lavagem de dinheiro - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/lavagem-de-dinheiro/ Portal de noticias e análises sobre política brasileira, geopolítica, economia, tecnologia, sempre numa perspectiva democrática, progressista, anti-imperialista e multipolar! Wed, 15 Apr 2026 13:11:24 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://www.ocafezinho.com/wp-content/uploads/2015/10/cropped-Logo_Cafezinho_tmb-32x32.png lavagem de dinheiro - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/lavagem-de-dinheiro/ 32 32 Operação da PF atinge MC Poze e Ryan SP https://www.ocafezinho.com/2026/04/15/operacao-da-pf-atinge-mc-poze-e-ryan-sp/ https://www.ocafezinho.com/2026/04/15/operacao-da-pf-atinge-mc-poze-e-ryan-sp/#respond Wed, 15 Apr 2026 13:11:24 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=235021 MC Poze do Rodo foi preso pela PF nesta quarta-feira em operação contra lavagem de dinheiro que movimenta valores bilionários no país. O cantor integra a Operação Narcofluxo. A ação visa desarticular associação criminosa acusada de movimentar mais de R$ 1,6 bilhão em transações ilegais. O esquema incluía operações com criptoativos no Brasil e no exterior.

Agentes federais cumpriram o mandado no início da manhã. A prisão ocorreu em condomínio de luxo no Recreio dos Bandeirantes, Zona Oeste do Rio. No mesmo local, o cantor foi vítima de assalto no mês passado.

A PF também cumpria outros dois mandados de prisão no estado. Em Bertioga, litoral paulista, policiais prenderam o MC Ryan SP. As ações integram operação nacional coordenada.

A defesa de Poze afirmou desconhecer os autos ou o teor do mandado. “Com acesso aos mesmos, se manifestará na Justiça para restabelecer sua liberdade”, declarou o advogado Fernando Henrique Cardoso Neves.

Esta é a terceira vez que Poze é preso. Em 2023, ele foi detido em investigação da Polícia Civil do Rio. Em 2019, o cantor foi preso em flagrante após show em Mato Grosso.

Segundo a PF, os envolvidos usavam sistema para ocultar valores. O esquema incluía operações financeiras de alto valor, transporte de dinheiro em espécie e transações com criptoativos. A investigação aponta sofisticação nas estratégias.

Cerca de 200 policiais cumpriram 39 mandados de prisão temporária. Também foram executados 45 mandados de busca e apreensão da 5ª Vara Federal em Santos. As ações ocorreram em nove estados e no Distrito Federal.

Os investigados poderão responder por associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Foram apreendidos veículos, valores, documentos e equipamentos eletrônicos. Os itens subsidiarão o aprofundamento das investigações.

O caso expõe o uso crescente de criptoativos em esquemas de lavagem no Brasil. A operação revela como organizações criminosas se adaptam a novas tecnologias financeiras. O desafio é acompanhar essa evolução.

Para o funk, a prisão reacende o debate sobre vínculos entre artistas e facções. Poze já foi investigado por shows em áreas dominadas pelo Comando Vermelho. A questão envolve limites da liberdade artística.

A Polícia Civil afirmou que letras de Poze “fazem apologia ao tráfico”. Segundo a DRE, shows eram usados para aumentar lucros com venda de entorpecentes. Os recursos financiariam armas e equipamentos para crimes.

A Operação Narcofluxo sinaliza maior rigor federal contra crimes financeiros no setor cultural. O desfecho pode influenciar como o país combate lavagem por meio de eventos e ativos digitais. A investigação prossegue.

Com informações de G1*
Editado por Rhyan de Meira* 

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Ministério Público de São Paulo pede mais tempo para investigar esquema do PCC na Operação Carbono Oculto https://www.ocafezinho.com/2026/04/05/ministerio-publico-de-sao-paulo-pede-mais-tempo-para-investigar-esquema-do-pcc-na-operacao-carbono-oculto/ https://www.ocafezinho.com/2026/04/05/ministerio-publico-de-sao-paulo-pede-mais-tempo-para-investigar-esquema-do-pcc-na-operacao-carbono-oculto/#respond Sun, 05 Apr 2026 14:14:30 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/04/05/ministerio-publico-de-sao-paulo-pede-mais-tempo-para-investigar-esquema-do-pcc-na-operacao-carbono-oculto/ O Ministério Público de São Paulo (MPSP) solicitou uma prorrogação de prazo para concluir as investigações da Operação Carbono Oculto, que apura um vasto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor de combustíveis e em operações financeiras na região da Faria Lima, em São Paulo. O pedido, registrado no dia 5 de abril de 2026, busca até 90 dias adicionais para finalizar o trabalho investigativo, que corre sob sigilo.

Iniciada em 2024, a investigação é conduzida por meio de um Procedimento Investigatório Criminal (PIC) e tem como objetivo denunciar entre 30 e 40 pessoas. Entre os alvos estão figuras como Mohamad Hussein Mourad, conhecido como ‘Primo’, e Roberto Augusto Leme da Silva, apelidado de ‘Beto Louco’, ambos considerados foragidos. A operação, deflagrada em agosto de 2025, abrange cerca de 350 alvos, incluindo pessoas físicas e jurídicas, e é apontada por promotores do MPSP como uma das maiores ações contra redes criminosas do país.

As apurações revelaram que uma rede de aproximadamente 1.200 postos de combustíveis movimentou mais de R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024. Desse montante, apenas R$ 90 milhões foram recolhidos em impostos, uma fração ínfima de 0,173%, conforme dados levantados pelo MPSP e divulgados em relatórios preliminares. Para ocultar os recursos, o grupo teria utilizado 40 fundos de investimento com patrimônio estimado em R$ 30 bilhões, operados por agentes do mercado financeiro na Faria Lima. De acordo com informações publicadas pelo portal Metrópoles, os empresários citados estariam negociando acordos de colaboração premiada com o MPSP.

O procurador-geral de Justiça de São Paulo afirmou, em declaração recente, que o escopo da investigação não se restringe a empresários do setor privado. Agentes públicos e, possivelmente, políticos também estão na mira das apurações, embora detalhes sobre essas linhas investigativas permaneçam sob sigilo. A complexidade do caso se reflete na amplitude das conexões financeiras e na dificuldade de rastrear os fluxos de dinheiro em um esquema tão estruturado.

A Operação Carbono Oculto também se relaciona com outras investigações no setor de combustíveis, como a Operação Tank, que expôs irregularidades semelhantes. Um desdobramento importante ocorreu no dia 15 de março de 2026, quando o caso foi temporariamente remetido à Justiça Estadual do Paraná, em uma decisão que poderia limitar a atuação do Ministério Público Federal (MPF) e da Polícia Federal (PF). No entanto, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) reverteu essa medida, mantendo a competência federal para as investigações, o que reforça a relevância do caso no combate a redes criminosas de grande porte.

O desenrolar das apurações promete trazer à tona novos detalhes sobre a intersecção entre crime organizado e setores estratégicos da economia. Enquanto o MPSP trabalha para reunir provas sólidas, a expectativa é de que as denúncias formais, quando apresentadas, revelem a extensão do impacto desse esquema no mercado de combustíveis e nas finanças nacionais.

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Polícia Federal em nova investida contra Banco Master https://www.ocafezinho.com/2026/01/14/policia-federal-em-nova-investida-contra-banco-master/ https://www.ocafezinho.com/2026/01/14/policia-federal-em-nova-investida-contra-banco-master/#respond Wed, 14 Jan 2026 13:17:16 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=224504 PF deflagra segunda fase da Operação Compliance Zero, com mandados judiciais expedidos pelo STF

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta quarta-feira (14) a segunda fase da Operação Compliance Zero.

A ação tem como alvo central o empresário Daniel Vorcaro e o Banco Master, investigados por uma série de crimes financeiros de grande monta.

As autoridades cumprem mandados de busca e apreensão em cinco estados: São Paulo, Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro. Todas as ordens judiciais foram expedidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Alvo da operação e valores bloqueados

O foco da investigação são crimes de organização criminosa, gestão fraudulenta de instituição financeira, manipulação de mercado e lavagem de dinheiro. Paralelamente às buscas, a PF executa medidas de sequestro e bloqueio de bens e valores que superam R$ 5,7 bilhões.

O objetivo declarado da operação é interromper a atuação do grupo criminoso e recuperar ativos desviados. A dimensão dos valores bloqueados nesta fase revela a magnitude do esquema investigado.

Situação do principal investigado

Daniel Vorcaro, preso pela PF em novembro ao tentar deixar o país em seu jatinho particular, cumpre medida cautelar de prisão domiciliar.

Sua defesa divulgou nota reiterando colaboração: “Todas as medidas judiciais determinadas no âmbito da investigação serão atendidas com total transparência.”

“O Sr. Vorcaro permanece à disposição para prestar esclarecimentos sempre que solicitado, reforçando seu interesse no esclarecimento completo dos fatos e no encerramento célere do inquérito”, complementa a nota.

Entenda

A primeira fase da Operação Compliance Zero, em novembro, já investigava a concessão de créditos falsos envolvendo o Banco Master e o BRB. As fraudes, segundo as investigações, podem chegar a R$ 17 bilhões em títulos forjados.

Leia também: https://www.ocafezinho.com/2026/01/13/bc-revela-o-rombo-real-causado-pelo-banco-master/

O caso ganhou contornos de crise institucional quando, em março de 2025, o BRB anunciou a intenção de comprar o Master por R$ 2 bilhões, proposta que foi vetada pelo Banco Central. Poucos meses depois, em novembro, foi decretada a falência do Banco Master.

Leia também: https://www.ocafezinho.com/2026/01/08/pf-ve-indicios-de-que-dono-do-master-comandou-campanha-paga-nas-redes-para-atacar-o-bc/

A rejeição do BC à compra e a rápida decretação de falência demonstram a gravidade com que os órgãos de controle passaram a enxergar a situação do banco de Vorcaro. A nova fase da PF aprofunda a investigação sobre a estrutura que possibilitou o suposto esquema bilionário.

Com informações da Polícia Federal e Agência Brasil em 14/01/2026

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PF: movimentações suspeitas de Jordy e Sóstenes somam R$ 28,6 milhões https://www.ocafezinho.com/2025/12/19/pf-movimentacoes-suspeitas-de-jordy-e-sostenes-somam-r-286-milhoes/ https://www.ocafezinho.com/2025/12/19/pf-movimentacoes-suspeitas-de-jordy-e-sostenes-somam-r-286-milhoes/#respond Fri, 19 Dec 2025 14:44:35 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=223347 Informação consta em relatório parcial de relator do caso

A Polícia Federal (PF) apontou ao Supremo Tribunal Federal a existência de R$ 28,638 milhões em movimentações suspeitas, sem justificativa plausível, em contas de assessores dos gabinetes dos deputados Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) e Carlos Jordy (PL-RJ), bem como funcionários do partido, entre outras pessoas próximas aos parlamentares.

As informações constam no relatório parcial, cujo sigilo foi levantado nesta manhã pelo ministro Flávio Dino, relator do caso no Supremo, e que embasou a Operação Galho Fraco, deflagrada pela PF nesta sexta-feira (19) tendo os parlamentares entre os alvos. Segundo informações preliminares, R$ 400 mil em dinheiro vivo foram encontrados pelos agentes em um dos endereços de Sóstenes, que é líder do PL na Câmara.

Nesta sexta, os agentes cumpriram sete mandados de busca e apreensão autorizados por Dino com o aval da Procuradoria-Geral da República (PGR). As diligências incluíram busca pessoal, veicular e em imóveis de Jordy e Sóstenes.

