IA na China - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/ia-na-china/ Portal de noticias e análises sobre política brasileira, geopolítica, economia, tecnologia, sempre numa perspectiva democrática, progressista, anti-imperialista e multipolar! Fri, 13 Feb 2026 15:09:14 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://www.ocafezinho.com/wp-content/uploads/2015/10/cropped-Logo_Cafezinho_tmb-32x32.png IA na China - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/ia-na-china/ 32 32 China adere à revolução IA do Open Claw https://www.ocafezinho.com/2026/02/13/china-adere-a-revolucao-ia-do-open-claw/ https://www.ocafezinho.com/2026/02/13/china-adere-a-revolucao-ia-do-open-claw/#respond Fri, 13 Feb 2026 15:09:02 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=225862

A gigante chinesa Baidu anunciou nesta sexta-feira (13) a integração do agente de inteligência artificial OpenClaw diretamente no seu aplicativo principal de busca. A novidade permite que 700 milhões de usuários mensais interajam com a IA por meio de mensagens conversacionais, executando tarefas complexas como agendar compromissos, organizar arquivos, escrever códigos e muito mais.

A IA agente é considerada uma revolução dentro da revolução da inteligência artificial, por introduzir uma ferramenta capaz de conversar, interagir e executar funções pré-programadas para o usuário.

Até então, o OpenClaw – um modelo open-source desenvolvido na Áustria – só estava disponível em plataformas externas, como WhatsApp e Telegram. Agora, com a atualização, o usuário pode ativar o agente no próprio app da Baidu, sem precisar sair do ambiente de busca.

Lançamento coincide com o Ano Novo Lunar

A integração chega exatamente às vésperas do feriado do Ano Novo Chinês (Festival da Primavera), período de maior consumo digital no país. A Baidu aposta que a funcionalidade vai atrair novos usuários e aumentar o tempo de uso do app, em meio à feroz competição com Alibaba, ByteDance e Tencent.

A empresa já planeja expandir o OpenClaw para e-commerce e serviços financeiros. Analistas veem a jogada como parte da estratégia de Pequim para consolidar liderança na corrida global de IA.

No mesmo sentido, a Alibaba reportou que seu chatbot Qwen processou mais de 120 milhões de pedidos em apenas seis dias no Taobao e no Fliggy, permitindo compras completas sem sair do aplicativo. A integração de IA em apps cotidianos reflete a tendência chinesa de colocar ferramentas avançadas diretamente nas mãos da população.

De acordo com a Statista, o mercado mundial de inteligência artificial deve alcançar US$ 299 bilhões em 2026, crescendo a taxas anuais acima de 35%. Um relatório da McKinsey estima que 37% das empresas globais já adotam agentes autônomos semelhantes ao OpenClaw para automação de tarefas.

No Brasil, o uso de chatbots e assistentes de IA cresceu cerca de 150% entre 2022 e 2023, segundo dados da Associação Brasileira de Inteligência Artificial (ABRAII). Ferramentas como o Gemini (Google) e o ChatGPT já estão integradas a buscas e apps locais, mas a escala chinesa impressiona: o país lidera em número de patentes de IA e em investimento estatal no setor.

Desafios de segurança e privacidade

Especialistas em cibersegurança, como a CrowdStrike, alertam para riscos de agentes com acesso amplo a dados pessoais. Ainda assim, a China avança com regulação própria, priorizando soberania tecnológica e evitando dependência de modelos ocidentais.

A jogada da Baidu reforça a narrativa de que a multipolaridade tecnológica ganha força. Enquanto os Estados Unidos impõem restrições a chips e exportações, a China responde acelerando inovações internas e abrindo ferramentas open-source para o mundo.

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Sem pressa para lucrar, DeepSeek mira IA de próxima geração https://www.ocafezinho.com/2025/03/19/sem-pressa-para-lucrar-deepseek-mira-ia-de-proxima-geracao/ Wed, 19 Mar 2025 07:30:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=204334 Diferente das startups do Vale do Silício, a DeepSeek prioriza pesquisa em inteligência artificial e recusa investimentos bilionários no curto prazo

Enquanto muitas empresas de inteligência artificial (IA) ao redor do mundo estão correndo para capitalizar o crescente interesse no setor, uma startup chinesa está adotando uma abordagem incomum: focar na pesquisa e no desenvolvimento em vez de maximizar receitas no curto prazo. Fundada por Liang Wenfeng, um bilionário com sólida experiência em fundos de hedge, a DeepSeek está desafiando as convenções do mercado ao se concentrar em avanços tecnológicos de longo prazo.

Segundo o Financial Times ,sediada em Hangzhou, a DeepSeek ganhou destaque no início deste ano com o lançamento de seu modelo de raciocínio R1, descrito como “de baixo custo”, mas com desempenho comparável aos modelos mais sofisticados dos Estados Unidos e da China.

Apesar de ter conseguido cobrir seus custos operacionais pela primeira vez no mês passado — graças a clientes empresariais pagos e usuários de serviços gratuitos via site e aplicativo —, a empresa não parece interessada em escalar rapidamente ou buscar novos investimentos.

Fontes próximas à companhia revelam que Liang decidiu não seguir os passos das rivais do Vale do Silício, como a OpenAI, que transformou sua liderança inicial em um negócio lucrativo com o ChatGPT. Em vez disso, ele prefere manter a DeepSeek enxuta e direcionar a maior parte dos recursos para pesquisas voltadas à criação de inteligência artificial geral (AGI), máquinas capazes de replicar capacidades cognitivas humanas.

“Nós puxamos conexões governamentais de alto nível e só conseguimos sentar com alguém do departamento financeiro deles, que disse ‘desculpe, não estamos levantando'”, contou um investidor de um fundo multibilionário de tecnologia chinês. “Eles claramente não estão interessados em escalar agora. É uma situação rara em que o fundador é rico e comprometido o suficiente para mantê-lo enxuto no estilo Navy Seal para sua busca por AGI.”

Um modelo diferente de negócio

A estratégia da DeepSeek contrasta fortemente com a abordagem agressiva de monetização adotada por concorrentes globais. A OpenAI, por exemplo, levantou cerca de US$ 20 bilhões desde 2019 e está em negociações para captar mais US$ 40 bilhões. No entanto, a empresa sediada em São Francisco também acumulou grandes prejuízos, gastando US$ 5 bilhões somente no treinamento de novos modelos no último ano.

Já a DeepSeek, com aproximadamente 160 funcionários, tem demonstrado pouca pressa em comercializar sua tecnologia. Seu modelo R1 atraiu clientes principalmente de setores como saúde e finanças, que compraram APIs para acessar os modelos R1 e V3. Contudo, a demanda foi tão intensa que a startup teve que suspender temporariamente esses serviços devido à falta de infraestrutura dedicada a operações não relacionadas à pesquisa.

