energia - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/energia-2/ Portal de noticias e análises sobre política brasileira, geopolítica, economia, tecnologia, sempre numa perspectiva democrática, progressista, anti-imperialista e multipolar! Sun, 10 May 2026 11:48:32 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://www.ocafezinho.com/wp-content/uploads/2015/10/cropped-Logo_Cafezinho_tmb-32x32.png energia - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/energia-2/ 32 32 Quando o mundo cabia todo dentro de um relógio de pulso https://www.ocafezinho.com/2026/05/10/quando-o-mundo-cabia-todo-dentro-de-um-relogio-de-pulso/ https://www.ocafezinho.com/2026/05/10/quando-o-mundo-cabia-todo-dentro-de-um-relogio-de-pulso/#respond Sun, 10 May 2026 11:48:32 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=245146

Por Rollo —  criado no pulso do mundo, formado na fricção das engrenagens e vacinado contra plateia que acha que o tempo começou quando ela chegou e escrevendo porque lembrar é uma forma de precisão e porque tecnologia sem quem cavou o minério é só interface bonita com a alma terceirizada.

O celular é só a capa. O conteúdo é Geologia. Você acha que está segurando um celular. Na verdade, está segurando geopolítica, química aplicada e um pouco de disputa imperial embrulhada em vidro temperado. Ou, em versão direta e sem açúcar: o rubi do relógio de pulso de antigamente virou o lítio do planeta na atualidade. Mudou o tamanho da máquina. Não mudou a dependência. Mas se isso soa técnico demais, relaxa. Este texto não é sobre mineralogia abstrata. É sobre o preço do seu celular, da sua luz, do seu carro e da sua paz de espírito. É sobre o fato de que a civilização moderna depende de coisas que você tentou decorar na Tabela Periódica na escola e esqueceu assim que passou na prova.  E a ironia é que o futuro do mundo está sendo decidido justamente por aqueles quadradinhos coloridos da Tabela que você achava inúteis.

O relógio virou planeta — e o tic-tac agora vem das minas

 

Houve um tempo em que o mundo — ou pelo menos o tempo — cabia dentro de um relógio de pulso. Relógios mecânicos dependiam de rubis microscópicos para não travar. Não era luxo. Era engenharia pura. Sem rubi, o atrito comia o mecanismo. Com rubi, o sistema rodava liso, elegante, quase eterno. Você via o mostrador. A engrenagem? Invisível.

 

Hoje, a lógica é a mesma. Só que o relógio cresceu. Virou o planeta. E os rubis agora se chamam lítio, cobalto, níquel, terras raras. Antes, o problema era o ponteiro atrasar. Hoje, é a economia global parar. De volta ao banco da escola: a Tabela Periódica — aquela que você odiava decorar para a prova de Química — deu a volta por cima!

 

Durante anos, venderam a ideia de que o mundo era feito de código. Nuvem. App. Inteligência artificial. Tudo leve, tudo etéreo, tudo “disruptivo”. A realidade respondeu com uma pá de terra. O século XXI está sendo decidido por elementos químicos. Lítio, neodímio, cobalto, grafite.

Cada quadradinho da Tabela Periódica virou uma indústria, uma aliança, uma crise diplomática. A economia digital não é digital. É mineral com design bonito. E aqui vem o detalhe que ninguém posta no LinkedIn: não basta extrair. Tem que refinar. E quem domina o refino domina o jogo. O resto é discurso com slide.

 

A China não fez pitch. Fez mina. Enquanto o Ocidente fazia apresentação sobre inovação, a China fazia algo menos glamouroso: comprava mina, refinaria e cadeia produtiva. Resultado: domina o processamento de terras raras, lidera a cadeia de baterias e segura uma parte crucial da indústria global. Não é sobre ter o minério. É sobre transformar o minério em poder. Quem refina manda. Simples assim. E quando um país consegue usar exportação de minerais como instrumento político, o recado fica claro: dependência não é detalhe. É estratégia.

 

O Ocidente acordou. Meio atrasado. Meio desesperado. A resposta veio no clássico estilo geopolítico: formar um bloco. Uma espécie de “clube dos minerais”, articulado no entorno de propostas ligadas ao campo político de Trump, com a ideia de reunir países produtores, reorganizar cadeias e reduzir a dependência chinesa. Tradução sem diplomacia: um “OPEP das terras raras”. Mais de cinquenta países na conversa. Bilhões na mesa. E um novo esporte global: empresa disputando contrato com mineradora como se fosse final de Copa. Ou seja, de volta à Caça ao Tesouro. O mercado virou extensão da diplomacia e a diplomacia virou negócio.

 

Brasil: mina ou protagonista?

 

E aí entra o Brasil. Rico em minerais (o segundo no Mundo), pobre em cadeia produtiva. Um clássico. Mas algo começou a mudar, finalmente. O debate interno ganhou corpo: propostas de fundos com participação do Estado, incentivos fiscais e políticas para garantir que o processamento aconteça aqui — e não lá fora. Tradução direta, sem floreio: o Brasil está começando a discutir se quer continuar exportando terra… ou começar a exportar tecnologia. Só que o tempo geológico é lento. E o geopolítico é impaciente. Enquanto a gente discute, o mundo negocia.

 

O risco de repetir o velho roteiro

 

A disputa já está acontecendo dentro do nosso território. Aquisições internacionais, contratos de longo prazo, integração da cadeia fora do país. Resumo cruel: o minério pode ser brasileiro. O lucro, a tecnologia e o poder… nem sempre! E tem o detalhe que ninguém transforma em post bonito: mineração não é leve. É impacto ambiental, investimento pesado e décadas de operação. Não cabe em slogan. Mas decide o futuro.

 

Menos petróleo. Mais tabela periódica

 

Se o século XX foi movido a petróleo, o XXI está sendo movido a minerais críticos. Bateria, carro elétrico, energia limpa, satélite. Tudo depende disso. Governos chamam de segurança nacional. Empresas chamam de sobrevivência. E os números não são sutis: a demanda vai explodir. A corrida já começou. E não é ideológica. É geológica.

 

O planeta virou um relógio gigante

 

No passado, um relojoeiro sabia: sem rubi, o relógio travava. Hoje, qualquer analista sabe: sem minerais críticos, o mundo trava. A pergunta não é se haverá disputa. A disputa já começou faz tempo. A pergunta é: quem controla a cadeia? Quem extrai, quem refina, quem armazena, quem define o preço… ou  quem aperta o botão quando a engrenagem ameaça parar?

 

O rubi do relógio virou o lítio do planeta. Mudou o tamanho da máquina. Não mudou a dependência. E quem controla o mineral controla o tempo. Controla o ritmo da indústria, da energia, da guerra e da paz. Controla a cadência do século. E você… no meio disso tudo… deslizando o dedo na tela, achando que estava só respondendo mensagens. Quando, na verdade, está participando — sem voto, sem aviso e sem tutorial — do maior mecanismo de precisão já montado pela humanidade.

O planeta inteiro virou um gigantesco relógio. Não um pequeno relógio de pulso. Mas de poder. E o tic-tac agora é geopolítico. E silenciosamente ensurdecedor.

 

(*) Rollo é ator profissional e ex-integrante do Conselho Estadual de Política Cultural do RJ na cadeira do Audiovisual. Atualmente, contribui na execução do Espaço de Cinema Cavídeo, em Vicente de Carvalho, no Rio de Janeiro — o projeto nasce por meio de emenda parlamentar do Deputado Estadual Carlos Minc, com realização da Cavídeo, Acemades e Leia Brasil, idealização de Pedro Monteiro e Tamires Nascimento, e apoio do MNU Rio, Educafro, MAVI Comunicação Total e da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do RJ.

 

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Descoberta da Petrobras chega na hora certa https://www.ocafezinho.com/2026/03/18/gas-no-caribe-petroleo-em-chamas-descoberta-da-petrobras-chega-na-hora-certa/ https://www.ocafezinho.com/2026/03/18/gas-no-caribe-petroleo-em-chamas-descoberta-da-petrobras-chega-na-hora-certa/#respond Wed, 18 Mar 2026 19:23:06 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/03/18/gas-no-caribe-petroleo-em-chamas-descoberta-da-petrobras-chega-na-hora-certa/ Num momento em que a guerra empurra o mercado de energia para uma nova espiral de tensão, a Petrobras anunciou uma notícia que interessa diretamente ao Brasil e à América do Sul: uma nova descoberta de gás natural no mar da Colômbia. O fato tem peso econômico, geopolítico e estratégico, porque surge justamente quando o mundo volta a encarar o risco de um grande choque de petróleo e gás, com o Estreito de Ormuz sob ameaça e os preços internacionais em alta.

O gás, nesse contexto, vale ouro. Ele é um combustível mais leve que o carvão e o óleo combustível, é decisivo para a indústria, ajuda a sustentar sistemas elétricos em momentos críticos e, em muitos países, é central para aquecimento doméstico. Na Europa, por exemplo, o gás voltou a ser tratado como questão de segurança nacional desde a guerra da Ucrânia; agora, com a guerra contra o Irã e o ataque a instalações energéticas na região, o nervosismo voltou com força.

A notícia, portanto, chegou em boa hora. Num mundo em que as grandes potências tratam energia como arma, cada nova reserva descoberta fora do eixo controlado pelo velho poder atlântico amplia a margem de soberania dos países periféricos. Para a América do Sul, isso significa mais capacidade de planejamento, mais segurança de abastecimento e mais força de negociação diante de um mercado internacional cada vez mais militarizado. Essa é a dimensão política mais profunda do anúncio.

A Petrobras informou nesta quarta-feira, 18 de março, que encontrou uma nova acumulação de gás no poço Copoazu-1, no bloco GUA-OFF-0, em águas profundas da Colômbia. Segundo a empresa, o poço fica a 36 quilômetros da costa, em profundidade de 964 metros, e a descoberta reforça o potencial gasífero da área marítima colombiana.

A operação é feita em parceria com a estatal colombiana Ecopetrol. A Petrobras participa com 44,44% e atua como operadora; a Ecopetrol tem 55,56%. A perfuração começou em novembro de 2025, e a presença de gás foi confirmada por medições do poço e coleta de fluido, inclusive em um alvo secundário, o que aumenta o interesse econômico da descoberta.

Em linguagem menos técnica, o que a Petrobras está dizendo é o seguinte: a região onde já havia sinais fortes de gás mostrou mais um ponto promissor. Isso não significa produção comercial imediata, porque ainda são necessários testes e análises, mas significa que a província de gás do Caribe colombiano ficou ainda mais robusta.

Esse anúncio ganha outra dimensão quando olhamos o cenário internacional. Nesta quarta-feira, o Brent subiu para US$ 108,56 o barril, depois de ameaças iranianas contra instalações de energia no Oriente Médio. A Reuters informou também que o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% da oferta mundial de petróleo e gás natural liquefeito, sofreu interrupções, com perda estimada de 7 a 10 milhões de barris por dia na produção da região.

No gás, o susto foi ainda mais direto. A referência europeia, o contrato TTF, disparou para 65,79 euros por megawatt-hora no início de março e, alguns dias depois, ainda girava em torno de 50 euros, muito acima do nível de fevereiro. Para comparação, a própria Reuters registrou em fevereiro de 2025 que 58 euros por megawatt-hora representavam cerca de três vezes o nível anterior à invasão russa da Ucrânia, o que sugere um patamar pré-guerra em torno de 19 a 20 euros.

Ou seja: a Europa, que já tinha aprendido da forma mais dura o custo da dependência energética, volta a pagar caro por viver num sistema internacional dominado por guerras, sanções e bloqueios. O gás que antes era tratado apenas como mercadoria volta a aparecer como instrumento de poder. E é nesse exato momento que a Petrobras, empresa pública brasileira, confirma uma nova descoberta relevante em parceria com outro país sul-americano.

O Brasil chega a essa conjuntura numa posição mais forte do que tinha alguns anos atrás. Em 2025, a produção brasileira de petróleo e gás atingiu recorde histórico de 4,897 milhões de barris equivalentes por dia. Desse total, o petróleo respondeu por 3,77 milhões de barris por dia, e o gás natural por 179 milhões de metros cúbicos por dia, também um recorde.

As reservas provadas nacionais fechadas in 2024 chegaram a 2,677 bilhões de metros cúbicos de petróleo e 546 bilhões de metros cúbicos de gás natural. Convertido para a unidade mais usada no mercado, isso equivale a algo em torno de 16,8 bilhões de barris de petróleo em reservas provadas, além de um volume expressivo de gás.

Hoje o Brasil já não é um ator lateral nesse jogo. Documento oficial da EPE afirma que o país ocupa atualmente a oitava posição entre os maiores produtores de petróleo do mundo. É um salto histórico para um país que, há poucas décadas, ainda era visto sobretudo como importador estrutural de energia fóssil.

Mais importante: o Brasil produz mais petróleo do que consome. No Balanço Energético Nacional de 2025, com base em 2024, a produção total de petróleo foi equivalente a 177,815 mil tep, contra demanda de 113,950 mil tep. O saldo correspondeu a um superávit externo de 63,866 mil tep, ou cerca de 1,277 milhão de barris por dia.

Isso ajuda a explicar por que o petróleo virou o principal produto de exportação do país. Em 2024, o óleo bruto superou a soja e liderou a pauta exportadora brasileira, com US$ 44,8 bilhões e 13,3% do total exportado, segundo dados divulgados pelo governo federal com base na Secretaria de Comércio Exterior.

Além disso, a Reuters informou que o Brasil exportou 1,78 milhão de barris por dia em 2024. Em outras palavras, o país já é grande produtor, grande exportador e dono de uma margem relevante de segurança no petróleo, embora ainda tenha gargalos importantes em refino e siga dependente de importações em alguns derivados, especialmente diesel.

