eduardo campos - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/eduardo-campos/ Portal de noticias e análises sobre política brasileira, geopolítica, economia, tecnologia, sempre numa perspectiva democrática, progressista, anti-imperialista e multipolar! Fri, 18 Jul 2014 22:23:47 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://www.ocafezinho.com/wp-content/uploads/2015/10/cropped-Logo_Cafezinho_tmb-32x32.png eduardo campos - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/eduardo-campos/ 32 32 Prima de Eduardo Campos declara apoio à Dilma https://www.ocafezinho.com/2014/07/18/prima-de-eduardo-campos-declara-apoio-a-dilma/ https://www.ocafezinho.com/2014/07/18/prima-de-eduardo-campos-declara-apoio-a-dilma/#comments Fri, 18 Jul 2014 19:00:43 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=22008 26 Comentários 🔥]]> PE: Após briga familiar, prima de Eduardo Campos declara apoio a Dilma

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A vereadora Marília Arraes com representantes do PT e do PTB durante anúncio de apoio à Dilma Rousseff (PT) em Pernambuco (Foto: Divulgação)


 

POR RODRIGO RODRIGUES, no Terra Magazine.

Pivô da briga que acabou com as pretensões do filho de Eduardo Campos se cacifar como candidato a deputado federal pelo PSB de Pernambuco e também de assumir a presidência da Juventude do partido, Marília Arraes – prima do presidenciável Eduardo Campos (PSB), declarou voto em Dilma Rousseff (PT) nesta sexta-feira (18).

Vereadora em Recife, onde foi reeleita por influência do nome do avô – Miguel Arraes – a vereadora participou de evento na capital pernambucana ao lado do candidato de oposição à família Campos-Arraes em Pernambuco.

No evento de apoio ao senador Armando Monteiro (PTB), que concorre ao governo de Pernambuco contra Paulo Câmara, do próprio partido dela, Marília Arraes mostrou que ainda guarda mágoas do primo Eduardo, pela tentativa de emplacar o filho na cadeira que ela estava de olho:

“Não acredito que Eduardo Campos seja a melhor opção para o País”, disse Marília Arraes.

Ao declarar voto em Dilma Rousseff (PT) e Armando Monteiro (PTB), a vereadora do PSB afirmou que o candidato escolhido por Eduardo Campos para concorrer ao governo de Pernambuco foi uma imposição antidemocrática do primo presidenciável aos correligionários:

“Ele (Eduardo Campos) diz que o Brasil precisa de um líder, e não de uma gerente. Mas tanto na eleição passada, para a prefeitura, quanto na atual, ele escolheu candidatos sem histórico de militância, e que nunca enfrentaram as urnas. Procurou gerentes, candidatos biônicos, pessoalmente por ele escolhidos”, declarou Marília Arraes em entrevista coletiva em Recife.

Para entender toda a briga familiar que envolve o presidenciável Eduardo Campos, o filho dele, João Henrique Campos, e a prima Marília Arraes, você pode ler a reportagem “Filho de Eduardo Campos desiste da vida política”, publicada em 05 de junho por Terra Magazine.

Marília – assim como o presidenciável do PSB, é neta de Miguel Arraes. A mãe de Eduardo Campos – Ana Arraes – é irmã de Marcos Arraes, o pai da vereadora de Recife.

Nos bastidores, o descontentamento da menina Arraes com o primo Eduardo se dá pelo mesmo ter negado a parenta o apoio para que ela se lançar candidata a deputada federal pelo PSB.

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O sertão não caiu na Rede https://www.ocafezinho.com/2013/10/29/o-sertao-nao-caiu-na-rede/ https://www.ocafezinho.com/2013/10/29/o-sertao-nao-caiu-na-rede/#comments Tue, 29 Oct 2013 22:30:01 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=14489 3 Comentários 🔥]]> O Fernando Brito publicou há pouco uma análise sobre pesquisa do Instituto Nassau feita em Pernambuco. O levantamento traz dados sobre intenções de voto, imagem dos pré-candidatos presidenciais, grau de informação e opinião sobre a recente união entre Campos e Marina.

Ao final do post, ele dá o link da íntegra da pesquisa.

Então eu fui lá, examinei tudo com calma e resolvi fazer um post com tabelas selecionadas da pesquisa, seguida de alguns comentários.

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Lula e Dilma somam 36% dos votos espontâneos, contra 14% de Eduardo e 3% de Marina. Considerando que Dilma terá o maior tempo de TV, onde aparecerá Lula ao lado dela, o fato mostra que não será moleza para o governador do estado. Interessante notar a ausência absoluta de Aécio Neves na espontânea.

Vale notar ainda a força de Dilma na região do sertão, força esta que iremos encontrar em todas as tabelas: nesta região, ela tem 26% dos votos espontâneos, contra 17% de Campos. Daí o título do post.

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Interessante notar que a força de Campos reside nos homens do estado: entre estes, Campos tem 36%, contra 28% de Dilma; entre as mulheres, empate de 31% X 32%.

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A rejeição de Serra é um fenômeno ao qual Pernambuco não escapa. Mas é interessante notar que Aécio, mesmo tão pouco conhecido, tem rejeição maior que Dilma Rousseff. Marina Silva também tem uma rejeição curiosa em alguns segmentos. Entre os moradores do Sertão, por exemplo, ela é a mais rejeitada entre os candidatos – o que pode atrapalhar Campos.

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Na segmentação por faixa etária e escolaridade, o fato curioso é que Aécio Neves é o nome mais rejeitado entre os entrevistados com grau de ensino superior (17%); entre os mesmos, Campos tem rejeição de 11%, maior que a de Dilma, com 10%.

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Maioria dos pernambucanos (42%) responderam não. Curioso notar que o “não” mais forte veio da faixa de renda que ganha acima de 5 salários.  O Sertão também soltou um “não” bem contundente à candidatura de Campos: 55%.

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Confrontado com Lula, o eleitor pernambucano rejeita com bastante força a candidatura de Campos. No sertão, 72% responderam que são contra uma candidatura de Campos contra Lula.

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Diante de Dilma, a rejeição à uma candidatura de oposição liderada por Campos é menor, mas ainda é substancial: 40% na média geral. No sertão, porém, 69% acham que Campos NÃO deveria concorrer contra Dilma.

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A tabela acima é importante, porque indica se o eleitor interpretará a dissidência de Campos como uma “traição” ou não, embora isso seja ligado, naturalmente, à imagem que o eleitor tenha de Lula e Dilma. De qualquer forma, está bem claro que, para grande maioria (74%), foi Eduardo Campos quem rompeu com o governo federal.

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Observe que 60% dos entrevistados não sabem que Eduardo rompeu com Lula e Dilma. Entre os mais pobres e menos instruídos, esse índice é maior.  Por outro lado, note-se que a cidade do Recife é a mais desinformada, o que é estranho. Os meios de comunicação da capital estariam bloqueando essa informação?

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Lula continua sendo o político mais confiável entre os pernambucanos (37%), seguido de Campos (21%) e Dilma (15%). Na capital, Campos e Dilma empatam com 16%. No sertão, Lula (51%) e Dilma (25%) pontuam bem mais que Campos (12%).

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O antichavismo insustentável de Marina Silva https://www.ocafezinho.com/2013/10/07/o-antichavismo-insustentavel-de-marina-silva/ https://www.ocafezinho.com/2013/10/07/o-antichavismo-insustentavel-de-marina-silva/#comments Mon, 07 Oct 2013 18:42:35 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=14119 74 Comentários 🔥]]> No mesmo dia em que Marina Silva e Eduardo Campos celebravam seu casamento, circularam notícias de que a agora aliada de Ronaldo Caiado havia feito um desabafo durante a madrugada:

“A minha briga, neste momento, não é para ser presidente da República, é contra o PT e o chavismo que se instalou no Brasil – disse Marina.”

Na mesma reunião, ela faz outra afirmação bombástica:

Marina reclamou muito de perseguição dentro do governo e do PT contra ela. Disse que seria muito pior se fosse para um nanico como o PEN ou PMN.

– Eu seria desossada com muito mais facilidade. Seria tratorada. Eu sei que tem mais de duas mil pessoas pagas com dinheiro público para acabar comigo nas redes sociais – disse Marina.

A grande mídia, naturalmente, adorou, sobretudo a primeira afirmação; a segunda é tão delirante que não colou muito.

De qualquer forma, ambas causaram perplexidade em setores do campo progressista que ainda viam alguma luz em Marina, porque são frases que apenas tínhamos visto na boca de um José Serra, ou demais figuras de baixo calão da direita nacional.

A primeira frase é uma idiotice. No aniversário de um amigo, sábado à noite, meus amigos riam e rebatiam: “poxa, quem dera que o governo do PT fosse chavista!”

A segunda frase é uma infâmia, uma irresponsabilidade. Numa democracia, qualquer um pode falar o que bem entende, sobretudo no terreno da política, e por isso mesmo a calúnia sempre foi entendida, desde os primórdios da democracia, na Atenas antiga, como uma das maiores ameaças à liberdade.

Aristóteles, em sua obra Política, explicava que: “É preciso (…) impor um freio à audácia dos caluniadores, impondo fortes multas contra aqueles que se aventurarem a fazer acusações mal fundadas”.

Montesquieu, no Espírito das Leis, também reitera, diversas vezes, que a calúnia política é um dos maiores perigos da democracia, justamente porque desmoraliza a liberdade de expressão.

Numa democracia, repito, todo mundo pode falar o que deseja, e isso é bom e todo mundo fica feliz. Mas se essa liberdade for usada, mormente por quem tem acesso aos meios de comunicação (caso de Marina) para fazer acusações mal fundadas, então ela estará agredindo não apenas seus adversários políticos, mas desqualificando o próprio sistema.

No contexto político atual, a acusação de Marina tem um agravante. Ela se soma à campanha da mídia de criminalizar a política. Ao falar que mais de 2 mil pessoas recebem dinheiro público para falarem mal dela nas redes, ela quis dizer que o PT paga dois mil mensaleiros no país. É uma acusação mentirosa e covarde, porque anônima e generalizante. Desqualifica e criminaliza não apenas a política, os políticos e a militância, mas envenena o próprio ambiente de debate. Os militantes que a criticam o fazem porque tem convicções. Marina Silva prestou um serviço sujo à velha mídia, ou seja, jogou contra as suas próprias ideias sobre um novo fazer político, que deveria usar mais as redes, a internet, a mobilização social espontânea.

Só a rede da Marina é do bem? A rede que não lhe rende homenagens é “paga com dinheiro público”?

Marina Silva deu uma contribuição maravilhosa à campanha de criminalização da política. Agora não apenas todos os políticos são “ladrões”; também os militantes são mercenários.

O caso de Marina é grave. Ela ficou psicótica. A acusação de “chavismo” é bem clara; ela incorporou o discurso da mídia contra a esquerda latino-americana e a falácia segundo a qual a Justiça desses países estaria corrompida. É uma falácia porque quando a Justiça alinhava-se à direita, aí se tratava de uma justiça independente e isenta. Quando a mesma Justiça começa a dar alguns ganhos de causa à esquerda, ou simplesmente bloquear os tapetões da direita, aí vira chavista.

É uma falácia típica de quem não compreende o fenômeno democrático. Quando um povo elege um representante, ele expressa um desejo, que envolve todas as instituições. O mesmo movimento que leva o povo a votar em massa em Chávez, também contamina, democraticamente, o Judiciário.

No caso do Brasil, precisamos de mais chavismo. O Judiciário e o Ministério Público ainda são atrelados a valores do passado.

Por isso é tão importante respeitar incondicionalmente a Constituição, e por isso o voto de Celso de Mello a favor dos embargos infringentes foi tão importante. Os reclamos contra excesso de recursos até podem ser válidos, mas mudanças tem de ser feitas pelo Congresso Nacional, após longos debates dos quais participe a comunidade jurídica e a sociedade civil como um todo, e não por decisões casuísticas e autoritárias de um tribunal influenciado opressivamente pela mídia.

O respeito à Constituição permite que juízes, mesmo tendo uma ideologia política (conservador, chavista, o que for), se atenham à letra da lei e respeitem princípios consagrados ao longo de séculos ou mesmo milênios de teoria democrática.

Hoje o Globo revela que ainda não engoliu a derrota dos infringentes, e publica mais um editorial contra os recursos, com argumentos inacreditavelmente hipócritas, falando em justiça para “ricos” e “poderosos”. Se o Globo estivesse interessado em justiça para ricos e poderosos, deveria publicar uma matéria sobre a sonegação de seus proprietários, e mandar seus repórteres investigarem o roubo do processo na Receita Federal. Este caso até hoje não está explicado, e por isso mesmo a ferida continua aberta e purulenta. O escândalo fiscal da Globo virá à tôna com muita força em 2014, quando os Marinho tentarem golpes baixos para influenciar as eleições. Ainda tem muito caroço nesse angu…

A acusação de Marina revela uma pessoa cega pelo ódio, pela inveja, e já contaminada pelo conceito de classe de suas andanças pela Casa Grande. As tertúlias com a herdeira do Itaú, com certeza, devem ser regadas a clichês antichavistas. Mas o povo não entende isso e a esquerda, que tirou Marina do meio da floresta, menos ainda.

Marina jamais poderá fugir ao fato de que ela veio do PT. Foi o Partido dos Trabalhadores que mobilizou recursos, financeiros, políticos, humanos, para elegê-la. Marina nunca usou dinheiro do próprio bolso, porque ela nunca o teve. Não foi o Itaú, nem a Natura, que salvaram Marina de uma vida medíocre no Acre e a alçaram a grande liderança nacional. Foi o PT. Ela terá que conviver com isso durante a vida inteira. Não é por outra razão, que os militantes do PT não engolem Marina. Eles sabem que ela usou o partido como trampolim.

A sua entrada no PSB, por sua vez, representa um mergulho de cabeça numa piscina de incoerência. O PT é um partido cheio de problemas e contradições, e de vez em quando alguém enche o saco e sai do partido. Isso é normal. Todo mundo entendeu quando Marina saiu do PT e entrou no Partido Verde. Ela é ambientalista. Havia uma lógica cristalina e um simbolismo justo na mudança.

Entrar no PSB, contudo, não faz sentido, porque o PSB jamais foi ambientalista. Ao contrário, acaba de receber em suas fileiras ninguém menos que Ronaldo Caiado, o maior inimigo dos ambientalistas do Brasil. E todas as contradições e problemas do PT, o PSB também os tem, e talvez em grau ainda mais avançado, visto que é uma legenda com menos tradição de democracia interna.

