empresas de tecnologia - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/empresas-de-tecnologia/ Portal de noticias e análises sobre política brasileira, geopolítica, economia, tecnologia, sempre numa perspectiva democrática, progressista, anti-imperialista e multipolar! Thu, 27 Nov 2025 16:21:48 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0.1 https://www.ocafezinho.com/wp-content/uploads/2015/10/cropped-Logo_Cafezinho_tmb-32x32.png empresas de tecnologia - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/empresas-de-tecnologia/ 32 32 Vendas aceleram e setor cripto enfrenta nova queda https://www.ocafezinho.com/2025/11/27/vendas-aceleram-e-setor-cripto-enfrenta-nova-queda/ https://www.ocafezinho.com/2025/11/27/vendas-aceleram-e-setor-cripto-enfrenta-nova-queda/#respond Thu, 27 Nov 2025 16:21:43 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=222052 A desvalorização de US$ 1 trilhão no mercado global levou empresas antes entusiastas das criptos a vender reservas digitais para tentar conter a queda acelerada de suas ações

A onda de euforia que transformou empresas em verdadeiras “tesourarias de ativos digitais” perdeu força de maneira dramática. Com uma desvalorização de US$ 1 trilhão varrendo o mercado global de criptomoedas, companhias que apostaram pesado nesse modelo agora enfrentam uma realidade desconfortável: para evitar um colapso ainda maior no valor de suas ações, muitas estão correndo para se desfazer justamente dos tokens que antes simbolizavam seu motor de crescimento.

Empresas pressionadas recorrem à venda de reservas digitais

O recuo do setor é tão intenso que empresas conhecidas por acumular criptomoedas começaram a liquidar parte de seus estoques numa tentativa de sustentar o próprio valor de mercado. O caso mais emblemático é o da Strategy, comandada por Michael Saylor, que durante anos foi símbolo da narrativa de que o bitcoin poderia funcionar como reserva de valor corporativa. Nos últimos três meses, porém, as ações da gigante — maior detentora corporativa de bitcoin do planeta — despencaram 50%, puxando para baixo dezenas de imitadoras que seguiram seu modelo.

O estrago é profundo: cerca de US$ 77 bilhões evaporaram do valor de mercado dessas empresas desde o pico de US$ 176 bilhões registrado em julho, segundo dados do setor publicados pelo The Block. A Strategy agora vale menos do que os próprios bitcoins que possui, alimentando temores entre investidores de que o “círculo virtuoso” baseado em valorização contínua das criptomoedas e emissão massiva de ações e dívidas tenha chegado ao fim.

Para Adam Morgan McCarthy, analista sênior da Kaiko, a turbulência deve se intensificar. “Vai haver uma liquidação generalizada nessas empresas; a situação vai piorar”, afirmou. “É um ciclo vicioso. Assim que os preços começarem a despencar, será uma corrida para o fundo do poço.”

Setor que surfou na euforia agora enfrenta reversão brusca

O movimento da Strategy havia inspirado grupos tão diversos quanto produtoras de cinema, fabricantes de cigarros eletrônicos e empresas de veículos elétricos. A entrada agressiva dessas companhias no mercado cripto foi um dos fatores que ajudaram o bitcoin a alcançar seu recorde histórico no mês passado. Mas a onda virou.

A nova fase de vendas intensas atingiu o setor em cheio durante o outono, num momento de forte fuga de ativos especulativos. É uma reviravolta amarga para um mercado que, há apenas um ano, festejava promessas do então presidente Donald Trump de transformar os Estados Unidos em uma “superpotência do bitcoin”.

No Japão, a Metaplanet — maior detentora de bitcoins do país — viu suas ações caírem 80% desde o pico alcançado em junho. Nesta semana, a empresa levantou um empréstimo de US$ 130 milhões garantido por sua reserva de bitcoins, que deve ser utilizado, entre outras finalidades, para recompra de ações. No Reino Unido, a Smarter Web Company amarga uma queda de 44% no ano; seu valor de mercado é de apenas £ 132 milhões, enquanto suas reservas de bitcoin somam cerca de US$ 232 milhões.