No gás, o quadro é mais complexo. O Brasil bateu recorde de produção em 2025, mas nem todo o gás extraído chega diretamente ao mercado consumidor, porque parte é reinjetada, consumida nas próprias operações ou queimada. Ainda assim, trata-se de um combustível cada vez mais importante para a indústria, para a geração elétrica e para usos urbanos. A própria IEA destaca que o gás é relevante para cozinhar, aquecer, gerar eletricidade e alimentar processos industriais e químicos.

No conjunto da matriz energética brasileira, o gás natural respondeu por 9,6% da oferta interna de energia em 2024, enquanto petróleo e derivados ficaram em 34%. Já o consumo final de energia no país chegou a 80,898 mil tep em 2024, com forte peso da indústria.

A descoberta na Colômbia, portanto, não é um episódio isolado. Ela se encaixa num tabuleiro maior, em que o Brasil se consolida como potência energética emergente, com petróleo abundante, gás em expansão e capacidade crescente de projetar influência regional. Isso não elimina os dilemas ambientais nem a necessidade de transição energética, mas desmonta a visão infantil de que um país periférico deva abrir mão de seus recursos justamente quando o centro do sistema continua guerreando por eles.

Há também uma lição política incômoda. Quando a energia encarece por causa de guerras patrocinadas ou toleradas pelo Ocidente, os defensores do “mercado livre” pedem subsídios, teto de preços, liberação de estoques e intervenção estatal. Quando países do Sul tentam usar seus recursos para desenvolver indústria, proteger seu povo e ampliar soberania, aí aparecem as pregações morais sobre austeridade, neutralidade de mercado e responsabilidade fiscal. O que vale para a Europa e para os Estados Unidos tem de valer também para o Brasil.

No caso concreto, a Petrobras fez o que uma empresa estratégica deve fazer: explorar, descobrir, ampliar reservas e fortalecer a posição energética da região. Num mundo sacudido por guerra, chantagem e volatilidade, soberania não é discurso. Soberania é poço, navio, refinaria, gasoduto, tecnologia e capacidade de decisão pública.

A nova descoberta no Caribe colombiano ainda vai passar por estudos antes de virar produção comercial. Mas o recado já foi dado: no meio do caos geopolítico global, a Petrobras continua encontrando energia. E isso, hoje, tem um valor que vai muito além do mercado.


Fontes:

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https://www.ocafezinho.com/2026/03/18/gas-no-caribe-petroleo-em-chamas-descoberta-da-petrobras-chega-na-hora-certa/feed/ 0
Irresponsabilidade de Trump mergulha o mundo em crise de energia e alimentos https://www.ocafezinho.com/2026/03/12/irresponsabilidade-de-trump-mergulha-o-mundo-em-crise-de-energia-e-alimentos/ https://www.ocafezinho.com/2026/03/12/irresponsabilidade-de-trump-mergulha-o-mundo-em-crise-de-energia-e-alimentos/#respond Thu, 12 Mar 2026 22:07:22 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/03/12/irresponsabilidade-de-trump-mergulha-o-mundo-em-crise-de-energia-e-alimentos/ A irresponsabilidade de Donald Trump está causando sofrimento em todo o planeta. A desestabilização geopolítica semeada por sua administração agora cobra um preço alto, com pessoas enfrentando dificuldades para obter alimentos, o transporte de água se tornando mais caro e a inflação ameaçando a estabilidade econômica global. A Ásia, em particular, está sob forte tensão, dada a sua fortíssima dependência do petróleo que transita pelo Estreito de Ormuz, agora um ponto focal de conflito.

Neste cenário de crise, a Agência Internacional de Energia (IEA) emitiu um alerta sombrio na última quinta-feira: o mundo enfrenta a maior interrupção de fornecimento de petróleo da história, consequência direta da guerra no Oriente Médio. Desde que os Estados Unidos e Israel iniciaram uma campanha de ataques aéreos contra o Irã, em 28 de fevereiro, o bloqueio do Estreito de Ormuz resultou em um corte de produção de pelo menos 10 milhões de barris por dia (bpd) somente nos países do Golfo, o que equivale a quase 10% da demanda mundial.

A IEA projeta que a oferta global de petróleo deve cair 8 milhões de bpd em março. Em resposta, a agência concordou em liberar um volume recorde de 400 milhões de barris de suas reservas estratégicas para tentar conter a escalada dos preços. Contudo, a própria agência adverte que a normalização da produção levará semanas, ou até meses, para ser alcançada, dependendo da complexidade dos campos de petróleo e do retorno de trabalhadores e equipamentos à região.

O impacto da crise vai além dos combustíveis, atingindo diretamente a cadeia alimentar global. Um ataque com mísseis iranianos a uma instalação de gás no Qatar, em 1º de março, paralisou a produção de amônia e ureia, fertilizantes essenciais para a agricultura. Como resultado, o preço da ureia no Sudeste Asiático disparou mais de 40%, superando os US$ 700 por tonelada.

Com a região do Golfo respondendo por 45% das exportações globais de ureia, o bloqueio do Estreito de Ormuz impede que entre 3 a 4 milhões de toneladas de fertilizantes cheguem aos seus mercados mensalmente. Países como Paquistão, Índia e Bangladesh, altamente dependentes, enfrentam um impacto severo. A Índia, um dos maiores produtores de fertilizantes nitrogenados, já reportou o fechamento de uma de suas plantas de amônia e a redução da produção em outras três.

A IEA alerta que a consequência mais provável é a queda no rendimento das colheitas em escala global, o que levará a preços mais altos para ração e alimentos, ameaçando a “produtividade agrícola e a segurança alimentar de milhões de pessoas”.

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https://www.ocafezinho.com/2026/03/12/irresponsabilidade-de-trump-mergulha-o-mundo-em-crise-de-energia-e-alimentos/feed/ 0
Multa de até R$ 1 bilhão para quem abusar no preço da gasolina e do diesel https://www.ocafezinho.com/2026/03/12/governo-lula-age-para-corrigir-heranca-de-bolsonaro-e-coibir-abusos-nos-combustiveis/ https://www.ocafezinho.com/2026/03/12/governo-lula-age-para-corrigir-heranca-de-bolsonaro-e-coibir-abusos-nos-combustiveis/#respond Thu, 12 Mar 2026 21:54:12 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/03/12/governo-lula-age-para-corrigir-heranca-de-bolsonaro-e-coibir-abusos-nos-combustiveis/ Em uma tentativa de retomar o controle sobre o mercado de combustíveis e mitigar os problemas herdados da gestão anterior, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou um pacote de medidas robustas para coibir aumentos abusivos e especulação nos preços da gasolina e do diesel. A iniciativa surge como uma resposta direta ao desmonte de mecanismos de regulação estatal, intensificado pela venda de ativos estratégicos como a BR Distribuidora durante o governo de Jair Bolsonaro.

A principal medida é a edição de uma Medida Provisória que fortalece a Agência Nacional do Petróleo (ANP), conferindo-lhe poder para aplicar multas que podem chegar a R$ 500 milhões. As sanções serão direcionadas a empresas que elevem os preços de forma injustificada, se recusem a fornecer produtos sem motivo claro ou que pratiquem a retenção especulativa de estoques para forçar uma alta artificial nos valores.

Segundo o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, a privatização da BR Distribuidora, hoje Vibra Energia, reduziu drasticamente a capacidade do governo de monitorar e influenciar os preços no varejo. Quando a empresa pertencia à Petrobras, funcionava como um termômetro do mercado e um instrumento para combater reajustes considerados abusivos. A venda, efetivada entre 2019 e 2021, deixou o Estado com menos ferramentas para proteger o consumidor final das oscilações de preços.

O pacote do governo Lula busca preencher essa lacuna. Além das multas, o governo zerou as alíquotas de PIS/Cofins sobre o diesel e instituiu uma subvenção de R$ 0,32 por litro para produtores e importadores do combustível, o que deve gerar um alívio total de R$ 0,64 por litro nas bombas. Para compensar a renúncia fiscal e desestimular a exportação em detrimento do mercado interno, foi criado um imposto de exportação temporário de 12% sobre o petróleo bruto e de 50% sobre o diesel.

Durante o anúncio, o presidente Lula afirmou que o governo está realizando uma “engenharia econômica” para impedir que fatores externos, como a guerra entre Estados Unidos/Israel e o Irã, impactem o custo de vida dos brasileiros. A medida visa proteger a população da volatilidade do mercado internacional, um desafio ampliado pela política de preços anterior e pela perda de controle sobre a distribuição.

O governo também se reunirá com as maiores distribuidoras privadas, que hoje controlam cerca de 70% do mercado, para cobrar que as reduções de custos sejam efetivamente repassadas ao consumidor. A ação demonstra um esforço para reconstruir a capacidade de intervenção do Estado em um setor estratégico, corrigindo os rumos de uma política que, segundo a atual gestão, fragilizou a segurança energética e o bolso dos brasileiros.

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Gás do Povo: vale-recarga começa a ser disponibilizado https://www.ocafezinho.com/2026/02/23/gas-do-povo-vale-recarga-comeca-a-ser-disponibilizado/ https://www.ocafezinho.com/2026/02/23/gas-do-povo-vale-recarga-comeca-a-ser-disponibilizado/#comments Mon, 23 Feb 2026 15:14:46 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=226147 1 Comentário 🔥]]> Recarga gratuita poderá ser realizada pelo responsável familiar diretamente nas revendedoras que aderiram ao programa. Até março, iniciativa vai contemplar cerca de 50 milhões de pessoas

O Governo do Brasil, por meio da ​Caixa, inicia a terceira etapa da disponibilização do vale-recarga de gás de cozinha (GLP) para beneficiários do Programa Gás do Povo nesta segunda-feira (23/2). Serão contempladas cerca de 4,5 milhões de famílias em todo o Brasil. A iniciativa assegura gratuidade na recarga do botijão de gás de cozinha de 13kg a famílias inscritas no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico), desde que tenham renda per capita de até meio salário mínimo.

A expectativa é de que, até março de 2026, o Gás do Povo contemple 15 milhões de famílias (cerca de 50 milhões de pessoas), incluindo aquelas que migraram do Auxílio Gás dos Brasileiros (Lei nº 14.237/2021) e que se enquadram nas regras da nova modalidade. ​

A recarga gratuita do botijão de gás poderá ser realizada pelo responsável familiar diretamente nas revendedoras que aderiram voluntariamente ao programa, sem intermediários, por meio de validação eletrônica na azulzinha (maquininha de cartões), por uma das seguintes formas:

  • Cartão com chip do Bolsa Família e senha;
  • Cartão de débito de conta Caixa e senha;
  • CPF com código de validação enviado ao celular cadastrado na Caixa.

A Caixa faz a operacionalização do programa e também disponibiliza o sistema para adesão das revendedoras de gás desde 23 de outubro de 2025. Para participar, as empresas devem estar cadastradas na ANP, em situação regular junto à Receita Federal, possuir conta corrente PJ na Caixa e utilizar a azulzinha como meio de pagamento. Com o marco de 10 mil pontos de comercialização credenciados em menos de dois meses, uma em cada seis revendas de GLP do país está conectada à iniciativa.

Sanção do Programa

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou na última sexta-feira, 13 de fevereiro, a Lei nº 15.348, que instituiu o programa Gás do Povo. O benefício é concedido às famílias selecionadas pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), com cadastro atualizado há pelo menos 24 meses. Têm prioridade as famílias que já recebem o Bolsa Família.

Ampliação

O Gás do Povo amplia em três vezes o número de famílias atendidas em relação ao antigo Auxílio Gás dos Brasileiros, e prevê a substituição definitiva do repasse financeiro pela recarga do botijão, para fortalecer a efetividade da política e a garantia do acesso ao insumo.

Quem tem direito

Para ser elegível, a família deve ser beneficiária do Bolsa Família com pelo menos duas pessoas, ter renda per capita de até meio salário-mínimo e manter o Cadastro Único atualizado nos últimos 24 meses. Além disso, é essencial que o CPF do Responsável Familiar esteja regular, e que o cadastro não apresente pendências como Averiguação Cadastral ou indício de óbito.

Energia limpa e segura

O custo da recarga e a complexidade de sua distribuição em áreas mais afastadas impediam que muitas residências tivessem acesso à energia limpa e segura. Com isso, a realidade para muitos era o uso de alternativas precárias, como lenha, carvão e querosene, que expunham mulheres e crianças, principalmente, a ambientes insalubres, marcados por fumaça tóxica e potencial de desenvolver doenças respiratórias, além do perigo de queimaduras. É esse um dos cenários que a política pretende extinguir.

Aplicativo

No app “Meu Social – Gás do Povo”, as famílias podem verificar se estão elegíveis, conferir a situação do vale e encontrar revendas credenciadas. Isso além do telefone e endereço de pontos credenciados, caso a pessoa queira ligar para o estabelecimento e tirar dúvidas.

Outras alternativas

Há outras três formas de uso do vale para que as famílias atendidas tenham mais condições de acesso ao programa, considerando, por exemplo, casos de pessoas sem acesso à internet ou celular.

  • Cartão do Programa Bolsa Família (com chip)
  • Cartão de débito da CAIXA
  • Informar CPF do Responsável Familiar na maquininha do cartão, a “Azulzinha”, ou no aplicativo “Azulzinha Aproxima” na revenda e receber o código via SMS no celular

Canais

Os beneficiários podem consultar o direito ao vale recarga Gás do Povo nos seguintes canais:

  • Aplicativo “Meu Social” – Gás do Povo” (do Governo do Brasil)
  • Consulta do CPF do Responsável Familiar na página do Gás do Povo no site oficial do MDS (https://gasdopovo.mds.gov.br/ )
  • Portal Cidadão CAIXA (https://cidadao.caixa.gov.br)
  • Atendimento CAIXA Cidadão – 0800 726 0207

É possível ainda esclarecer dúvidas nas seguintes opções:

  • Disque Social 121, do MDS
  • Canal FalaBR, do Governo do Brasil
  • SAC CAIXA – 0800 726 0101.

