investimento - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/investimento/ Portal de noticias e análises sobre política brasileira, geopolítica, economia, tecnologia, sempre numa perspectiva democrática, progressista, anti-imperialista e multipolar! Fri, 27 Mar 2026 18:44:21 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://www.ocafezinho.com/wp-content/uploads/2015/10/cropped-Logo_Cafezinho_tmb-32x32.png investimento - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/investimento/ 32 32 Volkswagen aposta alto na Rivian para liderar futuro elétrico https://www.ocafezinho.com/2026/03/27/volkswagen-aposta-alto-na-rivian-para-liderar-futuro-eletrico/ https://www.ocafezinho.com/2026/03/27/volkswagen-aposta-alto-na-rivian-para-liderar-futuro-eletrico/#respond Fri, 27 Mar 2026 17:02:54 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/03/27/volkswagen-aposta-alto-na-rivian-para-liderar-futuro-eletrico/ A parceria entre Volkswagen e Rivian redefine o cenário automotivo, impulsionando a inovação elétrica e desafiando o domínio tecnológico dos EUA.

A Volkswagen, gigante automotiva alemã, reafirma seu compromisso com a inovação ao investir mais US$ 1 bilhão na Rivian, uma promissora startup americana de veículos elétricos. Este movimento estratégico visa consolidar a posição da Volkswagen no mercado global de veículos elétricos.

A primeira fase desta colaboração já deu frutos. A Rivian e a Volkswagen completaram recentemente os testes de inverno do VW ID.EVERY1, o primeiro veículo fruto dessa joint venture, utilizando tecnologia desenvolvida pela Rivian. Este marco aproxima o lançamento do veículo no mercado e desbloqueia um investimento adicional da Volkswagen.

Deste novo aporte, cerca de US$ 750 milhões serão investidos em ações. O restante, US$ 250 milhões, pode ser aplicado como investimento em ações ou dívida conversível, dependendo dos protótipos fornecidos pela Volkswagen. Esta flexibilidade financeira demonstra a confiança mútua entre as empresas e suas ambições compartilhadas.

A parceria já resultou em um investimento de mais de US$ 3 bilhões pela Volkswagen. A partir de outubro, a Rivian poderá acessar até US$ 1 bilhão em empréstimos da Volkswagen. Além disso, um investimento adicional de US$ 460 milhões em ações ocorrerá após o lançamento do primeiro veículo da joint venture.

Este acordo, que pode alcançar US$ 5,8 bilhões, sublinha a importância estratégica da Rivian para a Volkswagen. A startup, liderada por RJ Scaringe, está prestes a lançar o R2 SUV, considerado seu produto mais importante. A Rivian aposta em uma rápida escalada da produção e vendas do R2 para solidificar sua posição no mercado.

Este movimento ocorre em um momento crucial para a indústria automotiva global. Com o foco crescente em sustentabilidade e energias limpas, a demanda por veículos elétricos está em ascensão. A aliança entre uma montadora estabelecida e uma startup inovadora exemplifica como a cooperação internacional pode acelerar o desenvolvimento tecnológico.

O investimento da Volkswagen na Rivian reflete uma tendência de diversificação e expansão das parcerias globais no setor automotivo. Ao unir forças com uma startup ágil, a Volkswagen busca aumentar sua participação de mercado e se posicionar na vanguarda da revolução dos veículos elétricos.

Para o Brasil e outros países do Sul Global, essa colaboração pode servir de modelo para parcerias estratégicas que impulsionem tecnologias sustentáveis. À medida que o mundo se move em direção a um futuro mais verde, a cooperação internacional será essencial para enfrentar desafios tecnológicos e ambientais.

Em suma, o investimento bilionário da Volkswagen na Rivian simboliza uma nova era de inovação e colaboração na indústria automotiva global. Essa aliança promete acelerar a transição para veículos elétricos e estabelecer novos padrões de sustentabilidade e eficiência.

Curadoria: Augusto Gomes | Redação: Afonso Santos

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MEC já investiu 71% dos recursos de infraestrutura para Rede Federal https://www.ocafezinho.com/2026/03/10/mec-ja-investiu-71-dos-recursos-de-infraestrutura-para-rede-federal/ https://www.ocafezinho.com/2026/03/10/mec-ja-investiu-71-dos-recursos-de-infraestrutura-para-rede-federal/#respond Tue, 10 Mar 2026 16:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=226923 Investimento de R$ 1 bi do Novo Pac do período de 2023 a fevereiro de 2026 em o objetivo de levar aos campis restaurantes estudantis, salas de aula, laboratórios, bibliotecas e quadras poliesportivas

O Ministério da Educação (MEC) alcançou, nesta semana, a marca de R$ 1 bilhão investido na melhoria e ampliação da infraestrutura das instituições que compõem a Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica.

O valor corresponde a mais de 71% do total de R$ 1,4 bilhão previsto para a ação de consolidação, viabilizada pelo Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC), do Governo do Brasil.

A iniciativa tem como foco dotar os campi que ainda não contam com infraestrutura completa que seja composta por restaurantes estudantis, salas de aula, laboratórios, bibliotecas e quadras poliesportivas. O investimento também inclui a construção de campi e reitorias em sedes próprias.

No período de 2023 a 23 de fevereiro de 2026, já foram concluídos 41 restaurantes estudantis — de um total de 270 previstos; 30 blocos de salas de aula; 17 quadras poliesportivas; dez sedes próprias de campi ou reitoria; oito laboratórios e duas bibliotecas. Diversas outras obras de infraestrutura, tais como de acessibilidade, reformas e adequações, também já foram entregues. Além disso, o investimento também contempla mobiliário, equipamentos e usinas fotovoltaicas.

Segundo o ministro da Educação, Camilo Santana, “este é um compromisso do governo do presidente Lula: concluir e entregar todas as obras e fortalecer a infraestrutura dos nossos campi. Desde 2023, estamos trabalhando para consolidar os institutos federais, garantindo a construção de restaurantes estudantis nos campi que ainda não contam com esse equipamento, além da implantação de bibliotecas, laboratórios e novas salas de aula. O objetivo é assegurar a infraestrutura necessária ao pleno funcionamento das unidades”.

O secretário de Educação Profissional e Tecnológica do MEC, Marcelo Bregagnoli, afirma que o investimento demonstra o fortalecimento da Rede Federal. “Essas ações de consolidação beneficiam diretamente milhares de estudantes nos institutos federais, centros federais de educação tecnológica e Colégio Pedro II, gerando mais oferta de cursos, mais qualidade no ensino, pesquisa, extensão e inovação, além de melhorar o ambiente de trabalho dos servidores e o atendimento à população”, afirma Bregagnoli.

Soma-se à consolidação a ação de expansão do Novo PAC, com a implantação de mais de 100 novos campi de institutos federais pelo Brasil. O investimento é de R$ 2,5 bilhões, com a meta de gerar mais de 142 mil novas vagas de educação profissional e tecnológica. Ao todo, o MEC investe R$ 3,9 bilhões para expansão e consolidação dos institutos.

Panorama

A Rede Federal conta, atualmente, com 686 unidades presentes em todos os estados e no Distrito Federal, e oferta, gratuitamente, cursos de qualificação profissional, técnicos, superiores e pós-graduação a mais de 1,9 milhão de estudantes. São mais de 10,1 mil cursos disponíveis, além de projetos de extensão para a comunidade e desenvolvimento de pesquisas aplicadas.

Publicado originalmente pela Agência Gov em 09/03/2026

Por Ministério da Educação

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Lucro das estatais cresce 22% e chega a R$ 136 bilhões até 3º trimestre de 2025 https://www.ocafezinho.com/2026/01/30/lucro-das-estatais-cresce-22-e-chega-a-r-136-bilhoes-ate-3o-trimestre-de-2025/ https://www.ocafezinho.com/2026/01/30/lucro-das-estatais-cresce-22-e-chega-a-r-136-bilhoes-ate-3o-trimestre-de-2025/#respond Fri, 30 Jan 2026 15:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=225237 Relatório do Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos traz comparativo com 2024. Empresas também elevaram investimento, que somou R$ 86 bilhões até setembro, alta de 34%

O ano de 2025 foi de lucros fortes e novo aumento do investimento das estatais federais. Até o terceiro trimestre de 2025, em comparação com igual período do ano passado, as empresas estatais federais registraram um faturamento de R$ 1,017 trilhão, resultado 6,3% superior ao de igual período de 2024. Na mesma comparação, o lucro obtido por essas companhias alcançou R$ 136,3 bilhões, desempenho 22,5% superior ao dos primeiros nove meses de 2024.

O investimento das companhias também cresceu, pelo terceiro ano consecutivo. No acumulado até o terceiro trimestre de 2025, o investimento realizado por essas companhias somou R$ 86,4 bilhões, um crescimento de 34,3% em relação ao mesmo período de 2024. Entre 2022 e 2024, o investimento das estatais federais já havia aumentado 87%, em termos nominais.

O boletim considera resultados de 39 das 44 estatais federais (estão fora cinco companhias cujos resultados do terceiro trimestre não festavam disponíveis até a conclusão do boletim). Entre as 27 estatais não dependentes do Tesouro, 24 já divulgaram o balanço contábil até setembro. Dessas, 21 registraram lucro e três, prejuízo.

Como produto dos bons resultados, no acumulado do terceiro trimestre, as estatais pagaram R$ 65,1 bilhões em dividendos e juros sobre capital próprio, sendo R$ 33 bilhões pagos à União e R$ 32,1 bilhões pagos aos demais acionistas.

Os dados referentes ao desempenho das estatais federais nos primeiros nove meses de 2025 foram publicados nesta quinta-feira no Boletim Trimestral da Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (Sest/MGI). O Boletim passa a ter periodicidade trimestral e será publicado para os 1º, 2º e 3º trimestres, enquanto o 4º trimestre, tendo em vista sua cumulatividade, será analisado em relatório anual. Considerando a portaria que normatiza os dados do Sistema Eletrônico de Informação das Estatais (Siest), os boletins serão publicados nos seguintes meses: 1º trimestre em agosto (30 dias após a data-limite da portaria); 2º trimestre em outubro (idem) e 3º trimestre em janeiro do ano seguinte.

O boletim trimestral da Sest traz resultados operacionais de 39 estatais que já apresentaram demonstrativos contábeis referentes ao terceiro trimestre de 2025. As empresas estatais também são anualmente analisadas no Relatório Agregado das Empresas Estatais Federais. O boletim trimestral representa um avanço ao consolidar trimestralmente as informações que já estão regularmente presentes no Panorama das Estatais e ao trazer um olhar agregado do conjunto das estatais. Junto com a divulgação do boletim está sendo disponibilizada uma planilha que permite olhar desagregado por empresa.

O governo federal possui 44 empresas estatais de controle direto, sendo 27 não dependentes e 17 dependentes. Entre as estatais não dependentes encontram-se Petrobras, as estatais do grupo financeiro (Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, BNDES, Banco do Nordeste entre outras), Dataprev, Correios, Serpro, entre outras. O boletim do terceiro trimestre não consolidou dados de cinco estatais (CBTU, Ceagesp, Ceasa Minas, CDRJ e CPRM) que não homologaram seus resultados no Siest até a data de elaboração do documento.

As estatais dependentes são aquelas que recebem recursos do Tesouro para custear suas operações. Entre as dependentes, destacam-se as empresas hospitalares dedicadas a atendimento especializado para o SUS (Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares/Ebserh. responsável por hospitais das universidades federais, Grupo Hospitalar Conceição/GHC e Hospital das Clínicas de Porto Alegre/HCPA) e a Embrapa. Juntas, essas estatais absorvem mais de 70% da subvenção do Tesouro para as empresas dependentes.

Confira o Boletim Trimestral Sest referente ao 3º Trimestre de 2025

Publicado originalmente pela Agência Gov em 29/01/2026

Por MGI

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Lula anuncia avanços na reforma agrária https://www.ocafezinho.com/2026/01/24/lula-anuncia-avancos-na-reforma-agraria/ https://www.ocafezinho.com/2026/01/24/lula-anuncia-avancos-na-reforma-agraria/#respond Sat, 24 Jan 2026 15:19:51 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=224970 Presidente apresenta pacote de medidas em ato que marca os 42 anos do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra. Entre as ações, compras de terras, cessão de imóveis da União e a criação de dez novos assentamentos

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou nesta sexta-feira (23) do encerramento do 14º Encontro Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST).

Durante o evento na Bahia, anunciou entregas do Programa Terra da Gente. O investimento total para as ações de Reforma Agrária é de R$ 2,7 bilhões.

Foram anunciadas a obtenção de terras por meio de compras de diversas fazendas em São Paulo, Pernambuco, Pará, Bahia, Maranhão e Sergipe, em milhares de hectares para o assentamento de famílias. Em seu discurso, o presidente destacou o compromisso com a redistribuição mais justa das terras.

