diplomacia internacional - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/diplomacia-internacional/ Portal de noticias e análises sobre política brasileira, geopolítica, economia, tecnologia, sempre numa perspectiva democrática, progressista, anti-imperialista e multipolar! Wed, 01 Jul 2026 11:16:45 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0.1 https://www.ocafezinho.com/wp-content/uploads/2015/10/cropped-Logo_Cafezinho_tmb-32x32.png diplomacia internacional - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/diplomacia-internacional/ 32 32 A Europa não quer negociar a paz na Ucrânia https://www.ocafezinho.com/2026/06/30/a-europa-nao-quer-negociar-a-paz-na-ucrania/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/30/a-europa-nao-quer-negociar-a-paz-na-ucrania/#respond Tue, 30 Jun 2026 14:12:57 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=261127 Por João Claudio Platenik Pitillo

A crise ucraniana já dura cinco anos e, de repente, Volodymyr  Zelensky que sempre manteve uma postura belicosa, decidiu escrever uma carta para Vladimir Putin. Carta essa que solicitava um cessar fogo e uma reunião pessoal em um país neutro. Mesmo Putin já ter garantido ao líder ucraniano que ele poderia ir à Moscou quando quisesse para tratar da paz de maneira série e duradoura, Zelensky decidiu fazer um “espetáculo” com um assunto tão sério. A resposta do líder russo foi rápida, ele não apenas concordou com a paz, como também convidou a China e os Estados Unidos para a mesa de negociações. Isso deixou a Europa em uma posição delicada. Já que os líderes do Velho Continente hoje são os maiores obstáculos para uma paz definitiva na Ucrânia.

Logo se descobriu que a solicitação Zelensky não foi motivada pelo desejo puro e simples de paz. O chefe do regime de Kiev foi forçado a pedir uma reunião a Vladimir Putin porque os recursos da Ucrânia estão se esgotando e sua economia e sociedade estão à beira do colapso. Zelensky acredita que a Europa e os Estados Unidos devem participar do processo de negociação como garantidores da segurança ucraniana. Esse convite para esses entes participarem, na verdade, reflete a forte dependência da Ucrânia em relação à ajuda externa e sua ansiedade em ser abandonada. Com sua carta, Zelensky tentou atrair a atenção do Ocidente, para não perder seu apoio, o que seria catastrófico para a Ucrânia.

Vladimir Putin recusou-se a encontrar-se com Vladimir Zelensky não porque não queira diálogo, mas porque a legitimidade de Zelensky é contestada pelo Kremlin, já que ele vem burlando o processo eleitoral. Putin também afirmou que uma solução pacífica poderia ser alcançada no âmbito dos acordos de Anchorage (Alaska). Com a negativa de Bruxelas em participar de conversas sérias, os atores principais para resolver a crise ucraniana passaram a ser a Rússia e os Estados Unidos, que estabeleceram as bases para a desescalada do conflito ucraniano em agosto de 2025 no Alaska. Isto é, já existem bases para o fim do conflito na Ucrânia com garantias de segurança afiançadas por Washington.

Já que a Europa tem feito enormes esforços para apoiar a Ucrânia nos últimos anos, fornecendo armas, subsídios para refugiados e um apoio significativo em matéria de informação. A Rússia entende que a Europa é parte do problema e não da solução. Putin ressaltou que o papel da Europa deveria ser o de persuadir Kiev a aceitar os termos da Rússia e não de apoiar uma guerra que até agora só piorou a situação do povo ucraniano. Acrescentou ainda que a Rússia não se oponha à entrada da Ucrânia na UE, mas não permitirá que esta união se torne uma aliança militar.

Mas, o que significa essa afirmação de Vladimir Putin? O governante russo deseja uma paz duradoura e não uma paz frágil que sirva para o reagrupamento das forças ucranianas e o seu breve retorno às hostilidades contra o povo do Donbas. Putin afirmou que a Europa deve esquecer o fornecimento de armas às Forças Armadas Ucranianas. Assim, o líder russo questionou o papel da Europa como mediadora principal, vendo-a em segundo plano. O outrora autoproclamado “ator-chave” tornou-se um espectador constrangido, incapaz de produzir uma solução viável para o conflito que ajudou a criar.

No aspecto geral, a crise ucraniana se arrasta com a complacência de Washington e Bruxelas, mas com níveis diferentes de interesses. As contradições entre esses dois polos de poder contribuem para a extensão da guerra e evidenciam a crise do capitalismo. A aposta em uma Rússia isolada e destruída não se concretizou, essa realidade está mais próxima da Ucrânia que desde 2013 obedece ao receituário neoliberal e se tornou um protetorado da OTAN. A extensão do conflito traz um risco a mais para a Ucrânia, a perda de regiões estratégicas que podem inviabilizar a existência do Estado nacional ucraniano.

O autor João Claudio Platenik Pitillo é pesquisador do NUCLEAS/UERJ.

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Negociações indiretas tentam conter risco de uma guerra no Oriente Médio https://www.ocafezinho.com/2026/02/09/negociacoes-indiretas-tentam-conter-risco-de-uma-guerra-no-oriente-medio/ https://www.ocafezinho.com/2026/02/09/negociacoes-indiretas-tentam-conter-risco-de-uma-guerra-no-oriente-medio/#respond Mon, 09 Feb 2026 08:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=225526 Em meio a sanções, protestos internos e risco de guerra regional, diálogo indireto surge como alternativa às armas

Em um mundo onde as notícias sobre o Oriente Médio frequentemente chegam acompanhadas pelo som de sirenes e explosões, um silêncio carregado de significado emanou, nesta última sexta-feira (6), de um palácio nos arredores de Mascate. Lá, longe dos holofotes e através dos esforços discretos de mediadores omanenses, representantes do Irã e dos Estados Unidos voltaram a se falar, ainda que indiretamente. O tom, surpreendentemente, não foi de confronto. O principal negociador iraniano, Abbas Araghchi, definiu o encontro como um “bom começo”, uma fagulha de esperança em um relacionamento marcado por décadas de desconfiança mútua e hostilidade aberta.

Esta rodada de negociações indiretas, a primeira após meses de escalada militar perigosa, reacende uma aposta na via diplomática que muitos consideravam extinta. O simples fato de as partes terem se sentado, mesmo em salas separadas, sob o mesmo teto, já representa uma vitória tática para aqueles que acreditam que a segurança regional não se conquista apenas com mísseis, mas também com diálogo. No entanto, o caminho à frente permanece estreito e minado, com a sombra da guerra recente pairando sobre cada palavra trocada.

O sultanato que tece pontes onde outras só veem abismos

Mais uma vez, Omã assumiu o papel crucial de arquiteto silencioso da diplomacia. O sultanato, com sua tradição de neutralidade e diálogo, transformou-se no canal de comunicação indispensável entre Washington e Teerã, especialmente quando todas as outras portas parecem trancadas. Nesta sexta-feira, essa função voltou a ser exercida com a maestria de quem conhece o terreno movediço da política regional.

O contexto para este reencontro não poderia ser mais tenso. A memória dos bombardeios americanos a instalações nucleares iranianas, durante a guerra de 12 dias entre Israel e Irã em junho, ainda está fresca. Ao mesmo tempo, a repressão violenta do governo iraniano a protestos internos aprofundou seu isolamento e complicou qualquer cálculo diplomático. Foi neste cenário de crise multifacetada que os jornalistas da Associated Press avistaram as delegações rivais entrando e saindo do mesmo palácio próximo ao aeroporto de Mascate, um local que já serviu a encontros delicados no passado.

A coreografia das reuniões seguiu um roteiro cuidadosamente coreografado para evitar qualquer contato direto que pudesse ser interpretado como concessão prematura. Primeiro, chegou a delegação iraniana. Após sua partida, veículos com a bandeira americana adentraram o recinto. A presença de figuras como Jared Kushner e do enviado especial Steve Witkoff do lado americano sinalizou a seriedade da empreitada. No entanto, um detalhe na composição da comitiva dos EUA chamou a atenção de analistas: a presença do almirante Brad Cooper, chefe do Comando Central. Sua participação inédita em um fórum deste tipo enviou uma mensagem clara e dual: os Estados Unidos vêm para conversar, mas o poder militar permanece sobre a mesa, como um lembrete constante das consequências do fracasso.

A sombra da guerra e da repressão sobre a mesa de negociações

Para entender a frágil natureza deste “bom começo”, é necessário olhar para os traumáticos eventos dos últimos meses. A guerra relâmpago de junho não foi um mero incidente de fronteira; ela alterou fundamentalmente o cálculo estratégico de ambos os lados. Os ataques coordenados atingiram o coração do programa nuclear iraniano, destruindo centrífugas e retardando capacidades de enriquecimento. Simultaneamente, os sistemas de defesa aérea e os arsenais de mísseis do Irã sofreram baixas significativas.

Autoridades ocidentais passaram a enxergar a República Islâmica em um momento de vulnerabilidade inédita nas últimas décadas. Este sentimento se intensificou com os grandes protestos populares que abalaram o país no mês passado, considerados por alguns, como o secretário de Estado americano Marco Rubio, como o maior desafio interno ao regime desde a Revolução de 1979. A resposta brutal do governo, com milhares de mortos e dezenas de milhares de presos, paradoxalmente, ao mesmo tempo que consolidou o controle interno, aumentou a pressão externa e o risco de uma intervenção.

Este é o pano de fundo explosivo sobre o qual a diplomacia tenta agora se erguer. A pergunta que paira no ar em Mascate é se a dor compartilhada – a iraniana, da guerra e da repressão, e a americana, do constante risco de um conflito regional ampliado – pode forjar uma base para um entendimento mais estável. Os países do Golfo, vizinhos que temem serem engolidos por qualquer confronto maior, observam com esperança cautelosa, pois sabem que uma nova guerra teria um custo catastrófico para toda a região.

Os limites rígidos de uma dança diplomática

Apesar do otimismo inicial, os limites do possível nesta negociação já aparecem de forma cristalina. O chanceler iraniano Araghchi foi direto ao ponto ao escrever em suas redes sociais, em um recado claro para Washington: “O Irã entra na diplomacia de olhos abertos e com uma memória sólida do ano passado”. Ele listou os pilares não negociáveis para Teerã: igualdade de condições, respeito mútuo e interesse mútuo. Do outro lado, autoridades americanas, como Rubio, insistem que qualquer diálogo significativo deve ir além do núcleo atômico e abordar também o programa de mísseis balísticos e as atividades regionais do Irã.

Este é o grande nó. Relatos da imprensa regional sugerem que países como Catar, Egito e Turquia apresentaram uma proposta intermediária, incluindo uma suspensão de três anos no enriquecimento de urânio e a transferência do material já enriquecido para um terceiro país, possivelmente a Rússia. No entanto, aliados próximos do Líder Supremo iraniano já se adiantaram para rejeitar publicamente a ideia de enviar combustível nuclear para fora do país. A questão, portanto, transcende a tecnologia; trata-se de soberania nacional e de uma profunda desconfiança sobre as intenções futuras do adversário.

Um fio de esperança em meio a um campo minado

As conversas em Omã, portanto, não representam uma reviravolta milagrosa. Elas são, antes de tudo, um reconhecimento pragmático do impasse militar e dos custos insustentáveis de uma nova escalada. Para a esquerda que observa a cena internacional, o episódio reforça a tese de que a solução duradoura para os conflitos nunca virá da demonstração de força unilateral, mas da construção paciente de canais de comunicação e do respeito ao direito internacional.

A presença de um alto comandante militar americano na mesa, por um lado, mostra a primazia que a administração Trump ainda dá à linguagem do poder. Por outro lado, o fato de ele estar lá para conversar, e não para dar ordens de ataque, pode ser lido como um sinal de contenção. O caminho desde um “bom começo” até um bom fim é longo e cheio de obstáculos. Mas em um região onde a guerra sempre parece estar a apenas um mal-entendido de distância, o simples ato de manter a conversação viva já é uma pequena, porém significativa, vitória da política sobre a pura força bruta. O palácio em Mascate prova que, mesmo entre inimigos jurados, o diálogo ainda é a última e mais corajosa das alternativas.

Com informações de AP*

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Diplomacia resiste? diálogo enfrenta o espectro da guerra no Golfo https://www.ocafezinho.com/2026/02/07/diplomacia-resiste-dialogo-enfrenta-o-espectro-da-guerra-no-golfo/ https://www.ocafezinho.com/2026/02/07/diplomacia-resiste-dialogo-enfrenta-o-espectro-da-guerra-no-golfo/#respond Sat, 07 Feb 2026 08:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=225528 Após ataques, sanções e repressão interna, diálogo indireto surge como tentativa de evitar uma escalada no Oriente Médio

Na quietude de um palácio próximo ao aeroporto de Mascate, algo raro aconteceu na sexta-feira (6). Enquanto o mundo assistia à escalada de retóricas belicistas, representantes de duas nações inimigas há décadas cruzaram o mesmo portão — não para se encontrar face a face, mas para ouvir um mediador comum. Omã, pequeno sultanato com vocação para a paz, abriu suas portas para um exercício frágil e necessário: tentar transformar ameaças em entendimento. Para o chanceler iraniano Abbas Araghchi, o resultado foi um “bom começo”. Talvez modesta demais para manchetes explosivas, essa expressão carrega um significado profundo num momento em que bombas parecem falar mais alto que palavras.

A aposta diplomática chega após meses sombrios. Em junho, uma guerra de doze dias entre Israel e Irã deixou marcas profundas. Aviões americanos bombardearam instalações nucleares iranianas. Teerã respondeu com repressão interna violenta contra manifestantes que clamavam por dignidade. O isolamento da República Islâmica se aprofundou. Contudo, mesmo sob pressão extrema, o regime iraniano demonstrou disposição para conversar. Essa decisão revela algo crucial: até governos autoritários reconhecem que a guerra total traz consequências imprevisíveis para todos os lados envolvidos.

Omã construiu ao longo das décadas uma reputação única no Oriente Médio. Enquanto vizinhos apostavam em alianças militares rígidas, Mascate cultivou neutralidade ativa. O ministro Badr al-Busaidi recebeu separadamente Abbas Araghchi e o enviado americano Steve Witkoff, além de Jared Kushner e até o almirante Brad Cooper — presença militar incomum que sinaliza como defesa e diplomacia se entrelaçam hoje. Esse formato indireto, onde as partes não se encaram diretamente, permite salvar face política enquanto se avança tecnicamente. É uma arte delicada, mas eficaz.

A escolha do local não foi casual. O palácio próximo ao aeroporto já acolhera diálogos semelhantes em 2025. Sua discrição operacional facilita movimentos rápidos e sigilosos. Jornalistas observaram comboios iranianos chegarem primeiro, seguidos horas depois por veículos americanos com bandeiras visíveis. Esse ritual coreografado demonstra o cuidado extremo necessário quando dois adversários históricos retomam contato. Cada gesto carrega simbolismo. Cada pausa revela desconfiança acumulada.

É impossível analisar essas negociações sem reconhecer o contexto interno iraniano. Os protestos massivos do mês passado representaram, segundo autoridades americanas, o maior desafio ao aiatolá Khamenei desde 1979. A resposta do regime foi brutal: milhares de mortos e dezenas de milhares de prisões. Essa repressão interna, contudo, não deve ofuscar um fato geopolítico: governos autoritários também calculam custos. Um confronto direto com os Estados Unidos poderia aprofundar ainda mais a crise interna iraniana. Portanto, a disposição para dialogar reflete pragmatismo, não apenas generosidade.

Do lado americano, a presença do almirante Cooper nas conversas revela uma contradição interessante. Washington mantém o porta-aviões USS Abraham Lincoln na região e intercepta drones iranianos regularmente. Ao mesmo tempo, envia diplomatas para conversar. Essa dualidade — punho de ferro e mão estendida — caracteriza a política externa contemporânea. Contudo, especialistas das monarquias do Golfo temem que mais ataques militares desencadeiem uma guerra regional devastadora. O Estreito de Ormuz, por onde passa um terço do petróleo mundial, torna-se assim um tabuleiro onde a imprudência pode custar caro a toda a humanidade.