Não quero satanizar Marina Silva. Mesmo movida a ódio, inveja e ressentimento, entendo que ela tem algumas boas ideias para o Brasil. Em seu discurso ao lado de Campos, ela falou em aproveitar melhor a energia solar. Concordo inteiramente. Só não concordo que tenhamos de abdicar de hidrelétricas por causa disso. Temos que usar tudo a nosso alcance para nos tornarmos uma nação rica e justa: hidrelétricas, pré-sal, sol, fissão atômica, vento.

Também sou fã da natureza, e acho que o futuro da humanidade é se submeter a políticas ambientalmente sustentáveis.

Só não acho que Marina Silva tenha condições políticas e (agora eu vejo) sequer psicológicas para liderar esse processo.

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Aécio e Campos dividem a direita https://www.ocafezinho.com/2013/05/17/aecio-e-campos-dividem-a-direita/ https://www.ocafezinho.com/2013/05/17/aecio-e-campos-dividem-a-direita/#comments Fri, 17 May 2013 16:28:48 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=11288 [s2If !current_user_can(access_s2member_level1) OR current_user_can(access_s2member_level1)]

Vamos pôr um pouco de lado a série sobre o mensalão. Voltamos a ela na semana que vem. A política brasileira, felizmente, vai além dos erros do Supremo. Permitam-me fazer um clipping básico, com algumas notinhas sugestivas publicadas ontem e hoje na coluna do Ilimar Franco, no Globo, seguido de comentários e previsões políticas.

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Coluna de hoje:

Na corda bamba – A principal tarefa do senador Aécio Neves depois de se sagrar, no sábado, presidente do PSDB, será atrair o DEM para sua candidatura ao Planalto. O partido, que tem tempo de TV, vive momento de dispersão. Seus líderes estão fechando acordos regionais. Hoje, Aécio só tem dois dirigentes de peso ao seu lado: o presidente Agripino Maia (RN) e o vereador Cesar Maia (RJ).

Sonho de consumo – O candidato do PSDB ao Planalto, Aécio Neves, tem procurado o governador Sérgio Cabral (RJ) para conversar. Aposta num racha entre PMDB e PT, caso se confirme o embate entre seu vice, Luiz Fernando Pezão, e o senador Lindbergh Farias.

“A candidatura do PSB (Eduardo Campos) é irremovível. Estamos evitando acirrar ânimos. Temos que proteger nossos governadores” , Roberto Amaral, Vice-presidente nacional do PSB

O que fazer? – Enquanto os tucanos esnobam o vereador Cesar Maia, o vice-governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) e o senador Lindbergh Farias (PT) cortejam o DEM. “Tenho conversado com o Rodrigo Maia. Quero eles perto da gente”, explica Pezão. O petista também tem procurado os Maia e seu trunfo é a experiência da aliança PT-DEM na gestão da prefeitura de Nova Iguaçu (RJ). Atual aliado da candidatura Aécio Neves ao Planalto, o DEM conversa com outras forças para não correr o risco de ficar isolado. Como os tucanos querem o apoio do PDT, eles podem ficar tentados a se dividir nos palanques de Cesar Maia e do deputado trabalhista Miro Teixeira.

Coluna de ontem:

A vacina – No programa de TV do PSDB que vai ar em 30 de maio, o candidato à presidência Aécio Neves vai defender o aprofundamento dos programas sociais massificados nos governos petistas. Ele quer evitar que colem nele a imagem de adversário dos pobres. O PSDB vai apresentá-lo ao país e ele convidará o eleitor para dialogar sobre dramas nacionais, tais como a inflação e a desindustrialização.

Primeiro desafio: superar Marina – As pesquisas eleitorais do PSDB mostram a candidata Marina Silva (Rede) à frente de Aécio Neves. O Instituto Ideia ouviu cinco mil pessoas, de 27 de março a 5 de abril, para orientar o programa de TV que vai ao ar. Aécio aparece atrás da presidente Dilma e de Marina, mas está entusiasmado com seu desempenho na classe A, formadora de opinião. Nela, Dilma tem 33,8%, Aécio 32,8%, Marina 22,6% e Eduardo Campos (PSB) 7,1%. Na classe C, maioria do eleitorado (57%), Aécio tem 11% (C1) e 8,4% (C2), Eduardo 2,7% e 3,4%, Marina 17% e 14,7% e Dilma 59,6% e 63,2%. Hoje, nem a presença de Eduardo Campos (PSB) levaria a disputa para o segundo turno.

“A estabilidade monetária está ameaçada. As bolsas (sociais) se eternizando, e isso é sinônimo de seu fracasso. Está se esgotando o crescimento da economia. É o pilar da democracia sendo corroído”. Cristóvão Buarque, Senador (PDT-DF)

Em relação à aliança entre Aécio e Sérgio Cabral, não me atreveria dizer que é impossível. Cabral já foi do PSDB, não é petista, e, numa outra circunstância, não teria problema nenhum em se aliar aos tucanos. Só que é fortemente improvável, porque a imagem do Cabral, ou o que restou dele, está atrelada à sua parceria com Lula. A nota, portanto, é mais um das utopias platinadas para salvar a candidatura tucana. Mas também é útil à Cabral, que já não sabe mais o que fazer para matar a candidatura de Lindbergh. Qualquer fato negativo relacionado à Lindbergh é uma dádiva para Cabral.

As pesquisas eleitorais apresentadas, por sua vez, são muito interessantes. Vamos repetir os números:

Nela [na classe A], Dilma tem 33,8%, Aécio 32,8%, Marina 22,6% e Eduardo Campos (PSB) 7,1%. Na classe C, maioria do eleitorado (57%), Aécio tem 11% (C1) e 8,4% (C2), Eduardo 2,7% e 3,4%, Marina 17% e 14,7% e Dilma 59,6% e 63,2%. Hoje, nem a presença de Eduardo Campos (PSB) levaria a disputa para o segundo turno.

Não vou entrar no mérito da qualidade da pesquisa. Tenho que trabalhar com o que existe, e o fato dos números virem da própria campanha de Aécio Neves nos permite encará-los como não enviesados em favor da candidata favorita. A força de Aécio na classe A fundamenta-se no antipetismo classista dos mais ricos, somado à influência que a imprensa tucana exerce nesse segmento. De qualquer forma, a liderança de Dilma até nesse segmento confirma a genialidade de Lula ao escolher uma mulher com o perfil da presidenta, cuja imagem de pessoa séria, culta e severa consegue driblar o ódio antipetista junto a uma boa parte do andar de cima.

Entretanto, a própria Dilma se revelou bem sensível neste sentido. Desde o início de sua gestão, nota-se nela uma preocupação constante de manter uma boa imagem junto à classe média – e uso aqui o termo “classe média” em sua acepção política, tradicional, me referindo aos mais ricos. Concordo que é um pouco ridículo chamar famílias que ganham menos de 1000 reais por mês de “classe média”; neste caso, temos uma classificação exclusivamente econômica. Do ponto-de-vista político, quando se fala em classe média se fala num segmento específico, muito bem recortado sociologica e psicologicamente; Paulo Henrique Amorim, com seus sarcasmo incomparável, definiu com perfeição: a Big House.

Só o fato da Dilma ter rachado a Big House, já inflingiu uma terrível perda ao PSDB. Só que a Dilma pagou um preço altíssimo para fazer isso; por exemplo, a presidenta fez um já notório acordo com a grande mídia. Tudo em prol da “governabilidade”. Entrega-se alguns ministérios para PMDB, PP, PR. Libera-se emendas parlamentares aqui e acolá. E se mantém um sistema de publicidade oficial altamente concentrado nos grandes grupos de mídia, com ênfase nas Organizações Globo. Com isso, compra-se, senão apoio político, ao menos uma trégua.

Ainda sobre a pesquisa do PSDB, ela definitivamente não justifica a “animação” com que, segundo o colunista do Globo, Aécio a recebeu.

Repitamos a última parte, que trata dos mais pobres:

Na classe C, maioria do eleitorado (57%), Aécio tem 11% (C1) e 8,4% (C2), Eduardo 2,7% e 3,4%, Marina 17% e 14,7% e Dilma 59,6% e 63,2%. Hoje, nem a presença de Eduardo Campos (PSB) levaria a disputa para o segundo turno.

Se Dilma tem 63% na classe C2, numa pesquisa de um instituto desconhecido pago pelo PSDB, temos uma candidata praticamente imbatível em 2014. Observe ainda que Campos tem 7% na classe A e 3% na classe C. O socialista ganhou umas gorjetas dos mais ricos, mas acho bobagem o PSB pretender o eleitorado rico, que não fará diferença no resultado final. Quem ganha eleição no Brasil ainda é o voto do pobre.

Ah, tem outra notinha, ainda na coluna do Ilimar de hoje, que gostaria de comentar:

Os novos socialistas – O governador Eduardo Campos desfilou em Santa Catarina ao lado do ex-presidente do DEM, Jorge Bornhausen, e do secretário Paulo Bornhausen (PSD), convidado a ingressar no PSB. Jorge já abriu o voto em favor de Campos.

A notinha se soma àquela outra, copiada lá em cima, com a afirmação do vice-presidente do PSB, Roberto Amaral, de que a candidatura de Campos é “irremovível”. O socialista andou uns dias sumido, e agora volta à aparecer na mídia. Quando pensamos, todavia, que ele mudaria um pouco sua estratégia de só aparecer ao lado de nomes duros da direita mais extremada e antilulista do país, eis que o moço aparece em companhia de Jorge Bornhausen, aquele que previu, em 2006, que a oposição acabaria com aquela “raça” – referindo-se genericamente ao PT e à esquerda em geral.

Com isso, não sei se a tese de Maria Inês Nassif está certa, de que Campos é menos candidato hoje do que há um mês. Com essa reaparição ao lado de Bornhausen, ele volta ao palco eleitoral do mesmo tamanho que antes. Porém, num certo sentido, sim, ele está diminuindo. Só falta agora conseguir o apoio do Bolsonaro…

Uma coisa é certa: Campos parece decidido a roubar votos da direita e das elites que iriam naturalmente para Aécio Neves. Nesse ritmo, vai acabar beneficiando a candidata líder. A notícia de que Campos teria tentado levar Lindbergh para o PSB, por sua vez, revela um candidato ardiloso, tentando atacar pelas costas. A aliança entre PT e PSB, pelo jeito, já ruiu.

Aécio Neves, por outro lado, está numa excelente fase. Há algumas semanas, eu mencionei a ruptura entre Serra e Aécio. Era mais uma provocação, mas pode ser que eu tenha acertado. De qualquer forma, o mineiro conseguiu uma proeza: está muito perto de esmagar totalmente Serra, inclusive em São Paulo. Será eleito presidente do partido, ungindo candidato a presidente, e nomeará os nomes de seu agrado para direção e secretarias da legenda. Nas matérias que tratam do assunto, não há mais sequer o cuidado de não melindrar Serra: a condição para ser secretário-geral do partido é não ser “ligado” ao zé-bolinha. Seu principal trunfo é o embarque da grande imprensa em sua candidatura. Todo dia, recebe notinhas positivas. Hoje tem uma entrevista no Globo.

Jorge Bornhausen, o novo aliado de Eduardo Campos

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O que Lula disse a Campos? https://www.ocafezinho.com/2013/05/09/o-que-lula-disse-a-campos/ https://www.ocafezinho.com/2013/05/09/o-que-lula-disse-a-campos/#comments Thu, 09 May 2013 07:22:19 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=11070 Uma das mais experientes jornalistas políticas do país, Tereza Cruvinel, afirma ter recebido informações fidedignas sobre uma mensagem de Lula a Eduardo Campos, na qual o ex-presidente adverte que pode vir a ser candidato em 2014, se for preciso. A informação visava forçar Campos a recuar, pois a presença de Lula faria Campos desaparecer junto ao eleitorado nordestino. Segundo Cruvinel, Lula foi bem sucedido, porque o governador de Pernambuco, de fato, deu alguns passos atrás e sumiu do mapa nacional.

Dias atrás, o Ilimar Franco publicou notinha informando que tucanos já estão desconfiados de possível desistência de Campos:

Com a pulga atrás da orelha – O comando da candidatura presidencial de Aécio Neves (PSDB) está ressabiada com o governador Eduardo Campos, nome do PSB ao Planalto. Acham estranho os furos do socialista. Eduardo não foi à Conferência do PPS, ao 1º de Maio da Força Sindical e à tradicional Expozebu. Segundo os tucanos, se quer ser candidato mesmo, o socialista “não pode fugir da realidade o tempo todo”.

 

Na minha opinião, é muito difícil Lula vir como candidato, mas ele pode ter alertado Campos que ingressará pesado na campanha de sua correligionária, e que atuará especialmente no Nordeste, queimando o governador de Pernambuco junto a seu próprio eleitorado.

De qualquer forma, já temos um primeiro grande mistério para a campanha de 2014: o que, exatamente, Lula disse a Campos?

Leia a íntegra do post de Tereza Cruvinel:

Lula na linha

Por Tereza Cruvinel, em seu blog.

As explicações dadas nos últimos dias pelos aliados do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, para seu recente chá de sumiço deixaram a impressão de que faltava uma informação. Segundo esses interlocutores, Campos se retraiu para evitar a eleitoralização de todos os seus atos e a hiperexposição de imagem. E se voltou para as tarefas de governo também porque já começavam a dizer que ele viajava muito. Tudo isso é razoável, mas o ponto que faltava foi-nos revelado por eminências do próprio PSB: uma mensagem do ex-presidente Lula ao governador, nas vésperas do Primeiro de Maio, também contribuiu muito para a desaceleração de seus movimentos.

A fonte não sabe precisar o meio pelo qual a mensagem chegou ao governador, mas conhece perfeitamente o conteúdo. Desde que o governador avançou na disposição de concorrer à Presidência em 2014, rompendo a aliança histórica do PSB com o PT, seus aliados afirmam que só uma situação poderia levá-lo a desistir da candidatura: aquela em que o candidato do PT fosse o ex-presidente Lula, e não a presidente Dilma Rousseff. Campos não seria ingrato para com quem lhe deu todo apoio nos anos recentes, fazendo-o ministro, apoiando a candidatura a governador e propiciando-lhe recursos que ajudaram a garantir o êxito de suas duas gestões em Pernambuco. Sem dúvida, o governador é bom gestor, mas os investimentos federais no estado contaram muito. Para além da gratidão, existem também as fortes razões político-eleitorais. Por maior que seja a popularidade da atual presidente, especialmente no Nordeste, um eventual confronto com Lula ampliaria muito os riscos para qualquer desafiante.

