livro - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/livro/ Portal de noticias e análises sobre política brasileira, geopolítica, economia, tecnologia, sempre numa perspectiva democrática, progressista, anti-imperialista e multipolar! Sun, 08 Feb 2026 17:13:26 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://www.ocafezinho.com/wp-content/uploads/2015/10/cropped-Logo_Cafezinho_tmb-32x32.png livro - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/livro/ 32 32 Classe dominante brasileira entende o Estado como dela, diz Haddad https://www.ocafezinho.com/2026/02/08/225616/ https://www.ocafezinho.com/2026/02/08/225616/#respond Sun, 08 Feb 2026 21:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=225616 Em livro, ministro aborda o chamado capitalismo superindustrial

“A classe dominante brasileira entende o Estado como dela, não é uma coisa nossa, é uma coisa dela.” A avaliação é do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que participou de evento, na capital paulista, para lançamento de seu livro Capitalismo Superindustrial. Na ocasião, houve bate-papo com Haddad, Celso Rocha de Barros e mediação de Lilia Schwarcz, no Sesc 14 Bis.

“Eu defendo a tese de que o Estado foi entregue aos fazendeiros como indenização pela abolição da escravidão”, afirmou Haddad. Para contextualizar, ele lembrou que o movimento dos republicanos começou em 14 de maio de 1888 – dia seguinte à assinatura da Lei Áurea -, e um ano depois logrou êxito.

Vitorioso, o movimento republicano “bota pra correr a classe dirigente do país e, no lugar dela, não põe outra coisa senão a classe dominante do país para cuidar do estado como se fosse seu. Nós estamos com esse problema até hoje.”

“Esse ‘acordão’ sob os auspícios das Forças Armadas, quando é colocado em xeque, a reação é imediata. Você não pode tocar nisso, você não pode tocar em nenhuma instância. Por isso que a democracia no Brasil é tão problemática e tão frágil, porque a democracia é a contestação desse status quo. E, quando ela estica a corda, a ruptura institucional pode acontecer”, concluiu o ministro.

Lançamento do livro Capitalismo Superindustrial, do ministro da Fazenda Fernando Haddad, pela Companhia das Letras, com Celso Rocha de Barros e mediação de Lilia Schwarcz, no Sesc 14 Bis. | Rovena Rosa/Agência Brasil

Capitalismo superindustrial

Lançado neste sábado, o livro de Haddad discute os processos que levaram ao atual modelo global do que ele chama de capitalismo superindustrial, marcado por desigualdade e competição crescentes. Haddad aborda temas como a acumulação primitiva de capital na chamada periferia do capitalismo, a incorporação do conhecimento como fator de produção e as novas configurações de classe.

Para o ministro, a desigualdade vai continuar aumentando. “A desigualdade, quando o estado mitiga os efeitos do desenvolvimento capitalista e organiza a sociedade em termos de desigualdade moderada, realmente as tensões sociais diminuem muito, é verdade”, disse.

“Mas, deixada à própria sorte, essa dinâmica leva a uma desigualdade absoluta. E quando isso acontece, você não está mais falando de diferença, você está falando de contradição e de processos contraditórios. E eu entendo que nós estamos nesse momento, nessa fase, em que a contradição está se impondo”, acrescentou.

A obra reúne estudos sobre economia política e a natureza do sistema soviético, realizados por Haddad nos anos 1980 e 1990, que foram revisados e ampliados. Com isso, a obra discute também os desafios colocados pela ascensão da China como potência global.

Processos no Oriente

“A ideia toda era tentar entender o que aconteceu no Oriente que podia se encaixar num padrão próprio de acumulação primitiva de capital – que não se confunde nem com a escravidão na América nem com a servidão no Leste Europeu -, mas que, à sua maneira, cada um de um jeito, chegou aos mesmos objetivos”, explicou.

Ele aponta que, ao contrário do que aconteceu no Leste Europeu e na América, as revoluções no Oriente foram antissistêmicas e antiimperialistas. “Ao contrário da escravidão e da servidão, o despotismo e a violência do estado serviram a propósitos industrializantes, o que não aconteceu nem no leste europeu, nem nas américas”, explicou.

“É curioso que, do ponto de vista interno, eram formas ultra violentas e coercitivas de acumulação de capital, mas do ponto de vista externo, tinha uma potência antissistêmica que apaixonava os povos em busca de liberdade e de emancipação nacional, e não de emancipação humana. Ou seja, nós estamos falando, sim, de uma revolução, mas não de uma revolução socialista e isso faz muita diferença”, acrescentou.

Em relação a questionamentos sobre o sucesso ou fracasso dos processos no Oriente, ele avalia que, do ponto de vista do desenvolvimento das forças produtivas e mercantilização da terra, do trabalho e da ciência, houve um avanço dessas sociedades. “Em relação aos ideias que motivaram os líderes revolucionários, aí você pode dizer que não atingiu seus objetivos”, disse, destacando a contradição explicitada nesses processos.

Publicado originalmente pela Agência Brasil

Por Camila Boehm – Repórter da Agência Brasil – São Paulo

Edição: Érica Santana

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Andrew perderá também o título de príncipe https://www.ocafezinho.com/2025/11/01/andrew-perdera-tambem-o-titulo-de-principe/ https://www.ocafezinho.com/2025/11/01/andrew-perdera-tambem-o-titulo-de-principe/#respond Sat, 01 Nov 2025 15:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=220240 Em meio a um novo escrutínio sobre laços de Andrew com Jeffrey Epstein, Palácio de Buckingham afirma que sanções são consideradas “necessárias”.

Dias após o príncipe Andrew, duque de York, anunciar que renunciará a todos os seus títulos e honras reais, seu irmão o rei Charles 3° iniciou nesta quinta-feira (30/10) o processo formal para essa exclusão, incluindo a do título de príncipe. Andrew justificou a decisão alegando que isso evitaria que as acusações contra ele “distraiam” o trabalho da família real do Reino Unido.

Quando diz “acusações”, o até agora duque de York se refere a uma longa lista de escândalos nos quais se viu envolvido nos últimos anos por causa de sua relação com o magnata americano e pedófilo condenado Jeffrey Epstein, assim como com um suposto espião chinês.

Andrew disse que negava “categoricamente” todas as acusações e afirmou que a decisão priorizava seu “dever” para com a família e seu país, como fez há cinco anos, quando se retirou da vida pública.

A distinção oficial do terceiro filho da rainha Elizabeth 2ª passará a ser, a partir de agora, “Andrew Mountbatten Windsor”, detalhou o Palácio de Buckingham, que pela primeira vez omitiu a nomenclatura de príncipe.

