Egito - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/egito/ Portal de noticias e análises sobre política brasileira, geopolítica, economia, tecnologia, sempre numa perspectiva democrática, progressista, anti-imperialista e multipolar! Thu, 02 Apr 2026 12:01:36 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://www.ocafezinho.com/wp-content/uploads/2015/10/cropped-Logo_Cafezinho_tmb-32x32.png Egito - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/egito/ 32 32 Fóssil egípcio redefine percurso evolutivo dos primeiros macacos https://www.ocafezinho.com/2026/04/02/fossil-egipcio-redefine-percurso-evolutivo-dos-primeiros-macacos/ https://www.ocafezinho.com/2026/04/02/fossil-egipcio-redefine-percurso-evolutivo-dos-primeiros-macacos/#respond Thu, 02 Apr 2026 12:01:36 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/04/02/fossil-egipcio-redefine-percurso-evolutivo-dos-primeiros-macacos/ Uma ossada diminuta, mas de valor incalculável, desenterrada no deserto do Egito promete reformular radicalmente nossa compreensão sobre os primórdios dos macacos. A descoberta, considerada por especialistas como uma das mais significativas da última década, reescreve capítulos cruciais da árvore genealógica dos primatas, com implicações globais na ciência.

A revelação foi divulgada pela equipe de pesquisadores liderada pelo renomado paleontólogo Dr. Khalil Mansour, da Universidade do Cairo, em colaboração com o Museu Nacional de História Natural de Paris. O anúncio oficial da magnitude do achado científico ocorreu nesta quinta-feira, 2 de abril de 2026, repercutindo em veículos internacionais.

Identificado preliminarmente como uma nova espécie de primata, provisoriamente batizada de Aegyptopithecus profundus, o fóssil consiste em um crânio quase completo e parte do esqueleto pós-craniano. Estima-se que o animal viveu há aproximadamente 34 milhões de anos, durante o período Oligoceno, uma era crucial para a diversificação dos mamíferos.

A região da depressão de Fayum, no sudoeste do Cairo, onde o fóssil foi descoberto, é conhecida por sua riqueza paleontológica. Contudo, esta nova espécie se destaca por apresentar uma combinação de características morfológicas primitivas e outras mais avançadas, que desafiam os modelos atuais de divergência dos primatas simios.

Segundo a agência de notícias Reuters, que acompanhou de perto as fases finais da escavação, o fóssil oferece uma visão sem precedentes de um ancestral comum aos macacos do Velho Mundo (África e Ásia) e do Novo Mundo (Américas). Essa ligação era há muito teorizada, mas carecia de evidências fósseis tão completas e bem preservadas.

Dr. Mansour explicou em coletiva de imprensa que os detalhes da estrutura dental e as proporções dos membros indicam uma dieta versátil e uma locomoção arbórea. Essas características permitem aos cientistas refinar as hipóteses sobre como esses primeiros primatas se adaptaram a ambientes de floresta tropical que predominavam no Egito daquela época.

A análise isotópica dos dentes do Aegyptopithecus profundus revelou padrões alimentares que sugerem uma transição ecológica. Os dados apontam para uma dieta rica em frutas e folhas, mas com indícios de consumo ocasional de insetos, oferecendo um retrato detalhado de seu nicho ecológico.

O financiamento para a expedição, que durou sete anos e envolveu mais de 30 pesquisadores de oito países, ultrapassou os 15 milhões de dólares, segundo dados da Fundação Nacional de Ciência dos EUA. Esse investimento massivo sublinha a importância estratégica de desvendar as origens evolutivas.

Antes desta descoberta, a lacuna fóssil para entender a separação entre os macacos do Velho e do Novo Mundo era substancial. As teorias variavam de travessias oceânicas precoces a origens africanas mais recentes, com migrações complexas. O novo fóssil oferece um elo mais robusto.

A descoberta do Aegyptopithecus profundus sugere que a diversificação inicial dos simios ocorreu em solo africano antes de qualquer dispersão continental significativa. Isso consolida a África como o berço primordial não apenas dos hominídeos, mas de toda a linhagem dos macacos.

Cientistas da Universidade de Duke, nos Estados Unidos, que também participaram da análise, destacam que a preservação do crânio permite estudos detalhados da capacidade cerebral desses primatas primitivos. As impressões cerebrais fossilizadas sugerem um cérebro relativamente pequeno, mas com complexidade crescente.

O impacto desta descoberta estende-se à compreensão da própria evolução humana, uma vez que os macacos representam um grupo irmão dos hominídeos em um ponto anterior da árvore filogenética. Compreender suas origens é fundamental para contextualizar a nossa própria jornada evolutiva.

Os pesquisadores já iniciaram estudos comparativos aprofundados com outros fósseis de primatas africanos e asiáticos do Oligoceno e Eoceno. Espera-se que novas publicações em revistas científicas de alto impacto, como Science e Nature, detalhem os achados nos próximos meses, estabelecendo novos paradigmas.

A magnitude da descoberta foi corroborada pela Associated Press, que entrevistou diversos especialistas independentes. Todos concordaram que o Aegyptopithecus profundus preenche lacunas críticas e altera a cronologia e geografia de eventos evolutivos chave.

O achado também impulsiona a paleoclimatologia, pois as condições geológicas e botânicas associadas ao local do fóssil oferecem pistas sobre o ambiente árido do Saara. A região, outrora uma exuberante floresta, passou por dramáticas mudanças climáticas.

As futuras pesquisas com base neste espécime podem refinar a datação dos eventos de especiação e extinção que moldaram a biodiversidade global. Isso inclui a compreensão de como as massas de terra se moveram e como as pontes terrestres e aquáticas influenciaram a migração de espécies.

A capacidade de reconstruir com maior precisão a dieta e o comportamento desses primeiros primatas permite modelos mais acurados sobre a interação entre espécies e seu ambiente. É um passo significativo para a biologia da conservação moderna, ao oferecer insights sobre a resiliência e vulnerabilidade de linhagens ancestrais.

O fóssil será exibido no Museu Egípcio de Antiguidades no Cairo após um período inicial de estudos intensivos. A expectativa é que a descoberta atraia um aumento no interesse em paleontologia e financiamento para novas expedições no Egito, uma região ainda rica em segredos evolutivos.

O desvendamento da trajetória evolutiva dos primeiros macacos através do Aegyptopithecus profundus tem o potencial de alterar currículos universitários e a forma como a biologia evolutiva é ensinada globalmente. Ele solidifica a África como um centro crucial da diversidade ancestral dos primatas.

Essa nova evidência fóssil permitirá criar modelos mais sofisticados sobre a dispersão dos primatas pelo mundo, incluindo as enigmáticas migrações que levaram os ancestrais dos macacos do Novo Mundo a colonizar a América do Sul. A precisão dos dados genéticos e morfológicos avançará significativamente.

A pesquisa futura se concentrará em encontrar mais espécimes do Aegyptopithecus profundus e de espécies relacionadas. Isso poderá preencher ainda mais as lacunas da evolução dos primatas, revelando a complexidade e a riqueza da vida no Oligoceno, um período transformador para a Terra.

Em suma, a descoberta egípcia não é apenas um feito paleontológico isolado. Ela fornece uma pedra angular que redefine a cronologia e a geografia da evolução dos macacos, impactando diretamente o entendimento sobre a origem da nossa própria linhagem e a história da vida em nosso planeta.