Para Jake Ostrovskis, chefe de negociação OTC da Wintermute, o desfecho era previsível. “Era inevitável”, disse. “Chegou a um ponto em que havia ações demais.”

Vendas de tokens se tornam estratégia de sobrevivência

Com a pressão aumentando, empresas passaram a vender suas criptomoedas para financiar programas de recompra e tentar conter a queda de suas ações. A FG Nexus, sediada na Carolina do Norte e detentora de Ether, vendeu recentemente cerca de US$ 41,5 milhões em tokens para manter seu plano de recompras. Apesar de ter valor de mercado de US$ 104 milhões, suas reservas da criptomoeda valem mais — cerca de US$ 116 milhões.

A ETHZilla, empresa de ciências biológicas da Flórida, seguiu o mesmo caminho, vendendo aproximadamente US$ 40 milhões em Ether para reforçar o caixa destinado à recompra de ações.

Em um cenário ainda mais delicado, a francesa Sequans Communications precisou vender cerca de US$ 100 milhões em bitcoins para quitar dívidas — um sinal claro de como empresas que recorreram a empréstimos para financiar compras de criptos agora enfrentam dificuldades crescentes. A empresa vale US$ 87 milhões na bolsa, enquanto suas reservas de bitcoin somam cerca de US$ 198 milhões. Para o diretor executivo Georges Karam, a venda foi uma “decisão tática com o objetivo de desbloquear o valor para os acionistas, dadas as condições atuais do mercado”.

Analistas alertam que empresas com tokens de nicho podem enfrentar obstáculos ainda maiores. Morgan McCarthy lembra que a liquidez é limitada para ativos pouco conhecidos: “Quando uma empresa de dispositivos médicos compra um ativo de nicho em criptomoedas, um ativo de nicho dentro de um mercado de nicho, o resultado não será bom”, afirma, estimando que 95% dos ativos digitais “chegarão a zero”.

Strategy insiste na aposta mesmo com risco de exclusão de índices

Enquanto muitas companhias correm para reduzir exposição, a Strategy segue em direção oposta. Mesmo após o bitcoin cair de US$ 115 mil para US$ 87 mil em um mês, a empresa comprou ainda mais tokens — uma decisão que ocorre em meio ao risco de ser excluída de alguns dos principais índices acionários, o que poderia gerar nova onda de pressão sobre suas ações.

Saylor, sempre vocal em defesa do bitcoin, minimizou as preocupações. “A volatilidade é um presente de Satoshi para os fiéis”, disse nesta semana, evocando o criador pseudônimo da criptomoeda.

Num momento em que milhares de investidores comuns veem a turbulência com apreensão, a frase soa como um lembrete de que a fé no mercado cripto nunca foi consenso — e que, quando o ciclo vira, são justamente os mais expostos que pagam o preço mais alto.

Com informações de Financial Times*

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O que podemos aprender com a repressão da China às suas próprias Big Techs https://www.ocafezinho.com/2025/01/25/o-que-podemos-aprender-com-a-repressao-da-china-as-suas-proprias-big-techs/ https://www.ocafezinho.com/2025/01/25/o-que-podemos-aprender-com-a-repressao-da-china-as-suas-proprias-big-techs/#comments Sat, 25 Jan 2025 18:24:31 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=201162 1 Comentário 🔥]]>

A nova política de concorrência da China para a economia digital e sua repressão aos gigantes da tecnologia doméstica podem oferecer lições importantes para a regulação das Big Techs em todo o mundo. Contudo, é essencial compreender a motivação por trás da mudança na política e seu impacto na economia chinesa.

Nos anos 2000 e 2010, os mercados digitais da China tornaram-se altamente concentrados, dominados por plataformas como Baidu, Alibaba e Tencent (os “BATs”). Essas empresas diversificaram seus negócios, acumulando poder econômico sem precedentes e, ao mesmo tempo, representando um desafio político ao governo chinês. Em resposta, a liderança do país adotou um novo enfoque regulatório a partir de 2021, com a emissão das Diretrizes Antimonopólio para a Economia de Plataformas pela Administração Estatal para Regulação de Mercado (SAMR). Essa medida visava combater acordos anticompetitivos, abuso de posição dominante e práticas monopolistas. Em 2022, a China revisou sua Lei Antimonopólio, aumentando as multas para violações graves e aplicando sanções significativas, como a multa recorde de RMB 18,228 bilhões à Alibaba.