A mensagem que Lula enviou, na semana do Primeiro de Maio, diz o informante do PSB, não foi afirmativa nem ameaçadora. Ele apenas pediu que Eduardo refletisse mais. Hoje, Lula teria mandado dizer: ele não é e não deseja ser candidato em 2014. A opção do PT já está feita por Dilma. Mas, e se lá na frente surgirem circunstâncias que o obriguem a concorrer? Iriam se enfrentar?

Depois disso é que Campos teria cancelado a participação na festa do Primeiro de Maio da Força Sindical, depois de ter prometido presença ao deputado Paulo Pereira da Silva, fundador daquela central sindical. Cancelou também a visita que faria a um órgão de imprensa em São Paulo depois da festa sindical. De lá para cá, tem se dedicado a visitar o interior de Pernambuco. Na semana passada, enquanto uma nuvem de políticos, com Dilma e Aécio Neves no destaque, participavam da exposição agropecuária de Uberaba (MG), Campos visitava 16 cidades do agreste. Esta semana, circulará pelo sertão.

Para quem vinha em altíssima velocidade, a freada foi brusca. Pode ter sido determinada pelo repentino cuidado com a saturação da imagem. Entretanto, a incursão de Lula também teve seu peso, garante o socialista que sempre recomendou mais cautela.

O Brasil na OMC

O governo Dilma continuava festejando ontem a eleição de Roberto Azevêdo para diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), sem dúvida um grande feito brasileiro no jogo internacional. Mérito dele, pela competência e preparo, e do governo, pela ousadia de lançá-lo na disputa. A presidente, por exemplo, foi quem determinou, depois de ouvi-lo, que um jatinho oficial fosse colocado à sua disposição. Cabalou votos pessoalmente. Dois ministros, o chanceler Antonio Patriota e Fernando Pimentel, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, também se fortaleceram pelo papel que jogaram nas articulações. Tem parte na vitória também o ministro da Defesa, Celso Amorim. Foi ele quem enviou Azevêdo para a OMC, anos atrás, e também ajudou na cabala de votos.
Agora, o desafio é grande: eleito pelos emergentes contra os países ricos, Azevêdo terá que se afirmar como líder multilateralista, livrando-se de sequelas da disputa. Terá que tirar a OMC da inércia e destravar as negociações da rodada de Doha.

100 dias

Em discurso na tarde de hoje, o presidente do Senado, Renan Calheiros, fará um balanço de seus primeiros 100 dias no cargo, prestando contas do que fez em relação às três principais promessas como candidato: fortalecimento da transparência, aumento da eficiência e da economia de recursos da Casa, cortando despesas da ordem de R$ 302 milhões no biênio 2013/2014. Na semana que vem, a Lei de Acesso à Informação completará um ano de implantação. Renan anunciará o lançamento de um site disponibilizando um volume enorme de documentos hoje inacessíveis.

Cisão federativa

Definitivamente, algo não vai bem na Federação. A briga entre os estados pela partilha dos royalties do petróleo deu no que deu. Agora, as mudanças tributárias que significariam uma reforma, ainda que micro, caminham para o naufrágio. As bancadas do Norte, do Nordeste e do Centro-Oeste na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado romperam com a proposta de alíquota única de 4%, fixando-a em 7% para os estados dessas regiões, mais o Espírito Santo. O Ministério da Fazenda não gostou e o governo deve desistir da unificação. Ficaremos com a guerra fiscal. De onde vem isso? Dos séculos de desigualdade que as regiões mais pobres agora querem resolver na lei, mas na marra.

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Campos e o pragmatismo destrambelhado https://www.ocafezinho.com/2013/05/02/campos-e-o-pragmatismo-destrambelhado/ https://www.ocafezinho.com/2013/05/02/campos-e-o-pragmatismo-destrambelhado/#comments Thu, 02 May 2013 16:15:14 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=10938 [s2If !current_user_can(access_s2member_level1) OR current_user_can(access_s2member_level1)]

As articulações do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, para estabelecer palanques em alguns estados revelam que ele está exercitando as virtudes do pragmatismo a uma escala quase insana.

Na verdade, insana talvez não seja o termo certo. Destrambelhado seria melhor.

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Há um bom tempo que eu protesto contra a vilificação do pragmatismo nas análises políticas. O vocábulo vem do grego antigo, da palavra Prasseim, que significa “fazer”, “realizar”. No ambiente de negócios, pragmatismo é incontestavelmente uma virtude positiva, e sequer está ligada à qualquer noção de desonestidade. O homem pragmático é um homem sério e realizador.

Na política brasileira, quiçá pela influência ibérico-cristã, assumiu uma faceta negativa. O político pragmático é o que pensa antes na conservação do seu poder do que no bem público. Se o político vê sua atividade como um negócio privado, faz sentido.

Mas aí temos uma confusão negativa, fruto daqueles valores pouco dignificantes da ideologia cristã, tão odiados por Nietzsche, segundo os quais quanto mais formos pobres, humildes, ignorantes, submissos e fracassados, maiores serão nossas chances de encontrar uma boa vaga no estacionamento celeste.

A filosofia, os historiadores, e a arte, felizmente conseguiram superar essa perniciosa armadilha conceitual, feita para deixar os pobres sempre pobres. A esquerda latina-americana, todavia, formada nos preceitos cristãos, ainda não se livrou totalmente de seus vícios. E a grande mídia sabe explorar muito bem essas contradições. Não é por outra razão que o Globo, por exemplo, deu destaque, há uns anos, a um grupo de dirigentes sindicais que tinham “casa” e “carro”, e moravam em condomínios confortáveis. Quando se via de perto, não era nenhuma vida milionária, mas perfeitamente compatível com a renda de altos dirigentes sindicais.

O ex-presidente Lula desde o início de sua carreira lutou contra esses preconceitos. Tanto para a vida pessoal dos trabalhadores e seus representantes políticos, quanto na própria política. O trabalhador precisa se organizar em partidos, galgar os degraus da vida política e dialogar, de igual para igual, com os donos do poder. Vestir-se mal não vai ajudar. Tampouco se isolar em igrejinhas pseudo-revolucionárias, rancorosas e sectárias. O trabalhador precisa ganhar eleições, então precisa de recursos, estabelecer alianças com outras forças sociais. Depois precisa governar e governar bem, então precisa de estabilidade e fazer acordos políticos inclusive com ex-adversários, e com quem pensa diferente. O professor Wanderley Guilherme lembra que o partido socialista sueco foi aliado do partido conservador durante 30 anos, período em que a Suécia se transformou num dos países mais justos do mundo.

Esse é o lado bom do pragmatismo.

Agora, tem o outro lado, claro, e admito que a linha às vezes pode ser tênue entre o bom e o mau pragmatismo. Mas não é tão difícil identificar. Por exemplo, confiram a seguinte notinha publicada na coluna do Ilimar Franco, no Globo:

Frente ampla – Ex-fundador da UDR, o líder do DEM na Câmara, Ronaldo Caiado, que também é candidato ao governo de Goiás, teve conversa promissora com o governador Eduardo Campos (PE), candidato do PSB à presidência. Caiado, adversário do governador Marconi Perillo (PSDB), pode colocar seu palanque à disposição do candidato socialista.

O estágio da batalha – Explica o prefeito de Duque de Caxias, Alexandre Cardoso: “Hoje, minha luta é no PSB. Não podemos ter um candidato de oposição integrando o governo. Um partido de esquerda não pode ter candidato sustentado pela direita”.

Leia também as notinhas da Monica Bergamo, na Folha.

TORCIDA – Eduardo Campos (PSB-PE) tem convicção de que José Serra deixará o PSDB, com chance de se lançar candidato a presidente por um novo partido, o Mobilização Democrática. É o que tem dito a interlocutores. Para ele, que é pré-candidato também, quanto mais oposição a Dilma Rousseff, melhor, para forçar um segundo turno.

TORCIDA 2 – Para isso ocorrer, no entanto, é crucial que o STF (Supremo Tribunal Federal) mantenha a possibilidade de novos partidos acessarem recursos e tempo de TV em 2014, viabilizando o Mobilização Democrática.

As notinhas de Bergamo se seguem a uma série de encontros de Campos com Serra e seu principal capanga, Roberto Freire, e sugestões plantadas na imprensa de que o tucano, já em outro partido, poderia se lançar candidato em São Paulo para dar palanque ao governador de Pernambuco.

Francamente, uma coisa é aceitar o apoio de fulano. Outra, bem diferente, é apoiar a candidatura de Ronaldo Caiado e José Serra. Mais que isso, é iniciar uma articulação política de grande escala usando como base de sustentação esse tipo de aliança. Aí é entrar definitivamente no time da direita, e uma direita em declínio, respirando apenas pelos aparelhos fornecidos pela grande mídia.

Não é pragmatismo. É burrice travestida de pragmatismo. É adotar uma estratégia baseada apenas nas informações enviesadas da mídia, ignorando completamente os anseios de uma nação ainda profundamente traumatizada por séculos de iniquidade social. O resultado pode ser o esfriamento da relação com as alas mais progressistas do PSB, como o próprio prefeito de Duque de Caxias, Alexandre Cardoso.

No entanto, talvez eu esteja sendo injusto. Relendo a notinha, ela não fala que Campos apoiará Caiado, e sim que Caiado pode abrir seu palanque para o socialista. Mesmo assim, Campos tem emitido apenas sinais conservadores. Senão sinalizar também à esquerda, deixará claro que pretende combater o governo pela direita, o que de certa maneira facilitará a estratégia de Dilma Rousseff. Atuando à direita, Campos pega o eleitor de Aécio, não do PT. Bem, talvez seja isso mesmo o que ele deseje. Ao invés de Campos chegar para dividir o eleitorado da esquerda, ele viria dividir os eleitores da direita, pensando em reuni-los novamente num segundo turno.

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Campos engolirá Aécio? https://www.ocafezinho.com/2013/04/19/campos-engolira-aecio/ https://www.ocafezinho.com/2013/04/19/campos-engolira-aecio/#comments Fri, 19 Apr 2013 06:41:22 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=10635 aecio_campos

A candidatura de Eduardo Campos está se tornando um fato político curiosíssimo. Pra começar, é cercada de névoas ideológicas, partidárias, políticas… Já está ficando claro que Campos caminha para a oposição. Ele mesmo parece não fazer mais questão de ocultar o fato. Seus encontros, públicos e secretos (e depois vazados), tem sido sempre com os elementos mais radicais da oposição ao governo federal: Roberto Freire, José Serra, Jarbas Vasconcelos. No entanto, ainda não se tem certeza de maneira absoluta sobre sua candidatura, como há em relação à Dilma e Aécio.

Pelo andar da carruagem, Campos é candidato, e será de oposição. Seus discursos e movimentações se dirigem em marcha acelerada na direção de uma ruptura, com reflexos, certamente, de longo prazo para a carreira do governador de Pernambuco.

A partir do momento em que Eduardo Campos marca posição como candidato de oposição e faz um discurso afinado com o vocabulário conservador, fica uma dúvida: com isso, ele tirará mais votos de Dilma, presidente bem avaliada, ou mais de Aécio Neves, que não tem o recall de Serra?

Provavelmente, tirará votos de ambos, o que causaria maior dano ao PSDB, porque é a oposição quem precisa ampliar seu patrimônio eleitoral, não o governo.

Hoje o Globo publicou matéria, no espaço mais nobre da seção de política, intitulada:

PPS esquece ideologia do Partidão e se alia cada vez mais à centro-direita

A matéria tem o significado de um ataque político à Roberto Freire, presidente do MD, legenda que surgiu ontem da fusão de PPS com PMN, porque Freire vem procurando, desde a campanha presidencial de 2010, a vender uma tese esdrúxula, quase esquizofrênica, de que, ele sim, representa a “esquerda” brasileira. A tese é ruim, porque Freire não tem apoio de nenhuma corrente da esquerda não-partidária: não tem apoio em movimentos sociais, em sindicatos, universidade ou intelectualidade.

Freire vem tentando, esse tempo todo, dar um golpe conceitual, e foi apoiado pela mídia em 2010 até então. Há poucas semanas, Freire organizou um evento que reuniria a “esquerda democrática” nacional, novamente exercitando uma ousada alquimia semântica, visto que os convidados e participantes eram quase todos representantes do que o resto do Brasil entende por “direita”.

Como não acredito que O Globo dê ponto sem nó, o ataque platinado visa castigar Freire por sua decisão prematura de abandonar a aliança com o PSDB em prol de Eduardo Campos, um candidato certamente interessante, mas sem condições reais de enfrentar Dilma Rousseff em 2014, por falta de tempo de TV, e falta de palanques na maior parte do Brasil.

Por falar em palanque, outra mexida nos tabuleiro político promete emoções: a possibilidade de Serra sair do PSDB e entrar neste novo partido, PMN, para disputar o governo de São Paulo em 2014. A medida visaria dar palanque à Eduardo Campos. Em todos estes movimentos, todavia, pode-se antever o revoar de muitas penas, pois uma candidatura Serra em São Paulo dividiria o voto conservador, facilitando a vida do PT. Sem contar que o apoio de Serra, se pode dar palanque a Campos no maior colégio eleitoral do país, também risca lhe tirar muitos votos Brasil a fora, em função da rejeição recorde de José Serra.

*

No front econômico, tivemos uma pequena alta de juros de 0,25%, certamente influenciada pela campanha de caráter mundial deflagrada nas últimas semanas, com empenho especial da mídia tupi. O aumento, por insignificante, não deve afetar a vida do cidadão comum, mas também não ajuda o Brasil a crescer mais. De qualquer forma, temos que nos preparar para uma campanha de grande porte para sabotar a economia brasileira. O primeiro front de guerra acontece na comunicação, com a sistemática manipulação de todos os índices. A inflação é um exemplo. Todas as previsões, do FMI, do setor privado nacional, do governo, apontam uma inflação em 2013 menor que a do ano anterior. Claro que isso pode mudar, e campanhas midiáticas podem fazer diferença, visto que boa parte das decisões que levam a reajustes de preço são de caráter subjetivo, por parte do empresariado. A proteção à economia brasileira está na competição, que não é lá essas coisas, em virtude da alta concentração do varejo em mãos de três ou quatro grandes grupos, todos estrangeiros (Walmart, Casino, Carrefour). O que nos protegerá, portanto, serão as cadeias pequenas e médias, que concorrem fortemente entre si e não podem se dar ao luxo de aumentar preços por decisões de caráter político.

PS: Estou experimentando um novo tema para o blog, um pouco mais simples e dinâmico. Peço desculpas por algum transtorno na leitura.