De acordo com o comunicado, Andrew também deverá abandonar o atual contrato de aluguel da mansão Royal Lodge, nas proximidades do Castelo de Windsor (a sudoeste de Londres), que até agora lhe proporcionou “proteção legal” para continuar residindo lá. “Ele foi formalmente notificado de que deve renunciar ao contrato de aluguel e se mudará para outra acomodação privada”, informou a Casa Real Britânica.

Da mesma forma, o texto explica que as sanções são consideradas “necessárias, apesar de Andrew continuar negando as acusações contra ele” pelos escândalos sexuais decorrentes de sua relação com Epstein.

O comunicado de Buckingham termina dizendo que o rei e a rainha da Inglaterra, Charles e Camilla, buscam assim “deixar claro que seus pensamentos e sua mais sincera solidariedade estão e continuarão estando com as vítimas e sobreviventes de qualquer forma de abuso”.

Livro

Andrew fez o anúncio sobre a renúncia de títulos em 17 de outubro no momento em que circulam trechos do próximo livro de memórias póstumas de Virginia Roberts Giuffre, que alegou ter sido traficada por Epstein e forçada a fazer sexo com Andrew quando tinha 17 anos — alegações que o príncipe nega há muito tempo.

Entre os títulos aos quais ele renunciou estão o de duque de York e o de membro da Ordem da Jarreteira, mas ele pretendia manter o título de príncipe, já que é algo que obteve por nascimento, sendo o terceiro filho da falecida rainha Elizabeth 2ª. No entanto, com a decisão de Charles, ele perderá esse título também.

O anúncio desta quinta-feira representa o passo definitivo do monarca para desvincular completamente a figura de Andrew da coroa britânica. Nos últimos dias, a pressão sobre Charles aumentou ainda mais depois que vários deputados se mostraram dispostos a abrir um debate no Parlamento sobre a conduta de Andrew e a possibilidade de retirar seus títulos.

Sua ex-esposa, Sarah Ferguson, também não continuará usando o título de duquesa de York, mas suas filhas, Beatriz e Eugenia, manterão o título de princesas, de acordo com a imprensa britânica.

Andrew já havia sido destituído de seus títulos militares e de suas afiliações a instituições de caridade, além de ter sido proibido de usar a honraria de “Vossa Alteza Real”.

Publicado originalmente pelo DW em 31/10/2025

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Mauricio de Sousa completa 90 anos e é homenageado com cinebiografia https://www.ocafezinho.com/2025/10/27/mauricio-de-sousa-completa-90-anos-e-e-homenageado-com-cinebiografia/ https://www.ocafezinho.com/2025/10/27/mauricio-de-sousa-completa-90-anos-e-e-homenageado-com-cinebiografia/#respond Mon, 27 Oct 2025 19:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=219930 Um livro comemorativo à data também foi lançado

Ao celebrar mais um aniversário nesse dia 27 de outubro, o pai da turminha mais famosa do Brasil – A turma da Mônica – está sendo o personagem principal de uma série de homenagens. Com um filme sobre sua vida e um livro que reúne homenagens de 90 quadrinistas, o menino que nunca parou de desenhar chega aos 90 anos de idade.

Depois de contar tantas histórias para uma porção de crianças e adultos, agora é a história de Mauricio de Sousa que ganhará as telas e as bancas de revistas e livrarias de todo o país.

A primeira dessas histórias é uma cinebiografia, que foi apresentada em uma sessão especial na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo na semana passada e que contou com presença ilustre de seu retratado. Chamado de Mauricio de Sousa – O Filme, a cinebiografia mostra as origens do artista, seu processo criativo e o nascimento dos personagens mais queridos do Brasil como Mônica, Cebolinha, Cascão e Magali. Nesse filme, Mauricio surge em tela grande interpretado por seu próprio filho, Mauro Sousa.

“No mês de aniversário de 90 anos do meu pai, não só ele, mas eu e todos os brasileiros vamos ter esse presente, que é um filme em sua homenagem, contando uma parte ali de sua história. Tive essa honra de interpretá-lo nos cinemas. É minha estreia nos cinemas, então esse é mais um motivo para ser realmente um momento bastante especial para a gente, principalmente para mim”, contou Mauro, em entrevista ao programa Caminhos da Reportagem, que será exibido nesta segunda-feira (27) pela TV Brasil.

“Eu diria que esta foi, com certeza, a experiência mais intensa, emocionante e inesquecível da minha vida. E desafiadora também, afinal de contas estou interpretando meu pai no cinema, que é um ícone, um patrimônio cultural brasileiro e, ao mesmo tempo, um pai, um artista e um empresário”, afirmou.

Além da exibição do novo filme, a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo concedeu a Mauricio de Sousa o prêmio Leon Cakoff, um reconhecimento ao seu trabalho e uma celebração de seu aniversário. A mostra também aproveitou para exibir três produções sobre o grupinho do Limoeiro, durante a segunda edição da sua programação infantil: Turma da Mônica: Laços, Turma da Mônica: Lições e Chico Bento e a Goiabeira Maraviósa.

Além dessas homenagens, o jornalista Sidney Gusman, editor do site UniversoHQ e da MSP Estúdios, anunciou o lançamento de um livro-coletânea, que já está à venda e que reúne 90 quadrinistas de todo o Brasil para celebrar o autor. A obra recebeu o nome de MSP90.

“Resolvi fazer um livro com 90 autores. Saiu agora em outubro, para o aniversário dele. São 90 autores e autoras do Brasil inteiro, fazendo histórias, cada um, de três páginas”, explicou ele ao programa Caminhos da Reportagem. ”São autores de todos os gêneros que você imaginar e que fazem quadros de tira, de humor, de terror. Então, acho que esse é o troféu que ele vai carregar para sempre, o legado que ele trouxe não só no apoio à leitura, mas também para a formação de tantos quadrinistas no Brasil”.

Uma das quadrinistas e ilustradoras convidadas para participar desse especial MSP90 foi Helô D’Angelo. “Como sempre quis trabalhar com quadrinhos, eu acho que o Mauricio de Sousa era um horizonte para mim, que era a única pessoa que eu sabia que fazia quadrinhos que não eram de super-heróis”, disse ela ao programa da TV Brasil.

Para essa homenagem a Mauricio de Sousa, a quadrinista e ilustradora escolheu trabalhar com um personagem um tanto quanto inusitado: Dona Pedra.

