G20 - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/g20/ Portal de noticias e análises sobre política brasileira, geopolítica, economia, tecnologia, sempre numa perspectiva democrática, progressista, anti-imperialista e multipolar! Thu, 27 Nov 2025 15:13:10 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://www.ocafezinho.com/wp-content/uploads/2015/10/cropped-Logo_Cafezinho_tmb-32x32.png G20 - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/g20/ 32 32 Crise se agrava após Trump excluir África do Sul do G20 https://www.ocafezinho.com/2025/11/27/crise-se-agrava-apos-trump-excluir-africa-do-sul-do-g20/ https://www.ocafezinho.com/2025/11/27/crise-se-agrava-apos-trump-excluir-africa-do-sul-do-g20/#respond Thu, 27 Nov 2025 15:13:06 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=222041 Ao justificar o veto, Trump retomou alegações rejeitadas por especialistas sobre perseguição a africânderes, ampliando um conflito que mistura ideologia, diplomacia e política doméstica

A relação entre Estados Unidos e África do Sul, já marcada por tensão crescente ao longo do ano, entrou em um novo e dramático capítulo após o presidente norte-americano, Donald Trump, anunciar que Pretória está oficialmente proibida de participar da cúpula do G20 de 2026, prevista para ocorrer em seu clube de golfe em Miami, na Flórida. A decisão, revelada por Trump em suas redes sociais, provocou forte reação do governo sul-africano, que classificou a medida como punitiva, desrespeitosa e alimentada por desinformação.


África do Sul reage a medida considerada insultuosa

A presidência sul-africana afirmou que recebeu com indignação o anúncio de Trump. Segundo o governo de Cyril Ramaphosa, a conduta norte-americana durante a cúpula deste ano — organizada em Joanesburgo, a primeira realizada no continente africano — já havia sido “incomum e inamistosa”. Washington optou por boicotar o encontro, alegando que agricultores brancos africânderes estariam sendo violentamente perseguidos no país, uma narrativa rejeitada por Pretória como infundada e distorcida.

A ausência dos EUA na reunião levou a um episódio diplomático delicado: a cerimônia de transferência da bandeira do G20, tradicionalmente realizada ao fim de cada edição, precisou ocorrer discretamente no Ministério das Relações Exteriores sul-africano, já que a delegação americana simplesmente não compareceu. Trump, no entanto, acusou a África do Sul de se recusar a entregar a bandeira ao representante da embaixada dos EUA.

Diante da repercussão, o governo Ramaphosa declarou que tomou nota da “lamentável declaração” de Trump e rejeitou novamente as acusações de perseguição a agricultores brancos. Em comunicado, reforçou que o presidente americano continua tomando decisões “baseadas em desinformação e distorções sobre o nosso país”.


Trump transforma a cúpula do G20 em palco de disputa política

O anúncio da exclusão da África do Sul ocorre justamente no momento em que os EUA assumem a presidência rotativa do G20. Trump declarou no Truth Social que Pretória “não é digna de ser membro de qualquer organização” e determinou a suspensão imediata de todos os pagamentos e subsídios destinados ao país africano.

A medida representa mais um gesto agressivo de Washington contra um parceiro histórico, num movimento que analistas têm visto como parte da guinada ideológica do governo Trump desde seu retorno à Casa Branca. A cúpula de 2026, que será realizada em seu clube de golfe em Doral, na Flórida, tem sido tratada pelo presidente quase como um evento pessoal, reforçando a politização de um fórum criado para promover cooperação internacional.


Boicote, clima e desenvolvimento: o pano de fundo do atrito

A crise diplomática não se resume às disputas protocolares. A Casa Branca se opôs abertamente à ênfase dada pela África do Sul às questões que afetam nações em desenvolvimento — incluindo o combate às mudanças climáticas — na declaração final da cúpula de Joanesburgo, que os EUA se recusaram a assinar.

Pretória, por sua vez, vê o comportamento americano como uma tentativa de enfraquecer a agenda do Sul Global em um momento em que países emergentes buscam mais voz em fóruns multilaterais.


Acusações sobre africânderes reacendem feridas históricas

Trump tem insistido na narrativa de que agricultores brancos africânderes estariam sendo assassinados e tendo suas terras confiscadas na África do Sul. Especialistas, organismos internacionais e até representantes da própria comunidade africânder rejeitam essa versão, classificando-a como desinformação.

O grupo, descendente de colonizadores europeus — sobretudo holandeses, franceses e alemães —, foi pilar do sistema de apartheid, regime de supremacia branca que vigorou até 1994. Hoje, cerca de 2,7 milhões de africânderes vivem em um país de 62 milhões de habitantes, com realidades e posições políticas diversas. Muitos, inclusive, se opuseram ao apartheid.

Mesmo assim, Trump tem usado o tema para justificar medidas controversas. No mês passado, anunciou que reduzirá o número anual de refugiados aceitos pelos EUA para 7.500, reservando a maior parte das vagas a sul-africanos brancos. Em maio, o governo acolheu um grupo de 59 africânderes como refugiados, após afirmar que estavam sob ameaça em seu país de origem.


Tensões alimentadas por nova política externa americana

Desde sua volta ao poder, Trump tem retratado a África do Sul como um país “anti-americano”, sobretudo por seus laços diplomáticos com China, Rússia e Irã. A retórica tem servido de combustível para decisões que vêm isolando Pretória e deteriorando uma relação que já foi estratégica.

A exclusão da África do Sul da próxima cúpula do G20 pode ter consequências ainda imprevisíveis — tanto para o bloco quanto para o equilíbrio político entre países desenvolvidos e emergentes. Para muitos diplomatas, o episódio sinaliza um cenário preocupante: a maior economia do mundo parece usar a presidência do G20 não para fortalecer cooperação global, mas para aprofundar disputas ideológicas.

Enquanto isso, a África do Sul tenta manter sua posição no cenário internacional, lembrando que, apesar das pressões, continuará defendendo seu papel no grupo e a agenda de desenvolvimento que considera essencial para o futuro do planeta.

Com informações de SCMP*

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G20 desafia boicote dos EUA e adota declaração conjunta https://www.ocafezinho.com/2025/11/24/g20-desafia-boicote-dos-eua-e-adota-declaracao-conjunta/ https://www.ocafezinho.com/2025/11/24/g20-desafia-boicote-dos-eua-e-adota-declaracao-conjunta/#respond Mon, 24 Nov 2025 10:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=221816 Países citam financiamento climático e pedem paz na Ucrânia. Texto é mais brando sobre super-ricos que o anterior, acordado no Rio de Janeiro. EUA boicotaram evento.

Líderes mundiais presentes na cúpula do G20, na África do Sul, adotaram neste sábado (22/11) uma declaração sobre desafios globais, apesar da oposição dos Estados Unidos. O país boicotou o evento e fez pressão para que não houvesse resolução conjunta.

A medida rompeu com o protocolo, já que declarações deste tipo costumam ser chanceladas e divulgadas apenas ao final das cúpulas do G20. O atual encontro deve encerrar apenas no domingo.

A declaração de 122 pontos exigiu mais ação global para enfrentar as mudanças climáticas.

Aprovada no mesmo dia em que terminaram as negociações da COP30 no Brasil, os líderes reconheceram que investimentos e financiamento climático precisam ser ampliados “de bilhões para trilhões globalmente, a partir de todas as fontes.”

O texto também abordou a necessidade de reformar os sistemas financeiros internacionais para ajudar países de baixa renda a lidar com suas dívidas.

A linguagem sobre taxar os super-ricos foi mais branda do que na declaração anterior do G20, ocorrida no Rio de Janeiro, onde os líderes haviam concordado pela primeira vez em “garantir que indivíduos de altíssimo patrimônio líquido sejam efetivamente tributados.”

Os representantes também pediram uma “paz justa, abrangente e duradoura” na Ucrânia, Sudão, República Democrática do Congo e no “Território Ocupado da Palestina”, com base na Carta da ONU.

Embora a Ucrânia tenha aparecido apenas uma vez nas 30 páginas do documento, líderes ocidentais na cúpula se mobilizaram paralelamente para discutir um plano de paz proposto pelos EUA que encerraria a guerra em termos considerados favoráveis à Rússia.

EUA boicotam evento

A cúpula deste ano foi marcada pela decisão do presidente Donald Trump de não enviar uma delegação americana. Autoridades sul-africanas disseram que Washington pressionou o país a não adotar uma declaração em sua ausência. “Não devemos permitir que nada diminua o valor, a estatura e o impacto da primeira presidência africana do G20”, disse o presidente sul-africano Cyril Ramaphosa em seu discurso de abertura.

Embora a maior economia do mundo tenha boicotado o encontro, Ramaphosa defendeu que o G20 continua desempenhando papel essencial na cooperação internacional.

“O G20 ressalta o valor e a relevância do multilateralismo. Reconhece que os desafios que enfrentamos só podem ser resolvidos por meio de cooperação, colaboração e parceria”, declarou o anfitrião da cúpula.

Apesar do otimismo de Ramaphosa, o presidente francês Emmanuel Macron observou que “o G20 pode estar chegando ao fim de um ciclo.”

“Vivemos um momento geopolítico em que temos dificuldade em resolver grandes crises juntos em torno desta mesa, inclusive com membros que não estão presentes hoje”, disse Macron.

O primeiro-ministro britânico Keir Starmer concordou com o alerta. “Não há dúvida, o caminho à frente é difícil. Precisamos encontrar maneiras de desempenhar novamente um papel construtivo diante dos desafios globais”, afirmou.

O premiê chinês Li Qiang, que participou no lugar do presidente Xi Jinping, declarou que “o unilateralismo e o protecionismo estão desenfreados”.

Lula defende troca de dívida por ação climática

Já o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a taxação de super-ricos e a troca de dívidas dos países mais pobres por investimentos em desenvolvimento e em ação climática consistente.

“Está na hora de declarar a desigualdade uma emergência global e redesenhar regras e instituições que sustentam assimetrias”, disse ao defender a proposta da África do Sul de criação de um Painel Independente sobre Desigualdade, nos moldes do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima, debate liderado economista ganhador do prêmio Nobel Joseph Stiglitz.

Na ocasião, Lula também elogiou o esforço feito na COP30 para alcançar uma declaração que, segundo ele, é baseada na ciência. O objetivo inicial do Brasil de incluir no texto um “mapa do caminho” para o fim do uso de combustíveis fósseis, porém, não entrou no acordo final.

Publicado originalmente pelo DW em 22/11/2025

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Lula: G20 e COP 30 são retratos da vitalidade do multilateralismo https://www.ocafezinho.com/2025/11/23/lula-g20-e-cop-30-sao-retratos-da-vitalidade-do-multilateralismo/ https://www.ocafezinho.com/2025/11/23/lula-g20-e-cop-30-sao-retratos-da-vitalidade-do-multilateralismo/#respond Sun, 23 Nov 2025 21:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=221807 Presidente conversou com jornalistas após cúpula de líderes na África do Sul e anunciou que o acordo entre União Europeia e Mercosul deve ser assinado no dia 20 de dezembro

Defesa do multilateralismo no âmbito do G20 como caminho para a solução dos problemas globais. Discussões sobre ferramentas para reduzir desigualdades e a insegurança alimentar. Debates sobre os usos e desafios diante da inteligência artificial, da transição energética, do uso de minerais críticos e do trabalho decente. O presidente Lula fez neste domingo (23/11), em Joanesburgo, um balanço de sua passagem pela Cúpula do G20, na África do Sul.

Na conversa com jornalistas, Lula também celebrou o resultado da COP 30, concluída neste sábado (22/11), em Belém (PA), com um texto final homologado em consenso pelas 195 partes e o anúncio de novas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) por 122 nações.

“Se alguém imaginou que poderia enfraquecer o multilateralismo, esses eventos, tanto da COP quanto do G20 aqui na África do Sul, demonstram que o multilateralismo está mais do que vivo”, comentou Lula, que também lançou olhar sobre a geopolítica no Caribe e anunciou que o acordo entre Mercosul e União Europeia será assinado em dezembro

Ao longo dos dois dias de evento, o líder brasileiro teve espaço de fala em três sessões formais do G20, realizou encontros bilaterais com mandatários de Alemanha, África do Sul, Turquia, Coreia do Sul, Canadá, Etiópia e com o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom, além de participar do encontro de Cúpula do Fórum de Diálogo Índia-Brasil-África do Sul, o Ibas. Da África do Sul, Lula segue para visita a Moçambique.

Confira, abaixo, alguns dos principais trechos de respostas do presidente Lula:

Megaeventos

É importante ter em conta que nesses últimos 15 meses, o Brasil teve a árdua tarefa de organizar três fóruns extremamente importantes. O primeiro começou com o G20 no Rio de Janeiro, um êxito extraordinário. Depois o Brics, também no Rio de Janeiro, que foi outro fórum extraordinário. E a COP em Belém, o que demonstra que o Brasil está mais do que preparado. Foram todos eventos de muito sucesso e estou feliz porque eles significam a sobrevivência e o fortalecimento do multilateralismo.

Resultado da COP 30

Estou muito satisfeito com o sucesso da COP em Belém. Aqueles que imaginavam que Belém não estava preparada, que não ia dar certo, a COP foi um sucesso extraordinário e tenho certeza de que as pessoas que foram, que tiveram a oportunidade de conhecer a cidade, de conhecer a culinária de Belém, devem ter voltado maravilhados. Quem não fez isso, se arrependeu.

Mapa do Caminho

Quando nós introduzimos a discussão sobre o Mapa do Caminho (para o fim do uso de combustíveis fósseis, na COP 30), sabíamos que era um tema polêmico. O que conseguimos foi começar um debate sobre uma coisa que todo mundo sabe que vai ter que acontecer. Se é verdade que os combustíveis fósseis são responsáveis por mais de 80% da emissão de gás de efeito estufa, é verdade que precisamos dar solução nisso. No caso do Brasil, estamos dando melhor que qualquer outro país, com a introdução de 15% de biodiesel no óleo diesel e 30% de etanol na gasolina. Outros países podem fazer isso. Por exemplo, o continente africano, que precisa se desenvolver e gerar emprego, pode ser grande produtor dessa matéria-prima para exportar aos países que não têm onde plantar, como a União Europeia. Então o que colocamos é o seguinte: é possível.

Ausência dos EUA no G20

Não é a primeira vez que falta um líder importante. Em outras vezes, já fizemos o G20 sem lideranças importantes que não puderam participar. O presidente Xi Jinping não veio, mas veio o primeiro vice-ministro dele, então a China esteve com forte delegação. O presidente Trump não veio, mas vai presidir o próximo G20 nos Estados Unidos. E todos iremos prestigiar. Os Estados Unidos continuam sendo a maior economia do mundo, mas é importante saber que existimos mesmo quando eles não participam. O G20 reúne as 20 maiores economias do mundo e acho que o G20 hoje é o grande fórum de decisões multilaterais e tem a respeitabilidade de toda a economia. O que precisamos é colocar em prática as coisas que decidimos e acho que ficou claro para todo mundo com o documento assinado em Joanesburgo.

Presença militar dos EUA no Caribe

Eu estou preocupado porque a América do Sul é considerada uma zona de paz. Somos um continente que não temos armas nucleares, não temos bomba atômica. A mim me preocupa o aparato militar que os Estados Unidos colocaram no Mar do Caribe e pretendo conversar com o presidente Trump sobre isso. O Brasil tem responsabilidade na América do Sul, faz fronteira com a Venezuela. Acho que não tem sentido você ter uma guerra agora. Ou seja, não vamos repetir o erro que aconteceu na guerra da Rússia e da Ucrânia. Ou seja, para começar, basta dar um tiro. Para terminar, não se sabe como termina. Então é importante que a gente tente encontrar uma solução antes de começar.

