Guerra tecnológica - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/guerra-tecnologica/ Portal de noticias e análises sobre política brasileira, geopolítica, economia, tecnologia, sempre numa perspectiva democrática, progressista, anti-imperialista e multipolar! Wed, 01 Jul 2026 09:19:00 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://www.ocafezinho.com/wp-content/uploads/2015/10/cropped-Logo_Cafezinho_tmb-32x32.png Guerra tecnológica - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/guerra-tecnologica/ 32 32 China intensifica controle sobre exportação de índio e pressiona indústria de IA do Ocidente https://www.ocafezinho.com/2026/06/21/china-intensifica-controle-sobre-exportacao-de-indio-e-pressiona-industria-de-ia-do-ocidente/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/21/china-intensifica-controle-sobre-exportacao-de-indio-e-pressiona-industria-de-ia-do-ocidente/#respond Sun, 21 Jun 2026 15:40:05 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=260058 A China endureceu a fiscalização sobre suas exportações de índio, um elemento químico pouco conhecido mas absolutamente vital para o desenvolvimento da inteligência artificial de ponta. A movimentação expõe a dependência tecnológica ocidental dos recursos minerais chineses e já provoca ondas de tensão entre grandes compradores da Europa e da América do Norte.

Segundo reportagem da agência Reuters, repercutida pelo portal RT, a alfândega chinesa passou a exigir que compradores estrangeiros revelem dados detalhados dos usuários finais de suas aquisições. A medida foi confirmada por um comprador europeu e por fontes do setor, que descreveram a situação como “tensa”.

O índio é um subproduto do refino de zinco e seu uso principal sempre esteve voltado para a fabricação de telas sensíveis ao toque e soldaduras de precisão. Contudo, o elemento ganhou status estratégico com a explosão dos data centers de nova geração. Ele é insubstituível na produção de chips ópticos de alta velocidade, que atuam como o sistema nervoso das infraestruturas de inteligência artificial, permitindo a transmissão massiva e ultrarrápida de dados.

A China detém o controle de aproximadamente 70% da produção mundial desse metal. Embora o índio ainda não conste oficialmente na lista de controle de exportações de tecnologia de uso dual de Pequim, os procedimentos de revisão aduaneira deixaram de ser automáticos. Um grande comprador da América do Norte relatou que o tempo de aprovação para as cargas passou de um dia para vários dias — um claro movimento de estrangulamento da oferta por vias administrativas.

A indústria global de semicondutores acompanha a situação com grande apreensão. O temor entre os analistas é que essa fiscalização rigorosa sirva como prelúdio para restrições ainda mais severas ou até mesmo proibições formais de exportação, especialmente se a guerra tecnológica com os Estados Unidos continuar a escalar. Nos círculos estratégicos americanos, a dependência do índio chinês é há muito tempo classificada como uma vulnerabilidade crítica.

Como resultado dessa assimetria mineral, Washington já traça planos de contingência para acumular reservas estratégicas, com objetivo de chegar a um estoque de segurança de até 403 toneladas do material — numa tentativa de blindar seu setor de defesa e tecnologia contra um possível embargo total. A incerteza sobre o fornecimento futuro adiciona uma camada geopolítica inédita ao mercado de matérias-primas para IA.

Com informações de ACTUALIDAD.

Com informações de ACTUALIDAD.

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EUA pressionam ASML por suposta máquina de chips na China, mas não mostram provas https://www.ocafezinho.com/2026/06/19/eua-pressionam-asml-por-suposta-maquina-de-chips-na-china-mas-nao-mostram-provas/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/19/eua-pressionam-asml-por-suposta-maquina-de-chips-na-china-mas-nao-mostram-provas/#respond Fri, 19 Jun 2026 18:25:01 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/06/19/eua-pressionam-asml-por-suposta-maquina-de-chips-na-china-mas-nao-mostram-provas/ O secretário de Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick, comunicou em reuniões recentes com executivos da ASML que o governo americano suspeita da operação de uma máquina de litografia ultravioleta extrema (EUV) em território chinês. Esse equipamento da empresa holandesa é crucial para a fabricação dos processadores mais avançados do mundo, e sua presença na China representaria uma séria violação das rigorosas sanções americanas destinadas a frear o avanço tecnológico de Pequim. A acusação, revelada pela Bloomberg e detalhada em reportagem do ✅ Inscrição confirmada com sucesso! Bem-vindo(a) ao O Cafezinho.“;document.getElementById(‘mce-EMAIL-ajax’).value = ”;} else {var msg = data.msg || “”;if(msg.includes(‘is already subscribed’)) {msg = “⚠ Este e-mail já está assinado na nossa newsletter.”;} else if(msg.includes(‘too many’)) {msg = “⚠ Muitas tentativas. Tente novamente mais tarde.”;} else if(msg.includes(‘domain’)) {msg = “⚠ O domínio do e-mail é inválido.”;} else {msg = “⚠ Erro: ” + msg;}msg = msg.replace(/^[0-9]+\s-\s/, ”);responses.innerHTML = “” + msg + ““;}delete window[callbackName];document.body.removeChild(script);};url = url + ‘&c=’ + callbackName;script.src = url;document.body.appendChild(script);});

Com informações de TECHCRUNCH.

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MiniMax lança modelo de IA que supera OpenAI e Google em engenharia de software https://www.ocafezinho.com/2026/06/01/minimax-lanca-modelo-de-ia-que-supera-openai-e-google-em-engenharia-de-software/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/01/minimax-lanca-modelo-de-ia-que-supera-openai-e-google-em-engenharia-de-software/#respond Mon, 01 Jun 2026 14:03:16 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/06/01/minimax-lanca-modelo-de-ia-que-supera-openai-e-google-em-engenharia-de-software/
Ilustração editorial sobre MiniMax lança modelo de IA que supera OpenAI e Google em engenharia de software.

A startup chinesa MiniMax apresentou o modelo M3, uma inteligência artificial de última geração projetada para resolver problemas complexos de engenharia de software. O sistema processa até 1 milhão de tokens em uma única operação, superando em cinco vezes a capacidade de seu antecessor.

Segundo reportagem do Sputnik, o M3 alcançou 59% no benchmark SWE-Bench Pro, ultrapassando o GPT-5.5 da OpenAI e o Gemini 3.1 Pro do Google. A métrica avalia a capacidade de resolver tarefas práticas de programação, depuração e manutenção de código em ambientes reais.

A arquitetura Sparse Attention do M3 reduz as exigências computacionais para um vigésimo dos níveis anteriores. Isso corta os custos operacionais em mais de 90% sem comprometer a qualidade das respostas, tornando o modelo viável para empresas com desenvolvimento intensivo de software.

Em teste prático, o M3 otimizou autonomamente um software para chips NVIDIA Hopper. A utilização do hardware saltou de 7,6% para 71,3%, demonstrando capacidade de extrair máximo desempenho de infraestruturas críticas como GPUs de ponta.

Enquanto empresas americanas como OpenAI e Google concentram-se em assistentes conversacionais, a MiniMax direciona seus esforços para sistemas que escrevem, testam e aperfeiçoam software com mínima intervenção humana. A lacuna tecnológica entre China e Estados Unidos continua se estreitando na engenharia de IA aplicada.

O SWE-Bench Pro é considerado referência para avaliar IA em tarefas reais de desenvolvimento. O benchmark simula desde correções de bugs até implementação de novas funcionalidades em repositórios complexos. Ao superar os concorrentes americanos, o M3 posiciona a China na vanguarda da automação de software.

A eficiência energética do M3 alinha-se às metas climáticas globais, já que centros de dados de IA consomem volumes expressivos de eletricidade. A MiniMax comprova que inovações em software podem compensar limitações em semicondutores de última geração, um ponto sensível diante das restrições de exportação impostas pelos EUA.

A MiniMax, menos conhecida que outras startups chinesas como DeepSeek, acumula avanços significativos em modelos multimodais. O M3 será disponibilizado por API para desenvolvedores, ampliando sua adoção na indústria global de tecnologia.

A corrida pela supremacia em IA incorpora um novo critério: construir sistemas capazes de atuar como engenheiros de software autônomos. O M3 demonstra que a China possui capacidade algorítmica e visão estratégica para liderar essa nova fase, desafiando a hegemonia americana no setor.


Leia também: Startup chinesa Moonshot AI levanta US$ 2 bilhões e atinge avaliação de US$ 20 bilhões


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EUA estendem embargo de chips de IA a empresas chinesas no exterior https://www.ocafezinho.com/2026/06/01/eua-estendem-embargo-de-chips-de-ia-a-empresas-chinesas-no-exterior/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/01/eua-estendem-embargo-de-chips-de-ia-a-empresas-chinesas-no-exterior/#comments Mon, 01 Jun 2026 03:32:15 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/06/01/eua-estendem-embargo-de-chips-de-ia-a-empresas-chinesas-no-exterior/ 5 Comentários 🔥]]>
Chip de semicondutor da NVIDIA em placa-mãe, ilustrando restrições de exportação de tecnologia.

O Departamento de Comércio dos Estados Unidos emitiu orientação esclarecendo que as restrições à exportação de semicondutores avançados para inteligência artificial se aplicam também a subsidiárias de empresas chinesas localizadas fora da China. A medida visa fechar brechas no regime de controle de exportações que permitiam que companhias com matriz chinesa contornassem o embargo.

O Bureau of Industry and Security (BIS), braço do Departamento de Comércio, confirmou que já exigia licenças para embarques a qualquer empresa com sede ou controladora na China. A resposta foi um direto ‘sim’ à dúvida de parte da indústria, mesmo após a revogação do arcabouço de difusão de IA do ex-presidente Joe Biden.

Conforme reportagem do portal Al Jazeera, o arcabouço de difusão de IA, anunciado no governo Biden, propunha um sistema global de controle de acesso a chips. A proposta enfrentou forte oposição de gigantes como a Nvidia, que a classificou como ameaça à inovação.

A administração atual descartou o marco em maio de 2025, citando ‘exigências regulatórias onerosas’ e danos às relações diplomáticas. Agora, a nova orientação do BIS deixa claro que a liberação não isentou as subsidiárias chinesas no exterior da obrigação de licenciamento.

Um porta-voz da Nvidia afirmou ao Al Jazeera que a companhia já operava em conformidade com as regras esclarecidas. ‘A orientação reafirma que o processo de vendas e verificação da Nvidia está correto – é necessária licença para enviar produtos controlados a empresas com sede na República Popular da China’, declarou.

A AMD e a Intel, principais concorrentes da Nvidia no setor de unidades de processamento gráfico (GPUs), não comentaram imediatamente. A TSMC, que fabrica os chips mais avançados para clientes como a Nvidia, também não respondeu a pedidos de posicionamento.

Chris McGuire, ex-funcionário do Departamento de Estado, acusou a gestão atual de ter proporcionado uma brecha para que empresas chinesas comprassem chips controlados. Segundo ele, muitos embarques ocorreram legalmente, e o novo esclarecimento torna as remessas ilegais novamente.

Os Estados Unidos vêm impondo sucessivas barreiras ao fornecimento de tecnologia de ponta à China, em meio à disputa pela supremacia em inteligência artificial. Em dezembro, a administração atual autorizou a Nvidia a vender o chip H200 ao mercado chinês, modelo mais potente que o permitido anteriormente.

O movimento para fechar a brecha reforça a escalada de Washington na guerra tecnológica contra Pequim, empurrando a China a acelerar seus próprios esforços em semicondutores. A indústria global de chips segue no fogo cruzado dessa rivalidade estratégica.