“Quando tomei posse em 2023, chamei o ministro da Reforma Agrária e a presidência do Incra e disse a eles que eu desejava um levantamento de todas as terras no Brasil possíveis de serem disponibilizadas para Reforma Agrária. Aquelas que estavam em conflito, as que estavam sendo adjudicadas, as em que era necessário desapropriar, comprar ou fazer acordo, para que a gente pudesse fazer o máximo possível de assentamentos”, declarou.

Lula também ressaltou o empenho do governo para promover melhores condições de vida para as crianças, como as do movimento que o receberam na entrada do evento.

“Tenho fé em Deus de que essas crianças haverão de ter uma qualidade de vida melhor do que a que tivemos, mais educação do que nós, e que sejam mais respeitadas do que nós. Por isso, companheiros da direção dos Sem Terra, muito obrigado pela existência de vocês. Se não fossem vocês, o Brasil possivelmente não teria chegado aonde chegamos”.

A agenda incluiu a desapropriação de imóveis rurais em Minas Gerais, São Paulo, Mato Grosso e Rio Grande do Sul, além de um acordo judicial histórico no Paraná, que envolve R$ 584 milhões para regularizar 32.378 hectares e beneficiar 1.900 famílias. Também foi anunciada a criação de dez novos assentamentos, com destaque para áreas no Pará, Paraíba, Goiás e Sergipe.

Menos fome, mais desenvolvimento

O ministro Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar) lembrou que o presidente Lula recriou a pasta em 2023, contratou 700 servidores para o Incra e retomou a Reforma Agrária no Brasil. “Em três anos, temos deflação de alimentos no país. É o compromisso do presidente Lula com a soberania alimentar. Reforma Agrária para o presidente é terra, mas também é desenvolvimento, produção de alimentos, agroecologia, cooperativas, mecanização e apoio à chegada do mercado dos produtos da agricultura familiar. Quanto mais reforma agrária tivermos, menos fome e menos desigualdade social nós teremos no nosso país”, disse Teixeira.

Créditos

Outra entrega desta sexta-feira foi a formalização de contrato com a Caixa Econômica Federal para crédito habitacional que soma R$ 1,015 bilhão, atendendo cerca de 10 mil famílias. Houve, ainda, o anúncio de R$ 717 milhões do Orçamento Geral da União para crédito de instalação do Incra — destinado a atender cerca de 60 mil famílias em todo o país.

Educação

O governo também anunciou a ampliação orçamentária de 25% do Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera), totalizando R$ 61,9 milhões para todo o país, atendendo cerca de 33 mil famílias, e a inauguração de quatro novos cursos do programa na Bahia.

Rio Doce

Outro anúncio feito durante o ato diz respeito à ordem de pagamento para o início do Projeto de Retomada Econômica e Agroecológica dos Assentamentos do Rio Doce, no valor de R$ 49,9 milhões, para fortalecimento da produção, mecanização e agroindustrialização em 52 assentamentos na bacia do Rio Doce, atendendo 3.645 famílias.

Resumo das medidas, em sete pontos:

  1. Obtenção de terras por meio de compras de diversas fazendas nos seguintes estados: São Paulo, Bahia, Pará, Pernambuco, Sergipe e Maranhão, com milhares de hectares destinados para o assentamento de famílias;
  2. Desapropriação de imóveis rurais em São Paulo, Mato Grosso, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, mais um acordo judicial histórico no Paraná, no total de R$ 584 milhões, para regularizar 32.378 hectares, beneficiando 1.900 famílias;
  3. Criação de 10 novos assentamentos no Pará, Paraíba, Goiás e Sergipe;
  4. Anúncio de R$ 717 milhões do Orçamento Geral da União para crédito de instalação do Incra, que irá atender cerca de 60 mil famílias em todo o país;
  5. Formalização de contrato com a Caixa Econômica Federal para crédito habitacional, num total de R$ 1,015 bilhão, que irá atender cerca de 10 mil famílias;
  6. Ordem de pagamento para início do Projeto de Retomada Econômica e Agroecológica dos Assentamentos do Rio Doce. São R$ 49,9 milhões para fortalecimento da produção, mecanização e agroindustrialização de 3.645 famílias em 52 assentamentos na bacia do Rio Doce;
  7. Ampliação orçamentária de 25% do Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera), num total de R$ 61,9 milhões para atender cerca de 33 mil famílias em todo o país, além da inauguração de quatro novos cursos do programa na Bahia.

Publicado originalmente pela Agência Gov em 24/01/2026

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Áreas desmatadas na Amazônia e no Cerrado caem mais de 11% em 2025 https://www.ocafezinho.com/2025/11/01/areas-desmatadas-na-amazonia-e-no-cerrado-caem-mais-de-11-em-2025/ https://www.ocafezinho.com/2025/11/01/areas-desmatadas-na-amazonia-e-no-cerrado-caem-mais-de-11-em-2025/#respond Sat, 01 Nov 2025 11:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=220232 Fiscalização e investimentos são razões para os recordes, mas a meta de zerar desmatamento só com plano permanente

Às vésperas da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), o governo federal apresentou, nesta quinta-feira (30), bons resultados na área ambiental com reduções de mais de 11% no desmatamento tanto na Amazônia quanto no Cerrado. Na Amazônia, é o terceiro melhor resultado desde o início do monitoramento em 1988.

“Queremos liderar pelo exemplo”, disse a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, em entrevista coletiva na qual os dados foram anunciados. Marina destacou que a liderança vem também do Brasil ser o único país a definir a meta de zerar o desmatamento até 2030.

Segundo o Greenpeace, para atingir essa meta é ainda necessário um plano de ação global e permanente de proteção das florestas. “É fundamental estabelecer salvaguardas permanentes e institucionalizadas, que não dependam de ciclos ou disposição governamental, além de assegurar a implementação de planos de ação robustos para períodos de maior vulnerabilidade climática.”, afirma a porta-voz da frente de Desmatamento Zero do Greenpeace Brasil, Ana Clis Ferreira.

O Observatório do Clima emitiu uma nota definindo o resultado como “uma conquista da sociedade brasileira” e identificou duas lições e dois alertas.

A primeira é que o desmatamento zero está ao alcance e só depende de o governo e a sociedade. A segunda lição é que o o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) não é “contra o governo”. Já os alertas são: que as reduções ficarão mais difíceis daqui para a frente e mais dependentes de alternativas econômicas e que o controle de emissões de gases de efeito estufa precisará cada vez mais ser feito em outros setores.

Marcas históricas

Entre agosto de 2024 e julho de 2025, a área desmatada na Amazônia foi de 5.796 km², o que representa uma queda de 11,08% em relação ao período anterior, de agosto de 2023 a julho de 2024, segundo dados do sistema Prodes, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Esta é a terceira menor taxa da série histórica para a região, que começou a ser medida em 1988. É também o terceiro ano consecutivo de redução. O atual governo acumula 50% de queda do desmatamento no bioma amazônico em 2025 na comparação com 2022, último ano do governo Bolsonaro.

No Cerrado, o desmatamento no período foi de 7.235,27 km², o que equivale a uma queda de 11,49% em relação ao período de agosto de 2023 a julho de 2024. É o segundo ano consecutivo de redução, após cinco anos de alta, desde 2019.

Com o resultado, foi evitada a emissão de 733,9 milhões de toneladas de CO2, o valor equivale às emissões relativas a 2022 de Espanha e França somadas, segundo os cálculos do governo.

Fiscalização e combate ao incêndio

O governo aponta a fiscalização e os investimentos como as principais razões para os bons resultados.

“Estes resultados não são obra do acaso. A excelência do Inpe e o monitoramento de precisão que realizamos formam o alicerce que nos permite enxergar a realidade do nosso território”, afirmou a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos.

Na Amazônia, o Ibama ampliou em 81% o número de autos de infração relacionados à flora de 2023 a 2025 em comparação ao intervalo de 2020 a 2022, além de um crescimento 64% no número de multas e de 49% da área embargada.

No Cerrado, a aplicação de autos de infração relacionados à flora aumentou em 24% e as multas subiram 130%, com uma elevação de 26% da área embargada.

“O crime faz uma aliança perversa com a questão climático, por isso, temos mecanismos para restringir o acesso do crime ao mercado. Para que se perceba que o crime não compensa”, apontou Marina Silva.

Além da fiscalização, a retomada de investimentos e de doadores internacionais também colaborou. Apenas o Fundo Amazônia recebeu R$ 3,642 bilhões nos últimos três anos.

Publicado originalmente pelo Brasil de Fato em 30/10/2025

Edição: Luís Indriunas

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Ibovespa bate recorde e fecha acima dos 143 mil pontos em meio à expectativa por corte de juros nos EUA https://www.ocafezinho.com/2025/09/15/ibovespa-bate-recorde-e-fecha-acima-dos-143-mil-pontos-em-meio-a-expectativa-por-corte-de-juros-nos-eua/ https://www.ocafezinho.com/2025/09/15/ibovespa-bate-recorde-e-fecha-acima-dos-143-mil-pontos-em-meio-a-expectativa-por-corte-de-juros-nos-eua/#respond Mon, 15 Sep 2025 22:09:49 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=217397 O Ibovespa iniciou a semana em tom otimista, alcançando mais uma marca histórica e voltando a se aproximar dos 144 mil pontos nesta segunda-feira (15). O desempenho foi impulsionado, principalmente, pela aposta de que o Federal Reserve anunciará um corte nos juros na reunião desta semana, além de sinais internos que reforçam a chance de flexibilização da Selic a partir de 2026.

O principal índice da B3 encerrou o pregão em alta de 0,9%, aos 143.546,50 pontos, cravando novo recorde de fechamento. Durante o dia, chegou a atingir 144.193,58 pontos no melhor momento da sessão, também o maior patamar intradia já registrado. O volume financeiro somou R$ 17 bilhões. O dólar, por sua vez, recuou 0,59% e encerrou vendido a R$ 5,3220.

A expectativa sobre a decisão do Fed foi turbinada por declarações do ex-presidente Donald Trump, que voltou a pressionar Jerome Powell por cortes mais agressivos nos juros básicos. O encontro do Comitê de Mercado Aberto (Fomc) termina na quarta-feira (17), e a maioria do mercado aposta em uma redução de 0,25 ponto percentual, dos atuais 4,25% a 4,50%.

No cenário doméstico, os investidores também acompanham de perto a reunião do Copom, que deve manter a Selic em 15% nesta quinta-feira. A publicação do comunicado será observada em busca de sinais sobre a avaliação da autoridade monetária a respeito da atividade e da inflação. O IBC-Br, considerado uma prévia do PIB, reforçou o pessimismo ao mostrar retração de 0,5% em julho, acumulando a terceira queda seguida.

Apesar do recuo na atividade, analistas avaliam que o ambiente externo mais favorável e as projeções menores para inflação reforçam o espaço para cortes na Selic a partir de 2026. Economistas, no entanto, ponderam que uma valorização maior do real ou uma desaceleração mais forte da economia poderiam antecipar esse movimento ainda para 2025, embora o cenário base siga mais conservador.

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Investimento avançou 8,3% em 12 meses, segundo IBGE https://www.ocafezinho.com/2025/09/02/investimento-avancou-83-em-12-meses-segundo-ibge/ https://www.ocafezinho.com/2025/09/02/investimento-avancou-83-em-12-meses-segundo-ibge/#respond Tue, 02 Sep 2025 13:46:08 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=216654 O Produto Interno Bruto brasileiro cresceu 3,2% no acumulado dos últimos quatro trimestres até junho de 2025, resultado sustentado principalmente pelos investimentos e pela indústria de transformação. A Formação Bruta de Capital Fixo avançou 8,3% nesse período, mais que o dobro da média da economia, enquanto a indústria de transformação cresceu 3,6%, confirmando a retomada do setor após anos de estagnação.

Os dados foram divulgados hoje pelo IBGE.

No segundo trimestre isolado, o crescimento foi mais modesto, de 0,4% em relação ao trimestre anterior. O desempenho foi puxado pela agropecuária e pelas indústrias extrativas, setores que continuam garantindo produtividade e exportações. Já atividades dependentes de crédito, como a construção e a produção de bens de capital, registraram retração, impactadas diretamente pelo ambiente monetário restritivo. A taxa Selic permanece em 15% ao ano, um dos níveis mais altos do mundo. Além de encarecer o crédito e desestimular investimentos, esse patamar eleva o custo da dívida pública, ampliando as despesas com juros no orçamento federal.

O cenário externo também pressiona a economia. Os Estados Unidos impuseram tarifas de até 50% sobre quase 40% das exportações brasileiras, atingindo produtos estratégicos como café e carnes, apesar de exceções concedidas a outros setores. O tarifaço, somado à coerção diplomática de Washington contra o Supremo Tribunal Federal, impõe novos desafios ao Brasil no comércio internacional e no plano político.

