desenvolvimento sustentável - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/desenvolvimento-sustentavel/ Portal de noticias e análises sobre política brasileira, geopolítica, economia, tecnologia, sempre numa perspectiva democrática, progressista, anti-imperialista e multipolar! Mon, 26 Jan 2026 16:47:49 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://www.ocafezinho.com/wp-content/uploads/2015/10/cropped-Logo_Cafezinho_tmb-32x32.png desenvolvimento sustentável - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/desenvolvimento-sustentavel/ 32 32 Maricá, cidade do Rio amplia presença global em 2026 https://www.ocafezinho.com/2026/01/26/marica-cidade-do-rio-amplia-presenca-global-em-2026/ https://www.ocafezinho.com/2026/01/26/marica-cidade-do-rio-amplia-presenca-global-em-2026/#comments Mon, 26 Jan 2026 16:47:43 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=225033 1 Comentário 🔥]]> Participação na maior feira de turismo da Espanha rende acordos, visibilidade internacional e articulações que posicionam Maricá como destino estratégico em crescimento

A participação de Maricá na FITUR 2026, uma das maiores feiras de turismo do mundo, realizada em Madri, na Espanha, foi marcada por resultados importantes e avanços para o futuro do município. Ao longo dos dias dedicados aos profissionais do setor, a cidade fortaleceu sua projeção internacional, firmou parcerias estratégicas e apresentou projetos estruturantes voltados à infraestrutura turística, à cultura e ao desenvolvimento econômico sustentável.

Durante a feira, o estande de Maricá recebeu a visita do ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, e do presidente da Embratur, Marcelo Freixo. Ambos puderam ver de perto as iniciativas desenvolvidas pelo município para a promoção da cidade como destino turístico.

Entre os principais destaques da FITUR está a assinatura do termo relacionado ao Complexo Maraey, considerado um dos maiores projetos turísticos da América Latina. O empreendimento representa um marco para a geração de empregos, atração de investimentos e terá profissionais qualificados pela Universidade de Lausanne, da Suíça, após acordo também oficializado no evento.

O prefeito Washington Quaquá destacou o impacto direto das agendas cumpridas durante a feira. “Nossa participação na FITUR foi muito importante para Maricá. Firmamos a parceria com o Complexo Maraey, o maior projeto turístico da América Latina, e com a Universidade de Lausanne, além de avançarmos na atração de investimentos que vão gerar emprego e desenvolvimento para a cidade”, afirmou.

O presidente da MARÉ (Maricá, Arte, Roteiros e Experiências), Antonio Grassi, avaliou de forma positiva a presença da cidade na feira. “O balanço da participação de Maricá na FITUR é muito positivo. A feira fortalece nossa imagem internacional e amplia o alcance do calendário de eventos e dos projetos culturais e turísticos do município”, disse.

O secretário de Turismo de Maricá, José Alexandre, acredita que a participação em mais uma edição da feira amplia o diálogo maricaense no mercado internacional. “Estar novamente na FITUR é fundamental para consolidar Maricá como um destino turístico em crescimento, ampliando nosso diálogo com o mercado internacional e apresentando o potencial da cidade para novos investimentos”, destacou.

Parcerias entre Maricá e Cuba

No primeiro dia da FITUR, o prefeito Washington Quaquá se reuniu com o ministro do Turismo de Cuba, Juan Carlos García Granda, para a discussão de parcerias entre Maricá e Cuba, com o objetivo de fortalecer o turismo e a cultura. Entre os temas abordados, esteve a proposta de permitir que a Companhia Maricá Alimentos (AMAR) comercialize seus produtos nos hotéis cubanos, promovendo os produtos maricaenses em âmbito internacional.

O presidente da AMAR, Marlos Costa, destacou que a companhia vive um momento de crescimento e projeção. “A Companhia Maricá Alimentos está em fase de estruturação e ampliação da produção, ao mesmo tempo em que busca novos mercados. Esse movimento acontece em um momento em que o Brasil está em grande evidência no turismo internacional, o que abre oportunidades importantes para levar nossos produtos a outros países”, ressaltou.

Maricá como destino de investimentos

A agenda internacional de Maricá na FITUR também incluiu encontros institucionais com o embaixador do Brasil na Espanha, Luiz Alberto Figueiredo, em uma recepção realizada a convite do embaixador para o ministro do Turismo, Gustavo Feliciano. Dentro dessa programação, Maricá foi apresentada como destino estratégico para investimentos, cooperação internacional e desenvolvimento turístico sustentável.

A FITUR 2026 encerrou seus três primeiros dias com acesso exclusivo a profissionais do setor e, neste fim de semana, abre suas portas também ao público geral, recebendo viajantes interessados em destinos turísticos de todo o mundo. Com a participação de 161 países, sendo 111 com representação oficial, a feira amplia o alcance das ações promovidas por Maricá, que tem como objetivo se colocar como um destino em ascensão no cenário internacional do turismo.

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Plano da CNI para a Amazônia projeta R$ 40 bilhões no PIB e geração de 312 mil empregos https://www.ocafezinho.com/2025/11/10/plano-da-cni-para-a-amazonia-projeta-r-40-bilhoes-no-pib-e-geracao-de-312-mil-empregos/ https://www.ocafezinho.com/2025/11/10/plano-da-cni-para-a-amazonia-projeta-r-40-bilhoes-no-pib-e-geracao-de-312-mil-empregos/#respond Mon, 10 Nov 2025 19:51:29 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=220949 Um novo plano elaborado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que, ao posicionar a Amazônia como “motor do desenvolvimento sustentável” do país, o Brasil pode gerar 312 mil novos postos de trabalho e injetar R$ 40 bilhões na economia. As projeções fazem parte do SB COP Legacy Report, documento que sintetiza os resultados da iniciativa Sustainable Business COP (SB COP), lançada pela CNI em 2025.

O relatório será apresentado em detalhes nesta segunda-feira (10) no estande da entidade durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), que acontece em Belém (PA).

A iniciativa reuniu oito grupos de trabalho, que abordaram temas como bioeconomia, transição energética, finanças verdes, empregos sustentáveis, saúde e contabilidade de carbono (carbon accounting). O objetivo foi mapear soluções já em prática no setor privado e traçar um caminho viável para escalar essas ações em nível nacional e global.

De acordo com a CNI, a SB COP conseguiu mobilizar mais de 40 milhões de empresas em 60 países e compilou mais de 600 casos considerados bem-sucedidos, usados como base para demonstrar que modelos de negócios sustentáveis são economicamente viáveis.

A divulgação do relatório ocorre em um momento de tensão no cenário climático internacional, marcado por metas não cumpridas e desconfiança no multilateralismo. Diante desse contexto, o setor privado busca assumir um papel mais ativo na implementação das metas globais de combate às mudanças climáticas.

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Ferrovia e Prosperidade Nacional https://www.ocafezinho.com/2025/11/03/ferrovia-e-prosperidade-nacional/ https://www.ocafezinho.com/2025/11/03/ferrovia-e-prosperidade-nacional/#respond Tue, 04 Nov 2025 00:16:44 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=220406 Por José Manoel Ferreira Gonçalves


O freio no progresso nacional

O Brasil se encontra, mais uma vez, diante de um divisor de águas. A paralisação do projeto da Ferrogrão — infraestrutura vital para escoar a produção agrícola do Centro-Oeste ao Norte do país — impôs um pesado fardo à economia nacional. Durante anos, a decisão monocrática de um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), atendendo a pressões políticas isoladas, travou o avanço de um dos modais logísticos mais importantes para a competitividade do agronegócio.

Com a recente retomada do julgamento no STF, reacende-se a esperança de que a racionalidade finalmente prevaleça sobre o impasse jurídico e ideológico que impediu o Brasil de gerar empregos, aumentar sua arrecadação e oferecer alimentos mais baratos para a própria população.

Tecnologia Avançada Inovação

O cenário atual expõe o paradoxo do desenvolvimento nacional. O Mato Grosso, por exemplo, alcançou a maior colheita de soja da história, superando 45 milhões de toneladas. No entanto, grande parte dessa produção escoa por rodovias congestionadas, em caminhões que rodam por milhares de quilômetros. Isso significa mais acidentes, mais emissões de carbono e custos logísticos muito maiores que os de países concorrentes, como Estados Unidos e Argentina.

A Ferrogrão surge como resposta direta a esse gargalo logístico. Com cerca de mil quilômetros de extensão entre Sinop (MT) e o porto de Miritituba (PA), o projeto promete reduzir em até 30% o custo do transporte, além de diminuir significativamente a emissão de poluentes e o tráfego pesado nas estradas. Trata-se de uma solução de tecnologia avançada inovação, que alia eficiência, sustentabilidade e modernidade.

Mais que uma ferrovia, uma virada de chave

Segundo estimativas do setor produtivo, a liberação da Ferrogrão pode atrair até R$ 21 bilhões em investimentos privados, gerar 10 mil empregos diretos e transformar radicalmente a logística agrícola brasileira. A ferrovia não apenas encurta distâncias físicas — ela encurta o tempo do atraso, o custo do desperdício e a distância entre o potencial produtivo do Brasil e sua real capacidade competitiva.

O que está em jogo, portanto, vai muito além de trilhos e trens: trata-se da decisão entre manter-se no atraso ou abrir caminho para uma nova fase de desenvolvimento sustentável e inteligente. Afinal, ao paralisar a obra, o Brasil comprometeu sua própria soberania alimentar, energética e econômica.

Tecnologia Avançada Inovação

Em plena era da informação, é inaceitável que decisões técnicas e estratégicas sejam engessadas por narrativas ideológicas e interesses partidários. O país precisa urgentemente retomar a racionalidade no debate público e no campo das decisões judiciais, priorizando o interesse coletivo.

A Ferrogrão representa um passo firme na direção certa — uma solução que emprega tecnologia avançada inovação para resolver um problema estrutural do país. Não se trata de negligenciar o meio ambiente, mas sim de integrá-lo de forma responsável ao desenvolvimento nacional. O que não se pode mais aceitar é a penalização do produtor, do consumidor e do Brasil como um todo, em nome de um discurso que ignora a realidade dos fatos.

O momento de virar a página

A decisão do STF, portanto, carrega peso histórico. É chegada a hora — já passou, como bem observou o editorial do Grupo Bandeirantes. A hora de destravar o futuro e liberar o Brasil de um passado de inércia e decisões descoladas da realidade produtiva.

A Ferrogrão não é apenas uma ferrovia; é um símbolo do Brasil que queremos: eficiente, competitivo, moderno e justo. Se a Justiça deseja cumprir seu papel constitucional, que olhe para os trilhos da razão e da responsabilidade com a nação.


*José Manoel Ferreira Gonçalves é Engenheiro Civil, Advogado, Jornalista, Cientista Político e Escritor. Pós-doutor em Sustentabilidade e Transportes (Universidade de Lisboa). É fundador e presidente da FerroFrente e da Associação Água Viva, coordenador do Movimento Engenheiros pela Democracia (EPD) é um dos fundadores do Portal de Notícias Os Inconfidentes, comprometido com pluralidade e engajamento comunitário.

Declaração de Fontes: “As informações contidas neste artigo foram obtidas a partir de fontes confiáveis e verificadas, como IBGE, Ministério da Infraestrutura, CNA, Aprosoja, Grupo Bandeirantes e editoriais de jornais de circulação nacional.”

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A China e o 15º Plano Quinquenal: o socialismo alcança um novo patamar https://www.ocafezinho.com/2025/10/24/a-china-e-o-15o-plano-quinquenal-o-socialismo-alcanca-um-novo-patamar/ https://www.ocafezinho.com/2025/10/24/a-china-e-o-15o-plano-quinquenal-o-socialismo-alcanca-um-novo-patamar/#respond Fri, 24 Oct 2025 13:52:43 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=219822 Por Elias Jabbour, professor associado da Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Após quatro dias de discussão, encerrou-se no dia 23 passado a 4ª Sessão Plenária do 20º Comitê Central do Partido Comunista da China (PCCh). Tratou-se de um encontro onde um grande tema, que afeta diretamente não somente os destinos da China, mas de todo o mundo, foi tratado. Refiro-me às propostas para o 15º Plano Quinquenal a ser iniciado em 2026. Nunca na história das experiências socialistas um plano quinquenal foi tão aguardado pelo público especializado e por governos.

Ora, em seu tempo, a União Soviética (nação que inaugurou, em 1928, a era dos “planos quinquenais”) era um país praticamente isolado e com muito pouco contato com o mundo capitalista. Até as reformas econômicas de 1978, a China vivia situação semelhante, que foi mudando ao longo do tempo.

Hoje, a China é o maior exportador e o segundo maior importador do mundo, um dos principais provedores de crédito líquido do mundo e o mais importante parceiro comercial de mais de 160 países. Ou seja, o futuro de sua economia influencia diretamente as estruturas de oferta e demanda de todo o mundo.

O atual e mais importante passo, o de se tornar líder mundial em tecnologias sensíveis e, simultaneamente, alcançar a autossuficiência econômica e tecnológica, é um marco para toda a humanidade e o Sul Global. Um país que se encontrava em situação de extrema pobreza em 1949, hoje desponta como a nação que deverá quebrar o monopólio do poder ocidental em matéria de ciência, tecnologia e inovação.

Após a eliminação da pobreza extrema, marca fundamental do 14º Plano Quinquenal, a China tem a oportunidade de mostrar novamente a superioridade do socialismo sobre o capitalismo, sob a forma de uma nação autossuficiente, poderosa e com base material em franca expansão, como pressuposto fundamental à continuidade da melhoria das condições de vida de sua população.

Os planos quinquenais são um instrumento que tem passado por grandes transformações ao longo das décadas. Por um lado, trata-se de um instrumento fundamental da governança socialista. Sim, Deng Xiaoping tinha razão ao dizer que o mercado não era um instrumento exclusivo do capitalismo, nem tampouco o planejamento era do socialismo. Mas o fato é que o planejamento é um atributo fundamental do socialismo. É por esse instrumento que o ser humano se tem habilitado a escrever a história de acordo com suas vontades e necessidades.

A China tem demonstrado, em oposição à decadência econômica e social nos países ocidentais, que o planejamento e seu marco institucional, os “planos quinquenais”, foi o maior fato econômico do século XX e continua a ser no século XXI.

Os resultados do 14º Plano Quinquenal foram notáveis, levando em consideração a tentativa de bullying tecnológico contra a China por parte dos Estados Unidos e a crescente instabilidade internacional.

Vejamos alguns desses resultados: 1) o PIB da China aumentou de 103,5 trilhões de yuans em 2020 para cerca de 134,9 trilhões de yuans em 2024, com uma taxa média anual de crescimento real de 5,5%, consolidando-se como a segunda maior economia do mundo; 2) a China intensificou investimentos em pesquisa e desenvolvimento (P&D), tornando-se uma das líderes mundiais em inteligência artificial, semicondutores, energia renovável, veículos elétricos e exploração espacial; 3) o país deu grandes passos rumo à neutralidade de carbono até 2060, expandindo o uso de energia solar e eólica e reduzindo a intensidade de carbono do PIB; 4) o emprego entre pessoas retiradas da pobreza permaneceu acima de 30 milhões, e mais de 6 milhões de pessoas em risco receberam apoio direcionado para evitar o retorno à pobreza.

As decisões tomadas pela 4ª sessão plenária do 20º Comitê Central do PCCh deixam muitas pistas para desvendarmos o que será da China nos próximos cinco anos. Por exemplo, aprofundar a reforma é um tema recorrente, na medida em que a economia chinesa deve ter uma postura de prontidão ante o cenário internacional, ampliando e solidificando seu sistema industrial. O caminho da autossuficiência é evidente. Transformar a China em uma potência científica e tecnológica e líder no desenvolvimento de novas forças produtivas de qualidade é um imperativo existencial ao país.

O desenvolvimento de alta qualidade deve ser ponto central na medida em que a China se compromete em se tornar uma economia de carbono zero e hoje ocupa a fronteira tecnológica em todas as cadeias produtivas relacionadas à transição energética. Em outras palavras, é dar concretude ao ideal de uma China “verde” e “bela”. O desenvolvimento da agricultura também segue a lógica da busca pela soberania, neste caso, da soberania alimentar. Novas ondas de reformas nas estruturas de produção e propriedade na agricultura chinesa deverão ser inauguradas, em sintonia com um processo de urbanização único na história humana. A síntese desse movimento entre campo e cidade está na elevação da planificação a um outro nível, integrando de forma segura as economias rurais e urbanas e promovendo o desenvolvimento urbano sem as contradições presentes em grandes metrópoles do mundo capitalista.

Certamente após o final do 15º Plano Quinquenal, o socialismo chinês entrará em um patamar superior de edificação. Um patamar jamais sonhado pelos clássicos do marxismo, mas que está prestes a se tornar realidade aos olhos de todos os amantes da paz e do progresso no mundo todo.


O Texto foi escrito em colaboração com o Grupo de Mídia da China

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Brics aposta no Brasil com pacote bilionário https://www.ocafezinho.com/2025/07/05/brics-aposta-no-brasil-com-pacote-bilionario/ https://www.ocafezinho.com/2025/07/05/brics-aposta-no-brasil-com-pacote-bilionario/#respond Sat, 05 Jul 2025 22:50:31 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=212100 O Banco do Brics aprovou 29 projetos no Brasil, com foco em energia limpa, transporte e inovação, somando US$ 7 bilhões em uma nova estratégia de futuro

O Rio de Janeiro foi cenário, neste sábado (5), de um anúncio que pode transformar o futuro da infraestrutura e do desenvolvimento sustentável no Brasil. Durante um encontro promovido pelos BRICS — bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul —, a presidente do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), Dilma Rousseff, revelou a aprovação de 29 projetos estratégicos para o país, com investimentos que somam impressionantes US$ 7 bilhões.

O NBD, também conhecido como Banco do BRICS, tem direcionado esforços para financiar iniciativas que fortaleçam setores essenciais da economia brasileira. “O conselho de diretores aprovou 29 projetos para o Brasil, totalizando US$ 7 bilhões”, afirmou Dilma, durante o evento. Ela destacou ainda que “o total de desembolso já alcançou R$ 4 bilhões, representando 18% do total liberado pelo banco”.

Atualmente, o portfólio ativo do NBD no Brasil chega a R$ 2,3 bilhões, aplicados em áreas como:

  • Energia limpa
  • Transporte sustentável
  • Saneamento básico
  • Inovação tecnológica

Esses investimentos refletem uma estratégia clara: alavancar um crescimento econômico que seja, ao mesmo tempo, robusto e inclusivo.

Expansão e fortalecimento do Sul Global

Além dos projetos brasileiros, Dilma ressaltou que o banco está empenhado em ampliar sua base de membros de forma estratégica. O objetivo é consolidar o NBD como uma instituição representativa do chamado Sul Global — termo que abrange nações em desenvolvimento em busca de maior autonomia no cenário internacional.

Outra prioridade é a diversificação das fontes de financiamento, com captação em moedas locais para reduzir a dependência do dólar e minimizar os impactos das oscilações cambiais. “Estamos buscando maior liquidez e condições mais favoráveis para os países membros”, explicou Dilma, reforçando o papel do banco como um aliado anticíclico em meio às incertezas da economia global.

A escolha da capital fluminense para sediar o evento não foi por acaso. O Rio tem se consolidado como um hub de diálogo internacional, atraindo discussões que moldam o futuro da cooperação entre países emergentes. O anúncio feito por Dilma não só consolida o Brasil como um ator-chave nessas relações, mas também evidencia a importância das parcerias Sul-Sul — baseadas em soberania, desenvolvimento autônomo e colaboração horizontal.

Um novo caminho para o desenvolvimento

Esta nova fase do NBD vai além dos números. Ela representa uma mudança de paradigma na cooperação internacional, priorizando justiça, equidade e independência geopolítica. Para o Brasil, significa acesso a recursos e parcerias que reduzem a dependência de instituições tradicionais, predominantemente sediadas no Norte global.

Em um mundo marcado por instabilidade econômica, crise climática e tensões geopolíticas, o fortalecimento do Banco do BRICS surge como uma alternativa viável — e necessária — para nações que buscam um futuro mais justo e multipolar.

O Brasil, com sua capacidade de articulação e agora com investimentos bilionários em jogo, está pronto para escrever um novo capítulo nessa história.

Com informações de CNN

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Lula sobre a preservação dos oceanos: ‘Ou agimos ou o planeta corre risco’ https://www.ocafezinho.com/2025/06/08/lula-sobre-a-preservacao-dos-oceanos-ou-agimos-ou-o-planeta-corre-risco/ https://www.ocafezinho.com/2025/06/08/lula-sobre-a-preservacao-dos-oceanos-ou-agimos-ou-o-planeta-corre-risco/#respond Sun, 08 Jun 2025 18:03:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=210321 No Dia Mundial dos Oceanos, presidente discursa no encerramento do Fórum de Economia e Finanças Azuis, em Mônaco, cita a omissão dos países ricos com o financiamento do desenvolvimento sustentável e aponta caminhos para a solução da questão

Na sequência dos compromissos oficiais na Europa, o presidente Lula participou neste domingo (8/6) do encerramento do Fórum de Economia e Finanças Azuis, em Mônaco. O evento se conecta à Terceira Conferência das Nações Unidas sobre os Oceanos, que será realizada em Nice, na França, de 9 a 13 de junho, e também contará com a presença do presidente.