Leia também: EUA restringem exportação de chips avançados e sufocam produção chinesa de semicondutores


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EUA restringem exportação de chips avançados e sufocam produção chinesa de semicondutores https://www.ocafezinho.com/2026/05/31/eua-restringem-exportacao-de-chips-avancados-e-sufocam-producao-chinesa-de-semicondutores/ https://www.ocafezinho.com/2026/05/31/eua-restringem-exportacao-de-chips-avancados-e-sufocam-producao-chinesa-de-semicondutores/#respond Sun, 31 May 2026 23:34:42 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/05/31/eua-restringem-exportacao-de-chips-avancados-e-sufocam-producao-chinesa-de-semicondutores/
Ilustração editorial sobre EUA restringem exportação de chips avançados e sufocam produção chinesa de semicondutores.

A restrição à exportação do chip H200 pela NVIDIA marca nova fase na guerra tecnológica entre Estados Unidos e China. Semicondutores avançados se transformaram em armas geopolíticas na disputa entre as duas maiores economias do mundo.

A estratégia americana concentra-se em três frentes: diversificação da cadeia de suprimentos, controle de exportação de maquinário especializado e pressão para sufocar o financiamento chinês ao setor. O bloqueio ao acesso chinês à tecnologia de litografia ultravioleta extrema (EUV) é o golpe mais contundente.

A empresa holandesa ASML é a única produtora mundial dessa tecnologia. O governo dos Estados Unidos pressionou para restringir suas vendas à China, paralisando a capacidade chinesa de fabricar chips abaixo de 7 nanômetros.

Gigantes como Alibaba e ByteDance foram forçados a buscar fornecedores externos. As indústrias chinesas de inteligência artificial, avaliadas em mais de 175 bilhões de dólares, ficaram desprovidas de seu mercado produtor doméstico.

A manobra enfraquece os fabricantes chineses ao retirar sua principal base de clientes. Também expõe as empresas de IA a vulnerabilidades decorrentes da dependência de fornecedores externos controlados por Washington.

Os Estados Unidos buscam reduzir riscos diversificando o fornecimento de chips para o Vietnã. Removeram controles de exportação para entidades vietnamitas como forma de consolidar cadeias alternativas de suprimentos.

A justificativa oficial para as medidas é prevenir o uso dual dos chips avançados. O argumento encobre a real intenção de manter a hegemonia tecnológica americana diante do avanço chinês em inteligência artificial.

A restrição ao chip H200 chega com condicionantes que reforçam a alavancagem americana sobre as indústrias chinesas. Os Estados Unidos também restringiram o envio de maquinário utilizado por empresas como TSMC e SK Hynix para instalações chinesas.

A resposta chinesa tem sido aprofundar a estratégia de autossuficiência produtiva. Pequim investe fortemente em pesquisa e desenvolvimento de semicondutores para romper a dependência da litografia EUV.

Especialistas apontam que o tecno-statecraft representa um padrão emergente no comportamento das duas potências. A disputa evidencia como a tecnologia se tornou o principal campo de batalha da rivalidade entre Estados Unidos e China.

Para o Sul Global, o acirramento dessa guerra tecnológica traz implicações profundas. A concentração da produção de semicondutores em poucos países torna o mundo vulnerável a bloqueios e sanções arbitrárias impostas por Washington.

A experiência chinesa serve de alerta para nações que buscam desenvolver capacidades tecnológicas soberanas. A independência das cadeias produtivas estratégicas é essencial para evitar o controle imperialista.

Segundo análise publicada no portal Modern Diplomacy, o poder político dos chips de IA redefine o cenário internacional.


Leia também: Huawei anuncia design revolucionário de chips 3D para superar sanções dos EUA


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ETH Zurich ergue porta quântica geométrica sobre 17 mil pares de qubits e desafia a fragilidade da computação https://www.ocafezinho.com/2026/05/28/eth-zurich-ergue-porta-quantica-geometrica-sobre-17-mil-pares-de-qubits-e-desafia-a-fragilidade-da-computacao/ https://www.ocafezinho.com/2026/05/28/eth-zurich-ergue-porta-quantica-geometrica-sobre-17-mil-pares-de-qubits-e-desafia-a-fragilidade-da-computacao/#respond Thu, 28 May 2026 03:08:42 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/05/28/eth-zurich-ergue-porta-quantica-geometrica-sobre-17-mil-pares-de-qubits-e-desafia-a-fragilidade-da-computacao/
Pesquisadora em laboratório observa equipamento de computação quântica. (Foto: thebrighterside.news)

O reino instável da computação quântica acaba de receber um golpe de precisão vindo dos laboratórios suíços. Pesquisadores do ETH Zurich ergueram uma porta quântica de troca que operou com 99,91% de fidelidade em impressionantes 17 mil pares de qubits simultaneamente.

A computação quântica promete resolver enigmas que escapam até mesmo aos mais velozes supercomputadores clássicos. No entanto, a extrema fragilidade dos sistemas quânticos frente a ruídos, vibrações e flutuações magnéticas sempre representou uma barreira monumental.

Diferentes arquiteturas de qubits foram exploradas ao longo dos anos, desde circuitos supercondutores até íons aprisionados. Nos últimos tempos, os átomos neutros emergiram como uma alternativa robusta, livres de carga elétrica e capazes de serem confinados aos milhares em intricadas redes ópticas de luz laser.

As portas quânticas tradicionais em átomos neutros dependiam muitas vezes de efeitos de tunelamento ou de estados atômicos altamente excitados, exigindo controle absoluto e sofrendo com erros minúsculos. A equipe de Zurique, porém, recorreu a uma fase geométrica, um fenômeno que depende mais do caminho percorrido pelo sistema quântico do que da velocidade ou intensidade exatas do processo.

O pós-doutorando Yann Kiefer, do ETH Zurich, relembrou que ‘há alguns anos, pesquisadores conseguiram realizar tais portas usando átomos neutros em seu estado de energia mais baixo, mas ainda explorando fases dinâmicas devido a tunelamentos e colisões’. Kiefer destacou que a nova abordagem geométrica oferece uma proteção natural contra flutuações porque a fase adquirida é amplamente independente da velocidade de manipulação dos átomos.

Para construir a porta, os cientistas resfriaram átomos de potássio a temperaturas ultrabaixas e os aprisionaram em padrões de luz conhecidos como redes ópticas. Em seguida, guiaram pares de átomos a uma proximidade tal que suas funções de onda se sobrepunham, criando estados ‘doublon’ temporários que geravam a fase geométrica desejada.

Uma porta de troca executa a tarefa simples, porém vital, de inverter os estados de dois qubits, essencial para movimentar informação em processadores quânticos extensos. No experimento, a fase geométrica foi gerada de forma puramente geométrica, praticamente imune às variações de intensidade do laser ou da velocidade dos átomos.

O líder júnior do grupo experimental, Konrad Viebahn, enfatizou que ‘diferentemente das fases dinâmicas, esta fase geométrica é amplamente independente da velocidade com que manipulamos os átomos ou do quanto a intensidade do laser flutua durante o processo’. A robustez resultante significa que a porta pode resistir a perturbações que arruinariam outras implementações.

O teste massivo envolveu mais de 58 mil átomos de potássio-40, dos quais cerca de 60% a 70% formaram pares utilizáveis, totalizando mais de 17 mil portas atuando simultaneamente em menos de um milissegundo. Os detalhes do experimento foram publicados na revista Nature e a cobertura do The Brighter Side of News descreveu como as medições revelaram uma fidelidade corrigida de 99,91%, um índice de confiabilidade extremamente elevado.

Para verificar o funcionamento, a equipe estudou oscilações entre estados quânticos singleto e tripleto. Após aplicar a porta de troca, a mudança de fase prevista foi observada sem perda de força oscilatória, confirmando que o comportamento seguiu exatamente as predições.

Os pesquisadores também testaram a resiliência do sistema introduzindo deliberadamente ruído no potencial da rede óptica. A porta permaneceu estável mesmo sob flutuações significativas de tunelamento, só começando a perder precisão quando o ruído ultrapassava limiares bastante elevados.

Ademais, o time não se limitou às operações de troca comuns e demonstrou ‘meias-trocas’ que geram entrelaçamento quântico por meio de colisões controladas. Essas operações de entrelaçamento também sustentaram altas fidelidades, superando em alguns casos significativamente os métodos baseados em interações de supertroca.

O professor Tilman Esslinger, que lidera o laboratório no ETH Zurich, reconheceu que ‘agora podemos fazer muitas portas de troca com átomos neutros’. Esslinger ponderou, contudo, que ‘ainda precisamos de alguns outros ingredientes para construir um computador quântico funcional’.

O próximo passo ambicionado pela equipe é integrar as portas de troca a um microscópio de gás quântico, que permite visualizar e manipular átomos individuais diretamente. Com essa capacidade, seria possível direcionar operações a pares de qubits específicos, em vez de aplicar comandos globais sobre toda a matriz.

Os princípios geométricos subjacentes podem beneficiar além dos átomos neutros, estendendo-se a qubits de spin em semicondutores e a arranjos de átomos de Rydberg. A escalabilidade demonstrada, com mais de 17 mil pares operacionais, sugere que sistemas de átomos neutros podem atingir tamanhos suficientemente grandes para resolver problemas complexos de medicina, clima e engenharia.

Em vez de lutar contra as estranhas regras da mecânica quântica, os pesquisadores as transformaram em aliadas, utilizando simetria, geometria e estatística fermiônica como ferramentas práticas. Esta mudança de perspectiva pode reduzir drasticamente a demanda por correção de erros, um dos maiores entraves para a construção de máquinas quânticas tolerantes a falhas.


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Starship v3 de 124 metros emerge das chamas do Texas e redefine a arquitetura lunar da NASA https://www.ocafezinho.com/2026/05/24/starship-v3-de-124-metros-emerge-das-chamas-do-texas-e-redefine-a-arquitetura-lunar-da-nasa/ https://www.ocafezinho.com/2026/05/24/starship-v3-de-124-metros-emerge-das-chamas-do-texas-e-redefine-a-arquitetura-lunar-da-nasa/#respond Sun, 24 May 2026 22:08:34 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/05/24/starship-v3-de-124-metros-emerge-das-chamas-do-texas-e-redefine-a-arquitetura-lunar-da-nasa/
O foguete Starship da SpaceX decola em seu lançamento de teste em Starbase, no Texas. (Foto: space.com)

Na última sexta-feira, 22 de maio, o crepúsculo do sul do Texas foi rasgado por uma labareda de dimensões míticas quando a SpaceX acionou o voo 12 da Starship a partir de sua base de testes Starbase. Às 18h30 no horário da costa leste (22h30 GMT), a colossal nave de 124 metros de altura subiu aos céus num espetáculo de fogo e engenharia que pareceu desafiar as próprias leis da gravidade.

Esta iteração, batizada de Starship V3, incorpora um tubo de transferência de combustível inédito e um sistema de implantação PEZ mais veloz para satélites futuros, como se a máquina já sonhasse com constelações ainda não nascidas. Ao todo, 39 motores Raptor de última geração rugem entre os dois estágios, enquanto três grades de controle substituíram as quatro anteriores para domar a reentrada atmosférica.

O propulsor Super Heavy, com 70 metros de altura e 33 motores Raptor, gerou um empuxo de mais de 7.500 toneladas na ignição, suficiente para lançar uma carga equivalente a uma locomotiva além da órbita. O estágio superior Ship, que completa os 50 metros restantes, carregava sensores aprimorados e um escudo térmico de mais de 18.000 telhas hexagonais, testado ao limite na descida flamejante.

Após alcançar o espaço suborbital, o propulsor Super Heavy e o estágio superior Ship realizaram amerissagens flamejantes que encerraram a missão com a precisão de um ritual ensaiado. Embora o percurso repetisse voos anteriores, o artefato em si era inédito, uma criatura de metal forjada para reescrever os protocolos da exploração humana.

