minerais críticos - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/minerais-criticos/ Portal de noticias e análises sobre política brasileira, geopolítica, economia, tecnologia, sempre numa perspectiva democrática, progressista, anti-imperialista e multipolar! Sun, 05 Apr 2026 12:07:25 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://controle.ocafezinho.com/wp-content/uploads/2015/10/cropped-Logo_Cafezinho_tmb-32x32.png minerais críticos - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/minerais-criticos/ 32 32 Governo Lula acelera criação de conselho sobre minerais críticos em meio a tensões com os EUA https://www.ocafezinho.com/2026/04/05/governo-lula-acelera-criacao-de-conselho-sobre-minerais-criticos-em-meio-a-tensoes-com-os-eua/ https://www.ocafezinho.com/2026/04/05/governo-lula-acelera-criacao-de-conselho-sobre-minerais-criticos-em-meio-a-tensoes-com-os-eua/#respond Sun, 05 Apr 2026 11:42:11 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/04/05/governo-lula-acelera-criacao-de-conselho-sobre-minerais-criticos-em-meio-a-tensoes-com-os-eua/ O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avança na estruturação de um conselho especial vinculado à Presidência da República, dedicado à gestão de minerais críticos. A iniciativa ganhou força após estados como Goiás firmarem acordos internacionais sobre o setor, despertando a atenção do governo federal.

Esse novo colegiado tem como propósito principal assessorar diretamente o presidente em questões geopolíticas relacionadas a esses recursos estratégicos, além de funcionar como um elo entre o poder público e a iniciativa privada, buscando alinhar interesses e políticas.

A formatação do conselho ainda depende de uma decisão final de Lula sobre sua estrutura operacional. O Ministério de Minas e Energia, que começou a debater o tema em 2025, defende que o órgão fique sob sua tutela. Por outro lado, o Palácio do Planalto avalia a possibilidade de vinculá-lo à Casa Civil, centralizando ainda mais o controle. A definição caberá exclusivamente ao presidente, que busca um modelo que garanta agilidade e eficiência nas decisões sobre o setor mineral.

Uma reunião recente no Palácio da Alvorada abordou a criação do conselho, contando com a participação de figuras-chave do governo. Entre os presentes estavam o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, o assessor especial Celso Amorim, além de representantes da Casa Civil e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

Diferentemente do Conselho Nacional de Política Mineral (CNPM), reativado em outubro de 2025 com um perfil técnico e setorial, o novo órgão busca ser mais dinâmico. O CNPM, presidido pelo Ministério de Minas e Energia, conta com 19 integrantes do alto escalão e foca na coordenação de políticas minerais, enquanto o conselho em gestação prioriza decisões estratégicas e negociações internacionais.

O foco do novo órgão será a cadeia produtiva de minerais como cobre, lítio, níquel, manganês e grafita, essenciais para a transição energética global e para a indústria de tecnologia avançada. Apesar de o país possuir reservas significativas desses materiais, sua produção atual corresponde a apenas 0,09% da oferta mundial, o que reforça a urgência de uma política coordenada.

A proposta em discussão prevê a participação de estados, municípios, academia e sociedade civil, embora as cadeiras ainda não tenham sido definidas. A ideia é consolidar a posição brasileira no cenário global, priorizando a exportação de produtos processados em vez de matéria-prima bruta, com a possibilidade de restringir vendas externas em situações de necessidade interna.

No dia 18 de março de 2026, durante um evento na sede da Amcham em São Paulo, Gabriel Escobar, encarregado de Negócios dos Estados Unidos no Brasil, declarou que Washington espera uma resposta do governo brasileiro sobre parcerias no setor de minerais críticos. A afirmação gerou desconforto no Planalto, que considera a posição americana imprecisa, já que não há uma proposta formal em mesa.

Enquanto os EUA tratam o tema como uma negociação em curso, Brasília avalia que as discussões, conduzidas por equipes técnicas via Representação Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), ainda carecem de clareza. Segundo informações divulgadas pelo Ministério de Minas e Energia, o governo brasileiro mantém cautela para evitar acordos que limitem o país a um papel de mero fornecedor de insumos não industrializados.

Em movimento paralelo, também no dia 18 de março de 2026, os Estados Unidos assinaram um memorando com o governo de Goiás, liderado pelo governador Ronaldo Caiado (União Brasil), sem consulta prévia ao Planalto. O acordo, firmado com o Departamento de Estado americano e representado por Gabriel Escobar, pegou de surpresa tanto o Ministério de Minas e Energia quanto o Ministério das Relações Exteriores.

O governo federal reforça que a competência para definir políticas de abertura desse mercado é exclusiva da União. Um ponto de tensão é a cláusula que estabelece propriedade conjunta de dados geológicos financiados pelos EUA entre Goiás e Washington, vista como uma questão de segurança nacional. Além disso, a escolha do Departamento de Estado como signatário, em vez do Departamento de Energia, é interpretada como uma tentativa de politizar o acordo, gerando desconfiança no governo brasileiro, que questiona as reais intenções dos EUA por trás de sua retórica de cooperação.