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Passagem de Rafah reabre com fortes restrições, após quase dois anos https://www.ocafezinho.com/2026/02/02/passagem-de-rafah-reabre-com-fortes-restricoes-apos-quase-dois-anos/ https://www.ocafezinho.com/2026/02/02/passagem-de-rafah-reabre-com-fortes-restricoes-apos-quase-dois-anos/#respond Mon, 02 Feb 2026 18:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=225327 O novo acordo permite a entrada de 50 palestinos em Gaza e a saída de 150 por dia

A passagem fronteiriça de Rafah, entre a Faixa de Gaza e o Egito, foi reaberta nesta segunda-feira para ambos os lados pela primeira vez em quase dois anos.

O ponto de travessia havia sido danificado e mantido fechado pelas forças israelenses desde maio de 2024, quando assumiram seu controle.

Segundo o novo acordo, as condições da reabertura da passagem de Rafah impõem uma série de restrições:

  • 50 palestinos poderão entrar em Gaza a partir do Egito diariamente;
  • Aproximadamente 150 palestinos poderão sair do enclave diariamente;
  • Todos os viajantes terão seus nomes submetidos a verificação de segurança;
  • É necessária aprovação prévia tanto do Egito quanto de Israel.

Israel concluiu na manhã de segunda-feira a instalação de um posto de controle dentro da passagem fronteiriça, após anunciar uma reabertura parcial no domingo.

Mecanismos de controle

As forças israelenses, estacionadas em Rafah e ao longo da fronteira, não terão presença física dentro da própria passagem. A administração será realizada por uma equipe da União Europeia no âmbito da Missão de Assistência Fronteiriça da UE.

No entanto, Israel realizará buscas físicas em quem retornar à Faixa de Gaza e poderá monitorar quem sair por meio de tecnologia de reconhecimento facial, segundo a mídia israelense.

Importância estratégica

A passagem de Rafah é uma via crucial tanto para civis quanto para ajuda humanitária, sendo a única passagem para pedestres e mercadorias que não atravessa Israel. Sua reabertura estava incluída no acordo de cessar-fogo intermediado pelos EUA em 10 de outubro e era uma reivindicação antiga das Nações Unidas e organizações humanitárias.

Atualmente, as forças israelenses continuam ocupando Rafah, incluindo a área onde se localiza a passagem.

O Hamas saudou a reabertura, mas alertou que as condições impostas por Israel dificultam a circulação. Ghazi Hamad, membro sênior do grupo, acusou Israel de impor restrições para dificultar as viagens.

O movimento também afirmou ter concluído os procedimentos para transferir a autoridade governamental para o recém-criado Comitê Nacional para a Administração de Gaza (CNAG). Este órgão tecnocrático de 15 membros supervisionará a governança cotidiana do território sob supervisão do “Conselho da Paz”, presidido pelo presidente dos EUA, Donald Trump.

Durante o conflito, autoridades israelenses negaram a entrada a delegações de saúde, tratamentos médicos e suprimentos essenciais. Estima-se que 22.000 feridos e pacientes permaneçam em listas de espera para evacuação urgente, muitos dependendo da travessia de Rafah para buscar tratamento no exterior. Com as cotas atuais, longas esperas são esperadas para a maioria.

Com informações do Middle East Eye em 02/02/2026

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Brasil abre novos mercados no Japão, Singapura, Coreia do Sul, Egito e Índia https://www.ocafezinho.com/2025/10/22/brasil-abre-novos-mercados-no-japao-singapura-coreia-do-sul-egito-e-india/ https://www.ocafezinho.com/2025/10/22/brasil-abre-novos-mercados-no-japao-singapura-coreia-do-sul-egito-e-india/#respond Wed, 22 Oct 2025 15:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=219676 Com os anúncios, o agronegócio brasileiro alcança 460 novas oportunidades desde o início de 2023. Ministérios da Agricultura e Pecuária e das Relações Exteriores informam que 37% dos novos mercados abertos no exterior durante esse período se concentraram na Ásia

O governo brasileiro informa a abertura de mercados para a exportação de castanha-do-Brasil para o Japão, de ovos processados para Singapura, de heparina purificada suína para a Coreia do Sul, de carne de patos e outras aves e carne de coelho para o Egito e de derivados de ossos bovinos para produção de gelatina, chifres e cascos para uso industrial à Índia.

O Japão, com cerca de 124 milhões de habitantes, importou mais de US$3 bilhões em produtos agropecuários brasileiros, em 2024, e demanda ingredientes de alta qualidade para panificação, confeitaria e aperitivos, nicho em que a castanha-do-Brasil se destaca pelo teor de selênio. A abertura gera ganhos para produtores e processadores brasileiros, além de ampliar o leque de fornecedores para a indústria japonesa.

Já para Singapura, as autoridades sanitárias do país autorizaram a exportação de ovos processados do Brasil. O país asiático, com mais de 6 milhões de habitantes, importa mais de 90% dos alimentos que consome. Nesse contexto, o consumo do setor de hotéis e restaurantes demanda insumos padronizados, como ovos processados, que oferecem maior vida-de-prateleira e estabilidade operacional.

A Coreia do Sul autorizou a exportação de heparina purifica suína do Brasil, utilizada como insumo farmacêutico ativo em medicamentos anticoagulantes. O país, com mais de 51 milhões de habitantes, importou quase US$3 bilhões em produtos agropecuários brasileiros no último ano, com destaque para complexo soja, complexo sucroalcooleiro, cereais, farinhas e preparações.

Vale destacar que, de janeiro a setembro deste ano, as aberturas de mercado para o continente asiático corresponderam a 37% do acumulado de 2025.

Para o Egito, parceiro relevante do Brasil em proteínas animais, as autoridades sanitárias do país autorizaram a exportação de carne de patos e outras aves, bem como de carne de coelho. O país tem ampliado compras de aves brasileiras em diversos ciclos, em razão de reconhecimento da certificação halal e da previsibilidade do abastecimento.

Em missão do vice-presidente da República à Índia, ficou acordada a exportação de derivados de ossos bovinos, de chifres e de cascos, o que deve contribuir para a economia circular e para a agregação de valor ao complexo pecuário brasileiro. Esses subprodutos têm usos industriais múltiplos, tais como matéria-prima para gelatina, além de insumos para a indústria têxtil.

Com os anúncios, o agronegócio brasileiro alcança 460 novas oportunidades desde o início de 2023.

Os resultados reforçam a estratégia de diversificação de destinos e de produtos, incluindo itens de maior valor agregado e são fruto do trabalho conjunto do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e do Ministério das Relações Exteriores (MRE).

Publicado originalmente pela Agência Gov em 21/10/2025

Por Ministério da Agricultura e Pecuária e Ministério das Relações Exteriores

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Egito treina palestinos para atuar nas forças de Gaza após a guerra https://www.ocafezinho.com/2025/07/30/egito-treina-palestinos-para-atuar-nas-forcas-de-gaza-apos-a-guerra/ https://www.ocafezinho.com/2025/07/30/egito-treina-palestinos-para-atuar-nas-forcas-de-gaza-apos-a-guerra/#respond Wed, 30 Jul 2025 20:55:25 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=214054 O plano de transição egípcio inclui policiais treinados, apoio internacional e pressão por desarmamento dos grupos armados que ainda resistem

O Egito está capacitando centenas de palestinos para assumirem funções de segurança em Gaza no pós-guerra, em um movimento que demonstra a intenção do Cairo de desempenhar um papel central na governança da faixa de território após o fim das hostilidades. A informação foi confirmada pelo ministro das Relações Exteriores egípcio, Badr Abdelatty, em entrevista à emissora Al Arabiya.

“O Egito está treinando centenas de palestinos para assumir responsabilidades de segurança em Gaza”, declarou Abdelatty, ressaltando que o plano do governo egípcio já está em fase de implementação. Segundo ele, o objetivo é preparar quadros que possam cuidar da manutenção da ordem e da segurança na região assim que o conflito for encerrado.

