motivação política - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/motivacao-politica/ Portal de noticias e análises sobre política brasileira, geopolítica, economia, tecnologia, sempre numa perspectiva democrática, progressista, anti-imperialista e multipolar! Fri, 19 Sep 2025 14:29:49 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://www.ocafezinho.com/wp-content/uploads/2015/10/cropped-Logo_Cafezinho_tmb-32x32.png motivação política - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/motivacao-politica/ 32 32 Humberto Costa: arquivamento da CPI da Covid foi político https://www.ocafezinho.com/2025/09/19/humberto-costa-arquivamento-da-cpi-da-covid-foi-politico/ https://www.ocafezinho.com/2025/09/19/humberto-costa-arquivamento-da-cpi-da-covid-foi-politico/#respond Fri, 19 Sep 2025 19:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=217645 Ex-ministro da Saúde, senador afirma que relatório reuniu provas robustas, mas foi ignorado pela PGR na gestão passada. Retomada corrige impunidade de Bolsonaro

O senador Humberto Costa (PT-PE), que foi ministro da Saúde no primeiro governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmou que a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de retomar o inquérito da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid corrige um arquivamento marcado por “motivação política”, que deixou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) passar “impunemente” por crimes cometidos no período.

A CPI funcionou no Senado entre abril e outubro de 2021 e investigou a condução do governo Bolsonaro durante a pandemia, incluindo a omissão na compra de vacinas, a promoção de tratamentos ineficazes e a responsabilidade pelas mortes evitáveis. O relatório final, que reunia, segundo o senador, “provas bastante importantes, bastante robustas”, pediu o indiciamento de Bolsonaro e de outras autoridades por charlatanismo, epidemia com resultado de morte e crime contra a humanidade.

Na época, o material foi encaminhado à Procuradoria-Geral da República (PGR), então chefiada por Augusto Aras, que arquivou os pedidos sob a alegação de falta de elementos para a abertura de ações penais. Costa foi um dos integrantes da comissão, presidida por Omar Aziz (PSD-AM) e que teve Renan Calheiros (MDB-AL) como relator.

“Nós tivemos o arquivamento dessas denúncias sem sequer uma avaliação mais adequada, sem investigações complementares. Então isso vem numa ótima hora, porque essa página trágica do governo Bolsonaro tem passado impunemente”, celebra, em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.

“Como o Aras foi indicado por Bolsonaro, eu acredito que ele fez um serviço para Bolsonaro e mais um grupo de pessoas que foram indiciadas pela CPI. A Procuradoria-Geral da República ignorou totalmente todo aquele trabalho que foi feito”, denuncia.

O parlamentar caracteriza a decisão do ministro Flávio Dino como umas das mais importantes dos últimos anos” e ressalta que ao menos dois terços das mais de 700 mil mortes ocorridas durante a crise sanitária no Brasil poderiam ter sido evitadas com medidas de isolamento, lockdown e compra antecipada de vacinas.

“Nós tínhamos informações num nível como poucas CPIs já conseguiram levantar. Era evidente a condução irresponsável por parte de Bolsonaro. São números elaborados por pesquisadores e totalmente aceitos pela comunidade científica internacional”, aponta.

Além da CPI, Humberto Costa também fez críticas à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Blindagem, aprovada em primeiro turno na Câmara dos Deputados. Ele classifica o projeto como “claramente imoral, indecente” e diz acreditar que será rejeitado no Senado, “sepultada no lixo da história”, graças à pressão da opinião pública.

O senador ainda comentou a crise política envolvendo o União Brasil e avaliou que a legenda tenta criar uma “falsa indignação” após denúncias contra seu presidente, Antonio Rueda. Também destacou que a pauta da anistia aos envolvidos no 8 de janeiro, que teve a sua urgência aprovada, “não interessa ao Brasil” e que o Congresso deveria priorizar medidas como a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil mensais e a tarifa social de energia elétrica.