Segundo as investigações, os dois parlamentares são suspeitos de usar locadoras de veículo de fachada para desviar a cota parlamentar – verba a que cada congressista têm direito para pagar custear o funcionamento de seu gabinetes, incluindo despesas com o aluguel de frota de carros para deslocamento do deputado ou senador.

Nas redes sociais, Jordy disse estar sendo perseguido por Dino e negou qualquer esquema ilegal. “Hoje, no aniversário da minha filha, a PF fez busca e apreensão novamente na minha casa por determinação de Flávio Dino [ministro do STF]. Perseguição implacável!”, escreveu.

A Agência Brasil busca contato com o deputado Sóstenes Cavalcante ou sua defesa.

Smurfing

De acordo com o relatório parcial da PF, além das quantias incompatíveis com a renda declarada, o que chamou atenção dos investigadores foi a realização de saques nunca superiores a R$ 9.999,00, indicando a “possível prática de lavagem de dinheiro conhecida por “smurfing”, que consiste em limitar o valor das transações para tentar burlar o monitoramento dos órgãos competentes.

Os maiores montantes suspeitos foram movimentados por Adailton Oliveira dos Santos, assessor especial do PL. Pela conta dele passaram mais de R$ 11,4 milhões entre 2023 e 2024, quantia que “mostra-se incompatível com a capacidade econômica declarada do titular, considerando-se seu vínculo funcional e contexto familiar”, escreveram os investigadores.

Já Itamar de Souza Santana, secretário parlamentar de Jordy, movimentou sozinho R$ 5,9 milhões. Ele também foi alvo de buscas nesta sexta-feira.

Os investigadores afirmaram haver indícios de utilização de cota parlamentar para pagamento de despesas inexistentes ou irregulares. Além disso, foram anexados trechos de conversas no aplicativo WhatsApp que sugerem pagamento “por fora” por parte dos deputados.

Além das buscas contra os deputados e mais três pessoas, com a respectiva quebra de sigilos telefônicos e telemáticos, Dino autorizou a quebra de sigilo bancário dos parlamentares e outras 12 pessoas físicas e uma pessoa jurídica. O ministro mandou ainda que informações de interesse sejam compartilhadas com a Receita Federal.

Publicado originalmente pela Agência Brasil em 19/12/2025

Por Felipe Pontes – Repórter da Agência Brasil – Brasília

Edição: Maria Claudia

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PF e CGU deflagram operação contra desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro em Alagoas https://www.ocafezinho.com/2025/12/16/pf-e-cgu-deflagram-operacao-contra-desvio-de-recursos-publicos-e-lavagem-de-dinheiro-em-alagoas/ https://www.ocafezinho.com/2025/12/16/pf-e-cgu-deflagram-operacao-contra-desvio-de-recursos-publicos-e-lavagem-de-dinheiro-em-alagoas/#respond Tue, 16 Dec 2025 16:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=223194 A investigação contou ainda com o apoio da Receita Federal e do Departamento Nacional de Auditoria do Sistema Único de Saúde

Nesta terça-feira, 16/12, a Polícia Federal deflagrou a operação Estágio IV e cumpriu 38 mandados de busca e apreensão, bem como diversas medidas cautelares alternativas incluindo uma suspensão do exercício de função pública por 180 dias, todas expedidas pelo Tribunal Regional Federal da 5ª Região.

Também foi determinado o sequestro de bens pertencentes aos investigados, dentre eles veículos e imóveis de alto valor. Os mandados foram cumpridos em Alagoas, Pernambuco e Distrito Federal e mobilizou 170 policiais federais, mais 26 auditores.

Foram detectados indícios de favorecimento em contratos emergenciais firmados pela Secretaria de Saúde – SESAU, entre 2023 e 2025, com duas empresas, uma fornecedora de material hospitalar e uma construtora. Estas contratações teriam gerado pagamentos de vantagens indevidas aos investigados.

As contratações diretas firmadas pela SESAU somam o montante de quase R$ 100 milhões e boa parte do recurso ainda se encontra em execução.

A investigação apura ainda o desvio de recursos públicos do Sistema Único de Saúde (SUS) por meio de ressarcimento superdimensionado de consultas e procedimentos médicos que não teriam ocorrido, os quais somaram mais de R$ 18 milhões.

Os valores indevidos foram repassados pela Secretaria de Saúde de Alagoas entre setembro de 2023 e agosto de 2025. Apenas em ressarcimento de procedimentos de fisioterapia, foram pagos valores incompatíveis com a capacidade operacional da clínica privada.

Parte desses recursos foi destinada a integrantes do grupo criminoso por meio de transferências bancárias, saques em espécie e pagamentos indiretos, configurando sofisticado esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e ocultação patrimonial.

Interpostas pessoas foram utilizadas para dissimular a origem ilícita dos valores, sobretudo a aquisição de bens imóveis. O dinheiro público a ser investido no sistema de saúde alagoano foi transferido para contas bancárias dos investigados e pessoas a eles ligadas.

O inquérito policial identificou ainda que imóveis adquiridos pelo grupo criminoso foram registrados em nome de interpostas pessoas, familiares e terceiros, como uma Pousada em Porto de Pedras/AL, em 2023, adquirida pelo valor de R$ 5,7 milhões. O montante foi pago por empresários beneficiados pelo esquema criminoso. Os valores também eram usados para custear viagens internacionais e gastos pessoais dos investigados.

Em vários locais de busca, foi apreendida expressiva quantidade de dinheiro em espécie, em moeda nacional e estrangeira, além de duas armas de fogo.

Publicado originalmente pela Polícia Federal em 16/12/2025

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Operação expõe rede bilionária de fraude em combustíveis https://www.ocafezinho.com/2025/11/27/operacao-expoe-rede-bilionaria-de-fraude-em-combustiveis/ https://www.ocafezinho.com/2025/11/27/operacao-expoe-rede-bilionaria-de-fraude-em-combustiveis/#respond Thu, 27 Nov 2025 19:40:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=222068 Receita desmonta engrenagem que ocultava tributos e lucros, desarticulando um conglomerado que acumulou mais de R$ 26 bilhões em dívidas e operou como devedor contumaz

A quinta-feira (27/11) começou com uma demonstração rara de articulação entre órgãos públicos para enfrentar um dos maiores esquemas de sonegação fiscal do país. A Receita Federal, com apoio da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) e de instituições estaduais e municipais, deflagrou a Operação “Poço de Lobato”, mirando um conglomerado que, além de controlar parte relevante da cadeia de combustíveis, figura como o maior devedor contumaz do Brasil — acumulando mais de R$ 26 bilhões em dívidas tributárias.


Rede coordenada mira cinco estados e um grupo com poder nacional

Ao todo, 126 mandados de busca e apreensão foram cumpridos em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Distrito Federal e Bahia. A operação mobiliza servidores da Receita Federal, do Ministério Público de São Paulo, da Secretaria da Fazenda e Planejamento paulista, da Secretaria Municipal da Fazenda, da PGFN, da Procuradoria-Geral do Estado e das polícias Civil e Militar.

O alvo não é novo no radar das autoridades. O grupo investigado mantém vínculos financeiros com empresas e pessoas ligadas à Operação Carbono Oculto, realizada em agosto de 2025, e atua em praticamente todo o território nacional. Seu núcleo principal está no Rio de Janeiro, mas seus tentáculos atravessam do comércio varejista ao complexo sistema de importação de combustíveis.


Bloqueio bilionário e movimentações suspeitas revelam estrutura empresarial paralela

O Cira/SP e a PGFN obtiveram medidas judiciais que bloquearam mais de R$ 10,2 bilhões em bens — de imóveis a veículos — para garantir o pagamento dos tributos sonegados. A investigação aponta que o grupo movimentou mais de R$ 70 bilhões em apenas um ano, manipulando empresas próprias, fundos de investimento e offshores. Parte dessas operações era administrada internamente, por financeiras controladas pelos próprios investigados.

Os números impressionam: um único núcleo financeiro movimentou mais de R$ 72 bilhões entre o segundo semestre de 2024 e o primeiro semestre de 2025. Essa engrenagem funcionava por meio de uma empresa “mãe” que comandava diversas “filhas”, todas operando em cadeia para dificultar a identificação de beneficiários finais. As chamadas “contas-bolsão”, utilizadas à margem da transparência regulatória, permitiam esconder a origem e o destino dos valores.

Após o colapso de distribuidoras atingidas pela Carbono Oculto, o grupo reorganizou totalmente sua estrutura financeira. Operadores que antes manejavam cerca de R$ 500 milhões passaram a controlar mais de R$ 72 bilhões, demonstrando a agilidade e a audácia da organização em contornar ações de fiscalização.


Fraudes estruturadas: da importação ao posto de gasolina

As irregularidades permeavam toda a cadeia de combustíveis. Importadoras adquiriram, entre 2020 e 2025, mais de R$ 32 bilhões em nafta, hidrocarbonetos e diesel, sempre atuando como “laranjas” de formuladoras e distribuidoras ligadas ao grupo.

A mesma organização foi recentemente alvo da Operação Cadeia de Carbono, que reteve quatro navios transportando 180 milhões de litros de combustível. A ANP interditou uma refinaria após constatar situações graves: importações com falsa declaração de conteúdo, ausência de provas de refino, uso de aditivos não autorizados e indícios de adulteração do combustível repassado ao consumidor.

Além disso, formuladoras, distribuidoras e postos ligados ao grupo praticavam sonegação sistemática, ampliando a concorrência desleal em um setor já marcado pela pressão tributária e pela falta de transparência.


Blindagem e lavagem: fundos, offshores e patrimônio oculto

A blindagem financeira seguia um padrão sofisticado. A Receita identificou 17 fundos ligados ao grupo, somando patrimônio líquido de R$ 8 bilhões. Muitos são fundos fechados com apenas um cotista — geralmente outro fundo — criando um labirinto contábil projetado para dificultar rastreamento. Há fortes indícios de conivência das administradoras responsáveis pelos fundos, que teriam omitido informações às autoridades fiscais.

A análise também identificou a participação de offshores registradas em Delaware, nos Estados Unidos, jurisdição conhecida pelo sigilo societário. Essas estruturas permitiam que os investigados não fossem tributados nem nos EUA nem no Brasil. O uso de empresas estrangeiras não parava aí: uma exportadora sediada em Houston, Texas, forneceu mais de R$ 12,5 bilhões em combustíveis ao conglomerado entre 2020 e 2025.

Pelo menos 15 offshores norte-americanas foram rastreadas, todas remetendo recursos para a compra de imóveis e participações societárias no Brasil, ultrapassando R$ 1 bilhão. Também foram identificados mais de R$ 1,2 bilhão enviados ao exterior como supostos contratos de mútuo, que depois retornavam ao país sob a fachada de investimentos estrangeiros — fechando um ciclo típico de lavagem internacional.


Nome simbólico remete às origens do petróleo brasileiro

O batismo da operação resgata um marco histórico: o Poço de Lobato, perfurado em 1939 no bairro homônimo de Salvador. O local simboliza o início da exploração petrolífera no país. Ao escolher o nome, os investigadores fizeram um paralelo direto entre a atividade legítima que marcou a industrialização brasileira e o esquema fraudulento de uma empresa inserida no mesmo setor, mas que se consolidou como um dos maiores sonegadores do país.


O avanço da Operação “Poço de Lobato” sinaliza uma guinada importante em um setor frequentemente dominado por interesses privados de alto poder econômico e político. Ao mirar um grupo que operou durante anos à sombra de regulações frágeis e de brechas legais, o Estado brasileiro demonstra que, quando instituições trabalham de forma coordenada e transparente, é possível enfrentar mesmo os maiores devedores — e proteger tanto a arrecadação quanto o consumidor final.