Apesar disso, os indicadores internos mais recentes apontam sinais positivos. O desemprego caiu para 5,8% no trimestre encerrado em junho, segundo o IBGE, o menor nível desde o início da série histórica em 2012. O número de ocupados chegou a 102,3 milhões de pessoas, com avanço expressivo do emprego formal, que alcançou 39 milhões de trabalhadores com carteira assinada.

A inflação também mostra trajetória de alívio. O IPCA subiu apenas 0,26% em julho, levando a taxa acumulada em 12 meses para 5,23%, abaixo dos 5,35% registrados no mês anterior. O recuo foi impulsionado pela queda de 0,69% nos preços dos alimentos consumidos em domicílio, fator importante para o orçamento das famílias. Já o IPCA-15 de agosto registrou deflação de 0,14%, a primeira desde 2023, refletindo baixas em habitação, transportes e alimentação.

Esse movimento contrasta com os Estados Unidos, onde a inflação ao produtor surpreendeu em julho. O Bureau of Labor Statistics informou que o índice de preços ao produtor para a demanda final subiu 0,9% no mês, bem acima da expectativa de 0,2% levantada pela Reuters. O resultado indica aceleração nos custos de serviços e bens, reforçando a perspectiva de pressões inflacionárias na maior economia do mundo.

No plano político, a conjuntura brasileira manteve relativa estabilidade, apesar das turbulências causadas pelo julgamento de Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal. O processo polarizou o debate público, mas não comprometeu o funcionamento das instituições nem trouxe impactos imediatos aos indicadores econômicos.

O balanço do segundo trimestre mostra, portanto, uma economia que cresce pouco no curto prazo, pressionada por juros elevados e barreiras externas, mas que acumula avanços expressivos em investimentos e indústria no horizonte de 12 meses. Ao mesmo tempo em que o Brasil registra queda no desemprego e desaceleração da inflação, os Estados Unidos enfrentam sinais de aceleração dos preços ao produtor. A comparação ressalta a resiliência brasileira diante de um cenário global marcado por incertezas.

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Lula na inauguração de centro de inovação agroindustrial: sonho concretizado https://www.ocafezinho.com/2025/08/31/lula-na-inauguracao-de-centro-de-inovacao-agroindustrial-sonho-concretizado/ https://www.ocafezinho.com/2025/08/31/lula-na-inauguracao-de-centro-de-inovacao-agroindustrial-sonho-concretizado/#respond Sun, 31 Aug 2025 21:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=216479 Com financiamento do BNDES e integrante do Novo PAC, Acelen Agripark fará pesquisa e desenvolvimento da macaúba para produção de combustível sustentável

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou nesta sexta-feira, 29 de agosto, da inauguração do Centro de Tecnologia e Inovação Agroindustrial da empresa Acelen Renováveis, conhecido como Acelen Agripark, em Montes Claros, norte de Minas Gerais. O espaço reúne pesquisa, inovação e tecnologia para o desenvolvimento da macaúba, matéria-prima inovadora na produção do Combustível Sustentável de Aviação (SAF, na sigla em inglês) e Diesel Verde (HVO).

“Nós temos mais de 40 milhões de hectares de terra degradadas que a gente pode recuperar produzindo outras coisas que não aquilo que a gente já planta. Por isso, o dia de hoje é muito especial para mim, é a concretização de um sonho que está se transformando, definitivamente, em realidade. E eu vi a cara das jovens e dos jovens que trabalham nessa fábrica e eu, sinceramente, vi os olhos de pessoas que sonham”, destacou o presidente.

A construção do Acelen Agripark teve investimento de R$ 314 milhões, sendo R$ 258 milhões financiados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Social e Econômico (BNDES). O complexo integra o projeto de biocombustíveis da empresa, e prevê investimentos iniciais de US$ 3 bilhões na construção da primeira planta integrada, que incluem, além do Acelen Agripark, a construção de uma biorrefinaria na Bahia e o plantio de macaúba em terras degradadas, em Minas Gerais e na Bahia, entre outras infraestruturas. A expectativa é de que seja produzido 1 bilhão de litros de SAF por ano a partir de 2028. O projeto integra o Novo PAC do Governo Federal e tem previsão de 85 mil empregos em toda a cadeia produtiva, de acordo com estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Lula lembrou o pioneirismo do Brasil na produção de biocombustíveis, tecnologia que ele impulsiona desde o primeiro mandato na Presidência da República, iniciado em 2003. “O dado concreto é que aquela ideia do Roberto Rodrigues [ex-ministro da Agricultura] e da Dilma [Rousseff, ex-ministra de Minas e Energia], que vieram discutir comigo a questão do biodiesel, permite que a gente esteja hoje inaugurando uma empresa que está recebendo investimento em dez anos de 3 bilhões de dólares, o equivalente a quase R$ 16 bilhões”, contou. “E a gente está mostrando ao mundo que não tem volta. O Brasil será o campeão mundial nessa transição energética e de combustível renovável”, frisou.

Programa País

Alinhada às prioridades climáticas do país, o projeto consta na lista do Programa País do Brasil junto ao Fundo Verde do Clima, conforme anunciado pelo Ministério da Fazenda em 31 de julho de 2025. O espaço representa uma iniciativa para a produção de biocombustíveis a partir da macaúba, planta brasileira de alto poder energético, que visa impulsionar a descarbonização da aviação e do setor de transportes pesados.

Lei do Combustível do Futuro

Segundo o ministro Alexandre Silveira (Minas e Energia), o Acelen Agripark vai impulsionar a descarbonização dos setores aéreo e de transportes, um dos principais objetivos da Lei do Combustível do Futuro, desenvolvida pelo governo e sancionada pelo presidente Lula em 2024. Essa norma é decisiva para estruturar o mercado de SAF no Brasil, ao estabelecer metas obrigatórias de redução das emissões do setor aéreo a partir de 2027 e criar previsibilidade para novos investimentos.

“Por que nós somos imbatíveis? Porque produzir macaúba no Brasil é mais barato do que produzir em qualquer outra parte do mundo e o presidente Lula já enxergava isso. E, no projeto Combustível do Futuro, nós criamos mandato para o diesel verde, que é para onde vai a macaúba desses 180 mil hectares que plantaremos no norte de Minas e no sul da Bahia”, disse Silveira.

A legislação, portanto, impulsiona a atração de capital privado, o desenvolvimento de tecnologias a partir de diferentes matérias-primas, como soja, palma, macaúba e etanol, posicionando o Brasil como protagonista na transição energética da aviação. Os biocombustíveis, como o SAF, têm potencial de redução de até 80% das emissões de CO2. “Tenho muito orgulho do Combustível do Futuro”, pontuou Lula.

Investimentos Estrangeiros

Considerando que a Acelen Renováveis é uma empresa de energia criada pelo fundo de Investimentos Mubadala Capital, dos Emirados Árabes Unidos, o senador Rodrigo Pacheco exaltou as características brasileiras que atraem investimentos estrangeiros. “O nosso país deve ser reconhecido como um país capaz de receber e dar segurança a esses investimentos, porque temos instituições que funcionam na nossa democracia. Isso fez com que os Emirados Árabes Unidos, através de suas instituições, de seus fundos, de suas empresas, investissem e acreditassem no nosso país”, declarou.

Desenvolvimento

Luiz de Mendonça, CEO da Acelen Renováveis, destacou a integração do Centro com o Novo PAC e agradeceu o esforço federal na implementação do Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura (REIDI). “Aproveito para registrar o nosso agradecimento especial ao Governo Federal pelo esforço na implementação do REIDI assim como ao BNDES, que acreditou neste projeto e viabilizou o financiamento ao Acelen Agripark. Ressalto que o Regime Especial suspende tributos que irão viabilizar grandes projetos”, afirmou.

O trabalho no Acelen Agripark será orientado pelo mapeamento de maciços com maior potencial de produção de óleo, formando o banco de germoplasma para seleção das melhores plantas, clonagem e melhoramento genético. O centro atuará no desenvolvimento de processos para ganhos de eficiência e produtividade, incluindo protocolos de germinação, produção de mudas, automação para redução de perdas e custos, cultivos experimentais voltados à adaptação da espécie e aumento do rendimento do óleo. Além disso, há a construção de planta piloto e unidades para extração, caracterização e processamento de óleo e coprodutos. Os avanços começam a gerar resultados: no início deste ano, a equipe agroindustrial da Acelen Renováveis realizou a primeira extração industrial de óleo de macaúba.

O prefeito de Montes Claros (MG), Guilherme Guimarães, celebrou a instalação do empreendimento na cidade. “A gente quer Montes Claros e o norte de Minas participando ativamente na verdadeira sustentabilidade mundial. Esse é um projeto que casa muito bem com essa região”, disse.

Inclusão

Durante o evento, foi lançado o Programa Valoriza, que promoverá a inclusão produtiva no campo por meio de parcerias com produtores locais e agricultores familiares. Baseado em estudos técnico-econômicos e socioambientais conduzidos pela FGV Europe, o Programa Valoriza prevê, em sua primeira fase, o cultivo de 36 mil hectares — 20% da área total planejada, que é de 180 mil hectares. A estimativa é de 1 milhão de toneladas/ano de frutos frescos. Com previsão de plena implementação até 2026, esse deve se tornar um vetor de desenvolvimento regional, recuperando áreas degradadas, gerando renda e fortalecendo a agricultura familiar.

Agricultores

No lançamento dessa iniciativa de inclusão, Eunice Soares de Machado Costa, 60 anos, a Dona Nice, representou os agricultores de Montes Claros. Integrante da Copper Riachão desde 1992, quando começou a associação, ela se tornou referência, com o sobrinho Vlaney, no restabelecimento da cooperativa em 2021, após dois anos de paralisação devido à pandemia. Dona Nice tem mais de 20 anos de dedicação ao cultivo da macaúba.

Macaúba

A macaúba é uma planta brasileira de alto poder energético, de sete a dez vezes mais produtiva por hectare plantado em comparação à soja. Os biocombustíveis a partir da macaúba têm potencial para reduzir 80% das emissões de CO2, em comparação aos combustíveis fósseis – isso sem considerar o sequestro de carbono. Em maio deste ano, a Acelen Renováveis iniciou o plantio das mudas de macaúba na fazenda-modelo, no município de Cachoeira, na Bahia. Na primeira etapa, foram 198 hectares cultivados e cerca de 90 mil mudas plantadas. O projeto tem o objetivo de criar oportunidades econômicas e sociais desde a germinação da semente até a distribuição dos combustíveis, tornando-o um vetor de desenvolvimento sustentável.

Publicado originalmente pela Agência Gov em 29/08/2025

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Exportações, emprego e investimentos tendem a recuar devido a tarifaço https://www.ocafezinho.com/2025/08/21/exportacoes-emprego-e-investimentos-tendem-a-recuar-devido-a-tarifaco/ https://www.ocafezinho.com/2025/08/21/exportacoes-emprego-e-investimentos-tendem-a-recuar-devido-a-tarifaco/#respond Thu, 21 Aug 2025 11:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=215780 É o que indica a Sondagem Industrial da CNI

O tarifaço norte-americano contra produtos brasileiros pode fazer com que, pela primeira vez em 21 meses, as exportações do Brasil apresentem queda. O mesmo deverá ocorrer com investimentos e com os índices de emprego na indústria nacional.

A projeção consta da Sondagem Industrial, divulgada nesta quarta-feira (20) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Segundo o levantamento, o índice que mede a expectativa de exportações da indústria para os próximos seis meses recuou 5,1 pontos em agosto, caindo para 46,6 pontos.

Quando abaixo de 50 pontos, o indicador sinaliza que os empresários esperam queda na quantidade exportada pelo setor.

“A piora das expectativas de exportações da indústria está muito relacionada a incertezas do cenário externo, principalmente em função da nova política comercial americana”, resume a analista da CNI, Isabella Bianchi.

Emprego em queda e produção alta

Segundo a CNI, os reflexos das medidas anunciadas pelos Estados Unidos colaboraram para o recuo do número de empregados industriais, observado em julho de 2025, apesar de o contexto ser de aumento de produção no setor.

“Após recuar dois pontos em agosto, o índice de expectativa de número de empregados caiu para 49,3 pontos. Isso significa que os empresários acreditam que a quantidade de postos de trabalho no setor não vai mais subir nos próximos seis meses”, informou a CNI referindo-se à queda na quantidade de trabalhadores entre junho e julho.

O índice de evolução da produção ficou em 52,6 pontos em julho. Acima dos 50 pontos, este índice representa aumento da produção industrial em comparação a junho.

“Os índices de expectativa de demanda e de compra de insumos e matérias primas caíram em agosto. O primeiro encolheu 2,3 pontos indo para 53,1 pontos; o segundo, recuou 1,6 ponto, para 52,1 pontos”, anunciou a CNI.

“No entanto, como continuam acima da linha de 50 pontos, indicam perspectiva de crescimento para os próximos meses, ainda que em menor grau do que em julho”, complementou.