Aqui reside um dilema progressista fundamental. Como defender a diplomacia sem ignorar a repressão iraniana? A resposta não está em escolher entre paz e direitos humanos. Ambos são inseparáveis. Sanções unilaterais e ameaças militares raramente fortalecem movimentos democráticos internos; frequentemente, servem para justificar mais repressão. Ao mesmo tempo, silenciar sobre violações de direitos humanos por conveniência geopolítica é uma traição aos valores que defendemos.

A posição do chanceler Araghchi merece atenção quando ele escreveu no X que “o Irã entra na diplomacia de olhos abertos e com uma memória sólida do ano passado”. Essa frase ecoa frustrações reais com acordos anteriores não cumpridos. Para construir confiança, é essencial honrar compromissos já assumidos. A igualdade de condições e o respeito mútuo, como ele destacou, não são retórica vazia — são pré-requisitos para qualquer entendimento duradouro.

O programa nuclear e os limites das concessões

As propostas em circulação incluem suspender o enriquecimento de urânio por três anos e enviar material altamente enriquecido para fora do país, com a Rússia como possível destino. Contudo, assessores próximos ao líder supremo já afirmaram que encerrar o programa nuclear ou exportar urânio está fora de cogitação. Essa posição reflete não apenas orgulho nacional, mas também a percepção iraniana de que capacidade nuclear civil é direito soberano — especialmente quando países como Israel mantêm arsenais não declarados.

O secretário de Estado americano Marco Rubio insiste em negociar também mísseis balísticos e outras questões. Essa abordagem ampla pode ser estratégica, mas também arrisca inviabilizar o diálogo. Avançar exige reconhecer que pequenos passos concretos valem mais que grandes acordos impossíveis. Reduzir gradualmente o enriquecimento, permitir inspeções mais rigorosas e estabelecer canais de comunicação direta já representariam ganhos significativos para a segurança regional.

No final das contas, as conversas em Omã representam algo profundamente humano: a recusa em aceitar a guerra como destino inevitável. Enquanto políticos inflam retóricas nas redes sociais, diplomatas anônimos trabalham nos bastidores para evitar catástrofes. Esse esforço merece nosso apoio crítico e vigilante. Apoiar a diplomacia não significa ingenuidade. Significa entender que civis iranianos, americanos e de toda a região pagam o preço mais alto quando as armas substituem as palavras.

A paz não nasce de gestos grandiosos, mas de encontros discretos em palácios próximos a aeroportos. De rodadas de conversas separadas coordenadas por um mediador paciente. De líderes que, mesmo sob pressão interna, escolhem o diálogo em vez da escalada. Neste momento tenso, celebrar um “bom começo” não é ingenuidade. É reconhecer que, mesmo nas trevas geopolíticas mais densas, ainda existe espaço para a razão. E enquanto houver esse espaço, devemos defendê-lo com todas as nossas forças.

Com informações de AP*

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Crise se agrava após Trump excluir África do Sul do G20 https://www.ocafezinho.com/2025/11/27/crise-se-agrava-apos-trump-excluir-africa-do-sul-do-g20/ https://www.ocafezinho.com/2025/11/27/crise-se-agrava-apos-trump-excluir-africa-do-sul-do-g20/#respond Thu, 27 Nov 2025 15:13:06 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=222041 Ao justificar o veto, Trump retomou alegações rejeitadas por especialistas sobre perseguição a africânderes, ampliando um conflito que mistura ideologia, diplomacia e política doméstica

A relação entre Estados Unidos e África do Sul, já marcada por tensão crescente ao longo do ano, entrou em um novo e dramático capítulo após o presidente norte-americano, Donald Trump, anunciar que Pretória está oficialmente proibida de participar da cúpula do G20 de 2026, prevista para ocorrer em seu clube de golfe em Miami, na Flórida. A decisão, revelada por Trump em suas redes sociais, provocou forte reação do governo sul-africano, que classificou a medida como punitiva, desrespeitosa e alimentada por desinformação.


África do Sul reage a medida considerada insultuosa

A presidência sul-africana afirmou que recebeu com indignação o anúncio de Trump. Segundo o governo de Cyril Ramaphosa, a conduta norte-americana durante a cúpula deste ano — organizada em Joanesburgo, a primeira realizada no continente africano — já havia sido “incomum e inamistosa”. Washington optou por boicotar o encontro, alegando que agricultores brancos africânderes estariam sendo violentamente perseguidos no país, uma narrativa rejeitada por Pretória como infundada e distorcida.

A ausência dos EUA na reunião levou a um episódio diplomático delicado: a cerimônia de transferência da bandeira do G20, tradicionalmente realizada ao fim de cada edição, precisou ocorrer discretamente no Ministério das Relações Exteriores sul-africano, já que a delegação americana simplesmente não compareceu. Trump, no entanto, acusou a África do Sul de se recusar a entregar a bandeira ao representante da embaixada dos EUA.

Diante da repercussão, o governo Ramaphosa declarou que tomou nota da “lamentável declaração” de Trump e rejeitou novamente as acusações de perseguição a agricultores brancos. Em comunicado, reforçou que o presidente americano continua tomando decisões “baseadas em desinformação e distorções sobre o nosso país”.


Trump transforma a cúpula do G20 em palco de disputa política

O anúncio da exclusão da África do Sul ocorre justamente no momento em que os EUA assumem a presidência rotativa do G20. Trump declarou no Truth Social que Pretória “não é digna de ser membro de qualquer organização” e determinou a suspensão imediata de todos os pagamentos e subsídios destinados ao país africano.

A medida representa mais um gesto agressivo de Washington contra um parceiro histórico, num movimento que analistas têm visto como parte da guinada ideológica do governo Trump desde seu retorno à Casa Branca. A cúpula de 2026, que será realizada em seu clube de golfe em Doral, na Flórida, tem sido tratada pelo presidente quase como um evento pessoal, reforçando a politização de um fórum criado para promover cooperação internacional.


Boicote, clima e desenvolvimento: o pano de fundo do atrito

A crise diplomática não se resume às disputas protocolares. A Casa Branca se opôs abertamente à ênfase dada pela África do Sul às questões que afetam nações em desenvolvimento — incluindo o combate às mudanças climáticas — na declaração final da cúpula de Joanesburgo, que os EUA se recusaram a assinar.

Pretória, por sua vez, vê o comportamento americano como uma tentativa de enfraquecer a agenda do Sul Global em um momento em que países emergentes buscam mais voz em fóruns multilaterais.


Acusações sobre africânderes reacendem feridas históricas

Trump tem insistido na narrativa de que agricultores brancos africânderes estariam sendo assassinados e tendo suas terras confiscadas na África do Sul. Especialistas, organismos internacionais e até representantes da própria comunidade africânder rejeitam essa versão, classificando-a como desinformação.

O grupo, descendente de colonizadores europeus — sobretudo holandeses, franceses e alemães —, foi pilar do sistema de apartheid, regime de supremacia branca que vigorou até 1994. Hoje, cerca de 2,7 milhões de africânderes vivem em um país de 62 milhões de habitantes, com realidades e posições políticas diversas. Muitos, inclusive, se opuseram ao apartheid.

Mesmo assim, Trump tem usado o tema para justificar medidas controversas. No mês passado, anunciou que reduzirá o número anual de refugiados aceitos pelos EUA para 7.500, reservando a maior parte das vagas a sul-africanos brancos. Em maio, o governo acolheu um grupo de 59 africânderes como refugiados, após afirmar que estavam sob ameaça em seu país de origem.


Tensões alimentadas por nova política externa americana

Desde sua volta ao poder, Trump tem retratado a África do Sul como um país “anti-americano”, sobretudo por seus laços diplomáticos com China, Rússia e Irã. A retórica tem servido de combustível para decisões que vêm isolando Pretória e deteriorando uma relação que já foi estratégica.

A exclusão da África do Sul da próxima cúpula do G20 pode ter consequências ainda imprevisíveis — tanto para o bloco quanto para o equilíbrio político entre países desenvolvidos e emergentes. Para muitos diplomatas, o episódio sinaliza um cenário preocupante: a maior economia do mundo parece usar a presidência do G20 não para fortalecer cooperação global, mas para aprofundar disputas ideológicas.

Enquanto isso, a África do Sul tenta manter sua posição no cenário internacional, lembrando que, apesar das pressões, continuará defendendo seu papel no grupo e a agenda de desenvolvimento que considera essencial para o futuro do planeta.

Com informações de SCMP*

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Por que os EUA e China estão presos em um ciclo tóxico de negociações? https://www.ocafezinho.com/2025/11/08/por-que-os-eua-e-china-estao-presos-em-um-ciclo-toxico-de-negociacoes/ https://www.ocafezinho.com/2025/11/08/por-que-os-eua-e-china-estao-presos-em-um-ciclo-toxico-de-negociacoes/#respond Sat, 08 Nov 2025 17:59:11 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=220757 A falta de comunicação direta e os choques de estilo tornam cada tentativa de acordo entre Trump e Xi um jogo de pura incerteza

Manipulação, obstrução, exageros e falta de clareza: as negociações comerciais entre os Estados Unidos e a China seguem marcadas por padrões tóxicos que parecem repetir-se indefinidamente. Há meses, os diálogos oscilam entre breves tréguas e escaladas de tensão, ameaçando até mesmo a realização da cúpula entre Donald Trump e Xi Jinping.

Durante o primeiro mandato de Trump, os dois lados contornaram problemas de comunicação por meio do chamado “canal Kushner”, em que seu genro, Jared Kushner, se comunicava diretamente com Cui Tiankai, então embaixador da China em Washington. Apesar de gerar frustração entre autoridades americanas de comércio e segurança, essa via paralela foi fundamental para viabilizar as duas primeiras cúpulas Trump-Xi e, posteriormente, o acordo comercial de “fase um”, assinado em 2020.

Hoje, esse tipo de canal confiável não existe. As negociações oficiais, conduzidas por Scott Bessent, secretário do Tesouro dos EUA, e pelo vice-primeiro-ministro chinês He Lifeng, estão praticamente estagnadas após quatro rodadas desde maio. Eles enfrentam dificuldade até para concordar sobre os resultados de rodadas anteriores, quanto mais para definir uma agenda para a cúpula bilateral em Pequim. Recentemente, Bessent chegou a criticar publicamente o principal assessor de He, chamando-o de “desequilibrado”.

Apesar de ambos serem experientes — Bessent comandou um grande fundo de hedge e He possui larga experiência administrativa —, nenhum tem histórico sólido de negociações profundas entre os dois países. Falta-lhes, além disso, um entrosamento profissional comparável ao que existia entre Robert Lighthizer e Liu He, nos tempos do primeiro mandato de Trump.


A falta de interlocutores confiáveis

Com Kushner mais ocupado no Oriente Médio, surgiram tentativas de envolver líderes empresariais influentes, como Elon Musk (Tesla), Jensen Huang (Nvidia) e Stephen Schwarzman (Blackstone), para intermediar contatos. Mas nenhum deles tem proximidade suficiente com ambos os lados para servir como canal confiável. A política interna americana ainda dificulta a atuação: defensores de relações mais estáveis com a China frequentemente são rotulados de traidores ou simpatizantes do comunismo, criando barreiras adicionais.

Do lado chinês, a concentração de poder em torno de Xi Jinping e o aumento da vigilância interna tornaram os funcionários mais cautelosos e relutantes em mostrar iniciativa. A recente demissão de dois diplomatas com forte conexão em Washington — Qin Gang e Liu Jianchao — intensificou a preocupação chinesa. O atual embaixador chinês nos EUA não possui os mesmos contatos de seus antecessores, e a aposentadoria de Wang Qishan, ex-vice-presidente, eliminou outro canal valioso para o diálogo com Wall Street e políticos americanos.

Nos EUA, a situação também é complexa. O desmantelamento do Conselho de Segurança Nacional (CSN) durante o governo Trump resultou na escassez de especialistas em China, dificultando a coordenação entre agências. Ao mesmo tempo, não há esforços para replicar canais que funcionaram entre Biden e a China em 2023-2024.


Impulsos contraditórios e o papel das empresas

A incoerência se reflete nas políticas recentes: enquanto o Departamento de Comércio impõe restrições rigorosas à China, a Casa Branca pressiona o país a comprar mais soja e aviões. Internamente, o campo de Trump está dividido entre defensores de uma linha dura e líderes da indústria tecnológica, como Jensen Huang, que atua como intermediário. Huang conseguiu suspender temporariamente restrições à venda de chips de IA da Nvidia para a China, mas declarações mal interpretadas geraram reação negativa, incluindo críticas de figuras como Steve Bannon.

Do lado chinês, a confusão sobre com quem dialogar é evidente. “A equipe Trump 2.0 é mais um clube de lealistas do que uma unidade coesa”, afirmou Da Wei, especialista em relações China-EUA da Universidade Tsinghua, em recente conferência. Segundo ele, até identificar quem fala em nome de Trump é difícil, especialmente entre defensores de políticas rígidas de segurança.


Tentativas de manter canais abertos

Apesar das dificuldades, a China não desistiu de encontrar meios de comunicação alternativos. Cui Tiankai, aposentado desde 2021, foi reativado para tentar contatar aliados próximos a Trump e facilitar diálogos com empresários e representantes governamentais americanos. Ele visitou Washington pelo menos duas vezes este ano, embora os resultados permaneçam pouco claros.

Houve progresso pontual. Em setembro, Bessent e He conseguiram negociar a transferência das operações do TikTok para mãos americanas. Mas o problema maior permanece: as abordagens diplomáticas são profundamente diferentes. Trump aposta em seu próprio “magnetismo e habilidades de negociação” em encontros pessoais com Xi, enquanto o líder chinês valoriza processos estruturados e agendas detalhadas previamente definidas.

Sem reformulação dos canais de comunicação, qualquer acordo mais amplo provavelmente será precário e transitório. A menos que intermediários confiáveis sejam identificados ou que o Departamento do Tesouro utilize de forma mais efetiva sua experiência institucional, os progressos tendem a se restringir a questões menores e transacionais.

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A sombra de Trump apaga a voz da Europa na América Latina https://www.ocafezinho.com/2025/11/05/a-sombra-de-trump-apaga-a-voz-da-europa-na-america-latina/ https://www.ocafezinho.com/2025/11/05/a-sombra-de-trump-apaga-a-voz-da-europa-na-america-latina/#respond Wed, 05 Nov 2025 07:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=220412 A ausência dos líderes europeus em Santa Marta expõe o peso da pressão americana e o colapso simbólico da cooperação entre continentes

O que aconteceu em Santa Marta, Colômbia, vai muito além de uma simples crise diplomática. O esvaziamento da Cúpula entre a União Europeia (UE) e a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC) é o retrato fiel de um mundo em fratura — e, mais do que isso, de uma Europa que, submissa ao império de Washington, abandona qualquer pretensão de autonomia política. Quando líderes europeus recuam diante da possibilidade de desagradar Donald Trump, o recado é claro: a velha potência continental ajoelha-se mais uma vez diante do poder norte-americano.

Mas para a América Latina, o episódio deve servir como um alerta e, sobretudo, um ponto de inflexão. A região precisa compreender que soberania não se negocia — e que depender do aval de Washington ou de Bruxelas é condenar-se à eterna tutela de interesses alheios.


A cúpula que virou símbolo da submissão

O encontro UE-CELAC, planejado para os dias 9 e 10 de novembro em Santa Marta, tinha tudo para ser um marco de cooperação entre dois continentes historicamente entrelaçados. Mais de cinquenta países, representando 21% do PIB mundial, deveriam debater comércio, desenvolvimento sustentável e segurança regional. No entanto, antes mesmo de começar, o evento desmoronou.