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Nova operação contra crime organizado que lava dinheiro com combustíveis https://www.ocafezinho.com/2025/11/27/nova-operacao-contra-crime-organizado-que-lava-dinheiro-com-combustiveis/ https://www.ocafezinho.com/2025/11/27/nova-operacao-contra-crime-organizado-que-lava-dinheiro-com-combustiveis/#respond Thu, 27 Nov 2025 16:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=222042 Operação deflagrada nesta quinta (27) pela Receita Federal e parceiros mira grupo alvo que figura como maior devedor contumaz do País, com débitos superiores a R$ 26 bilhões. Grupo investigado mantém relações financeiras com envolvidos na Operação Carbono Oculto

A Receita Federal, em conjunto com órgãos parceiros, deflagrou nesta quinta-feira (27/11) a Operação Poço de Lobato, para combater um sofisticado esquema de sonegação fiscal e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis. Estão sendo cumpridos 126 mandados de busca e apreensão contra pessoas físicas e jurídicas em cinco estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Distrito Federal e Bahia.

A operação mira o crime organizado e uma das maiores facções ilegais do País, que usa o setor de combustíveis para lavar dinheiro do tráfico de drogas, armas e todo o tipo de crime. Ao mirar os chamados devedores contumazes, a operação não tem a finalidade principal de combater a sonegação, e sim de, a partir do combate a esse prática fiscal, asfixiar financeiramente o crime organizado e capturar suas principais lideranças.

Participam da operação servidores públicos da Receita Federal do Brasil (RFB), Ministério Público de São Paulo (MP/SP), Secretaria da Fazenda e Planejamento do Estado de São Paulo (Sefaz/SP), Secretaria Municipal de Fazenda de São Paulo (SMF), Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), Procuradoria-Geral do Estado de São Paulo (PGE/SP) e Polícias Civil e Militar.

O grupo investigado mantém relações financeiras com empresas e pessoas ligadas à Operação Carbono Oculto, realizada em agosto de 2025, e figura como o maior devedor contumaz do País, com débitos superiores a R$ 26 bilhões.

A PGFN e o Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos do Estado de São Paulo (Cira/SP) obtiveram o deferimento de medidas cautelares em ações judiciais cíveis que bloquearam mais de R$ 10,2 bilhões em bens dos envolvidos, incluindo imóveis e veículos, para a garantia do crédito tributário.

Por meio de complexas operações financeiras, o grupo movimentou mais de R$ 70 bilhões em apenas um ano, utilizando empresas próprias, fundos de investimento e offshores — incluindo uma exportadora fora do Brasil — para ocultar e blindar lucros. Suas operações financeiras são administradas pelo próprio grupo, que controla empresas financeiras e utiliza estruturas internacionais para blindagem patrimonial.

A investigação abrange todos os níveis da cadeia de combustíveis, da importação à comercialização ao consumidor final. O grupo possui núcleo no estado do Rio de Janeiro e atuação em praticamente todo o território nacional.

Fraudes

Importadoras atuavam como interpostas pessoas, adquirindo do exterior nafta, hidrocarbonetos e diesel com recursos proveniente de formuladoras e distribuidoras vinculadas ao grupo. Apenas entre 2020 e 2025, foram importados mais de R$ 32 bilhões em combustíveis pelos investigados.

A empresa foi alvo da recente Operação Cadeia de Carbono, na qual foram retidos quatro navios contendo aproximadamente 180 milhões de litros de combustível. Em decorrência dessa operação, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) determinou a interdição da refinaria após constatar diversas irregularidades, entre elas a suspeita de importação com falsa declaração do conteúdo (gasolina importada declarada como derivados de petróleo para industrialização), ausência de evidências do processo de refino e indícios de uso de aditivos químicos não autorizados pela regulamentação, pois alteram as características do produto e podem indicar tentativa de adulteração do produto vendido ao consumidor.

Refinaria no Rio é um dos elos da cadeia criminosa. | Divulgação

Formuladoras, distribuidoras e postos de combustíveis também vinculados à organização sonegavam reiteradamente tributos em suas operações de venda.

As apurações revelaram ainda que formuladoras, distribuidoras e postos de combustíveis vinculados ao grupo sonegavam reiteradamente tributos em suas operações de comercialização, ampliando o impacto das irregularidades sobre a arrecadação e a concorrência no setor.

Ocultação

Os valores do grupo eram concentrados em empresas financeiras controladas pelo próprio grupo. A Receita Federal identificou que uma grande operadora financeira atuava como sócia de outras instituições que também prestavam serviços ao grupo. Esse núcleo movimentou mais de R$ 72 bilhões entre o segundo semestre de 2024 e o primeiro semestre de 2025.

O esquema envolvia uma empresa financeira “mãe” controlando diversas “filhas”, criando operações complexas que dificultavam a identificação dos verdadeiros beneficiários. Assim como na Carbono Oculto, foram exploradas brechas regulatórias, como as “contas-bolsão”, que impedem o rastreamento do fluxo dos recursos. A principal financeira tinha 47 contas bancárias em seu nome, vinculadas contabilmente às empresas do grupo.

Após a paralisação das distribuidoras ligadas à Carbono Oculto, o grupo alvo da Poço de Lobato alterou totalmente sua estrutura financeira, substituindo o modelo usado desde 2018 por outro com novos operadores e empresas. Esses operadores, antes responsáveis por movimentações de cerca de R$ 500 milhões, passaram a movimentar mais de R$ 72 bilhões após 2024.

Blindagem

O dinheiro ilícito era reinvestido em negócios, propriedades e outros ativos por meio de fundos de investimento, dando aparência de legalidade e dificultando o rastreamento. A Receita Federal já identificou 17 fundos ligados ao grupo, que somam patrimônio líquido de R$ 8 bilhões. Em sua maioria, são fundos fechados com um único cotista, geralmente outro fundo, criando camadas de ocultação. Há indícios de que as Administradoras colaboraram com o esquema, omitindo informações à Receita Federal.

Operações com empresas offshore

A análise dos fundos identificou a participação de entidades estrangeiras como sócias e cotistas, além da coincidência de representantes legais entre offshores e fundos. Essas entidades foram constituídas em Delaware, nos Estados Unidos, jurisdição conhecida por permitir a criação de empresas do tipo LLC com anonimato e sem tributação local, desde que não gerem renda em território norte-americano. Por meio dessa estrutura, as entidades deixam de ser tributadas tanto nos EUA quanto em território nacional. Tal prática, é comumente associada a estratégias voltadas à lavagem de dinheiro ou blindagem patrimonial dos envolvidos.

Uma das principais operações internacionais envolveu a aquisição de uma exportadora em Houston, Texas, da qual foram importados combustíveis no valor de mais de R$ 12,5 bilhões entre 2020 e 2025. Já foram identificadas mais de 15 offshores nos EUA, que remetem recursos para aquisição de participações e imóveis no Brasil, totalizando cerca de R$ 1 bilhão. Também foram detectados envios ao exterior superiores a R$ 1,2 bilhão sob a forma de contratos de mútuo conversíveis em ações, que podem retornar ao Brasil como investimentos por meio de outras offshores, fechando o ciclo.

O nome da Operação “Poço de Lobato” faz referência ao primeiro poço de petróleo perfurado no Brasil, em 1939, no bairro Lobato, em Salvador (BA), marco inicial da exploração petrolífera nacional. A escolha do nome está diretamente relacionada à atividade da empresa alvo da operação, que atua no setor de combustíveis e figura entre os maiores sonegadores do país.

Publicado originalmente pela Agência Gov em 27/11/2025

Por Receita Federal

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Operações da PF desarticulam esquemas de lavagem de dinheiro e tráfico de drogas https://www.ocafezinho.com/2025/11/19/operacoes-da-pf-desarticulam-esquemas-de-lavagem-de-dinheiro-e-trafico-de-drogas/ https://www.ocafezinho.com/2025/11/19/operacoes-da-pf-desarticulam-esquemas-de-lavagem-de-dinheiro-e-trafico-de-drogas/#respond Wed, 19 Nov 2025 14:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=221565 Ações reafirmam compromisso do Governo do Brasil com o enfrentamento ao crime organizado

A Polícia Federal realizou ou integrou 14 operações entre segunda-feira (17/11) e esta terça-feira (18/11). As ações resultaram em prisões e na desarticulação de esquemas de lavagem de dinheiro e tráfico de drogas.

Algumas operações foram realizadas pelas Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (Ficco).

A Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco) é uma iniciativa de integração entre diferentes órgãos de segurança pública e instituições de justiça, com o objetivo de combater de forma articulada e eficiente as organizações criminosas que atuam no Brasil.

Ações

As operações vão de encontro às medidas tomadas recentemente pelo Governo do Brasil para o combate ao crime organizado, como o envio ao Congresso Nacional da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, que integra as esferas federal, estadual e municipal de segurança, prevê financiamento estável e padroniza coleta de dados. O propósito é garantir mais precisão e inteligência às políticas e fortalecer o combate ao crime organizado.

A PEC da Segurança soma-se a outras iniciativas federais no campo da segurança, como a assinatura do Projeto de Lei Antifacção Criminosa, que amplia sanções, acrescenta a figura da facção criminosa para a legislação e cria um banco nacional das organizações; e a sanção da lei que reforça o combate ao crime organizado prevendo penas de até 12 anos para conspiração e obstrução de ações contra organizações criminosas e amplia prerrogativas de proteção a agentes públicos envolvidos no enfrentamento.

São Paulo

A Polícia Federal localizou, na manhã desta segunda-feira (17/11), aproximadamente 405 kg de substância com características de cocaína durante a inspeção de um contêiner no Porto de Santos/SP, que seria embarcado com destino ao porto de Hamburgo, na Europa.

A substância ilícita estava ocultada no interior de big bags junto à carga regular. Após a identificação do material suspeito, a Polícia Federal realizou os procedimentos de perícia de local de crime, efetuou a apreensão da carga e iniciou diligências para identificar os responsáveis e esclarecer as circunstâncias da preparação e do envio da droga.

Na manhã desta terça-feira (18/11), uma operação de combate ao crime organizado e ao tráfico internacional de drogas foi realizada no Aeroporto Internacional de São Paulo. 26 mandados judiciais entre prisões temporárias, prisões preventivas e buscas e apreensões foram realizadas.

A Operação Teia tem como objetivo desarticular um grupo criminoso especializado no envio de substância entorpecente para a Europa utilizando a modalidade conhecida como “mulas engolidas”. Parte dos investigados é apontada como liderança dessa atividade ilícita na região de Guarulhos, identificada a partir de análises de inteligência realizadas após ações de 2024.

Dois suspeitos, que se encontram no exterior, tiveram seus dados incluídos em difusão internacional de captura. As investigações indicam que o grupo pode ter sido responsável pelo envio de dezenas de indivíduos aliciados para transportar cápsulas com droga para o exterior.

Em 2025, até a presente data, a polícia federal no Aeroporto Internacional de São Paulo já prendeu 176 pessoas por transporte de droga no estômago, número que supera o total registrado em anos anteriores. Essa prática representa risco elevado à vida dos envolvidos devido à possibilidade de rompimento das cápsulas, além de demandar a utilização de leitos hospitalares para o procedimento de expulsão da substância, realizado sob custódia da Polícia Penal do Estado de São Paulo.

Já a Operação Caronte foi destinada a desarticular uma rede de operadores financeiros envolvidos em atividades ilegais de compra e venda de moeda estrangeira no mercado paralelo. Estão sendo cumpridos quatro mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça Federal em São Paulo.