Em 2024, países ricos reduziram em 7% a assistência oficial ao desenvolvimento. Suas despesas militares, em contrapartida, aumentaram 9,4%. Isso mostra que não falta dinheiro. O que falta é vontade política”, disse o presidente

No contexto do Dia Mundial dos Oceanos, o líder brasileiro enfatizou a necessidade de a comunidade internacional se voltar para a efetiva conservação e uso sustentável dos recursos marinhos, prevista no Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 14 da Agenda 2030. “Ou agimos ou o planeta corre risco”, resumiu.

Confira a íntegra do discurso do presidente Lula

Lula lembrou que pelo mar trafegam mais de 80% do comércio internacional. “Se fosse um país, o oceano ocuparia a quinta posição entre as maiores economias do mundo. Ele gera anualmente 2,6 trilhões de dólares. Seu leito guarda recursos naturais inestimáveis”, afirmou o presidente, para em seguida indicar o contraponto que exige atenção mundial. “O ODS 14 é um dos objetivos com menor financiamento de toda a Agenda 2030. O déficit para sua implementação é estimado em 150 bilhões de dólares por ano. Recursos insuficientes constituem um problema crônico de várias iniciativas multilaterais”.

Ator central

Com quase 8 mil km de costa, o Brasil é ator central nos temas oceânicos. Abriga rica biodiversidade marinha e costeira, além de comunidades tradicionais que dependem diretamente dos oceanos. Neste ano, o país recebe a COP 30, em Belém (PA), que também tem como missão reverter a falta de compromisso internacional com as promessas de financiamento para evitar o aquecimento global acima de 1,5º celsius. O limite é apontado pela comunidade científica como essencial para evitar problemas ainda maiores em função da mudança do clima.

Vontade

“No ano passado, saímos da COP de Baku com resultados aquém do esperado. Para reverter esse quadro, a presidência brasileira da COP 30 e o Azerbaijão estão construindo o mapa do caminho Baku-Belém”.

Consequências desiguais

As consequências dessa omissão, segundo o presidente, repercutem de forma mais dramática nas nações em desenvolvimento. “Dos 33 países da América Latina e Caribe, 23 possuem maior território marítimo do que terrestre. A África detém 13 milhões de quilômetros quadrados de território marítimo. Isso equivale à soma do território continental da União Europeia e dos Estados Unidos. Tornar a economia azul mais forte, diversa e sustentável contribui para a prosperidade do mundo em desenvolvimento”, disse o presidente, ao lembrar que a temática foi uma das prioridades da presidência brasileira do G20, em 2024.

Busca de soluções

Lula apontou caminhos para uma possível solução, conectada a mudanças de perspectiva nas instituições multilaterais e em seus órgãos financiadores. “As instituições financeiras internacionais têm papel central. Insistimos na necessidade de contar com bancos multilaterais melhores, maiores e mais eficazes. Instrumentos como a troca de dívida por desenvolvimento e a emissão de direitos especiais de saque podem mobilizar recursos valiosos”, indicou.

Exemplo

Para Lula, a adoção pela Organização Marítima Internacional de metas vinculantes para zerar emissões de carbono na navegação até 2050 é uma iniciativa promissora, por potencializar a demanda por energias renováveis. Mas faltaria, ainda, ação semelhante para acabar com a poluição por plástico nos oceanos e avançar na ratificação do novo tratado para a biodiversidade nas águas internacionais.

Brics

Além de enfatizar a discussão no G20 e no contexto da COP 30, o Brasil pretende expandir o debate sobre desenvolvimento sustentável para a Cúpula do Brics, que o país recebe em julho, no Rio de Janeiro. Lula lembrou que o Novo Banco de Desenvolvimento do Brics expandiu o foco em financiamento climático, com mais de 2,6 bilhões de dólares para água e saneamento.

Dever de casa

O presidente apontou, ainda, caminhos adotados pelo Brasil. Indicou que o país aposta na união entre investimentos públicos e privados. Citou a Bolsa Verde, que transfere renda a mais de 12 mil famílias que ajudam a preservar unidades de conservação marinhas. Apontou a carteira de mais de 70 milhões de dólares dedicada à economia azul no BNDES, com ênfase em projetos que se pautam pela conservação.

Mutirão

“Financiamos projetos de planejamento espacial marinho, conservação costeira e descarbonização da frota naval e infraestrutura portuária. Estamos recuperando manguezais e recifes de coral, investindo na pesca sustentável e na gestão de recursos hídricos”, listou Lula. Ele aproveitou a oportunidade para cobrar do mundo um mutirão, palavra indígena que simboliza a mobilização de esforços em torno de um bem comum.

“O planeta não aguenta mais promessas não cumpridas. Não há saída isolada para os desafios que requerem ação coletiva”, afirmou

Agenda

Ao longo deste domingo, o presidente Lula tem uma série de compromissos oficiais. Antes de discursar no encerramento do Fórum de Economia e Finanças Azuis, teve encontro com o Príncipe de Mônaco, Alberto II. Na sequência das atividades, almoçou com o presidente do Conselho Europeu, António Costa, e tem reuniões previstas com a diretora-geral da Unesco, Audrey Azoulay, e com o presidente do Benim, Patrice Talon.

Publicado originalmente pela Agência Gov em 08/06/2025

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Lula: ‘Devemos o que somos, nossa cor, nossa arte, cultura e jeito de ser, ao continente africano’ https://www.ocafezinho.com/2025/05/20/lula-devemos-o-que-somos-nossa-cor-nossa-arte-cultura-e-jeito-de-ser-ao-continente-africano/ https://www.ocafezinho.com/2025/05/20/lula-devemos-o-que-somos-nossa-cor-nossa-arte-cultura-e-jeito-de-ser-ao-continente-africano/#respond Tue, 20 May 2025 22:30:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=209140 Presidente participou, ao lado de ministros de Agricultura da União Africana, do II Diálogo Brasil-África sobre Segurança Alimentar, Combate à Fome e Desenvolvimento Rural

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou nesta segunda-feira (19/5) no Palácio Itamaraty, em Brasília, com ministros da Agricultura da União Africana, da abertura do II Diálogo Brasil-África sobre Segurança Alimentar, Combate à Fome e Desenvolvimento Rural, que acontece até a próxima quinta-feira (22).

O evento visa fortalecer as relações do Brasil com países africanos e promover a cooperação baseada na solidariedade e no desenvolvimento sustentável, e reúne delegações oficiais de países africanos, além de representantes de organizações internacionais, bancos multilaterais de desenvolvimento, instituições de pesquisa, organizações e cooperativas da agricultura familiar e entidades do setor privado. O encontro busca, ainda, identificar oportunidades de investimento no setor agropecuário e discutir políticas públicas eficazes contra a fome e a pobreza.

Durante seu discurso, Lula destacou a prioridade da política externa brasileira em relação à África, refletindo laços históricos e interesses convergentes. “Precisamos produzir alimentos e sensibilizar o resto do mundo, criando um processo de indignação na mente das pessoas. Não é possível a gente se conformar que, na primeira metade do século 21, existam 730 milhões de pessoas passando fome. É uma marca que não podemos esquecer”, ressaltou o presidente.

De acordo com Lula, muitas vezes a fome é causada porque aqueles que governam o país não colocam seu combate como prioridade. “Temos condições de mudar isso e determinar uma prioridade: para quem eu quero governar, quem eu preciso atender, a quem o Estado deve servir? Essa é uma decisão que somente nós, governantes, precisamos tomar”, disse.

É triste saber que o mundo gastou US$ 2,4 trilhões em armamentos, no ano passado, e não teve a coragem de gastar isso ensinando as pessoas a acabar com a fome”, lamentou Lula

Em relação à África, o presidente disse que o Brasil tem uma dívida histórica com o continente. “Devemos o que nós somos, a nossa cor, a nossa arte, a nossa cultura, o nosso jeito de ser, ao continente africano. O Brasil não pode pagar isso em dinheiro, isso não pode ser mensurado em dinheiro. Mas podemos pagar em solidariedade e em transferência de tecnologia, para que vocês possam produzir parte daquilo que nós produzimos”, declarou aos ministros da Agricultura presentes à abertura do II Diálogo Brasil-África sobre Segurança Alimentar, Combate à Fome e Desenvolvimento Rural.

“O Brasil pode ajudar, tem como ajudar. Basta que a gente assuma a responsabilidade de tratar vocês com o carinho e respeito que merecem. E saibam que, com a existência das mais modernas técnicas, não tem mais terra improdutiva em lugar nenhum do mundo. Sejam bem-vindos, tirem proveito da visita. Desse momento tem que sair algo diferente”, aconselhou.

Cooperação

O embaixador Mauro Vieira, ministro das Relações Exteriores, concluiu seu discurso dizendo que para o Brasil as questões africanas não são observadas à distância. “Temos reforçado os vínculos com cada um dos países africanos, em uma cooperação orientada pela solidariedade e respeito mútuos. A expressiva participação de representantes do continente africano no II Diálogo exemplifica a força do Sul Global, num cenário impactado pelas mudanças climáticas”, salientou.

O ministro afirmou, ainda, que espera que as visitas de campo em Brasília e Petrolina (PE) possam inspirar novas iniciativas de cooperação entre o Brasil e os países africanos. “Nos últimos anos, por meio da Agência [Brasileira] de Cooperação, do Ministério das Relações Exteriores, fomos para países africanos em diversas frentes. E temos incentivado a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, que já reuniu mais de 180 membros, dos quais 20 são países africanos. Reafirmo a disposição do Brasil em cooperar com os países africanos, de acordo com a realidade de cada país”.

Delegação Africana

A vice-primeira-ministra do reino de Essuatíni, Thulisile Dladla, representou as delegações africanes e afirmou que a convocação para o II Diálogo reflete o compromisso duradouro do Brasil com o Sul Global. “Agradeço a hospitalidade do governo brasileiro ao receber nossas delegações desde que aterrissamos em seu bonito país. O evento aborda a cooperação Sul-Sul, numa história compartilhada entre Brasil e África, com solidariedade pós-colonialismo e a busca constante por justiça. Compartilhamos um legado que mostra nossa resiliência”, disse.

“A necessidade de fortalecer a agricultura familiar e a agricultura de subsistência é urgente, já que sofremos com mudança climática e crise econômica, que afetam nossos agricultores. Quero reafirmar nosso compromisso em torno desse diálogo, testemunho do engajamento e da liderança do Brasil contra a fome e por uma agricultura sustentável. Assumo o compromisso da nossa cooperação para garantir que toda família tenha comida e abrigo. Que isso renda resultados positivos para o nosso povo e planeta”, garantiu Dladla.

19.05.2025 – Reunião com Ministros de Agricultura da União Africana

Intercâmbio de Conhecimentos

O Diálogo ocorre após o sucesso da primeira edição, realizada em 2010, e tem como objetivo principal promover o intercâmbio de conhecimentos e experiências bem-sucedidas para aprofundar a cooperação do Brasil com a África e fortalecer a produção alimentar local nos países africanos. Busca, além disso, favorecer a reflexão sobre as experiências brasileiras no setor agrícola à luz das observações das delegações africanas.

O encontro reunirá mais de 40 delegações de países africanos, além de representantes de organismos internacionais, de bancos multilaterais de desenvolvimento, instituições de pesquisa, organizações e cooperativas da agricultura familiar e entidades do setor privado.

Programação

A programação prevê visitas de campo no entorno de Brasília (20/5), abordando temas como agricultura familiar, sistemas de integração, saúde do solo, acervo genético de hortaliças, bioinsumos, reuso de esgoto e comercialização, e em Petrolina, no Vale do São Francisco (21/5), sobre tecnologias para convivência com a seca, rebanho resistente, agricultura irrigada e fruticultura tropicalizada.

Em 22/5, será realizado o “Diálogo de Alto Nível”, com painéis sobre sistemas agroalimentares sustentáveis e resilientes, pesquisa, desenvolvimento e inovação, Aliança Global Contra a Fome e a Pobreza e políticas públicas, e financiamento.

Objetivos

Entre os principais objetivos do II Diálogo estão incluídos: o compartilhamento de experiências em produção agropecuária e aquícola; a troca de conhecimentos e tecnologias; o debate sobre o papel das políticas públicas eficazes, como o PAA (Programa de Aquisição de Alimentos) e o PNAE (Programa Nacional de Alimentação Escolar); a discussão sobre pesquisa e inovação; a valorização da agricultura familiar e da sustentabilidade; a identificação de novas oportunidades de cooperação técnica; a exploração de alternativas de financiamento e investimentos; a apresentação dos objetivos da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza.

O evento propiciará fortalecimento da cooperação bilateral e multilateral, promoção do compartilhamento de conhecimentos adaptáveis e fomento de parcerias sustentáveis entre o Brasil e os países africanos.

Publicado originalmente pela Agência Gov em 19/05/2025

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https://www.ocafezinho.com/2025/05/20/lula-devemos-o-que-somos-nossa-cor-nossa-arte-cultura-e-jeito-de-ser-ao-continente-africano/feed/ 0
Brasil e Japão firmam acordo para cooperação em desenvolvimento sustentável https://www.ocafezinho.com/2025/03/25/brasil-e-japao-firmam-acordo-para-cooperacao-em-desenvolvimento-sustentavel/ Tue, 25 Mar 2025 18:38:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=205092 Memorando foi assinado pela ministra Marina Silva e o ministro japonês do Meio Ambiente, Keiichiro Asao, durante visita de Estado ao Japão

Os governos de Brasil e Japão firmaram, nesta terça-feira (25/3), memorando que busca fortalecer a cooperação técnica e financeira para a promoção do desenvolvimento sustentável nos países. O documento foi assinado pela ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, do lado brasileiro, e pelo ministro do Meio Ambiente, Keiichiro Asao, do lado japonês, na sede do Ministério do Meio Ambiente do Japão.

O ato ocorreu paralelamente à visita de Estado que celebra os 130 anos de amizade entre as nações e acontece de hoje a quinta-feira (27/3) com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de comitiva formada por 11 ministros, presidentes do Senado e Câmara dos Deputados, parlamentares e outras autoridades federais.

O memorando de cooperação abrange diversas áreas estratégicas, como ações para redução de emissões de gases de efeito estufa (mitigação) e adaptação à mudança do clima, incluindo sistemas de alerta precoce para eventos climáticos extremos; conservação da biodiversidade; combate à poluição; gestão sustentável de resíduos; promoção da economia circular; acesso a recursos genéticos e compartilhamento dos benefícios resultantes de sua utilização; meio ambiente marinho e gestão de ecossistemas florestais, costeiros e offshore .

Prevê, como instrumentos de execução da parceria, a realização de diálogos políticos, projetos conjuntos, pesquisas e estudos de viabilidade, compartilhamento de informações e organização de seminários e workshops.

“A assinatura do memorando fortalece a cooperação global para o enfrentamento à mudança do clima rumo à COP30 e as relações entre Brasil e Japão em setores importantes para os dois países, como as agendas de mitigação, adaptação, meio ambiente urbano, tecnologia e mecanismos inovadores de financiamento”, afirmou a ministra Marina Silva.

O acordo contribui para a implementação da “Iniciativa de Parceria Brasil-Japão sobre Meio Ambiente, Clima, Desenvolvimento Sustentável e Economias Resilientes”, lançada em maio de 2024 como resultado da visita oficial do então primeiro-ministro japonês Fumio Kishida ao Brasil. Reforça, ainda, o compromisso dos dois países com o cumprimento do Acordo de Paris, dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas e do Marco Global da Biodiversidade de Kunming-Montreal, promovendo soluções conjuntas para desafios ambientais globais como as crises do clima, perda de biodiversidade, desertificação e poluição.

Por meio do instrumento, Brasil e Japão também reafirmam a necessidade de que o desenvolvimento sustentável ocorra nas dimensões social, econômica e ambiental e reconhecem, como requisito indispensável nesse processo, a erradicação da pobreza em todas as suas formas.

Após a assinatura do memorando, Marina Silva e Keiichiro Asao realizaram reunião bilateral, em que discutiram pautas prioritárias para a COP30, financiamento climático, fortalecimento do multilateralismo e sinergias entre as Convenções sobre Mudança do Clima, Diversidade Biológica e Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca.

Agenda oficial

Pela manhã, a ministra Marina Silva participou, junto aos demais ministros, da Cerimônia de Boas-Vindas do Imperador Naruhito e da Imperatriz Masako ao presidente Lula e à comitiva brasileira no Palácio Imperial.

Após ouvir os hinos nacionais de Brasil e Japão e passar em revista as tropas, o presidente brasileiro, ao som de Aquarela do Brasil, escrita pelo compositor mineiro Ary Barroso, cumprimentou as delegações de ambas as nações. Em seguida, reuniu-se com o Imperador Naruhito no Palácio Imperial, mesmo local onde, na noite desta terça-feira, participa de jantar em sua homenagem. Na saída, o presidente ouviu a execução de “Asa Branca”, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira.

Apesar de ser a quinta visita de Lula ao Japão, esta é sua primeira visita de Estado. O Japão tem por tradição realizar apenas uma visita de Estado por ano. A última, contudo, ocorreu em 2019 com o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Desde então, em função da pandemia de Covid-19, não houve nenhuma. A relação entre Brasil e Japão foi elevada ao status de Parceria Estratégica Global em 2014, durante visita do então primeiro-ministro Shinzo Abe ao Brasil.

Publicado originalmente pela Agência Gov em 25/03/2025

Por MMA

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Íntegra de mais uma antológica coletiva de imprensa de Wang Yi, ministro de Relações Exteriores da República Popular da China https://www.ocafezinho.com/2025/03/10/integra-de-mais-uma-antologica-coletiva-de-imprensa-de-wang-yi-ministro-de-relacoes-exteriores-da-republica-popular-da-china/ Mon, 10 Mar 2025 14:20:59 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=203842

Em 7 de março de 2025, foi realizada uma coletiva de imprensa às margens da Terceira Sessão do 14º Congresso Nacional do Povo no Centro de Mídia, durante a qual o membro do Bureau Político do Comitê Central do CPC e Ministro das Relações Exteriores, Wang Yi, respondeu a perguntas da mídia chinesa e estrangeira sobre a política externa e as relações externas da China.

O vídeo legendado da coletiva pode ser visto abaixo. Em seguida, confira a nossa transcrição traduzida.

Wang Yi: Amigos da mídia, bom dia. Estou muito satisfeito por encontrá-los novamente. Obrigado por seu contínuo interesse e apoio à diplomacia da China. O ano de 2024 foi marcado por mudanças profundas no cenário internacional, bem como por um progresso notável na reforma e no desenvolvimento da China.

Sob a administração do Secretário Geral Xi Jinping, a China fez importantes progressos em sua diplomacia. Promovemos um bom ambiente externo para o desenvolvimento de alta qualidade da China, trouxemos a estabilidade tão necessária para um mundo turbulento e em transformação e demos novos e sólidos passos na construção de uma comunidade com um futuro compartilhado para a humanidade.

Este ano, a situação internacional ainda está cheia de desafios. Mas a missão da diplomacia da China permanece inalterada. Juntamente com outros países, continuaremos a defender o que é certo, a orientar a direção de nossa era, a defender a equidade e a justiça internacionais e a salvaguardar a paz e a estabilidade mundiais. Com isso, estou pronto para responder às suas perguntas.

Televisão Central da China: Você poderia nos falar sobre o que a diplomacia do chefe de estado da China alcançou no ano passado? Que destaques podemos esperar para o próximo ano?

Wang Yi: A diplomacia do chefe de estado é a forma mais elevada da diplomacia da China. No ano passado, o Presidente Xi Jinping planejou e conduziu pessoalmente a diplomacia de chefe de estado, e muitos resultados frutíferos foram alcançados. Muitos momentos maravilhosos ainda estão frescos em nossa memória. Os três eventos monumentais que a China sediou no ano passado, ou seja, a conferência que marcou o 70º aniversário dos Cinco Princípios de Coexistência Pacífica, a Cúpula de Pequim do Fórum de Cooperação China-África e o Fórum de Cooperação China-Estados Árabes, estabeleceram um novo marco para que o Sul Global se unisse em prol do progresso comum. As quatro visitas internacionais do Presidente Xi à Europa, Ásia Central, BRICS e América Latina geraram um novo dinamismo para a solidariedade e a cooperação globais. O Presidente Xi também recebeu muitos líderes e amigos de países estrangeiros em mais de 130 compromissos diplomáticos, acrescentando uma nova e bela página aos anais da amizade da China com o mundo.