Investimento e UCI

Os empresários também estão menos propensos a investir. O índice de intenção de investimento recuou 1,6 ponto e foi para 54,6 pontos. Trata-se do menor valor para o indicador desde outubro de 2023. Ainda assim, o índice está 2,1 pontos acima da média histórica de 52,5 pontos.

O levantamento mostra estabilidade, em 71%, da Utilização da Capacidade Instalada (UCI) permaneceu em 71%.

Este percentual, explica a CNI, é o mesmo observado em julho de 2024, e está dois pontos percentuais acima do anotado em julho de 2023, quando marcou 69%.

Estoques estáveis

Foi também observada estabilidade – em 50,1 pontos – no índice que mede a evolução do nível de estoques.

Quanto ao índice de estoque efetivo em relação ao planejado, foram observados 49,9 pontos, “revelando que os estoques estão ajustados ao planejado pelos empresários industriais”.

A Sondagem Industrial consultou 1.500 empresas. Destas, 601 foram de pequeno porte; 518 de médio porte; e 381 de grande porte A pesquisa foi realizada entre 1º e 12 de agosto de 2025.

Publicado originalmente pela Agência Brasil em 20/08/2025

Por Pedro Peduzzi – Repórter da Agência Brasil – Brasília

Edição: Kleber Sampaio

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Montadora GWM vai investir R$ 10 bilhões até 2032 https://www.ocafezinho.com/2025/08/16/montadora-gwm-vai-investir-r-10-bilhoes-ate-2032/ https://www.ocafezinho.com/2025/08/16/montadora-gwm-vai-investir-r-10-bilhoes-ate-2032/#respond Sat, 16 Aug 2025 19:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=215389 Fábrica criará 900 postos de trabalho neste ano e terá 60% de conteúdo nacional até 2026

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, participaram nesta sexta-feira (15/8) da inauguração de fábrica automotiva da Great Wall Motor (GWM) em Iracemápolis, interior de São Paulo. A GWM é a maior montadora de capital privado da China e a primeira habilitada no Programa MOVER para produção de carros híbridos plug-in (PHEV) no Brasil.

A expectativa é de que 900 novos postos de trabalho sejam gerados até o final do ano, com mais de 100 fornecedores locais já cadastrados. Até 2026, quando a produção deverá ter 60% de conteúdo nacional, a montadora estima um investimento de R$ 4 bilhões. De 2027 a 2032, são previstos mais R$ 6 bilhões.

“Façam do Brasil uma plataforma para vocês venderem o produto de vocês na América Latina. E contem com o governo brasileiro, que o que pudermos fazer para que outras empresas e indústrias venham para cá, para gerar empregos, a gente vai fazer”,disse Lula ao presidente da GWM, Mu Feng

Para Alckmin, a chegada da GWM reforça os objetivos da Nova Indústria Brasil (NIB), que visa modernizar a base produtiva, promover a transição ecológica e ampliar a competitividade do setor. “A GWM é campeã da inovação e contará com um centro de pesquisa, desenvolvimento e inovação, além de um centro de provas em parceria com a Bosch”, destacou.

O ministro ainda lembrou que a indústria automotiva tem uma cadeia longa, capaz de gerar milhares de empregos indiretos.

“A GWM tem incentivado toda a cadeia produtiva, como a indústria de autopeças, e nós temos os melhores trabalhadores e trabalhadoras do mundo. Tão bons que um trabalhador da indústria virou presidente da República”, disse Alckmin, fazendo referência a Lula

A nova fábrica conta com capacidade inicial para produção de 30 mil veículos por ano, com meta de chegar a 50 mil/ano. A montadora terá como foco a produção de híbridos e elétricos da linha Haval, H6, Poer e H9. Pelo programa Mover, a empresa deve investir em P&D e qualificação profissional, além de cumprir requisitos de eficiência energética, segurança veicula e conteúdo local. Em troca, a GWM ganhará créditos tributários.

Em 2024, a indústria automotiva cresceu 9,7% em relação a 2023, com a produção de 2,5 milhões de veículos. Hoje, o Brasil é o 7º maior mercado automotivo do mundo e o 8º em produção.

As exportações de veículos de passeio somaram US$ 4,2 bilhões em 2024, tendo Argentina, México, Colômbia, Uruguai e Chile como os principais destinos. A indústria automotiva emprega aproximadamente 130 mil pessoas no país, além de mais de 1 milhão de empregos indiretos.

Publicado originalmente pela Agência Gov em 15/08/2025

Por MDIC

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China irá investir bilhões no Brasil até 2032 https://www.ocafezinho.com/2025/07/12/china-ira-investir-bilhoes-no-brasil-ate-2032/ https://www.ocafezinho.com/2025/07/12/china-ira-investir-bilhoes-no-brasil-ate-2032/#respond Sat, 12 Jul 2025 23:56:09 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=212705 O tarifaço imposto por Donald Trump a quase todos os países do mundo causou um furor econômico que não se via há muito tempo. Esse caos levou a maioria das nações afetadas a buscar alternativas para sustentar suas balanças comerciais. Os BRICS e principalmente a China, que detém a segunda maior economia mundial, vislumbraram o distanciamento dos EUA como uma oportunidade de fortalecer o sul global.

O Brasil, buscando fortificar o mercado interno, está usando o momento de crise para criar laços com Beijing, o principal parceiro comercial do Brasil, conquistando investimentos que abarcam setores-chave da nossa economia. A China responde por 28% do valor total exportado e por 41,4% do superavit comercial do nosso país e as áreas de mobilidade, energia renovável, tecnologia, mineração e semicondutores serão as mais desenvolvidas.

Confira as principais empresas que anunciaram invenstimentos no Brasil:

GWM – Montadora

A Great Wall Motors (GWM) anunciou R$ 6 bilhões para expandir sua operação no Brasil entre 2027 e 2032, com o lançamento de dois novos modelos nacionais. O valor se soma aos R$ 4 bilhões já aplicados entre 2022 e 2025 para reativar uma fábrica em Iracemápolis (SP).


Meituan – Delivery

Líder em entregas na China, a Meituan vai entrar no mercado brasileiro sob a marca Keeta, já presente em Hong Kong e na Arábia Saudita. O investimento supera R$ 5 bilhões nos próximos cinco anos, com previsão de gerar cerca de 100 mil empregos indiretos. A empresa também deve instalar uma central de operações no Nordeste.


Envision Energy – Energia renovável

A Envision Energy vai investir R$ 5 bilhões na construção do primeiro Parque Industrial Net-Zero da América Latina, no Rio de Janeiro. A unidade será voltada à produção de combustível sustentável de aviação (SAF), hidrogênio verde e amônia verde.


CGN – Energia

A China General Nuclear (CGN) vai investir R$ 3 bilhões em um hub de energia renovável no Piauí. O projeto envolve geração eólica, solar e armazenamento, com capacidade prevista de até 1,4 GW e mais de 5 mil empregos na fase de construção.


Mixue – Alimentação

A rede de fast food Mixue vai iniciar operações no Brasil com um investimento de R$ 3,2 bilhões. A empresa usará frutas brasileiras para produzir sorvetes e bebidas geladas como chás. A expectativa é abrir lojas começando por São Paulo e criar 25 mil empregos até 2030.


Baiyin Nonferrous – Mineração

A mineradora Baiyin Nonferrous adquiriu a brasileira Vale Verde por R$ 2,4 bilhões, impulsionada pela alta demanda chinesa por cobre. A unidade poderá produzir anualmente:

  • 400 mil toneladas de cobre
  • 400 mil de chumbo e zinco
  • 15 toneladas de ouro
  • 500 toneladas de prata

Longsys/Zilia – Tecnologia

A Longsys, por meio da subsidiária Zilia, vai investir R$ 650 milhões para ampliar as fábricas em Atibaia (SP) e Manaus (AM). O foco está na montagem de dispositivos eletrônicos, semicondutores e de memória (DRAM e Flash).


DiDi/99 – Mobilidade e logística

A controladora do app 99, DiDi, anunciou R$ 1 bilhão para relançar o serviço de entregas 99Food e investir na eletrificação da frota. A empresa pretende instalar cerca de 10 mil pontos de recarga no país.


Outras parcerias Brasil-China

Além dos investimentos diretos, há acordos estratégicos entre essas empresas:

  • Nortec Química + empresas chinesas: R$ 350 milhões em insumos farmacêuticos
  • Raízen + SAFPAC: Produção de combustível sustentável de aviação (SAF) na China
  • Fiocruz + Biomm: Produção nacional de insulina para até 16 milhões de brasileiros
  • ABES + ZGC: Cooperação em inteligência artificial, dados e capacitação
  • Eurofarma + Sinovac: Criação do Instituto Brasil-China de Biotecnologia
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Atenção primária do SUS tem reforço de quase quatro mil novas equipes e serviços https://www.ocafezinho.com/2025/05/27/atencao-primaria-do-sus-tem-reforco-de-quase-quatro-mil-novas-equipes-e-servicos/ https://www.ocafezinho.com/2025/05/27/atencao-primaria-do-sus-tem-reforco-de-quase-quatro-mil-novas-equipes-e-servicos/#respond Tue, 27 May 2025 17:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=209556 Com investimento previsto de R$ 362 milhões neste ano, iniciativa contempla equipes multiprofissionais, novos polos da Academia da Saúde e serviços odontológicos, entre outros

O Governo Federal, por meio do Ministério da Saúde, ampliou o acesso e a oferta de cuidados para a população ao credenciar 3.953 novas equipes, serviços, programas e incentivos em 1.878 municípios brasileiros. Os profissionais atuarão em atendimentos de atenção primária, o primeiro contato do cidadão com o Sistema Único de Saúde (SUS).

Neste ano serão aplicados recursos da ordem de R$ 362 milhões e, em 2026, serão R$ 640,4 milhões. Os municípios têm até o mês de junho para concluir o cadastro das novas equipes no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES).

Os novos credenciamentos são de equipes de Saúde da Família (410), de Saúde da Família Ribeirinha (3), de Atenção Primária (510), de Saúde Bucal (893), de Atenção Primária Prisional (3) e de Consultório na Rua (11), além das multiprofissionais (eMulti), que concentram a maior quantidade: 1.216 novas eMulti. No total, são 3.046 novas equipes, a maioria delas atuando nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs). Somadas aos novos serviços, programas e incentivos chega-se aos 3.953 credenciamentos.

Unidades Fluviais

A ampliação dos serviços ainda contempla o credenciamento de outras estratégias, entre elas, 2 novas Unidades Básicas de Saúde Fluvial (UBSFs). Essas grandes embarcações adaptadas para a assistência em saúde têm como objetivo atender as populações ribeirinhas da Amazônia Legal e do Pantanal Sul-Mato-Grossense.

Incentivo Financeiro

Além disso, foi publicada no Diário Oficial da União uma portaria relativa a incentivo financeiro destinado aos municípios que contam com residentes integrando equipes da atenção primária à saúde (APS). Ao todo, foram registradas 344 novas adesões ao Programa de Formação Profissional da APS, que abrange médicos, enfermeiros e cirurgiões-dentistas. Também foram habilitados quatro municípios para receber o custeio de ações de atenção integral à saúde de 184 adolescentes em conflito com a lei, em regime de internação ou semiliberdade.

Saúde da Família

Atualmente, o país conta com um total de 53.795 equipes de Saúde da Família homologadas e pagas pelo Ministério da Saúde. A centralidade da Estratégia Saúde da Família (ESF) na organização da atenção primária tem orientado as principais iniciativas de credenciamento do Governo Federal. Todas as estratégias são estruturadas a partir da presença e expansão das equipes de Saúde da Família nos territórios.

Brasil Sorridente

Além das equipes de Saúde Bucal que atuam junto às equipes de Saúde da Família, a portaria contempla o cofinanciamento de 3 novas unidades odontológicas móveis, 105 serviços especializados em Saúde Bucal, 22 Centros de Especialidades Odontológicas e 61 Laboratórios Regionais de Próteses Dentárias. Os novos serviços ampliam a cobertura da Política Nacional de Saúde Bucal – o Brasil Sorridente no SUS – e têm o potencial de impactar mais de 3 milhões de pessoas.

Atividade Física

Também foram credenciados 366 novos polos do Programa Academia da Saúde , com impacto previsto de R$ 7,6 milhões em 2025 e de R$ 13,1 milhões em 2026. Lançada em 2011, essa estratégia funciona a partir da implantação de espaços públicos (polos) onde são ofertadas práticas corporais e atividades físicas para a população, com o acompanhamento de profissionais qualificados. O Programa Academia da Saúde ainda promove alimentação saudável, práticas integrativas e complementares (Pics), atividades artísticas e culturais e educação em saúde, entre outras ações. As regiões com as maiores concentrações de estratégias credenciadas, de acordo a portaria, são o Sudeste (1.589) e o Nordeste (1.169); seguidos pelo Sul (631), Norte (287) e Centro-Oeste (277).

Cadastro no CNES

Os municípios têm até três competências para cadastrar as novas equipes credenciadas no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES), conforme as normas vigentes. Os prazos, portarias e homologações podem ser acompanhados no Painel de Novos Credenciamentos da Atenção Primária à Saúde.