As investigações tiveram início após a prisão em flagrante de um indivíduo na aduana brasileira, em Chuí (RS), quando tentava deixar o país transportando numerário sem a devida declaração. A partir dessa prisão, a PF identificou outros integrantes da rede criminosa, responsáveis por movimentações financeiras incompatíveis com suas capacidades econômicas declaradas, sugerindo atuação estruturada em operações cambiais ilegais.

A Polícia Federal deflagrou também nesta terça-feira operação para apurar a atuação de uma organização criminosa especializada em lavagem de dinheiro por meio de movimentações financeiras realizadas por operador responsável por gerir contas utilizadas para ocultação de valores ilícitos. A PF identificou a movimentação irregular de cerca de R$ 45 milhões.

Foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão nas cidades de Manicoré (AM), Humaitá (AM), Cruz (CE) e São José do Rio Preto (SP). A ação contou com a participação de 30 policiais federais. As ordens judiciais foram expedidas pela 7ª Vara Federal de São Paulo/SP.

As investigações apontam que o grupo criminoso movimentava contas de empresas registradas em nome de terceiros para ocultar capitais provenientes de tráfico de drogas, contrabando, descaminho e extração ilegal de ouro.

Os investigados poderão responder pelos crimes de lavagem de dinheiro e organização criminosa.

E uma operação em Itapetininga (SP) foi realizada com o objetivo de reprimir a prática de contrabando, especialmente relacionada à comercialização de cigarros eletrônicos.

Durante as diligências, uma pessoa foi presa em flagrante em razão da posse e comercialização de produtos de ingresso proibido no território nacional.

O material apreendido será submetido à perícia, e o preso foi conduzido à autoridade policial para as medidas cabíveis. As investigações prosseguem para identificar outros possíveis envolvidos.

Paraná

A Polícia Federal deflagrou, nesta terça-feira (18/11), a Operação Resgate Ilícito, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa envolvida no transporte e comercialização de produtos eletrônicos introduzidos irregularmente no país, além da prática dos crimes de corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro.

Foram cumpridos 12 mandados de busca e apreensão, bem como medidas de sequestro de bens, nas cidades de Cascavel e Foz do Iguaçu, ambas no estado do Paraná.

As investigações tiveram início a partir de prisões realizadas entre 2024 e 2025, quando foram apreendidas cargas ilícitas avaliadas em cerca de R$ 20 milhões, compostas por smartphones desacompanhados de documentação fiscal e cigarros eletrônicos, cuja comercialização é proibida no Brasil.

Durante a apuração, foi identificada uma estrutura criminosa que utilizava empresas de fachada e veículos registrados em nome de terceiros para conferir aparência de legalidade às operações ilícitas.

A investigação aponta ainda indícios do envolvimento de policiais, que, em maio de 2025, participaram de uma suposta ação de resgate de carga roubada, sob a alegação de busca por um caminhão subtraído. As evidências indicam que a ação visava proteger interesses do grupo criminoso e facilitar a recuperação de bens ilícitos.

Já a Operação Piperita investiga tráfico internacional de drogas e outros crimes relacionados.

As apurações começaram após a Delegacia da PF em Guaíra (PR) identificar um grande carregamento de maconha. A partir dessa informação inicial, diligências e ações de inteligência permitiram avançar na identificação de pessoas ligadas ao esquema criminoso.

Foram cumpridos dois mandados de prisão temporária, expedidos pela Justiça Federal. Um casal de Palotina (PR) foi preso — eles seriam os responsáveis pelo imóvel onde toneladas de drogas eram armazenadas. Também foi cumprido mandado de busca e apreensão em um imóvel rural no mesmo município.

O imóvel rural que servia de depósito para a droga foi sequestrado, incluindo o bloqueio de uma fazenda de grande porte, por ter sido utilizada para a prática criminosa.

A PF seguirá com as investigações para identificar todos os envolvidos e apurar a possível existência de uma organização criminosa dedicada ao tráfico internacional de drogas.

A Polícia Federal reforça que recebe denúncias, inclusive de forma anônima, por seus canais oficiais de comunicação, como o “Comunica PF”.

A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta terça-feira (18/11), a Operação Escolta, destinada ao cumprimento de medidas cautelares contra integrantes de uma organização criminosa transnacional com atuação voltada ao descaminho de aparelhos celulares de alto valor provenientes do Paraguai, bem como à lavagem de dinheiro e, secundariamente, ao tráfico internacional de armas de fogo e munições.

Estão sendo cumpridos 5 mandados de prisão preventiva, 35 mandados de busca e apreensão, além de medidas cautelares diversas da prisão, como a monitoração eletrônica por tornozeleira, bem como o sequestro e bloqueio de bens e valores que totalizam aproximadamente R$ 57 milhões.

As diligências ocorrem simultaneamente em 12 municípios distribuídos em quatro estados da Federação, com a atuação coordenada de diversas equipes da Polícia Federal e apoio da Receita Federal em dois estabelecimentos comerciais.

As investigações, conduzidas entre os anos de 2024 e 2025, constataram que os produtos ingressavam irregularmente no território nacional pela Ponte Internacional da Amizade, em Foz do Iguaçu, utilizando-se de motoqueiros transportando “cotas”, veículos com fundos falsos e rotas fluviais clandestinas no rio Paraná.

Após a entrada no país, os eletrônicos eram armazenados em um hotel em Foz do Iguaçu, transferidos para residências situadas em condomínios fechados, e posteriormente remetidos a Curitiba, ao Norte do Paraná e a outros centros consumidores nacionais, em caminhões equipados com compartimentos ocultos.

Ao longo das investigações, foram registradas 16 ocorrências com apreensão de eletrônicos, cujo valor estimado ultrapassa R$ 13 milhões. As investigações também identificaram indícios de que, em menos de um ano, uma única investigada internalizou irregularmente o equivalente a mais de R$ 50 milhões em aparelhos celulares. Também foi constatado que o grupo fazia uso de escoltas para garantir a segurança do transporte dos produtos ilícitos, bem como adoção de métodos de contrainteligência, como equipamentos de raio-X e bloqueadores de sinal (jammers).

Bahia

Nesta terça-feira (18/11), a Força Integrada de Combate ao Crime Organizado na Bahia – Ficco/BA, em ação conjunta com a Delegacia Territorial de Ipiaú e o Comando de Policiamento Regional Médio Rio de Contas (PM/BA), deflagrou operação Alta Potência 2, com o objetivo de desarticular uma facção criminosa violenta responsável por tráfico de drogas, homicídios e lavagem de dinheiro.

As investigações identificaram que o grupo atuava principalmente nos municípios baianos de Ipiaú, Jequié e Itagibá, mantendo conexões interestaduais. A operação cumpre 79 ordens judiciais, sendo 38 mandados de busca e apreensão e 31 mandados de prisão preventiva, além do sequestro de oito imóveis e bloqueio de ativos financeiros de 21 investigados, atingindo valores em mais de 90 contas bancárias. As ações ocorrem simultaneamente nos estados da Bahia, São Paulo, Minas Gerais e Santa Catarina, com a mobilização de mais de 250 policiais.

A investigação avançou após a prisão do líder da organização criminosa, ocorrida em junho de 2025, na cidade de Barra Velha (SC), durante operação anterior. Na ocasião, foram apreendidos elementos que permitiram aprofundar as apurações sobre os eixos financeiro, logístico e operacional da facção. Com isso, foi possível identificar a estrutura completa do grupo, incluindo operadores financeiros e responsáveis pela venda direta de drogas.

O núcleo financeiro movimentou cerca de R$ 52 milhões em pouco mais de três anos, utilizando contas bancárias e aquisição de imóveis para lavar recursos ilícitos. A liderança e seus familiares mantinham residências em diferentes estados, como Sacramento (MG), Barra Velha (SC) e São Paulo (SP), enquanto controlavam o tráfico na Bahia, longe da violência que fomentavam.

As ações desta fase da operação abrangem cidades baianas como Ipiaú, Itagibá, Gandu, Ubatã, Jequié, Ilhéus, Porto Seguro, Salvador, Ibirataia e Serrinha.

A Ficco/BA é composta pela Polícia Federal, Polícia Militar da Bahia, Polícia Civil da Bahia, Polícia Penal da Bahia, Secretaria Nacional de Políticas Penais e Secretaria de Segurança Pública do Estado da Bahia.

Santa Catarina

Na noite de segunda-feira, um casal foi preso por tráfico de drogas em uma operação da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado de Santa Catarina (Ficco/SC). Com eles, foram apreendidas cerca de 495 kg de maconha. A prisão ocorreu durante uma abordagem no Km220 da BR-282, próximo ao município de Lages (SC).

O motorista do veículo desobedeceu a ordem de parada dos policiais e tentou fugir, porém o veículo foi interceptado e o condutor, juntamente como uma mulher, foram presos.

Além da droga, os policiais constataram que o veículo conduzido também possuía placa clonada.

Os presos, a droga e o veículo foram encaminhados para a Delegacia de Polícia Federal em Lages (SC), onde as investigações terão continuidade.

A Ficco/SC é composta pela Secretaria Nacional de Políticas Penais, Polícia Civil, Polícia Federal, Polícia Militar do Estado de Santa Catarina e Polícia Penal do Estado de Santa Catarina e tem como objetivo combater o crime organizado de forma integrada e eficiente.

Ceará

A Polícia Federal apreendeu substância entorpecente no Terminal de Carga Internacional do Aeroporto de Fortaleza. A droga estava na forma líquida, diluída em aproximadamente 180 garrafas de vinho branco que tinham como destino Cabo Verde, na África.

A apreensão ocorreu durante trabalho de rotina com apoio dos cães detectores de drogas da Polícia Federal no Ceará. O material foi encaminhado para perícia e as investigações continuam para identificar os responsáveis pelo envio da carga ilícita.

Alagoas

A Polícia Federal deflagrou a Operação Desfomento, que investiga possíveis crimes de estelionato majorado contra a União, lavagem de dinheiro e associação criminosa, envolvendo duas organizações sociais alagoanas e uma empresa de Recife (PE).

Durante as investigações ficou comprovado que os suspeitos inseriram dados falsos em um sistema do Governo Federal, relativos a dois termos de fomento firmados com os Ministérios da Cultura e do Desenvolvimento Social, desviando R$ 300 mil que seriam destinados ao fomento da cultura e ao apoio a dependentes químicos em Alagoas.

Foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão nos municípios de Recife (PE), Gravatá (PE) e Jaboatão dos Guararapes (PE), além do sequestro de aproximadamente R$ 400 mil, que foi o proveito ilicitamente obtido pelos indiciados.

Espírito Santo

A Polícia Federal no Espírito Santo deflagrou, na manhã desta terça-feira (18/11), a Operação Mustang, no âmbito de ação de inciativa da Interpol que visa ao combate de crimes de tráfico de pessoas e contrabando de migrantes.

Foram cumpridos 13 mandados de busca e apreensão no Espírito Santo, em Minas Gerais, em São Paulo, no Rio de Janeiro, em Goiás e em Santa Catarina. Também foram cumpridos três mandados nos Estados Unidos da América, como resultado da cooperação da Polícia Federal com o Departamento de Investigações de Segurança Interna (HSI) da Imigração e Alfândega dos Estados Unidos.

Foi constatado que a organização criminosa atuou para que ao menos 154 viajantes brasileiros entrassem e permanecessem ilegalmente nos Estados Unidos, valendo-se de intermediários conhecidos como “coiotes”, além de operadores financeiros responsáveis pela realização de operações de câmbio irregulares e empresas e pessoas ligadas ao setor de viagens e turismo.

Os investigados, que estão proibidos de sair do país em virtude de decisão judicial, tiveram seus passaportes apreendidos e responderão pelos crimes de promoção de migração ilegal e organização criminosa.