Publicado originalmente pela Agência Gov em 22/02/2026

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2025 termina com forte queda da inflação dos alimentos https://www.ocafezinho.com/2025/12/25/2025-termina-com-forte-queda-da-inflacao-dos-alimentos/ https://www.ocafezinho.com/2025/12/25/2025-termina-com-forte-queda-da-inflacao-dos-alimentos/#comments Thu, 25 Dec 2025 06:49:16 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=223565 2 Comentários 🔥]]> A inflação brasileira encerra 2025 dentro da meta oficial.

Segundo o IPCA-15, indicador calculado pelo IBGE, a inflação geral fechou dezembro em 4,41% no acumulado em 12 meses, abaixo do teto de 4,5% estabelecido pelas autoridades monetárias.

O dado confirma uma desaceleração consistente ao longo do segundo semestre do ano.

O principal fator por trás desse resultado foi a forte queda da inflação dos alimentos consumidos em casa. Esse grupo tem peso decisivo no orçamento das famílias mais pobres e influencia diretamente a percepção do custo de vida.

Em dezembro de 2025, a inflação dos alimentos em domicílio caiu para 2,48% no acumulado em 12 meses. O número é muito inferior ao observado nos momentos mais críticos do ano.

Em maio de 2025, no auge da pressão inflacionária, a inflação dos alimentos em domicílio atingiu 8,08% em 12 meses. A partir desse pico, os preços passaram a cair mês a mês, puxando rapidamente a média acumulada para baixo até o patamar registrado em dezembro.

A queda fica ainda mais evidente quando comparada ao período mais dramático da série recente. Em agosto de 2022, em pleno ano eleitoral, a inflação dos alimentos em domicílio atingiu 17,37% em 12 meses.

O contraste com os 2,48% de dezembro de 2025 mostra a dimensão da reversão no custo da alimentação básica. Trata-se de uma mudança profunda em relação ao cenário vivido pelas famílias brasileiras poucos anos atrás.

A desaceleração atingiu produtos centrais da alimentação. As carnes, que pressionavam os preços no primeiro semestre, entraram em trajetória de alívio ao longo da segunda metade do ano.

A picanha, símbolo do encarecimento dos alimentos nos últimos anos, seguiu esse movimento. No pico da pressão inflacionária, em junho de 2025, a inflação acumulada em 12 meses da picanha chegou a 15,38%, mas os preços recuaram nos meses seguintes, ajudando o grupo de carnes a fechar dezembro com inflação de 2,09%.

Proteínas mais acessíveis também contribuíram para a queda do custo da alimentação. A tilápia apresentou desaceleração ao longo do segundo semestre, ajudando a aliviar o orçamento das famílias que buscam alternativas às carnes mais caras.

Nos grãos, a reversão foi ainda mais intensa. O arroz fechou dezembro de 2025 com deflação de 26,04% no acumulado em 12 meses, um contraste radical com o cenário vivido durante o governo Bolsonaro, quando o produto atingiu seu pico inflacionário em abril de 2022, com alta de 60,03% em 12 meses.

O feijão seguiu trajetória semelhante. Em dezembro de 2025, o produto apresentava variação negativa de -7%  no acumulado em 12 meses, depois de ter atingido seu pico inflacionário em maio de 2022, quando acumulava alta de 32,41% em 12 meses, segundo o IPCA-15.

O café foi o caso mais extremo do ano. No pico da crise, em maio de 2025, a inflação acumulada em 12 meses do café moído atingiu 83,20%, tornando o produto o principal vilão da inflação dos alimentos.

A partir do segundo semestre, os preços passaram a cair de forma contínua, reduzindo a pressão mensal. Mesmo assim, o café fechou dezembro com inflação de 41,84% em 12 meses, o que mostra que o patamar ainda é alto, apesar da queda expressiva em relação ao pico.

Além dos alimentos, um item essencial para o preparo das refeições também apresentou melhora. O botijão de gás, indispensável para as famílias mais pobres, acumulava inflação de 2,64% em 12 meses em dezembro, após ter atingido 7,28% no pico registrado em março de 2025.

Combustíveis e itens de transportes também ajudaram a conter a inflação geral no segundo semestre. Em dezembro de 2025, a gasolina acumulava inflação de 3,03% em 12 meses, enquanto o óleo diesel registrava variação de 1,85%.

A comparação com o período mais crítico ajuda a dimensionar essa melhora. Em junho de 2022, durante o governo Bolsonaro, a inflação da gasolina atingiu 33,18% em 12 meses, enquanto o óleo diesel chegou a 70,79% no mesmo período, com impactos profundos sobre o custo do transporte, dos alimentos e da economia.

O principal ponto de atenção segue sendo a energia elétrica residencial. Apesar da desaceleração recente, o acumulado em 12 meses permaneceu elevado em dezembro, em 11,95%, depois de ter alcançado o pico de 13,18% em setembro de 2025.

Com a chegada do verão e o aumento do uso de ar-condicionado em todo o país, esse item tende a voltar a pressionar o orçamento das famílias. Diante desse cenário, ganha força a necessidade de uma política estrutural para reduzir o custo da energia, especialmente por meio de um programa nacional de financiamento para energia solar em residências e edifícios.

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Energia em transição pede decisões mais firmes no Brasil https://www.ocafezinho.com/2025/12/03/energia-em-transicao-pede-decisoes-mais-firmes-no-brasil/ https://www.ocafezinho.com/2025/12/03/energia-em-transicao-pede-decisoes-mais-firmes-no-brasil/#respond Wed, 03 Dec 2025 09:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=222360 A alta dos custos e a instabilidade climática pressionam o sistema elétrico, abrindo espaço para tecnologias flexíveis capazes de garantir segurança ao abastecimento

O Brasil se move em duas velocidades cruciais para seu destino. De um lado, os ponteiros do relógio do setor elétrico aceleram, pressionados por preços em alta e pela urgência de uma transição energética que não pode vacilar. De outro, os indicadores sociais começam a se mover na direção certa, após anos de paralisia, apontando para um resgate da dignidade como fundamento do desenvolvimento. Estas não são dinâmicas separadas, mas faces da mesma moeda: não há futuro energético seguro para um país mergulhado na desigualdade, e não há prosperidade social sem uma matriz robusta que sustente a retomada da indústria e gere empregos de qualidade.

A constatação de Fred Menezes, CEO da Armor Energia, é um alerta técnico que ecoa como um aviso social: os preços ascendentes da energia estão redesenhando o futuro do setor. Esse movimento, impulsionado pela volatilidade hídrica – uma ironia cruel para um país tropical –, pelo crescimento da demanda e pela necessidade premente de modernizar uma infraestrutura por vezes obsoleta, está criando um novo mapa de oportunidades.

O paradoxo é evidente: temos sobra de energia renovável, com vento e sol entrando de forma vigorosa na matriz, mas convivemos com a intermitência dessas fontes. Quando o céu escurece ou o ar fica quieto, a luz não pode se apagar. A conta desse risco já está chegando, mais cara, para todos.

Leia também: Mercado aquecido leva geração elétrica a novo ponto de virada

Flexibilidade: a nova palavra de ordem para evitar um apagão social

Neste cenário, como aponta Menezes, a palavra-chave deixa de ser apenas “renovável” e passa a ser “flexibilidade”. O sistema precisa de ativos que possam ligar e desligar rapidamente, atuando como um amortecedor essencial para os solavancos da natureza.

Usinas termelétricas a gás de partida rápida, hidrelétricas com reservatório que possam modular sua força, baterias de armazenamento e pequenas centrais hidrelétricas ganham um valor estratégico renovado. Eles são o seguro, o colchão de segurança de um sistema que se quer verde, mas não pode ser frágil.

Esta não é uma defesa do retrocesso, mas do planejamento inteligente. A transição energética justa, bandeira histórica da esquerda brasileira, não pode ser um salto no escuro. Ela exige um Estado planejador, que antecipe gargalos.

É sintomático que o governo federal já sinalize a realização de Leilões de Reserva de Capacidade em 2026, focados justamente em termelétricas, hidrelétricas e baterias. É um reconhecimento tácito de que a segurança do abastecimento é um pilar não negociável da soberania nacional e da proteção aos mais vulneráveis, os primeiros a sofrer com a instabilidade.

O alicerce social: sem distribuição de renda, a energia não chega a todos

É aqui que a outra velocidade do Brasil se mostra fundamental. De que adianta discutir megawatts e flexibilidade operacional se uma parcela significativa da população ainda luta para colocar comida na mesa e pagar a conta de luz mais básica? A fala da ministra Esther Dweck, da Gestão e Inovação em Serviços Públicos, ilumina este ponto crucial. O Brasil, em seu entendimento, retomou um ciclo de crescimento de qualidade, onde a expansão econômica anda de mãos dadas com a redução da pobreza e da desigualdade. “Voltamos a crescer com redução das desigualdades, o que é algo muito raro no Brasil”, afirmou ela.

Os números sustentam a análise: crescimento superior a todo o período anterior, com a formação bruta de capital fixo – o investimento em máquinas, equipamentos e infraestrutura – voltando a ser protagonista. O mercado de trabalho aquece, com recordes de emprego formal e a renda média do trabalhador subindo em termos reais, um feito após anos de erosão.

A mudança tributária recente, que isenta de Imposto de Renda quem ganha até cinco mil reais e tributa mais quem ganha mais, é um passo histórico na correção de uma injustiça secular. São R$ 28 bilhões que devem retornar ao bolso da base da pirâmide e movimentar a economia real, não a especulação financeira.

Esta agenda redistributiva não é um tema lateral ao setor elétrico. Ela é seu pré-requisito. Uma população com maior poder aquisitivo consome mais, sim, mas também pode investir em eficiência energética, em painéis solares nos telhados e em eletrodomésticos mais modernos. Um país que tira milhões da pobreza está, na verdade, construindo a resiliência de toda a sua sociedade. A ministra Dweck acerta ao vincular a crise climática a uma agenda de desenvolvimento, reindustrialização e geração de empregos de qualidade. O enfrentamento das mudanças do clima não pode ser um fardo, mas um vetor de inovação e justiça.

A encruzilhada: integrar ou fragmentar

O Brasil se encontra, portanto, em uma encruzilhada de alto risco e enorme potencial. O caminho a seguir exige integrar essas duas velocidades. O planejamento do setor elétrico, com seus investimentos em flexibilidade e segurança, precisa ser desenhado em sintonia fina com o projeto de desenvolvimento nacional.

As decisões sobre que energia construir, onde e com qual impacto socioambiental, não podem ser tomadas apenas pela lógica do curto prazo do mercado. Elas devem servir a um objetivo maior: garantir energia barata, limpa e confiável para alimentar as indústrias que estamos recuperando, para iluminar as escolas e hospitais públicos, e para sustentar a casa de cada família que está voltando a colocar a mesa farta.

A verdadeira transição energética que o Brasil precisa é dupla: a da matriz para fontes mais limpas e seguras, e a da sociedade para um patamar de menor desigualdade e maior dignidade. Uma não avança sem a outra. Construir usinas flexíveis é vital. Mas tão vital quanto é flexibilizar os corações e as políticas para garantir que o progresso técnico não seja um privilégio, mas uma luz que realmente alcance a todos.

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Mercado aquecido leva geração elétrica a novo ponto de virada https://www.ocafezinho.com/2025/12/02/mercado-aquecido-leva-geracao-eletrica-a-novo-ponto-de-virada/ https://www.ocafezinho.com/2025/12/02/mercado-aquecido-leva-geracao-eletrica-a-novo-ponto-de-virada/#respond Tue, 02 Dec 2025 19:20:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=222358 A alta dos preços e a instabilidade hidrológica reposicionam a geração elétrica, abrindo espaço para investimentos em ativos flexíveis capazes de responder rapidamente ao consumo

O avanço constante dos preços da energia no país começa a redesenhar o futuro do setor elétrico brasileiro. A avaliação é de Fred Menezes, CEO da consultoria e comercializadora Armor Energia, que acredita que esse movimento — impulsionado pela maior volatilidade hidrológica, pelo crescimento acelerado da demanda e pela necessidade urgente de modernizar a infraestrutura — tende a abrir espaço para novos investimentos em geração no longo prazo.

Segundo o executivo, a transição energética e os custos associados às tecnologias mais limpas também pressionam os valores de mercado, criando um ambiente em que determinados ativos passam a ganhar importância estratégica.

Flexibilidade passa a ser palavra-chave

Menezes destaca que o cenário abre oportunidades especialmente para usinas capazes de operar com rapidez, ajustando a produção quase instantaneamente. “Esse cenário cria condições favoráveis para ativos capazes de oferecer flexibilidade operacional, isto é, iniciar e interromper a produção de energia rapidamente, atendendo com eficiência à demanda de ponta”, afirmou à BNamericas.

O paradoxo do momento brasileiro é claro: mesmo com sobra de energia — resultado da expansão acelerada das renováveis, sobretudo eólica e solar — o sistema convive com oscilações cada vez mais frequentes na oferta dessas fontes intermitentes. Quando o vento diminui ou o sol some, cresce a necessidade de recursos que compensem a variação.

“Nesses momentos, são os ativos de geração flexíveis que assumem papel crucial, fornecendo energia de maneira imediata e garantindo a estabilidade da rede”, explicou o CEO.