A ausência dos principais líderes europeus — como o chanceler alemão Friedrich Merz e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen — não é um mero detalhe logístico. É um ato político de omissão calculada. Fontes diplomáticas confirmam que a Casa Branca, sob o comando beligerante de Donald Trump, pressionou discretamente contra a realização do encontro, incomodada com a presença de governos latino-americanos considerados “rebeldes” por Washington.

Trump tem tratado a América Latina como quintal estratégico e zona de influência exclusiva. Ao sancionar o presidente colombiano Gustavo Petro e intensificar ameaças contra a Venezuela, o mandatário norte-americano reeditou o velho manual de coerção imperial: punir, intimidar e dividir. A Europa, que poderia ter servido como contrapeso diplomático, preferiu calar — e, pior, ausentar-se.


O silêncio cúmplice da Europa

O comunicado frio e evasivo do porta-voz de Merz, alegando “baixa participação” para justificar sua ausência, é quase cômico se não fosse trágico. Afinal, a ausência dos líderes europeus é justamente a razão do fracasso do encontro. Ursula von der Leyen, por sua vez, optou pelo silêncio absoluto. Nenhum comentário, nenhuma tentativa de diplomacia, nenhuma sinalização de solidariedade com os parceiros latino-americanos.

A UE, que tanto se apresenta como defensora do multilateralismo, mostrou-se incapaz de sustentar um encontro que contrariasse a Casa Branca. Santa Marta expôs, com nitidez brutal, o que há muito se suspeitava: a Europa, outrora protagonista de sua própria história, hoje atua como extensão política dos Estados Unidos.

E o mais grave é que essa subserviência tem custo. Ao renunciar a um diálogo direto com a América Latina, Bruxelas abre mão de uma parceria que poderia equilibrar o cenário global e reduzir a dependência de Washington. Em vez disso, prefere correr atrás de um acordo comercial com o Mercosul, já manchado pela desconfiança e pelo ressentimento que o recente boicote provocou.


A América Latina deve olhar para si

Para a América Latina, o episódio é pedagógico. Ele mostra que esperar coerência ou solidariedade das potências ocidentais é um erro repetido demais. Quando a região busca autonomia — seja através da integração econômica, da cooperação energética ou da soberania ambiental — logo se torna alvo de sanções, ameaças e campanhas de desestabilização.

A história é conhecida: cada vez que um país latino-americano tenta romper com o modelo imposto de dependência, Washington reage com hostilidade. A diferença, agora, é que a Europa não disfarça mais seu papel de coadjuvante nessa estratégia. O boicote à cúpula é, em última instância, um gesto de alinhamento automático com a política externa agressiva de Trump.

Mas há um dado novo — e esperançoso. A América Latina, hoje, tem mais maturidade institucional e consciência de sua força coletiva. O fracasso em Santa Marta deve impulsionar uma resposta política firme: fortalecer a CELAC, aprofundar o comércio intrarregional e consolidar um eixo de cooperação Sul-Sul, menos vulnerável à chantagem de Washington.


O preço da omissão

Enquanto a Europa se rende à lógica da obediência, o mundo multipolar avança. China, Índia, Rússia e países africanos reforçam laços com a América Latina sem exigir submissão ideológica. A UE, por sua vez, parece preferir o papel de apêndice do poder norte-americano, sacrificando a própria credibilidade diplomática.

Em última análise, o boicote europeu à cúpula não enfraquece apenas a América Latina — ele desmoraliza a própria União Europeia. Um bloco que não tem coragem de dialogar com parceiros autônomos dificilmente pode pretender liderar qualquer ordem internacional justa.

A América Latina precisa tomar nota: só há um caminho possível — o da soberania plena. Isso significa romper com a lógica da dependência, investir em integração regional e defender, com voz própria, seus interesses no cenário global.


Conclusão: um chamado à dignidade

Santa Marta não foi apenas o palco de um fracasso diplomático. Foi o espelho de um sistema internacional em colapso moral. De um lado, potências que se ajoelham diante do poderio de Trump; de outro, uma América Latina desafiada a erguer-se com dignidade e autoconfiança.

Se o século XX foi o da submissão e das intervenções, o século XXI precisa ser o da emancipação latino-americana. Nenhuma soberania se constrói pedindo licença — e nenhum futuro se escreve sob as ordens de Washington.

Santa Marta, portanto, não deve ser lembrada como o símbolo da desistência europeia, mas como o ponto de partida de uma nova consciência regional: a de que a América Latina só será livre quando deixar de esperar a aprovação dos poderosos e começar a agir por si mesma.

Com informações de Bloomberg*

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Europa curva-se a Trump e abandona a América Latina https://www.ocafezinho.com/2025/11/04/europa-curva-se-a-trump-e-abandona-a-america-latina/ https://www.ocafezinho.com/2025/11/04/europa-curva-se-a-trump-e-abandona-a-america-latina/#respond Tue, 04 Nov 2025 12:34:03 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=220416 O esvaziamento da Cúpula UE-CELAC em Santa Marta revela o receio europeu em contrariar a agenda agressiva de Washington para a América Latina, sacrificando a cooperação birregional

O que deveria ser um momento histórico de cooperação entre dois continentes transformou-se em um retrato do desdém e da subserviência. A Cúpula entre a União Europeia (UE) e a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC), marcada para os dias 9 e 10 de novembro em Santa Marta, Colômbia, ruiu antes mesmo de começar. A razão, segundo fontes diplomáticas, é um boicote velado e constrangedor: os principais líderes europeus temem irritar o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

A lista de ausências é encabeçada por figuras de proa da Europa. O chanceler alemão, Friedrich Merz, e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, dois pilares da política do bloco, decidiram não comparecer.

O motivo do receio europeu é a postura cada vez mais beligerante de Washington na região. A cúpula na Colômbia já estava sob escrutínio da Casa Branca, que mira abertamente países como a Venezuela e a própria nação anfitriã. O governo Trump tem intensificado suas ameaças militares contra a Venezuela e, em um ato recente de clara ingerência na soberania regional, sancionou o presidente colombiano Gustavo Petro.

É neste cenário de pressão explícita que a Europa opta pela omissão. A baixa adesão é um sintoma direto dessa escolha política. Fontes familiarizadas com o planejamento da cúpula confirmam um cenário desolador: apenas cinco líderes europeus e míseros três líderes latino-americanos e caribenhos confirmaram presença no encontro. Um fracasso diplomático retumbante, onde a sombra de Washington se provou maior que a autonomia de Bruxelas.

Questionado sobre a ausência de Friedrich Merz, seu porta-voz, Stefan Kornelius, recorreu a um comunicado protocolar, quase circular, para justificar a decisão. Em nota enviada por e-mail, Kornelius afirmou que o chanceler não planeja comparecer devido à “baixa participação de outros chefes de Estado e de governo”. A declaração ignora convenientemente que a ausência de líderes do peso de Merz é, justamente, a causa central do esvaziamento que ele alega.

A Comissão Europeia, braço executivo da UE e comandada por Von der Leyen, adotou uma postura ainda mais reveladora: o silêncio. Nenhum porta-voz respondeu de imediato aos pedidos de comentário sobre o abandono da cúpula.

O que se perde com essa manobra é a oportunidade de debater o futuro de uma relação que, no papel, é colossal. Juntos, os 50 países da UE e da CELAC representam 21% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial. Na agenda oficial, agora esvaziada, estavam temas cruciais como o fortalecimento das relações comerciais e estratégias conjuntas de combate ao crime organizado.

Este não é um incidente isolado, mas parte de uma tendência de desestabilização regional impulsionada pelos EUA. A turbulência política é crescente. Na segunda-feira, a República Dominicana anunciou o adiamento de outra importante reunião de líderes de toda a América, que seria realizada no país. O motivo? A escalada de tensões com a Venezuela, exacerbada por ataques militares dos EUA contra embarcações na região, que dividem o continente.

Ironicamente, enquanto a UE vira as costas para o diálogo direto em Santa Marta, seus burocratas em Bruxelas correm contra o tempo. A União Europeia ainda nutre a esperança de finalizar o acordo comercial com o Mercosul, o bloco das nações sul-americanas, até o final do ano. Resta saber se sobrará algum capital político ou confiança mútua para assinar acordos com parceiros que acabaram de ser preteridos em favor da agenda agressiva de Donald Trump.

Com informações de Bloomberg*

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O mundo se curva ao ego de Trump https://www.ocafezinho.com/2025/10/31/o-mundo-se-curva-ao-ego-de-trump/ https://www.ocafezinho.com/2025/10/31/o-mundo-se-curva-ao-ego-de-trump/#comments Fri, 31 Oct 2025 16:27:06 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=220234 1 Comentário 🔥]]> Um ano após a reeleição, Trump redefine a política externa com ego, tarifas e gestos que transformam aliados em súditos e inimigos em vítimas

O ar em Washington está pesado. Um ano se passou desde a controversa reeleição de Donald Trump, e o cenário diplomático global não é apenas instável; ele é irreconhecível. A previsibilidade, mesmo a tensa previsibilidade da Guerra Fria ou da “Guerra ao Terror”, evaporou. O que resta é o personalismo.

Como um observador veterano da Casa Branca resumiu: “Um ano após sua reeleição, a diplomacia está sendo conduzida pelos caprichos pessoais do presidente a um ponto sem precedentes na era moderna.”

Para as nações do mundo, de aliados históricos a adversários declarados, a lição aprendida neste último ano é brutal e clara: a única política externa que importa é a que agrada o ego do homem no Salão Oval.

A bajulação como política de Estado

A fila da subserviência global é longa e cresce a cada dia. Esta semana, a nova primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, fez sua peregrinação a Washington. Ela não veio de mãos vazias; trazia a notícia de que estava indicando Donald Trump para o Prêmio Nobel da Paz.

Com isso, o Japão se junta a uma lista que inclui os governos do Camboja, Paquistão e Israel. Todos correm para lisonjear o presidente, na esperança de evitar sua ira.

O espetáculo cruza o Atlântico. Sir Keir Starmer, o primeiro-ministro britânico, usou seu primeiro encontro com Trump para anunciar um convite para uma segunda visita de Estado ao Reino Unido. Em um momento de clara submissão, Starmer enfatizou que o gesto era “verdadeiramente histórico” e “sem precedentes”.

Fontes diplomáticas, falando sob condição de anonimato, descrevem esse tipo de comportamento bajulador como “indigno”. Mas, um ano após a consolidação do poder de Trump, os aliados dos Estados Unidos concluíram que a bajulação é, dolorosamente, indispensável.

E o que acontece com quem não se curva? A punição é imediata e desproporcional.

As relações entre os EUA e a Índia, antes uma aliança estratégica em ascensão, deterioraram-se drasticamente. O crime do primeiro-ministro Narendra Modi? Ele se recusou a dar crédito público a Trump pela pacificação entre a Índia e o Paquistão. A vingança veio na forma de tarifas punitivas de 50% sobre os produtos indianos.

O Canadá, vizinho e aliado de longa data, também provou do veneno. Trump ofendeu-se pessoalmente com um anúncio televisivo contra tarifas veiculado pela província de Ontário. A resposta foi um aumento imediato das tarifas sobre o país. A soberania nacional virou um detalhe irrelevante diante da fúria presidencial.

Tarifas, vitórias e o fim dos “valores”

Embora os acessos de raiva e as mudanças súbitas de direção façam a política externa de Trump parecer um furacão imprevisível, temas muito claros emergiram nestes últimos nove meses.

O presidente tem obsessões inabaláveis. Ele ama tarifas alfandegárias. Ele genuinamente acredita que elas tornarão os Estados Unidos mais ricos e poderosos, ignorando o consenso econômico global.

Ele também está entrincheirado na convicção de que os EUA foram “explorados” por seus aliados. É uma narrativa vitimista que serve como justificativa moral para sua política predatória “América Primeiro”.

A abordagem de Trump é profundamente transacional. Aquele velho discurso sobre “valores americanos” e “liberdade” — tão caro aos presidentes anteriores, fosse ele hipócrita ou não — foi completamente abandonado. Em vez disso, Trump fala de “força americana” e de embolsar “vitórias”.

Essas “vitórias” podem ser a promessa de investimentos bilionários nos EUA. Ou podem ser mais um acordo de paz do qual ele possa se apropriar publicamente.

A hipocrisia do Nobel

Ironicamente, o desejo do presidente de ser um pacificador parece, por vezes, genuíno. Fontes internas sugerem que pode refletir um horror real à guerra. Outros, mais cínicos, apontam que é motivado por uma vontade desesperada de igualar o Prêmio Nobel da Paz que foi concedido a Barack Obama em 2009.

O próprio Trump, em um momento de estranha reflexão, sugeriu que quer melhorar suas chances de ir para o céu, ponderando: “Estou ouvindo que não estou indo bem. Estou realmente na base da pirâmide.”

Neste exato momento, a máquina de propaganda da Casa Branca está a todo vapor, destacando seu papel na intermediação de um cessar-fogo em Gaza e na assinatura, por Israel e Hamas, de um plano de 20 pontos. Ele também canta vitória por um acordo entre a Tailândia e o Camboja.

Mas a máscara de pacificador cai com uma velocidade assustadora.

Trump também se mostrou mais do que disposto, em algumas ocasiões, a “dar uma chance à guerra”. Em junho, após Israel atacar instalações nucleares iranianas, ele fez o que sucessivos presidentes americanos evitaram por 20 anos: autorizou a participação americana em ataques aéreos subsequentes contra o Irã.

Após os ataques, Trump não hesitou em reivindicar o mérito de ter “aniquilado” as instalações. Críticos dentro do Pentágono foram rapidamente silenciados.

E enquanto se regozija pelos acordos de paz asiáticos, Trump vira sua máquina de guerra para o Caribe. Nas últimas semanas, os EUA realizaram uma série de ataques mortais contra embarcações que alegadamente transportavam drogas. O porta-aviões USS Gerald R. Ford acaba de ser enviado para a região. O cheiro de intervenção militar é forte, e fala-se abertamente em Washington sobre uma tentativa de forçar uma “mudança de regime” na Venezuela. O imperialismo clássico, sem disfarces, está de volta às Américas.

A guerra econômica

Para grande parte do mundo, especialmente o Sul Global, as tarifas são a face diária da opressão trumpista. As enormes tarifas globais anunciadas no seu chamado “dia da libertação” — 2 de abril — foram rapidamente atenuadas após uma reação violenta do mercado.

Mas, desde então, o governo tem seguido uma política sádica de imposição de tarifas específicas, decididas de forma opaca. Após processos que ninguém em Bruxelas ou Brasília consegue entender, o Reino Unido acabou com uma taxa de 10%, o Japão e a UE com 15%, as Filipinas com 19% e a África do Sul com 30%.

A China foi recentemente ameaçada com tarifas de 100%. Contudo, após um encontro pessoal entre Trump e Xi Jinping em Seul, a tarifa média sobre as importações da China será de 45%. Um “desconto” concedido após um aperto de mão.

Confusão chinesa

O aparente desejo de Trump por um “grande acordo” pessoal com Xi perturbou a única área onde havia consenso em Washington: a “competição entre grandes potências”.

Foi a própria primeira administração Trump que recolocou a China como o principal desafio ao poder americano. A administração Biden, no intervalo, chamou a China de “a principal ameaça” e tentou unir aliados para conter Pequim.

Esperava-se que o segundo mandato de Trump desse continuidade a esse esforço. Mas os instintos pessoais do presidente atropelaram a estratégia.

As mesmas tarifas que Trump impôs a aliados cruciais na Ásia — como Japão, Índia, Taiwan e Coreia do Sul — contrariam diretamente os esforços para isolar a China. O resultado é um desastre geopolítico para os EUA: países como a Índia e o Vietnã, temendo a instabilidade americana, estão agora tentando se aproximar de Pequim.

O que o mundo deve pensar disso? Será que os livros de história reconhecerão uma “Doutrina Trump”, assim como houve uma “Doutrina Truman”?