 

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Lula denuncia plano de Flávio Bolsonaro para entregar minerais e soberania aos Estados Unidos https://www.ocafezinho.com/2026/04/01/lula-denuncia-plano-de-flavio-bolsonaro-para-entregar-minerais-e-soberania-aos-estados-unidos/ https://www.ocafezinho.com/2026/04/01/lula-denuncia-plano-de-flavio-bolsonaro-para-entregar-minerais-e-soberania-aos-estados-unidos/#respond Thu, 02 Apr 2026 01:57:14 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=229768 A disputa pelo controle estratégico das riquezas naturais brasileiras e a defesa da soberania nacional contra a hegemonia norte-americana assumiram o centro absoluto do debate político. O alerta estrutural sobre os rumos geopolíticos do país partiu diretamente da presidência da República.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva denunciou que uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro nas urnas resultará na entrega direta do Brasil aos Estados Unidos. A declaração contundente ocorreu durante uma reunião fechada nesta terça-feira, 31 de março de 2026, com ministros que deixarão o governo para disputar eleições.

Segundo reportou a agência internacional de notícias Reuters, a partir de apurações originais publicadas pela Folha de S.Paulo, o petista subiu o tom contra a oposição. Lula reforçou seu discurso de proteção nacional e classificou o senador oposicionista como um perigoso traidor da pátria.

O chefe de Estado expressou profunda indignação com a recente viagem de Flávio Bolsonaro ao território dos Estados Unidos. Lula apontou que o nível de submissão do adversário sugere que o controle sobre minerais raros do subsolo brasileiro seria transferido aos americanos em um eventual governo da extrema direita.

O petista exigiu que a população brasileira seja massivamente alertada sobre o que chamou de um inaceitável entreguismo. A cessão de minerais essenciais para a transição energética global retiraria do Estado brasileiro sua principal alavanca de desenvolvimento e poder negocial no século vinte e um.

A gravidade do cenário eleitoral dominou o discurso final da reunião ministerial, realizada sem a presença da imprensa. O presidente determinou que os ministros em processo de desincompatibilização funcionem como sua voz, suas pernas e seus braços nos estados durante a corrida pública.

Alinhamento bélico e submissão aos interesses estrangeiros

O encontro também serviu para traçar um diagnóstico sobre os conflitos internacionais e suas consequências internas. Lula detonou a postura dos parlamentares bolsonaristas que atuam como linha auxiliar e oferecem apoio à guerra no Oriente Médio. O conflito atual é liderado pelas diretrizes do governo de Donald Trump.

O presidente destacou a profunda contradição da oposição em relação aos interesses econômicos da nação. Enquanto o governo federal trabalha arduamente para minimizar os severos impactos econômicos dessa guerra na cadeia produtiva, os apoiadores de Jair Bolsonaro fornecem suporte político irrestrito ao líder norte-americano.

Lula associou a figura e o comportamento de Flávio Bolsonaro diretamente à mentalidade imperialista do atual presidente dos Estados Unidos. O líder petista afirmou que Trump opera sob a ilusão de ser o dono absoluto do mundo e que impõe suas vontades por meio da força.

A subordinação ideológica da família opositora chegou a um nível explícito de dependência política externa. A expectativa central do senador Flávio, segundo relatou o presidente da República, é que o governante americano intervenha e faça campanha política ativa para ele dentro do território do Brasil.

Para demonstrar o erro histórico de confiar na benevolência da Casa Branca, Lula relembrou episódios recentes de intervenção na América do Sul. O presidente citou explicitamente a invasão da Venezuela e o sequestro do líder venezuelano Nicolás Maduro, operações patrocinadas pelo aparelho de inteligência americano.

O líder brasileiro apontou que a estratégia de força bruta e ocupação falhou em criar a submissão desejada pelo império. Ele argumentou que é um erro estratégico primário acreditar que a intervenção estrangeira na Venezuela faria com que os cidadãos daquele país aceitassem passivamente os brutais interesses comerciais de Washington.

O impacto estrutural da geopolítica das riquezas

A pauta de retaliações comerciais e financeiras também entrou no escopo do alerta do presidente da República. Lula aproveitou o momento com os ministros para relembrar a postura da família Bolsonaro desde o início do recente ciclo de tensões diplomáticas com o eixo norte-americano.

Em um movimento que prejudica a indústria nacional, os filhos de Bolsonaro têm defendido ativamente a política econômica do governo Trump. Essa defesa incondicional ocorre de forma explícita mesmo no que diz respeito à imposição de agressivas tarifas de importação contra produtos fundamentais da balança comercial brasileira.

Flávio Bolsonaro manteve e aprofundou suas conexões com os centros de poder conservador dos Estados Unidos logo após anunciar sua pré-candidatura à presidência. Esse alinhamento ignora as distâncias políticas necessárias para a manutenção da soberania de um país com o peso geopolítico do Brasil.