“Se vocês lerem as historinhas do Bidu, muitas vezes vocês verão o Bidu conversando com uma pedra. É uma coisa meio filosófica. Mas, na minha história, a Dona Pedra, apesar de ser a protagonista, será mais um fio condutor. Coloquei a Pedra porque ela é uma das poucas coisas fixas na nossa vida. E aí pude desenhar vários personagens da Turma da Mônica interagindo com ela”, explicou. “Queria fazer uma coisa que não fosse tão confortável para mim, sabe, e que não fosse algo que as pessoas estivessem esperando no meu trabalho. Queria algo que desse para eu explorar o máximo de situações e personagens diferentes, brincar mesmo”, declarou.

Segundo Helô, participar do MSP90, que está ainda mais diverso nesta edição, é uma grande conquista. “A cena dos quadrinhos nacional é muito diversa e isso já vem de um tempo. Mas, historicamente, a gente teve um apagamento dessa diversidade, não só nos quadrinhos, mas em todas as áreas, principalmente dentro das artes. Por isso a importância dessa diversidade estar presente no MSP é imensa porque você vai trazer artistas de diversas origens geográficas, sociais, de gêneros diferentes, para trazer visões diferentes sobre os personagens [do Mauricio]”.

Segundo ela, essa diversidade o Mauricio de Sousa sempre buscou trazer para a sua turminha. “A Mônica é uma menina super forte, a mais forte do mundo, a mais forte da rua. Ela é a dona da rua, que batia nos meninos. Até a [criação da] Mônica, a gente não tinha uma representação de uma menina assim”, disse Helô D’Angelo. “Antes, a menina tinha que ser doce, delicada, bobinha, inocente. E a Mônica não é nada disso. Além da Mônica, tem muitas outras personagens que foram surgindo depois, como a Pipa, a amiga da Tina. Ela é uma das únicas personagens gorda dos quadrinhos e o fato de ela ser gorda não é o foco das HQs sobre ela. Isso é muito revolucionário”

Chamado de Mauricio 90: desenhando o Brasil, o programa Caminhos da Reportagem será exibido hoje (27), a partir das 23h, na TV Brasil.

Publicado originalmente pela Agência Brasil em 27/10/2025

Por Ana Graziela Aguiar, Acácio Barros e Elaine Patricia Cruz – Repórteres da Agência Brasil e da TV Brasil – São Paulo

Edição: Graça Adjuto

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O livro que revela os bastidores sombrios da lava jato https://www.ocafezinho.com/2025/01/22/o-livro-que-revela-os-bastidores-sombrios-da-lava-jato/ https://www.ocafezinho.com/2025/01/22/o-livro-que-revela-os-bastidores-sombrios-da-lava-jato/#respond Wed, 22 Jan 2025 13:15:11 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=200954 O livro “Tudo por Dinheiro: A Ganância da Lava Jato Segundo Eduardo Appio” de Salvio Kotter revela os bastidores da lava jato, expondo práticas ilegais, acordos judiciais duvidosos e os impactos de uma operação marcada por poder e ganância


O livro Tudo por Dinheiro: A Ganância da Lava Jato Segundo Eduardo Appio, de autoria de Salvio Kotter, será lançado em outubro e promete lançar luz sobre os bastidores obscuros de uma das operações mais controversas da história do Brasil. Com base na perspectiva do juiz Eduardo Appio, que foi titular da 13ª Vara Federal de Curitiba, a obra revela como a força-tarefa anticorrupção se transformou em um jogo de “poder e ganância”.

Os segredos da Lava Jato revelados

A obra detalha práticas ilegais, interesses ocultos e os beneficiários financeiros da operação Lava Jato. O livro explora casos emblemáticos, como os do advogado Rodrigo Tacla Duran e do empresário e ex-deputado estadual Tony Garcia, trazendo à tona uma narrativa que coloca em xeque a integridade da força-tarefa.

Destaques do Livro:

  • Impunidade favorecida: Segundo Appio, a operação Lava Jato “promoveu a impunidade no Brasil”, favorecendo grandes empresários por meio de acordos judiciais que garantiram penas brandas.
  • Fluxo financeiro suspeito: A investigação aponta para bilhões de reais transferidos ao controle da força-tarefa através de uma fundação privada, posteriormente cassada pelo Supremo Tribunal Federal.
  • Táticas controversas: Prisões realizadas estrategicamente às quintas-feiras rendiam manchetes por todo o fim de semana, enquanto os detidos eram submetidos a condições degradantes em celas imundas, sem direito a banho e isolados de qualquer contato.

O Caso Paulo Roberto Costa

O livro dedica um capítulo especial ao caso de Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras e o primeiro preso da operação. Segundo Appio, Costa foi submetido a tortura psicológica, teve direitos básicos negados e sua filha foi ameaçada. Ao conceder um Habeas Corpus ao detido em abril de 2014, Appio afirma que foi colocado na “lista negra” da Lava Jato.

Causas sociais e compromisso com a verdade

Com todos os direitos autorais destinados às vítimas da Boate Kiss, Tudo por Dinheiro transcende a simples denúncia, assumindo um papel social de grande relevância.

“Nada do que soube ou sei será omitido, exceto o que estiver protegido por segredo de justiça.”

O livro estará disponível nas principais livrarias e plataformas digitais desde outubro, para acessar clique aqui.

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Theófilo Rodrigues lança “Capitalismo e Sustentabilidade” no Rio nesta terça-feira (12/11) https://www.ocafezinho.com/2024/11/11/theofilo-rodrigues-lanca-capitalismo-e-sustentabilidade-no-rio-nesta-terca-feira-12-11/ https://www.ocafezinho.com/2024/11/11/theofilo-rodrigues-lanca-capitalismo-e-sustentabilidade-no-rio-nesta-terca-feira-12-11/#respond Mon, 11 Nov 2024 17:41:09 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=196853 Coquetel de lançamento acontecerá na Livraria Argumento, no Leblon; O livro sai pela Editora Vozes.

“Capitalismo e Sustentabilidade: empresa regenerativa e a sustentabilidade corporativa no século XXI”, novo livro de Theófilo Rodrigues, terá seu coquetel de lançamento no Rio de Janeiro na próxima terça-feira (12/11), na Livraria Argumento, no Leblon.

Publicado pela Editora Vozes, o livro conta com prefácio do professor titular da UFRJ, Fabio Scarano, e orelha do pesquisador do Instituto Internacional para Sustentabilidade (IIS), Paulo Branco.

Ao longo de 240 páginas, o autor demonstra como o aquecimento global, as mudanças climáticas, a degradação dos ecossistemas e a perda da biodiversidade transformaram a sustentabilidade na grande agenda do século XXI.