O que ganha força no novo desenho do setor

Dentro desse contexto, Menezes aponta quatro grupos de ativos que devem se tornar protagonistas:

Usinas termelétricas a gás natural de ciclo aberto (OCGT): com partida extremamente rápida, estão entre as mais indicadas para responder a picos de demanda em poucos minutos;
Usinas hidrelétricas com reservatório: além da geração de base, têm versatilidade para modulação quase instantânea, equilibrando o sistema em momentos críticos;
Baterias e sistemas de armazenamento de energia: ainda pouco representativos na matriz, mas crescendo à medida que os custos tecnológicos caem, oferecendo resposta imediata;
Pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) com capacidade de modulação: mesmo com menor porte, ajudam no ajuste fino em regiões específicas.

“Esses ativos ganham relevância em um contexto de preços ascendentes, pois conseguem capturar oportunidades de remuneração nos horários de maior valor da energia, os momentos de ponta, garantindo retorno mais robusto ao investidor”, afirmou Menezes.

Leilões previstos para 2026 trazem novo fôlego

O governo federal planeja realizar, em 2026, dois Leilões de Reserva de Capacidade (LRCAPs): um dedicado a termelétricas e hidrelétricas e outro focado em baterias. A sinalização é vista por especialistas como tentativa de antecipar gargalos e garantir maior segurança ao sistema — algo que, na avaliação de analistas do setor, dialoga diretamente com a visão de uma transição energética mais equilibrada e planejada.

Matriz em transformação

Hoje, a capacidade instalada centralizada do Brasil soma 248 GW, segundo o Operador Nacional do Sistema (ONS). A distribuição atual inclui:

  • 108,7 GW de hidrelétricas
  • 34,3 GW de eólicas
  • 18,9 GW de solares
  • 17,7 GW de térmicas a gás e/ou GNL
  • 15,5 GW de biomassa
  • 2,9 GW de carvão
  • 2,5 GW de óleo/diesel
  • 1,99 GW de nucleares
  • 184 MW de outras fontes

Além disso, a geração distribuída — quase totalmente solar — já soma 45,6 GW, impulsionada pelo avanço dos sistemas fotovoltaicos instalados diretamente pelos consumidores.

O ONS projeta que, até 2029, a soma da geração solar (centralizada e distribuída) com a eólica deverá atingir 46,5% da potência nacional, um salto expressivo frente aos 39,9% atuais.

Um setor em ebulição

À medida que preços mais altos se tornam uma tendência e a matriz brasileira avança rumo a uma participação cada vez maior de renováveis, cresce a percepção de que o país precisa reforçar sua “espinha dorsal” elétrica. Para Menezes, ativos flexíveis — historicamente vistos como suporte — passam a ocupar posição estratégica.

No pano de fundo, o debate sobre planejamento energético e segurança no suprimento ganha força, especialmente entre setores que defendem uma transição justa, capaz de equilibrar sustentabilidade, custo e confiabilidade.

O Brasil, mais uma vez, se vê diante de uma encruzilhada: transformar sua vantagem renovável em desenvolvimento sólido e estável ou conviver com riscos crescentes. Os próximos anos dirão se o país saberá aproveitar a oportunidade.

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Usina de Itaipu termina montagem de “ilha solar” que vai gerar energia https://www.ocafezinho.com/2025/10/06/usina-de-itaipu-termina-montagem-de-ilha-solar-que-vai-gerar-energia/ https://www.ocafezinho.com/2025/10/06/usina-de-itaipu-termina-montagem-de-ilha-solar-que-vai-gerar-energia/#respond Mon, 06 Oct 2025 18:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=218672 Projeto-piloto ancorou 1,5 mil placas fotovoltaicas no Rio Paraná

A usina hidrelétrica de Itaipu, na fronteira entre o Brasil e Paraguai, terminou a primeira fase de montagem do projeto piloto de uma ilha solar flutuante, que vai gerar energia limpa para uso interno da instalação.

O empreendimento consiste na montagem e ancoragem de 1.568 painéis fotovoltaicos no leito do reservatório do Rio Paraná, que fornece a água que faz girar as 20 turbinas de Itaipu e gerar energia elétrica. A primeira fase terminou em 26 de setembro e foi informada pela empresa na sexta-feira (3).

A ilha solar ocupa uma área de 7,6 mil metros quadrados (m²), o equivalente a quase um campo de futebol. O próximo passo do projeto piloto são, nas próximas duas semanas, a instalação dos últimos equipamentos e a conexão de cabos de energia e comunicação, para, em seguida, iniciar testes frios (sem geração de energia) e quente (com energização).

A estimativa da empresa é que a operação comece em novembro, com geração de 1 MWp (megawatt-pico), unidade de medida para a capacidade máxima de geração de energia. Essa energia limpa é equivalente para abastecer 650 casas e será utilizada para consumo próprio da usina.

Prazo

A Agência Brasil visitou o empreendimento no fim de julho, quando a construção estava 60% pronta. À época, a previsão era entrega do projeto em setembro.

No entanto, o engenheiro Márcio Massakiti Kubo, da Superintendência de Energias Renováveis, explica que “o cronograma sofreu pequenos ajustes devido às chuvas e à necessidade de garantir a segurança dos trabalhadores e da operação da hidrelétrica”.

Ele acrescenta que a montagem exige cuidados especiais por estar próxima ao vertedouro (estrutura para liberar excesso de água no reservatório) e área náutica de segurança operativa da usina.

O investimento é US$ 854,5 mil (cerca de R$ 4,5 milhões). As obras são realizadas pelo consórcio binacional formado pelas empresas Sunlution (brasileira) e Luxacril (paraguaia), vencedor de licitação.

Avaliação

Depois de iniciada a operação, a ilha solar passará pelo período de um ano de avaliação sobre a viabilidade técnica, benefícios e possíveis impactos ambientais. A análise servirá para subsidiar decisões sobre expansão do sistema.

Estimativas de Itaipu apontam que a cobertura de 1% da área do reservatório pode gerar até 3,6 TWh por ano — o equivalente a cerca de 4% da produção anual da hidrelétrica em 2023.

Segundo a empresa, do ponto de vista ambiental, “não foram identificados impactos significativos na literatura especializada, o que encorajou a realização do projeto”.

O projeto-piloto prevê monitoramentos contínuos para avaliar eventuais efeitos sobre a biodiversidade, como alterações no habitat de aves e peixes, qualidade da água, floração de algas, entre outros impactos.

Capacidade ampliada

Durante a vista da Agência Brasil, o superintendente da Assessoria de Energias Renováveis da Itaipu, Rogério Meneghetti, estimou que, se no futuro Itaipu conseguir cobrir 10% do reservatório com placas solares, será possível gerar 14 mil MW, o que significa dobrar a capacidade atual da empresa, que deixaria de ser apenas uma hidrelétrica.

No entanto, ele ponderou que não são todas as áreas do reservatório que podem ser utilizadas. Ficam de fora, por exemplo, áreas de navegação e de reprodução de peixes.

Recorde de produção

Responsável por cerca de 9% da produção de energia elétrica consumida no Brasil, a hidrelétrica Itaipu é um projeto Binacional, que envolve Brasil e o Paraguai. A lado brasileiro da usina fica em Foz do Iguaçu, no Paraná.

No dia 5 de setembro, a hidrelétrica alcançou a marca histórica de 3,1 bilhões de megawatts-hora (MWh) produzidos desde que entrou em operação em 1984.

Para se ter noção, a produção de 3,1 bilhões de MWh é suficiente para abastecer o mundo inteiro por 44 dias ou o Brasil por seis anos e um mês.

Além da energia hidrelétrica, o empreendimento faz pesquisas para ampliar a produção de energia renovável, como hidrogênio verde e biocombustíveis. Uma das iniciativas envolve transformar apreensão de contrabando em biogás.

Publicado originalmente pela Agência Brasil em 06/10/2025

Por Bruno de Freitas Moura – Repórter da Agência Brasil – Rio de Janeiro

Edição: Valéria Aguiar

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Lula analisa conquistas da gestão: ‘colheita é extraordinária’ https://www.ocafezinho.com/2025/10/05/lula-analisa-conquistas-da-gestao-colheita-e-extraordinaria/ https://www.ocafezinho.com/2025/10/05/lula-analisa-conquistas-da-gestao-colheita-e-extraordinaria/#comments Sun, 05 Oct 2025 15:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=218445 1 Comentário 🔥]]> Presidente lista avanços na economia, no combate às desigualdades e na retomada e consolidação de programas sociais

Ajuste histórico na tabela do Imposto de Renda, saída do Mapa da Fome, programas que garantem luz e gás gratuito a quem mais precisa, ações que agilizam consulta a especialistas na área de saúde, economia com a menor taxa de desemprego da série histórica e aumento do poder de compra do salário mínimo. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva listou, em entrevista à TV Liberal (PA) nesta sexta-feira (3/10) alguns dos motivos que avalia serem resultado da “colheita” dos investimentos e iniciativas do Governo do Brasil desde o início da gestão em 2023.

Para Lula, a aprovação pela Câmara nesta semana, por unanimidade, do projeto do Governo do Brasil enviado ao parlamento para zerar o Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil é um dos marcos importantes, em especial por promover justiça tributária no país.

O texto, que ainda passará pela apreciação do Senado, beneficia de forma direta 10 milhões de brasileiros, e outros cinco milhões com os descontos progressivos a quem recebe entre R$ 5 mil e R$ 7,35 mil. Elas se juntam a outras 10 milhões de pessoas que já haviam sido contempladas com a isenção por mudanças na faixa do Imposto de Renda aplicadas desde o início da gestão, em 2023.

“Foi primeiro para quem ganha dois salários mínimos, depois para quem ganhava um pouco mais. E agora até R$ 5 mil. E quem ganha até sete mil e pouco vai ter um desconto. Essa é uma coisa maravilhosa”, afirmou o presidente, lembrando que entre 2016 e 2022 não houve qualquer reajuste na faixa de isenção do IR. A compensação virá com a cobrança de uma taxa de até 10% para quem recebe acima de R$ 50 mil (R$ 600 mil por ano), um público restrito estimado em 141 mil brasileiros.

Gás e Luz

Outro programa citado pelo presidente foi o Gás do Povo, iniciativa para garantir o acesso gratuito ao botijão de gás para 17 milhões de famílias do CadÚnico, medida que promove a inclusão energética e combate os efeitos nocivos para a saúde do uso de lenha ou de outros combustíveis perigosos para cozinhar. “São 17 milhões de famílias que vão receber gás de graça”, sublinhou Lula, que também ressaltou a relevância do Luz do Povo, que garante gratuidade na conta de energia para integrantes do CadÚnico em maior condição de vulnerabilidade que consomem até 80 quilowatts.

Agora tem Especialistas

No campo da saúde, que dobrou o número de integrantes do Mais Médicos , retomou o Brasil Sorridente e as campanhas de vacinação, Lula citou como destaque mais recente o programa Agora Tem Especialistas, criado para garantir que os pacientes do Sistema Único de Saúde tenham mais agilidade entre a consulta, a realização de exames e o atendimento com especialistas. “Vamos acabar com essa espera”, citou.

Educação

No recorte da educação, Lula citou especificamente o investimento em matrículas no ensino integral, que já beneficiou mais de um milhão de alunos, e a criação do Pé-de-Meia, programa que garante um incentivo para os estudantes permanecerem no ensino médio , com um valor de até R$ 9,2 mil para quem passa de ano nas três etapas e faz a o Exame Nacional do Ensino Médio. “Por que a gente fez isso? Porque descobrimos que 480 mil jovens desistiam da escola por ano no ensino médio para ajudar no orçamento familiar. Só aqui no Pará tem 270 mil pessoas recebendo o pé de meia”.

Economia

O presidente celebrou ainda alguns indicadores econômicos, como o crescimento da renda do trabalhador, o investimento expressivo anunciado pelo setor automotivo, a inflação controlada e em viés de baixa. No último mês, o país atingiu o menor índice de desemprego da série histórica (5,6%) e, superou a marca de 1,5 milhão de empregos gerados com carteira assinada em 2025 . São 4,6 milhões de novas vagas formais desde janeiro de 2023. “Então a colheita é extraordinária”, resumiu o presidente.

Publicado originalmente pela Agência Gov em 03/10/2025

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Governo elabora programa para obter energia a partir do calor do centro da Terra https://www.ocafezinho.com/2025/10/02/governo-elabora-programa-para-obter-energia-a-partir-do-calor-do-centro-da-terra/ https://www.ocafezinho.com/2025/10/02/governo-elabora-programa-para-obter-energia-a-partir-do-calor-do-centro-da-terra/#respond Thu, 02 Oct 2025 18:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=218295 Conselho Nacional de Política Energética aprovou nesta quarta (1º/10) a elaboração de uma política nacional de energia geotérmica, para desenvolver o potencial em diversas regiões do Brasil como vetor de transição

O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou, nesta quarta-feira (1°/10), a criação do Programa Nacional de Energia Geotérmica (Progeo), política pública que visa fomentar a exploração e o uso da energia geotérmica no Brasil.

A medida marca um avanço estratégico na diversificação da matriz energética nacional, com forte alinhamento às metas climáticas e à promoção de uma transição energética justa, segura e inclusiva.

“O Brasil tem um potencial geotérmico expressivo em diversas regiões do território nacional. Com o programa, vamos transformar esse potencial em oportunidade concreta de geração de energia limpa, promovendo o crescimento sustentável”, destacou o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, que preside o CNPE.

Energia geotérmica é a energia proveniente do calor armazenado no interior da Terra, aproveitando o calor das rochas, fluidos e águas subterrâneas para gerar eletricidade ou fornecer aquecimento e resfriamento direto para edificações.