Rondônia

A Polícia Federal deflagrou a Operação Red Cross, com o objetivo de desarticular grupo criminoso envolvido na logística de transporte de drogas e na lavagem de capitais em Rondônia.

Ao todo, foram expedidos seis mandados de busca e apreensão e um de prisão pela 1ª Vara de Garantias da Comarca de Porto Velho/RO, todos cumpridos na cidade de Porto Velho (RO). Durante a ação, foram apreendidas mídias, bem como quantia de R$ 25 mil.

As investigações tiveram início em julho de 2024, após a prisão em flagrante de duas pessoas que transportavam 68 kg de entorpecentes em um veículo nas proximidades de Nova Mamoré (RO), momento em que os ocupantes tentaram fugir pela mata, sendo um dos suspeitos identificado por meio de documento deixado no automóvel.

No dia seguinte, as mesmas pessoas foram novamente abordados pela Polícia Rodoviária Federal, quando retornavam para Porto Velho, acompanhados de outros dois suspeitos. Durante a apuração, foi identificada uma cadeia financeira voltada à lavagem de capitais provenientes do tráfico.

A investigação prossegue com a análise do material apreendido. Os investigados poderão responder pelos crimes de tráfico de drogas, associação para o tráfico e lavagem de dinheiro.

A Polícia Federal reafirma seu compromisso com o enfrentamento ao crime organizado, especialmente na repressão ao tráfico de entorpecentes e ao fluxo ilícito de capitais, contribuindo para a segurança da população e o fortalecimento do Estado Democrático de Direito.

Publicado originalmente pela Agência Gov em 18/11/2025

Por Polícia Federal

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Operação Overclean entra em sua oitava fase https://www.ocafezinho.com/2025/10/31/operacao-overclean-entra-em-sua-oitava-fase/ https://www.ocafezinho.com/2025/10/31/operacao-overclean-entra-em-sua-oitava-fase/#respond Fri, 31 Oct 2025 22:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=220217 STF determina cumprimento de mandados em BSB, SP e TO

Polícia Federal (PF), Controladoria-Geral da União (CGU) e Receita Federal (RF) deflagraram mais uma fase da Operação Overclean. A oitava etapa pretende desarticular uma organização criminosa suspeita de envolvimento em fraudes licitatórias, desvio de recursos públicos, corrupção e lavagem de dinheiro.

Cinco mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Brasília, São Paulo, Palmas e Gurupi (TO) por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF).

Está previsto também, segundo a PF, a investigação sobre o sequestro de valores obtidos de forma ilícita pelos suspeitos, que poderão responder pelos crimes de organização criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato, fraude em licitações e contratos administrativos, além de lavagem de dinheiro.

Fases iniciais da Overclean

A primeira fase da Operação Overclean foi desencadeada no dia 10 de dezembro de 2024, e investigou o direcionamento de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares e convênios para empresas e indivíduos ligados a prefeituras baianas.

Na época, a PF informou que o esquema contava com o apoio de policiais, que repassavam informações sensíveis à organização criminosa, como a identificação de agentes federais envolvidos em diligências sigilosas.

Ainda durante suas primeiras frentes de investigações, em dezembro de 2024, a Overclean contou com a ajuda da Agência Americana de Investigações de Segurança Interna (Homeland Security Investigations) para apurar o desvio de recursos públicos de emendas parlamentares e convênios.

Havia suspeitas de superfaturamento em obras e desvio de recursos para “empresas e indivíduos ligados a administrações municipais” – que teriam movimentado cerca de R$ 1,4 bilhão.

Na época, a PF informou que o “esquema ilícito teria atingido diretamente o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS), principalmente na Coordenadoria Estadual da Bahia (CEST- BA), além de outros órgãos públicos”.

Por determinação judicial, oito servidores públicos foram afastados de suas funções.

Fases recentes

Em junho de 2025, durante a quarta fase da operação, foi determinado o afastamento de dois prefeitos da Bahia, suspeitos de desvio de emendas parlamentares: Humberto Raimundo Rodrigues de Oliveira, do município de Ibipitanga; e Alan Machado, de Boquira.

Em julho de 2025, já na quinta fase da Overclean, o núcleo investigado teria manipulado procedimentos de licitações e desviado recursos públicos de emendas parlamentares destinadas ao município baiano de Campo Formoso.

Segundo os investigadores, houve também a tentativa de obstruir as investigações. O STF, então, determinou o bloqueio de R$ 85,7 milhões de contas de pessoas físicas e jurídicas investigadas.

A sétima fase da Operação Overclean foi deflagrada no dia 16 de outubro. Nela, foi expedida uma medida cautelar que acabou por afastar, do cargo, um agente público suspeito de participar do esquema.

Foram cumpridos mandados de busca e apreensão nas cidades baianas, Riacho de Santana, Wenceslau Guimarães; e Arraial do Cabo (RJ).

Publicado originalmente pela Agência Brasil em 31/10/2025

Por Pedro Peduzzi – Repórter da Agência Brasil – Brasília

Edição: Valéria Aguiar

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Mentiras sobre o Pix em janeiro mantiveram brechas para o crime lavar dinheiro sujo https://www.ocafezinho.com/2025/08/29/mentiras-sobre-o-pix-em-janeiro-mantiveram-brechas-para-o-crime-lavar-dinheiro-sujo/ https://www.ocafezinho.com/2025/08/29/mentiras-sobre-o-pix-em-janeiro-mantiveram-brechas-para-o-crime-lavar-dinheiro-sujo/#respond Fri, 29 Aug 2025 16:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=216376 As operações de hoje, Carbono Oculto, Quasar e Tank, demonstram algo que a Receita Federal já apontava: fintechs têm sido utilizadas para lavagem de dinheiro nas principais operações contra o crime organizado.

O Governo Federal decidiu e a Receita Federal determinou que as fintechs – empresas que usam a tecnologia para oferecer serviços financeiros – terão de prestar as mesmas informações sobre movimentação financeira que os bancos. A norma que exigia esse procedimento havia sido decidia em setembro do ano passado. E deveria ter entrado em prática a partir de janeiro.

Entretanto, a equipe econômica recuou da medida após a disseminação de fake news e a respeito da decisão, entre elas a de que o Pix passaria ser taxado. Na verdade, segundo a Receita, as novas regras de fiscalização do Pix somente iriam impor às fintechs o cumprimento de normas como às dos bancos, para monitorar as operações dos clientes em busca de irregularidades.

Na ocasião, a Receita Federal recebeu o maior ataque da história. Em nota, a Receita explica quais medidas passarão a valer para as fintechs.

Nota à imprensa

Fintechs têm sido utilizadas para lavagem de dinheiro nas principais operações contra o crime organizado, porque há um vácuo regulamentar, já que elas não têm as mesmas obrigações de transparência e de fornecimento de informações a que se submetem todas as instituições financeiras do Brasil há mais de 20 anos.

O crime organizado sabe disso e aproveita essa brecha para movimentar, ocultar e lavar seu dinheiro sujo.

No ano passado, a Receita Federal publicou uma Instrução Normativa estendendo as obrigações de transparência e informações às fintechs, para valer a partir de janeiro de 2025.

Em janeiro, uma onda enorme de mentiras e fake news , atribuindo uma falsa tributação dos meios de pagamento a essa normatização, acabou prejudicando o próprio uso desses instrumentos, forçando a Receita a dar um passo atrás e revogar a norma.

O que faremos agora não é a republicação daquela norma, pois não queremos dar margem para uma nova onda de mentiras.

A nova Instrução Normativa será bastante direta e didática, com apenas quatro artigos:

  • No primeiro artigo, vai deixar claro o intuito de combater o crime;
  • No segundo artigo, vai afirmar, de maneira clara e direta, que as instituições de pagamento e de arranjos de pagamento (fintechs) sujeitam-se exatamente às mesmas obrigações das instituições financeiras tradicionais (apresentação da e-Financeira);
  • No parágrafo único do segundo artigo, faremos referência expressa à Lei do Sistema de Pagamentos Brasileiro (art. 6º da Lei 12.865 de 2013), adotando estritamente suas definições de instituições de pagamentos, arranjos de pagamento e contas de pagamento. Deixando claro que não estamos criando nada de novo, apenas adotando as definições da lei já existente, e
  • Os parágrafos 3º e 4º são instrumentais, apenas referindo-se à regulamentação e à vigência a partir da publicação.

Contamos com a imprensa profissional para informar o público e proteger a população de pessoas sem escrúpulos e sem compromisso com a verdade.

Publicado originalmente pela Agência Gov em 28/08/2025

Por Receita Federal

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Grupo criminoso no setor de combustíveis é alvo de operações da PF https://www.ocafezinho.com/2025/08/28/grupo-criminoso-no-setor-de-combustiveis-e-alvo-de-operacoes-da-pf/ https://www.ocafezinho.com/2025/08/28/grupo-criminoso-no-setor-de-combustiveis-e-alvo-de-operacoes-da-pf/#respond Thu, 28 Aug 2025 14:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=216333 Investigações da PF e Receita Federal expõem movimentações ilícitas que ultrapassam R$ 23 bilhões em rede criminosa nacional

A Polícia Federal, com apoio da Receita Federal, deflagrou nesta quinta-feira (28/8) duas operações simultâneas voltadas ao combate à atuação do crime organizado na cadeia produtiva de combustíveis. As duas operações, embora distintas, têm em comum o objetivo de desarticular esquemas de lavagem de dinheiro, com grande impacto financeiro e envolvimento de organizações criminosas.

Operação Quasar

A Operação Quasar tem como objetivo desarticular uma organização criminosa especializada em lavagem de dinheiro e gestão fraudulenta de instituições financeiras. A investigação identificou um esquema sofisticado que utilizava fundos de investimento para ocultar patrimônio de origem ilícita, com indícios de ligação com facções criminosas.

A estrutura criminosa operava por meio de múltiplas camadas societárias e financeiras, nas quais fundos de investimento detinham participação em outros fundos ou empresas. Essa teia complexa dificultava a identificação dos verdadeiros beneficiários e tinha como principal finalidade a blindagem patrimonial e a ocultação da origem dos recursos.

Entre as estratégias utilizadas estavam transações simuladas de compra e venda de ativos — como imóveis e títulos — entre empresas do mesmo grupo, sem propósito econômico real.

Estão sendo cumpridos 12 mandados de busca e apreensão nas cidades de São Paulo, Campinas e Ribeirão Preto. A Justiça Federal autorizou o sequestro integral de fundos de investimento utilizados para movimentação ilícita, além do bloqueio de bens e valores até o limite de cerca de R$ 1,2 bilhão, valor correspondente às autuações fiscais já realizadas. Também foi determinado o afastamento dos sigilos bancário e fiscal de pessoas físicas e jurídicas envolvidas.

Operação Tank

Também deflagrada nesta quinta-feira, a Operação Tank tem como foco o desmantelamento de uma das maiores redes de lavagem de dinheiro já identificadas no estado do Paraná. O grupo criminoso atuava desde 2019 e é suspeito de ter lavado pelo menos R$ 600 milhões, movimentando mais de R$ 23 bilhões por meio de uma rede composta por centenas de empresas, incluindo postos de combustíveis, distribuidoras, holdings, empresas de cobrança e instituições de pagamento autorizadas pelo Banco Central.

A estrutura criminosa utilizava diversas táticas para ocultar a origem dos recursos, como depósitos fracionados em espécie (que ultrapassaram R$ 594 milhões), uso de “laranjas”, transações cruzadas, repasses sem lastro fiscal, fraudes contábeis e simulação de aquisição de bens e serviços. Além disso, o grupo é suspeito de se valer de brechas no Sistema Financeiro Nacional para realizar transações de forma anônima por meio de instituições de pagamento.