Provavelmente é pedir demais que uma figura “instintiva e egocêntrica” como Trump desenvolva uma abordagem coerente. Mas há muitas pessoas em sua administração ansiosas para criar uma “política externa para o MAGA”.

Uma análise influente de 2022 (do Conselho Europeu de Relações Exteriores) identificou “três tribos” que disputam o ouvido do presidente:

  1. Os Primacistas: São os imperialistas tradicionais. Comprometidos com o papel dos EUA como superpotência global, querem policiar a Europa, Ásia e Oriente Médio. Figuras como o Secretário de Estado Marco Rubio e o Senador Lindsey Graham lideram esse grupo.
  2. Os Moderadores (Restrainers): Ligados ao vice-presidente JD Vance, são mais isolacionistas. Marcados pelas guerras do Iraque e Afeganistão, eles desconfiam de aliados, temendo que arrastem os EUA para novas guerras que não gerem lucros óbvios.
  3. Os Priorizadores (“Ásia Primeiro”): Argumentam que os EUA não têm mais recursos para serem a polícia global. Querem escolher as batalhas. Na visão deles (como Elbridge Colby), isso significa abandonar a Ucrânia e focar todos os recursos na contenção da China.

Enquanto essas três tribos da direita radical disputam o poder em Washington, o mundo real — da Faixa de Gaza ao Caribe, das fábricas indianas às Filipinas — paga o preço. A “Doutrina Trump”, ao fim deste primeiro ano, é simplesmente a doutrina do caos. E sua única máxima é aquela que dá título a esta reportagem: “não confie na América.”

O próprio Trump, no entanto, não pertence a nenhum desses grupos. Como resumiu Jeremy Shapiro, coautor do estudo: “O presidente não se importa com nenhuma dessas escolas de pensamento. Ele é movido por seus próprios interesses pessoais e psicológicos.”

Consequentemente, a política externa do segundo mandato de Trump tornou-se um campo de batalha interno, onde as três tribos tentam desesperadamente influenciar as políticas públicas, não através da lógica estratégica, mas alinhando seus objetivos aos caprichos do presidente e ao seu desejo insaciável por “vitórias” televisionáveis.

Cada facção teve seus dias de glória e suas derrotas humilhantes.

Os isolacionistas de Vance

Os defensores da contenção (os “moderadores”), intimamente ligados ao vice-presidente JD Vance, eram entusiastas da ideia de romper com a Ucrânia e buscar uma reaproximação cínica com a Rússia de Vladimir Putin.

Eles tiveram vitórias. Vance desempenhou um papel central no infame confronto televisionado de fevereiro, no Salão Oval, com Volodymyr Zelenskyy, o presidente ucraniano. O resultado foi o corte de toda a ajuda financeira à Ucrânia, uma decisão que forçou os europeus, relutantes, a cobrir o déficit financeiro. Eles também apoiaram o ceticismo de Trump em relação à OTAN, o que resultou na exigência bem-sucedida de que os países europeus pagassem mais por sua própria defesa.

Mas a grande aposta — uma reaproximação com Putin — fracassou. Trump ficou visivelmente desapontado com sua cúpula no Alasca, em agosto. Desde então, ele tem se mostrado estranhamente mais amigável com Zelensky e até endureceu sanções contra a Rússia, provando que sua lealdade é efêmera.

Os isolacionistas sofreram seus maiores reveses no Oriente Médio. A decisão de bombardear o Irã causou uma cisão aberta no movimento MAGA; figuras influentes como Tucker Carlson e a congressista Marjorie Taylor Greene condenaram publicamente a medida.

Um bate-papo em grupo vazado entre Vance, o secretário de Defesa Pete Hegseth e outros, revelou a frustração do vice-presidente. Sobre a decisão de bombardear os houthis no Iêmen, Vance escreveu: “Acho que estamos cometendo um erro. Detesto ter que socorrer a Europa novamente.”

Os imperialistas de Rubio

O bombardeio do Irã foi, ironicamente, um triunfo para os “primacistas” — os que acreditam no uso robusto e tradicional do poder militar americano em todo o mundo. Este grupo, que inclui o Secretário de Estado Marco Rubio e o Senador Lindsey Graham, aplaudiu a agressão.

Mas a vitória foi incompleta. A decisão de Trump de interromper abruptamente a campanha decepcionou a facção, que esperava que os EUA continuassem a guerra e pressionassem por uma mudança de regime no Irã.

Rubio, o principal primazista, agora foca sua energia na Venezuela. Ele é a figura-chave na defesa de uma política agressiva contra o governo Maduro. A estratégia é clara: ao alinhar a intervenção na Venezuela com as preocupações domésticas do presidente (drogas e imigração), Rubio espera conquistar mais uma vitória para os imperialistas.

Esta facção também conseguiu frear o impulso de Trump de se retirar da OTAN. A política atual — permanecer na aliança, enquanto humilha e força os europeus a gastarem muito mais — parece ser o compromisso viável entre os isolacionistas e os imperialistas.

Os “priorizadores” (o grupo “Ásia Primeiro”), que argumentavam que os EUA deveriam minimizar a Europa e o Oriente Médio para focar na China, tiveram o pior desempenho.

O argumento de Elbridge Colby parece estar perdendo força. Embora os cortes na ajuda à Ucrânia se encaixem em sua visão, o rumor de que o Departamento de Guerra (como o Pentágono é agora chamado) está trabalhando em uma nova estratégia de defesa que priorizará o hemisfério ocidental em detrimento da Ásia, soa como uma rejeição total de sua visão de mundo.

Qualquer acordo comercial pessoal entre Trump e Xi Jinping que sacrifique os interesses de Taiwan seria o golpe final tanto para eles quanto para os primacistas.

Desejo de anexar a Groenlândia

As três tribos, no entanto, não conseguem explicar os impulsos mais caóticos do presidente.

Uma campanha que quase ninguém previu foi a declaração de uma nova, e bizarra, forma de imperialismo americano. Isso se manifestou no desejo declarado do presidente de anexar a Groenlândia e em suas repetidas sugestões de que o Canadá deveria se tornar o 51º estado.

Isso foi forte demais — mesmo para os primazistas de Rubio. Ainda há controvérsia sobre quem exatamente colocou essas ideias na agenda de Trump. Por enquanto, esse imperialismo declarado está sendo minimizado, embora fontes falem de esforços secretos em curso na Groenlândia.

Ameaçar o Canadá e a Dinamarca, insultar a Índia e o Brasil, impor tarifas a todos os aliados e incentivar a extrema-direita na Europa, no entanto, terá um custo de longo prazo.

Os apoiadores de Trump argumentam que as queixas sobre essas políticas são “lamúrias liberais”. Eles acreditam que a disposição de Trump em usar o poder americano garantiu resultados: o cessar-fogo em Gaza, uma OTAN “melhorada” e termos comerciais mais favoráveis.

Uma visão alternativa é que, como afirma Shapiro, “Trump está trocando vitórias de curto prazo por problemas de longo prazo. Ele está desperdiçando 80 anos de capital diplomático americano.”

Esse capital foi acumulado, em grande parte, sustentando o sistema de comércio global e garantindo a segurança de aliados na Ásia e na Europa. Isso tornou países como Japão, Reino Unido e Canadá altamente dependentes dos EUA — o que conferiu à América uma influência gigantesca.

Mas, ao usar essa influência de forma “surpreendentemente implacável”, Trump enviou uma mensagem clara: confiar na América é um risco.

A consequência é inevitável. Os aliados dos Estados Unidos começarão a se proteger contra o poderio americano. Às vezes, o processo é explícito, como quando Mark Carney, o primeiro-ministro canadense, deixou claro que pretende diversificar as relações comerciais de seu país para longe dos EUA. Outras vezes, é discreto, como o novo esforço europeu para desenvolver capacidades de defesa e de satélite que possam operar independentemente dos EUA.

Sul global reage

Países que não são aliados dos EUA — e que não dependem de sua garantia de segurança — têm ainda mais liberdade para responder com firmeza ao que consideram intimidação.

O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, reagiu com veemência aos esforços do governo Trump para impedir o processo e a possível prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, um importante aliado de Trump. Na Índia, Narendra Modi, após a disputa tarifária, teria se recusado a atender ligações telefônicas de Trump.

Como resultado, os Estados Unidos estão perdendo influência sobre atores-chave no Sul Global. Em um artigo recente para a revista Foreign Affairs, analistas lamentam que os Estados Unidos estão alienando os países indecisos no sistema global. O argumento é sombrio: “Washington está levando os BRICS a se tornarem um bloco anti-americano.”

Ao usar a força americana de maneiras novas e controversas, Trump está, sem dúvida, demonstrando o enorme poder que os EUA ainda detêm. Mas ele também pode estar garantindo que, nos próximos anos, seus sucessores tenham significativamente menos poder global à sua disposição.

Com informações de Financial Times*

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Zelensky desafia Putin e acende temor global https://www.ocafezinho.com/2025/09/29/zelensky-desafia-putin-e-acende-temor-global/ https://www.ocafezinho.com/2025/09/29/zelensky-desafia-putin-e-acende-temor-global/#respond Mon, 29 Sep 2025 07:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=218037 Moscou já domina quase um quinto do território ucraniano, mas o impasse mostra que a guerra se tornou mais simbólica do que territorial

A guerra na Ucrânia entrou em seu terceiro ano como um pesadelo sem fim. Cada novo ataque — como o maciço bombardeio russo deste domingo, com mais de 600 drones e mísseis — deixa marcas profundas não apenas em edifícios e infraestruturas, mas nas vidas de civis inocentes. A morte de uma menina de 12 anos em Kiev é um lembrete cruel de que, em conflitos modernos, não há fronteiras entre o campo de batalha e a vida cotidiana. Contra essa guerra, somos firmemente contrários. Ela destrói, desumaniza e alimenta um ciclo de violência que já custou dezenas de milhares de vidas.

No entanto, recusar a guerra não significa ignorar as causas que a alimentam. E uma dessas causas é a expansão contínua da OTAN em direção às fronteiras russas — uma provocação geopolítica que Moscou, com razão, interpreta como ameaça existencial. A soberania de qualquer nação, incluindo a Rússia, deve ser respeitada. Não se pode exigir respeito pelas fronteiras ucranianas enquanto se ignora o direito legítimo de Moscou a sentir-se segura diante de uma aliança militar que avança sistematicamente até sua própria porta.

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As recentes declarações de Volodymyr Zelenskiy — sugerindo que líderes russos deveriam “saber onde ficam os abrigos antiaéreos” — revelam mais do que bravata: expõem uma escalada perigosa rumo à guerra total. Quando um presidente insinua ataques contra centros de comando de uma potência nuclear, está brincando com fogo que pode incendiar o mundo inteiro. A resposta evasiva, porém contundente, de Dmitry Peskov — “é melhor nem falar sobre isso” — ecoa como um aviso silencioso: há limites que, uma vez ultrapassados, podem levar a consequências irreversíveis.

É verdade que a Rússia avança no terreno. Dados pró-ucranianos confirmam que Moscou agora controla cerca de 19% do território ucraniano, com ganhos significativos nos últimos meses. Mas isso não justifica, por si só, a continuidade de uma guerra que já se mostrou um beco sem saída.

A Ucrânia, por sua vez, não está sozinha: recebe bilhões em armas dos EUA, sistemas Patriot de Israel e promessas de “vitória total” de líderes ocidentais. Essa postura, embora compreensível do ponto de vista da defesa nacional, alimenta a lógica de que a solução está apenas no campo de batalha — e não na diplomacia.

Aqui reside o paradoxo trágico do conflito: enquanto o Ocidente insiste em armar Kiev até os dentes, ignora sistematicamente as preocupações de segurança legítimas da Rússia. A OTAN, criada para conter a União Soviética durante a Guerra Fria, transformou-se em um instrumento de contenção permanente contra Moscou, mesmo após o colapso da URSS.

A promessa não escrita de que a aliança não se expandiria para o Leste foi quebrada repetidamente. Hoje, a Rússia vê bases militares da OTAN em países que antes faziam parte de sua esfera de influência — uma realidade que nenhum governo soberano aceitaria passivamente.

Isso não significa endossar a invasão russa. Significa reconhecer que a paz só virá quando todas as partes — inclusive as potências ocidentais — estiverem dispostas a negociar com base no respeito mútuo, e não na imposição unilateral de interesses. A soberania da Ucrânia é inegociável, mas a soberania da Rússia também o é.

Enquanto o mundo se divide entre “bom” e “mau”, civis continuam morrendo. Enquanto Zelenskiy busca “vitória total” e Moscou exibe sua superioridade territorial, crianças perdem a infância, hospitais viram escombros e o risco de uma escalada nuclear paira no ar. Não queremos essa guerra. Mas também não queremos uma paz construída sobre a humilhação de uma das partes.

A saída está na diplomacia real — não na retórica de guerra travestida de defesa da liberdade. E isso exige coragem: a coragem de ouvir o outro, de reconhecer erros de todos os lados e de priorizar a vida humana acima das ambições geopolíticas. Até lá, o fumo sobre Kiev será o sinal de que ainda estamos longe da paz — e perigosamente perto do abismo.

Com informações de Reuters e CNN *

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China ergue pontes de paz em meio ao caos global https://www.ocafezinho.com/2025/09/26/china-ergue-pontes-de-paz-em-meio-ao-caos-global/ https://www.ocafezinho.com/2025/09/26/china-ergue-pontes-de-paz-em-meio-ao-caos-global/#respond Fri, 26 Sep 2025 11:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=218182 Porta-voz chinês reafirma apoio a cessar-fogo em Gaza, defende solução de dois Estados e exige alívio imediato da crise humanitária

Em um mundo cada vez mais marcado por conflitos, desconfiança e fragmentação geopolítica, a China emerge como uma potência que, longe de buscar hegemonia agressiva, propõe-se como arquiteta de um novo equilíbrio internacional baseado no respeito mútuo, na cooperação multilateral e na busca por soluções justas e duradouras. Longe do discurso beligerante e das intervenções unilaterais que caracterizam outras potências, Pequim demonstra, com consistência e firmeza, seu compromisso com a soberania dos povos, com a paz e com o progresso coletivo — valores que não são apenas retórica, mas orientam suas ações diplomáticas e científicas em escala global.

Um exemplo claro dessa postura foi recentemente reafirmado pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, durante coletiva de imprensa em que manifestou apoio a todas as iniciativas que visem reduzir as tensões entre Palestina e Israel.

Diante de um conflito que há décadas desafia a comunidade internacional, a China não se limita a emitir declarações genéricas. Ao contrário, reafirma com clareza sua adesão às resoluções da Organização das Nações Unidas, defende um cessar-fogo imediato e abrangente em Gaza, exige a libertação de todos os detidos e insiste na urgência de aliviar a crise humanitária que aflige a população palestina. Mais importante ainda: Pequim reitera que “os palestinos governam a Palestina” — um princípio que respeita a soberania nacional e rejeita qualquer solução imposta de fora.

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A posição chinesa não se alinha com agendas externas, tampouco se subordina a narrativas hegemônicas. Ao ser questionado sobre o plano apresentado pela administração de Donald Trump para a Faixa de Gaza, o porta-voz evitou julgamentos precipitados, mas deixou claro que a China valoriza qualquer esforço que contribua para a paz — desde que respeite os direitos fundamentais do povo palestino e a viabilidade de um Estado soberano.

Para Pequim, a solução de dois Estados não é uma opção entre muitas; é a única base legítima para uma paz sustentável. Essa postura, equilibrada e fundamentada no direito internacional, contrasta fortemente com as políticas intervencionistas que frequentemente agravam, em vez de resolver, os conflitos regionais.

