multilateralismo - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/multilateralismo/ Portal de noticias e análises sobre política brasileira, geopolítica, economia, tecnologia, sempre numa perspectiva democrática, progressista, anti-imperialista e multipolar! Tue, 10 Mar 2026 13:04:52 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://www.ocafezinho.com/wp-content/uploads/2015/10/cropped-Logo_Cafezinho_tmb-32x32.png multilateralismo - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/multilateralismo/ 32 32 Lula: África do Sul e Brasil lutam por equilíbrio na ordem global https://www.ocafezinho.com/2026/03/10/lula-africa-do-sul-e-brasil-lutam-por-equilibrio-na-ordem-global/ https://www.ocafezinho.com/2026/03/10/lula-africa-do-sul-e-brasil-lutam-por-equilibrio-na-ordem-global/#respond Tue, 10 Mar 2026 14:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=226910 Presidentes dos dois países se encontram em Brasília. “Compartilhamos a luta por uma ordem global mais equilibrada e representativa, baseada no direito internacional e no multilateralismo”, afirmou Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu, nesta segunda-feira, 9 de março, no Palácio do Planalto, o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, durante visita de Estado ao Brasil. A agenda teve como foco o fortalecimento da parceria bilateral e a aproximação entre os dois países, com discussões voltadas à ampliação do comércio, dos investimentos e da cooperação em diferentes áreas.

Em declaração à imprensa, o presidente Lula ressaltou que os dois países possuem uma parceria estratégica e que pretendem aumentar a aproximação entre os dois continentes. “África do Sul e Brasil atuam para aproximar nossos continentes. Somos parceiros no Brics, no IBAS e no G20. Compartilhamos a luta por uma ordem global mais equilibrada e representativa, baseada no direito internacional e no multilateralismo”, afirmou.

Lula destacou que os dois governos estão empenhados em ampliar o comércio bilateral, que permanece em torno de US$ 2 bilhões por ano há cerca de duas décadas.

“A África do Sul é o país mais industrializado do continente africano, nós somos o mais industrializado da América Latina. Portanto, não existe nenhuma explicação política para que a gente não tenha um comércio acima de 10 bilhões de dólares. Alguma coisa está faltando na nossa relação, querido companheiro”, destacou.

Para avançar nessa agenda, foram discutidas medidas para estimular investimentos, fortalecer a cooperação empresarial e ampliar parcerias em áreas como agronegócio, turismo, defesa e transição energética.

“No agronegócio, queremos avançar no compartilhamento de boas práticas e colaborar em matéria de saúde animal por meio do Grupo de Trabalho de cooperação agrícola. A promulgação, pelo Brasil, do Acordo sobre Cooperação em Assuntos relativos à Defesa abrirá a possibilidade de novos projetos conjuntos. A África do Sul, que já é destino de aeronaves da Embraer no continente africano, também poderá se tornar um mercado relevante para a indústria de defesa”, disse o presidente Lula.

“Tive uma ótima reunião com o presidente CyrilRamaphosa nesta segunda (9). Conversamos sobre temas bilaterais, regionais e multilaterais. Assinamos acordos que vão fortalecer nossos elos econômicos, comerciais e políticos. Este encontro amplia nossa parceria e estreita ainda mais… “

Atos Assinados

Durante a agenda, foram firmados dois atos de cooperação entre Brasil e África do Sul. Um deles foi o Plano de Ação para implementação do Memorando de Entendimento sobre Cooperação em Turismo. O plano atualiza os objetivos de cooperação em turismo de seus respectivos países para o período de 2026 a 2029, com foco na promoção da cooperação, intercâmbio de informações, treinamento e assistência técnica em turismo.

Também foi assinado o Memorando de Entendimento sobre Comércio e Investimentos entre ApexBrasil e o Departamento de Comércio, Indústria e Concorrência da República da África do Sul, para promover o intercâmbio de informações, o comércio e o investimento sustentável entre os dois países.

“Eu acho que essa visita do presidente Ramaphosa vai permitir que a gente repense a nossa atuação para a África do Sul, porque nós temos muita similaridade, nós temos muito o que aprender e o que ensinar para a África do Sul, nós temos coisas na área da energia. O Brasil tem expertise em energia renovável e pode trocar experiências com a África do Sul”, registrou Lula.

Laços Fortalecidos

O presidente sul-africano também afirmou que a visita de Estado tem como objetivo fortalecer as bases da parceria em áreas como comércio, investimentos, pesquisa e cooperação empresarial, além de incentivar maior integração entre os setores produtivos dos dois países. Esta é a quarta vez que o líder sul-africano vem ao país, mas a primeira em caráter de visita de Estado.

“Nós vemos o Brasil como parceiro estratégico de muitas formas e valorizamos a sua cooperação em uma série de áreas e questões. A África do Sul e o Brasil compartilham compromissos para a igualdade, crescimento econômico e a erradicação da pobreza. Esses valores compartilhados fornecem uma base fortalecida para continuar a construir iniciativas de benefícios mútuos que vão avançar os nossos desenvolvimentos e as nossas prioridades”, disse.

Para Ramaphosa, por serem as economias mais industrializadas de seus continentes, os dois países podem intensificar o comércio bilateral e aprofundar parcerias em diferentes áreas. “Temos a certeza de que vamos fortalecer as bases dos dois países, com relação ao comércio, investimentos e várias áreas que precisamos cooperar, investir, comercializar muito mais do que já fazemos”, afirmou.

Visitas

No atual mandato, o presidente Lula viajou à África do Sul duas vezes: em 2025, para a 20ª Reunião de Cúpula do G20, e em 2023, para a 15ª Cúpula do BRICS. Anteriormente, visitou o país africano em 2003, 2007 e 2010. Os dois países mantêm parceria estratégica desde 2010.

Balança Comercial

O fluxo comercial entre Brasil e África do Sul alcançou US$ 2,3 bilhões em 2025. Os principais produtos brasileiros exportados foram carnes de aves e suas miudezas (16,2%); açúcares e melaços (8,3%) e veículos rodoviários (6,9%). Os principais produtos importados pelo Brasil da África do Sul foram prata, platina e outros minerais do grupo da platina (53,9%).

Publicado originalmente pela Agência Gov em 09/03/2026

]]>
https://www.ocafezinho.com/2026/03/10/lula-africa-do-sul-e-brasil-lutam-por-equilibrio-na-ordem-global/feed/ 0
Lula fortalece parcerias comerciais e econômicas em viagem à Índia https://www.ocafezinho.com/2026/02/17/lula-fortalece-parcerias-comerciais-e-economicas-em-viagem-a-india/ https://www.ocafezinho.com/2026/02/17/lula-fortalece-parcerias-comerciais-e-economicas-em-viagem-a-india/#respond Tue, 17 Feb 2026 16:08:09 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=225930 O presidente embarca para a Ásia nesta terça (17). A agenda representa novas oportunidades de cooperação bilateral, especialmente em termos econômicos, turísticos, agrícolas, energéticos e sustentáveis

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca para a Ásia, na manhã desta terça-feira (17/2), onde visitará a Índia e a Coreia do Sul em agendas voltadas ao fortalecimento do comércio e de parcerias estratégicas com os dois países asiáticos.

Em Nova Deli, capital da Índia, Lula será recebido nesta quinta (18), em retribuição à visita do primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, ao Brasil, em julho de 2025 durante a Cúpula do Brics.

Esta será a quarta viagem de Lula à Índia, sendo a segunda do atual mandato. A agenda representa novas oportunidades de cooperação bilateral, especialmente em termos econômicos, turísticos, agrícolas, energéticos e sustentáveis.

Segundo a embaixadora Susan Kleebank, secretária de Ásia e Pacífico do Ministério das Relações Exteriores, Brasil e Índia mantêm parceria estratégica desde 2006 e as relações passam por um momento de ascensão, sustentada por complementaridades econômicas e tecnológicas. “Com mais de 1,4 bilhão de habitantes, a Índia hoje é o país mais potente do mundo e detém o quarto maior PIB do planeta. A economia indiana é a que mais cresce entre os países do G20. A taxa de crescimento econômico da Índia tem se mantido em torno de 7% a 8% ao longo dos últimos anos”, pontuou a embaixadora, durante briefing à imprensa nesta quinta-feira (12).

“O diálogo e a cooperação com a Índia ganham ainda mais importância no atual contexto de instabilidade global. Os dois países têm posições coincidentes e bem centrais na pauta internacional, pela necessidade de reforma da governança global, inclusive da ampliação do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Além disso, desenvolvem cooperação ativa em setores estratégicos para os dois países”, completou Susan Kleebank.

Pilares

Um dos acordos firmados entre o Brasil e a Índia durante a visita do primeiro-ministro Modi, no ano passado, é o conjunto de estruturas de relações bilaterais de cinco pilares prioritários para os próximos dez anos. São eles: defesa e segurança; segurança alimentar e nutricional; transição energética e mudança de clima; transformação digital e tecnologias emergentes; e parcerias industriais.

Perspectivas

Entre os resultados esperados do novo encontro das duas lideranças, está a assinatura da declaração Brasil-Índia sobre parceria digital para o futuro. A visita também oferecerá oportunidades para o reforço político às negociações de ampliação do acordo de comércio Mercosul-Índia, além de oficializar o novo prazo de validade de vistos de negócios e turismo, de cinco para dez anos, entre os países.

Inteligência Artificial

Está prevista na agenda oficial a participação de Lula na Cúpula de Inteligência Artificial, que será realizada na capital indiana no dia 19 de fevereiro. O evento espera a presença de 40 mil pessoas de 50 países. Esta será a primeira vez que um presidente da República brasileiro participará de um evento global de alto nível sobre inteligência artificial.

“Esse tema, há alguns anos, não era abordado nos fóruns internacionais, mas hoje ele adquiriu uma conotação importantíssima. É algo sintomático, não só da importância do tema, mas, também, do nosso engajamento e a participação do governo brasileiro nessas iniciativas”, ressaltou o embaixador Eugênio Vargas Garcia, diretor do Departamento de Ciência, Tecnologia e Propriedade Intelectual do Ministério das Relações Exteriores.

No dia 20 de fevereiro, o governo brasileiro organizará um evento paralelo chamado “IA para o bem de todos”. O evento tratará das perspectivas brasileiras para o futuro da inteligência artificial e contará com a presença de ministros de Estado – representando as pastas de Ciência, Tecnologia e Informação; Gestão e Inovação nos Serviços Públicos; Educação; Saúde; e Comunicações.

Coreia do Sul

Entre 22 e 24 de fevereiro, Lula cumpre agenda oficial em Seul, na Coreia do Sul, a convite do presidente Lee Jae Myung. Esta será a terceira visita do líder brasileiro ao país, a primeira de Estado. Na ocasião, será adotado o Plano de Ação Trienal 2026-2029, que visa elevar o nível do relacionamento entre os países para uma parceria estratégica.

“No aspecto econômico-financeiro, a Coreia do Sul é um dos principais e mais tradicionais parceiros do Brasil. A visita sedimenta a ótima relação entre os dois presidentes e simboliza a importância que os países dão à relação bilateral, estabelecida há mais de seis décadas. Queremos aproveitar o imenso potencial existente e aprofundar as relações com esse país tão relevante que é a Coreia do Sul”, destacou a embaixadora Susan Kleebank.

Entre os resultados esperados está o incentivo da retomada de um novo ciclo de investimentos no Brasil, atraindo capital da Coreia em fluxos tecnológicos, agropecuários e de cosméticos.

Fóruns

Na Índia, e também na Coreia do Sul, o presidente Lula participa de uma série de fóruns empresariais e encontros voltados ao fortalecimento estratégico com os países asiáticos. Em Nova Deli, o Fórum Empresarial Brasil-Índia contará com a presença de mais de 300 empresas brasileiras. Os painéis tratarão de temas como indústrias e minerais estratégicos críticos, mobilidade e transição energética, setores de saúde e farmacêutico, saúde e segurança ambiental, agricultura familiar e inovação marinha.

Já na capital sul-coreana, Seul, o Fórum Empresarial Brasil-Coreia reunirá 230 empresas brasileiras para oportunidades de diálogos econômicos e comerciais. “O Fórum vai integrar painéis temáticos sobre minerais estratégicos, Inteligência Artificial, agronegócio, indústrias criativas e cosméticos. Entre os setores que vão participar do evento estão a economia criativa, tecnologia, alimentos e bebidas, açúcar e álcool, cosméticos, indústria farmacêutica e aviação”, listou o embaixador Alex Giacomelli da Silva, do Departamento de Promoção Comercial, Investimentos e Agricultura, do Ministério das Relações Exteriores.

Fluxo Comercial

Em 2025, o comércio bilateral entre Brasil e Índia alcançou mais de US$ 15 bilhões, sendo US$ 6,9 bilhões relacionados às exportações brasileiras e US$ 8,3 bilhões de importações. Atualmente, a Índia é o 10° destino das exportações do Brasil. Entre os produtos mais exportados estão óleos brutos de petróleo, açúcares e melaços, gorduras e óleos vegetais, e minério de ferro.

Na Coreia do Sul, o comércio bilateral chegou a US$ 10,8 bilhões em 2025. As exportações brasileiras somaram US$ 5,5 bilhões e as importações US$ 5,3 bilhões. O país ocupa o 13° lugar de destino das exportações brasileiras. Óleos brutos de petróleo, minério de ferro, farelos de soja, álcool, e café não torrado são os principais produtos exportados.

Publicado originalmente pela Agência Gov em 17/02/2026

]]>
https://www.ocafezinho.com/2026/02/17/lula-fortalece-parcerias-comerciais-e-economicas-em-viagem-a-india/feed/ 0
Xi Jinping garante a Lula apoio da China em tempos “turbulentos” https://www.ocafezinho.com/2026/01/23/xi-jinping-garante-a-lula-apoio-da-china-em-tempos-turbulentos/ https://www.ocafezinho.com/2026/01/23/xi-jinping-garante-a-lula-apoio-da-china-em-tempos-turbulentos/#respond Fri, 23 Jan 2026 15:54:56 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=224939 Presidentes do Brasil e China reiteraram compromisso com o fortalecimento das Nações Unidas como caminho para estabilidade no mundo

Em conversa por telefone com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o líder chinês, Xi Jinping, disse que seu país apoia a maior economia da América Latina e o Sul Global e pediu que ambas mantenham o papel das Nações Unidas.

“A esse respeito, destacaram as sinergias entre os respectivos projetos nacionais de desenvolvimento, em especial nas áreas de infraestrutura, transição ecológica e tecnologia”, diz a nota da presidência do Brasil sobre a conversa.