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Inadimplência e Eduardo Campos caem juntos https://www.ocafezinho.com/2013/03/27/inadimplencia-e-eduardo-campos-caem-juntos/ https://www.ocafezinho.com/2013/03/27/inadimplencia-e-eduardo-campos-caem-juntos/#comments Wed, 27 Mar 2013 14:51:22 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=10336 [s2If !current_user_can(access_s2member_level1) OR current_user_can(access_s2member_level1)]

Serra tem “mala sangre” com Aécio, diz Estadão

Os profetas da desgraça acordaram tristes. O Banco Central divulgou ontem que a inadimplência das famílias caiu pelo quinto mês consecutivo, passando de 5,5% para 5,4%. Considerando que este movimento se deu simultaneamente a um forte crescimento tanto do consumo quanto do volume de crédito, temos uma situação duplamente saudável. O brasileiro está ganhando mais, consumindo mais, tendo mais crédito e reduzindo seu nível de endividamento.

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Hoje o Cafezinho fala um pouco de tudo: da PEC das domésticas, do revés de Aécio em SP, de Eduardo Campos, e comenta em vídeo o relatório integral da pesquisa do Ibope para 2014. Para continuar a ler, você precisa fazer seu login como assinante (no alto à direita). Confira aqui como assinar o blog O Cafezinho.[/s2If]

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Por isso mesmo, é profundamentamente lamentável que o BC também tenha detectado aumento dos juros cobrados das pessoas físicas, de 24,7% para 24,9%. Os bancos não podem ser obstáculos ao desenvolvimento, e sim fomentadores.

Outra notícia boa de hoje foi a aprovação da PEC das empregada doméstica. Foi uma mudança histórica, que representa um marco na história do trabalhismo no Brasil, matando na raíz o que talvez fosse o último refúgio da mentalidade escravocrata. Muito sintomático que o jornal O Globo tenha se colocado contra a PEC, colocando-se ao lado dos patrões e alertando que poderia prejudicar os próprios trabalhadores.

Ora, é claro que medidas que aprimoram leis trabalhistas trazem dificuldades para os patrões. Fica mais difícil contratar uma doméstica, mas quando alguém o fizer, passará a tratá-la com muito mais dignidade. A Globo terá que mudar suas novelas, onde vemos domésticas trabalhando a qualquer hora da noite e personagens incapazes de pegar um copo de água na cozinha.

No campo da política, Aécio Neves experimentou um revés ontem em São Paulo, com o recuo de Alckmin em dar-lhe apoio para seu projeto presidencial. Nos último dias, circularam rumores de que Serra teria transmitido a Alckmin sua intenção de disputar o governo de São Paulo caso Alckmin se alinhasse totalmente a Aécio Neves.

No Estadão, um editorial fala em “mala sangre” de Serra contra Aécio. Mala sangre é uma expressão fortíssima, usada para designar um ódio profundo, de caráter visceral:

A mala sangre entre Serra e Aécio é pessoal, sobretudo da parte do primeiro. Ele parece acreditar que o então governador, no mínimo, nada fez para impedir que um jornalista mineiro difundisse acusações de malfeitos contra amigos e até a sua filha, à época da privatização das teles.

O PSDB, para seguir adiante, terá que passar por um processo de guerra interna, que poderá lhe custar mais alguns anos de declínio. Merval Pereira constatou isso e não por outra razão sua coluna de hoje é melancólica. Quer dizer, Merval está triste hoje pelas seguintes razões: exibição de força da presidenta em várias pesquisas; recuo de Campos, que abaixou a crista e afirmou que só tomará a decisão no ano que vem; e o novo revés de Aécio Campos, já mencionado.

*

Consegui encontrar finalmente, nos labirintos do site do Ibope, o relatório integral de sua última pesquisa de intenção de voto para 2014 e popularidade do governo. Comentarei as tabelas em vídeo, que entrará no ar daqui a pouco, neste link.

PS: Esse editorial da Folha parece um choro serrista. Diz que Aécio já venceu a disputa interna no PSDB, mas ainda não disse a que veio, ou que propostas têm para o país. E admite que Campos tem avançado mais sobre o eleitorado tucano do que sobre o petista.

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O banho de água fria na candidatura de Eduardo Campos https://www.ocafezinho.com/2013/03/26/o-banho-de-agua-fria-na-candidatura-de-eduardo-campos/ https://www.ocafezinho.com/2013/03/26/o-banho-de-agua-fria-na-candidatura-de-eduardo-campos/#respond Tue, 26 Mar 2013 14:47:08 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=10305

Comunicado aos leitores: O Cafezinho está permanentemente aprimorando seus serviços. Estamos procurando nos tornar mais concisos e mais objetivos em nossas análises. Diariamente, publicaremos um vídeo com menos de 5 minutos com uma análise política do autor do blog. O esquema de acesso continua o mesmo: segunda-feira, conteúdo livre para vídeo e texto; de terça a sexta, apenas para assinantes. Hoje, excepcionalmente, liberamos o conteúdo integralmente.

A recente rodada de pesquisas sobre a popularidade da presidente e intenções de voto para 2014 correspondeu a um volumoso banho de águas glaciais sobre a candidatura de Eduardo Campos. Em todos os sentidos. Não apenas a popularidade da presidente disparou, como uma parcela majoritária do eleitorado mandou um recado para todas as forças partidárias: estamos decididos a votar nela novamente em 2014.

Uma análise mais detalhada dos gráficos agrava a situação do governador de Pernambuco. O Estadão criou um infográfico dinâmico que nos oferece um quadro extremamente difícil para Campos. Clique no gráfico abaixo para ampliar:

Observe que, considerando apenas o Nordeste, região onde Campos tem sua melhor performance, e núcleo eleitoral de uma eventual vitória sua em 2014, Dilma aparece com uma força avassaladora: 62% dos entrevistados afirmaram que “votariam com certeza” na presidente, contra apenas 8% em Campos; e 16% que não votariam nela “de jeito nenhum”, contra 31% que dizem não votar no governador.

As duas notas abaixo, publicadas hoje na coluna de Ilimar Franco, mostra bem o impacto dessas pesquisas sobre o grupo de Campos. Nota-se um constrangido mas firme recuo:

Em compasso de espera: O governador Eduardo Campos (PSB), que ontem esteve com a presidente Dilma em Serra Talhada (PE), só vai decidir sobre sua candidatura à Presidência no ano que vem. Aos políticos e empresários que conversaram com ele, tem afirmado claramente: “Se eu for candidato é para ganhar as eleições. Não será para preparar 2018. Nunca fiz eleição teste”.

Rebeldia contra o exclusivismo: Integrantes da cúpula do PSB asseguram que a candidatura de Eduardo Campos só existirá “se o governo Dilma chegar envelhecido na eleição, num país que não cresce e sem projeto futuro”. Os socialistas estão pasmos com a “atitude raivosa do PT, que acirra ânimos, como se negasse aos aliados o direito de participar do debate político sobre o país”. Seus dirigentes também perguntam sobre a atitude do PT com os aliados nas eleições regionais: “Os petistas vão compor com os aliados ou vão querer promover um acerto de contas, usando como álibi desacertos do passado?”.

Para Dilma, a postura do grupo campista tem dois significados: uma vitória política, oferecida pelas estatísticas; e um alerta para os perigos de manter um “aliado” com interesse em lhe puxar o tapete. Sim, porque se os próprios campistas admitem que somente uma situação fortemente negativa pode criar chances eleitorais para uma candidatura própria do PSB, então esta candidatura sentir-se-á tentada a, ela mesma, colaborar para criar esses fatos negativos.

De qualquer forma, é visível a tentativa da imprensa, desde alguns meses, de transformar a candidatura de Eduardo Campos em “fato consumado”, e produzir atritos entre a presidente Dilma e o governador. A reportagem principal do Globo de hoje é repleta de intrigas entre as duas principais forças da esquerda nacional. Nunca o lema romano, “dividir e conquistar”, foi tão usado no Brasil.

*

O patrono do PSDB, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, fez um divertido show de stand-up ontem, durante evento partidário.

FHC afirmou: “Sabemos governar. Sabemos muito mais que essa gente. Já fizemos muito pelo País, eles não”, disse ontem.

Agora só falta convencer o povo…

*

Situação tensa no Rio de Janeiro. Lindbergh, aspirante a candidato da governador do estado, acusa o PMDB de produzir dossiês contra si e se encaminha para um rompimento total com o grupo de Sérgio Cabral. Essa ruptura estava anunciada há tempos. Os colunistas tucanos, naturalmente, procurarão transformar esse limão numa coisa mais azeda do que já é. A figura mais hostil ao PT, dentro do PMDB fluminense, é o presidente da legenda no estado, Jorge Picciani, que não perdoa Lindbergh, nem o PT, por sua derrota nas eleições para o Senado em 2010. Mas Picciani representa o atraso, nem tem o poder de mobilizar muita força fora do Rio de Janeiro.

*

O Datafolha divulgou  a íntegra de suas pesquisas sobre popularidade do governo e intenção de voto para 2014. Chama a atenção o crescente otimismo dos brasileiros, mesmo após um ano de crescimento baixo:

(Clique para ampliar).

*

Assista também a Análise Política em Vídeo, da TV Cafezinho:

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Voto espontâneo em Dilma cresce 34% no Datafolha https://www.ocafezinho.com/2013/03/23/voto-espontaneo-em-dilma-cresce-34-no-datafolha/ https://www.ocafezinho.com/2013/03/23/voto-espontaneo-em-dilma-cresce-34-no-datafolha/#comments Sat, 23 Mar 2013 10:45:12 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=10239

Desempenho de Dilma pode obrigar Campos a se entender com PT?

Dentre os gráficos divulgados ontem e hoje pelo Datafolha o que mais impressiona, na minha opinião, é o que mede o voto espontâneo. Neste quesito, o voto em Dilma cresceu 34% de dezembro até hoje, passando de 26% para 35%. O voto espontâneo em Lula, por sua vez, caiu de 12% para 8%, provavelmente refletindo o entendimento geral de que Lula não quer e não irá se candidatar em 2014.

Quer dizer, o mais impressionante não é exatamente o bom desempenho de Dilma e sim a performance medíocre da oposição.  Tudo bem que estamos ainda muito distantes da eleição, etc, mas mesmo assim – a quantidade de pessoas que hoje sabe que Aécio é o provável principal adversário de Dilma nas próximas eleições evidentemente cresceu. E a votação espontânea de Aécio declinou de 3% para 2%.  Marina sumiu do mapa. Campos continua desaparecido no cenário espontâneo.

 

 

Eis agora o gráfico do cenário principal da pesquisa (Cenário A), com os quatro concorrentes mais prováveis. Observe que Dilma foi a única que cresceu acima da margem de erro, de 54% para 58%, enquanto Marina e Aécio Neves perderam dois pontos e Campos ganhou dois. Ou seja, o movimento estatístico sugere que a entrada de Campos tirou votos da oposição, mas não encostou em Dilma que, ao contrário, continua subindo.

 

Chama atenção ainda o fato de Joaquim Barbosa ter o dobro das intenções de voto de Eduardo Campos, o que mostra tanto a força da mídia como a debilidade de Campos.  E Lula permanece uma locomotiva eleitoral, sempre que seu nome é lançado. Tem 58% no cenário C, com Joaquim Barbosa, e 60% no cenário sem o presidente do STF. Por região do país, Dilma tem sua maior força no Nordeste, com 64% das intenções de voto – mais um fator que deveria preocupar Eduardo Campos.

Outro ponto que se destaca é o fator classista na comparação entre os eleitores de Dilma e Aécio. A presidenta tem excelente desempenho em todas as classes sociais, mas este vai num crescendo na proporção inversa da renda do eleitor: ela tem 62% dos votos de quem ganha até 2 salários (faixa inferior da pesquisa) e 50% de quem ganha mais de 10 salários (faixa superior). O tucano, por sua vez, tem 8% dos votos das famílias que ganham até 2 salários, e 16% de quem ganha mais de 10 salários dos que ganham mais de 10 salários.

Observe que, mesmo nas faixas mais ricas, Aécio tem desempenho inferior ao de Marina Silva, mas isso reflete ainda o recall da ex-ministra, que disputou a última eleição presidencial.

 

 

 

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TV Cafezinho, 1ª edição: Epidemia de análises https://www.ocafezinho.com/2013/03/22/tv-cafezinho-1a-edicao-epidemia-de-analises/ https://www.ocafezinho.com/2013/03/22/tv-cafezinho-1a-edicao-epidemia-de-analises/#respond Fri, 22 Mar 2013 20:21:20 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=10221 Abraço de afogados? De escorpiões? Ou estratégia?

Vídeo de hoje:

Texto da análise de hoje:

Nunca houve tantas análises políticas, eleitorais e de mídia. Isso é bom para o Brasil. A pluralidade que falta na grande mídia, explodiu na internet. E não adianta colunistas medalhões virem com mimimi. As pessoas lêem o que querem, decidem se é bom e de maneira geral fazem um mix de várias opiniões.

Para um país como o Brasil, em que há uma mistura de carências profundas a serem solucionadas, muitas delas urgentes, com oportunidades incríveis de desenvolvimento no futuro próximo, não há como evitar mais um processo eleitoral repleto de emoções.

Para 2014, os exercícios analíticos hoje estão numa fase de liberdade impressionante. O Nassif ontem disse acreditar que aposta numa chapa de Campos, na cabeça, e Aécio, como vice. Ele listou outras variáveis, mas essa é a que tem mais chance, para ele.

De fato, tudo é possível. Mas eu discordo totalmente do meu amigo Nassif. De todas as variáveis, apenas Aécio, para mim, é um candidato certo. Campos vai esticar a corda até onde puder, mas ainda há dúvidas sobre sua candidatura. Diria que as chances dele ser candidato estão em torno de 60%, mas com tendência de alta. Ele precisa antes construir sua candidatura.

As trocas de afagos entre Serra e Campos, por outro lado, são extremamente curiosas. Campos está fazendo um movimento arriscado de criar laços com a direita, mas concordo com o que disseram vários analistas, de que isso é natural. Nenhum candidato pode chegar ao poder no Brasil sem fazer acordos com setores da direita. Lula e Dilma fizeram, o PT fez, então não pode usar isso para atacar Campos.

Mas o PT tem condições de fazer alianças com o conservadorismo porque tem uma base política muito consolidada nos movimentos sociais, no sindicalismo, uma militância numerosa e combativa. O PSB, não. É um partido com base social fraca, sem militância organizada, portanto muito mais vulnerável ao canto de sereia das forças conservadoras do capital.

Uma aliança entre PSDB e PSB poderia, de fato, alavancar a candidatura de Aécio Neves, mas não a de Campos. Ao optar por este caminho, Campos estaria fazendo uma ruptura traumática com consigo mesmo e com seu passado. Seria um jogo de tudo ou nada, porque, perdendo, se juntará ao limbo onde vivem personagens como Roberto Freire e Jarbas Vasconcelos.

