governança digital - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/governanca-digital/ Portal de noticias e análises sobre política brasileira, geopolítica, economia, tecnologia, sempre numa perspectiva democrática, progressista, anti-imperialista e multipolar! Thu, 17 Jul 2025 12:47:14 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0.2 https://www.ocafezinho.com/wp-content/uploads/2015/10/cropped-Logo_Cafezinho_tmb-32x32.png governança digital - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/governanca-digital/ 32 32 Isis Paris Maia: A cooperação digital China-América Latina ganha novo impulso https://www.ocafezinho.com/2025/07/17/isis-paris-maia-a-cooperacao-digital-china-america-latina-ganha-novo-impulso/ https://www.ocafezinho.com/2025/07/17/isis-paris-maia-a-cooperacao-digital-china-america-latina-ganha-novo-impulso/#respond Thu, 17 Jul 2025 12:47:11 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=213049 A América Latina, marcada por exclusão digital, vê na China uma chance de romper a dependência das Big Techs e construir autonomia tecnológica

Nas últimas décadas, a relação entre a China e a América Latina e o Caribe (ALC) tem se fortalecido significativamente, tornando-se um eixo fundamental para a cooperação Sul-Sul. Inequivocamente, desde o fim da Guerra Fria, a institucionalidade internacional se fragilizou, ao passo que os Estados Unidos conduziram uma política que articulou intervencionismo e neoliberalismo, causando crises financeiras, crescimento das desigualdades e desestabilizações. Nesse quadro, o Sul Global, herdeiro da tradição do Terceiro Mundo, tem buscado redefinir a governança e o desenvolvimento em escala global.

A busca pela criação de inovações institucionais no âmbito Sul-Sul é uma expressão das transformações internacionais e uma resposta ao caráter refratário às mudanças daquelas organizações oriundas da Segunda Guerra Mundial centradas em Washington e seus aliados. Com efeito, a IV Reunião Ministerial do Fórum China-ALC de 2025, em Pequim, marcou um novo capítulo nessa relação, estabelecendo um roteiro para a próxima década a partir do assim chamado “Cinco Programas” para o desenvolvimento compartilhado.

Nesse texto, vamos detalhar o Programa 2, voltado ao desenvolvimento, dando ênfase ao setor digital. Cabe sublinhar que a América Latina e Caribe enfrenta vulnerabilidades estruturais significativas no setor digital, refletidas em deficiências de infraestrutura, capacitação tecnológica e integração produtiva.

A exclusão digital limita a capacidade das pessoas de gerar renda, acessar serviços públicos e participar de espaços cívicos, limitando a capacidade das comunidades mais carentes de exercer direitos fundamentais como educação, saúde e participação cultural e social. Com efeito, o desafio regional é justamente superar as fragilidades que comprometem o desenvolvimento da economia e da governança digital.

1. Panorama da aproximação entre China e a América Latina e Caribe

Nas últimas duas décadas, as relações entre a China e os países da América Latina e Caribe (ALC) foram significativamente redefinidas, marcando uma nova etapa de aproximação geoeconômica, diplomática e estratégica. Esse processo tem sido impulsionado tanto pelos interesses chineses de diversificação econômica, acesso a mercados e recursos, quanto pelas necessidades latino-americanas de investimentos, infraestrutura e novas parcerias fora do eixo tradicional do hemisfério norte, buscando escapar tanto à tutela dos Estados Unidos e seus aliados, bem como da consequentemente imposição da agenda neoliberal.

Em 2000, o mercado chinês representava menos de 2% das exportações da América Latina, mas o rápido crescimento da China e a demanda resultante impulsionaram o subsequente boom da interação comercial, alcançando, em 2024, um comércio de mais de US$ 518 bilhões (Roy, 2025).

No período de duas décadas e meia do século XXI, os Estados Unidos deixaram de ser o maior parceiro comercial da América Latina e Caribe, enquanto a China se tornou o maior parceiro da ampla maioria dos países.