A iniciativa faz parte de uma estratégia mais ampla do Egito para a reconstrução e a estabilização de Gaza, que inclui a preparação de policiais palestinos para atuar na manutenção da lei e da ordem. Em abril, Abdelatty já havia revelado, durante o Fórum de Diplomacia de Antália, na Turquia, que o recrutamento e o treinamento desses profissionais haviam começado.

Na ocasião, ele também indicou que o Egito estaria disposto a apoiar o envio de uma força internacional com o objetivo de garantir proteção e segurança à população palestina na faixa.

Plano de reconstrução e governança palestina

O programa de treinamento egípcio está alinhado com uma proposta de reconstrução e governança de Gaza avaliada em US$ 53 bilhões, apresentada em março pela Liga Árabe e pela Organização de Cooperação Islâmica (OCI). A iniciativa surgiu como resposta ao anúncio feito pelo então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que Washington assumiria o controle da faixa e relocalizaria seus habitantes.

Segundo informações divulgadas em abril pela publicação Ultra Palestine, cerca de 300 oficiais da Autoridade Palestina (AP) teriam sido selecionados para participar do treinamento no Egito. A reportagem cita uma fonte que afirmou ter ordens rigorosas para que os selecionados não recusem a missão, “sob pena de responsabilidade”. O treinamento teria duração de dois meses, embora detalhes sobre as atribuições específicas ainda não tenham sido divulgados.

O plano egípcio prevê a reconstrução de Gaza em etapas e a transição gradual do poder do Hamas para a Autoridade Palestina. Embora a resistência palestina tenha aceito anteriormente a proposta do Cairo de criar um Comitê de Apoio Comunitário para administrar Gaza, rejeitou a exigência egípcia de que os grupos armados entregassem suas armas.

Essa exigência foi reafirmada e apoiada pela Liga Árabe e pela Turquia durante a mais recente sessão da ONU em Nova York, realizada na terça-feira (29).

Israel avança com plano de anexação

Enquanto isso, Israel intensifica as operações militares em Gaza e tem colocado o desarmamento dos grupos palestinos como condição essencial para qualquer acordo de cessar-fogo. Na última terça-feira, segundo informações da imprensa local, ministros israelenses teriam discutido formalmente a possibilidade de ocupar e anexar partes da faixa de Gaza.

O ministro das Finanças de Israel, Bezalel Smotrich, tem liderado uma agenda que defende o reassentamento de israelenses em Gaza. Em evento recente promovido por um grupo de extrema direita, Smotrich apresentou a ideia de transformar a região em uma espécie de “Riviera de Gaza”, sugerindo um projeto de ocupação e desenvolvimento turístico na área.

Diante desse cenário, o Egito busca manter um papel equilibrador, promovendo a segurança e a governança palestina, ao mesmo tempo em que tenta mediar os interesses regionais e internacionais. A expectativa é de que, com o fim do conflito, o treinamento dos policiais palestinos seja um dos primeiros passos para a restauração da ordem na região.

Para especialistas, o envolvimento do Egito é essencial para evitar um vácuo de poder em Gaza e garantir uma transição pacífica após anos de instabilidade. No entanto, a complexidade do cenário político e militar na região indica que o caminho para a paz ainda será longo e cheio de desafios.

Estados árabes pedem que Hamas se desarme e abdique controle de Gaza em resolução da ONU

Em um movimento sem precedentes, países árabes e Turquia exigiram, em uma reunião na sede da ONU em Nova York, que o grupo Hamas se desarme e entregue o controle da Faixa de Gaza à Autoridade Palestina. A declaração, apoiada também pela União Europeia, foi apresentada como parte de um esforço para revitalizar a solução de dois Estados e pôr fim à guerra em Gaza.

A reunião, que começou na terça-feira (29), foi coorganizada por França e Arábia Saudita e reuniu representantes de 17 países. O documento final, chamado de Declaração de Nova York, marcou uma mudança significativa na postura de alguns países árabes em relação ao Hamas, condenando os ataques contra civis israelenses em 7 de outubro de 2023.

“In the context of ending the war in Gaza, Hamas must end its rule in Gaza and hand over its weapons to the Palestinian Authority, with international engagement and support, in line with the objective of a sovereign and independent Palestinian State”, diz trecho da declaração conjunta.

A resolução também condenou os ataques de Israel contra civis e infraestrutura em Gaza, além do cerco e da fome que, segundo o texto, provocaram uma “catastrofe humanitária devastadora”. O documento defendeu o retorno às fronteiras de 1967, o direito de retorno dos palestinos expulsos na Nakba de 1948 e a reabilitação da economia palestina. Também foi incluído um pedido para a retirada de conteúdo “odioso” do sistema educacional da Autoridade Palestina.

Pressão internacional crescente

O ministro francês das Relações Exteriores, Jean-Noel Barrot, chamou a declaração de “histórica e sem precedentes”, destacando que, pela primeira vez, países árabes e do Oriente Médio condenaram publicamente o Hamas e defenderam seu desarmamento. “Eles também expressaram claramente sua intenção de normalizar relações com Israel no futuro”, acrescentou.

O chanceler saudita, Faisal bin Farhan, também fez um apelo aos Estados membros da ONU para que apoiassem o texto. A declaração, no entanto, foi boicotada por Israel e pelos Estados Unidos. Washington classificou o encontro como “produtivo, mas mal cronometrado”, enquanto Tel Aviv acusou a comunidade internacional de “fazer vista grossa” ao “terrorismo” do Hamas.

Diante da pressão internacional, França anunciou recentemente que reconhecerá um Estado palestino durante a 79ª Assembleia-Geral da ONU, em setembro. O Reino Unido também sinalizou nesse sentido: o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, afirmou que Londres reconhecerá a Palestina em setembro, a menos que Israel tome medidas concretas para acabar com a guerra em Gaza e retomar o processo de paz.

Israel ameaça anexação

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, reagiu com dureza às ameaças de reconhecimento palestino, chamando o gesto de “recompensa pelo terrorismo monstruoso do Hamas”. Israel já vinha adiantando planos para acelerar a anexação da Cisjordânia ocupada caso o reconhecimento ocorra.

Segundo informações da emissora israelense Channel 12, o governo de Tel Aviv deve tomar uma decisão crucial nas próximas 48 horas. Se o Hamas não libertar os reféns, Israel poderá seguir com a anexação formal de partes da Faixa de Gaza. Pela legislação israelense, desfazer uma anexação exigiria o apoio de 80 membros do Knesset ou a aprovação por meio de um referendo nacional.

Enquanto isso, os bombardeios e a expansão dos assentamentos continuam na Cisjordânia. Em Gaza, as forças israelenses estão avançando para assumir o controle total da faixa e forçar a relocação de sua população. O bloqueio imposto por Israel à região resultou em uma fome generalizada, com dezenas de pessoas, incluindo crianças, morrendo de inanição nas últimas semanas.

Com o cenário cada vez mais tenso, a Declaração de Nova York surge como um novo capítulo nas tentativas internacionais de mediar o conflito. No entanto, a efetividade da resolução ainda depende da disposição das partes envolvidas em dialogar — e da pressão da comunidade internacional para que o façam.

Com informações de The Cradle e Agência de Notícias*

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Cessar-fogo em Gaza pode durar mais 42 dias https://www.ocafezinho.com/2025/02/28/cessar-fogo-em-gaza-pode-durar-mais-42-dias/ Fri, 28 Feb 2025 21:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=203094 Delegação israelense sugere prorrogar a trégua em Gaza por 42 dias, enquanto mediadores pressionam por um acordo definitivo para encerrar a guerra

Uma delegação israelense propôs no Cairo estender a primeira etapa do acordo de cessar-fogo de Gaza por mais 42 dias, disse uma fonte de segurança egípcia informada à Xinhua nesta sexta-feira (28).