As investigações também revelaram práticas de fraude na comercialização de combustíveis, como adulteração de gasolina e a chamada “bomba baixa”, em que o volume abastecido é inferior ao indicado. Pelo menos 46 postos de combustíveis em Curitiba/PR estavam envolvidos nessas práticas.

Estão sendo cumpridos 14 mandados de prisão e 42 de busca e apreensão nos estados do Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro (cidades: Pinhais/PR, Curitiba/PR, Santana de Parnaíba/SP, Barueri/SP, São Paulo/SP, São Caetano do Sul/SP, Mairiporã/SP, Jundiaí/SP, Paulínia/SP, Jardinópolis/SP, Bertioga/SP, Rio de Janeiro/RJ). Foram bloqueados bens e valores de 41 pessoas físicas e 255 jurídicas, totalizando uma constrição patrimonial superior a R$ 1 bilhão.

As investigações continuam, com foco na expansão da organização criminosa para outros estados e na responsabilização dos envolvidos.

As operações de hoje visam desestruturar financeiramente as organizações criminosas, recuperar valores desviados e reforçar o compromisso da Polícia Federal no combate à lavagem de dinheiro e à infiltração do crime organizado no mercado financeiro.

Publicado originalmente pela PF em 28/08/2025

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Bolsonaro recebeu R$ 44 milhões desde 2023, diz PF https://www.ocafezinho.com/2025/08/22/bolsonaro-recebeu-r-44-milhoes-desde-2023-diz-pf/ https://www.ocafezinho.com/2025/08/22/bolsonaro-recebeu-r-44-milhoes-desde-2023-diz-pf/#respond Fri, 22 Aug 2025 18:13:55 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=215960 Coaf considera volume atípico e aponta “indícios de lavagem de dinheiro”. Relatório compõe inquérito sobre suspeita de coação no julgamento da trama golpista.

O ex-presidente Jair Bolsonaro recebeu cerca de R$ 44,3 milhões em suas contas bancárias entre março de 2023 e junho de 2025, segundo informações do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) analisadas pela Polícia Federal (PF) e citadas pelo jornal Folha de S.Paulo e pelo portal UOL.

Deste total, cerca de R$ 30 milhões caíram nas contas do ex-presidente em apenas um ano, entre março de 2023 e fevereiro de 2024. Ao todo, Bolsonaro recebeu R$ 30.576.801,36 em créditos e retirou R$ 30.595.430,71 no período.

As informações foram juntadas ao inquérito que indiciou Bolsonaro e um de seus filhos, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), por coação de autoridades para impedir o avanço do julgamento da trama golpista. O ex-presidente é réu no processo que corre no Supremo Tribunal Federal (STF) e deve ser concluído ainda em setembro.

O Coaf considerou atípicas as movimentações de recursos, e os investigadores citam “indícios de possíveis práticas de lavagem de dinheiro ou outros ilícitos”. O órgão atua no combate à lavagem de dinheiro e é ligado ao Ministério da Fazenda.

R$ 20,7 milhões recebidos via Pix

Dos mais de R$ 44 milhões recebidos por Bolsonaro em quase dois anos, R$ 20,7 milhões chegaram às contas do ex-presidente via Pix, sendo pouco mais de R$ 19 milhões apenas entre março de 2023 e fevereiro de 2024 em 1.214.254 operações.

A maior parte desse valor corresponde aos recursos canalizados via doações de apoiadores entre 2023 e 2024.

Em 2023, aliados mobilizaram doadores com uma campanha para pagar multas e advogados do ex-presidente, mas não há menção a isso no relatório da PF.

Resgates de investimentos, operações de câmbio, proventos e previdência privada também integraram os valores recebidos.

Entre os principais pagadores a Bolsonaro está o PL, seu partido, que lhe transferiu R$ 1,1 milhão em quase dois anos. Outros montantes foram recebidos via transferência direta e depósitos em cheque.

Os recursos foram usados principalmente para o pagamento de dois escritórios de advocacia, despesas que atingiram R$ 6,6 milhões. Débitos também foram registrados a empresas de engenharia, arquitetura e concessionárias de veículos, além de R$ 198 mil em 97 saques e R$ 18,3 milhões aplicados em títulos de renda fixa.

Outros R$ 25 mil foram gastos em três operações de câmbio.

Coaf considera 50 movimentações como atípicas

O Coaf considerou atípicas ao menos 50 transações suspeitas envolvendo o ex-presidente e pessoas ligadas a ele, como Eduardo e a esposa, Michelle Bolsonaro. A PF também identificou um grande volume de transações no período de dezembro de 2024 a junho de 2025, quando foram movimentados R$ 22 milhões.

Entre as operações atípicas relacionadas a Bolsonaro, consta o repasse de R$ 2 milhões para bancar a estadia de Eduardo nos Estados Unidos. A transferência foi feita em 13 de maio deste ano.

O repasse já era de conhecimento público e foi confirmado pelo próprio Bolsonaro em depoimento à PF.

No entanto, o Coaf registrou outra transferência de R$ 2 milhões de sua conta para Michelle Bolsonaro. De acordo com a PF, a quantia foi omitida pelo ex-presidente no depoimento prestado durante as investigações. A corporação acredita que as transferências foram feitas para contornar bloqueios de recursos.

No caso de Eduardo, foi encontrada uma operação de câmbio de R$ 1,6 milhão para uma conta no banco Wells Fargo, nos Estados Unidos. A movimentação ocorreu no dia 26 de maio deste ano.

“Adicionalmente, a empresa [corretora] declarou, na mesma comunicação, que o valor teria como origem uma doação realizada por seu genitor, Jair Bolsonaro, conforme indicado em extrato bancário encaminhado à corretora”, completou o relatório.

Eduardo e Bolsonaro indiciados

O levantamento do Coaf reforça os apontamentos da PF de que a ação de Eduardo Bolsonaro nos EUA recebeu aportes vultosos do pai, considerado pela corporação como financiador da articulação. O lobby levou autoridades americanas a sancionarem o Brasil e juízes do Supremo Tribunal Federal (STF), o que, para a polícia, indica tentativa de atrapalhar o processo penal.

A defesa do ex-presidente não se manifestou sobre o relatório do Coaf. Mais cedo, disse ter sido surpreendida com o indiciamento de seu cliente e negou que medidas cautelares foram descumpridas.

O ministro do STF Alexandre de Moraes deu prazo de 48 horas para a defesa de Bolsonaro esclarecer informações obtidas pela PF, incluindo o documento encontrado em seu celular em que ele pede asilo político ao presidente da Argentina, Javier Milei. O prazo termina nesta sexta-feira (22/08).

Publicado originalmente pelo DW em 2/08/2025

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PF apura desvio de recursos públicos e fraudes em licitações no Ceará https://www.ocafezinho.com/2025/07/08/pf-apura-desvio-de-recursos-publicos-e-fraudes-em-licitacoes-no-ceara/ https://www.ocafezinho.com/2025/07/08/pf-apura-desvio-de-recursos-publicos-e-fraudes-em-licitacoes-no-ceara/#respond Tue, 08 Jul 2025 19:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=212309 Bloqueados R$ 54,6 milhões em contas de pessoas físicas e jurídicas

A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta terça-feira (8) a Operação Underhand, que investiga organização criminosa suspeita de desviar recursos públicos por meio de fraudes em processos licitatórios e contratuais.

Em nota, a corporação informou que foram cumpridos 15 mandados de busca e apreensão expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em Fortaleza e Brasília e nos municípios cearenses de Nova Russas, Eusébio, Canindé e Baixio.

Segundo a PF, o núcleo investigado é suspeito de articular o direcionamento de verbas públicas para municípios cearenses mediante contrapartidas financeiras ilícitas, além de influenciar procedimentos licitatórios por meio de empresas vinculadas ao grupo.

Bloqueados R$ 54,6 milhões

Ainda de acordo com o comunicado, foi determinado o bloqueio de R$ 54,6 milhões em contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas investigadas, “com o objetivo de interromper a movimentação de valores de origem ilícita e preservar ativos para eventual reparação ao erário”.

“As condutas investigadas envolvem os crimes de organização criminosa, captação ilícita de sufrágio, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica com fim eleitoral”, concluiu a corporação.

A investigação conta com apoio técnico da Controladoria-Geral da União (CGU).

Publicado originalmente pela Agência Brasil em 08/07/2025

Por Paula Laboissière – Repórter da Agência Brasil – Brasília

Edição: Kleber Sampaio

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EUA caçam rede do Hezbollah na fronteira brasileira https://www.ocafezinho.com/2025/05/20/eua-cacam-rede-do-hezbollah-na-fronteira-brasileira/ https://www.ocafezinho.com/2025/05/20/eua-cacam-rede-do-hezbollah-na-fronteira-brasileira/#respond Tue, 20 May 2025 15:20:35 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=209119 Estados Unidos oferecem recompensa milionária por informações sobre o financiamento do Hezbollah na região entre Brasil, Paraguai e Argentina

O governo dos Estados Unidos anunciou uma recompensa de até US$ 10 milhões (cerca de R$ 56,5 milhões) para quem fornecer informações sobre “os mecanismos financeiros” do grupo libanês Hezbollah na região da Tríplice Fronteira, entre Argentina, Brasil e Paraguai. De acordo com a Embaixada dos EUA no Brasil, o objetivo é obter detalhes sobre contrabando, lavagem de dinheiro e outras operações financeiras do grupo na área. O pagamento será feito pelo programa Rewards for Justice (RFJ) — iniciativa do Departamento de Estado americano que premia informações que ajudem a combater o terrorismo.

Segundo o RFJ, o Hezbollah tem obtido recursos na região por meio de:
✔ Lavagem de dinheiro
✔ Tráfico de drogas
✔ Falsificação de dólares
✔ Comércio ilegal de diamantes
✔ Contrabando de produtos como carvão, cigarros e petróleo

Além disso, o grupo também estaria envolvido em negócios “aparentemente legítimos”, como construção civil, importação e exportação e venda de imóveis, segundo o programa.

Hezbollah na mira dos EUA

O Hezbollah é classificado como organização terrorista pelos EUA desde 1997, e a Tríplice Fronteira já foi repetidamente apontada como uma das principais bases de financiamento do grupo.

Em comunicado divulgado nesta segunda-feira (19/5), o RFJ afirmou:
“Os financiadores e facilitadores do Hezbollah na Tríplice Fronteira operam redes multinacionais que geram milhões de dólares para o grupo no Hemisfério Ocidental. Muitos desses indivíduos também organizam campanhas de arrecadação e enviam recursos para o Hezbollah no Oriente Médio.”

A recompensa é oferecida para quem fornecer informações que levem à identificação e desarticulação desses esquemas. O governo americano busca dados sobre:
✔ Doadores e facilitadores financeiros
✔ Instituições financeiras ou casas de câmbio que realizem transações suspeitas
✔ Empresas controladas pelo Hezbollah ou usadas como fachada

O que é o Hezbollah?

O Hezbollah é um partido político e grupo armado xiita com forte influência no Líbano, onde controla uma das maiores milícias do país. Surgiu nos anos 1980 em resposta à ocupação israelense no sul do Líbano e recebe apoio militar e financeiro do Irã.

O grupo já realizou ataques contra forças israelenses e americanas e é considerado organização terrorista por EUA, Israel e vários países ocidentais.

Operações contra o Hezbollah no Brasil

Em novembro de 2023, a Polícia Federal (PF) prendeu três suspeitos de ligação com o Hezbollah na Operação Trapiche, que investigava o financiamento de terrorismo no país. Os alvos eram acusados de planejar ataques contra a comunidade judaica, incluindo a Embaixada de Israel em Brasília.