O Presidente Xi Jinping, como líder de um grande país e de um grande partido político, demonstrou uma visão global e assumiu a responsabilidade de nossos tempos, além de liderar a diplomacia da China na defesa de princípios fundamentais, desbravando novos caminhos e fazendo progressos constantes. Assim, as relações da China com o mundo passaram por mudanças positivas e profundas. Primeiro, as políticas externas da China, especialmente os importantes conceitos e iniciativas propostos pelo Presidente Xi, são cada vez mais bem recebidos e apoiados pela comunidade internacional. Em segundo lugar, o papel positivo da China no enfrentamento dos desafios globais e na resolução de questões difíceis e candentes é cada vez mais esperado e elogiado por países de todo o mundo. Terceiro, o sucesso do caminho chinês para a modernização e a inspiração que ele oferece são cada vez mais reconhecidos e imitados por um número cada vez maior de países.

O ano de 2025 é importante tanto para a China quanto para o mundo. Haverá novos destaques na diplomacia do chefe de estado da China. No mês passado, o Presidente Xi participou da cerimônia de abertura dos Jogos Asiáticos de Inverno, marcando o início dos eventos diplomáticos que a China sediará este ano. Comemoraremos solenemente o 80º aniversário da vitória na Guerra de Resistência do Povo Chinês contra a Agressão Japonesa e a Guerra Mundial Antifascista, e realizaremos uma série de eventos importantes, incluindo a cúpula da Organização de Cooperação de Xangai. Espera-se que o Presidente Xi faça uma série de visitas ao exterior. A diplomacia do chefe de estado escreverá um novo capítulo de cooperação mais estreita e sucesso compartilhado entre a China e o mundo.

ITAR-TASS: Desde o ano passado, tem havido interações frequentes entre os líderes da China e da Rússia, e as relações entre a China e a Rússia têm se desenvolvido de forma sólida. Ao mesmo tempo, algumas pessoas estão se perguntando se as recentes conversas entre a Rússia e os EUA afetariam a coordenação estratégica entre a China e a Rússia. Qual é a sua opinião sobre as relações entre a China e a Rússia?

Wang Yi: Todos os anos me perguntam sobre as relações entre a China e a Rússia, embora cada vez sob perspectivas diferentes. O que quero enfatizar é que, independentemente da evolução do cenário internacional, a lógica histórica da amizade entre a China e a Rússia não mudará e sua força motriz interna não diminuirá.

Com base em reflexões profundas sobre a experiência histórica, a China e a Rússia decidiram forjar a boa vizinhança e a amizade eternas, conduzir uma coordenação estratégica abrangente e buscar o benefício mútuo, a cooperação e o ganho mútuo, porque isso atende melhor aos interesses fundamentais dos dois povos e está em conformidade com a tendência de nossos tempos. Os dois países encontraram um caminho de “não-aliança, não-confronto e não visar a terceiros” no desenvolvimento de suas relações. Esse é um esforço pioneiro na criação de um novo modelo de relações entre países importantes e estabeleceu um ótimo exemplo para as relações entre os países vizinhos. Um relacionamento maduro, resiliente e estável entre a China e a Rússia não será influenciado por nenhuma reviravolta nos acontecimentos, muito menos estará sujeito à interferência de terceiros. Ela é uma constante em um mundo turbulento, e não uma variável em jogos geopolíticos.

O ano passado marcou o 75º aniversário das relações diplomáticas entre a China e a Rússia. O presidente Xi Jinping e o presidente Vladimir Putin tiveram três reuniões presenciais, conduzindo conjuntamente a parceria estratégica abrangente de coordenação entre a China e a Rússia para a nova era em um novo estágio histórico.

Este ano será o 80º aniversário da vitória na Segunda Guerra Mundial. Naquela época, a China e a Rússia lutaram bravamente nos principais teatros da Ásia e da Europa, respectivamente. As duas nações fizeram imensos sacrifícios e contribuições importantes e históricas para a vitória da Guerra Mundial Antifascista. Os dois lados aproveitarão a oportunidade da comemoração conjunta desse importante marco histórico para defender a visão histórica correta da Segunda Guerra Mundial, defender seus resultados vitoriosos, defender o sistema internacional centrado na ONU e promover uma ordem internacional mais justa e equitativa.

Agência de Notícias Xinhua: Você disse que a diplomacia da China trouxe a tão necessária estabilidade a um mundo turbulento em 2024. Como se espera mais transformação e caos em 2025, que papel a China desempenhará no mundo na frente diplomática?

Wang Yi: Como você disse, estamos vivendo em um mundo turbulento e em constante mudança, onde a certeza está se tornando um recurso escasso. As escolhas feitas pelos países, especialmente os grandes países, determinarão a trajetória de nossos tempos e moldarão o futuro do mundo. A diplomacia da China se manterá firme do lado certo da história e do lado do progresso humano. Proporcionaremos certeza a este mundo incerto.

Seremos uma força firme na defesa de nossos interesses nacionais. O povo chinês tem uma tradição gloriosa de buscar incessantemente a autorrenovação. Nunca provocamos e não nos intimidamos com provocações. Nenhuma pressão máxima, ameaça ou chantagem pode minar a unidade do 1,4 bilhão de chineses ou impedir nossos avanços históricos rumo ao grande rejuvenescimento da nação chinesa.

Seremos uma força justa e correta para a paz e a estabilidade mundiais. Continuaremos a expandir nossas parcerias globais com igualdade, abertura e cooperação, usaremos ativamente a abordagem chinesa na resolução de questões importantes e escreveremos um novo capítulo do Sul Global buscando força por meio da união. Provaremos com fatos que o caminho do desenvolvimento pacífico é brilhante e pode garantir um progresso estável e sustentável, e que deve ser a escolha de todos os países.

Seremos uma força progressista em prol da equidade e da justiça internacionais. Defenderemos o verdadeiro multilateralismo e teremos em mente o futuro da humanidade e o bem-estar das pessoas. Promoveremos uma governança global baseada em consultas amplas, contribuições conjuntas e benefícios compartilhados. Observaremos os propósitos e princípios da Carta das Nações Unidas e criaremos mais consenso para um mundo multipolar igualitário e ordenado.

Seremos uma força construtiva para o desenvolvimento comum do mundo. Continuaremos a expandir a abertura de alto padrão e a compartilhar as vastas oportunidades da modernização chinesa com todos os países. Protegeremos o sistema multilateral de livre comércio, promoveremos um ambiente aberto, inclusivo e não discriminatório para a cooperação internacional e promoveremos uma globalização econômica universalmente benéfica e inclusiva.

CNN: O presidente Trump adotou a política “America First” (América em primeiro lugar) após seu retorno à Casa Branca. Ele falou em se retirar de organizações e tratados internacionais, incluindo o Conselho de Direitos Humanos da ONU e a Organização Mundial da Saúde. Isso oferece uma oportunidade estratégica para a China remodelar o cenário global por meio do engajamento internacional?

Wang Yi: Há mais de 190 países no mundo. Se todos enfatizarem “meu país primeiro” e ficarem obcecados por uma posição de força, a lei da selva reinará no mundo novamente. Os países menores e mais fracos seriam os primeiros a sofrer o impacto, e as normas e a ordem internacionais sofreriam um duro golpe.

Na Conferência de Paz de Paris, há mais de 100 anos, os chineses fizeram uma pergunta que ressoa em todas as épocas: O direito prevalece sobre o poder, ou o poder faz o direito? A Nova China se mantém firme ao lado da justiça internacional e se opõe resolutamente à política de poder e à hegemonia. A história deve avançar, não retroceder. Um país grande deve honrar suas obrigações internacionais e cumprir suas devidas responsabilidades. Ele não deve colocar os interesses egoístas acima dos princípios, muito menos exercer seu poder para intimidar os fracos. Um ditado ocidental diz: “Não existem amigos eternos, apenas interesses permanentes”. Mas nós, na China, acreditamos que os amigos devem ser permanentes e que devemos buscar interesses comuns.

Com um profundo entendimento da tendência da história e de nossos tempos, o Presidente Xi Jinping propôs a construção de uma comunidade com um futuro compartilhado para a humanidade e conclamou todos os países a transcenderem as divergências e diferenças, protegerem conjuntamente nosso único planeta e desenvolverem juntos a aldeia global como nosso lar comum. Essa grande visão reflete não apenas a bela tradição da civilização chinesa de que o mundo pertence a todos, mas também o compromisso internacionalista dos comunistas chineses. Ela nos permite ver o bem-estar de toda a humanidade, assim como ter uma visão panorâmica de todas as montanhas que pareceriam pequenas quando estivéssemos em um pico, conforme descrito em um antigo poema chinês.

Estamos satisfeitos em ver que cada vez mais países se juntaram à causa da construção de uma comunidade com um futuro compartilhado, que mais de 100 países apoiam a Iniciativa de Desenvolvimento Global, a Iniciativa de Segurança Global e a Iniciativa de Civilização Global da China e que mais de três quartos dos países do mundo todo se juntaram à família de cooperação Belt and Road. A história provará que o verdadeiro vencedor é aquele que tem em mente os interesses de todos, e que uma comunidade com um futuro compartilhado para a humanidade garantirá que o mundo pertença a todos os países e que todos tenham um futuro brilhante.

Radio Republik Indonesia: Em um mundo mais turbulento e incerto, os países em desenvolvimento e os países de pequeno e médio porte têm mais chances de perder do que outros. O que você acha que os membros do Sul Global podem fazer para proteger seus interesses no mundo de hoje?

Wang Yi: O mundo de hoje é marcado por ventos fortes e nuvens que surgem. O dinamismo dessas mudanças tem origem no Sul. A marca registrada de nossa era é a força proeminente e crescente do Sul Global. Responsável por mais de 40% do PIB global e contribuindo com até 80% do crescimento global, o Sul Global é uma força fundamental para manter a paz mundial, impulsionar o desenvolvimento mundial e melhorar a governança global.

Como o mundo está passando por uma grande transformação nunca vista em um século, mudanças históricas estão ocorrendo nas dinâmicas Leste-Oeste e Sul-Norte. O Sul Global detém a chave para trazer estabilidade ao mundo e torná-lo um lugar melhor.

O Sul Global deve se fortalecer. Desde o início do ano, a Indonésia se tornou membro pleno do BRICS, e nove países parceiros se juntaram à família BRICS. O BRICS está emergindo como uma espinha dorsal da cooperação e um motor de crescimento no Sul Global. O grande BRICS deve se tornar maior e mais forte para dar mais impulso ao desenvolvimento do Sul Global.

O Sul Global deve se unir em unidade. Este ano, a China sediará a cúpula da Organização de Cooperação de Xangai, o Brasil a cúpula do BRICS e a África do Sul a cúpula do G20. Devemos falar em uma só voz para o mundo, proteger nossos interesses comuns e aumentar constantemente nossa representação e voz na governança global.

O Sul Global deve se empenhar pelo desenvolvimento. Em novembro passado, o Presidente Xi Jinping anunciou oito ações que a China tomaria em apoio ao desenvolvimento global, gerando nova energia para um desenvolvimento mais rápido do Sul Global. Devemos manter o desenvolvimento como um item central da agenda internacional, criar impulso, aumentar nossa capacidade e avançar lado a lado rumo à modernização.

A China é naturalmente um membro do Sul Global, porque lutamos juntos contra o colonialismo e o hegemonismo ao longo da história e estamos comprometidos com o objetivo comum de desenvolvimento e revitalização. Não importa como o mundo mude, nosso coração sempre estará com o Sul Global, e nossa raiz se aprofundará no Sul Global. A China trabalhará com todos os países do Sul Global para acrescentar um novo capítulo aos anais da história do mundo.

Bloomberg: Foram iniciadas conversas diretas entre os EUA e a Rússia para pôr fim à guerra na Ucrânia. O presidente Trump disse que gostaria de contar com a ajuda da China nesse processo. Que papel a China acha que deve desempenhar nesse contexto?

Wang Yi: A China vem pedindo uma solução política por meio do diálogo e da negociação desde o primeiro dia da crise, e tem trabalhado ativamente pela paz e pressionado por conversações. Logo após a eclosão da crise, o presidente Xi Jinping apresentou quatro pontos sobre o que deve ser feito, uma proposta importante que aponta o caminho para nossos esforços. Assim, a China divulgou seu documento de posição sobre a crise, enviou seu representante especial para a diplomacia de transporte e iniciou o Grupo de Amigos pela Paz nas Nações Unidas, juntamente com o Brasil e outros países do Sul Global. Nossa posição sempre foi objetiva e imparcial, nossa voz sempre foi calma e equilibrada e nosso propósito é criar condições e construir um consenso para resolver a crise.

A China saúda e apóia todos os esforços pela paz. Ao mesmo tempo, também é importante observar a complexidade das causas da crise. Como diz um provérbio chinês, é preciso mais do que um dia frio para congelar um metro de gelo. Da mesma forma, o derretimento desse gelo espesso não pode ser feito da noite para o dia. Ninguém ganha em um conflito, mas todos ganham com a paz. A mesa de negociação é onde o conflito termina e a paz começa. Embora as partes relevantes não tenham suas posições totalmente alinhadas, todas elas esperam ter um acordo de paz justo e duradouro que seja vinculativo e aceito por todas as partes envolvidas. Esse é um ponto em comum valioso, e todas as partes devem se esforçar conjuntamente para alcançá-lo. A China está pronta para trabalhar com a comunidade internacional, à luz das vontades das partes envolvidas no conflito, para continuar a desempenhar seu papel construtivo na resolução da crise e na obtenção de uma paz duradoura.

Um último ponto sobre essa questão. A crise da Ucrânia está se arrastando há mais de três anos. Em retrospectiva, a tragédia poderia ter sido evitada. Todas as partes deveriam aprender algo com a crise. Entre muitos outros, a segurança deve ser mútua e igualitária, e nenhum país deve construir sua segurança com base na insegurança de outro. Devemos defender e agir de acordo com a nova visão de segurança comum, abrangente, cooperativa e sustentável, e essa é a maneira de realmente obter paz e segurança duradouras no continente eurasiano e em todo o mundo.

CGTN: O impressionante surgimento do DeepSeek mostra a capacidade de inovação da China em inteligência artificial. Alguns dizem que os EUA consideram inaceitável deixar a China avançar em ciência e tecnologia. Qual é a sua opinião sobre a concorrência entre a China e os EUA em ciência e tecnologia?

Wang Yi: Recentemente, a inovação científica e tecnológica da China desafiou mais de uma vez a imaginação das pessoas. Desde os avanços em bombas atômicas, mísseis e satélites, décadas atrás, até as missões espaciais Shenzhou e o programa de exploração lunar Chang’e, passando por 5G, computação quântica e DeepSeek, as gerações do povo chinês nunca pararam em seu esforço de inovação. E estamos testemunhando um horizonte em constante expansão para que a China se torne uma potência em ciência e tecnologia.

É certo que essa jornada não foi tranquila. Seja na ciência espacial ou na fabricação de chips, a repressão externa injustificada nunca parou. Mas onde há bloqueio, há avanço; onde há repressão, há inovação; onde há a mais feroz tempestade, há a plataforma que lança a ciência e a tecnologia da China para o céu, como o herói mitológico chinês Nezha subindo aos céus. Como bem colocado em um antigo verso chinês, “Nenhuma montanha pode deter o fluxo crescente de um rio poderoso”. Da mesma forma, “quintal pequeno, cerca alta” não pode suprimir o espírito de inovação, e a dissociação e a ruptura das cadeias de suprimentos só levarão ao autoisolamento.

A ciência e a tecnologia não devem ser usadas para erguer uma cortina de ferro. Ela deve ser a riqueza que beneficia a todos e é compartilhada por todos. Para promover o desenvolvimento comum da humanidade, a China tomou medidas reais para implementar a Iniciativa de Governança Global de IA apresentada pelo Presidente Xi Jinping e lançou o Plano de Ação de Capacitação de IA para o Bem e para Todos. Também propusemos a Iniciativa de Cooperação Internacional em Ciência Aberta juntamente com o Brasil, a África do Sul e a União Africana, pedindo a todos que deem prioridade à capacitação científica e tecnológica do Sul Global para que nenhum país seja deixado para trás. Estamos prontos para compartilhar os frutos de nossa inovação com mais países e explorar juntos os mistérios das estrelas e dos oceanos.

Reuters: Logo após o retorno de Trump à Casa Branca, ele impôs novas tarifas à China por causa do fentanil. Mas, ao mesmo tempo, ele está se oferecendo para construir um bom relacionamento com a China. De que forma a China se envolverá com o governo Trump nos próximos quatro anos em comparação com seu mandato anterior?

Wang Yi: O respeito mútuo é uma norma básica que rege as relações entre os Estados. É também um pré-requisito importante para as relações entre a China e os EUA. Nenhum país deve fantasiar que pode suprimir a China e manter boas relações com ela ao mesmo tempo. Esses atos ambíguos não são bons para a estabilidade das relações bilaterais nem para a construção da confiança mútua.

Em relação ao fentanil, é preciso deixar claro desde o início que a China sempre toma medidas resolutas contra o tráfico e a fabricação de drogas, e a China implementou as políticas antinarcóticos mais duras e abrangentes do mundo atual. Já em 2019, a pedido dos EUA, a China classificou todas as substâncias relacionadas ao fentanil, sendo o primeiro país a fazer isso. Mas o abuso de fentanil nos Estados Unidos é um problema que deve ser enfrentado e resolvido pelos próprios Estados Unidos. A China tem ajudado os Estados Unidos de várias maneiras por motivos humanitários. Os Estados Unidos não devem retribuir o bem com o mal, ou mesmo impor tarifas arbitrárias. Nenhum país importante e responsável deveria fazer isso.

Como diz o ditado chinês: “Se a ação de alguém falhar, procure a razão dentro de si mesmo”. Os Estados Unidos deveriam analisar o que de fato aconteceu: O que eles conseguiram com as guerras tarifárias e comerciais nesses anos? Seu déficit comercial aumentou ou diminuiu? Sua produção se tornou mais competitiva ou menos competitiva? A inflação dos EUA aumentou ou diminuiu? A vida de seu povo melhorou ou piorou? As relações comerciais entre a China e os EUA são baseadas em interações recíprocas e bidirecionais. A cooperação trará benefícios mútuos e ganhos mútuos, e a China definitivamente tomará contramedidas em resposta à pressão arbitrária.

Como os maiores países em desenvolvimento e desenvolvidos do mundo, respectivamente, a China e os Estados Unidos permanecerão neste planeta por um longo tempo. Portanto, eles devem buscar uma coexistência pacífica. Como o Presidente Xi Jinping observou em sua ligação telefônica com o Presidente Donald J. Trump no início deste ano, o confronto e o conflito não devem ser uma opção. Considerando os amplos interesses comuns e o amplo espaço para cooperação, é possível que a China e os Estados Unidos se tornem parceiros, ajudando um ao outro a ter sucesso e prosperar juntos.

A China permanecerá comprometida com os três princípios propostos pelo presidente Xi Jinping – respeito mútuo, coexistência pacífica e cooperação ganha-ganha – ao promover o desenvolvimento estável, sólido e sustentável das relações entre a China e os EUA. Ao mesmo tempo, esperamos que o lado americano ouça os apelos dos dois povos, veja claramente a tendência dos tempos, tenha uma visão objetiva e racional do desenvolvimento da China, envolva-se proativamente com a China em intercâmbios práticos e trabalhe em conjunto com a China para buscar a maneira correta de se dar bem para o benefício dos dois países e do mundo inteiro.

Diário do Povo: Como a China vê o papel atual da Organização de Cooperação de Xangai (SCO)? Que propostas a China apresentará durante sua presidência? Que tópicos serão discutidos na próxima cúpula da SCO na China?

Wang Yi: Este ano é o “Ano da China” da SCO. A SCO nasceu na China e recebeu o nome de Xangai. Isso significa algo especial para nós. Estamos muito satisfeitos em recebê-la em casa.

É ainda mais animador o fato de a SCO ter crescido nos últimos 24 anos, passando de uma organização de seis membros para uma grande família composta por 26 países. Ela se tornou uma organização de cooperação regional com a maior área geográfica e população.

A chave para o crescimento da SCO está em seu compromisso com o Espírito de Xangai, em sua adesão aos princípios fundadores de confiança mútua, benefício mútuo, igualdade, consulta, respeito pela diversidade de civilizações e busca do desenvolvimento comum, e em seu sucesso em traçar um novo caminho para a cooperação regional.

Como presidente rotativo, a China está organizando mais de 100 eventos nas áreas política, de segurança, econômica e interpessoal sob o slogan “Upholding the Shanghai Spirit: SCO on the Move”. Tomaremos medidas reais para levar adiante o Espírito de Xangai e promover o desenvolvimento da SCO.

Gostaria de informá-los que a China sediará a cúpula da SCO em Tianjin neste outono. Os líderes se reunirão às margens do rio Haihe para refletir sobre as realizações da SCO, planejar o futuro e criar consenso para a cooperação. Isso ajudará a SCO a embarcar em uma nova jornada a partir da China e tornará a organização uma comunidade mais unida com um futuro compartilhado.

Global Times: Alguns acreditam que a ordem internacional está no momento mais perigoso desde a Segunda Guerra Mundial e que a autoridade e o papel das Nações Unidas estão sendo minados. Como isso pode ser evitado e que papel a China desempenhará?