Publicado originalmente pelo Brasil de Fato em 18/09/2025

Por Adele Robichez, José Eduardo Bernardes e Larissa Bohrer – São Paulo (SP)

Edição: Maria Teresa Cruz

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Agro brasileiro aciona diplomacia contra tarifaço de Trump https://www.ocafezinho.com/2025/07/12/agro-brasileiro-aciona-diplomacia-contra-tarifaco-de-trump/ https://www.ocafezinho.com/2025/07/12/agro-brasileiro-aciona-diplomacia-contra-tarifaco-de-trump/#respond Sat, 12 Jul 2025 14:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=212684 EUA recebem 7% de tudo que é exportado pelo Brasil. Setores do agronegócio condenam motivação política da sobretaxa e preveem estragos em vendas de café, suco de laranja e carne bovina.

Nos frigoríficos que preparam a carne bovina para envio aos Estados Unidos, a produção desacelerou. Desde o inesperado anúncio da taxação de 50% sobre produtos brasileiros imposta pelo presidente americano, Donald Trump, aguardada para entrar em vigor em 01 de agosto, a incerteza se abateu sobre o agronegócio brasileiro.

“O setor está procurando entender como a gente precisa atuar para reescalonar e redirecionar essas cargas e a produção. As indústrias brasileiras decidiram pausar temporariamente a produção destinada aos Estados Unidos”, respondeu à DW Roberto Perosa, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Carne Bovina (Abiec) em conversa com a imprensa internacional nesta sexta-feira (11/07).

Em missão nos Estados Unidos, Perosa tem se encontrado com importadoras, que também se dizem surpreendidas. Naquele país, a expectativa agora é de subida dos preços, já que a carne brasileira tem complementado a demanda do mercado americano, abalado pela baixa na pecuária devido a seca em áreas produtivas.

No Brasil, o setor tenta se reorganizar frente à medida unilateral. A Abiec afirma que a relação comercial era benéfica para os Estados Unidos, já que a carne brasileira era comprada a um custo bem inferior ao vendido aos consumidores americanos, o que ajudava a baratear o preço naquele país.

“Agora nos apresentam uma decisão política desta, fomentada inclusive por um grupo político no Brasil. É assustador, é muita imprevisibilidade. Os limites da atuação política não podem causar prejuízos à população do nosso país”, afirma Perosa sem citar a família Bolsonaro, temendo impactos nos empregos no Brasil.

“Abaixar a poeira”

O governo brasileiro tenta conter a crise com diplomacia. O país evita adotar a reciprocidade e diz que vai aguardar a sobretaxa entrar em vigor enquanto tenta negociar prazos e percentuais menores. Os Estados Unidos são destino de 7% de todos os produtos brasileiros exportados.

“É um momento difícil da nossa relação internacional. Vamos esperar ‘abaixar a poeira’. Se não houver consenso, o Brasil é soberano, não aceitará imposições unilaterais”, afirma Luís Rua, secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) aos jornalistas.

Venda de carne bovina para EUA, que tinha previsão de dobrar em 2025, ficará inviável | Eraldo Peres/AP Photo/picture alliance

Segundo o governo federal, a estratégia de diversificar mercados se acelerou depois da eleição de Trump. Desde que Luiz Inácio Lula da Silva assumiu o terceiro mandato, o Mapa diz ter aberto 393 novas oportunidades para exportadores brasileiros.,

A Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) prevê impactos negativos em toda a cadeia produtiva exportadora do agro. A entidade diz apostar numa solução democrática e incentiva o diálogo entre os governos antes que as tarifas entrem em vigor.

Além da carne bovina, a associação prevê solavancos na agroindústria brasileira de papel e celulose, suco de laranja, açúcar e café. “Se trata de uma questão política que precisa ser debatida entre os países. Afinal, tal ação não vai só desfavorecer o exportador brasileiro, mas também o próprio consumidor americano”, diz a nota da associação.