Além disso, a China já implementou mais de 200 projetos de infraestrutura e empreendimentos industriais em diferentes países latino-americanos e caribenhos por meio da Iniciativa do Cinturão e Rota (BRI). Junto a essa adesão à BRI, diversos países estabeleceram relações diplomáticas com a China.

O continente, historicamente considerado por Washington como seu quintal, objeto de incontáveis intervenções e imposições de agendas econômicas, vislumbra outro modelo de cooperação.

Não obstante as contradições e assimetrias intrínsecas às relações interestatais, a China tem defendido um modelo de cooperação baseado na autodeterminação, no princípio de ampla consulta e na busca pelo desenvolvimento compartilhado. Isso é suficiente para afastar qualquer tipo de falsa simetria com relação ao padrão de interação dos Estados Unidos com a região.

Paralelo ao aumento dos fluxos, estamos diante da institucionalização das relações sino-latino-americanas, especialmente após a criação, em 2014, do Fórum China-CELAC (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos). Esta instância multilateral estabeleceu uma plataforma permanente de diálogo político, cooperação econômica e intercâmbio cultural entre a China e os 33 países membros da CELAC.

No âmbito do Fórum China-CELAC, diversas áreas prioritárias de colaboração têm sido definidas, incluindo infraestrutura, ciência e tecnologia, educação, meio ambiente, saúde pública e segurança alimentar. A China tem financiado bolsas de estudo, intercâmbios acadêmicos, missões técnicas, centros de pesquisa conjunta e parcerias público-privadas em setores estratégicos. A lógica subjacente é a de promover o crescimento econômico e o desenvolvimento endógeno da região, com base em capacidades locais e transferência tecnológica.

Ressalte-se, contudo, que alguns desafios para aprofundar esse relacionamento decorrem da própria CELAC, dado suas acentuou as tendências anteriores de desintegração econômica e fragmentação política.

Suas divergências políticas e baixa institucionalização, dado que não tem órgãos executivos ou judiciais, expuseram certa fragilidade da Comunidade, sobretudo após a eleição de Mauricio Macri (Argentina), em 2015, o impeachment de Dilma Rousseff (Brasil), em 2016, a eleição de Sebastián Piñera (Chile), em 2017, e a eleição de Ivan Duque (Colômbia), em 2018. A eleição de Bolsonaro levou, inclusive, a um recuo da liderança brasileira e ao enfraquecimento da Unasul ao ser substituída por iniciativas como o Fórum Prosul e o Grupo de Lima (Barros; Gonçalves; Samuriu (2020).

A eleição de Lula, por sua vez, fez o tema da integração sul-americana voltar a ser prioridade nacional e a rearticular as lideranças do continente. Também nesse sentido, a interação bilateral de Brasil e China tem sido virtuosa, ao mesmo tempo que aprofundam outras esferas de atuação multilateral, como ilustrou a recente Cúpula dos BRICS no Brasil.

2. Os “Cinco Programas” e as tecnologias digitais

O ponto mais promissor durante a IV Reunião Ministerial do Fórum China-CELAC de 2025 foi o lançamento de um ambicioso pacote de iniciativas conhecido como os “Cinco Programas para o Desenvolvimento Compartilhado”. Nesta reunião, foram aprovados a Declaração de Beijing e o Plano de Ação Conjunto China-Celac para Cooperação em Áreas Chave (2025-2027), incluindo uma linha de crédito de 66 bilhões de yuans (cerca de R$ 52 bilhões) para financiar projetos de desenvolvimento nos países da região.

Foram acordados mais de 100 projetos de cooperação trienal, e a China anunciou 20 medidas de apoio ao desenvolvimento da ALC. Destaca-se também a renovação dos compromissos com a implementação da BRI na região, o aprofundamento da cooperação científica e tecnológica (com ênfase em inteligência artificial, biotecnologia e energias limpas) e a promoção de um comércio mais equilibrado e diversificado.