Wang Yi: Este ano marca o 80º aniversário da ONU. Por volta do final da Segunda Guerra Mundial, a decisão mais importante que a comunidade internacional tomou foi estabelecer a ONU e torná-la a principal plataforma para manter a paz mundial e promover a governança global. Os fatos demonstraram que a ONU resistiu a testes e tem sido fundamental.

Atualmente, houve mudanças fundamentais na situação mundial. O unilateralismo está em alta e a política de poder é desenfreada. Alguns países expressaram ceticismo de um tipo ou de outro em relação à ONU. Mas a China acredita que, quanto mais complexos os problemas, maior a necessidade de acentuar o importante status da ONU; quanto mais urgentes os desafios, maior a necessidade de defender a devida autoridade da ONU.

Todos os países querem evitar que o mundo retorne à lei da selva. Para isso, a primeira coisa a ser feita é consolidar a pedra fundamental da igualdade soberana. Todos os países, independentemente de seu tamanho e força, devem ser reconhecidos como membros iguais da comunidade internacional. Aqueles com braços mais fortes e punhos maiores não devem ter permissão para dar as ordens. Em segundo lugar, o princípio da imparcialidade e da justiça deve ser mantido. Os assuntos internacionais não devem ser monopolizados por um pequeno número de países. Deve-se dar mais atenção à voz do Sul Global. Os direitos e interesses legítimos de todos os países devem ser totalmente protegidos. Terceiro, o multilateralismo deve ser observado. Os países devem permanecer comprometidos com os princípios de ampla consulta, contribuição conjunta e benefício compartilhado, substituir o confronto em bloco pela colaboração inclusiva e romper os pequenos círculos com maior solidariedade. Em quarto lugar, a autoridade do estado de direito internacional deve ser fortalecida. Os principais países, em particular, devem assumir a liderança na defesa da integridade, abraçando o estado de direito e opondo-se ao duplo padrão e à aplicação seletiva. Muito menos devem recorrer a bullying, monopólio, truques ou extorsão.

A China é fundadora e beneficiária da ordem internacional pós-Segunda Guerra Mundial. Naturalmente, também somos defensores e construtores dessa ordem. Não temos intenção de começar tudo de novo, nem apoiamos a tentativa de qualquer país de derrubar a ordem atual. A China está bem ciente de sua responsabilidade internacional como membro permanente do Conselho de Segurança da ONU. Ela salvaguardará com firmeza o papel central da ONU, se apresentará como um pilar do sistema multilateral e defenderá a justiça para o Sul Global. No mês passado, no Conselho de Segurança da ONU, a China presidiu a reunião de alto nível sobre “Praticar o multilateralismo, reformar e melhorar a governança global”. Mais de 100 países se inscreveram para participar, dando início às comemorações do 80º aniversário da ONU. A China está pronta para trabalhar com todos os lados para refletir sobre a visão fundadora da ONU, observar os propósitos e princípios da Carta da ONU e construir um sistema de governança global mais justo e equitativo.

Agência Anadolu: Os EUA anunciaram planos para “assumir” e “possuir” Gaza e reassentar os palestinos que vivem lá em países vizinhos. Como a China vê esse plano dos EUA e o futuro desenvolvimento de Gaza? Que papel a China desempenhará para a paz e a estabilidade no Oriente Médio?

Wang Yi: Gaza pertence ao povo palestino. É uma parte inseparável do território palestino. Mudar seu status por meios forçados não trará paz, mas apenas um novo caos. Apoiamos o plano de restauração da paz em Gaza iniciado pelo Egito e por outros países árabes. A vontade do povo não deve ser desafiada, e o princípio da justiça não deve ser abandonado. Se algum país importante realmente se preocupa com a população de Gaza, ele deve promover um cessar-fogo abrangente e duradouro, aumentar a assistência humanitária, observar o princípio de que os palestinos governam a Palestina e contribuir para a reconstrução de Gaza.

Sem paz no Oriente Médio, o mundo não será estável. A questão palestina sempre esteve no centro da questão do Oriente Médio. O conflito palestino-israelense ocorre repetidamente simplesmente porque a solução de dois Estados foi alcançada apenas pela metade: O Estado de Israel já é uma realidade há muito tempo, mas o Estado da Palestina ainda está longe de ser alcançado. No futuro, a comunidade internacional deve se concentrar mais na solução de dois Estados e dar mais apoio à independência do Estado da Palestina. Somente assim a Palestina e Israel poderiam realmente coexistir em paz, e os povos árabe e judeu viveriam lado a lado em uma amizade duradoura. Para isso, em primeiro lugar, todas as facções palestinas precisam cumprir a Declaração de Pequim para alcançar a unidade e o autofortalecimento, todas as partes no Oriente Médio precisam superar as diferenças para apoiar a criação do Estado palestino e a comunidade internacional precisa criar um consenso e promover a paz entre a Palestina e Israel.

A China é um parceiro estratégico dos países do Oriente Médio e um amigo sincero de nossos irmãos árabes. Continuaremos a lutar resolutamente por justiça, paz e desenvolvimento para o povo do Oriente Médio e apoiaremos os países da região para que tomem seu futuro em suas próprias mãos, explorando independentemente seus caminhos de desenvolvimento e realizando o sonho de paz e revitalização em uma data próxima.

Agência de Notícias da Nigéria: A China realizou com sucesso uma cúpula do Fórum de Cooperação China-África (FOCAC) em Pequim no ano passado, e sua primeira visita ao exterior este ano foi à África. Como a China planeja implementar os resultados da Cúpula de Pequim do FOCAC? Como a China ajudará a África a alcançar o desenvolvimento e a revitalização?

Wang Yi: A China e a África são sempre bons amigos, bons parceiros e bons irmãos com um futuro compartilhado. Sob a orientação do Presidente Xi Jinping e dos líderes africanos, o relacionamento entre a China e a África está agora em seu melhor momento na história. A China estabeleceu uma parceria estratégica com todos os países africanos que mantêm laços diplomáticos com ela. A comunidade China-África com um futuro compartilhado foi elevada ao nível “all-weather”.

Este ano marca o 25º aniversário do FOCAC. Nos últimos 25 anos, a China ajudou a África a construir ou melhorar quase 100.000 quilômetros de estradas e mais de 10.000 quilômetros de ferrovias. Somente nos últimos três anos, as empresas chinesas criaram mais de 1,1 milhão de novos empregos na África. A China continua sendo o maior parceiro comercial da África há 16 anos consecutivos. Para os irmãos e irmãs africanos, a cooperação China-África é visível, tangível e realmente benéfica. No ano passado, um fazendeiro da Gâmbia enviou um saco de arroz que cultivou até a província de Hunan, na China, para demonstrar respeito a Yuan Longping, o pai do arroz híbrido. Foi o arroz híbrido da China que ajudou a acabar com a fome e a trazer esperança para eles. Histórias como essas estão acontecendo na África todos os dias.

A África é uma terra fértil de esperança para o século XXI. Não haverá modernização global sem a modernização da África. A estabilidade e o desenvolvimento da África são vitais para o futuro da humanidade, e o mundo deve ouvir a África e atender às suas preocupações. A África está passando por um novo despertar, e os países devem apoiar a África na exploração de um novo caminho de desenvolvimento de autossuficiência e autofortalecimento.

Este ano marca o início da implementação dos resultados da Cúpula de Pequim do FOCAC. A China está pronta para cumprir as dez ações de parceria para que a China e a África avancem conjuntamente na modernização, incluindo o apoio à África na aceleração de sua industrialização e modernização agrícola, a implementação do tratamento de tarifa zero para linhas tarifárias de 100%, a promoção de novos impulsionadores de crescimento, como os setores digital, verde e de IA, a promoção de 1.000 projetos de subsistência “pequenos e bonitos”, o aprimoramento do compartilhamento de experiências de governança e o aumento da representação e da voz da África nos assuntos internacionais. Este ano, a cúpula do G20 será realizada no continente africano pela primeira vez. A China apoia firmemente a África do Sul no cumprimento de seu dever como presidente do G20 e em deixar uma marca distintamente africana na governança global.

Phoenix TV: Há algum tempo, há uma narrativa em alguns países ocidentais de que a Resolução 2758 da Assembleia Geral da ONU não é equivalente ao princípio de uma só China, não deixa clara a soberania sobre Taiwan e não impede que Taiwan participe de organizações internacionais. Qual é a sua resposta a isso?

Wang Yi: Essa narrativa é um desafio flagrante à autoridade da ONU e à ordem internacional pós-Segunda Guerra Mundial. É extremamente absurda e perigosa. Aqueles que a divulgam poderiam ser ajudados a melhorar seu bom senso.

Taiwan é uma parte inalienável do território da China. Essa é a história e a realidade. Este ano marca o 80º aniversário da recuperação de Taiwan. Há oito décadas, a vitória na Guerra de Resistência do Povo Chinês contra a Agressão Japonesa colocou Taiwan novamente sob a jurisdição soberana da China. Tanto a Declaração do Cairo quanto a Proclamação de Potsdam, emitidas pelas principais nações vitoriosas da Segunda Guerra Mundial, declararam em termos explícitos que Taiwan é um território que o Japão roubou dos chineses e que deve ser devolvido à China. O Japão também aceitou os termos da Proclamação de Potsdam e anunciou sua rendição incondicional. Todos esses fatos confirmaram a soberania da China sobre Taiwan e formaram uma parte importante da ordem internacional pós-Segunda Guerra Mundial.

A Resolução 2758 foi adotada posteriormente, em 1971, pela Assembleia Geral da ONU com uma maioria esmagadora. Ela decide restaurar todos os direitos legais da República Popular da China na ONU e expulsar imediatamente os representantes das autoridades de Taiwan da ONU e de todas as organizações relacionadas a ela. De uma vez por todas, essa resolução resolveu a questão da representação de toda a China, incluindo Taiwan, na ONU, e excluiu qualquer possibilidade de criação de “duas Chinas” ou “uma China, um Taiwan”. A única referência à região de Taiwan na ONU é “Taiwan, Província da China”. Taiwan nunca foi um país, nem no passado, nem no futuro. Clamar pela “independência de Taiwan” é dividir o país, apoiar a “independência de Taiwan” é interferir nos assuntos internos da China e ser conivente com a “independência de Taiwan” é minar a estabilidade do Estreito de Taiwan.

O princípio da soberania é a pedra angular da Carta das Nações Unidas. Nenhum país ou indivíduo deve adotar qualquer tipo de padrão duplo. O respeito à soberania e à integridade territorial de todos os países deve significar o apoio à reunificação completa da China, e o compromisso com uma só China deve significar a oposição a qualquer forma de “independência de Taiwan”. Realizar a reunificação completa da China é uma aspiração compartilhada pela nação chinesa. É uma tendência inevitável, e é o que os maiores interesses nacionais implicam. Buscar a “independência de Taiwan” está fadado a sair pela culatra, e usar Taiwan para conter a China não passará de uma tentativa fútil. A China realizará a reunificação, e isso é imparável.

Associated Press do Paquistão: A China atribui grande importância às suas relações com os países vizinhos. No entanto, a implantação de um sistema de mísseis de médio alcance pelos EUA na região causou tensões. Como a China vê a situação em sua vizinhança? Alguma nova consideração sobre a política externa da China em relação a essa região?

Wang Yi: Desde o início deste século, a Ásia tem mantido um crescimento rápido e se tornou uma força líder para o desenvolvimento global e um exemplo brilhante de paz e estabilidade. Isso não foi fácil e deve ser valorizado com muito cuidado. A Ásia é onde a China chama de lar e constrói seu futuro. É também o lar comum da China e de outros países asiáticos. Seguindo o princípio de amizade, sinceridade, benefício mútuo e inclusão na diplomacia da vizinhança apresentado pelo Presidente Xi Jinping, a China abriu novas perspectivas no desenvolvimento da amizade e da cooperação com seus vizinhos. Até o momento, a China chegou a um entendimento comum sobre a construção de uma comunidade com um futuro compartilhado com 17 países vizinhos e formou “dois grupos” na Península da Indochina e na Ásia Central. Em nossa vizinhança, assinamos acordos de cooperação do Cinturão e Rota com 25 países e continuamos sendo o maior parceiro comercial de 18 países. A China de hoje é uma âncora de estabilidade, um motor de desenvolvimento econômico e um pilar de segurança regional na Ásia.

Dito isso, é comum que os vizinhos não concordem em tudo. Questões deixadas pelo passado e conflitos de interesses imediatos devem ser tratados adequadamente. Mas acreditamos que a harmonia é a chave para uma família próspera em todos os empreendimentos. Desde que permaneçamos comprometidos com a visão de um lar comum, nos atenhamos ao objetivo de construir uma comunidade com um futuro compartilhado e sigamos os princípios de consulta em pé de igualdade, compreensão mútua e acomodação mútua, certamente conseguiremos resolver as diferenças, trabalhar uns com os outros e obter resultados vantajosos para todos. Enquanto isso, a China continuará a se abrir mais para os países vizinhos, inclusive por meio de iniciativas unilaterais, e compartilhará mais benefícios de desenvolvimento com seus vizinhos.

Você mencionou a implantação de um sistema de mísseis de capacidade intermediária pelos EUA na região. A China se opõe firmemente a essa tentativa, e ela também não é bem recebida pelos países da região. Anos se passaram desde que os Estados Unidos lançaram sua “Estratégia do Indo-Pacífico”, mas o que ela fez pelos países da região? Nada, exceto o fato de provocar problemas e criar disputas. Ela provou ser mais um fator de perturbação do que uma contribuição construtiva.

A Ásia não é uma arena para a rivalidade entre grandes potências. Ela deve se tornar um campo de demonstração para a cooperação internacional. Acreditamos que é importante praticar o regionalismo aberto e compartilhar as oportunidades de desenvolvimento da Ásia com base no respeito mútuo e na cooperação em que todos saem ganhando.

AFP: A China e a União Europeia estão no meio de tensões comerciais de longa data, envolvendo investigações sobre os setores de energias renováveis e veículos elétricos, em particular. Como o Ministério das Relações Exteriores vê a evolução das relações com o bloco, apesar dessas tensões?

Wang Yi: Este ano marca o 50º aniversário dos laços diplomáticos entre a China e a UE. Nesse relacionamento de meio século, o ativo mais valioso é o respeito mútuo, o impulso mais poderoso é o benefício mútuo, o maior consenso unificador é o multilateralismo e a caracterização mais precisa é a de parceiro de cooperação.

Nas últimas cinco décadas, a cooperação entre a China e a UE percorreu um longo caminho. O comércio bilateral aumentou de US$ 2,4 bilhões para US$ 780 bilhões. O investimento aumentou de quase zero para cerca de US$ 260 bilhões. A China-Europe Railway Express realizou mais de 100.000 viagens e se tornou uma passagem de ouro que conecta a Ásia e a Europa.

Cinquenta anos depois, a China e a UE juntas representam mais de um terço da economia mundial, e a cooperação entre as duas tem um valor estratégico e uma influência global maiores. Um relacionamento saudável e estável elevará ambos os lados e contribuirá para um mundo mais brilhante.

Em sua conversa telefônica com o presidente do Conselho Europeu, António Costa, no início deste ano, o presidente Xi Jinping observou que, quando o mundo se torna mais desafiador e complexo, a China e a UE têm mais motivos para renovar seu propósito de estabelecer relações diplomáticas, fortalecer a comunicação estratégica, aumentar a confiança mútua estratégica e manter essa relação de parceria. A China continua confiante na Europa e acredita que a Europa pode ser nosso parceiro confiável. Os dois lados têm a capacidade e a sabedoria para resolver adequadamente as questões pendentes por meio de consultas amigáveis e, juntos, dar início a outros 50 anos promissores.

China Daily: As pesquisas mostraram que a preferência do povo do Sudeste Asiático pela China aumentou significativamente. Em comparação com os países europeus e os EUA, os países do Sul Global no Sudeste Asiático, na África e na América Latina têm opiniões mais positivas sobre a China. O que você acha dos resultados da pesquisa e das atitudes divergentes em relação à China?

Wang Yi: A amizade entre os povos é a base das relações bilaterais e a motivação para a paz. À medida que a China sustenta o desenvolvimento socioeconômico e expande a abertura de alto padrão, temos visto intercâmbios mais frequentes e laços mais estreitos entre o povo chinês e o povo de outros países.

Você mencionou que as pessoas no Sul Global veem a China de forma positiva. De fato, esse é o caso. A China sempre se envolveu com outros países em desenvolvimento com sinceridade e boa fé. Nossos povos compartilham uma afinidade natural e empatia uns com os outros. Enquanto isso, também percebo que, entre as pessoas de países desenvolvidos, descobrir e abraçar a China se tornou uma tendência. Viajando para a China ou por meio de interações nas mídias sociais, mais pessoas viram uma China segura, aberta e moderna, e conheceram o povo chinês amigável, de mente aberta e espirituoso. Um jovem dos Estados Unidos disse ter recebido uma profunda positividade do povo chinês.

As pessoas chegaram à sua conclusão e é como a luz do sol que dissipa a névoa do preconceito; a comunicação de coração para coração tem o poder de quebrar todas as barreiras. É hora de nos livrarmos do casulo de informações e tirarmos os óculos coloridos. Pessoas de todos os países são bem-vindas para ver com seus próprios olhos uma China real e vívida e sentir com o coração o dinamismo e a motivação de 1,4 bilhão de chineses.

Kyodo News: O primeiro-ministro japonês Shigeru Ishiba se reuniu com o presidente chinês Xi Jinping no Peru em novembro passado. Os laços entre a China e o Japão estão se fortalecendo, mas ainda há problemas. Como o senhor comentaria as atuais relações entre a China e o Japão? A China tem planos de responder favoravelmente às preocupações e expectativas do Japão sobre questões relacionadas às importações aquáticas e ao ambiente de negócios da China para empresas japonesas?

Wang Yi: Em novembro do ano passado, os líderes dos dois países chegaram a importantes entendimentos comuns sobre o cumprimento dos quatro documentos políticos entre a China e o Japão, o avanço abrangente do relacionamento estratégico de benefício mútuo e a construção de um relacionamento construtivo e estável entre a China e o Japão, adequado para a nova era. Com esforços conjuntos, as relações bilaterais demonstraram um impulso de melhoria e crescimento. Acolhemos com satisfação o aumento dos intercâmbios, o aprofundamento da cooperação mutuamente benéfica e o fortalecimento da boa vontade entre todos os setores de nossas sociedades. Tudo isso é do interesse de longo prazo de ambos os lados. Quanto às preocupações específicas do lado japonês em sua pergunta, a China as tratará de forma responsável e adequada, de acordo com as leis e os regulamentos.

Gostaria de destacar outro ponto. Este ano marca o 80º aniversário da vitória na Guerra de Resistência do Povo Chinês contra a Agressão Japonesa. Lembrando-se da história, é possível moldar melhor o futuro. Se esquecermos a história, podemos perder o rumo para o futuro. Os militaristas japoneses cometeram crimes hediondos contra o povo da China e de toda a Ásia. Eles trouxeram imenso sofrimento também para o povo japonês. Proteger-se contra o ressurgimento do militarismo é um dever que o Japão deve cumprir sem descanso. Essa também é a firme determinação do povo chinês e asiático que não deve ser desafiada. Nesse teste de consciência e integridade, a escolha certa para o Japão é obedecer aos princípios consagrados em sua constituição pacifista e manter-se no caminho do desenvolvimento pacífico.

O princípio de uma só China é a base política das relações entre a China e o Japão. Oitenta anos se passaram desde que Taiwan voltou para a China. No entanto, algumas pessoas impenitentes no Japão ainda estão trabalhando nas sombras com as chamadas forças de “independência de Taiwan”. Aqui está nossa mensagem para eles: Parem com a propaganda de que “uma emergência de Taiwan é uma emergência japonesa”. A verdade é que provocar problemas em nome de Taiwan é convidar problemas para o Japão.

Há uma longa história de laços entre a China e o Japão. O Japão sabe muito bem que a China é um país que ama a paz e um vizinho confiável com boas intenções. Por mais de mil anos, a China tem sido sinônimo de oportunidades, e não de ameaças, para o Japão. Qual é a maneira correta de sermos vizinhos e qual é a tendência da história? Diante das transformações históricas, as mentes brilhantes do Japão precisam pensar cuidadosamente sobre essas questões e seguir bons conselhos.

Folha de S. Paulo: O secretário de Estado americano fez sua primeira viagem à América Latina no mês passado e ameaçou tomar medidas se o país não se distanciar da China. O que a China fará para conter essa pressão? Esse será um tema do próximo Fórum China-CELAC?

Wang Yi: A cooperação da China com os países da América Latina e do Caribe (ALC) é uma cooperação Sul-Sul. Nessa cooperação, há apenas apoio mútuo, sem cálculos geopolíticos. Em seu envolvimento com os países da América Latina e do Caribe, a China segue os princípios de igualdade e benefício mútuo, e nunca busca uma esfera de influência ou tem como alvo qualquer parte.