O anel de estágio quente reutilizável, situado na interseção entre o Super Heavy e a Ship, representa uma inovação que poderá reduzir drasticamente o custo de acesso ao espaço. Essas melhorias não são meros detalhes técnicos, mas peças de um quebra-cabeça que a SpaceX tenta montar para provar à NASA que está pronta para missões tripuladas.

A SpaceX agora aguarda a avaliação da NASA, pois a empresa disputa com a Blue Origin as oportunidades recém-aceleradas do programa Artemis. A agência espacial americana, em seus laboratórios de decisão, já manifestou a intenção de usar a Starship para pousar astronautas na Lua na missão Artemis 4, prevista para o final de 2028.

Antes de levar humanos à Lua, a Starship precisa demonstrar que pode voar em órbita terrestre, transferir combustível e abrigar sistemas de suporte à vida. Esses marcos, embora rotineiros na retórica dos engenheiros, carregam o peso de gerações de sonhadores que olharam para o céu noturno.

Contudo, a NASA reformulou a missão Artemis 3, transformando-a em um teste em órbita terrestre no qual a cápsula Orion se encontrará com um Sistema de Pouso Humano fornecido pela Blue Moon, da Blue Origin, ou pela Starship, da SpaceX. Essa dança orbital, repleta de incertezas, poderá redefinir quem tocará primeiro a superfície lunar.

O inovador sistema PEZ, inspirado no famoso dispenser de balas, permite liberar satélites Starlink V2 através de uma fenda lateral, eliminando a necessidade de adaptadores pesados e agilizando o implante das constelações. O compartimento de carga, com volume pressurizado de 1.000 metros cúbicos, foi projetado para abrigar dezenas desses engenhos, cada um dotado de links ópticos de alta velocidade.

A arquitetura de voo conta com computadores triplamente redundantes e algoritmos de pouso herdados dos foguetes Falcon 9, que já realizaram centenas de aterrissagens verticais. O aço inoxidável 304L da fuselagem, escurecido pelas reentradas anteriores, reflete a filosofia de construção rápida e iterativa que Elon Musk implantou em sua empresa.

Enquanto isso, a Blue Origin ainda não enviou sua Blue Moon ao espaço, embora planeje fazê-lo ainda este ano com o protótipo Blue Moon Mark 1. A nave de Jeff Bezos permanece um espectro ambicioso, pairando sobre uma corrida que a SpaceX, com seu monstro de aço em chamas, parece determinada a vencer.

As imagens estonteantes desse lançamento foram capturadas e divulgadas pelo portal Space.com, que documentou cada instante da ascensão da Starship mais poderosa já construída. A escritora Elizabeth Howell, Ph.D., especialista em voos espaciais do portal Space.com e autora do livro ‘Why Am I Taller?’, testemunhou o evento com a precisão de quem já cobriu lançamentos em dois continentes e participou de simulações marcianas.

Cada detalhe da missão, da nova disposição dos motores à substituição das grades de controle, foi pensado para transformar a Starship num veículo reutilizável de modo análogo a um avião comercial. A SpaceX calcula que um único sistema possa voar dezenas de vezes, reduzindo o custo por quilo lançado a valores que tornarão viáveis cidades em Marte.

A cada voo, a Starship não apenas queima querosene e oxigênio líquido, mas também incendeia as fronteiras do possível, lembrando que o futuro não é um destino distante, mas uma chama que se acende no presente. O fogo que brotou do solo texano naquela sexta-feira talvez tenha sido o prenúncio de uma nova arquitetura celeste, onde as crateras lunares aguardam passos humanos mais pesados do que nunca.


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Ex-diplomata chinês denuncia bloqueio americano ao avanço tecnológico de nações em desenvolvimento https://www.ocafezinho.com/2026/05/04/ex-diplomata-chines-denuncia-bloqueio-americano-ao-avanco-tecnologico-de-nacoes-em-desenvolvimento/ https://www.ocafezinho.com/2026/05/04/ex-diplomata-chines-denuncia-bloqueio-americano-ao-avanco-tecnologico-de-nacoes-em-desenvolvimento/#respond Mon, 04 May 2026 23:29:57 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/05/04/ex-diplomata-chines-denuncia-bloqueio-americano-ao-avanco-tecnologico-de-nacoes-em-desenvolvimento/
Caricatura mostra o Tio Sam construindo um muro tecnológico enquanto o “Sul Global” tenta abrir uma porta. (Foto: scmp.com)

Zhou Xiaoming, ex-representante adjunto da China na ONU em Genebra, acusa os Estados Unidos de usar patentes, sanções e pressões diplomáticas para frear o desenvolvimento tecnológico de nações emergentes e mantê-las subordinadas na cadeia global de valor.

Atualmente pesquisador no Centro para a Globalização em Pequim, Zhou afirma que Washington não busca uma competição justa. Ele descreve o comportamento americano como uma tentativa de derrubar rivais em vez de enfrentá-los em igualdade de condições.

Em artigo publicado no South China Morning Post, Zhou detalha como os EUA bloqueiam exportações de semicondutores avançados e exigem cadeias de suprimento restritas a aliados. Competidores também são excluídos de fóruns que definirão padrões para tecnologias como o 6G.

Para o ex-diplomata, essas ações configuram um monopólio tecnológico que prioriza o controle sobre o progresso coletivo da humanidade. Ele aponta a agricultura como exemplo claro de exclusão sistêmica.

Fazendeiros da América Latina e da África pagam royalties elevados por sementes geneticamente modificadas a corporações americanas. Essas licenças, fixadas em dólares, perpetuam uma dependência econômica estrutural.

Zhou compara esse modelo a uma estrutura colonial moderna, que limita o acesso de nações em desenvolvimento a conhecimentos essenciais. Segundo ele, isso dificulta a industrialização local e força a importação de produtos caros, minando a autonomia dessas economias.

A Casa Branca intensificou medidas restritivas, como a proibição de empresas chinesas de adquirirem softwares de design de chips e a imposição de tarifas sobre painéis solares asiáticos. Também cortou o fornecimento de máquinas de litografia extrema, fabricadas na Holanda, a fábricas fora do bloco ocidental.

Em resposta, Pequim tem investido em programas de substituição tecnológica. Zhou alerta, porém, que países com menos recursos não possuem alternativas viáveis e acabam obrigados a comprar produtos acabados dos mesmos conglomerados que detêm as patentes.

O analista menciona debates em fóruns internacionais, como a cúpula do G20 em Nova Délhi, onde ministros africanos reivindicaram transferência efetiva de tecnologia em vez de financiamentos que perpetuem subordinação. Zhou critica que tais demandas foram enfraquecidas no comunicado final sob pressão de potências ocidentais lideradas pelos EUA.

Como solução, o ex-diplomata sugere que plataformas multilaterais, como o BRICS ampliado, criem fundos para licenciar patentes de código aberto. Isso permitiria a universidades do Hemisfério Sul desenvolverem soluções locais sem o risco de litígios em tribunais norte-americanos.

Zhou lembra que a Organização Mundial do Comércio prevê flexibilizações de propriedade intelectual em situações de emergência. Ele acusa Washington de usar seu peso econômico para impedir que essas exceções se apliquem a setores estratégicos como telecomunicações quânticas ou vacinas de mRNA.

Por fim, o pesquisador defende que a construção de um regime tecnológico multipolar exige coordenação política e investimentos conjuntos em pesquisa. Ele chama atenção para a necessidade de desmantelar o que descreve como uma ‘barreira invisível’ que exclui grande parte da humanidade da próxima revolução industrial.


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Artemis II prepara salto ousado que reacende corrida lunar https://www.ocafezinho.com/2026/05/02/artemis-ii-prepara-salto-ousado-que-reacende-corrida-lunar/ https://www.ocafezinho.com/2026/05/02/artemis-ii-prepara-salto-ousado-que-reacende-corrida-lunar/#respond Sat, 02 May 2026 17:12:49 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/05/02/artemis-ii-prepara-salto-ousado-que-reacende-corrida-lunar/
Ilustração editorial sobre Artemis II prepara salto ousado que reacende corrida lunar. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro)

Quando o colosso metálico do Space Launch System cintila sobre o Atlântico da Flórida, paira no ar a sensação de que velhos mitos ganham engrenagens novas e inflamáveis, prometendo transformar o céu num corredor geopolítico de alta voltagem tecnológica. A segunda etapa do programa Artemis, prevista para decolar no primeiro trimestre de 2026, arrasta consigo fantasmas da Guerra Fria e ambições de um planeta que redescobre a Lua como tabuleiro estratégico.

O administrador da NASA, Bill Nelson, ex-senador que conhece as artérias da política de Washington, insiste que a missão é um ensaio geral para a presença humana sustentada no satélite, mas evita pronunciar a palavra dominação, tão cara às rivalidades de superpotências. Em entrevistas recentes, o dirigente admite que a pauta científica convive com expectativas de novos minerais, rotas de abastecimento para Marte e, sobretudo, prestígio nacional num cenário em que a China avança com seu programa Chang’e.

O astronauta da NASA Reid Wiseman, comandante designado da Artemis II, descreve o voo como um mergulho no «pano de fundo cósmico» onde pulsa a história da própria Terra. Ele garante que o treinamento inclui simulações de falhas de comunicação, navegação em céu sem GPS e testes psicológicos que aspiram blindar a tripulação contra o isolamento de quase meio milhão de quilômetros.

Ao lado dele embarcará o astronauta da NASA Victor Glover, primeiro afro-americano escalado para um périplo lunar, que sustenta que o símbolo maior da missão é mostrar que diversidade e alta engenharia podem partilhar a mesma cápsula. Nas conversas com estudantes, Glover defende que cada centímetro de alumínio do módulo Orion carrega a assinatura de milhares de trabalhadores civis, científicos e militares, provando que a exploração espacial já não cabe em narrativas individuais de heróis solitários.

A astronauta da NASA Christina Koch, recordista feminina de permanência contínua no espaço, servirá como especialista de missão e engenheira de sistemas, operando painéis que destoam da estética analógica dos anos 1960 e se aproximam de cockpits de veículos elétricos de última geração. Koch salienta que o desenho de redundâncias eletrônicas sofre influência direta da experiência da ISS com panes de software russas e atualizações automatizadas norte-americanas, sinal evidente de que a conquista da Lua será híbrida ou não será.

O quarteto se completa com o astronauta da Agência Espacial Canadense, Jeremy Hansen, piloto de caça que levou a bandeira do multiculturalismo do país ao coração de Houston, onde testou acoplamentos manuais durante sessões exaustivas em gravidade neutra. Hansen reconhece que seu passaporte diferente funciona como lembrete de que a parceria internacional segue viva, mesmo quando Brasília, Tóquio ou Berlim questionam a utilidade de financiar aventuras fora da órbita terrestre.

Segundo o dossiê técnico divulgado pela agência e detalhado na galeria interativa da Journey to the Moon, o foguete de 98 metros queimará hidrogênio líquido a 8,8 milhões de libras-força, elevando a cápsula Orion a 40 mil quilômetros por hora em apenas oito minutos. Depois virá a dança de correções de trajetória, sobrevoo a 130 quilômetros da superfície lunar e o retorno em velocidade de impacto termal equivalente a 32 vezes a do som.

Analistas de Pequim, citados pela agência Xinhua, apontam que a Artemis II representa muito mais que um desfile de ousadia científica, pois sinaliza aos investidores que os EUA pretendem patentear métodos de mineração de regolito antes que o BRICS amplie sua cooperação aeroespacial. Moscou, por sua vez, declara que seguirá com o mecanismo Luna-Glob em parceria com a Índia, e sugere que a Casa Branca tenta estabelecer zona de exclusividade ao redor das crateras polares repletas de gelo.