Os Cinco Programas estão estruturados nos seguintes eixos:

1) O Programa de Solidariedade, que envolve convidar, anualmente, 300 membros de partidos políticos de países da CELAC para visitas à China voltadas para cooperação em melhores práticas de governança;

2) O Programa de Desenvolvimento que foca em crédito para o desenvolvimento da região, além do aumento da importação de produtos latino-americanos e caribenhos e a expansão da cooperação em áreas como 5G, economia digital e inteligência artificial;

3) O Programa Civilizacional que prioriza conferências de artes e diálogos civilizacionais, projetos conjuntos em áreas de patrimônio cultural como sítios arqueológicos, conservação e restauração de locais antigos e históricos e exposições em museus;

4) O Programa de Paz centrado em treinamento de policiais com base nas necessidades dos membros da CELAC, cooperação em cibersegurança, contraterrorismo, controle de narcotráfico e estabelecimento da Zona de Paz e Declaração dos Estados Membros da Agência para a Proibição de Armas Nucleares na América Latina e no Caribe;

5) O Programa de Conectividade entre Pessoas cujo objetivo é distribuir bolsas de estudo para alunos e professores, impulsionando o treinamento, a qualificação e a formação de profissionais.

Ressalte-se que os programas propostos se entrelaçam às ambiciosas e importantes estratégias da China definidas como Iniciativa de Desenvolvimento Global, Iniciativa de Civilização Global e Iniciativa de Segurança Global.

O Programa para o Desenvolvimento, por exemplo, representa um passo estratégico no fortalecimento da autonomia tecnológica no setor digital da América Latina e Caribe.

Essas iniciativas não apenas ampliam a capacidade produtiva regional, mas também reduzem a dependência histórica de tecnologias estadunidenses e de suas Big Techs, cujos desdobramentos, não raro, envolvem até violações de soberania e estabilidade política.

Nesse sentido, esse Programa converge com os princípios da Rota da Seda Digital, priorizando a cooperação multilateral em infraestrutura digital e inovação, visando criar um ecossistema tecnológico mais integrado e menos vulnerável a pressões externas.

Aqui cabe um parêntese. Nas últimas décadas, a China vem desenvolvendo um complexo ecossistema digital (Maia, 2025). Esse ecossistema é composto, em primeiro lugar, por uma infraestrutura digital avançada, que inclui redes de banda larga (fibra óptica, 5G e satélites), data centers para suportar nuvens, armazenamento e processamento de dados.

Em segundo lugar, soma-se a isso um conjunto de empresas de plataformas que atuam em todos os setores, desde as gigantes BATX (Baidu, Alibaba, Tencent e Xiaomi) até empresas menores que operam em diversas fronteiras tecnológicas, como e-commerce, fintechs e serviços que vão do entretenimento à indústria.

Em terceiro lugar, destacam-se empresas-chave na produção de aparelhos e insumos para o setor digital, como fabricantes de smartphones e computadores (Huawei, Xiaomi, Oppo, Vivo, Lenovo), drones (DJI), componentes eletrônicos e semicondutores (SMIC, BOE Technology) e baterias (CATL e BYD).

Assim, a China adentrou a fronteira tecnológica nas áreas digitais e se converteu num polo alternativo ao domínio ocidental. Isso tem permitido que Pequim se torne um parceiro chave no Sul Global. Nesse sentido, o Programa para o Desenvolvimento, ao priorizar essas áreas, não só acelera a transformação digital local, mas também abre espaço para que a América Latina e o Caribe se integrem à nova fronteira tecnológica.

A Rota da Seda Digital, nesse contexto, serve como modelo de cooperação horizontal, onde o compartilhamento de know-how e investimentos em infraestrutura crítica permitem à região construir um futuro digital mais equilibrado e sustentável. Atualmente, aliás, a governança digital e o desenvolvimento socioeconômico da região dependem diretamente da adoção de tecnologias como 5G, IA e Big Data, que otimizam serviços públicos, impulsionam a indústria e promovem a inclusão digital.