Essa postura reservada ajudou gigantes locais como Alibaba e Tencent a conquistarem espaço no mercado corporativo chinês. A Apple, por exemplo, optou pelo Qwen, da Alibaba, para implementar funções de IA em seus iPhones na China ainda este ano. Já a Tencent viu suas vendas de API dispararem após adotar os modelos de código aberto da DeepSeek, integrando-os tanto em sua plataforma de nuvem quanto em aplicativos voltados para consumidores.

Cerca de metade dos clientes de nuvem da Tencent, majoritariamente do governo e do setor financeiro, experimentaram os modelos da DeepSeek, e 20% deles solicitaram personalizações específicas para suas necessidades regionais, apoiadas pela infraestrutura robusta da Tencent.

Infraestrutura e desafios futuros

Liang, cujo fundo quantitativo High Flyer é um dos mais proeminentes da China, garantiu acesso a cerca de 10 mil chips H800 e 10 mil A100 antes das restrições impostas pelos EUA à exportação desses processadores para a China. Embora isso tenha dado à DeepSeek uma vantagem inicial, fontes internas alertam que o acesso limitado aos chips de nova geração da Nvidia pode se tornar um gargalo futuro.

Para mitigar esse desafio, a startup planeja depender de provedores terceirizados quando a demanda exceder sua capacidade atual. Além disso, ela já recebe suporte de Pequim, que vê na IA uma solução para impulsionar o crescimento econômico em um momento de desaceleração. Acesso a data centers financiados pelo estado permitiu que a DeepSeek aliviasse algumas de suas limitações computacionais.

No médio prazo, a empresa pode considerar parcerias estratégicas ou até mesmo aceitar fundos apoiados pelo governo para garantir mais apoio político, de acordo com especialistas do setor.

O foco inabalável em inovação

Yusen Dai, sócio do Zhen Fund, destacou a singularidade da trajetória da DeepSeek durante um podcast recente. Ele explicou que a empresa permaneceu fiel à sua visão desde o início, sem se preocupar em lançar produtos voltados para o consumo em massa até o surgimento do R1.

“Estamos no estágio inicial de uma revolução em que a curva de melhoria tecnológica é íngreme”, disse Dai. “As empresas devem se concentrar em avanços em vez de monetização porque ‘um estudante do ensino médio não pode ganhar muito dinheiro, enquanto se você treiná-lo para se tornar um PhD, ele pode ganhar muito mais’.”

Os engenheiros da DeepSeek estão agora trabalhando arduamente para acelerar o lançamento dos modelos R2 e V4, previstos inicialmente para maio. Com uma equipe menor e objetivos ambiciosos, a startup continua sendo um exemplo único no ecossistema global de IA, provando que inovação nem sempre precisa caminhar lado a lado com lucros imediatos.

A DeepSeek não respondeu aos pedidos de comentário.

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Manus desafia OpenAI e dispara na corrida tecnológica chinesa https://www.ocafezinho.com/2025/03/16/manus-desafia-openai-e-dispara-corrida-tecnologica-chinesa/ Sun, 16 Mar 2025 07:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=204133 DeepSeek e Manus desafiam o domínio ocidental na inteligência artificial, mas restrições americanas podem colocar um freio nessa ascensão

A onda de entusiasmo em torno da inteligência artificial (IA) na China ganhou novo fôlego com o lançamento do bot Manus, desenvolvido pela empresa Butterfly Effect. Em poucas horas após seu lançamento, em 6 de março, a plataforma de registro foi derrubada por uma enxurrada de acessos. A companhia afirma que sua tecnologia supera os modelos criados pela OpenAI, responsável pelo ChatGPT. No momento, o acesso ao serviço é restrito e requer convite, enquanto a empresa lida com o excesso de demanda. Há relatos de revendedores comercializando códigos de acesso no mercado negro.

O Manus é apenas o exemplo mais recente de um fenômeno que tomou conta do país desde janeiro, quando a DeepSeek, uma startup chinesa de IA, surpreendeu o mundo ao apresentar um modelo avançado de baixo custo. Essa inovação provocou um impacto significativo nos mercados locais.

As ações chinesas registraram o melhor início de ano da história, com o Hang Seng Tech Index, que acompanha as maiores empresas de tecnologia listadas em Hong Kong, saltando mais de 40% desde meados de janeiro.

Muitos especialistas acreditam que a redução dos custos de IA abrirá caminho para novas aplicações tecnológicas. Provedores de computação em nuvem estão expandindo seus investimentos em data centers, impulsionando gastos em toda a cadeia produtiva. No entanto, surgem dúvidas sobre o que poderia interromper esse ciclo de crescimento.

Nas últimas semanas, centenas de grandes corporações chinesas anunciaram planos para integrar a tecnologia da DeepSeek em seus negócios. Entre elas estão montadoras automotivas, empresas estatais de energia, bancos e fabricantes de alimentos e bebidas. Gigantes como a Tencent também estão adotando a solução, mesmo possuindo seus próprios modelos de IA.

Governos municipais estão incorporando os sistemas da DeepSeek em aplicativos usados por cidadãos para acessar serviços públicos, enquanto departamentos governamentais, hospitais e universidades discutem maneiras de utilizá-la para “fortalecer o Partido Comunista”.

Analistas locais brincam que qualquer relatório precisa mencionar a DeepSeek para atrair atenção. Investidores especulam que a startup poderia, sozinha, revitalizar o mercado imobiliário de Hangzhou, onde está sediada.

Os investidores de capital de risco chineses estão em êxtase. Uma investidora de Pequim celebra os resultados de integrar a tecnologia da DeepSeek em empresas de robótica de seu portfólio, destacando reduções de custos e melhorias de desempenho. Nesse cenário, startups de IA estão surgindo em massa por todo o país. Alguns investidores estão injetando capital nessas empresas, mesmo reconhecendo sinais de bolha.

“É avassalador, mas não temos outra escolha”, diz um investidor de Hangzhou. “A economia não está boa e há poucas oportunidades em outros setores. Então, precisamos entrar na IA o mais rápido possível.” A estratégia é investir em uma rodada inicial de financiamento, conhecida como rodada “A”, e sair durante uma rodada “A+”, que pode ocorrer meses depois. Em 6 de março, o governo central chinês anunciou a criação de um fundo de 1 trilhão de yuans (US$ 140 bilhões) para investimentos em tecnologia.

As principais empresas de tecnologia da China, incluindo Alibaba, Baidu, Huawei e Tencent, estão aproveitando a onda e esperam lucrar com o boom por meio de suas divisões de computação em nuvem. No mês passado, a Alibaba declarou que seu principal objetivo era alcançar uma inteligência artificial geral semelhante à humana. Em 6 de março, a empresa lançou um novo modelo de raciocínio que afirma ser tão eficiente quanto o da DeepSeek.

A Alibaba prometeu investir cerca de US$ 53 bilhões nos próximos três anos na construção de data centers para atender à crescente demanda por serviços de nuvem de IA, superando seus investimentos dos últimos dez anos. A empresa lidera o mercado de nuvem na China, com 36% de participação, e aposta que o crescimento nessa área compensará a desaceleração de seu negócio de comércio eletrônico.