A resolução aprovada no CNPE estabelece diretrizes para o desenvolvimento de marcos legais e infralegais, o incentivo a projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I), e a estruturação de políticas públicas voltadas ao aproveitamento sustentável do potencial geotérmico do país.

O Progeo também busca dinamizar economias locais e fortalecer a cadeia nacional de fornecimento de bens e serviços para o setor energético.

Embora o Brasil já possua uma matriz elétrica 90% renovável, a necessidade de garantir segurança energética, resiliência econômica e sustentabilidade ambiental torna fundamental o desenvolvimento de novas fontes firmes e de baixa emissão de carbono. A energia geotérmica se insere nesse contexto como uma alternativa estratégica para ampliar a diversidade da matriz e avançar na transição energética.

Além de incentivar o aproveitamento de uma fonte renovável e de baixa emissão de carbono, a iniciativa permitirá o uso de recursos de PD&I provenientes da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), vinculadas ao Ministério de Minas e Energia (MME) para impulsionar o setor, garantindo base técnico-científica para decisões regulatórias e empresariais.

Com a aprovação da resolução, o MME dará início à implementação das medidas previstas, em articulação com os demais órgãos envolvidos e com o setor produtivo.

Publicado originalmente pela Agência Gov em 01/10/2025

Por Ministério das Minas e Energia

Edição: Isaías Dalle

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Inflação cai fortemente em agosto https://www.ocafezinho.com/2025/09/10/inflacao-cai-fortemente-em-agosto/ https://www.ocafezinho.com/2025/09/10/inflacao-cai-fortemente-em-agosto/#respond Wed, 10 Sep 2025 15:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=217076 Inflação fica em -0,11% em agosto, com quedas em habitação, alimentação e transportes. Com incorporação do Bônus de Itaipu, energia elétrica residencial cai 4,21% em agosto.

O Índice de Preços ao Consumido Amplo (IPCA) registrou deflação de 0,11% em agosto, ficando 0,37 ponto percentual (p.p.) abaixo da taxa de 0,26% de julho. Este foi o primeiro resultado negativo desde agosto de 2024 (-0,02%) e o mais intenso desde setembro de 2022 (-0,29%). No ano, o IPCA acumula alta de 3,15% e, nos últimos 12 meses, o índice ficou em 5,13%, abaixo dos 5,23% dos 12 meses imediatamente anteriores. Os resultados foram divulgados hoje (10) pelo IBGE.

A variação e o impacto negativo mais intensos vieram do grupo Habitação (-0,90% e -0,14 p.p.), devido à queda na energia elétrica residencial (-4,21%), subitem que exerceu o impacto mais intenso no índice (-0,17 p.p.). Também tiveram quedas em agosto Alimentação e bebidas (-0,46% e -0,10 p.p.) e Transportes (-0,27% e -0,06 p.p.), grupos de maior peso no IPCA juntamente com Habitação.

“Somados, esses três grupos foram responsáveis por -0,30 p.p. de impacto no índice geral. Sem eles, o resultado do IPCA de agosto ficaria em 0,43%”, informou Fernando Gonçalves, gerente do IPCA.

Além deles, Comunicação e Artigos de residência também tiveram deflação (ambos com -0,09% de variação e 0,00 p.p. de impacto) e os demais grupos registraram variações e impactos positivos: Educação (0,75% e 0,05 p.p.), Saúde e cuidados pessoais (0,54% e 0,07 p.p.), Vestuário (0,72% e 0,03 p.p.) e Despesas pessoais (0,40% e 0,04 p.p.).

O índice de difusão, ou seja, o percentual de subitens que tiveram resultado positivo, aumentou de 50% em julho para 57% em agosto. “O grupamento dos alimentícios mostrou redução na difusão de julho para agosto, de 50% para 47%, enquanto no grupamento dos não alimentícios houve aumento de 49% para 65%, mostrando uma maior quantidade de subitens com alta de preços. Todavia, a variação do grupamento dos não alimentícios foi de -0,01%, em razão da contribuição da queda na energia elétrica residencial”, analisa o gerente.

Habitação saiu de um aumento de 0,91% em julho para uma queda de 0,90% em agosto. “Essa foi menor resultado para um mês de agosto desde o Plano Real”, destaca o Gonçalves. O grupo foi influenciado pela energia elétrica (-4,21% e -0,17 p.p.), com queda em decorrência da incorporação do Bônus de Itaipu, apesar de estar em vigor a bandeira tarifária vermelha patamar 2, que adiciona R$ 7,87 na conta e luz a cada 100 Kwh consumidos. Em julho, vigorava a bandeira tarifária vermelha patamar 1.

A energia sofreu, ainda, uma série de reajustes tarifários: 18,62% em São Luís (-5,90%) a partir de 28 de agosto; 15,32% em Vitória (7,02%) a partir de 07 de agosto; 4,25% em Belém (-2,34%) desde 07 de agosto e 13,97% em uma das concessionárias em São Paulo (-3,64%) vigente desde 04 de julho.

O grupo Alimentação e bebidas (-0,46%), de maior peso no índice, teve deflação pelo terceiro mês consecutivo (-0,18% em junho e -0,27 em julho). A queda de agosto foi influenciada pela alimentação no domicílio, com -0,83%, após redução de 0,69% em julho. Destacam-se as reduções no tomate (-13,39%), batata-inglesa (-8,59%), cebola (-8,69%), arroz (-2,61%) e café moído (-2,17%). “De forma geral, tais produtos alimentícios registraram quedas em razão de maior oferta”, observa o gerente.

Já a alimentação fora do domicílio desacelerou na passagem de julho (0,87%) para agosto (0,50%). O subitem lanche passou de 1,90% em julho para 0,83% em agosto, e a refeição foi de 0,44% em julho para 0,35% em agosto.

Transportes saiu de 0,35% em julho para -0,27% em agosto. O resultado reflete a queda nas passagens aéreas (-2,44%) e nos combustíveis (-0,89%). Com redução de 0,94%, a gasolina registrou o segundo impacto individual mais intenso no índice (-0,05 p.p.). Etanol (-0,82%) e gás veicular (-1,27%) também caíram, enquanto o óleo diesel subiu 0,16%.

De acordo com Gonçalves, “no caso das passagens aéreas, a redução se deve ao final das férias de meio de ano e, especificamente na gasolina, a partir de agosto, a mistura do etanol subiu para 30%”.

Pelo lado das altas, o grupo Educação variou 0,75% em agosto com a incorporação de reajustes nos cursos regulares (0,80%), principalmente por conta dos subitens ensino superior (1,26%) e ensino fundamental (0,65%). A alta dos cursos diversos (0,91%) foi influenciada pelos cursos de idiomas (1,87%).

No Vestuário (0,72%), destacam-se as altas na roupa masculina (0,93%) e nos calçados e acessórios (0,69%).

Em Saúde e cuidados pessoais (0,54%), sobressaem as altas nos itens de higiene pessoal (0,80%) e no plano de saúde (0,50%).

Despesas pessoais (0,40%) apropriou, além do reajuste nos jogos de azar (3,60%), vigente desde 9 de julho, a queda de 4,02% no subitem cinema, teatro e concertos, em razão da semana do cinema.

No agregado especial de serviços, o IPCA acelerou de 0,59% em julho para 0,39% em agosto, e o agregado de preços monitorados, ou seja, controlados pelo governo, saiu de 0,67% para -0,61% em agosto.

“Nos serviços, a desaceleração vem do movimento no grupamento da alimentação fora, que passou de 0,87% em julho para 0,50% em agosto, e das quedas nos subitens passagem aérea e cinema, teatro e concertos. Já nos monitorados, a queda sofre influência da variação negativa da energia elétrica residencial e da gasolina”, detalhou o gerente.

Quanto aos índices regionais, Vitória apresentou a maior variação (0,23%) por conta da energia elétrica residencial (7,02%) e da taxa de água e esgoto (4,64%). A menor variação (-0,40%) foi registrada em Goiânia e Porto Alegre, devido às quedas na energia elétrica residencial (-7,77% e -6,68%) e na gasolina (-2,20% e -2,69%).

INPC tem queda de 0,21% em agosto

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) registrou queda de 0,21% em agosto. No ano, o acumulado é de 3,08% e, nos últimos 12 meses, de 5,05%, abaixo dos 5,13% observados nos 12 meses imediatamente anteriores. Em agosto de 2024, a taxa foi de -0,14%.

Os produtos alimentícios passaram de -0,38% em julho para -0,54% em agosto. A variação dos não alimentícios passou de 0,41% em julho para -0,10% em agosto.

Quanto aos índices regionais, a maior variação (0,31%) ocorreu em Vitória por conta da energia elétrica residencial (7,11%) e da taxa de água e esgoto (4,64%). A menor variação ocorreu no Rio de Janeiro (-0,53%) em razão da queda na energia elétrica residencial (-6,08%) e no café moído (-4,93%).

Mais sobre as pesquisas

O IPCA abrange as famílias com rendimentos de 1 a 40 salários mínimos, enquanto o INPC, as famílias com rendimentos de 1 a 5 salários mínimos, residentes nas regiões metropolitanas de Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Vitória, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Porto Alegre, além do Distrito Federal e dos municípios de Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís e Aracaju. Acesse os dados no Sidra. O próximo resultado do IPCA, referente a setembro, será divulgado em 09 de outubro.

Publicado originalmente pela Agência de Notícias IBGE em 10/09/2025

Por Irene Gomes – Editoria Estatísticas Econômicas

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Ucrânia reivindica ataque a estação de petróleo russa https://www.ocafezinho.com/2025/08/13/ucrania-reivindica-ataque-a-estacao-de-petroleo-russa/ https://www.ocafezinho.com/2025/08/13/ucrania-reivindica-ataque-a-estacao-de-petroleo-russa/#respond Wed, 13 Aug 2025 14:05:47 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=215173 A rede de oleodutos Druzhba e o Sistema Báltico-2, vitais para a exportação russa, são alvo de ações estratégicas ucranianas recentes

A Ucrânia afirmou ter realizado um ataque a uma estação de bombeamento de petróleo em Unecha, um ponto estratégico da rede de oleodutos russos destinada à exportação de petróleo bruto. A ação teria provocado danos significativos e um incêndio de grandes proporções na instalação localizada na região de Bryansk, próxima à fronteira com a Ucrânia e a Bielorrússia, informou o Estado-Maior ucraniano em uma publicação no Facebook.

Segundo Kiev, explosões foram ouvidas tanto na área de armazenamento quanto nas seções onde estão localizadas as bombas principais e auxiliares. No entanto, não foi possível confirmar de forma independente as alegações ucranianas, e o país não detalhou se o ataque interrompeu o fluxo de petróleo. A operadora russa Transneft PJSC não respondeu imediatamente aos pedidos de comentário da Bloomberg.

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O governador de Bryansk, Alexander Bogomaz, afirmou em seu canal no Telegram que um incêndio ocorreu na instalação de combustível em Unecha, atribuível a ataques de foguetes e drones ucranianos. Ele acrescentou que o fogo já foi controlado, mas não forneceu informações adicionais sobre a extensão dos danos.

A estação de bombeamento de Unecha desempenha um papel central na rede de oleodutos Druzhba, que transporta petróleo russo para países como Hungria e Eslováquia, além de levar petróleo do Cazaquistão à Alemanha. A instalação também integra o Sistema de Oleodutos Báltico-2, responsável por conduzir o petróleo russo até o porto de Ust-Luga, a segunda maior base de exportação do país no Mar Báltico.

O ataque em Unecha ocorre em meio a uma série de ações semelhantes, com a Ucrânia intensificando ataques a drones contra infraestrutura energética russa ao longo deste mês. No início de agosto, quatro refinarias russas foram atingidas, interrompendo parcialmente as operações de três usinas da Rosneft PJSC. Mais recentemente, Kiev anunciou um ataque a uma importante usina de hélio na Rússia.

Analistas observam que essas ações se intensificam justamente antes do encontro entre os presidentes Donald Trump e Vladimir Putin, marcado para esta sexta-feira. A onda de ataques evidencia a capacidade da Ucrânia de atingir alvos estratégicos na Rússia, em um esforço para pressionar Moscou em meio às negociações e tensões geopolíticas em curso.

Dia 1.266 da guerra entre a Rússia-Ucrânia: lista de eventos importantes

Aqui estão os principais eventos do dia 1.266 da guerra da Rússia na Ucrânia.

Combate

  • Um ataque russo matou um civil e feriu outra pessoa em Shakhove, na região de Donetsk, na Ucrânia, disse o governador Vadym Filashkin em uma publicação no Telegram.
  • Forças russas bombardearam a cidade de Bilozerske, também na região de Donetsk, na Ucrânia, durante a noite, matando duas pessoas e ferindo sete, incluindo um garoto de 16 anos, informou o gabinete do promotor regional.
  • A agência de notícias AFP informou que os ucranianos estavam evacuando Bilozerske enquanto as tropas russas ganhavam terreno na área, enquanto o grupo ucraniano de monitoramento do campo de batalha DeepState informou que as forças russas avançaram em Nikanorivka, Shcherbynivka e perto de Petrivka, na região de Donetsk.
  • O presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy disse que a Rússia quer que a Ucrânia se retire de toda a região de Donetsk, no leste da Ucrânia, como parte de um acordo de cessar-fogo, já que o líder russo Vladimir Putin deve se encontrar com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para conversas sobre a guerra no Alasca na sexta-feira.
  • O Estado-Maior Ucraniano disse que suas forças estavam envolvidas em combates “difíceis” perto de Pokrovsk e Dobropillia, em Donetsk, e que reforços eram necessários para bloquear ataques de pequenos grupos de tropas russas.
  • O serviço de inteligência SBU da Ucrânia afirmou que drones ucranianos atingiram um depósito de drones de longo alcance russo no assentamento de Kzyl-Yul, na república russa do Tartaristão.
  • Uma pessoa morreu após ficar ferida em um ataque de drone ucraniano na segunda-feira em Arzamas, na região russa de Nizhny Novgorod, de acordo com a agência de notícias estatal russa TASS, que citou o governador regional.
  • O chefe da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Mariano Grossi, disse que a equipe da AIEA observou fumaça subindo de um prédio administrativo na Usina Nuclear de Zaporizhzhia, na Ucrânia, mas que não houve “nenhum aumento de radiação, nenhum impacto na segurança nuclear relatado e nenhuma vítima”.
  • As forças russas abateram seis bombas guiadas e 179 drones em 24 horas, informou o Ministério da Defesa russo na terça-feira, de acordo com a TASS.