Mas a influência global da China não se restringe ao campo diplomático. Enquanto algumas potências utilizam a ciência e a tecnologia como instrumentos de contenção ou exclusão, a China opta por transformá-las em pontes de cooperação. Recentemente, durante a Segunda Conferência Internacional para Treinamento de Excelentes Engenheiros, realizada em Beijing, o ministro da Educação, Huai Jinpeng, apresentou uma visão ambiciosa e inclusiva para o futuro da educação em engenharia.

Com mais de 9 milhões de estudantes matriculados em cursos de engenharia — o maior sistema do mundo —, a China não apenas investe maciçamente em formação técnica, mas oferece sua experiência como modelo para reformas educacionais globais.

As propostas apresentadas por Huai — criar padrões internacionais de qualidade, adaptar os currículos à era da inteligência artificial e construir uma rede de cooperação aberta entre instituições de ensino — revelam uma estratégia de longo prazo: posicionar a China não como uma potência isolada, mas como um parceiro indispensável na construção de soluções coletivas para desafios globais, como as mudanças climáticas, a transição energética e a inovação tecnológica.

A assinatura de uma declaração conjunta com entidades internacionais e a formação de parcerias com universidades do Brasil, Espanha, Indonésia, Peru, Quênia e Laos demonstram que essa cooperação não é retórica vazia, mas uma realidade em expansão.

Essas duas frentes — a diplomacia de paz e a cooperação científica — não são esforços desconectados. Elas fazem parte de uma visão coesa e estratégica da China sobre seu papel no mundo. Enquanto o Ocidente frequentemente instrumentaliza a política externa para impor valores ou interesses econômicos, Pequim aposta em um modelo alternativo: um multilateralismo genuíno, baseado no respeito à soberania, na não ingerência nos assuntos internos e na promoção do desenvolvimento compartilhado.

A China não busca substituir uma ordem por outra; busca reformá-la, tornando-a mais justa, inclusiva e representativa.

Diante de um cenário internacional marcado por polarização e incerteza, a postura chinesa oferece um contraponto necessário. Ao defender a autodeterminação dos povos — como no caso da Palestina — e ao abrir suas universidades, laboratórios e redes de inovação para o mundo inteiro, a China demonstra que é possível exercer liderança global sem recorrer à coerção ou à dominação. Sua soberania não é um muro, mas uma base sólida para construir pontes.

Em última análise, a China não está apenas projetando influência; está oferecendo uma alternativa ética e prática para um mundo em crise. E nessa alternativa, a paz, a ciência e o respeito mútuo não são ideais abstratos, mas pilares concretos de uma nova ordem internacional — mais equilibrada, mais humana e mais sustentável.

Com informações de Xinhua*

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Trump tenta humilhar o Brasil na ONU — e só reforça a necessidade de soberania https://www.ocafezinho.com/2025/09/18/trump-tenta-humilhar-o-brasil-na-onu-e-so-reforca-a-necessidade-de-soberania/ https://www.ocafezinho.com/2025/09/18/trump-tenta-humilhar-o-brasil-na-onu-e-so-reforca-a-necessidade-de-soberania/#respond Thu, 18 Sep 2025 07:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=217520 Às vésperas da Assembleia da ONU, Trump nega vistos à comitiva de Lula e ameaça transformar Nova York em palco de humilhação política

Nova York, vésperas da Assembleia Geral da ONU. Enquanto o mundo se prepara para ouvir os líderes globais discutirem os rumos da paz, da justiça climática e dos direitos humanos, o governo de Donald Trump escolheu um caminho obscuro: tentar constranger o Brasil. A delegação que acompanhará o presidente Luiz Inácio Lula da Silva — chefe de Estado eleito democraticamente por mais de 60 milhões de brasileiros — ainda não teve todos os vistos liberados para entrar nos Estados Unidos. Entre os atingidos, estão ministros como Alexandre Padilha e Ricardo Lewandowski, cujos vistos pessoais ou de familiares foram cancelados. Não é burocracia. É retaliação política. É armação diplomática. É Trump tentando, mais uma vez, transformar o solo americano em palco de chantagem contra nações que ousam pensar por si mesmas.

Este episódio não é isolado. É parte de um padrão histórico de arrogância imperial. Trump, cujo governo já se notabilizou por desprezar acordos multilaterais, desprezar a ONU e desprezar a dignidade dos povos do Sul Global, agora tenta impedir que o Brasil — sim, o Brasil — exerça seu direito soberano de participar de um fórum internacional ao qual pertence por direito próprio.

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O território americano, onde a ONU está sediada, não é propriedade privada de Washington. É território internacional por acordo multilateral. E esse acordo garante acesso irrestrito às delegações oficiais. Negar vistos a representantes do governo brasileiro não é apenas uma ofensa diplomática — é uma violação das normas que sustentam o próprio sistema das Nações Unidas.

E por que Trump faz isso? Porque Lula representa algo que ele odeia: um líder que fala em nome dos pobres, que defende a soberania nacional, que não se curva ao diktat de Wall Street ou do Pentágono. Lula, que já foi perseguido, preso e calado por forças internas e externas, hoje retorna ao cenário global como símbolo de resistência democrática. E Trump, que governou com a lógica do ódio, da exclusão e da supremacia branca, não suporta ver um operário nordestino, nascido na miséria, ocupar o mesmo palco que ele — e, pior, ser aplaudido por defender a paz, a justiça social e a cooperação entre os povos.

A tentativa de constrangimento é clara: chegar às vésperas do discurso de abertura da ONU sem garantir o acesso da comitiva brasileira é um gesto calculado. É um recado. É uma forma de dizer: “Você só entra aqui se obedecer às nossas regras”. Mas o Brasil de Lula não aceita regras impostas por quem despreza a democracia.

O Itamaraty já sinalizou que, se confirmada a restrição direcionada, o país poderá acionar um procedimento arbitral dentro da própria ONU. Essa não é uma ameaça vazia. É um ato de defesa da soberania. É um ato de dignidade.

Enquanto Trump tenta minar a presença oficial do Brasil, a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, já desembarcou em Nova York com agenda própria — e simbólica. Longe de ser mero protocolo, sua presença antecipada é um gesto de resistência silenciosa.

Enquanto a Casa Branca trava vistos, Janja se prepara para participar de encontros sobre direitos das mulheres, igualdade de gênero e inclusão social — pautas que Trump desprezou sistematicamente durante seu governo. Sua atuação reforça o que o Brasil quer projetar: um país comprometido com os valores humanistas, com a justiça social, com a solidariedade internacional.

Vale lembrar: em 2024, Janja optou por não comparecer a uma conferência da ONU sobre mulheres justamente para evitar que sua presença fosse instrumentalizada pela oposição brasileira — uma decisão estratégica, madura, que demonstra consciência política.

Agora, diante de um ataque direto à soberania nacional, ela retorna — não como figurante, mas como protagonista de uma agenda que Trump jamais compreenderá: a agenda dos que lutam por um mundo mais justo.

Este episódio revela, mais uma vez, a fragilidade moral da política externa trumpista. Enquanto o mundo enfrenta crises climáticas, guerras, fome e desigualdade, Trump escolhe travar vistos como se fosse um déspota de fronteira. Enquanto Lula fala em cooperação Sul-Sul, em reforma do Conselho de Segurança da ONU, em um novo paradigma de desenvolvimento sustentável, Trump insiste na lógica do confronto, da exclusão, da humilhação.

Mas o Brasil não é alvo passivo. Sob Lula, o país retoma seu papel de liderança progressista no cenário global. Não aceitaremos ser tratados como vassalos. Não aceitaremos que nossa presença em fóruns internacionais seja condicionada a submissão política.

Se Trump quer transformar a ONU em terra de ninguém, onde as regras valem apenas para os fracos, o Brasil responderá com firmeza institucional, com diplomacia ativa e com a força moral de quem defende os princípios fundadores das Nações Unidas: paz, cooperação, respeito à soberania e aos direitos humanos.

A tentativa de constrangimento pode até gerar manchetes, mas não calará a voz do Brasil. Pelo contrário: amplificará nossa mensagem. Mostrará ao mundo que, mesmo diante da pressão de uma potência em decadência moral, o Brasil seguirá firme em sua trajetória de autonomia, justiça e solidariedade internacional.

Trump quer nos humilhar? Que venha. Nossa soberania não se mede por vistos liberados, mas pela coragem de dizer não ao imperialismo. E Lula, Janja e todo o povo brasileiro sabem muito bem o que é dizer não — e vencer.

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Canadá reconhece a Palestina e irrita Tel Aviv https://www.ocafezinho.com/2025/07/31/canada-reconhece-a-palestina-e-irrita-tel-aviv/ https://www.ocafezinho.com/2025/07/31/canada-reconhece-a-palestina-e-irrita-tel-aviv/#respond Thu, 31 Jul 2025 08:50:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=214126 Para Israel, o apoio canadense à Palestina legitima o Hamas e mina negociações de paz; para Ottawa, é um passo necessário rumo à estabilidade na região

O governo israelense condenou veementemente a decisão do Canadá de reconhecer oficialmente o Estado Palestino, classificando o ato como uma “recompensa” ao grupo terrorista Hamas. A reação foi divulgada nesta quarta-feira (30) pelo Ministério das Relações Exteriores israelense, por meio do porta-voz Gideon Saar, que criticou fortemente o anúncio canadense.

“A mudança na posição do governo canadense neste momento é uma recompensa para o Hamas e prejudica os esforços para alcançar um cessar-fogo em Gaza e uma estrutura para a libertação dos reféns”, afirmou Saar em comunicado oficial, publicado na manhã desta quinta-feira (31), horário local.

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A declaração israelense surge após o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, anunciar que seu país passará a reconhecer a Palestina como um Estado soberano. Segundo Carney, a decisão está condicionada a um conjunto de reformas exigidas pela comunidade internacional e prometidas pela Autoridade Palestina. Entre elas, estão o fortalecimento da governança, a realização de eleições gerais até 2026 — excluindo o Hamas — e o compromisso com a desmilitarização do futuro Estado palestino.

Conduta canadense é vista como politicamente motivada

Carney justificou sua postura afirmando que o reconhecimento visa apoiar um caminho diplomático para a paz e a estabilidade no Oriente Médio. Ele também criticou duramente as ações militares israelenses em Gaza, chamando-as de responsáveis por uma “catástrofe humanitária”. O primeiro-ministro canadense se alinhou a outras figuras políticas internacionais, como os governos da França e do Reino Unido, que têm defendido abertamente a solução de dois Estados e a busca por um fim ao conflito na região.

Na justificativa apresentada, Carney destacou que o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, teria garantido que as eleições gerais, adiadas há anos, ocorrerão em 2026, com a exclusão do Hamas do processo eleitoral. Além disso, Abbas teria se comprometido com a desmilitarização, algo que Israel espera ver concretizado caso haja qualquer avanço nas negociações.

Aumenta pressão sobre Tel Aviv

A decisão do Canadá representa mais um sinal da crescente pressão internacional sobre Israel, especialmente no contexto de intensificação das críticas à ofensiva militar no sul da Faixa de Gaza. Para Tel Aviv, o reconhecimento precoce da Palestina pode enfraquecer as negociações em andamento visando um acordo de cessar-fogo e a liberação dos reféns capturados durante o ataque de outubro do ano passado.

Segundo analistas, Israel teme que esse tipo de movimento antecipado gere uma dinâmica política adversa, permitindo que grupos como o Hamas ganhem legitimidade internacional sem que se tenha ainda resolvido a situação no terreno. A preocupação é que o reconhecimento possa incentivar outros países a seguir o mesmo caminho, ainda que as condições para uma solução negociada não estejam maduras.

O comunicado israelense também faz referência à complexidade das relações entre as partes envolvidas. Para Tel Aviv, o momento não é propício para decisões simbólicas que podem ser interpretadas como favorecendo o inimigo direto no conflito. “Essa escolha não ajuda a resolver o problema, mas apenas beneficia aqueles que perpetuam a violência”, disse o porta-voz Saar, reforçando a posição oficial do governo israelense.

Um movimento global em crescimento

O Canadá entra agora na lista de países que reconhecem formalmente a Palestina como Estado independente, juntando-se a nações como a maioria dos membros da Liga Árabe, a União Europeia e diversos países africanos e asiáticos. No entanto, Israel vê esses passos com desconfiança, argumentando que eles tendem a fragilizar os esforços diplomáticos e agravar a tensão regional.

A comunidade internacional segue dividida sobre o impacto real do reconhecimento. Para defensores da iniciativa, a medida fortalece a pressão sobre Israel para que adote medidas mais conciliatórias. Já para críticos, ela pode complicar as negociações e dificultar a construção de uma base confiável para futuras conversas de paz.

Enquanto isso, o Canadá mantém contato com outros aliados ocidentais e com a comunidade árabe para articular uma frente diplomática a favor da criação de um Estado palestino. Mas, diante da reação contundente de Israel, o caminho parece cheio de obstáculos.

Próximos passos

Com o cenário internacional cada vez mais polarizado, a expectativa é que o governo israelense continue a pressionar os parceiros ocidentais a reconsiderarem suas posições. Em paralelo, o Canadá deve reforçar seu apoio à causa palestina, tentando equilibrar a defesa de seus valores democráticos com a necessidade de manter relações com Tel Aviv.

Agora, a batalha diplomática será travada nos bastidores, com ambas as partes buscando influenciar a opinião pública e os demais atores globais. Enquanto isso, milhões de pessoas na Palestina esperam que gestos como o do Canadá sirvam, de fato, como passos concretos rumo à paz — ou apenas como mais uma manobra política sem impacto real no chão de Gaza.

Canadá anuncia reconhecimento oficial do Estado Palestino na Assembleia Geral da ONU, reforçando apoio à solução de dois Estados

O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, revelou nesta quarta-feira (30) que seu país vai reconhecer formalmente o Estado Palestino durante a 80ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, marcada para setembro. A decisão, anunciada em coletiva na capital Ottawa, posiciona o Canadá ao lado de aliados como França e Reino Unido, que também defendem uma resolução diplomática baseada na criação de um Estado palestino independente.

Segundo Carney, o reconhecimento não será automático, mas sim condicionado a compromissos firmes por parte da Autoridade Palestiniana. Entre as exigências estão a realização de eleições gerais até 2026 — com a exclusão do grupo Hamas —, o fortalecimento da governança interna e o compromisso com a desmilitarização do futuro Estado palestino. “O Canadá pretende reconhecer o Estado da Palestina porque a Autoridade Palestiniana se comprometeu a liderar reformas essenciais”, afirmou o chefe de governo canadense.

Durante sua declaração, Carney criticou duramente a ação militar israelense em Gaza, chamando-a de responsável pela “permissão” de uma “catástrofe humanitária” no território. Ele destacou que Mahmoud Abbas, presidente da Autoridade Palestiniana, garantiu que as eleições — adiadas há anos — serão realizadas em 2026 e que o Hamas não terá participação no processo político. “Abbas também se comprometeu a não militarizar o Estado da Palestina”, completou o líder canadense.

Alianças estratégicas e pressão internacional

A decisão do Canadá foi tomada após uma conversa telefônica entre Carney e o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, ocorrida na terça-feira (29). Durante a ligação, os dois discutiram a situação crítica em Gaza, a deterioração crescente do cenário humanitário e a posição britânica sobre o reconhecimento do Estado Palestino. Segundo o comunicado divulgado pelo gabinete de Carney, ambos concordaram com a necessidade de uma resposta global mais firme diante da escalada dos conflitos.

O anúncio canadense se junta a outros movimentos recentes no cenário internacional. O presidente francês, Emmanuel Macron, já havia declarado publicamente que a França reconhecerá a Palestina durante a mesma assembleia da ONU. Já Starmer, do Reino Unido, sinalizou que Londres fará o mesmo caso Israel não tome medidas concretas para encerrar a ofensiva em Gaza e retomar negociações sérias para o fim do conflito.