A Baidu já viu um aumento na receita de sua divisão de nuvem, ajudando a compensar quedas em outras áreas. A demanda por IA também pode melhorar as margens de lucro no setor de computação em nuvem chinês, historicamente menores do que no Ocidente devido à forte competição.

Segundo a Revista The Economist, a demanda por servidores especializados em IA disparou desde o final do Ano Novo Lunar chinês, no início de fevereiro, coincidindo com a ascensão da DeepSeek.

Fornecedores começaram a oferecer servidores “tudo-em-um” pré-equipados com software de IA. Muitos desses equipamentos são vendidos diretamente para empresas que preferem mantê-los em suas instalações para aumentar a segurança, incluindo empresas estatais.

A Sangfor Technologies, fundada por ex-funcionários da Huawei, foi uma das maiores beneficiadas: suas ações subiram cerca de 140% este ano. Analistas estimam que o mercado de servidores tudo-em-um crescerá mais de 70% ao ano, em média, até 2028.

O boom da IA está impulsionando investimentos em toda a cadeia de suprimentos de hardware. O banco de investimento Jefferies estima que fabricantes de servidores podem gastar mais de 1,4 trilhão de yuans nos próximos dois anos para expandir sua capacidade produtiva.

A GDS, uma das maiores do setor, aumentou seus planos de gastos de capital. Já a VNet, sua concorrente, anunciou que dobrará sua capacidade este ano.

No entanto, alguns analistas alertam para a necessidade de cautela. Kai Wang, da Morningstar, argumenta que a DeepSeek não alterará os fundamentos da maioria das empresas que se beneficiaram do recente rally do mercado chinês. Um rally anterior perdeu força quando o apoio governamental à economia não se materializou; algo semelhante pode ocorrer este ano, diz Wang, caso as empresas enfrentem dificuldades para monetizar a IA.

O acesso a semicondutores avançados também pode ser um obstáculo. Atualmente, as empresas conseguem adquirir chips H20 da Nvidia, líder americana em chips de IA.

Embora esses chips sejam menos potentes que os modelos mais avançados da Nvidia, cuja venda à China foi proibida pelos EUA, eles têm funcionado bem. Projetistas locais de chips, como Cambricon, Enflame e Huawei, estão tentando alcançar a concorrência e já fornecem para algumas startups chinesas.

Mesmo assim, a escassez de semicondutores pode frear o entusiasmo em torno da IA no país. À medida que novas aplicações surgirem, aumentando a demanda por poder computacional, as restrições na oferta de chips podem começar a pesar. A SMIC, principal fundição estatal chinesa, enfrenta sérias limitações de capacidade e não consegue produzir os semicondutores mais avançados.

Além disso, os melhores chips projetados localmente pela Huawei ainda estão muito atrás dos da Nvidia em termos de desempenho. Greg Allen, do CSIS, think tank com sede em Washington, escreveu recentemente que levará anos para que os chips de IA da Huawei e o software associado alcancem um nível competitivo.

Diz-se que o governo Trump está considerando medidas mais severas contra a China, incluindo restrições ao acesso aos chips H20. O atual rally chinês baseia-se na expectativa de que os custos de treinar e operar modelos de IA continuarão caindo.

Ao restringir o acesso a chips avançados, o presidente americano poderia aumentar esses custos drasticamente, colocando fim abrupto à euforia em torno da IA no país.

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Alibaba, Baidu e Tencent se armam para lucrar com a revolução IA https://www.ocafezinho.com/2025/03/15/alibaba-baidu-e-tencent-se-armam-para-lucrar-com-a-revolucao-ia/ Sat, 15 Mar 2025 07:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=204132 Startups de IA surgem em ritmo frenético, enquanto gigantes da tecnologia disputam liderança. O mercado chinês está preparado para essa revolução?

Horas após o lançamento do Manus, um bot de inteligência artificial (IA) desenvolvido na China em 6 de março, o site de registro da plataforma entrou em colapso devido ao grande volume de acessos. A Butterfly Effect, empresa responsável pelo bot, afirma que sua tecnologia supera a da OpenAI, criadora do ChatGPT. Diante da alta demanda, o acesso ao Manus agora está restrito a convites, enquanto a empresa tenta lidar com o tráfego excessivo. Há relatos de que códigos de registro estão sendo vendidos no mercado paralelo.

Segundo a Revista The Economist, o Manus é o exemplo mais recente de uma onda de entusiasmo que tomou conta da China desde janeiro, quando a DeepSeek, uma das startups de IA mais promissoras do país, surpreendeu o mundo com um modelo avançado que custou uma fração do valor necessário para treinar sistemas semelhantes no Ocidente.

O impacto nos mercados chineses tem sido significativo, com ações registrando o melhor início de ano da história. O Hang Seng Tech Index, que monitora as maiores empresas de tecnologia chinesas listadas em Hong Kong, subiu mais de 40% desde meados de janeiro.

Muitos na China acreditam que a IA mais acessível abrirá caminho para inovações e novas aplicações da tecnologia. Provedores de computação em nuvem estão aumentando investimentos em data centers, impulsionando gastos de capital em toda a cadeia de suprimentos. Mas o que poderia frear esse crescimento acelerado?

Nas últimas semanas, centenas de grandes empresas chinesas, desde montadoras de veículos e estatais do setor energético até bancos e fabricantes de alimentos e bebidas, anunciaram planos de adotar a tecnologia da DeepSeek.

Gigantes da tecnologia, como a Tencent, também estão integrando a IA em seus produtos, mesmo possuindo modelos próprios.

Governos municipais estão incorporando os sistemas da DeepSeek em aplicativos móveis usados por cidadãos para serviços básicos, enquanto órgãos governamentais, hospitais e universidades discutem como utilizá-la para o “fortalecimento do Partido Comunista”.

Analistas locais brincam que, para chamar a atenção, seus relatórios precisam ter um viés relacionado à DeepSeek. Investidores especulam que a empresa poderia reativar sozinha o mercado imobiliário de Hangzhou, sua cidade sede.

O entusiasmo também contagia os capitalistas de risco chineses. Uma investidora de Pequim comemora que a integração da tecnologia da DeepSeek em seu portfólio de empresas de robótica resultou em reduções significativas de custos e ganhos de desempenho.

No meio dessa euforia, inúmeras startups de IA surgiram em todo o país. Alguns investidores estão injetando recursos nessas empresas, mesmo reconhecendo a existência de uma bolha.

“É avassalador, mas não temos outra escolha”, afirma um investidor de Hangzhou. “A economia não está bem e há poucas oportunidades em outros setores. Então, precisamos entrar na IA o mais rápido possível.” A estratégia, segundo ele, é investir em uma rodada “A”, a fase inicial de financiamento, e sair durante uma rodada “A+”, que pode ocorrer em poucos meses. Em 6 de março, o governo chinês anunciou a criação de um fundo de capital de risco de 1 trilhão de yuans (US$ 140 bilhões) para investimentos em tecnologia.