A postura subserviente atingiu seu ápice durante a participação do senador na CPAC, o maior evento internacional da extrema direita, realizado em solo estadunidense. Diante de um público estrangeiro, Flávio afirmou que Lula atua como um antagonista dos interesses americanos e tentou vincular o petista ao líder venezuelano.

A gravidade do cenário de concessão de riquezas minerais é confirmada por analistas em estratégia de Estado. Segundo pesquisadores do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de São Paulo (IRI-USP), a transferência do monopólio de recursos raros para potências estrangeiras aniquila a capacidade de reindustrialização de qualquer nação emergente.

Apesar do forte embate contra o projeto neocolonial da direita, Lula demonstrou que a governabilidade da máquina pública exige pragmatismo tático. No encontro restrito com seus aliados, o presidente ressaltou que é absolutamente essencial manter canais de diálogo institucionais abertos com os partidos que compõem o Centrão.

A leitura política do Palácio do Planalto assume que a fratura da sociedade brasileira atingiu um grau de cristalização severo. O chefe do Executivo declarou aos presentes que não acredita na possibilidade de lulistas e bolsonaristas convictos mudarem de lado nesta altura do ciclo histórico.

A longo prazo, a denúncia sobre o destino dos minerais raros e o alinhamento cego a Washington reconfigura totalmente o peso da próxima disputa presidencial. A eleição deixa de ser um mero embate interno e se transforma em um plebiscito estrutural sobre o papel do Brasil como líder do Sul Global.

A manutenção de um Estado forte, que protege seus ativos estratégicos e rejeita participar de guerras imperiais, define o sucesso da ordem multipolar. A derrota do entreguismo denunciado por Lula é a condição material básica para garantir que a economia nacional não volte a operar como um almoxarifado subordinado às corporações do Norte Global.

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G20: Lula defende governança soberana em minerais críticos e IA https://www.ocafezinho.com/2025/11/23/g20-lula-defende-governanca-soberana-em-minerais-criticos-e-ia/ https://www.ocafezinho.com/2025/11/23/g20-lula-defende-governanca-soberana-em-minerais-criticos-e-ia/#respond Sun, 23 Nov 2025 15:01:34 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=221805 Presidente também pautou trabalho decente e grandes plataformas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um alerta, neste domingo (23), para a necessidade de se discutir a soberania dos países sobre o conhecimento e o valor agregado dos minerais críticos. Lula discursou durante a última sessão temática da Cúpula de Líderes do G20 – grupo das maiores economias do mundo, em Joanesburgo, na África do Sul.

Na pauta, os minerais críticos, a inteligência artificial e o trabalho decente. Temas que também estiveram presentes nas discussão da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), encerrada neste final de semana, em Belém, no Pará (clique aqui e confira a cobertura completa da EBC).

“A forma como nós integrarmos esses três vetores do desenvolvimento definirá não apenas o nosso presente, mas o futuro das próximas gerações”, afirmou o presidente brasileiro.

Os minerais críticos são recursos essenciais para setores estratégicos, como tecnologia, defesa e transição energética, cuja oferta está sujeita a riscos de escassez ou dependência de poucos fornecedores. Eles incluem elementos como lítio, cobalto, níquel e terras raras, fundamentais para baterias de veículos elétricos, turbinas eólicas, painéis solares e semicondutores.

Esta Cúpula do G20, sob a presidência sul-africana, vai publicar um documento sobre minerais críticos que reforça a ideia de beneficiar esses produtos em seus países de origem, com os princípios que devem ser observados na extração e beneficiamento dessa matéria-prima.

Para Lula, a transição energética oferece a oportunidades de ampliação das fronteiras tecnológicas e de ressignificar o papel da exploração dos recursos naturais.

“Os países com grande concentração de reservas de minerais não podem ser vistos como meros fornecedores, enquanto seguem à margem da inovação tecnológica. O que está em jogo não é apenas quem detém esses recursos, mas quem controla o conhecimento e o valor agregado que deles derivam”, disse aos líderes.

“Falar sobre minerais críticos também é falar sobre soberania. A soberania não é medida pela quantidade de depósitos naturais, mas pela habilidade de transformar recursos através de políticas que tragam benefícios para a população. Precisamos de investimentos ambientalmente e socialmente responsáveis, que contribuam para fortalecer a base industrial e tecnológica dos países detentores de recursos”, afirmou.

O Brasil, por exemplo, possui cerca de 10% das reservas mundiais desses elementos, de acordo com o Instituto Brasileiro da Mineração (Ibram), entidade que representa o setor privado.

No país, pesquisa indica que a busca por minerais necessários para projetos de transição energética já vem causando conflito nas novas frentes exploratórias. Outro estudo mostra que essa procura acelera a crise climática.