O que as pessoas nos países da ALC querem é construir sua própria casa, não se tornar o quintal de alguém; o que elas aspiram é a independência e a autodecisão, não a Doutrina Monroe. A cooperação entre a China e os países da ALC ganhou apoio popular porque respeita a vontade do povo, atende às necessidades dos países da região e oferece opções confiáveis e amplas perspectivas para a revitalização da região.

Na nova era, sob a orientação do presidente Xi Jinping e dos líderes dos países da ALC, e impulsionados pelo Fórum China-CELAC, produzimos resultados frutíferos na construção da comunidade China-ALC com um futuro compartilhado e proporcionamos benefícios a todos os nossos povos.

Este ano marca o 10º aniversário do lançamento formal do Fórum China-CELAC. A China sediará a Quarta Reunião Ministerial do Fórum no primeiro semestre deste ano. Aproveitando essa oportunidade, os dois lados se reunirão, sobre as montanhas e os oceanos, e independentemente de todos os distúrbios, para levar a cooperação China-LAC a um nível mais alto.

Dragon TV: Nos últimos anos, a economia global tem sido fraca, e a economia chinesa tem enfrentado desafios. O que você acha do desempenho econômico da China? Que novas medidas podemos esperar da frente diplomática este ano para facilitar a modernização e o desenvolvimento econômico e social da China?

Wang Yi: A economia chinesa registrou um crescimento de 5% no ano passado, continuando a se destacar entre as principais economias do mundo. Conseguimos isso em meio a um impulso nacional para a transição ecológica, em meio a um crescimento sem brilho em todo o mundo e em meio a sanções unilaterais e à repressão dos Estados Unidos e de outros países. Isso mostra a característica distinta da economia chinesa: ir em frente contra todas as probabilidades.

Como o Presidente Xi Jinping destacou, “Sempre crescemos com vento e chuva e nos fortalecemos em tempos difíceis”. Seja na crise financeira global ou na pandemia da COVID-19, será que a economia chinesa nunca deixou de suportar os imensos desafios e alcançar um desenvolvimento ainda melhor? Nossa confiança vem do mercado superdimensionado da China e da enorme demanda doméstica, dos setores robustos e do impulso inovador da China e, mais importante, da força institucional, da reforma e da abertura da China. Como as pessoas costumam dizer, “A próxima China ainda é a China”. O milagre chinês de um crescimento de alta velocidade sem precedentes será seguido por um desenvolvimento de alta qualidade ainda mais notável.

O serviço de relações exteriores da China continuará a fornecer uma sólida base estratégica e a promover um ambiente externo favorável à modernização chinesa. Criaremos canais mais convenientes para viagens de ida e volta. Até o momento, a China concedeu isenção de visto unilateral para 38 países e estendeu o período de isenção de visto de trânsito para 240 horas para 54 países. Mais países podem se juntar ao nosso “círculo de amigos” sem visto, sustentando a popularidade da “China Travel” em todo o mundo. Introduziremos serviços de relações exteriores mais eficientes, coordenaremos recursos em diferentes níveis, inovaremos e aprimoraremos o programa de assinatura do MFA para apresentar as províncias da China e construiremos pontes de cooperação para a maior abertura da China. Trabalharemos por um melhor ambiente de negócios, expandiremos constantemente a abertura institucional, avançaremos na abertura voluntária de forma ordenada, continuaremos a abertura unilateral para os países menos desenvolvidos, reduziremos ainda mais a lista negativa, diminuiremos o limite de acesso ao mercado e manteremos a China como o parceiro preferencial para a cooperação internacional.

Lianhe Zaobao: Que progresso a China e os países da ASEAN fizeram nas consultas sobre um Código de Conduta no Mar do Sul da China (COC)? Quais são os principais obstáculos? Os atritos entre a China e as Filipinas no Mar do Sul da China no último ano prejudicarão as perspectivas das consultas?

Wang Yi: No ano passado, com os esforços conjuntos da China e dos países da ASEAN, o Mar do Sul da China manteve a paz e a estabilidade e continuou sendo o mar mais seguro e movimentado para a navegação e o sobrevoo internacionais. A China e a Indonésia assinaram um documento intergovernamental sobre desenvolvimento marítimo conjunto. A China e a Malásia lançaram um diálogo bilateral sobre o gerenciamento de questões marítimas. A China estabeleceu mecanismos de diálogo marítimo com todos os países envolvidos. Isso prova que não há nenhum problema que não possa ser resolvido por meio do diálogo e nenhum objetivo que não possa ser alcançado com a cooperação.

Você mencionou os atritos entre a China e as Filipinas. Em um fórum internacional há pouco tempo, uma autoridade de um país da região observou que as ações das Filipinas para criar atritos são como uma “peça de teatro de sombras”, o que é uma analogia vívida. Para cada movimento das Filipinas no mar, há um roteiro escrito por forças externas, o show é transmitido ao vivo pela mídia ocidental e o enredo é invariavelmente para difamar a China. As pessoas não estão interessadas em assistir ao mesmo espetáculo repetidas vezes. A China continuará a proteger sua soberania territorial e seus direitos e interesses marítimos de acordo com a lei. Ao administrar a situação em Ren’ai Jiao e Huangyan Dao, também levaremos em conta as condições reais por espírito humanitário. Mas quero deixar claro que a infração e a provocação serão um tiro pela culatra e aqueles que agirem como peças de xadrez dos outros serão descartados.

Para alcançar a boa vizinhança, a paz duradoura e a segurança no Mar do Sul da China, é preciso confiança e também regras. A chave é implementar a Declaração sobre a Conduta das Partes no Mar do Sul da China (DOC) e desenvolver um COC sólido. Com a facilitação da China, as consultas sobre o COC estão se acelerando e a terceira leitura do texto foi concluída. Temos plena confiança na perspectiva de concluir o COC. A China está pronta para trabalhar com os países da ASEAN para intensificar a comunicação, evitar distúrbios e criar consenso para uma conclusão rápida do COC, de modo a realmente tornar o Mar do Sul da China um mar de paz, amizade e cooperação.

Diário de Beijing: Este ano é o 30º aniversário da Quarta Conferência Mundial sobre a Mulher. Em 2020, o presidente Xi Jinping se ofereceu para realizar outra cúpula global de mulheres em 2025. Você poderia nos informar sobre os preparativos?

Wang Yi: Amanhã será o Dia Internacional da Mulher. Minhas calorosas saudações a todas as mulheres nesse dia especial!

Em 1995, a Quarta Conferência Mundial sobre a Mulher foi realizada em Pequim. A Declaração de Pequim e a Plataforma de Ação adotadas na Conferência tornaram-se um marco na busca global pela igualdade de gênero. Por ocasião de seu 30º aniversário, e como acompanhamento da proposta do Presidente Xi, a China convocará uma Reunião de Líderes Globais sobre Mulheres no segundo semestre deste ano.

Nas últimas três décadas, a China agiu de acordo com o espírito da Conferência de 1995 e obteve conquistas históricas no desenvolvimento das mulheres no país. Mantivemos a igualdade de gênero como nossa política básica de Estado e realizamos planos de ação nacionais dedicados ao desenvolvimento integral das mulheres. Inúmeras mulheres excepcionais se tornaram modelos de nossa época, fazendo contribuições importantes para a modernização chinesa.

Nas últimas três décadas, a China liderou o avanço da causa global do desenvolvimento das mulheres por meio de ações concretas. Apoiamos o trabalho da ONU Mulheres, fizemos parceria com a UNESCO na criação do Prêmio para a Educação de Meninas e Mulheres, ajudamos outros países em desenvolvimento a implementar 100 projetos de saúde materno-infantil e treinamos mais de 200.000 profissionais do sexo feminino em mais de 180 países e regiões.

Há trinta anos, Pequim testemunhou a determinação das mulheres do mundo em buscar a igualdade. Este ano, as pessoas se reunirão novamente em Pequim para discutir as principais questões relativas ao desenvolvimento das mulheres em todo o mundo. Estamos ansiosos para ver mais mulheres vivendo a vida plenamente e realizando seus sonhos.

Press Trust of India: A Índia e a China finalmente conseguiram chegar a um acordo, seguido de reuniões com os principais líderes. Como você vê as perspectivas do relacionamento? Os dois países podem conseguir estabelecer um relacionamento duradouro em meio a mudanças globais generalizadas?

Wang Yi: As relações entre a China e a Índia tiveram avanços positivos no último ano. A reunião bem-sucedida entre o presidente Xi Jinping e o primeiro-ministro Narendra Modi em Kazan, em outubro passado, forneceu orientação estratégica para a melhoria e o desenvolvimento dos laços bilaterais. Os dois lados seguiram com seriedade os importantes entendimentos comuns de nossos líderes, fortaleceram os intercâmbios e a cooperação prática em todos os níveis e alcançaram uma série de resultados positivos.

A China e a Índia são os maiores vizinhos uma da outra. A China sempre acredita que os dois devem ser parceiros que contribuem para o sucesso um do outro. Um pas de deux cooperativo entre o dragão e o elefante é a única escolha certa para ambos os lados.

Como os dois maiores países em desenvolvimento, a China e a Índia têm a tarefa compartilhada de acelerar o desenvolvimento e a revitalização de nossos países. Há todos os motivos para nos apoiarmos mutuamente, em vez de nos prejudicar, e trabalharmos um com o outro, em vez de nos protegermos um do outro. Esse é o caminho que realmente atende aos interesses fundamentais dos dois países e povos.

Como duas civilizações antigas, temos sabedoria e capacidade suficientes para manter a paz e a tranquilidade nas áreas de fronteira enquanto aguardamos uma solução justa e razoável. Nunca devemos permitir que as relações bilaterais sejam definidas pela questão da fronteira ou que diferenças específicas afetem o quadro geral de nossos laços bilaterais.

Como membros importantes do Sul Global, temos a responsabilidade de assumir a liderança na oposição ao hegemonismo e à política de poder. Devemos não apenas proteger os direitos e interesses legítimos de nossos países, mas também defender as normas básicas que regem as relações internacionais. Quando a China e a Índia derem as mãos, as perspectivas de maior democracia nas relações internacionais e de um Sul Global mais forte melhorarão muito.

Este ano marca o 75º aniversário das relações diplomáticas entre a China e a Índia. A China está pronta para trabalhar com a Índia para resumir a experiência do passado, forjar um caminho para o futuro e avançar as relações entre a China e a Índia na trilha de um desenvolvimento sólido e estável.

Serviço de notícias da China: No ano passado, a China evacuou e trouxe de volta em segurança mais de 10.000 de seus cidadãos estrangeiros. Recentemente, crimes transfronteiriços, como jogos de azar on-line e fraudes em telecomunicações, receberam muita atenção do público. Com mais chineses viajando para o exterior, como o Ministério das Relações Exteriores protegerá melhor os direitos e interesses legítimos dos cidadãos chineses no exterior?

Wang Yi: A liderança central do Partido se preocupa muito com os cidadãos chineses no exterior e sempre mantém o bem-estar e a segurança deles em mente. Em 2024, além de evacuar com segurança mais de 10.000 cidadãos chineses do Líbano, do Haiti e de outras áreas de alto risco, processamos mais de 50.000 casos de proteção consular, atendemos mais de 500.000 chamadas na linha direta de serviço consular 12308 e emitimos mais de 5.000 alertas de segurança. Nosso objetivo é: Não importa onde você esteja, a pátria nunca estará longe.

Os jogos de azar on-line e as fraudes em telecomunicações são um assunto de grande preocupação para a população e, portanto, uma questão sobre a qual devemos manter um controle firme. Recentemente, graças ao apoio dos líderes da China e dos países vizinhos, as autoridades policiais e os serviços diplomáticos realizaram uma cooperação transfronteiriça eficaz e se esforçaram ao máximo para salvar os cidadãos chineses presos. Os parques de fraudes de telecomunicações no norte de Mianmar, perto da fronteira com a China, foram todos removidos. Na região da fronteira entre a Tailândia e Mianmar, a China uniu forças com a Tailândia, Mianmar e Laos para reprimir a fraude em telecomunicações. Nossa missão é: cortar as mãos predatórias que visam os cidadãos chineses e remover o câncer da fraude em telecomunicações.

Em 2025, vamos nos concentrar em três aspectos para fortalecer o sistema de proteção de segurança para cidadãos e interesses chineses no exterior: Primeiro, criaremos uma plataforma de cooperação internacional para proteger a segurança dos cidadãos estrangeiros. Aprofundaremos a cooperação em proteção de segurança com outros países, especialmente com os países parceiros da BRI e os países do Lancang-Mekong, e expandiremos o “círculo de amigos” para assistência mútua. Em segundo lugar, faremos bom uso da linha direta do serviço consular para fornecer consultas e assistência 24 horas por dia, 7 dias por semana, sem diferença de horário. Em terceiro lugar, aprimoraremos o mecanismo de coordenação de alerta de risco e resposta a emergências, oferecendo proteção consular mais eficiente aos chineses no exterior e garantias à população.

A coletiva de imprensa durou 90 minutos.

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Como seria uma futura Faixa de Gaza sob o plano de US$ 53 bilhões do Egito https://www.ocafezinho.com/2025/03/05/como-seria-uma-futura-faixa-de-gaza-sob-o-plano-de-us-53-bilhoes-do-egito/ Wed, 05 Mar 2025 15:58:11 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=203427 O esquema, apoiado pela Liga Árabe, busca remodelar a paisagem urbana do enclave palestino e alcançar o “desenvolvimento sustentável”

O plano de US$ 53 bilhões do Egito para a reconstrução de Gaza, apoiado pela Liga Árabe na terça-feira, tem uma visão ambiciosa para o futuro arquitetônico do enclave palestino devastado pela guerra.

O plano de 91 páginas, compartilhado com o Middle East Eye por autoridades antes da extraordinária cúpula árabe, propõe um novo caráter urbano para a arquitetura pós-guerra de Gaza, combinando a herança palestina com tecnologia e designs modernos.

Foi uma contraproposta à declaração do presidente dos EUA, Donald Trump, no mês passado, de que ele pretende tomar Gaza e transformá-la em um centro turístico, ao mesmo tempo em que desloca sua população palestina .

O plano egípcio, por outro lado, rejeita o deslocamento de palestinos e busca reconstruir o enclave sem despovoá-lo.

“Enraizada como uma oliveira, inabalável e eterna” é o lema da visão.

“A oliveira não é apenas uma planta; ela simboliza resiliência e herança na cultura palestina. Com raízes que se aprofundam na terra, ela se agarra firmemente apesar das dificuldades, refletindo a força da identidade palestina e sua profunda conexão com a terra”, diz o documento.

De acordo com o plano, os elementos de projeto arquitetônico propostos incluem o uso da pedra de Jerusalém, um tipo de calcário usado na construção de edifícios em Jerusalém e áreas vizinhas.

Ele também usa arcos pontiagudos, uma característica arquitetônica característica da Palestina usada em mesquitas e igrejas, juntamente com cúpulas e abóbadas.

Uma seleção de marcos arquitetônicos e projetos palestinos dos quais o plano egípcio diz que busca se basear | presidência egípcia

Edifícios residenciais

Os edifícios residenciais, de acordo com o plano, são inspirados na herança árabe e islâmica, com um toque moderno.

Ele incorpora designs modernos que garantem “conforto e sustentabilidade”, enquanto usa “materiais de construção tradicionais”, como pedra natural. As estratégias de planejamento buscarão promover “interação social e identidade cultural”, diz o plano.

Edifícios residenciais em Gaza, imagem gerada por IA, plano de Gaza do Egito 

Setor de serviços

Assim como os edifícios residenciais, o projeto arquitetônico do setor de serviços incorpora elementos modernos e tradicionais.

Exemplo de um edifício do setor de serviços de acordo com o plano de Gaza do Egito 

“O uso de calcário ou concreto branco reflete o estilo arquitetônico árabe local, ao mesmo tempo em que reduz a absorção de calor, melhorando a eficiência energética dentro dos edifícios”, afirma o plano.

“Arcos repetidos em janelas e fachadas criam uma estética islâmica distinta ao mesmo tempo em que permitem iluminação natural eficiente, reduzindo a necessidade de iluminação artificial durante o dia.”

Mostrando o que parece ser um prédio universitário, o plano propõe “pátios multiuso” para servir como “centros sociais e de atividades dinâmicos para os alunos”.

“A ênfase em materiais naturais e grandes aberturas garante uma mistura harmoniosa de identidade histórica e padrões de construção modernos, criando um ambiente educacional distinto e sustentável”, acrescenta.

 Exemplo de um edifício educacional de acordo com o plano de Gaza do Egito

Exemplo de um edifício comercial de acordo com o plano de Gaza do Egito

Construção de aeroporto de acordo com o plano egípcio para Gaza 

Prédios governamentais

Os edifícios governamentais também são “projetados para refletir um ambiente de trabalho moderno e sustentável, alinhado aos padrões de arquitetura inteligente e integração ambiental”.

Prédio do governo de Gaza de acordo com o plano do Egito

Interior de um edifício do governo de Gaza de acordo com o plano do Egito

Áreas industriais e agrícolas

O plano prevê projetos “sustentáveis” para áreas industriais e agrícolas.

“O projeto segue os princípios do desenvolvimento verde e da fabricação sustentável, garantindo a harmonia entre a preservação ambiental e a eficiência industrial”, diz o documento.

Uma área agrícola de Gaza de acordo com o plano do Egito 

Moradia temporária

A fase inicial de recuperação do plano inclui a construção de unidades habitacionais temporárias para aproximadamente 1,5 milhão de pessoas deslocadas. As casas serão feitas de contêineres marítimos e cada unidade abrigará uma média de seis pessoas.

Uma imagem gerada por IA para unidades habitacionais temporárias, de acordo com o plano de Gaza elaborado pelo Egito

Publicado originalmente pelo MEE em 05/03/2025

Por Sondos Asem

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Wang Yi afirma que China responderá ‘resolutamente’ a qualquer ‘intimidação’ dos EUA https://www.ocafezinho.com/2025/02/14/wang-yi-afirma-que-china-respondera-resolutamente-a-qualquer-intimidacao-dos-eua/ https://www.ocafezinho.com/2025/02/14/wang-yi-afirma-que-china-respondera-resolutamente-a-qualquer-intimidacao-dos-eua/#respond Sat, 15 Feb 2025 01:27:14 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=201942

O ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, afirmou nesta sexta-feira que Pequim responderá com firmeza a qualquer prática de “intimidação unilateral” por parte dos Estados Unidos. A declaração foi feita durante a Conferência de Segurança de Munique, na Alemanha.

Wang destacou que a China deseja construir relações “estáveis, saudáveis e sustentáveis” com os EUA, mas alertou que, caso Washington insista em suprimir e conter a China, Pequim não terá outra opção senão responder à altura.

Ele enfatizou que o mundo não pode suportar um conflito entre as duas potências e que a melhor abordagem é o respeito mútuo. Além disso, classificou como “irrealista” qualquer tentativa de derrubar o sistema político chinês.

Sobre Taiwan, Wang defendeu que a comunidade internacional apoie a reunificação da ilha com o continente.

Assista o vídeo no link abaixo:

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Transcrição completa da fala de Wang Yi:

“Caros amigos e colegas, o mundo em que vivemos está cada vez mais turbulento e em transformação. Muitos se perguntam para onde estamos indo. Se me permitirem tomar emprestado o tema do Relatório de Segurança de Munique deste ano, a resposta é clara: estamos caminhando para a multipolaridade.

Quando as Nações Unidas foram fundadas, há 80 anos, contavam com apenas 51 Estados-membros. Hoje, 193 países compartilham o mesmo barco. A multipolaridade não é apenas uma inevitabilidade histórica, mas está se tornando uma realidade concreta.

No entanto, será que um mundo multipolar trará caos, conflitos e confrontos? Significará a dominação dos países mais poderosos sobre os mais fracos? A resposta da China é clara: devemos construir um mundo multipolar igualitário e ordenado. Essa é uma proposta central do presidente Xi Jinping e reflete nossa sincera expectativa para a nova ordem global. A China será, sem dúvida, um fator de estabilidade nesse sistema e uma força construtiva em tempos de mudança.

É fundamental defender a igualdade entre os países. As rivalidades entre grandes potências trouxeram desastres à humanidade, como evidenciado pelas duas guerras mundiais. Sistemas desiguais, como o colonialismo e a estrutura centro-periferia, estão fadados ao colapso.

Hoje, há um movimento global por independência e autonomia, e a democratização das relações internacionais é uma tendência irreversível. Direitos iguais, oportunidades iguais e regras iguais devem ser os princípios fundamentais de um mundo multipolar.

Com base nesse princípio, a China defende a igualdade entre todos os países, independentemente de seu tamanho ou poder econômico, e apoia o aumento da representatividade das nações em desenvolvimento no sistema internacional. Isso não levará a um “Ocidente sem rumo”, mas sim a resultados positivos para todos.

A Conferência de Segurança de Munique tem convidado cada vez mais representantes do Sul Global, uma decisão sábia. Todas as nações devem ter voz e espaço para desempenhar seu papel na nova ordem mundial.

Também é essencial respeitar o direito internacional. Há um antigo ditado chinês que diz: “Não se pode desenhar círculos e quadrados sem compassos e réguas”, ou seja, nada pode ser realizado sem normas e padrões.