Sobre o cenário global, Lula destacou que Brasil e China são países que detêm “papel central na defesa do multilateralismo, do direito internacional e do livre comércio”.

“Nesse contexto, os presidentes Lula e Xi reiteraram seu compromisso com o fortalecimento das Nações Unidas como caminho para a defesa da paz e da estabilidade no mundo.”

A agência de notícias estatal da China, a Xinhua, também divulgou informações sobre a conversa entre os dois líderes, que se deu após as críticas de Lula ao ataque dos Estados Unidos (EUA) à Venezuela, em artigo publicado no New York Times desta semana.

Segundo a Xinhua, Xi afirmou a Lula que a China e o Brasil devem salvaguardar os interesses comuns do Sul Global e manter conjuntamente o papel das Nações Unidas na “atual situação internacional turbulenta”.

“A China está comprometida em ser sempre uma boa amiga e parceira dos países da América Latina e do Caribe (ALC), e em avançar juntos na construção da comunidade China-ALC com um futuro compartilhado”, destacou Xi a Lula.

Finalmente, os dois líderes acordaram manter coordenação frequente em temas da agenda bilateral e de interesse regional e global.

América Latina

A ação dos Estados Unidos na Venezuela gerou preocupações entre os países latino-americanos quanto ao risco de intervenções armadas semelhantes em seu território e provocou críticas da Organização das Nações Unidas (ONU).

Em entrevista ao programa Today, da BBC Rádio 4, o secretário-geral da ONU, Antônio Guterres, disse que os EUA estavam agindo com impunidade e os princípios fundadores das Nações Unidas, incluindo a igualdade entre os Estados-membros, estavam sob ameaça.

No artigo publicado em 18 de janeiro no New York Times, Lula escreveu que o futuro da Venezuela, e de qualquer outro país, deve permanecer nas mãos do seu povo.

“Em mais de 200 anos de história independente, esta é a primeira vez que a América do Sul sofre um ataque militar direto dos Estados Unidos, embora as forças americanas já tenham intervindo anteriormente na região”, afirmou.

“É fundamental que os líderes das grandes potências compreendam que um mundo de hostilidade permanente não é viável. Por mais fortes que essas potências possam ser, elas não podem depender simplesmente do medo e da coerção.”

Ameaça na Groenlândia

Outra ameaça de Trump, de usar a força para obter a Groenlândia, um território autônomo independente da Dinamarca, também afetou as relações com os aliados de segurança do outro lado do Atlântico.

Os bombardeios na Venezuela e o indiciamento de Maduro também desafiam a influência da China na América Latina e no Caribe, onde Xi prometeu novas linhas de crédito e mais investimentos em infraestrutura.

Segundo o líder chinês, a parceria estratégica firmada em 2024 para alinhar a iniciativa do Cinturão e Rota (BRI na sigla em inglês) da China com os planos do Brasil em agricultura, infraestrutura e transição energética exemplifica a solidariedade e a cooperação entre os países do Sul Global.

Com informações da Agência Gov e Agência Brasil em 23/01/2026

]]>
https://www.ocafezinho.com/2026/01/23/xi-jinping-garante-a-lula-apoio-da-china-em-tempos-turbulentos/feed/ 0
Alckmin: acordo Mercosul-UE deve entrar em vigor ainda em 2026 https://www.ocafezinho.com/2026/01/09/alckmin-acordo-mercosul-ue-deve-entrar-em-vigor-ainda-em-2026/ https://www.ocafezinho.com/2026/01/09/alckmin-acordo-mercosul-ue-deve-entrar-em-vigor-ainda-em-2026/#respond Fri, 09 Jan 2026 22:16:39 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=224327 Vice-presidente diz que pacto comercial gerará empregos para o Brasil

O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou, nesta sexta-feira (9), que o governo brasileiro trabalha com a expectativa de que o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia entre em vigor ainda neste ano de 2026. A declaração foi feita após a confirmação da aprovação política do tratado pelos países da UE, um marco histórico após mais de 25 anos de negociações.

O pacto, que criará uma das maiores zonas de livre-comércio do mundo, reunindo mercados de mais de 722 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto (PIB) conjunto superior a US$ 22 trilhões, é considerado um contraponto ao cenário de tensões geopolíticas e isolacionismo comercial.

Alckmin explicou que, após a assinatura formal prevista para os próximos dias, o acordo precisa ser “internalizado” – ou seja, aprovado pelo Parlamento Europeu e pelos Congressos nacionais dos países do Mercosul. O governo brasileiro tem pressa: se o Congresso Nacional aprovar o texto no primeiro semestre, o Brasil poderá usufruir dos benefícios tarifários mesmo sem a ratificação dos outros parceiros sul-americanos.

Estimativas de impacto

Um estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) projetou que o acordo tem potencial para aumentar o PIB brasileiro em 0,46% até 2040, o equivalente a cerca de US$ 9,3 bilhões. O Brasil seria o principal beneficiário econômico entre os países analisados, com ganhos superiores aos do restante do Mercosul e da própria União Europeia.

A aprovação pelo Conselho da União Europeia ocorreu por “ampla maioria” dos Estados-membros, embora países como França, Polônia, Irlanda, Áustria e Hungria tenham votado contra, temendo a concorrência de produtos agropecuários sul-americanos. A virada decisiva veio com o apoio da Itália, que assegurou a maioria qualificada necessária.

Para Alckmin e o governo Lula, o acordo representa uma vitória do multilateralismo em um momento global “difícil, de instabilidade e de conflitos”. Ele contrasta com a política externa agressiva e medidas protecionistas de outras potências, como os Estados Unidos.

]]>
https://www.ocafezinho.com/2026/01/09/alckmin-acordo-mercosul-ue-deve-entrar-em-vigor-ainda-em-2026/feed/ 0
Lula: acordo Mercosul-UE será resposta do multilateralismo às relações globais https://www.ocafezinho.com/2025/12/20/lula-acordo-mercosul-ue-sera-resposta-do-multilateralismo-as-relacoes-globais/ https://www.ocafezinho.com/2025/12/20/lula-acordo-mercosul-ue-sera-resposta-do-multilateralismo-as-relacoes-globais/#respond Sat, 20 Dec 2025 20:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=223403 A tentativa de acordo, que está em discussão há 26 anos e enfrenta resistência da França e da Itália, será um dos temas tratados na reunião de cúpula do Mercosul que acontece neste sábado (20). “Eu quero fazer o acordo porque eu acho importante do ponto de vista político, do ponto de vista da defesa do multilateralismo, e até de valorizar a reconstrução da OMC”, disse Lula.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva considera a discussão do acordo entre Mercosul e União Europeia um dos temas cruciais a serem tratados neste sábado (20/12), em Foz do Iguaçu. A 67ª Reunião de Chefes de Estado do Mercosul e Estados Associados ocorre dentro do Parque Nacional do Iguaçu, no Belmont Hotel das Cataratas. E Lula levará aos países do bloco e parceiros a importância da celebração do acordo para o multilateralismo nas relações comerciais e políticas do mundo.

A celebração definitiva do acordo era esperada para este sábado, mas foi adiada em razão de manifestações por parte dos governos da França e da Itália . Ainda que, como avalia o próprio presidente Lula, o acordo construído seja favorável ao bloco europeu.

“O acordo é mais favorável à União Europeia do que a nós. Nós dissemos para eles que esse acordo é extremamente importante do ponto de vista político”, observou Lula, durante entrevista coletiva nesta quinta (18/12) no Palácio no Planalto.

“É um acordo que envolve 722 milhões de seres humanos, com 22 trilhões de dólares (em volume). É um acordo que vai dar uma resposta de sobrevivência, de sobrevida do multilateralismo àqueles que querem construir o unilateralismo. Por isso o acordo é importante”, disse o presidente.

“Essa tentativa de acordo entre Mercosul e União Europeia existe há 26 anos. Eu quero fazer o acordo porque eu acho importante do ponto de vista político, do ponto de vista da defesa do multilateralismo, e até do ponto de vista de valorizar a reconstrução da OMC (Organização Mundial do Comércio). Se não vai ser possível assinar agora porque [a UE] não vai estar pronta, também não posso fazer nada. Vamos aguardar amanhã. A esperança é a última que morre”, afirmou Lula.

O presidente lembrou que construção do acordo evoluiu nos últimos anos e que dois líderes da UE, Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, e António Costa, presidente do Conselho Europeu, já haviam se comprometido a trabalhar para que o documento fosse assinado neste ano.

“Nas conversas e nas tratativas que nós tivemos com a União Europeia, tanto com a Ursula von der Leyen quanto com o António Costa assumiram o compromisso de que este ano a gente fecharia o acordo União Europeia-Mercosul. Da parte do Mercosul está tudo resolvido. O Mercosul está 100% disposto, mesmo não ganhando tudo o que a gente queria ganhar”, disse Lula.

França e Itália

Ao comentar a resistência da França à assinatura do acordo, Lula disse que a posição dos franceses sempre foi muito clara. A novidade, segundo o presidente, foi o posicionamento da Itália. “Eu sempre soube que a França era contra. Eu conversei muitas vezes com o Macron (Emmanuel Macron, presidente da França). Conversei muitas vezes com a oposição francesa. Cheguei a conversar até com a Brigitte (Brigitte Macron, primeira-dama da França). Pedi para ela abrir o coração do Macron para fazer o acordo”, recordou.

“A novidade para mim foi a Itália. E eu liguei hoje (18) para a primeira-ministra Meloni (Giorgia Meloni, primeira-ministra da Itália). Disse para ela que a data de 20 de dezembro não foi uma data proposta por nós. O 20 de dezembro foi uma data proposta pela Ursula von der Leyen e pelo António Costa, dizendo que no dia 19 eles iriam votar em Bruxelas e que viriam aqui para que a gente assinasse o acordo. Ela ponderou que ela não é contra o acordo. Ela apenas está vivendo um certo embaraço político por conta dos agricultores italianos, mas que ela tem certeza que é capaz de convencê-los a aceitar o acordo”, destacou Lula.

“Ela então pediu que, se a gente tiver paciência de uma semana, de dez dias, de no máximo um mês, a Itália estará junto com o acordo. Eu disse para ela que vou colocar o que ela me falou na reunião do Mercosul e vou propor aos companheiros decidirem o que querem fazer”, continuou o presidente.

Cúpula do Mercosul

A Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul e Estados Associados marca o encerramento da presidência pro tempore brasileira do bloco, que foi caracterizada pelo fortalecimento das articulações políticas, econômicas e sociais entre os países da região e com parceiros externos. O Paraguai assumirá a presidência pro tempore.

A Cúpula foi precedida, ontem (19), da 67ª Reunião Ordinária do Conselho do Mercado Comum (CMC) e agenda de Reuniões de Ministros das Relações Exteriores dos estados-membros e associados do Mercosul, e de ministros da Economia e de presidentes do Banco Central dos estados-membros, além de convidados especiais.

Publicado originalmente pela Agência Gov em 20/12/2025

Por Paulo Donizetti de Souza

]]>
https://www.ocafezinho.com/2025/12/20/lula-acordo-mercosul-ue-sera-resposta-do-multilateralismo-as-relacoes-globais/feed/ 0
Lula: G20 e COP 30 são retratos da vitalidade do multilateralismo https://www.ocafezinho.com/2025/11/23/lula-g20-e-cop-30-sao-retratos-da-vitalidade-do-multilateralismo/ https://www.ocafezinho.com/2025/11/23/lula-g20-e-cop-30-sao-retratos-da-vitalidade-do-multilateralismo/#respond Sun, 23 Nov 2025 21:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=221807 Presidente conversou com jornalistas após cúpula de líderes na África do Sul e anunciou que o acordo entre União Europeia e Mercosul deve ser assinado no dia 20 de dezembro

Defesa do multilateralismo no âmbito do G20 como caminho para a solução dos problemas globais. Discussões sobre ferramentas para reduzir desigualdades e a insegurança alimentar. Debates sobre os usos e desafios diante da inteligência artificial, da transição energética, do uso de minerais críticos e do trabalho decente. O presidente Lula fez neste domingo (23/11), em Joanesburgo, um balanço de sua passagem pela Cúpula do G20, na África do Sul.

Na conversa com jornalistas, Lula também celebrou o resultado da COP 30, concluída neste sábado (22/11), em Belém (PA), com um texto final homologado em consenso pelas 195 partes e o anúncio de novas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) por 122 nações.

“Se alguém imaginou que poderia enfraquecer o multilateralismo, esses eventos, tanto da COP quanto do G20 aqui na África do Sul, demonstram que o multilateralismo está mais do que vivo”, comentou Lula, que também lançou olhar sobre a geopolítica no Caribe e anunciou que o acordo entre Mercosul e União Europeia será assinado em dezembro

Ao longo dos dois dias de evento, o líder brasileiro teve espaço de fala em três sessões formais do G20, realizou encontros bilaterais com mandatários de Alemanha, África do Sul, Turquia, Coreia do Sul, Canadá, Etiópia e com o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom, além de participar do encontro de Cúpula do Fórum de Diálogo Índia-Brasil-África do Sul, o Ibas. Da África do Sul, Lula segue para visita a Moçambique.

Confira, abaixo, alguns dos principais trechos de respostas do presidente Lula:

Megaeventos

É importante ter em conta que nesses últimos 15 meses, o Brasil teve a árdua tarefa de organizar três fóruns extremamente importantes. O primeiro começou com o G20 no Rio de Janeiro, um êxito extraordinário. Depois o Brics, também no Rio de Janeiro, que foi outro fórum extraordinário. E a COP em Belém, o que demonstra que o Brasil está mais do que preparado. Foram todos eventos de muito sucesso e estou feliz porque eles significam a sobrevivência e o fortalecimento do multilateralismo.

Resultado da COP 30

Estou muito satisfeito com o sucesso da COP em Belém. Aqueles que imaginavam que Belém não estava preparada, que não ia dar certo, a COP foi um sucesso extraordinário e tenho certeza de que as pessoas que foram, que tiveram a oportunidade de conhecer a cidade, de conhecer a culinária de Belém, devem ter voltado maravilhados. Quem não fez isso, se arrependeu.

Mapa do Caminho

Quando nós introduzimos a discussão sobre o Mapa do Caminho (para o fim do uso de combustíveis fósseis, na COP 30), sabíamos que era um tema polêmico. O que conseguimos foi começar um debate sobre uma coisa que todo mundo sabe que vai ter que acontecer. Se é verdade que os combustíveis fósseis são responsáveis por mais de 80% da emissão de gás de efeito estufa, é verdade que precisamos dar solução nisso. No caso do Brasil, estamos dando melhor que qualquer outro país, com a introdução de 15% de biodiesel no óleo diesel e 30% de etanol na gasolina. Outros países podem fazer isso. Por exemplo, o continente africano, que precisa se desenvolver e gerar emprego, pode ser grande produtor dessa matéria-prima para exportar aos países que não têm onde plantar, como a União Europeia. Então o que colocamos é o seguinte: é possível.