Estudos mostram que a abordagem regulatória chinesa contribuiu para reduzir a concentração de mercado dos BATs, embora a um custo econômico refletido na redução do crescimento desses mercados. Dados financeiros de empresas do setor de tecnologia da informação e comunicação (TIC) chinesas indicam que a concentração de mercado diminuiu significativamente nas áreas mais afetadas pelas novas regulamentações.

No Ocidente, iniciativas semelhantes, como o Digital Markets Act (DMA) da União Europeia, também buscam enfrentar o poder das Big Techs. Tanto na China quanto no Ocidente, o foco tem sido limitar o domínio de grandes plataformas, mas com motivações distintas. Enquanto a China busca eliminar possíveis ameaças políticas ao sistema de partido único, a União Europeia visa garantir a equidade de mercado, inovação e concorrência.

Os reguladores ocidentais podem aprender com o exemplo chinês, adotando uma visão mais ampla sobre poder de mercado, indo além dos lucros e preços como indicadores. O uso da capitalização de mercado como métrica de concentração pode ser mais adequado para capturar as complexidades da economia digital.

Por fim, o caso chinês mostra que regulações proativas podem ajudar a limitar a concentração de mercado em plataformas dominantes. Embora os contextos políticos sejam muito diferentes, as estratégias compartilhadas de regulação podem oferecer caminhos para uma economia digital mais justa e competitiva.

Autores e data: Texto publicado por Leonard Baum em 6 de novembro de 2024.
Fonte: Publicado no site da Hertie School (hertie-school.org).

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O sonho do super app que o Ocidente ainda não conseguiu alcançar https://www.ocafezinho.com/2025/01/23/o-sonho-do-super-app-que-o-ocidente-ainda-nao-conseguiu-alcancar/ https://www.ocafezinho.com/2025/01/23/o-sonho-do-super-app-que-o-ocidente-ainda-nao-conseguiu-alcancar/#respond Thu, 23 Jan 2025 18:08:20 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=201039 Enquanto o WeChat domina na China, empresas de tecnologia dos EUA enfrentam desafios regulatórios e culturais para replicar o sucesso dos super apps no mercado ocidental


Pense nos aplicativos que você usa no seu celular todos os dias. Estudos mostram que os americanos usam, em média, 46 aplicativos móveis por mês para realizar uma variedade de tarefas cotidianas.

Agora, imagine se você pudesse combinar todos esses programas em um único aplicativo independente. Uma plataforma única para socializar com amigos, pedir comida, pagar aluguel ou até mesmo consultar um médico — algo conhecido popularmente como o “super app”.

“Estamos todos cansados dos dezenas de aplicativos em nossos celulares,” disse Arjun Kharpal, repórter sênior de tecnologia da CNBC. “E o apelo do super app é que todas as funções desses aplicativos estão em um só lugar, no próprio super app. É conveniente, é sem atritos.”

Segundo a CNBC, talvez o exemplo mais conhecido de super app seja o WeChat, da Tencent.

Lançado em 2011 como um simples aplicativo de mensagens na China, hoje ele conta com mais de 1,3 bilhão de usuários ativos por mês. A popularidade desses aplicativos pode ser atribuída a vários fatores, incluindo conveniência, experiência de usuário fluida e comportamento do consumidor. Enquanto os super apps prosperam na Ásia, sua adoção em mercados ocidentais, como os EUA, tem sido mais lenta, devido a uma série de razões.

“O ambiente regulatório nos EUA hoje certamente não é tão favorável para o desenvolvimento de um super app,” disse Dan Prud’homme, professor assistente da Faculdade de Negócios da Florida International University. “Ainda há proteções muito fortes em áreas como empréstimos peer-to-peer, privacidade de dados, antitruste e assim por diante, que não permitem que os aplicativos nos EUA prosperem da mesma forma que o WeChat conseguiu.”

Mas as coisas podem estar começando a mudar. Nos últimos anos, cada vez mais empresas de tecnologia têm mirado em trazer o modelo de super app para os EUA.

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