Lula lembrou que o Brasil criou o Conselho Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos para planejar políticas de exploração mineral e afirmou que o país não será apenas exportador, e sim parceiro na cadeia global de valor desses elementos.

IA e trabalho decente

No mesmo sentido, o presidente argumentou que a inteligência artificial (IA) representa uma “oportunidade única” para impulsionar o desenvolvimento das nações de forma equitativa. Ele defende a instituição de uma governança global e representativa para o tema, para que seus benefícios sejam compartilhados.

“[A IA] promove a inovação, aumenta a produtividade, estimula práticas sustentáveis e pode melhorar a vida das pessoas de maneira concreta. O grande desafio não é apenas dominar a ferramenta, mas trabalhar para que todos possam utilizá-la de forma segura, protegida e confiável”, disse.

“Quando poucos controlam os algoritmos, os dados e as infraestruturas atreladas aos processos econômicos, a inovação passa a gerar exclusão. É fundamental evitar uma nova forma de colonialismo: o digital. É urgente que as maiores economias do mundo aprofundem o debate sobre a governança da IA e que as Nações Unidas sejam o centro dessa discussão”, acrescentou.

Lula lembrou ainda que 2,6 bilhões de pessoas não têm acesso ao mundo digital. Segundo ele, em países de renda alta 93% da população tem acesso a Internet, enquanto nos países de baixa renda esse percentual é de apenas 27%.

Por fim, o presidente defendeu que o desenvolvimento tecnológico venha atrelado a oportunidades de trabalho e proteção ao trabalhador, na medida em que 40% dos trabalhadores do mundo estão em funções altamente expostas à IA, sob risco de automação ou complementação tecnológica.

“Cada painel solar, cada chip, cada linha de código deve carregar consigo a marca da inclusão social”, disse. “Devemos criar pontes entre os setores tradicionais e emergentes. A tecnologia deve fortalecer, e não fragilizar os direitos humanos e trabalhistas”, afirmou aos líderes do G20.

Agenda

O G20 é o principal órgão para cooperação econômica internacional, criado em 1999 após a crise financeira asiática. Em 2008, ele também se tornou uma instância política, com uma cúpula de chefes de Estado e de governo.

Em 2025, a África do Sul conduz os trabalhos do G20 sob o lema “Solidariedade, Igualdade e Sustentabilidade”, com quatro prioridades: fortalecimento da resiliência e capacidade de resposta a desastres; sustentabilidade da dívida pública de países de baixa renda; financiamento para a transição energética justa; e minerais críticos como motores de desenvolvimento e crescimento econômico.

A presidência sul-africana encerra, ainda, um ciclo em que todos os países terão exercido, pelo menos uma vez, a liderança do grupo.

À margem da cúpula, neste domingo, Lula também se reuniu com os líderes do Fórum de Diálogo Índia-Brasil-África do Sul (Ibas). A iniciativa trilateral foi desenvolvida em 2003 no intuito de promover a cooperação entre os países do Sul Global.

Lula desembarcou em Joanesburgo na sexta-feira (21) e, neste sábado (22), discursou nas duas primeiras sessões temáticas do G20, sobre crescimento econômico sustentável e inclusivo e mudança do clima e redução do risco de desastres.

Ele também manteve reuniões bilaterais com o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, e o primeiro-ministro da Alemanha, Friedrich Merz.

Ainda hoje, o presidente segue para Maputo, capital de Moçambique, onde faz uma visita de trabalho nesta segunda-feira (24). A viagem se insere nas comemorações de 50 anos das relações diplomáticas entre os dois países. A previsão é que Lula embarque de volta para o Brasil ainda na segunda-feira.

Publicado originalmente pela Agência Brasil em 23/11/2025

Por Andreia Verdélio – Brasília

Edição: Juliana Cézar Nunes

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Não era por Bolsonaro: Tio Sam quer roubar minerais críticos do Brasil https://www.ocafezinho.com/2025/07/25/nao-era-por-bolsonaro-tio-sam-quer-roubar-minerais-criticos-do-brasil/ https://www.ocafezinho.com/2025/07/25/nao-era-por-bolsonaro-tio-sam-quer-roubar-minerais-criticos-do-brasil/#respond Fri, 25 Jul 2025 13:55:53 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=213644 Brasil tem vastas reservas de minérios como nióbio e terras raras, estratégicos para setores como o de veículos elétricos, energia eólica, semicondutores e de defesa.

Até então muito dependentes da China para obter minerais críticos, os Estados Unidos estão agora de olho nas reservas brasileiras desses elementos, fundamentais para setores ligados à transição energética, defesa e produção de semicondutores.

O encarregado de negócios dos EUA no Brasil, Gabriel Escobar, esteve reunido nessa quinta-feira (24/07) com representantes do setor de mineração, incluindo empresários, membros do governo e do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), para sugerir um plano entre os dois países para a exploração desses minerais.