O evento de lançamento no Rio de Janeiro contará com um bate papo com a presença do autor e do consultor em sustentabilidade, Paulo Branco. O primeiro lançamento do livro aconteceu em outubro na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip).

Sinopse

O aquecimento global, as mudanças climáticas, a degradação dos ecossistemas e a perda da biodiversidade transformaram a sustentabilidade na grande agenda do século XXI. Algumas empresas compreenderam isso ao adotarem elementos da sustentabilidade corporativa como práticas cada vez mais corriqueiras. Há, no entanto, muitas dúvidas ainda sobre as melhores formas de aplicação dessa sustentabilidade corporativa no dia a dia das empresas. Nos últimos anos, abordagens como a do ESG tornaram-se usuais, mas esses modelos são criticados por suas complexas operacionalidades e por seus escopos insuficientes. Além disso, a maquiagem verde e social – greenwashing, socialwashing – tornou-se fenômeno recorrente. Para superar esse cenário, este livro apresenta um conceito original e inovador de sustentabilidade corporativa – a “Empresa regenerativa”.

Serviço

Coquetel de lançamento do livro “Capitalismo e Sustentabilidade”

Data: Terça-feira, 12/11, às 18:30

Local: Livraria Argumento (Rua Dias Ferreira, 417, Leblon)

Clique aqui para adquirir o livro pela internet.

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Dani Balbi e Theófilo Rodrigues lançam “Direito à cidade no Rio de Janeiro” nesta segunda-feira (15/04) https://www.ocafezinho.com/2024/04/14/dani-balbi-e-theofilo-rodrigues-lancam-direito-a-cidade-no-rio-de-janeiro-nesta-segunda-feira-15-04/ https://www.ocafezinho.com/2024/04/14/dani-balbi-e-theofilo-rodrigues-lancam-direito-a-cidade-no-rio-de-janeiro-nesta-segunda-feira-15-04/#respond Sun, 14 Apr 2024 21:20:36 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=180734 Organizado por Dani Balbi e Theófilo Rodrigues, “Direito à cidade no Rio de Janeiro: políticas públicas para uma cidade inclusiva, democrática, sustentável e rebelde” sai pela editora Bem Cultural em parceria com a Fundação Maurício Grabois

A Livraria Blooks, no Espaço Itaú de Cinema, será o palco do lançamento do livro “Direito à cidade no Rio de Janeiro: políticas públicas para uma cidade inclusiva, democrática, sustentável e rebelde” organizado pela deputada estadual Dani Balbi (PCdoB) e pelo professor do Programa de Pós-Graduação em Sociologia Política do IUPERJ/UCAM Theófilo Rodrigues.

Publicado pela editora Bem Cultural em parceria com a Fundação Maurício Grabois, o livro reúne 14 capítulos escritos por 20 especialistas sobre os mais diversos temas como educação, saúde, cultura, meio ambiente e desenvolvimento entre tantos outros.

O lançamento acontecerá nesta segunda-feira (15/04), das 18 às 20 horas, na Livraria Blooks, no Espaço Itaú de Cinema que fica na Praia de Botafogo no Rio.

Além dos organizadores, o debate de lançamento terá a presença do deputado federal Tarcisio Motta (PSOL) e da fundadora do Observatório dos Trens, Rafaela Albergaria.

Ficha do livro:

Livro: Direito à cidade no Rio de Janeiro: políticas públicas para uma cidade inclusiva, democrática, sustentável e rebelde

Organizadores: Dani Balbi e Theófilo Rodrigues

Editora: Bem Cultural

Parceria: Fundação Maurício Gabois

Tamanho: 265 páginas

Valor: R$ 49,00

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Dois capítulos do livro Brasil, uma economia que não aprende https://www.ocafezinho.com/2020/06/30/dois-capitulos-livro-brasil/ https://www.ocafezinho.com/2020/06/30/dois-capitulos-livro-brasil/#respond Tue, 30 Jun 2020 13:41:55 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=111493 Paulo Gala e André Roncaglia

Nosso livro percorre a história das ideias econômicas sobre a riqueza “invisível” das nações: o conhecimento. O incrível avanço da ciência e da tecnologia nos levou do motor a vapor à eletricidade, do transístor aos semicondutores, e do computador à inteligência artificial. A humanidade sempre dependeu do conhecimento para dar saltos qualitativos na organização econômica. A história econômica das nações é a própria evolução do conhecimento aplicado à produção, ao comércio e às finanças. Neste sentido, aprender significa assimilar as forças da realidade e submetê-las ao domínio da razão humana.

Para o bem ou para o mal, o conhecimento é o motor invisível da prosperidade econômica. Na marcha do desenvolvimento das nações, é preciso correr muito para manter a sua posição. Quem custa a aprender, fica para trás. O Brasil deixou de aprender a partir dos anos 1980 e, desde então, vem “esquecendo” as competências produtivas que lhe garantiriam um destaque proporcional às suas grandeza territorial e riqueza natural. A partir de experiências internacionais de sucesso de políticas industriais e de pesquisa e desenvolvimento, o livro aponta os erros que o Brasil cometeu, bem como os acertos que não prosperaram e por quê.

Fugindo de polarizações ideológicas simplistas, o livro argumenta que uma combinação dinâmica entre mercado, Estado e sociedade civil é fundamental para canalizar a energia social rumo à expansão das capacidades tecnológicas do país. Uma estrutura produtiva mais sofisticada gerará empregos de melhor qualidade, capazes de aproveitar os investimentos em educação que os cidadãos tão arduamente fizeram. O resultado é maior bem-estar, com menor desigualdade e mais oportunidades para todos os que cooperam pela prosperidade coletiva.

Dois capítulos do livro aqui.

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Uma resenha sobre um livro de coisas escritas https://www.ocafezinho.com/2020/06/29/resenha-livro-coisas-escritas/ https://www.ocafezinho.com/2020/06/29/resenha-livro-coisas-escritas/#comments Mon, 29 Jun 2020 18:42:58 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=111464 6 Comentários 🔥]]>

A coragem é a mais antiga das virtudes políticas e ainda hoje pertence às poucas virtudes cardeais da política, porque só podemos chegar no mundo público comum a todos nós – que, no fundo, é o espaço político, se nos distanciarmos de nossa existência privada e da conexão familiar com a qual nossa vida está ligada.

Hannah Arendt, O que é política, p. 53.