O Pentágono nega qualquer militarização, embora analistas de defesa especulem sobre a formulação de protocolos de salvaguarda que preveriam escolta satelital caso plataformas privadas como SpaceX ou Blue Origin sejam acionadas numa emergência. Tais especulações alimentam o receio de que batalhas jurídicas sobre propriedade de módulos ou depósitos de hélio-3 se transformem em litigância internacional, corroendo o Tratado do Espaço Exterior da ONU pactuado em 1967.

Diante dessa tensão geopolítica, países do Sul Global enxergam oportunidade inédita para barganhar transferência de tecnologia em troca de bases de rastreamento e know-how em robótica de superfície, área em que Brasil e Argentina dão passos graduais. Representantes de Abuja e Pretória sinalizam que sairão da condição de meros espectadores caso Washington ofereça contratos acessíveis para universidades africanas desenvolverem sensores de poeira lunar e algoritmos de navegação autônoma.

A América Latina não pretende ficar apenas na plateia, e a Agência Espacial Brasileira prevê lançar em Alcântara, até 2027, um microssatélite capaz de mapear radiação cósmica que pode interferir na saúde dos tripulantes de futuras bases lunares. Fontes ligadas ao Itamaraty comentam que, se a Artemis III instalar um módulo permanente na região do polo sul, o Brasil exigirá assento em fóruns decisórios sobre compartilhamento de dados ambientais do local.

Do lado ambiental, climatólogos alertam que a corrida ao regolito pode alterar a dinâmica do pó lunar, refletindo mais ou menos luz em direção à Terra e afetando, ainda que levemente, a temperatura global, num ciclo que alguns já batizaram de retroalimentação albedo-terrestre. Embora soe distante, tal hipótese reverbera em debates sobre mudanças climáticas e concede munição aos críticos que enxergam na exploração espacial uma distração cara diante das urgências planetárias.

Entretanto, há quem defenda que a própria transição energética depende do hélio-3, isótopo raro na crosta terrestre mas abundante na superfície selenita, cuja fusão limpa poderia libertar o mundo do petróleo e das chantagens de sanções que hoje estrangulam economias inteiras. O contraponto vem de economistas que lembram que o custo operacional de extrair, liquefazer e transportar esse cobiçado isótopo lunar ainda ultrapassa em vinte vezes o valor de mercado das alternativas terrestres no curto prazo.

Enquanto isso, a cultura pop já adequa roteiros a essa nova realidade, e estúdios de Los Angeles sugerem filmar sequências em gravidade parcial dentro de aeronaves de ensaio da Força Aérea, antecipando o merchandising cósmico que virá com hologramas de marcas pairando sobre o Mare Tranquillitatis. Filósofos da linha pós-humanista enxergam no experimento da Artemis uma simulação prática de sociedades em exílio voluntário, onde noções de fronteira e soberania se dissolvem na poeira cinzenta que cobre os trajes pressurizados.

Pesquisadores vinculados a centros de estudos europeus já discutem como regulamentar a cidadania multi-planetária para evitar cenários em que milionários troquem de domicílio fiscal rumo a colônias fora da Terra, imunes a tribunais convencionais. Em paralelo, juristas brasileiros defendem incluir cláusulas de justiça intergeracional nos acordos espaciais em vigor, garantindo que futuras gerações tenham direito a participar das decisões sobre exploração de corpos celestes.

Observadores do setor aeroespacial apontam que o contínuo aprimoramento dos motores RS-25 estimula potências globais a transpor antigas barreiras materiais e reconfigurar o futuro das tecnologias de defesa e navegação. A contagem regressiva para 2026, marcada por testes de fogo estático e alinhamentos orbitais, torna-se uma métrica rigorosa do grau de cooperação que a comunidade internacional conseguirá sustentar quando a cápsula Orion cruzar a órbita lunar.


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Canadá investe em robótica para fortalecer estratégia de defesa https://www.ocafezinho.com/2026/04/06/canada-investe-em-robotica-para-fortalecer-estrategia-de-defesa/ https://www.ocafezinho.com/2026/04/06/canada-investe-em-robotica-para-fortalecer-estrategia-de-defesa/#respond Mon, 06 Apr 2026 23:46:42 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/04/06/canada-investe-em-robotica-para-fortalecer-estrategia-de-defesa/ O Canadá compromete 2% do PIB com defesa até 2032 — e a robótica está no centro dessa equação. Ryan Gariepy, cofundador da Clearpath Robotics e hoje vice-presidente de robótica na Rockwell Automation, defende que robôs podem ser o fator decisivo para o país cumprir suas ambições militares.

Em entrevista ao BetaKit, Gariepy ressaltou a importância da robótica em áreas como logística, busca e resgate, reconhecimento e treinamento militar. Ele defende o uso de robôs militarizados, mas enfatiza a necessidade de controles e certificações rigorosas para evitar erros e garantir a responsabilidade humana por decisões de força letal.

O vasto território canadense, com seus ambientes hostis, torna a robótica uma solução ideal para a defesa. Gariepy comparou a situação do Canadá com a da Ucrânia, que rapidamente adaptou sua economia para a produção de drones, sugerindo que o Canadá poderia fazer o mesmo, aproveitando suas capacidades de manufatura e recursos naturais.

A questão da moralidade e da responsabilidade no uso de robôs letais é um ponto crítico. Gariepy argumenta que a responsabilidade deve permanecer com o comando militar, evitando que erros sejam atribuídos a engenheiros ou sistemas automatizados. Ele expressou preocupação com a possibilidade de sistemas de inteligência artificial, como os desenvolvidos pela Anthropic, serem usados para decisões autônomas de armas, destacando os riscos associados a essa prática.

O avanço da robótica no Canadá não se limita ao setor militar. Gariepy aponta que a robótica já é amplamente utilizada em indústrias como mineração, manufatura e farmacêutica. No entanto, ele acredita que há espaço para uma maior adoção, especialmente em pequenas e médias empresas, que poderiam se beneficiar de maior produtividade e segurança proporcionadas por robôs.

O debate sobre robôs letais e a militarização da inteligência artificial coloca o Canadá em uma posição estratégica no cenário global, especialmente considerando suas relações com países como a Ucrânia. A capacidade de modernizar rapidamente suas forças armadas por meio da robótica pode transformar o Canadá em um polo de inovação tecnológica e defesa.

Para o leitor, isso significa que o Canadá está se preparando para ser um líder em inovação militar e tecnológica. A integração de robôs em operações militares e industriais pode redefinir o papel do país no cenário internacional, promovendo um equilíbrio de poder mais diversificado e sustentando a paz em regiões estratégicas. Essa estratégia não apenas fortalece a soberania tecnológica do Canadá, mas também pode influenciar positivamente a economia e a segurança global.

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Entenda tudo sobre o colapso da NVIDIA na China https://www.ocafezinho.com/2025/06/14/entenda-tudo-sobre-o-colapso-da-nvidia-na-china/ https://www.ocafezinho.com/2025/06/14/entenda-tudo-sobre-o-colapso-da-nvidia-na-china/#respond Sat, 14 Jun 2025 07:30:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=210694 O CEO da NVIDIA disparou contra sanções que impedem negócios com a China e alertou: sem esse mercado, os EUA arriscam ficar fora da liderança em IA

A NVIDIA, uma das maiores empresas de tecnologia do mundo, está perdendo terreno na China — e o motivo tem nome: as restrições impostas pelos Estados Unidos. Em um cenário onde Pequim já foi um dos mercados mais lucrativos para a empresa, o CEO Jensen Huang admitiu que, se as sanções norte-americanas continuarem, a China deixará de fazer parte das projeções financeiras da companhia.

Leia também: EUA sabotam a própria vanguarda e enfraquecem a NVIDIA 

O que aconteceu?

A NVIDIA está sendo espremida entre dois gigantes: de um lado, a China, seu antigo mercado bilionário; do outro, os EUA, que impõem barreiras cada vez mais duras à exportação de chips avançados. A empresa já não pode vender seus processadores de ponta para o país asiático, e até alternativas adaptadas, como o acelerador de IA H20, foram bloqueadas. Resultado? O negócio da NVIDIA na China está encolhendo rapidamente.

“A posição da NVIDIA na China é frágil, segundo acredita Jensen, pois as restrições de exportação dos EUA estão minando a influência da empresa.”

A China não vai esperar

Enquanto a NVIDIA se vê amarrada pelas políticas de Washington, a China segue em frente. O país já demonstrou capacidade de desenvolver tecnologias próprias, como o modelo de IA DeepSeek R1, mesmo sem acesso aos chips mais avançados dos EUA. Se as restrições continuarem, Pequim vai acelerar ainda mais sua independência tecnológica — e, quando isso acontecer, a NVIDIA pode perder o mercado chinês para sempre.

“Se a tecnologia dos EUA não estiver presente na região, a China acabará desenvolvendo alternativas próprias que, no futuro, poderão desafiar a hegemonia norte-americana global em inteligência artificial.”

NVIDIA x EUA: A guerra interna

Jensen Huang não esconde sua insatisfação com as políticas de Washington. Ele já chamou as regras de controle de exportação de “sem sentido” e criticou abertamente a proibição do H20. Para ele, as sanções só estão acelerando o que os EUA tentam evitar: o fortalecimento da China como potência tecnológica.

“Jensen não parou por aí: ele também criticou as restrições de exportação dos EUA e sua eficácia, afirmando que essas políticas falharam em alcançar seus objetivos.”

E agora?

Com o governo norte-americano mantendo suas restrições — como deixou claro o secretário de Comércio Howard Lutnick após o acordo de Genebra —, a NVIDIA está diante de um dilema: perder um mercado essencial ou desafiar as regras de Washington. Enquanto isso, a China segue seu caminho, provando que, com ou sem a NVIDIA, seu avanço em IA não será freado.

Uma coisa é certa: se os EUA não repensarem sua estratégia, a NVIDIA será só mais uma vítima de uma guerra que pode custar caro à liderança tecnológica norte-americana.

Com informações de wccftech.com e O Cafezinho*

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A nova loucura imperial de Trump https://www.ocafezinho.com/2025/05/15/a-nova-loucura-imperial-de-trump/ https://www.ocafezinho.com/2025/05/15/a-nova-loucura-imperial-de-trump/#comments Thu, 15 May 2025 13:45:49 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=208744 1 Comentário 🔥]]> EUA ampliam sanções e criminalizam uso global dos chips de IA da Huawei.

O Departamento de Comércio dos Estados Unidos publicou, no último dia 13 de maio, uma orientação distopicamente imperialista e autoritária.

Segundo o novo “édito”, o simples uso dos chips de inteligência artificial Ascend 910B, 910C e 910D, da chinesa Huawei, pode ser considerado uma violação das leis de exportação americanas – mesmo que esses chips sejam usados fora dos EUA, inclusive dentro da própria China.

Embora os Ascend sejam projetados e fabricados pela Huawei, o governo dos EUA argumenta que esses chips foram desenvolvidos utilizando tecnologias, softwares de design ou equipamentos de fabricação de origem americana. Isso ativa a chamada Foreign Direct Product Rule (FDPR), uma regra que permite aos EUA impor restrições a qualquer produto estrangeiro feito com tecnologia americana, independentemente do país onde ele seja produzido ou utilizado.

Assim, mesmo que uma empresa chinesa utilize um chip Ascend da Huawei dentro da China, ela pode estar infringindo as leis dos EUA se o chip tiver sido projetado ou fabricado com tecnologia americana – o que, segundo o Departamento de Comércio, é “altamente provável” no caso dos Ascend 910B, 910C e 910D.

A ofensiva dos EUA contra a Huawei começou em maio de 2019, quando a empresa foi incluída na “Entity List”, uma lista negra que impede o acesso a fornecedores e tecnologias americanas. Isso praticamente retirou a Huawei do mercado global de smartphones, pois ela ficou sem acesso a chips avançados de empresas como TSMC e Samsung.