Acordo União Europeia-Mercosul

Eu posso garantir que no dia 20 de dezembro estarei assinando o acordo União Europeia-Mercosul. É um acordo que envolve, praticamente, 722 milhões de habitantes e 22 trilhões de dólares de PIB. É uma coisa extremamente importante, possivelmente o maior acordo comercial do mundo. E aí, depois que a gente assinar o acordo, vai ter ainda muita tarefa para a gente poder começar a usufruir, sabe, das benesses desse acordo. Mas vai ser assinado.

Publicado originalmente pela Agência Gov em 23/11/2025

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“Todo mundo sabe o que ele fez”, diz Lula sobre Bolsonaro https://www.ocafezinho.com/2025/11/23/todo-mundo-sabe-o-que-ele-fez-diz-lula-sobre-bolsonaro/ https://www.ocafezinho.com/2025/11/23/todo-mundo-sabe-o-que-ele-fez-diz-lula-sobre-bolsonaro/#respond Sun, 23 Nov 2025 18:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=221831 Presidente falou que não comenta prisão preventiva de ex-presidente ordenada por Alexandre de Moraes. ” Justiça decidiu. Está decidido”, disse, durante reunião do G20 na África do Sul.

Ao ser questionado sobre a prisão preventiva de Jair Bolsonaro , o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou neste domingo (23/11) que não comenta decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).

“A primeira coisa é que eu não faço comentário sobre decisão da Suprema Corte. A Justiça tomou uma decisão. Ele foi julgado. Ele teve todo o direito à presunção de inocência. Foram praticamente dois anos e meio de investigação, de delação, de julgamento”, afirmou o presidente.

“Então, a Justiça decidiu. Está decidido. Ele vai cumprir a pena que a Justiça determinou. E todo mundo sabe o que ele fez”, disse a jornalistas após encontro da Cúpula de Líderes do G20, em Joanesburgo, na África do Sul.

O ex-presidente foi levado no sábado à Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo, por risco de fuga durante sua prisão domiciliar. Bolsonaro tentou romper sua tornozeleira eletrônica, e seu histórico apontava para uma possível rota de fuga por meio de embaixadas próximas à sua casa, indicou Moraes em seu despacho.

Bolsonaro foi condenado em setembro a 27 anos e 3 meses de prisão pela tentativa de golpe de Estado após a derrota na eleição de 2022, e o cumprimento da sentença é iminente, já que a fase de recursos chegou ao fim.

A decisão de Moraes ocorreu após o senador Flávio Bolsonaro ter convocado uma “vigília” na frente do condomínio onde mora o ex-presidente, que é seu pai, o que poderia dificultar uma eventual prisão nos próximos dias, segundo alega o ministro.

Sobre reação de Trump

Lula também reagiu ao comentário do presidente americano, Donald Trump. Ao ser questionado sobre a prisão, o republicano disse que não tinha ficado sabendo da notícia e lamentou a decisão: “uma pena”.

“Não tem nada a ver. O Trump tem que saber que nós somos um país soberano, que a nossa Justiça decide. E o que está decidido aqui está decidido”, disse Lula.

No pedido de prisão, Alexandre de Moraes cita a proximidade de Bolsonaro e Trump e sugere que a embaixada dos Estados Unidos poderia ser procurada em uma possível tentativa de fuga.

O ministro também cita os deputados Alexandre Ramagem e Eduardo Bolsonaro, aliado foragido e filho do ex-presidente que estão nos Estados Unidos, como evidências de um risco de fuga do ex-presidente.

A Embaixada dos Estados Unidos no Brasil criticou a ordem de Moraes como uma medida “provocativa e desnecessária” e voltou a atacar o ministro.

“O juiz Moraes, um violador de direitos humanos sancionado, expôs o Supremo Tribunal Federal do Brasil à vergonha e ao descrédito internacional ao desrespeitar normas tradicionais de autocontenção judicial e politizar de forma escancarada o processo judicial”, publicou a embaixada em seu perfil na rede social X.

“Os Estados Unidos estão profundamente preocupados diante de seu mais recente ataque ao Estado de Direito e à estabilidade política no Brasil: a provocativa e desnecessária prisão do ex-presidente Bolsonaro, que já estava em prisão domiciliar sob forte vigilância e com rígidas restrições de comunicação. Não há nada mais perigoso para a democracia do que um juiz que não reconhece limites para seu poder”, diz o post.

A mensagem é a tradução de um comentário feito por Christopher Landau, vice-secretário de Estado americano, em sua conta no X.

Cúpula do G20

O presidente brasileiro destacou em seu discurso na cúpula de líderes do G20 a urgência de uma transição energética justa e o papel central do grupo das maiores economias globais na construção de um novo modelo econômico comprometido com a sustentabilidade.

“Entramos agora numa nova etapa, que exigirá esforço simultâneo em duas frentes: acelerar as ações de enfrentamento da mudança clima e nos preparar para uma nova realidade climática. O G20 cumpre papel central em ambas”, disse.

Os Estados Unidos boicotaram a cúpula deste ano , alegando que as prioridades da presidência sul-africana do G20, como ações climáticas, transição energética e justiça para países em desenvolvimento, “contrariam as posições de política dos EUA”.

Publicado originalmente pelo DW em 23/11/2025

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G20: Lula defende governança soberana em minerais críticos e IA https://www.ocafezinho.com/2025/11/23/g20-lula-defende-governanca-soberana-em-minerais-criticos-e-ia/ https://www.ocafezinho.com/2025/11/23/g20-lula-defende-governanca-soberana-em-minerais-criticos-e-ia/#respond Sun, 23 Nov 2025 15:01:34 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=221805 Presidente também pautou trabalho decente e grandes plataformas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um alerta, neste domingo (23), para a necessidade de se discutir a soberania dos países sobre o conhecimento e o valor agregado dos minerais críticos. Lula discursou durante a última sessão temática da Cúpula de Líderes do G20 – grupo das maiores economias do mundo, em Joanesburgo, na África do Sul.

Na pauta, os minerais críticos, a inteligência artificial e o trabalho decente. Temas que também estiveram presentes nas discussão da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), encerrada neste final de semana, em Belém, no Pará (clique aqui e confira a cobertura completa da EBC).

“A forma como nós integrarmos esses três vetores do desenvolvimento definirá não apenas o nosso presente, mas o futuro das próximas gerações”, afirmou o presidente brasileiro.

Os minerais críticos são recursos essenciais para setores estratégicos, como tecnologia, defesa e transição energética, cuja oferta está sujeita a riscos de escassez ou dependência de poucos fornecedores. Eles incluem elementos como lítio, cobalto, níquel e terras raras, fundamentais para baterias de veículos elétricos, turbinas eólicas, painéis solares e semicondutores.

Esta Cúpula do G20, sob a presidência sul-africana, vai publicar um documento sobre minerais críticos que reforça a ideia de beneficiar esses produtos em seus países de origem, com os princípios que devem ser observados na extração e beneficiamento dessa matéria-prima.

Para Lula, a transição energética oferece a oportunidades de ampliação das fronteiras tecnológicas e de ressignificar o papel da exploração dos recursos naturais.

“Os países com grande concentração de reservas de minerais não podem ser vistos como meros fornecedores, enquanto seguem à margem da inovação tecnológica. O que está em jogo não é apenas quem detém esses recursos, mas quem controla o conhecimento e o valor agregado que deles derivam”, disse aos líderes.

“Falar sobre minerais críticos também é falar sobre soberania. A soberania não é medida pela quantidade de depósitos naturais, mas pela habilidade de transformar recursos através de políticas que tragam benefícios para a população. Precisamos de investimentos ambientalmente e socialmente responsáveis, que contribuam para fortalecer a base industrial e tecnológica dos países detentores de recursos”, afirmou.

O Brasil, por exemplo, possui cerca de 10% das reservas mundiais desses elementos, de acordo com o Instituto Brasileiro da Mineração (Ibram), entidade que representa o setor privado.

No país, pesquisa indica que a busca por minerais necessários para projetos de transição energética já vem causando conflito nas novas frentes exploratórias. Outro estudo mostra que essa procura acelera a crise climática.

Lula lembrou que o Brasil criou o Conselho Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos para planejar políticas de exploração mineral e afirmou que o país não será apenas exportador, e sim parceiro na cadeia global de valor desses elementos.

IA e trabalho decente

No mesmo sentido, o presidente argumentou que a inteligência artificial (IA) representa uma “oportunidade única” para impulsionar o desenvolvimento das nações de forma equitativa. Ele defende a instituição de uma governança global e representativa para o tema, para que seus benefícios sejam compartilhados.

“[A IA] promove a inovação, aumenta a produtividade, estimula práticas sustentáveis e pode melhorar a vida das pessoas de maneira concreta. O grande desafio não é apenas dominar a ferramenta, mas trabalhar para que todos possam utilizá-la de forma segura, protegida e confiável”, disse.

“Quando poucos controlam os algoritmos, os dados e as infraestruturas atreladas aos processos econômicos, a inovação passa a gerar exclusão. É fundamental evitar uma nova forma de colonialismo: o digital. É urgente que as maiores economias do mundo aprofundem o debate sobre a governança da IA e que as Nações Unidas sejam o centro dessa discussão”, acrescentou.

Lula lembrou ainda que 2,6 bilhões de pessoas não têm acesso ao mundo digital. Segundo ele, em países de renda alta 93% da população tem acesso a Internet, enquanto nos países de baixa renda esse percentual é de apenas 27%.

Por fim, o presidente defendeu que o desenvolvimento tecnológico venha atrelado a oportunidades de trabalho e proteção ao trabalhador, na medida em que 40% dos trabalhadores do mundo estão em funções altamente expostas à IA, sob risco de automação ou complementação tecnológica.

“Cada painel solar, cada chip, cada linha de código deve carregar consigo a marca da inclusão social”, disse. “Devemos criar pontes entre os setores tradicionais e emergentes. A tecnologia deve fortalecer, e não fragilizar os direitos humanos e trabalhistas”, afirmou aos líderes do G20.

Agenda

O G20 é o principal órgão para cooperação econômica internacional, criado em 1999 após a crise financeira asiática. Em 2008, ele também se tornou uma instância política, com uma cúpula de chefes de Estado e de governo.

Em 2025, a África do Sul conduz os trabalhos do G20 sob o lema “Solidariedade, Igualdade e Sustentabilidade”, com quatro prioridades: fortalecimento da resiliência e capacidade de resposta a desastres; sustentabilidade da dívida pública de países de baixa renda; financiamento para a transição energética justa; e minerais críticos como motores de desenvolvimento e crescimento econômico.

A presidência sul-africana encerra, ainda, um ciclo em que todos os países terão exercido, pelo menos uma vez, a liderança do grupo.

À margem da cúpula, neste domingo, Lula também se reuniu com os líderes do Fórum de Diálogo Índia-Brasil-África do Sul (Ibas). A iniciativa trilateral foi desenvolvida em 2003 no intuito de promover a cooperação entre os países do Sul Global.

Lula desembarcou em Joanesburgo na sexta-feira (21) e, neste sábado (22), discursou nas duas primeiras sessões temáticas do G20, sobre crescimento econômico sustentável e inclusivo e mudança do clima e redução do risco de desastres.

Ele também manteve reuniões bilaterais com o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, e o primeiro-ministro da Alemanha, Friedrich Merz.

Ainda hoje, o presidente segue para Maputo, capital de Moçambique, onde faz uma visita de trabalho nesta segunda-feira (24). A viagem se insere nas comemorações de 50 anos das relações diplomáticas entre os dois países. A previsão é que Lula embarque de volta para o Brasil ainda na segunda-feira.

Publicado originalmente pela Agência Brasil em 23/11/2025

Por Andreia Verdélio – Brasília

Edição: Juliana Cézar Nunes

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Lula no G20: é hora de declarar a desigualdade uma emergência global https://www.ocafezinho.com/2025/11/22/lula-no-g20-e-hora-de-declarar-a-desigualdade-uma-emergencia-global/ https://www.ocafezinho.com/2025/11/22/lula-no-g20-e-hora-de-declarar-a-desigualdade-uma-emergencia-global/#respond Sat, 22 Nov 2025 15:02:17 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=221787 Na abertura da Cúpula de Líderes na África do Sul, presidente defende taxação de super-ricos, troca de dívidas por desenvolvimento e ação climática

O presidente Lula aproveitou a tribuna da abertura da Cúpula de Líderes do G20, na África do Sul, para lançar um alerta sobre a desigualdade global e a urgência de redesenhar regras e instituições que sustentam essa assimetria. Em sua fala neste sábado (22/11), Lula defendeu o fortalecimento do G20 como fórum de diálogo e criticou a volta de políticas protecionistas e unilaterais.

O líder brasileiro propôs em Joanesburgo mecanismos inovadores, como a troca de dívida por desenvolvimento e ação climática e a taxação dos super-ricos.

“Está na hora de declarar a desigualdade uma emergência global. A desigualdade extrema representa risco sistêmico para todas as economias. O G20 deve incentivar a adoção de mecanismos inovadores de troca de dívida por desenvolvimento e por ação climática. O debate sobre tributação internacional e taxação dos super-ricos é inadiável”, afirmou

Lula enfatizou que há uma complementaridade importante entre a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, lançada durante a presidência brasileira do G20 no ano passado, e a iniciativa sul-africana sobre dimensões macroeconômicas da segurança alimentar e dos preços de alimentos. E endossou a proposta da África do Sul de criar um Painel Independente sobre Desigualdade, nos moldes do Painel sobre Mudança do Clima.

O presidente lembrou, contudo, que sem financiamento a Agenda 2030 não passará de declaração de boas intenções. O plano de ação da ONU adotado em 2015 estabelece 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e 169 metas a serem alcançadas até 2030. O objetivo principal é erradicar a pobreza e promover dignidade a todos, ao mesmo tempo em que se protege o planeta para futuras gerações.

Nesse contexto, Lula criticou o gasto crescente de potências internacionais com armamentos e as consequências humanas, energéticas e alimentares de conflitos bélicos como os na Ucrânia, em Gaza e no Sudão. Reforçou, ainda, que a questão da dívida de países do Sul Global é “eticamente inaceitável e economicamente insustentável”.

“No ano passado, a economia mundial cresceu mais de 3%. Os gastos com armamentos aumentaram 9,4%. Mas a ajuda oficial ao desenvolvimento caiu 7%. A conta é simples: existe um fluxo de capital negativo, que vai dos países do Sul para os países ricos do Norte global. Quase metade da população mundial vive em países que gastam mais com o serviço da dívida do que em saúde ou educação”, lembrou o presidente

Disparidades

Lula, que esteve na primeira Cúpula do G20 em 2008, rememorou o contexto da criação do fórum, para enfrentar consequências do neoliberalismo, como a desregulamentação dos mercados financeiros, os paraísos fiscais e a urgência em reformar as instituições de Bretton Woods. Segundo o presidente, as intervenções à época foram importantes, mas incompletas, e levaram a uma trajetória que aprofundou disparidades. “Enveredamos por uma trilha que repetiu a receita de austeridade como fim em si mesmo, que aprofundou desigualdades e ampliou tensões geopolíticas.”