As maiores empresas de tecnologia da China, como Alibaba, Baidu, Huawei e Tencent, estão aproveitando a onda e esperam lucrar com o boom por meio de suas divisões de computação em nuvem.

No mês passado, a Alibaba declarou que seu principal objetivo é alcançar uma inteligência artificial geral semelhante à humana. Em 6 de março, a empresa lançou um novo modelo de raciocínio que, segundo ela, rivaliza com o da DeepSeek.

A Alibaba prometeu investir cerca de US$ 53 bilhões nos próximos três anos na construção de data centers para atender à demanda por serviços de nuvem de IA, valor superior ao gasto na última década.

A empresa lidera o mercado de nuvem na China, com uma participação de 36%, e pode estar apostando que o crescimento nesse setor compensará a desaceleração de seu principal negócio de comércio eletrônico.

A Baidu já registrou um salto na receita de nuvem, ajudando a equilibrar quedas em outras áreas. A demanda crescente por IA também pode melhorar as margens de lucro na indústria de computação em nuvem chinesa, tradicionalmente mais baixas do que no Ocidente devido à forte concorrência.

Segundo Liu Yiran, do banco HSBC, a demanda por servidores especializados em IA disparou desde o final do Ano Novo Lunar chinês, no início de fevereiro, coincidindo com a ascensão da DeepSeek.

Fornecedores começaram a oferecer servidores “tudo-em-um” pré-equipados com software de IA. Muitos são vendidos diretamente para empresas que preferem manter servidores em suas próprias instalações por questões de segurança, incluindo estatais.

A Sangfor Technologies, fundada por ex-funcionários da Huawei, tem sido uma das maiores beneficiárias dessa tendência: suas ações subiram cerca de 140% este ano. Liu e sua equipe estimam que o mercado de servidores tudo-em-um crescerá mais de 70% ao ano, em média, até 2028.

O boom da IA na China está impulsionando investimentos em toda a cadeia de suprimentos de hardware. Analistas do banco de investimento Jefferies calculam que fabricantes de servidores podem gastar mais de 1,4 trilhão de yuans nos próximos dois anos para expandir a capacidade de produção. A GDS, uma das líderes do setor, ampliou seus planos de gastos de capital. A VNet, concorrente, anunciou recentemente que dobrará sua capacidade este ano.

No entanto, alguns analistas começam a pedir cautela. Kai Wang, da Morningstar, empresa americana de serviços financeiros, argumenta que a DeepSeek não mudará os fundamentos da maioria das empresas que lucraram com o recente rally do mercado de ações chinês.

Um rally anterior perdeu força quando o forte apoio do governo à economia não se materializou; o mesmo pode acontecer este ano, diz Wang, se as empresas tiverem dificuldade em monetizar a IA.

O acesso a semicondutores avançados pode ser outro obstáculo. Por enquanto, a oferta é suficiente. As empresas ainda conseguem comprar chips H20 da Nvidia, líder americana em chips de IA.

Embora sejam menos potentes do que os modelos mais avançados da Nvidia, cuja venda à China foi proibida pelos EUA, eles parecem atender às necessidades atuais. Projetistas locais de chips, como Cambricon, Enflame e Huawei, estão tentando alcançar a concorrência e já começaram a fornecer para algumas empresas de IA chinesas.

Ainda assim, a escassez de semicondutores pode frear o crescimento da IA na China. Alguns analistas temem que, à medida que novas aplicações surgirem, aumentando a demanda por mais poder de computação, as restrições na oferta de chips comecem a pesar.

A SMIC, principal fundição estatal da China, enfrenta sérias limitações de capacidade e não consegue produzir os semicondutores mais avançados. Além disso, mesmo os melhores chips projetados localmente pela Huawei ainda estão muito atrás dos da Nvidia em desempenho.

Greg Allen, do CSIS, think tank sediado em Washington, escreveu recentemente que levará vários anos de melhorias nos chips de IA da Huawei e no software associado para que a DeepSeek os adote como uma alternativa viável.

Há rumores de que o governo Trump está considerando restrições mais severas à China, incluindo limitar seu acesso aos chips H20. O recente rally chinês se baseia na crença de que o custo de treinar e operar modelos de IA continuará caindo.

Ao restringir o acesso a chips, o presidente americano poderia elevar esses custos, colocando um fim abrupto na euforia da IA na China.

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DeepSeek desafia o Vale e aposta em IA sem pressa por lucro https://www.ocafezinho.com/2025/03/14/deepseek-desafia-o-vale-e-aposta-em-ia-sem-pressa-por-lucro/ Fri, 14 Mar 2025 17:58:58 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=204336 Enquanto gigantes correm para monetizar IA, a DeepSeek investe no desenvolvimento de máquinas com capacidades cognitivas comparáveis às humanas

A startup chinesa de inteligência artificial DeepSeek está optando por focar em pesquisa em vez de buscar receitas, já que seu fundador bilionário decidiu não seguir os rivais do Vale do Silício e aproveitar um aumento repentino nas vendas. Segundo o Financial Times, a empresa sediada em Hangzhou, liderada pelo bilionário de fundos de hedge Liang Wenfeng, viu um aumento em seus serviços por meio de seu site e aplicativo gratuitos, mas também de clientes empresariais pagos. No mês passado, as receitas foram suficientes para cobrir os custos contínuos pela primeira vez, de acordo com duas pessoas com conhecimento de seu desenvolvimento.

O interesse no DeepSeek cresceu desde janeiro, após o lançamento de seu modelo de raciocínio R1 de baixo custo, que tem desempenho comparável aos concorrentes dos EUA e da China, mas foi construído com um orçamento muito menor.

Clientes, principalmente de setores como saúde e finanças, compraram interface de programação de aplicativos, ou API, para acessar os modelos R1 e V3 da DeepSeek, com uma demanda tão forte que a startup teve que suspender esses serviços temporariamente devido à falta de recursos alocados para fins não relacionados a pesquisa, de acordo com as pessoas.

Fontes do setor disseram que Liang demonstrou pouca intenção de capitalizar a fama repentina da DeepSeek para comercializar ainda mais sua tecnologia no curto prazo. Em vez disso, a empresa está concentrando a maioria de seus recursos no desenvolvimento de modelos e na busca para construir inteligência artificial geral — máquinas com capacidades cognitivas semelhantes às humanas.

Essas pessoas acrescentaram que o fundador rico e independente também se recusou a entreter o interesse de gigantes da tecnologia da China, bem como fundos de capital de risco e apoiados pelo estado para investir no grupo por enquanto. Muitos acharam difícil até mesmo marcar uma reunião com o fundador isolado.

“Nós puxamos conexões governamentais de alto nível e só conseguimos sentar com alguém do departamento financeiro deles, que disse ‘desculpe, não estamos levantando’”, disse um investidor em um fundo de tecnologia chinês multibilionário. “Eles claramente não estão interessados ​​em escalar agora. É uma situação rara em que o fundador é rico e comprometido o suficiente para mantê-lo enxuto no estilo Navy Seal para sua busca por AGI.”