Publicado originalmente pela Agência Gov em 27/05/2025

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Em abril, Bolsa Família chega a mais de 20,48 milhões de lares. Pagamento começa hoje (15) https://www.ocafezinho.com/2025/04/15/em-abril-bolsa-familia-chega-a-mais-de-2048-milhoes-de-lares-pagamento-comeca-hoje-15/ Tue, 15 Apr 2025 13:33:11 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=206762 Investimento do Governo Federal é de cerca de R$ 13,7 bilhões. Cronograma das transferência segue o dígito final do NIS da família. Entre os contemplados estão 16,23 milhões de crianças de até 11 anos e 7,65 milhões de adolescentes entre 12 e 17 anos

O Programa Bolsa Família ( PBF) inicia os pagamentos de abril nesta terça-feira (15/4). Com investimento superior a R$ 13,66 bilhões do Governo Federal, por meio do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), mais de 20,48 milhões de famílias serão contempladas pelo programa neste mês. O benefício médio é de R$ 668,73. O cronograma das transferência é estipulado seguindo o último dígito do Número de Identificação Social (NIS) da família.

Confira aqui a lista de municípios

Ao todo, são cerca de 53,8 milhões de pessoas contempladas, em todos os municípios do País. Entre elas, estão 16,23 milhões de crianças de até 11 anos e outros 7,65 milhões de adolescentes entre 12 e 17 anos.

Os repasses são feitos de modo escalonado, conforme o dígito final do Número de Identificação Social (NIS), sempre nos dez últimos dias úteis de cada mês. A exceção do calendário fica por conta dos municípios em situação de emergência ou estado de calamidade pública reconhecido.

Distribuição

Por regiões, o Bolsa Família fica distribuído da seguinte forma: 2,61 milhões de famílias nos estados do Norte compõem o programa. Com o maior benefício médio do país, R$ 704,41, o investimento na região é de mais de R$ 1,84 bilhão.

O Nordeste soma 9,4 milhões de famílias atendidas pela transferência de renda, maior número entre as regiões. O valor encaminhado para os estados nordestinos é de R$ 6,26 bilhões. As famílias recebem um benefício médio de R$ 667,12.

No Sudeste, são 5,91 milhões de lares contemplados pelo programa. O benefício médio é de R$ 657,60 neste mês. Ao todo, o Bolsa Família injeta R$ 3,86 bilhões na região.

O Sul concentra 1,44 milhão de famílias atendidas que, juntas, vão receber mais de R$ 950,72 milhões em recursos do Governo Federal. O benefício médio na região é de R$ 658,57.

No Centro-Oeste, o Bolsa Família chega a mais de 1,1 milhão de lares. A partir de um valor médio de R$ 670,48 por família, o investimento do programa para a população da região é de R$ 740,04 milhões.

Características

O adicional de R$ 150 pelo Benefício Primeira Infância (BPI) é pago a 9,01 milhões de famílias neste mês. Ao todo, o MDS transfere R$ 1,26 bilhão para grupos familiares com crianças na faixa de até sete anos incompletos.

O programa soma cerca de 15,16 milhões de crianças e adolescentes entre sete anos e 18 anos incompletos. Com um repasse adicional de R$ 50 por família, o investimento para este público é de R$ 683,06 milhões em abril.

As famílias de mais de 660,98 mil mulheres grávidas também recebem R$ 50 a mais de recurso. Ao longo do calendário de abril, serão repassados R$ 30,56 milhões pelo Benefício Variável Gestante (BVG).

Ainda neste mês, o Benefício Variável Nutriz (BVN), no valor de R$ 50, soma R$ 14,68 milhões para 306,63 mil lares com pessoas responsáveis por alimentar crianças de até seis meses.

Cuidados para elas

A transferência de renda do Governo Federal prioriza mulheres e crianças. Em abril, das mais de 53,8 milhões de pessoas que integram o Bolsa Família, 31,38 milhões são meninas e mulheres, cálculo que representa 58,36% do público geral do programa.

Entre os mais de 20,48 milhões de domicílios contemplados, cerca de 17,14 milhões de famílias são chefiadas por mulheres. O dado corresponde a 87% de famílias atendidas pela transferência de renda.

Grupos especiais

Neste mês, o programa segue alcançando mais as famílias negras: 47,45 milhões das pessoas beneficiárias estão inscritas no Cadastro Único como de cor preta ou parda. Elas somam mais de 73,5% das famílias atendidas.

Outras 243 mil são famílias com pessoas indígenas, enquanto 283,17 mil são famílias com pessoas quilombolas. O Bolsa Família também é repassado a 379,84 mil famílias com pessoas catadoras de material reciclável e outras 238,35 mil famílias com pessoas em situação de rua.

Proteção

Além disso, mais de 3,05 milhões de famílias estão na regra de proteção, recebendo em média R$ 366,77. As famílias entram nessa situação após terem um aumento de renda superior a R$ 218 por pessoa, mas sem alcançarem meio salário mínimo per capita.

Com a medida, elas continuam tendo apoio do Bolsa Família pelo período de até dois anos, recebendo 50% do valor do benefício a que têm direito, incluindo os adicionais por gestantes, nutrizes, crianças e adolescentes.

Cronograma

Os repasses do Bolsa Família são feitos sempre de maneira escalonada. Em abril, os pagamentos iniciam nesta terça-feira (15.04), quando os beneficiários com Número de Identificação Social (NIS) final 1 podem movimentar o recurso.

Famílias que vivem em municípios em situação de emergência ou estado de calamidade reconhecido pelo Governo Federal também podem acessar o Bolsa Família no primeiro dia do calendário de pagamento.

Quem tem o 2 como último dígito do NIS recebe no dia útil seguinte, quarta-feira (16.04), e assim por diante. As transferências seguem até o dia 30, quando recebem os beneficiários com NIS final zero. As transferências ocorrem nos últimos dez dias úteis de todos os meses.

Publicado originalmente pela Agência Gov em 15/04/2025

Por MDS

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Rede de universidades e institutos recebe investimento para pesquisar terras raras https://www.ocafezinho.com/2025/04/05/rede-de-universidades-e-institutos-recebe-investimento-para-pesquisar-terras-raras/ Sat, 05 Apr 2025 19:02:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=206061 Ligado ao Governo Federal, o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia, formado por 15 entidades de pesquisa, recebe aporte de R$ 10 milhões

O Serviço Geológico do Brasil (SGB) integra o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) – Materiais Avançados à Base de Terras Raras: Inovações e Aplicações, que receberá um investimento de R$ 10,2 milhões ao longo de cinco anos para impulsionar o desenvolvimento de materiais inovadores à base de terras raras. A iniciativa fortalecerá a soberania tecnológica do Brasil, com impactos diretos em energia renovável, armazenamento de energia e produção de materiais avançados.

Os minerais terras raras são considerados todos aqueles que possuem utilidade como matéria prima para a indústria produzir uma série de materiais distintos, ligados a produtos de alta tecnologia ou a formas de produção inovadoras.

A coordenadora do projeto Terras Raras do SGB, Lucy Takehara, destaca que a participação do SGB no instituto fortalece o intercâmbio e a cooperação científica com centros de excelência, aprimora a qualidade das pesquisas e evidencia a competência técnica da instituição. Além disso, impulsiona os estudos sobre terras raras e a formação de especialistas qualificados.

Takehara ressalta ainda que essa parceria não apenas fomenta os estudos sobre terras raras, mas também contribui diretamente para a capacitação de especialistas altamente qualificados, promovendo avanços estratégicos para o setor.

Segundo o professor Sérgio Michielon de Souza, coordenador do projeto, “além de impulsionar a ciência nacional, essa iniciativa permite formar especialistas e desenvolver tecnologias inovadoras diretamente na Amazônia, contribuindo para a independência do país em setores estratégicos”.

A iniciativa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) é coordenada pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e marca o primeiro INCT da instituição, fortalecendo a pesquisa científica e tecnológica na região Norte.
Colaboração entre instituições de referência

O INCT é formado por uma rede de pesquisa colaborativa, reunindo 15 instituições de ponta, incluindo o SGB. Além de promover avanços no conhecimento sobre minerais estratégicos, essa iniciativa estimula o intercâmbio científico e a formação de pesquisadores altamente qualificados. As instituições participantes são:

• Serviço Geológico do Brasil (SGB)
• Universidade Federal do Amazonas (UFAM)
• Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT)
• Centro de Tecnologia Mineral (CETEM)
• Universidade Federal do ABC (UFABC)
• Universidade de São Paulo (USP)
• Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)
• Universidade Federal de Catalão (UFCAT)
• Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear (CDTN/CNEN)
• Universidade Federal do Espírito Santo (UFES)
• Instituto Federal do Amazonas (IFAM)
• Faculdade SENAI de São Paulo (SENAI-SP)
• Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA)
• Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)
• Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN/CNEN)

Com a participação do SGB, o Instituto reforça a pesquisa e a inovação na área de terras raras, consolidando o Brasil como protagonista no desenvolvimento sustentável e tecnológico desses materiais essenciais.

Publicado originalmente pela Agência Gov em 04/04/2025

Por Serviço Geológico do Brasil

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‘É a qualidade de vida de um povo que garante a soberania de um País’, diz Lula https://www.ocafezinho.com/2025/03/20/e-a-qualidade-de-vida-de-um-povo-que-garante-a-soberania-de-um-pais-diz-lula/ Thu, 20 Mar 2025 23:02:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=204718 Presidente visitou a fábrica da Toyota, em Sorocaba (SP), e destacou o crescimento do setor nos primeiros dois anos de governo

O presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva esteve, nesta terça-feira (18/3), em visita à fábrica da empresa automotiva Toyota, em Sorocaba (SP). Na ocasião, Lula destacou o crescimento do setor automotivo nos primeiros dois anos de governo. “Quando vocês têm dinheiro no bolso as coisas começam a funcionar. Nós já chegamos este ano a emplacar no final de 2024, 2,6 milhões de carros. E eu quero chegar a 3,6 milhões até o ano que vem. E quero chegar a quatro no outro ano”, disse Lula ao lembrar que ao assumir este mandato, em 2023, o Brasil emplacava apenas 1,6 milhão de carros por ano.

“Quando eu deixei a presidência, dia 1º de janeiro de 2011, o Brasil emplacava 3,6 milhões de carros por ano. Quando voltei em 2023, o Brasil emplacava 1,6 milhão. Isso significou o que? Mais desemprego, menos salário, menos comércio, menos circulação de dinheiro. Então, quando nós voltamos, qual é o meu desejo? Fazer a indústria crescer, o comércio crescer, fazer crescer o salário das pessoas”, afirmou Lula.

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, também mencionou o crescimento expressivo apresentando pelo setor nos últimos anos. “A indústria que vinha encolhendo nos últimos 10 anos, perdendo emprego, diminuindo, com o presidente Lula, voltou. Nós estamos batendo recorde de crescimento da indústria. A indústria [automotiva] que vinha caindo cresceu quase 10%, e a venda de veículos, 14,1%. A média da indústria automotiva no mundo cresceu 2%”.

Para o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, o avanço do Brasil é reflexo de um governo que vê o potencial do seu povo. “Quando tem governos que olham para o povo as coisas começam a mudar para melhor, não falta oportunidade no Brasil, não falta gente trabalhadora no Brasil, às vezes falta uma pessoa com a sensibilidade de abrir portas para que as pessoas cresçam”, disse.

O ministro destacou ainda as entregas do Governo Federal dos últimos dias. “Nos últimos 15 dias, o Brasil ganha dois novos instrumentos para viabilizar o sonho de cada um, o crédito consignado privado, que vai abrir muitas oportunidades inclusive para quem quer empreender, e a isenção do imposto de renda vai significar sim um aumento de renda que vai te permitir fazer mais investimento na sua formação, na formação da sua família, na saúde da sua família, que é o que importa”, lembrou o ministro.

Investimento

A unidade da Toyota em Sorocaba, que é a primeira fora do Japão, está há 67 anos no Brasil e atualmente passa por obras de expansão. Em seu discurso, o vice-presidente destacou que a maior comunidade japonesa fora do Japão está no Brasil. “São 130 anos de amizade. E nós estamos na maior montadora de automóveis do mundo, a primeira do mundo em eletrificação, na vanguarda, na inovação, da pesquisa, da excelência”, disse Alckmin.

Até 2030, a Toyota investirá R$ 11,5 bilhões no país, incluindo a construção da nova fábrica para produção de modelos híbridos-flex. Com previsão para começar a operar em 2026, a nova fábrica terá capacidade produtiva de 100 mil carros por ano, um aumento de 50% em relação ao atual parque fabril de Sorocaba. A estimativa da empresa é de geração de mais de 2 mil empregos diretos até 2030, 500 deles até 2026, e de mais de 10 mil empregos levando em conta os indiretos.