Os propósitos e princípios da Carta da ONU são fundamentais para a governança global e devem ser a base da multipolaridade. O mundo vive um período de desordem, em grande parte porque alguns países acreditam que “a força faz o direito” e abriram a “Caixa de Pandora” da lei do mais forte.

Na realidade, todas as nações, grandes ou pequenas, têm interesse na preservação do direito internacional. A multipolaridade não deve ser sinônimo de caos sem regras. Quem está na mesa de negociações hoje pode estar no cardápio amanhã.

Os países mais poderosos devem dar o exemplo, cumprindo suas palavras e respeitando o direito internacional, sem jogos de soma zero. Com essa visão, a China defende firmemente a autoridade do direito internacional e cumpre suas responsabilidades globais.

Somos membros de quase todas as organizações intergovernamentais universais e signatários de mais de 600 convenções internacionais. Não praticamos excepcionalismo, nem escolhemos quais regras seguir.

Quero enfatizar que não deve haver padrões duplos na observância do direito internacional. Respeitar a soberania e a integridade territorial de todos os países significa apoiar a reunificação completa da China.

Praticar o multilateralismo é essencial para enfrentar desafios globais. Nenhum país está imune às crises globais, e uma abordagem egoísta nas relações internacionais só leva a um resultado negativo para todos.

As Nações Unidas têm sido a pedra angular do multilateralismo há quase 80 anos e serão ainda mais essenciais no mundo multipolar do futuro. Devemos fortalecer suas bases, em vez de enfraquecer suas estruturas. Devemos assumir responsabilidades coletivas na governança global, em vez de buscar apenas interesses individuais.

Por essa razão, a China defende um multilateralismo genuíno e um modelo de governança global baseado em ampla consulta, contribuição conjunta e benefícios compartilhados. Mantemos nosso compromisso com a ONU, contribuindo com mais de 20% de seu orçamento regular.

Assumimos seriamente nossos compromissos no Acordo de Paris sobre mudanças climáticas e construímos o maior sistema de energia limpa do mundo. Além disso, lançamos e implementamos iniciativas como a Iniciativa de Desenvolvimento Global, a Iniciativa de Segurança Global e a Iniciativa de Civilização Global, fornecendo bens públicos essenciais para melhorar a governança mundial.

A abertura e o benefício mútuo devem ser prioridades. O desenvolvimento é a chave para solucionar muitos dos problemas globais. O mundo multipolar deve ser um espaço onde todas as nações crescem juntas.

O protecionismo não oferece saída, tarifas arbitrárias não produzem vencedores e a “desvinculação econômica” apenas reduz oportunidades. Cercas altas e espaços restritos acabam prejudicando aqueles que os impõem.

Devemos promover a cooperação aberta e apoiar um mundo multipolar com uma globalização econômica inclusiva e benéfica para todos.

A China continua comprometida em compartilhar oportunidades de desenvolvimento com o mundo. Um estudioso australiano nos chamou de “facilitadores”, uma definição apropriada. Com um crescimento do PIB de 5% no ano passado, contribuímos para quase 30% do crescimento econômico global, impulsionando a economia mundial e abrindo nosso mercado gigante para outras nações.

Também estamos dispostos a alinhar a Iniciativa do Cinturão e Rota com a estratégia Global Gateway da União Europeia, fortalecendo parcerias para beneficiar o mundo inteiro.

A China sempre enxergou a Europa como um pilar fundamental no mundo multipolar. As duas partes são parceiras, não rivais.

Este ano marca o 50º aniversário das relações diplomáticas entre a China e a União Europeia. Aproveitando essa oportunidade, queremos aprofundar a comunicação estratégica e ampliar a cooperação mutuamente benéfica.

Juntos, podemos conduzir o mundo a um futuro mais pacífico, seguro, próspero e progressista.

Muito obrigado.”

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COP 30 – Debater as causas da crise climática, construir alianças e avançar na transição ecológica justa e democrática, por Nilto Tatto https://www.ocafezinho.com/2025/01/28/cop-30-debater-as-causas-da-crise-climatica-construir-aliancas-e-avancar-na-transicao-ecologica-justa-e-democratica-por-nilto-tatto/ https://www.ocafezinho.com/2025/01/28/cop-30-debater-as-causas-da-crise-climatica-construir-aliancas-e-avancar-na-transicao-ecologica-justa-e-democratica-por-nilto-tatto/#respond Tue, 28 Jan 2025 14:44:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=201228 Na medida em que nos aproximamos da realização da COP 30 – Conferência das Nações Unidas sobre Clima – vai se formando na sociedade brasileira um espaço de debate público sobre o significado e as expectativas em relação ao evento. Com exceção dos segmentos negacionistas minoritários, para os quais as alterações do clima não passam de invenção de esquerdistas comunistas, prevalece na população, nos meios de comunicação, no meio acadêmico e cultural, no judiciário, no parlamento, nos movimentos sociais, no setor empresarial e nas organizações não governamentais, uma clara percepção dos problemas e riscos associados ao clima e ao meio ambiente. Devemos aproveitar o processo preparatório da COP para ampliar esse debate, buscando dar o salto da percepção difusa para formas críticas de organização, solidariedade e luta em prol das transformações necessárias para reverter as causas e consequências da crise climática-ambiental, fazendo avançar projetos alternativos de desenvolvimento.

Para o campo democrático e popular, o caminho do enfrentamento da crise climática é inseparável da luta pela justiça social e por uma sociedade igualitária, digna, ética e próspera. Esse entendimento é essencial para superar os tempos de incertezas e ceticismos sobre o futuro da humanidade, contrapondo um projeto renovado e esperançoso de emancipação fundado na defesa da vida, do bem comum e da natureza resgatada como fundamento e fim da existência individual e coletiva.

A possibilidade histórica desse futuro desejado depende, antes de tudo, de imaginação e vontade, mas ao mesmo tempo de crítica ao existente e capacidade de propor o novo. Um novo aderente à realidade, necessidades e demandas do conjunto da sociedade, notadamente das amplas camadas populares excluídas do proclamado progresso do capitalismo. Para essas, a crise climática-ambiental ganha concretude nas lutas por trabalho, moradia, saúde, transporte, educação, alimento, terra e território, condições sem as quais nem o presente está assegurado e o futuro perde sentido.

Nessa perspectiva, a COP 30 se reveste de grande significado. Primeiro, porque é o espaço mais importante a nível global que busca alinhar as nações em torno do objetivo comum de enfrentar a mudança do clima e suas consequências, o maior imperativo da atualidade. Uma missão necessária mais do que nunca frente ao ascenso de governos negacionistas, como o de Donald Trump, nos EUA, e o crescimento da extrema direita em todas as partes. E segundo, porque a liderança da COP 30 pelo Brasil representa a possibilidade de retomar o tempo perdido desde a celebração do Acordo de Paris, de forma mais pragmática.

A possibilidade dessa retomada repousa na credibilidade e capacidade de negociação e construção de convergências do governo brasileiro, reforçada agora com a designação pelo Presidente Lula do embaixador André Aranha Corrêa do Lago, atual Secretário de Clima, Energia e Meio Ambiente do Ministério das Relações Exteriores, como Presidente da COP 30. O embaixador terá ao seu lado Ana Toni, Secretária Nacional de Mudança do Clima do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), como diretora-executiva (CEO) da Conferência, também escolhida pelo Presidente Lula. Ambos desfrutam de reconhecida reputação no plano interno e a nível internacional, razão pela qual seus nomes foram celebrados pelos interlocutores das Nações Unidas.

Contudo, a maior força do Brasil na COP reside no compromisso e nos resultados que o país vem alcançando na implementação do Acordo de Paris, malgrado os quatro anos de retrocesso e negacionismo do governo bolsonarista. Não se trata apenas da retomada do protagonismo do governo no âmbito da agenda global, da reconstrução das instituições ambientais do país e da posta em marcha de um Plano de Transformação Ecológica. A força vem também da sociedade civil organizada, dos movimentos socioambientalistas e de uma vanguarda do setor empresarial que se opõe ao obscurantismo climático de parte do agronegócio e de outras frações reacionárias da sociedade brasileira.

Tanto no governo como entre os atores da sociedade comprometidos com os objetivos da COP existem contradições, e ainda não formamos um bloco democrático, progressista e hegemônico com unidade suficiente para sustentar um projeto de transformações alinhadas com os desafios da crise climática-ambiental; mas é inegável que o país avança nessa direção.

É esse contexto – de resgate da democracia, de conquistas ambientais e da busca de um projeto de país justo e sustentável – que credencia o Brasil para cumprir um papel histórico na condução da COP 30.

Isolados os sabotadores do clima e do meio ambiente e reconhecidas criticamente as mazelas históricas do colonialismo ainda vigentes, o país é um campo aberto de inovação em todas as áreas, megadiverso, multiétnico, e plural em modos de vida e projetos de sociedade. As formas de relação dos povos indígenas e das comunidades tradicionais com a natureza, as agriculturas sustentáveis praticadas em diferentes escalas, a produção de energias renováveis, a presença de movimentos populares que lutam por cidades verdes e acolhedoras, as universidades e os centros de pesquisa, as instituições consolidadas que não toleram retrocessos democráticos, a vitalidade cultural, tudo isso o país quer oferecer à COP e ao mundo como inspiração e abertura para um novo período de mobilização global pelo clima.

Tendo o que dizer e mostrar, o país também deve ter a clareza do legado que quer deixar. No atual conjuntura de baixa implementação do Acordo de Paris e de ameaças de retrocessos ainda maiores, talvez a maior ambição que se possa ter seja a manutenção do ímpeto e alinhamento das nações com a agenda climática. Para além dessa condição, não será possível uma transição justa sem que os países desenvolvidos façam a sua parte, principalmente aportado aos países em desenvolvimento os recursos necessários para as medidas de adaptação e mitigação das emissões.

Um resultado altamente desejável, considerando a importância da Amazônia continental para a agenda climática, seria a aprovação de um projeto unificado de desenvolvimento da Panamazônia, a ser executado de forma cooperada e soberana pelos países da OTCA, com participação e protagonismo da Coordenação das Organizações Indígenas da Bacia Amazônica (COICA) e demais movimentos sociais e populares da região.

Tanto a mobilização dos atores internos como a concertação entre os países representam um tremendo desafio para o embaixador André Lago e sua equipe. Uma jornada que demanda apoio e engajamento da sociedade e do poder público. De nossa parte, na condição de parlamentar do Partido dos Trabalhadores e coordenador da Frente Parlamentar Ambientalista, faremos o que estiver ao alcance para mobilizar e trazer as contribuições para a agenda da COP 30.

De imediato, além de propormos a criação de uma Comissão Externa de acompanhamento e participação na COP 30, iremos atualizar a pauta da Frente Parlamentar Ambientalista – que expressa demandas e propostas construídas em diálogo com a sociedade, promove a transição ecológica do país e contribui para o alcance das metas do Acordo de Paris e dos demais tratados e convenções relacionadas ao desenvolvimento sustentável. Ao mesmo tempo, nos mobilizarmos para evitar que prospere no Congresso Nacional a pauta de retrocessos ambientais e dos direitos humanos conquistados pela sociedade brasileira.

Como escreveu Gramsci, há momentos na história em que “o velho está morrendo e o novo não pode nascer; nesse interregno, uma grande variedade de sintomas mórbidos aparece”. As crises que assolam a humanidade indicam esse interregno histórico. Façamos da COP 30 um sopro para espantar o desalento, revigorar a esperança e fortalecer as lutas que emergem em todas as partes trazendo o novo.


*Nilto Tatto é deputado federal (PT-SP). É o presidente da Frente Parlamentar Ambientalista da Câmara dos Deputados e vice-líder da bancada do PT. É um ambientalista, administrador e político brasileiro, filiado ao Partido dos Trabalhadores desde o início dos anos 1980.

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Elias Jabbour: China supera sanções e avança para autossuficiência tecnológica https://www.ocafezinho.com/2025/01/01/elias-jabbour-china-supera-sancoes-e-avanca-para-autossuficiencia-tecnologica/ https://www.ocafezinho.com/2025/01/01/elias-jabbour-china-supera-sancoes-e-avanca-para-autossuficiencia-tecnologica/#respond Wed, 01 Jan 2025 12:55:13 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=199606 Xi Jinping sobre 2024: “crescemos na tempestade”

Por Elias Jabbour, professor associado da Faculdade de Ciências Econômicas da Unversidade do Estado do Rio de Janeiro

Em um forte discurso em decorrência do ano novo o presidente chinês, Xi Jinping, renovou a confiança de continuidade da trajetória de desenvolvimento da China.

Tratou-se de um verdadeiro, mas sintético balanço de um ano que marcou tanto o 75º aniversário de fundação da República Popular da China quanto a 3ª sessão plenária do 20º Comitê Central do Partido Comunista da China, ressaltando que os resultados desta reunião serão marcados pelo aprofundamento das reformas e abertura de um caminho mais promissor.


Mesmo em meio a mudanças e turbulências jamais vistas nos últimos anos, a China avançou em todos os aspectos. Desde a economia até a questões relativas a mudanças na governança e a promoção da paz mundial e a rápida promoção de energia baseada em baixo carbono. Segundo o líder chinês:


“Lidamos ativamente com os impactos causados pelas mudanças nos ambientes interno e externo através de um conjunto de políticas, promovendo com passos firmes o desenvolvimento de alta qualidade.

A economia do país voltou a crescer e apresenta uma tendência otimista, com a previsão de que o PIB superará 130 trilhões de yuans neste ano. A produção de grãos ultrapassou 700 milhões de toneladas. O desenvolvimento regional obteve progresso coordenado, consolidando as realizações que já alcançamos.

A nova urbanização e o revigoramento rural alcançaram o desenvolvimento integrado com uma perfeita sinergia. O desenvolvimento verde e de baixo carbono foi expandido a níveis mais profundos, revelando assim um cenário de uma bela China”.


Um estudo aprofundado do discurso de Xi Jinping demonstra que uma série de esforços empreendidos pelo país, principalmente no 14º Plano Quinquenal que se encerrará em 2025. Nos últimos quatro anos a China avançou de forma surpreendente na construção de sua soberania alimentar com a elevação constante das colheitas.

Trata-se de um projeto prioritário para que o país dependa menos do exterior e resultado de políticas de sucesso como o de “revitalização rural”. A economia chinesa está passando por uma grande transição marcada pelo advento de “novas forças produtivas de qualidade”, contribuindo para uma dinâmica mais centrada na inovação tecnológica e na promoção de cadeias produtivas baseadas em baixa emissão de carbono.


O presidente chinês nos trouxe alguns dados fundamentais para entender este novo cenário: “A produção anual de veículos de nova energia bateu a casa de 10 milhões de unidades, e novos resultados foram alcançados nos setores de circuito integrado, inteligência artificial e comunicação quântica.

A missão Chang’e-6 coletou pela primeira vez amostras do lado oculto da Lua, o navio Mengxiang explorou as profundezas do oceano, a Ligação Shenzhen-Zhongshan conecta as duas cidades através do mar, e a estação de pesquisa Qinling foi erguida no campo de gelo na Antártica”.


Os dados demonstram o que já é muito claro para o público especializado: a China avança no rumo de sua autossuficência tecnológica apesar da tentativa desesperada dos Estados Unidos em impedir este avanço.

Muitos especialistas não percebem que a China construiu ao longo das últimas décadas um grande edifício industrial e financeiro que serve de base a um sistema nacional de ciência e tecnologia capaz de lidar com os maiores desafios.

A economia chinesa, baseada na propriedade pública da grande produção e do sistema financeiro, vai demonstrando superioridade. Superioridade esta que vai além da competição com outros países. É a superioridade do socialismo com características chinesas.


Neste contexto de elevação do poderio econômico chinês, as contribuições do país para a estabilidade mundial ocorrem de forma concreta. Neste discurso de ano novo, o presidente Xi Jinping nos lembra de uma série de iniciativas chinesas no exterior, conforme suas próprias palavras, “aprofundando a solidariedade e a cooperação com o Sul Global”.

Trata-se, principalmente do papel cumprido pela China com a Iniciativa Cinturão e Rota que se trata atualmente do maior programa de investimentos em infraestruturas e cooperação em vários níveis jamais vistos na história humana.

São milhares de projetos conjuntos entre a China e mais de 100 países do mundo de promoção de ligações por terra e mar, levando possibilidades novas de desenvolvimento econômico aos países mais pobres e vulneráveis. Trata-se de uma globalização promovida pela China baseada em princípios de solidariedade e respeito mútuo em detrimento da escalada de guerras, sanções, cercos e bloqueios promovidos pelas potências ocidentais contra países que buscam seus próprios caminhos para a promoção do desenvolvimento.


O discurso de ano novo é um ato que ocorre em todo último dia do ano. O que percebemos de diferente neste discurso em 2024 é a demonstração de adiantamento de resultados promissores do 14º Plano Quinquenal e apontando que a China tem construído seu próprio caminho para enfrentar as grandes adversidades do cenário externo.

Como já dissemos mais acima, poucos percebem, mas a governança chinesa preparou-se muito bem nas últimas décadas para a chegada de um momento onde seu desenvolvimento iria passar por grandes provas e testes. O discurso de ano novo de Xi Jinping é uma matéria a ser lida e estudada pelos interessados no presente e no futuro da China.

Escrito em colaboração com o Grupo de Mídia da China.

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Rede de trens de alta velocidade da China atinge a marca de 47 mil quilômetros! https://www.ocafezinho.com/2024/12/26/rede-de-trens-de-alta-velocidade-da-china-atinge-a-marca-de-47-mil-quilometros/ https://www.ocafezinho.com/2024/12/26/rede-de-trens-de-alta-velocidade-da-china-atinge-a-marca-de-47-mil-quilometros/#respond Thu, 26 Dec 2024 13:14:33 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=199374


PEQUIM — O comprimento total das ferrovias de alta velocidade em operação na China atingiu cerca de 47.000 km, de acordo com a Administração Ferroviária Nacional nesta quinta-feira.

O total da malha ferroviária em operação no país alcançou 162.000 km, conforme revelado em uma conferência de trabalho da administração.

Fei Dongbin, chefe da administração, afirmou que o investimento em ativos fixos no setor ferroviário da China deve superar 800 bilhões de yuans (US$ 111,3 bilhões) em 2024.

Um total de 3.000 km de novas linhas entrou em operação este ano, incluindo cerca de 2.300 km de ferrovias de alta velocidade, disse Fei.

“O desenvolvimento de alta qualidade do setor ferroviário tem apoiado o momento de recuperação econômica da China”, disse Fei, citando o crescimento constante no número de passageiros e no volume de cargas transportados pelas ferrovias.

A previsão é que as ferrovias chinesas transportem 4,3 bilhões de passageiros em 2024, um aumento de 11,7% em relação ao ano anterior. Já o volume de transporte de cargas ferroviárias deverá crescer cerca de 3% ano a ano, alcançando 5,18 bilhões de toneladas, de acordo com a administração.

A robusta mobilidade reflete claramente o momento positivo na recuperação econômica mais ampla da China, impulsionada por uma série de políticas de estímulo ao crescimento.

O aumento no transporte ferroviário de passageiros também está estreitamente ligado ao florescimento do setor de turismo na China. Políticas governamentais, incluindo medidas para estimular o consumo e ampliar a política de trânsito sem visto no país, têm despertado crescente interesse entre viajantes domésticos e internacionais.

Com informações da China Daily
Atualizado em: 26-12-2024 15:40

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Sachs desconstrói mentiras da mídia ocidental contra a China https://www.ocafezinho.com/2024/12/10/sachs-desconstroi-mentiras-da-midia-ocidental-contra-a-china/ https://www.ocafezinho.com/2024/12/10/sachs-desconstroi-mentiras-da-midia-ocidental-contra-a-china/#respond Tue, 10 Dec 2024 18:52:43 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=198381

Por décadas, parte da mídia ocidental previu repetidamente o colapso iminente da economia chinesa. Argumentos como crescimento desacelerado, problemas no setor imobiliário e aumento da dívida têm sido usados para sustentar essas previsões alarmistas. No entanto, a economia chinesa permanece resiliente, destacando-se como uma força global que tirou milhões da pobreza e se consolidou como a segunda maior economia mundial. No contexto de tais narrativas, o renomado economista Jeffrey Sachs descontrói as falácias desses argumentos em uma entrevista esclarecedora para a CGTN. Este texto explora os principais pontos levantados por Sachs e reflete sobre como eles reposicionam o debate sobre a economia chinesa no cenário global.

Desde os anos 1990, narrativas negativas sobre a economia chinesa têm ganhado espaço no discurso ocidental. Sachs destaca que essas previsões catastróficas não são novidade, mas frequentemente baseadas em retóricas propagandísticas. Ele menciona o famoso artigo “The Myth of the East Asian Miracle”, que utilizou a crise financeira asiática de 1997 como evidência para afirmar que o crescimento econômico da China estava próximo do fim. Décadas depois, a China não apenas refutou essas previsões, como também se tornou líder global em diversas tecnologias avançadas, incluindo energia de baixo carbono, sistemas ferroviários de alta velocidade e tecnologia 5.5G, exemplificando a rápida inovação tecnológica do país.