O Brasil tem grandes reservas de nióbio, grafite, terras raras e níquel, além da presença de lítio, cobre e cobalto – considerados extremamente estratégicos para os rumos da economia global.

O encontro ocorreu dias antes da entrada em vigor de uma tarifa de 50% sobre os produtos brasileiros anunciada pelo governo de Donald Trump – sob o argumento de que a Justiça brasileira estaria perseguindo o ex-presidente Jair Bolsonaro, réu por tentativa de quebrar a ordem democrática no país. A medida deve entrar em vigor a partir de 1º de agosto, e Escobar tem mantido conversas com o governo brasileiro sobre a represália.

Segundo interlocutores, a reunião da quinta girou em torno da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, projeto em tramitação no Congresso que propõe definir quais minérios são essenciais ao desenvolvimento econômico, tecnológico e ambiental do país.

Participantes da reunião afirmaram que não interpretaram as falas do encarregado norte-americano como uma tentativa de condicionar uma negociação para um alívio das tarifas ao acesso aos minerais. Porém, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva rapidamente afirmou que não permitirá interferência estrangeira em como o Brasil lida com a exploração de minerais. “Aqui ninguém põe a mão”, disse Lula na quinta-feira.

No primeiro semestre, os EUA já haviam pressionado a Ucrânia a assinar um acordo para a exploração de terras raras no país do leste europeu, em meio a ameaças da Casa Branca de cortar sua assistência militar para os ucranianos.

Busca por novos fornecedores

Os minerais críticos são insumos essenciais para setores estratégicos — da produção de baterias de veículos elétricos a mísseis guiados — e sua disponibilidade limitada tem levantado um alerta de governos e indústrias ao redor do mundo.

O termo “crítico” está relacionado tanto à importância industrial desses minerais, como também à concentração geográfica da produção, dificuldade de substituição tecnológica e tempo longo de desenvolvimento de novas minas e indústrias.

Atualmente, a China domina o processamento da maioria dos minerais críticos, embora precise importar boa parte das matérias-primas. Em meio a uma acirrada disputa comercial, os EUA têm buscado reduzir a dependência desse fornecimento. Em abril, Pequim introduziu limites à exportação de sete terras raras e ímãs feitos a partir delas, obrigando empresas em todo o mundo a rever seus processos.

Dessa forma, o Brasil despontou como um estratégico parceiro. O país é particularmente rico em nióbio, com cerca de 98% das reservas internacionais. Outros recursos abundantes são as terras raras – um grupo de 17 elementos químicos com um papel pequeno, porém insubstituível, em diversos produtos tecnológicos modernos, como smartphones, televisores de tela plana, câmeras digitais e LEDs.

Terras raras também são amplamente usadas na fabricação de ímãs permanentes, de alta potência e que mantêm suas propriedades magnéticas por décadas. Eles permitem a produção de peças menores e mais leves do que as alternativas não baseadas em terras raras, sendo portanto essenciais na construção de veículos elétricos e turbinas eólicas, por exemplo.

Terras raras também são vitais para uma grande gama de tecnologias de defesa, de aviões de caça a submarinos e telêmetros a laser.

Além do Brasil, EUA e outros países, como os da União Europeia, têm demostrado interesse em fontes não exploradas desses minerais estratégicos, como Ucrânia e Groelândia. Os dois países apresentam grande potencial, mas suas reservas estão em locais de difícil acesso – além do fator guerra.

Os EUA e a Ucrânia assinaram em abril um acordo para a exploração de terras raras no país sob ocupação russa. Trump afirmou que o acesso a essas riquezas era uma das condições para seguir com a ajuda militar a Kiev.

Publicado originalmente pelo DW em 25/07/2025

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Corrida por ‘minerais críticos’ pode abalar o mundo https://www.ocafezinho.com/2025/03/13/corrida-por-minerais-criticos-pode-abalar-o-mundo/ Thu, 13 Mar 2025 07:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=204106 A busca por minerais críticos está acirrando disputas globais, envolvendo potências, sanções e alianças estratégicas em um jogo perigoso de poder e controle

Os minerais críticos estão no centro das atenções desde o retorno de Donald Trump à Casa Branca. No dia de sua posse, ele emitiu uma ordem executiva chamada “Libertando a Energia Americana”. Com seu habitual exagero, ele busca garantir a “dominância mineral da América”. Ele também emitiu uma ordem executiva relacionada (“Enfrentando a ameaça à segurança nacional das importações de cobre”), ameaçou tomar a Groenlândia e anexar o Canadá, países com recursos minerais valiosos, pressionou a Ucrânia a aceitar um acordo sobre minerais (“eles têm terras raras excelentes. E eu quero segurança das terras raras”) e anunciou ações adicionais iminentes para “expandir dramaticamente a produção de minerais críticos e terras raras aqui nos EUA”.

Segundo o Financial Times a retórica belicosa e o comportamento ameaçador de Trump foram amplamente criticados, mas ele não está agindo isoladamente. No ano passado, a União Europeia assinou um acordo sobre minerais críticos com Ruanda.