Ausência dos EUA no G20

Não é a primeira vez que falta um líder importante. Em outras vezes, já fizemos o G20 sem lideranças importantes que não puderam participar. O presidente Xi Jinping não veio, mas veio o primeiro vice-ministro dele, então a China esteve com forte delegação. O presidente Trump não veio, mas vai presidir o próximo G20 nos Estados Unidos. E todos iremos prestigiar. Os Estados Unidos continuam sendo a maior economia do mundo, mas é importante saber que existimos mesmo quando eles não participam. O G20 reúne as 20 maiores economias do mundo e acho que o G20 hoje é o grande fórum de decisões multilaterais e tem a respeitabilidade de toda a economia. O que precisamos é colocar em prática as coisas que decidimos e acho que ficou claro para todo mundo com o documento assinado em Joanesburgo.

Presença militar dos EUA no Caribe

Eu estou preocupado porque a América do Sul é considerada uma zona de paz. Somos um continente que não temos armas nucleares, não temos bomba atômica. A mim me preocupa o aparato militar que os Estados Unidos colocaram no Mar do Caribe e pretendo conversar com o presidente Trump sobre isso. O Brasil tem responsabilidade na América do Sul, faz fronteira com a Venezuela. Acho que não tem sentido você ter uma guerra agora. Ou seja, não vamos repetir o erro que aconteceu na guerra da Rússia e da Ucrânia. Ou seja, para começar, basta dar um tiro. Para terminar, não se sabe como termina. Então é importante que a gente tente encontrar uma solução antes de começar.

Acordo União Europeia-Mercosul

Eu posso garantir que no dia 20 de dezembro estarei assinando o acordo União Europeia-Mercosul. É um acordo que envolve, praticamente, 722 milhões de habitantes e 22 trilhões de dólares de PIB. É uma coisa extremamente importante, possivelmente o maior acordo comercial do mundo. E aí, depois que a gente assinar o acordo, vai ter ainda muita tarefa para a gente poder começar a usufruir, sabe, das benesses desse acordo. Mas vai ser assinado.

Publicado originalmente pela Agência Gov em 23/11/2025

]]>
https://www.ocafezinho.com/2025/11/23/lula-g20-e-cop-30-sao-retratos-da-vitalidade-do-multilateralismo/feed/ 0
Lula critica guerra em Gaza e inércia na criação do Estado palestino https://www.ocafezinho.com/2025/10/25/lula-critica-guerra-em-gaza-e-inercia-na-criacao-do-estado-palestino/ https://www.ocafezinho.com/2025/10/25/lula-critica-guerra-em-gaza-e-inercia-na-criacao-do-estado-palestino/#respond Sat, 25 Oct 2025 13:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=219846 Na Malásia, presidente defende justiça social e Sul Global

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a criticar a continuidade da guerra em Gaza e a resistência mundial em criar um Estado palestino. A declaração foi dada neste sábado (25), durante a cerimônia de recebimento do título de doutor Honoris Causa em Filosofia e Desenvolvimento Internacional do Sul Global, concedido pela Universidade Nacional da Malásia, em Putrajaya, capital administrativa da Malásia.

“As comunidades universitárias em todo o mundo têm elevado suas vozes contra a brutalidade do genocídio em Gaza e contra a inércia moral, que impede até hoje que o Estado Palestino seja criado. Quase sempre são os jovens que nos recordam que a paz é o valor mais precioso da humanidade”, discursou.

O presidente Lula afirmou que o aumento de tarifas no comércio entre países não pode ser adotado como mecanismo de coerção internacional. “Nações que não se dobram ao colonialismo e à dicotomia da Guerra Fria não se intimidarão diante de ameaças irresponsáveis”, disse, sem mencionar o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que aumentou em 50% as tarifas de importação sobre produtos brasileiros no início de agosto.

Multilateralismo

Ao defender o multilateralismo e a necessidade de mudanças nos organismos internacionais, o presidente Lula destacou o papel do Sul Global no cenário internacional, pela justiça e pela superação das desigualdades.

“A defesa de uma ordem baseada no diálogo, na diplomacia e na igualdade soberana das nações, está no cerne da proposta brasileira de reforma das Nações Unidas e, sem maior representatividade, o Conselho de Segurança seguirá inoperante e incapaz de responder aos desafios do nosso tempo.”

No campo econômico, o presidente brasileiro considera inaceitável que os países ricos tenham nove vezes mais poder de voto no Fundo Monetário Internacional (FMI) do que o Sul Global, termo referente ao grupo de países da América Latina, da Ásia e da África, com histórico de colonialismo e que compartilham desigualdades econômicas e sociais.

Lula acrescentou que o protecionismo e a paralisia da Organização Mundial do Comércio (OMC) impõem uma situação de assimetria insustentável para o Sul Global. “É a hora de interromper os mecanismos que sustentam há séculos o financiamento do mundo, desenvolvido às custas de economias emergentes em desenvolvimento.”

Para o mandatário, a estrutura financeira mundial deve direcionar recursos para o desenvolvimento sustentável das nações emergentes. “Não podemos vislumbrar um mundo diferente sem questionar um modelo neoliberal que aprofunda desigualdades: 3 mil bilionários ganharam U$ 6,5 trilhões, desde 2015. Esta cifra supera o PIB nominal atual da Asean [Associação de Nações do Sudeste Asiático] e do Brasil somados.”

Agenda

O presidente Lula permanece no país até a próxima terça-feira (28), quando participa de encontro com empresários da Malásia e da Asean, bloco que reúne países do Sudeste Asiático. Neste domingo (26), o presidente Lula deve se reunir com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para buscar uma solução para a questão das tarifas aos produtos brasileiros importados pelos norte-americanos.

Publicado originalmente pela Agência Brasil em 25/10/2025

Por Daniella Almeida – Repórter da Agência Brasil – Brasília

Edição: Maria Claudia

]]>
https://www.ocafezinho.com/2025/10/25/lula-critica-guerra-em-gaza-e-inercia-na-criacao-do-estado-palestino/feed/ 0
Brasil reafirma urgência de financiamento contra mudanças climáticas https://www.ocafezinho.com/2025/10/14/brasil-reafirma-urgencia-de-financiamento-contra-mudancas-climaticas/ https://www.ocafezinho.com/2025/10/14/brasil-reafirma-urgencia-de-financiamento-contra-mudancas-climaticas/#respond Tue, 14 Oct 2025 13:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=219237 Prévia da COP30 busca alinhamento sobre metas e recursos para o clima

No primeiro de dois dias de debates da Pré-COP, evento preparatório para a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), que ocorrerá daqui a um mês, em Belém, a delegação brasileira pautou a urgência de recursos financeiros para que se possa atingir as metas de mitigação, adaptação e transição socioeconômica justa para o planeta diante do aquecimento global.

A Pré-COP segue até esta terça-feira (14), em Brasília, com a participação de negociadores de 67 países, entre diplomatas, ministros e outros funcionários de governos nacionais.

“Durante décadas, extraímos da natureza os recursos que moveram o desenvolvimento econômico. Agora, é hora de inverter essa lógica: redirecionar recursos humanos, financeiros e tecnológicos para preservar, restaurar e usar, de forma sustentável, os recursos naturais que ainda temos. Precisamos mudar antes de sermos mudados pela emergência climática”, afirmou a ministra do Meio Ambiente e Mudanças do Clima, Marina Silva, ao abrir o segmento sobre Natureza e Clima da Pré-COP, na tarde desta segunda-feira (13).

Marina Silva destacou a necessidade estimada de US$ 280 bilhões por ano apenas para proteger as florestas, quatro vezes mais do que o que está disponível atualmente. Outros US$ 16 bilhões ao ano são necessários, segundo ela, para a conservação dos oceanos.

Na cerimônia de abertura da Pré-COP, pela manhã, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que lidera o Círculo dos Ministros das Finanças, também destacou os debates acerca da ampliação do financiamento climático nos países em desenvolvimento como sendo uma das prioridades desta COP, especialmente em torno do chamado Mapa do Caminho de Baku a Belém. Uma iniciativa política para atingir US$ 1,3 trilhão em recursos por ano até 2035.

Reforma de bancos multilaterais, maior fluxo de investimentos a quem precisa e mobilização do setor privado estão entre os assuntos das conversas.

Reforço do multilateralismo

Durante a mesa redonda ministerial, que reúne os representantes dos países e não é aberta ao público, a convergência em torno da necessidade de soluções multilaterais, especialmente no tema da adaptação, foi reforçada, segundo o relato do presidente designado da COP30, o embaixador André Corrêa do Lago.

“Eu acho que deu para sentir um alinhamento grande com o desejo do fortalecimento do multilateralismo, isso não há a menor dúvida. O tema da adaptação foi muito enfatizado. Super enfatizado. Adaptação de país rico a pequenas ilhas, país médio, adaptação [foi] consenso geral”, afirmou em entrevista a jornalistas.

Até o momento, 62 países de 195 apresentaram formalmente suas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), representando apenas 31% das emissões globais.

Grandes regiões poluidoras da atmosfera, como União Europeia e Índia, com delegações presentes na Pré-COP, ainda não renovaram esses compromissos, que são justamente aqueles pactuados desde o Acordo de Paris, há 10 anos, para assegurar que a temperatura do planeta não exceda 1,5ºC até o fim do século.

“É essencial que as conversas na Pré-COP incentivem maior ambição, compromissos climáticos adequados e, acima de tudo, o financiamento necessário para possibilitar avanços reais”, apontou Gustavo Souza, diretor sênior de Políticas Públicas e Incentivos da Conservação Internacional (CI-Brasil).

Pressão social

A pressão vinda da sociedade civil também se fez notar na Pré-COP em Brasília. Representantes de cerca de 40 organizações da sociedade civil, de diferentes regiões do planeta, entregaram uma acarta à Presidência da COP30 com apelo para a disponibilização de US$ 86 bilhões por ano até 2030 em ações de adaptação, voltadas especialmente às comunidades mais vulneráveis e suscetíveis aos efeitos das mudanças no clima.

“A COP30 chega em um momento histórico de convergência: a ciência, os países vulneráveis e a sociedade civil estão dizendo a mesma coisa, é hora de agir pela adaptação com a mesma ambição dedicada à mitigação”, afirmou Natalie Unterstell, presidente do Instituto Talanoa – uma das organizações signatárias da carta.

“Embora Belém já avance no tema, com a conclusão dos indicadores do Objetivo Global de Adaptação, a implementação de ações de adaptação depende de financiamento previsível. Colocar a adaptação no coração das negociações poderá tornar a COP30 um divisor de águas no enfrentamento da crise climática”, reforçou Natalie.

Outro ponto que pode emergir das negociações que seguirão até Belém, também a partir de pressão da sociedade civil, refere-se à demanda pelo estabelecimento de espaços formais, dentro e fora da COP, para viabilizar caminhos da chamada “Transição Justa”, que garanta futuro digno para comunidades que vão precisar transformar seus modos de vida.

A iniciativa, que está sendo chamada de Mecanismo de Ação de Belém (BAM, na sigla em inglês), é impulsionada pela Climate Action Network (CAN), uma rede global de mais de 1,9 mil organizações da sociedade civil em mais de 130 países, que trabalham juntas para combater a crise climática.

“A CAN, sindicatos, grupos feministas, campanha de justiça climática e grupos de jovens começaram a empurrar uma vez mais a ideia de que os diálogos não são suficientes para implementar uma transição justa real. A gente entende que é preciso constituir essa entidade estável”, afirma Anabella Rosemberg, especialista em justiça social das políticas ambientais na CAN.

A ideia de um mecanismo multilateral para acelerar e apoiar os esforços nacionais de transição, facilitando financiamento e apoio técnico, seria um amadurecimento do Programa de Trabalho para uma Transição Justa (JTWP), criado pela Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC, na sigla em inglês) implantada ainda na COP28, em Dubai.

Além da institucionalização deste mecanismo na COP, as organizações defendem a uniformização conceitual sobre o que é Transição Justa, que abrange não apenas a questão energética, mas todos os efeitos sociais e econômicos que a transformação climática está acarretando.

Publicado originalmente pela Agência Brasil em 13/10/2025

Por Pedro Rafael Vilela – Repórter da Agência Brasil – Brasília

Edição: Carolina Pimentel

]]>
https://www.ocafezinho.com/2025/10/14/brasil-reafirma-urgencia-de-financiamento-contra-mudancas-climaticas/feed/ 0
Fome é irmã da guerra, diz Lula no Fórum Mundial da Alimentação https://www.ocafezinho.com/2025/10/13/fome-e-irma-da-guerra-diz-lula-no-forum-mundial-da-alimentacao/ https://www.ocafezinho.com/2025/10/13/fome-e-irma-da-guerra-diz-lula-no-forum-mundial-da-alimentacao/#respond Mon, 13 Oct 2025 18:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=219131 Lula fez discurso em evento promovido pela FAO em Roma

Ao participar da abertura do Fórum Mundial da Alimentação, em Roma, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta segunda-feira (13) que “a fome é irmã da guerra”. “Seja ela travada com armas e bombas ou com tarifas e subsídios”.

“Conflitos armados, além do sofrimento humano e da destruição da infraestrutura, desorganizam cadeias de insumos e alimentos. Barreiras e políticas protecionistas de países ricos desestruturam a produção agrícola no mundo em desenvolvimento.”

“Da tragédia em Gaza à paralisia da Organização Mundial do Comércio, a fome tornou-se sintonia do abandono das regras e das instituições multilaterais”, completou o presidente brasileiro em seu discurso.

Multilateralismo

Lula comentou ainda os 80 anos da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO, na sigla em inglês) e seu trabalho junto ao Programa Mundial de Alimentos e ao Fundo Internacional para o Desenvolvimento da Agricultura.

“Não deixa dúvidas de que o mundo seria um lugar pior sem o multilateralismo”, disse. “Graças à FAO, um número crescente de países reconheceu o direito à alimentação em sua legislação”, completou.

O presidente lembrou que, há 10 anos, participava das comemorações dos 70 anos da entidade. “Muito mudou neste período. Vivíamos então o entusiasmo da adoção da agenda 2030. O mundo havia se unido em torno de objetivos comuns e caminhava rumo à um futuro promissor”.