As investigações, realizadas com apoio de agências de inteligência dos EUA e Israel, indicaram que os planos foram intensificados após o conflito entre Hamas e Israel em outubro de 2023.

Em agosto de 2024, uma nova fase da operação levou à prisão de outro suspeito em Belo Horizonte, acusado de financiar atividades terroristas usando contas bancárias abertas em nome de imigrantes vulneráveis.

Histórico de atuação na Tríplice Fronteira

A região da Tríplice Fronteira é há anos monitorada por agências de inteligência internacionais devido à suspeita de atividades ilícitas ligadas ao Hezbollah.

✔ 2002: EUA criaram o “3 + 1 Group on Tri-Border Area Security” para treinar autoridades locais no combate ao terrorismo.
✔ 2011: Congresso americano realizou audiência sobre o tema, classificando a área como “epicentro de atividades criminosas”.
✔ 2006: O libanês Assad Ahmad Barakat, conhecido como “tesoureiro do Hezbollah”, foi incluído na lista de terroristas globais por financiar o grupo na região. Ele foi preso no Brasil em 2018 e extraditado para o Paraguai em 2020.

Autoridades argentinas também atribuem ao Hezbollah os ataques à Embaixada de Israel (1992) e ao prédio da AMIA (1994), que deixaram mais de 100 mortos. Segundo investigações, os atentados foram planejados na Tríplice Fronteira.

A oferta de recompensa reforça a preocupação dos EUA com a influência do Hezbollah na América Latina, especialmente em áreas com fronteiras pouco fiscalizadas. Enquanto isso, operações conjuntas entre Brasil, EUA e Israel continuam visando desarticular células do grupo no país.

O libanês Assad Ahmad Barakat, acusado de ser um dos principais financiadores do Hezbollah na Tríplice Fronteira, sempre negou qualquer envolvimento com atividades terroristas. Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo em 2002, ele afirmou que as acusações eram parte de um “complô econômico” para incriminá-lo e que teriam sido forjadas por um rival comercial que buscava vingança.

“Esse absurdo (envolvimento com terrorismo) só veio se somar ao monte de mentiras que forjaram contra minha pessoa”, declarou Barakat na época.

Ele admitiu ser simpatizante do Hezbollah, mas ressaltou que “isso não é crime”.

Outros nomes na mira das autoridades

Em 2006, o Tesouro americano impôs sanções a Farouk Omairi, um libanês naturalizado brasileiro, identificado como um “coordenador de integrantes do Hezbollah na região” e “figura-chave na obtenção de documentos falsos brasileiros e paraguaios”.

Quase 17 anos depois, em junho de 2023, o juiz federal argentino Daniel Rafecas pediu à Interpol que localizasse Omairi e outros três suspeitos de origem libanesa para interrogá-los sobre o ataque à AMIA em 1994.

Em sua decisão, Rafecas afirmou que havia “suspeitas bem fundamentadas” de que os investigados eram “colaboradores ou agentes operacionais do braço armado do Hezbollah”, segundo a Associated Press.

Outro nome citado no caso é Ali Hussein Abdallah, também naturalizado brasileiro e possivelmente residente na Tríplice Fronteira.

Hezbollah e o tráfico de drogas: suspeitas de parceria com o PCC

Um dos aspectos que mais preocupa autoridades brasileiras e internacionais é a possível ligação entre o Hezbollah e facções criminosas, principalmente no tráfico internacional de drogas.

No Brasil, essa conexão foi investigada em um caso envolvendo Elton Leonel Ruminich da Silva, conhecido como “Galã”, um brasileiro apontado como traficante internacional ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo a Polícia Federal, ele seria um dos principais nomes da facção na fronteira com o Paraguai.

Em 2019, a Secretaria de Administração Penitenciária do Rio de Janeiro encontrou indícios de que “Galã” mantinha contatos com integrantes do Hezbollah e estaria planejando uma fuga. Na época, ele estava preso em Bangu 1, mas foi transferido para um presídio federal de segurança máxima após a descoberta.

Procurado pela BBC News Brasil em 2023, o advogado de “Galã”, Eugenio Malavasi, negou qualquer vínculo do cliente com o grupo libanês:

“Essas conexões nunca foram provadas. Não existem. Não há nenhum elemento factual que corrobore essa vinculação”, afirmou.

Relação Hezbollah-PCC: evidências e rota do crime

Jorge Lasmar, professor de Relações Internacionais da PUC-Minas, afirma que investigações da Polícia Federal já identificaram laços entre o Hezbollah e o PCC, principalmente em operações de contrabando e tráfico de drogas.

“As evidências em relação a isso estão cada vez maiores. Um documento de 2014 da PF aponta essa parceria, e os EUA sempre destacam essa ligação”, explica Lasmar.

Segundo ele, o Hezbollah utilizaria rotas controladas pelo PCC — como a Tríplice Fronteira e o aeroporto de Guarulhos — para traficar drogas, exigindo acordos com a facção paulista.

Enquanto suspeitos como Barakat e Omairi negam acusações, autoridades brasileiras, argentinas e americanas seguem monitorando a atuação do Hezbollah na região. A possível parceria com o PCC preocupa, já que poderia fortalecer redes criminosas internacionais.

Com recompensas milionárias e operações conjuntas, os EUA e seus aliados na América do Sul buscam desarticular esses esquemas, mas o desafio permanece complexo diante da sofisticação dessas organizações.

Com informações de BBC*

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Collor é preso em Maceió e o Brasil assiste sua queda histórica https://www.ocafezinho.com/2025/04/25/collor-e-preso-em-maceio-e-o-brasil-assiste-a-sua-queda-historica/ https://www.ocafezinho.com/2025/04/25/collor-e-preso-em-maceio-e-o-brasil-assiste-a-sua-queda-historica/#respond Fri, 25 Apr 2025 14:45:58 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=207529 Ex-presidente foi preso em Maceió após decisão do STF, cumprindo sentença por corrupção e lavagem de dinheiro; política e justiça se encontram em um novo capítulo

O ex-presidente da República Fernando Collor de Mello foi preso na madrugada desta sexta-feira (25) em Maceió, Alagoas, após decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Segundo sua defesa, a prisão ocorreu por volta das 4h, quando o político se preparava para viajar a Brasília a fim de cumprir voluntariamente o mandado de prisão.

Collor foi conduzido à Superintendência da Polícia Federal em Alagoas e aguarda a confirmação da decisão em uma sessão virtual do STF, marcada para ocorrer entre 11h e 23h59 desta sexta.

Condenação por corrupção e lavagem de dinheiro

A prisão foi decretada após Moraes negar um recurso da defesa que pedia a revisão da condenação de 8 anos e 10 meses de prisão, definida em 2023 pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

O caso remonta ao período em que Collor era dirigente do PTB e teria recebido R$ 20 milhões em vantagens indevidas em contratos da BR Distribuidora, subsidiária da Petrobras, entre 2010 e 2014. O STF considerou que ele indicou nomes para cargos na estatal em troca de benefícios.

Em novembro de 2023, o tribunal manteve a condenação após rejeitar embargos de defesa. Na quinta-feira (24), Moraes negou um novo recurso, classificando-o como “meramente protelatório”, e ordenou a prisão imediata.

Prescrição de acusação de associação criminosa

Apesar da condenação, a acusação de associação criminosa foi prescrita devido à idade de Collor, que tem mais de 70 anos.

O ex-presidente, que governou o Brasil entre 1990 e 1992, renunciou ao cargo em meio a um processo de impeachment por corrupção e posteriormente teve seus direitos políticos restaurados.

Agora, aguarda a ratificação da prisão pelo plenário do STF, enquanto sua defesa avalia novas medidas judiciais.

Com informações de Agência Brasil*

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PF desmantela esquema de corrupção e lavagem de dinheiro no RJ e MG https://www.ocafezinho.com/2025/04/16/pf-desmantela-esquema-de-corrupcao-e-lavagem-de-dinheiro-no-rj-e-mg/ Wed, 16 Apr 2025 12:28:37 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=206811 Ação cumpre mandados em cinco municípios do RJ e MG, bloqueia R$ 3,5 bilhões e apura crimes como lavagem de dinheiro, caixa dois e fraude em licitações.

Na manhã desta quarta-feira (15/4), a Polícia Federal deflagrou a Operação Teatro Invisível II para desarticular uma organização criminosa suspeita de obstrução da justiça, caixa dois, fraudes em licitações e lavagem de dinheiro.

Foram cumpridos 10 mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados nas cidades de Cabo Frio/RJ, Itaguaí/RJ, Mangaratiba/RJ, Rio de Janeiro/RJ e Juiz de Fora/MG. A Justiça determinou ainda o bloqueio de cerca de R$ 3,5 bilhões das contas dos investigados e a suspensão das atividades de oito empresas.

A ação é desdobramento da primeira fase da Operação Teatro Invisível, deflagrada em 12 de setembro de 2024, e decorre da análise do material então apreendido. As investigações apontam que o grupo destruiu provas armazenadas, principalmente, em meios digitais, para evitar a responsabilização criminal de seus membros.

Também foram identificados indícios de uso de recursos não declarados à Justiça Eleitoral para beneficiar candidatos nas eleições de 2024. Parte dos investigados seria proprietária de empresas envolvidas em fraudes licitatórias nos municípios de Cabo Frio, Itaguaí, Mangaratiba e São João de Meriti/RJ.

Além disso, surgiram novas provas de lavagem de dinheiro, com transações ilegais por meio de contas de passagem, uso de dinheiro em espécie, empresas com intensa movimentação financeira e aquisição de bens de alto valor.

Publicado pela PF em 16/04/2025

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Jair Renan vira réu por lavagem de dinheiro e falsidade ideológica https://www.ocafezinho.com/2025/03/27/jair-renan-vira-reu-por-lavagem-de-dinheiro-e-falsidade-ideologica-2/ Thu, 27 Mar 2025 23:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=205349 Filho de Bolsonaro teria forjado resultados financeiros em empresa

A Justiça do Distrito Federal aceitou denúncia e tornou réu Jair Renan Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, pelos crimes de lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e uso de documento falso.

A decisão foi proferida na segunda-feira (25) pela 5ª Vara Criminal de Brasília, após denúncia apresentada pelo Ministério Público contra Jair Renan e outros acusados.

De acordo com as investigações, Jair Renan teria forjado resultados financeiros de sua empresa Bolsonaro Jr. Eventos e Mídia para obter empréstimo no banco Santander, que não foi pago. A denúncia criminal no caso está sob sigilo. A instituição financeira também moveu um processo para a cobrança da dívida e obteve uma decisão favorável para o pagamento de R$ 360 mil.

Em fevereiro, a Polícia Civil do DF apresentou o relatório final da investigação, na qual indiciou Jair Renan e seu instrutor de tiro, Maciel Alves, também denunciado. O indiciamento foi pelos mesmos crimes. Em agosto do ano passado, a polícia cumpriu mandados de busca e apreensão contra os dois.

A defesa do filho de Bolsonaro disse que não vai se manifestar sobre a decisão.