Tadeu Alencar Arrais[1]
Professor Associado IESA/UFG
Coordenador do Observatorio do Estado Social Brasileiro 
tadeuarraisufg@gmail.com

O verbo resenhar 

Resenha, no interior do Brasil, adquire um significado diferente daquele que encontramos nos bancos acadêmicos. Primeiro, por confundir-se com uma conversa, dispensa os formalismos. Segundo, por dispensar os formalismos, pressupõe algum grau de confiança, intimidade e até mesmo cumplicidade. Uma resenha é, sobretudo, uma boa conversa. Não obedece, como sugere a etiqueta acadêmica, nenhuma linearidade ou modelo passível de avaliação bimestral. É passional e, por vezes, jocosa. Valoriza, provocativamente, as ausências.Também pode ser acusatória, afinal, a boa peleja não é propriedade do universo acadêmico, pouco acostumado com as críticas. Resenha é conversa que nunca acaba. Conversa lembrada, vagarosa, que vai e volta, paciente, por não encomomizar tempo. 

O livro como conversa

Ciro Gomes escreve como conversa. O livro é, nesse sentido, uma tradução inequívoca de suas inúmeras falas. Estranha que essa característica narrativa, com algum componente coloquial e memorialista, para aqueles acostumados com a segurança dos conceitos acadêmicos, possa soar como negativa. A leveza não é sinômino de superficialidade. Uma série de intelectuais, a exemplo de Eduardo Moreira, Paulo Gala e Laura Carvalho, tem se esforçado para decifrar e comunicar os problemas econômicos para as pessoas comuns, interessados em compreender os dilemas econômicos e sociais brasileiros [2]. Escrever, portanto, é uma forma pública de comunicação, não por acaso esses três intelectuais, acompanhados de Ciro Gomes, estejam entre os mais lidos da atualidade. A leveza da linguagem não exime o autor da responsbilidade com as fontes, distribuídas em inúmeras notas de rodapé, especialmente para confirmar dados e indicadores econômicos. As citações, comuns nos mais enfadonhos livros acadêmicos, são substituídas, por assim dizer, por testemunhos e o Político passa a ter mais protagonismo que o Economista e que o Jurista. Projeto Nacional: o dever da esperança é um testemundo, menos ácido do que as inúmeras falas registradas em palestras e entrevistas, sobre a sociedade brasileira contemporânea. É, também, um momento de pausa para recolher as armas e dedicar energias para as batalhas vindouras. 

As raízes superficiais do passado 

Uma bosa conversa pode começar com uma provocação. Em As raízes da crise econômica, segunda parte do livro, encontramos um diagnóstico de um período por demais dilatado da história brasileira. Por quê, de fato, a referência tão positiva  ao período localizado entre 1932 e 1980? A multiplicação do PIB justificaria essa opção? 

Toda síntese é um esforço passível de falhas e sujeita, portanto, ao julgamento. O recorte temporal, como exercício analítico, não pode ser um ato arbitrário. Bresser-Pereira, ao prefaciar o livro de Paulo Gala,  comunga de semelhante raciocínio quanto ao período destacado por Ciro Gomes. Para Paulo Gala, autor de Brasil, uma economia que não aprende, o país, até a década de 1980, obteve significativos ganhos de complexidade produtiva, conceito matriz que justificaria a fissura com o passado desenvolvimentista. É possível, focando a análise em apenas uma variável econômica, admitir a positividade do recorte. Não é possível, quando consideramos outras variáveis, fechar os olhos para um período que tem, como marcadores institucionais, momentos de centralização absoluta do poder estatal, repressão aos movimentos sociais, supressão de direitos políticos e ampliação das desigualdade sociais. 

O Brasil passou de uma população, em 1920, de 30.635.605 habitantes para uma população, em 1980, de 121.150.573 [3]. O incremento populacional, desigual regionalmente, foi acompanhado de intenso processo de urbanização, metropolização e ordenamento do mercado de trabalho que teve impacto direto na qualidade de vida da população. O isolamento da variável econômica não pode servir de álibi. Existem uma série de dados econômicos que também podem ser utilizados para sustentar as críticas.  Dados disponibilizados pelo IPEA, atualizando os valores reais do Salário Mínimo, dão conta que, em dezembro de 1940, o valor atingiu R$ 856,78, em dezembro de 1950, R$ 365,02, em dezembro de 1960, R$1.407,26, em dezembro de 1970, R$ 737,79 e em dezembro de 1980, R$844,61 [4].  Se acreditarmos que o Salário Mínimo reflete o potencial de consumo, reverberando na qualidade de vida, é possível entender que o crescimento do PIB não reverberou, de modo igual, para o conjunto da população brasileira ou, dito de outro modo, o famoso bolo da metáfora de Delfim Neto não foi dividido [5]. 

O quadro de reticências ao período não termina na análise das variáveis econômicas. O quadro político desenhado pelo Estado Novo não é tema de atenção. Getúlio Vargas é, com pouca margem para erros, uma das figuras mais controversas do século XX. O desenho do Estado Nacional Varguista não pode ser traduzido apenas pela ótica dos projetos de integração nacional, pelo conjunto de empresas estatais ou mesmo pela regulação das relacões entre capital e trabalho. É preciso recordar que o Estado Novo [1937-1946] foi um período de centralização política, inaugurando um modelo de repressão institucional, continuada em 1964, e encerrado, simbolicamente, com a anistia, em agosto de 1979 [6].

Desconfio, no entanto, que a negligencia, especialmente em relação ao Estado Novo, não resulte do desconhecimento da história política brasileira. Arriscaria dizer que o silêncio é tributário da cumplicidade com um tipo de trabalhismo e de nacional desenvolvimentismo cujo valor incônico é depositado nas costas de Getúlio Vargas. Ciro Gomes sabe bem disso, bastando lembrar sua referência (Gomes, p.252) à conhecida Carta de Lisboa, apontada como documento de referência de refundação do PDT. Em uma citação do documento, assinado por Leonel Brizola e Darcy Ribeiro, entre outras figuras de prestígio, encontramos um diagnóstico, diríamos, menos entusiasta com o crescimento econômico do período: 

O regime militar que sucedeu ao governo constitucional, sendo regressivo no plano histórico, se fez repressivo no plano político e, em consequência, totalmente infecundo e despótico. Apesar de contar com todo o poderio do arbítrio, legislando a nível constitucional da forma mais discriminatória, só fez acumular mais riqueza nas mãos dos mais ricos e mais no colo dos mais privilegiados. O bolo que tão reiteradamente prometeram repartir quando crescesse, agora o sabemos, é o de uma dívida externa gigantesca que montava a 3 bilhões de dólares em 1964 e hoje supera os 50 bilhões. [7]

De: http://www.pdtrs.org.br/rs/pdtrs/rs/nossa-historia/67-fundacao/191-carta-de-lisboa-marco-do-trabalhismo-na-redemocratizacao-do-brasil. Acesso em 26/06/2020.