Caminhos

Diante do quadro, Lula citou que o protecionismo e o unilateralismo ressurgiram como respostas fáceis, mas falaciosas para a complexidade da realidade atual, e propôs como caminho para soluções efetivas preservar a capacidade de fóruns multilaterais, como o G20, de tratar grandes temas da atualidade. “Nenhum país tem condições de prosperar em isolamento. As soluções que buscamos estão ao redor desta mesa”, concluiu.

Contexto

Criado em 1999, após a crise financeira asiática, o G20 se tornou uma Cúpula de Chefes de Estado e de Governo em 2008. Atualmente, representa mais de 80% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial, 75% do comércio internacional e 60% da população do planeta.

Prioridades

A África do Sul conduz os trabalhos do G20 sob o lema “Solidariedade, Igualdade e Sustentabilidade”, com quatro prioridades: Fortalecimento da resiliência e capacidade de resposta a desastres; Sustentabilidade da dívida pública de países de baixa renda; Financiamento para a transição energética justa; e Minerais críticos como motores de desenvolvimento e crescimento econômico.

Comércio

Os países do G20 desempenham papel fundamental nas redes globais de comércio. Eles não apenas são grandes exportadores e importadores, mas destinos frequentes de exportações uns dos outros. Em 2005, o total exportado pelo G20 foi de US$ 8,2 trilhões. Já em 2021, chegou a US$ 17 trilhões, crescimento de 107%.

Exportação

Entre os principais produtos comercializados pelos integrantes do G20 estão manufaturas, como veículos automotivos, eletrônicos e maquinaria industrial; produtos agrícolas, como cereais, carne e frutas; e commodities, como petróleo, gás natural, minérios e metais. O Brasil exporta a integrantes do G20 aeronaves, petróleo e materiais relacionados, ferro, aço, minérios metálicos e produtos diversos do agronegócio.

Publicado originalmente pela Agência Gov em 22/11/2025

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Governo alemão diz que Trump e Merz trataram ações contra a Ucrânia https://www.ocafezinho.com/2025/11/22/governo-alemao-diz-que-trump-e-merz-trataram-acoes-contra-a-ucrania/ https://www.ocafezinho.com/2025/11/22/governo-alemao-diz-que-trump-e-merz-trataram-acoes-contra-a-ucrania/#respond Sat, 22 Nov 2025 03:05:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=221773 Conversa entre líderes ocorre sob pressão dos EUA por acordo que cede territórios e limita soberania de kiev

O chanceler alemão Friedrich Merz e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, discutiram nesta sexta-feira (21) as propostas de paz para a Ucrânia, segundo informou o porta-voz do governo alemão, Stefan Kornelius. A conversa telefônica acontece em um momento de intensa pressão por parte dos EUA para que seja aceito um acordo com a Rússia que, na prática, atende às principais exigências do Kremlin e enfraquece a posição de Kiev.

O chanceler Merz deverá informar os parceiros europeus sobre o teor do diálogo com Trump antes de seguir para a cúpula do G20, na África do Sul. A intenção é que as lideranças europeias se reúnam à margem do evento, no sábado, para definir os próximos passos em relação ao conflito. Kornelius confirmou que Merz e Trump concordaram em dar seguimento às discussões no âmbito dos conselheiros de segurança nacional.


O plano de 28 pontos: vitórias para Putin

O centro das discussões é um plano de paz de 28 pontos, elaborado em conjunto por enviados de Trump e do presidente russo, Vladimir Putin. A proposta, negociada pelo enviado dos EUA, Steve Witkoff, e pelo enviado de Putin, Kirill Dmitriev, representa um conjunto de concessões consideradas drásticas pela Ucrânia e seus aliados ocidentais.

Entre os termos mais críticos da proposta, obtida pela Bloomberg News, estão:

  • Cessão Territorial: A Ucrânia seria obrigada a ceder grandes porções de território atualmente ocupadas pela Rússia. Além disso, as regiões da Crimeia, Luhansk e Donetsk seriam “reconhecidas como russas de facto, inclusive pelos Estados Unidos”.
  • Neutralidade e Desarmamento: O plano exige que a Ucrânia renuncie a qualquer esperança de adesão à OTAN, e esta promessa teria que ser consagrada na Constituição ucraniana. O país também precisaria limitar o tamanho de suas Forças Armadas.
  • Sanções e Reintegração: As sanções contra Moscou seriam gradualmente suspensas, e a Rússia seria reintegrada ao G8, um passo altamente simbólico que encerraria seu isolamento internacional.
  • Condicionalidades para Kiev: A Ucrânia seria obrigada a realizar eleições no prazo de 100 dias.

Embora o presidente Volodymyr Zelenskiy tenha afirmado que está analisando a ideia, há pouquíssimos indícios de que ele esteja disposto a aceitar termos que foram veementemente rejeitados por Kiev e seus aliados no passado.


Envolvimento financeiro e pressão de Washington

A proposta de paz não beneficia apenas a Rússia, mas também prevê uma significativa participação financeira dos Estados Unidos na reconstrução da Ucrânia.

  • Garantia de segurança e lucro: A Ucrânia receberia uma garantia de segurança dos EUA, mas Washington seria compensado por ela.
  • Ativos russos: Cerca de US$ 100 bilhões em ativos russos congelados seriam destinados aos esforços de reconstrução liderados pelos EUA, com o governo americano recebendo 50% do lucro. Os ativos não utilizados seriam alocados a um fundo de investimento russo-americano.

O plano é apoiado por Trump, conforme declarado pela secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt. “Não vou discutir os detalhes deste plano, pois ele ainda está em andamento e sujeito a mudanças, mas o Presidente o apoia”, disse ela. “É um bom plano tanto para a Rússia quanto para a Ucrânia e acreditamos que deva ser aceitável para ambos os lados.”

No entanto, a grande dimensão das concessões exigidas e o significativo ganho financeiro para os EUA e a Rússia levantam sérias questões sobre quanta margem de manobra Zelenskiy realmente possui para se opor à proposta. A pressão sobre Kiev pode incluir a ameaça de reter suprimentos de armas e informações de inteligência por parte dos EUA.

Leia também: Recorde de desemprego entre americanos com diploma revela o preço das políticas de Trump

O secretário de Estado Marco Rubio, que adota uma linha mais dura em relação a Moscou do que o negociador Witkoff, afirmou que os negociadores “continuarão a desenvolver uma lista de ideias potenciais para pôr fim a esta guerra, com base nas contribuições de ambos os lados do conflito”.


A rejeição dos aliados e a limitação da soberania

A resposta dos principais aliados da Ucrânia foi rápida e negativa. O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, e a principal diplomata europeia, Kaja Kallas, ecoaram o mesmo princípio: qualquer acordo de paz deve ter a aprovação da Ucrânia.

“O futuro da Ucrânia deve ser determinado pela Ucrânia e nunca devemos perder de vista esse princípio que sustenta a paz justa e duradoura que todos desejamos”, afirmou Starmer.

Embora o documento imponha algumas limitações à Rússia — como a expectativa de que o princípio de não agressão em relação à Europa seja consagrado em lei e a promessa de não invadir outros países —, o balanço da proposta pende de forma esmagadora para o lado do Kremlin. Ao exigir que a Ucrânia ceda vastos territórios, limite suas forças armadas e abandone sua aspiração à OTAN, o plano essencialmente compromete a soberania e a segurança futura de Kiev em troca de um fim imediato do conflito.

Com informações de Bloomberg*

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Porque um PIB forte e bem distribuído é mais importante que pesquisa de aprovação https://www.ocafezinho.com/2025/03/11/porque-um-pib-forte-e-bem-distribuido-e-mais-importante-que-pesquisa/ Tue, 11 Mar 2025 16:51:55 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=203884 O PIB de 2024 fechou com um crescimento vigoroso de 3,4%, segundo o IBGE. O desempenho foi especialmente positivo em função de alguns fundamentos por trás desse número, como o crescimento de 7,3% no investimento e de 4,8% no consumo das famílias.

Uma comparação internacional organizada pelo Ministério da Fazenda colocou o país em quarto lugar dentre os países do G20 que mais cresceram no ano passado, atrás apenas da Índia (6,7%), Indonésia (5%) e China (5%).

A saudosa Maria da Conceição Tavares imortalizou o dito de que “o povo não come PIB”, mas essa é apenas uma frase de efeito. Genial, mas imprecisa. Tinha mais sentido no tempo em que foi pronunciada, quando o Brasil emergia de um longo período autoritário, durante os quais experimentamos anos de forte crescimento econômico associados ao declínio dos salários, e do avanço da pobreza e da desnutrição infantil. Era um tempo em que não havia os grandes programas sociais que foram implementados após a redemocratização, especialmente a partir da eleição de Lula em 2002.

Hoje o povo come PIB, sim. Não todo, mas uma parte expressiva, como se podem constatar pelo aumento na massa salarial, na renda média real, nos números do consumo e na diminuição do desemprego.

Além disso, o crescimento do PIB gerou mais receita para o governo, o que por sua vez permitiu um crescimento vigoroso nas despesas com saúde, educação e assistência social.

Outro ponto muito positivo nos relatórios sobre o PIB foi a recuperação da produção industrial brasileira, especialmente o setor de transformação, ou seja, aquele que mais propriamente chamamos de “manufatureiro”, e que exclui a chamada indústria extrativa, muito inflada no Brasil por causa da nossa riqueza em minérios.

Esses números me parecem tão ou mais importantes, para a análise política, do que números de pesquisa de aprovação, porque eles nos permitem olhar a floresta, e não a árvore. Se o país estivesse num processo de forte crise econômica, aumento no desemprego e desindustrialização, a interpretação sobre uma queda nas pesquisas, seria inteiramente distinta. Como não é isso que vem ocorrendo, mas exatamente o oposto, temos que abordar a conjuntura por outro ângulo.

Em certo sentido, a tirada da professora Conceição também vale para essa situação, porque é um fato que a melhora no emprego e na economia em geral não elimina os problemas de segurança pública e mobilidade urbana. Muitas vezes, agrava-os. O cidadão que obtém um emprego formal muitas vezes precisa fazer um deslocamento diário que antes não fazia, e por isso irá experimentar problemas de mobilidade que antes não tinha. A mesma coisa vale para a sensação de segurança. O cidadão que não possui nada tem menos preocupação com segurança do que aquele que melhora de condição e consege adquirir um celular novo, por exemplo.

Aliás, por essas mesmas razões é tão comum, apesar de contra-intuitivo, que se note aumento da insatisfação em momentos de bonança. O cidadão, menos pressionado por aquele desespero primevo de não ter como se alimentar ou sustentar a família, terá mais condições psicológicas de prestar atenção a outros problemas da cidade e do país.

De qualquer forma, o crescimento econômico registrado em 2024 tem um valor político infinitamente superior a uma pesquisa de aprovação, ainda mais considerando que o presidente Lula ainda mantém, mesmo tendo perdido alguns pontos, aprovação pessoal igual ou superior a 40% em quase todas as sondagens. Refiro-me, naturalmente, as pesquisas que oferecem pontuação binária de aprovação versus rejeição, e não àquelas que dividem a avaliação em três grandes tipos ótimo/bom, regular e ruim/péssimo. A grosso modo, a nota de regular tende a se converter metade em aprovação e metade em rejeição.

Uma economia em recuperação, quando associada ao emprego e oferta crescente de programas sociais, cria um ambiente de estabilidade política que torna muito mais fácil, para  o governo, construir uma campanha de recuperação da confiança popular. Isso é óbvio.

Além disso, agora já está mais claro, por exemplo, que a inflação dos alimentos não é um problema estrutural. Não está havendo nada de excepcional nessa esfera, e tudo indica – embora isso seja o tipo de coisa que a gente só poderá cravar quando se materializar – que este índice deverá ceder ao longo de 2025, especialmente no segundo semestre, quando a nova supersafra de grãos entrar no mercado.

A estabilização do câmbio também me parece um fator a ser levado em conta nos prognósticos para inflação. Eu sempre defendi, por aqui, um ponto básico: um país com a capacidade de exportar quase US$ 350 bilhões em 12 meses dificilmente terá problema de “desvalorização” cambial por muito tempo. Somos vulneráveis à especulação cambial, isso sim, até por nossa instabilidade política. Mas elas tendem a durar pouco. Não estamos mais nos anos 90, quando nossa exportação era ridícula. Os ataques especulativos vistos no segundo semestre de 2024 serviram pelo menos para gerar anticorpos: será mais difícil, ao menos durante o resto do mandato do presidente Lula, que isso volte a acontecer.

Enfim, o governo Lula continua firme, e favorito para a reeleição em 2026, como inclusive mostram pesquisas. Mas não será fácil, naturalmente, até porque a população ficará, a cada dia, mais exigente. Não é esse, afinal, o grande trunfo do regime democrático?

Alguns analistas lembram que o governo Biden também registrou bons números econômicos, mas isso não foi suficiente para reelegê-lo. Ora, hoje me parece mais forte a hipótese de que o governo Biden foi devorado por sua obsessão por guerras. Uma administração que havia iniciado com grandes expectativas de transformação econômica terminou melancolicamente, associada a anúncios pomposos e frequentes, de que o governo estaria assinando um novo cheque multiblionário para novas guerras no exterior. Isso tirou completamente o brilho de Biden. O presidente Lula jamais terá esse problema. Muito pelo contrário. O desdobramento dos problemas internacionais tendem a dar razão a Lula, pois agora está mais claro para todos que a guerra na Ucrânia precisa ser encerrada através de ações diplomáticas, e que a tragédia em curso na Palestina é um genocídio abominável.

Abaixo, alguns gráficos que considero úteis para o internauta ter uma ideia melhor do que aconteceu na economia brasileira em 2024.

Chamo atenção para alguntos pontos.

O avanço da indústria brasileira de transformação tem sido impressionante. Ela foi a grande responsável pelo desempenho do PIB no ano passado.

O investimento também chamado tecnicamente de Formação Bruta de Capital Fixo, e que corresponde ao investimento de empresas na construção de novas instalações industriais, aquisição de máquinas e equipamentos, além da contratação do pessoal necessário para geri-los, experimentou um crescimento extremamente forte em 2024. A construção civil, sempre um termômetro importante para o nível de atividade econômica, também vem crescendo bastante nos últimos meses.

As exportações da indústria de transformação, por sua vez, alcançaram, nos últimos 12 meses, até fevereiro, o segundo maior resultado da história, na verdade particamente repetindo o recorde histórico registrado nos 12 meses até fevereiro de 2023.

Enfim, quem precisa estar bem é a população, não o governo. Se a economia vai bem, tudo ficará mais fácil, desde que o governo também faça a sua parte, de oferecer mais infra-estrutura e logística, para que este crescimento possa prosseguir de maneira sustentável, e melhorar em qualidade.

  

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China e o papel da diplomacia global: Wang Yi defende paz, multilateralismo e segurança no G20 https://www.ocafezinho.com/2025/02/22/china-e-o-papel-da-diplomacia-global-wang-yi-defende-paz-multilateralismo-e-seguranca-no-g20/ Sat, 22 Feb 2025 07:10:53 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=202286 No dia 20 de fevereiro de 2025, o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, discursou na reunião dos ministros das Relações Exteriores do G20, realizada em Joanesburgo, África do Sul. Representando a China como membro do Bureau Político do Comitê Central do Partido Comunista Chinês, Wang Yi abordou temas centrais da geopolítica global, enfatizando a necessidade de um mundo mais pacífico, seguro e multilateral.

Seu discurso refletiu o compromisso da China com o fortalecimento da governança global, a resolução pacífica de conflitos e o respeito à soberania dos países. Ele também destacou a importância do G20 como um espaço para promover soluções diplomáticas e fortalecer a cooperação internacional em um cenário de crescente instabilidade e tensões geopolíticas.