No entanto, o Parlamento Europeu votou pela suspensão do acordo, pois Ruanda está apoiando uma rebelião no leste da República Democrática do Congo, em parte para controlar e exportar coltan, estanho, tungstênio, tântalo e ouro da região.

Enquanto isso, o governo da RD Congo, liderado por Félix Tshisekedi, propôs um acordo sobre minerais críticos aos EUA, inspirado no acordo estagnado com a Ucrânia. Tshisekedi sugeriu acesso privilegiado para empresas americanas às vastas reservas de cobalto e cobre, em troca de assistência na luta contra os rebeldes do M23.

Vladimir Putin também viu o acordo com a Ucrânia como um modelo, oferecendo a Trump acesso aos minerais da Rússia — bem como aos dos territórios ucranianos sob controle de suas forças.

Esses acordos fazem parte de uma tendência global. Os países importadores estão correndo para garantir o acesso a minerais, usando uma combinação de onshoring (incentivando a mineração dentro de suas fronteiras) e acordos comerciais bilaterais.

Já os países produtores estão implementando proibições de exportação, criando empresas estatais e, em alguns casos, nacionalizando setores inteiros da mineração. Seja justificado pela transição energética, pelo avanço tecnológico ou pela preparação militar, todos os países buscam garantir sua parte dos minerais críticos.

Nos Estados Unidos, as ações de Trump representam a intensificação de um consenso bipartidário que vem se consolidando há mais de uma década. Foi durante o governo de Barack Obama que autoridades federais delinearam pela primeira vez uma “estratégia de minerais críticos”.

No primeiro mandato de Trump, ordens executivas expandiram a lista de minerais críticos e enquadraram a dependência de importações de países adversários como uma ameaça à segurança nacional.

A administração de Joe Biden ampliou a mineração doméstica, estabeleceu alianças de friendshoring e impôs tarifas significativas sobre minerais provenientes da China.

Algumas políticas anteriores dos EUA também ecoam o recente exagero de Trump. Sob Biden, por exemplo, o Departamento de Estado pressionou o CEO da Tanbreez, uma empresa privada, a rejeitar ofertas de investidores chineses para seu depósito de terras raras na Groenlândia.

Há uma história ainda mais longa por trás disso. O conceito de “minerais críticos” remonta ao período anterior à Segunda Guerra Mundial e foi reforçado durante a corrida por materiais atômicos na Guerra Fria e a crise energética dos anos 1970.

Em cada momento, a classificação de recursos como “críticos” justificou o apoio governamental à extração e ao acesso, a desregulamentação de salvaguardas e a preferência por táticas de força em vez de cooperação.

As consequências são graves: a mineração está entre os setores com maior número de violações de direitos humanos.

A ideia de “minerais críticos” encerra o debate. Críticos para quem? E extraídos para benefício de quem e às custas de quem? Em vez de “dominância mineral”, precisamos de acordos internacionais que estabeleçam padrões ambientais e sociais, além de políticas que reduzam a demanda por minerais.

Caso contrário, o consenso sobre minerais críticos pode nos levar a uma corrida do ouro do século 21 ou a uma guerra por recursos.

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A batalha pelos ‘minerais críticos’ pode virar guerra global https://www.ocafezinho.com/2025/03/12/a-batalha-pelos-minerais-criticos-pode-virar-guerra-global/ Thu, 13 Mar 2025 01:34:56 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=204099 A disputa por minerais críticos envolve grandes potências, acordos estratégicos e ameaças veladas. O mundo caminha para uma nova guerra de recursos?

Os minerais críticos estão no topo da agenda desde o retorno de Donald Trump à Casa Branca. No dia da posse, ele emitiu uma ordem executiva, “Libertando a Energia Americana”. Com seu habitual exagero, ele busca garantir a “dominância mineral da América”. Segundo o Financial Times, ele também emitiu uma ordem executiva relacionada (“Enfrentando a ameaça à segurança nacional das importações de cobre”), ameaçou tomar a Groenlândia e anexar o Canadá, que possuem recursos minerais invejáveis, pressionou a Ucrânia a aceitar um acordo sobre minerais (“eles têm terras raras excelentes. E eu quero segurança das terras raras”) e anunciou ações adicionais iminentes para “expandir dramaticamente a produção de minerais críticos e terras raras aqui nos EUA”.

A retórica belicosa e o comportamento ameaçador de Trump foram justamente criticados, mas ele não está agindo no vácuo. No ano passado, a UE assinou um acordo sobre minerais críticos com Ruanda.

O Parlamento Europeu, no entanto, votou pela suspensão do acordo, porque Ruanda está apoiando uma rebelião no leste da República Democrática do Congo, em parte para se apoderar e exportar o coltan, estanho, tungstênio, tântalo e ouro da região.