Para contornar o bloqueio, a Huawei acelerou o desenvolvimento de seus próprios chips em parceria com a estatal chinesa SMIC. Em 2024 e 2025, os chips Ascend 910C começaram a ser entregues em larga escala para clientes chineses, marcando o retorno da Huawei ao mercado de IA e ameaçando a liderança de empresas como Nvidia e Apple na China.

Em janeiro de 2025, os EUA endureceram ainda mais as restrições, ampliando o controle sobre a exportação de chips de IA avançados para a China e exigindo licenças rigorosas para qualquer transferência de tecnologia. A China reagiu com o lançamento de sistemas como o DeepSeek, uma IA treinada inicialmente em chips Nvidia, mas já adaptada para rodar nos Ascend da Huawei. O DeepSeek rapidamente se destacou por seu custo baixo e alta performance, tornando-se uma alternativa competitiva aos modelos ocidentais.

O novo alerta do Departamento de Comércio dos EUA deixa claro: qualquer empresa, em qualquer país, que utilize chips Ascend da Huawei pode ser acusada de violar as leis americanas de exportação. Isso vale mesmo para empresas chinesas, usando chips projetados e fabricados na China, dentro do território chinês.

Além disso, os EUA ameaçam aplicar sanções a empresas que usem modelos de IA chineses – como DeepSeek, Qwen ou InternLM – mesmo que rodem em chips Nvidia, fabricados nos EUA. O objetivo declarado é impedir que “adversários” tenham acesso à tecnologia americana, mas, na prática, a medida sufoca a autonomia digital de países que ainda não têm seus próprios ecossistemas de IA.

As punições previstas incluem bloqueio comercial, exclusão do sistema financeiro internacional, perda de acesso a softwares essenciais e até prisão de executivos em viagens a países aliados dos EUA.

Especialistas como Bill Gates já alertaram que essa estratégia pode sair pela culatra, acelerando o desenvolvimento de alternativas tecnológicas fora da esfera americana. Para a China e outros países, a única resposta possível é investir em ecossistemas próprios de tecnologia e finanças.

Como resumiu Jonh Pang, da Multipolar Peace:

“Qualquer pessoa, em qualquer lugar, que use chips Huawei Ascend pode ser processada por violar as restrições de exportação dos EUA. Uma empresa chinesa usando um chip 100% projetado e fabricado na China, dentro da China, estaria violando essas restrições. Mas qualquer um que use chips Nvidia para rodar um modelo chinês também será punido. O futuro sob a ‘liderança americana em IA’ é ChatGPT em Nvidia. Monopólio por decreto.”

Linha do tempo dos principais eventos:

  • Maio de 2019: Huawei entra na “Entity List” dos EUA.
  • 2024-2025: Huawei lança e distribui chips Ascend 910C em grande escala.
  • Janeiro de 2025: Novas restrições americanas sobre exportação de chips de IA para a China.
  • 13 de maio de 2025: EUA publicam alerta global sobre o uso dos chips Ascend da Huawei.

O endurecimento das regras americanas representa um movimento sem precedentes de extraterritorialidade, com impacto direto sobre a soberania digital de outros países e o funcionamento do mercado global de tecnologia. O que começou como uma disputa por inovação, agora é uma batalha aberta por soberania tecnológica – e os EUA deixam claro: quem não obedecer, será punido.

Fontes:

– Escritório de Indústria e Segurança dos EUA (Bureau of Industry and Security, BIS)
– Comentários de Jonh Pang e Arnaud Bertrand
– Cobertura da Reuters, Financial Times e Nikkei Asia sobre as sanções de maio de 2025
– Entrevista de Bill Gates à Bloomberg (2025)

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China lança laptop com sistema alternativo ao Windows https://www.ocafezinho.com/2025/05/08/china-lanca-laptop-com-sistema-alternativo-ao-windows/ https://www.ocafezinho.com/2025/05/08/china-lanca-laptop-com-sistema-alternativo-ao-windows/#respond Thu, 08 May 2025 12:14:43 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=208158 Huawei lança primeiro laptop com sistema próprio HarmonyOS após fim da licença do Windows.

A Huawei Technologies apresentou na quinta-feira seu primeiro laptop equipado com o sistema operacional desenvolvido internamente pela empresa, o HarmonyOS, após o fim da licença do Microsoft Windows para computadores pessoais (PCs), expirado em março.

Repleto de recursos de inteligência artificial (IA), o laptop — ainda sem nome oficial — opera com o HarmonyOS 5, também conhecido como HarmonyOS Next, a versão mais recente do sistema.

Atualmente, a maioria dos laptops Huawei disponíveis no mercado ainda roda Windows, embora alguns modelos ofereçam a opção de utilizar Linux de código aberto.

O novo dispositivo traz o assistente de IA da Huawei, Celia, capaz de executar tarefas como criar apresentações, resumir atas de reuniões e buscar informações em documentos locais, desde que tenha acesso aos softwares de terceiros necessários, segundo o jornal estatal Securities Times, que citou Zhu Dongdong, presidente da divisão de tablets e PCs da Huawei.

O HarmonyOS para PCs inclui uma ampla gama de softwares voltados para trabalho e entretenimento, como o WPS — alternativa chinesa ao Microsoft Office — e a plataforma corporativa DingTalk, do grupo Alibaba, segundo o site de notícias de tecnologia ITHome. O Alibaba é proprietário do South China Morning Post.

A licença da Huawei para utilizar o sistema Windows da Microsoft em seus computadores pessoais expirou no início deste ano.

O laptop também é compatível com um número crescente de aplicativos móveis já disponíveis nos smartphones com HarmonyOS, incluindo a rede social RedNote, o site de vídeos Bilibili e a ferramenta corporativa Feishu, da ByteDance. De acordo com o jornal estatal Nanfang Daily, o dispositivo deverá ter suporte para mais de 2 mil aplicativos até o fim do ano.

A interface do usuário do laptop combina elementos tradicionais de PCs e smartphones. Ela conta com uma barra de atalhos de software na parte inferior, semelhante ao Dock do macOS da Apple, enquanto a tela inicial exibe atalhos de programas no formato de ícones, cartões ou pastas.

Segundo a mídia chinesa, a Huawei planeja lançar oficialmente o novo laptop no dia 19 de maio.

Zhu anunciou o dispositivo durante um evento fechado em Shenzhen, na província de Guangdong, onde fica a sede da Huawei. Ele declarou que a empresa “entrou completamente na era do HarmonyOS” para dispositivos terminais.

A Huawei desenvolve o HarmonyOS desde 2015. No ano passado, lançou a série Mate 70, seus primeiros smartphones com uma versão do sistema operacional incompatível com o Android, do Google. O segundo celular com HarmonyOS, o dobrável Pura X, foi lançado em março.

Pelo menos 160 dispositivos antigos da Huawei — entre smartphones, tablets, televisores e dispositivos vestíveis — podem ser atualizados para versões do HarmonyOS no lugar do Android.

Os avanços da Huawei com seu sistema próprio refletem a resiliência tecnológica da China diante das restrições impostas pelos Estados Unidos.

No ano passado, o HarmonyOS registrou crescimento no maior mercado de smartphones do mundo, alcançando uma participação de mercado de 19% entre outubro e dezembro, segundo a consultoria Counterpoint Research.

Foi o quarto trimestre consecutivo em que o HarmonyOS superou o iOS da Apple, que teve 17% de participação no mesmo período. No entanto, o Android manteve sua liderança no mercado chinês de sistemas operacionais móveis, com 64% de participação.

Coco Feng
Coco Feng entrou para o Post em 2019 e cobre o setor de tecnologia e internet a partir da região da Grande Baía. Antes disso, trabalhou no escritório do Post em Pequim.
8 de maio de 2025
South China Morning Post

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Novas sanções americanas contra China impulsionam chips domésticos da Huawei https://www.ocafezinho.com/2025/04/25/novas-sancoes-americanas-contra-china-impulsionam-chips-domesticos-da-huawei/ https://www.ocafezinho.com/2025/04/25/novas-sancoes-americanas-contra-china-impulsionam-chips-domesticos-da-huawei/#respond Fri, 25 Apr 2025 13:56:58 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=207520 US restringe Nvidia H20, impulsionando chips chineses de IA como os da Huawei.

As recentes restrições impostas pelo governo dos Estados Unidos sobre as exportações dos chips de inteligência artificial (IA) Nvidia H20 devem atrapalhar os planos das gigantes chinesas de tecnologia, como ByteDance e Tencent Holdings. Essas empresas agora devem acelerar a adoção de alternativas nacionais de semicondutores, segundo analistas.

A Nvidia informou na terça-feira que Washington exigirá uma licença para exportar seus chips H20 para a China. A empresa prevê perdas de US$ 5,5 bilhões com a medida.

O chip H20 é uma unidade de processamento gráfico (GPU) criada especialmente para o mercado chinês após controles anteriores dos EUA. Mesmo com as restrições, companhias chinesas ainda dependem amplamente dos chips Nvidia para treinar e executar grandes modelos de linguagem (LLMs), destacam analistas.

A participação da Nvidia na China deve “cair para quase zero”, segundo Brian Colello, analista da Morningstar. Isso representa uma queda significativa, já que, no ano passado, a China respondeu por aproximadamente 10% da receita total da empresa, cifra já bastante reduzida em relação aos anos anteriores.

“Não prevemos uma recuperação em breve”, disse Colello em nota divulgada nesta quarta-feira.

A Nvidia começou a vender chips H20 para o mercado chinês no início de 2024, após suas avançadas unidades A100, H100, A800 e H800 terem sido submetidas a controles de exportação pelos EUA, sob preocupações com segurança nacional.

“Com seu alto poder de processamento e eficiência energética, o chip H20 tornou-se um componente essencial para treinamento de LLMs”, afirmou Gao Chengfei, diretor da consultoria Tiaoyuan, com sede em Guangzhou.

A ByteDance, proprietária do TikTok, e a gigante das redes sociais Tencent utilizam intensamente o H20 em seus projetos de inteligência artificial.

Cada uma dessas empresas encomendou cerca de 230 mil chips da série Hopper da Nvidia no ano passado. Elas só ficaram atrás da Microsoft, que adquiriu 485 mil unidades, segundo informações do Financial Times, com base em dados da consultoria Omdia.

Essas empresas agora terão dificuldades para obter recursos computacionais suficientes, o que pode atrasar o treinamento de modelos e desacelerar a atualização dos produtos, acrescentou Gao.

A demanda pelos chips H20 cresceu bastante este ano devido à necessidade crescente por poder de computação dos modelos desenvolvidos pela startup DeepSeek, baseada em Hangzhou. Esses modelos de código aberto, de alta performance e baixo custo, ganharam rápida popularidade nos últimos meses.

ByteDance, Tencent e o Alibaba Group Holding, dono do Post, ampliaram significativamente suas encomendas de chips H20 após a ascensão do DeepSeek, informou a Reuters em fevereiro, citando fontes familiarizadas com o assunto.

A proibição deve acelerar o movimento da China pela autossuficência em semicondutores, um esforço que busca transferir a cadeia produtiva de chips para dentro do país.

Gao destacou chips desenvolvidos pela Huawei Technologies, Cambricon Technologies e Hygon Information Technology como possíveis substitutos dos produtos Nvidia.

Os processadores da série Ascend, da Huawei, destacam-se pelo bom desempenho e pelo suporte do ecossistema de IA, enquanto os produtos da Cambricon são especialmente eficientes energeticamente, destacou o analista.

As empresas chinesas de tecnologia também vêm aumentando investimentos em inovação de modelos e infraestrutura para reduzir sua dependência da Nvidia.

O Alibaba, por exemplo, deve apresentar este mês o AIStack, uma máquina leve e econômica voltada à computação corporativa em IA, durante uma conferência digital em Fuzhou. Outros produtos da Alibaba Cloud e de sua unidade de design de chips T-Head também serão exibidos.