A centralidade do G20 na diplomacia internacional

Wang Yi iniciou seu discurso parabenizando a África do Sul por assumir a presidência do G20 e elogiando a organização da reunião. Ele enfatizou que o contexto internacional está marcado por transformações e turbulências, com conflitos regionais e desafios à segurança global se intensificando. Diante disso, o G20 tem um papel fundamental na busca por um mundo mais estável e pacífico.

Segundo Wang Yi, a cúpula do G20 realizada no Rio de Janeiro em novembro de 2024 estabeleceu um compromisso crucial: a construção de um mundo justo e sustentável, por meio do diálogo, da diplomacia e da resolução pacífica de conflitos. Agora, os ministros das Relações Exteriores devem reafirmar esse compromisso e atuar como uma força conjunta pela paz e estabilidade globais.

Ele reforçou que a China está disposta a trabalhar com todas as nações para promover essa visão, propondo três ações fundamentais para alcançar esse objetivo.

1. Defensores da paz global

O primeiro ponto central do discurso de Wang Yi foi a defesa da paz mundial. Ele argumentou que todos os países devem respeitar a soberania e a integridade territorial uns dos outros, além de reconhecer os caminhos de desenvolvimento e os sistemas sociais escolhidos de forma independente. O respeito mútuo é a base para uma coexistência pacífica e para evitar confrontos desnecessários.

Além disso, Wang Yi condenou a interferência em assuntos internos de outros países e alertou contra a crescente polarização geopolítica. Para ele, a prática de blocos rivais e confrontações ideológicas enfraquece a segurança global e amplia tensões desnecessárias. Ele defendeu que os países devem perseverar no diálogo e na negociação como formas primordiais de resolver diferenças e solucionar conflitos políticos e regionais.

Ele também relembrou os Cinco Princípios de Coexistência Pacífica, formulados pela China e outras nações do Sul Global há 70 anos, e afirmou que esses princípios continuam sendo essenciais para a estabilidade global.

2. Construção de uma segurança universal e compartilhada

O segundo ponto do discurso abordou a segurança global como uma responsabilidade coletiva. Wang Yi destacou que a humanidade é uma comunidade com um destino compartilhado e que a segurança de um país não pode ser alcançada às custas da insegurança de outro. Ele criticou políticas unilaterais que favorecem apenas algumas nações e ignoram as preocupações legítimas de outras.

Nesse contexto, ele reforçou a Iniciativa de Segurança Global proposta pelo presidente Xi Jinping. Essa iniciativa propõe um novo modelo de segurança baseado em quatro pilares: segurança comum, abrangente, cooperativa e sustentável. O objetivo é substituir confrontos por diálogo, alianças excludentes por parcerias inclusivas e uma mentalidade de soma-zero por soluções de ganho mútuo.

A China se comprometeu a trabalhar com todos os países para lidar conjuntamente com ameaças tradicionais e não tradicionais à segurança, incluindo desafios como o terrorismo, a cibersegurança e as mudanças climáticas.

3. Defesa do multilateralismo e fortalecimento da ONU

Wang Yi ressaltou a importância do multilateralismo como pilar fundamental da governança global. Ele destacou que 2025 marca o 80º aniversário da criação da Organização das Nações Unidas (ONU) e da vitória na Segunda Guerra Mundial, eventos que estabeleceram as bases para o atual sistema internacional.

Para Wang Yi, a ONU continua sendo a principal instituição global para garantir a ordem internacional, e seu papel precisa ser fortalecido, não enfraquecido. Ele lembrou que, em 2024, os ministros das Relações Exteriores do G20 lançaram um chamado à ação para a reforma da governança global, com o objetivo de fortalecer o multilateralismo e a influência da ONU.

A China defendeu que essa iniciativa deve ser transformada em ações concretas, garantindo a centralidade da ONU, a ordem internacional baseada no direito internacional e a aplicação das normas fundamentais da Carta da ONU.

Questões globais urgentes: Ucrânia, Gaza e Síria

O discurso de Wang Yi também abordou crises geopolíticas específicas, enfatizando a necessidade de soluções diplomáticas e pacíficas.

Crise na Ucrânia

O ministro chinês destacou que há um crescente apelo global por negociações de paz na Ucrânia e que uma janela de oportunidade está se abrindo. Embora reconheça a complexidade do conflito e as divergências entre as partes, ele defendeu que o diálogo é sempre melhor do que a confrontação e que negociações de paz são preferíveis à guerra.

Wang Yi reafirmou o compromisso da China com uma solução pacífica e destacou os quatro pontos essenciais propostos por Xi Jinping para lidar com a crise. Ele também expressou apoio a qualquer iniciativa de paz, incluindo um possível acordo entre Estados Unidos e Rússia, e encorajou todas as partes envolvidas a buscar um desfecho sustentável e duradouro.

Guerra em Gaza

Sobre a situação em Gaza, Wang Yi denunciou a catástrofe humanitária sem precedentes causada pelo conflito. Ele enfatizou que um novo ciclo de violência deve ser evitado a qualquer custo e que o cessar-fogo deve ser implementado de maneira contínua e eficaz.

Para a China, a governança de Gaza no pós-conflito deve respeitar o princípio de “os palestinos governando a Palestina”, e a solução de dois Estados continua sendo o único caminho viável para resolver a questão. Ele criticou a marginalização histórica da causa palestina e insistiu que a comunidade internacional não pode ignorar essa questão novamente.

Crise na Síria

Wang Yi também mencionou a situação na Síria, destacando que a vontade do povo sírio deve ser respeitada. Ele alertou contra a disseminação de grupos extremistas e defendeu que terroristas violentos não devem encontrar refúgio no território sírio.

O “momento africano” no G20

Encerrando seu discurso, Wang Yi celebrou a inclusão da União Africana como membro pleno do G20 e ressaltou a importância do primeiro encontro do grupo em solo africano. Ele afirmou que a comunidade internacional deve ouvir as vozes da África, respeitar suas preocupações e apoiar suas iniciativas de paz e desenvolvimento.

A China reiterou seu compromisso de apoiar os países africanos na busca por soluções próprias para seus desafios, rejeitando qualquer interferência externa. Wang Yi expressou confiança de que o continente conseguirá alcançar o objetivo de “Silenciar as Armas na África”, promovendo paz e estabilidade duradouras.

Conclusão

Wang Yi concluiu seu discurso citando Nelson Mandela: “É fácil destruir, mas os verdadeiros heróis são aqueles que constroem e fazem a paz.” Com essa mensagem, ele reafirmou o compromisso da China em trabalhar com todas as nações para fortalecer a paz mundial, expandir o consenso diplomático e construir um futuro seguro e próspero para todos.

A íntegra do discurso de Wang Yi pode ser lida aqui.

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Tempestade econômica de Trump agita mercados e aliados https://www.ocafezinho.com/2025/02/03/tempestade-economica-de-trump-agita-mercados-e-aliados/ https://www.ocafezinho.com/2025/02/03/tempestade-economica-de-trump-agita-mercados-e-aliados/#respond Mon, 03 Feb 2025 18:15:25 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=201471 Trump anuncia tarifas pesadas contra Canadá, México e UE, elevando tensões globais. Enquanto aliados prometem retaliação, mercados despencam e o mundo caminha para uma possível guerra comercial sem precedentes


Em declarações aos jornalistas na noite de domingo (2), Trump afirmou que fará chamadas separadas na manhã de segunda-feira com o primeiro-ministro canadense Justin Trudeau e com a liderança mexicana, após anunciar tarifas de 25% sobre os vizinhos e principais parceiros comerciais dos EUA. As taxas estão programadas para entrar em vigor na terça-feira, a menos que um acordo de última hora seja alcançado.

“Não espero nada muito dramático”, disse Trump sobre as ligações planejadas. “Impusemos tarifas. Eles nos devem muito dinheiro, e tenho certeza de que vão pagar.”

Trump também reiterou um aviso à União Europeia de que as tarifas “vão acontecer com certeza”, citando um grande déficit comercial com o bloco.

“Eles não compram nossos carros, não compram nossos produtos agrícolas”, disse Trump sobre a UE. “Eles quase não compram nada, e nós compramos tudo, incluindo milhões de carros e enormes quantidades de alimentos e produtos agrícolas.”

Tanto o Canadá quanto o México prometeram retaliar caso Trump leve adiante suas ameaças. O presidente mexicano, Claudia Sheinbaum, disse que detalhará seus planos no início da segunda-feira, enquanto Trudeau prometeu tarifas retaliatórias de 25% sobre US$ 106 bilhões em mercadorias americanas. A China, que também deve ser atingida por uma taxa de 10%, prometeu “contramedidas correspondentes”, embora ainda não tenha detalhado quais serão. O país está atualmente no final de um feriado prolongado do Ano Lunar.

Trump afirmou que pode intensificar ainda mais as tarifas dos EUA em resposta a qualquer retaliação.

“Primeiro, eles precisam equilibrar seu comércio”, disse Trump ao ser questionado sobre o que os países precisam fazer para que as tarifas sejam suspensas. “Eles precisam impedir as pessoas de invadir nosso país. Precisam parar com a entrada ilegal e também com o fentanil, e isso inclui a China.”

Trump pareceu poupar pelo menos um grande parceiro comercial — o Reino Unido — da ameaça de ações imediatas, dizendo que a relação está “fora de sintonia”, mas “pode ser resolvida”. O presidente dos EUA afirmou que está “se dando muito bem” com o primeiro-ministro britânico Keir Starmer, a quem descreveu como “muito simpático”, em contraste com os recentes ataques feitos ao líder britânico pelo bilionário aliado de Trump, Elon Musk.

“Então, o Reino Unido está fora de sintonia, e veremos, mas a União Europeia está realmente fora de sintonia”, disse Trump aos repórteres. “O Reino Unido está fora de sintonia, mas acho que esse é um caso que pode ser resolvido. Já a União Europeia, é uma atrocidade.”

Embora Starmer possa receber com otimismo tais declarações de Trump, os comentários complicam seus esforços para redefinir as relações com Bruxelas após o Brexit, um objetivo que ele esperava avançar ao participar de uma cúpula de defesa com líderes europeus nesta segunda-feira.

Trump já havia ameaçado impor tarifas à UE anteriormente, inclusive na sexta-feira, quando disse que “absolutamente” aplicaria as medidas. A UE, por sua vez, afirmou que responderá “firmemente” caso Trump imponha tarifas.

Trump não especificou um nível ou cronograma para as ações contra a UE em seus comentários mais recentes no domingo. “Não diria que há um cronograma, mas será logo”, disse aos repórteres.

Trump também informou que ordenou o congelamento da ajuda à África do Sul — país-sede do G20 este ano — devido às suas leis de expropriação de terras. O rand caiu quase 2%.

As declarações de Trump deixam pouco espaço para otimismo sobre um acordo que evite uma guerra comercial na América do Norte que pode se espalhar pelo mundo. Os futuros das ações americanas e as ações asiáticas caíram, o peso mexicano atingiu sua mínima histórica frente ao dólar em quase três anos, e o dólar canadense despencou para seu nível mais fraco desde 2003. O euro caiu diante das novas ameaças de Trump, enquanto o dólar subiu.

Com informações de Bloomberg*

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Troca do sherpa brasileiro no Brics abre debate sobre mudanças do governo na relação com o bloco https://www.ocafezinho.com/2025/01/23/mudanca-do-sherpa-brasileiro-nos-brics-e-vitoria-da-ala-pro-china-do-governo/ https://www.ocafezinho.com/2025/01/23/mudanca-do-sherpa-brasileiro-nos-brics-e-vitoria-da-ala-pro-china-do-governo/#comments Thu, 23 Jan 2025 13:04:40 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=201016 2 Comentários 🔥]]> A nota oficial é lacônica, mas as implicações são profundas. Vamos à nota, depois comentamos:

“O governo federal designou o embaixador Mauricio Carvalho Lyrio, Secretário de Assuntos Econômicos e Financeiros do Ministério das Relações Exteriores, para a função de negociador-chefe (sherpa) do Brasil no BRICS, por ocasião da presidência brasileira do bloco em 2025, em substituição ao embaixador Eduardo Paes Saboia.

Com larga experiência diplomática, o embaixador Mauricio Carvalho Lyrio é também o sherpa do Brasil no G20 e estará a cargo da organização de extensa agenda de reuniões técnicas e ministeriais durante a presidência pro tempore brasileira do BRICS, que culminará com a Cúpula de líderes.”

Segundo fontes do Cafezinho, a mudança é promissora e sinaliza a vitória da ala pró-China e pró-Brics dentro do governo e dentro do Itamaraty.

Lembrando: sherpa é um nome técnico no jargão diplomático para se referir ao principal representante de um país dentro de um bloco ou durante uma negociação estratégica entre nações.

Diferentemente de Eduardo Saboia, antigo sherpa do Brasil no Brics, que é da chamada “aristocracia itamarateca”, filho de embaixador, com uma visão de mundo extremamente anglófila e europocêntrica, e que faz parte da ala anti-China, ainda muito forte dentro do Itamaraty e do governo (e isso apesar de Saboia ser o secretário de Ásia do Itamaraty!), Lyrio, também um diplomata de carreira, é um intelectual de esquerda, simpatizante do PT na juventude e autor de um livro sobre a China.

Embora os movimentos sociais mais engajados no debate geopolítico ainda estejam cautelosos com a mudança de sherpa, minhas fontes não conseguiram esconder uma ponta de otimismo e esperança de que ela pode indicar uma vitória da ala pró-Brics e pró-China dentro do governo.

O momento é muito desafiador para a política externa do Brasil. O Brics, quando foi criado, não tinha, nem de longe, o peso geopolítico, ou antes, a imagem geopolítica anti-imperialista que tem hoje. Quer dizer, ele já era visto como uma associação aos moldes dos países não-alinhados, mas o Ocidente encarava a iniciativa com benevolência, possivelmente por considerá-la inofensiva à velha ordem mundial.

Isso mudou completamente de uns anos para cá, e vem mudando em progressão geométrica, em virtude da nova realidade geopolítica. A China impôs-se como uma grande potência tecnológica, industrial, comercial e militar, abalando fatalmente uma ordem mundial baseada na subserviência de todos os países aos Estados Unidos. O que é mais interessante: a China também tornou-se uma potência ideológica, na medida em que pessoas do mundo inteiro passaram a olhar para o regime político chinês com admiração e curiosidade. E o próprio país, antes fechado numa orientação low-profile, tímida, silenciosa, imposta pelo astuto Deng Xiaoping, líder do processo de abertura da China ao mundo, passou a investir pesado, sob Xi Jinpging, na defesa de suas ideias e valores no palco internacional. A China finalmente vem ganhando softpower a um ritmo proporcional a seu crescimento!

Hoje a China tem um ecossistema próprio de mídia internacional, aí incluindo milhares, quiçá milhões de influenciadores, que fazem uma eficiente defesa do país na gigantesca ágora geopolítica da internet. E isso no momento em que a opinião pública mundial assiste, perplexa, os Estados Unidos e a Europa apoiarem um genocídio na Palestina, e o novo presidente dos EUA, Donald Trump, retirar o país da Organização Mundial de Saúde e do Acordo de Paris.

Após o discurso de posse de Donald Trump e a assinatura de suas primeiras decisões, ficou bastante claro que o Sul Global, mais que nunca, precisa se unir numa grande aliança anti-imperialista, que permita aos países em desenvolvimento se emanciparem. Não é um processo fácil, naturalmente, sobretudo porque os países pobres são pobres justamente porque permanecem, em grande parte, paralisados por suas próprias contradições políticas domésticas.