Sachs é enfático ao apontar que a abordagem da mídia ocidental em relação à China não está fundamentada em análises objetivas, mas em interesses geopolíticos. Segundo ele, o principal “problema” com a economia chinesa não é sua fraqueza, mas sim seu sucesso. Ele ressalta que os Estados Unidos têm adotado políticas deliberadas para desacelerar o crescimento da China, incluindo tarifas impostas desde o governo Trump, banimentos de exportação de tecnologias avançadas, como semicondutores, e campanhas para minar a iniciativa “Belt and Road”.

A comparação com o Japão dos anos 1980, frequentemente usada pela mídia ocidental, também é desmontada por Sachs. Ele explica que o fim do crescimento acelerado japonês foi um resultado direto de políticas americanas que forçaram a valorização do iene e limitaram as exportações japonesas. Sachs argumenta que a China está em uma posição muito mais forte, com alternativas econômicas que não dependem de submissão a pressões externas, além de não estar sob a “proteção” de segurança dos Estados Unidos, como era o caso do Japão.

Outro ponto crucial levantado na entrevista é a ideia de que o modelo econômico chinês está ultrapassado. Sachs refuta essa afirmação, citando a liderança da China em setores estratégicos, como veículos elétricos. Ele destaca que a competição no setor automobilístico chinês tem sido intensa, resultando em avanços tecnológicos significativos e permitindo que o país se posicione como líder mundial em vendas de veículos elétricos. Essa trajetória contrasta com a narrativa de que o governo chinês sufoca o empreendedorismo e inibe a inovação.

Sachs também elogia a estratégia industrial da China, especialmente a iniciativa “Made in China 2025”, que definiu como um dos programas mais bem-sucedidos na história recente. Ele argumenta que essa estratégia gerou temores nos Estados Unidos, que, em resposta, intensificaram medidas para conter o avanço chinês. Essas políticas, segundo Sachs, refletem mais a incapacidade dos EUA de aceitar a ascensão de uma potência econômica concorrente do que uma avaliação realista do desempenho econômico da China.

No entanto, Sachs não ignora os desafios enfrentados pela China. Ele reconhece questões como a demanda interna fraca, dificuldades operacionais das empresas, dívidas locais e taxas de desemprego entre os jovens. Ainda assim, ele enfatiza que muitos desses problemas são exacerbados pelo ambiente externo hostil criado por políticas americanas. A solução, segundo ele, reside na expansão de iniciativas como o “Belt and Road” e no fortalecimento de investimentos públicos em áreas estratégicas, como energia verde e transformação digital.

Sachs também aborda a importância de olhar além de indicadores econômicos superficiais, como taxas de crescimento do PIB, que, segundo ele, não capturam plenamente as inovações tecnológicas e mudanças qualitativas na economia. Ele afirma que a China, como produtora de alta qualidade e baixo custo em áreas tecnológicas cruciais, está bem posicionada para liderar a economia global nas próximas décadas.

O economista critica a insistência do Ocidente em impor sua visão econômica como única correta, apontando que essa abordagem ignora as particularidades e sucessos do modelo chinês. Ele conclui que as narrativas ocidentais sobre o colapso da China são, na verdade, reflexos de um desconforto geopolítico frente à ascensão de um modelo alternativo e bem-sucedido.

Em síntese, Jeffrey Sachs oferece uma análise contundente e bem fundamentada que desconstrói as falácias propagadas pela mídia ocidental. Ele mostra como a economia chinesa, longe de estar em colapso, continua a moldar o cenário global por meio de inovação e estratégias de desenvolvimento robustas. Essa perspectiva não apenas desafia a narrativa predominante, mas também nos convida a reconsiderar como interpretamos os sucessos e desafios de um dos atores mais importantes da economia mundial.

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Xi Jinping alinha discurso com Lula e defende “sinergia” entre projetos do Brasil e Rota da Seda https://www.ocafezinho.com/2024/11/17/xi-jinping-alinha-discurso-com-lula-e-defende-sinergia-entre-projetos-do-brasil-e-rota-da-seda/ https://www.ocafezinho.com/2024/11/17/xi-jinping-alinha-discurso-com-lula-e-defende-sinergia-entre-projetos-do-brasil-e-rota-da-seda/#comments Sun, 17 Nov 2024 13:16:56 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=197108 1 Comentário 🔥]]> “Vamos promover continuamente o reforço das sinergias entre a Iniciativa Cinturão e Rota e as estratégias de desenvolvimento do Brasil”, diz Xi, em artigo publicado hoje na Folha. A expressão é a mesma usada pelo chefe da assessoria do presidente Lula, Celso Amorim, e pelo secretário para Ásia e Pacífico, Eduardo Saboia, e sinaliza alinhamento do discurso entre os serviços diplomáticos de ambos os países.

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China-Brasil: Com futuro compartilhado e amizade que supera distâncias é hora de navegarmos juntos sob velas cheias.

Em artigo para a Folha às vésperas da cúpula do G20, líder chinês, Xi Jinping, destaca parceria em várias áreas e diz ser preciso reformar FMI, Banco Mundial e OMC.

Por Xi Jinping, presidente da China

A convite do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, realizarei em breve uma visita de Estado à República Federativa do Brasil e participarei da Cúpula de Líderes do G20 no Rio de Janeiro.

O Brasil tem território vasto, recursos ricos, paisagens deslumbrantes e culturas diversas, e é um país do qual o povo chinês gosta muito. Há mais de 200 anos, o chá, a lichia, as especiarias e as porcelanas atravessaram mares e chegaram ao Brasil, daí se criou uma ponte de intercâmbio econômico e comercial entre os dois países e nasceram os laços de intercâmbio amigável entre chineses e brasileiros.


As relações diplomáticas China-Brasil, estabelecidas em 15 de agosto de 1974, têm resistido às mudanças e turbulências na situação internacional nesses 50 anos e são cada vez mais maduras e dinâmicas. Têm promovido efetivamente o desenvolvimento dos dois países, contribuído positivamente para a paz e a estabilidade do mundo e oferecido um exemplo de cooperação ganha-ganha e futuro compartilhado entre dois grandes países em desenvolvimento.

China e Brasil sempre persistem em respeito mútuo e tratamento em pé de igualdade. Entendem e apoiam os caminhos de desenvolvimento que o povo chinês e o povo brasileiro escolheram. O Brasil foi o primeiro país a estabelecer uma parceria estratégica com a China e o primeiro país da América Latina e Caribe a estabelecer uma parceria estratégica global com Pequim.

Os dois países têm um relacionamento que sempre fica na vanguarda dos relacionamentos entre a China e os países em desenvolvimento e possuem mecanismos governamentais de diálogo e cooperação completos. A Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação (Cosban), que já está em bom funcionamento por 20 anos, desempenha um papel importante na coordenação e planejamento da cooperação em diferentes áreas e na busca de desenvolvimento comum.

China e Brasil sempre persistem em benefícios mútuos, ganhos compartilhados e complementaridade, e promovem conjuntamente a modernização dos dois países. A China é o maior parceiro comercial do Brasil por 15 anos consecutivos e uma das principais fontes de investimento estrangeiro — conforme estatísticas chinesas, importou mais de US$ 100 bilhões do Brasil anualmente nos últimos três anos, batendo um novo recorde. Com esforços conjuntos, os dois países gozam de uma pauta comercial bilateral cada vez mais aprimorada, uma cooperação de qualidade cada vez mais elevada e os interesses comuns cada vez mais ampliados. A sua cooperação de benefícios mútuos em áreas como agricultura, infraestrutura, energia e recursos naturais, desenvolvimento verde, ciência, tecnologia e inovação, finanças, entre outras, é efetiva e repleta de destaques e oferece impulsos vigorosos ao desenvolvimento econômico e social dos dois países.

China e Brasil sempre persistem em abertura, inclusão e aprendizagem mútua. Por natureza, sentem-se próximos um do outro e têm uma busca comum por tudo o que é belo. O fato de que Cecília Meireles e Machado de Assis, ambos poetas e escritores brasileiros bem conhecidos, traduziram poemas da dinastia chinesa Tang reflete uma sinfonia mental entre os dois lados que transcende tempo e espaço. Nos últimos anos, músicas, danças, gastronomias, esportes e artes passaram a ser as novas pontes que ligam os dois povos e contribuem para o aprofundamento do conhecimento mútuo e amizade entre chineses e brasileiros.

As fofinhas capivaras, a bossa-nova, o samba e a capoeira são populares na China, enquanto festivais tradicionais como o da primavera e outros elementos de cultura chinesa como a medicina tradicional são cada vez mais conhecidos pelos brasileiros. Entre os dois países, há interações frequentes entre jovens, jornalistas e acadêmicos, bem como intercâmbios dinâmicos entre entidades subnacionais. Mais ainda, as atividades para celebrar o 50º aniversário do estabelecimento das relações diplomáticas servem como banquetes de delícias culturais oferecidos aos dois povos. Nos últimos dias, recebi cartas de mais de uma centena de amigos brasileiros da Associação de Amizade Brasil-China, das universidades do Brasil, da Orquestra Forte de Copacabana do Rio e de outros setores da sociedade brasileira, e fiquei muito tocado com as grandes expectativas que depositam em aprofundar a amizade sino-brasileira.

China e Brasil sempre persistem em desenvolvimento pacífico, imparcialidade e justiça e têm opiniões idênticas ou convergentes sobre muitas questões internacionais e regionais. Ambos os países são defensores firmes do multilateralismo e das normas básicas que regem as relações internacionais e têm mantido, ao longo de todo esse tempo, uma colaboração estreita nos temas importantes como a governança global e as mudanças climáticas nas organizações internacionais e foros multilaterais como a ONU, o G20 e o Brics.

Há pouco, China e Brasil emitiram entendimentos comuns sobre uma resolução política para a crise na Ucrânia e receberam resposta positiva da comunidade internacional. De mãos dadas, os dois países cumprem seus papéis como grandes países responsáveis, promovem a multipolarização global e a democratização das relações internacionais, bem como injetam energia positiva à paz e à estabilidade mundiais.

No mundo de hoje, transformações de escala nunca vista em um século estão ocorrendo em um ritmo acelerado, e novos desafios e mudanças continuam surgindo. Diz um ditado chinês: “Em corrida de barcos, vencem aqueles que remam com força; em regata de veleiros, ganham aqueles que ousam avançar sob vela cheia.” China e Brasil, dois grandes países em desenvolvimento nos hemisférios leste e oeste e membros importantes do Brics, devem se unir mais estreitamente, ousar ser pioneiros e caçadores de ondas, e juntos abrir novas rotas de navegação que levam a um futuro mais belo que os povos dos dois países e a humanidade merecem.

Devemos manter a amizade como a direção geral do desenvolvimento do relacionamento entre China e Brasil. Vamos persistir sempre em respeito, confiança e aprendizagem mútuos e estreitar ainda mais os intercâmbios entre governos, entre partidos políticos, entre órgãos legislativos, de todos os níveis e em todas as áreas. Vamos reforçar trocas de experiências de governança e de desenvolvimento, consolidar a confiança estratégica mútua e compactar ainda mais a base política para as relações sino-brasileiras. Vamos continuar aproveitando o papel dos mecanismos de cooperação como a Cosban e o Diálogo Estratégico Global, para formarmos um relacionamento estável e maduro entre grandes países e promovê-lo para avançar com passos firmes e chegar ao longe.

Devemos cultivar as novas forças para a cooperação de benefícios mútuos entre China e Brasil. Ambos os países têm como metas importantes acelerar o desenvolvimento econômico e melhorar o bem-estar do povo e estão se esforçando para conseguir avanços rumo à modernização. No contexto de evolução rápida da nova rodada da revolução científica e tecnológica e transformação industrial, os nossos países devem agarrar as oportunidades futuras. Vamos promover continuamente o reforço das sinergias entre a Iniciativa Cinturão e Rota e as estratégias de desenvolvimento do Brasil, fortalecer constantemente a natureza estratégica, global e criativa da cooperação mutuamente benéfica China-Brasil, criar mais projetos exemplares que atendam a demandas futuras e trazem benefícios duradouros aos povos, e impulsionar o desenvolvimento comum dos nossos países e das nossas regiões.

Devemos consolidar a amizade entre os povos da China e do Brasil. As culturas ricas e únicas dos dois países se inspiram e se atraem. Devemos levar adiante a boa tradição de abertura e inclusão, aprofundar intercâmbios e cooperação em cultura e educação, ciência e tecnologia, saúde, esporte, turismo e entre entes subnacionais. Com isso, os nossos povos podem conhecer uma China e um Brasil mais genuínos, multidimensionais e vivos, e vamos formar mais “embaixadores” que trabalham para a longa continuidade da amizade tradicional China-Brasil. Com esses intercâmbios, vamos fazer com que as nossas civilizações convivam em harmonia, brilhem juntas e contribuam para a diversidade civilizacional do nosso mundo que pode ser comparado a um jardim cheio de flores.

Devemos demonstrar a união, a ajuda mútua e a responsabilidade da China e do Brasil. Atualmente, o Sul Global está em ascensão coletiva, mas a sua voz e aspiração ainda não são plenamente refletidas no sistema da governança global. Sendo principais grandes países em desenvolvimento, China e Brasil devem assumir a responsabilidade confiada pela história e trabalhar junto com os outros países do Sul Global para defender com toda a firmeza os interesses comuns dos países em desenvolvimento, enfrentar desafios globais com cooperação, tornar a governança global mais justa e equitativa, e contribuir para a paz, a estabilidade e o desenvolvimento comum do mundo.

Um outro objetivo importante da minha visita ao Brasil é participar da Cúpula do G20. O G20 é uma plataforma importante para a cooperação econômica internacional. O Brasil definiu como lema da sua presidência “Construir um mundo justo e um planeta sustentável”, promoveu proativamente a cooperação do G20 em todas as áreas e estabeleceu uma boa base para a realização bem-sucedida da Cúpula no Rio. O presidente Lula adotou “combate à fome e à pobreza” como um tema principal da cúpula e propôs o lançamento da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, à qual a China expressa grande apreço e apoio.

Para construir um mundo justo, é preciso o G20 persistir nos princípios de respeito mútuo, cooperação em pé de igualdade, benefícios mútuos e ganhos compartilhados, e apoiar os países do Sul Global para realizar um maior desenvolvimento. É necessário colocar o desenvolvimento no centro da cooperação do G20, priorizar a implementação da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável da ONU, formar parceria global para o desenvolvimento sustentável, promover um desenvolvimento global mais inclusivo, benéfico para todos e mais resiliente. É preciso promover proativamente a reforma do Fundo Monetário Internacional, Banco Mundial e Organização Mundial do Comércio e aumentar a representação e a voz do Sul Global. Devemos reforçar a coordenação das políticas macroeconômicas, promover a liberalização e a facilitação do comércio e investimento e criar um ambiente aberto, inclusivo e não discriminatório para a cooperação econômica internacional.

Para construir um planeta sustentável, é preciso o G20 preconizar produção e vida sustentáveis e convivência harmoniosa entre o homem e a natureza. É necessário impulsionar a cooperação internacional aprofundada em áreas como desenvolvimento verde e de baixo carbono, proteção ambiental, transição energética e enfrentamento das mudanças climáticas, persistir no princípio de responsabilidades comuns, porém diferenciadas, e fornecer mais apoios aos países do Sul Global em termos de financiamento, tecnologia e construção da capacidade. Trinta e dois anos atrás, foi realizada no Rio de Janeiro a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, ocasião na qual foram alcançados resultados essenciais como a Agenda 21. Uma das agendas importantes dos líderes do G20 no Rio será a discussão sobre o desenvolvimento verde e de baixo carbono no planeta. Espero que a cúpula possa injetar maior vigor e confiança ao desenvolvimento sustentável global.

Estou convicto de que a Cúpula do G20 no Rio alcançará resultados frutíferos e deixará distintas marcas brasileiras na história do bloco. Aguardo também trabalhar junto com o presidente Lula para conduzir as relações China-Brasil a entrar nos novos “50 anos dourados” e formar uma comunidade com futuro compartilhado mais justo e mais sustentável.

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O discurso emocionante do Brasil no último dia da Cúpula dos Brics https://www.ocafezinho.com/2024/10/24/o-discurso-emocionante-do-brasil-no-ultimo-dia-da-cupula-dos-brics/ https://www.ocafezinho.com/2024/10/24/o-discurso-emocionante-do-brasil-no-ultimo-dia-da-cupula-dos-brics/#comments Thu, 24 Oct 2024 17:41:03 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=195793 2 Comentários 🔥]]> Discurso do Ministro Mauro Vieira na Sessão Plenária da Cúpula do BRICS com países convidados 

É um prazer estar ao lado de países amigos do BRICS.

O interesse que despertamos é ao mesmo tempo um motivo de orgulho e um lembrete da nossa responsabilidade.

O BRICS não é uma simples sigla inventada por um economista.

Por trás dessas cinco letras, há uma realidade palpável construída ao longo de décadas de esforços por um mundo mais equânime.

O BRICS deve muito ao G77 e ao Movimento Não-Alinhado.

Somos herdeiros dos que lutaram por uma Nova Ordem Econômica Internacional e dos que conceberam os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

Somos os vetores dinâmicos do crescimento econômico que o mundo vem experimentando neste século.

O Sul Global também é uma força positiva para a paz.

No passado, a Liga Árabe capitaneou uma Iniciativa pela Paz que representava uma opção equilibrada e realista para a resolução do conflito entre Israel e Palestina.

Hoje, o Egito tem sido imprescindível para que a ajuda humanitária chegue a quem precisa em Gaza, enquanto o Catar atua como ponte entre o Hamas e as autoridades israelenses.

Foi o Brasil quem, na presidência do Conselho de Segurança, em outubro passado, primeiro propôs uma resolução sobre a atual situação, rejeitada pelo veto de um único país.

Foi a África do Sul quem, com coragem, recorreu à Corte Internacional de Justiça para dar um basta no genocídio que vem sendo perpetrado contra o povo palestino.

Foram os países do Sul Global que votaram a favor da resolução da Assembleia Geral da ONU que pede a cessação das hostilidades.

Enquanto isso, o papel desempenhado por outros países tem sido, no mínimo, decepcionante, para não dizer conivente.

Os que se arrogam defensores dos direitos humanos fecham os olhos diante da maior atrocidade da história recente.

Deixam, assim, desmoronar a autoridade do Conselho de Segurança e a integridade do Direito Internacional Humanitário.

Não haverá paz enquanto não houver um Estado palestino independente.

A decisão sobre sua existência foi tomada há 75 anos pelas Nações Unidas.

Mas a mesma ONU que criou o Estado de Israel hoje se vê de mãos atadas.

Não há justificativa para atos terroristas como os praticados pelo Hamas.

Mas a reação desproporcional de Israel tornou-se punição coletiva ao povo palestino.

Já foram lançados sobre Gaza mais explosivos do que os que atingiram Dresden, Hamburgo e Londres na Segunda Guerra Mundial.

À medida que a violência se alastra para o Líbano, será necessária máxima cautela para que esse conflito não se transforme em uma guerra total.

Evitar uma escalada também é crucial no conflito na Ucrânia.

Essa é a mensagem que o entendimento Brasil-China busca promover, junto com mais onze países.

Formamos um clube da paz para fomentar o diálogo e buscar uma solução duradoura.

Essa solução duradoura só virá com o respeito ao direito internacional, incluindo os propósitos e princípios consagrados na Carta da ONU, e o papel central das Nações Unidas no sistema internacional.

Precisamos de paz para voltar a nos concentrar nos maiores desafios do nosso tempo.

O Brasil é, por princípio, contrário às sanções coercitivas unilaterais, que violam o direito internacional e causam danos ilegítimos às populações dos países afetados. O caso de Cuba é emblemático da irracionalidade dessas medidas, que há mais de seis décadas afetam o desenvolvimento econômico do país e, nos tempos recentes, contribuem para agravar a situação energética, alimentar e de saúde do país caribenho.

Renovamos nossa solidariedade com o povo cubano e fazemos um apelo para que sejam imediatamente flexibilizadas essas medidas e, sobretudo, para que Cuba seja retirada da lista unilateral de Estados que patrocinam o terrorismo, o que, como sabemos, é injusto e injustificado.

O Brasil escolheu a inclusão social, o enfrentamento da mudança do clima e a reforma da governança global como prioridades na sua presidência do G20.

Convidamos todos a aderirem à Aliança Global contra Fome e a Pobreza, que vai mobilizar recursos para a implementação de polícias de eficácia comprovada contra esses flagelos.

Também conclamamos a todos a elevarem o grau de ambição de suas Contribuições Nacionalmente Determinadas para conter o aquecimento global.

No caminho até a COP30, em Belém, podemos ser mais ousados sem abrir mão do princípio das responsabilidades comuns, mas diferenciadas.

Temos de unir forças para não ficar para trás na transição energética e na revolução digital.