“Hoje, tanto nossa capacidade de agir coletivamente quanto o otimismo que nos animava estão abalados. Os desafios se aprofundaram, mas não temos alternativa senão persistir. Enquanto houver fome, a FAO permanecerá indispensável.”

Publicado originalmente pela Agência Brasil em 13/10/2025

Por Paula Laboissière – Repórter da Agência Brasil – Brasília

Edição: Lílian Beraldo

]]>
https://www.ocafezinho.com/2025/10/13/fome-e-irma-da-guerra-diz-lula-no-forum-mundial-da-alimentacao/feed/ 0
O discurso antológico do primeiro-ministro da China na ONU https://www.ocafezinho.com/2025/09/26/o-discurso-antologico-do-primeiro-ministro-da-china-na-onu/ https://www.ocafezinho.com/2025/09/26/o-discurso-antologico-do-primeiro-ministro-da-china-na-onu/#respond Fri, 26 Sep 2025 21:57:16 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=218021 A assembleia ouvirá agora um discurso de Sua Excelência Li Qihang, Primeiro-Ministro do Conselho de Estado da República Popular da China.

Solicito o protocolo para escoltar Sua Excelência e convido-o a discursar na Assembleia.

***

Senhor Presidente, colegas, senhoras e senhores.

Este ano marca o 80º aniversário da vitória da guerra mundial antifascista.

É também o 80º aniversário da fundação das Nações Unidas.

Há oitenta anos, o fascismo foi derrotado em batalhas destemidas por inúmeros homens e mulheres heroicos em todo o mundo, e as Nações Unidas foram criadas com base no seu ideal de um mundo livre de guerras, marcando o início de uma jornada extraordinária de construção da ordem internacional do pós-guerra e de busca da paz e do desenvolvimento.

Os últimos 80 anos foram tortuosos, mas cheios de propósito.

Hoje, a ONU é a organização intergovernamental mais representativa e autoritária do mundo.

Com um sistema internacional centrado na ONU e uma ordem internacional baseada no direito internacional, a sociedade humana alcançou a paz geral e alcançou níveis sem precedentes de desenvolvimento e prosperidade.

Os últimos 80 anos testemunharam mudanças tectônicas em nosso mundo.

Abrangendo dois séculos, esse período viu a sociedade humana saltar da era da eletricidade e dos computadores para a era da inteligência digital.

Embora o mundo em que vivemos tenha mudado enormemente, o ideal de torná-lo um lugar melhor permanece inalterado.

Olhando para trás, podemos extrair uma série de inspirações valiosas.

Primeiro, a paz e o desenvolvimento são a aspiração mais forte compartilhada pelos povos de todos os países.

Tendo passado por duas guerras mundiais, nunca devemos esquecer as amargas lições aprendidas com o derramamento de sangue e a perda de vidas.

Por 80 anos, um ambiente internacional geralmente pacífico levou a um crescimento notável na economia global.

Hoje, à medida que o desejo por paz e desenvolvimento se torna ainda mais forte em todo o mundo, cabe à nossa geração fortalecer ainda mais a força pela paz e pelo desenvolvimento.

Segundo, a solidariedade e a cooperação são os motores mais poderosos do progresso humano.

Nos anos ferozes da guerra mundial antifascista, países com diferentes sistemas sociais, histórias e culturas superaram suas diferenças, lutaram lado a lado e prevaleceram juntos.

Nos 80 anos que se seguiram, eles enfrentaram uma sucessão de vicissitudes, como o impasse da Guerra Fria, crises financeiras e pandemias globais.

Ao permanecerem conectados e trabalhando juntos, tudo isso prova um ponto simples, mas poderoso.

A solidariedade eleva a todos, enquanto a divisão arrasta todos para baixo.

O caminho à frente pode ser difícil e acidentado, mas quando todos os países se unirem e colaborarem de boa-fé, nossa força convergirá em uma força poderosa com a qual podemos resistir a qualquer obstáculo e superar qualquer obstáculo.

Terceiro, equidade e justiça são os valores mais importantes perseguidos pela comunidade internacional.

A história continua nos lembrando que, quando o poder dita o certo, o mundo corre o risco de divisão e regressão.

Se a era da lei da selva retornar e os fracos forem deixados como presa dos fortes, a sociedade humana enfrentará ainda mais derramamento de sangue e brutalidade.

Como membros da família global, devemos defender a justiça enquanto buscamos nossos próprios interesses.

Isso é particularmente verdadeiro para os principais países.

Somente quando todos os países, grandes ou pequenos, forem tratados como iguais e o verdadeiro multilateralismo for praticado, os direitos e interesses de todas as partes poderão ser melhor protegidos.

Atualmente, o mundo entrou em um novo período de turbulência e transformação.

O unilateralismo e a mentalidade da Guerra Fria estão ressurgindo.

As regras e a ordem internacionais construídas ao longo dos últimos 80 anos estão sob sérios desafios, e o sistema internacional, outrora eficaz, é constantemente perturbado.

Os vários problemas induzidos são angustiantes e preocupantes.

A humanidade chegou mais uma vez a uma encruzilhada.

Qualquer pessoa que se preocupe com a situação mundial gostaria de perguntar por que nós, humanos, não poderíamos, tendo emergido das tribulações, adotar um maior senso de consciência e racionalidade, tratar uns aos outros com gentileza e coexistir em paz?

Como poderíamos, diante de incidentes deploráveis como desastres humanitários, fechar os olhos para atrocidades que atropelam descaradamente a equidade e a justiça e ficar de braços cruzados?

Como poderíamos, quando confrontados com atos inescrupulosos de hegemonia e intimidação, permanecer em silêncio e submissos por medo do poder?

E como poderíamos deixar a paixão e a dedicação ardentes de nossos antepassados na fundação da ONU simplesmente desaparecerem nas páginas da história?

Nós, chineses, costumamos dizer: nunca se esqueça por que você começou e você poderá cumprir sua missão.

Chegando à sede da ONU desta vez, vi mais de 190 bandeiras nacionais alinhadas em frente ao prédio e tremulando ao vento.

Vi as esculturas nos permitindo transformar espadas em arados e a não violência com sua mensagem testada pelo tempo, cada vez mais alta.

E vi funcionários de diferentes regiões, de diferentes raças e com diferentes cores de pele, trabalhando em colaboração pelos objetivos comuns da humanidade.

O que vi me fez pensar.

Essas pessoas, objetos e cenas que personificam a paz, o progresso e o desenvolvimento são exatamente a razão pela qual escolhemos comemorar a vitória.

Eles também são o que nos inspira a seguir em frente de mãos dadas.

Embora possamos não ser capazes de voltar no tempo e reviver a vitória, podemos definitivamente criar um futuro melhor juntos.

Como membro fundador da ONU, a China sempre participou ativamente dos assuntos globais e trabalhou para o bem da humanidade.

Ao longo dos anos, o presidente Xi Jinping apresentou a visão de construir uma comunidade com um futuro compartilhado para a humanidade.

A Iniciativa de Desenvolvimento Global, a Iniciativa de Segurança Global, a Iniciativa de Civilização Global e a Iniciativa de Governança Global compartilham a sabedoria e as soluções da China para navegar pelas transformações globais e superar desafios urgentes.

Em particular, a Iniciativa de Governança Global, proposta na Cúpula de Tianjin da Organização de Cooperação de Xangai, no início deste mês, destaca os princípios de adesão à igualdade soberana, respeito ao Estado de Direito internacional, prática do multilateralismo, defesa da abordagem centrada nas pessoas e foco na tomada de ações reais.

Ela aponta a direção certa e fornece um caminho importante para a construção de um sistema de governança global mais justo e equitativo.

A China está pronta para tomar ações coordenadas e eficazes em conjunto com todas as partes para oferecer soluções mais concretas e promover a paz e o desenvolvimento mundiais.

Primeiro, em meio à volatilidade e turbulência no mundo, devemos trabalhar juntos pela paz e segurança compartilhada.

Todos os países pertencem à mesma aldeia global e dependem uns dos outros para sua segurança.

Devemos defender a visão de uma segurança comum, abrangente, cooperativa e sustentável e respeitar as legítimas preocupações de segurança de todos os países.

Devemos resolver diferenças e disputas pacificamente por meio do diálogo e da consulta.

Persistir em confrontos baseados em campos ou recorrer deliberadamente à força apenas afasta ainda mais a paz.

A China sempre atuou como uma firme defensora da paz e da segurança mundial.

A China é o segundo maior contribuinte para o orçamento de manutenção da paz da ONU e o maior fornecedor de forças de manutenção da paz entre os membros permanentes do Conselho de Segurança.

A China tem trabalhado ativamente para promover negociações de paz em questões críticas, como a crise na Ucrânia e o conflito palestino-israelense.

A China continuará a desempenhar um papel construtivo na promoção da solução política de questões críticas.

Em segundo lugar, em meio ao lento crescimento global, devemos revigorar a cooperação e buscar resultados vantajosos para todos.

Uma das principais causas da atual crise econômica global é o aumento de medidas unilaterais e protecionistas, como aumentos de tarifas e a construção de muros e barreiras.

Devemos colaborar mais estreitamente para identificar e expandir a convergência de interesses, promover uma globalização econômica universalmente benéfica e inclusiva e ajudar uns aos outros a ter sucesso, avançando na mesma direção.

A China sempre foi um impulsionador fundamental do desenvolvimento global comum.

Ao longo dos anos, a economia chinesa manteve um desenvolvimento estável, contribuindo com cerca de 30% para o crescimento econômico global.

A China tem consistentemente aberto suas portas ao mundo.

Reduziu seu nível tarifário geral para 7,3% e permaneceu como o segundo maior importador mundial por 16 anos consecutivos.

A China também avançou na cooperação de alta qualidade na iniciativa Cinturão e Rota com mais de 150 países.

Atualmente, a China está tomando medidas sólidas para promover o desenvolvimento de alta qualidade internamente, com foco na expansão da demanda interna.

A China tem a confiança e a capacidade de manter sua economia em uma trajetória ascendente e continuar a fornecer suporte importante para o crescimento econômico global.

Terceiro, em meio a interações dinâmicas entre civilizações, devemos defender o diálogo e o esclarecimento mútuo. Cada civilização tem seu valor e herança únicos e merece reconhecimento e respeito.

A obsessão com a chamada superioridade civilizacional ou círculos baseados em ideologia apenas gera mais divisão e confronto.

Adotar uma atitude inclusiva e envolver-se em intercâmbios e aprendizado mútuo é uma maneira segura de construir mais consenso e força coletiva.

A China sempre se envolveu em intercâmbios civilizacionais ativos e aprendizado mútuo.

Nos próximos cinco anos, a China realizará 50 programas de cooperação para o desenvolvimento na área de cultura e civilização para países em desenvolvimento e sediará 200 programas temáticos de treinamento e seminários, contribuindo com sua parte para o diálogo intercivilizacional e o progresso das civilizações.

Em quarto lugar, em meio aos desafios emergentes, devemos responder com esforços concretos e proteger nossa casa compartilhada.

A mudança climática é um grande desafio que todos nós enfrentamos.

Devemos defender o princípio de responsabilidades comuns, porém diferenciadas, promover a implementação efetiva do Acordo de Paris e aprimorar a colaboração internacional em prol da economia verde.

Nos últimos anos, tecnologias como inteligência artificial, comunicações em rede e biofabricação avançaram rapidamente.

Além dos benefícios, elas também trazem riscos potenciais.

Devemos aderir aos princípios da tecnologia de desenvolvimento centrada nas pessoas para benefícios bons e equitativos, aprimorar as regras de governança relevantes em um ritmo mais acelerado e fortalecer a cooperação em governança global para que o progresso tecnológico possa trazer benefícios reais para a humanidade de uma maneira melhor.

A China sempre foi uma parte interessada responsável no enfrentamento dos desafios globais.

Comprometida com o desenvolvimento verde e de baixo carbono, a China estabeleceu o maior e mais rápido crescimento do mundo em termos de energia renovável, construiu a mais extensa e completa nova cadeia industrial de energia e anunciou as Contribuições Nacionalmente Determinadas da China para 2035, que abrangem todos os setores econômicos e todos os gases de efeito estufa.

A China propôs a Iniciativa Global de Governança em IA e defendeu o estabelecimento de uma Organização Mundial de Cooperação em IA.

Desta vez, durante a 80ª sessão, a China apresentará à ONU as amostras de solo lunar coletadas por Chang’ E6 no lado oculto da lua.

No futuro, a China tomará ações mais proativas e trabalhará com todas as partes para promover a governança global em áreas relevantes.

Colegas, a China está pronta para trabalhar com todos os membros para defender a posição e a autoridade da ONU, salvaguardar os propósitos e princípios da Carta da ONU, apoiar as reformas da ONU para melhorar sua eficiência e capacidade de cumprir seu mandato e defender maior representação e voz dos países em desenvolvimento.

A China trabalhará com a ONU para estabelecer um Fundo Global de Desenvolvimento Sul-Sul da China e fornecerá US$ 10 milhões em apoio orçamentário.

A China também fará parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento para estabelecer um Centro Global para o Desenvolvimento Sustentável em Xangai, a fim de acelerar a implementação da Agenda 2030 da ONU para o Desenvolvimento Sustentável.

A maré da história avança e o Grande Caminho permanece suave e firme.

No futuro, a China continuará fazendo o seu melhor para contribuir para a paz e o desenvolvimento globais.

A China espera trabalhar com o resto do mundo para defender os ideais da ONU, levar adiante o espírito do multilateralismo, implementar ativamente as quatro principais iniciativas globais, avançar em direção ao elevado objetivo de construir uma comunidade com um futuro compartilhado para a humanidade e tornar o nosso mundo um lugar mais harmonioso e belo.

Obrigado.

]]>
https://www.ocafezinho.com/2025/09/26/o-discurso-antologico-do-primeiro-ministro-da-china-na-onu/feed/ 0
China surge como a luz por multilateralismo e cooperação na ONU https://www.ocafezinho.com/2025/09/25/china-surge-como-a-luz-por-multilateralismo-e-cooperacao-na-onu/ https://www.ocafezinho.com/2025/09/25/china-surge-como-a-luz-por-multilateralismo-e-cooperacao-na-onu/#respond Thu, 25 Sep 2025 07:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=217865 Em Nova York, a China apresenta na ONU uma agenda que prioriza solidariedade, desenvolvimento coletivo e integração de países do Sul Global

Enquanto o mundo se debate com as consequências devastadoras de décadas de hegemonia neoliberal — marcadas por desigualdades crescentes, desindustrialização forçada no Sul Global, guerras comerciais e a erosão sistemática das instituições multilaterais — surge, com força renovada, uma proposta alternativa: a visão chinesa de desenvolvimento compartilhado, solidário e sustentável. Durante a recente reunião de alto nível da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, o primeiro-ministro chinês Li Qiang apresentou, com clareza e convicção, uma agenda que não apenas desafia o unilateralismo imperial dos Estados Unidos, mas oferece um caminho concreto para a reconstrução de um sistema internacional mais justo, inclusivo e cooperativo.