Este é o maior investimento da história da empresa em solo brasileiro e envolve a promoção da descarbonização e novas tecnologias de eletrificação, com expansão da capacidade produtiva, novos veículos com tecnologia Híbrida Flex e um novo compacto produzido no Brasil. De acordo com o presidente da Toyota, Evandro Maggio, a empresa exporta para 23 países, reforçando o papel do país como um polo industrial estratégico para a região.

“Vale ressaltar que estamos alinhados com as diretrizes dos programas do Combustível do Futuro e do Mover, já que somos pioneiros no desenvolvimento e fabricação da tecnologia híbrida-flex. Reconhecemos também a importância dos programas Mover e Nova Indústria Brasil, que trazem diretrizes fundamentais para a reindustrialização verde de nosso país”, lembrou o presidente da Toyota.

Publicado originalmente pela Agência Gov em 18/03/2025

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Porque um PIB forte e bem distribuído é mais importante que pesquisa de aprovação https://www.ocafezinho.com/2025/03/11/porque-um-pib-forte-e-bem-distribuido-e-mais-importante-que-pesquisa/ Tue, 11 Mar 2025 16:51:55 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=203884 O PIB de 2024 fechou com um crescimento vigoroso de 3,4%, segundo o IBGE. O desempenho foi especialmente positivo em função de alguns fundamentos por trás desse número, como o crescimento de 7,3% no investimento e de 4,8% no consumo das famílias.

Uma comparação internacional organizada pelo Ministério da Fazenda colocou o país em quarto lugar dentre os países do G20 que mais cresceram no ano passado, atrás apenas da Índia (6,7%), Indonésia (5%) e China (5%).

A saudosa Maria da Conceição Tavares imortalizou o dito de que “o povo não come PIB”, mas essa é apenas uma frase de efeito. Genial, mas imprecisa. Tinha mais sentido no tempo em que foi pronunciada, quando o Brasil emergia de um longo período autoritário, durante os quais experimentamos anos de forte crescimento econômico associados ao declínio dos salários, e do avanço da pobreza e da desnutrição infantil. Era um tempo em que não havia os grandes programas sociais que foram implementados após a redemocratização, especialmente a partir da eleição de Lula em 2002.

Hoje o povo come PIB, sim. Não todo, mas uma parte expressiva, como se podem constatar pelo aumento na massa salarial, na renda média real, nos números do consumo e na diminuição do desemprego.

Além disso, o crescimento do PIB gerou mais receita para o governo, o que por sua vez permitiu um crescimento vigoroso nas despesas com saúde, educação e assistência social.

Outro ponto muito positivo nos relatórios sobre o PIB foi a recuperação da produção industrial brasileira, especialmente o setor de transformação, ou seja, aquele que mais propriamente chamamos de “manufatureiro”, e que exclui a chamada indústria extrativa, muito inflada no Brasil por causa da nossa riqueza em minérios.

Esses números me parecem tão ou mais importantes, para a análise política, do que números de pesquisa de aprovação, porque eles nos permitem olhar a floresta, e não a árvore. Se o país estivesse num processo de forte crise econômica, aumento no desemprego e desindustrialização, a interpretação sobre uma queda nas pesquisas, seria inteiramente distinta. Como não é isso que vem ocorrendo, mas exatamente o oposto, temos que abordar a conjuntura por outro ângulo.

Em certo sentido, a tirada da professora Conceição também vale para essa situação, porque é um fato que a melhora no emprego e na economia em geral não elimina os problemas de segurança pública e mobilidade urbana. Muitas vezes, agrava-os. O cidadão que obtém um emprego formal muitas vezes precisa fazer um deslocamento diário que antes não fazia, e por isso irá experimentar problemas de mobilidade que antes não tinha. A mesma coisa vale para a sensação de segurança. O cidadão que não possui nada tem menos preocupação com segurança do que aquele que melhora de condição e consege adquirir um celular novo, por exemplo.

Aliás, por essas mesmas razões é tão comum, apesar de contra-intuitivo, que se note aumento da insatisfação em momentos de bonança. O cidadão, menos pressionado por aquele desespero primevo de não ter como se alimentar ou sustentar a família, terá mais condições psicológicas de prestar atenção a outros problemas da cidade e do país.

De qualquer forma, o crescimento econômico registrado em 2024 tem um valor político infinitamente superior a uma pesquisa de aprovação, ainda mais considerando que o presidente Lula ainda mantém, mesmo tendo perdido alguns pontos, aprovação pessoal igual ou superior a 40% em quase todas as sondagens. Refiro-me, naturalmente, as pesquisas que oferecem pontuação binária de aprovação versus rejeição, e não àquelas que dividem a avaliação em três grandes tipos ótimo/bom, regular e ruim/péssimo. A grosso modo, a nota de regular tende a se converter metade em aprovação e metade em rejeição.

Uma economia em recuperação, quando associada ao emprego e oferta crescente de programas sociais, cria um ambiente de estabilidade política que torna muito mais fácil, para  o governo, construir uma campanha de recuperação da confiança popular. Isso é óbvio.

Além disso, agora já está mais claro, por exemplo, que a inflação dos alimentos não é um problema estrutural. Não está havendo nada de excepcional nessa esfera, e tudo indica – embora isso seja o tipo de coisa que a gente só poderá cravar quando se materializar – que este índice deverá ceder ao longo de 2025, especialmente no segundo semestre, quando a nova supersafra de grãos entrar no mercado.

A estabilização do câmbio também me parece um fator a ser levado em conta nos prognósticos para inflação. Eu sempre defendi, por aqui, um ponto básico: um país com a capacidade de exportar quase US$ 350 bilhões em 12 meses dificilmente terá problema de “desvalorização” cambial por muito tempo. Somos vulneráveis à especulação cambial, isso sim, até por nossa instabilidade política. Mas elas tendem a durar pouco. Não estamos mais nos anos 90, quando nossa exportação era ridícula. Os ataques especulativos vistos no segundo semestre de 2024 serviram pelo menos para gerar anticorpos: será mais difícil, ao menos durante o resto do mandato do presidente Lula, que isso volte a acontecer.

Enfim, o governo Lula continua firme, e favorito para a reeleição em 2026, como inclusive mostram pesquisas. Mas não será fácil, naturalmente, até porque a população ficará, a cada dia, mais exigente. Não é esse, afinal, o grande trunfo do regime democrático?

Alguns analistas lembram que o governo Biden também registrou bons números econômicos, mas isso não foi suficiente para reelegê-lo. Ora, hoje me parece mais forte a hipótese de que o governo Biden foi devorado por sua obsessão por guerras. Uma administração que havia iniciado com grandes expectativas de transformação econômica terminou melancolicamente, associada a anúncios pomposos e frequentes, de que o governo estaria assinando um novo cheque multiblionário para novas guerras no exterior. Isso tirou completamente o brilho de Biden. O presidente Lula jamais terá esse problema. Muito pelo contrário. O desdobramento dos problemas internacionais tendem a dar razão a Lula, pois agora está mais claro para todos que a guerra na Ucrânia precisa ser encerrada através de ações diplomáticas, e que a tragédia em curso na Palestina é um genocídio abominável.

Abaixo, alguns gráficos que considero úteis para o internauta ter uma ideia melhor do que aconteceu na economia brasileira em 2024.

Chamo atenção para alguntos pontos.

O avanço da indústria brasileira de transformação tem sido impressionante. Ela foi a grande responsável pelo desempenho do PIB no ano passado.

O investimento também chamado tecnicamente de Formação Bruta de Capital Fixo, e que corresponde ao investimento de empresas na construção de novas instalações industriais, aquisição de máquinas e equipamentos, além da contratação do pessoal necessário para geri-los, experimentou um crescimento extremamente forte em 2024. A construção civil, sempre um termômetro importante para o nível de atividade econômica, também vem crescendo bastante nos últimos meses.

As exportações da indústria de transformação, por sua vez, alcançaram, nos últimos 12 meses, até fevereiro, o segundo maior resultado da história, na verdade particamente repetindo o recorde histórico registrado nos 12 meses até fevereiro de 2023.

Enfim, quem precisa estar bem é a população, não o governo. Se a economia vai bem, tudo ficará mais fácil, desde que o governo também faça a sua parte, de oferecer mais infra-estrutura e logística, para que este crescimento possa prosseguir de maneira sustentável, e melhorar em qualidade.

  

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Vendas do Tesouro Direto têm recorde com R$ 8,76 bi em investimentos https://www.ocafezinho.com/2025/02/26/vendas-do-tesouro-direto-tem-recorde-com-r-876-bi-em-investimentos/ Thu, 27 Feb 2025 01:03:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=202908 Dados foram divulgados nesta quarta-feira pelo Banco Central

As vendas de títulos do Tesouro Direto somaram R$ 8,763 bilhões em janeiro deste ano, o maior valor da série histórica do programa, de acordo com o Tesouro Nacional. Já os resgates totalizaram R$ 7,181 bilhões, sendo R$ 3,113 bilhões relativos às recompras (resgates antecipados) e R$ 4,067 bilhões aos vencimentos, quando o prazo do título acaba, e o governo precisa reembolsar o investidor com juros.

Assim, as emissões líquidas de títulos atingiram R$ 1,583 bilhão no mês passado. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (26) pelo Tesouro Nacional.

Os títulos mais procurados pelos investidores foram os vinculados à Taxa Selic – a taxa básica de juros da economia – que corresponderam a 44,1%. Já os papéis corrigidos pela inflação (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – IPCA) tiveram participação de 30,1% nas vendas, enquanto os prefixados – com juros definidos no momento da emissão – representaram 25,9%.

O interesse por papéis vinculados aos juros básicos é justificado pelo alto nível da Selic, utilizada pelo Banco Central para conter a inflação. A taxa está em 13,25% ao ano e, com a expectativa de novas altas, os papéis continuam atrativos. Os títulos corrigidos pela inflação também têm atraído os investidores em razão da expectativa de alta do IPCA nos próximos meses.

O estoque total do Tesouro Direto alcançou R$ 159,9 bilhões no fim de janeiro, com aumento de 1,9%, na comparação com o mês anterior (R$ 156,9 bilhões), e de 22,9% em relação a janeiro do ano passado (R$ 130,1 bilhões).

Investidores

Quanto ao número de investidores, 449.329 novos participantes cadastraram-se no programa no mês passado. O número de investidores atingiu 31.493.170, alta de 15% nos últimos 12 meses. O total de investidores ativos – com operações em aberto – chegou a 3.010.879, aumento de 19,2% em 12 meses. No mês, houve redução de 3.042 investidores ativos.

A procura do Tesouro Direto por pequenos investidores pode ser observada pelo considerável número de vendas até R$ 5 mil, que corresponderam a 78,1% do total de 989.581 operações ocorridas em janeiro. Só as aplicações de até R$ 1 mil representaram 56%. O valor médio por operação foi de R$ 8.855,67.

Os investidores têm preferido papéis de curto prazo. As vendas de títulos com prazo de até cinco anos representaram 73,3%. Já aquelas com prazo de cinco a dez anos são 4,8% do total. Os papéis de mais de dez anos de prazo chegaram a 21,8% das vendas.

O balanço completo do Tesouro Direto está disponível na página do Tesouro Nacional na internet.

Fonte de recursos

O Tesouro Direto foi criado em janeiro de 2002 para popularizar esse tipo de aplicação e permitir que pessoas físicas adquirissem títulos públicos diretamente do Tesouro Nacional, via internet, sem intermediação de agentes financeiros. O aplicador só precisa pagar uma taxa semestral para a B3, a bolsa de valores brasileira, que tem a custódia dos títulos.

Mais informações podem ser obtidas no site do Tesouro Direto.

A venda de títulos é uma das formas que o governo tem de captar recursos para pagar dívidas e honrar compromissos. Em troca, o Tesouro Nacional se compromete a devolver o valor com um adicional que pode variar de acordo com a Selic, os índices de inflação, o câmbio ou uma taxa definida antecipadamente no caso dos papéis prefixados.

Publicado originalmente pela Agência Brasil em 26/02/2025

Por Andreia Verdélio – Repórter da Agência Brasil

Edição: Valéria Aguiar

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Brasil aposta alto nos semicondutores e desafia gigantes https://www.ocafezinho.com/2025/02/23/brasil-aposta-alto-nos-semicondutores-e-desafia-gigantes/ Sun, 23 Feb 2025 07:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=202318 País acelera sua entrada no mercado global de semicondutores, atraindo multinacionais e investindo em inovação para disputar um setor bilionário

A atmosfera de incerteza dominava os corredores da Ceitec ao longo de 2021. Criada em 2008 como Centro Nacional de Tecnologia Eletrônica Avançada, a empresa estatal, localizada na zona leste de Porto Alegre, foi incluída no Programa Nacional de Desestatização (PND) e estava à beira de ser desativada. Júlio Leão, então porta-voz da associação dos funcionários, foi o primeiro a ser demitido, em abril. Três meses depois, ocorreram demissões em massa. Dezenas de profissionais se viram desempregados e sem perspectivas de trabalho na região.

