#Golpe - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/golpe-2/ Portal de noticias e análises sobre política brasileira, geopolítica, economia, tecnologia, sempre numa perspectiva democrática, progressista, anti-imperialista e multipolar! Mon, 09 Dec 2024 21:10:16 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://www.ocafezinho.com/wp-content/uploads/2015/10/cropped-Logo_Cafezinho_tmb-32x32.png #Golpe - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/golpe-2/ 32 32 Na Argentina e no Brasil, atos de memória contra ditaduras militares https://www.ocafezinho.com/2024/12/09/na-argentina-e-no-brasil-atos-de-memoria-contra-ditaduras-militares/ https://www.ocafezinho.com/2024/12/09/na-argentina-e-no-brasil-atos-de-memoria-contra-ditaduras-militares/#comments Mon, 09 Dec 2024 21:01:49 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=198164 1 Comentário 🔥]]> Bruno Falci (Jornalista e Historiador. Militante, no Brasil, dos Filhos e Netos por Memoria, Verdade e Justiça. Na Argentina é militante das Madres de la Plaza de Mayo)

de Buenos Aires para O Portal O Cafezinho

Na semana comemorativa do aniversário de 96 anos da grande líder das Madres da Plaza de Mayo, Hebe Bonafini, falecida há dois anos, diversas mobilizações ocorreram em múltiplas cidades do país. O movimento das Madres, que surgiu em 1977, durante a ditadura militar argentina, com a realização de marchas semanais na praça de maio para demandar do governo onde estão seus filhos sequestrados pela ditadura militar.

Ano 48 da Marcha semanal das Madres da Plaza de Mayo. Foto: Bruno Falci / Buenos Aires

Há 47 anos, todas as quintas-feiras, às 15h30, as Madres realizam a “volta” ao redor da Pirâmide de Maio, onde fica situada a Casa Rosada, sede do governo do país. em busca de seus filhos, os 30 mil desaparecidos durante a ditadura militar. Foi quando foi organizado um plano sistemático que sequestrou, torturou, assassinou e desapareceu com milhares de pessoas entre 1976 e 1983.

Marcha 2434 das Madres da Plaza de Mayo. Foto: Bruno Falci / Buenos Aires

Com a volta à democracia, os responsáveis pelos crimes começaram a ser julgados e condenados, mas nunca entregaram as listas das vítimas. nem sequer contaram o que faziam com seus corpos. A marcha está aberta a todos aqueles que queiram acompanhar a reivindicação. Através dessas marchas, elas se transformaram em referência moral no combate aos crimes praticados pela ditadura militar e em defesa da democracia e dos direitos humanos. As Madres, transformando a sua dor em luta, organizaram-se para reivindicar, visibilizar e denunciar coletivamente o desaparecimento dos seus filhos sob o terrorismo de Estado.

Marcha 2434 das Madres da Plaza de Mayo. Foto: Bruno Falci / Buenos Aires

No Brasil, se festejou o aniversário de fundação do Coletivo Filhos e Netos por Memória, Verdade e Justiça, realizada na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), no dia 5 de dezembro, quinta-feira. Fundado no Rio de Janeiro no dia 5 de dezembro de 2014, hoje é um coletivo nacional independente e suprapartidário de Direitos Humanos. Formado por familiares de mortos, desaparecidos, torturados e perseguidos políticos, sempre se dedicou e dedica-se à defesa dos Direitos Humanos e ao combate à violência de Estado, nos últimos 10 anos.

O ato comemorativo torna-se ainda mais necessário no cenário brasileiro atual quando a Polícia Federal que concluiu que o ex-presidente Jair Bolsonaro atuou no plano de um golpe de Estado que tinha conhecimento de um plano para assassinar o presidente Lula, o vice Geraldo Alckmin e o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes. O relatório da PF indiciou 37 pessoas, incluindo Bolsonaro, pelos crimes de organização criminosa, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e tentativa de golpe de Estado. Nessa trajetória, Militares golpistas discutiram a instalação de um campo de prisioneiros de guerra, sendo que foi sugerido a denominação de Auschwitz, nome do mais mortal e famoso campo de concentração nazista, onde foram assassinadas um milhão de pessoas.