O surgimento do DeepSeek perturbou os mercados devido às dúvidas sobre se grupos de tecnologia dos EUA, como Google e OpenAI, conseguiriam manter sua vantagem técnica, bem como sobre a sensatez dos enormes planos de gastos em infraestrutura de IA de grandes grupos de tecnologia.

Sua abordagem também está em contraste significativo com muitas startups do Vale do Silício. A OpenAI aproveitou sua liderança inicial no desenvolvimento de modelos de IA para construir um negócio de consumo formidável em torno do ChatGPT, gerando receitas significativas com a venda de sua API.

A empresa sediada em São Francisco levantou cerca de US$ 20 bilhões em várias rodadas de financiamento desde 2019 e está em negociações com investidores liderados pelo SoftBank para levantar mais US$ 40 bilhões a uma avaliação de US$ 260 bilhões. A empresa queimou US$ 5 bilhões no ano passado, grande parte disso no treinamento de novos modelos, e obteve cerca de US$ 4 bilhões de receita. Ela cobra tanto de clientes corporativos quanto de consumidores individuais que usam seus vários modelos fechados.

A DeepSeek tem atualmente cerca de 160 funcionários, de acordo com uma pessoa familiarizada com o assunto. A OpenAI tem pouco mais de 2.000.

“A DeepSeek tem estado super focada desde o início na direção que está tomando”, disse Yusen Dai, um parceiro do fundo de capital de risco Zhen Fund, que investiu em várias startups chinesas de IA.

“Ela nem tinha nenhum produto de consumo até o lançamento do R1 [o modelo de linguagem de raciocínio grande da empresa]”, disse Dai em um podcast chinês esta semana.

A falta de ambição comercial da DeepSeek ajudou empresas de tecnologia como Alibaba e Tencent a conquistar clientes corporativos na China com sua infraestrutura e serviços mais maduros, levantando questões sobre se os fluxos de receita da startup são sustentáveis.

A Apple, por exemplo, escolheu o Qwen da Alibaba em vez do DeepSeek para lançar funções de IA em seus iPhones na China ainda este ano.

A Tencent viu suas vendas de API se multiplicarem depois que começou a adotar os modelos de código aberto da DeepSeek, de acordo com outra pessoa com conhecimento direto do assunto. Cerca de metade de seus clientes de nuvem, principalmente do governo e das finanças, tentaram usar os modelos da DeepSeek e 20 por cento deles estão solicitando a personalização de suas versões localizadas com o suporte da Tencent, acrescentaram.

A falta de foco da DeepSeek em promover seu próprio produto de mercado de massa, como o ChatGPT da OpenAI, contribuiu para a decisão da Tencent de adotar os modelos da startup, não apenas em sua plataforma de nuvem, mas também em seus aplicativos populares voltados para o consumidor, de acordo com a pessoa. A Tencent não quis comentar.

Liang, um bilionário que fundou um dos principais fundos quantitativos da China, o High Flyer, comprou cerca de 10.000 chips H800 e 10.000 A100 nos últimos anos, de acordo com uma pessoa com conhecimento do assunto. Os processadores foram obtidos antes de serem banidos para a China. A Nvidia se recusou a comentar.  

A DeepSeek dependerá principalmente de provedores terceirizados para demanda futura que exceda sua capacidade existente, disse a pessoa com conhecimento dos planos.

A DeepSeek ganhou apoio de Pequim, onde o governo está contando com a IA para estimular o crescimento em sua economia em desaceleração. A startup ganhou acesso a data centers financiados pelo estado, aliviando suas restrições de computação.

A longo prazo, a DeepSeek pode achar o acesso limitado à nova geração de chips mais avançados da Nvidia um gargalo potencial e considerar futuras parcerias que podem ajudar a resolver esse problema, de acordo com fontes internas da indústria. Ela também pode ter que estar aberta a fundos apoiados pelo estado em algum momento, para ganhar mais apoio político, disseram eles.

Os engenheiros da startup estão trabalhando a todo vapor para o lançamento dos modelos R2 e V4, que estava inicialmente programado para maio, mas pode ser acelerado para manter o ritmo, disse uma pessoa com conhecimento do assunto.

“Estamos no estágio inicial de uma revolução em que a curva de melhoria tecnológica é íngreme”, disse Dai, do Zhen Fund. Ele acrescentou que as empresas devem se concentrar em avanços em vez de monetização porque “um estudante do ensino médio não pode ganhar muito dinheiro, enquanto se você treiná-lo para se tornar um PhD, ele pode ganhar muito mais”.

A DeepSeek não respondeu aos pedidos de comentário.

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The Economist: Boom de IA ​​na China está atingindo proporções surpreendentes https://www.ocafezinho.com/2025/03/14/the-economist-boom-de-ia-na-china-esta-atingindo-proporcoes-surpreendentes/ Fri, 14 Mar 2025 07:10:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=204130 A explosão da IA na China está atraindo bilhões em investimentos e pode redefinir o mercado global. Mas quanto tempo esse boom vai durar?

Poucas horas após o lançamento, em 6 de março, do Manus, um bot de inteligência artificial (IA) chinês, uma onda de visitantes derrubou o site de registro. A Butterfly Effect, empresa por trás do bot, afirma que sua tecnologia supera a da OpenAI, criadora do ChatGPT. Agora, o acesso está disponível apenas por convite, enquanto a empresa lida com o excesso de tráfego. Há relatos de que revendedores estão vendendo códigos de registro.

O Manus é apenas o exemplo mais recente da febre que tomou conta da China desde janeiro, quando a DeepSeek, startup de IA mais quente do país, surpreendeu o mundo com um modelo avançado que custou uma fração do valor necessário para treinar modelos ocidentais semelhantes. O impacto nos mercados chineses tem sido impressionante. As ações estão tendo o melhor início de ano já registrado. O Hang Seng Tech Index, que acompanha as maiores empresas de tecnologia chinesas listadas em Hong Kong, subiu mais de 40% desde meados de janeiro.

Muitos na China apostam que a IA mais barata abrirá portas para inovadores criarem novas aplicações para a tecnologia. Provedores de computação em nuvem estão aumentando investimentos em data centers, impulsionando gastos de capital em toda a cadeia de suprimentos. Mas o que poderia interromper esse boom?

Nas últimas semanas, centenas de grandes empresas chinesas, desde montadoras de carros e empresas estatais de energia até bancos e fabricantes de alimentos e bebidas, anunciaram planos de usar a tecnologia da DeepSeek.

Alguns gigantes da tecnologia, como a Tencent, também estão integrando-a em seus produtos, apesar de terem seus próprios modelos.

Governos municipais estão incorporando os modelos da DeepSeek em aplicativos móveis usados por residentes para serviços básicos, enquanto departamentos governamentais, hospitais e universidades discutem como empregá-la para o “fortalecimento do Partido Comunista”.