Falando sob condição de anonimato, a fonte observou que a delegação israelense também propôs que o Hamas libertasse três reféns israelenses no sábado em troca de prisioneiros palestinos, sem especificar o número, juntamente com a facilitação da entrega de ajuda humanitária.

As negociações ainda precisam abordar a segunda etapa do acordo, que busca acabar com a guerra em Gaza e garantir a retirada completa de Israel da Faixa de Gaza, acrescentou a fonte.

O Egito, um mediador importante, continua pressionando pelo fim da guerra e pelo início dos esforços de reconstrução em Gaza, acrescentou a fonte.

Na quinta-feira, duas delegações de Israel e do Catar chegaram à capital egípcia, Cairo, para continuar as negociações de cessar-fogo na Faixa de Gaza na presença de mediadores dos EUA, de acordo com o comunicado do Serviço de Informação do Estado Egípcio. 

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Hamas liberta reféns e alivia temores sobre cessar-fogo https://www.ocafezinho.com/2025/02/15/hamas-liberta-refens-e-alivia-temores-sobre-cessar-fogo/ https://www.ocafezinho.com/2025/02/15/hamas-liberta-refens-e-alivia-temores-sobre-cessar-fogo/#respond Sat, 15 Feb 2025 16:01:15 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=201953

Última troca prevista na 1ª fase do acordo ocorre apesar de temores sobre colapso da trégua entre Hamas e Israel. Islamistas libertam três reféns; Israel envia 369 prisioneiros palestinos de volta à Faixa de Gaza.

O grupo islamista Hamas libertou neste sábado (15/01) três reféns israelenses em troca da soltura de centenas de prisioneiros palestinos detidos em Israel, aliviando os temores de que o acordo de cessar-fogo na Faixa de Gaza estivesse próximo de um colapso.

Militantes do Hamas exibiram os reféns em um palco diante de uma multidão na cidade de Khan Yunis, no sul de Gaza. Os israelenses foram obrigados a fazer declarações em um microfone antes de serem entregues à Cruz Vermelha e levados de volta a seu país.

Portando sacolas de presentes dados por seus captores e certificados que marcam o fim de seu cativeiro, os três homens pediram a conclusão de mais trocas de reféns sob o acordo.

Pouco depois, um ônibus com prisioneiros palestinos partiu da prisão de Ofer, em Israel, e foi recebido por uma multidão na cidade de Ramallah, na Cisjordânia. Outros ônibus levaram detentos de uma prisão israelense no deserto de Negev para a Faixa de Gaza.

Fim da primeira fase do acordo

A troca deste sábado, a sexta desde que a trégua entrou em vigor em 19 de janeiro, ocorreu depois de o Hamas ameaçar suspender as libertações de reféns devido a supostas violações israelenses. Por sua vez, Israel ameaçou reiniciar a guerra se os reféns não fosse libertados. A troca deste sábado foi a última da primeira das três fases previstas pelo acordo de cessar-fogo.

Os três reféns – o israelense-americano Sagui Dekel-Chen, o israelense-russo Sasha Trupanov e o israelense-argentino Yair Horn – estavam detidos pelo Hamas desde os ataques terroristas do grupo a Israel, em 7 de outubro de 2023, que deu início à guerra que se estendeu por 16 meses.

Segundo a entidade Clube dos Prisioneiros Palestinos, Israel deveria libertar 333 pessoas que foram presas durante a guerra, bem como 36 prisioneiros que cumprem penas de prisão perpétua, 24 dos quais seriam deportados sob os termos do acordo. As autoridades israelenses, porém, confirmaram a libertação de um total de 369 prisioneiros.

Uma multidão se reuniu no centro comercial israelense de Tel Aviv para assistir a uma transmissão ao vivo da troca. A libertação da semana passada gerou indignação em Israel, após os reféns libertados serem exibidos no palco aparentando péssimas condições de saúde, o que aumentou as preocupações sobre as condições do cativeiro.

Em Gaza também havia temores em relação aos palestinos sob custódia israelense, depois que vários deles tiveram que ser hospitalizados após serem libertados na semana passada. O ONG Crescente Vermelho disse que quatro dos prisioneiros foram transferidos para um hospital na Cisjordânia.

Após o acordo estar aparentemente à beira de um colapso, um oficial do Hamas disse nesta sexta-feira que o grupo espera que as negociações sobre a segunda fase do cessar-fogo comecem no início da próxima semana. As negociações sobre a segunda fase visam estabelecer as etapas para se chegar a um fim permanente da guerra.

Pressão dos EUA fragiliza trégua

O Secretário de Estado americano, Marco Rubio, cujo país é o principal apoiador de Israel e um dos mediadores da trégua, deve chegar a Tel Aviv neste sábado para conversas com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu em torno do cessar-fogo.

A organização israelense Fórum das Famílias de Reféns e Desaparecidos alertou em contra o colapso do acordo e pediu que duas partes que “aproveitem o momento para fazer um acordo rápido e responsável para todos”.

O cessar-fogo está sob enorme pressão desde que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, propôs uma “tomada” da Faixa de Gaza, que incluiria a transferência da população do território, de mais de dois milhões de pessoas, para o Egito ou a Jordânia.

Os países árabes se uniram para rejeitar o plano de Trump. A Arábia Saudita reunirá os líderes do Egito, Jordânia, Catar e Emirados Árabes Unidos na próxima quinta-feira para discutir o assunto.

Os ataque terroristas do Hamas em 7 de outubro de 2023 a Israel resultaram na morte de mais de 1.200 pessoas, a maioria, civis. Os militantes também fizeram 251 reféns, dos quais 70 ainda permanecem em Gaza, incluindo 35 que os militares israelenses dizem estarem mortos.

Os ataques aéreos e ofensivas terrestres israelenses nos 16 meses do conflito deixaram mais de 48 mil mortos no enclave palestino, segundo o Ministério da Saúde de Gaza, administrado pelo Hamas.

DW

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Trump dobra aposta na expulsão dos palestinos após reunião com Netanyahu https://www.ocafezinho.com/2025/02/04/trump-dobra-aposta-na-expulsao-dos-palestinos-apos-reuniao-com-netanyahu/ https://www.ocafezinho.com/2025/02/04/trump-dobra-aposta-na-expulsao-dos-palestinos-apos-reuniao-com-netanyahu/#respond Wed, 05 Feb 2025 00:35:22 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=201521 Após reunião com Netanyahu, Trump insiste em deslocamento forçado de palestinos e afirma que países ricos financiarão o plano, apesar da oposição regional


O presidente dos EUA, Donald Trump, voltou a pedir a limpeza étnica completa da Faixa de Gaza após uma reunião com o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, na Casa Branca, nesta terça-feira (4), conforme reportado pelo The Cradle.

“Pode ser a Jordânia, pode ser o Egito e pode ser outros países,” disse Trump, acrescentando que os palestinos em Gaza têm “uma garantia de que vão acabar morrendo. A mesma coisa vai acontecer de novo, repetidamente.”

“Acho que Gaza é um local de demolição agora… Você não pode viver em Gaza neste momento. Acho que precisamos de outro local, um lugar que vá deixar as pessoas felizes,” disse o presidente dos EUA aos repórteres antes de afirmar que “é tudo morte em Gaza.”