Em um momento em que o capitalismo financeirizado e predatório, liderado por Washington e seus aliados ocidentais, insiste em impor sanções, barreiras comerciais e doutrinas de “excepcionalismo”, a China propõe algo radicalmente diferente: cooperação em vez de competição zero-soma, solidariedade em vez de dominação, e desenvolvimento coletivo em vez de acumulação parasitária.

Leia também:
Iniciativa chinesa na ONU quer integrar países ao comércio internacional
Panamá é eleito o melhor país do mundo para expatriados
Excesso de IA cansa equipes e atrasa resultados

A Iniciativa de Desenvolvimento Global (GDI), lançada pelo presidente Xi Jinping em 2021 e agora consolidada como um bem público global, é a expressão mais madura dessa visão. E seus resultados já são tangíveis: mais de 130 países e organizações internacionais engajados, mais de 23 bilhões de dólares mobilizados nos últimos quatro anos e planos para implementar 2.000 novos projetos de subsistência nos próximos cinco — todos voltados para as populações mais vulneráveis do Sul Global.

Essa postura não é retórica vazia. Enquanto os EUA continuam a instrumentalizar instituições internacionais como a OMC para impor regras assimétricas que protegem seus monopólios tecnológicos e agrícolas, a China anuncia que não buscará novos tratamentos especiais nas negociações da OMC, abrindo caminho para uma reforma genuína do comércio global.

Mais do que isso: Pequim compromete-se a financiar diretamente a integração dos países menos desenvolvidos ao sistema comercial internacional — algo que os governos ocidentais, há décadas, prometem e nunca cumprem. A diretora-geral da OMC, Ngozi Okonjo-Iweala, não à toa, celebrou publicamente essa liderança chinesa, reconhecendo-a como fruto de “muitos anos de trabalho duro”.

A GDI vai além do comércio. Ela articula, de forma estratégica, os pilares do desenvolvimento sustentável: transição verde, inovação tecnológica, segurança alimentar e erradicação da pobreza. Nesse sentido, a nova Iniciativa de Cooperação Internacional AI+, anunciada por Li Qiang, representa um salto qualitativo.

Em vez de concentrar os benefícios da inteligência artificial nas mãos de poucas corporações norte-americanas — como a Google, a Microsoft ou a Amazon —, a China propõe democratizar o acesso a essas tecnologias emergentes, colocando-as a serviço do desenvolvimento social e econômico de nações historicamente excluídas da revolução digital.

Essa abordagem contrasta violentamente com a lógica do capitalismo neoliberal, que transformou a inovação em instrumento de extração de valor e vigilância em massa, enquanto milhões de pessoas no mundo ainda carecem de acesso à água potável, eletricidade ou educação básica. A China, por outro lado, entende que tecnologia só é progresso quando serve à humanidade, não aos acionistas de Wall Street.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, reconheceu explicitamente o alinhamento da GDI com a Agenda 2030, destacando seu papel crucial na luta contra a pobreza, na ação climática e na construção de um crescimento “inclusivo e equitativo”. Essa não é uma avaliação isolada. Somadoda Fikeni, presidente da Comissão de Serviço Público da África do Sul, foi ainda mais contundente: “A China aproveitou seus pontos fortes em recursos, infraestrutura e tecnologia para apoiar a modernização e reduzir as desigualdades globais.” Para muitos países do Sul Global — que sofreram séculos de colonialismo, seguidos por décadas de dívida estrutural imposta pelo FMI e pelo Banco Mundial —, a parceria com a China representa não uma nova forma de dependência, mas uma oportunidade real de soberania e desenvolvimento autônomo.

É importante destacar que essa postura chinesa não ocorre no vácuo. Ela se insere em um conjunto mais amplo de iniciativas globais — como a Iniciativa de Segurança Global, a Iniciativa de Civilização Global e a Iniciativa de Governança Global — que, juntas, oferecem uma arquitetura alternativa à ordem unipolar dominada pelos EUA. Enquanto Washington insiste em militarizar as relações internacionais, impor sanções extraterritoriais e sabotar acordos multilaterais (como o Acordo de Paris ou o Tratado sobre o Comércio de Armas), Pequim aposta na diplomacia do ganha-ganha, na não ingerência nos assuntos internos e na soberania dos povos.

Claro, essa postura incomoda profundamente os defensores do status quo neoliberal. Afinal, como aceitar que um país que ergueu 800 milhões de pessoas da pobreza em quatro décadas — sem invadir ninguém, sem impor ditaduras, sem submeter-se ao “consenso de Washington” — possa agora liderar uma nova ordem global baseada na cooperação? Como aceitar que a China, ao contrário dos EUA, não condiciona sua ajuda a reformas neoliberais que desmontam sistemas de saúde, educação e previdência?

A resposta, evidentemente, é que não se aceita. Por isso, vemos uma campanha incessante de desinformação, tentativas de isolamento diplomático e narrativas que insistem em pintar a China como uma “ameaça” — quando, na verdade, o que está ameaçado é o monopólio do capital ocidental sobre o destino das nações.

A reunião de alto nível da ONU, portanto, não foi apenas mais um fórum diplomático. Foi um marco simbólico e prático na transição de um mundo unipolar para um mundo multipolar, mais equilibrado e justo. E nesse novo cenário, a China emerge não como uma potência hegemônica, mas como uma potência solidária — comprometida com o “aumento do bolo” da prosperidade global, como bem disse Li Qiang.

Enquanto o neoliberalismo agoniza sob o peso de suas próprias contradições — crises financeiras recorrentes, colapso ecológico, ascensão de extremismos de direita e desconfiança generalizada nas elites —, a proposta chinesa oferece algo raro nos tempos atuais: esperança concreta. Esperança de que outro mundo não só é possível, mas já está sendo construído — com pontes, ferrovias, usinas solares, escolas, hospitais e parcerias tecnológicas que respeitam a dignidade dos povos.

Nesse sentido, apoiar a posição chinesa na ONU não é tomar partido em uma disputa geopolítica. É escolher o lado da humanidade contra o capital predatório. É escolher o multilateralismo contra o imperialismo. E, acima de tudo, é escolher o futuro contra o passado que insiste em se perpetuar.

Com informações de Agência Xinhua*

]]>
https://www.ocafezinho.com/2025/09/25/china-surge-como-a-luz-por-multilateralismo-e-cooperacao-na-onu/feed/ 0
COP-30 será oportunidade para fortalecer multilateralismo, diz Marina Silva https://www.ocafezinho.com/2025/09/21/cop-30-sera-oportunidade-para-fortalecer-multilateralismo-diz-marina-silva/ https://www.ocafezinho.com/2025/09/21/cop-30-sera-oportunidade-para-fortalecer-multilateralismo-diz-marina-silva/#respond Sun, 21 Sep 2025 15:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=217691 Ela destaca que risco ao sistema multilateral seria o pior dos mundos

A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, disse que a 30ª edição da Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP-30), que acontecerá em Belém (PA), em novembro deste ano, será uma oportunidade de os países fortalecerem o multilateralismo climático, ou seja, a cooperação global contra as mudanças do clima.

“A COP-30 é uma forma de fortalecermos o multilateralismo e de buscarmos novos paradigmas”, declarou a ministra durante uma coletiva de imprensa.

A conversa com os jornalistas foi realizada logo após o último dos seis encontros regionais do chamado Balanço Ético Global (BEG), uma iniciativa de mobilização social que aconteceu nesta sexta-feira (19), em Nova York.

Na companhia do presidente designado da COP-30, o embaixador brasileiro André Corrêa do Lago; da fundadora do Centro de Ética da Terra, Karenna Gore e do conselheiro especial do Secretário-Geral da ONU para a Ação Climática e Transição Justa, Selwin Hart, Marina destacou a importância do fortalecimento da diplomacia e do multilateralismo climático que, segundo ela estão sob ameaça.

“O multilateralismo corre o risco de ser estilhaçado e este seria o pior dos mundos”, declarou Marina, pouco antes de, ao responder a uma pergunta sobre “os retrocessos na agenda ambiental”, citar a decisão dos Estados Unidos de deixarem, em janeiro de 2026, o chamado Acordo de Paris, pactuado por 195 países, durante a COP-21, para enfrentar e tentar reverter as mudanças climáticas globais, reduzindo as emissões de gases de efeito estufa e evitar um aumento da temperatura média global superior a 1,5°C acima dos níveis pré-Revolução Industrial, nos fins do século 18.

“Claro que isso é um prejuízo enorme. Os EUA são, de longe, a maior potência econômica, o segundo maior emissor [de gases de efeito estufa], a maior potência tecnológica. Se não estão alinhados com o Acordo de Paris, há sim um imenso prejuízo e não seremos negacionistas de não reconhecermos isso. Por outro lado, esta é a oportunidade para […] que diferentes países possam dar uma demonstração de fortalecimento do multilateralismo climático”, ponderou a ministra.

Ela frisou que os desafios do clima exigem uma mudança de perspectiva e a implementação de iniciativas para viabilizar, até 2035, os US$ 1,3 trilhão necessários para apoiar os países em desenvolvimento a executarem ações de redução de emissão de gases de efeito estufa e de adaptação aos impactos da mudança do clima e a substituição gradual dos combustíveis fósseis, poluentes, como petróleo, carvão e gás natural, por energias renováveis (solar, eólica, hidrelétrica e biomassa).

“Ainda temos uma limitação de fontes renováveis para suprir toda a demanda por energia, sobretudo dos setores econômicos, mas isto tem que ser superado pelo fornecimento de energia limpa”

A ministra enfatizou que não se pode mais protelar as decisões já tomadas. “Como as de triplicar [o uso de fontes de energia] renovável, duplicar a eficiência energética e investir, global e nacionalmente, em uma matriz energética limpa e diversificada que substitua estas fontes fósseis. Se não, vira uma eterna desculpa: não fazemos a transição porque ainda não há alternativas [capazes de atender a demanda], mas não se investe [no desenvolvimento e disseminação das] alternativas”, concluiu.

Ainda durante a entrevista coletiva, Marina comentou a questão dos preços da estadia em Belém durante a COP-30. “São inaceitáveis”, disse, assegurando que o governo brasileiro vem adotando as medidas cabíveis para garantir que as delegações internacionais e a sociedade civil consigam participar, presencialmente, do evento.

“Em parceria com o governo do Pará, o governo federal tem procurado os meios legais de que dispõe para pôr um freio nestes preços exorbitantes, inaceitáveis”, disse a ministra.

Marina Silva ressaltou que, em outras edições da COP, em diferentes países, o valor das diárias aumentaram, em média, três vezes em comparação aos valores habitualmente cobrados. Desta vez, em Belém, há relatos de aumentos de até dez vezes. “É o absurdo do absurdo”.

“Estamos fazendo tudo para que todos os países possam estar presentes”, acrescentou o embaixador André Corrêa do Lago, explicando que uma das propostas é assegurar ao menos 15 quartos para as delegações de países de “menor desenvolvimento relativo” e para “as pequenas ilhas”, além de, no mínimo, dez quartos para as nações que tenham “mais meios para tentar conseguir quartos no mercado”.

“Infelizmente, o preço dos quartos em Belém continuam completamente desproporcional a qualquer COP. Isso, realmente, não tem facilitado [a organização do evento]. E temos que lembrar que não são apenas os delegados – sem os quais não há COP -, mas também a sociedade civil, a academia, o setor privado e a imprensa. Há, ainda, muita gente precisando de quartos”, admitiu Lago.

Publicado originalmente pela Agência Brasil em 19/09/2025

Por Alex Rodrigues – Repórter da Agência Brasil – Brasília

Edição: Érica Santana

]]>
https://www.ocafezinho.com/2025/09/21/cop-30-sera-oportunidade-para-fortalecer-multilateralismo-diz-marina-silva/feed/ 0
Governança global ganha novo rumo com proposta chinesa https://www.ocafezinho.com/2025/09/16/governanca-global-ganha-novo-rumo-com-proposta-chinesa/ https://www.ocafezinho.com/2025/09/16/governanca-global-ganha-novo-rumo-com-proposta-chinesa/#respond Tue, 16 Sep 2025 06:20:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=218547 Líderes internacionais reconhecem a importância da iniciativa para criar um sistema global mais justo, democrático e sensível às necessidades reais dos povos

Em um momento em que o mundo parece deslizar perigosamente rumo ao caos — entre guerras, desigualdades crescentes, crises climáticas e o ressurgimento de discursos nacionalistas e hegemônicos — surge uma voz que aponta para o norte ético da humanidade. Essa voz vem da China, não como um ator isolado, mas como parte de um coro coletivo que busca reconstruir os alicerces da cooperação internacional com base na equidade, no respeito mútuo e na dignidade de todos os povos. No início de setembro de 2025, durante a Cúpula da Organização de Cooperação de Xangai (OCX) em Tianjin, o presidente Xi Jinping apresentou ao mundo a Iniciativa de Governança Global (GGI), uma proposta audaciosa, humanista e profundamente necessária para repensar o sistema internacional em tempos de crise estrutural.

A GGI não é um mero exercício retórico diplomático. É uma resposta concreta às falhas gritantes do atual modelo de governança global — um modelo que, desde o pós-guerra, foi moldado sob a égide de poucas potências ocidentais, frequentemente à custa das vozes do Sul Global. Enquanto instituições como o Conselho de Segurança da ONU permanecem fossilizadas em estruturas de poder do século passado, países africanos, latino-americanos e asiáticos continuam marginalizados nas decisões que afetam diretamente suas populações. A China, ao propor uma reforma baseada em ampla consulta, contribuição conjunta e benefícios compartilhados, coloca no centro da agenda internacional o que há de mais progressista na política global contemporânea: a democratização das relações internacionais.