A dificuldade de compatibilizar a dimensão do crescimento econômico, traduzido no PIB, com a desenvolvimento social e a democracia, não parece tolerável. Ciro Gomes, por duas vezes, repete um recado em tom coloquial: “Contra um inimigo que pareceria imbatível, ganhamos todas” (p.48), “Eu tenho esse dever porque minha geração ganhou todas, e ganhou pelo milagre da política (p.258). Se o inimigo foi vencido com a democratização, resta perguntar por que se estaríamos disputando o espólio da batalha?  

Outra parcela dos problemas, herdados, é depositada na conta do Partido dos Trabalhadores. O diagnóstico é preciso:

Mas Lula não reverteu o rentismo (manteve as maiores taxas reais de juros do mundo na maior parte do seu governo) nem o processo de desnacionalização e desindustrialização da economia (embora tenha executado políticas importantes, como a de conteúdo nacional da Petrobras, investimentos em refinarias e a reativação da industrial naval).

Gomes, 2020, p.62.
Figura 1. Evolução da taxa de juros nominal – Over/Selic, períodos selecionados
Fonte: Ipeadata. Dados extraídos em 27/06/2020. http://www.ipeadata.gov.br/exibeserie.aspx?serid=38402 Advertência: essa figura, que não aparece do livro, foi inserida como forma de ilustrar os argumentos alinhavados pelo autor.

Essa crítica, correta, atinge a jugular do Partido dos Trabalhadores. Em O novo rentismo e O populismo cambial Ciro Gomes lembra que o círculo virtuoso foi financiado pelo preço das commodities que permitiu reverter algum excedente para as políticas sociais. O Brasil sai do mapa da fome, dado que particularizará o governo Lula na história, sem, no entanto, romper com o rentismo. Mas é preciso lembrar que, antes de 2003, o controle inflacionário e o aumento no Salário Mínimo, que reverberaram nos benefícios previdenciários e assistenciais, foi componente, em par com o Bolsa Família, decisivo para combater a pobreza. Dito de outro modo, Lula não operou em um espaço histórico e econômico vazio. A economia, igualmente, respondeu positivamente, do ponto de vista da balança comercial, aos preços internacionais do petróleo, dos minérios e dos grãos. 

A principal crítica, para além da instrumentalização do Estado ou mesmo das denúncias de corrupção, debate reservado aos militantes profissionais, localiza-se na acomodação do rentismo, algo de difícil compreensão cotidiana. O rentismo é espoliação pura. A taxa Selic (Sistema Especial de Liquidação e de Custódia), de forma simplificada, pode ser considerada o termómetro da agiotagem institucional, uma vez que remunera o dinheiro que o governo toma emprestado dos bancos. Quando um banqueiro influencia, nominalmente, a decisão sobre a taxa de juros, os estragos são previsíveis. Em janeiro de 2003, a taxa Selic alcançou 26,38%, atingindo 10,56% em dezembro de 2007, 10,82% em janeiro de 2011 e 13,49% em janeiro de 2016. A curva de juros alimentou o rentismo. O rentismo erodiu as contas públicas. A déficit nas contas públicas alimentou a retórica das reformas e, pronto, o consenso sobre o Estado oneroso espalhou-se como fofoca de condomínio para os quatro cantos do país.  

O diagnóstico do período também incomoda aqueles que não acreditam na simbiose entre economia e política. A balança de pagamentos, os saldos positivos, foram financiados pelas commodities. O superávit havia permitido drenar os excedentes para dois campos. O primeiro, como já dito, para o rentismo, em processo, para utilizar expressão coloquial que “dá bilhão”. O segundo campo foi a implementação de uma politica redistributiva, barata e com forte impacto contra a fome. A aposta em atividades de baixa complexidade do setor agroexportador  negligenciou, por assim dizer, o setor industrial, justamente aquele cujo emprego tem melhores remunerações.  O retrato que se seguiu ao Governo Dilma é conhecido, mas vale a citação pela síntese:

Para aumentar a produtividade industrial, depois de uma alta nos seis primeiros meses, começou a baixar a taxa básica de juros até a Selic alcançar 7,25%. Paralelamente, para incentivar o consumo, pressionou o setor bancário a diminuir o spread com créditos mais baratos oferecidos aos bancos públicos. Obrigou as prestadoras de energia a baixarem suas tarifas e tentou, via renúncia fiscal, desonerar oficialmente a indústria.

Gomes, 2020, p.65.

O desastre, no entanto, já estava dado, seja pela ponta da arrecadação, com rombos mensais nas contas públicas, seja na economia, cujas medidas desesperadas geraram pouco impacto no consumo, na produção industrial e na geração de emprego, seja na política, cujo punhal, na mão de ex-aliados, selou o destino do Partido dos Trabalhadores. É importante ressaltar que Ciro Gomes não cede aos impulsos difamatórios. É justo recordar um trecho sobre a ex-presidente Dilma Rousseff:

Uma associação de gângsteres no Congresso, determinados a deter a Lava Jato e a recuperar os espaços para roubar, decidiu não mais deixar Dilma governar a partir de 2015.

Gomes, 2020, p.66.

O relato não é ingênuo. Ciro Gomes reconhece que forças internacionais também estavam em atuação, o que referendou, por parte da Lava Jato, a destruição das cadeias produtivas e, por parte do governo, um conjunto de reformas estruturais. A história a partir daí é lembrança de ontem. 

A vulgata do Estado ineficiente

O Estado importa. Assim poderíamos definir, em um artigo e duas palavras, a segunda parte do livro Projeto Naiconal: o dever da esperança. O discurso recorrente de que o Estado é, por natureza, corrupo, infeficiente, cai por terra diante dos argumentos que deixariam Rodrigo Constantino com caimbras abdominais. O discurso que deposita na corrupção a culpa pelos problemas da sociedade brasileira é colocado em segundo, terceiro plano. A corrupção e não o rentismo, um dos fatores da erosão da industria nacional, seria a culpada pelos problemas nacionais, o que desviaria a solução da política para a polícia, em caso exemplar da Lava Jato, cuja ação comprometeu, como descrito por Ciro Gomes, a cadeia produtiva do petróleo, da industria naval e da engenharia civil. O embate entre desenvolvimentismo e neoliberalismo, conceito mais explorado no livro, é emblemático.