Já o Ant Group, fintech afiliada ao Alibaba, consegue treinar seus LLMs usando GPUs produzidas localmente, incluindo hardware da Huawei e da própria Alibaba, reduzindo em 20% os custos de treinamento, segundo um artigo recente da empresa e reportagens da mídia chinesa.

Ann Cao
Ann Cao é jornalista de tecnologia do Post em Xangai, cobrindo startups e políticas tecnológicas na cidade e no leste da China. Graduada pela Universidade de Hong Kong com mestrado em jornalismo.
16 de abril de 2025
South China Morning Post

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Huawei já oferece substituto para chips de IA da Nvidia, que Trump proibiu de vender à China https://www.ocafezinho.com/2025/04/21/huawei-ja-oferece-substituto-para-chips-de-ia-da-nvidia-que-trump-proibiu-de-vender-a-china/ Mon, 21 Apr 2025 14:43:20 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=207238 Huawei prepara novo chip de IA para embarques em massa enquanto China busca alternativas à Nvidia, dizem fontes.

A Huawei Technologies planeja iniciar o envio em massa de seu avançado chip de inteligência artificial 910C para clientes chineses já no próximo mês, disseram duas fontes familiarizadas com o assunto. Algumas remessas já foram realizadas, segundo os relatos.

O momento é oportuno para as empresas chinesas de IA, que buscam alternativas nacionais ao H20, o principal chip de IA que a Nvidia vendia no mercado chinês até recentemente. Este mês, o governo Trump informou à Nvidia que a venda do H20 agora exige licença de exportação.

O 910C da Huawei, uma unidade de processamento gráfico (GPU), representa uma evolução arquitetônica — não uma revolução tecnológica — segundo uma fonte e um terceiro informante familiarizado com o projeto. O chip alcança desempenho comparável ao H100 da Nvidia ao combinar dois processadores 910B em um único pacote, utilizando técnicas avançadas de integração. O 910C oferece o dobro da capacidade de processamento e de memória do 910B, além de melhorias incrementais para suportar uma variedade maior de cargas de trabalho de IA.

A Huawei não comentou sobre o plano de embarques nem sobre as especificações do 910C, chamando as informações de especulação.

As restrições dos EUA, destinadas a limitar o avanço tecnológico chinês, especialmente no setor militar, impediram a venda de produtos avançados da Nvidia para a China, como o chip B200 e o próprio H100, barrado ainda em 2022.

Essa situação abriu espaço para a Huawei e startups chinesas como Moore Threads e Iluvatar CoreX avançarem no mercado dominado pela Nvidia. De acordo com Paul Triolo, sócio da consultoria Albright Stonebridge Group, com as novas restrições ao H20, o 910C deve se tornar o chip preferido para o desenvolvimento de modelos de IA e implantação de capacidade de inferência na China.

No final do ano passado, a Huawei distribuiu amostras do 910C para diversas empresas de tecnologia e começou a aceitar pedidos. Embora não esteja claro quais empresas produzirão o chip, fontes indicam que a SMIC está fabricando alguns dos principais componentes com tecnologia de 7 nm, apesar de enfrentar baixa taxa de rendimento.

Além disso, parte dos chips 910C utiliza semicondutores produzidos pela TSMC para a empresa chinesa Sophgo. A TSMC afirma que segue as normas regulatórias e que não fornece para a Huawei desde setembro de 2020. A Huawei reiterou que não utiliza chips da Sophgo fabricados pela TSMC.

Autores: Fanny Potkin, Che Pan e Brenda Goh
Data de publicação: 21 de abril de 2025
Fonte: Reuters

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Drones letais espalham terror em toda a África https://www.ocafezinho.com/2025/03/10/drones-letais-espalham-terror-em-toda-a-africa/ Mon, 10 Mar 2025 14:29:21 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=203860 Relatório denuncia o uso crescente de drones militares na África, onde centenas de civis foram mortos em ataques aéreos sem controle ou responsabilização

Quase mil civis foram mortos e centenas ficaram feridos em ataques de drones militares em toda a África, à medida que a proliferação de veículos aéreos não tripulados continua sem controle no continente, de acordo com um relatório. Segundo o The Guardian, pelo menos 50 ataques letais separados realizados por forças armadas na África foram confirmados durante os três anos até novembro de 2024, com analistas descrevendo um “padrão alarmante de danos a civis” com pouca ou nenhuma responsabilização.

Embora o rápido crescimento do uso de drones armados pela Ucrânia e Rússia receba atenção significativa, pouca atenção está sendo dada ao uso crescente na África de uma nova geração de drones importados mais baratos, como o Bayraktar TB2 da Turquia, disse Cora Morris, do grupo de campanha Drone Wars UK, que publicou nesta segunda-feira (10) um relatório sobre o crescimento de drones armados na África, intitulado Death on Delivery (Morte na Entrega).

“Isso precisa mudar. A menos que a comunidade internacional avance rapidamente para desenvolver e implementar um novo regime de controle, é muito provável que vejamos mais exemplos de mortes de civis pelo uso de drones armados”, disse Morris.

Até agora, o uso de drones armados foi confirmado em pelo menos seis conflitos na África: Sudão, Somália, Nigéria, Mali, Burkina Faso e Etiópia, onde a maioria dos ataques foi registrada.

Ataques de drones pelas forças armadas etíopes contra adversários, como a Frente de Libertação do Povo Tigray, mataram mais de 490 civis em 26 ataques separados.

Membros da Associação Amhara protestam em Londres contra o que eles descrevem como genocídio na região de Amhara, na Etiópia, em 10 de novembro de 2024. Fotografia: Zuma Press, Inc./Alamy
Membros da Associação Amhara protestam em Londres contra o que eles descrevem como genocídio na região de Amhara, na Etiópia / Foto: Zuma Press, Inc./Alamy

Em outros lugares, pelo menos 64 civis morreram em nove ataques de drones realizados pelas forças armadas do Mali contra grupos separatistas no norte do país. No vizinho Burkina Faso, pesquisadores descobriram que mais de 100 civis foram mortos em ataques de drones realizados pelas forças militares do país.

O relatório da Drone Wars UK afirmou que a falha em controlar a proliferação de drones armados na África levou à morte de mais de 940 civis desde novembro de 2021, um número que descreveu como conservador.

A maioria dos drones armados na África é importada da Turquia, juntamente com China e Irã, com pesquisadores alertando para a crescente popularidade de drones de “média altitude e longa duração” (MALE, na sigla em inglês).

Esses drones podem ser operados remotamente por muitas horas e a longas distâncias, realizando vigilância e ataques aéreos.

A proliferação – e os riscos – dos drones armados nos conflitos africanos foi observada na guerra civil do Sudão, com seu uso em áreas densamente povoadas, como mercados na capital, Cartum, tendo consequências “graves” para os civis. Drones iranianos, chineses e turcos foram implantados pelo exército sudanês, enquanto seu adversário – as Forças de Apoio Rápido (RSF) – usou drones fornecidos pelos Emirados Árabes Unidos, disse o relatório.

Pessoas correm após ouvir uma explosão, supostamente de um drone que caiu, na cidade de al-Qadarif, no leste do Sudão, em 11 de julho de 2024. Fotografia: AFP/Getty Images
Pessoas correm após ouvir uma explosão, supostamente de um drone que caiu, na cidade de al-Qadarif, no leste do Sudão / Foto: AFP/Getty Images

No Burkina Faso, os Bayraktar TB2 foram implantados pelas forças militares burquinenses em sua luta contra uma insurgência jihadista. A mídia estatal frequentemente celebrava a “neutralização” de terroristas usando o que descrevia como tecnologias de drones sofisticadas e precisas.

No entanto, relatos de fontes locais frequentemente apresentam uma narrativa diferente, apontando para um número elevado de mortes de civis. Um incidente na região do Sahel do país, em agosto de 2023, envolveu drones atingindo um mercado na vila de Bouro, matando pelo menos 28 civis.

O relatório disse: “A celebração generalizada pelo governo burquinense de ataques como o do mercado de Bouro baseia-se na percepção da guerra com drones como um desenvolvimento eficiente e avançado nas operações militares do país, significando um arsenal tecnicamente sofisticado operado por um governo vigilante e eficaz, com controle firme sobre seus territórios.

“No entanto, pesquisas de campo rapidamente revelam a falsidade dessa imagem: expondo bombardeios erráticos contra comunidades inocentes, que só geram mais destruição e insegurança.”

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Guerra dos chips: China dribla sanções e avança rapidamente na área de semicondutores https://www.ocafezinho.com/2025/02/24/guerra-dos-chips-china-dribla-sancoes-e-avanca-rapidamente-na-area-de-semicondutores/ Mon, 24 Feb 2025 13:26:01 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=202472 Instituto sul-coreano aponta China à frente em tecnologias-chave de semicondutores.

Um estudo recente do Korea Institute of Science & Technology Evaluation and Planning revelou que a Coreia do Sul está atrás ou apenas no mesmo nível da China em cinco áreas essenciais da tecnologia de semicondutores, incluindo chips de memória e chips de inteligência artificial (IA). O relatório destaca como a China está reduzindo a distância para os líderes globais do setor, apesar das restrições impostas pelos Estados Unidos à exportação de chips e tecnologias avançadas de fabricação.

Avanço chinês nos semicondutores

De acordo com a pesquisa, baseada na opinião de 39 especialistas sul-coreanos do setor de semicondutores em 2024, a China superou a Coreia do Sul e agora ocupa a segunda posição no ranking global de tecnologia de chips de memória, ficando atrás apenas dos Estados Unidos. Esse é um marco significativo, já que a Coreia do Sul, por meio de gigantes como Samsung Electronics e SK Hynix, dominava historicamente essa área.

Essa nova posição contrasta com o levantamento feito pelo mesmo instituto em 2022, quando a Coreia do Sul ainda era a segunda colocada tanto em tecnologia de memória quanto em embalagem avançada de chips. Naquele ano, a China ocupava o terceiro e quarto lugares, respectivamente.

“O mercado de memória, onde a Coreia mantinha uma posição imbatível, agora vê as empresas chinesas expandindo sua participação”, aponta o relatório. Além disso, a China tem aumentado a produção de chips legados (tecnologias mais antigas) sem uma grande diferença tecnológica em relação aos concorrentes.

O relatório também destaca que a China reduziu a distância para a Coreia do Sul na tecnologia de embalagem avançada de chips. Ambas alcançaram uma pontuação de 74,2 em competência básica, ficando atrás dos Estados Unidos, Japão e Taiwan.

Já na área de chips de inteligência artificial (IA) de alto desempenho e baixo consumo de energia, a China continua ocupando o segundo lugar mundial, atrás apenas dos Estados Unidos, e mantém sua vantagem sobre a Coreia do Sul desde 2022.

Estratégia chinesa para a autossuficiência

Os avanços da China no setor de semicondutores são resultado de uma política agressiva para alcançar autossuficiência na indústria. Pequim vem investindo fortemente no desenvolvimento de tecnologia própria e criou, no ano passado, o maior fundo de investimento em chips da história do país. Essa estratégia, conhecida como abordagem de “nação inteira”, tem como objetivo reduzir a dependência da China de chips importados e contornar as sanções dos Estados Unidos.

O relatório também alerta para o impacto crescente das tensões geopolíticas na indústria sul-coreana de semicondutores. A Coreia do Sul corre o risco de perder mercados e reduzir exportações devido aos controles de exportação dos EUA, que restringem a venda de chips avançados para a China.

O crescimento das empresas chinesas

Fabricantes chinesas de chips de memória estão avançando rapidamente. A ChangXin Memory Technologies (CXMT), especializada em memórias DRAM, desenvolveu um chip de consumo utilizando o nó de 16 nanômetros, reduzindo a diferença tecnológica em relação às líderes do setor nos EUA e Coreia do Sul, conforme um estudo da consultoria canadense TechInsights.