Xi Jinping não fala de governança global como um projeto técnico ou burocrático. Ele a enraíza em cinco princípios éticos fundamentais: igualdade soberana, respeito ao Direito Internacional, multilateralismo, abordagem centrada nas pessoas e foco em ações concretas. Esses não são apenas conceitos abstratos; são ferramentas para desmontar a lógica colonial que ainda permeia as relações entre Estados. A igualdade soberana, por exemplo, rejeita a ideia de que alguns países têm o direito de impor sanções unilaterais, interferir em assuntos internos ou decidir quem é “digno” de participar das mesas de decisão. O respeito ao Direito Internacional, por sua vez, é um antídoto contra a cultura da impunidade que permite potências militares agirem como juízes, júris e carrascos em conflitos distantes.

O multilateralismo proposto pela China não é o mesmo que foi instrumentalizado por décadas como fachada para a dominação ocidental. Trata-se de um multilateralismo inclusivo, que reconhece a diversidade civilizacional e rejeita a imposição de modelos únicos de desenvolvimento, democracia ou direitos humanos. É um multilateralismo que escuta os povos do Iêmen, do Sudão, do Haiti e da Bolívia com a mesma atenção com que ouve Paris, Berlim ou Washington. E, acima de tudo, é um multilateralismo que coloca as pessoas antes dos lucros, os direitos humanos antes das agendas geopolíticas e a cooperação antes da competição zero-soma.

É nesse contexto que a GGI se articula com as outras três grandes iniciativas globais propostas por Xi Jinping: a Iniciativa de Desenvolvimento Global, a Iniciativa de Segurança Global e a Iniciativa de Civilização Global. Juntas, elas formam um arcabouço ético e prático para enfrentar os quatro pilares da crise civilizacional contemporânea: a desigualdade material, a insegurança coletiva, o choque de narrativas e a falência institucional. Enquanto o Ocidente liberal insiste em exportar “valores universais” muitas vezes vinculados a interesses econômicos e militares, a China oferece um caminho alternativo: o da coexistência pacífica entre civilizações, do desenvolvimento compartilhado e da segurança comum — não baseada em alianças militares, mas em confiança mútua e respeito às diferenças.

A importância dessa visão não passou despercebida. O presidente iraniano Masoud Pezeshkian, ao comentar a GGI, destacou seu papel crucial para impulsionar a ordem internacional rumo a uma direção mais justa e equitativa. Sua avaliação ecoa o sentimento de dezenas de países do Sul Global que, cansados de serem tratados como peões em jogos de poder, veem na China um parceiro que não impõe condições políticas, não exige privatizações forçadas e não usa ajuda humanitária como moeda de chantagem. Isso não significa que a China seja perfeita — nenhum Estado o é —, mas sim que sua postura internacional está alinhada com os anseios de justiça de bilhões de pessoas que foram historicamente excluídas do concerto das nações.

Vale lembrar que, há oitenta anos, a fundação das Nações Unidas representou um avanço civilizatório: a ideia de que a paz e a cooperação deveriam prevalecer sobre a guerra e a dominação. Hoje, diante de um novo período de turbulência e transformação, a humanidade precisa de um novo pacto — não para substituir a ONU, mas para revigorá-la com princípios verdadeiramente democráticos. A GGI é um passo nessa direção. Ela não busca desmantelar o sistema internacional, mas humanizá-lo, torná-lo mais representativo, mais eficaz e mais sensível às necessidades reais dos povos.

Num mundo onde a lógica do “primeiro eu” domina a política externa de tantas potências, a China, sob a liderança de Xi Jinping, escolheu estar “do lado certo da história”: ao lado do multilateralismo autêntico, da solidariedade Sul-Sul, da paz duradoura e do desenvolvimento sustentável. Essa não é uma postura ingênua; é uma escolha ética e estratégica. Porque, no fim das contas, nenhum país estará seguro enquanto houver fome, opressão e exclusão em qualquer canto do planeta.

A Iniciativa de Governança Global é, portanto, muito mais do que uma proposta diplomática. É um chamado à consciência coletiva. Um lembrete de que a governança do mundo não pertence a um clube fechado, mas à humanidade inteira. E que, se quisermos construir um futuro de paz, segurança, prosperidade e progresso — como sonhava a Carta das Nações Unidas —, precisamos fazê-lo juntos, com igualdade, respeito e, acima de tudo, compaixão.

Nesse caminho, a China não está sozinha. E talvez, graças a iniciativas como a GGI, o mundo finalmente esteja pronto para caminhar ao seu lado — não como subordinado, mas como parceiro em uma nova era de cooperação civilizacional.

Com informações de Xinhua*

]]>
https://www.ocafezinho.com/2025/09/16/governanca-global-ganha-novo-rumo-com-proposta-chinesa/feed/ 0
A democracia e a soberania brasileiras são inegociáveis, afirma Lula em artigo no New York Times https://www.ocafezinho.com/2025/09/15/a-democracia-e-a-soberania-brasileiras-sao-inegociaveis-afirma-lula-em-artigo-no-new-york-times/ https://www.ocafezinho.com/2025/09/15/a-democracia-e-a-soberania-brasileiras-sao-inegociaveis-afirma-lula-em-artigo-no-new-york-times/#respond Mon, 15 Sep 2025 15:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=217336 Presidente brasileiro defendeu o multilaterialismo como melhor caminho para as relações entre os países. Tarifaço também foi abordado no artigo

Em artigo publicado neste domingo (14/9) no jornal The New York Times com o título Democracia e Soberania Brasileiras São Inegociáveis, o presidente Lula rebateu os argumentos do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a respeito do tarifaço imposto aos produtos brasileiros pelos Estados Unidos.

Lula ressaltou que nos últimos 15 anos, os Estados Unidos registraram um superávit de US$ 410 bilhões nas relações comerciais com o Brasil. Também disse que não há excessos nas cobranças de tarifas por parte do Brasil e que aproximadamente 75% das exportações aos Estados Unidos para o Brasil são isentas de impostos.

O presidente brasileiro defendeu o multilaterialismo como melhor caminho para as relações entre os países, apontou os números favoráveis aos Estados Unidos na balança comercial entre os dois países e disse que a decisão de taxar os produtos brasileiros é política.

Ao tratar a questão como política, Lula fez uma forte defesa da soberania brasileira e do judiciário.

Ele criticou tanto as acusações de Trump de perseguição ao ex-presidente Jair Bolsonaro – condenado a 27 anos de cadeia por tramar um golpe de estado –, quanto os esforços de regulamentação das chamadas big techs, grandes empresas de tecnologia dos Estados Unidos.

Outro ponto defendido pelo presidente Lula foi a implementação do sistema de pagamentos digital, o PIX, que possibilitou a inclusão financeira de milhares de cidadãos e empresas do país. Além de facilitar as transações e estimular a economia.

A Amazônia foi outro tema tratado pelo brasileiro no artigo, recordando que nos últimos dois anos a taxa de redução do desmatamento caiu pela metade e que, no ano passado, a polícia brasileira apreendeu milhões de dólares utilizados em esquemas criminosos contra o meio ambiente.

Por fim, o presidente Lula reafirmou a disposição de o Brasil negociar o tema das tarifas com os Estados Unidos, recordou que os dois países mantêm relações há mais de 200 anos, sendo que as diferenças ideológicas não podem prejudicar o trabalho conjunto das duas nações.

Leia a íntegra do artigo publicado neste domingo no jornal norte-americano New York Times:

A democracia e a soberania brasileiras são inegociáveis

Decidi escrever este ensaio para estabelecer um diálogo aberto e franco com o presidente dos Estados Unidos. Ao longo de décadas de negociação, primeiro como líder sindical e depois como presidente, aprendi a ouvir todos os lados e a levar em conta todos os interesses em jogo. Por isso, examinei cuidadosamente os argumentos apresentados pelo governo Trump para impor uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros.

A recuperação dos empregos americanos e a reindustrialização são motivações legítimas. Quando, no passado, os Estados Unidos levantaram a bandeira do neoliberalismo, o Brasil alertou para seus efeitos nocivos. Ver a Casa Branca finalmente reconhecer os limites do chamado Consenso de Washington, uma prescrição política de proteção social mínima, liberalização comercial irrestrita e desregulamentação generalizada, dominante desde a década de 1990, justificou a posição brasileira.

Mas recorrer a ações unilaterais contra Estados individuais é prescrever o remédio errado. O multilateralismo oferece soluções mais justas e equilibradas. O aumento tarifário imposto ao Brasil neste verão não é apenas equivocado, mas também ilógico. Os Estados Unidos não têm déficit comercial com o nosso país, nem estão sujeitos a tarifas elevadas. Nos últimos 15 anos, acumularam um superávit de US$ 410 bilhões no comércio bilateral de bens e serviços. Quase 75% das exportações dos EUA para o Brasil entram isentas de impostos. Pelos nossos cálculos, a tarifa média efetiva sobre produtos americanos é de apenas 2,7%. Oito dos 10 principais itens têm tarifa zero, incluindo petróleo, aeronaves, gás natural e carvão.

A falta de justificativa econômica por trás dessas medidas deixa claro que a motivação da Casa Branca é política. O vice-secretário de Estado, Christopher Landau, teria dito isso no início deste mês a um grupo de líderes empresariais brasileiros que trabalhavam para abrir canais de negociação. O governo americano está usando tarifas e a Lei Magnitsky para buscar impunidade para o ex-presidente Jair Bolsonaro, que orquestrou uma tentativa fracassada de golpe em 8 de janeiro de 2023, em um esforço para subverter a vontade popular expressa nas urnas.

Tenho orgulho do Supremo Tribunal Federal (STF) por sua decisão histórica na quinta-feira, que salvaguarda nossas instituições e o Estado Democrático de Direito. Não se tratou de uma “caça às bruxas”. A decisão foi resultado de procedimentos conduzidos em conformidade com a Constituição Brasileira de 1988, promulgada após duas décadas de luta contra uma ditadura militar. A decisão foi resultado de meses de investigações que revelaram planos para assassinar a mim, ao vice-presidente e a um ministro do STF. As autoridades também descobriram um projeto de decreto que teria efetivamente anulado os resultados das eleições de 2022.

O governo Trump acusou ainda o sistema judiciário brasileiro de perseguir e censurar empresas de tecnologia americanas. Essas alegações são falsas. Todas as plataformas digitais, nacionais ou estrangeiras, estão sujeitas às mesmas leis no Brasil. É desonesto chamar regulamentação de censura, especialmente quando o que está em jogo é a proteção de nossas famílias contra fraudes, desinformação e discurso de ódio. A internet não pode ser uma terra de ilegalidade, onde pedófilos e abusadores têm liberdade para atacar nossas crianças e adolescentes.

Igualmente infundadas são as alegações do governo sobre práticas desleais do Brasil no comércio digital e nos serviços de pagamento eletrônico, bem como sua suposta falha em aplicar as leis ambientais. Ao contrário de ser injusto com os operadores financeiros dos EUA, o sistema de pagamento digital brasileiro, conhecido como PIX, possibilitou a inclusão financeira de milhões de cidadãos e empresas. Não podemos ser penalizados por criar um mecanismo rápido, gratuito e seguro que facilita as transações e estimula a economia.

Nos últimos dois anos, reduzimos a taxa de desmatamento na Amazônia pela metade. Só em 2024, a polícia brasileira apreendeu centenas de milhões de dólares em ativos usados em crimes ambientais. Mas a Amazônia ainda estará em perigo se outros países não fizerem a sua parte na redução das emissões de gases de efeito estufa. O aumento das temperaturas globais pode transformar a floresta tropical em uma savana, interrompendo os padrões de precipitação em todo o hemisfério, incluindo o Centro-Oeste americano.

Quando os Estados Unidos viram as costas para uma relação de mais de 200 anos, como a que mantêm com o Brasil, todos perdem. Não há diferenças ideológicas que impeçam dois governos de trabalharem juntos em áreas nas quais têm objetivos comuns.

Presidente Trump, continuamos abertos a negociar qualquer coisa que possa trazer benefícios mútuos. Mas a democracia e a soberania do Brasil não estão em pauta. Em seu primeiro discurso à Assembleia Geral das Nações Unidas, em 2017, o senhor afirmou que “nações fortes e soberanas permitem que países diversos, com valores, culturas e sonhos diferentes, não apenas coexistam, mas trabalhem lado a lado com base no respeito mútuo”. É assim que vejo a relação entre o Brasil e os Estados Unidos: duas grandes nações capazes de se respeitarem mutuamente e cooperarem para o bem de brasileiros e americanos.

Publicado originalmente pela Agência Gov em 14/09/2025

Por Agência Brasil Planalto

]]>
https://www.ocafezinho.com/2025/09/15/a-democracia-e-a-soberania-brasileiras-sao-inegociaveis-afirma-lula-em-artigo-no-new-york-times/feed/ 0
China apresenta plano para reformar sistema internacional https://www.ocafezinho.com/2025/09/15/china-apresenta-plano-para-reformar-sistema-internacional/ https://www.ocafezinho.com/2025/09/15/china-apresenta-plano-para-reformar-sistema-internacional/#respond Mon, 15 Sep 2025 07:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=218548 Xi Jinping propõe iniciativa para fortalecer a governança global em meio a um mundo em transformação

No início deste mês, durante a reunião “Organização de Cooperação de Xangai (SCO) Plus” realizada na cidade de Tianjin, o presidente chinês Xi Jinping apresentou a Iniciativa de Governança Global (GGI), um plano ambicioso que busca aprimorar e fortalecer a governança global em um contexto marcado por mudanças rápidas e desafios sem precedentes.

A proposta de Xi coloca em pauta uma questão central do debate internacional contemporâneo: que tipo de sistema de governança global deve ser construído e de que maneira ele pode ser reformado para responder de forma eficaz às complexidades do século XXI. Fundamentada nos propósitos e princípios da Carta das Nações Unidas e guiada por uma visão que prioriza ampla consulta, contribuição conjunta e benefícios compartilhados, a iniciativa defende a criação de um sistema internacional mais justo e equitativo, caminhando na direção de uma comunidade com um futuro compartilhado para toda a humanidade.

O mundo chegou a um ponto crítico, semelhante a momentos decisivos da história. Há oitenta anos, a fundação das Nações Unidas marcou o início de um novo capítulo na governança global. Hoje, porém, a humanidade enfrenta um período de turbulência e transformação, em que antigas tendências de paz, desenvolvimento e cooperação coexistem com o ressurgimento de mentalidades de Guerra Fria, hegemonismo e protecionismo, além do acúmulo de novas ameaças globais.

Segundo especialistas, as instituições internacionais atuais apresentam três falhas significativas: a sub-representação grave do Sul Global, a erosão de sua autoridade e a necessidade urgente de maior eficácia. É nesse cenário que o GGI surge como uma proposta oportuna e essencial para responder às demandas do mundo contemporâneo.