É o caso do Brasil e de quase todos os países latino-americanos, que tem enorme dificuldade de respirar livremente, pois vivem dentro da bolha asfixiante de um gigantesco e ultra-agressivo complexo midiático-cultural, que mantém suas camadas médias e intelectualizadas numa espécie de hipnose profunda, construída ao longo das últimas décadas através de golpes de Estado, sanções, intimidação geopolítica, e pressão econômica. E quem domina corações e mentes da classe média, também domina a opinião pública e o poder de facto do país. (Por isso defendo tanto, a propósito, que o governo e a esquerda, construam teorias e implementem ações práticas para reconstruir suas pontes com as classes médias nacionais).

Os movimentos sociais mais conscientes dos desafios geopolíticos vêem com muita esperança o crescimento da China e o fortalecimento do Brics. Essa é razão pela qual pressionam o governo Lula para que escolha um lado na nova ordem mundial, e que este lado seja o do Sul Global, da China e do Brics.

Espera-se que novo sherpa seja realmente uma vitória neste sentido. Em 2025, o Brasil será presidente do Brics, e seria lamentável que o principal negociador brasileiro no bloco fosse um sujeito como Saboia, que apesar de ser reconhecidamente um diplomata íntegro e brilhante, é alguém ideologicamente comprometido até a medula com uma ordem mundial que já não interessa ao Brasil defender.

A ordem dos movimentos sociais e da esquerda é se aproximar de Mauricio Carvalho Lyrio, nosso novo sherpa no Brics, e convencê-lo a se manter leal à ala do governo que defende o multilateralismo, a democratização do conselho de segurança da ONU, o direito da China a se desenvolver tecnologicamente (livre de sanções), o direito da Rússia a não permitir mísseis da Otan em suas fronteiras (assim como os EUA tem direito a não permitir mísseis russos ou chineses posicionados na fronteira do México), e o direito de todos os países de fazerem comércio nas moedas que quiserem.

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Do G20 ao Cinturão e Rota: Brasil e China inauguram nova era de alianças https://www.ocafezinho.com/2024/11/21/do-g20-ao-cinturao-e-rota-brasil-e-china-inauguram-nova-era-de-aliancas/ https://www.ocafezinho.com/2024/11/21/do-g20-ao-cinturao-e-rota-brasil-e-china-inauguram-nova-era-de-aliancas/#respond Thu, 21 Nov 2024 18:51:36 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=197377 Brasil e China selam parceria histórica para um futuro sustentável, liderando o Sul Global rumo à justiça e ao desenvolvimento!


A visita do presidente chinês Xi Jinping à América Latina não apenas inaugura um novo capítulo nas relações da China com o continente, mas também destaca o compromisso chinês em promover a cooperação e amplificar a voz das nações do Sul Global, afirmaram especialistas.

Xi deixou Brasília na última quinta-feira após participar da 19ª Cúpula de Líderes do G20 e realizar uma visita de Estado ao Brasil. Altos funcionários brasileiros acompanharam sua despedida no aeroporto.

No trajeto até o aeroporto, representantes da comunidade chinesa, instituições e estudantes acenaram com bandeiras da China e do Brasil em ambos os lados da estrada, celebrando o sucesso da visita de Xi.

Durante sua estadia, o presidente Xi e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciaram a elevação das relações China-Brasil, comprometendo-se a construir uma “comunidade com futuro compartilhado”, baseada em um mundo mais justo e sustentável. Também concordaram em alinhar a Iniciativa do Cinturão e Rota às estratégias de desenvolvimento do Brasil.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lin Jian, destacou na quinta-feira que os dois líderes fizeram um balanço das relações sino-brasileiras ao longo de cinco décadas, concordando que estas atravessam seu melhor momento histórico. Além disso, reafirmaram seu caráter estratégico e de longo prazo, representando um exemplo de progresso mútuo e cooperação entre grandes países em desenvolvimento.

Segundo Lin, a elevação das relações bilaterais e a sinergia estratégica permitirão aos dois países consolidar conquistas passadas, iniciar os próximos “50 anos dourados” e servir como modelo para nações do Sul Global que buscam unidade e maior representatividade na governança global.

Xi Jinping também destacou que 2025 marcará o 10º aniversário do Fórum China-CELAC e expressou a disposição da China em trabalhar com o Brasil e outros países da América Latina para elevar a cooperação a novos níveis.

Especialistas chineses afirmaram que a viagem de Xi à América Latina reflete o compromisso da China em promover o desenvolvimento e a colaboração no Sul Global. Eles ressaltaram que a China está se posicionando como um ator central na promoção da paz, segurança e desenvolvimento global.

Em discurso escrito para a Cúpula de CEOs da APEC 2024, Xi enfatizou que os princípios de “planejar juntos, construir juntos e beneficiar juntos” devem prevalecer, com a ampliação da voz do Sul Global e a garantia de direitos iguais, oportunidades e regras justas para todos os países na cooperação econômica internacional.

Na Sessão I da 19ª Cúpula do G20, Xi defendeu uma maior integração entre países em desenvolvimento, destacando a importância de construir um ambiente global aberto, inclusivo e não discriminatório para a cooperação econômica. Ele ressaltou a necessidade de apoio ao desenvolvimento digital, inteligente e verde para reduzir a lacuna entre o Norte e o Sul.

Yang Xiyu, pesquisador sênior do Instituto Chinês de Estudos Internacionais, observou que a parceria sino-latino-americana representa um modelo de desenvolvimento autônomo e recíproco, contrastando com a dependência de potências ocidentais. Essa colaboração inspira outros países do Sul Global a buscar relações horizontais mutuamente benéficas e reforça a transição para uma nova ordem multipolar.

Além disso, Ronnie Lins, economista brasileiro e diretor do Centro de Pesquisa e Negócios China-Brasil, destacou que o fortalecimento dos laços econômicos, culturais e tecnológicos entre a China e a América Latina tem potencial para formar um bloco mais coeso, capaz de enfrentar desafios globais como desigualdade, sustentabilidade e inovação.

A diplomacia chinesa também busca estabilizar relações com grandes potências, como Estados Unidos, Rússia e Europa. Essas interações não só afetam relações bilaterais, mas também têm implicações diretas para a estabilidade internacional, reforçando o compromisso da China com a promoção da paz e do desenvolvimento globais.

Sob a liderança de Xi Jinping, a China está promovendo uma diplomacia de vizinhança baseada em amizade, benefício mútuo e inclusão, criando um ambiente diplomático pacífico e estável. De acordo com Xu Bu, presidente do Instituto de Desenvolvimento Internacional e Estudos de Segurança da Universidade de Jiangsu, essas ações estão traçando um caminho para o fortalecimento da cooperação regional e global.

Ao priorizar a revitalização conjunta com o Sul Global, fortalecer os laços com seus vizinhos e estabilizar as relações com grandes potências, a China está consolidando sua posição como um ator-chave no cenário internacional, escrevendo um novo capítulo em sua diplomacia com características chinesas.

Com informações do Global Times*

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Lula desafia o G20 e exige ação urgente dos países ricos contra o aquecimento global https://www.ocafezinho.com/2024/11/20/lula-desafia-o-g20-e-exige-acao-urgente-dos-paises-ricos-contra-o-aquecimento-global/ https://www.ocafezinho.com/2024/11/20/lula-desafia-o-g20-e-exige-acao-urgente-dos-paises-ricos-contra-o-aquecimento-global/#respond Wed, 20 Nov 2024 14:52:57 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=197327 Lula desafia potências no G20, pede metas climáticas mais ambiciosas e propõe tributar multimilionários para combater a fome global


O presidente Lula (PT) abriu o segundo dia do G20 nesta terça-feira (19) com um apelo a mais ações para abrandar o aquecimento global, destacando que os países desenvolvidos devem acelerar seus esforços para reduzir as emissões nocivas.

Lula centrou a sessão nos desafios ambientais, afirmando que as nações ricas devem considerar antecipar suas metas de redução de emissões de 2050 para 2040 ou 2045.

“O G20 é responsável por 80% das emissões de gases com efeito de estufa”, afirmou Lula. “Mesmo que não estejamos a caminhar na mesma velocidade, todos nós podemos dar mais um passo”.

Durante a cimeira, realizada no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, os líderes do G20 discutiram mudanças na ordem mundial, desde o aumento das tensões globais até as transformações na cena política internacional.

A agenda centrou-se nos esforços para reforçar a cooperação multilateral antes da posse do presidente eleito dos EUA, Donald Trump, em janeiro.

Os dirigentes da União Europeia também aproveitaram a oportunidade para realizar reuniões bilaterais à margem da cimeira.

Líderes mundiais que participam na Cimeira do G20 posam para uma fotografia de grupo no Rio de Janeiro / Silvia Izquierdo / AP

Em uma reunião com o presidente chinês Xi Jinping, o presidente francês Emmanuel Macron reafirmou o compromisso da França de fortalecer as relações com a China, destacando que os dois países compartilham pontos de vista sobre a promoção da paz na Ucrânia.

“O mundo em que vivemos, como acabou de nos lembrar, é feito de instabilidades, tensões e guerras crescentes. E acredito que partilhamos verdadeiramente uma visão comum no que se refere à defesa da Carta das Nações Unidas e à promoção de uma agenda de paz”, disse Macron a Jinping.

“Estamos no 1.000º dia da guerra de agressão lançada pela Rússia contra a Ucrânia, e sei que compartilha, como nós, o desejo de uma paz duradoura, respeitosa da Carta das Nações Unidas, e que partilha, como nós, a mesma preocupação com as declarações belicosas e de escalada da doutrina nuclear da Rússia”, acrescentou Macron.

Uma declaração conjunta assinada pelos representantes dos países do G20 na segunda-feira à noite apelou à assistência humanitária urgente e à melhor proteção dos civis afetados pelos conflitos no Oriente Médio, além de reafirmar o direito dos palestinos à autodeterminação.

A declaração também incluiu a proposta do Brasil de tributar em 2% os rendimentos dos multimilionários, centrou-se em formas de erradicar a fome no mundo e comprometeu-se a trabalhar para uma “reforma transformadora” do Conselho de Segurança da ONU.


Com informações do EuroNews*

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Milei agride Lula em postagem após reunião no G20 https://www.ocafezinho.com/2024/11/19/milei-agride-lula-em-postagem-apos-reuniao-no-g20/ https://www.ocafezinho.com/2024/11/19/milei-agride-lula-em-postagem-apos-reuniao-no-g20/#comments Tue, 19 Nov 2024 14:21:57 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=197257 1 Comentário 🔥]]> Durante a recente Cúpula do G20 realizada no Rio de Janeiro, um momento capturado em vídeo e compartilhado pelo presidente da Argentina, Javier Milei, ilustrou uma interação notavelmente distante com o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva.

O vídeo, que Milei postou em sua conta no X (anteriormente Twitter), foi acompanhado pela legenda: “É melhor manter os esquerdistas e os comunistas afastados”. A gravação ainda mostra Milei em interações mais efusivas com o ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro.

O presidente Lula, que atuou como anfitrião da cúpula no Museu de Arte Moderna, teve encontros calorosos com outros líderes globais, como Joe Biden dos Estados Unidos, Xi Jinping da China e Emmanuel Macron da França. Em contraste, o encontro com Milei foi marcado por uma cordialidade mais reservada.

A reação nas redes sociais foi imediata, com seguidores de ambos os líderes interpretando o gesto como um reflexo das divergências políticas entre os dois países.

Apesar do tom provocativo em suas redes, Milei também destacou um avanço significativo nas relações bilaterais durante a cúpula. Brasil e Argentina assinaram um acordo histórico para a exportação de gás natural da jazida de Vaca Muerta para o mercado brasileiro.

O acordo inicial prevê a compra de 2 milhões de metros cúbicos de gás por dia pelo Brasil, com expectativa de aumento para 10 milhões de m³/dia nos próximos três anos e 30 milhões de m³/dia até 2030.

Este pacto, celebrado nas redes sociais por Milei e sua equipe, é visto como um passo crucial para fortalecer a segurança energética de ambos os países, sublinhando a capacidade de cooperação em áreas estratégicas, mesmo diante de tensões políticas.

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G20 no Rio sob proteção aérea: conheça a Central que neutraliza drones https://www.ocafezinho.com/2024/11/18/g20-no-rio-sob-protecao-aerea-conheca-a-central-que-neutraliza-drones/ https://www.ocafezinho.com/2024/11/18/g20-no-rio-sob-protecao-aerea-conheca-a-central-que-neutraliza-drones/#respond Mon, 18 Nov 2024 16:23:44 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=197239 Central Antidrone da Polícia Federal monitora e neutraliza drones hostis para garantir segurança aérea do G20 no Rio de Janeiro


A Polícia Federal, com o objetivo de garantir a segurança aérea do G20, instalou, nas proximidades da Marina da Glória, a Central de Monitoramento Antidrones (CMA). Essa estrutura atuará na detecção, no monitoramento e na neutralização de drones possivelmente hostis, bem como na coordenação do uso de drones por instituições públicas autorizadas, assegurando o controle dessas Aeronaves Remotamente Pilotadas (RPAs).

O trabalho será realizado em parceria com o Gabinete de Segurança Institucional do Estado do Rio de Janeiro e da Presidência da República (GSI-RJ e GSI-PR), o Comando Militar do Leste (CML), a Polícia Militar do Rio de Janeiro (PMERJ), a Polícia Civil do Rio de Janeiro (PCERJ) e o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA).

Drone da Polícia Militar do Rio de Janeiro / Foto: Marcelo Regua

CMA ficará responsável pelo monitoramento de áreas consideradas sensíveis para a segurança do evento e das autoridades protegidas.

Entre os locais monitorados estão o Museu de Arte Moderna, a Marina da Glória, os aeroportos Santos Dumont e Galeão, a Praça Mauá, os hotéis onde estarão hospedadas as autoridades, além de suas imediações.

A zona de proibição de voos abrange um raio de aproximadamente 8 km a partir do Museu de Arte Moderna. Entretanto, a área de restrição será ainda maior, alcançando um raio de 37 km.

Entre os locais monitorados estão o Museu de Arte Moderna, a Marina da Glória, o Santos Dumont e o Galeão e a Praça Mauá /
Divulgação / Polícia Federal

Caso sejam detectadas aeronaves não tripuladas sobrevoando as áreas monitoradas, um protocolo de ação será ativado.

Esse protocolo pode resultar na interferência no controle da aeronave, seguida pela identificação, entrevista e possível condução do operador para procedimentos cabíveis.

Para as operações, serão utilizados equipamentos como radares e dispositivos de interferência no sinal das RPAs que representem uma ameaça à segurança do evento, especialmente em áreas de alta sensibilidade.

Com informações da PF*

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Pesquisador chinês avalia as sinergias entre Brasil e China no G20 https://www.ocafezinho.com/2024/11/17/pesquisador-chines-avalia-as-sinergias-entre-brasil-e-china-no-g20/ https://www.ocafezinho.com/2024/11/17/pesquisador-chines-avalia-as-sinergias-entre-brasil-e-china-no-g20/#respond Sun, 17 Nov 2024 18:02:05 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=197127 Com o Brasil na presidência rotativa e a viagem do presidente chinês, Xi Jinping, ao Rio de Janeiro, o G20 deste ano vem com uma expectativa especial para novos avanços no relacionamento sino-brasileiro. Isso sem mencionar o marco dos 50 anos das relações diplomáticas.