Mais que provável que isso, a meu ver, é que Campos se lance como candidato em 2014, mas se alie a Dilma no segundo turno, arrancando enormes nacos de poder do governo, inclusive um importante ministério para si mesmo, e se cacifando, aí sim, para se tornar candidato em 2018.

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Colunistas meio doidos https://www.ocafezinho.com/2013/03/21/colunistas-meio-doidos/ https://www.ocafezinho.com/2013/03/21/colunistas-meio-doidos/#comments Thu, 21 Mar 2013 17:46:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=10213 [s2If !current_user_can(access_s2member_level1) OR current_user_can(access_s2member_level1)]

(Link da Foto)

Parece que somente hoje os colunistas políticos tomaram coragem para comentar a pesquisa de aprovação da presidente e do governo feitas pelo CNI/Ibope. Uma ficha, em especial, demorou a cair por causa de seu tamanho. A aprovação de Dilma cresceu sobretudo no Nordeste, dificultando bastante os movimentos de Eduardo Campos.

O Estadão publicou hoje um editorial meio desalentado, em que parece jogar a toalha e dar a eleição de 2014 por praticamente perdida. No mesmo jornal, Dora Kramer assina coluna cujo título já diz sobre seu estado de espírito: “Falta de ar”.
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Sim, porque o crescimento da aprovação de Dilma, que passou de 78% para 79%, o seu recorde, bem acima inclusive do que tinha no início de seu mandato, somado às ridículas brigas internas em que se vê o PSDB, reduz um bocado as chances da oposição em 2014.

Chamo os conflitos domésticos tucanos de ridículos porque é uma lavagem curiosa de roupa suja, terceirizada à imprensa. Os tucanos privatizaram até seus debates internos. Outros partidos também brigam via imprensa, mas só o PSDB o faz exclusivamente pela imprensa.

Hoje, por exemplo, Serra plantou a seguinte notinha na coluna do Ilimar Franco, do Globo:

Serra não se considera fora do jogo: O ex-governador tucano José Serra (SP) mandou um recado ontem, de que não desistiu da concorrer ao Planalto. No Twitter, baseado em crítica distribuída, no dia anterior, pelo Instituto Teotônio Vilela, atacou o governo Dilma: “Cadê as 6 mil casas prometidas para Petrópolis em 2011? Apenas 4 obras de contenção foram entregues. Há recursos que ainda estão retidos ”.

Os tucanos fazem uma guerra de notinhas plantadas. De forma geral, porém, todas visam abater-se uns aos outros. Ainda hoje, vejam essa:

À procura de uma porta de saída: O prefeito Arthur Virgilio anunciou que deixará o PSDB se o partido votar a favor da unificação do ICMs. A lei prejudicaria a Zona Franca de Manaus. Ele já recebeu convite do governador Eduardo Campos para se transferir para o PSB.

Ontem, ainda no Ilimar Franco, havia a seguinte nota, que comprova a minha teoria de que os tucanos fazem política apenas pela imprensa:

Carência afetiva: O ex-líder do PSDB no Senado Álvaro Dias (PR) e o deputado Ricardo Trípoli (PSDB-SP) falavam ontem, sobre o PSDB, numa roda num restaurante de Brasília. “Eu não estou sabendo de nada! Nem de candidatura a presidente da República nem a presidente do partido”, disse Álvaro. “Eu também não! De vez em quando a gente sabe alguma coisa pela imprensa”, emendou Trípoli. “Acho que é porque o pessoal sempre decidiu tudo petit comité”, retrucou Álvaro. O ex-líder do PSDB na Câmara Bruno Araújo (PE) chega na roda e arremata: “Estou como um católico, na praça do Vaticano, esperando sair a fumaça branca”. Gargalhadas.

Ainda hoje, Eliane Cantanhede e Merval Pereira escreveram sobre os desacordos tucanos. Cantanhede chega a mencionar uma possível chapa entre Campos e Serra, com o tucano ocupando o lugar de vice. É uma coisa sem pé nem cabeça, porque desfiguraria completamente a imagem de Eduardo Campos. A troco de quê um político promissor se aliaria ao político mais rejeitado no país, em especial na cidade de São Paulo?

Uma aliança com Serra corresponderia a uma guinada radical à direita, e o simples fato desse tipo de conjectura estar se disseminando tão facilmente, apenas rebaixa a credibilidade de Eduardo Campos.

Merval, por sua vez, está fazendo papel de doido, ao posar de mediador dos conflitos tucanos. Tudo que diz num dia, acontece ao contrário no outro. A explicação para sua desagregação psíquica, ele mesmo a dá, na abertura de sua coluna hoje:

A pesquisa do Ibope/CNI foi uma ducha de água fria nos candidatos a opositores da reeleição da presidente Dilma Rousseff (…)

O texto traz uma quantidade inacreditável de expressões vagas, confusas. Confiram esse trecho, logo no início do texto:

Não parece provável que desista da candidatura mesmo diante da aparência de imbatível que a presidente Dilma ostenta nesses dias. Há quem acredite nos meios políticos – um deles é o governador Eduardo Campos, que torce por isso – que o senador Aécio Neves pode partir para tentar se eleger novamente governador de Minas se a presidente estiver muito bem nas pesquisas no início do ano, mas é difícil que isso aconteça.

A análise de Merval, em suma, é a seguinte: não parece provável, mas há quem acredite, embora seja difícil que aconteça.

Prova de que as coisas não andam bem na cabeça de Merval é a conclusão de seu texto. Devia estar com sono, então deixou escapar uma previsão otimista, em tom peremptório:

E a economia melhorará este ano, o suficiente para manter a sensação de bem-estar da população.

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O samba de um Freire doido https://www.ocafezinho.com/2013/03/13/o-samba-de-um-freire-doido/ https://www.ocafezinho.com/2013/03/13/o-samba-de-um-freire-doido/#comments Wed, 13 Mar 2013 21:26:51 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=10118 [s2If !current_user_can(access_s2member_level1) OR current_user_can(access_s2member_level1)]

 

Uma figura política que realmente me intriga é Roberto Freire, presidente nacional do PPS. Ao transformar seu partido num capacho do PSDB, Freire fez com que o PPS registrasse um dos mais acentuados e rápidos declínios dentre todos os partidos. O gráfico não é uma ladeira, é um precipício.

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Em 2006, o PPS até conseguiu uma sobrevida, na esteira de um discurso histericamente udenista e antipetista, e elegeu 22 deputados federais. Em 2010, porém, quando boa parte das pessoas que se deixaram levar pelos exageros lacerdistas da mídia cairam em si, o PPS elegeu somente 12 parlamentares, sendo que um deles saiu. Agora são 11: queda de 50% sobre 2006. Em número de prefeitos, o PPS chegou a 308 prefeitos em 2004, e caiu em 2012 para 123: queda de 60%. E só não perdeu mais porque a maioria dos candidatos do partido puseram de lado o oposicionismo radical; alguns se aliaram a legendas da base aliada; quase todos que ganharam passaram suas campanhas elogiando a presidente Dilma.

Até aí tudo bem. O PPS decidiu ser oposição, manteve-se firme nisso, e enfrenta um período de declínio que poderia ser revertido no futuro, quando o pêndulo da democracia brasileira parar de pender para o lado do PT.

Mas aí, quando o PSDB começa um movimento de união em torno de Aécio Neves, um candidato mais jovem, com maior capacidade de agregar diferentes segmentos políticos, Roberto Freire abandona o antigo aliado e se lança num movimento novo para criar uma esquizofrênica aliança entre Serra e Eduardo Campos.

A mesma coisa vale para Jarbas Vasconcelos, um dos principais nomes do PMDB pernambucano: antes mesmo de Aécio se lançar candidato, já o abandonou e decidiu apoiar Campos. Ou seja, a oposição, ao invés de buscar aliados em seu universo (em desencanto, como diria Tim Maia), está se fragmentando e devorando seus próprios aliados.

Ora, Campos pode até ser um bom candidato, carismático e tal, mas tem pouquíssimo tempo de tv, conta com raros palanques fora de seu estado e deve contar com poucos aliados em 2014, caso realmente decida ser candidato. Ou seja, Freire e Jarbas estão abandonando o candidato objetivamente mais viável da oposição, por causa de seu tempo de TV, coerência discursiva e força partidária, para apoiar um Campos em crise existencial (não sabe se é governista ou oposição).

A candidatura de Campos traz instabilidade ao projeto governista, mas traz também, e talvez em maior escala, para o PSDB.

Mesmo assim, a mídia continua insuflando, diariamente, a candidatura de Campos. Sempre que se refere ao pernambucano, insere apostos como “o provável presidenciável do PSB”, ou simplesmente já dando por favas contadas sua participação no pleito como um candidato independente. Ora, Campos pode até ser um “provável candidato”, mas é curioso pendurar-lhe no nome, sempre que publicado na imprensa, esse tipo de adjetivação, de maneira repetida, sistemática, obsessiva.

Em artigo para o Estadão, pomposamente intitulado “Risco de ditadura partidária”, o advogado Sebastião Ventura P. da Paixão faz à oposição um apelo apaixonado às armas:

O momento não comporta mais amadorismo nem briga de vaidades; se existiram erros no passado, é preciso seguir em frente, levantar a cabeça e voltar a pensar o futuro da Nação. Os desafios são possíveis de enfrentar, mas não são fáceis. E se fossem fáceis, talvez não fossem tão desafiadores. Será muito, então, pedir uma oposição una, combativa e voltada para os melhores interesses da Pátria?

Nação! Pátria! E porque não Família, Tradição, Propriedade, Cristo!

Se há setores da esquerda que ainda tem o espírito preso ao mundinho maniqueísta da década de 60, na direita encontramos gente acorrentada ao linguagar do século XIX!

E figuras como Freire, ao invés de manterem a coerência e apoiarem Aécio Neves, fortalecendo a oposição, se apegam a saídas mirabolantes. Lembra o DEM, que resolveu trocar o nome do partido, que antes era PDS. Aliás, a editoria política do Globo só pode ter sido sarcástica quando publicou, logo no primeiro parágrafo da matéria, a seguinte frase:

Descontente com seu isolamento no partido, agora o tucano paulista está sendo sondado pelo presidente do PPS, deputado Roberto Freire (PE), que quer integrá-lo num projeto ambicioso: a fusão do PPS com o nanico PMN (…)

Fusão de PPS e PMN, um projeto AMBICIOSO? A informação, por sua vez, que o novo partido poderia agregar até 40 parlamentares, é totalmente fantasiosa? Que parlamentares? Quando o mesmo tipo de conversa rolou por ocasião do PSD, a imprensa trazia nomes e declarações dos parlamentares que poderiam sair de seus partidos. Agora é pura fofoca, um movimento desesperado e artificial para criar um factóide político qualquer.

A sorte da oposição é que ela conta, em 2014, com um aliado poderoso: a mídia. Nas coberturas de alguns edifícios de São Paulo e Rio é que serão decididas as estratégidas da oposição para o ano que vem. Os movimentos de Freire são apenas diatribes levianas de um político decadente, sem eleitores, sem aliados, sem futuro.

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A fragmentação da oposição https://www.ocafezinho.com/2013/03/13/a-fragmentacao-da-oposicao/ https://www.ocafezinho.com/2013/03/13/a-fragmentacao-da-oposicao/#comments Wed, 13 Mar 2013 20:21:35 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=10119  

PPS flerta com Serra para fortalecer Campos em 2014

Ex-governador tucano mantém distância da candidatura de Aécio

Maria Lima, no Globo

BRASÍLIA — Submerso desde a derrota para o petista Fernando Haddad, na disputa pela prefeitura de São Paulo, o ex-ministro e ex-governador José Serra continua longe dos movimentos para impulsionar a pré-candidatura do senador Aécio Neves (MG) a presidente da República pelo PSDB. Aécio tentou uma aproximação com Serra em janeiro, mas não prosperou. Descontente com seu isolamento no partido, agora o tucano paulista está sendo sondado pelo presidente do PPS, deputado Roberto Freire (PE), que quer integrá-lo num projeto ambicioso: a fusão do PPS com o nanico PMN, que poderia agregar parlamentares da base governista e da oposição em direção à pré-candidatura do governador pernambucano Eduardo Campos (PSB).

Uma estimativa inicial dá conta de que o projeto poderia reunir uma bancada de cerca de 40 deputados. A lei prevê que, no caso de fusão para criação de um novo partido, o parlamentar não perde o mandato por infidelidade partidária se mudar de legenda. Roberto Freire confirma as conversas neste sentido, mas é cauteloso.

— Isso pode acontecer (Serra aderir ao projeto da fusão). Mas não tem nada de concreto, é uma hipótese que estamos discutindo. Vamos aguardar. Se a fusão acontecer pode agregar todos que procuram um novo projeto, um candidato alternativo. Essa janela pode ser muito grande — afirmou Freire, que diz ter uma relação muito próxima com a ex-deputada Telma de Souza (SP), presidente do PMN.

O líder do PSB na Câmara, deputado Beto Albuquerque (RS), diz que, legalmente, ainda há dúvidas sobre a segurança dessa janela que os simpatizantes da candidatura Eduardo Campos poderiam usar para se integrar ao novo projeto. Mas é otimista.

— Pelo movimento ao redor de Eduardo Campos, essa migração não seria pequena. Tem muita gente querendo migrar — disse o parlamentar.

Paulista quer protagonismo no PSDB

No PSDB, enquanto Aécio cresce e Serra fica fora dos holofotes, os tucanos evitam debater publicamente a divisão. Mas, nos bastidores, dizem que o problema de unidade no partido hoje se chama José Serra. Os serristas reconhecem isso, mas acrescentam um ingrediente polêmico: Serra certamente não quer ser candidato, mas pode ficar contra a candidatura do mineiro.

Trancado em casa, dando aulas e com pouquíssimos contatos políticos, Serra ouviu de Aécio, em janeiro, que era preciso unir o partido para que o PSDB consolidasse um projeto único para a disputa com a presidente Dilma Rousseff, em 2014. Serra lhe respondeu que ele não atrapalhava nada.

Esta semana, um aliado de Serra disse que ele quer ser considerado nas articulações para escolha da nova executiva do PSDB, em maio, e do comando da futura campanha, mesmo que não apareça como nome para disputar com Aécio a indicação para presidenciável.

— Se o Aécio quer ser presidente ele tem que fazer o gesto, ir ao Serra e pedir seu apoio. Henrique de Navarra era protestante e se converteu ao catolicismo para ser Rei de França. Serra não será candidato, mas pode ficar contra Aécio — aconselhou o tucano.