Analistas locais brincam que precisam encontrar um ângulo relacionado à DeepSeek para que seus relatórios ganhem atenção. Investidores especulam que a empresa poderia reanimar sozinha o mercado imobiliário de Hangzhou, onde a DeepSeik está sediada.

Os capitalistas de risco chineses estão igualmente eufóricos. Uma investidora de Pequim comemora que a integração da tecnologia da DeepSeek em seu portfólio de empresas de robótica levou a grandes reduções de custos e melhorias de desempenho.

No meio do entusiasmo, inúmeras startups de IA surgiram em toda a China. Alguns investidores estão injetando dinheiro nelas, mesmo reconhecendo uma bolha. “É avassalador, mas não temos outra escolha”, diz um investidor de Hangzhou. “A economia não está boa e há poucas oportunidades em outros setores. Então, temos que entrar na IA o mais rápido possível.” A estratégia, segundo ele, é investir em uma rodada “A”, a fase inicial de financiamento, e sair durante uma rodada “A+”, que pode ocorrer apenas alguns meses depois. Em 6 de março, o governo central chinês anunciou a criação de um fundo de capital de risco com 1 trilhão de yuans (US$ 140 bilhões) para investimentos em tecnologia.

As maiores empresas de tecnologia da China, incluindo Alibaba, Baidu, Huawei e Tencent, estão abraçando a onda e esperam lucrar com o boom por meio de suas divisões de computação em nuvem. No mês passado, a Alibaba declarou que seu principal objetivo era alcançar uma inteligência artificial geral semelhante à humana. Em 6 de março, a empresa lançou um novo modelo de raciocínio que afirma ser tão bom quanto o da DeepSeek.

A Alibaba prometeu gastar cerca de US$ 53 bilhões nos próximos três anos na construção de data centers para atender à demanda por serviços de nuvem de IA, mais do que investiu nos últimos dez anos.

A empresa detém a liderança no mercado de nuvem na China, com uma participação de 36%, e pode estar apostando que o crescimento nesse setor compensará a desaceleração de seu principal negócio de comércio eletrônico.

A Baidu já experimentou um salto na receita de nuvem, ajudando a compensar quedas em outras divisões. A demanda crescente por IA também pode melhorar as margens de lucro na indústria de computação em nuvem da China, que tendem a ser menores do que no Ocidente devido à forte concorrência.

Segundo Liu Yiran, do banco HSBC, a demanda por servidores especializados em IA disparou desde o final do Ano Novo Lunar chinês, no início de fevereiro, coincidindo com a ascensão da DeepSeek. Fornecedores começaram a oferecer servidores “tudo-em-um” pré-equipados com software de IA.

Muitos são vendidos diretamente para empresas que preferem ter servidores em suas próprias instalações para melhorar a segurança, incluindo empresas estatais.

A Sangfor Technologies, fundada por ex-funcionários da Huawei, tem sido uma das maiores beneficiárias dessa tendência: suas ações subiram cerca de 140% este ano. Liu e sua equipe estimam que o mercado de servidores tudo-em-um crescerá mais de 70% ao ano, em média, até 2028.

O boom da IA na China está impulsionando investimentos em toda a cadeia de suprimentos de hardware. Analistas do banco de investimento Jefferies estimam que fabricantes de servidores podem gastar mais de 1,4 trilhão de yuans nos próximos dois anos para expandir a capacidade de produção.

A GDS, uma das maiores do setor, ampliou seus planos de gastos de capital. A VNet, concorrente, anunciou recentemente que dobrará sua capacidade este ano.

No entanto, alguns analistas começam a pedir cautela. Kai Wang, da Morningstar, empresa americana de serviços financeiros, argumenta que a DeepSeek não mudará os fundamentos da maioria das empresas que lucraram com o recente rally do mercado de ações chinês. Um rally anterior perdeu força quando o forte apoio do governo à economia não se materializou; o mesmo pode acontecer este ano, diz Wang, se as empresas tiverem dificuldade em monetizar a IA.

O acesso a semicondutores avançados pode ser outro obstáculo. Por enquanto, a oferta é suficiente. As empresas ainda conseguem comprar chips H20 da Nvidia, campeã americana de chips de IA.

Embora sejam menos potentes do que os chips mais avançados da Nvidia, cuja venda à China foi proibida pelos EUA, eles parecem funcionar. Projetistas locais de chips, como Cambricon, Enflame e Huawei, estão tentando alcançar a concorrência e já começaram a fornecer para algumas empresas de IA chinesas.

Ainda assim, a escassez de semicondutores pode fazer a febre da IA na China esfriar. Alguns analistas temem que, à medida que novas aplicações surgirem, aumentando a demanda por mais poder de computação, as restrições na oferta de chips comecem a pesar.

A SMIC, principal fundição estatal da China, enfrenta sérias limitações de capacidade e não consegue produzir os semicondutores mais avançados.

Além disso, mesmo os melhores chips projetados localmente pela Huawei ainda estão muito atrás dos da Nvidia em desempenho. Greg Allen, do CSIS, think tank sediado em Washington, escreveu recentemente que levará vários anos de melhorias nos chips de IA da Huawei e no software associado para que a DeepSeek os adote como uma alternativa viável.

Diz-se que o governo Trump está considerando restrições mais severas à China, incluindo limitar seu acesso aos H20s. O recente rally chinês se baseia na crença de que o custo de treinar e operar modelos de IA continuará caindo.

Ao restringir o acesso a chips, o presidente americano poderia aumentar esses custos, colocando um fim abrupto na euforia da IA na China.

Via The Economist*

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Resposta da China à OpenAI e Anthropic chega com o Doubao 1.5 https://www.ocafezinho.com/2025/01/22/resposta-da-china-a-openai-e-anthropic-chega-com-o-doubao-1-5/ https://www.ocafezinho.com/2025/01/22/resposta-da-china-a-openai-e-anthropic-chega-com-o-doubao-1-5/#respond Wed, 22 Jan 2025 21:09:11 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=200996 Mesmo sob restrições de chips dos EUA, ByteDance inova com Doubao 1.5 Pro, modelo de IA que combina eficiência e performance, superando concorrentes em testes avançados


A controladora do TikTok, ByteDance, lançou uma versão atualizada do Doubao, o aplicativo de inteligência artificial (IA) voltado ao consumidor mais popular da China, enquanto a gigante da tecnologia acelera o desenvolvimento de IA, apesar das restrições de exportação dos EUA sobre chips avançados.

A empresa, com sede em Pequim, apresentou seu modelo multimodal fechado Doubao 1.5 Pro na quarta-feira, destacando uma abordagem de treinamento “eficiente em recursos”, que, segundo ela, não compromete o desempenho.

“O modelo adotou um design integrado de treinamento e inferência desde a fase de pré-treinamento para equilibrar o melhor desempenho e o custo mais otimizado de inferência”, afirmou a ByteDance em comunicado, acrescentando que projetou um cluster de servidores com suporte flexível para chips de baixa gama a fim de reduzir os custos de infraestrutura de IA.