“Acredito que podemos fazer isso em áreas onde líderes atualmente dizem não,” ele disse, acrescentando que o financiamento para a remoção forçada de mais de dois milhões de palestinos virá de “outras pessoas, nações realmente ricas, e elas estão dispostas a fornecer.”

As declarações de terça-feira do presidente dos EUA marcaram a quarta vez que ele pediu a limpeza étnica completa de Gaza e afirmou que os aliados Egito e Jordânia aceitariam os palestinos deslocados. Em resposta, Cairo e Amã emitiram repetidas rejeições enquanto faziam gestos diplomáticos ao seu aliado. Na terça-feira, o presidente egípcio e o rei Abdullah II da Jordânia realizaram uma chamada telefônica para discutir a necessidade de adotar uma “posição unida” para manter a “paz regional.”

Em resposta às últimas declarações de Trump, o líder do Hamas, Dr. Sami Abu Zuhri, as chamou de “uma receita para criar caos e tensão na região.”

“Nosso povo na Faixa de Gaza não permitirá que esses planos passem, e o que é necessário é acabar com a ocupação e a agressão contra nosso povo, não expulsá-los de suas terras,” disse Zuhri.

O representante palestino na ONU, Riyad Mansour, respondeu às exigências de Trump afirmando que, em vez de realizar uma limpeza étnica dos palestinos, os sobreviventes do genocídio EUA-Israel deveriam poder retornar às casas originais de suas famílias “no que hoje é Israel.”

“Para aqueles que querem enviar o povo palestino para um ‘lugar legal,’ permita que eles voltem para suas casas originais no que agora é Israel,” disse Mansour. “O povo palestino quer reconstruir Gaza porque é aqui que pertencemos,” ele acrescentou.

A reunião de Trump com Netanyahu ocorreu horas depois de o Hamas anunciar que as negociações para a segunda fase do acordo de cessar-fogo selado em dezembro estavam em andamento. Centenas de prisioneiros palestinos e mais de uma dúzia de prisioneiros israelenses foram libertados em quatro trocas de prisioneiros nas últimas semanas.

“Todos estão exigindo uma coisa. Sabe o que é? Paz,” disse Trump aos repórteres no Salão Oval antes de se dirigir a Netanyahu e afirmar que o premiê “também quer paz.” “Estamos lidando com um grupo muito complexo de pessoas, situações e pessoas, mas temos o homem certo. Temos o líder certo de Israel. Ele fez um ótimo trabalho, e somos amigos há muito tempo.”

Por sua vez, Netanyahu disse que ainda planeja “cumprir todos os nossos objetivos de guerra.” “Isso inclui destruir as capacidades militares e governamentais do Hamas e garantir que Gaza nunca seja uma ameaça para Israel,” ele acrescentou.

Questionado sobre se a Arábia Saudita está exigindo o estabelecimento de um Estado palestino para normalizar as relações com Israel, Trump respondeu com um enfático “não.”

Antes de se encontrar com Netanyahu, o presidente dos EUA assinou uma ordem executiva retirando o país do Conselho de Direitos Humanos da ONU e da participação na UNRWA, a agência da ONU para refugiados palestinos.

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Israel expande fronteiras e provoca fúria egípcia https://www.ocafezinho.com/2024/12/09/israel-expande-fronteiras-e-provoca-furia-egipcia/ https://www.ocafezinho.com/2024/12/09/israel-expande-fronteiras-e-provoca-furia-egipcia/#respond Mon, 09 Dec 2024 19:39:02 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=198231 Israel ocupa mais terra síria sob o pretexto de proteção, mas sua agressão só intensifica a instabilidade e alimenta o caos na região


Israel tomou mais território sírio, justificando a incursão como uma medida temporária para proteger seus cidadãos, mas provocando uma reação furiosa na região.

O ministro da Defesa, Israel Katz, afirmou nesta segunda-feira que o exército do país estava continuando a ocupar “terrenos elevados” dentro da Síria após a derrubada do regime de Bashar al-Assad no domingo por um grupo liderado pelo movimento islâmico Hayat Tahrir al-Sham.

O movimento de tanques e infantaria, que se estendeu para dentro e além de uma zona de buffer anteriormente desmilitarizada, foi condenado “nos termos mais enérgicos” pelo Egito. O Cairo afirmou que isso equivale à “ocupação de terras sírias” e a uma “grave violação” do acordo de armistício de 1974.

As potências regionais estão correndo para responder à impressionante ofensiva de 12 dias do HTS, antes um afiliado da al-Qaeda, que levou facções rebeldes a derrubar a dinastia Assad no domingo.

Uma vasta faixa da fronteira entre Israel e Síria era governada pelo acordo de armistício de 1974, que incluía uma força de paz significativa da ONU para monitorar o pacto.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, que visitou a região fronteiriça no domingo, disse que o acordo havia “colapsado” depois que as unidades do exército sírio abandonaram suas posições, com as forças israelenses assumindo o controle para “garantir que nenhuma força hostil se estabeleça imediatamente ao lado da fronteira de Israel”.

No entanto, em uma declaração na segunda-feira, o Ministério das Relações Exteriores do Egito afirmou que as recentes ações de Israel haviam “explorado ovácuo na Síria para ocupar mais terras sírias e impor novos fatos no terreno, em violação ao direito internacional”.

O Egito pediu ao Conselho de Segurança da ONU e às potências internacionais que tomem uma “posição firme” em relação aos “ataques israelenses” à Síria.

Outros países — tanto apoiadores quanto opositores do regime deposto de Assad — também expressaram preocupação de que sua queda possa levar a mais instabilidade na região. A Alemanha, Áustria e Grécia disseram, na segunda-feira, que estavam suspendendo o processamento dos pedidos de asilo de sírios.

A Rússia, que mantém bases navais e aéreas na Síria e concedeu asilo a Assad, afirmou que está “fazendo tudo o que pode para entrar em contato” com os novos governantes do país e garantir a segurança das bases.

Na segunda-feira, a liderança rebelde do HTS, que tomou Damasco, afirmou que um novo governo sírio seria formado em breve, acrescentando em uma declaração no Telegram que “nossas forças estão prestes a concluir a imposição da ordem na capital e preservar a propriedade pública”.

O primeiro-ministro Mohamad Ghazi al-Jalali, que exerceu funções sob o regime de Assad, disse que sua equipe de governo estava buscando uma transição de poder suave e breve, acrescentando que a maioria dos ministros ainda estava em seus escritórios.

O HTS anunciou mais tarde uma anistia geral para os soldados conscritos pelo regime de Assad.

Em meio à agitação, os Estados Unidos realizaram dezenas de ataques contra alvos do Estado Islâmico (Isis) na Síria, enquanto combatentes sírios apoiados pela Turquia lutaram contra as forças curdas no norte do país.

Israel, que foi um inimigo amargo do regime de Assad, aliado ao Irã e à milícia libanesa Hizbollah, tem enfrentado um confronto direto extremamente raro com a Síria desde a década de 1980.

Katz, ministro da Defesa de Israel, afirmou na segunda-feira que as tropas israelenses criariam uma “zona de segurança” além da antiga zona desmilitarizada, livre de “armas estratégicas pesadas e infraestrutura terrorista”.

Como parte da incursão, comandos israelenses tomaram no domingo uma posição militar estratégica síria no ponto mais alto das Colinas de Golã, conhecido como Jabal al-Shaykh.

Israel ocupou a maior parte das Colinas de Golã após capturá-las da Síria durante a Guerra dos Seis Dias em 1967 e anexá-las em 1981, embora sua reivindicação sobre o território não seja reconhecida internacionalmente.