Enquanto isso, o governo da RD Congo, liderado por Félix Tshisekedi, propôs um acordo sobre minerais críticos aos EUA, modelado com base no acordo estagnado com a Ucrânia.

Tshisekedi apresentou a ideia de acesso privilegiado para empresas americanas às vastas reservas de cobalto e cobre, em troca de assistência de segurança em sua luta contra os rebeldes do M23.

Vladimir Putin também viu o acordo com a Ucrânia como um modelo, oferecendo a Trump acesso aos minerais da Rússia — bem como aos dos territórios ucranianos que suas forças controlam.

Esses acordos fazem parte de uma tendência mais ampla. Os países importadores estão correndo para garantir minerais, usando uma combinação de onshoring (incentivando a mineração dentro de suas fronteiras) e acordos comerciais bilaterais.

Os países produtores estão implementando proibições de exportação, estabelecendo empresas estatais e, em alguns casos, nacionalizando setores inteiros de mineração. Seja justificado pela transição energética, setores de tecnologia ou preparação militar, todos os países querem sua parte do bolo dos minerais críticos.

Nos EUA, as ações de Trump marcam a escalada de um consenso bipartidário que vem sendo construído há mais de uma década. Foi durante a presidência de Barack Obama que funcionários federais delinearam pela primeira vez uma “estratégia de minerais críticos”.

No primeiro mandato de Trump, ordens executivas expandiram a lista de minerais críticos e enquadraram a dependência de importações de adversários estrangeiros como uma ameaça. A administração de Joe Biden aumentou a mineração doméstica, estabeleceu alianças de friendshoring e impôs tarifas significativas sobre minerais da China.

Algumas políticas anteriores dos EUA também têm uma semelhança inquietante com o recente exagero de Trump. Sob Biden, por exemplo, o Departamento de Estado pressionou o CEO da Tanbreez, uma empresa privada, a resistir a quaisquer ofertas de investidores chineses para seu depósito de terras raras na Groenlândia.

Há uma história ainda mais longa em jogo aqui. O conceito de “minerais críticos” remonta ao período que antecedeu a Segunda Guerra Mundial e foi reforçado durante a corrida por materiais atômicos na Guerra Fria e a crise energética dos anos 1970.

Em cada momento, rotular recursos como “críticos” justificou o apoio governamental à extração e ao acesso, a desregulamentação de salvaguardas e uma preferência por táticas de força em vez de cooperação. As consequências são mortais: a mineração está entre os setores econômicos com maior número de violações de direitos humanos.

A ideia de “minerais críticos” encerra o debate. Críticos para quem? E extraídos para benefício de quem e às custas de quem? Em vez de “dominância mineral”, precisamos de acordos internacionais sobre padrões ambientais e sociais e políticas que reduzam a demanda por minerais.

Caso contrário, o consenso sobre minerais críticos pode nos levar a uma corrida do ouro do século 21 ou a uma guerra por recursos.

Com informações de Thea Riofrancos*

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EUA podem cortar acesso da Ucrânia ao Starlink por disputa sobre minerais https://www.ocafezinho.com/2025/02/22/eua-podem-cortar-acesso-da-ucrania-ao-starlink-por-disputa-sobre-minerais/ Sat, 22 Feb 2025 07:28:37 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=202290 Segundo informações veiculadas na Reuters, os Estados Unidos teriam ameaçado cortar o acesso da Ucrânia ao sistema de internet via satélite Starlink, operado pela SpaceX, caso um acordo sobre minerais estratégicos não seja firmado. O serviço de Elon Musk é vital para a comunicação do país, especialmente em tempos de guerra, tornando essa possibilidade uma pressão significativa sobre o governo de Volodymyr Zelenskiy.

As discussões sobre os minerais críticos foram levantadas depois que Zelenskiy rejeitou uma proposta inicial apresentada pelo secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent. A situação voltou a ser abordada durante uma reunião entre Keith Kellogg, enviado especial dos EUA para a Ucrânia, e o presidente ucraniano. Segundo uma das fontes, a Ucrânia foi alertada de que o desligamento do Starlink poderia ocorrer caso não chegassem a um acordo.

A importância do Starlink para a Ucrânia é inegável, sendo uma peça central na comunicação militar e na infraestrutura civil do país. O sistema foi introduzido na Ucrânia logo após a invasão russa de fevereiro de 2022, permitindo que o governo e as forças armadas mantivessem conexões essenciais. Qualquer interrupção desse serviço representaria um grande revés, especialmente porque a tecnologia também é crucial para o uso de drones na linha de frente.

O impasse ocorre no contexto de negociações sobre a exploração de minerais estratégicos ucranianos, incluindo grafite, urânio, titânio e lítio, fundamentais para diversas indústrias, especialmente para a produção de baterias de veículos elétricos. Os EUA pressionam para que a Ucrânia conceda uma participação expressiva nesses recursos em troca do apoio militar e financeiro recebido. A proposta mais recente dos americanos previa que empresas dos EUA ficassem com 50% da exploração desses minerais, mas foi rejeitada por Zelenskiy.