O programa Sala de visitas convida o pesquisador do Instituto dos Estudos Latino-Americanos da Academia de Ciências Sociais da China (CASS), Dr. Wang Fei, para trazer análises atualizadas.

1.     Como interpreta as expectativas do Brasil expressadas no seu slogan do G20? Quais consensos ou ações podemos esperar nessa cúpula?

Como um grande país em desenvolvimento, especialmente o maior no hemisfério ocidental, o Brasil tem tido a ambição de elevar sua posição global por meio do poder brando. A partir das pautas que Brasil sugeriu para cúpula as mensagens transmitidas pelo presidente Lula, acredito que podemos ter quatro expectativas para cúpula no Rio de Janeiro.

O primeiro aspecto é a ênfase constante do Brasil na justiça social, ou seja, na busca por equidade. O Brasil espera que, por meio de seus esforços para promover redução da pobreza e a justiça social, possa exercer uma influência positiva tanto em nível global quanto para outros países em desenvolvimento.

Podemos tomar como referência dos dois primeiros mandatos de Lula. No final de seu segundo mandato em 2010, ele alcançou uma taxa de apoio extremamente alta de 80%. Foi justamente um reflexo do reconhecimento da população pelos avanços na área de justiça social. Portanto, é uma posição que o Brasil tem mantido, que pretende aumentar sua influência global por meio da promoção da equidade e da justiça social.

Segundo, indico o aspecto relacionado à gestão ambiental e à sustentabilidade. Isso também contrasta diretamente com a abordagem do ex-presidente Jair Bolsonaro. Como o país possui uma vasta área conhecida como o “pulmão do mundo”, ele tem uma expectativa de contribuir para a proteção do planeta e, através disso, conseguir receber mais apoio, seja em recursos financeiros ou tecnológicos.

O terceiro ponto refere-se à melhoria da governança global. Esse é propriamente um dos objetivos centrais do G20 como um mecanismo de cooperação multilateral. No caso do Brasil, os principais focos são a governança no campo do comércio internacional e no setor financeiro internacional.

Por último, o vice-presidente do Brasil, Geraldo Alckmin, mencionou no B20 sobre o uso da inteligência artificial e a governança em torno dela. O Brasil quer queo avanço e a transformação que essa tecnologia pode produzir para ajudar a realizar sua meta de reindustrialização, além de fortalecer sua posição na competição tecnológica global. 

2.     Como a China agiu e respondeu a tais esforços da parte brasileira?

O primeiro é o setor financeiro e fiscal. A China atribuiu grande apoio ao Brasil nessa área. Quando se refere ao apoio financeiro, tem duas maneiras. Uma é o canal de financiamento para projetos de desenvolvimento, e a outra é o suporte para garantir a estabilidade financeira.

Em termos de canais de financiamento, podemos observar que, após Lula assumir o governo, ele designou a ex-presidente Dilma Rousseff como presidente do Novo Banco de Desenvolvimento do Brics, ou o NDB. Então, sob a liderança da Dilma, diversas políticas de apoio foram implementadas a esse respeito. A presidente acabou de ser premiada com a Medalha da Amizade da República Popular da China. Acredito que, nesse sentido, a China e o Brasil estabeleceram um consenso tanto em termos de visão quanto de ações práticas. Isto quer dizer que atribuímos um grande apoio a Dilma e ao banco na sua liderança.

No que diz respeito à estabilidade financeira, enxergarmos que, em 2023, China e Brasil conseguiram obter um grande avanço na prática da liquidação em moeda local e no uso do Renminbi nas transações. Isso reflete que, com o aumento contínuo do volume comercial e a otimização da estrutura do comércio bilateral, a liquidação em moeda local pode garantir e apoiar o comércio, protegendo-o das flutuações cambiais do dólar americano.

O segundo ponto é o comércio. Porque o recente resultado das eleições nos Estados Unidos já anunciou o retorno de Donald Trump, o que pode representar um impacto no comércio livre global. Recentemente, o Conselho Empresarial Brasil-China publicou um relatório propondo a assinatura de um acordo de livre comércio entre a China e o Mercosul, representado pelo Brasil. Sob essa perspectiva, China e Brasil já começaram a buscar os avanços na reforma do comércio livre em níveis bilaterais ou multilaterais menores. Por meio de acordos de livre comércio mais eficientes e padronizados, espera-se alcançar progressos na reforma do sistema de governança comercial global, agora liderado por países em desenvolvimento.

3.     A China sediou a cúpula do G20 em 2016 e pela primeira vez colocou questões do desenvolvimento numa posição proeminente no bloco. Como prevê propostas que a China dará? Quais serão os pontos de convergência que China e Brasil podem trabalhar?

A questão do desenvolvimento é um desafio comum enfrentado por todos os países em desenvolvimento e economias emergentes, incluindo China e Brasil. No entanto, esse tema hoje não pode ser discutido isoladamente, pois está, de fato, intrinsecamente ligado à segurança.

Com o comportamento cada vez mais frequente de politização e securitização por parte dos países ocidentais, liderados pelos Estados Unidos, o ambiente para os demais países avançarem em seu desenvolvimento tem sofrido alterações.

Especificamente para a China e o Brasil, vejo alguns pontos de convergência. Primeiramente, como alcançar um desenvolvimento mais eficaz no cenário global cheio de incertezas, para que garantam um crescimento econômico sustentável e um ambiente relativamente mais estável.

Em segundo lugar, é necessário lidar com as mudanças no mercado financeiro global. Recentemente, o real brasileiro tem se desvalorizado sem parar, atingindo o segundo menor valor histórico. Garantir estabilidade monetária é um desafio enfrentado por praticamente todos os países em desenvolvimento, incluindo o Brasil.

O terceiro ponto é a promoção do livre comércio. A estratégia dos Estados Unidos de desacoplamento e desassociação, ou do chamado quintal pequeno com cerca alta, impõe limitações e armadilhas para todos os países em desenvolvimento. Portanto, essas nações devem buscar mais autonomia e eficiência na condução da economia. Isso exige um esforço conjunto para garantir a estabilidade das cadeias de suprimentos e da indústria.

Por fim, com a vitória de Trump, surge uma ameaça em relação às mudanças climáticas globais. Caso os Estados Unidos deixem o Acordo de Paris novamente, representaria um desafio para o Brasil, um país com uma posição crucial na questão climática global.  Afinal de contas, é necessário que a China apoie firmemente o Brasil e busque pontos de convergência entre os dois países nessa área.

4.     O encontro do G20 desempenhou algum papel ou não para mudar essa situação de desigualdade?

O contexto da criação do G20 foi a necessidade de reformar o sistema irracional nos setores fiscal e financeiro, ou seja, a hegemonia do dólar americano e do Federal Reserve dos Estados Unidos. No entanto, após tantos anos, permanecem inalterados nos dois focos primordiais do G20.

Para países como Brasil e China, apesar de alguns consensos e acordos alcançados em reuniões do G20, as potências ocidentais ainda não concederam importância suficiente às economias emergentes.

Do ponto de vista acadêmico, caímos precisamente na chamada “armadilha de Kindleberger”. No entanto, essa armadilha é, na verdade, um rótulo que os acadêmicos estadunidenses impõem à China. Quer dizer, quando uma nação hegemônica deixa de fornecer bens públicos globais, ao mesmo tempo não permite que países em desenvolvimento, como China e Brasil, desempenhem esse papel, resultando em uma carência no suprimento.

Acredito, entretanto, que não se pode atribuir esse ônus aos dois países. A principal responsabilidade continua a ser das potências ocidentais.

5.     Como você avalia o desempenho do governo de Lula perante os compromissos feitos ao longo do seu mandato?

Antes ou depois da pandemia de Covid-19, o Brasil estava em um período de recuperação econômica ou, por assim dizer, uma recuperação após a recessão. Em 2020, a economia brasileira encolheu 3,28%, mas em 2021 e 2022, o Brasil alcançou crescimento de 4% e 3%, respectivamente.

Nessa perspectiva, sob o governo de Lula, a economia brasileira mostra sinais de recuperação ou esperança. Recentemente, a inflação voltou a subir, superando a meta estabelecida pelo Banco Central do Brasil, o que gera uma pressão significativa dentro do país. A pressão vem principalmente do setor fiscal, pois, como um presidente de esquerda, Lula depende de gastos sociais. O excesso de despesas sociais exige forte apoio fiscal, o que coloca grande pressão nas contas públicas.

De outro lado, em meio a uma onda global de queda nas taxas de juros, o Brasil começou a aumentar sua taxa de juros, criando um descompasso entre os ciclos do Banco Central do Brasil e do Federal Reserve americano. Novos aumentos da taxa enfraquecem o investimento doméstico. Portanto, a pressão fiscal e dos juros representam um impacto negativo nas perspectivas do crescimento econômico do Brasil.

No entanto, vale destacar que esses desafios não são novidade para o Brasil, pois, seja durante o governo de Lula ou o governo de Dilma Rousseff, devo dizer, o Partido dos Trabalhadores (PT), adotou uma abordagem semelhante. Assim, acredito que o governo brasileiro e o PT têm uma política sólida e estratégias preparadas para lidar com essas questões.

6.     É um consenso de que há sinergia entre o projeto de reindustrialização do Brasil e da iniciativa chinesa Cinturão e Rota. Conforme seu estudo, em quais áreas os dois podem dar passos pragmáticos?

Acredito que a cooperação entre China e Brasil não será afetada, independentemente da forma adotada. Sob uma forte confiança política mútua, os dois países têm aprofundado seus laços econômicos por meio de uma maior cooperação comercial e investimentos, o que fortalece ainda mais a cooperação política entre os dois.

Nas duas reuniões de think tank que realizamos no Brasil em outubro passado, muitos especialistas e acadêmicos abordaram o tema do desequilíbrio nos números e na estrutura do comércio entre os dois países. Esse é um ponto que ambos os lados já começaram a encarar com seriedade. Tanto para China quanto para o Brasil, devemos enfrentar o problema de forma mais pragmática, não focando nas causas, mas buscando soluções.

Em uma visão integrada entre política e economia, ou olhando para isso como um todo, é importante enfatizar tanto os interesses políticos quanto os interesses econômicos. China e Brasil podem alcançar uma cooperação econômica e comercial mais robusta, de alto nível e de alto padrão, promovendo melhores intercâmbios de pessoas e tecnologia. Acredito que esses são passos possíveis para o futuro.

Entrevista publicada originalmente no CRI

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Xi Jinping alinha discurso com Lula e defende “sinergia” entre projetos do Brasil e Rota da Seda https://www.ocafezinho.com/2024/11/17/xi-jinping-alinha-discurso-com-lula-e-defende-sinergia-entre-projetos-do-brasil-e-rota-da-seda/ https://www.ocafezinho.com/2024/11/17/xi-jinping-alinha-discurso-com-lula-e-defende-sinergia-entre-projetos-do-brasil-e-rota-da-seda/#comments Sun, 17 Nov 2024 13:16:56 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=197108 1 Comentário 🔥]]> “Vamos promover continuamente o reforço das sinergias entre a Iniciativa Cinturão e Rota e as estratégias de desenvolvimento do Brasil”, diz Xi, em artigo publicado hoje na Folha. A expressão é a mesma usada pelo chefe da assessoria do presidente Lula, Celso Amorim, e pelo secretário para Ásia e Pacífico, Eduardo Saboia, e sinaliza alinhamento do discurso entre os serviços diplomáticos de ambos os países.

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China-Brasil: Com futuro compartilhado e amizade que supera distâncias é hora de navegarmos juntos sob velas cheias.

Em artigo para a Folha às vésperas da cúpula do G20, líder chinês, Xi Jinping, destaca parceria em várias áreas e diz ser preciso reformar FMI, Banco Mundial e OMC.

Por Xi Jinping, presidente da China

A convite do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, realizarei em breve uma visita de Estado à República Federativa do Brasil e participarei da Cúpula de Líderes do G20 no Rio de Janeiro.

O Brasil tem território vasto, recursos ricos, paisagens deslumbrantes e culturas diversas, e é um país do qual o povo chinês gosta muito. Há mais de 200 anos, o chá, a lichia, as especiarias e as porcelanas atravessaram mares e chegaram ao Brasil, daí se criou uma ponte de intercâmbio econômico e comercial entre os dois países e nasceram os laços de intercâmbio amigável entre chineses e brasileiros.


As relações diplomáticas China-Brasil, estabelecidas em 15 de agosto de 1974, têm resistido às mudanças e turbulências na situação internacional nesses 50 anos e são cada vez mais maduras e dinâmicas. Têm promovido efetivamente o desenvolvimento dos dois países, contribuído positivamente para a paz e a estabilidade do mundo e oferecido um exemplo de cooperação ganha-ganha e futuro compartilhado entre dois grandes países em desenvolvimento.

China e Brasil sempre persistem em respeito mútuo e tratamento em pé de igualdade. Entendem e apoiam os caminhos de desenvolvimento que o povo chinês e o povo brasileiro escolheram. O Brasil foi o primeiro país a estabelecer uma parceria estratégica com a China e o primeiro país da América Latina e Caribe a estabelecer uma parceria estratégica global com Pequim.

Os dois países têm um relacionamento que sempre fica na vanguarda dos relacionamentos entre a China e os países em desenvolvimento e possuem mecanismos governamentais de diálogo e cooperação completos. A Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação (Cosban), que já está em bom funcionamento por 20 anos, desempenha um papel importante na coordenação e planejamento da cooperação em diferentes áreas e na busca de desenvolvimento comum.

China e Brasil sempre persistem em benefícios mútuos, ganhos compartilhados e complementaridade, e promovem conjuntamente a modernização dos dois países. A China é o maior parceiro comercial do Brasil por 15 anos consecutivos e uma das principais fontes de investimento estrangeiro — conforme estatísticas chinesas, importou mais de US$ 100 bilhões do Brasil anualmente nos últimos três anos, batendo um novo recorde. Com esforços conjuntos, os dois países gozam de uma pauta comercial bilateral cada vez mais aprimorada, uma cooperação de qualidade cada vez mais elevada e os interesses comuns cada vez mais ampliados. A sua cooperação de benefícios mútuos em áreas como agricultura, infraestrutura, energia e recursos naturais, desenvolvimento verde, ciência, tecnologia e inovação, finanças, entre outras, é efetiva e repleta de destaques e oferece impulsos vigorosos ao desenvolvimento econômico e social dos dois países.

China e Brasil sempre persistem em abertura, inclusão e aprendizagem mútua. Por natureza, sentem-se próximos um do outro e têm uma busca comum por tudo o que é belo. O fato de que Cecília Meireles e Machado de Assis, ambos poetas e escritores brasileiros bem conhecidos, traduziram poemas da dinastia chinesa Tang reflete uma sinfonia mental entre os dois lados que transcende tempo e espaço. Nos últimos anos, músicas, danças, gastronomias, esportes e artes passaram a ser as novas pontes que ligam os dois povos e contribuem para o aprofundamento do conhecimento mútuo e amizade entre chineses e brasileiros.

As fofinhas capivaras, a bossa-nova, o samba e a capoeira são populares na China, enquanto festivais tradicionais como o da primavera e outros elementos de cultura chinesa como a medicina tradicional são cada vez mais conhecidos pelos brasileiros. Entre os dois países, há interações frequentes entre jovens, jornalistas e acadêmicos, bem como intercâmbios dinâmicos entre entidades subnacionais. Mais ainda, as atividades para celebrar o 50º aniversário do estabelecimento das relações diplomáticas servem como banquetes de delícias culturais oferecidos aos dois povos. Nos últimos dias, recebi cartas de mais de uma centena de amigos brasileiros da Associação de Amizade Brasil-China, das universidades do Brasil, da Orquestra Forte de Copacabana do Rio e de outros setores da sociedade brasileira, e fiquei muito tocado com as grandes expectativas que depositam em aprofundar a amizade sino-brasileira.