Enquanto isso, as gigantes Samsung, SK Hynix e a americana Micron Technology ainda dominam o mercado de memórias DDR5, utilizando processos mais avançados de 12 nm e 14 nm. No entanto, com o ritmo acelerado de progresso das empresas chinesas, a competição global no setor de semicondutores deve se intensificar nos próximos anos.

Ann Caoin Shanghai, para o South China Morning Post.
Published: 9:00pm, 24 Feb 2025

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China avança no desenvolvimento de chips avançados https://www.ocafezinho.com/2025/02/21/china-avanca-no-desenvolvimento-de-chips-avancados/ Fri, 21 Feb 2025 23:26:18 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=202278 China resolve problema de defeitos em chips de GaN, fortalecendo vantagem na guerra tecnológica com os EUA.

Pesquisadores chineses afirmam ter identificado a principal causa dos defeitos em um material semicondutor essencial para chips avançados utilizados em guerra eletrônica e outros setores estratégicos, ampliando a vantagem tecnológica da China em relação aos Estados Unidos.

O nitreto de gálio (GaN), um semicondutor de terceira geração, é amplamente utilizado em dispositivos como carregadores, estações base 5G, sistemas de radar, comunicações militares e aplicações aeroespaciais. A China, que domina 98% da produção global de gálio, impôs restrições à exportação do material para os EUA, tornando mais difícil e caro para o Pentágono obter chips baseados em GaN.

Se a China conseguir desenvolver técnicas de fabricação de GaN de alto desempenho e baixo custo, poderá ampliar ainda mais a diferença de preços dos semicondutores em relação aos EUA.

Descoberta de defeitos e avanços tecnológicos

A fabricação do GaN normalmente usa substratos como silício e safira, mas o processo pode gerar desalinhamentos nas estruturas cristalinas, conhecidos como defeitos de deslocamento, que resultam em vazamentos locais e comprometem significativamente o desempenho dos materiais semicondutores.

“Os métodos tradicionais para evitar esses defeitos incluem o uso de diferentes substratos e ajustes de temperatura na cristalização, mas essas abordagens tratam apenas os sintomas, não a causa”, explicou o professor Huang Bing, do Centro de Pesquisa em Ciência Computacional de Pequim.

“Desta vez, estamos focando na origem do problema, com o objetivo de reduzir custos e melhorar o desempenho dos cristais de GaN”, acrescentou Huang.

Ele e sua equipe, do Departamento de Física da Universidade de Pequim, conduziram análises experimentais e teóricas para compreender o mecanismo de formação do cristal de GaN. Os resultados foram publicados em 5 de fevereiro na revista Physical Review Letters.

Defeitos estruturais e novas soluções

Os defeitos nos cristais semicondutores podem ocorrer por dois processos distintos:

  1. Gliding (deslizamento), que envolve o movimento ao longo de um plano, fenômeno já controlado na indústria do silício.
  2. Climbing (escalada), uma mudança mais complexa que envolve a variação no número de átomos locais e que ocorre predominantemente em materiais como o GaN, cuja estrutura hexagonal difere da estrutura cúbica do silício.

Até agora, esse mecanismo atômico não era bem compreendido, pois técnicas convencionais de microscopia eletrônica não conseguiam capturar esses processos em nível atômico.

Graças a avanços recentes na tecnologia experimental, foi possível observar os movimentos atômicos responsáveis pelas falhas na estrutura do GaN. Professores Yang Xuelin e Shen Bo, também do Departamento de Física da Universidade de Pequim, utilizaram microscopia eletrônica de transmissão por varredura (STEM) combinada com técnicas avançadas de seccionamento profundo e estruturas epitaxiais cuidadosamente projetadas.

A partir dessas observações, Huang utilizou cálculos de simulação para identificar a estrutura atômica e eletrônica associada aos defeitos e propôs um novo mecanismo chamado “ajuste do nível de Fermi para manipular a escalada de deslocamento”, posteriormente confirmado por experimentos.

O nível de Fermi funciona como um “marco de referência” no mundo eletrônico, determinando se um semicondutor pode conduzir eletricidade e a dificuldade desse processo.

Com essa nova abordagem, Huang e sua equipe conseguiram refinar os processos de crescimento do cristal de GaN, minimizando os defeitos estruturais durante a fabricação, reduzindo custos e melhorando o desempenho dos materiais.

Além disso, introduzir impurezas específicas durante a cristalização pode ajustar o nível de Fermi e diminuir a concentração de deslocamentos. Aumentar a voltagem da porta durante a criação de dispositivos eletrônicos baseados em GaN também pode controlar a densidade desses defeitos, superando limitações tecnológicas existentes.

Com a regulação da escalada de deslocamento, os pesquisadores esperam reduzir significativamente a densidade de defeitos nos materiais de GaN e melhorar o desempenho de dispositivos baseados nesse semicondutor. A equipe agora pretende aprofundar os estudos sobre o processo de cristalização em tempo real e medir os avanços no desempenho.

Impacto na indústria de semicondutores

A Universidade de Pequim tem laços estreitos com a indústria de semicondutores. Em 2017, o Centro de Pesquisa em Semicondutores de Larga Banda da instituição ajudou a incubar a empresa Beijing Lattice Semiconductor Technology Company, focada no desenvolvimento e produção nacional de semicondutores de alto desempenho como o GaN e o carboneto de silício.

O Departamento de Física da universidade afirmou que o centro contribuiu para os estudos da equipe de Huang, que também recebeu apoio de diversas empresas do setor.

China domina o mercado de gálio e impõe restrições aos EUA

De acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), a China controla aproximadamente 68% das reservas mundiais de gálio e mais de 90% da produção global.

Em julho de 2023, o Ministério do Comércio da China impôs restrições à exportação de gálio e germânio, reforçadas novamente em dezembro de 2024. Desde então, os preços internacionais do gálio mais que dobraram, segundo dados da Fastmarkets.

Em novembro de 2024, o diretor do USGS, David Applegate, afirmou que as perdas econômicas devido à redução nas importações de gálio e germânio impactariam principalmente a indústria de fabricação de dispositivos semicondutores nos Estados Unidos.

A nova descoberta científica sobre a fabricação do GaN reforça ainda mais a posição da China nesse setor estratégico, consolidando sua vantagem competitiva na disputa tecnológica global.

Com informações do South China Morning Post.

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Como Pequim virou o jogo na guerra da tecnologia https://www.ocafezinho.com/2025/02/01/como-pequim-virou-o-jogo-na-guerra-da-tecnologia/ https://www.ocafezinho.com/2025/02/01/como-pequim-virou-o-jogo-na-guerra-da-tecnologia/#respond Sat, 01 Feb 2025 13:44:46 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=201413 Enquanto os EUA hesitam em reformular estratégias tecnológicas, a ascensão meteórica da China revela segredos que podem redefinir o campo global de inovação para sempre


Por décadas, muitos americanos desprezaram a China como uma nação de imitadores incapazes de criatividade, quanto mais de inovação revolucionária. Achava-se que o autoritarismo e o planejamento central eram naturalmente hostis a novas ideias. Muitos nos Estados Unidos acreditavam que o avanço tecnológico rápido exigia o tipo de pensamento sem medo e “disruptivo” que se sentia mais em casa em uma sociedade democrática e desinibida.

Nos últimos anos, no entanto, a narrativa mudou, e qualquer complacência sobre a superioridade tecnológica dos EUA evaporou. Colunas de negócios explicando a aparente incapacidade da China de inovar deram lugar a artigos de opinião alertando que ela está prestes a superar os Estados Unidos em tecnologias estratégicas como inteligência artificial e 5G. Os formuladores de políticas em Washington, que há muito tempo estavam contentes em deixar a tecnologia por conta do Vale do Silício, agora estão correndo para encontrar maneiras de fortalecer as capacidades tecnológicas dos EUA e contrariar o progresso chinês. Mas fazer uma política tecnológica eficaz exige uma compreensão clara de como ambos os países chegaram aqui, e o que isso significa para o futuro.


INTERVENÇÃO DO ESTADO

Qualquer inovação individual chinesa é o produto do pensamento criativo de tecnólogos trabalhadores. No nível micro, esses processos inovadores parecem muito iguais na China como em qualquer outro lugar. Mas explicar a ascensão tecnológica da China em um nível macro requer entender os passos que o governo chinês tomou para incentivar o desenvolvimento de um dos ecossistemas de inovação mais dinâmicos do mundo.

Do ponto de vista chinês, a inovação não é um empreendimento delicado ou misterioso que só pode ser realizado por pessoas especiais, e certamente não é algo que deve ser protegido da interferência governamental. Em vez disso, a inovação é vista como um processo social e econômico, que pode ser guiado e acelerado com a mistura certa de recursos físicos e determinação burocrática. Embora a abordagem da China contradiga as suposições profundamente enraizadas do Vale do Silício sobre a necessidade de mercados livres e liberdade de expressão, ela gerou mais avanços tecnológicos e sucesso comercial do que a maioria dos especialistas americanos acreditava ser possível. Na China, esse processo envolveu três passos cruciais.

Nos últimos anos, qualquer complacência sobre a superioridade tecnológica dos EUA evaporou.

O primeiro passo nesse processo, que ocorreu entre 2000 e 2010, foi a criação pela China de um grande mercado semi-protegido. Fomentar um ecossistema de inovação nascente exigia mercados lucrativos o suficiente para alimentar uma competição feroz, mas também exigia algum grau de proteção para que os gigantes estabelecidos do Vale do Silício não entrassem e esmagassem startups locais antes que elas pudessem decolar. A China alcançou esse equilíbrio combinando décadas de crescimento econômico vertiginoso com a criação do Grande Firewall, que bloqueia o acesso a plataformas estrangeiras líderes como Facebook e Google. A perspectiva de conquistar o enorme mercado doméstico da China atraiu enormes investimentos de capital do exterior e fomentou uma competição feroz, mas o Firewall também deu às startups locais uma chance de lutar contra seus concorrentes estrangeiros.

Crucialmente, o Grande Firewall nunca foi totalmente impenetrável. Durante a maior parte das últimas duas décadas, o Firewall sempre permaneceu um tanto poroso, isolando o mercado chinês da competição estrangeira, mas nunca o isolando completamente de novas ideias. O Google, o Facebook e o Twitter competiram na China por anos antes de serem bloqueados. Plataformas de consumidores menos politicamente sensíveis, como Airbnb, Uber, Amazon e LinkedIn, nunca foram totalmente bloqueadas; em vez disso, foram derrotadas por startups locais ágeis. A natureza porosa do Grande Firewall permitiu que empreendedores, engenheiros e cientistas chineses acompanhassem as tendências e produtos tecnológicos de ponta sem deixar que esses produtos dominassem o mercado chinês. Ao mesmo tempo, o tamanho do mercado chinês manteve as empresas de tecnologia estrangeiras em seu melhor comportamento ao interagir com o governo chinês, na esperança de que ele um dia lhes desse acesso a um bilhão de novos clientes.


COLABORAÇÃO EUA-CHINA

Essas relações foram fundamentais para o segundo, e mais controverso, passo no processo. Por décadas, a China manteve laços científicos e comerciais com empresas ocidentais líderes, universidades e laboratórios – especialmente americanos. Esses laços variaram de professores de universidades americanas colaborando com colegas chineses em pesquisa pública de IA a capitalistas de risco chineses investindo em startups do Vale do Silício. Críticos tendem a ver esses laços como um vetor para roubo de propriedade intelectual, uma porta de entrada que permitiu que espiões chineses roubassem as “joias da coroa da inovação dos EUA”, como afirmou um relatório do Pentágono de 2018. Espionagem industrial e científica tem sido um grande problema, mas o maior impacto dessas conexões transpacíficas veio não do roubo, mas sim da aprendizagem. A exposição a processos inovadores de classe mundial deu à China o material intelectual – as ideias, melhores práticas e modelos operacionais – que precisava para acender seu incipiente ecossistema tecnológico.

