a países que gastam mais de 2% do PIB em defesa, o que excluiria nações como Itália e Espanha.

A terceira alternativa seria criar um fundo de defesa financiado pela UE, seguindo o modelo do fundo de recuperação de €806 bilhões adotado durante a pandemia. O bloco assumiria dívidas a serem pagas com recursos do orçamento europeu. No entanto, essa proposta enfrentaria obstáculos políticos, pois exigiria unanimidade entre os membros da UE. Países como Hungria e Eslováquia, que mantêm laços estreitos com a Rússia, poderiam bloquear a iniciativa. Além disso, a questão de como e onde esse dinheiro seria investido geraria novos debates.

Decisão urgente

Para preencher a lacuna de 1,9% do PIB, a Europa precisará adotar uma abordagem combinada. Os governos nacionais poderiam reduzir outras despesas e aumentar o orçamento de defesa em 0,3% do PIB ao ano, enquanto o restante poderia vir de novos déficits nacionais e da emissão de dívida pela UE. Isso teria impacto direto no próximo ciclo orçamentário de sete anos do bloco.

Diante desse cenário, líderes como Macron e Merz precisarão defender cortes em subsídios agrícolas e em programas sociais para garantir maior integração fiscal na União Europeia. Sem isso, os apelos por autonomia estratégica continuarão sendo apenas retórica vazia.

Fonte: The Economist
Data: 27 de fevereiro de 2025

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Europa se prepara para enfrentar Trump https://www.ocafezinho.com/2025/02/03/europa-se-prepara-para-enfrentar-trump/ https://www.ocafezinho.com/2025/02/03/europa-se-prepara-para-enfrentar-trump/#respond Mon, 03 Feb 2025 20:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=201478 Líderes europeus prometem reagir às ameaças comerciais de Trump, enquanto buscam alternativas diplomáticas para evitar uma guerra comercial que pode prejudicar ambas as economias


Os líderes da União Europeia prometeram retaliar contra possíveis tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, alertando que ambos os lados seriam prejudicados por uma guerra comercial. Trump afirmou que “absolutamente” aplicará restrições comerciais à Europa, após anunciar tarifas contra a China, o Canadá e o México no fim de semana. No entanto, ele ainda não detalhou quais medidas poderiam ser tomadas ou quando entrariam em vigor.

“Se formos atacados em questões comerciais, a Europa, como uma potência que se considera tal, terá que se fazer respeitar e, portanto, reagir,” disse o presidente francês Emmanuel Macron na segunda-feira.

A União Europeia tem o maior déficit comercial com os EUA, algo que Trump criticou repetidamente. O presidente americano também exigiu que as capitais europeias aumentem significativamente os gastos com defesa ou arrisquem perder as garantias de segurança dos EUA, que sustentam a defesa do continente desde a Segunda Guerra Mundial.

Macron, ao discursar no início de uma cúpula de líderes da UE e da Otan que debaterá questões transatlânticas e financiamento da defesa, disse que a Europa deve promover produtos domésticos para fortalecer sua posição comercial: “É decidindo comprar e preferir produtos europeus que [a Europa] será mais independente. É muito simples.”

A Comissão Europeia, que representa o bloco de 27 países no comércio, preparou possíveis medidas retaliatórias que poderiam ser usadas caso Trump imponha tarifas. Eles mantiveram os detalhes em segredo para evitar provocar ainda mais o presidente americano.

“Estávamos ouvindo atentamente [as palavras de Trump] e, é claro, também estamos nos preparando do nosso lado,” disse a principal diplomata da UE, Kaja Kallas, ao chegar à cúpula.

Dois oficiais da UE informados sobre os preparativos disseram que um planejamento contingencial significativo está em andamento. “Estamos prontos para agir, se necessário,” disse um deles.

O chanceler alemão Olaf Scholz afirmou que “como uma área econômica forte, podemos moldar nossos próprios assuntos e também podemos responder a políticas tarifárias com políticas tarifárias.”

Uma guerra comercial seria “ruim para os EUA e ruim para a Europa,” disse Scholz. No entanto, ele também tentou minimizar os efeitos de tal conflito, afirmando que a Europa poderia renovar esforços para firmar mais acordos de livre comércio com outras partes do mundo.

Outros líderes da UE enfatizaram a necessidade de continuar dialogando com Trump para evitar que medidas de retaliação mútua se transformem em uma guerra comercial.

“Temos que negociar com Trump… esta é uma das questões mais importantes hoje,” disse o primeiro-ministro finlandês Petteri Orpo. “Não vou começar uma guerra. Quero iniciar negociações.”

O chanceler austríaco Alexander Schallenberg destacou que, embora os EUA tenham um déficit comercial em bens com a UE, o bloco europeu tem um “déficit em serviços” com os EUA. “Então, deveríamos ser capazes de chegar a um acordo nesse ponto.”

O presidente lituano Gitanas Nausėda sugeriu que a Europa deveria buscar uma “agenda econômica positiva” com os EUA em vez de “lutar entre si” no comércio. Ele propôs comprar mais armas e gás natural liquefeito dos EUA.

“Temos que propor algo que possa ser interessante e atraente para os Estados Unidos, como acordos de livre comércio na indústria automotiva ou como comprar mais recursos energéticos,” disse ele.

Com informações de Financial Times*

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