Publicado originalmente pela Agência Brasil em 27/03/2024

Edição: Aline Leal

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Policiais são denunciados por envolvimento na milícia do Brás https://www.ocafezinho.com/2025/02/23/policiais-sao-denunciados-por-envolvimento-na-milicia-do-bras/ Sun, 23 Feb 2025 07:10:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=202327 Promotores denunciam milícia no Brás, que extorquia comerciantes e cobrava até R$ 18 mil por um lote. Entre os réus, estão policiais militares e uma escrivã

De acordo com informações publicadas pela Folha de São Paulo, 16 indivíduos, entre eles cinco policiais militares (três em atividade e dois da reserva) e uma escrivã da Polícia Civil, foram denunciados por suspeita de integrar uma milícia que extorquia comerciantes na região do Brás, em São Paulo. O grupo cobrava valores que podiam chegar a R$ 18 mil por ano pelo direito de ocupar lotes na Feira da Madrugada. A denúncia, elaborada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado), do Ministério Público estadual, revela que os PMs já são réus no Tribunal de Justiça Militar desde o mês passado.

Segundo a acusação, os envolvidos dividiam o espaço utilizado pelo comércio irregular, ameaçavam e agrediam quem se recusava a pagar, além de expulsar aqueles que não conseguiam honrar as dívidas.

Em um dos casos, teriam indicado um agiota para emprestar dinheiro a um comerciante que não tinha condições de arcar com os pagamentos, levando-o a uma situação de endividamento crescente.

O caso foi denunciado em dezembro, mas detalhes só vieram à tona recentemente, com o fim do sigilo de Justiça. A Corregedoria da Polícia Militar colaborou com as investigações.

“Nós continuamos investigando justamente porque, quando da deflagração, descobrimos que a extensão da atuação da milícia ali era muito mais ampla do que a gente imaginava”, declarou o promotor Carlos Gaya à Folha.

A Secretaria de Segurança Pública (SSP) ressaltou a atuação da Corregedoria da PM no caso e afirmou que “não compactua com desvios de conduta”, garantindo que agentes que descumprem a lei são punidos de forma rigorosa. A ação resultou na prisão de cinco PMs e uma policial civil.

A denúncia aponta que o grupo cobrava “luvas” anuais, que variavam de R$ 3.000 a R$ 5.000, além de valores semanais que podiam chegar a R$ 250. Quatorze pessoas foram acusadas de extorsão e formação de milícia, enquanto duas mulheres, esposas de PMs denunciados, respondem por lavagem de dinheiro. Elas teriam usado R$ 10 mil de origem ilícita para integralizar o capital de uma empresa de armazenamento de móveis.

A região do Brás e Pari, marcada pela informalidade e pela dificuldade de acesso ao crédito formal, é descrita na denúncia como um “terreno fértil” para a atuação de organizações criminosas.

A situação irregular de muitos imigrantes na área também contribui para a exploração por parte desses grupos, que contam com a participação de policiais militares e civis, segundo o documento.

Tabela mostra suposto controle de pagamentos de milícia que extorquia comerciantes no Brás, no centro de SP – MPSP / Reprodução via Folha de São Paulo

Um dos casos citados na denúncia ocorreu em março de 2024, quando um comerciante equatoriano foi agredido em sua casa pelo soldado José Renato Silva de Oliveira, que teria levado R$ 4.000 como parte do pagamento de uma dívida com um agiota.

A defesa do soldado, preso no presídio da Polícia Militar Romão Gomes, não se manifestou sobre as acusações.

A investigação também identificou que a milícia oferecia empréstimos com juros acima do permitido por lei, por meio de um agiota colombiano, William Perdomo Zanabria, cuja defesa não foi localizada.

Comerciantes que não pagavam eram expulsos da Feira da Madrugada e substituídos por novos vendedores, escolhidos pelo próprio grupo.

Gravações feitas com câmeras escondidas pela Corregedoria da PM mostram integrantes da milícia cobrando propina e expulsando comerciantes. Por meio de reconhecimento facial, foi identificada a participação de uma escrivã da Polícia Civil nas extorsões.

A quadrilha ainda utilizava o nome de um sindicato e de um instituto para “dissimular a ilicitude das cobranças, tentando trazer ares de legalidade aos valores exigidos”.

Recibos com a marca d’água da CoopsBrás e do Sindicato dos Camelôs eram emitidos para dar aparência de legitimidade às transações.

Gravações telefônicas também revelaram conflitos entre o grupo investigado e outras milícias que atuam na região, incluindo uma tentativa de invasão de espaços comerciais em junho de 2024.

A extorsão pela milícia ocorre há pelo menos três anos, de acordo com interceptações telefônicas. A investigação segue em andamento, com a expectativa de novos desdobramentos.

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Rede de extorsão no Brás envolvia PMs e cobrava ‘taxas’ de lojistas https://www.ocafezinho.com/2025/02/22/rede-de-extorsao-no-bras-envolvia-pms-e-cobrava-taxas-de-lojistas/ Sat, 22 Feb 2025 13:37:38 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=202321 Policiais militares e uma escrivã da Polícia Civil foram denunciados por comandar uma milícia que extorquia comerciantes no Brás. Veja os detalhes do esquema

Segundo o jornal Folha de São Paulo, um grupo de 16 pessoas, incluindo policiais militares e uma escrivã da Polícia Civil, foi denunciado por suposta formação de milícia particular e extorsão de comerciantes na região do Brás, no centro da capital paulista. A denúncia, apresentada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado), do Ministério Público estadual, aponta que o grupo cobrava até R$ 18 mil anuais pelo direito de ocupar um lote na Feira da Madrugada. Entre os acusados, cinco são policiais militares — três da ativa e dois da reserva —, que já respondem a processo no Tribunal de Justiça Militar desde o mês passado.

De acordo com a investigação, os integrantes da milícia supostamente loteavam o espaço usado pelo comércio irregular, ameaçavam e agrediam comerciantes que se recusavam a pagar, além de expulsar devedores. Em um dos casos, teriam indicado um agiota para emprestar dinheiro a um comerciante que não conseguia honrar os pagamentos, levando-o a uma espiral de dívidas. A denúncia foi formalizada em dezembro, mas novos detalhes surgiram após o fim do sigilo de Justiça nesta semana. A Corregedoria da Polícia Militar também participou das investigações.

O promotor Carlos Gaya, em entrevista à Folha, afirmou que a atuação da milícia na região é “muito mais ampla do que a gente imaginava”. A Secretaria de Segurança Pública (SSP) destacou o papel da Corregedoria da PM no caso e reforçou que “não compactua com desvios de conduta”, garantindo que todos os envolvidos em irregularidades são rigorosamente punidos. A ação resultou na prisão de cinco policiais militares e uma policial civil.

Tabela mostra suposto controle de pagamentos de milícia que extorquia comerciantes no Brás, no centro de SP – MPSP / Reprodução via Folha

A denúncia aponta que a milícia exigia pagamentos anuais, chamados de “luvas”, que variavam entre R$ 3.000 e R$ 5.000, além de cobranças semanais de até R$ 250. Quatorze pessoas foram acusadas de extorsão e formação de milícia, enquanto duas mulheres, esposas de PMs denunciados, respondem por lavagem de dinheiro. Elas teriam usado R$ 10 mil de origem ilícita para integralizar o capital de uma empresa de armazenamento de móveis.

A região do Brás e Pari, conhecida pela alta informalidade e dificuldade de acesso ao crédito formal, é descrita na denúncia como “terreno fértil” para a atuação de organizações criminosas. A situação irregular de muitos imigrantes na área também facilita a exploração por parte desses grupos, que contam com a participação de policiais militares e civis, segundo o documento.

Um caso emblemático ocorreu em março de 2024, quando um comerciante equatoriano foi agredido em sua casa pelo soldado José Renato Silva de Oliveira, que teria levado R$ 4.000 como abatimento de dívidas com um agiota. A defesa do soldado, que está detido no presídio da Polícia Militar Romão Gomes, não se manifestou sobre o caso.

A investigação também revelou que a milícia oferecia empréstimos com juros abusivos por meio de um agiota colombiano, William Perdomo Zanabria, cuja defesa não foi localizada. Comerciantes inadimplentes eram expulsos da Feira da Madrugada e substituídos por novos vendedores, selecionados pelo próprio grupo. Gravações feitas com câmeras escondidas pela Corregedoria da PM mostram integrantes da milícia cobrando propina e expulsando comerciantes. Por meio de reconhecimento facial, foi identificada a participação de uma escrivã da Polícia Civil nas extorsões.

A quadrilha ainda usava o nome de um sindicato e de um instituto para “dar ares de legalidade” às cobranças, emitindo recibos com a marca d’água da CoopsBrás e do Sindicato dos Camelôs. Gravações telefônicas também revelaram conflitos entre o grupo investigado e outras milícias que atuam na região, incluindo uma tentativa de invasão de espaços comerciais em junho de 2024.

A extorsão pela milícia ocorre há pelo menos três anos, segundo interceptações telefônicas. A investigação continua em andamento, com a expectativa de novos desdobramentos.

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Cid repassou meio milhão de reais a Bolsonaro com venda ilegal de joias e relógios https://www.ocafezinho.com/2025/02/20/cid-repassou-meio-milhao-de-reais-a-bolsonaro-com-venda-ilegal-de-joias-e-relogios/ https://www.ocafezinho.com/2025/02/20/cid-repassou-meio-milhao-de-reais-a-bolsonaro-com-venda-ilegal-de-joias-e-relogios/#respond Thu, 20 Feb 2025 15:35:59 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=202224 O tenente-coronel Mauro Cid e seu pai, o general Lourena Cid, repassaram um total de US$ 86 mil (R$ 489 mil) a Jair Bolsonaro (PL) entre 2022 e 2023. O dinheiro foi obtido com a venda de kits de joias e relógios que o ex-presidente recebeu como presente enquanto ocupava o cargo de chefe de Estado. As informações constam na delação de Mauro Cid à Polícia Federal.

Venda das joias e relógios nos EUA

De acordo com o ex-ajudante de ordens, dois relógios de luxo—um Rolex e um Patek Philippe—foram vendidos por US$ 68 mil (R$ 387 mil), enquanto um kit de joias da Chopard foi negociado por US$ 18 mil (R$ 103 mil). As transações ocorreram nos Estados Unidos em 2022.

Cid detalhou que os valores foram entregues a Bolsonaro de forma fracionada, diretamente ou por intermédio de terceiros:

– US$ 18 mil (R$ 103 mil) entregues por Mauro Cid no Brasil, em junho de 2022;
– US$ 30 mil (R$ 171 mil) repassados por Lourena Cid em Nova York, em setembro de 2022;
– US$ 10 mil (R$ 57 mil) entregues por Lourena Cid no Brasil, no final de 2022;
– US$ 20 mil (R$ 114 mil) entregues por Lourena Cid em Miami, em fevereiro de 2023.

O restante do valor total, equivalente a US$ 8 mil (R$ 46 mil), foi repassado por Lourena Cid a Bolsonaro em março de 2023.

Investigação e indiciamento

Os repasses foram detalhados na delação premiada assinada por Mauro Cid com a Polícia Federal em 2024. O sigilo do acordo foi levantado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, na quarta-feira (19).

O inquérito sobre o caso das joias levou ao indiciamento de Bolsonaro e outras 11 pessoas em julho de 2024. O ex-presidente é suspeito dos crimes de peculato, lavagem de dinheiro e associação criminosa, mas nega as acusações.

As investigações começaram em março de 2023, quando a Receita Federal reteve um kit de joias dado pela Arábia Saudita ao governo Bolsonaro. O conjunto, avaliado em R$ 5,1 milhões, foi encontrado na mochila de Marcos André dos Santos Soeiro, assessor do então ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, e ficou apreendido no Aeroporto de Guarulhos desde o final de 2021.

As joias não foram declaradas como presentes oficiais de Estado nem tiveram os impostos pagos para ingressar no país como bens pessoais.

Conversão cambial: os valores em reais foram calculados com base na cotação de 1 USD = 5,7025 BRL, referente a 20 de fevereiro de 2025.

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