As grandes empresas de tecnologia da China estão se esforçando para alcançar seus concorrentes dos EUA enquanto enfrentam restrições orçamentárias e acesso limitado a chips avançados. Isso as levou a inovar na eficiência de modelos de IA, refinando seus produtos dentro do mercado fechado do país.

Testes comparativos mostraram que o Doubao 1.5 Pro se destacou em metade das 14 avaliações realizadas, que analisaram as habilidades do modelo em compreensão de linguagem, matemática, codificação, conhecimento de domínio, compreensão visual e raciocínio.

Com informações de SCMP*

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Frenesi de IA na China desafia barreiras para criar seu próprio ChatGPT https://www.ocafezinho.com/2025/01/20/frenesi-de-ia-na-china-desafia-barreiras-para-criar-seu-proprio-chatgpt/ https://www.ocafezinho.com/2025/01/20/frenesi-de-ia-na-china-desafia-barreiras-para-criar-seu-proprio-chatgpt/#respond Mon, 20 Jan 2025 21:50:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=200783 A China declarou a IA como prioridade estratégica, mas enfrenta barreiras como censura e falta de chips avançados, atrasando a criação de um rival à altura da OpenAI


Quando o mundo testemunhou pela primeira vez o poder do ChatGPT, o bot de conversação da OpenAI, no final do ano passado, uma postagem nas redes sociais rapidamente viralizou na China, tentando explicar por que essa inovação em inteligência artificial (IA) não ocorreu no país.

A resposta mais amplamente compartilhada, fornecida por um autor anônimo, era de que as empresas de tecnologia chinesas eram excessivamente míopes para arcar com os custos de investimentos de longo prazo, preferindo correr atrás de tecnologias que pudessem ser rapidamente comercializadas.

“Quando o filho do vizinho publica uma tese de doutorado revolucionária, não pergunte por que ele é tão inteligente”, dizia a postagem. “Você também tem um filho inteligente em casa, mas, em vez de apoiar seus estudos, pediu a ele para ganhar dinheiro rápido enquanto ainda era capaz de fazer trabalho braçal.”

Muitos internautas consideraram a metáfora apropriada para descrever a raiz das deficiências tecnológicas da China. Apesar do forte apoio político e financeiro do governo, bem como de amplos investimentos privados, o país não conseguiu superar os Estados Unidos na criação de um chatbot de IA avançado como o ChatGPT.

Em 2018, o presidente Xi Jinping realizou uma sessão especial de estudo com o Politburo. A conclusão foi que a IA era estrategicamente importante e poderia levar a uma revolução tecnológica e mudanças industriais com “impacto profundo no desenvolvimento econômico, progresso social e no padrão da economia política internacional”.

Com o apoio da liderança máxima da China, financiamento governamental e privado foi despejado em start-ups de IA domésticas.

Startup chinesa de IA lançou um robô doméstico em 2022, projetado para jogar xadrez chinês com humanos / Foto: Handout

Nos anos seguintes, o país viu surgir os “quatro pequenos dragões” – Cloudwalk Technology, Megvii, SenseTime e Yitu – todos focados no campo de reconhecimento visual em IA.

Enquanto isso, produtos comerciais com o rótulo de IA inundaram o mercado chinês. A SenseTime, por exemplo, lançou um robô projetado exclusivamente para ensinar crianças a jogar xadrez.

Em 2021, empresas chinesas afirmaram ter produzido 21 grandes modelos de linguagem, um aumento em relação aos apenas dois registrados em 2020, colocando-as em pé de igualdade com os Estados Unidos. Segundo a designer de chips de IA Nvidia, um grande modelo de linguagem representa um algoritmo de aprendizado profundo capaz de reconhecer, resumir, traduzir, prever e gerar texto e outros conteúdos com base no conhecimento adquirido a partir de enormes conjuntos de dados.

No entanto, a chegada do ChatGPT destruiu a ilusão de que China e Estados Unidos estavam competindo lado a lado no campo da IA.

Zhou Hongyi, fundador da 360 Security Technology, diz que o desenvolvimento de IA da China está atrás do nível do OpenAI / Foto: Shutterstock

O nível de conhecimento da China em IA está de dois a três anos atrás do OpenAI, a start-up sediada em San Francisco que criou o ChatGPT, disse Zhou Hongyi, fundador da empresa de cibersegurança 360 Security Technology e um veterano da indústria com laços estreitos com as autoridades chinesas, durante o Fórum de Desenvolvimento da China no último fim de semana.

Essa lacuna tecnológica, no entanto, não impediu empresas e empreendedores chineses de promoverem seus próprios planos de lançar rivais do ChatGPT no país, onde o chatbot não está oficialmente disponível devido à postura do governo em relação a conteúdos não censurados.

Em março, o gigante de buscas na internet Baidu lançou o Ernie Bot, tornando-se a primeira grande empresa de tecnologia na China a lançar seu próprio serviço semelhante ao GPT. Wang Huiwen, cofundador da gigante de serviços sob demanda Meituan, e Lee Kai-fu, ex-diretor da Google na China, também iniciaram novos empreendimentos para explorar o potencial comercial da IA generativa.

Mas analistas alertam que essa corrida pelo ouro pode ser de curta duração devido à falta de expertise técnica e experiência, agravada pelas restrições de exportação dos EUA sobre chips de IA, o que dificultaria o desenvolvimento de um verdadeiro equivalente ao ChatGPT na China.

Lee Kai-fu, ex-chefe do Google China, lançou um novo empreendimento analisando o potencial de negócios de tecnologias semelhantes ao ChatGPT / Foto: Edmond So

A repercussão em torno do ChatGPT apenas evidencia o quanto o mercado está sedento por uma nova narrativa de investimento, segundo Bo Pei, analista de ações da Tiger Securities. “Após tantos anos de desenvolvimento, tanto as indústrias de internet ocidentais quanto as chinesas estão saturadas e ansiando por uma nova direção.”

“É questionável o quão rápido ferramentas semelhantes ao ChatGPT realmente causarão impacto ou gerarão receitas significativas”, disse Bo.

Um grande obstáculo é a internet restrita da China. Com o governo chinês proibindo que mais de 1 bilhão de usuários de internet do país acessem conteúdo não censurado, os materiais que os pesquisadores podem usar para treinar motores de IA são mais limitados do que no Ocidente.

Um teste aleatório conduzido pelo Post no mês passado, por exemplo, descobriu que o Ernie Bot, do Baidu, não conseguiu responder a perguntas relacionadas a temas considerados politicamente sensíveis por Pequim. Quando questionado se a China era uma nação democrática, o chatbot evitou a questão, respondendo apenas que “ainda não aprendeu como responder a essa pergunta”.