Procurado nesta terça-feira pelo GLOBO, para falar especificamente sobre esse assunto, o ex-governador José Serra não retornou aos pedidos encaminhados por meio de sua assessoria.

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Uma terça-feira pesada https://www.ocafezinho.com/2013/03/12/uma-terca-feira-pesada/ https://www.ocafezinho.com/2013/03/12/uma-terca-feira-pesada/#comments Tue, 12 Mar 2013 19:45:58 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=10080 [s2If !current_user_can(access_s2member_level1) OR current_user_can(access_s2member_level1)]

A terça-feira tem debates pesados no ar. Temos uma quantidade imensa de material pra analisar e discutir. Farei um clipping básico das leituras que considero mais importantes; em seguida faço alguns breves comentários sobre cada tópico.

  1. Demissão de jornalistas da Caros Amigos e crise na imprensa alternativa: Artigo no site Correio do Brasil, entrevista com uma das demitidas e post do Sakamoto.
  2. Tereza Cruvinel revela, em furo de reportagem no Correio Braziliense, nova peripécia do trio Cachoeira/Demóstenes/Policarpo Júnior.
  3. Excelente artigo de Mauro Santayana na Carta Maior sobre as diferenças entre Brasil e México.
  4. Debate promovido pelo Centro Acadêmico da Faculdade de Direito da USP, no Largo de São Francisco, sobre o problema político da mídia, no Conversa Afiada.
  5. México discute a implementação de uma nova lei de meios, no Brasil 247.
  6. Post de Saul Leblon na Carta Maior e entrevista com Luiz Marinho ao 247 revelam que a candidatura Campos está chegando ao limite de seu tensiomento com setores da esquerda petista. Aproxima-se um momento de ruptura.
  7. Editorial do Estadão abusa da manipulação linguística e política e revela que se havia qualquer lua de mel de Dilma com a mídia, esta acabou faz tempo: os meios estão ficando cada vez mais hostis ao governo federal.
  8. Colunas de Merval Pereira e Eliane Cantanhede tratam hoje da nova jogada “jenial” de Roberto Freire: unir uma suposta “esquerda democrática” (Freira chama Serra e PSDB de “esquerda”) contra Dilma em 2014.

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1. Triste realidade que põe em relevo o conservadorismo e a covardia do governo federal em se tratando de sua política de comunicação. Entende-se que o governo tenha medo das corporações midiáticas, mas como representante político do povo deveria zelar pela pluralidade política e, como tal, se esforçar para não vivermos um retrocesso. Países bem mais pobres em recursos, como Argentina, Venezuela e Equador vem trabalhando em prol de um ecossistema midiático mais saudável e plural. Por que não o Brasil? Até entende-se, sem perdoar, que a Dilma queira empurrar uma lei dos meios para seu segundo mandato, mas deveria desde já se esforçar para não deixar que importantes publicações da esquerda, como a Caros Amigos, a Carta Maior e o Correio do Brasil fossem aniquiladas. É uma nódoa política do governo Dilma, cujas decisões neste sentido são influenciadas por Helena Chagas.

2.  Mais uma prova da bandidagem midiática protagonizada pela revista Veja, o que nos faz voltar ao primeiro tópico, e lamentar mais uma vez que o governo destine publicidade estatal para revistas envolvidas com graves crimes políticos e financeiros e mancomunadas com bandidos ligados a partidos de oposição.

3. Santayana é um dos mais elegantes e inteligentes cronistas políticos do país. Seu texto é fluente, culto, simples e objetivo. Quando nos lembramos que a Academia Brasileira de Letras elegeu Merval Pereira e não Santayana, entende-se muita coisa sobre os obstáculos que ainda temos que superar. Nesse texto, ele desfaz mitos sobre o “sucesso” do México.

4. Paulo Henrique Amorim é uma figura polêmica. Usa uma linguagem simples, popular e brutal. Mas talvez seja a consciência mais aguda no país sobre aquele que, segundo ele, é o desafio político mais urgente no momento: vencer o golpismo midiático e frear o avanço de seus tentáculos sobre o judiciário.

5. Pois é, o México, governado por forças conservadoras, se vê obrigado a fazer uma lei de mídia para pôr ordem na casa. No Brasil, também se quis regulamentar a mídia durante o governo FHC. A proposta era de Sérgio Motta. Mas não foi adiante, em função das terríveis pressões da própria mídia, a quem não interesssa qualquer mudança no status quo.

6. Eduardo Campos tem que se decidir logo. Sua dubiedade está produzindo mal estar em todas as forças políticas, e seu flerte, mesmo que através de seu silêncio, com setores da direita, já está começando a se queimar seu filme junto à esquerda, onde ele tem sua base eleitoral e política.

7. A frase de Dilma sobre “a gente pode fazer o diabo em época de eleição” virou o mote para todo o tipo de manipulação. Daqui a pouco, vão dizer que a presidenta falou: “eu sou o diabo”. A frase estava num contexto e o seu sentido era totalmente inverso ao que a oposição midiática agora tenta lhe impingir. Dilma mencionava, obviamente, a enorme tensão política durante um processo eleitoral, salientando que, passadas as brigas, aliados e oposição deveriam governar com republicanismo. O Estadão também mente ao minimizar o fato, básico, de que o projeto para desonerar a cesta básica é originalmente do PT, e que se Dilma não o executou antes, foi porque este ainda não amadurecera politicamente. De qualquer forma, o choro do Estadão é ridículo: se os tucanos achavam o projeto tão bom, porque não o botaram em prática quando governaram o país? E mais: ao povo, não importa quem tenha ou não defendido antes o projeto, e sim vê-lo colocado em prática.

8. A coluna de Merval é hilária. Ele fala qualquer coisa. Sugere até mesmo uma chapa entre Eduardo Campos e Serra (este como vice…). Seus textos, assim como o de Eliana, todavia, apenas mostram o desespero e a fragmentação de uma oposição que desistiu de fazer política e se tornou uma vil marionete da mídia, que por sua vez não entende de política, ou pelo menos não de política democrática, conduzida pelas urnas. Quando o momento eleitoral se aproximar, a perspectiva real de poder de Dilma será seu principal trunfo, esmaecendo as ambições de muita gente por aí. Por exemplo, acabo de encontrar, no Estadão, os seguintes gráficos. Compare o crescimento do tempo de tv de Dilma, sobretudo se comparado ao de outros candidatos.

 

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O surrealismo de Eduardo Campos https://www.ocafezinho.com/2013/03/08/o-surrealismo-de-eduardo-campos/ https://www.ocafezinho.com/2013/03/08/o-surrealismo-de-eduardo-campos/#comments Fri, 08 Mar 2013 23:41:45 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=10040 [s2If !current_user_can(access_s2member_level1) OR current_user_can(access_s2member_level1)]

Se a eventual candidatura de Eduardo Campos à presidência da república em 2014 vinha assumindo, nos últimos meses, contornos enigmáticos e perigosos (tanto para o governo quanto para a oposição), parece agora ter descambado numa panacéia surrealista. Refiro-me, naturalmente, à informação, publicada em primeira mão pelo Nassif e repetida hoje em artigo no Valor, de que estaria havendo um movimento de aproximação entre José Serra e Eduardo Campos. A sinistra tertúlia vem sendo mediada por Roberto Freire, presidente do PPS.

Poucas vezes me deparei com uma história tão inverossímil, mas verossimilhança é uma qualidade exigida na ficção. A vida real – e em especial, a política brasileira – é antes absurda.

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A informação peca pelo excesso de verbos no futuro do pretérito, gerúndios, subjuntivos. Joga muito mais sombra do que luz sobre Eduardo Campos, mas nos permite tecer algumas considerações sobre os significados que estão sendo construídos em torno de sua candidatura.

Em primeiro lugar, Campos parece adotar uma estratégia que Fernando Gabeira tentou, com relativo sucesso (mas não o suficiente para ganhar), aplicar nas eleições municipais de 2008. Na época, o professor Wanderley Guilherme observou que o verde mais parecia uma instalação artística, dessas bem moderninhas, que ninguém sabe distinguir se é muito ruim ou genial, se faz uma crítica inteligente aos preconceitos sociais ou chancela-os submissamente. Gabeira se prestou a uma candidatura criada nas sombras e envolta em névoa – e não falo da fumacinha inocente e perfumada nos shows de Marcelo D2.

No esforço de conquistar o voto conservador, Gabeira foi ao Clube Militar falar mal dos heróis da luta contra a ditadura. E tudo isso sem perder a aura de ídolo dos maconheiros. Ao cabo, Gabeira realizou uma proeza digna de nota. Promoveu uma das eleições mais incrivelmente classistas da história do Rio: nos bairros mais ricos, obteve quase 80% dos votos, nos bairros pobres, foi esquecido. Perdeu a eleição. Dois anos depois, Gabeira se tornaria o principal cabo eleitoral do PSDB no Rio de Janeiro, sacrificando sua carreira política numa candidatura vazia para o governo do estado apenas para dar um palanque a José Serra.

A mesma fórmula foi usada por Marina Silva em 2010. É sempre a mesma coisa: pega-se um líder com um capital político na esquerda, e se tenta vendê-lo a forças conservadoras.

Duvido (ou não quero acreditar) que seja essa a intenção de Campos. A maior parte dos boatos, planos, debates em torno de sua candidatura acontece à revelia de qualquer posicionamento real do governador – embora ele pudesse neutralizá-los com algumas declarações. Enfim, me parece que Campos está se deixando levar pela onda, observando com um misto de curiosidade e espanto as forças que se alevantam a seu redor, todos querendo lhe puxar seu lado.

Com certeza, a perspectiva de poder é uma coisa que mexe com a vaidade de qualquer um. E isso não é brincadeira. O poder enlouquece os espíritos mais nobres. A ironia dessa situação é que pode-se dizer que as pessoas contempladas pelo poder apenas não se tornam autoritárias, egoístas e loucas em virtude do que se considera o lado podre da política: para alcançar o poder e mantê-lo, são obrigadas a fazer tantas concessões, a uma luta diária tão dura e mesquinha, tornam-se alvos de tanta inveja, ganham tantos inimigos, aos quais precisam destruir ou subornar, que elas acabam jamais se esquecendo que são humanas, jamais esquecendo o preço altíssimo cobrado pelo poder, jamais esquecendo a superficialidade, transitoriedade e perigo de todo poder.

Veja-se o caso de Eduardo Campos. Ainda faltam quase dois anos para as eleições de 2014, ele aparentemente não decidiu nada, mas se vê no meio de um tremendo ciclone político, que tanto pode levá-lo para os píncaros de sua glória, como pode despedaçá-lo completamente, arruinando sua carreira.

Sejamos claros: o despedaçamento de Campos acontecerá se a direita conseguir, com golpes de adulação e astúcia, convencê-lo a se lançar candidato como representante oficial ou alternativo do campo conservador. Mas eu acho que o governador está num daqueles momentos cruciais da vida de um político, em que ele pode cair no abismo ou chegar do outro lado do precipício. Então, também pode acontecer que ele – se tiver talento para tal – poderá sair da enrascada em que se meteu maior do que entrou, e cacifar-se como a principal liderança não-petista do Brasil. O que é importantíssimo para a esquerda nacional: um quadro não-petista. Até como estratégia para quebrar o preconceito ideológico contra o PT que o conservadorismo, que detêm os meios de comunicação, vem cultivando há décadas em amplos setores sociais.

Não confundamos preconceito com visão crítica. O PT merece ser criticado. É saudável que o seja. Outra coisa é o desenvolvimento de um ódio visceral, irracional, contra um partido cujas credenciais democráticas são impecáveis. Pertencendo a um partido diferente, é natural que Campos tenha suas diferenças com o PT, e as exponha, e eventualmente até resolva se lançar candidato.

A candidatura de Eduardo Campos não pode ser considerada nociva em si. O PT também deve tomar muito cuidado para não incorrer em sectarismo partidário e não compreender o florescimento de novas forças, o que é saudável para ampliar a pluralidade política nacional.

A candidatura de Eduardo Campos apenas será nociva, e muito mais para si mesmo do que para o PT ou Dilma Rousseff, se ele abraçar a direita. Porque tomará mais votos de Aécio do que da presidenta, dificilmente se elegerá e ficará queimado junto a maioria da população.

Por outro lado, se Campos optar por uma candidatura alinhada ao Planalto, ou seja, uma candidatura satélite, apenas para marcar posição e expor suas ideias e seu rosto em cadeia nacional, ele correrá ricos bem grandes:

  • A lua de mel com a mídia terá um fim trágico. Se a mídia tucana entender que Campos não é seu aliado, e que sua candidatura visa antes tirar votos do PSDB do que dividir a base aliada, ele será alvo de uma campanha terrível de desconstrução simbólica. E a esquerda não terá tempo ou disposição para defendê-lo, porque estará totalmente absorvida nos esforços para vencer mais uma vez o tucanato.
  • Vai confundir o eleitorado, que mesmo sem que ele faça nada, vai identificá-lo como “inimigo” de Lula e Dilma. Com isso, Campos perderá uma base eleitoral importante, com prejuízo para candidatos do PSB em todo país. Os candidatos do PMDB e de outros partidos aliados evidentemente que se aproveitarão para ocupar o vácuo deixado pelo PSB.
  • Mostrando um desempenho eleitoral fraco, Campos perderá prestígio, atrapalhando um processo bonito, lento, natural, sólido, de construção de sua imagem.

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O ano da sabotagem https://www.ocafezinho.com/2013/02/26/o-ano-da-sabotagem/ https://www.ocafezinho.com/2013/02/26/o-ano-da-sabotagem/#comments Tue, 26 Feb 2013 20:57:41 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=9871 [s2If !current_user_can(access_s2member_level1) OR current_user_can(access_s2member_level1)]

Pintura de Bruna Meldau

A única saída para a oposição, neste momento, é usar a mídia para minar a confiança dos empresários na economia brasileira e, com isso, evitar o grande salto que o país está prestes a dar a partir deste ano. Não sou eu que o digo, mas o economista-chefe do Bradesco (em entrevista para Miriam Leitão):

Octavio de Barros acha que o maior risco para a economia brasileira em 2013 é o setor privado não se sentir confiante para investir.

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A seguir, continuo analisando fatores econômicos e depois adentro a seara política e eleitoral. Para ler, porém, você precisa fazer seu login como assinante (no alto à direita). Confira aqui como assinar o blog O Cafezinho.[/s2If]

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Miriam inicia sua coluna, aliás, com uma informação, no mínimo, desencontrada:

O economista-chefe do Bradesco, Octavio de Barros, prevê que o Brasil vá crescer entre 3% e 3,5% este ano. É dos mais otimistas. Já há previsões abaixo de 3%.