Trata-se, portanto, de cooperação entre países e da ampliação de investimentos e créditos em vários setores, incluindo o setor digital. Destaca-se que empresas chinesas como Huawei e Alibaba estão expandindo suas operações na América Latina, oferecendo soluções digitais e infraestruturais.

Para a região, é de suma importância superar a falta de infraestrutura digital em áreas remotas e a escassez de profissionais, sem os quais também não se avança na inclusão digital. Essa é a base para se poder avançar em diversas outras áreas como cidades inteligentes, agricultura de precisão, governança digital e serviços financeiros digitais.

Conclusão

A intensificação das relações entre China e América Latina e Caribe deve ser compreendida no contexto mais amplo da transição sistêmica global em curso. O mundo multipolar que emerge no século XXI coloca em xeque o unilateralismo dos Estados Unidos e desafia estruturas hegemônicas de poder lideradas por Washington desde o fim da Segunda Guerra Mundial. A ascensão do Sul Global, e agora do BRICS ampliado, cuja representatividade já alcança 54% da população e 45% do PIB em poder de paridade de compra mundial, redefinem a correlação de forças e abrem possibilidades inéditas no âmbito Sul-Sul.

A ascensão de Trump nos Estados Unidos tem recrudescido o unilateralismo, expressos das mais variadas formas, de tarifaços generalizados à agressões sem anuência do Conselho de Segurança da ONU, como foi o caso do Irã. Nessa direção, a parceria entre a China e os países da América Latina e Caribe reforça essa tendência de fortalecer o multilateralismo e os espaços de governança. Isso é particularmente crucial porque a presença da China, sobretudo com a BRI, é uma alternativa crucial à histórica relação disfuncional de Washington com o continente, que combinou ingerências e imposição de agendas neoliberais (Pautasso; Nogara; Ungaretti; Doria, 2021).

Assim, o Fórum China-CELAC está assumindo novo patamar, com a elaboração e implementação de planos de longo prazo. Essa é a própria evidência do adensamento das relações Sul-Sul, construídas à margem do antigo polo hegemônico. É, ao mesmo tempo, uma sinalização das novas configurações de poder a emergir no mundo, bem como uma resposta às políticas externas erráticas da Casa Branca.

Referências

BARROS, Pedro; GONÇALVES, Julia; SAMURIO, Sofía. Desintegração econômica e fragmentação da governança regional na América do Sul em tempos de Covid‑19. Boletim de Economia e Política Internacional, n. 27, p. 125‑142, 2020. Brasília: Ipea.
MAIA, Isis Paris. A China e seu ecossistema digital: governança e políticas públicas. Terracota: A Revista do GECHINA, v. 3, n. 1, ed. esp., mar. 2025.
PAUTASSO, Diego; NOGARA, Tiago; UNGARETTI, Carla; DORIA, Guilherme. A iniciativa do Cinturão e Rota e os dilemas da América Latina. Revista Tempo do Mundo, n. 24, p. 77–106, 2021.
ROY, Diana. A crescente influência da China na América Latina. Council on Foreign Relations, 6 jun. 2025.


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China amplia influência em inteligência artificial no Sul Global https://www.ocafezinho.com/2025/03/06/china-amplia-influencia-em-inteligencia-artificial-no-sul-global/ Thu, 06 Mar 2025 14:13:15 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=203542

A rápida expansão da China no campo da inteligência artificial (IA) está remodelando a tecnologia global, especialmente nos países do Sul Global, como África, América Latina e Sudeste Asiático. A estratégia chinesa vai além do avanço tecnológico: busca redefinir a ordem digital global.

Com produtos acessíveis, investimentos em infraestrutura digital e influência crescente na governança da IA, Pequim se posiciona como o principal fornecedor de soluções tecnológicas para economias em desenvolvimento. O plano estratégico da China, estabelecido no Programa de Desenvolvimento da Nova Geração de IA de 2017, prevê a liderança global até 2030. Esse projeto está alinhado à Rota da Seda Digital, iniciativa que impulsiona redes de fibra óptica, serviços em nuvem e a implementação da tecnologia 5G.