Não podemos nos limitar à posição de meros fornecedores de recursos naturais, reproduzindo a lógica extrativista de séculos atrás.

Tampouco nos convém a condição de expectadores da evolução da Inteligência Artificial, sem participar de sua regulação, nem ser remunerados pelo uso de nossos dados.

Neste ano, a presidência do G20 aprovou um importante “Chamado à Ação sobre a Reforma da Governança Global”, que contou com o endosso de muitos dos países aqui presentes.

O Brasil considera apresentar à Assembleia Geral proposta de convocação de uma Conferência de Revisão da Carta da ONU, com base no seu artigo 109.

Queremos explorar esses temas ao longo de nossa presidência do BRICS, no ano que vem, que terá como lema “Fortalecendo a Cooperação do Sul Global por uma Governança mais Inclusiva e Sustentável”.

Muito obrigado.

Publicado originalmente pelo Ministério das Relações Exteriores em 24/10/2024 – 09h32

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O discurso antológico de Xi Jinping em Kazan! https://www.ocafezinho.com/2024/10/23/o-discurso-antologico-de-xi-jinping-em-kazan/ https://www.ocafezinho.com/2024/10/23/o-discurso-antologico-de-xi-jinping-em-kazan/#respond Wed, 23 Oct 2024 14:21:04 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=195708

O presidente chinês Xi Jinping, na quarta-feira 23, pediu aos países do BRICS que trabalhem para o desenvolvimento de alta qualidade de uma maior cooperação dentro do grupo.

Em um discurso na 16ª Cúpula do BRICS, Xi afirmou que o encontro decidiu convidar várias nações para se tornarem países parceiros, destacando essa decisão como outro importante passo no desenvolvimento do BRICS.

Xi apelou aos membros do BRICS para transformarem o mecanismo multilateral em um local central de solidariedade e cooperação para o Sul Global, além de uma força de vanguarda na reforma da governança global.

Ele pediu que os membros construam um BRICS pela paz e ajam como guardiões da segurança comum, ressaltando a importância dos três princípios: não expansão do campo de batalha, não escalada dos combates e não provocação por qualquer das partes. Ele também defendeu o trabalho para a desescalada da crise na Ucrânia o mais rápido possível.

Xi incentivou a construção de um BRICS inovador, pioneiro no desenvolvimento de alta qualidade, e a formação de um BRICS verde, que seja praticante do desenvolvimento sustentável. Ele mencionou que a China está disposta a usar suas vantagens para expandir a cooperação com os países do BRICS em indústrias verdes, energia limpa e minerais sustentáveis.

Xi também propôs a construção de um BRICS pela justiça, liderando a reforma do sistema de governança global, e exortou os membros a se alinharem com a tendência do crescimento do Sul Global, respondendo ao apelo de países que desejam aderir ao mecanismo de cooperação dos BRICS.

O grupo deve avançar no processo de expansão de membros e no estabelecimento de países parceiros, aumentando a representação e a voz dos países em desenvolvimento na governança global, disse Xi.

Xi destacou a urgência da reforma da arquitetura financeira internacional, que se tornou mais evidente na situação atual.

Ele também pediu o fortalecimento do Novo Banco de Desenvolvimento e instou os países do BRICS a liderarem a promoção de um melhor alinhamento do sistema financeiro internacional com a dinâmica econômica global.

Xi defendeu a coexistência pacífica e a harmonia entre as civilizações.

Ele anunciou que a China estabelecerá 10 centros de aprendizagem no exterior em países do BRICS nos próximos cinco anos, oferecendo oportunidades de treinamento para 1.000 administradores, professores e estudantes.

Os líderes presentes na cúpula elogiaram o desenvolvimento do mecanismo do BRICS e seu papel importante no enfrentamento dos desafios globais. Eles defenderam a promoção de um mundo multipolar igualitário e ordenado, uma globalização econômica inclusiva que beneficie todos, além de um desenvolvimento sustentável global.

Os líderes também se comprometeram a proteger o multilateralismo e a apoiar o papel central das Nações Unidas na governança global, especialmente em áreas como inteligência artificial.

Eles reafirmaram o compromisso de resolver disputas por meios pacíficos, como o diálogo e a consulta, e respeitar as preocupações legítimas de segurança de todos os países.

A cúpula emitiu uma declaração anunciando o estabelecimento dos países parceiros dos BRICS.

Íntegra do discurso:

Abraçando uma visão mais ampla e superando os desafios para avançar no desenvolvimento de alta qualidade de uma maior cooperação dos BRICS

Declaração de S.E. Xi Jinping, Presidente da República Popular da China
Na XVI Cúpula do BRICS

Kazan, 23 de outubro de 2024

Excelentíssimo Presidente Vladimir Putin,
Colegas,

Em primeiro lugar, desejo estender meus calorosos parabéns pela abertura bem-sucedida desta cúpula. Também gostaria de agradecer ao Presidente Putin e à nossa anfitriã Rússia pelas atenciosas providências e calorosa hospitalidade.

Gostaria de aproveitar esta oportunidade para, mais uma vez, dar as boas-vindas aos novos membros de nossa família BRICS. A ampliação do BRICS é um marco importante em sua história e um evento significativo na evolução da situação internacional. Nesta cúpula, decidimos convidar muitos países para se tornarem países parceiros, o que representa mais um grande avanço no desenvolvimento do BRICS. Como nós, chineses, costumamos dizer: “Um homem de virtude considera a justiça como o maior interesse”. É por nossa busca compartilhada e pela tendência abrangente de paz e desenvolvimento que nós, países do BRICS, nos unimos. Devemos aproveitar ao máximo esta cúpula, manter o impulso do BRICS e considerar e elaborar nossa estratégia para enfrentar questões de impacto global, determinar nossa direção futura e agir com significância estratégica. Devemos aproveitar esta cúpula histórica para iniciar um novo ciclo, avançar juntos de coração e mente unidos.

À medida que o mundo entra em um novo período marcado por turbulências e transformações, somos confrontados com escolhas cruciais que moldarão nosso futuro. Devemos permitir que o mundo desça ao abismo da desordem e do caos, ou devemos nos esforçar para guiá-lo de volta ao caminho da paz e do desenvolvimento? Isso me lembra de um romance de Nikolay Chernyshevsky intitulado O que Fazer?. A determinação inabalável e a paixão do protagonista são exatamente o tipo de força de vontade de que precisamos hoje. Quanto mais tumultuosos nossos tempos se tornam, mais devemos permanecer firmes na vanguarda, exibindo tenacidade, demonstrando a audácia de inovar e exibindo a sabedoria de se adaptar. Devemos trabalhar juntos para construir o BRICS como um canal principal para fortalecer a solidariedade e a cooperação entre as nações do Sul Global e uma vanguarda para promover a reforma da governança global.

— Devemos construir um BRICS comprometido com a paz, e todos devemos agir como defensores da segurança comum. Nós, seres humanos, somos uma comunidade indivisível de segurança. Somente ao adotar a visão de segurança comum, abrangente, cooperativa e sustentável podemos abrir caminho para a segurança universal. A crise na Ucrânia ainda persiste. A China e o Brasil, em colaboração com outros países do Sul Global, iniciaram um grupo de Amigos pela Paz para abordar a crise. O objetivo é reunir mais vozes que defendam a paz. Devemos manter os três princípios-chave: não expansão dos campos de batalha, não escalada das hostilidades e não incitar chamas, e nos esforçar pela rápida desescalada da situação. Enquanto a situação humanitária em Gaza continua a se deteriorar, as chamas da guerra reacenderam-se no Líbano, e os conflitos estão se intensificando entre as partes. Devemos promover um cessar-fogo imediato e o fim das mortes. Devemos fazer esforços incessantes para alcançar uma solução abrangente, justa e duradoura para a questão palestina.

— Devemos construir um BRICS comprometido com a inovação, e todos devemos agir como pioneiros do desenvolvimento de alta qualidade. À medida que a nova onda de revolução tecnológica e transformação industrial avança em ritmo acelerado, devemos acompanhar os tempos e fomentar novas forças produtivas de qualidade. Recentemente, a China lançou um Centro de Desenvolvimento e Cooperação de Inteligência Artificial China-BRICS. Estamos prontos para aprofundar a cooperação em inovação com todos os países do BRICS para liberar os benefícios do desenvolvimento da IA. A China também estabelecerá um Centro Internacional de Pesquisa em Recursos de Águas Profundas do BRICS, um Centro Chinês de Cooperação para o Desenvolvimento de Zonas Econômicas Especiais nos países do BRICS, um Centro Chinês de Competências Industriais do BRICS e uma Rede de Cooperação de Ecossistemas Digitais do BRICS. Saudamos a participação ativa de todas as partes interessadas para promover a modernização de alta qualidade da cooperação dos BRICS.

— Devemos construir um BRICS comprometido com o desenvolvimento verde, e todos devemos agir como promotores do desenvolvimento sustentável. O verde é a cor que define nossa era. É importante que todos os países do BRICS adotem proativamente a tendência global de transformação verde e de baixo carbono. A alta capacidade de produção da China, exemplificada pela fabricação de veículos elétricos, baterias de lítio e produtos fotovoltaicos, oferece um impulso significativo ao desenvolvimento verde global. A China está disposta a aproveitar suas forças para expandir a cooperação com os países do BRICS em indústrias verdes, energia limpa e mineração verde, promovendo o desenvolvimento verde em toda a cadeia industrial, a fim de aumentar o “quociente verde” de nossa cooperação e aprimorar a qualidade de nosso desenvolvimento.

— Devemos construir um BRICS comprometido com a justiça, e todos devemos agir como precursores na reforma da governança global. A dinâmica de poder internacional está passando por mudanças profundas, mas a reforma da governança global tem ficado para trás por muito tempo. Devemos defender o verdadeiro multilateralismo e aderir à visão de governança global caracterizada por ampla consulta, contribuição conjunta e benefícios compartilhados. Devemos garantir que a reforma da governança global seja guiada pelos princípios de equidade, justiça, abertura e inclusão. Diante do crescimento do Sul Global, devemos responder favoravelmente aos pedidos de diversos países para aderir ao BRICS. Devemos avançar no processo de expansão da adesão ao BRICS e no estabelecimento de um mecanismo de países parceiros, aumentando a representação e a voz das nações em desenvolvimento na governança global.

Os desenvolvimentos atuais tornam a reforma da arquitetura financeira internacional ainda mais urgente. Os países do BRICS devem desempenhar um papel de liderança nessa reforma. Devemos aprofundar a cooperação fiscal e financeira, promover a conectividade de nossa infraestrutura financeira e aplicar altos padrões de segurança financeira. O Novo Banco de Desenvolvimento deve ser expandido e fortalecido. Devemos garantir que o sistema financeiro internacional reflita de forma mais eficaz as mudanças no cenário econômico global.

— Devemos construir um BRICS comprometido com intercâmbios culturais mais próximos, e todos devemos agir como defensores da coexistência harmoniosa entre as civilizações. Os países do BRICS possuem um patrimônio histórico e cultural profundo e ilustre. É importante promover o espírito de inclusão e coexistência harmoniosa entre as civilizações. Devemos aprimorar o intercâmbio de experiências de governança entre os países do BRICS e explorar todo o potencial de cooperação em áreas como educação, esportes e artes, para que nossas diversas culturas possam se inspirar mutuamente e iluminar o caminho a seguir para o BRICS. No ano passado, propus uma iniciativa de cooperação digital em educação para o BRICS, e estou feliz em ver que ela se tornou realidade. A China implementará um programa de capacitação para a educação digital nos países do BRICS. Nos próximos cinco anos, abriremos 10 centros de aprendizagem nos países do BRICS e forneceremos oportunidades de treinamento para 1.000 administradores educacionais, professores e estudantes locais. Este será um passo tangível para aprofundar e fortalecer os intercâmbios culturais entre os países do BRICS.

Colegas,

A China está disposta a trabalhar com todos os países do BRICS para abrir novos horizontes no desenvolvimento de alta qualidade de uma maior cooperação dentro do grupo e unir forças com os países do Sul Global para construir uma comunidade com um futuro compartilhado para a humanidade.

Obrigado.

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Bomba! Brics deve aceitar mais 12 países! Saiba quais são https://www.ocafezinho.com/2024/10/22/bomba-brics-deve-aceitar-mais-12-paises-saiba-quais-sao/ https://www.ocafezinho.com/2024/10/22/bomba-brics-deve-aceitar-mais-12-paises-saiba-quais-sao/#respond Tue, 22 Oct 2024 15:09:36 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=195627

Na 16ª reunião do Brics, que começa nesta terça (22) em Kazan, na Rússia, uma das principais novidades será a admissão de 12 novos países como parceiros do grupo. Embora a lista final ainda possa sofrer mudanças durante as reuniões de líderes, os países convidados até agora, segundo informações obtidas por negociadores, são:

  • Cuba e Bolívia (América Latina)
  • Indonésia e Malásia (Sudeste Asiático)
  • Uzbequistão e Cazaquistão (Ásia Central)
  • Tailândia e Indonésia (Sudeste Asiático)
  • Nigéria e Uganda (África)
  • Turquia e Belarus (Europa/Ásia)

A inclusão desses países segue uma linha de diversificação regional e estratégica. A presidência russa do Brics, que está liderando as negociações, busca equilibrar o bloco com a entrada de novas nações, evitando o predomínio de apenas uma região ou potência.

A decisão de expandir o grupo ocorre após a primeira grande ampliação em 2023, quando Irã e Etiópia foram adicionados, demonstrando a influência da China dentro do grupo. O processo de inclusão, no entanto, tem sido conduzido com cautela, para evitar situações como a da Arábia Saudita, que demonstrou desinteresse após o ingresso de seu arquirrival Irã no ano passado.

Outra novidade importante a ser discutida na cúpula é a questão da reforma do Conselho de Segurança da ONU, onde o Brics busca maior representatividade. O Brasil, que já havia garantido uma menção nominal em 2023 ao lado de Índia e África do Sul, vê agora uma reformulação dos termos após as demandas de novos membros, como Egito e Etiópia, que também almejam assentos no conselho reformado.

A exclusão da Venezuela

Apesar do estreito relacionamento entre Caracas e Moscou, o Brasil vetou informalmente a inclusão da Venezuela como parceira do Brics. A ausência da Venezuela na lista de convidados reflete um consenso nas reuniões preparatórias, onde prevaleceu a decisão de não admitir o país liderado por Nicolás Maduro.

A relação entre o Brasil e a Venezuela de Maduro se deteriorou desde que Lula (PT) decidiu não reconhecer os resultados das eleições venezuelanas, amplamente consideradas fraudulentas. Essa postura levou a uma ruptura virtual entre os dois países, o que explica a exclusão da Venezuela das negociações.

Com informações de Igor Gielow, da Folha de São Paulo.

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Gestão ambiental e social pode ampliar PIB em R$ 2,8 trilhões até 2030, diz CVM https://www.ocafezinho.com/2024/10/09/gestao-ambiental-e-social-pode-ampliar-pib-em-r-28-trilhoes-ate-2030-diz-cvm/ https://www.ocafezinho.com/2024/10/09/gestao-ambiental-e-social-pode-ampliar-pib-em-r-28-trilhoes-ate-2030-diz-cvm/#respond Wed, 09 Oct 2024 17:05:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=194517 Comissão de Valores Mobiliários divulga cartilha da série Finanças Sustentáveis. Além do ganho no PIB, medidas reais de proteção ao meio ambiente e às pessoas podem gerar 2 milhões de novos empregos

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) divulga nesta quarta (9/10), a atualização do Volume 2 da Série Finanças Sustentáveis, que integra a Cartilha CVM Sustentável e tem como tema a Relação entre Investimentos, Meio Ambiente e Impacto.

Na nova edição, é apresentada a importância de integrar aspectos ambientais e sociais às decisões de investimento, com abordagem de avanços regulatórios e de políticas públicas no eixo das finanças sustentáveis, reforçando a tendência de crescimento desse mercado.

Na publicação, a CVM aponta que a adoção de critérios efetivos – e não apenas ações de marketing – pode gerar 2 milhões de novos empregos no Brasil e ampliar o PIB do País em até R$ 2, 8 trilhões até 2030. Para ajudar as empresas e instituições brasileiras a se adaptarem aos novos tempos e, inclusive, ampliarem suas presenças no mercado, a cartilha da CVM apresenta uma seleção de novas legislações e conceitos adotados no Brasil e no mundo que podem servir de orientação.

“Ainda em relação ao Brasil, acredita-se que uma economia voltada para uma transição sustentável, em harmonia com o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, possa gerar um incremento na qualidade de vida das pessoas, com redução da poluição, maior segurança alimentar, promoção da diversidade e inclusão e aumento da atração de investimentos, apenas para citar alguns benefícios. Até 2030, em comparação com o modelo econômico atual, mais de 2 milhões de empregos podem ser gerados nesse caminho mais sustentável, com potenciais ganhos no Produto Interno Bruto (PIB) da ordem de R$ 2,8 trilhões, bem como na produção agrícola (R$19 bilhões)”, diz um trecho do relatório.

No entanto, a CVM alerta para a necessidade de real envolvimento das empresas na busca pela transição energética. Não bastam ações de comunicação, destaca. “A definição de produtos financeiros rotulados como verdes, sociais, climáticos ou sustentáveis ainda é objeto de debate, pois não existem padrões universais para estas denominações. Este debate é crucial para evitar o chamado “greenwashing”, uma prática mais relacionada a estratégias de marketing do que a genuína sustentabilidade. Por isso, tem sido discutida a criação de taxonomias “verdes” que possam padronizar a linguagem e identificar os fluxos financeiros destinados ao meio ambiente de forma mais consistente”, diz a publicação.

No Brasil, prossegue a CVM, há um esforço governamental e legislativo para a definição da chamada taxonomia. “Conforme definida pelo Climate and Environmental Risks Taxonomies (FSIConnect), a taxonomia é um sistema de classificação que estabelece critérios para identificar ativos, projetos e atividades com impactos ambientais positivos ou negativos. Ela fornece uma base para avaliar até que ponto uma atividade subjacente a um ativo financeiro contribui ou prejudica um objetivo ambiental”, define.

A CVM aponta que o Governo Lula tem adotado um rumo correto na busca pela transição climática, como neste trecho: “Há ações, portanto, que buscam compatibilizar crescimento econômico, geração de emprego e bem-estar social com as finanças sustentáveis. Nesse contexto, o Brasil anunciou, em agosto de 2023, o Plano de Transformação Ecológica Brasileiro, tendo como um dos seus seis eixos, o financiamento sustentável. Os demais eixos são os seguintes: adensamento tecnológico do setor produtivo; bioeconomia; transição energética; economia circular; e nova infraestrutura e serviços públicos para adaptação ao clima”.

Adicionalmente, na cartilha foram introduzidos os novos aspectos relacionados à Taxonomia Sustentável e à Matriz de Materialidade nos relatórios de sustentabilidade, apresentando os conceitos de materialidade simples e dupla, essenciais para a elaboração adequada desses relatórios, inclusive com explicações referentes ao padrão adotado pela CVM, o International Sustainability Standards Board (ISSB).

“O tema das finanças sustentáveis evolui constantemente, tornando essencial a revisão do nosso material. Esta série, lançada em 2020, tem como objetivo de promover a educação financeira no campo das finanças sustentáveis, contribuindo para o engajamento do investidor. Com a revisão do Volume 2, apresentamos novos insights sobre a importância de integrar aspectos ambientais e sociais às decisões de investimento, além de atualizações sobre Taxonomia Sustentável e Matriz de Materialidade, diz Michelle Faria, gerente de Inovação e Finanças Sustentáveis (Gefis) da CVM.

Sobre a Cartilha CVM Sustentável

As publicações da série CVM Sustentável buscam equipar os investidores com conhecimento, dados e ferramentas para que desenvolvam senso crítico e capacidade de tomar decisões de investimento refletidas e informadas. O objetivo é mitigar os riscos de greenwashing e, assim, auxiliar preventivamente nas atividades de supervisão da Autarquia.

A iniciativa está alinhada à Política de Finanças Sustentáveis da CVM, lançada em janeiro de 2023 e desdobrada no Plano de Ação de Finanças Sustentáveis.

Acesse a Cartilha CVM Sustentável

Saiba mais

O Plano de Ação da CVM para o biênio 2023 – 2024 foi divulgado em 6/10/2023 e teve sua primeira entrega realizada em 20/10/2023 , com a Resolução CVM 193, que permite, de forma voluntária, para companhias abertas, fundos de investimento e companhias securitizadoras a elaboração e divulgação de relatório de informações financeiras relacionadas à sustentabilidade com base no padrão internacional (IFRS S1 e S2) emitido pelo International Sustainability Standards Board (ISSB).

Além disso, já foram realizadas as seguintes entregas previstas:

Orientação sobre integração de fatores ASG aos procedimentos de suitability.
Volume 1 da Série Finanças Sustentáveis.
Quiz de Finanças Sustentáveis, sobre educação financeira para mulheres.
Regra para ProRecicle.

Publicado originalmente pela Agência Gov em 09/10/2024 – 10h30

Com informações da CVM

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