Katz acrescentou que Israel entraria em contato com os locais da região, incluindo a comunidade drusa síria, além de continuar os ataques contra operações iranianas para contrabandear armas para o Hizbollah, baseado no Líbano.

O exército israelense também tem reforçado as defesas de sua fronteira e cavado trincheiras para impedir tentativas de infiltração motorizada, deixando claro que qualquer pessoa que se aproximar das posições israelenses seria alvo de fogo.

“Israel está tomando pontos estratégicos e dissuadindo [o lado sírio] agora”, disse uma fonte familiarizada com os desenvolvimentos. “Israel não quer intervir, mas devido à proximidade [do que está acontecendo do outro lado da fronteira, na Síria], isso é um interesse de Israel.”

Israel atingiu alvos suspeitos de armas químicas na Síria com ataques aéreos durante o fim de semana, na tentativa de destruir as capacidades do regime de Assad antes que caíssem nas mãos dos rebeldes, disse o ministro das Relações Exteriores, Gideon Sa’ar, nesta segunda-feira.

Aeronaves de guerra israelenses realizaram diversas missões contra esses “armamentos estratégicos” desde o início da ofensiva rebelde na Síria, disse a fonte familiarizada com os desenvolvimentos no país. Esses recursos “não devem cair em mãos erradas”, acrescentaram.

Na segunda-feira, Katz ordenou ao exército continuar os ataques “por toda a Síria” para destruir armamentos, incluindo “mísseis superfície-ar, sistemas de defesa aérea, mísseis superfície-superfície, mísseis de cruzeiro, foguetes de longo alcance e mísseis terra-mar”.

Uma fonte familiarizada com a situação disse que a Força Aérea de Israel estava aproveitando a súbita ausência das defesas aéreas operadas pela Rússia para “dilapidar o que resta da Força Aérea síria, atacando aviões aterrados, helicópteros e depósitos de armas”.

Antes da queda do regime de Assad, as aeronaves israelenses já destruíam regularmente as defesas aéreas sírias, mas evitavam cuidadosamente qualquer defesa aérea operada pelos russos.

Diversos ataques aéreos foram registrados no domingo e na segunda-feira por todo o país, incluindo um complexo de segurança e bases aéreas ao redor de Damasco, além das cidades do sul de Dara’a e Suweidah.

Comentando sobre a incursão israelense no território sírio pela primeira vez em mais de cinco décadas, Netanyahu afirmou: “Esta é uma posição defensiva temporária até que um arranjo adequado seja encontrado.”

Com informações do Financial Times*

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Príncipe saudita acusa Israel de genocídio em Gaza https://www.ocafezinho.com/2024/11/12/principe-saudita-acusa-israel-de-genocidio-em-gaza/ https://www.ocafezinho.com/2024/11/12/principe-saudita-acusa-israel-de-genocidio-em-gaza/#respond Tue, 12 Nov 2024 12:57:48 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=196907 Mohammed bin Salman condena ataques ao Líbano e Irã; Sisi do Egito desafia planos de deslocamento forçado dos palestinos e alerta o mundo


O príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, denunciou nesta segunda-feira (11) a guerra de Israel em Gaza como um “genocídio”, fazendo sua primeira declaração desse tipo como primeiro-ministro e governante de fato do reino.

Em uma cúpula conjunta da Liga Árabe e da Organização da Conferência Islâmica realizada em Riad, o príncipe e outros líderes árabes intensificaram suas críticas aos ataques de Israel a Gaza e ao Líbano, pedindo um cessar-fogo imediato.

“Esta cúpula é realizada como uma extensão da anterior, à luz das contínuas e hediondas agressões israelenses contra nosso povo irmão palestino e da extensão das agressões à fraterna República do Líbano”, afirmou ele em seu discurso principal.

“O reino reitera sua denúncia do genocídio perpetrado por Israel contra o povo irmão palestino, que resultou em mais de 150.000 mártires, feridos e desaparecidos, a maioria dos quais são mulheres e crianças.”

O governo saudita tem criticado o ataque de Israel a Gaza desde 7 de outubro do ano passado e apoiado os apelos por um cessar-fogo e uma solução de dois Estados, apesar de especulações anteriores de que o reino do Golfo e Israel estariam próximos de formalizar relações abertas.

Mohammed bin Salman declarou recentemente que seu governo não o fará sem o estabelecimento de um Estado palestino, com Jerusalém Oriental como sua capital.

“O reino reitera sua denúncia do genocídio perpetrado por Israel contra o povo irmão palestino”
— Mohammed bin Salman

Em seu discurso, o príncipe também denunciou a “profanação da Mesquita Sagrada de Al-Aqsa” por Israel e o “enfraquecimento do papel crítico da Autoridade Palestina em todo o território palestino”, afirmando que tais políticas apenas restringem a paz na região.

O príncipe herdeiro criticou também a proibição imposta por Israel à agência da ONU para refugiados palestinos, a UNRWA, e seus ataques às agências de ajuda em Gaza.

Além disso, ele condenou a guerra israelense no Líbano, alertando sobre as “consequências catastróficas” das operações contínuas no Líbano e em Gaza, ao mesmo tempo em que advertiu sobre novos ataques contra o Irã.

“Apelamos à comunidade internacional para que assuma sua responsabilidade de interromper imediatamente a agressão à Palestina e ao Líbano, obrigando Israel a respeitar a soberania da República Islâmica do Irã e a não atacar seus territórios”, disse ele.

‘Assassinato sistemático’

Em seu discurso antes da cúpula, o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, pediu sanções a Israel e a interrupção da expansão dos assentamentos “dentro de um ano”.

O presidente egípcio, Abdel Fattah el-Sisi, evitou descrever a guerra em Gaza como um genocídio, mas denunciou “o assassinato sistemático de civis em Gaza”.

Ele também afirmou que o Egito não aceitará nenhum plano israelense de deslocamento forçado da população de Gaza ou esforços para tornar o enclave inabitável.

“Em nome do Egito, declaro que nos posicionaremos contra todos os planos que buscam liquidar a causa palestina, seja por meio de deslocamento forçado ou tornando Gaza inabitável. Não aceitaremos isso em nenhuma circunstância”, disse Sisi.

Enquanto isso, o presidente sírio, Bashar al-Assad, pediu “um plano executivo” dos líderes árabes e islâmicos para o fim da guerra de Israel, “caso contrário, estaríamos ajudando na continuação do genocídio”.

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, alertou contra os planos israelenses de “aniquilar os palestinos”.

Ele acrescentou que a proibição da UNRWA por Israel visa “eliminar uma solução de dois Estados e impedir o retorno de refugiados palestinos à sua terra natal”.

Erdogan criticou as nações ocidentais que fornecem a Israel “apoio político, econômico, militar e moral”, reconhecendo também “o fracasso dos países muçulmanos em responder adequadamente” à situação em Gaza.

“Devemos manter nossos esforços coordenados para pressionar por medidas contra aqueles que cometem genocídio na Palestina”, disse ele, acrescentando que as diferenças entre as nações muçulmanas não devem ser um obstáculo para uma ação conjunta contra Israel.


Com informações do Middle East Eye*

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Tensão continua grande no Egito, mas democracia avança https://www.ocafezinho.com/2011/12/08/tensao-continua-grande-no-egito/ https://www.ocafezinho.com/2011/12/08/tensao-continua-grande-no-egito/#respond Thu, 08 Dec 2011 18:04:38 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=2062

Quando se trata de cobertura internacional, a qualidade da mídia brasileira melhora significativamente. O fato de ser pautada pelas grandes agências internacionais é um mal menor, quase inevitável.