Não é verdade. A previsão de Barros está dentro da média de mercado, aí incluindo pessimistas, realistas e otimistas. Segundo o último boletim Focus, do Banco Central, que sonda a opinião do setor privado, a estimativa média para o PIB deste ano é de 3,10%.

A colunista, porém, omitiu uma informação importante. No mesmo jornal onde escreve, um dos economistas tradicionalmente mais conservadores e pessimistas do mercado, Nilson Teixeira, estimou que o crescimento para 2013 deverá ficar em 4%.

Agora, claro que surpresas podem acontecer, para o bem e para o mal. Economia tem seu lado científico, mas a futurologia não é um deles.

O que me chamou a atenção, neste momento, foi a declaração de Barros sobre a “confiança” dos empresários. Lembro-me de um capítulo da obra principal de Keynes, sobre o qual escrevi um post anos atrás, em que o economista aborda a importância do otimismo e da atmosfera política como condicionantes psicológicos fundamentais para despertar o espírito “animal” do empresariado nacional. A fórmula keynesiana prevê inclusive que governos trabalhistas, em função de suas relações com sindicatos ou forças de esquerda, teriam maior dificuldade do que gestões conservadoras, para convencer as classes proprietárias a apostar em novos empreendimentos.

O próprio Keynes, porém, ressalta que apesar do fator psicológico ter um papel importante nas taxas de investimento, nem tudo depende dessas “marés de psicologia irracional”. Felizmente, no longo prazo, os fatores tendem a se compensar e neutralizar-se mutuamente. Ou seja, razões de força maior acabam por prevalecer sobre o espírito mesquinho do tempo.

Hoje o IBGE divulgou a taxa de desemprego. Eu fiz um gráfico para termos uma ideia do tamanho da “crise” brasileira.

 

Esses números, que seriam comemorados por qualquer imprensa do mundo, no Brasil são recebidos com editoriais apocalípticos, como o de hoje do Estadão, que começa assim:

A economia brasileira está em crise e nenhuma bravata do governo mudará esse fato.

Segundo o economista-chefe do Bradesco, todavia, não só não há nenhuma crise, como poderemos registrar, em 2013, um crescimento de até 8% nos investimentos. Em entrevista à Leitão, Barros afirma que “não ficaria surpreso se [a formação de Capital Fixo, ou seja investimentos] chegasse a 7% e 8% em 2013.

Ele também está confiante na recuperação da indústria:

Octavio está esperando uma surpresa boa na produção industrial de janeiro. Nessa, muita gente aposta. A venda de caminhões foi normalizada. Em 2012, a produção despencou porque os novos caminhões tinham motor Euro 5, mais caro, e o diesel limpo não estava bem distribuído.”

Interessante notar que o problema nas fábricas de caminhões jamais tem sido explicitado quando a imprensa alardeia a queda na produção industrial de 2012. A fabricação de caminhões é um dos setores mais importantes da nossa indústria, e a grande reforma pelo qual passou em 2012 ajuda a explicar, em parte, a estagnação do ano pasado.

No front político, tenho a impressão que a mídia decidiu aplicar um corretivo nas candidaturas de Campos e Marina. Depois do entusiasmo inicial, os barões parecem ter concluído que nenhum dos dois arriscará fazer oposição direta ao governo Dilma, o que esfriou rapidamente sua euforia por esses “dissidentes”. Qual a graça num blogueiro cubano se ele não fala mal de Fidel? Qual a graça de um novo partido ou novo candidato se não fala mal de Lula ou Dilma? Hoje o Globo dá enorme destaque a reportagens um tanto forçadas para desgastar Campos e Marina:

Não digo que o jornal não deveria publicar essas matérias, mas a maneira como elas se apresentam indicam uma mudança na postura da mídia em relação a ambos os candidatos. Na minha opinião, a mídia continuará a incentivar a proliferação de candidaturas, pois isso levaria a redução do tempo do PT na tv e aumentaria as chances de um segundo turno. Mas o seu apoio é condicionado à um posicionamento de oposição bem assertivo. Não irá tolerar mais a tentativa de formar uma terceira via não alinhada ao combate ao governo. Pode ser terceira via, mas batendo no PT e se alinhando caninamente às orientações midiáticas. 

*

João Bosco Rabello fez uma boa análise dos movimentos políticos preparatórios para 2014.

No xadrez político, o mais recente movimento do governo é taticamente correto. Esgotadas as tentativas de manter a aliança com o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), na disputa presidencial de 2014, antecipou a campanha eleitoral, reforçou a parceria com o PMDB e, agora, providencia um “racha” no PSB insuflando a indefectível vocação dos irmãos Gomes (Ciro e Cid) para a intriga política.

Rabela finaliza seu texto concluindo que…

a situação mais difícil é a de Eduardo Campos. Não por algum “racha” no partido, mas porque precisará demonstrar determinação suficiente para que sua aspiração não se baseie apenas no eventual fracasso de Dilma. Não parece sustentável uma candidatura que se paute simplesmente pelo apoio ao governo que pretende suceder, sem oferecer alternativas que a tornem atraente pela fundamentação pública.

A conclusão de Rabello é mais uma prova do esfriamento do entusiasmo midiático com a candidatura de Eduardo Campos, tendência esta que foi agravada pela troca de farpas entre Aécio Neves e o governador de Pernambuco durante o último final de semana. Tive a impressão que as hostilidades se deram à revelia dos próprios candidatos. A última coisa que interessa à Aécio é irritar Eduardo Campos, mas a correlação de forças que parecia fazê-los se aproximar, de repente começa a afastá-los, produzindo uma animosidade quase instintiva entre um e outro. Subitamente ficou claro que tanto Aécio quanto Marina e Campos irão disputar um mesmo eleitorado. A ideia de que vários candidatos poderiam facilitar um segundo turno é correta, mas apenas se indicasse a sangria do eleitorado dilmista. Se levar à fragmentação do eleitorado da oposição, terá efeitos desastrosos para esta.

*

A única esperança da oposição, portanto, enquanto Marina e Campos se mostram indecisos quanto à sua postura em relação ao governo, seria uma cisão entre PMDB e PT. E ontem brilhou uma estrela neste sentido. O diretório regional do PMDB fluminense divulgou uma nota intempestiva e deselegante contendo uma chantagem explícita ao governo Dilma: se o PT não retirar a candidatura de Lindbergh Farias e não apoiar Pezão, candidato do PMDB ao governo do Rio em 2014, os pemedebistas do estado irão trabalhar contra a candidatura de Dilma.

O maior temor, naturalmente, não é quanto aos pemedebistas do Rio e sim se o conflito no Rio poderia causar uma ruptura entre PT e PMDB a nível nacional, o que constituiria, aí sim, uma reviravolta na situação política. É um risco sim, que deve ter acendido todas as luzes amarelas dos estrategistas da campanha de Dilma. Tanto é assim que Lula já marcou jantar com Sérgio Cabral e Pezão, para hoje. Contornar uma situação tão complicada, já que dificilmente Lindbergh e o PT fluminense aceitariam retirar a candidatura própria, é uma tarefa que só mesmo Lula poderá resolver, provavelmente trazendo alguma cartada salomônica.

Tudo pode acontecer no Rio. Aqui é onde a corda unindo PT ao PMDB aparece mais perigosamente esticada. Merval Pereira já detectou o risco e tratou de faturar, como sempre pro lado tucano:

A direção do Rio de Janeiro exige em nota oficial nada menos que uma intervenção da direção nacional do PT para cortar a candidatura do senador Lindbergh Farias ao governo do Estado na sucessão do governador Sérgio Cabral. A ameaça velada de romper com a unidade do apoio do PMDB ao governo Dilma caso a candidatura do vice Pezão não seja a oficial da base governista traz embutida a ideia de uma possível dissidência para apoiar uma candidatura alternativa, que tanto pode ser a de Aécio Neves como Eduardo Campos.

Entretanto, ironia das ironias!, a súbita relevância de Eduardo Campos no cenário nacional, que levou o ex-presidente Lula cogitar oferecer ao PSB a vice-presidência e, com isso, causando mal estar no PMDB, agora se torna, por outro lado, o principal fator de pressão sobre o PMDB na direção do PT. Porque se o PMDB resolver, numa pirueta, abandonar a candidatura governista e partir para um vôo solo, o PSB ocupará seu espaço imediatamente. Ou seja, o PSB acabou por se tornar uma espécie de substituto sempre a postos, e o PMDB não irá entregar de graça o seu espaço no governo para outro partido.

Além do mais, o presidente do PMDB do Rio, Jorge Picciani, alimenta um profundo ressentimento contra Lindbergh Farias, pois o petista entrou atropelando sua candidatura ao senado em 2010. Picciani representa a ala mais antipetista do PMDB fluminense, enquanto Cabral e Eduardo Paes, que detêm o poder executivo e, portanto, são os donos da bola, tem uma relação extremamente estreita com Lula e Dilma. Tanto Cabral quanto Paes, de Lula nem se fala, são políticos altamente flexíveis e astutos, e o mais provável é que cheguem a algum tipo de acordo de cavalheiros entre PT e PMDB, encorado em pactos de não-agressão. Cabral deve estar mais interessado numa tranquila carreira de senador, e os planos de Paes estão focados para depois de 2016, quando termina sua gestão na prefeitura.

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O tempo de TV em 2014 https://www.ocafezinho.com/2013/02/25/o-tempo-de-tv-em-2014/ https://www.ocafezinho.com/2013/02/25/o-tempo-de-tv-em-2014/#comments Mon, 25 Feb 2013 12:32:51 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=9856 O colunista do Estadão, José Roberto de Toledo, lembrou de um fator fundamental para se analisar objetivamente as condições eleitorais dos candidatos a presidência da república em 2014: o tempo de TV.

Segundo a apuração do Estado, Dilma terá 12 minutos e 51 segundos, por bloco de 25 minutos, quase quatro vezes mais que seu principal adversário, Aécio Neves, cujo tempo de propaganda eleitoral deverá ser de apenas 3 minutos e 25 segundos.

O governador de Pernambuco, Eduardo Campos, por sua vez, contará com somente 1 minuto e 45 segundos; e Marina Silva, 1,11 minuto.

Leia trecho da coluna de Toledo, explicando como os cálculos foram feitos:

Por ora, eis o que Dilma tem no seu cronômetro, além dos 2 minutos e 49 segundos do PT: 2’26” do PMDB; 1’19” do PP; 1’10” do PR; 44″ do PDT; 38″ do PTB; 27″ do PC do B e do PSC; 15″ do PRB, o tempo de nanicos; e, novidade da próxima eleição, o 1’39” do PSD. Tudo isso somado aos cerca de 50 segundos a que todo presidenciável deverá ter direito e ela chega a 12’51” de 25′. É um arco de tempos e forças bem mais poderoso do que o de 2010.

Enquanto isso, Aécio conta com os 1’43” do PSDB; os 46″ do DEM; os 15″ do PPS; e se tiver, digamos, sorte, com os segundos de alguns nanicos. Não chega a quatro minutos. É insuficiente, mas é melhor do que a situação das “costelas do projeto petista”, como o tucano chamou as candidaturas de Marina e Eduardo Campos.

(…)Se tiver só o PSB a apoiá-lo, o governador de Pernambuco apareceria por apenas 1 minuto e 54 segundos a cada bloco de propaganda na TV. E Marina Silva, mesmo que atraia toda a bancada do PV para a sua rede, não passaria de 1’11” – ou 11 segundos a menos do que apareceu na campanha de 2010. Campos e Marina estariam à mercê das circunstâncias.

Neste final de semana, aconteceram algumas movimentações políticas importantes para 2014. Ainda no Estadão, foi publicada uma entrevista com Aécio Neves sobre as eleições de 2014 que produziu o primeiro sinal importante de que uma aliança entre Eduardo Campos e o PSDB era apenas um sonho impossível de Merval Pereira. A declaração de Aécio, de que Campos precisava de “um divã” para decidir se entrará na disputa como aliado ou oposição ao governo, levou o governador a responder que o tucano, ele sim, precisava de dois divãs.

Campos também foi vítima de fogo amigo disparado por Ciro Gomes, em entrevista a uma rádio cearense publicada no site Brasil 247. Mas o incêndio foi logo apagado pela intervenção do vice-presidente do PSB, Roberto Amaral. De qualquer forma, Ciro não apita muito no PSB e seu estilo metralhadora giratória é manjado no meio político, que portanto já é vacinado contra ele. O irmão de Ciro, o governador do Ceará, tem sido, até o momento, partidário da manutenção da aliança com PT nas eleições de 2014.

A situação de Marina Silva, por sua vez, continua delicada. Ela parece ter convencido muito pouca gente sobre suas intenções. A única manifestação positiva que eu consegui colher na mídia, em vários dias, foi uma crônica de Affonso Romano Sant’anna, comparando as estratégias da verde para se posicionar politicamente a de uma senhora para achar seu cãozinho perdido.

O Globo de hoje dá mais uma paulada em Marina Silva. Novamente, os platinados pressionam a presidenciável a assumir uma candidatura assertivamente de oposição e sinalizar a possibilidade de aliança com o PSDB num segundo turno.

(…) para quem deseja o poder, o adversário a ser batido é o PT. O Rede faria aliança com o PSDB num eventual segundo turno no ano que vem? Em 2010, a ex-senadora não fez e liberou seus eleitores, forma dissimulada de ajudar no avanço de Dilma Rousseff para a vitória.

Enquanto Marina não aceitar essas condições, a mídia não lhe dará o apoio. Resta a saber se a verde cederá à chantagem. Se depender do sucesso das manifestações anti-Lula ou anti-Renan (são a mesma coisa) que aconteceram neste fim-de-semana, este modesto blogueiro aconselha a ex-ministra a não dar muita trela aos jornalões.

As passeatas malograram mais uma vez, mas não deixaram de receber forte repercussão da mídia, que estampou os micro-aglomerados com enorme destaque. O Globo deu quase metade da página 4.

Acredito que entre os cidadãos que protestam há mistura de indignação autêntica contra corrupção, antipetismo reacionário, udenismo, golpismo, leitura ingênua ou passiva da mídia conservadora,  e oportunismo partidário. Mas todos esses entendem muito bem que a grande mídia é sua principal aliada. A mídia, por sua vez, continua estimulando sentimentos antipolítica, para fomentar na sociedade o desejo de procurar uma solução que não passe pela política, mas por setores como judiciário, ministério público e imprensa. Antes, aliaram-se aos gorilas de farda, agora flertam com os gorilas de toga.