Durante seu discurso em Tianjin, Xi destacou os cinco conceitos centrais da iniciativa: adesão à igualdade soberana entre os Estados, respeito ao Estado de Direito internacional, prática do multilateralismo, defesa de uma abordagem centrada nas pessoas e foco em ações concretas. Para o presidente chinês, esses princípios orientadores traçam os caminhos para reformar a governança global, garantindo direção clara em um momento crítico para a estabilidade internacional.

Os conceitos do GGI estão diretamente alinhados com os objetivos da Carta das Nações Unidas e refletem as aspirações compartilhadas por muitos países, especialmente os em desenvolvimento. O objetivo, conforme explicou Xi, é fortalecer a capacidade de ação do sistema internacional e das instituições existentes, tornando-as mais eficazes, adaptáveis às mudanças e preparadas para responder de maneira rápida e eficiente aos desafios globais, beneficiando todos os países de maneira equitativa.

O presidente iraniano Masoud Pezeshkian comentou a iniciativa, destacando que ela possui “grande importância para promover o desenvolvimento da ordem internacional em direção a uma direção mais justa e equitativa”.

O GGI se soma a outras importantes iniciativas globais propostas por Xi Jinping, como a Iniciativa de Desenvolvimento Global, a Iniciativa de Segurança Global e a Iniciativa de Civilização Global. Cada uma dessas propostas possui prioridades específicas, mas todas podem ser implementadas simultaneamente, promovendo estabilidade e previsibilidade em um mundo marcado pela turbulência nos âmbitos do desenvolvimento, segurança, civilização e governança.

“Quanto mais desafiadores os tempos, mais imperativo se torna manter a aspiração original de coexistência pacífica e fortalecer a confiança coletiva mundial na cooperação vantajosa para todos”, afirmou Xi. Ele reafirmou o compromisso da China de permanecer do lado certo da história, ao lado do progresso humano e do multilateralismo, mesmo diante de um mundo em constante transformação.

Guiada por uma visão de governança global baseada em ampla consulta, contribuição conjunta e benefícios compartilhados, a China reafirma sua disposição de se unir a todos os países na busca por soluções que reformem e aprimorem a governança internacional, construindo um futuro marcado pela paz, segurança, prosperidade e progresso compartilhado.

Com informações de Xinhua*

]]>
https://www.ocafezinho.com/2025/09/15/china-apresenta-plano-para-reformar-sistema-internacional/feed/ 0
Xi Jinping propõe nova ordem global para o século XXI https://www.ocafezinho.com/2025/09/14/xi-jinping-propoe-nova-ordem-global-para-o-seculo-xxi/ https://www.ocafezinho.com/2025/09/14/xi-jinping-propoe-nova-ordem-global-para-o-seculo-xxi/#respond Sun, 14 Sep 2025 10:25:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=218549 A proposta destaca soberania igualitária, Estado de Direito e multilateralismo como pilares para uma cooperação internacional sólida e inclusiva

Em um planeta conflagrado por crises que se sobrepõem e por uma crescente desconfiança nas instituições que deveriam nos guiar, um chamado por uma nova ordem ecoou desde Tianjin, na China. No início deste mês, durante a reunião da “Organização de Cooperação de Xangai (SCO) Plus”, o presidente chinês Xi Jinping colocou sobre a mesa uma proposta audaciosa: a Iniciativa de Governança Global (GGI). Não se trata de um mero ajuste de peças no tabuleiro geopolítico, mas de uma profunda reflexão sobre o futuro da humanidade em um mundo “inundado de mudanças rápidas e desafios sem precedentes”.

A iniciativa ataca o cerne da questão que assombra corredores diplomáticos e aflige populações inteiras: o atual sistema de governança global, forjado há oitenta anos sobre as cinzas da Segunda Guerra Mundial, está falido? Para Pequim, e para uma parcela cada vez maior do Sul Global, a resposta é um sonoro “sim”. As instituições que emergiram da Carta das Nações Unidas, embora nobres em seus propósitos, hoje rangem sob o peso de suas próprias deficiências: uma “grave sub-representação” das nações em desenvolvimento, uma autoridade erodida por interesses unilaterais e uma ineficácia gritante para lidar com os desafios do século XXI.

O mundo de hoje, como bem aponta a análise que fundamenta a proposta chinesa, vive uma nova era de turbulência. Se, por um lado, os ventos da paz e do desenvolvimento ainda sopram, por outro, os “fantasmas da mentalidade da Guerra Fria, do hegemonismo e do protecionismo continuam a assombrar o mundo”. É nesse cenário de encruzilhada histórica que a proposta de Xi Jinping busca ser um farol.

A GGI se alicerça em uma visão clara de “governança global com ampla consulta, contribuição conjunta e benefícios compartilhados”. Em seu discurso, Xi delineou os cinco pilares que sustentam essa nova arquitetura: o respeito irrestrito à “igualdade soberana” de todas as nações, um compromisso férreo com o “Estado de Direito internacional”, a prática genuína do “multilateralismo”, a defesa de uma “abordagem centrada nas pessoas” e, crucialmente, o foco em “ações concretas”.

Esses conceitos não são apenas palavras ao vento. São um recado direto a um sistema que, por décadas, privilegiou os interesses de poucos em detrimento da maioria. Eles respondem ao anseio de nações que cansaram de ter seu destino decidido em salas onde não possuem assento ou voz ativa. O objetivo, segundo a proposta, é fortalecer o sistema internacional para que ele sirva aos interesses de todos, “especialmente os [países] em desenvolvimento”, adaptando-se às novas realidades e respondendo com agilidade aos desafios que não respeitam fronteiras.

A repercussão da iniciativa já se faz sentir. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que a proposta chinesa é de “grande importância para promover o desenvolvimento da ordem internacional em direção a uma direção mais justa e equitativa”. Sua fala não é um eco isolado, mas a representação de um sentimento crescente entre as nações que se veem à margem do poder decisório global.

A GGI não surge no vácuo. Ela é a quarta peça de um quebra-cabeça estratégico chinês, juntando-se à Iniciativa de Desenvolvimento Global, à Iniciativa de Segurança Global e à Iniciativa de Civilização Global. Juntas, essas quatro frentes formam uma visão de mundo coesa, que busca injetar estabilidade e certeza nas dimensões do desenvolvimento, segurança, civilização e governança, demonstrando a crescente responsabilidade que a China assume nos assuntos internacionais.

Em tempos de incerteza e medo, a tentação do isolamento e do confronto se torna poderosa. A China, no entanto, reafirma sua posição: permanecerá “do lado certo da história, do lado do progresso humano e do multilateralismo”. O chamado está feito. Diante de um sistema que falha em proteger os mais vulneráveis e em garantir um futuro sustentável, a China convida o mundo a explorar coletivamente novos caminhos. Um convite para, juntos, construir um futuro onde a paz, a segurança, a prosperidade e o progresso não sejam privilégios, mas um direito de toda a humanidade.

Com informações de Xinhua*

]]>
https://www.ocafezinho.com/2025/09/14/xi-jinping-propoe-nova-ordem-global-para-o-seculo-xxi/feed/ 0
A visão de Xi para uma melhor governança global https://www.ocafezinho.com/2025/09/13/a-visao-de-xi-para-uma-melhor-governanca-global/ https://www.ocafezinho.com/2025/09/13/a-visao-de-xi-para-uma-melhor-governanca-global/#respond Sun, 14 Sep 2025 02:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=218550 Em Tianjin, Xi Jinping lança iniciativa para tornar a governança global mais justa, equitativa e capaz de enfrentar desafios emergentes do século XXI

No início deste mês, o presidente chinês Xi Jinping propôs a Iniciativa de Governança Global (GGI) na Reunião “Organização de Cooperação de Xangai (SCO) Plus”, realizada em Tianjin, buscando fortalecer e melhorar a governança global neste mundo inundado de mudanças rápidas e desafios sem precedentes.

A iniciativa concentra-se em uma questão central da atualidade: que tipo de sistema de governança global deve ser construído e como ele pode ser reformado e aprimorado. Ancorada nos propósitos e princípios da Carta das Nações Unidas e guiada pela visão de governança global com ampla consulta, contribuição conjunta e benefícios compartilhados, ela clama pela construção de um sistema de governança global mais justo e equitativo e pelo avanço em direção a uma comunidade com um futuro compartilhado para a humanidade.

Há oitenta anos, a fundação das Nações Unidas inaugurou um novo capítulo na governança global. Hoje, o mundo entrou em um novo período de turbulência e transformação, com a governança global novamente em uma nova encruzilhada. Por um lado, as tendências históricas de paz, desenvolvimento, cooperação e benefício mútuo permanecem inalteradas. Por outro, as sombras da mentalidade da Guerra Fria, do hegemonismo e do protecionismo continuam a assombrar o mundo, enquanto novas ameaças e desafios se acumulam.

As instituições internacionais existentes apresentam três deficiências: grave sub-representação do Sul Global, erosão da autoridade e uma necessidade urgente de maior eficácia. Nesse contexto, a proposta de Xi para o GGI é oportuna e crucial.

Em seu discurso na cúpula da OCS em Tianjin, Xi delineou os conceitos centrais da iniciativa — aderir à igualdade soberana, respeitar o Estado de Direito internacional, praticar o multilateralismo, defender uma abordagem centrada nas pessoas e focar em ações concretas. Esses cinco conceitos estabelecem os princípios orientadores, métodos e caminhos para reformar e aprimorar a governança global, fornecendo uma direção clara neste momento crítico.

Esses conceitos decorrem dos propósitos e princípios da Carta das Nações Unidas e respondem à aspiração compartilhada pela maioria dos países. O objetivo é fortalecer a capacidade do sistema internacional e das instituições internacionais existentes de agir, trabalhar com eficácia, adaptar-se às mudanças, responder pronta e eficazmente aos diversos desafios globais e servir aos interesses de todos os países, especialmente os em desenvolvimento.

Comentando sobre o GGI, o presidente iraniano Masoud Pezeshkian disse que ele é de grande importância para promover o desenvolvimento da ordem internacional em direção a uma direção mais justa e equitativa.

O GGI é outra iniciativa importante proposta por Xi, seguindo a Iniciativa de Desenvolvimento Global, a Iniciativa de Segurança Global e a Iniciativa de Civilização Global. As quatro iniciativas globais têm suas respectivas prioridades e podem ser implementadas simultaneamente. Elas injetam estabilidade e certeza em um mundo turbulento nas dimensões de desenvolvimento, segurança, civilização e governança, demonstrando a responsabilidade e a ação da China em assuntos internacionais.

Quanto mais desafiadores os tempos, mais imperativo se torna manter a aspiração original de coexistência pacífica e fortalecer a confiança coletiva mundial na cooperação vantajosa para todos. Diante de um mundo marcado por mudanças e turbulências, a China continuará do lado certo da história, do lado do progresso humano e do multilateralismo.

Guiada pela visão de governança global baseada em ampla consulta, contribuição conjunta e benefícios compartilhados, a China se unirá a todos os países para explorar maneiras de reformar e melhorar a governança global, trabalhando juntos para construir um futuro brilhante de paz, segurança, prosperidade e progresso.

Com informações de Xinhua*

]]>
https://www.ocafezinho.com/2025/09/13/a-visao-de-xi-para-uma-melhor-governanca-global/feed/ 0
Aos Líderes do BRICS, Lula defende união contra o unilateralismo https://www.ocafezinho.com/2025/09/09/aos-lideres-do-brics-lula-defende-uniao-contra-o-unilateralismo/ https://www.ocafezinho.com/2025/09/09/aos-lideres-do-brics-lula-defende-uniao-contra-o-unilateralismo/#respond Tue, 09 Sep 2025 22:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=217049 Em cúpula virtual, convocou líderes do agrupamento para a defesa da cooperação e de um “multilateralismo revigorado”, pela reforma da governança global e um novo modelo de desenvolvimento sustentável

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta segunda-feira, 8/9, a união dos países do BRICS como contraponto à “crescente instabilidade internacional” e ao que classificou como estratégia de “dividir para conquistar” do unilateralismo. Em discurso durante Reunião Virtual de Líderes do agrupamento, convocada por iniciativa brasileira, Lula afirmou que o grupo, que representa 40% do PIB global, tem “legitimidade necessária para liderar a refundação do sistema multilateral”.

“A chantagem tarifária está sendo normalizada como instrumento para a conquista de mercados e para interferir em questões domésticas. Cabe ao BRICS mostrar que a cooperação supera qualquer forma de rivalidade”, criticou o presidente brasileiro. Lula também convidou os países membros do BRICS a chegarem “unidos” na 14ª Conferência Ministerial da OMC no próximo ano, prevista para acontecer em Camarões, na África equatorial.

O encontro virtual, ocorreu dois meses após a Cúpula do Rio de Janeiro, realizada no início de julho, frente ao contexto de acirramento de tensões geopolíticas e comerciais globais. Em declaração final, os líderes reafirmaram o compromisso do grupo com a preservação e o fortalecimento do multilateralismo, bem como com a reforma das instituições de governança internacional.

COP30: liderança do Sul Global é fundamental

O presidente dedicou parte significativa de seu discurso à agenda ambiental, posicionando a COP30, que será realizada em Belém no próximo ano, como “o momento da verdade e da ciência”. Lula defendeu que os países em desenvolvimento, os mais impactados pela crise do clima, devem liderar a proposição de um novo paradigma de desenvolvimento.

Lula fez um convite formal aos parceiros do BRICS para considerar a criação de um Conselho de Mudança do Clima na ONU, com o objetivo de centralizar e fortalecer a governança climática global, hoje fragmentada em diversos fóruns e mecanismos. “Precisamos de uma governança climática mais forte, capaz de exercer supervisão efetiva”, disse.

Como proposta concreta, o presidente brasileiro destacou o Fundo Florestas Tropicais para Sempre, idealizado para remunerar países e comunidades pela preservação de biomas essenciais ao equilíbrio do planeta. Lula argumentou que é possível utilizar receitas dos combustíveis fósseis para financiar a transição ecológica, sublinhando que o caminho para evitar uma nova Guerra Fria passa por essa cooperação do Sul Global em favor de um modelo de crescimento distinto, harmonizando desenvolvimento e preservação ambiental.

Multilateralismo revigorado

O presidente encerrou seu discurso enfatizando a importância da 80ª Assembleia Geral da ONU, em duas semanas, como oportunidade para o BRICS “falar com uma só voz em defesa de um multilateralismo revigorado”. Ele defendeu a ampliação do Conselho de Segurança com novos membros permanentes e não permanentes da América Latina, África e Ásia. “O unilateralismo jamais conduzirá à realização dos propósitos de paz, justiça e prosperidade que nossos antecessores delinearam em 1945”, concluiu. “O BRICS já é o novo nome da defesa do multilateralismo”.