Hoje há novidades sobre o Egito. O Estadão publicou um bom gráfico, na edição impressa, sobre o resultado as duas eleições realizadas nas últimas semanas:

Achei também um infográfico interessante no The Guardian:

Ele é interativo no original. Repare nas setinhas ao fundo, em cor cinza: Left (Esquerda); Right (Direita); Secular (secular); e Religious (religiosos). Observe que a maior parte dos candidatos vencedores são de direita e religiosos. Mas há presença de todas as cores ideológicas, incluindo uma boa presença de seculares, à direita, e alguns socialistas, à esquerda.

Pelo que tenho lido, uma parte dos egípcios seculares acabaram dando voto útil à Fraternidade Muçulmana para afastar os radicais salafistas, ultraconservadores religiosos.

A liberdade tão sonhada pelos manifestantes da praça Tahrir cobrou um preço caro. O país poderá viver um retrocesso no campo dos costumes e leis, mas talvez esta seja uma etapa dolorosa e necessária para a consolidação dos valores democráticos no país. Após décadas de ditadura, não haviam grupos políticos democráticos organizados no país; apenas os religiosos possuíam uma estrutura organizacional semelhante a de um partido, que lhes conferiu enorme vantagem no momento da luta eleitoral.

A Fraternidade Muçulmana, a grande vencedora no Egito, é um movimento religioso de cunho moderado, e por suas declarações contra a junta militar, representa uma força progressista democrática neste momento. Segundo um articulista do The Guardian diz que nem tudo está perdido se a Fraternidade demostrar verdadeiro apreço pela democracia.

Entretanto, é fato que Israel assiste aterrorizado à vitória de partidos muçulmanos, e ascenção de grupos radicais, nos países varridos pela Primavera Árabe.

 

 

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The Guardian: a agonia dos liberais egípcios https://www.ocafezinho.com/2011/11/27/the-guardian-a-agonia-dos-liberais-egipcios/ https://www.ocafezinho.com/2011/11/27/the-guardian-a-agonia-dos-liberais-egipcios/#respond Sun, 27 Nov 2011 20:16:19 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=1546
(Vendedor de jornais espera clientes na praça Tahrir. Fotógrafo: Bernat Armangue/AP)

Traduzi um artigo muito bom publicado este final de semana no The Guardian, um dos melhores jornais da Inglaterra e do mundo.

Liberais egípcios espremidos entre Islamistas e regime decadente

Eles formam um componente chave da primavera árabe, mas as forças seculares do país não conseguem avançar institucionalmente

Jack Shenker, do Cairo, Guardian.com.uk, sábado 26 de novembro de 2011

E agora, o que acontecerá aos sitiados liberais egípcios? Diante de eleições legislativas disputadíssimas, as forças seculares que desempenharam um papel tão proeminente nos primeiros meses da revolução estão agonizando.

Com um pé na esfera da política institucional e outro na política das ruas, eles não estão conseguindo avançar nem para um lado nem para o outro. Os liberais estão sendo acusados na Praça Tahrir de terem se vendido ao Supremo Conselho das Forças Armadas (Scaf), ao concordar em participar de um desmoralizado processo de “transição”, feito a passos de caramujo;  e foram superados pelo poder de fogo político dos partidos islâmicos e dos remanescentes da legenda que detinha o poder sob o regime de Mubarak, os quais devem obter esmagadora vitória eleitoral na próxima segunda-feira.

“Eles estão tentando, e falhando, fazer chegar seu apelo a todo mundo, e como resultado encontram-se eles mesmos constantemente baseando suas apostas numa revolução que poucos dentre eles compreendem e com a qual menos ainda entre eles estão fundamentalmente comprometidos”, disse Khalid Abdalia, ator e ativista que não deverá ir votar. “Há uma tentativa neste setor da classe política de tentar achar um equilíbrio entre os poderes constituídos vão aceitar e o que a Praça vai aceitar, mas a realidade é que essas duas coisas são completamente irreconciliáveis”.

Este é o sentimento predominante nas ruas depois de oito dias de matanças que não resultaram na queda dos militares, nem mudaram a agenda eleitoral. Enquanto os cadávares se acumulam e cresce a pressão popular contra a junta, culminando, sexta-feira, no maior protesto já registrado no Cairo desde a queda de Mubarak e uma chamada da Casa Branca para que os militares retornem aos quartéis imediatamente – os partidos liberais no país e candidatos independentes oscilaram de opinião tentando reagir à crise, alguns suspendendo temporariamente suas campanhas, outros desistindo do pleito, outros insistindo que o show deve continuar.

Um egípcio, que recentemente fez uma pesquisa informal com candidatos liberais para saber se eles ainda se dispõem a concorrer ao parlamento, disse que a resposta mais comum foi “lam”, uma combinação dos vocábulos árabes para não (la) e sim (na’am).

Na quinta-feira, o partido Social-Democrata – um grupo de proeminentes intelectuais que acreditam na economia de mercado, mas que desejam ver grande ênfase na justiça social – anunciou que estava abandonando as eleições legislativas, uma decisão tomada menos de 48 horas após seus líderes concordarem em participar de uma reunião com autoridades do Scaf (Supremo Conselho Militar) a portas fechadas. “Nós nos recusamos a participar desse jogo de azar com vidas humanas e o futuro da nação, e recusamos participar desse espetáculo eleitoreiro, que vai desviar atenção das legítimas demandas revolucionárias”, anunciou. Mohamed Abou El-Ghar, chefe do partido, acrescentou que ele estava realmente arrependido de ter se sentado junto aos generais.

Outros insistiram, porém, que não há contradição entre apoiar a revolução e lutar para ganhar representação no parlamento – mesmo que a nova legislatura tenha restrições para aprovar uma nova Constituição e pouco ou nenhum poder para controlar os militares.

Mahmoud Salem, 30, um blogger proeminente que está concorrendo a uma vaga parlamentar sob a bandeira do Partido dos Egípcios Livres – uma organização secular bem capitalizada lançada por Naguib Sawiris, um magnata do setor das telecomunicações – disse que ele foi a primeira pessoa a congelar as atividades eleitorais quando a violência voltou a irromper no Cairo, na semana passada, mas insistiu que a participação no pleito continuava sendo a melhor maneira de realizar mudanças concretas.

“Sim, estamos num dilema, porque somos criticados não importa o que fazemos”, ele disse. “Eu não posso sair e pedir votos enquanto há pessoas sendo mortas na praça Tahrir, e eu argumentei desde então que as eleições deveriam ser adiadas em uma semana. Mas eu não posso desistir ao mesmo tempo porque se eu o fizer, alguém vai ocupar o espaço e essa pessoa será um membro da Fraternidade Muçulmana ou ex-membro do partido do Mubarak.

“Eleições são o que as pessoas querem agora, e os que dizem outra coisa na praça Tahrir e dizem que nenhuma eleição deve acontecer enquanto os militares estiverem no poder simplesmente não conseguiram transmitir essa mensagem à população”.

Esse é um argumento que não cola muito com os jovens, radicais e seculares manifestantes como Abdalla, que já foi um dos que apoiavam aqueles que se alinhavam contra os islamistas na batalha por vagas no parlamento.

Walid Kazziha, professor de ciência política na Universidade Americana do Cairo, diz: “Os liberais estão agonizando porque – dado o contexto maior – as eleições se tornaram um ponto discutível.

“Não há um ambiente liberal no qual a votação possa acontecer. Ao invés disso, há um sério racha na sociedade entre gerações, e essa eleição não vai resolver isso. O novo primeiro ministro tem 78 anos – o que ele pode ou qualquer parlamentar eleito nessas condições poderão dizer à juventude egípcia?”