Parte da equipe da Ceitec conseguiu se realocar em empresas de outros estados ou em companhias estrangeiras, trabalhando remotamente. No entanto, Leão tinha um plano diferente. Com vasta experiência no setor, tendo trabalhado nos Estados Unidos e concluído seu doutorado no IMEC (Centro Interuniversitário de Microeletrônica), o principal instituto de pesquisa de semicondutores do mundo, na Bélgica, ele decidiu usar seu conhecimento para atrair empresas estrangeiras para Porto Alegre. Com a ajuda de dois colegas e de executivos de recrutamento, ele enviou uma proposta para 60 empresas globais. O documento destacava as qualificações de uma equipe de 30 profissionais e os custos de estabelecer um escritório na cidade.

As primeiras respostas não foram animadoras. Um dos CEOs respondeu com um frio “too far, too exotic” (“muito longe, muito exótico”). No entanto, após revisar os perfis da equipe de Leão no LinkedIn, o mesmo CEO pareceu reconsiderar. Seria uma mudança de perspectiva? Talvez valesse a pena explorar um lugar “tão distante e exótico” para contratar profissionais altamente qualificados.

Menos de um mês após esse primeiro contato, o CEO da EnSilica, uma multinacional britânica de semicondutores, fez uma oferta para 12 profissionais. Pouco mais de 45 dias depois, a Impinj, empresa sediada em Seattle (EUA), propôs contratar todos os 30 profissionais. Como 12 já haviam sido contratados pela EnSilica, a Impinj ficou com os demais.

Enquanto o Rio Grande do Sul perdia uma empresa estatal do setor, ganhava duas multinacionais. Tanto a EnSilica quanto a Impinj se estabeleceram no Parque Científico e Tecnológico da PUCRS (Tecnopuc) ainda em 2021. “Se tivéssemos 1 mil pessoas, em vez de 30, acredito que cerca de 15 empresas estariam aqui em Porto Alegre”, comenta Leão.

Esse caso ilustra o potencial do mercado de semicondutores, considerados insumos industriais estratégicos para a economia global do século 21. No livro A Guerra dos Chips, o especialista em história econômica Chris Miller argumenta que os chips – produto final da cadeia de semicondutores – são o novo petróleo, um recurso escasso do qual o mundo moderno depende cada vez mais. Presentes em praticamente todos os dispositivos eletrônicos, desde os mais simples até os mais avançados, como tags de pedágio e carros elétricos, os chips viram sua demanda aumentar com a pandemia, a transformação digital e os desafios globais, como a descarbonização e a transição energética. O mercado global de semicondutores faturou US$ 533 bilhões em 2023, segundo a consultoria Gartner, com expectativa de alcançar US$ 1,5 trilhão até o final da década.

Com tanto dinheiro e interesses em jogo, os semicondutores se tornaram uma questão geopolítica entre Estados Unidos e China – daí o título do livro de Miller, que alerta para um possível conflito armado causado por essa disputa. Cerca de 80% da produção mundial está concentrada no leste asiático, impulsionada pelo baixo custo de produção e por políticas econômicas focadas em ciência, tecnologia e inovação, como no Japão e na Coreia do Sul. Taiwan, onde está localizada a TSMC (Taiwan Semiconductor Manufacturing Company), responde sozinha por 25% da produção global.

A instabilidade política na região, sob forte influência chinesa, preocupa os Estados Unidos. Em 2022, o presidente Joe Biden assinou o Chip Act, que prevê investimentos de US$ 52 bilhões (cerca de R$ 290 bilhões) para financiar empresas do setor e iniciativas de pesquisa e desenvolvimento, incluindo aplicações militares. Em 2024, a Intel anunciou um acordo de US$ 8,5 bilhões em financiamento direto do governo. Enquanto isso, a China destinou US$ 47,5 bilhões (cerca de R$ 260 bilhões) para a terceira fase do seu Fundo Nacional de Investimento na Indústria de Circuitos Integrados. A União Europeia também está investindo pesado, com uma fábrica da TSMC, no valor de US$ 10 bilhões (cerca de R$ 55 bilhões), em construção na Alemanha com apoio governamental.

Fábricas como as da TSMC e da Intel são extremamente caras, pois realizam a parte mais intensiva da cadeia produtiva de semicondutores – a fabricação dos chips propriamente ditos. No entanto, essa é uma exceção. A produção de chips é altamente segmentada. As design houses, por exemplo, focam no desenvolvimento de projetos de circuitos integrados. Outras empresas se especializam em montagem, encapsulamento e teste dos chips, processo conhecido como back-end. Além disso, apenas a TSMC, a Intel, a Samsung e a GlobalFoundries produzem chips no chamado estado da arte, com transistores de até 8 nanômetros (um nanômetro equivale a um bilionésimo de metro), o que oferece maior desempenho e menor consumo de energia.

Parceria com universidades

Semicondutores: saiba como o Brasil se movimenta para entrar na disputa global / Reprodução

Apesar do domínio asiático, o Brasil busca se inserir na cadeia global de semicondutores. Atualmente, o ecossistema nacional é composto principalmente por design houses – como a EnSilica, instalada no Tecnopuc – e empresas de teste e encapsulamento, como a HT Micron, sediada no Tecnosinos, em São Leopoldo (RS).

A escolha por parques científicos e tecnológicos vinculados a universidades não é casual. Nem é uma exclusividade brasileira. Por exemplo, a sede da EnSilica na Inglaterra está localizada em um parque tecnológico em Oxford, próximo a uma das maiores universidades do mundo.

“A empresa sempre buscou manter uma relação próxima com universidades para atrair talentos”, explica Leão. “Por isso, sugeri o Tecnopuc.”

A Escola Politécnica da PUCRS está no centro desse ecossistema de inovação. No setor de semicondutores, apenas um diploma não é suficiente. A proximidade da Politécnica com as empresas do Tecnopuc permite que os estudantes tenham contato com experiências reais do mercado, preparando-os para assumir posições em um setor carente de profissionais.

Para expandir essa realidade, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) promove cursos de formação em microeletrônica e semicondutores, em parceria com universidades e empresas, oferecendo bolsas de residência. O programa CI Inovador, por exemplo, abriu 250 vagas no início deste ano.

A Impinj – que possui um centro de desenvolvimento de circuitos integrados no Tecnopuc – deve receber alunos durante o período de residência, a fase final do programa federal, quando os selecionados integram equipes nas empresas. Antes disso, eles passam por um ano de capacitação teórica e vivências internacionais. Os alunos devem chegar à Impinj em 2025 para trabalhar no desenvolvimento de chips e no laboratório de testes, também localizado no Tecnopuc.

“Todos que se formaram nesses programas estão bem empregados. É uma iniciativa fundamental, a melhor forma de o governo contribuir com o mercado e atrair empresas para cá”, avalia Laurent Courcelle, do centro de desenvolvimento da Impinj no Brasil.

O desafio é manter a continuidade das formações e aprofundar a relação entre academia e setor produtivo. “Essa proximidade com a indústria traz casos reais e demandas atuais para as pesquisas dos alunos”, diz Fernando Moraes, professor da Escola Politécnica da PUCRS. Recentemente, Moraes orientou o mestrando Carlos Gabriel de Araujo Gewehr, que trabalhou em um projeto da EnSilica na área de criptografia pós-quântica. A pesquisa rendeu o prêmio de melhor dissertação de mestrado do Brasil pela SBMicro (Sociedade Brasileira de Microeletrônica). A tecnologia foi implementada em um circuito integrado e está em comercialização.

Caminhos para o Brasil

Em meio aos movimentos globais no setor de semicondutores, o Brasil deve investir na fabricação de chips? Para Adão Villaverde, professor de Gestão do Conhecimento e da Inovação da Escola Politécnica da PUCRS, a resposta é sim: investir nessa etapa da cadeia produtiva é estratégico do ponto de vista comercial, científico e geopolítico.

“Sem chip, não há transformação digital soberana. Economias que não dominam essa tecnologia serão, mais cedo ou mais tarde, superadas. Estamos em um momento único para o Brasil se aprofundar no tema.”

Villaverde vê potencial no mercado de “chips maduros”, na faixa dos 100 nanômetros. Ou seja, não se trata de competir com gigantes como Samsung e TSMC, que produzem chips estado da arte de 3 nanômetros. “O objetivo é focar em um mercado que esses players não disputam, representando 46% do mercado global”, explica. Nesse caso, uma renovação da Ceitec seria essencial, com um custo estimado em US$ 200 milhões (R$ 1,1 bilhão) – ou metade disso, se a empresa optar por uma nova rota tecnológica em estudo. Vale lembrar que, após entrar no PND em 2021, a Ceitec teve seu processo de liquidação revertido em 2023, mas ainda carece de recursos para retomar a produção.

Enquanto isso, o governo federal sancionou, em setembro de 2024, uma lei que criou o Programa Brasil Semicondutores (Brasil Semicon) e ampliou o Programa de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico à Indústria de Semicondutores (Padis). A medida prorroga e amplia incentivos fiscais para empresas, com R$ 7 bilhões por ano, totalizando R$ 21 bilhões até 2026, para estimular pesquisa e inovação nas cadeias de chips e eletroeletrônicos. Uma alternativa é fortalecer as etapas de design, teste e encapsulamento, áreas nas quais o Brasil já possui expertise e que não exigem investimentos tão elevados quanto uma fábrica.

A Nvidia, uma das empresas mais destacadas no mundo dos chips, não possui fábricas – no jargão do setor, é uma fabless. Seu valor de mercado, de US$ 2,86 trilhões (quase R$ 16 trilhões, mais que o PIB brasileiro em 2023), vem do desenvolvimento e da propried intelectual de chips para computação gráfica e inteligência artificial. Guardadas as proporções, a EnSilica planeja seguir um caminho semelhante, tornando-se uma fabless com controle sobre a propried intelectual e a comercialização de seus chips. Nesse cenário, Júlio Leão afirma que o escritório da EnSilica no Brasil cresce mais rápido que o da Inglaterra, graças à qualidade dos engenheiros locais.

“Em 2021, quando viemos para o Tecnopuc, disse que precisaríamos de espaço para 12 pessoas, mas que cresceríamos para 30. Hoje, nossa sala tem apenas dois lugares vazios, e a empresa deve expandir para 32 funcionários ainda este ano”, comemora.


Com informações da Revista da PUCRS, lançada no mês de dezembro de 2024. A produção foi cocriada com a República Conteúdo e a edição completa está disponível para download neste link.

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Na corrida dos semicondutores, o Brasil tem chances? https://www.ocafezinho.com/2025/02/22/na-corrida-dos-semicondutores-o-brasil-tem-chances/ Sat, 22 Feb 2025 13:14:40 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=202315 Os semicondutores são o novo petróleo e o Brasil também quer um lugar nessa disputa bilionária. Descubra como universidades e empresas preparam essa revolução

A incerteza pairava sobre os corredores da Ceitec durante o ano de 2021. Fundada como Centro Nacional de Tecnologia Eletrônica Avançada, em 2008, a estatal instalada na zona leste de Porto Alegre acabou listada no Programa Nacional de Desestatização (PND) – e estava prestes a ser descontinuada. Júlio Leão era porta-voz da associação dos colaboradores. Foi o primeiro a ser demitido, em abril. Três meses depois, os cortes em massa chegaram. Dezenas de profissionais estavam na rua e sem perspectivas de trabalho na região. 

Parte da equipe da Ceitec se alocou em empresas de outros estados ou remotamente em companhias estrangeiras. Mas Leão tinha outro plano. Com vasta experiência no setor, trabalhou nos Estados Unidos e fez o doutorado no IMEC (Centro Interuniversitário de Microeletrônica), o principal instituto de pesquisa de semicondutores do mundo, localizado na Bélgica. Queria usar seu conhecimento para convencer companhias estrangeiras a se instalarem em Porto Alegre. Com a ajuda de dois colegas e de executivos de recrutamento, enviou uma apresentação para 60 empresas ao redor do mundo. O documento incluía as credenciais de uma equipe de 30 pessoas e os custos da implementação de um escritório por aqui.  

Os primeiros retornos não foram acolhedores. Um dos CEOs respondeu com um seco “too far, too exotic” (“muito longe, muito exótico”). Mas, em seguida, aquele mesmo CEO visitou os perfis da equipe de Leão no LinkedIn. Seria o jogo virando? Talvez valesse a pena um lugar “tão longe e exótico” para contratar gente altamente qualificada.  

Bem, não tinha se passado nem um mês daquele primeiro contato quando o CEO da EnSilica, uma multinacional inglesa de semicondutores, fez uma oferta para 12 profissionais. Passados mais 45 dias, a Impinj, multinacional sediada em Seattle (EUA), propôs a contratação de todos os 30 profissionais. Como 12 haviam acertado com a EnSilica, a Impinj ficou com o restante. 