Acesse o discurso na íntegra.

Publicado originalmente pelo BRICS Brasil em 08/09/2025

Por Redação do BRICS Brasil

]]>
https://www.ocafezinho.com/2025/09/09/aos-lideres-do-brics-lula-defende-uniao-contra-o-unilateralismo/feed/ 0
Xi Jinping impulsiona uma nova ordem global, apoiado pelos líderes da Rússia e da Índia https://www.ocafezinho.com/2025/09/01/xi-jinping-impulsiona-uma-nova-ordem-global-apoiado-pelos-lideres-da-russia-e-da-india/ https://www.ocafezinho.com/2025/09/01/xi-jinping-impulsiona-uma-nova-ordem-global-apoiado-pelos-lideres-da-russia-e-da-india/#respond Mon, 01 Sep 2025 15:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=216569 Conferência liderada por Xi desafia a atual ordem global liderada pelos EUA, recebendo 20 líderes, incluindo Putin da Rússia e Modi da Índia

O presidente chinês, Xi Jinping, apresentou nesta segunda-feira sua visão para uma nova ordem econômica e de segurança global que priorize o “Sul Global”, em um desafio direto aos Estados Unidos, durante uma cúpula que incluiu os líderes da Rússia e da Índia.

“Devemos continuar a tomar uma posição clara contra o hegemonismo e a política de poder, e praticar o verdadeiro multilateralismo”, disse Xi, em uma crítica velada aos Estados Unidos e às políticas tarifárias do presidente Donald Trump.

“A governança global chegou a uma nova encruzilhada”, acrescentou.

Xi estava recebendo mais de 20 líderes de países não ocidentais em uma cúpula na cidade portuária chinesa de Tianjin para a Organização de Cooperação de Xangai, uma iniciativa apoiada pela China que ganhou novo ímpeto com a presença do presidente russo Vladimir Putin e do primeiro-ministro indiano Narendra Modi.

Em uma imagem criada para transmitir um clima de solidariedade, Putin e Modi foram mostrados de mãos dadas enquanto caminhavam alegremente em direção a Xi antes da abertura da cúpula. Os três homens estavam ombro a ombro, rindo e cercados por intérpretes.

“É difícil dizer se a cena foi coreografada ou improvisada, mas isso realmente não importa”, escreveu Eric Olander, editor-chefe do The China-Global South Project, uma agência de pesquisa.

“Se o presidente dos EUA e seus acólitos pensaram que poderiam usar tarifas para pressionar a China, a Índia ou a Rússia a se submeterem, esse (encontro) diz o contrário.”

Após a cúpula, Modi dividiu uma carona com Putin na limusine blindada Aurus do líder russo a caminho da reunião bilateral.

“As conversas com ele são sempre esclarecedoras”, escreveu Modi no X. Na reunião bilateral, Putin se dirigiu a Modi em russo como “Caro Sr. Primeiro-Ministro, caro amigo”.

China e Índia são os maiores compradores de petróleo bruto da Rússia, o segundo maior exportador mundial. Trump impôs tarifas adicionais à Índia sobre as compras, mas não à China.

Pouco conhecida fora da região, a OCS, com sede em Pequim, foi formada há mais de duas décadas como um bloco de segurança regional. China, Rússia e quatro Estados da Ásia Central são membros fundadores. A Índia aderiu em 2017.

Xi não estabeleceu nenhuma medida concreta no que chamou de “Iniciativa de Governança Global” — a mais recente de uma série de estruturas políticas de Pequim voltadas para promover a liderança da China e desafiar as organizações internacionais dominadas pelos EUA que tomaram forma após a Segunda Guerra Mundial.

Anteriormente, Xi também pressionou pelo que descreveu como uma globalização econômica mais inclusiva em meio à turbulência causada pelas políticas tarifárias de Trump, promovendo o “mercado de megaescala” e a oportunidade econômica da OCS.

‘Novo Sistema de Estabilidade’

Putin, cujo país estreitou laços econômicos e de segurança com a China em meio às consequências da guerra na Ucrânia, disse que a OCS havia revivido o “multilateralismo genuíno”, com moedas nacionais cada vez mais usadas em acordos mútuos.

“Isso, por sua vez, estabelece as bases políticas e socioeconômicas para a formação de um novo sistema de estabilidade e segurança na Eurásia”, disse Putin.

“Este sistema de segurança, diferentemente dos modelos eurocêntrico e euro-atlântico, consideraria genuinamente os interesses de uma ampla gama de países, seria verdadeiramente equilibrado e não permitiria que um país garantisse sua própria segurança às custas dos outros.”

Xi pediu a criação de um novo banco de desenvolvimento da OCS, o que seria um grande passo em direção à antiga aspiração do bloco de desenvolver um sistema de pagamento alternativo que contorne o dólar americano e o poder das sanções dos EUA.

Pequim fornecerá 2 bilhões de yuans (US$ 280 milhões) em ajuda gratuita aos estados-membros este ano e mais 10 bilhões de yuans em empréstimos a um consórcio bancário da OCS.

A China também construirá um centro de cooperação em inteligência artificial para as nações da OCS, que também estão convidadas a participar da estação de pesquisa lunar da China, acrescentou Xi.

Pequim aproveitou a cúpula como uma oportunidade para estreitar laços com Nova Déli. Modi, que visita a China pela primeira vez em sete anos, e Xi concordaram no domingo que seus países são parceiros de desenvolvimento, não rivais, e discutiram maneiras de aprimorar o comércio.

Separadamente, Xi presidirá um grande desfile militar na quarta-feira em Pequim, onde deverá ser acompanhado por Putin e pelo líder norte-coreano Kim Jong Un.

O desfile — para celebrar o 80º aniversário da rendição do Japão na Segunda Guerra Mundial — apresentará a mais recente tecnologia militar da China em uma demonstração de força que, segundo analistas, terá como objetivo intimidar e dissuadir potenciais rivais.

Publicado originalmente pela Reuters em 01/09/2025

Por Laurie Chen e Mei Mei Chu

Reportagem: Laurie Chen e Mei Mei Chu em Tianjin, Lidia Kelly em Melbourne, Liz Lee e Qiaoyi Li em Xangai

Edição: Christopher Cushing, Lincoln Feast e Gareth Jones

]]>
https://www.ocafezinho.com/2025/09/01/xi-jinping-impulsiona-uma-nova-ordem-global-apoiado-pelos-lideres-da-russia-e-da-india/feed/ 0
“Unilateralismo imperial X multilateralismo democrático: duas visões antagônicas de governança planetária https://www.ocafezinho.com/2025/07/28/unilateralismo-imperial-x-multilateralismo-democratico-duas-visoes-antagonicas-de-governanca-planetaria/ https://www.ocafezinho.com/2025/07/28/unilateralismo-imperial-x-multilateralismo-democratico-duas-visoes-antagonicas-de-governanca-planetaria/#respond Mon, 28 Jul 2025 16:39:34 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=213836 O autoritarismo se reinventa com feição democrática, mas a lógica imperial segue moldando guerras, tratados e destruição planetária

A sociedade humana permanentemente se reedifica, ora se aproximando, ora se distanciando, de formas de convivência coletivas, porque somos “seres sociais”, ora com mais autoritarismo, ora com mais democracia.

São espasmos civilizatórios, construídos ou destruídos pelo desdobramento das histórias das contradições movidas pelos interesses humanos: individuais, religiosos, políticos, econômicos, etc.

Para além dos originais e primitivos clãs, com o crescimento populacional, o espalhamento sobre o planeta e o desenvolvimento das forças produtivas, se constituem novos agrupamentos, as classes sociais, como ensina K. Marx. Estas passam a dar forma à organização da vida humana sobre a Terra em diversos modos de produção que marcaram o tempo histórico, todos com uma característica comum: uma classe dominando a outra, nos diversos planos da vida, como o da política, o da economia, etc.

Ao longo do tempo o poder político sobre as diversas formações sociais tomou a feição de império, do imperador, do indivíduo que comanda com mão de ferro, ungido por um grupo de poder, calçado por interesses econômicos, mas também político e militar. Ao longo do tempo mudou de feição, mas usarei o termo genericamente para tratar de poder autoritário, vis a vis poder democrático.

Nas contradições da vida humana novos atores surgiram ao longo dos tempos incomodando os “donos do poder” (como ensina R. Faoro) de então. E isto gera reações, vide a história. O império romano não acabou sem reação e guerra. O império mongol, idem. O império bizantino, idem. O império otomano, idem. O império português, idem. O império espanhol, idem. O império francês, idem. O império inglês, idem. O império japonês, idem. O império alemão, idem. O império belga, idem. As guerras de libertação nacional foram expressão das lutas emancipatórias destes impérios, muitos travestidos em “democracias” ocidentais com o tempo. E suas formações mais recentes também: o império nazista, idem; o império soviético, idem. Estes impérios marcaram tempos históricos de modos de produção diversos, com classes diversas, se confundindo com elas, certamente as “de cima”.

Contemporaneamente, os países, inclusive o Brasil, criaram ou fortaleceram organizações planetárias como desdobramento do Acordo de Bretton Woods, após a 2ª Grande Guerra. Impulso civilizatório, primórdios de um Estado planetário, para além do Império de um ou outro.

A ONU, expressão política, o FMI, expressão econômico-financeira, o GATT/OMC, expressão comercial, são as instituições para-Estado planetário em gestação, verdadeira concertação que constituiu um novo pacto civilizatório desdobrado da maior guerra já existente que conheceu a arma nuclear, a que pode acabar com a espécie homo sapiens e a vida como a conhecemos.

Surgiram, também, a OTAN e o Pacto de Varsóvia, alianças militares, como expressões da nova polarização pós 2ª Guerra Mundial, a “guerra fria”.

Vieram a seguir o G7 e o G20, com o ocaso da “guerra fria”. “Estados-maiores” dos Estados. E, mais recentemente, surgiu o BRICS, sem nos esquecermos dos pactos regionais (MERCOSUL, por exemplo), expressões do terceiromundismo ou, no novo conceito terminológico: “Sul-sul”.

Agora, os EUA, agindo como Império, com visão hegemonista de poder, num retrocesso civilizatório, saem de órgãos planetários que não dominam; enfraquecem outros que se autonomizam; atacam outros que os desafiam, tudo para tentar uma sobrevida como poder de Império, agindo como se fossem o Estado dos Estados. Algo que deveria ser papel da ONU, embrião de um governo planetário. Mas, num duplo movimento de pinça, de linha militar, atacam também os países individualmente.

É da natureza dos que hegemonizam reagirem aos que querem emancipação, autonomia e independência. A questão crucial é que o conflito comercial é um ponto de partida. Sabemos como começa, não sabemos como termina. A história tem muitos exemplos de tragédias civilizatórias (vide acima o declínio dos Impérios, tornados guerra e morticínio).

Concomitantemente à política de tarifas americana, o atual governo daquele país aprovou o maior orçamento de defesa de muitos anos: US$1 trilhao. Argumento: enfrentar o colosso chinês (país do BRICS) que já aponta a constituição de uma marinha militar maior que a americana, para dar um exemplo. A “prática é o critério da verdade”: quem tem 700 bases militares espalhadas pelo planeta são os EUA, que invadem países ao longo de mais de 200 anos de história.

Guerra comercial muitas vezes vira guerra militar. Todos os impérios que mencionei fizeram a guerra comercial como, por exemplo, no chamado período mercantilista do modo de produção feudalista em transição para o capitalismo, que era uma característica determinante. Mas o fizeram também antes, desde os gregos, fenícios, etc.

“É a economia, estupido” (como ensina J. Carville), seus interesses de acumulação de capital, que molda o comportamento histórico das classes dominantes, nos diversos modos de produção, seus Estados, e de sua espécie autoritária: os impérios. Os EUA reagem atualmente ao crescimento do BRICS e da China, em particular. Mas a Índia, que foi o maior PIB da história no século XIX, pode voltar a se-lo. Em sua área de influência histórica, a América Latina, lembremos que “Os EUA jamais permitirão o surgimento de um Japão ao sul do Rio Grande”(como ensina H. Kissinger).

Estes impérios de outrora expandiram pelo planeta e se apossaram de territórios, tornados colônias, com comércio, pilhagem e guerra, inclusive o hoje Brasil, que foi colônia portuguesa por séculos, e fizeram a guerra militar, a continuação da política, como ensina von Clausewitz, para garantir seus interesses ao sul do planeta.

Os impérios mudaram de feição, retrocederam às sedes, mas dominam de outras formas, indo sempre à guerra se for preciso. O inglês/britânico, remanescente do império de colônias, ainda se auto rotula como “O império que nunca dorme”, por ter afiliados da Inglaterra à Austrália, hoje Estados de Direito Democrático, nova feição.

A guerra da Ucrânia polarizou a OTAN contra a Rússia, país do BRICS. O massacre de Gaza, verdadeiro genocidio, tem a complacência americana. Meses depois Israel e EUA atacam o Iran que é um país do BRICS. Não houve reação militar porque este bloco não é militar. É um bloco que se articula num acordo de cooperação.

O G7 pode existir; o G20 pode existir; não são blocos militares; mas o BRICS não pode? Para a América os EUA queriam a ALCA. A reação engendrou o surgimento do MERCOSUL. A hegemonia não aceita emancipação. Há séculos a humanidade convive com estas posições de poder; subleva; se autonomiza; e surgem novos atores que querem impor sua vontade de emancipação. Exemplo da história? O gladiador Espartacus, que liderou uma revolta de escravos contra o Império Romano, Estado do modo de produção escravista, como ensina K. Marx.

Qual o grande diferencial atual: a guerra nuclear. A capacidade de “over killing” (“sobre matar”), ou seja , de destruir a Terra é maior que 1. Isto significa que os arsenais nucleares existentes podem destruir a Terra várias vezes; insanidade total, pois bastaria uma vez.

É deste planeta, pequena bola azul no Universo, nossa Gaia, que estamos falando. É da visão hegemonista autoritária do Império de todo tipo que estamos falando. É da visão de que um outro mundo é possível, sob a égide do multilateralismo democrático para todos, que estamos falando.

Brasil, lute por sua autonomia e independência ante o Império, qualquer deles.

Vamos adiante, lutando!

Rodrigo Botelho Campos – economista

]]>
https://www.ocafezinho.com/2025/07/28/unilateralismo-imperial-x-multilateralismo-democratico-duas-visoes-antagonicas-de-governanca-planetaria/feed/ 0