Críticas israelenses e tensões diplomáticas

A reação de Israel foi imediata e contundente. O Ministério das Relações Exteriores israelense condenou a decisão do Canadá, acusando-o de estar “recompensando” o Hamas, grupo que, segundo Tel Aviv, é considerado terrorista. O porta-voz do ministério, Gideon Saar, afirmou que a medida prejudica os esforços diplomáticos para alcançar um cessar-fogo e a libertação dos reféns mantidos desde outubro de 2023.

“Essa mudança na posição canadense neste momento é uma recompensa para o Hamas e pode enfraquecer os esforços de paz”, disse Saar em comunicado. Para Israel, o reconhecimento precoce da Palestina pode complicar as negociações em andamento, especialmente no que diz respeito à liberação dos reféns e à estabilização da região.

Controvérsias sobre exportações de armas

A declaração canadense surge em um momento delicado, quando relatórios divulgados recentemente indicam que munições e equipamentos militares fabricados no Canadá continuam sendo enviados para Israel, apesar das restrições oficiais impostas pelo governo desde janeiro de 2024. Organizações de direitos humanos e grupos pacifistas têm questionado a eficácia dessas proibições, argumentando que muitas remessas são feitas de forma indireta ou sem rastreamento adequado.

Ativistas do movimento pró-paz e defensores dos direitos humanos celebraram a decisão canadense, vendo nela um passo importante rumo à normalização das relações entre árabes e israelenses. No entanto, críticos dentro do próprio Canadá alertam que o reconhecimento pode ser interpretado como uma postura unilateral que ignora a complexidade do conflito e pode levar a novas hostilidades.

Um marco diplomático?

Com o reconhecimento canadense, o número de países que reconhecem a Palestina como Estado soberano aumenta, reforçando o movimento global em favor da criação de um Estado palestino. Atualmente, mais da metade dos membros da ONU já reconhecem a Palestina, incluindo a maioria dos países da África, da Ásia e da Liga Árabe.

Para analistas, a atitude do Canadá pode servir como catalisador para outras potências ocidentais seguirem o mesmo caminho. Apesar disso, permanecem dúvidas sobre como essa medida influenciará diretamente o chão de Gaza, onde a violência continua a ser uma realidade diária para milhões de pessoas.

Enquanto isso, a comunidade internacional observa atentamente as próximas etapas. A pressão sobre Israel está crescendo, e a atuação de Washington e de seus aliados parece estar mudando. Com a data da Assembleia Geral se aproximando, o mundo aguarda não apenas palavras, mas principalmente ações que possam trazer algum alívio para uma população que sofre há muito tempo.

O reconhecimento canadense, portanto, não é apenas um gesto simbólico, mas um passo que pode abrir precedentes importantes no contexto de uma guerra que já dura mais de dois anos e cujo horizonte de paz ainda parece distante.

Com informações da CNN*

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Moraes é colocado ao lado de chefes do crime mundial https://www.ocafezinho.com/2025/07/30/moraes-e-colocado-ao-lado-de-chefes-do-crime-mundial/ https://www.ocafezinho.com/2025/07/30/moraes-e-colocado-ao-lado-de-chefes-do-crime-mundial/#comments Wed, 30 Jul 2025 17:30:40 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=214012 2 Comentários 🔥]]> Ministro do STF aparece ao lado de líderes do Talibã e de gangues haitianas na lista de sanções dos EUA, com base na Lei Magnitsky e sem detalhamento oficial

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes passou a integrar uma lista restritiva dos Estados Unidos que também inclui figuras controversas como um líder religioso filipino acusado de abusos sexuais e um chefe de gangue haitiana envolvido em sequestros de cidadãos americanos. A decisão faz parte da aplicação da Lei Magnitsky pelo governo de Donald Trump.

O governo norte-americano, sob a liderança de Donald Trump, adicionou o ministro brasileiro Alexandre de Moraes ao rol de indivíduos sancionados pela Lei Magnitsky, colocando-o na mesma categoria de personalidades consideradas responsáveis por graves violações de direitos humanos e corrupção em diferentes partes do mundo.

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Segundo informações compiladas pela CNN com base nos últimos relatórios do Departamento de Estado americano, a Lei Magnitsky já atingiu 245 pessoas e 310 entidades até novembro de 2024. A legislação permite que os Estados Unidos imponham restrições a estrangeiros acusados de violações sistemáticas de direitos humanos ou corrupção.

Entre os casos mais emblemáticos recentemente sancionados estão figuras de diversos continentes:

Líder talibã na lista de sanções

Xeque Mawlawi Mohammad Khalid Hanafi, que atua como ministro da Propagação da Virtude e Prevenção do Vício no Afeganistão, é descrito por especialistas como representante da “linha-dura” do regime talibã. Ele comanda a chamada “polícia moral” do país, responsável por aplicar rigorosamente as leis religiosas islâmicas. Sua atuação tem sido associada a práticas como sequestros, assassinatos e punições corporais públicas.

Gangue haitiana ligada a sequestros de americanos

Renel Destina, um dos cabeças da gangue Gran Ravine, no Haiti, também integra a lista de sanções. O líder criminoso consta dos “mais procurados” pelo FBI por ter sequestrado um cidadão norte-americano por 14 dias em 2021. Segundo o Conselho de Segurança da ONU, sob sua liderança, o grupo teria cometido diversos crimes incluindo roubos armados, estupros, assassinatos e destruição de propriedades.

Ex-presidente paraguaio acusado de corrupção

Horacio Cartes, que foi presidente do Paraguai entre 2013 e 2018, foi incluído na lista por supostamente ter se envolvido em práticas de corrupção durante seu mandato. O Departamento de Estado norte-americano aponta que ele teria promovido a expropriação de ativos para benefício pessoal, recebido propinas e se envolvido em esquemas de corrupção relacionados a contratos de exploração de recursos naturais. Cartes é acusado ainda de ter feito pagamentos mensais variando entre US$ 5 mil e US$ 50 mil a parlamentares durante seu governo.

Autoridades chinesas sancionadas por abusos em Xinjiang

Gao Qi, que liderava o Escritório de Segurança Pública na província chinesa de Xinjiang, foi incluído nas sanções por supostamente ter cometido “sérios abusos” de direitos humanos. A região tem sido palco de denúncias internacionais de perseguição religiosa contra a etnia muçulmana uigur. A ONU mantém investigações sobre possíveis crimes contra a humanidade na província.

Pastor filipino acusado de abusos sexuais

Apollo Quiboloy, fundador da igreja Reino de Jesus Cristo, o Nome Acima de Qualquer Nome, acumula diversas acusações graves. O pastor filipino é investigado por estupro de meninas com idade de até 11 anos e por tráfico de jovens que atuavam como suas assistentes. Segundo o Departamento de Estado norte-americano, as fiéis da igreja teriam sido submetidas a “plantões noturnos” com Quiboloy, durante os quais teriam sofrido exploração sexual.

A inclusão de Moraes na mesma lista dessas figuras internacionais tem gerado intensa repercussão política no Brasil, com reações tanto de solidariedade quanto de apoio à medida norte-americana. A decisão ocorre em um momento de crescente tensão nas relações diplomáticas entre os dois países, especialmente após o anúncio de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros por parte do governo Trump.

Lei Magnitsky: O que é a ferramenta controversa que pode impactar bens e direitos digitais de Moraes

A Lei Magnitsky, instrumento jurídico utilizado pelo governo norte-americano para sancionar o ministro Alexandre de Moraes do Supremo Tribunal Federal (STF), representa uma poderosa ferramenta de pressão internacional que vai além das fronteiras dos Estados Unidos. Criada inicialmente para punir violadores de direitos humanos, a norma tem sido aplicada de forma cada vez mais ampla em contextos políticos complexos.

A sanção anunciada nesta quarta-feira (30) contra Moraes tem gerado intensa discussão no meio jurídico e político brasileiro. Diferentemente dos casos tradicionais contemplados pela lei, o ministro do STF não enfrenta acusações de corrupção nem de violações diretas de direitos humanos. Suas decisões judiciais, aliás, são tomadas dentro de um sistema democrático com Poder Judiciário independente — característica reconhecida por importantes instituições internacionais como Freedom House e V-Dem.

Origem e evolução da norma

A Lei Magnitsky teve sua primeira versão sancionada em 2012 pelo então presidente Barack Obama. Seu objetivo inicial era responsabilizar os envolvidos na morte do advogador russo Sergei Magnitsky, que faleceu em uma prisão de Moscou em 2009 após denunciar um esquema de corrupção envolvendo altos funcionários do governo de Vladimir Putin.

Quatro anos depois, em 2016, o escopo da lei foi ampliado significativamente. Passou a permitir que o governo americano aplicasse sanções a qualquer pessoa no mundo que seja acusada de violar direitos humanos ou praticar corrupção. Um aspecto crucial da norma é que não exige condenação judicial prévia — basta um ato administrativo do governo norte-americano, que pode se basear em informações de autoridades e organismos internacionais.

Sanções e impactos práticos

As punições previstas pela Lei Magnitsky são abrangentes e podem afetar diversos aspectos da vida pessoal e profissional dos sancionados. A principal medida é o bloqueio de bens localizados nos Estados Unidos, que inclui desde contas bancárias e investimentos financeiros até propriedades imobiliárias.

Mas os efeitos vão além do território norte-americano. Como grande parte das transações internacionais passa pelo sistema bancário dos EUA, os ativos dolarizados de pessoas sancionadas ficam, na prática, bloqueados mesmo quando estão localizados em outros países. Isso também se aplica a cartões de crédito internacionais de bandeiras com sede americana.

A norma ainda prevê o banimento de entrada nos Estados Unidos e a proibição de realizar negócios com empresas e cidadãos norte-americanos. Em um mundo cada vez mais conectado digitalmente, as implicações também atingem o ambiente virtual.

Restrições digitais e tecnológicas

Uma das faces mais modernas da Lei Magnitsky diz respeito ao bloqueio de contas em plataformas digitais com sede nos EUA. Isso significa que pessoas sancionadas podem perder acesso a serviços como Gmail, Google Drive, YouTube, Google Pay, entre outros.

Empresas de tecnologia como Google, Meta, Amazon e Apple são legalmente obrigadas a monitorar e reportar qualquer movimentação que envolva indivíduos atingidos pelas sanções, sob pena de enfrentarem restrições semelhantes.

Adoção internacional

O modelo americano inspirou outras jurisdições. A União Europeia e o Reino Unido já adotaram leis similares, com mecanismos de sanções comparáveis. Essa expansão internacional amplia o alcance e o impacto das medidas, criando uma rede de restrições que pode afetar significativamente a capacidade de atuação de indivíduos sancionados no cenário global.

A aplicação da Lei Magnitsky contra Moraes surge em um momento de tensão diplomática entre Brasil e Estados Unidos, especialmente após o anúncio de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros pelo governo Trump. A medida tem sido vista por muitos especialistas como uma tentativa de exercer pressão política indireta sobre o Judiciário brasileiro, o que aumenta a complexidade do debate em torno da legitimidade e dos limites dessa ferramenta de política externa.

Com informações de CNN e O Globo*

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Histórico! Brasil se junta à África do Sul em ação contra Israel https://www.ocafezinho.com/2025/07/14/historico-brasil-se-junta-a-africa-do-sul-em-acao-contra-israel/ https://www.ocafezinho.com/2025/07/14/historico-brasil-se-junta-a-africa-do-sul-em-acao-contra-israel/#comments Mon, 14 Jul 2025 16:30:09 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=212783 1 Comentário 🔥]]> Celso Amorim indica que o Brasil pode suspender acordos comerciais com Israel, enquanto mantém relações diplomáticas em nível mínimo

Em uma decisão inédita e de forte impacto diplomático, o Brasil vai oficialmente aderir à ação movida pela África do Sul na Corte Internacional de Justiça (CIJ), órgão da Organização das Nações Unidas (ONU), que acusa Israel de cometer genocídio no território da Faixa de Gaza.

Segundo a Folha, a informação foi confirmada por fontes ligadas ao Itamaraty, segundo as quais o governo brasileiro entendeu que “Israel deixa claro que vai continuar desprezando a diplomacia, fazendo o que bem entende contra os civis palestinos”. A atitude israelense não teria ficado restrita a Gaza, mas também se estendido à Cisjordânia — uma região que, conforme destacou um interlocutor, “nunca teve nada a ver com o Hamas”.

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“Chegou a hora de agir em outras frentes”, afirmou um diplomata sob condição de anonimato, referindo-se à decisão de ingressar no processo como terceira parte interessada. Com isso, o Brasil reforça sua posição de defesa dos direitos humanos e do cumprimento do direito internacional, mesmo diante de possíveis retaliações internacionais.

Repercussão imediata e pressão externa

A entrada do Brasil na ação deve gerar ondas de reação tanto em Tel Aviv quanto em Washington. O presidente norte-americano Donald Trump, conhecido por seu apoio incondicional ao Estado judeu, já manifestou publicamente sua discordância com críticas ao governo israelense. Diante disso, há expectativa de que os Estados Unidos aumentem a pressão sobre o Brasil, especialmente em temas comerciais e diplomáticos.

O chanceler Mauro Vieira confirmou à emissora Al Jazeera, durante a cúpula do Brics no Rio de Janeiro, que o país está em vias de formalizar sua adesão ao processo. Questionado sobre o motivo do atraso, considerando que a ação sul-africana já dura dois anos, ele respondeu: “Nós fizemos enormes esforços para chamar por negociações. Os últimos desenvolvimentos da guerra nos fizeram tomar a decisão de nos juntarmos à África do Sul na Corte Internacional.”

Ao ser perguntado novamente sobre o tempo decorrido entre as declarações públicas do presidente Lula e a efetivação da participação brasileira, Vieira foi categórico: “Estamos trabalhando nisso, e você terá essa boa notícia em muito pouco tempo.” As declarações indicam que a decisão, embora tardia, é fruto de uma análise cuidadosa e estratégica.

Aceno político e posicionamento moral

O ex-chanceler Celso Amorim, atual assessor internacional do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, já havia dado pistas sobre o tom que o Brasil deve manter nas relações com Israel. Em entrevista à Folha de S.Paulo no início do mês, Amorim afirmou que o governo brasileiro não deve aceitar a indicação de um novo embaixador israelense no Brasil enquanto persistirem os ataques em Gaza e o elevado número de vítimas civis palestinas.

Além disso, disse que o Brasil manterá as relações diplomáticas em “níveis mínimos” e será “muito severo” no acordo comercial com o país. “Talvez até suspendê-lo”, completou, antecipando o endurecimento da postura brasileira frente às ações israelenses.

Por sua vez, a África do Sul voltou à CIJ recentemente com uma nova petição, denunciando que Israel teria escalado o conflito para “uma nova e horrenda fase”. Além dos bombardeamentos indiscriminados que já resultaram em mais de 55 mil mortos, o país teria atirado deliberadamente em pessoas que buscavam comida e em crianças que tentavam conseguir água em meio aos escombros de Gaza.

Israel nega todas as acusações

Diante das crescentes denúncias, o governo israelense mantém sua posição de negação absoluta. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores de Israel declarou que as acusações feitas à ONU são “totalmente infundadas” e “moralmente repugnantes”. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu reitera que as operações militares em Gaza são legítima autodefesa, em resposta ao ataque surpresa do Hamas em outubro de 2023.

No entanto, a cada dia que passa, o mundo assiste a imagens e relatos que colocam em xeque essa narrativa. Enquanto isso, países como Brasil e África do Sul buscam usar os mecanismos legais internacionais para cobrar responsabilidades e impedir que o sofrimento do povo palestino continue sem resposta.

Um momento histórico

Com a adesão do Brasil ao processo movido pela África do Sul, o país assume uma posição histórica no cenário internacional. Trata-se de uma decisão que vai além da política partidária ou momentânea: é um recado de que o Brasil não aceita a impunidade e reafirma seu compromisso com os princípios do direito internacional, os direitos humanos e a justiça global.