Donald Trump, atual presidente dos EUA, tem enfatizado a necessidade de que a Ucrânia retribua o auxílio financeiro concedido pelos Estados Unidos por meio de recursos naturais. Em uma escalada da tensão, Trump chamou Zelenskiy de “ditador sem eleições” após o líder ucraniano sugerir que o presidente americano estaria sendo influenciado por desinformação russa.

A ameaça ao Starlink representa uma mudança na abordagem americana com relação à Ucrânia. Inicialmente, Elon Musk era considerado um herói em Kiev por fornecer rapidamente os terminais do serviço quando as infraestruturas de comunicação ucranianas foram destruídas pelos ataques russos. No entanto, sua posição mudou ao longo da guerra, com relatos de que restringiu o uso do Starlink em algumas operações militares ucranianas no passado.

O cenário também reflete divisões dentro do próprio governo e Congresso americano sobre a melhor forma de lidar com a guerra na Ucrânia. Enquanto Trump defende um desfecho rápido para o conflito, parlamentares de ambos os partidos discutem os limites do apoio a Kiev, especialmente em relação às condições impostas para novos pacotes de ajuda.

O governo ucraniano busca uma alternativa para minimizar o impacto de um possível desligamento do Starlink, mas especialistas alertam que nenhuma solução comparável está disponível no curto prazo. Melinda Haring, do Atlantic Council, destacou que perder o serviço prejudicaria gravemente a capacidade operacional dos drones ucranianos, fundamentais na guerra contra a Rússia.

O destino das negociações ainda é incerto, mas a pressão americana para garantir acesso aos minerais estratégicos ucranianos mostra como os interesses econômicos estão cada vez mais entrelaçados com as decisões geopolíticas do conflito.

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Juntos, Brasil e China podem dominar o mercado mundial de terras raras https://www.ocafezinho.com/2025/01/02/juntos-brasil-e-china-podem-dominar-o-mercado-mundial-de-terras-raras/ https://www.ocafezinho.com/2025/01/02/juntos-brasil-e-china-podem-dominar-o-mercado-mundial-de-terras-raras/#respond Thu, 02 Jan 2025 13:00:20 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=199677 China lidera mercado de terras raras, mas Brasil surge como parceiro estratégico.

A China domina o mercado global de terras raras, produzindo 240 mil toneladas de óxido equivalente em 2023 e concentrando 70% da extração e 90% da capacidade de refino desses minerais essenciais, segundo o Serviço Geológico dos EUA. Esses elementos, fundamentais para a fabricação de ímãs usados em veículos elétricos, turbinas eólicas, painéis solares e equipamentos militares, colocam o país asiático no centro de uma cadeia de suprimentos indispensável à tecnologia moderna.

O Brasil, por sua vez, está emergindo como um potencial aliado estratégico no setor. Com vastas reservas ainda subaproveitadas, o país tem se movido para aumentar sua participação nesse mercado. A mineradora brasileira Serra Verde, localizada no estado de Goiás, já começou a explorar comercialmente esses recursos e está traçando planos ambiciosos para o futuro.

A empresa prevê entregar 5.000 toneladas anuais de óxidos de terras raras até 2026, dobrando sua produção até 2030 com a expansão de suas operações. Ricardo Grossi, diretor de operações da Serra Verde, afirmou que o Brasil tem a oportunidade de se posicionar como um parceiro global, especialmente em cooperação com a China, para fortalecer a cadeia de suprimentos mundial de terras raras.

“A demanda por terras raras deve crescer 8,5% ao ano até 2035, o que representa uma oportunidade única para o Brasil consolidar sua posição e formar parcerias estratégicas com grandes players, incluindo a China”, disse Grossi.

Com apoio de investidores como Denham Capital, Energy and Minerals Group (EUA) e Vision Blue Resources Ltd. (Reino Unido), que investiu US$ 150 milhões em 2024, a Serra Verde está negociando novos aportes para ampliar sua capacidade de processamento. Além disso, a mineradora tem sido reconhecida pela Minerals Security Partnership, iniciativa que reúne 14 países e a União Europeia para desenvolver cadeias sustentáveis de minerais críticos.

Embora as tensões comerciais entre EUA e China aumentem, há espaço para o Brasil desempenhar um papel diplomático e comercial estratégico. Uma possível aliança com a China no mercado global de terras raras poderia não apenas diversificar as fontes de suprimento, mas também fortalecer a posição do Brasil como um ator relevante na geopolítica dos recursos minerais.

“Estamos no início de uma transformação financeira e operacional”, afirmou Grossi. “Nosso objetivo é garantir que o Brasil se torne um pilar no mercado global de terras raras, colaborando com outros líderes, como a China, para atender à crescente demanda mundial.”

Com informações de reportagem de Mariana Durao, de quinta-feira, 2 de janeiro de 2025, para a Bloomberg.

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