A partir de 2008, engenheiros chineses que haviam trabalhado no Google começaram a retornar à China para fundar suas próprias startups, trazendo consigo parte da cultura do Vale do Silício. Pesquisadores de universidades chinesas começaram a colaborar mais com seus pares no exterior, o que os expôs a novas abordagens. Empresas de tecnologia chinesas estudaram seus concorrentes nos Estados Unidos e na Europa, absorvendo as últimas tendências tecnológicas e adaptando-as ao contexto chinês. A maioria dessas interações foi de baixo para cima, impulsionada por tecnólogos em ambos os países que queriam trabalhar e aprender uns com os outros. Mas o governo chinês também desempenhou um papel importante na supervisão dessas relações. Ele promoveu maior colaboração acadêmica e usou a isca do acesso ao mercado diante de empresas de tecnologia dos EUA, incentivando-as a abrir centros de pesquisa na China.

Uma vez que as condições de mercado e as conexões internacionais estavam no lugar, a China deu o terceiro passo, desencadeando uma onda de recursos: capital de investimento, infraestrutura física, engenheiros treinados e energia burocrática. Do ponto de vista americano, esse investimento parecia desperdiçador e até contraproducente, já que violava o preceito sagrado de que os governos nunca devem escolher vencedores. No entanto, no terreno na China, provou ser um método eficaz para acelerar a difusão e a comercialização da tecnologia.

A iniciativa de inteligência artificial de 2017 do governo chinês, por exemplo, estabeleceu uma meta ambiciosa: tornar a China o principal centro de IA do mundo até 2030. Mas seu maior impacto foi uma onda de experimentação e atividade em toda a burocracia chinesa e o setor privado. Prefeitos construíram brilhantes novos aceleradores de startups de IA em suas cidades. Funcionários agrícolas criaram programas piloto para drones de fertilizantes inteligentes. Hospitais públicos se associaram a universidades para criar institutos de pesquisa de IA médica. E departamentos de polícia em todo o país gastaram muito dinheiro comprando tecnologia de vigilância.

Considerados individualmente, muitos desses projetos pareciam risivelmente desperdiçadores. Incubadoras de startups em cidades interioranas frequentemente ficaram vazias por anos. Mas esses esforços governamentais espalhados ajudaram a alimentar um boom de IA no setor privado, estimulando ainda mais investimentos e formação de startups. Em 2018, a China respondeu por quase metade de todos os financiamentos globais para startups de IA, superando os Estados Unidos. Esses fundos permitiram que empresas e cientistas chineses experimentassem novos produtos, funcionalidades e abordagens, e aceleraram a adoção de IA em toda a economia.

Ao construir e proteger seus mercados enquanto aprendia com ecossistemas de inovação globais, a China acabou acelerando seu próprio desenvolvimento de tecnologias-chave. Esse sucesso não foi todo resultado de algum plano mestre perfeitamente executado. Em vez disso, foi o produto de paranoia ideológica, bom planejamento, muito trabalho árduo e um pouco de sorte. A China originalmente construiu o Grande Firewall para proteger seu ambiente de informação altamente censurado e só mais tarde tropeçou nos benefícios da inovação. Embora as intenções da China fossem mistas e, às vezes, autocontraditórias, seus resultados finais excederam as expectativas de quase todos.


REAÇÃO EXAGERADA DOS EUA

Nos últimos quatro anos, Washington se concentrou em cortar as conexões da China com o ecossistema tecnológico americano. Algumas dessas iniciativas tiveram valor estratégico real, como os controles direcionados que impediram a China de fabricar semicondutores de ponta. Mas muitos desses esforços foram erros estratégicos que prejudicaram a inovação dos EUA e alimentaram a ascensão da China. Perseguições equivocadas de cientistas nascidos na China em universidades americanas enviaram um frio pela comunidade científica estrangeira e levaram algumas das mentes mais brilhantes a retornarem à China por medo. Mais fundamentalmente, a era em que os Estados Unidos poderiam parar a ascensão da China simplesmente cortando-a já passou em grande parte. Se os Estados Unidos tivessem cortado os laços tecnológicos com a China em 2005, isso poderia ter retardado a inovação global e prejudicado as próprias capacidades dos EUA, mas provavelmente teria ferido a China ainda mais. Nesse ponto, a China não tinha um ecossistema tecnológico doméstico autossustentável e criar um sozinha levaria muito mais tempo.

Hoje, a China já possui a maioria dos ingredientes brutos para o sucesso tecnológico, e o corte desordenado de laços bilaterais provavelmente seria contraproducente. Em vez disso, os Estados Unidos deveriam tomar medidas direcionadas para manter a dependência chinesa da tecnologia estrangeira, continuando a atrair e engajar com inovadores chineses. Para manter essa dependência, o melhor ponto de alavancagem são os semicondutores, especificamente o equipamento de fabricação altamente especializado produzido apenas por alguns aliados dos EUA. Para atrair talentos chineses, as universidades americanas atuam como um poderoso ímã para pesquisadores de alto nível, mas reformas no sistema de imigração dos EUA são urgentemente necessárias para manter essas pessoas no país após a graduação.

Os Estados Unidos podem aprender algo com a China quando se trata de acelerar seu próprio ecossistema tecnológico? Os dois países têm sistemas de governo tão drasticamente diferentes que simplesmente copiar o modelo chinês é impossível. A tentativa da administração Trump de bloquear os aplicativos chineses WeChat e TikTok foi bloqueada pelos tribunais. E prefeitos em todo os Estados Unidos não começarão repentinamente a criar programas piloto para drones autônomos por ordem do governo federal. Mas há uma lição mais profunda a ser aprendida. Se os Estados Unidos esperam manter sua vantagem sobre a China, o governo dos EUA deve estar disposto a experimentar novas maneiras de incentivar o desenvolvimento tecnológico, mesmo que alguns esforços resultem em fundos desperdiçados ou falhem completamente. Se cada projeto fracassado se tornar uma arma partidária, a política de inovação paralisará.

A proposta do Congresso de criar uma “diretoria de tecnologia” na Fundação Nacional de Ciência – uma nova divisão com poderes para conectar academia, governo e indústria para acelerar a implantação de tecnologia comercial – oferece um começo promissor para esse tipo de experimentação. Os recursos e o escopo da diretoria de tecnologia têm sido objeto de debate intenso no Congresso e serão decididos conforme a Câmara e o Senado tentam reconciliar seus projetos de lei concorrentes nos meses à frente. A diretoria proposta está longe da abordagem chinesa de “inundar a zona” para catalisar o desenvolvimento tecnológico. Mas sua emergência sugere que o governo dos EUA está começando a reconhecer que não pode mais se dar ao luxo de simplesmente financiar pesquisa básica e deixar o resto por conta do mercado.

Nenhuma única lei ou política inovadora será suficiente para garantir que os Estados Unidos mantenham sua liderança em tecnologia. Se a trajetória da China ensina algo aos líderes americanos, é que estimular a inovação tecnológica pode ser um processo bagunçado, confuso e frequentemente contraditório. Dadas as apostas dessa competição, os Estados Unidos não podem deixar que essa bagunça cause paralisia.

Com informações de Foreign Affairs

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Alibaba desafia DeepSeek com IA mais poderosa https://www.ocafezinho.com/2025/01/29/alibaba-desafia-deepseek-com-ia-mais-poderosa/ https://www.ocafezinho.com/2025/01/29/alibaba-desafia-deepseek-com-ia-mais-poderosa/#comments Wed, 29 Jan 2025 15:45:49 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=201274 1 Comentário 🔥]]> Em plena ascensão da DeepSeek, a Alibaba lança um novo modelo de inteligência artificial que promete superar concorrentes e acirrar a disputa no setor de tecnologia


A empresa chinesa de tecnologia Alibaba (9988.HK) lançou nesta quarta-feira (29) uma nova versão de seu modelo de inteligência artificial, o Qwen 2.5, que afirma superar o altamente aclamado DeepSeek-V3.

Segundo a Reuters, o lançamento do Qwen 2.5-Max ocorreu em um momento incomum – no primeiro dia do Ano Novo Lunar, quando a maioria dos chineses está de folga e reunida com suas famílias. Isso evidencia a pressão imposta pela ascensão meteórica da startup chinesa de IA DeepSeek nas últimas três semanas, não apenas sobre concorrentes internacionais, mas também sobre rivais domésticos.

“O Qwen 2.5-Max supera… quase em todos os aspectos o GPT-4o, o DeepSeek-V3 e o Llama-3.1-405B”, afirmou a unidade de nuvem da Alibaba em um anúncio publicado em sua conta oficial no WeChat, referindo-se aos modelos de IA mais avançados da OpenAI e da Meta.

O lançamento do assistente de IA da DeepSeek em 10 de janeiro, alimentado pelo modelo DeepSeek-V3, assim como o lançamento do modelo R1 em 20 de janeiro, surpreendeu o Vale do Silício e derrubou ações de empresas de tecnologia. Os supostos baixos custos de desenvolvimento e uso da startup chinesa levaram investidores a questionar os enormes gastos planejados pelas principais empresas de IA dos Estados Unidos.

No entanto, o sucesso da DeepSeek também desencadeou uma corrida entre seus concorrentes domésticos para aprimorar seus próprios modelos de IA.

Dois dias após o lançamento do DeepSeek-R1, a ByteDance, dona do TikTok, lançou uma atualização de seu principal modelo de IA, alegando que superava o modelo o1 da OpenAI, apoiada pela Microsoft, no AIME – um teste de benchmark que mede a capacidade dos modelos de IA de compreender e responder a instruções complexas.

Essa alegação ecoa a da DeepSeek, que afirmou que seu modelo R1 rivaliza com o o1 da OpenAI em diversos benchmarks de desempenho.

DEEPSEEK E A DISPUTA COM OS RIVAIS DOMÉSTICOS

O antecessor do modelo DeepSeek-V3, o DeepSeek-V2, provocou uma guerra de preços entre modelos de IA na China após seu lançamento em maio do ano passado.

O fato de o DeepSeek-V2 ser de código aberto e ter um custo extremamente baixo – apenas 1 yuan (US$ 0,14) por 1 milhão de tokens (unidades de dados processadas pelo modelo de IA) – levou a unidade de nuvem da Alibaba a anunciar cortes de preços de até 97% em uma variedade de modelos.

Outras empresas chinesas de tecnologia seguiram o exemplo, incluindo a Baidu (9888.HK), que lançou o primeiro equivalente ao ChatGPT na China em março de 2023, e a Tencent (0700.HK), a empresa de internet mais valiosa do país.

Liang Wenfeng, o enigmático fundador da DeepSeek, afirmou em uma rara entrevista ao veículo chinês Waves, em julho, que a startup “não se importava” com a guerra de preços e que seu principal objetivo era alcançar a AGI (inteligência geral artificial).

A OpenAI define AGI como sistemas autônomos que superam os humanos na maioria das tarefas economicamente valiosas.

Enquanto grandes empresas chinesas de tecnologia como a Alibaba possuem centenas de milhares de funcionários, a DeepSeek opera como um laboratório de pesquisa, composto principalmente por jovens graduados e doutorandos das principais universidades chinesas.

Liang afirmou na entrevista de julho que acredita que as maiores empresas de tecnologia da China podem não estar bem preparadas para o futuro da indústria de IA, contrastando seus altos custos e estruturas rígidas com a operação enxuta e o estilo de gestão flexível da DeepSeek.

“Modelos fundamentais exigem inovação contínua, e as capacidades das gigantes da tecnologia têm seus limites”, disse ele.

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