China e Brasil sempre persistem em desenvolvimento pacífico, imparcialidade e justiça e têm opiniões idênticas ou convergentes sobre muitas questões internacionais e regionais. Ambos os países são defensores firmes do multilateralismo e das normas básicas que regem as relações internacionais e têm mantido, ao longo de todo esse tempo, uma colaboração estreita nos temas importantes como a governança global e as mudanças climáticas nas organizações internacionais e foros multilaterais como a ONU, o G20 e o Brics.

Há pouco, China e Brasil emitiram entendimentos comuns sobre uma resolução política para a crise na Ucrânia e receberam resposta positiva da comunidade internacional. De mãos dadas, os dois países cumprem seus papéis como grandes países responsáveis, promovem a multipolarização global e a democratização das relações internacionais, bem como injetam energia positiva à paz e à estabilidade mundiais.

No mundo de hoje, transformações de escala nunca vista em um século estão ocorrendo em um ritmo acelerado, e novos desafios e mudanças continuam surgindo. Diz um ditado chinês: “Em corrida de barcos, vencem aqueles que remam com força; em regata de veleiros, ganham aqueles que ousam avançar sob vela cheia.” China e Brasil, dois grandes países em desenvolvimento nos hemisférios leste e oeste e membros importantes do Brics, devem se unir mais estreitamente, ousar ser pioneiros e caçadores de ondas, e juntos abrir novas rotas de navegação que levam a um futuro mais belo que os povos dos dois países e a humanidade merecem.

Devemos manter a amizade como a direção geral do desenvolvimento do relacionamento entre China e Brasil. Vamos persistir sempre em respeito, confiança e aprendizagem mútuos e estreitar ainda mais os intercâmbios entre governos, entre partidos políticos, entre órgãos legislativos, de todos os níveis e em todas as áreas. Vamos reforçar trocas de experiências de governança e de desenvolvimento, consolidar a confiança estratégica mútua e compactar ainda mais a base política para as relações sino-brasileiras. Vamos continuar aproveitando o papel dos mecanismos de cooperação como a Cosban e o Diálogo Estratégico Global, para formarmos um relacionamento estável e maduro entre grandes países e promovê-lo para avançar com passos firmes e chegar ao longe.

Devemos cultivar as novas forças para a cooperação de benefícios mútuos entre China e Brasil. Ambos os países têm como metas importantes acelerar o desenvolvimento econômico e melhorar o bem-estar do povo e estão se esforçando para conseguir avanços rumo à modernização. No contexto de evolução rápida da nova rodada da revolução científica e tecnológica e transformação industrial, os nossos países devem agarrar as oportunidades futuras. Vamos promover continuamente o reforço das sinergias entre a Iniciativa Cinturão e Rota e as estratégias de desenvolvimento do Brasil, fortalecer constantemente a natureza estratégica, global e criativa da cooperação mutuamente benéfica China-Brasil, criar mais projetos exemplares que atendam a demandas futuras e trazem benefícios duradouros aos povos, e impulsionar o desenvolvimento comum dos nossos países e das nossas regiões.

Devemos consolidar a amizade entre os povos da China e do Brasil. As culturas ricas e únicas dos dois países se inspiram e se atraem. Devemos levar adiante a boa tradição de abertura e inclusão, aprofundar intercâmbios e cooperação em cultura e educação, ciência e tecnologia, saúde, esporte, turismo e entre entes subnacionais. Com isso, os nossos povos podem conhecer uma China e um Brasil mais genuínos, multidimensionais e vivos, e vamos formar mais “embaixadores” que trabalham para a longa continuidade da amizade tradicional China-Brasil. Com esses intercâmbios, vamos fazer com que as nossas civilizações convivam em harmonia, brilhem juntas e contribuam para a diversidade civilizacional do nosso mundo que pode ser comparado a um jardim cheio de flores.

Devemos demonstrar a união, a ajuda mútua e a responsabilidade da China e do Brasil. Atualmente, o Sul Global está em ascensão coletiva, mas a sua voz e aspiração ainda não são plenamente refletidas no sistema da governança global. Sendo principais grandes países em desenvolvimento, China e Brasil devem assumir a responsabilidade confiada pela história e trabalhar junto com os outros países do Sul Global para defender com toda a firmeza os interesses comuns dos países em desenvolvimento, enfrentar desafios globais com cooperação, tornar a governança global mais justa e equitativa, e contribuir para a paz, a estabilidade e o desenvolvimento comum do mundo.

Um outro objetivo importante da minha visita ao Brasil é participar da Cúpula do G20. O G20 é uma plataforma importante para a cooperação econômica internacional. O Brasil definiu como lema da sua presidência “Construir um mundo justo e um planeta sustentável”, promoveu proativamente a cooperação do G20 em todas as áreas e estabeleceu uma boa base para a realização bem-sucedida da Cúpula no Rio. O presidente Lula adotou “combate à fome e à pobreza” como um tema principal da cúpula e propôs o lançamento da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, à qual a China expressa grande apreço e apoio.

Para construir um mundo justo, é preciso o G20 persistir nos princípios de respeito mútuo, cooperação em pé de igualdade, benefícios mútuos e ganhos compartilhados, e apoiar os países do Sul Global para realizar um maior desenvolvimento. É necessário colocar o desenvolvimento no centro da cooperação do G20, priorizar a implementação da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável da ONU, formar parceria global para o desenvolvimento sustentável, promover um desenvolvimento global mais inclusivo, benéfico para todos e mais resiliente. É preciso promover proativamente a reforma do Fundo Monetário Internacional, Banco Mundial e Organização Mundial do Comércio e aumentar a representação e a voz do Sul Global. Devemos reforçar a coordenação das políticas macroeconômicas, promover a liberalização e a facilitação do comércio e investimento e criar um ambiente aberto, inclusivo e não discriminatório para a cooperação econômica internacional.

Para construir um planeta sustentável, é preciso o G20 preconizar produção e vida sustentáveis e convivência harmoniosa entre o homem e a natureza. É necessário impulsionar a cooperação internacional aprofundada em áreas como desenvolvimento verde e de baixo carbono, proteção ambiental, transição energética e enfrentamento das mudanças climáticas, persistir no princípio de responsabilidades comuns, porém diferenciadas, e fornecer mais apoios aos países do Sul Global em termos de financiamento, tecnologia e construção da capacidade. Trinta e dois anos atrás, foi realizada no Rio de Janeiro a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, ocasião na qual foram alcançados resultados essenciais como a Agenda 21. Uma das agendas importantes dos líderes do G20 no Rio será a discussão sobre o desenvolvimento verde e de baixo carbono no planeta. Espero que a cúpula possa injetar maior vigor e confiança ao desenvolvimento sustentável global.

Estou convicto de que a Cúpula do G20 no Rio alcançará resultados frutíferos e deixará distintas marcas brasileiras na história do bloco. Aguardo também trabalhar junto com o presidente Lula para conduzir as relações China-Brasil a entrar nos novos “50 anos dourados” e formar uma comunidade com futuro compartilhado mais justo e mais sustentável.

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G20 Favelas: segurança e saúde são demandas globais das periferias https://www.ocafezinho.com/2024/11/16/g20-favelas-seguranca-e-saude-sao-demandas-globais-das-periferias/ https://www.ocafezinho.com/2024/11/16/g20-favelas-seguranca-e-saude-sao-demandas-globais-das-periferias/#respond Sat, 16 Nov 2024 19:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=197095 Ocorreram debates em mais de 3 mil conferências em 49 países

Após debates em mais de 3 mil conferências com representantes de favelas, de comunidades e de periferias em municípios e estados do Brasil, além de outros 48 países, a Central Única das Favelas (Cufa) preparou um documento com as demandas desses territórios que será apresentado às lideranças globais do G20 – grupo que reúne as principais economias do mundo, além da União Europeia e União Africana.

O trabalho é fruto da criação do G20 Favelas pela Cufa, com a participação da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e da London School Economics.

O fundador da Cufa, Celso Athayde, conta que durante os encontros algumas diferenças de demandas ficaram evidentes: enquanto em algumas comunidades constatou-se a necessidade de implantar, por exemplo, linhas de trabalho em presídios – por causa do número de parentes e filhos dependentes de apenados nas comunidades –, em outras o maior problema era a falta de água potável.

Em entrevista à Agência Brasil, Celso Athayde – que também é presidente do Conselho da Cufa e CEO do Favela Holding (conjunto de empresas que sustenta a Cufa) – explica que apesar da diversidade, foi possível observar questões comuns que atingem essas populações.

“A gente fez as conferências [3.007, no total] das favelas nas cidades, depois nos estados, a nacional e a internacional, para trazer aquilo que é mais presente na vida de todos e não apenas o que é mais importante pontualmente. Pelo que eu vi, acho que questões relacionadas à segurança e à saúde são as demandas globais mais expressivas; além da desigualdade, porque em um espaço físico desigual, a desigualdade acaba se desdobrando em fome e desemprego, e faz com que a agenda global precise olhar para isso”.

Letícia Gabriella é coordenadora-geral do G20 Favelas | Letícia Gabriella/G20 Favelas

“Dentro desse processo a gente teve um encontro com as semelhanças. Têm algumas coisas que as favelas passam no Brasil e as favelas do mundo também têm a mesma conexão. Por exemplo, a questão da violência e da discriminação e a questão do combate à fome foram duas pautas que a gente entendeu que são muito parecidas dentro dessa relação do Brasil e fora do Brasil também”, completou a coordenadora-geral do G20 Favelas, Leticia Gabriella da Cruz Silva, à reportagem.

O coordenador-geral do G20 Favelas, Gabriel Oliveira, informou que mais de 50% das pessoas que participaram das conferências afirmaram que é fundamental discutir o combate à pobreza, à fome e às desigualdades sociais. Para ele, este foi o tema que gerou maior interesse das pessoas e mais contribuições e possibilidades de soluções.

“Ainda é um tema central e isso é emblemático. A gente está no ano de 2024, no século 21 e enquanto se debate se a inteligência artificial vai ou não beneficiar o mundo, a gente ainda tem pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza e extrema insegurança alimentar, pessoas que ainda não conseguem ter o mínimo básico de saneamento público, acesso à água potável, à moradia com equipamento de qualidade, com alvenaria correta para situações de extremo frio, extremo calor, todas essas alterações climáticas que a gente tem visto cada vez mais frequentes no mundo”, disse Oliveira à Agência Brasil, lembrando que erradicar a fome e a pobreza no mundo é o primeiro Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODSs) da ONU e até agora tem apenas16% das metas cumpridas.

G20 Favelas

O G20 Favelas é uma das instâncias que compõem o G20 Social, iniciativa proposta pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para ouvir a sociedade civil na definição de políticas públicas entre integrantes do grupo.

O anúncio do presidente brasileiros ocorreu em setembro de 2023, na 18ª Cúpula de Chefes de Governo e Estado do G20, em Nova Delhi, na Índia, quando o Brasil assumiu a presidência do bloco. O Brasil faz parte do G20 desde a sua criação em 1999.

“A gente atuou dentro de 49 países discutindo sobre temas calcados na parte de sustentabilidade, direitos humanos, combate às desigualdades e à fome e também apontando os desafios globais das favelas”, disse a coordenadora, completando que a Cufa atua há mais de 20 anos nesses territórios, defendendo o empoderamento e a potência dessas comunidades no centro desse debate global.

“A CUFA tem esse trabalho de mais de 20 anos nas cidades brasileiras e temos capilaridade em todos os estados do Brasil. A gente fez uma formação com as lideranças estaduais para que elas pudessem realizar as conferências. O pontapé inicial foi no Complexo da Penha, no Rio de Janeiro, quando a gente lançou o processo”, conta Letícia Gabriella.

“O nosso desafio foi fazer um movimento contrário ao do G20: levar as conferências até as favelas, porque infelizmente há falta de acesso e de informação. As pessoas que moram em territórios de favela e de periferia dificilmente sabem o que significa uma conferência e a importância de uma conferência. A gente foi a esses territórios explicar a importância do G20 e fazer os debates.”

Avançados

Gabriel Oliveira: segurança e combate à fome são demandas das periferias | Gabriel Oliveira/Arquivo pessoal

Para Gabriel Oliveira, como as realidades das periferias dos países que compõe o G20 são muito distintas, qualquer comparação sobre o atendimento das demandas dessas comunidades seria um equívoco

“A gente foi para a França e Suécia, países considerados desenvolvidos e eles também têm as mesmas questões de moradias e saneamento básico. Lógico que a proporção não chega a ser igual, mas ainda assim são verificadas situações, especialmente, depois de migrações principalmente de regiões da Ásia e do Norte da África para o norte da Europa”, explica o coordenador-geral do G20 Favelas.

“É difícil parametrizar quem está mais avançado nessas demandas. Acho que a agenda demonstrou que todos os continentes precisam de algum tipo de atenção em tudo que foi debatido e discutido nas nossas conferências. Aí o nosso ponto central não é tanto quem está à frente, mas como a gente democratiza as formas de combate e a informação e estratégia de solução desses problemas.”

Para Gabriel Oliveira, mesmo nos países ditos “de primeiro mundo”, o desequilíbrio social exige o desenvolvimento de projetos sociais para atender essas comunidades que vivem em territórios periféricos, especialmente nos últimos 20 anos, quando houve um processo de migração por conta da fome, da violência, da perseguição política, de crises globais e guerras: “esses problemas começam a acontecer com maior intensidade”.

Continuidade

O coordenador-geral considera um avanço a proposta brasileira de criação do G20 Social, mas ressalta, a importância de que esse projeto tenha continuidade.

“Não adianta o Brasil fazer o G20 Social e abrir a participação da sociedade civil e na próxima cúpula na África do Sul não existir mais a possibilidade da sociedade civil se inserir”, disse Gabriel Oliveira, acrescentando que essa participação social enriquece o debate, com novos pontos de vista e de atenção.

Communiqué

O documento final elaborado pela Cufa, pela Unesco e London School Economics, recebeu o nome de Communiqué e será apresentado nesta quinta-feira (14), às 10h, no Boulevard Olímpico, região portuária do Rio. Nos próximos dias 18 e 19 será entregue aos líderes do G20 pelo presidente Lula.

Publicado originalmente pela Agência Brasil em 14/11/2024 – 07h20

Por Cristina Indio do Brasil – Repórter da Agência Brasil

Edição: Denise Griesinger

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Como a China pretende usar o G20 para desafiar as sanções ocidentais https://www.ocafezinho.com/2024/11/14/como-a-china-pretende-usar-o-g20-para-desafiar-as-sancoes-ocidentais/ https://www.ocafezinho.com/2024/11/14/como-a-china-pretende-usar-o-g20-para-desafiar-as-sancoes-ocidentais/#respond Thu, 14 Nov 2024 22:03:24 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=197070 No Brasil, a China buscará aliados estratégicos para enfraquecer sanções e promover um novo sistema financeiro global contra o Ocidente

Pequim se concentrará em cortejar os países do G20 para que se juntem às suas redes financeiras — para contornar as sanções ocidentais em um potencial conflito com Taiwan — enquanto os EUA e o G7 pressionarão esses países a cumprirem restrições críticas à cadeia de suprimentos contra o continente.