Café amargo

Num cenário já afetado pela crise climática, que provocou baixas na produção pelo mundo, o mercado global de café também deve sentir as consequências. Isso porque o Brasil é o maior produtor e exportador global do grão, e os Estados Unidos são os maiores consumidores.

“É um momento de muita tensão, muita preocupação. Mas um não vive sem o outro. O Brasil é o maior fornecedor de café para os Estados Unidos, que têm 76% de sua população que toma a bebida, o que faz deles os maiores consumidores do planeta”, afirma à DW Marcos Matos, diretor do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).

Das 24 milhões de sacas de café consumidas pelos americanos no ano passado, 8,1 milhões vieram do Brasil, apontam os dados do Cecafé. Na conta por países, Estados Unidos, Alemanha e Itália são os maiores compradores desse produto brasileiro.

O grão que sai das lavouras do Brasil é fundamental para movimentar a indústria americana em torno da bebida. Um estudo econômico recente da National Coffee Association mostrou que para cada dólar de café verde importado, 43 dólares são gerados na economia.

Diferentemente da carne, o café não é plantado nos Estados Unidos. Fontes ouvidas pela DW afirmam que entidades e empresas americanas trabalham nos bastidores para reverter a taxação. Elas preferem agir longe dos holofotes, com receio de enfrentamentos e interpretações equivocadas de setores políticos.

“A gente confia no governo brasileiro. Todo o ministério está empenhado. Confiamos numa negociação pragmática, estratégica, com viés econômico”, pontua Matos.

Vai sobrar suco de laranja

A sobretaxa coloca em risco o setor de suco de laranja brasileiro, afirma a CitrusBR, associação que representa os exportadores. Na safra 2024/25, quase metade do que foi vendido para fora país foi para os Estados Unidos (41,7%).

Por meio de nota, a associação explica que, com a nova tarifa, cerca de 72% do valor total do produto passariam a ser recolhidos em tributos, inviabilizando as exportações para aquele mercado. “Trata-se de uma condição insustentável para o setor, que não possui margem para absorver esse tipo de impacto”, diz a nota.

A sobretaxa coloca em risco o setor de suco de laranja brasileiro, afirma a CitrusBR | Pedro Vilela/Getty Images

O setor prevê consequências graves como a interrupção de colheitas, desorganização nas fábricas e paralisação do comércio. Embora a União Europeia seja o maior mercado do suco brasileiro, ela não deve ter capacidade de absorver o excedente.

“A CitrusBR, em comunicação com o governo brasileiro, reiterou a necessidade de que o Brasil exerça plenamente sua tradição diplomática, mobilizando todos os recursos do Estado brasileiro para lidar na proteção dos interesses dos seus cidadãos, do emprego e da renda”, diz a nota divulgada à imprensa.

Paralisia nos embarques

Nos portos, carregamentos de pescados se amontoam depois do cancelamento de vários pedidos de empresas americanas, que compram 80% da produção brasileira. Não se sabe o que vai acontecer com produtos que estão em rota e que eventualmente cheguem no destino após dia 1° de agosto, quando a taxação extra passa a valer.

A venda de carne bovina para os Estados Unidos, que tinha previsão de dobrar em 2025, ficará inviável. De janeiro a junho deste ano, foram 190 mil toneladas exportadas, quase o patamar das 220 mil toneladas registradas nos 12 meses de 2024.

O corte apreciado pelos americanos, que é a dianteira do boi, não é do gosto dos brasileiros. Quando chega nos Estados Unidos, ela é transformada em hambúrguer, que representa 68% do consumo de carne bovina naquele país, detalha a Abiec.

“O setor está procurando entender a situação para reescalonar e reorganizar a indústria. O rearranjo deve ser feito com países para os quais já exportamos”, pontua Perosa, citando o foco em países asiáticos e Oriente Médio.

O governo brasileiro diz que vai apoiar o redirecionamento e que está em contato direto com as entidades do agronegócio para criar ações específicas para diminuir o impacto.

Publicado originalmente pelo DW em 12/07/2025

Por Nádia Pontes

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