Figura 2. Tripé da vulgata neoliberal. Advertência: essa figura, que não aparece do livro, foi inserida como forma de ilustrar os argumentos alinhavados pelo autor.  

Ciro Gomes empiriciza o neoliberalismo. O recado é inequívoco. O conjunto de reformas, representado pela Reforma Trabalhista e pela Reforma da Previência, não permite pensar um projeto de nação. Retoma o debate acadêmico da década de 1990, esquecido, intencionalmente nos anos 2000, para demonstrar que as condições de produção e trabalho não são globais. Esse dado, da escala internacional e da política internacional, é fundamental para compreender o papel reservado para o Brasil na divisão internacional do trabalho.

Investindo contra a vulgata que advoga que temos MUITO ESTADO, Ciro Gomes reclama exemplos internacionais, comparando, desde os recursos destinados aos serviços públicos, a proporção de gastos com os salários de servidores e a carga tributária.

Os EUA, frequentemente citado como modelo pelos defensores da diminuição do Estado, têm 15,3% dos empregados no governo, equanto os países escandinavos como a Dinamarca e a Noruega, nossas referencias em serviços públicos, têm 35% de servidores. Na prática, esqueça as estatísticas e pense você se o Brasil tem mais ou menos polícia do que precisa? O Brasil tem mais ou menos professores do que precisa? O Brasil tem mais ou menos médicos do que precisa?

Gomes, 2020, p.110

Mas que Estado, enquanto desejo, encontramos em Projeto Nacional: o dever da esperança? Nas palavras do autor:

Um Estado de bem-estar que garanta saúde e educação públicas de qualidade para seu povo, que tenha capacidade de planejamento e e investimento na economia, que garanta uma distribuicao mais justa da riqueza e uma sociedade civil mais rica, com uma economia baseada na livre iniciativa.

Gomes, 2020. p.108.

Esse Estado de bem-estar, considerando as experiências Ocidentais, é uma construção política, sempre, incompleta,  que revela, diariamente, uma preocupação com as demandas dos grupos mais vulneráveis. A gramática desse Estado é a própria gramática da democracia, motivo pelo qual nunca estará completo e, quase sempre, viverá ameaçado, motivo pelo qual é necessário pensar um projeto de nação que não negligencie, porque não ingênuo, as condições políticas e econômicas do presente. 

Um projeto para o presente 

A linguagem acadêmica se manifesta, de certo modo, com a preocupação em conceituar projeto, nação e desenvolvimento. A preocupação não é fortuita. Esses conceitos carregam sentidos políticos variados. Mas o que particulariza que Brasil que autoriza o autor a acreditar em um projeto de nação renovado com foco no desenvolvimento econômico e social?

Figura 3. Condições para o êxito civilizatório. Advertência. A figura, não presente no livro, expressa, pontualmente, o tripé exposto pelo autor. 

A identificação das condições para o êxito do projeto de nação, sintetizadas na figura 2, resultam, primeiro, da intimidade com a geografia do Brasil e, segundo, com o conhecimento do desenvolvimento na escala internacional, afinal, muitas nações trilharam caminhos mais exitosos. Não seria necessário, nesse caso, inventar a roda. 

Figura 4. Condições para o êxito civilizatório. Advertência. A figura, que não consta no livro, expressa, pontualmente, o tripé exposto pelo autor. 

Os eixos do projeto nacional, expostos no livro, estão em perfeita consonância com o diagnóstico e, principalmente, com os instrumentos de execução. É isso que tem incomodado uma parcela dos interlocutores de Ciro Gomes. Para o conjunto de cada proposta existe uma descrição, com o grau de detalhamento possível para um livro, das mudanças operacionais necessários para efetivar as ações. 

Os cinco eixos aparecem articulados. O gasto público é visto como investimento, sem cair na armailha do Estado Mínimo. Percebemos, por exemplo, como perdemos com a Reforma da Previdência. O sistema proposto, diferente do atual, valoriza a regionalidade do mercado de trabalho e as diferenciações funcionais, propondo um regime complementar de capitalização que não abre mão da contribuição patronal. 

O mais interessante, no entanto, refere-se a reforma tributária. Ciro Gomes demonstra íntimo conhecimento do tema, colocando por terra a ideia, por assim dizer, de que a carga tributária brasileira é socializada. Os impostos sobre o consumo e o serviços pesam mais na base da piramide e as compações internacionais são vergonhosas. As propostas, indigestas para o 1% da população mais abastada, mudam a estrutura de tributação para a renda e para o patrimônio. Um exemplo é a proposta de junção do ITR (Imposto Territorial Rural) com o IPTU (Imposto Sobre Propriedade Territorial Urbana). Quanto ao Imposto sobre Grandes Fortunas, previsto da Constituição de 1988, a proposta é a seguinte:

A alíquota tem que ser moderada o suficiente para dissuadir fuga de capitais. Proponho que seja progressiva entre 0,5% e 1% para os patrimonio superiores a R$10 milhões.

Gomes, 2020, p.145

A discussão da reforma tributária é importante para evitar a bravata advogada pelos defensores do impostrômetro. Os impostos, em um sistema progressivo, funcionam como um guarda-chuva do financiamento das políticas de desenvolvimento. Não é por acaso que os chamados complexos industriais (petróleo, gás, bionergia, agronegócio, saúde e defesa) tenham centralidade no projeto de desenvolvimento. Primeiro, porque o investimento nesses setores tem significativo impacto na geração de empregos de qualidade. Segundo, porque são importantes para a balança de pagamentos. Terceiro, porque são de interesse estratégico para o Estado nacional. A ironia do destino demonstrou, com clareza, como o desmantelamento do Complexo Industrial da Saúde criou as condições ideais para o “sucesso” da pandemia no Brasil. A citação é profética:

Todo ano a União importa desde produtos de tecnologia rudimentar, como camas de hospital, próteses, muletas, cadeiras de rodas, até produtos sofisticados, como aparelhos de ressonância magnéticas e tomografia computadorizada.

Gomes, 2020, p.150

Todos sabem o preço que estamos pagando por não investir no complexo da saúde. Máscaras da China. Filas para comprar álcool em gel. Insumos fundamentais para a saúde são importados, gerando emprego e renda em países como a China, Alemanha e Estados Unidos. É por isso que o financiamento do setor industrial esta intimamente relacionado com o investimento em ciência e tecnologia. Simbiose é a palavra que define o investimento público.