Enquanto perdia a estatal do setor, o Rio Grande do Sul ganhava duas multinacionais. Tanto a EnSilica como a Impinj se instalaram no Parque Científico e Tecnológico da PUCRS (Tecnopuc) naquele mesmo ano de 2021. “Se tivéssemos 1 mil pessoas, ao invés de 30, acredito que estariam aqui em Porto Alegre umas 15 empresas”, diz Leão.  

O caso mostra o potencial do mercado de semicondutores, considerados insumos industriais estratégicos para a economia mundial deste século 21. No livro A Guerra dos Chips, o especialista em história econômica Chris Miller argumenta que os chips – produto final da cadeia de semicondutores – são o novo petróleo, um recurso escasso do qual o mundo moderno depende cada vez mais. Os chips estão em praticamente todos os produtos eletrônicos – dos mais banais aos mais avançados, de tags de pedágio a carros elétricos. A pandemia, a transformação digital e os desafios sensíveis para o futuro da humanidade, como a descarbonização e a transição energética, aumentaram a demanda pelo produto. A receita global do mercado de semicondutores foi de US$ 533 bilhões em 2023, segundo a consultoria Gartner. A expectativa é que pule para US$ 1,5 trilhão até o final da década.  

Com tanto dinheiro e tantos interesses envolvidos, os semicondutores viraram motivo de disputa geopolítica entre os Estados Unidos e a China – daí o título do livro de Miller, que alerta para um possível conflito bélico causado pelo tema. A questão é que cerca de 80% da produção mundial está concentrada no leste asiático. O barateamento da produção e planos econômicos baseados em investimentos em ciência, tecnologia e inovação – como no Japão e na Coreia do Sul – levaram as indústrias para lá. Só Taiwan, onde está localizada a TSMC (Taiwan Semiconductor Manufacturing Company), detém 25% da produção global.  

Mas a instabilidade política na região, sob forte influência chinesa, preocupa os norte-americanos. Não à toa, em 2022, o presidente Joe Biden assinou o Chip Act. O projeto de lei prevê investimentos de US$ 52 bilhões (aproximadamente R$ 290 bilhões, na cotação atual) para financiar empresas do setor e iniciativas de pesquisa e desenvolvimento na área, incluindo aplicações militares da tecnologia. Em 2024, a Intel anunciou um acordo de US$ 8,5 bilhões em financiamento direto do governo para a empresa. Enquanto isso, a China alocou US$ 47,5 bilhões (cerca de R$ 260 bilhões) na terceira fase do seu Fundo Nacional de Investimento na Indústria de Circuitos Integrados. A União Europeia também não quer ficar para trás. Uma fábrica da TSMC, ao custo de US$ 10 bilhões (cerca de R$ 55 bilhões), está em construção na Alemanha com forte apoio do governo.  

Fábricas como a da TSMC e a da Intel são caras porque realizam a parte intensiva da cadeia produtiva dos semicondutores – ou seja, a produção dos chips propriamente ditos. Mas isso é coisa rara. Em geral, a fabricação de chips é hiper segmentada. As design houses, por exemplo, desenvolvem apenas os projetos dos circuitos integrados. Outras empresas se especializam em montagem, encapsulamento e teste dos chips, processo chamado de back-end. Além disso, ao lado da Samsung e da GlobalFoundries, a TSMC e a Intel são as únicas companhias que fazem chips no chamado estado da arte. Estes são os que possuem transistores menores, de até 8 nanômetros (para se ter uma ideia, um nanômetro equivale a 1 bilionésimo de metro), o que gera mais desempenho e menos gasto de energia.  

Parceria com universidades 

Tanto a Ensilica quanto a Impinj se instalaram no Parque Científico e Tecnológico da PUCRS em 2021 / Foto: Giordano Toldo

Apesar do domínio asiático, o Brasil busca se inserir na cadeia mundial de semicondutores. Hoje, o ecossistema nacional é quase todo composto por design houses – caso da EnSilica, instalada no Tecnopuc – e por empresas de teste e encapsulamento, como a HT Micron, cuja sede fica no Tecnosinos, em São Leopoldo (RS).  

A escolha por parques científicos e tecnológicos ligados às universidades não é coincidência. E tampouco é uma peculiaridade brasileira. Por exemplo: o centro de projetos da matriz da EnSilica, na Inglaterra, está localizado em um parque tecnológico em Oxford, ao lado de uma das maiores universidades do mundo.  

“A empresa sempre gostou de manter um relacionamento próximo com as universidades, com objetivo de atrair talentos”, explica Leão. “Por isso, sugeri o Tecnopuc.”  

Escola Politécnica da PUCRS está no centro deste ambiente de inovação. Quando o assunto leva aos semicondutores, apenas um diploma não é suficiente para atuar na área. E a proximidade da Politécnica com empresas instaladas no Tecnopuc coloca os estudantes em contato com experiências reais do mercado de trabalho. Assim, eles ficam em condições de assumir posições em um setor carente de profissionais.  

Para levar essa realidade a mais centros universitários do País, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) promove cursos de formação em microeletrônica e semicondutores. Eles acontecem em parceria com universidades e empresas e oferecem bolsas de residência aos selecionados. O programa CI Inovador, por exemplo, abriu 250 vagas no início deste ano.  

A Impinj – que possui um centro de desenvolvimento de circuito integrado no Tecnopuc – deve receber alunos no período de residência, a última fase do programa federal, quando os selecionados integram grupos de trabalho dentro das empresas. Antes, eles têm um ano de capacitações teóricas e vivências internacionais. Os alunos devem chegar em 2025 na Impinj para trabalharem no desenvolvimento de chips e no laboratório de testes, também localizado no Tecnopuc.  

“Todos que se formaram nesses programas estão bem empregados. É uma iniciativa fundamental, a melhor forma do governo contribuir com o mercado e atrair empresas para cá”, avalia Laurent Courcelle, do centro de desenvolvimento da Impinj no Brasil. 

O desafio é dar constância às formações e aprofundar a relação entre academia e setor produtivo. “Essa proximidade com a indústria traz cases realistas e demandas atuais para as pesquisas dos alunos”, diz Fernando Moraes, professor da Escola Politécnica da PUCRS. Recentemente, Moraes orientou o mestrando Carlos Gabriel de Araujo Gewehr, que trabalhou em um projeto da EnSilica na área de criptografia pós-quântica. A pesquisa rendeu o prêmio de melhor dissertação de mestrado do Brasil pela SBMicro (Sociedade Brasileira de Microeletrônica). A tecnologia foi implementada em um circuito integrado, tornando-se um produto em comercialização.  

Caminhos para o Brasil  

Em meio aos movimentos do tabuleiro mundial dos semicondutores, o Brasil deve investir na fabricação de chips? Para Adão Villaverde, professor de Gestão do Conhecimento e da Inovação da Escola Politécnica da PUCRS, a resposta é sim: investir nesta etapa da cadeia produtiva é estratégica do ponto de vista comercial, científico e geopolítico: 

 “Sem chip, não tem transformação digital soberana. As economias que não dominam essa tecnologia, mais cedo ou mais tarde, serão superadas. Estamos em um momento singular para o Brasil mergulhar no tema”.  

Villaverde vê potencial de inserção no mercado de “chips maduros”, na casa dos 100 nanômetros. Ou seja, não se trata de encarar gigantes do setor, como a Samsung e TSMC, que estão produzindo “chips estado da arte” de 3 nanômetros. “O objetivo é buscar um mercado que esses players sequer disputam, o que representa uma fatia de 46% do mercado mundial”, explica. Nesse caso, o caminho seria uma renovação na Ceitec, o que custaria, segundo Villaverde, em torno de US$ 200 milhões (R$ 1,1 bilhão) – ou a metade disso, se a empresa optar por uma nova rota tecnológica em estudo. Cabe lembrar que, após entrar no PND em 2021, a Ceitec teve seu processo de liquidação revertido em 2023. No entanto, a estatal ainda carece de recursos para retomar a produção.  

Enquanto isso, o governo federal sancionou, em setembro de 2024, uma lei que criou o Programa Brasil Semicondutores (Brasil Semicon) e aperfeiçoou o Programa de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico à Indústria de Semicondutores (Padis). A medida prorroga e amplia incentivos tributários para empresas. Serão destinados R$ 7 bilhões por ano, totalizando R$ 21 bilhões até 2026, para estimular a pesquisa e a inovação nas cadeias de chips e eletroeletrônicos. Uma alternativa é fomentar as etapas de design e de teste e encapsulamento. São áreas que possuem valor agregado – e nas quais o Brasil possui expertise. Além do mais, não dependem de investimentos tão vultosos quanto uma fábrica. 

A Nvidia, uma das empresas mais badaladas no mundo dos chips, não possui nem uma fábrica sequer – no jargão industrial, uma fabless. O desenvolvimento e a propriedade intelectual de chips na área de computação gráfica e, mais recentemente, de inteligência artificial, é o que lhe garante um valor de mercado de incríveis US$ 2,86 trilhões (quase R$ 16 trilhões, mais que o PIB brasileiro em 2023, que foi de R$ 10,9 trilhões). Guardada as proporções, a EnSilica se prepara para ir além dos projetos e ser uma fabless com propriedade intelectual e controle da comercialização dos seus chips. Nesse cenário, Júlio Leão afirma que o escritório da EnSilica no Brasil cresce mais rápido do que o da Inglaterra – graças à qualidade dos engenheiros.  

“Em 2021, quando viemos ao Tecnopuc, disse que precisávamos de um lugar para 12 pessoas, mas que iríamos crescer para 30. Hoje, nossa sala tem apenas dois lugares vazios e a empresa deve expandir para 32 funcionários ainda neste ano”, comemora. 


*Texto originalmente publicado na edição 195 da Revista da PUCRS, lançada no mês de dezembro de 2024. A produção foi cocriada com a República Conteúdo e a edição completa está disponível para download neste link.

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Construção civil na Argentina registra queda brutal de quase 30% em 2024, a maior da história https://www.ocafezinho.com/2025/02/11/construcao-civil-na-argentina-registra-queda-brutal-de-quase-30-em-2024-a-maior-da-historia/ https://www.ocafezinho.com/2025/02/11/construcao-civil-na-argentina-registra-queda-brutal-de-quase-30-em-2024-a-maior-da-historia/#comments Tue, 11 Feb 2025 17:55:25 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=201760 2 Comentários 🔥]]> O presidente da Argentina, Javier Milei, queridinho da Faria Lima e de Elon Musk, terá que fazer muita palhaçada, proferir muita abobrinha, dançar muito festinhas de Trump em Mar-a-Lago, para distrair os argentinos e o mundo da verdadeira hecatombe econômica que se materializa no país. 

Enquanto seu governo maquia os números fiscais com cortes drásticos e inconsequentes nas despesas, destruindo a pesquisa científica nacional, a educação e a infra-estrutura, a atividade econômica argentina está literalmente derretendo.

A construção civil argentina registrou uma queda brutal de 27% no acumulado dos últimos 12 meses, a maior queda para o mês da história do país. Os dados são do Indec, o instituto oficial de estatística do governo federal argentino. 

O estoque de empregos gerados pela construção civil também caiu dramaticamente nos últimos meses, saindo de quase 470 mil argentinos trabalhando no setor no início de 2023, para menos de 390 mil em dezembro último. 

 

 

Lembrando que o mesmo Indec também divulgou, há pouco, os números da indústria argentina, que mostram igualmente uma queda dramática de 9,4% em 2024. 

 

 

Os relatórios do Indec para a atividade industrial e para o setor de construção também trazem pesquisas com empresários do setor, para identificar as expectativas para os próximos meses. 

Dentre os industriais argentinos entrevistados pelo Indec, uma maioria de mais de 70% acha que a situação não mudará (40%) ou ficará pior (33%), em relação à demanda interna. 

 

 

No setor de construção civil, o pessimismo também é grande. Uma maioria esmagadora de 77% acha que a situação do setor, que assistiu a uma queda dramática em 2024, continuará na mesma em 2025 (63%) ou piororá (14%). 

A propósito, o PIB argentino, segundo o Indec, deve cair mais de 2% este ano. O PIB argentino apenas não cairá mais por causa do aumento das exportações, extremamente concentrado em petróleo, carne e soja, cuja receita fica em poucas mãos. A Formação Bruta de Capital Fixo, ou seja, o nível de investimento, deve cair 17% em 2024, segundo o governo.

Enquanto isso, no Brasil…

Enquanto isso, a produção industrial brasileira segue no caminho oposto. Segundo o IBGE divulgou há pouco, a indústria brasileira cresceu 3,1% em 2024.

A indústria de bens de capital cresceu 9%, e a de bens de consumo duráveis, que agrega os produtos mais complexos, registrou forte crescimento de 11% no ano passado.

O emprego industrial, por sua vez, também tem avançado, segundo o IBGE.

A taxa de desemprego no Brasil, a propósito, fechou dezembro em 6,2%, o menor nível da história.

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