Enquanto Estados Unidos e Europa adotam uma abordagem mais cautelosa, a China avança rapidamente, integrando IA em suas parcerias econômicas com países emergentes. Empresas como Huawei, Xiaomi e BYD incorporam IA a smartphones, dispositivos domésticos e veículos elétricos, tornando essa tecnologia acessível a consumidores com menor poder aquisitivo. Diferentemente dos modelos ocidentais, que exigem infraestrutura computacional robusta, a IA chinesa é otimizada para dispositivos de menor potência, o que se adapta melhor às regiões com infraestrutura digital limitada.

Além dos produtos, a China está moldando o cenário digital do Sul Global por meio da construção de infraestrutura. O Cabo da Paz, um projeto chinês de fibra óptica submarina, fortaleceu a conectividade entre Ásia, África e Europa. Pequim também instalou mais de 1,9 milhão de estações de base 5G em países que fazem parte da Iniciativa do Cinturão e Rota. O sistema de navegação BeiDou, alternativa chinesa ao GPS norte-americano, já opera em mais de 100 países, fornecendo suporte a setores como agricultura, planejamento urbano e segurança.

A influência chinesa na governança digital também cresce. Ferramentas de reconhecimento facial, vigilância inteligente e policiamento preditivo, desenvolvidas por empresas chinesas, já são usadas em países como Etiópia, Nigéria e Indonésia. Embora aprimorem a segurança e a gestão urbana, essas tecnologias levantam preocupações sobre o uso autoritário da IA, com possibilidade de censura e controle político. Dessa forma, Pequim apresenta um modelo alternativo ao paradigma ocidental, que enfatiza regulações mais rigorosas voltadas à privacidade e aos direitos humanos.

Outro fator essencial nessa expansão é o acesso a dados. Para que os sistemas de IA evoluam, é necessário um volume massivo de informações. A crescente presença digital da China no Sul Global proporciona uma ampla base de dados linguísticos, econômicos e comportamentais. Quanto mais usuários adotam as aplicações chinesas, mais dados são coletados e processados, fortalecendo o desempenho da IA em contextos não ocidentais.

Essa estratégia não se limita à economia. A IA tornou-se um instrumento geopolítico, e o Sul Global é um dos principais campos de disputa. Enquanto EUA e Europa priorizam regulamentação e ética, a China promove a IA como um motor de crescimento econômico, governança inteligente e soberania digital. Essa abordagem tem atraído vários países, resultando em acordos como a Iniciativa Global para Governança da IA de 2023, além de parcerias com a Asean, a Liga Árabe e a União Africana.

Entretanto, a influência da China na IA enfrenta desafios. Há temores de dependência excessiva da tecnologia chinesa, especialmente diante das tensões entre Pequim e Washington. Além disso, preocupações sobre privacidade de dados e vigilância geram resistência em alguns países. Para conter o avanço chinês, EUA e Europa lançaram iniciativas como a Parceria Global para IA e aumentaram o financiamento para desenvolvimento tecnológico na África e na América Latina.

O cenário futuro aponta para duas possibilidades: um mundo fragmentado, onde ecosistemas concorrentes de IA disputam influência – um dominado pela China, outro pelos EUA e seus aliados – ou uma governança mais cooperativa, baseada na padronização e no desenvolvimento ético. Contudo, com a intensificação da rivalidade sino-americana, o primeiro cenário parece mais provável.

A expansão da IA chinesa no Sul Global não é apenas uma questão de inovação tecnológica, mas uma mudança na balança de poder digital. Ao fornecer produtos, infraestrutura e ferramentas de governança, a China se posiciona como a principal potência tecnológica para os países emergentes. O impacto dessa ascensão dependerá de como as nações equacionam avanço tecnológico e soberania digital.


? Autor: Hao Nan
? Biografia: Pesquisador do Charhar Institute e bolsista (2024-2025) da Arms Control Negotiation Academy.
? Data: 2 de março de 2025
? Fonte: South China Morning Post (SCMP)

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