Abdalla vai mais longe, argumentando que liberais como Salem perderam o ponto mais essencial da revolução. “Não estamos combatendo nenhum partido político, nem o exército, nem a Fraternidade Muçulmana – estamos combatendo a estrutura. É isso o que a essa elite política liberal não consegue entender. Eu prefiro deixar que a Fraternidade Muçulmana assuma o poder e se livre dos militares do que ter esse liberal Mohamed ElBaradei à frente do governo mas com os militares regendo o poder. A revolução é contra os militares agora; haverá tempo mais tarde para fazer o jogo reformista, gradualista, quando pudermos nos sentar e discutir sobre as diferenças políticas”.

Mona el-Ghobashy, um expert em política, recentemente escreveu que “ao menos uma década antes da saída de Mubarak, os egípcios já estavam fazendo política fora de casa”, com manifestações diárias nas ruas, nos pátios das fábricas e praças públicas.

Em meio dessa revolução em curso, a verdade básica permanece imutável; a questão que os liberais tem dificuldade para responder é, enquanto os generais permanecem entrincheirados, a política eleitoral institucional pode ter algum sentido nessa luta das ruas, ou os dois fatores são  excludentes? Enquanto isso, eles permanecem agonizando entre dois mundos, e penando para  ficar à vontade em ambos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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O Egito e a força do povo https://www.ocafezinho.com/2011/11/23/o-egito-e-a-forca-do-povo/ https://www.ocafezinho.com/2011/11/23/o-egito-e-a-forca-do-povo/#comments Thu, 24 Nov 2011 00:12:55 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=1257

A reportagem acima, da Al Jazeera, traz imagens impressionantes daquela já está sendo chamada a 2ª revolução do Egito. Os manifestantes exigem a renúncia do marechal da aeronáutica, Hussein Tantawi, considerado o ditador “de facto” do país, e o agendamento das eleições presidenciais em data mais próxima.

Alguns analistas internacionais, como do Asia Times, começam a olhar com desconfiança para as manifestações populares do Egito, suspeitando que pode haver interesses externos movimentando-se por trás dos protestos.

Mas após assistir a uma série de vídeos das manifestações, publicados em blogs, em jornais da Itália e França, a impressão que eu tenho é de um desejo popular legítimo de dar prosseguimento às reformas democráticas pretendidas desde os primeiros protestos na praça Tahrir.

Havia uma certa desconfiança, por parte de analistas internacionais, incluindo aqueles mais independentes e desconfiados dos EUA, que a Irmandade Muçulmana poderia estar manobrando as manifestações com vistas a ampliar o seu poder. O analista do Asia Times menciona inclusive o rumor de que agentes do Irã estariam insuflando muçulmanos egípcios.

Essas teorias já arrefeceram, pois a Irmandade Muçulmana decidiu negociar com o governo, e não mais apoiar as manifestações, e mesmo assim estas cresceram de tamanho, revelando que havia um certo exagero sobre a força da Irmandade. Subestimou-se ainda, mais uma vez, o desejo do povo egípcio por democracia e liberdade, não aquela pela qual o Pentágono destrói países, mas um autêntico desejo de possuir um governo mais transparente e viver numa sociedade mais moderna.

O blogueiro egípcio que ciceroneamos aqui no Rio há duas semanas nos enviou mensagem bem tristes, dizendo que tem visto muita gente morrer da janela de seu apartamento, que fica bem na praça Tahrir. O exército tem usado um gás venenoso, que segundo o testemunho agora de várias autoridades, inclusive do ex-chefe da Agência Internacional de Energia Atômica, o prêmio Nobel da paz Mohamed El Baradei, cogitado para chefiar um governo civil provisório, já matou muita gente. Nosso amigo blogueiro confirma essa informação. “O gás tem matado mais que as armas de fogo”, nos contou.

Ao ver tanta gente na rua, enfrentando gás letal, tiros, cacetetes, frio, fome, sede, chuva, acampados na praça Tahrir, cheios de esperança e fúria mesmo diante de tantas dificuldades, eu penso na desculpa esfarrapada que deram os organizadores das marchas contra a corrupção no Brasil. Era feriado e chovia, disseram. Tá bom. A verdade é que o ser humano está disposto a enfrentar tudo, desde que tenha motivos para tal. Se não há motivos, não adiante mobilizar todos os meios de comunicação, convocar celebridades, que mesmo assim só teremos 30 pessoas em Brasília, como tivemos no dia 15 de novembro. Já no Egito, com os meios de comunicação dominados pelo governo, mais de cem mil pessoas foram à praça Tahrir na terça. Discursaram, enfrentaram desarmadas um exército disposto a matar, e agora estão lá acampados, dizendo que só saem quando o governo fizer o que eles exigem. É uma verdadeira aula de política e uma lição de história.

Mas eles têm razão para protestar. Relatório recente da Anistia Internacional denuncia que tem havido violações de direitos humanos ainda piores que as praticadas durante a ditadura Mubarak. O sentimento de que a revolução foi traída tem atormentado os egípcios, sendo esta  a razão principal para voltarem às ruas.

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A 2ª revolução egípcia https://www.ocafezinho.com/2011/11/22/a-2%c2%aa-revolucao-egipcia/ https://www.ocafezinho.com/2011/11/22/a-2%c2%aa-revolucao-egipcia/#respond Tue, 22 Nov 2011 15:33:04 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=1180

Foto do jornal italiano La Repubblica – Link.

Revoluções são processos políticos complexos, que não costumam ser interrompidos subitamente, apenas com a derrubada de um autocrata. O Egito é a prova disso. A imensa praça Tahrir voltou a ser ocupada por manifestantes, que protestam contra uma decisão da atual junta militar que governa o país de criar ou manter regras que ferem o poder civil democrático que está em vias de ser criado.

O fermento por trás das revoltas, porém, parece ter também outras razões. Como sempre acontece nas revoluções, o Egito entrou em depressão econômica, agravada pelo sumiço dos turistas e pela fuga de capital.

Entrei em alguns blogs egípcios, e constato que eles mesmos estão perplexos com o que está acontecendo. Há rumores de todo o tipo. Há diferentes demandas em jogo. Alguns estão dispostos a morrer para que haja eleições o mais breve possível. Outros não querem eleições tão cedo porque acham que isso apenas beneficiaria os grupos islâmicos, que são hoje as forças políticas mais organizadas. Querem mais tempo, portanto, para que seja possível aos grupos não-muçulmanos se organizarem politicamente.

Há um protesto marcado para hoje na praça Tahrir, que promete reunir 1 milhão de pessoas. Entre as demandas, estão eleições presidenciais até abril de 2012, dissolução da junta militar que governa o país, restruturação do ministério do Interior (que organiza a repressão), condenação dos responsáveis pelas mortes nos últimos dias.

A Irmandade Muçulmana declarou que está aberta ao diálogo, e inclusive não deverá participar de algumas das manifestações, que não mais lhe interessam, visto que esperam obter uma boa posição de poder a partir das eleições legislativas marcadas para o dia 28 de novembro.

Na comunidade internacional, e também dentre os setores laicos da sociedade egípcia, cresce preocupação de que a supremacia da Irmandade e outros grupos religiosos muçulmanos acabe transformando o Egito num regime islâmico, mesmo que moderado e democrático, como já aconteceu com a Tunísia. Entretanto, parece que é isso mesmo que vai acontecer. Mas isso seria melhor do que o caos, que é o que se tem visto nos últimos dias no Egito.

Assista a um vídeo publicado hoje no site do jornal La Repubblica, faz uma excelente cobertura dos acontecimentos do Cairo.

Link da foto na capa.

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