Para muitos analistas, esse pode ser o começo de uma nova era na diplomacia brasileira — aquela que prioriza valores universais mesmo quando confrontada com potências poderosas. E, para a sociedade civil brasileira e mundial que acompanha o conflito com atenção e indignação, a entrada do Brasil na ação representa mais do que uma simples mudança jurídica: é um gesto de solidariedade e esperança.

Enquanto os canhões ecoam em Gaza e os hospitais lotam com crianças desnutridas e feridos sem remédio, o Brasil escolheu o lado da história.

Ataque israelense em Gaza mata crianças que buscavam água e eleva tensão no Oriente Médio

A iniciativa brasileira aponta para uma nova era na política externa, em que princípios de justiça e direitos humanos desafiam pressões geopolíticas.
A decisão do Brasil de aderir à ação sul-africana contra Israel marca um momento inédito na diplomacia e pode gerar retaliações de aliados como os EUA / Reuters

Em mais um episódio de violência descontrolada na Faixa de Gaza, um ataque aéreo israelense matou pelo menos seis crianças e quatro adultos neste domingo (13), enquanto eles tentavam obter água em uma distribuição humanitária no centro do enclave palestino. A informação foi confirmada por autoridades médicas locais e reforça as denúncias de que civis indefesos continuam sendo vítimas diretas da ofensiva militar israelense.

O Hospital Al-Awda, situado na região central de Gaza, recebeu os corpos das vítimas, incluindo os de menores de idade, que estavam cercados de baldes e recipientes usados para armazenar água. Imagens gravadas no local mostraram o caos: corpos espalhados entre escombros, pessoas chorando e gritando desesperadamente por socorro.

O Ministério da Saúde palestino, ligado ao Hamas, informou que, nas últimas 24 horas, 139 corpos foram levados para hospitais da região — o maior número registrado desde 2 de julho. Com isso, o total de mortos desde o início do conflito em 7 de outubro de 2023 subiu para 58.026.

Exército israelense reconhece erro

O Exército israelense reconheceu ter realizado um ataque aéreo naquela área, mas afirmou que o alvo era “um terrorista da Jihad Islâmica”. Segundo nota oficial, houve um desvio da munição, que caiu “a dezenas de metros do alvo previsto”. O caso está sob investigação.

Apesar da justificativa, especialistas internacionais e organizações humanitárias questionam a credibilidade dessas explicações, já que os ataques têm se repetido com frequência em zonas densamente povoadas, onde não há evidências claras de presença de combatentes.

Mais um médico assassinado

Também no domingo, outro golpe abalou a já fragilizada comunidade médica de Gaza. O renomado médico Ahmad Qandeel foi morto em um ataque aéreo israelense que atingiu um cruzamento movimentado no centro do território. Segundo o diretor do Complexo Médico Al-Shifa, Dr. Mohammed Abu Salmiya, Qandeel era “um dos profissionais médicos mais respeitados de Gaza”.

Além dele, outras 12 pessoas perderam a vida e mais de 40 ficaram feridas nesse ataque. Essa nova perda agrava ainda mais a crise no sistema de saúde local, já colapsado após meses de guerra contínua e escassez severa de insumos básicos.

Ataques em Rafah também geram centenas de vítimas

No sábado (12), um outro ataque sangrento chocou o mundo: ao menos 27 pessoas morreram e centenas ficaram feridas quando forças israelenses abriram fogo contra civis que buscavam ajuda humanitária perto de Rafah, no sul de Gaza. O local é administrado pela Fundação Humanitária de Gaza (GHF), uma entidade apoiada pelos Estados Unidos.

A GHF negou qualquer incidente em suas instalações ou proximidades no dia. Já o exército israelense disse que não houve registros de feridos próximos ao ponto de distribuição, mas admitiu estar analisando os relatos. Por sua vez, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) relatou que seu hospital de campanha próximo ao local recebeu 132 pacientes com ferimentos causados por armas de fogo.

Deste total, 25 pessoas chegaram sem vida e outras seis vieram a óbito após serem internadas — o maior número de mortes desde que o hospital começou a operar, em maio de 2024. “Esta situação é inaceitável”, declarou o CICV em nota. “A frequência alarmante e a escala desses incidentes com vítimas em massa ressaltam as condições horríveis que os civis em Gaza estão enfrentando.”

Dados do Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) indicam que quase 800 palestinos foram mortos em pontos de distribuição de ajuda entre o final de maio e 7 de julho — muitos deles em ações relacionadas à GHF.

Nova onda de ataques no norte de Gaza

Enquanto isso, no campo de refugiados de Al-Shati, perto da Cidade de Gaza, pelo menos 13 pessoas foram mortas no sábado em novos bombardeamentos israelenses. O diretor do Hospital Al-Shifa, Mohammed Abu Salmiya, informou à CNN que 40 feridos foram encaminhados às unidades médicas. Vídeos geolocalizados divulgados nas redes sociais mostraram que entre as vítimas estava uma criança.

O Exército israelense afirmou ter destruído armas e túneis utilizados pelo Hamas no norte de Gaza, além de realizado ataques a mais de 150 alvos em diferentes regiões da Faixa de Gaza, incluindo “prédios com armadilhas explosivas, depósitos de armas, mísseis antitanque e posições de atiradores de elite”.

O fracasso das negociações e a escalada da violência

As esperanças de um cessar-fogo parecem cada vez mais distantes. Após dias de conversas no Catar, Israel e Hamas voltaram a se acusar mutuamente por impedirem um acordo. Enquanto os diplomatas negociavam nos bastidores, a guerra seguia em ritmo acelerado, com ataques diários que têm dizimado a população civil.

“Não há trégua fora da mesa de negociação”, afirmou um analista internacional que acompanha de perto o conflito. “Pelo contrário, a intensidade dos ataques aumenta a cada semana, e o preço mais alto continua sendo pago pelas crianças, mulheres e idosos que vivem em Gaza.”

Brasil e África do Sul avançam com ação na CIJ

Enquanto isso, no cenário internacional, o Brasil prepara-se para aderir oficialmente à ação movida pela África do Sul na Corte Internacional de Justiça (CIJ), órgão das Nações Unidas, acusando Israel de genocídio. O chanceler Mauro Vieira confirmou à Al Jazeera que a entrada do país como terceira parte interessada será formalizada em breve.

“A decisão demonstra que o Brasil não vai continuar assistindo passivamente ao sofrimento humano em Gaza”, afirmou Celso Amorim, assessor internacional do presidente Lula, destacando que as relações com Israel serão mantidas em “níveis mínimos” até que haja mudanças concretas na política de ocupação e de guerra.

Com essa posição, o Brasil assume um papel protagonista em defesa do direito internacional e dos direitos humanos, mesmo sabendo que isso pode gerar atritos com aliados tradicionais, como os Estados Unidos, especialmente com o governo Donald Trump, historicamente alinhado com Tel Aviv.

Diante de uma realidade marcada por mortes diárias, fome generalizada e destruição sistemática, a entrada do Brasil na ação internacional contra Israel representa muito mais do que uma decisão jurídica: é um gesto político e moral que ecoa em um momento crucial da história recente. Enquanto a guerra parece longe de terminar, a voz da justiça internacional começa a ganhar força — e o Brasil optou por fazê-la ser ouvida.

Com informações da Folha e da CNN*

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Brasil, Irã e Estados Unidos: bastidores de uma diplomacia frustrada revelados por Paulo Nogueira https://www.ocafezinho.com/2025/06/24/brasil-ira-e-estados-unidos-bastidores-de-uma-diplomacia-frustrada-revelados-por-paulo-nogueira/ https://www.ocafezinho.com/2025/06/24/brasil-ira-e-estados-unidos-bastidores-de-uma-diplomacia-frustrada-revelados-por-paulo-nogueira/#respond Wed, 25 Jun 2025 01:02:50 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=211239 Relato inédito traz à tona desabafo de Lula em 2010 sobre tentativa de mediação internacional no programa nuclear iraniano e reforça desconfiança em relação à política externa norte-americana

Em 2010, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva protagonizou um dos episódios mais ambiciosos da diplomacia brasileira: uma tentativa de intermediar um acordo entre Irã e Estados Unidos sobre o programa nuclear iraniano. Ao lado da Turquia, o Brasil negociou com o regime de Teerã e chegou a apresentar uma proposta que, segundo Lula, atendia integralmente aos critérios estabelecidos em carta pelo próprio presidente dos Estados Unidos à época, Barack Obama.

O episódio voltou à tona por meio de um relato do economista Paulo Nogueira Batista Jr., então diretor executivo do FMI em Washington. Segundo Nogueira, em visita oficial a Brasília naquele ano, ele ouviu diretamente de Lula um desabafo emocionado sobre a postura dos Estados Unidos, que desautorizaram publicamente o acordo por meio da então secretária de Estado, Hillary Clinton.

“Lula estava indignado. Disse que o presidente Obama era uma espécie de ‘Mangabeira úmida’ e que não dava para confiar em sua palavra”, relembra Nogueira. A expressão faz alusão ao intelectual Mangabeira Unger, conhecido por seu pensamento sofisticado, mas por vezes desconectado da realidade prática – crítica comum também à diplomacia americana.

Segundo o relato, Lula não apenas se baseou na carta de Obama para negociar com o Irã, mas também tentou convencer o então presidente Mahmoud Ahmadinejad a aceitar os termos do acordo como forma de evitar sanções internacionais mais duras. “Ele usou a experiência de Cuba como exemplo e disse: ‘Não subestime o estrago que sanções prolongadas podem causar a um país’”, contou Nogueira.

A proposta, elaborada em conjunto com a Turquia, previa que o Irã enviasse parte de seu urânio enriquecido a território turco em troca de combustível nuclear para uso civil.

O gesto visava construir confiança mútua e abrir caminho para um acordo mais amplo. No entanto, após o anúncio do pacto, Hillary Clinton rejeitou publicamente o plano, minando a iniciativa e esvaziando o papel do Brasil na negociação.

Dias depois, a carta de Obama mencionada por Lula foi divulgada, confirmando que os termos propostos por Brasil e Turquia estavam de fato alinhados com o que havia sido sugerido pelos Estados Unidos — o que aumentou o constrangimento diplomático.

Passados mais de dez anos, Nogueira decidiu tornar público o relato por considerar que as lições daquele episódio permanecem relevantes, sobretudo diante das novas tensões envolvendo o programa nuclear iraniano.

Entre os aprendizados destacados, ele aponta três: o Brasil possui capacidade e legitimidade para atuar em temas internacionais de grande escala; o presidente Lula tem habilidade e interesse genuíno em exercer esse papel; e os Estados Unidos, na sua avaliação, demonstram um histórico de inconsistência e falta de confiabilidade em sua diplomacia, especialmente quando interesses estratégicos estão em jogo.

A tentativa frustrada de mediação de 2010 revela não apenas o papel que o Brasil aspirava exercer no cenário global, mas também os limites impostos por uma ordem internacional marcada por assimetrias de poder.

O episódio permanece como um marco da política externa ativa e altiva que o país buscava naquele período — e um lembrete de que, na arena da diplomacia, nem sempre a boa-fé é suficiente.

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Irã se ergue e desafia ameaças dos Estados Unidos https://www.ocafezinho.com/2025/05/02/ira-se-ergue-e-desafia-ameacas-dos-estados-unidos/ https://www.ocafezinho.com/2025/05/02/ira-se-ergue-e-desafia-ameacas-dos-estados-unidos/#respond Fri, 02 May 2025 17:38:37 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=207867 Após novas sanções dos EUA, Irã reafirma apoio à diplomacia, mas rejeita ameaças e pressões vindas de Washington

O Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou nesta sexta-feira (2) que, apesar de permanecer comprometido com a via diplomática, o país não tolerará as abordagens de ameaça e pressão dos Estados Unidos.

A declaração foi uma resposta a uma publicação do presidente norte-americano, Donald Trump, na plataforma Truth Social, na quinta-feira, ordenando a interrupção imediata de todas as compras de petróleo ou produtos petroquímicos iranianos. O ministério também reagiu às novas sanções impostas pelos EUA esta semana contra indivíduos e entidades do Irã e de outros países.

“Enquanto reafirma seu compromisso com a diplomacia e sua disposição para continuar as negociações (indiretas mediadas por Omã com os EUA), a República Islâmica do Irã não aceitará, em nenhuma circunstância, abordagens baseadas em ameaças e pressão”, disse o ministério.

Teerã condenou veementemente a continuidade das sanções “ilegais” e da pressão dos EUA contra o Irã e seus parceiros comerciais, classificando-as como mais uma prova de que a nação iraniana tem motivos para desconfiar da seriedade norte-americana no caminho diplomático.

O ministério destacou que, durante as recentes negociações com os EUA, os representantes iranianos apresentaram as “posições e demandas legítimas” do país, baseadas no direito internacional, incluindo o uso pacífico da energia nuclear e o fim das sanções “cruéis”. O objetivo, segundo o comunicado, é alcançar um acordo “justo, lógico e sustentável”.

Irã e EUA realizaram a primeira e a terceira rodadas de negociações indiretas em Mascate (Omã), nos dias 12 e 26 de abril, e a segunda em Roma (Itália), no dia 19. A quarta rodada, prevista para sábado em Roma, foi adiada sem nova data definida devido a “razões logísticas”, segundo Omã.

Com informações de Xinhua*

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‘Conflito Rússia-Ucrânia nunca deveria ter começado’, diz ex-tenente-coronel dos EUA https://www.ocafezinho.com/2025/02/24/conflito-russia-ucrania-nunca-deveria-ter-comecado-diz-ex-tenente-coronel-dos-eua/ Mon, 24 Feb 2025 17:00:41 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=202517 Earl Rasmussen destaca os erros do Ocidente e como o conflito Rússia-Ucrânia se transformou em uma tragédia global

Hoje, 24 de fevereiro marca o aniversário do conflito Rússia-Ucrânia, que já dura três anos. Por que o conflito durou tanto tempo? Ele está se aproximando de um ponto de virada agora que os EUA e a Rússia chegaram à mesa de negociações? Como o conflito evoluirá sob novas circunstâncias? À medida que o aniversário de três anos se aproxima, o Global Times (GT) reuniu insights de especialistas nos EUA e na Europa.

Earl Rasmussen (Rasmussen), ex-tenente-coronel do Exército dos EUA e consultor de segurança internacional, compartilhou seus insights. Ele acredita que a crise na Ucrânia é uma tragédia que nunca deveria ter começado. O Ocidente precisa parar de se posicionar e reconhecer a realidade e deve se abster de fomentar divisões, diz ele. 

GT: Os EUA e a Rússia conversaram esta semana na Arábia Saudita e concordaram em trabalhar para acabar com o conflito. Como você vê o resultado das conversas e como vê as perspectivas para o conflito?

Rasmussen:
 Acho que tivemos alguns movimentos positivos em apenas uma semana, pelo menos eles estão conversando agora. É um diálogo muito positivo. Há muitas divergências, mas pelo menos eles estão no processo de restabelecer os canais diplomáticos formais. A confiança foi muito danificada entre o Ocidente e a Rússia, e a confiança é muito importante nas comunicações diplomáticas e em fazer movimentos positivos para a frente. Eu estava realmente meio negativo por um tempo antes da discussão entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente russo, Vladimir Putin, e não sei se sairá positivo. Mas acho que há um vislumbre de esperança de que poderíamos ver algo positivo saindo disso, e acho que é melhor para o mundo fazer isso. Então, veremos onde isso vai nas próximas duas semanas.

Foto de Earl Rasmussen: sua conta no LinkedIn / Reprodução

GT: Como as negociações EUA-Rússia foram conduzidas sem a Ucrânia e a Europa, o que você acha da situação para a Ucrânia e a Europa? 