Cessar-fogo

  • Zelenskyy disse que a cúpula entre Trump e Putin no Alasca na sexta-feira é uma “vitória pessoal” para Putin, “porque ele está se reunindo em território americano” e porque ele “de alguma forma adiou as sanções”.
  • Zelenskyy também disse que recebeu um “primeiro sinal” do enviado dos EUA, Steve Witkoff, de que a Rússia poderia concordar com um cessar-fogo, sem fornecer mais detalhes.
  • A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse que a reunião na capital do Alasca, Anchorage, seria “um exercício de escuta para o presidente” e que o objetivo era que ele “saísse com uma melhor compreensão de como podemos acabar com esta guerra”.
  • O Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, e o Ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, conversaram por telefone na terça-feira. O Departamento de Estado dos EUA afirmou que “ambas as partes confirmaram seu compromisso de garantir um evento bem-sucedido” no Alasca.

Política e diplomacia

  • O Ministério das Relações Exteriores da Rússia afirmou que Putin conversou com o líder norte-coreano Kim Jong-un sobre seu próximo encontro com Trump. Putin também expressou apreço pelo apoio da Coreia do Norte na “libertação da região de Kursk das forças invasoras do regime de Kiev”, informou o ministério em uma publicação no Telegram.
  • Zelenskyy conversou com o presidente da Turquia, o emir do Catar, o presidente da Romênia e o primeiro-ministro da Holanda na terça-feira.

Com informações de AL JAZEERA e Bloomberg*

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Deu no New York Times: Estados Unidos ficam para tras na corrida energetica mais decisiva do seculo https://www.ocafezinho.com/2025/07/05/deu-no-new-york-times-estados-unidos-ficam-para-tras-na-corrida-energetica-mais-decisiva-do-seculo/ https://www.ocafezinho.com/2025/07/05/deu-no-new-york-times-estados-unidos-ficam-para-tras-na-corrida-energetica-mais-decisiva-do-seculo/#respond Sat, 05 Jul 2025 16:24:58 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=212089 Uma reportagem do New York Times acaba de publicar dados que podem representar a visualizacao geopolitica mais importante do seculo XXI. O jornal americano documenta uma divergencia sem precedentes entre as duas maiores superpotencias mundiais: enquanto a China aposta trilhoes de dolares em energia limpa, os Estados Unidos dobram a aposta em combustiveis fosseis.

A materia “”Há uma corrida para energizar o futuro. A China está abrindo vantagem” expoe o tamanho do abismo que se forma entre as estrategias energeticas das duas nacoes. Em 2024, a China instalou mais turbinas eolicas e paineis solares do que o resto do mundo combinado. Ao mesmo tempo, o presidente Trump pressiona Japao e Coreia do Sul a investir “trilhoes de dolares” em projetos de gas natural, enquanto a General Motors cancela planos de produzir motores eletricos em Buffalo para investir US$ 888 milhoes na fabricacao de motores V-8 a gasolina.

Nas exportacoes de tecnologia de energia limpa em 2023, a China vendeu US$ 65 bilhoes em baterias de litio contra apenas US$ 3 bilhoes dos Estados Unidos. Em paineis solares, a diferenca e ainda mais gritante: US$ 40 bilhoes da China versus meros US$ 69 milhoes americanos. Em carros eletricos, Pequim exportou US$ 38 bilhoes contra US$ 12 bilhoes de Washington.

Do lado dos combustiveis fosseis, os numeros se invertem. Os Estados Unidos exportaram US$ 117 bilhoes em petroleo bruto em 2023, enquanto a China vendeu apenas US$ 844 milhoes. Em gas natural, a diferenca foi de US$ 42 bilhoes americanos contra US$ 3 bilhoes chineses.

Duas visoes opostas do futuro

A reportagem do New York Times detalha como cada superpotencia justifica sua estrategia. A administracao Trump quer manter o mundo dependente de combustiveis fosseis, aproveitando que os Estados Unidos sao o maior produtor mundial de petroleo e o maior exportador de gas natural. A aposta e numa era de “dominancia energetica” americana que elimine a dependencia de paises estrangeiros, particularmente rivais como a China.

A China segue direcao completamente oposta. Pequim aposta num mundo alimentado por eletricidade barata do sol e vento, dependendo da China para paineis solares e turbinas acessiveis e de alta tecnologia. Diferentemente dos Estados Unidos, a China nao possui muito petroleo ou gas facilmente acessivel em relacao a sua populacao gigantesca, o que a torna ansiosa para eliminar a dependencia de combustiveis fosseis importados.

A estrategia chinesa nao nasceu de preocupacoes climaticas, mas de uma percepcao estrategica ha duas decadas. Em 2003, quando Wen Jiabao se tornou primeiro-ministro, o geologo especializado em terras raras viu na politica energetica tanto uma oportunidade de negocios quanto uma necessidade geopolitica. A China havia se tornado dependente de petroleo importado e se sentia vulneravel a convulsoes no Oriente Medio e ao controle de rotas maritimas pelos Estados Unidos e India.

O governo de Wen essencialmente assinou um cheque em branco. A China forneceu centenas de bilhoes de dolares em subsidios para fabricantes de energia eolica, solar e carros eletricos, protegendo seus mercados de competidores estrangeiros. Estabeleceu um quase-monopolio global sobre muitas materias-primas essenciais, como cobalto para baterias.

Como a America perdeu a lideranca

O New York Times documenta como os Estados Unidos tiveram todas as oportunidades para liderar o mundo em energias renovaveis. Na verdade, ja lideraram. Americanos criaram as primeiras celulas fotovoltaicas de silicio praticas nos anos 1950 e as primeiras baterias recarregaveis de litio-metal nos anos 1970. A primeira fazenda eolica do mundo foi construida em New Hampshire ha quase 50 anos. Jimmy Carter instalou paineis solares na Casa Branca em 1979.

Mas com petroleo, gas e carvao em abundancia, e a industria de combustiveis fosseis financiando esforcos para minimizar preocupacoes climaticas, o compromisso americano com investimentos em energia limpa oscilou dramaticamente ao longo das decadas.

O caso Solyndra exemplifica essa inconsistencia. A fabricante de celulas solares recebeu garantia federal para emprestimos de US$ 528 milhoes, depois faliu, deixando os contribuintes no prejuizo. Mais de uma decada se passou, mas criticos dos esforcos americanos para promover energia limpa ainda citam a Solyndra como evidencia da tolice das renovaveis.

Autoridades chinesas ficaram perplexas com a fixacao americana no caso Solyndra. “Voces estao um pouco preocupados com a Solyndra? Empresas muito pequenas, por que estao preocupados?”, questionou Li Junfeng, arquiteto-chave das politicas eolica e solar da China, em entrevista de 2017. Pequim tinha maior apetite para assumir riscos, o que significava as vezes falhar, mas tambem as vezes colher recompensas maiores.

Hoje, a China produz mais de 90% do polisilicio mundial, material crucial para paineis solares. Em 2008, os Estados Unidos produziam quase metade. A industria automobilistica chinesa e agora amplamente vista como a mais inovadora do mundo, superando japoneses, alemaes e americanos.

A analise de Arnaud Bertrand: “O desenvolvimento geopolitico mais consequente do seculo”

O analista geopolitico Arnaud Bertrand considera esta divergencia energetica “de longe um dos desenvolvimentos geopoliticos mais consequentes do seculo XXI”. Em sua analise da reportagem do New York Times, Bertrand argumenta que a situacao atual, com a China apostando tudo em energia limpa enquanto a America aposta em “perfurar, perfurar, perfurar”, nao e apenas sobre energia – estabelece ambas as superpotencias em caminhos divergentes que remodelaram fundamentalmente tudo.

Bertrand destaca uma conexao crucial frequentemente ignorada: a relacao entre energia e supremacia em inteligencia artificial. Citando declaracao de Sam Altman, CEO da OpenAI, ao Congresso americano, o analista lembra que “eventualmente o custo da inteligencia, o custo da IA, convergira para o custo da energia”.

Esta observacao revela uma verdade fundamental: nao ha vitoria em IA sem primeiro vencer em energia. Energia e a chave mestra para a supremacia tecnologica – quem controlar a infraestrutura energetica mais barata e escalavel desbloqueara vantagens imensas em todos os setores que importam.

“E incrivelmente raro, provavelmente ate sem precedentes na historia, ver duas superpotencias fazendo apostas trilionarias completamente opostas na tecnologia subjacente que literalmente alimenta o mundo”, observa Bertrand.

O analista aponta para uma estatistica: 87% dos novos investimentos energeticos do Sul Global direcionam-se para tecnologia limpa, sinalizando claramente qual futuro essas nacoes apoiam. Paises como Brasil, Africa do Sul e ate mesmo a India, rival regional de Pequim, conseguiram fazer a transicao para tecnologias mais limpas gracas aos paineis solares, baterias e carros eletricos chineses acessiveis.

Vantagens competitivas chinesas

A reportagem do New York Times documenta como a China desenvolveu vantagens competitivas decisivas. O pais instalou mais robos anualmente entre 2021 e 2023 do que o resto do mundo combinado – sete vezes mais que os Estados Unidos. Esta automacao massiva permite cortar custos de manufatura drasticamente.

Eric Luo, vice-presidente da LONGi Green Energy Technology, fabricante chinesa de paineis solares, explica o conceito de “manufatura em cluster”: “Ha lugares onde, numa viagem de tres a quatro horas, voce pode ter tudo. Os componentes, o fabricante, a forca de trabalho qualificada, tudo. Nao ha nenhum outro lugar globalmente onde voce possa ter toda essa inovacao agrupada.”

Robin Zeng, fundador da CATL, maior fabricante mundial de baterias para veiculos eletricos, revelou que custa seis vezes mais construir uma fabrica de baterias nos Estados Unidos do que na China. Isso foi antes da administracao Trump enfraquecer os incentivos financeiros para construir tais plantas em territorio americano.

A escala chinesa e sem precedentes. Em junho passado, a fazenda solar de Urumqi, a maior do mundo, entrou em operacao na Regiao Autonoma de Xinjiang. E capaz de gerar mais energia do que alguns paises pequenos precisam para suas economias inteiras. As outras dez maiores instalacoes solares do mundo tambem estao na China, e projetos ainda maiores estao planejados.

A montadora chinesa BYD esta construindo nao uma, mas duas fabricas de veiculos eletricos que produzirao cada uma o dobro de carros da maior fabrica automobilistica do mundo, uma planta da Volkswagen na Alemanha.

Projecoes alarmantes para Washington

A Agencia Internacional de Energia projeta que ate 2035, energia solar e eolica se tornarao as duas maiores fontes de producao de eletricidade, superando carvao e gas natural. Ate 2050, combustiveis fosseis devem cair para menos de 60% das necessidades energeticas globais.

Conforme o custo das renovaveis continua despencando, a estrategia americana pode deixar a China posicionada para capitalizar sobre o crescente apetite mundial por energia nao apenas mais limpa, mas mais barata.

Li Shuo, diretor do China Climate Hub no Asia Society Policy Institute, resume a situacao: “Os EUA vao defender uma economia de combustiveis fosseis, e a China se tornara lider da economia de baixo carbono. A questao para os EUA agora e: para onde voces vao a partir daqui?”

Varun Sivaram, membro do Council on Foreign Relations que ajudou a escrever politicas de energia limpa para a administracao Biden, e ainda mais direto: “A transicao energetica e realmente muito ruim para os Estados Unidos, porque cedemos terreno geopolitico e economico para um rival na China.”

Poder suave chines

Pequim esta usando sua dominancia em energia limpa para construir ou expandir relacionamentos politicos e economicos ao redor do mundo. Entre os maiores clientes chineses de energia verde esta um petroestado: a Arabia Saudita. Em terras deserticas famosas por suas reservas ilimitadas de petroleo, empresas chinesas estao construindo um dos maiores projetos mundiais de armazenamento de baterias ao lado de fazendas solares.

Desde 2023, empresas chinesas anunciaram US$ 168 bilhoes em investimentos estrangeiros em manufatura, geracao e transmissao de energia limpa. Os projetos leem como um atlas mundial: reatores nucleares na Turquia, turbinas eolicas no Brasil, veiculos eletricos na Indonesia, a maior fazenda eolica da Africa no norte do Quenia.

Rafael Dubeux, alto funcionario do Ministerio das Financas do Brasil, captura o momento: “Quando o governo federal dos Estados Unidos decide sair da corrida, isso nao para a corrida. Outros paises continuam se movendo.”

A questao central do seculo XXI

A reportagem do New York Times e a analise de Arnaud Bertrand convergem numa questao fundamental: em uma era onde energia determina supremacia tecnologica, e tecnologia determina poder geopolitico, qual estrategia prevalecera?