Mas, como diz o conhecimento popular, o diabo esconde-se nos detalhes. Existe um obstáculo a ser transposto que é condição para a realização do projeto de desenvolvimento proposto. Trata-se do limite de gastos representado pela PEC-95, denominado Novo Regime Fiscal, que vigorará por vinte exercícios financeiros: 

O Brasil estará impedido de crescer além de taxas vegetativas enquanto vigorar essa reforma inconstitucional que, na prática, revoga a Constituição de 1988. A obrigação primeira de todo brasileiro que tem compromisso com a súade da população, o futuro de nossas crianças e o crescimento do país é revoga-la.

Gomes, 2020, p.174

Não deixa de ser irônico o fato de que os comentaristas econômicos da mídia hegemônica tenham, nos últimos meses, argumentado, diante da histórica crise de saúde pública, que é possível admitir certo grau de endividamento. As coisas faladas foram, momentaneamente, esquecidas – o livro deveria ter sido dedicado aos jornalistas Carlos Sardenberg e Miriam Leitão.

Um livro de coisas escritas 

“Os livros hoje em dia, como regra, é um montão, um amontoado… Muita coisa escrita, tem que suavizar aquilo” [8]. Poderíamos localizar essas frases no conjunto de banalidades ditas pelo Presidente Jair Bolsonaro. O que deveria despertar asco para a sociedade brasileira, em um momento de negação absoluta da razão, é motivo de orgulho para segmentos que apostam no obscurantismo e na violência como linguagem da democracia. Mas por que, ao final de uma resenha sobre um livro de coisas escritas, evocar a fala de um Presidente conhecido por seu pouco apreço aos livros?

Não lembro de um momento na história do Brasil que tenhamos abandonado a ambição, a gramática, a retórica, a esperança, em um projeto nacional. Getúlio Vargas imprimou um projeto nacional cuja ambição passava por formar a nacionalidade brasileira. Mirou para Oeste. Brasília, síntese do Plano de Metas de Juscelino Kubitschek, prometeu, a partir do Planalto Central, rasgado por estradas de rodagem, modernizar o país. O desenvolvimento assumiu a gramática da modernização. Nem mesmo os militares ousaram, com suas práticas autoritárias,  eliminar de seu horizonte um projeto de desenvolvimento, bastando para isso folhear os retóricos Planos Nacionais de Desenvolvimento. A democratização, firmada no discurso de Ulysses Guimarães, prometeu um futuro diferente, garantindo direitos e universalizando os serviços públicos. Fernando Henrique Cardoso imaginou o desenvolvimento, mesmo que subordinado, a partir da integração internacional e de um conjunto de medidas para redução do Estado. O discurso de Luís Inácio Lula da Silva, no ato de posse, revelou o desejo de perseguir o desenvolvimento com inclusão social. A gramática do projeto de nação, até então, não tinha sido abandonada. O discurso de posse de Jair Bolsonaro derrota essa, mesmo que retórica, tradição. 

O sentimento é que ficamos órfãos de um projeto de nação. Nos transformamos em uma nação covarde, sem inteligência para interpretar o presente e sem coragem para lutar pelo futuro. A res-pública, coisa pública, sucumbiu diante dos mais mesquinhos desejos privados.  Mas a coragem, virtude política, cautelosa, acanhada, começa a aparecer novamente. Sumida das ruas, em razão das circunstâncias, encontra voz nas redes sociais. Aparece, também, em manifestos de coisas escritas que pululam no espaço virtual. Aparece, de forma sistematizada, em Projeto Nacional: o dever da esperança. Escrever um livro, sistematizar ideias, além de um convite para o debate, nos dias atuais, transformou-se em um ato de coragem. Digam o que quiserem, mas coragem não falta ao autor desse livro. 

Notas de rodapé
[1] Uma parte do debate político da esquerda e do autodenominado campo progressista tem se limitado ao trivial embate entre aqueles que acham que o PT, em função das pesquisas eleitorais, deveria ter apoiado Ciro Gomes e aqueles que acusam o candidato do PDT de evadir-se para Paris. Essa discussão, pela futilidade que encerra, camufla o fato de que parte da esquerda, tanto quando do autodenominado campo progressista, não precisariam discutir um projeto de nação, perspectiva pouco pedagógica e demasiadamente adesista. Foi esse projeto, e não a expectativa de vitória, que me levou a votar, apesar dos ruídos carinhosos de colegas, em Ciro Gomes.
[2] A economia do desejo, de Eduardo Moreira, Valsa Brasileira, de Laura Carvalho, Brasil, uma economia que não aprende, de Paulo Gala e André Roncaglia, são exemplos de recentes livros que debatem questões fundamentais, em linguagem leve, sobre o desenvolvimento brasileiro.
[3] In.: https://seriesestatisticas.ibge.gov.br/series.aspx?no=10&op=0&vcodigo=CD90&t=populacao-presente-residente. Acesso em 28/06/2020.
[4] In.: Paulo Singer, em Repartição de Renda, pobres e ricos no governo militar, livro publicado em 1985, analisa a queda absoluta e relativa do Salário Mínimo no período em questão.
[5] Maria Conceição Tavares, em O grande salto para o caos, assim caracteriza o chamado “milagre econômico”: “A arquitetura impressionista do “milagre econômico assemelhava-se a um castelo de cartas precariamente apoiado no sistema de crédito. No externo, pela abertura financeira da economia. No interno, fundamentada no instituto da correção monetária de ativos financeiros. Estava balizado, como visto, pelo sistema de incentivos e subsídios generalizados, bem como pelo sistema tributário regressivo, tudo favorecendo a acumulação. Com os salários contidos através de uma forma de reajustes que subestimava descaradamente a inflação futura, a pressão de custos sobre os preços se limitava ao comportamento dos preços dos insumos importados e da taxa de juros. ” (1985, p.33)
[6] Art. 1º É concedida anistia a todos quantos, no período compreendido entre 02 de setembro de 1961 e 15 de agosto de 1979, cometeram crimes políticos ou conexo com estes, crimes eleitorais, aos que tiveram seus direitos políticos suspensos e aos servidores da Administração Direta e Indireta, de fundações vinculadas ao poder público, aos Servidores dos Poderes Legislativo e Judiciário, aos Militares e aos dirigentes e representantes sindicais, punidos com fundamento em Atos Institucionais e Complementares. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L6683.htm
[7] In.:http://www.pdtrs.org.br/rs/pdtrs/rs/nossa-historia/67-fundacao/191-carta-de-lisboa-marco-do-trabalhismo-na-redemocratizacao-do-brasil. Acesso em 26/06/2020.
[8] In.:https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia-estado/2020/01/03/bolsonaro-diz-que-livros-didaticos-tem-muita-coisa-escrita.htm. Acesso em 28/06/2020.
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