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O carnaval de Eduardo Campos https://www.ocafezinho.com/2013/02/14/o-carnaval-de-eduardo-campos/ https://www.ocafezinho.com/2013/02/14/o-carnaval-de-eduardo-campos/#comments Thu, 14 Feb 2013 17:18:33 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=9708

Enquanto o Brasil ainda vibrava, quase inconsciente de si mesmo, nas festas alucinadas de seu carnaval, um novo fato político dominou um noticiário carente de novidades. A candidatura de Eduardo Campos, antes apenas uma hipótese nos cálculos eleitorais para 2014, tornara-se uma certeza, uma determinação partidária.

Poder-se-ia afirmar também, sem desmerecer a decisão do PSB, ou mesmo o valor de Campos, que houve uma decisão midiática. O Globo, por exemplo, iniciou uma minicampanha bastante astuciosa, há alguns dias. Primeiro, atiçou os brios socialistas com notinhas, na maioria das vezes apócrifa, baseada em fontes anônimas, de que Lula articulava a candidatura de Campos para vice-presidente; em seguida, deu espaço para o PSB se “defender”.

Por fim, a principal cartada do PSB veio no dia 10, em pleno domingo de carnaval:

A declaração de Campos caiu como uma bomba sobre as hostes governistas, embora fosse previsível. Ela consolida a estratégia socialista de usar o antipetismo midiático para se lançar nacionalmente. Sim, porque o ataque ao PMDB é apenas uma forma de lesar indiretamente o PT.

Não é uma estratégia exatamente nova. Ciro Gomes a usou muito enquanto foi candidato. Os petardos antipetistas lhe granjeavam enorme destaque na imprensa nacional. Mas Ciro também batia, de forma ainda mais pesada e contundente, na mídia, no PSDB e em José Serra.

Campos é mais esperto, uma qualidade que, em excesso, pode virar o pior dos defeitos. Sobretudo porque as forças de oposição à direita, desesperadas com a falta de perspectiva de poder, tendem a se pendurar em qualquer um que lhes ofereça um pouco de oxigênio. A esperteza se converte então em oportunismo e hipocrisia, como se constata na coluna de hoje de Merval Pereira:

A lealdade do partido de Campos sempre foi mais a Lula que ao PT, e atualmente a discordância vai desde a gestão pública até a política de alianças, que o PSB considera muito pragmática e pouco representativa de um governo que se quer de centro-esquerda.

Ora, as alianças do PT são merecedoras de todas as críticas, embora todos admitam que são necessárias à famigerada governabilidade. Mas o PSB é um aliancista ainda mais radical que o PT, estabelecendo alianças com PSDB, DEM e PMDB em todo país. De maneira que, partindo do PSB, a crítica ao pragmatismo na política de alianças do PT soa como um lamentável farisaísmo. Não esqueçamos, todavia, que a frase não é do PSB e sim de Merval, um mitônomo contumaz, especializado em transferir suas próprias opiniões para a boca de outros.

Seja como for, um outro fato se impôs ao cenário político pós-carnavalesco. As máscaras de Joaquim Barbosa, anunciadas pela grande mídia, como o produto que seria mais vendido no feriado, registrou um mico absoluto. Mais uma vez, os comerciantes que tomaram decisões com base em matérias de jornal, se lascaram. Da mesma forma, Campos poderá cometer um erro terrível se basear sua estratégia eleitoral numa aliança com uma mídia que, embora ainda muito influente nos estratos sociais superiores, não tem força junto à maioria da população.

Mas talvez tudo isso esteja nos cálculos de Campos. Ganhar o voto de uma classe média hostil ao PT, em virtude dos escândalos e de seu próprio perfil conservador, mas que também guarda péssimas lembranças da era tucana.

Com relação a conjuntura, alguns aecistas acreditam que o maior número de candidatos beneficiará a oposição, porque dificultará uma vitória de Dilma Rousseff no primeiro turno. De fato. Apesar de Marina Silva e Eduardo Campos tirarem votos do PSDB, eles também tiram do PT, aumentando as chances da eleição ser decidida apenas ao final de outubro.

A própria oposição, contudo, que tem como um de seus porta-vozes o colunista Merval Pereira, admite que, nessas circunstâncias, o PSDB pode nem ir para o segundo turno. Merval admite que será mais fácil derrotar o PT a partir de uma chapa, montada no segundo turno, encabeçada por Marina ou Campos, do que liderada pelo PSDB.

Caso Marina ou Eduardo Campos cheguem a um segundo turno contra o PT, será mais fácil viabilizar uma aliança vitoriosa saída da base governista, com o apoio dos partidos hoje na oposição. Mas se se repetir a hegemonia do PSDB entre o eleitorado de oposição, mais uma vez será difícil vencer a eleição se não houver um grande acordo entre os derrotados do primeiro turno.

Todos esses cálculos, de qualquer forma, esquecem o fator principal: combinar com os russos. O poder da caneta presidencial faz milagres. Pode até mesmo fazer Campos desistir de sua candidatura, em prol de mais espaço no governo para o PSB. Ou – o que eu acho mais provável – pode transformar Campos numa candidatura não de oposição mas de apoio a Dilma. Essa seria a opção mais inteligente, além de ser bem menos arriscada. Se vier como um candidato de oposição, Campos periga perder eleição como um grande derrotado não somente em 2014, mas também em 2018. Se vier como um candidato “amigo” poderá contribuir para enriquecer o debate eleitoral e pode perder “ganhando”, ou seja, ampliando o espaço de seu partido no governo federal, além de aumentar seu cacife para 2018.

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Os mistérios do jogo político https://www.ocafezinho.com/2013/01/15/os-misterios-do-jogo-politico/ https://www.ocafezinho.com/2013/01/15/os-misterios-do-jogo-politico/#respond Tue, 15 Jan 2013 18:54:13 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=9255 [s2If !current_user_can(access_s2member_level1) OR current_user_can(access_s2member_level1)]

O blogueiro Luis Nassif publicou hoje uma interessante análise sobre o jogo político no Brasil. Sua tese assenta-se numa dicotomia entre pombos e falcões, sendo os primeiros identificados com Lula e Dilma, eternos conciliadores, e os segundos com a atual direção do PT, mais agressiva. Isso do lado da situação. No lado dos adversários, teríamos, como líder dos falcoeiros, a mídia, a quem interessa um cenário de guerra infinita, porque vende mais jornais e exibe seu poder, ampliando seu potencial de barganha.

A análise de Nassif conclui que há uma relação dialética, quase irônica. Quanto mais beligerante o clima político, quanto mais a mídia ataca o governo e o PT, mais a atual direção do Partido dos Trabalhadores, liderada por Rui Falcão, ganha força sobre seus adversários internos na legenda. A força vem de dentro – através da indignação crescente de filiados; e de fora, via apoio de militantes e simpatizantes à luta do partido para se defender.

Nassif considera, porém, mais provável um cenário de normalização, nos seguintes termos:

Os partidos convergem para o centro, ampliando o leque das alianças partidárias, a exemplo das democracias europeias, e disputando quem entrega o melhor produto para o eleitor (qualidade de vida, desenvolvimento, gestão eficiente etc.). A disputa política se dá nas urnas.

Esse desenho comporta um partido social democrata um pouco à esquerda (PT), outro mais à direita, puxado por um presidenciável, partidos médios gravitando entre um e outro e pequenas agremiações ocupando a esquerda radical e a direita radical.

É o cenário provável para a democracia brasileira.

Em caso de concretização deste cenário, a principal perdedora, segundo Nassif, seria a mídia:

A mídia perde com o Cenário de Normalização; cresce com o Cenário de Crise. Daí sua aposta total no indiciamento de Lula, único fator capaz de romper o Cenário de Normalidade e jogar a política no Cenário de Crise.

Neste post, analisaremos a teoria de Nassif, sopesando as principais variáveis que influenciarão o jogo político dos próximos anos.
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De fato, é irônico – e natural – que os setores mais bélicos do PT ganhem força na proporção que recrudescem os ataques midiáticos ao partido. Isso é muito comum em política. Wiston Churchill apenas chegou ao poder quando se tornou claro que Hitler representava uma ameaça direta à Inglaterra. Os lobistas da indústria bélica tem o costume de inventar guerras e inimigos para ampliarem seus lucros. Há setores do PT que se beneficiam do clima beligerante, porque isso exige uma direção mais forte, mais agressiva, mais sólida, mais unificada. Guerra pede guerra.

Então temos dois combatentes principais na arena política brasileira: um grupo de corporações midiáticas, formado por Globo, Abril, Estado e Folha, de um lado; e o PT, de outro. Esse “consórcio” midiático tem a vantagem significativa de não dependerem dos humores eleitorais, e sua principal arma é justamente o potencial de inflingir danos eleitorais ao adversário.

A força do PT, por outro lado, reside no controle dos imensos recursos de poder inerentes à gestão de cargos executivos e legislativos.

O ator midiático tem um outro trunfo: embora não consiga mais influenciar, de maneira relevante, o conjunto do eleitorado, ele consegue ainda exercer grande influência em alguns setores sociais específicos. Entre estes, o mais importante para sua luta política é o Judiciário, com quem partilha duas importantes características: a veia aristocrática e pedante de quem não depende da massa ruidosa; e a hostilidade patrimonialista, estamental, contra os “políticos”. A elite do funcionalismo público, orgulhosa do poder que conquistou com seus próprios méritos, mediante a entrada via concurso, tende a se tornar um estamento aristocrático e antipopular, que assiste concertos de música clássica e lê a Ilustrada, daí a convergência ideológica entre Judiciário, classe média conservadora e mídia.

Quando falo mídia, refiro-me sempre à um grupo bem específico de empresas, que atuam em consórcio.

A blogosfera é um ator que vem ganhando importância, e se beneficia também do cenário de guerra. O seu governismo renhido se explica facilmente pelo fato de suprirem uma demanda social. Há blogs anti-governo, neutros, mas os que chamam a atenção são os governistas, porque são estes que os milhões de leitores simpáticos ao governo (e mesmo nem tão simpático) procuram para terem um contraponto à virulência midiática.

Ainda não se sabe ao certo o tamanho e a força da blogosfera no Brasil. Temos algumas estatísticas, poucas, ainda não suficientes e não organizadas. O que se sabe com certeza, porém, é que a blogosfera (cujo conceito engloba o universo de comentaristas e usuários de redes sociais) assumiu um papel de vanguarda na luta politica. A blogosfera também quer guerra, e por isso mesmo se ressente toda vez que vê a presidente em relações amistosas com o “inimigo”.

Dilma Rousseff, por sua vez, tem se caracterizado por uma postura extremamente cautelosa em termos de imagem pública. Pertencente à escola de Lula, a presidente é uma conciliadora. Aliás, cumpre esclarecer uma confusão comum nos setores mais beligerantes das redes sociais: Lula apenas ensaiou críticas à mídia no segundo mandato, e a entrevista que concedeu a blogueiros (numa corajosa provocação à grande mídia) se deu no penúltimo mês do oitavo ano de governo, quando já havia superado o perigo eleitoral (não concorreria mais e havia elegido sua sucessora).

A presidente, todavia, conseguiu uma proeza importantíssima na guerra da comunicação: incorporou à massa de simpatizantes do governo nacos enormes da classe média, e criou uma blindagem midiática extremamente dura. A mídia tem dificuldades para encontrar um flanco vulnerável para atacar a rainha do tabuleiro, e talvez por isso mesmo tenha optado, nesses primeiros dois anos, a derrubar piões, torres e cavalos.

É bem sintomático que a direita esteja se organizando nas redes sociais para protestar contra… Lula, ao invés de atacar a verdadeira liderança do PT, a atual presidente da república.

Para os próximos anos, essa dicotomia deverá recrudescer. Interessa ao governo que se dê assim: que a guerra política e ideológica seja assumida pelo PT, poupando a presidente dessa tarefa. O próprio Lula tem sido de grande valia para a presidente, na medida em que desvia o foco do ódio político para si mesmo, permitindo que Dilma caminhe mais tranquilamente pelos parques da opinião pública. O ex-presidente parece inclusive fazer isso deliberadamente, visto que nem se preocupa em se defender. Ele recebe os golpes com a indiferença de quem sabe o que está fazendo. E possivelmente com a tranquilidade e concentração de quem prepara um contra-ataque de grandes proporções…

Para 2014, portanto, não se esperam grandes reviravoltas no jogo político. Teremos Dilma Rousseff como favoritíssima, contra Aécio Neves. Marina Silva, se conseguir criar a tempo seu partido, tentará novamente faturar o voto de protesto. Entretanto, alguns analistas do próprio campo conservador, temem que a nova legenda de Marina produza no PSDB um efeito similar ao causado ao DEM pelo PSD. Segundo Merval Pereira:

O possível novo partido de Marina Silva pode ter para o PSDB um efeito semelhante ao que o PSD teve para o DEM: desidratá-lo ainda mais

Na mesma coluna, o próprio Merval, sempre tão batalhador e determinado em sua luta contra o governo, admite o favoritismo da situação:

Mesmo com os problemas que tem pela frente, o governo petista continua sendo o favorito para 2014 pelo simples fato de que na hora devida, suas diversas facções se unem pelo poder, com Lula ou Dilma, enquanto os tucanos se dividem para impedir que adversários internos vençam.

O caso Eduardo Campos tornou-se outro vexame da mídia. Após a divulgação dos resultados eleitorais de 2012, houve um princípio de histeria no campo conservador, em função de suas derrotas, cujo principal sintoma foi o abraço desesperada a uma teoria absurda: a possibilidade de Eduardo Campos formar uma chapa com Aécio Neves.

Não é absurdo que Campos se lance como candidato a presidente. Partidariamente, seria uma estratégia útil, porque alavancaria os votos em legenda, e não seria de todo desastroso para o governo, porque roubaria também muitos votos da oposição. Desidrataria completamente, por exemplo, uma possível terceira via liderada por Marina Silva, com a vantagem, para o governo, de que seria uma terceira via não hostil ao governo, como é o caso de Marina. A ex-senadora hoje tende a ficar neutra ou apoiar a oposição num segundo turno, enquanto Campos seria apoio certo a Dilma.

Mas Campos tem prometido, nos últimos meses, que não concorrerá, e que apoiará Dilma em 2014. Tem feito isso mais vezes do que seria prudente caso pretendesse mudar de ideia e se lançar candidato, pois incorreria no risco de ser tratado como alguém sem palavra.

O jogo de 2014 está tão marcado que a atenção dos analistas tem se voltado cada vez mais para 2018, o que é um pouco ridículo, em função da quantidade imensa de novas variáveis que podem surgir até lá. Talvez o maior risco político no ar seja o clima de já-ganhou. Os interesses mobilizados para disputar o poder no Brasil são grandes demais para se pretender que não haverá surpresas. Como diziam os antigos, a partida só acaba quando termina.[/s2If]

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