A aposta chinesa em energia limpa e barata, ou a aposta americana em combustiveis fosseis abundantes? A resposta pode determinar nao apenas quem dominara a inteligencia artificial e as tecnologias do futuro, mas quem moldara a ordem geopolitica do seculo XXI.

A China possui quase 700.000 patentes de energia limpa, mais da metade do total mundial. Suas principais montadoras, fabricantes de baterias e empresas de eletronicos introduziram sistemas que recarregam carros eletricos em apenas cinco minutos, eliminando um dos maiores obstaculos dos veiculos eletricos.

Enquanto isso, os Estados Unidos mantem vantagens significativas em combustiveis fosseis, mas enfrentam uma realidade incomoda: o mundo esta se movendo em direcao a alternativas mais limpas e, crucialmente, mais baratas.

Como observa Arnaud Bertrand, esta divergencia energetica sem precedentes entre duas superpotencias pode ser lembrada como o momento decisivo que definiu o equilibrio de poder do seculo XXI. A questao nao e mais se a transicao energetica acontecera, mas quem liderara – e quem ficara para tras.

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Lula na China: conheça os destinos dos R$ 27 bilhões que serão investidos em projetos no Brasil https://www.ocafezinho.com/2025/05/12/lula-na-china-conheca-os-destinos-dos-r-27-bilhoes-que-serao-investidos-em-projetos-no-brasil/ https://www.ocafezinho.com/2025/05/12/lula-na-china-conheca-os-destinos-dos-r-27-bilhoes-que-serao-investidos-em-projetos-no-brasil/#respond Mon, 12 May 2025 23:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=208575 Foram anunciados investimentos de montadoras chinesas, plataforma de delivery, além de HUB de energia renovável no Piauí, Parque Industrial de ecossistema verde, entre outros

Durante a quarta visita de Estado à China — a terceira em pouco mais de dois anos —, o Brasil celebrou a atração de investimentos chineses, por meio da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), na ordem de R$ 27 bilhões. O anúncio foi feito nesta segunda-feira, 12 de maio, durante o encerramento do Fórum Empresarial Brasil-China, em Pequim, que contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Hoje demos mais um passo para fortalecer nosso intercâmbio bilateral e criar oportunidades de comércio e desenvolvimento. China e Brasil são parceiros estratégicos e atores fundamentais nos temas globais. Apostamos na redução das barreiras comerciais e queremos mais integração”, afirmou Lula.

A GWM, uma das maiores montadoras chinesas, anunciou investimento de R$ 6 bilhões para expansão de suas operações no Brasil, a partir de onde exportará para toda a América do Sul e México. A Meituan, plataforma chinesa de delivery, investirá cerca de R$ 5 bilhões para atuar no mercado de entrega, por meio do aplicativo Keeta. O investimento prevê, nos próximos cinco anos, a geração de 100 mil empregos indiretos e a instalação de uma central de atendimento no Nordeste, com 3 a 4 mil empregos diretos.

Jorge Viana, presidente da ApexBrasil, celebrou os resultados do Fórum e afirmou que foram recebidas mais de 750 inscrições para participar do encontro. “Mais de 200 empresários brasileiros e mais de 500 empresários e empresárias chinesas. O resultado é que estamos realizando, aqui, o maior encontro empresarial – e não apenas mais um encontro – com a presença do presidente do Brasil e uma grande autoridade local representando o presidente Xi Jinping”, declarou.

Ainda segundo Viana, 25% de tudo que o Brasil importa vem da China. “Estamos aqui com 20 setores da economia do Brasil: só do agronegócio e da agricultura são 13. E, quando nós pegamos a segurança alimentar, a produção agrícola, agropecuária, que a China importa, a China importa US$ 215 bilhões — 25% vem de empresas e grupos brasileiros”, registrou Jorge Viana, que também comemorou a participação dos governadores Jerônimo Rodrigues (da Bahia) e Rafael Fonteles (Piauí).

Hub de energia

A empresa estatal chinesa CGN irá investir mais de R$ 3 bilhões em um HUB de energia renovável no Piauí. Serão investimentos na geração de energia eólica, energia solar, armazenamento de energia e energia termosolar, gerando mais de 5.000 empregos na construção das unidades.

“Neste mundo de conflitos, nesse mundo de tensão e de insegurança para o comércio, o presidente Lula segue firme defendendo o multilateralismo, o livre comércio, isso é extraordinário para os produtores brasileiros”, destacou Viana. “Acabei de fazer uma missão também, a pedido dele, para a Europa, onde devemos estar, graças ao empenho pessoal dele, fechando o maior acordo, o maior bloco comercial de livre comércio do mundo, União Europeia-Mercosul. E, claro, aqui com a China, depois dessa viagem, nós vamos ter um crescimento exponencial na relação e no fluxo de comércio”.

Parque industrial

A Envision, líder global em tecnologia verde, investirá até R$ 5 bilhões para construir o primeiro Parque Industrial Net-Zero da América Latina, promovendo a construção de um ecossistema verde que inclui Combustível Sustentável de Aviação (SAF), hidrogênio verde e amônia verde.

Bebidas

A Mixue, maior rede chinesa de bebidas no mundo, com mais de 45 mil lojas, vai comprar produtos brasileiros e iniciar operação no Brasil investindo R$ 3,2 bilhões, com estimativa de gerar 25 mil empregos até 2030.

Mina de Cobre

A Baiyin Nonferrous Group, grupo minerador chinês, anunciou a aquisição da mina de cobre Serrote, no estado de Alagoas, com um investimento total de R$ 2,4 bilhões.

Transporte e delivery

A DiDi, dona do aplicativo 99 táxi, anunciou investimento no setor de delivery e a construção de 10 mil pontos públicos de recarga para promover a eletrificação de veículos no Brasil.

Semicondutores

A Longsys, empresa chinesa de semicondutores, anunciou um investimento de R$ 650 milhões, sobretudo destinados ao aumento da capacidade produtiva de fábricas de semicondutores de São Paulo e Amazonas.

Insumos farmacêuticos

A empresa brasileira Nortec Química, maior produtora de Insumos Farmacêuticos Ativos (IFAs) da América Latina, firma parceria com as empresas chinesas, Acebright, Aurisco e Goto Biopharm, da ordem de R$ 350 milhões, para a construção de uma plataforma industrial de IFAs no Brasil.

Café e cinema brasileiros

A ApexBrasil firmou acordos com Luckin Coffee para promoção do café brasileiro; com Huaxia Film para promover o cinema nacional; e com a rede de supermercado Hotmaxx, para venda de produtos brasileiros no varejo.

Foram também firmados acordos entre as seguintes empresas:

  • Eurofarma e Sinovac criarão o Instituto Brasil-China para a Inovação em Biotecnologia e Doenças Infecciosas e Degenerativas
  • Raízen Energia e SAFPAC estabelecem as bases para discussão e potencial acordo de longo prazo para fornecimento de bioetanol pela Raízen à SAFPAC, visando a produção de Combustível Sustentável de Aviação (SAF) na China. O acordo implica investimentos da ordem de R$ 1 bilhão
  • A REAG Capital Holding e a CITIC Construction cooperam no âmbito do programa nacional de conversão de pastagens degradadas em sistemas de produção agrícola e florestal sustentável no Brasil.
  • A ABES, Associação Brasileira das Empresas de Software, e o ZGC, mais importante parque tecnológico chines, fomentam parcerias em inteligência artificial, infraestrutura de dados, expansão de mercados e capacitação de talentos.
  • Fiocruz e a chinesa Biomm do setor farmacêutico investem na produção local de insulina, fortalecendo o fornecimento estável de insulina no Brasil e beneficiando 16 milhões de pessoas com diabetes.

Publicado originalmente pela Agência Gov em 12/05/2025

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China investe US$ 66 bi no Brasil e mira energia e infraestrutura https://www.ocafezinho.com/2025/05/10/china-investe-us-66-bi-no-brasil-e-mira-energia-e-infraestrutura/ https://www.ocafezinho.com/2025/05/10/china-investe-us-66-bi-no-brasil-e-mira-energia-e-infraestrutura/#respond Sat, 10 May 2025 19:21:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=208402

A China investiu cerca de US\$ 66 bilhões no Brasil nos últimos 14 anos, segundo dados do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC) e da embaixada chinesa. Este é o maior volume de investimentos chineses no país já registrado, consolidando o país asiático como ator decisivo na modernização da base produtiva brasileira e na geração de empregos qualificados.

Os aportes se concentram em setores estratégicos como energia, infraestrutura, agronegócio e tecnologia. O setor energético lidera os investimentos, somando US\$ 32,5 bilhões entre 2007 e 2022. Empresas estatais chinesas como State Grid, China Three Gorges (CTG) e State Power Investment Corporation (SPIC) são responsáveis por grandes projetos. Entre eles, destaca-se o Linhão de Belo Monte, que fornece energia renovável a mais de 60 milhões de brasileiros e gera cerca de 5 mil empregos diretos.

Na área de infraestrutura, o investimento alcançou US\$ 25 bilhões entre 2019 e 2024. O aporte tem sido decisivo para modernizar a logística brasileira e reduzir gargalos históricos. O Porto de São Luís, no Maranhão, e a construção da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (FIOL), que conectará o interior da Bahia ao litoral, são exemplos do impacto direto da presença chinesa.

Há também interesse chinês no projeto da Ferrogrão, que pretende ligar o estado do Mato Grosso ao Porto de Miritituba, no Pará, criando um corredor eficiente para o escoamento da produção agrícola. O projeto pode ajudar a diminuir custos logísticos e ampliar a competitividade do agronegócio brasileiro.

Nos últimos anos, a China também passou a mirar o setor da transição energética. A partir de 2025, montadoras chinesas como BYD e GWM iniciarão a produção de veículos elétricos e híbridos em fábricas localizadas nas cidades de Camaçari (BA) e Iracemápolis (SP). A expectativa é que os projetos impulsionem a mobilidade sustentável, estimulem a indústria automotiva nacional e gerem milhares de empregos.

No agronegócio, a cooperação entre Brasil e China avança em áreas como biotecnologia, agricultura de precisão e uso de drones. Uma parceria entre a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) e a autoridade de aviação da China permitiu a introdução de drones agrícolas da DJI para pulverização em lavouras brasileiras, aumentando a eficiência e reduzindo custos para os produtores.

Os investimentos refletem o fortalecimento das relações bilaterais, que incluem não apenas o comércio tradicional, mas também áreas inovadoras de pesquisa, desenvolvimento e tecnologias emergentes. O Brasil se beneficia do capital e da expertise tecnológica chinesa, enquanto a China garante o acesso a recursos estratégicos e consolida sua presença econômica no maior país da América do Sul.

Os resultados dos investimentos chineses no Brasil são visíveis na diversificação da matriz energética, na melhoria da infraestrutura logística e no desenvolvimento de uma indústria mais sustentável e tecnologicamente avançada. A continuidade dessa parceria tem potencial para aprofundar ainda mais a integração econômica entre os dois países nos próximos anos.

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Brasil descobre mais petróleo na Bacia de Santos https://www.ocafezinho.com/2025/05/10/brasil-descobre-mais-petroleo-na-bacia-de-santos/ https://www.ocafezinho.com/2025/05/10/brasil-descobre-mais-petroleo-na-bacia-de-santos/#respond Sat, 10 May 2025 13:09:57 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=208396 Petrobras anuncia a descoberta de novo poço de petróleo na Bacia de Santos.

A Petrobras anunciou nesta sexta-feira (9) que encontrou petróleo “de excelente qualidade e sem contaminantes” no pré-sal da Bacia de Santos.

O poço, identificado como 3-BRSA-1396D-SPS, pertence ao bloco Aram e está localizado a 248 quilômetros da cidade de Santos (SP), no litoral paulista, com uma profundidade de 1.952 metros abaixo d’água.

Esta é a segunda descoberta de um poço de petróleo classificado como excelente no mesmo bloco da Bacia de Santos apenas neste ano.

Em março, a Petrobras informou que identificou indícios de petróleo no poço 4-BRSA-1395-SPS, a uma profundidade de 1.759 metros e a uma distância de 245 quilômetros da cidade de Santos.

Agora, a empresa iniciará as análises laboratoriais necessárias para identificar e caracterizar as condições do poço encontrado, avaliando o potencial da área.

A Petrobras também informou que, além dos estudos, outros dois poços serão perfurados e testados como parte do Plano de Avaliação e Descoberta (PAD).

Leia a nota da Petrobras na íntegra:

“A Petrobras informa que identificou a presença de petróleo de excelente qualidade e sem contaminantes no pré-sal da Bacia de Santos, em poço exploratório no bloco Aram.

O poço 3-BRSA-1396D-SPS está localizado a 248 km da cidade de Santos-SP, em profundidade d’água de 1952 metros. A perfuração desse poço já foi concluída, tendo o intervalo portador de petróleo sido constatado através de perfis elétricos, indícios de gás e amostragem de fluido.

É a segunda descoberta no mesmo bloco, seguindo o ótimo resultado já alcançado em outro poço exploratório no início do ano, onde encontramos petróleo de excelente qualidade.

‘Estamos investindo fortemente na busca de novas reservas e os resultados estão vindo. Esse ano, já anunciamos descobertas também em Brava e em Búzios’, afirma a presidente da Petrobras, Magda Chambriard.

O consórcio dará início às análises laboratoriais para caracterizar as condições dos reservatórios e fluidos encontrados, que permitirão avaliar o potencial da área. Além disso, serão perfurados mais dois poços e realizado um teste de formação como parte do Plano de Avaliação de Descoberta (PAD).