Um novo relatório que estuda as respostas do G20 em uma crise em Taiwan descobriu que Pequim teria interesse limitado em usar uma política econômica punitiva contra esses países, enquanto os EUA e os países do G7 provavelmente pediriam que eles cumprissem as sanções.

Compilado pelos think tanks norte-americanos Atlantic Council e Rhodium Group, o relatório foi divulgado uma semana antes de uma reunião anual de alto risco do G20 no Brasil, da qual o presidente chinês Xi Jinping e seu colega norte-americano Joe Biden devem participar.

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Acredita-se que o G20 deste ano, que começa na segunda-feira, seja o último evento multilateral do qual Xi e Biden participarão.

O encontro acontece em meio a uma considerável incerteza sobre o futuro das relações sino-americanas sob o comando do presidente eleito dos EUA, Donald Trump — que iniciou uma guerra comercial com a China em 2018 como líder americano.

A aparição conjunta de Xi e Biden ocorreria dias após os dois se encontrarem durante a cúpula de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico, em Lima, Peru — em um diálogo presencial que a Casa Branca disse na quarta-feira que aconteceria no sábado.

A dupla está pronta para discutir questões polêmicas, que vão desde Taiwan até as restrições econômicas e tecnológicas dos EUA contra a China continental.

Taiwan continua sendo um dos pontos críticos mais perigosos no relacionamento, já que Pequim intensificou as ações militares ao redor da ilha nos últimos anos, citando as contínuas vendas de armas de Washington para a ilha.

Os acontecimentos provocaram especulações generalizadas sobre um conflito mais iminente no Estreito de Taiwan e alimentaram temores — na região e além — de que os países se sentiriam pressionados a escolher um lado entre as superpotências.

Não está claro qual será a política de Trump para Taiwan em seu novo mandato. Durante sua campanha presidencial de 2024, ele disse que Taiwan deveria pagar os EUA por sua defesa, gerando preocupações sobre um possível comprometimento americano reduzido com a ilha.

Dito isso, as escolhas do presidente eleito para o gabinete até agora incluem defensores da China, como Marco Rubio — seu indicado para secretário de Estado — que pediu apoio contínuo dos EUA a Taiwan.

Pequim vê Taiwan como parte da China, que deve ser reunificada à força, se necessário.

A maioria dos países, incluindo os EUA, não reconhece Taiwan como um estado independente, mas Washington se opõe a qualquer tentativa de tomar a ilha autônoma pela força e está comprometido em fornecer armas.

A ilha autônoma, que Pequim vê como parte da China a ser reunificada pela força se necessário, é um ponto crítico nas relações sino-americanas / Foto: EPA-EFE

O relatório afirmou que os países do G20 provavelmente enfrentariam solicitações tanto da China quanto dos EUA para cumprir suas respectivas políticas econômicas em um cenário de conflito.

No caso de uma “escalada moderada”, afirmou, os EUA ou o G7 fariam maiores solicitações aos seus aliados do tratado, como Coreia do Sul e Austrália, para que se unissem para agir contra a China, enquanto Pequim se absteria de utilizar ferramentas punitivas de política.

Se houvesse “alta escalada”, os EUA ou o G7 aumentariam a pressão sobre as nações do G20 para aderirem às restrições críticas da cadeia de suprimentos contra a China, enquanto Pequim pediria abertamente que essas nações se unissem às suas redes financeiras para contornar as sanções americanas.

De acordo com o relatório, a China também provavelmente tentaria “dividir ou separar” os países do G7 para evitar uma resposta coletiva.

O relatório concluiu que manter laços econômicos com a China seria uma opção de “menor custo” para as nações do G20 no cenário “moderado”, enquanto manter as sanções ocidentais seria uma opção de “menor custo” para elas no cenário “alto”.

Ele analisou as prováveis ​​respostas de três países do G20 — Coreia do Sul, Brasil e Indonésia — e observou que era improvável que o Brasil e a Indonésia se alinhassem fortemente com qualquer um dos lados devido às suas interdependências econômicas.

No entanto, alguma conformidade silenciosa pode surgir do Brasil e da Indonésia devido à política econômica implementada pela China e pelos EUA.

Brasília provavelmente distanciaria o Brics — uma associação de importantes mercados emergentes da qual é membro fundador — do conflito, mas aumentaria marginalmente o comércio dominado pelo yuan com a China.

A Indonésia, embora provavelmente também comece a reduzir os riscos de seus laços comerciais com a China, estaria mais relutante em romper a colaboração na cadeia de suprimentos com Pequim, acrescentou o relatório.

As baterias são vitais para a fabricação de veículos elétricos, uma das muitas indústrias nas quais a China e os EUA competem pelo domínio global / Foto: Xinhua

A Coreia do Sul é um caso mais complicado, pois teria maior alinhamento com o Ocidente do que outros países do G20, mas provavelmente defenderia exceções em setores com alta demanda da China, como eletrônicos.

Os EUA intensificaram medidas com aliados para reduzir os riscos dos laços econômicos com a China, citando ameaças à segurança nacional representadas por seu rival, incluindo o reforço dos controles de exportação de semicondutores e a construção de sua própria rede de cadeia de suprimentos para excluir Pequim.

A China controla mais de 60% dos elementos de terras raras do mundo.

Aliados dos EUA no G20, incluindo Austrália, Coreia do Sul e Japão, foram instados a se juntar aos esforços de Washington, enquanto países como a Indonésia — o maior produtor mundial de níquel, um material essencial para a produção de baterias — ajudaram a impulsionar a cadeia de suprimentos de Pequim.

Pequim também intensificou os esforços para tornar sua economia mais resiliente às restrições ocidentais, acelerando a internacionalização da moeda chinesa e expandindo seu uso no comércio bilateral, especialmente com os países do Sul Global.

Durante a cúpula do Brics no mês passado, na Rússia, Xi pediu ao grupo que liderasse reformas financeiras “urgentes” como parte de uma tentativa maior de Pequim de promover sistemas financeiros alternativos para reduzir a dependência do dólar americano.

Espera-se que Pequim continue pressionando esse ponto na reunião do G20 da próxima semana, que será centrada nas reformas financeiras globais.

O coautor do relatório, Logan Wright, disse que a China poderia desenvolver mais ferramentas financeiras para atenuar as sanções ocidentais nos próximos cinco anos e continuar oferecendo “incentivos positivos”, como aumentar seus investimentos nos países do G20, enquanto busca enfraquecer as restrições dos EUA.

“Provavelmente não há muito que a China possa fazer para desacelerar ou interromper o processo de redução de riscos ou desacoplamento”, acrescentou, “mas há muito que ela pode fazer para monitorar esse processo, retardá-lo e tentar enfraquecer o alinhamento internacional.”

Com informações do South China Morning Post*

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Lula preside Cúpula de Líderes do G20 e coloca o Brasil no centro do diálogo global https://www.ocafezinho.com/2024/11/10/lula-preside-cupula-de-lideres-do-g20-e-coloca-o-brasil-no-centro-do-dialogo-global/ https://www.ocafezinho.com/2024/11/10/lula-preside-cupula-de-lideres-do-g20-e-coloca-o-brasil-no-centro-do-dialogo-global/#respond Sun, 10 Nov 2024 20:05:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=196742 As três sessões principais do evento correspondem às prioridades estabelecidas pela: inclusão social e luta contra a fome e a pobreza, reforma da governança global e transição energética e desenvolvimento sustentável

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva presidirá a Cúpula de Líderes do G20, que ocorre nos dias 18 e 19 de novembro, no (Rio de Janeiro). Atualmente, além de 19 países dos cinco continentes (África do Sul, Alemanha, Arábia Saudita, Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, China, Coreia do Sul, Estados Unidos, França, Índia, Indonésia, Itália, Japão, México, Reino Unido, Rússia e Turquia), integram o fórum a União Europeia e a União Africana. O grupo agrega dois terços da população mundial, cerca de 85% do PIB global e 75% do comércio internacional.

Os chefes de Estado chegarão no dia 18 pela manhã, e serão recebidos pelo presidente Lula e a primeira-dama, Janja. Além dos membros plenos do grupo, são esperados representantes de 55 países ou organizações internacionais. Na sequência da chegada dos líderes, inicia-se a primeira das três sessões substantivas principais. As três reuniões correspondem, cada uma, às três prioridades que estabeleceu para a cúpula: inclusão social e luta contra a fome e a pobreza, reforma da governança global e transição energética e desenvolvimento sustentável.

Aliança Global

Durante a primeira sessão, será lançada a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, que estará aberta a todos os países e por organizações internacionais que queiram aderir. A iniciativa, proposta pela presidência brasileira do G20, tem como objetivo estabelecer uma aliança global para recursos e conhecimentos para a implementação de políticas públicas e tecnologias sociais eficazes para a erradicação da fome e da pobreza no mundo.

A Aliança estabelece um mecanismo prático para mobilizar recursos financeiros e conhecimento de vários países e entidades internacionais, para apoiar a implementação e a ampliação, em escala global, de ações, políticas públicas e programas efetivos desenvolvidos pelos diferentes países e instituições para o combate à desigualdade e à pobreza. O objetivo é ampliar bases para o desenvolvimento e superação da fome a longo prazo.

“Na ocasião, o presidente deverá ler a lista completa dos que já aderiram à aliança. Na verdade, a aliança continuará aberta às adesões, até porque, a aliança, como um todo, tem uma previsão de funcionamento do seu secretariado, portanto, das suas atividades, de 2025 até 2030. Esse documento, inclusive, já foi aprovado por todos os países. É justamente o período em que há uma mobilização dos países para ver se a gente consegue ter resultados mais efetivos no combate à fome”, destacou o embaixador Mauricio Lyrio, secretário de Assuntos Econômicos e Financeiros do Ministério das Relações Exteriores, na manhã desta sexta-feira (8) em conversa com jornalistas.

Segundo Lyrio, o intuito da iniciativa é acelerar o progresso na eliminação da fome e na redução da pobreza, com o objetivo de ter resultados melhores até 2030 em relação às metas estabelecidas na Agenda 2030. “Eu posso adiantar que teremos um número muito significativo de adesões”, afirmou.

Debates

Após o lançamento da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, debate sobre o primeiro tema prioritário: inclusão social. Assim como na última Cúpula do G20, em Nova Délhi, na Índia, o almoço dos líderes será durante a sessão. “Os presidentes almoçarão na sala plenária, porque justamente há uma série de discursos, debates e intervenções que exigem a presença de todos ao longo do dia”, ressaltou o embaixador.

Na segunda sessão substantiva, na tarde do dia 18 de novembro, a partir das 14h, a reforma da governança global será a pauta da reunião. “Haverá o debate sobre a reforma das instituições de governança global, o que significa a reforma da principal organização política internacional, a ONU, reforma das instituições financeiras internacionais, basicamente nascidas com Bretton Woods, como é o caso do Banco Mundial e do FMI, e também a reforma da Organização Mundial do Comércio (OMC)”, resumiu Lyrio.

Após a reunião, o presidente Lula e a primeira-dama participarão de uma recepção no próprio Museu de Arte Moderna, prevista para acontecer entre 18h e 20h. Na manhã do dia seguinte, a partir das 10h, ocorre a terceira e última sessão substancial dos líderes, para tratar sobre desenvolvimento sustentável e transição energética. Na sequência, haverá a sessão de encerramento da Cúpula e a transmissão da presidência do Brasil para a África do Sul, que preside o G20 a partir de 1º de dezembro.

Depois da cerimônia, será oferecido um almoço aos líderes e delegações. Para o presidente Lula, a tarde do dia 19 será reservada para reuniões bilaterais, ainda não confirmadas. De acordo com o embaixador, praticamente todas as delegações solicitaram reunião com o presidente brasileiro, mas devido à extensa agenda não será possível contemplar todos os países. “A cúpula está organizada em torno das três prioridades brasileiras, e que constituem, de fato, os núcleos dos resultados em nível de líderes. O que é interessante no G20, durante uma presidência, é que, além das prioridades gerais da presidência, dos líderes, também há objetivos e resultados em cada uma das áreas de negociação”, explicou o embaixador, ao detalhar que a Trilha de Sherpas do G20 tem 15 grupos de trabalhos que passaram o ano negociando consensos em diversas áreas de atuação.

“E, para a nossa satisfação, foi possível desbloquear o processo de decisão em nível ministerial, e nós estamos fazendo agora o balanço. Nós chegamos a 41 documentos aprovados em nível de ministros. Então, foi possível destravar o processo de decisões dos ministros e ter, ao longo da presidência brasileira, uma série de resultados que se somam aos resultados mais amplos das prioridades estabelecidas”, pontuou Lyrio.

Declaração de Líderes

Na declaração dos líderes, está prevista uma mensagem sobre a promoção da paz nos conflitos globais, especialmente a guerra na Ucrânia e a questão da Palestina. “É a mensagem de que precisamos chegar à paz em relação não só a este conflito, mas a todos os conflitos, que, aliás, reforça a prioridade brasileira de reforma para a governança global. É preciso ter paz para que nós possamos concentrar atenção política e recursos financeiros, naquilo que deveriam ser os objetivos mais altos da comunidade internacional, que é o combate à pobreza e a promoção do desenvolvimento sustentável, inclusive ao combate à mudança do clima”, disse o embaixador.

“A declaração de líderes é fundamental, porque ela consolida os resultados da presidência do país e, ao mesmo tempo, amplia o alcance, porque os líderes podem ir mais adiante. Mas, ao contrário das presidências anteriores, a presidência brasileira já foi gerando muitos resultados e decisões ao longo do seu ano”, assinalou.

G20 Social

O presidente Lula participará do encerramento da Cúpula do G20 Social, no dia 16 de novembro, com a participação do presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa. “O presidente sul-africano, para a nossa satisfação, está contente com a realização dos eventos sociais, e já disse que na sua presidência também introduzirá a experiência”, declarou Lyrio.

Coordenado pela Secretaria-Geral da Presidência da República (SGPR), o G20 Social é um processo inédito criado pela presidência brasileira do G20. O objetivo é ampliar a participação social nos processos de debate para decisões da Cúpula dos Líderes do G20, em torno de três eixos centrais escolhidos pelo governo brasileiro: combate à fome, à pobreza e às desigualdades; sustentabilidade, mudanças climáticas e transição justa; e reforma da governança global.

A Cúpula do G20 Social é o ápice do processo de participação social, idealizado pelo presidente Lula em dezembro de 2023, em Nova Délhi, na Índia, quando o Brasil assumiu simbolicamente a presidência rotativa do grupo. Desde então, o G20 Social deu espaço à pluralidade de vozes da sociedade civil brasileira e estrangeira e propiciou, pela primeira vez, encontros entre as trilhas política e financeira da cúpula de líderes mundiais e os grupos de engajamento e lideranças de movimentos sociais.

G20

Estabelecido, em seu atual formato, em 2008, o G20 consolidou-se como o principal foro global de diálogo e coordenação sobre temas econômicos, sociais, de desenvolvimento e de cooperação internacional. O G20 constitui-se atualmente de 21 grupos de trabalho, distribuídos em duas “trilhas” – uma coordenada pelo Ministério das Relações Exteriores, com 13 grupos de trabalho; outra, pelo Ministério da Fazenda, com 8 grupos de trabalho –, além de 11 grupos de engajamento com a sociedade civil.

A programação da presidência de turno do G20 compreendeu mais de uma centena de reuniões oficiais em todo o território nacional, entre as quais a cúpula de líderes, cerca de 20 reuniões ministeriais e mais de 50 reuniões de altos funcionários, além de dezenas de eventos paralelos.

Publicado originalmente pela Agência Gov em 08/11/2024 – 16h24

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