Aniversario de 10 anos dos Filhos e Netos. UERJ / Rio de Janeiro

A resistência popular e a violência policial, comandada pelo protocolo repressivo ilegal do governo de extrema-direita de Javier Milei, caracterizaram o cenário político da Argentina em 2024. Foram grandes as mobilizações contra as políticas neoliberais do governo. Ocorreram duas greves gerais e outras manifestações reunindo milhões de pessoas, que ocuparam as ruas das principais cidades do país. Em reação o o governo de extrema-direita, que a cada dia se assemelha as ditaduras militares que tanto admira, lançou um protocolo que criminaliza manifestantes e os proíbe de fecharem ruas e protestarem, levando a Argentina a reviver os horrores do passado. A violenta repressão policial, prisões e perseguição de opositores é o novo cenário que se encontram os movimentos sociais e todos aqueles que se opõem ao regime que Milei busca impor na Argentina

Milei gerou uma grande insatisfação popular com mais da metade do país abaixo da linha da pobreza, crescimento do desemprego provocado em grande parte pelo enxugamento da máquina pública, o aumento do custo de vida e o corte dos subsídios. O governante prometeu, no início de seu mandato, resolver o problema da inflação, mas ao contrário, reduziu drasticamente o consumo, através de sua política de austeridade econômica, levando o país à recessão. O cenário politico segue incerto, Tanto o governo, quanto o povo organizado seguem se enfrentando enquanto a economia caminha para um colapso e a povo a cada dia passa mais fome, a insatisfação do governo cresce a cada dia, junto com a repressão aos seus opositores. O país, se continuar a seguir esse caminho, pode caminhar para uma explosão social.

veja entrevista do Semanário Latino-americano para o Cafezinho e aprofunde o debate

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Ato dos 10 anos do coletivo de familiares de desparecidos na ditadura militar https://www.ocafezinho.com/2024/12/04/ato-dos-10-anos-do-coletivo-de-familiares-de-desparecidos-na-ditadura-militar/ https://www.ocafezinho.com/2024/12/04/ato-dos-10-anos-do-coletivo-de-familiares-de-desparecidos-na-ditadura-militar/#respond Wed, 04 Dec 2024 18:51:22 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=198021 por Bruno Falci, militante dos Filhos e Netos por Memoria, Verdade e Justiça e da Associación Madres de la Plaza de Mayo

O coletivo Filhos e Netos por Memória, Verdade e Justiça vai celebrar os 10 anos de sua fundação no Auditório 111, situado no 11º andar da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), no dia 5 de dezembro, quinta-feira, a partir das 17 horas. Fundado no Rio de Janeiro no dia 5 de dezembro de 2014, hoje é um coletivo nacional independente e suprapartidário de Direitos Humanos. Formado por familiares de mortos, desaparecidos, torturados e perseguidos políticos, sempre se dedicou e dedica-se à defesa dos Direitos Humanos e ao combate à violência de Estado, nos últimos 10 anos.

Formado por familiares de mortos, desaparecidos, torturados e perseguidos políticos, sempre se dedicou e dedica-se à defesa dos Direitos Humanos e ao combate à violência de Estado, nos últimos 10 anos.


A entidade realiza atos públicos, pesquisa e projetos ligados ao tema da memória, verdade e justiça e da violência estatal de ontem e hoje. Segundo seus organizadores, o grupo reúne parentes e amigos de afetados pela Ditadura Civil-Militar: filhas e filhos, netos e netas, sobrinhas e sobrinhos. A história dessas lutas não são herança familiar isolada, mas de toda sociedade.

Especificamente, o coletivo luta para promover a justiça de transição de forma plena, ainda longe de ser concluída no país. e afirma:


“Definitivamente, o fim da Ditadura Civil-Militar não ocorreu no final dos anos 1970 e na primeira metade dos 80. Em termos político-econômicos, a ditadura segue forte, transmutada em outras formas de dominação e violência. Nos últimos anos, os defensores da ditadura retornaram com força e brutalidade ao espaço público, sem o menor pudor de defender o que há de pior em termos econômicos, políticos, sociais e culturais.

Em termos psicossomáticos e emocionais, Ditadura Civil-Militar também permanece com muita força. Os danos infringidos contra os brasileiros e brasileiras nos anos 1960, 1970 e 1980, permaneceram em suas vítimas, sendo transmitidos às novas gerações”.


“Em um período conturbado em que os frágeis valores democráticos do país estão sendo ameaçados por movimentos golpistas de extrema-direita, o coletivo Filhos e Netos por Memória, Verdade e Justiça acentua: “Não tratado, toda extensão do trauma produzido pela repressão reproduz-se cotidianamente. É preciso chamar atenção para os danos transgeracionais, que permitem a manutenção da violência de Estado na vida das famílias atingidas pela repressão”.


O ato comemorativo torna-se ainda mais necessário no cenário brasileiro atual quando a Polícia Federal que concluiu que o ex-presidente Jair Bolsonaro atuou no plano de um golpe de Estado e que tinha conhecimento de um plano para assassinar o presidente Lula, o vice Geraldo Alckmin e o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes.


O relatório da PF indiciou 37 pessoas, incluindo Bolsonaro, pelos crimes de organização criminosa, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e tentativa de golpe de Estado. Nessa trajetória, Militares golpistas discutiram a instalação de um campo de prisioneiros de guerra, sendo que foi sugerido a denominação de Auschwitz, nome do mais mortal e famoso campo de concentração nazista, onde foram assassinadas um milhão de pessoas.

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