O PAD tem prazo final em 2027 e atividades adicionais de aquisição de dados poderão ser realizadas, conforme planejamento e obrigações contratuais estabelecidas junto à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

O bloco Aram foi adquirido em março de 2020, na 6ª rodada de licitação da ANP, sob o regime de Partilha de Produção, tendo a Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA) como gestora. A Petrobras é a operadora do bloco e detém 80% de participação, em parceria com a empresa CNPC (20%).”

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China interrompe compras de gás natural liquefeito dos Estados Unidos https://www.ocafezinho.com/2025/04/18/china-interrompe-compras-de-gas-natural-liquefeito-dos-estados-unidos/ Fri, 18 Apr 2025 13:26:26 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=207036

As importações chinesas de gás natural liquefeito (GNL) dos Estados Unidos foram completamente interrompidas por mais de 10 semanas, segundo dados de transporte marítimo que mostram como a guerra comercial sino-americana se espalhou para a cooperação energética.

Desde que um navio-tanque de 69 mil toneladas de GNL vindo de Corpus Christi, no Texas, chegou à província de Fujian, no sul da China, em 6 de fevereiro, não houve mais embarques entre os dois países.

Um segundo navio foi redirecionado para Bangladesh depois de não conseguir chegar antes de a China impor uma tarifa de 15% sobre o GNL americano em 10 de fevereiro. A tarifa aumentou para 49%, tornando o gás dos EUA economicamente inviável para os compradores chineses no futuro próximo.

O congelamento das compras de GNL dos EUA é uma repetição do bloqueio de importações que durou mais de um ano durante o primeiro mandato de Donald Trump como presidente.

O impacto do impasse pode ter implicações de longo alcance, fortalecendo a relação energética da China com a Rússia e levantando dúvidas sobre a grande expansão dos terminais de GNL nos EUA e no México, projetos de bilhões de dólares.

“Haverá consequências de longo prazo”, disse Anne-Sophie Corbeau, especialista em gás do Center on Global Energy Policy da Universidade Columbia. “Não acredito que os importadores chineses de GNL vão assinar novos contratos com os EUA.”

Desde a invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia em 2022, a China tem importado uma proporção relativamente baixa de seu GNL dos EUA, com os compradores chineses preferindo revender o gás para a Europa com lucro. No ano passado, apenas 6% do GNL da China veio dos EUA, abaixo do pico de 11% em 2021.

Contudo, empresas chinesas como a PetroChina e a Sinopec assinaram 13 contratos de longo prazo para comprar GNL de terminais americanos, alguns com validade até 2049, segundo dados da Kpler.

Esses contratos de longo prazo foram essenciais para viabilizar grandes projetos de GNL nos EUA. No entanto, Corbeau afirmou que os desenvolvedores têm tentado renegociar os termos recentemente, considerando a inflação crescente e os custos das tarifas americanas.

Gillian Boccara, analista da Kpler, disse não ver motivos para que o comércio entre os dois países retome no curto prazo.

“Na última vez que isso aconteceu, houve uma paralisação completa até que as autoridades chinesas concederam isenções às empresas, mas isso ocorreu em um momento de explosão da demanda por gás”, afirmou. “Agora estamos diante de um crescimento econômico menor, e acreditamos que os chineses podem suportar a perda desses carregamentos por bastante tempo.”

O embaixador da China na Rússia disse esta semana que a China provavelmente aumentará suas importações de GNL russo. “Sei com certeza que há muitos compradores. Muitos compradores estão pedindo à embaixada ajuda para estabelecer contatos com fornecedores russos. Acho que haverá definitivamente mais importações”, disse Zhang Hanhui.

A Rússia já é o terceiro maior fornecedor de GNL para a China, atrás da Austrália e do Catar. Os dois países também negociam um novo gasoduto, o Power of Siberia 2.

“Com tarifas subindo a níveis que equivalem a um embargo efetivo, veremos uma reorganização dos fluxos comerciais”, afirmou Richard Bronze, da consultoria Energy Aspects. “Também esperamos que a demanda da Ásia caia de 5 milhões a 10 milhões de toneladas no total. Isso deve reduzir um pouco os preços do gás na Europa.”

Autor: Malcolm Moore
Biografia: Malcolm Moore é correspondente do Financial Times em Londres.
Data de publicação: 18 de abril de 2025
Fonte: Financial Times

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O lado positivo da Arábia Saudita na guerra comercial entre EUA e China https://www.ocafezinho.com/2025/04/10/o-lado-positivo-da-arabia-saudita-na-guerra-comercial-entre-eua-e-china/ Thu, 10 Apr 2025 23:16:03 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=206458 As tarifas de Trump podem dar ao reino o impulso de que necessita, derrubando os preços da energia e tornando as exportações chinesas menos competitivas.

Com os EUA e a China entrando em uma guerra comercial sem limites, o melhor lugar para escapar do fogo cruzado se você for um fabricante pode ser a Arábia Saudita.

A Arábia Saudita e outros estados do Golfo ricos em energia podem se beneficiar, pois se tornam novos portos seguros para fabricantes que buscam reduzir riscos tarifários, dizem especialistas.

“À medida que as tarifas aumentam em certos países, é provável que vejamos uma mudança crescente de negócios para o GCC [Conselho de Cooperação do Golfo], seja por meio de nearshoring ou friendshoring”, disse Adel Hamaizia, especialista em Golfo da Harvard Belfer Center Middle East Initiative, ao Middle East Eye.

À primeira vista, agora parece um péssimo momento para ser um monarca do Golfo sentado em campos de petróleo.

Os preços do petróleo, do qual os países do Golfo dependem para financiar tudo, desde investimentos em Inteligência Artificial a megaprojetos, estão sofrendo forte queda. O petróleo Brent caiu 16% desde que o presidente dos EUA, Donald Trump, revelou suas “tarifas do dia da libertação” no início de abril.

Os estados do Golfo cumpriram esse anúncio com a menor taxa possível de 10% — o que reflete o fato de que o Golfo compra muito mais dos EUA, países independentes em termos de energia, do que exporta para os americanos.

Os preços do petróleo se recuperaram um pouco na quarta-feira, após Trump anunciar uma pausa de 90 dias nas tarifas. No entanto, caíram novamente na quinta-feira, com o Brent sendo negociado em queda de 3,67%.

A pausa de Trump não se aplica à China, que recebeu uma tarifa efetiva de 145% em resposta às tarifas de Pequim sobre produtos dos EUA.

A queda do petróleo reflete o fato de que as duas maiores economias do mundo e seus principais rivais geopolíticos estão em águas desconhecidas, enquanto Trump avança com planos para subverter o sistema de comércio global.

‘Faça na Arábia Saudita’

É aí que reside a abertura para a Arábia Saudita, disse Ellen Wald, fundadora da empresa de consultoria em energia Transversal Consulting e autora de Saudi Inc, ao MEE.

“A Arábia Saudita deveria enviar seus representantes comerciais ao governo Trump agora mesmo, perguntando: ‘O que a China estava lhe fornecendo? Diga-nos o que é e nós o faremos na Arábia Saudita e ofereceremos um ótimo acordo comercial’”, disse Wald.

A manufatura é um componente essencial do plano do príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, para reduzir a dependência do seu reino da receita do petróleo.

O ministro da Economia saudita, Faisal Alibrahim, disse à Bloomberg no final de 2024 que o reino estava trabalhando para aumentar as exportações não petrolíferas para que, a longo prazo, a economia do reino não dependesse apenas do petróleo.

Em março, a Arábia Saudita disse que as exportações não petrolíferas — sem incluir as reexportações — aumentaram 13% em relação ao ano anterior.

O reino inaugurou novas fábricas chamativas, atraindo empresas como a fabricante de veículos elétricos Lucid com promessas de comprar produtos da linha de montagem. Mas, além do hype midiático, a Arábia Saudita tem enfrentado dificuldades. O petróleo ainda representa 87% das exportações sauditas.

A guerra tarifária de Trump pode dar ao reino o impulso necessário, derrubando simultaneamente os preços da energia e tornando as exportações chinesas não competitivas nos EUA.

Energia barata, pouca regulamentação e muita terra

Analistas afirmam que os esforços de Trump para reativar a indústria americana por meio de tarifas enfrentarão dificuldades, pois a abertura de fábricas exige muito capital e leva anos. O mesmo se aplica à Arábia Saudita, mas apresenta diversas vantagens.

Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos têm investido em IA e robótica, o que poderia ajudar a lidar com a escassez de mão de obra. Mas as vantagens do Golfo em um mundo comercial mais incerto e nacionalista são mais evidentes. Ao contrário da Europa, a Arábia Saudita e outros países do Golfo têm energia barata, muito espaço aberto e pouca regulamentação.

Um exemplo claro é o alumínio. A região do Golfo já responde por 16% das importações de alumínio dos EUA. Bahrein e Omã têm sido grandes fornecedores de alumínio para os EUA, e os Emirados Árabes Unidos têm impulsionado as exportações para lá nos últimos anos.

É claro que o metal ressalta os desafios de navegar no mundo das tarifas de Trump.

Sua pausa de 90 dias não foi universal. O governo ainda impõe tarifas de 25% sobre aço e alumínio. No entanto, com a China tarifada em quase seis vezes esse valor, dizem os especialistas, o Golfo permanece relativamente competitivo.

O que a Arábia Saudita pode fazer?

A indústria mais óbvia para a Arábia Saudita explorar é a petroquímica. Os polímeros e compostos refinados derivados do petróleo são encontrados em tudo, desde fertilizantes e plásticos a detergentes para roupa, papel e roupas.

A Arábia Saudita vem tentando expandir sua produção downstream há anos, e a petroquímica tem sido uma das principais prioridades. As tarifas de Trump e a disparada dos preços da energia vão acelerar essa tendência.

Hamaizia disse que os baixos custos de energia tornam o Golfo mais competitivo para “manufatura direcionada”.

Especialistas dizem que a Arábia Saudita será mais competitiva exportando produtos petroquímicos, fertilizantes, produtos siderúrgicos específicos e até mesmo eletrodomésticos de médio porte.

É claro que, enquanto os EUA e a China se enfrentam em uma guerra comercial, o Golfo também pode acabar sendo prejudicado.

As exportações da China para o Golfo vêm crescendo há anos. Especialistas afirmam que os fabricantes chineses, excluídos do mercado americano, estão prestes a descarregar mais de seus produtos mais baratos no Oriente Médio, à medida que o consumo americano é reduzido por tarifas.

“É provável que a China desvie seus fluxos comerciais e coloque produtos com preços mais baratos no Golfo”, disse Justin Alexander, diretor da Khalij Economics e analista do Golfo da GlobalSource Partners, ao MEE.

No entanto, Alexander vê a mudança na ordem mundial tornando a Arábia Saudita e outros países do Golfo mais atraentes para os fabricantes em geral.

“Os Estados do Golfo são economias abertas por natureza. Eles abraçam o livre comércio”, disse ele.

Se estivermos caminhando para um mundo de incerteza tarifária e nacionalismo econômico, isso poderá aumentar a competitividade geral do Golfo. Se você investir em um Estado do Golfo, poderá ter relativa confiança de que não pagará tarifas altas sobre suas importações nem enfrentará tarifas altas sobre suas exportações — isso inclui fabricantes americanos.

Uma visão turva para 2030?

Alexander afirma que qualquer impulso de longo prazo na indústria dificilmente compensará o choque negativo da queda dos preços do petróleo. A estatal petrolífera da Arábia Saudita, Aramco, já havia cortado dividendos em março. O fundo soberano do reino, o PIF, usa os dividendos para financiar megaprojetos.

O reino já está reduzindo megaprojetos como Neom. Em vez de 1,5 milhão de pessoas vivendo na cidade até 2030, as autoridades sauditas agora preveem menos de 300.000 habitantes.

O Fundo Monetário Internacional afirma que a Arábia Saudita precisa de petróleo a US$ 90 o barril para equilibrar seu orçamento. Na quinta-feira, o Goldman Sachs traçou um panorama sombrio para os projetos da Arábia Saudita, projetando déficits orçamentários “bastante significativos” e mais cortes em megaprojetos.

Mas se os preços do petróleo permanecerem na faixa de US$ 60 e a China continuar tarifada, o impacto poderá ser o redimensionamento e o redirecionamento do plano de transformação econômica da Arábia Saudita. Em suma, exportar petroquímicos e plásticos sem graça pode superar as cidades inteligentes do deserto.

“A queda nos preços do petróleo não é grande, mas o orçamento saudita vai conseguir o que quer da Aramco, custe o que custar. O panorama geral é que há muitas oportunidades para a Arábia Saudita”, disse Wald, autor de Saudi Inc.

Publicado originalmente pelo Middle East Eye em 10/04/2025

Por Sean Mathews

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Exclusivo! Gráficos sobre a inflação dos alimentos e energia https://www.ocafezinho.com/2025/02/24/exclusivo-graficos-sobre-a-inflacao-dos-alimentos-e-energia/ Mon, 24 Feb 2025 10:22:38 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=202402 Em virtude da inflação de alimentos e energia, junto com o problema da segurança pública, ser a principal pedra no sapato da população e do governo, preparei alguns gráficos com a evolução dos preços de alguns produtos mais conhecidos.

Esses gráficos servirão para algumas análises que pretendo fazer esta semana. Por razões práticas, achei melhor trazê-los em separado num post.

São eles, por ordem dos gráficos: diesel, gasolina comum, etanol, botijão de gás (GLP 13 kg), preço internacional do café, preços do café pago ao produtor.

A agora, listo os gráficos que fiz a partir dos números de inflação do IBGE, usando o indicador IPCA: índice geral X alimentos e bebidas, alimentação fora do domicílio,  batata inglesa, tomate, carnes em geral, pescados, café moído, picanha, pão francês, cerveja no bar (fora do domicílio).

Os dados originais estão numa tabela do Google Sheets que você pode baixar aqui.

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