O CEO da Baidu, Robin Li Yanhong, apresenta as funções do Ernie Bot durante um evento de lançamento em Pequim em 16 de março / Foto: AP

“A censura certamente pode dificultar a capacidade da China de desenvolver um equivalente local ao ChatGPT”, disse Dahlia Peterson, analista de pesquisa do Centro de Tecnologia Emergente e Segurança da Universidade de Georgetown, em fevereiro.

“Mesmo que as empresas de IA [chinesas] consigam acessar e utilizar dados globais e recursos de pesquisa para treinar seus modelos, é improvável que as autoridades chinesas permitam o uso de qualquer material considerado politicamente sensível em suas respostas”, acrescentou.

Embora a censura não impeça a China de criar suas próprias versões do ChatGPT, assim como o país desenvolveu seus próprios mecanismos de busca após a saída do Google do mercado, pode levar de dois a três anos para que as empresas chinesas desenvolvam modelos que sejam pelo menos 80% tão poderosos quanto o ChatGPT, segundo a empresa de pesquisa Third Bridge.

E, à medida que a China continua a cercar sua internet, a diferença entre ela e os líderes globais de IA, como os EUA, pode aumentar. Apenas quatro meses após o lançamento público do ChatGPT em novembro, a OpenAI lançou seu modelo de previsão de linguagem de próxima geração, o GPT-4, que possui capacidades mais sofisticadas, incluindo a habilidade de analisar imagens.

Uma placa na sede da Nvidia em Santa Clara, Califórnia / Foto: Getty Images via AFP

A falta de acesso da China aos melhores chips para treinamento de IA pode atrasar ainda mais seus esforços para alcançar os EUA, de acordo com Phelix Lee, analista de ações da Morningstar Asia.

A gigante americana de semicondutores Nvidia, que detém um virtual monopólio sobre chips de alta performance para IA, está proibida por Washington de exportar seus chips H100 e A100 para clientes na China. A empresa agora produz chips sob medida, de desempenho inferior, para o mercado chinês.

“O desenvolvimento de IA na China pode ser limitado pelas restrições dos EUA se o país não conseguir aumentar sua autossuficiência em hardware, e a gravidade dessa limitação depende de quão sofisticados os sistemas de IA se tornarão”, disse Lee.

A imensidão desse desafio pode ser ilustrada pela relutância das gigantes chinesas de tecnologia, com exceção da Baidu, em apresentar publicamente serviços semelhantes ao ChatGPT.

O Alibaba Group Holding, que investiu em grandes modelos de linguagem, não disse quando lançará seu próprio rival ChatGPT / Foto: Bloomberg

O Alibaba Group Holding, proprietário do South China Morning Post, ainda não forneceu um cronograma para o lançamento de um produto comercial baseado em seus grandes modelos de linguagem, apesar de investir em IA há anos.

A Tencent Holdings também não apresentou planos de lançamento, afirmando apenas que “continuará investindo em tecnologias de ponta”, como aprendizado de máquina.

Enquanto isso, a Baidu vê seu Ernie Bot constantemente comparado ao ChatGPT. As ações da empresa subiram 14% no dia de fevereiro em que anunciou planos de lançar um chatbot inteligente, mas caíram 10% no dia do lançamento do Ernie Bot, quando o fundador Robin Li Yanhong apresentou a tecnologia com vídeos pré-gravados em vez de uma demonstração ao vivo.

No mês passado, Li admitiu que o Ernie Bot estava cerca de “um ou dois meses” atrás do ChatGPT. No entanto, ele minimizou as implicações geopolíticas do Ernie Bot, afirmando que ele “não é uma ferramenta para a China competir contra os Estados Unidos”.

Sam Altman, CEO e cofundador da Open AI, fala durante um evento na sede da Microsoft em Redmond, Washington, em fevereiro / Foto: Bloomberg

Ainda é cedo para prever quanto de receita ou lucro as empresas podem gerar com ferramentas como o ChatGPT, já que as aplicações práticas desses chatbots ainda estão sendo exploradas, de acordo com Wang Kai, analista sênior de ações da Morningstar Asia.

“Estamos animados com as possibilidades, mas ainda precisamos descobrir exatamente como [os chatbots] serão monetizados”, disse ele.

A Baidu afirmou que deseja integrar o Ernie Bot em todos os seus negócios existentes, começando pelo mecanismo de busca, para “reformular a maneira como as informações são geradas e apresentadas”. A tecnologia eventualmente será usada para apoiar o alto-falante inteligente Xiaodu, a unidade de direção autônoma Apollo e a plataforma de vídeos iQiyi, informou a empresa.

Mais de 650 organizações chinesas anunciaram parcerias com o Ernie Bot, incluindo a marca de smartphones Honor, o site de reservas de viagens Ctrip, a montadora Geely Auto e os gigantes da eletrônica Lenovo Group e TCL, de acordo com a Baidu.

Ainda assim, mesmo com mais empresas de tecnologia chinesas aderindo à onda dos chatbots, muitas podem ver suas apostas custosas fracassarem, de acordo com Lu Yanxia, diretora de pesquisa na consultoria de tecnologia da informação IDC.

Apoiar-se exclusivamente em modelos de linguagem de grande porte não proporcionará uma vantagem sustentável para nenhuma empresa, escreveu Lu em uma nota de pesquisa em fevereiro. Segundo ela, tecnologias semelhantes ao ChatGPT terão um impacto limitado no mercado no momento, enquanto muitos modelos de IA relacionados podem até se tornar irrelevantes a longo prazo.

“A verdadeira revelação [do ChatGPT] é que esses modelos de linguagem evoluirão e contribuirão para o advento da IA geral, e que a aplicação desses modelos impulsionará uma mudança de paradigma no desenvolvimento de IA e reduzirá a cadeia da indústria”, concluiu a pesquisa.

Alguns especialistas foram além, pedindo que empresas de tecnologia e pesquisadores em todo o mundo suspendam o treinamento de modelos de IA mais poderosos do que o GPT-4.

O CEO da Tesla, Elon Musk, está entre dezenas de veteranos da indústria de tecnologia que assinaram uma carta aberta pedindo a interrupção do treinamento de modelos de IA mais inteligentes do que o GPT-4 / Foto: Getty Images/TNS

“Sistemas de IA com inteligência competitiva à humana podem representar riscos profundos para a sociedade e a humanidade”, escreveu o Future of Life Institute em uma carta aberta esta semana, assinada pelo fundador da Tesla, Elon Musk, pelo cofundador da Apple, Steve Wozniak, e por dezenas de outros veteranos da tecnologia.

“Devemos automatizar todos os trabalhos, inclusive os mais satisfatórios? Devemos desenvolver mentes não humanas que eventualmente possam nos superar em número, inteligência, nos tornar obsoletos e nos substituir?” questionou a carta.

“Essas decisões não devem ser delegadas a líderes tecnológicos não eleitos. Sistemas de IA poderosos devem ser desenvolvidos apenas quando estivermos confiantes de que seus efeitos serão positivos e seus riscos gerenciáveis”, concluiu.

Com informações de South China Morning Post*

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