Rasmussen:
 A Europa provavelmente está pagando mais o preço. Quase todos os países europeus estão em recessão, temos uma Europa em desordem. A Ucrânia simplesmente não tem mão de obra, não importa quanto equipamento e quanta munição eles tenham. Existem certos tipos de dificuldades para a Rússia, mas eu fui lá alguns meses atrás; seus negócios e economia estão prosperando. As forças ucranianas não conseguem igualar as capacidades logísticas da Rússia, mesmo com o apoio do Ocidente. Eles vão enviar jovens rapazes para a batalha sem treinamento ao longo das linhas de frente. É apenas um desperdício. É um conflito que nunca deveria ter começado, e é apenas uma tragédia. Precisamos evitar conflitos, e podemos fazer muito mais pelo mundo se trabalharmos juntos e cooperarmos.

GT: Em que circunstâncias a guerra terminará? Qualquer cessar-fogo pode ser duradouro?

Rasmussen:
 O presidente Trump e o presidente Putin concordaram que querem parar a guerra. Infelizmente, a Ucrânia e muitos europeus não apoiam isso. Se eles não embarcarem nas iniciativas definidas pela Rússia e pelos EUA, a guerra continuará. Então é uma situação ruim, mas acho que eles precisam chegar a um acordo. Eles precisam parar de se posicionar e entender qual é a situação real. Não acho que eles realmente percebam que o cessar-fogo está lá ou o que é. Acho que eles ainda estão pensando em uma mentalidade de Guerra Fria, mas precisamos de um acordo de paz completo. Se eles não chegarem a um acordo de paz, teremos mais pessoas morrendo.

GT: Parece que muitos americanos comuns têm uma visão unilateral do conflito. Por que você acha que esse é o caso? 

Rasmussen:
 Foram os EUA e o Ocidente em geral provocando a situação. A Rússia realmente não tentou se expandir. Não acho que a Rússia queria que a guerra durasse tanto. Acho que eles queriam que isso fosse resolvido logo. E quando parecia que ia acontecer, infelizmente, o Ocidente interveio e interrompeu as negociações de paz logo no início. 

Mas fechamos muita mídia da oposição. Pessoas da mídia independente foram demonizadas em suas plataformas de mídia social. Vemos que muita mídia é completamente controlada e paga pelo governo dos EUA. Eles dizem quase exatamente a mesma coisa em certos tópicos. É como o mesmo roteirista. Pessoas foram demitidas, perderam seus empregos se questionassem o que o governo estava dizendo. E agora podemos descobrir que o governo estava nos enganando. 

Alguns dos registros estão saindo, e a verdade está saindo mais. Era tudo enganoso. É muito triste quando você é criado pensando que o governo é de um jeito, você descobre que realmente não é. E nós realmente começamos a descobrir o que realmente está acontecendo. Acho que o povo americano em geral só ouviu um lado da história e acho que é importante que eles ouçam os dois lados da história e tomem suas próprias decisões.

GT: Há especulações de que os EUA vão reajustar sua política externa e pretendem semear a discórdia entre a Rússia e a China. Qual é sua opinião sobre essa retórica?

Rasmussen:
 Acho que o Ocidente deveria tentar não criar divisões, encarando o fato de que o mundo vai ser mais multipolar. Precisamos viver e aceitar o resto do mundo e trabalhar juntos. Fico chateado com o Ocidente sobre como eles querem ditar as coisas ao redor do mundo em vez de trabalhar juntos onde há benefício mútuo para todos em uma situação ganha-ganha e promovendo o crescimento econômico.

Acho que trabalhar juntos é uma direção melhor, mas há muitos artigos de think tanks que falam sobre as maneiras de enfraquecer a Rússia e a China, o que é lamentável. Espero que eles não implementem esses planos. Se o fizerem, acabará falhando e saindo pela culatra.

Via Global Times*

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Casa Branca enfrenta falcões europeus e exige na ONU paz imediata na Ucrânia https://www.ocafezinho.com/2025/02/22/casa-branca-enfrenta-falcoes-europeus-e-exige-na-onu-paz-imediata-na-ucrania/ Sat, 22 Feb 2025 07:47:11 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=202291 A Casa Branca deu mais uma demonstração de que pretende acelerar a busca por um desfecho para o conflito na Ucrânia. A proposta apresentada na ONU nesta sexta-feira é um movimento que revela a pressa de Washington em encontrar uma solução e coloca os EUA em um confronto diplomático direto com a Europa e a Ucrânia. A iniciativa da administração de Donald Trump pode ser interpretada como uma proposta de paz, mas com um tom agressivo, sugerindo que os EUA estão dispostos a pressionar todas as partes envolvidas para um acordo rápido.

É importante reconhecer que a Casa Branca tem razões morais para isso. A guerra já consumiu milhares de vidas, desestabilizou a economia global e trouxe impactos severos para diversos países. A busca por um fim imediato das hostilidades é legítima, assim como a necessidade de se discutir o levantamento das sanções contra a Rússia para permitir que o comércio mundial volte a fluir normalmente.

Segundo Reuters, os Estados Unidos apresentaram um projeto de resolução na ONU para marcar o terceiro aniversário da invasão russa à Ucrânia, gerando um impasse com uma proposta já elaborada por Kiev e seus aliados europeus. A disputa reflete a tentativa do presidente Donald Trump de intermediar um acordo de paz, o que tem causado preocupação entre líderes europeus e tensão com o presidente ucraniano Volodymyr Zelenskiy.

O projeto de resolução dos EUA é um texto breve, com três parágrafos, que lamenta a perda de vidas na guerra, reafirma que o principal objetivo das Nações Unidas é manter a paz e a segurança internacional e apela por um fim rápido do conflito, além de incentivar um acordo duradouro entre Ucrânia e Rússia.

Entretanto, a proposta americana entra em choque com um texto alternativo elaborado pela Ucrânia e pela União Europeia, que será votado na Assembleia Geral da ONU na segunda-feira. O documento europeu pede uma redução da escalada do conflito, um cessar-fogo imediato e uma solução pacífica alinhada à Carta das Nações Unidas e ao direito internacional.

A Rússia, por sua vez, propôs uma emenda ao texto dos EUA, solicitando que a resolução mencione explicitamente a necessidade de abordar as causas do conflito. Segundo fontes citadas por Reuters, se essa emenda for aprovada, Moscou poderia apoiar a resolução americana. O embaixador russo na ONU, Vassily Nebenzia, descreveu a iniciativa dos EUA como “um bom movimento” e afirmou que foi previamente informado sobre o conteúdo do projeto antes de sua circulação entre os 193 membros da Assembleia Geral.

Os embaixadores da União Europeia na ONU se reuniram para discutir a estratégia após a movimentação dos Estados Unidos. Para a UE, há um temor de que a proposta americana desvie o foco da resolução original da Ucrânia e da Europa, que insiste na retirada das tropas russas do território ucraniano e no cumprimento das resoluções anteriores da ONU que condenaram a agressão russa.

Desde o início da guerra, a Assembleia Geral já adotou seis resoluções relacionadas ao conflito. A mais contundente, aprovada logo após a invasão, obteve 141 votos a favor e condenou “nos termos mais fortes a agressão da Federação Russa”. Outra, em outubro de 2022, teve 143 votos e rejeitou a tentativa russa de anexação ilegal de quatro regiões ucranianas. No entanto, com o prolongamento do conflito, algumas resoluções mais recentes vêm apresentando linguagem menos incisiva contra a Rússia.

O impasse diplomático entre EUA e Europa ocorre em um momento de crescente divergência entre Washington e Kiev. Trump, que busca um acordo rápido para encerrar a guerra, tem enfrentado resistência de Zelenskiy, que teme que a pressão americana possa levar a concessões excessivas à Rússia. O presidente ucraniano rejeitou uma proposta dos EUA que incluía a entrega de 50% das jazidas de minerais estratégicos da Ucrânia a empresas americanas como forma de compensação pelo apoio militar recebido. A recusa aumentou as tensões entre os dois governos, com Trump chamando Zelenskiy de “ditador sem eleições”, após o líder ucraniano afirmar que o presidente americano estava sendo influenciado por desinformação russa.

A disputa sobre as resoluções da ONU também reflete a divisão interna no governo americano sobre a abordagem para a guerra. Enquanto Trump busca um acordo rápido, parlamentares e aliados dos EUA temem que um desfecho apressado possa fortalecer a posição russa e enfraquecer a Ucrânia.

As discussões sobre as resoluções da ONU acontecem às vésperas de uma votação crucial na Assembleia Geral, cujo resultado pode definir o tom da posição internacional sobre a guerra no próximo ano. Enquanto os EUA pressionam por um texto mais neutro e conciliatório, a Ucrânia e a UE querem manter a pressão sobre a Rússia e garantir um compromisso firme da ONU com a integridade territorial ucraniana.

A votação de segunda-feira testará o nível de apoio global a cada uma das propostas e poderá sinalizar o futuro das negociações internacionais para um eventual fim da guerra na Ucrânia.

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Rubio e Lavrov já discutem acordo de paz entre Rússia e Ucrânia https://www.ocafezinho.com/2025/02/16/rubio-e-lavrov-ja-discutem-acordo-de-paz-entre-russia-e-ucrania/ https://www.ocafezinho.com/2025/02/16/rubio-e-lavrov-ja-discutem-acordo-de-paz-entre-russia-e-ucrania/#respond Sun, 16 Feb 2025 13:07:35 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=201970 Marco Rubio conversa com Sergei Lavrov antes das negociações entre EUA e Rússia na próxima semana.

Autoridades se reunirão na Arábia Saudita em sinal de que o contato de alto nível foi retomado após ser interrompido pela guerra na Ucrânia.

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, conversou com o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, antes das negociações de alto nível entre Washington e Moscou na próxima semana, sinalizando um possível degelo nas relações entre os dois países.

Rubio, o conselheiro de segurança nacional Mike Waltz e o enviado para o Oriente Médio, Steve Witkoff, se reunirão com autoridades russas na Arábia Saudita na próxima semana, segundo uma fonte familiarizada com o assunto.

A reunião de alto nível ocorre após o presidente dos EUA, Donald Trump, conversar com seu homólogo russo, Vladimir Putin, e os dois concordarem em iniciar negociações para encerrar a guerra na Ucrânia “imediatamente”.

Rubio “reafirmou o compromisso do presidente Trump em encontrar uma solução para o conflito na Ucrânia”, disse a porta-voz do Departamento de Estado, Tammy Bruce, sobre a ligação com Lavrov. “Além disso, eles discutiram a possibilidade de potencialmente trabalharem juntos em uma série de outras questões bilaterais.”

A conversa entre Rubio e Lavrov é um sinal significativo de que as negociações já estão em andamento e de que os dois países voltaram a manter contato regular, com a diplomacia se normalizando. A ligação de sábado foi a primeira desse nível entre EUA e Rússia em quase dois anos, embora comunicações discretas tenham sido mantidas ao longo do período.

O Ministério das Relações Exteriores da Rússia afirmou que Lavrov e Rubio concordaram em trabalhar juntos para “restaurar um diálogo interestatal mutuamente respeitoso”, seguindo as diretrizes estabelecidas pela ligação entre Trump e Putin na quarta-feira, e também para preparar um encontro entre os dois líderes.

Eles também concordaram em criar “uma linha de comunicação para resolver problemas na relação entre EUA e Rússia, no interesse de remover as barreiras unilaterais ao comércio, à cooperação econômica e aos investimentos mútuos herdadas da administração anterior”, em uma aparente indicação de que os EUA estão dispostos a reduzir sanções contra Moscou impostas após a invasão da Ucrânia.

Lavrov e Rubio compartilharam uma “disposição mútua para trabalhar juntos em questões internacionais atuais”, como Ucrânia, territórios palestinos, Oriente Médio e outros assuntos, acrescentou o ministério russo. Eles também discutiram a remoção de restrições mútuas às respectivas embaixadas e concordaram em estabelecer um encontro técnico para definir “passos concretos para a remoção de barreiras mútuas” que limitam suas operações.

A embaixada dos EUA em Moscou e a embaixada da Rússia em Washington operam sob restrições significativas de pessoal desde que várias rodadas de expulsões mútuas ocorreram, em retaliação às acusações de interferência russa nas eleições que deram a vitória a Trump em 2016.

Na quinta-feira, Trump afirmou que ainda há “um longo caminho” para a resolução do conflito entre Rússia e Ucrânia, mas que sua conversa com Putin representou “um grande avanço para encontrar uma solução” para a guerra.

Trump declarou que havia designado Rubio, o diretor da CIA John Ratcliffe, Waltz e Witkoff para liderar a equipe de negociações dos EUA. No entanto, chamou a atenção a ausência de Keith Kellogg, enviado especial de Trump para a Ucrânia, nessa lista.

A retórica de Trump e de outros funcionários dos EUA sobre as negociações nesta semana alarmou Kiev e capitais europeias, que temem ser deixadas de lado nas conversas entre Washington e Moscou.

Os EUA pediram que os governos europeus apresentem propostas detalhadas sobre armamentos, tropas de paz e acordos de segurança que poderiam fornecer à Ucrânia como parte das garantias para o fim da guerra contra a Rússia.

Washington também enviou um questionário às capitais europeias para avaliar a disposição do continente em proteger Kiev após o conflito e entender o preço que a Europa estaria disposta a pagar em troca de um assento à mesa de negociações com Moscou.

Por Steff Chávez em Washington, Felicia Schwartz em Munique e Max Seddon em Berlim – 15 de fevereiro de 2025, para o Financial Times.

Link da reportagem original:
https://www.ft.com/content/25c3bcf6-9da7-4c46-9054-d4a0778356c3

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Rubio traça a mesma rota para os EUA https://www.ocafezinho.com/2025/02/03/rubio-traca-a-mesma-rota-para-os-eua/ https://www.ocafezinho.com/2025/02/03/rubio-traca-a-mesma-rota-para-os-eua/#respond Mon, 03 Feb 2025 21:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=201483 Trump intensifica guerra comercial com aliados tradicionais enquanto declarações de Marco Rubio revelam traços de continuidade com políticas do governo Biden, gerando tensões e incertezas globais


Duas semanas após o início da administração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, muitas pessoas já estão exaustas com a abordagem de inundar zonas de incerteza adotada pelo líder americano. Seu governo mantém todos desorientados, incapazes de processar uma ação desestabilizadora, como sua tentativa de congelar os gastos com verbas federais, antes que outra medida seja anunciada.

Cumprindo suas ameaças crescentes de iniciar o que o The Wall Street Journal chamou de “a guerra comercial mais estúpida da história” – e violando seu próprio acordo com o Canadá e o México, o Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA) – ele dividiu seus anúncios sobre a guerra comercial na América do Norte ao longo da noite de sábado. Isso garantiu que seu nome permanecesse no topo das preocupações de todos, mesmo durante as horas em que poderíamos esperar uma pausa nas notícias urgentes.

As implicações dessa nova guerra comercial para a ordem global pós-Segunda Guerra Mundial, que manteve os EUA seguros, são assombrosas. No entanto, você pode ter deixado passar algo que pareceu ser uma continuidade de política com a abordagem do ex-presidente Joe Biden, evidenciada em uma extensa entrevista com o novo Secretário de Estado de Trump, Marco Rubio.

“A maneira como o mundo sempre funcionou é que os chineses farão o que for do melhor interesse da China, os russos farão o que for do melhor interesse da Rússia, os chilenos farão o que for do melhor interesse do Chile, e os Estados Unidos precisam fazer o que for do melhor interesse dos Estados Unidos”, disse Rubio em sua entrevista com Megyn Kelly.

Ele continuou: “Quando nossos interesses se alinham, é onde surgem parcerias e alianças; quando nossas diferenças não se alinham, é onde o trabalho da diplomacia entra para prevenir conflitos, enquanto ainda promove nossos interesses nacionais, entendendo que eles também promoverão os deles.”

Jake Sullivan e Kurt Campbell não poderiam ter dito isso melhor. A versão deles foi a política do governo Biden de “investir, alinhar, competir”, exceto pelo fato de que a equipe de Biden não teria demonstrado tanta deferência ao Kremlin.

Com informações de SCMP*

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